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SEMANÁRIO

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Director Nuno Pitti | 22 de Fevereiro de 2010 | ed. 094 | 0.50 euros

Registo associa-se ao luto nacional decretado pelo Governo pelo que o nosso logotipo hoje saí a preto pErdE 05 AlEntEjo CulturA Vila Viçosa pode vir a perder o núcleo do Museues dos Coch

02 Tragédia na Madeira faz dezenas de mortos O último sabado mostrou-se fatal para a população da ilha da Madeira. Chuvas torrenciais, ventos fortes, deixaram todo o arquipelago num caos e desordem. José Socrates deslocou-se ao fim da tarde de sábado para avaliar a situação.

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âmara de Vila Viçosa pretende opor-se à possibilidade da transferência das carruagens para o Museu Nacional dos Coches, em Lisboa

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Fernanda Ramos em

ENTREVISTA

GOVERNADORA CIVIL DE ÉVORA FALA SOBRE OS TEMAS QUE MARCAM A REGIÃO eMBRAeR, o desemprego e as novas apostas ao nível do apoio social.

Município de Castro Verde apoia “luta” dos trabalhadores da mina de Neves-Corvo PÁG.3 A Câmara Municipal de Castro

Verde mostrou o seu apoio aos trabalhadores da mina de Neves-Corvo, que desde a passada terça-feira estão em greve

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Jovem mantida em cativeiro foi entregue às autoridades espanholas

Jerónimo de Sousa assinala 35 anos do início da Reforma Agrária

Reportagem

PÁG.09 Jerónimo de Sousa assinala os

PÁG.12 A idade não lhes traz menos mé-

35 anos do início da Reforma Agrária, em Montemor-o-Novo. O líder comunista destacou no seu discurso o que considerou ter sido “a ofensiva criminosa que levou à liquidação” da Reforma Agrária

Reis das ruas rito. Cada um com o seu skate e com manobras sempre preparadas para entusiasmar os mais distraídos. A geração actual está cada vez mais ligada aos anos em que se praticou bom skate, por todo o mundo.


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Voz

A Fechar

A opinião que cria opiniões

VOZ

António Costa da Silva Economista

A urgência de um verdadeiro PEC Muitas vezes nos interrogamos sobre a real dimensão desta crise económica e social. É certo que somos diariamente confrontados com a falência de inúmeras empresas e com o consequente aumento do número de desempregados. Não há ninguém que não tenha pessoas na família ou amigos afectadas por esta grave situação económica e financeira. Ninguém ficou de fora. Na realidade, o rumo e a dimensão que vai ser seguida por esta crise são uma das grandes incógnitas e preocupações actuais. Todos nós sabíamos que esta degradante situação haveria de acontecer algum dia, só não se sabia quando e com que dimensão. Não era necessário ser um especialista na matéria para verificar que este modelo baseado no consumo e de forte endividamento não poderia ter bom fim. É elementar – os recursos não duram ad aeternum. Também é verdade que as causas já estão todas mais do que identificadas e analisadas, mas o que importa agora é ultrapassar esta situação que foi criada, aprender com os erros e promover um novo modelo de desenvolvimento económico e social, que seja moralmente justo e adequado às reais necessidades das populações, mas também, que não ponha em causa a sustentabilidade do planeta. Esta vai ser a maior batalha com que nos vamos confrontar. Alterar este modelo significa abdicar de privilégios que temos vindo a obter ao longo dos últimos anos – parece-me inevitável. Como é óbvio ninguém vai querer perder “direitos” que consideram como adquiridos e inalienáveis. Ninguém vai querer perder as facilidades ao crédito. Vai ser difícil voltar a fazer poupança e reduzir consumos. Ninguém vai querer perder salários, nem as regalias laborais e sociais. Na prática, estas novas mudanças implicam muito sacrifício que ninguém está disposto a fazer. Por isso mesmo, vamos entrar numa fase em que os sindicatos vão ganhar mais força, os partidos “dependentes” da fragilidade económica e social vão querer tirar os seus dividendos políticos. Vamos, inevitavelmente, entrar numa fase de agitação social –

também me parece evidente. Nesta crise, que é claramente estrutural e não conjuntural como muitos a querem intitular, só existem duas opções: ou temos uma mudança do modelo vigente, com perdas claras das regalias e privilégios obtidos ao longo de vários anos, ou então, vamos ter inevitavelmente fome e uma miséria galopante. É verdade que vão ser os mais fracos os primeiros a pagar pelos erros criados ao longo destes anos. É verdade que as sociedades mais desestruturadas são mais susceptíveis aos abusos, à corrupção e à criminalidade. É verdade que se deve exigir mais justiça social. Mas também é verdade que, não fazer nada no curto prazo, é ir de encontro ao abismo colectivo. Mais do que nunca os EstadosNação têm um papel determinante nesta fase histórica. É espectável que cada um faça a sua parte, contribuindo para a mudança deste modelo económico e social com que nos confrontamos. Os Estados têm um campo de manobra cada vez mais reduzido, mas ainda assim, o seu papel interventivo e fiscalizador deve ser determinante para a recuperação da confiança nas diferentes sociedades. Os Estados devem dar o exemplo. Os Estados não podem ser os principais gastadores e geradores de dívidas que não podem pagar. Os Estados devem resolver, o mais urgentemente possível, as suas situações internas. Apesar de vivermos numa sociedade global, é obrigatório, em primeiro lugar, os países arrumarem as suas casas. Foi assim que fez para a adesão ao Euro. Agora é inevitavelmente mais urgente. Desta forma, devemos pedir ao Estado português que também faça a sua parte desta difícil tarefa. Dê por onde der (reconhecendo que existe pouca vida para além do défice), é urgente tomar medidas de fundo, isto porque é impossível esperar mais. Só depois de “sarar esta ferida” económica e financeira é que é possível criar riqueza. Como é óbvio, ninguém investe em países falidos. Aliás, não resolver o problema das contas públicas, significa que se está a promover o mau investimento e nunca o investimento criador de riqueza e gerador de emprego. Está claro que o Governo, isoladamente, não vai tomar medidas de fundo. Está claro para todos que não é desejável a instabilidade política. Significa então que, não havendo eleições a curto prazo (porque ninguém as quer), o melhor é haver um entendimento sério entre os principais partidos políticos portugueses. Este entendimento não deve significar alianças políticas, mas sim enten-

dimentos específicos em áreas determinantes para o nosso futuro. Nesta fase em que estamos a preparar o PEC – Programa de Estabilidade e Crescimento, devemos aproveitar esta “última” oportunidade para tomar medidas estruturais que nos façam sair da grave situação em que nos encontramos. Como já referi, muitas dessas medidas serão certamente dolorosas, mas inevitáveis. Não haver entendimento significa que vamos arrastar os problemas até que terceiros os resolvam por nós. Tanto o Governo como a Oposição devem querer que o país saia do pântano onde há muito tempo imergiu. Ninguém deve querer governar (a seguir) um país onde já não há nada a fazer, a não ser obter o poder. Isso só vai atrair maus governantes. É nesta perspectiva que, na minha opinião, se deve apostar num entendimento ao nível da tomada de medidas económicas (e não só) nalgumas áreas muito importantes, como são exemplo: 1) Redução e correcção do défice público; 2) Redução da dívida externa; 3) Estabilização do sistema financeiro; 4) Definição das principais obras públicas a desenvolver; 5) Criação de um verdadeiro instrumento de incentivo ao investimento e às PME´s; 6) Renovação do modelo produtivo; 7) Desenvolvimento de um programa de criação de emprego; 8) Promover um programa de aposta na competitividade. 9) Reforma profunda da administração pública Promover um entendimento nestas áreas significa dar um sinal de que se quer mudar. Mudar realmente. Desta forma, seria possível concentrar esforços de combate às nossas principais fragilidades, evitando também, a interferência “negativa” das corporações e lobbies. Não procurar este caminho, significa que vamos continuar a gastar alegremente e a empobrecer tristemente. Ninguém vai querer perder salários, nem as regalias laborais e sociais. Fotografia de Arquivo

Cavaco Silva expressou condolências às vitimas do temporal na Madeira “Às famílias que foram atingidas pela morte eu quero expressar as mais sentidas condolências, a todos aqueles que perderam os seus bens e os seus haveres eu quero deixar uma palavra de esperança”, afirmou Aníbal Cavaco Silva. Numa comunicação no Palácio de Belém, o chefe de Estado adiantou ter recebido um telefonema do rei Juan Carlos de Espanha, que disse que o país vizinho “estava disponível para ajudar em tudo o que fosse necessário”. “O rei de Espanha lembrou-me que tinha estado na ilha não há muito tempo numa visita e disse ter ficado absolutamente chocado com as imagens”, revelou Cavaco, referindo-se à visita que fez com os reis de Espanha em setembro de 2009. Questionado sobre uma eventual deslocação à zona afetada pelo temporal, Cavaco Silva respondeu que irá fazê-lo “no momento apropriado”. “É preciso ajudar todos os atingidos pelos temporais a construir o mundo que foi destruído”, disse, em jeito de apelo.

Curral das Freiras já não está isolada

Curral das Freiras é uma freguesia situada no centro da ilha, num vale encravado entre as montanhas onde nascem algumas das ribeiras que ontem arrasaram a capital do arquipélago, o Funchal, e Ribeira Brava. Em contacto exclusivo para o Registo, ao início da tarde de ontem, o jornalista da SIC, Pedro Coelho, referiu que “a situação no Funchal e arredores é caótica e preocupante, pois o grau de destruição, enxurradas, desabamentos e toneladas de lamas e detritos são muito significativos”. Ainda segundo Pedro Coelho, “a localidade de Santo António, nos arredores do Funchal é aquela que mais sofreu com a tragédia pois é lá que se registaram, até ao momento, o maior número de vítimas mortais.” Ontem, ao final da tarde, o Registo contactou, de novo, com o jornalista que já se encontrava no Curral da Freiras onde as equipas de resgate e da SiC conseguiram chegar, a muito custo. “Apesar dos receios e dos avultados estragos, o número de vítimas é inferior ao esperado, um morto e um desaparecido, facto que ajuda a tranquilizar, um pouco, as autoridades que inicialmente receavam um drama de proporções maiores”, disse o jornalista. O Semanário Registo agradece ao jornalista Pedro Coelho, da SIC, a partilha e disponibilidade manifestadas.


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sociedade

Em destaque na região

-FEirA tErÇA reve

Fotografia de Arquivo

g tão em eiros es a terçad Os Min a s s pa desde a Fevereiro. Na a de am cerc feira, 16 trabalh s r o c in Som p es soa de 900

mineiros reivindiCam um aumento no subsidio de Fundo

Município de Castro Verde apoia “luta” dos trabalhadores da mina de Neves-Corvo

A Câmara Municipal de Castro Verde mostrou o seu apoio aos trabalhadores da mina de Neves-Corvo, que desde a passada terça-feira estão em greve A Câmara Municipal de Castro Verde (CDU) manifestou-se solidária com “a luta” dos trabalhadores da mina de Neves-Corvo, que estão em greve desde terça-feira, e apelou “ao diálogo entre as partes”. Numa moção do executivo, a Câmara manifesta “solidariedade e apoio aos trabalhadores em luta” e “apela ao diálogo” entre trabalhadores e administração da concessionária da mina, a Somincor, “com vista à rápida resolução dos problemas”. A moção foi aprovada por unanimidade na reunião do executivo da Câmara de Castro Verde, que decorreu na passada quarta-feira, um dia após os trabalhadores da Somincor terem começado uma greve de duas horas diárias no início de cada turno, às 06.00, 08:00, 14:00 e 22:00, e por tempo indeterminado. Através da greve, os trabalhadores reivindicam um aumento de cem euros no subsídio de fundo, que é atribuído aos trabalhadores que trabalham no fundo da mina, “o pagamento dos 50 por cento em falta da compensação do dia de Santa Bárbara” de 2009 e “a ga-

rantia do pagamento da compensação na totalidade este ano e nos próximos anos”. Até quinta-feira passada, a adesão à greve “contínua acima dos 90 por cento nos turnos das 06.00, 14:00 e 22:00”, que abrangem os trabalhadores do fundo da mina, onde “o descontentamento é maior”, disse à Lusa o dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira (STIM), Jacinto Anacleto. Somicor sente o abalo da greve

e os trabalhadores “ainda não obtiveram feedback da administração” da Somincor, portanto “vão continuar a luta e manter a greve”, disse Jacinto Anacleto. Num comunicado emitido terça-feira, a empresa Lundin Mining, proprietária da Somincor, informa que os trabalhadores “exigem aumentos salariais na ordem dos 17 por cento sobre o salário base” e que a administração “rejeitou a reivindicação e fará todos os esforços para reduzir o efeito da greve”. A posição da Somincor

No turno das 08:00, que abrange os trabalhadores à superfície, só abrangidos pela reivindicação relativa à compensação do dia de Santa Bárbara, “a adesão é fraca”, disse o sindicalista, referindo que a greve está “a afectar e muito a produção” da Somincor. “Temos conhecimento que vai faltando matéria-prima à superfície para ser tratada nas lavarias”, disse, referindo que “as lavarias estão a funcionar mas com pouco minério”. Ao terceiro dia de greve, o STIM

O vice-presidente da Lundin Mining, João Carrelo, diz que os responsáveis da empresa estão “decepcionados com a posição de uma parte dos colaboradores, porque no mês passado tiveram aumentos acima da infl ação e bem acima da média nacional”. A Lundin Mining refere ainda que a Somincor “vai continuar a produção de concentrados, utilizando a extração e os stocks existentes à superfície” e que “a quantidade da produção que pode

Quem é a somincor?

saiba em segundos

De acordo com o sitío oficial na internet a Somincor – Sociedade Mineira de Neves Corvo, S.A. é proprietária da mina de cobre Neves Corvo, situada no Sul de Portugal. A maior mina de cobre da Comunidade Europeia começou a operar em 1988 e produz, anualmente, cerca de 340 mil toneladas de concentrado de cobre e 2 mil toneladas de concentrado de estanho, empregando mais de 800 pessoas. A necessidade de uma informação mais alargada e mais fiável num curto espaço de tempo, bem como o contínuo decréscimo dos preços no mercado de metais determinaram o início de um processo de transformação global, no sentido de tornar a empresa mais eficiente em termos de custos e de funcionamento.

