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SEMANÁRIO

Director Nuno Pitti Ferreira | 17 de Novembro de 2011 | ed. 181 | 0.50€

D.R.

Cendrev recorda Mário Barradas

O Melhor Petisco | Rua Catarina Eufémia , 14 Horta das Figueiras | 7005-320 Évora 266771284

Unesco Évora festeja classificação

Teatro “Café Mário”, a nova peça do Centro Dramático de Évora, é uma

homenagem da companhia a um dos seus fundadores, Mário Barradas, falecido em 2009. Mário Barradas trocou a advocacia pelo teatro, rumou de Moçambique a Estrasburgo e depois do 25 de Abril lançou-se na aventura da descentralização cultural. Foi assim que em 1975 surgiu o Centro Cultural de Évora (actual Cendrev). D.R.

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Pág.03 Dia 25 de Novembro passam 25 anos sobre a classificação do centro histórico de Évora como Património da Humanidade. A data será assinalada com diversas iniciativas, entre as quais o lançamento de uma medalha evocativa da autoria do escultor João Cutileiro e a publicação de folhetos sobre o património histórico. D.R.

Moda Aposta na reciclagem Pág.04 Em tempo de crise económica, a designer de moda Ana Baleia trocou Lisboa pelo Alentejo e pela aposta na reciclagem de roupa pois as pessoas “pensam duas vezes antes de deitar uma peça para o lixo”.

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1500 em defesa das freguesias Manifestação juntou trabalhadores das autarquias na Praça do Giraldo, em Évora. No protesto, a que se juntaram reformados e utentes dos serviços de saúde, foi aprovada a “Declaração de Évora”, documento que mostra o descontentamento dos manifestantes contra a reforma do chamado ‘Docu-

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mento Verde das Freguesias’. Os promotores da manifestação dizem que a extinção de freguesias não contribui para poupar “a não ser que se privem as populações dos serviços essenciais prestados pelo poder lo-

cal. “As freguesias são o último serviço público que lá existe, depois de terem fechado escolas, postos médicos, transportes e outros serviços”, diz o presidente da Câmara Municipal de Arraiolos, Jerónimo Lóios.


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17 Novembro ‘11

A Abrir

Carlos Sezões Gestor/Consultor

Todos aprendemos nos livros de história (ou através dos nossos gostos literários) que a tragédia nasceu na Grécia clássica, umas centenas de anos antes do nascimento de Cristo. Esta forma de drama, que se caracteriza pela sua seriedade e dramatismo, envolvia frequentemente um conflito entre uma personagem e algum poder de dimensão superior, como a lei, os deuses ou um destino cruel e imutável. Incluía personagens à procura da sua glória, como heróis, reis, deuses e era contada em linguagem grandiosa, conduzindo o enredo a um final triste, com a destruição ou loucura de um ou vários personagens sacrificados por seu orgulho ou obsessão, ao tentarem remar contra as forças do destino. Sinceramente, não sei se os grandes autores deste género como Sófocles e Eurípides teriam a imaginação para escrever uma história tão complexa, excêntrica e evidentemente trágica como a que sucede na Grécia e contagia a Europa e o Mundo. Um povo de 11 milhões de pessoas, descrente, desorientado e revoltado. Um primeiroministro ávido por conquistar o seu lugar na história, inventa um referendo popular, legítimo e meritório na teoria, assustador na prática. Um líder da oposição, ambicioso pelo poder, que aprova ou rejeita planos de acção à medida das conveniências. As grandes potências europeias, autênticos deuses desta tragédia, impõem

o ritmo dos acontecimentos, ora com aparente benevolência de quem corta metade de uma dívida, ora com o rigor de quem impõe os seus ultimatos. Um novo chefe de governo imposto pelas circunstâncias, aparece entronizado como salvador. E um mundo inteiro em suspenso, uma vez que um leve desenvolvimento neste drama traz impactos universais. Nesta história, algo poderia marcar a diferença e evitar os destinos das tragédias do período clássico: a boa fé e o compromisso das várias partes e a certeza de que cada uma cumprirá o que dela se espera. Que não sacrificarão mais interesses globais a interesses pessoais. Que o bluff e a dissimulação vão deixar as mesas de negociação. Que se tomarão decisões corajosas, independentemente dos receios e preconceitos. Que se envolverão as pessoas no ideal europeu, em vez de dar a impressão que existem directórios obscuros que tudo controlam e tudo decidem. Quanto mais os povos europeus estiverem conscientes do que está em causa, mais facilmente aceitarão o caminho da integração. É que, ao contrário do que muitos pensarão, a decisão política continua a ser superior às contingências da economia. Karl Marx disse um dia, numa frase feliz, que a história acaba sempre por se repetir, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa. Palpita-me, pois, que ainda não assistimos aos últimos capítulos deste notável enredo grego.

Pedro Henriques | Cartoonista www.egoisthedonism.wordpress.com

Tragédia ou Farsa?

“Apuramento com tranquilidade”

OE 2012. Um mau Orçamento em ambiente complexo António Serrano Deputado

A politica na Europa sucumbiu aos mercados. Estes arrastam os Governos democráticos, substituem-se aos cidadãos, apoderam-se da nossa liberdade. Sem visão, sem liderança na Europa, estamos condenados, sem forças para lutar contra esta nova realidade que se afirmou de forma persistente no pós crise de 2008. O mito do pós guerra de que os Estados não faliam se trabalhassem de forma colaborativa eclipsou-se nesta crise profunda de um modelo económico e social que esgotou as respostas que a sociedade anseia. Estamos numa encruzilhada, paralisados, sem saber que estrada tomar. Na última reunião do G20, a Europa ficou isolada na sua crise. É um problema que a Europa terá que resolver. É neste contexto que o Orçamento de Estado para 2012 tem que ser visto. É de facto um péssimo orçamento, injusto, que promove desigualdades sociais, que ultrapassa o limite dos sacrifícios que podem ser pedidos aos cidadãos. O OE 2012 assenta num cenário de recessão económica, bem mais negativo (-2,8%) do que o revelado em Agosto no Documento de Estratégia Orçamental (DEO) ou em Setembro, pelo FMI, onde

era anunciada uma queda do PIB de 1,8% face a 2011. Ainda assim o OE revela-se pouco prudente: por um lado, os cortes aplicados no rendimento dos trabalhadores, somados ao aumento dos impostos, são de dimensão sem precedentes. Por outro, há, ainda, os riscos da economia mundial. Se o cenário for mais negativo, as receitas arrecadadas serão menores. Projecta-se uma forte redução do consumo privado (-4,8%), do consumo público (-6,2%) e do investimento (-9,5%). O único motor do crescimento económico são as exportações onde o cenário também piora. Apresentam uma desaceleração face a 2011, passando de 6,7% para 4,8%. As importações vão baixar 4,3%, valor mais pessimista do que o projectado em Agosto que apontava para um decréscimo de 1,3%. A Inflação atinge 3,1% em desaceleração face a 2011, mas muito acima do projectado pelo Governo no DEO em Agosto (2,3%) ou do FMI (2,1%). A confirmarem-se estas projecções, a inflação atingirá valores acima do 3%, pelo 2º ano consecutivo o que já não se observava desde 2007. O Governo revê em alta o valor da taxa de desemprego que

deverá atingir 13,4% em 2012, superior à esperada este ano de 12,5%. Vale a pena sublinhar que esta projecção se revela pouco realista com a desaceleração da economia apontado pelo Governo: Ora se no DEO, apresentado em Agosto, o Governo previa uma taxa de desemprego de 13,2% para uma recessão económica de 1,8% como é que a taxa de desemprego cresce agora apenas 0,2 pontos percentuais contra um cenário de recessão económica mais intenso, que decresce 1,0 pontos percentuais? No domínio das prestações sociais este Orçamento é fortemente penalizador, ultrapassando tudo o que estava consagrado no Programa de Assistência Económico e Financeiro (PAEF): Enquanto o PAEF estabelecia um corte de 1.073M€ com as prestações sociais, o equivalente 0,6% do PIB, o OE2012 impõe uma redução de 2.066M€ (1,2% do PIB). Ou seja, o corte que o OE apresenta nas prestações sociais quase que duplica em valor (+993M€) e quadruplica em percentagem do PIB. Este corte brutal com as prestações sociais é justificado na sua grande maioria pelo corte dos subsídios de férias e de natal nas

pensões face a 2011, medida não prevista no PAEF, valendo 1.260,2M€. Verifica-se, assim, que o Governo optou por não aplicar algumas das medidas previstas no PAEF (contribuição especial aplicável a todas as pensões acima dos 1.500€) prevendo, em contrapartida, outras medidas não inscritas naquele documento (como o corte nos subsídios de férias e de natal das pensões superiores a 485€ - SMN. Ora, ainda assim, em nome do interesse Nacional e reconhecendo a fragilidade económica e politica de Portugal no contexto internacional, para evitar a degradação das condições de financiamento da nossa economia, o Partido Socialista declarou a sua abstenção na generalidade e na votação final do próximo dia 30. É uma atitude de responsabilidade, que o PSD, o CDS, o PCP e o BE, não revelaram quando decidiram deitar um Governo abaixo, no meio de uma crise profunda internacional. No meio das dificuldades, todos se juntaram numa lógica de quanto pior melhor e o que importava era garantir a tomada do poder pela Direita. Não concordamos com o Orçamento, merecia o nosso voto contra, mas Portugal está acima do interesse partidário.

Ficha Técnica SEMANÁRIO

Director Nuno Pitti Ferreira (nuno.pitti@registo.com.pt) Editor Luís Godinho Propriedade PUBLICREATIVE - Associação para a Promoção e Desenvolvimento Cultural; Contribuinte 509759815 Sede Rua Werner Von Siemens, n.º16 -7000.639 Évora - Tel: 266 751 179 fax 266 751 179 Direcção Silvino Alhinho; Joaquim Simões; Nuno Pitti Ferreira; Departamento Comercial Teresa Mira (teresa.registo@gmail.com) Paginação Arte&Design Luis Franjoso Cartoonista Pedro Henriques (pedro.henriques@registo.com.pt); Fotografia Luís Pardal (editor) Colaboradores Pedro Galego; Carlos Moura; Capoulas Santos; Sónia Ramos Ferro; Carlos Sezões; Margarida Pedrosa; António Costa da Silva; Marcelo Nuno Pereira; Eduardo Luciano; José Filipe Rodrigues; Luís Martins Impressão Funchalense – Empresa Gráfica S.A. | www.funchalense.pt | Rua da Capela da Nossa Senhora da Conceição, nº 50 - Morelena | 2715-029 Pêro Pinheiro – Portugal | Telfs. +351 219 677 450 | Fax +351 219 677 459 ERC.ICS 125430 Tiragem 10.000 ex Distribuição Nacional Periodicidade Semanal/Quinta-Feira Nº.Depósito Legal 291523/09 Distribuição Miranda Faustino, Lda


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Actual

Autarquia vai lançar dia 25 de Novembro uma medalha comemorativa assinada pelo escultor João Cutileiro.

Évora celebra 25 anos de classificação pela Unesco D.R.

