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SEMANÁRIO

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Director Nuno Pitti | 29 de ABRIL de 2010 | ed. 103 | 0.50 euros

Gastronomias Mediterrânicas

A cozinha maior em Évora António Nobre, responsável pelo restaurante do Hotel M`AR De AR Aqueduto, é um entre quase duas dezenas de cozinheiros, entre portugueses e estrangeiros a participar no Festival Internacional “O Alentejo e as Gastronomias Mediterrânicas” que se realiza entre 3 e 9 de Maio.

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Reportagem

Os “passos perdidos” do desemprego

ÉVORA

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António Zambujo Novo disco no Garcia de Resende PUB

OVIBEJA

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Fernando Nobre, candidato à Presidência da República, vem a Évora para a apresentação do seu último livro, “Humanidade – Despertar para a cidadania global solidária”, publicado pelo Círculo de Leitores. O tema será debatido durante um jantar promovido pelo Clube Eborense no dia 3 de Maio, no Hotel M’ar de Ar Muralhas.

PR encerra a feira O Presidente da República, Cavaco Silva, vai visitar a Ovibeja no domingo, último dia da feira. Antes, pela manhã, o Presidente estará em Barrancos. Por confirmar está a visita de José Sócrates àFeira do Alentejo. É possível que o primeiro-ministro vá à Ovibeja no sábado.

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A abrir

Carlos Moura Engenheiro

Cacos de Vidro Diz um velho ditado que quem tem telhados de vidro não atira com pedras. Calculo que não deva ser nada cómodo ter que apanhar os cacos todos do chão, com o risco de golpear mãos e pés, e que apanhar com eles em cima deve ser daquelas experiências a evitar até em imaginação. Contudo a imprudência leva a que pessoas, cuja experiência deveria ter servido de freio, fiquem extasiadas por mais um “furo” jornalístico e acabem por ter de manusear desajeitadamente os tais caquinhos que por azar caíram também na sua trupe. O Deputado que montou a cegada em Famalicão não é um novato, enfim um jovenzito, que tomado de furor justiceiro se atire ao primeiro pérfido regulamento que por aí ande. É um vetusto ex-Vereador do seu partido na Câmara de Lisboa, não sendo no entanto efectivo, apenas porque este partido andava à altura de trapos juntos com outra figura mediática com a qual aliás depois se desaguisou.

Dito isto fica claro que o Deputado tinha de conhecer as disposições da Lei, que determinavam terem de ser de nacionalidade portuguesa os concorrentes à habitação municipal. Mas admitindo que o não sabia, deveria ter-se informado junto da autarquia detida pelo seu partido, quanto mais não fosse para estar informado sobre alternativas às regras que se aprestava a criticar. Mas não. O caminho escolhido foi a chicana nas televisões e nos jornais, com o espalhafato habitual vindo das bandas de onde vem, mas que deixou à mostra que mais importante do que propor no Parlamento a alteração à Lei, mais importante do que conhecer as regras em vigor nas autarquias, os eleitos desta força politica ocupam melhor o seu tempo buscando casos que pelo escândalo público lhes proporcionem um aura de defensores dos fracos e oprimidos. Saiu mal desta vez, mostrou que além dos seus Deputados não conhecerem a Lei, os seus Vereadores desconhecem até o que se passa na autarquia por si dirigida. Bem podem falar de nobres princípios dos quais não abdicam, bem podem retirar do site os regulamentos até então em vigor, bem podem professar a pés juntos solenes alianças de propostas de revisão da Lei. Agora? Agora já os telhados estão estilhaçados e só se o povo for assaz pitosga é que se livram de umas boas cicatrizes.

“Sampaio e a democracia defeituosa”?

Pedro Henriques Cartoonista

Efeméride

É celebrado no dia de 29 de Abril, neste dia também é comemorado do dia do nascimento de Jean Georges Noverre (* 1727 | + 1810), o precursor e criador do ballet moderno. A comemoração foi introduzida em 1982 pelo Comité Internacional da Dança da UNESCO com o objectivo de despertar a atenção do público em geral para a importância da dança, e incentivar governos a fornecerem um espaço próprio para dança em todo o

sistema de educação desde o ensino infantil até o ensino superior. Através da dança a criança e o adolescente aprende a se expressar com o corpo, fazendo com que se sinta mais a vontade em expressar suas emoções e sentimentos no seu dia-a-dia; ou seja a dança favorece a criança no aspecto de fazer com que ela adquira uma habilidade maior para se expressar quer seja pela dança, quer seja através de outros meios.

Luis pardal

Fotografia & Texto

Local da Fotografia: Circo Vitor Hugo Cardinali WWW.LUISPARDALFOTOS.COM

Paixão pela vida Luz, magia e sonho! Eles fazem o encanto dos miúdos e graúdos pelas cidades onde passam com o seu dom. Esta arte e dedicação surgiu na China, onde guerreiros treinavam a sua força e agilidade praticando truques de equilibrismo, contorcionismo e acrobacia. Registos de pinturas com mais de cinco mil anos mostram que essas agilidades de treino começaram a tornar-se em beleza, charme e harmonia tendo todo o sentido de espetáculo. Em 1596, a arte circense chega até Lisboa, conquistando todos Portugueses com esta nova diversão bastante entusiasta. Cada vez mais a vida do circo está dificultada

e famílias com Cardinali e Chen, lutam pela continuidade desta diversão, mal vista por muitos. Uma vida de trabalho, com salários talvez um pouco débeis e vida afectuosa com o exterior bastante complicada devido à paixão que é trabalhar no circo, são traços muito caraterísticos dos artistas circenses, que de cidade em cidade, mudam a sua casa sabendo que o que os rodeia será sempre o mesmo. Montar e desmontar as tendas, treinar todo o dia para que à noite tudo corra na perfeição e deixar os seus pequenos filhos assistam e sonhem com a sua futura profissão já destinada são os

dias destes trabalhadores. Nos últimos anos, Évora não teve uma grande afluência de circos a mostrar o que melhor sabem fazer, enquanto nos últimos quatro meses a cidade já foi palco de um circo diferente de mês a mês. Talvez esta estratégia não seja a melhor para a cidade, nem para os proprietários dos circos que vêem toda a concorrência acumulada no mesmo local. Mesmo assim, devemos dizer um obrigado e bom trabalho por esta cidade, pois não será uma tarefa nada fácil conseguir encher as bancadas para assistir a

este espetáculo que a todos deviera de encantar, onde as luzes acendem, as cortinas abrem-se e a magia acontece. Os artistas esperam aplausos, que é a maior recompensa que podem ter.

Neste jornal alguns textos são escritos segundo o Novo Acordo Ortográfico e outros não. Durante algum tempo esta situação irá manterse e as duas formas de escrita vão coexistir. Tudo faremos, no entanto, para que no mais curto espaço de tempo se tenda para uma harmonização das formas de escrever no Registo, respeitando as regras do Novo Acordo


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Região

A grande festa da Gastronomia do Sul Carlos Júlio

Ceia da Silva é o presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo. É um homem apaixonado quando fala de Turismo. Durante anos presidiu à Região de Turismo de São Mamede, em Portalegre. Foi deputado. Agora é o ”manda-chuva” do Turismo alentejano. Empenhado, faz milhares de quilómetros por mês (reside em Portalegre, a sede da ERT é em Beja, Évora fica no meio e o Litoral ali ao lado). Numa breve entrevista a o REGISTO, num fim de tarde em que o Évora Hotel fervilhava de utentes do ginásio, vestidos de forma descontraída, Ceia da Silva explicou a estratégia da entidade a que preside. REGISTO - Porquê, depois do Congresso do Turismo do Alentejo, em Beja, em Março, agora esta iniciativa, em Évora, virada para a gastronomia? Ceia da Silva - Nós definimos três grandes iniciativas: o Congresso do Turismo que teve lugar em Beja, em Março passado; temos agora esta iniciativa que se destina à promoção da Gastronomia e dos Vinhos, marcada para Évora neste início de Maio e o Turismo Cultural e Paisagístico que vai ter o seu momento forte em Outubro em Portalegre. São iniciativas anuais que se irão repetir pela região durante os próximos três anos. REGISTO - E porquê? Ceia da Silva -Porque tínhamos que transmitir a ideia de que o Alentejo é um todo, de que não pode ficar ninguém de fora, em que todas as subregiões têm um papel a desempenhar, dentro de um espírito que a ERT tem criado ao longo deste ano. REGISTO - E o que vai ser este Alentejo das Gastronomias Mediterrânicas? Ceia da Silva – Com esta iniciativa queremos, em primeiro lugar, afirmar o Alentejo como um grande destino de gastronomia e de vinhos. Hoje há alguns eventos que se realizam em Portugal que têm algum protagonismo na área da gastronomia, como o do Peixe, em Lisboa, do Algarve Gourmet, etc., de forma que o Alentejo tinha que afirmar a sua condição de melhor região do país na área da Gastronomia e dos Vinhos. Definimos, por isso, uma iniciativa como a que vai acontecer agora em Évora que tivesse várias componentes: uma de discussão e de reflexão sobre este produto turístico, como ele está dimensionado e o que se terá que fazer no futuro, e que fosse ao mesmo tempo uma afirmação promocional do território neste sector e que tivesse um claro alcance nacional e internacional.

REGISTO – E isso foi conseguido? Ceia da Silva – Sim. Este Alentejo das Gastronomias Mediterrânicas tem todas estas componentes: uma conferência internacional, que vai ter aqui um conjunto de “experts” na matéria, quer nacionais, quer internacionais (dia 3 de Maio); vai haver um workshop mais virado para as escolas de hotelaria (dia 4 de Maio), porque nós queremos que os jovens que se estão a formar, seja em Portalegre, em Évora ou em Alvito, contactem e aprendam com os grandes mestres; há os jantares com os chefes, em vários hotéis como o Convento do Espinheiro, no Muralhas d´Ar , no D. Fernando e na Pousada dos Lóios, onde quem quiser participar poderá fazê-lo, pagando o preço da refeição; temos a Semana dos Azeites (3 a 9 de Maio), a que aderiram dezenas de restaurantes em todo o Alentejo; e, por último, um grande momento virado para o grande público que é o Showcooking, a festa das Gastronomias Mediterrânicas, que terá lugar nos dias 7 e 8 de Maio, sexta e sábado, no Jardim Público de Évora, e para a qual está convidada toda a população. REGISTO - Como é que esta mostra/prova/ degustação vai estar organizada e de que forma se pode participar? Ceia da Silva -Vamos tentar algumas inovações, tal como se pratica em grandes encontros internacionais, que passa por aulas de culinária dadas por grandes chefes; por demonstrações culinárias com suportes televisivos que dá para que todos vejam como são confeccionados alguns pratos da boa cozinha mediterrânica, quer também com apresentações por parte dos grandes chefes e com provas de degustação. São três componentes públicas, abertas, para as quais agradecemos que as pessoas se inscrevam previamente. Há 1.500 lugares em aberto para esta iniciativa e estou certo que se vão esgotar muito cedo, por isso apelo a todos o que queiram partici-

Chama-se “Alentejo d mias Me diterrânic as Gastronoas” e vai grande m ser o om de promo ento de divulgaçã ç oe ã o daquilo par se inscrevam, através da internet, o hor se faz que de m n elo Alentejo n mais rapidamente que lhes for possível. comida e o campo d d o a s vinhos. V Deixo aqui o contacto: www.alentejoem Évora ai ter luga , d e r dasgastronomiasmediterrânicas.com, várias com 3 a 9 de Maio, e tem ponentes: onde todos podem ver o programa e , um Congre para espe c sso ia li sta; uma ao mesmo tempo, inscreverem-se em alunos d sessão pa a s ra e scolas de diversas actividades e em diferentes diversas hotelaria p ro e v provas de degustação. Vai haver tamquais janta as práticas, entre a re s s de grand bém uma feira com 30 produtores de elaborado s por che e qualidade vinho e de azeite da zona. fes de ren mundial. ome Ao todo, durante dias, vão p e stes a ss a r por Évora REGISTO - Em síntese: o que preconceitua 40 chefes d o s, sendo o g tende a ERT com esta iniciativa? mento au rande mo las de co Ceia da Silva - Em primeiro lugar zinha e p de demon ro v st a ra s ç ão e de d queremos que o Alentejo seja falamarcada egustação s para o , Jardim P do naquilo que ele tem de melhor n o s d ia s úblico 8 e 9 de e , neste caso, o que nos move é a M a io , s e sábado da x ta e próxima semana.T sua gastronomia. Só para se ter informaç o da a ão e uma noção, neste momento, a gastronom m www.alentejod asiasmedite uma semana do seu início, já rrânicas.c om saíram mais de duzentas notícias só sobre esta iniciativa. Isto diz bem do impacto que já está a ter ao nível mediático, dos grandes órgãos de comunicação social. Para nós este é um desafio ao nível da Liga dos Campeões. A Gastronomia e os vinhos são dois produtos de grande valor para o REGISTO - E todos esses chefes têm a cozinha Alentejo, que são valorizados por todos e mediterrânica em boa conta… que não podemos deixar que fiquem atrás Ceia da Silva - Claro. E usam-na diade outras regiões que têm hoje grandes iniriamente nas suas ementas. Vamos ter aqui ciativas nesta área. Por isso, esta aposta forte chefes de vários países e uma coisa os une: a numa iniciativa que é promocional, mas que gastronomia mediterrânica. E esta iniciativa também tem uma vertente educativa importem tudo para ser um grande momento da tante. Vamos ter aqui, somando as diversas gastronomia em Portugal. Queremos que iniciativas, cerca de 40 chefes de prestígio durante uma semana todo o país fale disto e internacional cujo exemplo vai ser muito os agentes turísticos tenham os olhos postos importante, sobretudo, para os mais jovens. em Évora e na gastronomia alentejana.

