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SEMANÁRIO

Director Nuno Pitti Ferreira | 28 de Abril de 2011 | ed. 152 | 0.50€

D.R.

D.R.

ZMAR Campismo ao sabor da ecologia no litoral alentejano

08 REGIONAL Em apenas um ano fecharam no Alentejo 20 9 0 empresas

O Melhor Petisco | Rua Catarina Eufémia , 14 Horta das Figueiras | 7005-320 Évora 266771284

O

s números constam de um estudo do Instituto Nacional de Estatística a que o Registo reve acesso: em 2009, ano de agravamento da crise, fecharam em média 40 empresas por semana na região Alentejo, tendo-se perdido cerca de 10 mil postos de trabalho.

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Luís Pardal | Registo

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Miguel Sampaio em ENTREVISTA

cabeça-de-lista do bloco de esquerda por évora defende criação das regiões administrativas “Esta apagada e vil tristeza em que vive o Alentejo, é consequência da falta de regiões e da falta de articulação efectiva entre a população e o poder central”.

Pág.17 Os números são do Ministério

das Obras Públicas: sem transbordo em Casa Branca a ligação a Beja custa 7 milhões de euros. Com transbordo, fica por 4,5 milhões anuais.

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D.R.

Ligação Intercidades directa para Beja custaria à CP mais 2,5 milhões por ano

CASTRO E BRITO

“Se o FMI servir para pôr as contas em dia será bem vindo”

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7 MARAVILHAS Pratos alentejanos a concurso

Pág.15 Em vésperas do início da 28ª Ovibeja, que se realiza em Beja, de 4 a 8 de Maio, Castro e Brito diz que o certame “tem conseguido resistir à crise” e que este ano aumento o número de expositores.

REPORTAGEM

Leilão de cavalos em Alter do Chão Pág.16 A tradição foi cumprida mais um ano, e a tarde de 24 de Abril, no último sábado, ficou marcada em terras de Alter do Chão, pelo leilão equino da Coudelaria. Foram à “praça” 24 cavalos.


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28 Abril ‘11

A Abrir “25 de Abril e nova geração” Pedro Henriques | Cartoonista www.egoisthedonism.wordpress.com

Dois factos marcantes Capoulas Santos Eurodeputado

Nos últimos dias ocorreram dois factos políticos marcantes: a comemoração do 37º aniversário do 25 de ABRIL e a divulgação das listas de deputados que se candidatam às eleições de 5 de Junho. No que diz respeito às comemorações do 25 de Abril, na nossa cidade, houve um episódio que me surpreendeu e outro que me comoveu. Surpreendeu-me ver, na noite de 24/4, a Praça do Giraldo repleta essencialmente de jovens, como me não lembro de ter visto em qualquer outra comemoração anterior, ostentando orgulhosamente cravos vermelhos e cantando, à meia noite, com convicção, a “Grândola, Vila Morena”. Quer isto dizer que, ao fim de 37 anos, o regime democrático, pese embora as dificuldades do momento, que atingem especialmente as expectativas dos jovens que a democracia qualificou mas a que a economia não foi capaz de responder proporcionalmente, está fortemente enraizado na nossa sociedade. E não apenas na geração que sonhou e viveu a mudança para a democracia há quase quatro décadas. Foi muito bom ter captado este sinal de esperança, que contraria o clima depressivo e de rebaixamento da nossa auto-estima enquanto povo e país, que é diariamente cultivado, com fervor masoquista, na generalidade dos grandes órgãos da comunicação social. O episódio que me comoveu foi a entrega, uma vez mais, de chaves de habitações sociais a famílias carenciadas, uma prática que, no dia 25 de Abril, a Câmara Municipal de Évora inaugurou em 2004. Desde então, quase cinco centenas de famílias que, de outra forma, não poderiam ter visto este direito e sonho realizados, foram condignamente instaladas. Convém lembrar que, antes dos socialistas, outros haviam sido maioritários em Évora, durante mais de duas décadas e meia, e nunca esta preocupação se havia colocado. Dar casa condigna a quem dela precisa e não tem meios para tal, era “da responsabilidade do governo”, diziam eles. Nunca vi expressões de felicidade tão grandes espelhadas num rosto como a que é transmitida no momento em que a “chave” é recebida. E não há acto mais nobre do que este para comemorar Abril, nem evidência mais claramente distintiva do

que separa a esquerda pragmática da esquerda retórica. Desejo que esta seja uma prática que se transforme numa tradição, que perdure apenas o tempo necessário, desejavelmente curto, até que o ultimo eborense esteja dignamente instalado como a nossa Constituição determina. O segundo facto marcante foi a apresentação das listas de deputados pelo Circulo Eleitoral de Évora. Mais uma vez foi patente a diferença entre os maiores partidos que aspiram governar Portugal. Por um lado, o PS apresenta uma lista composta por políticos do distrito e forjados no distrito, encabeçada por um candidato formado em Évora, para a vida e para a politica, e que, a partir de Évora, se impôs a nível nacional pelas suas qualidades humanas e competência comprovada, sem nunca esquecer o distrito que o elegeu. O PS de Évora, com a sua abertura e constante renovação, tem sido uma escola politica que não só torna impensável a qualquer direcção central do partido impor candidatos exteriores, como permite que militantes do PS de Évora assumam lugares de destaque, quer noutros círculos eleitorais, quer no Parlamento Europeu. Do outro lado está o PSD que reincide em candidatos que Évora só conhece nas campanhas eleitorais e que, uma vez eleitos ou não, nunca mais se lembram do distrito ou dos seus eleitores, como foram os casos de Ferreira do Amaral, Manuela Ferreira Leite ou de Maria João Bustorf. Ainda que tal momentaneamente até possa ser favorável às minhas cores politicas, não deixo de me entristecer com a menorização e humilhação impostas a quadros políticos locais, alguns deles injustamente, que independentemente dos pontos de vista que defendem, poderiam valorizar e reforçar de outro modo o peso politico do distrito na A.R. e nos centros de poder. A multidão jovem da Praça do Giraldo a celebrar Abril, a obra feita pelas autarquias e pelos governos do PS no distrito de Évora e a desqualificação dos políticos social democratas eborenses levada a cabo pelo seu próprio partido, deixam-me a certeza de que os cidadãos do distrito de Évora saberão nestas eleições decidir melhor do que nunca sobre quem melhor merece representá-los na Assembleia da Republica.

Protagonistas P15

Manuel Castro e Brito Apesar da crise, a Ovibeja vai ter este ano mais expositores. E o habitual corrupio político irá acentuar-se, muito por causa da crise.

P24

Guillermo Vara Continuam as dúvidas sobre o “prolongamento” da vida da central nuclear de Almaraz, na Extremadura espanhola, contestada pelos ambientalistas.

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Rua do Raimundo, n.º4 (Junto à Praça do Giraldo) Évora - Tel. 266 702 161

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Ficha Técnica Director Nuno Pitti Ferreira (nuno.pitti@registo.com.pt) Editor Luís Maneta

SEMANÁRIO

Propriedade PUBLICREATIVE - Associação para a Promoção e Desenvolvimento Cultural; Contribuinte 5099759815 Sede Rua Werner Von Siemens, n.º16 -7000.639 Évora - Tel: 266 751 179 fax 266 751 179 Direcção Silvino Alhinho; Joaquim Simões; Nuno Pitti Ferreira; Departamento Comercial Teresa Mira (teresa.registo@gmail.com) Paginação Arte&Design Luis Franjoso Cartoonista Pedro Henriques (pedro.henriques@registo.com.pt); Fotografia Luís Pardal (editor) Colaboradores Pedro Galego; Pedro Gama; Carlos Moura; Capoulas Santos; Sónia Ramos Ferro; Carlos Sezões; Margarida Pedrosa; António Costa da Silva; Marcelo Nuno Pereira; Eduardo Luciano; José Filipe Rodrigues; Luís Martins Impressão Funchalense – Empresa Gráfica S.A. | www. funchalense.pt | Rua da Capela da Nossa Senhora da Conceição, nº 50 - Morelena | 2715-029 Pêro Pinheiro – Portugal | Telfs. +351 219 677 450 | Fax +351 219 677 459 ERC.ICS 125430 Tiragem 10.000 ex Distribuição Nacional Periodicidade Semanal/ Quinta-Feira Nº.Depósito Legal 291523/09 Distribuição Miranda Faustino, Lda


3 Política

Paulo Portas diz que o CDS ”está a crescer“ no Alentejo

Évora

Câmara entregou habitações

Numa visita à FIAPE, líder centrista acusou PS E PSD de terem “esquecido” a agricultura portuguesa Nuno Veiga | Lusa

Redacção | Registo “Só um momento, deixem chegar os militantes porque são cada vez mais”. ao pedido de espera, dirigido aos repórteres televisivos momentos antes de prestar declarações sobre a revisão em alta do défice das contas públicas, seria seguido por uma afirmação contundente de Paulo Portas, pouco depois: “O CDS está a crescer muito, até no Alentejo”. O líder centrista falava em Estremoz, no decurso de uma visita à Feira Agro-Pecuária. “Vim cá o ano passado, em que não havia eleições. Estou cá este ano, em teremos eleições em Junho. Voltarei cá no próximo ano em que, espero, não voltará a haver eleições”. Dito de outra forma, Portas diz ser “leal” ao mundo rural. E garante que isso lhe está a trazer votos: “Este crescimento vem de uma lealdade sem falhas ao mundo rural, à gente do campo, àqueles que querem ser empresários agrícolas, que querem contribuir para a riqueza nacional e para o emprego, através da agricultura”. A acompanhá-lo estavam algumas dezenas de militantes, entre os quais os cabeças-de-lista às próximas legislativas pelo círculo de Évora (André Assis) e de Portalegre (o cavaleiro tauromáquico Paulo Caetano), dois círculos onde os centristas sem-

pre estiveram longe de eleger deputados. “Quantas vezes ouviram nestes seis anos José Sócrates falar de Agricultura? Duas e foram duas mentiras. Quantas vezes ouviram Passos Coelho falar de Agricultura? Só agora em campanha eleitoral. Quantas vezes me ouviram lutar pela Agricultura? Todas as semanas e todos os meses”, disse Paulo Portas, considerando que pode “encarar de cara levantada” com os agricultorees portugueses: “Estou do lado deles e garanto a sua presença em Conselho de Ministros com força”. “Um país que está altamente endividado só sairá dessa situação, produzindo mais, exportando mais e substituindo importações”. Classificando a FIAPE como

uma das “mais importantes” feiras agrícolas do Alentejo, Portas não passou ao lado dos temas quentes da política nacional. O dia – sábado – havia sido marcado pela revisão em alta do défice das contas públicas relativo a 2010 (fixado pelo INE em 9,1% do PIB) e o líder centrista apontou “baterias” ao Governo, a quem acusou de seguir uma “política de omissão e de dissimulação das contas públicas”.

“Um país que está altamente endividado só sairá dessa situação, produzindo mais“.

“Os sacrifícios que foram pedidos aos cidadãos e às empresas nos programas de estabilidade e crescimento, afinal, foram quase todos inúteis”, disse Portas, recordando que a meta de 7% do défice não só não foi cumprida como os 9% incluem receitas extraordinárias. Ou seja, uma situação que poderá piorar caso o Governo “persista” nas parcerias público-privadas – “só para o TGV são 6” – nas quais o Estado, como “não tem dinheiro para fazer a obra”, vai pedir aos privados e estes “respondem, naturalmente, que só põem dinheiro se for rentável”. “Como não é rentável, o Estado garante o risco, garante o financiamento e uma rentabilidade que não existe. Esta política tem de parar, porque arruína a economia e as próximas gerações”.

Segurança

Corte no combustível preocupa deputado Alguns destacamentos e postos da GNR no distrito de Beja foram obrigados pelo Ministério da Administração Interna a efectuar cortes de combustível entre 50 e 60%, diz o deputado comunista João Ramos numa pergunta entregue na Assembleia da República, em que questiona o Governo sobre as razões dos cortes e as orientações dadas às forças de segurança

relativamente aos procedimentos a seguir depois de esgotados os limites atribuídos. Segundo João Ramos, o assunto tem sido discutido em reuniões dos conselhos municipais de segurança do distrito de Beja. Além do combustível, terão igualmente sido dadas orientações para a redução de 20% nos consumos de água e energia eléctrica, bem como cortes nos

consumíveis - aumentando o pedido de ajuda às autarquias. “Esta á uma postura que não dignifica a instituição e não concorre para o sentimento de segurança das populações, para além de poder colocar graves entraves à manutenção da ordem e da segurança, nomeadamente ao limitar, em muito, a mobilidade dos militares”, refere o deputado comunista.

Após 40 anos a morarem numa casa que mais se assemelha a “uma barraca”, Lucinda dos Santos e o marido foram um dos 29 agregados familiares de Évora contemplados pelo município com habitação social. Esta foi uma das famílias presentes na cerimónia de celebração de contratos de arrendamento social realizada pela empresa municipal Habévora, no salão nobre dos Paços do Concelho, no âmbito das comemorações do 37.º aniversário do 25 de Abril. A sessão abrangeu 29 agregados familiares, num conjunto de 84 habitantes, sendo que 16 dos contratos foram novos arrendamentos com agregados familiares “muito carenciados”, que viviam “em situação extremamente degradante”. Das outras situações, seis visaram a regularização de agregados familiares que viviam em “precariedade e insegurança” e as restantes sete resultaram de permutas entre agregados familiares, para resolver “problemas graves de saúde, sobrelotação e sublocação”. A satisfação foi visível nos rostos das famílias abrangidas, nomeadamente no de Lucinda, que vivia “numa casa que é praticamente uma barraca”. “Eu pedi umas ‘casinhas’ porque me chovia em casa, bastante. Era como se fosse na rua”, relatou, explicando que a renda era “baratíssima”, de cinco euros, mas mais era impossível porque “aquilo está tudo podre”. A renda da nova casa é um pouco mais elevada, mas não ultrapassa os 35 euros devido às “reformas pequeninas” que ela e o marido recebem: “É uma ajuda muito grande que me estão a dar”. Para o vice-presidente do Município de Évora e presidente da Habévora, Manuel Melgão, a atribuição de habitação social por ocasião das comemorações do 25 de Abril, habitual há vários anos, é a forma indicada de celebrar a Revolução dos Cravos. “É uma forma de podermos cumprir abril. Fala-se muito das conquistas sociais e a habitação condigna, consagrada na Constituição, encaixa perfeitamente no espírito do dia de hoje”. E, disse Manuel Melgão, há novos projetos na calha, como uma urbanização a custos controlados em construção na cidade, com um total de 118 fogos, dos quais a Habévora vai ficar com 30 para colocar no mercado de arrendamento. O objectivo, realçou, é “dar mais uma ajuda” para combater este flagelo.


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28 Abril ‘11

Política D.R.

