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SEMANÁRIO

Director Nuno Pitti Ferreira | 10 de Fevereiro de 2011 | ed. 141 | 0.50€

2010 Faliram 43 empresas em Évora No distrito de Évora, 43 empresas declararam insolvência o ano passado. Os números do Instituto Informador Comercial revelam que nos últimos três anos foram declaradas insolventes 201 empresas em todo o Alentejo. Números que a crise tem vindo a agravar.

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Amaro Camões em ENTREVISTA

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Desperdício custa 750 milhões

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”Com o meu voto, Gilberto Madaíl não será reeleito“

Presidente da Associação de Futebol de Évora fala sobre o actual momento do futebol nacional. E reafirma oposição à alteração de estatutos da FPF.

Gestos simples podem permitir uma redução de 30% na factura doméstica de água. Todos os anos são desperdiçados 3 mil milhões de metros cúbicos de água.

PCP acusa Câmara de Évora de “não ter política cultural”

António Serrano inaugura 17 mil hectares de regadio

REPORTAGEM

Pág.03 O anunciado corte nos apoios de 2010 aos agen-

Pág.15 Quatro aproveitamentos hidroagrícolas integra-

Pág.23 A Arena de Évora encheu para assistir à gala final do programa de talentos musicais da RTP “Operação Triunfo”. O espectáculo serviu para consagrar, junto ao público alentejano, o grande vencedor da edição deste ano, Jorge Roque. À festa não faltou “O Passarinho”, entoado pelo Grupo de Cantares Regionais de Portel.

tes culturais da cidade motiva críticas do vereador da CDU à gestão socialista na Câmara de Évora. “Uma área essencial como esta não pode ser alvo de desistência nem do reconhecimento de incapacidade por parte dos decisores políticos”, diz Eduardo Luciano.

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dos no empreendimento de Alqueva, que abrangem 17 mil hectares de regadios na margem esquerda do Guadiana, foram inaugurados pelo ministro da Agricultura num investimento de 112,5 milhões de euros. O modelo de gestão da água motiva polémica entre agricultores.

Triunfo na Arena


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A Abrir “Levezinho salta do barco” Pedro Henriques | Cartoonista www.egoisthedonism.wordpress.com

antónio costa da silva Economista

Números artísticos de um governo em gestão Na semana que passou o Governo surgiu com mais um número artístico, desta vez com a redução do número de deputados. O ministro dos Assuntos Parlamentares Jorge Lacão sustentou que «uma diminuição do número de deputados até ao limite constitucional de 180 manteria uma representatividade adequada da população». Como é evidente, a problemática sobre a redução do número de deputados tinha que provocar diferentes reacções nos diferentes partidos políticos. Provavelmente era essa a intenção, isto porque não deixa de ser curioso ver um ministro tão influente, como é Jorge Lacão, com uma posição claramente dissonante do Primeiro-ministro e do partido que o apoio. Esta antecipação carnavalesca não era para ser levada a sério. Tal como se notou através das diferentes intervenções, isto não passou de mais um “número” mediático para entreter. Aliás, estas airosas saídas de alguns governantes não são mesmo para ser levadas a sério. Estou plenamente convencido que já pouca gente os leva a sério. Estas “sugestivas” intenções são atiradas para o ar com o objectivo de provocar distracções. Num País a atravessar tão graves problemas e dificuldades, são lançadas estas manobras ilusionistas para ganhar um pouco de mais tempo político. Não poderíamos estar mais pobres! Estas manobras distorcem totalmente quaisquer boas intenções que surjam no plano político. Falar de redução de deputados poderia ser um retomar duma verdadeira discussão sobre a reforma política e administrativa do País. Provavelmente este não é um tema isolado, mas poderia ser o início para pensar melhor este País. È claro, da forma como foi apresentado, “morreu na casca”. Custa-me perceber o porquê de tantos

pruridos quando se fala da diminuição de alguns cargos políticos. Reconheço que é simpático e até populista agitar a bandeira da diminuição de cargos, mas estou plenamente convencido que não existe alternativa. Não apenas por uma questão financeira, mas essencialmente pela necessidade e urgência de mudar o modelo político. O modelo político e administrativo do País encontra-se anquilosado. Quando olhamos para a nossa Assembleia da República vemos uma “fábrica” legislativa. Dá a sensação que os deputados fazem leis e mais leis. Leis em cima de leis. Curiosamente, o trabalho político é, em parte, medido pelo número de diplomas e propostas legislativas que apresentam. Não seria mais eficaz se simplificassem as Leis? Não é disso que temos necessidade? Este é um pequeno exemplo, mas uma mudança nesta área ajudava em muito o País. Para uma discussão aprofundada sobre esta temática teríamos que ir muito mais além da Assembleia da República. Teríamos que ter coragem de falar do Estado e da sua organização. Teríamos que ter coragem de acabar com muitos institutos e actividades afins que vivem à babuja do Estado. Teríamos que ter a coragem de fazer as fusões necessárias de entidades públicas que se repetem, sem que se perceba a sua verdadeira utilidade. Teria que haver coragem de olhar para o território e perceber qual a melhor configuração administrativa, ajustando-a a uma sociedade moderna e avançada. Para uma verdadeira mudança, tem que haver muita coragem e capacidade de assumir riscos. De outra forma, é ficar tudo na mesma. De uma coisa estou plenamente convencido, este Governo não está à altura.

Protagonistas P06

Amaro Camões A Associação de Futebol de Évora votou contra a revisão de estatutos da Federação Portuguesa de Futebol. Amaro Camões explica porquê.

P14

Figueira Cid Criada em 2002, a bruxa Teatro tem visto as suas dificuldades aumentadas em virtude do atraso no pagamento dos subsídios por parte da Câmara de Évora.

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Turismo do Alentejo, ERT Pç. Da República, 12-1º | Apartado 335 7800-427 Beja | Portugal (Tel) 284 313 540 | (Fax) 284 313 550 (E-mail): geral@turismodoalentejo-ert.pt

Ficha Técnica

SEMANÁRIO

Director Nuno Pitti Ferreira (nuno.pitti@registo.com.pt) Editor Luís Maneta Propriedade Nothing Else-.meios&comunicação; Contribuinte 508 561 086 Sede Travessa Ana da Silva, n.º6 -7000.674 Évora - Tel: 266 751 179 fax 266 730847 Administração Silvino Alhinho; Joaquim Simões; Nuno Pitti Ferreira; Departamento Comercial Teresa Mira (teresa.registo@gmail.com) Paginação Arte&Design Luis Franjoso Cartoonista Pedro Henriques (pedro.henriques@registo.com.pt); Fotografia Luís Pardal (editor) Colaboradores Pedro Galego; Carlos Moura; Capoulas Santos; Sónia Ramos Ferro; Carlos Sezões; Margarida Pedrosa; António Costa da Silva; Marcelo Nuno Pereira; Eduardo Luciano; José Filipe Rodrigues; Luís Martins Impressão Funchalense – Empresa Gráfica S.A. | www.funchalense.pt | Rua da Capela da Nossa Senhora da Conceição, nº 50 - Morelena | 2715-029 Pêro Pinheiro – Portugal | Telfs. +351 219 677 450 | Fax +351 219 677 459 ERC.ICS 125430 Tiragem 10.000 ex Distribuição Nacional Periodicidade Semanal/Quinta-Feira Nº.Depósito Legal 291523/09 Distribuição Miranda Faustino, Lda


3 Política Apoio às associações culturais

PCP acusa Câmara de Évora de “não ter política cultural” para a cidade Fotografia | Arquivo

Redacção | Registo O PCP não aceita o corte nos apoios aos agentes culturais de Évora em 2010, anunciado na última edição do Registo pela vereadora da Cultura, Cláudia Sousa Pereira. “Foi um anúncio que me surpreendeu. Em todos os contactos com os agentes culturais da cidade essa posição não foi assumida”, diz Eduardo Luciano, líder da bancada da CDU na Câmara Municipal de Évora. “A verba para esses apoios estava orçamentada. Não seria de esperar outra coisa que não o cumprimento do apoio aos agentes culturais pelo menos nos mesmos moldes do ano anterior”. O vereador da CDU refere que a existência de financiamento autárquico é condição indispensável para a obtenção dos subsídios plurianuais por parte do Ministério da Cultura. “Sem o apoio de 2010 como é que ficam os agentes culturais da cidade? Ainda vão ser penalizados pelo Governo?”, interroga Eduardo Luciano, recordando que o assunto chegou a ser levantado numa reunião da Assembleia Municipal de Évora “sem que a vereadora ou o presidente” tenham assumido o corte nos subsídios. “Neste momento estamos a debater os regulamentos de apoios às actividades culturais e nesse âmbito vamos levantar esta questão em reunião pública. Nunca a Câmara Municipal decidiu que 2010 era um ano sem pagamento aos agentes culturais”. Segundo o vereador, há um “fosso” cada vez maior entre “o discurso” do Executivo autárquico que “diz ter uma política cultural para a cidade, melhor que a anterior” e a “realidade humilhante que os cidadãos constatam” no dia-a-dia. “A verdade é que a vereadora da Cultura reconhece a sua incapacidade para gerir uma política cultural num concelho como Évora que tem a cultura como a sua marca matricial”, defende Eduardo Luciano. “A vereadora terá de avaliar as consequências das suas próprias palavras. Uma área essencial como esta não pode ser alvo de desistência nem do reconhecimento de incapacidade por parte dos decisores políticos”, acrescenta. Na entrevista ao Registo, Cláudia Sousa Pereira reconheceu que os agentes culturais se encontram numa situação financeira complicada, com mais de 200 mil euros de subsídios em atraso relativos a 2009. “Para eles é insustentável mas neste momento há muita gente em situação insustentável. Os agentes

culturais são uma parte desse todo”. A vereadora da Cultura na Câmara Municipal de Évora disse ainda não ser capaz de prever uma data para o pagamento dos subsídios em atraso. E garantiu ter “grandes dificuldades” em justificar a atribuição de subsídios em 2010: “Já estamos a dever o segundo semestre de 2009, criar mais dívida parece-me difícil”. “Havia de facto orçamentada uma verba mas nunca foi atribuída a uma instituição em concreto”, acrescentou Cláudia Sousa Pereira na entrevista ao Registo, justificando os problemas com a situação financeira da autarquia. “[Quando assumi o cargo] julgava que ia gerir a partir do zero mas estou a gerir abaixo disso, estou a gerir menos qualquer coisa e isso é muito difícil. Está a ser uma gestão muito complicada”, concluiu.

Cláudia Sousa Pereira reconhece dificuldades em “fazer mais dívida” para pagar aos agentes culturais. Eduardo Luciano critica gestão cultural da autarquia.

Polémica

Plataforma cultural não aceita corte de apoios “Queremos acreditar que estas afirmações da senhora vereadora são um enorme equívoco ou até mesmo um lapso e que a Câmara Municipal continue a considerar os agentes culturais como uma das componentes imprescindíveis do desenvolvimento global do concelho de Évora”. É desta forma que a Plataforma Cultura Évora, formada por diversos agentes culturais da cidade, reage à entrevista de Cláudia Sousa Pereira ao Registo. Num comunicado aprovado esta semana, a Plataforma diz que as afirmações da autarca vêm “pôr em causa o futuro da actividade dos agentes culturais e da própria vida cultural da cidade” e dizem não ser verdadeira a inexistência de compromissos concretos por parte da autarquia. “Isto não é verdade porque para

além dos acordos e protocolos firmados com alguns agentes, no ano de 2010 a Câmara Municipal, com a presença da senhora vereadora, fez reuniões com cada um dos agentes culturais onde foi analisada a programação e definidos valores para apoio financeiro e logístico a atribuir pela Câmara Municipal, em função da verba que estava por ela orçamentada para esse efeito”, sustentam as associações. “É verdade que foram compromissos verbais nalguns casos, mas todos os agentes culturais consideraram estar a reunir com pessoas de bem e, a partir dessas reuniões, continuaram a desenvolver a sua actividade e a pensar que podiam contar com esses apoios”. O texto é subscrito pelo Centro Dramático de Évora (Cendrev), Companhia de Dança Contem-

porânea de Évora, Eborae Mvsica, Escrita na Paisagem, FIKE / Cineclube da Universidade de Évora, Pé de Xumbo, Pim Teatro, Sociedade Harmonia Eborense, Soir – Joaquim António d’Aguiar e Grupo Pro-Évora. Além da exigência do pagamento dos apoios de 2010, as associações culturais voltam a reivindicar que os “mais de 200 mil euros de dívida dos apoios de 2009” sejam pagos “com urgência, situação que, ao não ocorrer, poderá levar a que alguns tenham que encerrar as portas, dado não terem ainda recebido verba nenhuma”. No comunicado, a Plataforma denuncia a “degradação progressiva das afirmações da Câmara Municipal em matérias que à Cultura dizem respeito” e lembra que alguns agentes culturais têm contratos com o Ministério da Cultura que

garantem um financiamento anual de montantes superiores a 700 mil euros. “Para que esse apoio continue a vir para o concelho é necessário que a Câmara Municipal cumpra com a declaração que assinou quando da candidatura a estes fundos pelos agentes culturais, na qual refere explicitamente que o agente cultural é financiado anualmente pela autarquia”, esclarece a Plataforma Cultura Évora. As associações acusam ainda a autarca de “deixar passar a apreciação” de que os agentes culturais “são um estorvo para a programação cultural” da autarquia. “Deverá explicar publicamente qual o papel que considera que os agentes culturais devem ter e qual o que deve ter a Câmara Municipal, sob pena de cairmos numa situação de completo equívoco”.


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Política Malingering | D.R.

