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SEMANÁRIO

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Director Nuno Pitti | 05 de Agosto de 2010 | ed. 117 | 0.50 euros

Vila Viçosa

Mora

Évora

Fronteira

Solidariedade sueca

Fluviário premiado

Música no Centro Historico

Lixo vai produzir energia eléctrica

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Sete páginas de sugestões estivais

Verão, querido Verão De partida para férias, o REGISTO elaborou um roteiro de lazer recheado de sugestões de praias, restaurantes, passeios e espectáculos por este Alentejo fora (e não só). São sete páginas descartáveis, repletas de coisas boas para gozar em calções (ou sem calções…) 9-15

Azaruja

Évora

Uma freguesia à espera do TGV

PSP terá nova sede em 2011 - 25 mil euros/mês

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Festival Alentejo

Organização assume fracasso financeiro

Évora

José Gil de conversa com Vera Mantero José Gil, considerado “um dos 25 filósofos sistemáticos mais importantes do mundo”, é o convidado da coreógrafa Vera Mantero, para uma conversa que vai decorrer quarta-feira no Convento dos Remédios, em Évora. Uma ocasião rara de ouvir o reputado ensaísta, autor do polémico “Portugal, Hoje: O Medo de Existir”.

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Câmara de Évora e Entidade Regional de Turismo nada perdem com o insucesso do festival. Empresa promotora estava preparada e vai assumir todas as despesas orçadas em cerca de 400 mil euros. Durante os três dias apenas estiveram no recinto entre sete a nove mil pessoas. José Serra, da empresa On Stage promotora do Festival Alentejo reconhece erros de organização e prepara-se para lançar edição 2011. 21

O REGISTO vai de férias. Voltamos a 2 de Setembro. PUB


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05 Agosto ‘10

A abrir Crónica Editorial José Pinto de Sá

Agosto é sinónimo de férias, pelo menos para quem tem meios para as gozar. Durante estas semanas (que sabem sempre a pouco…), o cidadão troca o trabalho pela vilegiatura, a sobrelotação dos transportes pela das praias, os engarrafamentos urbanos pelas filas na portagem das auto-estradas… Como dizia um ilustre colega, troca pelas melgas de Verão as melgas de todo o ano. O português veste um calçanito, mobiliza a família e ala que se faz tarde, rumo ao Algarve, ao Brasil ou à Disneylândia, consoante o dinheirinho que tiver. E se não tiver que chegue para essas folias, resta-lhe sempre a possibilidade de canalizar o ócio oficial para alguma tarefa doméstica há muito adiada, uma despensa a arrumar ou um muro a caiar. Em última análise, uns pratinhos de caracóis e umas minis no café do bairro, que este ano montou esplanada… É Agosto, ponto final. Os serviços funcionam a meio-gás e os políticos foram repousar o corpinho. Nem o futebol é a sério. Até Setembro, não há meio de um jornalista conseguir resposta seja a que pergunta for, não há meio de se arran-

jar notícia que valha. O défice, a contenção e o desemprego ficam em banho-maria. Ninguém quer ouvir falar neles, nem falar deles. Os jornais esvaziam-se de notícias e, na razão inversa, as revistas enchem-se de “famosos porque sim”, gente bronzeada a encolher a barriga para a fotografia. Nesta profissão de informar, a famigerada silly season é um pesadelo incontornável, uma ameaça que ensombra as manchetes como as nuvens de chuva ensombram uma manhã de praia. Mas, como se costuma dizer, se não consegues vencê-los, juntate a eles. Nesse espírito, optámos por falar também de sol, de mar, de férias… Elaborámos um descartável de oito páginas com dicas, sugestões e roteiros de Verão, destinado a ajudar os leitores a tirarem o melhor proveito possível deste acalorado mês de Agosto. E como a gente também é gente, também vai de férias. Durante três semanas o REGISTO vai a banhos, mas promete estar de volta no dia 2 de Setembro, com a edição 118. Que este período de descanso seja, para os leitores como para nós, uma boa ocasião de recarregar baterias. Que, na dita rentrée, voltemos ao trabalho com mais ânimo para enfrentar as vicissitudes com que a crise vem agravando a morosa existência deste canteiro à beira-mar plantado.

40 graus à Sombra “Intrusos” Na recente conferência de imprensa tripartida de apresentação do Museu do Artesanato e Design, realizada no Hotel Mar de Ar Aqueduto, em Évora, para além dos “convocantes” do encontro e da meia dúzia de jornalistas presentes, houve dois “intrusos” que assistiram a toda a apresentação do nóvel museu. Miguel Sampaio, o ex-candidato do Bloco de Esquerda à Câmara de Évora, chegou logo no início, cumprimentou os jornalistas que conhecia e justificou estar ali enquanto representante do Movimento de Defesa do Museu do Artesanato. Quem também não perdeu pitada do que ali se disse foi Palminha da Silva, o distinto polemista do Diário do Sul, que já foi “unha com carne” com a gestão de José Ernesto

Oliveira, mas que agora não poupa críticas à Câmara, mas de quem não se ouviu nem uma palavra enquanto ali esteve. Um e outro deixaram a sala quando começaram as perguntas dos jornalistas. Será que ficaram logo esclarecidos, apenas com as palavras dos intervenientes?

Fonte da eterna juventude O antigo presidente da Câmara Municipal de Castro Verde e actual gestor do Inalentejo, Fernando Caeiros tem andado muito desaparecido do mundo das notícias. Todos os dias faz o trajecto entre Castro Verde e Évora e as funções que desempenha na CCDRA pouco tempo lhe dão para outros “voos”. Mas o 40 graus à sombra soube agora que Fernando Caeiros concreti-

Parabéns, passou de ano

Pedro Henriques Cartoonista www.egoisthedonism.wordpress.com

Efeméride Dia Internacional da Juventude -12 de AgostoO Instituto Português da Juventude organiza esta iniciativa, com o apoio de diversas entidades públicas e privadas, no sentido de proporcionar aos jovens entre os 12 e os 25 anos um dia diferente. Em cada distrito, várias são as entidades públicas e privadas que se associam a esta comemoração: no Portal da Juventude estão publicados todos serviços disponíveis e respectiva localização. Todas as informações sobre descontos ou ofertas estão também disponíveis nas Lojas Ponto JÁ do Instituto Português da Juventude. O dia 12 de Agosto foi fixado como o Dia Internacional da Juventude na Conferência Mundial de Ministros Respon-

zou um sonho antigo: comprar uma mota “à maneira”( ver foto). O negócio já está feito e, segundo sabemos, Caeiros, que todos os meses faz alguns milhares de quilómetros, espera com o “novo” brinquedo (uma Daelim, modelo Daystar Black Plus 125) dar mais umas voltas nos tempos livres. Ou como alguém dizia: “agora com esta idade voltou às coisas de moços”. É que isto das motas, aos cinquenta anos, funciona um pouco como a fonte da eterna juventude. Olha-se para a mota parada frente à porta de casa e rejuvenescem-se uns anitos.

Convicção acima de tudo Numa atitude descentralizador, a Assembleia Municipal de Évora costuma fazer sessões nas freguesias rurais. Recentemente, numa das ditas assembleias, a grande preocupação dos presidentes de junta eram as dívidas da Câmara de Évora para com as respectivas juntas. Estava o bruá a atingir o climax quando se levanta um digníssimo

sáveis pela Juventude, realizada em Agosto de 1998 em Lisboa. De 12 de Agosto de 2010 a 12 de Agosto de 2011, decorre o Ano Internacional da Juventude sob o tema “Diálogo e Compreensão Mútuos”.

presidente de junta que em voz quase gritada afirma “a mim a Câmara não deve nada!” o que causou ainda mais barulho. Claro que os maiores queixosos eram os autarcas da oposição e a voz levantada de um autarca socialista. Curiosamente o agora autarca era, aqui há uns anos, lider de uma estrutura sindical representativa de uma importante classe profissional. Estávamos em plena era guterrista e o socialista líder do sindicato deparava-se com um cenário de greve que estava a afectar todos os serviços. Quando o jornalista o questiona sobre os efeitos da greve, o líder sindicalista rapidamente se prontificou a explicar que não concordava com a dita greve. “Como???”, perguntou incrédulo o jornalista. “Eu sou líder do sindicato mas acho que os trabalhadores não têm razão nenhuma para fazer greve”. “Eles lá sabem!”, retorquiu ainda perante a incredulidade do jornalista.

Neste jornal alguns textos são escritos segundo o Novo Acordo Ortográfico e outros não. Durante algum tempo esta situação irá manterse e as duas formas de escrita vão coexistir. Tudo faremos, no entanto, para que no mais curto espaço de tempo se tenda para uma harmonização das formas de escrever no Registo, respeitando as regras do Novo Acordo


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Região Centro Comercial Eborim vai ser posto à venda depois do Verão

300 mil euros anuais é a renda das novas instalações da PSP de Évora Redação

A PSP de Évora vai ter novas instalações, deixando assim os vários edifícios que ocupa na cidade. O anúncio foi feito pelo secretário de Estado da Administração Interna, Conde Rodrigues, no decurso das cerimónias do 135.º aniversário do comando distrital. O novo local fica numa urbanização que está a ser construída junto à “Ladeira do Seminário” e a cerca de 200 metros das antigas instalações. Conde Rodrigues revelou também que este novo espaço, que vai ser arrendado, custará 25 mil euros mensais, dizendo que esta “pode não ser a solução ideal, mas é a melhor para o momento”. As novas instalações, cujas obras de adaptação devem ficar concluídas até final deste ano, têm 2500 metros quadrados e vão albergar todas as dependências da PSP excepto a esquadra de trânsito, que possui instalações próprias. Anteriormente colocara-se a hi-

Câmara de Évora mantém posição contra o encerramento de escolas no concelho

PSP de Èvora vai ter “nova casa” em 2011

pótese da PSP ir ocupar as instalações do antigo centro comercial EBORIM, o que não chegou a acontecer, havendo agora a dúvida acerca do destino que este espaço, junto aos Celeiros da EPAC, irá ter quando for posto à venda pela Caixa Geral

de Depósitos. O REGISTO soube que a CGD, actual proprietária do espaço, está a ultimar a parte legal de separação das áreas comercial e habitacional para proceder à sua venda já a partir de Setembro ou Outubro.

Câmara de Alandroal não abranda e exige

Reposição do antigo horário do SAP Paulo Nobre

A Câmara de Alandroal não desiste dos seus propósitos e volta a insistir na reposição do antigo horário do Serviço de Atendimento Permanente do Centro de Saúde, das 09:00 às 21:00, alegando que “só teve conhecimento da redução com um mês de antecedência”. A posição do município surge após uma reunião com responsáveis da Administração Regional de Saúde do Alentejo, convocada após protestos da população de Alandroal, contra a redução de horário do SAP, que entrou em vigor no domingo, passando a funcionar todos os dias das 14:00 às 21:00. Em declarações à Lusa, a vereadora Fátima Ferreira defendeu “uma ponderação sobre a reorganização do Centro de Saúde, nomeadamente durante o mês de Agosto”, já que

Na última edição do REGISTO noticiámos a aprovação pela maioria PS/PSD na Câmara Municipal de Évora das alterações ao protocolo que cria o Museu do Artesanato e Design. A CDU votou contra. No entanto, esta reunião da autarquia eborense tomou um conjunto de outras decisões que o REGISTO já não pôde noticiar, dada a hora de fecho do jornal. Um dos temas que esteve em cima da mesa foi a informação recebida de que o Governo pretende encerrar, de facto, a escola básica de Guadalupe.Uma decisão que a Câmara contesta.

Alandroal contra fecho do C. Saúde

a autarquia “só teve conhecimento da decisão com um mês de antecedência”. “Quisemos negociar a suspensão destas alterações para nos dar algum tempo para podermos discutir com os agentes locais, como a ARS Alentejo, o agrupamento, o centro de saúde e a população”, disse a vicepresidente da autarquia também antiga directora daquele Centro de Saúde durante mais de 20 anos. Para Fátima Ferreira o Alandroal é o “mais extenso do dis-

trito de Évora e o terceiro mais extenso do Alentejo” E um concelho com características “muito próprias”, pelo que a autarca defendeu que a política de reorganização do Centro de Saúde deve ser “ponderada”. “O Alandroal tem índices muito elevados de envelhecimento, isolamento, dispersão e analfabetismo”, pelo que era necessária “alguma ponderação da política de reorganização” do Centro de Saúde e que as medidas fossem implementadas “caso a caso”. Segundo Fátima Ferreira acrescentou ainda que, após a reunião, a ARS Alentejo decidiu manter o horário actual, mas definiu que “o mês de Agosto iria servir para fazer uma avaliação da reorganização” do SAP. “O mês de Agosto, em que muitas pessoas estão de férias, nunca poderá servir de exemplo”.

A Câmara Municipal de Évora mantém a sua posição, aprovada em recente moção, sobre a suspensão do reordenamento escolar, manifestando-se contra qualquer intenção de encerramento de escolas ou alteração de funcionamento das mesmas, exigindo que qualquer decisão neste sentido seja precedida de discussão com a Câmara Municipal de Évora, a Junta de Freguesia, representantes de pais e encarregados de educação e demais comunidade escolar em causa, sendo obrigatório a emissão de parecer pelas mesmas. Uma posição reiterada nesta reunião por toda a Câmara quando a Vereadora Cláudia Sousa Pereira informou que recebeu um ofício da Direcção Regional de Educação do Alentejo dando conta do encerramento da Escola Básica de Guadalupe. Os eleitos consideraram que não se pode aceitar outra decisão que não seja a de reprovar o encerramento de qualquer das escolas do concelho na ausência de fundamentação dessa decisão e no âmbito de um processo do diálogo com as famílias e encarregados de educação, Câmara e Juntasde Freguesia.

