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SEMANÁRIO

Director Nuno Pitti | 22 de julho de 2010 | ed. 115 | 0.50 euros Évora

Pão e Paz

Évora

Fotografia

Câmara pede empréstimo de 2,8 milhões

Quatro anos a ajudar

Cinema na Praça

Carrapato expõe “mata-velhos”

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Autor do projecto Acrópole XXI desmente versão da Câmara de Évora

Homenagem: José Régio

“Não desisti nem vou desistir do projecto”

O poeta que escolheu o Alentejo para viver

Apesar de considerar que a Câmara de Évora tem toda a legitimidade para abandonar o seu projecto, a qualquer momento, o arquitecto Nuno Lopes, autor do controverso plano de remodelação da envolvente do Templo Romano, inscrito no projecto Acrópole XXI, que tem como promotor a autarquia, não aceita que se “invoque culpa do arquitecto” e contesta “fortemente” o parecer dado pela Direcção Regional da Cultura do Alentejo, por este “não respeitar o histórico do processo, não respeitar as instituições, ferindoas de morte na sua credibilidade”.

Na última reunião de Câmara a vereadora Cláudia Sousa Pereira terá informado que o arquitecto, autor de algumas obras emblemáticas em todo o país, teria retirado o projecto, facto que Nuno Lopes desmente, dizendo que não vai “desistir”. O REGISTO tentou contactar quer a vereadora Cláudia Pereira, quer a directora Regional de Cultura do Alentejo, Aurora Carapinha. As duas responsáveis e visadas nas declarações de Nuno Lopes ao nosso semanário encontravam-se de férias até ao fecho desta edição.

Évora: Fundação Eugénio de Almeida

Desenhos de Francis Bacon no Fórum 17

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São Miguel de Machede

Tranquilidade e sossego 14

Évora: Embraer garante

Obras começam em Novembro, produção em 2012 As obras das duas fábricas que a Embraer vai construir em Évora vão arrancar em novembro, revelou o presidente da Embraer Europa. Luiz Fuchs disse que as obras estarão concluídas no final de 2011 e a produção começará a partir de 2012. 5 PUB

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“Vem por aqui” - dizem-me alguns com os olhos doces Estendendo-me os braços, e seguros De que seria bom que eu os ouvisse Quando me dizem: “vem por aqui!” Eu olho-os com olhos lassos, (Há, nos olhos meus, ironias e cansaços) E cruzo os braços, E nunca vou por ali... (…) Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém. Todos tiveram pai, todos tiveram mãe; Mas eu, que nunca principio nem acabo, Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo. Ah, que ninguém me dê piedosas intenções! Ninguém me peça definições! Ninguém me diga: “vem por aqui”! A minha vida é um vendaval que se soltou. É uma onda que se alevantou. É um átomo a mais que se animou... Não sei por onde vou, Não sei para onde vou - Sei que não vou por aí! 11/12/13/24


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22 Julho ‘10

A abrir Crónica Editorial Carlos Júlio

Há um ditado popular que diz qualquer coisa como: “o que nasce torto tarde ou nunca se endireita”. Parece ser o caso do projecto Acrópole XXI. Depois de todas as críticas que o projecto de remodelação da envolvente ao Templo Romano teve, nomeadamente por parte do Grupo Pró-Évora , quer por não ter sido suficientemente debatida, quer por algumas das soluções que apresentava, surgiu há uma semana a informação de que o arquitecto Nuno Lopes teria retirado o projecto e que, por isso, a Câmara teria assumido a realização de um novo projecto, feito com a “prata da casa”, ou seja, com os técnicos da autarquia. A notícia foi veiculada por um comunicado dos vereadores da CDU, distribuída no final da semana passada, depois da reunião pública de Câmara. Ouvido pelo REGISTO, o arquitecto diz que “não retirou nem pensa retirar” o projecto, embora afirme que a Câmara tem toda a legitimidade para abandoná-lo e não o subscrever. Mas o forte das críticas de Nuno Lopes vai para a Direcção Regional da Cultura do Alentejo, que acusa de “contradição”. Esta é uma polémica que parece ter vindo para ficar. Ou talvez não. Técnicos próximos de todo este processo disseram ao REGISTO que é muito provável que a Câmara se prepare para uma acção “muito leve” na envolvente do Templo, avançando as outras componentes da Acrópole XXI (sobretudo as dinamizadas por

40 graus à Sombra Contusa ou com tusa? Há dias a ministra do Ambiente, Dulce Pássaro, esteve em Campo Maior para amadrinhar uma campanha de protecção do ambiente feita pela Delta através dos saquinhos de acúcar. Sempre à procura da melhor foto, Nuno Veiga, da agência LUSA, talvez por jogar perto de casa (ele mora em Elvas), volta-se para Dulce Pássaro e, delicadamente, pede-lhe: “Sra. Ministra, importa-se de mostrar o pacote?”.... Resposta da ministra: “Quer que mostre o pacotinho?...”. A estória foi contada pelo próprio Nuno Veiga na sua página no

A baliza do Benfica... outras entidades, como a Fundação Eugénio de Almeida, a Igreja, etc.), ou, no limite, abandonando mesmo essa remodelação para já e canalizando verbas do projecto para outras zonas da cidade. Nesta edição do REGISTO decidimos também associar-nos aos 80 anos da chegada de José Régio a Portalegre para dar aulas. A data está a ser assinalada pela Câmara de Portalegre. José Régio é um dos grandes poetas portugueses e a sua obra, parte substancial escrita no Alentejo, é muito marcada também pela forma de estar e ser dos homens e mulheres do Sul. Muitos poemas, e mesmo textos em prosa, reflectem de forma singular as interrogações, as angústias, as perplexidades em que o Alentejo é fértil. Está de parabéns a Câmara de Portalegre por trazer José Régio, de novo, ao convívio com todos nós, sobretudo numa altura em que há uma confusão generalizada entre espectáculo e cultura. Nesta época do ano, muitas Câmaras e outras entidades gastam milhões de euros na promoção de espectáculos, alguns deles de qualidade mais do que duvidosa, querendo passar a ideia de que estão a promover e a difundir cultura, o que é uma falácia, ou seja, no fundo, e na melhor das hipóteses, o que estão é a confundir a parte com o todo – cultura é outra coisa, mais profunda, que faz parte do substracto de cada um e o forma enquanto ser humano. Não se esgota em duas horas de um Festival de Música, numa hora de uma peça de teatro ou de um espectáculo de dança: tem que ser algo mais permanente, mais sustentado, mais assumido. Logo, menos “pão e circo”. Mais “qualidade de vida”.

Facebook, mas fez-me lembrar uma outra, passada já há uns bons pares de anos na sede do PS no Largo do Rato, em Lisboa. Na altura, Edite Estrela, bem mais nova do que hoje, era uma figura pública porque, para além de pertencer à direcção do PS, apresentava também na televisão um programa sobre como falar bem o português. A sede do PS no Largo do Rato tem uma grande escadaria e os jornalistas costumavam ficar cá em baixo à espera dos dirigentes do partido, no final das reuniões, para eventuais declarações. Num desses dias, Edite Estrela (ainda se usavam saias bastante curtas) desce a escadaria e cai num dos degraus, estatelando-se no chão, perante um grupo grande de jornalistas. Pergunta um então jornalista da Antena 1 e um dos exímios praticantes da língua pátria: “A doutora ficou contusa?”. Resposta de Edite Estrela, manifestando também um

Pedro Henriques Cartoonista www.egoisthedonism.wordpress.com

Efeméride 26 de Julho: Dia Nacional dos Avós Por proposta da deputada Ana Manso (PSD) o dia 26 de Julho foi instituído como Dia Nacional dos Avós, pela Resolução da Assembleia da República nº 50 de 2003. A data foi escolhida por se tratar (segundo o calendário litúrgico católico), do dia de Santa Ana e São Joaquim, pais de Maria e avós de Jesus Cristo. Este reconhecimento político da importância dos avós foi recentemente reforçado no Novo Sistema de Regulação das Relações Laborais (Junho, 2008), que permite aos avós trabalhadores o direito a faltar ao trabalho para assistência aos netos menores, em substituição do pai e da mãe trabalhadores. No entanto, ainda não se reconhece o direito dos netos cuidarem dos avós. Para além do papel que representam no

mais do que exemplar conhecimento da língua: “Com tusa devem ter ficado os senhores!”. O repórter engoliu em seco, os outros jornalistas também e a história, pelo que sei, ficou por aqui. Mas a verdade é que tantos anos passados, o jornalista em causa é agora comendador (desde 10 de junho). Será que Nuno Veiga também se está a candidatar a uma comenda?

Assessor também sofre O ministro da Agricultura, António Serrano, é um verdadeiro todo-terreno. Tão depressa está em Coimbra, com os produtores de arroz, como em Aveiro, em Bragança, em Beja ou onde quer que seja. Isto para falar apenas quando está no país. Porque muitas vezes para encontrálo tem que se ir a Bruxelas, a Roma, aqui ou ali. É uma verdadeira mistura de caixeiro viajante e bombeiro

seio da família, os avós começaram a ser reconhecidos pelo seu papel na construção e evolução da sociedade. O aumento da longevidade permite que seja teoricamente possível o convívio de 3 e 4 gerações da mesma família. Actualmente a esperança de vida é 74 anos para os homens e 81 para as mulheres (INE, 2003).

apaga-fogos. E, de vez em quando, ainda consegue vir dormir a Évora. É obra. Mas se ministro vai, os assessores também vão. É o caso de Luís Rego, pai há cerca de um ano, que anda numa autêntica roda viva. Num mesmo dia, tão depressa está em Aveiro, como depois em Alqueva e para terminar a jornada tem que dar uma saltada a Torres Vedras. Confidenciava ele, recentemente, que o que mais lhe apetecia era passar uns dias de férias sossegado, sem ver ninguém, longe do stress e das confusões. Quem ouviu a conversa pensou que ele tivesse marcado férias nalgum turismo rural afastado da confusão. Mas não: o bom do Luís Rego, pensando mais na família do que nele próprio, marcou férias para a praia de Manta Rota, no Algarve. O que - diga-se de passagem para quem está farto de confusões - deve ser cá um petisco

Neste jornal alguns textos são escritos segundo o Novo Acordo Ortográfico e outros não. Durante algum tempo esta situação irá manterse e as duas formas de escrita vão coexistir. Tudo faremos, no entanto, para que no mais curto espaço de tempo se tenda para uma harmonização das formas de escrever no Registo, respeitando as regras do Novo Acordo


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Cidade Para financiamento de projectos com candidatura aos fundos comunitários

Câmara vai pedir “empréstimo excepcional” de quase 3 milhões de euros

“Avatar” na Praça do Sertório

Carlos Júlio/Lusa

Na última reunião, a Câmara Municipal de Évora aprovou por unanimidade uma autorização para a consulta a seis entidades bancárias para a contracção de um empréstimo bancário de longo prazo no valor de 2,831 milhões de euros. Este pedido de empréstimo de longo prazo tem a “autorização de excepcionamento” do Ministério das Finanças para o financiamento da construção das escolas EB/JI dos Canaviais e Bacelo e Loteamento do Parque da Indústria Aeronáutica de Évora. Segundo uma nota da autarquia “a contracção deste empréstimo de longo prazo ao abrigo dos artigos 38º e 39º, nº 6 da Lei 2/2007 de 15 de Janeiro (LFL) enquadrase na comunicação recebida do Secretário de Estado Adjunto e do Orçamento em que foi autorizado o “excepcionamento de 2,831 milhões de euros para os projectos: Dois centros escolares e loteamento do Parque da Indústria Aeronáutica de Évora”. Este empréstimo excepcional destina-se a comparticipar as verbas que as Câmaras têm que disponibilizar quando se candidatam a projectos financiados pela comunidade europeia, e não contam para o “plafond” de endividamento das autarquias. Em declarações à agência Lusa, António Dieb, o vereador do PSD na Câmara de Évora apelou a um entendimento entre as forças políticas, representadas no executivo

Vereadores aprovaram consulta para empréstimo de 2,831 milhões autárquico, para se encontrarem soluções que garantam o equilíbrio financeiro do município, sem intervenção do Estado. O vereador social democrata considerou “determinante” que se “juntem esforços para que se faça uma análise detalhada da situação financeira da Câmara e uma alteração orçamental que garanta o equilíbrio financeiro do município, já com início este ano”. (ver caixa) “Estamos a apelar para que o PS (que dirige a autarquia) e a CDU tomem boa nota da nossa preocupação e da nossa disponibilidade para encontrarmos soluções que não sejam penalizadoras para a população de Évora e que garantam o equilíbrio financeiro da Câmara”, disse. Contactado também pela Lusa, o presidente da Câmara de Évora, o socialista José Ernesto Oliveira, registou “com apreço e agrado” a disponibilidade do vereador so-

cial democrata, contudo, discordou da “fundamentação do PSD para a situação difícil” da autarquia. “As opções que a Câmara tem tomado têm sido no sentido de investir e fazer obra que está a vista”, afirmou o presidente do município alentejano, considerando que o “investimento da autarquia foi em obras estruturantes que são necessárias para o concelho”. De acordo com José Ernesto Oliveira, “a situação difícil da Câmara é explicada pelo forte volume de investimento que foi feito”, agravada pelos “atrasos na recepção de verbas comunitárias e porque tiveram de ser feitos (investimentos) concentrados num curto espaço de tempo, nomeadamente em 2009”. Enumerando a concretização de vários projectos, como o Parque Industrial Aeronáutico, que implicou um investimento de 11 milhões de euros, e a construção de

dois centros escolares, o presidente da autarquia adiantou que o município investiu, no ano passado, cerca de 15 milhões de euros. “Se o PSD considera que foram opções erradas, eu defendo-as, porque permitiram criar condições para o desenvolvimento económico”, afirmou, considerando que “a paragem de investimento público seria o pior que o país podia fazer, porque agravaria a situação da economia e, particularmente, das famílias”. Em alternativa, o vereador do PSD, António Dieb, defendeu que se devem “estabelecer prioridades, evitando a dispersão de meios, que são cada vez mais escassos, e conseguir consensualizar, ainda este ano, uma alteração orçamental e, no próximo ano, a correcção financeira da Câmara”. Também a oposição comunista já se tinha mostrado preocupada com a situação financeira da Câmara de Évora, tendo defendido a subscrição de um contrato de saneamento financeiro com o Governo para o reequilíbrio das contas. Em nota de imprensa, divulgada após a reunião do executivo camarário, os vereadores da CDU referem que “votaram favoravelmente esta autorização, na expectativa de que tal empréstimo permita libertar os fundos comunitários relativos a estes projectos, dando ao município algum desafogo financeiro que permita solver dívidas com freguesias, agentes culturais, desportivos e sociais e fornecedores de bens e serviços.

Situação financeira da Câmara obriga a “conjugação de esforços”

PSD considera que intervenção do Governo seria “desastrosa” para a população de Évora Redação

“Evitar a intervenção do Governo no saneamento financeiro da Câmara de Évora obriga toda a vereação a procurar juntar esforços e vontades em torno de medidas urgentes que perspectivem uma situação de (re)equilíbrio financeiro na autarquia, subordinando os interesses partidários aos do futuro do concelho de Évora”, considera o PSD. Para os sociais-democratas “a degradação da situação financeira do Município de Évora, em resultado de opções erradas na gestão dos recursos da autarquia e agravada pela conjuntura económica desfavorável” continuam a ser motivo de preocupação.

