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Director Nuno Pitti Ferreira | 3 de Março de 2011 | ed. 144 | 0.50€ D.R.

Luís Pardal | Registo

SEMANÁRIO

atinge 14 Produção recorde Exportações nacionais de azeite ultrapassam 40 mil toneladas

Maria Alzira Seixo distinguida com prémio Vergílio Ferreira

O

olival continua a crescer. Novas explorações no Alentejo fazem disparar a produção nacional (à beira da auto-sustentabilidade) e reflectem-se no crescimento das exportações.

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Pedro Gama | Registo

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Armando Sevinate Pinto

em ENTREVISTA consultor Do Presidente da república “Não vejo nenhum inconveniente na criação de um banco de terras”

O ex-ministro da Agricultura diz que a criação de banco de terras permitir ao Estado constituir-se como intermediário entre os proprietários e os agricultores.

Pág.11 A GARE - Associação para a Promoção de uma Cultura de Segurança Rodoviária dispõe de um equipamento único no país. Trata-se de um kart cuja resposta simula o risco da condução sob o efeito do álcool. PUB

D.R.

Kart permite simular condução sob o efeito do álcool

MANIFESTAÇÃO

Cortes na Saúde motivam protestos em Évora

12 Carnaval As “brincas” de novo em Évora

Pág.03 Mais de um milhar de pessoas saiu à rua para protestar contra os cortes nas credenciais para o transporte de doentes não urgentes. Os utentes queixam-se de dificuldades acrescidas no acesso a serviços básicos de saúde.

Política

Capoulas nega recuo nas regiões Pág.05 O presidente da Federação de

Évora do PS e director de campanha de José Sócrates diz que o partido continua empenhado na regionalização. E desafia o PSD a dar um sinal de que pretende avançar com o processo.


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03 Março ‘11

A Abrir “Kadhafi não larga o povo” Pedro Henriques | Cartoonista www.egoisthedonism.wordpress.com

O Cerco Capoulas santos Eurodeputado

O PSD, e a direita portuguesa em geral, têm um problema grave: “síndrome de privação do poder”, que a leva a cometer imensos erros, o pior dos quais é a devoração de líderes que não lhes satisfazem o vício no mais curto espaço de tempo possível. Foi isso que vitimou Marcelo Rebelo de Sousa, Marques Mendes, Luis Filipe Meneses e Manuela Ferreira Leite, só para lembrar alguns dos mais recentes. Ciente da existência da síndrome e de que a vida é curta na oposição, como bem acabam de lembrar os inefáveis Santana Lopes e Pacheco Pereira, o actual líder tem procurado fazer de estadista responsável às 2ªs, 4ªs e 6ªs feiras e de incendiário ás 3ªs, 5ªs e Sábados. Ele sabe bem que sem aquela qualidade não se ganha o país e sem este defeito não se ganha o partido. E não lhe tem faltado ajuda, quer dos demais partidos de oposição, quer da comunicação social. Basta ler os jornais e ouvir os comentaristas, todos recrutados a dedo, para perceber a importância do cerco a Sócrates ser rapidamente bem sucedido. O preço da tomada da cidadela pouco importa. O que interessa é saciar rapidamente a clientela que há anos aperta o cinto e já não suporta mais as dores de estômago. Pode mesmo incluir o descrédito do sistema poltico, a manipulação a justiça, lançar na lama as instituições ou até enxovalhar o país no estrangeiro. A recente deslocação do Primeiro-ministro à Alemanha em mais uma iniciativa para evitar a intervenção do FMI em Portugal, constitui um exemplo ilustrativo do que acabo de afirmar. Noticiava o Correio da Manhã, em primeira página, nesse dia, que o governo ia pagar o subsídio de natal com certificados de aforro. Que tal malfeitoria era uma exigência alemã, perante a qual o PM, vestido de burel e de corda ao pescoço, ia capitular em Berlim. PCP e BE, arreliados com os dados positivos da execução orçamental de Janeiro e Fevereiro que foram tornados públicos na mesma ocasião e que a imprensa pouco valorizou, apressaram-se logo a dizer que se tratava de números para enganar a Senhora Merckl, coitadinha. Outros, em coro, falaram da “subserviência” que a viagem a Berlim representava para Portugal, e até pessoas supostamente responsáveis como os eurodeputados Paulo Rangel e Mário David, não se coibiram de propalar, alto e bom som, a inevi-

tabilidade da intervenção internacional para responder ao problema da divida portuguesa, no momento em que o único serviço que se podia prestar ao país era não lançar duvidas e mais ruídos nos mercados financeiros. Só mesmo a alucinação de quem, a morrer de sede, vê a miragem do oásis no deserto, pode justificar que se defenda uma intervenção do FMI e do Fundo Europeu, sobretudo depois de se ver o que aconteceu na Grécia e na Irlanda. As condições em termos, sobretudo de prazos para que estes países amortizem os empréstimos concedidos, são impossíveis de satisfazer sem uma dramática regressão, por muitos anos, do nível de vida dos seus cidadãos. O que José Sócrates foi dizer à Alemanha, antes do Conselho Europeu que pode dar resposta aos problemas financeiros dos Estados da Zona Euro, é que Portugal está a fazer tudo para evitar essa intervenção e que os resultados da execução orçamental de 2011 aí estão para o comprovar. Com um plano de austeridade difícil, sem dúvida, mas com consciência social e sem a dureza daqueles que estão a ser aplicados em países onde tal intervenção se operou e que, longe de resolver os problemas, tudo indica que os estão a agravar. O comunicado final do encontro de Berlim foi a maior bofetada para os que esperavam que o governo conservador alemão era a ajuda que faltava para completar o cerco:”A Alemanha e Portugal vão cooperar estreitamente para que o Conselho Europeu de 24 e 25 de Março reforce a estabilidade do euro, reforme o Pacto de Estabilidade e torne a Europa mais competitiva”. Disse ainda a Chanceler na ocasião: “Falámos dos três pontos essenciais relacionados com a situação económica e financeira da zona euro e une-nos a vontade comum de fazer tudo para manter a estabilidade do euro”. Não era exactamente isto que os devoristas estavam à espera. Mau sinal para Passos Coelho e para a sua “entourage”. Com a fortaleza a resistir e com cada vez menos viveres no arraial dos sitiantes, o cerco a Sócrates pode, afinal, virar-se contra si próprio e ser montado á sua própria volta. Não é por acaso que começa a circular, com cada vez maior insistência, a ideia de que Rui Rio é que garantiria mesmo uma ascensão rápida do PSD ao poder.

Protagonistas P05

Capoulas Santos Vice-presidente do PS e director de campanha de José Sócrates, Capoulas Santos não deixa cair a regionalização e desafia o PSD a dar um ”sinal“ de abertura.

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Alberto Gordillo O mais internacional dos joalheiros portugueses está de ”regresso“ a casa: em Moura abriu um museu onde estão expostas algumas das suas peças.

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Turismo do Alentejo, ERT Pç. Da República, 12-1º | Apartado 335 7800-427 Beja | Portugal (Tel) 284 313 540 | (Fax) 284 313 550 (E-mail): geral@turismodoalentejo-ert.pt

Ficha Técnica

SEMANÁRIO

Director Nuno Pitti Ferreira (nuno.pitti@registo.com.pt) Editor Luís Maneta Propriedade Nothing Else-.meios&comunicação; Contribuinte 508 561 086 Sede Travessa Ana da Silva, n.º6 -7000.674 Évora - Tel: 266 751 179 fax 266 730847 Administração Silvino Alhinho; Joaquim Simões; Nuno Pitti Ferreira; Departamento Comercial Teresa Mira (teresa.registo@gmail.com) Paginação Arte&Design Luis Franjoso Cartoonista Pedro Henriques (pedro.henriques@registo.com.pt); Fotografia Luís Pardal (editor) Colaboradores Pedro Galego; Pedro Gama; Carlos Moura; Capoulas Santos; Sónia Ramos Ferro; Carlos Sezões; Margarida Pedrosa; António Costa da Silva; Marcelo Nuno Pereira; Eduardo Luciano; José Filipe Rodrigues; Luís Martins Impressão Funchalense – Empresa Gráfica S.A. | www.funchalense.pt | Rua da Capela da Nossa Senhora da Conceição, nº 50 - Morelena | 2715-029 Pêro Pinheiro – Portugal | Telfs. +351 219 677 450 | Fax +351 219 677 459 ERC.ICS 125430 Tiragem 10.000 ex Distribuição Nacional Periodicidade Semanal/Quinta-Feira Nº.Depósito Legal 291523/09 Distribuição Miranda Faustino, Lda


3 Política Protesto

Manifestação contra cortes na Saúde Luis Pardal | Registo

Pedro Gama | Registo Cerca de mil pessoas, vindas um pouco de todo o distrito de Évora manifestaram-se na Praça do Giraldo contra o corte nas credenciais de transporte na saúde. Em causa está um despacho do secretário de Estado da Saúde que instituiu a obrigatoriedade de os doentes não urgentes que necessitem de transporte comprovarem a sua situação económica para ter direito a este serviço de forma gratuita. À concentração seguiu-se um desfile até à Administração Regional de Saúde do Alentejo onde foi entregue uma moção aprovada pelos manifestantes a pedir a revogação deste despacho bem como melhores condições para os utentes. A dimensão do protesto foi de encontro às expectativas do Movimento de Utentes de Saúde Pública do Distrito de Évora (MUSPE). Sílvia Santos, responsável pelo movimento, disse estar satisfeita com a dimensão do protesto: “Quando se luta é à espera de frutos”. Sílvia Santos diz que “todos os dias” tem conhecimento de casos de “pessoas desesperadas” com os cortes nas credenciais: “Há pessoas que não podem ir às consultas porque não têm dinheiro para pagar os transportes e não lhes são passadas as credenciais”. Em meados deste mês de Março o Movimento espera entregar um abaixo-assinado na Assembleia da República que conta já com 15 mil assinaturas. Até à entrega o MUSPE espera reunir mais 5 mil. Durante o protesto na Praça

do Giraldo, José Alves, presidente da Federação das Associações de Reformados, acusou o Governo socialista de estar a “atacar” a saúde em Portugal e no distrito de Évora, com o fecho de serviços de urgências nos centros de saúde, “redução nas comparticipações” dos medicamentos, “aumento” das taxas para as consultas e com o corte nas credenciais de transporte. “Esta política de restrições prejudica grande parte da população portuguesa, em particular a mais carenciada”, afirmou José Alves, nomeando em particular o pensionistas e idosos.

PSD ”Medida atabalhoada“ Acção convocada pelo Movimento de Utentes de Saúde Pública reuniu mais de um milhar de pessoas.

Maria Fátima Condenso

Herminia Biléu

Luís Coelho

“Tira-nos tudo”

“Credenciais não há”

“Não está bem”

“O culpado é o primeiro-ministro que nos tem tirado tudo, todos os direitos e tem-nos dado fome. Eu penso que esta medida pode vir a prejudicar-me a mim e a toda a população pois somos pessoas já com uma certa idade e não temos transportes”.

“A minha médica disse-me que credenciais não há e que eu vá ao privado. Tenho um neto com 31 anos, foi operado duas vezes a um tumor na cabeça e agora nem ele nem eu temos credenciais. E o médido ainda diz para irmos aos privados”.

“Sou reformado do Estado e tenho algumas benesses mas esta medida está a prejudicar a minha mulher. Na minha opinião, não está bem. Não se devia cortar nas credenciais dos idosos que têm reformas muito baixinhas”.

A distrital de Évora do PSD condenou a “forma fria, atabalhoada e incompetente” como o Ministério da Saúde procedeu às alterações no financiamento do transporte de doentes. Em comunicado, os socialdemocratas dizem que os cortes nas credenciais foram efectuados sem a existência de “qualquer sistema alternativo para o transporte de doentes” que se viram “privados de consultas e tratamentos”. Segundo o PSD, no distrito de Évora a situação “torna-se ainda mais grave” tendo em conta a dispersão geográfica das populações, a inexistência de um sistema público “minimamente eficiente” e a “crónica falta de médicos de família, que a Administração Regional de Saúde do Alentejo se tem mostrado incompetente para resolver”.

Haja paciência... Carlos Moura Engenheiro

A “bronca” que a alteração do número de eleitor em resultado da mudança do BI para o cartão de cidadão desencadeou parece não só estar longe do fim, como promete ainda dar muito fio para um bom novelo. Aqui há dois anos, aquando das eleições autárquicas escrevi aqui que a actualização do recenseamento eleitoral, através do cartão de eleitor, acarretava a alteração do número de eleitor e do local de voto pois o mesmo ia passar a obedecer ao código postal, o que não corresponde ao limite das freguesias. Donde, a barafunda que então previa veio a concretizar-se e logo na eleição subsequente. Da análise da barafunda saiu uma recomendação de se acabar com o número de eleitor. Achando que toda a recomendação que aparece

quando surge um problema é sacrossanta, o Governo aprestou-se a propor essa medida como milagrosa solução para toda a confusão. Esqueceram-se os nossos iluminados governantes que quem propõe tais soluções, em geral, nunca esteve numa mesa de voto, e não tem a menor ideia do que significa localizar um eleitor num caderno eleitoral. Se até hoje os cadernos eram organizados por freguesia e chegavam no máximo, em números, a umas cinco dezenas de milhar (com ou sem letras), passariam, caso a medida fosse aprovada, a eleitores com números tão grandes como seis, oito, ou dez milhões. Já para não falar nos cidadãos estrangeiros com direito de voto para as eleições autárquicas, cuja organização teria de ser por autorização de residên-

cia. Calculem o que significa procurar o eleitor num caderno cujos números poderiam ser salteados em centenas de milhar ou mesmo milhão. Não quero nem pensar. Propôs um editorial de jornal, que

“O problema criado pelo Cartão do Cidadão não foi pequeno, e como tal não pode ser resolvido pela simples aplicação de propostas de quem apenas observou a questão parcelar e teoricamente”.

os eleitores se deslocassem ao local de voto indicassem o nome, entregassem uma identificação confirmando a identidade, e, se o nome estivesse no caderno isso bastaria. Mas isso indica que quem propôs desconhece que há nos cadernos eleitores que têm dois ou mesmo apenas um nome. Como saber sem conferir com o número de cidadão se estamos perante a Rosa, o António, a Maria ou o Manuel correctos? Ainda para mais quando temos um país onde, contrariamente ao que se faz crer, o número de analfabetos é altíssimo. O problema criado pelo Cartão do Cidadão não foi pequeno, e como tal não pode ser resolvido pela simples aplicação de propostas de quem apenas observou a questão parcelar e teoricamente. Tudo o que viesse a ser proposto carecia

de ser aferido com o conhecimento das condições reais de funcionamento das mesas de voto, de uma forma séria e ponderada. Tal como o Ministério abordou quer a sua responsabilidade, quer o problema, quer as propostas, só mostra que se quer apresentar uma qualquer solução, que seja rápida, mesmo que não seja eficaz, deixando à mostra o quão leviana tem sido a actuação do Governo em tudo isto. Haja paciência para tanta eficiência! Nota – Na minha última crónica apareci identificado como sociólogo, ainda que o erro não tenha sido meu, deixo aqui as minhas desculpas aos sociólogos, pensadores que muito prezo pela análise que fazem da sociedade. A minha área é a Engenharia do Ambiente, bastante diferente, ainda que muito interessante também.


