REVISTA DIGITAL DE LITERATURA INFANTOJUVENIL REINO DA POESIA

Page 1

Revista de Literatura infantojuvenil V.2, NO. 6, AGO. 2022 ISSN 2763-9428

JACKMICHEL JackMichel é o primeiro grupo da literatura mundial formado por duas escritoras.

Uma conversa séria a importância do trabalho com Poesia nas Classes Hospitalares

Saiba quando procurar ajuda para o seu filho. A psicóloga Jusiene Santana fala sobre isso.


REVISTA DE LITERATURA INFANTOJUVENIL

CIP - CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO REVISTA DE LITERATURA INFANTOJUVENIL REINO DA POESIA [Recurso Eletrônico] V.2, No.6, Ago.. 2022 - Feira de Santana-BA ISSN 2763-9428. Trimestral Publicação em Língua Portuguesa (Brasil). Literatura infantojuvenil, cultura e artes. Disponível em: http://revistadeliteraturainfantojuvenilreinodapoesia.com/ https://issuu.com/reinodapoesia/docs/revista_digital_de_literatura_infantojuvenil_reino

1 - Direitos periódicos: Revista de Literatura infantouvenil Reino da Poesia


REVISTA DE LITERATURA INFANTOJUVENIL

V.2, No.6, Ago.. 2022 - Feira de Santana-BA ISSN 2763-9428.

C O N S E L H O

E D I T O R I A L

Projeto, Criação e Direção: Alexandra Patrocínio. Diagramação e Design Gráfico: Alexandra Patrocínio. Revisão de Texto: Érica Azevedo; Rita Queiroz; Nilda Brandão. Colunistas:

Alexandra Patrocínio; Cíntia Maria; Darlene Lima Elis Cavalcante; Ila Nunes; Nilda Brandão: Palmira Heine; Rita Queiroz. Sabrina Abreu Valquiria Imperiano

Contato: reino.poesia@gmail.com


MAPA DO TESOURO ENCONTRE O SEU!

09 QUEM SOMOS Quer conhecer a nossa revista? O Reino da Poesia vai te contar.

11 NOSSO TIME Toda boa revista tem um grande time. Venha conhecer o elenco que faz esse Reino ser divertido.

14 NOTA DA EDITORA Conheça o tema dessa edição.

16 NOSSA CAPA Conheça a obra literária da escritora 2 em 1 JackMichel

24 ERA UMA VEZ

Alegria da Infância Criança: Elis Santa Quitéria Leão - 4 meses

A escritora Palmira Heine conversa sobre A literatura infantil e a adequação dos textos ao público mirim.

VOLUME 6 Agosto/ 2022


MAPA DO TESOURO ENCONTRE O SEU!

28 CASTELO DA LITERATURA Uma conversa séria a importância do trabalho com Poesia nas Classes Hospitalares

34

PSICOIMAGINAÇÃO A psicóloga, escritora, professora e dançarina popular Ila Nunes traz seu conto Miúda e Dorquinha, uma amizade jamais vista

38 HORA DO CONTO A escritora Rita Queiroz compartilha com a gente um conto cheio de momórias afetivas: Caçadores de Estrelas

40 VAMOS BRINCAR? O jogo dos 7 erros traz o mundo divertido do fundo do mar com o Bob Esponja.

43 CORRESPONDENTE INTERNACIONAL Conheça a linda poesia de Valquíria Imperiano para Luiza.

Era uma vez uma príncesa que viva na vila dos sonhos.

Criança: Sophia Gonçalves Pires - 8 anos

VOLUME 6 Agosto/ 2022


MAPA DO TESOURO ENCONTRE O SEU!

45 TERAPIA Saiba quando procurar ajuda para o seu filho. A psicóloga Jusiene Santana fala sobre isso.

58 A HORA DA HISTÓRIA O Pintinho que fugiu para brincar de Cristiane Sousa

65 ILUSTRAÇÃO A ilustradora Sabrina Abreu fala sobre os sonhos das crianças.

70 PEDAGOMÁGICA A professora e Pedagoga Elis Cavalcante convida as famílias a brincarem com a "Caixa Surpresa"

74 BRINCANDO COM AS PALAVRAS Chegou a hora do caça-palavras.

A alegria de ser criança! Criança: Tiago

VOLUME 6 Agosto/ 2022


MAPA DO TESOURO ENCONTRE O SEU!

80 MUSICOFANTASIA Fábulas: um texto de gente grande por Cintia Maria

83 TEEN CONTO A psicóloga Alexandra Aires para falar sobre a adolescência

89 REINO AFROLITERÁRIO Nilda Brandão traz uma linda reflexão sobre o poema de sua filha Isa de 5 anos de idade.

91 INFÂNCIA BRINCANTE Na brincadeira tem espaço para a tecnologia? por Darlene Lima.

96 CONFRALIB

Porque brincar é um direito... Criança: Lara

Já nasceu grande! Conheça a Confralib. É uma confraria formada por 11 mulheres de diversos lugares da Bahia, mas com uma abrangência nacional. VOLUME 6 Agosto/ 2022


is !

Fel i z

Pa

dos a i d

@reinodapoesia


REVISTA DIGITAL

Quem Somos A Revista Digital de Literatura Infantojuvenil Reino da Poesia é uma publicação trimestral destinada para crianças, escritores infantojuvenis, pais, educadores, psicólogos, contadores de histórias e pesquisadores da infância. A revista surge a partir do trabalho desenvolvido no instagram @reinodapoesia que promove cultura, arte e entretenimento para crianças e suas famílias, além do intercambio cultural com artistas e escritores, de todo Brasil. Nossa proposta é atuar no ramo literocultural, divulgando produções artisticoliterárias voltadas à infância, além de produções cientificas que se dedicam a esse tema.

Sobre a revista A revista contará com colunas permanentes, o que não invalida o surgimento de novas propostas nas edições subsequentes. Para cada edição será proposto um eixo norteador para elaboração das matérias. No entanto, as colunas permanentes obedecerão a seus temas específicos a fim de mantermos a unidade de nossa proposta de atuação. Os textos e imagens poderão ser reproduzidos, desde que mencionados a autoria, respeitando todos os direitos autorais previstos na legislação vigente.

Reino da Poesia | p. 09 | 100


REVISTA DIGITAL

Nosso maior desejo Somos um coletivo de pessoas apaixonadas por literatura e infância, e acreditamos na leitura como um dos instrumentos de melhoria do mundo. Nossa maior missão é fomentar a arte e a cultura nos ambientes virtuais, e também presenciais, com o intuito de colaborar para o desenvolvimento artístico, cognitivo e emocional das crianças e jovens do nosso país. Além de promover e divulgar a literatura infantil produzida no território nacional, mas sobretudo, na Bahia.

Princípios Somos laicos e apartidários. Podemos publicar matérias sobre temas relacionados à religião e/ou política, caso desejarmos, mas não expressaremos uma posição ideológica, partidária ou religiosa. Somos abertos a todas as culturas, gêneros, nacionalidades. Se for de paz, pode se achegar! Acreditamos na cooperação mútua e no respeito às diferenças;

Reino da Poesia | p. 10 | 100


NOSSO TIME ALEXANDRA PATROCÍNIO Alexandra Patrocínio é professora de Língua, Literatura. Mestre em Estudos de Linguagem pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). É Psicóloga em Formação. É autora dos livros Girassóis em noites escuras/2018; Depois da Escuridão/2019; As Reinações de Clarinha no Reino da Poesia/2019. Através do Rio/2020; E Clarinha e a Sementinha Mágica/2020. Membro da Academia Metropolitana de Letras e Artes de Feira de Santana (AMLA) e da Academia Feirense de Letras (AFL).

CÍNTIA MARIA Mestranda em Estudos literários, Pedagoga especialista em Psicopedagogia e Atendimento Educacional Especializado. Professora e Contadora de histórias.

DARLENE LIMA Darlene Lima - Pedagoga Membro da Divisão de Educação Infantil/Seduc Criadora do Dia B - Dia do Brincar

ÉRICA AZEVEDO É graduada em Letras Vernáculas, especialista em Estudos Literários e Mestre em Literatura e Diversidade Cultural pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). É escritora e professora. Reino da Poesia | p. 11 | 100


NOSSO TIME ELIS CAVALCANTE Elis Cavalvante é mãe de Luan e Thayna é uma apaixonada pela vida e pela Arte. Desde que iniciou sua trajetória profissional, notou que sua vocação era ensinar. É Pedagoga (UNIABC- SP) e com Pós-graduação em Artes pela Faculdade Barão de Mauá – SP. Contato: @elis_vida11

ILA NUNES É psicóloga, professora universitária, escritora, dançarina popular, especialista em Filosofia Contemporânea, especialista em Psicomotricidade, Mestra em Psicologia- UFBA e Doutoranda em Artes Cênicas - UFBA.

NILDA BRANDÃO É professora de Língua Portuguesa da Rede Pública de Ensino. Graduada em Letras (UEFS).Especialista em Ensino da Língua Portuguesa(FINOM) e Mestranda em História da África (UFRB).

Reino da Poesia | p. 12 | 100


NOSSO TIME PALMIRA HEINE É doutora em Linguística pela UFBA, Professora Universitária. Tem se dedicado à produção literária com ênfase em poemas e literatura infantil. Autora de quatorze livros de literatura infantil, Ama livros, crianças, animais e a vida.

RITA QUEIROZ Natural de Salvador, Bahia, Brasil. Professora universitária, filóloga, poeta. É autora de 5 livros de poemas para o público adulto, e 5 livros para o público infantojuvenil. Publicações em diversas antologias e revistas literárias, no Brasil e no exterior. Integrante dos coletivos “Confraria Poética Feminina”, "Mulherio das Letras” e “Coletivo de autoras de literatura infantil e infanto-juvenil da Bahia-CALIIB”

SABRINA ABREU Sabrina Abreu, mora em São Roque, interior de São Paulo. Formada em Comunicação social: Publicidade e propaganda, mas é apaixonada por Ilustração infantil. Começou a desenhar desde pequena na mesa de projetos do pai e desde então já ilustrou vários livros infantis.

VALQUIRIA IMPERIANO Valquiria Imperiano é poeta, escritora e artista plástica, professora de português. Brasileira naturalizada suissa, fundadora e presidente do Institut CULTIVE Suisse Brésil; diretora da Editora Cultive; redatora da Revista Cultive e da Revista ArtPlus em Genebra. Organiza eventos e intercâmbio cultural na Europa e no Brasil. Possui Oito livros publicados, além de Antologias. Reino da Poesia | p. 13 | 100


NESTA EDIÇÃO NOTA DA EDITORA "Liberdade pra dentro da cabeça" Nesta sexta edição, a Revista de Literatura Infantojuvenil Reino da Poesia propõe uma conversa livre sobre o mundo infantil e a literatura, mas, sem tema específico. O intuito é deixar as nossas colunistas livres, para escreverem o que aportar no coração. Portanto, nossos leitores se deliciarão com textos que refletem desde a produção literária infantil, a hora certa de pedir ajuda psicológica para a criança, adolescente ou toda família, atividades lúdicas e pedagógicas até chegar em nossa especialidade, contos e poesias. Desse modo, esperamos que nossos leitores possam se divertir no mundo mágico do Reino da Poesia e de bônus reflitam sobre a importância de uma infância entre livros. A Revista Reino da Poesia propõe socializar a leitura, ser uma ponte que dá a criança a oportunidade de atravessar o mundo mágico da leitura. Alexandra Patrocínio

Reino da Poesia | p. 14 | 100


Filhos são presentes para colorir a vida! Nanda, Tiago e Bruno

o se mede ã n e u q or m !A e d e Amor que não se mede!Amor que não se m


Escritoras

EXCLUSIVO

JACKMICHEL

JackMichel é o primeiro grupo da literatura mundial formado por duas escritoras: Jaqueline e Micheline Ramos. São de Belém – PA (Brasil) e seu slogan é A Escritora 2 Em 1. O tema de sua obra é variado posto que tem 22 livros publicados em diversos gêneros literários. Foi destaque em periódicos de arte e cultura e também participou de book fairs na Europa e no Brasil.