ser perdida está a ser avaliada e dependerá de uma série de fatores, incluindo a duração da greve”. A Somincor tem cerca de 900 trabalhadores e produz mais de dois milhões de toneladas de cobre em bruto, por ano.

nÚmEro

900 <trabalhadores que produzem mais de dois milhões de toneladas de cobre em bruto, por ano>


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opinião

letras

VoZ

CApoulAs sAntos Eurodeputado

O atentado contra o estado de direito Está o Estado de Direito a ser alvo de um atentado em Portugal? Não tenho qualquer dúvida que sim. Se não, o que chamar às sucessivas tentativas para derrubar um governo legítimo, sufragado pelos eleitores há pouco mais de três meses, por meios que a constituição não prevê? O que chamar à violação sistemática do segredo de justiça, visando, através de fugas cirúrgicas e parcelares, atingir o Primeiro-ministro? Como classificar o comportamento de uma grande parte da comunicação social privada que, a maior parte das vezes sem qualquer hipótese de contraditório, insiste e repete a tese do envolvimento do PM e do Governo num tenebroso plano para a controlar? Mesmo quando o Procurador-geral da Republica afirma categoricamente num dos despachos de arquivamento que foi chamado a produzir que “nas escutas não existe uma só menção de que o primeiro-ministro tenha proposto, sugerido ou apoiado um qualquer plano de interferência na comunicação social”? Ou quando o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça se vê obrigado a dar entrevistas para sacudir a onda de suspeição que sobre ele pretendem lançar esses mesmos órgãos por, também ele, ter recusado sustentar tal fantasiosa e ridícula tese? Vi e ouvi recentemente na TVI o ideólogo e mentor da estratégia da “asfixia democrática”que levou Manuela F. Leite ao cadafalso, Pacheco Pereira, referir que tal tese assentava nos seguintes “ factos concretos”: 1-No afastamento de Manuela M. Guedes do mais abjecto serviço noticioso de que há memória desde o PREC, e do seu marido, da TVI; 2- Na recusa do director do JN de publicar de uma pseudo-crónica de Mário Crespo, cujo tema era o orgulho ferido do próprio autor, por achar que a prosa violava as mais elementares regras éticas do jornalismo; 3- Porque o director do Publico tinha sido demitido após ter sido cúmplice com a calúnia lançada contra o PM nesse jornal, montada por um assessor do PR, visando fazer crer que existiria uma alegada espionagem do Governo sobre o Palácio de Belém, em

vésperas das ultimas eleições legislativas, confirmando a tese da “asfixia”. Eis os factos que comprovam sem margem para dúvida o “atentado contra o Estado de Direito” de que o PM é suspeito e que, por tal motivo, segundo diversos dirigentes partidários, especialmente do PSD, lhe retira as condições para continuar a chefiar o governo, chegando os mesmos a apelar até ao PS para continuar no governo mas para mudar de PM, escolhendo outro mais a seu gosto. Ora, a TVI é propriedade privada e, pelo que se viu após meses de massacre do PM e do governo, não é crível que possa ser suspeita de simpatias pelo PS ao ponto de se livrar da “popular” apresentadora só para lhe agradar. O JN, que se saiba, é jornal também privado e tem pergaminhos de independência suficientes para não se atemorizar com o governo por causa de um texto de um jornalista insignificante como Mário Crespo. O dono do Publico é Belmiro de Azevedo cuja simpatia pelo governo e pelo seu líder é de todos conhecida. O problema será então do PM ou dos jornalistas em causa e dos seus mentores? Será que todos os que ficaram na TVI são menos independentes do que a D. Manuela e que o canal se tornou a partir da sua saída submisso ao governo? Será o director do JN menos probo do que o acintoso Crespo? E o dono do Publico correu com José Manuel Fernandes, apesar do próprio ter dito que saiu pelo seu pé, com medo de Sócrates? Acredito na maioria dos jornalistas portugueses e na liberdade de expressão e de imprensa que Portugal conquistou com o 25 de Abril de 74 e reconquistou em 25 de Novembro de 1975. O “problema” que existe na democracia portuguesa não está na imprensa. Está naqueles que não se conformam com anos de afastamento do poder e que não vislumbram lá voltar tão depressa por métodos democráticos, sobretudo se os socialistas continuarem a dar provas de coragem e determinação para reformar o país e se forem capazes de superar a crise económica e social induzida pela crise internacional. É por isso e só por isso que o Estado de Direito está sob fogo em Portugal. Da forma como, no curto prazo, for debelado o “atentado”, dependerá o futuro da democracia portuguesa. Disso não restem dúvidas.

O “problema” que existe na democracia portuguesa não está na imprensa

esCritora de trás-os-montes distinGuida pela universidade de Évora, aos 83 anos

Luísa Dacosta distinguida com o prémio Vergílio Ferreira Dia 1 de Março, a escritora Luísa Dacosta vai ser distinguida com o prémio Vergílio Ferreira Luísa Dacosta é o nome escolhido para atribuição do prémio Vergílio Ferreira 2010. Com uma carreira literária que ultrapassa os 50 anos, a escritora, mais conhecida pelos livros infantis, tem uma vasta obra dedicada à crónica, ao diário e à autobiografia. A cerimónia de entrega do galardão acontece no próximo dia 1 de Março, data da morte de Vergílio Ferreira, pelas 18h30. A importância do conjunto da obra da autora na literatura portuguesa da segunda metade do século XX e a “excelência e diversidade da obra narrativa”, que abrange crónica, conto, diário e autobiografia foram alguns dos critérios que levaram o júri a atribuir este prémio à escritora de 83 anos, natural de Vila Real de Trás os Montes. Com uma obra relevante e nunca antes premiada na área do diário e da autobiografia e onde se verifica uma aproximação a Vergílio Ferreira, uma vez que são domínios muito caros ao escritor, a escolha do júri em Luísa Dacosta foi unânime e pretende destacar aspectos nunca antes premiados na obra da escritora. O prémio foi criado em 1997 com o objectivo de homenagear o escritor que lhe dá o nome, Vergílio Ferreira, e premiar o conjunto da obra de escritores portugueses relevantes no âmbito da narrativa e do ensaio. Depois de, no ano passado, o prémio Vergílio Ferreira ter sido entregue numa parceria com a Câmara Municipal de Gouveia a Mário de Carvalho, este ano retorna à casa onde nasceu, a Universidade de Évora. Este ano o júri é composto pelo Prof. José Alberto Machado, que preside, pela Prof. Ana Alexandra Silva, em representação do presidente do Departamento de Linguística e Literaturas, pelo crítico literário Libério Cruz e pelas professoras Paula Mourão, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e Fernanda Irene Fonseca, da Universidade do Porto.

Fotografia de Arquivo

itorA A EsCr rAs AV Em pAl

Dados biográficos Maria Luisa Saraiva Pinto dos Santos nasceu em 1927 em Vila Real. Formou-se em Lisboa, na Faculdade de Letras, em HistóricoFilosóficas. Foi professora do Ciclo Preparatório e em 1997 reformou-se por limite de idade. Desenvolveu, sob o pseudónimo de Luísa Dacosta, a sua actividade literária. Exerceu a critica na página literária de O Comércio do Porto e colaborou noutras páginas literárias, nomeadamente nas de O Jornal de Noticias, Diário Popular e em A Capital. Foi colaboradora das revistas Seara Nova, Vértice, Vida Mundial, Raiz e Utopia, Gazeta Musical e de Todas as Artes e de Colóquio de Letras, onde continua a colaborar.

Outros Homenageados Atribuído pela primeira vez a Maria Velho da Costa, em 1998 foi Maria Judite de Carvalho que, a título póstumo, recebeu esta homenagem da Universidade de Évora, seguida de: • Mia Couto em 1999 • Almeida Faria em 2000 • Eduardo Lourenço em 2001 • Óscar Lopes em 2002 • Vítor Aguiar e Silva em 2003 • Agustina Bessa-Luís em 2004 • Manuel Gusmão em 2005 • Fernando Guimarães em 2006 • Vasco Graça Moura em 2007 • Mário Cláudio em 2008


sociedade

Em destaque na região luís pardal Fotografia

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alentejo pode estar a perder o seu CaráCter museolÓGiCo

Vila Viçosa pode vir a perder núcleo do Museu dos Coches

Câmara de Vila Viçosa pretende opor-se à possibilidade da transferência de algumas carruagens para o Museu Nacional dos Coches, em Lisboa Maria Monge, directora do Museu da Fundação da Casa de Bragança, cuja instituição faz a gestão das visitas no núcleo instalado no Paço Ducal, em Vila Viçosa, refere que “não há nenhuma comunicação oficial” quanto à transferência de algumas carruagens para o Museu em Lisboa. Apesar de não haver uma “informação oficial”, Maria Monge avançou que “alguns dos coches que estão no núcleo de Vila Viçosa correm o risco de ser transferidos para o novo Museu dos Coches, em Lisboa”. A Centralização da cultura “A centralização funciona” disse a responsável, considerando que, no caso de se concretizar, esta situação se traduz “num prejuízo para a visibilidade das viaturas”. Na opinião de Maria Monge “é um património que estava a ser usufruído pelas populações do interior e que vai para o Museu dos Coches em Lisboa”, salientou.

Carruagem do Rei D. Carlos não voltou Maria Monge realçou que a carruagem que transportava o Rei D. Carlos quando foi assassinado há 102 anos constituía, até há pouco tempo, o principal atractivo da exposição permanente de carruagens de Vila Viçosa, no Paço Ducal. Aquela carruagem, segundo a responsável, foi transferida para Lisboa há dois anos, quando se assinalou o centenário do regicídio e não regressou a Vila Viçosa. A directora do Museu da Fundação da Casa de Bragança referiu ainda que “há pouco tempo” a Fundação renovou um protocolo com a direção do Instituto dos Museus e da Conservação (IMC), organismo tutelado pelo Ministério da Cultura, para a continuidade, por um prazo de vinte anos, de cerca de 70 viaturas no núcleo de Vila Viçosa. Actualmente, adiantou a responsável, existem 76 viaturas no núcleo de Vila Viçosa, mas cerca de uma dezena ou são propriedade

da Fundação da Casa de Bragança ou pertencem a particulares, e estão depositadas na Fundação.

visitado de Portugal -, e as restantes 76 no núcleo de Vila Viçosa, instalado desde 1984 nas antigas cocheiras e cavalariças do palácio.

O novo Museu dos Coches A primeira pedra do novo Museu dos Coches, em Lisboa, foi colocada a 01 de fevereiro, na presença do primeiro ministro, José Sócrates, e da ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, tendo sido também apresentado o respectivo programa museológico. A cerimónia decorreu nas antigas instalações das Oficinas Gerais de Material de Engenharia do Exército, na Avenida da Índia, em Belém, onde se erguerá o novo edifício da autoria do arquitecto brasileiro Paulo Mendes da Rocha. O museu, que ocupará uma área de 15 177 metros quadrados dos terrenos das antigas oficinas, custará 31,5 milhões de euros provenientes das contrapartidas do Casino de Lisboa. A coleção é composta por 130 viaturas, 54 das quais se encontram no actual Museu dos Coches - o mais

Câmara de Vila Viçosa promete fazer frente a esta possivel mudança Luís Caldeirinha Roma, presidente da Câmara de Vila Viçosa, em declarações ao REGISTO diz ainnÚmEro

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<mil visitantes. A estimativa que o municipio aponta como o número de visitas ao museu de Vila Viçosa>

da não lhe ter sido comunicada qualquer alteração relativamente a esta “centralização da cultura”. “Ainda não me foi adiantada qualquer informação. Penso que é uma perda enorme para o Alentejo, a centralização da cultura. Ao verificar-se esta situação, uma coisa posso garantir: se houver de facto intenção de levar alguns coches para Lisboa, o Ministério da Cultura vai ter aqui um forte oponente”, refere o autarca. “É impensável levar-se património como o que temos aqui, para Lisboa. Actualmente, o museu recebe cerca de 20 a 25 mil visitantes anuais. Devemos ter isso em conta”, argumenta o autarca do município, considerando ser um marco identificativo da cidade, a sua cultura museológica. Até ao fecho desta edição, REGISTO não conseguiu obter quaisquer declarações junto da directora do Museu Nacional dos Coches, Silvana Bessone.


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Entrevista

A região em palavras

VistA EntrE iVA ExClusamos

luís pardal Fotografia

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A “EMBRAER” representa um salto tecnológico para a região e para o País A Governadora Civil para o distrito de Évora falou ao ReGISTO, A eMBRAeR, o desemprego e as novas apostas ao nível de apoio social, foram os principais temas. Fique para ler.

F

ernanda Ramos, Governadora Civil para o Distrito de Évora, diz não “ficar indiferente” à vaga de desemprego que a região atravessa. A EMBRAER poderá resultar num forte aliado na luta face a este problema. As novas apostas do Governo Civil e do actual governo para a região. O desemprego na região. Onde poderá Évora ir buscar valores para combater este problema? É necessário destacar a importância estratégica no combate ao desemprego da localização em Évora da fábrica de aviões da EMBRAER, pelo crescimento económico e emprego qualificado que irá potenciar, directa e indirectamente – e que começa já a perceber-se ao nível da formação. Mas também o sector do turismo e a construção de novos PUB

empreendimentos turísticos, designadamente em torno do Grande Lago Alqueva, se constituem enquanto factor privilegiado para a criação de emprego. O programa do Governo assenta numa base de confiança entre Estado, empresários e trabalhadores. Com as medidas políticas promovidas e com regras claras e objectivas que as balizem, julgo que será possível relançar o investimento, modernizar as estruturas produtivas e criar condições para lançar iniciativas empresariais inovadoras. Até o acesso às linhas de crédito está hoje mais simplificado, sendo que todas as empresas podem aceder às mesmas. Despedimento colectivo da Tyco. Évora está a perder na luta face ao desemprego?

