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SEMANÁRIO

Director Nuno Pitti Ferreira | 24 de Março de 2011 | ed. 147 | 0.50€

O Melhor Petisco | Rua Catarina Eufémia , 14 Horta das Figueiras | 7005-320 Évora 266771284

Cláudio Torres critica encerramento do Museu do Artesanato: “Vale a pena lutar”.

CRISE José Sócrates apresenta demissão Os partidos da oposição chumbaram a nova versão do Plano de Estabilidade e Crescimento apresentada pelo Governo. De seguida, José Sócrates foi ao Palácio de Belém apresentar a demissão ao Presidente da República. Cavaco Silva recebe os partidos na próxima sexta-feira.

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João de Brito Tavares 06/07 em ENTREVISTA

Terrakota tocam em Évora

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“Governo dá prioridade a tudo que não é produtivo” Agricultor e presidente da Associação de Criadores de Ovinos de Estremoz fala sobre a crise da agricultura e o abandono do mundo rural”.

A ideia da banda nasceu em África. Os Terrakota apostam numa mistura de ritmos e especiarias, inspirados em sons dos mais variados locais do mundo. Tocam este fim-de-semana em Évora.

Criada agência para promoção externa de frutas e legumes

Estudantes de Estremoz e Vila Viçosa jornalistas por um dia

EDUCAÇÃO

Pág.15 Chama-se Portugal Fresh. É uma associação de vinte empresas do sector agrícola apostada na promoção externa das frutas, flores e dos legumes, sector que gera um volume de negócios superior a 2,3 mil milhões de euros. A estreia foi em Berlim. A ideia é aumentar as exportações de produtos agrícolas.

Pág.08 As escolas secundárias de Vila Viçosa e Estremoz integraram a iniciativa “Road Show”. N@Escolas é uma iniciativa aberta a todos os alunos que frequentam o ensino secundário e profissional em Portugal. No final de contas, o objectivo deste é o de despertar nos alunos o interesse pela leitura e pela comunicação social.

Pág.09 O Ministério da Educação prepara-se para encerrar mais 87 estabelecimentos de ensino com menos de 21 alunos no Alentejo. A região será a segunda mais afectada a nível nacional por mais esta vaga de encerramentos, logo atrás do Norte, onde irão fechar 118 escolas. A lista final ainda não foi divulgada.

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Fecham mais 87 escolas


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24 Março ‘11

A Abrir “Passos corta o PEC” Pedro Henriques | Cartoonista www.egoisthedonism.wordpress.com

Uma semana turbulenta antónio costa da silva Economista

No espaço curto de oito dias ocorreram uma série de factos com fortes implicações no nosso futuro imediato. Uma coisa é certa, a velocidade dos novos tempos é alucinante e ninguém a consegue controlar. Em apenas uma semana tivemos os seguintes desenvolvimentos políticos: 1) Discurso arrasador do Presidente da República para com a governação; 2) Apresentação antecipada do PEC 4 por parte do Governo, sem quaisquer negociações com os partidos da oposição e parceiros sociais; 3) Recusa do principal partido da oposição em aceitar as medidas injustas apresentadas pelo Governo; 4) Manifestação espontânea com cerca de 300.000 pessoas contra a incapacidade política de se resolverem os principais problemas do País; 5) Ameaça de demissão do Primeiro-Ministro português, caso se vote contra as medidas austeras do PEC 4 no Parlamento. Perante estes 5 factos políticos dá para perceber com facilidade que estamos perante uma conjuntura política muito complexa. Mas existe um mínimo denominador comum para todos estes acontecimentos: A incapacidade política do governo português em resolver os graves problemas que criou aos portugueses. É verdade que a conjuntura internacional em nada tem ajudado a resolver os principais problemas nacionais, mas também é verdade que, depois de inúmeras medidas de austeridade implementadas e que afectam grande parte dos portugueses, não se sentem quaisquer efeitos positivos na economia e sociedade portuguesa. Antes pelo contrário, apesar do optimismo irrealista do Governo, sabemos que a situação económica e social vai agravar-se ainda muito mais. É reconhecido pelo Banco de Portugal que o nosso País vai ter uma recessão de -2%, enquanto que o Governo diz que vamos crescer cerca de 0,2%. Existem perspectivas que o desemprego vai atingir os 800.000 desempregados, enquanto que o Governo diz que a situação está plenamente controlada. Na prática, o Governo continua teimosamente com uma perspectiva contrária àqueles lhes tentam ajudar a encontrar soluções para o País. Os avisos à navegação têm sido muitos. No entanto, o Governo não abre mão de uma visão que não parece ser a mais adequada para resolver os problemas do País. A mensagem do Presidente da República foi dura, mas realista. O Governo e o partido que o sustenta, como é hábito, fizeram “ouvidos de mercador” e correram a protestar contra a

opinião do mais alto magistrado da nação. Nem um pouco de humildade se ouviu sobre o assunto. A antecipação das novas medidas de austeridade que irão sustentar o PEC 4, foi o descalabro completo. Sem respeito pelos intervenientes directos no processo: Presidente da República, Parlamento Português e Parceiros Sociais, o Governo decidiu sozinho o que considera melhor para Portugal. Na realidade, este anúncio provocatório só poderia ter um objectivo central: Promover uma crise política em Portugal. Como é hábito, o Governo vai sustentar esta posição numa linha de ameaça e de vitimização. Aliás, já o está a fazer. Quando ameaça demitir-se caso seja votado contra, no Parlamento, as propostas para o futuro PEC 4 (grande parte delas desconhecidas), está a assumir claramente essa posição. Também sabemos que vai vitimizar-se, dizendo que são os únicos que “remam contra a maré”. Sabemos irão fazer assim. Na prática, suscitam-me algumas questões sobre estas matérias: 1) Tendo em conta a “importância” das medidas apresentadas, faz algum sentido o Governo não ter dado a conhecer e auscultado os principais responsáveis políticos e parceiros sociais do País? 2) Se são da competência e responsabilidade do Governo porque é que estas medidas têm que ser revertidas no PEC 4? 3) Afinal são intenções ou compromissos? Onde ficamos? 4) Medidas que implicam o congelamento das reformas mais baixas dos pensionistas portugueses fazem algum sentido? 5) Onde está a justiça e politica social tão apregoada e propagandeada por este Governo? Por estas razões e muitas outras, não me parece razoável continuar a passar “cheques em branco” ao Governo português. Falta de oportunidades para aplicar medidas correctivas não têm faltado. Basta lembrar da viabilização do PEC 3 e do Orçamento de Estado para 2011. Este clima de desconfiança e descrença no futuro existente, sobretudo nas camadas mais jovens, são reflexo das políticas económicas e sociais vigentes. Temos vivido um contexto de aplicação, por parte de muitos dos nossos políticos, de políticas económicas e financeiras altamente conservadoras, que jamais poderão ajudar a inverter a situação com que nos confrontamos. O modelo está errado e tem que ser alterado. Sobre essa matéria falaremos brevemente.

Protagonistas P06

João de Brito Tavares Filho e neto de agricultores, João de Brito Tavares deixa em entrevista ao Registo um olhar perspicaz sobre a agricultura e as formas de superar da crise.

P12

José Sócrates Nem à esquerda, nem à direita ... Por culpa própria, ou pela pressa do PSD para chegar ao “pote”, José Sócrates revelou-se incapaz de fazer acordos políticos.

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Ficha Técnica Director Nuno Pitti Ferreira (nuno.pitti@registo.com.pt) Editor Luís Maneta

SEMANÁRIO

Propriedade PUBLICREATIVE - Associação para a Promoção e Desenvolvimento Cultural; Contribuinte 5099759815 Sede Rua Werner Von Siemens, n.º16 -7000.639 Évora - Tel: 266 751 179 fax 266 751 179 Direcção Silvino Alhinho; Joaquim Simões; Nuno Pitti Ferreira; Departamento Comercial Teresa Mira (teresa.registo@gmail.com) Paginação Arte&Design Luis Franjoso Cartoonista Pedro Henriques (pedro.henriques@registo.com.pt); Fotografia Luís Pardal (editor) Colaboradores Pedro Galego; Pedro Gama; Carlos Moura; Capoulas Santos; Sónia Ramos Ferro; Carlos Sezões; Margarida Pedrosa; António Costa da Silva; Marcelo Nuno Pereira; Eduardo Luciano; José Filipe Rodrigues; Luís Martins Impressão Funchalense – Empresa Gráfica S.A. | www. funchalense.pt | Rua da Capela da Nossa Senhora da Conceição, nº 50 - Morelena | 2715-029 Pêro Pinheiro – Portugal | Telfs. +351 219 677 450 | Fax +351 219 677 459 ERC.ICS 125430 Tiragem 10.000 ex Distribuição Nacional Periodicidade Semanal/ Quinta-Feira Nº.Depósito Legal 291523/09 Distribuição Miranda Faustino, Lda


3 Política Património

Cláudio Torres junta-se à defesa do Museu do Artesanato de Évora Luís Pardal | Registo

Redacção | Registo O arqueólogo Cláudio Torres – Prémio Pessoa 1991 – juntou a sua voz ao movimento de cidadãos que contesta o encerramento do Museu do Artesanato de Évora, por decisão da Câmara e da Entidade Regional de Turismo do Alentejo. “Este museu, que certamente esteve abandonado, com pouco investimento, é uma necessidade cidadã”, disse Cláudio Torres durante o colóquio “Cultura Popular e Preservação da Memória”, organizado pelo Grupo Pro-Évora e pela associação Perpetuar Tradições, constituída para promover a defesa do artesanato alentejano. Para o director do campo arqueológico de Mértola, e um dos mais reputados arqueólogos portugueses, a “capacidade de guardar” as “memórias do núcleo camponês de uma região” tem de ser “salvaguardada”. “Esta actividade tem de ser mantida, eventualmente com uma ligação estreia à universidade para incluir uma componente de investigação”. Sublinhando que “nada impede” a criação de outros espaços culturais na cidade, designadamente o Museu do Design – Colecção Paulo Parra, que será instalado no edifício do Museu do Artesanato, Cláudio Torres defende que se trata de conceitos diferentes: “Não podemos querer misturar alhos com bugalhos”. “Vale a pena lutar. Foi assim que Lisboa conseguiu [a reabertura do Museu de Arte Popular], concluiu. Numa região como o Alentejo, “onde a ruralidade é um valor”, o

Colóquio organizado pelo Grupo Pro-Évora e pela associação Perpetuar Tradições

“O Grupo Pro-Évora nada tem contra a existência de um museu de design constituído pela colecção Paulo Parra, mas não concorda com a solução prevista, que põe em causa a existência do Centro de Artes Tradicionais/Museu do Artesanato como instituição cultural autónoma e as condições adequadas para a exposição do seu acervo”.

artesanato continua a constituir uma “fonte inesgotável, de acordo com a disponibilidade e riqueza dos materiais, as necessidades impostas pela vida rural e urbana e a criatividade dos artífices”, acrescentou o sociólogo Fran-

cisco Martins Ramos, professor emérito da Universidade de Évora e outro dos intervenientes no colóquio. “A musealização dos artefactos desaparecidos ou em vias de extinção desempe-

nha um papel crucial na salvaguarda da memória colectiva, na transmissão dos saberes tradicionais às novas gerações e na compreensão do passado, recente ou distante”. Considerando que a reabertura do Museu do Artesanato em Junho de 2007, depois de um encerramento que se prolongou por mais de 15 anos, constituiu a “devolução à cidade e ao Alentejo de uma parte do seu património”, Francisco Martins Ramos criticou a decisão da Câmara de Évora e do Turismo do Alentejo de instalarem naquele espaço o Museu do Design. “Invadir o território de um museu temático existente, descaracterizar uma realidade coerente da sua afirmação sociocultural, histórica e identitária, amputar um espaço artesanal por interesses de conveniência, misturar traços culturais com afirmações de modernidade de natureza diversa e antagónica é um crime de lesa-cultura, uma afronta ao legado que nos foi deixado e uma armadilha envenenada à idiossincrasia alentejana”, defendeu o sociólogo. O colóquio contou ainda com as intervenções de Celestino David e Marcial Rodrigues, em representação do Grupo Pró-Évora, e do historiador Celso Mangucci, que dissertou sobre “A arte popular, entre a história e a tradição”. Entre os presentes estiveram os ex-presidentes da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Alentejo, Carmelo Aires, e da Região de Turismo de Évora, João Andrade Santos. O novo Museu do Artesanato e do Design de Évora tem abertura prevista para a Primavera.

Évora

Ponte de Sor

Segurança preocupa PSD

Taveira Pinto quer ASAE na câmara

O PSD manifestou-se preocupado com a “insegurança” na cidade, que atribui à falta de meios das autoridades e à degradação do centro histórico, exigindo que o Estado “não descure as suas funções essenciais”. Os social-democratas acusam o Governo de “aplicar uma férrea restrição orçamental a alguns serviços essenciais, nomeadamente àqueles a quem cabe garantir a segurança pública”. “A falta de efectivos, a degradação dos meios de intervenção e uma forte restrição orçamental perturbam o normal funcionamento das forças de segurança, a braços com crescentes dificuldades para evitar o significativo aumento da criminalidade”, pode ler-se no documento.

O autarca socialista de Ponte de Sor, Taveira Pinto, criticou ontem o secretário de Estado José Junqueiro por indeferir a comparticipação dos novos Paços do Concelho, considerando que o actual espaço devia ser encerrado pela ASAE. “Eu gostava muito que a ASAE visitasse a câmara municipal para, comprovadamente, a seguir, a encerrar, porque não tem as mínimas condições para que se trabalhe, nem para receber as pessoas”, disse o autarca alentejano referindo-se às deficientes condições do edifício. Em declarações à agência Lusa, Taveira Pinto explicou que o actual espaço onde está instalada a autarquia “não oferece condições” e que o município vai arrancar “em breve” com a cons-

trução de um novo edifício dos Paços do Concelho, num investimento superior a três milhões de euros. O valor da obra será suportado pelo município, situação que levou o autarca a criticar o secretário de Estado da Administração Local, José Junqueiro, considerando que o governante “não é digno” de estar no Governo. Taveira Pinto lembrou que o município solicitou junto da Secretaria de Estado um contrato programa para auxiliar na comparticipação da obra, mas esse pedido foi indeferido. “Magoado” com a resposta de José Junqueiro, que alegou ainda que a Secretaria de Estado “não tinha dinheiro”, Taveira Pinto relatou que ficou posteriormente “revoltado” com os

critérios de distribuição de verbas da secretaria de Estado. “Mas qual é o meu espanto e a minha revolta posterior… A Câmara Municipal de Sátão (Viseu), através do Diário da República publicado no dia 23 de Fevereiro deste ano, tinha contratualizado uma verba de cerca de 333 mil euros para reconstrução dos Paços do Concelho de Sátão”, relatou. Perante esta situação, Taveira Pinto diz que “não aceita” a decisão do secretário de Estado e que “exige” igualdade de critérios. Para o autarca, se o município de Sátão “tem o direito” de estabelecer este acordo, a autarquia de Ponte de Sor também deverá usufruir desse mesmo direito. “Se o senhor secretário de Estado tem este comportamento,

então não é digno de estar no Governo de José Sócrates, já que está a desenvolver um trabalho que não é equilibrado, que não é justo e que não olha todos os municípios da mesma forma”. Contactada pela Lusa, fonte da Secretaria de Estado da Administração Local esclareceu que não existem dois pesos e duas medidas, em relação ao caso que envolve o município de Sátão, citado pelo autarca. A mesma fonte explicou que o município de Sátão vai fazer uma intervenção de requalificação da sua sede no valor de 360 mil euros e o Estado comparticipa com 160 mil, sublinhando que o principal objectivo da obra passa por criar acessibilidades para pessoas com necessidades especiais.