Dentre

outros

prêmios,

incluindo

menções honrosas, ganhou 1° lugar no II Festival de Poesia de Lisboa, IV Prêmio Talentos Helvéticos-Brasileiros e 3º lugar no I Concurso Literário da Casa Brasil Liechtenstein. Em 2021 estreou como apresentadora do webshow “Chá Literário com JackMichel” e passou a fazer parte da “Galeria dos Imortais” na Casa dos Poetas em Petrópolis/RJ.

Além

da

escrita

JackMichel

também se dedica às artes plásticas e suas pinturas com giz de cera estão a mostra em Arttere, Catálogo da Arte Brasileira, Artes Expo Galeria, Exposição Virtual da Galeria & Curadoria Tortorelli, I Expo 2022 da Affresco Galeria, Coletiva Virtual de Artes & Artistas 2022 e Catálogo Online de Arte da Nossa Galeria de Arte. Reino da Poesia | p. 16 | 100


22 livros publicados

MumoGnomo (Drago Editorial) JackMichel Antologia (Editora InFinita) Fada-Conto Branco (Editora UNISV) Fada-Conto Rosa (Editora UNISV) Fada-Conto Azul (Editora UNISV) Fada-Conto Verde (Editora UNISV) Fada-Conto Amarelo (Editora UNISV) Fada-Conto Vermelho (Editora UNISV) Reino da Poesia | p. 17 | 100

EL

K MIC

H

JA

C

KMICH

EL .

. JAC

Publicações: Arco-Jesus-Íris (Chiado Editora) LSD Lua (Drago Editorial) 1 Anjo MacDermot (Drago Editorial) Sorvete de Pizza Mentolado x Torpedo Tomate (Drago Editorial) Ovo (Drago Editorial) Fadastafadasbumplel (Drago Editorial) O Mundo Vítreo-Plástico-Papelar dos Telurpianos X653 (Drago Editorial) Sixties (Helvetia Éditions) Tim O Menino do Mundo de Lata (Helvetia Éditions) Anotações da Lagarta Papinha (Editora Leia Livros) O Príncipe Milho (Editora Leia Livros) Fabulário JackMichel (Editora Leia Livros) Papatiparapapá (Editora Illuminare) Lobistratusdilapirulobis (Editora Illuminare)


É associada à ACIMA (Associazione Culturale

Internazionale

Mandala),

LITERARTE (Associação Internacional de Escritores e Artistas), AMCL (Academia Mundial de Cultura e Literatura), UBE (União Brasileira de Escritores), AIAP (Academia Intercontinental de Artistas e Poetas) e Movimiento Poetas del Mundo.

JACKMICHEL FOI DESTAQUE EM PERIÓDICOS DE ARTE E CULTURA

Seus contos e poemas constam em antologias internacionais: Amor & Amore (Edizioni Mandala), Os Melhores Poemas de 2016 (ZL Books), Faz de Conto II, A Vida em Poesia II/III e O Homem O Projeto do Mundo (Helvetia Éditions), 1ª

Foi destaque no jornal da Biblio, jornal

Antologia Cultive (Fast Livro), Além da

Matarazzo

Terra Além do Céu – Antologia de Poesia

em

Foco,

jornal

Sem

Fronteiras, jornal O Escritor (UBE) e

Brasileira

revistas de literatura: Varal do Brasil, Arca

(Chiado Editora), Antologia Criticartes

Literária, Ami, Divulga Escritor, Cultive,

2017 (Biblio Editora), Antologia Brasileira

Geração Bookaholic, Conexão Literatura,

Prosa e Poesia Vol I (Editora SOL), Sem

Criticartes,

Philos,

Fronteiras pelo Mundo... Vols 3/4/5/6 e

LiteraLivre,

Escritores

Eisfluências,

Contemporâneos, entre outros.

Brasileiros

Coletânea

Contemporânea

Literária

Vol

Internacional

II

em

Prosa & Verso Conexão México (Editora Rede Sem Fronteiras), II Antologia Cultive Le Temps Du Reveil e III Antologia Cultive

Coragem

(Editora

Cultive),

Mulherio das Letras Portugal/Mulherio das Letras na Lua e Conexões Atlânticas VI (Editora In-Finita).

"Escrever é viver"." JackMichel Reino da Poesia | p. 18 | 100


PUBLICAÇÕES

Domingo sempre foi um dia especial para Tim, pois ele não tinha de ir à escola e nem de carregar inúmeras latas de conserva até o armazém de sua mal humorada mãe. Nesse dia da semana, Tim corria até o quintal de sua casa e lá despejava o seu imenso saco cheio dos mais diversos tipos de latas. Em meio ás latas o menininho era feliz, esquecendo-se das sovas que levava de sua malvada mãe. E lá bem no fundo daquela cabeça infantil, Tim esperava que algo de maravilhoso acontecesse e mudasse sua rotina tão comum. Papinha é uma lagarta dissímil das demais haja vista anotar seu dia a dia num diário, cujo é este livro. Ela embasou seu dileto caderno de anotações nos sete dias da semana e nos horários da manhã, tarde e noite. Da Segunda-Feira até o Domingo, vai preenchendo as páginas com todas as minudências de seu cotidiano de inseto da ordem Lepidoptera.

No próspero e feliz principado de Milharal tudo é harmonioso. A imensa população de milhos vive despreocupadamente pois teve a boa sorte de possuir um governante magnânimo, o príncipe Milho Emiliano. O soberano mora no rico Palácio de Fubá e possui dois fiéis conselheiros: Milano e Mileto. São eles que decidem sobre o rumo da vida palaciana e, também, sobre o destino de seu príncipe[...] A presente obra tem por objetivo elaborar uma miscelânea de escritos artísticos fundamentais, mais além daqueles expressamente enumerados no catálogo formal de uma literatura. O livro é composto por sessenta poesias infantis, contendo ainda as obrigatórias dedicatória e citação. Papatiparapapá” foi premiado em Genebra/Suíça, com o IV Prêmio Talentos Helvéticos-Brasileiros Reino da Poesia | p. 19 | 100


COLEÇÃO FADA-CONTO TRECHO DO CONTO “A FUZARCA DOS LEGUMES” DO LIVRO FADA-CONTO BRANCO Lá no verde povoado de Leguminosa, lugar onde os legumes andam, falam e são felizes, reina a maior confusão. O motivo é muito simples: o Imperador Tomatão encontra-se em viagem de férias. Quando o Imperador Tomatão embarcou no navio Leguminário, rumo ao distante povoado de Legumina, Mestre Berinjela tomou uma importante decisão que, logo, comunicou aos legumes: “Pessoal! Vamos aproveitar a ausência do Imperador Tomatão, realizando os Jogos Recreativos da Bagunça!”. “Vamos!” Disseram uns. “Oba, jogos!” Disseram outros. E assim, começaram a fuzarquear.

TRECHO DO CONTO “MADAME MANDRUVÁ” DO LIVRO FADACONTO ROSA Um dia, uma lagarta que havia enjoado de ser lagarta, resolveu transformar-se em borboleta. Mas, para que isso acontecesse, ela teve de ter muita paciência. Chamava-se Madame Mandruvá a lagarta que aspirava transformar-se em borboleta. Ela morava em um belo e vasto jardim, onde as papoulas faziam as honras da casa. Tudo corria normalmente para a gorda lagarta até que, numa clara manhã de primavera, as transformações começaram a acontecer.

TRECHO DO CONTO “PIERRE MATARATOS” DO LIVRO FADA-CONTO VERDE Este é um conto de ratos. Mas, nem por isso, deixa de ser menos interessante do que os outros. No longínquo ano de 1414 o Povoado de Bibelô, governado pelo tirano rei Ajax de Bijou, promoveu o festivo campeonato CABEÇA DE RATO que propunha: “Aquele que trouxer para o rei cem cabeças de rato, será agraciado com o fabuloso prêmio de 1000 francos. E tenho dito!”. Assim foi lançado o desafio aos corajosos do lugar!

Reino da Poesia | p. 20 | 100


COLEÇÃO FADA-CONTO LIVRO FADA-CONTO AZUL Preliminarmente pode se dizer que Fada-Conto AZul é um livro que privilegia a literatura infantil com 15 contos de fadas ou contos da carochinha. Na presente obra há “Lolita Louva-A-Deus”, “O Sarau de Dona Borboleta”, “Um Diário de Pinguim”, “Na Pança do Gigante Papança” e “Ricardinho Lambe Mel” que são claramente surrealistas no sentido em que destacam a ilusão ou a magia, em contraposição aos sentidos ou percepção sensorial. Por outro lado, há “O Mistério do Ratinho X”, “Navegando com o Piratinha BobPop”, “Jurema Jati”, “No País dos Gatos” que demonstram nonsense, irrisão. O mundo do faz-de-conta raramente é muito linear, mas cabe sempre...

LIVRO FADA-CONTO AMARELO Preliminarmente pode se dizer que Fada-Conto Amarelo é um livro que privilegia a literatura infantil com 13 contos de fadas ou contos da carochinha. Na presente obra há “Lord Totó”, “O Anãozinho Bonachão”, “A Joaninha do Jardim Florido”, “Canta Príncipe” e “Monsieur Fantasminha” que são claramente surrealistas no sentido em que destacam a ilusão ou a magia, em contraposição aos sentidos ou percepção sensorial. Por outro lado, há “Robinson e seus Bonecos Barulhentos”, “Senhora Dona Figueira”, “A Casa da Bruxa Pirabulelê”, “Nossa Senhora da Magia” que demonstram nonsense, irrisão. O mundo do faz-de-conta raramente é muito linear, mas cabe sempre...

TRECHO DO CONTO “ROSENDA, A ROSA CINZENTA” DO LIVRO FADACONTO VERMELHO O Feirão das Bruxas, no ano de 1222, era um lugar empoeirado onde sortilégios e feitiços andavam juntos encantando uns para desencantar outros. No Sábado, bruxos e bruxas reuniam-se no Conciliábulo Bruxóico para manifestar feitiçarias ou expor fascinações. As ampulhetas marcavam e as vassouras voavam! Pois foi numa dessas reuniões que a bruxa Horácia de Mel Melancia descobriu que seus poderes falhavam, ao ver que sua vassoura não voava. Reino da Poesia | p. 21 | 100


COLEÇÃO FADA-CONTO CERTIFICADO AMIGO DA LEITURA

Com o objetivo de incentivar o acesso dos estudantes ao livro, JackMichel doou 120 livros físicos da coleção Fada-Conto à campanha “Doe Livros, Doe Conhecimento” promovida pela Imprensa Oficial do Estado do Pará (IOEPA) por meio do projeto de incentivo à leitura Portal do Conhecimento, que arrecada livros novos e usados para escolas municipais, bibliotecas públicas e espaços de leitura em todo o estado do Pará.