Comemorar o 1º Maio José Correia

Secretariado Inter-Regional da CGTP no Alentejo

As origens do 1º de Maio estão associadas aos trágicos acontecimentos que ocorreram em 1 de Maio de 1886, na cidade norte-americana de Chicago, quando no decorrer de uma Greve Geral em defesa da jornada de trabalho de 8 horas, se registou uma violenta repressão da polícia, culminando na prisão de 8 manifestantes, sendo 7 deles condenados à pena de morte. Assim, em Paris, em 1889 resolveram internacionalizar o 1º de Maio, declarando-o dia de luta do proletariado, marcando para o ano seguinte, manifestações simultâneas em todos os países. Comemoramos assim os 121 anos de 1º de Maio. Importa assinalar que, na sequência da Revolução Industrial, verificada nos finais do séc. 18, o operariado era objecto de uma intensíssima e desumana exploração que se traduzia em inúmeras brutalidades, sendo forçado a trabalhar 12, 14 e 16 e mais horas por dia, na indústria e no comércio e, de sol a sol, na agricultura. Esta exploração desmedida, sem qualquer tipo de escrúpulos, de direitos, do trabalho infantil e do trabalho feminino era uma fonte suplementar de lucro para o empresário capitalista. Animado e estimulado pelas novas ideias suscitadas pelo Manifesto de Marx e Engels, e pela consciência de que as causas desta exploração desenfreada residia unicamente na obtenção do máximo lucro com o mínimo custo, o operariado empreende lutas constantes

centradas na redução da jornada de trabalho, por melhores salários e contra a exploração humana, procurando pôr termo a esta desumana e intolerável situação. É assim que em 1866, o Congresso de Genebra da 1ª Internacional, estabelece como objectivo a limitação da jornada de trabalho a 8 horas (o “triplo” 8: 8 h para trabalhar; 8 h para o descanso e 8 h para a cultura e educação), que se converte como exigência para a protecção do trabalhador como ser humano.

“Comemorar este ano o 1º de Maio assume uma importância transcendente quando se acentuam como nunca as injustiças, as desigualdades, quando se põe em causa direitos constitucionalmente consagrados”.

Neste momento em Portugal, assistimos a um retrocesso do relógio da história, estabelecendo o actual Código do Trabalho a possibilidade de jornadas diárias até às 12 horas e duração semanal até às 60 horas: é a chamada “adaptabilidade horária”. Comemorar este ano o 1º de Maio assume uma importância transcendente quando se acentuam como nunca as injustiças, as desigualdades, quando se põe em causa direitos constitucionalmente consagrados, quando se estende a miséria, a pobreza, a precariedade, o desemprego e os baixos salários. Portugal é o país da Europa onde mais se acentuam os fenómenos de exclusão e os riscos de pobreza entre os que estão empregados. Os sucessivos Governos que nos têm desgovernado continuam a impor-nos como única solução para o desenvolvimento políticas erradas e sacrifícios inúteis. O desenvolvimento do país exige trabalho com direitos e não se trata apenas da melhoria das condições de vida e do bem-estar da generalidade da população. Trata-se sobretudo, de afirmar uma estratégia de compromisso entre justa distribuição de sacrifícios e de riqueza, progresso social e desenvolvimento económico do país. Participar no 1º de Maio é pois juntar a nossa força à luta por um futuro melhor. É tempo de Protesto, Unidade e Determinação, tomando em mãos os destinos das nossas vidas, exigindo para isso uma política diferente.

Um zero à esquerda Sónia ramos ferro Jurista

Mais importante que a pré-campanha eleitoral dos partidos políticos e toda a polémica que se gerou em torno das listas de Deputados à Assembleia da República, é o futuro de Portugal e as condições que nos serão impostas pela Troika, para nos emprestar dinheiro. Sócrates não parece particularmente preocupado com isso, e Teixeira dos Santos, abandonado por todos os comparsas socialistas e pelo próprio líder, excluídos das listas do PS, orgulhosamente (?) só, nada mais lhe resta senão cumprir agenda. A forma como o PS tem tratado este discípulo de Sócrates demonstra bem o calculismo político e a ingratidão de um partido que procura a todo o custo manter-se no poder. Teixeira dos Santos, Tecnocrata de reputação afamada deixou-se, também ele, inebriar por Sócrates a quem serviu passando por cima da sua própria vontade, palavra e co-

nhecimentos técnicos, apenas para manter intacto (?) o capital político de um líder que afundou o país. Imagino quantas vezes já se terá arrependido de ter deixado um cargo de lhe deu notoriedade, para se tornar servo dos desmandos de um alucinado, que agora lhe tira o tapete e nem o considera habilitado para ser Deputado da República. À esquerda, os partidos também não estão especialmente preocupados com o país, tão pouco se deram ao trabalho de reunir com os representantes da Troika, numa atitude puramente eleitoralista e irresponsável. Dizem que não negociam com entidades externas. Como se não precisássemos delas para sair de uma crise gravíssima. Como se fosse o FMI que precisasse desesperadamente de nós. Não surpreende. Os partidos de esquerda nunca se comprometem. Esgotam-se em si próprios, não têm qualquer finalidade a não ser contestar e chumbar

orçamentos de Estado. Mas numa situação excepcional em que é necessário colocar o país à frente dos interesses partidários, e deixar de lado a cartilha marxista, ninguém conta com eles. Esta atitude quer do PCP quer do Bloco de Esquerda deverá ser determinante para a escolha dos eleitores. Quem se excluiu duma situação destas rejeitando em absoluto a possibilidade de ajudar o seu país ou de pelo menos con-

“Como se fosse o FMI que precisasse desesperadamente de nós. Não surpreende. Os partidos de esquerda nunca se comprometem“.

tribuir para o esclarecimento dos factos e dizer de sua justiça, não merece o voto dos portugueses. A esquerda portuguesa continua igual a si própria. Sem alternativas, actuando sempre numa lógica de autoexclusão, o que legitima, em seu entendimento, o permanente bradar de palavras de ordem vazias. Esta dura realidade parece esquecida pelos portugueses, alucinados ainda com o espectáculo que ocorreu em Matosinhos, onde apenas um ilustre desconhecido teve discernimento suficiente para afirmar o óbvio: quem nos afundou na bancarrota não pode voltar a ser Primeiro-ministro deste país. Essa afirmação parece-me óbvia. Mas é esse mesmo homem que se arroga de salvador da pátria que pretende continuar a decidir o nosso destino. É certo que a sua assessoria de imagem e marketing político são eficazes e que infelizmente ainda há muito boa gente que se deixa

inebriar pelo político que, contra tudo e contra todos, teimosamente se apresenta a eleições, como se tal representasse um acto de coragem. Pelo menos Guterres teve o discernimento necessário para perceber o momento em que a sua retirada constituía fonte de estabilidade. Sócrates já demonstrou que não tem essa qualidade. Apela agora às coisas positivas que fez pelo país nos últimos seis anos. Certamente ocorreu-lhe o choque tecnológico, o Magalhães e o simplex, mas o que significa isso comparado com a bancarrota, com a falta de credibilidade externa do nosso país em honrar os seus compromissos e a vergonha da vinda do FMI, pela terceira vez, sempre pela mão dos socialistas? Pesados os argumentos, não existe termo de comparação. Quem conduziu o país à falência não tem competência para liderar. Elementar.


5 Política

Governo acelera ritmo de inaugurações Titulares das pastas da Educação, Saúde e Agricultura passaram pelo Alentejo. José Sócrates vem a Évora no próximo sábado. Foto | Arquivo

Redacção | Registo Três ministros em dois dias: Isabel Alçada (Torrão), Ana Jorge (Grândola) e António Serrano (Cuba). A que se segue o primeiro-ministro, José Sócrates, no próximo sábado em Évora, na qualidade de secretário-geral do PS. No Governo, o tempo é de “acelerar” o ritmo tendo em vista as eleições de 5 de Junho. E não faltam inaugurações na rota do Executivo. “Esta obra foi projectada, lançada e executada pelo Governo. O Governo tem o direito de a inaugurar”, diz a ministra da Saúde, Ana Jorge, momentos depois de ter inaugurado a unidade de cuidados continuados de Grândola – investimento superior a um milhão de euros equipamento com capacidade para 20 utentes. “Ao fim de dois /três anos, estamos agora a conseguir abrir as unidades em que investimos em colaboração com diversas instituições”. À sua espera, Ana Jorge tinha uma manifestação com algumas dezenas de utentes dos serviços de saúde de Grândola que reivindicam o funcionamento do serviço de atendimento permanente (SAP) do centro de saúde local até às 24 horas. “Há um compromisso com o presidente da Câmara e com os representantes PUB

José Sócrates estará no próximo sábado em Évora. da população de manter o Centro de Saúde aberto até à meia-noite, mas isso não tem sido possível porque há falta de médicos disponíveis para fazer as horas necessárias”, justificou a ministra, assegurando que Grândola integra as “próximas prioridades” na distribuição de médicos estrangeiros que irão che-

gar a Portugal em meados de Maio. “Já chegou um primeiro grupo de médicos estrangeiros e está a chegar um segundo grupo de médicos (colombianos) que será distribuído pelos locais onde houver maior carência” A passagem de Ana Jorge por Grândola aconteceu na terça-feira. Precisamente o

mesmo dia em que, horas antes, a ministra da Educação, Isabel Alçada, ter inaugurado o novo Centro Escolar do Torrão, em Alcácer do Sal, num investimento de 1,4 milhões de euros que vai servir mais de uma centena de crianças do pré-escolar ao 4.º ano de escolaridade. “É natural que se inaugurem as escolas que, simbolicamente, se abrem com uma cerimónia. Escolas que estão concluídas, que se fizeram e que se estão a entregar às comunidades”, referiu Isabel Alçada. Acrescentando que a inauguração de uma nova escola “não é campanha eleitoral”. Curiosamente, os dois municípios (Grândola e Alcácer do Sal) são geridos pelo PS. Tal como socialista é a presidência da câmara de Cuba, concelho onde ontem se deslocou o ministro da Agricultura, António Serrano, para “visitar” diversos investimentos concluídos no Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva. Fonte do gabinete do ministro refere que a deslocação se enquadra na conclusão, por parte da EDIA, da “instalação de todas as centrais mini hídricas do empreendimento”, tendo sido disponibilizados mais 9 mil hectares de novos regadios. “Nos dois blocos de rega, Alfundão e Ferreira/ Figueirinha e Valbom, foram investidos 60 milhões de euros”.


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28 Abril ‘11

Entrevista

Miguel Sampaio, cabeça-de-lista do Bloco de Esquerda pelo círculo eleitoral de Évora às próximas legislativas

”A vil tristeza“ do Alentejo resulta da ”falta de regiões“ Luís Maneta | Registo Comecemos pelas comemorações do 25 de Abril que este ano foram mazinhas, mesmo em Évora. Pouco se deu por elas. Foi assim em todo o país, motivado pelo circunstancialismo de não haver dinheiro e de o país estar deprimido. As pessoas estão deprimidas e é natural que isso tenha tido reflexos nas comemorações do 25 de Abril. De qualquer das formas, estive na Praça do Giraldo e a adesão popular foi grande, estava muita gente.

Não sente algum desencanto por parte das pessoas? Não. Sinto é que existe desencanto em relação à actual política, consequência do Novembro de 1975. A democracia é um dado adquirido e, nesse sentido, não há qualquer desencanto. As pessoas andam tristes, preocupadas e com medo, e o medo é sempre mau conselheiro. É uma depressão da qual não iremos sair nas próximas eleições! As próximas eleições serão, antes de mais, um “case study”. Será a primeira vez que se desenrola

uma campanha eleitoral com um “bail-out” [salvamento, resgate da dívida] a decorrer e isso é determinante em termos do que vai ser dito e assumido nestas eleições. As pessoas não sabem o que esperar. Os próprios partidos daquilo a que se chama o arco da governabilidade estão amarrados a uma ideia de consenso generalizado e não sabem muito bem o que hão-de propor. Nesse sentido, estas eleições serão diferentes. Não irão mudar grande coisa no país! Só há uma hipótese: aumentar

a representativa da Esquerda.

crise, quem é que a criou?

Bom, mas a partir do momento em que essa Esquerda se exclui do tal arco de governabilidade … A Esquerda tem representação parlamentar, concorre a eleições. O arco da governabilidade é que exclui a Esquerda e não o contrário, essa é uma mensagem que tem sido passada de há alguns anos a esta parte, inclusive pela comunicação social centralizada. Nós entendemos que quem deve suportar os custos da crise é quem a causou. A questão que se coloca é: quem ganha com esta

O Bloco de Esquerda tem acusado o sector financeiro e a banca. O sistema financeiro está na base desta crise que se avoluma e atinge contornos até hoje inimagináveis por causa das políticas adoptadas. Não se compreende que se reduzam ordenados, que se fale inclusivamente no pagamento dos 13º e 14º mês em títulos do tesouro, taxa-se o trabalho e não se taxa o capital. Porque é que não existe um imposto único sobre as grandes fortunas? Porque é que não se


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Luís Pardal | Registo

“Nós batemo-nos por uma maior representatividade, pela fixação de populações para combater o despovoamento. Portugal é um país de litoral e isso tem de ser contrariado”.

ra como a grande solução para os problemas do país quando, na realidade, o que propõe é mais do mesmo, a recessão sobre a recessão, os juros sobre os juros. Presumo que o objectivo da candidatura do Bloco de Esquerda por Évora não seja a eleição de um deputado? O objectivo será sempre o de eleger um deputado. Temos eleições legislativas e o objectivo de qualquer candidatura é eleger um deputado, a fasquia é essa. Tarefa que, pelo menos à partida, parece inalcançável? É uma tarefa hercúlea mas o difícil não é sinónimo de impossível e o Bloco ao candidatar-se pelo círculo de Évora, com uma lista com qualidade, pretende alargar a representatividade do espectro da Esquerda neste distrito. Se houver uma subida de votação já será um bom resultado? Um resultado razoável pois o objectivo é o alargamento da representatividade da Esquerda. Évora é um distrito deprimido, o Alentejo representa um terço do território nacional e tem menos de 500 mil habitantes … isso é algo que me preocupa, nós batemo-nos por uma maior representatividade, pela fixação de populações para combater o despovoamento. Portugal é um país de litoral e no litoral temos as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto que secam tudo à volta, isso tem de ser contrariado por uma atitude constante de fixação de populações, apoio fiscal à criação de pequenas e médias empresas, a aplicação do banco de terras.

taxam de forma convincente as operações bolsistas? Tem alguma explicação? Os ditos partidos do arco da governabilidade – PS e Direita – impõem, via União Europeia, esta política. Não se percebe porque é que não existe uma auditoria à dívida externa, à dívida privada, com a finalidade de clarificar a situação e fazer saltar os “esqueletos” do armário. As pessoas pagam impostos, estão a ser trituradas economicamente por esta situação, e no mínimo têm o direito de saber o que se passa, para onde vai o dinheiro. Sendo eleito deputado, seria de esperar da sua parte propostas de governabilidade? Da minha como da parte de qualquer deputado do Bloco de Esquerda, como aliás tem sucedido. Estas propostas não são de hoje nem de ontem, têm sido sistematicamente apresentadas pela Esquerda e que têm sido rejeitadas neste Parlamento pelos partidos que se apresentam ago-

“Uma autarquia intermédia é fundamental, o país não se desenvolve de outra forma e se nós olharmos para o mapa humano de Portugal ficamos com a noção clara disso mesmo. Existe Lisboa, o Porto e o litoral e o interior vai-se desertificando”.