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03 Março ‘11

Política PCP 90 anos- aniversário e luta

Confiança no futuro Raimundo Cabral

Membro da DOREV do PCP

No próximo dia 6 de março o Partido Comunista Português comemora o seu 90º aniversário. São nove décadas de uma história ímpar, com uma longa vida de dedicação e luta contra todas as formas de exploração e opressão, pela liberdade, pela democracia e pelo socialismo. São noventa anos de vida deste Partido Comunista Português que, com legitimo orgulho, se afirma como partido da classe operária e de todos os trabalhadores e que, nas nove décadas da sua existência, provou ser, na prática e em todas as circunstâncias, a força mais combativa e consequente em defesa dos interesses dos trabalhadores e do nosso povo. O Partido que fez frente à ditadura fascista – o único que não capitulou, nem por decreto ou repressão, não cedeu, nem renunciou à luta - esteve sempre na primeira linha de combate pela implantação da democracia em Portugal, dando um contributo decisivo e inigualável para o grande movimento revolucionário que confluiu no 25 de Abril de 1974. O Partido que teve um papel determinante na construção do regime democrático, nos avanços alcançados, nas conquistas da Revolução. O único grande Partido que fez frente à ofensiva contra as conquistas de abril e tem estado na primeira linha de resistência contra a política de direita e de recuperação capitalista, na defesa e aprofundamento da democracia, da soberania e da independência nacionais, na

construção da unidade dos trabalhadores e do povo e na elevação da sua consciência social e política. O Partido que se assume, não só como força indispensável na concretização da rutura com a política de direita, mas também como a força determinante que dá garantias de concretizar uma alternativa e uma política de esquerda. Os comunistas celebram mais um aniversário do seu Partido recordando as sucessivas gerações de comunistas de todas as condições sociais que deram, todos eles, um contributo inestimável, alguns a própria vida, nas mil lutas que travámos, nas mais diversas circunstâncias, para servir o nosso povo. Comemoramos o aniversário do nosso Partido com a consciência da nossa própria razão de ser, com a convicção dos nossos ideais e objetivos, a lutar no presente, a pensar e a acreditar, com confiança e determinação, no futuro do Partido, da democracia e de Portugal. Celebramos noventa anos de vida de um grande Partido que recebe a sua força da profunda ligação aos trabalhadores e ao povo e que tem da política uma visão nobre e elevada, baseada no trabalho, na dedicação e na luta, na resolução dos problemas dos trabalhadores, do povo e do país. Este aniversário do PCP ocorre num momento muito especial. Os trabalhadores unidos pela ação da sua central sindical – a CGTP-IN – vêm para a rua, dia 19 de março, exigir direitos que o Governo PS/

José Sócrates, com o apoio da direita e do grande capital, lhes nega e rouba. Vêm exigir a liberdade de lutarem por esses direitos; exigir a justiça social que lhes é devida; exigir uma mudança de política que ponha termo ao estado de calamidade social a que a política de direita conduziu o País. Para os militantes comunistas, a sua participação ativa e intensa na preparação e na mobilização para esta jornada – contribuindo para que ela se traduza numa poderosa manifestação de massas – constitui, sem dúvida, uma forma adequadíssima de comemorar o aniversário do seu Partido. Será também esse o entendimento de muitos e muitos trabalhadores que, não sendo comunistas, reconhecem no PCP o partido com o qual podem contar

sempre, o partido dos trabalhadores, o partido que, ao longo dos seus noventa anos de vida nunca hesitou na sua postura em defesa dos interesses dos trabalhadores, do Povo e do País. O Partido de palavra que não trai os seus compromissos com os trabalhadores e com o país. Partido patriótico e internacionalista que assume a defesa da soberania e independência nacionais em todas as frentes da sua intervenção, ativamente solidário com todas as outras forças progressistas, os trabalhadores e povos de todo o mundo em luta pela sua emancipação e libertação e pelo direito inalienável de construir soberanamente o seu futuro. Ao comemorar os seus noventa anos de vida e de luta o PCP é o partido do nosso tempo, firme

no seu ideal, que não abandona os seus princípios, que assenta a sua intervenção e ação na sua ideologia – o marxismo-leninismo – permanentemente enriquecimento pelo estudo e assimilação de novas situações, novos fenómenos e processos, assumindo-o como instrumento insubstituível para a análise das realidades e guia de ação de um Partido que não deixa cair o sonho, o projeto político, a ação revolucionária e que é e quer continuar a ser Comunista Português. Com o seu incomparável percurso de 90 anos de luta o PCP, assume, neste início da segunda década do século XXI, o seu compromisso de sempre com os trabalhadores, a juventude e o povo, a luta pela liberdade, a democracia, o socialismo e o comunismo. D.R.

Serviço Nacional de Saúde, mas pouco Sónia ramos ferro Jurista

Por estes dias, a generalidade das Assembleias Municipais do Distrito de Évora votou Moções contra o corte indiscriminado no transporte de doentes não urgentes, medida que o Governo PS engendrou para poupar no Serviço Nacional de Saúde. Com efeito, o partido que se auto-intitula “o criador” deste sistema é o seu coveiro. Não tendo muito mais onde cortar, ocorreu a Sócrates esta medida que lesa os bombeiros, que investiram meios humanos e financeiros neste serviço e lesa os doentes, que se vêem privados dos cuidados médicos dos quais muitas vezes depende a sua qualidade de vida. Numa tentativa vã de defender as medidas do Governo, ouvem-se os mais insólitos e esfarrapados argumentos, como por exemplo, que a lei não estava a ser cumprida, no que respeita à rigorosa aplicação da lei na emissão de credenciais, ou então que seriam os hospitais

centrais as entidades obrigadas ao pagamento do transporte de doentes, nos casos de tratamento/consulta frequente de doentes. Ora se é entendimento de alguns que haveria excessos, deveriam ter sido denunciados e fiscalizados pelas entidades de saúde competentes. Tal nunca aconteceu e portanto, ao usar esse argumento, reconhecem a falência da inspecção de saúde. A solução não pode ser, como é bom de ver, penalizar os doentes, com mais um encargo para aceder a cuidados de saúde. Em concelhos com uma população maioritariamente idosa em que a esmagadora maioria aufere reformas que não ultrapassam os 300 euros, esta medida no corte do transporte de doentes não urgentes é absolutamente atentatória da dignidade da pessoa humana, porque lhe coarcta o acesso à saúde, que num Estado de direito como Portugal, configura um direito fundamental.

Isto é tanto mais desumano quanto todos sabemos que esta medida nada mais teve na sua origem do que uma preocupação economicista. Ao mesmo tempo que se aumenta disparatadamente o preço das vacinas e dos actos médicos, supostamente para financiar o SNS, reduz-se o número de servi-

“A solução não pode ser, como é bom de ver, penalizar os doentes, com mais um encargo para aceder a cuidados de saúde.”

ços e regalias prestados aos utentes do sistema. É mais um sinal do desnorte deste Governo que já não sabe como responder à crise. Para os portugueses de melhor memória relembro a campanha suja de Sócrates contra Passos Coelho, que ao mesmo tempo que o acusava de querer acabar com o SNS, do alto da sua congénita arrogância, auto proclamava-se o garante do SNS. Não demorou muito tempo para o próprio António Arnault vir a público dizer que já não se revia neste SNS, descaracterizado dos seus pressupostos iniciais. Ao consagrar novas regras no transporte de doentes não urgentes, sem que exista qualquer sistema alternativo, o Governou ignorou as consequências desastrosas de tal medida, demonstrando uma incomensurável irresponsabilidade ao privar centenas de utentes (do Distrito) de consultas e tratamentos médicos, dos quais depen-

de a sua saúde e bem-estar. No concelho de Montemor-oNovo a situação é gravíssima, não só porque 1/3 da população é idosa, mas pela sua extensão territorial, atendendo à dispersão das populações com grandes distâncias a percorrer, sem um sistema público de transportes minimamente eficiente, situação esta agravada pelo encerramento de postos médicos no meu concelho. Os utentes frequentes do transporte de doentes são a população maioritariamente envelhecida ou doentes crónicos, em suma, pessoas que têm gastos elevados com despesas de saúde e parcos recursos económicos e a quem o Governo Socialista onera de forma vil, irresponsável, desigual, demonstrando, assim, uma profunda insensibilidade social. Nenhum outro Governo na História da nossa recente democracia se atreveu a tanto.


5 Política PS

Capoulas quer ”consenso“ para avançar com as regiões Arquivo | Registo

Luís Maneta | Registo Capoulas Santos nega qualquer “recuo” do PS em matéria de regionalização. Na moção da recandidatura de José Sócrates à liderança do partido não há referências à realização de um referendo sobre a criação das regiões administrativas. Mas Capoulas, vice-presidente da Comissão Política do PS e director de campanha de Sócrates, nega qualquer recuo: “Avançar de forma imprudente e não consensualizada é condenar definitivamente” o processo de regionalização. Para o presidente da Federação Distrital de Évora do PS, nenhum partido tem “por si só” condições para impor a criação das regiões administrativas. Logo, tal como tem repetido, importa gerar um “entendimento pluripartidário” para concretizar uma “reforma profunda” na administração do Estado. Uma reforma que seja o mais “consensualizada” possível. E que possa ser feita com custos “abaixo de PUB

Capoulas Santos nega recuo do PS na regionalização zero”, ou seja, sem que represente mais encargos a nível da despesa pública. Capoulas “devolve” ao PSD – Pedro Passos Coelho já disse ter “simpatia” pela regionalização mas considera-a um risco “demasiado elevado” para enfrentar em tempo de crise – a responsabilidade pelo não avanço do

processo. E garante que “basta” uma palavra do principal partido da oposição para a “disponibilidade” do PS se materializar em propostas concretas. Entre os dirigentes socialistas, a convicção é que os social-democratas têm “pouca vontade” para concretizar a divisão do país em regiões. “O facto é que,

neste momento, as circunstâncias económicas e políticas - em boa parte dada a recusa do PSD em avançar efectivamente para a regionalização - não favorecem, de todo, este movimento. Ignorá-lo seria um sinal de falta de lucidez, que poderia conduzir à definitiva derrota da ideia da regionalização”, refere a moção que José Sócrates levará ao congresso. E que conclui: “Não estão reunidas as condições para a realização do referendo sobre a regionalização nesta legislatura”. Em Dezembro do ano passado, os presidentes das federações socialistas de Évora, Portalegre, Porto, Algarve e Setúbal subscreveram a chamada “Declaração de Évora” onde apontam a criação das regiões administrativas como “um dos instrumentos principais para superar a crise”. Destas cinco federações, duas Porto e Algarve - já anunciaram a apresentação de moções no Congresso em que consideram “urgente” a reforma administrativa do Estado.

Alandroal

Câmara pede indemnização A Câmara de Alandroal exige ao antigo presidente uma indemnização de 780 mil euros por danos patrimoniais e morais. João Nabais (PS) diz-se de “consciência tranquila” e aguarda que a justiça “funcione”. Fonte da autarquia avança que o pedido de indemnização civil por danos patrimoniais ascende a 766 mil euros e foi deduzido no âmbito de dois processos em que Nabais é arguido e que se encontram em fase de instrução. Em causa estão, designadamente, “despesas e gastos injustificados relacionados com as viagens e demais custos efectuados às custas do município”. Por sua vez, João Nabais acusa o actual presidente de “atirar pedras aos outros quando tem telhados de vidro” e de estar a “politizar um processo que está a decorrer normalmente nos tribunais”. O actual presidente, João Grilo, limita-se a confirmar que tanto a Câmara como a Assembleia Municipal já foram informadas sobre o pedido de indemnização.


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03 Março ‘11

Entrevista

Armando Sevinate Pinto, consultor do Presidente da República para assuntos agrícolas e mundo rural

”Não vejo nenhum inconveniente na criação de um banco de terras“ Pedro Gama | Registo Qual deve ser o papel da agricultura para a redução do nosso défice comercial externo? Considero que é bastante importante na medida que nós importamos, em produtos alimentares, 6,2 mil milhões de euros aproximadamente, segundo os números de 2010, e exportamos 3,2 mil milhões de euros. Grosso modo, temos um défice de 3 mil milhões de euros. E o défice, global, nacional, é na ordem dos 20 mil milhões de euros. Dá para

ver que a agricultura tem aqui um peso significativo. Temos condições para exportar mais? Do meu ponto de vista temos muitas condições para exportar mais e muitas condições para importar menos. Acredito que com uma política acertada em relação aos nossos objectivos, conseguiremos fazer diminuir o número das importações e aumentar o das exportações. Todos os euros produzidos em agricultura ou são para substituição de importações ou são para ex-

portar. Não há outra maneira. Nessas circunstâncias a agricultura está, particularmente, bem colocada para contribuir para a redução do défice. Não quer dizer que resolva o problema mas pode dar uma excelente contribuição nesse sentido. Então como é que explica o aumento do abandono das áreas de cultivo? A nossa agricultura tem vindo a perder fôlego e a perder ânimo, embora tenhamos tendência para pegar mais nos aspectos negativos e perdermos, muitas

vezes, os bons exemplos. E, de facto, há uma ideia da agricultura pior do que aquilo que ela é. A agricultura também se modernizou, também melhorou a sua produtividade, mas há muitas questões a resolver. E é preciso notar que as nossas condições também não são fantásticas para a agricultura. O geógrafo Orlando Ribeiro costumava dizer que Portugal tem terra onde não tem clima e tem clima onde não tem terra. Temos, de facto, muitas limitações mas acho que há razões para se acreditar que Portugal pode produzir mais e

pode produzir melhor em todo o território. Mesmo assim há muitas áreas de cultivo deixadas ao abandono. Não há tantos terrenos ao abandono como se julga … há rotações agrícolas, há áreas de pastagem. Nós temos uma visão muito urbana do território. Essa visão urbana, que às vezes é servida por números e conceitos um bocadinho complicados, dá-nos sempre uma visão mais negativa do que aquilo que ela é, na realidade.


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Pedro Gama | Registo

“As pessoas não podem ter, como se diz em agricultura, sol na eira e chuva no nabal. É impossível aumentar a área média sem reduzir o número de agricultores”.

e o número de agricultores. As pessoas não podem ter, como se diz em agricultura, sol na eira e chuva no nabal. É impossível aumentar a área média sem reduzir o número de agricultores. Agora, o que é que acontece a esses agricultores? Se a economia funcionar e deixarem de ter uma actividade de miséria, de remuneração difícil e trabalho excessivo, e forem para outras actividades e se essas explorações forem aumentar as do vizinho para se tornarem mais viáveis, tudo bem. Não tenho nada contra isso. Também tem ouvido queixas dos jovens agricultores com dificuldade no acesso à terra? Em algumas zonas sim. O agricultor tipo é um homem de uma certa idade. Cerca de 48% dos agricultores têm mais de 65 anos, com um apego à terra muito grande e que não a vende nem aluga. O arrendamento, através de um banco de terras poderia ser uma solução? O banco de terras seria uma intervenção do Estado para ter disponibilidade de terras. No fundo é o Estado constituir-se como intermediário entre os proprietários e agricultores, e também gerindo as terras do próprio Estado. Não acho nada mal que isso possa acontecer. Para os proprietários não vejo nenhum inconveniente na criação de um banco de terras. As pessoas não podem é pensar que isso é a solução e que tudo fica resolvido.

Quer exemplificar? Por exemplo, se eu fizer uma rotação em que faço uma cultura arável anual e depois deixo a terra como um prado natural, se calhar as pessoas até dirão que está abandonada. O que referiu têm a ver com estatísticas. E isso é verdade. É verdade que, há 20 anos atrás, as pessoas viviam em situações limite ao ponto de fazerem uma agricultura de miséria. Essas pessoas já não estão para isso, os agricultores não podem perder dinheiro. Aí é que está a questão. Temos de viabilizar muitas culturas que não são economicamente competitivas. É para isso que servem as políticas agrícolas. Temos também cada vez menos agricultores. Uma das limitações é a área média das explorações agrícolas em Portugal. Não há nenhuma solução possível para aumentar a área média que não seja reduzir o número de explorações

“O banco de terras seria uma intervenção do Estado para ter disponibilidade de terras. No fundo é o Estado constituir-se como intermediário entre os proprietários e os agricultores, e também gerindo as terras do próprio Estado”.