A coleção Fada-Conto está disponível na bookstore da Editora UNISV e nas principais lojas online do Brasil. https://www.editoraunisv.com.br/livraria

Reino da Poesia | p. 22 | 100


CONTATOS

Instagram: https://www.instagram.com/jackmichel2017/ Facebook: https://www.facebook.com/escritoraJackMichel/ Twittter: https://twitter.com/JackMichel2017 Tumblr: https://escritorajackmichel.tumblr.com/ Pinterest: https://br.pinterest.com/jackmichel2017/ E-mail: micheledesouzaramos@gmail.com Website Oficial da JackMichel A Escritora 2 Em 1 https://www.websiteoficialjackmichelaescritora2em1.com/

Reino da Poesia | p. 23 | 100


ERA UMA VEZ... PALMIRA HEINE

A literatura infantil e a adequação dos textos ao público mirim. POR PALMIRA HEINE

A literatura infantil é o nome dado a toda produção literária dedica às crianças. Mas é importante ressaltar que a Literatura infantil é, antes de tudo, literatura. Isso significa que não é qualquer texto escrito para crianças que pode ser considerado literatura infantil. Assim, por exemplo, uma piada, uma revista com palavras-cruzadas ou atividades de completar, pura e simplesmente, não constituem por si só a literatura infantil, apesar de poderem ser direcionadas a esse público. Um texto literário infantil precisa conter elementos poéticos, metafóricos, lúdicos, e uma linguagem literária. Um dos elementos importantes na literatura infantil é a junção entre a linguagem verbal e a não-verbal, em que o texto escrito e a imagem compõem um cenário convidativo para os leitores mirins. Muitas vezes, as crianças fazem a leitura da imagem como se estivessem lendo um texto verbal.

Reino da Poesia | p. 25 | 100


É preciso, ainda, se questionar: um livro infantil

Um fato importante a se ressaltar, na minha

tem idade? Será mesmo que precisamos ser

opinião, é que não se deve ter a classificação

intransigentes em relação ao estabelecimento

etária de livros infantis como uma camisa de

de faixa etária do público ao qual o livro se

força, que pretende impor o que cada criança

destina?

pode e deve ler. Ao contrário disso, devemos

Os

especialistas

possibilitar que as crianças, a partir dos seus

aqueles que defendem a ideia de que o livro

diversos interesses, escolham o livro que

infantil não tem idade, pois uma criança menor

querem

pode se interessar por um livro com mais texto,

democrática e uma experiência afetiva com os

e o contrário também pode ocorrer, de modo

livros. Afinal, a leitura e o acesso à literatura

que não devemos censurar o interesse das

deve ser um direito de todas as crianças. E

crianças por leitura. Outros propõem uma

você? Já presenteou uma criança com uma boa

classificação etária do livro infantil baseada em

leitura hoje?

interesses

da

têm

idade

desenvolvimento

visões

e

em

diversas.

questões

psicológico.Para

ler,

oportunizando

uma

escolha

de

esses

últimos, uma criança de 1 a 3 anos não tem os mesmos interesses de uma outra criança de 3 a 6 anos, ou de uma de 7 a 11 anos. Cada uma dessas fases tem características psicológicas específicas

que

devem

ser

levadas

em

consideração.

Palmira Heine Instagram: @palmiraheine Reino da Poesia | p. 26 |100


F

Existe um lugar onde a A

A T SI N

Não dorme! @reinodapoesia

Reino da Poesia | p. 27 | 100

A


Reino da Poesia | p.24 | 100


A POESIA VAI AO HOSPITAL ARTIGO DE ALEXANDRA PATROCÍNIO

A educação é um direito de todos, quanto a isso, não há contestação. Todas as crianças, jovens e até mesmo adultos deveriam frequentar a escola e passar pelo processo de escolarização em seu tempo próprio. Contudo, na prática não é bem assim, intercorrências acontecem nesse período, algumas temporárias, outras permanentes, e muitas vezes, escapam ao direito de escolha pessoal. Diagnósticos inesperados de doenças crônicas, degenerativas, acidentes, lesões corporais, entre outros, situações que requerem internações para tratamentos fazem com que esses indivíduos se afastem do convívio social e familiar, inserindo-os em um novo espaço de convivência, alheio a sua vontade - que é o hospital.

CASTELO DA LITERATURA

ALEXANDRA PATROCÍNIO

Reino da Poesia | p. 28 | 100

Esse novo cenário gera ansiedade, tristeza, solidão e insegurança, pois há uma ruptura brusca do cotidiano, a nova rotina é marcada por procedimentos médicos de claro valor aversivos e dolorosos, com intuito de restabelecer a saúde do educando hospitalizado. Nesse contexto, cabe destacar que esses indivíduos são retirados também do convívio escolar, acarretando em perdas significativas em seus processos de aprendizagem formal, podendo ocasionar evasão ou repetência, somados a isso, impactos emocionais gerados pela separação do meio familiar, o medo do desconhecido, rotinas e normas diferentes dos habituais, procedimentos invasivos, mudanças nos hábitos alimentares,


restrição da autonomia, limitação de atividades, a própria alteração da rotina escolar, como dita acima, possibilidade de abandono, sentimento de diferença e inferioridade causado pelo processo de despersonalização, o qual o alunopaciente deixa de ter um nome, uma identidade própria para ser um número, como o paciente do leito tal, ou referido pelo nome da enfermidade acometida. Tais impactos devem ser considerados no planejamento da atividade pedagógica para que o professor proponha atividades que contemplem não só a função cognitiva, mas a afetiva e social. Daí a importância das políticas de inclusão/humanização, uma vez que, a experiência do adoecimento gera profundas mudanças que podem afetar a identidade desses sujeitos, incluindo a família, que também tem a sua rotina alterada. Por isso, se faz necessário assegurar o cumprimento legal da escolarização em ambientes hospitalares. Partindo do pressuposto legal, a Constituição Federal Brasileira de 1988, em seu artigo 205, garante o direito à educação para todos. É dever do Estado e da família, devendo ser promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, tendo em vista o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Assim, o não cumprimento dessa exigência legal resultará na responsabilização da autoridade competente. Reino da Poesia | p. 29 | 100

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (art.5º), também garante o cumprimento da obrigatoriedade de ensino, podendo organizar-se de diferentes formas para garantir a aprendizagem (art.23). Atender os educandos com necessidades educacionais especiais, isto é, aqueles que apresentam dificuldades de acompanhamento das atividades curriculares por condições e limitações específicas de saúde - é o que preconiza a Resolução nº2, de 11/09/2001 do Conselho Nacional de Educação em seu art. 13. Destaca-se também, a importância da Lei nº 8.069 de 13 de julho de 1990 do Estatuto da Criança e do Adolescente a qual versa sobre o direito à educação. E do Documento “Classe hospitalar e Atendimento Pedagógico Domiciliar” produzido pelo MEC em 2002. Assim, cabe ressaltar que o Ministério da Educação, através da Secretaria de Educação Especial é quem organiza e estrutura ações políticas do sistema de atendimento educacional em ambientes outros que não a escola. Promove oferta do atendimento pedagógico em ambientes hospitalares e domiciliares, assegurando assim, o acesso à educação básica e à atenção às necessidades educacionais especiais. Diante do exposto, se faz necessário destacar que o ensino em classes hospitalares não significa aplicar o curricu


lo escolar no hospital, mas elaborar estratégias que visem o trabalho pedagógico nesses espaços, tendo em vista sua especificidade, propondo um currículo flexível e individualizado de acordo com a necessidade da criança ou do jovem hospitalizado, bem como do seu acompanhante. Isso requererá do professor, uma escuta pedagógica, a qual Ceccim & Carvalho (1997) define como uma sensibilidade no que tange ao ver-ouvir-sentir, aos processos psíquicos e cognitivos experimentados pelo educando hospitalizado. O sucesso da escuta pedagógica depende de uma habilidade para escutar, entendida por Ceccim (1997), como ouvir através das palavras as lacunas do que é dito, os silêncios, os gestos, expressões, condutas e posturas. Pois, nesse processo de internação, é importante ter alguém para compartilhar a dor – escuta sensível. A escuta pedagógica é imprescindível para a avaliação diagnóstica e a elaboração do plano de ação. Pois, a construção da prática pedagógica tem características próprias entre professor e aluno. Em decorrência disso, esta proposta de trabalho leva em consideração que a experiência do adoecer é singular e cada sujeito tem uma forma de lidar com ele. Nesse sentido, assevera que:

Reino da Poesia | p. 30 | 100

Elizete

Matos

(2010),

“A construção da prática pedagógica, para atuação em ambiente hospitalar, não pode esbarrar nas fronteiras do tradicional. As dificuldades, muitas vezes, persistem porque não se consegue ver nelas a oportunidade de uma atuação diferenciada, pois os valores e as percepções de condutas e ações estão ainda muito enraizados nas formações reducionistas. Essa prática, portanto, deve transpor as barreiras do tradicional e as dificuldades da visão cartesiana. A ação pedagógica, em ambiente e condições diferenciadas, como é o hospital, representa um universo de possibilidades para o desenvolvimento e ampliação da habilidade do pedagogo/educador. Desenvolver tais habilidades requer uma visão oposta à contemplada pelo redutivismo, ou seja, ela deve, sim, contemplar o todo." (MATTOS, 2010, p. 51).

Desse modo, é importante promover espaços de aprendizagens que fomentem o incentivo à leitura e a escrita. Trabalhar a literatura, em todas as suas manifestações, seja em prosa ou versos, possibilitam o educando hospitalizado experimentar novas formas de ler o lugar em que está inserido, momentaneamente, ou não, de forma a ajudá-lo a compreender a si (sua identidade) e o outro (família, médicos, funcionários, outros pacientes). Frente ao exposto, um trabalho que deu muito certo, o qual desenvolvi no Hospital da Criança de Feira de Santana, através das Classes Hospitalares - criadas pela Secretaria de Educação da Bahia - SEC/Ba. foi o trabalho, no leito, com o gênero textual - poesia, em especial, Aldravia – uma composição poética minimalista, constituída de seis palavras-verso, iniciadas com letra minúscula e escolhidas de forma aleatória, mas que produzam sentido. Cabe destacar que a Aldravia é um gênero genuinamente brasileiro, criado pelo grupo de aldravistas, Andreia Donadon


Leal, Gabriel Bicalho, J. B. Donadon-Leal e J. S. Ferreira, em Minas Gerais no ano de 2000. Essa nova forma de fazer poesia encanta sujeitos de todas as idades, uma vez que, a concepção de poesia enraizada no nosso imaginário é que se trata de um jogo apurado de palavras, abusando das figuras de linguagem, das polissemias e, portanto, se exige um grande esforço tanto para ler quanto para escrever. Entretanto, como falar de poesia sem poesia? A poesia fala por si mesma, não pede intérpretes, nem tradutores, apenas exala seu cheiro como o aroma de flores campestres que aguçam os sentidos olfativos de qualquer leitor ávido por ela. Por isso, vamos sentir um pouco desse aroma nas seguintes Aldravias abaixo, de Alexandra Patrocínio (2019):

poesia no hospital cura ignorância intelectual

poesia no hospital previne evasão escolar

livros soro que hidrata a mente

Portanto, trabalhar a Aldravia no atendimento pedagógico hospitalar foi um investimento que deu certo, por se trata de produções poéticas sintéticas, uma vez que, as rotinas da classe hospitalar enfrentam a questão da rotatividade de atendimentos, Reino da Poesia | p. 31 | 100

devido à alta médica, além dos exames e medicações – que resultam, muitas vezes, no tempo mínimo de aula. Além do mais, um gênero sintético como a Aldravia é uma importante ferramenta, pois toda a atividade realizada na classe hospitalar deve ter inicio, meio e fim. Para os Aldravistas a forma é apenas textual, um modo de se apresentar os discursos e quanto mais complexa ela for, maiores dificuldades se impõem aos que desejam se expressar através da poesia. Assim, esse novo fazer poético se baseia na concepção de encontro com os sentidos na possibilidade real de se ter o máximo de poesia no mínimo de palavras – isso não significa colocar a Aldravia num patamar inferior, por ser um poema sintético, pelo contrário, exige-se de quem escreve uma capacidade de síntese e uso de uma retórica metonímica, e por parte de quem ler competência leitora capacidade de preencher as lacunas, de inferir, interpretar e compreender a linguagem poética. Por metonímia, entende-se empregar um termo no lugar de outro, havendo entre eles estreita relação de sentido ou afinidade, ou seja, o emprego da parte pelo todo, do efeito pela causa, do autor pela obra, entre outros. Assim, trabalhar Aldravias com os alunos-pacientes provoca uma leitura imediata de metonímias, o que causa um incômodo benéfico, pois o leitor tentará resolvê-lo decifrando o termo substituído, bem como seu significado no contexto.


