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SEMANÁRIO

Director Nuno Pitti Ferreira | 23 de Janeiro de 2014| ed. 248 | 0.50€

D.R.

O Melhor Petisco | Rua Catarina Eufémia , 14 Horta das Figueiras | 7005-320 Évora 266771284

Jerónimo contra “política do saque” e “bluff do governo”04 Capoulas pondera Bispo de Beja Mais Cultura De Silves devolver a lei preocupado com no Fórum Eugénio para a das sementes migrantes de Almeida Andaluzia Pág.03 O eurodeputado Capoulas San-

tos e coordenador dos socialistas europeus em matéria agrícola pondera aconselhar o seu grupo politica a devolver à Comissão Europeia a chamada lei das sementes, o que na prática se traduz na rejeição do seu conteúdo, obrigando à elaboração e apresentação de um novo texto. Trata-se da proposta legislativa sobre a produção e disponibilização no mercado de material de reprodução vegetal.

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Pág.04 O bispo de Beja, D. António Vitalino, sublinhou a importância de países e comunidades superarem a “desconfiança doentia” com que muitas vezes encaram os povos migrantes, os deslocados e refugiados. D. António Vitalino realça que “a diversidade” favorecida pelo fenómeno migratório, sinal de um tempo marcado pela globalização, “deve ser vista como fator de enriquecimento e de beleza, e não de inveja, de opressão e de guerras fratricidas”.

Pág.09 O Fórum Eugénio de Almeida

apresenta, pela primeira vez na Península Ibérica, uma ampla seleção de obras da coleção do conceituado ZKM | Center of Art and Media Karlsruhe, Alemanha, o mais importante centro de arte e tecnologia do mundo. Inter[in]venção traz a Évora algumas das obras mais significativas de um dos pioneiros da media art, Nam June Paik, e reúne 33 peças de 39 artistas de renome internacional.

Pág.10 O lince Junípero, nascido no centro de reprodução de Silves, inaugurou a temporada de 2014 da libertação de lincesibéricos (Lynx-pardinus) na natureza, em Espanha. A libertação, prevista no programa de conservação da espécie ex-situ, ocorreu na passada quarta-feira, dia em que a Junta de Andaluzia revelou os resultados do censo mais recente, referente a 2013, que apontam para um aumento, ainda que ligeiro, da população.


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A Abrir

Uma Troika Portuguesa

Abril, 40 anos Eduardo Luciano

cARLOS sEZÕES

Advogado

Quarenta anos. Há vidas que duram menos. Por isso e por ser um número “redondo” temos este ano uma especial atenção sobre a Revolução de Abril de 1974. Das declarações já prestadas, dos eventos anunciados, das intervenções dos diversos órgãos de comunicação social, resulta uma ideia clara sobre aquilo que será uma tentativa de reescrever a história, de apropriação indevida de um momento de ruptura e da sua transformação em algo de consensual, de cores esbatidas pelo tempo. Muito dessa estratégia revisionista passa por focar o interesse apenas numa das transformações essenciais da Revolução, a conquista da liberdade política, varrendo para debaixo do tapete da história todo o ideário transformador que aquele momento proporcionou. Qualificar o regime anterior como “autoritário”, suportando essa qualificação em critérios “científicos” que permitam afastar a sua definição como uma ditadura fascista, é um primeiro passo para a desvalorização do significado da Revolução. É preciso lembrar aquilo que Abril nos trouxe, para além dos valores maiores da liberdade e da paz, alargando a comparação entre um tempo sem liberdades políticas e cívicas e a explosão do pleno usufruto dessa liberdade. É preciso lembrar que foi a Revolução de Abril que possibilitou avanços civilizacionais tão importantes como o estabelecimento do salário mínimo nacional, da generalização das férias pagas, de aumentos salariais que permitiram a muitas famílias a aquisição dos seus primeiros electrodomésticos, o estabelecimento de um serviço nacional de saúde universal e gratuito, as organizações populares de base que contribuíram decisivamente para o aumento da qualidade vida de muitas populações, a reforma agrária, o poder local democrático, a participação das organizações

Gestor

representativas de trabalhadores na gestão de fábricas e empresas, o aumento da escolaridade obrigatória e a construção de uma Escola Pública de qualidade para todos, entre muitos outros avanços negados pela própria essência da ditadura fascista, enquanto instrumento político de um sistema económico assente no capital monopolista. Percebo que alguns não queiram comemorar os quarenta anos de Abril invocando os seus ideais, porque fazê-lo é confessar o seu esforço e empenho no regresso aos tempos em que, para a além da ausência da liberdade e da participação na guerra colonial, a maioria do povo vivia abaixo das suas necessidades para que uma ínfima minoria pudesse viver acima das suas possibilidades. Percebo a dificuldade de alguns em comemorar Abril, quando o seu dia a dia é um imenso esforço para acabar com o serviço nacional de saúde, com a autonomia e o carácter democrático do poder local e com a escola pública. Percebo que esses apenas queiram celebrar a liberdade política e cívica, ignorando que a liberdade a sério vem com a paz, o pão, a saúde, a educação e como diz o cantor só há liberdade a sério quando pertencer ao povo o que povo produzir. Percebo melhor que todos nós queiramos transformar estas comemorações num acto de resistência, lembrando e invocando tudo o que foi conquistado e que trinta e oito anos de contra revolução não foram suficientes para destruir. Comemoremos Abril em todas as suas dimensões não indo atrás de refazedores de história com o calendário trocado, que confundem a Primavera com o Outono e Abril com Novembro. Comemoremos com os olhos postos no futuro, na luta para que os ideais de Abril se inscrevam no nosso devir colectivo.

Estamos a poucos meses do fim do programa de assistência financeira ao nosso País ou, dito de uma forma mais prática, da saída da Troika de Portugal. Tem sido um período longo que não deixa boas memórias na maioria dos portugueses. De facto, não é prestigiante nem motivo de orgulho para uma nação estruturante da Europa, com vários séculos de história, pautada por feitos de dimensão mundial, ver-se privada de parte da sua soberania e estar sujeita a um conjunto de restrições (positivas ou negativas, será outra discussão) impostas por organismos internacionais – no caso, FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia. Isto, cumulativamente, à questão mais importante: o sacrifício financeiro da maioria dos cidadãos e dos agentes económicos deste País, fruto da designada “austeridade”. Tal tem sido o preço a pagar para continuarmos a merecer a confiança dos nossos credores e financiadores. Como tive oportunidade de escrever no passado, os cheques do nosso “resgate” trouxeram acoplados um autêntico projecto de transformação para Portugal, a realizar num curto espaço de 3 anos. Foi um conjunto vasto e integrado de medidas, desde a fiscalidade à justiça, da economia à administração do território, da gestão urbana às obras públicas. A interrogação que ficou: como é que uma troika de técnicos estrangeiros conseguiu definir na altura, em 15 ou 20 dias, um conjunto de prioridades objectivas, quantificadas e calendarizadas (boa parte delas, ao contrário do que se pensa, foram reformas quase consensuais), coisa que os últimos governos portugueses, no passado recente, se mostraram incapazes de executar. Como sabemos, parte do planeado foi executado, e será fundamental para a sustentabilidade da economia e do nosso estado social, parte foi deixado para o futuro, na boa (ou má) tradição portuguesa. A conclusão do processo será, incontestavel-

