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imagemrp REVISTA EXPERIMENTAL DO CURSO DE RELAÇÕES PÚBLICAS JUNHO / 2015 | UNISINOS | SÃO LEOPOLDO/RS

RP AGENTE DE TRANSFORMAÇÃO

SUSTENTABILIDADE Não é tendência. É compromisso.


CARTA DA REDAÇÃO

ÍNDICE

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Agente de sustentabilidade

Cíntia Carvalho Editora

O profissional de Relações Públicas no cenário organizacional do Século XXI

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Planejamentos conscientes, ações inteligentes

Atitudes amigas do meio ambiente ganham destaque em organizações públicas e privadas

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Das organizações para o consumidor

Selos ecológicos atestam produtos e o comprometimento das grandes empresas com o meio ambiente

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Mercado de Trabalho: uma nova visão de comunicação Com as novas tendências no mercado da comunicação, os profissionais precisam inovar constantemente

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Unisinos sustentável: um olhar da universidade

A preservação ambiental é uma das preocupações da Unisinos

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Sustentabilidade social

Um novo conceito na gestão de eventos dentro das Relações Públicas

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As redes sociais verdes

As mídias sociais facilitam a comunicação social ao passar a mensagem do novo sustentável

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sta edição da Revista Imagem RP foi concebida com o intuito de promover reflexões e diálogos sobre o lugar da atividade de Relações Públicas na esfera da sustentabilidade. A questão da responsabilidade social vem, cada vez mais, ganhando espaço na gestão de empreendimentos, onde os gestores precisam tomar consciência dos males que suas atividades podem causar ao meio ambiente e da necessidade de ações que visem a preservação do meio natural. Por isso, despertar para uma postura de adoção de políticas que minimizem os impactos ambientais resultantes de suas práticas, pode ser de grande valia para o desenvolvimento mais sustentável das organizações, das comunidades e das pessoas. No âmbito organizacional, a preocupação com a sustentabilidade em nosso país ainda não representa uma consciência plena e significativa, porém, já se percebe movimentos em direção à valorização do desenvolvimento sustentável, onde a máxima “nossos ambientes são reflexos de nós mesmos”, ganha sentido mais amplo em sua consolidação. A publicação traz cases, entrevistas, indica mercados possíveis de atuação e oferece questões para a compreensão de formas de atuação que emergem a partir do imperativo da sustentabilidade, tentando reunir ações de responsabilidades partilhadas entre empresas e profissionais, com o objetivo de garantir mais qualidade de vida a toda a sociedade, no qual a força da economia está intrinsicamente relacionada aos cuidados com o ambiente. Destaque para a contribuição do Prof. Dr. Luiz Alberto de Farias, Presidente da ABRAPCORP (Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação Organizacional e Relações Públicas, além de docente da ECA-USP e da Universidade Anhembi Morumbi e editor da revista Organicom, que nos presenteia com suas concepções sobre o papel de Relações Públicas na consolidação da sustentabilidade. Podemos caracterizar o conteúdo desta edição a partir de quatro ações: informar, despertar, conscientizar e engajar. Nesse sentido, pode-se apontar que o primeiro passo – informar, foi concretizado com esta publicação. Os passos seguintes, são frutos de compreensão, diálogo e interação, refletidos pelos valores e interesses organizacionais e pessoais dos envolvidos na evolução de práticas mais sustentáveis com as futuras e atuais gerações. Esperamos ter contribuído, significativamente, com suas reflexões e compreensões sobre o lugar do profissional de Relações Públicas nesse cenário!

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A voz do RP

Agente de sustentabilidade O profissional de Relações Públicas no cenário organizacional do Século XXI

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DOUGLAS LEMOS CRISTIANE KASPER

