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SEMANÁRIO

Director Nuno Pitti Ferreira | 03 de Novembro de 2011 | ed. 179 | 0.50€

Luís Pardal | Registo

“Não temos sentido a crise no turismo”

Conferência ACEGE debate boas práticas

Ceia Da Silva O presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo

diz que o sector tem conseguido escapar à crise, com taxas de crescimento nos últimos três anos. “Todas as regiões aumentaram a oferta mas a única onde a procura subiu de forma consecutiva foi o Alentejo”, diz Ceia da Silva, defendendo a importância dos organismos regionais de turismo.

Pág.16 “AconteSer com responsaLuís Pardal | Registo

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O Melhor Petisco | Rua Catarina Eufémia , 14 Horta das Figueiras | 7005-320 Évora 266771284

bilidade social”. Foi esta a temática de um jantar-conferência organizado em Évora pela Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE). A iniciativa contou com a presença de Armindo Monteiro, presidente da Compta, e do Arcebispo de Évora, D. José Alves. D.R.

Roteiro Festejar o São Martinho Pág.11 A tradição ainda é o que era: acabadas as vindímas, aproxima-se o São Martinho, dia em que se prova o vinho novo. No Alentejo, região de bons vinhos, não faltam percursos para verdadeiros apreciadores. D.R.

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‘Task-force’ para Alqueva

Governo vai criar equipa para dinamizar reconversão das explorações agrícolas. O Ministério da Agricultura vai criar uma task-force para implementar um conjunto de medidas dinamizadoras da reconversão tecnológica do sequeiro para o regadio na região de Alqueva, apurou o Registo junto PUB

de fonte oficial. A task-force terá o apoio das estruturas regionais, nomeadamente da Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Alentejo, das associações de agricultores e da Empresa de

Desenvolvimento e Infra-estruturas de Alqueva (EDIA). Quanto à conclusão do sistema de rega, o Governo diz que só no final do ano será possível apontar datas.


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A Abrir Pedro Henriques | Cartoonista www.egoisthedonism.wordpress.com

Deixem o ministro trabalhar!

Carlos Sezões Gestor/Consultor

Mais de 100 dias depois da posse do governo, com os sobressaltos que todos conhecemos, é natural que muitos saiam já da sua timidez e comecem a criticar o novo executivo pelo que fez, pelo que ainda não fez e pelo que deveria ter feito. É assim em democracia e não vem mal ao mundo por causa disto. Mas, claro está, mentes mais frias e tortuosas não atiram pedras ao acaso e é visível que o primeiro alvo para muitos é o ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira. É à primeira vista, em abono da verdade, o alvo mais fácil. A economia portuguesa está no estado que conhecemos e, para alguns, o ministro deveria ser mágico e resolver em 3 meses o que muitos não resolveram em 10 anos. É independente, não tem peso partidário, é académico e, pelos vistos, demasiado humilde. Prefere ser apenas “Álvaro” e dispensa os formalismos de Senhor Ministro, Excelência ou Doutor, desafiando um certo conservadorismo que teima em reinar em Portugal. Tem obra publicada e uma visão clara das vantagens competitivas de Portugal e (pecado capital neste país) até diz o que pensa. Depois tem um ministério extenso (tem economia, energia, transportes, turismo, obras públicas) e situações potencialmente melindrosas nas mãos. Neste último mês, já foi atacado por tudo. Por andar desaparecido e falar pouco, por ter ressuscitado o TGV, por não se decidir sobre a descida da TSU, por ter escrito há uns

anos que gostaria que Portugal fosse a Florida da Europa, pelas privatizações (que ainda nem aconteceram), por estar supostamente a pôr em risco o emprego de muitos, facilitando os despedimentos…Enfim, por tudo e pelo seu contrário, pelo que é essencial e pelo que é acessório. Apesar de sensível às preocupações que surgem de boa fé, a primeira reacção é esta: deixem-no trabalhar! Álvaro Santos Pereira pode ter mil e um defeitos mas, pelo menos tem uma agenda definida que irá operacionalizar ao longo de 4 anos. Não tem a postura de muitos dos seus antecessores que preferiam pavonear-se com grandes empresários, anunciando várias vezes projectos que depois nunca saíam do papel. Prefere, com recato e profissionalismo, trabalhar o contexto e as condições de atractividade da economia portuguesa em vez de andar em mediatismos fúteis. Os argumentos ou pretextos que reproduzi atrás ou mostram um misto de ignorância, como a confusão entre alta-velocidade e alta prestação ferroviária, ou imobilismo, na questão do emprego, de quem não percebe que o mundo mudou muito nestes 15 anos, enquanto os nossos manuais de economia e os discursos se mantiveram os mesmos. Concordo inteiramente com as linhas estratégicas que Santos Pereira tem para a economia portuguesa. Não sei se as conseguirá concretizar. Penso que merece, contudo, as condições e o tempo para tentar.

“Sete mil milhões”

A Cimeira do Euro: Mais um passo, ainda que curto! António Serrano Deputado

Após a triste figura do “casal” “Merkosy”, na liderança da última Cimeira de 26 de Outubro, em que Merkel e Sarkosy, marcam e desmarcam reuniões, chegaram ao seguinte acordo: 1. Garantir a diminuição da rátio da dívida grega em relação ao PIB com o objectivo de atingir 120% até 2020. Os Estados-Membros da área do euro darão um contributo para o pacote relativo à participação do sector privado que poderá ir até 30 mil milhões de euros. O desconto nominal será de 50% da dívida grega nacional detida por investidores privados. Até ao fim do ano será estabelecido um novo programa plurianual da UE e do FMI que assegurará um financiamento até 100 mil milhões de euros e que será acompanhado de um reforço dos mecanismos de controlo da implementação das reformas. O impacto desta decisão afastará a Grécia dos mercados internacionais durante anos, mas é a incapacidade de da União em ter percebido cedo que a Grécia não poderia pagar uma dívida daquela dimensão e com a destruição da economia. Portugal está neste trilho.

2. A significativa optimização dos recursos do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), sem alargar as garantias subjacentes ao fundo. As opções acordadas permitirão alavancar os recursos do FEEF. O efeito de alavancagem de ambas as opções variará, dependendo das respectivas características específicas e das condições de mercado, mas poderá ser multiplicado por 4 ou 5, prevendose que ascenda a cerca de 1 bilião de euros. As condições de implementação destas opções foram adiadas para Novembro, pelo que teremos que continuar a esperar! 3. Um conjunto de medidas abrangentes destinadas a fomentar a confiança no sector bancário facilitando o acesso ao financiamento a prazo através de uma orientação coordenada a nível da UE e do aumento dos fundos próprios dos bancos para 9% do capital de base do nível 1 até ao final de Junho de 2012. As autoridades nacionais de supervisão têm de assegurar que os planos de recapitalização dos bancos não conduzam a uma desalavancagem excessiva. Em Portugal

esta medida traduz-se na entrada temporária do Estado no Capital dos Bancos, uma espécie de nacionalização parcial, pelo que se entende a relutância dos nossos bancos, mas não têm alternativa. 4. Um compromisso inequívoco no sentido de garantir a disciplina orçamental e acelerar as reformas estruturais promotoras do crescimento e do emprego. A Espanha está a desenvolver esforços especiais. A Itália assumiu novos compromissos firmes em matéria de reformas estruturais. Portugal e a Irlanda prosseguirão os respectivos programas de reformas com o apoio dos nossos mecanismos de gestão de crises. Aqui temos apenas conversa, traduzida em mais austeridade em cima de austeridade, sem uma abordagem real para animar a economia. 5. Um reforço significativo da coordenação e supervisão económica e orçamental. Será instaurado um conjunto de medidas muito específicas, que vão além do recém-adoptado pacote da governação económica. Será… Quando? Não sabemos!

6. Dez medidas para melhorar a governação da área do euro. Vamos aguardar! 7. Um mandato ao Presidente do Conselho Europeu para, em estreita colaboração com o Presidente da Comissão e o Presidente do Eurogrupo, identificar eventuais medidas de reforço da união económica, inclusive explorando a possibilidade de introduzir alterações limitadas no Tratado. Será apresentado um relatório intercalar em Dezembro de 2011. Será ultimado até Março de 2012 um relatório sobre a forma de implementar as medidas acordadas. Os mercados entenderam bem que estamos a “empatar” para ver se a crise passa! O conjunto destas medidas, no contexto de redução do crescimento da China, das dificuldades de retoma dos Estados Unidos, do aumento brutal dos níveis de desemprego na Europa e nos Estados Unidos, são manifestamente insuficientes e constituem o fermento de uma hecatombe económica e social para a qual ainda não estamos preparados. Desejo profundamente estar errado nesta interpretação dos factos.

Ficha Técnica SEMANÁRIO

Director Nuno Pitti Ferreira (nuno.pitti@registo.com.pt) Editor Luís Godinho Propriedade PUBLICREATIVE - Associação para a Promoção e Desenvolvimento Cultural; Contribuinte 509759815 Sede Rua Werner Von Siemens, n.º16 -7000.639 Évora - Tel: 266 751 179 fax 266 751 179 Direcção Silvino Alhinho; Joaquim Simões; Nuno Pitti Ferreira; Departamento Comercial Teresa Mira (teresa.registo@gmail.com) Paginação Arte&Design Luis Franjoso Cartoonista Pedro Henriques (pedro.henriques@registo.com.pt); Fotografia Luís Pardal (editor) Colaboradores Pedro Galego; Carlos Moura; Capoulas Santos; Sónia Ramos Ferro; Carlos Sezões; Margarida Pedrosa; António Costa da Silva; Marcelo Nuno Pereira; Eduardo Luciano; José Filipe Rodrigues; Luís Martins Impressão Funchalense – Empresa Gráfica S.A. | www.funchalense.pt | Rua da Capela da Nossa Senhora da Conceição, nº 50 - Morelena | 2715-029 Pêro Pinheiro – Portugal | Telfs. +351 219 677 450 | Fax +351 219 677 459 ERC.ICS 125430 Tiragem 10.000 ex Distribuição Nacional Periodicidade Semanal/Quinta-Feira Nº.Depósito Legal 291523/09 Distribuição Miranda Faustino, Lda


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Actual

Ministério da Agricultura vai avançar com medidas específicas de apoio à reconversão de explorações.

