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SEMANÁRIO

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Director Nuno Pitti | 24 de junho de 2010 | ed. 111 | 0.50 euros Alentejo Fernando Nobre em Évora

Évora

Toiros

Lavre

Escrita na Paisagem

60 anos da ganadaria Morteira Grave

Lembranças de Saramago

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José Ernesto Oliveira ao REGISTO

Qual o problema de recorrermos a um contrato de saneamento? O presidente da Câmara Municipal de Évora considera que a situação financeira da autarquia não tem a gravidade que o PCP e alguma parte do PSD querem fazer crer, embora traduza uma situação difícil, uma situação conjunturalmente muito delicada, mas que não é nem uma situação de pré-ruptura, nem um situação de Câmara paralisada, nem uma situa-

ção de catástrofe iminente. José Ernesto de Oliveira diz que a situação está controlada, mas não põe completamente de parte a necessidade de recorrer a um contrato de saneamento financeiro com o Estado. Nesta grande entrevista ao semanário REGISTO, o autarca acusa o PCP de tentar denegrir a actuação da Câmara e promete, no final do mandato de-

Nossa Senhora de Machede

ixar concluídas obras como o Salão Central, a 1ª fase do Complexo Desportivo, a Circular Nascente e a Escola dos Canaviais. Quanto às dívidas aos agentes culturais e desportivos, no valor de 500 mil euros, diz que lhes vai pagar, nem que para isso tenha que empenhar a casa e pagar do seu bolso.

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Até 4 de Julho

Delegada do IEFP

“Uma freguesia com rumo” - diz presidente da junta

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Feira de São João em Évora

“Acredito que já estamos a sair da crise” 3

PORTUGAL / BRASIL

Sexta-feira às 15h o Alentejo vai parar PUB

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O ecrã gigante que tem permitido aos eborenses acompanhar “ao vivo” os jogos de Portugal no Mundial da África do Sul, sai da Arena e passa, durante a Feira de São João, para a Horta das Laranjeiras. É lá que estará instalado o “estádio” para o apoio a Portugal no jogo desta sexta-feira frente ao Brasil. 7


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A abrir Crónica Editorial Carlos Júlio

A entrevista que o REGISTO publica, nesta edição, com o presidente da Câmara Municipal de Évora é um documento duplamente importante. Raramente, na comunicação social regional, um presidente de Câmara aceita falar de todos os temas que estão em cima da mesa tão abertamente como o faz José Ernesto de Oliveira neste número do REGISTO. Mas é uma entrevista importante também pelo que deixa perceber: o presidente da Câmara Municipal de Évora, apesar de estar na liderança da Câmara há nove anos, de há 19 anos ter rompido com o PCP, de ser um médico e um político respeitado, assume-se como alguém profundamente magoado pelas críticas que lhe são dirigidas e que o próprio diz serem, em muitos casos, calúnias, mentiras e boatos lançados por uma central de contra-informação. São acusações graves, que ultrapassam o necessário e imprescindível debate político, e que fazem com que, em Évora, a discussão de temas relevantes para a coisa pública raramente saiam dos pequenos grupos e das pequenas rodas de amigos e que, muitos que gostariam de participar na vida pública, não o façam porque não aceitam sujar-se na lama da maledicência generalizada. Quando o debate público ultrapassa os patamares mínimos do respeito pelo outro, e da apresentação clara de propostas políticas se passa para a insinuação, a calúnia ou a tentativa de destruição do carácter do adversário, é porque algo está mal no fluir democrático dessa comunidade.

Este é um lado da questão. Mas há também outros lados da questão. A vida política e pública nunca foi branda. O combate político, por vezes é duro, e muito do que se diz, se fala e se escreve existe apenas e só nesse plano: no plano político, sem qualquer relacionamento com o individuo ou com a pessoa em questão. Tentar confundir esse plano político com o plano pessoal, muitas vezes não passa senão de uma cartada demagógica para influenciar o jogo político. Se o chamado assassínio de carácter é condenável, condenável é também a vitimização constante de que muitos fazem gala, vendo em tudo campanhas negras, caixas de ressonância, críticas pessoais, ou sei lá o quê. Mais ainda: muitas vezes, na oposição, alguns políticos usam todos os argumentos que podem, usam todas as palavras que conhecem, qual delas a mais dura, mas, depois, quando estão no poder arvoram-se quase como sendo a personificação da pureza mais virginal. Quando se diz que um político não cumpriu as suas promessas poucos hesitarão nos nomes que se lhe podem atribuir, sejam quais as causas para esse não cumprimento de promessas. Mas significará isso que se está a atingir o homem, enquanto tal, na sua essência de ser humano? São temas relevantes, entre muitos outros, que esta entrevista traz à luz do dia. Temas tão importantes como as obras que aí estão ou a situação financeira difícil que o município atravessa. São temas que põem em relevo coisas de tanta importância como a dicotomia entre público e privado, entre esfera política e esfera intima, entre critica e calúnia, entre participação e acomodamento, entre escrutinadores e escrutinados, entre eleitos e eleitores, entre poder e oposição. Deste debate também, e sobretudo, se faz a democracia.

Cartas ao Director António Marques

Saramago e Olivença José Saramago, escreveu em “Viajem a Portugal” que “o viajante sempre ouviu dizer que Olivença nos foi abusivamente arrebatada…”. De facto, o domínio exercido por Espanha sobre Olivença é exemplo gritante dos equívocos e preconceitos que ocorrem no relacionamento Portugal/Espanha e demonstra a dificuldade que as duas Nações,

“Ensaio sobre a ausência de Cavaco”.

Pedro Henriques Cartoonista www.egoisthedonism.wordpress.com

apesar de vizinhas e amigas - ou talvez por isso mesmo - , têm em encarar as suas diferenças e, como é o caso da cidade raiana, os seus dissídios. Lembremos que Olivença, terra entranhadamente portuguesa desde sempre, foi participante maior na formação e consolidação do Reino de Portugal e no florescimento da sua cultura, actora nas glórias e misérias dos Descobrimentos, na tragédia de Alcácer-Quibir, na Restauração de 1640!... Porém, em 20 de maio de 1801 Espanha invadiu Portugal que, pelo iníquo Tratado de Badajoz, para salvar a sua independência entregou a velha comarca de Olivença, ao jeito de refém, …

Efeméride ONU promove, a 26 de Junho, dia de luta, visando uma sociedade sem abuso de drogas. No dia 26 de Junho de 2010, comemorase o Dia Internacional de Luta Contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Droga, por iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU). A data é assinalada na sequência da Resolução n.º 42/112 da AssembleiaGeral das Nações Unidas, visando expressar a determinação em reforçar a acção e a cooperação no sentido de uma sociedade internacional sem abuso de drogas. Em Portugal, a ocasião é assinalada, no dia 24 de Junho, pelo Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência, em recepção restrita a convidados.

Findas as guerras napoleónicas, o Congresso de Viena de 1815 decretou a ilegitimidade da ocupação espanhola e reconheceu todos os direitos de Portugal. O artigo 105.º do Tratado decretou «a justiça das reclamações formuladas por Portugal sobre a vila de Olivença cedidos a Espanha pelo Tratado de Badajoz de 1801» e impôs «a restituição da mesma como uma das medidas apropriadas a assegurar entre os dois reinos da península a boa harmonia completa e estável», comprometendo-se todos os países signatários a desenvolver os seus mais eficazes esforços para que a retrocessão de Olivença se efectivasse «o mais cedo possível»... Espanha, que assinou o Tratado en 1817 e reconheceu os direitos de Por-

tugal, não respeitou esse compromiso e o dereito internacional e, sem nobreza, manteve em suas mãos a velha praça portuguesa. Dois séculos passados, apesar de uma persistente, violenta e insidiosa aculturação castelhana, a matriz portuguesa de Olivença, com a sua história, a sua cultura, as suas tradições e a sua língua, mantem-se viva e pujante, dando estrutura e identificação à comunidade. Por isso, José Saramago, visitando Olivença, finaliza a sua observação: “…que Olivença nos foi abusivamente arrebatada, agora a crença torna-se convicção…» Até quando?

Neste jornal alguns textos são escritos segundo o Novo Acordo Ortográfico e outros não. Durante algum tempo esta situação irá manterse e as duas formas de escrita vão coexistir. Tudo faremos, no entanto, para que no mais curto espaço de tempo se tenda para uma harmonização das formas de escrever no Registo, respeitando as regras do Novo Acordo


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Destaque Feira de São João em Évora vai até 4 de Julho

O grande ponto de encontro da cidade Luís Pardal

Redação

A Feira de São João em Évora foi ontem inaugurada. É uma feira centenária com uma componente popular muito forte. Do cartaz de espectáculos ressalta o concerto dos Xutos e Pontapés, que actualmente estão na estrada com a tournée que celebra o 30º aniversário da banda de Tim e companhia. São uma das principais atracções do programa cultural das Festas Populares da Cidade - Feira de S. João, que este ano irão decorrer de até ao dia 4 de Julho, inclusive. Os Xutos e Pontapés ivão actuar no dia 26 de Junho, pelas 22h00, num terreno preparado pela autarquia para grandes espectáculos musicais ao ar livre situado no Parque Industrial e Tecnológico de Évora (ver caixa). Para além da principal banda rock do cenário musical português, as Festas Populares da Cidade irão oferecer também

um espectáculo do consagrado cantor e compositor de samba do Rio de Janeiro Martinho da Vila. Internacionalmente conhecido como sambista, Martinho da Vila, que irá actuar na Arena d’Évora, esta quinta-feira, é um legítimo representante da MPB, com várias composições gravadas no exterior e considerado por muitos críticos como o melhor cantor do Brasil, interpretando músicas dos mais variados ritmos. As Festas Populares da Cidade – Feira de S. João 2010, que terão como tema o Ano Internacional da Biodiversidade, não irão esquecer o Campeonato do Mundo de Futebol, estando prevista a colocação do ecrã gigante na Horta das Laranjeiras, para que os visitantes possam acompanhar todas as incidências desta competição enquanto visitam a Feira. De resto, as Festas Populares da Cidade – Feira de S. João 2010 manterão na íntegra todo o seu perfil de feira franca que faz dela, cada vez mais, uma

Fernando Nobre em Évora

feira única no país. O sector económico será dinamizado pela Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE), enquanto a Câmara Municipal de Évora, juntamente com os diversos agentes do concelho, disponibiliza os habituais espaços social, infantil e juvenil com programação adequada ao público-alvo. A Horta das Laranjeiras centrará novamente as atenções dos apreciadores do bom petisco, enquanto as instituições oficiais, públicas e privadas, estarão representadas em lar-

ga escala, bem como os produtores de artesanato. O programa das festas voltará a ter uma forte componente desportiva, destacando-se, naturalmente, o Grande Prémio de S. João em atletismo (4 de Julho), o Torneio de Pólo Aquático (dia 25) e a final do torneio de futebol sub-15, inter-freguesias, que decorrerá no Estádio Sanches de Miranda, no dia 26. No recinto da feira haverá todos os dias torneios de modalidades e demonstrações do programa municipal Jogar + e dos Seniores Activos.

Xutos em Évora José Pinto de Sá

Luís Pardal

É no novo espaço “descoberto” pela autarquia no Parque Industrial de Évora que está a ser erguido o palco que vai acolher, no sábado à noite, o concerto integrado na digressão de celebração dos trinta anos de carreira da popular banda. O concerto dos Xutos & Pontapés em Évora integra-se na digressão nacional de celebração das três décadas de carreira da banda, intitulada justamente “30 Anos à Nossa Maneira”. A digressão teve início no dia 24 de Abril no Seixal, e deverá culminar num grande concerto no Estádio do Restelo, em Setembro. Em Évora, o concerto terá certamente como base o novo álbum dos Xutos, “Quem é quem”, mas percor-

“Nova sala de espectáculos” no Parque Industrial de Évora

rerá também a vasta discografia da banda. O álbum foi muito comentado pelo facto de conter uma canção, “Sem eira nem beira”, cuja letra foi transformada num manifesto contra o primeiroministro José Sócrates.

Embora já estivesse previsto um concerto em Évora no quadro da digressão “30 Anos à Nossa Maneira”, a actual calendarização foi proposta pela autarquia, como forma de integrar o espectáculo na programação

da Feira de S. João. A banda de Zé Pedro, Kalú, Tim, João Cabeleira e Gui vai estrear um novo espaço no Parque Industrial que a Câmara resolveu destinar, doravante, aos “concertos mais ruidosos”.

O candidato presidencial Fernando Nobre está em Évora no dia 29 de Junho para inaugurar a Sede Distrital que deverá ser instalada no Largo Álvaro Velho, frente ao antigo Hotel Planície. Do programa de Fernando Nobre destaque para uma visita à Feira de São João, antes de um jantar com apoiantes.

Militar alentejano morre em Timor O militar da GNR que na segunda-feira morreu em Timor-Leste devido à queda numa ravina da viatura em que seguia é o sargento-ajudante Hermenegildo Marques, 46 anos, natural da zona de Portalegre, mas a residir em Évora. O acidente deu-se “numa curva apertada de uma zona montanhosa bastante agreste. A viatura capotou pela ravina abaixo e daí resultou o falecimento do sargento-ajudante. O corpo do militar da GNR que faleceu ontem num acidente de viação em Timor-leste já deixou o território a caminho de Portugal O sargento Marques pertencia à equipa de desactivação de explosivos do sub-agrupamento Bravo e na altura do acidente seguia em serviço para desactivar um engenho explosivo na estrada entre Díli e Viqueque. A família das vítimas está já a receber acompanhamento psicológico, disponibilizado pela GNR. A representante especial das Nações Unidas para Timor-Leste, Ameerah Haq, lamentou a morte do militar português, sublinhando que esta morte reflecte o empenho de Portugal e dos seus militares em Timor. Também o Comando Territorial de Évora da GNR lamentou a morte do sargento-ajudante Hermenegildo Marques quadro do Comando Territorial de Évora da GNR e chefe de equipa de inactivação de engenhos explosivos. Hermenegildo Manuel Almeida Marques, segundo informação da GNR, era casado e pai de dois filhos, residia em Évora, mas era natural da zona de Portalegre, onde deverá realizar-se o funeral.