Num comunicado assinado pelo Vereador do PSD na Câmara Municipal de Évora, pelo Grupo Municipal do PSD e pela Comissão Política de Évora do PSD, os sociais democratas referem que “de forma concertada, o PSD alertou repetidamente a Câmara de Évora, através do Vereador eleito, bem como a Assembleia Municipal através do Grupo Municipal do PSD, conscientes dos reflexos negativos da situação para o futuro de Évora e para a vida dos seus munícipes, recomendando a preparação urgente de uma análise pormenorizada da situação e a consequente apresentação de uma alteração

orçamental que conduza ao (re) equilíbrio financeiro do município”. “O PS demorou a aceitar na Câmara a proposta do PSD, rejeitando-a primeiro em Assembleia Municipal, enquanto que a CDU optou por se alhear do esforço de procura de soluções locais, a construir, gerir e executar a partir da Câmara Municipal e não a partir do Governo, considera o PSD, acrescentando que o partido “está disponível, através de todos os seus eleitos aos vários órgãos municipais, para trabalhar com toda a Câmara de Évora na procura de soluções que permitam ultrapassar

por meios próprios a difícil situação a que se chegou, antes que a mesma se torne insustentável e justifique a intervenção do Governo”. Para o PSD, “as consequências dessa intervenção seriam desastrosas para a vida da população e agentes do concelho: fixação de limites máximos para os impostos municipais, incapacidade de apoiar os agentes dinamizadores da sociedade civil no desenvolvimento de actividades de interesse público, limitação da aquisição de bens e serviços, restrição da adjudicação de empreitadas, etc.”

Às terças-feiras há “Cinema no Verão”, ao ar livre, na Praça do Sertório. Esta é uma iniciativa da Câmara Municipal de Évora, com a participação do Cineclube da Universidade de Évora e os apoios da SOIR-Joaquim António d’Aguiar e do FIKE-Festival Internacional de Curtas-metragens de Évora. Esta é já a 7ª edição do “Cinema no Verão”, que convida o público a assistir ao visionamento de cinema de um modo menos convencional, através de uma projecção ao ar livre e de entrada gratuita. À semelhança das edições anteriores, o cartaz cinematográfico apostará na apresentação de produções mais recentes e as sessões e iniciam-se sempre às 22:00 horas. No programa deste ano constam os seguintes filmes: “Avatar” (27 de Julho), o filme de animação “Chovem Almôndegas” (3 de Agosto), “Alice no País das Maravilhas” de Tim Burton (10 de Agosto), “4 de Copas” de Manuel Mozos (17 de Agosto), “New York, I Love You” (24 de Agosto) e “Sorrisos do Destino” de Fernando Lopes (31 de Agosto)

Associação Árvore de pedra com apoio do Proder Decorreu no passado sábado, nos Jardins da Delegação Regional do Ministério da Agricultura, em Évora, a sessão solene da entrega dos projectos PRODER aprovados para 2010, entre os quais se conta o da Oficinadaterra e da Árvore de pedra: Aldeia da terra, jardim de esculturas. Na qualidade, não apenas de artistas mas de orgãos dirigentes da Associação, Tiago Cabeça e Magda Ventura receberam das mãos do Ministro da Agricultura, António Serrano, a formalização do contrato vencedor desta candidatura. O projecto, já em fase de concretização em Arraiolos, tem abertura prevista para a Primavera de 2011.


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22 Julho ‘10

Opinião

Carlos Sezões Gestor/Consultor

Ensaio sobre o imobilismo Mudar custa…é uma verdade universal! Mas começo a ficar convencido que, seja por motivos genéticos, culturais, psico-sociológicos ou apenas por acaso, mudar algo em Portugal custo mais do que devia. Temos, efectivamente, uma tendência para mantermos uma sólida e convicta “zona de conforto”, baseada em mantermos o que sempre tivemos, fazermos como sempre fizemos e

Margarida pedrosa Professora

14 Dicas para que consiga viver melhor! Em cada dia que passa, convenço-me mais de que para se viver bem, devemos procurar adicionar o máximo possível de humor ao que se passa em nosso redor. Isto não significa que nos tornemos nuns irresponsáveis, mas sim em retirar um “peso” ao que vivemos e pouco significa no computo de toda a nossa vida. Esta atitude não pretende o desprendimento total ou a negação do nosso amorpróprio e da nossa individualidade. Mas reconheçamos, o ser humano tem o dom dar um valor excessivo a quase tudo. Por

olhar com desconfiança quem se atreve a sugerir o contrário. Tempos uma aversão pela incerteza e pelo risco, uma enorme preocupação com a segurança, níveis de ansiedade um pouco elevados, um certo culto da hierarquia e pouca orientação para os resultados e o mérito. Em todos os campos da nossa realidade encontramos bons exemplos desta tendência para o imobilismo e para atrasar ou impedir a mudança. Nas empresas, sempre que se fala de reorganização, inovação tecnológica ou novos processos de trabalho, levantam-se de imediato olhares de dúvida e de oposição. Na política, já perdi a conta aos anúncios de reformas estruturais que, geralmente com muito boa vontade, ambição e alguma ingenuidade, são iniciadas mas raramente concluídas. O motivo é sempre o mesmo: resistência à mudança, seja pelas chamadas “corporações de interesses” ou pela pressão política das oposições. Podemos ir ainda aos exemplos “micro”, desde um

licenciamento industrial ao alvará de construção, desde as comissões de inquérito, aos “livros brancos” de qualquer coisa, que mostram que a burocracia, mais que um “filtro de qualidade e conformidade”, é na maioria das vezes um “filtro à mudança”. Lembrei-me de tudo isto após assistir às primeiras reacções às ideias e projectos que economistas, empresários e políticos (neste caso, destaque para a nova liderança do PSD) têm lançado nas últimas semanas. Fala-se em Estado mais pequeno e eficaz, liberdade de escolha dos cidadãos na saúde e na educação, mercado de trabalho mais flexível e aberto a quem está fora dele e não consegue oportunidades, organismos reguladores com poderes reforçados e a resposta é a resistência crispada, sem qualquer argumento minimamente válido. A resposta é o ataque personalizado e desproporcionado, o agitar de fantasmas como o “liberalismo selvagem” e a montagem de

uma “trincheira ideológica” do sacrossanto Estado Social. Qualquer cidadão minimamente inteligente compreende que este Estado actual é insustentável: não se podem ter as mordomias de um estado nórdico com a economia e a administração pública de um país latino, combinadas com a demografia do século XXI. Como dizia o outro, “é fazer as contas!”. Como tal, as propostas em cima da mesa são uma possível solução para manter uma sociedade com níveis aceitáveis de qualidade de vida, simultaneamente, competitiva e mais justa em termos de igualdade de oportunidades. Se existirem outros caminhos, que sejam apresentados que serão bem-vindos. Mas não se defenda um imobilismo desesperado e suicida apenas porque sim, porque apetece ou porque ainda não se acordou do sono em que o “Estado providencial e pronto-socorro” dos últimos 15 anos nos induziu.

isso sugiro: 1. Olhar com simplicidade, e reconhecer o bom que a vida tem. 2. É positivo termos a verdadeira noção de que a vida é realmente complexa, como igualmente breve, por isso e devemos recordar-nos do quanto somos insignificantes se comparados com a imensidão do tempo e do espaço. 3. Se levarmos na nossa vida tudo muito a sério estaremos sim a fazer uma a rejeição da realidade. E a realidade diz que ninguém é tão importante que se torne imprescindível e insubstituível. Nascemos, vivemos e morremos, e a Terra continua a seguir o seu curso… 4. O humor é importante, pois abre-nos os olhos para o ridículo da condição humana e para a maioria das situações “ pequeninas” do quotidiano. Se pararmos para pensar, veremos que grande parte do que nos acontece diariamente não tem a menor importância e, no entanto, insistimos em nos aborrecer e em ficarmos irritados com esses pequenos detalhes. 5. Alimentar rancores é algo de muito

desgastante, comprar brigas é ainda pior, pois vamos sofrer horrores. 6. Viver na luta para obter bens materiais que, na semana seguinte, parecerão dispensáveis é, no fim das contas, rodearmo-nos de “tralha” que na nossa vida pouca diferença no faz. 7. Encararmos quantas situações com humor, muitas vezes é o melhor remédio, se o fizermos, conseguiremos ver o ridículo da condição humana e sem dúvida, viveremos muito mais em paz. Se pararmos para pensar, veremos que grande parte do que nos acontece diariamente não tem a menor importância e, no entanto, insistimos em nos aborrecer e enervarmo-nos. 8. Viver com paz e serenidade. Seria óptimo se a seriedade fosse predominante ao nosso redor, mas, infelizmente ela rareia cada vez mais. 9. Já repararam que se tornou um desporto preferido da sociedade falar mal dos outros, muitas vezes num tom jocoso e corrosivo. Em especial quando o alvo do escárnio não está presente? (É lamentável.)

10. Não levem a mal, mas reconheçamos que o nosso país está mergulhado num adormecimento colectivo. Daí o sucesso da nossa miserável televisão, com novelas que quantas verdadeiras lutas campais. O tom de discussão impera, assim com se fosse necessário mostrar a todos os seres humanos que é normal vivemos numa luta constante. 11. Não faz mal observarmos a vida real, logo entenderemos que estamos vivendo num mundo duro, em que a boa disposição é tomada como é como um acto de infantilidade ou de falta de responsabilidade. 12. Por favor acabemos com essas apreciações. Se podemos criar um mundo melhor para nós e para os que nos cercam, por que teimar no negativismo? 13. Sorrir é sinal de inteligência amadurecida e nunca de leviandade. É sinal de quem sabe como a vida é breve e que cada dia que passa não se repete. 14. Paremos de julgar os outros, aprendamos a aceitá-los com os seus defeitos e virtudes. Lembrem-se que a tarefa de julgar só pertence a Deus.

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Região Museu do Artesanato e Design

Decisões adiadas na Turismo do Alentejo e na Câmara Municipal de Évora

Presidente da Embraer Europa reafirma

Obras em Évora começam em Novembro, fábricas a laborar em 2012 Redação/Lusa

Carlos Júlio

Afinal, ao contrário do que tinha sido noticiado, a Assembleia-Geral da Entidade Regional de Turismo do Alentejo, reunida no dia 15 de Julho, em Évora, não votou o protocolo que visa a criação do Museu do Artesanato e Design. ”O coleccionador Paulo Parra esteve na reunião, onde prestou esclarecimentos aos membros da ERTA, mas o protocolo só deverá ser aprovado mais tarde em reunião de direcção disse ao REGISTO Domingos Cordeiro”, vicepresidente da Turismo do Alentejo. Segundo Domingos Cordeiro “este é um assunto

para ser decidido pela Direcção, que tem competências para tal e que só a ela cabe”. A votação do protocolo, prevista para a última reunião da Câmara Municipal, foi também adiada. Conforme noticiou a última edição do REGISTO, “a Câmara Municipal de Évora preparava-se para apreciar , na reunião semanal, o novo protocolo tripartido, entre a autarquia, a Turismo do Alentejo e o coleccionador Paulo Parra para a criação do Museu do Artesanato e Design. À última hora, por proposta da CDU, seguida pelos restantes partidos, a decisão foi adiada”, provavelmen-

te para a reunião a realizar na próxima quarta-feira, dia 28 de Julho, mas nada está certo, disse uma fonte da veração ao REGISTO. Parece, assim, cada vez mais afastada a possibilidade do novo Museu abrir durante o mês de Julho, conforme fora anunciado pela vereadora da Cultura da Câmara de Évora, Cláudia Pereira. Adiada para data incerta parece estar também a conferência de imprensa sobre o novo figurino do Museu, anunciada ao REGISTO pelo próprio presidente da Turismo do Alentejo, Ceia da Silva.

As obras das duas fábricas que a Embraer vai construir em Évora vão arrancar em novembro, revelou ontem o presidente da Embraer Europa aos jornalistas portugueses que participavam na feira internacional de aviação de Farnborough, perto de Londres. De acordo com Luiz Fuchs, presidente da Embraer Europa, citado pela agência Lusa, as obras estarão concluídas no final de 2011 e a produção começará a partir de 2012. “A produção das fábricas estará em ‘full power’ em 2013”, avançou o responsável à margem de uma conferência promovida pelo AICEP Portugal Global e pelo Barclays Corporate, que decorreu em Londres. A operação que a empresa bra-

sileira está a lançar em Portugal representa um investimento de 150 milhões de euros e criará 600 postos de trabalho, a maioria altamente qualificados. Uma das fábricas vai produzir peças metálicas e a outra fibra de carbono, para os novos aviões da Embraer. A Embraer, que tem estado a trabalhar na selecção de fornecedores em Portugal, diz que agora a prioridade pôr as fábricas de Évora a trabalhar.

PUBLIREPORTAGEM

VICTORIA SEGUROS em Évora

Patrick Schwarz - Administrador Delegado

Fundada em Berlim em 1853, VICTORIA nasceu da vontade visionária do banqueiro Otto Crelinger, que criou a companhia Geral dos Seguros Ferroviários para fazer face a um negócio emergente. Em 1861, lançou o seguro de vida e o sucesso foi imediato. Um século depois, Patrick Schwarz, administrador-delegado, anuncia em Évora, a abertura de uma nova loja, acompanhado pelo director comercial, José Filipe Coelho, e pelo responsável da delegação, João Mata Ferreira. Segundo Patrick Schwarz, “pretende-se reforçar a presença no Alentejo Central, neste caso, na cidade de Évora numa lógica de expansão, aproximação ao Cliente e descentralização dos serviços do Grupo”. A partir de agora, regiões como Montemor-o-Novo, Arraiolos, Viana do Alentejo e Reguengos de Monsaraz, estarão mais próximas da VICTORIA. “ Évora era uma prioridade. Encerrámos em Estremoz para abrir em Évora com uma nova abrangência, que não só fará a cobertura de toda a zona de Portalegre e Estremoz como também de outras regiões”, afirma Patrick Schwarz.