Pelo menos ajuda à renovação agrícola. Mas é mais importante que os jovens agricultores se instalem e fixem criando condições de viabilidade do que instalar de todas as maneiras e depois, no dia seguinte, estarem aflitos porque não têm acompanhamento técnico ou porque não têm viabilidade. Como proprietário de milhares de hectares, muitos deles não produtivos, o Estado deveria dar o exemplo? Nisso há um consenso generalizado. É verdade que há muitos exemplos que não são bons em terras tuteladas pelo Ministério da Agricultura mas também há terras que são do Ministério da Agricultura e que são objecto de investigações importantes. Há algumas áreas em que, por exemplo, a Universidade de Évora, tem feito trabalhos desde há vários anos e de repente entregam-se as terras a uma empresa pública que depois as vende. Portanto, é um assunto polémico, interessante, vale a pena ser equacionado mas a minha resposta à sua pergunta é, concerteza que sim, não tenho dúvidas de que o Estado deve dar o exemplo.

48%

NÚmero

<Cerca de 48% dos agricultores portugueses tem mais de 65 anos de idade, o que torna este sector económico num dos mais envelhecidos do país. É-se jovem agricultor até aos 45 anos.>

O Armando Sevinate Pinto já foi ministro da Agricultura, está agora a desempenhar outras funções na Presidência da República. Mas dessa experiência que teve no Governo, acha que o peso dos titulares da Agricultura deveria ser maior no Conselho de Ministros? A pergunta é engraçada. Não percebo porque é que o peso dos ministros da Agricultura não é igual aos outros. Não há nenhuma diferença. Pode haver é maior sinceridade dos governos em relação ao sector. É indispensável criar-se no país credibilidade para a Agricultura. Eu adorava que os portugueses se orgulhassem da sua Agricultura e que os agricultores se orgulhassem de ser agricultores. Tenho esperanças que o futuro seja mais risonho, do que no presente e passado. Só que as políticas agrícolas nem sempre estão no primeiro plano das opções governativas. É mais importante que os governos sejam sinceros em relação à agricultura. Se sucessivamente os orçamentos para Agricultura forem cortados, sem condições nenhumas para poderem contribuir para alavancar os subsídios comunitários, nesse caso é o Governo que dá pouca atenção ao sector. Não vejo isso em termos do peso relativo de cada ministério. Fala-se muito em Portugal do peso político. Os governos é que têm, globalmente, e ter sensibilidade, ou não [nas várias áreas de actuação]. E tem existido sensibilidade dos governos para as questões agrícolas? O que eu considero muito grave para Agricultura portuguesa é a existência de políticas erráticas. De dois em dois anos muda a política nacional, até porque muda a politica europeia, e depois discute-se outra vez. A descontinuidade é o pior que pode haver, porque um investimento agrícola demora 4 ou 5 anos a produzir os primeiros frutos. Se, entretanto mudou o Governo por duas vezes, mudou a orientação, a estratégia e o contexto europeu, é uma salsada. O ciclo biológico da agricultura, é um ciclo longo. Se mudar a orientação política, às tantas, as pessoas desorientam-se. E essa incerteza ... Essa incerteza dos agricultores, orientados por um aparelho pesado, é um dos elementos por detrás dos problemas. Por isso é que os governos não se podem desinteressar da agricultura. Seria desejável um acordo entre partidos em matéria de política agrícola? É consensual que nós deveríamos produzir mais e melhor. Nos objectivos, as ideologias têm-se amortecido. Depois temos a estratégia. Por causa destas crises alimentares, que se vão repetir, o mundo dá hoje mais importância à Agricultura.

Alqueva tem de ser competitivo Como é que vê o futuro do empreendimento de Alqueva? Não se pode fazer um empreendimento como o Alqueva sem lhe associar uma componente de experimentação e demonstração, entre outras, e isso nunca foi feito. Esperava maior adesão dos agricultores ao regadio? Eu não concordo que os agricultores não estejam a aderir. O Alqueva tem uma parte que ainda não existe, vai crescendo, todos os anos. O que existe é um desfasamento, natural, entre ter água, por vezes em Junho quando já não é necessária, e a verdadeira necessidade dos agricultores. A disponibilidade da água para um agricultor e a montagem de um aparelho produtivo que reoriente a produção é que não tem acontecido. Dai falar de desfasamento. Isto não muda de um dia para o outro, mas não concordo com essa ideia de que o Alqueva está abandonado. O preço da água em Alqueva terá de ser subsidiado? O preço da água tem de ser acompanhado em função da viabilização das explorações. O Alqueva é um empreendimento de fins múltiplos, a água deve de ser paga por receitas de muitas origens e tem de ser equacionado com muito equilíbrio. Não pode ser pelo preço da água que as culturas de regadio, em Portugal, podem ser inviabilizadas, em comparação com outros países onde a água não é paga ou é paga a preços muito diferentes. Têm então de ser ponderados outros factores? Mais do que o preço da água no perímetro de rega de Alqueva, estou preocupado é com a existência de muitas origens e muitas disparidades nos custos. Nós estamos num clima mediterrânico e precisamos de água. Em condição de competitividade pode dizer-se, com 100% de certeza, que é preciso regadio para se ser competitivo na agricultura moderna. E nessas condições o preço da água pode ser [um factor] sensível. Quem deve assumir a gestão da água em Alqueva? A EDIA ou os agricultores? Conheço a polémica mas não gostaria, sem que o pó assentasse, de me pronunciar sobre esse assunto. É uma questão sobre a qual terei de ter uma opinião muito brevemente.


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Regional Évora

Encontro reúne cidades A Rede Mecine vai estar reunida em Évora entre os dias 16 e 19 de Março, no âmbito do projecto UniverCity. Esta reunião, que decorrerá na Universidade de Évora (Colégio Luis Verney) terá como tema central o papel das universidades no desenvolvimento regional, visando a troca de experiências entre as cidades de média dimensão da Europa. Durante o primeiro dia de trabalhos, os representantes das cidades participantes irão analisar a “Cooperação e o Empreendorismo com vista ao Desenvolvimento Sustentado”. Em debate estarão ainda temas como a inovação e as formas de atrair trabalhadores qualificados para as cidades. Esta rede foi criada em 1994 congregando cidades de média dimensão da Europa (entre 50 a 200 mil habitantes). É actualmente composta pelas cidades de Évora, Joensuu (Finlândia), Linköping (Suécia), Ravenna (Italia), Roskilde (Dinamarca), Speyer (Alemanha), Tönsberg (Noruega) e Delft (Holanda). PUB

Escola Secundária Gabriel Pereira

Artes visuais geram polémica D.R.

Luís Maneta | Registo O deputado comunista João Oliveira questionou o Ministério da Educação sobre o funcionamento de uma turma alegadamente com 41 alunos na Escola Secundária Gabriel Pereira (ESGP), em Évora. Mas o director do estabelecimento de ensino, Ananias Quintano, ouvido pelo Registo, diz que essa informação “não é verdadeira”. “Não temos nenhuma turma com esse número, até porque as nossas salas não comportam mais do que 28 alunos”, refere Ananias Quintano. Segundo o director da ESGP, em causa poderá estar uma “confusão” com o funcionamento das disciplinas de História da Artes Visuais e Geometria Descrita onde se encontram inscritos 36 alunos. “Mas essas disciplinas são leccionadas por dois professores em salas separadas, com 18 alunos em cada lado”. As dúvidas do deputado do PCP foram expressas na forma de uma pergunta entregue no Parlamento e dirigida ao Ministério da Educação, na qual acusa os sucessivos governos liderados pelo PS e pelo PSD de terem levado a cabo um “profundo de-

Director da escola nega existência de turma com 41 alunos sinvestimento” nas “condições materiais, humanas e pedagógicas da escola pública”. No caso da ESGP, recentemente objecto de requalificação, é também questionado o recurso à subcontratação de uma empresa externa para garantir a limpeza. “O PCP entende como muito

“As nossas salas não comportam mais do que 28 alunos”, refere Ananias Quintano.

grave este caminho no sentido de aprofundar a privatização de serviços fundamentais para a escola, degradando a qualidade da escola pública, destruindo postos de trabalho na Administração Pública e entregando ao negócio privado aquilo que deve ser responsabilidade do Estado”, diz João Oliveira, manifestando ainda “preocupação” pela “natureza e gestão empresarial” da Parque Escolar, responsável pelo programa de modernização da rede pública de escolas secundárias. Ao Registo, Ananias Quintano confirma a contratação de uma empresa privada para assegurar os serviços de limpeza mas refere que a decisão “transcende” a escola, tendo sido tomada pelo Ministério da Educação. “É uma questão que se prende com as opções políticas da tutela. É verdade que temos menos funcionários e que, por isso, não temos capacidade para limpar uma escola deste tamanho”. O director da ESGP não esconde, no entanto, a sua insatisfação pela qualidade do serviço prestado: “Chegou a haver acumulação de lixo. Agora a situação está melhor mas não estamos inteiramente satisfeitos”.


9 Regional Roubo de armas em Badajoz

Évora

GNR reforça patrulhamento na zona de fronteira D.R.

Redacção | Registo A vigilância foi reforçada na fronteira entre Portugal e Espanha mas as autoridades não afastam a possibilidade de um grupo organizado se ter refugiado no interior alentejano depois de ter conseguido assaltar, durante a madrugada de segundafeira, a Base Militar General Menacho de Bótoa, em Badajoz. Os assaltantes colocaram-se em fuga com 10 pistolas e 20 espingardas HK G36, uma arma de guerra com capacidade para disparar mais de 600 munições por minuto. O roubo ocorreu entre as 22h30 de domingo e a 00h30 (hora espanhola) de ontem, suspeitando-se que os assaltantes tenham fugido para Portugal. “Todo o dispositivo foi alertado ainda durante a madrugada pelo comando geral da Guarda, tendo sido reforçado o patrulhamento na zona de fronteira”, confirma fonte da GNR. A atenção das autoridades recai sobre um “automóvel de cor azul” relativamente ao qual se desconhecem outros pormenores, designadamente se a matrícula é portuguesa ou espanhola. Fonte da Guarda Civil revelou que o alarme da base General Menacho de Bótoa disparou pelo menos duas vezes. Da primeira vez, um alarme exterior fez “accionar” uma patrulha que não detectou nenhum movimento estranho junto ao recinto. Duas horas depois, voltava a soar um alarme, desta vez junto depósito de armas. Quando os militares lá chegaram não encontram ninguém, apesar de a porta ter sido forçada e faltarem 30 armas, incluindo 20 espingardas de assalto HK, utilizadas pelas forças

Universidade desenvolve estratégia

O triplo sistema de segurança que rodeia a base militar foi insuficiente para deter o grupo de assaltantes. armadas e pelas unidades de elite da Guarda Civil e da Polícia espanhola. O complexo militar encontrase protegido por sensores de movimento, câmaras de videovigilância e uma dupla vedação. Um triplo sistema de segurança que se revelou insuficiente para deter os assaltantes, em número indeterminado, cujo acesso ao interior do recinto terá sido feito através do campo de manobras, eventualmente com a colaboração de um cúmplice que trabalha na própria base militar. “É claro que tinham informação de alguém de dentro. Num recinto gigantesco como este, nenhum ladrão vai direito até ao armeiro”, refere fonte da in-

vestigação citada pelos meios de comunicação social espanhóis. Para consumar o assalto, o “grupo criminoso bem organiNÚmero

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<Além de 10 pistolas, os assaltantes colocaram-se em fuga com 20 espingardas HK, uma arma de guerra utilizada pelas forças de elite espanholas.>

zado” – conforme é descrito pela delegação do governo em Badajoz – terá utilizado um veículo todo-o-terreno pertencente ao quartel para se mover no interior da base e proceder ao transporte das armas. Consumado o assalto, colocou-se em fuga. Foi a segunda vez que um incidente do género se registou nesta base militar, onde se encontra aquartelada a Brigada de Infantaria Mecanizada da Extremadura. No dia 1 de Abril de 2008, diversos indivíduos tentaram roubar a caixa forte da instituição bancária que funciona no interior do recinto militar. O assalto foi abortado mas, também dessa vez, a fuga foi bem sucedida.

Justiça

Ex-comandante da BT conhece sentença a 17 de Março

O Tribunal Judicial de Beja agendou para o próximo dia 17 de Março a leitura da sentença do antigo comandante da Brigada de Trânsito (BT) da GNR de Beja, tenente-coronel João Bruno, que está a ser julgado devido ao perdão de uma multa. Durante as alegações finais, realizada segunda-feira, ao advogado de defesa voltou a pedir a absolvição do arguido. O julgamento iniciou-se em finais de Janeiro, remontando os factos a Junho de 2004 quando João Bruno anulou um auto

A Universidade de Évora tem em curso, pela primeira vez, a elaboração de um Plano Estratégico para um horizonte temporal de dez anos. A escolha de 2020 como meta de referência, tem como preocupação estabelecer um período de tempo suficientemente dilatado que permita lançar na Universidade de Évora as bases para um planeamento estratégico de longo prazo”. “O processo de planeamento que já teve início será conduzido de forma a mobilizar toda a Universidade para este muito importante momento de participação e mobilização institucional”, diz fonte da academia.

com uma coima de 300 euros passado quando a carrinha de uma empresa de construção se encontrava a ocupar a via pública para proceder à instalação de postes de electricidade, na Estrada Nacional 258, entre Vidigueira e Moura. “Entendi que o auto estava mal aplicado à lei e enviei a anulação para o Gabinete de Estudos da Guarda que a devolveu. Foi passado um novo auto e enviado para a Direcção-Geral de Viação”, justificou o ex-comandante quando depôs em tribunal.

Na altura foi também ouvido o militar que procedeu à elaboração do auto, que não terá chegado a ser pago, e que garantiu que recebeu uma chamada telefónica do ex-comandante ainda os papéis da multa “não estavam” totalmente preenchidos: O telefonema surgiu 15 a 20 minutos depois de começar a passar o auto. Depois disso nunca mais ninguém me falou sobre o assunto, nem sequer pela questão do erro técnico”. O oficial, agora na reserva, está acusado pelos crimes de denega-

ção de justiça e prevaricação. Segundo o advogado de defesa, Rui Bandeira, a actuação do arguido inseriu-se no seu âmbito de competências. “Todos os anos são anulados 9 mil autos por deficiências várias”, diz o advogado, considerando que “corrigir a falha ou erro em benefício do cidadão” é “dever” dos comandantes da Guarda: “Se considerarem que os comandantes não fazem falta, acabem com eles pois é uma boa forma de o Estado poupar dinheiro”.

Isolamento preocupa bispo de Beja O bispo de Beja, D. António Vitalino, comentou os casos de pessoas que morreram nos seus apartamentos ou “desapareceram de cena sem ninguém dar por isso”, alertando para a “solidão e o isolamento” de muitas pessoas. “As pessoas perderam a sua capacidade de relação, de escuta, de diálogo, de proximidade com o seu semelhante, para se tornarem números, peças facilmente substituíveis por outras na engrenagem social e política”, assinala o bispo numa nota enviada à agência Ecclesia. Segundo o prelado “está a surgir uma nova cultura nos países desenvolvidos economicamente”, que fez das pessoas “utentes anónimos, escravas de serviços e funcionários burocrático. Esta situação não tem futuro”, alerta. Num apelo direccionado às comunidades católicas, D. António Vitalino pede uma aposta na “proximidade”: “Precisamos todos de nos converter à proximidade, ou melhor, fazer-nos próximos dos nossos semelhantes, o que implica olhá-lo de igual para igual, olhos nos olhos, sentir as suas alegrias, tristezas e esperanças, conhecer as suas causas profundas, escutá-lo, responder às suas questões ou pelo menos acolhê-las”.


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Regional D.R.

