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SEMANÁRIO

O Melhor Petisco | Rua Catarina Eufémia , 14 Horta das Figueiras | 7005-320 Évora 266771284

Director Nuno Pitti Ferreira | 31 de Maio de 2012 | ed. 209 | 0.50€

D.R.

Segurança Social protocola Cantinas Sociais Évora

Numa cerimónia realizada ontem, ao inico da tarde, no auditório da CCDRAlentejo, presidida pelo Ministro Pedro Mota Soares, o Centro Distrital de Segurança Social de Évora protocolou com IPSS`s apoios para o desenvolvimento da medida excecional das cantinas sociais, inserta no Programa de Emergência Alimentar. “Garantimos a partir desta data a abertura de vinte cantinas sociais, distribuídas por todos os concelhos, e que permitirão dar auxílio e resposta a situações de grave carência social”. D.R.

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ERASMUS comemora 25 anos Pág.11 A cidade de Évora vai ser palco, de 31 de maio a 2 de junho, de um encontro internacional de jovens que irá assinalar o 25º aniversário do programa ERASMUS e da classificação do Centro Histórico como Património da Humanidade. Sob o lema “(Ex) Change your Life in … Évora“ D.R.

À procura de mais espaço público Pág.08 A Arquitectura e o Urbanismo desenvolvem uma relação que condiciona a qualidade do espaço público em Évora. Saber dessa relação e do que ela pode trazer a esta cidade contemporânea que quer ser educadora, é a proposta para o fim de tarde desta quinta feira, 31 de Maio. D.R.

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Empreendedores de Beja lançam “FarmVille” com autênticos produtos hortícolas Gerir uma horta a partir de um apartamento é a proposta que um grupo de empreendedores de Beja se prepara para lançar num projecto experimental. O projecto chama-se MyFarm.com, por estratégia co-

mercial. E qualquer semelhança com o popular jogo da internet FarmVille não é pura coincidência, apesar de não se tratar de um jogo mas de uma autêntica actividade agrícola.

A única diferença em relação à agricultura tradicional é que aqui será tudo gerido através da Internet por quem de outra forma dificilmente teria acesso a uma quinta ou a uma horta.


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31 Maio ‘12

A Abrir

cARLOS sEZÕES Gestor

Não muito longe da fronteira, encontramos no coração da Extremadura espanhola a bela cidade de Cáceres. É uma cidade de dimensão média (cerca de 95.000 habitantes), considerada Património da Humanidade pela UNESCO desde 1986, mais ou menos pela mesma altura de Évora. Mantendo o seu cariz medieval, com todo o seu esplendor, é possível encontrar imponentes torres fortificadas, palácios sumptuosos e jardins escondidos em recantos insuspeitos. Com toda esta monumentalidade, sendo um dos centros históricos mais bem conservados da Europa, Cáceres não se contenta, entretanto, em ser apenas uma cidade de património. A cidade aposta em eventos de cultura contemporânea dos quais se destaca, pela sua importância, o WOMAD. O WOMAD, correspondente às siglas “World Of Music, Arts & Dance”, é um festival internacional onde se inclui música popular, música étnica, artes teatrais, artes de rua, entre outras actividades. Sendo realizado também em outras cidades espalhadas pelo mundo, celebra-se em Cáceres desde 1992. É um evento vivido e assumido com orgulho por toda a cidade, tenho nos últimos anos atraído audiências na ordem dos 50.000 visitantes. É fácil concluir os benefícios directos e indirectos que uma organização deste nível traz à cidade, em termos de notoriedade, reputação e ganhos para a hotelaria, restauração e comércio tradicional. O WOMAD 2012 de Cáceres desenrolou-se

no passado fim-de-semana e relembrou-me as semelhanças entre Évora e esta bela cidade espanhola e as diferentes formas de aproveitar a cultura, como estratégia de crescimento e de marketing territorial. Será que Évora, com as suas imensas potencialidades, poderia começar a reflectir em passar de um modelo de cidade de Património para um paradigma de capital cultural, com 2 ou 3 eventos-âncora, de cultura contemporânea, que lhe proporcionem ambientes vibrantes e atractivos, como este caso de Cáceres que mencionei antes? Que, por exemplo, proporcionem uma agenda cultural que façam o visitante/ turista ficar uns 3 dias em vez de 1 dia ou meio-dia, como acontece na maioria dos casos? Muitas vilas e cidades já o fazem em Portugal, com sucesso – para não ir muito longe lembro-me desde já o Festival Islâmico de Mértola, o festival Músicas do Mundo em Sines ou o Festival Internacional de Chocolate, em Óbidos. Com eventos destes, pode concretizar-se uma visão de futuro – Évora, capital cultural, materializada em praças e ruas cheias e gente (turistas de todo o mundo), a fervilharem de restaurantes, cafés, esplanadas, bares e lojas de produtos locais. Obviamente que as infraestruturas de apoio são importantes…mas o essencial são boas ideias, concretizáveis, com escala para envolver toda a cidade. Com trabalho, envolvimento cívico e vontade política, tudo isto é perfeitamente possível.

Pedro Henriques | Cartoonista www.egoisthedonism.wordpress.com

Évora, cidade do Património… ou Évora, capital Cultural?

“Impostos... só para alguns!”

Estamos no bom caminho, dizem a Troika e o Governo. Será assim? António Serrano Deputado

Agora que decore mais uma avaliação da Troika sobre a implementação do Memorando de Entendimento, os Portugueses assistem perplexos às afirmações do Governo e da Troika, de que estaremos no bom caminho. Vejamos se será assim. Segundo as projeções da OCDE, este ano, a economia portuguesa deverá continuar em recessão ao apresentar uma contração do PIB de 3,2%, valor mais pessimista que o apontado pelo governo (-3,0%). Em 2012, Portugal apresentará a 2ª recessão mais pronunciada das 34 economias da OCDE, a seguir à Grécia. Também a zona euro deverá entrar em recessão (-0,1%), embora a sua intensidade seja mais ténue que a projetada para Portugal. Segundo a OCDE, a economia portuguesa deverá contrair 2,9% no 4º trimestre deste ano, sendo a maior contração das 34 economias pertencentes a esta organização, enquanto a zona euro já deverá crescer no final do ano (0,2%).

Para o ano, Portugal deverá continuar em recessão económica (a 2ª maior, a seguir à Grécia), contrariando a projeção do governo que aponta para um leve crescimento de 0,6%. Também Itália, Eslovénia, Espanha e Grécia deverão continuar em recessão em 2013. A economia da zona euro expandir-se-á em 0,9% e a da OCDE em 2,2%. O Consumo Privado deverá apresentar, nos dois anos, a maior quebra de todos os países da OCDE, com decréscimos de 6,8% e 3,2%, respetivamente, enquanto a zona euro já deverá apresentar um ligeiro crescimento em 2013. O investimento sofrerá, este ano, a 2ª maior quebra de todos os países da OCDE (a seguir à Grécia), e a maior em 2013, enquanto a zona euro já deverá apresentar um crescimento para o ano. A taxa de desemprego atingirá os 15,4% este ano (15,8% no 4º trimestre) e deverá continuar a crescer, atingindo no conjunto do ano

que vem 16,2%. No entanto, deverá assistirse no 4º trimestre de 2013 a uma taxa de desemprego 16,3%. Segundo a OCDE, Portugal apresentará o maior crescimento na taxa de desemprego em 2013 (juntamente com a Espanha), quase 3 vezes maior que o esperado para a zona euro (de 10,8% em 2012 para 11,1% em 2013). Esta previsão vem assim contrariar a do governo, que antevê uma diminuição da taxa de desemprego já para o ano. O Défice público deverá crescer, este ano, para 4,6% do PIB (4,2% em 2011), revisto em baixa face ao previsto no Documento de Estratégia Orçamental ou no acordado no Programa de Ajustamento e Estabilidade Financeira (4,5%). A Dívida Pública deverá continuar a crescer em 2012 e 2013, de 114,5% para 120,3% do PIB. Esta projeção é a mais pessimista de todas as que se tem elaborado para a dívida pública portuguesa. Ora olhando, para toda esta informação técnica, temos razões para estar preocupados! Um ano de Troika e um

ano de Governo e que temos é: • Mais desemprego, com 1 milhão de desempregados; • A dívida pública a aumentar; • Redução brusca do Consumo Privado e aumento da falência de empresas; • Redução de Investimento Privado e paragem do investimento público; • Aumento dos Impostos; • Cortes dos subsídios de natal e de férias; • O Pais está parado, sem actividade económica; • Há cada vez mais Portugueses e Portuguesas a passar fome; Temos um Governo perdido, desorientado, surpreendido pela dimensão do Desemprego e que não consegue apresentar aos Portugueses um plano de saída da crise. Tantos sacrifícios para chegarmos a projeções económicas como nos apresenta a OCDE? Ou arrepiamos caminho ou não aguentamos socialmente mais um ano destas politicas.