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Política Registo | Arquivo

Cultura popular e preservação da memória José Russo Encenador

Cultura popular e preservação da memória foi o tema escolhido para o colóquio organizado pela Associação Perpetuar Tradições em parceria com o Grupo Pro-Évora que reuniu um grupo de cidadãos numa interessante reflexão sobre a importância do nosso património colectivo e a absoluta necessidade da sua salvaguarda. Se dúvidas houvesse sobre a necessidade de continuar a pugnar pela defesa do Centro de Artes Tradicionais, elas ficariam completamente dissipadas com o conjunto de razões aduzidas em diversas intervenções. O que não é minimamente razoável é a Entidade Regional de Turismo e a Câmara Municipal de Évora não darem ouvidos a ninguém e continuarem a insistir na instalação do suposto “museu do artesanato e do design”, quando até já se manifestaram contra, entidades como a Direcção Regional da Cultura do Alentejo, o Instituto dos Museus e da Conservação e o próprio Ministério da Cultura. Para que não subsistam dúvidas quanto à valia do espólio do coleccionador Paulo Parra, será bom sublinhar também a aceitação

generalizada da instalação dessa colecção num museu do design industrial na cidade, factor que, digo eu, contribuiria directamente para a requalificação de um espaço, para o enriquecimento da nossa rede museológica e, consequentemente, para o desenvolvimento cultural da cidade e da região. O que ninguém entenderá é que a instalação dessa colecção seja feita à custa da extinção do requalificado Centro de Artes Tradicionais, quando no centro histórico da cidade existem outros espaços públicos carentes de intervenção. Como também ninguém consegue perceber a fórmula encontrada para o anunciado “casamento” destas duas colecções. Os eborenses não terão o direito de conhecer e discutir os projectos para a sua cidade? Vivemos num território profundamente marcado por um modo de ser e de estar que as transformações operadas nas últimas décadas não conseguiram apagar. Um território com uma fortíssima identidade cultural que se constitui como referência para as novas gerações, daí a importância da sua preservação. As referências de cada um são determinantes para o caminho que

temos de fazer nesta sociedade cada vez mais globalizada, em que a integridade nacional e as culturas regionais têm de ser realidades com espaço próprio de afirmação.

sem consultar as instituições que o representam. Primeiro, tratava-se de um verdadeiro PEC, depois eram só linhas orientadoras. Primeiro, era imperativo, depois negociável. Primeiro, o ataque às pensões míni-

mas, depois a actualização, embora limitada. Sócrates desmente equívocos, da sua própria autoria. Acusa o PSD de estar à espera de um pretexto para abrir uma crise política. Mas não foi o PSD que colocou o pais nesta situação, foi o PS, que criou a crise pelo seu próprio punho ao não avaliar devidamente as consequências dos seus actos, fruto de uma petulância pueril que impede o Primeiro-ministro de se comportar como um homem de Estado. Sócrates apela agora ao entendimento e aos consensos alargados quando nunca os procurou nem desejou verdadeiramente. É por isso que ninguém acredita em si. Perdeu toda a credibilidade e quanto mais se desdobra em explicações mais soa a falso. Grita ao mundo que se ele se demitir, a entrada do FMI é inevitável. “Eu ou o caos” e o caos é culpa do PSD. Espero sinceramente que os por-

tugueses não tenham memória curta e se recordem de quem nos trouxe até ao caos ao fim de seis anos de governação: Sócrates. Sócrates é o caos porque propositadamente encenou este triste espectáculo para justificar uma crise política, bem sabendo que a apresentação de mais um PEC ao país provocaria uma convulsão social. Nada aconteceu por acaso. Sócrates “esticou a corda” porque entendeu que a fuga era a melhor forma de escapar menos esturricado. Serão outros a enfrentar os tempos muito difíceis que se aproximam. Sócrates abriu a porta à crise, colocando os seus interesses e a sua carreira política à frente dos interesses do país, numa altura em que os juros chegam aos oito por cento, e depois apela à responsabilidade da oposição. Os portugueses saberão manifestar-se no momento certo.

“Vivemos num território profundamente marcado por um modo de ser e de estar que as transformações operadas nas últimas décadas não conseguiram apagar. Um território com uma fortíssima identidade cultural que se constitui como referência para as novas gerações, daí a importância da sua preservação“.

Política ao rubro Sónia ramos ferro Jurista

Nos últimos dias temos assistido a uma troca de galhardetes entre Governo e toda a oposição. Arrisco a dizer que estamos em clima de précampanha. E como é próprio dessas épocas, cada facção política tenta transmitir as suas ideias e leitura dos acontecimentos e convencer o povo da bondade das mesmas. Faz parte da Democracia. Mas falar verdade em política também é requisito de uma Democracia adulta e amadurecida. Não vale tudo, só porque a liberdade de expressão nos permite todos os desabafos. O PS tem-se desdobrado em explicações, declarações, conferências de imprensa e ocupado boa parte dos noticiários com afirmações contraditórias, espirrando para todos os intervenientes políticos nacionais uma culpa que é sua. Nisso o PS e os seus dirigentes são peritos. Todos muito aflitos, na iminência de Sócrates ter de cum-

prir o que prometeu: se o PEC IV não for aprovado, isso significa que a Assembleia da República está a dizer ao Governo que deixou de ter condições para governar. E a consequência directa é a demissão do Primeiro-ministro. Façamos uma retrospectiva dos acontecimentos. Sócrates foi a Berlim reunir com a Chanceler Alemã, comprometendo-se, sabemos agora, por escrito, a implementar mais medidas de austeridade para tapar um buraco orçamental que advém da discrepância entre as contas nacionais e as contas do BCE, relativamente ao nosso país. Fê-lo sem debater previamente as medidas com nenhum dos partidos da oposição, sem o discutir na Assembleia da República, sem dar conhecimento ao Presidente da República e, ao que se sabe, sem comunicar a boa parte dos Ministros do seu Governo. Ou seja, comprometeu o país

“Sócrates abriu a porta à crise, colocando os seus interesses e a sua carreira política à frente dos interesses do país, numa altura em que os juros chegam aos oito por cento, e depois apela à responsabilidade da oposição”.


5 Política

“Se não sabemos onde queremos ir, isso torna tudo mais difícil. Temos de fazer um esforço acrescido de reflexão.”

Bravo Nico

Manuel Miguéns

David Justino

“Nos últimos 5 anos, o único sector que teve um desempenho com alguma recuperação foi o da Educação.”

“À medida que os jovens se vão qualificando, o impulso de saída vai aumentando. Como é que invertemos isto?”

Conselheiro do Presidente da República em conferência organizada pelo Fórum Alentejo

“Educação é um avião sem aeroporto nem gasolina para voar” Arquivo | Registo

Pedro Gama | Registo O ex-ministro da Educação, David Justino, diz que o País não tem dado aos jovens as oportunidades que deveria dar. “Cada aluno custa cerca de 75 mil euros na sua formação. Depois não lhe damos oportunidades para rentabilizar o dinheiro gasto”. O actual conselheiro do Presidente da República falava durante o debate “Educação: que aprendizagens, que resultados?”, organizado pela Associação Alentejo de Excelência (Fórum Alentejo) na Biblioteca Municipal de Montemor-o-Novo no âmbito de conjunto de conferências que conta com o apoio do REGISTO e que teve ainda a presença do deputado socialista José Bravo Nico e do secretáriogeral do Conselho Nacional de Educação, Manuel Miguéns, David Justino olhou para a educação em Portugal como sendo um “avião que não sabe em que aeroporto vai aterrar e que não tem gasolina para voar”, criticando o facto de não existir um plano a médio/longo prazo para o sistema educativo. “A Educação não se compadece com o imediatismo”, afirmou, referindo-se a todos os casos mediáticos que fazem com que, “quase sempre”, o Ministério da Educação se veja forçado a adoptar novas medidas para as escolas. “Uma criança que entre agora para o pré-escolar vai demorar 15 anos no ensino. E neste momento o que devíamos estar a discutir é como é que vamos ter a Educação daqui a 15 anos”. O ex-ministro apontou metas, que segundo ele, deveriam ser discutidas e conhecidas a fundo por todos os envolvidos no processo educativo: “Se não sabemos onde queremos ir, isso torna tudo mais difícil. Temos de fazer um esforço acrescido de reflexão e apontar objectivos, nunca para antes de 2020 ou 2025”. “O que andamos a fazer, constantemente, é a raciocinar em função do amanhã. Enquanto isso acontecer nós vamos resvalar sempre nos mesmos problemas”, referiu. Sobre os últimos indicadores

A falta de consensos em matéria de política educativa foi uma das debilidades apontadas na conferência. do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), que apontam para melhores resultados dos estudantes nacionais, David Justino diz que essas melhorias se devem a “aos professores, alunos e pais” referindo que as escolas, “nos últimos anos, melhor ou pior, têm vindo a apurar a sua cultura de organização e avalização interna”.

Já na fase de perguntas e respostas, atribuiu responsabilidades à sua geração sobre as dificuldades que os jovens de hoje estão a viver: “A minha geração manifestou sempre um grande egoísmo. Ocupou os melhores lugares e remunerou-se da melhor forma. Não se preocupou em organizar o país, para o preparar para as novas gerações”. E

por isso afirma que o país “não sabe rentabilizar” o dinheiro que investe no ensino. Deputado critica falta de consensos Já o deputado socialista por Évora, Bravo Nico, culpabiliza os decisores políticos por não chegarem a consensos e acordos que

“Bom desempenho nos últimos 5 anos” O secretário-geral do Conselho Nacional de Educação (CNE), Miguel Miguéns, diz que a Educação é a área em Portugal que mais evoluiu nos últimos 5 anos. “Não sei se isto é falar em causa própria, mas acho que nos últimos 5 anos, o único sector que teve um desempenho com alguma recuperação dos níveis da população portuguesa, apesar de todos os casos, foi o da Educação”.

Recordando que o CNE é um órgão independente já que a nomeação do seu responsável é feita pela Assembleia da República, Miguel Miguéns lamenta que o sistema educativo português se caracterize pela centralização: “Devemos ser dos poucos países em que o Estado contrata os seus quadros, altamente qualificados, sem que saiba quase nada desses contratados”. E não deixou de criticar a forma como

os professores são colocados nas escolas, de forma “arbitrária”, já que “deve ser o único país em que os pais dizem que a filha foi colocada em Freixo de Espada à Cinta e não que ela foi para lá trabalhar porque onde arranjou trabalho”. “Alguém a colocou. A acção é externa e isto tem a ver com este sistema muito centralizado e com baixíssimos níveis de autonomia das escolas”, refere.

seriam “bem mais vantajosos” para o país. “Temos mais dificuldade para arranjarmos consensos. Facilmente arranjamos matéria para nos dividirmos e para discordarmos, enquanto organizações políticas”. Traçando a sua perspectiva sobre a forma como são vividas as discussões parlamentares sobre Educação, Bravo Nico reconheceu que se trata de uma “interminável gestão de conflitos”. “Falo disto com pena e com uma dose de co-responsabilidade”. Assumindo que a falta de capacidade para gerar consensos constitui o “principal obstáculo” à formação de um plano de futuro estável para a Educação, o deputado diz que é nas matérias educativas que “mais facilmente se percebe quem é de esquerda e de direita” lamentando que se perca tanto tempo nas comissões parlamentares a discutir assuntos como as carreiras dos professores: “São muito importantes, mas não deviam estar lá com a força e o tempo que estão. Cerca de 80% desse tempo é passado a discutir as carreiras”. Bravo Nico apontou ainda o dedo às “agendas sindicais” e aos media, acusando-os de “sequestrar” a agenda política em matéria de Educação. Na sua intervenção, o deputado não se esqueceu do Alentejo e depois de pedir ideias aos presentes sobre políticas concretas em matérias como o ensino privado “versus” ensino público, reconheceu que o sistema de qualificação “também tem ajudado” a despovoar o Alentejo. “À medida que os jovens se vão qualificando, o impulso de saída vai aumentando. Como é que invertemos isto? Como é que um jovem destas nossas terras alentejanas pode ter garantido o seu direito de acesso a qualificação de qualidade, à sua formação, e permanecer, se assim quiser, na sua terra?”, questionou. Bravo Nico acredita que é preciso repensar a Educação, no Alentejo para que esse sistema educacional não esvazie o território das novas gerações mais qualificadas.


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24 Março ‘11

Entrevista

João de Brito Tavares, médico veterinário e presidente da Associação de Criadores de Ovinos da Região de Estremoz

”Governo dá prioridade a tudo aquilo que não é produtivo” Luís Maneta | Registo O Governo tem apresentado o aumento das exportações como uma prioridade absoluta para o país. No sector agrícola, há condições para que isso ocorra? Condições podem ser criadas mas vamos exportar o quê? Devido aos chamados mercados, que também não sei propriamente o que sejam, talvez ciências ocultas, o tecido produtivo está destruído. O agricultor sem qualquer preço de garantia não pode fazer contas e planificar as culturas da sua exploração.