Delegação de competências no Presidente para agilizar processos

Foram aprovados por unanimidade dois pontos referentes a propostas de delegação de competências da Câmara Municipal no Presidente, por forma a servir melhor os munícipes, tornando mais céleres as decisões sobre os processos de licenciamento de ocupação da via pública com esplanada e de licenciamento da publicidade, bem como concessão das respectivas licenças. Aprovação unânime mereceram também os apoios logísticos a um conjunto de festas populares que se realizam em Agosto nas freguesias do concelho, designadamente na Malagueira, S. Miguel de Machede, Horta das Figueiras (Bairro de Almeirim), Graça do Divor, S. Manços, São Sebastião da Giesteira, S. Vicente do Pigeiro, Boa-Fé e Canaviais.

Elaboração de Plano Pormenor na Herdade da Oliveirinha

A Câmara Municipal de Évora aprovou a elaboração de um Plano Municipal de Ordenamento do Território, nomeadamente um Plano de Pormenor na sua modalidade de Plano de Intervenção no Espaço Rural (cujo prazo de realização se estima em 18 meses), para uma parcela de 15,95 ha, correspondente à Herdade da Oliveirinha, situada na Freguesia de Nª Sª da Graça de Divor. Esta decisão visa dar continuidade ao processo para a construção de um complexo destinado à instalação de equipamento social que integra um “Lar Residencial para a Terceira Idade”.

Empreendimento urbano em S. Manços em bom andamento

Foi aprovada por unanimidade a ratificação do despacho do Presidente da Câmara sobre a entrega de aditamento ao projecto de arquitectura e parecer final das obras de urbanização referentes ao empreendimento urbano em S. Manços requerido pelas Cooperativas de Habitação “Giraldo Sem Pavor” e “Boa Vontade”. A aprovação dos projectos das obras de urbanização nas condições dos pareceres emitidos por entidades e serviços camarários consultados diz respeito a arruamentos, rede de abastecimento de água, rede de esgotos, sinalização, resíduos sólidos urbanos, arranjos exteriores e rede de rega, infra-estruturas eléctricas e iluminação pública, telecomunicações e rede de gás. (Informação Municipal)


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Opinião

Margarida pedrosa Professora

Insónia Quando a noite passa e o sono não chega, tantos são os pensamentos que nos visitam. Pensamos nos que amamos, naquilo que de bom gostaríamos que acontecesse nas suas vidas, pensamos nas nossas vidas e o modo como nos relacionamos com os outros, pensamos nas dificuldades que nos entorpecem a vida e como as vencer. Depois as horas alongam-se como se a escuridão da noite continuasse de um modo infinito, e aí por vezes os pensamentos levam-nos para a saudade daqueles que tanto amámos e já partiram. Para poder dormir desejamos afastar esses pensamentos, mas a saudade fica e um amargo fica-nos na boca. O que se passa comigo é que sinto que nunca disse

Carlos Sezões Gestor/Consultor

Agosto…o mês das oportunidades! É hoje visível que cada vez mais pessoas optam por tirar férias fora do tradicional mês de Agosto, desde que os seus constrangimentos familiares e profissionais não impeçam tal decisão. As razões são muitas e variadas. Em primeiro lugar, a maior qualidade na gestão da vida pessoal e profissional, especialmente visível nos centros urbanos. Menos trânsito, menores dificuldades em estacionar, maior

quanto amava a quem amei e já perdi. Sim, é verdade que por vezes a vida nos afasta, mas só quando os que amamos partem é que sentimos que talvez não tenha sido o suficiente. Então, já rendidos ao facto de não conseguirmos dormir, revemos os dias mais recentes, analisamos o que fizemos de bem e de mal e procuramos tirar avaliar a nossa existência. Para muitos certamente, fará sentido viver se conseguirmos construir algo de positivo, isto é, se conseguimos porventura, nestas longas avenidas da vida, deixar um sinal do tempo que aqui passámos, para mim e para tantas pessoas, esse sinal é sem dúvida o amor. Um dia, a minha mãe, que é sem dúvida uma pessoa deveras carinhosa, contou-me (quando se referia ao amor de uma mãe ou de um pai por um filho) esta história que nos relata como esse amor é incondicional e intemporal. Era pequena e nunca mais a esqueci. Era uma mãe de alma doce, mas o filho, pelo contrário era cruel e egoísta. Exigia que a mãe lhe desse tudo o que tinha, mesmo quando ela já estava na

mais dura miséria. Uma noite, o filho irado entra em casa e começa com as suas habituais exigências. A pobre mãe explicou que já não havia nada para lhe dar. Irado o filho matou a mãe. Logo depois de ter visto o que tinha feito, o filho fugiu da casa da mãe, e desorientado como estava, tropeçou numas pedras e caiu. Nesse mesmo momento, ouviu a voz da mãe, que com a sua doçura habitual, lhe perguntou: - Filho magoaste-te? O filho entendeu como era o amor da sua mãe, era incondicional e não havia de rancor. Pior, embateu-se sobre ele o remorso ao reconhecer o seu egoísmo e compreendeu como nunca o tinha entendido. Agora era tarde demais… Desejo deveras que nunca aconteça nas nossas vidas o arrependimento. Por quê pouparmos as nossas palavras de amor e de alento. Pena é guardá-las para nós e não as partilharmos com quem deveras amamos. Pensem sempre que um dia, até quando menos esperamos, a vida prega par-

tidas. Chegado esse dia, nada podemos fazer, é então nas noites de insónia que o arrependimento nos visita e nos lamentamos nunca termos dito quanto era verdadeiro o nosso amor ou a nossa amizade. Peço então, não poupem as vossas palavras de amor nem as de carinho. John Lennon dizia: “All we need is love!”

rapidez em chegar ao destino facilitam claramente a vida a quem tem na deslocação uma provação e uma fonte de stress diária. Depois, para muitas funções profissionais, a motivação inerente à existência de menor volume de trabalho e menos pressão em termos de tempo para desenvolver as tarefas diárias. E, não menos importante, a vontade consciente de não querer para o período de férias a mesma agitação e confusão do período laboral e de pretender, por isso, umas férias mais tranquilas fora da chamada “época alta”. De facto, trocar os engarrafamentos de Lisboa ou Évora pelas filas e multidões de Albufeira ou Portimão cativa cada vez menos gente. É por isso que, mais do que qualquer outra época do ano, para aqueles que se mantêm total ou parcialmente envolvidos na vida profissional, o pico do Verão que nos surge em Agosto é um tempo de oportunidades. Estou perfeitamente convicto disso e digo-vos já porquê.

Por um lado, para aqueles em que o volume de trabalho é efectivamente mais leve, permite-nos, numa melhor gestão do tempo e das prioridades, sair da pressão das tarefas diárias mais urgentes e passar para um planeamento mais global e estratégico. Isto é, subir “acima da poeira” dos telefonemas, solicitações e interrupções constantes e ter a tranquilidade de ver mais claramente a médio ou longo prazo. Exemplos: estudar o mercado ou sector em que nos movemos de uma forma mais cuidada e aprofundada, pensar numa estratégia empresarial diferente para quando o mercado voltar a animar em Setembro/ Outubro, equacionar novos processos de trabalho, individualmente ou em equipa, para aumentar a nossa eficiência e capacidade de resposta, pensar num novo produto ou serviço que possa fazer a diferença… enfim, conforme o contexto profissional de cada um, muito haverá por fazer. Mas, também, nesta óptica pode ser extremamente importante reatar-

mos contactos pessoais que, no resto do ano, andarão perdidos na nossa memória; pessoas cujas actividades profissionais e respectivos projectos possam ser conciliáveis e complementares com o nosso, numa lógica de colaboração. Ou, numa perspectiva de mudança radical, utilizar mesmos estes quentes dias de Agosto para, com inteligência, coragem e criatividade, preparar uma transição de vida e uma nova aposta (ex. um novo projecto profissional, um negócio inovador). É por isso que, na minha actividade na área dos recursos humanos, digo a muitos profissionais que o Agosto é, de facto, o mês das grandes oportunidades (assim tenhamos a disponibilidade mental para todo o processo de reflexão – análise – decisão – planeamento necessário). E, para quem tem ambições de fazer mais e melhor, não tenho dúvidas que se conseguir preparar ou construir algo novo em Agosto, entra em Setembro com “uma volta de avanço”!

Porque havemos de ser poupados ao expressar o nosso amor e carinho?

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Região Colaboração com Fundação AGAPE

Vila Viçosa recebeu material médico Paulo Nobre

A autarquia de Vila Viçosa acaba de receber material médico oriundo da Suécia. O material vai ser distribuído por algumas IPSS locais, para o novo Centro de Saúde e pode ser usado pela população. Pela segunda vez a Fundação AGAPE, com sede na Suécia, enviou material médico para Vila Viçosa, depois da autarquia ter entrado em contacto com a Fundação AGAPE. Esta semana, chegou à vila uma camioneta carregada de material enviado pela fundação cuja origem provém de hospitais suecos. José Augusto, antigo jogador do Benfica, glória dos Magriços no Mundial de 66, na qualidade de representante da Fundação AGAPE entregou todo o material médico à autarquia.

“São já 100 milhões de euros em material que a Fundação distribui em todo o país”, afirmou José Augusto, realçando o papel de Carlos Quaresma, administrador da Fundação AGAPE na Suécia, responsável pelos acordos assinados com diversos municípios do país. “É bom que se realce isto, para que se perceba o que Carlos Quaresma tem feito pelo país”, sublinhou ainda a antiga estrela do futebol nacional. Carlos Quaresma foi jogador júnior no Benfica – chegou a ser candidato à presidência do clube - antes de emigrar para a Suécia, onde tem desenvolvido a sua actividade profissional, chegando a administrador da Fundação que entre os seus objectivos tem a angariação de material médico descartado nos hospitais suecos enviando-

PUBLIREPORTAGEM

Largo Luís de Camões - Évora

Algum do material que chegou esta semana a Vila Viçosa.

o posteriormente para países necessitados. Para além de Vila Viçosa, também Barrancos recebeu já material médico da Suécia. “Trata-

se de material com pouco mais de um ano de uso que na Suécia é considerado obsoleto, e em vez de ir para lixo é assim aproveitado”, esclareceu José

Augusto. Há uns meses a Vila Viçosa já tinham chegado nove toneladas de material. Agora foi menos, mas de “grande qualidade” como reconheceu Francisco Chagas, vereador da cultura e vice-presidente da Câmara de Vila Viçosa. De acordo com o autarca, este material será enviado para algumas Instituições Particulares de Solidariedade Social e para o novo Centro de Saúde. Também os munícipes de Vila Viçosa podem ter acesso ao material, nomeadamente a cadeiras de rodas, canadianas e outro tipo de material de apoio. “Desde que façam prova da sua necessidade, pagam uma caução e podem usufruir deste material que é uma grande ajuda para quem necessita”, afirmou Francisco Chagas.


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Freguesia A Freguesia de São Bento do Mato “aguarda com muita expectativa” a construção da futura estação do TGV, e, nesse contexto, o presidente da Junta, João Ricardo, salienta que “tem havido uma preocupação em dotar a freguesia de condições para poder receber mais população”, melhorando as redes de abastecimento de electricidade e de água da autarquia, que já é servida por Banda Larga (internet) e dispõe de lotes de terreno infra-estruturados para construção de habitação. São Bento do Mato

Uma freguesia rural com hábitos urbanos José Pinto de Sá

Como caracteriza a sua freguesia? A Freguesia de São Bento do Mato é uma freguesia rural com hábitos urbanos. É uma freguesia que assenta a sua economia no sector secundário, muito por culpa da indústria corticeira e seus derivados, nomeadamente cutelaria e artesanato, embora ultimamente também se venha a registar uma outra alternativa no sector do turismo (restauração e hotelaria). A freguesia, sendo a mais populosa das rurais do concelho de Évora, conta nesta data com cerca de 1500 habitantes fixos. É constituída por um núcleo urbano, onde se concentra a maioria da população e por um espaço rural onde habita um número significativo de pessoas. É servida por boas vias de comunicação, nomeadamente a auto-estrada A6 e a Estrada Nacional 18 (brevemente IP2). Localiza-se a poucos minutos da sede do concelho e relativamente perto de Lisboa, dado que o acesso á A6 dista apenas 9 km de Azaruja. Conta ainda com uma população jovem bastante significativa, o que lhe permite ver o futuro com alguma expectativa. A freguesia aguarda com muita expectativa a construção da futura estação ferroviária (TGV), bem como o surgimento de novos empreendimentos turísticos previstos para os limites do seu território. Quais os principais pontos fortes da Freguesia de São Bento do Mato? Como principal ponto forte, eu destaco o espírito empreendedor, que se começou a manifestar com mais intensidade nos princípios de século XX e que ainda hoje se mantêm, herdado talvez dos nossos antepassados

catalães, que por aqui passaram e aculturaram este povo azarujense, aqui deixaram o seu “saber” na área de indústria da cortiça, nomeadamente no fabrico de rolhas pelo processo do “cutelo fixo”. Deixaram também os seus hábitos e costumes, bem como alguma da sua gastronomia. Não sei se nós, azarujenses, também lhe ensinámos alguma coisa, mas estou convicto que sim. Outro ponto forte, é a nossa localização geográfica, estrategicamente colocados no eixo de desenvolvimento LisboaMadrid e servidos por excelentes vias de comunicação, que se tornarão ainda mais competitivas quando formos servidos pela ferrovia de Alta Velocidade, cuja estação ficará praticamente na “nossa casa”. Tem havido da parte do executivo da Junta e Câmara uma preocupação em dotar a freguesia de condições para poder receber mais população. Assim, ultimamente reforçou-se a rede eléctrica e equipou-se a freguesia com uma rede nova de abastecimento de água ao domicílio. Nesta data está em obra o aumento da capacidade da ETAR. A freguesia é servida por Banda Larga (internet) e, possui lotes de terreno já infra-estruturados para construção de habitação. Ainda no campo da satisfação das necessidades básicas da população, a freguesia está razoavelmente servida de estabelecimentos comerciais e oficinas, de restauração, serviços de correios, posto de GNR, hotel, centro de saúde, médico particular, farmácia, centro de dia, jardim de infância, escola do Ensino Básico, transportes públicos, colectividades e associações, escola de música e outras actividades lúdicas e de ocupação de tempos livres, etc.