Cristas promete ‘task-force’ para promover regadio Luís Godinho | Texto

Calendário para a conclusão de Alqueva só será conhecido no final do ano. sários à mudança”, incluindo equipamentos, sementes e produtos fitofármacos. O apoio à organização da produção para criar escala e capacidade negocial e o desenho de “soluções de exploração que amenizem o risco”, através de contratos de gestão, promoção do mercado de arrendamento e venda de propriedades, serão outras linhas de força do programa a implementar. “A transformação do sequeiro em regadio implica uma profunda readaptação do modo de vida dos agricultores, e exige uma curva de aprendizagem que tem de ser respeitada”, considera a mesma fonte, reconhecendo que se trata de um “trabalho moroso e de paciência, que apenas resultará se os agricultores constatarem que a situação lhes é benéfica”. Para isso,

os campos de demonstração de tecnologia são considerados “essenciais”. Quanto à data de conclusão do sistema de rega de Alqueva, anteriormente prevista para 2013, mantém-se a indefinição, estando o Governo a avaliar diversas alternativas de financiamento, tanto no que diz respeito à rede primária como secundária. O objectivo é ter a questão decidida “até final do ano”, sendo que o calendário apontado pelo anterior Governo “afigurase de muito difícil cumprimento” uma vez que a estrutura de financiamento público até agora utilizada – através do PRODER e Orçamento do Estado – implica um esforço financeiro “que as contas públicas não permitem, na actual conjuntura, suportar”.

A (in) responsabilidade Mariana Assis e Santos Estudante

Nos últimos anos os sucessivos governos gastaram excessivamente os dinheiros públicos em obras faraónicas, levando as pessoas a querer que estavam a desenvolver o país. Nos últimos anos os presidentes dos governos regionais gastaram o que tinham e o que não tinham em obras públicas, alegando que estavam a proteger e a desenvolver as regiões autónomas. Nos últimos anos os presidentes de câmaras municipais gastaram, do erário público, em obras, muitas vezes desnecessárias, algumas vezes com a finalidade de se promoverem a si próprios. A população, talvez iludida, através do voto foi mantendo esta situação, apoiando os governantes a gastarem cada vez mais.

Pista por certificar

D.R.

Agricultores idosos e áreas de pequena propriedade na primeira linha de preocupação. Previsto incentivo ao arrendamento. O Ministério da Agricultura vai criar uma task-force para implementar um conjunto de medidas dinamizadoras da reconversão tecnológica do sequeiro para o regadio na região de Alqueva, apurou o Registo junto de fonte oficial. A task-force terá o apoio das estruturas regionais, nomeadamente da Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Alentejo, das associações de agricultores e da Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas de Alqueva (EDIA). A ideia é “desenhar iniciativas específicas” tendo em conta a situação dos agricultores mais idosos e as áreas de pequena propriedade, “nas quais, para os blocos de Alqueva que já regaram em 2011, a adesão ao regadio foi bastante inferior às zonas de grande propriedade”. O conjunto de iniciativas, cujo desenho “ainda não está concluído”, será debatido com as associações de agricultores e visará ajudar a suprir os principais obstáculos que se colocam à reconversão agrícola, incluindo o acesso a financiamento, seja através do PRODER ou na procura de soluções complementares. A intenção do Ministério da Agricultura é avançar com “iniciativas de colaboração com comunidades de regantes, da região ou fora dela, que já dominem as tecnologias a implementar, bem como dos operadores de mercado que fornecem os principais factores de produção neces-

Aeroporto de Beja

Ultimamente temo-nos deparado com notícias e mais notícias sobre as dificuldades económicas que Portugal atravessa. O atual governo, com regularidade, tem vindo a apresentar um conjunto de medidas de austeridade bastante duras, sendo que sejam várias vezes criticadas, mas até agora ninguém foi capaz de propor alternativas sérias. Há uma realidade que temos que aceitar: vivemos tempos bastante difíceis e é preciso fazer sacrifícios. A responsabilidade dos tempos em que vivemos também é nossa, pois através do voto legitimámos os responsáveis políticos que gastaram sem se preocupar com o dia de amanhã. Uma das medidas de austeridade que este

governo apresentou, a suspensão do subsídio de férias e do subsídio de natal, é aquela que a comunicação social tem chamado como a de maior injustiça, de certa forma compreendo, pois não e fácil quando nos é retirada uma regalia. Mas preocupa-me mais aqueles, desempregados, que não sabem se no final do mês tem disponibilidade financeira para se alimentarem. Chegámos ao momento em que devemos olhar em frente, acreditar que há soluções, ultrapassar as dificuldades que temos e construir um país com futuro. Temos que ser responsáveis quando, através do voto escolhemos aqueles que nos governam, pois uma má escolha, leva a uma má governação, o que nos leva a sofrer as consequências.

O empresário João Paulo Ramôa considera que o facto do Aeroporto de Beja não ter sido alternativa ao Aeroporto de Faro se deve à falta de certificação da pista. A ideia foi expressa pelo empresário numa crónica de opinião na Rádio Pax. Para o também presidente da concelhia de Beja do PSD e ex- Governador Civil de Beja, esta é uma questão que “a região nunca quis discutir” e sempre foi vista como uma “questão menor”. João Paulo Ramôa afirma que depois da cerimónia de abertura do Aeroporto de Beja algumas pessoas pensaram que a pista tinha todas as condições para receber aviões, mas afinal “é tudo um grandessíssimo embuste e uma grandessíssima mentira”. Por isso, é preciso primeiro identificar os problemas e a seguir arranjar soluções para os mesmos. Sobre as declarações do secretário de Estado das Obras Públicas que afirmou no Parlamento que o Aeroporto de Beja não era uma alternativa ao Aeroporto de Faro, João Paulo Ramôa considera que Sérgio Monteiro ainda não teve tempo para “um olhar atento” sobre o empreendimento.

Évora

‘Retail Park’ inaugurado A EVRET, joint-venture entre a Imorendimento e a Madford Developments, inaugura hoje o Évora Retail Park, num evento que ficará também assinalado pelo lançamento da primeira pedra para a construção do Évora Shopping, o primeiro centro comercial a ser construído na região. Na Primavera de 2013 nascerá a terceira fase do projecto comercial, com a abertura do Évora Shopping, cuja ABL de 16.500 m2 completa o conjunto comercial de 25.400 m2, que a EVRET está a desenvolver naquela região. Durante a inauguração, que conta com a presença de José Ernesto Oliveira, presidente da autarquia de Évora, Armando Lacerda de Queirós, director-geral da Imorendimento, e de Anthony Henry Lyons, director geral da Madford Developments, será apresentado o projecto Évora Shopping, que tem suscitado o interesse de importantes cadeias de lojas nacionais e internacionais.


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03 Novembro ‘11

Actual Detenção acompanhada de mandados de busca. Suspeito colaborava com repartições no Alentejo. Património

Reguengos apoia cante O município de Reguengos de Monsaraz aprovou por unanimidade na última Reunião de Câmara apoiar a candidatura do cante alentejano a Património Cultural Imaterial da Humanidade, que será apresentada à UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura. Na declaração de apoio, a autarquia refere que a candidatura é importante para “a auto-estima e o reforço da identidade do povo alentejano e para a salvaguarda e difusão de um importante elemento cultural representativo da maneira de estar dos alentejanos”. No concelho de Reguengos de Monsaraz existem quatro grupos corais de cante alentejano, nomeadamente o Grupo Coral da Freguesia de Monsaraz, o Grupo Coral de Perolivas, o Grupo Coral Associação Gente Nova de Campinho e o Grupo Coral da Casa do Povo de Reguengos de Monsaraz. Esta é uma manifestação cultural que “mantém uma vincada presença, destes tempos imemoráveis, com forte adesão dos munícipes”, assegura a autarquia. O cante alentejano já tinha sido classificado como Património Cultural Imaterial de Interesse Municipal, ao abrigo da legislação nacional, conforme deliberações da Câmara Municipal e da Assembleia Municipal de Reguengos de Monsaraz. A autarquia diz pretender que esta manifestação cultural seja reconhecida e salvaguardada em toda a sua diversidade e riqueza histórica, promovendo o conhecimento aprofundado deste património em toda a sua complexidade e não apenas na forma actual que corresponde a um determinado momento da sua história recente.

Saúde

Protestos contra cortes Dezenas de pessoas manifestaram-se esta semana, em Évora, contra cortes nos serviços de saúde. Durante o protesto foi colocado um caixão à porta da Administração Regional de Saúde do Alentejo. A manifestação contou com representantes dos movimentos de cidadãos de Évora, Vendas Novas, Santiago do Cacém, Serpa e Norte alentejano. Em causa está a redução dos horários de funcionamento dos centros de saúde, a “ameaça” de fecho das urgências em Vendas Novas, o encerramento de postos de saúde e o corte nas credenciais de transporte de doentes não urgentes. “O que está em marcha é um programa que corta de forma cega nos serviços de saúde exigindo à população que pague cada vez mais, tudo com o objectivo de favorecer o sector privado”, diz Sílvia Santos, porta-voz do Movimento de Utentes de Saúde Publica

Judiciária detém avaliador suspeito de corrupção Esquema arrastar-se-ia há 3 anos. Tribunal determina a funcionário público a suspensão de funções. Um funcionário público de 57 anos, que trabalhava para diversas repartições de Finanças do Alentejo, foi detido pela Polícia Judiciária por suspeitas de corrupção. É acusado de receber dinheiro a troco de efectuar avaliações de imóveis mais baixas do que o previsto na lei, lesando o Estado. A detenção foi acompanhada de mandados de busca à residência e local de trabalho do suspeito, acusado de ter “solicitado reiteradamente” uma quantia em dinheiro a um contribuinte para “obstar” a uma avaliação de um prédio rústico e, consequentemente, baixar o montante do imposto a cobrar.

Segundo apurou o Registo, o indivíduo em causa “não é funcionário de nenhuma repartição” mas um avaliador externo que colaborava com as Finanças há cerca de 20 anos e a quem eram pagos os serviços prestados em diversos concelhos do distrito de Beja. O esquema arrastar-se-ia desde há cerca de três anos. O homem terá contactado proprietários a quem pediria dinheiro para atribuir valores mais baixos aos prédios em avaliação. “A avaliação ou reavaliação dos prédios rústicos ou urbanos é feita de forma automática pelo sistema informático e os contribuintes são notificados desse valor. Quando, por qualquer razão, entendem que o montante apurado não está correcto, podem solicitar uma nova avaliação que normalmente é efectuada por peritos avaliadores”, explica fonte do Ministério das Finanças. É com base no montante apurado nesta

avaliação – o denominado “valor patrimonial tributário” – que se faz o acerto de contas entre contribuintes e Finanças, por exemplo para o pagamento do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) ou do Imposto Municipal sobre Transmissões Onerosas de Imóveis (IMT), a antiga Sisa. Consequentemente, quanto menor for o valor atribuído ao prédio, menor será o montante do imposto arrecadado pelo Estado. Fonte da Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC) diz que a investigação, titulada pelo Departamento de Investigação e Acção Penal de Évora, visou igualmente detectar outras situações de corrupção. O detido foi presente a primeiro interrogatório judicial tendo-lhe sido aplicadas as medidas de coacção de apresentações periódicas às autoridades, suspensão do exercício de funções públicas e proibição de contactos com outros envolvidos no processo.

