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SEMANÁRIO

Director Nuno Pitti Ferreira | 10 de Janeiro de 2013 | ed. 239 | 0.50€

Pensionistas, Educação e Saúde em ALERTA VERMELHO

D.R.

O Melhor Petisco | Rua Catarina Eufémia , 14 Horta das Figueiras | 7005-320 Évora 266771284

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CCDRA inicia trabalhos do novo QREN

Prémios de “Bifanas de Mérito, Valor e Vendas Novas Excelência Escolar - Alentejo®”

Escrita na paisagem - Convite para um banquete

Pág.03 A CCDR Alentejo iniciou os tra-

Pág.06 V O Presidente da Câmara Municipal do Crato, João Teresa Ribeiro e o Diretor do Agrupamento de Escolas do Crato, José Ranita Ruas entregaram, no passado dia 4 de janeiro, os Diplomas de Mérito aos alunos do ensino básicos que se destacaram no ano letivo 2011/2012 pelo seu valor e excelência escolar. Nesta cerimónia realizada nas instalações da Escola Básica Integrada.

Pág.10 A programação de Outros Cinemas regressa à normalidade da isv em horário de inverno. Partimos da vontade de divulgar cinema arredado dos circuitos comerciais, mais raro ou de mais difícil circulação. E trazemos, a cada mês, 4 propostas que são outras tantas linhas de trabalho: cinema-ensaio (onde o cinema se faz mais intensamente pensamento), no-sound, cinema documental e cinema-em-festa.

balhos de preparação, a nível regional, do novo ciclo de programação dos fundos estruturais para o período 2014-2020, contando para o efeito com a necessária colaboração e parceria dos actores regionais representativos das diferentes dimensões que a estratégia de desenvolvimento regional e a operacionalização dos seus instrumentos de execução devem incorporar.

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Pág.09 O Regulamento municipal

de uso da marca “Bifanas de Vendas Novas - Alentejo®”, que estabelece as regras inerentes à obtenção de autorização e subsequente utilização desta marca por parte de terceiros, foi aprovado pela Câmara Municipal, na sua reunião de 12 de dezembro e pela Assembleia Municipal no dia 27 de dezembro de 2012.


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A Abrir

2013 Que expectativas?

cARLOS sEZÕES Gestor

Depois de imensas antecipações e alarmismos, o mundo não terminou em 21 de Dezembro de 2012. Não vou aqui explorar muito o inexplicável fascínio das sociedades pelo apocalipse…é algo que merecia um estudo académico mais aprofundado e uma longa dissertação. Como continuamos por cá, teremos, enfim, de enfrentar um novo ano com seus desafios e problemas específicos. Para Portugal, dado o nosso contexto de envolvimento no programa de assistência financeira, cada trimestre será encarado com enorme expectativa: qualquer dado estatístico sobre evolução do PIB, taxa de desemprego, défice do Estado e contas externas será decisivo para a evolução da psicologia da crise para a psicologia da recuperação. A capacidade de realizar a reforma do Estado Social com o maior consenso nacional possível será decisiva. Governo, oposição e parceiros sociais terão de mostrar a sua maturidade e flexibilidade nas negociações, decisões e tomadas de posição que surgirão ao longo dos meses. Se, como esperamos, Portugal regressar aos mercados financeiros em 2013, tal será um balão de oxigénio fantástico e dará uma enorme força moral para os últimos meses da troika em Portugal. Mas, como vivemos num mundo cada vez mais globalizado e interdependente, tenho a profunda convicção que o que se passará lá fora será decisivo. O mundo não conhecerá tantos “momentos eleitorais chave” como em

2012, ano em que Estados Unidos, Egipto, Rússia e França foram a votos e a China passou a liderança a uma nova geração, sem os riscos de uma eleição. A única grande eleição de relevo, na Alemanha, seguramente confirmará Merkel no poder por mais uns anos, por muito que tal desagrade à esquerda europeia. A resposta integrada da Europa às expectativas do mundo será decisiva. Uma maior integração fiscal, orçamental, bancária e, também, política, será um caminho que mostrará a todos que os Europeus sabem o que querem e para onde vão. E que será útil para o clima de confiança da economia global. A nível mundial, a resolução das situações da Síria (guerra civil) e do Irão (corrida ao nuclear) será decisiva para baixar a tensão sobre eventuais crises geopolíticas e energéticas. O bom crescimento (sustentável) das economias emergentes, como Brasil, India, China ou Indonésia, será também importante para que a economia mundial possa criar riqueza e empregos – estamos a falar de mercados com centenas de milhões de consumidores, com crescente poder de compra. Uma nota final…Esperamos que as revoluções tecnológicas silenciosas, de que as notícias geralmente nunca falam, continuem em bom ritmo em 2013 – na genética, na robótica, nas tecnologias de informação ou na nanotecnologia. São elas que, verdadeiramente, resolverão os grandes problemas da humanidade nas próximas décadas.

A Mensagem do Presidente António Serrano Deputado

A mensagem de novo ano do Presisente da República constitui um marco político de grande relevância para o corrente ano de 2013. A sua mensagem foi reforçada na execelente entrevista concedida ao Jornal Expresso no dia 5 de Janeiro. No fundamental o Presidente apresenta duas ideias a reter: 1) O País está numa espiral recessiva. Com esta ideia deita abaixo toda a política económica do Governo. Não basta que as taxas de juro da dívida soberana desçam, nem basta que a Balança de Pagamentos se equilibre. É peciso uma política para promover a recuperação económica e combater o desemprego. Enquanto o Governo vê uma luz ao fundo do túnel, o Presidente vê um ciclo vicioso de crise que gera mais crise. Com esta análise dá um recado ao Governo, para que este altere a sua política e seja mais firme nas negociações na União Europeia que conduza quer à redução dos juros quer a um ritmo mais lento de ajustamento e de convergência para a meta

orçamental de défice de 0,5% e da dívida pública para 60% do PIB. 2) O País não pode ter uma crise Política a somar à crise económica e social. O Presidente defende a estabilidade Governativa, responsabilizando os Partidos da Coligação pela garantia da coesão política necessária à manutenção do Governo; o Presidente dá um recado à oposição e em especial ao Partido Socialista para que não contem com o Presidente para apoiar um cenário de crise e de eleições antecipadas. O Presidente tudo fará para impedir a realização de eleições antecipadas. Naturalmente que neste aspeto será a realidade e serão os fatos que ditarão a decisão do Presidente, pois não parece curial que, num cenário de incumprimento de todas as metas orçamentais, de agravamento do desemprego, de aumento da conflitualidade social, de desgaste da Governação, da eventual inconstitucionalidade de normas do Orçamento de Estado e de derrapagem orçamental no primeiro trimestre de 2013, tudo fique na mesma.

