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SEMANÁRIO

Director Nuno Pitti Ferreira | 7 de Abril de 2011 | ed. 149 | 0.50€

O Melhor Petisco | Rua Catarina Eufémia , 14 Horta das Figueiras | 7005-320 Évora 266771284

Partidos escolhem candidatos a deputados entre apelos à renovação das listas.

RELATÓRIO Mais crime em todo o Alentejo O Relatório Anual de Segurança Interna de 2010 (RASI), divulgado recentemente pelo Ministério da Administração Interna (MAI) mostra que o crime grave e violento está a aumentar no Alentejo, com subidas de 44,6% em Beja, 18,4% em Portalegre e 17,6% em Évora.

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Ana Paula Amendoeira 06/07 em ENTREVISTA

Fernando Tordo actua em Évora

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“Évora tinha na UNESCO um prestígio enorme”

Primeira entrevista com a recém-eleita presidente do ICOMOS Portugal a propósito da salvaguarda e valorização do património histórico.

Concerto amanhã, no Garcia de Resende. “Fazer música é um arrepio, um momento muito especial”, diz o músico em entrevista exclusiva Diana FM/Registo.

Bancos “apertam” concessão de crédito para compra de habitação

Roadshow de mobilidade eléctrica chega ao Alentejo

AMBIENTE

Pág.15 Dificuldades em obter empréstimos bancários empurram famílias para o mercado de arrendamento. Com o crédito malparado a subir e taxas de juros mais elevadas, os bancos querem mais garantias antes de emprestar dinheiro. A consequência é o abrandamento do mercado imobiliário.

Pág.16 Évora nos dias 11 e 12. Beja, dias 13 e 14 de Abril. Portalegre, 27 e 28 de Maio. As três cidades alentejanas integram o “Electric Tour”, projecto pioneiro a nível europeu promovido pelas autarquias e pelo MOBI.E, entidade coordenadora da rede de mobilidade eléctrica que vai percorrer um total de 25 cidades portuguesas.

Pág.12 Até 2080, 58% dos vertebrados terrestres e das plantas poderão perder condições climáticas adequadas à sua ocorrência nas áreas protegidas da Europa. Estas perdas poderão atingir 63% das espécies prioritárias presentes na Rede Natura 2000, revela um estudo de Miguel Araújo, investigador da Universidade de Évora.

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Áquecimento global


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07 Abril ‘11

A Abrir “O que será que este botão desliga?” Pedro Henriques | Cartoonista www.egoisthedonism.wordpress.com

A incerteza institucional António Costa da Silva Economista

Uma das notícias que surgiu mais recentemente na imprensa informava que Portugal estaria a negociar um pedido de ajuda intercalar, após os principais banqueiros terem dito que iam deixar de comprar títulos de dívida pública nacional. Esta notícia fazia manchete num famoso diário britânico. Também informava o jornal Público que responsáveis políticos nacionais e europeus estavam a avaliar a hipótese de Portugal obter um empréstimo de curto prazo da União Europeia caso o país não consiga garantir as necessidades de financiamento até que um novo Governo seja formado. Bagão Félix vem esclarecer que no Conselho de Estado foi discutida a necessidade de recurso ao financiamento externo através do recurso a um empréstimo intercalar, embora toda a gente entenda que foi certamente discutida a possibilidade ou necessidade de recurso a ajuda externa. Permanentemente, somos confrontados com estas violentas notícias, as quais acabam sistematicamente por acontecer uns tempos depois. Dá a sensação que são uma preparação do cenário real. Também, permanentemente, o Governo português vem desmentir estas mesmas notícias, as quais acabam sempre por acontecer. Infelizmente também já vamos ficando habituados às tentativas de ocultar uma realidade que é sempre muito pior do que aquilo que parece. Lá nos vamos conformando. Por muito duras que sejam as notícias e por muita vontade que o Governo e o senhor Primeiro-ministro queiram “matar” os mensageiros, não é possível manter eternamente este estado desconfiança e de incerteza. Apesar de estarmos perante a proximidade de umas eleições eleitorais não podemos deixar de tomar as medidas necessárias para salvar o País. Este conjunto de afirmações e negações deixa-nos sempre desconfiados. Como estamos tão habituados a este compulsivo procedimento, já dificilmente ouvimos as explicações que nos são dadas. Mas uma coisa é certa, esta forma de fazer política serve perfeitamente para criar confusão às pessoas, levando-as a desconfiar e desacreditar no futuro. Não estamos apenas a falar em proporcionar expectativas positivas e a fornecer alguma esperança, mas sim de indicar um caminho que seja seguro para as pessoas. To-

dos queremos saber qual o estado da nação e quais dificuldades que teremos que percorrer. Queremos, também, saber se existe um horizonte claro e evidente para a resolução destes gravíssimos problemas. Queremos soluções! Este clima de desconfiança e descrença no futuro é da inteira responsabilidade destas peripécias. Esconder sistematicamente a realidade é empurrar para a frente todos os problemas que terão que ser obrigatoriamente resolvidos. As famílias estão totalmente desorientadas. As empresas, para além dos graves problemas que já sofrem, não sabem o que podem fazer. E o Estado? será que ajuda? O papel do Estado deveria ser o do treinador que sabe orientar a nossa equipa. Será que é isso que tem acontecido? Agora imaginem a situação, internamente estamos todos, ou pelo menos uma enormíssima maioria de pessoas, desconfiados da capacidade deste Governo em resolver os problemas do País, agora imagine-se o que pensarão os financiadores externos em relação a Portugal. Queixamo-nos da especulação, das taxas de juro altas e das quebras sucessivas nas tabelas de rating. Com esta péssima imagem que damos não será natural que assim aconteça? Uma coisa é certa, assim não podemos continuar. Temos mesmo que “mudar de vida”.

Protagonistas P06

“Por muito duras que sejam as notícias e por muita vontade que o Governo e o senhor Primeiro-ministro queiram “matar” os mensageiros, não é possível manter eternamente este estado desconfiança e de incerteza“.

Ana Paula Amendoeira Nem o doutoramento que está a concluir em Paris, na Sorbonne, a levou a recusar o desafio de presidir ao ICOMOS/Portugal, organismo que aconselha a UNESCO.

P09

Rui Pereira ... e com ele os três governadores civis do Alentejo: em 2010, a violência aumentou bastante. Serve de pouco consolo dizer que os números continuam baixos.

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Ficha Técnica Director Nuno Pitti Ferreira (nuno.pitti@registo.com.pt) Editor Luís Maneta

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Propriedade PUBLICREATIVE - Associação para a Promoção e Desenvolvimento Cultural; Contribuinte 5099759815 Sede Rua Werner Von Siemens, n.º16 -7000.639 Évora - Tel: 266 751 179 fax 266 751 179 Direcção Silvino Alhinho; Joaquim Simões; Nuno Pitti Ferreira; Departamento Comercial Teresa Mira (teresa.registo@gmail.com) Paginação Arte&Design Luis Franjoso Cartoonista Pedro Henriques (pedro.henriques@registo.com.pt); Fotografia Luís Pardal (editor) Colaboradores Pedro Galego; Pedro Gama; Carlos Moura; Capoulas Santos; Sónia Ramos Ferro; Carlos Sezões; Margarida Pedrosa; António Costa da Silva; Marcelo Nuno Pereira; Eduardo Luciano; José Filipe Rodrigues; Luís Martins Impressão Funchalense – Empresa Gráfica S.A. | www. funchalense.pt | Rua da Capela da Nossa Senhora da Conceição, nº 50 - Morelena | 2715-029 Pêro Pinheiro – Portugal | Telfs. +351 219 677 450 | Fax +351 219 677 459 ERC.ICS 125430 Tiragem 10.000 ex Distribuição Nacional Periodicidade Semanal/ Quinta-Feira Nº.Depósito Legal 291523/09 Distribuição Miranda Faustino, Lda


3 Política Legislativas

Bases de PS e PSD querem renovação das listas Partidos dão início ao processo de escolha dos candidatos a deputado. Listas têm de estar fechadas até ao próximo dia 26 de Abril. Em Évora, ouvem-se apelos à “renovação” no interior das distritais do PS e do PSD. Luís Maneta | Texto Renovação é, por estes dias, das palavras mais ouvidas entre as “bases” do PS e PSD no momento em que arranca o processo de elaboração das listas de candidatos a deputados. Abril será o mês das decisões. E, embora ninguém o diga abertamente, há quem entenda que é chegada a hora de “renovar” as listas, lançando rostos alternativos a Luís Capoulas (PSD) e Carlos Zorrinho (PS), sem que esse desejo de mudança signifique mais do que isso. Ou seja, “reconhecendo o mérito do trabalho feito há que reconhecer igualmente que tudo tem um tempo e que esse tempo passa”, resume uma fonte da Federação de Évora do PS. “Não defendo que haja condições políticas para uma renovação desse tipo, com essa profundidade, num momento tão delicado como este. Até porque não há assim tantas pessoas com perfil para uma candidatura destas”, contrapõe um dirigente do secretariado distrital ouvido pelo Registo. Eleito deputado pela primeira vez em Outubro de 1995, Carlos Zorrinho já repetiu a candidatura em cinco actos eleitorais, suspendendo o mandato quando convidado para exercer outras funções: secretário de Estado Adjunto da Administração Interna (2000/2002), coordenador nacional da Estratégia de Lisboa e do Plano Tecnológico (2005/2009), secretário de Estado da Energia e Inovação (desde 31 de Outubro de 2009). Deputado na VII, VIII, IX, X e XI legislatu-

Distritais “laranja” reúnem-se esta sexta-feira As estruturas distritais do PSD vão reunir-se esta sexta-feira para decidir os nomes a propor à direcção do partido para as listas de candidatos a deputados, que serão submetidas à aprovação do Conselho Nacional. O reconhecimento local e nacional e a preparação política e técnica são alguns dos critérios referidos no documento enviado pela direcção do PSD, que estabelece ainda que se deve dar continuidade à renovação do grupo parlamentar. O processo de elaboração das listas de candidatos a deputados do PSD ficará concluído com uma reunião do Conselho Nacional do PSD marcada para dia 17, um domingo. Nessa reunião, o órgão máximo partidário entre congressos deverá aprovar as listas apresentadas pela Comissão Política do PSD. Antes, até ao final desta semana, as estruturas distritais do PSD vão realizar reuniões para decidir os nomes a propor, tendo em conta as indicações entretanto recebidas dos órgãos concelhios.

ra, a sua última intervenção no Parlamento remonta a 21 de Março de 2005 – um pedido de esclarecimento ao ministro da Ciência e Ensino Superior, Mariano Gago, sobre o programa de governo: “É a riqueza que gera crescimento e é este que permite a sustentabilidade das políticas sociais e também a sustentabilidade das contas públicas”. O contrário do que os sucessivos PEC têm levado à prática. Se Carlos Zorrinho é deputado desde há 16 anos, Júlio Miranda Calha é-o desde a primeira legislatura: 1976. O “eterno” cabeça de lista do PS por Portalegre já venceu inúmeras guerras internas. Desta vez, embora não contestado de forma frontal, não faltam militantes a aconselhar “reflexão profunda sobre a necessidade de mudança”, diz fonte federativa. “Se quiser continuar no Parlamento, Miranda Calha pode entrar com facilidade pelo círculo de Lisboa”. No PSD/Évora, há quem veja as próximas legislativas como o momento certo para renovar a representação parlamentar e “cimentar novas lideranças”, sublinha um elemento da distrital. “Como o mais provável

Carlos Zorrinho (PS) foi eleito deputado, pela primeira vez, há 16 anos. Luís Capoulas tem sido uma “escolha segura” do PSD.

será que cada partido mantenha a actual eleição de um deputado, não há nada a perder”. “Luís Capoulas é um denominador comum dentro do PSD, sempre que concorreu a deputado foi eleito, é uma personalidade reconhecida em todo o distrito mas chegou o tempo da mudança. O que não invalida que possa novamente ser chamado para desempenhar outras funções caso o PSD venha a formar Governo”, acrescenta a fonte. Se a decisão passar por aqui, há dois nomes em cima da mesa: António Costa Silva (eleito há cinco meses presidente da Distrital com 97% dos votos e considerado muito próximo de Luís Capoulas, cujo gabinete integrou aquando da sua passagem pelo Governo Civil de Évora) e António Dieb, vereador na Câmara de Évora (e opção mais provável). “O pior que nos podia acontecer seria outra solução vinda de fora”, refere um militante social-democrata, que seis anos depois ainda se diz “inconformado” com o “apoio logístico” dado “pelas estruturas do partido” à candidata escolhida por Pedro Santana Lopes: a então ministra da Cultura Maria João Bustorff. O PSD não conseguiu eleger qualquer deputado por Évora. Enquanto que em Évora, o processo ainda está longe de encerrado, em Portalegre, a posição do actual deputado Cristóvão Crespo no topo da lista é apontada por fonte partidária como “indiscutível” uma vez que foi ele que, em 2009, retirou a “hegemonia” socialista no distrito, “roubando” um deputado ao PS.

Sócrates falou com federações José Sócrates já falou com alguns presidentes de federações distritais do PS – a quem cabe a escolha de dois terços dos candidatos – mas em vésperas de congresso a prioridade é outra: escolher os dirigentes que irão integrar os órgãos nacionais e aproveitar o congresso para relançar os tópicos do discurso socialista para a campanha eleitoral iniciada com a demissão do Governo. Sobre candidatos, as palavras são poucas e de circunstância. Capoulas Santos, presidente da Federação de Évora e director da campanha de Sócrates à liderança do PS, diz, por exemplo, que serão listas simultaneamente de “continuidade” e de “renovação”. As listas terão de ser entregues até dia 26 de Abril.

Dinis Cortes avança pelo BE O médico Dinis Cortes, 55 anos, vai ser o cabeça-de-lista do Bloco de Esquerda pelo círculo eleitoral de Beja nas legislativas de 5 de Junho. Responsável clínico pela delegação regional do Alentejo do Instituto da Droga e da Toxicodependência, Dinis Cortes foi apoiante de Manuel Alegre nas últimas eleições presidenciais. “Ser eleito é uma ambição grande, mas o céu é o limite”, diz Dinis Cortes, que concorre como independente.

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Com a escolha dos candidatos a deputado, Abril vai ser um mês agitado para os líderes distritais do PS (Capoulas Santos) e do PSD (António Costa e Silva).

