Issuu on Google+

www.registo.com.pt

SEMANÁRIO

1

Director Nuno Pitti | 15 de julho de 2010 | ed. 114 | 0.50 euros

Évora

Évora

Mora

Évora

Novo Hospital mantém os prazos

Banco do Tempo abriu “agência”

Exposição na Estação/Imagem

Futebol do distrito já “mexe”

11

3

21

23

Carlos Braumann convicto

“Se não houver cortes orçamentais ultrapassaremos as dificuldades” Se o Governo mantiver tudo o está estipulado em matéria de verbas para a Universidade de Évora, podem estar completamente ultrapassados os problemas financeiros da instituição. Esta é a convicção do Reitor Carlos Braumann que, em entrevista ao REGISTO, reconhece haver ainda dificuldades nos Serviços de Acção Social. Eleito em Março, Carlos Braumann

considera que a Universidade de Évora está pronta a ser um agente activo no desenvolvimento da região. À entrada de um novo ano lectivo, a Universidade prepara-se para reforçar os cursos em regime pós laboral, permitindo um acesso mais fácil de todos à Universidade.

Museu do Artesanato e Design

Decisões adiadas Crónica de opinião de Andrade Santos 8

9

Artigo “A hora das decisões” 24

Bloco de Esquerda

Até ao fim do mês

Louçã participou nas Jornadas sobre o Alentejo

CENDREV com peça na rua 5

Dança

“Retrospectiva” de Luís Damas 19

21

Capoulas Santos numa grande entrevista ao REGISTO

“Fui contra a candidatura de Manuel Alegre, mas não vou fazer nada que a prejudique” 12/13 PUB


2

15 Julho ‘10

A abrir Crónica Editorial Carlos Júlio

Apesar dos muitos assuntos de interesse, esta edição do REGISTO é marcada por duas entrevistas de fundo. Uma e outra são reveladoras dos passos de gigante que, nalguns casos, o Alentejo tem dado. Mais ao nível do discurso, é verdade, do que de mudanças de facto. Mas concorde-se ou não, sejase politicamente correligionário de Capoulas Santos ou não, o que menos se pode dizer é que o actual eurodeputado e antigo ministro da Agricultura não tem um discurso articulado, fundamentado e esclarecido sobre o passado da região e os caminhos de futuro que o mundo, na sua opinião, terá que trilhar, sob risco de soçobrar em novos milenarismos. É uma entrevista de fundo, que merece ser lida em detalhe, com um dos mais influentes políticos alentejanos de sempre. Outra entrevista que merece destaque é a que tem como entrevistado o reitor da Universidade de Évora. Eleito há escassos meses, esta é a primeira grande entrevista de Carlos Braumann a um órgão de comunicação social. E a profundidade do seu discurso, o tom optimista e centrado na qualidade e na inserção da Universidade que dirige no tecido regional, só podem ser de saudar. Como é de saudar e salientar o facto do actual reitor considerar que os estrangulamentos financeiros estão a ser ultrapassados. Um discurso bem diferente, pela positiva, daqueles a que nos temos habituado a ouvir nos últimos tempos.

Mas estas duas entrevistas levantam também uma outra questão: a da necessidade de órgãos de comunicação social credíveis, profissionais, que não se limitem a publicar notas de imprensa, notícias de agência ou simulacros de entrevista. Uma cidade, uma região, um país têm necessidade de conhecer em detalhe o que, a cada momento, pensam os seus políticos, os seus empresários, os seus representantes, duma forma séria, abrangente e clara. Senão, quando se discute a “coisa” pública discutem-se apenas abstrações, lugares comuns, meras ideias feitas em que ninguém se reconhece. Esse tem sido um grave problema na discussão cidadã em Évora ao longo dos tempos. A existência de um jornal diário não tem tornado a comunicação mais fluída. Pelo contrário: tem-na tornado mais opaca, confusa, inestrincável e sem aquilo que transforma a mera sucessão de mensagens em informação – a mediação jornalística. E os protagonistas da “coisa pública” na região, sem órgãos de informação credíveis, têm sido profundamentemente resistentes a dar explicações públicas e a submeterem-se ao escrutínio popular através dos órgãos de comunicação social. As entrevistas que o REGISTO hoje publica são entrevistas mediadas jornalisticamente – por isso, o pensamento, a respiração, os argumentos dos entrevistados são claros e precisos. São a base para que todos possamos, agora, discutir as muitas ideias que estão subjacentes aos seus discursos. É isto a cidadania e o espaço da democracia. Em que os órgãos de comunicação social, profissionais e democráticos, são a essência e o perfume. O único espaço possível para revigorar a agora da democracia.

40 graus à Sombra EDP só levou a Alqueva “fauna autóctone” No ano passado a EDP andou numa roda viva publicitária em defesa da construção de novas barragens. As associações ecologistas protestaram. A campanha foi suspensa, mas a EDP regressou agora ao “local do crime” com um “concerto de água” para convidados, na Barragem de Alqueva. Quem lá foi diz que não valeu o esforço: na televisão a coisa até correu melhor. Com transmissão em directo na RTP, as luzes e o jogo de cores, até que resultou. Mas no local foi um verdadeiro “plof”. Começou de supetão e acabou de supetão, talvez pela

necessidade de coordenação com o directo da televisão. Primeiro cantou a Marisa, depois Paulo Gonzo e juntaram-se os dois no fim, numa última cantiga. Quem lá esteve esperava melhor. Nem o palco era grande coisa. Colocado na zona da descarga, no lado oposto ao grande lago, não tinha a grandiosidade nem a beleza que muitos esperavam. Os vips também se contavam pelos dedos da mão. Só “fauna autóctone”: Fernanda Ramos, Carlos Zorrinho, Henrique Troncho e o anfitrião António Mexia. Nem tudo em que a EDP mexe (apesar dos meios financeiros de que dispõe) brilha como luz.

Será desta? A promessa foi feita aos 40 graus à sombra por Ceia da Silva: a assembleia geral da Entidade Regional de Turismo do Alentejo vai-se reunir hoje, 15 de Julho e aprovar a constituição do

Quer mesmo saber o futuro?

Pedro Henriques Cartoonista www.egoisthedonism.wordpress.com

Efeméride 20 de Julho Dia Internacional da Amizade Quem é ou tem um amigo ou traz no peito esse sentimento nobre, sabe que a amizade vai muito além da definição de um dicionário. No decorrer da vida, nós desfrutamos da companhia de diferentes tipos de amigos. Os amigos de nossa infância, dos quais nós podemos lembrar vagamente. Os amigos da escola. O ‘melhor’ amigo da adolescência. Colegas que encontramos no serviço. Amigos com os quais compartilhamos bons momentos. Companheiros de farra. À medida que envelhecemos, um amigo com o qual podemos tomar café juntos, enquanto conversamos ou fazemos outro tipo de atividade. Mas existem também relações de amizades entre outros tipos de pessoas de outras regiões, seja por via Internet, onde amizades surgem

Museu de Design - Colecção Paulo Parra, a instalar no Museu do Artesanato, em Évora. Desconhece-se se os dois espaços museológicos irão, ou não, existir em conjunto, mas, o mais importante é que, segundo o presidente da ERT do Alentejo, daqui a alguns dias será convocada uma conferência de imprensa pela Turismo do Alentejo para esclarecer cabalmente o assunto. Ficamos à espera. Mas, como a vereadora da Cultura da Câmara de Évora prometeu em entrevista à agência LUSA abrir o Museu já este mês, em que ficamos? A conferência de imprensa realiza-se ANTES ou JÁ para assinalar a ABERTURA do dito museu?

Um espontâneo nas Jornadas do BE Estavam as Jornadas do BE a terminar na Casa do Povo de Valverde quando um senhor, já de idade, pediu para

para suprir um vazio existente ou para descobrir outro mundo, além do seu, ou laços de amizades feitos por pessoas de outras cidades ou regiões, que se conheceram pessoalmente e que preservam, por muito tempo ou por consistência, esse sentimento.

usar da palavra. Identificou-se como sendo de Valverde, ter mais de 80 anos, ser antigo trabalhador agrícola. Disse que a cultura do Alentejo se está a perder, que é necessário dignifica-la, que a conheceu muito bem quando ia trabalhar para os campos de Beja e toda a gente cantava à alentejana. O discurso, via-se, estava a agradar aos bloquistas. Só que, de repente, começou a dizer que era necessário regressar às palavras de Jesus, à pureza desses tempos iniciais e, quer pela duração da intervenção, quer pelo sentido que ela estava a tomar, alguns dos presentes, entre eles o médico Dinis Cortes, de Beja, habituado a lidar com muita gente, começaram a denotar alguma incomodidade. A coisa ficou por ali, a mesa disse que a intervenção já estava muito longa – e a intervenção que estava a transformar-se muito rapidamente numa sessão de propaganda das Testemunhas de Jeová (digo eu) foi atalhada sem comprometer os aplausos bloquistas.

Neste jornal alguns textos são escritos segundo o Novo Acordo Ortográfico e outros não. Durante algum tempo esta situação irá manterse e as duas formas de escrita vão coexistir. Tudo faremos, no entanto, para que no mais curto espaço de tempo se tenda para uma harmonização das formas de escrever no Registo, respeitando as regras do Novo Acordo


3

Cidade Apesar da crise económica, Filomena Mendes garante

Évora:

Obras do novo Hospital de Évora não vão sofrer atrasos

“Férias de Verão 2010”

Redação/Lusa

Os prazos para a construção do novo hospital central de Évora vão-se manter apesar da crise económica e financeira do país garantiu a presidente do Conselho de Administração da unidade hospitalar. A conclusão do novo hospital está prevista para o final de 2014 e “neste momento, não há nada que faça prever que não possamos ter o novo edifício para o hospital de Évora nos prazos que tínhamos previsto”, afirmou Filomena Mendes, presidente do Conselho de Administração do Hospital do Espírito Santo, durante um encontro com jornalistas. De acordo com a mesma responsável, “o projeto técnico e de arquitetura do novo hospital está a ser desenvolvido”, pelo que “não há qualquer entrave a que o projeto continue

a ser desenvolvido e seja entregue nos prazos previstos”. Quanto à empreitada de construção e equipamentos, Filomena Mendes adiantou que a administração do hospital de Évora “está a fazer tudo para que os prazos sejam aqueles que foram propostos aquando da data da assinatura dos contratos”. Salientando os resultados do plano de contenção do hospital de Évora, que já permitiu reduzir o défice, a mesma responsável esclareceu que “uma coisa são as verbas de funcionamento e outra são as de investimento”, acrescentando que “a questão do investimento no novo hospital não é posta em causa, porque não se mistura com as verbas de funcionamento”, disse. Num investimento na or-

Hospital de Évora vai estar concluido em 2014

dem dos 94 milhões de euros, a nova unidade vai ter uma capacidade de 351 camas, extensível a 440, em quartos maioritariamente individuais, sendo que a área bruta do edifício ultrapassará os 78 mil metros quadrados, envolvidos por mais de 170 mil metros quadrados de espaços verdes e 1605 lugares de estacionamento. A área de influência de primeira linha do novo hospital

abrange 150 mil pessoas, dos 14 concelhos do distrito de Évora, enquanto, numa segunda linha, serão servidas 440 mil pessoas dos restantes 33 concelhos do Alentejo (Portalegre, Beja e Alentejo Litoral). O investimento será assegurado por fundos próprios do hospital, quer por via do seu capital, quer por via da alienação de património, e pelo recurso a fundos comunitários.

Entre 2006 e finais de 2009

Dívida do Hospital de Évora desceu de 10 para 2 milhões de euros Redação/Lusa

Filomena Mendes, presidente do Conselho de Administração do Hospital de Évora revelou que o plano de contenção, em vigor desde 2006 nesta unidade hospitalar, permitiu reduzir o défice da instituição em quase oito milhões de euros, passando de 10 milhões de euros em 2006 para, no final de 2009, “um pouco acima dos dois milhões de euros”.

“A redução do défice do hospital nos últimos quatro anos foi muito grande, o que permitiu aproximar a unidade da sustentabilidade económica”, afirmou a presidente da Administração do Hospital de Évora, sublinhando que “o hospital tem-se modernizado e diferenciado em termos técnicos, mas, simultaneamente, tem tido uma grande contenção” nos gastos. Num encontro com jornalistas,

Filomena Mendes garantiu que a unidade alentejana teve sempre a preocupação de “conter as despesas em áreas em que pôde contê-las, não prejudicando a qualidade do serviço e do atendimento”. O plano “foi elaborado e discutido com os serviços, para que, também aí, fosse possível diagnosticar as áreas onde, eventualmente, poderíamos ter ainda alguma contenção”, adiantou,

Évora recebe investidores brasileiros

defendendo que “todos devem ser solidários” numa altura em que o país atravessa dificuldades.

Por alegado incumprimento da Câmara

Festival Paralelo Évora foi cancelado José Pinto de Sá

A associação cultural CEPiA decidiu cancelar a edição 2010 do festival Paralelo Évora, criado no ano passado, porque a Câmara de Évora não disponibilizou, nos prazos acordados, “a verba orçamentada para o efeito”. Entre as actividades que o CEPiA (Centro de Estudos Performativos i Artísticos) programou para este ano contava-se a segunda edição do Paralelo Évora - Festival Internacional de Ritmo i Arte. Este

festival nasceu no ano passado, de uma parceria com a ACERT, com o objectivo de promover e divulgar o trabalho de jovens criadores. Porém, o CEPiA anunciou esta semana ao REGISTO que a segunda edição do Paralelo Évora não se realizará, porque a autarquia “não disponibilizou a verba orçamentada para o efeito, na data anteriormente estabelecida”. O CEPiA nasceu em Évora em 2002, com o objectivo de criar “uma plataforma activa de investigação, formação e divulga-

Subordinado ao lema “Este verão escolhe o teu Programa…”, o projecto “Ferias de Verão 2010”, promovido pela Câmara Municipal de Évora pelo 3º ano consecutivo, pretende oferecer aos jovens eborenses entre os 14 e 30 anos, uma extensa lista de alternativas para ocuparem os seus tempos livres durante as férias, contribuindo também para a sua formação pessoal. Workshops e formações, fazem parte de um enorme leque de ofertas, que todos os jovens poderão frequentar a título gratuito entre 15 de Julho e 15 de Setembro. Da fotografia à astronomia, passando pelo cinema, actividades aquáticas, dança, entre mais de 50 propostas de escolha, pretendendo ir ao encontro de interesses diferentes para jovens diferentes… Mais informações em www. cm-evora.pt ou através dos seguintes contactos: palavraj@cm-evora.pt ou telefone: 266777100. As inscrições podem realizar-se on-line ou na Câmara Municipal de Évora, Gabinete da Juventude (Edifício S.Pedro - Pátio do Salema ).

ção” nos diversos domínios da arte. A associação, sedeada na Rua Manuel d’Olival, em Évora, vem desenvolvendo um importante “corpo de acções concretas” com parceiros nacionais e estrangeiros, a fim de promover e estudar a criação artística contemporânea. O espectáculo video “Retrospectiva Dança”, da Companhia Luís Damas, é promovido pelo CEPiA, em colaboração com a Câmara de Évora, e enquadra-se na programação anual do Teatro Garcia de Resende.

Entidades e investidores do Estado do Rio Grande do Sul, acompanhados pelo ViceCônsul de Portugal em Porto Alegre (Brasil), Adelino VeraCruz Pinto, pelo Secretário de Estado, Rogério Ortiz Porto e pelo economista Tirone Lemos Michelin, foram hoje (dia 13), recebidos pelo Presidente da Câmara Municipal de Évora, José Ernesto d’ Oliveira, nos Paços do Concelho. Tratou-se de uma visita de cortesia e amizade, mas também de procura de parceiros para estabelecimento de uma cooperação mais aprofundada em diversos sectores da actividade económica de ambas as regiões e países. O projecto em análise consiste na formação de uma rede de cidades em que se incluem, entre outras, Évora, Porto e Coimbra e que, juntamente com 100 cidades do Estado de Rio Grande do Sul, procurarão desenvolver parcerias no domínio tecnológico, investigação agropecuária, regadio e indústria metalomecânica (aeronáutica).