Num cenário como este, apocalítico, o Presidente não terá margem para evitar eleições antecipadas, até porque o Partido Socialista já declarou que não aceita outro cenário caso exista uma situação de impasse político. O Presidente assumiu com esta mensagem o protagonismo político que tantos reclamaram, incluindo eu próprio. Ele estará no epicentro da crise em 2013 e ao querer controlar o processo pode ter inflamado a situação política. Com efeito, ao pedir a fiscalização sucessiva do Orçamento, seguido de pedidos equivalentes do PS e dos restantes Partidos da esquerda, ele junta-se à oposição a este Governo e se o Tribunal Constitucional vier a declarar algumas normas inconstitucionais obrigando o Governo a encontrar novas soluções, está de fato criado um problema de Governabilidade. O Governo ficará ferido de morte após, pelo segundo ano consecutivo, ver o seu Orçamento afetado juridicamente. O Governo pode escolher continuar em funções, alterando o Orçamento, ou apresentar a sua de-

missão. Suponho que Passos Coelho e Vitor Gaspar decidam pela alteração do Orçamento, mas duvido que Paulo Portas aceite ficar entrincheirado sem margem de manobra, a suportar um Governo ligado às máquinas. Do ponto de vista político o CDS terá tudo a ganhar com a saída do Governo, para capitalizar o seu desacordo público com algumas medidas do Governo, a pensar quer nas eleições autárquicas quer nas prováveis eleições legislativas. Para a salvaguarda do interesse geral, ao contrário de muitos e também do Presidente, entendo que será preferível ter eleições antecipadas em 2013 do que suportar a continuidade de um Governo em morte lenta, se o cenário apocalítico acima referido se confirmar. Para todos os efeitos, desejo que este cenário não se confirme e que os sinais de recuperação económica possam surgir evitando uma crise política de consequências imprevisívies. Desejo a todos os leitores desta coluna um Feliz 2013.

Ficha Técnica SEMANÁRIO

Director Nuno Pitti Ferreira (nuno.pitti@registo.com.pt) Propriedade PUBLICREATIVE - Associação para a Promoção e Desenvolvimento Cultural; Contribuinte 509759815 Sede Rua Werner Von Siemens, n.º16 -7000.639 Évora - Tel: 266 751 179 fax 266 751 179 Direcção Silvino Alhinho; Joaquim Simões; Nuno Pitti Ferreira; Departamento Comercial comercial@registo.com.pt Redacção Pedro Galego Fotografia Luís Pardal (editor) Paginação Arte&Design Luís Franjoso Cartoonista Pedro Henriques (pedro.henriques@registo.com.pt); Colaboradores António Serrano; Miguel Sampaio; Luís Pedro Dargent: Carlos Sezões; António Costa da Silva; Marcelo Nuno Pereira; Eduardo Luciano; José Filipe Rodrigues; José Rodrigues dos Santos; José Russo; Figueira Cid Impressão Funchalense – Empresa Gráfica S.A. | www.funchalense.pt | Rua da Capela da Nossa Senhora da Conceição, nº 50 - Morelena | 2715-029 Pêro Pinheiro – Portugal | Telfs. +351 219 677 450 | Fax +351 219 677 459 ERC.ICS 125430 Tiragem 10.000 ex Distribuição Nacional Periodicidade Semanal/Quinta-Feira Nº.Depósito Legal 291523/09 Distribuição PUBLICREATIVE

Pedro Henriques | Cartoonista www.egoisthedonism.wordpress.com

“Uma semana normal”


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Actual

Este trabalho teve início com um primeiro contributo das entidades do Sistema Científico e Tecnológico Regional.

Iniciados trabalhos de preparação do período de programação 2014-2020 Esta segunda-feira, realizou-se outra reunião na CCDRA

nicipais da Região Alentejo e a ADRAL – Agência de Desenvolvimento Regional do Alentejo, no sentido de envolvimento dos Agentes da Administração Local nesta preparação. Esta segunda-feira, realizou-se outra reunião na CCDRA, com a presença dos representantes das direcções regionais da administração pública regional, associações empresariais regionais, instituições de ensino superior e politécnico, empresas públicas, e diversas outras entidades regionais representativas das dimensões económica, social, ambiental, politica e administrativa, de modo a permitir dispor dos contributos destas entidades públicas e privadas para, de forma articulada, se perspectivar a visão, os objectivos estratégicos de desenvolvimento e a operacionalização de programas e de planos de acção para o período 2014-2020.