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24 Junho ‘10

Opinião

Capoulas Santos Eurodeputado

“Se não foste tu, foi o teu pai…” Isto a propósito do último e degradante episódio protagonizado no parlamento pela aliança de toda a oposição em mais uma tentativa infrutífera visando destruir a imagem do primeiro-ministro e do governo, no prosseguimento da estratégia de provocar e de cavalgar “escândalos”, com a esperança de que, um dia, o homem se sature e se vá embora ou a opinião pública, suficientemente intoxicada, corra com ele em eleições. Basta esperar pelo momento azado, fazendo simplesmente funcionar a

José Alves

Presidente da Federação das Ass. de Reformados do Distrito de Évora

Crise para muitos mais riqueza para alguns Em especial nos últimos sete anos a palavra crise foi, com certeza, a mais ouvida pelos Portugueses e têm servido de justificação para a tomada de medidas, por parte de sucessivos governos, que, ao que nos vêm dizendo, pretendiam restaurar as finanças públicas, reduzir o deficit e contribuir para desenvolver a economia do País. Invariavelmente as medidas tomadas reflectiram-se nos aumentos dos impostos, dos medicamentos e dos bens essenciais criando dificuldades a muitos Portugueses. Estas medidas não se traduziram em resultados visíveis nas contas públicas e no nosso desenvolvimento económico. PUB

mesma maioria que se formou agora para aprovar as vergonhosas conclusões do Relatório Semedo. Aquilo que se passou na Assembleia da Republica ao redor da comissão de inquérito ao caso da alegada intervenção do governo na hipotética compra da TVI pela PT e do conhecimento de tal operação pelo PM, supostamente com o objectivo de calar aquele casal de impolutos democratas que durante meses manipulou os noticiários da TVI e que, mesmo sem compra da estação por terceiros, acabaram por ser despedidos pelo patrão, vai ficar na história da democracia portuguesa como um dos seus mais vergonhosos e degradantes episódios. Valha a posição digna do Presidente da Comissão, o social-democrata Mota Amaral, um politico com estatuto, vários anos chefe do governo dos Açores e ex-presidente da Assembleia da Republica, que se recusou a pactuar com o triste espectáculo protagonizado por todos os pachecos da comissão,

em particular com o do seu próprio partido. Não tendo sido possível comprovar factualmente que o governo tinha dado orientações à PT para tal compra e que o PM tinha tido conhecimento prévio do negócio, e sendo por isso impossível pôr isso no relatório, preto no branco, então concluiu-se que, se não teve conhecimento, podia ter tido. Não se provou que mentiu mas, se não mentiu, podia ter mentido, logo: culpado. Essa conclusão, como desde logo se percebeu, tinha de ser extraída em qualquer circunstância. O povo usa expressões bem mais prosaicas quando trata de definir a tentativa de condenação de alguém a qualquer preço, com provas ou sem elas. É a famosa “preso por ter cão, ou por não ter” ou a que serve de título a esta crónica. Esquecem os novos Torquemadas de que estes já não são os tempos da Inquisição, ainda que haja dela marcas bem fortes na nossa sociedade. Apesar

de todas as manipulações, das legiões de analistas e de comentadores que enxameiam os canais de televisão e as colunas dos jornais, quase todos ao estilo do célebre Professor Marcelo, que até se comenta a si próprio, e que bem prega, tal como frei Tomás, mas que fez triste figura enquanto líder do PSD, há uma opinião pública que ouve, que pensa, e que formula opinião. E que a expressa nas urnas. As vergonhas da comissão de inquérito, da utilização da justiça como arma política e da manipulação da informação são intoleráveis pelo caminho a que conduzem a nossa democracia. É urgente um sobressalto cívico para pôr termo a esta deriva que, nalguns aspectos, faz lembrar a trajectória para o abismo da 1ª República, cujo centenário agora se celebra. Uma República que, curiosamente, num século, apenas teve 52 anos de existência.

Em 2008 e 2009 à crise Nacional veio juntar-se a crise Internacional como resultado da especulação financeira e bolsista em muitos países. Em Portugal a actividade económica ressentiu-se e muitos milhares de Portugueses vieram aumentar substancialmente o número de desempregados que já ultrapassou as 600 000 pessoas. Durante as últimas eleições foram anunciados, quase diariamente, milhões de euros para os mais diversos destinos. Às perguntas dos jornalistas, sobre o equilíbrio das nossas contas, o Sr. Primeiro-ministro respondia invariavelmente que estava tudo controlado. Nos últimos três meses do ano começou a ser visível o descontrole das contas públicas, com um deficit que aumenta semanalmente contrariando as previsões, também semanais, do Governo. Absurdo dos absurdos, no final deste período foi decretado o fim da crise tendo mesmo o governo anunciado que Portugal era o campeão da recuperação económica. A dar consistência a esta afirmação aí estava o sector bancário e as grandes empresas a apresentarem milhares de milhões de euros de lucro e os seus ad-

ministradores a auferirem de centenas de milhares de euros, alguns mesmo milhões de vencimentos e de prémios. Após a aprovação do Orçamento Geral do Estado para 2010 que reduziu o investimento público e restringiu, na maioria das situações, a zero os aumentos salariais dos funcionários do Estado e indicou ao sector privado limites para as negociações salariais, seria de esperar que as medidas de contenção ficassem por aí. Mas não, passado um mês, o Governo Português aprova o PEC - Plano de Estabilidade e Crescimento até 2013 que de crescimento tem pouco e de instabilidade muito, apostando fundamentalmente na redução de deficit com reflexos na despesa do Estado com as prestações sociais. O Primeiro-ministro garantiu, na altura, na Assembleia da República, que os impostos não seriam aumentados mas, nem foram precisos quinze dias, parem serem anunciados aumentos de impostos agora para fazer face à enorme divida externa do País. Assim e mais uma vez vão ser a maioria dos portugueses, em especial os mais desfavorecidos, a pagar a crise.

Os culpados pela situação que vivemos não são aqueles que a vão pagar. Os reformados com baixas reformas, os desempregados, os cerca de dois milhões de pobres, os trabalhadores que recebem o salário mínimo e todos aqueles que apenas vivem do seu trabalho são as verdadeiras vítimas da política que tem dirigido o nosso País, vendo acentuar, com o aumento do custo de vida, a situação de verdadeira crise social em que vivem. Será justo continuar a exigir às camadas da população mais desfavorecidas mais sacrifícios quando os verdadeiros culpados pela crise e que com ela têm lucrado não participam no esforço colectivo para a superar? Será justo isentar as grandes fortunas de contribuírem para a resolução da crise quando o fosso entre os mais ricos e os mais pobres cresceu nos últimos anos, tornando Portugal o país da Comunidade Europeia onde ele é maior? O que é Justo é que Portugal tenha uma outra política que em vez de proteger os mais ricos proteja os pobres e quem trabalha.


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Sociedade PCP desfilou em Évora

Jerónimo de Sousa diz que é “necessária” ruptura com a política do Governo Redação

Jerónimo de Sousa esteve na sexta-passada em Évora e encabeçou uma manifestação do PCP convocada para “denunciar as injustiças e as desigualdades”. O desfile começou junto à Sé e percorreu um curtíssimo trajecto até ao Largo Camões, onde Jerónimo de Sousa usou da palavra, começando por homenagear José Saramago, falecido poucas horas antes. O secretário-geral do PCP, que já tinha falado sobre o Nobel da Literatura, numa conferência de Imprensa em Lisboa, disse em Évora que esta “é uma boa região para prestar esta homenagem a José Sarama-

PCP desfilou em Évora contra o PEC

go, figura mundial da literatura e da cultura. Da sua obra destaca-se o livro “Levantados

do Chão”, que refere um povo, o povo alentejano, que lutou contra o fascismo, que lutou

pela reforma agrária, que construiu essa reforma agrária que a política de direita acabou por

destruir. Mas essa foi uma das contribuições, uma das grandes identificações deste grande vulto que esteve neste Partido, conforme afirmou e demonstrou, até ao último dia da sua vida», salientou Jerónimo de Sousa. O desfile reuniu cerca de três centenas de pessoas de vários pontos do distrito e do Alentejo e serviu ainda para críticas fortes de Jerónimo de Sousa ao projecto de alteração da data dos feriados. Sobre a situação económica, o líder comunista considerou que “há saídas”, afirmando que não existe “alternativa sem uma ruptura e uma mudança em relação a esta política”.

PUBLIREPORTAGEM

Encosta Dourada Imobiliária Um serviço de Excelência Há cinco anos no mercado, é hoje uma imobiliária reconhecida, com uma posição bem definida, e acima de tudo com forte credibilidade. Na Encosta Dourada encontra um serviço único e personalizado, vocacionado para os clientes. Nesta edição da Feira de S. João 2010, Encosta Dourada quis mais uma vez surpreender o seu público alvo, com a publicação de uma Revista Imobiliária, formato A5, com 10000 exemplares de tiragem, que lhe vai ser oferecida na próxima edição do Jornal Registo. Fique atento e aproveite esta magnífica oportunidade de conhecer a filosofia da empresa Encosta Dourada como todos os imóveis disponíveis para comercialização. São empresas como a Encosta Dourada que nos permite acreditar no futuro, e apostar sempre no cliente.


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24 Junho ‘10

Opinião

Carlos Sezões Gestor/Consultor

Economia Social e Voluntariado contra a crise Estive no passado fim-de-semana numa conferência para falar sobre economia social e voluntariado. Confesso que é um tema que me motiva e fascina, e que, através dos quase 4 anos de existência do Fórum Alentejo 2015, fiquei a conhecer um pouco melhor. Nas últimas duas décadas, tem sido evidente, para os mais atentos, a crescente importância do sector social ou terceiro sector (para contrapor à tradicional divisão público/ privado). O seu espaço de actuação é vasto e im-

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portante. Enquanto o Estado deve reservar para si as funções de soberania e de regulação e as empresas privadas a produção de bens e serviços (e o natural foco no lucro, que permita criar riqueza, reinvestimento e empregos), existe uma importante necessidade a satisfazer por outras entidades: a inclusão, o bem-estar e desenvolvimento social e cultural, em comunidades locais e regionais. Este novo espaço deve, de facto, ser ocupado por entidades que façam o que outros dois sectores não podem, não querem ou não sabem fazer tão bem. A economia social é constituída por cooperativas (agrícolas, de ensino, de habitação, culturais…), sociedades mútuas, associações de desenvolvimento local, fundações, organizações não governamentais (ONG´s) diversas e organizações de base religiosa (como as Misericórdias), com as mais variadas missões: da solidariedade e assistência social à inclusão, da dinamização cultural

e recreativa às intervenções de carácter ecológico e ambiental. Assente em princípios personalistas (primado da pessoa humana), no associativismo voluntário e aberto, na gestão e controlo democrático dos seus membros e em valores como solidariedade, responsabilidade e o interesse da comunidade, o seu papel pode ser decisivo. Numa perspectiva estrutural, pode ajudar a tornar as sociedades mais solidárias, coesas e qualificadas. Numa perspectiva mais conjuntural, neste contexto de crise, pode e deve ter um papel primordial, ao ajudar a corrigir os naturais desequilíbrios e excessos do mercado, através de redes de ajuda e solidariedade que permitem que, numa comunidade, se mitiguem as situações de pobreza ou exclusão. Instrumentos como o micro-crédito e o fomento do empreendedorismo (quer social, quer empresarial), podem e devem ser incrementados. Neste âmbito, existe um compo-

nente essencial: o voluntariado. O voluntariado, que constitui cerca de 44% do total dos recursos humanos destas instituições em Portugal, deve ser promovido, desde cedo, no percurso escolar e valorizado socialmente, de modo a alimentar de energia e inovação todos estes projectos sociais. De referir que, para além desta relevância, é actualmente considerado internacionalmente, só por si, um indicador expressivo do nível de desenvolvimento humano de um país. Uma última nota estatística, para dar uma noção mais global. Segundo os dados divulgados há umas semanas, o peso do sector da Economia social é muito menor em Portugal do que na generalidade dos países europeus (4,2% da população activa contra 7% na União Europeia). Em função dos tempos que correm e das necessidades que continuam a emergir, a tendência será, naturalmente, o crescimento.


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Destaque Amanhã, sexta-feira, 25, há bola em português. O Mundial africano recebe o embate entre Portugal e o Brasil. A última vez que os dois se encontraram, em jogo de amigos lá na Terra Nova, os brasileiros brindaram a equipa de Queirós com seis bolas. Agora, nada de amizades. Até porque Dunga, o selecionador do Brasil já disse que “jogo é jogo”. Há 44 anos Portugal fez história com a Coreia e ganhou ao Brasil. Em 2010, a história da Coreia está escrita…

Maior vitória de sempre da Selecção portuguesa

Haja ketchup até ao fim Hélder Conduto, jornalista da RTP

Paulo Nobre

Há 400 anos a epopeia portuguesa deixou um nome registado na história. O capitão da nau, Bartolomeu Dias. Dobrou o Cabo da Boa Esperança, pôs de lado os fantasmas da humanidade. Abriu os caminhos para a exploração portuguesa dos mundos. 400 anos depois o capitão da nau chama-se Cristiano Ronaldo. Ronaldo derrotou o Adamastor. Mas para a história ficam os 14 membros da tripulação. 44 anos depois de Eusébio ter enfiado 4 à mesma Coreia do Norte. Quase no derradeiro momento, Ronaldo fugiu do mar revolto, ultrapassou as ondas gigantes, quase perdeu o controlo da nau. Recompôs-se. Da gávea caiu, redonda, a esperança e o capitão lá chegou forte e seguro ao porto de abrigo. Aos 87 minutos minutos do jogo de Portugal frente à Coreia do Norte, Cristiano Ronaldo conseguiu, finalmente, derrotar o Adamastor e transformar de tormenta em boa esperança o Mundial africano para a Selecção portuguesa. Há mais de um ano que o capi-

tão de Portugal não marcava e o facto estava quase a tornar-se tão mitológico como o camoniano gigante Adamastor. Mas o português mais famoso do mundo desde Vasco da Gama e Eusébio tinha avisado que os golos “são como o ketchup”, custam a sair, mas quando aparecem vêm de vez. Só se espera que não tenha vindo todo de uma vez e sobre algum ketchup para mais refeições na África do Sul. Há 44 anos o Portugal de Eusébio, Coluna e demais comandados de Otto Glória tinha inscrito nos anais da história futebolística aquela que é ainda a maior recuperação de sempre de uma equipa num Mundial: passar de 0 a 3 ao intervalo, para 5 a 3, com quatro golaços desse fenómeno chamado Eusébio da Silva Ferreira. Na África do Sul, Portugal voltou a fazer história. Mas foi seguramente uma Selecção Nacional desacreditada que entrou na segunda feira, 21 de junho, no Estádio Green Point, na Cidade do Cabo, para defrontar a Coreia do Norte.

O empate e a imagem pálida, descolorida, deixada no jogo inaugural frente à Costa do Marfim, somado à campanha de qualificação e aos jogos de preparação, para lá de uma crescente contestação ao selececionador Queirós, deixavam antever o pior. Tanto mais que os coreanos tinham revelado frente ao Brasil uma defesa coreácea e um contra-ataque capaz de envenenar a lenta defesa portuguesa. Queirós jogou na antecipação. Trocou Paulo Ferreira por Miguel, dando mais amplitude ao flanco direito. Na ala esquerda deu mais autonomia a Fábio Coentrão. E sem Deco, o meio campo ficou mais dinâmico e imprevisível com Meireles

e Tiago a trocarem constantemente posições baralhando o adversário. A inclusão de Simão permitiu maior disciplina e rigor táctico e Hugo Almeida foi cartada do seleccionador. Tudo resultou. E na Cidade do Cabo, Portugal deixou mais uma vez inscrita a sua marca. Desta vez, numa das mais épicas jornadas do futebol português, com sete bolas nas redes adversárias. E à boa maneira portuguesa, passámos de grandes bestas a… futuros campeões do Mundo! Amanhã, “venha o Brasil “c’a’gente dá-lhe quatro”, berrava aos microfones da RTP um verdadeiro adepto de Portugal no final do jogo com a Coreia. Tinha bigode farfalhudo e tudo.

Inquérito: Ana Garcia Fotos: Luís Pardal

Osvaldo Amaral, 63 anos Reformado Évora

Elza Ferreira, 50 anos Funcionária Administrativa Évora

Bruno Moreira, 29 anos Psicólogo Porto

Maria Rosa Pãozinho, 49 anos Assistente Operacional Évora

Vi o último jogo de Portugal no mundial e o resultado não foi mais que um erro da natureza, e muita sorte contra a Coreia do Norte. Agora para o próximo jogo na selecção, não tenho muitas expectativas. Se o Brasil jogar como sabe e mostrar todas as capacidades que tem, Portugal não tem grandes hipóteses.

Não vi o jogo em tempo real porque estava a trabalhar, mas o resultado deixou-me satisfeita. Não tenho uma opinião muito formada neste tema, até porque não percebo muito… Mas na sexta-feira acho que também vamos ganhar contra o Brasil, claro que com uma diferença mais pequena do que o 7-0.

Acompanhei o último jogo da selecção portuguesa e acho que foi um bom resultado. Na minha opinião, a sorte, o mérito de Portugal e as condições da equipa adversária constituíram o jogo em geral e o resultado. Gostei de ver jogar o Miguel, o Tiago e também gostei do Raul Meireles. Contra o Brasil, não tenho muitas expectativas mas mesmo assim acredito que a nossa equipa pode chegar ao empate.