mente, um sucesso de todo o País: das empresas que resistiram, cresceram e, muitas delas, passaram a exportar; dos cidadãos que continuaram o seu trabalho diário e suportaram uma gestão apertadíssima dos seus orçamentos familiares; de um governo que, pese em embora as pressões e os “solavancos” – internos e externos – consegue manter uma linha credível e coerente e preservar a estabilidade política até final do programa. E o futuro? Quem pensa que o pós-Troika será algo parecido ao pré-Troika está redondamente enganado. É verdade que os dados mais recentes são positivos e permitem-nos encarar o futuro com relativo optimismo: a economia a sair da recessão, as exportações a crescerem de forma fantástica, o desemprego a decrescer, os juros da dívida a diminuírem. Mas o nível do nosso endividamento, os nossos compromissos externos (ex. défice anual) e os problemas estruturais que ainda não resolvemos (educação e formação, segurança social, saúde, entre outros), não nos permitem pensar em facilidades. O que fazer? Gostaria que uma “Troika portuguesa” assumisse no próximo ano e meio um papel meritório, que perdurasse no tempo: em concreto, que governo/ maioria parlamentar, Presidente da República e o maior partido da oposição se focassem em compromissos mínimos que consubstanciassem vantagens máximas para o país. Nada, repito, nada justifica que não se encontrem estratégias e políticas consensuais para áreas como a reforma da estrutura do Estado, a fiscalidade e a segurança social e em temas-chave para o futuro como as políticas de natalidade, educação, investigação, energia, cidades e ambiente. Seriam passos iniciais, mas importantes. Provaríamos a nós próprios e a quem nos observa de fora que, após 40 anos de democracia, tínhamos ganho alguma maturidade e bom senso na gestão deste nosso Portugal!

espiritual ou do espírito humano e um marketing da sustentabilidade. Tal implica, da parte das organizações, formas inovadoras de criar produtos e de proporcionar serviços e culturas organizacionais que integrem, considerem e respeitem esses valores do consumidor e, ainda, os comuniquem eficazmente. Envolve também sustentabilidade, ou seja, actuar visando empossar de forma inteligente e não prejudicial o meio ambiente, garantindo a sua manutenção para as gerações vindouras. Numa sociedade cada vez mais interligada pela tecnologia e redes sociais, por transformações sociais, económicas e culturais rápidas e frequentes coloca cada vez mais desafios às empresas. Devem estas ter a visão e a ambição de

definir as distintas componentes dos seus modelos de negócios adaptando-se ao paradigma do marketing 3.0, à sua missão junto de consumidores cada vez mais colaborativos, culturais e espirituais e os valores de colaboradores e parceiros, oferecendo soluções transformadoras e propostas de valor que as diferenciem. Já não basta produzir um produto de qualidade a preço razoável, nem mesmo que este seja certificado. Para além das características funcionais, são cada vez mais as emocionais que canalizam valor e que indiciam o marketing 3.0 como uma ferramenta fundamental ao posicionamento de marcas com força positiva global e ao estabelecimento de parcerias e alianças estratégicas bem-sucedidas e inter-relacionadas.

Dinâmicas da Gestão

Marketing 3.0? Maria Raquel Lucas

Docente do Departamento de Gestão da Universidade de Évora

As atuais tendências dos consumidores e seu impacto global, têm levado à evolução do conceito do marketing e à necessidade das empresas se lhe adaptarem. O surgimento de um novo paradigma, o do marketing 3.0, vem superando as anteriores abordagens baseadas no produto (marketing 1.0) e no consumidor (marketing 2.0). O marketing 3.0 centra-se no ser e no espírito humanos, encarando o consumidor como potencial colaborador e um indivíduo multidimensional, consciencioso, exigente e informado, atento à tecnologia, activo, poderoso e com valores enraizados. Mas o que significa um marketing 3.0 centrado no ser humano, quando esse mesmo marketing, desde sempre, teve a sua origem na satisfação das necessidades do consumidor? Esta

expressão, que adquiriu especial relevância após a edição do livro Marketing 3.0 – do produto e do consumidor até ao espírito humano, de Philip Kotler, Hermawan Kartajaya e Iwan Setiawan, assume, fundamentalmente, que o consumidor deixou de comprar para satisfazer necessidades básicas e passou a escolher produtos e empresas em função da satisfação das suas necessidades mais profundas de criatividade, comunidade e idealismo, ou seja, em função do seu estado emocional e do valor experiencial e sentimental do produto ou serviço. Esta última geração do marketing supõe um marketing colaborativo, um marketing da globalização, um marketing cultural, um marketing de experiências e de criatividade, um marketing

Ficha Técnica SEMANÁRIO

Director Nuno Pitti Ferreira (nuno.pitti@registo.com.pt) Propriedade PUBLICREATIVE - Associação para a Promoção e Desenvolvimento Cultural; Contribuinte 509759815 Sede Rua Werner Von Siemens, n.º16 -7000.639 Évora - Tel: 266 751 179 fax 266 751 179 Direcção Silvino Alhinho; Joaquim Simões; Nuno Pitti Ferreira; Departamento Comercial comercial@registo.com.pt Redacção Pedro Galego Fotografia Luís Pardal (editor) Paginação Arte&Design Publicreative Cartoonista Pedro Henriques (pedro.henriques@registo.com.pt); Colaboradores António Serrano; Miguel Sampaio; Luís Pedro Dargent: Carlos Sezões; António Costa da Silva; Marcelo Nuno Pereira; Eduardo Luciano; José Filipe Rodrigues; José Rodrigues dos Santos; José Russo; Figueira Cid Impressão Funchalense – Empresa Gráfica S.A. | www. funchalense.pt | Rua da Capela da Nossa Senhora da Conceição, nº 50 - Morelena | 2715-029 Pêro Pinheiro – Portugal | Telfs. +351 219 677 450 | Fax +351 219 677 459 Tiragem 10.000 ex Distribuição Nacional Periodicidade Semanal/Quinta-Feira Nº.Depósito Legal 291523/09 Distribuição PUBLICREATIVE


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Actual Trata-se da proposta legislativa sobre a produção e disponibilização no mercado de material de reprodução vegetal.

Capoulas Santos pondera devolver a lei das sementes à Comissão Europeia O eurodeputado Capoulas Santos e coordenador dos socialistas europeus em matéria agrícola pondera aconselhar o seu grupo politica a devolver à Comissão Europeia a chamada lei das sementes, o que na prática se traduz na rejeição do seu conteúdo, obrigando à elaboração e apresentação de um novo texto. Trata-se da proposta legislativa sobre a produção e disponibilização no mercado de material de reprodução vegetal (a designada lei das sementes no jargão dos meios especializados) que foi apresentada pelo executivo europeu a meados do ano passado e está agora em apreciação no Parlamento Europeu. Esta proposta de lei das sementes suscitou de imediato uma reação concertada da parte de organizações e cidadãos de todos os países da União Europeia, uma vez que consideram que há aspetos relacionados com a proteção de variedades e práticas tradicionais que não estão devidamente contemplados. Nomeadamente referem que o novo texto, a médio e longo prazo, coloca em causa a preservação da diversidade das variedades existentes de sementes a favor de um conjunto mais restritivo de variedades desenvolvidas pelas grandes empresas e por outro lado compromete práticas ancestrais como a troca de sementes na horticultura e agricultura. “Esta é uma matéria extremamente sensível, que deve ser devidamente ponderada e analisada, porque o que esta em causa é, em última instância, o futuro da biodiversidade e da paisagem para a nossa descendência” refere Capoulas Santos. “Para além dos aspetos de conteúdo, há ainda aspetos formais que exigem a atenção do legislador europeu e refiro-me aqui ao facto de a nova proposta de lei assumir os contornos de um regulamento em substituição de uma série de diretivas que constam da legislação atual”, afir-

