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SEMANÁRIO

Director Nuno Pitti Ferreira | 27 de Fevereiro de 2014| ed. 249 | 0.50€

Adega e Enoturismo da Cartuxa premiados

D.R.

O Melhor Petisco | Rua Catarina Eufémia , 14 Horta das Figueiras | 7005-320 Évora 266771284

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Mais de 2 mil Olivae do Exposição e live O incontornável professores Alentejo para o art do génio do porto de Sines querem rescisões mundo mosaico Pág.04 “O facto de termos tido uma pro-

cura elevada de pedidos de rescisão ainda este mês levou-nos a pedir uma reunião com a secretaria de Estado da Administração Pública para podermos equacionar chegar a um prazo que seja mais confortável para os professores poderem tomar as decisões tendo em conta o desenvolvimento do ano lectivo”, disse o secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar, João Casanova de Almeida.

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Pág.08 No emaranhado de tantas

interrogações, atrevo-me a condensar numa simples pergunta, o que se confunde entre a esperança, a angústia e a perplexidade sobre o que parece ser tão evidente e afinal permanece como promessa renovada, mofenta, por realizar. Afinal, o que é que nos impede de ver tão claramente o que temos, o que somos e o que queremos ser nesta Europa meridional e no mundo?

Pág.13 A OLIVAE (e os seus sabonetes)

surge(m) literalmente das mãos de Elza Neto (bióloga) e Carla Janeiro (engª zootécnica), e da sua vontade de contribuir para a valorização dos recursos locais de qualidade existentes em Portugal, e especialmente na região Alentejo, onde residem. A origem deste projecto remonta a 2011, com a ideia de aproveitar as propriedades da folha de oliveira, que contém oleuropeína entre outros fenóis.

Pág.14 Saimir Strati, oriundo da Albânia, é um dos nomes mais conhecidos no âmbito da arte contemporânea, tendo criado obras que servem como ponto de referência no campo da arte do mosaico. No passado sábado, 22 de fevereiro, no Centrum Sete Sóis Sete Luas de Ponte de Sôr, este excêntrico artista estreou-se em Portugal: com o apoio da Câmara Municipal de Ponte de Sôr, e no âmbito da programação artística internacional do Festival Sete Sóis Sete Luas.


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A Abrir

Portugal 2020…para quê e para quem? cARLOS sEZÕES Gestor

Não se tem falado muito desta questão na comunicação social, mas a maioria dos portugueses já está de sobreaviso sobre o novo manancial de fundos da União Europeia destinado a Portugal. Em concreto, o Programa Portugal 2020 será o sucessor do já nosso conhecido Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN) e enquadrará os vários apoios estruturais da União Europeia entre os anos de 2014 e 2020. Qual o montante? Cerca de 25.000 milhões de euros, durante estes próximos 7 anos, divididos em quatro programas temáticos (competitividade e internacionalização, inclusão social e emprego, capital humano e eficiência de recursos e sustentabilidade) para além dos inevitáveis envelopes financeiros regionais e um último, para o desenvolvimento rural. Os objectivos globais do programa correspondem aos eixos temáticos e pressupõem, como é óbvio, prioridades estabelecidas a nível europeu. Agora, como fazer a ponte entre a “carta de intenções”

da Europa, construída (e bem) em função da redefinição do papel que o nosso velho continente desempenha neste mundo globalizado e as necessidades específicas deste nosso Portugal, a recuperar lentamente da sua crise económica e financeira? É, talvez, a pergunta mais importante neste momento. Não sou nenhum especialista na gestão de fundos comunitários mas, como cidadão relativamente atento, deixo algumas reflexões sobre o que me preocupa na ligação entre as intenções e a acção. Como nota prévia, julgo que teria sido bom um maior investimento de tempo, energia e comunicação no debate nacional, com os vários agentes da nossa sociedade, da estratégia de Portugal, no âmbito da estratégia europeia: em concreto, em que queremos diferenciar-nos, quais os aspectos da nossa competitividade que queremos alavancar, em que sectores nos queremos destacar. Tal iria favorecer um maior consenso nacional sobre o que é prioritário e

o que é acessório, para que os programas não sejam um mero despejar de dinheiro, de forma avulsa, sobre a administração central, autarquias, universidades ou construtores de infra-estruturas - como foi, em boa parte, no passado. Em segundo lugar, mesmo após a experiência de vários quadros comunitários de apoio, continuamos, de forma recorrente, a questionar a eficácia dos investimentos – mesmo que eles sejam efectuadas nas áreas ou sectores mais recomendados. Por exemplo, toda a gente (e eu incluído) concorda na aposta no capital humano e, não obstante, é reconhecido por quase todos a falta de controlo de qualidade ou pertinência de muita da formação ministrada ao longo de mais de duas décadas. Não existe uma solução milagrosa para esta desejável monitorização de eficiência e eficácia mas, estou certo, metodologias que se focalizem mais nos resultados e nos impactos, em detrimentos das regras burocráticas e dos processos (tão ao

gosto português), serão muito bem-vindas. Por último, gostaria que esta oportunidade fosse aproveitada, mais do que qualquer das anteriores, para reforçar a coesão nacional, ao nível das diversas regiões. Bem sei que, pelo que foi anunciado, o Portugal 2020 irá concentrar apoios (93% do total) nas regiões menos desenvolvidas do país (as regiões da convergência, na sua designação formal), como o Norte, o Centro, o Alentejo e os Açores, o que me parece inteiramente correcto. Mas, creio, é importante ter também aqui uma visão de “orientação a resultados”, alicerçada em sinergias e complementaridades inter-regionais, em vez de encarar o financiamento regional e forma estanque e isolada. Enfim, são notas de quem gostaria de ver Visão e Rigor num desenvolvimento nacional e regional equilibrado. E que sejam as prioridades estratégicas, e não a mera existência de dinheiro, a definir o nosso rumo!

Dinâmicas da Gestão

Angola, Crescimento e Desenvolvimento César Baptista

Mestre em Economia e Gestão Aplicadas, Universidade de Évora

No âmbito da cooperação da Universidade de Évora com Angola, estudos em torno de vários temas tem vindo a ser realizados, muitos dos quais incidindo sobre o crescimento económico do país - o maior a nível mundial -, as oportunidades que esse crescimento representa para uma economia estagnada como a portuguesa e os factores determinantes da captação de capital, de investidores e de empreendedores e negócios externos. Perceber os factores explicativos do crescimento, nomeadamente, o contributo do petróleo e dos diamantes, foi o objectivo do trabalho desenvolvido sob a orientação da Prof.ª Doutora Maria Raquel Lucas do Departamento de Gestão da Universidade de Évora. Apesar dos progressos substanciais conseguidos na melhoria das condições sociais desde 2002 e dos esforços atuais do governo, Angola enfrenta ainda enormes desafios no que se refere à redução da pobreza, ao desemprego e ao desenvolvimento humano. Embora, no essencial, os mecanismos de mercado possam ser capazes e suficientes para assegurar uma afectação racional e eficiente dos recursos e dos factores de produção, o crescimento económico é, em si, um gerador de desigualdades e muitas vezes deficitário nos critérios de repartição do PIB e do rendimento nacional. Esta é a situação de Angola onde, em diferentes aspectos (funcional, factores de produção, pessoal e regional) se justifica a adopção de medidas correctivas, seja pela via da

descentralização de decisões, da captação de factores, recursos e competências, da valorização das vantagens competitivas regionais, da democratização do acesso à informação, seja pelas oportunidades de negócios e de crédito à educação e à saúde. Estas podem ser formas de mitigar a pobreza e de rectificar disfuncionalidades na repartição do rendimento nacional. No que respeita à situação da economia angolana, no período 1975-2010 e às políticas macroeconómicas adotadas pelo governo, é de evidenciar que Angola tem sido apresentada como case study em termos de estabilização macroeconómica e crescimento da economia, a partir de 2002. A esta situação não foi alheio o comportamento da economia mundial nem a implementação das políticas de ajustamento macroeconómico assumidas pelo país perante o Fundo Monetário Internacional. Entre 1975 e 2012, a economia angolana centralizou-se no estado como principal agente económico e foi muito dependente do petróleo, dos diamantes e das importações de bens e serviços, limitando a actividade do sector privado. Na primeira década assentou no Plano Nacional, na guerra e na estagnação económica. Na segunda fase (19861991) ensaiou a transição da economia planificada para a de mercado. As principais reformas do estado e a recuperação de vários sectores afectados pela guerra ocorreram entre 1992-2003, em especial o