A criação do banco de terras será uma das propostas centrais do Bloco de Esquerda? Sim, para fixar pessoas e dar resposta a questões graves que se colocam mesmo a nível mundial. A especulação também chegou aos alimentos e não é com monoculturas intensivas, por exemplo de olival, que se criam estruturas. Daí resulta pouca empregabilidade? E a desqualificação da terra pois as monoculturas intensivas têm um custo e têm um prazo. E depois o que se faz? Vai apresentar um programa eleitoral com propostas para o distrito de Évora? Vamos apresentar o programa eleitoral do Bloco de Esquerda e depois fazer a sua adequação à realidade do distrito fazendo propostas consistentes, sendo que as nossas propostas passam no fundamental pela taxação das grandes fortunas, pelo combate à especulação, pela criação de emprego, por uma discussão ampla acerca da resposta a este

NÚmero

11%

<Nas legislativas de 2009, o Bloco de Esquerda alcançou em Évora 11,12% dos votos. Superar este resultado é um dos objectivos de Miguel Sampaio. O principal seria conseguir a eleição de um deputado.>

“bail-out” que está a acontecer e que nos vai retirar soberania. O deputado do PCP lançou no Registo o desafio aos outros partidos no sentido de se encontrar uma plataforma que permita manter a construção do novo hospital de Évora. O Bloco subscreve esta prioridade? O Bloco já subscreveu ao apoiar a atribuição de verbas do PIDDAC para o novo hospital. A nossa posição é a favor da construção do novo hospital mas a bandeira que elegemos para o distrito é a aposta na criação de bancos de terra, apoio à criação de emprego em pequenas e médias empresas, uma aposta mais qualificada na relação que deveria existir entre a Universidade de Évora e a sociedade civil. Essa relação já foi tentada. Acabaram por se criar novas estruturas, como a Unesul, e o resultado não foi o esperado! A questão que se coloca é mais vasta e reside a montante, não é um pecado da Universidade de Évora: os tempos mudaram e tem de haver uma adequação da formação às novas realidades. A partir daí é que se tem de debater como é que essa sinergia se vai processar. Tem propostas concretas? Exigem inúmeras possibilidades, como o apoio à criação de ninhos de empresas de forma a fixar a massa crítica formada na Universidade, uma maior intervenção a nível energético, por exemplo. Quando se faz, e bem, uma aposta nas energias renováveis limpas tem de existir uma articulação com a Universidade, por exemplo ao nível da formação prestada a pequenas e médias empresas. As grandes empresas que se instalam em Portugal, como a Embraer ou a Auto-europa, são bem-vindas, trazem trabalho e levam à criação de outras pequenas empresas [fornecedoras de bens e serviços]. Se existir uma retirada estratégica dessas grandes empresas, se fecharem, fecham todas as pequenas empresas que vivem dela. Uma aposta nas pequenas empresas, mesmo tendo sido por aí que a crise entrou em força? Foi por onde este Governo, com o apoio do PSD, deixou que a crise entrasse porque o recurso ao crédito foi limitado, os custos das matérias-primas aumentaram … não há outra saída que não seja apoiar estas empresas. A regionalização continua em cima da mesa. Agora dizse que não é oportuno avançar com a criação das regiões por causa da crise. Esta é uma prioridade para o Bloco de Esquerda? O Bloco não tomou ainda uma posição definitiva, oficial, acerca da regionalização. Será assumida na próxima convenção. O candidato por Évora tem

opinião formada? O Miguel Sampaio tem, sou 100 por cento a favor da regionalização. Não vejo como é que um país se pode desenvolver sem uma autarquia intermédia. Não há possibilidade! Esta apagada e vil tristeza em que vive o Alentejo, a desertificação e abandono, é consequência da falta de regiões e da falta de articulação efectiva entre a população e o poder. As regiões seriam sempre um poder intermédio. Quando as pessoas falam de descentralização fico assustado. Porquê? Porque se criam instituições que até seriam benéficas mas que depois, na prática, acabam por ser ramificações do Poder Central que tem uma realidade mais marco, não estando no terreno as decisões não são fundamentadas ao nível das necessidades efectivas das populações. As regiões existirão para dar voz às especificidades do território. Isso não seria estar a criar mais despesa para o Estado? Isso é um mito. A criação de uma região em termos funcionais implica o desmantelamento de estruturas do poder central como os governos civis que gastam bastante dinheiro e são um peso, atrever-me-ia a dizer espúrio, nas contas do Estado. É um mito dizer que as regiões vão gerar mais despesa. Uma autarquia intermédia é fundamental, o país não se desenvolve de outra forma e se nós olharmos para o mapa humano de Portugal ficamos com a noção clara disso mesmo. Existe Lisboa, o Porto e o litoral e o interior vai-se desertificando. Com consequências a vários níveis. Exacto. Como de desertifica, fecham-se escolas, fecham-se centros de saúde, acabam-se com aldeias … tem de haver uma região que aborde as questões essenciais para o desenvolvimento do Alentejo. Com a obrigatoriedade de um referendo? Terá de haver uma fórmula para resolver de vez este assunto e aí, sim, tem de ser uma questão consensual. É uma questão de cidadania. O PS e o PSD criaram constitucionalmente sérios entraves à concretização da regionalização, problema que tem de ser resolvido consensualmente. Agora, não se pode é ser a favor da regionalização à segundafeira e depois, à terça-feira, porque se é responsável pela lista a apresentar a um congresso partidário, dizer que deve ficar suspensa no limbo dos projectos interessantes que um dia se concretização com a saída da “troika” e a entrada do “triunvirato”. É a altura para as regiões? Numa altura de crise, é uma resposta. É uma resposta. Nas alturas de crise tem de ser dada voz às populações, uma crise não se resolve com números de bilhete de identidade mas com as pessoas, pessoas que têm rosto.


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28 Abril ‘11

Regional

Alentejo perde 40 empresas por semana

Foto | Arquivo

Perdidos 10 mil postos de trabalho num ano. Luís Maneta | Registo O Alentejo perdeu num ano 2090 empresas, indica um estudo do Instituto Nacional de Estatística a que o Registo teve acesso. Entre falências e encerramentos, todos os dias fecharam, em média, 40 empresas, tendo sido perdidos cerca de 10 mil postos de trabalho. Os dados referem-se a 2009, o ano do começo da crise. E terse-ão agravado ao longo dos últimos meses, segundo a perspectiva das confederações empresariais. “O encerramento de empresas é uma tendência que, lamentavelmente, se tem vindo a acentuar”, diz António Saraiva, presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP). O Alentejo chegou a 2010 com um total de 65 412 empresas não financeiras, menos 3,1% do que um ano antes (eram, nessa altura, 67 503). A quebra é ainda mais sentida ao nível do número de trabalhadores, cuja redução ascendeu a 5,1%: o número de funcionários das empresas alentejanas do sector não-financeiro passou de 180.186 para 170.962. O estudo do INE representa um espelho claro da crise que atravessa o sector empresarial alentejano: as empresas da região venderam menos 8,2% (uma quebra na venda de mercadorias superior a 500 mil euros) e o volume de negócios caiu 9,7%. As empresas individuais são as mais expostas à contracção económica, representando 94% do total de firmas encerradas. “São as mais vulneráveis e, por isso, as que continuam a encerrar todos os dias”. “O fecho de empresas que foi grande em 2009 acelerou em 2010. E em 2011 está pior. Esses números vão ser superados”, garante o presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCSP), José Vieira Lopes. “Não sou capaz dizer se esse número será muito ou pouco superado mas a tendência é de claro agravamento porque as medidas tomadas [para equilíbrio das contas públicas] vão acelerar esses factores negativos”. A diminuição do poder de compra e o aumento das dificuldade de acesso ao crédito torna a vida difícil para muitos comerciantes, forçados a encerrar a porta. “No sector retalhista há sobretudo um problema de consumo. No grossista, algumas empresas vêem-se entaladas entre os bancos e as seguradoras de crédito para efeitos de antecipação de produto”. Entre as maiores empresas há também quem enfrente dificul-

dades. “O decréscimo dos principais indicadores económicos do sector empresarial não financeiro foi transversal às empresas de todas as classes de dimensão, sinal de que a conjuntura de recessão afectou não apenas as empresas de menor dimensão, como também as grandes empresas habitualmente reconhecidas por uma maior solidez financeira”, assinala o INE. Das empresas registadas no Alentejo, só 18.184 são sociedades, com uma dimensão média em termos de pessoal das mais baixas do país: 6,3 trabalhadores por cada unidade empresarial. Um pouco menos de metade destas sociedades operam no sector dos serviços (7.853 empresas), seguindo-se o comércio (5.792), pesca, indústria e energia (2.320) e construção (2.219). Ao longo de 2009, a estrutura financeira das sociedades manteve as características registadas em anos anteriores, com um elevado grau de dependência face aos credores, patente no endividamento superior a dois terços do total de fundos utilizado para o financiamento das actividades. “A reduzida utilização dos capitais próprios como meio de financiamento reflecte-se nos valores dos rácios de solvabilidade e de autonomia financeira”,

Mais casais desempregados O Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) revela que no final de Fevereiro os casais desempregados eram 4.369, o que representa um aumento de 185,5% face a Outubro (1.530) e uma subida de 5,2% em relação a Janeiro (4.152). Este “aumento poderá não reflectir ainda um crescimento do desemprego nestas situações, mas sim um maior número de casos registados”, isto tendo em conta que o IEFP só passou a recolher desde Outubro de 2010 informação relativa à situação laboral do cônjuge, identificando o número de casais em que ambos estão registados como desempregados na área de residência, explica o instituto. No final de Fevereiro, estavam registados nos centros de emprego do continente 531.266 desempregados, dos quais 50,7% eram casados ou viviam em situação de união de facto, perfazendo um total de 269.447.

O encerramento definitivo da Delphi, uma das maiores empregadoras do Alentejo, lançou no desemprego 430 pessoas. explica fonte do Instituto Nacional de Estatística. A situação no Alentejo está em linha com a evolução nacional: e, 2009 fecharam em Portugal 36.250 empresas. A crise está a ser sentida de forma mais intensa no comércio, sector que num ano perdeu 15 679 empresas e 28 mil postos de trabalho em resultado de uma quebra de 8,2% na facturação, seguido pelo da construção (onde as micro-empresas correspondem a 92,3% do total de unidades empresariais), em que fecharam 9491 firmas.

A indústria transformadora, o turismo e as actividades de consultoria também viveram um mau ano, ao contrário de áreas como Educação e Saúde, onde se registou o aumento do número de empresas e de funcionários. No que diz respeito às actividades financeiras e de seguros, o estudo do INE revela o encerramento de 901 unidades (- 3,6%), como consequência do “ambiente de desconfiança” e da falta de liquidez nos mercados. A situação agravou-se ao longo de 2010, ano em que segundo

a Coface, empresa especializada na análise de riscos comerciais, o número de falências aumento 15,6% comparativamente com o ano anterior. Nos primeiros meses de 2011 foram igualmente batidos todos os recordes, somando-se 1 293 insolvências até 16 de Abril (+ 8,38% que o ano passado), segundo o Instituto Informador Comercial. No caso concreto do Alentejo, o número de falências abrandou nos primeiros meses do ano, depois de terem sido atingidos números “recorde” em 2009 e 2010.

O caso da Delphi Foi durante anos uma das maiores empregadoras do Alentejo e a maior fábrica do distrito de Portalegre. Mas a 31 de Dezembro de 2009, a Delphi encerrou a unidade de Ponte de Sor e lançou para o desemprego 430 pessoas. A empresa, que estava sedeada na região há três décadas, produzia componentes para a indústria

automóvel e não conseguiu resistir à crise. Na sequência de um acordo com a administração, os trabalhadores receberam uma indemnização de 2,3 salários por cada ano de trabalho. Na mesma altura, a Delphi anunciou o despedimento de 500 trabalhadores de uma fábrica na Guarda, que encerraria portas um ano depois,

lançando no desemprego mais 321 funcionários. Em Ponte de Sor, também fechou portas a corticeira Subercentro, inaugurada em 2001 depois de um investimento de 10 milhões de euros. O encerramento desta empresa deixou sem trabalho cerca de 200 pessoas - nalguns casos foram despedidos marido e mulher.


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1741 licenciados alentejanos à procura de emprego

Foto | Arquivo

Licenciados representam 7,2% do total de desempregados na região Alentejo Redacção | Registo Há 1.741 pessoas inscritas nos centros de emprego do Alentejo. Os dados relativos a Março deste ano foram avalçados ao Registo por fonte do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) e representam uma ligeira diminuição face ao mês anterior, quando o número de licenciados inscritos era de 1.804. Feitas as contas, os licenciados representam 7,2% do total de desempregados alentejanos inscritos nos centros de emprego. “São números que ficam aquém da realidade do desemprego”, diz fonte sindical, considerando existir um “fosso cada vez maior” entre o número de inscritos no IEFP e o número real de desempregados. “As pessoas só se inscrevem quando acham que têm possibilidade de acesso ao subsídio de desemprego ou a políticas activas de emprego”, diz o secretário-geral da UGT, João Proença. Dos 1.741 licenciados à procuPUB

ra de emprego no Alentejo, 320 residem em Évora e 182 em Portalegre. É, no entanto, nos níveis de escolaridade mais baixos que se agravam os números do desemprego: dos 24.126 alentejanos inscritos nos centros de emprego, 7.612 não têm mais do que o ensino básico (antiga 4ª classe), o que representa 31,5% do total. Com o segundo e terceiro ciclos do ensino básico encontram-se inscritas 4.337 e 5.263 pessoas, respectivamente. Já com o ensino secundário completo, o número de desempregados é de 5.173 (21,4% do total). Em termos absolutos, o número de inscritos nos centros de emprego do Alentejo voltou a subir em Março, atingindo as 24.106 pessoas, um aumento de 0,7% comparativamente com o mês anterior. O Alentejo foi, aliás, a única região de Portugal Continental onde o desemprego subiu – em todas as outras houve quebras do desemprego entre 0,5% (Lisboa) e 4,5% (Algarve).

Quando comparado com o mês homólogo de 2010, o número de inscritos nos centros de emprego do Alentejo recua 6,7%. Piores são os números relativos à oferta de emprego: 1258 no mês de Março, uma quebra de 6% em relação a Fevereiro e uma redução de 11% relativamente ao mesmo mês do ano anterior. Quanto aos escalões etários, os números do IEFP indicam que uma grande percentagem de desempregados alentejanos têm entre 35 e 54 anos da idade (10.667). Entre os 25 e os 34 anos estavam inscritas nos centros de emprego da região 5.967 pessoas. E, com mais de 55 anos, procuravam trabalho 4.053 desempregados. Já no que diz respeito ao desemprego jovem, ou seja, às pessoas com menos de 25 anos, o número de inscritos ascendia em Março a 3.439. É no Centro de Emprego de Évora que se encontra o maior número de inscritos em toda a região: 2.612 (10,8% do total).

Trabalho pecário levou “geração á rasca” a protestar nas ruas.