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tema Sustentabilidade tem sido muito visado nos dias atuais tanto pelas organizações quanto pela sociedade civil, e é neste contexto que as Relações Públicas também se inserem. Além de atuar na gestão da comunicação, as RP’s também estão presentes no desenvolvimento das ações socioambientais, gerando impactos na sociedade e fomentando a opinião pública. A sociedade está cobrando das organizações, cada vez mais, que atuem de acordo com o meio ambiente, assim a sustentabilidade passou a ser um item obrigatório no cenário organizacional do século XXI. As Relações Públicas devem estar focadas em projetos comunicacionais que envolvam a sustentabilidade em um patamar estratégico, pois a sustentabilidade está deixando de ser pensada como um objetivo das áreas de meio ambiente, para ser pensada pela comunicação, no sentido de que a organização precisa incorporar esse conceito, transformando, assim, a sustentabilidade em combustível de sua atuação. A partir dessa alteração do cenário de atuação dos RP’s, o discurso corporativo das organizações precisa ser alterado para que atenda a necessidade de incorporação do tema. Assim, o Relações Públicas precisa ser o elo entre organização e sociedade, mediando os interesses de cada uma das partes, gerando bons frutos para a organização e relacionamentos próximos e positivos. Neste contexto, conversamos com Luiz Alberto de Farias (veja entrevista), Doutor em Comunicação e Cultura, Graduado em Relações Públicas, diretor Acadêmico das Escolas de Comunicação e Educação da Universidade Anhembi Morumbi, e atua como professor da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Farias também é diretor presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação Organizacional e Relações Públicas e editor da Revista Organicom.

RICARDO MATSUZAWA


IRP - Qual o impacto das questões de sustentabilidade para uma empresa nos dias de hoje? LAF - Ser ou não ser não é mais uma dúvida palatável: há uma exigência clara por parte da sociedade para que as organizações se engajem. Isso pode acontecer por meio de legislação, por meio de aculturação, mas essencialmente pelo novo olhar que a sociedade imprime so-

Ser ou não ser não é mais uma dúvida palatável: há uma exigência clara por parte da sociedade para que as organizações se engajem”

bre a relação das organizações com o seu meio. IRP - Como Relações Públicas o que podemos fazer para contribuir? LAF - A área e os profissionais de relações públicas têm grande responsabilidade sobre o nível de participação dos públicos nos sistemas de sustentabilidade. E um fator importante é a demonstração da conectividade que há entre os esforços comunicacionais e os resultados de sustentabilidade. Engajamento é resultante do acreditar e isso se obtém por meio, dentre outras, das políticas de relações públicas. IRP - O que ainda podemos fazer de diferente em relação ao tema X organização? LAF - Há uma vertente muito forte que faz o tema pender para o lado financeiro da sustentabilidade e isso não é ruim, precisamos apenas mostrar que quando o público incorpora os princípios, a filosofia da sustentabilidade ele colaborará ainda mais para o alcance de uma sólida performance econômica. Para que isso aconteça, deve-se trabalhar melhor os patamares de conhecimento dos públicos e isso se dá pela comunicação das relações públicas. IRP - Você acredita que esse será o tema com maior influência para a imagem das organizações nos próximos anos? LAF - Acredito que o mundo é fluido e, por isso, não haverá somente um tema, mas um fluxo contínuo de temáticas, mas certamente será um hub e um ressignificador das ações organizacionais. Estará sempre e cada vez mais pautado e por isso, merecerá atenção e investimento.

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IRP - Onde as Relações Públicas cruzam o caminho da sustentabilidade? LAF - Em dois pontos vitais: fazer com que os públicos percebam a adesão plena da organização por meio da comunicação, gerando reputação positiva, e fazer com que os públicos envolvidos nos processos de sustentabilidade incorporem-na à cultura organizacional, por meio da educação. Entendo, assim, que a comunicação e a educação devem ser pilares do trabalho das relações públicas e da consolidação da sustentabilidade.

Precisamos apenas mostrar que quando o público incorpora os princípios, a filosofia da sustentabilidade ele colaborará ainda mais para o alcance de uma sólida performance econômica”

Luiz Alberto de Farias

Entrevista

Imagem RP - Você considera a sustentabilidade um diferencial para as empresas do Séc. XXI? Por quê? Luiz Alberto de Farias - Há movimentos sociais e organizacionais que funcionam como grandes ondas: chegam, trazem verdades absolutas e depois simplesmente desaparecem ou se tornam parte indissociável dos requisitos para o equilíbrio entre os públicos. A sustentabilidade está na categoria de elemento essencial. Se enxergarmos a sustentabilidade como processo e não como ações estanques, toda organização deverá colocá-la no topo de suas prioridades, seja para gerar percepção positiva, seja para projetar sobrevivência e melhorias de todos os seus níveis de performance.


