Page 1

1ª Edição

REJANE SILVA PIEDADE

REVISAR É NECESSÁRIO .

NOVOS TEMPOS Editora


Coryrigth©Rejane Silva Piedade, 2010 Capa: Kelvim Rodrigues de Souza Editora - Assistente: KimberlySchons Preparação do Texto Gabriel Silva Gomes Supervisão Editorial: Luiza dos Santos Projeto Gráfico Franciele Oliveira Bittencourt Editoração Lukaian Madeira Impressão HP Gráfica *Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) ______________________________________________________________________ Piedade, Rejane Silva *Revisar é necessário / Rejane Silva Piedade– Porto Alegre: Editora Novos Tempos, 2010. Bibliografia ISBN 967. 79-2208-190-1

*Todos os nomes criados para as empresas e profissionais, bem como os dados de catalogação são meramente ficcionais.


O verdadeiro analfabeto é aquele que aprendeu a ler e não lê Mário Quintana.


REVISAR É NECESSÁRIO Ao ler um livro, o leitor, geralmente atenta-se apenas ao autor como único responsável pelo processo de feitura do livro. Desconhece que esse processo envolve uma equipe composta por vários profissionais. O autor, o editor, o diagramador, o revisor, o ilustrador, entre outros, são integrantes dessa equipe. Sozinho, o autor constrói um texto, associado a uma equipe, seu texto pode transformar-se em um livro. Em outros segmentos, também ocorre situação semelhante. Entre os muitos segmentos que o individual se sobrepõe ao coletivo, pode-se citar a música, cujo cantor, normalmente é reconhecido e valorizado, enquanto o compositor (autor) na maioria das vezes é ignorado. No esporte, o atleta é reconhecido e valorizado e o restante da equipe por vezes nem é mencionado. Na televisão, os artistas são reverenciados, e os demais profissionais ficam no anonimato. Integrantes de qualquer equipe são relevantes para alcançar os objetivos a que se propõem e todos merecem respeito e reconhecimento. Com base nos exemplos citados, entende-se que a sobreposição do individual ao coletivo é cultural. Em relação ao livro, entende-se que a ausência do trabalho em equipe compromete a qualidade do produto final e contribui para um possível fracasso tanto moral como financeiro de escritores, editoras e comércio livreiro. É necessário esclarecer que o objetivo aqui não é o de diminuir o papel do autor, visto que sem ele não faria sentido a existência dos demais componentes da equipe. O que se pretende é enfatizar a importância do revisor de texto no processo de criação do livro. O revisor de texto deve ser um leitor proficiente dos mais variados gêneros e assuntos. Deve ter domínio da norma padrão e saber utilizá-la de forma adequada, levando em consideração que o uso das normas gramaticais está a serviço da comunicação oral e escrita, e não o contrário. Necessita ter conhecimento dos fundamentos da Linguística e saber como e quando aplicá-los. Também é imprescindível estar ciente de o que o seu oficio se restringe a normalizar textos, mantendo o estilo do autor e a mensagem do texto original. O diálogo, entendido como forma de comunicação, é fundamental em qualquer relação. No processo revisional pode-se dizer que ele é indispensável, pois 4


é por intermédio dele que se promove a interação da equipe responsável pelo processo de feitura do livro ou de qualquer material escrito. É

imprescindível para o sucesso nessa atividade, estar ciente de que o seu

oficio se restringe a normalizar originais, mantendo o estilo do autor e a mensagem do texto. Para entender um pouco mais sobre normalização, recorreu-se a Emanuel Araújo, 2000, que diz o seguinte: Não existe, na verdade, qualquer padrão normativo absoluto para nada. O preparador de originais, de fato, sempre oscilará entre as dificuldades – e inevitáveis adaptações caso por caso – de padronização para traduções, organização bibliográfica ou de índices etc., até a aceitação, pura e simples, de certos critérios impostos pela criação literária ( em particular na poesia) em que a única tarefa normalizadora, aliás muito difícil em alguns autores, consiste basicamente em infundir coerência gráfica ao texto impresso.

Outro aspecto importante nessa atividade é o número de revisão realizada, pois interfere diretamente na qualidade e no valor do produto final. Quanto maior for o número de revisão para cada texto, a probabilidade de erros será menor. Isso confere status ao produto e aos sujeitos envolvidos nesse processo.

Alguns

estudiosos acreditam que um livro necessita de no mínimo três revisões, podendo, dependendo do material, ultrapassar esse número. Infelizmente nem sempre é possível, pois pode aumentar o valor do produto final. Aristides Coelho Neto (2008) defende a necessidade de três revisões, denominando-as como primeira, segunda e terceira. A primeira consta de no mínimo duas leituras. A segunda revisão é a comparação das emendas com os originais trabalhados anteriormente. Por isso, os originais com anotações da primeira revisão são imprescindíveis nessa fase. A terceira geralmente é realizada sobre prova heliográfica. Para esse autor, o número de revisões depende de quem acompanha as emendas. O fato de haver mais de uma revisão não significa que o material (original) produzido pelo autor seja ruim. Até porque o papel do revisor não é reescrever textos, mas sim normalizá-los. O que não é tarefa fácil, por isso requer profissional especializado.

5


De acordo com Araújo (2000), na maioria das vezes, o original (texto) a ser revisado está correto dos pontos de vista informativo e gramatical, mas carece de alguns ajustes em relação ao uso sistemático de pontuação, de sinais diacríticos, de maiúsculas, de reduções (abreviaturas, siglas), entre outros. Logo é necessário ao preparador de original ser um profundo conhecedor das normas gramaticais, o que implica estudo constante e contínuo e requer tempo, dedicação. Isso reforça a convicção de que essa tarefa não pode ser desenvolvida por qualquer pessoa. O domínio dos itens citados não é suficiente para esse profissional ter um bom desempenho e, consequentemente alcançar o objetivo almejado. Acredita-se que a conscientização, por parte do revisor, de que o texto que tem em mãos é de outro e que, portanto, revisar não é escrever ou reescrever um texto, mas apenas fazer algumas alterações de forma a normalizá-lo, considerando sempre a tipologia textual e o público leitor a quem é destinado é o ponto de partida para a realização de um trabalho de qualidade. Com base nos autores citados, verifica-se que revisar o conteúdo de qualquer tipo de texto é uma tarefa complexa e exige empenho e comprometimento por parte de quem a realiza. O que significa que é, ou pelo menos deveria ser, realizada por especialistas na área de linguagem. Considerando o que foi exposto acerca do revisor ( preparador de originais) reconhece-se que ele é um elemento muito importante e, pode-se dizer indispensável para a clareza do texto de forma a contribuir com a qualidade do produto final.

6


Referências ARAÚJO, Emanuel. A Construção do Livro: Princípios da técnica de editoração. 3ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000. NETO, Aristides Coelho. Além da Revisão: critérios para revisão textual. 2ª ed: Brasília: Editora Senac-DF, 2008.

7


A maioria das pessoas, felizmente nem todas, ao pensar em um livro, não sabe que a feitura deste envolve uma equipe composta por vários profissionais, acreditando ser o escritor (autor/criador) o único responsável pela obra. Em relação ao livro, que abarca múltiplas tipologias textuais, entende-se que a ausência do trabalho em equipe comprometeria a qualidade do produto final e contribuiria para um possível fracasso tanto moral como financeiro de escritores, editoras e comércio livreiro.

NOVOS TEMPOS Editora

Revisar é necessário  

Livro disciplina Editoração

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you