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SEMANÁRIO

Director Nuno Pitti Ferreira | 09 de Agosto de 2012 | ed. 219 | 0.50€


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Director Nuno Pitti Ferreira | 09 de Agosto de 2012 | ed. 219 | 0.50€

Crato Festival Multigeracional

D.R.

O Melhor Petisco | Rua Catarina Eufémia , 14 Horta das Figueiras | 7005-320 Évora 266771284

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Delta Cafés reforça investimentos

Arqueólogos Sudoeste descobrem caso estatuetas raras social

Abraço que pode valer recorde mundial

Pág.03 O grupo português Nabeiro/ Delta Cafés abriu uma nova empresa no Brasil, a Delta Foods Brasil, e admite o desejo de acelerar o crescimento internacional. “Este arranque no Brasil consolida, de forma inequívoca, aquele que é o nosso objetivo principal este ano: reforçar a nossa presença além-fronteiras”.

Pág.07 As equipas de arqueólogos

Pág.12 O Ao som do tradicional apito, cerca de 17 mil escuteiros presentes no XXII ACANAC (ACAmpamento NACional), em Idanha-a-Nova, irão tentar, hoje, bater o recorde mundial do maior abraço do mundo, na cerimónia de encerramento do maior acampamento da história do Movimento Escutista Católico português.

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que reabriram este mês o Complexo Arqueológico dos Perdigões, próximo de Reguengos de Monsaraz, estão a descobrir um importante conjunto de ídolos em marfim numa área de acumulação de restos humanos cremados.

Pág.08 O maior festival de verão, o Sudoeste TMN, que assenta arraiais na Herdade da Casa Branca, junto à Zambujeira do Mar, Odemira, recebeu este ano 135 mil espectadores, entre os dias 1 e 5 de Agosto. Embora os números tenham ficado muito abaixo de edições anteriores.


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09 Agosto ‘12

Boas Férias, se for esse o caso. Regressamos dia 30 de Agosto.

Constituição e Desconstrução

cARLOS sEZÕES Gestor

Quando o Tribunal Constitucional desta nossa centenária República emitiu, há umas semanas atrás, o seu famoso acórdão sobre os subsídios da Função Pública, muitos portugueses ficaram seguramente perplexos. Em algumas linhas, foram explicitados argumentos e conclusões que podem levar um leigo a pensar, no limite, que é inconstitucional governar, tomar decisões e salvar o País do abismo financeiro em que foi deixado há dois anos. Não sou jurista nem tenho pretensões a sê-lo mas, com já foi analisado e dito, algo não bate certo em toda esta história. Vamos por partes. O corte nos subsídios da administração pública foi uma medida tomada pelas imposições que temos em descer a despesa pública – porque, como se sabe, temos um Estado de dimensão insustentável em relação ao que produzimos, como economia e como sociedade. Foi uma medida dura, é certo, mas pensada para evitar males maiores e situações mais extremas como o despedimento de dezenas de milhares de funcionários públicos, como sucedeu já na Grécia. A pretensa falta de equidade é um falso argumento que cai pela base, se tivermos em conta, numa óptica mais alargada, os salários médios, condições de contratuais de vínculo e benefícios vários consagrados nas últimas 3 décadas para o sector público. Aliás, o sector privado tem feito o seu ajustamento a esta nova realidade pelos próprios meios, com a redução e reestruturação do seu quadro de pessoal e do seu endividamento – com a consequência inevitável dos milhares de desempregados que hoje temos. Obviamente, os senhores juízes, talvez com horizontes limitados ao seu pequeno “mundo

jurídico”, ignoraram tudo isto, limitando-se a registar a sua sentença. A “cereja em cima do bolo” é depois a consagração de que algo pode ser inconstitucional num ano mas já não noutro ano a seguir! Parece anedótico! Enfim, tudo isto podia ser considerado uma trapalhada à portuguesa se não estivéssemos sob ajuda financeira e o mundo não tivesse os olhos postos em nós. A troika e as instituições que nos avaliam vão ter dificuldades naturais em compreender tudo isto e pensar que nos aproximámos um passo da Grécia, em vez de nos afastarmos decisivamente. Bem, e agora? A curto prazo, o Estado está então obrigado a arranjar mais 2000 milhões para a despesa que aí vem. A austeridade ainda maior sobre a população é a opção mais óbvia mas espero que se vá por outros caminhos, reduzindo ainda mais substancialmente as milhares das entidades estatais, que absorvem grande parte do orçamento do Estado. Nada me move contra a função pública, na qual conheço excelentes profissionais mas, como os próprios reconhecem, existem institutos, direcções gerais ou regionais, agências e outras entidades que não servem rigorosamente para nada. A médio prazo, por muito polémico que seja, há que rever esta constituição longa e anacrónica a que estamos ainda acorrentados e que serve apenas para estas inúteis batalhas ideológicas. No fundo, fazer uma “desconstrução” do que existe e fazer uma constituição simples, que explicite a arquitectura deste Estado de Direito e as liberdades e garantias dos cidadãos. Senão, receio bem que qualquer dia a própria existência e governação de Portugal seja inconstitucional!

Pedro Henriques | Cartoonista www.egoisthedonism.wordpress.com

“Crise Olímpica”

O Fundo Monetário Internacional no contexto da crise na Zona Euro

António Serrano Deputado

O Fundo Monetário Internacional (FMI), no seu último relatório, afirma que quer uma política que mude as regras do jogo na Zona Euro. Para o FMI os líderes europeus não fizeram o suficiente. É preciso deter a propagação da crise da dívida que está a engolir a moeda única e os países vizinhos mais pobres. Num relatório em que analisa a forma como as políticas económicas das cinco economias sistémicas - Estados Unidos, China, Zona Euro, Japão e Reino Unido - se afetam umas às outras e o resto do mundo, o FMI admite que a crise da Zona Euro é, de longe, a maior preocupação. «Apesar do progresso face às restrições, a sensação é que não foi feito o suficiente para acabar com a propagação de tensões e atenuar o ciclo de reações na área fiscal, de crescimento e na banca», lê-se no documento. Se a crise na região que partilha a moeda única se agravar, o FMI estima que o impacto sobre os países mais pobres poderá ser grave, o que