Gangas “made in” Santa Maria Mais um caso de roupa feita com tecido hospitalar. Desta vez, no Alentejo. Pescadores em Azenhas do Mar, Odemira, António Reis e António Maria Viana não queriam acreditar quando, por mero acaso, decidiram virar os bolsos da calças de ganga que traziam vestidas e descobriram que ambas tinham tecido estampado com o logótipo do Hospital de Santa Maria, em Lisboa. “Estávamos a falar sobre as notícias do aparecimento no Brasil de roupa com as marcas do Hospital Garcia de Orta quan-

do decidi ver se as minhas calças tinham marcas iguais. E tinham mesmo mas de outro hospital”, diz António Reis. Com a “pulga atrás da orelha”, o amigo António Maria Viana decidiu fazer um teste igual, cujo resultado foi idêntico: “Estávamos a ver o mar, começámos a falar, fui ver as minhas calças e estavam também marcadas com o símbolo do Hospital da Santa Maria”. A explicação para tamanha coincidência é, ao mesmo tempo, simples e complicada. Simples porque as calças foram compradas pelas mulheres dos pescadores no mesmo dia, há cerca de um ano, e no mesmo local, a Feira de São Teotónio.

Complexa porque, na verdade, ninguém sabe explicar como é que tecido hospitalar acabou por ser usado em peças de vestuário. “Não reparei em nada de estranho porque normalmente não vamos meter as mãos nos bolsos para ver o que está lá dentro. Era as calças que queria comprar e agora ao fim de mais de um ano é que damos com isto”, diz a mulher de um dos pescadores, garantindo que aquando da compra não notou nada de estranha. “A gente anda doente mas ainda não precisa de roupa do hospital”, ironiza. Fonte hospitalar diz que o logotipo não é usado desde há cinco anos.


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Actual Deputado comunista questiona Ministério da Economia sobre situação de empresa de Évora.

João Oliveira quer intervenção do Governo em ‘lay-off’ da Kemet Empresa alega redução de actividade para colocar 30 trabalhadores em lay-off. O deputado comunista João Oliveira diz que a situação que se vive na unidade da multinacional norte-americana Kemet Electronics, instalada em Évora, “exige uma intervenção imediata do Governo e da Autoridade para as Condições do Trabalho”. “A administração daquela unidade da Kemet, que emprega cerca de 550 trabalhadores, pretende aplicar um lay-off de forma fraudulenta, suspendendo o contrato a 30 trabalhadores a partir de 7 de Novembro, sem respeitar os trabalhadores nem a lei”, diz o deputado numa pergunta entregue ao Ministério da Economia, onde interroga o Governo sobre o acompanhamento que está a dar a este caso. “Entre os trabalhadores que a empresa pretende suspender encontram-se os três delegados sindicais do Sindicato das Indústrias Eléctricas do Sul e Ilhas (SIESI) e os dois representantes dos trabalhadores

Portalegre

João Oliveira quer saber que acompanhamento vai ser dado pelo Governo ao caso para a segurança e saúde no trabalho eleitos pela lista apresentada e apoiada pelo sindicato”, refere.

Eleições na FPF

Tapetes ajudam Amaro Camões turismo apoia Marta O presidente da Associação de Futebol de Évora, Amaro Camões, faz parte da lista de Carlos Marta para as eleições à presidência da Federação Portuguesa de Futebol. Amaro Camões é proposto para vogal da direcção da FPF. “Não nos candidatamos contra ninguém, mas sim para gerir o futebol português o melhor que podermos e soubermos”, afirmou à DianaFm o presidente da Associação de Futebol de Évora. As eleições estão marcadas para 10 de Dezembro. A Tapeçaria de Portalegre foi de uma conferência na Universidade Autónoma de Madrid no âmbito do III Seminário de Investigação Ibero-Americano em Museologia. Motivadas pelo interesse num museu que se reveste de contornos singulares, Carla Rego, Cláudia Falcão Neto e Eunice Ramos Lopes deram a conhecer a uma audiência de especialistas e investigadores, a Tapeçaria de Portalegre e o Museu da Tapeçaria de Portalegre – Guy Fino (MTP-GF), relacionando a clássica tríade museológica – conservar, investigar, divulgar – com as vivências e experiências do visitante. “Deixa-nos muito honrados que a Tapeçaria de Portalegre, única no mundo, seja tema de uma conferência no em Madrid”, diz Adelaide Teixeira, presidente da Câmara Municipal de Portalegre. “Temos a certeza que será um tema que irá interessar a muitos e que trará certamente mais visitantes estrangeiros ao Museu e a Portalegre”, conclui a autarca.

Futebol

Juventude critica arbitro O treinador do Juventude, Jorge Vicente, ficou desapontado com a actuação do árbitro Pedro Ribeiro, na derrota da sua equipa com o Pinhalnovense, por 2-1. “É a segunda vez que apanhamos este árbitro. Em Vendas Novas, quis ser o protagonista do jogo, com duas expulsões, um delas bastante ridícula, e um penalti que só ele é que viu. E hoje torna a ir na mesma onda, com duas expulsões forçadíssimas”, criticou Jorge Vicente. Para o técnico da equipa de Évora, o árbitro Pedro Ribeiro “só teve um critério” que foi “prejudicar o Juventude em qualquer das circunstâncias”. A equipa de Évora queixa-se de uma grande penalidade no fim da primeira parte e de duas expulsões no segundo tempo.

Segundo João Oliveira, “a determinação deste lay-off pela empresa está a ser feita sem cumprir a lei em vários aspecPUB

tos, nomeadamente não respeitando a fase de informação e negociação e não apresentando critérios de selecção dos trabalhadores a abranger”. O deputado acusa a empresa de “recorrer à manipulação” da informação uma vez que os fundamentos apresentados para o “lay-off”, a redução da actividade, resulta de uma “simulação da situação que não tem correspondência com a realidade”. “Esta tentativa de aplicar o lay-off corresponde a uma intenção da administração da empresa de liquidar a organização dos trabalhadores, afastando da empresa os seus representantes e delegados sindicais, intenção que, aliás, já noutros momentos se fez sentir”, acrescenta João Oliveira. O deputado acusa sucessivos governos de “passividade” perante este tipo de casos e questiona o Ministério da Economia sobre a forma como está a acompanhar a intenção da empresa de avançar com esta medida. Trata-se de uma das maiores empresas empregadoras do Alentejo.


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03 Novembro ‘11

Actual Academia participa na concepção de políticas para a participação das mulheres no mercado de trabalho.

Universidade lança novos projectos Investigadores da Universidade de Évora premiados. Instituição avança com parcerias estratégicas. Pedro Galego | Texto Em semana comemorativa do dia da Universidade de Évora (UU), que se celebra anualmente a 1 de Novembro, academia eborense revelou recentemente uma série de prémios, distinções e parcerias estratégicas para projectos num futuro próximo, que a colocam na linha da frente em várias áreas. Exemplo disso é a recente assinatura de dois contratos de parceria no âmbito do projecto de investigação e desenvolvimento da GALP “Desenvolvimento de Biocombustíveis de 2ª Geração”. A universidade, em parceria com outras empresas, vai conceber e construir protótipos para a colheita e descasque de purgueira, um fruto cujo óleo será usado em biocombustíveis. De acordo com fonte da UE, os contratos com a GALP contemplam a segunda etapa do referido projecto, destinada a conceber e construir protótipos para a colheita e descasque da purgueira (Jatropha curcas Linn), fruto que não é cultivado na Europa e que a GALP está, presentemente, a plantar em Moçambique. O projecto é co-financiado pelo Fundo de Apoio à Inovação/Agência para a Energia (FAI/ADENE), e são parceiros a Petrogal, a Universidade de Évora, a empresa Vicort, e o empresário, a título individual, Domingos Reynolds de Souza, os dois últimos com larga experiência na concepção e fabricação de equipamentos agrícolas e florestais. O tempo de duração do contrato é de três anos e envolve os professores e investigadores do ICAAM, José Oliveira Peça, Anacleto Cipriano Pinheiro e António Bento Dias, do grupo da mecanização agrícola do Departamento de Engenharia Rural da Escola de Ciência e Tecnologia da Universidade de Évora. Deste protocolo faz também parte o Instituto Politécnico de Portalegre. PUB

Também agora foi anunciado que a equipa liderada pela professora Célia Antunes e pelo professor Rui Brandão, do Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas (ICAAM) da Universidade de Évora, foi distinguida pela empresa farmacêutica MSD na última reunião da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC). O trabalho Determinação da Carga Alergénica (Ole e1) Presente no Ar Atmosférico na Região de Évora: Correlação com o conteúdo polínico de Olea, efectuado pelos investigadores José Moreira, Raquel Ferro, Ana Lopes, Sara Morão, Cátia Coelho, Elsa Caeiro, Luísa Lopes, Célia Antunes e Rui Brandão ganhou o primeiro prémio para melhor comunicação oral da SPAIC/MSD 2011. O trabalho Conteúdo em Pólen de Gramíneas e Alergeno Phl p 5 em Ar Atmosférico na Região de Évora: Caracterização das Épocas Polínicas de 2009 a 2011 realizado pelos mesmos investigadores ganhou o prémio para o melhor poster da SPAIC/MSD 2011. Pela primeira vez, os prémios foram atribuídos a uma equipa de fora dos três centros de investigação de Lisboa, Porto e Coimbra, o que sublinha a importância desta distinção. Num campo distinto, a academia eborense também assinou recentemente um protocolo no âmbito do projecto Winnet8, que visa a concepção de políticas regionais, nacionais e ao nível da União Europeia para o desenvolvimento da participação das mulheres no mercado de trabalho. Este protocolo tem como parceiros a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo e outras entidades que, no decorrer deste projecto, colaboraram nas mais diversas actividades, incluindo organismos públicos e agências de desenvolvimento.

Parcerias estratégicas colocam Universidade de Évora na linha da frente em várias áreas.