Defender o direito à protecção na saúde, um dever de todos

José Alves

Presidente da Federação das Associações de Reformados do Distrito de Évora

Como sabemos os cuidados de saúde constituem uma das principais preocupações do comum dos cidadãos. É pois com grande preocupação e indignação que temos vindo a assistir à tomada de medidas, por parte do governo, que afectam gravemente as condições de acesso aos cuidados de saúde da maioria da população portuguesa. Desde o princípio do ano, entre outros acréscimos de custos para os utentes na área da saúde, aumentaram as taxas moderadoras para as consultas e exames em simultâneo com o fim da isenção das taxas moderadoras para reformados e desempregados, com rendimentos inferiores ao salário mínimo nacional. Como cereja em cima do bolo, este período ficou ainda marcado, pela introdução de condições na emissão de credenciais para o transporte de doentes para consultas e tratamentos, tornando possível a sua recusa, por parte dos Centros de Saúde, para o transporte em ambulâncias, táxis e outros meios de transporte. Esta medida está a originar situações muito graves nas famílias e na população, em especial no nosso

Distrito, onde uma grande parte dos serviços de saúde estão concentrados na cidade de Évora, que dista entre 30 e 60 quilómetros de todas as sedes de concelho do Distrito. A manutenção desta situação irá agravar as condições de vida da população do Distrito de Évora, em especial dos reformados e idosos não só por serem aqueles que mais necessitam de cuidados de saúde, mas também porque são os que têm, na sua maioria, os recursos económicos mais débeis. Muitos reformados, pensionistas e idosos com pensões e reformas de miséria, já tinham dificuldade de adquirirem medicamentos indispensáveis à manutenção ou melhoria da sua qualidade de vida. Com estas medidas vêm-se impossibilitados de acederem a consultas e tratamentos como, por exemplo, os oncológicos, por lhes serem recusadas as credenciais necessárias à deslocação, que por vezes envolve centenas de quilómetros, e por não terem condições económicas que lhes permitam assumir o seu custo. É uma obrigação moral defender o acesso à saúde para todos nós e em especial para os mais desfavorecidos. Assim é imperiosa a

revogação imediata desta decisão governamental e o reconhecimento do direito constitucional de acesso universal aos cuidados de saúde e portanto ao transporte assegurado para deslocações às consultas e aos tratamentos. O verdadeiro interesse nacional está na possibilidade dos portugueses terem direito a uma vida digna e isso passa também por terem acesso a condições de saúde iguais independentemente do local onde vivem. Um Pais só será verdadeiramente grande quando todos os seus cidadãos tenham os mesmos direitos e um tratamento igual.

“Temos vindo a assistir à tomada de medidas, por parte do governo, que afectam gravemente as condições de acesso aos cuidados de saúde“.

Reformismo e responsabilidade Sónia ramos ferro Jurista

Sócrates parece cada vez mais isolado. Dentro do próprio partido, começa a ser questionado e criticado, após um reinado de seis anos, que parafraseando Ana Benavente deixou, efectivamente, o país mais pobre. Com um congresso à porta, Sócrates não terá ainda, opositores formais e declarados, mas começa a esboçar-se um descontentamento que será o início do fim. O afastamento do socialismo e as opções por uma linha mais liberal custarlhe-ão boa parte da facção mais à esquerda, que começa a romper o silêncio. As vozes discordantes ecoam dentro e fora do partido socialista. Até o PCP se disponibiliza para votar uma moção de censura ao Governo, que começa a evidenciar sinais de decadência e desgaste a um nível preocupante. É preciso, por isso, arranjar manobras de diversão para desviar as atenções dos reais

problemas e necessidades do país. É preciso inventar temas controversos que alimentem a comunicação social e entretenham os cidadãos. A velha quezila sobre a redução do número de deputados pareceu aos socialistas um bom mote. Esta questão, tal como muitas outras conexas, têm de ser debatida, se bem que não se trata tanto do número de deputados mas do absoluto divórcio entre os cidadãos e os seus representantes políticos. Em suma, a verdadeira discussão deverá pôr a tónica no sistema político português. Mas de momento, a grande preocupação do Governo deveria ser a taxa de juro elevada que continua a pagar cada vez que vende dívida pública, os números do desemprego e o encerramento em catadupa das pequenas e médias empresas. Se a preocupação do Governo ao nível reformista fosse séria, tê-lo-ia demonstrado no anterior mandato,

quando tinha a maioria absoluta no Parlamento e não precisava de granjear acordos. Não agora, ao atravessarmos um momento crítico, em que as preocupações sociais e económicas devem

“Com um congresso à porta, Sócrates não terá ainda, opositores formais e declarados, mas começa a esboçar-se um descontentamento que será o início do fim”.

ocupar a mente dos governantes. Contudo e se a discussão está na praça, parece-me que cento e oitenta deputados são suficientes para garantir a representatividade e a pluralidade dos partidos políticos. Imagino que a redução do número de deputados na Assembleia da República não seja um tema agradável de discutir pelos próprios. É como pedir a um Administrador de uma Empresa Pública que reduza o seu próprio salário. Alguns chamam-lhe populismo. Mas em altura de crise em que todos os gastos do Estado devem ser questionados e justificados, e em que os portugueses são os maiores sacrificados pelos erros de gestão danosa de que temos sido vitimas, não alvitro razão válida para a Assembleia da República ficar fora do esforço financeiro pedido a todos. Também me parece benéfico revisitar o mapa autárquico e reduzilo, de forma ponderada e casuística,

obviamente, atendendo às particularidades da cada região. Trezentos e oito concelhos e milhares de freguesias parecem excessivos num país de reduzida dimensão como Portugal, onde a hierarquia e a existência de inúteis entidades públicas só atrapalha. Menos, muitas vezes é mais. É preciso reduzir o peso do Estado. É preciso reestruturar o sector empresarial do Estado que sistematicamente apresenta prejuízos. Não percebo o espanto de muitos face a esta afirmação, que até me parece simplista, de tão lógica e racional. Sabemos que algumas delas prestam serviços públicos absolutamente fundamentais, mas muitas não. E são estas que têm de ser escrutinadas em vez de servirem de albergue para os que ficaram fora da lista de deputados. Ou será que a crise só pode ser paga pela administração pública rasa?


5 Política Análise do investigador luso-egipcio Adel Sidarus

Impasse na transição política no Egipto pode levar “radicais” ao poder Quanto mais se arrastar o impasse na transição da presidência do Egipto e se prolongarem os protestos antigovernamentais, maior é o risco de que o poder acabe nas mãos dos radicais. O alerta é do investigador luso-egípcio Adel Sidarus, professor jubilado da Universidade de Évora e especialista em Estudos Árabes e Islâmicos, que deu uma conferência na livraria “Ler com Prazer”, em Évora, sobre a revolta dos povos árabes. “Se o Exército mantiver a sua postura de solidariedade para com o povo e assegurar o mínimo de situação ordeira no país, [tudo] estará bem. Mas se, por qualquer razão, mudar de orientação, poderá vir a radicalização”. Radicado em Portugal há quase 35 anos, Adel Sidarus, nascido no Cairo, acompanha com duplo interesse os protestos contra o presidente Hosni Mubarak, iniciados a 25 de Janeiro. Por um lado tem família (um irmão) e amigos no seu país PUB

natal, os quais “estão bem”, mas com quem tem tido “dificuldades em comunicar” devido a “cortes na Internet e na rede de telemóveis”. Por outro lado, devido à sua carreira, analisa com um “olhar” profissional os protestos antigovernamentais, não hesitando em afirmar que esta era uma “bomba que, mais cedo ou mais tarde, ia rebentar”. No conjunto dos países árabes, explica, “tem havido um tipo de regime mais ditatorial, sem um desenvolv i mento económico que correspon-

desse aos anseios da população, sobretudo dos jovens”, que, no Egipto, representam “a maior

parte dos habitantes” e têm formação superior”. “Com a repressão que tem havido e com a crise económica que acentua a situação, o ‘povo dos jovens’ disse basta, sobretudo quando vê os seus governantes tentarem eternizar-se nos lugares de chefia e enriquecer à custa do Estado”. Para Adel Sidarus, a “dependência ou a servilidade” do regime de Mubarak “em relação aos americanos” é outro dos factores na origem das manifestações, bem como “os horrores que os israelitas impingem ao povo pa-

lestino”. Sem acreditar que os confrontos no Egipto descambem para uma guerra civil pois o país “não tem características tribais”, o investigador considera importante, contudo, que as manifestações não sejam aproveitadas por movimentos radicais. “Os jovens demonstraram uma capacidade de organização, de autocontrolo e até de defesa do património do Estado que poderá ainda manter-se. Mas, muito mais tempo, acho difícil”. “Então, forças mais organizadas e clandestinas poderão tentar manipular as coisas a seu favor e uma saída mais moderada não poderá desabrochar”, acrescenta. Se houver um “desentendimento entre as forças armadas e as forças globais de segurança, de origem policial”, que leve ao “adiar das reformas, da democratização e da saída do presidente” a situação “vai apodrecer e a violência será maior”, garante o investigador luso-egípcio.


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Entrevista

Amaro Camões, presidente da Associação de Futebol de Évora

”Com o meu voto, Gilberto Mada não será novamente reeleito“ O que está em causa com esta proposta de alteração dos estatutos da Federação Portuguesa de Futebol? O que está em causa é a lei publicada. No nosso entendimento, a lei não está de acordo com as normas da FIFA. Independentemente de haver por aí um coro a dizer que a FIFA e a UEFA vêm cá. Então que sejam bem-vindos e que tragam a verdade. No nosso entendimento, a lei recentemente publicada pelo secretário de Estado do Desporto não está de acordo com as normas da FIFA.

O mal está na proposta do Governo? Uma coisa é o que nós entendemos. Outra o que querem que nós entendamos. O que se tem dito é que se os estatutos não forem alterados os clubes e a Selecção podem ser penalizados pelos organismos internacionais do futebol. Então por que motivo há esta tortura, esta ausência de diálogo? O secretário de Estado do Desporto nunca recebeu as associações. Recebeu-as uma vez no antiga-

mente e acha que não têm razão. Não pode dizer que não tem no Conselho Superior do Desporto uma quantidade de pessoas que convidou para lá. Eu pergunto: o que faz por lá a Liga de Futebol Não Profissional? Tem assento no Conselho Superior do Desporto? A conclusão é sua mas é essa a verdade. É normal que o presidente da Liga de Futebol Não Profissional, dr. Dias Ferreira, chegue ao Conselho Superior de Desporto e peça tudo o que quer para derrubar

as associações? Há teimosia do Governo? Tem havido teimosia de parte a parte. Agora diga-me lá: o que é que a Associação de Futebol de Évora perde ou ganha com esta guerra? É uma boa pergunta: ganha ou perde? O que é importante é a coerência, percebermos se estamos ou não de acordo. Com esta proposta de altera-

ção de estatutos as associaçõ passam a ter 35% dos votos Federação Portuguesa de Fu bol. E a esse propósito eu gostava lhe fazer uma pergunta. Porqu que agora o Governo, que até li pouco ao futebol, decide fazer um lei em que o futebol profission cresce em número de votos e as sociações baixam? As associaçõ que têm neste momento a maio dos votos.

Há aqui uma tentativa de e vaziar as associações?


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Fotografia | Luis Pardal

valer um voto. O que para as associações pequenas é positivo. Ou não? Nenhum de nós, que eu me lembre, está muito preocupado com isso. Mas o peso relativo das associações pequenas sobe. Sobe, claramente. Não é importante ter um voto, é importante saber o que as associações têm de fazer. Antes de ser presidente da Associação de Futebol de Évora fui vice-presidente da Associação de Futebol de Évora. E nessa época eu e o dr. Domingos Cordeiro, que era o presidente, estivemos presentes em praticamente todas as alterações de estatutos. Sempre defendemos que cada associação deve ter um voto. Sou a favor disso. E também já não vejo ninguém a defender o contrário. Isso parece-me justo. Évora foi pioneira a defender esta ideia? Não tenho dúvidas. O que não posso perceber é que o futebol profissional venha a ter 65% de votos na FPF e as associações 35%. Porquê? Garanto-lhe já que os estatutos serão aprovados amanhã se essa divisão for de 50/50. O arrastar desta situação tem a ver com as guerras de bastidores pelo domínio do futebol? Quando desligar o gravador dou-lhe a minha opinião. Não a digo agora porque não posso provar.

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“Na minha opinião desistiu mal (...) Não considero que seja uma traição. Julgo que houve uma pressão muito grande sobre o dr. Horácio Antunes”.

Totalmente. Vê alguma razão para isso? Vejo alguns motivos complicados que não posso provar. Será que não há aí uma tentativa de transformar isto tudo em sociedades para explorar o futebol? Será que não há pessoas interessadas em entrar no futebol sem que devam lá estar? Volto a perguntar: para que serve a Liga de Futebol Não Profissional? O que faz? Com esta mudança de estatutos cada associação passa a

Há então aqui um alinhamento circunstancial, por objectivos? Pela minha formação, pelo trabalho que desempenhei numa empresa grande da banca durante mais de 37 anos, habitueime a negociar. De vez em quando os jornais falam de almoços e jantares … quantos negócios não se fazem nessa altura. Sou a favor do negociar em cada momento. Não sei fazer mais nada.

”Não posso perceber é que o futebol profissional venha a ter 65% de votos na FPF e as associações 35%. Porquê? Garanto-lhe já que os estatutos serão aprovados amanhã se essa divisão for de 50/50.”