DIVULGAÇÃO

Atitudes Verdes

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Planejamentos conscientes, ações inteligentes Atitudes amigas do meio ambiente ganham destaque em organizações públicas e privadas

CRISTINA TROMBINI CICHELERO ISRAEL SILVEIRA ROCHA

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pós o boom da sustentabilidade, a premissa está presente nos valores de muitas organizações. Porém, os princípios ecologicamente corretos precisam ultrapassar da teoria para prática, realmente acontecendo no dia a dia, paralelamente às suas ações, e o engajamento do público interno torna-se essencial. Na Bortolini Mobiliário Corporativo de Garibaldi, região serrana do Rio Grande do Sul é assim: a sustentabilidade é um dos princípios mais fortes da empresa e está presente nas instalações fabris, valorização do capital humano, ecodesign dos produtos e redução de resíduos da empresa. Segundo Ana Possamai, Relações Públicas e Supervisora de RH da Bortolini, os colaboradores vivem a importância do cuidado com o meio ambiente. Dentre as ações de conscientização,

estão a recente substituição dos copos plásticos no setor administrativo e restaurante da empresa, reduzindo significativamente a produção de lixo, além dos produtos orgânicos oferecidos na alimentação do colaborador. Para cada novo colaborador, durante o momento de integração, são passadas todas as informações sobre a gestão sustentável da organização e de que forma ele poderá colaborar com isso, reforçando uma cultura interna sustentável que, automaticamente, é refletida no âmbito externo para a comunidade e também nas casas de seus funcionários. Para Ana, “o profissional de RP deve enfatizar as ações em sustentabilidade praticadas pelas empresas e pulverizar esta ideia para os diversos públicos de relacionamento, a fim de tornar o tema sustentabilidade cotidiano” Foi pensando em melhorar o meio ambiente e a qualidade de vida de seus pequenos, que a Escola Municipal de Educação Infantil Pequeno

Aprendiz, de Santo Antônio da Patrulha, na região Metropolitana de Porto Alegre, iniciou uma serie de ações sustentáveis, que movimentou toda a comunidade escolar e também o bairro onde a instituição está localizada. Tudo começou quando a professora Madelaine Zanotto iniciou o projeto “Um por todos e todos por um”, que promovia a conscientização de todos os envolvidos na escola acerca da coleta seletiva do lixo e da reutilização de cascas de alimentos. O projeto, que superou as expectativas e sofreu uma reformulação, passou a chamar-se nesta segunda fase “Ambiente Aprendiz”. Agora, além da conscientização, a proposta também começou a colocar a “mão na massa”. A escola criou uma horta comunitária, utilizando adubo orgânico produzido na composteira que eles mesmos criaram e fazem a manutenção, incorporando as cascas oriundas do lixo orgânico. De acordo com a diretora Renata Santos, além


DIVULGAÇÃO ACERVO / ESCOLA PEQUENO APRENDIZ

dos alunos poderem colher legumes e verduras fresquinhas, eles incentivam os pais na separação do lixo em casa, o que promove o envolvimento entre família e escola por meio da sustentabilidade. O projeto possui, ainda, um aplicativo com o mesmo nome que traz uma série de informações relevantes e atitudes sustentáveis Além disso, ensina como a criar uma composteira para que outros também possam dar sequência a esta ação. A iniciativa vem ganhando reconhecimento na cidade. Em 2014, a escola ganhou uma premiação destaque na Mostra de Ciências e do Conhecimento, onde concorreu com dezenas de projetos. Ser ecoeficiente, além de trazer benefícios para as pessoas, faz bem ao meio em que vivemos. Empresas que investem na área servem de exemplo para aquelas que ainda não reconhecem o desenvolvimento sustentável como uma grande ferramenta de Relações Públicas.

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O parque fabril da Bortolini Mobiliário Corporativo foi construído a partir do conceito de sustentabilidade (1). No setor administrativo, a iluminação é natural (2). Na escola Pequeno Aprendiz, as crianças auxiliam na colheita dos produtos na horta comunitária, que funciona dentro do pátio (3)

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PIXABAY

Selos Ecofriendly

Das organizações para o consumidor Selos ecológicos atestam produtos e o comprometimento das grandes empresas com o meio ambiente

JESSICA SCOPEL VANESSA FERRÃO

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uestões ambientais e ecosociais são cada vez mais debatidas pela sociedade. Ser uma organização “sustentável” passa a ser, não somente uma obrigação legal, mas sim, um reflexo das práticas desenvolvidas pelas empresas. Segundo Valtemir Goldmeier, Diretor da Assessoria Técnica da Fepam (Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luiz Roessler), “As grandes empresas trazem a sustentabilidade em suas identidades. Tratam os cuidados ambientais sem visar apenas os incentivos fiscais e financeiros, tratam-nas como missão da empresa.”.