Programa Económico e Social. Finalmente, no período seguinte (2004-2012), deuse a estabilização do mercado financeiro e cambial assim como o desenvolvimento da economia informal. Os sectores que mais contribuíram para o crescimento económico e que dominaram a exportação foram, sem margem para dúvida, o petrolífero e o diamantífero, por ordem decrescente de importância. O primeiro incontestavelmente associado ao investimento externo chinês e à reconstrução e construção de diversas infra-estruturas. São assim poucos os sectores que contribuem para a robustez da economia sobretudo, por o plano sectorial da economia angolana carecer de políticas de diversificação. Embora seja desejável que o crescimento e desenvolvimento económicos se traduzam em progresso da sociedade e correcção de desequilíbrios sociais e económicos, em Angola, este crescimento económico assenta, fundamentalmente no preço do petróleo e nas taxas de evolução do PIB e não se ref lecte como desejável no bem-estar da população, posicionando o país, de forma social e economicamente, débil em todas as variáveis fundamentais para a construção do indicador de Desenvolvimento Humano. Algumas justificações para o facto de um país rico em petróleo e outros recursos, como Angola, não alcançar níveis de crescimento e de desenvolvimento sustentável, podem ser apontadas. Nomeadamente, a

ausência de verdadeiras políticas de desenvolvimento, o modelo de governação, a repartição do rendimento e assimetrias, a dependência do petróleo, dos diamantes e das importações resultante da desindustrialização do país, a corrupção e, a qualificação dos recursos humanos, o analfabetismo associado à insuficiente oferta e a falta de confiança e eficácia de alguns sistemas, como o educativo, o de saúde e o judicial. O futuro do desenvolvimento de Angola impõe a redução significativa do atraso económico e social o que vai depender das estratégias domésticas adoptadas pelo estado, em articulação com capitais públicos e privados e formas sustentáveis e equilibradas de cooperação internacional e de aumento da produção interna, sobretudo da agricultura. Face às assimetrias existentes em termos globais – de controlo sobre a moeda e as finanças, de criação e concentração do progresso técnico e tecnológico e do poder militar – o crescimento económico pode ainda ser condicionado pelas condições dominantes na geopolítica e na geoeconomia internacional. O desafio que se coloca é o da disseminação do crescimento económico, face às evidências de uma excessiva, injusta e economicamente não desejável concentração desse crescimento numa reduzida percentagem da população, num diminuto número de sectores de actividade económica e de produtos exportáveis e, numa distribuição territorial limitada.

Ficha Técnica SEMANÁRIO

Director Nuno Pitti Ferreira (nuno.pitti@registo.com.pt) Propriedade PUBLICREATIVE - Associação para a Promoção e Desenvolvimento Cultural; Contribuinte 509759815 Sede Rua Werner Von Siemens, n.º16 -7000.639 Évora - Tel: 266 751 179 fax 266 751 179 Direcção Silvino Alhinho; Joaquim Simões; Nuno Pitti Ferreira; Departamento Comercial comercial@registo.com.pt Redacção Pedro Galego Fotografia Luís Pardal (editor) Paginação Arte&Design Publicreative Cartoonista Pedro Henriques (pedro.henriques@registo.com.pt); Colaboradores António Serrano; Miguel Sampaio; Luís Pedro Dargent: Carlos Sezões; António Costa da Silva; Marcelo Nuno Pereira; Eduardo Luciano; José Filipe Rodrigues; José Rodrigues dos Santos; José Russo; Figueira Cid Impressão Funchalense – Empresa Gráfica S.A. | www. funchalense.pt | Rua da Capela da Nossa Senhora da Conceição, nº 50 - Morelena | 2715-029 Pêro Pinheiro – Portugal | Telfs. +351 219 677 450 | Fax +351 219 677 459 Tiragem 10.000 ex Distribuição Nacional Periodicidade Semanal/Quinta-Feira Nº.Depósito Legal 291523/09 Distribuição PUBLICREATIVE


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Actual Pêra-Manca é a marca que a Adega Cartuxa destina aos vinhos de exceção.

Pêra-Manca tinto 2010 e Enoturismo da Adega Cartuxa premiados O vinho Pêra-Manca tinto 2010, da Adega Cartuxa, Fundação Eugénio de Almeida, foi distinguido pela Revista de Vinhos com o Prémio Excelência, o mais alto galardão atribuído pela publicação especializada. O evento, já conhecido como os “Óscares do vinho em Portugal”, consagrou os melhores vinhos nas categorias de Prémios de Excelência (vinhos excecionais, os melhores entre os melhores); Melhores de Portugal (selecionados das várias regiões vinícolas do país) e Melhores Compras (vinhos com boa relação qualidade /preço). O Pêra-Manca tinto 2010 foi um dos apenas 30 vinhos a integrar a lista de elite, num total de mais de 2000 vinhos avaliados. Os vencedores foram anunciados no passado dia 14 numa cerimónia que decorreu no Campo Pequeno, em Lisboa, onde foram ainda distinguidas personalidades e instituições que se diferenciaram em 2013 na área dos vinhos e gastronomia. Pêra-Manca é a marca que a Adega Cartuxa destina aos vinhos de exceção. É produzido a partir das castas Aragonez e Trincadeira, cuidadosamente colhidas e selecionadas, e carateriza-se pela sua cor granada forte, aroma intenso e elegante a frutos do bosque, pimenta rosa, e ameixa seca. Apresenta ainda suaves notas de regaliz. Na boca é poderoso, de grande estrutura, concentrado e fresco. Final de boca muito longo a frutos secos e chocolate preto.

Enoturismo Cartuxa premiado pela Entidade de Turismo

Promovido pela Entidade Regional de Turismo no passado domingo, dia 23 de Fevereiro, os vencedores da quarta edição dos Prémios Turismo do Alentejo, o Eno-

ordem do Marquês de Pombal, a propriedade passou a pertencer ao Estado, começando alguns anos mais tarde, em 1776, a funcionar como um importante lagar de vinho que absorvia a produção vitivinícola da região. Adquirida no século XIX pela família Eugénio de Almeida, a Adega Cartuxa passou por várias reformas e ampliações ao longo do tempo, conservando a riqueza da sua memória arquitectónica e histórica.

Adega Cartuxa

A Fundação Eugénio de Almeida é herdeira de uma longa história no sector vitivinícola, com a cultura da vinha a fazer parte da tradição produtiva da Casa Agrícola Eugénio de Almeida desde o final do Séc. XIX. As uvas que atualmente resultam da produção obtida nos 600 hectares de vinha explorada, são vinificadas na moderna e sofisticada Adega Cartuxa – Monte Pinheiros, herdade que outrora foi centro de lavoura da Fundação Eugénio de Almeida. A Adega Cartuxa – Quinta Valbom, antigo posto Jesuíta, onde já em 1776 funcionava um importante lagar de vinho, é desde 2007 o centro de estágio de vinhos e sede do Enoturismo Cartuxa.

Fundação Eugénio de Almeida

turismo Cartuxa recebeu a Menção Honrosa na categoria Melhor Enoturismo. Recorde-se que, nesta última edição, concorreram às sete categorias dos Prémios Turismo do Alentejo 66 projectos. Sediado na Quinta de Valbom, a 2 km do centro histórico de Évora, cidade Pa-

trimónio Mundial, e a 200 metros do Convento da Cartuxa que inspirou o seu nome, o Enoturismo Cartuxa encontra-se instalado no antigo refeitório da casa de repouso dos Jesuítas, que leccionaram na Universidade de Évora nos séculos XVI e XVII. Com a sua expulsão, em 1759, por

A Fundação Eugénio de Almeida é uma Instituição portuguesa de direito privado e utilidade pública, sediada em Évora. Foi fundada em 1963 pelo Eng.º Vasco Maria Eugénio de Almeida com a missão de promover o desenvolvimento integrado da região de Évora numa perspetiva de valorização do capital humano e da sustentabilidade, através da criação de oportunidades culturais, educativas, sociais e espirituais para as pessoas. Em 2013 celebrou o seu cinquentenário.

Alqueva avança para milho, frutas e hortícolas O Programa de Desenvolvimento Regional (Proder) tem sido determinante na implantação do projecto Alqueva. O financiamento do Proder em Alqueva ascende aos 860 milhões de euros e deste total cerca de 340 milhões são investimento público e o restante, mais de 520 milhões de euros, representam a comparticipação de investidores privados. A intervenção do Proder no sistema de rega de Alqueva atinge os 73 por cento, que corresponde a cerca de 320 milhões de euros disseminados por 12 blocos de rega, financiados a 100 por cento com dinheiros públicos. O conjunto destes perímetros beneficia cerca de 60 mil hectares no Baixo Alentejo. Cerca de 86 por cento dos 520 milhões de euros do investimento foi realizado na instalação de projectos agrícolas e agroindustriais, “na sua quase totalidade” aplicado na transformação das explorações agrícolas de sequeiro para regadio, assinala Gabriela Ventura dando conta da mudança de paradigma nas opções dos agricultores. Até 2011 “o rei do investimento” foi o

olival, 20 por cento super-intensivo e 70 por cento intensivo. Também há algum investimento na vinha e no vinho. Mas após 2011 “assiste-se a mudança de opção dos investidores”. Tem a ver com o “esgotamento da oferta de azeite”, que avisou os empresários agrícolas para investir nas fileiras das frutas, das hortícolas e dos cereais e nesta última destaca-se a cultura de milho “que vale mais de 22 milhões de euros” e está em crescendo. A resposta empresarial ao projecto Alqueva “traz escala e robustez” à opção dos empresários agrícolas pelas potencialidades oferecidas pelo regadio expressa através do investimento médio por investidor que “é muito superior” na região Alentejo ao que se verifica no resto do país. Assim, investimento médio por investidor no continente é de cerca de 270 mil euros. Na região do Alqueva chega quase aos 400 mil euros. Os resultados na componente agro-industrial são igualmente reveladores da importância do novo regadio. No continente é de 1,6 milhões de euros, mas em Alqueva chega aos 3,5 milhões de euros.