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07 Abril ‘11

Política

Dívida da camâra em 2010 atinge 70’7 milhões de euros

Jesuina Pedreira Vereadora da CDU

Chegada a primavera é hora do regresso das andorinhas, dos dias soalheiros, dos campos floridos, e é também hora, de acordo com as leis em vigor, de as autarquias apreciarem os documentos de prestação de contas relativos ao ano económico anterior. Estes documentos, permitem analisar a evolução da gestão nos diferentes sectores de actividade da autarquia local, designadamente no que respeita ao investimento, condições de funcionamento, custos e proveitos; permitem avaliar a situação financeira da autarquia e permitem também conhecer a evolução das dívidas. Foi neste contexto, para apreciação dos documentos de prestação de contas de 2010, que a Câmara Municipal de Évora reuniu extraordinariamente no passado dia 4 de Abril. Desde logo, podemos dizer que os resultados espelhados nos documentos que nos foram apresentados, não constituíram total surpresa, por traduzirem o resultado das opções tomadas em termos previsionais. Algumas das críticas e preocupações que levantámos em sede de discussão orçamental, vieram agora confirmar-se, conforme se pode constatar pelos números apurados. Em primeiro lugar, em termos de crescimento de receitas, alertámos para o que nos parecia uma previsão irrealista, mesmo num cenário optimista que dificilmente seria atingido. Dissemos que a evolução histórica da receita municipal, conjugada

com o agravamento do custo de vida e dificuldades das famílias e das empresas, levariam certamente a um decréscimo de receita municipal e não a um aumento como previsto. Confirma-se agora que estávamos certos, as receitas arrecadadas pelo município ficaram muito aquém do esperado, com uma taxa de execução de apenas 60%, ou seja, 48,5 milhões num orçamento de 81 milhões. O efeito das dificuldades sentidas pelas famílias e pelas empresas está claramente reflectido na redução da receita proveniente de impostos directos, como o IMI, o IMT ou mesmo a Derrama, cujo decréscimo foi de 400 mil euros, comparativamente ao ano de 2009. Em contrapartida, a quebra de receita apenas foi compensada pelo aumento na cobrança de taxas e multas. Também a Revisora Oficial de Contas - ROC, no Relatório de revisão das contas, faz referência à sobrevalorização das receitas no orçamento de 2010, prática de resto que vem já de anos anteriores como refere, sugerindo que de futuro seja feita uma orçamentação de receita de maior rigor, o que não podemos deixar de subscrever. Em 2010 voltou a aumentar a divida a fornecedores e outros credores, situando-se perto dos 39 milhões de euros, e aumentou também a divida total da câmara, que ascende agora a 70,7 milhões de euros. Neste capítulo é de salientar a referência feita pela ROC, a um conjunto de facturas e outros com-

promissos, no valor de 8 milhões de euros, que não foram comunicados ao orçamento, por não haver dotações disponíveis nas respectivas classificações económicas. Não sendo uma situação nova, aliás refere a ROC uma variação positiva em relação a 2009, na ordem de 1 milhão de euros, a verdade é que continuaram a ser assumidos compromissos sem prévia cabimentação, quando o procedimento deveria ter sido exactamente o inverso. Esta situação, como muito bem alerta a ROC, evidencia o incumprimento legal de uma regra orçamental, cuja responsabilidade financeira pode ser revertida para o Orgão executivo, em sede de acção inspectiva por parte do Tribunal de Contas. Por outro lado, deve também ser salientada a referência feita pela ROC quanto ao controlo orçamental da despesa, por não espelhar, na íntegra, os valores decorrentes dos compromissos futuros, tais como amortizações de empréstimos, juros, contratos de empreitadas e fornecimentos e contratos de locação financeira, entre outros. Em termos de limites do endividamento municipal, apesar de não se pronunciar, o que se estranha, não deixa a ROC de recomendar uma adequada consolidação orçamental, face ao nível de endividamento verificado e prazos médios de pagamento apurados no exercício de 2010, sendo que, segundo os dados do relatório de gestão apresentado, foi ultrapassado o limite do endividamento líquido em prati-

camente 2 milhões de euros, sendo agora necessário recorrer a um programa de saneamento financeiro. Os custos operacionais continuaram muito superiores aos proveitos obtidos e as despesas com pessoal continuaram a crescer, cerca de 1,5 milhões de euros. De destacar a referência feita no relatório de gestão ao facto das transferências vindas do Ministério da Educação, no âmbito do contrato de transferência de competências em matéria de educação, serem inferiores aos encargos que a Câmara assumiu com o pessoal não docente, o que só vem confirmar as criticas que à época tecemos sobre o que nos parecia ser um mau “negócio” para a autarquia. Em conclusão, estamos nesta data perante a evidência documen-

“Em 2010 voltou a aumentar a divida a fornecedores e outros credores, situando-se perto dos 39 milhões de euros, e aumentou também a divida total da câmara, que ascende agora a 70,7 milhões de euros“.

tal do que dissemos em Janeiro de 2010 quando da discussão dos documentos previsionais: que era evidente a impossibilidade de concretização de muitas das propostas apontadas, particularmente, no domínio das infra-estruturas viárias e equipamentos; que era evidente que continuariam a não sair da fase do anúncio e da propaganda, obras e equipamentos de que a cidade precisa, alguns anunciados desde 2001. E isso mesmo se confirma neste relatório. Apesar do caminho de “esperança” que os documentos previsionais apontavam, nem Complexo Desportivo Municipal, nem Recuperação do Salão Central, nem Variante Ramo Nascente, nem investimento no CHE, nem Projecto Acrópole XXI, nem a satisfação de tantas outras necessidades do Concelho. Por isso, pelo que estes números, mapas e relatórios significam e reflectem, não poderemos senão manifestar a nossa discordância, excluindo daqui qualquer crítica ao desempenho dos técnicos envolvidos, quer os funcionários da autarquia, quer os auditores externos. Qualquer outra posição perante estes resultados, seria esquecer as graves dificuldades de tesouraria que muitas das nossas pequenas empresas atravessam, por incumprimento da autarquia dos compromissos assumidos; seria aceitar que obras e investimentos fundamentais para o Concelho, muitos deles prometidos e tornados a prometer, não tenham passado disso mesmo, promessas.

de Portugal que se manifestou contra. Em 2009 fomos surpreendidos com um deficit de cerca de 5% antes das eleições legislativas e que no espaço de meses (com a apresentação do Orçamento de Estado) duplicou (10%, devido à reclassificação das empresas de transporte) sem qualquer explicação a não ser a tentação eleitoralista. Para 2010, e a esta data, o deficit vai já em 8,6%. Com os sucessivos PEC’S, e com a apresentação do PEC 1 em Março de 2010, o Governo previa deficits orçamentais de 8.3% do PIB em 2010, 6.6% em 2011, 4.6% em 2012 e 2.8% em 2013. Contudo, e perante a constante desconfiança do mercado, o Governo viu-se obrigado a novas medidas de austeridade, sucessivamente, sem que nenhum dos 3 PEC’s e um orçamento de Estado depois, tivesse surtido qualquer efeito. Não terá sido

alheio a esta situação o historial de endividamento do nosso país e a manifesta incapacidade de controlar as contas públicas do Estado, que fazem de Portugal um pais pouco credível nesta matéria, com consequências dramáticas para todos nós. Mas é preciso relembrar que em 2010 o Governo efectuou operações extraordinárias que lhe permitiram um aumento de receita, como a integração dos fundos de pensões da PT; aumento do IVA, corte de 5% na massa salarial da Função Pública e congelamento de pensões. Com tudo isto e apesar de tudo isto, o deficit para 2010 não anda na ordem dos 7% como se previa inicialmente mas fixa-se em 8.6%, por enquanto. Em Outubro de 2010, o Governo garante que não são precisas mais medidas adicionais, mas face ao fracasso do PEC 2 é apresentado um terceiro PEC, igualmente fracassado e que leva ao quarto PEC, em Março do

corrente ano, fabricado em Bruxelas e Berlim, com a Sra. Merkel, ocultado ao pais e às instituições democráticas representativas dos cidadãos e que foi chumbado na Assembleia da República por toda a oposição. Et voilà, aqui chegados, cumpre perguntar: quem conduziu o pais a este estado deplorável e vergonhoso? Quem enganou os portugueses e até a União Europeia? Quem foi desleal com os seus adversários políticos e até com o Presidente da República? Quem é o líder do desemprego e das obras públicas faraónicas, hiper dimensionadas face aos recursos financeiros do pais? Quem afundou o país e continua a dizer que não precisamos de ajuda? Quando a iminência de uma crise social já não surpreende a resposta é o TGV, à custa das pensões miseráveis que o Governo se preparava para assaltar com o PEC 4. Saberão os portugueses dar a devida resposta, no tempo certo.

Contra factos... Sónia ramos ferro Jurista

Cada vez que Sócrates fala, do alto da sua sobranceria, sobre a responsabilidade da crise e o estado a que chegámos, sem nunca querer assumir qualquer protagonismo pelo caos, depois de liderar seis anos este país, confesso que me dá um calafrio. É preciso ter estofo emocional para se prestar a tal papel, se bem que todos lhe conhecemos características teatrais. Mas tudo tem limite. Compreendo que muitos portugueses se sintam confusos e até invadidos por tanta informação e contra informação, sobre as culpas da crise e do estado do país e achem até repugnante, já, ouvir falar em responsabilidades políticas. Por isso, vamos aos factos: Portugal encontra-se numa trajectória de empobrecimento, que começou muito antes da crise internacional em 2008, relativamente aos outros países

da União Europeia; Portugal é muito menos competitivo do que países recém chegados à comunidade como Estónia, Republica Checa, Polónia, Eslováquia. No universo dos 27 países da EU, Portugal ocupa a 18.ª posição. O endividamento externo já é superior à riqueza gerada anualmente no país, sendo o primeiro país com o maior endividamento externo na zona euro. Em 2010 a divida pública atingiu o valor record de 92.4%. Se contabilizarmos a divida pública indirecta (sector empresarial do Estado onde se incluem as parcerias publicoprivadas) o endividamento público total ascende a mais de 118% do PIB. De 2005 até 2010, a despesa publica, total, aumentou, cifrando-se em 50% do PIB. Em 2008, assistimos à redução do IVA em 1% numa altura em que se vislumbrava a perigosidade de tal medida, segundo os alertas do Banco


5 Política D.R.

Luís Capoulas (PSD)

Dívida dos metros de Lisboa e Porto é “sinal de injustiça” para o interior Redacção | Registo O deputado social-democrata Luís Capoulas apelida a dívida acumulada de 2,5 mil milhões de euros na empresa do Metro do Porto, e os prejuízos de empresas de transporte como a REFER, metro de Lisboa e Carris como sendo um “sinal de injustiça” para com as regiões do interior. Só no caso do Metro do Porto, cuja administração reconheceu estar em dificuldade para assegurar o pagamento de salários em Abril, Luís Capoulas relembra que se trata de um “buraco” superior ao do BPN. “Só três empresas públicas de transporte representam mais de 10 mil milhões de euros de dívida”. Segundo o deputado, trata-se de números que revelam “irresponsabilidade de gestão” e “complacência” e “permissividade” por parte do Governo: “Em termos de justiça e de equidade entre regiões estamos muito longe daquilo que seria exigível”.

Recorde-se que aquando da introdução de portagens nas scut’s do interior, um dos argumentos invocados pelo Governo foi o de que as estradas deveriam ser pagas pelos utilizadores. Da mesma forma, Luís Capoulas diz que é também necessário olhar para o que se passa nas grandes áreas metropolitanas: “Sendo que os portugueses das regiões do interior em nada utilizam estes sistemas de transportes de Lisboa e do Porto, cabe perguntar até que ponto é justo que sejamos todos a pagar por serviços de que só alguns beneficiam”. “Quando há laxismo em certos sistemas, fundamentalmente situados no litoral, acabam por ser as regiões mais des-

favorecidas, nomeadamente o Alentejo, a ter de suportar através dos seus impostos a irresponsabilidade de muitas destas gestões”, acrescenta. Já quanto à situação política nacional, o deputado do PSD diz que o pedido de ajuda externa por parte de Portugal, a acontecer, “resulta da incapacidade e incompetência do Governo para reequilibrar as contas públicas” e não da crise política desencadeada com o “chumbo” do PEC: “Pretender justificar a situação em que se encontra o país com a rejeição de um programa dito de estabilidade e de crescimento, que não tinha nada de estabilidade nem de crescimento, se não é humor negro é de uma tentativa de branqueamento do passado”. PUB

Bravo Nico (PS) e João Oliveira (PCP)

Do “dia negro” no Parlamento ao resgate do FMI Redacção | Registo O deputado socialista Bravo Nico classifica a rejeição do PEC IV como um “dia negro” em que a “oposição, movida por interesses que não são os do país, decidiu que era a oportunidade para derrubar o Governo”. “Houve um dia negro em que a oposição mudou tudo e estamos a viver as consequências desse dia”, diz Bravo Nico, assegurando que se tornou “mais difícil” evitar a entrada do FMI e o pedido de resgate. “Nos dias imediatamente seguintes à reprovação do PEC, houve um aumento de juros numa proporção até aí nunca existente, descida do rating da República e dos principais bancos até níveis preocupantes e o aumento extremo das dificuldades de financiamento nos mercados internacionais”. “Isto foi a consequência da rejeição do PEC mas já se sabia que isto ia acontecer. Não foi por falta de aviso”, sustenta o deputado do PS, lembrando que o recurso ao pedido de

auxílio “não acrescentou qualidade de vida” às populações da Irlanda e da Grécia. Já João Oliveira, do PCP, defende que essa saída “deve ser evitável” uma vez que “não é desejável que Portugal recorra ao garrote externo” sendo forçado a aceitar as “soluções” do FMI, embora políticas “semelhantes” já tenham sido seguidas. “As medidas que foram aplicadas na Grécia e na Irlanda são da mesma natureza das aprovadas por PS e PSD nos três PEC’s anteriores e no Orçamento do Estado”. Ou seja: “Cortes nos salários, redução drástica do investimento público, corte nas prestações sociais, são estas as receitas que o FMI”. João Oliveira chama ainda a atenção para a “curiosidade” da necessidade de um empréstimo intercalar de 15 mil milhões de euros ter sido sugerida pelos principais bancos dias depois de se conhecer a “necessidade de recapitalização dos bancos portugueses em 14 mil milhões de euros”. “Coincidência de números”, ironiza.

DA PRAÇA A LIC REPÚB

Um debate semanal, numa parceria Registo/Diana FM, reúne os deputados eleitos por Évora: Bravo Nico (PS), João Oliveira (PCP) e Luís Capoulas (PSD). O debate pode ser ouvido na íntegra na Diana FM às terças-feiras (18h00) e aos domingos (10h00). Às quintasfeiras, a troca de argumentos salta para as páginas do Registo.

Empresa de transporte de Lisboa e Porto acumulam prejuízos.


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07 Abril ‘11

Entrevista

Ana Paula Amendoeira, presidente da Comissão Portuguesa do Conselho Internacional dos Monumentos e dos Sítios (ICOMOS)

”O património é o factor material que agrega uma comunidade“ Luís Maneta | Texto O processo que culminou na sua eleição como presidente do ICOMOS/Portugal foi inesperado para si? Não pois já faço parte do ICOMOS há muitos anos. Aliás, já fiz parte da direcção, há alguns anos, como secretária-geral numa altura em que o presidente era o doutor Cláudio Torres. Depois fiquei na assembleia-geral e agora houve um grupo de associados que me convenceu a concorrer. Só houve uma lista, pelo que foi uma eleição pacífica, por unanimidade.

E que correspondeu a um desfecho natural deste seu percurso no ICOMOS. Estou muito ligada ao ICOMOS, já tinha sido eleita para o comité internacional executivo em Paris. É um organismo que diz muito às pessoas que se interessam e trabalham nestas questões do património mas não diz muita coisa à generalidade dos cidadãos, as pessoas não têm obrigação de o conhecer. Mesmo sendo um órgão consultivo da UNESCO? É consultivo para o património mundial cultural porque

para o património natural há outro organismo. Em resumo: é por aqui que passam as candidaturas a Património Mundial. A Património Cultural da Humanidade. Nós neste momento temos em Portugal 12 sítios culturais classificados e um natural, que é a floresta de laurissilva da Madeira. Sendo um organismo consultivo, a palavra do ICOMOS é determinante para a conclusão dos processos? Sim. Em termos legais somos

um organismo consultivo mas normalmente o Comité do Património Mundial da UNESCO decide com base nos pareceres científicos e técnicos elaborados pelo ICOMOS para cada candidatura. Têm muitas em apreciação neste momento? Temos as fortificações Elvas, cuja candidatura foi entregue mas ainda não nos foi pedido parecer, apesar de termos acompanhado o processo de elaboração. Marvão está muito início. E temos a Universidade de Coimbra, que também já foi entregue.