Ademais, observou-se no processo de construção de Aldravias, esse incômodo e até mesmo certa estranheza por parte dos alunos/escritores – por acreditarem que seus textos estão incompletos carecendo de mais informações para seus futuros leitores – vemos aí, ainda que inconsciente, a ideologia de um tipo de leitor - que precisa de ajuda -, ignorando assim, “O direito de ler trechos soltos”, por exemplo, como afirma Daniel Pennac, em os “Os Direitos Inalienáveis do Leitor”. Essa percepção da estranheza só foi possível pela eficácia da escuta sensível e pedagógica, o que possibilitou uma intervenção no momento da prática, de maneira que os alunos-pacientes foram estimulados a pensar nesse fazer poético e nesse suposto lugar do leitor, bem como sua capacidade de compreensão leitora. Eles foram instigados, também, a refletir sobre a seguinte questão: será que não existe um leitor ativo que sabe o que lê, por que lê e que assume sua responsabilidade ante a leitura? Feitas essas considerações, cabe destacar que, a literatura traz contribuições tanto para o processo de ensino-aprendizagem quanto na humanização do ambiente hospitalar. Ela faz com que crianças, jovens e adultos descubram lugares fantásticos criados a partir da imaginação, podendo assim viajar para outros países ou planetas sem sair do leito hospitalar, ainda propicia a continuidade do seu desenvolvimento cognitivo e social, mesmo afastadas do convívio escolar formal. Reino da Poesia | p. 32 | 100

Ademais, estudos apontam que a literatura pode ajudar no processo de recuperação da saúde, uma vez que, as histórias lidas e escritas, a poesia, possibilitam experiências variadas, como: se divertir, encontrar conforto, ter senso crítico, sentir novas emoções, imaginar, sonhar, se emocionar, aprender valores essenciais à vida como: amizade, perdoar, além de ajudar a ler e a escrever e a relacionar-se socialmente. Para Wallon (2000) e Vygotsky (2000), a aprendizagem está pautada na interação do indivíduo com o meio no qual está inserido. Vygotsky (2000) enfatizou também o papel da cultura na história pessoal e o da linguagem na construção do conhecimento. Em síntese, trabalhar a literatura com crianças e adolescentes em situação de hospitalização é também terapêutico, uma vez que, contar histórias: contos, lendas e recitar poesias no leito são ferramentas que, além de auxiliar no processo de ensino e aprendizagem, diminuiu o estresse causado pelos procedimentos dolorosos, pela ausência do contato social com amigos, parentes e colegas de escola. Através da construção de Aldravias, o aluno-paciente tem a oportunidade de expressar seus sentimentos de forma artística, pois a poesia tem a capacidade de explorar o potencial criativo, a função estética - capacidade de apreciar o belo, a função cognitiva, a função catártica- ou seja, uma espécie de descarga emocional, um alívio da tensão e ansiedade psicológica.


Todos os adultos e crianças devem ter informações sobre como permanecer em segurança e saudáveis. UNICEF Reino da Poesia | p.33| 100


PSICO IMAGINAÇÃO ILA NUNES

MIÚDA E DORQUINHA, UMA AMIZADE JAMAIS VISTA

Miúda, era assim que se chamava a menina de olhos castanhos envirgulados, cabelos lisos, queimados do sol, pernas arranhadas de tanto se embrenhar na mata, vestidinho branco com um delicado reloginho bordado azul e ponteiros vermelhos. Miúda não passava de um metro de altura e beirava os seis anos de idade. A casa de Miúda era grande e cheia de gente, pai, duas duplas de avó e avô, irmãos que não acabavam mais. Miúda era a sétima dos dez irmãos. Uma mãe ela já não tinha mais, essa era uma falta de quase dois anos. Foi nesse mesmo período que apareceu Dorquinha, uma amiga prá lá de especial, uma amizade jamais vista. Miúda, de tão pequena, fugia dos olhares dos familiares, era um vulto correndo para brincar no milharal, e lá estava Dorquinha, sempre à sua espera.

Reino da Poesia | p. 34| 100

Quando elas se encontravam era aquela folia, os abraços vinham aos pulos e as risadas aos soluços. Era uma amizade jamais vista. Nem passava na cabeça delas que havia o amanhã, elas brincavam intensamente todas as tardes. - Vamos fazer de conta que a gente era … mãe de um bebê. Dizia Miúda arrancando duas espigas do milharal. - Pronto, Dorquinha, este é o meu bebê e esse é o seu. O pai de Miúda que estava sempre atento aos sumiços da pequena, foi logo saber o que estava acontecendo. Encontrou Miúda brincando, fazendo da espiga de milho sua boneca e tagarelando sem parar. - Miúda, com quem você está falando? - Com Dorquinha, meu pai, minha amiga do milharal.


O pai, sem perder tempo, olha para todos os lados. - E onde ela está? - Está aqui, meu pai, do meu lado. Ela é pretinha que nem milho assado e tem cabelo ondulado amarelo que nem grão de milho. Não tá vendo, meu pai? Sem responder a pergunta, olha na direção de um pé de milho à direita de Miúda. - Oi, Dorquinha, que bom te conhecer, você e Miúda parece que são grandes amigas, continuem brincando e se divirtam. - Pai, a gente estava brincando do que a gente quer ser quando crescer. Dorquinha falou que se pode ser tudo o que quiser se a gente tiver força de vontade. - Dorquinha sabe mesmo das coisas, Miúda, vou deixar vocês sendo o que quiserem. Os irmãos mais velhos de Miúda ficaram sabendo da história e repetiam, cantarolando e zombando da menina. - Dorquinha é feita de milho que o rato roeu, comeu grão por grão e desapareceu. Miúda ouvia a piada de mal gosto e se encolhia num canto da cama, conseguia ficar menor do que já era. Tristonha, pegava no sono. Tudo que Miúda queria era que chegasse o outro dia para encontrar Dorquinha. A manhã não passava depressa no relógio de Miúda, mas quando os ponteiros apontavam para a primeira hora da tarde, lá estava Miúda a correr no milharal. - Dorquinha, hoje quero brincar de dormir, posso dormir com você? Reino da Poesia | p. 35 | 100

O pai de Miúda vê a filha dormindo sozinha sobre as palhas de milho e a carrega nos braços para a casa. Miúda acorda antes mesmo de ser colocada na cama. - Cadê Dorquinha? - Ficou no milharal. - Dorquinha me aconchegou enquanto eu dormia, disse que quando eu sonhar, eu posso ser o que eu quiser, e quando acordar, eu posso continuar sonhando. - Essa Dorquinha é uma sábia mesmo, minha filha. Os irmão de Miúda aparecem no meio da conversa. - Dorquinha é feita de milho que o rato roeu, comeu grão por grão e desapareceu. - Meus filhos, deixem sua irmã em paz. Dorquinha só aparece para quem aparece para ela. É uma amizade que se vê com os olhos da imaginação. Dorquinha poderia ensinar muito a vocês, se pudessem vê-la através dos olhos de Miúda. Os irmãos, curiosos, sentam diante de Miúda para ouvir suas histórias. Miúda, entusiamada, logo conta as aventuras vividas com a sua grande amiga, depois fala sobre o dia em que Dorquinha apareceu para seu pai. - Dorquinha sempre está no milharal pronta pra nos alegrar, conversou com nosso pai que pode dizer que é verdade. - É sim. Dorquinha é feita de milho que a terra boa germinou, chegou com o vento bom que a imaginação criou. Semeou uma amizade jamais vista, mas tão viva, que só os olhos do coração podem ver. E assim foi, Miúda cresceu, mas não se esqueceu de regar, todas as tardes, o milharal. Ila Nunes Silveira @ilanunessilveira


CÂNCER INFANTIL

FIQUE ATENTO AOS SINAIS. LEMBRE-SE: O DIAGNÓSTICO PRECOCE PODE SALVAR VIDAS!

DIA INTERNACIONAL DE LUTA CONTRA O CÂNCER INFANTIL. SAIBA MAIS EM: WWW.GRANDESITE.COM.BR


A REVISTA REINO DA POESIA ACREDITA NO BRINCAR

CHEGA DE VIOLÊNCIA CONTRA A CRIANÇA Por uma infância brincante!

No Brasil, o serviço Disque 100, criado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, recebe, encaminha e monitora denúncias de violência contra crianças e adolescentes. É possível ainda registrar a ocorrência de crime de abuso sexual pelo 190 (Polícia Militar) e pelo 127 (Ministério Público). As denúncias podem ser feitas de forma anônima.

Instagram: @reinodapoesia


HORA DO CONTO

RITA QUEIROZ

CAÇADORES DE ESTRELAS

No sertão, onde a luz elétrica era precária, nas noites enluaradas ou não, as estrelas sempre brilhavam intensamente. São como diamantes reluzentes. Cada uma brilhava mais do que a outra. Quando a tarde cai, elas começam a aparecer, bem fraquinhas, mas depois a luz fica forte e intensa. A primeira estrela que surge é a conhecida “Estrela Dalva”, que é o planeta Vênus, o que mais brilha no céu. Logo outras estrelas vão surgindo e deixando o céu uma colcha brilhante: as três Marias, associadas às três mulheres que visitaram o túmulo de Jesus na Reino da Poesia | p. 38 | 100

ressurreição (mas em outras culturas elas têm outros significados); às cinco estrelas do Cruzeiro do Sul, cujos nomes são: Magalhães, Mimosa, Pálida, Rubídea e Intrometida (essa assim se chama por ficar fora da formação da cruz, mas é muito importante para a localização da constelação); outras e outras vão aparecendo. Quando eu e meus primos éramos crianças e íamos para a casa de nossos avós na roça, ficávamos a admirar as estrelas. Não havia luz elétrica e era muito lindo ver o brilho delas. Brincávamos de caçadores e dávamos nomes para todas elas. Eram nomes bem divertidos: chorona, maluquinha, sone-


ca, gulosa, melindrosa, cheirosa, bruxinha, beijinho e muito mais. Nossa diversão era vê-las aparecendo e nós, as nomeando. Além disso, quem mais nomeava, ganhava prêmios. Fazíamos uma listinha, que nunca tinha fim, porque cada dia novas estrelas surgiam. Os mais velhos diziam que quem apontava para as estrelas, ficava cheio de verrugas. Não ligávamos e saíamos apontando, nomeando e nos divertindo. Hoje, somos pessoas adultas, na roça já tem luz elétrica, e na cidade grande nem se fala como as luzes pipocam. Mas seguimos admirando as estrelas do céu e descobrindo os nomes científicos que elas têm, bem diferentes daqueles que dávamos. Aqui deixo um convite: quem quer vir comigo ser um caçador de estrelas?