Évora recebe bandeira verde A bandeira verde relativa à Autarquia + Familiarmente Responsável 2011 já foi hasteada nos Paços do Concelho de Évora. Trata-se de um galardão atribuído pelo Observatório das Autarquias Familiarmente Responsáveis devido às boas práticas a nível das políticas familiares. O Observatório criado em 2008 pela Associação Portuguesa de Famílias Numerosas, é constituído por uma equipa pluridisciplinar, com competências em várias áreas dos âmbitos da família e das autarquias, tendo como objectivos principais acompanhar, galardoar e divulgar as melhores práticas das autarquias portuguesas em matéria de políticas de família.

Anualmente, as autarquias destacadas pelas melhores práticas adoptadas (este ano cerca de três dezenas) recebem esta bandeira verde. Tal reconhecimento é fruto dos resultados de um inquérito realizado a nível nacional ao qual responderam quase uma centena de autarquias e onde foram analisadas as políticas de família. A disponibilização de transportes escolares para além do legalmente previsto, medidas de apoio às famílias relativamente aos manuais escolares, a atribuição de bolsas de estudo para o ensino secundário e a organização de programas de actividades nas férias foram iniciativas que integraram o dossier de Évora.


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Exclusivo

A revolução republicana de 1910 levou à mudança de nome de dezenas de ruas na cidade de Évora.

Da Rua do Paço à da República, a toponímica pós 5 de Outubro

Arquivo Fotográfico de Évora

Nalgumas ruas, como a de Avis, a mudança de nome durou pouco tempo. Luís Godinho | Texto Entre 1910 e 1934 houve 29 propostas de alteração toponímica em Évora, das quais resultou a alteração do nome de 36 ruas, largos e avenidas da cidade. Logo a 10 de Outubro de 1910, cinco dias depois da revolução que derrubou a monarquia, a primeira reunião da comissão administrativa para o municípios de Évora conduziria à alteração da nomenclatura de três das principais artérias da cidade. A primeira a mudar de nome foi a Rua do Paço que conduzia à Praça do Giraldo e ligava à estação ferroviária. “As conotações com o regime monárquico deposto eram por demais óbvias e, assim sendo, essa rua passou a denominar-se Rua da República”, assinalam Ana Cardoso de Matos, Maria Ana Bernardo e Paulo Simões Rodrigues, professores e investigadores da Universidade de Évora e autores de “Évora, Roteiros Republicanos”, edição promovida pela Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República. Além da Rua do Paço, também a Rua da Sellaria e o Largo Vasconcellos Porto mudaram de nome logo a 10 de Outubro. Ligando a Praça do Geraldo à Sé Catedral, na parte mais alta da urbe, a designação da Rua da Sellaria tinha “ressonâncias medievais, motivada provavelmente pela localização de oficinas onde se fabricavam selas”. Uma artéria importante na vida da cidade, desde então chamada de 5 de Outubro. Finalmente, o Largo Vasconcellos Porto, próximo da Praça do Sertório, passava a denominar-se oficialmente como Largo de Miguel Bombarda. “O conselheiro e ministro da guerra glorificado pela vereação monárquica de 1906 como protector da cidade, era assim substituído na memória toponímica eborense pelo médico e político que, pela sua trágica morte, entrava directamente na galeria dos heróis republicanos”. Esta designação não haveria de vingar. Um mês depois, por porposrta do vereador José Formosinho, o Largo Miguel Bombarda passaria a ter a designação actual, Largo Alexandre Herculano, passando o nome do herói republicano a figurar na até então Rua dos Infantes. Antes, na reunião de 20 de Outubro de 1910, tinham sido aprovadas duas outras importantes alterações à toponímia da cidade: a Rua da Lagoa e a Praça D. Pedro passaram a denominar-se Candido dos Reis e Joaquim António de Aguiar, autor da célebre lei de 1834 que extinguiu as ordens religiosas e lhe valeu a alcunha de “MataFrades”. “É difícil não ver na escolha desta nova designação a assunção da face anticlerical da I República por parte dos vereadores eborenses”, escrevem Ana Cardoso de Matos, Maria Ana Bernardo e Paulo Simões

Alargamento da Rua do Paço (actual Rua da República). Foto de José António Barbosa, tirada entre 1896 e 1906. Propriedade do Grupo Pro Évora. Rodrigues. Os autores assinalam que a “dinâmica de substituição” de nomes foi mais intensa até ao final de 1911, com propostas a surgi-

rem da parte de moradores e colectividades, “esmorecendo a partir de então”. Pelo meio registaram-se alguns retrocessos. Um exemplo: só durante pouco mais de um mês (entre 21 de Janeiro e 27 de Fevereiro de 1919) é que a Rua de Avis se chamou Sidónio Pais. A primeira proposta foi apresentada pela Sociedade Harmonia Eborense (SHE) na sequência do assassinato de Sidónio a 14 de Dezembro de 1918, morto por um militante republicano. Expressando uma “profunda repulsa pelo execrando atentado de que infelizmente fora vítima o glorioso presidente da República portugueza, dr. Sidónio Paes e

bem assim a intensa mágoa pela perda irreparável que o paiz sofre com a morte deste grande Patriota”, a SHE proponha que fosse dado o nome do ex-Presidente “a uma das ruas da cidade, lembrando a Rua de Avis”. De facto, assim aconteceu. No entanto, passado um mês, já alterados os “equilíbrios de forças a nível local”, a rua volta ao nome original: “Tratava-se de virar a página dezembrista retirando da memória colectiva eborense o nome do falecido, mas tratavase, também, de renovar os votos de verdadeiro republicanismo, inevitavelmente com repercussões no plano toponímico”, explicam os investigadores.

Manifestações na praça

Évora, Roteiros Republicanos Autores: Ana Cardoso de Matos, Maria Ana Bernardo e Paulo Simões Rodrigues Edição: 2011 Quidnovi

Em meados de 1911, a Associação de Classe da Construção Civil e Artes Auxiliares de Évora pedia à Câmara a mudança de nome da Praça de D. Manuel para Praça 1º de Maio, onde iria assinalar as comemorações do Dia do Trabalhadores. A 20 de Abril de 1911 a praça – que já havia sido conhecida como Chão Domingueiros (1612), adro de S. Francisco (1869) e que desde 1879 era conhecida como a Praça de D. Manuel – passa a ter

a designação actual. Embora não se trate de uma alteração com o intuito de celebrar a República, os autores de “Évora, Roteiros Republicanos” defendem que a mudança “ilustra as mais amplas possibilidades de manifestação públicas que o novo regime proporcionava e, por outro, evidencia o protagonismo de algumas estruturas associativas, nomeadamente as de classe e os sindicatos, no espaço público das cidades”.


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Exclusivo “Todas as regiões cresceram mas a única onde a procura subiu de forma consecutiva nos últimos

Ceia da Silva, presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo

”Temos de ser pragmáticos para obviar aos efeitos da crise“ Luís Godinho | Texto Os indicadores relativos a 2011 continuam positivos para o Turismo Alentejo, com um crescimento sustentado do número de turistas. Isso deve-se à crise? Há vários factores e esse pode ser um deles mas o aumento do turismo e a capacidade de resposta de uma região passa por aproveitar todos os cenários, todos os contextos que possam

surgir. Interessa-nos que quem decide não fazer férias no estrangeiro venha para o Alentejo, não nos importamos nada com isso. Desse ponto de vista a crise tem sido benéfica para o sector? Eventualmente. Nós não temos sentido a crise no turismo. Mas não é só isso. Quem quer desvalorizar os números e refere que se ficam a dever à existência de uma maior oferta, de mais

unidades, respondo que também é verdade. Nós tínhamos um hotel de 5 estrelas e vamos ter 6, a partir do momento em que for inaugurado o novo hotel em Vila Viçosa. Obviamente que na oferta turística tão importante é uma tasquinhas como um hotel de 5 estrelas … Sendo que o ponto de partida era baixo. Não era tão baixo quanto isso e não estamos a falar de cresci-

mento em números absolutos mas de aumento percentual. O Alentejo tem mais oferta, as outras regiões também têm, mas fomos a região que mais cresceu em termos de procura [16,9% em Agosto, comparado com idêntico período do ano anterior]. Crescemos a oferta, mas o Algarve também, a oferta também cresceu no Norte e em Lisboa, todas as regiões cresceram mas a única onde a procura subiu de forma consecutiva nos últimos três

anos foi o Alentejo. Porquê? Isso fica a dever-se à definição de uma linha estratégica que definimos para o Turismo do Alentejo. Estamos a seguir uma estratégia que tem a ver com a questão da identidade, reengenharia do produto, promoção forte e agressiva, rede de informação turística, boa política de acolhimento e hospitalidade, monitorização … nós seguimos


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Exclusivo

três anos foi o Alentejo”, diz Ceia da Silva em entrevista ao Registo. Nova campanha lançada em Janeiro. “Parece-me que o destino de um ponto de vista promocional deve ter apenas uma voz, uma imagem muito forte e uma marca que é ‘Alentejo’”.

Num mercado em constante evolução! O mercado evolui a uma velocidade vertiginosa, ao segundo, e nós temos de acompanhar essa evolução. Chegámos à Entidade Regional de Turismo em 2008, ano da célebre crise do sistema financeiro mundial, e respondemos de imediato com a campanha ‘No Alentejo Há Mais’ que, pelo menos, serviu para mobilizar os agentes, para os motivar, para que não caíssemos em depressão. O Alentejo foi a única região de turismo que subiu [em número de visitantes]. E face ao desafio dos novos cortes orçamentais? Bom, todos sabemos que os portugueses vão perder massa salarial em 2012, vão perder os subsídios de Férias e de Natal, o que me preocupa mais do que o aumento do IVA. O mercado português significa 75% de quota de mercado no Alentejo e esses cortes vão afectar as disponibilidades financeiras das famílias. Temos de ser muito pragmáticos, encontrar linhas de comunicação que possam obviar aos efeitos negativos da situação de crise.

uma estratégia que justifica o facto do turismo acrescer no Alentejo. É uma estratégia concertada com os empresários e com os autarcas, estamos muito no terreno e respondemos de imediato às alterações conjunturais da economia e do mercado. O anunciado aumento do IVA na restauração é um exemplo? É um exemplo. O turismo exige respostas imediatas. Não há nenhum sector que exija tanto profissionalismo como o turismo. Aqui temos de ser bons todos os dias. Há actividades profissionais em que podemos estar relativamente bem mas no turismo temos de ser sempre excelentes pois um turista que vai a um hotel ou a um restaurante quer que aquele seja o melhor dia da sua vida. Temos de ser muito exigentes.