Não pude assistir ao último jogo de Portugal porque estava no trabalho, mas estava ocorrente. Na minha opinião aquele resultado foi um milagre, embora toda a equipa tenha contribuído para o conseguir. Na verdade não tenho muitas expectativas para o próximo jogo contra o Brasil, embora nunca perca a esperança!

Natural de Aljustrel, Hélder Conduto é a voz da RTP nos jogos de Portugal. É na Televisão que passa grande parte do tempo. Mas é da Rádio que diz gostar mais. Os camaradas de profissão dizem ser um “verdadeiro profissional”. Não é preciso gastar muita energia para falar de Hélder Conduto. Reparem só nesta introdução feita há uns meses pela revista 30 Dias, que se publica em Beja, para lançar uma entrevista ao jornalista alentejano: “Com 13 anos foi aos Correios de Aljustrel telefonar para a Antena 1 e ofereceu-se para relatar jogos. Disseram-lhe que não! Insistiu e virou a agulha para a Rádio Castrense onde recebeu luz verde para fazer o seu primeiro relato dois dias depois. Daí para cá, o menino fez-se homem e nunca mais parou. Hoje é um dos melhores do país!”. Na Rádio Castrense, como já se viu, deu os primeiros passos, ao lado de António José Brito, director da estação durante vários anos. “Além de ser uma excelente pessoa, ele é obstinado pela seriedade do seu trabalho. Pelo profissionalismo e pelo rigor”, acentua António José Brito que o conhece desde os 13 anos e com ele realizou o primeiro relato de futebol. De Castro Verde, Hélder Conduto segue, mais tarde, para a TSF. Se a nível regional era já nome respeitado, a passagem pela TSF alarga-lhe os horizontes, o número de ouvintes, o prestígio. Reputado narrador do futebol na rádio. Ombreando com Fernando Correia. Jorge Perestrelo. David Borges. Ao longo de anos, na Sic, mostra a imagem escondida por detrás da telefonia. Calmo. Seguro. Credível. Em 2006 chega à RTP, então transformada em Rádio e Televisão de Portugal. Desde então é na RTP e na Antena 1 que Hélder Conduto “passeia” a criatividade e a qualidade que o leva a ser considerado um dos mais reputados narradores de futebol da actualidade. Na rádio e na TV. Hélder Conduto, está agora na África do Sul e é ele a voz do Mundial nos jogos da Selecção portuguesa. Na última segundafeira gritou sete golos de Portugal. Todos esperamos que, a meio de Julho, lhe doa muito a voz. P. N.


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Opinião

Sónia Ramos Ferro

Jurista e Deputada Municipal

Agenda 21 Local A Câmara Municipal de Montemor-oNovo no passado dia 15 de Junho Convocou a população para a 1.ª discussão pública da Agenda 21 Local. Devo dizer que fiquei agradavelmente surpreendida com a organização, da responsabilidade da Faculdade de Ciência e Tecnologia, da Universidade Nova de Lisboa, parceira do executivo camarário nesta matéria. O Objectivo é pensar em conjunto com a população, formas sustentáveis de governar as cidades modernas, com respeito pela qualidade de vida e pelos valores ambientais – lato senso – mas sem deixar de corresponder aos desafios da modernidade e da globalização. A metodologia utilizada grassou pela originalidade: não se limitou a ser mais uma palestra protagonizada por alguns ilustres académicos, que preferiram ouvir os presentes, sobre as necessidades do concelho – até porque não as conhecem – o que evidencia inteligência. Depois de uma breve introdução e diagnóstico do concelho, feito através de uma análise SWOT e de Vectores estratégicos, num apontamento que fez lembrar um

breve Balanced Scorecard do Concelho, o Professor Doutor João Muralha Farinha, responsável pelo projecto, enunciou dez actividades que lhe pareciam estratégicas para o desenvolvimento económico do Concelho. Curiosamente para muita gente que deve ter ficado tão surpreendida quanto o próprio executivo camarário, o primeiro deles foi o Turismo. Não pude deixar de esboçar um sorriso. É que quando a CM apresentou a Carta Estratégica 2007/2017, o PSD de Montemor-o-Novo foi o único Partido que apresentou propostas de alteração ao documento, indicando precisamente como objectivo estratégico para o Concelho, o Turismo. O Turismo como vector aglutinador de todas as potencialidades e sinergias do concelho e dos agentes económicos, dinamizando a hotelaria, restauração, comércio tradicional, artesanato e todas as formas de turismo temático, como o turismo cinegético, rural, de aldeia, o eno turismo, o turismo cultural, dada a oferta e diversidade significativas do nosso concelho nesta matéria, sendo igualmente uma forma de potenciar todos os equipamentos e infra-estruturas de que dispomos. Em 2007, enunciámos diversas medidas e projectos concretos, todos eles tendentes ao desenvolvimento económico do concelho, através do Turismo, que por potenciar a divulgação do concelho, por arrastamento, contribuiria para a divulgação e comercialização dos nossos produtos agrícolas típicos e consequentemente, reforçaria o tecido empresarial do Concelho. Dada a palavra à plateia para que esta se

pronunciasse sobre outros temas/questões importantes para o Concelho e que ainda não tivessem sido afloradas, surgiram mais sete ou oito ideias, todas elas válidas e pertinentes, que se juntaram às propostas pela Universidade. Foi então pedido aos presentes que votassem e elegessem cinco daquelas actividades como prioritárias. As duas mais votadas foram: “valorizar o apoio ao sector produtivo e tecido empresarial” e “valorizar os produtos agrícolas do concelho”. O que não deixa de ser curioso, outra vez. Tendo o executivo camarário desde sempre eleito como a 1.ª grande opção do plano a democracia representativa, são os próprios camaradas, que constituíam a esmagadora maioria dos presentes, que votam no desenvolvimento económico como objectivo estratégico para desenvolver o concelho, de forma sustentada. Nada mais natural: apoiar o tecido empresarial porque é a única forma de criar riqueza e emprego. Uma lição de sabedoria para aqueles que julgam que conversas, reuniões, entretenimento e périplos pelas freguesias enche a barriga a alguém. O que os presentes demonstraram claramente naquele dia é que concordam com o programa eleitoral do PSD, do qual destacamos: a remodelação do mercado municipal como factor estruturante da promoção dos produtos do concelho; promoção de parcerias facilitadoras da comercialização dos produtos locais e do artesanato, sua divulgação e colocação em mercados mais alargados; aliar os produtos locais e o artesanato à rede turística

concelhia; fomentar a venda ou a troca directa de produtos locais em cada freguesia em pequenas lojas; criar um Mercado Biológico (sensibilizando a população e o sector turístico para o consumo de produtos de agricultura biológica); fomentar a sua produção e certificação; feiras temáticas para optimização do Parque de Exposições e Feiras, criação do Gabinete do Empresário; hortas urbanas e muitas outras medidas relacionadas com a actividade económica do Concelho. Várias conclusões se podem extrair: o programa eleitoral do PSD continua actual, bem como as nossas propostas de alteração à Carta Estratégica; as grandes opções do plano da CDU não correspondem minimamente à realidade montemorense; as pessoas têm noção do marasmo económico em que vivem e querem mudança; a maioria dos montemorenses não vota PSD não porque discorda das nossas propostas mas por puro preconceito político e ideológico, ancorado no velho fantasma do fascismo. Se a Câmara Municipal precisava de orientação para descortinar o caminho do desenvolvimento para o concelho, bastava reler as sugestões e propostas apresentadas ao longo do tempo pelo PSD – está lá tudo - a final, coincidentes com as primeiras conclusões apresentadas pela Faculdade de Ciências e Tecnologia, o que reforça, perdoem-me a falta de modéstia, a visão estratégica do PSD para o Concelho, que infelizmente falta a este executivo comunista.

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Sociedade 7.500 desempregados inscritos em Évora

Desemprego recorde, mas IEFP optimista

Paredes de Vidro

José Pinto de Sá Luís Pardal

Em finais de Maio estavam inscritos nos centros de emprego do Alentejo 37.576 desempregados, 7.487 dos quais só no distrito de Évora. No entanto, a delegada regional do IEFP eatá “optimista” e acredita que “já estamos a sair da crise.” Segundo a informação estatística mensal do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), no fim do mês passado havia 37.576 desempregados inscritos no Alentejo. No distrito de Évora, eram 7.487. É verdade que se registou uma quebra de 471 desempregados em relação ao mês anterior, mas esta explica-se pela criação de postos de trabalho sazonais em sectores como a hotelaria e a restauração, e não pode ser lida como um progresso estrutural. Estamos a falar de níveis históricos de desemprego. Os 7.958 desempregados inscritos no distrito de Évora em fins de Abril são um recorde absoluto. Contudo, a delegada regional do IEFP, Ana Duarte, sublinha o facto de o aumento do desemprego em Maio ser muito inferior ao que se registou em igual período do ano passado. Para ela, é sinal de que a situação “vai melhorar. Pode ser mais ou menos rápido, mas vai melhorar”. A delegada do IEFP considera que as elevadas taxas de desemprego são um dos “efeitos de uma crise financeira que passou a crise da economia e se vai reflectir numa crise social”, considerando que “o que valeu foram as medidas do Governo, em 2009 e 2010”. “Acredito que já estamos a sair da crise,” diz Ana Duarte, frisando que “as pessoas têm que estar preparadas para

ANAFRE contra fecho de escolas

O IEFP já tem cursos de formação para o cluster aeronáutico.

competir no mercado do trabalho”. “As crises dão-nos sempre oportunidades”, observa, ressalvando contudo que, “nas alturas de crise é fundamental que as pessoas invistam em si mesmas”. E o melhor investimento é na formação profissional, uma área em que, na sua opinião, ainda “temos um grande caminho a percorrer”. No entanto, não deixa de sublinhar os avanços conseguidos na “generalização” da educação e da formação. “O percurso, pese embora todas as debilidades, foi notável”, considera Ana Duarte. “O IEFP está a sofrer uma reestruturação profunda, de forma a dar uma resposta mais rápida e eficaz aos de-

sempregados”. Actualmente, há três Centros de Emprego no distrito, em Évora, Estremoz e Montemor-o-Novo. Em Évora há também um Centro de Formação Profissional, com uma extensão em Reguengos de Monsaraz. E porque “quem cria emprego são as empresas”, o IEFP preocupa-se com o “trabalho de captação junto do tecido empresarial”, com vista à “formação dos empregadores”. O organismo dispõe de um Conselho Consultivo que reúne patrões, sindicatos e organismos públicos, como a Comissão de Coordenação da Região e os ministérios da Educação e da Economia.

IEFP aposta no “cluster aeronáutico” de Évora Em previsão do fim da crise, o IEFP está empenhado no esforço de “formar em Évora um cluster aeronáutico”, um empreendimento que, apesar de sucessivos adiamentos, é anunciado para breve pela autarquia. A delegada regional do Alentejo da IEFP, Ana Duarte, revelou sextafeira ao REGISTO que o IEFP está a promover formação profissional para o projectado “cluster aeronáu-

José Casanova (director do jornal Avante), Eduardo Luciano e Raimundo Cabral vão usar da palavra na sessão pública “‘O Partido com Paredes de Vidro’: o Partido, o Ideal e o Projecto Comunista”. A sessão, que assinala o 25º aniversário da edição do livro de Álvaro Cunhal, terá lugar na Biblioteca Pública de Évora, pelas 18h30 da próxima quarta-feira, dia 30 de Junho.

tico de Évora”. Ana Duarte adiantou que, de momento, já há dois cursos a decorrer no Centro de Formação Profissional de Setúbal. “Na rede do IEFP vai haver três centros de formação profissional com cursos para o sector aeronáutico,” revelou ao REGISTO a delegada regional da IEFP. A delegada não referiu promessas de emprego assumidas por qualquer empresa em particular, mas avançou que “a Embraer irá certamente aproveitar” o esforço de for-

A delegação distrital de Beja da Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE) considera “inaceitável” a medida do Governo que prevê fechar escolas com menos de 21 alunos, porque irá “intensificar a desertificação das freguesias rurais”. “A pretexto do insucesso escolar, o Governo quer fazer crer que encerrando escolas melhora o ensino, mas a realidade é bem diferente”, já que “as escolas das sedes de concelho ficam com excedentes de alunos e a qualidade do ensino piora”, refere a delegação de Beja da ANAFRE em comunicado. “As crianças com muito pouca idade são, por vezes, obrigadas a grandes deslocações, nem sempre nas melhores condições” e, “em consequência, as nossas freguesias perdem população e deixam de ser incentivo à residência de jovens”.

Infantário evacuado

Um jardim de infância de Évora, com cerca de 80 crianças, foi evacuado na terça-feira devido a uma fuga de gás, não se tendo registado quaisquer feridos, revelou uma fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS). A mesma fonte adiantou à Agência Lusa que o alerta foi dado às 14:55, depois de ter sido detectada uma fuga de gás no exterior do edifício do jardim de infância Penedo d’Ouro, propriedade da Câmara de Évora e frequentado por crianças dos três aos seis anos. A fonte explicou que a fuga de gás foi originada pelo “embate de uma viatura no tubo do ramal de abastecimento de gás natural ao jardim de infância”.

Vela na Amieira

mação. A criação de um “cluster aeronáutico” em Évora, gerando centenas de postos de trabalho, tem sido o projecto favorito de José Ernesto Oliveira desde que assumiu a presidência do município. Embora a autarquia já tenha avançado os nomes de vários parceiros e anunciado por diversas vezes que estava iminente o início das actividades, até ao momento o “cluster aeronáutico” ainda aguarda concretização.

O Núcleo de Vela da Amieira Marina propõe umas férias emocionantes a todos os jovens, a partir dos 13 anos, que tenham a curiosidade de entrar num primeiro contacto com a arte de velejar e navegar. Numa formação de introdução à vela, a decorrer nos dias 8, 9 e 10 de Julho, a Amieira Marina pretende com esta iniciativa sensibilizar os participantes para a prática da vela, dotando-os de competências capazes de compreender as principais manobras de uma embarcação à vela. Introdução teórica e componente prática, com toda a segurança necessária a bordo, são válidas para grupos por sessão de mínimo de cinco e máximo de seis passageiros, num total de 15 horas.


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Freguesias Em entrevista ao REGISTO, José Piteira, presidente da Junta de Freguesia de Nossa Senhora de Machede, reitera o seu empenho em “defender os interesses da freguesia, mesmo que para isso haja a necessidade de mudar de direcção se o futuro assim o exigir, sem complexos de alguma ordem, desde que a consciência não seja refém de qualquer força partidária”. Nossa Senhora de Machede

Uma freguesia com memória José Pinto de Sá

Como Caracteriza a sua Freguesia? Machede é a latinização do termo árabe “madchas”, que significa Terra do Senhor ou Lugar Santo. Aglomerado rural desde épocas imemoriais que nunca, em momento algum, perdeu essa sua origem. Dependente da cidade de Évora, que fica a 15 quilómetros, a freguesia tem grandes potencialidades ainda por explorar, como é o caso do seu Património Natural. É uma freguesia com 185,34 Km² de Área, tendo na Ribeira de Machede e no Rio Degebe, que atravessam toda a freguesia, os principais afluentes da albufeira do Monte Novo. Nossa Senhora de Machede é uma freguesia com vários aglomerados populacionais, como é o caso de São Vicente de Valongo, a 5 quilómetros de Montoito, as Quintinhas da Estação da C.P., as Quintinhas do Perdiganito e ainda as Quintinhas ao Degebe – Fonte Boa, o que torna a freguesia grande mas muito dispersa, tendo uma população residente de cerca de 1200 habitantes. Como Património Cultural, não explorado, o Castelo Real de São Vicente de Valongo que foi reconstruído em meados do séc. XIII, a Igreja Matriz construída em 1624, as diversas antas existentes na freguesia, diversos vestígios da ocupação romana, nomeadamente na Herdade da Fonte Coberta (mosaicos, pia circular de cimento, aqueduto), bem como a ponte romana sobre a Ribeira de Machede. A freguesia tem como orago,

Luís Pardal

Nossa Senhora da Natividade. Como se pode ver, é das freguesias mais antigas do concelho, com uma forte presença rural e com uma população acolhedora. É uma freguesia com memória.