Ficha Técnica SEMANÁRIO

Director Nuno Pitti Ferreira (nuno.pitti@registo.com.pt) Propriedade PUBLICREATIVE - Associação para a Promoção e Desenvolvimento Cultural; Contribuinte 509759815 Sede Rua Werner Von Siemens, n.º16 -7000.639 Évora - Tel: 266 751 179 fax 266 751 179 Direcção Silvino Alhinho; Joaquim Simões; Nuno Pitti Ferreira; Departamento Comercial Teresa Mira (teresa.registo@gmail.com) Redacção Luís Godinho; Pedro Galego Fotografia Luís Pardal (editor) Paginação Arte&Design Luis Franjoso Cartoonista Pedro Henriques (pedro.henriques@registo.com.pt); Colaboradores António Serrano; Miguel Sampaio; Luís Pedro Dargent: Carlos Sezões; António Costa da Silva; Marcelo Nuno Pereira; Eduardo Luciano; José Filipe Rodrigues; José Rodrigues dos Santos; José Russo; Figueira Cid Impressão Funchalense – Empresa Gráfica S.A. | www.funchalense.pt | Rua da Capela da Nossa Senhora da Conceição, nº 50 - Morelena | 2715-029 Pêro Pinheiro – Portugal | Telfs. +351 219 677 450 | Fax +351 219 677 459 ERC.ICS 125430 Tiragem 10.000 ex Distribuição Nacional Periodicidade Semanal/Quinta-Feira Nº.Depósito Legal 291523/09 Distribuição PUBLICREATIVE


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Actual Pedro Mota Soares - “este é o tempo e o momento de agir”.

Segurança Social protocola Cantinas Sociais D.R.

CDSS de Évora assinou protocolos com 20 IPSS`s do distrito. Numa cerimónia realizada ontem, ao inico da tarde, no auditório da CCDRAlentejo, presidida pelo Ministro Pedro Mota Soares, o Centro Distrital de Segurança Social de Évora protocolou com IPSS`s apoios para o desenvolvimento da medida excecional das cantinas sociais, inserta no Programa de Emergência Alimentar. “No distrito de Évora, garantimos a partir desta data a abertura de vinte cantinas sociais, distribuídas por todos os concelhos, e que permitirão dar auxílio e resposta a situações de grave carência social”. “Cientes das dificuldades, a Segurança Social e as Instituições que estão no terreno e conhecem as necessidades das famílias, porque as vivenciam diariamente, reconhecem nesta medida o Estado Social que não pode deixar de ser, efetivamente, o último garante dos cidadãos em dificuldades.” referiu Sónia Ramos Ferro, Directora Distrital. A dirigente manifestou, ainda, satisfação pelo facto das “instituições terem, mais uma vez aceite, prontamente, colaborar com o Centro Distrital de Évora nesta resposta social e que de imediato providenciaram a sua operacionalização.” Para finalizar a sua intervenção, Sónia Ferro afirmou que “tem sido uma honra trabalhar com todas as instituições deste distrito, em prol daquilo que nos une: os cidadãos, especialmente os mais desfavorecidos e a construção de uma sociedade mais justa e solidária.” Assinados os protocolos, Pedro Mota Soares, congratulou-se com a rapidez de resposta da Segurança Social de Évora, dizendo ainda que, “este é o tempo e o momento de agir”. “Sabemos que muitas famílias estão a atravessar sérias dificuldades, por isso queremos contratualizar com as instituições sociais a confecção e distribuição de refeições para consumo em espaço próprio ou para consumo em domicílio”.

Anunciando o apoio do Governo a uma rede de centenas de cantinas sociais, por todo o país – neste momento existem apenas 62 – através da linha de crédito destinada às Instituições Particulares de Solidariedade Sociais (IPSS), cujo valor é de 50 milhões de euros, o Ministro sublinhou a necessidade de “agir no imediato”, respondendo ao momento de emergência

actual: “Queremos criar esta rede solidária de cantinas sociais que sirva pessoas que estejam mais expostas à exclusão social, como aquelas que já foram identificadas no âmbito do Programa de Emergência Social”, ou seja, idosos com baixos rendimentos, famílias no desemprego com filhos a cargo e pessoas com deficiência, cuja dificuldade em ingressar no

“Tem sido uma honra trabalhar com todas as instituições deste distrito, em prol daquilo que nos une: os cidadãos, especialmente os mais desfavorecidos e a construção de uma sociedade mais justa e solidária.”

mercado de trabalho é elevada. “Para chegarmos a estas pessoas, sempre por via das instituições e num compromisso de preservação da intimidade e anonimato, decidimos reforçar as verbas», passando dos actuais 2,7 milhões de euros para os tais 50 milhões de euros”. Como explicou Pedro Mota Soares, “estas verbas não servirão para criar novos equipamentos, pois iremos aproveitar aquelas que já existem nas instituições. Serão exclusivamente para suportar refeições”. O ministro reforçou, ainda, “o papel central que as IPSS`s têm em todo este processo”.

Programa de Emergência Social no terreno PES apresentado em Agosto de 2011 está 100% em marcha O Ministro da Solidariedade e da Segurança Social, Pedro Mota Soares, afirmou que “100% das medidas do Programa de Emergência Social [PES] estão em marcha”, ainda que algumas estejam em fase de contratualização, devido a alterações na lei. Exemplificando com o mercado social de arrendamento, “em que foi preciso constituir um fundo imobiliário e criar regras próprias para podermos colocar as casas neste fundo antes de as disponibilizarmos”, o Ministro acrescentou que as casas disponíveis advirão, não só da car-

teira de imóveis de instituições bancárias, mas também do próprio Estado. De acordo com Pedro Mota Soares, o mesmo aconteceu com a linha de crédito no valor de 50 milhões de euros para as Instituições Privadas de Solidariedade Social (IPSS), em que foi necessário negociar com um conjunto de instituições bancárias. Sublinhando que “neste momento todas as medidas do PES estão de facto em marcha”, Pedro Mota Soares lembrou também o caso da nova legislação dos lares e creches, que “já foi publicada e está efetivamente no terreno”, bem como o aumento das pensões mínimas, rurais e sociais. “Neste momento cerca de um milhão de portugueses já viram as suas pensões

aumentadas em 3,1% desde janeiro de 2012, o que correspondia a um compromisso do próprio Governo”. Em vigor, está também o decreto-lei relativo ao subsídio de desemprego, que prevê uma majoração deste subsídio para os casais desempregados com filhos a cargo. Nas medidas em fase final de aplicação, o Ministro referiu também o protocolo de dinamização do banco de medicamentos, o plano nacional de voluntariado e um protocolo com o Ministério da Administração Interna para a sinalização da população mais idosa. Sobre o Fundo de Socorro Social, Pedro Mota Soares explicou que a verba, no valor de 10 milhões de euros, já foi atribuída e que “muitas instituições já recorreram a

este fundo”, garantindo - contudo - de que haverá “permanentemente» a capacidade de lhe alocar mais verbas: “Este fundo serve e deve servir acima de tudo como um verdadeiro fundo de emergência social, garantindo que muitas instituições que estão hoje numa situação de dificuldade podem aceder a este fundo e nesse sentido garantir a sua manutenção”. O PES foi apresentado em agosto de 2011, tendo entrado em vigor em outubro, com o objetivo de combater a pobreza e a exclusão social, atuando em cinco áreas essenciais: famílias, idosos, deficientes, voluntariado e instituições sociais. Vigorando até ao final de 2014, vai custar à volta de 630 milhões de euros, chegando a cerca de três milhões de pessoas.


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31 Maio ‘12

Actual Os resultados colocam o nosso país em 25.º lugar na lista de 29 países da OCDE.