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27 Fevereiro ‘14

Actual Os sindicatos não concordaram com as regras e aconselharam os professores a informarem-se bem sobre as condições.

Mais de 2 mil professores querem rescisões encerramento do prazo previsto, que é na próxima sexta-feira”, afirmou Casanova de Almeida. O programa está em vigor desde 15 de Novembro e termina a 28 de Fevereiro, a menos que haja acordo do Ministério das Finanças para o alargar. Podem aderir ao programa todos os docentes com menos de 60 anos e com contrato de trabalho em funções públicas, não estando abrangidos os docentes que já estão a aguardar uma decisão do pedido de aposentação ou reforma antecipada. Tal como já tinha sido anunciado pelo MEC durante as negociações com os sindicados, o cálculo da compensação é de 1,25 meses de remuneração base por cada ano de serviço para os professores com menos de 50 anos e de um mês de remuneração para os docentes entre os 50 e os 59 anos de idade. Existem, no entanto, outros valores para os professores de educação pré-escolar, 1.º ciclo do Ensino Básico, educação tecnológica, educação visual e tecnológica: Os que têm menos de 50 anos recebem 1,5 meses por cada ano de serviço e os que têm entre 50 e os 59 anos receberão 1,25 meses de remuneração base por cada ano de serviço. Os sindicatos não concordaram com as regras e aconselharam os professores a informarem-se bem sobre as condições, antes de porem fim ao contrato de trabalho.

O Ministério da Educação quer negociar com as Finanças o alargamento do prazo para o programa de rescisões aberto para os professores, tendo em conta os mais de dois mil pedidos que já chegaram aos serviços. “O facto de termos tido uma procura elevada de pedidos de rescisão ainda este mês levou-nos a pedir uma reunião com a secretaria de Estado da Administração Pública para podermos equacionar chegar a um prazo que seja mais confortável para os professores poderem tomar as decisões tendo em conta o desenvolvimento do ano lectivo”, disse o secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar, João Casanova de Almeida. O governante falava aos jornalistas, esta terça-feira, no final da reunião que manteve com a Fenprof, no âmbito da primeira ronda negocial referente ao concurso de vinculação extraordinária de docentes, e que levou o Ministério da Educação a convocar sindicatos e associações de professores. A reunião com secretaria de Estado da Administração Pública decorre esta quarta-feira, adiantou o secretário de Estado. “Vai ser feita essa reunião. Esperemos poder traduzir assim a procura que tem sido elevada. Já ultrapassamos os dois mil pedidos de rescisão. Se houver possibilidade de dilatar esse prazo nós vamos fazê-lo e anunciá-lo antes do

Bispo de Beja contra “Centralização e desertificação” O bispo de Beja entende que as reduções que o Governo tem implementado, nas escolas, centros de saúde e agora nos tribunais, estão a retirar à sociedade “corpos intermédios” essenciais ao seu funcionamento. Na sua habitual nota semanal, D. António Vitalino chama a atenção para a realidade das regiões mais distantes dos grandes centros urbanos. “Centralizar a administração, a cultura, a saúde e querer lutar contra a desertificação do interior, mas retirando daí o que ainda o pode tornar atrativo, tudo isto parece ser contraditório”, sustenta o prelado. A decisão do Conselho de Ministros de

encerrar 20 tribunais e reduzir funções em outros 27 organismos judiciais vai fazer-se sentir sobretudo em distritos como Vila Real e Viseu. O Ministério da Justiça explica a medida com o facto dos tribunais em questão terem um reduzido movimento processual, ou seja, menos de 250 processos por ano, e destaca as vantagens em termos de redução de custos e de especialização dos recursos. As autarquias locais alegam que, para além da perda de valências, está em causa a questão da distância: em algumas localidades, sem transportes públicos e com más acessibilidades, as pessoas vão ter de

passar a percorrer mais de 90 quilómetros para irem a uma audiência. D. António Vitalino recorda que “fomentar o progresso” implica respeitar a “dignidade das pessoas e a igualdade de direitos e deveres”. Para o bispo de Beja, no cerne desta polémica está sobretudo o abandono do “princípio da subsidiariedade” e a falta de “hábitos de corresponsabilidade na construção do bem comum”. “Uma boa organização lança mão dos corpos intermédios necessários para unir forças e obter os melhores resultados. São estes elos da cadeia que faltam em várias áreas da nossa sociedade e daí o desalento

e ineficácia em que estamos mergulhados”, aponta o responsável católico. O prelado considera que o caso dos tribunais surge na sequência das “muitas trapalhadas” que têm sido praticadas pelo poder central e deixado os cidadãos “desmotivados e desanimados”. “Reduzir despesas e aumentar receitas nos orçamentos, reduzir concelhos e depois apenas algumas freguesias, aumentar impostos, mas reduzir benefícios, para alguns, pois os que mais ganham acabam por ter uma exceção. Dá impressão que até as próprias cúpulas já não se entendem”, lamenta D. António Vitalino.

A fatura da sorte e as pastilhas elásticas Joaquim Fialho

Professor Universitário

Tenho alguma dificuldade em compreender a estratégia do Governo para quem pedir fatura, não porque é um dever, mas porque é uma probabilidade de receber um “rebuçado” do Estado. Este jogo das probabilidades que pode dar a ganhar uma viatura topo de gama a uma feliz comtemplado é de uma imaginação requintada e paranormal, só ao alcance de um sem número de iluminados. A histeria social coletiva pode, a exemplo do que acontece com reality shows e afins, instalar-se no nosso país. Sabemos da crença que os portugueses têm em que um dia lhes sairá o euromilhões e que o momento de sorte é uma

coisa que está para vir. Não se sabe é quando. Ainda há dúvidas sobre o sorteio. Sabemos que a lógica é a tuga. Lança-se a ideia e depois vamos vendo o sentido do vento. Pior ainda. Pegando numa metáfora de um provérbio conhecido, quando não sabemos para onde queremos ir, qualquer vento serve. Assim me parece este sorteio da fatura da sorte. A partir de abril, a Autoridade Tributária será uma espécie de filial do departamento de jogos da Santa Casa da Misericórdia. Ao que sabe, qualquer fatura dará direito a um cupãosorteio, não sendo necessário uma inscrição prévia. Como o que se sabe ainda não é muito,

creio que a melhor estratégia será a compra de pastilhas elásticas avulso. Se a cada pastilha elástica avulso pedirmos um fatura, mais hipóteses teremos de ganhar. Estou mesmo a ver os portugueses nas casas de jogo: “uma aposta de dois euros de euromilhões, uma raspadinha de um euro e cinco pastilhas elásticas com faturas emitidas em separado”. Ironias à parte, há aqui uma possibilidade de efeito perverso na fatura da sorte. Pensar o combate à fraude e à economia paralela através de um jogo, sem se saber quais os benefícios e quanto é que este instrumento vai reduzir a economia paralela, é também con-

fiar na sorte. Um dos princípios que subjaz a este sorteio é que o cidadão pede fatura para que fique habilitado a um automóvel topo de gama, e não porque quer um bom serviço de saúde, melhores escolas e universidades, melhores estradas, melhores serviços públicos, melhores funcionários a prestar serviço público, menor carga fiscal e melhor qualidade de vida. Se esta minha análise estiver correta, mais vale a pena comprar pastilhas elásticas e confiar na sorte, porque pedir fatura nos habilita para um sorteio, e não porque é um dever de todos nós. Assim vai a vida por cá!


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27 Fevereiro ‘14

Destaque De uma forma global, as escolas básicas e secundárias vão perder 37 mil estudantes nos próximos quatro anos.