Ou seja, não há produto para exportar? Não, não há. Temos apenas algumas excepções e casos pontuais de alguns nichos de mercado que o conseguem fazer. Como os vinhos, a cortiça? Como esses. Este ministro da Agricultura tem prometido muita coisa. Dá-me ideia que é uma pessoa bem-intencionada e competente mas está num Governo e numa estrutura onde não há dinheiro. E é apenas um problema de dinheiro ou também de falta

de definição clara de prioridades? Infelizmente é o contrário, existe uma grande definição de prioridades. Só que este Governo dá uma grande prioridade a tudo aquilo que não é produtivo, como o sector dos serviços. Na agricultura já passámos por vários ciclos, como o do trigo, outro em que se achou que se ia fazer regadio por todo o lado mas havia uma certa programação. Agora não há nada. Nas culturas cerealíferas, por exemplo, uma pessoa está sujeita a leis de mercado em que um produto tem um determinado preço

na altura das sementeiras e esse preço divide-se por três quando chega o momento da colheita. Não é rentável. Não há garantia de rentabilidade. Poderia ser de maneira diferente? Passa-se em toda a Europa. Só que o preço da produção noutros países europeus não interessa muito porque aí existem ajudas à produção muito superiores às nossas, compensando essas oscilações de mercado. Somos o país da Europa a 27 que neste momento menos recebe de ajuda por hectare devido às brilhantes

negociações do senhor Jaime Silva [ex-ministro da Agricultura]. Esse problema já era anterior ao Jaime Silva. Já. Mas agravou-se com ele. Já falou nos cereais, designadamente no trigo. Acha que é uma cultura condenada a prazo no Alentejo? Não sabemos, não se consegue perspectivar dessa forma. A nível da pecuária, neste momento os preços também estão baixos mas continuam a existir alguns subsídios que permitem manter a rentabilidade das explorações.


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Luís Pardal | Registo

“Temos de lutar para que haja pelo menos um mínimo de rentabilidade, um preço de garantia. Um agricultor tem de saber a quanto vai vender”.

tura? E por falta de rentabilidade das explorações. Daí ao fecho das próprias explorações é uma linha ténue. Este processo de abandono da actividade agrícola vai continuar? Tem de se inverter. Ainda para mais neste momento, com a situação económica e social que o país está a viver. Face a todas as restrições, muitas delas impostas pela Comissão Europeia, só pergunto com que dinheiro é que vamos continuar a comprar alimentos que podemos produzir no nosso país? Temos de lutar para que haja pelo menos um mínimo de rentabilidade, um preço de garantia. Um agricultor tem de saber a quanto vai vender o produto da sua exploração, não podemos estar sujeitos àquilo a que se chama de mercados, à especulação internacional. Um preço de garantia fixado pelo Estado? Teria de ser. Para saber se posso fazer uma ou outra cultura, se tenho condições para isso ou se não vale a pena. O que se passa com os borregos, por exemplo, é impressionante. Neste momento está mais barato do que há 15 anos e tão depressa o preço sobe como desce, sem que ninguém saiba explicar o porquê dessa situação. O consumidor paga o mesmo, ou mais. Não se reflecte no consumidor.

Está a criar-se uma cultura de explorações viradas para receber ajudas comunitárias e não para cumprirem a sua função social de empregabilidade. Tem de haver as duas vertentes. Ou seja, fazem-se determinadas culturas apenas porque existe subsídio para isso? Se não for assim também não serão rentáveis, não estou a acusar os agricultores porque eu próprio também sou agricultor. Anteriormente a minha casa agrícola tinha largas dezenas de pessoas e agora tem meia dúzia porque a rentabilidade acabou. A lavoura alentejana era rentável porque era diversificada, tinha a vaca, a ovelha, os cereais … neste momento, com as pequenas margens de lucro, é impossível fazer apostas desse tipo. O lavrador vai-se tentando aguentar, não perder o seu património, mas as aldeias estão desertas. Por falta de oportunidades de mão-de-obra na agricul-

“Quando comecei a fazer agricultura em 1981 vendia trigo a pouco mais de 50 escudos e o preço do pão estava a cerca de 70. Agora, 30 anos depois, vendo trigo a 26 escudos e o preço do pão está a 300 e tal. Alguma coisa está errada”.

É um preço que depende das grandes superfícies comerciais? E das bolsas de alimentos … Quer outro exemplo: em tempos anteriores, o preço do trigo rondava o do pão. Quando comecei a fazer agricultura em 1981 vendia trigo a pouco mais de 50 escudos e o preço do pão estava a cerca de 70. Agora, 30 anos depois, vendo trigo a 26 escudos e o preço do pão está a 300 e tal. Alguma coisa está errada. Preside à ACORE, uma associação de produtores pecuários com mais de 1500 associados. Generalizou-se a ideia de quando a aposta é feita nas raças autóctones as coisas correm melhor. É correcta esta perspectiva? As raças autóctones recebem umas ajudas mas também dão muito mais trabalho, com a obrigatoriedade de controlos, por exemplo. Estão bem porque têm tentado cavalgar a distribuição como forma de sair da mão dos intermediários. Temos por exemplo a Carnalentejana que é uma empresa de sucesso. Juntaramse produtores que conseguem comercializar directamente, tiraram intermediários do caminho. Isso seria possível, por exem-

plo, nos ovinos? A nível dos ovinos é mais difícil pois há muita importação paralela e neste momento só dois ou três grupos estabelecidos é que têm volume de animais para fornecer à grande distribuição. E há alguma falta de sentido associativo, poderia dizer cívico, do agricultor. Já se tentou criar uma estrutura dessas aqui no Alentejo mas houve associados a furar o sistema porque havia intermediários a ofereceremlhes mais dinheiro. Quando fala de forte concorrência está a falar, eventualmente, das importações de borrego congelado de países como a Nova Zelândia. Seria aqui que o Estado poderia intervir? A Comissão Europeia não o permite. Mas poderia reforçar o controlo à entrada de produtos e confirmar que a mercadoria é mesmo aquela, ser tão rigoroso com o que é importado como nas inspecções realizadas em Portugal. E, acima de tudo, algo que me preocupa muito: há borregos que chegam a Portugal para serem mortos no país e levarem o carimbo “made in Portugal”. Andamos a comprar carne de borrego portuguesa que não é portuguesa. Espanhola? De mais longe. E sem controlo do Ministério da Agricultura? Nenhum. Talvez nem saibam. Repare: uma pessoa comete um crime em Portugal e como não há fronteiras circula livremente até à Alemanha. Desde que entre no espaço europeu, por exemplo através de Inglaterra, essa carne, esses animais, circulam por todo o lado. Muitos são neozelandeses, vêm vivos, em barcos, até cá. Outros chegam congelados e quando saturam o mercado inglês são escoados para a Europa. É uma concorrência desleal? Tem é de se distinguir perfeitamente, na grande distribuição, qual é o produto que se está a vender. Um dos nossos maiores problemas reside no facto de a grande distribuição estar à solta, não haver controlo como em Espanha. Um dos sucessos do governo de Aznar foi que conseguiu controlar estas situações e as pequenas dívidas aos produtores, estabelecendo penalizações em caso de incumprimento dos prazos.

NÚmero

1500 <A Associação de Criadores de Ovinos da Região de Estrremoz tem cerca de 1500 associados. Todos os anos, em parceiria com a Câmara de Estremoz, organiza a FIAPE, maior feira agrícola do Alto Alentejo.>

Em Portugal não é assim? Não. É normal no nosso país uma grande superfície assumir no contrato que paga a 90 dias e depois só o fazer a 180. E há ainda o que chamam de preço da prateleira: uma pessoa para conseguir colocar o seu produto tem de pagar o preço da prateleira. Se somar esses preços, dá-lhe para construir o edifício. Legislar eficazmente nestas áreas poderia ajudar a resolver boa parte dos problemas de um país em crise. Utilizando uma expressão agora muito em voga, acha

que os agricultores portugueses estão à rasca? Estamos a manter a cabeça acima da linha de água. Aqui na zona de Estremoz se não fosse a vinha já tinha acabado a agricultura. No olival, é difícil encontrar quem apanhe azeitona e é caríssimo. Para mecanizá-lo seria necessário investir em variedades de produção intensiva e perdia a qualidade do azeite. Trigo deixou de se produzir. Diria até que foi a vinha que salvou esta zona dos mármores quando a indústria que dava alguma projecção económica à região começou a fechar. Se não fosse a vinha a fome teria sido grande e o desemprego total. Embora nalgumas alturas seja problemático escoar tanto vinho. Aí é que temos de saber vender. Temos vinhos óptimos mas não temos ainda uma imagem externa dos vinhos portugueses. Há pouco tempo, João Portugal Ramos dizia-me que sabemos produzir mas não sabemos vender. É verdade. Tem toda a razão. Aqui em Estremoz está em construção a barragem de Veiros. Pode mudar alguma coisa? Era uma velha aspiração. Pode ajudar a mudar mas voltamos ao mesmo: os agricultores sabem produzir bem em regadio, sejam cereais a hortícolas, mas e vendê-los? Há muitos anos estive na zona de Valência, marcada pela monocultura da laranjeira: uma pessoa andava um quilómetro ou dois e encontrava uma pequena cooperativa. Eles estão completamente agrupados para a comercialização e nós nunca o conseguimos fazer. Porquê? O agricultor português é muito individualista. Em Espanha houve toda aquela destruição provocada pela guerra e depois tiveram de se unir. No seu caso, a agricultura é uma herança de família? É. Sou filho e neto de agricultores aqui de Estremoz. Fomos dos primeiros a ter uma debulhadora e a mecanizar a casa agrícola. Lembro-me de ser miúdo e de os bois de trabalho serem vendidos para se comprar mais um tractor. Ainda havia por lá umas mulas mas aquilo foi-se tudo mecanizando, aí pelos anos 70 do século passado. Uma actividade ainda muito centrada no trigo? Tinha uma importância tão grande na economia da exploração que se o cereal estivesse bem ficava o ano salvo. Se a coisa corresse mal havia problema. Numa casa agrícola de dimensão média como era a do meu pai, só na apanha da azeitona tínhamos lá ranchos de 50 pessoas. A agricultura é uma tradição de família mas se eu soubesse que este país iria ficar assim, como está, se calhar teria optado por emigrar em novo.


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Regional Escola

Jornalistas por um dia Pedro Gama | Registo As escolas secundárias de Vila Viçosa e Estremoz receberam a visita do Diário de Noticias, na Iniciativa “Road Show”. O Projecto N@Escolas é uma iniciativa aberta a todos os alunos que frequentam o ensino secundário e profissional em Portugal. No final de contas, o objectivo deste é o de despertar nos alunos o interesse pela leitura, um espírito crítico face aos acontecimentos que o rodeiam, através de acções de reflexão e debate das notícias divulgadas na imprensa e nos meios de comunicação social em geral. Depois de se terem inscrito e de terem enviado os seus editoriais para o DN, texto que foi a base de selecção das escolas que chegaram ao final e receberam a visita do jornal, os alunos da Escola Secundária Pública Hortênsia de Castro, de Vila Viçosa, e Escola Rainha Santa Isabel, de Estremoz, foram uma das finalistas nacionais. Na semana passada receberam a visita de nomes bem conhecidos do panorama da comunicação e escrita, em Portugal, que representaram os temas abordados nos editoriais que enviaram para o concurso. No caso dos alunos de Vila Viçosa, um grupo composto por cinco elementos, o texto referiuse a Agustina Bessa Luís, que não pode estar presente por motivos de saúde. Luís Ferreira, colaborador da escritora há alguns anos, e conhecedor da sua obra e vida, foi o entrevistado da manhã, perante uma plateia de quase 200 alunos. Luís Ferreira olhou a vida e obra da escritora, referindo muitos aspectos particulares da vida de Agustina Bessa Luís, mostrando ser íntimo da autora. No final, mostrou-se feliz com a iniciativa: “Já estive em muitas sessões sobre Agustina Bessa Luís, e nunca vi tanta gente nem tanto entusiasmo. Já tinha ficado surpreendido por jovens se lembrarem deste tema, porque não é um tema nem uma escritora fácil. Mas tudo o que aqui aconteceu foi surpreendente”. Quem também se mostrava feliz com o final de uma entrevista bem preparada, eram os alunos que constituíram o grupo: Margarida Celas, Mariana Nascimento, Joana Barreiros e Michel Cotovio, todos de Ciências mas com um gosto comum pela leitura. “Foi um trabalho que não deu muito trabalho”, referiu Mariana Nascimento, que, ainda assim realçou que houve um trabalho de pesquisa aprofundado mas “foi com muito gosto que a fizemos”. Elisabete Frade, professora de Inglês, foi a primeira mentora dos alunos: “Agustina tem uma

Avis

Eduardo Sá conversa com pais No âmbito do projecto “Conversas com Pais”, desenvolvido pelo Município de Avis, em parceria com o Agrupamento de Escolas de Avis, o psicólogo Eduardo Sá vai participar na sessão que irá decorrer no Auditório Municipal “Ary dos Santos, em Avis, no próximo dia 26 de Março, a partir das 17h00. Através do diálogo e da troca de experiências e de conhecimentos, este projecto tem vindo a promover encontros com pais e encarregados de educação de crianças e jovens, com o objectivo de ajudar a descobrir a melhor forma de ajudá-los a ultrapassar os desafios colocados nas diversas etapas dos seus percursos de vida. Além do encontro entre pais e encarregados de educação, o projecto “Conversas com Pais” pretende também realizar sessões com convidados especializados nos diversos temas que são trabalhados, com o objectivo de permitir o enriquecimento dos conhecimentos dos participantes. É neste contexto que Eduardo Sá, reputado psicólogo clínico e autor de diversos livros sobre crianças, educação e família, é convidado a participar neste encontro.

Beja

Plataforma divulga laboratórios Alunos de escolas de Estremoz (em cima) e Vila Viçosa (em baixo) vestiram a “pele” de jornalistas. ligação muito forte ao romance inglês, é uma influência da vida dela”. Sobre a participação dos alunos, a professora referiu que viu a entrevista com “muita emoção, nervosismo e orgulho”. Agora sonham com o poder ganhar o N@Escolas do DN. Quem também tem o mesmo sonho são os alunos estremocenses, do 10º e 11.º anos que compuseram o grupo que participou neste concurso nacional. Artur Silva é professor de português na Escola Secundária Rainha Santa Isabel, em Estremoz, e também ele afirma que os seus alunos querem “chegar até ao fim”. E para lá chegarem passaram também pelo teste da entrevista a um convidado especial. Neste caos, Luís Bonixe, professor universitário, na área da Comunicação Social e jornalista. O convidado foi, também, debruçar-se sobre o editorial escrito pelos alunos daquela escola,

que, desta vez, era sobre Comunicação Social. As novas tecnologias ao serviço da informação, as novas formas de informação, a manipulação das notícias bem como a falta de investigação jornalística foram temas focados. Luís Bonixe referiu que “as alunas estiveram muito bem. Acho que colocaram perguntas muito pertinentes e julgo que tivemos aqui um bom momento de reflexão e de discussão sobre o jornalismo que é uma prática que precisa, também, de reflexão”. Alexandra Gonçalves, Ana Catarina Dias, Teresa Serpente e Ana Oliveira, foram a quatro alunas que se debruçaram sobre as questões da média na actualidade e também não estavam menos satisfeitas com o produto final do seu trabalho. Das quatro participantes apenas uma pondera, ainda, poder vir a seguir jornalismo, sendo que todas as restantes não se

mostram interessadas na área, enquanto profissão. Ana Oliveira é a excepção. A entrevista ao professor universitário correu “muito bem. Excedeu as nossas expectativas. Já estávamos à espera, um pouco, destas respostas que nos foram dadas às perguntas”, confidenciou ao Registo Alexandra Gonçalves. Ana Dias diz que há jornais e televisões que desempenham bem o seu papel, mas há outros que “desviam” um pouco os assuntos: “O sensacionalismo está na ordem do dia”. Depois deste desafio do “Road Show”, que se refere à segunda fase do concurso, haverá agora, ainda, um segundo desafio para os estudantes que é escrever uma reportagem sobre este dia. A final vai ser composta por, apenas, as 18 melhores equipas nacionais, decorrendo depois uma finalíssima com as 6 melhores.