Neste momento, as candidaturas de Elvas e Coimbra estão em apreciação na UNESCO para se saber se o dossiê de candidatura está completo. Depois será pedido o parecer ao ICOMOS/Portugal, a um perito independente e, finalmente, a um grupo de trabalho mais alargado. É um processo muito participado. E tem de ser assim para evitar decisões mais arbitrárias. A Ana Paula Amendoeira acompanhou de perto a candidatura da Universidade de


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Luís Pardal | Registo

“Por causa da carreira de um político ou de um governo não podemos por em causa a conservação e a autenticidade de algo que levou séculos a consolidar”.

grandiosidade da Universidade de Coimbra mas é de enorme importância em termos das fortificações de tipo novo e estão praticamente completas e com um estado de conservação muito bom. Tem um valor universal excepcional que justifica a inscrição [na lista de Património da Humanidade]. A dificuldade que pode haver é que a UNESCO está a dificultar as candidaturas europeias. Apesar de não poder cortar as inscrições, há um grau de exigência muito maior. É um processo muito complexo. Foi por causa disso que a candidatura de Marvão foi retirada? Havia alguns problemas desde logo na categoria em que ia ser apresentada, como conjunto urbano. Ainda bem que se decidiu retirar a candidatura porque agora está a ser reformulada, como paisagem cultural, com uma equipa que integra especialistas nacionais e internacionais nessa área. Não é de todo um processo encerrado. É uma candidatura que vai abranger o território espantoso, o contexto paisagístico em que se insere Marvão. São processos demorados? Pelo menos levarão mais um ano. O Comité do Património Mundial da UNESCO realiza-se todos os anos em Julho. Como não devem ir duas candidaturas portuguesas à mesma reunião, na melhor das hipóteses talvez Elvas vá ao Comité de 2012 pois foi entregue antes da candidatura da Universidade de Coimbra.

Coimbra. Tem boas possibilidades de ser bem sucedida? Tem um valor universal excepcional cuja explicação é muito complexa. Em termos telegráficos, é porque se trata de uma das universidades mais antigas do mundo, durante cerca de quatro séculos foi a única universidade do império colonial português e, portanto, formou as elites de todo o império, até as que o derrubaram. O Agostinho Neto, Amílcar Cabral … todos eles estudaram em Coimbra. É um dos valores imateriais que está muito associado a esta candidatura, para além do imenso património construído. Elvas é mais complicado? Elvas tem um valor imenso pois as fortificações são extraordinárias a nível internacional e estão muito bem conservadas. Ainda há pouco tempo estive em Elvas com um colega mexicano que integra o Comité do Património Mundial e ele ficou impressionado. Aparentemente é um bem que pode não ter a

A determinada altura institui-se um pouco em Portugal a ideia de que tudo pode ser candidato a Património da Humanidade. Isto surge porque os políticos descobriram que o património pode dar votos? Penso que os políticos descobriram que o património dá votos. De uma forma geral todos tiveram essa epifania o que não é, em si mau, porque dá uma visibilidade maior ao património e contribui para um investimento maior na conservação. Pode ser um sinal negativo quando a mercantilização do património se torna excessiva e os únicos interesses que presidem a estes processos são os do aumento do fluxo de turistas e o crescimento imobiliário. Por vezes é isso que está por detrás das boas intenções? Muitas vezes é e isso é um problema. É preciso adoçar um pouco esses interesses porque o património é um bem escasso, não é continuamente renovado e é isso que o torna mais valorizado por parte das comunidades. O património é um factor de identidade cultural, é o factor material que agrega uma comunidade do ponto de vista cultu-

“Évora continua a ser uma cidade deslumbrante mas tendo em conta os princípios gerais de gestão de cidades Património da Humanidade, e as normas internacionais de conservação e dinamização dos centros históricos, podia ter sido feito um trabalho com mais qualidade”.

NÚmero

7500

<Com 7500 associados em 110 países, o ICOMOS presta aconselhamento técnico à UNESCO no que se refere aos bens classificatos como Património da Humanidade.>

ral. Não se pode correr o risco de o desbaratar por causa de interesses conjunturais que duram uma ou duas décadas. Por causa da carreira de um político ou de um governo não podemos por em causa a conservação e a autenticidade de algo que levou séculos a consolidar. Temos de ter a noção que a nossa passagem pelas coisas é muito efémera e nem toda a gente pode deixar uma marca histórica para o futuro. Esse tipo de preocupações também pesa na altura em que se analisam as candidaturas? Claro, claro. A UNESCO, teoricamente, chama a atenção para esse tipo de problemas mas na prática não tem grande capacidade para actuar no mundo inteiro e para acorrer a todos os problemas. Os casos de desclassificação são raros? De bens culturais só houve Dresden, na Alemanha, porque quiseram construir um viaduto que passava por cima da cidade classificada. Em Portugal, por enquanto, nunca de semelhante aconteceu, o que não quer dizer que não existam problemas. Évora mudou muito desde a classificação em 1986. Évora, Sintra, Porto … Alguma tónica mais preocupante no caso de Évora? Não é um caso que tenha estudado de forma particular. Conheço bem a cidade, podia ter evoluído de outra forma em termos da conservação do património, podia ter feito um outro tipo de percurso … para não estar a falar de casos menos positivos, digo-lhe que o nosso melhor exemplo é Guimarães. Não houve tanta pressão urbanística junto ao centro histórico? A cidade histórica está muito bem tratada. A Câmara de Guimarães teve uma visão de longo prazo, trabalhou quase 30 anos para preparar a cidade para a classificação em termos de projectos de conservação, restauro, trabalho com a população. É uma cidade habitada no centro histórico. Temos de perceber que a perda de população em centros históricos é resultado de opções políticas que se implementam no terreno. Portanto, uma rua inteira degradada, casas a cair num centro histórico classificado, são exemplos de políticas erradas? Com certeza. Quando se diz que o património é para as pessoas é, muitas vezes, apenas retórica. É preciso que se trabalhe para que seja assim e não para que os preços [da habitação] numa cidade histórica classificada atinjam valores inacessíveis para as famílias. É preciso haver políticas de longo prazo, investimento a sério pois, caso contrário, agravam-se ainda mais os problemas, transformam-se os núcleos históricos em centros comerciais

com alguma vida até às sete da tarde. E depois a cidade morre. A cidade morre, os centros históricos perdem serviços que se deslocam para a periferia. Por vezes essa é mesmo uma opção política das câmaras municipais quando decidem deslocar serviços e recursos que podiam trazer vida e dinamismo ao centro histórico. Muitas vezes segue-se uma política bipolar, valoriza-se a componente monumento do centro histórico mas retiramse-lhe funções. Não se pode estar à espera de um milagre. Se o centro histórico fica reduzido a lojas, restaurantes e unidades de alojamento, que população é que se pode encontrar além de turistas? Esse é um retrato quase fiel de Évora. Não sei como evoluiu a população do centro histórico de Évora nos últimos anos, não tenho esses números, calculo que tenha diminuído. Não é uma fatalidade, é algo que se pode alterar fazendo outro tipo de opções. E a tal visão de longo prazo. Tem de ser isso. Ainda aqui há uns anos Évora tinha na UNESCO um prestígio enorme devido ao trabalho feito. Ainda há pouco estudei um workshop que foi organizado em Évora em 1985 para estudar o ordenamento e a requalificação da zona do Rossio. Estiveram presentes pessoas de 26 países e [foram produzidos] documentos e propostas concretas que poderiam ser importantíssimos para a cidade mas não foram utilizados por ninguém. Isto só para lhe dar o exemplo de um tipo de atitude que era completamente diferente e que trazia a Portugal e a Évora especialistas de grande prestígio para trabalharem sobre a cidade. Já não existe essa atitude? Era uma prática. Como a das edições, a do restauro e requalificação dos edifícios … É preciso termos a noção de que requalificar e restaurar não é chegar a um edifício, alterá-lo todo por dentro e ter uma política de fachadismo. Para um sítio classificado como Património Mundial da UNESCO isso retira muito da autenticidade da cidade, não se pode fazer isso de forma sistemática como se faz em muitos sítios. Ou seja, tem existir uma visão integrada? Se a gente quer o património e quer usufruir da riqueza e do retorno que ele dá, não podemos intervir de uma forma qualquer. Essa imagem de Évora perdeu-se nos últimos anos? Não estou a dizer que se tenha perdido. Évora continua a ser uma cidade deslumbrante mas tendo em conta os princípios gerais de gestão de cidades Património da Humanidade, e as normas internacionais de conservação e dinamização dos centros históricos, podia ter sido feito um trabalho com mais qualidade.


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Política

Norberto Patinho preocupado com futuro do novo hospital de Évora Autarca e dirigente socialista diz que oposição do PSD às grandes obras públicas pode pôr em causa o hospital e o TGV. Pedro Gama | Registo O presidente da Câmara de Portel e ex-presidente da Federação Distrital de Évora do PS, Norberto Patinho, acusa o PSD de, ao chumbar o PEC IV que conduziu à demissão do Governo, estar a “pôr em causa” o projecto de construção do novo hospital central de Évora e da ligação por alta velocidade entre Lisboa e Madrid. “Depois de o Governo ter caído, precisamente porque os partidos da oposição entenderam que estas grandes obras públicas não eram adequadas, que não eram necessárias, que eram supérfluas, será que agora vêm defender essas obras?”, interroga Norberto Patinho, em declaração ao Registo. “Penso que os alentejanos terão a lucidez de perceber que, se essas promessas aparecerem, são descontextualizadas”. “Estes projectos têm avançado em virtude da determinação de José Sócrates. Causa-me alguma expectativa saber o que as oposições irão dizer relativamente PUB

a estes projectos. Será que agora vêem defender no Alentejo e no distrito de Évora a continuação das grandes obras públicas?”, acrescenta o dirigente socialista, sublinhando que a construção do novo hospital central de Évora é um “investimento extremamente importante” para a melhoria da prestação dos cuidados de saúde numa área de influência que abrange todo o Alentejo. Quando ao TGV, o autarca defende a manutenção do projecto – tal como, aliás, o próprio primeiro-ministro em entrevista dada esta semana à RTP – uma vez que a existência de uma estação de alta velocidade em Évora, e outra no Caia, permitirá ao Alentejo “concorrer directamen-

te” com os mercados do centro da Europa. Quanto à requalificação do parque escolar, Norberto Patinho reconhece que o anunciado encerramento de todas as escolas com menos de 21 anos também se irá reflectir no concelho de Portel: “É evidente que tenho uma série de escolas no município de Portel que se apontam como escolas que poderão encerrar no próximo ou próximos anos. É algo que me preocupa bastante, até derivado da minha formação, ligada à educação”. Embora admita aceitar esse encerramento - “não faz sentido jogarmos, politicamente, com as crianças, temos é que reflectir se, para elas, é melhor estarem

Demissão era “inevitável” O ex-presidente da Federação Distrital de Évora do PS diz que depois do chumbo do PEC IV a demissão do Governo era “inevitável”. Tal como a dissolução do parlamento: “A recusa do PEC

foi, claramente, com o objectivo de provocar eleições antecipadas”. O autarca acusa ainda os partidos da oposição de terem aberto uma crise política “no pior momento de todos”.

na sua pequena escola ou se será melhor estarem numa escola com mais crianças, em que possam ter uma socialização melhor – o autarca diz que o Ministério da Educação não deve ser rígido e fechar as escolas apenas com o argumento de terem menos de 21 alunos. “Deve haver uma referência nacional, um número indicativo, mas depois temos todos

que assumir as nossas responsabilidades. E vamos reflectir sobre o que é melhor para as crianças, não para nós autarcas, por termos a bandeira de manter aberta uma escola com quatro ou cinco crianças, não para os professores nem para qualquer outro tipo de interesses”. O Ministério da Educação ainda não divulgou a lista de escolas a encerrar este ano.


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Relatório comprova aumento do crime violento no Alentejo Criminalidade dispara em 2010: mais 44,6% em Beja, mais 18,4% em Portalegre e mais 17,6% em Évora. Luís Pardal | Arquivo

Registo MULTIBANCOS Multipicam-se os roubos e tentativas de assalto a caixas multibanco em vários pontos do Alentejo. Com o auxílio de uma retroescavadora, um grupo de assaltantes roubou já este ano as caixas multibanco de Alfundão (Ferreira do Alentejo) e Oriola (Beja).Na passada semana foi atacada a caixa de Torre de Coelheiros (Évora). Os suspeitos continuam em liberdade. VANDALISMO O Convento de São Bento de Cástris, em Évora, foi vandalizado e roubado. Os assaltantes conseguiram furtar um sino que estava colocado no campanário da igreja. Foi o terceiro assalto do género desde o início do ano. HOMICÍDIO Em Dezembro, um triplo homicídio chocou a população de Aljustrel. Três imigrantes búlgaros foram executados a tiro num monte isolado. O crime, que estará relacionado com o furto de cobre, continua por desvendar. ASSALTOS Em diversos bairros de Évora sucedem-se os relatos de assaltos a casas particulares, gerando um aumento do sentimento de insegurança.