Alentejo com menor perda de alunos O Alentejo é a zona do país onde a redução de alunos nas escolas deverá ser menos notória. Olhando para os quatro anos do 1.º ciclo, o Alentejo, ao contrário do que acontece nas outras regiões, terá mesmo um aumento do número de estudantes: mais 51 crianças, nos próximos quatro anos. De uma forma global, as escolas básicas e secundárias vão perder 37 mil estudantes nos próximos quatro anos, com destaque para o 1.º ciclo, que terá menos 23 mil crianças do que actualmente, segundo dados do Ministério da Educação. A maior redução de alunos vai registarse no 1.º ciclo, já que no ano lectivo de 2017/2018, haverá menos 23.119 estudantes a frequentar este nível de ensino, segundo estimativas da Direcção Geral de Estatística da Educação e Ciência (DGEEC), que indicam existir actualmente 409.208 alunos no 1.º ciclo. No ano lectivo de 2017/2018, deverão inscrever-se pela primeira vez na escola 90.784 alunos, menos 5.124 do que as que agora frequentam o 1.º ano do 1.º ciclo. O próximo ano deverá contrariar a tendência de esvaziamento das escolas, segundo a DGEEC, que estima um aumento de 1.768 crianças no 1.º ciclo, sendo a grande maioria da Região de Lisboa e Vale do Tejo. PUB

O Alentejo é a zona do país onde a redução de alunos deverá ser menos notória, já que terá apenas menos 48 estudantes a entrar para a primeira classe. Olhando

para os quatro anos do 1.º ciclo, o Alentejo, ao contrário do que acontece nas outras regiões, terá mesmo um aumento do número de alunos: mais 51 crianças, nos

próximos quatro anos. A zona de Lisboa e Vale do Tejo é a mais atingida pela demografia, já que terá menos 1.942 novos alunos a entrar para o ensino, seguindo-se o norte, que deverá sofrer uma redução de 1.407 estudantes no 1.º ano. As salas de aula dos alunos do 1.º ano também terão mais carteiras vazias no Algarve e no Centro, zonas onde a DGEEC estima uma redução de menos 276 e 358 estudantes, respectivamente. Somando todos os alunos que deverão frequentar a escola primária no ano lectivo de 2017/2018, haverá menos 2.809 crianças nas escolas nortenhas, menos 1.356 nas de Lisboa e Vale do Tejo, menos 1.126 no centro e menos 301 alunos no Algarve. A diminuição de alunos é transversal aos diferentes níveis de ensino, à excepção do secundário que, graças ao alargamento da escolaridade obrigatória, terá um aumento 7.245 alunos nos próximos quatro anos (passa dos atuais 195.880 alunos para 203.125). A DGEEC aponta também para uma redução de 17.197 alunos no 2.º ciclo (actualmente são 231.191 estudantes) e uma redução de 4.575 estudantes nas escolas do 3.º ciclo (hoje com 373.193 alunos).


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Actual A olivicultura é um sector agrícola modernizado.

Olivum quer defender sector do azeite Olivicultores do sul de Portugal criaram uma associação para defender os interesses do sector olivícola na região, onde tem uma dinâmica “bastante significativa” e peso económico e já ocupa mais de 60.000 hectares. A Olivum - Associação de Olivicultores do Sul, apresentada em Beja, foi criada para “defender os interesses comuns dos olivicultores e do sector olivícola” na região, referiu o presidente da assembleia geral da associação, Armando Sevinate Pinto. A olivicultura tem “uma dinâmica bastante significativa e peso económico” no sul de Portugal, “mas isso não quer dizer que não existam problemas”, os quais “exigem que haja uma união entre os olivicultores para os resolver”, frisou. Por isso, disse, a Olivum surgiu para colmatar a falta de “uma associação específica para representar a importantíssima realidade da olivicultura” no sul, sobretudo no Alentejo, que “tem bastante mais área de olival do que o conjunto do resto do país e produz 3/4 do azeite produzido em Portugal e com uma qualidade extraordinária”. A olivicultura, “um dos sectores agrícolas mais modernizados” de Portugal, “abrange uma área superior a 60.000 hectares de regadio” no sul do país e “representa 53% dos

40.000 hectares actualmente regados pelo perímetro do Alqueva”, refere a Olivum. Defesa e representação dos olivicultores do sul do país junto de entidades oficiais, associações e confederações nacionais e internacionais e criação de um interlocutor “qualificado e representativo para melhor defender” o sector olivícola junto da União Europeia e medidas comunitárias são algumas das áreas de actuação da Olivum. A associação também quer identificar os problemas e as oportunidades do sector, tornar-se um centro de divulgação de ideias e experiências dos associados, criar condições para a integração entre investigação, produção e indústria, para valorizar o produto azeitona, e fomentar o conhecimento estatístico dos principais aspectos da produção olivícola em Portugal, em especial do olival moderno de regadio. Trabalhar e acompanhar, em conjunto com as entidades nacionais, a transposição das regras comunitárias relativas à olivicultura para o regime interno português e ser “voz activa” junto da Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas do Alqueva “na luta pelo preço justo da água” do empreendimento são algumas das intervenções imediatas e específicas da Olivum.

EMBRAER gera emprego qualificado São investimentos privados como este da Embraer que ajudam a criar riqueza, emprego, qualificação e que ajudam a consolidar a economia, que nos fazem, sem nenhuma espécie de euforia, ter uma confiança especial neste momento de viragem, de crescimento e de consolidação económica», afirmou o Ministro da Economia, António Pires de Lima, na assinatura do protocolo entre a Embraer, a AICEP e o IEFP, em Évora. A criação deste centro de engenharia e tecnologia para o desenvolvimento de peças e estruturas em materiais compósitos, prevendo a contratação de cerca de 20 engenheiros, «documenta que Portugal é capaz de atrair investimento altamente qualificado, que valoriza muito a região, neste caso do interior, do Alentejo, e que puxa por aquilo que o País tem de melhor para dar», afirmou Pires de Lima. «A Embraer podia ter ido para qualquer outra parte do mundo, mas decidiu investir em Portugal», criando este centro de engenharia e tecnologia, para além das duas fábricas que já tem em Évora. «Este é só o segundo centro deste tipo fora do Brasil», enfatizou Pires de Lima, «país onde a Embraer mantém a sua força principal de investigação, desenvolvimento

e engenharia e que emprega mais de quatro mil engenheiros», sendo o outro centro nos Estados Unidos da América. O Ministro referiu que o facto da Embraer ter escolhido o nosso País para investir «deve encher-nos de orgulho», pois prova que Portugal tem «capacidade de competir e atrair investimento com este nível de qualificação e excelência tecnológica, ganhando a competição a todos os outros países onde a Embraer podia ter decidido investimento». A Embraer emprega nas duas fábricas que tem em Évora «cerca de 250 pessoas» e os trabalhadores «usufruem de condições, nomeadamente remuneratórias, muito acima daquilo que é a média praticada em Portugal», realçou o Ministro. Pires de Lima recordou que o ano passado «foi o melhor de sempre» para as exportações, com «mais 6% do que em 2012»; os valores exportados «superaram os 68 mil milhões de euros», representando «os 41% da riqueza produzida em Portugal» e aproveitou para elogiar o trabalho desempenhado pelo AICEP, que contratualizou com empresas privadas, em 2013, mais de 1100 milhões de euros de investimento.


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27 Fevereiro ‘14

Destaque Portugal tem sido condicionado pela opção de Espanha pela bitola ibérica. Não nos restou outra alternativa

O incontornável porto de Sines Francisco Sabino | Texto No emaranhado de tantas interrogações, atrevo-me a condensar numa simples pergunta, o que se confunde entre a esperança, a angústia e a perplexidade sobre o que parece ser tão evidente e afinal permanece como promessa renovada, mofenta, por realizar. Afinal, o que é que nos impede de ver tão claramente o que temos, o que somos e o que queremos ser nesta Europa meridional e no mundo? Somos dos que pensam que é possível e apostamos em negar fatalidades. Tal como Jorge Dias nos seus “Elementos Fundamentais da Cultura Portuguesa”, acreditamos que: “No momento em que o Português é chamado a desempenhar qualquer papel importante, põe em jogo todas as suas qualidades de acção, abnegação, sacrifício e coragem e cumpre como poucos. Mas se o chamam a desempenhar um papel medíocre, que não satisfaz a sua imaginação, esmorece e só caminha na medida em que a conservação da existência o impele. Não sabe viver sem sonho e sem glória”. Nós os alentejanos temos boas provas que atestam desta abnegação. Sem grandes recuos na história recente, recordemos dois momentos de clarividência e visão projetiva, que nos deveriam ter marcado como região e como povo: - A Barragem de Alqueva, e o GAS, Gabinete da Área de Sines, que foi constituído em 1971, para assegurar o planeamento e coordenação das infraestruturas do complexo portuário – industrial de Sines. Um e outro foram pensados para ajudar ao desenvolvimento do país e também o do Alentejo. Um e outro estão agora a mostrar resultados, mas passaram-se mais de 40 anos sobre os projetos que os deviam ter materializado. As razões destes atrasos são conhecidas e se muito têm das consequências de grandes crises internacionais, muito se deve também à inépcia dos sucessivos governos que por cá passaram. Estes dois projetos partilham uma história comum de contrariedades e desencontros no seu percurso. Estão, contudo, a mostrar-se determinantes no processo de revitalização das economias regional e nacional. O Alqueva tem vindo a assumir um papel significativo no impulso que o produto agrícola conheceu na região nos últimos anos permitindo, na campanha transata, um recorde histórico na produção de azeitonas e atingir assim, pela primeira vez, a autossuficiência nacional em azeite.