poderá elevar as ajudas a estas economias até aos 27 mil milhões de dólares, à volta de 22 mil milhões de euros, em 2013. Depois, há outras economias que preocupam o FMI, como os EUA, que estará sujeita a riscos crescentes relacionados com cortes orçamentais e a crise na Zona Euro. Em relação à China, o abrandamento do investimento pode ter impacto sobre os fornecedores asiáticos e também sobre a Alemanha. Sobre o Japão, a elevada dívida pública torna esta economia vulnerável a uma mudança abrupta nos mercados. Já o Reino Unido deve tomar novas medidas para fortalecer o seu sistema financeiro e reforçar a confiança nos bancos. Para este relatório foram consultados 35 países, incluindo economias emergentes, como o Brasil, República Checa, Índia, África do Sul, Turquia, Rússia, Coreia do Sul, Polônia, México e Arábia Saudita. Entretanto, o conselho de administração do FMI considerou urgente chegar a acordo sobre o cálculo das

contribuições dos Estados Membros e sobre a determinação do seu peso e direitos de voto na instituição. Adotada em 2010, a reforma da governança das participações do Fundo previa essencialmente rever a forma de calcular as contribuições (indexadas sobretudo ao Produto Interno Bruto e à abertura da economia) para dar maior espaço aos países emergentes. Depois das primeiras discussões em março, o conselho de administração do FMI, que representa 188 Estados, referiu novamente este aspeto da reforma a 19 de Julho sem, no entanto, chegar a um acordo. Os Estados «reafirmaram a necessidade de realizar um exame até janeiro de 2013, em conformidade com o calendário previsto, e sublinharam que isso exigiria um espírito de flexibilidade e de compromisso de todas as partes», entende o conselho de administração, reconhecendo ainda que «é urgente chegar a um acordo». A crise da zona Euro e as interdependências

com as restantes economias está a pressionar a gestão do FMI e vai implicar a intervenção deste organismo no auxílio a diversas economias mundiais. Para o efeito necessita de um urgente acordo sobre o cálculo das contribuições dos diferentes Estados Membros. Este acordo será muito difícil num ano de eleições nos EUA. Teremos que esperar por 2013 para ver os resultados práticos destas negociações. 2013 será um ano determinante quer para o FMI quer para a Zona Euro. Se a recuperação dos países intervencionados falhar e se a Espanha e a Itália estiverem sob resgate, a crise financeira e económica alastrará e poderemos ter uma crise política na zona Euro de grandes repercussões. Infelizmente para Portugal, o nosso futuro depende menos de 1% das nossas políticas internas. É esta total dependência externa que Pedro Passos Coelho e Paulo Portas quiseram ignorar em 2010 e 2011, fazendo crer aos Portugueses, que bastava cortar nas gorduras do Estado….

Ficha Técnica SEMANÁRIO

Director Nuno Pitti Ferreira (nuno.pitti@registo.com.pt) Propriedade PUBLICREATIVE - Associação para a Promoção e Desenvolvimento Cultural; Contribuinte 509759815 Sede Rua Werner Von Siemens, n.º16 -7000.639 Évora - Tel: 266 751 179 fax 266 751 179 Direcção Silvino Alhinho; Joaquim Simões; Nuno Pitti Ferreira; Departamento Comercial comercial@registo.com.pt Redacção Luís Godinho; Pedro Galego Fotografia Luís Pardal (editor) Paginação Arte&Design Luis Franjoso Cartoonista Pedro Henriques (pedro.henriques@registo.com.pt); Colaboradores António Serrano; Miguel Sampaio; Luís Pedro Dargent: Carlos Sezões; António Costa da Silva; Marcelo Nuno Pereira; Eduardo Luciano; José Filipe Rodrigues; José Rodrigues dos Santos; José Russo; Figueira Cid Impressão Funchalense – Empresa Gráfica S.A. | www.funchalense.pt | Rua da Capela da Nossa Senhora da Conceição, nº 50 - Morelena | 2715-029 Pêro Pinheiro – Portugal | Telfs. +351 219 677 450 | Fax +351 219 677 459 ERC.ICS 125430 Tiragem 10.000 ex Distribuição Nacional Periodicidade Semanal/Quinta-Feira Nº.Depósito Legal 291523/09 Distribuição PUBLICREATIVE


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Actual

A nova empresa deve-se a uma forte aposta no mercado Brasileiro e pretende reforçar a presença naquele país.

Delta Cafés reforça investimentos no Brasil O Grupo ambiciona acelerar o crescimento internacional particularmente na Europa

tar o montante investido na abertura da empresa e da aquisição da Q Brasil, mas revelou que o grupo espera que o retorno financeiro do investimento aconteça “em dois anos”. Atualmente a companhia conta com cinco colaboradores em São Paulo e, segundo Rui Miguel Nabeiro, a criação da nova empresa deve-se a uma forte aposta no mercado daquele país, pretendendo reforçar a presença do grupo naquele país. O administrador desvendou ainda que o grupo Delta Cafés, com presenças em Espanha, França, Luxemburgo, Angola e Brasil, ambiciona acelerar o crescimento internacional através do reforço de posições diretas noutros países estratégicos, em particular na Europa. No primeiro semestre deste ano, a empresa “aumentou as exportações em 35%”, contou Rui Miguel Nabeiro, sem avançar o valor de faturação. Hoje em dia a área internacional representa, com efeito, quase 20% da faturação do grupo, estando o Grupo Delta Cafés presente em 35 países dos cinco continentes.