Rita Queiroz Professora. Poeta. Escritora. @ritaqueirozpoesiando

Reino da Poesia | p.39| 79


ERROS! HORA DE BRINCAR! Reino da Poesia | p. 40 | 100


Reino da Poesia | p. 46 | 79



VALQUIRIA IMPERIANO c o r r e s p o n d e n t e i n t e r n a c i o n a l

@valquiria_imperiano

LUZ LUIZA Um anjo pleno de luz, Luz que virou Luiza Menina-anjo adorada Luiza, minha neta amada Quando o teu sorriso de inocência e pureza Iluminam o teu rosto mágico Eu ilumino meus próprios olhos e Alimento minha criatividade ao te fixar A inspiração precisa de musas Eu preciso de Luiza Para acalmar minha excitação de vó Preciso da tua beleza, Preciso da tua candura Da tua maneira de olhar de soslaio Curiosa da vida Ávida por captar as informações Do mundo ao teu redor Não quero beber tua inocência

Reino da Poesia | p. 43 | 100


Nem a tua juventude De nada me serviriam Estou envelhencedo… É a tua vez Luiza! Cedo-te o meu lugar no mundo! O que me importa é sentir a tua presença Acompanhar teu crescimento Acompanhar tuas descobertas de criança Quero aproveitar todos os teus anos de bebê Quero fazer todos os teus caprichos Quero te comprar sandálias bailarinas com purpurina Quero também estar com as mãos estendidas E realizar os teus sonhos Quero sentir o teu olhar carinhoso Pedindo-me ajuda por alguma tolice que fizestes Proteger-te-ei E serei feliz por precisares de mim Já estou com saudade do teu passado Vem cá Luiza Dá-me tua mão... Guia-me em direção ao fim da minha vida Tu és meu futuro Tu és luz Que ilumina minha eternidade.

Reino da Poesia | p. 44 | 100


FAMÍLIA como anda a sua?

SERÁ QUE SEU FILHO PRECISA DE TERAPIA? Você sabe como está a saúde emocional de seus filhos?

ORIENTAÇÃO PARENTAL "quando os pais saem da maternidade com sua criança no colo, não recebem um manual de instruções de como lidar com as questões emocionais e comportamentais que surgirão no processo de desenvolvimento desse novo ser".

Reino da Poesia | p. 45 | 100


SERÁ QUE MEU FILHO PRECISA DE TERAPIA? Infelizmente, quando os pais saem da maternidade com sua criança no colo, não recebem um manual de instruções de como lidar com as questões emocionais e comportamentais que surgirão no processo de desenvolvimento desse novo ser. Além disso, situações como divórcio dos pais, a chegada de um irmãozinho, mudança de escola podem causar alterações no comportamento de uma criança. Por isso, não raramente os pais podem pensar que seus filhos têm um problema de funcionamento que só um profissional habilitado pode auxiliá-los. A resposta para este questionamento é sim e não. Sim, você precisa de ajuda, pois um profissional habilitado pode ajudar nessa jornada de modelar um adulto saudável, ou seja, uma pessoa que seja capaz de lidar com seus próprios conflitos e com os conflitos que venham surgir das relações interpessoais. E não, seu filho não nasceu com defeito e o “mau comportamento” é a oportunidade que os pais têm para modelar habilidades de inibição de impulsos, administração da raiva e a Reino da Poesia | p. 46 | 100

capacidade de considerar o impacto de seus comportamentos na vida dos outros. Vale salientar que algumas situações podem ser bem manejadas pelos próprios pais, se estes estiverem bem orientados, uma vez que nem todo mau comportamento é sinal de problema psicológico e precisa de terapia específica, mas em todos os casos os pais podem se beneficiar da ajuda de um psicólogo orientador parental e em alguns casos da terapia de família, e em outros da terapia infantil.

O QUE É ORIENTAÇÃO PARENTAL? "Orientação parental é a área de conhecimento que busca orientar pais na utilização de estratégias mais eficazes para a relação com os filhos.

Mas o que é orientação parental? Orientação parental é a área de conhecimento que busca orientar pais na utilização de estratégias mais eficazes para a relação com


os filhos. Neste sentido, os pais são orientados sobre como educar seus filhos de forma mais eficaz, no intuito de auxiliá-los a se desenvolverem da melhor forma possível, de modo a se tornarem adultos mais responsáveis e capazes de lidar com as situações da vida.

COMO ACONTECE A ORIENTAÇÃO PARENTAL? Em formato de sessões de aconselhamento parental, preferencialmente com a presença dos dois genitores. Na sessão os pais terão explicações sobre os motivos das atitudes e comportamentos infantis que trazem para as sessões e receberão também as orientações sobre como lidar com as situações apresentadas. Quando o orientador parental é também um psicólogo, está capacitado para ir mais fundo no trabalho com os pais, estando apto também a saber distinguir quando o atendimento deve ser de orientação parental ou quando a criança precisa de psicoterapia. Antes de falar sobre a terapia familiar, precisamos entender a Reino da Poesia | p. 47 | 100

família numa perspectiva sistêmica. A família deve ser vista como um sistema relacional que vai além do indivíduo. Pensar que numa família disfuncional, por exemplo, onde um dos cônjuges é o culpado ou o causador do problema, é uma visão equivocada, embora seja necessário em alguns casos rotular e rechaçar um comportamento como abusivo e inadmissível, como os relacionados a violência. O relacionamento da família sempre busca o equilíbrio, ainda que muitas vezes este equilíbrio não seja saudável. Este equilíbrio pode ser um casal que briga sempre ou uma família muito silenciosa. Imaginemos que este sistema que busca o equilíbrio seja de forma saudável ou não, mas em um certo momento sofre uma mudança, como o nascimento de um irmãozinho ou uma situação como a pandemia ainda em curso, mais principalmente no seu auge em 2020/2021, a qual provocou mudanças no interior familiar. Como forma de reagir à mudança, a família pode eleger um membro para transmitir o estresse e a tensão dessa percepção através de um sintoma. A este membro chamamos de paciente identificado.


Não raramente as crianças são colocadas neste papel de ser o foco de todas as dificuldades interacionais da família, sendo classificadas como o problema, portanto, o motivo da família buscar terapia. No decorrer dos estágios evolutivos do sistema família, o paciente pode ir mudando diante da necessidade familiar, porém deve-se ter muito cuidado para que este papel não se cristalize em um indivíduo. Muitas vezes o problema que julgamos que a criança está apresentando é apenas um sintoma que sinaliza que a família precisa de ajuda profissional. Neste tipo de terapia o foco não estará na criança, mas sim no desenvolvimento de relações saudáveis, na comunicação entre os membros da família, porém a criança se beneficiará individualmente, pois as relações familiares não saudáveis são responsáveis por manter e reforçar padrões disfuncionais em seus membros.

Como acontece a terapia de família? Nesse tipo de atendimento a (o) psicóloga (o) atende os membros de uma família ao mesmo tempo.

Reino da Poesia | p. 48 | 100

Mesmo quem não faz parte da família pode participar, tudo depende da relevância que esta pessoa tenha para o processo, mas é a família e o terapeuta, juntos, quem decidem se e em que momento esta pessoa deve participar da sessão. Quando uma família deve buscar terapia de família com intuito de beneficiar os filhos? Se a família vivencia muitos conflitos, mais especificamente no subsistema marido e mulher, o ambiente familiar pode se tornar hostil para os filhos. Se as figuras parentais não conseguem manejar o conflito de maneira positiva, ou seja, em direção à sua resolução, as crianças podem apresentar problemas comportamentais, emocionais e até mesmo de saúde física. Pois quando há muita hostilidade, manifestação ostensiva de desdém e as brigas se tornam mais frequentes e intensas entre os cônjuges, as crianças perceberão e na busca de manter o equilíbrio da família assumem o papel de atraírem a atenção para si, ao manifestarem os sintomas de baixa autoestima, dificuldade de interação com outras crianças, depressão, ansiedade, distúrbios do sono, dentre outros problemas de saúde.


BRINCADEIRAS ENTRE FAMÍLIA Brincar em família gera intimidade, afetividade e memórias deliciosas para toda vida.

CONHEÇA O VOVÔ E A VOVÓ Você conhece os seus avós? É um direito da criança conhecer a história da sua família e, melhor ainda, é fazer parte dessa história. Não permita que as diferenças entre avós paternos e maternos impeçam seu filho de conviver com eles.

É BOM VISITAR SEUS PAIS Quando você se isola de seus pais, não os visita com frequência, nem demonstra cuidado para com eles, você ensina os seus filhos a fazerem a mesma coisa com você. O ensino vem pelo exemplo.

Reino da Poesia | p. 49 | 100


QUEM?

Psicóloga Jusiene Nogueira de Santana PSICÓLOGA PELA UEFS-BA. MESTRE EM SAÚDE COLETIVA UEFS-BA. ESPECIALISTA EM PSICOLOGIA CLÍNICA SISTÊMICA, CASAL E FAMÍLIA PELA UNIARA/ARARAQUARASP. ESPECIALISTA EM PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL PELO IBRA/SP. FORMACÃO EM ORIENTAÇÃO PARENTAL PARA PSICÓLOGO MÉTODO OPP.

PRECISA DE AJUDA? Marque uma consulta. Online (75) 99264-3729 Presencial (75) 99997-1987 ou (75) 3221-0075

Se você percebe que há algo errado com sua família é hora de procurar um (a) psicólogo (a) de família. Tanto a orientação parental como a terapia de família realizadas pelo profissional de psicologia possibilita a identificação da necessidade de encaminhar a criança ou adolescente para um atendimento individual e específico. Jusiene Nogueira de Santana Psicóloga

Reino da Poesia | p. 50 | 100


A m or pra to d a vid a!

Feliz dia dos Pais! Tiago e Bruno

Reino da Poesia | p. 51 | 100


FILHOS NÃO PODEM SER USADOS COMO INSTRUMENTO DE VINGANÇA

ALIENAÇÃO PARENTAL Alienação Parental é causar prejuízo na relação do filho com um dos genitores, de forma a prejudicar o vínculo entre eles.

FORMAS DE ALIENAÇÃO Conselho Nacional de Justiça (CNJ) Lei 12.318/2010

Fazer campanha contra as atitudes do genitor; Dificultar o exercício da autoridade; Dificultar o contato da criança e do adolescente com o genitor; Dificultar o exercício de convivência familiar; Omitir informações pessoais relevantes sobre a criança ou o adoloscente; Apresentar falsa denúncia contra genitor a familiares; Mudar para local distante, sem justificativa.



ELE

poema

Reino da Poesia | p. 54 | 100


ELE Quando ele acorda de manhã O rosto da mamãe ilumina o dia Ele eleva as mãos na porta dos olhos Como se dissesse bom dia. Ele gosta de brincar Girando feito peão Mamãe tem medo dele cair no chão. Quando ele fica agitado Balança o corpo sem parar Repetindo sons apressados Até a língua embolar. Quando ele está tranquilo Às vezes estala os dedos Repetidas vezes na frente do espelho. Quando ele está na escola Não gosta de muito barulho Nem de jogar bola.