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Opinião

Sónia Ramos Ferro

Jurista e Deputada Municipal

Alqueva: o futuro prometido O facto do maior lago artificial da Europa estar localizado no coração do nosso Alentejo, não deixa de ser um motivo de vaidade para todos nós. Os projectos turísticos são vários, o primeiro já foi apresentado e contou com a presença do Primeiro-ministro. Fico satisfeita por ver os empresários apostados em arriscar no potencial do Alentejo. Não tenho dúvidas do sucesso destes projectos, pela diversidade da oferta turística: turismo de aldeia, turismo rural e cinegético; turismo ambiental, desportos náuticos, etc. Acima de tudo, a paz e calmia características do nosso imenso Alentejo, onde as “árvores abrem aos céus os braços, como um crente”. Conhecia bem a antiga Aldeia da Luz, “transferida” para um monte vizinho, de forma a dar espaço ao leito da Barragem do Alqueva, que durante anos e anos povoou o nosso imaginário e o daqueles que viviam na esperança de um futuro melhor, sem

Margarida pedrosa Professora

O misterioso “ Alto da Abaneja” Para os que desconhecem este local, trata-se de uma encruzilhada a 15 km de Évora na Estrada de Lisboa. Em tempos a velha estrada foi empedrada. Primeiro construída pelos romanos, depois com as pedras de granito vindas das pereiras de um amigo do Presidente da Câmara, isto lá para os anos 50. Todas as encruzilhadas prendem-se com um certo mistério, basta lermos alguns livros e encontramos relatos dos feitiços que se faziam nesses locais. Para além de serem sítios de passagem de pessoas, eram para “alguns” o local onde “forças se cruzavam” e aproveitando o cruzar das forças, podiam-se tecer ou desfazer feitiços, selar ou quebrar juras… Lembro-me tão bem quando ouvia contar que um tio meu lá foi com

ter de emigrar. Será que os empreendimentos turísticos que estão projectados são a resposta para um região pobre e desertificada pela falta de emprego e condições de vida? Serão uma forma de reter os jovens na terra, permitindo-lhes sonhar com um futuro mais risonho? Será que vão contribuir para o desenvolvimento da economia local, promovendo e divulgando aquilo que de melhor se faz no Alentejo, ou vão importar tudo? Será que darão prioridade às gentes da terra, ou limitar-se-ão a captar mão-de-obra qualificada, sem dar uma oportunidade a quem tanto ansiou por este momento? A quem nem consegue comprar um terreno na sua Aldeia porque não há lotes disponíveis para venda e também aí funciona o mercado da especulação imobiliária? Sou a favor destes projectos, claro! Mas não podemos esquecer que quem fica privado de um bem ambiental, deve ser compensado das externalidades negativas pela sua perda. A barragem tem custos ambientais elevadíssimos e este tipo de empreendimento também. Por isso entendo que a (nova) Aldeia da Luz deve ser a grande beneficiária dos futuros projectos que na sua proximidade se venham a implementar. Foram os seus habitantes, e não outros, que viram a última morada dos seus entes queridos ser arrancada ao descanso eterno e ser transportada para onde o interesse nacional aconselhou; foram eles que cederam as suas casas, as ruas onde nasceram, o pequeno largo da aldeia onde

as crianças brincavam, a Igreja da Senhora da Luz, a caricata Praça de Touros, tudo em função de um lago artificial que proporcionaria grandes áreas de regadio aos agricultores (da terra e das proximidades) desesperados. Com o fecho das comportas em 2002, julgava-se que a produção agrícola sofresse alterações de fundo: de região propícia às culturas de sequeiro, passaria irremediavelmente a cultura de regadio, mas só de forma intensiva tal exploração seria economicamente viável. Volvidos 8 anos, tudo permanece na mesma. Parece que o Ministro da Agricultura quer tornar os preços da água atractivos, porque já deve ter desconfiado que sem um preço competitivo ninguém arriscará fazer regadio. De que servirá então tanta água, se nem conseguimos ter produção agrícola suficiente para abastecer o nosso mercado interno? AH! Sim, já me esquecia, é para regar a relva dos campos de golfe, para os ingleses se entreterem na Primavera! Vários anos depois ainda falamos em projectos, e apenas podemos observar maquetas. Maquetas de hotéis e empreendimentos, onde aquela gente humilde e serena que ficou sem a sua casa e viu a sua aldeia submergir jamais poderá entrar, porque não podem pagar. Diz o Sr. Primeiro-Ministro: será um espaço de excelência no mercado do turismo mundial. Ainda bem - acrescento eu – pelo menos que haja alguma coisa de excelência neste país. Mas repugna-me pensar que quem abdicou daquilo que é mais caro ao ser

humano, em prol do interesse nacional, não tenha nenhum tipo de compensação, pelo serviço prestado. E é isso que vai acontecer, seguramente. Como as oliveiras arrancadas à terra, onde jaziam em paz, serenamente, e que ornamentam as rotundas desse país fora, sem que percebam a futilidade a que foram votadas. Oliveiras milenares vendidas como podas. Fosse castelo, moinho ou menir, nada segurou as águas da albufeira, que não se convenceu da singularidade de um património arqueológico existente na área de regolfo, datado da pré-história até à Idade Média. Durante três anos os arqueólogos identificaram, escavaram, removeram e finalmente selaram. Entre o património que se perdeu conta-se o castelo da Lousa, em Mourão e as gravuras rupestres no Alandroal. Alqueva valerá pelo seu factor estratégico de reservatório de água e não como um empreendimento economicamente viável. Vejamos o que o turismo é capaz de fazer pela região.

uma panela de feijões. Tinha sido encaminhada por uma feiticeira de Évora, ou vidente. A panela de feijões tinha que ser lançada para trás das costas à meia-noite, depois tinha que deixar o local sem olhar para trás. Tudo o que este meu antepassado fez foi para tentar salvar o seu pai que estava a morrer. Acreditando ou não no poder do feitiço, cá para mim, a boa feiticeira estava lá escondida atrás do mato e de seguida ficou ela com a panela de feijões. Bem, não interessa, na magia o que importa é acreditar e a força da mente é muito grande. Neste misterioso “Alto da Abaneja”, passaram muitas gentes, era o caminho para Lisboa. Antes de Lisboa ser capital era Évora e então era a estrada que levava a Évora. Por ela passaram os agentes secretos de D. João II a caminho de Lisboa para embarcarem para apanharem o Conde de Penamacor que fugira para a Inglaterra com informações preciosas sobre o comércio da Guiné. Também por este “ Alto” passaram os mesmos agentes secretos furiosos por não terem conseguido o que queriam em Inglaterra. O conde era esperto e conseguiu que o Rei inglês o protegesse. Só que o nosso rei ainda era mais esperto, por isso soube esperar, dando o si-

nal de que o assunto tinha caído no esquecimento. Então de Évora, tempos mais tarde, os mesmos agentes secretos partiram para apanhar de novo este traidor, só que desta vez tiveram sucesso. Certamente apearam-se no “Alto da Abaneja” para dar água aos seus cavalos e depois seguiram viagem porque havia um dever para cumprir. E assim foi, lá apanharam o traidor que tinha embarcado da Inglaterra para Sevilha. Chegaram antes e caçaram-no antes dele se ter encontrado com a família, como estava previsto. Muitos anos mais tarde este lugar assistiu a outro dos tantos casos que por lá se passavam. Todos sabiam que era um lugar perigoso. Havia bandos de ladrões que ali, por aquelas terras se acoitavam, bem, mas a história que vou deixar é a de três americanos que foram convencidos por um astuto agente turístico de que no Alentejo havia caça grossa, leões, elefantes, hienas, girafas…Tão convencidos estavam, os americanos, que trouxeram todo o equipamento e, dirigindo-se a Évora pararam no “Alto da Abaneja”, quando, para surpresa sua, lá encontram um homem estendido e muito ferido. Era a prova concludente que por aqueles campos havia mesmo caça da grossa.

Um que conseguia espanholar um bocadinho falou com o pobre desgraçado que gemia deitado no chão. - Entouces, qué aconteceu? Oh! - disse o pobre a gemer e a mostrar as feridas. Aqui foi girafa, na perna, (no peito) apontou, o leão. Os americanos já esfregavam as mãos com a caçada que iam fazer. Entonces amigo e aqui na cabeça. Oh! – Foi elefante. Entonces é mesmo verdade, disse o americano a sorrir. - Verdade! - Disse o alentejano, é que nem imagina, deram mesmo cabo de mim, pior quase me iam matando, a minha sorte mesmo foi terem parado o carrossel (Évora estava com a sua feira habitual de S. João). Como os americanos não conheciam a palavra carrossel, lá partiram felizes com o equipamento às costas. Iam ser umas férias a valer… Como é bom ser-se ingénuo!


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Região “Descalabro” na arbitragem de basquetebol

Jovem árbitro abandona o jogo ao intervalo José Pinto de Sá

Em Évora, num encontro a contar para a Taça Nacional de sub-20 em basquetebol, o jovem árbitro “não aguentou a pressão” e abandonou o jogo ao intervalo. O insólito aconteceu no sábado, dia 24, no Pavilhão da Malagueira, durante a partida de basquetebol entre as equipas da Associação dos Moradores do Bairro do Bacelo e do Carnide Clube, a contar para a Taça Nacional de sub-20. Segundo as normas do basquetebol, as equipas de arbitragem devem ser constituídas por três oficiais de mesa e dois árbitros. Porém, para o referido jogo, só apareceram dois oficiais de mesa e um árbitro, todos menores de idade, atletas das camadas jovens. Na tentativa de remediar o problema, a Mesa pediu que um jogador do Malagueira, que se encontrava lesionado e estava presente, agisse como oficial. Mas Bento Anastácio, presidente do Malagueira, não consentiu, por entender que o recurso a um jovem sem formação específica carecia de seriedade. O jogo começou, mas o jovem árbitro, sozinho, não aguentou a pressão. No intervalo recolheu ao balneário acompanhado pelo presidente do Conselho de Arbitragem da Associação de Basquetebol de Évora, Fortunato Valentim, e não regressou ao campo. O jogo prosseguiu, sob o signo da improvisação, arbitrado por dois jogadores do Malagueira que estavam presentes. Para Bento Anastácio, presidente do Malagueira, tais situações ocor-

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rem porque o Conselho de Arbitragem “põe putos a arbitrar”. Os jovens, “atirados às feras,” acabam por renunciar. Resultado: “As arbitragens são sempre problemáticas”. A arbitragem é parte integrante da formação do atleta, pelo que a sua qualidade é muito importante nos sub-20, que “constituem uma espécie de escalão de transição entre juniores e seniores”. Um descalabro Em iniciados, “os que mais precisam de acompanhamento”, então as arbitragens “são um descalabro”, diz Anastácio, referindo que “poucos são os árbitros nomeados de acordo com a legislação”. “As equipas chegam ao campo e, como não há árbitros, são jovens jogadores do clube que vão arbitrar,” afirma o presidente do Malagueira, comentando que “a qualidade do basquete vai-se ressentindo”. O actual Conselho de Arbitragem

A 29 de Maio

Professores vão aderir à manifestação nacional da Função Pública

da ABA, presidido por Fortunato Valentim, ocupa o cargo há 4 anos, e, para Bento Anastácio, é “responsável pelo desaparecimento dos árbitros do quadro,” os mais qualificados dos quais abandonaram a arbitragem. “A formação de árbitros é escassa e deficiente,” acrescenta. “Há vários anos que não há um único árbitro alentejano em provas nacionais.” Bento Anastácio faz questão de sublinhar as qualidades humanas de Fortunato Valentim, que poderiam ser mais úteis noutro cargo. Mas conclui que, “como presidente do Conselho de Arbitragem não serve.”

Futebol

Estrela arrasa Oriolense por 10-1 O Estrela de Vendas Novas já é campeão da Divisão de Honra, mas está determinado a vencer até ao fim e a vítima desta feita foi o Oriolense, humilhado por um concludente 10-1. A jogar em casa, a equipa-sensação da Divisão de Honra do distrito de Évora não esteve com contemplações. Nem a necessidade de pontos para garantir a manutenção conseguiu inspirar o Oriolense, que encaixou dez golos e só conseguiu arrancar o “tento de honra” aos vendasnovenses. Concluída a 22ª jornada, e com quatro ainda por jogar, o Estrela só tem vitórias, somando 66 pontos. Segue-o ao longe o Monte do Trigo, com menos 16 pontos. Em terceiro vai o Redondense, com 48 pontos.

Os professores vão aderir à manifestação nacional da administração pública marcada para o final de Maio, anunciou sábado o secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof), Mário Nogueira, falando à margem da sessão de encerramento do 10.º Congresso Nacional dos Professores, que decorreu em Montemor-o-Novo. “Iremos no dia 29 de Maio convocar os professores portugueses para se concentrarem à porta do Ministério da Educação,” disse Mário Nogueira. “Daí, partiremos para onde estiverem concentrados outros trabalhadores da administração pública”. “Queremos estar na afirmação daquilo que é próprio dos professores, mas ao mesmo tempo estamos conscientes de que os problemas que nos afetam são os que afetam todos os outros portugueses, porque decorrem de políticas do governo”, acrescentou Mário Nogueira. Igualmente presente na sessão de encerramento do congresso esteve o secretário-geral da CGTP, Manuel Carvalho da Silva, que saudou os professores pela “grande dimensão e importância da sua luta, tendo sempre uma preocupação de afirmação da escola pública e da qualidade do ensino, ligada à defesa dos seus direitos e interesses”. Por outro lado, Carvalho da Silva destacou a importância do “contributo dos professores para o desenvolvimento de uma escola de qualidade e ensino de qualidade”, advertindo que “não há escola de qualidade sem a valorização dos profissionais”. “Não é possível uma escola de qualidade sem criar um clima de responsabilização, que passa também pela identidade no projeto. E a estratégia do modelo de gestão das escolas é um problema muito sensível para criar essa identidade para que haja responsabilização”, acrescentou Carvalho da Silva.


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Opinião tínhamos no Alentejo que queríamos, sabendo que, para tal, seria necessário apresentar propostas concretas, mobilizar com elas os cidadãos e fazê-los acreditar que, com a conquista do poder politico, seria possível concretizá-las. A maioria dos nossos concidadãos acreditou e, com a simultaneidade da ascensão do PS ao governo em 1995, pudemos colocar todo o nosso empenho, esforço e influência na concretização de todos os compromissos previamente assumidos com o Alentejo e com os alentejanos, por mais irrealistas que pudessem parecer na altura. Refiro-me ao Alqueva, sucessivamente adiado durante décadas, até por alguns que agora se reclamam os seus pais, ao Hospital do Patrocínio, objecto de repetidas promessas em muitas campanhas eleitorais, à Barragem dos Minutos, pela qual Montemor esperou 40 anos e que, em 1987, (na campanha das eleições que deram a primeira maioria a Cavaco Silva) até estaleiro montado teve sem que sequer hou-

vesse projecto ou concurso, a ligação de Évora a Lisboa e a Espanha, por auto-estrada e por via de alta velocidade ferroviária, a revitalização porto de Sines, o aeroporto de Beja e um novo hospital central em Évora, com todas as valências. Eram estas, basicamente, as infraestruturas que constituíam a utopia que em 1995 considerávamos necessário tornar realidade para que o Alentejo pudesse aspirar a um novo ciclo de desenvolvimento. A década e meia desde então decorrida correspondeu no essencial ao período de governação do PS e, durante ele, tudo o que acima se descreve se concretizou, arrancou ou foi decidido. Para passar à finalização concreta faltam apenas duas coisas: O TGV, finalmente desbloqueado do ponto de vista burocráticolegal pelo Presidente da Republica e que vai seguir os seus tramites a curto prazo e o novo Hospital de Évora, a “promessa” de mais difícil concretização de todas. O passado dia 21de Abril foi assim, como se calcula, um dia particularmente espe-

cial e feliz para mim. Tenho porém a sensação que o seu real significado passou um pouco despercebido à população, que muitas vezes parece subestimar quão íngreme e difícil é o caminho percorrido para atingir um objectivo que há bem pouco tempo não passava de uma louca utopia. Neste dia, foi assinada em Évora, pela Ministra da Saúde, após excelente preparação do terreno pela Administração Regional de Saúde e pelas actual e precedente lideranças do Hospital do Espírito Santo, a adjudicação do projecto do novo Hospital Central que, até 2014, será erguido na Quinta da Latoeira, ali mesmo em frente ao Évorahotel. Não é um equipamento qualquer. Para servir 500 000 pessoas serão construídos 78000 m2 de área coberta, um estacionamento para 1600 viaturas, instaladas praticamente todas as especialidades e tecnologias de ponta (clínica electrónica, medicina nuclear, hemodinãmica, angiografia digital, ressonância magnética, radioterapia...), ficando capacitado

para anualmente efectuar 10000 cirurgias, 16000 internamentos, 70000 urgências, 250000 consultas externas 11000 sessões de hemodiálise e 30000 de quimioterapia, representando um investimento próximo dos 100 milhões de euros.