Autoridades continuam incapazes de deter grupo que asslta caixas multibanco, como estre ocorrido em Oriola (Portel) . Pedro Galego | Texto O Relatório Anual de Segurança Interna de 2010 (RASI), divulgado recentemente pelo Ministério da Administração Interna (MAI) mostra que o crime grave e violento está a aumentar no Alentejo, sendo o distrito de Beja aquele onde houve um maior acréscimo de ocorrências a nível percentual, mais 44,6%, relativamente ao ano anterior. Este é também o distrito onde se registou a maior subida de participações globais. Segundo o RASI 2010, este distrito registou no ano passado 120 participações relativas a crimes violentos e graves, mas em 2009 tinham sido apenas 83, o que representa um aumento de 44,6%. Em aumentos percentuais, seguem-se outros dois distritos alentejanos: Portalegre, com mais 18,4%, e Évora, com mais 17,6%. Apesar da região continuar na cauda, em termos globais, no que respeita à criminalidade violenta, a análise percentual deixam alguma preocupação. Ao Registo, José Alho, da Associação Socio-Profissional Independente da GNR, diz que estes números não podem ser desvalorizados pela classe política. “Apesar de ainda ser uma região calma, estes números mos-

tram que está a mudar o paradigma e deve-se considerar os números em relação à densidade populacional”, afirma o dirigente associativo. “Na última dezena de anos tudo mudou e muito. Os distritos alentejanos perdem efectivo todos os anos, e os homens no terreno, porque são poucos e não estão dotados de todos os meios disponíveis, vêm o seu trabalho mais dificultado. O país já não é

de brandos costumes, e o Alentejo pode estar a entrar no mesmo caminho”, refere. “É impensável, por exemplo, uma patrulha de apenas dois homens fazer uma acção de fiscalização numa estrada pouco movimentada durante a noite. Isso mudou e a tendência é para que venha a ficar cada vez pior”, considera José Alho. Nos dados globais, o Alentejo registou 11894 participações cri-

minais (distritos de Évora, Beja e Portalegre), mais 744 que em 2009 (11150). Évora continua à frente com 4550 participações, mas Beja teve mais 590 registos, terminando o ano com 4135 participações. Outros militares da GNR e agentes da PSP destacados no Alentejo e contactados pelo nosso jornal admitem que, apesar de estarem destacados numa região “relativamente calma”,

Criminalidade sexual contra crianças aumenta O RASI 2010 mostra, em termos nacionais, que o abuso sexual de crianças e a violação aumentaram em relação a 2009. Também os crimes cometidos por jovens cresceram. Em termos globais, houve menos 369 crimes sexuais participados às autoridades em 2010 do que em 2009, correspondendo a menos 14,4%, mas em contrapartida houve mais 89 crimes de abuso sexual de crianças (mais 12,9%) e mais 49 casos de violação (mais 13,1%). Em 69% dos casos de abuso de menores, os abusadores eram familiares. No ano passado houve 142 homicídios voluntários registados, menos dois do que em 2009, a maior parte dos quais (73%)

cometidos por homens entre os 20 e os 59 anos. A Polícia Judiciária realizou 131 inquéritos por homicídio, que levaram à prisão de 90 pessoas. Em 32% dos casos de homicídio, a vítima e o assassino eram familiares e em 41% das ocorrências terá tido motivos passionais. Já os crimes praticados por jovens dos 12 aos 16 anos, aumentou 11,5% em 2010, relativamente ao ano anterior, enquanto a criminalidade grupal caiu 10,6% em igual período. Relativamente à delinquência juvenil, o número de participações passou de 3479 para 3880 entre 2009 e 2010, confirmando assim uma tendência de aumento que já se verificava

pelo menos desde 2008 (3161 ocorrências). Por oposição, o número de participações da GNR e PSP relativas à criminalidade grupal desceu de 9437 para 8535, em igual período, sendo que em 2008 tinha havido 9522 ocorrências. Nos dois casos, a generalidade das ocorrências foi registada em áreas urbanas, particularmente nas zonas metropolitanas. O RASI alerta ainda para “o perigo real” de jovens portugueses poderem ser seduzidos para o radicalismo islâmico através da consulta de sites extremistas na internet e juntarem-se “a campos de treino em países do Médio Oriente”.

a conjuntura sócio-económica do país, pode contribuir para que estes números continuem a aumentar nos próximos anos. Muitos apontam o crescente desemprego e a entrada massiva de emigrantes na região como alguns dos factores responsáveis pelo aumento da criminalidade. Sobre estes números, os três governadores civis alentejanos desvalorizaram a “ideia de um grande aumento” da criminalidade violenta e grave na região, explicando que uma leitura percentual não reflecte a “reduzida” dimensão dos números absolutos da criminalidade grave e violenta. A leitura dos representantes governamentais explica que “as diferenças reais em Beja foram de 37 casos (passou de 83 para 120), em Portalegre de 14 (76 para 90) e em Évora de 24 (136 para 160)”, o que são “números baixos no cômputo geral”. “Por se reportarem a universos tradicionalmente pouco elevados, explicam o crescimento percentual. Se eu viver num distrito com dois crimes em 2009 e quatro em 2010, aumentei 100 por cento. Será essa percentagem verdadeiramente significativa para a criminalidade nacional”, referiu sobre o caso a Governadora Civil de Évora, Fernanda Ramos.


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Regional Luta contra o cancro

18 Um olhar antropológico

Glória e indignidade do anonimato

Uma história que acaba numa… segunda vida D.R.

José Rodrigues dos Santos* Antropólogo

Não estou certo que a importância do anonimato enquanto modo de relacionamento com a sociedade que nos rodeia seja claramente percepcionada pelos nossos contemporâneos. Vejo no anonimato uma conquista tão fundamental como a do direito de voto cujo carácter anónimo garante a liberdade de expressão. As sociedades tradicionais, cujo agrupamento de base para além da família é a aldeia, não conheciam o anonimato. E embora o poder “total” (de certo modo totalitário) fosse, nas sociedades aldeãs, exercido pela própria colectividade, ele regia todos os aspectos da vida de cada um. A “vida privada” era uma noção com um significado restrito, ou quase ausente. Foi a difícil criação dum espaço público em que a acção anónima se tornou possível que, a par com a solidão do indivíduo, abriu um espaço de liberdade que culmina na grande cidade. O anonimato, mais até do permitir a acção livre do indivíduo, constitui, paradoxalmente, a condição de emergência do indivíduo moderno. O anonimato, resultado notável do processo de urbanização e de individuação é também a condição do exercício das liberdades fundamentais de que o protótipo é o isolamento no acto de voto. O anonimato tem ainda a virtude de proteger quem faz uma queixa, ou fornece uma informação, contra as represálias dos acusados ou dos detentores dos segredos. Um exemplo é o direito do jornalista a proteger o anonimato das suas fontes e a recusar revelar a sua identidade. Mas o anonimato também tem as suas formas de indignidade, nomeadamente quando o acto anónimo pode prejudicar quem é visado, e se exerce sem provas. Há uma diferença entre a denúncia e a delação. O denunciante que solicita o anonimato junto de quem faz a denúncia, pede que se guarde secreta a sua identidade para a sociedade em geral e para quem é visado, mas o denunciante assume a responsabilidade do seu acto assinando-o, junto de quem o regista. A delação é diferente: é um acto anónimo que não é assumido por quem o comete. A instituição junto da qual intervém o delator também ignora a identidade do denunciante. Caso se trata de falsidades maldosas, não poderá haver responsabilização. E o mal está feito. A delação é uma doença das épocas conturbadas, de guerras, de crises. A delação tende a destruir a confiança, fundamento do laço social. E apesar disso, continua a ser um crime tolerado e quase sempre impune. E na sociedade digital surgem novos usos, ambivalentes, do anonimato

CIDEHUS - Universidade de Évora e Academia Militar jsantos@uevora.pt

Pedro Gama | Registo Ana Martins é do tempo em que não existia Facebook e ainda se guardava o diário dentro da gaveta da mesa-de-cabeceira. E foi nesse diário que, a partir dos 14 anos, encontrou o seu melhor amigo, e o ombro do desabafo, que precisou para a injustiça que lhe caiu sobre a cabeça. Na sua adolescência viu-se a braços com um cancro e a partir daí tudo foi sendo registado em folhas trancadas por um cadeado ou código que não seriam para revelar mais tarde (porque todos os diários são secretos). Já “na era dos computadores”, regressou a essas palavras e começou a reconstruir frases, a colocar o relato na terceira pessoa e a levar os seus desabafos a um novo nível de inspiração: os desabafos transformaramse em prosa e aos poucos podiam ser lidos como se de uma história, distante, se tratasse. Não fosse o seu processo de cura continuar a decorrer, já que a remissão é uma vitória mas a incerteza de não voltar a acontecer é real, e esta história poderia ser só mais um romance de ficção. Mas não era e Ana Martins tinha dificuldades em querer divulgar a sua história ao mundo e sequer de a fazer confundir-se com a primeira pessoa. “Fiquei com cancro aos 14 anos e todos os dias escrevia no meu diário. Nesse tempo quase todos os adoles-

centes o teriam, não existia facebook”, revela Ana Martins, que viveu em Montemor-o-Novo até aos 18 anos. Mais tarde, voltaria a escrever sobre a doença acabando por “transformar aquilo que era um diário, num relato diferente”. “Comecei por escrevê-lo na terceira pessoa, um pouco por receio, talvez, de expor a minha vida, a minha história, e mais tarde quando eu dei à minha irmã, que é jornalista e tem experiência, em rever textos, ela acabou por me sugerir que o passasse para a primeira pessoa, se algum dia pensasse em editá-lo”. “Seria sempre muito mais fácil contar uma história, em nome pessoal do que estar a relatar uma história na terceira pessoa. E pronto, foi o que eu fiz, e depois andei algum tempo na indecisão de se o queria, ou não, ver publicado. É estar a expor uma história que é um bocadinho só minha, mas acabei por ter vontade, sobretudo na altura em que o meu

Montemor-o-Novo “Só Vivemos duas vezes”, da Editora Guerra & Paz Editores, vai ser apresentado esta sexta-feira, pelas 21h00 na livraria Fonte de Letras, em Montemor-o-Novo, pelo maestro João Luís Nabo.

pai ficou doente, infelizmente, também, com cancro, acabei por ter mais vontade de expor a minha história, para lhe dar um bocadinho de alento a ele, e a todas as pessoas que, de alguma forma passam por esta situação”, acrescenta. O livro retrata os primeiros dez anos de doença que são, segundo os médicos, os anos cruciais. “Não quer dizer que eu fique curada, ou imune a voltar a ter outra doença, ou que a mesma volte a aparecer. Dez anos, é o prazo que se dá para a remissão e o que a história do livro conta é isso mesmo: esses dez anos, em que eu andei com o coração nas mãos, não só a luta de um ano e meio que vivi dentro de um hospital, como os outros anos que se seguiram em que acabei por ir com alguma frequência ao hospital”. “E depois algo que nunca me conseguiram explicar que foi a minha, ou não, infertilidade. Eu sempre quis, muito, ser mãe e vivi sempre muito preocupada com essa situação. E o fim do livro acaba com a gravidez, e com a concretização do sonho”. E porque Ana Martins sabe que depois de viver uma vida de “coração nas mãos” durante dez anos, a vida só pode ser mais positiva daí para a frente, acaba por estar a viver a sua segunda vida neste momento de maior esperança para ela e para a sua família.

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Transporte de doentes desencadeia polémica entre deputado e governadora Comunicado do Governo Civil leva deputado do PCP a questionar Governo. Redacção | Registo O deputado comunista João Oliveira acusa a governadora civil de Évora, Fernanda Ramos, de ter “confundido” os “graves cortes impostos no direito ao transporte de doentes” com o sistema de gestão de transporte de doentes, cuja aplicação está a ser negociada entre a Liga dos Bombeiros Portugueses e o Governo. E quer que o Ministério da Saúde esclareça o caso. Em causa está um comunicado em que o Governo Civil de Évora diz que o despacho do secretário de Estado da Saúde, Óscar Gato, está “suspenso” na parte em que obriga à verificação da insuficiência económica dos agregados familiares antes de ser concedido apoio ao transporte de doentes não urgentes (ver Registo de dia 10 de Março). “Razões de natureza técnica fizeram o Ministério da Saúde vir reconhecer a dificuldade de PUB

aferir com verdade as condições de insuficiência económica, pelo que o despacho se encontra suspenso no que a esta segunda fonte de verificação dizia respeito, até que se ultrapassem os constrangimentos detectados”, acrescenta o texto. “Esta posição assumida pela senhora governadora civil do distrito de Évora não tem qualquer correspondência com a realidade”, garante João Oliveira numa pergunta dirigida ao Ministério da Saúde. Explicando: “A verdade é que não se conhece qualquer medida do Governo no sentido de corrigir a situação e os graves efeitos das medidas assumidas pelo Governo continuam a fazer-se sentir na vida de milhares de doentes que vêm posto em causa o seu direito a aceder às consultas e tratamentos de que necessitam”. “As restrições impostas pelo Governo mantêm-se e multiplica-se o número de doentes que

vê os serviços de saúde recusarem a credencial de transporte necessária à sua deslocação”. Ainda segundo o deputado, o despacho, “cuja suspensão a governadora civil anunciou, encontra-se plenamente em vigor não tendo sido aprovado qualquer diploma legal que proceda à sua revogação ou suspensão”. No documento, João Oliveira quer que o Ministério da Saúde esclarece se “foi dada alguma orientação” ao Governo Civil que sustente o conteúdo do comunicado, emitido depois de uma manifestação que juntou em Évora mais de um milhar de pessoas contra os cortes no transporte de doentes. Na altura, Fernanda Ramos considerou tratar-se de uma polémica “acicatada por quem na mesma tem interesses que em algum ponto se cruzam com a preocupação pela prestação de cuidados mais universais e mais acessíveis a todos os cidadãos”.

Luís Pardal | Arquivo

Comunicado do Governo Civil depois de manifestação em Évora gera polémica.


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Actual

Alterações climáticas Áreas protegidas enfrentam riscos

Estudo de Miguel Araújo confirma que o sul da Europa será das regiões mais afectadas Redacção | Registo Até 2080, 58% dos vertebrados terrestres e das plantas poderão perder condições climáticas adequadas à sua ocorrência nas áreas protegidas da Europa. Estas perdas poderão atingir 63% das espécies prioritárias presentes na Rede Natura 2000. Estas e outras conclusões resultam de um estudo coordenado por Miguel Araújo, titular da Cátedra Rui Nabeiro/Delta do pólo da Universidade de Évora do CIBIO (Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos) e investigador principal do Museu Nacional de Ciências Naturais de Madrid. O trabalho analisa, pela primeira vez, a eficácia das políticas de conservação, num contexto de alterações climáticas, para 75% dos vertebrados terrestres e 10% das plantas presentes

refúgios climáticos. No entanto, além de regiões montanhosas, a Rede Natura 2000 inclui regiões com relevo pouco acidentado, como é o caso das áreas agrícolas, onde os impactes das alterações do clima na distribuição das espécies se intensificam. Este estudo confirma que o sul da Europa será mais afectado pelas alterações climáticas e que a Escandinávia e as regiões de alta montanha afectarão, negativamente, um conjunto menor de espécies. “Muitas espécies com ampla distribuição na Europa e presentes na Europa central e setentrional beneficiarão da subida de temperaturas. Porém, as espécies mais tolerantes ao frio e que vivem no extremo norte e em maiores altitudes serão expostas a pressões climáticas que poderão afectar seriamente a sua persistência”, diz Miguel Araújo.

assegurar a sobrevivência das espécies e habitats mais importantes do continente. Nos 27 países que constituem a UE, a Rede Natura 2000 inclui 27.661 Sítios, cobrindo 117 milhões de hectares (17% da superfície da UE). A equipa liderada por Miguel Araújo estudou a distribuição potencial de 1883 espécies, 585 vertebrados terrestres e 1298 plantas que ocorrem nestas redes de conservação, em função de vários modelos climáticos. “De acordo com os cenários climáticos disponíveis, as áreas protegidas preservam espécies da fauna e flora europeias melhor que o território não conservado mas a Rede Natura 2000 é mais vulnerável às alterações climáticas e poderia preservar espécies prioritárias, na Europa, em condições menos propícias que outros territórios não conservados”, explica Miguel AraúD.R.

na Europa. A Europa possui a rede de conservação mais extensa do mundo. Além das áreas protegidas que são designadas por cada país, a União Europeia (UE) criou a Rede Natura 2000 para

jo. A melhor capacidade de retenção de espécies nas áreas protegidas deve-se ao facto destas se situarem primordialmente em zonas de montanha que têm tendência a actuar como

Perguntas e respostas Podemos afirmar que Portugal já está a sofrer alguns efeitos das alterações climáticas? As alterações climáticas são a consequência mais grave do aumento da concentração de gases de efeito de estufa (GEE) na atmosfera. E se ainda é cedo para falar de alterações climáticas, podemos afirmar que já há efeitos registados do aumento de GEE em Portugal. Segundo o relatório SIAM 2004 (Climate

para que sejam eficazes, estas áreas devem mitigar os efeitos das alterações climáticas além de proporcionar uma gestão sustentável dos habitats e ecossistemas locais”. De acordo com Miguel Araújo, seria importante rever os mecanismos de gestão das áreas protegidas de

Mudança de políticas Segundo os autores do estudo é necessária uma alteração de fundo nas políticas de conservação na Europa, já que estas não consideram as consequências das alterações climáticas na abundância e distribuição das espécies. O carácter fortemente dinâmico da distribuição das espécies, num contexto de alterações climáticas, poderá forçar uma revisão do estatuto actual de algumas áreas protegidas e induzir a classificação de novas áreas. Também se sugere o aprofundamento de mecanismos de gestão integrada da paisagem de modo a facilitar a mobilidade das espécies entre áreas protegidas. “Ainda hoje vigora a ideia de que as estratégias de conservação implicam o isolamento das áreas protegidas face a factores de ameaça externos. Porém,

Change in Portugal. Scenarios, Impacts and Adaptation Measures) destaca-se a subida da temperatura média do ar (aumento de 4 a 7ºC entre 2000-2100), tendência decrescente na ocorrência de precipitação, aumento tendencial de eventos meteorológicos extremos, como secas e cheias e maior frequência a ocorrência de ondas de calor. Que peso tem a poluição feita por cada um de nós? Até que ponto as nossas acções quotidianas podem ou não mudar o rumo do clima?

mo do a cont e mp l a r planos para períodos de 20 a 50 anos em função da velocidade das transformações em cada ecossistema. Estes planos deveriam ser revistos regularmente para minimizar os impactes do clima.