Nos dias atuais, muito se fala a respeito de sustentabilidade e suas vantagens para o futuro do nosso planeta. Assim, as empresas que investem nas práticas ambientais recebem uma visibilidade bastante positiva para com seus públicos. Apesar de muito se discutir sobre o tema, algumas questões ainda não são muito conhecidas, como os selos ecológicos. Os selos verdes ou certificados ecológicos são certificações de produtos e/ou serviços que apresentam menor impacto no meio ambiente, provenientes de empresas que são ecologicamente corretas em seus processos. O que as pequenas empresas desconhecem é que qualquer organização é capaz de possuir estas certificações. “Não existe

um órgão específico que crie os certificados ecológicos. Estes são criados a partir das práticas das empresas que se dispõe a encarar a sustentabilidade e faze-las presentes em suas ações e produtos.”, esclarece o diretor. É necessário que a empresa comprove para com os órgãos ambientais competentes que trabalha e se desenvolve com base na responsabilidade ambiental. Após a comprovação, deve-se entrar com um pedido para a criação do selo, especificando suas ações que aliam interesses ambientais e sociais com os econômicos. Apesar do procedimento burocrático necessário, a obtenção dos selos costuma ser satisfatória a contar os benefícios para a empresa e, visivelmente, para o bem do nosso planeta.


Os principais selos Selo

O que certifica?

Quem emite?

Produtos que utilizam de matéria prima vinda das florestas

Comprova que esses matérias primas são retiradas de forma sustentável, sem prejuízos ao meio ambiente

Emitido pelo Conselho Brasileiro de Manejo Florestal, é um dos mais reconhecidos do mundo

Eletrônicos e eletrodomésticos

Quais desses possuem os melhores resultados de eficiência energética, identificados através de testes

Responsabilidade do Ministério de Minas e Energia junto com a Eletrobras

Projetos de sistema de gestão ambiental

Os que funcionam, ou seja, que geram lucros mas não agridem nem impactem o meio ambiente

ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas

Produtos agrícolas

Os que respeitam a preservação ambiental e as boas condições de seus trabalhadores e da comunidade

Rainforest Alliance Certified e Secretaria da Rede de Agricultura Sustentável

Prédios e edificações

Qualifica os que não impactam o meio ambiente tanto durante o processo de construção quanto, posteriormente, referente a economia de energia, gás, água.

LEED (Liderança em Energia e Design Ambiental)

Alimentos orgânicos e cosméticos naturais e orgânicos

Que os produtos sejam no mínimo 95% orgânicos e naturais

Ecocert

Produtos orgânicos: alimentos, cosméticos e algodão

Que o Código Florestal e as leis trabalhistas são respeitadas.

IBD (Instituto Biodinâmico). É a maior certificadora da América Latina para orgânicos, sendo a única no Brasil.

Sites

A compensação da emissão de CO2 das páginas da web, realizando o plantio de árvores.

Os sites interessados assinam contrato com o Site Sustentável para tal processo.

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Para quais produtos?


Empreendedorismo

Com as novas tendências no mercado da comunicação, os profissionais precisam inovar constantemente

MARINA MIORIM MCGIVER SILVEIRA

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mercado de trabalho tem sido bem receptivo à empreendedores com foco na sustentabilidade. O mais interessante nesse cenário, é a emergência da prática de Relações Públicas. Conversando com alguns profissionais desta área, podemos perceber uma fácil interação entre Relações Públicas e Sustentabilidade. Fato que pode ser confirmado no depoimento de Camila Vaz, egressa do curso de Relações Públicas da Unisinos em 2011: “A partir do momento em que o profissional de Relações Públicas agrega ao planejamento da organização programas