4

15 Julho ‘10

Opinião

Sónia Ramos Ferro

Jurista e Deputada Municipal

“Portugal sem rumo” A situação económica do país é desoladora. Com uma taxa de desemprego que voltou a subir em Maio – 10,9% - Portugal inverte a tendência de redução do desemprego já evidenciada nos seus parceiros da OCDE. São 600 mil portugueses sem trabalho. E não se conhece um plano de recuperação económica para este país, que revitalize o tecido empresarial. Só sabemos que o financiamento está cada vez mais difícil, quer por parte dos agentes económicos quer por parte das entidades bancárias. Para fragilizar ainda mais a estabilidade financeira do sistema bancário, sur-

Margarida pedrosa Professora

A História da Papisa Joana Esta é uma história estranha que é relatada por alguns cronistas, onde a lenda e a história se cruzam, o que vulgarmente acontece quando recuamos no tempo e os registos da época são escassos e poucos precisos. Contudo é uma história surpreendente. Conta-se que Joana era formosa e muito inteligente, viveu no séc. IX, e chegou a alcançar o estatuto de Papa com o nome de João VIII. A sua história aparece em relatos da sua época e contam que ela era uma

gem agora boatos sobre a solidez do BCP, embora já desmentidos. O Banco de Portugal diz que está atento. Não chega, tem é de actuar. Enquanto regulador, não pode permitir que estas situações se arrastem no tempo, sob pena de uma eventual corrida aos depósitos, essa sim, provocar uma situação de ruptura financeira. A revisão em baixa do rating da dívida portuguesa pela Agência Moody’s não surpreende o nosso Ministro das Finanças. Já era esperado, disse. Valhanos isso, pelo menos não foi, desta vez, surpreendido. Também o Prémio Nobel da Economia, Paul Krugman, vem a público sugerir a possibilidade da Grécia ser forçada a abandonar a Zona Euro, o que, por arrasto, seria desastroso para Portugal, Espanha e Irlanda. Contudo, consola-nos dizendo que não acredita que França e Alemanha deixem cair a Zona Euro. Não sou tão optimista. Veja-se a reacção tardia na ajuda à Grécia, que deixou bem patente que o “sonho europeu” da paz e da pros-

peridade talvez não seja tão autêntico como se poderia supor. Com tantos problemas seriíssimos para resolver e um rol de más noticias, o Governo está preocupado com as declarações proferidas em Espanha pelo líder da Oposição, Passos Coelho. Como se não pudesse dizer em Espanha aquilo que já disse em Portugal. Eu estranharia o contrário. Mas realmente estranho é ver ferrenhos socialistas acusar Passos Coelho de “entregar o ouro ao bandido”, quando não têm nenhum sentido patriótico, nem a nível pessoal nem ao nível das funções públicas que lhes foram cometidas: fazem férias no estrangeiro, investem milhares de Euros na sua aparência sem recurso aos produtos portugueses; renovam a frota automóvel do Estado sem nenhum sentido de oportunidade, responsabilidade ambiental ou preocupação de redução de custos; nomeiam os amigos a torto e a direito, aumentaram drasticamente a divida e despesa do Estado desde 2005 até hoje, e eu pergunto se isto é amor à pátria?!

A divida externa bruta (divida externa do Estado, empresas e bancos) representa 215% do PIB; a divida pública directa está actualmente em 80% do PIB e segundo o FMI atingirá os 100% em 2014, se se mantiver o actual ritmo de crescimento. A dívida pública indirecta (divida das empresas transporte e compromissos futuros com as parcerias publico privadas) atinge os 30%, o que significa que a divida consolidada representa já 110% do PIB. (Dados do Instituto Francisco Sá Carneiro – Conclusões do III.º Encontro sobre o tema PSD -35 anos. Novos tempos, novos desafios, novas ideias, com a intervenção de Eng. João Proença, Dr. Fernando Ulrich, Dr. Eduardo Catroga) No actual panorama, e face à total incapacidade do Governo gerir a crise e apontar um rumo para o país, já não sei se patriotismo é continuar a apoiar a insensatez socialista para não provocar uma crise politica, ou é cortar o mal pela raiz.

jovem inglesa muito formosa que, desde pequena, deu logo sinais da sua apurada inteligência. Começou desde cedo a refugiar-se nos conventos. Depois da adolescência, decidiu viajar até e continuar com a sua preparação espiritual. Em Atenas esteve num convento de beneditinos onde se apaixonou por um dos seus mestres. Contudo era um amor impossível: os votos e a reclusão a que estava obrigado o seu amado, interpunham-se entre a sua felicidade. Para se poder aproximar do seu amado, envergou vestes masculinas e escondeu a sua verdadeira identidade. Assim pôde tornar-se monge e estar mais perto dele. Passou a ser conhecida como “ João o Inglês”. Os seus dias eram felizes, pois estava junto do homem que tanto amava e podia continuar com os seus estudos. Contudo a felicidade dos dois durou pouco tempo, o amante de “ João” viria a falecer. Para poder suportar a dor da perda do seu amado, Joana mergulhou ainda mais afincadamente nos estudos, vin-

do a ser em breve conhecido pela sua argúcia e grande sabedoria. Dadas as suas qualidades intelectuais, a sua fama ultrapassou fronteiras e muitos eram os que acudiam ao seu mosteiro para pedir conselhos e ajuda em diversos temas. Joana continuou a viver sob o seu disfarce masculino e em breve muda-se para Roma, onde foi eleito Papa por unanimidade após a morte de Leão IV, ocorrida a 17 de Julho de 855. Conseguiu realizar as suas tarefas sem que ninguém suspeitasse da sua verdadeira identidade. Contudo de novo a nossa Joana voltou a apaixonar-se por um jovem clérigo e com o evoluir do romance ela acaba por ficar grávida. Apesar de ter sido fácil ocultar sua gravidez, devido às vestes folgadas dos Papas, acabou por ser acometida pelas dores do parto em meio a uma procissão numa rua estreita, entre o Coliseu de Roma e a Igreja de São Clemente, e deu à luz perante a multidão. Pouco depois a sua identidade foi

descoberta e desonrada e triste a pobre papisa acabou por falecer, tendo sido Papa durante dois anos, um mês e quatro dias. Misteriosamente, a história foi imortalizada num arcano do Tarou, a segunda carta, «A Papisa», que representa a sabedoria, o conhecimento, a intuição e a chave dos grandes mistérios.

PUB

Não perca o seu Jornal REGISTO (gratuito) nas bancas! Tabacaria Central

Rua do Raimundo, n.º4 (Junto à Praça do Giraldo) Évora - Tel. 266 702 161

Tabacaria Rico Rua António José de Almeida, n.º3 (Junto à REPSOL) Évora - 266 709 500

Folheando ArtigosPapelaria,Jornais e Revistas Lda Intermarché-lj 18, Horta Figueiras 7000 Évora - 266 771 463


5

Política Nas Jornadas sobre o Alentejo do BE

Face à sociedade de consumo Cláudio Torres defendeu o regresso à agricultura e aos saberes tradicionais Redação

Reunindo cerca de sete dezenas de participantes, as primeiras Jornadas sobre o Alentejo do Bloco de Esquerda decorreram sábado na Casa do Povo de Valverde (Évora). Os debates incidiram sobre temas como a saúde, agricultura, sociedade, cultura e património. Os presentes defenderam a necessidade e urgência da regionalização e a criação das regiões administrativas. Para os dirigentes do Bloco de Esquerda no Alentejo “estas jornadas foram muito positivas” e um “ pontapé de saída para uma série de debates que irão decorrer ao longo do tempo baseados nos temas agora debatidos: exclusão social e pobreza, desemprego, cultura, património, agricultura, etc. O Bloco procurará alargar os temas e diversificar os convites de modo a que estes não venham a ser uma mera formalidade mas antes um compromisso de acção e debate no seio da esquerda”. Durante os debates foi analisada a situação na agricultura alentejana, que ocupa hoje apenas 10 por cento da mão-de-obra da região, sendo uma parcela significativa do trabalho efectuado por imigrantes de diversos países,

tratados, em muitos casos, como verdadeiros escravos. Foi dado exemplo de Odemira onde muitos trabalhadores emigrantes vivem sem quaisquer condições mais elementares. Foi defendida a criação de um Banco de Terras, que pudessem ser alugadas a jovens agricultores. No plano cultural, Alexandra Espiridião, do Teatro PIM, mostrouse contra a cultura de espectáculo que a televisão e todo o aparelho mediático promovem, em detrimento da criação e da inovação, que são a base para o desenvolvimento das sociedades. Cláudio Torres falou de património e de identidade. Partindo da análise das sociedades tradicionais mediterrânicas, o arqueólogo defendeu que é preciso um regresso à terra e às pequenas comunidades rurais, um retorno ao saber fazer, num momento em que as cidades estão a morrer, transformadas em grandes aglomerados urbanos, altamente massificados, e onde, por exemplo, os próprios produtos alimentares, a água e o ambiente, estão a tornar-se nocivos para a saúde das populações. Carlos Luna, por seu turno, pegou na história do país e do Alentejo para reivindicar a regionalização, considerando que a criação das regiões administrativas e do Alente-

Francisco Louçã disse ainda que depois das portagens nas SCUTS o Governo se prepara para “novas portagens”, dando como exemplo os CTT, “que o governo quer privatizar”. Repto ao Turismo do Alentejo

Francisco Louçã numa pausa dos trabalhos das Jornadas. jo significará recuperar uma identidade que os vários poderes, nos últimos séculos, tentaram apagar e deu como exemplo os distritos, que são “uma criação recente e uma cópias dos departamentos franceses”, e que nada têm a ver com a nossa tradição. Francisco Louça interveio nas Jornadas Numa pausa dos debates usou da palavra Francisco Louçã. O coordenador do Bloco de Esquerda referiu-se à actualidade política do país, considerando que as SCUT com portagens “não servem para ir e vir”, mas para “garantir uma

renda” aos concessionários. De acordo com Francisco Louçã, para este ano, estava previsto um aumento do pagamento do Estado em 10 milhões de euros para os concessionários das SCUT (auto estradas sem custo para os utilizadores) da Costa de Prata e do Grande Porto e em 12 milhões de euros para o da SCUT Norte Litoral. “A generosidade aqui é em pacotes de 10 milhões de euros para cada um dos concessionários e ainda não tinha começado sequer a pôrse a hipótese das portagens”, disse o líder do BE, considerando que “estas estradas não servem para ir e vir, servem para garantir uma renda”.

Entretanto, em comunicado divulgado já depois destas Jornadas, a Coordenadora Distrital de Évora do Bloco de Esquerda emitiu um comunicado em que “denuncia” o que diz ser “a hipocrisia das decisões do Congresso de Turismo do Alentejo (realizado em Beja no passado mês de Março) que, ao considerar como fundamental “a promoção da identidade do Alentejo” se esquece dos projectos de cercar o Cromeleque dos Almendres com um campo de golf, de apresentar aos turistas cidades, aldeias e vilas absolutamente degradadas e com património edificado em elevado estado de ruína, que deixa subalternizar o museu do artesanato de Évora, etc.” Para os bloquistas alentejanos, “o dr. Ceia da Silva tem de decidir de que lado está: do lado do governo que deixa cair o Alentejo aos bocados ou do lado do próprio Alentejo, dos alentejanos/as e da sua cultura”.

Jerónimo de Sousa em Moura

“Portugal não é um país pobre, apesar do povo estar empobrecido” redação/lusa

Não há no PEC (Programa de Estabilidade e Crescimento) “uma única medida para desenvolver o país” considerou, em Moura, o secretário-geral do PCP. Jerónimo de Sousa, que falava aos jornalistas, disse que “quando não se aposta decisivamente no crescimento económico, na defesa da nossa produção nacional e do nosso aparelho produ-

tivo, inevitavelmente, os problemas estruturais continuam a agudizar-se”. “Este é o drama do PEC”, ou seja, “não tem nenhuma medida económica, nenhuma ideia estratégica que vise fundamentalmente o crescimento, o aumento da riqueza”, sublinhou o líder do PCP, que acusou ainda o PSD de “apoiar” as políticas do Governo socialista e de assinar as medidas dolorosas que estão a atingir o povo”.

“Nós vemos o PS a ser o executante desta política” e, por outro lado, “o PSD, que arranjou agora um ar moderno com um novo líder, a meter a mão por baixo do Partido Socialista e a assinar as medidas dolorosas que estão a atingir o povo”, acusou Jerónimo de Sousa, acrescentando que “Portugal não é um país pobre, apesar do povo estar empobrecido. Portugal tem potencialidades e possibilidades, mas a política de direita, infelizmente, não con-

sidera estas potencialidades e possibilidades e encontra como solução fazer o povo pagar”. Quanto ao Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), o líder comunista reiterou que no programa “não se encontra um sacrifício a exigir aos banqueiros, aos grandes senhores do dinheiro, aos grandes grupos económicos, mas sim medidas antisociais contra quem trabalha, quem vive da sua reforma e quem tem o seu pequeno negócio, a sua

pequena empresa, a sua pequena exploração”. “Até podíamos admitir que, numa situação excecional e com o país em crise, fosse preciso fazer sacrifícios com a ideia de que lá para 2013, como eles dizem, as coisas iriam endireitar-se e melhorar e o país a ficar melhor, mas de facto as medidas não são para resolver os problemas nacionais, os nossos défices, a nossa divida externa”, disse.

PUB

Ar Condicionado 9.000 BTU/h 557.00 € (IVA Incluído)* Gama Inverter Eficiência energética – Classe A Rua Álvaro Lapa, nº1 e 3 Cabeço do Arraial | Évora Tel- 266 759 320 Fax- 266 759 329 E-mail-louro@electroenersol.com

Modo Silencioso (23 dB)

12.000 BTU/h 652.00 € (IVA Incluído)* *Montagem Não Incluída

Pagamento até 12 meses s/juros


6

15 Julho ‘10

Região Após anos de reivindicação de populações e empresários agrícolas

Avança electrificação da Serra de Serpa Redação/Lusa

Após anos de reclamações, dúzias de reportagens, protestos das populações e lamentos de agricultores, a Serra de Serpa vai finalmente ser electrificada. Mais duas centenas de explorações agrícolas serão beneficiadas. O ministro da Agricultura quer que os agricultores aproveitem as condições de competitividade criadas com o auxílio do Proder. É uma história escrita de muitos protestos e reclamações. Populações e, sobretudo, agricultores, levaram anos a pedir a electrificação da Serra de Serpa. Ontem, quarta-feira, em Serpa, o ministro da Agricultura, durante a cerimónia de entrega do contrato de financiamento do projecto de electrificação da Serra de Serpa, congratulavase pelo avanço do projecto e PUB

deixava um apelo aos agricultores para que aproveitem as condições de competitividade que vão ser criadas com a electrificação rural da zona. O projecto de electrificação da Serra de Serpa, uma reivindicação com nove anos, “vai beneficiar 221 explorações agrícolas, criando condições de competitividade idênticas às que existem noutras regiões”, assegurava à Lusa o ministro António Serrano. E acrecentava que “os agricultores da Serra de Serpa vão passar a ter duas condições que não tinham: acesso à electricidade, a partir da concretização do projecto de electrificação rural da zona, e acesso à água, através da barragem do Enxoé, que já está ligada à albufeira de Alqueva, para poderem fazer uma agricultura moderna e de regadio”. O projecto, num investimento de cinco milhões de euros, vai

ser financiado em 99 por cento pelo Programa de Desenvolvimento Rural (Proder). Segundo o ministério da Agricultura, a primeira fase do projecto irá beneficiar 52 explorações e deverá arrancar no próximo mês de Setembro para terminar em Dezembro de 2011. Na segunda fase, aprazada para Março de 2011 serão beneficiadas 169 explorações . A electrificação rural da Serra de Serpa estará concluída em Dezembro de 2012. Eternamente adiado O projecto de electrificação da Serra de Serpa foi sendo sucessivamente adiado, porque nunca “foi possível encontrar soluções de financiamento”, no entanto, de acordo com o ministro António Serrano, através do Proder “foi agora possível

avançar “ de modo a terminar com uma situação desigual. “Não ter acesso a electricidade, era uma desigualdade enorme para as pessoas da Serra de Serpa, que hoje estarão muito felizes, porque finalmente vêem um projecto importante para o desenvolvimento da região a concretizar-se”. Para Sebastião Rodrigues, presidente da Associação de Agricultores do Concelho de Serpa, esta foi “uma batalha ganha pelos agricultores que há nove anos andavam a batalhar para que a electrificação rural da Serra de Serpa fosse aprovada para financiamento”. “Hoje fez-se história”, salientou, referindo que “é dramático e impensável, em pleno século XXI, num país que faz parte da União Europeia, haver pessoas a viver e agricultores a trabalhar por onde não passa um único fio de electricidade”.