A nova delegação é já a quarta loja que a VICTORIA inaugura este ano, contando com as aberturas recentes em Portimão, Santa Maria da Feira e Penafiel. “ Ocupando uma faixa de um terço de mercado no ramo vida, saúde e não vida, VICTORIA, desde o ano passado, dedica-se de uma forma dinâmica a outros ramos reais que pretende atingir como o automóvel, multi-risco e trabalho”, acrescentou o administrador-delegado na inauguração. A VICTORIA integra um dos maiores grupos seguradores europeus, o Grupo ERGO, e alia a experiência a uma vontade contínua de investir em projectos novos. Num mundo que nada perdura, a agência VCTORIA com toda a sua experiência, transparência e rigor consolida cada vez a confiança junto dos seus clientes. VICTORIA dispõe de 22 delegações em todo o país, dotadas dos melhores meios técnicos e humanos, com instalações amplas e funcionais, as agências, VICTORIA, são um convite à satisfação. Agora em Évora na rua de Chartes 1B em Évora VICTORIA, aguarda a sua visita! Maria João Pereira

A CONFIANÇA GANHA-SE João Mata Ferreira responsável da Delegação e José Filipe Coelho Director Comercial

Equipa Victoria


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22 Julho ‘10

Opinião

Capoulas Santos Eurodeputado

Alternativa? Alternativa, eis o novo slogan do PSD. Nada mau para quem quer sê-lo. Alternar entre governo e oposição é a situação normal em democracia para os partidos com vocação de poder. Para os outros, os que têm soluções milagrosas para tudo e para todos, a curto prazo, o povo que bem sabe que “quando a esmola é grande, o pobre desconfia”, condena-os à eterna oposição. Aos alternantes, porém, exige-se-lhes que sejam alternativas e, de o serem ou não, depende o tempo de permanência na oposição. Foi, aliás, a sofreguidão de ir para o poder a todo o custo e sem olhar a meios e a qualquer tipo de ética que matou o PSD de Manuela Ferreira Leite. O povo olhou para as propostas e para aqueles que se propunham protagonizá-las e disse simplesmente: Que susto! Não obrigado. Passos, que bem percebeu a lição, mu-

Sónia Ramos Ferro

Jurista e Deputada Municipal

A insustentável discriminação na administração pública Os funcionários do Banco de Portugal vão ser aumentados em 1%. Tal aumento foi excepcionalmente autorizado pelo Governo, apesar das orientações conhecidas do Ministro das Finanças, no sentido do congelamento salarial. Quando se apela a um esforço nacional para debelar a crise, com a qual se justifica o congelamento salarial de toda a função púbica, descobrimos (alguns de nós já sabiam) que afinal há funcionários públicos de primeira e de segunda.

ta simplesmente ridícula e impensável, vinda de quem ser Primeiro-ministro. Aliás, foi sol de pouca dura. Nunca mais se ouviu falar dela. A segunda proposta conhecida é a revisão constitucional. É isso mesmo que o país mais precisa quando está a sofrer as consequências da mais grave crise internacional dos últimos oitenta anos. E o que propõe Passos Coelho de mais substancial nessa sua proposta de revisão da nossa Lei Fundamental? Nada mais nada menos do que reforçar os poderes do Presidente da Republica, concedendo-lhe o poder de voltar a demitir e nomear o primeiro-ministro, sem recurso a eleições, voltando à possibilidade da aberração eanista de má memória da constituição de governos de iniciativa presidencial, ao arrepio da vontade expressa em eleições pelos cidadãos. Ao fim e ao cabo, repor e quiçá reforçar o pendor presidencialista do nosso regime a que uma ampla maioria PS/PSD em boa hora puseram termo em 1982. Sabendo-se que qualquer revisão constitucional carece de uma maioria reforçada na A.R., apresentar, publica e unilateralmente, propostas deste tipo, que nenhum partido parlamentar subscreveu, é deveras esclarecedor sobre a sua credibilidade e a vontade de algum dia as ver concretizadas. Trata-se simplesmente de um “número” político, apenas com o in-

dou de estratégia, pôs de lado a exploração dos “casos”e assumiu uma postura responsável que alguns até apelidaram de promissor sentido de estado. Isso, porém, não é tudo. Para incutir confiança nos eleitores e levá-los a confiar ao ponto de lhe entregar a condução dos destinos do país, é preciso mais. Bastante mais. Ora, passados mais de três meses de mudança de liderança no maior partido da oposição, que propostas alternativas de fundo apresentaram Pedro Passos Coelho e o PSD? Que me lembre, duas. A primeira foi a de criar um “comité de sábios” para avaliar as nomeações dos altos quadros da Administração e das empresas públicas. Se bem percebi, um “júri” ao qual competiria decidir se fulano ou sicrano é competente e idóneo para ser Director Geral das Minas ou Presidente da Caixa Geral de Depósitos. Alguém, seguramente mais sério e competente para fazer essa avaliação do que o próprio Passos Coelho, se fosse PM, ou os seus ministros. E quem escolheria estes sobredotados? Que legitimidade democrática teriam? Que conhecimentos teriam ou como os obteriam para aferir da seriedade dos nomeados? Donde lhes viria a sapiência para aferir da capacidade técnico-profissional de quem fosse exercer funções desde as finanças à agricultura, passando pela saúde, a educação, a ciência e os caminhos-de-ferro? Propos-

Para uns há crise para outros não. Cerca de 1700 funcionários do Banco de Portugal, que já beneficiam de uma carreira mais atractiva que a generalidade dos funcionários públicos, são excluídos do contributo para a redução do deficit. Pelo contrário, são ainda recompensados, com efeitos retroactivos a Janeiro do corrente ano, pelo excelente trabalho ao nível da regulação bancária que têm efectuado, com os resultados meritórios que todos conhecemos. É a excelência da mediocridade. Além da injustiça gritante que é o tratamento desigual dos funcionários públicos, por parte do Governo, que descrimina desta forma incompreensível e totalmente injustificada os seus colaboradores, o que mais revolta é ver que os “escolhidos” fazem parte de uma instituição que tantas amarguras tem trazidos aos portugueses. Durante anos o Banco de Portugal deixou “marinar” os prevaricadores, foi ligeiro nas apreciações como regulador, contentou-se com falsas declarações, foi incapaz de

prever uma crise e de contribuir para a sua atenuação, “enganou-se” num deficit gigantesco referente ao ano de 2009 e o corolário de tudo isto é um aumento de 1% para todos os que falharam na sua missão. Também o ex-Governador, o célebre Dr. Victor Constâncio, foi premiado pelo seu excelente desempenho. Mas isto não nos deve surpreender. É bem o timbre deste Governo, que premeia o facilitismo e a ligeireza. É por isto que têm tanto medo de uma revisão constitucional. Porque o que importa é garantir o emprego, não o desempenho e a produtividade no trabalho. O que importa é garantir muitas possibilidades de nomeação e não o superior interesse da nação na extinção de inúmeras instâncias sem qualquer relevância. O que importa é prolongar o mais possível a permanência nos cargos, independentemente de cumprir uma carta de missão e ser responsabilizado pelos resultados obtidos. Sem nunca prestar contas. Não temos, infelizmente, uma cultura de res-

tuito de marcar a agenda politica, revelar iniciativa e esconder o confrangedor vazio de ideias que corporizem uma verdadeira alternativa politica para o país. Ser alternativa implica que se apresentem propostas concretas, fundamentadas e quantificadas, para cada um dos sectores da nossa vida económica, social e politica, que revelem ser melhores do que as que o actual governo está a aplicar. E exige também que se vá percebendo quem serão os protagonistas para as executar. Quem gerirá as finanças, a economia, a educação…? Querer fazer parte da alternância é uma coisa e o PSD é o partido alternante o nosso sistema político, todos os sabemos. Ser alternativa é uma coisa bem diferente e um pouco mais exigente. Para usar uma frase que ficou célebre, do antigo Ministro da Economia, Manuel Pinho, de que muitos parecem ter já saudades - o humor também faz falta na política - Passos e a sua entourage ainda têm de comer muita papa maizena e lembrar-se de que, para o governo, as eleições foram apenas em Setembro passado e que o povo, quando escolheu, foi para pedir contas quatro anos depois, não no ano seguinte. Porque quatro anos são o tempo mínimo para, com humildade e muito trabalho, se preparar uma alternativa digna desse nome.

ponsabilização. E isto é transversal à sociedade portuguesa. Não gostamos de prestar publicamente contas dos nossos actos, das nossas escolhas, quando elas são determinantes para a prossecução do interesse público. Como se dependesse dos que exercem cargos públicos o ónus das ocultar. É por isso que o Banco de Portugal e o Governo deveriam justificar objectivamente este aumento. Era o mínimo que poderiam fazer. Mas não invocando as “tendências do sector bancário” e o cumprimento de um acordo colectivo! Este argumento arrepia qualquer um. A única justificação plausível, na minha opinião, seria um desempenho de excelência. Infelizmente, não pode ser esse o caso. Quando se quer incutir na Administração Pública o slogan da ascensão na carreira pelo mérito e pela excelência, criando-se a ilusão do desempenho relevante, apenas tangível para alguns e depois se dão exemplos desta natureza, não há moral que resista.

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Sociedade Ministro da Economia assinou contratos

Projectos de qualidade para o turismo do Alentejo Paulo Nobre

São nove projectos de investimento que esta semana receberam a benção do Estado e se preparam para ser apoiados com fundos comunitários. Cinco projectos são novos hotéis. Têm a afinidade de todos serem apoiados a particularidade de quase todos estarem fora dos chamados “pontos estratégicos”: Alqueva e Litoral Alentejano. Projectos que projectam a qualidade futura do turismo na região. O investimento total é de quase 30 milhões de euros. Criam 132 postos de trabalho. São considerados projectos de qualidade e abrem boas perspectivas para o futuro do turismo na região. “Se queremos assumir-nos como destino de qualidade, temos de ter boas propostas e todos estes projectos têm qualidade”, afirma o presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo. A qualidade média com que têm

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sido apreciados os projectos no Alentejo é de 65 por cento, enquanto que no país é de apenas 40 por cento. De acordo com Ceia da Silva isto significa que o turismo que o Alentejo está a preparar para o futuro “estará, em termos de qualidade, 25 por cento acima daquilo que se faz a nível nacional”. Sobre os nove projectos que esta semana receberem luz verde para avançarem apoiados pelo InAlentejo com verbas do Quadro de Referência Estratégica Nacional, QREN, quase todos se situam fora dos chamados “pontos estratégicos” de desenvolvimento turístico da região, como são Alqueva e o Litoral Alentejano. Também este aspecto é positivo para Ceia da Silva, uma vez que consolida a região como pólo de atracção em toda a sua plenitude. “O todo reforça a parte, porque além dos pontos estratégicos, que são importantes, a região afirma a potencialidade no seu todo”, sublinha o presidente da Entidade Regional de Turismo.

Hotel Rural Estábulos São Leonardo um dos projectos apoiados.

Estímulo determinante Para o ministro da Economia, que esta semana presidiu à cerimónia de assinatura dos contratos de concessão de incentivos, estes apoios comunitários “são um estímulo” para os investidores. “São projectos diferenciadores, que apostam na qualidade e na ligação ao território”, sublinha Vieira da Silva, justificando assim os apoios comu-

nitários que vão ultrapassar os 15 milhões de euros, cerca de 50 por cento do valor total dos projectos de investimento. Para os empresários, a comparticipação financeira através do QREN, que é ainda acompanhada de uma linha de crédito especial de 800 milhões de euros concedida pelo Governo, é determinante para o avanço dos projectos. Manuel Policarpo Correia, repre-

sentante de uma empresa que tem prevista a construção de um hotel em Évora, considera “determinante este apoio”. “Há sete anos que temos intenção de construir, fizemos reformulações no projecto e este ano já tínhamos levantado a licença de obra, aguardávamos apenas pelo financiamento para avançar com a construção”. Também João Gabriel Nascimento tinha dependente do apoio comunitário um projecto de construção de um hotel rural em Mourão, explorando as potencialidades de Alqueva. “Sem este aporte financeiro concedido através deste apoio, era difícil avançar, por isso considerodeterminante”. Todos os projectos apresentam elementos de ligação especial à região, nomeadamente na exploração da qualidade ambiental do Alentejo, ou no aproveitamento de potencialidades há muito identificadas como são as excelentes condições para a prática do páraquedismo na região de Évora.


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Sociedade “Obviamente não vou desistir do projecto”. A afirmação pertence a Nuno Lopes, o arquitecto responsável pelo projecto Acrópole XXI. Na última reunião pública da Câmara de Évora, a vereadora socialista Cláudia Sousa Pereira terá anunciado a desistência do projectista após conhecer uma “apreciação informal” da Direcção Regional de Cultura do Alentejo. Ao REGISTO Nuno Lopes contraria esta versão. É mais um episódio da polémica obra de transformação de uma das mais nobres zonas já considerada pelo Grupo Pró-Evora como um projecto que “desfigura uma zona emblemática da cidade”. Nuno Lopes não desiste e reclama o pagamento integral do projecto. Ainda só recebeu a primeira tranche.

Autor do projecto Acrópole XXI contraria versão da Câmara de Évora

“Não desisto do projecto” - afirma Nuno Lopes Paulo Nobre

A polémica nasceu na última reunião pública da Câmara de Évora. A veradora socialista que detém o pelouro da Cultura, Claúdia Sousa Pereira, terá informado da renúncia de Nuno Lopes em prosseguir com o projecto da Acrópole XXI que prevê a intervenção no espaço público e equipamento urbano da zona envolvente do Templo Romano. Na habitual súmula da reunião pública distribuida à comunicação social, a Câmara de Évora não faz qualquer referência ao projecto Acrópole XXI, mas numa nota informativa, que é também habitualmente distribuída aos jornalistas, os vereadores da CDU dão conta do anúncio de Cláudia Sousa Pereira que alega que a desistência de Nuno Lopes se deu após o arquitecto ter tido conhecimento da existência de uma “apreciação informal” da Direcção Regional da Cultura do Alentejo que punha em causa a essência do projecto vencedor de um concurso público internacional. Cláudia Pereira terá anunciado também que com a desistência obrigaria a autarquia a desenvolver pelos seus próprios meios um outro projecto de intervenção no espaço da Acrópole de Évora. O REGISTO tentou conhecer a versão dos factos através de Cláudia Sousa Pereira, mas fonte da autarquia informou que a vereadora se encontra em gozo de “um curto período” de férias. Contactado, o arquitecto Nuno Lopes, vencedor do concurso internacional para o projecto da Acrópole XXI, assegura não ter abandonado o projecto. Projecto em consonância Ao REGISTO Nuno Lopes é peremptório: “obviamente não vou desistir do projecto”. O conhecido arquitecto diz que apesar de tudo terem feito para que ele o abandonasse, garante luta até ao fim por um projecto em que acredita, saiu vencedor de um concurso internacional e foi sofrendo remodelações estando na quinta variante após aceitar todas as sugestões anteriormente efectuadas. “O projecto está em consonância com todos os pedidos de alterações”, assegura ain-

Mais um caso polémico em torno de um projecto que não gera consenso.

da Nuno Lopes ao REGISTO. Para o arquitecto a autarquia tem o direito e possui todos os argumentos para contestar e desistir do projecto, mas Nuno Lopes, que já foi responsável pelo Centro Histórico de Évora e pertence à direcção do ICOMOS Portugal, organismo da UNESCO, considera que a Câmara – que entretanto terá pedido um outro parecer ao IGESPAR – desiste de um projecto “que nem conhece na sua versão final”. “A solução apresentada na Direcção Regional de Cultura é um desenho e uma maquete que nunca tive oportunidade de apresentar à Câmara, nem sequer fotografias”, afiança Nuno Lopes. Natural do Porto, residente em Évora há cerca de 30 anos, Nuno Lopes considera-se eborense e afirma toda a sua paixão pelo centro de uma cidade considerada Património da Humanidade que “conhece bem”. Admite discussões sobre o projecto e considera até normal que em torno dele haja discordância e até se levante polémica. “Isso é normal, acontece a todos os arquitectos e tem também a ver com a paixão que todos temos pelo Centro Histórico desta magnífica cidade”. Parecer duvidoso Cláudia Sousa Pereira terá alegado que a desistência de Nuno Lopes do projecto Acrópole XXI se deu após este ter conhecimen-

to de uma “apreciação informal” por parte da Direcção Regional de Cultura do Alentejo. Apreciação negativa, claro está. Para Nuno Lopes “não há pareceres informais em papel timbrado das instituições” e conta que tal documento lhe foi mostrado numa reunião na Direcção Regional da Cultura do Alentejo para a qual foi solicitada a sua comparência. Na versão de Nuno Lopes, em princípio a reunião serviria para verificar o projecto e se este res-

pondia “ponto por ponto” à acta de consenso já anteriormente aprovada pelo IGESPAR. O arquitecto classifica como “absurda” esta reunião. “É o mínimo que posso dizer quando vejo um parecer da Direcção Regional da Cultura do Alentejo que faz tábua rasa da acta de consenso aprovada pelo IGESPAR”. Para Nuno Lopes, “isto parece-me grave, porque um serviço não pode contradizer-se a si mesmo, uma vez que a Direcção Regional de

Cultura do Alentejo também assinou essa acta de consenso. Houve representantes seus no júri, portanto sinto-me um bocado incomodado, pois sendo o Estado uma pessoa de bem, não percebo como ao fim de quase um ano vir um parecer arrasar a acta de consenso e dizer o dito pelo não dito, voltando tudo à estaca zero”. Para o arquitecto, o parecer da Direcção Regional da Cultura do Alentejo “põe em causa o princípio fundamental do projecto que mereceu a aprovação do júri no concurso internacional” e significa dizer que “a solução vencedora do concurso nunca deveria ter sido aprovada”. Posterior à reunião na Direcção Regional de Cultura, Nuno Lopes afirma ter sido convocado pela Câmara de Évora para uma reunião onde lhe foi transmitida a intenção da autarquia em abandonar o projecto. Para Nuno Lopes não sobra a mínima dúvida sobre a legimitidade da autarquia em fazê-lo a qualquer momento. Aceita o facto. Mas impõe “que a Câmara nunca invoque culpa do arquitecto” e contesta “fortemente” o parecer dado pela Direcção Regional da Cultura do Alentejo, por este “não respeitar o histórico do processo, não respeitar as instituições, ferindo-as de morte na sua credibilidade”.