Iniciativas incluem colóquio e o lançamento de coleccionáveis sobre património da cidade. Uma sessão solene no Salão Nobre dos Paços do Concelho irá assinalar, de uma forma mais formal, a passagem do 25 aniversário da classificação do Centro Histórico Évora como Património da Humanidade. Mas a autarquia organizou um conjunto de iniciativas para dia 25 de Novembro, entre as quais se destaca o lançamento de uma medalha comemorativa. “Face à importância da efeméride, a Câmara Municipal de Évora lançou o repto ao escultor João Cutileiro, com o artista a aceitar de bom grado o desafio, produzindo uma obra com um cunho muito pessoal”, diz fonte municipal. Incluído no programa comemorativo será lançar, pelas 18h00, no salão Nobre dos Paços do Concelho, um conjunto de folhetos coleccionáveis cujos textos estão na base das visitas guiadas realizadas no âmbito do projecto “Évora, Percursos e Memórias”. Nestes textos vão dar-se a conhecer os principais monumentos e elementos distintivos do Centro Histórico da cidade, explorando a sua arquitectura e a sua história, bem como as lendas, devoções e tradições que guardam consigo. Revisitar um palácio, mergulhar na origem de fontes e chafarizes e nas cenas da realeza ou da vida quotidiana que protagonizaram na história da cidade ou simplesmente entrar pela primeira vez num monumento antes desconhecido, conduzidos pelos olhos e pela sabedoria de especialistas em arte e património são algumas das propostas. Pelas 21h30, na Igreja de S. Francisco,

Dia 25 de Novembro passam 25 anos sobre a classificação de Évora pela UNESCO. actuará a Orquestra da Universidade de Évora, dirigida pelo maestro Christopher Consitt Bochmann. Antecipando-se ao programa de celebrações, a autarquia irá lançar dia 24 de Novembro na Agenda Cultural uma nova rubrica denominada “Évora, 25 Anos de Património Mundial”. Nessas páginas, vão dar-se a conhecer os principais monumentos e elementos distintivos do Centro Histórico da cidade, explorando a sua arquitectura e a sua história, bem como as lendas e tradições que guardam consigo. A sugestão de uma obra literária irá complementar cada uma das apresentações feitas. O Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS), organismo da UNESCO que em Novembro de 1986 deliberou a favor da inclusão do Centro

Histórico de Évora na lista do Património Mundial, justificou essa mesma decisão com o facto de Évora cumprir muitas das demandas então exigidas para o efeito, nomeadamente dois critérios específicos: o de ser Évora o melhor exemplo de uma cidade portuguesa da idade do ouro (Século XVI) e de a sua paisagem urbana permitir compreender a influência da arquitectura portuguesa no Brasil, em locais como São Salvador da Baía, também Património Mundial da Humanidade desde 1985. Em 1986, o ICOMOS tomou como definição do Centro Histórico de Évora a de um centro urbano único, pela sua beleza, homogeneidade e dimensão, e pelo valor do seu património cultural e arquitectónico, que conta com mais de 380 edifícios classificados, dos quais 36 são monumentos nacionais.

Temporal provoca estragos em Alvito Dezenas de árvores foram arrancadas pela raiz. Prejuízos em diversas herdades. O forte temporal que se abateu durante a madrugada de segunda-feira sobre o concelho de Alvito provocou prejuízos em diversas explorações agrícolas. Mais de três dezenas de árvores, incluindo sobreiros de grande porte, foram arrancados pela força do vento tendo obrigado ao corte durante cerca de duas horas da Estrada Nacional 383, entre Vila Nova de Baronia e Torrão. “Foi um mini-tornado”, diz o comandante dos Bombeiros Voluntários de Alvito, António Fernando Piteira, acrescentando que o vento forte foi acompanhado por precipitação elevada. “Nunca assisti a

nada de semelhante aqui na zona”. Além das árvores, o temporal provocou avultados prejuízos na Herdade dos Albardeiros, onde foram arrancadas telhas e chapas de zinco deixando inoperacionais diversas instalações agrícolas. Por causa do mau tempo e do vento forte, 12 distritos foram colocados em alerta laranja, entre os quais Portalegre, onde também se registaram prejuízos. Fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Portalegre avançou que diversos edifícios ficaram destelhados em Alter do Chão, incluindo o mercado municipal e a igreja da Misericórdia. Nesta vila, os bombeiros foram também chamados a diversas ocorrências ao início da tarde de segunda-feira, incluindo quedas de árvores que causaram estragos em duas viaturas.

D.R.

Impostos

Centro não paga IMI A Câmara de Évora não irá estabelecer valores relativos ao Imposto Municipal de Imóveis sobre a área do centro histórico (freguesias de Santo Antão, Sé e S. Pedro e S. Mamede), apurou o Registo junto de fonte da autarquia. O município considera que todo o centro histórico se encontra “isento da aplicação de IMI” em virtude de ser classificado Património da Humanidade, “devendo a Câmara pugnar pela aplicação da lei”. Esta interpretação contraria o que tem sido a prática das Finanças que consideram haver local à cobrança de IMI.Quanto às taxas respeitantes ao ano de 2011 (a liquidar em 2012), foram fixados valores de 0,8% para os prédios rústicos e 0,65% para os prédios urbanos. Nas freguesias rurais do concelho são minoradas as taxas definidas, nos seguintes termos: em 12,5% para os prédios urbanos e em 20% para os prédios urbanos avaliados nos termos do código do IMI. A autarquia decidiu ainda solicitar à Assembleia Municipal que delibere no sentido de “majorar em 30% a taxa aplicável a prédios urbanos degradados, considerando-se como tais os que, face ao seu estado de conservação, não cumpram satisfatoriamente a sua função ou façam perigar a segurança de pessoas e bens”. A Câmara aprovou ainda a proposta de lançamento de Derrama para 2012 no valor de 1,3% sobre o lucro tributável sujeito e não isento de imposto sobre o IRC. A decisão visa “reforçar a capacidade financeira do município que os investimentos exigem” e prevê a aplicação de uma taxa reduzida de 0,5% aos sujeitos passivos com volume de negócios no ano anterior que não ultrapasse os 150 mil euros.

Évora

Veterinário suspenso A Câmara Municipal de Évora decidiu suspender o veterinário municipal, Flor Ferreira, por um período de seis meses na sequência de um processo disciplinar levantado por suspeitas de “procedimentos incorrectos” no canil municipal da cidade. O caso remonta a Novembro de 2010 quando duas veterinárias, igualmente objecto de procedimento disciplinar que culminou com a proposta de multa e suspensão, denunciaram irregularidades no canil, incluindo o abate alegadamente “ilegal” de sete animais. As denúncias levaram à realização de uma manifestação junto aos Paços do Concelho exigindo o afastamento do director do canil municipal.


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Actual Ana Baleia trocou Lisboa pelo Alentejo, onde ensina idosos em centros de dia a reciclar peças de roupa. Funcheira

CP corta ligações Os presidentes das câmaras municipais de Almodôvar, Castro Verde e Ourique (acompanhados dos presidentes da Junta e Assembleia de Freguesia de Garvão) reuniram com a Administração da CP com o objectivo de defender a funcionalidade da Estação da Funcheira e a manutenção dos serviços do Intercidades que liga Lisboa ao Algarve, após rumores de que este serviço seria suprimido e posteriormente encerrada a estação. Os autarcas defendem que uma eventual supressão da paragem do Intercidades na Estação da Funcheira “agravaria o serviço de transportes públicos” às populações dos seus concelhos “provocando um total isolamento, argumentando com a centralidade da Estação da Funcheira, bem como a sua capacidade de estação concentradora defendida pelos planos da CP”. “A localização da estação da Funcheira permite servir com eficácia os concelhos vizinhos com uma utilização significativa e garantir a viabilidade de um conjunto de investimentos em curso na região a partir das acessibilidades rodoviárias já existentes”, acrescentam os autarcas.

Alandroal

Telemedicina em debate Alandroal prepara-se para receber, nos próximos dias 18 e 19 de Novembro, o VIII Fórum Ibérico de Telemedicina, iniciativa promovida pela Associação para o Desenvolvimento da Telemedicina (ADT), com o apoio conjunto do Município de Alandroal e Santa Casa da Misericórdia. Com o objectivo de apresentar e discutir os últimos desenvolvimentos no campo das tecnologias associadas à telemedicina e fomentar o intercâmbio de informação e acompanhamento da evolução internacional. Os principais temas em debate incluirão, entre outros, os Hospitais Digitais do Futuro, o futuro da teleradiologia em Portugal ou ainda a teleformação. Durante os dois dias de trabalhos do fórum serão ainda realizadas algumas teleconferências, ligando o Alandroal a diferentes centros de telemedicina. João Grilo, presidente do município de Alandroal refere que “a telemedicina tem constituído uma importante resposta complementar para as populações mais isoladas e representa uma filosofia de proximidade que, a par de outras soluções, tem ainda um enorme potencial de crescimento, especialmente no contexto em que vivemos”. Para o autarca esta é também uma oportunidade para “debater como um todo” a questão da prestação de cuidados de saúde: “De pouco nos servirá ter a telemedicina no centro de saúde de Alandroal se os doentes não se poderem deslocar até lá, por falta de transporte”.

Designer de moda promove reciclagem de roupa D.R.

Cerca de 150 pessoas já aderiram ao projecto que está a ser realizado no litoral alentejano. A designer de moda Ana Baleia trocou Lisboa pelo Alentejo e após a apresentação de um projecto de reciclagem de roupa aprovado pela Direcção Regional de Cultura do Alentejo começou a percorrer as freguesias de Odemira e de Santiago do Cacém com as “suas” Oficinas Itinerantes de reciclagem de roupa. Foi o que encontrámos na Associação de Bem Estar Social das Ademas, na Freguesia de Santa Cruz, onde Ana Baleia promoveu mais uma actividade entre agulhas, dedais e tecidos. “Como estas senhoras não trouxeram nenhuma peça de roupa para reciclar sugeri criarmos almofadas para as agulhas e é o que estamos a fazer”, disse Ana Baleia que já trabalhou no Hospital da Roupa com Dino Alves e para várias marcas de roupa. “Estive em Cabo Verde e após o regresso a Portugal optei por vir para o Alentejo com esta ideia de formação de reciclagem de roupas”, explicou a designer de moda. “Normalmente dou a ideia no workshop e as pessoas alinhavam a peça de roupa, executam-na em casa e no outro dia mostram-me o resultado, assim já reciclámos centenas de peças de roupa”, adiantou a designer de moda. Em tempo de crise económica, Ana Baleia diz que pela sua experiência tem noção de que as pessoas pensam duas vezes antes de deitar uma peça de roupa para o lixo e se gostarem muito dessa peça de roupa, optam sempre por a guardar até um dia a poderem alterar. A designer de moda já percorreu o concelho de Odemira e terminou ontem as actividades no concelho de Santiago do Cacém. No total percorreu 28 freguesias.

Ana Baleia diz que as pessoas pensam “duas vezes” antes de deitar roupa fora. “A melhor forma que arranjei de chegar às pessoas foi dar a conhecer o meu projecto nos Centros de Dia onde a maior parte da população destas freguesias passa o seu dia e tem resultado muito bem”, sublinhou Ana Baleia.

150 pessoas no total já aderiram ao projecto. Um número que Ana Baleia considera positivo e muito gratificante porque existe sempre solução para uma peça de roupa estragada, antiga ou que simplesmente já não é usada.

Santiago do Cacem não vai ter iluminação de Natal A Câmara Municipal de Santiago do Cacém decidiu não avançar este ano com a colocação da iluminação de Natal nas principais ruas e artérias do concelho devido à actual conjuntura financeira que o país e a autarquia atravessam. Recorde-se que o Município de Santiago do Cacém sofreu no ano passado um corte nas transferências do Orçamento de Estado em 1,1 milhões de

euros. Em 2012 vai haver uma nova redução nas transferências do Orçamento de Estado. O Município de Santiago terá menos cerca de 1,7 milhões de euros que em 2010, oriundos de cortes do Orçamento de Estado. Segundo a autarquia, a decisão de não avançar com a iluminação natalícia é uma das muitas já tomadas por este executivo para reduzir despesas em período de restrições orçamentais.