O porto de Sines é hoje o maior porto nacional e em expansão com taxas de crescimento em todos os seus terminais verdadeiramente notáveis e presumese que estas taxas poderão ser ainda mais dilatadas se o projeto associado a este complexo marítimo portuário tiver o desenvolvimento previsto no que às infraestruturas ferroviárias diz respeito. Nestes últimos anos muito se tem escrito sobre estas infraestruturas, sendo conhecidas as obras feitas no canal ferroviário (destacando-se a modernização da estação da Raquete em Sines, a construção da Variante de Alcácer e a modernização do troço Bombel/Casa Branca/Évora), visando aumentar-lhe o desempenho e melhorar as condições de segurança e o tráfego de mercadorias. São também conhecidas as controvérsias e desencontradas opiniões técnicas e políticas que se acendem quando falamos desta ligação. Traçado, bitolas, velocidade, agendas políticas, enfim, tudo tem servido para adiar, encanar a perna à rã, como por estas terras alentejanas se diz, uma decisão com consequências diretas no aumento das potencialidades do porto e no seu contributo para o desenvolvimento regional. Do ponto de vista económico há diversos estudos que apontam no sentido de que as vantagens competitivas dos produtos transportados pela via-férrea são óbvias. A capacidade de intervenção do porto de Sines, no seu “hinterland”, alonga-se muito para além do seu espaço geográfico, atingindo Madrid, em perfeita concorrência com os portos espanhóis de Algeciras e Valência. Em Dezembro de 2013, na conferência internacional de apresentação da Estratégia Europeia para o Atlântico, o Diretor comercial da MSC referiu, a propósito das vantagens competitivas obtidas para a empresa no transporte ferroviário das mercadorias transportadas na via férrea, que estas se poderiam traduzir em 40% no custo do transporte, se se completasse a ligação Évora – Caia, encurtando a distância atualmente percorrida em 200 km. Falta a modernização de cerca de 10 km entre Évora e Évora norte e a construção de cerca de 90km entre Évora norte e Elvas. Certamente que estas vantagens competitivas avançadas pelo armador que transporta carga através do Terminal XXI podem ser refletidas em outras empresas a operar na área de influência deste corredor ferroviário, desde logo, na própria Auto Europa, e também cer-

tamente pela Embraier, quando começar a produzir em pleno as peças principais do novo avião militar KC-390, para que está vocacionada. Estas vantagens não se esgotam naturalmente na componente económica. Ao constituir uma via de penetração pelo interior do Alentejo, virá dinamizar um eixo estratégico identificado em vários documentos que têm vindo a ser produzidos na CCDR Alentejo, com impacto em domínios tão críticos para a economia regional como a relocalização empresarial ao longo do troço ferroviário Poceirão / Vendas Novas, numa primeira fase, e, tão importante quanto esta, a necessária retoma demográfica da região, pode ela também muito beneficiar desta via de comunicação, ao favorecer a mobilidade geográfica e até mudanças de residência das pessoas que acompanharão o movimento empresarial que se vier a gerar. O Eixo Lisboa - Vendas-Novas – Montemor-o-Novo - Évora – Estremoz - Vila Viçosa – Borba – Elvas – Badajoz – Madrid, que entronca no Poceirão / Vendas Novas nesta ligação orgânica, é assim um elemento da maior importância, não apenas para os municípios diretamente “tocados” pela via férrea, mas para toda a envolvente regional que, de forma direta ou indireta, dele beneficiará. A ligação da região ao seu porto é, em muitos aspetos, uma relação quase espúria. Muito mais por força da ausência de uma liderança regional que se afirme como elemento aglutinador das vontades comuns, e pacificadora dos desencontros regionais, do que por falta de elementos sinérgicos que existem na região e que inequivocamente a poderão alavancar para um outro patamar do desenvolvimento nacional. Esta falta não é de hoje nem de ontem, todos o sabemos. Trabalhamos muito no modelo de “cada um por si faz vaza”, sendo a minha galinha melhor do que a do vizinho. A nossa história é isso que nos mostra. Mas, se há “coisa” que podemos aprender com a história, é que a história não se repete, e se o faz, ou é por farsa ou por tragédia. Farsa se continuarmos com estas danças de cadeira em torno de um projeto que carece de decisão irrevogável para apoiar a expansão do porto de Sines que todos os anos cresce, porque existe uma visão centrada nos objetivos, e esses foram, por um lado, tornar Sines o maior porto nacional de movimentação de

carga, objetivo atingido em 2012, e, por outro, colocar Sines entre os 3 maiores portos ibéricos, além de o referenciar como um grande HUB europeu e mundial, e os passos nesse sentido são seguros, ampliação do cais de acostagem no terminal XXI e um novo terminal de contentores, batizado de Vasco da Gama. Farsa dizíamos, é continuar montados no “burro” e andar à procura dele. Tragédia seria não tirar partido de mais esta oportunidade anunciada pelo Comissário Europeu dos Transportes que, em entrevista ao jornal Expresso, disse que no âmbito da RTE-T estão destinados a Portugal uma verba de 1.600 milhões de euros para investimentos na modernização e obras na ferrovia nacional, onde se encontra, obviamente, a ligação Sines – Madrid. E disse mais, que a taxa de cofinanciamento dos investimentos será a 85%.


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Destaque

senão a de modificar a bitola das linhas que entretanto haviam sido construídas em bitola internacional.

Se antes existiram constrangimentos económicos ditados pela conjuntura política de então, hoje, em abono da verdade, esses constrangimentos não são de forma a impedir que se leve por diante esta obra constantemente adiada e que, se até 2016, altura em que a UE realocará este apoio financeiro a outros investimentos, nada for feito, ficará seriamente comprometida esta ligação a Espanha. Neste aspeto penso que é altura de o Governo português definir sem dissimulações políticas ou quaisquer outros constrangimentos, a integração na rede europeia de transportes ferroviários, e de questionar, uma vez por todas, o Governo espanhol sobre como, e o que pretende fazer neste domínio, com as atuais ligações ferroviárias na fronteira portuguesa. Portugal tem sido condicionado pela opção de Espanha pela bitola ibérica. Não nos restou outra alternativa senão a de

modificar a bitola das linhas que entretanto haviam sido construídas em bitola internacional, como foi o caso da linha do Leste em 1861, e da Linha do Sul em 1864, e de se submeter durante mais de 150 anos às opções de Madrid. Das ligações ferroviários que interconectam as duas redes ibéricas, o Ramal de Cáceres, foi entretanto encerrado por falta de tráfego e de condições operacionais ajustadas às necessidades, e a ligação por Badajoz-Puertollano-Madrid, também não as reúne de todo. As condições existentes atualmente nos acessos ferroviários a Espanha não respondem assim às necessidades do transporte de mercadorias, sendo de realçar, por exemplo, a falta de electrificação de todas as linhas espanholas de ligação à fronteira portuguesa, nomeadamante a de Badajoz - Puertollano - Madrid, linha atualmente utilizada para o transporte

de mercadorias vindas do porto de Sines. A União Europeia, em última análise, deverá ser convocada para se pronunciar sobre o que quer da RTE-T, e se esta pode ficar encalhada no cais da modernização ibérica do transporte ferroviário de mercadorias e passageiros. No Alentejo esperamos que os agentes políticos e económicos tomem nas suas mãos os destinos da região e façam ouvir a sua voz nos corredores do poder onde se decidem as prioridades e medidas de política que projetam de desenvolvimento regional. Uma liderança regional é precisa. Não se trata de falarmos todos a uma só voz. Não temos todos que estar de acordo com tudo, nem ao mesmo tempo e sobre os mesmos assuntos. Temos, no entanto, a obrigação de todos acordarmos numa plataforma mínima de entendimento, e de então tudo fazer

para que a região possa falar a uma só voz. Os temas não são difíceis de encontrar, e, uma vez acordados, a voz que os defenda nos fora regionais, nacionais ou europeus, deve ser una. Parece-me que uma dessas áreas de consenso regional, é, precisamente, esta ligação ferroviária Sines a Espanha, permitindo ampliar o seu espaço geográfico de influência para além das terras peninsulares, como já tão bem o faz por mar. A Orgânica das CCDR acolhe uma estrutura com espaço disponível para este debate ser feito. As Comunidades Intermunicipais estão lá representadas e o Conselho agrega, para além destes representantes, outro organismos e entidades regionais que podem suscitar este e outros debates. A região precisa dessa liderança e, à falta de melhor, este espaço pode promovê-la.


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27 Fevereiro ‘14

Destaque Pellegrin é um dos mais reputados repórteres a nível mundial.

Paolo Pellegrin preside ao júri do prémio Estação Imagem/Mora 2014 O fotojornalista italiano Paolo Pellegrin, membro da cooperativa de fotografia Magnum, será o presidente do júri da próxima edição do prémio Estação Imagem/Mora, o único do género em Portugal, que se realiza em Abril naquela localidade alentejana. Pellegrin é um dos mais reputados repórteres a nível mundial, tendo sido distinguido com os principais prémios da profissão, entre os quais o Leica Medal of Excellence e o Robert Capa Gold Medal Award. Soma ainda uma dezena de prémios World Press Photo. Paolo Pellegrin (Roma, 1964) tem uma abordagem ao trabalho fotográfico muito inspirada na postura e na estética de Robert Capa, um dos fundadores da agência que o representa, mestre do fotojornalismo que procurava a proximidade do sujeito e que deixava para segundo plano a perfeição técnica ou a nitidez da imagem. “Estou mais interessado num tipo de fotografia que permanece ‘inacabada’ – uma fotografia sugestiva que potenPUB

cia a conversa ou o diálogo”, refere o fotógrafo no site da Magnum com a sua biografia.