Dez milhões em jogo O projecto denominado Acrópole XXI foi aprovado pela Câmara de Évora em 2008 e apesar de sugerir uma profunda intervenção numa zona nobre do Centro Histórico como é a do Templo Romano, o processo parece ter evoluído sempre no limbo, surgindo a polémica apenas após as eleições autárquicas de outubro passado. O nonagenário Pro-Évora, mais antigo grupo defensor do património da cidade, afirmou tratar-se de um projec-

to que “desfigura uma zona emblemática da cidade” e promoveu no início de 2010 uma série de debates em que intervieram diversos técnicos e arquitectos, entre os quais Gonçalo Ribeiro Teles. Na altura Nuno Lopes, apesar de anunciado, acabou por não comparecer nas discussões do projecto. O projecto Acrópole XXI, promovido pela Câmara de Évora é subscrita por dez instituições da cidade “que se unem numa parceria com vista à intervenção integrada no núcleo urbano da cerca velha do Centro Históri-

co de Évora”, local onde se situam os monumentos mais importantes e simbólicos da cidade, como o Templo Romano ou a Sé de Évora. Para além da autarquia eborense, também entidades como a Fundação Eugénio de Almeida, a Biblioteca Pública de Évora, a Sociedade de Reabilitação Urbana Évora Viva, a Associação Comercial, a Universidade de Évora e a Direcção Regional de Cultura do Alentejo, bem como o Cabido Catedralício de Évora e o Museu de Évora subscreveram o projecto numa parceria em que entrava a

empresa municipal Sitee, entretanto extinta. Segundo a autarquia, a génese da intervenção urbana naquele espaço pretende “revitalizar esta zona da cidade através da promoção de acções de regeneração urbana, acompanhadas da dinamização da actividade económica do comércio tradicional, do turismo, do património e da cultura”. A candidatura do projecto “prevê mais de duas dezenas de projectos de investimento e animação, ao longo de três anos, cujo valor é superior a dez milhões de euros”.


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Sociedade Até 31 de Agosto Évora: candidaturas a bolsas de estudo para o Ensino Secundário A Câmara Municipal de Évora, considerando dever dar o seu contributo na tentativa de minimizar o grave problema do abandono escolar, aliado muitas vezes a situações de carências sócio económicas, decidiu pela manutenção do importante apoio municipal de atribuição de Bolsas de Estudo aos alunos do ensino secundário que pretendam frequentar ou frequentem um estabelecimento de ensino do concelho. De acordo com tal decisão, no ano lectivo 2010/2011, a autarquia irá conceder 26 bolsas de estudo a jovens de 10º, 11º e 12º ano, em situação de carência económica e com bom aproveitamento escolar, critérios fundamentais para a atribuição das bolsas. As candidaturas às Bolsas de Estudo deverão ser entregue até dia 31 de Agosto de 2010, na Divisão de Acção Social, Associativismo e Juventude da Câmara Municipal de Évora (Pátio do Salema).

Câmara de Alandroal e DECO estabelecem acordo Com o objectivo de proporcionar aos habitantes do concelho uma maior protecção nos seus direitos como consumidores, a Câmara Municipal de Alandroal celebrou recentemente um protocolo com a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor, DECO. Na prática, o protocolo de colaboração prevê a criação de um gabinete de apoio ao consumidor, onde os munícipes se poderão dirigir para aceder a um serviço informativo e de apoio, com a qualidade que a DECO, como associação especializada no apoio ao consumidor, poderá disponibilizar. Além disso, a DECO tem projectos de cooperação com a Direcção Geral do Consumidor que se podem revelar extremamente vantajosos para os munícipes do concelho, uma vez que lhes permite ter um acesso privilegiado a determinados serviços. O Protocolo prevê ainda a realização de sessões de esclarecimento nas escolas e junto da população em geral, comunicados nas rádios locais sobre o serviço de apoio ao consumidor, emissão de documentos de informação e defesa dos direitos dos consumidores, quer nos boletins municipais, quer nas páginas de Internet.

Évora

Deputado João Oliveira contra encerramento de escolas Redação/Lusa

O deputado do PCP, João Oliveira, questionou o Ministério da Educação sobre os impactos negativos do encerramento de escolas do primeiro ciclo no distrito de Évora. Num requerimento dirigido ao Ministério da Educação, o parlamentar comunista questiona quais as escolas que o Governo pretende encerrar em todo o distrito de Évora, qual a nova configuração de todos os agrupamentos e que contactos realizou o Governo junto das escolas e autarquias. “Estamos a procurar obter, junto do Ministério da Educação, informação relevante do ponto de vista da decisão do Governo de encerrar um conjunto significativo de escolas do ensino básico”, disse o deputado João Oliveira. Trata-se de uma decisão que é “muito prejudicial” para o Alentejo e, em concreto, para o

Deputado do PCP por Évora considera fecho de escolas “muito prejudicial”

distrito de Évora, disse o deputado do PCP, alegando que “é este tipo de decisões que contribui, decisivamente, para a desertificação das zonas mais rurais e para a fuga da população mais jovem”. “Esta medida é complemente injustificada e apenas se pode compreender à luz dos crité-

rios economicistas que, infelizmente, presidem à política educativa do governo do PS”, criticou. Por outro lado, João Oliveira considerou que o encerramento de escolas do primeiro ciclo do ensino básico “pode, em muito, contribuir para a degradação da qualidade de

ensino, mas também para o agravamento das dificuldades que já se verificam nas zonas do interior” do país. “Este tipo de medidas que o governo anunciou põe em causa, em muitas das situações, o ensino de qualidade que existe, porque uma escola que tem 10 alunos, em algumas circunstâncias, é a garantia de um ensino de qualidade que não pode existir em escolas que muitas vezes estão sobrelotadas”, considerou. Em alternativa, o deputado comunista defendeu ser “fundamental” que o encerramento de escolas fosse feito “caso a caso” e em situações “em que se constatasse que, por força do número reduzido de alunos, que não há qualidade de ensino”. “Não são medidas deste tipo, que impõem cortes cegos no sistema educativo, que contribuem para a melhoria da qualidade de ensino”, concluiu.

Associação Pão e Paz

Quatro anos a ajudar quem precisa José Pinto de Sá

Inaugurado há quatro anos, o refeitório da Pão e Paz serve anualmente mais de 12.500 refeições a quem não tem meios para as pagar, mas a associação pretende fazer ­ainda mais e, para isso, apela à ­solidariedade activa de todos os eborenses. “Agradecemos muito a todos que os têm contribuído para que esta obra vá por diante,” disse ao REGISTO Maria Teresa, presidente da direcção da associação Pão e Paz, que ontem assinalou o quarto aniversário da entrada em funcionamento da sede. Na altura, Maria Teresa apelou à solidariedade dos eborenses para garantir que a Pão

e Paz possa continuar a “dar de comer a quem tem fome”. Inaugurada a 21 de Agosto de 2006, a sede da Pão e Paz, sita no número 13C da Rua dos Penedos, em Évora, acolhe diariamente dezenas de pessoas carenciadas que ali se dirigem em busca de uma refeição que não têm dinheiro para comprar. Apesar de confrontada com inúmeras dificuldades, a associação serve anualmente mais de 12.500 refeições a um leque muito variado de cidadãos em situação desesperada, de toxicodependentes a gente da classe média arruinada pela crise. A Associação nasceu da iniciativa de um grupo de voluntários cristãos que, no Natal de 2001, ofereceu a

Luís Pardal

Voluntários e utentes celebraram ontem o quarto aniversário.

consoada a um grupo de pessoas carenciadas, incluindo muitos refugiados balcânicos que na altura se encontravam em Évora. O projecto evoluiu e sensibilizou o benemérito José Flamínio Rosa, que cedeu

à associação um recanto do imóvel onde funcionava a sua Fundação Alentejo - Terra Mãe, a fim de ali ser instalada o actual refeitório, em funcionamento há quatro anos.


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Homenagem Alentejo, ai solidão, Solidão, ai Alentejo, Pátria que à força escolhi! Quando cheguei, quis-te mal! Alentejo-ai-solidão... Julguei eu que te quis mal. Chegava do temporal... Tão cego que te nem vi! (...) Alentejo, ai solidão, Solidão, ai Alentejo, Convento de céu aberto! Nos teus claustros me fiz monge, Alentejo-ai-solidão... Em ti por ti me fiz monge. Perdeu-se-me a terra ao longe, Chegou-se-me o céu mais perto... Alentejo, ai solidão, Solidão, ai Alentejo, Padre-nosso de infelizes! Vim coberto de cadeias, Alentejo-ai-solidão... Coberto de vis cadeias! Mas estas com que me enleias... Deram-me asas e raízes!

José Régio José Régio em ano de homenagem

Um poeta (também) do Alentejo Carlos Júlio

José Régio(1901-1969) nasceu em Vila do Conde, mas viveu mais de 30 anos em Portalegre, onde se fixou como professor do Liceu em finais de 1929. Aqui fez amigos e estruturou a sua colecção de arte sacra, sobretudo Cristos, muitos deles comprados na Serra de São Mamede a pessoas que não valorizavam as obras de arte popular que tinham em casa ou que tinham recebido por herança. Na Casa-Museu de Portalegre há Cristos ainda com as marcas do fogo. José Régio conseguiu, literalmente, salvar essas peças da destruição. A sua colecção preenche agora as várias salas e paredes da PUB

casa onde morou durante 30 anos. Inicialmente ocupou um quarto de pensão. Depois, à medida que os quartos forma vagando e a colecção foi crescendo foi ocupando toda a casa onde acabou por ser o único inquilino. Antes estudou em Coimbra, fundou com Branquinho da Fonseca e João Gaspar Simões, a revista Presença, que veio a ser publicada, irregularmente, durante treze anos e que teve um papel marcante no panorama literário português.. Em Portalegre ainda são muitas as memórias e as marcas que deixou. Raul Cóias Dias, que o conheceu pessoalmente, escreveu um texto

excelente, ritmado e rimado, sobre a Casa que hoje tem o seu nome, em Julho de 1998, expressamente para a revista “Imenso Sul”. É esse texto que hoje (re)publicamos nesta homenagem também do REGISTO a um autor que, não sendo alentejano, tão bem soube traduzir para a literatura o essencial da idiossincracia do homem do Sul, incarnado no “Fado Alentejano”, na “Toada de Portalegre”, mas também no “Cântigo Negro” ou em vários outros poemas em que as interrogações religiosas e o diálogo com Deus é uma constante. Eu posso falar por mim: o primeiro livro que comprei de José Régio

foi em Beja. Andava no Liceu e teria 13 ou 14 anos. Ainda tenho esse livro. “Poemas de Deus e do Diabo”. Foi uma descoberta e tanto. Depois li quase tudo o que publicou, sobretudo poesia. E tive a sorte de, já em Liboa, anos mais tarde, numa sessão de cineclube, ver o filme, baseado numa obra sua, “Benilde ou a Virgem-Mãe” de Manuel de Oliveira. Foi outro “murro no estomâgo”. Salutar, é claro. Mas só quando, anos mais tarde, visitei a Casa onde José Régio viveu toda a sua idade mais madura, em Portalegre, perfeitamente identificada em vários dos poe-

mas que escreveu, e li as suas cartas (era um “unhas-de-fome” sempre preocupado com dinheiro), percebi que ele era um dos nossos: apesar de ter nascido em Vila do Conde a sua formação de homem plasmara-se nestas terras do sul, terras de solidão, mas também de abrigo. Terra que “dá asas e raízes” a quem nela se souber encontrar. Em 1966, Régio voltou para Vila do Conde, onde veio a morrer em 1969. Portalegre está agora a homenageá-lo. Uma homenagem que se devia estender a todo o Alentejo e a que o REGISTO se associa.


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Homenagem

Era uma “casa velha/velha, grande, tosca e bela,/ (…) cheia dos maus e gas gentes e traças/cheia de sol nas vidraças/e de escuros nos recantos,/c viveu, essa casa, na verdade, é hoje em dia um Museu. mas nela permaneceu, pelo recheio,

Portalegre homenageia o poeta

José Régio chegou há 80 anos ao Alentejo

A casa de José Nuno Veiga (Fotos)

Raúl Cóias Dias *

Hugo Teixeira/Lusa

Oitenta anos depois da chegada de José Régio a Portalegre, o poeta continua a ser recordado como um dos “expoentes máximos” da cidade, através de várias exposições e conferências que evocam a sua passagem pelo Alto Alentejo. Em 1929, quando foi colocado como professor de Português/Francês naquela cidade, existia apenas em Portalegre, como lugares de convívio, um teatro, o Grémio Transtagano, um campo de futebol, uma praça de touros e o café Central. Mas, foi na sua casa, “velha, grande, tosca e bela”, que o professor José Reis Pereira (José Régio) deu asas à sua escrita, aos seus livros e ao colecionismo de arte sacra, entre outras atividades. Maria José Maçãs, responsável pela Casa Museu José Régio, recordou, em declarações à Agência Lusa, que o poeta gostava de permanecer por casa, no seu “casulo”, como descreve em diversas obras. “Além de escrever, dormia, lia e tomava algumas refeições, não muitas, porque ia à Pensão 21, de que a casa era dependência, e na sua casa recebia os amigos”, sublinhou. “Naquela casa, à qual quis como se fora feita para morar nela”, escreveu a maior parte da sua obra literária. Em Portalegre permaneceu por mais de 30 anos, desenvolvendo, a par do ensino e da escrita, uma constante procura de obras de arte, principalmente de arte popular, dando-lhe valor no devido tempo. Na casa onde viveu, uma habitação que remonta aos finais

do século XVII, José Régio começou por alugar um quarto, mas o seu gosto pelo colecionismo levou-o a alugar mais compartimentos, tornando-se, mais tarde, o único inquilino daquela moradia. “Como a casa pertencia a uma pensão, José Régio dizia de uma maneira muito curiosa que estoirou com a pensão”, recordou Maria José Maçãs. “A casa foi um dos elementos que o fez ficar em Portalegre, porque, como sabemos, achou que vinha desterrado para um lugar que ficava e fica a mais de duas léguas da estação de caminhos de ferro”, salientou. Apaixonado pela arte popular, o autor da Toada de Portalegre frequentava com regularidade o Café Central, espaço que acolhia na altura várias tertúlias intelectuais e assistia com alguma assiduidade a peças de teatro. Para assinalar a chegada de José Régio a Portalegre está patente ao público no castelo da cidade, até ao dia 19 de setembro, uma exposição com vários objetos do poeta. No Castelo de Portalegre têm também sido apresentadas várias conferências sobre o escritor, com a participação de amigos de José Régio. O município da cidade, que está também associado a esta efeméride, recordou durante as últimas festas da cidade, em maio, a figura do poeta com um conjunto de iniciativas. A autarquia recriou o ambiente que se vivia no Café Central, nos anos 30 do século XX, através da dramatização de palavras de José Régio e promoveu um baile à antiga.