D.R.

mou o eurodeputado referindo-se ao impacto do tipo de legislação europeia sobre a legislação nacional. “À partida esta proposta deveria ser bem-vinda porque parece intencionalmente destinada «a arrumar a casa» nesta matéria, mas o legislador europeu precisa de tempo e disponibilidade suficientes para uma correta ponderação do seu conteúdo, e tal tarefa parece ficar impossibilitada tendo em conta a proximidade do

calendário eleitoral”, concluiu. “Por todas estas razões, porque é fundamental uma intervenção responsável do Parlamento Europeu no processo legislativo, tendo em conta o que esta em causa, parece-me que se justifica a rejeição deste texto.” A convite da Sidul - Açúcares de Portugal, Capoulas Santos participou numa reunião sobre o futuro da indústria da refinação de cana de açúcar na Europa. Este evento realizou-se esta semana em

Estrasburgo, tendo participado também representantes e decisores políticos de outros países, como por exemplo o Reino Unido, que, tal como Portugal, têm uma importante indústria no setor e procuram intervir na regulamentação europeia de forma a criar melhores condições de competitividade e sustentabilidade desta área de negócio, sobretudo no que tem a ver com o acesso à matéria prima.

Insensibilidade, legitimidade e moralidade Joaquim Fialho

Professor Universitário

Quando temos algum familiar com uma doença terminal, em que não há mais condições para se restabelecer o seu estado de saúde, procuramos construir um estado de consciência para nos prepararmos para o fim da vida. Mas nunca estamos prontos para a fatalidade, e o choque acontece. Faço aqui referência a esta metáfora soturna para descrever o estado de espirito de muitos funcionários da administração pública. Esta é uma análise empírica, mas que de certa forma faz uma aproximação à realidade. Por muito que esperassem por mais uma subtração nos seus vencimentos, nada mais violento que o embate gerado pelo pagamento dos salários neste mês janeiro. Um misto de revolta e de ausência de esperança salpicou os consagrados do costume. Muito se tem falado sobre a legitimidade do governo para esta austeridade, funda-

mentalmente pela questão moral de fazer exatamente o contrário do que prometeu em campanha eleitoral. Sobre a legitimidade politica, não há dúvida que a tem. Ganhou as eleições e tem uma maioria que lhe confere a irrefutável legitimidade política. Porém, há também uma nuvem sobre a legitimidade moral que reside no facto de não fazer o que se comprometeu. Todos nós sabemos que nas campanhas eleitorais se prometem mundos, sonhos e paraísos. Se não fosse assim, não se ganhavam eleições. Passos Coelho prometeu não cortar salários, pois existiam outras vias. É aqui que se lhe pode imputar a falta de legitimidade moral pelo insidio que alimentou. Mas haverá algum governo que não tenha caído nesta tentação? Não há. E é aqui que reside uma outra questão ainda mais complexa, muito para além da imoralidade: a credibilidade. São estas estratégias

de caça-voto que corroem a imagem duma certa classe politica e constroem uma representação social negativa e pouco abonatória. Não podemos cair na tentação de colocar todos no mesmo saco, pois em todas as classes há uns e outros. Numa semana que confirma o desastre da investigação científica em Portugal, surge mais uma machada na esperança de milhares investigadores. Os resultados do concurso de bolsas de investigação da Fundação para a Ciência e Tecnologia colocam-nos ao nível de vinte anos atrás. O argumento da qualidade em detrimento da quantidade não cola. Há muito que está esgotado. É falacioso. Retira a esperança de fazer investigação em Portugal a milhares candidatos. Igualmente, confirma-se a morte das ciências sociais e humanas. O número de bolsas para esta área é residual e revela uma linha de

coerência assente na insensibilidade social. É um facto. Pensar em integrar investigadores em empresas é um disparate de todo o tamanho. Basta olhar para o nosso tecido empresarial, composto sobretudo por pequenas e médias empresas de dimensão familiar e que, culturalmente, procuram comprar serviços tipo chave na mão. Já perdemos tanto com a austeridade, que esta semana que passou, foi a golpada final para a esperança de muitos investigadores que vão partir e não tivemos capacidade para reter. Newton, Einstein, entre outros cientistas, não investigaram e produziram ciência enquanto trabalhadores de empresas e não foi por isso que não foram brilhantes. Às empresas o que é das empresas, e para a ciência o que é da ciência. Aqui não cabem casamentos de conveniência como no mundo da política.


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Actual Para Jerónimo de Sousa, não se pode “aceitar que este Governo ilegítimo, que governa contra a Constituição”.

Governo quer rever Educação Especial O G over no deter m i nou a c r i ação de u m gr up o de t raba l ho c om a m i s s ão de desenvolver u m es t udo c om v i sta à rev i são d a le gi sl ação que re gu l a at ua l mente a E ducação E spe c i a l. Pa ra a c onc ret i z ação desta m i s s ão deverão ser au sc u ltados esp e c i a l i s ta s, i n st it u ições de en si no sup er ior, orga n i z ações representat iva s de profes sores, pa i s e enca r re gados de e ducação, de p es soa s com def ic iênc i a, de i n s t it u içõ es pa r t ic u l a res e c o op erat iva s de e ducação espe c i a l, dos órgãos de ad m i n i st ração e ges tão de escol a s, e out ra s ent id ades c om t raba l ho nesta área . P retende - se a s si m u m consen so o m a i s a l a rgado pos sível em tor no des ta m atér i a . Te ndo pr e s e nte a av a l i aç ã o de s e nvolv id a p e lo M i n i s té r io d a E duc aç ã o e C iê nc i a e a opi n i ã o de e s c ol a s e de out r a s e nt id ade s s obr e o s i n s t r u me nto s le g a i s e or ie nt açõ e s e x i s te nte s , “ tor nou- s e e v ide nte a ne c e s s id ade de r e a l i z a r u m a a n á l i s e abr a ng e nte e s u s te nt ad a d a E duc aç ã o E s p e c i a l e d a s d i me n s õ e s que i mpl ic a e mobil i z a , te ndo t a mb é m e m c on s ide r aç ã o o c onte x to m a i s a mplo d a s me d id a s de pr omo ç ã o do s uc e s s o e s c ol a r of e r e c id a s p e lo s i s te m a e duc at ivo.” r e f e r e f onte do ME C . O D espac ho que for m a l i z a a c r i ação des te gr upo de t raba l ho, def i ne u m pra z o de t rês meses pa ra a apresentação de u m rel atór io e de prop osta s de a lteração ao qu ad ro nor m at ivo em v igor. D ado s r e c e nt e s • C r i ação, em rel ação a 2011, de m a i s 29 Un idades de Apoio E sp e c i a l i z ado (Mu lt idef ic iênc i a e Su rdo c e guei ra Congén ita) e m a i s 35 Un id ades de E n si no E s t r ut u rado (Aut i smo); • Int ro dução de enu nc i ados de prova s e e x a mes adaptados a a lu nos c e gos, c om ba i x a v i são ou d a ltón ic os; • Ma nutenção do f i n a nc i a mento às esc ol a s pa ra aqu i sição de pro dutos de ap oio pa ra a lu nos c om Ne c es sid ades E ducat iva s E sp e c i a i s; • Tra n sp or te c ompa r t ic ipado n a tota l id ade pa ra u n idades esp e c i a l i z ad a s e escol a s de re ferênc i a du ra nte a escol a r idade obr igatór i a; • Ac re d itação de m a i s 22 Cent ros de Re c u r sos pa ra a Inc lus ão, rel at iva mente aos que já e x i s t i a m (6 8); • Reforço de profes sores de e ducação esp e c i a l no qu ad ro: ¼ da s vaga s do c onc u r so de v i nc ul ação e x t raord i n ár i a foi pa ra do c entes des ta área .