À escala mundial é evidente que o peso de cada um de nós pode parecer pequeno mas é necessário que todos assumamos as nossas responsabilidades. A reciclagem, a redução do consumo de electricidade e gás em casa, são mudanças essenciais que se traduzem em menores emissões de GEE. Para além de não alterarem a nossa qualidade de vida, contribuem ainda para reduzirmos as nossas despesas. Quais os maiores riscos para a saúde humana derivados das alterações

climáticas e dos seus efeitos? Existem diversos riscos. O aumento da temperatura pode tornar mais favoráveis as concentrações elevadas de ozono à superfície, afectando principalmente crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios e cardíacos. As ondas de calor têm igualmente efeitos consideráveis, e ao serem mais frequentes afectam também estas populações. Que consequências Portugal sofrerá a nível dos recursos hídricos, das zonas costeiras e da energia?


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Poderá ocorrer uma extinção em massa? O processo de extinção das espécies é contínuo mas houve cinco momentos da história do planeta que sentenciaram o desaparecimento massivo de biodiversidade. Estas extinções em massa conduziram ao desaparecimento de mais de 70% das espécies do planeta e foram causadas por episódios geológicos catastróficos, como a colisão de asteróides, a deriva de continentes e alterações climáticas. Uma tese corrente é que estaríamos a viver actualmente a sexta extinção

em massa motivada, desta vez, pela intervenção humana. Miguel Araújo explica “para que uma vaga de extinções se designe como extinção em massa tem de cumprir quatro condições: ocorrer de forma generalizada em todo o mundo; ocorrer num espaço de tempo geológico curto; envolver grandes quantidades de espécies; e afectar espécies de um vasto leque de grupos biológicos”. Ainda que exista um consenso sobre o carácter global das extinções actuais e sobre a sua rapidez, sabe-se que o risco de extinção das espécies se encontra desigualmente distribuído entre grupos biológicos: “os vertebrados de grandes dimensões,

as espécies especialistas, as endémicas de ilhas, montanhas e de algumas regiões tropicais, assim como alguns grupos, como os anfíbios, encontramse expostos a níveis de ameaça muito preocupantes, mas outros grupos aparentam estar menos ameaçados”. “Se as extinções afectassem muitas espécies, em apenas alguns ramos da árvore da vida, poderíamos estar perante extinções dramáticas, com elevado impacte no funcionamento dos ecossistemas e sobre a economia mas não estaríamos, necessariamente, perante a sexta extinção em massa”. Um estudo do investigador, recentemente publicado na re-

vista Nature, não permite fazer ilações sobre a magnitude das extinções induzidas pelas alterações climáticas mas revela que as alterações climáticas produzem impactes que poderão afectar todos os ramos da árvore da vida. Este impactes adicionam-se a outros impactes de origem humana, contribuindo para amplificar a actual crise da biodiversidade. “Ao afectar espécies diferentes das que já se encontram ameaçadas por factores humanos, as alterações climáticas poderiam ter um efeito aditivo sobre as extinções, o que alteraria por completo as contas actuais sobre risco de extinção das espécies”.

Aquecimento global reduz produção alimentar

Segundo o mesmo relatório do grupo SIAM de 2004, a nível nacional poderão verificar-se vários efeitos, tais como: redução das disponibilidades de água; aumento de cheias e pior qualidade da água; risco de perda de terreno em cerca de 67% das zonas costeiras; aumento do nível do mar entre 25 e 110 cm até 2080. Que poderá fazer Portugal para reduzir as emissões? O Plano Nacional das Alterações Climáticas (PNAC), estabeleceu um conjunto de medidas para o combate às Al-

terações Climáticas. É necessário fazer um esforço na redução de emissões em todos os sectores de actividade. Desde a área dos transportes, onde é necessário o incentivo à utilização de transportes públicos, até ao aumento de produção de electricidade por energias renováveis, como a eólica, solar e hídrica. Também os sumidouros de carbono como as florestas merecem destaque com acções de reflorestação. De que modo se poderão atenuar os efeitos resultantes das alterações

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As alterações climáticas têm um impacto “potencialmente catastrófico” sobre a produção alimentar futura dos países em desenvolvimento, alertou a Organização para a Agricultura e Alimentação (FAO) das Nações Unidas. Actualmente, o mundo está mais focado em lidar com os impactos de mais curto prazo, causados principalmente por acontecimentos meteorológicos extremos (...) É absolutamente necessário, mas espera-se que os impactos menos bruscos tragam mudanças mais profundas”, afirmou Alexander Muller, directorgeral adjunto da FAO. Falando na Convenção das Nações Unidas para as Alterações Climáticas, o responsável da organização para os recursos naturais adiantou que o impacto das alterações climáticas sobre a agricultura é “potencialmente desastroso para a segurança alimentar no período de

2050 a 2100”. “Alterações na temperatura, precipitação, pestes e doenças podem reduzir a produção, deixando particularmente vulneráveis países que dependem de importações alimentares. Este organismo das Nações

climáticas e que medidas preventivas poderão ser tomadas? Por um lado, o papel do Governo é importante no sentido cumprir compromissos assumidos, através da elaboração e execução de planos de acção. Por outro lado, os cidadãos têm de alterar alguns dos seus hábitos, sem que isso signifique perder qualidade de vida. Se, por exemplo, um televisor por família fosse desligado da corrente em vez de ser deixado em stand-by, conseguir-se-ia uma poupança de 70 mil toneladas de dióxido de carbono/ano.

Unidas sugere um maior appoio à agricultura, bem como uma série de medidas para assegurar a segurança alimentar, nomeadamente o desenvolvimento de variedades de alimentos básicos melhor adaptadas às condições climáticas futuras.

Qual a posição de Portugal na “corrida” ao país mais poluidor? Portugal está mesmo na corrida ao país mais poluidor. Não só não pára de aumentar as suas emissões, como não consegue melhorar a sua intensidade energética. orém, devemos ter sempre em conta o facto de Portugal ser um país pequeno e, mesmo assim, estar muito longe de ter as emissões de gases com efeito de estufa por habitante de países como os Estados Unidos. Mesmo na Europa é dos que apresenta valores mais baixos neste indicador.


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Economia & Negócios

Radioterapia de ponta no Hospital de Évora Inaugurado equipamento único na Península Íberica Redacção | Registo

O RapidArc instalado em Évora é um equipamento único em toda a Península Ibérica.

Alandroal

Protesto contra cortes no transporte de doentes Mais de meio milhar de pessoas participaram na vila alentejana de Alandroal num cordão humano, em protesto contra as alterações introduzidas no transporte de doentes não urgentes. O cordão humano, que integrou pessoas das várias localidades do concelho de Alandroal, decorreu entre a Praça da República e o Centro de Saúde da localidade. O presidente do município, João Grilo, que integrou a iniciativa, disse à agência Lusa que o objectivo foi o de “chamar a atenção para os problemas que se vivem actualmente em relação ao transporte de doentes não urgentes”. “Temos um registo contínuo e constante de situações de pessoas que deveriam beneficiar de transporte face às suas situações clínicas e que não estão a ter esse benefício”. João Grilo referiu ainda que “não se pode permitir que pessoas que têm direito a transporte para consultas, exames médicos e tratamentos, fiquem privadas desse direito, e não

tendo condições económicas para as deslocações, fiquem em casa”. “O mais importante é que todas as entidades se conjuguem para que nem uma pessoa que tenha direito a transporte para consulta ou para fazer tratamento ou exame médico, fique privada desse direito”, realçou o autarca. Segundo o autarca, vai decorrer na sexta-feira outra reunião, sobre esta situação, entre a autarquia e as entidades responsáveis pela saúde no concelho e no distrito de Évora. O deputado do PCP eleito pelo círculo de Évora, João Oliveira, que participou também no cordão humano, considerou que “medidas deste tipo, de corte no transporte de doentes e nos direitos à saúde fazem-se sentir no concelho de Alandroal de uma forma duplamente gravosa”. “Trata-se de uma região com uma população envelhecida, com poucos recursos económicos e que não tem condições de custear aquilo que é um direito que a Constituição prevê, o direito à saúde”, salientou.

O serviço de radioterapia do Hospital de Évora tem a funcionar um sistema inovador para o tratamento de doentes oncológicos. Chama-se RapidArc. E a unidade de Évora é a primeira a ser instalada na Península Ibérica. Fonte da administração hospitalar explica que este sistema inovador permite realizar num curto espaço de tempo - cerca de 4 minutos - tratamentos de radioterapia de intensidade modulada (IMRT). “Ao permitir uma irradiação, sem interrupções, cerca de 360º ao redor do paciente, esta tecnologia alia à rapidez um ganho considerável na precisão da dose libertada, com maior proteção dos tecidos sãos, conseguindo resultados mais eficazes com menores toxicidades”. Trata-se de um “ponto de viragem tecnológico” nos tratamentos dos doentes oncológicos, sublinha a mesma fonte, acrescentando que os doentes da região do Alentejo serão, deste modo, tratados com a mesma tecnologia utilizada em centros de referência a nível mundial, como o Royal Marsden (Inglaterra) e o M. D. Anderson (E.U.A.), “o que permitirá, pelo efeito de proximidade e pela excepcional qualidade da unidade diminuir a morbilidade e a mortalidade”. “O Alentejo transita, assim, de única Região da Península Ibérica sem nenhum Centro de Radioterapia, em que os doentes, com necessidade deste tipo de tratamento, eram encaminhados para as Unidades mais próximas, situadas em Lisboa, no Algarve ou mesmo em Espanha, com todos os custos económicos e sociais inerentes, para uma região apta a tratar os seus habitantes e outros doentes no mais exigente standard de qualidade a nível mundial”. É uma tecnologia que “indica o caminho para o tratamento do cancro rápido, simples e de fácil aplicação, introduzindo, logo à partida, uma precisão que iguala ou excede a qualidade de dose das melhores técnicas”, refere fonte do Grupo Lenicare, que assegurou a construção da unidade de radioterapia de Évora no âmbito de uma parceria público-privada.

“Estes avanços tecnológicos permitem que seja possível libertar doses, sucessivamente, mais elevadas, com aumento do controlo local da doença e, ao mesmo tempo, diminuir cada vez mais as mesmas doses nos órgãos de risco vizinhos“. Pedro Chinita Director clínico da unidade de radioterapia de Évora

“Para os médicos, esta tecnologia significa uma melhor e mais uniforme delimitação do local a irradiar, permitindo uma distribuição muito precisa da dose radioactiva. Para os pacientes, pode significar uma melhor delimitação do tumor e menos danos aos órgãos saudáveis ao redor do mesmo”. Desta forma, o sistema RapidArc estabelece novos limites ao conseguir um tratamento, em menos de dois minutos, sem comprometer em absoluto a qualidade do mesmo. Adicione-se o tempo de imagem e posicionamento do paciente e todo o processo pode ser concluído em menos de 4 minutos, proporcionando um maior conforto e atendimento mais personalizado ao paciente. “As irradiações mais rápidas permitem uma maior precisão, já que há menos possibilidades de movimento do paciente ou do tumor, enquanto a minimização da permanência no local da aplicação contribui, também, para um maior conforto do paciente”. Em Setembro de 2009, do Alentejo deixou de ser a única da Península Ibérica que não dispunha de uma unidade de radioterapia, depois de aquele serviço ter sido inaugurado no edifício do Hospital do Patrocínio. A unidade, construída pela Lenicare num investimento privado de 10 milhões de euros, será explorada por este consórcio, permitindo uma poupança adicional de 2,5 milhões por ano em deslocações. A abertura do serviço representou para os doentes oncológicos da região o fim das viagens de centenas de quilómetros que têm de percorrer para levar a cabo os seus tratamentos. Foi assim colocado fim a uma espera de mais de duas décadas, com 600 doentes a terem uma resposta às suas necessidades próximo de casa. De acordo fonte hospitalar, a unidade de radioterapia regista “uma média diária actual de 85 tratamentos”, sendo que, para além da população do Alentejo, a infra-estrutura presta também tratamento a doentes de outras regiões, “mas em número muito reduzido”. Caso sejam provenientes de uma distância superior a 80 quilómetros, os doentes ficam alojados e com alimentação paga num dos hotéis da cidade, durante o ciclo de tratamentos. Novos serviços em 2011 “Com a nova unidade melhorou-se a acessibilidade, mas também se registaram poupanças para o Serviço Nacional de Saúde, já que não é necessário pagar o transporte dos doentes ou o seu alojamento, sempre que assim era necessário”, reconhece o Hospital do Futuro, que distingui a radioterapia de Évora com o prémio “Parcerias em Saúde”. Além das possibilidades de tratamento em radioterapia externa, braquiterapia ginecológica e prostática, que já funcionam actualmente, o serviço vai alargar o leque de competências clínicas já a partir de 2011.