Segundo Sebastião Rodrigues os atrasos de anos resultaram da “falta de vontade política” e de “dotação orçamental para a concretização deste projecto”. “Agora, finalmente houve, em primeiro lugar, vontade política para que a obra seja feita”. “É uma grande alegria e um grande incentivo para o desenvolvimento de uma zona já por si desfavorecida”, diz o presidente da Associação de Agricultores de Serpa, que afirma ainda que “quando a electrificação estiver concluída, os agricultores da Serra de Serpa já terão as mesmas condições da maioria”. Ao presidir à cerimónia de assinatura dos contratos que vão permitir a electrificação da Serra de Serpa, o ministro da Agricultura pediu aos agricultores para “aproveitarem bem as novas condições “.


7 PUBLIREPORTAGEM

Graco revela a essência das terras alentejanas

Numa homenagem a um ilustre membro da classe dirigente de Roma, é uma chamada de atenção para a ocupação Romana na Herdade Sousa da Sé há mais de 2 mil anos. Surge imponente sob a forma de néctar da região – Graco. Um vinho único no mercado, Tinto 2008, e Branco 2009. A Herdade Sousa da Sé em Évora recuperou as actividades agrícolas produzindo um vinho, que tem como aliados principais o sol e a sabedoria da terra. Pela mão do Dr. Jaime Antunes, responsável da Frontino, teve lugar no passado dia 9 de Julho no Restaurante Tapas do Campo Pequeno a apresentação do Vinho Graco. A sobriedade e elegância foram presença natural na apresentação deste néctar. Produziu-se 70 por cento de vinho Tinto e 30 por cento Branco Graco 2008 teve um estágio em barricas de carvalho francês durante 12 meses, seguido de um novo período de estágio em garrafa, de cor granada marcante, com notas de frutos negros em compota, especiarias, tabaco e uma agradável tosta de madeira em que estagiou. Graco Branco 2009 - cor citrina, com notas de fruta tropical e algumas percepções minerais. Duas propostas aliciantes para acompanhamento da boa gastronomia alentejana. Segundo o Dr. Jaime Antunes, “o Graco foi elaborado a partir de novas técnicas de cultivo. A maior densidade das videiras, segundo especialistas, promove menos produção, mas superior qualidade, construindo-se a vedação mais alta para uma maior exposição solar. Graco é a grande âncora da Herdade Sousa da Sé, 42 hectares de vinha, uma oportunidade única de associar a actividade do vinho á gastronomia no seu maior esplendor. Será também uma das características do Resort Évora, o facto dos turistas terem proximidade à vinha e até existir a possibilidade de personalizar o vinho. Os primeiros passos estão dados com o lançamento dos primeiros vinhos da Herdade Sousa da Sé.” Revelando todo o empreendedorismo que nos faz acreditar no Alentejo, o Dr. Jaime Antunes demonstrou ser possível, apesar de todas as burocracias, apostar no Alentejo. Graco é o pilar para muito mais que a Herdade Sousa da Sé ainda vai oferecer ao Alentejo e ao mundo. Um brinde ao Graco! Maria João Pereira

Fotos_Luís Pardal


8

15 Julho ‘10

Opinião

João Andrade Santos Ex. Presidente da Região de Turismo de Évora

Comissão Municipal de Defesa do Património chumba proposta de encerramento do Museu do Artesanato Três meses e meio volvidos após a aprovação camarária do Protocolo de criação do Museu de Design-Colecção Paulo Parra, e perante o evidente desagrado de muitos sectores da vida social da Cidade, o assunto voltou à reunião do executivo municipal. Tratou-se agora de aprovar uma segunda versão do dito Protocolo, na qual foram introduzidas duas alterações : o Museu muda de nome, e passa a chamar-se Museu de Artesanato e Design, e a respectiva Direcção passa a ser designada pela CME, pela

Carlos Moura Engenheiro

Arreda!!! Nos estertores da monarquia ficou conhecido o infante D. Afonso, irmão do rei, pela alcunha do arreda. Isto porque na falta de buzina o ínclito cavalheiro bradava fortemente “Arreda” a todo o ser vivente que se encontrasse na rota do seu automóvel, coisa que frequentemente acontecia em virtude da raridade dos ditos e da velocidade atingida, pouco vista também ao tempo. Parece que cem anos volvidos corremos o risco de ter um novo, ou no caso uma nova, arreda. No caso não podemos dizer que se trate de um excesso de velocidade que leva a nossa Arreda a apressarse a congratular-se com o afastamento

ASSINATURA ANUAL 25 euros = 1 ano

Turismo do Alentejo, e pelo coleccionador Paulo Parra, quando na versão anterior era da exclusiva responsabilidade do coleccionador. Como diria o Principe Salina, é preciso que alguma coisa mude para que tudo fique na mesma ! Estas alterações de pormenor, que estavam cozinhadas desde Maio passado, aguardaram o início das férias para ser dadas a conhecer, procurando dar um aspecto mais aceitável a um projecto de entrega a um privado de um bem valioso – o antigo Celeiro Comum, e o financiamento público – sendo que o projecto privado do tal Museu de Design continuará a ser financiado por dinheiros públicos até que se revele sustentável, o que, convenhamos, não se afigura nada fácil. Tinhamos chamado a atenção, em escrito anterior, para o prolongado silêncio da Comissão Municipal de Arte, Arqueologia, e Defesa do Património. Esta importante e prestigiosa entidade, que deveria reunir todos os meses para se pronunciar sobre os aspectos mais im- portantes da defesa do património

da nossa Cidade, estava desde Março sem reunir, e era normalmente atribuída a sua não convocação ao incómodo que poderia ser para a maioria PS-PSD que tinha votado o Protocolo com o coleccionador Paulo Parra a apreciação isenta desse projecto pelas vozes autorizadas dos membros da Comissão. E assim foi. Convocada para o dia anterior ao da deliberação camarária sobre a segunda versão do Protocolo, a Comissão Municipal de Arte, Arqueologia, e Defesa do Património fez uma crítica cerrada e impiedosa do projecto de liquidação do Museu do Artesanato, e tomou conhecimento do parecer negativo que a Direcção Regional da Cultura do Alentejo enviou a este respeito ao Instituto Português de Museus. A presença do coleccionador na reunião não teve qualquer efeito para tornar menos incisivas as críticas dos membros da Comissão. Depois de mais esta crítica pesada, o que se seguirá neste processo insensato ? Na Quinta-feira,15, reúne a Assembleia Geral da Entidade Regional do Turismo do Alentejo, tendo na sua

Agenda a apreciação deste caso. Tudo parece ter sido articulado entre os Presidentes desta organização e da Câmara de Évora, para que na modorra da “silly season” das férias do Verão este assunto incómodo seja fechado, para proveito do coleccionador Paulo Parra, esbanjamento de dinheiros públicos e menosprezo pela cultura e pelos valores identitários da nossa Cidade e do Alentejo. Mas há ainda há outras pontas soltas, dado que a entidade proprietária do Celeiro Comum ainda não deu o seu acordo para a mudança do contrato de arrendamento, e a entidade gestora do Quadro Comunitário de Apoio não autorizou a mudança de uso dos financiamentos comunitários que foram concedidos para a vultosa recuperação do edifício e instalação do Museu do Artesanato. O processo ainda não está encerrado.

de um membro do pessoal da orgânica do seu serviço, poder-se-ia dizer que é indubitavelmente a falta de velocidade que levou a isso, ou mais venenosamente a necessidade de encobrir essa falta de velocidade. O arredado, por sua vez parece que já se teria tentado arredar em meados de Fevereiro, e por essa altura tal movimento não foi aceite, o que diga-se de passagem constitui um novo paradigma, escolhe-se quem levar as culpas, esperase até às situações atingirem os foros de insustentabilidade, e depois arredam-se os indivíduos espalhando-se alto e bom som que são eles os culpados de todas as malfeitorias. Uma ministra vinda do meio cultural deveria ter por certo que a arte raramente é lucrativa, e que quando isso acontece normalmente deixou de ser arte e passou à condição de mercadoria. Acontece que os artistas não são merceeiros e nem podem ser tratados como tal. Parece que o arredado viu isso, mas a nossa Ministra Arreda não. Durante muitos e muito anos, a arte foi fomentada pelos reis ou ricos homens que queriam ver a sua importância e pujança económica reconhecida pelos

demais. Aliás num tempo em que o Estado era ele, o rei utilizava a arte para promover não só o seu poder mas a munificência do reino. Donde pertencia ao Estado a parte de leão no financiamento do processo artístico. Camões ele mesmo não poderia sequer ter sobrevivido sem a tença real, por parca que fosse. Tal como em outros temas, o nosso actual governo, como aliás os seus antecessores, entendem que aquilo que não dá lucro não serve para nada, donde o processo artístico tem de se sustentar a ele mesmo e, espante-se, afirmam pretender acabar com o parasitismo e a subsídio-dependência. Ora estas palavras e ideias só podem vir de quem desconhece completamente o mundo da cultura. Os ganhos que se obtêm para o nosso povo, e que advêm deste sector, não são mensuráveis em Euros. Nem se pode esperar que um criador ou objecto (salvo quando o tempo os torna em valores de comércio e posse apetecíveis) possa gerar meios de subsistência. Se assim fosse quantos famosos artistas e reconhecidas obras de arte, jamais se formariam ou conheceriam a luz do dia. O princípio de que todo o produto do génio e trabalho humano são objectos de

troca e bens comerciáveis, é então não só contrário à própria criação artística como, pela estreiteza dos seus limites, absolutamente incompatível com o processo de criação artística. A desvalorização dos ganhos civilizacionais provenientes da cultura é, na visão dos nossos governantes, idêntico à desvalorização do processo educativo e do acesso à saúde. No entendimento dos nossos governantes estes são luxos e privilégios e não direitos inalienáveis do nosso povo. Daí que não admire as variadíssimas tentativas de por em causa estes direitos no texto constitucional. Todos sabemos que, com a Revolução de 5 de Outubro, o destino do nosso Arreda foi, uma vez arredado ele da esfera do poder, partir para o exílio onde, suspeito deve ter passado os seus dias arredando outros em qualquer outra língua. Veremos se com o centenário da proclamação da República, também o destino desta e de outros arredas seja o envio para um exílio de poder de onde será desejável que não voltem.

Nome: Morada: Localidade: N.º Contribuinte: Assinatura:

52 edições, directas a sua casa! Envie-nos a ficha de inscrição com os seus dados preenchidos, para receber o jornal REGISTO.

RECEBA O REGISTO EM PAPEL, EM CASA, TODAS AS SEMANAS

www.registo.com.pt

SEMANÁRIO

Cod. Postal:

-

Formas de Pagamento Cheque N.º: Vale Postal N.º:

Eles ainda não conseguiram matar o Museu do Artesanato !

Banco:

Transferência Bancária Nib N.º 0032 0182 00203260231 42 Cheque ou Vale Postal a ordem de Nothing Else - Meios e Comunicação Morada: Travessa Anna da Silva, N.º 6 7000-674 Évora

Se quiser receber todas as 5ªs, pela manhã, grátis o seu REGISTO em pdf, envie-nos o seu mail. Contacto: geral@registo.com.pt


9

Universidade Colégio do Espírito Santo. Edifício carregado de história. Onde se inscreve o nome de uma das mais antigas instituições de ensino superior do país. A Universidade de Évora. É também aqui que se inicia começa a história do novo Reitor da instituição. Eleito em Março, Carlos Braumann, 58 anos, natural de Lisboa, é professor no Departamento de Matemática desta Universidade desde 1988. Nos corredores escuros do piso superior, encontra-se o gabinete da reitoria, onde Carlos Braumann recebe o REGISTO. Para falar da Universidade. Dos novos cursos. Das novas oportunidades. Do presente. E do futuro, que as dificuldades financeiras é coisa do passado. Universidade de Évora aposta em cursos pós laborais

“Queremos chegar a mais públicos” - garante Carlos Braumann

Luís Pardal

Paulo Nobre

Estamos em período de candidaturas, podemos dizer que é o começo de um novo ano lectivo. Quais são as apostas da Universidade de Évora? Há novos cursos? Na Universidade de Évora temos cursos de licenciatura, mestrado e doutoramento. No caso das licenciaturas, cujo período de candidaturas decorre, o que temos de novidade este ano são alguns cursos em regime pós-laboral. As Línguas Literaturas e Culturas já funcionavam em regime diurno e pós laboral e assim continua. Há um curso que só funcionava em regime diurno e passa também para o pós laboral que é a licenciatura em História e Arqueologia. É uma forma de abrir as portas da Universidade a quem quer voltar a estudar. Sim, claro, e esta licenciatura em História e Arqueologia é bastante interessante e dá oportunidade a pessoas que queriam estudar nessa área e por razões de horário tinham dificuldades em fazê-lo. Outro curso que vai abrir em pós laboral é Filosofia que já anteriormente tinha aberto, embora tenha encerrado por falta de alunos. Quando digo que funciona em horário pós laboral, tal não significa que os alunos normais não o possam frequentar. Estes são, no fundo, horários dimensionados para aquela que é uma das grandes apostas das universidades, os maiores de 23. Exacto, mas não só os maiores de 23. São no fundo as pessoas que estão na vida activa e esse podem ser menores de 23. Sim, mas esses têm de cumprir os requisitos em termos de habilitações. Sim, têm de ter o 12º ano e concorrer no regime normal de candidaturas. Os maiores de 23 têm um mecanismo especial de ingresso que não exige as qualificativos dos alunos habituais, apenas têm de fazer prova de conhecimentos que lhes permitam frequentar o curso, mesmo que não tenham feito o ensino formal.

ciatura pré-Bolonha de quatro ou cinco anos com uma formação curricular mais completa. Não faz sentido a quem deseja continuar os estudos a nível de mestrado que tenha de fazer toda a parte escolar como se tivesse a mesma formação que uma licenciatura actual com três anos.

Carlos Braumann está optimista quanto ao futuro da Universidade de Évora

Isto obriga a uma reestruturação no funcionamento da Universidade. Passa a funcionar de uma outra forma, mas a ideia é precisamente chegar a públicos que de outra forma tinham dificuldade em chegar à Universidade. Mas falta-me ainda referir um outro curso em regime pós laboral. É um curso de Ciências Exactas e Naturais. Trata-se de uma nova licenciatura naquilo que hoje se chama licenciatura de “banda larga”, com um amplo espectro. Procura dar uma formação ampla na área das ciências exactas e das ciências naturais. É uma licenciatura com

um mercado de trabalho próprio que até agora não tem as necessidades satisfeitas. Funciona também em regime pós laboral, o que permite ser frequentado pelos estudantes normais e por aqueles que não o podem fazer em horário normal. Desta forma abrimos o leque a todos os públicos, embora não possamos duplicar o curso nos dois regimes por razões de disponibilidade de recursos humanos. Por isso a aposta só no regime pós laboral. Uma licenciatura inédita na Universidade de Évora. Não só. É nova no país. É inovadora, dá uma formação genéri-

ca nas áreas científicas, ciências exactas e ciências naturais e dá depois a possibilidade a quem quiser de fazer uma formação específica. Nessa tentativa de abranger mais públicos este tipo de licenciaturas, em pós laboral, pode vir a crescer? Tencionamos fazê-lo, alargandoo ao nível dos segundos ciclos, dos mestrados. A esse nível, dos mestrados, está lançado o programa “Vale a Pena ser Mestre”. É um programa que se dirige a um público que fez uma licen-

É um reconhecimento a quem tem uma licenciatura das antigas, digamos assim. Procuramos reconhecer essa formação para que possam, com um programa mais curto de actividades, em menos tempo, concluir um grau de mestre, o que pode ter consequências a nível da melhoria da situação profissional, ou da simples curiosidade intelectual de quem gosta de desenvolver os seus conhecimentos. Hoje em dia não faz sentido pensar-se que se acaba o curso e se fica com aqueles conhecimentos, que eles são suficientes para o resto da vida profissional. Claro que há sempre o auto-estudo, permite acompanhar as novidades que surgem e colmatar algumas lacunas. Mas é importante que haja um ensino mais estruturado a nível da formação contínua, formação ao longo da vida quer aquela que concede graus, quer aquela mais dirigida a necessidades específicas. (continua na página seguinte)

Dificuldades económicas ultrapassadas Nos últimos tempos a Universidade de Évora tem sido mais falada pelos defeitos que pelas virtudes. A situação económica continua complicada? Os Serviços de Acção Social têm de facto um problema complicado. Nós temos muitos estudantes deslocados a viverem em Évora, naturalmente precisam de apoios especiais e o orçamento do Estado que tem vindo para os serviços tem sido insuficiente. A Universidade tem procurado

colmatar com o seu orçamento na medida do possível, mas também temos tido restrições orçamentais que são de todos conhecidas e não tem podido dar a ajuda que seria necessária. Claro que a Universidade também passou por um momento difícil de restrições orçamentais complicadas, mas que está a ser agora ultrapassado. É um problema do passado, não do presente e futuro? Sim, julgo que se aquilo que foi prometido pelo Governo

em relação ao contrato de confiança, que é de termos este entendimento que a Universidade vai aumentar substancialmente a formação de activos - e este é um esforço que estamos a fazer para o crescimento e desenvolvimento nacional, nós e todas as outras instituições de ensino superior – e que em contrapartida não vamos ter cortes orçamentais. Não haverá crescimento, mas com o corpo docente e de funcionários que actualmente existe será possível manter uma

actividade mais ampla. Se não houver cortes na componente orçamental prometida, rapidamente ultrapassaremos as dificuldades. Alguns atrasos que existiam serão depois gradualmente recuperados, porque as coisas não se fazem instantaneamente, até porque vivemos em sistema de duodécimos. Da parte da Universidade já houve progressos. Da parte dos serviços de Acção Social a situação está um pouco mais complicada, mas também aí se vai corrigir.