É isso que se diz? Claramente. Há poderes instituídos e há poderes que têm de influenciar. O representante da Liga de Clubes, Fernando Gomes, faz parte do Conselho Superior de Desporto. Se o presidente da Liga é vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol, então todo o futebol tem de ser representado pelo senhor Madaíl. Acaba por haver uma dupla representação de alguns organismos. É isso? Estamos a falar de instituir alguns poderes. Neste caso dos estatutos, Évora surge ao lado de associações como Porto e Braga que têm mandado no futebol português dos últimos anos. Não é um posicionamento tradicional de Évora? Não vivo de tradição. Lembrome da tradição mas vivo do presente. Tenho de pensar no futuro e no passado mas para mim o importante é o presente. E no presente? Estas são as associações que para nós … por acaso estou com eles. A Associação de Futebol de Évora apoiou o dr. Horácio Antunes para uma lista à Federação Portuguesa de Futebol. Na mi-

nha opinião desistiu mal. O meu candidato anterior chamava-se Carlos Ribeiro, presidente da Associação de Futebol de Lisboa que optou por ficar de fora. Estive presente em todas as discussões de estatutos para as quais fui convidado.

NÚmero

75% <A revisão de estatutos da FPF obriga a 75% dos votos. Na última assembleia-geral a proposta obteve 70,6%. Entre os votos contra incluiu-se o de Évora.>

Subscreve o comunicado saído da última reunião de associações contestatárias à alteração de estatutos, onde se diz que o Ministério Público não tem legitimidade para intervir? Ainda não li o comunicado mas pelo que me disseram subscrevo. Não fui a essa reunião por ter um compromisso já assumido. Sentiu-se de alguma forma traído pelo facto de o candidato que apoiou à presidência da FPF, Horácio Antunes, ter desistido sem ter dito nada a ninguém? Não disse nada e falou com Évora nesse dia. Falou connosco antes do meio-dia e às quatro da tarde tinha o comunicado [em que anunciava a desistência] cá fora. Eu soube por uma associação não-alinhada. Não considero que seja uma traição. Julgo que houve uma pressão muito grande sobre o dr. Horácio Antunes. Ele não me disse isso, nem estou interessado em discuti-lo com ele. Tinha o apoio de Évora e não havia motivo para desistir. Ele manifestou-se disponível para ser presidente da FPF perante todas as associações. Nunca vi nenhum benefício para a Associação de Futebol de Évora dado pelos poderes instalados. Também não estou preocupado com os prejuízos que posam daí existir, porque não há nenhum. Então a solução lógica será a recandidatura de Gilberto Madaíl? Com o meu voto não. Não concordo. Já na última eleição o dr. Gilberto Madaíl não falou com as associações, fez o elenco federativo como quis. Não negociou. O dr. Madaíl andou sempre a fugir aos encartes. Quando desconfiou que o estatuto ia ser aprovado disse que seria candidato. Alguém se lembra de um estatuto que o dr. Madaíl apresentou nas assembleias e que foi chumbado por todas as associações? Entretanto foi criada uma comissão de trabalho para reapreciar os estatutos e não houve diálogo. Esta é a altura de mudar? Na minha opinião a mudança já deveria ter ocorrido.

”As associações trabalham por sua conta e risco“ Como vê o actual momento do futebol distrital? As associações trabalham por sua conta e risco. A AFE cresceu. Fazemos uma coisa que nenhum jornal vê e que é o projecto Jogar à Bola. Tem a ver com a presença da associação junto dos concelhos e dos clubes para incentivar à prática do futebol as crianças com idades entre os 5 aos 10 anos. Numa freguesia do concelho de Viana do Alentejo, por exemplo, há pouco tempo tínhamos mais de 300 pessoas entre pais e meninos. É isso que leva ao crescimento da associação. Se não fizermos isso daqui a 20 anos não temos jogadores de futebol. É isso que depois leva ao aparecimento de mais clubes. Mais clubes, mais inscrições, mais pais a carregar com os meninos. Joguei hóquei-em-patins oficialmente na I Divisão. Nos infantis e juvenis do Estremoz, um clube onde joguei, são os pais que funcionam. No futebol é que não? Se não fizermos isso estamos tramados. Não há dinheiro, a questão é simples. Se os pais e os miúdos gostarem de estar na bola, estamos todos melhor. Uma associação sozinha não faz nada. Depois quando chega a fase da competição, o momento da inscrição nas provas organizadas pela Associação de Futebol de Évora, são precisos 2500 euros por clube. Já viu quanto custa no profissional? Mas 2500 euros é pesado para clubes desta dimensão? Também pagam no INATEL. Quando chegámos à associação tínhamos cinco funcionários. Já trabalhámos com 2. Somos incapazes de o fazer com menos de 3. Alguém tem de pagar. A FPF não dá nada a ninguém. O Jogar à Bola, por exemplo, funciona porque o professor, um jovem com muito valor, prescindiu de parte do seu salário porque o secretário de Estado do Desporto decidiu cortar no que pagava às associações. À FPF não cortou nada. É o valor mínimo? Os valores são os necessários, as inscrições não são aumentadas há muitos anos. Fazemos o que podemos pelos clubes mas não nos podemos endividar.


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Regional Joaquim Nazareth, vice-presidente da Associação Comercial do Distrito de Évora

”O sector do comércio e dos serviços está entregue à sua sorte“ Qual a opinião da ACDE sobre o crescimento de insolvências em relação a 2009? A nível nacional não existe um planeamento estratégico dirigido especificamente ao comércio e serviços, apesar de ser um dos grandes empregadores e agentes da manutenção da paz social. Se juntarmos a este dado fundamental o facto de as Comissões de Coordenação Regional serem meramente indicativas, não considerando como deviam a importância fundamental do comércio e dos serviços, e de raros serem os municípios que no distrito de Évora nos consideram como parceiros estratégicos [somos fundamentalmente um parceiro tolerado], o sector do Comércio e dos Serviços está entregue à sua sorte. Ora, quando num mundo de globalização competitiva se pensa que a soma das partes é igual ao todo, sem uma estratégia e um ordenamento, os centros históricos e culturais das cidades e vilas do distrito de Évora são abandonados e esmagados PUB

Luis Pardal | Registo

Espaços para arrendamento comercial multiplicam-se nos centros históricos por forças que os transcendem. Ninguém vai a Évora, Estremoz ou Arraiolos para visitar bairros iguais a tantos outros. Vai pela especificidade dos locais e se estes ficam abandonados da sua normal actividade económica, tudo morre à sua volta e perdem a especificidade. Depois, acaba por morrer a própria periferia. Não nos admira que as insolvências aumentem ainda mais. Sem apoios, sem

regras e sem estratégia é difícil viver. A conjuntura actual dá alguma esperança, ou os tempos continuarão a ser difíceis para os comerciantes? Não, não temos esperança se tudo continuar como está. As mesmas causas produzem os mesmos efeitos, no entanto, acreditamos que é possível criar um movimento da base, das

unidades económicas, para o topo, o poder político, que substitua o que está implementado: regras e mais regras e exigências que apenas se destinam a quem já está dentro do sistema. Tudo o resto vive impune. No vosso entender, estes números representam de facto a realidade, ou há mais casos de empresas e comerciantes que tiveram “que fechar a porta”, mesmo não sendo insolventes? O conhecimento que nós temos dos nossos associados leva-nos a pensar exactamente o contrário. Não quer dizer que não existam mas não temos conhecimento de falências fraudulentas. O que temos conhecimento é da situação contrária, empresas que já deviam estar fechadas mas, o amor à terra, a ligação afectiva com funcionários, o desejo de continuar a estar activo, o pensar que “atrás de tempos, tempos vêm”, faz manter as portas abertas sem que, quer a sociedade quer os poderes locais,

se apercebam disso. Raros são os vereadores, ou presidentes, que descem aos núcleos fundamentais que identificam a sua terra a perguntar como estamos. Têm recebido pedidos de ajuda na ACDE, por exemplo em relação a anos anteriores? Claro, é essa a tendência. Tentados dar a melhor resposta. Dentro das nossas capacidades, fazemos o que podemos. Que conselhos deixam e de que forma devem os comerciantes e empresas combater as adversidades conjunturais? Juntem-se a nós porque só unidos fazemos ouvir a nossa voz. O que se conversa no café deve ser dito e sugerido em assembleia geral. Sonhamos chegar aos 4000 sócios com delegados e assembleias em todos os concelhos. Aí, talvez a ACDE possa ser um exemplo de inversão de tendência, onde é a sociedade civil que passa a exigir.


9 Regional Luis Pardal | Arquivo

Crise

Em três anos faliram 201 empresas no Alentejo Pedro Galego | Registo O número de insolvências de empresas no Alentejo não pára de subir há três anos. Desde 2008, que fecharam as portas 201 empresas, só nos distritos de Évora, Beja e Portalegre, de acordo com os dados divulgados recentemente pelo Instituto Informador Comercial (IIC). A conjuntura económica do país, deixa antever que esta tendência é para continuar. À medida de que a crise se instalou e a falta de liquidez financeira começou a escassear, aliado à cada vez maior dificuldade em recorrer à banca, as empresas nacionais começaram a sentir as dificuldades. O caso alentejano não é único, poucos são os distritos a nível nacional cujo número de insolvências tem vindo a descer, mas a explicação, segundo alguns empresários, nomeadamente nesta região, vão para além da conjuntura macro-económica. Os incentivos não são suficientes e a concorrência é cada vez mais desleal. Por exemplo, no sector da construção, onde existem muitos casos de insolvência, aparecem empresas de toda a parte do país para fazer obra na região, muitas delas obras públicas, quando se devia

dar prioridade às empresas locais. Não é uma regionalização que pretendemos, mas se pensarmos no tecido empresarial local, onde há muitas empresas com essa capacidade, não justificação para não acontecer”, disse ao Registo Rui Espada, presidente da direcção do NERE (Núcleo Empresarial da Região de Évora). Só em 2010, no distrito de Évora, foram 43 as empresas que declaram insolvência, mais cinco que em 2009, e mais nove que em 2008, e a tendência é para aumentar. “A conjuntura tem trazido essas consequências por arrasto. O poder de compra das pessoas está mais diminuído, aqui não há grandes empresas e as insolventes são essencialmente pequenas empresas, que não se aguentam. É de prever que este ano [2011] ainda haja alguma subida”, acrescentou Rui Espada. No distrito de Beja foram 17 as empresas insolventes no último ano. Em 2009 tinham sido 11, depois das 5 registadas em 2008. Também aqui o número tem vindo a aumentar de ano para ano, tal como em Portalegre com os números a variar entre 12, 15 e 28, entre 2008 e 2010. “Deviam ser dadas mais opor-

tunidades às empresas locais. Porque é que há tão poucos agentes locais envolvidos nas grandes obras. Aparecem empresas nem se sabe de onde, que fazem preços impraticáveis por quem é sério e depois é tudo uma bola de neve. Quando não podem mais fecham a porta, para voltar a abrir meses depois, com outro nome e com as mesmas práticas”, considera o presidente da direcção do NERE. Sobre os números do IIC, o NERE considera que, além de

preocupantes podem ser diferentes da realidade, visto que muitas empresas continuam de porta aberta, mas há muito com a corda na garganta, e vão reduzindo o número de empregos, chegando até a deslocalizaremse e essas não entram para estas estatísticas. “Há quem já não tenha crédito na banca, que não possa passar cheque e continue de porta aberta porque não querem dar parte fraca. Alguns até têm nome no mercado, mas sabe-se bem das dificuldades que pas-

Alentejo acompanha tendência nacional Apenas cinco distritos não acompanham a tendência de subida das insolvências ao longo dos últimos três anos: Braga, Guarda, Viana do Castelo, Bragança e Castelo Branco. Em todos os outros distritos do país – tais como os do Alentejo -, incluindo as regiões autónomas, a tendência é de subida, sendo o distrito de Portalegre o que apresenta uma maior variação (mais 86 por cento de insolvências entre 2009 e 2010), embora tenham fechado portas

28 empresas, longe das 1003 insolvidas no distrito do Porto em 2010, ‘apenas’ mais 9 que as 994 de 2009 (variação de 0,91%). As indústrias transformadoras e a construção foram os sectores mais afectados, segundo o Barómetro Empresarial de 2010 divulgado pela Informa D&B. Em 2010, foram proferidas 3.898 declarações de insolvências. No total, 43% dos pedidos foram apresentados pelas próprias empresas, enquanto 57% foram requeridos por terceiros.

sam”, acrescentou Rui Espada. Fecham portas todos os dias O comércio é um dos sectores mais atingidos por esta vaga de falências e basta passar pelos centros das cidades alentejanas para perceber que perderam muita “vida” nos últimos anos. ‘Vende-se’, ‘trespassa-se’ e ‘arrenda’ são termos que rivalizam cada vez mais com os tradicionais ‘saldos’ ou ‘promoções’. É fácil perceber ao passar, por exemplo, pelo centro histórico de Évora, algumas lojas, muitas deles estabelecimentos com nome e tradição na cidade, estão hoje a passar dificuldades, se é que não fecharam já as portas. “Há muita gente que decide comprar fora. Vão gastar mais em gasolina do que a diferença para uma peça de roupa que também podem encontrar em Évora”, confessou Márcio Braga, trabalhador do sector do vestuário. Também nos restaurantes e cafés a crise se faz notar. Os locais consultados admitem que “perderam 20 a 30 por cento” dos clientes que habitualmente serviam ao longo do dia, mas se ainda não fecharam portas é porque a situação “ainda não é insustentável, mas é cada vez mais difícil”.