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28 Abril ‘11

Regional Saúde

21 Um olhar antropológico

Bye, bye, “25 de Abril”! José Rodrigues dos Santos* Antropólogo

É preciso ter vivido os anos de luta contra o “Estado Novo” e o que ele representava, é preciso ter vivido a emoção da queda do regime para dar todo o valor ao que foi conseguido. O que a grande massa da população entendia conquistar ao demolir o salazarismo, mesmo sem ter uma compreensão completa do estado de coisas nem do que podia esperar da libertação, eram duas ou três coisas básicas, a partir das quais poderia construir-se um novo espaço público. Fim das guerras coloniais, liberdade de expressão pública (imprensa, media), liberdade de associação (partidos, sindicatos livres), liberdade de voto num sistema pluralista. Eram objectivos políticos e também sociais, condições necessárias (infelizmente não suficientes) para recoser o tecido social atomizado, que deixava no seu rasto o meio século de salazarismo. É inegável que essas reivindicações fundamentais foram satisfeitas. Mas o “25 de Abril” foi também, para as “vanguardas” que mais se tinham empenhado na luta clandestina (e com ela tinham sofrido), a ocasião para imporem uma concepção diferente: a da hegemonia política de um partido, auto-designado como direcção clarividente das massas, expressão “orgânica” da classe proletária. Nesta óptica, a liberdade que a maioria reclamava era “liberdade” entre aspas, pois a verdadeira só poderia advir da destruição do capitalismo, pela força se necessário e contra a maioria, se inevitável. Imprensa livre, rádios, televisões livres, sim, se fossem favoráveis ao partido. Como se diz em Cuba, “Pela revolução tudo, contra a revolução, nada”. A decepção terá sido terrível, ao ver que, na arena das eleições, passados os entusiasmos do início, dum pouco menos de 20% dos votos, em breve caem abaixo dos 10%. Esse “outro” “25 de Abril”, o que era a promessa da vitória dum partido com capacidade para impor as suas orientações, morreu. O romantismo revolucionário, generoso e sincero, que sempre acompanhou e justificou a luta dos candidatos a partidos únicos pelo poder, o romantismo que foi sempre impiedosamente reprimido em nome do realismo onde e logo que chegaram ao poder, esse romantismo está hoje perante uma evidência que custa a admitir: a sociedade portuguesa não quis esse caminho. E as questões por resolver, que as há e bem graves, são duma natureza diferente: não se resolvem com a queda dum regime, mas sim na arena democrática. CIDEHUS - Universidade de Évora e Academia Militar jsantos@uevora.pt

Montemor-o-Novo faz rastreio ao cancro da mama Redacção | Registo O concelho de Montemor-o-Novo recebe, a partir do próximo dia 2 de Maio e até ao dia 30 de Junho de 2011, uma unidade móvel do núcleo regional do Sul da Liga Portuguesa Contra o Cancro, destinada a efectuar a 6ª volta do Rastreio do Cancro da Mama. O rastreio é destinado às mulheres com idade compreendida entre os 45 e os 69 anos, sendo que as mulheres serão convidadas a participar através de carta personalizada. “Tendo obtido uma taxa de participação de 61,10% na volta anterior (2009), temos por objectivo atingir os 70% de comparência ao rastreio no presente ano. Para o efeito, serão convidadas cerca de 90 mulheres por dia, num total de 3012 cidadãs”, refere a organização. A acção, totalmente gratuita para

as utentes, integra-se no Plano Oncológico Nacional e no Programa Europeu Contra o Cancro que tem como objectivos primordiais, “a redução da

Diagnóstico precoce Dados intermédios da avaliação do rastreio do cancro da mama em Portugal permitem concluir que existe uma sobrevivência maior no caso dos tumores rastreados comparativamente aos outros. Segundo o epidemiologista Vítor Rodrigues, da direcção da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), os cancros rastreados são mais pequenos, “diagnosticados mais precocemente”, e verifica-se “uma maior percentagem de não envolvimento ganglionar, comparativamente àqueles que não vêm do rastreio”.

letalidade da doença”. “Através do diagnóstico atempado é possível encontrar formas adequadas de tratamento, bem como, melhorar a qualidade de vida das pacientes. A detecção precoce da doença permite encontrar meios menos agressivos para a debelar, trazendo claros benefícios para pacientes e familiares”. Para a consecução deste programa de rastreio são utilizadas unidades móveis e uma unidade fixa, guarnecidas por técnicas credenciadas em radiologia, que executam os respectivos exames às mulheres. O núcleo regional do Sul da Liga Portuguesa Contra o Cancro dispõe de sete unidades móveis, apetrechadas com equipamentos de mamografia, que se deslocam nos concelhos dos distritos de Beja, Évora, Leiria, Portalegre, Santarém, Setúbal e Lisboa.

O amor e a familia Isabel Leal

Isabel Leal | www.criancasdeumnovomundo.com

Entendemos por familia sempre que vemos um grupo de pessoas cruzadas por laços de sangue. Tempos modernos trazem muitos divorcios e uniões diversificadas. O casamento continua a ser uma instituição mas felizmente o ser humano procura a felicidade e com ela em alguns casos as separações e novas uniões. Os filhos transitam por norma junto com as mães para novos cenários e novos convivios. A responsabilidade de proporcionar um ambiente tranquilo e equilibrado as crianças deve ter um papel central na organização da nova “casa”. Até por volta dos 7 anos as crianças estão a absorver tudo o que as rodia a máxima potencia, como eu já tive oportunidade de referir em outras crónicas. Assim, tudo o que os adultos fazem, escolhem ou dizem fica para sempre registado na energia e na mente da criança. Este registo vai afacta-las aos 10, 20, 30, 40, etc anos. Fica para sempre. É importante por isso proporcionar a criança explicação honesta e clara sobre os

acontecimentos e decisões. Não usa-la como um instrumento de manipulação ou defesa pessoal. As crianças deve ser dado o papel da paz, da serenidade, do equilibrio e dos valores pessoais verticais e rectos. Um dia a auto-estima será certamente testada, em relacionamentos amorosos ou outros e a base que ficou registada vai dar a força ou a fraqueza de acção. A aceitação e o amor incondicional de quem vive com uma criança não deve olhar a dna ou laços de sangue. Todos viemos do mesmo local e a ele voltamos. A individualidade é uma capacidade possivel no planeta terra. Na origem a que todos pertencemos a visão é diferente, é mais unida e mais fraterna. Entender uma criança, dar-lhe amor e parâmetros é meio caminho andado para paz em casa e na escola. É preciso tempo de qualidade junto de uma criança para que ela tenha ambiente para se exprimir e aprender com os exemplos. O amor em famlia deve ser exercitado sem fronteiras até porque o

que formos capazes de dar, um dia seguramente virá de volta. Pessoas que emanam felicidade e alegria, paz no coração são mais proximas das crianças porque esta é a natureza de todos nós até que a vida começa com as suas artimanhas. Porque motivo então todos se afastam mais tarde ou mais cedo deste ponto de partida? Eu diria que as crianças são o nosso maior desafio mas também a nossa maior escola. Em apenas uma decada as crianças nascem com necessidades diferentes e a pedir posturas diferentes. Compete-nos a nós aprender para lhes dar esse apoio e essa luz.

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28 Abril ‘11

Actual Turismo

Campismo ao sabor da ecologia Projecto representou investimento de 25 milhões de euros no Litoral Alentejano e o seu carácter inovador foi agora distinguido pela Turismo de Portugal.

Pedro Galego | Registo Amparado pelo Parque Natural da Costa Vicentina, às portas da Zambujeira do Mar, no concelho de Odemira, está o Zmar Eco Campo Resort & Spa, o primeiro parque de campismo de cinco estrelas do país. Inaugurado em Julho de 2009, rapidamente se transformou numa espécie de aldeia de madeira onde é possível fazer de tudo um pouco. O conceito é simples e até já valeu várias distinções ao espaço. No interior dos mais de 80 hectares, este espaço reconhecido pela sustentabilidade tem piscina coberta e ao ar livre, spa, um supermercado, salas, restaurante e até uma infra-estrutura que pode servir de infantário com actividades lúdicas para os mais novos. Norteado pelo conceito do ecoturismo, o Zmar enquadrase, segundo os seus responsáveis “numa prática de pessoas esclarecidas e bem-educadas, conscientes das questões relacionadas com a ecologia e com o desenvolvimento sustentável, em busca do aprofundamento de conhecimentos e experiências sobre os temas de meio ambiente”. Ao ecoturismo chamam ainda uma “prática menos explorativa e agressiva da cultura e meio ambiente locais do que as formas tradicionais de turismo, uma forma de minimizar o seu próprio impacto ambiental, uma forma que patrocina a conservação ambiental e os projectos que promovam igualdade nas comunidades locais”. Tudo isto pode potenciar “um aumento do conhecimento cultural e ambiental e o entendimento intercultural, através de uma acção

que seja financeiramente viável e aberta a todos”. “Ser sustentável é dar a certeza que se um dia quisermos tirar tudo daqui o espaço vai estar exactamente como o encontrámos, sem prejuízo do meio ambiente”, disse Francisco Mello Breyner, administrador do Zmar, um dos primeiros projectos a ser considerado PIN (Potencial Interesse Nacional) e foram investidos mais de 25 milhões de euros e que no pico da laboração chega a empregar mais de duas centenas de pessoas. Aberto 365 dias por ano, e com capacidade para cerca de três mil hóspedes, este resort ecológico, é mesmo para todas as bolsas. As diferentes modalidades de alojamento permitem desde o campismo tradicional (de tenda ou caravana) – com água quente, esgotos, balneários, cozinhas e ligação à Internet – até aos modernos chalés, os Zmóvel ou Zvila, autênticas casas de madeira totalmente equipadas e com capacidades distintas. É mesmo possível passar uma semana dentro do Zmar e todos os dias fazer uma coisa distinta. Seja um casal, uma família com crianças ou um grupo de amigos mais vasto, as soluções são várias. Mais recente é também a opção Zmonte, em que os interessados podem alugar o espaço e construir no interior do Zmar a sua própria casa de madeira, nos modelos disponibilizados pelo parque, ou outros, desde que aprovados, de acordo com as normas ambientais, ficando assim com uma residência de férias permanente num local de excelência e com acesso a todos os serviços e privilégios deste

D.R.

“condomínio ecológico”. O Zmar - Eco Campo Resort & Spa foi concebido para se integrar no cenário natural e conservar os recursos naturais, empregando sempre que possível materiais renováveis tais como a madeira, que permite o conforto térmico, o isolamento acústico, a poupança energética, o baixo teor de humidade, a elevada resistência ao fogo, uma maior capacidade anti-sísmica, uma maior durabilidade, fácil manutenção, um reduzido custo de conservação e a reciclagem da matéria-prima. Toda a madeira usada no Zmar veio de florestas certificadas, ou seja, florestas em que a sustentabilidade é garantida pois a taxa de crescimento supera a dos cortes efectuados. O mobiliário exterior e sinalética foram todos concebido com plástico reciclado, recolhido nos ecopontos nacionais e estrangeiros.

Os edifícios estão orientados de maneira a que tenham sombra durante grande parte do dia e as janelas instaladas de modo a que o ar natural circule, minimizando assim o uso de ar condicionado. Todos os edifícios estão assentes em estacas de madeira, anulando assim os efeitos negativos da impermeabilização dos solos.

Visitantes As valências da ‘aldeia ecológica’ como o restaurante, as piscinas ou o spa podem ser utilizadas por pessoas que não estejam alojadas no Zmar

Localização O Zmar localiza-se numa antiga propriedade agrícola, situada no concelho de Odemira, o maior concelho do país.

Grande parte da energia consumida vem dos painéis fotovoltáicos, que alimentam os postes de iluminação e luzes de presença das zonas comuns. Além da filosofia ambiental que marcou o projecto desde a primeira estaca, o Zmar projectou ainda um Centro de Interpretação Ambiental que mostra e explica a flora, a fauna, o clima e os principais vestígios ancestrais da região. Todas as estradas, vias de circulação, estacionamentos e parques de caravanas e auto caravanas são construídos sem impermeabilização dos solos, sendo a circulação de veículos automóveis bastante limitada no seu interior. Os carros de serviço são eléctricos com painéis solares incorporados para reduzir as emissões de CO2. Nota ainda para o facto de o espaço ter a sua própria estação de tratamento de águas residuais.


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Turismo do Alentejo prepara festival da gastronomia mediterrânica O presidente da Turismo do Alentejo anunciou que a cidade de Beja vai acolher a segunda edição do festival “Alentejo das Gastronomias Mediterrânicas”, um dos “maiores eventos” na área da gastronomia e vinhos em Portugal. A iniciativa decorrerá entre os dias 27 de Junho e 3 de Julho. “É um grande fórum de discussão, um dos maiores eventos em Portugal na área da gastronomia e vinhos”, diz António Ceia da Silva. O festival “Alentejo das Gastronomias Mediterrânicas” acolherá também uma conferência internacional dedicada à dieta mediterrânica, como classificação da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), à qual Portugal não conseguiu aderir. “Portugal não fez parte e o Alentejo quer liderar do ponto de vista da discussão o processo de adesão de Portugal e do Alentejo àquilo que foi já um desidrato que outros países obtiveram”.

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O festival “Alentejo das Gastronomias Mediterrânicas” tem como objectivo valorizar a gastronomia, os produtos tradicionais, a cozinha e a cultura mediterrânicas, com natural enfoque no Alentejo. As questões relacionadas com o bem-estar, a saúde e um estilo de vida saudável são outros dos factores a ter em conta no decorrer desta iniciativa. O presidente da Entidade Regional Turismo do Alentejo diz ainda ser “urgente” a alteração do modelo de gestão do património cultural na região, sugerindo, entre outras medidas, que a gestão seja entregue a agentes e estruturas privadas. “Nós não podemos continuar a olhar para os monumentos a estarem encerrados, não podemos continuar a olhar para os monumentos a estarem com horários desadequados, e não fazemos nada”. Para desenvolver uma acção “concertada” em redor do património cultural, a Turismo do Alentejo quer reunir os agentes que detenham património, entre os quais as autarquias, Estado, dioceses, paróquias, entre outros, no sentido de criar uma “estrutura” onde sejam discutidos os aspectos da fruição do património: “Tem que haver abertura para que a gestão do património possa ser entregue a privados”. Ceia da Silva deu como exemplo “significativo” e “positivo” o trabalho desenvolvido

pelas Pousadas de Portugal há várias décadas, na recuperação de um vasto conjunto de imóveis, defendendo ainda que a entrega desse património a privados poderá ser a “forma de ocupação” de muitos jovens. “Mais do que arrumar a casa é encontrar fórmulas adequadas de gestão do património. Uma coisa é a propriedade do património, vivemos momentos difíceis, o Estado tem dificuldades em manter o património e o que tem que fazer é encontrar formatos para poder dar a gestão do património a entidades privadas”, declarou. Outro dos aspectos que a Turismo do Alentejo quer implementar no projecto que vai desenvolver em redor do património cultural, a partir de Junho de 2012,é a criação de “guias de produto”, no sentido que se possa “sistematizar” a oferta. “Muitas vezes nós temos os recursos, um património fantástico, mas ele não está disponível para que o turista tenha acesso a ele. Nós temos que tornar o acesso ao património mais democrático, mais operacional”. “Não vivemos em momentos para brincar ao turismo e à cultura. Os agentes têm que se encontrar, encontrar plataformas de entendimento, têm que encontrar maneiras de poderem articular as melhores políticas para o turismo cultural em Portugal”, conclui.