Como é que isso se vai concretizar? Vamos avançar de imediato com uma campanha – cujos contornos serão discutidos nos próximos dias com os empresários – em torno de um conceito que andará à volta disto: ‘Não deixe de fazer férias, o Alentejo convida-o’. Será uma campanha de vantagens que mobilize os turistas, os portugueses, com descontos, oportunidades, refeições oferecidas em unidades de alojamento ou muitas outras situações. Queremos dizer aos portugueses para virem ao Alentejo que temos em consideração a actual conjuntura e vamos disponibilizar um conjunto de serviços para tornar atractivas as férias na região. Há recursos para isso? Temos algumas ideias, conceitos e alguma disponibilidade de recursos para afectar na promoção a esta linha de comunicação uma vez que temos candidaturas aprovadas. Vamos responder de imediato. Quando chegar o dia 1 de Janeiro esta campanha estará na rua, muito mediatizada, e os portugueses saberão que o Alentejo os convida a fazer férias, fins-de-semana. A expectativa é que apesar de tudo este crescimento se mantenha, se consolide? O limite é o céu. Mas temos, concerteza, dificuldades, seria irresponsável hoje em dia qualquer responsável público garan-

“Vamos avançar de imediato com uma campanha (...) queremos dizer aos portugueses para virem ao Alentejo que temos em consideração a actual conjuntura e vamos disponibilizar um conjunto de serviços para tornar atractivas as férias na região”.

tir que [a região] vai continuar a subir as taxas de procura. O que garanto é que vamos fazer todos os possíveis para manter estes números, sendo difícil continuar a subir atendendo à conjuntura global. Temos algumas ideias, vamos responder com medidas, queremos apresentar produtos interessantes para os turistas mas é algo que vamos fazer de forma coordenada com os empresários. Ora essa coordenação era justamente algo que não existia quando havia uma profusão de regiões de turismo neste território? Gosto muito pouco de falar do passado, o que importa é que esta gestão tem estado no terreno. Penso que vencemos um mito. Havia a ideia de que a Entidade Regional de Turismo iria olhar só para uma ou outra região e não é assim, temos estado em todo o Alentejo. Três anos depois somos reconhecidos por isso, por parte dos operadores, dos empresários, dos autarcas … criámos, é importante dizê-lo, esta ideia de ‘marca Alentejo’. O Alentejo vale como um todo, como uma marca. O Turismo do Alentejo vai manter-se tal como está? Todos os grandes destinos do mundo têm organismos regionais de turismo. Não discuto o modelo, pode não ser este, as competências podem ser outras, o número de dirigentes ou de técnicos pode ser outro mas os organismos regionais de turismo são fundamentais. Turismo é território. Noutros sectores pode haver uma só direcção-geral em Lisboa mas turismo é território, é diferenciação de território, temos produtos completamente distintos do Algarve ou de Lisboa ou do Norte. Somos concorrentes e temos de provar que somos melhores do que eles. Sendo que esse é um assunto que está em cima da mesa? Agregar tudo isto não me parece correcto mas sei também que a sensibilidade do Governo não é essa, vai no sentido de manter organismos regionais de turismo. Quanto ao modelo, quando estiver em discussão terei oportunidade de dar a minha opinião.

NÚmero

16,9

<A procura turística do Alentejo cresceu 16,9% no passado mês de Agosto, quando comparada com a do ano anterior. À maior procura soma-se uma maior oferta, com diversas unidades em construção.>

Mas faz sentido ter uma multiplicação de organismos por exemplo para a promoção interna e externa? Há um modelo que se consolidou nestes últimos cinco anos de promoção externa em conjunto com os empresários. Acho que é muitíssimo bom, muito bem estruturado. Se a promoção interna deve ser integrada neste modelo é uma questão a discutir. Parece-me que o destino de um ponto de vista promocional deve ter apenas uma voz, uma imagem muito forte e uma marca que é ‘Alentejo’.

Ceia inaugura unidade rural

O presidente da Turismo do Alentejo, Ceia da Silva, inaugurou este fim-de-semana a mais recente unidade turística do Alentejo: chamase Monte do Giestal – Casas de Campo & SPA. O projecto representou um investimento de 2 milhões de euros. Rodeado de sobreiros, o empreendimento é constituído por dez casas de campo de traça tradicional, uma recepção, uma sala de jogos, uma sala de estar e uma ampla esplanada que proporciona aos hóspedes a oportunidade de desfrutar da singularidade da natureza envolvente. “O Monte do Giestal – Casas de Campo & SPA surgiu do sonho de poder partilhar com todos os que nos visitam, a simplicidade no bem receber, os sabores únicos da gastronomia local, a paisagem relaxante dos campos alentejanos, os aromas da terra e enfim, tudo aquilo que temos de melhor para partilhar”, diz Guida Silva, administradora. ”O facto de a unidade estar inserida no meio do montado foi para nós uma fonte de inspiração e um factor de diferenciação”. Guida Silva explica que os principais materiais utilizados na decoração das casas são de cortiça ou em madeira de azinho. “Também no SPA apostámos em materiais endógenos. De modo geral privilegiámos os saberes e as raízes alentejanas para oferecer aos nossos hóspedes uma confortável e diferenciadora experiência”, refere

Dormidas sobem no Alentejo As dormidas em unidades hoteleiras do Alentejo subiram 16,9% no passado mês de Agosto, totalizando 208,5 mil dormidas, avançou ontem o Turismo do Alentejo, que cita os últimos dados do INE, congratulando-se pelos resultados alcançados. De acordo com o INE, o Alentejo foi a região do país a apresentar a melhor prestação no mês de Agosto, uma vez que, além das dormidas, a região viu também subir os proveitos totais em 15,1%, enquanto os proveitos por aposento cresceram 17,1%. Há três anos que a região regista taxas de crescimento.


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Exclusivo Dívida ao Cendrev: Vereadora Cláudia Sousa Pereira explica posição da autarquia

”Pagamentos ao Cendrev estão praticamente em dia“ Tem reproduzido a comunicação social nas últimas semanas, por diferentes vozes, referência à situação de dívida da parte da Câmara Municipal de Évora (CME) ao Centro Dramático de Évora (CENDREV), com indicações precisas de um montante pecuniário de 150 mil euros que não corresponde à realidade dos factos. Enquanto vereadora também com o pelouro dos Assuntos Culturais sinto como minha obrigação, e na relação de compromisso que desejo manter com os munícipes de Évora, esclarecer de forma cabal este assunto. (...) Também o Executivo desta Câmara Municipal está preocupado com o futuro da companhia e do seu projecto. Prova disso é que, num período de imensas dificuldades com que nos deparamos, temos praticamente todos os nossos pagamentos em dia para com esta companhia.

Esses pagamentos dizem respeito a três tipos de compromisso entre a autarquia e o CENDREV: o subsídio de apoio à actividade comprometido e legalmente assumido em reuniões públicas de Câmara em 2009 e para 2009, num total de 85 mil euros; o protocolado, desde Janeiro de 2001, em que, trimestralmente e mediante apresentação de facturação pelo CENDREV, se assumem despesas da prestação de serviços da Companhia ao funcionamento do Teatro Municipal Garcia de Resende; e finalmente, em sede de programa de fundos comunitários intitulado «Terras do Sol», o pagamento de cachets de espectáculos gratuitos para o público durante o Verão de 2011. Importa também esclarecer que os subsídios, legalmente e como consta de relatório emitido pelo Tribunal de Contas em final de 2009, não podem ser usados para pagamento de salários, pelo que essa referência pública

constante a salários em atraso não poderá nunca ser imputada à CME, a não ser que seja com o objectivo de criar dificuldades à CME e ao seu executivo. Foi também recomendação daquele Tribunal de Contas a criação de instrumentos que imponham estas condições de atribuição dos mesmos subsídios, e que se encontram agora plasmados nos tegulamentos de apoio publicados este ano. Esta foi também a razão pela qual em 2010 não foi aprovada nenhuma atribuição anual de subsídios, como acontecia em anos anteriores. As eventuais expectativas não foram nunca criadas por uma qualquer decisão ou compromisso da CME. Assim e à data, os valores efectivamente em dívida ao CENDREV (...)perfazem o montante total de 62.488 euros. Tudo o resto que foi comprometido e aprovado está saldado. (...)

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Não podemos permitir a contínua destruição da cultura em Évora

Clara Grácio

Professora na Universidade de Évora

A política cultural deve ser um importante factor de inclusão social, sem o qual a redução de desigualdades não é possível, e não um dos factores de condicionamento ideológico. Como diz Barata Moura, “Um povo culto, realmente culto, não sofrerá sem combate a persistência pegajosa de formas pobres de afirmação cidadã, até porque do cultivo da sua humanidade faz certamente parte um enriquecimento das suas exigências cívicas de emancipação” Actualmente, no nosso pais o filme está a ser passado ao contrário, e é de má qualidade. Com trinta anos de política de direita em Portugal, a cargo da troika PS, PSD e CDS, o Estado cada vez se afasta mais das suas responsabilidades no âmbito da cultura, estabelecidas na nossa Constituição, que determinam a manutenção e investimento dum Serviço Público Nacional de Arte e Cultura. Este grave contexto nacional ainda atinge tonalidades mais negras em Évora com a política desastrosa, por parte do executivo camarário do PS, asfixiando os agentes culturais locais. Quem não reconhecia, há 15, 20 anos, Évora como Cidade de Cultura e onde está essa cidade, e quem a não (re)conhece agora. Como cidadã desta cidade, como público, sinto que a situação actual em Évora é tristemente inaceitável. Como é possível, num indigno concurso para atribuição de verbas por parte do executivo camarário PS, que todos os agentes culturais, tenham uma classificação no máximo, sufrível, e na esmagadora maioria, negativa? Na verdade, indirectamente, através desse

concurso, o executivo PS está a classificar da mesma forma o público eborense. Sinto-me verdadeiramente insultada. Um dos exemplos gritantes desta situação é a forma vergonhosa como tanto os responsáveis da cultura nacionais como os responsáveis locais, do executivo camarário PS, se comportam relativamente a um dos importantes agentes culturais de Évora, o CENDREV. Quando uma cidade, um concelho, uma região, um pais põe em risco a sobrevivência duma companhia teatral como o CENDREV, algo vai muito mal por estas bandas. Destruir esta companhia é destruir um dos pilares da identidade cultural do concelho, da região, do pais. Não podemos permitir tal situação, e não vamos permitir tal situação!

“Com trinta anos de política de direita em Portugal, a cargo da troika PS, PSD e CDS, o Estado cada vez se afasta mais das suas responsabilidades no âmbito da cultura, estabelecidas na nossa Constituição, que determinam a manutenção e investimento dum Serviço Público Nacional de Arte e Cultura.”