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10 Fevereiro ‘11

Regional Transporte de doentes

10 Um olhar antropológico A revolução dos sexos: que lugar para o masculino? -1 José Rodrigues dos Santos* Antropólogo

Escrevemos que há uma verdadeira revolução, mas tão tranquila, no conjunto, que torna a sua importância quase imperceptível: a ruptura dos modelos antigos de parentesco e de autoridade. O modo como abordámos essa transformação poderia dar a entender que, considerando nós que o parentesco é a estrutura de base de qualquer sociedade, terá sido desse núcleo que partiu a revolução invisível. Sublinhemos que foi precisamente o contrário: a emancipação social das mulheres começou, afirmou-se e vingou primeiro no exterior das famílias, no espaço público (escola, trabalho, vida política). E foi quando, uma ou duas gerações atrás, tendo as mulheres em primeiro lugar acumulado “capital social” no exterior, o último “reduto” - familiar começou a ceder, que se tornou evidente que tínhamos mudado não só de época, mas de sociedade. Vendo as coisas pelo seu lado positivo (a libertação dum potencial de criatividade), podemos esquecer a imensa dificuldade que dele emana: redefinir um lugar para o masculino. Este perde primeiro prerrogativas e regalias, cuja injustiça se tornou óbvia, perde autoridade e poder (o que é sinónimo de conflito). E perde, mais importante ainda, a capacidade para definir o seu lugar simbólico em termos positivos. O que é hoje uma masculinidade emancipada e satisfatória para o indivíduo e socialmente aceitável? Vejamos: o “masculino” era mais que um estatuto social, era uma maneira de ser, uma relação com o corpo, com a emoção; um estilo de vida, um estilo de acção. Oposto ao feminino, como tem que ser, havia imagens bem estabelecidas, mas opressoras para ambos os sexos. Permitam a caricatura em benefício da brevidade: as meninas quietinhas punham pensinhos nos dói-dóis das bonequinhas; os rapazes partiam os brinquedos, rasgavam as roupas e os joelhos, andavam à pancada (mas não choravam), e desobedeciam com jubilação. E as mães e os pais, encantados. “Que menina meiguinha”! “Grande rapaz!”. Quando o feminino se libertou dessa imagem de Barbie sem desejo, sem vontade própria, sem justificação própria, contra o que dizia a epístola: “ foi a Mulher que foi feita para o Homem, não o Homem para a Mulher”, surgiu outra questão, difícil de colocar correctamente, mas decisiva até pelo potencial de perturbações que comporta: que lugar para o masculino, depois da revolução?

Utentes querem revogar despacho do Governo Lusa O Movimento de Utentes da Saúde Pública (MUSP) do distrito de Évora admitiu avançar com uma acção em tribunal caso não seja revogado o despacho sobre o transporte de doentes não urgentes, por a violar a Constituição. “O MUSP pondera [avançar com uma] acção caso o despacho não seja revogado. O Governo e a Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo estão a violar a Constituição, designadamente no seu artigo 64 [que preconiza uma saúde universal, geral e tendencialmente gratuita]”, afirmou a coordenadora do MUSP de Évora, Sílvia Santos. O despacho do secretário de Estado da Saúde, Óscar Gaspar, que entrou em vigor a 1 de Janeiro, determina que o acesso ao transporte pago pelo Ministério da Saúde passa a ter que responder obrigatoriamente a dois requisitos: prescrição clínica e insuficiência económica.

Em conferência de imprensa, Sílvia Santos considerou que “a ARS Alentejo aplicou este despacho de forma cega e sem se preocupar com as pessoas”, garantindo que os doentes “deixaram de ir às consultas e aos tratamentos, por não lhes estar a ser assegurado o transporte”. “Com uma população como a do nosso distrito, bastante envelhecida e que precisa diariamente de se deslocar para tratamentos e consultas, consideramos ser desumano a medida legislativa do Governo, mas responsabilizamos a ARS Alentejo pela insensibilidade que tem demonstrado”, frisou. Nos grandes centros urbanos, argumentou Sílvia Santos, “a rede de transportes é coesa e diferente do que acontece nas zonas rurais”, onde vivem “pessoas completamente isoladas com reforma de 300 euros e que não conseguem pagar 70 euros para o transporte até Évora”. O MUSP de Évora está a promover um abaixo-assinado, que, em

menos de um mês, já recolheu mais de cinco mil assinaturas, a exigir a revogação do despacho sobre o transporte de doentes não urgentes e para ser entregue na Assembleia da República. Para o próximo sábado está marcada uma concentração junto ao Centro de Saúde de Montemor-oNovo e, a 25 deste mês, o MUSP vai organizar uma vigília em Vendas Novas para exigir a reposição do transporte de doentes. A coordenadora do MUSP de Évora mostrou-se ainda preocupada com as notícias sobre o alegado encerramento nocturno dos Serviços de Atendimento Permanente (SAP) de Montemor-o-Novo e de Vendas Novas, considerando que esta decisão “pode ter consequências gravíssimas”. “A única alternativa para estas populações é o Hospital de Évora que fica a 50 quilómetros de distância de Vendas Novas e a 30 de Montemoro-Novo”.

As crianças índigo e cristal marcam a diferença no séc XXI

Isabel Leal

Escritora | www.criancasdeumnovomundo.com

As crianças Índigo denunciam todas as estruturas fracas, frágeis e ultrapassadas existentes na sociedade actual. Quando uma criança Índigo perde a ligação com a mãe Terra, perde o seu centro e por isso o seu equilíbrio. O indicado é fazer meditação, ou utilizar sons da natureza para o ajudar a estabelecer a ligação o mais rápido possível. As crianças Índigo não aceitam a imposição nem a autoridade, recusam a manipulação, a falsidade e a desonestidade. Muito menos aceitam os velhos truques de disciplina que seus pais tentam impor, incutindo-lhes sentimentos de medo e culpa. Uma criança Cristal equilibra o seu sistema quando está ligado à natureza regularmente. Seres de paz, estão muito conscientes de quanto tudo no futuro

será feito com sucesso com união de esforços e bons sentimentos.Tem noção de que os antepassados interferem na sua vida. Lembram-se das suas vidas passadas. Proporcionar às crianças Cristal um ambiente feliz e de paz é importante uma vez que estas crianças gostam que todos os membros da família estejam por perto, e sejam felizes. Desde cedo podemos apanha-los a murmurar musica. A musica e a dança bem como a alegria fazem parte da sua natureza. Algumas crianças Cristal fazem alergia a alguns alimentos, esteja por isso atento às intolerâncias alimentares. O papel dos Índigo e Cristal que hoje são adultos, é a abertura e suporte ao caminho dos mais pequenos ou adoles-

centes, a sua missão enquanto pais passa por entender a energia de seus filhos e dar-lhes suporte. É muito importante para estes Seres ter alguém que os entenda para que a vivência no planeta menos estranha e difícil.

Livros sobre o tema: As crianças índigo 10 anos depois – Lee Carroll – Ed. Estrela Polar O meu livro de musica – António Vitorino de Almeida – Ed. Texto Meditação para crianças – Isabel Leal – Ed. Pergaminho

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11 Regional Alvito

Cooperativa de Ensino fecha portas Foto | Arquivo

Pedro Galego | Registo A Cooperativa de Ensino do Concelho de Alvito, que há 24 anos é a única escola que lecciona o 2º e 3º ciclos naquela localidade, vai ter o seu contrato de associação com o ministério da Educação resolvido, devido à construção do novo centro escolar da vila (que deve entrar em funcionamento no próximo ano lectivo e abrange os alunos desde o pré escolar, até ao 9º ano). Para o director da cooperativa, Carlos Prazeres, a situação não é uma surpresa e já esperavam por estes dias há “pelo menos dois anos”. Para os alunos tudo estará tudo assegurado, mas há 22 postos de trabalho em risco. “Há 24 anos que Alvito não tem ensino oficial, pelo que, a Cooperativa foi criada para responder à falta do 2º e 3º ciclos. Se aqui os alunos não pagam qualquer propina, o ensino é ministrado tal como em qualquer estabelecimento oficial, com o aparecimento da escola pública, deixamos de ter razões de existir”, explicou ao Registo o professor, que, apesar da mágoa por ver fechar o sítio onde chegou há mais de duas década, assegura que para a comunidade mais importante, os alunos, a mudança será pacífica. “Para os alunos a solução está encontrada e pensamos que não vai haver problemas, mas agora

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A construção de uma escola pública vai levar ao encerramento da escola privada existente em Alvito estão em causa 22 postos de trabalho, entre docentes e não docentes, que terão que voltar aos concursos, partindo em grande desvantagem, porque os anos de ensino que contabilizam foram feitos, em grande parte no ensino corporativo”, afirmou, o responsável que revelou que amanhã estarão mais uma vez reunidos com a Direcção Regional de Educação do Alentejo (DREA).

Estudo determinou o fim de 10 colégios Foi a partir de um estudo da Universidade de Coimbra, que analisou as 91 escolas privadas com contratos de associação, divulgado recentemente pelo Ministério da Educação (ME), que a Cooperativa de Alvito viu confirmado o que há muito já era uma certeza. O documento propõe a redução de 214 turmas contratualizadas para o próximo ano e sugere a resolução dos contratos de associação com dez escolas, entre as quais a CECA, e já a partir do ano lectivo 2011/2012, devido à existência de oferta pública [a abrir também no próximo ano lectivo]. Os outros estabelecimentos de ensino que verão os seus contratos de associação extintos são PUB

os colégios Rainha Santa Isabel, São Teotónio e S. José e Cooperativa de Ensino de Coimbra, o Externato Bartolomeu Dias (Loures), a Escola Santa Joana (Aveiro), o Externato Nª Srª Remédios (Covilhã), o Colégio São João de Brito (Lisboa) e o Externato Júlio César (Odivelas). Os estabelecimentos privados continuam a contestar a política de cortes de financiamento de Isabel Alçada e argumentam com a qualidade do ensino e com o facto de colmatarem muitas das falhas no serviço oficial e público. Por seu turno, o Governo diz não querer continuar a contribuir para o lucro dos privados e não cede, apesar das manifestações serem constantes.

“Há dois anos que a situação dos postos de trabalho está a ser debatida com DREA, Ministério e Câmara de Alvito”. Actualmente com 98 alunos, a Cooperativa de Ensino do Concelho de Alvito funciona há mais de duas décadas na Praça da República, num edifício cedido pela autarquia local, cujo destino é desconhecido. “Não sabemos como será utilizado este edifício daqui em diante. No seu existem vários corredores e todas as valências comuns a uma escola regular. Biblioteca, cantina, sala de convívio e até um pátio interior, por onde passaram todas as crianças do concelho desde a década de 80, ate aos dias de hoje. Para o responsável, uma mudança de filosofia que permitisse continuar de porta aberta, seria uma solução, porventura, mais ruinosa. “Mudar a nossa filosofia tornar-nos numa escola privada tradicional não faz sentido nesta região. A população é reduzida e com fracos recursos económicos. A maioria dos alunos é mesmo subsidiada pela Acção Social Escolar pelo que não se justifica de outra maneira senão como foi ao longo da sua existência. Qualquer outro modelo não é viável”, assegura Carlos Prazeres. O professor revelou ainda, que segundo as contas da ministra da Educação apresentadas recentemente em que cada aluno na escola pública custa ao Estado cerca de 3700 euros por anois, no caso do contrato de associação da cooperativa de Alvito, esse valor é “ligeiramente” inferior. “Fazendo as contas ao duodécimo que nos é atribuído por turma, vamos encontrar valores um pouco abaixo, mas com uma escola oficial, deixamos de ter razão de existir”, rematou.


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10 Fevereiro ‘11

Actual Água

Desperdício custa 750 milhões Gestos simples podem permitir uma redução de 30% na factura doméstica de água. Todos os anos são desperdiçados 3 mil milhões de metros cúbicos de água.

Luís Maneta | Registo O número foi calculado pela Associação Nacional para a Qualidade nas Instalações Prediais (ANQIP): o desperdício doméstico de água em Portugal é de 750 milhões de euros anuais. Um número “assustador”, segundo o presidente da ANQIP, que resulta da perda anual de três mil milhões de metros cúbicos de água. Os gastos domésticos mais significativos, entre 70 a 80 por cento do consumo, resultam da utilização de chuveiros e autoclismos. Sendo que, no caso dos chuveiros, a redução do caudal de água para 6 litros por minuto – metade da habitual – permite uma poupança “assinalável” ao mesmo tempo de se mantém a sensação de conforto no banho. Adaptar as descargas dos autoclismos, utilizar preferencialmente o duche em relação ao banho de imersão e utilizar dispositivos que permitem reduzir os consumos de água, tais como torneiras com fecho automático ou redutor de caudal, são três conselhos dados pela Quercus para assegurar uma efectiva redução dos consumos. Isto porque os recursos hídricos não são ilimitados. E porque é “possível” reduzir a factura da água em, pelo menos, 30 por cento. A utilização de torneiras misturadoras que diminuem o consumo pois permitem reduzir o desperdício até a água ter a temperatura desejada e a correcta utilização das máquinas de lavar roupa e louça são outros conselhos da Quercus. Medidas banais, ao alcance de todos mas com um significativo impacto no orçamento das famílias. De acordo com o Plano Nacional para o

Uso Eficiente da Água, aprovado pelo Ministério do Ambiente em 2001, os autoclismos representam 40 por cento dos consumos domésticos, estimando-se um consumo médio anual de 45 mil litros por habitação. Através da colocação de um volume ou barreira (por exemplo uma garrafa) no interior do reservatório do autoclismo pode conseguir-se uma eficiência de 60 por cento, reduzindo os consumos de forma substancial. “Muitas vezes consideramos que as medidas para a poupança de água são da responsabilidade dos titulares de cargos públicos mas não podemos esquecer o papel dos cidadãos nesse trabalho”, diz Hélder Spínola, da Quercus, acrescentando que a educação ambiental é fundamental “para que as pessoas percebam a importância do seu contributo”. Daí a importância de “campanhas de sensibilização e divulgação de informação para assegurar uma melhor adesão a estes cuidados que todos nós devemos ter”. Hélder Spínola recorda ser imprescindível assegurar a correcção de alguns problemas estruturais existentes no nosso País, associados a “enormes perdas de água nos sistemas de distribuição” e à preservação das fontes de água. “Temos insistido para a importância de sensibilizar a população para gastar menos água”, sublinha. Para os ecologistas, utilizar de forma racional os recursos hídricos deve ser um “acto contínuo” de todos os cidadãos pois, de outra forma, “não surte os efeitos desejados e acabamos por estar a desenvolver uma acção pontual sem continuidade”.