que contemplam a mobilização para uma conscientização, e ainda divulgue isso, estará trabalhando a sustentabilidade”. Deste modo, para que haja essa conscientização, é necessário que as pessoas recebam a informação sobre a realidade em que vivem, gerando conhecimento para refletir sobre a mudança. Nesse contexto, podemos ressaltar o trabalho que vem sendo desenvolvido pela Agência Trio Comunicação, situada em Guaíba há 8 anos, que busca inserir nas empresas pequenos conceitos e práticas da área de comunicação e sustentabilidade. Para Dieny Perin, egressa de Relações Públicas e Diretora de Atendimento da agência, “trabalhar positivamente as questões sustentáveis dentro da empresa, tanto interna como exter-

nas, e não comunicar isso aos públicos seria perder a oportunidade de fortalecer a marca junto aos públicos”. Por isso, se preocupar em expor essas ações, facilita a geração de vínculos mais fortes com os públicos, condição essencial para permanência no mercado. Analisando a fala das profissionais, concluímos que a forma como será conduzida, exposta ao público, essas ações comunicacionais desenvolvidas dentro da empresa, ajudará na construção da imagem institucional, contribuindo para um retorno mais significativo. Muitas empresas já identificam essa necessidade de possuir uma atuação mais avançada na área, e abrem espaço para profissionais focados no assunto trabalharem essa abordagem.

Capacitação sobre questões sustentáveis com colaboradores da Agência Trio

FOTOS ACERVO / AGÊNCIA TRIO

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Mercado de Trabalho: uma nova visão de comunicação


Camila Vaz (à esquerda) e Equipe Agência Trio

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Entrevista com a Dieny Perin,

Diretora de Atendimento na agência Trio Comunicação: Unisinos - Por que a Trio Comunicação escolheu trabalhar com sustentabilidade? Dieny - Enxergou-se na Sustentabilidade um diferencial competitivo para a Agência, além de estar totalmente alinhado com os ideais de todos os sócios da empresa. Unisinos - Que dificuldades vocês encontraram (ou encontram) para abordar os temas Comunicação e Sustentabilidade em um mesmo projeto? Dieny - Empresas de médio e pequeno porte não estão acostumadas com esses significados. Talvez ainda demorem um pouco para se darem conta que daqui um tempo não será mais um diferencial, mas sim uma imposição que os consumidores farão às empresas. Para estas empresas a Sustentabilidade fica em segundo plano, pois elas ainda estão começando a consumir a comu-

nicação. Mesmo assim tentamos inserir nestas empresas pequenos conceitos e práticas da área. Unisinos - O que a Trio considera ser sustentabilidade dentro da profissão de Relações Públicas? Dieny - Acreditamos que a Sustentabilidade hoje tem que estar em tudo! Para iniciar, este profissional precisa apenas ter um olhar diferenciado para questões ambientais, sociais e econômicas dentro da empresa. Pergunte-se: está bom pra minha empresa? Pra sociedade? Pro meio ambiente? Unisinos - Como vocês percebem que um profissional de Relações Públicas trabalha a sustentabilidade? Dieny - O profissional de RP tem que estar sempre atento às novidades do mercado. Deve olhar

como a empresa em que atua está se comunicando com cada um de seus públicos. Com um público cada vez mais exigente, a tendência é de uma cobrança em cima das empresas para as questões do tripé de sustentabilidade (econômico, social e ambiental). Unisinos - Como a Trio trabalha com a questão de sustentabilidade internamente (entre seus colaboradores e sócios)? Dieny - Ao iniciarmos essa nova etapa, realizamos treinamentos com a regência de um profissional de Relações Públicas especialista na área de sustentabilidade, que passou sua vasta experiência a todos os colaboradores por meio de workshops. Os conteúdos foram de enorme valia, e foram a base para iniciarmos o trabalho na empresa.


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DIVULGAÇÃO / UNISINOS

Universidade Consciente

Unisinos sustentável: um olhar da universidade A preservação ambiental é uma das preocupações da Unisinos JENIFER ROESSEL MAIANDRE LAZZARI

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uando você pensa em sustentabilidade, o que lhe vem à cabeça? Natureza? Reciclagem? Economia de recursos naturais? Vale a pena repensar, pois o termo não se

refere somente ao cuidado com o meio ambiente, mas também diz respeito às escolhas sobre as formas de produção, consumo, habitação, comunicação, alimentação e transporte que envolvem o seu cotidiano. É importante lembrar que manter uma atitude sustentável compromete as gerações presentes e futuras, dado que a adoção de ações de sustentabilidade, garantem um planeta em boas condições para o desenvolvimento das diversas formas de vida. E foi com essa preocupação que a Unisinos desenvolveu um setor com o propósito de conscientizar a comunidade acadêmica sobre o desenvolvimento sustentável.