13 Um olhar antropológico As sociedades e os seus estados – 2: os “estados mafiosos” José Rodrigues dos Santos* Antropólogo

A patologia das relações entre os estados democráticos e as sociedades distribuise entre dois tipos extremos: os estados “mafiosos” e os estados de “maiorias egoístas”. Note-se que me refiro apenas a sociedades democráticas, com pluralismo partidário, eleições livres, etc. Nas sociedades do primeiro tipo, os estados são colonizados por grupos sociais detentores de interesses particulares, que infiltram o aparelho de estado e instrumentalizam o poder para desviar, de modo directo (é o atributo essencial), os recursos públicos para o seu benefício próprio. No segundo tipo, “maioria egoísta”, a democracia funciona decerto melhor, e os interesses particulares servem-se do estado e dos recursos públicos de maneira indirecta, graças ao processo eleitoral. O paradoxo é que quanto melhor funcionar o processo democrático, mais o “egoísmo” é eficaz, como veremos. Os estados que digo “mafiosos” (mesmo que os grupos particulares que infiltram e instrumentalizam de modo directo o estado não sejam associações de crime organizado), absorvem uma parte importante dos recursos da sociedade e canalizam-no para grupos particulares através de processos que podem ser delituosos (corrupção, favorecimento ilícito, etc.) ou legais: criação de “organismos” alimentados com fundos públicos, que escapam ao controlo público. As solidariedades criadas no seio de uma “elite” (“Nobreza de Estado” no Ocidente, nos termos de Bourdieu) reforçam redes de interesses, com favores recíprocos (remunerações directas, favorecimento dos membros da rede alargada). Sendo estes estados democracias, os processos eleitorais permitem uma certa alternância entre partidos, no “centro” do xadrez político, com alguma rotação do pessoal que controla a afectação e o desvio dos recursos para interesses particulares, ao incluir no circuito, além dos cargos públicos, uma rede de altos cargos privados. É claro que a ausência de democracia favorece a instalação de sistemas mafiosos (Rússia, ditaduras da Ásia central e da África do Norte, etc.). Mas o ponto que sublinho é que a democracia por si só não garante a imunidade contra a instalação de máfias, antes as torna mais difíceis de identificar. Casos interessantes são por exemplo a Itália de Berlusconi, a Grécia e Portugal.

CIDEHUS - Universidade de Évora e Academia Militar jsantos@uevora.pt

Ministério da Educação confirma que o encerramento de escolas com poucos alunos vai continuar no próximo ano lectivo

Educação

Governo vai encerrar mais escolas O Governo tenciona encerrar 400 escolas do primeiro ciclo do ensino básico com menos de 20 alunos, no âmbito do plano de reorganização da rede escolar. Em risco de fechar estão diversos estabelecimentos de ensino na área da Direcção Regional de Educação do Alentejo cujo encerramento foi “protelado” este ano lectivo depois de forte contestação por parte das autarquias. São os casos, por exemplo, das escolas de Sabugueiro (Arraiolos) e Boa Fé (Évora). É uma medida que “faz parte das cartas educativas celebradas com as autarquias locais e validades pelas respectivas direcções regionais de educação”, confirma o secretário de Estado da Administração Local. José Junqueira realça que estão ser construídos 600 centros escolares e renovadas 30 escolas secundárias em todo o país, com “resultados positivos” na educação e na economia: “Para isso é necessário aplicar as cartas educativas que existem actualmente”. A medida está ainda a ser discutida entre o Governo e os municípios. Mas os agrupamentos de escolas já receberam ordens para não aceitarem novas matrículas e informarem os pais que devem esperar pela entrada em funcionamento da plata-

forma que vai centralizar o processo. O Ministério da Educação não confirma o número total de escolas que irão fechar portas. Para o coordenador do ensino básico da Federação Nacional de Professores (FNE), Francisco Almeida, este novo encerramento de escolas traduzir-se-á no “fechar” de muitas aldeias do interior do país: “Pode parecer poucos alunos, mas uma aldeia que tem hoje 20 crianças no primeiro ciclo, nalgumas regiões é uma aldeia já de uma dimensão ra-

FEA concede bolsa A Fundação Eugénio de Almeida abriu o prazo de apresentação de candidaturas à bolsa de investigação sobre o Convento de Santa Maria Scala Coeli, em Évora. No valor de 5 mil euros, a Bolsa destina-se a cidadãos nacionais e estrangeiros que pretendam realizar um trabalho de investigação sobre a Cartuxa de Évora em qualquer das suas dimensões – espiritual, histórica, artística, arquitectónica ou outras. O prazo para apresentação de candidaturas termina no próximo dia 31 de Março.

zoável”. “Há um princípio genérico que vale no encerramento para escolas com menos de dez alunos ou com menos de 20, o de que nenhuma escola encerrará sem o município estar de acordo”, lembra o presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), Fernando Ruas. Numa reunião com a FENPROF, o Ministério da Educação confirmou que se mantém a intenção de criar novos mega-agrupamentos apesar de não existir um estudo de impacto em relação aos já criados. “Isto é preocupante porque, como se sabe, os movimentos de rede foram 84 e permitiram reduzir cinco mil docentes do sistema”, diz Mário Nogueira, secretário-geral da FENPROF. “Havia 1.100 escolas [no ano lectivo de 2009/2010], destas encerraram 700. Podem não ter sobrado exactamente 400 porque algumas podem, entretanto, ter ultrapassado ou reduzido [o número de alunos], mas as referências estão aí e a intenção de continuar a encerrar está presente”. Segundo Mário Nogueira, os novos centros educativos “levam também à eliminação de horários de trabalho” em resultado de uma maior concentração de alunos.

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11 Regional Segurança rodoviária

Kart permite simular condução sob o efeito do álcool D.R.

Pedro Gama | Registo A sinistralidade rodoviária tem vindo a diminuir desde 2004. Mas a diminuição é “ténue”. A certeza é-nos dada por Adérito Araújo, presidente da GARE – Associação para a Promoção de uma Cultura de Segurança Rodoviária. Seja pela intervenção da GARE, seja por um conjunto de acções desenvolvidas por diversas entidades, a nível local e nacional, os números são hoje menos dramáticos do que no inicio do novo século. Mas ainda há muito a fazer e a sinistralidade continua a fazer centenas de vítimas, todos os anos. Por isso, desde que foi criada, em 2005, a GARE tem aposta em iniciativas para sensibilizar os mais jovens para a necessidade de fazer uma condução responsável e, acima de tudo, sem álcool. A mais recente destas iniciativas está assente sobre quatro rodas e dá pelo nome de Alcokart. Como o nome indica trata-se de um kart, preparado para oferecer uma experiência simulada de embriaguez ao volante. O projecto foi apresentado em Redondo e está disponível para percorrer todo o país. Assim haja verbas e, também, solicitação das entidades e organismos que trabalham na área da segurança rodoviária. O kart tem dois modos diferentes. O primeiro oferece ao condu-

O presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, Paulo Marques, testa o alcokart da GARE, o único existente no país. tor alguns minutos em redor de uma pista de cones identificadores, sem qualquer tipo de percalço. Na segunda volta, o equipamento será preparado para atrasar os movimentos de resposta algumas fracções de segundos. U m

exemplo: o condutor roda o volante para virar à direita mas o kart só irá de facto virar 2 ou 3 metros à frente. Parece pouco. Mas na estrada é uma diferença que pode significar a vida ou a morte para os ocupantes de um automóvel. A ideia é concretizar na prática uma experiência idêntica à condução sob o efeito do álcool. Na Europa existem apenas três Alcokarts. Um deles está na GARE, tendo sido adquirido com a ajuda da Fundação EDP num projecto seleccionado entre 400 concorrentes. Adérito Araujo revela que os jovens representam cerca de um terço das vítimas de sinistralidade rodoviária. “A causa [dos acidentes], maioritariamente, é o excesso de álcool”. Por isso é este o público-alvo mais importante destas acções de sensibilização, seja em escolas ou universidades. Nascida na sequência de uma tragédia rodoviária que ceifou a vida a um grupo de jovens, próximo de Montargil, GARE tem vindo a crescer m a ntendo relações estreitas com mais 12 instituições de Évora, de

várias áreas, numa plataforma que tem o nome de “Risca o Risco”. A união existe no sentido de criar acções conjuntas para chegar aos jovens em áreas consideradas de risco. A associação está igualmente envolvida num conjunto de projectos com outras associações europeias e realiza anualmente a Noite Europeia sem Acidentes e o Dia em Memória das Vítimas na Estrada. “Vamos iniciar um novo projecto no âmbito do Alentejo em que

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<Nas estradas do Alentejo

morreram o ano passado 62 pessoas, menos uma do que em 2009. Em Évora o número de mortes baixou de 28 para 17.>

vamos, em conjunto com professores e estruturas do sector da Educação, formar jovens promotores de saúde. Vamos pegar em voluntários, fazer um curso de 18 horas e fazer com que os jovens participem activamente na dinamização de actividades de segurança”. Ana Rita Lavado, também da GARE, conta-nos ainda que, em breve, vai realizar-se uma acção com os jovens nas universidades no âmbito do Fórum Europeu da Juventude para Segurança Rodoviária. “O Fórum criou todo o material de divulgação e formação e este projecto é apoiado pela Comissão Europeia. Neste momento estamos a articular com a Universidade de Évora a realização da acção. Em Maio iremos estar, de novo, em Berlim, para a quarta edição deste fórum onde iremos apresentar os resultados da campanha”. Valorizando cada vez mais as parcerias, a GARE acredita que há várias mensagens que se devem passar aos jovens e podem ser passadas em uníssono por diversas associações, desde a sinistralidade ao alcoolismo, passando pela sexualidade ou pelo consumo de drogas. O trabalho está no terreno e a ideia é aprofundá-lo. É o que a GARE e Adérito Araújo desejam para o futuro, esperando que a sinistralidade nas estradas possa vir a reduzirse de forma mais acentuada.


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Actual Évora

Brincas reavivam Carnaval Gupos da Casa do Povo dos Canaviais e do Rancho Folclórico “Flor do Alto Alentejo” mantém viva a tradição do Carnaval de Évora.

Redacção | Registo O fulgor está longe de ser o de outros tempos. Mas nem por isso as tradicionais “brincas” vão deixar de voltar a animar o Carnaval de Évora, desta vez a cargo dos grupos da Casa do Povo dos Canaviais e do Rancho Folclórico “Flor do Alto Alentejo”. As “brincas” são grupos de pessoas, originalmente constituídas apenas por homens e/ ou rapazes, que se organizam anualmente para a construção e execução de uma dramatização popular (história musicada e coreografada) durante o período de Carnaval em número que varia entre 15 e 20 elementos. A maior parte dos estudiosos aponta a sua origem para o séc. VIII, embora se admita a possibilidade de terem surgido muito antes, dada a semelhança (em termos de linguagem, burlesco, etc.) com as farsas de Gil Vicente. O “fundamento”, ou enredo da representação, é constituído por décimas ou versos rimados e conta uma história sobre variados temas (fundação da nacionalidade, conquista de Évora aos mouros por Giraldo Sem Pavor, ou temas sociais da época) e era escrita por poetas populares locais. “No sentido de se continuar a transmitir aos vindouros as raízes de um património cultural cheio de sabedoria e conhecimento populares, esta remota tradição das brincas de Évora integra-se na categoria do teatro feito ao ar livre, esse singelo e humilde espectáculo de rua (semelhante ao trabalho dos saltimbancos, dos fantocheiros, das troupes, dos circos ambulantes pobres, hoje praticamente ine-

xistentes), que fazia, por vilas, aldeias e lugarejos – e mesmo nas ruas das grandes cidades, particularmente nas periferias – a delícia e o deslumbramento de quem a ele assistia”, refere a jornalista e escritora Soledade Martinho Costa. “Daí, que a tradição das brincas (que chegaram a ser proibidas) se entenda e aceite como a festa do povo ou a festa da praça pública, tanto no que respeita a quem a realiza como a quem se torna seu destinatário, numa espécie de partilha entre aquele que oferece e aquele que recebe, neste caso as populações que aderem, participam e brincam, fazendo valer a confraternização, a cumplicidade e o riso”. Numa brinca existem dois intervenientes que se distinguem: o palhaço e o mestre. O palhaço serve de ponto e tem uma função desorganizadora da ordem dramática. É um provocador de situações absurdas, irracionais e cómicas, o grande elo de ligação entre o círculo onde decorre a representação e o público. O mestre é a autoridade reconhecida pelos outros e, ao som de um apito, manda a música, orienta a brinca, explica, apresenta e agradece ao dono do lugar. Além do palhaço e do mestre, os grupos integram tradicionalmente o “bandeira”, cuja função essencial é transportar a bandeira em torno da qual ocorre a actuação do grupo, e o acordeonista. Os outros elementos, em número variável, desempenham os diversos papeis previstos no fundamento. As brincas eram representadas nas zonas rurais de Évora, nomeadamente nas quintas dos Após-

tolos, do Ourives, do Chéu-Chéu, dos Meninos Órfãos, da Rafaela, das Pimentas, das Torcidas e no lugar da Machoca. Num período posterior representaram-se nos Canaviais, na Barraca de Pau, em Santo Antonico ou nos Bairros de Almeirim, Santo António, Frei Aleixo, e Santa Maria. “A estreia das brincas, a respeitar a praxe, ocorre no seu lugar de origem: a localidade a que pertence o grupo durante o baile de sábado de Carnaval. Na Quarta-feira de Cinzas, no tradicional enterro do Entrudo, dão-se por terminadas, para voltarem no Carnaval do ano seguinte”, assinala Soledade Martinho Costa, recordando que antigamente, só os homens tomavam parte no ritual. “Desde o Carnaval de 1997 as mulheres começaram também a participar. São pioneiras as mulheres dos bairros de Santo António e de Nossa Senhora de Tourega (Valverde)”. De acordo com Rui Arimateia

(“As Brincas - Manifestações Carnavalescas”, O Giraldo, 1987), trata-se de “uma forma muito rica e complexa de Cultura Popular, com as manifestações artísticas dos seus componentes: poetas, instrumentistas, encenadores, coreógrafos, artistas plásticos de cariz popular. Muitas vezes criando, eles próprios, os versos do “fundamento” e as músicas executadas”. “A Brinca abala de facto as estruturas sociais mais sólidas: a família, a autoridade, a Igreja, o poder instituído, a moralidade e os bons costumes”. “Em tempo de Carnaval todos teriam, simultaneamente, de se constituir enquanto autores, actores e espectadores das brincadeiras das trupes (no nosso caso concreto das brincas) e demais grupos errantes. A censura não existia. A participação era total e sincera, o riso era o advogado de acusação no julgamento da Autoridade, da Moral e da Lei

oficiais, reguladoras da vida social, nos restantes períodos do Calendário”, acrescenta. A perseguição política, antes do 25 de Abril, torna-se então inevitável. Na década de 40, por exemplo, o Grupo de Santo Antonico, formado à base de elementos deste bairro e da Barraca de Pau, foi parar à prisão. Isto porque o fundamento fazia alusão à II Guerra Mundial, à fome e à miséria que reinava no nosso país. “O Grupo dormiu na prisão, mas no dia seguinte tiveram que nos soltar. A nossa sorte, diziam eles, os da PIDE, é que éramos todos analfabetos”. Por norma são utilizados instrumentos tradicionai, como acordeão, concertina, pandeireta, bombo e guitarra, sendo aos músicos é atribuído um papel importante no início do “fundamento” e no seu encerramento. Na maioria dos casos, além de executantes, são ainda os autores das músicas.


13 Actual

BRINCAS DE CARNAVAL 5 a 8 de Março

Tradição de Carnaval A festa de Carnaval surgiu a partir da implantação, no século XI, da Semana Santa pela Igreja Católica, antecedida por quarenta dias de jejum, a Quaresma. Esse longo período de privações acabaria por incentivar a reunião de diversas festividades nos dias que antecediam a Quarta-feira de Cinzas, primeiro dia da Quaresma. A palavra “carnaval” está, desse modo, relacionada com a ideia de deleite dos prazeres da carne marcado pela expressão carnis valles, que acabou por formar a palavra “carnaval”, sendo que carnis do grego significa carne e valles significa prazeres. Em geral, o Carnaval tem a duração de três dias. Em contraste com o período que antecede a Páscoa, tempo de penitência e privação, estes dias são chamados “gordos”, em especial a terça-feira, último dia antes da Quaresma.