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Radar

No Alentejo fazem-se dos melhores vinhos do país. Descubra-os num dos diversos roteiros pelo enoturismo.

No mês de São Martinho, prova-se o vinho Já no século XV a cultura da vinha era extremamente importante na zona de Évora, a terra do Peramanca. Pedro Galego | Texto Em mês de São Martinho, aproveite e conheça algumas das melhores adegas da região. O néctar dos deuses começa, por estes dias a sobrepor-se definitivamente nas escolhas à mesa e nada como perceber como é feito. De antemão uma coisa já sabe: no Alentejo fazem-se dos melhores vinhos do país. Em qualquer um dos três distritos da região as opções são várias, mas o chapéu da qualidade é abrangente e seja qual for o caminho escolhido não sairá por certo defraudado. Um bom ponto de partido pode ser, por exemplo, o sítio da internet da Comissão Vitivinícola Regional – Vinhos do Alentejo (www.vinhosdoalentejo.pt). Aí, podemos começar por saber que, “apesar das diferenças regionais vincadas, apesar da multiplicidade de castas presentes nos encepamentos, apesar da evidente heterogeneidade de solos que caracteriza o Alentejo, com afloramentos dispersos de barros, xisto, granito, calhau rolado, calcários e argilas, existem inúmeros traços comuns nos vinhos da grande planície alentejana”. Como a oferta é diversificada deixamos três sugestões, uma por distrito. Se o roteiro que traçar indicar o Sul, aproveite e visite a Adega Cooperativa de Vidigueira, Cuba e Alvito. No distrito de Évora aponte para a Ervideira Sociedade Agrícola, entre a Vendinha e Reguengos de Monsaraz. Já no distrito de Portalegre sugerimos a Adega Mayor, nascida por obra do comendador Rui Nabeiro, mais famoso pelos cafés, situada na vila de Campo Maior. São apenas três pontos de um roteiro com interesse demarcado para onde quer se vire a sua bússola, Ao todo são mais de 60 os locais referenciados na Rota dos Vinhos do Alentejo, todos eles com histórias para contar e prazeres para descobrir. Quase todos estes locais permitem visitas às vinhas, às caves, têm possibilidade de realizar provas, o difícil será mesmo é escolher, tanta que é a oferta. São de origem fenícia e grega muitas das castas que hoje se conhecem e se produzem em Portugal, mas, como se sabe foram os Romanos os primeiros a trazer para a Península Ibérica a cultura da vinha e o fabrico do vinho de forma organizada, com finalidades comerciais que ultrapassavam o auto-consumo. Da ocupação romana, diversas práticas e utensílios subsistiram até aos nossos dias, sendo o mais notável a conhecida talha

Ao todo são mais de 60 os locais referenciados na Rota dos Vinhos do Alentejo, todos eles com histórias para contar e prazeres para descobrir. de barro que ainda hoje é utilizada nas pequenas adegas particulares da região e também por alguns produtores engarrafadores. É de salientar a existência de provas documentais a partir dos séculos XV e XVI em relação quer à exportação dos Vinhos do Alentejo para várias partes do mundo. Como principais destinos referem-se a Índia, África, Brasil, Flandres, entre outros. Assim, antes mesmo da exportação dos vinhos do Douro e do tão afamado Vinho do Porto, o nosso mercado exportador, levava para fora vinhos provenientes do Sul de Portugal, apreciados pelas suas qualidades, como a sua cor intensa e o seu elevado grau alcoólico. No século XV a cultura da vinha era extremamente importante nas zonas de Évora (onde existiam mais de 3000 hectares, onde se produzia o famoso vinho de Peramanca, nos arredores da cidade), Beja, Cuba, Alvito, Viana e Vila de Frades. No século XIX, devido ao aparecimento catastrófico do oídio, míldio e filoxera, todas doenças que atacam as vinha, os viticultores viram-se obrigados a realizar consociações entre videiras e olivais, para sobreviver. No século XX, a criação das Adegas Cooperativas a partir do ano de 1958, veio dar novo ânimo aos viticultores e fazer renascer a cultura da vinha e do vinho.

Assim, nesse ano, deu-se a criação da Adega Cooperativa de Borba, seguida da do Redondo, em 1960; depois veio a de Portalegre, em 1962, a da Vidigueira em 1963, a da Granja em 1965 e finalmente a de Reguengos de Monsaraz, em 1972. A partir dos anos 70, desenvolveu-se PUB

um trabalho de base, promovido por diversas instituições, que incidiu na caracterização, investigação e organização da vinha e do vinho alentejanos. Um processo que criou as condições para que, em 1988, a região fosse oficialmente demarcada.


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Radar

O Liceu Nacional de Évora foi instalado no “Colégio do Espírito Santo”, tendo as aulas começado a 47 Um olhar antropológico José Rodrigues dos Santos* Antropólogo

Culturas invisíveis: transparência do óbvio Que têm em comum a tauromaquia, o futebol e a religião? Estas três actividades pertencem, todas elas, à noção de cultura. Na acepção antropológica clássica, a “cultura” inclui todas as maneiras de pensar, de agir e de fazer que são em certa medidas partilhadas por uma sociedade, e estruturam a sua vida colectiva, regulando também a vida, os pensamentos e os comportamentos individuais. Neste sentido, a cultura não é apenas a “alta cultura”, artes, humanidades e ciências, mas abrange também manifestações colectivas que, sendo, quotidianas, banais até, passam desapercebidas enquanto cultura própria dum grupo ou duma sociedade. Maneiras de estar à mesa, modos de tratamento entre pessoas, esquemas que guiam a maneira de educar as crianças nas famílias, são apenas alguns exemplos deliberadamente “banais”. Mais fáceis de percepcionar para os que, vindos de fora e portadores de outras culturas (que lhes são também pouco visíveis), vêm as coisas com um olhar novo e sentem a diferença enquanto diferença cultural. E também para os antropólogos que, mediante treino e tomada de distância, as identificam e descrevem como tais: como sendo cultura. Gostaria, nestas crónicas portuguesas, de me debruçar um pouco sobre três tipos de manifestações culturais que ocupam no nosso país (e não só, mas falemos daqui), o tal lugar do óbvio, mas quase invisível enquanto cultura, e lugar mesmo assim muito importante: a tauromaquia, o futebol, a religião. Cada uma parece pertencer a uma categoria diferente: lazer e espectáculo, desporto, religiosidade, sagrado. Mas irei tentar mostrar que todas elas são arte, cultura, pensamento. O desafio que assumo é o de mostrar que a abordagem que consiste em considerá-las como Cultura permite dar conta ao mesmo tempo de certos aspectos comuns e das particularidades de cada uma. Similitudes e diferenças que não são acessíveis se as considerarmos separadamente, como é habitual nas rubricas jornalísticas: lazer, desporto e religião. De que modo a tauromaquia, o futebol e a religião são cultura e produzem manifestações culturais, embora não as associemos habitualmente a elas e por “Cultura” entendamos apenas humanidades, teatro, cinema, artes plásticas, música, etc., é o que iremos ver.

*CIDEHUS - Universidade de Évora e Academia Militar jsantos@uevora.pt

Recordar as tradições académicas de Évora José Anjos de Carvalho | Texto A criação do Liceu de Évora provém do Decreto de 17 de Novembro de 1836, o qual teve por base o Plano dos Liceus Nacionais, da autoria do Vice-Reitor da Universidade de Coimbra, Doutor José Alexandre de Campos, na sequência da Reforma Geral do Ensino então empreendida (a Reforma do Ensino Secundário, chamada oficialmente Regulamento para os Liceus Nacionais, estabelecia uma estruturação curricular de apenas cinco anos e dividia os liceus por categorias, de acordo com as suas condições, em liceus de primeira e liceus de segunda). O Liceu Nacional de Évora foi instalado no “Colégio do Espírito Santo”, antiga Universidade de Évora, oito décadas depois do encerramento desta, tendo as aulas começado a funcionar com apenas 3 professores, em 18 de Outubro de 1841, (a Universidade de Évora fora fundada pelo Cardeal D. Henrique e funcionara ininterruptamente durante 208 anos, desde 1551 a 1759). O ensino principiou com três cadeiras exclusivamente literárias, 1ª, 3ª e 10ª Cadeiras e 17 alunos. A primeira visita real que teve o Liceu foi a da Rainha D. Maria II, em 7 de Outubro de 1843, dois anos depois da sua fundação, durante uma visita que fez ao Alentejo. O liceu passou a misto no ano lectivo de 1888-1889, com a matrícula de duas raparigas, número que subiu para a dezena em 1909-1910, quando Florbela Espanca

era lá aluna, altura em que o nome do Liceu já tinha mudado para Liceu Central de André de Gouveia (o ensino secundário foi objecto de uma dúzia de reformas durante a existência do Liceu). A partir de 1978 o Liceu Nacional de André de Gouveia passou a chamar-se Escola Secundária André de Gouveia e, no ano lectivo de 1979-1980, deixou o edifício da antiga Universidade de Évora e mudou-se para as actuais instalações, no Bairro de Nossa Senhora da Glória, em Évora.

Do uso do traje talar académico

Após a visita de D. Pedro V ao Alentejo,

“A Tuna Académica Eborense, assim chamada, actua pela primeira vez no 1º de Dezembro de 1900, acordando a população com o Hino da Restauração, ao percorrer as ruas da cidade ao romper da alvorada.”

por Portaria do Ministério do Reino de 27 de Outubro de 1860, foi concedido o uso de capa e batina aos alunos do Liceu Nacional de Évora. O Edital de 18 de Julho de 1861, publicado no jornal quinzenário “Scholastico Eborense” de 1 de Outubro de 1861, refere expressamente o seguinte: “Os alunos do Liceu Nacional desta cidade são obrigados a apresentar-se em todos os actos escolares com o vestido talar académico, cujo uso lhes foi concedido pela Portaria do Ministério do Reino de 27 de Outubro de 1860, sob pena de serem riscados do livro de matrícula os contraventores.” A concessão do traje talar era até então (1860) exclusiva dos estudantes da Universidade de Coimbra (e, por extensão, aos alunos do Liceu de Coimbra), e só deles. No meu tempo ainda havia batinas com bandas de cetim e era frequente o uso do laço em vez de gravata. Desde que o Liceu passou a ser misto (1888-1889), as raparigas começaram a usar também o traje talar (naquele tempo, a saia era comprida, até aos pés). Na década de 40, havia raparigas que ainda usavam o “gorro”, no Inverno, claro. Alguns rapazes, muito raros, usavam como cobertura de cabeça aquilo a que chamávamos o “tacho”, que já se usava no séc. XIX.