João Ricardo considera prioritária a construção de um gimnodesportivo.

E quais os principais pontos fracos? Como ponto fraco, eu sempre tenho indicado dois factores que se prendem com a nossa dimensão crítica. Se, por um lado, somos a freguesia rural com mais população do concelho, por outro lado ocupamos uma área geográfica pequena. Estes dois factores juntos não permitem, no actual quadro de distribuição da verba do Fundo de Financiamento da Freguesia, oriunda do Orçamento do Estado, que esta freguesia goze de um orçamento compatível com, pelo menos, as suas necessidades básicas, dado que as

verbas são atribuídas em função destes dois factores. Há ainda a considerar que nos encontramos no limiar da caracterização de uma freguesia rural, pois o modo de vida das suas gentes já está muito próximo de uma freguesia urbana, o que torna a sua “ manutenção” muito mais difícil e exigente, e consequentemente mais dispendiosa. Os azarujenses são muitos, mas ainda somos poucos. Falta-nos um pouco de bairrismo, que, se não for em excesso, nunca fez mal a ninguém. Que obras gostaria de ver con-

cluídas até ao fim do mandato? As obras que gostaria de ver concluídas até ao final do mandato fundem-se essencialmente com o bem-estar e aumento da qualidade de vida dos azarujenses. Além do alargamento do cemitério, que, sendo uma obra necessária, é quase imposta pelas circunstâncias, gostaria de deixar a casa arrumada em termos de arruamentos. Nesta data deparamos com um problema, que tem que ser solucionado no mais curto espaço de tempo possível. A compra de uma nova ambulância, uma vez que a que possuíamos teve um acidente grave, do qual resultou a sua perda total. Este equipamento desenvolve um trabalho na área social muito importante para a população, principalmente para a mais idosa. Estamos já na fase de apreciação de orçamentos apresentados pelas firmas que responderam ao nosso concurso e, muito naturalmente, no final do Verão já teremos nova ambulância. Mas a obra que considero mesmo prioritária, prende-se com a construção de um pavilhão gimnodesportivo. Esta é, sem dúvida, a maior reivindicação da população azarujense, principalmente a mais jovem, que merece ter um equipamento desta natureza. A demora nesta obra deve-se a dificuldades de vária ordem com que nos temos deparado, mas estou certo que no decorrer deste mandato a iremos concretizar. Ultrapassadas as dificuldades atrás referidas, encetaremos então o processo que se prende com o seu financiamento. Mas certamente iremos encontrar uma forma de efectuar esta obra tão desejada e merecida pela população.

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São Bento do Mato em resumo Área – 66,55 km2 População – 1343 hab. (2001) Densidade – 20,2 hab./km2

“O Presidente da Câmara é um excelente amigo” Como tem decorrido o relacionamento entre a Junta de Freguesia de São Bento do Mato e a Câmara Municipal de Évora? O relacionamento com a Câmara Municipal de Évora tem decorrido bem. Encontro no Presidente da Câmara, além de um bom autarca, um excelente amigo. Ele tem o conhecimento perfeito das necessidades da população do seu concelho. No entanto, a Câmara luta nesta data com sérias dificuldades financeiras, provocadas não só pela crise que a todos nos afecta, mas

também pela diminuição de receitas arrecadadas. E quando assim é todos somos prejudicados. No complexo processo de transferência de competências de serviço para serviço, como é o caso da Câmara para a Junta, existem sempre critérios que, no ponto de vista de cada um deles, deveriam ser melhor aperfeiçoados, mas isso são contingências deste tipo de relacionamento. Não se pode deduzir que o relacionamento não está bem, quando um dos intervenientes procura melhores condições para a sua autarquia.

A Freguesia de São Bento do Mato teve, aparentemente, origem no século XVI, altura em que o seu território terá sido desanexado da vizinha Freguesia de São Miguel de Machede. Fez parte do extinto concelho de Evoramonte até cerca de 1836, data em que foi transferida para o concelho de Évora. A vila de Azaruja começou a ter importância na segunda metade do século XVIII, no local situado a cerca de dois quilómetros da igreja paroquial. Aí cresceu a indústria corticeira, que ainda hoje é a principal actividade da vila. Durante o século XIX, a Azaruja teve, por pouco tempo, o nome de Vila Nova do Príncipe. Para o desenvolvimento populacional da freguesia contribuiu também o Conde de Azarujinha, que, em fins do século XIX, aforou as suas propriedades em courelas, originando a fixação de rendeiros. O actual Presidente da Junta de Freguesia da São Bento do Mato é João Leocádio Correia Ricardo, eleito a 11 de Outubro de 2009, nas listas do Partido Socialista, para um quarto mandato.

PUBLIREPORTAGEM

Bar Dreams Club | Noites de Festa Dreams Club é um projecto que se desenvolve há três anos, no sentido de dar vida a um espaço que esteve fechado durante algum tempo. Num contexto inovador e virado para quem gosta de sair à noite, Dreams Club é o bar certo para passar uma boa parte da noite. Segundo o proprietário Joaquim Rosa, “este projecto terá três fases. Numa primeira fase Dreams Club vai abrir ao público apenas em datas especiais e pontualmente com festas programadas. A segunda fase terá início em Outubro com música ao vivo e Karaoke, musica virada essencialmente para os anos 80. A terceira fase terá início em Dezembro, além das festas programadas Dreams Club vai abrir também aos domingos à tarde com festas para crianças. No decorrer deste tempo ainda terá lugar duas grandes festas, uma associada a uma marca de bebidas, outra festa com da equipa da Rádio Cidade FM. Contamos ainda reestruturar o terraço com nova envolvência. Para finalizar o nosso principal objectivo é proporcionar um espaço agradável em ambiente seguro em que pessoas de todas as idades possam passar bons momentos.” No próximo dia 14 de Agosto WHITE PARTY, terá de levar no mínimo uma peça branca para que a diversão não pare. Dreams Club na rua Miguel Bombarda, 16 em Redondo, promete ser a alternativa para as suas festas nocturnas.


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Opinião

Capoulas Santos Eurodeputado

E ninguém pede desculpas? Um ex-chefe de gabinete do ultimo primeiro-ministro do PSD, um autarca ou ex-autarca alcochetano do CDS e um exinspector da Policia Judiciaria, entretanto julgado, condenado e expulso desta instituição, acordaram entre si, algures, em 2005, redigir uma carta anónima para lançar um processo de suspeição sobre o então líder da oposição, no preciso momento em que se disputavam eleições em Portugal e que, por acaso, o “suspeito” veio a ganhar folgadamente. O motivo da suspeição invocado pelos denunciantes “anónimos” terá sido o exagerado empenho de alguns governantes, e de um em especial, mesmo após o governo de então se encontrar em “gestão”, para que um avultado investimento estrangeiro, criador de centenas de postos de trabalho, viesse para o país, ocupando uma zona onde, maioritariamente, antes se situava uma velha fabrica de pneus em ruínas, contigua a terrenos entretanto

Sónia Ramos Ferro

Jurista e Deputada Municipal

Notas Soltas Os resultados da execução orçamental do primeiro semestre deste ano não foram nada animadores. Face ao mesmo período do ano anterior, a despesa do Estado subiu 4,3% o que significa que o Estado está a gastar mais. Numa época de crise em que o Estado deveria racionalizar a despesa corrente e pôr em marcha uma verdadeira estratégia de redução dos gastos da Administração Pública, aquilo a que assistimos é precisamente o contrário. Aumentar impostos para pagar o aumento da despesa corrente do Estado é, além de uma imoralidade, um incentivo à evasão fiscal. O PSD quis pedir explicações, mas os restantes partidos entenderam que não valeria a pena interromper as férias dos Deputados da República por um mal menor.

classificados como “reserva natural”. O que teria sido desejável, ao que parece, é que o investimento não se fizesse e que a “reserva natural” continuasse como estava. Eu ainda me lembro bem do repugnante aspecto daquela ruína industrial, onde durante anos se fabricaram os pneus “Firestone”, e tenho imensa pena de que todos os novos ambientalistas convertidos em defensores daquela “jóia” ambiental, não tenham idêntica memória. Durante seis longos anos um cidadão, que por acaso, é primeiro ministro, foi enxovalhado na praça pública e objecto de todos os dichotes, piadas e suspeições sobre a sua honorabilidade, sem poder exprimir o mais leve gesto de defesa, porque tal seria logo interpretado como uma intolerável pressão sobre a justiça. Durante todo esse tempo foi vítima de uma gigantesca campanha de descrédito lançada por importantes órgãos e comunicação, que têm nome – Público, SOL e TVI – com “noticias” logo replicadas diariamente por quase todos os outros e uma infinidade de comentaristas, analistas e outros que tais, para além de alguns políticos. Durante esse longo período em que teve de disputar várias eleições, José Sócrates teve não só de revelar nervos de aço para enfrentar este como outros ataques tão soezes como ele, como fazer face à maior crise que o país conheceu em muitos anos, com as terríveis consequências que conhecemos nas contas públicas, na economia

A proposta do Ministério de Educação para abolir as retenções, vulgo “chumbos” também animou a semana. Querendo comparar o incomparável, a Ministra chama à colação o exemplo dos países nórdicos para demonstrar a bondade da proposta. Esquecendo-se que os modelos educativos são radicalmente opostos e que a cultura latina não sabe lidar com facilitismos, porque rapidamente os transforma em esforço zero, sem consequências, a proposta pareceu descabida a todos os partidos políticos e agentes educativos em geral. Não poderia ser de outro modo. Melhor seria se ponderassem as causas do insucesso, começando pelo elevado número de alunos por turma, coisa que não sucede nos países que serviram de termo de comparação. Que José Sócrates tivesse usado a Goldenshare que detém na PT para evitar a venda da Vivo à Telefónica, em nome do interesse nacional, podemos não concordar, mas aceitamos o argumento. Mas quando acaba por efectuar o mesmo negócio semanas depois, embora por valor mais elevado mas em condições questionáveis, forçando a PT a investir na OI, empresa com uma divida elevada, cujas receitas são quase exclusivamente provenientes da rede fixa,

e no emprego. Enfrentou todos estes desafios e provações com uma fibra, uma capacidade de resistência e um inconformismo que ficarão na história e que surpreenderam mesmo aqueles que, por mais do que uma vez, para alem de o desejarem, o deram como “politicamente morto”. Ao fim deste longo tormento que o atingiu, e em que cada cidadão terá ficado a saber o que lhe pode acontecer a si próprio, durante o qual foram saindo cirurgicamente da própria PGR para a comunicação social, excertos, extractos de escutas e depoimentos e outras informações, umas verdadeiras e outras falsas, sempre orientadas para “queimar” o suspeito, sem que alguma vez tenha sido descoberto o autor ou autores de tais fugas, quando se sabe que apenas “meia dúzia” de pessoas teriam acesso ao processo. Pois, mesmo após seis anos, depois de ter sida arruinada a carreira de outras pessoas como o Procurador Lopes da Mota, primeiro português a presidir ao Eurojust, acusado de “pressionar” os procuradores responsáveis pelo processo, pelos vistos “pressionáveis”, ao que parece solicitandolhes apenas mais celeridade na conclusão do mesmo, como se fosse aceitável manter indefinidamente o chefe de governo de um Estado e Direito sob clima de suspeição. Ou do então Presidente do ICN que, constituído arguido, foi obrigado a demitir-se das funções de Director-Geral que desem-

em desuso, estando seis posições atrás da Vivo no rating das marcas brasileiras, e sem assento no Conselho de Administração, a pergunta impõe-se: onde está agora o interesse nacional? O Despacho de arquivamento do Caso Freeport valeu uma declaração do Primeiro-ministro, José Sócrates, que se mostrou satisfeito (e aliviado, diria eu) com o desfecho. Contudo, conhecido publicamente o Despacho, facilmente concluímos que não há grande motivo para satisfações: Os Procuradores do Ministério Público até queriam interrogar José Sócrates, as perguntas estavam prontas, mas não tiveram tempo. Ficamos pela metade: afinal o apuramento da verdade material foi ou não alcançado? Ou foi coarctado em função da imposição de um prazo? Imposto por uma pessoa que já não pode exercer funções – mas exerce - por ter atingido o limite da idade? Surpreendido com o teor de um Despacho que todos classificam de invulgar, o Procurador-geral da República mandou investigar, não sendo excluída por parte de Cândida Almeida a possibilidade de reabrir o processo. É a justiça no seu melhor. A ideia das hortas urbanas está a assumir cada vez mais relevância. Face à crise

penhava e que não acredito que volte a reassumir, por mais inocente que esteja. E depois de tudo isto, de todas as investigações e inquirições em que nada foi possível apurar contra o “suspeito” (alguém acredita que se houvesse a mínima ponta por onde pegar, não se lhe tivesse pegado, e bem?) os ilustres procuradores ainda deixaram uma “nicada” nas conclusões. Não inquiriram o PM e o seu então Secretário de Estado, diligência que consideravam muito importante, porque: não tiveram tempo! Isto é, se tivessem tido, tinham-nos apanhado de certeza, é a conclusão que se pode tirar. No entanto, esqueceram-se de pedir a prorrogação do prazo para efectuar tais inquirições. Se não fosse trágica esta caricatura da justiça, era caso para dizer que, um esquecimento, qualquer um tem. Pois, tudo o que se relata, salvo honrosas excepções, parece normal para a maioria dos comentadores, dos políticos com espaço nos “fóruns” e dos analistas que, com a sapiência, a superioridade moral e a pesporrência que os caracteriza, ao longo de semanas, de meses e de anos debitaram as suas teorias e prosápias sobre este candente assunto de actualidade. Não há neste país, quem, perante tudo o que disseram e fizeram, tenha a coragem de pedir desculpa?

alimentar vivida em 2008, por causa do aumento do preço do petróleo e por conseguinte, dos transportes, vários investigadores e cientistas estão a trabalhar em projectos que visam trazer a horta para a cidade, através da construção de edifícios/ torres onde as produções agrícolas se façam em propriedade horizontal, isto é, em andares, e depois sejam vendidas no résdo-chão, evitando assim o transporte dos produtos alimentares, reduzindo o preço de venda ao público. O autor da “vertical farming”, Dickson Despommier, professor da Universidade de Columbia, refere que este projecto pode igualmente ser desenvolvido nos telhados ou coberturas das escolas ou outros edifícios públicos, cuja produção pode ser para consumo dos utentes. Numa altura em que é preciso “voltar à terra” porque a História recente nos demonstrou que a autonomia agrícola de um Estado pode ser a sua salvação, estas ideias não deverão ser rejeitadas por lunáticas, mas reflectidas com rigor e ponderação. A semana ficou também marcada pela morte de duas figuras públicas. António Feio e Mário Bettencourt Resende. Dispensam apresentações. Paz às suas almas.