Dar a conhecer os diferentes laboratórios do concelho, as áreas em que actuam, promover o trabalho conjunto e potenciar meios de desenvolvimento e formas de divulgação, apresentam-se como alguns dos objectivos do workshop da Rede de Laboratórios Tecnológicos e Científicos do Concelho de Beja a realizar já na próxima semana, a 31 de Março. O encontro entre empresários ocorre no auditório do Instituto Politécnico de Beja, a partir das 09h30. O workshop, que vai ocorrer durante todo o dia, está estruturado por grupos de trabalho temáticos prevendose, para cerca das 17h00, a apresentação das conclusões baseadas na síntese de cada grupo. Além da procura de mais oportunidades para o desenvolvimento de projectos conjuntos, a iniciativa disponibiliza ainda informação sobre linhas de co-financiamento nacional e comunitário.


9 Regional Educação

Ambiente

Ministério prepara fecho de mais 87 escolas no Alentejo D.R:

Redacção | Registo O Ministério da Educação prepara-se para encerrar mais 87 estabelecimentos de ensino com menos de 21 alunos no Alentejo. A região será a segunda mais afectada a nível nacional por mais esta vaga de encerramentos, logo atrás do Norte, onde irão fechar 118 escolas. O governo não divulgou ainda a lista final, admitindo a ministra Isabel Alçada que poderá ficar “uma ou outra escola a funcionar com uma autorização especial, como aconteceu no ano passado”. Mas a ideia é fechar o que resta dos 3200 estabelecimentos de ensino com poucos alunos, na sua grande maioria situados em meio rural, sinalizados pelo Governo há vários anos. “Precisamos de encerrar escolas e este ano vamos continuar o encerramento para que todos tenham acesso a escolas melhores e com melhores condições”, diz a ministra, defendendo que a medida se destina a “assegurar a todas as crianças um ensino de primeira qualidade”. “O que valorizo mais é a oferta de centros escolares novos, com muito melhores condições, para onde as crianças que estão em escolas sem condições serão encaminhadas porque o benefício é imenso”, sublinha Isabel Alçada. No caso do concelho de Évora, o início do ano lectivo 2010/11 ficou marcado pelo encerramento da escola de Guadalupe, tendo a autarquia criticado a “ausência de fundamentação” da decisão, a inexistência um processo do diálogo com as famílias e encarregados de educação e “fortíssimo impacto social, económico e cultural” da medida. Segundo apurou o Registo, desta vez deverá ser encerrada a escola da Boa Fé, em “risco” des-

Évora apaga a luz

Governo quer concluir processo de encerramento de 3200 escolas com poucos alunos de há vários anos e cujo fecho chegou a estar anunciado para o último ano. “O argumento do isolamento faz todo o sentido para escolas com muito poucos alunos, mas não para uma escola onde diariamente convivem

mais de 15 crianças”, argumentou na altura a comissão de pais e encarregados de educação, apelidando o problema do “isolamento” como um “embuste” invocado por quem está “unicamente preocupado em reduzir

“Isto é um abate” A Federação Nacional de Professores (FENPROF) estima que o número de escolas do 1.º Ciclo a encerrar no final do ano lectivo “será superior a 650, superando em muito” as 400 referidas pela ministra da Educação como não tendo condições adequadas “para poder permanecer”.

“Isto é um abate”, diz Mário Nogueira, secretário-geral da FENPROF, acrescentando que “hoje já não é a pequena aldeia que está a ficar sem escola, começam a ser localidades com alguma dimensão”, provocando o aumento do desemprego entre os docentes.

a despesa pública sem olhar a meios”. Apesar de ser essa a intenção do Ministério da Educação – e de, ao longo dos anos, essa intenção se ter vindo a concretizar em realidade – as autarquias lembram que têm uma palavra a dizer quanto ao encerramento de escolas, tanto mais que o protocolo assinado entre o Governo e a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) se mantém em vigor. “Para as escolas fecharem é necessário acordo da autarquia, a escola de acolhimento tem de ter melhores instalações, a duração da deslocação ser aceitável e o Ministério deve pagar o transporte e a alimentação”, diz Fernando Campos, da ANMP.

A Câmara Municipal de Évora vai associar-se, este ano, à quinta edição da iniciativa “A Hora do Planeta”, que decorrerá no próximo sábado, dia 26 de Março, cujo objectivo é chamar à atenção para as alterações climáticas, através de um gesto muito simples: desligar as luzes por uma hora. A edilidade decidiu entretanto que irá desligar, nesta hora, as luzes que iluminam a Sé Catedral, o Templo Romano, os Paços do Concelho e a muralha entre as Portas do Raimundo e a Porta da Lagoa. A Hora do Planeta começou em 2007 em Sidney, na Austrália, quando 2,2 milhões de pessoas e mais de 2.000 empresas apagaram as luzes por uma hora para firmarem uma posição contra as mudanças climáticas. Apenas um ano depois, a iniciativa tornou-se um movimento de sustentabilidade global com mais de 50 milhões de pessoas em 35 países a mostrarem o seu apoio a esta causa ao desligarem simbolicamente as suas luzes.

Ponte de Sor

GNR encontra estufa A GNR anunciou o desmantelamento de uma estufa de produção de cannabis, que estava instalada num sótão de uma residência em Galveias, no concelho de Ponte Sor. De acordo com o Comando Territorial de Portalegre da GNR, foram apreendidos mais de dois quilogramas de droga e outros artigos relacionados com o cultivo de estupefacientes. O alegado proprietário da estufa foi identificado pelas autoridades.

Évora

Júri vai decidir projectos apoiados pelo município Será um júri nomeado pela Câmara Municipal de Évora (CME) a decidir quais os projectos culturais a apoiar pelo município. A medida resulta do Regulamento de Apoio a Projectos Culturais do concelho de Évora, aprovado em reunião extraordinária da autarquia com os votos a favor do PS e PSD e os votos contra da CDU. O projecto de regulamento, que estabelece as normas para a concessão de apoios pela câmara às actividades culturais segue agora para aprovação em As-

sembleia Municipal. “Esta proposta foi submetida a intenso debate público, tendo recolhido inúmeros contributos, quer dos agentes culturais e associações, quer do vereador António Dieb (PSD) e foi assim possível chegar a um documento unanimemente reconhecido pela sua qualidade e esforço de consensualização que reuniu”, refere a autarquia em comunicado. Além de contestarem a criação de um júri para apreciar as candidaturas, ao invés de o processo

ser feito pelos serviços camarários, os vereadores da CDU justificaram o voto contra por duas outras razões: não serem nomeadas comissões de acompanhamento e não ser feita a distinção entre agentes estruturantes e agentes regulares. “O regulamento tem burocracia a mais. E dele resultará transparência a menos pois a escolha dos projectos a financiar será feita por alguém nomeado pelo Executivo autárquico”, diz o responsável por uma das associações da cidade, sublinhando

o que classifica como “profunda desconfiança” dos agentes culturais face ao município: “A verdade é que os meses passam e continuamos sem receber o dinheiro que nos devem desde 2009”. Em entrevista ao Registo (Fevereiro/2011), a vereadora da Cultura na CME justificou a manutenção do júri na proposta de regulamento assegurando que irá integrar especialistas nas várias áreas, à semelhança do que sucede com a atribuição de subsídios por parte da Direcção-

Geral das Artes. “Nós, câmara, colocamo-nos do lado dos munícipes. São dinheiros públicos relativamente aos quais temos de prestar contas”, referiu Cláudia Sousa Pereira. Até agora os agentes culturais viam a sua actividade ser subsidiada pela autarquia independentemente dos planos de actividades. Também a Câmara de Beja anunciou a intenção de rever o apoio à criação artística criando um novo regulamento, a vigorar a partir de 2012.


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24 Março ‘11

Regional Educação

16 Um olhar antropológico Moral e política no século XXI: 2- O sentimento do intolerável José Rodrigues dos Santos* Antropólogo

O movimento vem de longe. A acção humanitária tem raízes nos finais do século XIX, e exprime uma preocupação moral. Mas a opção de respeito absoluto pela soberania dos estados por parte de organizações como a Cruz Vermelha e a obrigação de silêncio e até de segredo sobre os factos observados expôs os limites da acção humanitária como forma de “caridade” cúmplice dos estados. Já durante a II guerra mundial as críticas tinham sido ásperas contra o CICR. Mas foi a partir da guerra do Biafra (1967) e depois com o êxodo dos “boat people” do Vietname, os conflitos do Afeganistão e da Etiópia, que se passou da reivindicação do direito à intervenção ao “dever de ingerência”. Para os cidadãos das democracias ocidentais, que as grandes ideologias políticas já não mobilizam, o único vector de acção (nomeadamente internacional) torna-se o “humanitário”, um movimento moral. Perante a hesitação ou a incapacidade dos estados em intervir em virtude do princípio de não-ingerência nos assuntos internos dos outros, as opiniões públicas suscitam e apoiam um novo tipo de intervenção: o “sem fronteiras”. O sentimento colectivo que se exprime é sempre o mesmo: não se pode tolerar o intolerável. Os estados são colocados perante exigências que ultrapassam as definições tradicionais do direito internacional. Dois exemplos próximos foram a Bósnia e o Kosovo. As próprias autoridades religiosas, tão cautelosas em outras épocas (II guerra, guerras coloniais dos anos 1960, etc.), tomam posições inéditas, como João Paulo II em 1993, ao aprovar o princípio do dever de ingerência internacional “quando as exigências fundamentais da humanidade são violadas”. Estes movimentos generosos, em que a multiplicidade e a diversidade dos actores exclui qualquer planeamento de conjunto, geram por vezes erros de apreciação, e são alvo de tentativas de recuperação política interna e externa pelos estados. Mas é notável que o movimento de fundo (que chamaremos “imperativo moral”), tem alterado até à concepção que os actores “clássicos” da intervenção armada (exércitos) se fazem do seu papel no terreno. Onde antes o que contava era “o resultado militar”, para o século XXI os novos critérios organizam-se cada vez mais à volta do respeito pelos direitos fundamentais, sobretudo dos mais fracos, e das vítimas.

CIDEHUS - Universidade de Évora e Academia Militar jsantos@uevora.pt

Fotojornalista do Registo mostra trabalhos sobre a floresta A direcção do Agrupamento de Escolas n.º 1 de Évora – Malagueira, associou-se ao fotojornalista eborense Luís Pardal (editor de fotografia do semanário Registo e colaborador de diversas publicações nacionais) e apresentam, à comunidade escolar e educativa, a exposição “Caminho pelas Árvores”, comemorando o Ano Internacional das Florestas. A iniciativa visa contribuir para uma “crescente aposta na defesa dos valores associados à riqueza, diversidade e valorização do património que constituem as florestas e bosques mediterrânicos”, “cumprindo presssupostos e valores das diferentes acções do Projecto Educativo, segundo fonte da Direcção.” A exposição permanecerá na escola sede até final de Abril e irá fazer itinerância pelas restantes escolas básicas do Agrupamento.

D.R.

Maria António Ferreira, sub-Directora do Agrupamento, com Luís Pardal

Criatividade - Aulas de teatro Isabel Leal Escritora

O acto de dramatizar ou representar cenas do quotidiano leva a que o aluno de teatro seja confrontado de forma lúdica com tudo o que o rodeia e neste caso podem estar incluídas matérias que lhe são difíceis. Neste contexto, ele vai aprender a lidar com o tema na terceira pessoa, porque se trata de teatro, mas o resultado fica gravado ajudando no dia-a-dia real. O primeiro passo é a criança conhecer-se a si próprio, o seu corpo, os seus movimentos e os seus limites. O segundo, a relação eu e o outro, os limites de cada um, as regras e os jogos estabelecidos em grupo, as actividades de relaxamento, a sensibilização corporal e a expressão de sentimentos. Trabalhar o corpo, as emoções, os sentimentos e as atitudes ajuda a criança a conhecer-se e a equilibrar-se. Em grupo, os medos são sublimados e por isso eliminados sem esforço. A música, muitas vezes parte integrante de um ensaio ou peça de teatro é uma aproximação básica, bela e verdadeira. As crianças gostam de can-

tar, observam o mundo, ouvem sons, expressam-se corporalmente através de sentimentos e ritmos variados. O som é a vibração que chega aos nossos ouvidos na forma de ondas que percorrem o ar que nos rodeia. A música é universal e as diferentes culturas utilizam vários instrumentos como cantos e sons organizados, definidos por notas básicas e os seus intervalos. Benefícios práticos -Desenvolvimento individual da criança -Desenvolvimento da sensibilidade auditiva -Despertar da capacidade de viver em grupo -Incentivar a criatividade e a imaginação através do movimento corporal e da expressão sonora -Aprender a cantar – expressão de sons e ritmos -Noção de consciência auditiva -Utilização a voz -Conhecer os movimentos -Equilibrar as emoções

Resultados práticos -Despertar a capacidade de viver em grupo -Incentivar a criatividade e a imaginação -Fortalecer a auto-estima -Trabalhar e educar as emoções -Melhorar a memória e o foco -Desenvolver a criatividade e a intuição -Aprender a arte de representar -Dominar as técnicas -Criar disciplina -Quebrar bloqueios ou barreiras Recomendações de leitura: “A rapariga das nove perucas” – Sophie Van Der Stap – Editora Bertrand “Mães e filhos” – Colm Toibin – Editora Bertrand “Vamos brincar” – Maja Pitamic – Editora Arte Plural “O segredo de Milton” – Eckhart Tolle – Editora Pergaminho www.criancasdeumnovomundo.com

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24 Março ‘11

Actual Crise PolÍtica

Sócrates apresenta demissão Concretizaram-se as perspectivas dos últimos dias: a oposição chumbou o novo plano de estabilidade e crescimento. O primeiro-ministro demitiu-se.