A CCDR Alentejo iniciou os trabalhos de preparação, a nível regional, do novo ciclo de programação dos fundos estruturais para o período 2014-2020, contando para o efeito com a necessária colaboração e parceria dos actores regionais representativos das diferentes dimensões (económica, social, ambiental, politica e administrativa) que a estratégia de desenvolvimento regional e a operacionalização dos seus instrumentos de execução devem incorporar. Este trabalho teve início com um primeiro contributo das entidades do Sistema Científico e Tecnológico Regional em torno da Especialização Inteligente, e continuidade com uma reunião com as CIM - Comunidades Intermu-

Ponte Velha de Terena Classificada O Governo português, através da secretaria de Estado da Cultura, classificou 40 edifícios e conjuntos arquitetónicos, em todo o país, como monumentos de interesse público, segundo portarias publicadas no Diário Da República, no passado dia 31 de Dezembro de 2012. A ponte velha da vila de Terena é um dos monumentos classificados. A relação de monumentos classificados integra ainda imóveis, quintas de diversas épocas e estilos arquitetónicos, igrejas, capelas e pontes. O Castelo de Castro, no concelho de Amares ou o Teatro da Trindade, na Figueira da Foz, são exemplos de monumentos classificados no Norte e Centro PUB

do país. No sul, o destaque vai para a Ponte Velha de Terena, no concelho do Alandroal e para o Tanque Romano da Herdade do Correio-Mor, concelho de Elvas. Construída em meados do século XVI, a Ponte Velha de Terena é hoje em dia uma das pontes históricas do Alentejo. Composta por seis arcos de volta perfeita com aduelas de cantaria de granito, apresenta talha-mares elevados acima do fecho dos arcos, assumindo função de contrafortes, a montante e jusante. A Câmara Municipal de Alandroal congratula-se com esta decisão do Governo, que vem reforçar o reconhecimento sobre o rico património arquitectónico do concelho.


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10 Janeiro ‘13

Actual Juan Louro Cambeiro é um fotógrafo da escola analógica, mas com influências claras a nível de edição fotográfica.

Exposições de Fotografia “Ao Cabo” e “Simplesmente Évora” De 7 de janeiro a 9 de fevereiro no Palácio de D. Manuel

A Câmara Municipal de Évora apresenta no Palácio de D. Manuel, de 7 de janeiro a 9 de fevereiro, duas exposições de fotografia intituladas “Ao Cabo” e “Simplesmente Évora”, a primeira da autoria de Juan Louro Cambeiro e a segunda de Telmo Rocha, duas mostras que integraram o Festival de Fotografia de Ourense (Galiza) “Outono Fotográfico 2012”. Juan Louro Cambeiro é um fotógrafo da escola analógica, mas com influências claras a nível de edição fotográfica com utilização a outros recursos, e no seu trabalho fotográfico de “Ao Cabo” apresenta a Costa da Morte, que é uma franja compreendida entre os municípios espanhóis de Carnota e Malpica, um território mítico que os romanos consideravam como o fim do mundo. Em “Simplesmente Évora”, Telmo Rocha apresenta a cidade alentejana em 20 fotografias a preto e branco, em que explora três temas: o património, as PUB

pessoas e as atividades. Os trabalhos fotográficos apresentados nestas duas exposições foram idealizados no âmbito do Oralidades, um projeto internacional que se realiza ao abrigo do Programa Europeu Cultura 2007-2013 e que envolve uma parceria entre os muni-

cípios de Évora, Idanha-a-Nova e Mértola (Portugal), Ourense (Espanha), Ravenna (Itália), Birgu (Malta) e Sliven (Bulgária), unidos num vasto programa de cooperação e intercâmbio cultural que pretende valorizar o património cultural imaterial comum do território da Europa do Sul a

partir das suas componentes identitárias, da sua memória e partilha. Estas mostras podem ser visitadas gratuitamente de segunda a sexta-feira, das 10:00 às 12:00 e das 13:00 às 17:00, encerrando aos domingos todo o dia e aos sábados apenas na parte da manhã.


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10 Janeiro ‘13

Actual Reconhecer, valorizar e premiar as aptidões e atitudes dos alunos reveladas a nível cultural.

Prémios de Mérito, Valor e Excelência Escolar 2011/2012 O Presidente da Câmara Municipal do Crato, João Teresa Ribeiro e o Diretor do Agrupamento de Escolas do Crato, José Ranita Ruas entregaram, no passado dia 4 de janeiro, os Diplomas de Mérito aos alunos do ensino básicos que se destacaram no ano letivo 2011/2012 pelo seu valor e excelência escolar. Nesta cerimónia realizada nas instalações da Escola Básica Integrada Professora Ana Maria Ferreira Gordo, participou toda a comunidade educativa, alunos, pais e encarregados de educação, professores, auxiliares e demais pessoal não docente. Os alunos distinguidos com o prémio municipal de excelência, que visa reconhecer os melhores resultados escolares, comportamento e assiduidade são: do 1º ano - Leonor Vinagre e Lucas de Souza; 2º ano - Afonso Fernandes e Mariana Martins; 3º ano��� José Maria Bento; 4º ano– Diogo Gorgulho; 6º ano - António Ferreira e Maria Barradas; 8º ano - Rita Morais. Já quanto aos prémios de valor que distinguem atitudes exemplares de superação de dificuldades, capacidade de iniciativa de cariz social ou comunitário e boa assiduidade, foram atribuídos aos alunos: do 1º ano – Maria Beatriz Raimundo, 2º ano – Maria Ana Martins e Afonso Fernandes; 4º ano – Du-

arte Carita , Madalena Antunes, Pilar Gouveia e Margarida Ferreira; 5º ano – Ana Rita Luz, Diogo Gorgulho e António Barradas; 7º ano – Diogo Oliveira; 8º ano – Barbara Nascimento; 9º ano – Catarina Gonçalves e Tânia Libâneo. Para assegurar a continuidade deste

investimento municipal para o desenvolvimento pleno e harmoniosos dos seus jovens munícipes e valorização da dimensão humana do trabalho escolar, a Câmara Municipal do Crato, na sua reunião de 9 de janeiro, aprovou a atribuição destes Prémios Es-

colares Municipais para o ano letivo 2012/2013, no respeito pela Lei de Bases do Sistema Educativo que consagra a importância de reconhecer, valorizar e premiar as aptidões e atitudes dos alunos reveladas a nível cultural, pessoal e social.