Reino da Poesia | p. 55| 100


ELE Quando ele se sente nervoso Bate os pés no chão Sobre na mesa e bate as mãos. Ele não gosta de olho no olho Ele não é de muitos amigos Ele se diverte sozinho Enfileirando seus carrinhos. Ele tem um jeito de ser especial; É inteligente e genial. Ele é diferente. Pedro é diferente. Clarinha é diferente. Júlia é diferente. Mateus é diferente. Mas quem não é? Alexandra Patrocínio

Reino da Poesia | p. 56 | 100


Se

a nad

ã n o d ê c i z o v

"O ambiente doméstico tem um grande impacto sobre a saúde mental e o desenvolvimento de longo prazo das crianças."

Já disse tudo NÃO SE CALE!

@ReinodaPoesia

25/11

Dia Internacional de Combate à violência contra a mulher


"O Pintinho que fugiu para brincar". Cristiane

Sousa

é

professora

da

municipal

Feira de Santana - Ba.

rede

Escreveu

essa historinha e ilustrei para um aluno com

Reino da Poesia | p. 58 | 100

H I A STÓ D A HA RIN

HO R

TEA , que é fascinado por pintinhos .


Reino da Poesia | p. 59 | 100


Reino da Poesia | p. 60 | 100


Reino da Poesia | p. 61 | 100


Reino da Poesia | p. 62 | 100


Reino da Poesia | p. 63 | 100


Reino da Poesia | p. 64 | 100


ILUSTR ÇÃO Abreu

Sabrina

O QUE VOCÊ VAI SER QUANDO CRESCER? O que você quer ser quando crescer? Você se lembra de ter ouvido alguma vez essa pergunta? Acredito que sim, pois a maioria das crianças é abordada por ela em diferentes faixas etárias. Se a criança tem até 3 anos de idade é bem possível que pais, avós ou tios observem o que a criança faz para dizer: Está brincando disso? Ah vai ser Chef de cozinha... Está brincando disso?Ah vai ser veterinária (o)... E isso ocorre enquanto as crianças crescem, são abordadas sobre o que gostam e o que querem fazer para ganhar dinheiro quando forem adultas. E depois quando chegam ao vestibular, onde precisam escolher a profissão que no entendimento de alguns é a escolha para uma vida inteira. E se, ao invés de perguntarem, o que você quer ser quando crescer, lhe perguntassem: O que você sonha em ser quando crescer?

Pode ser que essa mudança abra a sua imaginação e coloque em pauta os desejos mais divertidos e loucos. Reino da Poesia | p. 65 | 100

Se você for uma criança, se faça essa pergunta e rabisque num papel, quem sabe no futuro leia o que escreveu e se lembre do que sonhou um dia, se foi realizado ou não. Se você é um adulto, faça a mesma pergunta e veja o que sai, se está feliz com o que faz agora. Como ilustradora, profissão que exerço hoje, se me perguntassem na infância o que queria ser quando crescesse, com certeza diria ginasta ou bailarina. Alguém teve o mesmo sonho? Então é sobre isso que falo: para as crianças a questão de perguntarem sobre o ofício para a vida adulta é como um sonho, um desejo de algo tão longínquo. Quando criança, eu pensava em ser bailarina, mas em nenhum momento pensei em como seria, era ser e pronto. Depois disso ganhei uma mini máquina de costura, por influência dos avós e da minha mãe, que naquela época era visto como bonitinho.


O desenho, porém, surgiu pequena mesmo, como o desejo de reproduzir algo tão bonito que via na tv ou nos gibis. A diferença é que mesmo pequena, com apenas 9 anos, eu já reproduzia as ilustrações para vender, como também já fazia planos para entrar no estúdio do Maurício de Souza e já tinha criado um personagem, que na minha cabeça era imprescindível que ele fizesse parte dos personagens da Turma da Mônica.

Enquanto escrevo esse artigo, assisto com o meu filho o filme “O pequeno príncipe”, o qual retrata exatamente essas vertentes: crianças, sonhos, imaginação e as obrigações. No filme, uma garotinha precisa entrar numa renomada escola, onde lhe é cobrado que seja perfeita para entrar. Ela tão preocupada em agradar em todas as matérias, passa mal ao responder a uma pergunta que não foi treinada: O que você quer ser quando crescer?

Além de reproduzir os desenhos da Turma da Mônica, eu reproduzia com perfeição os Loney Toones, a Margarida da Disney e o Pato Donalds, o que me rendeu alguns trabalhos para quem não conseguia fazer os trabalhos de Educação Artística.

Bem, esse é o começo, mas vamos andar um pouquinho, onde a mãe atarefada, quer que a filha seja uma adulta brilhante, enche a filha de obrigações para entrar na tal escola.

Costumo pensar que eu não busquei o desenho, mas ele me encontrou. Não consigo lembrar de uma época da minha vida onde o desenho não esteja presente.

Não vejo a mãe como errada, mas sim uma mãe preocupada com o futuro de sua filha, mas o que ela não enxerga é que a filha precisa mais que isso.

Apesar disso, nunca pensei em ser ilustradora na vida adulta, que ironia, não é?

Ao lado, um vizinho excêntrico, muito imaginativo, lhe apresenta a história do “Pequeno Príncipe” e lhe traz uma forma de sonhar e imaginar.

Será que cobrar das crianças que saibam o que querem ser quando crescerem é realmente o que elas precisam? Acredito que como os tempos estão tão difíceis, os pais se preocupam se os filhos estarão preparados para terem um trabalho bem remunerado e serão bemsucedidos. Não sabemos o dia de amanhã, não é mesmo? O mundo sempre cobra, como falar outros idiomas, conhecimento em tecnologia e vamos sendo engolidos por isso. Como mãe me divido entre o que é certo para o meu filho e o que o meu filho quer. Reino da Poesia | p. 66 | 100

As crianças precisam sonhar por sonhar, imaginar por imaginar, não como obrigação de serem adultas. Nós adultos precisamos fazer nossas obrigações, mas sem esquecer de sonhar como uma criança. Que a leitura e a ilustração nos levem a imaginar novos mundos e a sonhar com mais frequência. Como disse Antoine de Saint-Exupéry, autor do “Pequeno príncipe”: "O essencial é invisível aos olhos".


Siga-nos no youtube Reino da Poesia

Aponte a câmera do seu celular aqui, e se inscreva no canal.


Em tempo de pandemia, nunca foi tão importante a literatura, essa que move os saberes, ativa a imaginação, faz sonhar e traz esperanças, principalmente, para as milhares de crianças que se encontram afastadas da escola e do convívio social. Nesse contexto, o ig do instagram Reino da Poesia ganhou visibilidade. Nasceu com o objetivo de incentivar às famílias – uma vez que são os adultos que detêm o controle das redes sociais - a lerem com seus filhos em casa, e movimentar as redes sociais com brincadeiras, saraus, dramatizações, contação de história, ou seja, produzirem conteúdos a partir da leitura de textos literários. Vale lembrar que os momentos de leitura coletiva fazem toda a diferença na vida das pessoas,

Reino da Poesia | p. 68 | 100

principalmente, nesse momento difícil, pois possibilita trocas de afetos e convivência, bem como, diversão, conteúdos educativos e estímulo à criatividade. Além de reforçarem laços sociais, trocas de experiências entre os familiares e a construção de redes de apoio saudáveis que ajudam a manter a saúde mental nas relações entre pais, filhos e/ou cuidadores. Levando em consideração esse contexto, e tendo em vista a minha formação docente em Letras e o mestrado em Literatura, além da minha paixão por escrever para o público infantojuvenil. Durante a quarentena de 2020, decidi que precisava desenvolver um projeto de cunho artístico-cultural na área de formação de leitores e incen-

tivo à escrita voltado para o público infantil e juvenil. E, foi assim, que nasceu o instagram Reino da Poesia e a série de lives intituladas “Conta pra mim” que teve inicio em abril de 2020 até a presente data. Assim, podemos inferir que as lives do Reino da Poesia contribuíram para o fortalecimento de vínculos entre as crianças e uma desejável troca de saberes.

Reino da Poesia Insta: @reinodapoesia email: reino.poesia@gmail.com


VACINE SEUS FILHOS A vacina é a melhor proteção em qualquer idade. @reinodapoesia


PEDAGOMÁGICA ELIS CAVALCANTE

SERES BRINCANTES Como garantir os direitos

de aprendizagem e de convivência? Como

garantir

os

direitos

de

aprendizagem e de convivência? Pensando nisso, comecei a planejar qual atividade seria melhor, muitas ideias surgiram na minha cabeça, eu queria que fosse algo divertido, criativo e prazeroso e, assim como mágica em livro infantil, a ideia fluiu:

“EU SOU PORQUE NÓS SOMOS” F uturê, eu , você e muita gente... U ma pista, um objeto, mimos e várias pistas... T udo novo, diferente, curioso e criativo... U ma resposta... Será que acertei? Mais uma pista... R isadas, muita imaginação é assim que Ê mbalamos em uma caixa, mimos e emoção de coração! Reino da Poesia | p. 70 | 100

Maria Isabela, (A caixa surpresa), Rafael, Allan.


desenvolvi uma brincadeira com meus alunos chamada: "Caixa Surpresa" - Qual é o objeto? Logo em seguida, outras ideias fervilharam na cachola: que objeto “EU“quero colocar na caixa? Então, pensei que seria mais divertido se os próprios alunos trouxessem a surpresa e as dicas. E assim foi! Muito divertido. A brincadeira foi uma festa na sala de aula; desafiei-os na roda de conversa fazendo perguntas sobre o que teria ali, e naquela caixa, as respostas foram variadas, engraçadas, inusitadas, emocionantes... É importante que se diga que os momentos de fala são imprescindíveis para estimular a criatividade, a imaginação e a curiosidade, além de garantir que todos tenham o direito de fala respeitado.

Rafael ( no meio com caixa e as pistas) - Maria Isabela, Maria Clara, Luca, Bruna e Maria Emília. A roda Do meio para esquerda: Maria Emília, Clara, Maria Isabela, Antonio, Allan, Cadu, Maria Clara, Valentina, Lucas, Débora, Gabriel, Bruna e no meio do círculo Luca.

Antônio Allan, Cadu (descobriu o objeto) Maria Clara, Valentina e Luca (quem trouxe o objeto os mimos e as pistas).

Reino da Poesia | p. 71| 100


COMO BRINCAR?