O SGA (Sistema de Gestão Ambiental) é responsável pela coordenação das ações ambientais na universidade, como a organização e a coleta de lixo, a reciclagem de resíduos, o tratamento de esgoto e ações que incentivam a redução do consumo de água, energia e diminuição do volume de resíduos gerados. O setor teve surgimento em 1997, com a iniciativa de um grupo de funcionários. Entre os principais projetos do SGA, estão também a capacitação dos funcionários, estagiários e bolsistas da universidade e as campanhas de conscientização ambiental. Em consequência do reconhecimento do trabalho realizado, a institui-

ção recebeu a certificação ISO 14001 no ano de 2004, selo que atesta que a instituição cumpre todas as normas para reduzir o impacto de suas atividades sobre o ambiente natural. Desde então, diariamente é realizada a manutenção da implantação dos requisitos da ISO e o setor continua a desenvolver atividades para a integração de toda a comunidade acadêmica nos processos relacionados ao meio ambiente. A universidade continua fazendo sua parte, conscientizando e orientando a comunidade em geral sobre os cuidados com o meio ambiente. E quanto a você, que tal repensar o seu olhar sobre sustentabilidade?


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Alguns espaços de preservação da Unisinos São Leopoldo


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REVISTA EXCLUSIVE

Eventos

Sustentabilidade social Um novo conceito na gestão de eventos dentro das Relações Públicas


DÉBORA MOREIRA EMMYLIN FREITAS

A

Imagem RP – Quais dicas você poderia dar para quem tem interesse em desenvolver a proposta de eventos sustentáveis? Geovah Cabral – Como disse antes, é um trabalho de formiga, porém gratificante. Sempre fizemos trabalhos com comunidades dando cursos de garçons e copeiras e convidando os profissionais que formamos para nossos eventos. Sempre estamos atentos ao desenvolvimento da cadeia de fornecedores com produtos saudáveis, orgânicos, funcionais. Passamos os conceitos de sustentabilidade aos participantes dos nossos eventos.

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Imagem RP – Como surgiu a ideia de realizar eventos voltados para a sustentabilidade?

Imagem RP – Existe alguma resistência por parte dos clientes para o desenvolvimento dos eventos propostos pela Cacauí? Geovah Cabral – Apesar de nossa proposta ser diferenciada, as empresas ainda focam muito em custo e querem comparar nosso produto com os buffets que não estão muito preocupados com a sustentabilidade. Quando enviamos nosso orçamento, conseguimos sensibilizar o pessoal de marketing, pois entendem a nossa proposta, porém, quando chega no departamento de compras, enfrentamos a resistência pelo preço.

No site da empresa, é possível conferir o trabalho desenvolvido pela Cacauí: www.cacaui.com.br.

Imagem RP – Como está o mercado de trabalho para este tipo de evento sustentável? Geovah Cabral – Ainda é um trabalho de formiga já que muitas empresas vêem a sustentabilidade apenas como um “slogan” de marketing e, na verdade, não a praticam ou pouco praticam. Já, algumas empresas resolveram focar na sustentabilidade como um modo de transformar o nosso entorno e criaram projetos junto a seus funcionários para incentiva-los a mudar o mundo e é aí que nós pegamos uma carona nestes projetos, fazendo eventos corporativos. Fazemos eventos também com algumas ONGs da área.