Dinâmicas da Gestão

Gestão: Conhecimento e Estratégia para uma Competitividade Acrescida

António de Sousa

Docente do Departamento de Gestão da Universidade de Évora

Os fenómenos de mudança assumem, hoje, uma dimensão global e interativa, em que alterações nos subsistemas do meio envolvente induzem alterações nos subsistemas funcionais e organizacionais das empresas que, por sua vez, consubstanciam mudanças nos princípios e práticas de gestão. É a interatividade deste processo que garante a evolução da própria gestão. Podemos afirmar, de forma simples, que gerir é decidir. A boa gestão pode, assim, ser entendida como a melhor escolha, de entre várias alternativas possíveis. Nesta perspetiva, gerir com competência implica conhecimento acumulado. Importando, no entanto, ter em atenção que esse conhecimento, só por si, não cria valor, pois isso só acontecerá se esse conhecimento for, efetivamente, aplicado. O conhecimento é considerado o principal fator produtivo deste século. Sobre o assunto, Peter Drucker, já em 1995, no seu livro Managing in a Time of Great Change, tinha sido premonitório ao afirmar, sem reservas, que na chamada sociedade do conhecimento “os tradicionais fatores de produção, a terra, o trabalho e o capital, não desaparecem, mas tornam-se secundários, pois podem ser obtidos, e facilmente, desde que exista conhecimento especializado”. Neste contexto, os “novos trabalhadores” terão de ter o seguinte perfil: alguém que

aprendeu a aprender de forma contínua e permanente (sob pena de rapidamente ficar obsoleto), revelando, em simultâneo, capacidades para aplicar os conhecimentos adquiridos. Esta exigência de perfil torna evidente que o crescimento e o desenvolvimento económico das organizações empresariais e dos próprios países, terão que basear-se na vantagem comparativa emergente, o conhecimento e a sua aplicação, o que implica mão-de-obra qualificada e bem remunerada. A lógica da vantagem comparativa com base em mão-de-obra barata deixa de fazer qualquer sentido neste contexto. Sabemos que a força motriz de todo e qualquer processo de crescimento e desenvolvimento está nas pessoas. São, cada vez mais, elas que determinam a diferença competitiva. O ser humano é o único que tem caraterísticas auto-sustentadas para ser dinâmico, coordenar as várias atividades empresariais e autonomamente responder, com saber, aos incertos e exigentes desafios da denominada sociedade do conhecimento. Neste sentido, a postura dos gestores assume especial importância no processo de criação e manutenção de vantagens competitivas. Estas, exigem um alinhamento permanente da empresa a situações específicas de ambiente e tecnologia.

Daí a importância para o gestor atual de ser contingente e desenvolver capacidades de diagnóstico, para aplicar os conceitos e instrumentos de gestão mais adequados aos problemas situacionais que lhe vão surgindo. Conseguir isso implica saber gerir muito bem o fator produtivo do século XXI (o conhecimento) e, ao mesmo tempo, ser possuidor de capacidade para contextualizar a sua aplicação. O conhecimento tem caraterísticas que os outros fatores produtivos tradicionais (terra, capital e trabalho) não têm: (i) é intangível, (ii) é altamente móvel, (iii) e quando se partilha, em vez de diminuir (como os outros fatores), ele aumenta. Portanto, o gestor que souber gerir melhor estas caraterísticas, colocará provavelmente a sua empresa à frente de outras cujos gestores o não consigam fazer. Em suma, o gestor moderno deve ser pragmático e perspicaz, ter espírito empreendedor e saber ponderar os diversos pontos de vista, para depois decidir de acordo com o seu próprio corpo de conhecimentos e corrigir, rapidamente, os erros à medida que eles forem cometidos. Só com esta postura dinâmica será possível dar sustentabilidade a um sistema de gestão competente, com compromisso de crescimento económico e com responsabilidade social. Por fim, importa salientar que esta pos-

tura deverá ter como referencial um rumo, bem definido e ancorado em horizontes temporais alargados, ou seja, ter subjacente uma Estratégia clara e consistente. Esta nota é particularmente importante, na medida em que Portugal está a viver um contexto económico-social muito difícil, sendo repetida à exaustão a existência de défices de toda a ordem (orçamental, de produtividade, de competitividade…) e quase não se falando naquele que considero ser o pai de todos os défices: o défice de gestão estratégica. Com efeito, quando a visão estratégica é deficiente (ou inexistente), as decisões que são tomadas acabam, frequentemente, por se revelar desadequadas, originando carência de meios monetários e/ ou de competitividade, traduzindo-se isso em défices de toda a ordem. Acabando estes, afinal, por não ser senão o resultado de lacunas de pensamento estratégico… e respetiva ação. São, hoje, ainda muito pertinentes as ideias avançadas por Wacker em 1999: “Devo admitir que não tenho a menor ideia do que vai acontecer amanhã… mas existe uma coisa que eu sei. Só uma. É que o otimista terá um bom futuro e o pessimista terá um futuro difícil. O interessante é que as mesmas coisas acontecerão a ambos”. Portanto, valerá a pena ser otimista… apesar do contexto atual.


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Actual Pedro Mota Soares declarou que algumas sugestões do FMI “partem de pressupostos errados”.

Governo não descarta nenhuma das propostas do FMI Um relatório propõe um corte de até 20% nas pensões e uma redução permanente de até 7% nos salários da Função Pública, bem como a dispensa de 50 mil professores

são final que “só hoje” chegou às mãos do Executivo, Carlos Zorrinho diz que foi “patética”. Questionado se o Governo não tem legitimidade para ouvir outras instituições antes de apresentar o seu plano, o líder da bancada socialista foi peremptório: “O Governo esquece-se sempre de ouvir os partidos e os parceiros sociais”.