O grupo português Nabeiro/Delta Cafés abriu uma nova empresa no Brasil, a Delta Foods Brasil, e admite o desejo de acelerar o crescimento internacional através do reforço das posições diretas no mercado europeu. O administrador do grupo, Rui Miguel Nabeiro, explicou à agência Lusa que a constituição da Delta Foods Brasil, com sede em São Paulo, aconteceu em Janeiro passado, tendo também sido adquirida a empresa Q-Brasil, com sede em Vitória, que detém a única loja Delta Q no mercado brasileiro. “Este arranque no Brasil consolida, de forma inequívoca, aquele que é o nosso objetivo principal este ano: reforçar a nossa presença além-fronteiras”, afirmou o responsável, que classificou 2012 com “o ano de viragem” da estratégia de expansão. Rui Miguel Nabeiro escusou-se a adian-

Queijos nacionais premiados Os queijos da empresa portuguesa Saloio estiveram em destaque na edição de 2012 dos Internacional Cheese Awards, competição que premeia os melhores queijos a nível mundial. No total foram três as medalhas arrecadadas pela marca, duas de prata e uma de bronze, às quais se somou uma recomendação especial. O evento decorreu em Nantwich, Inglaterra, nos dias 24 e 25 de Julho e garantiu à Saloio três prémios em três categorias diferentes. Os queijos “Três Igrejas” e “Sítio da Perdiz” conquistaram duas pratas nas categorias Especiality Cheese Mixed Milk e Continental Cheeses - Best Any PUB

Other Overseas Cheese, respetivamente. A Saloio trouxe ainda para Portugal uma medalha de bronze atribuída ao seu queijo “Palhais Entradas&Saladas Azeitonas”, galardoado na categoria de Continental Catering&Food Service e uma distinção de honra pelo seu queijo “Regional Saloio”, que recebeu o título de Highly Commended Cheese. Para Clara Moura Guedes, administradora delegada da Saloio, a vitória comprova “a qualidade e originalidade” dos queijos da empresa, confirmando que estes “fazem parte do grupo restrito dos melhores queijos do mundo, com a particularidade de serem portugueses”.

Assim, a Saloio, que também já tinha participado na edição de 2011, vê mais uma vez reconhecida, internacionalmente, “a qualidade superior dos produtos portugueses e a capacidade competitiva de alguma indústria nacional num mercado cada vez mais globalizado”, afirma a marca em comunicado enviado ao Boas Notícias Os International Cheese Awards 2012 celebraram, este ano, 115 anos de existência, registando quase 4 mil participações. No total foram 27 os países a concurso em 226 categorias distintas sendo os produtos avaliados em prova cega por um painel de 156 jurados.


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09 Agosto ‘12

Actual A Fundação que teve a seu cargo o programa e-escolas, recebeu 454,4 milhões de euros. Alentejo

Temperaturas altas Em alguns distritos os termómetros vão ultrapassar os 40ºC, indica o site do Instituto de Meteorologia. Bragança, Évora, Guarda, Vila Real, Beja, Castelo Branco e Portalegre estão entre as 09h desta quarta-feira e as 18h de sexta-feira sob alerta amarelo, o segundo mais grave numa escala de quatro. Para hoje e sexta-feira está prevista uma subida da temperatura, podendo chegar aos 39ºC amanhã e aos 41ºC no dia 10. Será nos distritos de Beja, Évora e Castelo Branco que as máximas vão ser mais elevadas. Nos próximos dois dias, os restantes distritos também vão sentir mais calor, com ligeiras oscilações entre quinta e sexta-feira: Bragança (37ºC a 38ºC), Guarda (33ºC a 35ºC), Vila Real (36ºC) e Portalegre (37ºC a 39ºC). O IM adiantou também que o índice de radiação ultravioleta é de valores extremos na Madeira e vai variar entre moderado e muito alto em Portugal continental e Açores. As ilhas da Madeira e Porto Santo, no arquipélago da Madeira, têm níveis extremos de exposição à radiação ultravioleta, pelo que o IM recomenda a permanência em casa.

Ritmos quentes em Ponte de Sor Para dançar desenfreadamente o Festival Sete Sóis Sete convida-vos a assistirem ás duas estreias nacionais que aquecerão o mês de Agosto em Ponte de Sor: o Canzoniere Grecanico Salentino da Apúlia, o taco da bota que é a Itália, atuarão no Sábado 11 de Agosto e Leni&Banda, o grupo caboverdiano que ganhou o Prémio Revelação Sete Sóis Sete Luas no ano passado, subirá ao palco no Sábado 25 de Agosto. Ritmos quentes serão aqueles tocados pelo Canzoniere Grecanico Salentino, coletivo nascido no ano 1975 e que hoje é a banda mais antiga e representativa da música popular do Salento, a área geográfica mais ao sul da região da Apúlia. “La Notte della Taranta” (a major manifestação de música popular da Apúlia que chama turistas da toda a península) é animada desde o ano de 2007 pelo líder do grupo, Mauro Durante, conhecido tocador de pandeireta e de violino. O concerto do Canzoniere é um espetáculo muito intenso e rico em cor, de ritmo e magia que passa da energia da “pizzica” a um olhar irónico sobre a modernidade. Vencedor do Prémio Revelação SSSL em Maio 2011, o grupo Leni & Banda toca pela primeira vez em Portugal. Originários da localidade de Tarrafal (ilha de San-

tiago), apresentam um concerto baseado nos ritmos musicais de Cabo Verde, com uma formação de jovens músicos de excelente talento artístico. O Festival Sete Sóis Sete Luas realiza todos os anos em Cabo Verde o “Prémio Revelação Sete Sóis Sete Luas”, um concurso que selecciona anualmente a banda mais

interessante da cena musical das ilhas de Santo Antão e de Santiago. A banda seleccionada vai ter a oportunidade de ultrapassar as fronteiras nacionais e tocar pela primeira vez no estrangeiro. A mobilidade dos artistas, tanto os conhecidos como os novos talentos, é de facto um dos principais objetivos do festival SSSL.