Foto | Arquivo

Évora mantém intenção de sair da AdCA O presidente da Câmara de Évora, José Ernesto Oliveira, mantém a intenção de suspender a concessão do fornecimento de água prestado pela Águas do Centro Alentejo (AdCA) por não ser financeiramente viável, mas aguarda pelas negociações com a empresa. O autarca mantém que o município não tem “razão nenhuma para a alterar” a posição. A Câmara de Évora aprovou, em Dezembro último, a suspensão da concessão do fornecimento de água prestado

pela AdCA, alegando que não é financeiramente viável, mas, depois, a Assembleia Municipal decidiu adiar, por três meses, a votação da proposta, enquanto as duas partes renegoceiam o contrato. “A Águas de Portugal (AdP) pediu uma moratória de três meses para estudar soluções para este assunto. A Assembleia Municipal de Évora decidiu conceder essa moratória, mas, até agora, ainda não nos chegou informação nenhuma”, explica José Ernesto Oliveira.

O presidente do município diz ainda ter conhecimento de um pedido de injunção, interposto pela Águas do Centro Alentejo, em Novembro do ano passado, por facturas já vencidas da empresa à Câmara de Évora, num valor superior a 6 milhões de euros. “É uma forma legal que qualquer entidade credora pode invocar. Aguardamos também a decisão sobre o mesmo”, disse o autarca, defendendo que “não compete à Câmara de Évora pronunciar-se sobre o assunto”.


13 Actual Luis Pardal | Fotografia

PASSIVO

Água endivida autarquias O grupo Águas de Portugal afirma que a dívida das autarquias voltou a crescer em 2010 e considera que os municípios terão de aumentar as tarifas para assegurarem a sustentabilidade dos serviços de água e de saneamento. No final de 2009, as autarquias deviam 257,5 milhões de euros ao grupo AdP. O responsável pelo sector da água e vice-presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), Fernando Campos, admitiu recentemente “alguns atrasos dos municípios no pagamento à Águas de Portugal”, considerando que “a factura das AdP é de tal forma que o que os municípios cobram não chega para pagar”. Os municípios esperam defendem a criação de um Fundo de Equilíbrio de Tarifários (FET) “que permita equilibrar os preços dentro de parâmetros aceitáveis no todo nacional”. Para a AdP, a água é vendida por muitos municípios a um preço inferior ao seu custo, pelo que

não é possível às autarquias assegurarem a sustentabilidade dos seus serviços. “O FET poderá contribuir para a resolução de algumas dificuldades com que se debatem muitas autarquias do interior mas isso não dispensará essas autarquias de aumentarem as tarifas que vêm praticando se pretenderem assegurar, também elas, a sustentabilidade dos seus serviços municipais de água e saneamento”, afirma a empresa, defendendo que “a sustentabilidade das empresas do grupo AdP não pode ficar dependente” da “decisão política” da criação deste tarifário. NÚmero

257,5

<Em 2009 as autarquias

tinham em dívida 257,5 milhões de euros ao grupo Águas de Portugal.>

“Quando falamos de sustentabilidade destes serviços, sejam municipais sejam multimunicipais, estamos a dizer que cada geração tem de assumir os custos dos serviços de que beneficia e dos bens que consome, seja através das tarifas, seja através dos seus impostos, não deixando para as gerações futuras esse ónus”, acrescenta. O grupo AdP destaca que, como não recebe “do Orçamento quaisquer indemnizações compensatórias”, tem de “realizar a recuperação de todos os seus custos através das tarifas praticadas”, de acordo com a lei e sob a vigilância da entidade reguladora independente. Salienta também que “a extensão destes serviços [fornecidos pela empresa] a regiões do interior rural fez-se em estreita colaboração com as autarquias utilizadoras dos serviços prestados, que deveriam ter realizado os investimentos na redes de distribuição de água e de coletores de esgotos, o que nem sempre sucedeu”

Luis Pardal | Fotografia

Concorrência

Empresas queixam-se a Bruxelas

Apesar da água ser um bem escasso, a verdade é que os desperdícios ainda são enormes devido a actos comportamentais e à falta de conhecimentos técnicos por parte de diversas instituições. “Esse desperdício é, por exemplo, bastante evidente ao nível da actividade agrícola e dos sistemas de distribuição. Entre a quantidade de água que entra na rede e a quantidade que sai existem perdas da ordem dos 60 por cento”, explica Hélder Spínola. A nível doméstico, os banhos e duches representam cerca de 39 por cento do consumo médio diário. Ora, a redução do volume

de água gasto em cada utilização, sem sacrificar o conforto do utilizador, acaba por traduzir um significativo potencial de poupança. Também a nível autárquico podem ser tomadas pedidas de racionalização dos consumos. A Quercus fala, por exemplo, na utilização da limpeza a seco dos pavimentos, na proibição da utilização da água do sistema público de abastecimento para a lavagem de viaturas e pela não utilização de água tratada na rega de jardins e outros espaços verdes. Entre as prioridades que deveriam ser assumidas pelo Go-

verno, os ecologistas incluem os recursos hídricos recordando que Portugal ainda não está a cumprir a legislação comunitária neste sector. “O esforço de redução do desperdício de água nos diversos sectores, em particular na agricultura e abastecimento humano, deve igualmente marcar a agenda”, refere a Quercus, recordando que ainda existem problemas por resolver ao nível da “primeira geração de saneamento básico”. Entre as prioridades inclui-se a sensibilização dos agricultores para um consumo racional de água.

A Associação das Empresas Portuguesas do Sector do Ambiente (AEPSA) deverá entregar até final do mês em Bruxelas a documentação da queixa contra o Estado português por violação da lei da concorrência no sector da água. Os fundamentos da queixa já foram dados a conhecer ao Governo, designadamente o primeiro-ministro e à ministra do Ambiente, bem como à Entidade Reguladora dos Serviços de Agua e Saneamento, à Comissão do Ambiente da Assembleia da República e aos líderes dos grupos parlamentares. No documento, a associação diz que a “denúncia a apresentar tem por objecto a incompatibilidade com as regras europeias da concorrência da celebração de contratos entre o Estado português e alguns municípios para efeitos da gestão integrada dos sistemas municipais de distribuição de água para consumo público e saneamento de águas residuais urbanas”. Estes contratos, alega a AEPSA, “não foram precedidos de um procedimento de

contratação pública, isto é, um procedimento aberto à concorrência, transparente e não discriminatório”. A associação defende que a exploração dos sistemas municipais integrados em regime de parceria seja feita através de uma entidade gestora autónoma, em que os municípios tenham uma participação minoritária e o Estado detenha a maioria. A AEPSA salienta que os municípios, “por força dos contratos de fornecimento celebrados com as entidades multimunicipais, se encontram simultaneamente na posição de accionistas e clientes daquelas no que se refere à actividade grossista de distribuição de água e saneamento”. Esta relação, acrescenta, tem levado os municípios a acumularem “avultadas dívidas” junto dessas entidades multimunicipais. A associação considera que houve uma “violação do direito da União Europeia (UE) que justifica que a Comissão abra um procedimento por incumprimento do direito da UE contra a República portuguesa”.


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10 Fevereiro ‘11

Economia & Negócios Agricultura

Escalada de preços preocupa Serrano Lusa O Ministro da Agricultura diz que a escalada no preço das matérias-primas e dos alimentos a nível mundial é uma preocupação de toda a sociedade e o maior problema com a mesma se debate hoje em dia. Em declarações à margem da cerimónia de entrega do contrato do Programa de Desenvolvimento Rural (PRODER) à Associação dos Produtores Florestais da freguesia de Belver, em Gavião, António Serrano defendeu ser necessário encontrar “novos instrumentos para tornear o problema”, comentando a informação da ONU de que os preços dos alimentos a nível mundial atingiram um novo recorde em Janeiro. António Serrano diz que a escalada dos preços é “uma preocupação da sociedade e o maior problema com que a mesma se debate, referindo que “resulta de dois factores concretos e de uma variável, que a eles se associa” para agravar o problema. “Por um lado, resulta do aumento da procura com a população mundial com melhor poder de compra a adquirir produtos que antes não comprava e com isso a criar uma enorme pressão”, disse, apontando para os exemplos de países como a China, a Índia e os países em desenvolvimento. “Por outro lado”, continuou, “associam-se a este problema os movimentos financeiros a actuar nos mercados que encontram aqui uma oportunidade de valorização dos seus investimentos e criam pressão sobre o preço dos alimentos e das matérias-primas”. O Ministro da Agricultura referiu à Lusa uma terceira componente, que classificou de “uma variável difícil de resolver”, como é o caso das alterações climáticas, responsáveis, no seu entender, pela destruição de muita produção e pela redução dos stocks disponíveis.

Regadio

“É a região que tem de dizer o que quer fazer com Alqueva” Nuno Veiga | Lusa

Ministro da Agricultura e presidente da EDIA na inauguração do subsistema de rega do Ardila O ministro da Agricultura garantiu que o futuro modelo de gestão do empreendimento de Alqueva “está em aberto” e desafiou os interessados “a trabalhar com o Estado” na elaboração de uma proposta com “sentido”. “Gostaria, sinceramente, que aquilo que viéssemos a fazer servisse os interesses, em primeiro lugar, dos agricultores e do desenvolvimento da região”. “Desafio todos a trabalhar com o Estado na elaboração de uma proposta que faça sentido e que possa ser defendida em Conselho de Ministros”, acrescentou António Serrano, referindo que a “missão fundamental do Estado”, a construção das infra-estruturas, “fica resolvida em 2013”. Segundo o ministro, o Estado “tem limites para a sua intervenção”, “não quer sobrepor-se à

iniciativa privada” e já lhe coube “uma responsabilidade enorme”, que é a construção de um empreendimento com o investimento global “brutal” de 2,5 mil milhões de euros. “Agora, é a região a dizer o que quer fazer com ele. Se não for capaz de o fazer, as decisões políticas depois não podem ter em consideração aquilo que é visão da região. António Serrano refere que o futuro modelo de gestão terá que permitir que o Estado, nos próximos anos, “possa discutir em Bruxelas um contínuo apoio ao desenvolvimento” da agricultura portuguesa, “através de programas de apoio ao investimento privado e de reabilitação das infra-estruturas de regadio”. O Estado “tem que construir um quadro negocial que lhe

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permita manter no futuro estes apoios”, porque sem eles “não há regadio que seja viável”, garantiu o ministro no final da sessão de apresentação das conclusões preliminares de um estudo que avaliou três cenários de gestão do sistema de rega de Alqueva (isolada, mista e partilhada) e com enfoque na sustentabilidade económica do sistema de regadio. Castro e Brito “ofendido” Trata-se de “um estudo para a gestão” da Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas de Alqueva e “não do regadio”, diz Castro e Brito, presidente da Federação das Associações de Agricultores do Baixo Alentejo (FAABA), referindo que “tem que ser contabilizado o esforço

do investimento dos agricultores, a questão social, o emprego e a riqueza gerada pelo projecto e não fazer só uma conta de ganhar dinheiro com a venda de água”. “Nunca me senti tão ofendido”, lamentou, referindo que, segundo o estudo, os agricultores são “inúteis e ignorantes” e “o papel das associações de regantes, que tem contribuído para o desenvolvimento da nossa agricultura e do nosso país, acabou”. O futuro modelo de gestão está a gerar acesa controvérsia em Beja, tendo levado a Associação de Agricultores do Baixo Alentejo (AABA) a demitir-se da federação. O projecto Alqueva “precisa de um enquadramento legal diferente” do vigente, já que irá abranger 110 mil hectares de regadio e tem um sistema de distribuição de água “extremamente complexo e oneroso” e “sem paralelo em Portugal”, considera Francisco Palma, presidente da AABA. “A divisão da área de regadio do Alqueva em pequenos territórios, para se formar as capelinhas muito usuais em Portugal, vai tirar as sinergias que o projecto precisa para ser o menos deficitário possível e tornar mais cara a gestão do perímetro de rega”. Segundo Francisco Palma, o modelo de gestão baseado nas associações de regantes foi “idealizado há 50 anos, quando os perímetros de rega nada tinham a ver com os actuais, muito menos com os de Alqueva”, “tem-se revelado muito pouco eficiente” e é “altamente dependente do erário público”, disse. Já a Associação de Beneficiários do Roxo (ABR), através de um comunicado, considera que a AABA revela “uma ignorância total do papel” e “um desconhecimento” das estruturas internas das associações de regantes.