Material

1 - Caixa com tampa (pode ser feita ou solicitar uma caixa de papelão em mercados ou caixa de sapatos) decore essa caixa do seu jeitinho, com tecido ou retalhos, papeis coloridos. 2 - Um objeto. 3 – Pistas / o número de pistas é livre precisa descrever o objeto em partes. 4 - “Mimos” (quantidade: número de participantes). Procedimentos: 1)Monte a caixa (use e abuse da criatividade e utilize o que você já tem em casa) 2)Quem vai participar da dinâmica (quantidade). 3)Escolha um objeto para colocar na caixa. 4)Mimos para colocar na caixa, precisa saber a quantidade de participantes na dinâmica ( o mimo pode ser bilhete, desenho para colorir, mensagens, doces, lembrancinhas, etc.). 5)Pistas descrevendo o objeto, para que as pessoas descubram “QUAL É O OBJETO “ 6)Quem descobrir o objeto leva a caixa para colocar outro e assim a dinâmica continua até que todos possam participar. 7)Se na próxima brincadeira a mesma pessoa que já levou a caixa adivinhar o objeto, essa escolhe na roda quem ainda não foi para levar a caixa e assim todos poderão participar também. Objetivo: Conviver, brincar, participar, explorar, expressar, conhecer-se, imaginar, criar pistas e descobrir. Esses são os direitos de aprendizagem propostos pela BNCC (Base Nacional Comum Curricular). Essa brincadeira incentiva você, sua família e amigos adivinharem qual objeto está na caixa surpresa, dentro teremos um objeto e os mimos. Todos que fazem parte da brincadeira ganhará um “mimo”. Meus amores, vamos brincar? Reino da Poesia | p. 72 | 100


Com carinho Elis Cavalcante. @elis_vida11 / e-mail eliscavalcante73@gmail.com

IX A A C A RES RP SU

Reino da Poesia | p. 73 | 100


BRINCANDO COM PALAVRAS Reino da Poesia | p. 74 | 100


CAÇA-PALAVRAS

Reino da Poesia | p. 75 | 100


A!

EG

H

T A O ! R A

C

CHE ! GA

G

MA U O OM C E T LU

@ReinodaPoesia

25/11 Dia Internacional de Combate à violência contra a mulher


Seja o que quiser! Bessie Coleman queria ser uma pilota em uma época em que isso era difícil para uma mulher e uma pessoa negra. Com seu trabalho duro e persistência, ela superou seus desafios e alcançou seu objetivo. Envie seu desenho para o e-mail: reino.poesia@gmail.com vamos publicar na Edição especial do dia das crianças!

O qu Dese e você q u nhe no s er ser? eu c ader no

.

Quai s que são as c você oisa s p para ode faz e alca nçar r seu obje tivo?

Esc

reva as p a p o qu odem lavras im que e ent você q pedir ão, u risq er faz ue p e or c r... ima !


Lidando com sentimentos Qual COR você está sentindo hoje?

Seu sentimento está indo para o VERMELHO?

PARE

PENSE

RESPIRE

Coisas que você pode fazer para voltar ao VERDE


PAI PRESENTE MAIS QUE HERÓI RESPONSABILIDADE AFETIVA Diga não ao abandono afetivo!

@ReinodaPoesia


MUSICOFANTASIA CÍNTIA MARIA

FÁBULAS: UM TEXTO DE GENTE GRANDE POR FAVOR!

Muitas histórias nos são contadas, principalmente, na infância, em que os animais falam, agem como seres humanos, representam personagens-heróis. Histórias que nos permitem desfrutar de fantasias e aventuras com frustrações, vinganças e o clássico “felizes para sempre” sem qualquer culpa ou medo. Essas histórias vêm acompanhando muitas gerações, tanto no plano da oralidade, quanto da escrita. Assim, vamos percebendo o quanto a literatura acompanha a humanidade e torna o mundo mais compreensível, transformando sua materialidade em palavras.

De boca em boca, expressões populares ditas no cotidiano vão resistindo ao tempo e a gerações: devagar se vai ao longe, cuidado com o lobo em pele de cordeiro, as uvas estão verdes. É possível perceber que as pessoas ouvem, leem e reproduzem muitas dessas expressões que surgiram a partir das fábulas. Elas, ao longo do tempo, foram se adaptando e se ajustaram aos ambientes, à sociedade e ao entendimento local, Reino da Poesia | p. 80 | 100

encontrando nesse texto narrativo um olhar explicativo para a vida. A fábula é um gênero narrativo muito antigo encontrado praticamente em todas as culturas humanas e em todos os períodos históricos. É uma narrativa curta, muito simbólica, pois critica as atitudes humanas ou aconselha às pessoas. Podem ser escritas em prosa ou versos. Seus personagens, geralmente são animais que representam alguma atitude, característica humana – virtudes e defeitos. Textos deste gênero terminam a narrativa com uma lição de moral. Apesar de se assemelharem às histórias infantis, as fábulas foram criadas inicialmente para serem contadas a adultos, com o objetivo de aconselhá-los e distraí-los. Muitas vezes, precisamos ficar atentos ao seu discurso, às ideias subentendidas nessas histórias, pois são carregadas de meios, nos quais controlam o que deveria ser dito, um fenômeno que podemos


Na fábula “A cigarra e a formiga” por exemplo, ele apresenta duas novas versões dessa história com “A formiga boa” e a “A formiga má” e vai fazer uma reflexão bem peculiar, distanciando-se do que muito se propaga da compreensão da fábula clássica. Ele, na voz de Emília, Narizinho, Pedrinho, dona Benta e Nastácia – personagens Nosso conhecimento é construído pelas histórias do Sítio - vai trazer uma discussão sobre a que lemos e escutamos. Quanto maior for o desvalorização dos artistas. número de histórias que tivermos acesso, mais ampla e diversificada será nossa compreensão Assim, vamos percebendo que as histórias sobre determinado assunto. Ao fazermos a podem ser utilizadas para espoliar e caluniar, compreensão de uma história que tem mais de mas também podem ser usadas para empoderar uma versão, partindo apenas de uma delas ou e humanizar. Elas podem despedaçar a sob o olhar de apenas um dos personagens, dignidade de uma pessoa, mas também podem caímos nos “perigos de uma história única”. reparar essa dignidade despedaçada. denominar de “os perigos de uma história única”. As fábulas, especialmente, nos fazem refletir sobre esse olhar unilateral da história quando nos remetemos a sua “moral”. Elas atraem o olhar/sentido daqueles que as ouvem, a partir de experiências e associações.

Chimamanda Ngozi Adiche (2009) nos fala que, “a história única cria estereótipos, e o problema com os estereótipos não é que sejam mentira, mas que são incompletos. Eles fazem com que uma história se torne a única história.”. Ou seja, não permitimos que seja discutido outras formas de solucionar os problemas propostos pela narrativa, como também não damos espaço para conhecer uma versão diferente da história, vista por ambos personagens e, dessa forma, conhecemos apenas uma verdade: a apresentada pelo autor. A criticidade do perigo em levarmos em consideração uma única versão de uma história nos permite analisar as relações de poder e estereótipos que estão camuflados nela. Você conhece a fábula clássica “A cigarra e a formiga”? Ela foi modificada e atualizada pelas mãos de Monteiro Lobato[1] em 1922. Nesse ano, ele monta um livro com várias fábulas e ao final de cada uma delas, traz os personagens do famoso Sítio do Pica Pau Amarelo fazendo comentários sobre a história lida. 1. Monteiro Lobato foi um escritor brasileiro, um dos pioneiros, a criar um universo de histórias voltadas para criança enriquecidas pelo folclore e pelo nacionalismo com uma linguagem bem abrasileirada.

Reino da Poesia | p. 81 | 100

Nas histórias tudo está integrado: o espiritual, o material, a ciência, a arte, o conhecimento, o divertimento. A partir dessa abordagem, observamos que as histórias expressam os diversos aspectos da vida e integram experiências concretas, culturas, espiritualidade, simbologias, saberes. Ao analisar de forma unilateral o contexto das histórias, em especial das fábulas, percebemos que as histórias representam indicadores efetivos para situações desafiadoras, assim como fortalecem vínculos sociais, educativos e afetivos. As histórias são excelentes ferramentas para estimular a imaginação, criticidade e criação enriquecendo o desenvolvimento da personalidade. @cintiamarianarradora


...Fé explicou para Clarinha que toda criança precisa aprender que a tristeza e a alegria fazem parte da vida...

@reinodapoesia


TEEN CONTO

ALEXANDRA PATROCÍNIO

Nessa sexta edição, a coluna TeenConto convidou a psicóloga Alexandra Aires para falar sobre a adolescência

Reino da Poesia | p. 83 | 100


Psicóloga

ADOLESCÊNCIA - UMA MONTANHA RUSSA DE EMOÇÕES "Tenho andado distraído, Impaciente e indeciso E ainda estou confuso Só que agora é diferente Sou tão tranquilo e tão contente..." (Quase sem Querer, Legião Urbana,1986) Quando fui convidada para escrever um artigo sobre adolescência, veio a minha mente uma canção que eu não cansava de cantar e que a reflexão sobre ela foi a inspiração para escrever para vocês. A Adolescência é uma fase rica de experiências, mudanças e conflitos internos e externos que tomam o jovem e os pais de surpresa. O pubescente começa a experimentar reações emocionais e sentimen

tais, muitas vezes provocadas pelas alterações hormonais e das glandulares, as quais impactam em suas relações parentais e de amizades. Além das perceptíveis mudanças físicas que envolvem a forma de aceitar o próprio corpo e afloram o interesse sexual. Soma-se uma preocupação com aparência, com a tendência do grupo, e surgem a confusão dos papéis na transição infância e a adultez, onde é muito jovem para sair, viajar, coloReino da Poesia | p. 84 | 100


frustrações, agressividade, uso de objetos cortantes, falta de estímulo e angústia devido a eminência das escolhas que devem ser tomadas, tudo isso tendo impacto na saúde mental do adolescente. Estes são alguns dos motivos que levam esses jovens aos consultórios de psicologia e psiquiatria. Na psicoterapia, eles vão aprender a acolher suas dores e angústias reconhecer os aspectos que estão levando ao sofrimento e construir saídas criativas e assertivas para a mudança. As explorações do mundo vão dependendo dos recursos emocionais, parentais e sociais que esse adolescente viveu e construiu ao longo de sua infância. Aqueles que encontram um ambiente harmonioso, confiável, afetivo aberto ao diálogo são capazes de acolher suas emoções e sentimentos de forma atenciosa e paciente. Quando o jovem participa do dia a dia da rotina familiar, conhece sua origem, cultura e condições sociais, tem espaço para dialogar sobre todos os assuntos e por conta disso, a ser realista consigo, com seus direitos e deveres com seu grupo parental e social. A vida escolar também contribui para o desenvolvimento do papel social e senso crítico auxiliando ao pubescente a se defender de situações constrangedoras e desafiantes. Todos os envolvidos no processo de desenvolvimento do adolescente, pais, avó, tios, professores devem fortalecer as ideias e o potencial deles incentivando uma participação ativa na família e na sociedade. E assim, concluo com outro trecho da música inicial acreditando que os responsáveis pelos adolescentes sejam pais, avós, tios e o próprio jovem, querem a mesma coisa: a felicidade e o Amor. Já não me preocupo se eu não sei por que Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê E eu sei que você sabe, quase sem querer Que eu quero o mesmo que você.

(Quase sem Querer, Legião Urbana,1986)

Referencias. PAPALIA, D. E., OLDS, S. W., & FELDMAN, R. D. (2006). Desenvolvimento humano (12ª ed.). Porto Alegre: Artmed. Lei nº8.069/1990.Estatuto da Criança e do Adolescente Strieder. Claci Maria. Adolescência: percurso entre a criança amada e o adulto reconhecido. Brasília, DF.2109 (https://www.ijep.com.br/artigos/show/adolescencia-percurso-entre-acrianca-amada-e-o-adulto-reconhecido#:~:text=Para%20Jung%2C%20a%20adolesc%C3%AAncia%20%C3%A9,347).