Temos como outro ponto fraco a falta de patrulhamento de dia e noite por parte das Forças de Segurança, o que contribui para o aumento dos assaltos na freguesia.

Quais são os principais pontos fortes da freguesia? O principal ponto forte é uma população que sempre soube o que queria e que, quando é preciso, fala a uma só voz. É uma satisfação comandar os destinos desta freguesia na última década. É uma freguesia com um rumo que tem assumidamente um futuro próspero com bases sólidas, o que leva a crer que vai crescer nos próximos anos, contrariando o que é normal no Alentejo: a desertificação e o abandono dos centros rurais em favor do litoral e das grandes cidades. Temos em fase de conclusão uma rede de estradas que nos permite, agora sim, explorar todas as potencialidades da freguesia e ultrapassar o pesadelo que nos seguiu durante toda a vida: a Estrada Municipal que nos liga a Évora, das piores do Concelho. O Pulmão da Freguesia é a Barragem do Monte Novo que abastece o Concelho de Évora, mas também serve para alguns desportos, não tanto como gostaríamos, pois o Plano de Ordenamento do Monte Novo, embora publicado em Diário da República em 2001, nunca foi posto em prática, o que dificulta e muito a sua utilização como pólo desportivo, recreativo e de lazer.

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Câmara devia rever o protocolo com Águas do Centro Alentejo”

Outro ponto forte é a acalmia e sossego que se vive no diaa-dia. Temos uma Escola do 1º Ciclo com cerca de 35 alunos e um Jardim de Infância com cerca de 17 crianças, com prolongamentos de horários que permitem aos pais deixarem os filhos no Jardim de Infância antes de irem para o trabalho. Temos também um Serviço de Junta de Freguesia que satisfaz as necessidades da freguesia. Temos, na Junta, o Posto dos Correios, que serve a população e os Correios (embora para fazer este serviço tenhamos de pagar). Na parte social, cultural e desportiva, temos uma sólida rede de oferta. O clube desportivo (U. D. M.), em franca solidificação com vários torneios desportivos, mantém os jovens e menos jovens ocupados em práticas saudáveis. Temos também clubes e associações de Caça e Pesca, com actividades. Temos a Casa do Povo e a sua Banda Filarmónica centená-

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ria, que preenche o ano inteiro com iniciativas e actuações, não só na nossa freguesia como por todo o país. Temos também grandes expectativas na abertura de uma unidade hoteleira de 4 Estrelas. Esperamos que abra em breve e que assim contribua para a oferta de emprego na freguesia. A freguesia também teve sempre uma grande presença agrícola, embora agora com menos sustentabilidade. Mesmo assim, ainda tem algum peso. A freguesia dispõe há pouco tempo de uma farmácia nova, feita de raiz para o efeito, um grande contributo para as necessidades da população. E quais os principais pontos fracos? Temos, como um dos pontos fracos da freguesia, o envelhecimento da população e ao mesmo tempo a falta de oferta social para os ajudar no seu

Outro ponto fraco é o serviço prestado pela Câmara Municipal de Évora no que consiste a arranjos, conservação e limpeza de estradas, e o abandono que nos últimos anos tem sido evidente. Pequenos serviços de calçada e pavimentação têm sido esquecidos, de forma a considerar os serviços como desactualizados e mal comandados, de forma a não prestarem um serviço condigno com a Causa Pública e a responsabilidade de servir os munícipes. Também uma realidade, hoje em dia, que consiste no aproveitamento da crise como trampolim para a descentralização de competências de vária ordem sem as contrapartidas financeiras, como a Educação, o Primeiro Ciclo e Jardins de Infância cada vez mais apertados e a falta de uma Cantina Escolar, numa altura em que se fala em fechar escolas com menos de 10 e até de 20 alunos. Uma freguesia que tem 35 alunos, como na Freguesia de Nossa Senhora de Machede, deveria ter como prioridade uma Cantina Escolar. Quando temos de pagar para ter o Posto de Correios? Quando nos é exigido pagar para ter um posto de Multibanco, mal vai o nosso Alentejo com uma chuva de medidas que contri-

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buem para a desertificação e o abandono rural. Um ponto fraco nesta freguesia e em todas, em geral, é a dependência das Freguesias em relação às Câmaras. Com as dificuldades financeiras que as autarquias atravessam, sente-se mais a necessidade de repensar o Sistema das Freguesias, dando-lhe mais meios para poderem desenvolver um trabalho mais eficaz de proximidade. Com a falta de emprego, de postos de trabalho nas freguesias rurais, de oferta de terrenos para a construção, a Freguesia de Nossa Senhora de Machede foi contra o PDM da Freguesia, pois não defende as suas necessidades. Não se pode tomar medidas profundas e de futuro nos gabinetes, entre quatro paredes, sem o conhecimento do terreno. Como nos serviços da Águas Centro Alentejo. Temos o esgoto da freguesia há vários meses a correr directo para a ribeira. Acho que a Câmara

deveria pensar no protocolo existente e exigir a sua revisão, até ponderar a sua continuação dentro destes moldes no Grupo. Em concreto, a necessidade, neste momento de baixa confiança, de retratar todas as circunstâncias que contribuem para tal, e combatêlas com determinação, mesmo que isso vá de encontro ao não populismo. As gerações vindouras não nos perdoarão se nada fizermos para combater o abandono do Alentejo, como Celeiro e Coração de Portugal. Como tem decorrido o relacionamento com a C. M. E? Tem decorrido dentro da normalidade, com altos e baixos mas sempre dentro do respeito pelas instituições e pelas pessoas, não deixando nunca de defender os interesses da freguesia, mesmo que para isso haja a necessidade de mudar de direcção se o futuro da freguesia assim o exigir,

sem complexos de alguma ordem, desde que a nossa consciência não seja refém de qualquer força partidária, mas sim fiel aos nossos Munícipes. Antes que o Senhor Jornalista me pergunte, a Câmara também está em atraso financeiramente connosco. Melhor falando, desde que sou Presidente de Junta a Câmara nunca esteve em dia, mas tem sempre pago. Nem outra coisa seria de esperar, porque desses pagamentos dependem serviços, pessoas e instituições que prestam um serviço à comunidade. Poderá dizer-se que se trata de um relacionamento normal de uma Junta de Freguesia que nunca se limitou a dizer mal, mas sim de uma Junta bastante atenta ao dia-a-dia da Câmara Municipal, criticando quando for necessário, mas ajudando no aperfeiçoamento do funcionamento, dando soluções para que a prestação de serviços seja cada vez menos má.

Que obras gostaria de ver concluídas até ao fim do mandato? Até ao fim do mandato, o presidente da Junta de Freguesia de Nossa Senhora de Machede gostaria, antes de mais, de ver concluída a obra da Cantina Escolar e a Zona Económica de Desenvolvimento Empresarial, “uma zona que centralizasse toda a potencialidade empresarial da freguesia”. José Piteira também gostaria de ver terminadas as obras na estrada que liga Nossa Senhora de Machede a Évora, cujos trabalhos estão “a decorrer a grande ritmo”. Por isso, “espera-se que a sua conclusão seja ainda em 2010, para satisfação de todos”. Piteira também gostaria de ver concretizada a limpeza da Ribeira de Nossa Senhora de Machede e a requalificação das

margens, “de modo a continuar a Zona Pedonal”. Ainda em relação ao curso de água, o presidente da Junta de Freguesia espera vir a dispor de uma passagem na Ribeira de N.ª Sr.ª de Machede, de acesso à futura Zona de Desenvolvimento Empresarial. Outro objectivo do autarca é a pavimentação de “todas as ruas em terra batida dentro do Centro Urbano”, bem como a “requalificação do centro da freguesia, com a melhoria de acessibilidades, passeios e estacionamentos organizados”. Até ao fim do mandato, José Piteira gostaria ainda de ver a “conclusão da Rede de Esgoto da Freguesia”, já que considera “importante ter a cobertura a cem por cento em toda a freguesia”.

Nossa Senhora Machede em resumo Área – 185,34 Km2 População – 1.180 hab. (2001) Densidade – 6,4 hab./km2 O Presidente da Junta de Freguesia de Nossa Senhora de Machede é José Vitorino Piteira, eleito em 11 de Outubro de 2009, nas listas do Partido Socialista.

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Entrevista “Situação financeira é difícil, mas não é de catástrofe iminente” A situação financeira da Câmara é considerada por todos como “grave”. José Ernesto Oliveira confirma, mas diz que está controlada e considera que se for preciso recorrer a um contrato de saneamento fa-lo-á sem problemas. Qual é, de facto, a situação financeira da Câmara de Évora? Há quem diga que é de ruptura iminente. Eu gosto pouco de responder a perguntas quando se começa por dizer que há quem diga. Não há quem diga. Vamos chamar as coisas pelos nomes: a oposição e, nomeadamente, o PCP liderado pelo dr. Abílio Fernandes e pelo sr. Vereador Eduardo Luciano, e alguma parte do PSD, que não o vereador Dieb, têm vindo a fazer um cavalo de batalha muito grande com essa questão. Três notas: primeiro, não é verdade aquilo que têm dito. Segundo, se fosse como têm dito não era nada de diferente daquilo que já viveram durante os 26 anos em que estiveram na Câmara. Terceiro, aquilo que é a realidade da Câmara traduz uma situação difícil, uma situação conjunturalmente, muito delicada, mas que não é nem uma situação de pré-ruptura, nem um situação de Câmara paralisada, nem uma situação de catástrofe iminente. Quando as forças políticas não conseguem encontrar argumentos para conseguirem construir uma alternativa – e o PCP não é alternativa nem em Évora nem em lado nenhum para nada – lançam mão daquilo que acham mais fácil para tentar denegrir a acção dos outros. Mas qual é a situação da Câmara neste momento, do ponto de vista financeiro? A situação financeira da Câmara e as dificuldades são conjunturais. Derivam da conjuntura e, também, de alguns factos que não são recentes, mas que revelam a natureza verdadeira da situação. Primeiro: a Câmara de Évora vive muito já de receitas próprias e não das transferências do Estado, que é o caso das câmaras mais pequenas, e que vai buscar aos Fundos Comunitários e às Taxas, Licenças e venda de Bens e Serviços uma parte significativa das suas receitas. Como todos sabem, as transferências do Orçamento de Estado têm vindo a reduzir-se e com o arrefecimento da situação económica as receitas geradas no ambito da autarquia têm vindo a baixar. É esta conjun-

tura, à qual se alia a forte crise que vivemos, que tem determinado que a situação financeira da Câmara tenha piorado. Mas se recebermos os fundos comunitários a que temos direito, e que são cerca de 15 milhões de euros; se conseguirmos fazer o que sempre se fez, que é aumentar a receita através da venda de alguns bens e serviços, nomeadamente dos lotes industriais e urbanos que são património municipal; se diminuirmos a despesa, como estamos a fazer, de acordo com o plano de redução de despesa que temos em curso, a situação controla-se. Mas estão aí muitos ses e muitas condicionantes… Não. O que é que pode acontecer para a Câmara não receber os fundos comunitários a que tem direito? Não sei. É da lei e está previsto nos regulamentos. A única questão é resolvermos o problema dos contratos de factoring e de confirming, que há mais de 20 anos se fazem na Câmara de Évora e que as novas regras do FEDER dizem que não podem ser aceites como forma de pagamento. Não é nada que esteja dependente de nós. Alteraram as regras e nós sofremos as consequências. Mas vai ter que ser resolvido. Este não é um se, é um dado objectivo: mais tarde ou mais cedo haverá a transferência desse dinheiro. Não estou em crer que o Parque Industrial e Aeronáutico, que significa a compra de terreno e as obras no valor de 12 milhões de euros, não seja financiado. Até este momento a Câmara de Évora não recebeu um euro desse projecto. Considera então que a situação pode ser resolvida sem o recurso a um contrato de saneamento financeiro? Eu não acho que a Câmara não tenha que recorrer a um contrato de saneamento, nem ponho a questão assim. E as outras Câmaras que recorreram já a um contrato desse tipo? E a Câmara de Évora que em 2000, quando era presidida pelo dr. Abílio, teve dois contratos de saneamento, no total de mais de 10 milhões de euros… Mas qual a necessidade de comparar algo que já passou, que aconteceu há 10 anos, com a situação actual da Câmara? Eu não estou a comparar. Só que nessa altura essa preocupação não foi tão alarmista. Qual a preocupação com um contrato de saneamento financeiro? Nenhuma…

José Ernesto Oliveira preside à Câmara de Évora há três mandatos. Hoje é um m deputado e presidente da Assembleia Municipal por essa força política. Acusa algu deturpa tudo o que a Câmara faz e que lança calúnicas sobre si e sobre a activida “mentiroso” e promete um conjunto grande de obras a concluir até ao final do a Variante Nascente e o início

Em nove anos consegui repor considerada nacional e i Carlos Júlio/Paulo Nobre

Há um ano, em plena campanha eleitoral, foram anunciadas as obras no Salão Central e a construção do Complexo Desportivo. Um ano depois nada foi feito. Esta situação prende-se também com a dificil situação económica da Câmara e do país? As obras do Salão Central e do Parque Desportivo estão inseridas no âmbito da acção da empresa municipal de capitais mistos, a Evora Regis. Essa empresa municipal orçamentou em 15 milhões de euros as obras do Parque Desportivo e do Salão Central. Para ter esse dinheiro essa empresa vai ter que se ir financiar junto da banca. Hoje, arranjar esse dinheiro, através de um empréstimo, não é nada fácil. O anúncio das obras, feito há um ano, não teve nada a ver com o calendário eleitoral? Há quem o acuse de, antes das eleições, anunciar obras que depois nunca se concretizam. Eu concorri quatro vezes a presidente da Câmara. Na primeira retirei a maioria absoluta à CDU, nas outras três ganhei. As pessoas já me conhecem e sabem que quando eu falo numa obra significa que estou convencido que tenho condições para a realizar. Foi assim que já realizámos tanta coisa! Eu não esperava, no ano passado, ter que investir 15 milhões de euros no Parque Indústrial e Aeronáutico. Nem sequer estava inscrito no Plano de Actividades da Câmara e eu nunca supus que, dum momento para o outro, viesse o terceiro maior construtor de aviões do mundo dizer que queriam construir duas fábricas em Évora. E, de um momento para o outro, tivemos que arranjar maneira de o fazer. Não houve, às vezes, algum eleitoralismo? Não há aqui eleitoralismos, não há nada disso. Eu não ando a prometer o Parque de Feiras e Exposições há 26 anos, eu não ando a prometer a construção da Biblioteca ou o Parque Urbano há 26 anos. Eu construí escolas novas, que nunca se tinham construído em Évora; criei condições para realojar 300 famílias em habitação social; tenho um Cartão Social do Munícipe Idoso; tenho a construção da 2ª fase do Parque Industrial, mais o Parque Industrial Aeronáutico; temos melhorado o aeródromo, temos feito obras nas freguesias; estamos a construír uma nova estrada em Nossa Senhora de Machede; construímos estradas na Torre de Coelheiros, pontes nos Canaviais; gastámos 20 milhões de euros a remodelar todo o Parque Escolar. E ainda me falam em obras? Em 8 anos, nesta situação difícil, por amor de Deus… Eu peço é que comparem estes 8 anos com quaisquer outros 8 anos e verá que nunca foram feitas tantas obras,.