Paira no ar a Presença de um sopro de divindade e sente-se ali suspensa, esmagadora e intensa, a Luz da Eternidade. Logo na primeira sala, a seguir à da recepção, deixamos de ouvir a fala da pessoa que nos guia e branda, suave, macia, essa Luz estranha estala no silêncio do coração, como uma revelação ou milagre à luz do dia, prende-nos os pés ao chão e a paz doce que irradia corta-nos o coração. Pendurados na parede, Cristos lívidos, torturados, de lábios roxos de sede, de olhos semicerrados, crucificados, serenos, olham-nos resignados do alto do seu perdão; as nossas “poses turísticas” enleiam-se em teias místicas e sentimo-nos mais pequenos do que fingimos, em vão… Quando viramos as costas às Suas imagens expostas apetece-nos revê-las e só seguimos em frente porque o nosso olhar ausente se transformou, de repente, em espírito e pressente o rasto de mais estrelas. Arte Sacra: Cristos, Santos, Virgens angelicais, imagens quase irreais pela sua beleza artística, enchem corredores e cantos, num incêndio de sinais, cuja dimensão mística nos joga para um plano de características tais que, quanto temos de humano, nos parece rasteiro demais… Cerâmica, ferros forjados, tapeçarias, bordados, arcazes, escrivaninhas, retratos de olhos parados, peças de mobiliário, outras peças miudinhas, imagens de terracota, estanhos, um relicário, mais relíquias de arte sacra, tesouros que a gente nem nota no fundo de qualquer arca, em certos recantos estranhos, Cristos de marfim, com lágrimas que são rubis, reflexos subtis da “Presença” revelada, na profusão do recheio, ao longo do nosso passeio, entre a porta de entrada, a janela do jardim e a outra escancarada, sobre a acácia da “Toada” a planície sem fim… PUB

Foi aqui que ele viveu Nasceu em Vila do Conde entre pinhais, rio e mar. Aí perdeu a infância de olhos perdidos de azul. Foi no Norte que nasceu. Mas foi neste Imenso Sul, de olhos perdidos na distância, no ponto longínquo onde a terra se une ao céu, que José Régio viveu e acabou por se encontrar com o dom que Deus lhe deu: a vocação de O cantar, a versos de oiro e cristal, lágrimas de sangue na voz e com a lucidez feroz de que, entre o seu grito a vibrar e o seu peito a sangrar, exibia um espelho brutal do drama de todos nós. Que estranho sortilégio, que mistério profundo encerra o Sul para prender um poeta como Régio?! Deixemo-lo responder: “Alentejo, ai solidão/Solidão ai Alentejo/Meu Norte-Sul- Este-Oeste/ (…) Mendiguei de terra em terra/Esmola só tu ma deste. (…)Oceano de ondas de oiro!/Tinha um tesoiro perdido,/Alentejo-ai-solidão.../Que eu já dera por perdido!/Nos teus ermos escondido/Vim achar o meu tesoiro.(…)/ Convento de céu aberto!/Nos teus claustros me fiz monge./ (…) Perdeu-se-me a terra ao longe,/Chegouse-me o céu mais perto(...)Padre-nosso de infelizes!/Vim coberto de cadeias, /Alentejoai-solidão.../Coberto de vis cadeias!/Mas estas com que me enleias.../Deram-me asas e raízes!...”. Uma tarde com Régio Conheci-o pessoalmente nessa casa da Boavista, em Maio de 66, a 20 precisamente. Nunca mais esqueci o dia porque nunca mais fui o mesmo. Sendo embora adolescente, por essa altura já escrevia os meus versinhos a esmo e, para dizer a verdade, essa tarde em sua casa foi para mim uma asa que cresceu com a idade e que, ainda hoje, adeja,

Mar

por h perso que a que a fanta A me sua c hoje ainda dias e tes m a esse devo… quan rima, vôo r lavra sinto sua p Semp nervo mim rima, gio lá vento rosa a sa, qu e, cad tante e pou seu s de qu ouvilina, onde queri Que m puris assim escrit


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e bons cheiros/das casas que têm história/ cheia da ténue, mas viva, obsidiante memória/de anticheia de medo e sossego,/de silêncios e de espantos,/(…)”. Em Portalegre, cidade onde José Régio .Não há dúvida que perdeu o halo de humanidade de qualquer espaço habitado, penso eu, o ar de um espaço sagrado, denso de religiosidade.

Régio em Portalegre Nuno Veiga (Fotos)

ria José Maçãs é a directora da Casa José Régio, em Portalegre, e uma das grandes entusiastas pela obra e pelo espólio do poeta

hábito ou por quer que seja, na minha onalidade. Foi um soluço de sangue, ainda hoje lateja, vivo, aqui nesta veia anima a minha mão cheia de sonhos e asias em que me perco, absorto… emória dessa tarde, que eu passei em casa (A CASA DE JOSÉ RÉGIO!), ainda em mim arde, viva, como uma brasa, a hoje me incendeia a cinza de certos e me serve de conforto nas minhas noimais frias… Sim, tive esse privilégio. E e encontro furtivo tudo quanto sou o o… até este cilício activo de, em tudo nto escrevo, perseguir a cintilância da , como é agora o caso: não ultrapasso o raso de um poema de cordel, mas as paas rimadas tornam-me as frase aladas e o o meu sangue às golfadas por baixo da pele. pre que escrevo em prosa a frase sai-me osa, seca, indecisa, sem nexo e é para um tormento. Sempre que procuro a , por um mistério complexo, sinto Réá em cima a ditar-me as frases que “ino”. E tão leve como a brisa ou pétala de ao vento, a minha frase desliza, vagarouase ofegante, respira por um instante da vez mais confiante no seu apelo dise, segue o seu rumo, tranquila, a pouco uco ilumina a face mais angulosa do silêncio e, felina, perfeitamente segura ue é melodia pura (eu próprio consigo -la!), transforma-se em poesia e, sibiculmina num espasmo de alegria lá e a rima cintila, exactamente onde eu ia. me desculpe o leitor, porventura mais sta quanto aos géneros literários, se m fujo ao teor de um artigo de revista, to em moldes ordinários; mas, na sua

objectividade, a linguagem jornalística não tem espiritualidade para reflectir o fulgor de uma personalidade artística com a densidade artística, com a densidade mística, de règio como escritor. Creio que não está a altura do relevo da figura. É demasiado crua… Não lhe favorece a imagem de poeta e, quanto à mensagem, parece-me que a desvirtua… De resto, o leitor sabe bem que só se retrata alguém (mesmo a traços sumários de qualquer caricatura) quando a luz que a gente tem se junta àquela que vem do modelo e se mistura. Sem poesia o retrato “fica baço” Analisei a questão e cheguei à conclusão de que sem aventura estética, sem liberdade poética, mesmo apurando o traço, o retrato ficava baço… Como iluminava a loucura dos seus olhos cheios de espaço? E “Aquela Mão” na cintura do nosso humano embaraço? Como retratava a Luz de Jesus, belo na Cruz, e Régio na Sua frente? Como retratava (insisto) em linguagem corrente, sóbria, contida, elegante, o diálogo alucinante que ele travou com Cristo até ao último instante? Li, por curiosidade, seduzido pelo tema, alguns versos do poema chamado “Fraternidade”: (…) Não! Já não fico só na minha solidão! Já me não pesa tanto a minha própria cruz/já quase. Quase sei (Jesus, perdão!)/Que tenho em ti como um irmão, Jesus./ Meus olhos, que a ruindade interior calcina, / Inundam-se-me então de bruma e de frescura/ E eu choro por nós todos, cuja sina/ É sermos a imperfeita criatura(…)”. Na minha face senti o clarão de um estalo! – Gelado, justo, paternal e imprevisto: escrever como Régio era falar com Cristo! E para

falar com Ele era preciso amá-Lo! Tão longe que eu ando da Verdade! Meu Deus! Falar de Ti é quase um sacrilégio! (Pensei para comigo). E, num rasgo de humildade, esbocei uma oração.como se fosse Régio. Reduzido à minha miserável pequenez li de novo os versos que ele fez, entre lágrimas prostrado, certamente aos pés de Cristo, como eu jamais tinha estado. E, pela primeira vez desde que me conheço, chorei por amor à Verdade e caí ajoelhado (custa-me dizer isto), disposto a pagar o preço da sua originalidade, julgando que a solução estava na oração aliada à humildade e à coragem da confissão com toda a sinceridade. Mas havia nos meus gestos uma sombra de falsidade. Pouco firmes, pouco honestos, na sua teatralidade via grotescos os restos de um processo mimético que só alimentava a vaidade do meu discurso poético. Tinha uma ilação a tirar: Régio não chegara a Deus nem ao pó do Seu calcanhar… E eu para chegar ao dos seus ainda tinha muito para andar… Quanto á casa, despida da sua privacidade, agrada-me agora menos. Dou pela ambiência asséptica das suas divisões remodeladas, com as imagens dispostas meticulosamente numa quietude hierática, à luz artificial dos focos, e chegam-me reminiscências do seu recolhimento interior, com as pinceladas sépias de outros tempos… Foi aqui que José Régio viveu e acabou por se encontrar com o dom que Deus lhe deu: a vocação de O cantar, a versos de oiro e cristal, lágrimas de sangue na voz e com a lucidez feroz de que entre o seu grito a vibrar e o seu peito a sangrar, exibia um espelho brutal do drama de todos nós… *Antigo professor e estudioso da obra de José Régio

Toada de Portalegre Em Portalegre, cidade Do Alto Alentejo, cercada De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros Morei numa casa velha, À qual quis como se fora Feita para eu morar nela... (...) Daquela Minha Janela, Em Portalegre, cidade Do Alto Alentejo, cercada De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros Na casa em que morei, velha, Cheia dos maus e bons cheiros Das casas que têm história, Cheia da ténue, mas viva, obsidiante memória De antigas gentes e traças, Cheia de sol nas vidraças E de escuro nos recantos, Cheia de medo e sossego, De silêncios e de espantos, À qual quis como se fora Tão feita ao gosto de outrora Como as do meu aconchego... (...) Lá num craveiro, que eu tinha, Onde uma cepa cansada Mal dava cravos sem vida, Poisou qualquer sementinha Que o vento que anda, desanda, E sarabanda, e ciranda, Achara no ar perdida, Errando entre terra e céus..., E, louvado seja Deus!, Eis que uma folha miudinha Rompeu, cresceu, recortada, Furando a cepa cansada Que dava cravos sem vida Naquela Bela Varanda Daquela Minha Janela Da tal casa tosca e bela Á qual quis como se fora Feita para eu morar nela... (...) E era então que sucedia Que em Portalegre, cidade Do Alto Alentejo, cercada De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros Aos pés lá da casa velha Cheia dos maus e bons cheiros Das casa que têm história, Cheia da ténue, mas viva, obsidiante memória De antigas gentes e traças, Cheia de sol nas vidraças E de escuro nos recantos, Cheia de medo e sossego, De silêncios e de espantos, -A minha acácia crescia. (...) José Régio


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22 Julho ‘10

Freguesias A Freguesia de São Miguel de Machede “tem sabido modernizar-se, sobretudo do ponto de vista das infra-estruturas e de espaços públicos”, orgulha-se o presidente da Junta, Felisberto Bravo, afirmando que “apesar do seu aparente isolamento geográfico” reúne actualmente “o melhor de dois mundos, o rural e o urbano”. São Miguel de Machede

O melhor de dois mundos José Pinto de Sá

Como caracteriza a sua freguesia? São Miguel de Machede é uma freguesia antiga, pelo que sabemos desmembrada da vizinha freguesia de Machede, em período anterior ao século XVI. Outrora de forte pendor agrícola, actividade que ainda ocupa uma parte da população activa, a freguesia deslocou a sua actividade para o sector de serviços e pequeno comércio. Para o atestar, basta referir que está bem servida de serviços de proximidade, como jardim-deinfância, lar de idosos, centro de dia, serviços de pedreiro, electricidade, mecânica, pintura e carpintaria, assim como de actividades tradicionais que giram em torno dos bordados e dos tapetes de Arraiolos. A nossa freguesia tem sabido modernizar-se, sobretudo do ponto de vista das infra-estruturas e de espaços públicos, e hoje, posso afirmá-lo, reúne o melhor de dois mundos, o rural e o urbano, apesar do seu aparente isolamento geográfico em relação aos grandes centros urbanos como a cidade de Évora. Digo aparente porque não é real. Para além das boas vias de acesso, somos ainda razoavelmente bem servidos de transportes públicos. A modernização que refiro nota-se na crescente procura de habitação na localidade, parte dela feita por pessoas de fora e que trabalham em Évora ou mesmo noutras freguesias. É que aqui, para além dos preços competitivos da habitação, é garantida a tranquilidade e sossego a quem cá mora. Em S. Miguel de Machede ainda é

Luís Pardal

possível deixar as nossas crianças brincar na rua tal como o fazíamos na nossa infância. Este é um aspecto que valorizamos e julgo que um bem cada vez mais raro e procurado. Quais os principais pontos fortes da freguesia? Para além das condições de vivência que já referi acrescento uma forte dinâmica cultural e desportiva. As nossas principais actividades culturais e desportivas são a festa em honra de São Miguel de Machede e Nossa Senhora dos Esquecidos, o Torneio de Futebol Inter-Freguesias Rurais, e actividades de ocupação dos tempos livres para crianças e idosos, com jogos, exploração da natureza e património. Possuímos também uma forte componente associativa com a existência de quatro associações: Associação Cultural e Recreativa das Courelas da Toura, Associação Filarmónica 24 de Junho da Casa do Povo, Associação de Reformados e Pensionistas de S. Miguel de Machede e SUÃO, Associação para o Desenvolvimento Comunitário. Estas actividades têm-se afirmado como mobilizadoras da população e atraem muitos visitantes que participam sobretudo nas festas populares. A componente associativa é uma das nossas mais-valias e temnos permitido dar resposta às expectativas das pessoas e ao seu elevado grau de exigência em termos de procura de qualidade de vida. Costumo dizer que a componente associativa funciona como o cimento que liga a nossa comunidade.