Acima das possibilidades Eduardo Luciano Advogado

A UNICEF apresentou na passada terçafeira um relatório que pretende medir a pobreza infantil. Baseado em dados indicadores de 2009, o relatório não tem ainda em conta o aprofundamento da crise e as consequências das políticas de austeridade impostas em países como Portugal. Os resultados colocam o nosso país em 25.º lugar na lista de 29 países da OCDE e apontam para a existência de 27% de crianças portuguesas em situação de carência. Ou seja, com base num relatório construído com dados anteriores a 2009, uma em cada 4 crianças até aos 16 anos de idade vivia em situação de carência. De referir ainda que 14,7% das crianças

portuguesas vivem abaixo do limiar da pobreza, o que significa que nas suas casas o rendimento anual por adulto é 50% abaixo da mediana da distribuição de rendimentos, cerca de 400 euros. Olhando para esta fotografia da nossa realidade, não podemos deixar de pensar nos que nos atiram à cara que todos temos culpa da crise porque vivemos acima das nossas possibilidades e que classificam, de forma hipócrita, o empobrecimento generalizado da maioria, como um ajustamento da realidade. Ao insistirem na tese de que todos vivemos acima das nossas possibilidades, estão a admitir que 27% das crianças portuguesas não deveriam viver em situação de carência

mas sim de indigência, porque as “nossas possibilidades” não dão para mais. Refiro aqui as crianças pela actualidade do relatório, mas poderia lembrar os reformados e pensionistas que vivem abaixo do limiar da pobreza ou os desempregados sem protecção social, ou a situação cada vez mais comum de gente que, apesar de ainda ter emprego, o seu salário não chegar para dar resposta às necessidades mais básicas. Bastaria pensar um pouco nesta realidade para concluir que a insistência na teoria que andámos todos a esbanjar à “tripa forra” e que agora estamos a sofrer as consequências desse despautério, não passa no teste da realidade do dia-a-dia. Daqui a uns anos, quando for publica-

do novo relatório com referência a dados de 2012, vamos verificar que a percentagem de crianças a viver abaixo do limiar da pobreza aumentou substancialmente e, seguramente, nessa altura não vai aparecer nenhum gabarolas a querer ficar com os louros das políticas de “ajustamento” e ninguém vai querer ser o alvo dos elogios da “troika” da “ajuda”. Andámos “todos a viver acima das nossas possibilidades” e agora “temos todos que fazer sacrifícios” repetem a cada passo. A minha prima Zulmira acha que, na melhor das hipóteses, uns sacrificam o segundo iate e outros sacrificam o almoço. Tudo isto porque os primeiros viveram acima das possibilidades dos segundos.

Jargões que fazem o discurso da crise Joaquim Fialho

Professor Universitário

Por mais que me esforce para entender a crise como uma oportunidade de mudança, não consigo analisá-la numa ótica que não seja negativa. Não basta o discurso recorrente, em que se tenta propagar o chavão da oportunidade para ocultar as dificuldades de quem vive num quotidiano de desespero. De facto, esta crise poderia ser uma oportunidade para as lideranças políticas e económicas poderem repensar os jargões e, de uma vez por todas, adaptarem um discurso de realismo e de pedagogia do caminho para ultrapassar as dificuldades. Esta crise tem dois rostos. Um, o dos que estão cada vez mais pobres, sem emprego, não conseguem pagar a renda da casa, têm os seus salários reduzidos, sofrem as dificuldades do quotidiano, não conseguem suportar o pagamento dos estudos dos seus filhos, desesperam por dias melhores. O outro rosto, é o das lideranças frouxas, centradas no populismo exacerbado, das PUB

má decisões, e que pouco ou nada sentem as dificuldades do cidadão comum. Este jargão da crise como oportunidade leva-me até à relação dual entre risco e oportunidade. O risco de impasse face ao que vai acontecer e, por outro lado, a mudança que poderia resultar duma oportunidade. É uma dualidade interessante para discursos que gostam do recurso a chavões. Se olharmos para eles com perspicácia, facilmente nos apercebemos da sua redundância e do seu esvaziamento de sentido. Quando fazemos análise sistémica, encontramos na crise do sistema um catalisador que obriga a uma mudança. Por esta razão, se fala em oportunidade. Só neste contexto faz sentido falar na crise como uma oportunidade. Neste momento, os sistemas micro vivem as consequências da crise por fazerem parte desse sistema, sofrem a mudança por serem uma parte do coletivo. Quando não

se tratam de mudanças reais (de tipo II ou de 2ª ordem, como sustenta a Teoria dos Tipos Lógicos), mas sim ajustamentos (de tipo I ou de 1ª ordem) subjugados ao poder do ponto nodal da crise, também faz sentido sentirmo-nos mais oprimidos (em impasse). O que vivemos neste momento são ajustamentos que procuram atingir um fim, e não mudanças que resultam duma oportunidade. A repartição dos “sacrifícios por todos” está também entre os jargões mais utilizados. Na prática, há uns que sentem os sacrifícios mais que outros. A classe média (já nem falo da baixa…), os trabalhadores dependentes e muitos outros que vivem dum salário que mal lhe dá para suprir as necessidades básicas constituem um grupo muitíssimo grande de portugueses que não escapam às medidas seletivas de austeridade. Há quem ganhe com os sacrifícios. E não é difícil fazer esse exercício. Este

discurso faz-me lembrar a metáfora do coveiro, que não deseja a morte a ninguém mas, por outro lado, não quer que o seu negócio se extinga. Pois é, todos pagamos o escândalo do BPN e uns outros tantos maus negócios que nos deixaram à beira da cova. Agora, veio Hollande tentar impor o discurso do crescimento. Não creio que a ideia cole! Pois, nem sempre uma mentira dita muitas vezes passa a verdade. Aqui, não será o caso de passar a verdade. Como vamos crescer se não há dinheiro? Não é só por mudarmos o discurso que as economias começam a crescer. Estes, e outros jargões que nos vão bombardeando diariamente, não passam de paliativos para atenuar insatisfação e a eclosão de movimentos sociais que vão entoando a voz do descontentamento. Realmente, esta crise tem sido uma oportunidade para a semântica!


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31 Maio ‘12

Actual Passos tem de esclarecer se há “uma nebulosa envolvendo os serviços secretos, o PSD e interesses privados”.

Seguro exige esclarecimento sobre Secretas D.R.

PS ontem no debate parlamentar com agenda nas secretas e privatizaçao da RTP António José Seguro desafiou ontem o primeiro-ministro a esclarecer se há uma nebulosa envolvendo um suposto triângulo serviços secretos, o PSD e interesses privados, dizendo estar em causa o Estado de Direito. Seguro declarou que o primeiro-ministro tem de esclarecer se há neste momento “uma nebulosa envolvendo os serviços secretos, o PSD e interesses privados”, adiantando que não quer tirar conclusões sobre estas suspeitas, mas que exige o apuramento dos factos. “Como foi possível elaborarem-se relatórios sobre jornalistas, em particular o diretor do jornal “Expresso [Ricardo Costa]? Como foi possível que tenha sido elaborado um relatório sobre um membro do Conselho de Estado, fundador de um dos partidos estruturantes do regime democrático [Pinto Balsemão]. Como se chegou até aqui?” questionou Seguro. Seguro disse que tratará a matéria das “secretas” com “sentido de Estado”, antes de referir que levantou esta questão junto do primeiro-ministro no início da legislaPUB

a credibilidade aos serviços de informações. Não está só em causa a falta de confiança que os portugueses vão sentindo, está também em causa a liberdade e os direitos das pessoas que foram alvo de inquéritos”, realçou o líder do PS.

Privatização da RTP

tura quando o ex-presidente da TVI Bernardo Bairrão saiu da lista de potenciais secretários de Estado do atual executivo. “O senhor primeiro-ministro disse-me que não há nenhum caso Bairrão e disse que não tinha havido nenhuma informação proveniente dos serviços de informação da República que tivesse propor-

cionado uma alteração do convite feito ao dr. Bernardo Bairão, mas o diretor do jornal Expresso, dias depois, voltou a escrever que tinha havido. “Temos que cooperar no sentido de rapidamente, com serenidade, esclarecer estas situações, afastar todas as nuvens, apurar as responsabilidades e restituir

Seguro aconselhou Passos a pensar duas vezes se o seu Governo ainda dispõe de condições objetivas para concretizar a privatização da RTP. “Por razões ideológicas temos divergências quanto à privatização da RTP. Eu sou contra e o senhor primeiro-ministro é a favor. Mas aconselho-o a ler todas as notícias que têm surgido e a pensar duas vezes se o seu Governo ainda tem condições para avançar com a privatização da RTP”, afirmou António José Seguro. Seguro disse ao primeiro-ministro que o PS “será implacável no apuramento de toda a verdade”. “Não tiraremos nenhuma conclusão precipitada nem faremos insinuações, mas há uma coisa senhor primeiro-ministro que pomos em primeiro lugar: O interesse nacional, o Estado de Direito e as liberdades que devem ser garantidas por todos os serviços da República aos cidadãos portugueses”, destacou o líder do PS.