10

15 Julho ‘10

Universidade Luís Pardal

(continuação na página anterior)

Aproveitar potencialidades da região Há muito se discute sobre a ligação que a Universidade deve ter ao meio, sobre a necessidade de adaptar os cursos à realidade da região. Isto está a ser feito na Universidade de Évora? Como? É evidente que nós formamos recursos humanos não apenas para a região. É para o país, para o mundo, inclusive temos estudantes de outros países e continentes que nos frequentam. A Universidade é um centro de saber, logo universalista, mas pode ter uma preocupação maior com a região? Temos uma preocupação especial com o desenvolvimento da região, porque é nela que estamos inseridos. A nossa investigação, a prestação de serviços à comunidade, os nossos ensinos têm essa preocupação fundamental de corresponder também às necessidades da região, sem termos uma visão redutora. Porque hoje o que pode parecer pouco relevante, pode amanhã ser muito relevante. Veja o que se passa na formação de professores: durante muitos anos tivemos uma actividade muito intensa na formação de professores, porque havia grande carência não só a a nível regional. Isso contribuiu para que a região esteja hoje dotada de profissionais qualificados. Foi um progresso notável em relação ao que se passava há 20 ou 30 anos atrás. Hoje, as necessidades estão reduzidas, pois os quadros estão preenchidos. Mas isso significa deixar-

Universidade de Évora está empenhada no desenvolvimento da região.

mos de formar professores? Eles vão ser sempre necessários. Há que ter visão de longo prazo no planeamento dos cursos. De longo e médio prazo. Há que prever as necessidades não apenas do presente, também do futuro próximo. Há um trabalho de prospectiva com os agentes da região para se perceberem quais são as necessidades actuais e futuras. Temos de ter consciência que se não fizermos um grande esforço de desenvolvimento do Alentejo, esta região vai estiolar e morrer a pouco e pouco. Há um esforço de desenvolvimento que temos todos de fazer, em que a Universidade de Évora está também fortemente empenhada juntamente com as forças vivas. Vivemos actualmente num Alentejo expectante. Alqueva, o aeroporto de Beja, o porto de Sines, o

próprio aeroporto de Alcochete ou o TGV podem mudar completamente a região. Embora se viva ainda na expectativa, há na Universidade de Évora noção das necessidades futuras desta região? Eu começava por Évora. A cidade tem uma potencialidade tremenda de desenvolvimento. Vai ser o eixo em que se vão cruzar as várias linhas de ligação do TGV, do porto de Sines, aeroportos de Beja e Alcochete, temos uma Universidade conceituada, um ensino básico e secundário de qualidade, ambiente arquitectónico e paisagístico de grande qualidade… a vida em Évora tem uma qualidade que as grandes cidades não conseguem atingir. Há aqui um pólo de atracção que vai ser relevante se soubermos tirar partido dessas potencialidades para a instalação de empresas. Essa é a nossa grande preocupação, por isso é

que estamos a lançar juntamente com outras entidades estes instrumentos de apoio ao desenvolvimento que se forem acompanhados pelo poder político com apoios, nomeadamente ao nível fiscal ou de outra natureza, podem ser oportunidades excelentes de desenvolver a região. Claro que o desenvolvimento da região pode naturalmente ajudar ao desenvolvimento da própria Universidade. Como é que os cursos na Universidade de Évora poderão evoluir no sentido de acompanhar essas oportunidades? Nós já temos cursos que estão dirigidos às energias renováveis, por exemplo, que é uma área que pode ter um potencial tremendo, nomeadamente aqui no Alentejo na área do solar e do fotovoltaico. Criámos uma licenciatura em energias renováveis, temos

um mestrado em engenharia ambiente, vamos ter uma cátedra em energias renováveis. É uma área que nós vemos que é importante para a região e ao mesmo tempo estamos a dar resposta a essa oportunidade de desenvolvimento. Este é apenas um exemplo. O Parque de Ciência e Tecnologia, que junta autarquias, politécnicos de Beja e Portalegre, pode ser a génese dessa ampla colaboração que tem faltado a vários níveis entre todas as instituições? O Parque de Ciência e Tecnologia pode aprofundar a colaboração. Sinceramente eu não sinto que haja falta de colaboração. Se olhar para aquilo que nós fazemos em termos de cooperação com as mais variadas entidades quer regionais, quer até fora da região. Se virmos todas as áreas em que a Universidade interage com as empresas ou instituições públicas da região, é tão grande a quantidade de protocolos, de acções concretas que estão a ser executadas no terreno, de prestação de serviços à comunidade. Isto quer dizer que há, de facto, entrosamento que contradiz completamente a ideia que possa existir de algum divórcio. Não há. Certamente que nós queremos fazer mais e melhor e desenvolver a região, porque a verdade é que não temos muitas empresas na região e portanto há aqui uma necessidade de desenvolvimento regional em que a Universidade de Évora, não se podendo substituir às forças vivas, pode contribuir com elas para relançar esse desenvolvimento regional.

“Quem é que se pode gabar de ter aulas num edifício histórico?” Numa busca rápida de notícias no último ano, encontram-se muitas queixas dos alunos: falta de condições das salas de aula; problemas nas cantinas; dispersão dos edifícios e falta de transportes; falta de materiais de trabalho, etc. Estes são também problemas do passado? Às vezes faz-se tomar a nuvem por Juno. Encontra-se um pequeno problema aqui e em vez de o procurar resolver internamente vai-se para a imprensa fazer barulho. Acha que é isso? Nalguns casos é, noutros não será. Às vezes há pequenos problemas que se fossem relatados internamente poderiam ser solucionados. Até já tive aqui uma queixa formal por não termos reciclagem na biblioteca. Isto não é uma queixa, é uma sugestão, há que distinguir as coisas. É evidente que a nível de equipamento de salas há problemas. Estamos em edifícios essencialmente antigos devido a uma política que a Universidade fez nos últimos anos, enraizando-se na cidade e fazendo dela o seu próprio

Campus universitário, com a situação especial da Mitra. Aproveitaram-se edifícios históricos. Isso tem custos adicionais, porque a manutenção é mais cara, mais difícil e as condições, como não são edifícios construídos de raiz para funcionar como escola, com salas de aula construídas para esse fim, há adaptações que não correspondem ao paradigma habitual do que é uma sala de aula. O equipamento também é alvo de críticas. Sim, o equipamento das salas tem de ser renovado, estamos agora a lançar um programa de renovação que vai começar brevemente. Isto também tem uma contrapartida: quem é que se pode gabar de ter aulas num edifício histórico como vários a Universidade tem? Há uma qualidade também que pode causar algum desconforto, mas o facto de estarmos num ambiente especial ajuda. Referiu-se a outros problemas… … problemas nas cantinas na dispersão dos edifícios e falta de transportes ou a

falta de materiais de trabalho… Claro que os alunos terão sugestões… eu como às vezes na cantina e pareceme que tem qualidade. Pode haver ali uma certa repetição para quem come lá todos os dias. Evidentemente que não é a comida de casa, é feita para grandes quantidades de pessoas. É uma comida que é aceitável no panorama nacional Já tenho comido noutras cantinas e noutros países e esta é uma comida com qualidade. Poderia ser melhor, um dia há um prato que não agrade? É natural. Em relação aos transportes, temos tido alguns problemas de transportes para a Mitra porque o concessionário tem tido pequenos problemas. Acontece ocasionalmente. São contingências e nós não podemos ter uma frota suplementar de autocarros. Está fora de hipótese a construção de um Campus universitário que concentre toda a universidade num só espaço? Essa foi uma questão que já se colocou em tempos. Não se encontraram soluções para isso.

E nesta conjuntura é difícil. É um investimento grande e podemos dizer que a universidade tem um património vasto e poderia trocá-lo. O problema é que não é património facilmente alienável, porque são estruturas de grande dimensão que dificilmente teriam ocupação alternativa. Num Campus organizado poderíamos ter alguma vantagem em termos de estrutura de custos, mas também íamos perder uma valência importante. Basta perguntar a pessoas que vivem em Campus distantes quatro ou cinco quilómetros das cidades e as limitações que isso traz. A própria cidade pode perder com isso. Creio que sim. A vivência da cidade com os seus estudantes dá uma grande dinâmica ao desenvolvimento da própria cidade. Isso nota-se no comércio, na restauração em geral, basta ver os períodos de férias e os períodos de aulas.


11

Sociedade Solidariedade Social

Banco de Tempo já tem agência em Évora José Pinto de Sá

Já abriu em Évora uma agência do Banco de Tempo, uma instituição onde qualquer “investidor” disposto a contribuir com uma hora do seu tempo recebe em troca uma hora de ajuda em seu benefício. “O Banco de Tempo é um banco igual aos outros,” com agências, cheques e depósitos, explica Isaura Pinto, da equipa dinamizadora da instituição em Évora, ressalvando que “a única diferença é que a moeda de troca é a hora”. Portanto, “qualquer investidor que esteja disposto a dar uma hora do seu tempo, recebe em retribuição uma hora para utilizar em benefício próprio”. Por outras palavras, se o leitor precisa de passear o cão (ou de podar a sebe, ou de cozinhar uma refeição…) e por qualquer motivo não pode fazê-lo, pode agora dirigir-se ao Banco de Tempo e conseguir que alguém lhe conPUB

ceda X horas para tal ocupação, desde que, em troca, se comprometa a dedicar igual tempo a ajudar outro membro da instituição. Sendo que todas as horas têm igual valor, já que ali não há serviços mais bem pagos que outros. É este o conceito orientador do Banco de Tempo, uma instituição que surgiu em Portugal por iniciativa da associação Graal, em 2002. De então para cá, o Banco de Tempo já conta com mais de 25 agências espalhadas por todo o país, com mais de 1.700 pessoas inscritas. Em Évora, foi apresentada na sexta-feira, dia 9, a agência do Banco de Tempo, fruto de uma parceria envolvendo a Graal, a Câmara de Évora, a Junta de Freguesia dos Canaviais e a Casa do Povo do mesmo bairro. Ao abrigo da referida parceria, a autarquia contribui com o espaço para a sede, no centro histórico de Évora, enquanto a Casa do

Povo dos Canaviais cede o seu salão para reuniões e sessões de esclarecimento. Procedimentos simples Para se inscreverem como membros do Banco do Tempo, os interessados devem dirigirse à agência, onde um membro da equipa dinamizadora procederá a uma entrevista de acolhimento. Nessa entrevista, o candidato é informado acerca do funcionamento do banco, e deve, por sua vez, fornecer os nomes e contactos de três pessoas que possam afiançar que é pessoa idónea. Isaura Pinto salienta que “este passo é indispensável”, já que a

participação implica muitas vezes a entrada em casa de pessoas, cuja segurança se impõe resguardar. Depois de o Banco de Tempo confirmar a idoneidade do candidato, marca um encontro com ele e, juntos, preenchem a ficha de membro, onde consta o tipo de serviços que a pessoa pretende prestar ou receber. “Todos os membros têm que dar e receber,” precisa Isaura Pinto. Mesmo que alguém pretenda apenas contribuir, só pode fazêlo durante 20 horas, no máximo. Depois devem obrigatoriamente solicitar um serviço a outro membro do banco. A agência de Évora do Banco de Tempo já está a funcionar a tempo inteiro. O atendimento na sede, sita na Rua do Fragoso, 8, decorre de segunda a sexta-feira, das 10h às 12h30, e das 14h30 às 16H30. “Contamos com toda a gente,” dizem os promotores da iniciativa.

Avis: leitura durante o Verão Para ir ao encontro dos leitores, durante o período de Verão, a Biblioteca Municipal de Avis leva a cabo duas actividades descentralizadas que pretendem cultivar o gosto pela leitura: “Livros à Solta” e “Hora do Conto”. “Livros à Solta” oferece aos frequentadores das Piscinas Municipais e do Parque de Campismo da Albufeira do Maranhão desfrutar de vários livros e navegar ao sabor da imaginação entre uns mergulhos refrescantes ou no repouso de uma tenda. Durante o mês de Agosto, às segundas-feiras, os jovens utentes do Parque de Campismo da Albufeira do Maranhão têm encontro marcado com os livros através da “Hora do Conto”. Semanalmente, às 10h30, a Sala de Convívio deste empreendimento acolhe a dramatização de diversos contos, com o intuito de promover o gosto pela leitura junto do público infanto-juvenil durante o período de férias escolares


12

15 Julho ‘10

Entrevista

“Não fui alheio à escolha do actual ministro da Agricultura” O senhor foi ministro da Agricultura. Como é que vê a actuação do actual ministro, António Serrano, também um alentejano? Estou satisfeito com a escolha deste ministro, uma escolha a que eu próprio não fui alheio e da qual não estou arrependido. Penso que tem qualidades de trabalho reconhecidas, tem provas dadas na vida académica, na vida empresarial e também na vida política, tendo sido um destacado deputado municipal, onde, aliás, me apercebi de muitas das suas qualidades. Reconheço que herdou uma situação muito difícil. O mandato do governo anterior, nesta matéria, não foi particularmente feliz e, por isso, tem estado a lidar com uma situação muito complicada.

Tem andado uma parte deste tempo a apagar fogos. Sim. E tem-lo feito com sucesso. Retomou aquilo que era uma prática do Partido Socialista que é o diálogo muito aberto com todas as organizações de agricultores. Infelizmente isso não aconteceu no mandato precedente e acho que o António Serrano tem-no feito com mestria e ao mesmo tempo mantendo aquelas que são as prioridades de sempre do Partido Socialista e que são, desde logo, a água e o regadio, bem representados pela antecipação do calendário de execução do Alqueva.

Geralmente por parte dos políticos há um discurso animador sobre o Alentejo. Fala-se de Alqueva, do Aeroporto de Beja, de Sines, disto e daquilo. Mas a verdade é que o desenvolvimento da região parece que não chega e todos os dias o Alentejo vai perdendo população. Isso não é bem assim. Lembro-me que quando comecei a minha vida política activa o Alentejo era uma das regiões mais pobres da Europa e agora já não é a mesma coisa. E eu pergunto o que seria hoje o Alentejo se as acessibilidades não tivessem sido feitas, se o porto de Sines não tivesse avançado, se o aeroporto de Beja ainda não estivesse concluído?

Está concluído, mas sem qualquer utilização.