Num país tão cerimonioso como o nosso, propenso a grandes inaugurações e outras festividades afins, não me admira tal acontecimento. Aliás, não há nada António Costa da Silva como lançar uma primeira Economista pedra ou o descerrar de uma placa, para que esse seja um seja diferente de todos os Marechal António Spínola: dia outros. Ainda assim, não é essa a Um Estranho Presidente questão central que me leva a escrever esta crónica. Na Há poucos dias foi celebrado verdade, a razão principal com pompa e circunstância deve-se ao facto de ainda o centenário do nascimento hoje não perceber porque do marechal António Spí- é que se considera o antigo nola. Estas comemorações Presidente António Spínola foram objecto de grande so- uma personagem tão intelenidade por parte da autar- ressante/importante. Para quia lisboeta, brindando tão a minha geração o mareilustre personalidade com o chal Spínola foi apenas o seu nome numa nova aveni- primeiro Presidente da Reda da grande capital. pública portuguesa pós 25 Na tão prestigiada cerimó- de Abril. Será muito impornia foi então descerrada uma tante essa questão, ou meplaca toponímica de uma ramente factual? Em que nova avenida na cidade que contexto conseguiu chegar passou a ter o nome do pri- a Chefe de Estado da nação meiro Presidente da Repú- portuguesa? E afinal, quem blica depois do 25 de Abril de foi Spínola? Será que foi as1974. Não faltaram os digni- sim tão determinante para ficantes discursos do actu- a obtenção da democracia al Presidente da República, em Portugal? Prof. António Cavaco Silva e Sinceramente tenho muitas do Presidente do Município dúvidas sobre as respostas a lisboeta, Dr. António Costa. dar a todas estas questões.

Na minha honesta opinião, o marechal Spínola foi uma figura bastante estranha no contexto da política portuguesa. Olhando para o seu historial pessoal, militar e político, não me parece que seja fácil descontextualizar a sua vida ao antigo regime português. Desde 1928 que exerceu funções (numa carreira crescente) no âmbito do exército português; Desde o início da sua carreira, como ajudante-de-campo do comandante da GNR; à sua integração (1941) na missão de estudo do Exército português para uma visita à Escola de Carros de Combate do Exército alemão e à frente germanorussa.; à sua nomeação para uma missão (1947) de estudo na Guarda Civil Espanhola; até à sua participação activa na guerra colonial (inicialmente comandando o Grupo de Cavalaria 345 (1961) em Angola e posteriormente foi para exercer as funções de governador e comandante-chefe das Forças Armadas da Guiné (1968)). Não se pode afirmar com toda a segurança que tenha sido um opositor for-

te e convincente ao regime fascista de Oliveira Salazar e Marcelo Caetano. É certo que tinha uma forma de ver diferente em relação à questão colonial (onde expressava a ideia de que a solução para o problema colonial português passava por outras vias que não a continuação da guerra) da que era perspectivada pelo regime fascista da altura, mas não se pode dizer que foi uma personagem que lutou claramente contra a ditadura em Portugal. Só mesmo no final do regime, mais especificamente em Novembro de 1973, é que demonstra a sua clara oposição a Marcelo Caetano, ao recusar a pasta de ministro do Ultramar que este lhe tinha oferecido. A 17 de Janeiro de 1974, é nomeado para vice-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, por sugestão de Costa Gomes, cargo de que é demitido em Março, por se ter recusado a participar na manifestação de apoio ao Governo e à sua política. Só nesta fase é que são visíveis as divergências de Spínola à ditadura fascista. Uma coisa é certa, o mare-

chal Spínola foi sem dúvida alguma uma figura muito controversa. Há quem entenda que foi um homem decisivo para a transição do regime político português, mas também há quem considere que as suas intenções apenas procuravam a perpetuação de um regime putrefacto. Provavelmente só uma análise histórica com o devido distanciamento temporal, poderá afirmar quem terá a razão. Entretanto, á saída de Lisboa, para quem vai para o Alentejo (sua terá natal - Estremoz) ou para outras paragens, lá teremos que passar pela avenida com o seu nome. Coisa que a benevolência da democracia nos permite aceitar. Afinal, comemorar o 25 de Abril continua a ser muito importante, nem que seja por estas razões.

Capoulas Santos Eurodeputado

O novo Hospital Central do Alentejo Tornou-se hábito, e até certo ponto “chic”, dizer mal da política e dos políticos, associando-os frequentemente á ausência de carácter e ao incumprimento dos seus compromissos eleitorais. Deixem-me contrariar com factos esta falaciosa imagem, que não se aplica a mim próprio (peço desculpa mas não considero imodéstia), e a muitos políticos alentejanos, felizmente no activo, com os quais me orgulho de ter percorrido um trajecto comum, sempre em prol da nossa Região. Tenho o privilégio de pertencer a uma geração de políticos que se empenhou solidariamente, há uns bons anos, para transformar gradualmente o Alentejo que

“Para passar à finalização concreta faltam apenas duas coisas: O TGV, finalmente desbloqueado do ponto de vista burocráticolegal pelo Presidente da Republica e que vai seguir os seus tramites a curto prazo e o novo Hospital de Évora”


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Sociedade

Agência Zero Fotografia

Entrevista Roberta Medina | Vice-presidente Rock in Rio

Faltam 22 dias para o Rock in Rio Estamos numa fase animada e intensa. Estes últimos dias servem para começar a colocar as coisas no lugar, sair do papel, e colocar tudo em prática.

Nas sete edições realizadas até agora – três no Brasil, três em Lisboa e uma em Madrid – o evento reuniu mais de 4 milhões de pessoas, tendo sido transmitido para mais de mil milhões de telespectadores em 70 países. O conceito “Rock in Rio Por Um Mundo Melhor” foi criado em 2001, na terceira edição do evento. Roberto Medina, apoiado pelos resultados das primeiras edições e consciente do potencial de comunicação do evento, viu nele uma grande oportunidade de mobilizar pessoas e ajudar a construir um Mundo Melhor. Como estão os preparativos para a edição 2010 do Rock in Rio, nos dias 21,22,27,28 e 29 de Maio?

O Rock in Rio pretende uma aproximação do evento ás populações que estão fora do grande centro urbano, nomeadamente através de algumas parcerias. Como se faz esta aproximação? O Rock in Rio pretende, através de actividades novas em dias diferenciados, renovar o evento e surpreender o máximo possível o público, oferecendo um evento único. Tentamos cada vez mais, que o Rock in Rio chegue o mais possível a todo o país, deixando de ser um evento de proximidade e passando a ser de todos os que queiram participar. Assim estabelecemos uma parceria com a agência Abreu no sentido de facilitar a vinda de pessoas de todo o país. Comprando o bilhete nas Agências Abreu por apenas 72€ poderá assistir a um

dia de concertos no Rock in Rio sem ter de conduzir nem ter mais gastos. Vem de autocarro assiste ao concerto e regressa no final da noite tranquilamente em autocarro para sua casa. Qual vai ser o dia forte do Rock in Rio? É muito difícil avaliar, temos a fantástica Mariza a abrir o Rock in Rio. Podemos dizer que até hoje os bilhetes mais vendidos, que pensamos esgotar, são para a noite da Ivete Sangalo com a Shakira, e para Miley Cyrus mais conhecida por Hannah Montana, tão esperada pelo público mais jovem. No que consiste o projecto social do Rock in Rio? Utilizando a música como linguagem universal Roberto Medina , meu pai, conseguiu que parte da receita obtida com as vendas das entradas se destinasse a projectos sociais. No ano de 2001 esta iniciativa permitiu a 3.200 jovens de bairros e comunidades carentes do

Suspensão do Intercidades

JSD defende “entendimento” entre CP e utentes José Pinto de Sá

A Juventude SocialDemocrata de Évora defende que, “caso a interrupção do funcionamento” da linha Intercidades seja inevitável, se estabeleça “uma plataforma de entendimento com os utilizadores da via-férrea”, de modo a “minorar os transtornos sobre o seu dia-a-dia”. “Não declinando a importância de uma intervenção que visa a melhoria do serviço prestado pela CP e pela REFER”, a Juventude Social-Democrata (JSD) do distrito de Évora manifestou a sua solidariedade com os utentes do serviço Intercidades na Linha do Alentejo, que estão empenhados numa campanha de protesto contra a anunciada suspensão do funcionamento da linha. Num comunicado divulgado segunda-feira e assinado por Ricardo Videira, presidente da Comissão Política Distrital, a JSD defende que,

no caso da interrupção do funcionamento da linha ser realmente inevitável, “seja estabelecida uma plataforma de entendimento com os utilizadores,” por forma a minimizar os inconvenientes da medida. Os jovens social-democratas fazem notar que “a ligação ferroviária Intercidades assegurada pela CP entre Évora, Beja, algumas outras localidades da Região Alentejo e Lisboa, é um serviço importante que aproxima o interior da capital do País”, sendo “utilizado por muitos utentes em regime diário, semanal ou ocasional”. A distrital da JSD recorda

que “no final do ano 2009, foi tornada pública a promoção de uma empreitada de beneficiação da viaférrea que implicaria a suspensão do serviço Intercidades por um período de um ano”. Segundo a JSD, “tal circunstância deixou apreensivos os utentes do serviço, situação que se agravou quando foram conhecidas as formas de deslocação alternativas propostas pela CP e REFER”. Os jovens social-democratas apontam que a CP propõe que “o serviço alternativo passe a ser assegurado pela via rodoviária”, o que tornará a viagem “simultaneamente mais morosa e menos confortável”. “Acresce-se a isto o facto de não serem asseguradas paragens em algumas das estações anteriormente servidas e de os horários propostos não serem idênticos aos anteriormente existentes,” salienta ainda a JSD.

Rio de Janeiro concluirem os seus estudos. Em 2004 na sua quarta edição – a primeira em solo europeu – manteve-se como motivo chave a questão social. O objectivo consistiu em sensibilizar para o desenvolvimento de um mundo melhor, com melhores condições sociais e pessoais. Este resultado foi tão bom que 663.788,43 euros foram destinados, através da SIC Esperança e da Plan International Childreach, a criar melhores condições de vida a crianças e jovens em Portugal e no resto do mundo. O projecto social Rock in Rio Lisboa 2008, optou por unir a vertente ambiental e social num projecto audacioso que designou

“Rock in Rio Escola Solar”. Participaram cerca de 3000 alunos, de 197 escolas do 2º e 3º ciclos do ensino básico e secundário de todo o país, tendo visado a eficiência energética e a redução de gases. Este concurso nacional permitiu equipar 20 escolas, (uma por distrito), com micro sistemas foto voltaicos. A energia produzida por estes painéis será vendida á rede, 100% dos recursos doados a projectos sociais através da SIC Esperança. Este projecto vai garantir cerca de 50.000 euros anuais durante 15 anos (tempo útil dos painéis). Como pode, ver o projecto social Rock in Rio caminha sempre em direcção a um mundo melhor.

Porque comemoramos o 1º de Maio No dia 1º de Maio de 1886, 500 mil trabalhadores saíram às ruas de Chicago, nos Estados Unidos, numa manifestação pacífica, exigindo a redução da jornada de trabalho para oito horas. A polícia reprimiu a manifestação, dispersando a concentração, depois de ferir e matar dezenas de operários. No dia 5 de Maio de 1886, quatro dias depois da reivindicação de Chicago, os operários voltaram às ruas e foram novamente reprimidos: 8 activistas foram, então, presos. Destes, 4 foram executados, 1 apareceu morto na cela e 3 foram condenados a prisão perpétua. A história ficou a conhecê-los como os “Mártires de Chicago” e estes acontecimentos causaram uma imensa comoção internacional. Manfestações em vários países pressionaram o

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governo americano a anular o falso julgamento e a elaborar novo júri, em 1888. Os membros que constituíam o Tribunal reconheceram a inocência dos trabalhadores, culparam o Estado americano e ordenaram que soltassem os 3 presos. Em 1889 o Congresso Operário Internacional, reunido em Paris, decretou o 1º de Maio, como o Dia Internacional dos Trabalhadores, um dia de luto e de luta. E, em 1890, os trabalhadores americanos conquistaram a jornada de trabalho de oito horas. Um conquista que só chegou a outros países mutios anos mais tarde. Em Portugal, nos anos 60 do século XX é que os trabalhadores agrícolas conquistaram as 8 horas de trabalho.


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Sociedade Museu da Luz inaugura exposição “Olha um rio novo” O Museu da Luz, propriedade da empresa gestora do Alqueva (EDIA), inaugura sábado a exposição temporária “Olhar um rio novo”, da autoria de Nuno Cera, ficando os trabalhos patentes ao público até 25 de julho. A mostra é constituída por 15 fotografias e um vídeo, que “enaltecem a água na paisagem”, numa criação nascida aquando da Exposição Internacional de Saragoça (Espanha), a qual “abordou, de forma singular, os três grandes rios portugueses: Tejo, Douro e Guadiana”, realça a EDIA. Na iniciativa patente no Museu da Luz, acrescenta a empresa gestora do Alqueva, Nuno Cera aborda “um conjunto de outros cursos de água nacionais e regionais, num olhar mais complexo, mas mantendo os valores estéticos que orientaram o trabalho original”.

Serrano acha “prematuro” definir posições sobre a PAC O ministro da Agricultura considerou sexta-feira ser “prematuro” definir “posições concretas” sobre a reforma da Política Agrícola Comum (PAC), reconhecendo, no entanto, que Portugal tem ainda “um caminho longo a percorrer no aproveitamento de recursos”. António Serrano afirmou que “Portugal é, naturalmente, favorável a uma reforma que contribua para uma efetiva renovação da PAC, de modo a reforçar aquilo que são os princípios que têm vindo a ser enunciados - legitimidade, equidade e eficácia na resposta a novos desafios”. PUB

Mancha de Algas na barragem do Caia

Abastecimento público não será afectado Paulo Nobre

O abastecimento público á população do concelho de Campo Maior não será afectado devido à mancha de algas que na terçafeira foi detectado na barragem do Caia. O delegado de Saúde de Campo Maior, António Paula Campos, em declarações à Lusa, mostra optimismo em relação à situação e garante que”pelo menos para já” não vão haver problemas com a água de abastecimento público. A situação está monitorizada e temos a Estação de Tratamento de Águas de Campo Maior sob vigilância rigorosa”, afirma António Paula Campos. A Barragem do Caia, a maior no distrito de Portalegre e abastece os concelhos de Elvas, Campo Maior e Arronches. A mancha de algas foi detectada na segunda-feira de manhã por uma brigada dos Serviços de Protecção da Natureza – SEPNA – da

GNR de Elvas, junto ao parque de campismo de Campo Maior. “É uma mancha que está espalhada por praticamente toda a barragem, com particular incidência nas margens, com um cheiro a ranço, água vidrada e cor azul”. A descrição é feita pelo delegado de Saúde que entretanto já enviou amostras o Laboratório Nacional de Saúde Pública. Quase 24 horas após a detecção das algas, a situação mantinha-se inalterada “o que significa que não se registou um aumento da mancha de algas na albufeira”, esclarecia António Paula Campos. Segundo o delegado de Saúde de Campo Maior, as suspeitas vão para uma “ cianobactéria, uma alga tóxica que aparece em algumas barragens de água parada”. “É uma situação temporária e normal nas albufeiras com características como a do

Caia, com água rica em nutrientes agrícolas e parada. Agora, devido às mudanças climáticas, nomeadamente o aumento de temperatura, as algas vieram à superfície”. Aristides Chinita, da Associação de Beneficiários do Caia relaciona o aparecimento da mancha de algas com o último Inverno chuvoso e o início dos dias de calor. ”Após muitos anos com a quota da barragem muito baixa e com o enchimento rápido que teve toda aquela zona, em 571 quilómetros quadrados, é natural que muitas matérias inertes ou matéria orgânica, nomeadamente do apodrecimento de raízes, tives-

sem vindo à superfície da água neste período”, explica Aristides Chinita. Preocupada com as algas, a Câmara de Campo Maior, em comunicado difundido na tarde de segunda-feira, alertava a população e proibia a pesca e os banhos na albufeira. Ainda no mesmo comunicado, o município aconselhava a que as águas da barragem não fossem “utilizadas para actividades agrícolas, até à resolução do problema”. Só na próxima semana devem ser conhecidos os resultados das análises às amostras retiradas da albufeira do Caia.