Jerónimo contra “política do saque” e “bluff do governo” “O país precisa de travar o passo à política de saque dos trabalhadores e do povo”, afirmou Jerónimo de Sousa, na Marinha Grande, num comício no âmbito das comemorações do 80.º aniversário da Revolta de 18 de Janeiro de 1934, na qual os operários vidreiros tomaram, por algumas horas, o poder. Para Jerónimo de Sousa, não se pode “aceitar que este Governo ilegítimo, que governa contra a Constituição e faz o contrário do que anunciou, mentindo aos portugueses, continue o seu rumo de destruição” dos direitos “ao trabalho, ao trabalho com direitos, dos direitos a uma pensão e a uma reforma digna, à saúde, à educação, à protecção social”. Recordando a luta dos revolucionários de 18 de Janeiro e o papel do PCP nesta insurreição e garantindo que os comunistas jamais deixarão apagar da memória a “primeira grande acção de massas contra o fascismo salazarista”, o líder comunista desafiou os presentes à “intensificação e alargamento da luta” nos locais de trabalho e na rua. “Sim, camaradas, é preciso continuar a luta. Se outros que se dizem de esquerda estão comprometidos com esta política e abandonam a exigência da demissão do Governo, nós não desistimos de apressar a sua saída”, afirmou Jerónimo de Sousa, continuando: “Não estamos à espera de 2015, estamos a lutar para chegar mais cedo o dia em que vejamos pelas costas um Governo que tanto mal tem feito - e está a fazer - ao país e aos portugueses”. O responsável do PCP disse ainda que

está em curso uma “descarada campanha de propaganda do Governo” que quer fazer crer que o pior já passou e referiu que “falam até em milagre económico e crescimento”. A este propósito, acrescentou: “É preciso descaramento. A realidade não se altera com a instrumentalização e a manipulação das estatísticas como este Governo faz e ainda agora fez [o primeiro-ministro] Passos Coelho em relação ao emprego”. No seu entender, “o seu milagre de crescimento é um ‘bluff’”, já que se passa a ideia de que “está a chegar o momento da

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saída da ‘troika’, do fim do pacto de agressão e, com isso, o dia da recuperação da nossa soberania e dos nossos direitos”. Acusando de tudo fazerem “para aparecerem como os salvadores da pátria”, o secretário-geral do PCP advertiu: “Chega ao fim um pacto, mas prossegue outro, com as mesmas medidas, as mesmas soluções, as mesmas políticas de extorsão do povo, o roubo dos trabalhadores e reformados, embora com outro nome [...]. Nem eles são os salvadores da pátria, nem o pacto que assinaram salvou o país”.

Bispo de Beja preocupado com migrantes O bispo de Beja, D. António Vitalino, sublinhou a importância de países e comunidades superarem a “desconfiança doentia” com que muitas vezes encaram os povos migrantes, os deslocados e refugiados. D. António Vitalino realça que “a diversidade” favorecida pelo fenómeno migratório, sinal de um tempo marcado pela globalização, “deve ser vista como fator de enriquecimento e de beleza, e não de inveja, de opressão e de guerras fratricidas”. Alerta ainda para o “egoísmo” que impede as pessoas de aproveitarem “as riquezas da mobilidade” e que leva “indivíduos e povos” a tratarem os outros, quem vem de fora, como algo “descartável”. “Ao colocar a celebração deste dia no domingo a seguir à festa do Batismo de Jesus, a Igreja quer ajudar à construção de um mundo melhor, um mundo mais fraterno, de convivência pacífica entre todos os povos, no respeito pela dignidade de todas as pessoas, porque todas são filhos de Deus e irmãos uns dos outros”, salienta o prelado. O membro da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana baseou a sua reflexão na mensagem que o Papa dedicou o Dia Mundial do Migrante e Refugiado deste ano, que “aborda o tema sob a perspetiva da construção de um mundo melhor”. De acordo com o bispo de Beja, Francisco salienta que as migrações, “por um lado” permitem identificar “fragilidades e lacunas nos Estados e na Comunidade

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internacional” e “por outro, revelam a aspiração da humanidade viver o acolhimento e a hospitalidade, que permitem a partilha equitativa dos bens da terra; de viver a proteção e a promoção da dignidade humana e da centralidade de cada ser humano”. D. António Vitalino dedica depois a segunda parte da sua nota ao “tradicional oitavário de oração pela unidade dos cristãos”, que vai decorrer entre 18 e 25 de janeiro. “No mundo global em que vivemos,

mais visível se torna a divisão dos que se dizem cristãos, separados em diversas igrejas ou comunidades religiosas ou até mesmo dentro da mesma família religiosa”, aponta o bispo, que deixa depois a receita para a resolução deste problema. “A conversão e reconciliação têm de começar por nós mesmos, para sabermos amar como Jesus e nos tornarmos seus verdadeiros discípulos. Que em todas as comunidades se tenha bem presente esta intenção e pedido de Cristo e da Igreja”, conclui.


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Actual O Executivo “vê sinais positivos no empobrecimento”.

Zorrinho solidário com investigadores

D.R.

O PS mostrou-se esta semana solidário com os investigadores portugueses, acusando o Governo de estar a hipotecar o futuro do país. Carlos Zorrinho realçou que o Partido Socialista “está solidário com os investigadores portugueses”, partilhando com eles “a mesma visão de futuro para Portugal, um país com um futuro baseado no conhecimento, na inovação e nas competências”. “O Governo está a hipotecar o nosso futuro, fazendo com que os mais qualificados sejam obrigados a emigrar. Por outro lado, desvaloriza o trabalho dos que cá ficam, pressionando para uma baixa de salários”, sublinhou. O deputado socialista afirmou que o Executivo “vê sinais positivos no empobrecimento”, que é “um sinal tragicamente negativo”.

Porém, acrescenta, “o ajustamento feito através do empobrecimento tem como único significado que os sacrifícios pedidos aos portugueses são para sempre e não têm fim”. Deste modo, “o PS defende o ajustamento pelo crescimento, pelo conhecimento e pela inovação”. Carlos Zorrinho mostrou-se solidário com os “bolseiros que se manifestam” contra a política do Governo, sublinhando que “não é apenas o facto de esses bolseiros verem a sua vida precarizada e não saberem como vão pagar as suas contas nos próximos meses. Um bolseiro de investigação aposta uma vida num projeto - e ver um projeto apagado, como quem apaga um interruptor de luz, é próprio de alguém que demonstra uma enorme insensibilidade”.