15 Economia & Negócios Nuno Veiga | Lusa

Mais 17 mil hectares de regadio Quatro aproveitamentos hidroagrícolas integrados no projecto de Alqueva, que abrangem 17 mil hectares de novos regadios na margem esquerda do Guadiana, foram inaugurados pelo ministro da Agricultura, após um investimento de 112,5 milhões de euros: Orada/Amoreira (2522 hectares), Brinches (5463 hectares), Serpa (cerca de 4400 hectares) e Brinches/Enxoé (4698 hectares). Os quatro aproveitamentos hidroagrícolas estão equipados com seis estações elevatórias

e os novos regadios, integrados no subsistema de rega do Ardila, são servidos por dois circuitos hidráulicos, entre a Estação Elevatória de Pedrógão, na margem esquerda do Guadiana, e a albufeira do Enxoé. Os circuitos, além de canais e adutores, incluem quatro barragens e um reservatório equipado com uma estação elevatória, num investimento na ordem dos 92 milhões de euros. Com as várias obras, concluídas, em curso ou em fase de adjudicação, a Empresa de

Gestão terá défice de 78,1 milhões A gestão partilhada do sistema global de rega de Alqueva, feita maioritariamente pelo Estado, terá um défice de 78,1 milhões de euros até 2050, mas é a “economicamente mais favorável”, aponta o estudo “Uma visão estratégica para um desenvolvimento sustentável do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva”, encomendado pela EDIA. Segundo as conclusões preliminares, a gestão partilhada, que terá um valor actualizado líquido (VAL) negativo de 78,1 milhões de euros até 2050, é o cenário “economicamente mais favorável para a gestão global do sistema de rega” de Alqueva e o “mais interessante” para o projecto e o promotor, o Estado. No cenário de gestão partilhada, a gestão e manutenção das redes primária e secundária e a gestão comercial ficarão a cargo da EDIA cabendo a representação dos agricultores a associações de regantes. O estudo indica também que a gestão deve “assegurar a interdependência” entre os sistemas

das redes primária e secundária e para “mitigar os resultados negativos estimados” é preciso “potenciar a gestão integrada” das valências agrícola, energética e turística do empreendimento. Também para “mitigar os resultados financeiros negativos”, a EDIA “deverá assegurar a gestão global do perímetro de rega” e do Grande Lago de Alqueva e das suas margens, “suportada na rentabilização dos seus activos e no aumento da prestação de serviços”. Feito por uma empresa de consultadoria, o estudo, que servirá para definir uma estratégia para o “desenvolvimento sustentável” do empreendimento após ficar concluído em 2013, avaliou três cenários de gestão (isolada, mista e partilhada), com enfoque na sustentabilidade económica do sistema de regadio. A gestão isolada, que terá um VAL negativo de 102,8 milhões de euros até 2050, 30,6 milhões de euros para a EDIA e 72,2 milhões de euros para associações de regantes, é o cenário “economicamente mais favorável para

a EDIA”. Neste caso, a gestão e manutenção da rede primária caberá à EDIA e a gestão e manutenção da rede secundária, a gestão comercial e a representação dos agricultores às associações. No cenário de gestão mista, que terá um VAL negativo de 79,4 milhões de euros, 72,4 milhões para a EDIA e sete milhões de euros para associações, a gestão e manutenção das redes primária e secundária ficarão a cargo da EDIA e a representação dos agricultores caberá a associações de regantes. Aqui, a gestão comercial será partilhada entre a EDIA, que irá fazer a gestão financeira e cobranças, cabendo às associações assegurar o relacionamento com agricultores. As conclusões preliminares do estudo estão até final de Fevereiro em consulta pública para recolha de sugestões, que serão analisadas em Março, mês em que será feito um sumário para entregar ao Ministério da Agricultura e irão decorrer reuniões de trabalho com várias entidades.

Desenvolvimento e Infraestruturas de Alqueva (EDIA) refere que o empreendimento já “dispõe de 66 mil hectares de regadios”, mais de metade dos 110 mil hectares previstos no projecto global, cuja conclusão deverá acontecer em 2013, depois de inicialmente prevista para 2025. Esta é uma “prioridade que o Governo irá manter” apesar da “grande pressão financeira” para controlar o défice das contas públicas, diz António Serrano, apontando Alqueva como

a “prioridade número um” do Ministério da Agricultura. “Não podemos reduzir o esforço que já fizemos até agora”. Estamos perante uma revolução” no Alentejo, sublinhou o ministro, referindo que o resultado final não é a construção das infra-estruturas de Alqueva, mas a sua utilização “para o desenvolvimento da região” e em todas as valências, agrícola, “em primeiro lugar”, mas também as de abastecimento público de água, energia e turismo.

Nuno Veiga | Lusa

António Serrano vai apresentar em Abril o modelo de gestão para Alqueva


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Economia & Negócios Conferência

PME

Reguengos debate futuro do projecto de Alqueva

Arquiled Ilumina Benfica Redacção | Registo

Redacção | Registo O futuro do projecto Alqueva vai ser o tema da conferência “Alqueva: os próximos 10 anos!”, que decorre no próximo sábado no Auditório Municipal de Reguengos de Monsaraz. A iniciativa é organizada conjuntamente pela da Associação Alentejo de Excelência (Fórum Alentejo) e pela Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz. Segundo o presidente da Associação Alentejo de Excelência, Carlos Sezões, a ideia é “debater de forma crítica qual o impacto que o projecto do Alqueva pode e deve ter na região e o que, num óptica de execução e concretização, terá de ser feito na próxima década para tal suceder - que prioridades, que problemas a desbloquear, que envolvimento das autarquias, Estado central, empresas e comunidade local”. Na conferência haverá intervenções do director-geral do Parque Alqueva, Jorge Ponce de Leão, do presidente da EDIA, Henrique Troncho, de António Pinheiro, especialista em Desenvolvimento Rural e Economia Agrícola e ex-vice reitor da Universidade de Évora, e do presidente da Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz, José Calixto. No concelho de Reguengos de Monsaraz existem mais de 200 quilómetros de margens do Grande Lago Alqueva e está prevista a construção de três

Potencialidades turísticas de Alqueva serão um dos temas em debate grandes projectos turísticos, nomeadamente o Roncão d’el Rei, o São Lourenço do Barrocal e o Vila Lago Monsaraz – Golf & Nautic Resort. O primeiro empreendimento a iniciar as obras, há mais de um ano, foi o Roncão d’el Rei, com a construção do primeiro campo de golfe, do Club House e do Hotel do Monte. Na totalidade, os três projectos turísticos significam investimentos superiores a 1,2 mil milhões de euros e a criação de cerca de seis mil

postos de trabalho directos e indirectos. José Calixto salienta que “o grande impacto que o Grande Lago Alqueva vai ter neste concelho será principalmente no sector turístico, no entanto, considero igualmente prioritário o desenvolvimento de esforços para trazer o regadio aos agricultores desta região”. O autarca diz que o concelho “foi o primeiro a conseguir todas as aprovações para que os projectos turísticos previstos

possam iniciar as obras, tendo licenciado cerca de 17 mil camas turísticas”. “Foram assim desenvolvidos e aprovados planos de pormenor que nos asseguram um ordenamento adequado do território, afastando qualquer hipótese de nascerem empreendimentos desadequados à região e de se chegar a um caos urbanístico idêntico ao de outros concelhos do país, pois no Grande Lago Alqueva pretende-se um turismo de qualidade”, assegura.

A Arquiled, PME – Projectos de Iluminação, com sede em Mora, e o Sport Lisboa e Benfica iniciaram um projecto para a iluminação LED do futuro museu do clube. Com poupanças da ordem dos 60 por cento nos gastos em luz, o projecto da empresa de Mora é já visível na exposição dedicada aos 50 anos de Eusébio. O ponto alto da parceria será a iluminação total dos dois mil metros quadrados do novo museu do Benfica. “Foi criado um produto personalizado para o clube denominado Arquieagle, afirmando assim a parceria entre estas duas instituições e será implementado um sistema de controlo inovador que permitirá tornar o museu autónomo e interactivo”, refere fonte da empresa. A Arquiled foi criada em 2006 e dedica-se à criação, desenvolvimento e produção de iluminação utilizando a tecnologia LED (Light Emitting Diode) com fonte de luz. Paralelamente produz toda electrónica de controlo desta iluminação, para que a qualidade projectada seja assegurada. A empresa atingiu uma facturação superior a três milhões de euros em 2009, ano em que duplicou a área de laboração e o número de colaboradores.

Portalegre Beja

Aeroporto com voo marcado para São Filipe, em Cabo Verde O que poderá ser o primeiro voo internacional a partir do aeroporto de Beja deverá realizar-se em Abril, tendo como destino Cabo Verde, para assinalar a geminação entre os municípios de Ferreira do Alentejo e São Filipe. O voo será o ponto de partida para uma viagem com regresso previsto para 21 de Abril e que está a ser preparada pelos municípios de Ferreira do Alentejo e São Filipe, ANA - Aeroportos de Portugal, TACV - Cabo Verde Airlines, Esdime - Agência para o Desenvolvimento Local no Alentejo Sudoeste e Dynmed Alentejo - Associação para Estudos e Projectos de Desenvolvimento Regional. “Estamos a fazer todos os es-

forços no sentido de o voo de partida se realizar a 14 de Abril e o de regresso a 21”, diz o presidente da Câmara Municipal de Ferreira do Alentejo, referindo que os voos “já têm autorização especial” do Instituto Nacional de Aviação Civil (INAC) e irão realizar-se “independentemente da prévia inauguração do aeroporto de Beja”. Segundo Aníbal Costa, a viagem irá “assinalar a geminação” entre Ferreira do Alentejo e São Filipe, no âmbito de um memorando assinado entre os municípios em 2009, e também pretende “promover as potencialidades do aeroporto de Beja”. Os passageiros irão viajar num Boeing 757-200ER, da companhia aérea TACV - Cabo Verde

Airlines, entre os aeroportos de Beja e o da Praia (Ilha de Santiago), onde irão mudar para um avião de transporte regional, no qual seguirão viagem até ao Aeródromo de São Filipe (Ilha do Fogo), o mesmo acontecendo no regresso. A viagem, que terá duas componentes, uma comercial e outra institucional, deverá começar a ser comercializada pela ANA - Aeroportos de Portugal na edição deste ano da BTL Feira Internacional de Turismo, que irá decorrer entre os próximos dias 23 e 27 em Lisboa. De acordo com o autarca, a viagem, através da componente comercial, está a aberta a qualquer interessado, que, a partir do próximo dia 23, poderá diri-

gir-se a um operador turístico para obter mais informações e comprar as passagens. A componente institucional da viagem, que inclui um programa de actividades ligadas à promoção de negócios bilaterais e que irá decorrer nas ilhas do Fogo e de Santiago, está reservada a um número limitado de entidades públicas e empresários, que poderão inscrever-se através do município de Ferreira do Alentejo. Recentemente foi também anunciado o interesse de um operador britânico em realizar um voo charter semanal entre Londres e Beja, com início no próximo mês de Maio, se até lá o INAC proceder à certificação da pista.

Diterra presente no SISAB A Diterra, empresa de Comércio Agro-Industrial do Alto Alentejo vai estar presente no SISAB – Salão Internacional do Vinho, Pescado e Agro-Alimentar, de 21 a 23 de Fevereiro em Lisboa. Após um ano de exportação do Azeite Virgem Extra Fadista para a América do Norte (EUA e Canadá) o objectivo da presença no evento relaciona-se com a vontade da empresa alargar o mercado de Exportação. Para Teresa Mendes, responsável comercial da Diterra, “esta é uma feira que com toda a certeza só trará benefícios para a empresa. O nosso objectivo é criar laços profissionais com importadores estrangeiros e conseguirmos aumentar a percentagem de Exportação para o mercado Internacional.”


17 Cultura Universidade de Évora

Maria Alzira Seixo premiada Maria Alzira Seixo foi o nome escolhido para a atribuição do Prémio Vergílio Ferreira 2011. Ensaísta, crítica literária e professora catedrática, Maria Alzira Seixo é especialista em Literatura Francesa, Comparada e Portuguesa. A cerimónia de entrega do Prémio decorre a 1 de Março, data da morte de Vergílio Ferreira, pelas 18h30, na Sala dos Actos da Universidade de Évora. Maria Alzira Seixo tem uma vasta bibliografia publicada da qual se destaca o livro, editado em 1968, “Para o Estudo da Expressão do Tempo no Romance Português Contemporâneo”, tendo-se seguido “Discursos do texto” de 1977, “O Essencial sobre José Saramago” de 1987, “Lugares da ficção em José Saramago. O essencial e outros ensaios” de 1999 e “Os romances de António Lobo Antunes; análise, interpretação, resumos e guiões de leitura” de 2002, entre outros. É especialista do romance português contemporâneo e, em especial, da ficção de António Lobo Antunes, tendo publicado em 2010 “As flores do Inferno e Jardins Suspensos”, um estudo aprofundado sobre os romances de António Lobo Antunes. Maria Alzira Seixo colaborou com a Universidade de Évora, PUB

D.R.

tendo sido patrono de José Saramago, aquando da atribuição do Doutoramento honoris causa ao escritor na Universidade de Évora em 1999, e coordenou pedagógica e cientificamente a Literatura Francesa na Universidade de Évora até meados da década de 90. Impulsionou e presidiu à Associação Portuguesa de Literatura comparada e à Federação Internacional de Línguas e Literaturas Modernas. José Alberto Machado, da Universidade de Évora, presidiu ao júri do prémio, formado ainda por Fernando Gomes, responsável do departamento de Linguística e Literaturas, Fernanda Irene Fonseca, da Faculdade de Letras da Universi-

dade do Porto, Paula Morão, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e pelo poeta e crítico literário Liberto Cruz. Nas edições anteriores, o Prémio Vergílio Ferreira já foi atribuído a Maria Velho da Costa, Maria Judite de Carvalho, Mia Couto, Almeida Faria, Eduardo Lourenço, Óscar Lopes, Vítor Manuel de Aguiar e Silva, Agustina Bessa Luís, Manuel Gusmão, Fernando Guimarães, Vasco Graça Moura, Mário Cláudio, Mário de Carvalho e Luísa Dacosta. O galardão visa dar projecção e visibilidade às obras de ficção ou ensaio dos autores escolhidos e inclui uma componente pecuniária de cinco mil euros.

Évora convida à leitura A Câmara Municipal Évora em parceria com Biblioteca Pública de Évora está a desenvolver um conjunto de dinâmicas com o objectivo de revelar a leitura às crianças como fonte de prazer e de brincadeira, através do Centro Educativo para a Leitura (CEL). A funcionar na BPE, o centro promove um conjunto de iniciativas direccionadas para o ensino do Pré-Escolar e 1º ciclo do Ensino Básico.

O CEL tem como dinamizadores Sílvia Chambino e Rui Melgão, e visa dar continuidade aos objectivos do projecto de promoção do livro e da leitura “A Fada Palavrinha e o Gigante das Bibliotecas” junto do público escolar. Além desta iniciativa, o CEL irá realizar outras actividades, tais como “Pernas para Contar” que inclui visitas ao estabelecimentos de ensino das freguesias rurais.