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Região Ovibeja até domingo

José Régio é tema de conferência

Cavaco Silva encerra Feira do Alentejo Carlos Júlio

António Carrapato Fotografia

Castro e Brito, presidente da ACOS e da Comissão Organizadora da Ovibeja, garantiu esta quarta-feira, na sessão inaugural de mais uma Feira do Alentejo, que “esta é a prova da modernidade e da dinâmica que temos conseguido na nossa região”. Dirigindo-se ao ministro da Agricultura, António Serrano, que presidiu à sessão de abertura da Ovibeja, Castro e Brito disse que os agricultores acompanham “os tempos que correm no que diz respeito à situação económica e financeira do país, bem como à complexa conjuntura mundial, que afecta fortemente os países mais pobres, sujeitos às injustiças de um mercado cada vez mais global e liberal”, sendo “notória, por parte da Comunidade Europeia, a dificuldade em continuar a suportar uma política agrícola coesa e solidária”. Castro e Brito ressaltou também que os agricultores têm “sensibilidade que, nesta conjuntura, o paradigma da nossa agricultura de sequeiro não tem viabilidade” e que todas as contas deste tipo de cultura revelam a “existência de prejuízos, neste modelo de agricultura que tem sobrevivido ao longo de gerações”. O regadio é uma nova oportunidade O presidente da ACOS disse que, por isso, o regadio de Alqueva, abre “uma nova oportunidade” à região, “apesar da superfície agrícola em causa não ultrapassar, na melhor das hipóteses, 15% da Superfície Agrícola Útil”, acrescentando que “é já visível a resposta dos agricultores: nos últimos anos foram progressivamente plantados cerca de 50 mil hectares de modernos olivais

Município de Castelo Vide promove caminhada

Ministro da Agricultura, António Serrano com Castro e Brito na abertura da Ovibeja 2010

de regadio”. Para Manuel Castro e Brito a agricultura desempenha também um “papel determinante na ocupação do território e na coesão social” no “Portugal de interior, desde a Serra de Monchique até ao Gerês, pessando pelo imenso interior alentejano”, mas a actividade agrícolas destas zonas “nunca foi nem será competitiva à luz dos critérios formais, ainda mais no contexto de uma economia liberal, mas pela imortância que desempenha não deverá ser desprotegida no quadro da futura Política Agrícola Comum”. Em resposta, o ministro António Serrano disse que o diálogo com os agricultores “vai continuar”, mas sublinhou que o aproveitamento do regadio de Alqueva vai necessitar de “muito trabalho” e capacidade de inovação, nomedamente em novas culturas, defendendo tam-

bém a importância da agricultura para combater o despovoamento e a desertificação do território. Alqueva, não pode, por isso ser uma oportunidade perdida para o desenvolvimento da região. Ovibeja: Todo o Alentejo deste mundo A 27ª Ovibeja abriu ontem as portas e prolonga-se até domingo. Durante estes 5 dias são esperadas várias dezenas de milhar de visitantes na maior feira do sul do país. A Feira apresenta uma grande diversidade de produtos e de expositores, tendo como tema central “ A Biodiversidade no Alentejo”, numa associação ao Ano Internacional da Biodiversidade. A Feira ocupa um espaço de cerca de 10 hectares, com vários vários pavilhões temáticos, muitas tasquinhas e restaurantes, para além de um programa de espe-

ctáculos diversificado:, cujo ponto alto vai ser a actuação de Daniela Mercury, no próximo sábado, dia 1 de Maio, pelas 22,30 horas. A Ovibeja é também palco habitual da visita de políticos. António Serrano, o ministro da agricultura, esteve ontem na sessão inaugural. Esta manhã, pelas 11 horas a Feira é visitada pelo novo líder do PSD, Pedro Passos Coelho. Sexta-feira vai estar na Ovibeja o secretáriogeral do PCP, Jerónimo de Sousa. No sábado está certa a visita de Paulo Portas, do CDS/PP e aguardase também a visita do primeior. ministro José Sócrates, embora não esteja ainda confirmada. Confirmadas estão, para domingo, as visitas de Fernando Nobre, candidato à presidência da República, às 11,30 horas, e do presidente das República, e eventual recandidato, Cavaco Silva, às 16,30 horas

FIAPE

Milhares de pessoas esperadas em Estremoz Paulo Nobre

Estremoz recebe até ao final da semana a vigésima quarta edição da Feira Internacional Agro-Pecuária, mais conhecida por FIAPE, inaugurada ontem, quarta feira, pelo ministro da Agricultura António Serrano. Esta é a vigésima quarta edição desta feira que mais de duas décadas após o seu início é encarada como um dos principais acontecimentos em termos económicos do concelho. Para o presidente da autarquia, Luis Mourinha, a FIAPE é hoje “um dos principais eventos de promoção económica do Concelho de Estremoz

O Instituto Politécnico de Portalegre (IPP) anunciou hoje que vai realizar, quinta feira, uma conferência subordinada ao tema “Régio em Portalegre: Exposição sobre a vida e a obra”. A iniciativa, que decorrerá no auditório da Escola Superior de Educação daquela cidade alentejana, está inserida no Ciclo de conferências “Educação, Cultura e Sociedade 2010”, que o IPP está a promover. A conferência tem início agendado para as 17:30.

e do Alentejo” e ao longo de todos estes anos de presença assídua na cidade tem vindo “a conquistar o seu espaço no calendário regional e nacional das feiras de actividades económicas”. O Parque de Feiras e Exposições da cidade recebe cerca de centena e meia de expositores preparados para a visita de milhares de pessoas que podem também apreciar o artesanato típico da região, uma vez que paralelamente à FIAPE realiza-se também a vigésima oitava edição da Feira de Artesanato, certame cuja marca de qualidade é também recon-

hecida pelo público que anualmente visita ambas as feiras. A Feira de Artesanato conta este ano com a presença de 80 artesãos de todo o país, muitos deles mostrando a arte e a tradição da sua terra trabalhando ao vivo. Noites fortes Rita Guerra, o projecto Amália Hoje, David Fonseca e o espectáculo Idolomania, com os concorrentes do programa Ídolos, da Sic, são as propostas para as noites da FIAPE, que segundo o autarca Luis Mourinha

significam “uma aposta na qualidade”. “apostámos em artistas que, para além de possuírem provas dadas no panorama musical português, têm ainda a particularidade de constituir uma novidade”, acrescenta o presidente Luis Mourinha. Durante a feira haverá também um espaço jovem que garante animação até altas horas da noite. Depois de ontem se ter assinalado o dia da cidade, esta quinta feira é o dia do artesão. Todos os artesão presentes na feira vão receber diplomaws de participação. Rita Guerra é cabeça de cartaz para o espectáculo desta noite.

A Câmara de Castelo de Vide vai organizar uma “caminhada pela paz”, no dia 02 de maio, com o apoio das juntas de freguesia daquele concelho alentejano. A concentração está marcada para as 09:30 no Parque João José da Luz, local de onde os caminheiros partirão com destino à Senhora da Penha (Portalegre), percorrendo uma extensão de seis quilómetros. De acordo com a autarquia local, o percurso traçado para a caminhada é considerado “difícil”.

Castelo de Vide recebe “Meeting XC 2010 de Asa Delta e Parapente” A pista de parapente de Castelo de Vide vai receber, nos dias 01 e 02 de maio, o “Meeting XC 2010 de Asa Delta e Parapente”, anunciou hoje o município local. A organização do encontro está a cargo da Associação de Voo Livre de Sintra (AVLS) e conta com o apoio da Federação Portuguesa de Voo Livre e da Câmara de Castelo de Vide. Durante o evento, a população terá oportunidade de voar com os participantes deste encontro.

Feira de Stocks e Oportunidades em Alcácer do Sal Alcácer do Sal acolhe, desde hoje e pela primeira vez, uma feira de stocks e oportunidades, em que os visitantes podem adquirir os mais variados artigos com descontos que vão dos 50 aos 85 por cento. Durante três dias, o pavilhão da zona da feira recebe 20 expositores, com artigos que vão do calçado ao vestuário, passando pelos acessórios, casa, têxtil e lar. A iniciativa prolonga-se até domingo, sempre com preços reduzidos.

Eleitos pela Confraria dos Enófilos do Alentejo Melhores vinhos alentejanos na produção já são conhecidos i Foram entregues os prémios do XIX Concurso “Os Melhores Vinhos do Alentejo”, promovido pela Confraria dos Enófilos do Alentejo, que elege os melhores vinhos da colheita do ano anterior ainda não engarrafados. Os produtores Tiago Mateus Cabaço e Cabaço (Tinto), Herdade dos Grous (Branco) e Ervideira Sociedade Agrícola (Rosado) são os vencedores da Talha de Ouro, a mais alta distinção atribuída neste concurso.


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29 Abril ‘10

Opinião

Carlos Sezões Gestor/Consultor

Aproveitemos o Mar! O Presidente Cavaco Silva, num bem conseguido discurso no dia 25 de Abril, sublinhou a importância de Portugal aproveitar as oportunidades que este mundo globalizado lhe apresenta. E enfatizou uma em particular: a economia do mar. Como muito bem lembrou, temos uma longuíssima linha de costa, beneficiamos da maior zona económica exclusiva da União Europeia e detemos uma herança histórica formidável como país marítimo (com a consequente imagem de marca já adquirida). Como podemos aproveitar estas características e atributos? De muitas formas e com impactos positivos em termos de economia, emprego,

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conhecimento e inovação. Em primeiro lugar, apostar na área dos transportes marítimos e da gestão portuária. Mais de metade das mercadorias (produtos e matérias-primas) que transitam no comércio mundial fazem-no por mar. O comércio marítimo (em concreto, a carga contentorizada) tem registado um crescimento enorme (com as exigências de novos terminais e plataformas logísticas associadas). Portugal está numa situação geográfica única, podendo assumir-se como interface na relação Europa – América – África e ainda aproveitar a aposta europeia no transporte marítimo de curta distância. De referir ainda outro ponto forte adicional, a disponibilidade de infra-estruturas recentes e da capacidade instalada. Depois, teremos o sector da náutica de recreio e do turismo náutico. Quer por motivações desportivas (vela de cruzeiro, windsurf, remo, motonáutica, pesca desportiva, caça submarina, etc) ou apenas pelo lazer das férias (cruzeiros), estas são áreas de seduzem anualmente milhões de turistas, com elevadas taxas de crescimento (p. ex. cerca de 3 milhões de europeus fazem anualmente férias de cruzeiro).

Em termos económicos, não podemos esquecer a pesca, a aquicultura e as indústrias alimentares inerentes. Aqui, a exploração de áreas de potencial aquícola (multiplicar investimentos como os da Pescanova), novos modelos de comercialização do pescado e valorização da sua indústria serão linhas estratégicas fundamentais. A nível energético, teremos um sector com um potencial elevadíssimo, assente nas modalidades renováveis das ondas, das marés e da eólica offshore (ao longo da linha costeira). De sublinhar ainda os programas de produção de algas para captura de CO2 e produção de biomassa (já temos um projecto desta natureza em Sines). Por último, teremos a área da construção e reparação naval. Teremos de fazer uma aposta forte na modernização, reconversão ou criação de novos estaleiros com vista às necessidades de mercado de grandes unidades e de embarcações de recreio. Esta aposta não será, por si só, a solução mágica para todos os males da economia portuguesa - mas pode seguramente ajudar. E nem sequer é necessário perdermos mais uns anos em estudos, diagnósticos, livros brancos

e afins. A União Europeia já definiu estratégias concretas para a economia do mar – onde, para quem não sabe, temos uma das maiores autoridades europeias na matéria, Tiago Pitta e Cunha, membro do gabinete do Comissário Europeu para os Assuntos Marítimos e as Pescas. Aqui, em Portugal, já foi realizado no ano passado pela SAER uma excelente estudo (coordenação de Ernâni Lopes) intitulado “O Hypercluster da Economia do Mar”. Apenas resta que líderes políticos e empresariais sinalizem esta aposta e lancem projectos concretos. Aguardemos…


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Reportagem Manuel Almeira-Lusa Fotografia

25 de Abril

Jantar comemorativo Mais de duzentos democratas realizaram no Monte Alentejano, na cidade de Évora, o almoço comemorativo do 36º aniversário do 25 de Abril. Foi um momento grande, das comemorações, tendo em conta a invocação das principais conquistas da Revolução e a presença significativa de democratas que esgotaram por completo a sala. A sessão invocativa teve as intervenções do Dr. António Carlos Silva, arqueólogo e do Coronel da Força Aérea Carlos Nascimento e as vozes alentejanas de alguns grupos de cantares da cidade e a voz de Nuno do Ó.

Vila Viçosa

Concertos no Paço Ducal

A convite da presidência da República

Cravos de Campo Maior embelezam jardins do Palácio de Belém Carlos Júlio

Cerca de cinco mil cravos decoraram por estes dias do 25 de Abril os jardins e alguns salões do Palácio de Belém. Cravos de papel feitos com arte e com minúcia pelas mãos das mulheres de Campo Maior. Depois do êxito desta iniciativa e do público reconhecimento de um saber centenário só se espera que o entusiasmo faça com que as Festas do Povo, que não se realizam desde 2004, regressem no próximo ano a Campo Maior. Estava-se em finais de Janeiro quando a Câmara Municipal de Campo Maior foi convidada a associar-se às comemorações do 25 de Abril, em ano também de centenário da República, para decorar o Palácio de Belém. A Câmara não hesitou um momento. “Desde logo aceitámos o convite porque muito nos honra estarmos no Palácio de Belém e mostrarmos esta arte centenária que é o trabalhar do papel. A partir daí começámos a projectar o que iríamos fazer e aí está o resultado final”, diz a o REGISTO, Isabel Raminhas, vereadora da Câmara de Campo Maior, que acompanhou todo o processo. A vereadora esteve em Lisboa no dia da inauguração da exposição e ficou orgulhosa do trabalho

das suas concidadãs. “A nós deunos um gozo muito grande e também um grande orgulho ver como de repente floresceu aquele jardim. Um jardim que aqueles que o conhecem sabem que é completamente verde, com toda aquela sebe de buxo e, de repente, naquela mancha de verde, florescem quase cinco mil cravos”. Ao todo foram feitos cerca de 5 mil cravos de papel. “Nós fizemos 1974 cravos em tamanho real e depois mais de 2.500 cravos em tamanho grande, com 80 ou 85 centímetros. Claro que todo aquele vermelho ali no verde causou um impacto muito grande, com um trabalho de pormenor que as mãos de Campo Maior tão bem sabem fazer e gostámos muito de ver todas aquelas pessoas, incluindo o senhor presidente e a primeira dama, a admirar as flores de Campo Maior. Mas não só as flores. Também fizemos dois cisnes, todos eles feitos de papel, que foram colocados no lago e que embelezaram ainda mais aquele jardim”, afirma Isabel Raminhos. 15 mil metros de papel Em todos aquele cravos foram gastos cerca “de 15 mil metros de papel no total, foram muitas horas de trabalho, diariamente tivemos

a trabalhar entre 25 e 30 pessoas e à medida em que fomos divulgando a iniciativa começaram a aparecer também muitas campomaiorenses que se foram juntado voluntariamente a nós, querendo participar. Contámos também coma colaboração do senhor comendador Rui Nabeiro que nos disponibilizou seis colaboradoras dele para reforçar a equipa”, diz a autarca numa conversa com o REGISTO no Centro Comunitário de Campo Maior, onde todo o trabalho foi realizado. Luísa Rondão foi uma das mulheres que deram corpo a tanto cravo e não regateia emoção nas palavras. “Ficámos todas muito emocionadas. Ao princípio não sabíamos que tínhamos sido convidados para uma coisa tão importante e quando soubemos foi uma alegria muito grande”. “Cravos usam-se pouco” “A gente vai crescendo já aqui no meio das flores das Festas do Povo de Campo Maior, que são conhecidas em todo o Portugal e vamos sempre fazendo, mesmo em casa estes arranjinhos. Mas cravos aprendi só a fazer este ano”, diz Luísa Rondão. Adelaide Centeno, monitora no Centro Comunitário, e uma das outras

mulheres que deram forma aos cravos, confirma: “O cravo não é muito usado nas festas. Às vezes, aparece em canteiros com alguns cravos, mas desta forma como fizemos agora, nunca. Mas acho que nas próximas festas vão haver algumas ruas só de cravos...” Adelaide Centeno considera que “foi uma honra para Campo Maior, uma vez que as Festas do Povo têm aqui origem, e embora outras já façam festas parecidas, estas são nossas, são muito antigas, vem já dos nossos antepassados. É uma coisa que gosto imenso e isto está dentro de nós. Está dentro da alma de um povo e toda a gente gosta de participar”. A vereadora Isabel Raminhas sintetiza o sentimento que reina em Campo Maior: “Sente-se sempre muito orgulho naquilo que é o resultado dum trabalho deste tipo. Isto é também uma pequena mostra daquilo que os campomaiorenses sabem fazer. Esta é uma arte que nos é própria e é singular das gentes desta terra, que é trabalhar o papel desta maneira e depois, naquele último fim de semana de Agosto, fazer florescer aqui em Campo Maior um jardim em todo o centro histórico da vila. Esta iniciativa permitiu-nos mostrar a a Portugal e aos portugueses aquilo que Campo Maior tem de melhor”