Sim, mas primeiro é preciso fazer as obras e depois pô-las a render. É como o Alqueva. Sobre o Alqueva houve muitos que durante anos falaram, falaram, falaram, mas foi preciso vir alguém que o fizesse, para depois ser utilizado. O aeroporto é a mesma coisa. São grandes investimentos, que têm um prazo de execução longo e cujos benefícios são progressivos. As coisas não surgem como cogumelos no Inverno. É necessário primeiro apostar, depois percorrer um longo processo decisório, depois conseguir os financiamentos, depois lançar os concursos e depois executar as obras. Só depois é que as coisas avançam no terreno. Tem sido esse o caso da Embraer, por exemplo. Tudo demora um certo tempo para que estejam criadas as condições para que os projectos avancem e comecem a produzir os seus frutos. E alterar o perfil do Alentejo, uma região ancestralmente atrasada, não é trabalho para meia dúzia de anos. É trabalho para uma geração e isto se houver continuidade de políticas.

Como recorda os seus tempos de ministro da Agricultura? Lembro-me que foi, na altura, muito criticado, até por associações de agricultores aqui do Alentejo.

Passei momentos muito difíceis, mas foi uma experiência muito gratificante. Lembro-me que um dos dossiers mais difíceis foi o da crise das vacas loucas. Foi um esforço muito grande, mas de que resultou a erradicação da doença e a modernização da nossa rede de abate. Foi feita também nessa altura a uma reforma da Política Agrícola Comum, que fez com que, pela primeira vez, Portugal deixasse de ser contribuinte líquido da PAC, o que era um absurdo, ou seja, entre 1986 e 2000 demos para os cofres da União Europeia, da PAC, mais dinheiro do que de lá retirámos. Depois de 2000 passámos a ser beneficiários líquidos. Orgulho-me de ter lançado um dos programas de maior sucesso, a reestruturação da vinha, de ter dado grandes avanços no regadio e de ter executado um Quadro Comunitário de Apoio a 100%. Consegui também, depois de muitas promessas incumpridas e anteriormente feitas, encerrar o contencioso da Reforma Agrária, pagando as indemnizações aos antigos proprietários. O objectivo era pagar as indemnizações e a seguir vender o património do Estado aos utilizadores e criar um banco de terras e um fundo de mobilização de terras, projecto a que, infelizmente, os governos seguintes não deram sequência.

Mas isso não aconteceu.

Infelizmente não. A seguir veio o governo de Durão Barroso que obstaculizou esse processo e anulou todos os decretos já aprovados em Conselho de Ministros e infelizmente essa ideia nunca mais foi retomada, com a agravante de parte do património que era destinado a esse fundo, que eu preconizava que devia ser para instalar jovens agricultores com formação adequada, ter sido, na maior parte, vendido ao desbarato por Manuela Ferreira Leite.

Na zona de Alqueva ou noutros regadios também?

Em todos os regadios do país, desde o Vale da Vilariça, em Trás-os-Montes até ao Barlavento algarvio, passando pelo Alqueva. Isso permitiria ao Estado intervir em vários níveis. Primeiro, vendendo o património que era do Estado e que eu inventariei em cerca de quase 90 mil hectares. Pretendia afectar o dinheiro dessa venda a um banco de terras que seriam arrendadas por um período de sete anos, após o qual as terras seriam vendidas. Com esse dinheiro poderiam, de novo ser compradas outras terras, usando um novo direito de preferência a favor do Estado, nos regadios feitos com investimentos públicos, que seriam, de novo arrendadas a jovens agricultores, e assim sucessivamente...

Os ministros da Agricultura ainda têm alguma margem de manobra quando tomam decisões, ou todas as decisões importantes são já tomadas por Bruxelas?

A agricultura é a mais comunitária das políticas. Há até quem diga que a agricultura é a única política verdadeiramente comunitária, uma vez que os regulamentos são decididos em Bruxelas e são de aplicação obrigatória nos Estados-membros e é a única política que tem um verdadeiro financiamento comunitário, na ordem dos 44% do orçamento global da União. E já foi cerca de 80%. Mas, apesar de tudo há uma certa margem de liberdade para os governos actuarem, embora dentro deste quadro geral, que também interessa aos estados já que garante uma concorrência mais ou menos leal entre todos.

Capoulas Santos, sociólogo, membro do Dirigente nacional do partido, ocupa agora as fu as semanas de Bruxelas para o Alentejo. Tem uma visã e administrativa do país. Considera que o modelo capitalista terá que encontrar outro modelo de desenvolvim a construção regi

“A única aspiração um cargo no quadr Carlos Júlio

Como é que olha para este seu terceiro mandato como presidente da Assembleia Municipal? É difícil manter este cargo ao mesmo tempo que está como deputado no Parlamento Europeu?

Já exerci quase todos os cargos políticos possíveis. Fui vereador na Câmara de Montemor, fui membro da Assembleia Municipal, fui membro do governo, fui deputado nacional, sou agora deputado europeu, e esta função de presidente da Assembleia Municipal de Évora é das que me dá mais prazer e não é incompatível com a minha estadia no Parlamento Europeu. Para além de me deslocar semanalmente a Évora, as novas tecnologias permitem-me estar permanentemente em contacto com todo o expediente diário da Assembleia e os meus colegas, em particular os líderes das diferentes bancadas, com os quais troco impressões com regularidade.

Como é o relacionamento com as diferentes forças políticas representadas na ­Assembleia Municipal?

Presidi à Assembleia Municipal durante dois mandatos em que o PS dispunha de maioria absoluta. Neste não dispõe, mas não tenho notado grande diferença. Registei mesmo com muita satisfação o gesto de cortesia que os meus colegas da Assembleia tiveram para comigo, aquando da eleição para a presidência em que não obtive nenhum voto contra. Tenho procurado actuar sempre com independência e isenção e no geral, acho que a Assembleia tem funcionado globalmente bem, infelizmente, nalguns poucos casos com um ou outro excesso de linguagem, que tenho feito o possível por corrigir, mas que sempre decorre dos calores que estão por detrás dos trabalhos parlamentares. Temos até conseguido introduzir algumas inovações, como é o caso da experiência da transmissão directa das sessões pela internet ou de termos passado a reunir com regularidade nas freguesias rurais, pelo menos duas vezes por ano, o que acaba por ser sempre um pequeno acontecimento local e aproxima eleitos e eleitores.

Neste momento a Assembleia tem mais uma força política que é o Bloco de Esquerda. O seu aparecimento tem dado mais vivacidade e colorido aos debates?

O BE dispõe de um mandato na AME. A sua representante é um membro igual a qualquer dos outros e devo registar com simpatia o facto de, desde logo, e ainda sem nenhuma experiência, a colega Amália Oliveira se ter disponibilizado para integrar a Mesa, que sempre pretendemos plural (o PSD recusou esse lugar apenas por uma questão procedimental).

São necessárias alterações no sistema político

Dada a sua experiência, defende alter ções na legislação que define as atrib ções do poder local e dos seus órgãos?

Tenho sobre essa matéria, e desde há m to tempo, ideias muito claras. Acho qu executivo municipal devia ser recrutad partir dos membros da Assembleia Mu cipal, ou seja, deveria haver apenas um única lista em que o primeiro memb dessa lista fosse o Presidente da Câma e em que os outros elementos do execu vo fossem escolhidos a partir dos elei para a Assembleia, podendo em qualqu momento haver remodelações da ve ação. Em Inglaterra, por exemplo, is verifica-se até ao nível governamental primeiro-ministro britânico só pode es lher para ministro quem tenha sido ele deputado. Isso faz com que os membros Governo tenham uma maior legitimida democrática. Em Portugal, ainda há mu aquela ideia de que quanto mais indepe dente melhor. Quando muitas vezes ana samos o percurso político de muitos min tros, a sua manifesta falta de jeito polít para gerirem alguns dossiers ou, às ve mesmo, algum autismo e algum dista ciamento que resulta do facto dessas p soas aparecerem no Governo sem tere de se confrontar com o eleitorado, sem rem assumido compromissos e sem tere muitas vezes, a noção de quanto custa eleito e de quanto é importante respei os compromissos previamente assumid pelo partido que ganhou as eleições e se o qual nunca seriam ministros.

“O modelo

Falou da crise que estamos a viver do, embora moderado, afirma-se crise que estamos a viver deriva do mo estar em crise?

Sem dúvida. Embora sem me quere nho, nada do que está a acontecer preenda. É algo que eu esperava qu horizonte de 40 ou de 50 anos, porq a sociedade consumista que temos assente no crédito e na produtivida que se esgota no curto prazo. E, por mais cedo esta lógica terá que dar qualquer.

O liberalismo pode ser a solução?

Nem o liberalismo, nem o modelo nós temos. Os recursos que existe


13

PS, é um dos quadros alentejanos com maior experiência e maior influência política. unções de deputado europeu e preside à Assembleia Municipal de Évora, deslocando-se todas ão global da situação portuguesa, preconiza várias reformas, entre as quais a da organização politica a, tal como o conhecemos, está esgotado e que num prazo máximo de meia centena de anos a humanidade mento. Depois de ter ocupado cargos no Governo, na Europa e na administração local defende ional, onde, confessa, gostaria de ter um papel a desempenhar.

o política que tenho é exercer ro da regionalização”

rabui-

muiue o do a unima bro ara utiitos uer eresso l. O coeito s do ade uito enalinistico zes anpesem teem, ser itar dos em

Capoulas Santos considera que o mandato de Jaime Silva na Agricultura “não foi particularmente feliz”

E a Assembleia teria outros e mais poderes?

Evidentemente que a Assembleia Municipal teria de ter mais poderes, porque os acordos de governação teriam que nascer da Assembleia Municipal, ou seja, a Câmara Municipal teria que reflectir, ou a maioria absoluta de um partido, ou um acordo inter-partidário que teria de ser viabilizado pela Assembleia Municipal, caso

as eleições tivessem ditado uma maioria relativa.

O PS tem governado a Câmara num ciclo de contração Enquanto presidente da Assembleia Municipal como vê a situação financeira do munícipio?

A situação financeira da Câmara é o reflexo da crise global. No Parlamento Europeu observo a situação financeira dos estadosmembros da União Europeia e todos nós conhecemos qual é a situação difícil que Portugal vive. As Câmaras reflectem essa situação. Com a crise, as receitas caíram abruptamente devido à quebra na acti (continua na página seguinte)

o actual de sociedade está esgotado”

r. O senhor deputacomo socialista. A o facto do capitalis-

er armar em adivié algo que me surue acontecesse num que é evidente que s vindo a construir, ade, tem uma lógica r isso, mais tarde ou lugar a outra coisa

escassos e muitos não renováveis. É insustentável estender este modelo de sociedade de consumo a todo o mundo, mas é para ele que todas as sociedades caminham, até a China dita comunista. Algo vai ter que ser feito. É muito fácil falar da mudança de modelo, mais dificil é saber como é que se muda esse modelo. E o que estamos a fazer é a tentar sustentar pelo maior tempo possível o modelo que temos. Mas como acontece com as pessoas, a quem tentamos prolongar a vida e que, apesar disso, também vão morrer, também este modelo vai ter que ser substituído por outro, mais tarde ou mais cedo.

o de sociedade que em no planeta são

Muitas vezes a sensação que se tem é que, perante o perigo iminente de uma transformação profunda, a única resposta da Europa é construir muros à sua volta.

Esse é um dos debates que se trava no Parlamento Europeu. Há quem diga que a Europa adopta um conjunto de medidas que quase a transformam numa fortaleza e numa estrutura defensiva e há outros que a acusam de abrir excessivamente as portas e, por isso, estar a condenar-se a si própria, nomeadamente através das vagas da imigração. Eu muitas vezes comparo a situação actual à dos dois séculos que precederam a queda do Império Romano. Ou seja, um modelo que se expandiu à escala global da altura, que parecia duma sustentabilidade a toda a prova e que depois, pelas razões que conhecemos, soçobrou. É um pouco a situação que estamos a viver hoje. Por isso, eu acho que com tudo o que conhecemos temos que saber quando é que o modelo se esgotou e não tem mais condições de sobrevivência e ter a imaginação suficiente para criar o modelo seguinte. E é algo que vai ter que ser feito num horizonte máximo de meio século, não mais.

Reforma Agrária

“Na base estiveram aspirações de justiça e de igualdade” Comemoram-se agora os 35 anos da reforma Agrária. O senhor é alentejano, conhece a realidade que se vivia nos campos do Alentejo. Não reconhece nenhuma virtualidade positiva em todo processo da Reforma Agrária? Eu compreendo muito bem o que aqui aconteceu em 1975. Foi em parte um movimento genuíno dos trabalhadores alentejanos, explorados desde sempre, desde o início da nossa nacionalidade, que teve um certo comando político e que ocorreu no decurso de um processo revolucionário. Compreendo as aspirações de justiça e de igualdade que isso representou, e até de cidadania e de dignidade, porque houve pessoas que, pela primeira vez, tiveram um salário garantido durante 12 meses do ano, algo que antes era impensável. Só que tudo foi assente num modelo que não tinha a mínima sustentabilidade, como aliás se veio a verificar na própria pátria de origem do modelo, a União Soviética. Foi um modelo insustentável do ponto de vista económico. Mas compreendo as aspirações dos trabalhadores alentejanos porque tenho idade suficiente para ter assistido a coisas que quando falo aos meus filhos eles julgam que estou a descrever algo que se passou na Idade Média. Aliás recomendo a excelente tese do embaixador José Cutileiro, publicada no início da década de 70, com o titulo “Ricos e Pobres no Alentejo”, onde é feita uma análise com grande precisão e rigor a situação económica e social no Alentejo e que é quase uma profecia sobre o que viria a suceder depois do 25 de Abril.

Mas não considera que há muitos proprietários que continuam a diabolizar a Reforma Agrária, ­passados todos estes anos, como uma desculpa para os seus insucessos empresariais?

Conheci bem essa realidade. Entre 1977 e 1980 fui director do Centro da Reforma Agrária de Évora e devo até dizer que, para muitos agricultores, na altura muito queixosos, a Reforma Agrária pode até ter sido o melhor que lhes aconteceu, porque havia muitos desses agricultores que, na altura do 25 de Abril, passavam por grandes dificuldades e para os quais as ocupações foram um excelente pretexto para justificar incumprimentos financeiros. Para alguns, mais tarde, as indemnizações permitiram restabelecer a sua situação económica. Compreendo que essa fase em que esteve em causa o “valor sagrado” (entre aspas) da propriedade privada muita gente apanhou um grande susto de que ainda não terá recuperado totalmente.


14

15 Julho ‘10

Entrevista a oposição tem falado muito, mas até agora foi incapaz de deitar abaixo o Governo. Se fosse consequente com as suas críticas já tinha derrubado o Governo o que certamente levaria a novas eleições. Se o não faz não é certamente por amor ao governo. É porque teme esse acto eleitoral. Mas é evidente que toda a oposição conduz uma estratégia de desgaste do governo na esperança de que esse desgaste conduza a um ponto de impopularidade tal que torne fácil a votação conjunta de uma moção de censura.

Vai participar na campanha de Manuel Alegre ou apoiar outro candidato, por exemplo, Fernando Nobre?

Como disse, não farei nada que possa prejudicar a candidatura apoiada pelo PS. (continuação na página anterior) vidade económica. É o caso da Câmara de Évora, onde muitas receitas tinham a ver com a construção civil e as licenças de obras. A redução das receitas implica uma redefinição de prioridades e um certo emagrecimento das despesas, isso é incontornável. Tanto quanto julgo saber, a situação da Câmara Municipal não diferirá muito das situação financeira da generalidade das Câmaras, até porque, infelizmente, este ciclo em que o Partido Socialista tem exercido o poder autárquico em Évora foi o pior possível. Quando ganhámos as eleições em 2001, entrou o governo de Durão Barroso e com ele as primeiras medidas de austeridade e emagrecimento das finanças locais ditadas pela então ministra das Finanças, Manuela Lerreira Leite. Daí para cá os tempos não têm sido nada fáceis e, neste contexto, os mandatos do Dr. José Ernesto merecem uma apreciação positiva, aliás reconhecida pelos eleitores. Felizmente que a Câmara não é uma empresa que possa despedir funcionários, que é normalmente a solução que as empresas arranjam para reduzirem as despesas, mas é evidente que tem que haver um esforço de redução das despesas e de racionalização dos gastos. Na Assembleia tivémos um debate muito intenso sobre essa matéria e houve até quem preconizasse a redução de publicações, algum desinvestimento na área cultural…

Há uma redefinição de prioridades...