Socialistas desconfiam da vinculação de professores O PS considera que a abertura deste concurso é, no tempo e na forma, mais um meio de adiar a decisão. Com mais de cinco anos de serviço e, portanto, na esfera de aplicação da diretiva europeia estão mais de 20.000 professores. O problema que se coloca não pode ser remetido a uma solução minimalista desta natureza. “O Governo continua fora da lei à espera que, eventualmente, o Tribunal Europeu o venha condenar”, disse o deputado Agostinho Santa, a propósito do Concurso Extraordinário de Vinculação de Professores Contratados, anunciado pelo ministro Nuno Crato. “A forma como foi anunciado, publicamente, pelo senhor ministro, a decisão de abertura do concurso terá pretendido criar a ideia de que estamos perante uma vontade política do gover-

no, uma estratégia programática e a intenção genuína de resolver a situação precária dos professores contratados. O problema é que os subterfúgios continuam”. O PS não hesita em classificar a decisão como uma “mistificação” face ao que impõe a letra e o espírito da diretiva comunitária, de equiparação de professores contratados aos professores do quadro, no estrito cumprimento das leis do trabalho, já que o timing limite para essa concretização se esgotava no passado dia 20, pelo que o anúncio parcial hoje feito, assume contornos que ficam muito aquém do exigido. “O que não temos dúvidas é que abrir o quadro de zona pedagógica a 2000 docentes é uma decisão que peca por exígua, face a um universo exponencial de mais de 20.000 professores”.


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Destaque Na Carta de Outono/Inverno dominam os produtos típicos da época.

Herdade do Esporão apresenta nova Carta de Outono/Inverno Eleito recentemente pelo influente site de gastronomia norte-americano The Daily Meal, como um dos melhores restaurantes de enoturismo do mundo, a Herdade do Esporão renovou as suas sugestões para a estação Outono/Inverno. A nova Carta, da autoria do Chefe Miguel Vaz, responsável pelo Restaurante da Herdade do Esporão em Reguengos de Monsaraz, apresenta sugestões que nos remetem para uma viagem pelos sabores da terra e da região, numa homenagem às tradições e produtos locais. A gastronomia da Herdade do Esporão, criada em harmonia com as estações do ano, assenta na cultura do vinho e nos sabores típicos do Alentejo, num convite a uma viagem às raízes e aos sabores de antigamente, através da utilização de frutos e legumes produzidos na horta da Herdade e da inspiração em receitas antigas. Para o Chefe Miguel Vaz, o objetivo é criar “uma cozinha de Terroir em que os produtos da nossa Horta e de fornecedores locais assumem uma importância cada vez maior”. Na Carta de Outono/Inverno dominam os produtos típicos da época, como a abóbora, os cogumelos e as maçãs Bravo de Esmolfe DOP. A caça é também privilegiada, com pratos concebidos de forma a enaltecer os sabores ricos das carnes de caça. As técnicas de confeção destes pratos combinam a tradição da cozinha alentejana, como o uso do forno a lenha e de vinhos em temperos, com a inovação e contemporaneidade características do Chefe Miguel Vaz, que reinventa receitas antigas para uma exPUB

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periência enogastronómica única. Para as entradas, as sugestões desta Carta levam-nos a redescobrir o típico sabor da perdiz, com uma Terrina de Perdiz, Compota de Cebola e Licoroso, uma receita inspirada na conhecida Perdiz à Convento de Alcântara, cuja história remonta às invasões francesas.

A viagem continua, desta vez com uma Visita à Horta, nome também do prato, que convida a explorar os melhores legumes da horta da Herdade, um prato surpreendente, em constante mutação, inspirado pela colheita diária. Entre os pratos de peixe, o destaque vai para o Bacalhau Corado, cozido a

baixa temperadura, acompanhado por Migas Negras e Cebola Crocante, inspirado num prato tradicional da região, as Migas Gatas, agora reeinventado. Também o tradicional Polvo não falta à mesa, acompanhado com Batatas de Coentrada e preparado no típico forno a lenha com vinho tinto. Nas carnes, imperam os sabores dos animais de caça e das carnes típicas alentejanas, como Bife do Lombo de Carnalentejana DOP em Boa Companhia, Porco Preto Confitado e Grelhado na Lenha acompanhado por Batatinhas Salteadas com Tomate seco ao sol e Azeitonas, um Peito de pato assado na frigideira com Puré de aipo e Maçã assada ou Peito de pombo Torcaz, Cevada Perolada e Cogumelos. Os doces são a última paragem desta viagem às raizes, com sugestões típicas do Alentejo, onde se destacam iguarias como a Selecção de Queijos Alentejanos acompanhados de compota, nozes e finas tostas de pão, o Strudel de frutos de Outono com nata ácida ou a surpesa Partindo do Convento, onde é reinterpretada a clássica sericaia cozida como um soufflé, servida com gelado de frutos secos e compota de marmelo. Com uma vista priveligiada sobre as vinhas, a excelência da gastronomia alentejana alia-se os vinhos da Herdade do Esporão numa harmonização perfeita que homenageia a riqueza de sabores da região. Além da vertente gastronómica, a unidade de enoturismo do Esporão, disponibiliza uma oferta diversificada de programas, como visitas às caves e adegas, provas de vinhos e passeios pela herdade.


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23 Janeiro ‘14

Destaque Cerca de 22 mil turistas deslocaram-se aos postos de turismo do concelho para obterem informações.

Universidades de Évora e de Timor assinaram protocolos Foram assinados a 14 de janeiro dois contratos programa de cooperação entre a Universidade de Évora (UE) e a Universidade Nacional de Timor Lorosa’e (UNTL), relativos à criação e implementação naquele país, do Curso de Pós-Graduação em Saúde Animal e do Curso de Mestrado em Economia e Gestão Aplicadas. Entre outras obrigações, o contrato programa prevê que docentes da Universidade de Évora lecionem unidades de crédito no âmbito dos dois cursos, orientem ou coorientem as teses dos Cursos de Pós-Graduação e Mestrado referidos, garantido um acompanhamento à distância permanente e apoio in loco. À Universidade Nacional de Timor Lorosae competirá, entre outras coisas, selecionar os alunos e criar as condições que lhes permitam frequentar os cursos, assegurar o alojamento dos professores da UE aquando da sua permanência em Timor Leste para lecionar ou orientar as teses e assegurar o financiamento dos cursos. PUB

Reguengos registou cerca de 120 mil visitas No ano passado o Município de Reguengos de Monsaraz registou cerca de 120 mil visitas a monumentos, exposições e postos de turismo do concelho. Um aumento de três por cento comparativamente com 2012, com significativas subidas em três trimestres do ano, resultado da estratégia da autarquia para combater a sazonalidade através do ciclo de exposições Monsaraz Museu Aberto e de diversos eventos culturais e desportivos que decorreram em Monsaraz e no Grande Lago. Na vila medieval, os dados foram obtidos contabilizando o número de visitas ao Museu do Fresco, Casa Monsaraz, Igreja de Santiago, Igreja Matriz, Torre de Menagem e Igreja da Misericórdia. A autarquia registou também os pedidos de informações no Posto de Turismo de Reguengos de Monsaraz e no Posto de Turismo de Monsaraz. De referir que na Igreja de Santiago, na Casa Monsaraz, na Torre de Menagem e no Museu do Fresco, para além do valor patrimonial e histórico dos edifícios, os visitantes podem apreciar diversas exposições ao longo do ano. Agosto

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e Abril foram os meses com maior número de visitas. Cerca de 22 mil turistas deslocaram-se aos postos de turismo do concelho para obterem informações. Os turistas nacionais significaram quase 45 por cento do total, seguindo-se os espanhóis com cerca de 22 por cento e os franceses com mais de 10 por cento.