Carnaval Jovem 5 de Março de 2011 Arena de Évora 21h30 – Desfile de Moda Carnavalesca com manequins do Centro Carpe Diem e a voz da Cantora Angie. 22h00 – Jose Mendes e Mobys Dance 23h00 - Eleição da Rainha e do Rei do Carnaval Eborense 00h00- Dj Moreno

Carnaval Tradicional 5 de Março de 2011 Praça 1º de Maio 09h30 - Grupo de Brincas de Carnaval do Rancho Folclórico Flor do Alto Alentejo Praça do Giraldo 15h00- Grupo de Brincas de Carnaval do Rancho Folclórico Flor do Alto Alentejo 16h00 - Concurso de Mascaras para Crianças e Jovens 17h00 – Teatro Marionetas “Era Uma Vez…” Animação de Rua: Pinturas Faciais de Carnaval; Pulseiras de Trapilho; Homem de Andas; Palhaços; Malabaristas ...

Festa para todos os gostos Estremoz volta a realizar o seu tradicional corso carnavalesco. O tema deste ano é livre e o corso realizar-se-á nas tardes de domingo e terça-feira, 6 e 8 de Março, percorrendo o itinerário habitual. Hoje será realizado o desfile das escolas, que tem como tema a “Ecoesfera”, Em Cuba, o corso sairá às ruas no dia 8 de Março. Do programa consta a chamada “Essência Carnaval Night”, com vários espectáculos e eventos, incluindo a actuação de dj’s e tunas académicas. Já o concelho de Alcácer do Sal escolheu como tema deste ano “Pedro Nunes – do Nónio ao GPS”. Haverá corsos carnavalescos na vila do Torrão e na cidade de Alcácer do Sal, respectivamente nos dias 6 e 8 de Março. Pedro Nunes, conhecido matemá-

tico e cosmógrafo quinhentista nascido em Alcácer do Sal, foi o inventor do Nónio, instrumento de navegação fundamental nos descobrimentos portugueses. O Carnaval Internacional de Elvas, vai encher as ruas do centro histórico da cidade com cor, alegria e diversão. O único carnaval internacional do país, já na sua 15ª edição, vai realizar-se entre os dias 4 e 8 de Março, sendo que a participação dos foliões de Badajoz e Olivença vem animar de forma especial os festejos de um evento que prima pela diferença Considerado durante muitos anos um acto do povo, de certa espontaniedade, onde ocorriam cegadas, burricadas e mascaradas protagonizadas por grupos de jovens, o Carnaval de Sines tem vindo a ganhar fôlego de ano para ano. Hoje em dia, impera

o espectáculo carnavalesco, onde todos os anos há uma atracção diferente. Os carros alegóricos, que participam nos desfiles de carnaval, são feitos com muita dedicação e originalidade o que resulta num trabalho bonito e vistoso. A organização promete um espectáculo “vibrante” com a mistura do espírito satírico e a criatividade dos portugueses com o brilho e a energia do Carnaval brasileiro. Todos os anos milhares de pessoas deslocam-se a Sines para assistir a um dos mais tradicionais carnavais de Portugal que este ano conta com a actriz brasileira Melânia Gomes.

Grupo de Brincas de Carnaval da Casa do Povo dos Canaviais Fundamento: “A Quinta assaltada” (da autoria de Raimundo José Lopes) Sábado – 5 de Março 14:30 – S. Brás do Regedor 16:30 – Valverde (Café Mónica) Domingo – 6 de Março 10:30 – N.ª S.ª de Machede 14:30 – Bairro de Almeirim (Café 2003) 16:30 – Canaviais (Casa do Povo) Segunda-Feira – 7 de Março 11:00 – Praça do Sertório (Câmara Municipal de Évora) 14:30 – Convento do Espinheiro (Hotel) 16:30 – Canaviais (Café O Apressado) Terça-Feira – 8 de Março 10:30 – Guadalupe 14:30 – Louredo (Café Celso) 16:30 – Canaviais (Junta de Freguesia) Grupo de Brincas de Carnaval do Rancho Folclórico “Flor do Alto Alentejo” Fundamento: “As Encantadas” (da autoria de Raimundo José Lopes) Sábado – 5 de Março 9:30 – Praça 1.º de Maio (Mercado Municipal) 11:00 – Sociedade Recreativa e Dramática Eborense 15:00 – Praça do Giraldo 16:30 – Bairro de Almeirim (Restaurante Galhano) 23:30 – Barraca de Pau (no Baile do Pavilhão Multiusos) Domingo – 6 de Março 9:30 – Nossa Senhora de Machede 11:00 – Malagueira (Junta de Freguesia) 15:00 – Bairro de Frei Aleixo (Café Restaurante O Rijo) 19:00 – Graça do Divor (Salão de Festas) Segunda-Feira – 7 de Março 11:00 – Horta das Figueiras (Café Restaurante O Parque) 15:00 – Praça do Sertório (Câmara Municipal de Évora) 21:00 – Torre de Coelheiros (Casa do Povo) Terça-Feira – 8 de Março 9:30 – Bairro de Almeirim (Café 2003) 11:00 – Bairro das Espadas (Café Chia) 15:00 – Valverde (Café Mónica) 17:30 – S. Sebastião da Giesteira PIM TEATRO Brinca ao Carnaval “Anjos do deserto” Projecto de reconceptualização das Brincas de Carnaval Domingo – 6 de Março 15:00 – Guadalupe Terça-Feira – 8 de Março 15:30 – Praça do Giraldo


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03 Março ‘11

Economia & Negócios Agricultura

Exportações de azeite ultrapassam este ano as 40 mil toneladas D.R.

Luís Maneta | Registo As exportações nacionais de azeite vão crescer este ano cerca de 20 por cento, ultrapassando as 40 mil toneladas e atingindo um volume de facturação de 130 milhões de euros. Trata-se do dobro da quantidade exportada em 2006 (20.956 toneladas), o que é um “crescimento absolutamente notável, tanto mais se tivermos em conta a conjuntura de crise económica e financeira global”, diz Mariana Matos, secretária-geral da Casa do Azeite, associação empresarial que representa cerca de 95% de todo o azeite de marca embalado em Portugal. Outro indicador favorável é o facto de serem agora exportados produtos de melhor qualidade e mais valor acrescentado, ao contrário do que sucedia há quatro anos. “Actualmente, e pela primeira vez na história das exportações de azeite português, mais de metade das exportações nacionais são de azeites virgem extra”. Entre 2006 e 2009, as vendas ao estrangeiro cresceram 120 por cento neste segmento de mercado, que fechou o ano passado com um volume de exportações de 18.969 toneladas. Considerando que se trata do “reconhecimento da qualidade do azeite português, Mariana Matos acrescenta que esta alteração de mercado “tem permitido reforçar constantemente o valor das exportações portuguesas de azeite, mesmo num contexto de baixo preço da matéria-prima”. À lista dos países para onde tradicionalmente são exportadas maiores quantidades de azeite, como Brasil, Espanha ou Estados Unidos, as empresas portuguesas começam também a fechar negócios com a China, encarado como “o mercado do futuro”, apesar de o produto ainda ser relativamente desconhecido. As importações chinesas de azeite estão a crescer desde 2004 a um ritmo de 50 por cento ao ano, superando em 2010 as 25 mil toneladas. “Apesar de todas as dificuldades que as distâncias, não só físicas mas sobretudo culturais, levantam, existe por parte das empresas a percepção de que o investimento naquele mercado terá o seu retorno, ultrapassadas que forem as várias barreiras que constituem ainda um entrave significativo à entrada de produtos alimentares na China, como as questões de rotulagem, certificação de produtos e regulamentação”. Também o presidente da Nutrinvest (que detém o grupo Sovena, o segundo maior ope-

Depois de anos de abandono, o olival está a tornou-se numa cultura preferencial para muitos agricultores alentejanos. rador de azeite a nível mundial com um volume de vendas que ascende a mais de 180 mil toneladas), Manuel de Melo, aponta a “internacionalização” como “aposta estratégica” para o sector. “Temos tradição, temos condições tanto de água como de terra, há potencialidade de

crescimento”, diz Manuel de Melo, destacando o facto de a Sovena já exportar para 70 países. O crescimento da capacidade exportadora está alicerçado na entrada em exploração de 66 mil hectares de novos olivais intensivos, 40 por cento dos quais situados no Alentejo, o que permitirá atingir níveis de produção de azeite superiores ao consumo anual do país (cerca de 75 mil toneladas). “Perdemos a nossa posição produtora ao longo de décadas. Chegámos a um patamar mínimo de 30 mil toneladas. Estamos a recuperar tendo em vista, na próxima campanha, garantirmos a auto-suficiência no domínio do azeite”, diz o ministro da Agricultura, António Serrano, que aponta a necessidade de “expandir as vendas para mercados emergentes”.

Produção atinge 70 mil toneladas

“Estamos a recuperar tendo em vista, na próxima campanha, garantirmos a auto-suficiência no domínio do azeite”, diz o ministro da Agricultura, António Serrano.

A produção nacional de azeite cifrou-se na campanha 2010/2011 nas 70 mil toneladas, o dobro do que se produzia em 2006, devendo o país alcançar a autosustentação dentro em breve. Portugal é hoje o quinto maior produtor mundial de azeite tendo acrescentado que o volume de exportações “cresceu de forma sustentada”, 22,5 por cento ao ano. Segundo Mariana Matos, “se a questão da qualidade nunca se colocou, a questão da produção em quantidade está ultrapassada”, tendo acrescentado que Portugal deverá alcançar a autosustentação em 2015/2016, um valor que se cifra nas 100 mil toneladas.

Falta de imagem dificulta concorrência À excepção do Brasil, Portugal “não tem qualquer imagem [internacional] como país produtor de azeite, nem boa nem

má”, reconhece a secretária-geral da Casa do Azeite, organismo que em 2008 criou uma imagem de marca para a promoção externa do azeite nacional. Mesmo nos Estados Unidos, que é o país não produtor com maior consumo de azeite (cerca de 250 mil toneladas/ano) e onde o mercado interno continuar a crescer, as exportações não têm ultrapassado uma média anual de 1500 toneladas, essencialmente dirigidas às comunidades portuguesas.

A culpa é da concorrência italiana. “O principal problema do mercado nos Estados Unidos é a grande predominância e concorrência dos azeites italianos (cerca de 80% do mercado), com uma forte imagem e com um enorme suporte ao nível da restauração”, diz diz Mariana Matos, explicando que ainda não foi possível desenvolver uma estratégia promocional de grande escala “dada a dimensão do mercado e os custos inerentes”.


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Operador inglês voa para Beja mas vende alojamentos em Évora D.R.

Redacção | Registo A Sunvil vai efectuar 22 voos a partir de Heathrow/Londres e Beja. O voo inaugural será a 22 de Maio, confirma a ANA – Aeroportos de Portugal. A operadora fretou um avião Embraer de 49 lugares para o voo semanal, a realizar aos domingos. Sendo que a oferta hoteleira incluída no pacote turístico promocional é o Évora Hotel e a Casa da Eira (Vila Nova de Milfontes). A Sunvil descreve o Alentejo como a região ideal para umas férias de carro e inclui o aluguer de uma viatura no preço dos itinerários. O programa vigora entre 22 de Maio e 9 de Outubro, com preços a partir de 496 libras para sete noites, com transfers, hotel e pequeno-almoço incluído. Quem quiser optar apenas pelo voo de ida e volta, o preço mínimo é de 198 libras. De acordo com fonte da ANA, que gere o aeroporto de Beja, estão programados 22 voos, de 22 de Maio a 16 de Outubro. A partida de Londres será efectuada às 6h00, com chegada a Beja às 8h40. O regresso é efectuado às 9h10, com chegada a Londres às 12h00. “Esta operação é apoiada pela Agência Regional de Promoção Turística do Alentejo através de uma campanha de promoção do destino Alentejo no Reino Unido, chamando à atenção

ANA anuncia que o primeiro voo da Sunvill ocorrerá a 22 de Maio também para o facto de esta nova infra-estrutura aeroportuária ser um meio privilegiado de acesso à região”, diz a mesma fonte. “A ANA contribuirá com a facilitação de toda a logística necessária à concretização deste conjunto de voos”. O destino Alentejo tem conhecido ao longo dos últimos anos crescimentos de dormidas de estrangeiros nos diversos mercados emissores. Este au-

mento de interesse pela região alentejana está assente numa maior atractividade deste destino, para a qual concorrem factores como uma oferta cada vez mais estruturada, mais diversificada, com maior qualidade, onde a segmentação do turista e o esforço de promoção tem sido uma preocupação das entidades responsáveis. De acordo com a empresa gestora dos aeroportos, Beja veio

trazer à região “a possibilidade de adicionar valor a um produto turístico que se pretende posicionar e afirmar de forma consolidada” nos principais mercados: “Se até este momento as características únicas da região, bastante apreciadas pelos milhares de turistas estrangeiros que a visitam anualmente, sem a existência de uma infraestrutura aeroportuária, têm conseguido atingir o propósito

de suscitar interesse no visitante, a possibilidade de ligar via aérea o Alentejo aos diferentes mercados irá, sem dúvida, potenciar o volume de turismo nesta região”. Assim, desde há mais de um ano, a Agência ARPTA e a ANA definiram uma estratégia de captação de ligações aéreas assente no segmento não regular, tendo elaborado um trabalho inicial de “construção de um conjunto de produtos turísticos com potencial de comercialização” e, em paralelo, foram definidos os mercados emissores onde estes se deveriam promover. Para o desenvolvimento deste trabalho, foram seleccionados as companhias aéreas e operadores turísticos a serem contactados, sempre com a lógica presente do reforço de promoção do destino Alentejo. O trabalho de campo envolveu contactos com os principais operadores turísticos de referência nos mercados emissores e participação em eventos internacionais de turismo. Segundo a ANA, este esforço de divulgação para o destino Alentejo tem sido “essencial” já que se trata de uma “região, que embora com grandes potencialidades turísticas, ainda não tem a notoriedade necessária para atrair a curiosidade dos agentes turísticos que programam as operações não regulares que se pretendem encetar”.