A qualificação de recursos humanos para a EMBRAER e outras empresas do sector, já arrancou

Esse cenário já está um pouco ultrapassado e de resto ainda muito recentemente, a Tyco colocou anúncios na imprensa regional justamente para recrutar trabalhadores. Em qualquer dos casos, não podemos ignorar que o nosso Distrito tem debilidades e constrangimentos estruturais, será preciso reconhecê-los para podermos enfrentá-los e encontrar soluções para eles. Como lhe disse, o Governo está empenhado na construção dessas soluções, sendo que as medidas de curto prazo estabelecidas permitem actuar de forma rápida e eficaz junto dos trabalhadores e

das empresas. Como exemplos, relembrar-lhe-ei apenas o prolongamento do subsídio social de desemprego, a redução do prazo de garantia para o acesso ao mesmo ou a agilização do processo para acesso ao subsídio social, mas todas as medidas contidas na Iniciativa Emprego 2010 poderiam ser aqui citadas. Se retirarmos o enfoque do desemprego e o colocarmos na criação e manutenção de postos de trabalho, são incontornáveis as medidas que visam apoiar a contratação de trabalhadores com mais de 45 anos – reduzindo as contribuições das empresas contratantes para a

Segurança Social – ou a contratação sem termo de desempregados inscritos nos Centros de Emprego há mais de seis meses – com um apoio directo de 2.500,00€ O parque industrial de Vendas Novas tem tido problemas a nível de despedimentos.... O Governo Civil tem procurado acompanhar de perto a situação que ocorre nas empresas do sector automóvel, bem como o pulsar do próprio tecido empresarial do Distrito, razão pela qual criou uma “task-force” de monitorização que reúne sempre que tal se revela necessário. No que em concreto se refere a Vendas Novas, acreditamos que a boa situação geoestratégica deste parque industrial contribuirá de forma definitiva para inverter a


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Entrevista

A região em palavras

O investimento privado é fundamental para a dinamização económica e social, precisamos de um maior número de candidaturas por parte dos empresários aos programas comunitários

tríade que permita na realidade a sustentabilidade dos nossos recursos a médio e a longo prazo. Por outro lado, porque também o investimento privado é fundamental para a dinamização económica e social, lanço daqui um repto para um maior número de candidaturas por parte dos empresários aos programas comunitários, bem como aos incentivos de apoio à agricultura, ao comércio e à indústria. A crise não pode servir de pretexto à inacção, pelo contrário. A nossa responsabilidade social está assente no dever de enfrentar com ainda maior lucidez e determinação os tempos difíceis que são os nossos.

Fernanda Ramos, Governadora Civil de Évora, fala sobre os temas mais preocupantes do momento

situação actual. Não me conformo com as consequências sociais deste cenário de despedimentos, quero acreditar que apelando à responsabilidade social das empresas sediadas em Vendas Novas se encontrarão soluções a contento das partes envolvidas. Procurarei também diligenciar no sentido de minimizar os efeitos sociais que este processo possa acarretar para a população e ajudar na procura de alternativas que mantenham ou recriem postos de trabalho, através de contactos com as administrações das empresas, com as tutelas

e com os serviços desconcentrados da Administração Pública. Como atrair mais investimentos para o Distrito? Já lhe falei na fábrica de aviões da EMBRAER, da linha de Alta Velocidade e dos empreendimentos turísticos de Alqueva. Acrescentaria a concessão da auto-estrada do Baixo Alentejo, que vai permitir ligar Sines a Beja, estando no fundo todos estes investimentos públicos direccionados para uma frente comum: a criação de riqueza, de emprego, de mais e melhores acessibilidades; uma

O Governo Civil tem procurado acompanhar de perto a situação que ocorre nas empresas do sector automóvel, bem como o pulsar do próprio tecido empresarial do Distrito

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Em que ponto se encontra o Cluster aeronáutico de Évora? O investimento aqui do terceiro maior fabricante mundial de aeronaves é um marco na indústria aeronáutica nacional, representando um salto tecnológico para o Distrito e para o País. Acredito que o projecto da EMBRAER em Évora servirá de «âncora» a um dos sectores considerados estratégicos para a economia nacional, reconhecido pelo seu elevado potencial ao nível do desenvolvimento de novas tecnologias e pelo seu efeito disseminador de conhecimento e práticas de excelência empresarial. O investimento, que ascende a um montante total de 117 milhões de euros, envolve a criação de 1.500 postos de trabalho directos e indirectos e permitirá o alcance em 2017 de um volume de vendas e prestação de serviços de cerca de 255 milhões de euros. Em 22 de Janeiro passado, foi já publicado em Diário da República o anúncio do concurso público para ampliação do Centro de Formação Profissional de Évora em 2.340m2, espaço que acolherá justamente a formação da área aeronáutica. A primeira acção de formação deste “pacote”, que visa a qualificação de recursos humanos para a EMBRAER e outras empresas do sector, já arrancou – estando para já por razões operacionais e logísticas a decorrer no Centro de Formação de Setúbal, ainda que com formandos da área geográfica da Delegação Regional de Évora do Instituto do Emprego e Formação profissional. Regionalização. Poderá estar mais perto do que se pensa? Depende do que se pensa. A regionalização está constitucionalmente

Talvez já esteja na altura de avançarmos com o processo de regionalização. Temos a “vizinha Espanha” aqui ao lado, de onde podemos tirar boas conclusões.

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1.500 <postos de trabalho directos e indirectos e permitirá o alcance em 2017 de um volume de vendas e prestação de serviços de cerca de 255 milhões de euros. Cluster Aeronáutico.>

dependente de um referendo – e este é de resto um assunto em relação ao qual será desejável que se estabeleça o máximo consenso possível na sociedade civil. O que lhe posso dizer, é que a regionalização administrativa, aquela que no terreno nos permite trabalhar e conceber estratégias numa lógica de NUT II, foi já em grande parte efectivada pelo XVII Governo Constitucional, abrindo caminho para uma racionalização de recursos que mais do que necessária era indispensável. Quanto a mim, pessoalmente, há mais de 30 anos que defendo a regionalização, naturalmente com um modelo bem pensado e implementado de responsabilização e descentralização efectiva de competências. Talvez já esteja na altura de avançarmos com o processo. Temos a “vizinha Espanha” aqui ao lado, de onde podemos tirar boas conclusões. Que balanço pode fazer do distrito neste início de 2010? Em matéria de desenvolvimento económico, que será talvez o assunto mais na ordem do dia, há que reconhecer a grande aposta do Governo no desenvolvimento do Alentejo, nomeadamente através do reforço de investimento público em toda a região. A adjudicação da concessão do troço Poceirão/Caia da linha de Alta Velocidade, a obra realizada pela EDIA no quadro do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva – que no Distrito de Évora viu concluídas, e nos tempos previstos, todas as empreitadas projectadas – ou ainda a implementação das Redes de Nova Geração para o interior do País, esta última assinalada há bem pouco tempo pelo próprio Primeiro-Ministro em Vila Viçosa, são exemplos concretos disso mesmo. Está de igual modo em curso o programa de modernização do Parque Escolar, fundamental não só para o presente como para o futuro. Só no nosso Distrito, o Programa Nacional de Recuperação, Requalificação, Reequipamento e Reorganização de Escolas do Ensino Básico e Secundário já representou um investimento de cerca de 18 milhões de euros. Por outro lado, neste início de ano é necessário não esquecer também as medidas de política social de apoio aos desempregados e famílias carenciadas, bem como a sua adequação à excepcionalidade que este problema assume em todo o Distrito de Évora, resultado de um envelhecimento populacional superior à média nacional.


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Opinião

Curtas

VOZ

Sónia Ramos Ferro

Jurista e Deputada Municipal

Do infortúnio do Rio Almansor O património ambiental é uma riqueza inestimável e incalculável. Talvez por isso as pessoas ainda não se tenham apercebido da importância do meio ambiente e da biodiversidade. Na cidade onde resido -Montemor-o-Novo- um Rio de história corre no sopé do monte que suporta o que resta de umas muralhas que outrora foram um Castelo. O Rio Almansor nasce no concelho de Évora, entre Arraiolos e a Graça do Divor, segue o seu curso passando por Montemor-oNovo e Vendas Novas, desaguando no Sorraia, afluente do Tejo. Em Montemor-o-Novo, o nome do Rio tem origem no nome de um dos últimos príncipes árabes, Al Mansur. O Rio Almansor contorna a cidade a sul, na zona limítrofe do Maciço do Monfurado, constituindo um elemento estruturante da paisagem rural e urbana, embora se situe fora do perímetro urbano, razão pela qual a autarquia declina as suas responsabilidades em matéria de requalificação do Rio. O programa eleitoral do PSD, para as autárquicas no Concelho de Montemor-o-Novo, previa a requalificação do Rio Almansor, com espaços de lazer, merendas e percursos pedestres à beira rio. Mas acima de tudo, a despoluição do Rio. Infelizmente não ganhámos as eleições, razão pela qual o Rio Almansor é hoje um albergue de descargas ilegais dos proprietários confinantes com as margens do Rio, com a complacência e passividade da autarquia comunista. Este mês de Fevereiro as descargas ilegais para o Rio já foram várias e hoje (dia 18 de Fevereiro de 2010) ocorreu outra. A SEPNA foi chamada a intervir, a Câmara Municipal foi informada, os órgãos de comunicação social locais também. Toda a gente se indigna mas ninguém faz nada. Desde 2004 que a Câmara Municipal de Montemor-o-Novo tem projectos que ninguém conhece, co-publicou (melhor dizendo, co-financiou) até um livro sobre conversas à volta do Rio, convidou personalidades públicas para falar sobre o tema e depois nada fez, até hoje. Na Assembleia Municipal de De-

zembro de 2009, para aprovação do Orçamento para 2010 e a propósito da discussão do mesmo, eu própria questionei o executivo camarário sobre a inexistência de um único cêntimo destinado à requalificação do Rio Almansor. A resposta do Senhor Presidente da Câmara foi que o Rio não tem sido uma prioridade da maioria comunista. Não me espanta. A prioridade comunista que lidera a acção da autarquia em Montemor-o-Novo é a democracia participativa. A primeira grande opção do plano é a democracia participativa, que se traduz em inúmeras acções de auscultação das populações, reuniões nas freguesias rurais, atendimento personalizado, enfim, formas de fidelização do eleitorado. Uma autarquia cuja primeira opção é a manutenção dos votos não pode estar preocupada com os verdadeiros problemas do seu concelho. Muito menos com um Rio, para o qual a mesma autarquia faz desaguar as águas residuais de uma Estação de Tratamento de Águas que não trata, de forma completa e eficaz, a água que rejeita. Muito menos com um Rio para o qual correm esgotos a céu aberto, sem qualquer tratamento prévio, dos lados da ponte para Alcácer do Sal. Está à vista de toda a gente. E assim sendo, qualquer um se sentirá legitimado em poluir o Rio, porque bem sabe que ninguém o incomodará. A autarquia preocupa-se com o Sitio do Monfurado, e bem, mas ignora pura e simplesmente um recurso importantíssimo do concelho, que poderia ser um ex libris da cidade, aproximando os cidadãos da sua terra e da natureza. Há cerca de 3 anos, a então Vereadora e actual Vice-Presidente da Câmara Municipal, dizia num Jornal local que “os Montemorenses estão de costas viradas

para o Rio.” Eu atrevo-me a corrigir a afirmação e dizer que não são os Montemorenses que estão de costas viradas para o Rio; é a autarquia que está de costas viradas para o Rio. Fiz várias diligências junto da Administração Regional Hidrográfica do Alentejo, no sentido de saber como se pode requalificar o Rio e proceder à sua despoluição. Consultei a legislação aplicável. A solução não se afigura fácil: a competência para a limpeza e desobstrução do Rio é dos proprietários confinantes com o Rio. O que é um contra-senso porque são estes, na maioria das vezes, que o poluem. A ARH poderia subrogar-se a essa função, mas seria necessária que estivesse em causa um nível de poluição que não garantisse a saúde pública ou a sobrevivência da fauna, flora e da vida aquática. Não consigo prová-lo. Como se trata de um rio não navegável e não flutuável e a ARH não tem meios suficientes para acudir a todas as situações, apesar de toda a boa vontade, parece-me difícil que a situação se altere. Por seu turno, o Município também não é competente porque o Rio está fora do perímetro urbano, e a conservação e reabilitação da rede hidrográfica só é da sua responsabilidade se o Rio corresse dentro do perímetro urbano. Fácil argumento para se escusar à acção. Mas a lei da água permite que as ARH celebrem protocolos com as autarquias, nomeadamente, para garantir a execução de medidas destinadas à prevenção e controlo da poluição, incluindo a proibição da descarga de poluentes na água, poluição proveniente de certas actividades, entre muitas outras. Nestes termos, querendo, a autarquia poderá liderar um projecto de requalificação do Rio. Basta chegar a um acordo com a AHR do Alentejo. Haja vontade política! E é isso que tem faltado!

Saiba em segundos

Reguengos de Monsaraz

Alunos de turismo promovem feira em Reguengos de Monsaraz Alunos do curso profissional de técnico de turismo da Escola Secundária Conde de Monsaraz, em Reguengos de Monsaraz, organizam na passada quinta e sexta feira, uma feira regional de turismo. Designada por Expotur, a iniciativa, que vai decorrer no estabelecimento de ensino, inclui apresentações sobre o enoturismo, qualidade no atendimento e acolhimento turístico, criação de um operador turístico e mostra de gastronomia. A Expotur destina-se à comunidade escolar do concelho, proprietários de empreendimentos turísticos, câmara municipal e juntas de freguesia de Reguengos de Monsaraz.

Reguengos de Monsaraz

Exposição “Quem Fez a República” na Biblioteca de Évora A exposição “Quem Fez a República - figuras públicas e anónimas que ousaram implantar a República em Portugal” foi inaugurada quinta-feira na Biblioteca Pública de Évora (BPE. A BPE associa-se, assim, às comemorações do centenário da República em Portugal. Com a exposição, que reúne documentos e iconografia da época, a BPE pretende dar um “panorama sucinto dos principais acontecimentos que levaram à Implantação da República” em 5 de outubro de 1910, através de quinze quadros, apresentando igualmente notas biográficas dos intervenientes. A conferência de abertura da exposição, com o título “O 5 de outubro de 1910”, proferida por Alfredo Caldeira.