Reagindo oficialmente pelo Governo numa conferência de imprensa marcada para esse efeito, e que decorreu em São Bento, Moedas sublinhou que o relatório do FMI “é um contributo, entre outros, que vamos solicitar à sociedade civil e mesmo a outras organizações internacionais, como é o caso da OCDE”. Esta fora aliás a mensagem que o Governo já passara durante o dia, primeiro por fonte oficial do Ministério das Finanças em resposta a questões do Económico e mais tarde por Álvaro Santos Pereira. Pelo meio Pedro Mota Soares, ministro do CDS, declarou que algumas sugestões do FMI “partem de pressupostos errados”. Referindo-se a um relatório que propõe um corte de até 20% nas pensões e uma redução permanente de até 7% nos salários da Função Pública, bem como a dispensa de 50 mil professores, o secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro não descartou a aplicação de nenhuma dessas medidas. “Estas discussões são sérias demais para recebermos o relatório num dia e estar aqui já a eliminar medidas. Seria irresponsável estar aqui a dizer que esta ou aquela medida pode ou não pode ser”, argumentou o governante, frisando que o Executivo só hoje recebeu a versão final do documento que “não faz parte do memorando da ‘troika’, nem da ‘troika’”. “Estamos a estudar o menu de medidas que nos foi apresentado” por um “relatório muito completo, muito bem feito, muito trabalhado” que “é um contributo quantificado que tem variadíssimas op-

Comunistas querem tudo esclarecido em “português” O líder parlamentar do PCP respondeu ao Governo que aguarda a versão em português do relatório do Fundo Monetário Internacional sobre o corte nas funções do Estado, do qual afirmou ter recebido apenas uma versão em inglês. “Verifico que o relatório em causa, elaborado a pedido do Governo português, está escrito em inglês. Na certeza de que o Governo da República Portuguesa não deixou de acautelar a existência de, pelo menos, uma versão em português, fico a aguardar que a possa enviar ao grupo parlamentar do PCP o mais brevemente possível”, afirmou Bernardino Soares. O líder da bancada comunista respondia, assim, à mensagem de correio eletrónico enviada pelo secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, Carlos Moedas, em que o governante lhe remetia o “relatório da missão técnica do ‘fiscal affairs department’ do Fundo Monetário Internacional sobre o tema da reforma do Estado”. Em causa está um relatório do Fundo Monetário Internacional com propostas para o corte da despesa pública em 4 mil milhões de euros, que o Governo recebeu hoje e divulgou na sua página na Internet, depois de este ter sido noticiado pelo Jornal de Negócios - segundo o executivo, numa versão preliminar. De acordo com Carlos Moedas, a versão final deste documento só foi recebida pelo Governo ao meio-dia, tendo sido de imediato divulgada.

ções”, salientou, esperando que o documento do FMI “seja lido por todos”. Durante os 20 minutos em que falou com os jornalistas, Carlos Moedas insistiu que “o Estado que temos não é o Estado que queremos”, que “precisamos de construir um Estado que não pese tantos aos cidadãos” e que “aquilo que temos hoje não é sustentável”. Zorrinho diz que é “co-validar” os cortes de quatro mil milhões com os partidos e a sociedade civil O PS diz que o Governo “não tem legitimidade para fazer cortes” na despesa pública de quatro mil milhões de euros,

como os que foram divulgados hoje a propósito de um estudo do FMI. “Porque a legitimidade é conseguida co-validando as propostas na sociedade civil e junto dos outros partidos”, explicou o líder parlamentar, Carlos Zorrinho. Em declarações aos jornalistas, Zorrinho acusou o Governo de estar de “cabeça perdida” e de toda esta situação que se gerou com a divulgação do estudo ser uma “trapalhada inaceitável”. Quanto à conferência de imprensa que o secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, Carlos Moedas, deu ao início da tarde para justificar que o plano do FMI divulgado na imprensa não é a ver-

Ecopilhas ultrapassa os 4 milhões de pilhas e baterias a favor do IPO 4º. Peditório Nacional de Pilhas e Baterias Usadas

Este Natal, durante o 4º. Peditório Nacional de Pilhas e Baterias a favor do Instituto Português de Oncologia (IPO), a Ecopilhas, com a ajuda de muitos cidadãos e instituições, conseguiu atingir um número histórico ao recolher mais de 4 milhões de pilhas e baterias usadas. Este resultado permite a doação de uma Torre de Endoscopia para o bloco operatório do Instituto Português de Oncologia de Lisboa. José Carlos Malato foi o rosto da quarta edição do Peditório Nacional de Pilhas e Baterias, dando assim o seu apoio a esta

iniciativa de sensibilização para a importância da recolha seletiva de pilhas e baterias e da luta contra o cancro. Os mais de 4 milhões de pilhas e baterias usadas foram colocadas pelos cidadãos e pelas mais diversas instituições, nos 16.000 Pilhões existentes no comércio, escolas, hospitais, hotéis, empresas e ecopontos. Eurico Cordeiro, Diretor-Geral da Ecopilhas, refere “o Peditório Nacional de Pilhas e Baterias é uma das principais iniciativas de responsabilidade social da Ecopilhas. O empenho de milhares de cidadãos e instituições na campanha foi absolutamente extraordinário, tendo contribuído para que o resultado deste ano ultrapassasse todas as expectativas.

A ajuda do José Carlos Malato foi determinante para a divulgação desta iniciativa.” O quarto Peditório Nacional de Pilhas e Baterias foi divulgado em vários suportes de comunicação, como rádio e outdoor, e pela primeira vez na rede social facebook, através da página Ecopilhas. À semelhança de 2011, a Ecopilhas teve como principal parceiro nesta iniciativa a cadeia de supermercados LIDL, que disponibilizou as suas lojas para a divulgação e recolha de pilhas e baterias usadas.

Sobre a Ecopilhas

A Ecopilhas, Sociedade Gestora de Resíduos de Pilhas e Acumuladores, é uma empresa sem fins lucrativos constituída pe-

los principais Produtores e Importadores de Pilhas e Acumuladores que operam no mercado português. Tem como função principal assegurar o funcionamento do SIPAU (Sistema Integrado de Pilhas e Acumuladores Usados), gerindo um conjunto de operações que asseguram a recolha selectiva, armazenagem temporária, triagem e reciclagem das pilhas e acumuladores portáteis e industriais usados. A Ecopilhas é também Entidade de Registo dos Produtores de Pilhas e Acumuladores Portáteis e Industriais. Entre 2004, ano em que a Ecopilhas teve o seu arranque operacional e 2011, a Entidade Gestora assegurou a recolha e envio para reciclagem de mais de 137 milhões de pilhas e acumuladores portáteis.


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Exclusivo Esta zona passa de agora em diante a estar sob uma ZEP devido à sua classificação como CIP.