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Cultura “Música no Vale” estreia em Março A primeira produção de a bruxa Teatro em 2011 é “Música no Vale”, uma peça do dramaturgo norteamericano John Ford Noonan encenada por Figueira Cid e com estreia marcada para Março. “É um texto que tem a ver com a capacidade de duas pessoas serem capazes de se ajudar a si próprias a ultrapassar uma doença do foro psiquiátrico”. Essas duas pessoas são Claire e Margot que se encontram numa clínica psiquiátrica no topo de uma colina, em Woodstock, Nova Iorque. Claire é uma doente esquizofrénica que “curte” Bruce Springsteen e expulsa os companheiros de quarto com música desmesuradamente alta. Margot é uma histérica de meia-idade que vive intensamente o rock da década de 60. “São duas doentes que rememoram temas do seu passado e tentam ajudarse a sair da instituição”. Figueira Cid cita o próprio Noonan ao sublinhar que o tema central da peça acaba por ser a “permission, a autorização para” fazer algo: “As pessoas que se vêem numa situação destas, aprisionadas em clínicas, é porque não obtiveram a permissão exterior para serem livres e são consideradas marginais, malucas. Às vezes não o são, de facto”. “Quando são transferidas para estes hospícios, as pessoas têm permissão para serem livres, extravasar, pôr a música em altos berros. Ao mesmo tempo que têm a outra capacidade, a de poder sair, ultrapassar essa doença”. valter hugo mãe Em “carteira” para este ano – caso haja disponibilidade financeira – estará o regresso de a bruxa aos autores portugueses, após “História da Gata Borralheira” (texto de Sofia de Melo Breyner), “Escólicas” (criação colectiva) e “Pranto de Maria Parda” (Gil Vicente). Desta vez será um texto original escrito por valter hugo mãe a convite da companhia.

Atraso comp Luís Maneta | Registo

À semelhança da generali dos agentes culturais da cida bruxa Teatro reconhece estar ver uma “situação financeira plicadíssima”. Isto devido ao so no pagamento dos subsídi Câmara Municipal de Évora rentes a 2009 e à perspectiv 2010 “ficar em branco”, conf anunciou a vereadora da Cu Cláudia Sousa Pereira, em e vista à última edição do Regi “Não pagar 2010 é uma de tomada à revelia do que fo malmente escrito pelo presid da Câmara. Teremos de enco forma de ultrapassar essa ção pois não podem dizer um que pagam e no outro já nã gumenta Figueira Cid, direct companhia. No caso de a bruxa Teatro em causa um subsídio anu 15 mil euros, acrescido de 10 euros correspondentes ao do arrendamento do espaço funciona a associação, nos


19 Cultura Luis Pardal | Fotografias

Itinerâncias “Antígona em Nova Iorque” Partindo da obra de Sófocles, o dramaturgo polaco Janusz Glowacki recria Antígona. Um texto intenso e cheio de humor, cativante de humanidade e esperança onde a comédia dá lugar à tragédia. Estreou em Novembro de 2010. “Música no Vale” Texto de John Ford Noonan, actor e dramaturgo nova-iorquino com estreia agendada para 10 de Março. “Uma mistura de alienação, nostalgia e efeitos de choque diluída perto do fim com sentimentos optimistas”, escreveu o crítico Vincent Canby. “A Pantufa” Espectáculo para crianças entre os 5 e os 9 anos a partir de um texto de Claude Ponti. O que sonha um feto de 9 meses na barriga da mãe? Estreia prevista para 24 de Março.

Com a bruxa ganhou o nome “Évora é uma cidade com resquícios de feudalismo partidário e algo que surja complementar a coisas já instalada sofre as dores de parto”. A frase é de Figueira Cid. E serve-lhe para descrever a forma como a bruxa Teatro se instalou em Évora, em 2002. Antigo actor e responsável pelo Centro Dramático de Évora – “fui expulso depois de fazer a bruxa” – Figueira Cid deixou o Teatro Garcia de Resende para rumar à Malaposta, onde ficaria um ano e de onde seria “expulso” pela “esquerda caviar”. Foi na década de 90 do século passado. Com um grupo de amigos, na Comuna, acabou por fazer um espectáculo autobiográfico intitulado “Sonhos”. “A coisa funcionou bem e decidimos continuar”. Até que uma noite no Bairro Alto, em Lisboa, Figueira Cid e Manuela Pedroso

decidiram dar um nome ao projecto. “Como tínhamos sido despedidos de uma forma tão arbitrária e tão injusta, depois de termos trabalhado imenso, dizíamos que o melhor seria ir à bruxa”. E a bruxa Teatro ficou. Na altura, o propósito era trabalhar para crianças. Depois de regressar a Évora, Figueira Cid apostou no relançamento de a bruxa. “Há aqui um imenso investimento meu. Não estou nada arrependido”.

“Emilie & Voltaire” Esta história verídica entre Voltaire e Emilie du Chatelet revela-se uma tórrida obsessão alimentada pela filosofia e pelo amor genuíno. Texto de Arthur Giron. Estreia a 7 de Maio.

o nos subsídios municipais promete apoio da Cultura

idade ade, a r a via como atraios da a refeva de forme ultura, entreisto. ecisão oi fordente ontrar situam dia ão”, artor da

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pa residente. Mas todos os anos leiros da EPAC. Sem apoio da autarquia desde o passam por lá dezenas de artistas segundo semestre de 2009, a bruxa e técnicos envolvidos nas produTeatro corre também o risco de ver ções teatrais e num diversificado comprometido o apoio financeiro conjunto de actividades. “Este por parte do Ministério da Cultu- atraso nos apoios não faz nenhum ra (que já anunciou uma redução sentido, sobretudo quando se gasde 23% nos subsídios a atribuir ta bastante dinheiro noutras coieste ano). “A continuação do apoio sas”. Figueira Cid também não esfinanceiro por parte do Ministério da Cultura cessa completamente conde o “desapontamento” quanse não existir um empenho finan- to à proposta de Regulamento de Apoio a Projectos Culturais do ceiro da autarquia”. “Nunca nos passou pela cabeça Concelho de Évora, colocada em que pudessem não pagar as ver- discussão pública pela autarquia, bas relativas a 2010”, diz Figueira considerando tratar-se de um doCid, acrescentando que os sub- cumento “completamente viciado sídios em atraso “deveriam” ser pois mete tudo no mesmo saco, profissionais e amadores”. acrescidos de juros. Além do mais, é um normativo “É um compromisso que a Câmara não respeita e nos obriga, para “exageradamente burocrático, tiramanter a actividade, a recorrer à do quase a copy paste dos regulabanca, a amigos e ao nosso próprio mentos do Ministério da Cultura”. dinheiro. Nalguns casos temos de E a insistência na nomeação de pagar juros e efectuar despesas um júri para escolher os espectáculos a apoiar vem “viciar” o próque não são ressarcidas”. Sendo uma companhia profis- prio regulamento. “Assim não vale a pena haver sional com 10 anos de existência, a bruxa Teatro não tem uma equi- concurso. Deve ser apoiada a pro-

gramação das diversas estruturas profissionais num todo, porque ela é diversa e corresponde a produtos culturais e artísticos diferentes que contribuem para a riqueza cultural e humana da cidade. Não deve ser a Câmara a impor um determinado gosto ou substituir-se à vontade do público”. Aposta na dramaturgia contemporânea Criada em 2002, a bruxa Teatro produz, em média, três peças por ano. “Fazemos mais do que nos é exigido do ponto de vista financeiro e programático. Temos dinheiro suficiente para fazer uma produção e meia por ano mas acabamos por fazer sempre mais”. O segredo está na “boa gestão” dos dinheiros e na (quase) inexistência de encargos fixos. “É uma opção. Prefiro fazer três espectáculos por ano a ter uma estrutura com 3 ou 4 actores fixos e fazer um espectáculo por ano. Isso não me interesse, de todo, porque não cria públicos, não di-

versifica as actividades”, diz o director da companhia. “É evidente que é arriscado, exige imenso esforço intelectual e físico para manter uma actividade destas mas temos conseguido”. 2006 foi um “belíssimo ano de trabalho”, com 5 espectáculos, um dos quais financiado pela Fundação Eugénio de Almeida, uma das instituições que tem apoiado a bruxa Teatro. Já a programação para 2010 não chegou a ser integralmente cumprida, dadas as dificuldades financeiras, tendo a estreia de “Música no Vale” sido adiada para Março deste ano. Com poucas excepções, a criação artística assenta em textos da dramaturgia contemporânea. “Não temos nada contra os clássicos mas aqueles que gostaria de fazer envolvem muitos actores e são incomportáveis do ponto de vista da produção”, diz Figueira Cid, que se confessa apostado em encenar “temas que nos façam reflectir sobre a sociedade contemporânea”.


20 10 Fevereiro ‘11 Roteiro

MÚSICA

TEATRO

EXPOSIÇÃO

Garrafas de cerâmica do século XVII à mostra no Colégio de S. Sebastião

GASTRONOMIA

Grândola Edson cordeiro 12 de Fevereiro | 22h00 Local: Troia Considerado um fenómeno pela crítica, Edson Cordeiro apresentase em concerto no Casino de Troia

Serpa Pessoa - O grande ausente 18 de Fevereiro | 21h30 Local: Cineteatro Municipal Fernando Pessoa vai subir à cena do Cineteatro de Serpa numa homenagem do Trigo Limpo TEATRO ACERT

Portalegre Exposição de pintura de santos sá e edite sá 3 de Janeiro a 28 de Fevereiro Local: Galeria Tempo Sem Fim A Galeria Tempo Sem Fim acolhe uma exposição colectiva da autoria de Santos Sá e Edite Sá

Marvão “Antologias” 1 a 29 de Fevereiro Local: Casa da Cultura Exposição de António Madeira Santos com desenho a grafite, aguarela, tinta da China, pastel de óleo, guache, óleo e acrilico sobre diversos suportes

Alvito Ciclo Gstronómico ervas da Baronia 7 a 13 de Fevereiro Local: Restaurantes aderentes Espargos, catacuzes e carrasquinhas são protagonistas no Ciclo Gastronómico Ervas da Baronia

Santiago do Cacém “Scenas do Lar” 26 de Fevereiro | 21h30 Local: Auditório Municipal Alda Guerreiro é homenageada, em Santiago do Cacém, no espectáculo “Scenas do Lar”

Évora Colecção fotográfica da sociedade harmonia eborense 6 de Janeiro a 9 de Março Local: Museu A Sociedade Harmonia Eborense expõe um espólio fotográfico datado a partir dos finais do século XIX

Avis “Pontos de vista” Fotografias de ricardo do calhau 1 de Fevereiro a 6 de Março Local: Auditório Municipal José Carlos Ary dos Santos A preto e branco, Ricardo Calhau revela cerca de 30 imagens diferenciadas

Marvão Marvão “ Bom gosto” Quinzena gastronómica “comidas de azeite 19 de Fevereiro a 8 de Março Local: Restaurantes aderentes Pratos confeccionados à base de azeite preenchem a ementa da Quinzena Gastronómica “Comidas de Azeite”

Mértola BOSS-AC Concerto de hip-hop 12 de Fevereiro | 21h30 Local: Cine Teatro Marque Duque O Hip Hop vai subir ao palco do Cine Teatro Marques Duque num concerto a cargo dos BOSS-AC Redondo EMMA get wild 12 de Fevereiro | 22h00 Local: Café Concerto Belíssimo projecto pop folk liderado pela britânica Isabel Castro, acompanhada na guitarra pelo espanhol Salva Fito Beja nortada - companhia olga roriz 12 de Fevereiro | 23h00 Local: Auditório Municipal “Nortada” é o nome da peça que a Companhia de Dança Olga Roriz apresenta no palco do Auditório

Beja “Doroteia” 26 de Fevereiro | 21h30 Local: Auditório Municipal A encenação de “Doroteia” pela Companhia de Teatro na Educação no Baixo Alentejo, em cena no Auditório municipal de Beja Redondo “SOnho de uma noite de verão” 26 de Fevereiro | 18h30 Local: Auditório Municipal O grupo de teatro SOIRR-JAA apresenta uma encenação de William Shakespeare no Auditório

Ponte de Sôr Exposição de fotografia e laboratório de criatividade 15 de Janeiro a 12 de Fevereiro Local: Centro de Artes e Cultura Salvatore Ligios assina a exposição de fotografia no Centro de Artes e Cultura de Ponte de Sôr

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21 Lazer Sugestão de leitura

Sugestão de filme

2012 - Cenários para o Fim do Mundo

Alain Oulman - Com Que Voz

Autores: Didier Jamet e Fabrice Sinópse:

Autor: Nicholas Oulman Sinópse:

21 de Dezembro de 2012. Será essa a data do fim do mundo? O rumor circula pela Internet incentivado pelo filme 2012, de Roland Emmerich, segundo o qual estaríamos à mercê de um corpo celeste gigantesco, da inversão do campo magnético terrestre, de uma enorme intensificação da actividade solar, entre outras possibilidades. A obra procura analisar essa hipótese com base no conhecimento científico actual. Porém, à semelhança do que aconteceu noutras eras, remete-nos para possível ocorrência de outros cenários ainda piores, os quais afectaram

Um retrato de Alain Oulman (1928-1990), num documentário realizado pelo seu filho, Nicholas. Artista multifacetado, celebrizou-se pelo seu trabalho conjunto e continuado com a fadista, sendo responsável pela introdução de alguns dos maiores poetas e escritores lusos na canção nacional. Mas há mais Oulman para além de Amália: nascido em Lisboa, no seio de uma família judaica tradicional de origem francesa, foi perseguido pelo regime de Salazar, foi agente e editor literário, engenheiro, fundou o grupo de teatro Lisbon Players e dirigiu

a sobrevivência de espécies inteiras. Os autores procuram esclarecer o nosso futuro à luz destes acontecimentos do passado. Conseguirá a ciência determinar com exactidão a data do fim do mundo? 2012 será o nosso último ano? E, se não for 2012, poderá esse terrível acontecimento suceder em breve?