Para além de Paolo Pellegrin, o júri da competição deste ano, que distribuirá os prémios no dia 19 de Abril,

será composto por mais quatro elementos: Alessandra Mauro, curadora de fotografia; Christopher Morris, fotojornalista da agência VII; Pablo Juliá, director do Centro Andaluz da Fotografia; e Jérôme Sessini, fotojornalista da Magnum. O prémio está aberto a fotojornalistas portugueses, dos PALOP e da Galiza, bem como aos estrangeiros residentes nestes territórios. As participações podem ser enviadas até ao dia 30 de Março através do site www.estacao-imagem.com O prémio foi dotado de um valor pecuniário de 3500 euros e os vencedores do 1.º prémio de cada uma das sete categorias (Notícias, Assuntos Contemporâneos, Vida Quotidiana, Retrato, Desporto, Arte e Espectáculos e Ambiente) recebem 1000 euros. Todos os anos é também atribuída uma bolsa no valor de 4.000 euros para a realização de um projecto documental sobre o Alentejo. O projecto vencedor deve ser desenvolvido durante 2014 e será publicado em livro e mostrado numa exposição itinerante no ano seguinte.


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Actual

A construção do CAT vai ter lugar em terrenos cedidos pela Câmara Municipal de Montemor-o-Novo.

Abre-se uma..Porta Mágica Montemor-o-Novo assistiu, no início do mês de Fevereiro, ao desenvolvimento de mais uma fase do projecto da Porta Mágica - Associação de Solidariedade Social, nascida a 9 de Maio de 2007. Perante dezenas de convidados, amigos e sócios foi lançada a 1ª pedra do seu projecto Maior, um Centro de Acolhimento Temporário (CAT) para jovens e crianças em perigo/risco. O CAT da Porta Mágica, cuja construção está prevista arrancar ainda este mês, localiza-se na Rua Fernando Namora e terá uma capacidade para vinte (20) utentes, dispondo de um espaço conexo (campo) de jogos que se constitui, também, como uma mais-valia para a cidade e todos os montemorenses como espaço de lazer e fundamentalmente para a prática desportiva. Na semana anterior, Ana Isabel Casadinho, presidente da Porta Mágica assinou, na sala de exposições da Comissão de Coordenação da Região Alentejo (CCDRA) o protocolo de financiamento com o INALENTEJO no âmbito do QREN 2013-2015, o co-financiamento FEDER, que vai permitir a construção do Centro, num valor global próximo de um milhão de euros. A construção do CAT vai ter lugar em terrenos cedidos pela Câmara Municipal de Montemor-o-Novo que também é parceira do projecto financiando-o, na íntegra, na vertente componente nacional. Depois da leitura do testemunho do auto de lançamento da obra, lido pela presidente da Assembleia Geral da Associação, o mesmo foi assinado pelas entidades financiadoras e parceiras. A cerimónia prosseguiu no espaço auditório da CHE, onde Ana Casadinho, visivelmente satisfeita e emocionada referiu que “este era um dia memorável para a Porta Mágica e para todos os que desinteressadamente contribuíram para que

ele fosse uma realidade indesmentível”, referindo ainda que tal como escreveu Sebastião da Gama, “Pelo sonho é que vamos”. E eu acrescento, com a benevolência do autor: “ Saímos do sonho e começámos hoje a caminhar sobre uma estrada de tijoleira amarela que nos há-de levar, não sem dificuldades, até ao nosso objectivo final.”, referiu a dirigente.

Ainda de acordo com Ana Casadinho “viver este momento histórico da nossa associação, estar hoje aqui, no lançamento da primeira pedra do Centro de Acolhimento Temporário da Porta Mágica não é o fim de um percurso, mas sim o início de nova etapa, plena de desafios, que continuará a exigir de todos nós, um empenho ainda maior e um acreditar forte para

que, em breve, estejamos prontos e disponíveis para apoiar todos os jovens que de nós vierem a necessitar”. O momento surpresa da cerimónia foi o convite ao jornalista montemorense Pedro Coelho para padrinho da Porta Mágica, figurando ao lado do pintor Malangatana (Patrono da Associação falecido em 2011), na promoção deste importante projecto.

Turismo do Alentejo distingue Romaria a Cavalo com uma menção honrosa A Romaria a Cavalo Moita – Viana do Alentejo foi a única distinguida com uma menção honrosa, na categoria Melhor Evento, dos Prémios “ Turismo do Alentejo 2013”, numa cerimónia que teve lugar no passado dia 23, na Herdade do Esporão, em Reguengos de Monsaraz . Os Prémios “ Turismo do Alente jo”, uma iniciativa da Turismo do Alentejo, ERT e que vão já na sua 4ª edição, v isam distinguir e divulgar projetos que tenham contribuído para a melhoria da ofer ta turística do destino e para o reforço da competitiv idade do sector na região. Para além da Romaria a Cavalo, o Município de Viana do Alentejo apresentou outras candidaturas nesta categoria, nomeadamente, da Feira D’Aires e da Mostra de Doçaria. Este reconhecimento vem, assim, premiar o bom trabalho que tem sido desenvolv ido pela Comissão Organizadora – Câmara Municipal

de Viana do Alentejo, Câmara Municipal da Moita, Associação Equestre de Viana do Alentejo e Associação dos Romeiros da Tradição Moitense – mas, sobretudo, acrescentar responsabilidade na melhoria da qualidade do cer tame que, de ano para ano, adquire uma maior notoriedade em termos turísticos. Recorde-se que a edição deste ano da Romaria a Cavalo par te da Moita, no próximo dia 23 de abril, pernoita em Alcáçovas, dia 25, e chega a Viana do Alentejo, dia 26, no sábado, ao f inal da tarde. De salientar o cariz religioso inerente a este evento, coincidente com as procissões em honra de N.ª Sr.ª D’Aires, mas também uma dinâmica de festa e convív io patente num pro grama cultural e de animação que passa por fanfarras, dança e música f lamenca e sev ilhanas, cantares alentejanos, baile e gastronomia, na noite de sábado (26 de abril) e tarde de domingo.


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27 Fevereiro ‘14

Destaque Miguel Laffan, Chef Executivo do Restaurante L’And, mostra-se satisfeito com este prémio.

Restaurante L’And vence prémio “Melhor Gastronomia” O Restaurante L’And do L’AND Vineyards Resort, em Montemor-o-Novo, venceu o prémio de “Melhor Gastronomia” na Gala da “Pémios do Turismo do Alentejo 2013” que se realizou em Reguengos de Monsaraz este domingo. O conceito do restaurante L’AND procura afirmar a nova cultura gastronómica portuguesa, reflectindo a história e a cultura de Portugal, integrando também as experiencia e ingredientes resultantes dos descobrimentos no Oriente. Transportando os visitantes numa viagem gastronómica, a cozinha do Chef Miguel Laffan inspira-se no ambiente natural que rodeia o L’AND Vineyards para criar a carta do restaurante com pratos de influência alentejana com uma interpretação actual. Mensalmente é apresentado um menu onde a ideia base são as viagens e o encontro de culturas e sabores, combinando a cozinha mediterrânica e alentejana com influências contemporâneas e PUB

orientais. Miguel Laffan, Chef Executivo do Restaurante L’And, mostra-se satisfeito com este prémio: “Este é um o prémio que nos deixa, a mim e a toda a minha equipa do restaurante L’And, muito satisfeitos. É o reconhecimento do nosso trabalho e a prova de que estamos a fazer algo que também promove a região. Todos os prémios são merecedores do nosso maior respeito, mas este é particular, porque ganhámos este ano a primeira estrela do território, que é uma distinção internacional, e a do Turismo do Alentejo é do reconhecimento local, que é tão importante”. A carreira do Chef Miguel Laffan tem sido discreta e feita em espaços de grande exigência gastronómica. Sempre reforçando a excelência na execução, está hoje entre os sabores de sequeiro, no Alentejo, que influenciam a sua cozinha actual. As suas confecções são sempre irrepreensíveis: com ligações

de sabores inesperados e sempre com a criatividade a pautar a novidade que nos coloca à frente. A sua cozinha não esquece o conforto do estômago, as refeições, transformam-se sempre em momentos de partilha e de uma vontade de voltar sempre.

Dos 66 projectos a concurso em sete categorias foram também premiados o Centro Interpretativo do Tapete de Arraiolos, a Adega Mayor S. A. e Enoturismo Cartuxa, a Herdade do Vau, a Quinta das Lavandas, o Monte do Zambujeiro, entre outros.