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Exclusivo O agricultor online vai poder escolher os produtos que pretende semear e o local da horta.

Empreendedores de Beja lançam ”FarmVille“ com autênticos produtos hortícolas D.R.

Jovens empreeendedores de Beja implementam projecto inovador na internet Luís Godinho | Texto Gerir uma horta a partir de um apartamento é a proposta que um grupo de empreendedores de Beja se prepara para lançar num projecto experimental. O projecto chama-se MyFarm.com, por estratégia comercial. E qualquer semelhança com o popular jogo da internet FarmVille não é pura coincidência, apesar de não se tratar de um jogo mas de uma autêntica actividade agrícola. A única diferença em relação à agricultura tradicional é que aqui será tudo gerido através da Internet por quem de outra forma dificilmente teria acesso a uma quinta ou a uma horta. “Não gosto muito de comparar o nosso projecto com o FarmVille pois as pessoas pensam logo num jogo e isto não é um jogo, será uma uma horta real com produtos reais”, diz Luís Luz, professor do Instituto Politécnico de Beja que em Março lançou a um grupo de alunos de agronomia e ambiente o desafio de avançarem para a concretização de um projecto inovador capaz de criar emprego. Nos encontros informais surgiram muitas ideias, tendo sido seleccionada esta. “Tive a sorte de reunir um grupo de alunos que quis participar nesta aventura, falou-se sobre eventuais ideias de negócio e optámos por esta porque devido às suas características inovadoras parecenos ter mais condições de êxito”. Ao aceder à sua página na Internet, o agricultor online vai poder escolher os produtos que pretende semear e o local da horta onde o quer fazer, tomar decisões ao nível do tratamento das culturas, utilização de produtos químicos ou produção biológica sem ser necessário sair de casa. “A horta é da pessoa. Nós damos o aconselhamento técnico e fazemos o trabalho de campo mas o nosso objectivo é que a pessoa sinta a horta como sua. As decisões, embora baseadas nos nossos conselhos, são sempre das pessoas”, explica Luís Luz. Durante todo o período, o agricultor pode ainda acompanhar online o crescimento das plantas e decidir quando é a melhor altura de efectuar as colheitas. Depois é esperar que os produtos lhe sejam entregues em casa. Logo na página inicial, os clientes terão a planta da sua horta e a indicação dos produtos que podem semear, consoante a época do ano. “Não haverá morangos no Inverno, as pessoas têm de se habituar à sazonalidade dos produtos agrícolas”, adverte o docente, licenciado em Engenharia Zootécnica e mestre em Sistemas de Informação Geográfica, acrescentando que nesta fase a ideia é “não avançar com grandes aventuras” em relação ao cabaz disponíveis. A aposta vai para os produtos que as pessoas mais consomem no dia-a-dia, como

A equipa do projecto MyFarm.com: Rodrigo Filipe, Luis Luz, Sara Biscaia, Tiago Nunes, Nelson Lopes e Raúl Santos. batatas e vegetais. “Os mais exóticos também estão na nossa cabeça mas isso será numa fase posterior”. Todas as operações realizadas na parcela são igualmente gravadas e estarão disponíveis, pelo menos por 48 horas, para o caso de o cliente não as poder ver em tempo real. Por agora, o projecto irá arrancar com 20 parcelas de terreno cedidas pelo Ins-

tituto Politécnico de Beja, sendo que as pré-inscrições deixam adivinhar que o número de interessados será bastante superior. Uma vez testado, o projecto será alargado a cidades da península de Setúbal e da Grande Lisboa. “Com os problemas de segurança alimentar que têm surgido, e em que o re-

cente caso dos pepinos é um exemplo, esta é uma forma de as pessoas terem a garantia que os produtos da sua horta, produzidos de acordo com aquilo que elas decidiram, são aqueles que irão consumir”, garante Luís Luz. No fundo, trata-se de tornar real o “velho” sonho de muitas famílias citadinas em ter uma quinta, por pequena que seja.

Preço final idêntico ao dos hipermercados Quando a horta estiver a produzir em pleno, o gestor da parcela passa a receber em casa, uma vez por semana, um cabaz com os produtos da sua própria exploração. O serviço custa 25 euros mensais por cliente, acrescido de um sistema de pontos – cada ponto vale 10 cêntimos – destinado a pagar despesas como o aluguer da parcela de terreno ou o serviço de entrega. Além de gastar pontos, cada pessoa pode também ganhá-los. Basta, por exemplo, que dê uma ajudinha na altura da sementeira ou das colheitas, deslocando-se à sua própria horta para “meter a mão na terra”. Luís Luz diz que as contas estão feitas. E, no final, os produtos hortícolas vão ficar com um preço idêntico ao que custa-

ria a sua aquisição num hipermercado, com a vantagem de, desta forma, todo o processo produtivo ser controlado pelo consumidor final. ”Trata-se de um serviço inovador que aposta numa horta que é ao mesmo tempo virtual e real, a qual permite aos clientes o acesso a produtos escolhidos e produzidos especificamente para eles, num processo em que a produção e a qualidade podem ser sempre acompanhadas”. Por uma questão de competitividade do preço-final, foi entretanto abandonada a ideia de instalar na zona de Beja toda a área produtiva, gerida a partir de qualquer ponto do país. “Feitas as contas, entrega dos produtos a circular por todo o país iria encarecer bastante o serviço”. Assim, como

a perspectiva é que seja “relativamente fácil encontrar terreno disponível na periferia das grandes cidades”, as hortas irão nascer mais próximo dos locais de residência dos agricultores “online”, o que poderá constituir um incentivo à sua participação nas tarefas agrícolas. O próximo passo é a constituição formal da empresa que terá como sócios o professor Luís Luz e seis alunos do Instituto Politécnico de Beja: André Mira, Nelson Lopes, Raul Santos, Rodrigo Filipe, e Tiago Nunes, todos eles de Engenharia Agronómica, e Sara Biscaia, aluna de Engenharia do Ambiente. Depois é abrir a página na Internet, esperar pelas incrições dos clientes e começar a produção.


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31 Maio ‘12

Exclusivo “reforçar a vertente da participação numa reflexão conjunta sobre construção de espaço público em Évora”.

À procura de mais espaço público em Évora D.R.

Ciclo de debates sobre as cidades educadoras prosseguem em Évora A Arquitectura e o Urbanismo desenvolvem uma relação que condiciona a qualidade do espaço público em Évora. Saber dessa relação e do que ela pode trazer a esta cidade contemporânea que quer ser educadora, é a proposta para o fim de tarde desta quinta feira, 31 de Maio. A arquiteta paisagista Aurora Carapinha e o arquitecto urbanista Jorge Silva vão encontrar-se à mesa do café Condestável, em pleno centro histórico de Évora, num ambiente informal, e de livre acesso, para debaterem como pode esta cidade tornar-se mais cidade e educadora. Este 5º debate do ciclo “Habitar a Cidade. Construir Espaço Público” propõe-se, segundo a organização, “reforçar a vertente da participação de todos os interessados numa reflexão conjunta sobre as possibilidades de construção de espaço público em Évora”. Para atingir esse objectivo, na mesa motivadora do debate estarão dois especialistas e um jornalista moderador. Aurora Carapinha é Professora e investigadora na Universidade de Évora, Doutora em Artes e Técnicas da Paisagem, É também, desde Dezembro de 2009, Directora Regional de Cultura do Alentejo; mas é na qualidade de docente e de interessada na cidade que aceitou colaborar com estes debates coorganizados pelo CIDEHUS – (Centro interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades) e pelo Departamento de Filosofia da Universidade de Évora. Referindo-se à complexidade que é marca da cidade, Aurora Carapinha afirma que “O problema da heterogeneidade reside nas relações entre os heterogéneos. Mas diversidade é sempre enriquecedora.”. Confrontada com a decisão de Évora querer ser uma cidade educadora, comenta “

tem todo o sentido resolver pela educação estas heterogeneidades que são ricas. Sabemos também da Biologia que quanto mais diverso for o ecossistema maior é a sua capacidade de resposta”. Jorge Silva é arquiteto desde 1070. Foi vereador da Câmara Municipal de Évora, responsável pelo Pelouro da Habitação, Urbanismo e Obras no triénio 77/80.É, desde então, coordenador da AO- Oficina de Arquitectura, Lda. Também leccionou

na Universidade Técnica de Lisboa, e é um profundo conhecedor de Évora, cidade a que se mantém ligado. “Construir a ‘cidade na cidade’; desconfiar das tendências enquanto destino e aceitá-las enquanto método de prospecção do futuro; associar políticas a estratégias e estratégias a uma visão de mudança, afrontando o binómio: necessidades (o rol normal de desgraças) versus potencialidades; ou a cidade como sonho

colectivo, causa partilhada” - são apenas algumas das estratégias de intervenção na cidade que o arquiteto Jorge Silva tem vindo a propor em diferentes contextos. O caso concreto da Évora dos nossos dias, a cidade que deseja ser educadora, ficará esta tarde no centro do debate. No próximo mês, a 28 de Junho, será a vez de discutir o papel dos “agentes económicos na construção de uma cidade educadora”.