Mas quando é que o Salão Central e o Parque Desportivo avançam? Há alguma data que possa anunciar? Assim que houver 15 milhões de euros para financiar as obras elas começam. 10 milhões para o Parque Desportivo e 5 milhões para o Salão Central. E as condições estão criadas porque recentemente saiu legislação que permite às sociedades municipais de capitais mistos serem beneficiárias do Inalentejo, o que significa que poderemos candidatar essas obras, a partir de agora, aos fundos comunitários, o que vai facilitar muito as coisas. São obras para cumprir até ao fim do mandato? Eu estou fortemente convicto, e firmemente disponível para dar a minha palavra de honra nesse sentido, de que até ao final do mandato as seguintes obras vão estar concluídas: Salão Central, 1ª fase do Complexo desportivo, Circular Nascente até à rotunda do Maré, Escola dos Canaviais. A Acrópole XXI estará lançada. Tudo obras da respopnsabilidade municipal que até final do mandato eu estou convencido de que poderão ser realizadas, apesar das dificuldades e apesar da situação financeira “catastrófica”. Não sei se teremos que recorrer a um contrato de saneamento financeiro ou não, mas se o tivermos que fazer usaremos os mecanismos que estão previstos na lei e fá-lo-emos. Esta é a minha convicção real e suportada por um compromisso de honra da minha parte. Acrópole XXI vai avançar Relativamente a projectos, e já que falou da Acrópole XXI, há muita gente que está contra esse projecto. Dizem que é um projecto sem qualquer discussão pública. Essa muita gente de que fala é sempre a mesma gente. Eu nunca vi a Acrópole XXI ser tão contestada, nem ser tão dificultada a sua aprovação, a não ser por essa gente. O projecto da Acrópole XXI tem sido alterado? O próprio vereador António Dieb disse ao REGISTO que não concordava com o projecto como ele tem sido apresentado. O projecto foi alterado. Mas não é o vereador Dieb que é aqui o impedimento. São sempre os mesmos. Aqueles que estão mais interessados em dizer mal e em criar condições para impedir o desenvolvimento e a concretização para depois virem dizer que as obras não se fazem. Assista às reuniões de Câmara e venha ver quantas propostas têm que ser retiradas. Como sabe, não temos maioria absoluta e estamos sempre dependentes de conseguir maiorias conjunturais. Mas depois de ter tantas vitórias eleito-

José Ernesto Oliveira garante

rais frente ao PCP, de ter ganho por três vezes, parece ainda ter u profunda e uma espécie de ferid que se refere a esse partido. Não portância demais a uma força p derrotou? Se você tivesse assistido à últim da Assembleia Municipal claramente o que se passa.

Mas foi o senhor e o PS que ga eleições… Pois, mas eles não se convence Continuam a lançar boatos, a nias, continuam a procurar faz com base na intriga e têm apoio O que me dói é a falta de respon e a falta de contributo efectivo p horia das condições da cidade. U que se atreve a dizer, perante difícil da nossa agricultura, que é uma nova reforma agrária; u que se atreve a dizer, perante a situação díficil da nossa economia, que a situação se resolve com nacionalizações; um partido que se atreve a dizer que se devem aumentar, para além de 45 por cento, os impostos dos rendimentos da classe média alta… Mas isso é o PCP… É o PCP, mas um partido que se atreve a dizer isto e que ainda consegue encontrar apoios institucionais e


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Agentes culturais e desportivos:

militante destacado do PS, mas anteriormente foi dirigente do PCP, uns sectores de terem “criado uma central de contra-informação” que ade camararária. José Ernesto diz que não aceita que o tratem como o mandato, entre as quais o Salão Central, o Complexo Desportivo, da Acrópole XXI.

“Se for preciso, pago do meu bolso” A Câmara tem uma dívida de milhares de euros aos agentes culturais e aos agentes desportivos relativa a 2009. Vai ser paga ou não? A dívida aos agentes culturais e desportivos é de meio milhão de euros e fica aqui prometido: nem que eu tenha que empenhar a minha casa irei pagar a esses agentes todos, que é para acabarmos com isto e começarmos com regras novas. Nem que tenha que ser eu, pessoalmente, a fazê-lo, porque já não consigo ouvir mais essa conversa.

r Évora como uma cidade internacionalmente” Luís Pardal

Mas não seria muito mais simples a Câmara dizer a essas entidades que tem problemas de tesouraria e, através do diálogo, chegar a qualquer tipo de acordo para o pagamento das verbas em atraso? Mas não dissemos já isso? Nós já juntámos os agentes culturais à volta duma mesa. Em Abril reuni com todos os agentes culturais. Em Maio o chamado grupo dos 14 subsidiários faz uma conferência de imprensa a dizer que a Câmara não lhes pagava… O que estas entidades reivindicam não é apenas o pagamento dos apoios. É também o de serviços que prestam à Câmara, nomeadamente na ocupação dos horários de Enriquecimento Curricular. Estamos a fazer um grande esforço para regularizar essas situações e ainda na sexta-feira pagámos perto de 70 mil euros referentes às Aulas de Enriquecimento Curricular. Mas há uma sensação geral de falta de transparência e de diálogo. Não lhe parece? Mas, já o disse, essa falta de diálogo não existe por parte da Câmara. A Câmara já sentou os agentes a uma mesa e está permanentemente disponível para discutir com todos. Em Abril pediram-me uma reunião e uma semana depois juntámo-nos todos aqui no Salão Nobre. Se me pedirem outra reunião estarei, naturalmente, disponível. As razões que levam à dificuldade de relacionamento dos agentes culturais com a Câmara, e que têm a ver com dificuldades financeiras, são conhecidas de todas as partes. A nossa estratégia para a cultura é clara. Só que não é a estratégia do PCP, nem do Bloco de Esquerda, nem daqueles que andam à sua volta.

e que a Acrópole XXI é para avançar

ma reunião perceberia

anharam as

eram disso. fazer calúzer política os para isso. nsabilidade para a melUm partido a situação e a solução um partido

políticos em Évora para continuar a boicotar o trabalho da Câmara, acho isso lamentável. Muito triste. Enquanto Évora não se libertar, não é do Zé Ernesto, desse vai-se libertar a curto prazo, mas enquanto a cidade não se libertar do estigma de 26 anos de liderança do PCP, com tudo do mais ortodoxo do PCP e tudo o que isso representa… Mas quais são as votações na Câmara que o PCP tem ganho? Não tem ganho, não… Ganhou aquela do IMI… As outras não tem ganho porque antes de chegarem à votação são retiradas. Venham às reuniões de Câmara, consultem mais de perto as reuniões e vão ver. Por exemplo agora: pergunte quem é que está a liderar o movimento para que a actualização das rendas sociais da Cruz da Picada não seja

garantida. Actualizar significa aumentar as rendas àqueles que vêem os seus rendimentos aumentados, diminui-la para os que baixam os rendimentos. É isto, só. Venham às reuniões e vejam. O PCP não tem maioria na Câmara de Évora. Não tem, mas consegue tê-la, basta o PSD votar com eles. Isso é a democracia, são projectos distintos, diferentes… Por isso é que eles não querem os executivos homogéneos... Compreende-se que uma força que ganha as eleições não possa governar a Câmara? Depois há um órgão político que é a Assembleia Municipal…

Acha que estes agentes culturais estão ao serviço de estratégias partidárias ou que falam dos problemas que efectivamente sentem na pele? Naturalmente que têm razões para sentirem na pele alguns problemas, a situação é difícil. Mas não têm razões para engrossar o coro da negação, das forças

(continua na página seguinte)

A Câmara deve aos agentes culturais e desportivos verbas ainda de 2009. Estamos no meio de 2010. Estes agentes sabem com que verbas podem contar para este ano? Ainda está em preparação o protocolo para 2010. A Câmara parte do pressuposto que os agentes culturais têm que ter responsabilidade naquilo que é a sua programação e que têm que ser os primeiros responsáveis a garantirem a sua sustentabilidade. A ideia de que a Câmara há-de garantir a sustentabilidade aos agentes culturais não tem sentido. Alguém acha que Évora tem público para garantir a existência de cinco companhias de teatro profissionais? O que é que estas entidades têm feito para gerar receitas? Mas a verdade é que têm existido protocolos com as diversas entidades. Sim. Mas esse protocolos não fui eu que os subscrevi. Já vêm de trás. Évora tem condições para que cinco agentes culturais recebam, eles apenas, 200 mil euros só em dinheiro, quando temos 48 associações culturais no concelho? Há aqui coisas que os agentes culturais deviam, de uma vez por todas, perceber. Portanto, estes apoios vão ser redefinidos este ano? Sim. E temos em preparação um trabalho sério, agente a agente, que demora tempo e que não pode ser feito dum momento para o outro. Uma coisa é saldar os compromissos que temos relativos a 2009 e que vamos pagar. Para 2010 ainda não temos compromissos e os que assumrimos serão em diálogo com os agentes culturais e todos conhecendo, previamente, as regras do jogo. Porque não é justo que a entidade que recebe o maior subsídio da Câmara, a quem lhe são cedidas instalações e pagas a água e a luz, apresente, ainda por cima, uma factura de 22 mil euros, de três em três meses à Câmara, alegadamente por alguns serviços de manutenção que presta nas instalações que ocupa. As regras têm que ser claras e é isso que estamos a fazer. Vamos ver quanto é que a Câmara pode pagar de apoios, o que é que a Câmara recebe como contrapartidas e estabelecer um jogo claro entre as partes. PUB

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o a Câmara uma mágoa da cada vez o é dar impolítica que

negras, que só dizem mal. Para isso não têm razões. Quem é que tem pago o FIKE ao longo dos anos? Se há FIKE em Évora deve-se ao apoio da Câmara. Se este ano o seu director não quer fazer FIKE é com ele. Se calhar não temos dinheiro para fazer o FIKE que ele gostava, mas tem dinheiro para fazer o FIKE, só que ajustado às nossas condições e à nossa realidade. .


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Entrevista (continuação na página anterior) Isso são questões de organização política. Voltando aqui para Évora. A Acrópole XXI vai-se fazer ou não? Se a oposição deixar aprovar o projecto, farse-á. Só não está já em execução porque não há projecto aprovado. Haverá mais discussão sobre esse projecto? Claro que sim. Tem de haver debate público. Está previsto na lei, apesar de não ser um Plano de Pormenor. Nós já dissemos que a Câmara de Évora gostava que este projecto fosse discutido, mas primeiro tem de ser aprovado. Não se pode discutir publicamente enquanto o projecto não estiver aprovado. E concorda com a solução de destruir o jardim? Não é verdade que se destrua o jardim. É uma ideia falsamente difundida. A solução ainda não é conhecida, mas já foi consensualizada recentemente pelo IGESPAR e é uma solução bastante diferente da que se conhecia até agora. Na Acrópole XXI concordo, primeiro com a necessidade de intervenção e a não eternização de uma discussão que tem outros objectivos que não a melhoria do projecto. Segundo, na Acrópole XXI há uma parceria alargada com dois tipos de interventores, a Câmara Municipal que intervém no espaço público e nas infraestruturas que têm de ser renovadas e os

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proprietários privados que fazem parte da parceria e vão começar com obras nos seus espaços. A Fundação Eugénio de Almeida vai começar com obras, a Fundação INATEL também, todos integrados no projecto. Museu do Design e do Artesanato Afinal o Museu do Artesanato vai ou não sair do espaço em que está agora? Nunca foi nossa intenção tirar dali o Museu do Artesanato. As tais forças sabem isso, mas nunca quiseram entender. Cá está a tal questão. Há de facto aqui em Évora uma situação estranha… Não será a Câmara pouco transparente? É agora a Câmara que é pouco transparente! O que há é uma central poderosa de contrainformação. Eu duvido que haja alguma Câmara deste país a governar em maioria relativa que se tenha de debater permanentemente com uma central de contra-informação tão bem montada, tão bem organizada e com tantos apoios. Não está a valorizar demais o papel da oposição? Não é na oposição sequer! É nesta central de contra-informação. Você sabe quem são, são as pessoas que falam consigo. Em relação ao Museu de Artesanato, alguma vez se pensou em acabar com ele? Quem é que disse isso? Onde é que isso está escrito? Onde é que foi dito? Procura-se revitalizar o que até agora é conhecido como o Museu de Artesanato com a presença de uma colecção de

nível mundial de Design. Acha que podem coexistir no mesmo espaço? Até se vai chamar Museu do Design e do Artesanato. Aliás, em conceito mais moderno, o design não é estranho ao artesanato, nem o contrário. Vai haver uma compatibilização de uma colecção de nível mundial de arte e design do século XX que vai complementar a colecção do Museu de Artesanato, dando àquilo uma feição de Museu de Design e do Artesanato. Mas escreva lá isto no título do REGISTO, pode ser que assim entendam. O Museu vai ser do Design e do Artesanato, porque vai ter as duas componentes. Podem co-existir as duas e a colecção até beneficia se não for sempre a mesma. Quantos anos tem a colecção que lá estava exposta? Há quantos anos? O prazo anunciado para a abertura desse Museu foi o mês de Julho. Vai-se cumprir a data? Estamos a trabalhar nesse sentido.

Feira de São João Há quem diga que esta Feira, por razões orçamentais tem um programa cultural muito fraco. Que garantias dá de que esta Feira de São João tem o nível dos anos anteriores? Não sei o que é que chamam programa fraco. Uma Feira que tem teatro de Revista à Portuguesa, tem Xutos e Pontapés, Martinho da Vila e Luis Represas… Desculpe lá, mas uma vez mais são as tais pessoas… O vereador Eduardo Luciano disse ao REGISTO que esta vai ser a pior Feira de sempre.

Claro, ele já sabe que vai ser a pior de sempre. Não sei a quantas ele foi, não deve ter ido a muitas. Na Assembleia Municipal fomos criticados por fazermos muitos concertos, gastarmos muito dinheiro com a Cultura e a Agenda Cultural. Agora é porque gastamos menos na Feira. É uma grande contradição! A Câmara faz uma Feira de São João de acordo com a sua situação. Ninguém compreenderia que não fosse assim. Fizemos um grande esforço de contenção no orçamento da Feira e felizmente isso foi conseguido. E, afinal, esta Feira descura o programa cultural ou não? Está ao nível do que tem sido, embora procurando adaptar-se à realidade económica. É fácil fazermos um programa cultural riquíssimo. Dêem-me meio milhão de euros, foi quanto custou a última edição do “Viva a Rua” e eu faço em três ou quatro dias um programa cultural riquíssimo. Até os Rolling Stones sou capaz de trazer cá. Mas esse não é o programa cultural da Feira de São João. Esse é cada vez mais orientado no sentido da festa popular, da tradição. Ela era uma feira eminentemente regional de características agrícolas. A agricultura deixou de ter esse papel importante, mas mantevese a primazia que é dada ao convívio, à proximidade, à partilha que sempre caracterizou a Feira de São João.