Luís Maneta | Registo À crise económica e social, Portugal soma agora uma crise política. Previsível e, eventualmente, inevitável. Uma crise que se consumou ontem ao início da noite quando o primeiro-ministro, José Sócrates, apresentou a sua demissão ao Presidente da República. Cavaco Silva vai agora ouvir os partidos com assento parlamentar, convocar o Conselho de Estado e, tudo indica, marcar eleições para finais de Maio ou início de Junho. Até lá, o Governo mantém-se em gestão. O desfecho ficou traçado quando José Sócrates se apresentou em Bruxelas a negociar o PEC 4 (Plano de Estabilidade e Crescimento), sem ter informado o Presidente da República ou negociado com no Parlamento uma maioria que garantisse a aprovação das novas medidas de austeridade. Pedro Passos Coelho sentiu que tinha chegado a hora. Ontem, o PEC foi chumbado por todos os partidos. E o primeiro-ministro cumpriu o que havia prometido: demitiu-se. “Ao longo destes dias fiz inúmeros apelos à responsabilidade e pedi a todos que pensassem no que iam fazer. Lamento que tenha sido o único a fazer esse apelo e lamento ainda mais que nenhuma outra força política tenha respondido a esse apelo”, disse José Sócrates numa comunicação ao país onde apresentou os motivos da sua decisão. Sem margem para “negociar os ajustamentos necessários para um consenso que salvaguardasse o interesse nacional”, Sócrates demite-se. E alerta para as consequências da “coligação

negativa” dos partidos da oposição: “Sempre alertei para as consequências profundamente negativas de um programa de ajuda externa, sei bem o que isso significa”. Significa consequências muito negativas “para as pessoas, para as famílias e também para as empresas”, já que a entrada do Fundo Monetário Internacional “impõe medidas muito mais duras de austeridade e de contenção”. O deputado socialista Bravo Nico concretiza o que poderá significar um pedido de ajuda externa que implique a entrada do FMI: “despedimentos maciços de dezenas de milhares de funcionários públicos, cortes de pensões e de remunerações muito maiores do que as que temos, desmantelamento de serviços públicos”. Uma “receita muito pior” do que a incluída no PEC 4. E à qual o deputado soma o que diz ser a agenda da direita, caso o PSD ganhe as eleições: “Vão desmantelar os sistemas públicos de saúde, segurança social e educação. É isso que está a acontecer em todos os países da Europa onde a direita é hoje poder”. No PSD, outra visão: “Estou firmemente convencido que o caminho que vamos agora seguir irá permitir ao país escolher um novo Governo, com mais confiança, com mais força e com mais determinação para vencer a crise em que vivemos”. Um discurso na linha do “ensaiado” logo na segunda-feira pelo deputado social-democrata Luís Capoulas no programa “Praça da República” da Rádio Diana: “É do interesse nacional devolver a palavra aos portugueses. Não se trata de defen-

Arquivo | Registo

João Oliveira (PCP)

Bravo Nico (PS)

“Temos o país refém do calculismo político-partidário do PS e do PSD que vão jogando o futuro da economia e impondo retrocessos sociais”.

“[FMI significa] despediment milhares de funcionários púb remunerações muito maiores

“Caminho às cegas para o abismo” O antigo ministro das Finanças, Medina Carreira, afirmou que o país caminhou “às cegas para o abismo”, com um Governo que “caiu na asneira de perder toda a credibilidade” ao apresentar medidas de austeridade “de três em três meses”. Para o economista, “o problema é que o Governo se foi desacreditando com estes ziguezagues. Trata-se de um problema de confiança política num Governo que caiu na asneira de perder toda a credibilidade e isso só era razão para cair numa situação destas”. De acordo com Medina Car-

reira, “a grande raiz do que se está a passar é um problema de fundo” para o qual Portugal não estava preparado, tendo caminhado “às cegas para o abismo” há mais de 20 anos. “Era preferível que não houvesse crise, mas tarde ou cedo isto iria acontecer porque não é possível governar com um Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) de três em três”, comentou o economista, segundo o qual o país mergulhou “num apagão total”. No imediato, Medina Carreira refere que é de esperar algumas desvantagens: “os juros sobem,

vai ser mais difícil obter o crédito necessário para viver, poderemos ter algum problema de dinheiro para o dia-a-dia”. Medina Carreira teceu ainda críticas aos principais partidos – PS e PSD - que acusa de não quererem tomar “as medidas impopulares que se tornam necessárias” e “a corda vai esticando até que tenha de chegar um FMI qualquer”. Há mais de um ano que o exministro das Finanças defende a intervenção do Fundo Monetário Internacional (FMI), apesar das “sugestões impopulares” feitas pelo organismo.


13 Actual Foto | Lusa

6ª Feira

Cavaco recebe partidos As audiências com os partidos que o Presidente da República promove sexta-feira marcarão a primeiro etapa de uma crise política desencadeada pela demissão do primeiro-ministro e que irá culminar na realização de eleições antecipadas ainda antes do Verão. Apesar do calendário imposto pelos prazos legais que é preciso observar ser ‘apertado’ é possível que as mais do que previsíveis eleições legislativas antecipadas se realizem no final de Maio ou início de Junho. De acordo com a Lei Eleitoral para a Assembleia da República, a marcação de eleições antecipadas devido à dissolução da Assembleia da República terá que marcar o acto eleitoral com uma “antecedência mínima de 55 dias”. Ou seja, para as eleições se realizarem no último fim-desemana de Maio (dia 29), as eleições teriam que ser marcadas até dia 4 de Abril. Se as eleições forem marcadas até 11 de Abril ainda será Arquivo | Registo

NÚmero

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<As eleições têm de ser marcadas pelo Presidente com uma antecedência mínima de 55 dias.>

Arquivo | Registo

Luís Capoulas (PSD)

tos maciços de dezenas de blicos, cortes de pensões e de s do que as que temos”.

possível o ato eleitoral realizarse a 5 de Junho, antes da sucessão de feriados que levará muitos portugueses a marcar férias para essa altura. Contudo, até à assinatura do decreto de marcação das eleições, ainda será necessário cumprir outros ‘passos’ impostos pela Constituição. Já na sexta-feira, Cavaco Silva irá ouvir os partidos para tentar encontrar outra solução

“É do interesse nacional devolver a palavra aos portugueses. Não se trata de defender estratégias partidárias mas entender o interesse nacional”.

der estratégias partidárias mas entender o interesse nacional como ele deve ser entendido”. Ou seja, procurar “outros enquadramentos políticos para que o país possa sair da situação em que se encontra”. “Não será a perspectiva de eleições que irá instabilizar ainda mais os mercados”, defende o deputado social-democrata por Évora, recordando que noutros países, como a Irlanda e a Grécia, também foi dada a “palavra aos eleitores”. “Depois das eleições há que procurar um consenso mais alargado”. “O mal menor para a crise passa pelo afastamento de José Sócrates”, resume António Capucho, conselheiro de Estado e

ex-presidente da Câmara Municipal de Cascais. À esquerda, o pedido de demissão do Governo foi encarado sem “dramas” pelo secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, criticando que procurou “transformar a estabilidade governativa num fim em si mesmo, permitindo que esta política se aprofunde e que o país se afunde”. “A vítima não é o primeiroministro, tem sido o povo português, com sucessivos PEC’s, com orçamentos de Estado e agora com esta tentativa, claramente de não responder nem resolver os problemas nacionais”, sublinhou o líder comunista. Uma “tentativa de vitimização” de José Sócrates também

evidente para o deputado comunista João Oliveira que, no programa da Rádio Diana não poupou socialistas e sociais-democratas: “O PSD que até agora foi muleta do Governo, de repente julga que já passou o tempo de ser muleta e ir ao pote”. “Temos o país refém do calculismo político-partidário do PS e do PSD que vão jogando o futuro da economia e impondo retrocessos sociais”. Para o ex-ministro das Finanças, Bagão Félix, o pedido de demissão do primeiro-ministro é natural e acaba por surgir no momento “menos inoportuno”. “Mais tarde ou mais cedo uma crise deste tipo se iria suceder”, lembra Bagão Félix.

de Governo dentro do actual quadro parlamentar. Se não for possível a Assembleia da República gerar um novo Governo, como é previsível, o Presidente da República deverá então aceitar formalmente o pedido de demissão de José Sócrates e dar início ao processo de dissolução do Parlamento, ouvindo novamente os partidos e o Conselho de Estado. Conforme é referido na alínea e) artigo 133º da Constituição, compete ao Presidente da República dissolver a Assembleia da República, “ouvidos os partidos nela representados e o Conselho de Estado”. Nas anteriores crises políticas de 2001 e 2004, quando se realizaram eleições legislativas antecipadas, no primeiro caso também devido à demissão do primeiro-ministro, dez dias foi o tempo necessário para o então Presidente da República Jorge Sampaio cumprir os preceitos que a Constituição obriga e a marcação das eleições.

D.R.

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Jerónimo de Sousa

Pedro Passos Coelho

“Mudar de política”

“Situação de impasse”

“Vamos participar nessa batalha, se se concretizar, com um sentido de esclarecimento e de mobilização, colocando que não basta mudar de Governo. A vítima não é o primeiroministro, tem sido o povo português, com sucessivos PEC’s”.

“Numa sociedade adulta e madura, sempre que chegamos a uma situação de impasse, sempre que encontramos uma situação pantanosa, o pior que pode acontecer é ficar com medo e com receio de assumir responsabilidades e de pôr fim ao clima irrespirável”.

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Francisco Louça

Paulo Portas

“Abrir caminho”

“Resolver problemas”

“Não abrimos caminho a nenhum Governo de direita. O que dizemos ao país é que não aprovamos medidas que destroem o país. Queremos vencer o PSD e queremos vencer aqueles que só olham para o país como se ele fosse propriedade de PS e PSD, que já estão a governar”.

“A democracia existe precisamente para resolver problemas como este. Em toda a Europa, há governos que saem e governos que entram, há responsabilidades que se pedem e benefícios da dúvida que se dão”.


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24 Março ‘11

Economia & Negócios

Basta! Marcelo Nuno Gonçalves Pereira Economista

Na semana passada, o primeiro-ministro foi a Bruxelas apresentar aos parceiros europeus um novo plano de austeridade que, segundo se sabe agora, andou semanas a preparar em segredo. De regresso a Portugal, e perante a anunciada indisponibilidade do PSD para continuar a viabilizar sucessivos “PEC’s”, resolveu falar ao país. Ao ouvi-lo ficou-se com a ideia de que o pobre homem tinha acabado de aterrar em Portugal e que nada tem a ver com a profunda crise em que o país se encontra mergulhado. Que não esteve por cá nos últimos anos, e que não foi o timoneiro do rumo que Portugal tomou. Que não foi na sua governação que a dívida pública mais que duplicou. Chega a parecer que o facto de Portugal ocupar o penúltimo lugar numa lista elaborada pelo FMI que compara o crescimento económico de 179 países na última década, se deve a um mero acaso que só por má-fé alguém o poderá atribuir ao primeiro-ministro e à sua governação. Mas ficou a saber-se nessa entrevista que o governo quer impor aos portugueses mais sacrifícios. SacriPUB

fícios que, uns dias antes, afirmou não serem necessários. Ao anunciar os primeiros dados de execução orçamental de 2011 há alguns dias atrás, o governo, enquanto cantava vitória e exultava o seu acerto, ia garantindo aos portugueses que não seriam necessárias medidas adicionais de austeridade. Agora, essas mesmas medidas são anunciadas “à socapa” e alerta-se para os perigos de não serem aprovadas. Ao ouvir o primeiro-ministro ficamos igualmente a saber que a opção dos portugueses é entre ele e o caos. Que sem ele o país ficará nas terríveis garras do FMI que imporá medidas ainda mais gravosas, ao passo que, com ele, o país continuará a sua senda de “recuperação da crise”. Ninguém tem dúvidas de que o recurso ao FMI não é desejável. Que, se for chamado a socorrer Portugal, o FMI exigirá garantias que se traduzem em mais e mais penosos sacrifícios. Mas, são os próprios dirigentes socialistas que afirmam (como se nada tivessem a ver com isso…) que o país “está à beira do abismo”. E é o Secretário de Estado do Tesouro que reconhece a insus-

tentabilidade da situação, devido às cada vez mais gravosas condições de financiamento da dívida pública. É preciso recuar 100 anos na história do país para encontrar uma década tão desastrosa, no que ao crescimento económico do país concerne. Por isso, quando o senhor primeiro-ministro, na ânsia de assustar os portugueses, faz comparações com as medidas de austeridade impostas na Grécia e na Irlanda, esquece-se de dizer que, na última década o PIB na Grécia cresceu 28% e na Irlanda 29%. Que os salários nestes e países aumentaram em média 10% ao ano, em

“É preciso recuar 100 anos na história do país para encontrar uma década tão desastrosa, no que ao crescimento económico do país concerne”.

contraste com os salários em Portugal que, em termos reais (deduzidos do efeito da inflação) decresceram face ao inicio de década. Não é por isso a mesma coisa pedir sacrifícios aos portugueses, aos gregos ou aos irlandeses. Por isso, com ou sem FMI, os sacrifícios pedidos aos portugueses, ainda que pareçam menos gravosos, são já demasiado penosos. Mas, por ventura a mais espantosa afirmação do senhor primeiroministro é a de que estas medidas são necessárias para credibilizar a sua actuação e a sua determinação perante os parceiros europeus e os mercados financeiros. Não que isto seja mentira, mas porque sujeita o povo às maldades de um governo incapaz de se credibilizar pelo seu rigor e competência e é, portanto, a mais dramática demonstração de que este está a mais. E de que, quanto mais dias passarem, mais os portugueses terão que pagar pelos erros, incompetência e falta de visão e de estratégia de um governo e de um primeiro-ministro que há muito deixaram de se servir o país. Ao invés, transformaram-se num dos seus maiores problemas, como

fica demonstrado pelas suas próprias afirmações. O senhor primeiro-ministro e o governo pediram ao parlamento a aprovação do Orçamento para 2011, afirmando que este seria o necessário e suficiente para garantir a recuperação económica do país. Como se vê, ou mentiram descaradamente ou se enganaram redondamente. E o país não pode continuar a deixar que, a cada passo, o senhor primeiro-ministro apareça com um novo pacote de austeridade, afirmando que “agora sim” é o derradeiro esforço a pedir aos portugueses. Não se estranhe por isso que alguns socialistas afirmem que o primeiro-ministro perdeu toda a credibilidade e que já ninguém acredita na sua fanfarronice. Importa pois que rapidamente se clarifique a situação do país convocando eleições. É que, como escrevia Ventura Leite, militante socialista no Diário Económico, na semana passada, “(…) o país não precisa de saber até onde e quando vai durar a resistência política, de maratonista, do primeiro-ministro. Porque, enquanto o Eng. José Sócrates resiste, o país desespera e desiste! (…)”