Museu (re)abre em Évora O Museu do Artesanato e do Design foi finalmente inaugurado. O novo Museu do Artesanato e do Design de Évora (MADE) já abriu portas. Depois de um investimento de um milhão de euros na reabilitação do edifico do antigo Centro de Artes Tradicionais, o “MADE colecção Paulo Parra” apresenta a sua primeira exposição. Trata-se de uma mostra, considerada única no mundo, com 125 peças dos 25 mestres do design. “Se houver dois ou três museus no mundo que consigam fazer esta exposição com o seu próprio acervo, eu ficaria muito contente, porque acho que nem sequer dois ou três museus a conseguem fazê-la, porque é muito complicado”, afirma Paulo Parra à Diana Fm. Depois da polémica que envolveu o ar-

ranque do projecto, em particular quanto ao destino a dar às peças existentes no antigo Centro de Artes Tradicionais, Paulo Parra junta ao design industrial as “formas úteis do artesanato alentejano”. A recepção aos visitantes é feita com duas peças de forte simbolismo: “uma talha alentejana de grandes dimensões, datada do século XVII, e uma vespa bastante mais contemporânea embora já tenha 70 anos”. Paulo Parra é o coleccionador que cede as peças de design industrial que estão patentes neste museu. Uma colecção suficientemente grande para garantir, pelo menos duas exposições diferentes por ano. Para além das exposições, o Museu do Design e do Artesanato vai ter também uma biblioteca temática, facultada pelo coleccionador. Neste momento decorre uma candidatura ao Instituto Português

de Museus para reconhecer o MADE como um “verdadeiro” museu. Cada entrada neste museu custa, a um adulto, 2 euros, sendo que estão previstos descontos para crianças e famílias. Fonte da Turismo do Alentejo garantiu ao Registo que O MADE vai continuar a promover a memória dos ofícios tradicionais do Alentejo, inserindo a produção artesanal no contexto do design, explorando assim novas conotações sociais e antropológicas. “O novo espaço cultural da região apostará ainda numa maior rotatividade dos programas expositivos que, com a incorporação da valiosa e prestigiada colecção de design e de artesanato do coleccionador Paulo Parra, ganhará seguramente uma nova dinâmica”, acrescenta a fonte. “Formas Úteis no Artesanato Alentejano”, “25 Mestres do Design” e “Cadeiras de Design” são as primeiras exposições.


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Actual

Protesto na Praça do Giraldo juntou centenas de trabalhadores de diversas autarquias do distrito de Évora.

Manifestação reúne 1500 pessoas contra extinção das freguesias Em causa estão igualmente os cortes nos serviços de saúde e nos subsídios. Pedro Galego | Texto Mil e quinhentas pessoas manifestaramse na Praça do Giraldo, em Évora contra a extinção de freguesias e os cortes nos serviços de saúde. Na manifestação, que contou essencialmente com trabalhadores das autarquias locais e reformados, foi aprovada a “Declaração de Évora”, documento que mostra o descontentamento dos manifestantes contra a reforma do chamado ‘Documento Verde das Freguesias’. Os promotores da manifestação dizem que a extinção de freguesias não contribui para poupar a não ser que se privem as populações dos serviços essenciais prestados pelo poder local. “Em muitos dos nossos casos, as freguesias são o último serviço público que lá existe, depois de terem fechado escolas, postos médicos, transportes e outros serviços. É o último elo de ligação”, defendeu o presidente da Câmara Municipal de Arraiolos, Jerónimo Lóios. O autarca foi um dos presidentes de câmara presentes na concentração promovida pelo Movimento de Utentes dos Serviços Públicos (MUSP) em conjunto com autarquias, juntas de freguesia e sindicatos. A iniciativa, em defesa do Poder Local começou logo de manhã com duas colunas em marcha lenta provenientes de Vendas Novas, Montemor-o-Novo, Mora e Arraiolos. Já em Évora, os manifestantes empunharam bandeiras pretas e vermelhas e faixas com frases como “Roubar ao Poder Local é um ataque às populações” e “Em luta contra a destruição da administração local”. “Podem fechar as freguesias todas que, com isso, não reduzem a despesa, nem baixam o défice público”, reiterou Jerónimo Lóios, defendendo que as propostas do

Declaração de Évora Aprovada por unanimidade pelos manifestantes a ‘Declaração de Évora’ é um documento que rejeita liminarmente o ’Livro Verde’, a proposta de Orçamento de Estado que impõe o que dizem ser imposições à autonomia das freguesias, entre outras reivindicações. No final, deixam o apelo a todos os autarcas e trabalhadores das autarquias. “[Esta declaração serve ainda para] apelar a todos os autarcas, trabalhadores das autarquias locais e às populações atingidas por este ataque que pretende liquidar o Poder Local nascido da Revolução de Abril, à participação na acção de protesto a realizar na manhã do próximo dia 30 de Novembro”, junto à Assembleia da República, em Lisboa, no dia em que vai ser votada a proposta de lei do Orçamento do Estado para 2012.

Desemprego “explosivo” Aumento do desemprego preocupa D. António Vitalino, bispo de Beja. O bispo de Beja considera que as políticas de contenção impostas pela actual conjuntura financeira não podem omitir “princípios básicos de dignidade humana”, como o direito ao trabalho e à assistência social. “Um aumento explosivo do desemprego e a falta de meios para proteger os mais frágeis põem em perigo a própria sociedade”, realça D. António Vitalino, em nota, enviada à agência ECCLESIA. Para o prelado, o problema está, antes de mais, centrado numa lógica que coloca “o dinheiro e a economia acima do direito

D.R.

Documento Verde e do Orçamento do Estado para 2012 são “ofensivas para o Poder Local democrático e para as populações”. “Quando o Estado deveria começar a reforma por cima, pelo próprio Estado e pela regionalização, começa por aquilo que poderíamos designar como ‘elo mais fraco’, pelas freguesias”, argumentou, avisando que “as populações não irão ficar de braços cruzados”. A mesma intenção de luta foi manifestada por Sílvia Santos, do MUSP, que lembrou que a maioria da população do distrito é idosa e sem acesso a uma eficiente rede de transportes, pelo que a extinção de juntas de freguesias vai deixá-la “mais isolada”. “Espero que o Governo, com um pouco de bom senso, pense um bocadinho no povo português porque lhe está a retirar o acesso a direitos e a destruir famílias”, frisou.

à realização das pessoas”. Uma “realização integral” que, acrescenta, não se obtém “apenas no trabalho remunerado” mas em muitas outras áreas “fora do circuito económico”. “Os pensadores, os contemplativos, a vida de convivência familiar, o cultivo da amizade, o voluntariado religioso e social e muitos outros, contribuem para a beleza e realização da humanidade”, sustenta o bispo de Beja. Aquele responsável desafia as comunidades cristãs a contribuírem para mudar este paradigma através do “testemunho de vidas com sentido na dimensão pessoal, familiar, social, cultural, política e económica”. “Vidas com esperança, amor e alegria, valores que nem sempre o dinheiro, o poder e o consumo fomentam”, conclui.

À manifestação de Évora seguir-se-á um protesto frente ao Parlamento no próximo dia 30. PUB


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Actual Ainda a polémica dos atrasos no pagamento dos subsídios da Câmara de Évora aos agentes culturais.

A ‘a bruxa TEATRO’ quebra o silêncio Figueira Cid

Director Artístico de a bruxa TEATRO

Nas últimas semanas muito se tem falado, em diversos canais, das dificuldades financeiras por que os agentes culturais profissionais de Évora estão a passar. Ora da iniciativa dos próprios agentes ora da iniciativa dos órgãos autárquicos muita afirmação tem sido produzida. A verdade é que muita poeira está a ser, duma e outra parte, atirada aos olhos da população, cujo resultado visa mais a autodefesa e a responsabilização de terceiros que a assunção dos erros cometidos. Tendo-se a ‘a bruxa TEATRO’ (‘abT’) reservado ao silêncio para evitar, por um lado, a tomada de posições radicais e desinformadas e, por outro, o aproveitamento partidário de quem, no momento próprio, calando-se, se tornou cúmplice e apoiante de violações à dignidade, ao direito ao trabalho e à defesa dos trabalhadores. Porque a defesa duma cidade activa, culturalmente sadia e exigente se constrói na censura de actos imorais, por muito que isso fira o orgulho das nossas paredes… Chega, no entanto, o momento de quebrar o silêncio. Recentes declarações da Dra. Cláudia Sousa Pereira, Vereadora do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Évora (CME) ao semanário ‘Registo’ de 3/11/2011 e a ausência de respostas da Sra. Vereadora obrigam-nos a colocar, publicamente, as questões na sua exata dimensão. Antes, porém, refira-se que a ‘abT’ não reconhece qualquer privilégio, nas questões de âmbito comum, comparativamente aos outros agentes culturais, por parte da autarquia. Tão pouco exigiu ou permitiu que fosse tratada de forma (positivamente) discriminatória. Em contrapartida, se tivermos em linha de conta, e apenas no que se refere à criação e produção teatral, a simples comparação com outras estruturas profissionais, a ‘abT’ tem sido, claramente descriminada. Apesar de tudo, reconhece o apoio que desde 2002 a CME lhe tem dedicado. Embora no referido artigo, a Sra. Vereadora não se tenha referido à ‘abT’ – naturalmente, porque esse não era o objectivo – não podemos deixar de ficar surpreendidos pela rapidez do direito de resposta que lhe está asseguPUB

Luís Pardal | Arquivo Registo

rado por lei, e não ter sido igualmente célere em responder à ‘abT’ quando, por ofício de 7/10/2011: - a indagámos porque razão três agentes culturais que integraram o Festival Terras do Sol – comparticipado pela CCDRA -- receberam, ainda antes de finalizada a iniciativa para a qual haviam sido convidados, não só o valor que lhe correspondia mas o valor total correspondente aos restantes agentes que nele participaram… - foi informada de que a falta de pagamento da contratualização de ‘Émilie e Voltaire’ (contratualmente até 31 de Setembro) poria em

causa a estreia o espectáculo ‘Mal Me Queres’ (e que só não ocorreu graças aos empréstimos de terceiros)… E acrescentamos: porque razão a factura da ‘abT’ relativa ao espectáculo ‘Emilie e Voltaire’ que integrava o referido Festival e entregue na CME a final de Julho, ficou retida nos serviços, ao invés de ter sido enviada para a CCDRA, ao contrário do que aconteceu com as facturas dos referidos agentes… Como é do conhecimento da autarquia a vida cultural da cidade não termina nem acaba no Jardim das Canas. Como é dever da autarquia a equidade no tratamento dos agentes que promovem o desenvolvimento económico, social e cultural é uma obrigação. A ‘abT’ tem compromissos não só com a autarquia e os amantes do teatro que assistem aos seus espectáculos mas com outras entidades suas financiadoras. A situação financeira da ‘abT’ não se deve a má gestão financeira, artística ou humana. Deve-se sim, sem desculpas ou ocultações, à ausência do pagamento dos compromissos da autarquia – que orçam os 30.000,00 €, relativos a 2009 e 2011 (2010 continua a permanecer uma inclassificável teimosia apesar da aprovação, por unanimidade em reunião de Câmara, do seu pagamento; acresce a apoio de 2011 sobre o qual permanece o silêncio…). Fala a Sra. Vereadora no Regulamento ao Agentes Culturais. Mas nada diz quanto ao seu resultado que era, conforme anunciado, deveria ser comunicado até final de Setembro. Sabe V. Exa., Sra. Vereadora, que a ‘abT’ tem assegurado as suas produções graças ao financiamento da Secretaria de Estado da Cultura/DGArtes (cujo financiamento depende, obrigatoriamente do apoio da CME), Fundação Eugénio de Almeida, ao empréstimo de terceiros e ao recurso à banca? Sabe V. Exa. que a ‘abT’ não dispõe de fun-

dos para pagamento dos cachets, referentes aos meses de Novembro e Dezembro, dos actores e outros colaboradores contratados para o espectáculo ‘Mal Me Queres’? Sabe V. Exa. que a ‘abT’ está em dívida para com a Segurança Social e Fazenda Pública, para além de a vários pequenos e médios empresários da cidade? Sabe V. Exa. que a ‘abT’ está a cancelar espectáculos em digressão por incapacidade de fazer face às despesas de deslocação (cachets, aluguer de transportes…)? Sabe V. Exa. que a ‘abT’ está a cancelar o acolhimento de outras estruturas profissionais com quem mantém protocolos de intercâmbio por incapacidade de pagamento do apoio logístico (divulgação, alimentação e estadia) pondo igualmente em causa a programação dessas estruturas? Sabe V. Exa. que a ‘abT’ produziu já, durante o corrente ano, três novas produções (uma quarta poderia estar em ensaios não fora o desinteresse e a incapacidade de colaborar na sua concretização) e que ainda não recebeu qualquer apoio? E que tem a seu cargo a manutenção do espaço (que V. Exa. valorizou este ano em 15.000,00 €, um acréscimo de 50% face ao ano anterior) telefone, limpeza, serviços de bilheteira… Não perca V. Exa. tempo a responsabilizar o Tribunal de Contas (TC) quanto à proibição de atribuir apoios para pagamento de salários… O que o TC tem publicamente alertado é para o facto de que os apoios concedidos pelas autarquias aos agentes culturais e desportivos (de carácter amador) devem ser transparentes e sujeitos a critérios definidos. E que nada impede que esses apoios sejam afectados à produção de iniciativas que requerem a contratação de pessoas especializadas. Se assim não for, faça V. Exa. o favor de, documentalmente, nos informar.