ARQUIVO PESSOAL

palavra sustentabilidade está em alta, as organizações têm trabalhado em cima deste conceito sistêmico para associar a sua imagem ao meio ambiente, porém, o conceito não se restringe somente a ações ambientais. Atitudes socioambientais também participam da construção de um projeto de desenvolvimento sustentável, um conjunto de ações que miram melhorias na qualidade de vida da comunidade. A sociedade é constituída de pessoas, e depende de cada um de nós para funcionar, quando a empresa utiliza o pilar social da sustentabilidade, ela deve pensar nos aspectos que influenciam os seus funcionários, como: o ambiente de trabalho e a saúde, utilizando-o para o benefício do colaborador e não como ação de comunicação. Passar a compreensão de equilíbrio entre a natureza e a sociedade não é fácil de desenvolver, pois economicamente falando pode se tornar oneroso. Porém, a sustentabilidade pode se tornar um ótimo viés para contar a história da empresa e abordar assuntos críticos. Implantar programas que geram renda para pessoas carentes, qualificar jovens de baixa renda, são ações que contribuem para o desenvolvimento da região onde a empresa funciona. Um exemplo de case onde o evento sustentável é desenvolvido, está a Cacauí Eventos, situada na capital de São Paulo. Fundada em 2005, a empresa atua no mercado com um diferencial em relação a prestação de serviços. Utilizando produtos sustentáveis, orgânicos e funcionais, a empresa desenvolve sua rede com parceiros que vão ao encontro das mesmas diretrizes. Soma-se a isso, a visão social da empresa, no qual promove a capacitação dos atores envolvidos na cadeia produtiva. Entrevistamos um dos sócios proprietários da empresa, Geovah Cabral.

Geovah Cabral – As fundadoras (Patrícia Meirelles e Andrea Assami) trabalhavam em projetos sociais com comunidades e resolveram desenvolver um projeto cujo objetivo era a inclusão no mercado de trabalho de jovens da comunidade e perceberam que a área de alimentação seria mais fácil já que as barreiras de entrada neste mercado seriam menores. Na época, elas faziam uma pós-graduação em sustentabilidade e resolveram incluir, também, o cuidado com o meio ambiente no projeto e o lado social do trabalho com as comunidades.

Geovah Cabral


Comunidades Virtuais

As redes sociais verdes As mídias sociais facilitam a comunicação social ao passar a mensagem do novo sustentável

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NATÁLIA JACQUES

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oje em dia as empresas, e também as pessoas em geral, estão se preocupando mais em preservação, em um mundo mais organizado, justo e durável. Sendo assim, a palavra sustentabilidade entra em vigor. O termo define ações e atividades humanas que visam suprir as necessidades atuais dos seres humanos, sem comprometer o futuro das próximas gerações. Ou seja, gerir uma empresa, comunidade ou país, através de processos que valorizam e recuperam todas as formas de capital: humano, natural e financeiro.

Junto a essa mudança de comportamento, estão as redes sociais, os meios práticos, fáceis, baratos e democráticos, de inserir uma opinião, discurso e conceitos. Sendo os blogs, Twitter, Facebook e Instagram, algumas, das muitas formas de comunicação de empresas para angariar novos públicos ou fortalecer o vínculo com os já existentes. Sozinho, apenas o Facebook, tem mais de um bilhão de contas ativas contabilizadas no último mês de abril, segundo o DMR - site que faz pesquisas na área de marketing digital. Ou seja, a possibilidade de haver mais pessoas assistindo, curtindo e compartilhando da sua marca, por tão pouco, é quase revolucionário. Muitos estudos na área digital estão sendo realizados, relacionando exatamente a comunicação entre ambas, sustentabilidade e redes sociais, onde uma ajuda a outra. Uma pesquisa desenvolvida em 2012 por Lara Corrêa Ely, indica que o tema sustentabilidade nas redes sociais amplia-se, sendo que as novas formas de interação dos usuários com os conte-

údos permitem diferentes meios de compreensão e engajamento nas causas sustentáveis. No próprio Facebook, onde é possível criar páginas e grupos de discussão de determinada temática, dissemina o assunto sustentabilidade, na sua forma crua, divulgando ações sustentáveis de empresas, estatais e pessoas em geral. Só na busca, utilizando a palavra sustentável, aparecem mais de cem páginas em português tratando do assunto de diversos feitios. Citando apenas três das páginas com mais curtidas no Facebook, que tratam do assunto de sustentabilidade, elas somam juntas mais de um milhão e meio de pessoas. As três páginas são Arquitetura Sustentável, Juventude Sustentável e Planeta Sustentável. Todas essas fanpages abordam a sustentabilidade e apresentam meios de como ser um cidadão mais ativo para a salvação do nosso meio ambiente com ações simples que podem muitas vezes serem praticadas no nosso dia a dia. Também tratam de temas como