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(A)Fundações do interesse público Joaquim Fialho

Professor Universitário

Parece ser cada vez mais dif ícil entender o que é uma fundação no nosso país. As per plexidades em tor no dos f ins e princípios que constituem as fundações são algo que impor ta ref letir. Em princípio, seria uma instituição de utilidade pública, dotada de um património considerável, e colocada ao ser viço da comunidade. Porém, o relatório que o Gover no divulgou sobre o estado das fundações em Por tugal, independentemente de algumas dúvidas de for ma, veio tor nar público alguns excessos e abusos quanto à essência deste tipo de instituições, não duma for ma generalizada, mas sobre algumas situações par ticulares que impor ta ref letir. Por exemplo, das 401 fundações estudadas, a Fundação para as Comunicações Móveis, que teve a seu cargo o programa e-escolas, foi a que recebeu mais apoios públicos no período compreendido entre os anos de 2008 a 2010: 454,4 milhões de euros, ou seja, quase metade dos apoios totais concedidos a fundações naquele período. Por outro lado, das cerca de 150 fundações que o Gover no prevê extinguir, retirar o estatuto de utilidade pública, diminuir ou mesmo cessar a totalidade dos apoios do Estado, entre 50 a 60 per tencem às autarquias. Não me parece que este modelo de fundações exclusivamente centrado no f inanciamento estatal seja sustentável. Sem querer afastar os méritos dos cerca de três milhões de pessoas que benef iciaram do programa e-escolas, impor ta

fazer uma análise consciente sobre a relação custo-benef icio deste investimento público. Massif icou-se o uso do computador. Cer to. Melhorou-se literacia digital? Aumentaram os conhecimentos sobre a nossa língua? Desenvolveramse competências matemáticas nos benef iciários? Melhorou-se o domínio de história de Por tugal? Estas, entre outras questões, merecem uma resposta ampla e consistente sobre os impactos desta fundação. Este exemplo, entre outros que se encontram supor tados pelo chapéu-dechuva do “estatuto de utilidade pública” não passam de ostentações que sustentam “negócios” livres de impostos, benef iciando de apoios f inanceiros públicos e que procuram responder a causas cujo impacto junto dos seus benef iciários é relativamente ambíguo. Por outro lado, o “jogo” de pressão politica, legitimação de interesses privados e outras dimensões desta complexidade, remetem-nos para a necessidade de repor a verdade sobre esta necessidade pública. Não basta benef iciar do estatuto para uma deter minada poupança f iscal, aumento de receitas e gerar um negócio com utilidade privada. É preciso repensar a lógica do verdadeiro interesse público. É preciso saber quantas fundações existem e para que ser vem. É preciso avaliar e reequacionar a verdadeira utilidade pública da sua missão. Independentemente de eventuais falhas, este relatório veio encetar uma discussão necessária. Isto é um facto.


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Exclusivo

Nesta edição, a 28ª, de 29 de Agosto a 1 de Setembro, é a prata da casa a dar relevo ao cartaz musical.

Crato impõe-se no panorama dos festivais Ano após ano o Festival do Crato surge com uma excelência ímpar Pedro Galego | Texto Nasceu em 1984 com o intuito de promover os valores culturais e tradições da região. Ganhou notoriedade como Feira de Artesanato e Gastronomia e cedo conquistou um lugar de destaque no panorama das grandes iniciativas regionais. Em 2010 assumiu-se deliberadamente como Festival do Crato, transformando-se num dos maiores Festivais de Verão a acontecer no país. Outrora conhecido como paragem de velhas glórias da música – casos dos Scorpions, Beach Boys ou Roger Hodgson, dos Supertramp, o Festival do Crato apresenta agora moldes de um festival de verão como tantos outros do panorama nacional. Nesta edição, a 28ª, que acontece de 29 de Agosto a 1 de Setembro, é a prata da casa a dar relevo ao cartaz musical. Pedro Abrunhosa, Sétima Legião, Amor Electro e Buraka Som Sistema são os cabeças de cartaz de um evento que tem a particularidade de ser desenrolar no centro da vila, na calçada portuguesa, e por isso sem o pó que marca tantos outros eventos do género. A organização, asseguranda pela autarquia local, quer também manter a filosofia de ser um “festival low cost” e multigeracional, pois continua a dividir o espaço com a tradicional feira, que já foi premiado Segundo a organização, “o Festival do Crato reforça assim, uma identidade e uma centralidade, a do Crato, no quadro da região e do País”. Com o País mergulhado numa profunda recessão, este evento, ainda segundo a autarquia local, continua a afirmar-se como um dos maiores eventos que se realiza no Alentejo e um dos maiores Festivais nacionais, de características únicas e singulares. Só a título de exemplo, ao invés das habituais marcas de fast food, no Festival do Crato a oferta gastronómica é feita em grande parte por restaurantes da região que levam nos menus algumas das iguaPUB

rias mais apreciadas do Alentejo. “Com a programação aqui apresentada mantém-se a atractividade do Festival, que nos últimos anos tem vindo a chamar cada vez mais gentes ao Crato, tornando-o num elemento de promoção e de desenvolvimento cultural, económico e social do concelho e da região”, afirmam, ressalvando que “a dimensão internacional que caracteriza o Festival do Crato afirma-se, no momento presente, pela apresentação da mais internacional selecção de projectos nacionais, com a intenção assumida de demonstrar que, em tempo de crise, a importação não se deve sobrepor à produção e promoção dos nossos valores”. Por 20 euros é possível assistir aos quatro dias de concertos e ver a mostra de produtos tradicionais. É ainda possível aos festivaleiros e visitantes, portadores do passe único, acampar nas imediações do Parque Aquático da vila do Crato. Após a experiência de anos anterior nesta valência do festival, a organização decidiu melhorar essa infra-estrutura

e dotar de sombras grande parte da área destinada ao campismo. Para quem optar por bilhetes individuas, os preços situamse entre os seis euros, no dia 29 de Agosto, oito euros no dia 30 e 10 euros nos dias 31 de Agosto e 1 de Setembro.

Cartaz multi-geracional

A abrir os espectáculos do Festival do Crato, dando as boas-vindas a todos os visitantes no dia 29, como já é tradição, estará a Filarmónica do Crato. Nesse mesmo dia o cartaz de concertos começa com uma homenagem ao Fado Património da Humanidade na voz de Mafalda Arnauth. Seguem-se depois os Amor Electro, autores dos sucessos ‘A Máquina’ e ‘Rosa Sangue’, para depois o fim de festa do primeiro dia ficar a cardo de Ricardo Lino Project. Na segunda noite do Festival do Crato, quinta-feira dia 30 de Agosto, celebra-se o ritmo e as batidas do hip-hop e do funk. A abrir os espectáculos desta noite estará uma banda da região, do projeto PeSSoaS. A noite segue em Festa, com um dos