Um recital a cargo de João Pereira Coutinho (flauta) e Paulo Amorim (guitarra) abre na sexta feira a temporada de concertos de música clássica na capela do Paço Ducal de Vila Viçosa, anunciou hoje a organização. O evento é organizado pela Fundação da Casa de Bragança e o concerto inaugural está marcado para as 21:00. A temporada de concertos de música clássica 2010 contará com um total de oito recitais, na capela do Paço Ducal, com entrada livre. Os concertos seguintes decorrem de maio a Outubro, na última sexta feira de cada mês, estando o encerramento marcado para 10 de Dezembro, com o recital de Natal, todos marcados para as 21:00. Tiago Salgueiro, técnico da Fundação da Casa de Bragança e responsável pelo evento, disse hoje à Agência Lusa que a temporada de concertos 2010 vai lembrar um nome dos “mais ilustres” que passaram pela capela do Paço Ducal, João Lourenço Rebelo (1610-1661), “companheiro de estudos do Rei Restaurador e Mestre da Capela Real”, do qual se assinalam quatro séculos de nascimento. “Outras linguagens musicais e diversos períodos históricos, numa proposta tão abrangente quanto possível, completam o repertório do evento”, adiantou o responsável. Segundo os promotores, a tradição musical da Casa de Bragança remonta ao período de construção do Paço, no início do século XVI. A reunião, ao longo de séculos, da famosa biblioteca de D. João IV, juntamente com a formação de gerações de músicos no Colégio dos Reis, associado à Capela, deixaram memória que perdura e se celebra através dos recitais organizados anualmente.


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Centrais

Luís Pardal Fotografia

Tal como em todo o país, o desemprego no Alentejo continua a aume Emprego da região. Em Évora, REGISTO foi ouvir os que cumprem pen balho e nem esperança de achar solução no “Centro de Desemprego”. Formação Profissional, no entanto fomos remetidos para uma

Vai percorrer 1800 km em 37 dias

Marcha Nacional contra a pobreza e exclusão passou por Évora e Estremoz Redação

Na segunda-feira, dia 26, Évora foi palco de uma etapa da Estafeta Nacional Pobreza e Exclusão: Eu passo!, que está a percorrer o país, numa iniciativa do Programa para a Inclusão e Cidadania, no âmbito do Ano Europeu do Combate à Pobreza e Exclusão. Esta Estafeta mobiliza para além dos 2.100 alunos das 142 turmas do Programa Integrado de Educação e Formação (PIEF), inúmeras entidades sociais de âmbito nacional, regional e local. São objectivos desta iniciativa sensibilizar e mobilizar os alunos para a reflexão sobre a pobreza e exclusão social, em particular dos jovens, como um problema que respeita a todos: promover a participação das escolas e da comunidade na construção de uma sociedade para todos; incentivar a participação dos alunos numa causa justa, promovendo conceitos solidários de cidadania. No total, esta iniciativa vai percorrer 1800 quilómetros em 37 dias, durante o período entre 13 de Abril e 21 de Maio, com início

na Praça do Município, em Lisboa, e termo previsto na Praça da Figueira, também em Lisboa. A estafeta chegou a Évora na tarde no dia 26, à Praça do Geraldo, havendo uma recepção à comitiva e aos participantes, com animação de rua e exposições de materiais, dinamizados por vários parceiros e instituições locais Terça-feira, dia 27, realizou-se uma nova etapa da estafeta, num percurso entre Évora e Estremoz, com início na Praça do Geraldo e com a chegada ao Rossio Marquês de Pombal, em Estremoz. Paralelamente a esta actividade decorreu, também, uma Estafeta Digital Testemunho pela Inclusão, com o formato de uma coluna que ransporta dentro de si uma declaração dos jovens. Incluido nesta temática vai-se realizar um encontro regional, virado para a inclusão e cidadania das crianças e jovens, no Dia 11 de Maio, no Auditório da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Alentejo (CCDRA), pelas 14 horas. Luís Pardal Fotografia

Os “passos perdi do desemprego José Pinto de Sá

No Centro de Emprego de Évora, de segunda a sexta, das 9 às 16h, o trabalho decorre normalmente. À porta, há um vai vem moroso de homens e mulheres, principalmente portugueses, mas também ucranianos, brasileiros, moldavos, tudo gente em idade de trabalhar, tudo gente que está sem trabalhar. Já de saída vai Ricardo Crespo, que veio à “apresentação quinzenal”, por “estar no subsídio de desemprego”. De resto, o jovem não espera levar nada do Centro de Emprego. “Aqui não se arranja trabalho,” afirma, “Só se for fora…” No “Centro de Desemprego, como as pessoas dizem,” apenas se conseguiu “desenrascar” uma vez. “São sete cães a um osso,” comenta. E quando se consegue sair de lá com uma guia na mão, geralmente, ao chegar ao local indicado, a vaga já foi preenchida. “Ou qualquer coisa assim…” E vai à sua vida, de papéis na mão. Cruza-se com Amândio Fernandes,” trabalhador independente”, que veio “pela formação”. Inscreveu-se nas Novas Oportunidades, em “Electrónica e Telecomunicações”, mas o curso só começa em Novembro. Entretanto, enquanto aguarda, espera que o “chamem para outro curso”, desta feita de “Energias Alternativas”. E explica que é “mais para ter o 12º ano, e uma profissão em si”. Mas não está fácil. “No ano passado havia mais cursos que pessoas [interessadas]”, comenta. “Este ano é o contrário”. À porta está uma mulher alta, de tez morena, na casa dos trinta. Saiu para fumar um cigarro, enquanto aguarda que a chamem. Não, não quer falar com o jornalista. Por

fim, acaba por falar, mas recusa-se a dizer o nome e não quer ser fotografada. É brasileira, isso não tem como esconder. Vem ver o que há, mas já vem pessimista. Tem uma filha em idade escolar, e o marido adoeceu. Ficou sozinha a aguentar a barca, e precisa mesmo de um emprego. E sublinha o “mesmo”. Está em Portugal há cinco anos, em Évora há três, e já entendeu há muito que não é o paraíso com que vinha a contar quando saiu de Pernambuco. Tem uma amiga em Setúbal que já lhe propôs maneira de ganhar dinheiro, e muito, a trabalhar à noite. “Se não fosse casada, talvez aceitasse. Mas assim…” E mais não diz, porque chamaram o seu número, no intercomunicador, e ela acorre, apressada. Na sala de espera, o sol da manhã de Primavera entra pelas grandes vidraças e a atmosfera seria risonha, se tal pudesse dizer-se de um local onde diariamente tanta gente espera e desespera. Agora, dez da manhã de sexta-feira, haverá uma dezena de pessoas na sala de espera, mais as que estão nos gabinetes, a ser atendidas. A um canto, uma moça franzina lê sem tirar os óculos escuros. Para matar o tempo, vai vivendo as aventuras amorosas da filha mais nova de uma duquesa espanhola, esmiuçadas na Hola. “Finalmente sou feliz,” diz a filha da duquesa, em letras garrafais. Na foto maior aparece de mãos dadas com o noivo, sorridente e bronzeadíssima. “Sinto que é o grande amor da vida dela,” terá comentado a mãe, segundo a revista. No mundo real do Centro de Emprego também há uma mãe, mas está curvada sobre o carrinho a entreter o bebé, na esperança que os resmungos não descambem em choro. “O gaiato já está farto de aqui estar, coitadinho”, explica ao vizinho, um homem a rondar os sessenta, que concorda, pois claro. Está preocupado. Tem boleia combinada com um vizinho

para voltar à Boa Fé, mas se ainda o “empatarem” muito, arrisca-se a ficar em terra. Há um casal especado diante do distribuidor de senhas, hesitante. “Se pretende candidatar-se a alguma das ofertas de emprego, tire a sua senha no marcador de vez Tecla 2 e aguarde a sua vez”. O homem e a mulher falam entre si, em voz baixa, como que a medo. Ou melhor, como que envergonhados. São imigrantes da Europa de Leste, recém-chegados, ao que tudo indica. “Candidatos com e sem convocatória”… Será isto? O segurança não consegue traduzir. Acode-lhes um homem alto, de cabelo muito curto, que lê os anúncios de empregos. Fala com eles em russo. Vê-se que o casal não sabe grande coisa da língua, mas lá conseguem comunicar. Acabam por se decidir pelo botão 2: “Inscrições e reinscrições, subsídio de desemprego, apresentação a ofertas de emprego e informações sobre programas, medidas e formação profissional.” O homem alto regressa ao placard dos anúncios. Nesse dia havia 36 “ofertas de emprego”. Segundo as fichas, procurava-se um “cozinheiro com experiência”, um “montador de vidros (viatura)”, um “encarregado de obras (que saiba ler desenhos)” e até um “porta-minas”, coisa que ninguém soube explicar ao casal do Leste o que era. Ao lado anuncia-se a “oferta formativa”, do IEFP e do IP, traduzida numa vintena de escolhas: cabeleireiro de senhora, técnico de gestão desportiva, agente em geriatria… Efigénia Moura, portuguesa, 32 anos, opta por este. “Já conheço o serviço, já trabalhei em lares, aqui e em Beja,” explica, desenvolta. Agora precisa de formação, para ver se ganha “um bocadinho mais.” O trabalho com idosos é difícil, e “às vezes é muito chato”, mas que fazer? “Sou mãe solteira e sem habilitações, tenho que me sujeitar.”


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entar, e já são quase 26 mil os desempregados inscritos nos Centros de nosamente a “via sacra” de miséria e frustração de quem não tem traTambém tentámos recolher a perspectiva do Instituto de Emprego e espera que se estendeu para lá da hora de fecho desta edição.

idos”

Luís Pardal Fotografias

Em Março

Número de inscritos nos Centros de Emprego aumentou no Alentejo À semelhança do que sucedeu no resto do país, o número de desempregados inscritos nos Centros de Emprego do Alentejo aumentou substancialmente durante o mês de Março, atingindo agora quase 26 mil indivíduos. Segundo dados divulgados pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), o número de desempregados inscritos nos Centros de Emprego do Alentejo subiu 14,1 por cento em Março passado face ao mesmo mês de 2009, atingindo os 25 mil 846 indivíduos. Face ao mês de Fevereiro o crescimento de inscritos atingiu os 5,5 por cento. “O aumento anual do desemprego teve lugar em todas as regiões do país, destacando-se as oscilações mais

significativas no Algarve (com mais 35,8 por cento) e na região autónoma da Madeira (com mais 33,8 por cento)”, precisa o IEFP. Em termos de oferta de emprego, em Março verificouse no Alentejo uma quebra de 8,1 por cento face a período homólogo. Comparativamente com o mês de Fevereiro de 2010, registou-se um ligeiro aumento, cifrado em 0,4 por cento. No fim do mês de Março, encontravam-se registados, nos Centros de Emprego do Continente e Regiões Autónomas, 571 mil 754 desempregados. A nível nacional, o desemprego registado aumentou 18,1 por cento face ao mês homólogo de 2009 e 1,9 por cento quando confrontado com o valor do mês anterior.


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Reportagem CENDREV organiza visitas encenadas

Teatro Garcia de Resende como nunca o viu Paulo Nobre

E se de repente Fialho de Almeida aparecer no meio da rua com “Os Gatos” debaixo do braço lançando um olhar crítico lancinante ao edifício do Garcia de Resende, isso é... o início de uma visita teatralizada ao teatro. Ou seja, o princípio de uma viajem ao interior de um edifício que muitos conhecem, mas nunca viram na totalidade. José Russo é o cicerone. Todos o conhecemos da cidade. Todos o conhecemos do palco. Aqui ele desempenha este duplo papel. Por um lado é José Russo, actor, director do CENDREV. Simultaneamente interpreta a sua própria personagem como director de companhia numa peça em que todos acabamos protagonistas, testemunhando a presença de alguns dos “fantasmas” que habitam este teatro construído nos finais do século XIX. Maria Parda roga pragas à vida miserável nas catacumbas do tearo. Até a Rainha D. Leonor nos recebe no PUB

Salão Nobre, mais à frente já perto do final desta peça que mais não é que a nossa própria visita ao teatro. As visitas encenadas assinalam os 35 anos de actividade profissional do Centro Dramático de Évora e de uma forma original abrem-nos todas as portas do teatro, dos camarins, às catacumbas, permitindo-nos, lá do alto, o olhar vertiginoso para o palco. Sobressai ao longo de hora e meia a história do edifício e as estórias que rodeiam a vida de um dos mais emblemáticos edifícios da cidade, ainda que na opinião viperina de Fialho de Almeida este se tratasse apenas de um edifício sem estilo, sem dimensão e grandeza para albergar arte tão nobre como o teatro. “Talvez para um hotel”, escreveu o autor de “O País da Uvas”. Conhecer para preservar As portas escancaram-se à passagem dos visitantes. Descobrem-se alguns dos mistérios deste teatro “à italiana” que mantém intacta quase toda a maquinaria e o sistema original de

cordas e contrapesos que permitiam a mudança dos cenários. O palco, profundo, está sustentado por dez barrotes de madeira com cerca de 36 metros de altura que vão desde o cadafalso até ao tecto do edifício. Barrotes que terão sido transportados de barco do Brasil, por não existir em Portugal árvores de tal dimensão. Por baixo do palco o cadafalso que chegou a ser usado como lixeira. Por baixo da plateia, uma ampla “caixa de ar” confere à sala óptimas condições acústicas. O Garcia de Resende é um teatro municipal, no entanto o CENDREV acaba por ser o guardião deste templo, abrindo-lhe as portas cerca de 70 vezes por ano para visitas ao espaço em iniciativas sobretudo dimensionadas para as escolas. Estas visitas, encenadas, são diferentes. Contam com a participação de vários actores da companhia, que ao longo do percurso vão representando diferentes papéis em todos os espaços do teatro. São os tais “fantasmas”, personagens de encenações realiza

É um dos mais representativos “teatros à italiana” existentes em Portugal, tal como o Teatro de S. Carlos, ou o Coliseu de Lisboa, e com capacidade para figurar num dos primeiros lugares de uma listagem a nível europeu, ao lado, por exemplo, do Scala de Milão. Influenciado pelo modelo italiano o Teatro Garcia de Resende foi inaugurado em 1892. A construção iniciou-se em Abril de 1881, por iniciativa de José Maria Ramalho Dinis Ortigão e é finalizada com a direcção de Francisco Eduardo Barahona Fragoso. O projecto de arquitectura é da autoria do eng. Adriano Augusto da Silva Monteiro. Ocupa uma área de 1.500 m2. Nos últimos anos, a Câmara de Évora tem vindo a proceder a sucessivas obras de conservação e restauro do teatro considerado imóvel de interesse concelhio desde 1975, ano em que acolhe o Centro Cultural de Évora, actual CENDREV, como companhia residente. das ano após ano pelo CENDREV. Desfilam, ou actuam junto, pelo meio, dos vistantes, fazendo-nos sentir também personagens da peça. “Este tipo de visitas não as fazemos muitas vezes. É uma experiência que iniciámos o ano passado, estamos a repeti-la este ano e pensamos mantêla”, assegura José Russo. O objectivo primordial passa por “contribuir para um maior

conhecimento da valia deste espaço”, sabendo-se de antemão que “só se preserva aquilo que se conhece”. Sendo este edifício “uma jóia da arquitectura teatral portuguesa” que José Russo diz que tem sido cuidado e está “muito bem preservado devido ao grande investimento que ao longo dos anos a Câmara aqui tem feito”, é fundamental que “os eborenses o conheçam na sua totalidade”.