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Gabinete de investigação a acidentes de aviação conclui relatórios sobre casos ocorridos no Alentejo.

Piloto de avião que caiu em Évora não tinha licença de voo Luís Pardal | Arquivo Registo

Para o GPIAA, o voluntarismo e a habilidade do piloto não foram suficientes. Pedro Galego | Texto O ano de 2009 foi trágico no Alentejo no que respeita a mortes na sequência de acidentes aeronáuticos. No espaço de um mês, entre 14 de Agosto e 15 de Setembro daquele ano, a queda de três avionetas matou seis pessoas e feriu outra gravemente. Destes três, o primeiro chocou a cidade de Évora. Sabe-se agora, através do relatório final do Gabinete de Prevenção e Investigação a Acidentes com Aeronaves (GPIAA), que Eddy Resende, 33 anos e proprietário da escola de pára-quedismo Skydive, decidiu assumir os comandos do Beechcraft 99 que se despenhou, apesar da falta de experiência para pilotar esse género de aeronave (bimotor), a 14 de Agosto de 2009. O acidente causou a sua morte e a do instrutor de pára-quedismo João Silva, 30 anos após e deixou uma rua no bairro de Almeirim num cenário que até então aquelas pessoas só tinham visto nos filmes e nas piores notícias. Um avião colidiu com uma casa. O relatório do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves (GP IAA) vem agora confirmar que o piloto não tinha licença de voo e que a empresa não possuía Certificado de Operador Aeronáutico nem se encontrava registada na Autoridade Portuguesa para a Aviação. O bimotor, que havia sido adquirido dia antes em França, não tinha também registos da manutenção, é outra das conclusões do documento que o Registo analisou. O nosso jornal sabe ainda que a família do tripulante da aeronave, João Silva, arrisca perder tudo aquilo a que tinha direito. A família tenta levar o caso a tribunal, visto que o relatório do GPIAA aponta para eventuais responsabilidades criminais. Para o GPIAA, o voluntarismo e a habilidade do piloto não foram suficientes para ultrapassar a falta de conhecimentos, formação e treinos para voar com uma aeronave bimotor. Com um motor inoperativo, Eddy não conseguiu aterrar o avião em segurança e despenhou-se. Em terra ficou o filho Gonçalo, na altura com oito anos, que escapou à morte depois de Eddy ter proibido o seu embarque no fatídico voo. Antes da queda, o piloto mandou saltar os 12 passageiros, todos pára-quedistas. João Silva, director de um hotel em Lisboa, decidiu ficar a bordo por solidariedade. Os dois, Eddy e João, acabaram por ser as primeiras vítimas de 2009, um ano negro para a aviação. Dois dias depois da tragédia em Évora,

O bimotor despenhou-se no Bairro de Almeirim, em Évora, pouco depois de passar pelo aeródromo, provocando a morte ao piloto e a um instrutor. A queda de uma avioneta vitimou o piloto, de 79 anos, António Posser de Andrade, em Alcácer do Sal. Natural de Cascais, passava a maior parte do tempo na Herdade da Palma, que geria. Apaixonado por aviões, acabou por morrer aos comandos do seu ‘Tecnam’ dentro da quinta. Os familiares que estavam no local terão tentado resgatá-lo às chamas e sofreram ferimentos leves. Do que se passou no interior da propriedade há apenas o testemunho de GNR, bombeiros e elementos da Protecção Civil, uma vez que os portões permaneceram fechados aos olhares dos jornalistas. Foi numa zona entre a pista de um peque-

no aeródromo privado e uma barragem, bem próximo da área de serviço de Alcácer do Sal, na auto-estrada entre Lisboa e o Algarve, que a avioneta se despenhou depois de embater num sobreiro. Ao atingir o solo, o Tecnam de asa baixa e trem rebatível - um dos mais modernos aparelhos da aviação ultraligeira - incendiou -se, provocando a morte ao piloto. O outro ocupante do aparelho, um jovem de 18 anos, amigo da família, sofreu queimaduras graves nas pernas, tendo sido transportado para o Hospital de São José, em Lisboa. Do acidente resultaram outros dois feridos ligeiros, com diversas queimaduras,

familiares que correram para os tentar salvar das chamas. Sobre este acidente o relatório do GPIAA é conclusivo e atribuiu ao embate na árvore a causa da queda. Já na noite de 15 de Setembro desse ano de 2009, em Sete, Castro Verde, a queda de um bimotor da Academia Aeronáutica de Évora matou um instrutor espanhol de 25 anos e dois alunos holandeses, de 18 e 20 anos. O GPIAA concluiu que a aeronave ultrapassou os limites de carga e desintegrou-se em pleno voo. Este foi o mais trágico dos acidentes, devido ao maior número de vítimas provocadas.

Acidente no Ciborro continua por explicar Já em 2010, a 8 de Março, mais um acidente aeronáutico no Alentejo provocou outras duas mortes. Nesse dia, ao final da tarde, as autoridades terão levado, pelo menos, duas horas a chegar aos destroços do aparelho caído próximo de Ciborro, Montemor-o-Novo, devido à inexistência de testemunhas oculares do acidente. A bordo do Alon Aircoupe A2-A de matrícula CS-AIG, uma aeronave ligeira de dois lugares construída em

1968 e com mais de 1200 horas de voo, seguiam Sousa Monteiro, comandante reformado da TAP, e Costa Martins, coronel da Força Aérea e antigo capitão de Abril, que levantaram voo da Herdade de Cavaleiro e Pinheiro, onde se encontra instalada um pista privada. Os destroços seriam encontrados pela GNR cerca de quatro horas depois do início do fatídico passeio. No interior da chapa retorcida - o aparelho partiuse ao meio - estavam os dois corpos já

sem vida. O acidente ocorreu num local ermo a cerca de 250 metros do início da pista, nas proximidades de postes de alta tensão que não terão sido tocados pelo aparelho. Os bombeiros ainda acorreram ao local, mas o acesso foi vedado pela GNR para preservar os vestígios. Os primeiros indícios apontavam para uma possível falha técnica, mas só o relatório final do GPIAA pode esclarecer sobre as causas do acidente.


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Exclusivo Trocou a advocacia pelo teatro e foi das primeiras pessoas a defender a Cultura fora dos grandes centros

Mário Barradas

pioneiro da descentralização cultural Quando o Cendrev se prepara para estrear “Café Mário”, recordamos o percurso de um dos fundadores desta companhia profissional de Évora. Luís Godinho | Texto Entrevistei-o pela última vez em finais de 2006 aquando do lançamento de um número especial da revista Adágio em sua homenagem – “Mário Barradas, Um homem no teatro”. Nesse ano tinha traduzido e encenado “A Segunda Surpresa do Amor”, de Marivaux, o seu último trabalho artístico no Centro Dramático de Évora. Três anos depois, a 19 de Novembro de 2009, a morte impediu-o de concretizar um último projecto ao qual se havia entregue de corpo e alma: a encenação de “Troilo e Créssida”, de William Shakespeare, peça inédita em Portugal numa coprodução entre as companhias de teatro de Almada, do Algarve e de Braga. Foi no Teatro de Almada que assinou o seu último trabalho, “Comédia Mosqueta”, de Ruzante. A morte de Mário Barradas foi a morte de um dos pioneiros da descentralização cultural em Portugal. Tinha 78 anos e um longo percurso pessoal e profissional ligado ao teatro, uma paixão para a qual despertou muito novo ao integrar o grupo de teatro do Liceu Antero de Quental, em Ponta Delgada, cidade onde nasceu em 1931. Com 18 anos, em plena campanha presidencial de Norton de Matos, chega a Lisboa para ingressar na Faculdade de Direito. “Era amigo do José Manuel Coelho Ribeiro, filho de uma professora da Voz do Operário, que mais tarde foi bastonário da Ordem dos Advogados. Meteume num comício do general. E fez-me uma grande impressão, principalmente a quantidade de polícia, a pé e a cavalo, que montava guarda à rua. Deslizar pelo meio deles, ouvindo as provocações mais soezes, marcou-me muito”, escreveu num texto autobiográfico publicado no Jornal de Letras (Julho/2009). Aderiu ao MUD/Juvenil, dizia poemas na Padaria do Povo, no Barreiro,

em Coimbra e na Casa dos Estudantes do Império. “Foi um período excelente da minha vida. Em tudo o que era acções culturais, lá estava eu dizendo poemas, quase todos traduzidos pelo Mário Pinto de Andrade. Conheci Agostinho Neto, Marcelino dos Santos, Amílcar Cabral”. Em 1954 assina a sua primeira encenação, “O Mestre Escola”, peça de um escritor da Guiné Conacri, Keita Fodeba, traduzida por Mário Pinto de Andrade. A estreia foi na Cooperativa dos Trabalhadores de Portugal. “A sala estava cheia, de negros e de pides”. Carlos Aboim Inglez (intelectual comunista) fez um discurso inicial. O curso da vida fê-lo regressar aos Açores, ofereceu-se como voluntário e seguiu para Timor-Leste, onde organizou um pequeno grupo de teatro e encenou “A Farsa do Mestre Pathelin”. Casa depois de regressar a Lisboa para concluir o curso de Direito e em Lourenço Marques (actual Maputo, Moçambique), para onde se muda em 1962 para tomar conta do escritório de advocacia do sogro, conhece Vasco Soares de Melo e Almeida Santos (mais tarde fundador do PS e presidente da Assembleia da República). “Cedo se deu conta de que a advocacia não preenchia a alma do Mário Barradas. A sua paixão era o teatro. E como quer que a cidade não fosse muito propícia à representação teatral, logo ele deu fé de que a Associação dos Antigos Estudantes de Coimbra dispunha de excelentes instalações, nas quais se incluía um razoável espaço cénico”, recorda Almeida Santos. Resolvido o problema do espaço, “logo o Barradas resolveu dar-lhe uso”. No Grupo de Teatro dos Amadores de Lourenço Marques (TALM), cujos primeiros ensaios foram no escritório de advocacia, montou 19 peças com textos de autores como Cervantes, Giraudoux, Lorca, Brecht, entre outros. “Para ele antes de tudo estava o texto ou o autor como o grande criador do teatro,

sabendo que todos os outros, actores ou encenadores, não eram mais do que intérpretes. A qualidade poética ou literária creio que eram já nessa altura os critérios de escolha de um repertório, a que se juntavam razões políticas e sociais e outras que o tempo foi trazendo”, recorda José Peixoto, actor e encenador que conheceu Mário Barradas nesses anos de Lourenço Marques e que com ele haveria de estar na formação do Centro Cultural de Évora. Foi nessa época, com ensaios até à meia-noite e madrugadas passadas no escritório a preparar processos, que o teatro entrou “muito mais a sério” na sua vida. A um desses espectáculos em Moçambique, “A História do Jardim Zoológico”, de Edward Albee, assistiu o então director do Serviço do Ultramar da Fundação Calouste Gulbenkian, Victor Sá Machado.