Crise económica pode aumentar casos de AVC Patologia continua a ser a primeira causa de morte em Portugal e origina mais de 25 mil internamentos por ano Redacção | Registo A crise económica que atravessamos pode levar a um retrocesso na diminuição dos casos de acidentes vasculares cerebrais (AVC). Este alerta é dado pela Sociedade Portuguesa de Neurologia (SPN). As dificuldades financeiras refletem-se na aquisição da medicação, no acesso aos cuidados de saúde, na obtenção de exames complementares de diagnóstico bem como na prática de uma alimentação saudável e estão também na origem de quadros depressivos, tudo isto aumenta o risco da doença. Victor Oliveira, presidente da SPN, defende que “apesar de se ter assistido a uma diminuição do número de casos de AVC em Portugal, como aliás acontece

em todos os países desenvolvidos, esta patologia continua a ser um grave problema de saúde pública, constituindo a primeira causa de morte e incapacidade permanente no nosso país, além de conduzir a mais de 25 mil internamentos por ano. Temos receio que este quadro se deteriore devido a restrições financeiras que dificultem, por exemplo o acesso à execução de exames complementares de diagnóstico como a ultrassonografia da circulação cerebral, um método não invasivo que permite a deteção de situações de risco de AVC e também as maiores dificuldades no acesso a cuidados de saúde”. Perante esta situação, a SPN considera que é fundamental que a população conheça os primeiros sinais de alerta para o AVC, para que este possa ser tratado o mais rapidamente possível, evitando défices que podem ser devastadores ou mesmo levar à morte. Victor Oliveira explica que “o que caracteriza um AVC é o início súbito de défices.

Os mais típicos são falta de força num braço, dificuldade em falar e aparecimento de boca ao lado. Tais sinais devem ser do conhecimento de toda a população para que se possa agir a tempo”. O especialista aconselha a que “logo que sejam identificados estes sinais de alarme se chame imediatamente o 112. A partir daí o assunto fica entregue a profissionais habilitados que desencadeiam um conjunto de procedimentos que visam chegar rapidamente (via Verde do AVC) à unidade hospitalar adequada se iniciar o tratamento adequado (Unidade de AVC)”. É importante frisar que a maneira mais eficaz para se chegar a tempo ao hospital é marcar o 112 e aguardar a chegada do INEM. As sequelas produzidas pelo AVC dependem da localização no cérebro e a extensão das lesões e também da forma como se manifesta, podendo tratar-se de uma hemorragia (rotura / derrame) ou uma isquémia (entupimento). “Muitos AVC, se não forem tratados a tempo, po-

dem deixar sequelas definitivas e em alguns casos tão graves que o doente ficará em cadeira de rodas ou mesmo acamado até ao fim da vida. Por isso se considera o AVC como uma emergência e para as emergências deve-se chamar o 112” , reforça o neurologista. A SPN recomenda “uma aposta clara na prevenção das principais situações que predispõem para o AVC, o que passa por tratar rigorosamente a hipertensão arterial e a diabetes e combater o tabagismo e a obesidade. A origem genética existe, de facto, mas é responsável apenas por um número muito reduzido de casos. Ou seja, a esmagadora maioria dos AVC são consequência dos fatores anteriormente apontados, por isso, em grande parte, preveníveis”. As doenças vasculares cerebrais são, em Portugal, a terceira causa de anos de vida perdidos, pelo que o presidente da SPN salienta que “ é melhor prevenir um AVC do que tratar as suas consequências. Quando acontece é uma emergência e deve ser tratado como tal”.


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Exclusivo Porque viajar é preciso, como dizia o poeta.

Ciclos de São Vicente Viandeiros D.R.

Um espectáculo de Luiz Canoa a 6 de Junho às 22 horas na Igreja de São Vicente em Évora Uma das características mais marcantes da vida moderna parece encontrar-se nas mobilidades. Circula-se pelo globo com a facilidade (e a rapidez) de um fósforo, entre as malhas da rede virtual e a sempre presente vivência da realidade. E deslocamo-nos, continuamente. Porque viajar é preciso, como dizia o poeta, em Junho exploramos esta condição global e moderna através do imaginário da viagem em todas as suas dimensões. A viagem global, a viagem histórica ou a narrativa de viagem, o céu, o mar e a terra, sim. Mas também as migrações, os exílios e as fugas. A viagem talvez seja a forma mais actual de, entre a condição do homo viator e a errância globalizada, pensar os nosso destinos. Será, como quer Michel Onfray, que nos situamos sempre entre a imobilidade das raízes e os fluxos do nomadismo? Assim, em mês mobilidades, a programação dos Ciclos de São Vicente propõe uma viagem pela diversidade cultural brasileira. Dança, música e teatralidade dão forma a Viandeiros, um espectáculo que potencia a capacidade expressiva do actor em palco. Luiz Canoa, criador e actor de Viandeiros, dá vida a oito personagens que nos guiam numa verdadeira viagem sensorial pela diversidade cultural brasileira. Com base em pesquisas realizadas por várias regiões do Brasil e testemunhos de mestres e artistas de várias àreas da cultura brasileira, nascem José Borba, um político, pai de santo e palhaço de Pernambuco, Adelino, cantor de rua cego do Ceará, Zé Firmino, mestre de Folia de Reis em Minas Gerais ou Uiré, índio Xavante do Mato Grosso do Sul. É a partir de transformações vocais e corporais, que trazem sotaques e com-

portamentos diversos, que Canoa nos convida a viajar pela tradição e cultura popular, levantando ainda questões sobre liberdade, poder, contemporaneidade e religião. Premiado no único concurso de monólogos do Brasil, o Concurso Nacional de Monólogos de Festival de Teatro de Teresina, e vencedor de prémios de melhor actor, direcção e sonoplastia no 7º Festival de Teatro de Campo Mourão, em 2007, Viandeiros é uma simbiose entre religião e ambiente lúdico, entre tradição e universalidade, um mergulho na região arquetípica da alma humana, mais precisamente um contacto com aquilo a que o autor chama de “Homem Mítico Brasileiro”.

Luiz Canoa e Teatro Alkmico

Luiz Canoa nasceu em São Paulo, em 1969, e desde muito cedo estabeleceu contacto próximo com a religiosidade popular afrobrasileira, fez parte de grupos folclóricos e participou em grupos musicais e de teatrode amadores. Em 1992, quando começou a estudar música na Universidade UNICAMP, em São Paulo, desenvolveu trabalhos em grupos como Salsambando, Banda Folela e Big Band passando a interagir a sua arte musical com o teatro. Mas foi quando ingressou no Mestrado em Artes daUnicamp com o trabalho “A Presença Cénica na Obra de António Nóbrega”, que mergulhou na relação da dança popular como treino e possibilidade de criação. Viajou por diversas regiões do Brasil estudando as manifestaçõespopulares, de onde saiu a inspiração para o espetáculo Viandeiros. Foi em 2004 que Luiz Canoa criou Viandeiros, espectáculo que deu ainda inicio à Companhia Teatro Alkmico sediada na cidade de Florianópolis, estado de Santa Catarina, Brasil. A múltipla possibilidade criativa é o alicerce e o campo de pesquisa da companhia, que se serve da fronteira entre música, a teatralidade e a dança para dar forma a espectáculos com base na tradição cultural brasileira.

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31 Maio ‘12

Exclusivo A Diterra tem apostado ao longo dos anos, em produtos portugueses de qualidade.