A autarquia está de costas viradas para o Rio Fotografia de Arquivo

Beja

Trabalhos de 45 “talentos gráficos” vão ser expostos em Beja Trabalhos de 45 “talentos gráficos” de nove países e que operam no movimento independente da banda desenhada vão poder ser apreciados desde o passado dia 20 de Fevereiro, na Bedeteca de Beja. A exposição “åbroïderij! HA! - International Graphic Arts Exhibition Tour”, que junta autores de Portugal, Alemanha, Brasil, Croácia, França, Grécia, Itália, Reino Unido e Suécia, vai estar patente ao público até 20 de março


9 Politica Montemor-o-Novo recebeu comemorações dos 35 anos da Reforma Agraria

Jerónimo de Sousa assinala 35 anos do início da Reforma Agrária

Jerónimo de Sousa assinala os 35 anos do início da Reforma Agrária, em Montemor-o-Novo. O líder comunista destacou no seu discurso o que considerou ter sido “a ofensiva criminosa que levou à liquidação” da Reforma Agrária Nuno Veiga Fotografia

Jerónimo de Sousa falou durante uma cerimónia que serviu para assinalar os 35 anos do início da Reforma Agrária, iniciativa que decorreu no auditório da Junta de Freguesia da Vila, em Montemoro-Novo, na passada quinta-feira. “Um país como o nosso, com défices estruturais incomportáveis, precisa de uma nova Reforma Agrária, como parte integrante do desenvolvimento rural”, afirmou Jerónimo de Sousa. Num discurso centrado na evocação da Reforma Agrária, Jerónimo de Sousa lembrou que “milhares de homens e mulheres passaram a trabalhar mais de um milhão de hectares de terra” e considerou que tal foi o concretizar “de um inovador programa de transformação económica e de justiça social”. “O êxito da Reforma Agrária manifestou-se, essencialmente, no aumento da área cultivada, da produção e na realização de trabalhos numa perspectiva de desenvolvimento”, sustentou o líder do PCP, num auditório repleto de apoiantes e simpatizantes comunistas, muitos deles “protagonistas da ocupação de terras”. Para Jerónimo de Sousa, as Unidades Colectivas de Produção (UCP’s) “tomaram medidas que conduziram a uma notável melhoria das condições de vida dos trabalhadores”. “Estabeleceram salários fixos, diminuíram a diferença entre os salários dos homens e das mulheres, criaram creches, jardins-deinfância, centro de dia e postos médicos”, lembrou. Por isso, o líder comunista afirmou que “este foi um dos raros períodos da história do último meio século no Alentejo, em que a região não conheceu o flagelo do desemprego, não perdeu população e viu muitos dos seus filhos regressar à terra”. “Tratou-se ainda de uma acção

que, num tempo em que a reacção tudo fazia para o regresso ao passado fascista, deu um contributo determinante para a defesa e consolidação da democracia conquistada em Abril”, acrescentou. A “ofensiva criminosa” Jerónimo de Sousa destacou ainda o que considerou ter sido “a ofensiva criminosa que levou à liquidação” da Reforma Agrária, recordando que, na altura, existem 550 UCP’s, ocupando mais de um milhão de hectares de terra e assegurando 71 mil postos de trabalho. “A famigerada Lei Barreto, como ficou conhecida a Lei 77/77, era uma lei claramente inconstitucional”, afirmou, lamentando a “destruição” da Reforma Agrária, o que levou “novamente ao Alentejo as terras abandonadas, a desertificação, o desemprego, a miséria e a fome”. “Hoje, graças à Política Agrícola Comum (PAC) e às imposições da União Europeia (UE), algumas centenas de grandes agrários recebem milhões de euros sem que lhes seja exigida a produção de um grama sequer de alimentos”, disse Jerónimo de Sousa, perante uma plateia de apoiantes. NÚmero

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<anos do início da Reforma Agrária, iniciativa que decorreu no auditório da Junta de Freguesia da Vila, em Montemor-o-Novo>

PCP exige conclusão do IP2 Outras das preocupações de João Oliveira, PCP, são as obras de modernização da linha ferroviária entre Évora e Lisboa O deputado do PCP João Oliveira exigiu na passada semana, ao Governo, a conclusão do Itinerário Principal 2 (IP2), no troço entre Évora e Estremoz, e a construção de variantes rodoviárias em quatro cidades do Alentejo. O parlamentar comunista defendeu a inclusão no Orçamento do Estado (OE) para este ano dos investimentos necessários para a conclusão do IP2 e construção

das variantes às cidades de Montemor-o-Novo, Vendas Novas, Évora e Estremoz, disse em declarações à Lusa. “Estas cidades não dispõem hoje de variantes rodoviárias que permitam desafogar o tráfego que circula nas localidades”, disse João Oliveira, mostrando-se preocupado, sobretudo, em relação a Montemor-o-Novo e Vendas Novas.

Nestas cidades, acrescentou, “a situação ainda é mais preocupante, tendo em conta que o próprio Governo definiu a Estrada Nacional 4 (EN4) como o eixo não portajado de acesso ao novo aeroporto”. “Com esta perspetiva está previsto um aumento do tráfego”, alertou. As obras de modernização na linha ferroviária entre Évora e Lisboa, que vão obrigar à interrupção

da circulação de comboios Intercidades a partir de Maio deste ano e durante um ano, são outras das preocupações de João Oliveira. “Três anos depois da sessão de propaganda que inaugurou a linha, afinal parece que, por mais um ano, os alentejanos vão estar sem comboio”, lamentou o deputado comunista. Para João Oliveira, “o Ministério das Obras Públicas, Transpor-

tes e Comunicações tem de tomar medidas, sobretudo, quando a própria CP entende que o prazo de 12 meses para a realização das obras, proposto pela REFER, é exagerado”. Por isso, afirmou, “é necessário que o Governo tome medidas urgentes no sentido de clarificar a situação e garantir que as obras são as necessárias na linha e que não há novas interrupções”.


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CurtAs

sociedade

saiba em segundos

mEnto ApArtA As Em ElV sas

nuno Veiga Fotografia

portalegre

Acção de reflorestação em Castelo de Vide com apoio de espanhóis

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Cerca de 80 voluntários vindos de espanha estiveram confirmados A Câmara de Castelo de Vide anunciou a promoção, no passado domingo de uma acção de refl orestação na Serra de São Paulo com o apoio de vários voluntários, entre os quais vários cidadãos de nacionalidade espanhola. A acção, que contou também com o apoio de diversas entidades, contempla a plantação de 2700 novas árvores (castanheiros, sobreiros, cerejeiras e medronheiros), numa área de cerca de três hectares, fustigada pelos incêndios de 2003. Até à data estiveram confirmados cerca de 80 voluntários da vizinha Espanha e de mais de 20 alunos de um estabelecimento de ensino de Portalegre, sendo que a organização conta também com a participação da população.

elvas mantida em Cativeiro num apartamento

Jovem mantida em cativeiro em Elvas foi entregue às autoridades espanholas em situação ilegal, a jovem terá sido expulsa de espanha por falta de documentação A jovem boliviana de 20 anos mantida em cativeiro num apartamento em Elvas foi entregue às autoridades espanholas pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). A jovem encontrava-se ilegal em Portugal, depois de já ter sido expulsa de Espanha por falta de documentação. Segundo o SEF, a jovem foi ouvida no Tribunal de Elvas, “que determinou o seu afastamento de território nacional”. Na sequência do processo de expulsão que vinha decorrendo em Espanha, “a jovem foi entregue às autoridades espanholas, nos termos do acordo de readmissão em vigor entre os dois países”, esclareceu o SEF.

O caso A jovem encontrava-se em regime de cativeiro por um casal também de nacionalidade estrangeira e já não era vista pelos vizinhos, que dizem nunca terem suspeitado de nada de estranho, há cerca de um mês. “Era normal vê-la na varanda do casal a estender roupa ou a fazer outras tarefas domésticas, mas há cerca de um mês que não a víamos por aqui, na rua”, disse hoje um dos vizinhos à agência Lusa, preferindo manter o anonimato. A jovem boliviana foi mantida em cativeiro num apartamento de um bairro periférico da cidade raiana de Elvas, por um casal espanhol, já detido e presente a tri-

bunal, segundo explicou à Lusa fonte da PSP local. De acordo com a mesma fonte, a jovem, que está grávida, estava sob a alçada de um casal de nacionalidade espanhola, desconhecendo-se o tempo em que esteve retida no apartamento. O casal O casal tem duas filhas menores e manteria como dependente a jovem boliviana num prédio ao lado da sua residência. Os vizinhos, que se escusaram a identificar, garantiram hoje à Lusa que nunca suspeitaram que nada de estranho se estivesse a passar, apesar de “a polícia já ter sido chamada ao bairro após uma discus-

Jogo de Espelhos A sexta exposição do Museu de Arte Contemporânea de Elvas é concretizada a partir de uma nova montagem da Colecção António Cachola (CAC) apenas com peças inéditas. O título escolhido para esta nova etapa expositiva refere não apenas uma das obras centrais da nova montagem, o novo conjunto escultórico e monumental de ferro, vidro e espelhos

que José Pedro Croft instala numa das alas superiores do Museu, como a modalidade de constituição da colecção particular que dá sentido ao projecto do MACE: uma colecção aberta a várias tendências contemporâneas, aos seus efeitos de reflexo e reenvio, de multiplicação e fragmentação. Patente ao público até 4 de Junho.

Beja

são entre o casal espanhol”. Os moradores do bairro foram apanhados de “surpresa” quando na terça feira o aparato policial levou à detenção do casal, que trabalha em Badajoz (Espanha), embora se desconheça a atividade a que se dedicam. A PSP de Elvas procedeu à detenção, segundo fonte policial, na sequência de uma investigação ao casal que estava a ser levada a cabo pelas autoridades espanholas. As autoridades detiveram o casal na terça feira e no dia seguinte os suspeitos foram ouvidos no Tribunal de Elvas, que decretou o Termo de Identidade e Residência (TIR) como medida de coação.

Fotografia de Arquivo

município de Beja alerta para subida de caudal do gaudiana A Câmara de Beja alertou a população do concelho que reside perto das margens do Guadiana para “salvaguardar animais e bens para zonas mais elevadas” porque está prevista a subida do caudal do rio nos próximos dias. Em comunicado enviado à Lusa, o serviço de Protecção Civil da Câmara informa que a eventual subida do nível das águas do Guadiana está prevista para “os próximos dois ou três” dias. A subida, explica a autarquia, “advém da precipitação dos últimos dias e, por consequência, da descarga da albufeira” da barragem do Pedrógão, que, atualmente, “ronda os mil metros cúbicos por segundo”. “Como precaução, os habitantes das zonas mais próximas das margens do Guadiana devem salvaguardar animais e bens para zonas mais elevadas de modo a precaver danos”, avisa a autarquia.


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Reportagem

Actividade Radical

Reis das ruas A idade não lhes traz menos mérito. Cada um com o seu skate e com manobras sempre preparadas para entusiasmar os mais distraídos, a geração actual está cada vez mais ligada aos anos em que se praticou bom skate, por todo o mundo. A OldSchool está aí, pelas mãos destes jovens eborenses. Saiba mais sobre esta prática desportiva que ainda parece ter má fama aos olhos da sociedade. Liliano Pucarinho e Luís Pardal

J

untam-se em crews (grupos), como gostam de lhes chamar. Estes Grupos de amigos, que não escondem os sorrisos e a agilidade de se movimentar em cima de um skate, são os ocupantes de muitos dos espaços da cidade de Évora, onde “se pode praticar um bocado, sem que nos chateiem,” diz Junior, de 15 anos. Não há que enganar. Vestidos com algumas peças de marcas urbanas e associados à modalidade, skate debaixo do braço ou debaixo dos pés e um estilo que, pela tenra idade, lhes faz transparecer um ar de confiança. Gabriel tem 16 anos e é dos frequentadores do parque radical da cidade, conhecido por SkatePark. Sempre que pode, diz Gabriel, vem para este sítio “praticar um bocado, enquanto não há por aqui muita gente”. A paixão pelo skate nasceu quase às portas de casa. “Comecei a ver o meu vizinho a skatar e deu-me vontade de experimentar. Pratico skate porque gosto da adrenalina e pelo prazer que este desporto me passa”. Este skater acredita que ainda existe uma má imagem associada aos praticantes destas modalidades mais radicais. “Ainda há muita gente que não nos vê com bons olhos. Talvez se o pessoal deixasse

de fumar e treinasse mais, ajudaria bastante”, adverte Gabriel, aos praticantes mais jovens. Pelas cinco ou seis horas da tarde, existe uma maior afluência a este SkatePark. “O pessoal começasse a juntar por volta dessa hora, mas é mau. Às vezes somos dez skaters a praticar e estamos sempre a encalhar uns nos outros. O espaço é muito pequeno e tem pouca variedade. O pessoal já não vem aqui com tanta frequência. Ferreira tem um parque muito bom, assim como a Expo e Torres Vedras, um espaço indoor(coberto). Costumo lá ir de vez em quando, também”, conta Gabriel(foto central). Nunca partiu nenhum osso, que lhe “fizesse falta”, diz apenas que a dor e algumas nódoas negras fazem parte deste desporto. Espaço TMN O espaço TMN, como vulgarmente é chamado pelos skaters, fica junto à rua Charters, em Évora. É por aqui que mais jovens se encontram para falar da modalidade e praticar, ainda que sem quaisquer estruturas. REGISTO falou com estes jovens, que de atropelo, nos explicaram o essencial da modalidade e dos principais entraves à prática comum de Skate, na cidade.

Junior, Buz, Fidel... e outros tantos Tudo alcunhas para melhor descrever cada personalidade. Na rua, encontramos um grupo de amigos dispostos a falar da sua modalidade de eleição: o Skate. Muitos deles praticam acerca há um ou dois anos, este desporto radical. Dizem que é difícil skatar em Évora por haver falta de um melhor espaço. “O SkatePark de Évora é muito pequeno para tanta gente. Depois com o pessoal do BMX e todos ao mesmo tempo, não conseguimos nada de jeito. É im-

possível fazermos uma organização do espaço para todos podermos praticar. Depois há outros problemas: quando criaram o skatepark esqueceram-se que os regadores molham as plataformas e não podemos utilizar o espaço. Deviam ter pensado nisso.