Foi igualmente significativo o número de visitantes oriundos de Inglaterra, Brasil, Alemanha e Estados Unidos da América. O concelho de Reguengos de Monsaraz foi visitado por turistas de quase 40 nacionalidades, incluindo de destinos tão longínquos como o Japão, China, África do Sul, Austrália e Nova Zelândia.


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Destaque

Inter[in]venção traz a Évora algumas das obras mais significativas de um dos pioneiros da media art.

Mais Cultura no Fórum O Fórum Eugénio de Almeida apresenta, pela primeira vez na Península Ibérica, uma ampla seleção de obras da coleção do conceituado ZKM | Center of Art and Media Karlsruhe, Alemanha, o mais importante centro de arte e tecnologia do mundo. Inter[in]venção traz a Évora algumas das obras mais significativas de um dos pioneiros da media art, Nam June Paik, e reúne 33 peças de 39 artistas de renome internacional, tais como Bruce Naumann, Marina Abramovic, Bill Viola, Christa Sommerer & Laurent Mignonneau, Paul Sermon, Tony Oursler, Peter Weibel, Masaki Fujihata, Valie Export, Pipilotti Rist, Paul Garrin, Robert Wilson, entre outros. O espetro de formatos das obras expostas abarca a videoescultura, videoarte, videoperformance, videoinstalação, instalação audiovisual, instalação interativa e instalação sonora interativa. Os focos temáticos centrais recaem sobre os dois conceitos patentes no título da exposição: intervenção e invenção. Destaca-se a associação entre os significados etimológicos dos termos e o tipo de obra exibida: o prefixo “inter” (entre) expressa uma posição de mediação, enquanto “in” exprime um movimento para o interior, uma atuação dentro – [in] – da obra. Invenção é a faculdade de criar e descobrir, mas também o ato de imaginar “virtualidades”, característica própria de muitas das obras expostas. Intervenção é um conceito amplamente utilizado no campo da arte contemporânea na aceção de interferência, manipulação e interação entre obra e público. A mostra dá especial ênfase à arte interativa pelo que, através das suas intervenções e invenções, o público deixa de ser um mero observador passivo para tornar-se o grande protagonista desta exposição que se mantém aberta até 9 de Março.

para esta exposição e inéditas em Portugal e estará patente ao público até 2 de Fevereiro. Através de uma prática artística enraizada nos géneros da paisagem e da representação topográfica, mas onde encontramos também um vínculo ao cinemático, ao pictórico e ao escultórico, o trabalho fotográfico de Edgar Martins mostra um especial interesse por lugares e edifícios de difícil acesso e com um significativo peso arquitetónico e histórico, como por exemplo fábricas, aeroportos, casas abandonadas ou centrais hidroelétricas. Edgar Martins nasceu em Évora (1977) e cresceu em Macau. Mudou-se para Inglaterra em 1996, onde completou a sua formação em arte e fotografia. O seu trabalho está representado internacionalmente em numerosas coleções, como as do Victoria & Albert Museum (Londres), National Media Museum (Bradford), Dallas Museum of Art (Dallas) e Fondation Carmignac (Paris).

Edgar Martins pela primeira vez em Évora

O trabalho de Edgar Martins, artista eborense radicado em Londres e um dos expoentes da fotografia contemporânea, é exposto pela primeira vez na sua cidade Natal. A exposição da série fotográfica The Time Machine – O lugar das máquinas - resulta de um trabalho de pesquisa de cerca de dois anos em barragens e centrais nacionais. A mostra individual incluiu obras produzidas especialmente

Camané no Centro de Artes de Portalegre Com uma carreira iniciada há mais de década e meia, com a gravação em 1995 do disco “Uma Noite de Fados”, Camané conquistou rapidamente um lugar muito próprio no clube restrito dos grandes intérpretes portugueses e, em particular, no difícil, exigente e concorrido mundo da chamada “canção nacional”. Basta percorrer a já extensa discografia do cantor, passando por obras como “Na Linha da Vida”, “Pelo Dia Dentro” ou “Sempre de Mim”, até ao último trabalho de estúdio, “Do Amor e dos Dias”,

para perceber as razões que levaram Camané a integrar o reduzido leque de fadistas intemporais, ao lado de Amália Rodrigues, Alfredo Marceneiro ou Carlos do Carmo. Mas é tempo agora para uma reflexão musical, com o lançamento de “O Melhor – 1995|2013”, que reúne grandes clássicos da sua carreira. Mas como a arte de Camané é a procura constante de boas canções, de contar histórias e o que nelas está escondido, este trabalho contempla também alguns temas novos, inéditos e surpreendentes.


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23 Janeiro ‘14

Destaque As próximas zonas de reintrodução da espécie serão definidas em Fevereiro.

De Silves para a Andaluzia O lince Junípero, nascido no centro de reprodução de Silves, inaugurou a temporada de 2014 da libertação de linces-ibéricos (Lynx-pardinus) na natureza, em Espanha. A libertação, prevista no programa de conservação da espécie ex-situ, ocorreu na passada quarta-feira, dia em que a Junta de Andaluzia revelou os resultados do censo mais recente, referente a 2013, que apontam para um aumento, ainda que ligeiro, da população. Nascido em 2012, filho da fêmea Fruta e do macho Fresco, Junípero é uma das crias bem-sucedidas no centro de Silves, que se revelou em 2013 a melhor maternidade para o lince-ibérico, com uma taxa de sobrevivência superior à dos centros de reprodução espanhóis. À semelhança dos outros linces-ibéricos já libertados, também Junípero tem um colar de radiotransmissão para que seja possível saber a sua localização. O animal foi libertado na zona de Guadalmellato, na Andaluzia, Sul de Espanha, ao abrigo do projecto luso-espanhol LIFE Iberlince, que arrancou em 2011. Este projecto promove a reprodução em cativeiro como solução para reforçar as duas únicas populações existentes em estado selvagem, em Doñana e na Serra de Andújar, na região da Andaluzia – que é, por isso, a única onde até agora foram introduzidos indivíduos nascidos nos centros de reprodução. No entanto, o objectivo é também recuperar as populações que existiam em Portugal, na Extremadura espanhola e em Castela-La Mancha. As próximas zonas de reintrodução da espécie serão definidas em Fevereiro, numa reunião que vai juntar todos os parceiros envolvidos no projecto, portugueses e espanhóis. Pela primeira vez, este ano poderá haver libertações em Portugal, como foi anunciado em Outubro pelo secretário de Estado do Ordenamento do Território e Conservação da Natureza, Miguel Castro Neto. Em estudo está a zona do vale do Guadiana, em Mértola (Alentejo). Do lado espanhol, estão a ser analisadas as as zonas do vale de Matachel (Badajoz), Guadalcanal-Valdecigüeñas (Sevilha-Badajoz), Montes de Toledo e Cabañeros (Toledo) e o Campo de Calatrava (Cidade Real). “O lince-ibérico não conhece fronteiras, mas antes de fazermos a introdução dos animais nascidos em cativeiro é preciso fazer um estudo das condições, e tanto em Portugal como em Espanha esse estudo ainda está a ser concluído”, afirma Eduardo Santos, da Liga para a Protecção da Natureza, coordenador do projecto LIFE Habitat Lince-Abutre, cujo objectivo é a promoção do habitat destas duas espécies no sudeste de Portugal. Uma das condições obrigatórias para a libertação é garantir, por exemplo, a

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população de coelho-bravo, que está na base da dieta do lince-ibérico. “A reintrodução é apenas uma ferramenta para a conservação do lince, não é um objectivo em si. Por isso, e porque este é um esforço ibérico, os linces deverão ir para os locais com melhores condições, em Portugal ou em Espanha, na Andaluzia ou fora dela”, explica.