Reino da Poesia | p. 85 | 100

car piercing sem autorização dos responsáveis, mas deve escolher a profissão, votar, ou iniciar sua vida laboral, dependendo das condições socioeconômicas, entre outras responsabilidades que vão sendo impostas pela sociedade e reforçadas pela família. O Jovem vivencia um enorme desejo de se fazer ouvir e firmar uma identidade própria e um dos caminhos é confrontando os valores morais e religiosos recebidos e julgando as contradições observadas na família, na sociedade e nos grupos de amigos. Outro é o contato e até mesmo o uso de drogas lícitas e ilícitas; presenciar, ser vítima ou autor de atos de vandalismo e violência dos mais diversos tipos, conflitos com a lei, além da descoberta e da vivência da sexualidade. E assim continuei lembrando de outra música que tem tudo a ver com a relação entre os adolescentes e os pais "Sou uma gota d'água. Sou um grão de areia. Você me diz que seus pais não lhe entendem. Mas você não entende seus pais. Você culpa seus pais por tudo. E isso é absurdo. São crianças como você. O que você vai ser quando você crescer?” (Pais e filhos, Legião Urbana). Os pais vão se deparar com jovens que preferem o convívio do grupo e têm aversão ao controle deles, expõem às ideias confrontando pensamentos, cultura e costumes da família, a dualidade de sentimentos e emoções, tomam atitudes que em alguns momentos são imprevisíveis e imediatistas e logo em seguida procrastinam as decisões devido às incertezas, alteração dos gostos de brincadeiras e interesses. Essa efervescência de emoções (raiva, medo, tristeza, mágoa...), sentimentos (perda, incapacidade, euforia, frustração...), atitudes e incertezas somando-se a ausência dos pais por diversos motivos, as relações virtuais que nem sempre condizem com sua realidade, as questões que envolvem a sexualidade movida por ansiedade e preocupação em busca da sua identidade sexual e o vazio existencial, propiciam o surgimento de sintomas como sentimentos de baixa autoestima, incapacidade de lidar com as


Alexandra Carvalho de Almeida Aires, baiana, psicóloga, assistente social sanitarista; especialista em Saúde Coletiva com ênfase em Saúde da Família e em gestão ambiental e atualmente pósgraduanda em Psicologia Analítica pelo Instituto Junguiano da Bahia. Tem publicado um artigo no Livro Psicologia Sertaneja – práticas e saberes contemporâneos da ed. Appris,2021. Realiza atendimento na A Clínica nos dias de quarta-feira para o público Adolescente, Adultos e Idosos. CRP03/26106.

)

Reino da Poesia | p. 86 | 100


As crianças têm direito aos melhores cuidados de saúde possíveis, água potável para beber, comida saudável e um ambiente limpo e seguro para morar. UNICEF

Reino da Poesia | p. 61 | 79

@ReinodaPoesia


POR UMA INFÂNCIA COM LIVROS

LIVRO TAMBÉM É BRINQUEDO! Reino da Poesia


REINO AFRO LITE RÁ RIO Nilda Brandão Aula

Crianças brancas e negras são diferentes, Mas são crianças bonitas e belas. Elas são como rosas no jardim. Brincam e cantam alegres. E são fofinhas como os gatos. Não é só ser diferente. Mas podemos ser iguais ou diferentes, Somos todos importantes. I

Isa - 5 anos

Reino da Poesia | p.89 | 100


Peguei-me encantada com a riqueza desses versos de minha filha Isa, de cinco anos, os quais intitulei de Aula.Ontem, 29 de julho, ela chegou perto de mim e disse: “Mamãe, tenho uma poesia pra te falar. Eu falo e você escreve no computador”. Prontamente, fechei a página a qual estava escrevendo e abri uma nova a fim registrar as palavras que minha pequena queria dizer. Ela foi falando e eu digitando, literalmente, sem muito refletir o que me dizia. Ao final, ela disse: “Lê aí o que tá escrito”. Assim o fiz. E só então, foi “caindo a ficha” da profundidade que as palavras contidas ali traziam em sua semântica. Percebi que ela, ainda muito pequena, já iniciara a compreensão de fatos que nós, adultos, por vezes, custamos a compreender. Foi encantador tomar consciência de que a criança tem uma alma pura e respeitosa, e que o seu olhar enxerga para além do concreto, do palpável, Mas são crianças bonitas e belas. Foi um presente testemunhar uma grandeza dessa. Eu, que muitas vezes, levada por minha racionalidade, esbarro na análise superficial do outro, não me permitindo o encontro com o diferente que existe nele. É preciso refletir. É interessante, também, pensar como a criança vê o que há de mais belo dentro do ser humano e a forma com que ela consegue, com a sua linguagem própria, metaforizar Reino da Poesia | p. 90| 100

a sua percepção: "Elas são como rosas no jardim". Sem se distanciar do mundo infantil, os pequenos também fazem associações riquíssimas com os elementos que os quais convivem, no caso de Isa, com o mundo animal que é um ambiente de encantos para ela E são fofinhas como os gatinhos. Mais uma vez é a criança dando aula aos adultos em relação à importância de se amar, cuidar e proteger os animais. Porém, é no encaminhamento para a finalização da poesia onde ocorre, a meu ver, o ápice da “Aula” Não é só ser diferente, ou seja, a simples percepção da diferença não importa, o que conta é a conscientização de que embora, iguais ou diferentes, Mas podemos ser iguais ou diferentes, somos todos e todas especiais, únicos/as e mais Somos todos importantes. E assim a grandeza retratada nessa poesia demonstra o tão lindo, bom e “consciente” que é o coração de uma criança. E, com certeza, se nós adultos aprendêssemos a ver o outro, os fatos, a vida sob à ótica de uma criança certamente experenciaríamos um mundo melhor.

Nilda Brandão Mulher Preta, Professora. Mãe e Mestranda em História da África - UFRB @nydabrandão16


Infância Brincante DARLENE LIMA

NA BRINCADEIRA TEM ESPAÇO PARA A TECNOLOGIA? Será que as crianças deixam de brincar para explorar as telas? Será que a tecnologia está roubando o espaço da brincadeira? O uso exagerado das telas (celular, tablet, computador...) pelas crianças, está preocupando os pais e educadores e está também provocando uma série de debates entre os especialistas. Não se pode negar a existência das modernas tecnologias no mundo em que vivemos e a sua enorme contribuição como fonte de informação, comunicação e até mesmo como recurso lúdico. O imenso repertório de jogos e vídeos tem atraído cada vez mais a atenção das crianças. No entanto, é necessário refletir qual a sua função no desenvolvimento das crianças.

Reino da Poesia | p. 91| 100

Segundo alguns pais e responsáveis que eu conheço, o longo tempo destinado na mídia pelas crianças causa um incômodo. Eles reconhecem que o tempo que as crianças ficam com o celular impossibilitam a realização de outras atividades que seriam fundamentais para o seu desenvolvimento. Os especialistas revelam que os pais cujos filhos são cuidados por babás, relatam que os pequenos ficam muito tempo em frente as telas, sem qualquer critério e que a tela substitui o brincar. Nessa condição, a dimensão motora não é desenvolvida. Diante da maior influência das telas no cotidiano das crianças, vale ressaltar que muitos estudos revelam seus efeitos negativos nos pequenos quando eles são expostos excessivamente diante das tecnologias.


As crianças praticamente são motivadas pela falta de comunicação e a falta de tempo dos adultos para brincar. Os pequenos buscam companhia, o lúdico e as respostas usando a tecnologia.

A tecnologia não pode ser o único entretenimento para as crianças. A família, muitas vezes, proporciona o uso e, ao mesmo tempo, demonstra bastante insegurança na atitude. O uso excessivo mostra por que é tão difícil aos pais servir de modelo. Isso acontece por conta de que as crianças observam o tempo que os pais ficam no celular. Essa situação pode ser compreendida devido ao fato de a criança aprender, inicialmente por imitação. A situação é mais agravante ainda quando não há diálogo entre pais e crianças. O que a família e a escola precisam entender é que as tecnologias fascinam as crianças pelos recursos disponíveis e pelas respostas rápidas na palma da mão.

Reino da Poesia | p. 92 | 100

As crianças sabem que as tecnologias requerem pouco esforço para a sua utilização. É necessário que os pais e responsáveis reconheçam que, na nossa sociedade atual, o computador, o tablet, o celular e as atividades eletrônicas, incluindo videogames, tornaram-se algo muito atrativo. Tornar a tecnologia uma aliada no desenvolvimento integral da criança e dosar o tempo destinado a ela é imprescindível para o crescimento das crianças. Sabemos que as tecnologias são extensões da comunicação humana e que com elas muito se aprende. Logo, cabe à família e à escola supervisionar e orientar sem deixar que aconteça o exagero no uso. Proporcionar também momentos de brincadeira dirigida e livre no âmbito familiar e escolar é fundamental para a interação das crianças com outras crianças e adultos. Brincando, as crianças ganham autoconfiança e aprendem a reforçar seus laços afetivos.


Diferente dos jogos e vídeos prontos da internet, a brincadeira proporciona a imaginação, desenvolve a linguagem e a narrativa. No brincar, as crianças aprendem também a resolver conflitos e a respeitar a inclusão e a diversidade. O brincar é organizado, onde o tempo e a diversidade das atividades e do material são planejados. A brincadeira nunca está pronta, ela surge da faixa etária, do interesse e o nível de desenvolvimento de cada criança. Cabe ainda ressaltar que a brincadeira envolve os aspectos socioculturais do grupo social do qual as crianças fazem parte. Por fim, não podemos esquecer de que tanto a tecnologia como a brincadeira devem proporcionar às crianças ações que ultrapassem o seu limite e desenvolver a autoria de movimentos. Só assim, os dois estarão contribuindo para o desenvolvimento integral das crianças.

Darlene Lima @professoradarlene

Reino da Poesia | p. 93 | 100


Brincar na infância é ter histórias para contar !

Reino da Poesia | p. 94 | 100


V O OUT EM AÍ UBRO M ÁGICO ! DOE LIV ROS E B RIN QUE DOS

Marina


Já Nasceu grande!

A Confralib é uma confraria formada por 11 mulheres de diversos lugares da Bahia, mas com uma abrangência nacional. As fundadoras da confraria são Alexandra Patrocínio, Palmira Heine e Rita Queiroz. Nosso

objetivo

é

reunir

mulheres

escritoras

de

literatura

infantojuvenil baianas e oportunizar a mulheres de outras partes do Brasil a participação

em projetos literários, coletâneas, feiras

literárias, encontro de escritoras, etc. O Confralib acredita que projetos com ações coletivas fortalecem todas nós, geram sororidade e relevância! Esse é o início de um novo ciclo mas a continuação de ações que pretendem espalhar a literatura infantojuvenil produzida por mulheres por onde formos! Acompanhem as próximas novidades do nosso grupo!

Siga-nos!


UMA REVISTA PARA QUEM SABE SONHAR

REVISTA DE LITERATURA INFANTOJUVENIL REINO DA POESIA PUBLIQUE COM A GENTE! Se você é como a gente, não cresceu e ama as delícias da infância, essa revista é para você. Saiba como: Email: reino.poesia@gmail.com


CONHEÇA TAMBÉM

Volume 1

Volume 2

Volume 3

Volume 4

Reino da Poesia | p. 98 | 100


CONHEÇA TAMBÉM

Volume 5

Reino da Poesia | p. 99 | 100


REVISTA

DE LITERATURA INFANTOJUVENIL

Instagram: @reinodapoesia E-mail: reino.poesia@gmail.com Youtube: Reino da Poesia