Na sua autobiografia, Barradas conta que esse acaso lhe abriu novas oportunidades: “Eu fazia o papel de Jerry. O Sá Machado disse-me que me devia consagrar ao teatro e que me assegurava uma bolsa da fundação. Escrevi para o Piccolo Teatro de Milão e para Estrasburgo. A primeira resposta veio de Estrasburgo”. E para lá partiu, em Outubro de 1969. Pierre Etienne Heymann assume por essa altura a direcção do Teatro Nacional de Estrasburgo: “[Mário Barradas] estava em todo o lado, metia o nariz em tudo, via todos os espectáculos, passava de uma sala de ensaios da companhia para uma aula na escola, dos gabinetes para a Taverne [um café], anexo do teatro, coração dos debates inflamados e das contestações generosas”. Entre os dois homens nasce uma ami-

“Termino aqui. Com duas últimas observações. Partilho a ideologia marxista-leninista e tenho nojo daquilo em que Portugal se está a transformar”. Mário Barradas (“Jornal de Letras”, Julho de 2009).


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Exclusivo

urbanos. Depois do 25 de Abril, Mário Barradas foi um dos fundadores do, então, Centro Cultural de Évora. Fotos: Cendrev - mariobarradas-cendrev.blogspot.com

zade, e cumplicidades, que durariam o resto da vida. “Rapidamente me dei conta da medida da riqueza da sua cultura, da fineza das suas análises, e do seu insaciável apetite artístico”, recorda Heymann. Co-encenaram duas peças de Peter Weiss inéditas em França: “A Torre” e “A Noite dos Visitantes”. Com um grupo de alunos, Mário Barradas montou “O Legado”, de Marivaux, e viveu “os dias mais felizes” da sua vida. “Sempre lamentei não ter ficado em Estrasburgo”, confessou. O regresso a Portugal ocorre em 1971 a convite de Madalena Perdigão para dirigir o exercício final dos primeiros alunos da reforma do Conservatório Nacional. “Apresentámos ‘A Grande Bondade de Cabeza de Vaca’. Exercício teatral elaborado a partir de improvisações corporais e vocais dos alunos e texto estabelecido com base nessas improvisações”, escreve a actriz Júlia Correia (“A Aventura do Teatro”, Adágio, 2006). No ano seguinte assume a direcção do Conservatório, cargo que manteria até 1974 e experiência que não lhe deixou saudades: “Os alunos chegavam tarde, faltavam e não se podia reprovar por faltas”. Em 1973, com Os Bonecreiros, volta a fazer “A Mosqueta” e depois “A Grande Imprecação Diante das Muralhas da Cidade”, de Tankred Dorst.

Nas ruas, o movimento dos capitães coloca ponto final a 48 anos de salazarismo. Abril de 74. “Portugal era, sem dúvidas possíveis, o país culturalmente mais atrasado de todo o contexto europeu”, dirá Mário Barradas (“O Militante”, 1999). Com Norberto Ávila, aposta na descentralização teatral. Ainda pensa em mudar-se para Bragança, Viseu ou Faro. Mas a 11 de Janeiro de 1975 é publicado o despacho que cria o Centro Cultural de Évora. “Chegámos a Évora no dia 12. Com o Luís Varela que se juntou a nós”. Antes do fim desse mês, Richard Demarcy dirige o primeiro espectáculo: “A Noite de 28 de Setembro”, com interpretação de João Lagarto, Mário Barradas, Luís Jacobety, Joaquim Rosa, Avelino Bento, José Caldeira, Zita Caldeira, Teresa Gonçalves, Maria Santos e Luís Varela. “Tratava-se de facto de iniciar uma coisa que há muito estava feita nos restantes países da Europa, mesmo em Espanha que apesar do franquismo conseguia ter um movimento teatral vasto, espalhado pelas suas diferentes parcelas geográficas”, assinala. Em Maio de 75, estreia o segundo espectáculo do Centro Cultural de Évora: “As Duas Caras do Patrão”, com encenação de Luís Varela, que assina igualmente “Lux in Tenebris”. Em Dezembro, Mário Bar-

radas monta “O Senhor Puntilla e o Seu Criado Matti”, de Bertolt Brecht, a sua estreia em Évora. Ao longo de 20 anos, aqui encena e interpreta dezenas de textos Porquê Évora? – pergunto-lhe nessa entrevista de 2006. “Por causa do [Teatro] Garcia de Resende que estava a cair mas era, e é, uma lindíssima sala de espectáculos. A câmara deu-nos a chave. Limpávamos de manhã, ensaiávamos à tarde”. As noites eram para a política. Várias vezes cita Lorca para dizer que um país que não ama e não sustenta o seu teatro ou está morto ou moribundo. “O teatro é uma arte elitária para todos, não é a porcaria que se vê hoje por aí”. “Quando fala em porcaria está a falar de quê?”, pergunto. “Estou a falar do que se faz por aí, na maior parte do teatro, embora algumas companhias mantenham a dignidade, como Almada, Cornucópia, Comuna, A Barraca e poucos mais”. Em Évora, além da companhia profissional, é recuperado o Teatro Garcia de Resende, nasce uma unidade de infância (22 espectáculos para crianças), uma escola de formação teatral, são adquiridos os Bonecos de Santo Aleixo (marionetas e textos), aposta-se na descentralização. Em 1990 a companhia é rebaptizada como Centro Dramático de Évora. “Vi inesquecíveis trabalhos de Esco-

la dirigidos pelo Mário Barradas, com o entusiasmo e a paixão de quem por momentos pensa, como Vitez, que a Escola é o melhor teatro do mundo”, sublinha Luís Varela. Em 94, pouco depois de encenar “Viver como Porcos”, de John Arden, Barradas deixa o Cendrev, desgostoso com as orientações programáticas e com a falta de recursos. A convite de Manuel Maria Carrilho – “o melhor ou o único ministro da Cultura de que Portugal dispôs” – presidiu entre 1997 e 1998 ao Instituto Português das Artes do Espectáculo, que deixaria na sequência de cortes orçamentais. O Teatro Municipal de Almada (TAM) seria o seu próximo “palco”, a convite de Joaquim Benite: “Foi com entusiasmo que Mário Barradas aceitou o projecto”. E com entusiasmo que começou a preparar o que devia ter sido o seu segundo trabalho no TMA a encenação de “Troilo e Créssida”, de Shakespeare. “A realização da peça, nunca representada em Portugal, foi um dos sonhos de toda a sua vida, partilhado com o cenógrafo francês de Christian Ratz, seu antigo colega na escola do Teatro Nacional de Estrasburgo, em que fez a sua formação. vicissitudes várias impediram-no de realizar esse sonho. Quando estava prestes a consegui-lo, surgiu a morte”, diz Joaquim Benite.


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Exclusivo António Sáez Delgado divulga a literatura portuguesa nas páginas do mais influente diário espanhol. Foto | Susana Rodrigues

”A cultura merece respeito“ Professor e investigador da Universidade de Évora é estudioso das relações literárias entre Portugal e Espanha no início do século XX, Sofia Ascenso | Texto A literatura começou a fazer parte da sua vida desde muito cedo ao ouvir o avô ler poemas todas as tardes, num 2º andar da zona histórica de Cáceres. Leu Kafka aos 13 anos e aos 14 foi marcado pelo heterónimo Álvaro de Campos. É um homem da cultura, ligado aos livros, que vê a literatura como uma experiência humana, graças à semente deixada pelo avô, e com uma forte vocação social. A sua área de investigação é relações literárias entre Portugal e Espanha no início do século XX e foi ele quem trouxe o ensino de Espanhol para a Universidade de Évora. Sempre entre os dois lados da fronteira, Antonio Sáez Delgado nasceu e cresceu em Cáceres, na Extremadura espanhola, mas as suas praias sempre foram a Nazaré e a Figueira da Foz. Lisboa era o destino habitual das férias em família e enquanto adolescente, o local escolhido para os fins-desemana com os amigos. Na década de 80, para os jovens extremenhos, a moderna Lisboa era a capital mais importante. Corriam os alfarrabistas, as galerias de arte e as livrarias com o dinheiro ganho na venda dos “fanzines”, pequenos jornais fotocopiados que Antonio Sáez Delgado fazia com os amigos e onde escreviam sobre literatura, música e espectáculos. Mas esta ligação ao mundo da cultura e dos livros começou muito antes. Em pequeno, Antonio Sáez Delgado e o irmão, hoje também professor de literatura, passavam as tardes a ouvir o avô, autor de livros de poemas e um apaixonado pela leitura e pela escrita, ler os clássicos da literatura espanhola e da literatura universal. O que inicialmente era o passaporte para um lanche delicioso confeccionado pela tia, com o passar dos anos o professor percebeu a importância daquela escola paralela e do contacto com os livros da biblioteca do avô. “Não tinha consciência daquilo que os poemas faziam em mim. Percebo que estava lá por amor,

porque o meu avô fazia poemas e escrevia livros, e eu via os livros com o nome do meu avô na capa. Ele queria pôr-nos o vírus e colocar-nos o bichinho e conseguiu. Somos os dois professores de literatura e escritores. Foi uma experiência muito útil na transmissão de valores. “ E é graças à experiência de vida com o avô que vê a literatura não apenas como uma disciplina ou como propriedade das universidades, mas como algo que “faz parte integrante da vida, com uma forte componente humana, de transmissão oral e de vivência, porque não faz sentido um livro sem o escritor e sem alguém para o ler, para comentar “, e que, como tal, não é perfeito. “Para nós a literatura tinha uma voz. Ao ouvir Dante, com 12 anos, era a voz do meu avô, a voz de um homem de 70 anos que se enganava, que voltava atrás, que repetia”. Antonio Sáez Delgado começou a escrever muito novo, incentivado pelo avô. Acredita que a literatura é uma “doença que se deve amar mas também saber deixar a uma determinada distância”. Sempre quis, enquanto professor e escritor, que a sua participação na literatura não fosse apenas a de espectador. “Sempre tentei que o meu trabalho tivesse uma vocação social e não estivesse restrito a um pequeno número de leitores” confessa. Estuda as relações literárias entre Portugal e Espanha no início do século XX, “área muito restrita a especialistas daí sentir que devia fazer alguma coisa para ser um actor na cultura” e foi por isso que começou a traduzir. Através da tradução tirou do esquecimento autores desconhecidos “mas interessantes” que também fazem parte da história da literatura do século XX para que, quando alguém estudar a literatura do século XX “não fale apenas de António Lobo Antunes ou Saramago. Eu quero que os leitores espanhóis conheçam os autores que eu gosto da literatura portuguesa”. Cronista no suplemento literá-

Antonio Sáez Delgado nasceu ma Extremadura espanhola, colabora com o jornal “El Pais” e dá aulas em Évora. rio do El País, acredita que este é um trabalho com a dimensão social que defende. “Quero dar a conhecer às centenas de milhares de leitores deste suplemento determinado livro português que penso ter interesse e que vale a pena lerem. Não trabalho com células ou átomos, mas com palavras, que podem não salvar vidas, mas ajudam a melhorá-las”. Antonio Sáez Delgado foi o comissário da exposição Suroeste, dedicada às relações literárias e artísticas entre Portugal e Espanha, parte do calendário oficial da presidência espanhola da Comunidade Europeia em 2010, que esteve patente no “Museo Extremeño e Ibero-americano de Arte contemporânea” de Badajoz. “Foram dois anos de muito trabalho com um orçamento importante, seguros para mais de 400 peças, entre livros, documentos, fotografias, cinema, música e ar-