População aumentou, mas pouco

Com a libertação de Junípero, aumenta para 37 o número de linces de cativeiro introduzidos na natureza. Desses 37, 12 nasceram no centro do Algarve, tendo seis sido soltos na zona de Guadalmellato (Córdoba) e os restantes seis na zona de Guarrizas (Jaén), também na Andaluzia, segundo o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF). Na semana passada, a Junta de Andaluzia divulgou os resultados do censo de 2013 efectuado à população desta região, que apontam para um ligeiro aumento no número de indivíduos em relação a 2012: existem actualmente 319 lincesibéricos, mais oito do que em 2012. A maior parte (169) habita nos parques naturais de Cardeña-Montoro (Córdoba) e a Serra de Andújar (Jaén), e 85 vivem

na zona de Doñana-Aljarafe, segundo os dados divulgados pela Junta. Estes números estão, porém, já desactualizados. Nas primeiras duas semanas de Janeiro foram encontrados os cadáveres de dois linces-ibéricos, segundo as notas divulgadas no site do projecto LIFE Iberlince: um macho de dois anos, encontrado a 6 de Janeiro após ter sido atropelado na zona de Azuel (Córdoba), e outro com quase dois anos, encontrado morto três dias depois na linha ferroviária Linare – Alcázar de San Juan, em Guarrizas (Jaén). Além de um aumento populacional, a Junta de Andaluzia registou mais fêmeas territoriais, que representam o potencial reprodutor da espécie em liberdade. O número de fêmeas fixadas num território e em idade de reprodução aumentou para 92, mais sete do que em 2012. Apesar disso, o número de crias é menor: 54 indivíduos, menos 24 do que no ano anterior. Segundo o Conselho de Meio Ambiente e Ordenamento do Território da Andaluzia, a redução estará relacionada com a diminuição de alimento disponível em Andújar-Cardeña, devido à nova estirpe da doença hemorrágica do coelho-bravo. Maior dispersão geográfica da espécie

– ocupa agora uma área de 1093 quilómetros quadrados, sendo que em 2012 ocupava 1073 quilómetros quadrados. Recorde de atropelamentos Em 2013 houve também um aumento no número de atropelamentos. No total, morreram 24 indivíduos em liberdade, 14 por atropelamento (oito na Serra Morena e seis em Doñana) – o dobro das mortes registadas pela mesma causa no ano anterior. É a maior taxa de atropelamentos desde que há registos oficiais. A Junta de Andaluzia acredita que este aumento se deve, por um lado, à diminuição da população de coelho, que obriga os linces a dispersar em busca de comida, e por outro lado, ao próprio aumento populacional que implica um alargamento da área onde se encontra a espécie. A introdução dos linces na natureza começou em Fevereiro de 2011. Antes de serem libertados, os animais são submetidos a treinos de caça e sobrevivência para conseguirem sobreviver por meios próprios. O lince-ibérico é a espécie de felino mais ameaçada do mundo, classificada como criticamente em perigo de extinção na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza.

Turismo do Alentejo, Municípios de Mértola e Ourique e NERBE acordam calendarização de eventos A Turismo do Alentejo, ERT acordou com as câmaras municipais de Mértola e de Ourique e com o NERBE – Núcleo Empresarial da Região de Beja a calendarização dos eventos a organizar em Março e Abril,

com o objectivo de promover uma oferta de eventos na região em datas diferenciadas. Assim, a Feira do Porco Alentejano 2014 realizar-se-á nos dias 21, 22 e 23 de Março em Ourique, o Festival do Peixe

do Rio realizar-se-á entre 20 e 30 de Março, no Pomarão, Mértola, e o Festival do Petisco realizar-se-á no primeiro fim-desemana de Abril, nos dias 4, 5 e 6, em Beja nas instalações do NERBE.

Desta forma estão criadas as condições de melhoria da oferta e de satisfação dos públicos, bem como de valorização de cada um dos eventos em benefício de uma imagem global da região no exterior.


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Actual

Ceia da Silva: “a construção de um destino turístico é uma tarefa permanente de muitos elementos”.

António Ceia da Silva conquista Prémio Ideia do Ano O Presidente da Turismo do Alentejo, António Ceia da Silva, conquistou o Prémio Ideia do Ano, nos Amadeus Brighter Awards 2013, um galardão atribuído pelo principal parceiro tecnológico da indústria das viagens e turismo. O galardão - revelado numa cerimónia presenciada por altos quadros de sector do turismo e realizada na Fundação Champalimaud, em Lisboa - foi atribuído ao responsável máximo da Entidade Regional de Turismo pelo desenvolvimento do turismo de experiências na vida da região, através do lançamento da campanha “365 Dias de Emoções”. Nas palavras de António Ceia da Silva, “a construção de um destino turístico é uma tarefa permanente de muitos elementos. Por isso é uma honra partilhar este prémio com os técnicos da ERT e da Agência, os meus colegas de direcção, os técnicos dos postos de turismo, os autarcas, os directores dos empreendimentos, os agentes de animação e da restauração, assim como com todos os que amam o Alentejo, enPUB

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tre os quais os turistas”. “Esta distinção para além de ser um orgulho é, acima de tudo, mais um input positivo que nos motiva para continuarmos a trabalhar em prol da excelência da região, não só no que concerne à qualificação dos produtos turísticos como também no que diz

respeito ao desenvolvimento de campanhas de mercado disruptivas e inovadoras”, adiantou o Presidente da Turismo do Alentejo. Recorde-se que os Amadeus Brighter Awards visam distinguir personalidades que se destacam pelo seu contributo positivo no turismo em Portugal.

Entrudanças 2014 A Associação PédeXumbo volta a organizar o Entrudanças, o festival de Inverno que celebra o Entrudo, as tradições locais, a música e a dança, em Entradas, vila do concelho de Castro Verde, no Baixo Alentejo. Este ano, o tema é a “Liberdade”, Liberdade para... dançar, tocar, conhecer e experimentar, um fomento à reflexão sobre a liberdade de expressão, de criação, de interpretação. À semelhança dos anos anteriores, o Entrudanças, mais que um festival, é um projeto de desenvolvimento efetuado com a comunidade local, antes e depois da festa, trabalhando as tradições e as perceções locais e cruzando-as com outras distantes. Com as escolas do 1º Ciclo de Entradas, iniciou-se já um trabalho artístico intitulado “Liberdade à Volta da Cabeça”, dinamizado pela Baal17. O programa para os 3 dias Entrudanças ainda se encontra em finalização, mas há já diversas atividades e nomes corfirmados. Como é hábito nos festivais PédeXumbo, haverão bailes, oficinas de dança e de instrumentos, mas também passeios, conversas, exposições, documentários, gastronomia e animação. O Entrudanças é organizado pela PédeXumbo em parceria com a Câmara Municipal de Castro Verde e Junta de Freguesia de Entradas.


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23 Janeiro ‘14

Destaque A consequência mais imediata e importante dessa emergência industrial foi o aumento exponencial do consumo global.