segredos mais mal guardados da música portuguesa, uma banda de culto para todos os amantes da música negra, a energia irreverente dos Cais Sodré Funk Connection, que actuam imediatamente antes do ‘pai’ do hip-hop português e autor do mega-sucesso “Sexta-feira”: Boss AC. O DJ Tiago Santos, da Rádio Oxigénio encerrará esta segunda noite do Festival. Já na sexta-feira, 31 de Agosto, a abrir os espectáculos estará a bossa nova jazzy do Grupetto, seguindo-se o concerto da “banda pop mais portuguesa da actualidade”, no ano de lançamento do seu 4º álbum de originais: A Naifa. Mas o grande momento da noite será, por certo a passagem por terras alentejana de uma das bandas pop mais importantes da história da música portuguesa, integrada na tour comemorativa dos 30 anos da Sétima Legião. Eles que há mais de 20 anos tocaram precisamente no mesmo local, concerto que ainda hoje é considerado por alguns como o melhor concerto de sempre no Crato. Oportunidade única de ver de novo, ou mostrar, por exemplo aos filhos, o porquê dessa afirmação. A noite encerra com o carismático guitarrista dos Xutos e Pontapés, Zé Pedro, na sua vertente de DJ. Para sábado, dia 1 de Setembro, a noite que encerra o Festival do Crato vai começar uma das mais recentes coqueluche da música nacional, aos ritmos quentes da “Lisboa Mulata”, vista pela banda que é hoje um fenómeno nos Estados Unidos, com 4 dos seus temas a integrarem o top 10 do iTunes norteamericano, os Dead Combo & Royal Orquestra das Caveiras, a que se segue, pela primeira vez naquela vila alentejana um dos mais importantes músicos, compositores e artistas da música portuguesa: Pedro Abrunhosa. Para queimar os últimos cartuchos a organização apresenta a mais internacional das Bandas portuguesas da actualidade, os Buraka Som Sistema, que trazem o kuduro progressivo e a batida que se houve nas discotecas de todo o Mundo. A 28ª edição do Festival do Crato termina depois madrugada fora ao som do projecto No DJ’s, da Antena 3.


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09 Agosto ‘12

Turim Vacation Club: DECO alerta para práticas comerciais desleais e vendas em pirâmide A DECO tem recebido várias reclamações sobre a prática comercial que a empresa Turim Vacation Club tem vindo a executar. Tal prática culmina na maioria das vezes com a assinatura de um contrato de habitação turística. Na verdade, os consumidores são abordados com promessas de semanas de férias gratuitas, sendo que para ter acesso as mesmas é-lhes informado que apenas terão de pagar uma taxa de reserva. Contudo, o que acontece é a assinatura de um contrato de adesão, que os torna associados da empresa durante 10 anos. Para a celebração do negócio o consumidor é induzido em erro, criando a expectativa de que se trata de um serviço bastante vantajoso e com possibilidade de ser gratuito ou mesmo lucrativo, por via da angariação de novos associados. Após a assinatura dos contratos, os consumidores tentam contactar a Entidade para marcação da semana de férias, saindo frustrados nas suas tentativas quer quanto as semanas de férias oferecidas, quer mesmo quanto às semanas de férias contratadas. Considera a DECO esta prática comercial ilícita, enquadrando-se nas chamadas Vendas em Pirâmide,

proibidas pelo diploma das práticas comerciais desleais e podendo ser anuláveis a pedido do consumidor, devendo os mesmos ser ressarcidos pelos danos causados. Tendo em conta a gravidade da situação e o carácter lesivo dos direitos dos consumidores, a DECO já denunciou esta prática à Procuradoria-Geral da República. Assim, alertamos os consumidores para esta prática comercial, pelo que nunca deverão assinar qualquer contrato onde não estejam devidamente explicitadas as ofertas que lhes são atribuídas, e relembrar que a este tipo de contratos está inerente um prazo resolução de 14 dias após a sua assinatura, sempre através de carta registada com aviso de recepção.

Isabel Curvo Delegação Regional de Évora Travessa Lopo Serrão, n.ºs 15 A e 15 B, r/ch, 7000629 Évora Telefone: 266744564 – Fax: 266730765 deco.evora@deco.pt /www.deco.proteste.pt


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Radar O local foi descoberto quando o Esporão adquiriu a Herdade dos Perdigões para plantar vinha.

Arqueólogos descobrem estatuetas raras relacionadas com rituais ligados à morte Complexo Arqueológico dos Perdigões – Reguengos de Monsaraz

1996 O Complexo Arqueológico dos Perdigões, situado nas imediações de Reguengos de Monsaraz, era um sítio escassamente conhecido até 1996, altura em que o Esporão adquiriu a Herdade dos Perdigões para plantar vinha. Uma profunda lavra prévia ao plantio de vinha permitiu a definição dos limites e a visualização da complexidade arquitectónica do complexo. 1997 O Esporão tomou a decisão de não plantar vinha na área do complexo e desde então participa no financiamento da investigação arqueológica em curso pela ERAArqueologia, que desenvolveu uma estratégia de parcerias nacionais e internacionais.

Pedro Galego | Texto As equipas de arqueólogos que reabriram este mês o Complexo Arqueológico dos Perdigões, próximo de Reguengos de Monsaraz, estão a descobrir um importante conjunto de ídolos em marfim numa área de acumulação de restos humanos cremados. Estas estatuetas, normalmente representando características masculinas e de grande realismo, são raras na Península Ibérica e apareceram agora, pela primeira vez, em Portugal. Os Perdigões são um grande complexo arqueológico abrangendo uma área de cerca de 20 hectares, composto por vários recintos delimitados por grandes fossos (estruturas escavadas na rocha), com necrópoles (cemitérios) e um cromeleque de menires associado (recintos cerimoniais circulares compostos por grandes blocos de pedra colocado ao alto) , que teve início no final do Neolítico (há cerca de 5500 anos) e durou até ao início da Idade do Bronze (há cerca de 4000 anos), representando mil e quinhentos anos de história. O sítio terá representado um papel muito importante para as comunidades que habitavam aquela área na Pré-História e seria, provavelmente, um local utilizado para a prática de cerimónias rituais relacionadas com o culto dos mortos e dos antepassados. O local foi descoberto quando o Esporão adquiriu a Herdade dos Perdigões para plantar vinha, atividade que já levava a cabo há mais de uma década na vizinha Herdade do Esporão, também propriedade de José Roquette. Nesse processo de plantação, foi descoberta a configuração arquitectónica do antigo local, facto que levou o Esporão a interromper a plantação nessa área, apoiando desde então o projecto científico. As novas descobertas irão integrar o Núcleo Expositivo do Complexo Arqueológico dos Perdigões, na Torre da Herdade do Esporão, que poderá ser visitada pelo público. As novas descobertas têm levado, ano após ano, os arqueólogos a concluir sobre a grande importância do local, o que faz dos Perdigões o sítio arqueológico que está actualmente a ser estudado há mais tempo sem interrupções em Portugal. Um dos aspectos mais significativos nos Perdigões é a presença de contextos funerários de cremações humanas datados de há cerca de 4500 anos, práticas funerárias consideradas pouco comuns na época e que levantam interessantes questões sobre as visões do mundo e do ser humano que estariam em transformação.