Pouca terra, pouca terra, pouca terra Florival Baioa

Associação de Defesa do Património de Beja

Na escola primária obrigavam-nos a memorizar todas as estações e apeadeiros de comboios deste nosso país, definindo assim algo que, na altura, nos parecia ser a modernidade e a aproximação entre os nacionais. Os pontos marcados no mapa definiam linhas em que o ponto de partida era o grande círculo da capital, e os traços negros, as ligações ferroviárias às outras capitais distritais. Uma teia que ligava o interior pobre a um enorme coração e que nos encheria de prazer. Do Terreiro do Paço partia o barco que ligava ao Barreiro e, daí, o grande comboio que transportava os estudantes, soldados e pessoal que tinha cumprido os seus afazeres na capital. Uns liam, outros punham as conversas em dia e outros jogavam às cartas para passar o tempo. Hoje, o trajecto tornou-se mais fácil sem a passagem de barco do Tejo e o incómodo do transporte

das malas e sacos. Uma vida de 147 anos de vozes e de histórias, que a CP quer interromper em Casa Branca cortando a nossa ligação directa à capital, subalternizando esta cidade sulista, prolongando o tempo de viagem e o incómodo dos transbordos. Mais uma traição que os bejenses consideram inaceitável, quando se pretende uma maior harmonia territorial, onde o interior pode complementar o litoral. Tornar o interior e o Baixo-Alentejo o fim de uma linha. Pouca terra, pouca terra, cada vez menos terra. Quando todas as regiões europeias investem nas modernizações das ferrovias, aumentando as ligações e comodidade, a nossa CP quer que as populações do interior se encontrem cada vez mais isoladas e depauperadas, dilatando o seu caminho para o desenvolvimento. A CP fecha ramais, encerra esta-

ções, reduz empregos e aumenta o número de passageiros para as rodoviárias aumentando os níveis de poluição e as suas próprias possibilidades de crescimento. Que filosofia será esta que condiciona as populações e não reduz perdas financeiras da empresa? Não só inviabiliza a sua própria rentabilização como diminui a hipótese de desenvolvimento das regiões. O País deveria olhar para o todo nacional e viabilizar as aproximações e equilíbrios das populações e das produções, como uma das saídas possíveis da crise. Numa fase em que a aposta no aeroporto de Beja e nas centenas de milhões gastos no sistema de rega do Alqueva, feita por este Governo, ainda se torna mais incompreensível que a CP reduza os seus investimentos nesta região. Quais os transportes que os turistas irão tomar para se deslocarem para Lisboa e para o Algarve? Por

onde serão transportadas as produções de azeite, vinho e outros produtos agrícolas? Tudo em autocarros expresso? Não “tem piada” esta política de ambiguidades ou de falta de comu-

“O País deveria olhar para o todo nacional e viabilizar as aproximações e equilíbrios das populações e das produções, como uma das saídas possíveis da crise.”

nicação entre CP e Governo! Infelizmente sentimos que estamos a transformar-nos num país concentracional, que se assemelha ao discurso dos países subdesenvolvidos, de consequências imprevisíveis, mas que já se fazem sentir com o abandono das camadas mais jovens para os grandes centros e para o estrangeiro. Se a política da CP continuar por estas “linhas”, iremos assistir a um enorme empobrecimento do interior e ao esbanjar de investimentos já feitos e pagos. A população bejense e baixo -alentejana protesta, com razão, que não aceita o fim do ramal para o Algarve e o fim das ligações directas do intercidades para Lisboa e exigem a modernização da linha até Casa Branca, com a sua electrificação, para que a sua região possa, ainda, sofrer o desenvolvimento económico, social e cultural desejado.


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03 Março ‘11

Economia & Negócios Luís Pardal | Registo

O Magrebe aqui à porta Carlos sezões

Os recentes acontecimentos na Tunísia, no Egipto e na Líbia trouxeram para dentro dos lares europeus, via televisão, toda uma região do mundo aparentemente esquecida, apesar de estar aqui à nossa porta: o denominado Magrebe, região do norte de África que ocupa toda a margem sul do Mediterrâneo, com as suas numerosas sociedades jovens, ávidas de liberdade, democracia, empregos e qualidade de vida. O momento e a velocidade com que tudo sucedeu são impressionantes. Regimes aparentemente sólidos, governados com mão de ferro, começaram a cair como castelos de cartas. Quem assistiu à queda do Muro de Berlim e dos regimes totalitários da Europa de Leste em 1989-90, não pode deixar de recordar as semelhanças entre estes dois autênticos terramotos históricos. Para a Europa, a evolução desta região é fundamental. Os recursos energéticos e as matérias-primas aí existentes, as oportunidades de investimento (actuais e futuras) e, principalmente, a gestão da imigração daí originária são variáveis vitais para a geoestratégia europeia. Na encruzilhada actual, há quem anteveja cenários optimistas e pessimistas. Quem antecipe um quadro mais negro, verá aqui a transição de regimes autoritários (mas simpáticos para o ocidente) para regimes totalitários extremistas, de carácter religioso, no pior exemplo do Irão. Há quem veja, pelo contrário, a oportunidade de emergirem sociedades livres e democracias genuínas e sólidas, com alguma semelhança à Turquia ou às monarquias moderadas da Jordânia e de Marrocos. Existem esperanças fundadas para este último cenário. Para começar, as revoltas populares foram despoletadas por grupos pouco estruturados, essencialmente constituídos por jovens e os partidos ditos religiosos desempenharam papéis secundários no evoluir das situações. Tem sido referido na comuni-

cação social a importância de blogs e redes sociais (Facebook e Twitter) na disseminação das mensagens e em congregar todos os intervenientes numa causa comum. Tal só foi possível pela existência de segmentos da sociedade minimamente educados e qualificados. Contudo, a construção de uma democracia exige mais que multidões eufóricas na rua a celebrar a sua liberdade. Pressupõe que as novas constituições e leis fundamentais e os novos sistemas políticos a emergirem garantam o respeito pelos direitos humanos, liberdades e garantias mais elementares (e aqui incluo, a igualdade entre sexos e o direito universal à educação). Pressupõe ainda a clara separação entre religião do Estado, sempre tão melindrosa em países muçulmanos. Exige, por último, instituições que garantam separação dos poderes legislativo, executivo e judicial e que garantam economias de mercado minimamente transparentes, sem pressão das oligarquias antes dominantes. Estou convencido que o processo será longo e alguns casos tortuoso. E que a fronteira entre o renascimento e o caos poderá ser ténue. Se há uma zona do globo que a (incipiente) política externa europeia deverá funcionar de uma forma sólida e a uma só voz, será aqui.

Cortes relativos a trabalho prestado em 2010 motivaram críticas de médicos e enfermeiros do Hospital de Évora

Função Pública

Governo recua e devolve horas extraordinárias Redacção | Registo Dois meses depois, o Governo reconhece o erro. E vai devolver o dinheiro que reteve aos funcionários públicos por causa dos cortes nas horas extraordinárias prestadas em 2010. O assunto gerou acesa controvérsia nos hospitais públicos, incluindo o Hospital de Évora, tendo o deputado comunista João Oliveira considerado trata-se de um corte “abusivo” e “ilegal” uma vez que os cortes salariais estavam a incidir sobre remunerações correspondentes a trabalho prestado no ano anterior. Em causa está a interpretação feita pela Direcção-Geral segundo a qual, além dos salários que sofreram cortes entre 3,5% e 10%, seriam igualmente objecto de redução os rendimentos “efectivamente recebidos no mês [a partir de Janeiro], inde-

“Regimes aparentemente sólidos, governados com mão de ferro, começaram a cair como castelos de cartas”

pendentemente da data em que foi gerado o respectivo direito do trabalhador à prestação pecuniária”. A medida abrangeu todos os funcionários que recebem mais de 1500 euros mensais e a ordem para reverter o procedimento seguido veio directamente de José Sócrates. “O primeiro-ministro mostrou-se surpreso, manifestou

Desemprego Em 2010, perto de 12 mil desempregados perderam o subsídio de desemprego, porque faltaram às convocatórias do centro de emprego, não cumpriram o dever de apresentação quinzenal ou recusaram uma proposta de emprego ou de formação.

que reter verbas de trabalho já efectuado e não pago é ilegal, considerou que as Finanças se excederam muito para além do zelo e prometeu interceder directamente sobre o Ministro das Finanças para que a retenção termine e se reponha o indevidamente retido nos meses de Janeiro e de Fevereiro”, avança ao Registo fonte do Sindicato Independente dos Médicos. Ainda na passada semana, em entrevista ao Registo, a presidente do conselho de administração do Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE), Maria Filomena Mendes, admitia voltar atrás e proceder à devolução das retenções relativas às horas extraordinárias: “Fizemos cumprir a lei, não tínhamos outra alternativa. Se existir outra leitura estaremos disponíveis para reconsiderar mas terá de ser sempre a tutela a decidir”.

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Maria Alzira Seixo distinguida pela UE com prémio Vergílio Ferreira Luís Pardal | Registo

Redacção | Registo A presença de Maria Cavaco Silva fez-se notar numa tarde em que a homenageada foi Maria Alzira Seixo, vencedora do Prémio Literário Virgílio Ferreira 2011, atribuído pela Universidade de Évora. Maria Alzira Seixo é, maioritariamente, ensaísta, no campo das escritas, e desde sempre professora universitária, licenciada em Filologia Romântica pela Faculdade de Letras. Desde o final do seu curso, em 1966, foi professora de Literatura Francesa e Literatura Comparada na mesma Faculdade lisboeta tendo-se doutorado mais tarde em Literatura Francesa. A escritora trabalhou com a universidade eborense onde foi coordenadora pedagógica e cientifica da área da literatura francesa até meados dos anos 90. Maria Alzira Seixo (69 anos) é especialista no romance português contemporâneo e uma das mais profundas conhecedoras dos trabalhos de José Saramago e de António Lobo Antunes – já havia estado presente na entrega de um prémio Virgílio Ferreira, em 1999, quando o vencedor foi José Saramago. Coube-lhe fazer a oração laudatória do Nobel português da literatura. Entre os seus títulos estão “Para o estudo da expressão do tempo no romance português”, “Essencial sobre José Saramago” ou “Os romances de António Lobo Antunes; análise, interpretação, resumos e guiões de leitura”. De Évora guardou, para além da sua passagem pela Universidade, a amizade com o próprio Virgílio Ferreira, “que foi o primeiro autor que estudei, ainda antes de publicar o meu primeiro livro”, nos anos 60. Por isso mesmo, nesta terça-feira, a ensaísta sentiu-se duplamente emocionada. Terminada a cerimónia de en-

O reitor da Universidade de Évora, Carlos Braumann, entrega o prémio Vergílio Ferreira à ensaísta Maria Alzira Seixo. trega do prémio, que já foi atribuído a escritores como Judite de Carvalho, Mia Couto, Almeida Faria, Luís Manuel Gusmão ou Vasco Graça Moura entre outros, Maria Alzira Seixo mostrou-se “muito feliz com este prémio que desde o início tem sido atribuído a intelectuais e escritores de escola”. “Preenchendo essa galeria sinto-me um pouco aflita, mas muitíssimo gratificada. Gosto muito da Universidade de Évora, gostei muito do trabalho aqui desenvolvido e é muito gratificante receber este prémio”. Maria Alzira Seixo teve ainda a surpresa de contar na assistên-

cia com a presença da esposa do Presidente da República. “Somos amigas de infância. Ela fez uma carreira notável, e tinha também uma amizade enormíssima e uma admiração muito grande pela obra e pela figura do Virgílio Ferreira. Este prémio para mim é muito significativo e ela merece-o. Foi muito bem entregue”, disse Maria Cavaco Silva no final da cerimónia. O prémio, que inclui uma componente pecuniária de cinco mil euros, distingue, anualmente, o conjunto da obra de escritores portugueses relevantes na narrativa e no ensaio.

Música

Polifonia eborense na Quaresma A Associação Eborae Mvsica promove o IX Ciclo de Concertos “A Quaresma na Escola de Música da Sé de Évora” nos dias 19 e 27 de Março, às 18h00, no Convento dos Remédios, em Évora. Participam Jorge Raposo, musicólogo, o Coro Polifónico “Eborae Mvsica”, com a direcção de Pedro Teixeira e o Grupo Vocal Olisipo, com a direcção de Armando Possante. A vasto património musical da Escola de Música da Sé de Évora, (sécs. XVI e XVII), integra um grande número de

composições para a Quaresma elaboradas para as inúmeras cerimónias litúrgicas que naquela época ali tinham lugar. Assim, serão interpretadas neste ciclo de concertos obras de alguns dos compositores eborenses da renascença, tais como Diogo Dias Melgaz, Frei Manuel Cardoso, Duarte Lobo, Estêvão Lopes Morago e Manuel Mendes. O IX Ciclo de Concertos “A Quaresma na Escola de Música da Sé de Évora” integra, no dia 19 de Março, sábado, pelas 18h00,

o Concerto pelo Coro Polifónico “Eborae Mvsica”, com a direcção de Pedro Teixeira que é antecedido pela Introdução ao Ciclo por Jorge Raposo e no dia 27 de Março, domingo, pelas 18h00, o Concerto pelo Grupo Vocal Olisipo, com a direcção de Armando Possante. Semana aberta A Associação Eborae Mvsica promove mais uma Semana da Porta Aberta, entre 14 e 20 de Março,

no Convento dos Remédios. As portas estão abertas para quem queira vir visitar as instalações, assistir às aulas e a todas as actividades ao longo da semana. A iniciativa visa o intercâmbio entre conservatórios e escolas música e o envolvimento da comunidade educativa como um alvo importante. É também um convite para que a associação e o conservatório se articulem mais e estabeleçam pontes com os pais, encarregados de educação e população

em geral. Este ano haverá a participação especial da Orquestra de Cordas da Escola Superior de Música. Para além das aulas, das 8h00 às 21h30, há as seguintes actuações: dia 16, às 21h00 - Concerto pelo Ensemble de Trompetes; dia 17, às 21h00 – Concerto pelo Ensemble de Clarinetes; dia 18, às 21h30 – Concerto pelos Professores e dia 20, às 18h00 – Orquestra de Cordas da Escola Superior de Música de Lisboa, direcção de Gareguin Aroutiounian.


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03 Março ‘11

Cultura Crónica

De Hesíodo a Alberto Gordillo

Moura

Museu de Joalharia integra 226 jóias da autoria de Alberto Gordillo Nuno Veiga | Lusa

Santiago Macias * Hesíodo (séc. VIII a.C.) falava, na Teogonia, das Hespérides que, para lá do Oceano, guardavam maçãs e outros frutos dourados. Diodorus Siculus (séc. I a.C.) escreveu uma História Universal, onde mencionava os regatos de prata da Ibéria. O extremo ocidente do mundo então conhecido pela riqueza das suas minas e pela prosperidade que elas garantiam. O trabalho dos metais está presente, desde épocas recuadas, nos nossos territórios. O tesouro do Álamo foi descoberto na freguesia do Sobral da Adiça e é hoje um dos mais conhecidos tesouros nacionais. Talvez essas marcas e essas memórias estejam presentes na origem dos trabalhos de Alberto Gordillo. E na luminosidade dos seus trabalhos. Um homem que, estando há muito longe de Moura, nunca de lá saiu. A inauguração do Museu Gordillo, faz com que o concelho de Moura passe a dispor de mais um equipamento de excepcional qualidade. O Presidente da Câmara sublinhou bem, no seu discurso, a ligação entre Cultura, Turismo e Desenvolvimento Económico. Um ponto em que temos batido ao longo dos últimos anos. Contra ventos e marés e contra os pessimistas profissionais, sempre tão lestos a levantarem objecções. Espero bem que as suas palavras tenham sido atentamente ouvidas. O Alberto Gordillo fez questão, na sua intervenção, em destacar o meu contributo aquele projecto e para o impulso dado ao museu. Não era mesmo nada necessário, como lhe disse depois. Contribuí e contribuo, como tantas outras pessoas, para que as coisas avancem. Continuarei, com a mesma convicção, a rematar processos que foram abertos e que cremos serem cruciais para o bem-estar das populações e para o desenvolvimento do concelho. * Vereador na Câmara Municipal de Moura avenidadasaluquia34.blogspot.com

Alberto Gordillo nas instalações do museu onde estão expostas diversas peças da sua autoria, na cidade onde nasceu. A primeira jóia moderna criada em Portugal, um colar-gola da autoria do joalheiro alentejano Alberto Gordillo, é uma das jóias do espólio do primeiro museu português de joalharia contemporânea, agora inaugurado na cidade de Moura. O Museu Alberto Gordillo, criado pela Câmara Municipal de Moura, a partir de uma proposta do joalheiro, natural da cidade, e de um espólio de jóias criadas e doadas pelo artista ao município, está instalado no edifício do antigo quartel dos bombeiros e implicou um investimento de quase 500 mil euros. O espólio do museu é composto por 226 peças da colecção de jóias criadas por Alberto Gordillo, desde os finais de 1950 até à actualidade, das quais 50 estarão em exposição permanente. O joalheiro, considerado o pioneiro da joalharia moderna portuguesa, diz que no museu “estão as primeiras e as mais importantes jóias da ourivesaria contemporânea portuguesa. Além de mostrar jóias criadas por Alberto Gordillo, o museu pretende ser um centro de joalharia contemporânea e “mais um empurrão para o desenvolvimento” desta expressão de arte, explicou o joalheiro, actualmente com 67 anos. “A joalharia contemporânea desviou-se das formas industriais para se afirmar como uma

expressão de arte. O museu é mais um passo para a afirmação dessa expressão de arte”. Neste sentido, o museu, que, além da área de exposição, dispõe de uma sala polivalente e áreas de trabalho, vai promover oficinas de joalharia, expor colecções de outros artistas, lançar um prémio para jovens criadores de jóias e ter um centro de documentação com mais de mil publicações sobre o joalheiro e a sua arte, entre artigos de jornais

e revistas, catálogos e livros. Alberto Gordillo faz jóias há 53 anos e é uma referência incontornável no universo da joalharia moderna. Nasceu em Moura em 1943. Escultor e joalheiro. Com 12 anos começou, em Lisboa, a aprender ourivesaria na oficina de um tio, tendo iniciado uma ourivesaria de características extravagantes para a época, utilizando novos materiais. Datam dos finais dos anos 50 as suas primeiras jóias modernas.