“Dificilmente encontramos um autarca que diga que menos importante que uma estrada é o futebol, as touradas ou a Feira de S. João. Nisso ninguém mexe”.

tes plásticas provenientes de 90 pontos de todo o mundo ” conta o professor sobre a exposição, que foi considerada pelos jornais El país e ABC entre as dez melhores do ano em Espanha. “Alguém no Ministério da Cultura espanhol leu o meu livro “Corredores de fondo” (sobre as relações literárias entre Portugal e Espanha) e fez-me a proposta de o transformar para 3 dimensões. O livro deve ter vendido 700 exemplares, felizmente entre esses 700 leitores, dez anos depois, um deles teve de fazer a programação cultural de algo importante, e pensou em mim”. Apesar de não contabilizar o número de visitantes da exposição, Antonio Sáez Delgado não se mostra preocupado. “Eu acredito que a cultura é algo ao qual as pessoas se devem aproximar, não é a cultura que se deve aproximar às pessoas baixando o nível. Interessa que as pessoas tenham um processo de educação”. O professor considera que o conceito de cultura está errado para alguns. “As pessoas pensam que a cultura serve para passar os tempos livres. Mas cultura é uma coisa, passatempo pode ser outra.” Na sua opinião, a cultura está estreitamente vinculada à educação e tem de ter um projecto. “O programador cultural tem de responder a uma lógica, a uma arquitectura, e pensar que a pessoa que acompanhe um ciclo cultural vai, no final, alcançar determina-

dos objectivos”. No entanto sublinha que não há um rendimento imediato. “A cultura merece respeito, não é uma área que se invista para ter retorno imediato”. E o professor até compreende que, em épocas de crise, seja preciso cortar nesta área, só não concorda que os cortes só sejam feitos naquilo que é considerado “alta cultura”. “Dificilmente encontramos um autarca que diga que menos importante que uma estrada é o futebol, as touradas ou a Feira de S. João. Nisso ninguém mexe”. Até porque defende que a “alta cultura” não é mais cara que a cultura popular, “o rendimento político que se tira de uma Feira é que é superior ao que se tira ao apoiar um evento literário por exemplo”. Actualmente Antonio Sáez Delgado divide a sua vida entre Portugal e Espanha e apesar de saber que vive uma situação privilegiada, sente-se por vezes um estrangeiro nos dois países. Veio aos 25 anos para a Universidade de Évora como leitor de espanhol, numa altura em que estava a fazer o doutoramento na Universidade da Extremadura e o número de alunos desta língua tem tido um crescimento exponencial na Universidade de Évora. Em 2008 foi reconhecido como tradutor com o prémio Giovanni Pontiero, concedido pelo Instituto Camões e pela Faculdade de Tradução da Universidade Autónoma de Barcelona.


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Radar

Foi a primeira sala construída de raiz, em Évora, para acolher sessões de cinema. Corria o ano de 1916.

Salão Central Eborense assinala 75 anos sem razões para festa Edifício congrega várias memórias da cidade, históricas e arquitectónicas.

D.R.

Luís Godinho | Texto Completamente abandonado desde 1996 apesar de sucessivas promessas de restauro e recuperação, sempre adiadas, o Salão Central Eborense está à beira de comemorar 75 anos. Inaugurado a 23 de Dezembro de 1916 numa zona nobre da cidade entre a Rua de Valdevinos e o Páteo do Salema, foi a primeira sala construída propositadamente em Évora para acolher cinema. E foi também, como em artigo posterior se explicará, um dos primeiros locais do país a exibir filmes sonoros, escassos quatro anos depois de a Warner Bros ter produzido “O Cantor de Jazz”, de Alan Crosland, o primeiro filme sonoro da história do cinema, e no mesmo ano em que o sistema Movietone passou a ser adoptado como padrão (1931). A estas memórias colectivas soma-se uma outra: em 1945 o edifício foi totalmente remodelado e modernizado num projecto assinado por Francisco Keil do Amaral, um dos grandes arquitectos portugueses de meados do século XX. Trata-se portanto de um edifício que congrega em si “vários patrimónios”, do cinema à arquitectura, sendo “parte integrante da história de Évora no século XX ao reflectir uma evolução arquitectónica e ser um espaço fundamental para a compreensão da sociedade eborense nos seus momentos de lazer e manifestações culturais e documento essencial para a construção da história do cinema em Évora”, como assinala a historiadora Tânia Rico (“Salão Central Eborense, um olhar sobre o património”, A Cidade de Évora, II Série, nº 5, 2001). Nada disto obviou a uma degradação progressivamente mais acentuada, fruto do abandono, que se intensificou quando o imóvel foi adquirido pela Câmara Municipal de Évora, há 15 anos, mas que havia começado muito tempo antes, pelo menos em 1988 quando acabaram as exibições de cinema. Ou, até, em momento ainda anterior, numa altura em que apenas exibia filmes pornográficos para uma assistência cada vez mais reduzida. Deve-se ao empresário José Augusto Anes, proprietário do Hotel Eborense (actual Solar de Monfalim), considerado à época o melhor da cidade, a iniciativa de construir “expressamente para o fim a que se destina” uma sala de cinema – ou, como se dizia então, um animatógrafo. Na cidade havia exibições regulares de cinema em salas como o Teatro Eborense (instalado no Palácio de D. Manuel) ou o Garcia de Resende, mas não passavam de soluções improvisadas. “O Salão Central é enfim uma instalação perfeita e de certa maneira luxuosa, que sem dúvida há-de atrair o público

Iniciativa da construção do Salão Central ficou a dever-se ao empresário José Augusto Anes, proprietário do, à época, afamado Hotel Eborense. eborense que não tem, como se sabe, muito onde passar as suas horas de ócio”, assinalaria o jornal Voz Pública um dia depois dea inauguração da nova sala de espectáculos. “Aplaudindo o senhor José Augusto Anes pelo seu arrojado empreendimento, sinceramente desejamos as maiores prosperidades à sua nova casa de recreio que veio trazer a este meio tão pobre de diversões um incremento apreciável”. O animatógrafo nasceu da adaptação de um espaço contíguo ao Hotel Eborense, onde anteriormente havia funcionado uma fábrica de lanifícios, tinha uma lotação para 784 espectadores, “uma galeria muito confortável”, restaurante e “magníficos salões” por onde desfilavam as elites da cidade. Como seria de esperar, a primeira noite de espectáculos decorreu “com a maior animação”, abrilhantada por uma orquestra regida pelo maestro Nicolau Junior. Nos dois dias seguintes houve novas sessões, “enchendo-se o vasto salão por completo”. Houve filas para comprar bilhete e nem toda a gente conseguiu entrar. A 4 de Janeiro de 1917, a Voz Pública registava que continuavam a registar-se

“enchentes” em todas as noites de espectáculo. O animatógrafo abria três vezes por semana, aos domingos, segundas e quintas-feiras, as sessões começavam pontualmente às 20h30 e a empresa proprietária prometia “fitas de grande efeito” dedicadas “à elite eborense”. As sessões eram em regra compostas por uma sinfonia, seguiam-se documentários de actualidades, algumas fitas có-

NÚmero

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<O Salão Central Eborense foi adquirido pela Câmara Municipal de Évora em 1996. Seguiu-se um período de abandono que já se prolonga há 15 anos, apesar de sucessivas promessas de restauro.>

micas e dramas como “Os Mistérios do Harém”, composto por 6 séries de 12 partes, exibido ao longo de três dias. “O Poeta e a Mulher”, “Dupla Partida”, “O Calvário de uma Noiva” e “Sadounah” preencheram a programação das primeiras semanas da nova “casa de recreio”. Associado ao Salão Central Eborense, a 17 de Agosto de 1919 começa a ser publicado o bi-semanário O Animatógrafo, propriedade de F. Luís de Oliveira, que se dedicava à publicação de argumentos dos filmes em exibição na cidade. Os primeiros sete números tiveram distribuição gratuita, passando depois a ser vendido ao preço de 2 centavos por exemplar. “Évora torna-se pioneira na história da imprensa cinematográfica”, explica Antónia Canivete, autora de um estudo sobre o cinematógrafo em Évora (1898-1920). “Este jornal funcionou quase exclusivamente como veículo de propaganda ao Salão Central Eborense e ao seu empresário já que todos os seus números incluíam o programa e os argumentos dos filmes que passavam no seu écran”. Teve vida efémera, ao desaparecer em Abril de 1920. Dois anos depois era o próprio Salão Central que fecharia portas para reabrir, remodelado, a 21 de Julho de 1923.


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Radar

As cinzas do cantor lírico nascido no Alentejo foram depositadas junto ao monumento em sua honra. 49 Um olhar antropológico José Rodrigues dos Santos* Antropólogo

Uma Europa do Touro: O espírito do Sul Uma geografia dos jogos taurinos na viragem da Idade Média para a Idade Moderna (do século XV para o século XVI) mostra já um fenómeno notável: a sua concentração no Sul da Europa ocidental e em particular na Península Ibérica. Admitindo a antiguidade dos jogos taurinos e a sua difusão antiga em toda a margem Norte do Mediterrâneo, admitindo ainda uma certa continuidade apesar da ausência de documentos, o facto é que essas práticas se extinguiram na parte oriental e subsistiram apenas no Ocidente mediterrânico. É de notar também que dois ou três séculos mais tarde, quando as tauromaquias modernas são elaboradas, “codificadas”, se restringem à área cultural na qual terá havido continuidade desde a Idade Média. A tauromaquia parece incapaz de propagar-se para a Europa do Norte ou de Leste, e isto desde sempre. Ao antropólogo que se interroga sobre esta polarização do espaço cultural entre Sul e Norte e entre Ocidente e Oriente europeus, ocorre a imagem da escultura monumental da Bolsa de Frankfurt. Nela defrontam-se dois animais: um Touro e um Urso. Ignoro qual o grau de consciência do escultor quanto ao significado simbólico mais profundo desse combate que encena, aos olhos dos financeiros, a tendência para a subida das cotações (Touro) ou para a descida (Urso). Mas podemos ver aí a inconsciente oposição entre as regiões do Touro, o Sul, e os países do Urso (a Europa do Norte e do Centro - Este). Com efeito, se bem que tenha vivido e inspirado mitos e rituais em toda a Europa, o Urso representa um valor excepcional para as culturas nórdicas. Associado à Primavera, ao renascer, é a força selvagem por excelência. Combates contra o Urso marcavam a passagem dos jovens nórdicos ao estado adulto em grupos rituais disfarçados de Ursos (“Bersekers”). Da Suíça à Escandinávia, desta às regiões célticas da Grã-Bretanha e da Irlanda (o Rei Artur é “Arctus”, o Urso e o grande Norte é o “Árctico”), o Urso é a máxima expressão da força selvagem. O Sul, ao invés, é o mundo do Touro. Diferente do Urso que hiberna, e para além da força bruta, o Touro exprime a potência permanente da natureza, sem se limitar ao ciclo anual das estações. Hoje, a geografia dos jogos taurinos coincide com a zona de influência das culturas ibéricas, tanto na Europa como no Novo Mundo. E é interessante que se tenham mantido ausentes duma larga área europeia. *CIDEHUS - Universidade de Évora e Academia Militar jsantos@uevora.pt

Tomás Alcaide homenageado pela cidade de Estremoz D.R.