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Acessórios que juntam a modalidade ao estilo

Numa modalidade radical não pode faltar o estilo. E são vários os acessórios e peças de roupa que não podem faltar. As marcas, quase sempre associadas a esta prática, tornam cada vez mais caro o investimento neste desporto radical. Em destaque, alguns dos elementos essenciais: òculos de sol para os dias cinzentos; ténis, sapatilha ou botas para ajudar a ficar colado à tabua do skate; t-shirt, que em tempos já foi larga; um casaco não vá o frio acalmar a adrenalina; o skate para pôr em prática todas as manobras e saltos.

íamos todos os dias para lá e ninguém se chateava. Estamos dispostos a pagar 2 ou 3 euros para usufruir de um espaço bom”, conta Buz. Ficam descontentes por saber que a família aceita mal a sua dependência pelo skate que, à vista de todos, entende-se que a dedicação, a agilidade e a disciplina são trunfos e valores que cada um deste jovens mantem, como em qualquer outra modalidade. Quedas e fl ips

As arvores são o maior entrave. Estão sempre a deixar cair bocados de madeira, folhas e outras coisas que não nos permitem rolar com o nosso material. Não foi bem pensado!” - diz Junior com ar bastante esclarecido. Mas a escola não fica para trás. Garantem que não são maus alunos e que sempre que há um teste “ficamos em casa a estudar”, conta-

nos Buz, com o seu gorro até aos olhos. Ainda não têm uma crew, mas fazem questão de nos mostrar que são activos e que não brincam em serviço. “Já pedimos à Câmara uma vez que nos alargasse ali um espaço. E aumentaram-nos um metro...”, diz decepcionado, o jovem Junior. As famílias, dizem não os apoiar muito nesta modalidade. “Também há muita gente que não gosta de nós e já aqui veio a polícia. Dizemos alguns palavrões de vez em quando, mas isso é normal. Se nos fizessem um bom parque de skate

Nunca houve danos de maior. No máximo, conta-nos o Junior, que um colega já partiu um dedo. “Também não temos espaço nenhum para conseguirmos a proeza de partir alguma coisa... (risos)”, riem-se todos. “Não precisamos de 3 ou 4 parques como aquele que existe na cidade. Queremos um só que valha a pena. E se nos perguntarem primeiro nos ajudamos a criar uma coisa que realmente nos faça falta em vez de gastarem dinheiro naquilo”, diz confiante o jovem Fidel.

Comprar Material Estes jovens dizem que “não é fácil comprar material em Évora. Normalmente recorremos à internet e fazemos encomendas lá”, contamnos numa voz, estes SoulSkaters, nome pelo qual hoje se rejem. O valor de um skate completo já ronda os 150 e 200 euros. “Juntamos o nosso dinheiro dos anos e do natal só para comprar peças e material novo e deixamos de comprar outras coisas”, esclarece-nos Junior. E ficam as ruas um pouco mais ricas cada vez que estes jovens se integram num espaço urbano e o utilizam como entendem, “nunca estragando nada”, como nos contam. Porque o Skate não deve ser visto como uma modalidade menos séria que outra qualquer. Requer disciplina, muitas horas de treino e muita dedicação. Os jovens de hoje, estão dispostos a mudar a imagem e tornar o seu desporto de eleição numa modalidade distinta e urbana, como sempre foi. O apoio a estes jovens ainda pode estar longe de acontecer, mas eles sabem que com mais aceitação “seremos melhores desportistas e mais dedicados à escola, porque temos apoio naquilo que gostamos de fazer”. Nada mais.


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Economia

Opinião

Apostas com futuro

Fotografia Carlota Jorge

VOZ

Margarida pedrosa Professora

Quando o Céu perdeu os seus Deuses! Todos os deuses estão mortos, todas as lutas estão perdidas, todos os sonhos estão esquecidos. Aos meus leitores que com carinho sempre dirijo as minhas palavras, peço que não tenhas estas palavras como lema. Sei e sinto como vós que o que está a acontecer com o nosso país nos deixe revoltados. De braços caídos e rosto entristecido, muitos voltam os olhos para outros países, muitos sonham em atravessar o Atlântico com destinos diversos, um novo sonho de vida que se possa construir, este já está gasto… Apesar de sermos a grande maioria silenciosa, somos um povo com sentimentos, com a sua forma de pensar, com a sua consciência, e ou andam todos a dormir ou estão entorpecidos por uma realidade que nem compreendem, as mentiras são tantas, ou as alegadas afirmações são contraditórias… Apesar de sermos a maioria silenciosa somos corações que sentem, somos homens e mulheres que temos que alimentar os nossos filhos, temos que pagar a tempo e horas todos os impostos que os governantes inventam. Somos portugueses e queremos ter orgulho no nosso país. Somos portugueses que não queremos aceitar este lema de geração perdida… Sim é verdade, não somos geração perdida, mas somos sim uma geração enganada, derrapagens orçamentais, rectificações orçamentais, bem, palavras doces para encobrir aldrabices nas contas, dinheiros passados por trás, licenciaturas compradas, etc. … Temos de ser geração vencedora e para o sermos temos que ganhar coragem e naquilo que estiver ao nosso alcance combater ao nosso modo contra esta realidade. Ainda tenho orgulho de olhar para a bandeira de Portugal e ainda me comovo quando canto o nosso Hino (poema quase desconhecido para a maioria dos nossos alunos). A futura geração cantará uma canção da Madona ou uma dos Ídolos? Peço que tenham esperança, procurem sentir que todos os deuses ainda estão vivos, todas as lutas ainda estão por travar e que todos os nossos sonhos ainda se podem realizar. “ O Titanic ainda não

se afundou” e se se afundar nós vamos poder salvar-nos! Estamos sim: Fartos de mentiras, de vaidades e de vigarices… Assim termino só com algumas perguntas: · Porque é que a jornalista do caso “Casa Pia”, Felícia Cabrita anda tão desaparecida? · Porque é que os bancos falidos foram comprados com o nosso dinheiro? · A quem tem sido vendido a preços módicos o património do Estado “ dispensável”? · Porque é que com um país tão empobrecido, os gestores públicos ainda têm direito a viatura e telemóveis topo de gama? · Porque é que os particulares têm que poupar, como nos é dito a toda a hora, e o Estado gasta tanto? · Porque é que o nosso país não é governado como uma boa casa de família: ou comem todos ou ninguém come, bem, dito de outro modo: com verdade, sem egoísmos e vaidades, com sentimento de partilha de responsabilidades, com modéstia, nos momentos mais difíceis. Lamento ter de dizer, o que acontece é exactamente o contrário: “A ordem é rica e os frades são poucos!” ou então “ Encher até poder…” Existe um estranho odor no ar, algo como peixe podre. Um odor fétido insuportável, é o cheiro da mentira abafada tantos anos, falsidades segredadas e silenciadas, um desejo de poder incontrolável, a besta adormecida deu-se a conhecer e agora que finalmente lhe podemos ver o rosto, não nos agradam as feições… Portugueses, nós não podemos ser feitos do mesmo barro. Quem cala consente… o nosso silêncio é o nosso consentimento… Por uma vez na vida, queremos caminhar de rosto lavado e erguido, por isso: Chega!

Somos portugueses que não queremos aceitar este lema de geração perdida… Fotografia de Arquivo

Cavalo puro e Sangue Lusitano

Manuel Campilho quer mais “Cavalo Lusitano” O presidente da Associação Portuguesa de Criadores do Cavalo Puro e Sangue Lusitano (APSL), pretende aumentar o número de exemplares da raça O presidente da Associação Portuguesa de Criadores do Cavalo Puro e Sangue Lusitano (APSL) revelou que um dos objectivos a atingir nos próximos anos passa por “aumentar” o número de exemplares desta raça espalhados pelo mundo. “Nós temos que aumentar o número de animais da raça espalhados pelo mundo, uma vez que é uma raça relativamente pequena comparativamente com as outras”, disse Manuel Campilho, em declarações à agência Lusa. Na opinião do responsável, o cavalo Lusitano é um produto de excelência do mundo rural, como o “azeite, o vinho e a cortiça”. Estado não apoia o suficiente “O Estado não tem dado, nem pode dar a mesma importância ao cavalo Lusitano como tem dado ao vinho, ao azeite e à cortiça, porque a importância desta raça no Produto Interno Bruto (PIB) nada tem a ver com os outros produtos”, observou. Ainda assim, segundo Manuel Campilho, o Estado começa a ficar “sensibiliza-

do” para a “importância” do cavalo Lusitano. De acordo com dados fornecidos pela APSL, instituição fundada em 1989 e que conta com 380 associados, em Portugal existem cerca de 2500 éguas em reprodução e nascem por ano cerca de 1600 poldros. Tendo em conta a situação económica mundial, o presidente da APSL referiu que as exportações têm se mantido “estáveis”, mantendo um número “aceitável” de vendas para o estrangeiro. Os interessados na raça Nos últimos anos, os principais interessados em adquirir cavalos Lusitanos têm sido os criadores de Espanha, do norte da Europa e ainda criadores de vários países do continente americano. O cavalo Lusitano tem dado provas de qualidade em várias modalidades, nomeadamente, na modalidade de Dressage, onde marcou presença na última edição dos Jogos Olímpicos, obtendo uma “excelente” classificação. “A Dressage é uma disciplina equestre onde o cavalo Lusitano se começa a afirmar

como um cavalo de grande qualidade”, sublinhou. A tauromaquia foi o ponto de partida para a seleção do cavalo Lusitano, uma vez que é uma raça que apresenta condições de “montabilidade e funcionalidade” de boa nota acrescentando que “é uma modalidade fundamental para a raça”, sublinhou. “Produto” de excelência Manuel Campilho recordou ainda que, na modalidade de Equitação de Trabalho e na Atrelagem, Portugal foi recentemente campeão do Mundo. “É um excelente produto, é um cavalo multifuncional, competitivo na área da Tauromaquia, Dressage, Equitação de Trabalho e Atrelagem. O cavalo Lusitano tem vindo a aumentar a sua qualidade, mas ainda não atingiu o seu máximo”, disse Manuel Campilho Para que a promoção desta raça continue, Manuel Campilho anunciou ainda que entre os dias 03 a 05 de junho, decorrerá em Cascais, no Hipódromo Manuel Possolo, mais uma edição do Festival Internacional do Cavalo Lusitano.


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região

Apostas com futuro Fotografia de Arquivo

pio muniCi jA rEAlo ser

o ílias vã 49 fam sa pré a c m das e realoja , cedidas pelo das mpo fabr ica io de Ca ic n mu íp aior M

Aljustrel

“Encontros com a Escrita” O escritor e jornalista Miguel Carvalho foi o convidado da primeira edição deste ano dos “Encontros com a Escrita”, na passada sexta feira, no auditório da Biblioteca Municipal de Aljustrel. Na sessão, Miguel Carvalho apresentou o seu mais recente livro “Aqui na terra”, um “retrato de um certo Portugal” que reúne várias reportagens, como trabalhos sobre o padre Max, o cónego Melo, a cidade de Fátima ou cantores da chamada “música pimba”.

Ami e Hotéis m’Ar de Ar em jantar de beneficiência

o realojamento vai oCorrer junto À “zona dos moinhos de vento”

Município de Campo Maior avança com realojamento de 49 famílias

São 49 as familias que vão poder usufruir do realojamento que o Município de Campo Maior proporcionará até finais do mês de Setembro, em casas pré-fabricadas. O município de Campo Maior (Portalegre) anunciou que as 49 famílias que vivem em condições precárias junto às muralhas do castelo daquela vila alentejana vão ser realojadas até finais do mês de Setembro em casas pré-fabricadas. 200 pessoas realojadas As cerca de duzentas pessoas que habitam junto às muralhas do castelo, vão ser realojadas na “zona dos Moinhos de Vento”, na periferia daquela vila alentejana. Esta foi a principal conclusão da reunião multidisciplinar, que decorreu na passada sexta-feira no Centro Cultural de Campo Maior, e que juntou várias entidades e que teve como anfitriã a autarquia local. No encontro esteve também presente a Alta Comissária para a Imigração e Diálogo Intercultural, Rosário Farmhouse e o Governador Civil do Distrito de Portalegre, Jaime Estorninho. A reunião contou ainda com a presença de diversos parceiros da sociedade civil, representantes da Direcção Regional de Cultura do

Alentejo, da Segurança Social e do Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU). Derrocadas das muralhas As muralhas do castelo de Campo Maior têm registado várias derrocadas nos últimos anos, a última das quais ocorreu na madrugada do dia 5 de Janeiro devido ao mau tempo. A situação está a colocar em risco dezenas de famílias de etnia cigana que vivem em condições precárias junto ao monumento. Os realojados Seis das 49 famílias que vivem junto às muralhas já foram abordadas pela autarquia no sentido de serem realojadas em contentores, mas esse quadro foi rejeitado pelos moradores. A comunidade que habita junto às muralhas do castelo só aceita abandonar o local se todos forem realojados noutra zona daquela vila alentejana. De acordo com o comunicado, o presidente do município de

“Nunca vi tantas forças vivas empenhadas e por isso também quis dar todo o meu apoio ao presidente de Campo Maior, até porque daqui pode sair um exemplo a nível nacional” Alta Comissária para a Imigração e Diálogo Intercultural, Rosaria Farmhouse

Campo Maior, Ricardo Pinheiro, afirmou que será iniciado um processo “formativo” junto da comunidade cigana, visando a “aquisição de novas competências” que permitam, posteriormente, a sua “progressiva integração na comunidade”.

Os Hotéis M’AR de AR juntam-se à AMI e promovem, no dia 27 de Fevereiro, um jantar de beneficência a favor da missão de ajuda humanitária no HAITI. O Jantar tem um custo de 15€ por pessoa e todo o valor revertá a favor desta causa. Existirá uma tombola da AMI caso queira contribuir para além do valor do jantar. O presidente da AMI, DR. Fernando Nobre estará presente e dará o testemunho da sua passagem pelo HAITI. NÃO FALTE A ESTA INICIATIVA! Reservas para tel. 266739300 e reservas@ mardearhotels.com

Mais Informações Na mesma missiva, a Alta Comissária para a Imigração e Diálogo Intercultural, Rosaria Farmhouse, revelou a sua “satisfação” pela forma como está a decorrer todo o processo. “Nunca vi tantas forças vivas empenhadas e por isso também quis dar todo o meu apoio ao presidente de Campo Maior, até porque daqui pode sair um exemplo a nível nacional”, disse. “Ter a câmara e as entidades estatais e da sociedade civil à volta do mesmo problema, e todas a quererem resolvê-lo é único e é louvável. Campo Maior está de parabéns por ter conseguido criar esta sinergia. Este é o pontapé de saída para aquilo que será um caminho conjunto”, concluiu.