Cronologia

2004 Em Outubro de 2004, foi inaugurado na Herdade do Esporão o Núcleo Expositivo do Complexo Arqueológico dos Perdigões.

É nestes contextos de cremações humanas que têm sido descobertos um notável conjunto de estatuetas antropomórficas em marfim, de grande naturalismo e beleza estética que, apesar de serem conhecidas noutros contextos do sul peninsular, aparecem pela primeira vez em território nacional. O seu significado é assunto de debate entre os especialistas, podendo representar divindades, pessoas ou estatutos sociais concretos, grupos de identidade ou parentesco. Estas peças e os problemas científicos que levantam serão apresentadas este ano em dois colóquios internacionais a realizar em Espanha e na Finlândia. As investigações em curso estão a cargo do Núcleo de Investigação Arqueológica da ERA Arqueologia e são financiadas pelo Esporão, pela ERA e por um projecto da Fundação para a Ciência e Tecnologia. Desde que o Complexo Arqueológico dos Perdigões começou a ser estudado, há 15 anos, realizaram-se intensos trabalhos de campo e de laboratório, tendo sido apresentadas comunicações em inúmeros congressos nacionais e internacionais, palestras em várias universidades portuguesas e estrangeiras, com a publicação de quatro dezenas de artigos em revistas da especialidade. Várias teses de mestrado e doutoramento, já realizadas e em curso, tiveram os Perdigões como tema. O Programa de Investigação reúne actualmente vários projectos desenvolvidos de forma integrada por diversas instituições como a ERA, as universidades de Coimbra e de Málaga, o Instituto Arqueológico Alemão, o Laboratório de Arqueociências do Igespar ou o Instituto Tecnológico e Nuclear. Nas escavações estiveram já pre-

sentes especialistas e alunos de universidades portuguesas, espanholas, inglesas, italianas, francesas ou austríacas. Em torno dos Perdigões organizou-se um primeiro workshop internacional sobre a temática dos Recintos de Fossos em 2006 e um segundo decorrerá em Novembro deste ano, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, Esporão S.A. e Fundação Milénio BCP. Na campanha de 2012, que continuará a intervencionar estes contextos, participarão alunos voluntários de diversas universidades portuguesas (Lisboa, Coimbra, Porto e Algarve) e da Universidade de Bradford. Simultaneamente, a Universidade de Málaga continuará a desenvolver o seu trabalho numa das entradas monumentalizadas do grande recinto de fossos exterior, expondo as estruturas negativas que aí se encontram, no sentido de caracterizar a complexa arquitectura das zonas de ligação entre interior e exterior dos recintos. A duração continuada da investigação nos Perdigões, a internacionalização que já alcançou e as preocupações de divulgação pública que sempre o acompanharam, e de que a exposição na torre medieval da Herdade do Esporão é um marco, transformaram-no num dos mais importantes projectos de arqueologia pré-histórica em Portugal, reconhecido pela Revista Almadan no número que dedicou aos grandes projectos da Arqueologia Portuguesa. O estatuto alcançado permite-lhe gozar igualmente de um já significativo prestígio internacional que lhe possibilita continuar a alargar a sua rede de colaborações institucionais e a estar na vanguarda da investigação deste tipo de realidades arqueológicas.

2009 Foi realizado um segundo programa de prospecção geofísica. Os trabalhos foram realizados por Helmut Becker, considerado um dos maiores especialistas nesta matéria (assessorado por elementos da equipa da Universidade de Málaga e da ERA-Arqueologia), recorrendo à magnometria. Foram prospectados cerca de 5 hectares, os quais correspondem a 1/4 da área total dos Perdigões. Foi identificado um fosso e um possível forno, que datam do final do neolítico, ou seja, da segunda metade do 4º Milénio AC (5500 a 5000 anos). Por outro lado, através da prospecção geofísica, uma espécie de “radiografia” ao solo, foi possível identificar que o círculo central do complexo, visível numa fotografia aérea que durante os últimos anos serviu de base de trabalho, corresponde afinal a uma grande estrutura circular em pedra, com 15 a 20 metros de diâmetro estimável, e que é uma das edificações mais recentes, de época Calcolítica, datável aproximadamente do final do 3º Milénio AC (cerca de 4.000 anos). 2010 Confirmação, após apurados estudos que contaram com a colaboração de Thomas Schuhmacher, do Instituto Arqueológico Alemão de Madrid, de que os objectos encontrados nos sepulcros 1 e 2 dos Perdigões, são de marfim de dente de elefante, uma descoberta que permite colocar os Perdigões como o complexo arqueológico com a maior quantidade de objectos em marfim no contexto da Pré-História portuguesa. 2011-2012 Numa área associada à acumulação de restos humanos cremados, são descobertas estatuetas em marfim, normalmente representando características masculinas e de grande realismo. Estas estatuetas são raras na Península Ibérica e apareceram agora, pela primeira vez, em Portugal.