Novo 5 estrelas em Montemor

Prémios A originalidade do projecto e a sua vertente de sustentabilidade ecológica já valeram ao Zmar uma série de distinções nacionais e internacionais. Entre os galardões está o prémio na categoria de Sustentabilidade Ambiental dos Prémios do Turismo de Portugal, entregue PUB

na edição de 2011 da Bolsa deTurismo de Lisboa (BTL). ”O Zmar Eco Campo Resort & SPA foi distinguido pela sua concepção ecológica e actividades e serviços diferenciadores, que “reforçam a oferta de alojamento de qualidade do Alentejo Litoral e junto ao

Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina”, refere o certificado. Na montra de troféus, em menos de dois anos de actividade, o projecto já recebeu ainda, devido à sua política ecológica, uma menção honrosa no Turismo de Portugal em 2010.

Um novo hotel de luxo, de cinco estrelas, abre as portas dia 30 deste mês numa herdade situada perto de Montemoro-Novo, apresentando um conceito inovador de experiência rural, tendo o vinho como âncora. A unidade hoteleira, com 22 quartos, faz parte do projeto L’AND Vineyards, a cargo da Sousa Cunhal Turismo, que engloba ainda um empreendimento residencial com 145 habitações e um wine club, num investimento total de 44 milhões de euros.

O aldeamento turístico, com uma área de 66 hectares, situase na Herdade das Valadas, no concelho de Montemor-oNovo, no distrito de Évora. O projecto baseia-se num conceito inovador em que cada proprietário terá a oportunidade de usufruir de uma zona individual de vinha, podendo produzir o seu vinho de “forma personalizada”, com o apoio do enólogo Paulo Laureano. Esta será a quarta unidade turística de cinco estrelas a abrir no Alentejo.


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Regional

Romeiros pedem protecção e boas colheitas Centenas de romeiros a cavalo iniciaram quatro dias de viagem por caminhos estreitos e de terra batida Redacção | Registo Quem os vê ao longe, bem no meio da planície alentejana, facilmente imagina tratarem-se de figurantes num filme sobre o velho Oeste americano: uma imensa nuvem de poeira revela a presença de uma fila enorme de pessoas que viajam em cavalos, charretes ou carroças. A organização da iniciativa não rejeita a comparação mas sempre acrescenta que ainda não havia “cowboys” e já centenas de agricultores ribatejanos faziam o percurso de 150 quilómetros, por montes e vales, entre a vila da Moita e o Santuário de Nossa Senhora de Aires, em Viana do Alentejo, para pedirem protecção e agradecerem as boas colheitas. A tradição da romaria a cavalo, interrompida durante mais de 70 anos, foi reavivada em 2001. transformando-se num dos maiores eventos equestres nacionais que recupera no tempo a tradição dos lavradores da Moita, que se deslocavam com os seus animais ao Santuário de PUB

Nossa Senhora d’Aires, para pedir protecção e boas colheitas. O percurso dos romeiros está a ser feito pela antiga canada real, mais conhecida por “Estrada dos Espanhóis”, passando pelas localidades de Poceirão, Landeira, Casebres, S. Cristóvão, Casa Branca e S. Brás do Regedouro. A chegada a Viana do Alentejo, um dos pontos altos da romaria, deverá acontecer por volta das 17h00, no dia 30 de Abril. A XI edição da Romaria a Cavalo Moita – Viana do Alentejo é organizada pelas Câmaras Municipais da Moita e de Viana do Alentejo, Associação de Romeiros da Tradição Moitense e Associação Equestre de Viana do Alentejo e conta com o apoio das entidades regionais de turismo do Alentejo e do Vale do Tejo. Os romeiros trazem consigo a imagem de Nossa Senhora da Boa Viagem, culminando o evento com uma procissão rumo ao Santuário de Nossa Senhora de Aires. Afirmando o “forte cariz religioso” que leva as pessoas a aderirem à iniciativa, mesmo quando a actividade agrícola já

não tem o mesmo peso económico doutros tempos, os participantes falam na exigência de um “grande dispêndio de esforço físico” por parte de homens e cavalos: “normalmente está muito calor mas há sempre um clima de festa” “Se os romeiros não estiverem preparados não aguentam. À partida costumamos dizer que se deixem ir pois Deus ajuda. E cá chegámos todos”. “Há etapas mais difíceis que outras e os cavalos que não estão preparados ficam pelo caminho”. Para a Câmara de Viana do Alentejo, trata-se de”um dos mais importantes eventos promocionais”, que leva ao concelho milhares de pessoas. “A romaria é muito mais do que a génese religiosa, junta um conjunto de factores e só há uma maneira de apreciá-la: ir aos locais e ver”, diz o presidente da autarquia, Bengalinha Pinto. “Normalmente chegam mais de 600 romeiros, pois ao longo do percurso há muitas pessoas que vão se juntado à romaria”, até à chegada ao santuário de Nossa Senhora d’Aires.

D.R:

A chegada da romaria a Viana do Alentejo acontecerá no próximo sábado.


15 Economia & Negócios Manuel Castro e Brito, presidente da Comissão Organizadora da Ovibeja

”Se o FMI servir para pôr as contas em dia será bem vindo“ D.R:

Redacção | Registo Em vésperas do início da 28ª Ovibeja, que se realiza em Beja, de 4 a 8 de Maio, Manuel Castro e Brito diz que o certame “tem conseguido resistir à crise” e que este ano se verificou mesmo “um aumento do número de inscrições de expositores”. Para o presidente da Associação de Criadores de Ovinos do Sul (ACOS) a crise que o país vive “é grave” mas “a vida tem que continuar”. Com o país em recessão, com a presença do FMI em Portugal e uma situação económica muito difícil, quais são as perspectivas para esta edição da Ovibeja? Vai ser uma grande Ovibeja, pelo que sabemos. Ao nível de inscrições de expositores não houve quebra relativamente a anos anteriores, houve até aumento, e esperemos que a dinâmica destes novos acontecimentos seja também abordada aqui na Feira, que é um espaço de encontro, mas também de discussão. E sobre estes temas há muita expectativa entre as pessoas. Sendo a Ovibeja todos anos um grande palco político, este ano ainda o poderá ser mais com eleições legislativas, antecipadas, à porta. A Ovibeja também é para os políticos, para os partidos, e também serve para exercer uma democracia mais directa porque nestas alturas os políticos estão mais disponíveis para falarem directamente com as pessoas. E essas questões vão estar, certamente, na agenda. Anualmente a Ovibeja serve também para que os responsáveis pelo sector agrícola aqui venham apresentar as linhas de desenvolvimento que preconizam para as diversas áreas. Este ano o governo está demissionário e em gestão. As respostas não serão poucas? O Governo é de gestão, mas o PS concorre às eleições e há-de ter um projecto para a futura governação. Tanto o PS como os partidos da oposição poderão levar também, daqui da Ovibeja, mensagens a que, posteriormente, possam dar resposta. Como é que a ACOS, enquanto organização de agricultores, vê esta entrada do FMI em Portugal e também esta crise política em que o país está mergulhado? Eu penso que tudo tem solução na vida, e se a intervenção do FMI devia ter sido antes ou agora, é algo que pode ser discutível. No entanto, a análise

Manuel Castro e Brito revela que aumentaram as inscrições de expositores para a Ovibeja, apesar da crise “grave” que o país atravessa. terá que ser feita com base nos resultados. Se o FMI servir para pôr as contas em dia será bem vindo. No entanto, os sacríficios serão muito grandes para as pessoas, mas sobretudo para as empresas agrícolas que já estão a ter muitas dificuldades, sobretudo em áreas como o crédito e com os muitos cortes que têm havido nos últimos tempos. Para além disto, as empresas agrícolas também estão à mercê do clima e do tempo. As coisas não estão famosas, mas é preciso ultrapassarmos esta crise. Tem sido uma crise muito sentida pelo sector agrícola? Ou há áreas que lhe tenham escapado? Tem sido bastante sentida e ainda mais, recentemente, com a subida das taxas de juro e também com os cortes orçamentais que tememos possam pôr em causa muitos projectos de investimento ao abrigo da política agrícola comum, que terão que ter também uma comparticipação do estado português. E vamos ver se as coisas correm bem por esse lado. O sector agrícola tem sido sujeito a mudanças muito rápidas de políticas. Tão depressa se diz que o agricultor não deve produzir, para passar a ser o guardião do ambiente, como se anuncia que é pre-

ciso reforçar a produção agrícola nacional. Isto baralha o comum dos cidadãos: afinal Portugal conseguiria produzir tudo o que consome ou não? Nós produzimos 70 por cento daquilo que comemos. Ou seja, importamos 30 por cento do que consumimos. Há uns produtos que produzimos mais, outros menos, mas esta é a média. Os agricultores produzem mais ou menos conforme as vantagens que têm e conforme as regras próprias de qualquer negócio: se tirarem daí rendimento produzem, senão não produzem. Houve alguma subida de produtos agrícolas, nomeadamente dos cereais e das oleaginosas, o que fez com que este ano os agricultores tivessem maior actividade nestas culturas, mas a meteorologia também não ajudou na altura das sementeiras. No entanto, este ano poderá ser o da recuperação, pelo menos, dos cereais, o que é muito importante para esta região. Mas, se existissem políticas adequadas, Portugal poderia ser auto-suficiente do ponto de vista alimentar? É difícil porque da parte de alguns produtos temos uma concorrência muito grande, seja de países da União Europeia, seja de países terceiros. Por outro lado, as cadeias de distribuição

em Portugal não ajudam a produção nacional e isso não convida a que se produzam alguns produtos, porque não são economicamente compensadores. Há um ano, no encerramento da 27ª Ovibeja, o presidente da República, Cavaco Silva referiu-se a essa questão apelando aos distribuidores para apostarem na produção nacional, pagando um “preço justo” aos produtores. Neste ano sentiu-se alguma diferença no relacionamento com as grandes cadeias de distribuição? No aspecto dos pagamentos, que eram a vários meses, a situação pode ter melhorado um pouco, mas no aspecto das importações de produtos, em que não somos concorrencias, mas em que também não se paga a qualidade do que produzimos,

“Os sacríficios serão muito grandes para as pessoas, mas sobretudo para as empresas agrícolas que já estão a ter muitas dificuldades “.

tudo continua na mesma. Está a referir-se, por exemplo, ao sector pecuário? Sim. O sector bovino tem-se mantido estabilizado, enquanto os ovinos e caprinos têm diminuído vertiginosamente. Neste sector muitos produtores desistiram, porque os preços são os mesmos do que há 20 ou 30 anos e também porque, julgo eu, não se ter insistido mais junto da Comissão Europeia para estes sectores, que geralmente ocupam terras com pouca aptidão agrícola e de explorações de interior, com dificuldades de mão de obra, e que deviam ser mais ajudados. Também a burocracia que anda à volta do sector animal é muito pesada e leva alguns a desistirem. E a distribuição tem protegido esse sector? Não. Nós eramos autosuficientes em carne até há pouco tempo. Agora não o seremos tanto, mas não somos competititvos com as importações que há, no caso dos borregos, da Austrália e da Nova Zelândia que fazem “dumping” e têm grandes apoios à exportação destes produtos. Também não temos a compreensão dos distribuidores porque os nossos produtos têm muito mais qualidade do que a carne de ovino que é importada e isso pouco lhes interessa.


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28 Abril ‘11

Economia & Negócios Coudelaria de Alter do Chão

260 anos de História

Cavalos excedentes rendem 120 mil euros em leilão

ter Real existem ainda neste espaço vários exemplares da raça autóctone Portuguesa Sorraia, Lusitanos, Puro-sangue Árabe, Português de Desporto e Angloárabes. É desde 2007 gerida pela Fundação de Alter Real, criada pelo Decreto-lei Nº 48/2007 de 27 de Fevereiro, que determina como fins principais da Fundação a “manutenção e desenvolvimento do património genético animal das raças Lusitana, Sorraia e garrano, da Escola Portuguesa de arte Equestre, bem como do Laboratório de Genética Molecular”.

vida e gestão de recursos humanos nas organizações). Existe hoje uma preocupação que designaria como consensual: de que modo os sistemas de educação e formação estão efectivamente orientados para os seus destinatários. Numa sociedade em rede, complexa, devemos ter uma visão alargada Família – Escola – Academia - Comunidade. As aprendizagens não podem ser desenvolvidas apenas através de “ensino formal”, baseado em metodologias tradicionais, mas também em “vivências activas”. Deve-se conseguir o compromisso entre conhecimento geral, investigação, inovação e as exigências dos mercados de trabalho. Existirá, ainda, a necessidade

de complementar competências “do saber” com competências do “saber fazer” e do “saber estar”. Não se pode ignorar que competências como Liderança, Visão Estratégica, Resiliência, Gestão da Mudança e Criatividade são essenciais para a realização e o sucesso profissionais. Na vida profissional, as organizações (empresas e outras) devem criar condições para o crescimento de cada indivíduo: a autonomia progressiva, a aprendizagem constante, a liberdade para criar e inovar, o mérito e a orientação para os resultados. Tudo isto será mais relevante que uma dezena de programas governamentais centralizados, pouco práticos e dispendiosos.

D.R.

Pedro Galego | Registo A tradição foi cumprida mais um ano, e a tarde de 24 de Abril, no último sábado, ficou marcada em terras de Alter do Chão, pelo leilão equino da Coudelaria local que serve para escoar os excedentes da produção. Foram milhares os que se deslocaram ao local para apreciar os 24 cavalos a licitar. No final, contas feitas, o leilão de 2011 rendeu aos cofres da Fundação Alter Real (FAR) – entidade que gere a Coudelaria – perto de 120 mil euros. Apesar de coincidir este ano com as celebrações da Páscoa, os entusiastas da actividade equestre viram desfilar no picadeiro da Coutada do Arneiro, durante cerca de quatro horas de uma tarde soalheira e amena, 16 cavalos e oito éguas de raça Lusitana, linha Alter Real, seleccionados por uma comissão constituída para este evento. A grande estrela do evento acabou por ser o cavalo ‘Coração’, arrematado por 17500 euros. Segundo a organização já se esperava que este fosse o exemplar mais disputado, devido à grande reputação que adquiriu ao longo os seus quatro anos de vida. Cotado como garanhão de grande valia, ‘Coração’ nasceu a 17de Fevereiro de 2007 e é filho de ‘Rubi’ e Veija-lá’, também produtos da mesma escola. Longe de bater os valores de anos anteriores, onde se chegaram a atingir os 200 mil euros de lucro, o leilão deste ano, apesar de ter posto à disposição dos interessados menos cavalos do que é costume, não ficou aquém das expectativas. As bases de li-

Antiga Coudelaria Real, a Coudelaria é uma das instituições mais importantes para a divulgação do nome de Alter do Chão no país e no mundo. Fundada no reinado de D. João V em 1748, para produção de cavalos, para a Picaria Real. Porventura o seu produto mais famoso será o cavalo “Gentil”, modelo equestre da estátua de D. José no Terreiro do Paço. A Coudelaria viveu um período de apogeu até à primeira década do século XIX, seguindo-se uma fase de períodos conturbados onde se registaram roubos dos melhores cavalos, danos nas manadas, redução na área do pastoreio e vandalismo nas instalações. Foram as primeiras ameaças à integridade étnica das espécies, numa altura em que a corte portuguesa estava no Brasil e deixava ao alcance dos inimigos da coroa alguns do seus maiores bens. Após a implantação da República em 1910 e depois de arrestados os bens da coroa, a Coudelaria é integrada no Ministério da Guerra, na dependência da comissão técnica de remonta, com o nome de Coudelaria Militar de Alter do Chão. Esse tempo é considerado fundamental na planificação das instalações e na racionalização da exploração agrícola da Coutada do Arneiro. Só em 1942 se dá a recuperação do Cavalo Lusitano, ferro Alter Real, até aos dias de hoje. Segundo os responsáveis, a continuidade do cavalo Alter está plenamente assegurada. “A homogeneidade da éguada é notória e as suas características são exibidas pela Escola Portuguesa de Arte Equestre”.