Bastinhas triunfa na Venezuela Para o site www.mundotoro.com, “o triunfador da noite foi o dinástico Marcos Bastinhas que lidou um toiro forte que cedo buscou refúgio em tábuas. O cavaleiro luso enfrentou este exemplar montando com muita classe, entrando sempre de frente. O seu estilo é o de um cavaleiro de classe e de escola. Uma actuação de muito mérito a do português, ante um toiro com forte querença nas tábuas, de onde saía com investidas bruscas e violentas”.


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22 Fev ‘10

Opinião

Região

VOZ

José Filipe Rodrigues Engenheiro

A Delegação Muda da Érretêpê A memória das pessoas pode ser selectiva para alguns acontecimentos. As situações ridículas têm tendência a ficar registadas na mente com maior facilidade do que muitas outras que se caracterizam pela competência, coerência e verdadeiro profissionalismo. Ainda hoje recordo, com ironia, as festividades da inauguração da delegação da RTP na Nova Inglaterra. Else, os especialistas em marketing e em relações públicas, diziam ter celebrado um acordo com a Universidade de Massachusetts, em Dartmouth, para a fundação da delegação da RTP na América. A televisão portuguesa poderia usar um quartito das instalações da Universidade e a UMass Darmouth teria, como contrapartida, a possibilidade de utilizar recursos e serviços da empresa de radiotelevisão lusa. O rosto e cheerleader deste empreendimento foi o jornalista Pedro Bicudo. Os gestores, perdão, os digestores dos recursos económicos da Érretêpê encheram aviões com jornalistas, fadistas, cantores pimba e pomba, animadores, comentadores e vários especialistas em comunicação para abrilhantarem a festa. Do lado de cá convidaram as figuras importantes da terra, que retiraram da naftalina os fatos de lantejoulas e as gravatas de seda, para aparecerem na televisão. Compraram-se tempos de transmissão via satélite, fizeramse espectáculos de variedades e muitos debates televisivos para elogiar a portugalidade e o empreendedorismo dos pensadores e gestores da cultura televisiva sedeada em Lisboa. Se os actores principais não tivessem uma pronuncia tão file aos discursos dos políticos da maioria na capital da nação portuguesa, eu poderia pensar que se tratava da redescoberta da “Amérca” pela armada do Colombo. Não. A armada era portuguesa de Portugal. Todo o mundo ficou a saber da inauguração das instalações da Érretêpê na Nova Inglaterra. Depois das festas, ruidosas, coloridas e patrióticas, os figurantes importados para a farsa regressaram às ocidentais praias lusitanas. O Bicudo continuou a divulgar, em território por-

tuguês, os serviços que iriam contribuir para a vulgarização do bom nome de Portugal e dos portugueses. A delegação foi ruidosamente inaugurada. Quanto ao início dos serviços de comunicação e informação, nada. Afinal os pensadores, gestores e cheerleaders da Érretêpê, apesar dos elevados custos na promoção local e mundial do evento, inauguraram uma delegação invisível e muda, A Érretêpê, pelo visto, sabe compensar “aqueles que por obras valorosas se vão da lei da morte libertando.” Com algum sotaque castelhano, o jornalista que deu rosto à dispendiosa iniciativa foi promovido a correspondente em Washington D.C. Depois de uma curta estada foi repromovido a Big Boss da Érretêpê dos Açores, um território rosa-avermelhado. Estes gloriosos feitos, as doações de avultadas verbas aos museus locais e o Euro e da Expo modificaram a opinião, sobre o nosso país, de muitos imigrados portugueses nos states, que diziam: - Agora a Amérca é lá: muito dinheiro da cê-ié-íé, bons ordenados e boa vida sem muito trabalho. Não é como a gente que se mata a trabalhar para ganhar uma dólar. Hoje, os dirigentes rosa-avermelhados sabem bem que o Mário Crespo, para além de não ter sotaque castelhano, não contribuiu para a fundação da delegação da Érretêpê na Nova Inglaterra. O Arons de Carvalho fez muito bem em não interceder a favor do jornalista para que este fosse absolvido na Érretêpê e para que ele não regressasse a Washington D.C., porque poderia correr o risco de vir a ser nomeado Big Boss num dos feudos rosa-avermelhados.

As situações ridículas têm tendência a ficar registadas na mente com maior facilidade Fotografia de Arquivo

Município de Vila Viçosa

Seguro de acidentes pessoais para séniores e desempregados A iniciativa parte da autarquia de Vila Viçosa e vai disponibilizar prémio do seguro de acidentes pessoais para a população vulnerável

Fotografia de Arquivo

A Câmara Municipal de Vila Viçosa decidiu financiar o prémio do seguro de acidentes pessoais para a população mais vulnerável, nomeadamente para os titulares do Cartão Social do Idoso e os desempregados. A medida, segundo o município, representa o assumir de uma responsabilidade social que salvaguarda a protecção dos munícipes do concelho durante os períodos em que estão mais desprotegidos. De acordo com a autarquia, sempre que ocorra um acidente e não exista qualquer cobertura obrigatória que responda perante o sinistro, os munícipes abrangidos podem accionar este seguro que “garante, em caso de morte ou invalidez permanente, um capital de 2.500 euros por pessoa”. Os idosos detentores do Cartão Social do Idoso, cerca de 850, segundo a autarquia, contam, assim, com mais um benefício, “desenhado a pensar na protecção dos cidadãos socialmente mais fragilizados”. Por outro lado, a autarquia anunciou ter decidido assegurar o pagamento do transporte de material ortopédico proveniente da Suécia, equipamentos que vão contribuir para a melhoria das condições de vida dos munícipes do concelho que vivem com limitações de mobilidade. A autarquia de Vila Viçosa vai pagar 13 mil euros para o transporte daquele material ortopédico. A proposta foi apresentada ao município pela Fundação AGAPE, uma organização não governamental sueca, sem fins lucrativos.

A AGAPE recolhe, junto dos hospitais escandinavos, material ortopédico adequado para a utilização por pessoas acamadas ou dependentes, fazendo depois a sua distribuição em países de África e da Europa. No material disponibilizado incluem-se camas articuladas e adaptadas a banhos, elevadores para camas, andarilhos, bengalas e cadeiras de rodas, entre outros, que se encontram em “ótimo estado de conservação”. O município de Vila Viçosa decidiu também associar-se ao processo de institucionalização do poder local democrático em Timor-Leste e vai apoiar esta iniciativa com uma comparticipação de mil euros.

NÚmero

850

<Os idosos detentores do Cartão Social do Idoso, cerca de 850, segundo a autarquia>


17 Opinião

Região

VOZ

Carlos Moura Engenheiro

Ó escolas, semeai! Pela sementeira espera a cega humanidade A quem passaria pela cabeça que no ano do centenário da proclamação da República uma das suas maiores conquistas – A Escola pública, estaria a passar por uma situação tão delicada, correndo mesmo o risco de desaparecer dentro dos anos mais próximos. O desinvestimento no ensino público, não é segredo, vem sofrendo um agravamento nos seus vários níveis, patrocinado pelos sucessivos governos constitucionais, com especial ênfase dos anos oitenta a esta parte. As várias reformas curriculares, a retirada de dignidade da profissão de professores, a falta crónica de fundos para a reabilitação do edificado e a renovação do material didáctico e mesmo as alterações que romperam com os mais básicos princípios democráticos, deixando sem voz nos órgãos directivos e pedagógicos os alunos, corroeram a qualidade do ensino público e só artimanhas várias impediram que ficasse à vista que vamos tendo camadas da população cuja preparação e capacidade crítica é gradualmente decrescente. Os planos de reabilitação e recuperação do parque escolar eram, nesta segunda década do século XXI, absolutamente imprescindíveis, sob o risco de dentro de algum tempo nem espaços minimamente aceitáveis termos para a nossa população estudantil, e digo minimamente aceitáveis porque condignos foi coisa que não me lembro de terem alguma vez chegado a ser nestes últimos trinta anos.

A criação de uma empresa pública para a recuperação do parque escolar era, não obstante, apenas uma forma de retirar esse item do Orçamento de Estado, mas pior que isso era também uma forma de escapar a procedimentos transparentes nas empreitadas de concepção das obras a realizar. O mal seria ainda assim o menos se as obras realizadas fossem conformes às necessidades, porém, na grande maioria dos casos não foi o que aconteceu e a lista das escolas em que o espaço intervencionado se degradou logo em seguida é enorme, com tectos a cair, soalhos levantados, torneiras deficientes, sistemas de aquecimento deficientes, etc, e isto sem contar com aquelas em que as próprias obras destruíram as escolas que tinham um projecto antigo mas de qualidade funcional. A culminar toda esta situação, ficou agora claro o porquê de passar a propriedade destas escolas para a empresa Parque Escolar. Por um lado porque é mais fácil a esta empresa alienar estes espaços, sendo medonho pensar que se pretende vender as escolas situadas nos centros das cidades, locais onde o preço do solo é alto – tal como se fez com quartéis e hospitais, mas mais monstruoso ainda é pensar que se possa privatizar toda a empresa, passando para interesses ligados ao lucro a propriedade escolar e com isso permitir influências externas na educação, com alta probabilidade as mesmas que se pretenderam afastar com o advento da República. Seguramente o que não cabe na cabeça é que seja para melhor concessionar os espaços de bar ou papelaria que, tanto quanto me lembro, serviam para suprir as necessidades dos estudantes a preços módicos e, portanto fora de qualquer interesse comercial. Quem diria que haveríamos de estar neste ponto cem anos depois, mas com certeza calculo o que diriam aqueles que se dedicaram afincadamente à causa do serviço público - Ó escolas, semeai! Pela sementeira espera a cega humanidade.

O desinvestimento no ensino público, não é segredo Fotografia de Arquivo

Estremoz

Jogos Zona dos Mármores 2010 Os jogos têm início no próximo dia 28 de Fevereiro.

Fotografia D.R.

A Câmara Municipal de Estremoz, em parceria com os Municípios de Borba, Vila Viçosa e Alandroal, leva a cabo os Jogos da Zona dos Mármores 2010. Os Jogos da Zona dos Mármores resultam de uma parceria entre os Municípios de Borba, Vila Viçosa, Alandroal e Estremoz e visam a prática da actividade física dos munícipes e uma maior cooperação e interacção entre as diferentes autarquias. Este ano, para além do novo parceiro – Municipio de Vila Viçosa – os Jogos da Zona dos Mármores contam PUB

com mais algumas novidades: O Futebol de Veteranos, o Futsal, o Xito e a Pesca foram retirados do programa dos Jogos. Em contrapartida, a Sueca e o Dominó voltam a fazer parte deste projecto, uma vez que em 2008 (ano em que estas actividades foram realizadas pela última vez) registaram grande receptividade. As caminhadas, o BTT, a Malha e o Ciclo Turismo mantêm-se no calendário. Os Jogos iniciam-se no dia 28 de Fevereiro (último Domingo do mês) com uma Caminhada, cujo ponto de partida será Borba. Passa-

dos 15 dias (14 de Março) é a vez de Alandroal receber a Sueca e o Dominó e no dia 28 de Março haverá mais uma Caminhada em Vila Viçosa. Maio inicia-se com o BTT, também em Vila Viçosa (2 de Maio), e termina com uma Caminhada na Vila de Alandroal (30 de Maio). Estremoz recebe a actividade de Ciclo Turismo no dia 6 de Junho e a Malha será lançada na cidade de Borba a 20 do mesmo mês. Os jogos da Zona dos Mármores terminam na cidade de Estremoz, com uma Caminhada no dia 27 de Junho.


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22 Fev ‘10

Ambiente

curtas Saiba em segundos

Iniciativas com valor

12 concelhos já têm instalados os novíssimos oleões

Gesamb já instalou 55 Oleões

A empresa intermunicipal Gesamb, com intervenção no distrito de Évora, já instalou 55 oleões em 12 concelhos da região, com o objectivo de dar um encaminhamento para valorização aos óleos alimentares usados, disse hoje fonte da empresa. A responsável pela área de comunicação da empresa, Gilda Matos, adiantou à Lusa que o projecto de colocação de oleões (pontos de recolha de óleos alimentares usados), nos 12 concelhos do distrito de Évora servidos pela Gesamb, vai ficar concluído no final de 2011, com “benefícios ambientais e económicos para a região”. Segundo a responsável, a primeira fase do projeto, já concluída, envolveu a instalação de 55 oleões e no final de 2011 devem estar distribuídos 108, além de serem colocados mais alguns equipamentos nas cantinas escolares. Gilda Matos indicou que o projeto, em colaboração com os municípios de Alandroal, Arraiolos, Borba, Estremoz, Évora, Montemor-o-Novo, Mora, Mourão, Redondo, Reguengos de Monsaraz, Vendas Novas e Vila Viçosa, envolve no seu conjunto um investimento de 232 mil euros, com o apoio de fundos da União Europeia. A responsável explicou que, dePUB

pois de ser concluído o processo de colocação de oleões, vai ser avaliada a situação para a eventual construção de uma unidade de biodiesel em Évora. A implementação do sistema integrado de recolha e valorização de óleos alimentares usados garante o destino final adequado deste resíduo. O tratamento inadequado deste resíduo provoca “graves problemas” de poluição de águas e solos e entupimentos e danos nas tubagens dos edifícios e distúrbios no normal funcionamento das estações de tratamento de águas residuais (ETAR´s). Nestes novos equipamentos, com capacidade para 500 litros cada, podem ser colocados exclusivamente óleos alimentares usados e nunca azeite ou óleos lubrificantes de motores. As populações dos 12 concelhos abrangidos podem utilizar estes equipamentos para a deposição de óleos alimentares usados, resultantes da fritura de alimentos,

Fotografia de Arquivo

mas essa deposição deverá ser sempre feita em garrafa de plástico devidamente fechada. A Gesamb-Gestão Ambiental e de Resíduos, que foi criada pela Associação de Municípios do Distrito de Évora, é uma empresa intermunicipal de capitais maioritariamente públicos. A empresa é responsável pela

gestão e exploração do Sistema Intermunicipal de Valorização e Tratamento dos Resíduos Sólidos Urbanos do Distrito de Évora (SIRSU), que integra os municípios de Alandroal, Arraiolos, Borba, Estremoz, Évora, Montemor-o-Novo, Mora, Mourão, Redondo, Reguengos de Monsaraz, Vendas Novas e Vila Viçosa.