15 Economia & Negócios D.R.

Agricultura

Portugal cria agência para promoção externa de frutas e legumes

Luís Maneta | Registo Chama-se Portugal Fresh. É uma associação de vinte empresas do sector agrícola apostada na promoção externa das frutas, flores e dos legumes, sector que gera um volume de negócios superior a 2,3 mil milhões de euros. E teve a sua estreia na Fruit Logistica, em Berlim, a principal plataforma mundial de negócios do sector, visitada por mais de 75 mil empresários. “Temos de encontrar respostas para a grande pressão sobre os preços que existe em Portugal”, diz ao DN o presidente da Portugal Fresh e administrador do grupo Luís Vicente, Manuel Évora, recordando que a sua própria empresa iniciou o processo de internacionalização há quatro anos em mercados como o Brasil e a Costa Rica. “Temos encontrado nos mercados externos um retorno para os nossos produtos superior ao do mercado interno. A necessidade de conseguir dotação financeira para continuar a investir obriga-nos a procurar novos mercados”. De acordo com o Observatório dos Mercados Agrícolas e das Importações Agro-Alimentares, as exportações portuguesas de produtos frescos hortícolas e frutícolas triplicaram entre 2000 e 2009, atingindo os 304 milhões de euros. “Já não representamos tão pouco quanto isso”, refere Manuel Évora, assinalando que

a adesão de empresas produtoras de flores ao Portugal Fresh permitirá “ganhar massa crítica em mercados que são muito parecidos e num sector com evidente tendência exportadora”. A ideia é “vender” alguns dos melhores produtos da agricultura portuguesa, dos citrinos algarvios à fruta do Oeste, passando pelas flores e pelos produtos hortícolas do litoral alentejano ou pelos kiwis oriundos do Norte do país. Além de consolidar posições nos mercados europeus e no Brasil, o desafio é conseguir entrar em países do Médio Oriente e seguir os passos do Chile e da Argentina, dois grandes exportadores mundiais,

em “economias de grande crescimento”, como a Índia e a China. Com a entrada em exploração dos novos pomares entretanto cultivados, a expectativa é de que Portugal atinja dentro de poucos anos uma produção interna de fruta, sobretudo peras e maçãs, superior às necessidades de consumo e capaz de gerar uma maior pressão a nível dos preços. “A culpa não é da grande distribuição ou de algum sector em concreto; é uma realidade conjuntural, pois todos tentamos vender internamente e para isso temos de baixar muito os preços, o que afecta a produção”, diz Manuel Vicente, defendendo a importância de “procurar no-

vos mercados”. “Temos consciência de que produzimos muito bem, temos bons produtos e condições de competitiv idade que outros sectores ligados à agr icultura não conseguem atingir a nível internacional, tanto em qualidade como em produtividade por hectare”. Segundo o

ministro da Agricultura, António Serrano, “não é viável” os agricultores continuarem a trabalhar no mercado externo de forma individual: “O que precisamos é de ganhar mais escala, mais organização comercial para vender bem, com uma marca chapéu que seja c on he c id a , que se afirme” a nível i nte r n ac io nal.

Serrano disponível para continuar a ”ajudar o país“ O ministro da Agricultura, António Serrano, afirmou-se ontem disponível para continuar a “ajudar o país”, mas escusou-se a comentar cenários políticos futuros, incluindo a eventual criação de um governo de iniciativa presidencial. “Estou a fazer o meu trabalho. Falo-ei até ao último dia em que estiver em funções e naturalmente que aquilo que for necessário para ajudar o país estarei disponível, como tenho vindo a fazer nesta missão”. Em Ponte de Sor, onde visitou uma unidade que fabrica massa

de pimentão, o ministro da Agricultura foi também questionado pelos jornalistas sobre a eventual criação de um governo de iniciativa presidencial. “Acho que essa matéria não se coloca, não tenho que me preocupar com ela, nem tenho que ter uma opinião sobre ela neste momento. Sobre os outros cenários, não sei que possibilidades reais é que eles têm de existir, de se concretizar, mas a seu tempo se verão e analisarão”. António Serrano falava aos jornalistas à margem da visita que efectuou à empresa INCO-

PIL, que fabrica duas mil toneladas de massa de pimentão. Além disso, a empresa fabrica 750 toneladas de massa de alho, exportando a sua produção para vários pontos do mundo, com um volume de negócios anual que ultrapassa os cinco milhões de euros. Crédito reforçado O Governo anunciou, entretanto, que vai reforçar com 50 milhões de euros a linha de crédito de apoio à agricultura e reabrir uma linha de crédito de 20

milhões de euros para o sector das pescas, indica o acordo sobre Competitividade e Emprego. O acordo tripartido foi assinado esta semana pelo Governo e pelos parceiros sociais. De acordo com o documento, “o Governo compromete-se a reforçar a linha de crédito de apoio à agricultura em 50 milhões de euros, com carência de capital e amortização a seis anos e com bonificação de juros entre 80 a 100%, de acordo com a avaliação de risco, respeitando as regras comunitárias em vigor relativas aos auxílios de Estado”.


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24 Março ‘11

Cultura D.R.

João Marques

“Lutar ao máximo para não desinvestir na Cultura” Três perguntas ao vereador da Cultura da Camâra Municipal de Montemor-o-Novo

Vai ter início mais um Ciclo da Primavera. Num ano de austeridade, com cortes orçamentais, como é que o evento vai decorrer este ano? Obviamente que as questões económicas pesam sempre na programação, e os investimentos feitos na cultura são sempre os primeiros a sofrer cortes nestas alturas. Mas temos lutado ao máximo para não desinvestir na Cultura. Pensamos que continua a ser um vector importante para Montemoro-Novo. Tentámos neste Ciclo da Primavera não reduzir tanto o orçamento, mas limar algumas arestas nalgumas áreas, investindo noutras. Recorremos mais aos grupos locais, para permitir alguma linha lógica que estava a ser implementada com o Ciclo da Primavera que é a lógica da descentralização. O lado positivo é a aposta em grupos da terra? Não diria que é positivo nem negativo. Nós temos de definir, claramente, quais são as prioridades que temos. E quando temos menos dinheiro, menos recursos, temos de dizer onde vamos investir, para podermos investir noutros lados. Neste sentido, na área cultural, o que estamos a definir, com clareza, a Câmara vai investir menos dinheiro na programação própria, para essas verbas que não são gastas em programação sejam distribuídas pelas associações locais que também estão a criar e a programar. Ao falarmos de um corte na programação do Ciclo da Primavera está a falar de que percentagem? No global vamos tentar chegar, na programação geral, a 15%. Não no Ciclo da Primavera, mas no global da nossa programação. É essa a redução que queremos atingir.

Montemor-o-Novo

“Zaragatas em Chiozza” estreiam Ciclo da Primavera

Pedro Gama | Registo Chiozza é uma aldeia piscatória italiana. Poderia ser portuguesa ou doutro país qualquer. O que ali se vai passar poderia acontecer em qualquer lugar do mundo, onde o “diz que disse”, as intrigas, a maledicência, a inveja e a “dor de cotovelo” levam sempre a desentendimentos e quezílias… mas, neste caso, estas zaragatas teatrais levam, também, ao riso. “Zaragatas em Chiozza”, encenada por Hugo Sovelas, montemorense e actor/encenador profissional (Ver Caixa), estreia no próximo sábado em Montemor-o-Novo, pela Theatron, Associação Cultural, e dá início ao 22.º Ciclo da Primavera do Concelho de Montemor-o-Novo. Para além disso esta peça serve

também para celebrar o Dia do Teatro, que se comemora no próximo domingo, 27 de Março. Esta peça conta como um grupo de cinco mulheres conseguem, com algumas mentiras, meias-verdades e muita manha na mente, torcer os factos sobre o interesse de um homem numa delas, criando uma verdadeira confusão de ciúmes, pedradas e navalhadas com os prometidos maridos às donzelas envolvidas. Uma peça adaptada de um texto de Goldoni. Os ensaios estão a decorrer. Mas não só desta peça, bem como de todos os espectáculos, maioritariamente com prata da casa, que vão compor pouco mais de dois meses de programação, na sede de concelho e nas freguesias. A grande particularidade des-

te Ciclo primaveril prende-se, exactamente, com a programação ser, o máximo possível, descentralizada da sede urbana. As oito freguesias rurais do concelho vão ter a visita de espectáculos de música e teatro. Um cunho desta iniciativa que não se quer perder como nos refere o Vereador da Cultura de Montemor-o-Novo, João Marques (ver caixa). Assim mesmo, no fim-de-semana do Dia do Teatro, mais três espectáculos da arte e Molière, vão estar em cena em espaços diversos da cidade de Montemor. No sábado, logo pela manhã, o Mercado Municipal recebe um espectáculo de Marionetas com “Teatro D. Roberto”. Já no domingo, Dia do Teatro, o lar “Abrigo dos Velhos Trabalhadores vai poder assistir aos

“Bonecos Bailarinos de S. Bento do Cortiço”, enquanto o Cine-Teatro Curvo Semedo recebe, pelas 21.30h a peça “Saguão” pela companhia de teatro Aloés. O Ciclo da Primavera vai ainda contar a 16 de Abril, com o Concerto do 24.º Aniversário do Coral de S. Domingos, ou a 14 de Maio com um concerto de “Couple Coffee”. O Ciclo primaveril termina a 25 de Junho com um espectáculo de música cabo-verdiana com Lura. As freguesias vão receber o fado de Luísa Rocha, a 2 de Abril, em Ciborro, ou no Ferro da Agulha, um concerto dos regressados Amigos do Alheio. A 16 de Abril é a vez de Cortiçadas de Lavre poderem assistir ao espectáculo Cantar Abril com Jorge Pires, Daniel Garfo e Aline Bernardo.

Hugo Sovelas: Do Theatron a Chiozza Hugo Sovelas, natural de Montemor-o-Novo, nasceu em 1977. Dezassete anos mais tarde mudou-se para Lisboa e frequentou a Escola Superior de Teatro e Cinema, onde se licenciou. Da sua formação fazem parte: Odin Teatret, Living Theatre, International School of Theatre Antropology (com direcção de Eugénio Barba), Voyages du Geste e ainda Marion Gough. No seu percurso artístico trabalhou com o Teatro da Trindade,

Teatro Praga, Rui Horta, Ruínas Associação, Cendrev, Conservatório de Música de Lisboa, entre outros. Mas tudo começou, ainda amadoramente, há 13 anos, com o Theatron Associação Cultural montemorense, onde foi dirigido por Vítor Guita, seu professor. Os papéis agora trocaram-se e passados treze anos, é Hugo Sovelas que, pela primeira vez, está a dirigir o seu antigo professor e encenador.

Hugo Sovelas tem trabalhado como actor, encenador, programador cultural, formador e professor de expressão dramática. Há poucas semanas o actor/ encenador, ganhou na categoria de Encenação, com a peça “Terror e Miséria”, a partir de Berthold Brecht, encenada com o Blá Blá Blá Teatro Jovem de Campo Maior, nos galardões em disputa no Concurso Nacional de Teatro 2011, promovido pela Federação Portuguesa de Teatro.


17 Cultura Até 9 de Julho

Música sacra regressa ao Baixo Alentejo

O festival de música sacra “Terras sem Sombra” desafia este ano os participantes a embarcarem numa peregrinação pelo património cultural e natural do Baixo Alentejo, tantas vezes esquecido na azáfama de um mundo global. “O Festival propõe uma reflexão sobre a situação em que nos encontramos, do ponto de vista espiritual, nesta pós-modernidade de hoje, onde nos deslocamos constantemente, temos excelentes meios de comunicação, mas acabamos por esmagar as nossas raízes” explica José António Falcão, director do Departamento do Património Histórico e Artístico (DPHA) da diocese de Beja. A sétima edição do certame, que decorre até 9 de Julho, tem como tema “Peregrinação interior – Momentos de Espiritualidade na Música Ocidental – Séculos XVII – XXI”. Complementada por um conjunto de conferências temáticas e visitas guiadas, a música sacra vai funcionar como uma autêntica “aliada” da diversidade patrimonial da região, segundo o líder do DPHA, “na medida em que rompe fronteiras, atrai públicos diversificados e ajudará a criar nas igrejas históricas da região um espaço ecuménico, de diálogo em torno da espiritualidade”. Cada um dos seis concertos previstos vai ser realizado numa igreja representativa do Baixo Alentejo, a começar dia 2 de Abril, na Igreja de Santiago Maior, em Santiago do Cacém. No concerto de abertura, será estreada uma composição da autoria do jovem compositor português Alexandre Delgado, uma forma de “fazer uma aproximação entre a música do passado e do presente”, realça José António Falcão. Destaque ainda para intérpretes como a soprano Maria Bayo, os pianistas Miguel Borges Coelho e Marta Zabaleta, o cravista Pierre Hantaï, a violoncelista Irene Lima ou o Coro da Arena de Verona. Além de veículo de sensibilização cultural, o DPHA olha para a música sacra como uma oportunidade de chamar a atenção das pessoas para a preservação PUB

da natureza, numa época em que “se gastam demasiados recursos, arrastando nesta batalha a destruição de muitas particularidades do nosso património natural” explica aquele responsável. De acordo com o programa, os concertos vão ser realizados sempre ao Sábado e, em cada domingo seguinte, o DPHA vai realizar acções-piloto de conservação da Natureza, com a participação dos músicos, das escolas e da população local. José António Falcão exemplifica com “a colocação de ninhos, feitos em cortiça, em sobreiros e a ajuda na preservação de peixes que estejam em extinção”, na região alentejana, e perspectiva uma grande participação nas diversas iniciativas do Festival, à semelhança dos anos anteriores. “Há sempre um envolvimento grande por parte das paróquias, das autarquias, de outros órgãos da região, temos sido muito acarinhados neste trabalho” destaca. Com um novo director artístico, Paulo Pinamonti, antigo director do Teatro Nacional São Carlos e que até aqui dirigia o Festival Mozart da Corunha, o passo seguinte, para a diocese de Beja, será internacionalizar definitivamente o certame. Desde a sua criação, em 2003, o “Terras sem Sombra” tem vindo a despertar cada vez mais interesse entre o público nacional, contando também com uma importante fatia de visitantes vindos da Estremadura e da Andaluzia espanholas

Paolo Pinamonti Afastado do Teatro Nacional de São Carlos pelo Ministério da Cultura liderado então por Isabel Pires de Lima, o italiano Paolo Pinamonti está de regresso a Portugal. Pinamonti, que até aqui esteve à frente do Festival Mozart, na Corunha, será o responsável pela programação das próximas três edições do festival de música sacra organizado pelo Departamento do Património Histórico da Diocese de Beja.