“Gosto duma guerreia política, não da agressão” Escreveu o livro “Évora, Esta Cidade e Eu”


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(continuação na página anterior)

Luís Pardal

Não admito que me chamem mentiroso. É coisa que nunca fui, não sou, nem admito que me chamem. Nem no exercício das minhas competências nem em qualquer ponto da minha vida.

antes de ser eleito para a presidência da Câmara. Ao fim de oito anos de mandato a sua perspectiva da cidade mudou? Não. Mantém aquela referência poética perante Évora? Você chama-lhe poética… vá, lá! Já não é de todo muito agressivo. Não é poética, mas é uma visão apaixonada e não há razão para ter outra visão. É uma paixão correspondida. Sou bem tratado por 99 por cento da população de Évora. Os outros não me tratam bem, mas não estou aqui só para ter amigos. As pessoas respeitam-me, consideram-me. Fiz muitos amigos desde que aqui estou. Também alguns inimigos, claro. Às vezes parece magoado pelo debate político. Acha que esse debate passa a fronteira da política? Não suporto algumas pessoas que fazem do debate político uma prática de agressão, de pôr em causa princípios e valores que devem fazer parte do respeito que é devido a todas as pessoas, a todo o ser humano. Não admito, por exemplo, que me chamem mentiroso. É coisa que nunca fui, não sou, nem admito que me chamem. Nem no exercício das minhas competências nem em qualquer ponto da minha vida. Sou um homem com quase 58 anos, com duas filhas, uma neta, um passado nesta cidade que é conhecido de todos. Não é agora qualquer cidadão que chega a uma reunião e me chama mentiroso. Não aceito isso e respondo. A coisa que mais gosto é a guerreia política. Isto não. Acha que aqui se pessoaliza muito o debate político? Aqui não há debate político. Há violência. Agressão. Tudo aquilo que é negativo, baixo. É o boato. Você não ouviu dizer às suas fontes que eu tinha inventado esta coisa do pescoço para me ir embora? Você, Carlos Júlio, escreveu isso num editorial. Não disse absolutamente nada disso. Aquilo que ouvi dizer, e várias pessoas me disseram, é que poderia já não voltar à Câmara. Nunca disse isso em lado nenhum. Mas isso interessava a algumas pessoas, porque elas sabem que sou um animador do ambiente político que impede que eles voltem à Câ-

José Ernesto diz querer deixar “uma marca” na cidade. mara. Isso é verdade. Por isso nutrem este ódio visceral. Eles é que não esqueceram. Eu continuo a ser o mesmo cidadão. Se vivêssemos noutro Estado, na altura em que rompi com essa concepção ideológica não sei o que teria acontecido. Se fosse no Leste europeu tinha-me acontecido o mesmo que àqueles que dissidiam. Não estarão cá muitos que possam contar como foi. Mas o senhor é que foi durante vários anos correlegionário dessas pessoas. Não posso chamar-lhe correlegionário, mas fui dirigente, fui activo, mas cheguei a uma altura, como tanta gente, vi que o rumo das coisas estavam a tomar, que o mundo estava a tomar e o que aquela corrente política representava não era compatível com as minhas expectativas. Com aquilo que eu queria para o mundo. Com o que queria para a minha intervenção política. Isso aconteceu em muitos sítios no mundo e só não aconteceu àqueles que nunca tiveram opinião. Saí em 91, mas esse momento ainda não foi digerido. Daí resulta a minha candidatura à Câmara de Évora, primeiro como independente, depois suportado por uma força política que continua a ser principal

adversária do PCP. Como fui bem sucedido nessa empresa, o ódio que me nutriam aumentou e mantém-se até hoje. Por imperativos legais, este é o último mandato. Vai levá-lo até ao fim, ou como noutras Câmaras sairá para preparar um sucessor? Mesmo que não fosse por imperativos legais a minha decisão, previamente anunciada, é que vou sair no final deste mandato. Entendo que três mandatos, doze anos, é mais do que suficiente para dizer o que se pretende fazer, apresentar e concretizar o seu projecto e depois, naturalmente deixar que outros venham a seguir. Mais novos, com mais energia, mais actualizados para que possam fazer outra coisa. Sempre foi a minha opinião mesmo antes de ser presidente da Câmara. Independentemente da lei ser alterada, eu sairei no final deste mandato. Não sairei enquanto não terminar as obras do Salão Central e Parque Desportivo, Circular ramo nascente, construção e conclusão da escola dos Canaviais e início das obras da Acrópole XXI. Estas são as grandes marcas juntamente com o que já fiz na área social, juntamente à preocupação que tenho

tido com a Educação e com os bens públicos, que isso sim caracteriza a diferença entre a esquerda e a direita, e eu sou um homem de esquerda e que procurei governar a Câmara de Évora à esquerda, elejo estas prioridades: o Estado Social, através da habitação, o Cartão do Idoso, essa panóplia de instrumentos que criámos para proteger os mais desfavorecidos. Segunda área prioritária, a Educação. Não há país, cidade que se desenvolva que não tenha na Educação um pilar essencial e durante anos não se ligou patavina a isso… Esta foi uma linha que nós traçámos. Escolas. Questões sociais. Qualidade de bens e serviços. É isso que temos vindo a fazer. Acho que com mais estas obras que temos, deixarei uma marca e ficarei com a consciência tranquila e apesar das dificuldades consegui repor Évora como uma cidade considerada nacional e internacionalmente. Posso concluir, apesar de nenhum autarca estar satisfeito , ficam-me a faltar muitas coisas, mas no fundamental o que me comprometi fica feito. Se estas obras forem lançadas, poderá sair antes do final do mandato. Não sei. Quero deixar uma marca. Às vezes pode acontecer qualquer coisa. Uma coisa posso garantir-lhe, não será por falta de entusiasmo, de determinação, de apoio por parte da população. Para desespero de alguns, o apoio da população continua a ser uma constante na minha vida, ando pela rua, vou ao supermercado e aquilo que ouço é apoio, estímulo, palavras de conforto, acima de tudo compreensão de que apesar das dificuldades Évora é uma cidade boa para viver, para trabalhar, para estudar e isso é o fundamental.

Embraer: Câmara criou todas as condições O projecto das fábricas da Embraer foi lançado há uma ano com a presença do primeiro-ministro. José Ernesto Oliveira diz que todas as informações que tem é de que o projecto vai avançar. Mas salienta que não é a Câmara que vai construir as fábricas. Há um ano foi lançada a primeira pedra e nada mais houve. Não é estranho? Temos de ver a crise por que passa a industria aeronáutica. A Embraer não é construída pela Câmara. A Câmara fez a sua parte. O Estado português fez a sua. Bruxelas demorou a decidir o apoio comunitário… Sim, mas neste momento isso está tudo decidido. Já há alguma data para comçarem as obras das fábricas da Embraer? No dia 25 vem cá o vice-presidente da Embraer para mais uma reunião comigo. O projecto da primeira fábrica está aprovado. Entrou, entretanto o projecto da segunda fábrica. As coisas têm andado. Agora estamos a falar de investimentos que não são compatíveis com decisões

em cima do joelho. A EMBRAER produz aviões, as encomendas pararam devido à crise. Se o mercado está a atravessar uma conjuntura difícil, terá de se esperar. Não sou administrador da Embraer, não sei, mas uma coisa posso garantir: as informações que tenho do presidente da empresa, não é de nenhum funcionário intermédio, é do presidente e dos seus representantes em Portugal e na Europa é que este é o mais importante projecto que a Embraer tem a nível mundial para o século XXI. Isto é o que posso garantir, porque é o que me dizem. Será também muito importante para Évora? Importantíssimo. É um projecto que traz novas tecnologias, novos conhecimentos que aportam consigo uma era nova na produção industrial de Évora. Vamos ter uma fábrica de ponta em termos mundiais, aqui vão ser utilizadas as mais modernas tecnologias a nível do mundo na produção de estruturas metálicas para aviões e nos materiais compósitos.

Pode ser comparado à Siemens nos anos 60? Sim, pode ser comparado com aquilo que representou a Siemens há 40 anos na cidade. . É um projecto que não se esgota em si mesmo e traz a expectativa de se desenvolver. Ainda nesta matéria, há já outras empresas que compraram terrenos em Évora. Ou seja, quando o projecto começar tenho a certeza que mais empresas ligadas à aeronáutica virão para Évora. É semelhante ao que aconteceu com a Ford/Volkswagen em Palmela. Há ainda uma terceira razão que é o emprego que vai criar este projecto, porque nesta visão estratégica, a EMBRAER criará 600 postos de trabalho directo nesta primeiro fase, mas estão previstos por cada posto de trabalho directo sejam criados dois indirectos. Isto significa que num projecto em velocidade de cruzeiro, dentro de três, quatro, cinco anos poderemos ter mais dois mil postos de trabalho criados em Évora. Seria indesculpável, as pessoas de Évora não me desculpariam se não aproveitasse um projecto destes. Agora, não é para amanhã.

Esta é outra questão, isto não se faz de um dia para o outro, não me venham perguntar amanhã pelo projecto, isto leva tempo. Isso é também sonhar alto, porque se a Embraer não investir, todo esse projecto se esvai. Você chama-lhe sonhar alto. Não há presidente nenhum, líder nenhum que não tenha uma visão, que não seja visionário. Aliás, essa foi a grande culpa que Évora teve, a de não ter uma visão e um presidente que fosse visionário. Visionário no sentido de sonhar alto. Eu tenho esse sonho, não me contento com a mediania, com a passividade, o lamento. Esse nunca foi o meu estilo, nem será. É evidente que há riscos. Há bocado dizia-me que havia muitos “ses”, agora diz-me que pode não se concretizar. Se não se concretizar fica aí um projecto que não se fez, ficam os terrenos que são património municipal que nós acrescentámos. 163 hectares que acrescentámos.


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VOTO DE PESAR

MOÇÃO

“Saramago faleceu, hoje, em Lanzarote, às 12,30 horas da tarde”

“Homenagem ao Professor Rui Namorado Rosa por ocasião da sua Jubilação”

Subscritor: Celino Silva (CDU)

«Um escritor é um homem como os outros: sonha. E o meu sonho foi o de poder dizer deste livro, quando o terminasse: “Isto é o Alentejo”. Dos sonhos, porém, acordamos todos, e agora eis-me não diante do sonho realizado, mas da concreta e possível forma do sonho. Por isso me limitarei a escrever: “Isto é um livro sobre o Alentejo”. Um livro, um simples romance, gente, conflitos, alguns amores, muitos sacrifícios e grandes fomes, as vitórias e os desastres, a aprendizagem da transformação, e mortes. E, portanto, um livro que quis aproximar-se da vida, e essa seria a sua mais merecida explicação. Leva como título e nome, para procurar a ser procurado, estas palavras sem nenhuma glória – LEVANTADO DO CHÃO. Do chão sabemos que se levantam as searas e as árvores, levantam-se os animais que correm os campos ou voam por cima deles, levantam-se os homens e as suas esperanças. Também do chão pode levantar-se um livro, como uma espiga de trigo ou uma flor brava. Ou uma ave. Ou uma bandeira. Enfim, cá estou eu outra vez a sonhar. Como os homens a quem me dirijo.» (Saramago, da contracapa do livro “Levantando do Chão”, 1980). O escritor deixou de sonhar. Deixou de poder acordar do sonho. Mas a sua obra é uma bandeira que o povo português e todos os povos manterão erguidas, hoje e sempre, pelo profundo humanismo que a percorreu, até ao fim. Escritor, português e universal, homem frontal, de uma verticalidade completa na luta contra todas as injustiças do seu tempo, o nosso tempo, e comunista. A Assembleia Municipal de Évora, em reunião no dia 18 de Junho de 2010, manifesta o seu profundo pesar e consternação pela morte de José Saramago. Évora, 18 de Junho de 2010 (Aprovada por unanimidade, seguindo-se um minuto de silêncio)

Subscritora: Elmina Lopes (CDU)

No passado dia 15 de Junho ocorreu, na Universidade de Évora, a jubilação do Professor Rui Namorado Rosa, Professor Catedrático de Física daquela Universidade. Enquanto investigador esteve ligado à criação do Centro de Geofísica de Évora, unidade de referência a nível nacional, e mais recentemente à criação do Parque Transfronteiriço de Energias Renováveis, instalação de investigação de referência a nível internacional. No plano dos ensinos esteve associado à criação de várias licenciaturas, algumas inovadoras a nível nacional. No campo da gestão, o professor Rui Namorado Rosa teve inúmeras funções institucionais, das quais se destaca os cargos de Vice-Reitor e de Presidente do Conselho Científico da Universidade. Para além disso, o Professor Rui Namorado Rosa teve inúmeras intervenções ao nível da divulgação científica e ao nível da cidadania, tendo sido director da Gazeta de Física e fundador da Organização dos Trabalhadores Científicos. É actualmente Presidente do Comité Português para a Paz e Cooperação. A cidade de Évora e a sua Universidade muito devem ao Professor Rui Namorado Rosa e ao trabalho por ele desenvolvido em prol de ambas. Assim, a Assembleia Municipal de Évora, reunida no dia 18 de Junho de 2010 nos Paços do Concelho, homenageia o professor, o investigador, o divulgador científico e o cidadão socialmente empenhado, por ocasião da sua jubilação. Obrigado Professor Rui Namorado Rosa.

EDITAL LUÍS MANUEL CAPOULAS SANTOS, PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE ÉVORA: Torna público, ao abrigo do disposto nos números 1 e 2 do art.º 91º da Lei n.º 5-A/2002, de 11 de Janeiro, que a Assembleia Municipal de Évora, em sessão ordinária realizada em 18 de Junho de 2010, deliberou aprovar em minuta, nos termos do n.º 3 do art.º 92º da Lei n.º 169/99, de 18 de Setembro, os seguintes pontos da ordem do dia: 2. Deliberação sobre a proposta da CME referente à nova composição do Conselho Municipal de Educação, ao abrigo do art.º 6º do decreto-lei n.º 7/2003, de 15 de Janeiro – Aprovada por maioria, com 29 votos a favor (18 do PS, 10 da CDU e 1 do BE) e 5 abstenções (do PSD); 3. Deliberação acerca do Projecto de Regulamento dos Cemitérios Municipais de Évora, apresentado pela CME – Aprovada por unanimidade; 4. Designação de um representante da AME na Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Évora – Procedeu-se à votação da única proposta apresentada, através de escrutínio secreto, tendo-se apurado o seguinte resultado: 27 votos a favor, 5 votos contra e 3 votos em branco. Nesta conformidade, a Sra. Dr.ª Maria José Coruche irá integrar o Conselho em causa Évora, 21 de Junho de 2010

Évora, 18 de Junho de 2010 (Aprovada por unanimidade)

MOÇÃO “De oposição ao encerramento das Escolas EB1 da Boa-Fé e Guadalupe” Subscritor: José Russo (CDU)

Considerando que em relação às duas escolas do Concelho de Évora sinalizadas para encerramento no próximo ano lectivo – N.ª Sra. da Boa-Fé e N.ª Sra. de Guadalupe: • Funcionam em edifícios escolares com excelentes condições físicas, dotados de espaços que permitem aos alunos usufruírem de actividades extra-curriculares e ATL, e permitem o exercício de uma boa prática pedagógica; • Se prevê que venham a ter aumento do número de alunos no próximo ano lectivo e seguintes; • Se verifica a oposição dos pais e encarregados de educação ao seu encerramento; • Os testemunhos de profissionais de educação que trabalham com os alunos destas escolas apontam no sentido da sua manutenção; • As respectivas Juntas de Freguesia manifestam uma posição desfavorável ao encerra

O PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL Luís Manuel Capoulas Santos Site: www.evora.net/ame E-mail: assmunicipal.evora@mail.evora.net

mento; •O encerramento destas duas escolas, sendo uma questão fundamentalmente de dimensão educativa, não deixará também de ter um fortíssimo impacto social económico e cultural nestas Freguesias, contribuindo decisivamente para a desertificação do território; • O encerramento destas duas escolas irá afastar as crianças do seu ambiente natural físico e afectivo, e de uma relação estreita e saudável com familiares mais directos, nomeadamente avós, aspectos fundamentais no desenvolvimento equilibrado das crianças. A Assembleia Municipal de Évora, na sua reunião de 18 de Junho de 2010, solidariza-se, assim, com a posição assumida pela Câmara Municipal de Évora, deliberando: • Manifestar a sua solidariedade com os pais, encarregados de educação e população em geral das Freguesias de N.ª Sra. da Boa-Fé e N.ª Sra. de Guadalupe; • Manifestar o seu descontentamento e oposição de princípio ao anunciado encerramento da EB1 da Boa-Fé e EB1 de Guadalupe, apelando à Ministra da Educação que reconsidere e anule a decisão de encerramento destes dois estabelecimentos de ensino público; • Manifestar a total abertura do município de Évora no diálogo com as estruturas do Ministério da Educação, por forma a serem consideradas as questões aqui equacionadas. Évora, 18 de Junho de 2010 [Aprovada por maioria, com 19 votos a favor (14 da CDU, 4 do PSD e 1 do BE), 18 abstenções (do PS) e 1 voto contra (do PSD)]


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Lazer HORÓSCOPO SEMANAL

Carneiro

Resolva as palavras cruzadas

livros Telefone: 21 318 25 91 E-mail: mariahelena@mariahelena.tv

Touro

Gémeos

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O Primeiro Gomo da Tangerina

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Autor_ Sérgio Godinho

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e Madalena Matoso

Carta Dominante: 2 de Espadas, que significa Afeição, Falsidade Amor: Tenha pensamentos positivos, pois nem tudo na vida nos pode correr pelo melhor. A vida exige de cada um a tarefa de lutar e vencer. Saúde: Não terá que se preocupar, está em plena forma. Dinheiro: Terá algumas dificuldades. Número da Sorte: 52 Dia mais favorável: Quinta-feira

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Caranguejo Carta Dominante: Cavaleiro de Copas que significa Proposta Vantajosa. Amor: Pequenos desentendimentos poderão deixá-lo muito magoado. Veja sempre a vida que Deus lhe dá como uma oportunidade para melhorar. Saúde: O seu organismo pode ressentir-se. Dinheiro: Torna-se urgente uma mudança de atitude. Número da Sorte: 48 Dia mais favorável: Quarta-feira

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Carta Dominante: Rainha de Espadas, que significa Melancolia, Separação. Amor: Desta vez vai deixar os preconceitos de lado e lançarse na paixão de cabeça. Saúde: Tendência para dores musculares. Dinheiro: Efectuará bons negócios. Número da Sorte: 63 Dia mais favorável: Segunda-feira

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Leão Carta Dominante: Valete de Paus, que significa Amigo, Notícias Inesperadas. Amor: Uma boa conversa com o seu companheiro fortalecerá a vossa relação. Lembre-se que na vida não há impossíveis, apenas objectivos mais difíceis de alcançar! Saúde: Cuidado com os rins, beba muita água. Dinheiro: Poderão surgir boas oportunidades, não as deixe fugir. Número da Sorte: 33 Dia mais favorável: Segunda-feira Horóscopo Diário Ligue já!