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São Miguel de Machede em resumo Área – 81,53km2 População – 983 hab. (2001) Densidade – 12,1 hab./km2 O actual presidente da Junta de Freguesia de São Miguel de Machede é Felisberto Bravo, eleito para um segundo mandato em 11 de Outubro de 2009, nas listas do Partido Socialista. O site oficial da Junta de Freguesia de São Miguel de Machede pode ser visitado em http:// www.mosaicomicaelense.com A Junta de Freguesia, a Câmara Municipal de Évora e o movimento associativo são peças do mesmo sistema cujo objectivo é comum: apoiar as pessoas, melhorar a sua qualidade de vida e promover o território, de forma sustentável. Penso que o temos conseguido de uma forma consistente e constante. Eventualmente não estaremos sempre de acordo na forma

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“Da parte da Câmara só posso falar bem,” afirma o presidente da Junta de Freguesia, Felisberto Bravo.

como fazê-lo, mas temos conseguido ultrapassar algumas diferenças, que são salutares e criam dinâmica, e o resultado está à vista e merece-me congratulação. Não tenho dúvidas que, dada a nossa riqueza patrimonial, o turismo trará maior riqueza à freguesia. Ganharemos com a proximidade e com a importância mundial que a cidade de Évora tem, e acredito que

(continua na página seguinte)

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iremos todos beneficiar de um projecto tão estrutural como a rede de Alta Velocidade. Podemos e devemos valorizar turisticamente os nossos recursos naturais, como os percursos na natureza, e os nossos recursos patrimoniais, que precisam de ser articulados como produto turístico. E precisamos de reforçar e qualificar ainda mais

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Transferência Bancária Nib N.º 0032 0182 00203260231 42 Cheque ou Vale Postal a ordem de Nothing Else - Meios e Comunicação Morada: Travessa Anna da Silva, N.º 6 7000-674 Évora

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Ao telefone com:

Bernardino Bengalinha Pinto Presidente da Câmara Municipal de Viana do Alentejo

Feira do Chocalho anima Alcáçovas

Senhor presidente, que inovações apresenta a edição 2010 da Feira do Chocalho?

José Pinto de Sá

No próximo fim-de-semana tem lugar em Alcáçovas a já tradicional feira, que nesta edição se denomina Feira do Chocalho. A vila é famosa pela tradição do fabrico de chocalhos, lá vivendo ainda algumas famílias que se dedicam à arte de moldar aqueles objectos. Também é em Alcáçovas que se situa o único Museu do Chocalho que existe em Portugal. Com o intuito de melhor conhecer o que a edição 2010 da feira tem para oferecer aos visitantes, o REGISTO telefonou ao Presidente da Câmara de Viana do Alentejo, Bernardino Bengalinha Pinto.

Este ano a Câmara Municipal de Viana vai tornar o espaço mais acolhedor, aproximando as várias zonas do certame, e assim permitindo uma maior proximidade entre as pessoas. Vamos ter uma área desportiva, dedicada á prática de BTT e desportos na areia. Além disso, e como já é tradição, para os apreciadores da festa brava haverá garraiada, rodeo e corrida de touros. Quais os destaques do programa de animação? Na primeira noite, a 23 de Ju lho, sobre ao palco da Feira Diana Piedade, celebrizada pelo programa Ídolos. A segunda noite, no sábado, está a cargo do conjunto Ortigões, e no domingo, a encerrar a feira, contamos com

um nome grande da música portuguesa, Paulo de Carvalho. No palco das tradições vai actuar a Banda da Sociedade União Alcaçovense, além dos grupos da terra. Em termos de animação de rua, temos os “Tocá Rufar com o Chocalho” e a “Cotta Club Jazz Band”. E quanto aos expositores? Vamos ter expositores no âmbito do artesanato. Nesse espaço terão lugar algumas demonstrações de artesãos do concelho, que vão mostrar ao vivo a sua arte. Desde logo o fabrico de chocalhos, é claro!

(continuação na página anterior)

a nossa oferta gastronómica. Um dia ainda sentiremos necessidade de dar resposta à procura de alojamento turístico. Pode parecer um sonho mas também foi o sonho que fez o Alqueva e hoje é de espantar a quantidade de carros que rebocam barcos no meio do Alentejo. Há uns anos ninguém acreditava. E quais os principais pontos fracos? Temos dificuldades a nível de espaços comerciais, o que obriga a sair da freguesia para encontrar alguns produtos. Lutamos também contra o persistente fenómeno do envelhecimento e do desemprego. Temos feito tudo o que está ao nosso alcance para minimizar o impacto destes fenómenos. Por isso acreditamos numa crescente descentralização de competências do poder central para o poder local. Estamos no terreno e temos condições para avaliar e agir mais em conformidade e, assim, tornar o investimento com recursos públicos muito mais eficaz. Acredito que por detrás de cada

um dos pontos fracos existem oportunidades. Se reforçarmos a nossa oferta em serviços de proximidade para que seja dada assistência a uma crescente população idosa estaremos a melhorar a sua qualidade de vida e a criar emprego. Mas precisamos de mais capacidade empreendedora. As soluções não estão todas no Estado, uma boa parte delas depende das pessoas. Por exemplo, a Câmara fez um PDM que aumentou a nossa capacidade de oferta de habitação, mas é preciso que a iniciativa privada as construa. Que obras gostaria de ver concluídas até ao fim do mandato? A Casa Mortuária, que está pronta para avançar e que será feita integralmente com verbas da junta, contando com o apoio logístico da Câmara Municipal de Évora. É um sonho meu a construção de um polidesportivo na freguesia. E também o acesso em alcatrão às Courelas das Mascarenhas. É muito para três anos, mas acho que é possível.

A relação com a Câmara é impecável Como tem decorrido o relacionamento entre a Junta de Freguesia de São Miguel de Machede e a Câmara Municipal de Évora? Institucionalmente e pessoalmente impecável. O que é resultado de uma atitude franca de parte a parte. O meu papel é o de garantir que a minha comunidade veja satisfeitas as suas exigências em termos de garantias de qualidade de vida e de acesso aos bens e serviços a que os seus habitantes têm direito enquanto cidadãos. É esse o meu compromisso com eles. Da parte da Câmara só posso falar bem. Não escondo que existem problemas,

sobretudo no que diz respeito à transferência de verbas para a Junta. Mas os tempos são de crise e existe muito pouco dinheiro para fazer circular. Se eu sempre fui vendo satisfeitos os compromissos entre a Câmara e a Junta só tenho de ser solidário nestes momentos difíceis. Acredito que a Câmara continuará a cumprir. Aqui o esforço das Juntas também é chamado ao problema. Rigor, eficácia e realismo é o que se pede aos que, como eu, têm funções de responsabilidade enquanto eleitos. Tenho feito o melhor que posso e tenho a convicção que tem sido também esse papel do Sr. Presiden-

te da Câmara, o Dr. José Ernesto d’Oliveira. Ninguém o pode acusar de falta de frontalidade e de realismo. É pena que o Sr. Presidente reúna com os Presidente de Junta e lhes apresente as dificuldades e todos digamos que compreendemos e depois alguns venham para a rua reclamar e acusá-lo de tudo e mais alguma coisa. Isso sim não é comportamento que se admita. Como ele eu também gostaria de fazer ainda mais, mas não é pouco o que já foi feito. Não tem paralelo com qualquer outro momento da nossa democracia. J.P.S


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22 Julho ‘10

Férias Solar dos Lilases, Fluviário e Monte Selvagem

Vá para fora cá no Alentejo José Pinto de Sá

“Sinta Alentejo” é a aliciante proposta do pacote turístico criado pelo hotel Solar dos Lilases, pelo Fluviário de Mora e pelo Monte Selvagem, que oferece aos visitantes um ambiente de tranquilidade e conforto na magnífica paisagem do noroeste alentejano. Válido até ao fim do ano, o programa, de cariz familiar, contempla alojamento no hotel Solar dos Lilases, incluindo uma noite com pequeno-almoço e um jantar completo. O Solar dos Lilases, com 16 quartos, é o mais recente equipamento turí¬stico de Mora, e resulta do maior investimento privado concretizado no concelho. Instalado num antigo solar recuperado, com uma magní-

Monte Selvagem, onde podem observar os animais e divertirse no trampolim gigante, os visitantes poderão desfrutar da piscina recentemente inaugurada no Solar dos Lilases. O pacote “Sinta Alentejo” custa 70 euros por adulto, acrescidos de 32 euros se o visitante decidir usufruir de uma noite adicional, incluindo alojamento e pequeno-almoço. As crianças dos 3 aos 12 anos pagam apenas 45 euros, mais 15 euros por noite adicional. A nova piscina do Solar dos Lilases, um dos parceiros do programa Sentir Alentejo.

fica vista panorâmica, o hotel oferece aos visitantes interessantes opções. Entre estas contam-se a observação de aves, caminhadas e passeios de bicicleta, organizados em parceria com a empresa Azenhas

da Seda, conforme disse ao REGISTO o proprietário do hotel, Jaime Pires. O pacote turí¬stico inclui ainda entrada gratuita no Monte Selvagem, reserva animal e parque de lazer de

Montemor-o-Novo, e no Fluviário de Mora, o primeiro grande aquário de água doce da Europa. Depois de conhecerem, no Fluviário, a fauna dos rios e lagos de Portugal, e de percorrerem o

Para mais informações e reservas no hotel, podem os interessados telefonar para o número 266403315 ou enviar um e-mail para contacto@ solardoslilases.com.

Procura de Português duplica nesta quinta edição

Jovens extremenhos aprendem Português em acampamento de Verão Redação

Mais de meia centena de jovens estão até 23 de Julho num acampamento de Verão para aprenderem Português, organizado pela Junta de Extremadura, no quadro do Programa de Imersão Linguística. O acampamento, já na quinta edição, decorre desde dia 12 na residência do Instituto Nuestra Señora de Bótoa (escola secundária), de Badajoz, onde os jovens também dormem. Ao longo de 12 dias, e com o tema “Extremenhos viajantes” como fio condutor, estes

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alunos do primeiro ciclo e do secundário são colocados em situações lúdicas e divertidas, em que se encontraria quem queira viajar para países de língua portuguesa. O Programa de Imersão Linguística do Ministério Regional da Educação surge no âmbito do Lingualex (20092015), para consolidar os idiomas oferecidos no plano de educação e potenciar os seus aspectos práticos. Pretende-se assim que os alunos aprendam a comunicar em línguas estrangeiras, tanto através de aulas informais, como de actividades desportivas e amigas do ambiente, workshops,

tempo livre e jogos cooperativos.

Extremadura quer Português como segunda língua estrangeira

Nesta edição, com dois acampamentos – o primeiro realizou-se de 28 de Junho a 9 de Julho –, o número de vagas mais do que duplicou, para dar resposta ao crescente interesse da população extremenha pela língua de Camões. Nas escolas oficiais, o Português é já o terceiro idioma no nível secundário e o segundo em muitos estabelecimentos do primeiro ciclo.

O Português como segunda língua estrangeira nos centros educativos da região é, aliás, objectivo assumido pelo presidente da Junta de Extremadura, Guillermo Fernández Vara, no quadro da intensificação das relações com Portugal. Sinal deste compromisso, na próxima segunda-feira, 19 de Julho, a ministra regional da Educação, Eva María López, visita este acampamento. No ano lectivo 2009-2010, 34 escolas desta região espanhola ofereceram o Português como segunda língua estrangeira, no 5.º e 6.º anos do primeiro ciclo. Outras 32 escolas

primárias desenvolveram o Programa de Língua e Cultura Portuguesas, num total de 66 centros de primária. Já ao nível do Secundário, no ano lectivo que recentemente terminou, 33 institutos (liceus) leccionaram o idioma (21 como segunda língua estrangeira e 12 como terceira). Assim sendo, houve aulas de Português num total de 99 centros educativos do ensino primário e secundário. Já nas nove Escolas Oficiais de Idiomas da Extremadura, estavam este ano inscritos 1.748 alunos.


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Artes “Bacon: A Ponta do Iceberg”

Évora Romana

Um mestre do expressionismo no Fórum José Pinto de Sá

Imagens de uma humanidade corrompida e torturada, os desenhos de Francis Bacon expostos no Fórum Eugénio de Almeida retratam com vigor e dramatismo “o conflito e a ansiedade, a violência e a tragédia”. “Bacon: A Ponta do Iceberg” é o título da importante mostra de desenho que está patente no Fórum Eugénio de Almeida, em Évora. Comissariada por Edward Lucia-Smith e Massimo Scaringela, a exposição reúne um conjunto de 41 desenhos, em vários formatos de papel, compondo “uma galeria de personagens características do consagrado pintor irlandês”. Como referem os promotores do evento, “Bacon é considerado um dos maiores génios do expressionismo no Século XX, retratando de forma dramática e poderosa o conflito e a ansiedade, a violência e a tragédia”. Nasceu em Dublim em 1909, numa família inglesa, e morreu em Madrid aos 82 anos, consagrado como um dos pintores mais importantes do século XX. De saúde frágil, foi educado por uma enfermeira,

Fotografia Turística A Câmara Municipal de Montemor-o-Novo está a promover o 6.º Concurso de Fotografia Turística, no âmbito das comemorações do Dia Mundial do Turismo. A promoção e divulgação do património cultural e natural do concelho é o principal objectivo deste concurso, no qual podem participar fotógrafos amadores e profissionais. Este ano, o concurso tem por tema “Gentes e Paisagens”.

Música em Mora

Está patente no Fórum um exposição de desenhos de Francis Bacon, falecido em 1991.

e nunca frequentou uma escola. Começou por se dedicar à decoração de interiores, desenhando tapetes e mobiliário. Como pintor, expôs a solo pela primeira vez em 1934, em Londres, mas atravessou de seguida uma dolorosa crise, durante a qual cessou de pintar e destruiu muitos dos seus trabalhos, só voltando à pintura dez anos depois.

Na fase madura, atingida na década de 50, as pinturas incluem imagens de amigos ou amantes, ou imagens de gente encontrada em filmes, pinturas históricas ou fotografia médica. O seu trabalho foi sempre expressionista no estilo, com formas humanas e animais distorcidas, imagens poderosas de uma humanidade corrompida.

A exposição “Bacon: A Ponta do Iceberg” está patente ao público no Fórum Eugénio de Almeida, em Évora, até ao dia 3 de Outubro. De segunda a sexta-feira, das 9h30 às 19h00 horas; e aos sábados, domingos e feriados, das 9h30 às 18h30.

Fórum Eugénio de Almeida

Visitas guiadas ao mundo de Francis Bacon

Para uma melhor compreensão do trabalho de Francis Bacon, a Fundação Eugénio de Almeida (FEA) disponibiliza programas específicos aos interessados das diversas

faixas etárias. Um dos programas, “especialmente concebido para os mais novos”, inclui visitas guiadas à exposição e actividades de expressão plástica. A inscrição, aberta a crianças dos 3 aos 16 anos, custa 1 euro por pessoa. A pensar nas famílias, a FEA criou um programa composto por “uma breve visita guiada e por uma actividade”, destinadas a “aproximar os participantes do universo da criação artística e de todos os preparativos envolvidos na realização de uma pintura com modelo vivo”. O progra-

ma realiza-se aos sábados e domingos às 11h00, mediante marcação prévia, e custa 2 euros por cada membro da família. Há ainda um programa para adultos consistindo em visitas guiadas à exposição. Realiza-se diariamente, para grupos de 5 pessoas, no mínimo,

Mafalda Arnauth, na sexta-feira, dia 23, e Sérgio Godinho, na noite seguinte, preenchem a segunda parte da primeira edição do festival “EDP - Músicas no Rio, os outros sons do Fluviário”, a decorrer em Mora. Os espectáculos têm lugar junto à ribeira do Raia, no Parque Ecológico do Gameiro, junto ao Fluviário de Mora.