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Bancos apertam crédito à compra de habitação Dificuldades em obter empréstimos bancários empurram famílias para o mercado de arrendamento. Pedro Gama | Texto A resposta é breve: “Os tempos têm sido difíceis, não por falta de clientes mas por falta de resposta dos bancos”. É assim que Vítor Tavares, da mediadora imobiliária Remax de Montemor-o-Novo caracteriza as dificuldades sentidas no ramo da venda e compra de casas face à actual conjuntura do país. “Um crédito à habitação, antes da crise, levava 15 dias a ser decidido e aprovado. Neste momento um crédito leva entre um mês e meio a seis meses, conforme o cliente”, exemplifica. A crise no ramo imobiliário tem-se acentuado entre as famílias que têm mais dificuldade em obter empréstimos bancários para comprar habitação – os juros estão a subir, as avaliações dos imóveis baixaram e as garantias exigidas pelos bancos são mais apertadas. Mas também não é menos verdade que existem compradores interessados em investir o seu dinheiro num imóvel, seja por receio das consequências de uma bancarrota no sistema bancário, seja porque os preços das casas estão nesta altura mais baixos do que há quatro anos, quando se iniciou a crise mundial. Por isso, Vítor Tavares diz que o mercado “não está estagnado”. “Os créditos é que estão estagnados. Não há dinheiro mas é uma boa oportunidade, para quem tem dinheiro, comprar casa”. Com um decréscimo em 2010 de 31% no valor de mercado das habitações, começa a ganhar fôlego o mercado

do arrendamento. “Há alguns anos havia muitas pessoas que preferiam comprar casa e pagar uma prestação ao banco pois era quase o valor a pagar por uma renda mensal. Mas isso também mudou e hoje as pessoas já procuram cada vez mais arrendar casa pois sai mais barato e está ao alcance”. Este é um mercado em crescendo que as empresas imobiliárias querem aproveitar, aumentando a oferta. Também a Imóvel Alentejo, em Montemor, tem sentido a crise. Conceição Silva, responsável pela empresa, aponta igualmente o dedo à banca que acusa de fazer cortes muito baixos. “Quem não tenha 15 a 20% do valor para comprar uma casa não consegue um empréstimo”. A empresa tem notado o acréscimo da venda de imóveis de segunda habitação, em quintas e no mercado de arrendamento, confirma a empresária, adiantando que a procura por parte de famílias interessadas em arrendar uma casa “é praticamente diária”. Com o decréscimo que ronda os 30% na procura de primeira habitação, Conceição Silva afirma que as “pessoas estão muito apreensivas, preocupadas com a situação do país e é o suficiente para que não acreditem e não arrisquem comprar”. Contactado pelo REGISTO, o funcionário de uma instituição bancária confirma o crescente “apertar das condições para a concessão de crédito para comprar casa”, reve-

lando que na instituição onde trabalha uma das condições é ter disponível 15% do valor da habitação, à partida, admitindo existirem outros bancos que chegam aos 20%. Quanto a prazos: “estamos a levar 60 dias para aprovar ou não um crédito. Mas esse prazo é o mesmo desde há dois anos”. Sandra Freixo já colocou uma habitação nas mãos de duas imobiliárias de Vila Viçosa para que estas as vendessem. Mas acabou por preferir negociar por conta própria. “As imobiliárias, para tentarem vender e satisfazer o cliente, querem baixar os preços das casas a preços irrisórios”, afirma revelando que desde 2007 está a tentar vender uma moradia T3 em Bencatel. A residir actualmente em Évora, esta empresária de 38 anos afirma que, em 2007 não encontrou tantas dificuldades para contrair um empréstimo, ao contrário

do que actualmente sucede: “As pessoas que apareceram para comprar a casa em Bencatel acabaram por ver o empréstimo recusado pois os bancos acharam que não deviam financiar”. “Comprar é complicado devido à crise que o país atravessa. Os bancos fecham as portas e isso complica a vida também a quem quer vender”, conclui.

Malparado sobe O crédito malparado das famílias voltou às subidas em Janeiro: mais 140 milhões de euros, depois de uma queda em Dezembro. De acordo com os dados disponibilizados hoje pelo Banco de Portugal, o valor do crédito considerado de cobrança duvidosa dos particulares situava-se nos 4.129 milhões de euros, contra os 3.989 milhões registados no mês anterior.

587 milhões em Janeiro No mês de Janeiro, os bancos portugueses concederam “apenas” 587 milhões de euros para novos créditos à habitação, segundo os últimos dados disponíveis no Boletim Estatístico do Banco de Portugal. Trata-se do valor mensal mais baixo desde Janeiro de 2009, altura em que as instituições financeiras tinham concedido 555 milhões de euros para financiar a compra de casa. Segundo o Diário Económico, os números reflectem a tendência de desalavancagem que a banca portuguesa está a colocar em prática. Para face às dificuldades que a crise colocou, as instituições financeiras estão a apostar na diminuição da concessão de crédito e no aumento da captação dos recursos dos clientes. Como consequência desta realidade, os bancos estão a fechar a torneira do crédito. Em virtude dos sucessivos aumentos da Euribor, já acima dos 2%, as prestações mensais com os encargos à habitação voltam a registar subidas já a partir do próximo mês.


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Economia & Negócios MOBI.E

Primeiro roadshow de mobilidade eléctrica chega ao Alentejo Redacção | Registo Évora nos dias 11 e 12. Beja, dias 13 e 14 de Abril. Portalegre, 27 e 28 de Maio. As três cidades alentejanas integram o “Electric Tour”, projecto pioneiro a nível europeu promovido pelas autarquias e pelo MOBI.E, entidade coordenadora da rede de mobilidade eléctrica que vai percorrer um total de 25 cidades do território nacional até dia 28 de Maio. O evento assinala um importante passo na promoção da redução de emissões e das alternativas sustentáveis de mobilidade, levadas a cabo pelas entidades parceiras neste projecto. Segundo a organização, o “Electric Tour” pretende “abrir os caminhos da mobilidade eléctrica a todos os cidadãos e empresas, de norte a sul do País, que aceitem o desafio de experimentar as vantagens do automóvel eléctrico e de uma rede inteligente, ao serviço das pessoas e da sustentabilidade das cidades”. Este roadshow vai percorrer os 25 municípios que integram a fase piloto da rede para a mobilidade eléctrica, permanecendo dois dias em cada local, com automóveis Peugeot iOn para ensaio, de forma a criar uma ex-

perimentação real do automóvel eléctrico e das potencialidades da rede de carregamento. Cada cidade terá um percurso definido para o test drive e a experimentação do sistema de carregamento. A rede MOBI.E é a única a nível mundial que permite, através de um único cartão, carregar o carro eléctrico, escolher o ponto de abastecimento que mais lhe convém, monitorizar o carregamento através do PC, telemóvel ou PDA e ainda pagar o seu consumo eléctrico, o parqueamento ou outros serviços associados à mobilidade eléctrica. O roadshow “Electric Tour” estará a cargo do iOn, o primeiro automóvel zero emissões da Peugeot, que é simultaneamente porta estandarte da nova geração de carros 100% eléctricos, representando uma forte aposta da marca num conceito de mobilidade com futuro. Veículo urbano de eleição, o iOn permite viver a cidade de forma diferente e durável, sem ruídos, emissões, com custos de utilização muito baixos e inserindo se facilmente no trânsito, graças às acelerações rápidas e eficazes. A rede MOBI.E instalada nas

cidades piloto foi preparada para, numa primeira fase, responder às exigências do automóvel eléctrico, uma vez que os veículos de duas rodas têm um processo de carregamento mais simples, podendo carregar em segurança numa simples tomada doméstica. No entanto, para maior conforto, os utilizadores MOBI.E terão brevemente ao seu dispor locais de carregamento com estacionamento dedicado a veículos de duas rodas. Um estudo recente da Cetelem, que indica que Portugal é dos países da Europa o mais optimista com a chegada dos automóveis híbridos e eléctricos - 82% dos jovens afirmam que utilizariam mais o carro no futuro se tivesse um destes modelos, enquanto os indivíduos com mais de 50 anos essa percentagem atinge os 78%. Além do iOn, a Peugeot fará uma demonstração mais alargada do conceito de mobilidade eléctrica apresentando neste roadshow duas bicicletas eléctricas, que estarão igualmente disponíveis para ensaio. Estas “duas rodas” são o modelo E City Mixte Nexus 7 e recorrem a uma bateria de iões de lítio para uma autonomia até 90 km.

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Os participantes no roadshow são desafiados a experimentar o novo iOn.

O país em primeiro lugar Marcelo Nuno Gonçalves pereira Economista

Esta foi uma semana cheia de acontecimentos relevantes para o país. Começou com o eurostat a corrigir o défice das contas públicas portuguesas para 8,6%, contrastando com os anunciados 6,8% anunciados pelo governo. Os portugueses ficaram também a saber que os números do défice estão errados, pelo menos, desde 2007. Seguiuse a dissolução do parlamento e o anúncio de eleições por parte do Presidente da República, marcado por um discurso revelador de um grande “sentido de Estado” e de uma clarividência sem paralelo. De então até agora, temos vindo a assistir a uma degradação ainda mais acentuada da situação do país, com a uma nova escalada nos juros cobrados a Portugal pelos seus financiamentos externos. De dia para dia fomos assistindo incrédulos e impotentes ao agravamento das condições de financiamento do país para níveis que todos consideram insustentáveis. Já ninguém acredita que Portugal possa livrar-se do recurso à ajuda exterior e apenas a obstinação e a desesperada estratégia do primeiroministro vai adiando o que parece

cada vez mais inevitável. O problema é que, mais uma vez, José Sócrates coloca a sua estratégia política à frente dos interesses do país. E foi assim, sempre, ao longo dos últimos 6 anos. Sócrates não hesitou nunca em mentir descaradamente aos portugueses desde que isso lhe trouxesse proventos ou vantagens políticas. Foi por isso que mentiu aos portugueses, ao negar as evidências da crise em vésperas de eleições. Com base nessa mentira aumentou a função pública em cerca de 3%, diminuiu a taxa do IVA, e provocou (“propositadamente”, segundo o próprio afirmou por várias vezes) um aumento da despesa pública e do défice, no intuito de iludir as evidências da crise. Chegou mesmo a afirmar que Portugal estaria imune à crise internacional que já se fazia notar e que estava preparadíssimo para lhe fazer frente com a maior das tranquilidades. Mais tarde, e já depois de ter ganho as eleições com base numa campanha totalmente demagógica, assente numa completa negação da realidade, decidiu culpar a crise in-

ternacional para justificar as medidas correctivas que se viu obrigado a impor aos portugueses, na ânsia de rejeitar qualquer responsabilidade pela situação desastrosa em que o país mergulhara. Garantiu igualmente que os sacrifícios que exigia seriam transitórios e que não seriam necessárias mais nenhumas medidas de austeridade para reequilibrar as contas públicas e recolocar o país na senda do crescimento. Apesar dos avisos de inúmeros economistas e do principal partido

“À falta de coragem e de discernimento para tomar medidas estruturais, fomos andando de PEC em PEC, na promessa de que cada um deles seria o último”.

da oposição, o primeiro-ministro preferiu ir tomando medidas correctivas avulsas, julgando sossegar os mercados e os parceiros europeus, em vez de encarar o problema com a responsabilidade e a coragem que deveria ter tido (e que a gravidade da situação exigia), tomando as medidas de fundo de que o país carecia para se credibilizar e estabilizar a sua situação financeira. Assim, à falta de coragem e de discernimento para tomar medidas estruturais, fomos andando de PEC em PEC, na promessa de que cada um deles seria o último e definitivo. A cada novo PEC, as medidas que nos impõem são mais gravosas e provocam um maior sofrimento aos portugueses. E a cada nova dose de sacrifícios vai aumentando o descrédito das pessoas, convictas de que mais sacrifícios virão, sem que se veja uma luz ao fundo do túnel. É pois neste quadro que chegamos à convocação de eleições. É neste quadro que o presidente da república apela ao bom senso e ao sentido de responsabilidade dos políticos, advertindo que “(…) ninguém deve fazer promessas que não

pode prometer; este não é o tempo de vender ilusões ou falsas utopias”. Mas é também neste quadro que mais se acentua o desespero do primeiro-ministro. O PS apresenta-se nestas eleições fustigado pela crise e penalizado pelas sondagens. Sente-se encurralado porque traz numa mão o pesado farto da situação do país (os números da sua governação são desastrosamente demolidores e dificilmente se conseguirá furtar à sua discussão) e, na outra, o programa eleitoral que Teixeira dos Santos apresentou na Assembleia da República e que provocou a ira até dos seus próprios deputados. É neste quadro que parece pouco provável que os conselhos do Sr. Presidente da República sejam devidamente escutados. É neste quadro que vamos ter uma campanha eleitoral marcada pelo desespero e pela agressividade de um primeiro-ministro obstinado, que não hesita em subjugar o superior interesse do país à sua estratégia eleitoral e aos seus desvarios de mentira.Mas chegou a hora de fazer as escolhas certas e de colocar o país em primeiro lugar. Aproveitemos estas eleições para o fazer.


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Alice Alves e Jean Buyer com “Encontro” em Monsaraz Exposição de pintura E escultura é inaugurada sábado D.R.

Redacção | Registo A pintora Alice Alves e o escultor Jean Buyer apresentam a exposição “Encontro” na Igreja de Santiago, na vila medieval de Monsaraz. Organizada pelo Município de Reguengos de Monsaraz e integrada no Ciclo de Exposições Monsaraz Museu Aberto, esta mostra de pintura e escultura vai ser inaugurada no sábado, dia 9 de Abril, pelas 16h00. Ficará patente até dia 8 de Maio, na Igreja de Santiago. Alice Alves é uma pintora autodidacta que iniciou a sua actividade artística há mais de uma década. Desde 2005 realizou exposições individuais e colectivas em França, Alemanha, Espanha e Portugal. Actualmente, deseja desenvolver a sua arte como método de terapia para crianças com dificuldades e deficiências. Alice Alves descreve-se “apaixonada

pela pintura e curiosa sobre tudo o que está ao meu redor. A natureza que temos de proteger é a minha fonte contínua de inspiração e o meu objectivo é que as pessoas que vêem as minhas obras reflictam sobre a existência e a exigência da vida, da natureza, dos seres vivos, porque parece que tudo o que nos cerca é muito frágil”. A artista vai expor 35 quadros pintados a óleo, cinco de colecções particulares e os restantes para aquisição pelo público. Na exposição “Encontro”, Jean Buyer propõe ao observador a reflexão, o desenvolvimento do seu próprio imaginário, esculpe e afeiçoa dialogando com o objecto para criar uma imagem que não está encerrada numa só representação. O escultor vai mostrar 10 obras em Monsaraz, todas disponíveis para compra pelos visitantes. O jornalista e historiador Eduardo Raposo diz que uma das linhas de força em que se consubstancia esta exposição é “o desejo de intervir, de denunciar, de trazer para a luz do dia a Mulher - mas não só -, sobretudo a mulher negra que é alvo de horríveis mutilações genitais, retirandolhe ou reduzindo-lhe drasticamente a sua capacidade de prazer sexual”. Para Eduardo Raposo, nesta colectiva “Encontro”, pode-se “saborear o mistério e a sensualidade feminina enquanto expressão de poder pela sedução subjacente – como por exemplo em «Regarder de femme» ou «Neta», mas também o mistério que nos surge nas «naturezas mortas», caso das orquídeas, plantas enigmáticas. Encontramos então neste conjunto de trabalhos expostos um jogo onde sedução, mistério e sensualidade se cruzam entre o universo feminino e o mistério das orquídeas, jogo feito de erotismo e beleza, onde a delicadeza das aves dão o contraponto ao elemento que faltava para completar o triângulo”.