Carta ao Director Li a notícia [“Um abrigo para os bichos que Évora abandona”, edição 116, 29 de Julho] e, como não poderia deixar de ser, é sempre agradável ler sobre a Associação Cantinho dos Animais de Évora. Mais uma vez, o nosso agradecimento. Queria, no entanto, e se me permite, esclarecer um ou dois pontos que me parece poderem induzir os leitores em erro. 1º - A notícia refere 20 Kg de ração/dia, o que perfaz 600 Kg/mês e não 600 euros/mês. […] 2º - Na caixa “O Alentejo exporta cães”, relativamente a “...o comprador

germânico...” e também a “...adquirir por 200 euros um cão que, no seu país, lhes custaria 500 euros...”, penso que se está a transmitir erradamente a ideia de que os animais são vendidos pela Associação e comprados por alemães. Tal não é correcto. O que acontece é que são, tal como cá, puras e simples adopções. A diferença é que os alemães sendo, pelo menos nestas questões, mais sensíveis e com maior poder financeiro que os portugueses, ao optarem por adoptar cães mais idosos ou doentes, patrocinam eles próprios uma eventual recuperação do animal que vão adoptar. Às vezes, porque é

necessária uma intervenção cirúrgica ou uma “simples” esterilização, os custos médico-veterinários podem ascender aos tais 200 euros. Ou, por vezes, até mais. Ou até não haver custos de todo, apenas as passagens de avião. Em relação aos tais 500 euros com os quais, aí sim, podem adquirir animais, já se está a falar de outra situação. Nas referidas pet-shops os animais ali vendidos são normalmente de raça pura. Daí também o preço. Espero que tenha ficado esclarecido. Mais uma vez, e em nome da Associação Cantinho dos Animais, os nossos agradecimentos e os meus melhores cumprimentos. David Costa - Cantinho dos animais


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Sabores de Verão

Sugestões de férias

Verão, querido Verão De malas feitas e sombrinha ao ombro, Portugal prepara-se para partir de férias, e o REGISTO compilou oito páginas repletas de programas de fazer crescer água na boca para ajudar a descobrir e desfrutar o melhor que o Alentejo tem para oferecer neste abençoado mês de Agosto. Praias de sonho, boa mesa e passeios inesquecíveis são algumas das sugestões que o REGISTO reuniu num roPUB

teiro destinado a ajudar o Leitor a desfrutar das maravilhas da região. Em termos de litoral, o maior problema é a escolha, mas é certo que, entre tantas praias de qualidade, o Carvalhal, a Aberta Nova e a Costa de Santo André merecem sem dúvida uma visita, a confirmar que “o Alentejo não é só planície.” E quem diz Litoral Alentejano, pensa na Zambujeira do Mar, onde existe agora um

parque de campismo ecológico que vale a pena visitar, ciente de que acampar não tem que ser sinónimo de agredir a natureza. Quanto ao Festival Sudoeste, já é um “clássico” do Verão português. A programação para este ano confirma-o como um ponto alto no circuito musical europeu, que atrai anualmente muitos milhares de espectadores. Outra atracção já com nome firmado é a gastronomia

alentejana, e aqui a oferta é de vulto, tanto em termos de qualidade como de quantidade. Na impossibilidade de esgotarmos o tema, fica uma sugestão, no fantástico cenário de Vila Nova de Milfontes. Retomando um velho conselho, “vá para fora cá dentro” e leve os gaiatos até ao Badoca Safari Park, para saltarem no trampolim gigante e se deliciarem a observar dezenas de espécies exóti-

cas, entre avestruzes, lémures e antílopes. Para os naturistas, há um guia com as praias “oficiais” e “toleradas”, bem como casas de hóspedes e um parque de campismo, tudo lugares onde se pode estar como se veio ao mundo. Liberdade, sol e muitos grelhados, receita infalível para um Verão bem passado, sem ter que sair do Alentejo.


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Sabores de Verão Badoca Safari Park, em Santiago do Cacém

Um safari africano em pleno Alentejo litoral Paulo Nobre

Festival Sudoeste

Na praia com ouvido na música Paulo Nobre

Já arrancou mais uma edição do Festival Sudoeste, um dos mais expressivos festivais musicais do verão português. Pela herdade da Casa Branca, junto à Zambujeira do Mar, vão passar milhares de pessoas para assistirem aos concertos agendados nos vários palcos do recinto. Ontem, mesmo antes do início do Sudoeste, a organização dizia já estarem instaladas mais de sete mil pessoas, na zona de campismo junto ao recinto do evento. Ao todo estão agendadas cerca de 70 actuações de bandas e solistas nos quatro palcos. Destaque natural para o palco principal que este ano volta a receber os Massive Atack que apresentam o seu novíssimo “Heligoland”. Destaque ainda para os norte-americanos Flaming Lips e os Groove Armada, ambos também de regresso ao Sudoeste, a cantora britânica M.I.A., aguardada com o novo álbum, «Maya». Outro regresso saudado é de Jamiroquai, que sobe ao palco na sexta feira e a dupla francesa Air, que se apresenta no domingo. Entre os portugueses, após o cancelamento do concerto de Tim e os amigos, é para os Orelha Negra, uma das mais originais bandas do panorama nacional, que se viram todas as atenções. É mais uma proposta em tempo de praia, num festival que volta a encher a Zambujeira do Mar.

Há 11 anos nasceu o primeiro parque zoológico do Alentejo. Perto de Santiago do Cacém, o Badoca Park recebe cerca de 130 mil visitante por ano. Para verem um exemplo de conservação da natureza aplicada a animais selvagens e exóticos. Quando as férias começam a estar inundadas de areia, as toalhas a mais e o barulho do pessoal na praia começarem a incomodar, o Badoca Park pode trazer um momento de descontracção nas férias. A herdade alentejana da Badoca deu nome ao primeiro parque zoológico da região que tem como missão “a consciencialização ambiental dos visitantes”, assegura Margarida Brás, membro da administração do parque. “Pretendemos criar momentos de alegria únicos e memoráveis que contribuam para a formação ambiental de todos aqueles que nos visitam”. Associando a parte lúdica e de lazer, o Badoca tem no âmago uma componente educativa e de sensibilização ambiental para a preservação das espécies. São inúmeras as actividades do parque, no entanto há duas que acabam por se destacar de todas as outras. É a alimentação dos Lémures, praticamente à entrada do parque e o safari, realizado num comboio puxado por um tractor ao longo dos 50 hectares onde animais selvagens e exóticos vivem num regime de semiliberdade. Todos os dias são centenas as crianças vindas de escolas ou de ATL’s no tempo das férias que entram no parque. Primeira paragem, ponto obri-

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gatório, a ilha dos lémures, aqueles pequenos animais travessos e irrequietos que fazem as delícias dos mais pequenos no mega sucesso do cinema Madagáscar. Estes pequenos primatas são um exemplo de sucesso no Badoca. Ameaçados de extinção no habitat natural, precisamente a ilha de Madagáscar, no parque têm vida farta e próspera. Simpáticos e activos, sempre a interagir com as pessoas, o momento da alimentação é dos mais extraordinários e emocionantes para a maioria dos visitantes. Por entre pequenos lagos e diversões sempre a fazer lembrar uma aldeia africana, o Badoca tem como ponto alto o safari africano. De tigres – devidamente enjaulados – a girafas, são muitos os animais ao longo dos 50 hectares. “Temos

Nome: Morada: Localidade: N.º Contribuinte: Assinatura:

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A alimentação dos Lémures é dos momentos mais emocionantes para os visitantes.

as espécies africanas, zebras, girafas, búfalos, elands, orix, etc. que co-habitam naquele espaço com toda a liberdade. Os mais introvertidos podem procuram os sítios mais recatados do parque, enquanto os outros andam pelo parque

Dezenas de animais selvagens e exóticos vivem em semi-liberdade no parque

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e podem ser observados por todos os visitantes”, assegura Margarida Brás. Proposta para um dia diferente numas férias onde nem sempre a praia preenche os melhores requisitos para o descanso.

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Férias sem roupa

Paraísos naturistas no Alentejo

José Pinto de Sá

Entre praias, casas de hóspedes e parques de campismo, os adeptos do naturismo encontram no Alentejo condições ideais para gozarem umas férias inesquecíveis. Embora a prática de naturismo se tenha popularizado nos últimos anos, tornando-se relativamente corrente em muitas praias, a Federação Portuguesa de Naturismo recomenda as “praias oficiais”, que oferecem aos frequentadores “a segurança de poder praticar a nudez social num local próprio e de

acordo com a lei”. Embora sejam oficiais, essas praias não são reservadas apenas aos naturistas, pelo que proporcionam um bom ambiente aos que pretendem iniciar-se no naturismo sem a obrigação da nudez. Em Portugal existem actualmente seis praias naturistas reconhecidas oficialmente, duas das quais no Litoral Alentejano: Salto e Alteirinhos. A Praia do Salto localiza-se no concelho de Sines, entre a praia do Cerro da Águia e a praia da Cerca Nova, a norte da praia

grande de Porto Côvo. Para lá chegar, parte-se de Porto Côvo, seguindo para norte pela estrada que acompanha a praia. Deixada a localidade, estacionar logo a seguir à curva à esquerda. O acesso é difícil e a praia pequena, mas abrigada, dotada de uma bica de água doce. A praia dos Alteirinhos situa-se no concelho de Odemira, a sul da Zambujeira do Mar. Acedese a ela passando o vale logo a sul da localidade da Zambujeira do Mar por uma estrada em terra batida. Praia tranquila,

de areia fina, com talude geralmente pouco acentuado. Há uma bica de água doce. Além das praias, os praticantes de naturismo encontram ainda outros equipamentos no Alentejo. A Federação Portuguesa de Naturismo recomenda duas casas de hóspedes e um parque de campismo. O Parque de Campismo O Barão dispõe de bangalós e caravanas para alugar, piscina de água salgada, loja, etc. Localiza-se no concelho de Santiago do Cacém, freguesia de Abela, a 1 km da N121, perto de Foros

do Barão, a cerca de 30 quilómetros do mar. (tel. 936710623) (www.montenaturista.com) A Naturest oferece alojamento a preços acessíveis numa casa de hóspedes instalada num monte alentejano do século XVIII. Está sitauada a 3 quilómetros de Luzianes-Gare, na R123, concelho de Odemira. (tel. 283933231) (naturest@clix.pt) A casa de hóspedes de Vale de Milhanos é um monte na margem esquerda do Guadiana, na EN265, entre Serpa e Mértola. (tel. 931657442) (contacto@valedemilhanos.info)

Naturismo

Praias “oficiais” e praias “toleradas” Para além das praias naturistas “oficiais”, existem ao longo da costa alentejana várias praias “toleradas”. Devido ao isolamento ou à dificuldade de acesso ainda se encontram por concessionar, proporcionando zonas adequadas para a prática da nudez, em perfeita comunhão com a natureza. As praias naturistas “toleradas” permitem a prática nudista com razoável “segurança”, já que a intervenção da polícia marítima se tornou uma situação rara nos últimos anos. Algumas têm já um “estatuto oficioso”, derivado de uma prática consequente e continuada, “tacitamente aceite” pelas

autoridades. Na costa alentejana, destacam-se as praias “toleradas” da Comporta, Monte Velho, Malhão e Furnas Sul (em Vila Nova de Milfontes). A zona “tolerada” da Comporta localiza-se no concelho de Alcácer do Sal, a sul da praia dos “têxteis”, designação que os naturistas atribuem aos portadores de fato de banho. A partir de Alcácer do Sal tomar a N253 em direcção a Comporta. Na localidade de Comporta virar para norte e seguir até um cruzamento com uma estrada em terra batida. Tomar essa estrada em direcção à praia. Ao chegar à beiramar, rumar a sul. A praia é tranquila e espaçosa, e há um bar na “zona têxtil”.

A praia do Monte Velho situa-se a sul da Lagoa de Santo André, no concelho de Santiago do Cacém. Junto à saída norte da localidade de Santo André, na EN261, virar no cruzamento em direcção ao mar. Ao chegar à areia, caminhar para sul. Há facilidades de estacionamento, a praia é tranquila, de areia dourada. A praia “tolerada” do Malhão fica no concelho de Odemira, entre Vila Nova de Milfontes e Porto Côvo, a norte da “praia têxtil” do Malhão. Na estrada que liga a Ilha do Pessegueiro a Vila Nova de Milfontes, tomar a direcção do mar logo a seguir ao parque de campismo Sitava até chegar à zona têxtil da praia do Malhão. Estacionar

no terceiro largo que se encontra, tendo cuidado com a escolha do caminho. A praia é de areia fina, e dispõe de uma bica de água doce. A praia “tolerada” das Furnas Sul localiza-se no concelho de Odemira, a sul da praia “têxtil” das Furnas. Na maré baixa, a partir da praia “têxtil” das Furnas caminhar para sul. Em alternativa, de automóvel, pode-se tomar o desvio para sul pela areia, antes de chegar à praia das Furnas. Algumas zonas do caminho têm bastante areia, pelo que existe o perigo de ficar atascado. A praia é tranquila, com mar geralmente calmo. Existe estacionamento e um bar, na zona “têxtil”. J.P.S


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Sabores de Verão Litoral Alentejo

Nem só de planícies e se Carlos Júlio

O Litoral Alentejo é a maior zona de Costa do território continental português. Cada palmo de praia tem um nome. De Odeceixe a Tróia há dezenas e dezenas de praias de mar azul, sejam extensos areais ou pequenas enseadas entre rochas.