Do Hino dos Estudantes do Liceu de Évora

O Hino dos Estudantes do Liceu de Évora data de 1861 e é possível que exista algu-


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Radar funcionar em 18 de Outubro de 1841.

”Era-se caloiro até ao 1o de Dezembro“ No meu tempo havia alguma “praxe”, era-se caloiro até ao 1º de Dezembro do ano seguinte. Quem entrava para o 2º ciclo também era praxado mas só até ao 1º de Dezembro do próprio ano de entrada. Havia eleições para a Direcção da Associação Académica, direcção que era constituída exclusivamente por estudantes, mas os caloiros não podiam votar. Havia baptismos também, no fontanário que existe no jardim dos claustros e, ás vezes, o caloiro ia mesmo para dentro do lago. Por vezes havia o seu corte de cabelo, muito pouco e, sobretudo, muito raro. Os rasgões na base da capa eram uma ma conexão com a concessão do uso do traje talar. A música é de Joaquim Sebastião Limpo Esquível e das duas letras do Hino, a que prevaleceu foi a de Martiniano Marrecas, ao que julgo. O Hino dos Estudantes do Liceu de Évora, embora um pouco mais recente que o Hino Académico de Coimbra (1853), de Cristiano de Medeiros e Sanches da Gama, é mais antigo que o chamado Novo Hino Académico (Oh vós, que sois sempre nobres), música de A. X. S. M. (desconheço quem seja), letra de José Nunes da Ponte (Medicina, 1879). O Hino Académico, como lhe chamávamos, faz parte do repertório da Tuna Académica e, pelo menos do meu tempo para cá, é respeitosamente ouvido, sempre de pé, tal como o Hino Nacional, quando tocado. Isso mesmo aconteceu recentemente, na Récita do 1º de Dezembro de 2002, no Teatro Garcia de Resende, em que se comemorou também o 1º Centenário do Tuna Académica (1902-2002) e onde uma vez mais tive oportunidade de presenciar o facto. Desconheço se há mais algum Liceus que tenha Hino Académico próprio.

Da Tuna Académica do Liceu de Évora

No Alentejo, a constituição de Tunas é tradição muito antiga. A Tuna Académica está bastante ligada às comemorações do 1º de Dezembro. A rebelião de 21 de Agosto de 1637, em Évora, deve ter contribuído para o grande entusiasmo de que se revestiam ainda no meu tempo as comemorações do Dia da Restauração Nacional. Os primórdios da Tuna remontam ao séc. XIX. Datam do último decénio desse século tunas académicas efémeras organizadas para comemorar o 1º de Dezembro. A Tuna Académica Eborense, assim chamada, actua pela primeira vez no 1º de Dezembro de 1900, acordando a população com o Hino da Restauração, ao percorrer as ruas da cidade ao romper da alvorada. Meses depois, em Fevereiro de 1901, dá o 1º espectáculo em benefício da Associação Filantrópica da Academia Eborense, que constitui também a sua 1ª digressão por vilas alentejanas, no caso Reguengos de Monsaraz. No mês seguinte nova digressão, agora a Montemor-o-Novo, depois foi a vez de Badajoz e de Mérida. A Tuna Académica do Liceu de Évora é fundada em 1902, no 1º de Dezembro, claro, e um dos seus objectivos é comemorar

prática bastante habitual. Talvez por não ter sido praxista, a ideia que tenho é que se tratava essencialmente de chacota, sem propriamente achincalhar os novos colegas, e se havia eventualmente violência certamente que o praxado teria muita culpa. Até ao ano lectivo de 1939-40 era tradição, promovida pela Associação Académica, os estudantes do liceu, de capa e batina e com o Estandarte da Academia à frente, deslocarem-se em preito e romagem de saudade ao cemitério de Évora, ao Talhão dos Combatentes da 1ª Grande Guerra, no dia do Armistício (11 de Novembro).

o 1º de Dezembro e realizar espectáculos para obter fundos para a Associação Filantrópica. No meu tempo, no 1º de Dezembro, também percorríamos as ruas de Évora ao romper da alvorada, com o estandarte da Tuna, na companhia de muitos e muitos outros colegas que faziam algazarra. Após a saída do Liceu a primeira paragem da Tuna era sempre frente à casa do Reitor, Dr. Bartolomeu Gromicho, e depois de tocarmos o Hino Académico havia sempre ruidosos Efe-Erre-Ás. Seguidamente rompíamos a tocar pela rua, rumo às Portas de Moura, Praça do Giraldo, Jardim das Canas, etc., com paragens aqui e ali e muita algazarra, e regressávamos ao Liceu. O repertório, não mais que oito a dez peças, incluía sempre o Hino Nacional, e o Hino da Restauração. No meu tempo, faziam parte do repertório, por exemplo, o Momento Musical e a Marcha Militar do Schubert, que me lembre, passados que são quase 60 anos que deixei o Liceu.

Das serenatas e serenateiros

O primeiro cantor de Fados de Coimbra que terá tido o meu Liceu foi António Marques Batoque (1901-1971), natural de Évora, que se matriculou em Direito, em Coimbra, no início da década de 20, curso que concluiu em 1927, e que, sendo ainda universitário, gravou três discos de Fados de Coimbra para a Columbia. Contudo, na década de 20 o que se tocava e cantava nas serenatas era essencialmente repertório regional do Alentejo e, não propriamente, Fado de Coimbra. O cantor de maior nomeada na década de 20 teria sido José Cutileiro, depois médico militar, pai do diplomata do mesmo nome, tendo como acompanhante à guitarra Fernando Batalha, que se formaria em arquitectura. Quando entrei para o Liceu o grande cantor e serenateiro era o Chico Carvalho (ou Chico Zé), que mais tarde, como cantor profissional, tomou o nome artístico de Francisco José. A partir do meu 5º ano formámos um grupo de entusiásticos serenateiros (e noctívagos), só com repertório de Fados de Coimbra, grupo que se manteve até à saída do Liceu e muitas foram as serenatas que a altas horas da noite fizemos por essas ruas de Évora, às colegas e outras raparigas bonitas, sobretudo durante os nossos dois últimos anos do Liceu.

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EXPOSIÇÃO

OUTROS

Vila Viçosa

Estremoz

Local Geographic

pintura de Maurizio Recriação Histórica Lanzilotta – “Landscape by heart”. 5 de Novembro de 2011

12 de Novembro de 2011 Cine-Teatro Florbela Espanca, 21h30 “Local Geographic” é uma reflexão sobre a identidade, um estudo de uma “geografia pessoal” que passa pelo corpo como ferramenta de descoberta do mundo. É a terceira e última coreografia criada por Rui Horta para o Centro Cultural de Belém, “uma obra sobre a importância de perder-se. De fazer da perda um método, sobretudo quando a experiência de vida tende a tornar-se um peso que nos leva a não arriscar.” Anton Skrzypiciel, actor, bailarino, intérprete multifacetado, um protagonista essencial nos trabalhos realizados por Rui Horta, dá corpo a este solo que reflecte sobre a busca da identidade, nos antípodas do plausível, na fronteira da ironia. Viana do Alentejo

“Concertos Classicos”

19 de Novembro de 2011 Recital de Acordeão com Gonçalo Pescada – o Tema deste recital invulgar será dedicado ao sistema convertor, ao seu funcionamento e á sua influencia na musica escrita para acordeão. O programa sugerido percorre váreos caminhos, desde a transcrição da famosa Chaconne em Ré Menor de Johann Sebastien Bach até á musica original contemporãnea dos compositores Edison Denisov e Franco Donatoni. Este evento integra a Semana Sénior.

Até 27 de Novembro Maurizio Lanzillotta, artista italiano, vive em Espanha desde 1987. A sua permanência nesse país influenciou a sua arte que tomou uma nova dimensão. A paisagem, seu tema de eleição, nesta nova aventura, com independência de tratar-se de uma figuração «naturalista », destaca sobretudo uma representação que lhe confere uma autonomia constituindo-se em imagem espiritual e onírica. Extremoz

Exposição “A Bilha 2011”

Até 12 de Novembro, vai estar patente na Sala de Exposições do Centro Cultural Dr. José Lourenço Marques Crespo, a exposição “A BILHA projecto de arte”. O projecto, idealizado pelo Prof. Carlos Godinho no âmbito do trabalho do Agrupamento de Escolas de Estremoz, transporta-nos para uma ideia cultural de ligação entre o passado e o presente. Nos quatro anos de desenvolvimento do projecto, têm decorrido paralelamente vários eventos, que contribuíram para a sua divulgação, algumas conferências, várias exposições temporárias e a fixação de uma exposição permanente no Centro Cultural Dr. Marques Crespo, organizada pelo Museu Municipal de Estremoz Prof. Joaquim Vermelho.

Monsaraz

Torneio de Armas a Cavalo D. Nuno Álvares Pereira, ao tomar o Castelo graças ao ardil das vacas desgarradas, desafia os vassalos de D. Beatriz a terçarem armas na Liça do Castelo com os defensores da causa do Mestre, apelando ao Juízo de Deus, em singular Ordália de Armas. Horário: 17h00 Local: Monsaraz Mourão

Colheita de Sangue

Até 30 de Outubro 5 de Novembro de 2011 Horário: das 9h00 ás 13h00 Local: Antigo Edificio do Centro de Saúde Organização: Municipio de Mourão; Nucleo de Dadores Benévolos de S.Pedro do Corval Montemor-o-Novo

8º Festival de Soupas de Montemor-o-Novo

5 e 6 de Novembro de 2011 A Câmara Municipal de Montemoro-Novo, de modo a estimular o consumo da SOPA e divulgar o nosso Património Gastronómico, unindo a tradição aos benefícios deste prato tão saudável, colocou mais uma vez a SOPA no centro das atenções.

Sugestão de livro Direcção: Pedro Strecht Sinópse:

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Carneiro Ligue já! 760 10 77 31 Carta Dominante: Rainha de Espadas, que significa Melancolia, Separação. Amor: Cuidado com aquilo que diz pois pode magoar alguém de quem gosta muito. Saúde: Cuidado com o que come, reduza o ritmo de trabalho e descanse mais. Lembre-se que o seu bem-estar está acima de qualquer coisa. Dinheiro: Surgirão algumas mudanças na sua vida profissional. Nem sempre trabalhar desenfreadamente é produtivo, pense nisso.