Convento de São Francisco e Fábrica Robinson recebem CIP

Têm igualmente como objetivo a preservação das características arquitetónicas da Zona O Conjunto constituído pela Igreja e Antigo Convento de São Francisco e Fábrica Robinson recebeu a classificação definitiva de Conjunto de Interesse Público (CIP), na sequência da qual foi igualmente fixada uma zona especial de proteção (ZEP). De acordo com a Portaria n.º 740DX/2012 de 24 de dezembro de 2012, esta zona passa, de agora em diante, a estar sob uma ZEP, devido à sua classificação como CIP o que implica que, em termos arquitetónicos e de urbanismo a zona circundante ao Espaço Robinson (cerca de 50 metros) se rege por regras de proteção muito específicas, quer de construção, quer de conservação dos imóveis aí existentes, incluindo cores utilizadas, revestimentos exteriores, trabalhos no subsolo e espaços verdes, que não pode-

rão ser utilizados para outros fins que não os atualmente em vigor. Também a publicidade exterior passa a ter regras muito próprias, que têm igualmente como objetivo a preservação das características arquitetónicas da Zona. Para Nuno Santana, Presidente do Conselho de Administração da Fundação Robinson, “Esta proteção que é dada a uma área significativa, junto do centro histórico da cidade de Portalegre conjugada com o fato de se referir à Zona de Intervenção da Fundação Robinson é, por um lado, o reconhecimento de algo de que nos apercebemos há muito tempo, há cerca de uma década, o valor arquitetónico e patrimonial dessa vasta área geográfica; por outro lado, é a confirmação de que a missão e objetivos primordiais da Fundação Robinson são importantíssimos não só para a cidade e concelho de Portalegre, mas para o país no seu todo. É ainda a confirmação de que a decisão, que foi tomada, de não extinguir a Fundação Robinson foi uma decisão extra-

ordinariamente acertada uma vez que ela é o melhor instrumento que temos para levar a cabo o que agora fica preconizado na lei. Evidentemente que este reconhecimento, que muito me orgulha como Portalegrense, deveria ter consequências na forma como se olha para a Fundação Robinson.”

Acerca da Fundação Robinson: O encerramento da Fábrica de cortiça Robinson veio criar um vazio de cerca de 7ha de terreno situado no coração da cidade velha, com uma significativa área construída, para além de um edifício principal que é o verdadeiro rosto da Fábrica na memória da Cidade. Para travar a dispersão da sua periferia, a Fundação Robinson delineou um programa de reabilitação das instalações da antiga Fábrica e da sua envolvente que, para além de recuperar o seu vasto património e a sua ligação histórica à cidade, propõe redefinir as funções dos diversos edifícios, com impactos no respeito

e conservação dos sistemas de valores e do património natural, arqueológicoindustrial e cultural da comunidade local, na melhoria do meio ambiente, na qualidade de vida e no habitat das pessoas de forma integrada e sustentável, tendo consciência do “efeito” deste projecto nos cidadãos que vão utilizar ou viver este espaço. A Fundação Robinson é, assim, uma entidade jurídica de direito privado que nasceu do entendimento entre a Sociedade Corticeira Robinson e a Câmara Municipal de Portalegre sobre o potencial patrimonial que o mundo da Fábrica detém. Enquanto organização à qual está afecto um património, a Fundação pretende complementar e/ou cooperar com as entidades públicas na realização de tarefas e projectos nas diferentes áreas da sociedade civil, como a educação e a cultura, mas também as artes visuais, do corpo e performativas, a investigação científica e tecnológica, entre muitas outras.

Coopberço vencedora com a árvore “Rolhinhas Divertidas” O vencedor do concurso “Árvores de Natal Recicladas 2013”, promovido pela Câmara Municipal de Évora, foi revelado esta semana, tendo sido eleito o trabalho intitulado “Rolhinhas Divertidas”, realizado pela CoopberçoCooperativa de Solidariedade Social, C.R.L..

A eleição do melhor trabalho foi feita pelos visitantes do espaço ao longo do período da exposição, que decorreu entre os dias 12 de Dezembro de 2012 e 7 de Janeiro de 2013, patente no Átrio dos Paços do Concelho. Concorreram 27 trabalhos, provenientes de 24 entidades do concelho, entre

jardins-de-infância e escolas do 1º, 2º e 3º ciclo, Cruz Vermelha, ADBES; Agrupamentos de Escuteiros, num total 818 crianças, 69 jovens, 17 seniores e 40 professores e educadores envolvidos. Este concurso é apoiado pela TMN/ Moche e pelo AKI que oferecem prémios aos participantes e à entidade

vencedora e tem como objetivos principais: Sensibilizar os jovens e população em geral para as questões ambientais; Incentivar a criatividade e originalidade na construção de uma árvore de Natal recorrendo à reutilização de materiais; e Reconhecer e premiar projetos inovadores.


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Exclusivo

Para a autarquia, o registo da marca “Bifanas de Vendas Novas-Alentejo®” é uma forma de reconhecimento.

Aprovado regulamento de uso da marca “Bifanas de Vendas Novas - Alentejo®” Foi aprovado pela Câmara Municipal, na sua reunião de 12 de dezembro O Regulamento municipal de uso da marca “Bifanas de Vendas Novas - Alentejo®”, que estabelece as regras inerentes à obtenção de autorização e subsequente utilização desta marca por parte de terceiros, foi aprovado pela Câmara Municipal, na sua reunião de 12 de dezembro e pela Assembleia Municipal no dia 27 de dezembro de 2012. Através deste instrumento, será doravante possível a qualquer estabelecimento com sede fiscal ou estabelecimento físico em Vendas Novas que tenham como atividade principal o comércio e confeção de “bifanas tipo Vendas Novas”, mesmo que a sua atividade seja desenvolvida noutra zona do país, formalizar o seu pedido de autorização junto do Município de Vendas Novas para uso da marca. Para a autarquia, o registo da marca “Bifanas de Vendas Novas-Alentejo®” é uma forma de reconhecimento e diferenciação deste produto tão apreciado e afamado e que já é marca registada desde 2011, estando orientado para a promoção PUB

deste importante produto a nível local e nacional, através da sua regulamentação enquanto marca coletiva. Para além de consolidar a notoriedade local e nacional da “bifana”, são objetivos da utilização

e disseminação da marca, diferenciar e valorizar a oferta junto dos principais clientes e apoiar ao nível do marketing e da promoção o pequeno empresário da restauração.