Valnor recicla 14 milhões de quilos de resíduos sólidos urbanos De acordo com dados divulgados pela empresa, o valor atingido corresponde a uma “capitação de 78,7 quilogramas” por habitante, dos quais 58,7 referem-se a embalagens encaminhadas para a Sociedade Ponto Verde. Segundo a Valnor, estes valores colocam a empresa no “pelotão da frente” da reciclagem em Portugal, tendo em conta os valores definidos pelo Plano Estratégico de Resíduos Sólidos Urbanos para 2009. A Valnor é a empresa responsável pela gestão, valorização e tratamento dos lixos produzidos em 19 municípios, 15 deles do distrito de Portalegre, aos quais se juntam Mação, Sardoal e Abrantes (Santarém) e Vila de Rei (Castelo Branco). A empresa tem como accionistas a Empresa Geral de Fomento, representando 51 por cento do capital, e os 19 municípios detêm os restantes 49 por cento.


19 desporto

desporto que mexe com a região

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CurtA saiba em segundos luís pardal Fotografia

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rC3 consegue segundo lugar em torneio de Futsal militar

Carlos Barroso | Texto

Torre de Coelheiros recebe 2ª prova TBE’2010

No passado dia 14 de Fevereiro, Torre de Coelheiros recebeu a segunda prova do Troféu Btt Évora, organizada pela Bttorre. Apesar do termómetro marcar 1 grau, estiveram em prova 134 atletas. A próxima prova realizar-se-á em Arraiolos, no próximo dia 7 de Março Pedro Amaral e Filipe Salvado do GD Santo António/Stevens, seguraram a liderança durante as 7 voltas realizadas, passando a meta, lado-a-lado. Fizeram assim 1º e 2º lugares respectivamente, no escalão de Veteranos A. Francisco Simões de Bicicletas Mérida Santiago, completou o pódio com o 3º lugar e a 2 minutos dos vencedores. Pedro Amaral mantém a liderança no seu escalão na classificação geral do TBE’2010. No escalão de Elites, o vencedor em Portel Hélio Silva deparou-se com problemas físicos, desistindo com 50 minutos de prova. Ricardo Mendes do GD Santo António/ Stevens foi o vencedor, seguido de Paulo Rosado do BttAmiciclo Team, que apesar de uns problemas mecânicos, conseguiu a 2ª posição, e tornou-se líder do seu escalão na classificação geral do PUB

TBE’2010. Jorge Galão do Bttorre, liderou o seu escalão durante a prova, mas apesar de correr em casa, na última volta caiu para o 3º lugar. Em relação ao escalão de Veteranos B, o 1º lugar foi conseguido por António Paulo do GD Santo António/Stevens, a segunda vitória consecutiva, mantendo-se assim líder na classificação geral. Em 2º lugar terminou Miguel Mestre do vercril/superbikes/ccapaio pires e em 3º Fernando Carriço do Clube Praças da Armada. Saiba que no escalão Sub 23, o vencedor foi Marcelo Pinto do Atlético Sport Club, conseguindo mais uma volta que a sua concorrência, segurando assim a liderança na classificação geral. No 2º lugar terminou Luís Lameira do Clube Btt Terras do Montado, logo seguido por Mário Tanganho do

Btt Ajal/Chocalhos Pardalinho/ Pimentão Morita. No escalão dos Juniores, Nelson Candeias do Grupo Desportivo de Santa Cruz voltou a vencer, mantendo a liderança na classificação geral. Em 2º lugar terminou José Rato do Btt Aguiar, e em 3º Nuno Galvão do Btt Ajal/ Chocalhos Pardal i n ho/P i mentão Morita. Sandra Semião do GD Santo António/Stevens foi a primeira chegar do grupo das senhoras. Ana Cebola dos Para e Bebes foi a 2ª classificada, seguida pela 3ª classificada Soraia

Gil, do BTT Sines - HAGER / LMSMaterial Eléctrico. O TBE’2010 tem o patrocinio da Fundação Inatel, Tyco Electronics e fotografias a cargo de LuisPardal. com.

A ESE 1A equipa da Escola de Sargentos do Exército (ESE), das Caldas da Rainha, foi a vencedora de um campeonato de Futsal Militar em que os jogos decorreram maioritariamente entre os pavilhões do Arneirense e da Mata. Após a final do campeonato, no passado dia 12, decorreu no auditório da ESE a entrega de prémios com o representante do Comando de Instrução e Doutrina, major-general Carlos Lopes, que também é director do Instituto Militar dos Pupilos do Exercito, o comandante da ESE, coronel Lúcio Santos, diversos militares das diferentes instituições que participaram neste torneio e ainda o representante da autarquia, vereador Tinta Ferreira. O Comando de Instrução e Doutrina, a Direcção de Ensino, o Centro Militar de Educação Física e Desportos, a Escola Prática de Artilharia, a Escola Prática de Cavalaria, a Escola Prática de Engenharia, a Escola Prática de Infantaria, a Escola Prática dos Serviços, a Escola Prática de Transmissões, a Escola de Serviço de Saúde Militar, o Regimento de Artilharia Nº 5, o Regimento de Cavalaria Nº 3 e a ESE foram as instituições que participaram neste torneio militar e que proporcionou uma grande camaradagem. O primeiro lugar foi conquistado pela ESE, o segundo pelo Regimento de Cavalaria nº 3 de Estremoz e o terceiro posto coube ao Regimento de Artilharia nº 5 de Leiria. Este campeonato teve a participação de 165 atletas militares.


20 22 Fev ‘10

Sociedade

Efemérides

Em destaque na região

O evento decorreu entre os dias 19 e 21 de Fevereiro

MoraPesca na sua oitava edição

Mais de 25 mil visitantes, nos três dias de Feira. A MoraPesca é uma das mais importantes feiras ligadas à pesca desportiva, do país. Fotografia de Arquivo

22 de Fevereiro * 1828 - Regressa a Lisboa D. Miguel, que jura a nova Carta Constitucional do Império Português. * 1974 - O general português António de Spínola publica o livro “Portugal e o Futuro”, em que propõe soluções políticas e não militares para os conflitos nas colónias portuguesas em África. * 1974 - O Paquistão reconhece a independência do Bangladesh. Nasceram neste dia * 1732 - George Washington, primeiro presidente dos Estados Unidos da América (m. 1799). * 1857 - Baden-Powell, militar britânico e fundador do escutismo (m. 1941). * 1949 - Niki Lauda, piloto de automóveis austríaco. Morreram neste dia * 1512 - Américo Vespúcio, explorador e navegador italiano (n. 1454). * 1913 - Ferdinand de Saussure, linguista suíço (n. 1857). * 1987 - Andy Warhol, cineasta norte-americano (n. 1928).

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As mais recentes tecnologias e artigos ligados à pesca desportiva estiveram expostos na MoraPesca, o maior certame nacional do sector, com cerca de 40 expositores, que arrancou na sexta-feira passada, em Mora. O evento, promovido pela Câmara Municipal, com o apoio da Federação Portuguesa de Pesca Desportiva (FPPD), já vai na oitava edição e decorreu até ontem no Pavilhão Municipal de Exposições. O presidente do município, Luís Simão, garantiu à Lusa que esta feira, que faz a ligação do concelho ao rio que o atravessa, o Raia, foi “a maior de sempre”, estando presentes “todos os agentes e empresas nacionais do sector”. “Esta feira veio sempre em crescendo e este é o ano em que vamos ter mais expositores”, juntando, “todos os importadores e fabricantes portugueses” de produtos de pesca desportiva. A Feira Mais de 25 mil visitantes visitaram a feira, onde puderam apreciar os mais recentes artigos para a pesca desportiva de interior (rio, albufeiras e lagos) e modernas tecnologias ligadas à sua prática. “Isto funciona quase como as roupas. Há uma nova coleção de artigos para 2010 e as empresas vêm a Mora para os apresentar e mostrar”, destacou o autarca. Inúmeras canas de pesca, algumas delas com preços que podem ascender “aos sete ou aos 10 mil euros”, exemplificou Luís Simão, estiveram em destaque na exposição, a par dos engodos, amostras, vestuário e outros apetrechos próprios para a modalidade.

“Esta é a maior feira de pesca desportiva de rio do país”, classificou o autarca, explicando que, este ano, foi montado no recinto um “aquário gigante”, com oito metros de comprimento, para acolher demonstrações de equipamentos. A feira integrou também um colóquio, para analisar as perspectivas do sector, e duas provas de pesca, seguidas da entrega de prémios. Carrosséis, farturas, gastronomia e tasquinhas foram outros dos atractivos do evento. Luís Simão ao Registo Mora tem vastas tradições na área da pesca de rio”, assegurou, evocando o Fluviário e as pistas de pesca que, ao longo dos anos, foram sendo construídas, como as existentes em Cabeção, Pavia e na própria sede de concelho. A Pista Internacional de Pesca de Cabeção, destacou, é mesmo considerada uma das melhores do país e da Europa e já acolheu “cerca de 10 campeonatos internacionais”. “É a única pista do mundo considerada pela Federação Internacional de Pesca de Desportiva como de interesse para todos os pescadores e para os que amam a natureza”, frisou. Perante estas potencialidades oferecidas pelo Raia, Luís Simão afiançou ainda que “o crescimento e o desenvolvimento” de Mora vão continuar a “gravitar” em torno do rio. Para finalizar, Luís Simão apelou ainda à qualidade gastronómica de Mora, convidando todos para uma visita ao Concelho e em particular ao Fluviário.


21 Lazer

Divirta-se com os nossos passatempos. As nossas propostas de leitura e cinema.

livros

FIlme desta semana O Lobisomem

O Escolhido

Sinopse

Sinopse

Autor Samuel Pimenta

Realização: Joe Johnston

A infância de Lawrence Talbot terminou na noite da morte da sua mãe. Após deixar o adormecido vilarejo Vitoriano de Blackmoor, passou décadas a tentar recuperar e esquecer o sucedido. Mas quando a noiva do seu irmão, Gwen Conliffe, o procura para a ajudar a encontrar o seu amor desaparecido, Talbot regressa a casa para ajudar nas buscas. Descobre, então, que algo de força bruta e sedento de sangue tem vindo a matar os aldeãos e que um desconfiado inspector da Scotland Yard chamado Aberline foi chamado para investigar o caso. Quando as peças começam a formar o terrível puzzle, Talbot ouve falar de

uma maldição antiga que transforma os desesperados em lobisomens aquando da Lua Cheia. Agora, de modo a parar a chacina e proteger a mulher que ele aprendeu a amar, Talbot tem de matar a maligna criatura que se esconde nos bosques que circundam Blackmoor. Mas enquanto procura o terrível monstro, um simples homem com um passado atormentado irá revelar um lado primitivo, que nem imaginava existir

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Objectivo: Descubra as 15 cidades escondidas

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Nota: O sudoku consiste em preencher uma grade de 81 espaços dividida em nove blocos. O objectivo do jogo é completar os espaços em branco com algarismos de 1 a 9, de modo que cada número apareça apenas uma vez na linha, grade e coluna. Nenhum número pode ser repetido e todos os números de 1 a 9 devem estar presentes.

Um jovem com o destino traçado… Duas mortes numa fria noite em Lisboa provoca a luta contra as forças do Mal… Criadas pela lendária Deusa, Seis Chaves de Cristal com um poder avassalador e segredos ocultos só serão descobertos pel’O Escolhido. Muito se aguardou pelo seu nascimento e uma ordem secreta zela pela sua integridade agora que o seu tempo chegou… Num mundo de magia, mistérios e perigos iniciamos uma aventura por Lisboa, Paris e o Mar do Norte, numa junção entre o Mundo dos Humanus e o Mundo Incantatus, onde se reúnem fantasia e horror, Bem e Mal, magia, feitiçaria, elfos, anões, gigantes, trux, lobisomens, trolls… embrenhando-nos numa trama verdadeiramente fantástica. Uma luta sem tréguas contra as forças do Mal…

HORÓSCOPO SEMANAL - 22/02 a 28/02

Carneiro

Touro

Gémeos

Carta Dominante: Rei de Ouros, que significa Inteligente, Prático Amor: Não esconda os sentimentos. Liberte aquilo que sente e mostre a pessoa maravilhosa que é Saúde: Faça mais exercício físico. Está a ganhar peso a mais Dinheiro: Não se precipite e pense bem antes de tomar qualquer decisão que envolva mudanças no plano profissional Número da Sorte: 78 Dia mais favorável: Terça-Feira

Carta Dominante: 2 de Espadas, que significa Afeição, Falsidade Amor: Não vá atrás das aparências, pois elas muitas vezes enganam. Seja mais consciente e ponderado nas suas atitudes Saúde: Coma muito salmão para baixar o colesterol Dinheiro: Encontra-se numa boa fase, dê asas às suas ideias! Os seus superiores irão apreciálas Número da Sorte: 52 Dia mais favorável: Sexta-Feira

Carta Dominante: 10 de Copas, que significa Felicidade Amor: Cuidado com os falsos amigos. Não seja tão ingénuo com quem não conhece bem Saúde: Aconselha-se uma dieta para prevenir o aumento dos valores de colesterol Dinheiro: Está a passar por um momento positivo neste campo da sua vida, aproveite-o para progredir profissionalmente Número da Sorte: 46 Dia mais favorável: Quarta-Feira

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Sinopse

Este titulo “Teamneurs” é um novo conceito de gestão criado por Marco Cardoso, que convidou 3 autores para falarem de temas básicos mas cujo domínio e boa utilizaçao está em défice em muitas empresas: organização, marketing e fiscalidade. Marco Cardoso avança com um modelo bem detalhado e fundamentado, o Clearing House Model, com o objectivo de erradicar o gravíssimo problema epidémico da falta de fundo de maneio nas empresas e o incumprimento das condições contratuais de pagamento, na tentativa de inverter a situação limite e incomportável a que se chegou de endividamento estéril para fazer face a pagamentos ao invés de se recorrer ao endividamento para investimento, o único que é produtivo.