Touro Ligue já! 760 10 77 32 Carta Dominante: 3 de Copas, que significa Conclusão. Amor: Modere o seu mau humor e rejeite pensamentos pessimistas e derrotistas. Saúde: Liberte-se da pressão do dia-adia através da boa disposição. Visite com maior regularidade o seu médico de família. Dinheiro: Apesar das divergências de opiniões no seu ambiente de trabalho, não desista dos seus objectivos.

Caranguejo Ligue já! 760 10 77 34 Carta Dominante: Rainha de Paus, que significa Poder Material e que pode ser Amorosa ou Fria. Amor: Não se preocupe, pois as discussões que tem tido com a sua cara-metade não passam de uma fase menos positiva. O companheirismo é a base da vossa relação. Saúde: A tendência é para se isolar e reflectir sobre a sua vida. Dinheiro: Algo inesperado poderá acontecer e colocar em causa a sua competência.

Leão Ligue já! 760 10 77 35 Carta Dominante: A Imperatriz, que significa Realização. Amor: Aproveite a tranquilidade do lar para dar asas à imaginação e revolucionar a sua vida afectiva. Saúde: Período tranquilo, não se preocupe. Dinheiro: Trabalhe com mais entusiasmo. Caso isso não aconteça pode sair prejudicado.

Balança Ligue já! 760 10 77 37 Carta Dominante: O Mundo, que significa Fertilidade. Amor: Tenha mais atenção às suas reacções e poderá compreender porque é que a sua alma gémea está diferente consigo. Sentirse-á manipulado pelos seus amigos. Saúde: Possíveis problemas de garganta. Dinheiro: Pense positivo e não se deixe abater por uma pequena discussão com um colega de trabalho. Poderá perceber que a sua dedicação e empenho profissional valem a pena.

Escorpião Ligue já! 760 10 77 38 Carta Dominante: Cavaleiro de Paus, que significa Viagem longa, Partida Inesperada. Amor: Mantenha a sua opinião, não se deixe levar por terceiros. Dê mais atenção à sua família e deixe um pouco o trabalho de lado. Saúde: Procure repousar mais para colocar os seus pensamentos em ordem. Prováveis dores de dentes. Dinheiro: Período pouco favorável para grandes investimentos.

CAPRICÓRNIO Ligue já! 760 10 77 40 Carta Dominante: O Eremita, que significa Procura. Amor: O seu esforço vai ser recompensado pois o seu par vai mostrar-se muito apaixonado e arrebatador. Saúde: Procure não comer apenas carne, lembre-se da importância do peixe. Dinheiro: Momento ideal para colocar em prática alguns dos seus projectos.

AQUARIO Ligue já! 760 10 77 41 Carta Dominante: O Dependurado, que significa Sacrifício. Amor: Procure resolver rapidamente os seus problemas sentimentais. Saúde: Tome um chá tranquilizante, pois o seu sistema nervoso poderá estar abalado. Dinheiro: Mime-se, presenteie-se com o seu perfume preferido. Não se preocupe com o preço, pois você merece!

Telefone: 21 318 25 91 E-mail: mariahelena@mariahelena.tv

Gémeos Ligue já! 760 10 77 33 Carta Dominante: 9 de Paus, que significa Força na Adversidade. Amor: Semana propícia ao amor, o romance está no ar. Poderá reencontrar alguém que já foi muito importante para si no passado. Saúde: Aumente as suas horas de sono. Cuide mais de si e do seu corpo. Dinheiro: Procure não fazer investimentos arriscados pois pode perder elevadas quantias de dinheiro.

Virgem Ligue já! 760 10 77 36 Carta Dominante: 3 de Ouros, que significa Poder. Amor: Um romance está para breve. Fase propícia ao conhecimento de novas pessoas que suscitarão o seu interesse. Saúde: Beba muita água, adopte uma alimentação equilibrada e evite o álcool e o tabaco. Atenção ao sistema respiratório. Dinheiro: O seu orçamento poderá permitir que se mime um pouco a si próprio. Será reconhecido pelo trabalho prestado.

Sagitário Ligue já! 760 10 77 39 Carta Dominante: Ás de Ouros, que significa Harmonia e Prosperidade. Amor: A sua família poderá exigir a sua presença em casa. Saúde: Esteja atento aos sinais do seu corpo. Acalme o ritmo de vida. Dinheiro: Não se prevêem dificuldades a este nível. O aumento do seu rendimento mensal poderá estar relacionado com uma promoção no seu local de trabalho.

PEIXES Ligue já! 760 10 77 42 Carta Dominante: Cavaleiro de Copas, que significa Proposta Vantajosa. Amor: A sua ajuda será determinante para levantar a auto-estima de um amigo. Saúde: Procure fugir às gorduras porque o colesterol tem tendência para subir. Dinheiro: Faça um balanço das suas finanças, pois, possivelmente ser-lhe-á proposta sociedade para um negócio.

Sugestão de filme

O Vento à Volta de Tudo

O Vento à Volta de Tudo é uma viagem pelo mundo da adolescência. Através da exploração de conceitos teóricos clássicos e utilizando vários exemplos clínicos de rapazes e raparigas, abordamse questões muito diversas sobre o que é ser adolescente hoje, as diferentes etapas desta

Horóscopo semanal

fase do crescimento e o seu impacto familiar e social. Pensado para ajudar à reflexão de adultos que contactem ou trabalhem diariamente com esta faixa etária, é um livro que não deixa de alertar para novos riscos mas, sobretudo, para novos desafios que os mais novos

constantemente nos colocam. O Vento à Volta de Tudo convida-nos irreversivelmente a viajar por histórias de vida de adolescentes de hoje mas sempre em profunda ligação com o mundo em nosso redor, quer isso diga respeito à família, à escola ou às referências sociais e culturais de cada um em especial e da própria humanidade em geral.

Assim é o Amor Direcção: Mike Mills Sinópse:

As vidas de Oliver (Ewan McGregor) e do seu pai Hal (Christopher Plummer) alteram-se radicalmente quando o segundo, seis meses depois de ter ficado viúvo, assume duas coisas totalmente inesperadas: que é homossexual e que se encontra num estado avançado de uma doença terminal.

Com esta consciência de mortalidade, Hal começa a viver intensamente o tempo que lhe resta, encontrando disponibilidade para viver um grande amor com um homem mais novo, reformular a sua relação com o filho e, acima de tudo, encontrar a serenidade

interior que nunca havia antes encontrado. Algum tempo após a morte inevitável de Hal, Oliver conhece Anna (Mélanie Laurent), compreendendo, finalmente, o verdadeiro significado do amor. Assim, compreenderá todo o alcance dos ensinamentos que o pai lhe tentou transmitir naqueles últimos meses de vida.


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Sede Rua Werner Von Siemens, n.º16 -7000.639 Évora Tel. 266 751 179 Fax 266 751 179 Email geral@registo.com.pt SEMANÁRIO

Marionetas

Bonecos vão a Estremoz Vai realizar-se no próximo dia 5 de Novembro, pelas 21h30, no Teatro Bernardim Ribeiro, um espectáculo com os Bonecos de Santo Aleixo, títeres tradicionais do Alentejo que parece terem tido a sua origem na aldeia que lhes deu o nome. Propriedade do Centro Dramático de Évora (Cendrev), são manipulados por actores profissionais, que garantem a permanência do espectáculo, assegurando assim a continuidade desta expressão artística alentejana. Os bonecos originais estão expostos no Teatro Garcia de Resende, enquanto esperam a criação do Museu dos Bonecos, integrado na rede museológica da cidade. As réplicas com que hoje trabalham foram fielmente reproduzidas com a preciosa colaboração de Joaquim Carriço “Rolo”, artesão da Glória, concelho de Estremoz, e velho amigo da família Talhinhas. Conhecidos e apreciados em todo o país, com frequentes deslocações aos locais onde tradicionalmente se realizava o espectáculo, os Bonecos de Santo Aleixo participam também em certames internacionais. PUB

Festival

Montemor promove sopas

A Câmara de Montemor-o-Novo reedita este fim-de-semana o festival de sopas alentejanas para estimular o seu consumo e divulgar pratos únicos do património gastronómico regional. Oportunidade para saborear pratos como a sopa de tomate ou a açorda, num festival com entrada livre e que irá funcionar sábado e domingo a partir do meio-dia. Para além da degustação de deliciosas sopas, o festival conta também com animação musical. No sábado, actuam os grupos Fora d’Horas e Salta Pocinhas. No domingo será a vez do Grupo de Concertinas da Barrenta. Nos dois dias do evento, a pensar nos mais pequenos, e também no descanso dos pais, estará disponível um espaço infantil, onde as crianças podem dar asas à imaginação .

Conferência

Associação cristã de empresários debate boas práticas Presenças de D. José Alves e de Armindo Monteiro. “AconteSer com responsabilidade social”. Foi esta a temática de um jantar-conferência organizado em Évora pela Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE). A iniciativa contou com a presença, entre outros, de Armindo Monteiro, presidente do conselho de administração da Compta, e do arcebispo de Évora, D. José Alves. O Programa AconteSER pretende ajudar a combater a falta de competitividade das micro, pequenas e médias empresas, através da partilha de boas práticas que potenciem a acção empresarial. Segundo a associação, atingir este objectivo implica a capacidade de se gerar um forte dinamismo capaz de envolver pessoalmente os líderes empresariais na implementação de progra-

mas com resultados efectivos na vida e acção das empresas, promovendo lideranças socialmente responsáveis nas PME, que cumpram a sua função social e criem um ciclo virtuoso para a economia. Trata-se de um programa conjunto liderado pela ACEGE em parceria com a CIP, o IAPMEI e a APIFARMA. Se por um lado a presente crise parece não deixar tempo para pensar em nada que não seja a sobrevivência das empresas, para os promotores do projecto é exactamente neste clima de desespero que estas mais precisam dos seus líderes e, consequentemente, de colocar a tónica nos seus colaboradores. Dai que António Pinto Leite, presidente da ACEGE, explique que este “aconteSER” é, na verdade, um “fazer acontecer, através das pessoas [dos colaboradores

das empresas], no que respeita à competitividade”. O programa, pretende envolver 750 gestores e empresários através da realização de pelo menos 50 seminários. No Alentejo o responsável da ACEGE é o empresário Lourenço Beja da Costa. Na ocasião foi distribuído em Évora o “Kit AconteSer - Boas práticas para uma liderança responsável”, entregue aos diversos empresários que participaram na conferência. “Boas práticas empresariais, sem custos e de fácil implementação numa altura de dificuldades acrescidas, materializadas em torno dos cartões “Fazer AconteSer” e de um site de referência com informação sobre a sua implementação é a proposta que propomos a cada líder com este kit”, explica a associação.

Registo ed179  

Edição 179 do Semanário Registo

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