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Destaque

A origem deste projecto remonta a 2011, com a ideia de aproveitar as propriedades da folha de oliveira.

Olivae do Alentejo para o mundo A OLIVAE (e os seus sabonetes) surge(m) literalmente das mãos de Elza Neto (bióloga) e Carla Janeiro (engª zootécnica), e da sua vontade de contribuir para a valorização dos recursos locais de qualidade existentes em Portugal, e especialmente na região Alentejo, onde residem. A origem deste projecto remonta a 2011, com a ideia de aproveitar as propriedades da folha de oliveira, que contém oleuropeína entre outros fenóis, com comprovados benefícios para a saúde, designadamente acção antimicrobiana e antioxidante. Foram assim produzidos os primeiros sabonetes com azeite e folha de oliveira triturada. As análises químicas efectuadas revelaram no entanto, que a oleuropeína desaparece durante o processo de fabrico utilizado. A ideia foi abandonada, mas os conhecimentos entretanto adquiridos sobre a saboaria artesanal potenciou o interesse de explorar outros recursos de origem local, nomeadamente o leite de cabra pelos seus conhecidos benefícios para a pele Dois anos e meio depois de iniciado o desenvolvimento experimental, em 2013, foi criada a PLANETALFAZEMA Lda, com o objectivo de produzir e comercializar sabonetes artesanais sob a marca OLIVAE. Com o cuidado dos métodos artesanais, a OLIVAE produz a partir de azeite virgem, leite de cabra da raça serpentina, cera de abelha e óleos essenciais biológicos, sabonetes naturais de elevada qualidade, que asseguram uma profunda limpeza e hidratação da pele. Simultaneamente, privilegia a utilização de matérias-primas autóctones, por forma a contribuir para a valorização dos recursos naturais e de economias locais. A OLIVAE disponibiliza um sabonete único, elaborado com a simplicidade do saber-fazer artesanal. O processo de saponificação dos sabonetes OLIVAE consiste unicamente na junção de ácidos gordos (azeite) a elementos alcalinos (hidróxido de sódio), um conhecimento ancestral atribuído aos árabes ainda no séc. XIII. O azeite virgem, o leite de cabra serpentina, uma raça autóctone exclusiva de Portugal, e a cera de abelha são provenientes de explorações agrícolas localizadas no Sul de Portugal, geridas de forma tradicional e de acordo com práticas amigas do ambiente. Os ingredientes utilizados são de máxima qualidade e criteriosamente selec-

Óleos essências biológicos Os aromas dos sabonetes OLIVAE são conferidos exclusivamente por óleos essenciais 100% puros e biológicos, obtidos pela destilação de plantas a vapor de água. A preferência por óleos obtidos a partir de plantas da flora portuguesa, como o alecrim, o rosmaninho e o tomilho bela-luz, autóctone da Península ibérica, constitui um contributo para a valorização dos recursos naturais endógenos.

cionados por forma a contribuir para a promoção das economias locais e a sustentabilidade dos recursos utilizados. Estes princípios são assegurados privilegiando o estabelecimento de parcerias com produtores locais para fornecimento das matérias-primas necessárias. São disto exemplo, a colaboração estabelecida com a Cooperativa Agrícola de Portel e com a Associação Portuguesa de Caprinicultores da Raça Serpentina. Os óleos essenciais biológicos, que conferem os vários aromas aos sabonetes OLIVAE, provêm igualmente de produtores enquadrados em padrões de qualidade exigentes e são produzidos, por destilação a vapor de água, a partir de espécies da flora portuguesa. Para aromatizar os sabonetes OLIVAE não são utilizadas quaisquer substâncias químicas. INGREDIENTES Os sabonetes OLIVAE são produzidos com azeite virgem, hidróxido de sódio, leite de cabra serpentina, cera de abelha, óleos essenciais biológicos e folhas/flores.

Azeite Obtido a partir da moagem, prensagem e centrifugação das azeitonas, o azeite é utilizado desde há muito no fabrico de produtos cosméticos. Excelente condicionador da pele, o ácido oleíco possui características emolientes e humectantes. Por um lado, lubrifica a superfície da pele, conferindo-lhe maciez e lisura; por outro, aumenta o volume de água retida na camada superior da pele, através da captura da humidade do ar. Rico em vitaminas A, D, K e E, o azeite é também um poderoso antioxidante que ajuda a retardar o envelhecimento da pele. Leite de cabra serpentina O leite de cabra serpentina contém uma mistura de ingredientes extraordinários para a saúde da pele, conferindolhe suavidade e bem estar. Os triglicéridos presentes, com pH semelhante ao da pele, ajudam a hidratar e a manter a pele em equilíbrio. Além da vitamina A, que desempenha funções vitais a nível da manutenção do tecido epitelial e do bom estado do cabelo, tem ainda presente diversas outras, como a B1, B12 e C.

CABRA SERPENTINA A cabra serpentina é uma raça autóctone portuguesa, em risco de extinção , que se encontra praticamente circunscrita ao sul de Portugal. De acordo com a Associação Portuguesa de Criadores da Raça Serpentina, entidade responsável pela gestão do Livro Genealógico da Raça, existirão apenas 4350 fêmeas e 222 machos reprodutores. A cabra serpentina resultou de cruzamentos de animais trazidos em tempos remotos para a Península Ibérica por povos de várias origens. E aí, face a condicionalismos ambientais e alguma selecção morfológica, deram origem a uma população de acentuada homogeneidade, merecendo posteriormente o estatuto de raça (in Regulamento do Livro Genealógico de Caprinos de Raça Serpentina). A sua denominação tem sofrido algumas alterações derivadas da distribuição dos animais ao longo da história. Inicialmente denominava-se espanhola ou castelhana, remetendo para a origem dos primeiros efectivos. Mais tarde, passou a ser conhecida por raiana por existir sobretudo na região fronteiriça. E finalmente, passou a designar-se por cabra serpentina, devido à sua proliferação ter ocorrido predominantemente na Serra de Serpa. O sistema de produção da raça baseia-se no maneio tradicional da região, sendo os animais adultos mantidos em pastoreio directo. Nas áreas de pastagem alimentam-se de folhas de árvores, arbustos e herbáceas. Os partos ocorrem em duas épocas: em Setembro/Outubro e em Janeiro/Fevereiro, por forma a fazer coincidir a comercialização dos cabritos com as festividades religiosas locais. Os cabritos são amamentados até aos dois meses e meio de idade, altura em que são afastados das mães. A ordenha inicia-se no dia seguinte realizando-se diariamente de manhã e à tarde. A utilização do leite de cabra serpentina na produção dos sabonetes OLIVAE é um contributo para a salvaguarda desta raça.

Alunos devolvem cegonha-branca à natureza Alunos de Portel participaram na libertação de uma cegonha-branca, que esteve a ser recuperada no Centro de Acolhimento e Recuperação de Animais Silvestres de Évora e será devolvida à natureza em Alvito, local onde foi encontrada. Esta iniciativa foi desenvolvida pela SPEA, em colaboração com o município de Portel. A Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), através do envolvimento do professor destacado Kau, está a levar a cabo várias atividades dirigidas a alunos do Distrito de Évora, com o objetivo de sensibilizá-los para as aves silvestres e

algumas problemáticas que estão na base da sua conservação. Na passada segunda-feira, dia 24 de fevereiro, 2 docentes e cerca de 30 alunos do Agrupamento de Portel tiveram oportunidade de participar numa sessão que envolveu a libertação de uma cegonhabranca, encontrada debilitada no aterro sanitário intermunicipal de Alvito e que, após cerca de 3 semanas em recuperação, está agora em condições de ser libertada. A sessão contou com a colaboração do Município de Portel, que assegurou o transporte destes alunos e aproveitou a

oportunidade para falar sobre as intervenções desenvolvidas a nível do tratamento de resíduos. Antes do momento da libertação, a cegonha foi marcada com anilhas colocadas nas patas procedendo-se também à colocação de um emissor com GPS, instrumentos que têm por objetivo permitir o seguimento dos movimentos desta ave. Esta monitorização faz parte de um projeto internacional desenvolvido pela associação inglesa BTO (British Trust for Ornithology), através do qual se pretende perceber porque é que tem aumentado o

número de cegonhas-brancas que deixaram de migrar para África no Inverno, permanecendo em Portugal. A Cegonha-branca foi escolhida pela SPEA como a ave de 2014, coincidindo com a realização censo nacional dirigido a esta espécie que vai decorrer durante a primavera–verão de 2014 e será coordenado pelo Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) e pela SPEA.O objetivo é recensear todos os ninhos de cegonha-branca em Portugal, de modo a obter dados reais e atualizados sobre a distribuição e abundância da espécie.


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27 Fevereiro ‘14

Radar

Desde 1993 o Festival Sete Sóis Sete Luas promove um projeto de intercâmbio artístico internacional.