Docente da UE classificado em 1º lugar em curso internacional Luís Miguel Lourenço Martins, docente do Departamento de Medicina Veterinária da Universidade de Évora foi classificado em 1º lugar no curso internacional “Tools and tricks to diagnose and manage a pruritic dog”. Este curso, aprovado pela “American Association of Veterinary State Boards - Registry of Aproved Continuing Education” (AAVSB-RACE) e acreditado pelo “The European College of Veterinary Dermatology” (ECVD), foi participado por mais de 100 formandos de todo mundo.


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10 Janeiro ‘13

Radar O Centrum Sete Sóis Sete Luas apresenta a exposição de escultura “As portas intransponíveis” de Massimo Bertolini (Itália). 100

Um olhar antropológico José Rodrigues dos Santos* Antropólogo

Tauromaquias – 6. Âgon, o gosto pelo combate Todo o ritual comporta a necessidade de crença dos participantes no sentido que os actos devem exprimir e só tem eficácia porque se produz uma identificação entre o oficiante e os outros participantes. Todos esses elementos têm vindo, como escrevi antes, a enfraquecer na tourada a cavalo portuguesa. Subsiste contudo um elemento original que contrasta com a lide a cavalo: a intervenção dos forcados. O homem a pé que vai à cara do touro, e os que o rodeiam, são ligeiros e frágeis frente a animais de seiscentos quilos, dotados duma energia espantosa, agressivos: temíveis c¬ombatentes. O espectador não pode recusar a evidência do choque físico que reúne touro e homem num abraço que pode ser mortal. O embolamento do touro, que enfraquece radicalmente a lide a cavalo, torna-se na pega na mínima, necessária precaução. O que salta à vista é um certo teor de loucura: porquê expor-se assim a um combate que se sabe tão desigual, a um choque de tamanha violência, a riscos enormes? O antropólogo Jean-Luc Boileau sugere-nos o conceito apropriado num livro intitulado “Conflito e laço social” (1995). É “Âgon”, o gosto pelo combate. É dessa raiz que vêm “agonístico” e “antagonismo”. Opor-se aos seus iguais, pela força, exprimir – e resolver – a rivalidade entre pares, é o que está em jogo nos rituais gregos (e provavelmente mais antigos, indo-europeus) de combate. Ao combate real entre homens e à guerra substitui-se o combate ritual, entre homens e animais: aqui o Touro, no Norte da Europa, na América do Norte, o Urso. Em todos os casos, a luta é um corpo a corpo. Como o Homem nestes rituais afirma a sua pertença à Natureza ao mesmo tempo que a sua diferença, o animal toma o lugar do rival humano. Tudo concorre para que o público possa participar emocionalmente no combate: são homens a pé e sem armas (espada, bandarilhas), nem logros (capa, muleta): como o espectador. Longe está o aparato dos cavaleiros vestidos de cetim e de tricórnios de falsos nobres. O interessante processo que se desenrola perante os nossos olhos é o enobrecimento do peão, do homem de mãos nuas que aceita o combate por puro gosto do combate, ou seja, pelo puro prestígio que dele decorre. A pega, derradeira verdade da corrida de touros portuguesa. *CIDEHUS - Universidade de Évora e Academia Militar jsantos@uevora.pt 31 de Dezembro de 2012

O Labirinto de Saramago e de Bertolini O Centrum Sete Sóis Sete Luas de Ponte de Sor começa o novo ano com esta desconcertante exposição

19 portas. 19 símbolos de passagem. 19 estações. Um labirinto e o homem no centro, perdido. Esta é a representação seca e sugestiva que o escultor italiano Massimo Bertolini faz da obra “O ano da morte de Ricardo Reis”, composto por 19 capítulos, de José Saramago. Bertolini reconstrói um mundo de palavras com uma escultura feita de vidro, aço, papel, recortes de imprensa, cartazes rasgados, plástico, madeira e ferro, chamando o espectador para ser parte integrante da obra, conduzindo-o no labirinto, mas deixando também muitos vestígios a fim de encontrar o ponto de fuga. Os mil materiais que o artista usa são indícios que o espectador sensível e o leitor atento de Saramago saberá utilizar, para decifrar o sentido de uma época que pouco se caracteriza por tê-lo. O Centrum Sete Sóis Sete Luas de Ponte de Sor começa o novo ano com esta desconcertante exposição que transmite melancolia e inquietude, força e fragilidade ao mesmo tempo. As portas de Bertolini são portas tridimensionais, circum-navegáveis, mas intransponíveis. Estas estão paradas, em frente das quais o espectador é convidado à reflexão para puder sair do labirinto. Uma vez encontrada a saída o labirinto em si mesmo deixa de existir. Se gosta de exposições originais, que le-

vam o visitante a colocar-se em discussão e se é amante de Saramago, venha descobrir os significados escondidos das esculturas de Bertolini, no sábado 19 janeiro, pelas 17horas, na inauguração da exposição, no Centrum Sete Sóis Sete Luas. O artista, que estará presente na vernissage, nos dias antecedentes (16,17,18 de janei-

ro) realizará vários laboratórios de criatividade para os estudantes de Ponte de Sor. Bertolini nasceu em Pisa, em 1957 e formou-se em escultura na Academia de Belas Artes de Carrara. Realizou muitas exposições individuais e coletivas em toda a Europa, ganhando muito êxito á nível internacional.