Carvalhal

Uma praia em forma de concha A praia do Carvalhal (Odemira) parece uma concha. É uma língua de areia rodeada por rochas altas. É uma praia muito bonita, fica lá em baixo, com um pequeno ribeiro a desaguar numa das pontas. Durante anos a fio o Carvalhal foi o “tesouro” bem guardado das pessoas do concelho de Odemira, sobretudo de São Teotónio, ali bem perto. A areia é branca, a praia é segura e resguardada. Telmo Paixão veio este ano de Pombal, pelo segundo ano consecutivo, para ocupar o lugar de nadador-salvador. Conhece bem a praia e quem a frequenta. “Eu costumo dizer que esta é uma praia com dois pára-ventos naturais. As rochas quer do lado direito, quer do lado esquerdo, a norte e a sul, são muito altas e fazem uma barreira natural contra o vento. Vento aqui, só quando vem directamente do mar para terra. Aí apanhamos o vento frontal”, diz Telmo Paixão. Os visitantes vêm, sobretudo, em finais de Julho e Agosto. “Em Setembro já vem pouca gente”, afirma Telmo Paixão, trazendo para a conversa a experiência da época anterior. “No ano passado, pode-se dizer que a frequência era tanto de estrangeiros como de portugueses. Era ela por ela. Muitos espanhóis e muitos alemães. Quanto aos portugueses havia uma prevalência de pessoas do interior do Alentejo, de Lisboa e do Porto”. O mar ondulado apetece a outras

práticas que não apenas a de se tomar banho. Há um sem número de desportos náuticos que podem aqui ser praticados. “Em toda esta zona, Odeceixe, Zambujeira, Arrifana, Carvalhal pratica-se muito surf e muito bodyboard”, esclarece Telmo Paixão. Num dos dias em que visitei a praia uma ligeira neblina estendia-se à nossa frente, dando mais um toque de beleza a todo o conjunto. Pergunto se a praia é perigosa. Dizem-me que não, tirando as ocasionais picadas de peixe-aranha. Hugo Ribeiro é também nadadorsalvador. Veio este ano para o Carvalhal pela primeira vez. É de Mortágua e está encantado com a praia e com as belezas que encerra. Mas sempre de olho vigilante. “Esta é uma praia calma, ainda não aconteceu nada em termos de segurança, embora aqui deste lado esquerdo o mar tenha umas correntes mais fortes, sobretudo quando a maré está a subir. Mas as pessoas respeitam-nos e às indicações das bandeiras. Quando está a bandeira vermelha as pessoas respeitam e não vão para a água. Com a bandeira amarela as pessoas têm que ter mais cuidado, não podem nadar ou, às vezes, nem sequer vão para a água”. E, apesar da praia ser segura, lá estão eles, os nadadores-salvadores, todos os dias, das 9 da manhã ás 7 da tarde, com os olhos postos no horizonte. “Não vá o diabo tecêlas”! C.J.

Para quem vive no interior do Alentejo a descoberta de que a região alentejana tem uma costa tão vasta, tão cheia de tradições ligadas ao mar e aos seus produtos (nomeadamente na culinária), não deixa nunca de surpreender, sobretudo quando a imagem dominante do Alentejo aparece, só e quase sempre, relacionada com a planície e o interior. No entanto o litoral é uma das marcas fortes e constituintes do Alentejo. Hoje, o litoral alentejano, apesar de em grande parte protegido pelo Parque Natural do Sudoeste Alentejo e da Costa Vicentina e por várias Reservas Naturais, sofre já nalguns pontos a pressão destruidora do turismo massificado, embora seja apenas, com mais intensidade, durante os meses de Julho e Agosto. Novos

A Costa Alentejana é uma das melhor preservadas da Europa

projectos turísticos se anunciam para a Costa Alentejana, que é ainda e, esperemos, por muitos anos – a zona de costa mais bem preservada em toda a Europa, segundo alguns especialistas. Neste emaranhado de praias,

onde as toalhas a esticadas à vontad nas do vizinho do procura das que, d têm conseguido e generalizada de tu de tudo tornar igu

Costa de Santo André

Onde a lagoa e o mar se to A lagoa quase beija o mar. Podia ser uma imagem poética, mas é bem real. A Lagoa de Santo André (que integra a Zona Protegida da Reserva Natural das Lagoas de Santo André e da Sancha) está quase colada ao mar e, este ano, o canal entre ambos esteve aberto durante mais de dois meses. As águas da Lagoa estão límpidas e as areias da praia, neste início de Agosto, começam a ter mais gente. João Marreco foi banheiro e nadador salva-vidas durante 23 anos aqui nesta praia. Não regateia elogios à praia de Santo André, diz que é uma das “mais belas praias” de toda a Costa, mas que é preciso ter cuidado com o mar. “Ele é um bocadinho perigoso e as pessoas têm que ter algum cuidado. Na baixa mar há correntes e o mar puxa para fora.

E quando está grande, na maré cheia, tem força e é perigoso”. Por entre histórias e muita conversa pergunto ao velho banheiro o que é que torna este lugar, na sua opinião, tão especial. A resposta é imediata: “Em si, a praia, ela própria. Temos a lagoa ali ao lado, o oceano aqui, isto é muito bom e muito bonito com a lagoa quase a tocar no mar. Quem quiser águas mais calmas vai para a Lagoa, quem quiser outro tipo de águas mais fortes tem o mar. Há um pouco das duas coisas. É um espectáculo. Esta é a melhor praia que temos aqui no Litoral alentejano”. Antigamente as casas dos pescadores chegavam mesmo à borda da praia, há anos foram demolidas e a aldeia cresceu mais para o interior. Junto à praia há um bar, alguns restaurantes e pouco mais, mas com a Lagoa ali ao lado a oferta come-

ça a ser maior. havia habitação tinha muito ma mesmo assim t turistas. Alemãe italianos, vem aqui. Na lagoa ta de diversões novos que são a barquinhos a rem


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earas “vive” o Alentejo

a, mas o turismo já é um dos principais sectores de negócio.

ainda podem ser de sem tocarem o lado, fomos à de algum modo, escapar à moda udo normalizar e ual. As três praias

que escolhemos eram, até há pouco tempo, destinos quase exclusivos dos habitantes dessas zonas. Pequenos tesouros bem guardados. Hoje já não há “destinos escondidos”. O turista está por todo o lado. Mas, apesar disso, estas

praias – embora com todos os equipamentos necessários para terem a Bandeira Azul – mantêm ainda uma personalidade muito vincada, com características próprias, e uma afluência de pessoas dentro de “limites razoáveis”, ou seja, sem necessidade de todos terem que “engolir” o cheiro do bronzeador do vizinho mais próximo e sem as manchas de óleos corporais que, em tantas praias, cobrem as águas mais próximas da areia. Esta rota passa pelas praias da Aberta Nova (Grândola), Costa de Santo André (Santiago do Cacém) e Carvalhal (Odemira). Três praias bem diferentes, mas todas elas de grande beleza e com características muito peculiares. Pelo meio, deixo também uma proposta diferente: um jantar de peixe ou marisco, no Portinho do Canal, junto a Vila Nova de Milfontes. Um restaurante debruçado sobre o mar, que começou por ser bar de apoio dos pescadores que têm ali o seu porto, especializado em pequenos petiscos, e é, desde então, um dos locais mais aprazíveis e onde melhor se comem caldeiradas e os vários arrozes de peixe e marisco de toda a costa. (Ver página 15)

ocam

“Quando aqui toda esta zona ais gente, mas temos muitos es, espanhóis, muita gente há uma oferpara os mais as gaivotas, os mos, são águas

paradas, sem qualquer perigo, com a água mais quente do que no mar. Mas aqui do lado do mar a temperatura também não é má. Anda sempre nos 16, 17 graus” conta João Marreco, também pescador, e que não deixa os elogios à Costa de Santo André por mãos alheias. “Apanham-se aqui muito bons

robalos. À cana, e com os aparelhos – são proibidos, mas ainda há quem os use. E vem para aqui muita gente para a pesca. Há noites, que é quando o peixe dá melhor, que está isso aí tudo cheio de pessoas a pescarem”. C.J.

Aberta Nova

Uma praia ainda em estado (quase) selvagem Na Praia da Aberta Nova (concelho de Grândola), o que se estranha é a bandeira azul, Não que a praia não a mereça – claro que merece -, mas para aqui se chegar é preciso percorrer dois quilómetros em terra batida e a paisagem que se nos oferece é ainda de uma natureza selvagem. Mesmo o equipamento é todo em madeira, não há nada em betão, e o areal estende-se até onde a vista alcança. Armindo Luís é o concessionário da praia, tem um pequeno bar, paga aos nadadores-salvadores, e garante que esta é uma praia sossegada, com mais gente apenas em Agosto, mas sobretudo aos fins de semana. “É uma praia em estado quase selvagem, não tem infraestruturas em betão, é tudo em madeira, de forma natural, e Deus queira que continue assim por muito tempo” diz Armindo Luís enumerando todas as outras características da Aberta Nova: “a areia é muito fina, não há poluição nenhuma, isto é um espectáculo. Nunca houve aqui nada que largasse resíduos para o mar nem para a areia”. Situada a norte de Sines, a praia faz parte do imenso areal que começa em Sines e se estende até Tróia. O mar é mais batido do que nas praias a sul do Cabo de Sines, mas Armindo Luís conta que quando está maré-cheia as correntes são mais fortes. “Quando há marés vivas, e mesmo nas marés cheias é perigoso, mas fora disso não há problema nenhum”. Para quem gosta de praias com

muito espaço a Aberta Nova é um paraíso. “Isso é o que não falta aqui. Há à farta! Quer saia para a esquerda, quer saia para a direita, a 200 metros daqui não tem mesmo ninguém a chateá-lo. Pode ficar à vontade, sem ninguém ao lado”, refere o concessionário. Os acessos é que podem ser mais complicados. “O acesso é o que temos pior e o estacionamento também é pequeno, já temos colocado essa situação ás diferentes entidades, dizem que isso se vai resolver um dia, só são se sabe quando”, queixa-se Armindo Luís, tendo como cenário o mar azul aqui a dois passos. Mas para quem visita esta praia ao fim da tarde fica para sempre gravada na memória a beleza do pôr-do-sol. “É uma coisa linda. Há muita gente que vem para aqui, à tarde, beber uma caipirinha à espera do sol se pôr. Ele põe-se aqui mesmo em frente, no mar. Há pessoas que chegam aqui e ficam maravilhadas, não imaginavam uma praia tão bonita como esta”, diz o concessionário da Aberta Nova, uma praia que vai começando a ser mais conhecida e frequentada, não só pelas pessoas da zona – Grândola e Melides, por exemplo -, mas também de Lisboa, que vêm para casas alugadas e que são, também, “os principais clientes dos toldos” que o concessionário aluga na praia, frente ao bar. Que não é restaurante. “Eu bem que gostava de servir aqui almoços e jantares, mas só me deixam fazer coisas ligeiras, como bar de apoio”, conclui Armindo Luís para quem, tirando Agosto, o negócio “é muito fraco”. C.J.


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Sabores de Verão Earthcircuit

Viajar é preciso? Para a maioria de nós viajar é ir até á costa alentejana, ao Algarve ou, quando calha, até Espanha. Outros, de maiores posses, arriscam até ao Egipto, Tunísia, Turquia ou Punta Cana. Mas outros há que não se sstifazem com um viagem de férias, em que durante uma semana se vai a um outro destino, geralmente turístico e - tirando algumas particularidades e elas existem para isso – quase idêntico ao ponto de onde partimos. Os portugueses foram viajantes e aventureiros (mutas vezes obrigados) ao longo da história. E dando sentido ao sentido dos tempos continuam a existir jovens que não se satisfazem com o postal ilustrado e vão à descoberta. Mesmo a alguns mais velhos (será o meu caso?) apetece largar tudo e ir com eles, com a frescura da viagem e da idade, em busca da vastidão dos espaços e da especificidade das culturas. Mas nem tudo são rosas, todos o sabemos. E cada coisa tem o seu tempo. Claramente, para estas coisas, o meu tempo já passou. Mas escolhi para este roteiro de Verão do REGISTO a aventura de um punhado de jovens em demanda do Japão através da imensa Sibéria, porque entre eles está uma portuguesa, com fortes ligações ao Alentejo (viveu e cresceu em Castro Verde) – que também é minha filha. Mas não só por isso. Também porque acho que é bonito não adormecer na vida, nem fazer dela apenas um “picar de ponto”. Sejam eles quais os caminhos que se tomarem: de Londres ao Japão, atravessando a Sibéria, ou de Évora ao Festival da Zambujeira – cada caminho tem ser construído como se fosse o primeiro e cada vereda um sinal de descoberta. Sobretudo com estes calores de Verão e para os mais novos, cujo sangue aquece sempre mais depressa, a mensagem de que a terra é a nossa casa e que cada espaço onde nos sintamos bem é o nosso lugar é, cada vez mais, uma mensagem revolucionária. Uma mensagem de futuro. De um mundo de iguais, mas sempre diferentes. De gente que se conhece e reconhece nas suas diferenças.

C.J.