Portalegre

Foral manuelino inspira designer’s A Câmara de Portalegre lançou um concurso de design subordinado ao tema “500 Anos do Foral Manuelino” - ”Portalegre has design[ers)”. A iniciativa realiza-se no âmbito das Comemorações do Dia da Cidade 2011 e os trabalhos vencedores, bem como outros que igualmente se destaquem, serão integrados na Exposição ”People need design[ers]…”, que será inaugurada no dia 23 de Maio, dia da elevação de Portalegre a cidade. O concurso visa “dar a conhecer um dos marcos históricos mais importantes da cidade de Portalegre, promover o pensamento criativo na área do design e incentivar o empreendedorismo dos jovens”. A data limite para a entrega de propostas é 5 de Maio e podem participar todos

os alunos de design do Instituto Politécnico de Portalegre, sem limite de idade, bem como jovens profissionais designers até 35 anos, que tenham concluído a sua licenciatura em Portalegre ou residam no concelho. Para a vereadora Adelaide Teixeira, “trata-se de uma forma diferente e original de celebrar” a cidade. “Esperamos ver Portalegre através dos olhos de jovens artistas da área do Design que de alguma forma se encontram ligados à nossa cidade e ao nosso concelho, seja porque nasceram, seja porque residem, seja porque estudaram cá”. A renovação do Foral de Portalegre por D. Manuel no século XVI foi, na altura, o reconhecimento da importância que a cidade tinha para a Coroa.

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Cultura

Entrevista

FERNANDO TORDO actua amanhã no Teatro Garcia de Resende (21h30). Em conversa com Carlos Borges Ferreira (Diana FM), o músico desvenda segredos da sua carreira.

Fernando Tordo “Fazer

música é um arrepio, um momento muito especial”. Ao contrário do que muita gente pensa, eu não musiquei o poeta José Carlos Ary dos Santos, não musiquei a “Tourada” ou o “Cavalo à Solta”. É extraordinário mas não musiquei. Eu fiz música, primeiro. E depois o Ary dos Santos fez essa coisa inacreditável que foi colocar nas músicas os poemas extraordinários que se conhecem. O Ary dos Santos não escreveu nenhuma canção, escreveu as letras, os textos, os poemas para a música. E fez isso como ninguém à escala mundial. Carlos Borges Ferreira | Texto O que vai acontecer neste espectáculo? O que vou fazer em Évora, com muito gosto e nesta sala [Teatro Garcia de Resende] … posso dizer que fui eu que a escolhi, passaram anos demais sem actuar nesta sala. Fiz a escolha e assumo todos os riscos inerentes a esse facto dado que vou fazer um espectáculo sem qualquer outra espécie de responsabilidade, sem cache. Vou fazer um espectáculo à bilheteira. E o que é que um indivíduo como eu tem que fazer nesta sala? O meu próximo disco, que se chama “Por Este Andar”, está praticamente todo gravado, há até três canções que já estão editadas e, portanto, este é apenas um elemento que pode surgir nesta apresentação porque tenho de cantar as canções que fizeram de mim, compositor, intérprete e músico, uma figura pública neste país. Um tipo como eu não pode chegar, fazer um espectáculo e não cantar o “Cavalo à Solta” ou a “Tourada”, o “Adeus Tristeza” ou a “Estrela da Tarde”. Como às vezes digo, se não canto estas canções não me pagam o cachê. Se não for a “Tourada” então … Então ainda mais. Às vezes ainda só vou na segunda canção e já estão a pedir a “Tourada”. Este concerto vai ter que tipo de envolvimento musical? Neste caso tenho de levar um músico muito bom, normalmente um dos meus pianistas, ou o Pedro Duarte ou o António Paulo. Levo também as minhas guitarras, a voz e alguma informação sobre

como as cantigas são feitas. Hoje em dia, nos meus espectáculos posso ter um senhor ou uma senhora de 80 anos mas tenho jovens de 13 e 14 anos que ficam muito surpreendidos porque não sabem de onde é que aquelas cantigas saíram. Alguns julgam que foram feitas o mês passado … quando digo que o foram em 1970 ficam um pouco atrapalhados. Há temas intemporais. Pois, são coisas que não têm data. Cronologicamente a gente diz que um tema é de 1972 mas em termos de estrutura

musical pode ser para 2040. Vai acontecer [no Teatro Garcia de Resende] música muito bonita e uma coisa que eu adoro, sem vaidade: o processo de comunicação. Ninguém quer ir a um espectáculo só para ver um tipo em cima do palco a debitar canções, por melhores que elas sejam. O público hoje procura como que um escape a este excesso de digitalização sistemática em que a gente carrega num botão e tem o que quer. O público hoje, de alguma maneira, deixou de comprar discos. O mercado que foi florescente durante décadas está muito em baixo. As

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pessoas já só têm um recurso: querem ver se os artistas existem, se aquilo é verdade e compram o bilhete para ir ver. As pessoas querem saber se o artista lhes é semelhante, se conversa, se tem um toque, se tem um olhar … … ou se também é uma máquina. Ou se é apenas mais uma coisa digital, um tipo que está maquinado e manipulado para levar o dinheiro no fim ou no início dos espectáculos. No nosso Portugal pequenino já temos alguns formatos que embora muito disfarçados já são parecidos com plástico. Na distanciação? Na distanciação entendida no pior sentido da palavra, na frieza que criam. Hoje está aqui, amanhã já tem de estar noutro lado e depois noutro para que alguns sábios digam que se trata de um grande profissional. Os artistas não são essas pessoas, os cantores, os actores, os bailarinos não são essas pessoas. Os artistas quando são pessoas são outra coisa e isso é algo que o público quer. No limite, o público já só quer isso e eu falo assim porque também sou público. Adoro ouvir o Michael Boublé mas o que é que me interessa se este indivíduo vai para cima do palco e se comporta como uma máquina? Tudo aquilo é estudado para que pareça humildade e para que pareça simplicidade. E o novo disco? Tenho estado à procura de duas vozes femininas para cantarem comigo uma espécie de um fado que se chama “Duas Vozes Amigas” e uma canção romântica. Não tem sido fácil. Durante muitos


19 Cultura D.R.

anos critiquei o aperto que as editoras faziam junto dos artistas no sentido de lhes inviabilizar o mais belo que as artes têm, que é a liberdade. Verifico em 2011 que esse aperto estrafego das editoras, no momento em que a venda de discos está em completa crise e já não vai recuperar, está ainda pior que nos anos 60 e 70. A quantidade de vezes que já fiquei à espera que uns senhores de uma editora tal autorizem a cantora a cantar! Eu que sou um tipo que não tenho editora, gravo os meus discos e pago-os. Faço questão e vou conseguir arranjar estas duas vozes femininas. É um disco que tem sido gravado ao longo do tempo, o que nunca me tinha acontecido. Cantarei duas ou três canções em Évora. Essa demora para além de exigência estética não tem nada a ver com a pintura? Não, não. A pintura não interfere com o tempo dedicado à música? Ainda há pouco esteve aqui uma equipa da RTP que está a gravar um documentário sobre mim e às tantas perguntavam-me onde ia arranjar tempo para pintar. E eu digo: vou buscá-lo às horas de sono. Consegui eliminar coisas da minha vida que impediam que pudesse fazer isso e que tinham a ver com o fumar, com o beber, são coisas que pus de parte e isso trouxe-me um acréscimo muito grande de saúde e de capacidade de resistência. A pintura não interfere em nada. Quando surgiu esse apelo? De repente comecei a achar que havia

“Já tenho gravado o suficiente para editar o novo disco [“Por Este Andar”] no qual tenho uma parceria com o Paulo de Carvalho, que já está gravada. É uma canção que adorava que fosse um êxito pela nossa amizade, não pela canção ou por eu ser compositor mas pela nossa amizade. Adorava que aos 63 anos fizemos um êxito daqueles … e pode acontecer, tem boas condições para isso. Pode acontecer”.

outras coisas que tinha de outra forma, para as quais a música não é suficiente. Não me é agradável viciar as minhas linguagens. Sou um indivíduo muito mais pragmático, eficaz, disciplinado na música do que noutra matéria. Mas o facto de praticar isso sistematicamente pode-me viciar nisso e eu não quero. Um dia estava no Algarve, foi no dia de abertura dos Jogos Olímpicos na Grécia [13 de Agosto de 2004,] e deixei ficar uma pinturinha em cima da mesa. Levantei-me às 6 da manhã e pensei que era nesse dia que ia começar a escrever um livro de poesia. Pus o desenho de parte. O meu livro de poesia foi editado em 2007 e chama-se “Se Não Souberes Copia”. Nessa manhã escrevi os primeiros 23 poemas desse livro. Eu tinha aquilo para dizer, foi uma coisa descontrolada. Fiz inclusivamente um poema ao meu neto que ainda não tinha nascido, que queria ter. Mas na música já entra a palavra, e de certa forma a poesia. Nunca me passaria pela cabeça musicar qualquer daqueles poemas que está no livro, essa é uma outra área. É um outro campo. Não faria nenhuma canção [a partir] daquilo e é um livro de que gosto muito. Mas nunca me sugere nada de música. Como funciona o processo de criação musical, se é que existe uma regra em si? Surge primeiro a letra ou a música? Fui o compositor que mais trabalhou com o José Carlos Ary dos Santos. Independentemente da aprendizagem, isso trouxe-me também outra coisa que foi a

capacidade de saber que todos os processos são possíveis para se conseguir uma canção. Já experimentai praticamente todos os processos de fazer uma canção e qualquer um deles é muito agradável. Fazer música é um arrepio, um momento muito especial. Não há nenhuma fortuna que se pudesse acumular em termos materiais que possa ter comparação com a fortuna que isto é em termos espirituais. A natureza pagou-me uma conta elevadíssima logo quando eu nasci, em princípio não me deve nada. Há uma frase num dos temas novos: “filho perde tudo menos as canções”. É quase uma metáfora, foi quando a minha mãe me disse filho perde tudo menos as canções, a coragem, os valores. Não quero perder a minha mulher, os meus filhos, o resto não tem para mim um grande interesse … não quero perder o interesse de ir cantar a Évora, a uma sala onde não me lembro de alguma vez ter cantado, pelo prazer de respirar aquele bastidor e aquele palco, não há dinheiro que pague. Eu entreguei a minha vida por inteiro a esta profissão. Deixo-me dominar por esta coisa única que é a sensibilidade, quero ou não fazer isto. Quando é que sentiu que queria fazer isto? Desde criança, com os vizinhos do bairro de Alvalade, cantava à varanda, comia aquelas carcaças com manteiga e cantava. E tive desde a infância essa tendência. Queriam-me dar um presente e eu escolhia uma corneta ou uma guitarra de plástico e é curioso porque não tenho antecedentes. Aconteceu-me ser assim.


20 07 Abril ‘11 Roteiro

TEATRO

MÚSICA

NATUREZA

EXPOSIÇÃO

FEIRA

Redondo Vamos contar mentiras Dia 9 de Abril, às 21h30 Local: Teatro Garcia de Resende Trata-se de uma obra no género de Teatro de Comédia que retrata a confusão vivida em casa do casal Gama. Uma história simples mas recheada de hilariantes momentos ao longo do Espectáculo, em que as interpretações dos 6 actores envolvidos em palco, certamente proporcionarão espontâneas gargalhadas ao público na sala.

Évora Encontro de Músicos Todas as quartas-feiras Hora: 22h00 Local: Espaço Celeiros,Rua Eborim, 18 Voltaram os Encontros de Músicos. A ideia é pegar no repertório de música para dançar e a prazo animar de vez em quando a aula de danças do mundo com música ao vivo! Qualquer instrumento é bem-vindo! Entrada Livre

Estremoz Estremoz BIKE 2011 17 de Abril Este novo evento “EstremozBike”, nasce da junção da Maratona de BTT e diversas actividades físicas desportivas para toda a família, tendo em comum as bicicletas. A pensar nos acompanhantes e na população da terra: - Aulas de spinning - Caminhada na zona de Evoramonte - Actividade para os mais novos - Actividades radicais

Évora Um Mundo – Três Dimensões 18 de Fevereiro a 12 de Junho Local: Igreja de S. Vicente Blank Canvas, segunda geração, estão longe, nos propósitos, de ser uma conquista e uma originalidade do nosso tempo. O que é manifestamente original neste grupo constituído por António Couvinha, Chris Alford e Peter de Jong é a assumida individualidade dos seus olhares.

Vila Viçosa Dia Internacional dos Monumentos e Sitios (Água Cultura e Património) 18 de Abril No âmbito das comemorações do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, o ICOMOS – Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios, escolheu para 2011 o tema do Património associado à Água. Com base nesta proposta, o IGESPAR promove um conjunto de actividades intitulado “Água: Cultura e Património”.

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Vendas Novas Escola Prática de Artilharia comemora 150 anos 4 a 22 de Abril A Escola Prática de Artilharia (EPA) de Vendas Novas celebra este ano 150 anos desde a sua constituição e como tal realiza um conjunto de iniciativas Estremoz I Mostra de artes plásticas de Estremoz 20 de Março a 23 de Abril Local: Museu Municipal de Estremoz Colectiva de artistas plásticos residentes no Concelho Exposição que visa dar a conhecer os trabalhos dos artistas plásticos amadores residentes no concelho de Estremoz, tendo ainda por objectivo criar uma dinâmica que incremente a colaboração entre o Museu e estes. Évora Vem Conhecer a Câmara Até 28 de Junho Às terças-feiras (mediante marcação) O Núcleo de Documentação da Câmara Municipal de Évora, apresenta o projecto “Vem conhecer a Câmara”, dedicado ao conhecimento do edifício dos Paços do Concelho. Actividade destinada a alunos de 1.º e 2.º ciclos e do ensino secundário. A primeira é uma visita guiada ao edifício dos Paços do Concelho, Praça de Sertório, mostrando as várias fases construtivas no período romano, as termas, o Palácio dos Condes de Sortelha e Câmara Municipal. A segunda vertente corresponde à apresentação da instituição, em que é explicado, o que é uma câmara, para que serve, quem são os seus eleitos, entre outros aspectos da organização municipal.

www.dianafm.com

Uma questão de saber


21 Lazer Sugestão de leitura

Sugestão de filme

O Futuro da Humanidade

Mutante

Autor: Augusto Cury Sinópse:

Realizador: Vincenzo Natali Sinópse:

O Futuro da Humanidade conta a trajetória de Marco Polo, um jovem estudante de medicina de espírito livre e aventureiro como o do navegador veneziano do Século XIII, em quem seu pai se inspirou ao escolher seu nome. Ao entrar na faculdade cheio de sonhos e expectativas, Marco Polo se vê diante de uma realidade dura e fria: a falta de respeito e sensibilidade dos professores em relação aos pacientes com transtornos psíquicos, que são marginalizados e tratados como se não tivessem identidade.

Os prestigiados Engenheiros Genéticos Clive (Adrien Brody) e Elsa (Sarah Polley) especializaram-se na fusão de ADN de diferentes animais para criar incríveis híbridos. Desta vez, eles pretendem usar o ADN humano num híbrido, numa experiência que pode revolucionar a ciência e a medicina. Mas quando a empresa farmacêutica que financia a sua pesquisa os impede de continuar, Clive e Elsa, prosseguem a experiência em segredo - arriscando as suas carreiras para ultrapassar as fronteiras da ciência e satisfazer a sua própria curiosidade e

Indignado, o jovem desafia profissionais de renome internacional para provar que os pacientes com problemas psiquiátricos merecem mais atenção, respeito e dedicação. Acreditando na força do diálogo e da psicologia, ele acaba causando uma verdadeira revolução nas mentes e nos corações das pessoas com quem convive.