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24 Março ‘11

Cultura Conferência

Tertúlias em Évora marcam centenário da proclamação da República ceira Tertúlia da República terá lugar na Biblioteca pública dia 20 de Abril pelas 18h. O mês de Maio é o mês dos Museus. O seu dia internacional comemora-se a 18, e para o dia seguinte, quinta feira 19, pelas 18h, no Museu de Évora está marcada a quarta tertúlia. “O património cultural e artístico e os museus na I República“ é o tema que Jorge Custódio, director do Museu Nacional Ferroviário, vai desenvolver com Camões Gouveia, director do Museu de Évora, e os convidados que todas as quintas estão a levar vida nova a este Museu.

Redacção | Registo As Tertúlias da República decorrem em Évora entre Março e Junho, com a cadência de uma por mês. Mas, neste mês de arranque, cabem duas das cinco tertúlias anunciadas: A primeira, dedicada à Música, aconteceu a 16 de Março no Colégio Mateus d’Aranda, coorganizada pela Câmara e pelo Departamento de Música da Universidade de Évora. Durante quase três horas professores universitários, executantes e amadores de música, debateram as relações da música popular com a erudita, da produção cultural com a política, das notas do piano de cauda com o cante que se fizeram ouvir na mesma sala.

Sociedades eborenses

O papel do teatro Na próxima segunda feira, 28 de Março, a segunda Tertúlia evoca o papel do Teatro na República. “Os textos e os espaços” são o mote para a conversa que conta com a participação de investigadores do Centro de Estudos de Teatro da Faculdade de Letras de Lisboa, de actores do CENDREV. “O lisboeta tem dois grandes vícios: a política e o teatro. Na política, como espectador, uma aspira-

Ciclo de cinco tertúlias em Évora debate cultura e sociedade dos últimos 100 anos. ção permanente o agita: a queda do governo, seja qual for o governo. No teatro, como público, um desejo surdo o anima sempre: a queda da p e ça,

seja qual for a peça.” Assim escrevia a Revista Ilustração Portuguesa, a 3 Nov. 1913. Segundo Rui Pina Coelho, um dos investigadores do Centro de Estudos de Teatro, a I República correspondeu a “anos de promessas e de construção, da arquitectura febril do futuro à intermitência do possível, os anos da República foram anos de impressionante carpintaria cívica. O teatro, arte sempre dependente da vida e das ideias, foi palco certo para a discussão do País.” Prolongar esta discussão até aos dias e aos protagonistas e hoje, é o desafio colocado nesta segunda tertúlia da República.

Das Bibliotecas da I República aos e-books A seguir ao Teatro será a vez das Bibliotecas. José António Calixto, director da Biblioteca de Évora, é o moderador e coorganizador da conversa que se propõe ir “da biblioteca da I República aos dias de hoje. Cem anos volvidos sobre a implantação da República no nosso país, importa entender que caminho percorreram as bibliotecas, que importância têm na sociedade actual, e como in¬fluenciam o exercício da cidadania na sociedade da informação.” Explica José António Calixto. Esta ter-

A fechar este ciclo de Tertúlias, será evocado o movimento associativo e recreativo. “Os centros republicanos eram núcleos político-ideológicos independentes entre si. Misto de sociedades de instrução, de recreio, de auxílio mútuo, mas também de discussão ideológica e de comité eleitoral, foram a alma do movimento e estiveram na base de algumas lutas decisivas”, garante Fernando Catroga no seu livro “Republicanismo em Portugal” e citado pela professora Maria Ana Bernardo, do Departamento de História da Universidade de Évora, uma das animadoras da última tertúlia da República. Na mesma mesa vão estar os representantes das sociedades eborenses Harmonia, Dramática, e SOIR Joaquim António d’Aguiar para debater “As realizações colectivas da I República aos nossos dias”.

”Trazer a Arte a todos“ ClÁudia Sousa Pereira Vereadora

Quando a partir de 1910 à Cultura foi permitido sair dos salões da Corte, onde entretinha e instruía elites, e tornar-se com a República “coisa do Povo”, os criadores e as suas criações passaram a contar com um número e uma diversidade de apreciadores que seguramente os influenciou, marcando esse tempo de fo r m a

particular. Estes novos usufruidores de Arte, Arte esta que se encontrava com todos agora nas salas de espectáculos, nos museus ou nos livros, tornaram-se os pioneiros modernos da democratização da Cultura, devolvendo a todos aquilo que tinha sido monopólio de alguns. Relembrar esses quinze anos da Primeira República assistindo a conversas entre os “actores” que fazem o estudo dessas manifestações culturais da época e os que mantêm hoje essa mesma função de trazer a Arte a todos, foi a intenção da Câmara Municipal ao organizar estas Tertúlias. Evoca-se assim o

Centenário da República em Évora, com todos os parceiros que convidámos a juntarem-se para organizar (Universidade de Évora, CENDREV, Centro de Estudos de Teatro da Faculdade Letras de Lisboa, Biblioteca Pública de Évora, Museu de Évora e SOIR) e que trouxeram também os seus convidados, em nome individual ou representando instituições (Do Imaginário, Universidade de Évora, Sociedade Recreativa e Dramática de Évora e a Sociedade Harmonia Eborense) para conversar e divulgar estas conversas, como foi o caso da Rádio Diana que fará também chegar a mais gente estas cinco tertúlias.


19 Cultura

Concerto no Teatro Garcia de Resende. 25 de Maio. 21h00 Luís Maneta | Registo Arrancaram há 12 anos com um projecto que abraça várias sonoridades, da música da África negra ao reggae, têm quatro álbuns e uma nomeação para melhor grupo do ano pela revista britânica “Songlines”. Os Terrakota tocam amanhã no Teatro Garcia de Resende (21h00). E até ao Verão têm uma agenda de concertos preenchida que os irá levar a cidades como Paris, Praga ou Milão. “O mais importante para nós é a força do público que sempre nos acompanha em Portugal e por essa Europa. Esta nomeação reflecte isso mesmo já que é o resultado de uma votação feita online. A nomeação deixou-nos muito contentes”, diz o guitarrista Alex ao Registo, numa entrevista a propósito do seu regresso a Évora. “Faz nos sentir que as pessoas que viram os nossos espectáculos e ouviram os nossos discos ao longo destes anos não ficaram indiferentes, que a nossa linguagem livre, sem fronteiras mexeu com eles”. Uma nomeação igualmente importante para que se saiba que de Portugal “não vem só fado” e que Lisboa “é uma cidade com um forte movimento de música de fusão, resultado do cruzamento de muitas culturas que por aqui passam, onde a música negra tem uma grande força”. Os Terrakota nasceram em Lisboa em 1999. “Para resumir, pode-se dizer que o que nos junta é o facto de sermos todos pessoas com uma forma de ver as coisas bastante alternativa e aberta a várias culturas”, diz o guitarrista. “Gostamos muito de viajar, de nos lançar no desconhecido e

beber de diferentes culturas, aprender a tocar instrumentos étnicos de vários continentes, estudar os ritmos e aprender as línguas”. Durante uma dessas viagens – “mandámo-nos para África” – Alex, Junior (voz, guitarra) e Humberto decidiram criar a banda. “No regresso, África tinha-nos mostrado o caminho e vínhamos cheios de energia para nos metermos de cabeça neste projecto”. Os outros elementos surgiram depois: primeiro o Davide Rodrigues (bateria), depois Francesco Valente (baixo) e Romi (voz) e, por fim, Nataniel Melo (percussão). “Todos confluímos neste mistura de ritmos e especiarias com muita Africa e América do Sul mas profundamente influenciada pelo rock, jazz, funk, blues ... enfim, pela musica com que crescemos”. “Nos concertos tentámos criar uma atmosfera especial de libertação e transmutação através do ritmo e da dança e graças à força do público fomos crescendo, crescendo”, conta o guitarrista. Tendo o Terrakota começado em África, o projecto reflecte hoje o resultado de inúmeras viagens, experiências e momentos. “Somos quase uma família. Sempre que podemos tentamos sair deste continente, sem isso parece que a inspiração se esgota. Temos de sempre de receber boosts [estímulos] novos de outras culturas”. Segundo Alex, “particularmente importante” foi uma viagem ao Senegal em 2004 para gravar o segundo disco – “Humus Sapiens”- no estúdio Youssou N’Dour. Ficaram por lá quase dois meses. “Daí para a frente a nossa abordagem de recriar dentro de vários estilos

de música africana cresceu muito porque de certa forma ficámos todos “em fase” com África”. Também importante foi a viagem à Índia em 2009, tendo os Terrakota tocado num festival nos Himalaias: “Abriu-nos a cabeça para no futuro começarmos a usar cada vez mais condimentos orientais na nossa música”. Em 12 anos, a banda soma quatro álbuns: ao primeiro, “Terrakota”, editado em 2002, seguiu-se o já referido “Humus Sapiens” (2004). Depois, “Oba Train” (2007) e, o ano passado, “World Massala”, que lhe valeu a nomeação para o concurso da “Songlines”, concorrendo com os Bellowhead, os Hanggai e o duo Lepistö & Lehti. Sobre o título do último álbum, Alex é peremptório: “World vem de world music [música do mundo]. E massala como um tempero quente, forte e exótico da cozinha indiana”. Esta poderá ser igualmente uma forma de “apresentar” a música Terrakota. Embora, garanta, procurem criar sem pré-definições, “um conceito livre, sem fronteiras”, pronto a seguir em ondas diferentes, de acordo com as paixões do momento. “É um processo um bocado mágico. Chega um com uma linha de guitarra, ballafon, n’goni ou baixo e logo todos os outros metem mais elementos em cima, oriundos de referências que cada um sente para aquele ritmo ou melodia”. Depois, cada música é uma “viagem” diferente da anterior. Um “pequeno mundo” que Alex diz ser “cozinhado com muito amor” para que a mensagem que pretendem passar seja tão “clara” quanto possível”.

“Há muitas loucuras para travar” “O conteúdo das nossas músicas responde a essa pergunta. É evidente que nos identificamos 100% com o protesto da geração à rasca que, na nossa perspectiva, só peca por tardio”. É desta forma que Alex (Terrakota) fala ao Registo sobre o movimento de contestação que levou para as ruas de Lisboa e do Porto mais de 200 mil pessoas. “Agora que começou [este movimento] não pode parar e tem de crescer até a situação

mudar de uma vez por todas! Esta sociedade de consumo desenfreado que não respeita nada, nem a natureza, onde impera a lei do mais forte ou seja, de que tem mais dinheiro está a dar as últimas”. Diz Alex que em todo o Mundo há um movimento de uma “geração à rasca” empenhada em promover uma “mudança necessária” que não se pode ficar pela política. “Há muitas loucuras para travar: o endividamento de

uns países relativamente a outros, o transgénico, o uso de energias tóxicas com grande prejuízo para a natureza, o nuclear, as leis de imigração e os impostos”, entre outras. “Tardou mas está a chegar o momento em que viramos finalmente esta sociedade que presta vassalagem a umas notas de papel a que chamaram de dinheiro. Entende-se a sua utilidade mas não podemos mais ser escravizados por ele”.

D.R.

Terrakota ritmos e especiarias


20 24 Março ‘11 Roteiro

TEATRO

MÚSICA

NATUREZA

EXPOSIÇÃO

GASTRONOMIA

Évora Música no Vale 17 de Março de 2011 a 2 de Abril Horário: De 4ª a Sábado às 21h30 – Domingos às 16h Localização: Sala d’ab T (lotação de 50 lugares), Évora Informações e reservas: abruxateatro@gmail.com | 266 747 047 | www.abruxateatro.blogspot.pt Ingresso: consulte o preçário de bilheteira e os descontos | Preço geral-€8

Évora Encontro de Músicos Todas as quartas-feiras Hora: 22h00 Local: Espaço Celeiros,Rua Eborim, 18 Voltaram os Encontros de Músicos. A ideia é pegar no repertório de música para dançar e a prazo animar de vez em quando a aula de danças do mundo com música ao vivo! Qualquer instrumento é bem-vindo! Entrada Livre

Distrito de Évora Mês da Juventude Março A Câmara Municipal de Évora promove em Março, em parceria com entidades, associações e grupos de jovens, um vasto conjunto de actividades que assinalam mais uma edição do Mês da Juventude. Procurando oferecer aos jovens uma programação variada, o Mês da Juventude – Março 2011, contempla cerca de 40 actividades.

Évora Um Mundo – Três Dimensões 18 de Fevereiro a 12 de Junho Local: Igreja de S. Vicente Blank Canvas, segunda geração, estão longe, nos propósitos, de ser uma conquista e uma originalidade do nosso tempo. O que é manifestamente original neste grupo constituído por António Couvinha, Chris Alford e Peter de Jong é a assumida individualidade dos seus olhares.

Ourique Feira do porco alentejo 2011 “v jornadas gastronómicas sabores do porco alentejano” 25 a 27 de Março O porco alentejano é o grande homenageado de um certame que pretende potenciar a marca e valorizar as actividades económicas associadas a este produto.

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21 Lazer Sugestão de leitura

Sugestão de filme

A Menina que Nunca Chorava

127 Horas

Autor: Torey Hayden Sinópse:

Director: Danny Boyle Sinópse:

Torey Hayden publicou A Criança Que Não Queria Falar, em 1980, relatando o caso verídico e comovente da sua relação com uma menina de seis anos que aparecera, gravemente perturbada, na sua aula de ensino especial. Ao longo de vários meses a jovem professora lutou para fazê-la desabrochar sob o calor generoso da sua espantosa intuição e amor e levá-la a descobrir um mundo que podia ser luminoso. Separadas pelas contingências da vida, só voltam a encontrar-se anos mais tarde quando Sheila já tem 13 anos. Para surpresa de Torey,

Esta aventura de um jovem montanhista cujo braço fica preso numa ravina do Utah, inspirada em factos reais, parecia ser um bom desafio para um realizador que tem testado diversos géneros. Infelizmente, o que tinha potencial para ser um retrato claustrofóbico e intenso de uma experiêncialimite vai perdendo força, culminando num final moralista que condena o individualismo do protagonista. Mas mesmo antes de um desenlace histérico e lacrimejante, “127 Horas” raramente convence. Uma situação que pedia

a adolescente parece ter perdido uma grande parte das memórias dos primeiros tempos que passaram juntas e, à medida que elas ressurgem do passado com os sentimentos que lhes estão associados, a sua competência de terapeuta e a sua devoção vão de novo ser duramente postas à prova.