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Fotojornalismo

Paulo Pimenta foi o vencedor do prémio Estação Imagem/Mora José Pinto de Sá

O fotógrafo portuense Paulo Pimenta foi o vencedor do grande prémio Estação Imagem / Mora 2010, cujos resultados foram anunciados sábado em Mora, onde o júri internacional esteve reunido durante quatro dias. Paulo Pimenta, repórter fotográfico do jornal Público no Porto, venceu o principal galardão dos prémios de fotojornalismo Estação Imagem Mora 2010, com uma reportagem sobre a ferrovia desactivada do Sabor, em Trásos-Montes, que lhe valeu o prémio de 7.500 euros. Reunido em Mora nos últimos quatro dias, o júri internacional foi constituído por Aypery Ecer (vice-presidente para a fotografia da agência Reuteurs, e presidente do júri do World Press Photo deste ano), Daphné Anglès (coordenadora fotográfica para a Europa do New York Times), Magdalena Herrera (directora de fotografia da revista francesa Geo) e Francesco Zizola (fotojornalista da agência Noor, distinguido oito vezes no World Press Photo). O quinto membro do júri, o alemão Volker Lensch, editor de fotografia da revista Stern, não conseguiu estar presente, porque o voo que devia tomar para se deslocar a Portugal foi cancelado devido à nuvem vulcânica no espaço aéreo europeu. Sete categorias A cerimónia de entrega dos prémios decorreu no sábado à tarde no auditório municipal de Mora, e registou grande afluência de público, que aplaudiu com entusiasmo o anúncio dos vencedores nas diversas categorias. Assim, na categoria Notícias, o 1º prémio foi para Ricardo Meireles, da agência Via Visuals, com uma reportagem sobre a crise em S. João da Madeira. O júri entendeu por bem atribuir um 2º prémio nesta categoria, distinção que coube a Nélson Garrido, do jornal Público, com um trabalho sobre a imigração clandestina para a Europa a partir da Mauritânia. Na categoria Vida Quotidiana, o 1º Prémio foi para João Carvalho Pina, do colectivo Kameraphoto, com o trabalho «Gang-

land», sobre a violência no Rio de Janeiro. O 2º prémio na categoria coube a Nacho Doce, da agência Reuters, com uma reportagem sobre doentes de Alzheimer. Nelson d’Aires, do colectivo Kameraphoto, venceu o 3º prémio nessa categoria, com uma reportagem sobre um concurso de cozinheiros do Exército russo, realizada no âmbito do projecto State of Affairs. Na categoria Retrato, o vencedor foi Guillaume Pazat, também do colectivo Kameraphoto, com uma série de retratos feitos no Bairro da Bouça, no Porto Já na categoria Artes e Espectáculo, o prémio foi para Gonçalo Rosa da Silva, editor da revista Visão, com uma reportagem sobre um leilão na Christie’s, em Londres, publicada na revista “Visão Estilo & Design”. O vencedor na categoria Ambiente foi Nuno Ferreira, colaborador permanente do jornal “Correio da Manhã” e correspondente em Viseu da agência Lusa. Na categoria Desporto, o prémio foi para Jorge Monteiro, da agência GestiFoot Media, com um trabalho sobre a apresentação de Cristiano Ronaldo no Real Madrid. Por último, o prémio na Categoria Especial, este ano subordinada ao tema “2009, ano de eleições”, coube a Nelson d’Aires, do colectivo Kameraphoto, com a cobertura da campanha do PSD para as eleições legislativas. Os vencedores nas sete categorias receberam um troféu e 2.500 euros, cabendo ao segundo e terceiro classificado apenas o troféu. A Estação Imagem instituiu ainda uma bolsa de 5.000 euros destinada a apoiar a realização de um trabalho sobre o Alentejo. O júri internacional, depois de avaliar os projectos dos candidatos, decidiu atribuir a bolsa a João Carvalho Pina, que se propõe desenvolver um projecto documental sobre o que aconteceu às unidades colectivas de produção (UCP) constituídas no Alentejo depois da revolução de 1974. Temas locais Na cerimónia de entrega dos prémios, a presidente do

Fotografias da reportagem vencedora do prémio Estação Imagem/Mora júri, Aypery Ecer, sublinhou a importância dos concursos nacionais e regionais de fotojornalismo na renovação da fotografia, chamando a atenção dos repórteres para os assuntos locais. Salientou ainda o facto deste prémio, o único galardão de fotojornalismo actualmente existente no país, distinguir reportagens, e não fotografias individuais, permitindo aos fotógrafos trabalharem os assuntos em profundidade. Luís Vasconcelos, director da Estação Imagem, anunciou na cerimónia de entrega de prémios, que decorreu sábado no Auditório de Mora, que no próximo ano o Prémio Estação Imagem Mora 2010 contará com duas categorias especiais: uma sobre “2010, Ano Europeu do Voluntariado”, e outra destinada a videastas, que poderão submeter a concurso documentários de três

minutos. No domingo, dia 25 de Abril, pelas 11h00, também no Auditório Municipal de Mora, teve lugar uma “sessão aberta” com o júri. A sessão registou grande afluência de público, e foi ocasião de uma animada conversa entre os fotógrafos presentes e os membros do júri. O Prémio Estação Imagem

Mora, patrocinado pela Câmara Municipal de Mora, conta ainda com o apoio da agência Lusa e da RTP. Na primeira edição desta iniciativa, concorreram quase duzentos fotógrafos profissionais, com mais de 600 reportagens, totalizando mais de cinco mil fotografias.

O que é a Estação Imagem? O prémio Estação Imagem/ Mora é promovido pela Estação Imagem, uma associação cultural sem fins lucrativos, constituída com o objectivo de estudar, debater e divulgar todos os aspectos ligados à imagem, com particular incidência na fotografia, através da realização de projectos de cariz documental. A Estação Imagem “conta desde a primeira hora com a cooperação entusiasta” da Câmara Municipal de Mora, que viu nesta iniciativa “um contributo importante para o

desenvolvimento do concelho”, mas também um projecto cultural de interesse regional. A associação propõe-se proporcionar aos fotojornalistas uma estrutura que promova uma discussão activa entre eles, “capaz de abrir horizontes e permitir uma compreensão mais alargada da linguagem da imagem”. Nesse contexto, os projectos de interacção com artistas das diferentes formas de expressão da imagem assumem particular importância pelas questões levantadas fora do âmbito específico da fotografia. Embora com horizontes

transfronteiriços e universais, a Estação Imagem “assume integralmente as suas raízes morenses e alentejanas”, e está empenhada em dar prioridade a projectos de interesse para a região. Com programação anual de actividade constante, a Estação Imagem assume “o desafio de ultrapassar os limites da interioridade e do isolamento geográfico”, contribuindo para inverter a tendência de desertificação humana, fixando os naturais do concelho e criando pólos de interesse às pessoas vindas de fora.”


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29 Abril ‘10

Saúde Novo serviço de apoio a doentes

Câmaras de Redondo, Alandroal e Rui Nabeiro apoiam portadores de Esclerose Múltipla Redação

A Esclerose Múltipla, doença autoimune e progressivamente incapacitante, que atinge jovens adultos, incentivou o Comendador Rui Nabeiro a constituir uma delegação da Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla em Portalegre. Conhecendo igualmente a realidade no distrito de Évora lançou o convite às Câmaras de Alandroal e Redondo para acolherem um núcleo da referida delegação. As autarquias responderam positivamente e uniram-se ao “Coração Delta”. As Câmaras de Redondo e de Alandroal e o Coração Delta (Delta Cafés) são parceiros no projecto de constituição da Delegação Distrital de Portalegre da Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla, da qual resultou o Núcleo AlandroalRedondo. O Comendador Manuel Rui Azinhais Nabeiro, após constatar que nos distritos de Évora e Portalegre os portadores de Esclerose Múltipla (EM), também denominada Esclerose em Placas, carecem de mais apoios psico-sociais, psicológicos, logísticos, terapêuti-

cos e informativos, mobilizou os seus técnicos que coordenam projectos de solidariedade social. Após a nomeação dos elementos da Comissão Coordenadora, residentes em Campo Maior, Alandroal e Redondo realizou-se uma reunião de apresentação da Delegação e Núcleo, em Alandroal. Estiveram presentes representantes da autarquia que acolheu a reunião, nomeadamente o Presidente (João Grilo) e a Vice-Presidente (Drª Fátima Ferreira), da Câmara Municipal de Redondo (Vereadora Maria Inácia Cachopas) e do Coração Delta (Drª Dionísia). Responderam ainda ao convite da organização a enfermeira Catarina Tereso, que faz o acompanhamento de doentes portadores de EM no Hospital do Espírito Santo de Évora e assiste o neurologista Dr. António Leitão, dois clínicos gerais do Centro de Saúde de Redondo (Dr. Luis Glórias Ferreira e Dr. Nelson Batista), além de portadores de EM e familiares dos mesmos. Na referida reunião ficou clara

a vontade dos parceiros em colaborarem mutuamente na melhoria da qualidade vida destes doentes e sensibilizarem profissionais de saúde de diversas especialidades e a sociedade civil a associarem-se a um projecto cujos objectivos têm como pressupostos detectar precocemente esta patologia e prestar cuidares de saúde de qualidade, em particular aos utentes com maior dificuldade em aceder com celeridade a serviços imprescindíveis para o seu bem-estar físico e psicológico. Foi ainda referida a importância de inserir profissionalmente, em entidades públicas e privadas, cidadãos com EM que sejam portadores de deficiência. Sensível a esta problemática, Alfredo Barroso, Presidente da Câmara Municipal de Redondo, tem envidado esforços quanto à inclusão de cidadãos que, apesar das suas incapacidades físicas, reúnem competências para desenvolver uma actividade profissional. Actualmente a Câmara Municipal de Redondo emprega

cidadãos com um grau de incapacidade considerável e Esclerose Múltipla sendo, à semelhança da Câmara Municipal de Alandroal e Delta Cafés um bom exemplo de integração profissional de cidadãos aos quais, apesar das suas limitações físicas em diferentes domínios funcionais, são reconhecidas potencialidades e igualdade de oportunidades. A curto prazo serão dinamizadas acções de sensibilização, dirigidas a empresas, representantes de diversas

áreas de actividade e populações, bem como eventos que terão como objectivo a recolha de fundos que reverterão a favor da de Delegação Distrital de Portalegre da Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla e Núcleo Alandroal-Redondo. Os parceiros acreditam ainda que esta soma de esforços se poderá traduzir igualmente numa melhor compreensão da referida patologia por parte de familiares e amigos e da própria sociedade.

A partir de finais de 2014

Novo Hospital Central de Évora apoiará toda a Região Alentejo Redação

Há uma semana, como o Registo assinalou na última edição, foi assinado em Évora o contrato para elaboração do projecto do novo Hospital Central de Évora que, se forem cumpridos os prazos, deverá estar concluído até finais de 2014, custando cerca de 94 milhões de euros. O novo Hospital de Évora vai-se localizar perto do ÉvoraHotel, na Quinta da Latoeira, propriedade do Estado com uma área total de 25 Hectares. A área bruta do edifício irá ultrapassar os 78 mil metros quadrados, envolvidos por mais de 170 mil metros quadrados de espaços verdes e cerca de 1600 lugares de estacionamento. O Hospital será construído de forma a poder facilmente expan-

dir-se em caso de necessidade, a sua lotação de 351 camas pode ser aumentada até às 440 camas, uma vez que 50% dos quartos são individuais com cama dupla. O novo Hospital Central de Évora irá dar resposta às necessidades de toda a população do Alentejo, em articulação com as Unidades Hospitalares da Região. A sua área de Influência de primeira linha abrange 150 mil pessoas, correspondendo ao Distrito de Évora, num total de 14 Concelhos. Em segunda linha abrangerá cerca de 440 mil pessoas, correspondente a toda a região do Alentejo, num total de 33 Concelhos (15 do Distrito de Portalegre, 13 do Baixo Alentejo e 5 do Alentejo Litoral). Segundo os responsáveis “o novo Hospital Central de Évora consti-

tuirá uma unidade hospitalar de Referência na Prestação de Cuidados de Saúde da região do Alentejo, com elevada diferenciação clínica e tecnológica”. A elevada diferenciação clínica vai-se reflectir no alargamento da sua actual carteira de serviços, nomeadamente especialidades como a reumatologia, cirurgia maxilo-facial, cirurgia vascular, neurocirurgia, infecciologia e endocrinologia. A elevada diferenciação tecnológica será reflectida na disponibilização das mais recentes tecnologias de Diagnóstico e Terapêutica, como seja o caso da Medicina Nuclear, Hemodinâmica, Angiografia Digital, Ressonância Magnética, Radioterapia. Esta elevada diferenciação será ainda evidenciada com o recurso aos mais avançados Siste-

mas e Tecnologias de Informação, que permitirão que todo o Hospital possa funcionar sem a utilização de papel, generalizando o processo clínico electrónico e partilhando a informação clínica com as restantes instituições de saúde. O novo Hospital Central de Évora terá capacidade anual para 10 mil cirurgias, 16 mil internamentos, 71 mil urgências, mais de 247 mil consultas externas, mais de 11 mil sessões de Hospital Dia de hemodiálises e aproximadamente de 30 mil sessões de Hospital Dia de quimioterapia. Ao concurso público internacional lançado pelo Hospital do Espírito Santo de Évora EPE, destinado à execução da componente de Arquitectura e de Projectos Técnicos das várias especialidades, concorreram dez

candidaturas. O vencedor foi o consórcio constituído por Souto Moura Arquitectos SA, Pinearq, Grupo JG Ingenieros Consultores de Proyectos SA e Manuel Carlos Abreu Gomes da Silva. A elaboração do projecto técnico terá um prazo de 420 dias, iniciando-se então a empreitada do novo hospital, que deverá estar concluído até final de 2014. O custo total estimado para esta obra é de cerca de 94 milhões de euros, acrescidos de IVA. Este investimento será financiado por fundos próprios do Hospital, obtidos quer por via do seu capital Estatutário, quer por via da alienação de património e do recurso a fundos comunitários.