Diterra celebra 10 anos

Passatempo dá cabazes a apreciadores de Almojanda e Fadista

A Diterra, empresa de Comércio Agro-Industrial do Alto Alentejo, celebra 10 anos de existência e vai estar presente com os produtos Almojanda e Fadista na 49ª Feira Nacional de Agricultura de Santarém – Nave A salão “Prazer de Provar” que se realiza no CNEMA entre 2 e 10 de Junho. No ano em que celebra os 10 anos, a Diterra apresenta neste grande certame nacional os principais produtos da marca Almojanda: Azeite Virgem Extra, Azeite Virgem Extra Cogumelo, Azeite Virgem Extra Malagueta, Vinagre de vinho branco com orégão, Pasta de Azeitona, e as compotas de abóbora, tomate, figo e mel. Ainda para assinalar esta data, a Diterra vai oferecer ao visitante mais atento e criativo um cabaz de produtos. A Diterra tem apostado ao longo dos anos, em produtos portugueses de qualidade aliados a embalagens com design atraente que agradam aos consumidores mais exigentes. O crescente número de pontos de venda de produtos Almojanda e Fadista são a prova disso. O azeite é o produto principal, comercializado com PUB

as marcas Almojanda e Fadista e é apreciado não só em Portugal mas também além-fronteiras: no Canadá, Luxemburgo e Angola entre outros países. Para Teresa Mendes, responsável comercial da Diterra, “o balanço de 10 anos de vida da Diterra é francamente positi-

D.R.

vo, temos crescido, apostado em novos produtos e novos mercados com sucesso. É sempre com agrado que voltamos a Santarém. Ao longo dos anos, sempre que temos marcado presença neste certame, temos colhido uma excelente aceitação por parte do público que já conhece e re-

conhece a qualidade dos nossos produtos. Para este ano, temos expectativas igualmente elevadas: acreditamos que vamos continuar a ter a excelente aceitação à semelhança das outras edições, não só pelo consumidor final como pelos profissionais que visitam a feira. Acerca da DITERRA A DITERRA – Comércio Agro-Industrial, Lda. é uma empresa familiar fundada em 2002 com sede no Alto Alentejo, concelho de Portalegre. Em 2004, lançou a sua própria marca de Azeite Virgem Extra: Almojanda. No início de 2008, licenciou uma Unidade de Embalamento de Azeite na Herdade de Almojanda. Em 2009 surgiu um novo desafio, o lançamento de uma nova marca: Fadista, um Azeite Virgem Extra embalado de forma inovadora, em PET, destinado ao mercado internacional e ao canal HORECA e em 2011 é lançado o Azeite Virgem Extra Fadista Alho. Além do Azeite Virgem Extra, a DITERRA comercializa também Vinagre, Pasta de Azeitona, Biscoitos, Mel e Compotas da marca Almojanda. No Natal ou em ocasiões especiais, a DITERRA dispõe de cabazes com os produtos que comercializa, em lojas gourmet e supermercados.


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Radar

Évora - 31 de maio a 2 de junho - encontro internacional para assinalar o 25º aniversário do programa ERASMUS.

ERASMUS celebra 25 anos em Évora

Biblioteca Geracional D.R.

ERASMUS quer apoiar a criação de um Espaço Europeu de Ensino Superior A cidade de Évora vai ser palco, de 31 de maio a 2 de junho, de um encontro internacional de jovens que irá assinalar o 25º aniversário do programa ERASMUS e da classificação do Centro Histórico como Património da Humanidade. Sob o lema “(Ex) Change your Life in … Évora“, este encontro tem como pontos altos a realização, no dia 1 de junho, pelas 10h00, no auditório da CCDR – Alentejo, da conferência “Ontem, Hoje e a Amanhã…” Património e Juventude, que contará com a presença de Gustavo AlvaRosa da Agência Nacional – Erasmus Portugal; Clara Bertrand Cabral – Comissão Nacional da UNESCO – Portugal; Rafael Pérez de la Concha - Organização das Cidades Património Mundial (OCPM) - Coordenador do Secretariado da Europa do sul e Mediterrâneo. A manhã do dia 1 de Junho prossegue com a realização, no mesmo local, da Sessão Solene de Apresentação do Projeto “Jovens Embaixadores de Évora“ e Comemorativa dos 25 anos do Programa Erasmus. Nesta cerimónia irão usar da pala-

Sousel

vra Cláudia Sousa Pereira – Vereadora da Câmara Municipal de Évora; Luís Maduro - Presidente do Erasmus Student Newtork Portugal; Gustavo Alva-Rosa - Agencia Nacional do PROALV; Carlos Braumann - Reitor da Universidade de Évora e José Ernesto d’Oliveira - Presidente da Câmara

Municipal de Évora. Recorde-se que o Programa ERASMUS tem como objetivo apoiar a criação de um Espaço Europeu de Ensino Superior e reforçar o contributo do ensino superior e do ensino profissional avançado no processo de inovação a nível Europeu.

Portalegre convida população a visitar novos Museus

D.R.

Aposta na cultura através da abertura gratuita do Museu Municipal até 2 de Junho

A autarquia de Portalegre decidiu abrir gratuitamente o Museu Municipal de Portalegre e o seu Núcleo Rural – Museu dos Bonecos Coleção Emílio Relvas (freguesia do Reguengo) até ao dia 2 de junho como forma de assinalar as suas aberturas, que coincidiram com o Dia da Cidade e devido à comemoração recente do Dia Internacional dos Museus. O novo Espaço Cultural-Museu Municipal, agora renovado, destaca-se pela riquíssima coleção de Arte Sacra proveniente, na sua quase totalidade, de dois antigos Conventos de Portalegre: Santa Clara e São Bernardo, e de doações de particulares, possuindo ainda uma coleção de Faiança que traça a história da Faiança Portuguesa entre o Sec. XVII e o Sec. XX. Neste momento, na Sala de Exposições Temporárias está patente uma mostra de pintura sobre Portalegre, com obras de pintores portugueses contemporâneos, como Manuel d’ Assumpção, João Tava-

res, Arsénio da Ressurreição, Benvindo Ceia, Abel Santos e Miguel Barrias, entre outros. A partir de dia 2 de junho o Espaço Cultural - Museu Municipal de Portalegre irá disponibilizar ao público visitas guiadas individuais e em grupo e um Serviço de Educação, destinado, essencialmente, às

visitas de grupos escolares. Já o seu Núcleo Rural - Museu dos Bonecos Coleção Emílio Relvas, situado na freguesia do Reguengo, apresenta uma coleção de peças de madeira talhadas à mão pelo Senhor Emílio Relvas e abordam temáticas como: a Vida Quotidiana, a Religiosidade, a Natureza, entre outras.

A Comissão de Melhoramentos do Concelho de Sousel está a desenvolver uma iniciativa integrada no Ano Europeu do Envelhecimento Activo e da Solidariedade entre Gerações que tem por objectivo reunir livros que farão parte de uma Biblioteca para os utentes do Lar de Terceira Idade de Cano e do Mini Lar de Santo Amaro, Concelho de Sousel. A importância deste projecto é sustentada pelo facto de os livros permitirem a realização de actividades de promoção da leitura com estes idosos, favorecendo a troca de ideias e opiniões, a socialização e o convívio, ajudando a minimizar a percepção de isolamento e carência afectiva e social tão presente na população sénior. Esta iniciativa pretende também contribuir para a aquisição de novos conhecimentos, permitir a expressão e exteriorização de sentimentos, contribuir para combater a iliteracia e promover o desenvolvimento de competências associadas à expressão e tradição oral. Estas actividades permitirão também desenvolver o pensamento criativo, estimular a fantasia, favorecer descobertas e lembranças, e transportar os seniores a outros lugares e outros tempos, promovendo a saúde mental, processos de auto-conhecimento e de valorização pessoal.

Aniversário do CEAI

Percurso pedestre Por ocasião da comemoração do seu 21º aniversário, o Centro de Estudos da Avifauna Ibérica organiza no próximo dia 10 de Junho, domingo, um passeio pedestre ao longo do aqueduto Água de Prata para associados e quem mais se queira juntar. Caminhamos para o final da Primavera e na semana em que se comemora o aniversário do CEAI, comemora-se também o Dia Mundial do Ambiente. Que melhor maneira de celebrar estas datas do que um percurso pela natureza, numa paisagem que nos diz tanto, o Montado? Aberto a todos quantos queiram participar, com este passeio o CEAI pretende juntar associados e pessoas que partilhem as mesmas paixões. Entre uma paisagem dominada pelo Montado e resquícios de bosques tipicamente mediterrânicos, o ornitólogo João Luís Almeida orienta-nos durante um passeio em que vão poder ser observadas diversas espécies de aves, onde abundam passeriformes e aves de rapina.