Tenor alcançou projecção internacional em 22 anos de carreira. A cidade de Estremoz prestou uma homenagem a Tomaz Alcaide, nome incontornável da Cultura europeia do século XX. A sua carreira de cantor lírico, que decorreu por cerca de 22 anos, de 1924 a 1948, atingiu um extraordinário brilho, na cena lírica internacional, com repetidas actuações nos mais famosos palcos da Europa, da América do Norte e da América do Sul. Pelas mãos do presidente da Câmara Municipal de Estremoz, Luís Mourinha, foi entregue à viúva do tenor, Asta Rose Alcaide, o título póstumo de Cidadão Honorário de Estremoz e a Medalha de Ouro de Mérito Municipal, entregues a Tomaz Alcaide pelo seu “excelente trabalho como cantor lírico”. Junto ao monumento em sua honra, numa cerimónia simples, foram depositadas junto à base do mesmo as suas cinzas. Segundo a autarquia, a iniciativa visou

Irmãs Flores expõem trabalhos “Alentejo do Passado” é o tema integrador da exposição de barrística popular estremocense, a inaugurar pelas 16 horas do próximo sábado, dia 19 de Novembro, na Sala de Exposições do Centro Cultural Marques Crespo, em Estremoz. A exposição integra 77 bonecos que as Irmãs Flores criaram com a magia das suas mãos e o fascínio das suas cores, dos quais 32 são figuras novas que vêm enriquecer a barrística popular estremocense. A exposição está estruturada em nove áreas que procuram dar uma visão do Alentejo do passado: pastorícia, colecta, ciclos do pão, do azeite e do vinho, tiragem de cortiça, hora, água e vida na cidade. A exposição estará patente ao público até ao dia 14 de Janeiro de 2012, podendo ser visitada de 3ª feira a sábado, entre as 9h00 e as 12h30 e das 14h00 e as 17h30. A iniciativa é da Associação Filatélica Alentejana e conta com o apoio da Câmara Municipal de Estremoz.

Filme sobre bonecos

O portal Mistério Juvenil disponibilizou no seu canal de TV um filme documental, realizado em 1976, por Lauro António sobre os bonecos de Estremoz, desde a preparação do barro até à pintura final dos bonecos, tão típicos de Estremoz. Este filme faz parte da filmoteca do Mistério Juvenil em suporte película de 16mm e que agora foi disponibilizado ao público para que seja possível apreciar tão rica obra artesanal e que por muitos é desconhecida.

Luís Mourinha entregou o título de cidadão honorário à viúva de Tomás Alcaide. “prestar a este ilustre filho de Estremoz uma homenagem justamente merecida”. As cinzas de Tomaz Alcaide seguiram depois, com guarda de honra do Colégio Militar (que o tenor frequentou) e em viatura do RC3, até ao Monumento em sua honra no Largo dos Combatentes, local PUB

onde foram depositadas. Asta Rose Alcaide, emocionada, agradeceu a homenagem e recebeu com orgulho as referidas distinções, mencionando que Tomaz Alcaide gostava muito da sua terra natal e que não poderá haver melhor local para depositar as suas cinzas.


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Radar

“Café Mário” estreia no próximo sábado, no Teatro Garcia de Resende. Ficará em cena até 18 de Dezembro.

Cendrev estreia ficção ”apanhada“ pela realidade D.R.

Peça com encenação de Pierre Etienne Heymann é homenagem a Mário Barradas, fundador do Cendrev. Pedro Galego | Texto Estreia no próximo sábado o mais recente espectáculo do Centro Dramático de Évora (Cendrev). Café Mário é, segundo a companhia, não só uma homenagem ao falecido fundador Mário Barradas, mas ao mesmo tempo um “manifesto” pela conjuntura e “período de trevas” atravessado pela instituição criada em 1975, e uma das pioneiras na descentralização do teatro dos grandes centros urbanos. Uma “ficção apanhada pela realidade” é o mote para o retrato levado a cena no Teatro Garcia de Resende, seguramente uma das peças mais sentimentais e introspectivos da história recente do Cendrev. Esta nova produção é um desafio que a companhia lançou a si mesma para evocar o homem, a obra e o pensamento do fundador deste projecto teatral criado em Janeiro de 1975 em Évora. Para a sua concretização, o Cendrev contou com a preciosa colaboração de um amigo de longa data com quem já partilhou diversas aventuras artísticas. “Café Mário” é um espectáculo com autoria e encenação de Pierre Etienne Heymann, organizado a partir de textos de William Shakespeare Alfred Jarry, Tankred Dorst, Marivaux, Bernard-Marie Koltès, Ruzante, Gil Vicente, Fernando Pessoa, Eugénio de Andrade, Manuel da Fonseca, Bertolt Brecht, Mário Barradas e também do autor. Conta a história de uma companhia de teatro que se vê confrontada com o aparecimento de uma figura misteriosa que todas as noites assombra o palco do teatro: um Espectro que espera ser vingado pelos seus herdeiros. Trata-se de um espectáculo que fala do trabalho teatral e da sua dimensão cultural, neste tempo profundamente adverso em que vivemos. “Café Mário” é um projecto dirigido por Pierre Etienne Heymann com cenografia e figurinos de Elsa Blin, direcção e interpretação musical de Bruno Cintra, iluminação de António Rebocho e conta com a interpretação de todo o elenco permanente da companhia e de dois jovens estagiários que terminam a sua formação na Universidade de Évora: Álvaro Corte Real, Ana Meira, Jorge Baião, José Russo, Maria Marrafa, Rosário Gonzaga, Rui Nuno, Victor Zambujo e André Salvador e Fábio Moreira. Este espectáculo, que propõe também um envolvimento diferente do público, tem a sua lotação limitada a 80 espectadores e vai estar em cena no Teatro Garcia de Resende de 19 de Novembro a 18 de Dezembro, de quarta a sábado às 21h30, domingo às 16h00. Ao Registo, José Russo, director do Cendrev, explicou que a idea surgiu “após

“Café Mário” é uma peça que “mergulha no universo dos grandes autores universais para contar uma fábula”. uma conversa sobre a possibilidade de organizar uma exposição que pudesse ser o retrato de uma vida dedicada ao teatro”. “Começámos de imediato a pensar num espectáculo que, a par desse retrato, desse forma a esse percurso impar [de Mário Barradas] que contribuiu de forma decisiva para o aparecimento de novas geraD.R.

ções de homens e mulheres que vieram a dedicar-se profissionalmente ao teatro”. “A questão podia resolver-se com a montagem de uma peça que o Mário não tivesse tido tempo para fazer ou voltando a uma que o Mário tivesse gostado particularmente de ter feito. Mas não, quando no passo seguinte desafiámos o companheiro e amigo Pierre-Etienne, para dirigir esta aventura e ele aceitou fazê-lo, percebemos de imediato que estava lançado o caminho para a construção de um espectáculo verdadeiramente extraordinário na vida da companhia”, adianta o responsável. A peça, acrescenta, está “organizada com um imenso sentido do teatro, que mergulha no universo dos grandes autores universais para contar uma fábula que, como diz o autor, foi claramente apanhada pela dramática situação em que o Cendrev se encontra”. É também o nosso manifesto sobre este “tempo de trevas que atravessamos”, um tempo marcado por profundos retrocessos nas condições de vida de muitos milhares de pessoas, nomeadamente aquelas que vivem do seu trabalho, como é o caso também dos trabalhadores do Cendrev, técnicos, actores e administrativos que, apesar das imensas dificuldades por que estão a passar, conseguiram erguer este projecto artístico com o profissionalismo que lhes é reconhecido”, rematou o responsável. Segundo José Russo, “Café Mário” poderá ainda ser o fim de um ciclo deste pro-

jecto porque, passados todos estes anos, “não aceitamos que a nossa relação com a cidade possa ser determinada por fórmulas estritamente mercantilistas de tratamento da cultura”. Por seu turno, o encenador e autor, Pierre-Etienne Heymann, descreve a peça como uma “fábula contemporânea”. “No palco de um teatro, um espectro, igual ao de Hamlet, denuncia o assassínio do pai da companhia e, por este atentado, a extinção progressiva da profissão teatral e da sua acção social”. O inquérito traz à luz do dia as astúcias das autoridades (a organização “sonsa” do dinheiro), sempre presentes e activas. Os comediantes representam excertos de peças que servem de argumentos, de recordações históricas e de hinos fervorosos. “Pouco a pouco organizam a resistência. Com a ajuda dos espectadores, um teatro autêntico pode renascer, no meio do Café Mário. Esta comédia, dedicada a Mário Barradas, o meu amigo, o meu irmão, é uma advertência contra os perigos mortais que ameaçam a arte do Teatro – e a arte em geral – na sociedade de hoje. Também quer transmitir uma mensagem de esperança e de fé no poder indestrutível do Teatro”, diz o encenador. “ Mas quando escrevi esta peça, durante o inverno passado, não podia prever que a minha ficção seria apanhada pela realidade, e que viria a ser representada no mesmo momento em que a “criança” de Mário Barradas, o CENDREV, é “ameaçado” de extinção”, conclui.


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Radar Dança

EXPOSIÇÃO

OUTROS

Montemor-o-Novo

Estremoz

Flamenco Contemporâneo

pintura de Maurizio “Sementes do Universo” – Ateliê de Lanzilotta – “Landscape by heart”. Pintura

19 de Novembro | 20h00 | Convento de S.Paulo. Espectáculo de Flamenco Contemporâneo, interpretado por Maribel Ramos. Viana do Alentejo

“Concertos Classicos”

19 de Novembro de 2011 Recital de Acordeão com Gonçalo Pescada – o Tema deste recital invulgar será dedicado ao sistema convertor, ao seu funcionamento e á sua influencia na musica escrita para acordeão. O programa sugerido percorre váreos caminhos, desde a transcrição da famosa Chaconne em Ré Menor de Johann Sebastien Bach até á musica original contemporãnea dos compositores Edison Denisov e Franco Donatoni. Este evento integra a Semana Sénior. Reguengos de Monsaraz

Jorge Roque & Projecto Madrugada

19 de Novembro de 2011 Espetáculo de angariação de fundos para o futuro lar de idosos de Campinho. Horário: 21h00 Local: Auditório Municipal, Praça da Liberdade Organização: Centro Social e Paroquial do Sagrado Coração de Jesus do Campinho Apoio: Reguengos de Monsaraz

Até 27 de Novembro Maurizio Lanzillotta, artista italiano, vive em Espanha desde 1987. A sua permanência nesse país influenciou a sua arte que tomou uma nova dimensão. A paisagem, seu tema de eleição, nesta nova aventura, com independência de tratar-se de uma figuração «naturalista », destaca sobretudo uma representação que lhe confere uma autonomia constituindo-se em imagem espiritual e onírica. Évora

CHARTRES EN LUMIÈRES

Até 31 de Março de 2012 | Átrio dos Paços do Concelho Mostra fotográfica do evento “Chartres en Lumières”, realizado na cidade francesa de Chartres, geminada com Évora, e que reúne todos os anos, desde 2003, quase um milhão de pessoas para assistir à iluminação cénica multicolor dos principais monumentos da cidade, durante mais de 100 noites. No dia da inauguração terá lugar uma conferência sobre o Património em Chartres. Info: 266 777 000 Email: cmevora@mail.evora.net | Site: www.cm-evora.pt Org.: Câmara Municipal de Évora | Câmara Municipal de Chartres Nota: Evento integrado nas Comemorações dos 25 Anos de Évora Património Mundial

Monsaraz

Até 8 de Janeiro de 2012 Ateliê de pintura que Alice Alves realiza na Vila Mediaval de Monsaraz, trabalhando ao vivo. Alice Alves é uma pintora autodidacta que iniciou a sua actividade artistica há mais de uma década. Desde 2005 participou em exposições individuais e colectivas em França, Alemanha, e Portugal. Actualmente deseja desenvolver a sua arte como método de terpia para crianças com dificuldades e deficiencias. Esta Mostra Integra o Ciclo de Exposições Monsaraz Museu Aberto. Horário: das 10h ás 13h e das 14h ás 18h Local: Casa Monsaraz Aguiar

Saladas tipográficas e outras barbaridades afins

De Sábado 05 de Novembro de 2011 | 16:00 a Sábado 31 de Dezembro de 2011 | 17:30 | Teatro Bernardim Ribeiro Uma brincadeira gráfica, um jogo de escrita, uma construção de letras, estilos e imagens em combinações divertidas. É este o resultado do trabalho de Pedro Proença. A história da imprensa e da ilustração, assim como as vanguardas artísticas do princípio do século XX.