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1 um olhar intimista é filmada com excesso de adrenalina, flashbacks à descrição, banda-sonora intrusiva e uma ligeireza que faz equivaler sofrimento a entretenimento - “A Descida”, mesmo com criaturas estranhas à mistura, conseguia ser infinitamente mais credível e sufocante ao atirar personagens para debaixo da terra.

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Carneiro

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Balança Carta da Semana: 4 de Espadas, que significa Inquietação, agitação. Amor: Ponha as cartas na mesa, evite esconder a verdade. Seja o mais honesto possível com a sua cara-metade. Saúde: Aja em consciência e não cometa excessos que o seu organismo não suporta. Dinheiro: Ouça os conselhos da pessoa com quem divide as tarefas diárias. Números da Sorte: 7, 22, 29, 33, 45, 48 Dia mais favorável: Domingo

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Nota: O objectivo do jogo é completar os espaços em branco com algarismos de 1 a 9, de modo que cada número apareça apenas uma vez na linha, grade e coluna.

HORÓSCOPO SEMANAL Carta da Semana: Valete de Paus, que significa Amigo, Notícias Inesperadas. Amor: Poderá receber a visita inesperada de um amigo de longa data. Receba-o de braços abertos. Saúde: O seu organismo poderá andar desregulado. Esteja atento às suas indicações. Dinheiro: Possibilidade de ganhar lucros inesperados. Seja audaz e faça um excelente investimento. Números da Sorte: 9, 11, 17, 22, 28, 29 Dia mais favorável: Terça-Feira

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Telefone: 21 318 25 91 E-mail: mariahelena@mariahelena.tv

Touro Carta da Semana: Rei de Paus, que significa Força, Coragem e Justiça. Amor: Opte por atitudes de compreensão e tolerância para com os seus filhos. Saúde: Poderá sentir-se um pouco cansado e sem energia. Melhore a sua alimentação. Dinheiro: Aposte na sua competência, pois poderá ser recompensado da forma como merece. Números da Sorte: 1, 5, 7, 11, 33, 39 Dia mais favorável: Sexta-Feira

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Escorpião

Gémeos Carta da Semana: Valete de Copas, que significa Lealdade, Reflexão. Amor: A sua vida afectiva poderá não estar a ter os contornos que planeou. Procure não perder a calma e invista na sua felicidade. Trate-se com amor! Saúde: Não abuse dos alimentos que sabe que prejudicam o seu estômago. Dinheiro: Prevê-se uma semana extremamente positiva em termos profissionais. Números da Sorte: 2, 9, 17, 28, 29, 47 Dia mais favorável: Segunda-Feira Horóscopo Diário Ligue já!

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Sagitário

Carta da Semana: O Julgamento, que significa Novo Ciclo de Vida. Amor: Aposte nos seus sentimentos e poderá, em conjunto com a sua cara-metade, tomar uma decisão importante para ambos. Saúde: A sua capacidade de recuperação de energias será notória. Esqueça o passado e viva o presente, o passado passou, aceite-o! Dinheiro: Esforce-se por conseguir atingir os seus objectivos profissionais. Seja audaz e perseverante. Números da Sorte: 1, 3, 7, 18, 22, 30 Dia mais favorável: Segunda-Feira

Carta da Semana: A Roda da Fortuna, que significa Sorte, Acontecimentos Inesperados. Amor: Ponha o seu orgulho de lado e vá à procura da felicidade. Seja feliz! Saúde: Lembre-se que fumar não faz mal apenas a si; tenha em atenção a saúde da sua família. Dinheiro: Aposte nos seus projectos pessoais. Seja inovador e arrojado. Poderá ter óptimas surpresas. Números da Sorte: 8, 17, 22, 24, 39, 42 Dia mais favorável: Sexta-Feira

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Caranguejo Carta da Semana: 9 de Espadas, que significa Mau Pressentimento, Angústia. Amor: Tome consciência dos seus actos, pois estes poderão estar a contribuir negativamente para a sua relação. Saúde: Evite situações que possam provocar uma alteração do seu sistema nervoso. Cuidar da sua saúde não é uma questão de querer. É um dever. Dinheiro: Modere as palavras e pense bem antes de falar. Uma atitude irreflectida pode aborrecer um superior hierárquico. Números da Sorte: 9, 18, 27, 31, 39, 42 Dia mais favorável: Quarta-Feira Horóscopo Diário Ligue já!

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Capricórnio

Leão Carta da Semana: 6 de Ouros, que significa Generosidade. Amor: A sua cara-metade não merece ser tratada com indiferença. Pense um pouco melhor na sua forma de agir. Saúde: As tensões acumuladas podem fazer com que se sinta cansado e desmotivado. Dinheiro: Atenção, a sua qualidade profissional poderá estar a ser testada. Números da Sorte: 6, 14, 36, 41, 45, 48 Dia mais favorável: Domingo Horóscopo Diário Ligue já!

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Aquário

Carta da Semana: A Lua, que significa Falsas Ilusões. Amor: Uma velha lembrança poderá pairar na sua mente, causando algumas dúvidas no seu coração. Procure ter uma vida de paz e amor. Saúde: Nesta área não terá muitas razões para ficar preocupado, o que não significa que deixe de ter os cuidados mínimos. Dinheiro: Utilize a sua capacidade de organização para sugerir algumas mudanças no seu departamento. Números da Sorte: 3, 7, 11, 18, 22, 25 Dia mais favorável: Terça-Feira

Carta da Semana: O Mundo, que significa Fertilidade. Amor: Não se dedique apenas à sua vida profissional, dê mais atenção à pessoa que ama. Saúde: Liberte o stress que tem acumulado dentro de si. Dinheiro: Património protegido. Continue a adoptar uma postura de contenção. Será bastante positivo para si. Números da Sorte: 2, 17, 19, 36, 38, 44 Dia mais favorável: Quarta-Feira

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Virgem Carta da Semana: Ás de Espadas, que significa Sucesso. Amor: O amor estará abençoado. Aproveite ao máximo este momento de comunhão. Saúde: O trabalho não é tudo! Descanse mais e pense seriamente na sua saúde. Dinheiro: Aja de forma ponderada, não coloque em risco a sua estabilidade financeira. Pense bem antes de gastar indevidamente. Números da Sorte: 4, 9, 18, 22, 32, 38 Dia mais favorável: Terça-Feira

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Peixes Carta da Semana: 8 de Copas, que significa Concretização, Felicidade. Amor: Aja menos com a razão e mais com o coração. Assim, evitará conflitos desnecessários com a pessoa que ama. Saúde: Seja mais moderado e dê mais valor ao seu bem-estar. Se seguir em frente e fizer o que tem de ser feito, todos acabarão por aplaudi-lo! Dinheiro: Esteja muito atento ao que se passa ao seu redor, pois algum colega pode não ser tão sincero quanto aparenta. Números da Sorte: 1, 8, 17, 21, 39, 48 Dia mais favorável: Sábado Horóscopo Diário Ligue já!

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23 Eventos D.R.

Reguengos de Monsaraz

Há livros na praça Redacção | Registo Espectáculos musicais e de dança, teatro, sarau literário, contadores de histórias, poesia e actividades para os alunos das escolas são algumas das actividades que vão animar a 15ª Feira do Livro de Reguengos de Monsaraz. O evento tem início na sexta-feira, dia 25 de Março, pelas 17h30, e vai decorrer até ao dia 3 de Abril na Praça da Liberdade, em Reguengos de Monsaraz. Mais de oito mil livros de 30 editoras podem ser adquiridos pelo público nesta iniciativa organizada pelo Município de Reguengos de Monsaraz. O horário de funcionamento será entre as 10h e as 23h. A animação do primeiro dia da Feira do Livro engloba a partir das 21h30 um espectáculo com a banda pop/rock Traffic Jam, de Reguengos de Monsaraz. No sábado, às 15h30, haverá um concerto com as Classes de Saxofone e de Clarinete do Conservatório Regional do Alto Alentejo, seguindo-se, a partir das 17h30, dois contadores de histórias. À noite, pelas 21h30, decorrerá um espectáculo musical com FerPUB

nando Vintém (piano) e Inácio Santos (saxofone). No domingo, às 15h30, actua a Classe de Metais do Conservatório Regional do Alto Alentejo, e às 17h poderá ser apreciada a peça de teatro “Graças e Desgraças d’el Rei Tadinho”, interpretada por alunos da Escola Secundária Conde de Monsaraz. Nas manhãs de segunda a sexta-feira haverá actividades para os alunos das escolas do concelho de Reguengos de Monsaraz. O programa da Feira do Livro apresenta na segunda-feira, pelas 21h30, Danças com Livros, também a cargo de alunos da Escola Secundária Conde de Monsaraz, enquanto no dia 30 de Março, quarta-feira, a noite será preenchida com uma tertúlia poética denominada “Histórias d`outros Tempos”. Na quinta-feira, pelas 18h, actuam os alunos das Classes de Trombone e de Piano do Conservatório Regional do Alto Alentejo, e na sexta-feira, pelas 21h30, haverá um sarau literário pelos alunos da Escola Secundária Conde de Monsaraz. No dia 2 de Abril, sábado, às 16h, decorre um concerto pela

Banda Juvenil da Sociedade Filarmónica Corvalense, seguindo-se às 17h a actividade Ler em Família, com a família Sousa Albardeiro. A noite será preenchida a partir das 21h30 com a poesia de Manuel Sérgio, Maurício Ramalho e Sara Ramalho, com acompanhamento musical de José Farinha. O último dia da Feira do Livro, domingo, terá um espectáculo com as Sevilhanas de Reguengos de Monsaraz, pelas 16h, e uma hora mais tarde será a vez da família Marques Tiago participar na actividade Ler em Família. No âmbito da 15ª Feira do Livro foi promovido um Concurso Literário pelo Centro Local de Aprendizagem de Reguengos de Monsaraz da Universidade Aberta, em conjunto com o Município de Reguengos de Monsaraz. Esta iniciativa teve como objectivo estimular a criatividade, contribuir para o desenvolvimento de uma cultura de escrita e leitura, ajudar a estimular o espírito de iniciativa e permitir a divulgação da produção literária. No Concurso Literário participaram 23 trabalhos, nove na área da poesia e 14 na de ponto.

Feira do livro começa amanha


Arquivo | Registo

Sede Rua Werner Von Siemens, n.º16 -7000.639 Évora Tel. 266 751 179 Fax 266 751 179 Email geral@registo.com.pt SEMANÁRIO

Universidade

Dinossauros em Évora O ninho de Paimogo é um dos maiores embriões de dinossauro do Mundo, único na Europa, e faz parte da exposição “Dinossauros da Lourinhã”, inaugurada na Universidade de Évora, patente no Palácio do Vimioso até 3 de Abril. A exposição reúne ainda uma nova espécie para a ciência, o Lourinhanosaurus antunesi, doado ao Museu da Lourinhã e cujo nome significa “lagarto da Lourinhã”. Com esta espécie, descoberta por Luis Mateus, foram também descobertos ovos, que fornecem importantes informações sobre a reprodução de dinossauros. O maior predador terrestre do Jurássico, o Torvosaurus sp., viveu na zona da Lourinhã e o comprimento do seu crânio atinge 1,40m. Na exposição podemos ver a réplica em tamanho natural do crânio deste animal, única em Portugal. Trata-se do mais relevante património do género em Portugal e está disponível na Universidade de Évora, bem como alguns quadros premiados, nos vários concursos internacionais de ilustração de dinossauros. PUB

Beja

Árvores no Facebook O Instituto Politécnico de Beja (IPB) vai plantar nas suas explorações agrícolas uma árvore por cada clique na opção ‘gosto’ da página da instituição no Facebook. A campanha Planta uma árvore à distância de um clique decorre desde hoje e até que seja atingido o limite de quatro mil ‘gostos’ na página do Facebook da instituição de ensino superior público de Beja, explicou Carlos Daniel Rego, do Instituto Politécnico de Beja. As árvores, sobreiros e pinheiros que vão ser cedidos por uma sociedade de produção e comércio de plantas, serão plantadas nas explorações agrícolas do IPB por alunos dos cursos de Agronomia, Biologia e Engenharia do Ambiente.

Intercidades

Movimento de cidadãos reúne com secretário de Estado Redacção | Registo A Associação de Defesa do Património de Beja (ADPB) reúne sexta-feira com o secretário de Estado dos Transportes, em Lisboa. Sobre a mesa vai estar a decisão da CP de acabar com a ligação directa Intercidades entre Lisboa e Beja, obrigando a transbordo em Casa Branca. Em declarações à Radio Pax, o presidente da ADPB, Florival Baioa, reconhece que a situação política “não é favorável a comprometimentos”. Mas garante que a associação irá continuar a defender a electrificação da linha entre Casa Branca e Beja, para que a ligação Intercidades se mantenha. É também esta a posição do Partido Ecologista “Os Verdes” “que entregou na Assembleia da República um Projecto de Resolução

mo qual recomenda ao Governo a manutenção e valorização da ligação ferroviária entre Beja e Lisboa, a electrificação do troço ferroviário Casa-Branca/Beja e a continuação da ligação ferroviária ao Algarve, através da Funcheira. “Os Verdes” consideram que a opção da CP é “inaceitável” e “contribuirá para um maior isolamento de Beja em relação ao país e designadamente em relação à capital”. “É um desincentivo à opção pela mobilidade ferroviária por parte das populações. O que a CP e o Governo estão a propor, com o não investimento nesta linha ferroviária e com a perda da ligação directa é uma duração de viagem de cerca de 2h30, o que torna muito pouco atractivo o comboio, para além do encarecimento do preço da viagem”.

Também um grupo de deputados do CDS-PP questionou o ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações sobre a intenção da CP de encerrar a linha férrea da Funcheira e o serviço de ligação directa por comboio Intercidades entre Beja e Lisboa. Citado pela Voz da Planície, Hélder Amaral, um dos subscritores do documento, afirmou que o seu partido “sempre defendeu que o Governo deveria abdicar do TGV em prole de pequenos investimentos de maneira a não deixar as populações isoladas”. Para Hélder Amaral as opções da CP “não fazem sentido, espelham bem como o dinheiro público é mal gerido e que relativamente a Beja não se compreende que seja anulado um meio de transporte fundamental ainda mais quando existe um aeroporto”.

Registo ed147  

Edição 147 do Semanário Registo

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