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31 Maio ‘12

Radar A cidade de Badajoz celebrará de 28 de Maio a 2 de Junho a segunda edição da sua “shopping week”. 76 Um olhar antropológico José Rodrigues dos Santos* Antropólogo

Guerras de religião: 2. Cristianismo e Islão, gémeos miméticos A formação do par “Cristianismo / Islão” obedeceu desde o início a um esquema que o antropólogo René Dumézil conceptualizou sob o termo de “mimético”. Nessas situações miméticas surgem dois contendores que se assemelham (“são “gémeos”) e se posicionam “cada um querendo o que o outro tem”, tornando-se esse “espelhismo”, obsessivo. O esquema de referência foi instituído pela confluência entre religião e império, quando, no século IV, os imperadores romanos de Ocidente e de Oriente declararam o Cristianismo como religião única e obrigatória do Império. A realização desse sonho totalitário levou pelo menos seis séculos, ao ser o império romano do Ocidente desmantelado pelos bárbaros a partir de 476. Com a progressiva cristianização da Europa foi-se constituindo uma entidade política e militar: a “Cristandade”, que culminou com a capacidade de acção conjunta expressa nas cruzadas lançadas a partir dos finais do século XI. Entretanto, a Leste surge a partir do século VII com a pregação de Maomé um projecto concorrente, que se lança na construção dum conjunto político-militar simétrico, seguindo o modelo imperial europeu: a “Umma”, comunidade dos crentes do Islão. Expandindo-se do Médio Oriente para Oeste o Islão controla toda a margem sul do Mediterrâneo, e avança para Norte até à Anatólia (actual Turquia). Dois sistemas rivais, definidos em oposição recíproca (em “espelho”), estruturam a história e as culturas irmãs e inimigas do Cristianismo e do Islão: cada uma delas é a “infiel” da outra. O equilíbrio relativo sofrerá dois grandes abalos. O primeiro é o da expansão europeia para Oriente, onde os Portugueses se defrontam (século XVI) com a potência muçulmana e inauguram um ciclo de conflitos radicais entre religiões pelo controlo territorial. O segundo mais decisivo ainda, é provocado pela revolução industrial na Europa do século XVIII. Ao equilíbrio relativo que durara sete ou oito séculos sucede um profundo desequilíbrio tecnológico, económico e militar. O Ocidente, conotado com a “cristandade” desestabiliza a imensa zona de influência muçulmana que se estendia das costas atlânticas ao Pacífico. É o ocaso da civilização áraboislâmica, fonte de imensa frustração e ressentimento. José Rodrigues dos Santos Antropólogo, Academia Militar e CIDEHUS, Universidade de Évora 28 de Maio 2012 jsantos@uevora.pt

Segunda edição ”Badajoz Shopping Week“ D.R.

Reúne 200 lojas e alarga o seu programa de actividades A cidade de Badajoz celebrará de 28 de Maio a 2 de Junho a segunda edição da sua “shopping week”, uma iniciativa que conta com a participação de mais de 200 estabelecimentos comerciais, 30% mais que em Outubro de 2011, e um programa alargado de actividades. Organizada pelas associações de comerciantes do centro de Badajoz, em parceria com a Câmara Municipal, o Governo regional da Extremadura e outras entidades, esta semana comercial inclui descontos e promoções especiais, desfiles de moda na rua, apresentações de produtos, música, um mercado de artesanato e antiguidades, degustações gastronómicas, aulas de danças latinas, demonstrações de maquilhagem, actividades infantis, visitas guiadas, “tapa shopping” (2,50 euros por uma tapa e uma cerveja ou copo de vinho) e a abertura daslojas até à meianoite do próximo 2 de Junho, sábado. Com esta iniciativa, Badajoz quer animar a actividade económica e consolidar a sua vocação comercial e de serviços, reconhecida pelos portugueses que vivem perto da zona fronteiriça. De facto, segundo dados do “Observatório de Badajoz”, um projecto promovido pela Câmara Municipal no qual participam políticos, empresários e profissionais, 20% das vendas totais na cidade corresponde a portugueses. As principais razões da visita têm a ver com a oferta comercial, incluída a compra de combustível, embora outros motivos, como os cuidados de saúde nos hospitais públicos e privados da cidade, começam a ter um peso significativo, de acordo com o observatório. Os organizadores da “Badajoz Shopping Week” estão à espera de uma grande afluência de público português e lembram que na primeira edição (10-15 de Outubro

de 2011) umas 100 mil pessoas foram à Rua Menacho (a principal zona comercial de Badajoz) entre a sexta-feira e o sábado, mais do dobro da média habitual de

um fim-de-semana. Entre outras iniciativas, será sorteado um prémio de 6 mil euros para realizar compras nas lojas da cidade.

Aguiar em Festa de 8 a 10 de junho Câmara de Viana do Alentejo e Junta de Freguesia promovem Festa da Primavera Aguiar volta a estar em festa de 8 a 10 de junho. Marchas populares, música, caminhada da primavera, danças, btt e uma sardinhada popular são alguns dos ingredientes da Festa da Primavera, organizada pela Câmara Municipal de Viana do Alentejo com o apoio da Junta de Freguesia de Aguiar e das associações locais. Sexta-feira, 8, o destaque vai para as marchas populares do Concelho que saem à rua a partir das 20h30 e, ainda para o lançamento do livro “Devagar, se começa a rimar” de Rosália Dias. A noite termina com um espetáculo musical com os SoulSecrets, seguido de Dj’s da Freguesia, organização do Grupo Associativo de Jovens de Aguiar.

No sábado, a partir das 9h00 decorre a Caminhada da Primavera, que este ano tem partida e chegada de Aguiar, num total de 9,7 km. À tarde, o Grupo Cultural e Desportivo de Aguiar promove um jogo de futebol que põe frente a frente os veteranos. Por volta das 19hoo, os alunos do Clube de Saúde Sénior efetuam uma demonstração das suas atividades. A dança volta a marcar presença na Festa da Primavera, a partir das 21h00, com a Secção de Dança da Casa do Benfica em Viana do Alentejo e a Classe de Dança da Associação Equestre de Viana do Alentejo. A noite prossegue com um baile com a Bandam@ais e os Dj’s da Freguesia. O terceiro e último dia da Festa da Primavera é dedicado ao BTT. A partir das 9h00, a Associação Galopar & Pedalar Clube realiza a IV Maratona BTT Aguiar e para os mais novos uma Gincana de BTT.

Para os mais pequenos haverá ainda insufláveis e jogos tradicionais. Às 12h30, como vem sendo hábito e porque é tempo de santos populares e de sardinha assada, o Município oferece uma sardinhada à população. Durante o fim de semana, também nos restaurantes aderentes haverá sardinha assada (CaféRestaurante “A Esquina”, Restaurante “O Bola”, Café - Restaurante “A Romeirinha” e o Bar do Grupo Cultural e Desportivo de Aguiar). E, a meio da tarde a Junta de Freguesia de Aguiar organiza um Torneio de Malha. A encerrar a Festa da Primavera, às 21h30, vai estar em palco o espetáculo “Cantar Portugal”, com o qual se poderão recordar músicas de Carlos Paião, António Variações, Rui Veloso, José Cid, Sara Tavares, Adelaide Ferreira, Marco Paulo, Doce, Jáfumega, Pedro Abrunhosa, Mariza, Dulce Pontes, GNR, UHF e Xutos e Pontapés.


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Radar O torneio contou com a presença de 24 equipas em representação de 9 clubes.

Torneio de futebol infantil reuniu cerca de 300 atletas Borba reuniu centenas de jovens desportistas em torneio infantil Decorreu este sábado, 26 de Maio, no Campo Municipal de Borba, o 3.º Torneio de Futebol Infantil e II “Cidade de Borba”, numa organização do Sport Clube Borbense e Município de Borba, com o apoio da Associação de Futebol de Évora e Núcleo de Árbitros da Zona dos Mármores. O torneio contou com a presença de 24 equipas em representação de 9 clubes, Sport Clube Borbense, Grupo Desportivo e Cultural de Rio de Moinhos, O Calipolense, Sport Clube Bencatelense, Redondense Futebol Clube, CCD Terena, Sporting Clube Campomaiorense, Juventude Desportiva da Terrugem e LCD Arraiolense, reunindo cerca de 300 miúdos, dos 5 aos 13 anos, nas categorias de Petizes, Traquinas, Benjamins e Infantis. Na categoria de Petizes, a vitória coube à equipa do Sporting Clube Campomaiorense, em Traquinas venceu a equipa do Sport Clube Borbense, em Benjamins a vitória foi da equipa do Redondense Futebol Clube e, em Infantis, ganhou a

equipa do LCD Arraiolense. Foram ainda atribuídos prémios à defesa menos batida e melhor marcador em cada uma das categorias. Um dia dedicado ao futebol infantil,

Évora

Estafeta solidária D.R.

repleto de emoção, às quais se associaram os pais e familiares, que acompanharam de perto as prestações dos miúdos, fomentando a prática desportiva e convívio entre as equipas.