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Reportagem Sociedade Harmonia Eborense

Uma “velha dama” muito jovem José Pinto de Sá

A Sociedade Harmonia Eborense fez 161 anos, mas a “velha dama” está bem viva e cheia de planos para o futuro. A Harmonia está bem de saúde, e até “melhor que há algum tempo,” considera Alexandre Varela, presidente da direcção da associação. Depois de “alguns problemas” com instituições como a ASAE, a Harmonia vive actualmente uma fase de “estabilização financeira”, para a qual contribui grandemente a forma como tem gerido o potencial humano. No ano passado, a Harmonia ganhou mais de cento e trinta sócios novos, perfazendo actualmente cerca de quatro centenas. Quanto à cobrança de quotas, aumentou sessenta por cento, apesar de terem sido eliminados das listas mais de quinhentos sócios, sobretudo por não pagamento de quotas. Varela explicou que se tratava sobretudo de estudantes, que, uma vez concluídos os cursos, abandonam Évora. Na opinião do dirigente associativo, outro indicador positivo é actual estado do voluntariado. A SHE conta actualmente com a colaboração permanente de mais de vinte pessoas, o que permite haver

Cerimónia comemorativa de mais um aniversário da Harmonia Eborense

sempre três ou quatro pessoas por turno, para abrir as portas, controlar entradas, e receber os visitantes. Com esses recursos, a SHE mantém uma actividade constante e uma programação variada e apelativa, sem igual no tristonho panorama da noite eborense. No entanto, a ex-

istência da Harmonia nem sempre foi… harmoniosa. Ainda há poucos anos, a sede esteve fechada durante longos meses, na sequência de uma inspecção da ASAE. À espera de obras Já em 2004, o salão da sede tinha

Programação diversificada A Sociedade Harmonia Eborense – SHE ou Harmonia para os amigos – mantém uma programação constante e diversificada, em áreas como as artes plásticas, o cinema, a dança e sobretudo a música. Assinalando o dia 1 de Maio, a sede da SHE, na Praça do Giraldo, acolhe às 15h00 a projecção do documentário “Torre Bela”, de Thomas Harlan. O filme, realizado em 1977, regista os acontecimentos ligados à ocupação da herdade da Torre Bela, na sequência do 25 de Abril. A projecção da película será seguida de um debate

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com a presença de Camilo Mortágua, que participou pessoalmente nesse episódio histórico. Ainda no sábado, dia 1, mas pelas 23h00, a Harmonia recebe um concerto da cantautora norte-americana Laura Gibson, integrado na tournée internacional de promoção do seu mais recente disco, “Beast of Seasons”, publicado no ano passado. Entretanto, até 29 de Maio continuam expostos na sede da SHE os trabalhos produzidos durante o II Concurso de Fotografia, cujos vencedores foram anunciados no dia 23 de Abril.

sido interditado pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), que ali identificou uma situação potencialmente perigosa. Os riscos são no último piso, por causa da cobertura. Em 2004, o LNEC optou por interditar esse espaço, o que o presidente da

SHE considera injusto. “Pagamos uma renda, mas não usufruímos do espaço,” observa. Para realizar as necessárias obras, o Harmonia tentou candidatar-se a fundos comunitários, mas o senhorio do imóvel não se mostrou favorável. Também não concordou com a proposta de compra do imóvel, e ficou de apresentar uma contraproposta, mas ainda não o fez. “É preciso confrontar o senhorio com a necessidade de fazer obras,” observa Alexandre Varela, reconhecendo que isso “pode ser um processo moroso”. Varela não tem dúvidas que a Câmara Municipal de Évora é “a principal entidade que pode fazer alguma coisa,” até porque “também é parte interessada,” já que o seu Posto de Turismo ocupa o rés-dochão do mesmo imóvel, na Praça do Giraldo. No dia 23 de Abril, dia do seu 161º aniversário, a SHE realizou uma sessão comemorativa recuperando “práticas tradicionais”, como uma homenagem aos sócios mais antigos, durante a qual foram também anunciados os premiados no II Concurso de Fotografia. À noite, a festa mudou-se para a praça, onde teve lugar um concerto pelos Uxu Kalhus.


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Telefone: 21 318 25 91 E-mail: mariahelena@mariahelena.tv

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Carta da Semana: Carta da Semana: Valete de Paus, que significa Amigo, Notícias Inesperadas. Amor: Poderá receber a visita inesperada de um amigo de longa data. Receba-o de braços abertos. Saúde: O seu organismo poderá andar desregulado. Esteja atento às suas indicações. Dinheiro: Possibilidade de ganhar lucros inesperados. Seja audaz e faça um excelente investimento. Número da Sorte: 33 Dia mais favorável: Terça-feira

Carta da Semana: Rei de Paus, que significa Força, Coragem e Justiça. Amor: Opte por atitudes de compreensão e tolerância para com os seus filhos. Saúde: Poderá sentir-se um pouco cansado e sem energia. Melhore a sua alimentação. Dinheiro: Aposte na sua competência, pois poderá ser recompensado da forma como merece. Número da Sorte: 36 Dia mais favorável: Sexta-feira

Carta da Semana: Valete de Copas, que significa Lealdade, Reflexão. Amor: A sua vida afectiva poderá não estar a ter os contornos que planeou. Procure não perder a calma e invista na sua felicidade. Trate-se com amor! Saúde: Não abuse dos alimentos que sabe que prejudicam o seu estômago. Dinheiro: Prevê-se uma semana extremamente positiva em termos profissionais. Número da Sorte: 47 Dia mais favorável: Segunda-feira

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Caranguejo

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Carta da Semana: 9 de Espadas, que significa Mau Pressentimento, Angústia. Amor: Tome consciência dos seus actos, pois estes poderão estar a contribuir negativamente para a sua relação. Saúde: Evite situações que possam provocar alteração do seu sistema nervoso. Cuidar da sua saúde , é um dever. Dinheiro: Modere as palavras e pense bem antes de falar. Uma atitude irreflectida pode aborrecer um superior hierárquico. Número da Sorte: 59 Dia mais favorável: Quarta-feira

Carta da Semana: 6 de Ouros, que significa Generosidade. Amor: A sua cara-metade não merece ser tratada com indiferença. Pense um pouco melhor na sua forma de agir. Saúde: As tensões acumuladas podem fazer com que se sinta cansado e desmotivado. Dinheiro: Atenção, a sua qualidade profissional poderá estar a ser testada. Número da Sorte: 70 Dia mais favorável: Domingo

Carta da Semana: Ás de Espadas, que significa Sucesso. Amor: O amor estará abençoado. Aproveite ao máximo este momento de comunhão. Saúde: O trabalho não é tudo! Descanse mais e pense seriamente na sua saúde. Dinheiro: Aja de forma ponderada, não coloque em risco a sua estabilidade financeira. Pense bem antes de gastar indevidamente. Número da Sorte: 51 Dia mais favorável: Terça-feira

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Balança

Escorpião

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Carta da Semana: 4 de Espadas, que significa Inquietação, agitação. Amor: Ponha as cartas na mesa, evite esconder a verdade. Seja o mais honesto possível com a sua carametade. Saúde: Aja em consciência e não cometa excessos que o seu organismo não suporta. Dinheiro: Ouça os conselhos da pessoa com quem divide as tarefas diárias. Número da Sorte: 54 Dia mais favorável: Domingo

Carta da Semana: O Julgamento, que significa Novo Ciclo de Vida. Amor: Aposte nos seus sentimentos e poderá, em conjunto com a sua carametade, tomar uma decisão importante para ambos. Saúde: A sua capacidade de recuperação de energias será notória. Esqueça o passado e viva o presente. Dinheiro: Esforce-se por conseguir atingir os seus objectivos profissionais. Seja audaz e perseverante. Número da Sorte: 20 Dia mais favorável: Segunda-feira

Carta da Semana: A Roda da Fortuna, que significa Sorte, Acontecimentos Inesperados. Amor: Ponha o seu orgulho de lado e vá à procura da felicidade. Seja feliz! Saúde: Lembre-se que fumar não faz mal apenas a si; tenha em atenção a saúde da sua família. Dinheiro: Aposte nos seus projectos pessoais. Seja inovador e arrojado. Poderá ter óptimas surpresas. Número da Sorte: 10 Dia mais favorável: Sexta-feira

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Capricórnio

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Carta da Semana: A Lua, que significa Falsas Ilusões. Amor: Uma velha lembrança poderá pairar na sua mente, causando algumas dúvidas no seu coração. Saúde: Nesta área não terá muitas razões para ficar preocupado, o que não significa que deixe de ter os cuidados mínimos. Dinheiro: Utilize a sua capacidade de organização para sugerir algumas mudanças no seu departamento. Número da Sorte: 18 Dia mais favorável: Terça-feira

Carta da Semana: O Mundo, que significa Fertilidade. Amor: Não se dedique apenas à sua vida profissional, dê mais atenção à pessoa que ama. Saúde: Liberte o stress que tem acumulado dentro de si. Dinheiro: Património protegido. Continue a adoptar uma postura de contenção. Será bastante positivo para si. Número da Sorte: 21 Dia mais favorável: Quarta-feira

Carta da Semana: 8 de Copas, que significa Concretização, Felicidade. Amor: Aja menos com a razão e mais com o coração. Assim, evitará conflitos desnecessários com a pessoa que ama. Saúde: Seja mais moderado e dê mais valor ao seu bemestar. Se seguir em frente e fizer o que tem de ser feito, todos acabarão por aplaudi-lo! Dinheiro: Esteja muito atento ao que se passa ao seu redor, pois algum colega pode não ser tão sincero quanto aparenta. Número da Sorte: 44 Dia mais favorável: Sábado

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livros

FIlme desta semana

O Não Também Ajuda a Crescer

Eu Amo-te Phillip Morris

Autor_María Jesús Álava Reyes

Realização_ Glenn Ficarra e John Requa

Sinopse

Sinopse

É fundamental criar normas básicas que ajudem o nosso filho ou educando a conseguir a estabilidade, tranquilidade e segurança necessárias para o desenvolvimento correcto enquanto pessoa. Para a psicóloga María Jesús Álava Reyes, autora best-seller em Portugal, o não dito com segurança e convicção também ajuda a crescer. Esta psicóloga com mais de 20 anos de experiência no trabalho directo com crianças, garante-nos que não temos de ser amigos dos nossos filhos, que não devemos comprá-los com presentes, ou protegê-los em excesso, fechar os olhos ou negar evidências. Neste livro encontra casos reais de famílias e crianças com problemas, sugestões de actuação e as regras de ouro que ajudam a melhorar a relação entre crianças e pais, como por exemplo, a ideia de que é fundamental sermos mais perseverantes que elas, que os discursos longos de pouco ou nada servem porque as crianças não reagem perante as nossas palavras, mas perante os nossos actos, que é fundamental pai, mãe e restante família estarem unidos nos critérios de educação e agirem com segurança.

O brasileiro Rodrigo Santoro também interpreta uma ‘bicha’ louca no filme da dupla Glenn Ficarra e John Requa Um filme sobre homossexuais não é necessariamente um filme ‘gay’. Mas ‘Eu amo-te Phillip Morris’ é. E ganha ao sair do armário como fez ‘Steven Russel’ (Jim Carrey), caso verídico do gozo ao sistema judicial norteamericano, rei da fraude, das mentiras e crimes de colarinho branco. Tudo por amor. Casado, pai de família e crente em Deus, Steven tem a real “epifania” quando sofre um acidente de viação que o leva a querer viver cada dia fosse o último. A partir daí, assume-se como ‘gay’ e ostenta o estilo de vida de uma ‘bicha’ extravagante. Uma opção cara e que precisa de muitos golpes para sustentar... até ir parar à prisão. Na cadeia, o golpista não pára e multiplica esquemas para sair em liberdade com o seu novo amor, ‘Phillip Morris’ (Ewan

Educar sem gritar Autor_Guillermo Ballenato Sinopse

Grita com o seu filho com frequência e por qualquer motivo? Acredita que deste modo está a impor a sua autoridade e a fazer valer o seu critério? A seguir sente-se de imediato culpado por ter perdido o controlo? Educar as nossas crianças é, sem dúvida, uma tarefa apaixonante, mas também complexa e difícil. Este livro pretende ajudá-lo a si – pais, avós, educadores, professores - a construir uma educação mais positiva com as crianças e os adolescentes, baseada em cinco conceitos básicos: O afecto e o reconhecimento; O diálogo, a escuta e a compreensão; A autoridade, aplicada com competência e equilíbrio; A coerência e o senso comum; O respeito e os valores humanos. O autor, especialista em Psicologia Educativa, fornece-nos ao longo destas páginas ferramentas e estratégias fundamentais para utilizarmos no nosso dia-a-dia

McGregor), descoberto entre grades. As burlas não param... nem no leito de morte. Estreado no Festival de Cinema de Sundance em Janeiro de 2009 e exibido no Festival de Cinema de Cannes em Maio desse mesmo ano, o filme confirma o talento de Carrey num estilo que lhe é quase inato: a comédia. Mas o actor canadiano volta a mostrar que também dá cartas quando se trata de uma personagem com um complexo processo dramático.

Resolva as palavras cruzadas por meio de sinónimos

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1 2 3 4 5 6 7 8 9 Horizontais: 1 – Desastre. 2 – Areal. 3- Contracção de preposição com o artigo; falda; solitário. 4- Levanta; avistar. 5- Perdurável. 6 – Pega; troçar. 7 – Compaixão; cruel; interjeição de dor. 8 – Desembarquem. 9 – Féria. Verticais: 1 – Saúde. 2- Incrimino. 3 – Símbolo químico do neptúnio; altar; primeiro apelido de um poeta do século XVI. 4 – Cólera. 5 – Conhecimento. 6 – Parente; apelido (inv.). 7 – Batráquio; chegar; nota musical. 8 – Sisuda. 9 – Habitara.

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Nota: O objectivo do jogo é completar os espaços em branco com algarismos de 1 a 9, de modo que cada número apareça apenas uma vez na linha, grade e coluna.


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Cultura Sexta-feira no Teatro Garcia de Resende

António Zambujo apresenta em Évora o mais recente disco José Pinto de Sá

“O fado também pode ser contemporâneo, ” confirmou a crítica perante o trabalho de António Zambujo, o cantor bejense que acaba de lançar o seu quarto disco e que Évora vai poder ouvir na sexta-feira. Dois anos depois da sua última apresentação em Évora, António Zambujo regressa à cidade para um concerto no Teatro Garcia de Resende, na próxima sexta-feira, 30 de Abril pelas 21h30. O concerto integra-se na tournée de promoção de “Guia”, o mais recente álbum do fadista bejense, publicado este ano. No entanto, António Zambujo avançou ao REGISTO que o alinhamento do concerto incluirá também temas de discos anteriores, já que “há sempre espaço” para outros materiais, incluindo as habituais visitas ao cante alentejano. Nas 14 faixas de “Guia”, Zambujo conta com a colaboração de uma variada gama de autores, da portuguesa Aldina Duarte ao brasileiro Vinícius de Morais, passando pelo angolano José Eduardo Agualusa. No entanto, o cantor não vê isso como “um desafio”, já que, desde o início, “um dos grandes objectivos era conseguir que os temas fossem todos originais”. “Gostava que fossem escritos por pessoas que conhecessem a minha música e se identificassem com ela,” diz o fadista, satisfeito com o resultado. “Conhecem-me e sabiam para o que estavam a escrever.” “Guia” é o quarto álbum de António Zambujo, que já anteriormente publicara as colectâneas “O mesmo fado” (2002), “Por meu cante” (2004) e “Outro sentido” (2007). “António Zambujo é o guia nesta sua estrada, que é a do Fado, passa pelo Cante Alentejano, sempre visitando outras influências musicais,” escreveu a crítica.