Sim. Por isso é que a Lei permite às Câmaras apresentaresm orçamentos suplementares, como ao Governo da República é permitido apresentar orçamentos rectificativos. Mas aqui o nosso principal problema é que os custos de funcionamento são muito elevados. A Câmara de Évora tem, desde há muito tempo e por razões em que não vou entrar agora, uma máquina muito pesada, que absorve parte substancial do orçamento, ao mesmo tempo que vinha de trás uma dívida substancial, que foi rescalonada, mas que significa pagamento regular de juros e amortizações, o que deixa muito pouco dinheiro para o que é, talvez, mais imporPUB

Capoulas Santos diz que Durão Barroso tem sido “muito melhor” na UE que em Portugal tante, ou seja, o investimento na infra-estrutura pública.

Sócrates tem sido violentamente atacado Na política interna, apesar das eleições legislativas terem sido há menos de um ano sente-se um certo “cheiro” de fim de ciclo. Partilha esta opinião, enquanto observador em Bruxelas da vida política nacional? Há muitos que desde o primeiro dia do governo de Sócrates preconizam esse fim de ciclo. Aliás, durante todo este período temos assistido aos ataques mais violentos que alguma vez foram feitos a um chefe de governo em Portugal. Penso que o primeiro-ministro tem demonstrado uma fibra e uma capacidade de resistência verdadeiramente

notáveis, mesmo em situações particularmente adversas. Muitos davam, por exemplo, como certo o seu fim depois dos resultados das últimas eleições europeias e o que é um facto é que José Sócrates renasceu das cinzas logo nas eleições legislativas seguintes. Eu sou dos que acredito na capacidade de resistência deste primeiro-ministro. No entanto, em democracia não há situações de eternidade e um dia o PS será rendido no governo. Só que esse dia pode não estar tão próximo como alguns desejariam.

Acha que José Sócrates tem condições para levar o mandato até ao fim?

Vamos ver, vamos ver. Isso não depende do Partido Socialista. Nesta ocasião, a continuidade ou não do governo depende dos partidos da oposição. O que é um facto é que

É o papel da oposição. Claro que é. Desde que o faça por meios legítimos, não há nada a objectar a isso. Eu próprio já fiz oposição a governos e uma oposição violenta. Mas o que penso é que a alteração que se deu em Portugal é que a oposição ao governo e as críticas ao primeiro-ministro já ultrapassaram os limites do mero combate político e transformaram-se numa campanha sistemática de alegados “casos”, em que o primeiroministro tem sido envolvido, sem nunca ter sido judicialmente acusado de nada e, como ele próprio bem diz, de “caça ao homem”.

Portugal não seria o mesmo se não estivesse na União Europeia Portugal acaba de comemorar os 25 anos de adesão a União Europeia. Na sua opinião qual é o balanço destes anos?

Portugal não seria o que é hoje se não fosse a União Europeia. Isso, parece-me, que não deixa dúvidas a ninguém. Mas entrámos na União Europeia sendo um país extremamente atrasado. E entrámos numa zona de

“Não vou fazer nada que prejudique a candidatura de Manuel Alegre” Sobre as presidenciais, o PS vai apoiar Manuel Alegre. Sabe-se que o senhor foi crítico desse apoio. Quem vai apoiar para presidente da República?

No momento próprio, ou seja, antes do Partido Socialista tomar uma decisão formal, tomei uma posição que foi contrária ao apoio ao Manuel Alegre. Essa foi a posição que tomei durante a votação na Comissão Nacional Política e que se verificou ser minoritária. Por isso, a partir desse momento não farei nada que possa prejudicar a candidatura de Manuel Alegre.

E que razões o levaram a não querer Manuel Alegre como candidato do PS?

Foram razões muito simples. Em Portugal sempre se ganharam eleições ao

centro, sejam mais de centro esquerda ou mais de centro direita. Ou há um candidato moderado do PS que consegue atrair o eleitorado de centro ou um PSD moderado que consegue atrair as classe médias que se situam à esquerda desse espectro político. Por isso, eu acho que é muito dificil ganhar qualquer eleição em Portugal fora desta base sociológica a que podemos chamar o “centro”. A candidatura de Manuel Alegre está centrada sobretudo sobre a esquerda e dificilmente um certo eleitorado de centro se reconhecerá nessa candidatura. Esta opção isso é contrastante com o momento que vivemos, em que há uma radicalização há direita por parte do CDS, e em que aparece uma liderança do PSD liberal ou ultra-liberal, com poucas preocupações sociais e em que

há um vasto eleitorado deste espaço órfão, por descontente com Cavaco Silva.

A candidatura presidencial tem lógicas próprias que escapam à mera lógica partidária.

Sim. Mas o presidente da República é eleito por esta base sociológica e o apoio partidário a uma candidatura presidencial não é algo de irrelevante. Mas, de qualquer modo, desejo o maior sucesso à candidatura de Manuel Alegre. A outra opção é bem pior.

Vai participar na campanha de Manuel Alegre ou apoiar outro candidato, por exemplo, Fernando Nobre?

Como disse, não farei nada que possa prejudicar a candidatura apoiada pelo PS.


15

livre comércio, de livre circulação de bens e de pessoas, onde a regra que impera é a da competição. É certo que tivemos alguns apoios estruturais para nos ajudar a ultrapassar os atrasos que tínhamos, avançámos muito, mas há um longo caminho a percorrer para atingir o pelotão da frente da UE.

Diz-se, às vezes, que a Europa nos pagou para destruírmos parcelas importantes da nossa economia…

Hoje em dia se se fizesse um referendo em Portugal sobre a Europa não tenho dúvidas de qual seria o resultado. Olhando para o país que temos fico impressionado com aquilo que evoluímos nestes anos. Saímos dum país rural e atrasado, para um país que se modernizou e evoluiu sobre todos os aspectos.

E isso, na sua opinião, deveu-se apenas à União Europeia?

Se não fosse a União Europeia não teríamos as infraestruturas que temos hoje, nem as cidades como as temos hoje, as escolas, os hospitais, as estradas, o saneamento… Seríamos um país como aqueles que não entraram e que tinham o nosso nível de desenvolvimento, como a generalidade dos países do leste europeu.

Há analistas que dizem que a construção europeia está parada. Partilha desta opinião? Uma coisa é a construção europeia com

(Durão Barroso) tem sido muito melhor presidente da Comissão do que primeiro-ministro e tem-se revelado muito hábil politicamente. Nas circunstâncias actuais tem sido o presidente possível e bastante melhor do que aqueles que imediatamente o precederam poucos países, predominantemente ricos e em momento de vacas gordas. Outra coisa é uma União Europeia com muitos, predominantemente pobres e em tempo de vacas magras. Os idealismos são, nestas circunstâncias, muitas vezes ultrapassados pelo realismo e pela necessidade de ultrapassar problemas concretos. Por isso, o ritmo de construção é muito variável. Para mim, essa construção, devia ir no sentido de um certo federalismo, diferente certamente do federalismo dos Estados Unidos, mas com uma lógica de maior governança no plano económico, no plano financeiro e até no plano político à escala europeia. De qualquer forma, acho que o ritmo de construção europeia vai ser mais lento do que se não tivesse havido alargamento. Mas o alargamento era também inevitável.

Durão Barroso tem sido melhor presidente do que foi primeiro-ministro

A regionalização devia ser integrada numa reforma mais vasta do sistema político Faz parte do compromisso do PS com o eleitorado avançar com a regionalização. Vai fazêlo até ao fim da legislatura? O PS tem sido sempre favorável à regionalização e o primeiroministro disse, logo a partir de 2005, que está disponível para avançar com este processo, mas que quer fazê-lo na base dum consenso com os outros partidos. Eu tenho esperança de que o PSD possa aderir a este processo para que a regionalização possa, enfim, avançar. Mas terá que haver sempre um referendo? Sim, uma vez que houve um referendo anterior. Não é obrigatório, mas tendo havido um referendo antes e tendo dado um certo resultado, ele deve ser, como aconteceu com o caso do referendo sobre o aborto, anulado por acto de igual legitimidade. Até escrevi já um pequeno artigo no REGISTO em que considerava que é nos momentos de crise que há a oportunidade para as gran-

des reformas. Po isso, acho que agora tinhamos a oportunidade de integrar a regionalização num ampla reforma do sistema político e fazê-lo a custo zero para o erário público. Acho que estes dois pressupostos são importantes, ou seja, não fazer apenas a regionalização porque criar mais cargos políticos significa aumentar a despesa e, neste contexto, é algo que ninguém conseguirá fazer passar. Daí que eu pense que o sistema político devia ser alterado com a redução do número de deputados na Assembleia da República e nas Assembleias Regionais (os Açores e a Madeira têm mais de uma centena de deputados), reduzindo o número de munícipios e reduzindo o número de freguesias e mesmo de vereadores e de deputados municipais. Deve haver uma contração da despesa, que permita a instalação das regiões, o que vai criar uma grande resistência, pelo que não estou muito optimista quanto ao avanço deste processo a curto prazo.

Como classifica a actuação de Durão Barroso como presidente da Comissão?

Tem sido muito melhor presidente da Comissão do que primeiro-ministro e tem-se revelado muito hábil politicamente. Nas circunstâncias actuais tem sido o presidente possível e bastante melhor do que aqueles que imediatamente o precederam, Prodi e Santer. Claro que não o comparo com essa grande referência que foi Jacques Delors, mas acho que nas condições difíceis em que tem vivido a Europa, Durão Barroso tem desempenhado bem o cargo. É acusado com frequência de ser brando com as grandes potências, mas sendo a correlação de forças aquilo que é, ele tem-no feito com alguma mestria.

Em termos políticos o que acha que ainda lhe falta fazer? Já tem projectos para quando sair do Parlamento Europeu? Tenho um lema de vida que é nunca fazer

projectos políticos de médio e longo prazo e esse posicionamento foi determinado por um facto que me aconteceu em 1984. Nessa altura fui convidado para ser Secretário de Estado num governo de coligação PS/ PSD. Num dia de manhã fui convidado e fui desconvidado à noite, o que me provocou uma grande decepção. Uma delegação de ilustres social-democratas eborenses, mal soube, reuniu com Rui Machete o então Vice primeiro-ministro e convenceram o primeiro-ministro de então de que eu era um perigoso comunista, indesejável para integrar a equipa de Álvaro Barreto. Ainda bem. Não teria saído certamente bem desse governo. Mas percebi que na vida política não se podem ter planos ou cálculos de carreira politica e isso tem-me sido duma grande utilidade porque, desde então, nunca mais fiz projectos políticos de longo prazo. Na política, para mim, o horizonte são as próximas 24 horas. E, apesar disso, a vida não me tem corrido mal.

Mas, apesar disso, não há lugares que ache que lhe são mais apetecíveis do que outros? Por exemplo, regressar ao governo?

Tive oportunidade de exercer cargos nos últimos dois governos e não o fiz. Mas posso confessar-lhe que a única aspiração que tenho relativamente a um cargo político e pelo qual trocaria o meu actual posto no Parlamento Europeu ou outro qualquer, seria exercer um cargo no quadro da regionalização. Na minha região, é claro.


16

15 Julho ‘10

Artes Escrita na Paisagem

Muita animação no Convento dos Remédios José Pinto de Sá

Além da “Homenagem à Judson Dance”, pelo coreógrafo norte-americano Elliot Mercer, o festival Escrita na Paisagem apresenta, esta semana, uma diversificada programação, onde se destaca o espectáculo “A Comissão”, do projecto Visões Úteis, e “Movimento Arriscado”, pela Plataforma de Jovens Criadores, bem como a inauguração de “A Dança do Existir”, uma exposição retrospectiva do trabalho de Vera Mantero. Para apresentar o espectáculo “A Comissão”, a companhia de teatro portuense Visões Úteis “veste-se de fato e gravata”, a fim de proporcionar aos espectadores uma visão “politicamente útil” dos complexos processos decisórios da sociedade

contemporânea. O espectáculo pode ser visto em Évora hoje, dia 15, em duas representações, às 18h30 e 21h30, na Sala de Reuniões do Hotel D. Fernando, com capacidade limitada a 30 pessoas por sessão. Na sexta-feira, dia 16, inaugura a exposição “A Dança do Existir”, uma retrospectiva do trabalho coreográfico de Vera Mantero. Pelas 19h00 no Convento dos Remédios, em Évora, tem lugar um encontro entre Rita Natálio (assistente de Vera Mantero) e Elliot Mercer (coreógrafo norte-americano que apresenta o seu trabalho também esta semana). Entretanto, prossegue pela segunda semana a apresentação de “Movimento Arriscado”, pela Plataforma de Jovens Criadores, um trabalho com curadoria de Daniel Moutinho

Um aspecto de “A Comissão” pela companhia portuense Visões Uteis.

e Eleanora Marzani que decorre no Espaço Celeiros e no Convento dos Remédios, em Évora. Também continuam patentes ao público as instalações “Últimas Ceias”, de Noémia Cruz, Pedro de Sousa e Marcos Ló-

pez, no Museu de Évora, e “Linhas com que me coso”, da Colecção B, no Mosteiro de Flor da Rosa, no Crato. Estes espectáculos integram-se na programação de Escrita na Paisagem, o “festival de perfor-

mance e artes da terra” cuja sétima edição está a decorrer, de 1 de Julho a 30 de Setembro, em vários municípios nacionais, incluindo Évora, Arraiolos, Sines e Viana do Alentejo.

“Homenagem à Judson Dance”

Elliot Mercer recria performances do século XX José Pinto de Sá

“Re:criar e re:actualizar peças de performance e dança experimental” do século XX é o que se propõe fazer o artista norte-americano Elliot Mercer, com Márcio Pereira e amigos, na “Homenagem à Judson Dance” que o festival Escrita na Paisagem programa, até 27 de Agosto, em vários concelhos do país. Évora (a 15 de Julho), Viana do Alentejo (a 16), Arraiolos (a 17) e Sines (a 27) são os quatro municípios alentejanos que vão acolher o trabalho do artista

PUB

californiano Elliot Mercer, integrado na programação do festival Escrita na Paisagem. Elliot Mercer define-se como “coreógrafo-arquivista e bailarino-arquivista”, e a sua pesquisa, tanto prática como teórica, concentra-se nas

possibilidades de “re:criar e re:actualizar peças de performance e dança experimental americana” produzidas durante as décadas de 1960 e 1970. Trata-se de “uma investigação sobre as possibilidades de trazer o passado para

o presente, arquivando-o nos corpos que o actuam,” tema central do seu trabalho final de mestrado na Tisch School of the Arts, que concluiu em Maio último. Até à data, este projecto tem explorado os trabalhos de artistas como Trisha Brown, Lucinda Childs ou Yoko Ono. Foi em Outubro de 2009 que Elliot Mercer começou a pesquisar e a reinventar peças de performance e dança criadas na segunda metade do século passado. Apresentadas ao ar livre, essas peças “exploram concepções alternativas” de

paisagens públicas e privadas. Ao fazê-lo, desafiam os espectadores a “questionarem a sua relação” com o espaço exterior e a “reconsiderarem a forma como escolhem interagir” com outras pessoas no mesmo meio. Embora Mercer tenha optado por se referir a essas peças como “danças”, a colecção de trabalhos de performance seleccionada para este projecto representa uma diversificada gama de artistas americanos de variadas origens, muitos dos quais não são considerados coreógrafos nem bailarinos.


17

FEIRA DO CHOCALHO 2010 Entre os dias 23 e 25 de Julho, a vila de Alcáçovas, vai ser palco da Feira do Chocalho. Espectáculos musicais e tauromáquicos, animação de rua, exposições e desporto são alguns dos ingredientes desta edição do certame que quer preservar as tradições e apostar na modernização.