O lote com melhor exemplar, o cavalo ‘Coração’, foi vendido por 17.500 euros citação rondaram os mil euros por exemplar, mas quase todos acabaram por atingir um valor cerca de 10 vezes superior ao preço inicial. A Coudelaria de Alter do Chão, fundada em 1748 por D. João V (ver história), desenvolve actualmente trabalhos de selecção e melhoramento de cavalos lusitanos e trabalhos na área de investigação, possuindo, entre outras valências, uma unidade clínica dotada de todos os meios para acompanhamento e tratamento médico dos animais e é gerida, desde 2007, pela Funda-

ção Alter Real. O leilão de dia 24 de Abril acontece há mais de sessenta anos, desde que a Coudelaria de Alter do Chão passou para a alçada do Ministério da Agricultura e situa-se nos extensos 800 hectares da Tapada do Arneiro, localização que se mantém desde a sua fundação. Actualmente, a Coudelaria de Alter partilha o seu espaço com a Coudelaria Nacional, com a Escola Profissional de Desenvolvimento Rural de Alter do Chão e o Serviço Nacional Coudélico. Além dos cavalos lusitanos Al-

Falemos de talento Carlos Sezões Gestor

Nos últimos 15 anos, as questões da formação, das qualificações e do conhecimento, estiveram na boca dos responsáveis políticos. Guterres tinha a paixão pela Educação e, mais tarde, pela chamada Estratégia de Lisboa, Sócrates alimentava uma fé inabalável nas Novas Oportunidades e no Plano Tecnológico (coma aposta para a chamada sociedade do conhecimento). Os conceitos inerentes ao desenvolvimento humano estiveram, pois, na linha da frente, infelizmente sem grande objectividade e sem um diagnóstico claro. Sem entrar nos meandros de todas as iniciativas, algo sobressai à vista: a dificuldade de apresentar, de modo objectivo, os benefícios concretos

que valorizaram as Pessoas e a sua capacidade de realização. Dito de outra, forma, a dificuldade em demonstrar o impacto e os resultados de tudo o que se fez. A preocupação é contudo, legítima e meritória. A palavra-chave hoje, a nível mundial, é o designado Talento. Sem preocupações de rigor académico, diria que Talento é a aptidão que um indivíduo possui de realizar determinada tarefa ou processo com nível de eficiência e eficácia extraordinário, bastante acima da média e, geralmente, com um bom potencial de evolução associado. Estas características, em contexto profissional, poderão partir de traços de personalidade, aptidões inatas, preferências e gostos enrai-

zados ou competências adquiridas - pouco importa a origem. E, neste contexto, há que ter uma “visão inclusiva”. Não devemos olhar para a realidade “a preto e branco”, segmentando os que têm e os que não têm talento. Antes devemos ter o discernimento de identificar diferentes escalas e diferentes graus de talento em todas as pessoas. Uns serão óptimos a planear e a organizar, outras a gerar ideias, outras vocacionados para os pormenores e a destreza técnica, outros para comunicar e gerir relações de confiança. O Talento pode e de deve ser aperfeiçoado nos momentos-chave (educação de base, formação académica, desenvolvimento ao longo da


17 Economia & Negócios

Intercidades directo para Beja custaria à CP mais 2,5 milhões por ano

Com transbordo em Casa Branca, custo de exploração da linha é de 4,5 milhões de euros. Ligações directas custariam cerca de 7 milhões. Foto | Arquivo

Luís Maneta | Registo A manutenção da ligação directa Intercidades entre Lisboa e Beja custaria à CP mais 2,5 milhões de euros por ano do que a solução adoptada, que prevê a existência de um transbordo em Casa Branca, apurou o Registo junto de uma fonte do Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações (MOPTC). Segundo o gabinete do ministro António Mendonça, o modelo de exploração das linhas ferroviárias do Alentejo resultou de um estudo em que foram avaliadas diversas hipóteses para a prestação do serviço, tendo em conta as “condicionantes de exploração da linha” que apenas de encontra electrificada entre Lisboa e Casa Branca (e daí até Évora). Entre Casa Branca e Beja o percurso continuará a ser feito em locomotiva a diesel. O primeiro dos cenários estudado foi a manutenção da tipologia de serviço existente antes do encerramento da linha, ou seja, a manutenção de ligações directas entre Beja e Lisboa, substituindo a tracção do serviço Intercidades entre Lisboa e Évora por uma locomotiva eléctrica. “Este cenário apresenta um custo anual de exploração de 7 milhões de euros para uma receita esperada de 2 milhões de euros”, refere a mesma fonte, acrescentando que seria necessário alocar uma viatura a diesel para realizar os 187 quilómetros do percurso, dos quais apenas 62 (troço Casa Branca/Beja) não se encontram electrificados. “Poder-se-ia questionar a possibilidade de alteração da tracção em Casa Branca”, admite o MOPTC, acrescentando que este cenário foi “avaliado” e “preterido” por três razões: “A afectação de locomotivas diesel e eléctrica para assegurar o serviço directo de Lisboa e Beja iria introduzir custos adicionais não compensados pela poupança energética alcançada, a operação de mudança agravaria o tempo de viagem em pelo menos 15 minutos e exigiria manobras e recursos humanos adicionais” que contribuiriam para o “agravamento” dos custos. Fonte do gabinete de António Mendonça, acrescenta que adicionalmente foi avaliada a hipótese – apresentada aos municípios e objecto de decisão por parte da CP – de realização de 5 ligações directas entre Lisboa e Évora, “coordenadas” em Casa Branca (transbordo) com outras tantas em direcção a Beja, utilizando neste caso uma automotora a diesel “com capacidade superior às que hoje circulam no Alentejo”, permitindo “racionalizar” meios e “aumentar” a oferta de comboios para o Baixo

Ministério das Obras Públicas justifica alteração ao modelo de exploração com custos de exploração altamente deficitários. Alentejo. Este segundo modelo prevê um custo anual de exploração de 4,5 milhões de euros. “Atendendo à redução de custos de exploração de 7 para 4,5 milhões de euros, com uma receita esperada de 2 milhões de euros, o aumento da oferta de 2 para 5 ligações diárias por sentido entre Beja e Lisboa, os custos ambientais pelo total aproveitamento da linha electrificada, os tempos de deslocação semelhantes (agravamento de 5 minutos), a CP considerou serem razões suficientes para introduzir o transbordo em Casa Branca, único ponto negativo da proposta”, defende a mesma fonte. De acordo com o MOPTC, o modelo foi apresentado aos municípios, “não tendo sido rejeitado”,

nem objecto de “fortes críticas”. Igualmente estudado foi o impacto deste modelo a nível ambiental e de redução da dependência de combustíveis fósseis: “Sob o ponto de vista ambiental, o novo modelo de exploração tem uma redução de consumo de combustíveis fósseis de 87% com a consequente redução da emissão de gases com efeito de estufa, assim como a diminuição da dependência energética face ao exterior”. “Quanto à mobilidade, o novo modelo de exploração aumenta o número de ligações entre Beja e Lisboa, passam a ser servidas duas novas estações e o serviço regional de Beja é melhorado com material circulante com características de longa distância”.

Ramal de Cáceres é caso encerrado Já no caso do ramal de Cáceres, também desactivado pela CP, o MOPTC diz que é caso encerrado uma vez que as “sucessivas alterações” introduzidas ao nível do horário dos comboios não produziram “qualquer resultado de inversão da procura residual” deste meio de transporte. “No último ano foi estabelecida uma parceria com um promotor de actividades de turismo cultural e de aventura, sedeado na região, tendo sido feita a oferta de pacotes com viagem e actividades incluídas e ainda feitas tentativas para se organizarem ofertas especiais de transporte, coincidentes com a realização

Cidadãos avançam com campanha O movimento de cidadãos criado pela Associação de Defesa do Património de Beja para defesa das ligações ferroviárias directas a Lisboa vai avançar com a uma campanha denominada “Beja Merece...”. A decisão foi tomada numa reunião realizada em Beja. Segundo noticiou a radio Pax, no âmbito da campanha

vão ser feitas t-shirt’s e bandeiras que serão colocadas nas janelas e nas montras dos estabelecimentos comerciais. Para a Ovibeja, que se realiza em Maio, o movimento vai levar faixas com o slogan da campanha e instalar na feira um espaço onde dará a conhecer as suas reivindicações: a electrificação da linha entre Beja e

Casa Branca, a manutenção das ligações directas a Lisboa e a continuidade da circulação até à Funcheira. O movimento vai ainda enviar um memorando a todas as forças partidárias e solicitar reuniões a todos os dirigentes partidários que em pré-campanha para as legislativas de desloquem a Beja.

dos eventos mais significativos na zona de Castelo de Vide e de Marvão, tendo as tentativas conduzido a resultados desanimadores”. As contas da CP, a que o Registo teve acesso, indicam que ao longo de 2010 viajaram neste ramal 4300 passageiros, o que conduziu a uma média inferior de 5 passageiros por comboio. Ou seja, cada passageiro representou um custo de 120 euros, quando a receita média se ficou pelos 6 euros. A taxa de ocupação das automotoras ficou-se pelos 4,8%, e as receitas chegaram apenas para cobrir 5% dos custos. “Se só por si os resultados evidenciados justificariam a imediata supressão do serviço, a difícil situação financeira e económica do nosso país obriga a uma forte contenção de despesa, tornando-se de todo impossível continuar a exploração dos serviços ferroviários cuja taxa de cobertura de custos é muito baixa”, defende o Ministério das Obras Públicas, sustentando que o número de passageiros no ramal de Cáceres “é muito mais compatível com a oferta feita pelos meios rodoviários de transporte público do que pelo comboio, que é por definição um meio de transporte pesado”. Desta forma, o MOPTC considera o assunto “caso encerrado”.


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Cultura

Leandro Vale lança ”Escritos do Palco“ Arquivo | Registo

Redacção | Registo Leandro Vale lançou na Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) o livro “Escritos de Palco”, com prefácio do jornalista César Príncipe, onde estão condensadas algumas das 150 peças que o autor escreveu ao longo de mais de 50 anos de ininterrupta actividade teatral. A apresentação da obra esteve a cargo do escritor e presidente da SPA, José Jorge Letria: “Quem vive o teatro por dentro aprende mais facilmente a escrever teatro e estas peças são reveladoras de um grande conhecimento da dinâmica intrínseca do teatro. Do teatro que se faz representando e escrevendo. São textos na sua grande diversidade marcados pela crítica de costumes por um grande domínio tanto na ficção narrativa como no teatro”. “Há uma proximidade muito grande do surto do teatro do absurdo e até do surreal. A presença ausente a duplicidade que permite ao autor falar da personagem caricaturada pelo autor. E isto já é natural de um expediente e um exercício e de uma sofisticação que só domina quem faz teatro há muitos anos”, acrescenta José Jorge Letria. A ocasião foi também marcada pela estreia da peça “Do Lado de Lá, Detrás da Porta”, com interpretação da actriz Joana Garras a partir de um texto de Leandro Vale. “De há uns tempos a esta parte que não se fazia teatro na SPA. Reatamos uma velha tradição teatral, como disse José Jorge

Dramaturgo reuniu em livro algumas das 150 peças de teatro que já escreveu. Letria, e espero que esta nossa peça tenha reflexos e que outros possam vir até cá. Isto é um espaço óptimo, espaço de teatro de estúdio. Para este tipo de espectáculo é realmente o ideal”, disse ao dramaturgo ao Registo. “É realmente gratificante que haja possibilidades de dar vida a esta casa como se dava dantes. Neste momento, está previsto um ciclo de teatro dedicado a Salazar Sampaio. É realmente muito bom, que as pessoas assim pensem para reactivar estes espaços”. “Sei que é um espectáculo um pouco

complicado mas no fundo talvez não seja tão complicado como isso, porque ele passa perfeitamente para a assistência. Algumas pessoas vêem-se ali retratadas e algumas dessas pessoas não gostam de se ver retratadas … paciência. Foi aquilo que eu escrevi. E foi aquilo que achei que deveria dizer a essas mesmas pessoas para que se modifiquem” Já com estreia marcada para o Alentejo no dia 6 de Maio, em Montemor-o-Novo, “Do Lado de Lá, Detrás da Porta” vai, segundo o autor, “rodar por aí fora” e ter o “destino que o público quiser”.

Eborae Mvsica

Concerto no Museu de Évora A Associação Eborae Mvsica promove na próxima sexta-feira, às 18h30, no Museu de Évora, o Concerto Comemorativo do 37.º aniversário do 25 de Abril, pelo Coro Polifónico “Eborae Mvsica”, sob a direcção do maestro Pedro Teixeira. O programa do concerto apresenta peças do período da polifonia da renascença eborense e canções heróicas e regionais portuguesas, com destaque para o compositor Fernando Lopes Graça Serão ainda interpretadas “canções heróicas” como “Grândola, vila morena de (José Afonso)”, de Fernando Lopes-Graça (versão coral) e “Acordai (José Gomes Ferreira)” de Fernando Lopes-Graça. Dirigido pelo Maestro Pedro Teixeira o Coro Polifónico Eborae Mvsica fez em Setembro de 1987 a sua primeira apresentação pública, integrada no acontecimento cultural “Os Povos e as Artes”.O Coro Polifónico tem realizado diversas actuações ao longo da sua existência, interpretando não só a polifonia da Escola de Música da Sé de Évora (sécs. XVI e XVII), como também outras obras de diferentes épocas. Destacam-se as suas actuações a participação nas Jornadas Internacionais “Escola de Música da Sé de Évora”, acontecimento que a Associação Eborae Mvsica organiza, anualmente, no mês de Outubro.