“Guia” de Fado No Brasil, o trabalho de António Zambujo mereceu os mais rasgados elogios de músicos como Caetano Veloso, que o descreveu como “um jovem cantor de fado que, intensificando mais a tradição do que muitos dos seus contemporâneos, faz pensar em João Gilberto e em tudo o

que veio à música brasileira por causa dele.” António Zambujo nasceu em Beja em 1975 e cresceu a ouvir cante alentejano, género que, mais tarde, viria a influenciar a sua formação musical. Aos oito anos de idade iniciou estudos de clarinete no Conservatório Regional do Baixo Alentejo, mas desde cedo se apaixonou pelo fado, tendo como

principais referências “clássicos” como Amália Rodrigues, Alfredo Marceneiro e Maria Teresa de Noronha. Concluídos os estudos de clarinete mudou-se para Lisboa e começou a cantar em casas de fado, estreandose pouco depois no teatro musical integrado no elenco de “Amália”, onde Filipe La Féria lhe confiou o papel do primeiro marido da

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Sábado na Harmonia

Laura Gibson uma americana tranquila Laura Gibson é americana, vive em Portland, canta e toca guitarra. Simples como a sua música é esta a apresentação que a cantautora faz de si própria, e que o público eborense poderá confirmar no sábado, 1 de Maio, pelas 23h00, na Sociedade Harmonia Eborense. Após uma recente passagem por

“diva”. Publicou em 2002 o primeiro álbum, “O mesmo fado”, colectânea em que são marcantes as influências alentejanas, disco que lhe mereceu o prémio de “Melhor Nova Voz do Fado,” atribuído pela Rádio Nova FM. Em 2006, a Fundação Amália Rodrigues premiou-o na categoria de “Melhor Intérprete Masculino do Fado.”

Coimbra e pelo Porto, Laura Gibson volta a Portugal, desta feita a Lisboa e Évora, para apresentar o último disco em nome próprio, “Beast of Seasons”, lançado no ano passado. Nos discos, Laura trabalha as suas próprias composições de forma imaculada e doce, contrastando com “alguma carga que as suas letras trazem”

“Com a timidez da sua voz, Laura tece um ambiente que nos enrola e envolve numa intimidade de partilha com a sua música”, segundo o texto divulgado pela promoção do concerto. “É esta timidez aconchegante que inunda as suas composições e nos faz abraçar a sua música e prosseguir viagem com ela”.

O terceiro disco, “Outro sentido”, surgiu em 2007, e foi editado em toda a Europa, no Brasil e nos Estados Unidos, onde a revista Songlines o considerou um dos melhores álbuns do ano a nível mundial, na área da World Music. O quarto álbum de Zambujo, “Guia”, foi publicado este ano e tem recebido o caloroso apoio da crítica e do público.


20 29 Abril ‘10 Para divulgar as suas actividades no roteiro Email geral@registo.com.pt

Roteiro

Dia 30 de Abril | 22horas – Café Concerto Centro Cultural Redondo

A NÃO R PERDE

Monkey of The White Glove Uma mística de instrumentos não convencionais resulta um conceito diferente de banda Rock/Fusão, com idades compreendidas entre os 18 e os 31 anos são jovens com um sonho em comum, alcançar o reconhecimento e a qualidade dos seus trabalhos. Gonçalo Sousa (Tuba), Pedro Sousa (Bombardino), Rodrigo (Saxofone), José Luís Siquenique (Bateria) e André Bilro (Voz). “Começamos pelos temas Buena, Honey White e Cure for Pain, os temas dos Morphine levou-nos quase uma ano para construir as harmonia para os Covers. Jorge Palma surge por que nos identificamos com as suas músicas. Neste momento grande parte dos temas são em inglês mas brevemente iremos gravar um Ep com temas nossos em português. O objectivo é divulgar o nosso projecto e fazer muitos concertos “ O encaixe de instrumentos

como a Tuba, um instrumento de orquestra de fanfarras e o Bombardino utilizado em música de câmara e paradas militares, tem a ver com o conseguir os registos baixos na banda”. Um grupo com “sangue novo “ um conceito diferente destinado ao publico em geral amantes dos Blues e Rock. Para finalizar: “Aproveitamos o momento para agradecer em especial à Fénix, Câmara Municipal Redondo que oferece o espaço para os ensaios, Câmara Municipal Portel, que acreditou no nosso projecto e também ao “Bombinho “e à Quinita que estão no café concerto de Portel e apoiaram. Falta dizer: “Venham todos assistir ao nosso concerto dia 30 De Abril, no café concerto de Redondo ás 22 horas “. Monkey of The White Glove agradece a Força!

MÚSICA

TEATRO

Daniela Mercury Beja 1 de Maio - 22.30h Parque Ovibeja

Évora

David Fonseca

Estremoz 2 de Maio - 22.30h Palco Principal - FIAPE

8 e 9 Maio Bonecos de Santo Aleixo Festival Internacional de Marionetas de Lisboa - Teatro Garcia Resende Évora

Clássica

Pop/Rock

Laura Gibson - «Beast of Seasons» Sociedade Harmonia Eborense (SHE) 01-05-2010 23h00 Entrada: EUR 8,00 Vive em Portland, canta canções e toca uma guitarra de 6 cordas. Laura Gibson apresenta-se aqui ao vivo apra promover o seu álbum «Beast of Seasons», editado em 2009. Escrito num quarto com vista para as lápides de um dos mais velhos cemitérios de Portland, o disco pode ser considerado como um conjunto de nove meditações sobre a mortalidade e que contou com a colaboração de alguns músicos de Portland - Nate Query dos The Decemberists ou Rachel Blumberg dos Bright Eyes, entre muitos outros.

Orquestra do Algarve - «Músicas do Mundo - Ásia» Pavilhão Multiusos Municipal “Arena d’Évora” 09-05-2010 17h00 Entrada: EUR 5,00 / EUR 2,50 (- 25, + 65 anos) / Entrada Livre (- 12 anos) A Orquestra do Algarve dedica o programa deste concerto a obras de compositores da Ásia. Dia 29 Abril a 24 Maio Realiza-se no convento S. Paulo em Redondo, Quarteto de cordas do Ensemble Contemporâneus , “ As sete últimas palavras de Cristo”, de Haydn

Leitura BIBLIOTECA INFANTIL Sessões de contos para turmas integradas no projecto “A Fada Palavrinha e o Gigante das Bibliotecas”. Sala aberta ao público, empréstimo de livros a crianças, escolas e instituições. LUDOTECA. Acesso livre e gratuito para crianças e família, com zona de jogos de mesa, tradicionais, dramáticos e de encaixe, casinha de bonecas, teatro de fantoches, etc. Emprestam-se materiais a instituições. PARQUE INFANTIL - JARDIM PÚBLICO - HORÁRIO : Seg. a Sex.: 10:0012:30 | 14:00-17:30 Sáb.: 15:00-17:00

DANÇA OUTROS PALCOS Formação 29 e 30 de Abril_Gestão do Desempenho_Fórum Eugénio de Almeida_Rua Vasco Da Gama , 13. Uma nova abordagem na política de gestão de humanos, promovendo o conhecimento sobre as actuais metodologias de gestão do desempenho, de forma a optimizar a contribuição individual e da equipa. Orientador: Maria Lurdes Calisto HORÁRIO: 09:30-18:00

Dia Mundial da Dança 29 Abril Black Box da CDCE. Realização de aulas de dança abertas ao público e pequenas mostras performáticas informais. 17.30h-20.30h- Entrada Gratuita


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Prazeres Eleitos pela Confraria dos Enófilos do Alentejo

Comeres & Beberes

Restaurante Ricardo

Melhores vinhos alentejanos na produção já são conhecidos

Carlos Júlio

Já são poucos os restaurantes que apresentam uma comida familiar, de “tacho”,. com o sabor a que estávamos habituados das casas dos nossos pais. Esses aromas a sabores persistem na cozinha cheia de temperos do restaurante Ricardo, em Valverde, a dois passos de Évora. O restaurante está inserido numa pequena quinta, mesmo junto à povoação, e embora o espaço seja moderno e um pouco “kitsch”, a comida, a paisagem e o ambiente valem bem uma visita. Perto fica o Pólo da Mitra da Universidade de Évora e a clientela é muito heterogénea: desde professores universitários a viajantes ou a trabalhadores das redondezas que aproveitam para ali almoçar. Da janela vê-se a vinha, propriedade de Ricardo Ramos, que abastece o restaurante com um vinho de produção

própria (embora na carta de vinhos esteja bem representada a generalidade dos vinhos alentejanos). Mas o que nos leva a Valverde é, antes do mais, a comida. E aí a arte da cozinha tradicional alentejana é bem demonstrada em pratos como Sopa de tomate com peixe, Cozido de Grão,

Tomatada com Carne, Borrego Assado ou Burras de Porco Preto assadas no forno. Nas sobremesas, a tradição é também quem mais ordena: doce de toucinho à alentejana, arroz doce e outros de fabrico próprio. Nas entradas, os queijos e os enchidos da região também marcam a diferença. Não há nada melhor do que experimentar. Ou, se já conhece, repetir a visita. Encerra: domingo ao jantar e segunda-feira todo o dia Restaurante Ricardo, Quinta da Deserta, Valverde, Évora

Destinos & Paisagens

A Gruta do Escoural

A Gruta Escoural foi descoberta em 1963 permitindo, pela primeira vez em Portugal, a identificação de vestígios de arte rupestre paleolítica. Das galerias mais recônditas dessa cavidade subterrânea ao cimo do outeiro que a envolve floresceram, ao longo dos milénios, várias civilizações pré-históricas, desde o Mustierense até fase adiantada do Calcolítico. A mais antiga ocupação humana no Escoural data

de há cerca de 50 000 anos (Paleolítico Médio). Embora se possam identificar diversos temas na arte rupestre do Escoural, as representações zoomórficas, do Paleolítico Superior, especialmente de Equídeos e Bovinos são dominantes. A Gruta - formação de calcários cristalinos metamorfizados constituída por uma grande sala e múltiplas galerias - possui diversos níveis de ocupação humana. A mais antiga data de há cerca de 50.000 anos (Paleolítico Médio), tendo servido de abrigo a comunidades nómadas. No Paleolítico superior é transformada num Santuário como atestam as pinturas e gravuras com representações zoomórficas e geométricas no seu interior. No Neolítico final foi utilizada como necrópole funerária. No exterior conservam-se vestígios de um santuário rupestre neolítico, de um povoa-

Pelos blogs do calcolítico, e cerca de 300 metros um tholos. O conjunto arqueológico do Escoural - no qual podemos ainda incluir o “Tholos”, monumento funerário de falsa cúpula descoberto nas proximidades da gruta - pelo largo âmbito cronológico, pela diversidade e raridade dos seus vestígios, merece ser considerado como um marco importante na paisagem, como um testemunho excepcional da história das comunidades humanas que aqui deixaram fossilizado uma parte importante do seu comportamento. Classificado como Monumento nacional (decreto n.º 45327 de 1963) Acesso: Estrada Nacional 370 (Escoural-Évora) - 9.30h - 12.00h e 13.3017.00h Centro Interpretativo da Gruta Rua Dr. Magalhães Lima, Escoural; Proprietário: Estado (IPPAR)

Dia Mundial do Livro

“Conversas” animadas José Pinto de Sá

Escritores, tradutores e editores contaram-se entre os participantes das animadas “Conversas à volta dos livros” organizadas na sexta-feira nos Paços do Concelho de Évora, para assinalar o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor. O evento, promovido pelo Núcleo de Documentação da Divisão de Assuntos Culturais da Câ-

Foram entregues os prémios do XIX Concurso "Os Melhores Vinhos do Alentejo”, promovido pela Confraria dos Enófilos do Alentejo, que elege os melhores vinhos da colheita do ano anterior ainda não engarrafados. Os produtores Tiago Mateus Cabaço e Cabaço (Tinto), Herdade dos Grous (Branco) e Ervideira Sociedade Agrícola (Rosado) são os vencedores da Talha de Ouro, a mais alta distinção atribuída neste concurso.

mara de Évora, abordou diversos aspectos ligados ao livro, como a ilustração, a conservação, o restauro, a fotografia, a edição, a tradução e a escrita. O interesse que a iniciativa suscitou levou a autarquia a programar mais “Conversas à volta dos livros” para a Feira do Livro 2010, a realizar brevemente.

Afinal, o que mudou? Vamos ler e relembrar as palavras do Eça. Afinal, o que mudou? Deixoos a pensar... EÇA DE QUEIROZ escreveu em 1871 «Estamos perdidos há muito tempo... O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada. Os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos. Alguns agiotas felizes exploram. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo. A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências. Diz-se por toda a parte, o país está perdido! Algum opositor do actual governo? NÃO!» maisevora.blogspot.com


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Desporto Luís Pardal Fotografias

Convívio de escolas de futebol

A festa dos Geraldinhos foi animada Em Évora, mais de trezentos atletas de 25 equipas participaram no VI Convívio da Escola de Futebol Os Geraldinhos, organizado pelo Lusitano Ginásio Clube no dia 25 de Abril. O convívio dos pequenos futebolistas, entre os 6 e os 12 anos, durou todo o domingo, totalizando 50 jogos em seis campos. Entre as escolas presentes contavam-se as do Benfica, Sporting e Juventude, além de Os Geraldinhos.

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24 29 Abril ‘10

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Nesta Edição 05// Árbitro foge ao intrevalo 07// JSD quer Intercidades 11// Campo Maior no Palácio de Belém 14// Garcia de Resende teatro de porta aberta 15// Estação Imagem: Prémio Fotojornalismo

29´Abril 10

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Luís Pardal Fotografia

Hoje e amanhã

Trabalhadores da Kemet em greve Paulo Nobre

Os trabalhadores da multinacional norte americana Kemet Electronics, de Évora, iniciaram esta manhã uma greve que dura até ao dia de amanhã e que afecta os quatro turnos da empresa. Juntamente à paralisação, os trabalhadores realizam uma marcha pela cidade até ao Governo Civil e à Câmara Municipal de Évora para tentarem sensibilizar, através de um memorando, quer a governadora, quer o presidente da autarquia para os problemas que estão a viver dentro da empresa. Amanhã, sexta-feira, os trabalhadores vão entregar o mesmo memorando na Autoridade para as Condições de Trabalho. De acordo com Hugo Henrique, delegado sindical da Kemet, os trabalhadores estão a exigir um aumento de 10 por cento nos vencimentos e a atribuição de 22 dias úteis de férias. “Há um ano, no auge da crise, nós

todos fizemos os sacrifícios que nos foram pedidos para salvar a empresa, com isso perdemos dinheiro que agora a administração não quer repor”, afirma Hugo Henrique. No ano passado, devido à escassez de encomendas a empresa terminou com a laboração contínua e com isso, segundo Hugo Henrique, “os trabalhadores perderam 30 por cento do seu vencimento”. “Mas nós percebemos que era preciso fazermos sacrifícios, por isso nos sujeitámos. Agora só gostávamos de ter alguma compensação”. Daí que os trabalhadores insistam no aumento de 10 por cento no vencimento, que é apenas uma terça parte do que perderam no ano passado. “Podem pensar que nós somos irresponsáveis por pedirmos 10 por cento de aumento numa altura destas, mas nós queremos apenas ser ressarcidos numa parte

daquilo que perdemos”, insiste Hugo Henrique, alertando também para o facto de os operários terem ficado sem o subsídio de turno. As reivindicações dos trabalhadores da Kemet, além do 22 dias úteis de férias perdidos também no período de crise do ano passado, “agora temos apenas 15 dias e três horas de férias”, diz Hugo Henrique, passam também pela recusa em aceitar um plano que a administração quererá implementar na empresa. Ainda de acordo com o delegado sindical da Kemet empresa pretende “acabar com as categorias profissionais” deixando também de haver chefes de equipa, passando a existir uma nova categoria que

são os team-leaders. “Estamos a ser diminuídos profissionalmente”, assegura Hugo Henrique. Estas são as injustiças de que se queixam os trabalhadores da Kemet que querem os órgãos decisores da cidade informados sobre as suas queixas, visto que há um ano “também eles fizeram parte das negociações para se tentar salvar a empresa”. “Nós somos munícipes desta cidade. Queremos saber qual é a posição dos órgãos de poder de Évora, porque se estiveram ao lado da administração num momento difícil, agora que somos nós a atravessar um mau período ninguém aparece”, sentencia Hugo Henrique.

Registo Ed103  

edição 103 do semanário Registo

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