PROGRAMA: 23 JULHO|SEXTA-FEIRA

24 JULHO|SÁBADO

25 JULHO|DOMINGO

20h00 - Arruada “Tocá Rufar com o Chocalho”

19h00 - Abertura dos Stands

19h00 - Abertura dos Stands

20h30 - Abertura Oficial da Feira

20h00 - Hora do Cante|Grupos da Terra (Palco das

21h00 - Banda da Sociedade União Alcaçovense

19h30 - Campeonato Nacional de Rodeo (Org. Associação Tauromáquica)

(Palco das Tradições)

Tradições) - Grupo Coral dos Trabalhadores de Alcáçovas - Grupo de Música Popular Flores do campo

22h00 - Concerto Diana Piedade “Rock On Diana”

21h00 - Corrida de Touros (Oeg. Associação Tau-

(Palco da Feira)

romáquica)

21h00 - Hora do Cante|Grupos da Terra (Palco das Tradições - Grupo Coral Feminino Paz e Unidade - Grupo Coral Feminino Cantares de Alcáçovas

23h30 - Demonstração de BTT (Org. AJAL)

23h00 - Concerto Ortigões (Palco da Feira)

22h00 - Concerto Paulo de Carvalho (Palco da Feira)

00h30 - Garraiada (Org. Associação Tauromáquica)

00h00 - Demonstração de BTT

Sáb|Dom: Animação Musical de Rua com os “Cotta Club Jazz Band”


18

15 Julho ‘10

Lazer HORÓSCOPO SEMANAL

Telefone: 21 318 25 91 E-mail: mariahelena@mariahelena.tv

Carneiro

Touro

Gémeos

Carta Dominante: Ás de Paus, que significa Energia, Iniciativa. Amor: Seja mais moderado na sua teimosia em relação aos seus familiares. Reúna a sua família com o propósito de falarem sobre os problemas que vos preocupam. Saúde: Estará em plena forma física. Dinheiro: Não baixe os braços enquanto não resolver todos os problemas. Número da Sorte: 23 Dia mais favorável: Quinta-feira

Carta Dominante: 3 de Ouros, que significa Poder. Amor: Seja franco e claro com a sua cara-metade. Aprenda a aceitar-se na sua globalidade, afinal você não tem que ser um Super-Homem! Saúde: Uma ida ao médico poderá ser-lhe muito útil. Dinheiro: Antes de investir, procure o conselho de um especialista. Número da Sorte: 67 Dia mais favorável: Sexta-feira

Carta Dominante: 4 de Copas, que significa Desgosto. Amor: Organize uma partida de bowling para reunir os amigos. Não perca o contacto com as coisas mais simples da vida. Saúde: A rotina poderá levá-lo a estados de tristeza, combata-a! Dinheiro: Não se precipite nos gastos. Número da Sorte: 40 Dia mais favorável: Sábado

Horóscopo Diário Ligue já!

760 30 10 11

Horóscopo Diário Ligue já!

760 30 10 12

Horóscopo Diário Ligue já!

760 30 10 13

Caranguejo

Leão

Virgem

Carta Dominante: 6 de Ouros, que significa Generosidade. Amor: Esqueça um pouco o trabalho e dê mais atenção à sua família. A felicidade é de tal forma importante que deve esforçar-se ao máximo para a alcançar. Saúde: Poderá andar muito tenso. Dinheiro: Período positivo e atractivo, haverá uma subida do seu rendimento mensal. Número da Sorte: 70 Dia mais favorável: Quinta-feira

Carta Dominante: O Sol, que significa Glória, Honra. Amor: Tente ter uma vida social mais activa. Que tudo o que é belo seja atraído para junto de si! Saúde: Cuidado com a coluna, não faça grandes esforços. Dinheiro: Procure demonstrar mais interesse pelo seu trabalho, e poderá ser recompensado. Número da Sorte: 19 Dia mais favorável: Terça-feira

Carta Dominante: 9 de Paus, que significa Força na Adversidade. Amor: Os ciúmes não levam a lado nenhum, tenha confiança na pessoa que tem a seu lado. Que o Amor e a Felicidade sejam uma constante na sua vida! Saúde: Cuidado, não coma muitos doces. Dinheiro: Momento propício para um investimento mais sério. Número da Sorte: 31 Dia mais favorável: Quarta-feira

Horóscopo Diário Ligue já!

760 30 10 14

Horóscopo Diário Ligue já!

760 30 10 15

Horóscopo Diário Ligue já!

760 30 10 16

Balança

Escorpião

Sagitário

Carta Dominante: Cavaleiro de Ouros, que significa Pessoa Útil, Maturidade. Amor: Uma nova amizade ou relação mais séria poderá começar agora. Aprenda a cultivar o amor na sua vida! Saúde: A instabilidade emocional poderá causar alguns desequilíbrios físicos. Dinheiro: A vida profissional está em alta. Número da Sorte: 76 Dia mais favorável: Segunda-feira

Carta Dominante: 5 de Copas, que significa Derrota. Amor: Procure ser sincero nas suas promessas se quer que a pessoa que tem a seu lado confie em si. Avalie as pessoas pelas suas acções e não pela sua aparência! Saúde: Liberte-se do stress acumulado e a sua saúde irá melhorar. Dinheiro: Excelente período para tratar de assuntos a nível profissional. Número da Sorte: 41 Dia mais favorável: Terça-feira

Carta Dominante: 3 de Espadas, que significa Amizade, Equilíbrio. Amor: Procure ser mais extrovertido, só tem a ganhar com isso. Olhe tudo com amor, assim a vida será uma festa! Saúde: Possíveis dores nas articulações. Dinheiro: Esta é uma óptima altura para reduzir os seus gastos. Número da Sorte: 53 Dia mais favorável: Sexta-feira

Horóscopo Diário Ligue já!

760 30 10 17

Horóscopo Diário Ligue já!

760 30 10 18

Horóscopo Diário Ligue já!

760 30 10 19

Capricórnio

Aquário

Peixes

Carta Dominante: 8 de Copas, que significa Concretização, Felicidade. Amor: Poderá viver momentos escaldantes com a pessoa que ama. Exercitar a arte de ser feliz é muito divertido! Saúde: Não coma demasiados doces. Dinheiro: Não gaste além das suas possibilidades. Número da Sorte: 44 Dia mais favorável: Sábado

Carta Dominante: 6 de Espadas, que significa Viagem Inesperada. Amor: As relações com as pessoas que ama não serão as melhores. Que a compreensão viva no seu coração! Saúde: Sempre que for possível, dê grandes passeios. Dinheiro: Poderá receber uma nova proposta de emprego. Número da Sorte: 56 Dia mais favorável: Quarta-feira

Carta Dominante: a Justiça, que significa Justiça. Amor: Partilhe com a sua família as suas ideias e peça-lhes alguns conselhos, verá que não se arrependerá. Que a verdadeira sabedoria reine no seu coração! Saúde: O seu organismo vai ser o espelho do seu estado de espírito, por isso procure ser mais optimista. Dinheiro: Tendência para gastar desenfreadamente. Número da Sorte: 8 Dia mais favorável: Segunda-feira

Horóscopo Diário Ligue já!

760 30 10 20

Horóscopo Diário Ligue já!

760 30 10 21

Horóscopo Diário Ligue já!

760 30 10 22

livros

FIlme desta semana

Poemas Portugueses Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI

Golpe de Artistas

Autor_ Jorge Reis-Sá e Rui Lage

Realização_ Peter Hewitt Sinopse:

Sinopse:

“Esta é a primeira antologia panorâmica que abarca a poesia portuguesa desde os seus alvores, na transição do século XII para o século XIII, cerca de seis décadas após o nascimento do Reino de Portugal, até ao presente, entendendo-se por presente o ano de 2008, data dos poemas mais recentes aqui recolhidos. Em consequência desta novidade, surge uma outra: a de ser esta a primeira vez que todo o arco temporal do século XX é objecto de um projecto antológico não exclusivo, isto é, nem temático, nem tendencioso. Por outras palavras, esta antologia, passe a redundância, começa no começo, e termina na actualidade. O que significa que, pela primeira vez, os leitores de poesia podem eles próprios, a partir de um único livro, produzir uma apreciação quer sobre a poesia escrita na totalidade do século XX, quer sobre as poéticas do século XX em confronto e diálogo entre si e com os diversos momentos da tradição poética portuguesa ao longo de oito séculos (mais em diálogo do que em confronto, assim cremos). Ou simplesmente fruir dos milhares de poemas aqui compilados, saltando de uns séculos para os outros, começando pelo princípio, pelo meio ou pelo fim, organizando um número indefinido de antologias pessoais.

Roger, Charles e George estão de tal forma apanhados pelo específico “objet d’art” que o fascinam que, apesar de serem colegas de trabalho há décadas, só se encontram pela primeira vez quando a crise estala: há um novo curador na cidade e o seu plano é mudar por completo a colecção do museu, ameaçando roubar a cada um destes três homens a grande paixão secreta das suas vidas. No entanto, tendo encontrado as suas almas-gémeas, Roger, Charles e George engendram um plano para deitar a mão às obras de arte que tanto acarinham. Tudo menos mentes criminosas, os seus corações apaixonados le-

Resolva as palavras cruzadas 2 7

4 5

Sinopse:

Eça de Queirós retratou como ninguém a sociedade e a psicologia dos p or t ugue s e s , num estilo irónico e humorístico único, presente nos seus romances, crónicas e correspondência. Mais radical nos seus primeiros escritos, mais conservador nos últimos, em todos grassa uma actualidade e uma acutilância que continuam a surpreender passados mais de cem anos sobre a sua morte. A visão e crítica de Eça de Queirós sobre os costumes em geral, e os portugueses em particular, continua surpreendentemente válida nos dias de hoje, provando que a evolução é pouco mais que um conjunto de progressos técnicos, e que as características do povo português, em todos os aspectos da sociedade, se mantêm praticamente iguais.

10

8

1

6

9

Citações e Pensamentos de Eça de Queirós Autor_ Paulo Neves da Silva

vam-nos no entanto a planear e executar o mais arriscado roubo de arte jamais concebido – com resultados inesperados...

3

1. Segundo planeta a contar do sol 2. Acto ou efeito de escavar 3. Contingente 4. Capital de Portugal 5. 200 (rom) 6. “Sim” no dialecto provençal 7. Embaraço, comprometimento 8. Sem lesão 9. Reboque 10. Samário (s.q.).

SUDOKU 5 7

8 9

9

6

1

4

4 8

7 6

5

1

3

5

3 2

1 4

9

2 6

Nota: O objectivo do jogo é completar os espaços em branco com algarismos de 1 a 9, de modo que cada número apareça apenas uma vez na linha, grade e coluna.


19

Teatro Um espectáculo “integral”

Cendrev brinca com o “desconcerto do mundo” José Pinto de Sá

“Se o mundo fosse bom, o dono morava nele” é o sugestivo título do espectáculo de rua que o Cendrev está a apresentar no Largo de S. Mamede, fundindo teatro, marionetas, música e até pirotecnia. Nem a frescura da noite afastou o animado público que acorreu na terça-feira ao Largo de S. Mamede para assistir à estreia de “Se o mundo fosse bom, o dono morava nele”. O entusiasmo justifica-se. Trata-se de um “espectáculo integral”, que funde o trabalho de marionetistas, actores e músicos e que, “subvertendo as unidades de tempo, lugar e acção”, deixa soltar a imaginação do público. PUB

O espectáculo de rua é construído a partir de textos de Gil Vicente e dos dramaturgos brasileiros Ariano Suassuna e Januário de Oliveira. Mais conhecido por Mestre Jinú, Januário de Oliveira é considerado um dos maiores artistas de mamulengos, fantoches típicos do Nordeste brasileiro, e é da sua autoria o diálogo de bonecos que abre o espectáculo. Quanto a Suassuna, é um dos grandes nomes da literatura brasileira do século XX, autor de peças que já são clássicos do teatro em português, como o “Auto da Compadecida”, onde o Cendrev foi buscar um divertido extracto para esta montagem.

Um espectáculo de rua que solta a imaginação do público.

De Gil Vicente usaram o bem conhecido texto “Todo o Mundo e Ninguém”, que, apoiado pela pirotecnia, se enquadra a primor numa dramaturgia que “mergulha no universo popu-

lar para falar do desconcerto do mundo”. A encenação é assinada por José Russo e por Maria Marrafa, que se estreia no trabalho de direcção, depois de se afir-

mar como uma dos rostos mais recorrentes nos recentes elencos do Cendrev. A cenografia, integrando elementos móveis com adequada funcionalidade, é de Inês de Carvalho, e a música de André Penas, que compõe, toca violino e se “atreve” a uma pontinha de diálogo. O elenco é formado por três veteranos da companhia eborense, Ana Meira, José Russo e Álvaro Corte Real, que também mostra “unhas” para tocar guitarra. O espectáculo tem lugar de terça-feira a sábado, às 22h00, no Largo de S. Mamede, um espaço em boa hora integrado no roteiro da animação das noites de Verão.


20 15 Julho ‘10 Para divulgar as suas actividades no roteiro Email geral@registo.com.pt

Roteiro

Arronches terra com passado, presente e futuro, terra de planícies, serras de encantar, sol dourado, Arronches é agricultura, é história. Orgulhamo-nos da nossa terra, da nossa cultura, das nossas gentes. Desafiamos todos os visitantes a provar a nossa ­gastronomia, tomar nota das actividades económicas ­existentes no concelho, e descontrair enquanto assistem às actividades culturais que preparámos para quem nos decida visitar. Uma palavra amiga a todos os munícipes, contamos com a Vossa presença, queremos que sintam esta feira como Vossa. Acima de tudo queremos que desfrutem da I Feira das Actividades Económicas, evento que foi pensado para todos, desde os mais novos, até aos que tem uma vivência mais longa. A Presidente da Câmara Fermelinda Carvalho

MUSICA Viana do alentejo

PORTEL

PORTEL

III Estágio de Orquestra de Sopro Vila de Portel | 17-07-2010 a 24-07-2010

Os JARDINS DOS CAMINHOS QUE SE DIVIDEM - O PODER DO CENTRO | 09-07-2010 a 08-08-2010

O Grupo Coral e Etnográfico de Viana do Alentejo organiza dia 17 de Julho, o XXXII Encontro de Grupos Corais, no Cine-teatro Vianense.

PROGRAMA 17h00| Encontro dos grupos no Largo 25 de Abril 17h30| Desfile dos grupos até ao Cine-teatro 18h00| actuação dos grupos no Cine-teatro GRUPOS Grupo C. “Pastores do Alentejo” de Torre de Coelheiros Grupo Coral Feminino “As Madrugadeiras” de Alvito Grupo Coral “Trabalhadores de Montoito” Grupo Coral e Etnográfico de Viana do Alentejo Grupo Instrumental de Montoito

Viana do Alentejo FESTIVAL ESCRITA NA PAISAGEM | 16/07/2010 a 25/07/2010

No âmbito do Festival Escrita na Paisagem 2010 realizam-se em Viana do Alentejo dois espectáculos de performance/dança e música.

Exposição de Teresa Dias Coelho, patente ao público de 09 de Julho a 08 de Agosto, na Capela de Santo António

Pelo 3º ano consecutivo a Câmara Municipal de Portel promove o Estágio para jovens músicos, integrado no Programa Portel + Jovem

OUTROS PALCOS Évora Filho da Mãe | 17 de Julho | No Terraço da SHE | 22h

A participação em produções, sempre de cariz alternativo, como if lucy fell, i had plans e recentemente numa curta chamada asneira, levaram-no ao cinema de autor com que estreou filho da mãe.

EXPOSIÇÃO

TEATRO

Estremoz

ÉVORA

De Domingo 18 de Julho de 2010 | 10:00 a Quinta-Feira 12 de Agosto de 2010 | 17:30 | MUSEU MUNICIPAL PROF. JOAQUIM VERMELHO | “Representações falsas de coisas familiares”, de Lúcia David

Se o mundo fosse bom, o dono morava nele | Estreia dia 13 de Julho | Em cena até dia 31 de Julho | Terça a Sábado, às 22h00 | Largo de S. Mamede, em Évora

Exposição onde a objectos de cariz utilitário do nosso quotidiano, é dado um novo olhar, numa mostra a que ninguém fi cará indiferente. As memórias de infância da artista, são também utilizadas de forma a nos fazer (rev)iver o seu passado, empregando sempre materiais e matérias que nos são familiares.

Mora Noite de Stand-Up Comedy com Hugo Sousa | 22-07-2010 | 22h

Quem é ele? Hugo Sousa ficou conhecido com o “Levanta-te e Ri” da SIC no qual participou mais de trinta vezes e desde aí nunca mais parou de fazer comédia. Participou em diversos programas de televisão, rádio e campanhas publicitárias a par dos espectáculos de stand-up comedy que faz por todo o país. Neste momento tem um programa de semanal de humor no Porto Canal, de seu nome “Bolhão Rouge”.