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Radar Tudo começou em 1997, quando o fenómeno dos festivais estava praticamente restrito ao norte de 86 Um olhar antropológico José Rodrigues dos Santos* Antropólogo

A causa perdida dos incêndios: 2 - O desbarato Portugal é um caso à parte. Se todos os países da Europa meridional têm problemas com os incêndios florestais, o nosso país destaca-se pelo número de ocorrências e pela sua gravidade, medida em temos de áreas queimadas, ambos a crescer de ano para ano. Com áreas queimadas superiores (em números absolutos) e muito superiores em proporção do tamanho do território, Portugal arde mais que os seus vizinhos, e nada pára esse desastre. Os países vizinhos também tiveram um forte êxodo rural, e as mesmas causas deveriam produzir os mesmos efeitos. A diferença principal reside na estrutura da propriedade e do parcelar, agravada pela plantação em quase monocultura de espécies altamente inflamáveis (pinheiro, depois eucalipto). Portugal representa um caso único de fragmentação da propriedade em minifúndios, acentuada ainda pelo micro parcelar (um minifúndio de pouco mais dum hectare pode ser constituído por várias dezenas de parcelas separadas). Ao contrário do que foi conseguido em certas zonas da Europa, não houve em Portugal em escala suficiente fusão de explorações agrícolas e emparcelamento de modo a não só viabilizar as explorações dando-lhes dimensão, como a permitir uma gestão mais racional do espaço rural. Em Portugal, os que saíram das suas aldeias para o litoral ou para o estrangeiro, conservaram as micro-parcelas e muitos nelas viriam a construir habitações. A dispersão do habitat, característica da antiga sociedade camponesa beirã, minhota, transmontana, ganhou uma nova vida. Mas faltam agora os habitantes: casas vazias, deixam à sua volta um espaço retalhado, que ninguém cuida nem pode cuidar. Curiosamente, à manutenção dum esquema tradicional no Centro e no Norte, corresponde no Sul (Algarve) um fenómeno análogo. A venda de pequenas parcelas para construir residências deixa também um espaço “intersticial” absolutamente impossível de manter. Quem vê as encostas das colinas algarvias cobertas de pontos brancos rodeados por vegetação altamente infl amável (pinheiros, medronheiros, estevas, etc.), treme perante a certeza: ninguém poderá suster um incêndio nesse tipo de território. José Rodrigues dos Santos Antropólogo, Academia Militar e CIDEHUS, Universidade de Évora 09 de Julho 2012 jsantos@uevora.pt

Sudoeste caso social Festival recebeu 135 mil pessoas Pedro Galego | Texto O maior festival de verão, o Sudoeste TMN, que assenta arraiais na Herdade da Casa Branca, junto à Zambujeira do Mar, Odemira, recebeu este ano 135 mil espectadores, entre os dias 1 e 5 de Agosto. Embora os números tenham ficado muito abaixo de edições anteriores (por exemplo em 2011 teve 175 mil festivaleiros), o maior evento organizado pela Música no Coração – promotora líderada por Luís Montez -, é cada vez mais, além de um fenómeno músical, um fenómeno social. Longe vão os tempos em que os que partiam em direcção à costa alentejana era os ‘freaks’ ou os ‘dreads’. O campismo nos primeiros anos era praticamente selPUB

vagem e aberto a toda a gente. A filtragem era apenas feita quando se pisava o recinto, mas para muitos o festival estava fora dos portões. Uma comunidade praticamente anárquica ocupava o pinhal junto ao canal de rega, que por aqueles dias se transforma numa piscina fluvial, e daí resultava um ambiente próprio, que muitos dos que hoje já estão na casa dos 40 ainda recordam com saudade. Tudo começou em 1997, quando o fenómeno dos festivais estava praticamente restrito ao norte de Portugal, com Vilar de Mouros e Paredes de Coura. Hoje, 15 anos volvidos, à 16ª edição, tudo é diferente. O Sudoeste é quase uma colónia de férias da juventude sub-20, que por o preço de uma estadia praticado em qualquer par-

que de campismo do país pode desfrutar de quase uma semana de concertos. A grande mudança aconteceu quando, nos primórdios dos anos 2000, o campismo começou a ser vedado e de acesso permitido apenas aos portadores de passe para todos os dias do festival. Daí para cá, sobretudo desde a chegada da operadora TMN a patrocinador principal, o Sudoeste tem-se afirmado como um festival mais ‘comercial’ e pop. Um autêntico evento social. Ainda assim é possível assistir a


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Radar

Portugal, com Vilar de Mouros e Paredes de Coura. Hoje, 15 anos volvidos, à 16ª edição, tudo é diferente.

concertos de primeira água e já é comum ver pais com filhos, muitos de tenra idade. A grande diferença em relação a um festival urbano – género Rock in Rio – é que quem está na Zambujeira não vai ao festival, está a viver no festival. Os dias são passados no campismo, entre banhos no canal ou nos chuveiros de água fria, ou na praia, transformando a pequena aldeia costeira da Zambujeira do Mar numa das localidades mais povoadas do Alentejo naqueles dias. Muitos comerPUB

ciantes aproveitam para salvar o mês em meia dúzia de dias, outros queixam-se que os festivaleiros gastam pouco dinheiro e que preferiam vender bom peixe – a afluência volumosa e a falta de vontade para extravagâncias por parte dos clientes, a muitos não deixa outra hipoteses senão vender apenas cachorros, bifanas ou bitoques. Apesar da redução de gente – que parecer ter a responsabilidade divida entre a crise que afecta o país e a falta de mais no-

mes fortes como cabeças de cartaz – a edição deste anos ficou marcada por um par de actuações que muitos dos que as presenciaram tão depressa não vão esquecer. A estrela maior foi mesmo Eddie Vedder, vocalista dos norte-americanos Pearl Jam, que a solo deu um espectáculo de mais de duas horas na Herdade da Casa Branca, passando em revista alguns dos temas dos seus trabalhos em nome individual, mas também alguns dos clássicos da banda de Seattle. Munido de uma garrafa de tinto da Cartuxa, Eddie Vedder não se furtou a falara com o público (recorrendo a uma cábula escrita em português) e desfilou um conjunto de canções, entre tragos no néctar dos deuses directamente do gargalo, que mesmo para os menos conhecedores do artista lhes soaram a algo familiar. Casos de ‘Just Breathe’, ‘Last Kiss’ ou ‘Better Man’, acompanhado de um ukelele – instrumento havaiano semelhante ao cavaquinho – de uma viola ou de uma guitarra electrica. Vedder não só foi o campeão musical, como também foi o campeão de bilheteira, visto que na noite em que actuou, no passado dia 3 de Agosto, teve a maior assistência do festival, 32 mil pessoas. Nota ainda para as performances de alguns artistas nacionais a despoletar na cena musical portuguesa e internacional. Casos de Richie Campbell, que levou reggae ao palco principal do evento e do agrupamento Orelha Negra, os primeiros