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Carta Dominante: Cavaleiro de Espadas, que significa Guerreiro, Cuidado. Amor: A sua família necessita que lhe dê mais atenção. Dê a mão a quem dela precisa. Uma palavra de consolo será sempre bem recebida. Saúde: Deve ter mais cuidado com os seus ossos. Dinheiro: O esforço profissional vai ser reconhecido. Número da Sorte: 62 Dia mais favorável: Sábado

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Virgem Carta Dominante: Rainha de Paus, que significa Poder Material e que pode ser Amorosa ou Fria. Amor: Poderá andar de paixão em paixão. Domine a sua agitação, permaneça sereno e verá que tudo lhe sai bem! Saúde: Sentir-se-á em forma. Dinheiro: Surgirão vários projectos que lhe permitirão alcançar aquela quantia de que tanto necessita. Número da Sorte: 35 Dia mais favorável: Quinta-feira

Escorpião

Sagitário

Carta Dominante: 5 de Copas, que significa Derrota. Amor: Lute sempre pela sua felicidade, não se deixe vencer pelos obstáculos. Só você é responsável pelo seu caminho! Saúde: Procure fazer algum tipo de desporto. Dinheiro: Maré pouco favorável para investimentos. Número da Sorte: 41 Dia mais favorável: Segunda-feira

Carta Dominante: Rei de Copas, que significa Poder de Concretização, Respeito. Amor: Vai apaixonar-se facilmente, estará com um grande poder de sedução. A vida é um dom maravilhoso. Agradeça a Deus por ela! Saúde: Estará em boa forma. Dinheiro: Pode agora comprar aquele objecto de que tanto gosta. Número da Sorte: 50 Dia mais favorável: Terça-feira

Carta Dominante: Valete de Copas, que significa Lealdade, Reflexão. Amor: Tente ser mais selectivo nas suas amizades. Se escutar o seu coração e agir de acordo com a sua intuição, encontrará a felicidade! Saúde: Poderá sofrer de alguma rouquidão. Dinheiro: Tenha algum cuidado com as pessoas que trabalham consigo, pois se lhes abrir o jogo poderá sair prejudicado. Número da Sorte: 47 Dia mais favorável: Sábado

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Capricórnio

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Peixes

Carta Dominante: 7 de Ouros, que significa Trabalho. Amor: Não diga nada antes de pensar bem naquilo que vai dizer, pois essa impulsividade joga muitas vezes contra si. Se seguir em frente e fizer o que tem de ser feito, todos acabarão por aplaudi-lo! Saúde: Cuidemaisdosseuspés. Dinheiro: Não deixe que os outros tomem decisões ou falem por si, imponha o respeito no seu local de trabalho. Número da Sorte: 71 Dia mais favorável: Segunda-feira

Carta Dominante: O Carro, que significa Sucesso. Amor: Não deixe que terceiros se intrometam na sua relação afectiva. Não dê ouvidos a calúnias e intrigas! Saúde: Dê mais atenção à sua saúde, pois na verdade quando julgamos estar bem nem sempre o estamos. Dinheiro: Período pouco favorável a grandes investimentos. Número da Sorte: 7 Dia mais favorável: Domingo

Carta Dominante: A Papisa, que significa Estabilidade, Estudo e Mistério. Amor: Não se precipite numa decisão importante. Analise todos os factos e pense friamente. As decisões precipitadas não lhe serão favoráveis. Se alguém quiser desviá-lo do caminho do Bem, não o acompanhe! Saúde: Cuidado com os resfriados. Dinheiro: Exponha as suas ideias de forma clara e objectiva para que elas surtam o efeito que deseja. Número da Sorte: 2 Dia mais favorável: Quinta-feira

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Sinopse

Depois da edição de “Trava línguas” (2009), c o m texto de Dulce de Souza Gonçalves, a editora Planeta Tangerina decidiu abrir as portas do seu universo e trabalhar com outras pessoas, já que a maioria dos livros que publicaram tem histórias de Isabel Minhós Martins. Sérgio Godinho foi o eleito e vê o seu o tema “O primeiro gomo da tangerina” faz parte do álbum “Tinta permanente” (1993) ilustrado por Madalena Matoso através da técnica de recorte e colagem, que já tinha experimentado em “Os mil brancos dos esquimós”, publicado pela OQO. O que faz uma menina de tangerina na mão? Cheira, prova, experimenta... O acontecimento é único (a menina nunca antes provou nada assim) e, por isso, todos vêm ver. Será que vai gostar? Vida fora, não esquecerá este primeiro gomo, que, diz ela, tem o sabor da primeira vez.

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7 1. Anda a rodar e estão vinte jogadores atrás dela 2. Se um jogador na sua área tocar a bola com o braço ou mão 3. Responsável da equipa de arbitragem 4. Onde entra a bola e se grita golo 5 Vet. são duas, transversais às linhas finais 5 Hor.são duas, transversais às linhas laterais 6. Quando a bola entra na baliza 7. contrário de preso, falta cometida por um jogador .

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Nota: O objectivo do jogo é completar os espaços em branco com algarismos de 1 a 9, de modo que cada número apareça apenas uma vez na linha, grade e coluna.

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Balança

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Porta do Alentejo marca presença na Feira de S. João

Com stand de 36 metros quadrados a imobiliária Porta do Alentejo coloca na primeira linha da sua estratégia comercial e de marketing, o lançamento da sua nova Revista e um empreendimento novo para comercialização com promoção exclusiva – Casas de Valbom. As “Casas de Valbom” estão inseridas num loteamento junto ao Clube de Ténis de Évora e à Quinta do Valbom (adega da Cartuxa), com vistas para os campos de ténis e vinhas. As 6 Moradias possuem um estilo muito próprio, plenas de harmonia e luminosidade natural, com generosas áreas de construção que vão de 440 m2 a 480 m2 de tipologias T5. Em curso, e para promoção ainda, na Feira de S. João poderá visitar o stand Porta do Alentejo e conhecer a Cerca de Santa Mónica (15 Moradias - Centro Histórico de Évora), Paço Lobo das Gamas (19 Apartamentos - Centro Histórico de Évora), com 50% vendido, Empreendimento Sanches de Miranda (Apartamentos - Évora), entre outras soluções imobiliárias que Porta do Alentejo tem sempre ao seu dispor.


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Artes

“Um espaço especial com condições especiais para uma entidade que para além de ser um dos pilares desta marca, será também o grande motor deste vosso novo espaço – A FAMILIA. Numa área com um total de 8.000m2 procuramos colocar à vossa disposição modalidades e equipamentos tão diversas e transversais quanto todos os que nos visitam. De miúdos a graúdos, de avós a netos, todos terão o seu espaço e todos poderão partilhar o seu bem-estar” Trabalhamos diariamente para que esta família every•body cresça ainda mais para proporcionar às Vossas famílias o melhor bem-estar possível, e para que o que vocês fizerem cá dentro se veja lá fora”. DOR/ CEO do o, ADMINISTRA Lino Pereira Coelh rectora Geral Di r spa Carla Ga ÉVORA HOTEL com do Everybody

Director Geral do

Évora Hotel, Migu

el Breyner

Evento para apresentação do novo every.body Évora, que vai abrir ao público no final do Verão. A boa disposição foi rainha neste final de tarde proporcionada pelo Évora Hotel. Muito entusiasmo e curiosidade por este novo espaço que promete superar todas as expectativas.

Fotos_Luís Pardal


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Roteiro

Para divulgar as suas actividades no roteiro Email geral@registo.com.pt

O que é Reiki? Reiki é a possibilidade natural, ao seu alcance, de você se tornar mais saudável. Pela transferência de Energia Vital, através do transmissor para um receptor, é alcançada a harmonia energética em todos os níveis do indivíduo. Dessa harmonização decorrem novos patamares de saúde e consciência. Usui Shiki Ryoho – traduzido do japonês como Sistema Usui de Cura Natural, mundialmente conhecido como Reiki, é um sistema que vem através de uma linhagem espiritual de mestres que mantiveram essa prática energética ao longo do tempo, desde sua concepção no início dos anos 1900, tendo como grãos-mestres Mikao Usui, Chujiro Hayashi, Hawayo Takata e Phyllis Lei Furumoto. Este sistema é um método de cura, bem como uma prática que resulta no desenvolvimento da pessoa como um todo, através de tratamentos que conduzem ao retorno do equilíbrio natural do ser humano, em muitos níveis diferentes. “Um conjunto completo” como referiu Hawayo Takata. A prática tem também o potencial de se transformar em um modo de viver, uma filosofia de ser. Reiki, em sua origem, é uma Tradição Oral. Hoje isso significa que “Reiki não está contido em palavras escritas”, mas sim naquilo que passa de mestre para aluno: sua relação com o aluno, na transmissão de energia, nas diferentes formas de ensinar, na iniciação, no contar histórias e suas metáforas, na sua maneira de ser. Mantendo viva a tradição oral, esta prática reconhece seu potencial para tornar-se mais do que uma técnica de cura. Ela é transmitida como um caminho para uma diferenciada qualidade de vida para quem está disposto a praticá-la. (Baseado em texto de Phyllis Lei Furumoto, numa tradução livre de João Carlos Melo)

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Évorhouse promove fim-de-semana, Porta Aberta, no Paço dos Lobos da Gama O prazer de viver no Centro Histórico de Évora, num Palácio de século XVII, como puro exemplo de arquitectura civil barroca, de linhas sóbrias mas bem proporcionadas. O condomínio fechado “Paço dos Lobos da Gama”, instalado no coração da cidade de Évora está neste momento na sua fase final de construção, tendo sofrido obras de remodelação, restauro e adaptação, com uma área de 1400m2 é composto por 5 lojas, 19 apartamentos de tipologia T1, T2, T3 e T4, alguns destes apartamentos com terraço, 26 lugares de estacionamento e um amplo pátio privado, havendo neste momento 50% do empreendimento vendido. A reconversão deste espaço num condomínio fechado, teve em conta a importância das necessidades, acautelando para isso todas as comodidades indispensáveis ao nosso dia-a-dia. Paço dos Lobos da Gama, onde o novo e o antigo se tocam numa harmoniosa cumplicidade.

A Évorhouse tem o prazer de convidar a visitar o Empreendimento Paço dos Lobos da Gama no fim-de-semana de 26/06 a 27/06 das 14h30 às 18h.


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Artes Unanimidade na morte de José Saramago

“Escrita na Paisagem”

Festival de performance sob o signo do “Re:play” José Pinto de Sá

É já no dia 1 de Julho que tem início, em Évora, a 7ª edição do festival Escrita na Paisagem, que, durante três meses, vai apresentar, na sua programação, numerosos projectos artísticos transdisciplinares, nacionais e internacionais. “A paisagem é feita pelo homem,” diz José Alberto Ferreira, director artístico do festival Escrita na Paisagem, explicando que a proposta do evento é, justamente, “escrever uma paisagem”. Criado em 2004, o “festival de performance e artes da terra” tem um tema diferente em cada edição. Este ano, o tema é “Re:Play” e propõese levar o espectador a “pen-

sar a paisagem como lugar de re:petições, re:criações e re:descobertas”. “Vivemos numa cultura que valoriza cada vez mais o replay”, explica José Alberto Ferreira. É esse conceito de “Re:play (re:petição, re:novação)” que dá o “tom geral” aos projectos” que a associação cultural Colecção B programa para a sétima edição do festival Escrita na Paisagem. O evento vai decorrer, de 1 de Julho a 30 de Setembro, em sete concelhos nacionais, seis dos quais alentejanos, como Évora, Arraiolos e Redondo. “O festival nasceu no Alentejo e é desta paisagem que se alimenta,” explica José Alberto Ferreira. Até ao fim de Setembro, suceder-se-ão os espectácu-

los, exposições, debates e colóquios em torno do tema “re:play”, extensivo também à Escola de Verão do festival, que este ano se apresenta “em formato alargado, mais diversificada nas suas actividades e ofertas de formação”. O festival tem início em Évora, na próxima quintafeira, com o espectáculo

“The Secret Song”, pelo Dj Spooky That Subliminal Kid. Nomes como Phillip Zarrilli, Fanny & Alexander, Cie Philippe Genty, ou os portugueses Teatro de Ferro, Teatro do Vestido, Tiago Pereira, Pedro Proença ou Vera Mantero contam-se ainda entre as muitas propostas desta edição.

DJ Spooky: um concerto “explosivo” J.P.S.

DJ Spooky, “um dos fundadores da cultura do remix”, vem a Évora na quinta-feira para uma conferência-demonstração e um concerto “explosivo”, abrindo com chave de ouro a 7ª edição do festival Escrita na Paisagem. O festival tem início no dia 1 de Julho, pelas 15h00, no Auditório da Universidade de Évora, com uma conferênciademonstração por Paul Miller, também conhecido por DJ Spooky e por That Subliminal Kid. Paul Miller “reconstrói a história do som e dos meios de registo, analisando vários artistas da área”, como Eno ou Moby, bem como “pensadores e teóricos”. Miller cruza estes temas com o conceito de remix, numa conferência “plena

de rip-mix-burn” No mesmo dia, pelas 22h00, o Claustro Maior do Colégio do Espírito Santo acolhe o concerto The Secret Song, por DJ Spooky. Em The Secret Song, DJ Spooky articula “samplings de música e vídeo num concerto explosivo, focado no choque entre economia e globalização”. The Secret Song é o mais recente trabalho de DJ Spooky, considerado “um dos fundadores da cultura do remix”, e constitui “uma amostra representativa do trabalho prático e teórico” desenvolvido por este compositor, escritor, artista conceptual. Ainda no dia 1, às 20h00, tem lugar no Museu de Évora a inauguração da exposição “Últimas Ceias”, reunindo obras de Jorge de Sousa, Marcos López, e Noémia Cruz.