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São cinco, uma é alentejana

De Londres ao Japão, atravessando a Sibéria Carlos Júlio

Eles dizem que a ideia do “Earthcitcuit” (http://www.earthcircuit. org) – ligar, de camião, Londres ao Japão, atravessando a Sibéria - começou há vários anos, depois de alguns dos membros deste projecto terem regressado da Indía para a Europa e terem sabido, através das notícias, que iria ser construída uma nova estrada que atravessaria a Sibéria e iria através da Coreia do Norte até Seul, a capital da Coreia do Sul. Era altura de deitar fora os velhos mapas. Contam eles que encontraram uma família “a viajar da Coreia do Sul, através da China, Rússia e Turquia e ficámos muito interessados nesta nova possibilidade de fazer da Sibéria a ligação entre a Europa e o Extremo Oriente”. Decidiram por isso partir num camião que reconstruíram na República Checa, durante algumas semanas. Sairam de Londres em Março passado. Mas só no início de Julho deixaram a República Checa. Estão agora perto do Lago Baikal, em plena Sibéria. São cinco os aventureiros. Uma

Lago Baikal: próxima etápa portuguesa com raízes no Alentejo. Dois ingleses (embora uma nascida na Holanda). Um checo. Uma austríaca. Têm vistos cuja duração lhes permite chegarem ao Japão em 3 meses. A Dúnia (26 anos), que é portuguesa, escrevia há duas semanas no facebook “é a primeira vez que usamos o computador desde que chegámos à russia. Porque só temos 3 meses de visa decidimos conduzir directamente as primeiras semanas até à siberia. Agora estamos em novosibirsk e a máquina fotográfica nao tra-

balha com o computador! Mas manderei fotos muito em breve”. E ela que é fotógrafa, de diploma e tudo, publicava há alguns dias as fotos da sibéria. E dizia que a próxima etapa era o lago Baikal, património mundial. O lago situa-se no sul da Sibéria, (Federação Russa), perto de Irkutsk. Com 636 km de comprimento e 80 km de largura, é o maior lago de água doce da Ásia, o maior em volume de água do mundo, o mais antigo (25 milhões de anos) e o mais profundo da terra, com 1680 metros de profundidade.

A superfície do Lago Baikal é de 31 500 km². É é tão grande que se todos os rios na terra depositassem as suas águas no seu interior, levaria pelo menos um ano para encher. Alguns sítios ultrapassam os 1600 m de profundidade, sendo responsável por 20% da água doce líquida do planeta. Desaguam nele cerca de 300 rios. É um habitat rico em biodiversidade, com cerca de 1085 espécies de plantas e 1550 espécies e variedades de animais, sendo conhecido como as “Galápagos” da Rússia. Mais de 60% dos animais são endémicos: por exemplo, das 52 espécies de peixes, 27 são endémicas. Deve valer bem uma visita. Mas as fotos da Dúnia são de muitas centenas de quilómetros antes. De Novosibirsk. No coração da Sibéria. Depois, vão chegar ao lago Baikal. Depois ainda à Mongólia. A chegada ao Japão será lá para Setembro. Com os olhos cheios de mundo e muitas histórias para contarem. O REGISTO vai ficar atento.


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Zambujeira do Mar

Uma forma ecológica de fazer campismo

Paulo Nobre

Chama-se ZMar. É um um parque de campismo e como o nome deixa pressupor, situase na Zambujeira do Mar. Mas isso não é o mais importante. O que mais importa é que se trata do primeiro parque de campismo ecológico do país. O que é que isto quer dizer? Venha daí numa viagem pelo ZMar. Há um ano, no Litoral Alentejano, nasceu este parque de campismo que só na passada semana foi oficialmente inaugurado. A caminho da Zambujeira do Mar, a cerca de 15 quilómetros da vila do litoral alentejano, visto da estrada pouco se vê deste parque de campismo. A revelação começa quando entramos no parque e deparamos com uma casa em madeira, sem escadas, com uma longa rampa adaptada a deficientes motores. É na recepção que ficamos a perceber o conceito deste parque de campismo. “O conceito é de raiz ecológico e sustentável”, explica Francisco de Mello Breyner, promotor

do investimento. Na realidade, nos 81 hectares do parque, tudo é virado para a preservação e sustentabilidade ambiental. As estradas no interior do parque são em terra batida, todas as “casas” são em madeira e possuem painéis solares para produção de energia eléctrica e aquecimento de águas. Todas as torneiras possuem temporizadores para evitar desperdícios de água. Em cada um dos alvéolos, destinados a tendas e caravanas, há água e electricidade, existe uma tomada de esgoto que permite ligação directa evitando a deslocação das autocaravanas dentro do parque. O ZMar possui uma ETAR onde são tratados todos os esgotos. As águas residuais são aproveitadas para a rega. Outro facto interessante é que dentro do parque não circula dinheiro. Na recepção o dinheiro é substituído por um cartão do parque que permite fazer todas as compras, do supermercado até ao restaurante ou à bebida nas longas esplanadas do ZMar situadas perto das piscinas.

Novo conceito de parque de campismo

No interior do ZMar, há um parque infantil onde os mais pequenos podem ficar enquanto os pais vão a outro local e existe um conjunto de equipamentos de grande qualidade que tornam atractivo este parque de campismo ecológico e

de cinco estrelas. “Em Portugal não havia um parque de campismo digno desse nome”, mostra-se convencido Francisco de Mello Breyner, “cá os campistas são tratados como porcaria. Neste parque temos qualidade cinco

estrelas a preços que permitem a frequência a pessoas que não têm dinheiro para pagar qualidade cinco estrelas”. Além das piscinas descobertas, o ZMar tem ainda piscina coberta e uma piscina de ondas que devido à utilização de energia solar apenas “produz” ondulação durante dez minutos a cada 50 minutos. Para compor o ramalhete, falta falar do SPA, onde as cinco salas, todas elas com nomes de ervas aromáticas do Alentejo prometem tornar as férias no campismo num momento de grande relaxamento. Os courts de ténis cobertos e descobertos, o polidesportivo e as estradas imensas por onde se pode correr em bicicleta própria ou alugada no parque, fazem parte da oferta desportiva do ZMar. “Num parque de campismo a pessoa acampa, tem uma piscina, uma mesa de pingue-pongue e não faz mais nada. Aqui tem 81 hectares, pode fazer desporto, andar de bicicleta, ir à piscina, à piscina de ondas, ao SPA”, conclui Francisco Mello Breyner.

Para bem comer no litoral: Restaurante do Portinho do Canal

Óptima caldeirada e uma vista deslumbrante Carlos Júlio

São muitos os restaurantes da Costa Alentejana que merecem uma visita. Aqui o peixe é rei e senhor. Peixe assado, mas também as caldeiradas. Para esta edição do REGISTO a sugestão vai para um restaurante que alia, no entanto, a boa comida a uma vista deslumbrante. Quando o conheci há cerca de três décadas era uma pequena tasca de apoio aos pescadores que ali ao lado, no Porto de Pesca, tratavam dos barcos ou dos apetrechos para a faina. Os petiscos, com base no peixe, no marisco ou nos crustáceos, deram-lhe fama. As velhas instalações foram modernizadas e a vista do mar , logo ali, trouxe-lhe clientela variada. A vista é, de facto, deslumbrante bem so-

bre o Portinho do Canal, que é o porto de pesca de Vila Nova de Milfontes, a norte da vila, e de onde sai muito do peixe consumido nos restaurantes da zona. Estive lá num destes fins de tarde. Ao contrário do que se podia supor, o sucesso e a clientela variada, em que muitos estrangeiros tornavam o espaço numa babel linguística, não afastaram os clientes tradicionais. Vi ali gente de Milfontes, de Relíquias, lado a lado com turistas vindos de longe. O sol estava a pôr-se e as amplas vidraças abertas traziam o cheiro da maresia. Uma jovem empregada, afável, mostrava todo o seu saber, lado a lado com dois jovens, novatos, para quem aquele era o primeiro dia de trabalho.

Mas não havia gritos, nem stress. O conselho era: sirvamse. Se querem gelados vão buscar, o vinho fresco está ali, sirvam-se. A ementa está recheada de bom peixe. A carne de porco à alentejana marcava presença no espaço das carnes. Mais demoradas, as especialidades da casa, convêm serem feitas por encomenda (têm um tempo de preparação de mais ou menos 40 minutos): caldeirada, arroz de marisco, açorda de marisco, feijoada de marisco, cataplanas de marisco ou tamboril, arroz de lagosta. Há uma apreciável escolha de vinhos, e se se optar pelo vinho da casa não se vai mal servido, deste lugar mágico, com toques de intimismo e de exotismo, mas sem o falso luxo e

o novo-riquismo que alastram em muitas antigas tascas do litoral, transformadas hoje em casas de luxo onde a comida pouco vale, a vista é exígua e os preços são “a doer”. O restaurante do Portinho do Canal não é propriamente um restaurante barato, mas a qualidade da cozinha, a frescura dos produtos, a paisagem e o

ambiente agradável transformam-no numa óptima opção para um almoço ou um jantar mais demorados, junto à janela, com o mar a entrar-nos por dentro do olhar. Restaurante Portinho do Canal Tel: 283 99 62 55 Vila Nova de Milfontes


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Cultura Visita guiada ao Museu de Évora Uma visita guiada, a cargo de Maria do Céu Grilo, do Museu de Évora, vai mostrar hoje à noite, dia 5, os têxteis associados à escultura religiosa que fazem parte da colecção daquela instituição. A iniciativa integra-se no conjunto de visitas guiadas ou conferências que o Museu de Évora está a promover, até 23 de Setembro, sempre às quintas feiras, quando fica aberto até às 22h00. Para animar estas conversas ao cair da noite, é ainda servido aos visitantes um refresco no pátio do Museu.

Fluviário premiado O Fluviário de Mora, através do seu Núcleo de Investigação (NIFM), recebeu uma Menção Honrosa do Prémio Ideias Verdes 2010. Iniciativa do Jornal Expresso e da Fundação Luso, o galardão premiou o projecto “Os Rios de Portugal. Conhecer para Respeitar”, que pretendia dar a conhecer aos mais novos os rios portugueses, a importância da conservação da biodiversidade, a defesa das espécies ameaçadas nos cursos de água e divulgar, com participação activa, a protecção dos ecossistemas. O Prémio Ideias Verdes visa destacar entidades que se distingam na divulgação e sensibilização ambiental

“Sucat’Art” no Monte Selvagem No Monte Selvagem, em Lavre (Montemor-o-Novo) está patente ao público até ao fim de Outubro uma exposição alusiva à vida animal, denominada “Sucat’art Selvagem”. Organizada em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa (CML), a mostra exibe peças escultóricas criadas a partir dos desperdícios da reparação automóvel. Reúne 36 obras de 5 artistas amadores: Albertino Faria, António Serra, Felisberto Cardoso, Manuel Lima e Vítor Santos Silva. Esta exposição resulta da constante preocupação do Monte Selvagem e da CML com a protecção ambiental, a reciclagem de desperdícios e a educação ambiental.

“Escrita na Paisagem”

Exposições e instalações para todo o Verão José Pinto de Sá

Exposições e instalações para “‘re:escrever’ a paisagem alentejana” são outras tantas propostas do festival Escrita na Paisagem, que decorre durante o Verão em vários concelhos portugueses, incluindo Évora. Desde o dia 1 de Julho e até 30 de Setembro, o “festival de performance e artes da terra” Escrita na Paisagem interpela e dialoga com as “paisagens” do Alentejo, com uma mão cheia de propostas para o Verão. Entre os vários projectos que dão corpo a essa vontade de interacção, escrita e leitura, merecem destaque as instalações e exposições, que constituem um fio condutor fundamental da programação, reforçando o tema escolhido para a edição de 2010: “Re:play”. “Últimas Ceias”, instalação com a curadoria de Colecção B, está patente no Museu de Évora até ao dia 30 de Setembro. A instalação aborda a cena mais representada na cultura religiosa cristã, colocando em diálogo peças de Jorge de Sousa e Marcos López (fotografia) e de Noémia Cruz (escultura) com

“Outras Barbaridades” “Saladas Tipográficas e Outras Barbaridades Afins”, de Pedro Proença, tem o formato de “arte de guerrilha”. Esta exposição pode ser encontrada pelos mais atentos nas ruas de Évora, Arraiolos, Viana do

Alentejo e outras localidades do Alentejo. O ilustrador e designer gráfico recorre à história da tipografia e da ilustração, bem como às vanguardas históricas do século XX, recuperando materiais que reutiliza em divertidas combinações gráficas. “A Dança do Existir. Retrospectiva em Imagens do Trabalho de Vera Mantero” está em exibição no Convento dos Remédios, em Évora, até ao dia 30 de Setembro. Esta exposição configura uma das formas de participação de Vera Mantero no Escrita na Paisagem, enquanto artista convidada da Escola de Verão. Na mostra, os

visitantes têm ocasião de contactar de perto com o trabalho da coreógrafa portuguesa, através de fotografias, vídeos, notas de trabalho e bandas sonoras… “Linhas com que me coso”, instalação concebida por Diana Regal, da Colecção B, pode ser visitada no Mosteiro da Flor de Rosa, no Crato, até 30 de Setembro. Este trabalho retoma um conjunto de fontes que vão de um poema visual de Regina Guimarães às formas tradicionais da rendasol. Todos estes elementos são “transformados e recriados, dando corpo a um novo objecto, de arte contemporânea”.

Escola de Verão

Vera Mantero conversa com José Gil O filósofo José Gil será o convidado da coreógrafa Vera Mantero para uma conversa que vai decorrer na quarta-feira, no Convento dos Remédios, em Évora, no quadro da programação da Escola de Verão do festival Escrita na Paisagem. A coreógrafa e criadora Vera Mantero, artista convidada

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Uma das “Saladas Tipográficas e Outras Barbaridades Afins” de Pedro Proença.

as representações quinhentistas da Última Ceia pertencentes ao espólio do Museu. Provocadoras e irreverentes, essas peças “interpelam o gesto redentor da Última Ceia com o olhar e discursos críticos da contemporaneidade, colocando sobre a mesa questões de género e de classe”.

da Escola de Verão do festival Escrita na Paisagem, travará uma conversa com o filósofo José Gil, no dia 11, pelas 19h00, no Convento dos Remédios, em Évora. Considerado pela revista francesa Nouvel Observateur “um dos 25 pensadores sistemáticos mais importantes do mundo”, José Gil é autor de duas dezenas de livros, incluindo o polémico best-seller “Portugal. Hoje: O

Medo de Existir”. No mesmo dia, pelas 17h00, Vera Mantero guiará uma visita à exposição documen-

tal “A Dança do Existir”, dedicada à sua carreira. No dia 12 repete a visita à exposição, à mesma hora, e às 19h00 recebe novo convidado para uma conversa, desta feita o professor António Guerreiro. No dia 14, pelas 21h30, Vera apresenta dois solos,” Olympia” e “uma estranha coisa disse e.e.cummings”, no espaço de A Bruxa Teatro, no Espaço Celeiros, em Évora.