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ambição. O resultado é Dren, uma fantástica e estranha criatura com uma inteligência singular e com características físicas inesperadas. No início, Dren supera todas as expectativas de Clive e Elsa, mas enquanto a criatura cresce e aprende a um ritmo intenso, a sua existência ameaça tornarse no seu maior pesadelo.

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Carneiro

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Balança Carta Dominante: 3 de Copas, que significa Conclusão. Amor: Visite familiares que já não vê há algum tempo. Que a luz da sua alma ilumine todos os que você ama! Saúde: Consulte o oftalmologista. Dinheiro: Tenha cautela. Números da Sorte: 1, 8, 42, 46, 47, 49 Pensamento positivo: Concluo tudo aquilo que começo, sei que assim conseguirei concretizar os meus projectos.

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Nota: O objectivo do jogo é completar os espaços em branco com algarismos de 1 a 9, de modo que cada número apareça apenas uma vez na linha, grade e coluna.

HORÓSCOPO SEMANAL Carta Dominante: A Roda da Fortuna, que significa Sorte. Amor: Dê atenção à sua família. Seja um bom professor, eduque para que os mais jovens tenham uma profissão, mas, sobretudo, eduque-os para a vida. Saúde: Vigie a tensão arterial. Dinheiro: Elimine gastos supérfluos. Números da Sorte: 1, 3, 24, 29, 33, 36 Pensamento positivo: Sei que a minha vida está sempre em movimento.

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Telefone: 21 318 25 91 E-mail: mariahelena@mariahelena.tv

Touro Carta Dominante: 6 de Espadas, que significa Viagem Inesperada Amor: As relações afectivas atravessam um período de estagnação. Quem sabe protegerse das emoções negativas aprende a construir um futuro risonho! Saúde: Faça caminhadas e passeios. Dinheiro: Possibilidade de encontrar um novo emprego, estão favorecidas as mudanças a este nível. Números da Sorte: 7, 11, 18, 25, 47, 48 Pensamento positivo: Acredito que o poder da mudança está dentro de mim. Horóscopo Diário Ligue já!

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Escorpião Carta Dominante: 10 de Copas, que significa Felicidade. Amor: Não dê confiança a quem não conhece. Não perca o contacto com as coisas mais simples da vida. Saúde: Cansaço e stress acumulado serão prejudiciais. Aprenda a descansar mais. Dinheiro: Situação equilibrada em termos profissionais e financeiros. Números da Sorte: 4, 9, 11, 22, 34, 39 Pensamento positivo: A maior felicidade está nos gestos mais simples. Horóscopo Diário Ligue já!

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Gémeos Carta Dominante: Ás de Copas, que significa Principio do Amor, Grande Alegria. Amor: As pessoas mais próximas podem estar a necessitar de si. Reúna a sua família com o propósito de falarem sobre os problemas que vos preocupam, juntos encontrarão as soluções de que precisam. Saúde: Problemas relacionados com varizes. Dinheiro: Pode receber dinheiro extra. Números da Sorte: 4, 6, 7, 18, 19, 33 Pensamento positivo: a alegria do amor anima o meu coração. Horóscopo Diário Ligue já!

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Sagitário Carta Dominante: A Justiça, que significa Justiça. Amor: Não seja orgulhoso. Não se deixe manipular pelos seus próprios pensamentos, e dê o primeiro passo para a reconciliação! Saúde: Agasalhe-se bem. Dinheiro: Cuidado com os gastos supérfluos. Números da Sorte: 1, 2, 8, 16, 22, 39 Pensamento positivo: Procuro ser justo nas decisões que tomo. Horóscopo Diário Ligue já!

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Caranguejo Carta Dominante: 3 de Copas, que significa Conclusão. Amor: Dinamize a sua relação. Nunca perca a esperança nas pessoas, invista nelas! Saúde: Em boa fase. Dinheiro: Pode conseguir uma promoção. Números da Sorte: 9, 11, 25, 27, 39, 47 Pensamento positivo: Com determinação consigo concretizar os meus objectivos.

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Capricórnio Carta Dominante: A Força, que significa Força, Domínio. Amor: Não dê ouvidos a terceiros. A felicidade é de tal forma importante que deve esforçar-se para a alcançar. Saúde: Tenha atenção com os ouvidos. Dinheiro: Pense bem antes de fazer investimentos. Números da Sorte: 7, 13, 17, 29, 34, 36 Pensamento positivo: Tenho domínio sobre os meus pensamentos, sei que eles atraem para a minha vida aquilo em que penso. Horóscopo Diário Ligue já!

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Leão Carta Dominante: Valete de Espadas, que significa Vigilante e Atento. Amor: revele os seus desejos à sua carametade, a sua relação sexual melhorará bastante. Que a sua Estrela-Guia brilhe eternamente! Saúde: Estável. Dinheiro: Melhore o relacionamento interpessoal. Números da Sorte: 10, 20, 36, 39, 44, 47 Pensamento positivo: estou atento às mensagens do Universo. Horóscopo Diário Ligue já!

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Aquário Carta Dominante: 5 de Ouros, que significa Perda/ Falha. Amor: Momentos divertidos em família. Que tudo o que é belo seja atraído para junto de si! Saúde: O seu sistema imunitário não anda muito bem. Dinheiro: Não é um período favorável para despesas, procure evitá-las. Números da Sorte: 7, 11, 19, 24, 25, 33 Pensamento positivo: Aprendo com os meus erros. Horóscopo Diário Ligue já!

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Virgem Carta Dominante: O Louco, que significa Excentricidade. Amor: Quebre a rotina, use a criatividade para expressar o que sinto. Que o seu olhar tenha o brilho do sol! Saúde: Cuide do seu lado espiritual. Dinheiro: Não se esqueça das contas por pagar. Números da Sorte: 7, 18, 19, 26, 38, 44 Pensamento positivo: Eu acredito que nos meus sonhos!

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Peixes Carta Dominante: A Morte, que significa Renovação. Amor: Proteja-se contra intrigas. Seja verdadeiro, a verdade é eterna e a mentira dura apenas algum tempo. Saúde: Não coma demasiados doces. Dinheiro: Vigie a sua conta bancária. Números da Sorte: 5, 25, 33, 49, 51, 64 Pensamento positivo: Liberto-me do passado e vivo o presente com confiança!

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23 Eventos

Dia de aulas entre peixes num aquário gigante

D.R.

No Fluviário de Mora não faltam actividades a pensar nas crianças. Redacção | Registo O Fluviário de Mora apresenta um conjunto de actividades em sintonia com o programa curricular dos diversos ciclos de ensino, designadas por oficinas ambientais. “Um Aquário à minha Medida”, “Matemática nos Rios – Medidas e Estalidas” e “Mordidela Subquática – A Dentição dos Animais” são algumas das oficinas ambientais que evidenciam as potencialidades de um aquário como uma grande aula multidisciplinar integrada. Através de actividades únicas e instrutivas, com a Natureza como foco central, são compreendidos e aplicados conceitos diversificados e relacionados com a biologia, ecologia, química, física, comportamento e bem-estar animal, e até mesmo filosofia e história. Na oficinal ambiental “Um Aquário à minha Medida” os conceitos pedagógicos são aplicados de modo a explicar o papel da conservação da água e biodiversidade, desejando atitudes sustentáveis e de acordo com os valores naturais. Cuidar e manter um aquário pode ser uma experiência gratificante, e para isso esta oficina poderá ajudar a dar os primeiros passos. Como preparar o aquário? Que plantas e animais escolher? Que água utilizar? Porque morreu o meu peixe no aquário? São questões que poderão

finalmente ter resposta em “Um Aquário à minha Medida”. Esta e restantes Oficinais Ambientais decorrem na Sala de Aula / Laboratório do Fluviário de Mora, um espaço de eleição concebido para receber todos os visitantes e onde são trabalhados, numa abordagem pedagógica, como apoio de um educador ambiental, conteúdos programáticos de acordo com os graus de escolaridade. As oficinas ambientais requerem pré-marcação e encontramse inseridas, principalmente mas não exclusivamente, no contexto de visitas de estudo livres ou orientadas. “Semear cheirinhos” Já as férias da Páscoa prometem ser diferentes para os mais novos. À visita habitual a este que é o primeiro grande aquário europeu de água doce, as crianças são convidadas a participar em actividades preparadas especialmente para celebrar o renascer da flora e fauna nesta Primavera e a época pascal. Com o programa de actividades “Do Ovo e Semente até à Flor e Gente”, o Fluviário sensibiliza os participantes para a importância de “semear cheirinhos”, lembrando que “essa vida frágil começa invariavelmente num punhado de terra fofa”. Também na sala de aula/laboratório vai ser recordado, com alguns ciclos de vida, que “Assim

nasceram os Peixes…” a partir do ovo, esse símbolo indissociável da vida nova e, claro está, da Páscoa. Por falar em vida nova, ao visitante que levar uma fotografia do último peixe que nasceu em sua casa receberá uma lembrança. Além do programa de época específica, é possível optar por outras actividades: “Dormindo com Lontras”; “Lusco-fusco no Fluviário” ou até ousar ser “Aquarista por uma Hora”. Ninguém fica indiferente à chegada das andorinhas, aos cantos das rãs e às flores vistosas que começam a revestir os campos deste concelho alentejano, numa autêntica profusão de cores perfumadas que abraçam o Fluviário!

Animação prometida para as férias da Páscoa.

Monte Selvagem apoia programa de conservação

NÚmero

500

<O Fluviário tem mais de 500 peixes de 55 espécies diferentes de todo o mundo em habitats naturais, aquáticos e terrestres, num percurso entre a nascente e a foz de um rio.> D.R.

Como membro da Associação Ibérica de Zoos e Aquários (AIZA), o Parque Animal de Montemor-o-Novo, Monte Selvagem, participa este ano na campanha solidária promovida pela ONGD Coopera que apoia programa de Conservação Comunitário no Congo. Trata-se de um programa promove projectos ambientais de protecção da biodiversidade no habitat natural, projectos de educação da população local e projectos de saúde comunitária. A campanha consiste na venda de “Congolinas”, bonecas feitas à mão pelo Centro “Kwetu Heri”, com sede em Bukavu, onde são atendidas crianças carentes e/ou deficiência. Estas bonecas representam mulheres nativas carregando seus bebés, em braços ou nas costas, enquanto trabalham duro na rotina doméstica e do campo. Ao adquirir no Monte Selvagem, por 12 euros uma boneca “Congolina” estará a apoiar este programa. Desde que abriu, em Maio de 2004, o Monte Selvagem já recebeu mais de 400 mil visitantes, a maioria crianças em grupos escolares e famílias. Sedeado em Montemor-o-Novo,

freguesia do Lavre, o parque é um dos destinos turísticos mais procurados na região, detendo uma média anual de 75 mil visitas. Fruto do sonho de uma família, o Monte Selvagem é uma realidade viva e um exemplo máximo de Lazer e Cultura ecológica, sempre com respeito pela Natureza e pela preservação das espécies. Acampamento na Páscoa Para as férias da Páscoa, o Monte Selvagem propõe dois acampamentos lúdico-pedagógicos para campistas dos 6 aos 12 anos. Os acampamentos, de uma noite, terão lugar de 16 para 17 de Abril e de 20 para 21 de Abril, permitindo aos participantes “um melhor conhecimento do parque, dos seus habitats e rotina diária, num ambiente divertido de aventura e de permanente animação e actividades”. O parque explica que os acampamentos contemplam um peddy-paper nocturno por equipas, animação musical, jogos e leitura de histórias (lendas locais, curiosidades de animais e histórias várias).


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Sede Rua Werner Von Siemens, n.º16 -7000.639 Évora Tel. 266 751 179 Fax 266 751 179 Email geral@registo.com.pt SEMANÁRIO

Vendas Novas

Santiago do Cacém

Marcha para a Saúde

Alunos na Europa

Realiza-se hoje, Dia Mundial da Saúde, pelas 18h00, a tradicional “Marcha da Saúde” pelas ruas da cidade de Vendas Novas, desta vez com a particularidade de ser solidária com a Associação Portuguesa dos Diabéticos de Portugal (APDP). Esta é uma iniciativa que já se realiza há nove anos, tem como objectivo celebrar o Dia Mundial da Saúde e permite a toda a população caminhar, ao seu ritmo, em ambiente descontraído e familiar, 5 quilómetros pelas ruas da cidade e 3 km pelas ruas da freguesia de Landeira. Este ano os participantes poderão ajudar a Associação Portuguesa dos Diabéticos de Portugal ao darem um 1 euro pelas t-shirts alusivas à iniciativa. A APDP é uma Instituição Particular de Solidariedade Social, fundada em 13 de Maio de 1926, reconhecida como a mais antiga Associação de Diabéticos do mundo. A concentração está marcada para as 18h00, no Estádio Municipal, havendo ainda lugar às 16h00 para uma avaliação do risco da diabetes realizado por várias entidades.

O Clube Europeu da Escola Secundária Manuel da Fonseca em Santiago do Cacém ganhou o prémio Euroescola e nesse sentido vai representar Portugal na sessão de 8 de Abril em Estrasburgo. Segundo a autarquia, 24 alunos da Escola Secundária de Santiago do Cacém vão participar na sessão que se realiza no hemiciclo do Parlamento Europeu. A iniciativa visa familiarizar os jovens com o funcionamento e os objectivos das diversas instituições europeias. Segundo Isabel João, a Coordenadora do Clube Europeu da Escola Secundária Manuel da Fonseca, o “grupo vai fazer uma apresentação da escola da região e do país em Inglês e Francês”.

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ÉVORA

Freguesias ameaçam parar transportes escolares Em causa dívida de 300 mil euros da Câmara de Évora Redacção | Registo A Câmara de Évora tem em dívida mais de 300 mil euros às setes juntas de freguesia da CDU no concelho. Em atraso estão essencialmente verbas relativas ao protocolo de descentralização de competências e aos transportes escolares. Mas por pagar estão ainda apoios às famílias e ao funcionamento das cantinas escolares. O valor da dívida foi avançado ao Registo depois de uma reunião entre os presidentes das Juntas de Freguesia do Bacelo, Boa Fé, Graça do Divor, Guadalupe, S. Manços, Torre de Coelheiros e Tourega. “Temos cumprido pontualmente todos os compromissos protocolados, existindo da parte da Câmara Municipal de Évora

atrasos significativos na transferência das verbas acordadas”, dizem os autarcas, acrescentando que a situação “ameaça tornar-se insustentável” para freguesias cujo orçamento anual é baixo. Em comunicado, os presidentes de junta dizem mesmo que pode “estar em causa a prestação de serviços essenciais como o transporte das crianças para a escola” uma vez que “não será possível por muito mais tempo manter a situação de incumprimento por parte da câmara, com dívidas de centenas de milhares euros”. Quase dois terços das verbas em causa (192 mil euros) são relativos ao protocolo genérico de descentralização, através do qual o município transfere áreas da sua competência para as

freguesias, acompanhadas da respectiva compensação financeira. Foram ainda assinados outros protocolos relacionados com a Educação, nomeadamente para assegurar o funcionamento da rede de transportes escolares, cantinas, componente de apoio à família e vencimentos de auxiliares de acção educativa. “Compreendendo as dificuldades financeiras do município, reiteramos a exigência do cumprimento pontual das suas obrigações. Não basta transferir competências é necessário transferir os meios necessários para as executar”, dizem os presidentes de junta eleitos pela CDU, responsabilizando a Câmara pelas consequências que venham a resultar da não resolução do problema.


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