a conseguir esgotar o palco secundário do festival. A festa terminou ao som de uma cara conhecida da Zambujeira do Mar, o DJ francês David Guetta, que meteu mais de 30 mil pessoas a dançar e a dizer adeus à Herdade da Casa Branca. À mesma hora, mas no palco secundário, um ultra-competente e entusiasmante DJ Ride, um dos nomes nacionais mais cotados na cena hip-hop mostrava como Guetta não era consensual, conseguindo uma audiência considerável num espectáculo da sua vertente Pixel Trasher (onde mistura vídeo ao mesmo tempo que mistura som). Brilhante. Saudades e boas recordações vai ainda deixar os concertos de Jessie J, cantora pop britânica dona de uma capacidade vocal impressionante e os americanos The Roots – uma dos agrupamentos de hip-hop e soul mais importantes do Mundo -, que na noite de sábado, dia 4 de Agosto, deram uma autêntica lição de como uma banda deve ser quanto toca ao vivo. Na manhã de segunda-feira, dia 6, após queimar os últimos cartuchos, a grande multidão abandonou o parque de campismo, deixando para trás um rasto que muitos irão seguir no próximo ano para voltar. Os carros estão cheios de pó, as estradas atulhadas devido à partida simultânea de quase todos e a estrutura já começa a ser desmontada. Mas para o ano que vem há mais Sudoeste.


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Escrita na Paisagem O Festival Escrita na Paisagem continua no Largo de São Vicente em Agosto com cinema, música, exposições e em encontros para acompanhar até ao final do mês. ZanXóssi, uma co-produção da Bottega Buffa CircoVacanti (Itália) com a Cia Buffa de Teatro (Brasil) que pode ver já no próximo dia 16 de Agosto, soma a tradição italiana do teatro de máscaras da Commedia dell’Arte aos passos de dança popular do Brasil, convidando-nos a entrar no espaço mágico do teatro através do diálogo com rituais populares antigos. Em ambiente de carnaval, e com boa disposição, os ritmos de samba, afoxé, frevo e outros passos de festa, levantam a poeira de antigas viagens contando a história de amor entre um bobo e uma bailarina. Um Bufão de praça, um Zanni sertanejo cantor e vendedor de queijo, uma Servetta da praia que canta e dança, são alguns dos personagens interpretados por Joice Aglae B. (br) e Veronica Risatti (br/it) que convidam o espectador a entrar nesta experiência poética pela tradição, com muito humor. A não perder no dia 16 de Agosto, às 22h, no palco do Largo de São Vicente (Évora). PUB

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EXPOMORA 2012

A vila de Mora continua a ser o palco privilegiado para os grandes nomes da música portuguesa. GNR, UHF e Emanuel são os cabeças de cartaz da ExpoMora 2012, feira anual que se realiza entre 7 e 9 de Setembro. Depois dos concertos “Sons do Fluviário”, com as actuações da Sinfonnieta de Lisboa com Pedro Jóia, Couple Coffe, António Zambujo e Adufe, o concelho volta a receber três grandes nomes do panorama musical português. Agendados para as 22H30, os concertos realizam-se no palco principal nos dias 7 de Setembro, com UHF, 8 de Setembro Emanuel e a 9, a encerrar o certame, os GNR. Antes, às 21H00, há animação local no palco 2. A feira anima toda a região noroeste alentejana e inclui diversão, gastronomia e actividades culturais, constituindo-se como a grande mostra da actividade económica, social e empresarial do concelho. A ExpoMora 2012 decorre no Parque de Feiras da vila, de 7 a 9 de Setembro.

ACANAC 2012

Escutismo dá abraço que pode valer recorde mundial O Maior Abraço do Mundo Ao som do tradicional apito, cerca de 17 mil escuteiros presentes no XXII ACANAC (ACAmpamento NACional), em Idanhaa-Nova, irão tentar, hoje, bater o recorde mundial do maior abraço do mundo, na cerimónia de encerramento do maior acampamento da história do Movimento Escutista Católico português que desde sábado se realiza em Idanha-a-Nova. O atual recorde encontra-se nos 10.554 “abraços”, mas este acampamento, que conta com a presença de cerca de 17.100 escuteiros, poderá facilmente quebrar esse recorde. O grande objetivo é o de que, durante um minuto, todos os participantes nesta atividade se abracem e que isso seja gravado e fotografado para que, acompanhado da listagem de participantes, a informação possa ser envia-

da para o Livro dos Recordes. Estes “abraços” representarão uma forma de distribuir paz, amor e afetos, sob a forma de um simples abraço, para quebrar as barreiras que existem entre pessoas desconhecidas, mas que pertencem ao mesmo movimento.

Mais de 17 mil no ACANAC

Numa área de 79 hectares (o equivalente a 79 campos de futebol), cerca de 14 mil jovens estiveram reunidos a escuteirar (é escuteirando que os Escuteiros crescem e se desenvolvem para a vida), acompanhados por perto de 3 mil voluntários adultos, que prepararam e apoiaram a execução das atividades. As actividades realizadas incluíram caminhadas, jogos, ateliês, tudo isto visando potenciar o crescimento dos jovens em todos os aspetos do seu desenvolvi-

mento individual: físico, afetivo, de carácter, espiritual, intelectual e social. Foram montadas cerca de 3.400 tendas e distribuídas mais de trezentas mil refeições. No dia de hoje estará particularmente activa a Junta Regional de Évora que participou neste acampamento com centenas de jovens da região, onde o lema: “Educar para a Vida”, recentemente adotado pela OMME (Organização Mundial do Movimento Escutista – www.scout. org) e que bem responde à questão «que pretende/faz o Escutismo?», adotado pelo CNE, que lhe adicionou uma nova palavra – ESCUTEIRAR – pretende transmitir a alegria e o empenho que são características comuns a todos os escuteiros. O ACANAC 2012 termina amanhã.

Registo ed219  

Edição 219 do Semanário Registo