A Assembleia Municipal de Évora, reunida na última sexta-feira, aprovou um voto de pesar pela morte de José Saramago. A proposta feita pelos eleitos da CDU, no preciso dia da morte do escritor, mereceu a unanimidade todos os deputados municipais. No voto de pesar é sublinhada a obra e a personalidade do escritor, manifestando ainda a Assembleia Municipal “o seu profundo pesar e consternação pela morte de José Saramago”. A seguir à aprovação unânime, todos os deputados guardaram um minuto de silêncio em memória do único escritor português Prémio Nobel da Literatura. Também Rui Namorado Rosa foi homenageado na última Assembleia Municipal. No período antes da ordem do dia os deputados aprovaram, também por unanimidade, uma moção, cuja primeira subscritora foi Maria Elmina Lopes, deputada da CDU, de homenagem ao Professor Catedrático Rui Namorado Rosa. Uma homenagem por ocasião da sua jubilação na Universidade de Évora. Relembrando o seu trabalho como docente e investigador e reconhecendo que “a cidade de Évora e a sua Universidade muito devem ao Professor Rui Namorado Rosa e ao trabalho por ele desenvolvido em prol de ambas”, a moção salienta que a “Assembleia Municipal homenageia o professor, o investigador, o divulgador científico e o cidadão socialmente empenhado, por ocasião da sua jubilação”.

Alentejo foi considerada melhor região de turismo 2010

DJ Spooky vem a Évora no dia 1 de Julho

A Última Ceita constitui, provavelmente, “o tema mais recorrentemente difundido no espaço da cultura religiosa de matriz cristã”, mas também “um dos mais glosados, citados e re:mediados” pela arte do século XX. Para os organizadores do festival, trata-se de um “tema re:play por excelência, inscrevendo nos seus próprios termos a re:petição do gesto reden-

tor”. A partir do dia 1, também estará patente ao público a exposição “Saladas tipográficas e outras barbaridades afins”. Nesta exposição em formato “arte de guerrilha”, Pedro Proença apresenta “uma eloquente e lúdica revisitação de material tipográfico, ilustrativo e artí¬stico, transformando-o numa apetecível e divertida viagem pela galáxia Gutenberg”

Concorrendo com destinos de peso como o Algarve e Lisboa e Vale do Tejo, as outras duas regiões nomeadas, o Alentejo arrecadou na passada sextafeira, numa cerimónia realizada em Vilamoura, o prémio da Melhor Região de Turismo Nacional do ano de 2010. A distinção que premeia um ano de excelência do turismo alentejano inserese em mais uma edição dos prémios Publituris Portugal Travel Awards, considerados pela indústria turística nacional como os “Óscares do turismo em Portugal”. O turismo do Alentejo sobressaiu na noite algarvia através de muitos dos seus protagonistas, incluindo diversos empresários, cabendo a António Ceia da Silva, líder do destino turístico distinguido, receber o prémio de Melhor Região de Turismo Nacional. Os prémios Publituris Portugal Travel Awards incluem 15 categorias, entre as quais, precisamente, aquela que visa premiar a melhor região de turismo nacional, cabendo tal distinção pela primeira vez ao Alentejo.


22 24 Junho ‘10 Anuncie no seu jornal REGISTO Telf: 266751179 Telm: 967395369

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Toiros Este domingo, dia 27, a Arena d’Evora vai ser palco de uma corrida de toiros comemorativa dos 60 anos da estreia da Ganadaria Murteira Grave. Aproveitando esta oportunidade, o REGISTO entrevistou o seu actual responsável Joaquim Grave. Joaquim Vasconcellos e Sá Grave

“Se saírem 10 ou 15 toiros bravos por ano já é muito bom” Miguel Ortega Clàudio

Em função dos seus critérios pessoais, como foi a última temporada para a ganadaria Murteira Grave? Continuou a ser uma temporada de transição. Em Espanha lidei uma novilhada excelente em Cáceres, com um novilho de volta ao ruedo para o qual foi pedido o indulto. Ganhei todos os prémios da feira. Em Portugal talvez não pudesse ser melhor, tive a temporada de maior êxito dos últimos 10 anos. Os meus toiros ganharam o prémio de corrida mais brava do Campo Pequeno e de Santarém; o prémio para melhor toiro em Reguengos de Monsaraz; em Évora o prémio de Bravura do Concurso de Ganadarias e vários prémios de ganadaria triunfadora de vários sites da especialidade. Foi uma temporada muito premiada. A corrida de Lisboa teve um impacto impressionante. A de Santarém também saiu muito boa. Tive várias corridas em que fiquei satisfeito com os meus toiros. A pior foi a de Vila Franca e depois a de Évora. Foi de facto uma temporada muito boa, mas de modo nenhum foi ao nível que pretendo alcançar. Está claro que os êxitos são fruto do trabalho, do conhecimento e da intuição. Tudo junto converte-se no viver de um sonho. Sonha com ser figura dos Ganaderos? Ser figura dos ganaderos pode ser relativo, eu quero de facto é ter toiros muito bravos, quero ser conhecido pelo ganadero dos toiros bravos. Que, às vezes, não é o melhor para os toureiros! Mas espero que deixe um pequeno contributo e quando eu desaparecer, quem pegar nisto diga que deixei uma ganadaria brava de verdade. Que saiam 10 ou 15 toiros bravos de verdade por ano já é uma média muito boa. Sabe, eu sou obcecado pela bravura do toiro. Vibro muito

com as investidas enraçadas e bravas. É uma coisa que me empolga e que eu procuro obstinadamente.

moração dos 60 anos da praça e da ganadaria, vou a Lisbao a 22 de Julho com uma corrida com um trapio impressionante. Dia 12 de Agosto volto a Lisboa com uma novilhada. Messejana dia 15 de Agosto. Em Julho levo uma novilhada a Madrid nas nocturnas. E depois tenho mais 3 toiros para os concursos de ganadarias de Reguengos, de Alcochete e o Diego Ventura quer lidar o toiro da casa no concurso de ganadarias da Moita. E depois tenho mais 2 novilhadas para Espanha

Uma das características da sua última temporada foi haver um grande número de toiros com grande toreabilidade. Isso deve-se à introdução de novos sementais? Bem, a bravura que eu busco não está desligada da toreabilidade, nem a quero. Eu não sou daqueles que procura o toiro só bom para o ganadeiro. Eu procuro aquele toiro que é bom para ganadeiro, toureiro e público. Eu acredito nesse toiro! Eu acredito no toiro que quando sai bravo põe todos de acordo, é esse o toiro que procuro. Eu peguei na ganadaria há 8 anos e costumo dizer que só ao fim de 15 anos se vê o trabalho desenvolvido e às vezes uma vida não chega. De facto, o que está a sair já é fruto de novos sementais. Eu estou a criar o meu toiro e não o toiro do meu pai ou do meu avô. Eu vou criar o meu, aquele que sinto, eu não sou capaz de criar aquilo que não sinta! “El toro sale a su Amo”.

científicos que o provam. Hoje em dia temos que estudar e acima de tudo ser determinados na selecção do toiro que queremos ter. Por exemplo, há ganadeiros que vêem os seus toiros como filhos e lhes perdoam tudo, eu sou o contrário, eu ando à procura dos defeitos de cada toiro. Os outros só vêem as qualidades e menosprezam os defeitos, eu diminuo as qualidades e aumento-lhe os defeitos. Acho que para se ter uma ganadaria brava não pode ser de outra maneira.

Costuma dizer-se que chegar a um posto cimeiro custa uma enormidade. Como trabalha para que a ganadaria não dê um passo atrás? Isso preocupa-o? O manter o posto cimeiro é o mais dificil. Por exemplo, uma temporada como a que tive o ano passado não quer dizer que esse passo atrás não venha a acontecer. Mas eu não acredito na sorte nisto do toiro. Porque a fase do ganadeiro romântico já passou. Melhor dizendo, isso nunca foi assim. Um ganadeiro punha um semental nas vacas e rezava uns padres nossos e a coisa resultava. Hoje sabemos que a hereditariedade que compõe os caracteres da bravura se transmitem, há estudos

Como vê o estado actual da festa em Portugal? Vejo um espectáculo que não é propriamente a corrida de toiros como eu me habituei a ver em Espanha e aquela que mais sinto. É um espectáculo a corrida à portuguesa que se tem que defender de alguma maneira. Mas, neste momento, atravessa uma fase um bocadinho populista, o público de facto nunca demonstrou tão pouco conhecimento como agora. Mas sobretudo o público de Lisboa é um público muito festivaleiro, mas também lhe digo, prefiro ver o Campo Pequeno cheio deste público que um quarto de praça só de entendidos, porque uma corrida só vista por aficionados deve ser uma maçada muito grande! E

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quem sustenta a festa é o público. O que acha da invasão de toiros Espanhóis em Portugal? Vejo por um lado que são as leis do mercado a funcionar. O trânsito de livre circulação de toiros entre Portugal e Espanha tem que ser nos dois sentidos. Espanha atravessa uma grande crise e isso também se repercute nas corridas de toiros e sobram muitos toiros, olhe, e têm vindo para cá. O que não concordo é que os espanhóis lidem havendo uma desigualdade nos requisitos necessários. No fundo, o que os espanhóis estão a fazer quando lidam cá é ilegal, porque o que diz a norma Portuguesa é que todos os toiros lidados cá têm que fazer parte do livro genealógico Português e isso não acontece. Falta-lhe um carimbo no livro genealógico Português, que aí podia custar um X e pusesse um travão a isto Mas isto tem que ter ser resolvido de alguma forma, porque eles estão a vender toiros a metade do preço do que eu vendo e uma situação destas ninguém consegue aguentar. O que lhe resta de temporada? Então, lido em Évora no Domingo dia 27, depois levo uma corrida à Moita dia 17 de Julho na come-

Comemorar 60 anos de ganadaria em Évora tem algum significado especial? Como ganadeiro sinto a mesma responsabilidade que sempre sinto. No entanto, em termos de ansiedade, talvez seja um pouco maior, porque é notório que uma boa parte da publicidade desta corrida está centrada na ganadaria, o que, se acrescentarmos ao facto de ser a ganadaria da terra, resulta numa maior visibilidade do acontecimento. Foi a praça onde a ganadaria fez a sua estreia e além disso, todos sabemos que parte do público vai à espera da apresentação dos toiros e verem o seu comportamento. Acho que vai ser uma noite bonita de toiros numa data importante para a casa. O São Pedro em Évora é sempre uma data forte. Como está a corrida que vai ser lidada em Évora? Está uma corrida muito bem apresentada, bonita e em tipo não é exagerada, tem cara de praças de primeira categoria, de pesos tem uma média de 550kg. É uma corrida sobrada de trapio. Está aberta de sementais, vão 3 toiros de um semental, 2 de outro 1 um de outro. Espero que invista!


24 24 Junho ‘10

Sede Travessa Ana da Silva, n.º6 -7000.674 Tel. 266 751 179 Fax 266 730 847 Email geral@registo.com.pt

SEMANÁRIO

Alentejo: só fecham escolas com menos de 11 alunos Cerca de 30 escolas do primeiro ciclo do Alentejo já não deverão reabrir no próximo ano lectivo, na sequência da anunciada intenção governamental de encerrar estabelecimento de ensino, revelou à Lusa o director regional de Educação do Alentejo. “Cerca de três dezenas de escolas estão sinalizadas” para encerrar, afirmou José Verdasca, explicando que este número “ainda não está fechado”, uma vez que “há casos que estão ainda em análise”. Verdasca falava aos jornalistas depois de reunir com pais, encarregados de educação e autarcas de vários concelhos do distrito de Évora, que se concentraram na terça-feira junto à Direção Regional de Educação do Alentejo (DREA), em Évora. De acordo com José Verdasca, o encerramento de escolas do primeiro ciclo do ensino básico no Alentejo “foi sempre equacionada em estabelecimentos com menos de 11 alunos e em situações que são objecto de análise, contextualização e reunião com os presidentes dos municípios”.

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Morte do Nobel José Saramago

O dia em que Mariana Amália se despediu do Zé Paulo Nobre

No sábado de manhãzinha estava decidida: ia meter-se ao caminho até Lisboa para dizer adeus ao Zé. Insistiu com as filhas. Com os netos. Até que conseguiu boleia. Na RTP, Mariana Amália lá aparecia no filme. Das primeiras a entrar nos Paços do Concelho da capital para o último momento partilhado com o amigo escritor feito prémio Nobel. Sexta feira. São nove e meia da noite. A notícia da morte de José Saramago já soara aos quatro cantos quando do telefone vem a confirmação de que Mariana Amália está “viva e de saúde”. Um telefonema basta para ficar combinado um encontro, na manhã seguinte, com uma das mais inusitadas grandes amigas de Saramago: Mariana Amália, 79 rijos anos de prodigiosa memória. “Mas não venha tarde, que eu quero ir de manhãzinha para Lisboa”, avisa. Antes das nove e meia da manhã de sábado já a porta se abre. Em casa, na sala pequena, arrumada, começa o desfiar das mais belas memórias de Mariana Amália. Ela que durante meses sentou à mesa de sua casa, juntamente

com o marido e os sete filhos, um desconhecido escritor que no final dos anos 70, em pleno movimento da Reforma Agrária, “veio cá a Lavre para escrever um livro”. Ficou quatro meses. Voltou muitas mais. Passeou pelo Ciborro. Montemor. Calcorreou os campos. Para conversar. Ouvir as histórias contadas pelas gentes do campo. Mariana tem na ponta da língua as histórias do “Zé”. Um ror de lembranças “todas guardadas aqui no meu coração”. “Dormia ali na cooperativa e todos os dias vinha aqui almoçar e jantar”, recorda. “Sentava-se aí”, diz apontando para uma cadeira de madeira, arrumada por baixo de uma mesa castanha, coberta com um naperon de renda. “Entrava vinha sempre tão contente, ouvindo o chalrear [chilrear] dos pássaros naquela máquina [gravador]”. Dos meses passados em Lavre, Saramago levaria inspiração para escrever “Levantado do Chão”. Romance considerado pelo próprio como o arranque da sua carreira de escritor.

Mariana Amália, entrevistada pela RTP, em Lisboa, antes do adeus a Saramago.

“O Zé veio cá muitas vezes sempre sentado aí, nessa cadeira”, volta a apontar, quase sacralizando o lugar, “conversávamos. Conversávamos muito”. É intenso o brilho dos olhos de Mariana Amália. Impetuosa a voz desfiando memórias. Até que pára, num silêncio raro… para lembrar a última vez. “Ele disseme: ‘Mariana, esta é a última vez que venho a Lavre. Estou mais velho, cansado e doente’. Repliquei: ‘Ó Zé, sabes lá’. Ele sabia. Isto foi aí há uns três anos. E ele não voltou”, conclui pesarosa. A conversa é interrompida por um telefonema. - Vem depressa…

eu estou pronta para ir… não quero ir muito tarde. “Era o meu neto. Vem-me buscar. Quero ir despedir-me do Zé”. “Cada vez que saía um livro ele oferecia-mo. Agora… já não vou receber nenhum livro dele”. Mariana Amália que tantas vezes cozinhou para Saramago acabou personagem de Levantado do Chão. Ela, o marido – falecido em 96 – e uma filha. Como muitos que de perto conviveram, contaram histórias ao escritor que mais tarde as converteu na saga da família Mau-Tempo. José Saramago guardou esta terra e as suas gentes no coração. No regresso a Portugal, após receber o Nobel, em 1998, Lavre foi a primeira terra portuguesa que o escritor quis visitar. No barracão da cooperativa onde tantas vezes pernoitou, juntaram-se nesse dia muitas das pessoas com quem conviveu. José Saramago, acompanhado de Pilar del Rio agradeceu-lhes. Um agradecimento maior. Emocionado. “Se não fossem vocês, se não fosse Levantado do Chão, eu nunca teria sido escritor”.


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