21

Artes Fotojornalismo

Expostos trabalhos vencedores do prémio Estação Imagem/Mora José Pinto de Sá

As reportagens vencedoras do prémio Estação Imagem/Mora podem ser apreciadas no Pavilhão Municipal daquela vila, numa exposição que reúne os talentos de alguns dos maiores fotojornalistas portugueses da actualidade. “Mesmo em tempos de crise, em Mora não se corta na Cultura, como acontece noutros casos,” afirmou o vereador da edilidade morense, José Pinto. “Investimos na Economia e no tecido social com o mesmo empenho com

que investimos na Cultura,” disse o eleito, falando na inauguração da exposição das reportagens vencedoras do prémio de fotojornalismo Estação Imagem / Mora. A inauguração teve lugar na tarde de sábado, dia 10, no Pavilhão Municipal de Mora, e foi ocasião do lançamento do catálogo do Prémio. A mostra reúne os trabalhos do 1º Prémio, Paulo Pimenta, e dos restantes galardoados nas diversas categorias a concurso: Ricardo Meireles, Nélson Garrido, João Carvalho Pina, Nacho Doce, Nelson d’Aires, Guillaume Pa-

zat, Gonçalo Rosa da Silva, Nuno Ferreira e Jorge Monteiro. A esta primeira edição do prémio Es-

tação Imagem/Mora concorreram 191 fotógrafos profissionais, com mais de 600 reportagens.

Dança

Retrospectiva para o futuro José Pinto de Sá

“Um olhar sobre o passado para perspectivar o futuro” é como o coreógrafo e realizador Luís Damas define o espectáculo video “Retrospectiva Dança”, que apresenta ao público eborense em dois programas, nos dias 16 e 17. “Retrospectiva” incide sobre escolhas de alguns momentos coreográficos e videográficos marcantes do percurso de Luís Damas. Estes programas incluem dois “videosdança” – “Saudade”, de 1990, e “Delírio”, de 1996, pioneiros no panorama do género em Portugal. Também são apresentadas as coreografias “Mamma Morta”, “Espírito da Terra” e “Invocação”, trilogia sobre o planeta Terra. Por último, os Duetos Transpa-

A coreografia “Mamma Morta”, integrada numa trilogia sobre o planeta Terra.

rência I e IV, mais recentes, de 2006, e com poesia de Alberto Caeiro, têm música de Chopin e assinalam o bicente-

nário do nascimento do compositor. Nascido em 1961, Luís Damas foi durante duas décadas 1º bailarino do Ballet

A propósito de dança Aplausos entusiásticos premiaram o esforço das alunas da Escola de Dança Amélia Mendoza, que, no fim-de-semana passado apresentaram ao público eborense o fruto de um ano de trabalho, num espectáculo intitulado “A Propósito de Mulheres”. A primeira parte do espectáculo foi preenchida pelo

bailado clássico “Regresso a casa”, enquanto a segunda, em registo “neo-clássico”, evocou um conjunto de mulheres que “modificaram o estatuto feminino”, incluindo a mística Santa Teresa de Ávila, a pintora Josefa de Óbidos, a cantora lírica Luísa Todi e a bailarina Isadora Duncan. Amélia Mendoza começou a ensinar Dança em Évora há 32

anos e, de então para cá, a sua escola já abriu seis pólos no Alentejo, orientados por discípulas suas. “A Propósito de Mulheres” subiu ao palco do Teatro Garcia de Resende na sexta-feira e no sábado para três espectáculos, dois deles reservados a convidados das alunas. J.P.S.

Gulbenkian. Aos 23 anos, começou a desenvolver o trabalho de coreógrafo com regularidade, e em 1990 iniciou-se como “videoartista”, áreas em que foi distinguido com importantes prémios. Realizou relevante trabalho de coreografia em companhias como o Dutch National Ballet e o Ballet Gulbenkian, e tem sido convidado para coordenar workshops e apresentar o seu trabalho de coreógrafo e videasta em países como França, Grécia, Cazaquistão, Rússia e Angola. Para este “espectáculo de grande qualidade” que terá lugar nos dias 16 e 17, pelas 21h30 no Teatro Garcia de Resende, a Companhia Luís Damas desloca-se a Évora sem cobrar cachet, apenas auferindo da bilheteira que realizar.


22 15 Julho ‘10 Anuncie no seu jornal REGISTO Telf: 266751179 Telm: 967395369

SEMANÁRIO

Mail: maria@registo.com.pt

VIVAFIT - ÉVORA Venha visitar-nos e conhecer um novo conceito de bem estar no feminino. Temos uma oferta à sua espera...

Apareça ou telefone 266781377/961324850

Animação Infantil

Organização de Festas

Decoração do Espaço e Prendinhas Temos Espaço Próprio e deslocamo-nos a Espaços a combinar Baptizados Aniversário s Casamentos Outros Eventos Entretenimento: Música; Grupos de Dança; Palhaços; Pintura Facial; Contador de Histórias; Expressão Dramática; Sessão Fotográfica; Modelação de Balões; Teatro de Fantoches; Insufláveis. Contactos: 266732533 967626057 E- mail sugestaoetemas@portugalmail.pt

VENDE-SE

Carvão de Azinho Calendarização: 21 de Junho a 3 de Setembro em ÉVORA Actividades: Natação; Expressão Plástica; Informática; Bricolage; Experiências; Visitas a Exposições e Museus; Peddy Paper; Actividades na Natureza; Jogos Contactos: 266732533; 967626057; 966748417 Inscreve-te, vai ser divertido!

COMPRA-SE

Lenha de abate e limpeza Contactar - 933 409 617

RELEVANCE COSMÉTICOS ( NOVO EM PORTUGAL) Procuramos vendedores/as ( venda directa) para Todo o País Baixo investimento e grande oportunidade de vencer a crise, ganho até 60.000€ mês .... Por que espera?

Mais informações web: www.relevancesucess.no.comunidades.net Mail: sucessorelevance@gmail.com

Ficha Técnica SEMANÁRIO Director Nuno Pitti (nuno.pitti@registo.com.pt) Propriedade Nothing Else-.meios&comunicação; Contribuinte 508 561 086 Sede Travessa Ana da Silva, n.º6 -7000.674 - 266 751 179 fax 266 730847 Administração Silvino Alhinho; Joaquim Simões; Nuno Pitti Departamento Comercial Maria João (maria@ registo.com.pt) Redacção Carlos Júlio; José Pinto Sá (jose@registo.com.pt); Paulo Nobre Paginação Arte&Design Margarida Oliveira (margarida@registo.com.pt); Cartoonista Pedro Henriques (pedro.henriques@registo.com.pt); Fotografia Luís Pardal (luis. pardal@registo.com.pt) Colaboradores Carlos Moura; Capoulas Santos; Sónia Ramos Ferro; Carlos Sezões; Margarida Pedrosa; António Costa da Silva; Marcelo Nuno Pereira; Eduardo Luciano; José Filipe Rodrigues; Luís Martins Impressão Funchalense – Empresa Gráfica S.A. | www.funchalense.pt | Rua da Capela da Nossa Senhora da Conceição, nº 50 - Morelena | 2715-029 Pêro Pinheiro – Portugal | Telfs. +351 219 677 450 | Fax +351 219 677 459 ERC.ICS 125430 Tiragem 10.000 ex Distribuição Nacional Periodicidade Semanal/Quinta-Feira Nº.Depósito Legal 291523/09 Distribuição Transportes Conchinha (conchinharui@gmail.com)


23

Desporto Malha e natação em Avis

Futebol na época das contratações

Equipas reforçam-se Anibal Fernandes

Eléctrico de Ponte de Sor vai ter 23 no plantel

Até ao fecho da edição, o Eléctrico, de Ponte de Sor, já tinha assegurado 16 jogadores para o plantel que Emanuel Baleizão pretende que seja de 23 elementos. Passarinho, Telmo, Carlos Santos, Hugo Lopes, André Galacho, Mauro, Rui Gomes e João Pedro (ainda a negociar) são os que renovaram; de regresso à casa-mãe estão Miguel Fernandes (ex-Gavionenses) e Mário Leitão (ex-Fronteirense), dois jovens da «cantera» do clube; Bruno Matos (ex-Monsanto), Rui Costa (ex-União da Serra) e Nabor (ex-Fronteirense) são os reforços para a época de 2010/2011 a quem se juntarão os ex-juniores Leandro, Dário e Miguel que sobem à equipa principal. O plantel iniciará a época a 23 de

Julho, e o primeiro jogo de preparação será dia 31, em Ponte de Sor, tendo como adversário o Sporting da Covilhã, uma turma da Liga de Honra.

Atlético de Reguengos contrata Luís Aurélio

O médio internacional sub-21 Luís Aurélio, ex-Moreirense, firmou contrato com o Atlético de Reguengos para a época de 2010/2011. Luís é natural de Beja e é irmão de João Aurélio, internacional sub-23 e uma das revelações da Liga Sagres e da Liga Europa ao serviço do Nacional da Madeira. Começaram ambos a jogar nas camadas jovens do Despertar, tendo Luís, em sénior,

alinhado em 2006 no Castrense, saltando no ano seguinte para o União Desportiva de Santana, da Ilha da Madeira (II Divisão Nacional). As suas qualidades como número 10 – boa técnica, qualidade de passe e tacticamente evoluído – levaram-no em 2009 a Moreira de Cónegos onde contribuiu para a subida do Moreirense à Liga de Honra. O primeiro jogo de preparação do Atlético, vai acontecer dia 7 de Agosto, em Ponte Sor, e a apresentação aos sócios ocorrerá a 11 numa partida, em Reguengos, com o União Sport, de Montemor-o-Novo.

Angolano Wilson Juventude

reforça

Wilson Gonçalves, 26 anos, avançado, ex-Eléctrico de Ponte de Sor, foi a mais recente contratação do Juventude de Évora para a época de 2010/11, mas segundo o mister Miguel Ângelo, em declarações ao «Registo», «ainda poderá chegar mais um reforço» para o plantel que será apresentado no próximo dia 2 de Agosto. Wilson é natural de Angola e tem no seu currículo passagens pelo Montijo, Alcochetense e Pescadores da Costa de Caparica.Está também definida a lista de jogos de preparação dos azul-brancos alentejanos: a 7 de Agosto defrontam os juniores do Vitória de Setúbal; a 11, jogam na Cova da Piedade; a 18, recebem o União de Montemor e a 21 voltam a enfrentar o Cova da Piedade, mas em Évora; a 25, deslocam-se a Vendas Novas; e por último, a 28 de Agosto recebem em casa o Vasco da Gama de Sines. A 5 de Setembro começa a época oficial com a primeira eliminatória da Taça de Portugal e a 12 realiza-se a primeira jornada do Nacional da II divisão.

Dando cumprimento ao calendário do “Viva o Desporto” – Jogos Concelhios | Avis 2010, disputam-se, durante o próximo fim-de-semana provas de duas modalidades: malha e natação. No dia 17, sábado, a partir das 10h00, o Campo de Futebol de Valongo vai ser local de disputa de mais uma das oito etapas do Campeonato Concelhio de Malha. A prova, integrada no programa das Festas em Honra de S. Saturnino, é organizada pela Freguesia de Valongo, com o apoio do Município de Avis. A mesma modalidade tradicional volta à competição no dia 24, desta feita na Freguesia de Benavila. A partir das 10h00, o Recinto de Festas recebe esta iniciativa da Sociedade Recreativa Benavilense, que conta com o apoio do Município de Avis. No dia 18, domingo, a partir das 15h00, a Albufeira do Maranhão desafia os mais audazes para uma prova de natação em águas abertas, junto ao Complexo do Clube Náutico, em Avis. Aos mergulhos refrescantes em lazer junta-se, assim, o desporto, fazendo do Complexo do Clube Náutico um espaço de presença obrigatória para quem queira integrar esta grande festa do desporto concelhio ou apenas desfrutar de um dos locais mais emblemáticos da região.

PUB

Assistência Técnica | Máquinas de cápsulas | Máquinas de venda automática bebidas frias | bebidas quentes | snacks

Alentejo

Tlm. 962 689 434

Email: v.marques@netvisão.pt


24 15 Julho ‘10

Sede Travessa Ana da Silva, n.º6 -7000.674 Tel. 266 751 179 Fax 266 730 847 Email geral@registo.com.pt

SEMANÁRIO

Margarida Morgado homenageada Margarida Morgado é uma intelectual de Évora. Tem 78 anos e uma vida feita de muitos percursos. Escritora, poeta, editou já dois livros de poemas: “Coisas Que Terei Pudor de Contar Seja A Quem For” e “Água Pródiga”, que estão esgotados. No sábado foi homenageada por um grupo de amigos no Bibliocafé Intensidez, numa sessão gravada na íntegra e de que irá resultar um CD. Durante esta homenagem, em jeito de tertúlia, várias dezenas de amigos leram poemas da Margarida Morgado, enquanto esta leu poemas de outros autores, alguns deles também de Évora ou seus amigos. Foi uma sessão que durante até de madrugada, também com muita música, a que não faltaram as memórias da Margarida Morgado, ex-aluna das Doroteias, que contou histórias desse tempo, tendo mesmo entoado o hino do Colégio. Da homenagem resultou também a convicção de que é urgente que alguma editora tome em mãos o espólio da Margarida e que edite um terceiro volume de uma obra extensa, variada e que enaltece Évora, o Alentejo e a mulher alentejana.

PUB

Críticos dizem que o processo “ainda não está encerrado” Nesta Edição

3// Festival Paralelo cancelado 6// Electrificação na Serra de Serpa

16// Escrita na Paisagem no Convento dos Remédios

15´ Julho 10

Museu do Artesanato e do Design: decisões adiadas Carlos Júlio

A Câmara Municipal de Évora preparava-se para apreciar, na reunião semanal, o novo protocolo tripartido, entre a autarquia, a Turismo do Alentejo e o coleccionador Paulo Parra para a criação do Museu do Artesanato e do Design (é este o nome definitivo). À última da hora, por proposta da CDU, seguida pelos restantes partidos, a discussão ficou adiada. A votação do protocolo tripartido fica agendado para a próxima reunião da Câmara de Évora, que apenas se apronunciará após a Assembleia Geral da Entidade Regional de Turismo do Alentejo, a realizar esta quinta-feira, onde será também discutido e aprovado o protocolo definitivo. A novidade que parece existir é o facto da directora regional de Cultura do Alentejo, Aurora Carapinha se ter mostrado contra esta solução, segundo foi revelado numa reunião da Comissão Municipal de Arte, Arqueologia e Defesa do Património, realizada terça-feira, reunião esta que é objecto de uma crónica de opinião de Andrade Santos nesta edição do REGISTO (pág.8). Andrade Santos, que foi durante anos presidente da Região de Turismo de

Évora e o responsável pelo Museu do Artesanato, considera que “este é um processo que ainda não está encerrado”. Ao REGISTO o presidente da Turismo do Alentejo, Ceia da Silva garantiu que “está completamente posta de parte a possibilidade da colecção de artesanato” deixar aquele espaço e que as duas colecções – artesanato e design – vão coexistir no antigo Centro de Artes Tradicionais. Ceia da Silva anunciou também para breve uma conferência de imprensa para clarificar toda esta questão. Segundo o presidente da Turismo do Alentejo, só se justifica a apresentação pública do projecto “depois da sua aprovação pelas entidades envolvidas”, o que está agora a acontecer. Este tem sido um assunto muito polémico na cidade de Évora, depois de ter sido revelado que a Câmara e a Turismo do Alentejo pretendiam instalar no Centro de Artes Tradicio-

nais (que é propriedade e é gerido pelo Turismo do Alentejo), onde funciona o Museu do Artesanato, a colecção de Design Paulo Parra. A CDU votou na Câmara contra um projecto inicial de protocolo, por considerar que a autarquia iria ficar com o grosso das despesas e por temer que a instalação da colecção de Design levasse ao fim do Museu do Artesanato. Também Tiago Cabeça, um artesão de Évora, lançou um abaixo assinado contra o fim do Museu do Artesanato, que recolheu algumas centenas de assinaturas. Em declarações, à agência LUSA, a vereadora da Cultura da Câmara de Évora, Cláudia Pereira, garantia mesmo que o novo espaço museológico iria abrir durante este mês de Julho. Tanto a Câmara Municipal, através do seu presidente, José Ernesto Oliveira, como a Turismo do Alentejo, através de Ceia da Silva, sempre garantiram, seja ao REGISTO, seja a outros órgãos de comunicação social que a instalação da colecção de Design no Museu do Artesanato, ao contrário do que, por vezes, foi afirmado, em vez de acabar com a colecção de artesanato, vai sim “darlhe mais visibilidade”, tornando o Museu um espaço também mais visitado pelos turistas.


Registo ED114