“Representações falsas” A exposição “Representações falsas de coisas familiares”, de Lúcia David, está patente ao público na Galeria Municipal D. Dinis, em Estremoz. A mostra, promovida pelo Museu Municipal de Estremoz, em parceria com a Galeria Trema (Lisboa), pode ser apreciada até 12 de Setembro. A autora apresenta “objectos utilitários do nosso quotidiano, aos quais é dado um novo olhar”.

Piscinas de Alcáçovas

José Pinto de Sá

O Fórum Eugénio de Almeida acolhe, até 3 de Outubro, uma exposição de desenhos de Francis Bacon, e, para introduzir miúdos e graúdos ao universo do célebre ­artista, promove uma série de interessantes programas, que incluem visitas guiadas e ateliers.

Hoje, dia 22, pelas 20h00, o historiador Francisco Bilou orienta uma visita guiada sobre a Évora Romana. As inscrições são gratuitas, com um limite máximo de 30 participantes. A iniciativa enquadra-se no programa de animação do Museu de Évora, que, até 22 de Setembro, ás quintas feiras se mantém aberto até às 22h00, sempre com uma visita guiada ou uma conferência.

e custa 5 euros por visitante. Para mais informações, devem os interessados contactar o Serviço Educativo da Fundação Eugénio de Almeida, através do telefone 266748350, ou no local da exposição, na Rua Vasco da Gama, 13.

A Câmara Municipal de Viana do Alentejo vai inaugurar, no próximo dia 23, as Piscinas Municipais de Alcáçovas. A cerimónia vai contar com a presença do Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, Laurentino Dias. A nova infra-estrutura é composta por uma piscina coberta com 25m de comprimento e 12,5m de largura, no piso 0. No 1º piso existem duas piscinas para as crianças, uma com 12,5m de comprimento por 7,5m de largura e outra 4m por 4m. Neste piso encontram-se ainda os balneários que estão adaptados para pessoas portadoras de deficiência. Durante o horário de verão, as piscinas municipais funcionam de terça a domingo, entre as 10h00 e as 20h00. A nova estrutura vai ter em funcionamento aulas de adaptação ao meio aquático para todas as crianças do Concelho e hidroginástica. A construção deste equipamento custou perto de 2,7 milhões de euros.


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Lazer HORÓSCOPO SEMANAL

Telefone: 21 318 25 91 E-mail: mariahelena@mariahelena.tv

Carneiro

Touro

Gémeos

Carta Dominante: 10 de Copas, que significa Felicidade. Amor: Sentirá que tudo corre na perfeição. Que a alegria de viver esteja sempre na sua vida! Saúde: Cuidado com os esforços físicos. Dinheiro: Não se descuide, pois está a ir por um óptimo caminho a nível profissional. Número da Sorte: 46 Dia mais favorável: Quinta-feira

Carta Dominante: 9 de Copas, que significa Vitória. Amor: Poderá reencontrar um antigo amor. Esteja receptiva pois o Cupido pode baterlhe à porta! Saúde: Evite situações de stress. Dinheiro: Faça contas à vida e veja bem com o que pode contar. Número da Sorte: 45 Dia mais favorável: Domingo

Carta Dominante: 5 de Ouros, que significa Perda/ Falha. Amor: Lute pelo verdadeiro amor, não se deixe influenciar por terceiros. Você merece ser feliz! Saúde: Não invente doenças quando realmente não as tem. Dinheiro: Este é um bom momento para investir, aproveite. Número da Sorte: 69 Dia mais favorável: Quinta-feira

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Caranguejo

Leão

Virgem

Carta Dominante: Rainha de Espadas, que significa Melancolia, Separação. Amor: Poderá ter que enfrentar uma separação. Procure ter pensamentos optimistas e ver as situações pelo lado positivo. Saúde: Possíveis dores de rins. Dinheiro: Avalie os seus gastos. Número da Sorte: 63 Dia mais favorável: Terça-feira

Carta Dominante: 3 de Paus, que significa Iniciativa. Amor: Não viva ansioso com a ideia de perder a pessoa que tem ao seu lado, aproveite antes todos os momentos que tem para estar com o seu companheiro. Viva a sua vida para que o seu exemplo possa servir de modelo aos outros! Saúde: Não se desleixe e cuide de si. Dinheiro: As suas economias estão a descer, tenha algum cuidado. Número da Sorte: 25 Dia mais favorável: Segunda-feira

Carta Dominante: os Enamorados, que significa Escolha. Amor: Exprima os seus sentimentos sem ter medo de ser rejeitado. Com os nossos pensamentos e palavras criamos o mundo em que vivemos! Saúde: Cuidado com o calor. Dinheiro: Poderá ter que optar por um ou outro emprego que lhe surja. Número da Sorte: 6 Dia mais favorável: Quinta-feira

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Balança

Escorpião

Sagitário

Carta Dominante: 8 de Ouros, que significa Esforço Pessoal. Amor: O seu coração está um pouco dividido, pense bem qual o caminho que deve seguir. Tenha a convicção de que é uma pessoa com um potencial intelectual enorme. Saúde: Faça uma limpeza geral aos seus dentes para poder ter um sorriso radiante. Dinheiro: A vitalidade e esforço que tem demonstrado no trabalho estão a ser muito favoráveis para si. Número da Sorte: 72 Dia mais favorável: Sexta-feira

Carta Dominante: Rei de Espadas, que significa Poder, Autoridade. Amor: A concórdia e o amor reinarão na sua relação afectiva. A felicidade na sua casa depende da educação que der aos seus filhos, por isso, preste atenção à formação que lhes dá. Saúde: Tente controlar as suas emoções para que o seu sistema nervoso não se ressinta. Dinheiro: Não haverá nenhuma alteração significativa. Número da Sorte: 64 Dia mais favorável: Quarta-feira

Carta Dominante: 6 de Paus, que significa Ganho. Amor: O seu companheiro poderá estar mais afastado mas não será nada de preocupante. A força do impulso está em si e só você pode criar as circunstâncias propícias à realização dos seus projectos. Tome a iniciativa, é você que cria as oportunidades! Saúde: Muito favorável, aproveiteepratiqueexercíciofísico. Dinheiro: Notará que o seu esforço a nível de trabalho será recompensado. Número da Sorte: 28 Dia mais favorável: Terça-feira

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Capricórnio

Aquário

Peixes

Carta Dominante: Valete de Paus, que significa Amigo, Notícias Inesperadas. Amor: Irá manifestar-se em si uma grande energia sensual. Enfrente os seus medos e as suas dúvidas e será feliz! Saúde: Não seja céptico quanto à medicina natural. Dinheiro: Resolverá os seus problemas facilmente. Número da Sorte: 33 Dia mais favorável: Quinta-feira

Carta Dominante: Valete de Copas, que significa Lealdade, Reflexão. Amor: Permita que a sua relação seja mais liberal, não é a prender a outra pessoa que conseguimos que ela nos ame. Seja paciente e compreensivo com as pessoas que vivem a seu lado! Saúde: Tente não andar muito tenso. Dinheiro: Sem preocupações. Número da Sorte: 47 Dia mais favorável: Domingo

Carta Dominante: Rei de Paus, que significa Força, Coragem e Justiça. Amor: Seja mais audaz no amor. “Ama o próximo como a ti mesmo” – Esta foi a mensagem que Cristo nos deixou; se a seguir será feliz! Saúde: O excesso de ansiedade não é favorável para a sua saúde. Dinheiro: Seja mais equilibrado nos seus gastos. Número da Sorte: 36 Dia mais favorável: Sexta-feira

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livros

FIlme desta semana

Beatriz e Virgílio

A Origem

Autor_ Yann Martel

Realização_ Christopher Nolan

Sinopse: Sinopse:

O segundo romance de Henry, escrito, tal como o primeiro, sob um pseudónimo, tivera êxito. Ganhara prémios e fora traduzido em dúzias de línguas. Henry era convidado para lançamentos de livros e festivais literários em todo o mundo; inúmeras escolas e clubes de leitura adoptaram o livro; via frequentemente pessoas a lê-lo em aviões e comboios; Hollywood pretendia adaptá-lo ao cinema, e assim por diante. Contudo, Henry continuou a viver uma vida essencialmente normal e anónima. Os escritores raramente se tornam figuras públicas, pois, com toda a justiça, é nos seus livros que se concentra a publicidade. Os leitores reconhecem facilmente a capa de um livro que tenham lido, mas aquele homem que está ali no café, é... é... bem, é difícil dizer. Não tem o cabelo comprido? Oh, já se foi embora. Mas quando era reconhecido, Henry não se importava. Na sua experiência, o encontro com um leitor era um prazer. Afinal, aquelas pessoas tinham lido o seu livro e este tivera impacto sobre elas, caso contrário para que haviam de se dirigir a ele? Esses encontros tinham uma qualidade íntima: dois desconhecidos que se juntavam, mas para debater um assunto externo, um objecto de fé que os comovera a ambos, pelo que todas as barreiras caíam. Não havia lugar para mentiras ou afirmações bombásticas.

A tua mente é a cena do crime Dom Cobb (Leonardo DiCaprio) é um talentoso ladrão, o melhor na arte da extracção: ele rouba segredos e ideias às pessoas directamente das profundezas das suas mentes, durante os sonhos - estado em que a nossa mente está mais vulnerável. A rara habilidade de Cobb fez dele uma das pessoas mais influentes neste novo mundo de espionagem empresarial, mas também fez dele um fugitivo internacional e custou-lhe tudo o que já amara. Mas agora foi-lhe oferecida uma oportunidade para se redimir. Um último trabalho pode devolver-lhe a sua antiga vida. Em vez do assalto perfeito, Cobb e a sua equipa de especia-

Resolva as palavras cruzadas 2 7

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Autor_ Jonah Lehrer

O que nos leva a tomar as melhores decisões? Porque levamos dias a escolher um telemóvel e às vezes decidimos comprar uma casa em questão de segundos? Jonah Lehrer foi à procura das respostas e encontrou-as nas mais recentes descobertas da Neurociência. Como Decidimos é o título da nova obra de Jonah Lehrer, autor do aclamado Proust era um Neurocientista publicado no ano passado pela Lua de Papel. Aplaudido pela crítica, Jonah Lehrer defende neste novo livro que é necessário conhecermos melhor o cérebro para podermos tomar as melhores decisões. Como Decidimos recorre a situações reais para analisar os processos mentais que conduzem à decisão – a partir de um campeonato mundial de póquer, ou de uma sessão de bolsa em Wall Street, o autor mostra-nos como tomar, em qualquer circunstância, as melhores decisões.

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Como decidimos Sinopse:

listas têm exactamente de fazer o inverso: instalar uma ideia na mente de alguém. Se tiverem sucesso, poderá ser o crime perfeito. Mas todo o cuidado é pouco, pois têm um perigoso inimigo cada vez mais perto, que só Cobb poderia ter visto aproximar-se. Este Verão, a tua mente é a cena do crime.

1. Segundo planeta a contar do sol 2. Acto ou efeito de escavar 3. Contingente 4. Capital de Portugal 5. 200 (rom) 6. “Sim” no dialecto provençal 7. Embaraço, comprometimento 8. Sem lesão 9. Reboque 10. Samário (s.q.).

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Nota: O objectivo do jogo é completar os espaços em branco com algarismos de 1 a 9, de modo que cada número apareça apenas uma vez na linha, grade e coluna.


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Arte Escrita na Paisagem

Movimentos arriscados José Pinto de Sá

Foi num “Movimento Arriscado”, mas aliciante, que, no sábado passado, uma plataforma de jovens artistas conduziu os visitantes pelos domínios da performance, da instalação… e da festa. No âmbito da programação do festival Escrita na Paisagem, o Espaço Celeiros, em Évora, acolheu sábado à noite o evento “Movimento Arriscado”. O programa teve início com a performance “Introdução”, por Telma Santos e Bárbara Fonseca. Foi da “negociação entre a diferença” que surgiu a “partitura” que aconteceu entre o corpo de Telma e a voz de Bárbara, que, ao longo da performance, “se cruzaram e tocaram”. As performers decidiram “iniciar um percurso de colaboração” em que “consideram como objecto artístico apenas o confronto entre duas linguagens”, as do corpo e da voz.

Após a performance, os espectadores foram convidados a visitar a instalação “Última Ceia”, de Maria José Correia, patente na Galeria dos Celeiros. Nesse “ambiente místico e dramático”, Maria José Correia apresentou uma escultura em pão para os visitantes comerem, “numa dimensão espectacular da procura de nutrição visual e vital que a Arte nos proporciona”. Por fim, para a noite acabar em festa vieram os Jijeis Altemente e Blue Moustache, aguardados com “surpresas na manga e e malte no copo”. Com curadoria de Daniel Coutinho e Eleanora Marzani, “Movimento Arriscado” integrava-se na programação da sétima edição de Escrita na Paisagem, o festival internacional de “performance e artes da terra” que decorre durante o Verão em cinco municípios nacionais.

Christophe Reynaud de Lage

em Arraiolos realiza-se no dia seguinte às 18h30, no Jardim da Biblioteca. Também esta semana, chegam ao festival Escrita na Paisagem os americanos PGT, colectivo de música electroacústica constituído por Terry Pender, Brad Garton e Greg Taylor. Apresentam o concerto “Music Circus aka Speed Dates”, um espectáculo onde as contribuições do público são integradas nas composições em tempo real, com material sonoro captado por um microfone que passa de mão em mão. Em “Miroir, Miroir”, um pianista multiplica em imagens sonoras o encontro entre uma bailarina e um espelho.

“Espelho meu…” Na próxima semana, no âmbito do festival, Évora e Arraiolos vão poder ver “Miroir, Miroir”, pela Compagnie Moglice-Von Verx, de França. No bailado, “um piano multiplica em imagens sonoras o encontro entre

uma bailarina e um espelho”. Um músico e uma trapezista criam “um momento íntimo de simples beleza”, sobre as “ansiedades e fragilidades” de uma pessoa ao ver-se ao espelho. Em Évora, o espectáculo tem lugar diante da Sé Catedral, na quarta-feira, dia 28, às 19h00;

Os PGT apresentam-se em Arraiolos no sábado, dia 24, ás 21h30; em Viana do Alentejo no domingo, dia 25, ás 19h00; e em Sines na terça-feira, dia 27, ás 22h30.

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20 22 Julho ‘10 Para divulgar as suas actividades no roteiro Email geral@registo.com.pt

Roteiro

EXPOSIÇÃO

MÚSICA

TEATRO

MONSARAZ

ÉVORA

ÉVORA

23 de Julho

Quarta-feira a Domingo

A 22 de Julho

Festa do Cante nas Terras do Grande Lago | 22h00 | Cantadores de Saias | Portalegre | Fortios | São Bento do Cortiço | Alter do Chão | Casa Branca | Local: Praça de Armas - Castelo

ROSTOS DE ROMA | MUSEU DE ÉVORA | ­­LG. CONDE DE VILA FLOR. HORÁRIO: 10:00 - 18:00 | INFO: 266 702 604 | EMAIL: mevora.celsomangucci@imc-ip.pt | SITE: http://museudevora.imc-ip.pt | PREÇO: 4 € | NOTA: Entradas gratuitas aos domingos e feriados até às 14 horas

Santiago Maior | Alandroal IV Torneio Futebol de Praia | 30 de Julho A Praça de Toiros da Aldeia da Venda vai voltar a transformar-se num areal, para acolher mais uma edição do Torneio de Futebol de Praia, que arranca já no próximo dia 30 de Julho e vai durar até 29 de Agosto. Apesar de as inscrições terminarem a 23 de Julho o torneio já tem lotação esgotada.