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Quais os meus direitos enquanto cliente dos serviços de uma lavandaria? A DECO informa… Ao contratar os serviços de uma lavandaria, esta obriga-se a proceder à limpeza da roupa, mediante o pagamento do preço pelo consumidor, bem como a restituir-lhe, nas mesmas condições, a roupa que este lhe entregou. Assim, o consumidor, ao deixar a peça na lavandaria, deve sempre verificar se o talão que lhe é entregue tem toda a informação necessária, nomeadamente o preço a pagar pelo serviço bem como a menção a qualquer defeito que a peça possa ter e a data em que deve ser devolvida. É essencial guardar o talão, pois só com ele o consumidor pode reclamar em caso de anomalia. No que respeita a cláusulas que constem no talão a desresponsabilizar o estabelecimento, como por exemplo “A loja não se responsabiliza pelos danos causados nas peças deixadas pelos clientes”, estas são tidas como nulas pelo que não vinculam as partes em caso de conflito. A Lei de Defesa do Consumidor estabelece que o consumidor tem direito à qualidade dos bens e serviços, pelo que, se ao recolher a peça, verificar que esta encolheu ou que se encontra manchada, estamos perante a prestação de um serviço que viola os direitos dos consumidores. Neste caso, a Lei estabelece que o consumidor tem direito a exigir a reparação ou substituição do bem, a redução adequada do preço ou a resolução do contrato, ou seja a devolução do preço pago.

Em qualquer dos casos, o consumidor tem direito a uma indemnização pelos prejuízos sofridos, podendo por exemplo exigir o preço pago pela peça de roupa inutilizada. Por último, sempre que for levantar a peça, o consumidor deve verificála junto do funcionário, e caso encontre alguma anomalia deverá reclamar de imediato. Caso não seja possível chegar a um acordo, o consumidor deverá reclamar através de carta registada com aviso de recepção, no prazo de 30 dias para a lavandaria, explicando qual o direito que pretende exercer. Para mais informações sobre os seus direitos e deveres enquanto consumidor poderá sempre contactar-nos quer pessoalmente na nossa delegação, sita na Travessa Lopo Serrão, nº 15, quer através do nosso serviço de informações 808 200 145.

Isabel Curvo (Jurista) Travessa Lopo Serrão, n.ºs 15 A e 15 B, r/ch, 7000-629 Évora Telefone: 266744564 – Fax: 266730765 E-mail: deco.evora@deco.pt - Internet: www.deco.proteste.pt


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Festival “Terras sem Sombra”

Coro da Arena de Verona na Basílica de Castro Verde Redacção | Registo Famosa por aliar o esplendor artístico a uma acústica extraordinária, a Basílica Real de Castro Verde recebe a 30 de Abril, às 21h30, um dos momentos culminantes da 7.ª edição do Festival Terras sem Sombra de Música Sacra. O concerto “Para lá do Tempo” abrange duas obras fundamentais da modernidade e do Romantismo: “Rothko Chapel” para viola, celesta, percussão e coro, de Morton Feldman (1926-1987), e “Via Crucis” para coro e piano, de Franz Liszt (1811-1886). Actua o Coro da Arena de Verona, dirigido pelo maestro titular, Giovanni Andreoli, e acompanhado por três instrumentistas notáveis – Kodo Yamagishi (piano e celesta), Alexandre Delgado (viola) e Rui Gomes (percussão). “Rothko Chapel” foi escrita pelo compositor norte-americano Morton Feldman em 1971, em homenagem a Mark Rothko, pintor de origem russa, responsável pela concepção da Rothko Chapel, em Houston, Texas. Rothko pretendia que a sua capela fosse um lugar de peregrinação, meditação e transcendência, aberto aos diferentes credos e religiões. Criou para isso uma estrutura octogonal, vazia e sem janelas, ostentando apenas 14 telas (tantas quantos os passos da Via Sacra) nas paredes. As telas são enormes superfícies monocromáticas, entre o castanho e o preto, que dominam o interior e funcionam como espaços vazios, disponíveis para acolher a espiritualidade de quem os visita. A “Rothko Chapel” de Feldman é também assim. Cinco andamentos sem interrupção formam um espaço de som estático e aberto à serena observação. Escrita para soprano solo, coro, viola, celesta e percussão, a obra reúne vozes, mas não tem texto. Há sons que pairam sobre os ouvintes, há referências distantes a Stravinski e Schönberg e à música judaica da juventude de Feldman. A verdade eterna e intemporal revela-se aqui, generosa-

mente, numa reflexão sem intermediações nem constrangimentos dogmáticos, deixando falar o coração – só esse – de cada ouvinte. Sucedera algo similar, mais de um século antes, com a “Via Crucis”, de Franz Liszt. Ainda hoje não são bem conhecidas as razões que levaram o seu autor à vida consagrada. O certo é que a 25 de Abril de 1865 iniciou a preparação para ser ordenado, o que veio a acontecer no dia 31 de Julho seguinte; de aí em diante passaria a ser conhecido por Abade Liszt. Parece paradoxal que o mais célebre pianista de então, com uma carreira e reconhecimento inigualáveis, habituado à fama, rico e viajado, e defendendo, sobretudo como compositor, ideais progressistas e revolucionários a respeito do papel da música e das técnicas de composição, decidisse a dado momento terminar a sua carreira de pianista e renunciar a tudo, em favor da espiritualidade e do recolhimento. Liszt começou a escrever “Via Crucis” em 1866, sobre textos escolhidos pela princesa Wittgenstein, e doze anos depois, no Verão de 1878, a obra estava concluída. A sua publicação foi inicialmente rejeitada (segundo o editor, por se tratar de uma obra demasiado inovadora e sem perspectivas de venda) e o compositor nunca chegou a assistir à estreia, que só aconteceu em Budapeste, na Sexta-Feira da Paixão de 1929. A dimensão artística desta obra é impressionante. Sem perder de vista as origens e a essência da música religiosa, ela oferece ao mesmo tempo um pensamento verdadeiramente inovador e a abertura de caminhos de grande valor e interesse para o futuro da composição. Descontente com o degradante uso da música nas cerimónias litúrgicas ao longo da primeira metade do século, Liszt terá confidenciado ao cardeal Hohenlohe que pretendia renovar a música religiosa. Não há dúvidas de que o conseguiu, atingindo o patamar do inefável.

Arte contribui para salvaguarda ambiental A defesa da biodiversidade é uma causa apadrinhada com entusiasmo pelo Festival Terras sem Sombra, que estabelece, assim, a triangulação entre património cultural, música e natureza, fazendo justiça ao facto de que muitas igrejas do Baixo Alentejo, com os seus campanários e adros, são santuários da vida selvagem. O Coro da Arena de Verona, com o maestro Giovanni Andreoli na dianteira, vai colaborar, a 1 de Maio, em iniciativas de salvaguarda da avifauna do Campo Branco. Na herdade de Vale Gonçalinho, da Liga para a Protecção da Natureza, vão ser desenvolvidas iniciativas de salvaguarda do habitat de aves características da zona, mas hoje em severo risco de extinção, como a abetarda e o sisão. Uma dessas medidas consiste na sinalização de vedações, essencial para evitar a colisão

das aves com obstáculos que as podem afectar, segundo está previsto no projecto «LIFE Estepárias». Outra intervenção que o Coro de Verona irá levar a cabo, com o apoio da LPN, é a instalação de caixas-ninho para peneireiros-das-torres na Basílica Real de Castro Verde. Este monumento, tal como o centro histórico da vila, encontra-se afectado por uma praga de pombos. A presença de aves de rapina poderá contribuir, de modo sustentável, para a reposição do equilíbrio entre espécies, ajudando a solucionar um problema que está a degradar o património construído. Estas acções resultam da parceria do Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja com o Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade e o Município de Castro Verde.

O maestro Giovanni Andreotti vai dirigir o Coro da Arena de Verona no Alentejo. PUB


20 28 Abril ‘11 Roteiro

TEATRO

MÚSICA

NATUREZA

EXPOSIÇÃO

Évora Danças do mundo para crianças Terças-feiras, às 18h00 Local: Espaço Celeiros Nas danças do Mundo para crianças abordamos diferentes formas de estar e de se expressar em grupo, tendo como base o movimento, jogos rítmicos, orientação espacial, criatividade, etc.... Numa viagem à volta do mundo, visitaremos outros países e outras formas de viver e sentir a música de cada país e de cada continente.

Évora Encontro de Músicos Todas as quartas-feiras Hora: 22h00 Local: Espaço Celeiros,Rua Eborim, 18 Voltaram os Encontros de Músicos. A ideia é pegar no repertório de música para dançar e a prazo animar de vez em quando a aula de danças do mundo com música ao vivo! Qualquer instrumento é bem-vindo! Entrada Livre

Portel Passeios por cá… 8 de Maio a 30 de Julho Com o inicio da Primavera, começa mais uma aventura, ao sábado à descoberta das Paisagens de Portel. De Abril a Julho, percorrem-se os caminhos na Serra de Portel, a flora da Serra permitenos usufruir de aromas caracteristicos deste nosso Alentejo. Nestes passeios descobrem-se habitos e tradições ancestrais que marcam a vida do homem rural.

Évora Um Mundo – Três Dimensões 18 de Fevereiro a 12 de Junho Local: Igreja de S. Vicente Blank Canvas, segunda geração, estão longe, nos propósitos, de ser uma conquista e uma originalidade do nosso tempo. O que é manifestamente original neste grupo constituído por António Couvinha, Chris Alford e Peter de Jong é a assumida individualidade dos seus olhares.

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Assistência Técnica | Máquinas de cápsulas | Máquinas de venda automática bebidas frias | bebidas quentes | snacks

Alentejo

Tlm. 962 689 434

Email: v.marques@netvisão.pt


21 Lazer Sugestão de leitura

Sugestão de filme

Um mês para viver

A Rapariga do Capuz Vermelho

Autores: Kerry Shook, Chris Shook Sinópse:

Realizador: Catherine Hardwicke Sinópse:

A expectativa da morte iminente é capaz de despertar reações surpreendentes. É verdade que alguns não resistem e se deixam levar pela tristeza e apatia, perdendo-se no labirinto da depressão. Outros, porém, resistem e buscam novos caminhos. Aposentam a figura do impostor e passam a expressar o que realmente pensam; pedem perdão a quem magoaram e perdoam os que os decepcionaram; valorizam as coisas simples; aproximamse da família e dos verdadeiros amigos; reavaliam prioridades; valorizam a Deus e preocupam-se com o legado que deixarão;

Durante décadas, os habitantes da aldeia de Daggerhorn têm mantido um acordo com o lobisomem (que aparece sempre que há lua cheia), sacrificando um animal para satisfazer o seu apetite. No entanto, numa das noites, a besta mata um dos habitantes: a irmã mais velha de Valerie, uma bela e inocente rapariga, prometida (pelos seus pais) a Henry, filho da família mais rica da aldeia. Mas Valerie só quer Peter, seu amigo de infância e por quem sempre esteve apaixonada. Os dois tinham planeado fugir, mas o lobisomem mudou tudo... Ansiando por vingança,

cada dia é uma nova aventura para ser vivida plenamente. E você? Se soubesse agora que tem apenas um mês de vida, que mudanças faria? Você se deixaria levar pela apatia ou ousadamente reorganizaria sua vida com base nas verdadeiras prioridades? Deixe que Kerry e Chris o levem a reavaliar sua trajetória de vida.

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1 os aldeões não sabem o que fazer, até que chega o famoso caçador de lobisomens Padre Solomon, que está disposto a acabar com a besta de uma vez por todas. Só que a vinda deste ainda traz mais complicações: ele avisa que o lobisomem é alguém da aldeia, que assume a forma humana durante o dia.

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Carneiro

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Balança Carta da Semana: 4 de Espadas, que significa Inquietação, agitação. Amor: Ponha as cartas na mesa, evite esconder a verdade. Seja o mais honesto possível com a sua cara-metade. Saúde: Aja em consciência e não cometa excessos que o seu organismo não suporta. Dinheiro: Ouça os conselhos da pessoa com quem divide as tarefas diárias. Números da Sorte: 7, 22, 29, 33, 45, 48 Pensamento positivo: Sou honesto com as pessoas que amo, e isso tranquiliza o meu coração. Horóscopo Diário Ligue já!

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Nota: O objectivo do jogo é completar os espaços em branco com algarismos de 1 a 9, de modo que cada número apareça apenas uma vez na linha, grade e coluna.

HORÓSCOPO SEMANAL Carta da Semana: Valete de Paus, que significa Amigo, Notícias Inesperadas. Amor: Poderá receber a visita inesperada de um amigo de longa data. Receba-o de braços abertos. Saúde: O seu organismo poderá andar desregulado. Esteja atento às suas indicações. Dinheiro: Possibilidade de ganhar lucros inesperados. Seja audaz e faça um excelente investimento. Números da Sorte: 9, 11, 17, 22, 28, 29 Pensamento positivo: Quando quero falar com Deus, abro-lhe o meu coração e digo tudo o que sinto.

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Telefone: 21 318 25 91 E-mail: mariahelena@mariahelena.tv

Touro Carta da Semana: Rei de Paus, que significa Força, Coragem e Justiça. Amor: Opte por atitudes de compreensão e tolerância para com os seus filhos. Saúde: Poderá sentir-se um pouco cansado e sem energia. Melhore a sua alimentação. Dinheiro: Aposte na sua competência, pois poderá ser recompensado da forma como merece. Números da Sorte: 1, 5, 7, 11, 33, 39 Pensamento positivo: Eu procuro ser justo e correcto para com todos os que me rodeiam. Horóscopo Diário Ligue já!

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Escorpião

Gémeos Carta da Semana: Valete de Copas, que significa Lealdade, Reflexão. Amor: A sua vida afectiva poderá não estar a ter os contornos que planeou. Procure não perder a calma e invista na sua felicidade. Trate-se com amor! Saúde: Não abuse dos alimentos que sabe que prejudicam o seu estômago. Dinheiro: Prevê-se uma semana extremamente positiva em termos profissionais. Números da Sorte: 2, 9, 17, 28, 29, 47 Pensamento positivo: Sou leal para comigo mesmo e para com as pessoas que amo. Horóscopo Diário Ligue já!

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Sagitário

Caranguejo Carta da Semana: 9 de Espadas, que significa Mau Pressentimento, Angústia. Amor: Tome consciência dos seus actos, pois estes poderão estar a contribuir negativamente para a sua relação. Saúde: Evite situações que possam provocar uma alteração do seu sistema nervoso. Cuidar da sua saúde não é uma questão de querer. Dinheiro: Modere as palavras e pense bem antes de falar. Uma atitude irreflectida pode aborrecer um superior hierárquico. Números da Sorte: 9, 18, 27, 31, 39, 42 Pensamento positivo: Tenho Fé e acredito que o Universo nunca se engana. Horóscopo Diário Ligue já!

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Capricórnio

Leão Carta da Semana: 6 de Ouros, que significa Generosidade. Amor: A sua cara-metade não merece ser tratada com indiferença. Pense um pouco melhor na sua forma de agir. Saúde: As tensões acumuladas podem fazer com que se sinta cansado e desmotivado. Dinheiro: Atenção, a sua qualidade profissional poderá estar a ser testada. Números da Sorte: 6, 14, 36, 41, 45, 48 Pensamento positivo: Retribuo com generosidade tudo aquilo que recebo. Horóscopo Diário Ligue já!