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Regi達o


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Lazer HORÓSCOPO SEMANAL

Carneiro

Telefone: 21 318 25 91 E-mail: mariahelena@mariahelena.tv

Touro

Gémeos

livros

FIlme desta semana

Para Onde Voam as Tartarugas Autor: Joaquim Arena

É muito Rock, meu

Sinópse

Carta Dominante: 6 de Copas, que significa Nostalgia. Amor: Saudades da sua infância poderão ocupar-lhe a mente. A vida é um canto eterno de beleza! Saúde: Cuidado com o aparelho digestivo. Dinheiro: Tenha cuidado com os conflitos entre colegas. Pode sair prejudicado. Número da Sorte: 42 Dia mais favorável: Domingo

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Carta Dominante: 9 de Ouros, que significa Prudência. Amor: A sua relação poderá estar a avançar muito rapidamente. Aja com cautela mas não se preocupe com o seu futuro. Deus cuidará de si! Saúde: Cuide melhor dos seus dentes, pois merece ter um lindo sorriso. Dinheiro: Não gaste mais do que aquilo que realmente pode. Faça bem as suas contas. Número da Sorte: 73 Dia mais favorável: Terça-feira

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Carta Dominante: Valete de Ouros, que significa Reflexão, Novidades. Amor: Saiba ouvir a sua carametade. Lembre-se que ele também precisa de si. Procure dizer coisas boas, a palavra tem muita força! Saúde: Espere um período regular. Dinheiro: Poderá investir em novos projectos, com prudência. Número da Sorte: 75 Dia mais favorável: Quarta-feira

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Caranguejo

Leão

Virgem

Carta Dominante: O Imperador, que significa Concretização. Amor: Estará num período bastante propício ao romantismo. Que a juventude de espírito o faça ter o mais belo sorriso! Saúde: Se sofrer de alguma doença crónica, poderá ressentir-se um pouco neste período. Dinheiro: Poderá alcançar os seus objectivos profissionais. Número da Sorte: 4 Dia mais favorável: Sábado

Carta Dominante: 4 de Paus, que significa Ocasião Inesperada, Amizade. Amor: É possível que reencontre alguém que não via há muito tempo. Que o futuro lhe seja risonho! Saúde: Estará tudo na normalidade. Dinheiro: Poderá ter necessidade de utilizar as suas poupanças. Número da Sorte: 26 Dia mais favorável: Segunda-feira

Carta Dominante: 2 de Copas, que significa Amor. Amor: Aproveite bem os momentos mais íntimos para mostrar à sua cara-metade o tamanho do seu amor. A felicidade espera por si, aproveite-a! Saúde: Procure o seu médico de família para fazer exames de rotina. Dinheiro: Dedique-se com afinco e determinação ao seu emprego porque pode ter uma excelente surpresa. Número da Sorte: 38 Dia mais favorável: Sexta-feira

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Balança

Escorpião

Sagitário

Carta Dominante: a Força, que significa Força, Domínio. Amor: Dê mais atenção às necessidades da sua carametade. Não ponha de parte aqueles que ama, cuide deles com carinho. Saúde: Possível inflamação dentária. Dinheiro: É provável que surja a oportunidade pela qual esperava, para dar andamento a um projecto que tinha parado. Número da Sorte: 11 Dia mais favorável: Quinta-feira

Carta Dominante: 6 de Espadas, que significa Viagem Inesperada. Amor: Deixe de lado o passado e concentre-se mais no presente. Pratique agora o pensamento positivo e as acções construtivas! Saúde: Poderá sofrer de quebras de tensão, tenha cuidado! Dinheiro: A impulsividade irá causar alguns estragos na sua conta bancária. Número da Sorte: 56 Dia mais favorável: Sábado

Carta Dominante: Ás de Ouros, que significa Harmonia e Prosperidade. Amor: Será elogiado pela sua tolerância e compreensão. Dê sempre em primeiro lugar um bom exemplo de conduta! Saúde: O bem-estar físico vai acompanhá-lo durante toda a semana. Dinheiro: Poderá receber uma quantia considerável de dinheiro. Número da Sorte: 65 Dia mais favorável: Terça-feira

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Capricórnio

Aquário

Peixes

Carta Dominante: o Sol, que significa Glória, Honra. Amor: Aprecie uma reunião familiar e ponha de lado as preocupações profissionais. O ambiente familiar encontra-se na perfeição, aproveite a boa disposição que vos rodeia. Saúde: Possíveis problemas de obstipação. Dinheiro: Seja mais flexível; o facto de ser tão minucioso pode prejudicá-lo. Número da Sorte: 19 Dia mais favorável: Quarta-feira

Carta Dominante: Rei de Paus, que significa Força, Coragem e Justiça. Amor: Poderá ter uma discussão com os seus filhos. Lembre-se que eles têm vida própria. Saúde: Trate-se com amor! A sua saúde é o espelho das suas emoções. Dinheiro: Período de grande estabilidade. Número da Sorte: 36 Dia mais favorável: Segunda-feira

Carta Dominante: Valete de Espadas, que significa Vigilante e Atento. Amor: Andará um pouco desconfiado do seu parceiro. Fale e esclareça as suas dúvidas com ele. Agora é tempo para partilhar. Saúde: Sentir-se-á cheio de energia. Dinheiro: Aproveite bem as oportunidades que lhe surjam. Número da Sorte: 61 Dia mais favorável: Domingo

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O romance Para Onde Voam as Ta r ta r uga s, de Joaquim Arena, é o terceiro livro do autor e apresenta um relato vivo das personagens, dos lugares e vivências da sociedade cabo-verdiana. Christian Zardel é um menino de rua em fuga de um traficante de droga, que encontra abrigo num velho farol, onde vive Simplício, antigo faroleiro do mar traiçoeiro da ilha da Boa Vista. O velho farol e o ilhéu são também, para a bióloga marinha Selma e o ex-etarra Kiko, uma espécie de recanto paradisíaco, mas por diferentes razões, obviamente, enquanto as suas vidas secretas se vão abrindo e cedendo à atracção física que sentem um pelo outro e à crescente cumplicidade na defesa do meio ambiente e da espécie animal ameaçada. Na Ilha de São Vicente, um advogado português e um cidadão espanhol seguem a pista do exetarra, responsável pela morte violenta da esposa do segundo. Se o espanhol nada tem a perder nesta busca perigosa, para o advogado português é uma dose suplementar de adrenalina, nesta sua nova vida.

Nicholas Stoller Sinópse

Aaron Green tem 24 anos, é eficaz e dedicado ao seu trabalho. Tem em mãos uma oportunidade única na sua carreira. A sua missão: voar até Londres e escoltar um deus do rock até ao famoso Greek Theatre para o concerto inaugural da tour de regresso aos palcos. A estrela de rock britânica Aldous Snow é um músico brilhante mas, devido a uma separação complicada e a uma carreira em fase descendente, perdeu o comboio e agora é um alcoólico desastroso. Quando desco-

bre que o amor da sua vida, a modelo / popstar Jackie Q, está em Los Angeles, Aldous assume como objectivo têla de volta. Isto um segundo antes de dar o pontapé de saída na sua “conquista do mundo”.

Resolve as palavras cruzadas por meio de sinónimos.

Parrot e Olivier na América Autor: Peter Carey Sinópse

Do autor duas vezes prem i ado com o Booker chega-nos uma i mprov i sação a partir da vida de Alexis de Tocqueville, num retrato imensamente divertido da amizade impossível entre um amo e um criado. Esta serve de pretexto à exploração da aventura da democracia americana, na teoria e na prática. Este é o primeiro livro de Carey situado na América. A acção decorre em 1830, e Alexis de Tocqueville, que a inspirou, surge aqui como Olivier-Jean-Baptiste de Clarel de Barfleur de Garmont. Olivier é um snob e um aristocrata que, após a subida de Louis-Phillippe ao trono, entende ser conveniente sair de França e fazer uma viagem à América para escrever sobre o sistema prisional americano

Horizontais: 1 – Desastre. 2 – Areal. 3- Contracção de preposição com o artigo; falda; solitário. 4- Levanta; avistar. 5- Perdurável. 6 – Pega; troçar. 7 – Compaixão; cruel; interjeição de dor. 8 – Desembarquem. 9 – Féria. Verticais: 1 – Saúde. 2- Incrimino. 3 – Símbolo químico do neptúnio; altar; primeiro apelido de um poeta do século XVI. 4 – Cólera. 5 – Conhecimento. 6 – Parente; apelido (inv.). 7 – Batráquio; chegar; nota musical. 8 – Sisuda. 9 – Habitara.

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Nota: O objectivo do jogo é completar os espaços em branco com algarismos de 1 a 9, de modo que cada número apareça apenas uma vez na linha, grade e coluna.


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Artes “Jazz na Cidade”

Música na rua nas noites de Verão José Pinto de Sá

Durante três dias o festival “Jazz na Cidade” propõe-se espalhar pelas ruas de Évora essa música de fusões em que tantos músicos do mundo hoje dialogam, combinando uma vez mais a história destes muros e a contemporaneidade que o Jazz representa. A programação do festival “Jazz na Cidade”, que decorre nas noites de 5, 6 e 7 de Agosto, assenta sobretudo em pequenas formações, valorizando simultaneamente músicos eborenses e outros que despontam no panorama nacional, mas não descurando a participação de “outras contribuições de culturais musicais de origem europeia”. Biel Ballester Trio, Django Tributo, CoMcOrdAs, The Messy Band, The Jungle Jazz Orchestra, Rafael Prieto Trio, In-Out 4tet e Beatriz Portugal e Nuno PUB

Ferreira Jazz Duo são as formações que, ao longo das três noites, vão trazer o Jazz às ruas de Évora. O Biel Ballester Trio é um grupo que se enquadra no universo do Jazz e que o interpreta com uma personalidade muito própria através do chamado “Jazz Manouche”, ou “Gypsy

Jazz”, descrito como “o estilo de jazz menos americano e mais europeu de todos os que se interpretam no mundo”. A marca cigana está bem presente também na música do projecto eborense Django Tributo, no ano em que se assinala o centenário do nascimento do guitarrista Django Reinhardt, o músico responsável pelo primeiro grande contributo europeu ao Jazz. Organizado pela Associação Cultural do Imaginário com o apoio da Câmara Municipal de Évora, o festival “Jazz na Cidade” inclui concertos na Praça do Sertório, Rua João de Deus, Largo Álvaro Velho, Praça Joaquim António de Aguiar (Jardim das Canas), Largo do Chão das Covas e na Rua de Avis, bem como na sede da associação, sita na Estrada do Bairro de Almeirim.

Programação: DIA 5 Rua João de Deus 19h – Django Tributo 21h30 – CoMcOrdAs Largo Álvaro Velho 22h – Django Tributo 22h30 – CoMcOrdAs Praça do Sertório 23h – Biel Ballester Trio 00h30 – After Hours na sede do Imaginário DIA 6 Praça do Sertório 22h – In-Out 4tet 22h30 – Beatriz Portugal e Nuno Ferreira Jazz Duo 23h30 – Rafael Prieto Trio Rua João de Deus 19h – Rafael Prieto Trio 21h30 – Beatriz Portugal e Nuno Ferreira Jazz Duo 23h – In-Out 4tet Largo Álvaro Velho 22h – Rafael Prieto Trio 23h30 – Beatriz Portugal e Nuno Ferreira Jazz Duo 00h30 – In-Out 4tet DIA 7 Praça Joaquim António de Aguiar 19h – The Messy Band 22h30 – The Jungle Jazz Orchestra Largo do Chão das Covas 21h30 – The Messy Band 23h30 – The Jungle Jazz Orchestra Rua de Avis 00h – The Messy Band 00h30 – The Jungle Jazz Orchestra


20 05 Agosto ‘10

Roteiro

MÚSICA Évora o Molhóbico | Rua de aviz, 91 | Todo o Mês | Horário: 22.30

Para divulgar as suas actividades no roteiro Email geral@registo.com.pt

EXPOSIÇÃO Vidigueira A Galeria do Posto de Turismo de Vidigueira vai receber a Exposição de Pintura/Escultura - HOMOCENTRO [30 anos depois], de Teresa Joaquina, Carlos Eirão Gomes, Eduardo Abrantes, Manuel Corceiro, Pais Garcia e Gil Gomes.

Formação Évora Escola de Verão | de 2 a 13 de Agosto | Cie Philippe Genty (FR) | Souvenir d´une amnésie | Fábrica dos Leões | Universidade de èvora | Horário a combinar com os participantes.

Évora Workshop de Cerâmica| 9 e 10 de Agosto Oficinas da Comunicação Horário: 17.00 - 19.00

Évora Modalfa Fashion Dream em Évora | Desfile| 07-08-2010 | Praça do Giraldo|

Às segundas e quartas-feiras há Jazz com as Bandas MolhóJazz e FudJazzHug, às quintas-feiras com Molhóbico Rhythm and Blues Band, ás terças-feiras e Domingos Fado e Música Ligeira, e todas as sextasfeiras e Sábados dá-se lugar ao Rock. Reguengos Os Amigos do Guadiana | 2010-08-07 | Concerto de música popular integrado na iniciativa “Serões da Aldeia” | Jardim Público, São Pedro do Corval | 22.00h Vidigueira Festival de Folclore Internacional Vila dos Gama – FOLKMUNDO.

OUTROS PALCOS A exposição vai estar patente ao público, entre 31 de Julho e 29 de Agosto.