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Carneiro Ligue já! 760 10 77 31 Carta Dominante: 10 de Paus, que significa Sucessos Temporários, Ilusão. Amor: Evite precipitar-se nas decisões que toma. Pense bem para que não se arrependa mais tarde. Saúde: Poderá constipar-se. Agasalhe-se bem. Dinheiro: Analise as suas finanças e veja como rentabilizá-las.

Touro Ligue já! 760 10 77 32 Carta Dominante: Valete de Espadas, que significa Vigilante e Atento. Amor: Procure não ter o seu coração tão fechado. Dê a si mesmo a oportunidade para conquistar a felicidade. Saúde: Previna-se contra as constipações. Dinheiro: Reflicta sobre uma proposta profissional que lhe poderá ser feita.

Caranguejo Ligue já! 760 10 77 34 Carta Dominante: Rei de Espadas, que significa Poder, Autoridade. Amor: Período favorável ao romance. Poderá surgir uma pessoa que se tornará importante na sua vida. Saúde: Cumpra o horário das refeições. Evite estar muitas horas sem comer. Dinheiro: Acautele-se contra possíveis perdas de dinheiro. Previna-se para não sofrer dissabores.

Leão Ligue já! 760 10 77 35 Carta Dominante: 5 de Espadas, que significa Avareza. Amor: A sua experiência de vida poderá ajudar um amigo a orientar a sua vida. Seja solidário com quem solicitar o seu apoio. Saúde: Procure o seu médico assistente com maior regularidade. Faça análises de rotina. Dinheiro: Seja mais dedicado ao trabalho. Procure não desistir dos seus objectivos.

Balança Ligue já! 760 10 77 37 Carta Dominante: O Julgamento, que significa Novo Ciclo de Vida. Amor: Poderá suscitar paixões arrebatadoras, mas pense bem naquilo que realmente quer. Saúde: Cuidado com aquilo que come. Poderá colocar em risco a sua dieta. Dinheiro: Defenda-se de um colega mal intencionado, sendo honesto e consciente das suas capacidades.

Escorpião Ligue já! 760 10 77 38 Carta Dominante: Ás de Paus, que significa Energia, Iniciativa. Amor: Mantenha a alegria e o optimismo que o caracterizam. Motivará as pessoas que estão ao seu redor. Saúde: Maior tendência para se sentir sonolento e sem vigor físico. Dinheiro: Poderão surgir alguns problemas profissionais. Mantenha a calma, de modo a resolver os imprevistos da melhor maneira.

CAPRICÓRNIO Ligue já! 760 10 77 40 Carta Dominante: 3 de Ouros, que significa Poder. Amor: Dedique mais tempo a si mesmo. Planeie um período de descanso a dois. Saúde: A sonolência e a preguiça irão marcar a sua semana. Tente travar essa tendência. Dinheiro: Seja mais compreensivo com os seus colegas de trabalho. Se agir dessa forma conseguirá conquistar um bom ambiente.

AQUARIO Ligue já! 760 10 77 41 Carta Dominante: 5 de Copas, que significa Derrota. Amor: Semana favorável ao convívio. Convide alguns amigos para saírem consigo. Saúde: Poderá sentir-se mais cansado que o habitual. Tome um duche quente e relaxe. Dinheiro: Assente os pés na terra e saiba aquilo com que conta. Pense bem antes de agir.

Telefone: 21 318 25 91 E-mail: mariahelena@mariahelena.tv

Gémeos Ligue já! 760 10 77 33 Carta Dominante: 7 de Copas, que significa Sonhos Premonitórios. Amor: Procure fazer uma surpresa à sua cara-metade criando um ambiente romântico. Saúde: Procure descansar um pouco mais. Dinheiro: Evite comentar os seus planos profissionais. Guarde as suas intenções a sete chaves.

Virgem Ligue já! 760 10 77 36 Carta Dominante: 6 de Ouros, que significa Generosidade. Amor: o pessimismo e a falta de confiança não favorecem a realização pessoal. Saúde: Descanse o máximo que puder. Se tiver oportunidade faça sessões de massagem. Dinheiro: Coloque em marcha um projecto muito importante para a sua carreira profissional.

Sagitário Ligue já! 760 10 77 39 Carta Dominante: Os Enamorados, que significa Escolha. Amor: O amor marcará esta semana. Faça os possíveis para manter essa estabilidade. Saúde: Propensão para uma pequena indisposição. Se achar necessário consulte o seu médico. Dinheiro: As suas qualidades profissionais serão reconhecidas e poderá ser recompensado.

PEIXES Ligue já! 760 10 77 42 Carta Dominante: Rei de Copas, que significa Poder de Concretização, Respeito. Amor: Aproveite os momentos com a família pois dar-lhe-ão um grande bemestar emocional. Saúde: Cuide da sua alimentação com maior vigor. Dinheiro: Estará financeiramente estável, por isso, poderá satisfazer um capricho seu.

Sugestão de filme

O rapaz do pijama as riscas

Ao regressar da escola um dia, Bruno constata que as suas coisas estão a ser empacotadas. O seu pai tinha sido promovido no trabalho e toda a família tem de deixar a luxuosa casa onde vivia e mudarse para outra cidade, onde Bruno não encontra ninguém com quem brincar nem nada

Horóscopo semanal

para fazer. Pior do que isso, a nova casa é delimitada por uma vedação de arame que se estende a perder de vista e que o isola das pessoas que ele consegue ver, através da janela, do outro lado da vedação, as quais, curiosamente, usam todas

um pijama às riscas. Como Bruno adora fazer explorações, certo dia, desobedecendo às ordens expressas do pai, resolve investigar até onde vai a vedação. É então que encontra um rapazinho mais ou menos da sua idade, vestido com o pijama às riscas que ele já tinha observado, e que em breve se torna o seu melhor amigo…

A Prova de Fogo Direcção: Alex Kendrick Sinópse:

O casamento está em vias de extinção. A cada ano, aumenta o número de divórcios no mundo. E, mesmo entre aqueles que resistem à “solução” da separação, muitos apenas se suportam, vivendo infelizes debaixo do mesmo teto. O filme “A Prova de Fogo” toca nessa ferida,

aponta os prováveis e mais comuns motivos desse problema e propõe a solução para ele. Caleb Holt é capitão do Corpo de Bombeiros de Albany, EUA, tido como herói em sua cidade. A metáfora é evidente: ele salva pessoas quase

todos os dias, mas é incapaz de salvar o próprio casamento. Percebendo a situação, o pai dele propõe um desafio antes de o casal partir para a separação. Relutante, Caleb aceita. (Detalhe: o ator principal é Kirk Cameron, que estrelou na adolescência uma série de sucesso e decidiu, depois, dedicar-se a projetos que promovessem o bem.)


D.R.

Sede Rua Werner Von Siemens, n.º16 -7000.639 Évora Tel. 266 751 179 Fax 266 751 179 Email geral@registo.com.pt SEMANÁRIO

Olivença

Misericódia faz 510 anos No próximo dia 20 de Novembro de 2011 cumprir-se-ão 510 anos de aniversário da fundação do Hospital e Santa Casa da Misericórdia de Olivença. Como desafio principal para os próximos anos, e com as condicionantes sociais e assistenciais que marcam a época actual, a Santa Casa da Misericórdia propõe-se dinamizar a imagem, a gestão, e a expansão de uma das instituições mais antigas da Península, oferecendo um serviço adequado aos novos tempos, sem perder a identidade que durante cinco séculos a converteram em parte indissolúvel da localidade de Olivença e do seu termo. Fundada em 1501, é o elemento mais “diferenciador”, mais inconfundível da herança portuguesa em Olivença, prestando ao mesmo tempo um serviço indispensável na assistência geriártrica/ assistencial e preservando um considerável acervo de valores culturais que forjam a marca da personalidade oliventina. A instituição presta serviços ao domicílio (residenciais) e geriártricos a 48 pessoas da terceira idade, dando trabalho directo a mais de 20 pessoas. PUB

Dança

Companhia estreia nova produção

Estreia dia 5 de Dezembro a nova criação de Rafael Leitão, baseada na obra “O Sr. Walser” de Gonçalo M. Tavares. O espectáculo, dirigido a um público a partir dos 4 anos de idade, irá circular pelos estabelecimentos de ensino da cidade. A partir do texto com o mesmo título de Gonçalo M. Tavares, o espectáculo, apresenta uma proposta de construção de um espaço – A Casa – que inclui zonas importantes do corpo e da mente. Rafael Leitão recorreu ao universo populacional do projecto da CDCE Dança na Escola para explorar, num primeiro tempo, o texto e depois construir materiais com os alunos que figuram no conteúdo do espectáculo. A composição final inclui além de elementos da partitura do texto, a interpretação e a história vivencional dos alunos com o personagem.

Saúde

Autocarro pára em Évora para ensinar a dar a volta à diabetes Iniciativas agendadas para amanhã na Praça 1º de Maio. O desconhecimento relativo à diabetes, as ideias preconcebidas e os mitos associados criam um sério obstáculo ao tratamento e prevenção da doença. No âmbito do Dia Mundial da Diabetes, a acção “Vamos dar a volta à Diabetes”, promovida pela Lilly Portugal e pela Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP), apela a uma maior participação das pessoas, mostrando que é possível alterar comportamentos e minimizar o risco associado à doença. Esta iniciativa, que passará por Évora (Praça 1.º de Maio) no dia 18 de Novembro, vai ao encontro dos objectivos definidos pela Federação Internacional da Diabetes para 2011 que considera fundamental que as pessoas saibam o que é a diabetes, quais os riscos associados e como prevenir ou controlar a doença,

atrasando as suas complicações. “A diabetes é uma doença em crescente expansão em todo o mundo e que pode afectar todos, sem limitações de idade, sexo ou local de residência. Quando não devidamente tratada, é a causa do surgimento de graves complicações, tais como cegueira, falência renal e doenças cardiovasculares”, diz João Nabais, docente da Universidade de Évora e presidente eleito da Federação Internacional da Diabetes, Região Europa. Na unidade móvel que estará na Praça 1.º de Maio, através de conteúdos interactivos simples e didácticos, qualquer pessoa pode ficar a saber mais sobre a diabetes, poderá testar os seus conhecimentos sobre a doença, conhecer melhor a sua condição física e histórico clínico, e aceder, no final, a dicas e sugestões úteis

para um estilo de vida saudável. No local estará um profissional de saúde para dar respostas às questões dos visitantes. Será ainda possível conhecer melhor a história da APDP, a mais antiga associação de diabetes do mundo, assim como o trabalho desenvolvido pela mesma. No website www.vamosdaravoltaadiabetes.com a actualização sobre esta iniciativa será diária. Os hábitos de vida saudáveis são fundamentais para prevenir e controlar a doença. Para sublinhar a importância do exercício físico decorrerá junto à unidade móvel, às 17h00, uma sessão do “Caminhar para o Equilíbrio”, um programa educacional da Lilly Portugal para pessoas com diabetes tipo 2, constituído por actividades estruturadas que visam o aconselhamento nas áreas da alimentação e do exercício.


Registo ed181  

Edição 181 do Semanário Registo

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