”O gosto e o gozo da criação“ Zeferino Silva * Alberto Gordillo transparece através das suas jóias e esculturas, o gosto e o gozo da criação, pois estas estimulam o olhar e a percepção táctil de quem as observa, como se em jogos de beleza, a pureza da matéria bruta, parecesse abraçar a delicadeza das linhas moldadas pelo mestre. Com uma enorme convicção e coerência, operando com materiais diversos, este grande joalheiro e escultor, desenvolve a sua obra como quem respira, apresentando-nos algo que, num relance de raiz tecnológica, numa invasão total do belo, transcende a natureza da matéria.

Dotada de uma característica ímpar, a sua obra é o exercício, sem fim, de um apaixonado pelo seu trabalho e esta é a principal qualidade como artista e como grande executor do que é belo e que nos fascina. Com lugar de crescente destaque no cenário artístico português, o seu trabalho, originário de profunda reflexão, fertilizase por força de um quotidiano artístico, rigoroso e impecável, pelo que poderemos afirmar que é quase impossível traçar a história das artes plásticas portuguesas contemporâneas, sem referência ao trabalho e à presença deste grande mestre. * Director do Movimento de Arte Contemporânea

É considerado o pioneiro da joalharia moderna portuguesa, o mais premiado e mencionado em publicações e o que mais exposições realizou. Executou, desde 1965, protótipos de jóias de sua autoria para fábricas de ourivesaria de onde foram reproduzidas milhares de peças. Idealizou e executou algumas jóias notáveis de alta joalharia, destacando-se o famoso colarteia com 300 gramas de platina e 150 brilhantes, exibido na Bolsa dos Diamantes de Londres e exposto no Museu Nacional do Traje, exposição em cooperação com a Bienal Lisboa94 / Capital Europeia da Cultura. Em 1974 fundou a Galeria Tempo em Lisboa e no mesmo ano é apresentada a exposição retrospectiva das suas jóias. Realizou a primeira exposição de joalharia em Janeiro de 1963 e a primeira de escultura em 1971. Em 2001 é apresentada a sua exposição documental/bibliográfica com cerca de mil publicações, (jornais, revistas, catálogos e livros), na Galeria Municipal de Arte da cidade de Moura. “A jóia contemporânea não vive de valor material, mas de valor artístico” e, por isso, “pode ser feita com pedras da rua, com metais preciosos ou parafusos”, explicou, referindo que as jóias da sua colecção “são como um espectáculo” para exibição e “não para usar” como um adereço.


19 Cultura D.R.

Monsaraz

Obras na torre

Redacção | Registo As obras de requalificação da Torre do Relógio, monumento construído em finais do século XVII ou início do século XVIII na vila medieval de Monsaraz, vão ser apresentadas ao público no dia 5 de Março, pelas 15 horas, na Igreja de Santiago. A sessão de esclarecimento e informação técnica da obra vai ser promovida pelo Município de Reguengos de Monsaraz e pela empresa que vai desenvolver os trabalhos, a Monumenta – Conservação e Restauro do Património Arquitectónico, Lda. A empreitada de “Recuperação de Imóveis em Monsaraz – Torre do Relógio”, no valor de quase 89 mil euros, foi candidatada ao “Eixo 2 – Desenvolvimento Urbano - Redes Urbanas para a Competitividade e a Inovação” e será comparticipada em 80 por cento pelos fundos comunitários. O prazo de execução da obra é de três meses. De acordo com o historiador de arte Túlio Espanca, a Torre do Relógio de Monsaraz é uma obra edificada durante o reinado de D. Pedro II, concebida em dois andares, com tecto de nervuras simples que

termina em cúpula piramidal. Conserva ainda um sino de bronze que foi fundido na Couraça do Poço d’el Rei, no dia 2 de Maio de 1692, pelos artistas estrangeiros Diogo de Aballe e Domingos de Lastra. Embora a torre não esteja em risco imediato de ruína, considera-se essencial a realização de uma intervenção que interrompa o processo de degradação em que se encontra. Assim, serão efectuados trabalhos de recuperação e conservação dos pisos, das zonas do sino e do topo da torre, incluindo reposição de elementos de tijolo, partidos ou em falta. A recuperação incidirá também no tratamento geral de juntas, rebocos e caiações, reparação dos suportes do sino e do cabeçote de madeira, da escada de acesso exterior e do muro adjacente, assim como da porta de entrada da torre. O presidente da Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz, José Calixto, recorda que se trata de “um dos monumentos mais notáveis de Monsaraz e que merece ter a dignidade da sua história de mais de três séculos”. O autarca afirma ainda que após a recuperação, que será efectuada em conjunto

com o IGESPAR – Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico será “equacionada a abertura da torre com a devida segurança para usufruto dos muitos milhares de turistas que anualmente visitam esta vila medieval”. Património inspirador A Torre do Relógio de Monsaraz serviu de cenário para o romance histórico “As Horas de Monsaraz”, da autoria de Sérgio Luís de Carvalho, publicado em 1997 pela editora Campo das Letras. No livro, o autor recua até à longínqua data de 1562, quando um juiz procura devolver à velha fortaleza um pouco do seu antigo prestígio e monumentalidade. Para tal, resolve edificar uma torre com um relógio. A acção teve contudo reacções diferentes, que levou a rivalidades entre os moradores de Monsaraz: para os burgueses e mercadores locais, homens “terrenos”, a torre seria um “símbolo de orgulho urbano”, mas para o vigário da aldeia ela iria contra a natureza, ritmada pelas estações, nas quais os homens “divinos” se reviam.

Câmara equaciona abrir a Torre do Relógio ao público, depois de concluídas as obras.

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O que reclamaram os consumidores em 2010 O que a DECO exige em 2011 Durante o ano de 2010, 369.767 consumidores contactaram os serviços da DECO procurando informações acerca dos seus direitos, ou solicitando a intervenção da Associação para a resolução de litígios. Ao longo deste último ano, a DECO constata que os consumidores apesar de mais informados e esclarecidos, continuam a ser confrontados com o mesmo tipo de problemas. Os sectores das telecomunicações, compra e venda de bens, banca e serviços de interesse geral continuam a motivar um elevado número de contactos para os nossos serviços. No sector das telecomunicações, continua a ser motivo de reclamações por parte dos consumidores o incumprimento das velocidades contratadas no serviço de internet. Os problemas decorrentes da assistência técnica, da falta de qualidade e do período de fidelização dos produtos Triple Play levaram muitos consumidores a pedir o nosso apoio na resolução destes conflitos. Os serviços de toques e jogos para telemóveis foram também motivo para inúmeros contactos dos consumidores. Em 2011, a DECO reivindica um Regulamento de Qualidade de Serviço para a Internet, exige melhores práticas às empresas fornecedoras de Triple Play e uma adequada fiscalização por parte da ANACOM para os serviços de toques e jogos para telemóveis e uma efectiva avaliação dos contratos de comunicações electrónicas, pejados de cláusulas abusivas. No sector da compra e venda, as dificuldades sentidas pelos consumidores aquando do accionamento das garantias legais sempre que confrontados com produtos defeituosos, não têm diminuído ao longo dos anos, tendo-se destacado, em 2010 os veículos usados. As técnicas agressivas associadas a, entre outras, vendas de colchões, serviços de loiça, cartões de férias e de saúde constituem, ano após ano, fundamento de um

elevado número de reclamações. Em 2011, a DECO exige o efectivo cumprimento da lei das garantias por parte dos agentes económicos e uma adequada fiscalização às práticas comerciais desleais. No sector bancário, os problemas decorrentes da falta de informação no crédito ao consumo, do aumento irregular do “spread” no crédito à habitação, das práticas irregulares na amortização antecipada no crédito ao consumo e crédito à habitação continuam a ser alvo de inúmeras reclamações por parte dos consumidores. Em 2011, a DECO exige uma adequada fiscalização e intervenção do Banco de Portugal. A DECO exige também a fiscalização da publicidade aos produtos e serviços bancários e a alteração das regras respeitantes ao sistema de acesso aos serviços mínimos bancários. No sector dos serviços de interesse geral, os problemas resultantes da facturação destes serviços continua a motivar um elevado número de reclamações na DECO. A disparidade de designações relativas às taxas da água tem também promovido um maior número de contactos por parte dos consumidores. Em 2011, a DECO reivindica um regulamento tarifário para a água, com critérios uniformes, aplicados a todos os prestadores destes serviços, independentemente da natureza do prestador. A DECO exige o alargamento da competência da ERSE a todo o sector do gás. A Associação reivindica a redução dos custos de interesse geral na factura da electricidade: http://www.deco.proteste. pt/servicos-basicos/eletricidade-deco-reafirma-necessidade-de-baixar-custos-s628711.htm Para outros sectores, em 2011, a DECO exige: No Turismo, a alteração da Lei das Agências de Viagens tendo em vista a consagração de um sistema que efectivamente salvaguarde os direitos dos consumidores nas situações de insolvência das agências de viagens (CASO MARSANS): http://www.deco.proteste.

pt/turismo/marsans-pode-reclamar-creditos-ate-1-deoutubro-s605361.htm. Na Habitação, a alteração da lei das garantias de imóveis para um prazo de 10 anos, atento o valor económico deste bem para as famílias. Na Mobilidade, a introdução de regras relativas aos direitos dos passageiros nos transportes públicos rodoviários, à semelhança do que já existe para o transporte aéreo e ferroviário. Nas Vias de Comunicação, a introdução de medidas adequadas a um sistema simples e eficaz de pagamento das Ex-Scuts. Nos seguros de saúde, a introdução de regras que efectivamente protejam os consumidores e eliminem cláusulas como a duração anual dos contratos, as exclusões de despesas com as doenças pré-existentes, os períodos de carência elevados e os limites de idades para adesão. A DECO continuará a incentivar os consumidores a procurar informação e a defender os seus direitos. Através da procura de informação, o consumidor melhora os seus critérios de escolha e mais exigente, contribui para a melhoria da qualidade dos serviços, reclamando de forma cada vez mais fundamentada, e simultaneamente prevenindo conflitos. Um consumidor informado é um consumidor protegido. Ser associado da DECO é contribuir para uma sociedade informada, esclarecida e mais justa. A Direcção DECO – Delegação Regional de Évora Travessa Lopo Serrão, n.ºs 15 A e 15 B, r/ch, 7000-629 Évora Telefone: 266744564 – Fax: 266730765 E-mail: deco.evora@deco.pt - Internet: www.deco.proteste.pt


20 03 Março ‘11 Roteiro

TEATRO

MÚSICA

FORMAÇÃO

Santiago do Cacém “Scenas do Lar” 26 de Fevereiro | 21h30 Local: Auditório Municipal Alda Guerreiro é homenageada, em Santiago do Cacém, no espectáculo “Scenas do Lar”

Évora Noites do Pézinho Maroto Quintas Feiras | 22h00 Local: Sede da She Às quintas, és tu quem põe música!

Évora CRIATIVIDADE E INOVAÇÃO 2 de Março Local: Fórum Eugénio de Almeida Workshop que visa facultar aos participantes uma formação adequada na área comportamental, considerando uma eficaz gestão de recursos humanos nas organizações sem fins lucrativos. Destinatários: Administradores, gestores, quadros superiores e técnicos de instituições privadas sem fins lucrativos do distrito de Évora.

Beja “Doroteia” 26 de Fevereiro | 21h30 Local: Auditório Municipal A encenação de “Doroteia” pela Companhia de Teatro na Educação no Baixo Alentejo, em cena no Auditório municipal de Beja PUB

Évora Combo de Jazz Segundas-Feiras | 21h30 Local: Estrada do Bairro de Almeirim,Armazém 4 Combo de Jazz do Imaginário. Encontro semanal de músicos de vários instrumentos, com Diogo Picão.

Évora WORKSHOP DE INICIAÇÃO À CONSERVAÇÃO DE FOTOGRAFIA 3 de Março Local: Museu de Évora Pretende-se com esta acção com duração de 6 horas que os participantes adquiram noções básicas sobre preservação e manutenção de colecções fotográficas. No final da acção deverão estar aptos a conhecer e distinguir os principais processos fotográficos, identificar as principais causas e formas de deterioração bem como conhecer alguns dos cuidados.

Évora IV ENECE - ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDANTES DE CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO 3 a 5 de Março Local: Auditório da UE O programa científico do IV ENECE propõe uma reflexão em torno do papel da Educação na construção dos caminhos para o amanhã.

EXPOSIÇÃO Évora INSPIRAÇÕES: “UM OLHAR SOBRE O PATRIMÓNIO” 26 de Fevereiro a 28 de Março Local: Palácio de D.Manuel Exposição colectiva de artes plásticas com a participação dos artistas: Cristina Viana, Volker Schonwart, Peter Jones, Elisabete Barradas, Marcelino Bravo, Pedro Calhau, Sílvia Lopes e Vanda Sim-Sim. Évora Colecção fotográfica da sociedade harmonia eborense 6 de Janeiro a 9 de Março Local: Museu A Sociedade Harmonia Eborense expõe um espólio fotográfico datado a partir dos finais do século XIX

Avis “Pontos de vista” Fotografias de ricardo do calhau 1 de Fevereiro a 6 de Março Local: Auditório Municipal José Carlos Ary dos Santos A preto e branco, Ricardo Calhau revela cerca de 30 imagens diferenciadas Évora Duchamp: A arte de negar a arte 18 de Fevereiro a 12 de Junho Local: Forum Eugénio de Almeida Marcel Duchamp é considerado um dos impulsionadores do Dadaísmo, movimento iniciado em 1916 que defende a ruptura com as formas de arte tradicionais, a liberdade desenfreada do indivíduo e a espontaneidade, dando lugar à antiarte.

GASTRONOMIA Marvão Marvão “ Bom gosto” Quinzena gastronómica “comidas de azeite 19 de Fevereiro a 8 de Março Local: Restaurantes aderentes Pratos confeccionados à base de azeite preenchem a ementa da Quinzena Gastronómica “Comidas de Azeite”

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Uma questão de saber

Alentejo

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21 Lazer Sugestão de leitura

Sugestão de filme

Transgressão

A Segunda Chance

Autores: Rose Tremain Sinópse:

Director: Steve Taylor Sinópse:

Num vale belo e pacífico desponta uma antiga casa de pedra, conhecida como Mas Lunel. O seu proprietário é Aramon Lunel, um alcoólico de tal forma assombrado pelo seu passado violento que éincapaz de qualquer existência relevante, negligenciando os cães de caça e a propriedade da família. Numa casinha à vista de Mas Lunel mora a sua irmã, Audrun, que sonha com a vingança de todas as tragédias que lhe destruíram a vida. Este mundo fechado e abalado por experiências sinistras é visitado por Anthony Verey, um negociante

O filme “A Segunda Chance” (EUA, 2006) tem como um dos atores principais o famoso cantor evangélico Michael W. Smith e oferece uma boa oportunidade de reflexão sobre a necessidade de se utilizar os modernos meios de comunicação (como a TV) na pregação do evangelho, sem esquecer de que a igreja deve tocar a vida das pessoas, ir até o lar delas, abraçar, se relacionar, abrir as portas e o coração para salvar. Smith interpreta o pastor Ethan, filho do fundador no ministério The Rock, Jeremiah Jenkins.

de antiguidades exilado, oriundo de Londres, que espera poder reconstruir a sua vida em França e começa a visitar propriedades na região. Dois mundos e duas culturas colidem. Ultrapassam-se limites ancestrais, quebram-se tabus, cometese um crime. E, enquanto o mundo desaba, as colinas de Cévennes observam.