“Fotógrafos, Tìteres outros sonhadores, Évora a História da Fotografia “| Pátio do Arquivo fotográfico muni-

REDONDO A 24 de Julho

cipal | Rua diogo cão, 19 | 21h30

OUTROS PALCOS REDONDO A 25 de Julho Música de Câmara (BSFMR) No café concerto do Centro Cultural de Redondo, às 22h00. A música de câmara visita o café concerto do Centro Cultural de Redondo com um repertório cuidadosamente seleccionado para a ocasião pela Banda da Sociedade Filarmónica Municipal Redondense.

ÉVORA

Os jogos vão ser disputados nas Sextas-feiras, Sábados e Domingos, a partir das 21:00 horas, e prometem muita animação e disputa em cada jogada. Os interessados poderão esclarecer as suas dúvidas através do email desporto.dsscd@ cm-alandroal.pt ou través do telefone 268 440

ÉVORA Até 30 de Setembro A Dança do Existir, Retrospectiva Vera Mantero | Conv. Remédios.

041/42.

A 22 de Julho

ALANDROAL | TERENA

WOK - Ritmo Avassalador - Portugal | Fórum Eugénio de Almeida | 19h00

Festas em Honra de S. Sebastião | 23, 24 e 25 de Julho de 2010

Comemorações do Dia Mundial dos Avós | 15h30 | Auditório Centro cultural de redondo


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Carta Aberta Museu do Artesanato Desde já, e mais uma vez congratulando-me pelo rigor e isenção do Semanário Registo, nomeadamente no tratamento da informação relativa ao caso Museu de artesanato versus Museu de Design cumpre-me – também em beneficio desse mesmo rigor e isenção – esclarecer um detalhe aos leitores referente ao artigo de Carlos Julio “Museu de artesanato e

design, decisões adiadas” na edição de hoje 15 de Julho de 2010. De facto a Câmara Municipal de Évora e o Turismo do Alentejo “sempre garantiram, seja ao Registo seja a outros orgãos de comunicação social que a instalação da colecção de Design no Museu de artesanato, ao contrário do que por vezes tem sido afirmado não vai acabar com o artesanato mas

sim dar-lhe mais visibilidade…” eu permitiriame informar que isso é uma verdade discutivel porque afinal o primeiro protocolo proposto chamava ao espaço Museu de design Paulo Parra e nas suas seis páginas não referia uma única vez o actual acervo de artesanato, o que em teoria tornaria possivel, pelo sr Paulo Parra, dar-lhe qualquer fim. No limite

até o do caixote do lixo. Creio que este pequeno detalhe faz uma grande diferença, sobretudo quando está em causa o interesse público sobre outro qualquer eventual… Chamo também a atenção que, pela minha parte, nunca referi ao Registo, ou a qualquer outro meio de comunicação social que não passarei este fim de ano em Marte. Tiago Cabeça

“Quo Vadis” Vendas Novas Município aumenta em 31 colaboradores o mapa de pessoal e prepara-se para contrair empréstimo no valor de aproximadamente 2.900.000,00€ Portugal atravessa hoje uma crise económico-financeira sem precedentes, tendo os portugueses desde já começado a sentir os efeitos da mesma no seu dia-a-dia. Múltiplos foram os alertas deixados pelos diversos organismos reguladores e de supervisão nacional e internacional, estando hoje os meios político,

empresarial e social do País sensibilizados para a necessidade de maior rigor na gestão e de um esforço conjunto para a credibilização do País perante os demais. Seria naturalmente expectável que tal panorama fosse extensivo ao concelho de Vendas Novas, o que não se vem verificando. Senão vejamos: - Em Assembleia Municipal no final do mês de Maio, a CDU e o PS, com os votos contra do PSD, aprovaram o aumento

do mapa de pessoal do Município de Vendas Novas em 31 colaboradores; - Em Assembleia Municipal no final do mês de Junho, a CDU, com a abstenção do PS e com os votos contra do PSD, aprova a contracção de um empréstimo de 2.907.000,00€ aumentando significativamente o endividamento do Município. Importa pois referir que no espaço de tempo de um ano o endividamento do Município passa

de aproximadamente 3.874.629,72€ para cerca de 6.523.141,01€, um acréscimo considerado significativo senão alarmante para o futuro das contas da autarquia. Continuaremos a lutar pelo equilíbrio orçamental, denunciando e responsabilizando a CDU pela deficitária gestão do concelho.

guém possa fazer este mini comunicado? Só para mentir? Só para baralhar? Só para fazer política baixa? Relativamente à falta de água: que água falta? Informações recolhidas dizem que não falta nem nunca faltou água no Centro de Saúde. Em relação à falta de Médicos: informações recolhidas dizem que: Está estabelecido legalmente que o rácio de inscritos por Médicos de Família é no máximo de 1500 utentes. Este número poderá aumentar só no caso do Mé-

dico aceitar a inscrição. No Centro de Saúde de Borba a distribuição é a seguinte: Dr. Paulo César - 1621 utentes; Dr. Arnaldo 1481 utentes; Dr. Barriga - 1648 utentes; Dra. Silvia - 1504 utentes; Dra. Ignácia - 1488 utentes. Não existem utentes sem Médico de Família nem solicitações para tal. Perante estes dados considera-se que não existe falta de Médicos no Concelho. Perante isto resta perguntar? - quem é esta “Comissão Utentes Serviços Públicos Borba” que não dá a

cara e se esconde por detrás de um nome que se desconhece? - será mais um comunicado do tipo de uns anónimos que apareceram há uns anos atrás para confundir e baralhar a população? - porque é que esta Comissão não apresenta as suas reivindicações aos responsáveis? - será que esta é mais uma “táctica tipo PCP”, refugiando-se por detrás de uma Comissão que se desconhece?

BARBECUE NO M’AR DE AR MURALHAS

As tardes são quentes em Évora e o final do dia convida a sair à rua. No M’AR De AR Muralhas – Timeless Charm Hotel espera-o(a) um barbecue no jardim, junto à piscina, para que com a família ou amigos vejam o sol a pôr-se nas muralhas enquanto a carne fica na grelha até estar no ponto. Secretos, picanha, salsicha fresca e frango são alguns dos grelhados que acompanham com um buffet de saladas à sua disposição. O barbecue no M’AR De AR Muralhas realiza-se às sextas-feiras e aos sábados a partir das 19h30 até às 22h30. Aos sábados, pelas 18h00, podem ainda participar na prova de vinhos gratuita no bar do hotel. O barbecue tem o preço de € 15,00 por pessoa, sem bebidas incluídas.

Petiscos económicos no Café Alentejo.

“QUO VADIS” VENDAS NOVAS?

Por: Ricardo Videira

Jogadas políticas tipicamentedo PCP? Embora não queiramos ser os defensores da Administração Regional de Saúde e muito menos dos responsáveis pela gestão e direcção do Centro de Saúde de Borba, não podemos ficar indiferentes a uma faixa colocada na vedação do novo Centro de Saúde de Borba, e de um panfleto colocado nos pára-brisas dos automóveis que dizia: - “Até quando? Falta de Médicos/Água no centro de saúde de Borba.” E assinado por: “Comissão de Utentes Serviços Públicos Borba”. Como é possível que al-

Évora: Sugestões de fim de tarde

Borba, 16 de Julho de 2010 Comissão Concelhia do PS

De um edifício cheio de história, que antigamente fora uma Estalagem Real, ergue-se hoje o tradicional Café Alentejo. Em plena artéria da Praça do Giraldo, ali, pode respirar-se tradição aliada a subtis fragrâncias de modernismo e conforto. Eficiência e rigor são factores que se querem preservar num atendimento que se presa de qualidade e atenção ao cliente. A suavidade do espaço e a climatização, que proporciona um ambiente refrescante nos dias quentes de verão, bem como a intemporal gastronomia regional, acompanhada por uma variedade de vinhos de aromas alentejanos, caracterizam-no como um local de excelência, adequando-se à organização de eventos personalizados solicitados por si. Para saborear ainda melhor os seus momentos de final de tarde, o Café Alentejo oferece-lhe, de segunda-feira a sábado, um conjunto de pratos e petiscos eternizando a ocasião. Reúna a melhor companhia, dirija-se ao local que lhe proporciona experiências gastronómicas memoráveis e aprecie os deliciosos petiscos e acepipes presentes no variado menu que o Café Alentejo lhe oferece. Rua do Raimundo, 5 7000-661 Évora Telefone: 266 706 296


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Desporto Ciclismo

18ª Volta a Portugal do Futuro decide-se no Alentejo As primeiras pedaladas foram dadas terça-feira passada no prólogo disputado no Velódromo Nacional de Anadia, em Sangalhos, mas a última etapa, a ser disputada no próximo domingo, 25 de Julho, em Reguengos, tem tudo para ser decisiva e determinar o vencedor da Volta a Portugal do Futuro de 2010. O pelotão irá percorrer 650 quilómetros em cinco dias, e é composto por onze equipas, duas delas espanholas, do escalão sub-23 – atletas nascidos entre 1 de Janeiro de 1988 e 31 de Dezembro de 1991. Este ano, as duas primeiras etapas em linha, entre Anadia e Águeda

e Águeda e Pombal, são propícias aos roladores, mas a terceira tirada entre Porto de Mós e o Alto de Montejunto porá em confronto os melhores trepadores. No penúltimo dia da prova os ciclistas, depois de saírem de Rio Maior, encontrarão no calor alentejano um dos seus maiores problemas já que a meta estará instalada na vila de Redondo. No último dia, as dificuldades irão aumentar, com o pelotão a cumprir os derradeiros 95 quilómetros da prova num circuito em Reguengos, em que as três passagens pela vila medieval de Monsaraz (montanha de terceira categoria), Telhei-

ro e S. Pedro do Corval prometem definir o vencedor da competição. Bruno Silva (Aluvia-Valongo), João M. Pereira (CC Tavira) e Amaro Antunes (Liberty/SM Feira), são à partida candidatos à vitória, pois na edição do ano passado classificaram-se nos dez primeiros lugares, e ainda se mantêm na categoria de Sub-23. Dez dias após o fim desta «clássica», a 4 de Agosto, terá início, em Viseu, a 72ª edição da Volta a Portugal em Bicicleta, mas, mais uma vez, as estradas alentejanas não farão parte do percurso da provarainha do calendário velocipédico nacional. A. F.

Futebol juvenil

Calendário de Juniores B sorteado Teve lugar na sede da Federação Portuguesa de Futebol, no passado dia 15, o sorteio do calendário do Campeonato Nacional de Juniores B – Juvenis – torneio onde participam várias equipas da região. O Alentejo encontra-se representado nesta prova pelo Lusitano de

Évora, Estrela de Vendas Novas e Despertar, de Beja. Na primeira jornada, a disputar a 1 de Agosto, o Lusitano recebe o Casa Pia, o Estrela o Vitória de Setúbal e o Despertar o Louletano. Completam a série D as turmas do Oeiras, Olímpico do Montijo, Amora, Estoril-

Praia, Barreirense e Imortal de Albufeira. O primeiro encontro entre as duas equipas do distrito de Évora só ocorrerá à oitava jornada, dia 2 de Outubro, quando o Lusitano receber em Évora a equipa do Estrela de Vendas Novas.

Alandroal: Futebol de praia volta a animar o concelho Redação

A Praça de Toiros da Aldeia da Venda vai voltar a transformar-se num areal, para acolher mais uma edição do Torneio de Futebol de Praia, que arranca já no próximo dia 30 de Julho e vai durar até 29 de Agosto. Apesar de as inscrições terminarem a 23 de Julho o torneio já tem lotação esgotada. Na edição deste ano, a quarta, vão estar em disputa troféus para as melhores equipas, em masculinos e em femininos, além de prémios individuais que vão distinguir o melhor marcador do torneio, o melhor jogador e o melhor guarda-redes. As 16 equipas em competição vão ser divididas em grupos de quatro, sendo que apenas as duas primeiras de cada grupo passam para a próxima fase da competição, onde o torneio entrará num sistema de eliminação. Os jogos vão ser disputados

A. F.

nas Sextas-feiras, Sábados e Domingos, a partir das 21:00 horas, e prometem muita animação e disputa em cada jogada. Os interessados poderão esclarecer as suas dúvidas através do email desporto.dsscd@ cm-alandroal.pt ou través do telefone 268 440 041/42.

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24 22 Julho ‘10

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SEMANÁRIO

Sábado Max. 36 Min. 20

Sexta-feira Max. 35 Min. 16

Domingo Max. 34 Min. 21

Fotografia

Homenagem

Nesta Edição

8// Novos projectos turisticos

10// PCP contra fecho de escolas

15// Feira do Chocalho em Alcáçovas

Soneto de amor Não me peças palavras, nem baladas, Nem expressões, nem alma...Abre-me o seio, Deixa cair as pálpebras pesadas, E entre os seios me apertes sem receio.

19// Escrita na Paisagem

Na tua boca sob a minha, ao meio, Nossas línguas se busquem, desvairadas... E que os meus flancos nus vibrem no enleio Das tuas pernas ágeis e delgadas. E em duas bocas uma língua..., - unidos, Nós trocaremos beijos e gemidos, Sentindo o nosso sangue misturar-se. Depois... - abre os teus olhos, minha amada! Enterra-os bem nos meus; não digas nada... Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce! José Régio PUB

Évora

Quinta-feira Max. 31 Min. 15

22´ Julho 10

Carrapato foi a Belém de “mata-velhos” José Pinto de Sá

Foi ao volante de um “matavelhos” que o fotógrafo António Carrapato viajou até Belém, onde inaugura, no sábado, uma exposição de fotografia dedicada em exclusivo àqueles veículos. A Ermida Nossa Senhora da Conceição, em Belém, vai ­acolher, de 24 de Julho a 12 de Setembro, uma exposição do fotógrafo alentejano António Carrapato, subordinada ao insólito tema dos “matavelhos”. A mostra inclui seis fotos de 70x100cm e quatro fotos de 18x24cm. No espaço expositivo da ermida está estacionado um “mata-velhos”, no interior do qual é exibido um vídeo que relata a viagem de Carrapato de Évora até Belém. Foi para “fazer o percurso dos emigrantes alentejanos” que António Carrapato se meteu

à estrada ao volante de um desses frágeis veículos, para a viagem de seis horas. Durante todo o percurso, o fotógrafo foi filmado por uma microcâmara instalada na cabine, e por outra câmara manipulada por um colaborador que acompanhou a viagem de automóvel. “Mata-velhos” é a primeira exposição de António Carrapato em Lisboa. O fotógrafo recordou ao REGISTO que apresentou inicialmente uma “proposta muito básica” aos programadores da Ermida ­Nossa Senhora da Conceição, uma “área de arte experimental” localizada em Belém. “O resto foi ­construído em diálogo com eles”, e o trabalho de montagem teve início a 26 de Junho. António Carrapato nasceu em Reguengos de Monsaraz em 1966, é correspondente fotográfico do jornal Público no

Alentejo e sócio fundador da Estação Imagem. A sua mais recente exposição, no Museu de Évora, confirmou a solidez de uma obra fotográfica marcada por um olhar terno sobre o próximo, simultaneamente marcado por uma fina ironia.


Registo ED115