Convite para um banquete Escrita na Paisagem faz 10 anos e o tema festa paira sobre toda a programação A programação de Outros Cinemas regressa à normalidade da isv em horário de inverno (21h 30m), preço único (2€) e ideais renovados. Partimos da vontade de divulgar cinema arredado dos circuitos comerciais, mais raro ou de mais difícil circulação. E trazemos, a cada mês, 4 propostas que são outras tantas linhas de trabalho: cinemaensaio (onde o cinema se faz mais intensamente pensamento), no-sound (filmes mudos, antigos e recentes), cinema documental (sobretudo abordando temáticas artísticas) e cinema-em-festa, neste ano em que o Escrita na Paisagem faz 10 anos e o tema festa paira sobre toda a programação. É precisamente com este cinema-emfesta que começamos, propondo um filme-escândalo do ‘enfant terrible’ da nova vaga checa, Jan Němec. O filme, Convite para um banquete (1966), foi banido da Checoslováquia, considerado ofensivo para o regime, e contribuiu para o afastamento do autor do sistema nacional checo de produção cinematográfica. Que história se conta nesta obra-prima? A de um peculiar convite para um ban-

quete de aniversário, ao ar-livre, que se transforma numa introdução ao conformismo, à obediência e à ordem festiva da política! E se não pôde deixar de ser lido como visão crítica do regime comunista checo, ele hoje interpela-nos com maior

veemência sobre os regimes e a ordem do poder. Em regime festivo, sim, este corrosivo Convite para um banquete traz-nos a festa na sua declinação mais intensa. Entre a festa da política e a política da festa, o convite é para hoje, para agora.


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Beja

Estação arqueologica de Pisões A Câmara Municipal de Beja tem acompanhado de perto e com bastante preocupação os problemas relativos à estação arqueológica de Pisões. Após as reuniões com a Direcção Regional da Cultura do Alentejo e com a Universidade de Évora, a Câmara Municipal de Beja reuniu ontem com a UE, que é a proprietária do terreno, no sentido de ajudar a poder resolver com a maior brevidade possível os problemas existentes. O acompanhamento da situação por parte da Câmara Municipal de Beja tem sido efectiva e regular, estando esta autarquia bastante empenhada, dentro das suas limitações, em ajudar a que as entidades competentes e responsáveis pelo espaço possam ultrapassar os problemas existentes. A responsabilidade/ tutela pela estação arqueológica de Pisões pertencia à Direção Regional de Cultura do Alentejo que tinha também uma funcionária em permanência no local, a qual se reformou no passado semestre, sem que tenha sido substituída. A titularidade/propriedade do terreno só recentemente teve desenvolvimentos, tendo a Universidade de Évora sido reconhecida como dona do terreno e mostrado abertura em discutir a situação. PUB

Beja

Remodelação da Avenida Vasco da Gama

A Câmara Municipal de Beja e a Junta de Freguesia de São João Baptista vão dar início a uma obra de remodelação e beneficiação da Avenida Vasco da Gama.Esta obra consiste na substituição do piso betuminoso da placa central do topo Norte da Avenida Vasco da Gama por calçada, instalação de sistema de rega automática e replantação de árvores e sebes arbóreas. Para além destes trabalhos serão ainda corrigidas depressões e sobre-elevações nas faixas de rodagem e passeios envolventes. Esta intervenção está também inserida na estratégia do Município BejaEcoPolis e no âmbito das acções integradas de beneficiação do espaço público, neste caso em colaboração com a Junta de Freguesia de São João Baptista que inicia já esta quarta-feira.

Monsaraz

Grupos corais Cantaram aos Reis em Monsaraz O Grupo Coral da Freguesia de Monsaraz e o Grupo Coral Misto da Associação “Os Cardadores” Cantaram aos Reis, na vila medieval de Monsaraz. Esta iniciativa organizada pelo Município de Reguengos de Monsaraz visou recriar a tradição alentejana de à noite, pelas ruas e à porta de alguns senhores da localidade, serem cantados temas de cariz religioso alusivos ao nascimento do Menino Jesus, seguidos de “chacotas profanas”, ou seja, quadras soltas de improviso para as famílias a quem era dirigido o peditório. Neste final de tarde, os dois grupos corais vão interpretar temas como “Quais são os Três Cavalheiros” e “Boas Festas” à porta da Loja Castas e Castiços da CARMIM e do Restaurante Lumumba, mas também para os executivos da Junta de Freguesia de Monsaraz, no Largo Nuno Álvares Pereira, e da Câmara Municipal de

Reguengos de Monsaraz, junto ao Presépio de Rua. Esta iniciativa em Monsaraz tem como objetivo a defesa da cultura, dos usos e dos costumes da região, mas também a divulgação do cante alentejano e de quem o interpreta na perspetiva da sua consolidação e sustentabilidade enquanto mais-valia de um concelho que aposta no turismo cultural. Pedro Mestre é um dos cantores do Grupo Coral Misto da Associação “Os Cardadores”, de Castro Verde, e tem desenvolvido vários projetos relacionados com a viola campaniça. Este colecionador de instrumentos de corda, com destaque para as violas de arame, dedica-se também à recolha etnográfica, possuindo um considerável acervo audiovisual relativo à cultura imaterial. Neste âmbito colaborou em algumas obras como “Viola Campaniça, O Outro Alentejo” (2001), de José Al-

berto Sardinha, “Tocadores Portugal Brasil, Sons em Movimento” (2006), de Lia Marchi e “Cadernos de Danças do Alentejo” (2010). Monsaraz é uma terra de excelentes vozes e teve o seu primeiro grupo coral dedicado à divulgação do cante alentejano no início de 1975, extinguindo-se em 1980. Cinco anos depois, sob a égide da Assembleia de Freguesia de Monsaraz, o grupo voltou a reconstituir-se, tendo como membros a maioria dos elementos do anterior, mas desapareceu em 1990. Em 2003 renasce novamente o Grupo Coral da Freguesia de Monsaraz composto maioritariamente por pessoas nascidas e residentes na freguesia, tendo escolhido como traje um fato domingueiro em uso nesta região no final do século XIX e início do século XX. O seu primeiro trabalho discográfico, “Monsaraz, Varanda do Alqueva”, foi editado em 2005.


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