preconceito, bem-estar e saúde, ou seja, tudo para uma qualidade de vida melhor. As redes sociais acabam se tornando ferramentas populares, mais diretas e próximas do público com amplo engajamento em uma causa, principalmente naquela que promete melhorar a vida na Terra das pessoas. Ambos, as mídias e a sustentabilidade podem ajudar a disseminar um novo conceito de condição social em que ajudar ao próximo seja parte do cotidiano dos cidadãos. O social media, a pessoa que trabalha por trás das redes sociais, tem um importante papel para divulgar os ideais da empresa, ainda mais levando em conta que a comunicação deve ser clara e objetiva. Desta forma, com o surgimento destas novas formas de aderir e organizar pessoas, por meio de uma comunidade virtual, se caracteriza, principalmente por uma série de decisões e opiniões onde os cidadãos identificam-se, somando assim suas relações, tanto individuais quanto coletivas, e estabelecem novos compromissos de longo prazo com o bem-estar. VERSIO2


A página Arquitetura Sustentável tem o objetivo de pensar em ações que contribuam para o meio ambiente

A fanpage Planeta Sustentável, possui mais 800mil likes, sendo uma das maiores páginas em português, dedicada somente ao ideal de sustentabilidade. Eles publicam notícias, dicas e ideias sobre meio ambiente e responsabilidade social

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A Juventude Sustentável apresenta dicas de práticas sustentáveis


Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) ENDEREÇO: Avenida Unisinos, 950. São Leopoldo, RS CEP: 93022-000 TELEFONE: (51) 3591.1122 INTERNET: www.unisinos.br E-MAIL: unisinos@unisinos.br

ADMINISTRAÇÃO REITOR: VICE-REITOR: PRÓ-REITOR ACADÊMICO: PRÓ-REITOR DE ADMINISTRAÇÃO: DIRETOR UNIDADE DE GRADUAÇÃO: GERENTE DE BACHARELADOS: COORDENADORA CURSO DE RELAÇÕES PÚBLICAS:

Marcelo Fernandes de Aquino José Ivo Follmann Pedro Gilberto Gomes João Zani Gustavo Borba Vinicius Souza Erica Hiwatashi

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imagemrp A revista Imagem RP é uma produção dos alunos das disciplinas de Redação em Relações Públicas IV do Curso de Relações Públicas da Unisinos

TEXTOS ORIENTAÇÃO: Cíntia Carvalho (cintiascarvalho@unisinos.br) TEXTOS: Cristiane Mirian Kasper, Cristina Trombini Cichelero, Débora Moreira de Andrade, Divino Mcgiver dos Santos Silveira, Douglas Corrêa Lemos, Emmylin Ariela Alves Pereira de Freitas, Israel Silveira Rocha, Jenifer Roessel, Jessica Scopel, Maiandre Paesi Lazzari, Marina Miorim, Natália Jacques Borges e Vanessa de Menezes Ferrão

PROJETO GRÁFICO REALIZAÇÃO: turma 2010/2 da disciplina de Projeto Experimental em Planejamento Gráfico ORIENTAÇÃO: Everton Cardoso (evertontc@unisinos.br) PROJETO: Gabriela Schuch

DIAGRAMAÇÃO REALIZAÇÃO: Agência Experimental de Comunicação (Agexcom) SUPERVISÃO TÉCNICA: Marcelo Garcia DIAGRAMAÇÃO: Gabriele Menezes e Marcelo Garcia

CAPA ARTE: Gabriele Menezes

PUBLICIDADE REALIZAÇÃO: ORIENTAÇÃO: SUPERVISÃO: ATENDIMENTO: REDAÇÃO: DIREÇÃO DE ARTE:

Agência Experimental de Comunicação (AgexCOM) Letícia Rosa (letirosa@unisnos.br) Robert Thieme (robertt@unisinos.br) Jandaia Zanette Guilherme Stacke Sara Cerutti Müller (página 2 e contracapa) e Gabriel Luís Frantz (página 19)


Imagem RP 2015/1  

Revista experimental produzida por alunos do Curso de Relações Públicas da Unisinos (campus São Leopoldo/RS). Edição 2015/1. Junho de 2015.

Imagem RP 2015/1  

Revista experimental produzida por alunos do Curso de Relações Públicas da Unisinos (campus São Leopoldo/RS). Edição 2015/1. Junho de 2015.

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