Évora “A LOVE STORY” | Palácio de D.Manuel | Jardim Público | Segunda a Sexta-feira | 10.00-12.00 | 14.00-18.00 | Sábado | 14.0018.00. Iniciada na década dos anos 80 do sec.XX, a colecção MEFIC (Museu de Escultura Figurativa Internacional Contemporânea) é considerada como a colecção de escultura figurativa e realista mais importante.

Évora À NOITE NAS PISCINAS | 05-08-2010 a 02-09-2010

Évora 5as à Noite nos Museus - Verão 2010

MUSEU DE ÉVORA | 24 Junho a 23 de Setembro às Quintas-feiras | das 18h às 22h


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Espectáculos 1º Festival Alentejo

Promotor estava preparado para o fracasso e promete voltar Paulo Nobre

Luís Pardal

Entre sete a nove mil espectadores. Estes são os números oficiais do festival. Muito abaixo da fasquia dos 20 a 25 mil. O público primou pela ausência. Salvou-se a música. O promotor não se assusta. Assegura o pagamento integral do festival. Garante voltar no próximo ano. “Nem a Câmara nem o Turismo perdem nada com o festival”. Peremptório, José Serra, da On Stage, empresa promotora do Festival Alentejo, assegura estar pronto a assumir todos os encargos do festival. De resto, o promotor afirma que “o plano financeiro estava do nosso lado, a eles apenas competiu alguns apoios em termos logísticos, que fizeram. Portanto não perdem nada além do acordado”. De acordo com José Serra, quer a autarquia, quer a Entidade Regional de Turismo apenas prestaram apoios a nível logístico, pelo que as perdas “não têm significado”, assegura ainda o líder da On Stage, reconhecendo que o festival deu “algum prejuízo”, embora afirme de imediato que o risco era calculado. “Nós tínhamos desde o princípio assumido que este festival, para se afirmar, precisa de dois, três anos. Como tal

Pouco público dita insucesso de um festival que promete voltar em 2011

isso estava mais ou menos pensado, era um risco assumido da minha parte”. De acordo com a organização estiveram entre sete a nove mil pessoas nos três dias do festival, muito longe dos 20 a 25 mil previstos, um número que, à partida, garantiam de imediato o sucesso em ano de arranque. Esta primeira edição tinha um orçamento estimado em cerca de 400 mil euros, os bilhetes custavam apenas 10 ou 25 euros nos casos dos pas-

ses de três dias. José Serra concorda que as coisas “não correram tão bem quanto gostaríamos, tendo o festival ficado “muito abaixo” das expectativas da organização, mas isso não impede que comece de imediato a preparar-se a edição do próximo ano. Qualidade musical O promotor do Festival Alentejo não encontra explicação para o alheamento quase total

do público. “Sempre tivemos a perspectiva de que precisamos de melhorar algumas coisas, rever outras, nomeadamente a data, porque 1 de Agosto é uma má data”, reconhece José Serra, não compreendendo, por exemplo, “como é que o concerto dos Waterboys foi o pior dia”. “Isto não tem explicação”, ainda por mais quando a “qualidade espectáculos e a produção estiveram acima das expectativas”. De facto, alguns concertos es-

trondosos e uma qualidade de som acima de qualquer suspeita, bares sempre a funcionar com meninas bonitas a circular pelo recinto com promoções de bebidas e um bom ambiente proporcionado pelo público que pareceu sempre maioritariamente lisboeta, foram ingredientes insuficientes para transformar a primeira edição do Festival Alentejo num sucesso. Peter Murphy e os Waterboys tiveram actuações de grande nível, provando que nestas coisas da música a idade pode ser como o vinho do Porto. Peter Murphy arrancou para quase duas horas e meia de espectáculo passando por alguns dos seus maiores êxitos a solo, regressou ao som dos Bauhaus e teve ainda tempo, tal como prometera ao REGISTO, de incluir algumas “covers”, nomeadamente no último “encore”. Também os Waterboys brindaram o escasso público com um concerto de grande qualidade, com Mike Scott a mostrar em definitivo a sua veia rockeira sempre acompanhado pelo inseparávelSteve Wickham. Tecnicamente o Festival Alentejo merecia mais público, mas para o sucesso será preciso limar várias arestas e, sobretudo, lançar o festival mais cedo.

Opinião

Erros do insucesso Paulo Nobre

A primeira edição do Festival Alentejo, está longe de poder considerar-se um sucesso. A manifesta falta de público ao longo dos três dias de festival terá de ser motivo de profunda reflexão por parte dos organizadores. Mesmo antes do festival, José Serra, empresário, conhecedor do mercado musical em Portugal fruto de longa experiência na matéria, reconheceu alguns erros de palmatória que podiam – como infelizmente aconteceu – conduzir ao insucesso. Insucesso que não fica, de modo algum, a dever-se à qualidade das bandas em presença ou das condições técni-

cas – excelentes, sublinhe-se. Confesso não ter assistido aos concertos de sábado, mas no que toca a sexta e domingo, afirmo peremptoriamente que Peter Murphy e os Waterboys (qualquer deles a terceira vez que os vi ao vivo) foram simplesmente exemplares, com destaque para o antigo vocalista dos Bauhaus que mesmo com uma noite fria e pouco público lançou-se furiosamente em palco durante duas horas e quase meia, quando o contrato escrito apontava para hora e meia de espectáculo. O que significa que, Murphy cumpriu o que havia afirmado aqui no REGISTO: que este não era um

concerto qualquer. Pelo contrário, exigia empenho por se tratar de uma pequena cidade não habituada a este tipo de festivais. Passando a música, creio que o insucesso deste festival fica a dever-se, essencialmente a dois factores: fraca preparação do festival, com escassos dois meses de “rodagem” nos meios de informação, o que é manifestamente pouco; demasiado desligamento da região. Para resultar, o Festival Alentejo precisa de tempo para ser trabalhado, não só ao nível da programação – factor predominante, mas não único -, mas sobretudo na dinamiza-

ção de uma mensagem criativa, atractiva, capaz de, só por si, despertar curiosidade mesmo antes do cartaz das bandas. É que festivais há muitos, Portugal é o país da Europa com o maior número deles. Há que preparar um conceito, divulgá-lo, apontar o target, chegar a ele e fazê-lo crer que este é “um momento único”. Por outro lado, este é um festival com um nome: Alentejo. Ora é aqui que ele tem de procurar a sua consolidação. Não é promovendo-o em Lisboa na M80 nem nos rodapés das televisões. É investindo fortemente na comunicação social da região. Nas rádios, nos jornais. Todos. Em Beja,

em Évora, em Portalegre. Sem privilegiar este ou aquele porque parece estar em melhores condições de fazer a promoção. Todos. Sem excepção. Fazendo sentir ao Alentejo que este é o seu grande festival de música. Se e quando conseguir agarrar a região, congregando o Alentejo, este será um festival ganho com capacidade para chamar gente lá fora (Lisboa, Badajoz, quem sabe mais…). Last, but not the least. Não se faz um festival de três dias num local inóspito. Muito bom para uma noite de concerto. Demasiado mau para um festival.


22 05 Agosto ‘10 Anuncie no seu jornal REGISTO Telf: 266751179 Telm: 967395369

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Ambiente Em Fronteira

Ministra do Ambiente esteve no início das obras de central que vai produzir electricidade a partir de lixo Carlos Júlio

A ministra do Ambiente, Dulce Pássaro, garantiu que o Governo vai continuar a apostar na implementação de centrais de produção de eletricidade, através de resíduos sólidos, considerando que estes projetos conduzem a uma melhor “gestão ambiental”. “Estamos muito virados para este tipo de projetos que têm uma dupla vertente: a gestão ambiental e mais valias em termos de produção energética”, declarou Dulce Pássaro, que falava aos jornalistas à margem da cerimónia de início das obras da central de produção de eletricidade, através de resíduos sólidos nas instalações da Valnor, empresa responsável pela reciclagem de lixo no nor-

te alentejano, terça-feira. De acordo com a governante, a obra, orçada em 7,5 milhões de euros, “é importante para o ambiente em Portugal, para a região e para a economia”. Por outro lado, o projeto “resulta da implementação do plano estratégico que temos aprovado para este setor e que está definido para o período 2007/2016”, sublinhou. A central da Valnor junta-se às nove já existentes no setor empresarial do Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território e que permitem a produção de energia através de resíduos para 112 mil famílias. Dulce Pássaro garantiu ainda que “há mais unidades projetadas” para o país, tendo ainda sublinhado que Portugal vai contar com “22 unidades de

Lixo vai servir para produzir electricidade em Fronteira.

valorização da fração orgânica dos resíduos urbanos” em funcionamento “até 2013”. Com esta medida, o Estado evita a importação de 207 mil

barris de petróleo por ano e a quantidade de resíduos enviados para aterro é menor. A central da Valnor, que criará seis postos de trabalho, vai

entrar em funcionamento em novembro de 2011, produzindo eletricidade através do biogás, obtido a partir de resíduos por digestão anaeróbia. A digestão anaeróbia é um processo biológico onde a matéria orgânica é transformada em metano e dióxido de carbono na ausência de oxigénio. A Valnor é a empresa responsável pela gestão, valorização e tratamento dos lixos produzidos em 19 municípios, 15 deles do distrito de Portalegre, aos quais se juntam Mação, Sardoal e Abrantes (Santarém) e Vila de Rei (Castelo Branco). A empresa tem como acionistas a Empresa Geral de Fomento, representando 51 por cento do capital, e os 19 municípios detêm os restantes 49 por cento.

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A última ceia

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Sábado Max. 34 Min. 19

Sexta-feira Max. 37 Min. 21

Domingo Max. 28 Min. 19

Começa amanhã em Sines

Crónica de Verão

O dia estivera muito quente e, no final da tarde, o que mais apetecia era uma cerveja gelada no restaurante debruçado para a escarpa, frente ao mar, com o porto de pesca lá em baixo. Sentámo-nos ainda com a luz forte do dia, mas com o sol já a desaparecer no horizonte. O mar entrava pela janela dentro, o ar cheirava a maresia. Na mesa ao nosso lado, bem encostados à janela, dois homens estavam frente a frente. Um na casa dos 50, com uma barba rala, de calções. Outro, talvez já octogenário, bem vestido, mas quase em estado vegetativo, limitava-se a mastigar os bocados de “miolo” de sapateira que o seu parceiro de mesa lhe ia colocando no prato ou a bebericar um copo de cerveja sem álcool que o outro, de quando em quando, ia enchendo devagar. Durante todo o tempo que estiveram ali não trocaram uma palavra, nem se ouviu o mínimo murmúrio. O mais velho só raramente levantou os olhos do tampo da mesa. No restaurante aumentava o bruá-bruá. Mais pessoas iam chegando, mas os dois parceiros mantinham-se impassíveis até ao momento em que, não sei como, o mais velho dos homens se levantou, e ajudado por um terceiro, que estivera sempre ao balcão, se dirigiu à exígua casa de banho, onde

Quinta-feira Max. 31 Min. 20

os dois entraram e estiveram alguns, breves, minutos. O mais velho regressou, então, à mesa, acompanhado sempre pelo seu ajudante. O mais novo esperava-os, de pé, segurando uma pequena colher onde se podiam ver comprimidos de várias cores. Mal chegados à mesa, deu-os a tomar ao mais velho que os engoliu num ápice. A este trio juntou-se, logo a seguir, um quarto elemento que ajudou o mais velho a sair da sala. Todos os que estávamos no restaurante assistimos à cena, mas ninguém emitiu uma opinião ou fez qualquer pergunta. Só depois. E foi quando começaram a surgir as possibilidades e as interrogações. Houve quem sugerisse que se tratara de um jantar de despedida entre um pai doente e o filho distante. Outros admitiram que se pudesse tratar de um último desejo, de uma última ceia, de alguém que sabe que vai morrer e que quer dar um último olhar ao mar e sentir, pela última vez, o vento fresco de fim de tarde no rosto ou o sabor do marisco acabado de cozinhar. Mas foram apenas opiniões. Ninguém ficou a saber do que se tratava: mas que todos presenciámos um momento único, inesquecível, singular – disso nenhum de nós teve a mais pequena dúvida. Carlos Júlio

Terceiro encontro europeu de viajantes à boleia Carlos Júlio

Já por duas vezes centenas de viajantes à boleia se reuniram para promover a boleia na Europa. O primeiro encontro foi em Paris em 2008, ano em que os participantes acamparam debaixo da Torre Eiffel. Em 2009 realizou-se em Odessa, na Ucrânia, num acampamento na praia. Este ano o encontro dos viajantes à boleia realiza-se em Portugal, em Sines, de 6 a 9 de Agosto. O convite é feito através da internet e do sítio http://hitchgathering.org/, que é uma espécie de referência internacional para os praticantes da boleia. Em Portugal há também um sitio interessante, onde se podem combinar boleias um pouco para todo o lado http://www. deboleia.com/. É uma forma prática, barata e que permite um conhecimento mais profundo quer de países, regiões, pessoas e culturas. Os organizadores escrevem na

convocatória, a que o REGISTO teve acesso através do blog http://pimentanegra.blogspot. com/, “Convidam-se todos os que gostam de andar à boleia, aventureiros destemidos, viajantes experientes e ainda os que procuram uma primeira experiência de boleia para um encontro onde se possam conhecer uns aos outros e trocar histórias e experiências, divertir-se e tornar-se parte desta nossa comunidade crescente” Ainda segundo estes entusiastas da viagem à boleia “O encontro é auto-organizado pelos participantes de um modo transparente e igualitário. Todos são convidados a ajudar e

ninguém recebe por isso. Para começar, não precisas de perguntar a ninguém, ou de fazer alguma coisa em especial. Simplesmente encontra algo que precise de ser feito, fá-lo, e comunica que foi feito. Para simplificar tudo temos um “painel da evolução” http://hitchwiki. org/en/6810/Evolution, onde se mostra o que precisa de ser feito e o que já foi feito”. Quanto aos objectivos destes viajantes eles são claros:” promover o conceito de boleia na sociedade europeia; estimular a comunidade de adeptos da boleia; divertir-nos a realizar estes objectivos, enquanto viajamos e encontramos velhos amigos”.

Registo ED 117  

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