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Aquário

Carta da Semana: O Julgamento, que significa Novo Ciclo de Vida. Amor: Aposte nos seus sentimentos e poderá, em conjunto com a sua cara-metade, tomar uma decisão importante para ambos. Saúde: A sua capacidade de recuperação de energias será notória. Esqueça o passado e viva o presente, o passado passou, aceite-o! Dinheiro: Esforce-se por conseguir atingir os seus objectivos profissionais. Seja audaz e perseverante. Números da Sorte: 1, 3, 7, 18, 22, 30 Pensamento positivo: Procuro escolher aquilo que é melhor para mim.

Carta da Semana: A Roda da Fortuna, que significa Sorte, Acontecimentos Inesperados. Amor: Ponha o seu orgulho de lado e vá à procura da felicidade. Seja feliz! Saúde: Lembre-se que fumar não faz mal apenas a si; tenha em atenção a saúde da sua família. Dinheiro: Aposte nos seus projectos pessoais. Seja inovador e arrojado. Poderá ter óptimas surpresas. Números da Sorte: 8, 17, 22, 24, 39, 42 Pensamento positivo: Acredito que a vida me traz surpresas maravilhosas.

Carta da Semana: A Lua, que significa Falsas Ilusões. Amor: Uma velha lembrança poderá pairar na sua mente, causando algumas dúvidas no seu coração. Procure ter uma vida de paz e amor. Saúde: Nesta área não terá muitas razões para ficar preocupado, o que não significa que deixe de ter os cuidados mínimos. Dinheiro: Utilize a sua capacidade de organização para sugerir algumas mudanças no seu departamento. Números da Sorte: 3, 7, 11, 18, 22, 25 Pensamento positivo: Oiço a voz da minha intuição, sei que ela me diz sempre a verdade.

Carta da Semana: O Mundo, que significa Fertilidade. Amor: Não se dedique apenas à sua vida profissional, dê mais atenção à pessoa que ama. Saúde: Liberte o stress que tem acumulado dentro de si. Dinheiro: Património protegido. Continue a adoptar uma postura de contenção. Será bastante positivo para si. Números da Sorte: 2, 17, 19, 36, 38, 44 Pensamento positivo: Fazer o Bem dá alegria ao meu coração!

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Virgem Carta da Semana: Ás de Espadas, que significa Sucesso. Amor: O amor estará abençoado. Aproveite ao máximo este momento de comunhão. Saúde: O trabalho não é tudo! Descanse mais e pense seriamente na sua saúde. Dinheiro: Aja de forma ponderada, não coloque em risco a sua estabilidade financeira. Pense bem antes de gastar indevidamente. Números da Sorte: 4, 9, 18, 22, 32, 38 Pensamento positivo: Procuro ser simples porque sei que viver com simplicidade é mais do que um acto, é uma virtude. Horóscopo Diário Ligue já!

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Peixes Carta da Semana: 8 de Copas, que significa Concretização, Felicidade. Amor: Aja menos com a razão e mais com o coração. Saúde: Seja mais moderado e dê mais valor ao seu bem-estar. Se seguir em frente e fizer o que tem de ser feito, todos acabarão por aplaudi-lo! Dinheiro: Esteja muito atento ao que se passa ao seu redor, pois algum colega pode não ser tão sincero quanto aparenta. Números da Sorte: 1, 8, 17, 21, 39, 48 Pensamento positivo: A felicidade espera por mim! Horóscopo Diário Ligue já!

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VIII PROVA SOLIDÁRIA DE KART/CERCIDIANA A Cercidiana vai promover mais um ano a Campanha do Pirilampo Magico entre 7 e 29 de Maio. Este evento conta uma serie de iniciativas, todas com a finalidade de inflamar o propósito da venda dos pirilampos com o estabelecimento de parcerias e provas vivas de cidadania que emergem na cidade de Évora. É um tempo em que apreciamos uma aproximação por parte de pessoas e entidades juntar-se na causa da defesa do direito à dignidade da pessoa com deficiencia, causa esta que passa também pela obrigação que todos temos em contribuir para melhorar a qualidade da sua vida. Assim pensando, assim nos jogámos à organização da VIII Prova de Kart solidária Pirilampo Mágico no dia 21 de Maio, no Kartódromo de Évora, pelas 17.00H. Uma percentagem da sua inscrição reverterá a favor da Cercidiana. Colabore Participando!

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maravilhas da gastronomia

Pratos alentejanos vão a concurso Redacção | Registo A açorda à alentejana é um dos 12 pratos da região candidatados ao concurso 7 Maravilhas da Gastronomia Portuguesa. Trata-se da região do país com mais pratos a concurso. E a açorda, a par do gaspacho com carapaus fritos e da sopa de cação, está a disputar o prémio de melhor sopa. O concurso, promovido pela New 7 Wonders (responsável pela organização de iniciativas como as 7 Maravilhas Naturais de Portugal), visa divulgar e promover o património gastronómico nacional, reconhecido e apreciado em todo o mundo pela sua diversidade, pelos sabores únicos e qualidade dos produtos com que os pratos são confecionados. “As artes culinárias constituem um património intangível, testemunho da nossa identidade cultural, e são factor decisivo na escolha de Portugal como destino turístico”, assinala fonte da organização. O ponto de partida é a gastronomia tradicional, mas a evolução na forma de confecionar e a abordagem contemporânea dos grandes chefs não será esquecida. A ementa vai ainda incluir os ingredien-

tes, os produtos, os protagonistas e as regiões. “As 7 Maravilhas a eleger vão reflectir todas as componentes da boa mesa portuguesa, associadas a regiões que as representam, e será seguramente um roteiro imperdível”. Se em matéria de sopas o Alentejo avança com 3 pratos, nas entradas somam-se mais dois: pezinhos de coentrada e presunto de Barrancos. De peixe, está a concurso a açorda de bacalhau. E, nas carnes, avançam as migas alentejanas. Em matéria de caça, foram colocados à votação mais dois pratos tipicamente regionais: arroz de pombo-bravo com hortelã e empada de coelho-bravo com arroz de pinhões e passas. Para o ministro da Agricultura, António Serrano, trata-se de uma iniciativa de promove os produtos nacionais e “potencia o aumento da produção agrícola nacional”, ao mesmo tempo que “dá valor mediático” a um sector importante da economia portuguesa e “promove os saberes antigos e modernos que transformam todos os dias a nossa agricultura” “A riqueza das nossas essências, dos

nossos paladares são uma marca do ser português, um património de gerações”, diz António Serrano. “Contam-se pelos dedos de uma mão os países com verdadeiro capital de perenidade, para falar do património gastronómico, como só Portugal tem. O nosso país oferece uma grande diversidade de paladares, para todas as bocas, para todos os gostos”, afirma Luís Segadães, presidente das “7 Maravilhas”. “As artes culinárias constituem um património intangível, testemunho da nossa identidade cultural e são fator decisivo na escolha de Portugal como destino turístico. Em 2011 damos a conhecer um Portugal mais rico, mais saboroso e sempre ao gosto de cada um”. As 7 Maravilhas a eleger vão refletir todas as componentes da boa mesa portuguesa, associadas às regiões que as representam e será seguramente um roteiro imperdível. O processo para eleger as “7 Maravilhas da Gastronomia” teve início a 7 de Fevereiro, com a abertura da fase de candidaturas no site oficial (www.7maravilhas. pt). Este ano a organização vai envolver

ainda mais o público, incentivando à participação no levantamento de todos os pratos/receitas. Todas as receitas e pratos a considerar no processo de eleição serão organizados pelas 10 regiões do país e em 7 categorias: Entradas, Sopas, Carnes, Caça, Peixe, Marisco e Doces. Doces? Pois, é que, aqui, o Alentejo também está bem representado no rol de pré-finalistas: ora venha de lá uma encharcada do convento de Santa Clara ou a tradicional sericá. Após um processo de seleção por parte de 70 especialistas, e posteriormente por um painel de 21 personalidades notáveis, a short list de 21 Finalistas será apresentada a 7 de Maio de 2011. A votação pública por SMS, chamada telefónica, internet (www.7maravilhas.pt) e Facebook decorre entre 7 de Maio e 7 de Setembro de 2011, e as “7 Maravilhas da Gastronomia” serão reveladas no mesmo mês em Santarém. A representatividade geográfica do país é assegurada através da presença no mínimo de um finalista de cada uma das 10 regiões do país e todo o processo de seleção e votação será auditado por uma empresa da especialidade.

Confraria premeia vinhos alentejanos Os vinhos dos produtores Herdade dos Grous, tinto, Logowines, branco, e Herdade da Ajuda Nova, rosado, conquistaram os primeiros prémios, Talha de Ouro, no concurso “Os melhores Vinhos do Alentejo”. Na 20.ª edição do certame, promovido pela Confraria dos Enófilos do Alentejo, aqueles produtores ganharam os primeiros prémios nas categorias de vinhos tintos, brancos e rosados, respectivamente, correspondentes à colheita de 2010, vinhos ainda não engarrafados. Os segundos prémios, Talha de Prata, foram atribuídos aos vinhos dos produtores Granacer, tinto, Casa de Santa Vitória, branco, e Ervideira Sociedade Agrícola, rosado. Com os terceiros prémios, Talha de

Bronze, foram distinguidos os vinhos dos produtores Casa Agrícola Herdade Monte da Ribeira, tinto, Aromas do Sul, branco, e João Gonçalves Gomes, rosado. Foram ainda atribuídas várias menções honrosas nas três categorias, vinhos tintos, brancos e rosados. De acordo com os promotores, através de uma prova cega, o júri de pré-seleção escolheu as 10 melhores amostras de cada categoria, que foram posteriormente submetidas à apreciação de um júri de seleção final, constituído por representantes de diferentes associações do setor, especialistas e jornalistas. A Confraria dos Enófilos do Alentejo considerou ainda que a realização da vigésima edição do concurso representa “um importante testemunho do con-

tributo para a valorização, prestígio e divulgação dos vinhos do Alentejo”. O Alentejo abrange oito sub-regiões vitivinícolas: Portalegre, Borba, Redondo, Reguengos de Monsaraz, Vidigueira, Moura, Évora e Granja/Amareleja. Mais exportações O Brasil é atualmente o principal destino de exportação dos vinhos do Alentejo, sendo o mercado que registou o maior aumento de vendas em 2010, 48 por cento, face ao ano anterior. De acordo com a presidente da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), Dora Simões, “nos últimos seis anos, a exportação de vinhos do Alentejo para o Brasil aumentou quase 200 por

cento e em 2010 foi alcançado um crescimento de 48 por cento”. “Este crescimento de vendas para o Brasil é uma prova da qualidade do vinho alentejano, do empenho de produtores e importadores e, porque não reconhecê-lo, de mais um reflexo do período de ascensão que a economia brasileira apresenta”. Em 2010, foram exportados para o Brasil 2,1 milhões de litros de vinhos do Alentejo, enquanto no ano anterior as vendas tinham atingido 1,4 milhões de litros. De acordo com a CVRA, os vinhos do Alentejo lideram o mercado português, com cerca de 40 por cento do volume total e quase 43 por cento em valor, e estão a ser exportados para os quatro cantos do mundo.


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Desporto

Clube promove Badminton O Clube de Badminton de Évora está a desenvolver um conjunto alargado de actividades para sensibilizar e proporcionar às crianças do pré-escolar e do 1.º Ciclo uma primeira experiência com a modalidade. Segundo José e Henrique SimSim, directores do Clube de Badminton de Évora, “dar a conhecer, fazer experimentar e possibilitar a prática de badminton para estas crianças é o objectivo deste conjunto de iniciativas”. Estas acções passam por, em contexto escolar, prestar alguma informação sobre a modalidade e deixar experimentar às crianças de 5 a 7 anos. Segundo estes responsáveis “a aceitação por parte das crianças é fantástica, pois rapidamente apanham o jeito e, principalmente, divertem-se imenso”. Este conjunto de iniciativas é complementado com o novo Centro de Formação Desportiva, no âmbito do Programa Jogar +, promovido pela CME, no qual alunos do 1.º Ciclo do Concelho de Évora podem ter treinos 2 vezes por semana, de forma gratuita, tendo sido realizadas diversas acções de demonstração. PUB

Évora

Companhia celebra Dança Para comemorar o dia a Companhia de Dança Contemporânea de Évora organizou um espectáculo composto por um conjunto de trabalhos de pequeno formato criados por jovens criadores da região e pelos alunos da Escola de Formação CDCE, sob a direcção da coreografa Nélia Pinheiro. No espaço da “Black Box” a partir das 18h30 abrem-se as portas ao jovem talento da região. Os trabalhos expressivos revelam o pensar e o fazer da dança de uma geração emergente. A CDCE nasceu do desejo da coreógrafa e bailarina Nélia Pinheiro de desenvolver em Évora, um projecto artístico de intervenção comunitária, através de uma estratégia de descentralização cultural.

Ambiente

Quercus realiza debate em Nisa sobre central de Almaraz Ambientalistas querem fechar central nuclear. A associação ambientalista Quercus reivindicou o encerramento da central nuclear espanhola de Almaraz, a 100 quilómetros da fronteira portuguesa, e a aposta na poupança e na eficiência energéticas, na véspera de se cumprirem 25 anos do acidente de Chernobil. A Quercus lembra, em comunicado, que quando se assinalam 25 anos do acidente na central nuclear de Chernobil, na Ucrânia, “ainda não se conhece a dimensão real do acidente de Fukushima, no Japão, sendo já certo que este terá sido um dos mais graves da história”. A associação afirma que apesar de em Portugal ter existido um consenso sobre a não construção de centrais nucleares, “é fundamental olhar para o nuclear como um todo: os proble-

mas estão no início do ciclo, nas explorações de urânio que causam problemas ambientais e de saúde graves em todo o mundo”. Em Portugal, diz a Quercus, existem mais de quarenta minas de urânio abandonadas, “que continuam a poluir a água e os solos e a afectar as populações vizinhas”. Na sexta-feira à noite, a Quercus promove, em Nisa, um debate sobre as alternativas ao nuclear, a exploração de urânio em Portugal e o encerramento das centrais nucleares em Espanha. O debate, que é organizado em parceria com o Movimento Urânio em Nisa Não (MUNN) e a Associação de Ambiente em Zonas Uraníferas (AZU), que contará com a presença do especialista em energia nuclear Paço Castejón, da presidente município de

Nisa, Gabriela Tsukamoto, e do presidente da direcção nacional da Quercus, Nuno Sequeira, entre outros. A Quercus recorda que “há muitos anos” defende que a “aposta deve ser na poupança energética e no uso mais eficiente da energia”, afirmando que “esta é a estratégia mais barata e mais rápida para atingir os objectivos desejados – diminuir a importação de petróleo, gás natural e carvão e reduzir a emissão de gases com efeito de estufa”. Paralelamente, defende a associação, “é ainda fundamental apostar nas energias renováveis, as únicas que são inesgotáveis e gratuitas, bastando apenas desenvolver as tecnologias para as podermos aproveitar, com a vantagem de o podermos fazer de forma descentralizada”.


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