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Balança Carta Dominante: Rainha de Paus, que significa Poder Material e que pode ser Amorosa ou Fria. Amor: Não fique desatento ao que se passa à sua volta. A força do Bem transforma a vida! Saúde: Sentir-se-á em forma e sem preocupações. Dinheiro: Poderão surgir algumas dificuldades. Números da Sorte: 7, 22, 29, 33, 45, 48 Dia mais favorável: Segunda-Feira

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Nota: O objectivo do jogo é completar os espaços em branco com algarismos de 1 a 9, de modo que cada número apareça apenas uma vez na linha, grade e coluna.

HORÓSCOPO SEMANAL Carta Dominante: Ás de Copas, que significa Princípio do Amor, Grande Alegria. Amor: Não seja egoísta, pense nos sentimentos das outras pessoas. Proteja as suas emoções tornando-se cada dia que passa num ser humano mais forte e então sim, será feliz! Saúde: Tente relaxar um pouco mais, anda com os nervos à flor da pele. Dinheiro: Seja prudente na forma como gere as suas finanças. Números da Sorte: 9, 11, 17, 22, 28, 29 Dia mais favorável: Segunda-Feira

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em palco Eunice Muñoz ou João Perry... Homem apaixonado por causas, pela literatura e pela música, é recordado e comentado neste documentário por figuras como, entre muitos outros. O título do filme reporta a um álbum histórico, assim baptizado pelo fado homónimo, musicado por Oulman a partir de Camões.

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Telefone: 21 318 25 91 E-mail: mariahelena@mariahelena.tv

Touro Carta Dominante: Cavaleiro de Ouros, que significa Pessoa Útil, Maturidade. Amor: A pessoa com quem sonhava há algum tempo poderá surgir inesperadamente. Aprenda a escrever novas páginas no livro da sua vida! Saúde: O seu nível de cansaço encontra-se elevado, deve descansar e dormir mais horas. Dinheiro: Período favorável para novos negócios, poderá surgir uma proposta há muito aguardada. Números da Sorte: 1, 5, 7, 11, 33, 39 Dia mais favorável: Quarta-Feira Horóscopo Diário Ligue já!

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Escorpião Carta Dominante: 2 de Copas, que significa Amor. Amor: Não deixe que o ciúme estrague a sua relação, quem sabe proteger-se das emoções negativas aprende a construir um futuro risonho! Saúde: Não cometa grandes excessos alimentares. Dinheiro: Não está numa boa altura para contrair empréstimos. Números da Sorte: 1, 3, 7, 18, 22, 30 Dia mais favorável: Quinta-Feira Horóscopo Diário Ligue já!

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Gémeos Carta Dominante: 8 de Espadas, que significa Crueldade. Amor: Todos os conflitos se resolverão com muita calma e compreensão. Saúde: Momento estável, aproveite para descansar. A Vida espera por si. Viva-a! Dinheiro: Período pouco propício para investimentos em grandes proporções. Números da Sorte: 2, 9, 17, 28, 29, 47 Dia mais favorável: Terça-Feira

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Sagitário Carta Dominante: O Mundo, que significa Fertilidade. Amor: Esclareça as situações conflituosas recorrendo ao diálogo. Uma personalidade forte sabe ser suave e leve como uma pena! Saúde: Cuidado para que possa evitar gripes e constipações. Dinheiro: Neste campo nada o afectará. Números da Sorte: 8, 17, 22, 24, 39, 42 Dia mais favorável: Segunda-Feira

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Caranguejo Carta Dominante: o Mágico, que significa Habilidade. Amor: Os seus filhos sentem a sua falta, dêlhes mais atenção. Seja um bom professor, eduque para que os mais jovens tenham uma profissão, mas, sobretudo, eduque-os para a vida. Saúde: Poderá sentir alguns problemas de ouvidos. Dinheiro: Fase equilibrada, sem alterações de maior. Números da Sorte: 9, 18, 27, 31, 39, 42 Dia mais favorável: Quinta-Feira Horóscopo Diário Ligue já!

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Capricórnio Carta Dominante: O Imperador, que significa Concretização. Amor: Aproveite este momento de boas energias para estar com o seu companheiro. Saúde: Nada de preocupante nesta área. Dinheiro: A este nível nada o perturbará. Arrisque! O sucesso espera por si! Números da Sorte: 3, 7, 11, 18, 22, 25 Dia mais favorável: Quarta-Feira

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Leão Carta Dominante: 6 de Ouros, que significa Generosidade Amor: A sua vida afectiva beneficiará desta sua fase mais sentimental. A força e a humildade caminham de mãos dadas! Saúde: Nada o preocupará. Dinheiro: Não gaste as suas finanças em bens desnecessários. Números da Sorte: 6, 14, 36, 41, 45, 48 Dia mais favorável: Quarta-Feira

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Aquário Carta Dominante: 6 de Espadas, que significa Viagem Inesperada Amor: Para que a sua relação permaneça estável, confie mais no seu amor. Saúde: Evite comer tantos doces para não prejudicar o seu organismo. Dinheiro: Poderá investir mais seriamente num projecto, se for esse o seu desejo. Números da Sorte: 2, 17, 19, 36, 38, 44 Dia mais favorável: Sexta-Feira

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Virgem Carta Dominante: O Carro, que significa Sucesso. Amor: Cuidado com as atitudes que toma, revelarão falta de maturidade sentimental. Perdoe-se a si próprio! Saúde: Não se medique, procure um médico. Dinheiro: Se quiser entrar num novo negócio, esta será a melhor altura. Números da Sorte: 4, 9, 18, 22, 32, 38 Dia mais favorável: Domingo

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Peixes Carta Dominante: Ás de Ouros, que significa Harmonia e Prosperidade Amor: Não sofra por antecipação, porque assim não viverá as alegrias e felicidades de cada momento que passa. Dedique algum do seu tempo à vida familiar e social. Saúde: Consulte o seu médico para que faça um check-up ao seu organismo. Dinheiro: Não gaste em demasia, poderá precisar de algum dinheiro mais tarde. Números da Sorte: 25, 33, 39, 41, 42, 48. Dia mais favorável: Terça-Feira Horóscopo Diário Ligue já!

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23 Cultura Operação Triunfo

A consagração de Jorge Roque Pedro Galego | Registo A Arena de Évora encheu, no passado sábado, para assistir à gala final do programa de talentos musicais da RTP Operação Triunfo (OT). O espectáculo serviu para consagrar, junto ao público alentejano, o grande vencedor, Jorge Roque, natural de Portel, localidade que marcou presença em peso no evento. Ao longo de duas horas cerca de 3500 pessoas assistiram à última prestação dos alunos da geração de 2010 da OT. O grande destaque foi, naturalmente, para

‘Passarinho’ encantou O ponto alto da noite aconteceu quando ao palco subiu o Grupo Coral de Cantares Regionais de Portel, do qual Jorge é membro há vários anos, e 3500 pessoas entoaram um dos hinos do Alentejo, o ‘Passarinho’.. Carregado de significado e oportunidade, dado o facto do espectáculo ter acontecido no coração do

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Jorge Roque, um dos mais recentes ídolos e fenómenos alentejanos, que aos poucos se prepara para construir uma carreira na música. “O objectivo é conseguir viver apenas da minha paixão, a música”, confessou ao Registo o cantor, e funcionário da Câmara Municipal de Portel, que em breve ruma a Boston, nos Estados Unidos, para usufruir da bolsa de estudo que ganhou aos vencer a terceira edição da OT. Um dos momentos mais especiais do espectáculo foi mesmo o primeiro tema a solo de Jorge, ‘My Way’ de Frank Sinatra, mas a noite abriu ao som do êxito de Lady Gaga, ‘Alejandro’, entoado pelos 15 finalistas do concurso de talentos, mas o coro depressa adaptou o nome do tema para a realidade local e cantou ‘Alentejo, Alentejo...’, uma surpresa para as estrelas da noite combinada entre o público e a anfitriã da gala, Sílvia Alberto. A apresentadora, que se mostrou bastante comunicativa com os presentes espalhou simpatia pela sala, onde estavam também empenhados mais de uma centena de téc-

Alentejo, o momento ficará por certo gravado na memória dos que se deslocaram à Arena de Évora. No final da actuação do grupo, Norberto Patinho, autarca de Portel e também ele um dos membros mais antigos do grupo, confidenciou a Sílvia Alberto, ter sido um motivo de grande orgulho para a vila ter participado de forma tão activa na vitória de Jorge Roque. Certo é que no interior da sala de espectáculos

Luis Pardal | Registo

nicos de produção, que realizaram um espectáculo televisivo de grande envergadura, que obteve um share de 15,6%. Pela Arena passaram ainda alguns nomes consagrados da música nacional para partilhar o palco com Diogo, Lia, Bruno Correia, Isaura e os restantes alunos da OT. Foi o caso da fadista Kátia Guerreiro - em tempos médica interna no Hospital do Espírito Santo – que entoou, ao lado do vencedor Jorge Roque, o ‘Vira dos Malmequeres’. A gala mostrou ainda alguns dos momentos passados pelos alunos da escola de talentos da RTP na cidade de Évora.

muitos eram os naturais daquela localidade que fizeram questão de ir consagrar a prestação do mais famoso dos portelenses, por estes dias. Excursões organizadas, famílias inteiras, todos quiseram marcar presença nesta noite especial. “É muito emocionante. Estava em cima do palco e conhecia quase todas as caras que conseguia ver. Este espectáculo foi muito especial”, confidenciou no final.


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Turismo

Alentejo em alta Em 2010 o número de dormidas registadas nas unidades hoteleiras do Alentejo foi de 1,179 milhões contra as 1,104 milhões registadas em 2009, revela o Instituto Nacional de Estatística (INE). Com esta subida de 6,7%, o destino regista assim o melhor ano turístico de sempre, depois dos bons resultados alcançados já em 2009. Para o presidente da Turismo do Alentejo, Ceia da Silva, estes dados “vêm comprovar as expectativas de que 2010 seria o melhor ano turístico de sempre para o Alentejo”. “Estes resultados são uma consequência da troca de sinergias entre a Entidade Regional de Turismo e os parceiros públicos e privados. São a prova de que o trabalho em equipa é estratégico no crescimento e na afirmação de um destino. Ceia da Silva adverte no entanto que 2011 será um ano “particularmente difícil” pelo que a Entidade Regional de Turismo do Alentejo está a desenvolver um conjunto de iniciativas e acções promocionais, para que a região consiga, pelo menos, manter os bons resultados conquistados nos dois últimos anos”. PUB

Teatro

Cendrev estreia “Falar Verdade a Mentir”, um clássico da literatura dramática de Almeida Garrett, é a nova produção do Cendrev – Centro Dramático de Évora, com estreia agendada para o dia 17 de Fevereiro, no Teatro Garcia de Resende. “Falar Verdade a Mentir” é uma comédia em acto único de dezassete cenas, onde Almeida Garrett põe a ridículo a sociedade burguesa no Portugal do século XIX. Este espectáculo estará em cena de 17 de Fevereiro a 6 de Março, de quarta a sábado às 21h30 e domingos às 16h00. Posteriormente, de 10 a 18 de Março, inicia um ciclo de representações para o público escolar, uma acção que já está a ser preparada com as Escolas do distrito.

Dia dos namorados

O Amor vai andar à solta Pelas ruas de Beja Redacção | Registo No Dia dos Namorados, 14 de Fevereiro, Beja mergulha num ambiente de paixão e amor inspirado em Mariana Alcoforado. “Sexy Food” é o mote da iniciativa que compreende ementas românticas com pratos afrodisíacos, um workshop de comida afrodisíaca, um espectáculo inspirado nas cartas de Mariana Alcoforado e, por fim, um espectáculo no Pax Júlia pelo Grupo Mariel Martinez Tango Quintet. O município de Beja e vários restaurantes da cidade que aderiram à iniciativa entrelaçaram um programa recheado de surpresas. A Pousada de S. Francisco preparou um workshop sobre comida afrodisíaca limitado a 15 participantes. Os inscritos têm ainda direito a dois jantares ro-

mânticos na Pousada, a dois bilhetes para o Tango Quintet e à apresentação do espectáculo “A Paixão de Mariana Alcoforado”, pela Homlet, Companhia de Teatro da Capricho. Muitos outros restaurantes da cidade também se aliaram à data festiva e prepararam ementas românticas. De entre os variadíssimos exemplos destacamos tâmaras de sedução, creme de tomate e gengibre, sopa de cupido, desejo de camarão com caril, tamboril romântico em molho de açafrão, frango com gengibre enamorado. As sobremesas foram igualmente pensadas ao pormenor e, além das iguarias conventuais que fazem saltar o nome de Beja para fora de portas, foram ainda preparados bombons sensuais, pudins do amor, entre muitas outras sedutoras propostas.

Todos os clientes dos restaurantes que aderiram ao “Sexy Food” ganham, no Dia dos Namorados, um bilhete para assistir gratuitamente ao espectáculo do Pax Júlia: Mariel Martinez Tango Quintet. E desenganem-se os que pensam que o dia 14 de Fevereiro é apenas comemorado por casais românticos ou com longas histórias de amor bem sucedido. Para quem não tem namorado ou namorada, o bar Ritual está a preparar para esta noite a “Festa dos Encalhados”. Boa música, um copo, dois dedos de conversa e, com certeza, um bom clima. Beja é conhecida além fronteiras pelas ardentes cartas de amor de Mariana Alcoforado. A grande paixão da freira de Beja dá por isso o mote ao Festival do Amor que a autarquia está a preparar para Junho.


Registo Ed141