Festival de Ginástica em Portalegre Pavilhão Municipal é palco de uma tarde cheia de ritmo A Câmara Municipal de Portalegre organiza o Festival de Ginástica, no âmbito das Comemorações das Festas da Cidade e do Projecto Vivacidade Sénior, dia 3 de Junho, das 15h00 às 17h00 no Pavilhão Desportivo Municipal. Este Sarau de Ginástica com entrada gratuita, conta com cerca de 12 Grupos, entre os 4 e ao 80 anos, que representam Escolas, Clubes e Associações do Distrito de Portalegre e o Município da Cidade, com esquemas gímnicos e ginástica acrobática, desportiva e sénior. Para Ana Manteiga, Vereadora com o Pelouro do Desporto “Esta é uma actividade que irá dinamizar a cidade e criar um ambiente mais descontraído e um convívio entre os jovens e a população sénior. Pretendemos com esta iniciativa promover o Desporto e incentivar os agentes locais e a população a apostar e a participar nesta modalidade.” PUB

D.R.

À semelhança de anos anteriores, e no âmbito do Projeto de Educação para a Saúde, em articulação com o grupo disciplinar de educação física, o Agrupamento de Escolas n.º 2 de Évora organizou a III CorridaSolidária Médicos do Mundo. Assim, no dia 23 de maio decorreu, no Campo de Jogos da Escola Sede (E.B. André de Resende), a atividade intitulada “EstafetaSolidária”, destinando-se a toda a comunidade educativa. Para além dos alunos, educadores/ professores e assistentes operacionais, salienta-se a participação de inúmeros pais e/ou outros familiares. Estiveram, ainda, presentes três representantes de Médicos do Mundo da Delegação de Évora, assim como a Unidade Móvel de Saúde de Évora, na qual alguns arranhões foram tratados aos alunos mais atrevidos... A iniciativa contou com cerca de 500 participantes, do Ensino Pré-Escolar, 1.º, 2.º e 3.º Ciclos. Este ano a CorridaSolidária teve como tema a “Parceria Global para o Desenvolvimento, Envelhecimento Ativo e Solidariedade entre Gerações”. A CorridaSolidária é uma proposta da organização não governamental Médicos do Mundo para fomentar a consciência sobre a solidariedade entre os mais jovens, a favor da Educação para o Desenvolvimento e para a Saúde.

Redondo

Teresa Salgueiro No próximo dia 9 de Junho, às 22h00, Teresa Salgueiro estreia-se no palco do auditório do Centro Cultural de Redondo, por ocasião do seu sexto aniversário. Depois de 25 anos de carreira dedicada à música, com especial destaque para os Madredeus cuja projeção catapultou a vocalista para o panorama musical internacional, Teresa Salgueiro apresenta o seu álbum de originais intitulado “O Mistério”. Após diversos concertos realizados em toda a europa desde a Itália, à Eslovénia passando por Montenegro, Inglaterra e Espanha, Teresa Salgueiro convida a desvendar o “mistério” presente no seu último trabalho, em Redondo.


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31 Maio ‘12

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Turismo

Investimento estrangeiro A Entidade Regional de Turismo do Alentejo tem em curso um projeto para atrair investidores estrangeiros para a região. O presidente António Ceia da Silva adianta à DianaFm que existem 170 projetos turísticos identificados que necessitam de novos parceiros. “A banca não empresta dinheiro, não há liquidez financeira, não há capacidade para suportar as contrapartidas nacionais, os próprios investidores que conseguiram financiamento têm dificuldade em cumprir as amortizações e querem prazos maiores”, disse. O presidente da Turismo do Alentejo não revela o montante necessário para alavancar estes projetos, mas diz onde estão os investidores. O Brasil e os Emirados Árabes Unidos são os primeiros países onde se irão procurar investidores, “até porque já existem algumas manifestações de interesse”. Angola é outro dos países que oferece potenciais investidores, “mas para já ficou de fora porque é muito difícil a obtenção de vistos e a deslocação seria mais morosa”, segundo o responsável. Também de fora está a Europa “que não é um bom destino para procurar investimento”. PUB

Évora

Ciclo de debates Évora prossegue Ciclo de debates “Habitar a Cidade, Construir Espaço Público” Contributos da Arquitectura e do Urbanismo. Na mesa motivadora deste debate estarão dois especialistas na construção de cidade, profundos conhecedores do caso de Évora: A Prof. Aurora Carapinha é Arquiteta Paisagista e Professora na Universidade de Évora. O Arquiteto Jorge Silva foi o impulsionador do primeiro PDM de Évora, da encomenda do Projecto da Malagueira ao Arquitecto Siza Vieira, Professor Universitário e Director da Oficina de Arquitectura. A moderação estará, desta vez, a cargo de um jornalista: Paulo Nobre. O Objectivo é reflectir em público, com os cidadãos interessados, como construir mais Cidade, na perspeciva Educadora, em Évora. Hoje pelas 17 horas

Teatro

Companhia de Teatro de Braga abre festival das companhias em Évora 5ª edição do Festival das Companhias da Descentralização Decorre de 5 a 9 de Junho, na próxima semana, no Teatro Garcia de Resende, a 5ª edição do Festival das Companhias da Descentralização que reúne em Évora espectáculos de seis companhias sediadas fora dos principais centros urbanos do país: A Escola da Noite, de Coimbra; Teatro das Beiras, da Covilhã; Teatro do Montemuro, de Campo Benfeito - Castro Daire; ACTA – A Companhia de Teatro do Algarve, de Faro; Companhia de Teatro de Braga e Centro Dramático de Évora - Cendrev. Para o dia da abertura do Festival, 5 de Junho, a Companhia de Teatro de Braga, apresenta “Jardim”, de Alexej Schipenko, pelas 21h30, na Sala Principal do Teatro Garcia de Resende. Uma história muito conhecida em Portugal e, neste espectáculo, é contada de uma maneira diferente - talvez como diário de Inês de Castro. Neste diário ela descreve o seu

primeiro encontro, o amor, a vida com Pedro, e o seu assassinato. Contudo, o seu diário continua para lá da sua morte. Até à exumação do seu corpo e coroação como rainha de Portugal, Inês relata o que acontece com aqueles que permanecem vivos. “Provavelmente um Pessoa”, de Abel Neves, estará em cena no dia seguinte, dia 6, pelas 21h30, na Sala Estúdio do teatro e no dia 7, pelas 18h30, produção do Teatro das Beiras, da Covilhã. A co-produção mais recente entre o Cendrev – Centro Dramático de Évora e A Escola da Noite, de Coimbra “O Abajur Lilás”, de Plínio de Marcos, sobe de novo ao palco do Teatro, no dia 7, pelas 21h30, na Sala Principal do teatro, para aqueles que não tiveram ocasião de ver ou até mesmo para aqueles que queiram rever. Para os mais pequenos, “De Ulisses…Não Digas Tolices” – A

Guerra de Tróia, de Alexandre Honrado, estará em cena no autocarro da VATe – Serviço Educativo da ACTA – A Companhia de Teatro do Algarve, com visitas gratuitas ao espaço no dia 7 (5.ª feira) e sessões de espectáculo no dia 8 (6.ª feira), às 10h30 e às 15h00, para grupos escolares e dia 9 (sábado), às 12h00 e às 18h30, para o público em geral. ACTA – A Companhia de Teatro do Algarve, apresenta dois espectáculos “Cavalo Manco Não Trota”, de Luis del Val, no dia 8, às 18h30, na Sala Estúdio e ainda “Laço de Sangue”, de Athol Fugard, às 21h30, na Sala Principal do Teatro. Ambos os espectáculos contam com a interpretação de Luis Vicente, director artístico da Companhia. “Louco na Serra”, de Peter Cann e Steve Jonhstone, marcará o encerramento do V Festival das Companhias da Descentralização, pelo Teatro do Montemuro, no dia 9 de Junho, pelas 21h30, na Sala Principal.

Registo ed209  

Edição 209 do Semanário Registo

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