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Carneiro

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Balança Carta da Semana: 3 de Copas, que significa Conclusão. Amor: Confie mais na pessoa que tem a seu lado. A confiança e o respeito são essenciais numa relação. Tal como o Universo é criado pela palavra de Deus, também o seu pequeno mundo é criado através da sua palavra! Saúde: Tendência para apanhar uma grande constipação. Agasalhe-se bem. Dinheiro: Não se deixe abater por uma maré menos positiva nesta área da sua vida. Analise as suas poupanças. Números da Sorte: 7, 19, 23, 42, 43, 48 Dia mais favorável: Quarta-Feira Horóscopo Diário Ligue já!

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Nota: O objectivo do jogo é completar os espaços em branco com algarismos de 1 a 9, de modo que cada número apareça apenas uma vez na linha, grade e coluna.

HORÓSCOPO SEMANAL Carta da Semana: O Mundo, que significa Fertilidade. Amor: Tente conviver mais com os seus amigos e faça esforços para travar novos conhecimentos. Não seja ingrato, não fira os seus amigos nem magoe aqueles que muitas vezes se sacrificaram por si! Saúde: Período propício a uma consulta de oftalmologia. Não descure da sua visão. Dinheiro: Evite faltar a reuniões de trabalho. A sua presença será importante para desenvolver um projecto. Números da Sorte: 1, 18, 22, 40, 44, 49 Dia mais favorável: Terça-Feira

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Para Ethan, o ministério é mais como um negócio. Cantor renomado, dono de uma bela casa, um carro caríssimo e autor de um livro, ele mal faz ideia do que seja o cristianismo prático. Por isso, o pai decide que ele precisa aprender um pouco mais sobre o verdadeiro trabalho de uma igreja e do pastor.

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Telefone: 21 318 25 91 E-mail: mariahelena@mariahelena.tv

Touro Carta da Semana: 9 de Ouros, que significa Prudência. Amor: Cuidado para não magoar os sentimentos de uma pessoa que lhe é querida. Meça as suas palavras. Saúde: Tendência para andar um pouco descontrolado. Tente relaxar. Que jamais o Sol se deite sobre o seu desânimo! Dinheiro: O seu esforço no trabalho poderá vir a ser recompensado. Acredite mais nas suas potencialidades. Números da Sorte: 3, 11, 19, 25, 29, 30 Dia mais favorável: Sexta-Feira Horóscopo Diário Ligue já!

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Escorpião

Gémeos Carta da Semana: 2 de Ouros, que significa Dificuldade/ Indolência. Amor: Poderá ter de enfrentar um desentendimento com um amigo muito especial. Contenha a sua cólera, um simples raio dela pode destruir longas e pacientes sementes de amor. Mantenha a calma! Saúde: Controle as suas emoções e procure ser racional. Dinheiro: O seu orçamento poderá sofrer um acréscimo significativo. Porém, seja contido nos gastos. Números da Sorte: 19, 26, 30, 32, 36, 39 Dia mais favorável: Segunda-Feira Horóscopo Diário Ligue já!

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Sagitário

Carta da Semana: 8 de Copas, que significa Concretização, Felicidade. Amor: A felicidade e a paixão poderão marcar a sua semana. Aproveite muito bem esta fase. Deixe que a juventude do seu espírito irradie através do seu corpo. Saúde: Cuidado com as correntes de ar; durante esta semana poderá constipar-se facilmente. Dinheiro: Poderá precisar da ajuda de um colega para finalizar uma tarefa importante. Não tema pedir apoio. Números da Sorte: 2, 4, 22, 36, 47, 48 Dia mais favorável: Sexta-Feira

Carta da Semana: Valete de Ouros, que significa Reflexão, Novidades. Amor: Poderá encontrar um amigo que já não via há muito tempo. Coloque a conversa em dia. Não dê importância à sua idade física, seja jovem e alegre. Saúde: Procure não abusar em refeições muito condimentadas. Dinheiro: Aproximam-se despesas inesperadas. Procure fazer um plano de investimento. Números da Sorte: 3, 24, 29, 33, 38, 40 Dia mais favorável: Domingo

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Caranguejo Carta da Semana: Cavaleiro de Espadas, que significa Guerreiro, Cuidado. Amor: Modere as suas palavras pois pode magoar a pessoa amada. Seja mais cuidadoso. Saúde: Procure não exagerar no exercício físico, pois poderá magoar os seus músculos. Dinheiro: É possível que durante esta semana se sinta um pouco desmotivado. Tente delinear um plano de trabalho. Quando se luta por algo em que se acredita, a vitória é certa. Números da Sorte: 5, 9, 17, 33, 42, 47 Dia mais favorável: Quarta-Feira Horóscopo Diário Ligue já!

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Capricórnio Carta da Semana: Ás de Ouros, que significa Harmonia e Prosperidade. Amor: Período marcado pela harmonia familiar. Organize um serão divertido em sua casa. Não permita que a mágoa o perturbe. Saúde: Tendência para problemas de estômago. Cuide de si. Dinheiro: Semana propícia ao investimento. Aconselhe-se com o seu gestor de conta. Números da Sorte: 4, 11, 17, 19, 25, 29 Dia mais favorável: Segunda-Feira Horóscopo Diário Ligue já!

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Leão Carta da Semana: 10 de Copas, que significa Felicidade. Amor: Lute pelo seu verdadeiro amor, não se deixe influenciar por terceiros. Cada um de nós só é responsável pelos seus actos. Saúde: Vigie a sua tensão arterial e controle muito bem a sua alimentação. Dinheiro: Procure não ser muito impulsivo nas suas compras, pois poderá gastar mais do que as suas possibilidades. Números da Sorte: 8, 9, 22, 31, 44, 49 Dia mais favorável: Sábado Horóscopo Diário Ligue já!

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Aquário

Virgem Carta da Semana: 2 de Copas, que significa Amor. Amor: Seja mais carinhoso com a sua carametade. Os actos de ternura são importantes para revigorar a relação. Pronuncie boas palavras, elas são a manifestação dos nossos pensamentos, através delas podemos criar um mundo melhor. Saúde: Poderá sentir-se mais cansado do que o habitual. Tente tomar um banho relaxante. Dinheiro: Cuidado com os gastos supérfluos. Seja mais comedido para não ter surpresas desagradáveis. Números da Sorte: 2, 8, 11, 28, 40, 42 Dia mais favorável: Quinta-Feira Horóscopo Diário Ligue já!

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Peixes

Carta da Semana: Ás de Copas, que significa Principio do Amor, Grande Alegria. Amor: Esteja alerta, o amor poderá surgir em qualquer lugar. Deixe-se ser amado. Se está magoado com alguém ou se o feriram, procure retribuir com amor e compreensão. Saúde: Pratique uma actividade física que lhe dê bastante prazer. Dinheiro: A sua vida profissional tende a melhorar significativamente. Continue a demonstrar o seu dinamismo. Números da Sorte: 5, 17, 22, 33, 45, 49 Dia mais favorável: Terça-Feira

Carta da Semana: 9 de Copas, que significa Vitória. Amor: Período favorável à conquista. Encha-se de coragem e diga aquilo que sente. Saúde: Cuidado com o frio, pois o seu sistema respiratório poderá estar muito frágil. Dinheiro: Seja ousado e não hesite em revelar as suas ideias criativas. Poderá ser útil para o seu desenvolvimento profissional. Números da Sorte: 2, 8, 11, 25, 29, 33 Dia mais favorável: Quinta-Feira

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23 Eventos Prémios Turismo de Portugal

Projectos turísticos do Alentejo entre os melhores do país Redacção | Registo Dois projectos turísticos alentejanos viram reconhecido o seu contributo para a qualificação e inovação da oferta nacional durante 2010, recebendo a distinção máxima do Turismo de Portugal numa cerimónia realizada na BTL – Feira Internacional de Lisboa e presidida pelo Secretário de Estado do Turismo, Bernardo Trindade. As características contemporâneas e o seu contributo para uma oferta hoteleira de qualidade na península de Tróia e no Alentejo Litoral valeram ao cinco estrelas Blue&Green Tróia Design Hotel o Prémio “Novo Projecto Privado”, categoria na qual foram distinguidos com Menções honrosas a Pousada Palácio do Freixo, no Porto, e o Restaurante Largo, em Lisboa. Situado na península de Tróia, o Tróia Design Hotel é um hotel contemporâneo que assume toda a sua imponência em 14 pisos e fachada com varandas ondulantes em vidro e com um sistema de iluminação inovador. É composto por 61 quartos de luxo e 144 suites residenciais com vista para o mar e para a Serra da Arrábida. O hotel integra, ainda, um spa, piscinas, dois restaurantes, centro de conferências, centro de espectáculos e um casino e caracteriza-se pela excelência arquitectónica, ambientes sofisticados e design contemporâneo.

“O projecto contribui para a valorização da oferta turística de um novo destino turístico, o Litoral Alentejano, e para a qualificação do produto estratégico sol e mar”, assinala a Turismo de Portugal. Com uma concepção ecológica e actividades e serviços diferenciados que reforçam a oferta de alojamento de qualidade do Alentejo Litoral e junto ao Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, o parque de campismo Zmar Eco Campo Resort & SPA (Odemira) recebeu, por sua vez, o prémio na categoria “Sustentabilidade Ambiental”. Situado junto ao Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, o Zmar é um parque de campismo inovador no que diz respeito à concepção ecológica, design e à oferta de serviços, baseado num conceito de turismo sustentável e integração no cenário natural. É composto por 81 hectares e dispõe de 4 tipologias de alojamento que albergam até 6 pessoas (Zvillas, Zchalets, Zchallets adaptados e Zmóveis), construídos em madeira e equipados com painéis solares térmicos, além de dispor de alvéolos para campismo tradicional. Este parque de campismo disponibiliza ainda diversas infraestruturas de apoio, nomeadamente, restaurante, supermercado, SPA, ginásio, piscinas e uma “tenda zen multi-usos” para festas.

O projecto destaca-se enquanto por ser totalmente concebido para garantir o respeito pelos princípios da sustentabilidade e pela aplicação de práticas de sustentabilidade ambiental que em 2010 foram reconhecidas e certificadas. Os distinguidos nesta edição dos Prémios foram escolhidos por um júri liderado este ano pela primeira vez por Guilherme d’Oliveira Martins e que integra ainda Adília Lisboa, presidente da Comissão Executiva da Confederação do Turismo Português, António Perez Metelo, jornalista, e Luís Patrão, presidente do Turismo de Portugal. Os prémios são a “distinção de referência no panorama turístico nacional”, destacando todos os anos os projectos e personalidades que mais contribuíram para a inovação e qualificação da oferta turística.

Prémios da ERT A Turismo do Alentejo tem aberto o concurso para a segunda edição dos “Prémios Turismo do Alentejo”. Até dia 7 de Março podem apresentar candidaturas todos as entidades públicas ou privadas que promovam projectos de natureza ou interesse turístico em áreas como o

enoturismo, o turismo rural, a gastronomia, a comunicação, a animação turística, entre outros. De acordo com o regulamento “os projectos candidatos deverão provar o seu contributo para a qualificação da oferta turística regional, para a competitivida-

de do sector na região, e para o enriquecimento da experiência turística, justificando ainda o seu alinhamento com as premissas de um desenvolvimento turístico sustentável”. Os prémios serão entregues no decorrer do congresso agendado para Abril em Portalegre.


Foto | Arquivo

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Évora

Shopping em 2013 A Imorendimento e a Madford Developments, promotoras do conjunto comercial, através da joint-venture EVRET, revelaram que vão iniciar a construção da fase final do projecto, referente ao centro comercial. As obras do Évora Shopping estão previstas começar em Julho, após a inauguração da anterior componente do conjunto comercial, um retail park, que já está concluído.Segundo os promotores, o fim das obras e abertura ao público do centro comercial estão previstos para a “Primavera de 2013”. O investimento global ronda os 60 milhões de euros e, quando todas as obras estiverem concluídas, vai representar “um forte contributo para a dinamização do tecido económico, social e comercial” de Évora, prevendo-se a criação de cerca de 600 postos de trabalho directos. “O Évora Shopping vem responder a uma real necessidade de mercado e, apesar da conjuntura económica estamos confiantes quanto à viabilidade e ao sucesso deste investimento”, assegura Anthony Henry Lyons, director-geral da Madford Developments. PUB

Beja

Festival do Amor A Câmara Municipal de Beja fez o lançamento do site oficial do Festival do Amor (www. festivaldoamor.com) na Bolsa de Turismo de Lisboa - Stand da Alentejo Tours. O festival vai decorrer entre 1 e 5 de Junho, cinco dias durante os quais o centro histórico da cidade de Mariana Alcoforado, abraça e celebra o amor nas suas mais variadas vertentes. Na Praça da República, coração do evento, vai decorrer uma Feira do Amor onde não faltarão, entre outras atracções, as já incontornáveis barraquinhas de beijos, tasquinhas com petiscos afrodisíacos, chocolates, pontos de venda de livros e de discos relacionados com o tema do festival, serviços de astrologia e cartomancia.

Em Agosto

Festas do Povo de regresso a Campo Maior Redacção | Registo As ruas de Campo Maior vão voltar a revestir-se de flores de papel entre 27 de Agosto e 4 de Setembro. Sete anos depois, a vila alentejana volta a mobilizar-se para organizar as famosas Festas do Povo. Um evento tradicional único, e que já alcançou uma notoriedade elevada a nível nacional e internacional. Através deste evento, a população de Campo Maior mostra ao mundo a sua maior tradição, assim como o valor das suas gentes e a sua capacidade de receber e acolher. As últimas Festas do Povo tiveram lugar em 2004 e levaram a Campo Maior cerca de 2 milhões de pessoas, vindas de todo o país, da vizinha Espanha, da comunidade emigrante e até mesmo de outros países euro-

peus. Foram decoradas 86 ruas com flores de papel, o equivalente a uma distância de 15 km. No total, foram utilizadas perto de 20 toneladas de papel e o trabalho voluntário de cerca de 7500 pessoas. O impacto económico, social e cultural da última edição teve efeitos num raio de 100 quilómetros em torno de Campo Maior, tendo prestado um forte contributo para dinamizar vários sectores do concelho de Campo Maior e dos concelhos vizinhos, conferindo uma visibilidade e notoriedade elevada ao Alentejo. O actual modelo de festas realizou-se por 19 vezes. Em apenas 15 anos, entre 1989 e 2004, o número de visitantes das Festas do Povo duplicou. O sucesso de todas as edições deve-se à surpreendente diversidade da deco-

ração das ruas, de beleza inigualável. A arte das flores de papel e as Festas do Povo de Campo Maior são um Património cultural único no Mundo. A realização das Festas do Povo consiste na decoração das ruas de Campo Maior, sobretudo o Centro Histórico, com flores de papel e outros objectos em cartão e papel, feitos pela população ao longo de semanas de trabalho. É uma celebração que, por tradição, só acontece quando o povo quer, pois a sua realização depende do voluntariado e da força de vontade dos campomaiorenses. A preparação é feita rua a rua, sendo que o trabalho desenvolvido em cada uma delas fica em segredo, mesmo para amigos e familiares dos moradores, e só é dado a conhecer na noite da “enramação”.


Registo Ed144  

Edição 144 do Semanário Registo

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