Exposição e live art do génio do mosaico Saimir Strati, oriundo da Albânia, é um dos nomes mais conhecidos no âmbito da arte contemporânea, tendo criado obras que servem como ponto de referência no campo da arte do mosaico. No passado sábado, 22 de fevereiro, no Centrum Sete Sóis Sete Luas de Ponte de Sôr, este excêntrico artista estreou-se em Portugal: com o apoio da Câmara Municipal de Ponte de Sôr, e no âmbito da programação artística internacional do Festival Sete Sóis Sete Luas, Saimir Strati realizará um mosaico utilizando o material mais representativo do Alentejo: a cortiça. Desde 1993 o Festival Sete Sóis Sete Luas promove um projeto de intercâmbio artístico internacional, tecendo juntos os destinos culturais dos 13 Países do mundo luso-mediterrâneo que hoje fazem parte da sua Rede Cultural. Continuando neste caminho de cooperação, o Festival leva a Portugal o artista que mais se destaca no contexto da arte do mosaico: Saimi Strati. Nascido em Albânia, atualmente detém sete Guinness World Records para os seus mosaicos impressionantes. Quer esteja trabalhando 800 quilos de pregos com um martelo para recriar o autorretrato de Leonardo da Vinci, ou juntando 1,5 milhões de palitos para reproduzir um cavalo gigante, Saimir consegue criar obras únicas com materiais modestos, muitas vezes industriais, com técnicas não convencionais. O artista começou a sua carreira com obras de restauração de mosaicos em vários sítios arqueológicos em Apollonia, Amantia e Byllis - Albânia. Ao longo dos anos ganhou vários prémios e distinções, criando obras que

muitas vezes entraram no livro do Guinness World Records. Com a exposição “Seven Stars”, Saimir abre novos espaços de criatividade no mundo dos mosaicos, utilizando uma mistura de técnicas tradicionais e contemporâneas: práticas antigas e

elementos matéricos contemporâneos misturam-se na criação de mosaicos que tratam de vários assuntos. Embora ele tenha usado esta forma de arte para contar histórias não convencionais, o seu amor pela música continua a ser um tema predominante, repre-

sentando instrumentos musicais e figuras legendárias da música, como no mosaico dedicado ao Rei do Rock, Elvis Presley: 400 cds, dispostos em 2 metros de altura foram utilizados para homenageá-lo com a obra intitulada “The King”.

Festival artes da fala - Canto a vozes Chegou ao fim mais uma edição do Festival Artes da Fala - Canto a Vozes. Durante este mês de Fevereiro Portel recebeu no seu auditório municipal espectáculos inteiramente dedicados ao cante a várias vozes. De muitas origens, com vários contornos estilos e interpretações, mas sobretudo com a alma nobre que distingue aqueles que cantam em grupo, o Festival Artes da Fala foi sem dúvida uma promoção daquilo que provavelmente nos distingue dos demais povos de todo o mundo. A nossa riqueza interior, a nossa forma de estar e de cantar. No fundo, as interpretações do que somos enquanto país. Foram na verdade magníficos espectáculos que passaram por Portel, e foram também privilegiados, todos quantos se deslocaram nos últimos fins-de-semana para assistir aos espectáculos registados no palco do auditório portelense. Do Fado ao Gospel, passando natural-

mente pelo Cante Alentejano, Portel registou entusiasmo por parte do público, e no final o saldo é claramente positivo.

A Câmara Municipal de Portel, entidade organizadora e promotora da iniciativa, guardou para a última noite do Canto

a Vozes, mais um grandioso espectáculo onde o cante e as suas origens tradicionais têm lugar. Convidados a encerrar esta edição do Festival Artes da Fala, estiveram no palco do auditório, dois grupos de referência no panorama da música nacional. A abrir o alinhamento do concerto, a Orquestra Típica Albicastrense, com as suas raízes beirãs, trouxe no seu reportório, o vasto e rico folclore da Beira Baixa. As modas de lazer, de folgar, de trabalho e romarias, integram um espectáculo que esta orquestra, composta por vozes e instrumentistas, apresenta numa grande obra musical. A fechar com chave d’ouro, Portel recebeu os seus cantares. Reconhecidos em todo o mundo, contando já com 38 anos de existência, o Grupo Coral de Cantares Regionais de Portel subiu ao palco do auditório para cantar mais uma vez e com a mestria sabida, a sua terra, as suas gentes e os seus costumes.


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Sede Rua Werner Von Siemens, n.º16 -7000.639 Évora Tel. 266 751 179 Fax 266 751 179 Email geral@registo.com.pt SEMANÁRIO

Évora

“Fazer Falar o Silêncio…” A Câmara Municipal de Évora promove hoje, dia 27 de fevereiro, quinta-feira, pelas 18:00, nos Paços do Concelho, uma mesa-redonda no âmbito da exposição/instalação “Fazer Falar o Silêncio - Fotografia, Lixo e Memória”, da autoria do fotógrafo António Carrapato e do escultor João Sotero, patente na Sala Preta dos Paços do Concelho até 20 de Março. Esta mesa-redonda terá como oradores Nuno Colaço (Departamento de Psicologia/UÉ - Área de Neurologia Clínica), Teresa Santos (Departamento de Filosofia/UÉ - Área de Filosofia da Educação), Judith Villieda (Departamento de Pedagogia e Educação/UÉ - Área de Fotografia e Performance) e Paulo Simões Rodrigues (Departamento de Psicologia/UÉ - Área de Património e História de Arte Centro de Historia e Artes) que, no âmbito da temática da exposição/ instalação, efectuarão uma reflexão conjunta e transdisciplinar, assente nos pilares da pedagogia e da ética, sobre a pertinência do uso público de espólios fotográficos familiares e na construção das memórias individual e colectiva. A mesa-redonda estará aberta ao público. PUB

Teatro

Ambiente

Em Évora decorrem os ensaios de uma nova produção teatral, organizada a partir de textos de várias obras de António Lobo Antunes, sobre o 25 de Abril. Este trabalho é uma co-produção do Cendrev/ ACTA- A Companhia de Teatro do Algarve, dirigida pelo encenador francês Pierre-Etienne Heymann, um espetáculo que celebra os 40 anos da revolução que pôs fim a um período negro da nossa história. Um conjunto de relatos cruzados em que cada um recorda o seu 25 de Abril e conta o que sucedeu com ele, cada personagem grita a sua verdade, a sua duplicidade, o seu fervor, a sua fraqueza, o seu desvairamento, a sua inocência. Celebrar a revolução no dia Mundial do Teatro é celebrar também o teatro que a liberdade tornou possível. O espetáculo estreia no Teatro Garcia de Resende, em Évora, no dia 27 de Março, onde fica em cena até dia 20 de Abril.

O Cent ro UNESCO A ldeia das Ciênc ias, de Évora, sit uado na a nt iga E scola EB1 do Lou redo 2 (Sen hor Jesus dos A f l itos) va i abr i r as suas por tas no próx i mo d ia 22 de Ma rço, Dia Mu nd ia l da Água, com u ma ex posição i nterat iva sobre esta temát ica. Com o i nt u ito de con hecer este novo espaço educat ivo, com u ma for te componente pedagógica, onde a i nterat iv idade ent re o mater ia l ex posto e o v isita nte será u ma consta nte, a v ice -pre sidente da Câma ra Mu n ic ipa l de Évora, Él ia Mi ra, e o vereador João Rod r igues, est ivera m reu n idos com os responsáveis pelo projeto. No encont ro que a ntece deu a v isita às i nsta lações,

Cendrev estreia Autos da Revolução

Évora vai ter Aldeia das Ciências

du ra nte o qua l a Câma ra Mu n ic ipa l de Évora se comprometeu a colabora r na l i mpez a do espaço envolvente, no a r ra njo do espaço ex ter ior e na proc u ra de u ma solução que possibi l ite a c r iação de u ma zona de estac iona mento, os responsáveis pela A ldeia das Ciênc ias de Évora leva nta ra m u m pouco o véu do que está prev isto pa ra este espaço, ac red ita ndo que o mesmo terá u m for te i mpac to sobre a comu n idade est uda nt i l, e não só. Nesta v isita, foi possível con hecer a lgu ns dos ele mentos da ex posição, designada mente u ma máqu i na de lava r roupa ou u ma “pá” c uja força mot r i z é produ z ida pelo ser hu ma no.

Já os auta rcas eborenses, que t ra nsm it i ra m a tota l d ispon ibi l idade da ed i l idade em colabora r com a A ldeia das Ciênc ias, ma n i festa ra m a i nda o seu regoz ijo pelo projeto apresentado, ac red ita ndo ta mbém que o mesmo será u m sucesso. O Cent ro UNESCO A ldeia das Ciênc ias foi c r iado em Setembro de 2008 pela A J PR A – Assoc iação pa ra o De senvolv i mento Comu n itár io, Cu lt u ra l e Educat ivo em cooperação com a Com issão Nac iona l da UNESCO e u m dos seus objet ivos é a pro moção do exercíc io de u ma c idada n ia ma is consc iente e ma is pa r t ic ipat iva em re lação à Água, ao A mbiente e ao Desenvolv i mento Sustentável

Registo ed249  

Edição 249 do Semanário Registo

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