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Leão

Virgem

Carta Dominante: Rei de Copas, que significa Poder de Concretização, Respeito Amor: Se der ouvidos a terceiros poderá sair prejudicado na sua relação amorosa Saúde: Procure descansar as oito horas necessárias para o seu bem-estar físico e espiritual Dinheiro: Não gaste mais do que aquilo que a sua conta bancária permite Número da Sorte: 50 Dia mais favorável: Segunda-Feira

Carta Dominante: A Lua, que significa Falsas Ilusões Amor: Não deixe que o seu orgulho fira a pessoa que tem a seu lado, seja mais compreensivo e aprenda a ouvir Saúde: Faça uma caminhada por semana e verá como a sua circulação sanguínea ficará bem mais activa Dinheiro: Tente fazer um pé-de-meia, pois mais tarde poderá vir a precisar de um dinheiro extra Número da Sorte: 18 Dia mais favorável: Quinta-Feira

Carta Dominante: A Imperatriz, que significa Realização Amor: Não deixe que a rotina tome conta da sua relação e use e abuse da criatividade Saúde: Cuide mais da sua saúde espiritual cultivando pensamentos positivos Dinheiro: Não gaste mais do que aquilo que realmente pode, não se esqueça das contas que tem por pagar Número da Sorte: 3 Dia mais favorável: Segunda-Feira

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Autores Marco Cardoso, Luís Quaresma, Fernando Parsotam, Bruno Valverde Cota

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Caranguejo

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Teamneurs

Telefone: 21 318 25 91 E-mail: mariahelena@mariahelena.tv

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Balança

Escorpião

Sagitário

Carta Dominante: Rei de Paus, que significa Força, Coragem e Justiça Amor: Aposte tudo na sua relação, pois ela proporcionar-lhe-á momentos inesquecíveis Saúde: Não se desleixe e cuide de si, invista na sua imagem Dinheiro: Pense bem antes de pôr em causa o seu dinheiro, não desperdice sem ter noção daquilo que gasta e em que gasta Número da Sorte: 36 Dia mais favorável: Domingo

Carta Dominante: Rainha de Copas, que significa Amiga Sincera Amor: Este é um bom período para conquistas amorosas, use e abuse do seu charme pois ele arrebatará muitos corações. Saúde: Anda com o sistema respiratório fragilizado, seja prudente e proteja a sua garganta. Dinheiro: Poderá sofrer uma mudança repentina no seu local de trabalho, esteja atento e seja receptivo à mudança. Número da Sorte: 49 Dia mais favorável: Quarta-Feira

Carta Dominante: A Papisa, que significa Estabilidade, Estudo e Mistério Amor: Altura de harmonia e muita paz a nível amoroso, aproveite-a em pleno Saúde: Pratique exercício físico e faça uma alimentação mais equilibrada Dinheiro: Seja mais prudente na forma como gere as suas economias Número da Sorte: 2 Dia mais favorável: Quinta-Feira

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Capricórnio

Aquário

Peixes

Carta Dominante: 2 de Paus, que significa Perda de Oportunidades Amor: Partilhe a boa disposição que o invade com quem o rodeia Saúde: Tenha mais cuidados com os rins, beba muita água Dinheiro: É possível que venha a obter aquela promoção que tanto esperava Número da Sorte: 24 Dia mais favorável: Terça-Feira

Carta Dominante: 5 de Paus, que significa Fracasso. Amor: Poderá vir a ter uma zanga com um familiar, mas não se preocupe que tudo se resolverá. Saúde: Cuidado com as mudanças bruscas de temperatura, pois o seu sistema imunitário anda muito frágil. Dinheiro: Seja prudente na forma como administra a sua conta bancária. Número da Sorte: 27 Dia mais favorável: Quarta-Feira

Carta Dominante: Rainha de Espadas, que significa Melancolia, Separação. Amor: Ponha de parte essa sua mania de ser o mais importante, deixe que o amor invada o seu coração, aproveite o romantismo. Saúde: Cuide da sua alimentação, evite excessos. Dinheiro: Boa altura para comprar aquela peça de vestuário de que tanto gosta, invista mais em si pois bem merece. Número da Sorte: 63 Dia mais favorável: Segunda-Feira

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22 22 Fev ‘10

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Ficha Técnica SEMANÁRIO

Director Nuno Pitti (nuno.pitti@registo.com.pt) Propriedade Nothing Else-.meios&comunicação; Contribuinte 508 561 086 Sede Travessa Ana da Silva, n.º6 -7000.674 - 266 751 179 fax 266 730847 Administração Silvino Alhinho; Joaquim Simões; Nuno Pitti Departamento Comercial Maria João (maria@ registo.com.pt). Redacção: Liliano Pucarinho (liliano@registo.com.pt) Paginação Arte&Design Luis Franjoso (luis.franjoso@registo.com.pt) Fotografia Luís Pardal (luis.pardal@registo.com.pt) Impressão Funchalense – Empresa Gráfica S.A. | www.funchalense. pt | Rua da Capela da Nossa Senhora da Conceição, nº 50 - Morelena | 2715-029 Pêro Pinheiro – Portugal | Telfs. +351 219 677 450 | Fax +351 219 677 459 ERC.ICS 125430 Tiragem 10.000 ex Distribuição Nacional Periodicidade Semanal/Segunda-feira Nº.Depósito Legal 291523/09


23 Cartaz Cultura

VEJA

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LOS, ESPÉCTAU CARTAZ DE CONCERTOS , ES Õ EXPOSIÇ E CULTURA

Entre o Muro e o vazio

«Nós» fotografias de José M. Rodrigues

segunda-Feira 25 de janeiro de 2010 pelas 9:39

museu de Évora, até 28 de Fevereiro terça-Feira a domingo 09h30-12h30 / 14h00-18h00 Entrada: Eur 1,50

A Câmara Municipal de Estremoz informa que este ano a programação do Museu Municipal de Estremoz Prof. Joaquim Vermelho abre com a exposição “Entre o Muro e o Vazio”, tecelagem de Pepa Mancha. Estão patentes na mostra 20 trabalhos, que podem ser fruídos pelos visitantes todos os dias, excepto às segundasfeiras. Decorrerá a exposição de 24 de Janeiro a 21 de Fevereiro, sendo a entrada e o catálogo gratuitos. A tecelagem da artista tem características próprias. Além de usar preferencialmente 2 cores na sua composição cromática, o entrelaçamento e os cruzamentos são sem dúvida a pedra de toque do trabalho de Pepa Mancha. Como bordo (ou Muro), secção que sustenta a obra principal em lã (que cruza o Vazio), está uma armação em ferro, que assume diversas formas geométricas como o quadrado, triângulo, círculo, rectângulo e elipse.

«Jogo das Perguntas» de Claudia Jardim e Patricia Portela Convento da Saudação, em Montemor-o-Novo Pelas 17horas, do dia 27 de Fevereiro Co-Produção Teatro Viriato / Teatro Municipal Maria Matos, com co-criação de Cláudia Jardim e Patrícia Portela, desenho sonoro e música de Christoph de Boeck, direcção técnica e design de luz de Cláudia Rodrigues, apoio dramaturgia de Isabel Garcez. O “jogo das perguntas” é um jogo. Quantas igrejas tem o céu? Há mais folhas numa pereira ou num livro de Harry Potter? Porque se suicidam as folhas quando se sentem amarelas? são algumas das perguntas principais de um jogo feito de muitos jogos, onde se pode marcar pontos, ter sorte, ganhar guerras ou países, tudo graças à eloquência dos jogadores. Um super-jogo cheio de perguntas e sem uma única resposta possível.

Num momento em que vive um particular encanto familiar, acalentado pela chegada de um filho, e um peculiar desafio profissional, alimentado pelas provações da actividade, António Carrapato escolhe a palavra “Nós” para se definir e para se situar, no tempo, no trabalho, no espaço e no sentir. “Nós, Família” e “Nós, Alentejanos” são, segundo o autor, os subtítulos desta designação. A família que, afirma, o trouxe até aqui e o Alentejo que, admite, aqui o mantém. Nesta apresentação, o fotógrafo oferece ao leitor das suas imagens episódios e histórias de um Alentejo inédito e insólito, real e autêntico. As pessoas, as paisagens e as situações, captadas pelo seu característico humor, surgem nas suas não menos típicas molduras de genuidade e ingenuidade, que sustêm todo o seu trabalho. Prestes a completar 20 anos como fotógrafo, António Carrapato conta com a exposição destas 53 peças para dar continuidade à, ainda, breve incursão que iniciou pelo rota da fotografia de autor, pretendendo, contudo, manter a actividade de repórter fotográfico, que desempenha em várias publicações.

Malangatana, 50 Anos de Pintura palácio d. manuel, até 28 de Fevereiro, em Évora 2ª-6ª: 10h00-12h00 / 14h00-18h00; sab: 14h00-18h00

Há Música no castelo 27 de Fevereiro, pelas 15h, Castelo de Évoramonte No âmbito da iniciativa “Há Música no Castelo” - Actividades de Animação Cultural realizadas em castelos sob tutela da Direcção Regional de Cultura do Alentejo, em parceria com a Oficina da Courela - Associação Cultural - terá lugar o próximo evento no Castelo de Evoramonte, dia 27 de Fevereiro, a partir das 15 horas. Às 15 h será desenvolvida uma actividade de exploração do castelo, destinada a pais e filhos; às 16h realizado um workshop de percussão e às 17h um concerto/baile, com grupo de música tradicional Alfa Roba. Entrada gratuita.

Esta mostra reúne 50 trabalhos de Malangatana, produzidos de 1950 até aos dias de hoje, e traça uma retrospectiva da vasta obra do artista na área da pintura, representada em inúmeros museus e colecções privadas em todo o mundo. Malangata nasceu em Moçambique, em Junho de 1936. Antes de se tornar artista profissional, nos anos 60 do século passado, Malangatana foi pastor, aprendiz de medicina tradicional e empregado do clube da elite colonial da então Lourenço Marques, depois Maputo. O artista, que realça que a inspiração lhe surge do quotidiano, já participou em exposições colectivas ou individuais em países como Moçambique, África do Sul, Angola, Brasil, Cuba, Bulgária, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, Alemanha, França, Grã-Bretanha, Holanda, Índia, Suécia, Noruega, Paquistão ou Portugal.

Cidália Moreira Auditório municipal de reguengos de monsaraz dia 27 de Fevereiro, pelas 21h30 Cidália Moreira nasceu em Olhão, em 1944. É actriz e fadista portuguesa, também conhecida como a “fadista cigana”. Nascida em maus anos para a Europa, desde cedo assumiu a sua paixão pelo canto e pela dança e demonstrava-o nas festas da sua escola, onde sobressaía. Com 7 anos de idade torna-se vocalista de um conjunto de animação de bailes, no qual se mantem até ao 14 anos. A sua família, ligada intimamente ao fl amengo, nunca lhe negou o fado, e era nas patuscadas a que o pai, primo direito de Casimiro Ramos, a levava, onde cantava para mais público.


24 22 Fev ‘10

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SEMANÁRIO

Humor imEdiAto ZÉ jorgE

Fazedor de coisas

Passemos a rezar. A ideia foi primeiramente introduzida com o intuito de levar para todo o lado as orações na versão mp3. É engraçado perceber que para além das músicas que nos fazem correr e das músicas que nos fazem chorar, agora também temos aquelas que nos fazem rezar. De facto, não me imagino a correr por entre calçadas sem fim, ou a sentar-me na fonte do Giraldo enquanto ouço o episódio em que Maria conta a José que está grávida do Espírito Santo. Não quero porque, para alem de respeitar a ideia e de a achar bastante pertinente, faz-me sempre lembrar uma novela de um qualquer canal de televisão mais cor-de-rosa ... Passo a dizer que vou experimentar descarregar algumas das orações. Só ainda não sei se temos de estar quietos a ouvir ou se temos de nos benzer no fim... Livro de instruções precisa-se. Não há alturas certas do dia para se rezar e pedir a Ele que nos salve, só tenho medo que com tanta escuta que por aí anda que para além de saber que Ele está em todo o lado, agora também me sussurra ao ouvido. Onde fica a minha privacidade? PUB

nEstA EdiÇão 03// Mineiros de Castro Verde em greve luis pArdAl

06// Gov Civil Fernanda Ramos em entrevista 10// Elvas jovem que foi mantida em cativeiro entregue às autoridades espanholas

12// Reportagem Reis das Ruas

22’ Fev 10

Fotografia & texto elementos da fotografia:

Colaboradores mpestudios

FOTOMANIA “Luzes; objectiva; máquina… Acção!!” Doença crónica, bastante contagiosa que se tem vindo a propagar desde a era do digital. Cada vez mais pessoas compram máquinas de 2000 euros sem saber minimamente o que é a arte fotográfica pois, basta ter uma boa máquina e clikar num botão… Ou não! Tirar uma fotografia é fácil, difícil é criá-la. Envolve treino, estudo e principalmente bastante criatividade. Hoje em dia é tão fácil captar fotografias que o mais valioso é a criatividade do trabalho, porque se a qualidade marca a diferença, na fotografia a diferença marca a qualidade no mercado.

Apesar de tudo, isto está cada vez mais está instalado um “negócio” à volta da fotografia, todos os meses as marcas lançam novas máquinas com cada vez mais funções que vão retirando o encanto da arte fotográfica… Qual o interesse de ter uma máquina que faz tudo sozinha? Talvez o facilitismo nem sempre ajude fazendo com que se deixe de pensar e assim prejudicar os próprios amantes da fotografia. Felizmente, cada vez mais se utiliza a fotografia como modo de expressão, seja ela certa ou errada, todos nós vemos e comentamos fotografias à nossa volta porque vivemos num mundo que gira à volta

da imagem e comunicação. Agora pergunto: O que seria de um casamento sem fotografias para mais tarde (re)lembrar? E um jornal? Teria o mesmo impacto? Pelos vistos devemos estar todos de acordo, vivemos num mundo fotográfico, mas que mesmo assim passa tão despercebido por todos. Por detrás de uma fotografia está alguém que a criou, que registou aquele momento para que, os olhares mais despercebidos, vejam o mundo de uma forma diferente através de uma pura imagem. “A fotografia é como a natureza, não sobrevive sem luz!”

Registo Ed94  

Edição 94 do semanário Registo