Transição ecológica: crónicas duma revolução inevitável - I 1. Pressupostos Numa série de curtos artigos, cuja publicação agradeço à redacção do Registo, proponho-me dar a conhecer o conceito de “transição ecológica”, os pressupostos sobre os quais assenta, e as suas consequências para o futuro (não tão longínquo) que é também o nosso. Comecemos pelos pressupostos. A situação do mundo actual caracteriza-se pela “emergência” de numerosos países que abrangem dois terços da população mundial, na cena do desenvolvimento capitalista. Essa “emergência” é caracterizada pelo facto que as tecnologias de produção (industrialização massiva, importante consumo de matérias-primas e de energia) e os esquemas de organização da produção (trabalho assalariado, propriedade privada ou estatal do capital, procura do máximo lucro e alargamento contínuo dos mercados) que caracterizaram o desenvolvimento económico do “Norte” (incluindo o Ocidente e a União Soviética e seus descendentes) durante um pouco mais de dois séculos, tem estado a ser massivamente adoptado pelos “novos” países do “Sul”. O desenvolvimento destes dois séculos assentou na industrialização que foi tornada possível pela disponibilidade de matérias-primas e energia, baratas e abundantes. Os países desenvolvidos acediam a estes recursos de modo ilimitado, seguro e barato, seja por deles dispporem localmente (exemplos, o carvão e o ferro na Grã-Bretanha e na Alemanha) seja em virtude da dominação colonial. A “emergência” dos países antes dominados significou desde logo uma nova concorrência em torno dos recursos fundamentais (matérias-primas e energia) e a imposição de restrições cada vez mais pesadas ao acesso a esses recursos por parte dos países desenvolvidos. A consequência mais imediata e importante dessa emergência industrial foi o aumento exponencial do consumo global (mundial) de matérias-primas e de energia para satisfazer o consumo interno desses países. Ora o consumo exprime nos países emergentes basicamente a exigência legítima de acesso a bens de utilidade quotidiana, tornando-se o consumo ao mesmo tempo causa de exigências de nível de vida e motor do crescimento da produção. A tragédia que o mundo actual defronta é portanto a da contradição entre exigências de aumento do consumo nos países emergentes do mesmo tipo e

quantidade de bens que o dos cidadãos dos países desenvolvidos, e a impossibilidade radical da satisfação dessa exigência a nível mundial. A equação é simples: para que toda a população mundial pudesse consumir a mesma quantidade de bens agrícolas e industriais que os cidadãos do mundo desenvolvido, a quantidade de matérias-primas e de energia necessárias seria de… seis a nove vezes as que existem no nosso planeta. Eis a tragédia do esquema de desenvolvimento que os novos países copiam dos antigos: precisaríamos de seis ou nove planetas como o nosso. Mas porque lhe chamamos “tragédia”? Porque as alternativas que temos, se se mantiver o tipo actual de desenvolvimento (organização da produção, mercados, tipos de consumo, etc.) são de facto inaceitáveis. Elas comportariam (i) Reservar para o Ocidente (o Norte) os recursos existentes, bloqueando o seu acesso aos países emergentes (e aos outros); (ii) Provocar, de uma maneira ou de outra (nenhuma delas aceitável), a eliminação duma parte significativa da

população mundial (entre um terço e metade). A primeira só seria materialmente viável através duma guerra mundial que, no contexto tecnológico e geopolítico actual, dificilmente evitaria a utilização das armas nucleares, cujas consequências seriam incalculáveis. A segunda, cujo horror é difícil até de imaginar mas cuja possibilidade técnica está hoje adquirida, poderia passar por políticas de destruição (química – poluição, biológica – fome ou epidemias artificiais), etc. de populações inteiras. Resta uma outra via: a da limitação (que, sublinhemos, terá que ser auto-limitação para escapar à guerra), do consumo tanto de energia fóssil como de matériasprimas por parte dos países actualmente desenvolvidos. Mas essa auto-limitação não pode ser pensada apenas em termos quantitativos. Com efeito, qualquer cenário de redução radical do consumo de matérias-primas e de energia pressupõe uma profunda transformação da produção, dos hábitos de consumo e de vida, que é urgente definir, estudar e começar a

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pôr em prática. É esta transformação que tem por nome “transição ecológica” que, como logo se entende, inclui e ultrapassa a noção de transição energética, visto que exige que pensemos o futuro modo de produção, de distribuição e de consumo em termos radicalmente novos. O que não poderá fazer-se sem repensar a própria organização social e política das sociedades actuais. Se admitirmos estes pressupostos, mesmo que seja apenas a título provisório, veremos que a orientação do desenvolvimento e até a avaliação dos projectos de investimento concretos fica submetida ao escrutínio do seu contributo para a transformação ecológica e, numa perspectiva positiva, beneficia duma visão de longo prazo enquanto princípio orientador. Évora, Janeiro de 2014. José Rodrigues dos Santos, Antropólogo. Academia Militar e CIDEHUS- Universidade de Évora jsantos@uevora.pt

Ruralentejo contesta inscrição dos pequenos agricultores nas Finanças A Ruralentejo associa-se à Confederação Nacional da Agricultura-CNA, no alerta para a fiscalidade na pequena agricultura. Nesse âmbito foi realizada na manhã de ontem, 16 de janeiro de 2014, em Montemor-o-Novo, Moura e Avis, um protesto contra a obrigatoriedade dos pequenos agricultores, para exercerem a atividade agrícola, terem de se inscrever nas finan-

ças, alterando a situação que têm atualmente, a partir do dia 31deste mês. Desta forma, um grupo de representantes da Ruralentejo, foi recebido por Hortênsia Menino, Presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Novo. Neste encontro, o grupo entregou à autarca, um ofício endereçado ao Governo, em que se defende a revogação das novas regras de

fiscalidade que incidem sobre os pequenos agricultores. O documento explica que, dado que o que é comercializado pelos pequenos agricultores é, no fundamental, para consumidores finais em circuito de proximidade, e que por norma o cliente não pede qualquer faturação, não se justifica qualquer alteração à legislação em vigor. A Ruralentejo afirma que

quer “manter este Mundo Rural Vivo, no qual sempre vivemos e criámos os nossos filhos, e dele não abdicamos…”. Desta forma, irá lutar para que tal suceda. A mesma delegação, depois de ser recebida na Câmara de Montemor, deslocou-se à secção de finanças para entregar também um documento dirigido à ministra que tutela o setor.


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Destaque O projeto desenvolve-se em 6 fases, de março de 2013 a agosto de 2014.

O Projecto EURECA.NET TERESA FERREIRA Prof. Auxiliar Laboratório HERCULES, Universidade de Évora O projeto EURECA.net resulta da forte convicção dos seus promotores de que a aplicação das Ciências Exatas e Naturais ao Património Cultural e à Arte e o carácter interdisciplinar das atividades daí desenvolvidas são um meio por excelência para a promoção da cultura e da tecnologia e, simultaneamente, um veículo de aprendizagem de conteúdos de disciplinas como a Química, a Física, a Geologia ou a Biologia. O projeto desenvolve-se em 6 fases, de março de 2013 a agosto de 2014, e inclui palestras, workshops e trabalho de campo em unidades museológicas, permitindo aos alunos do ensino secundário o contato com técnicas de caracterização de ponta. O projeto é promovido pelo Laboratório HERCULES da Universidade de Évora e são parceiras as Escolas Secundárias da região, o Museu de Évora, o Museu de Arte Sacra e a Direção Regional de Cultura do Alentejo. http://eurecanet.blogspot.pt/ OBJETIVOS. MOTIVAÇÕES. PARCEIROS O Património Cultural é atualmente considerado um pilar fundamental para o desenvolvimento sustentável das regiões e uma área de estudo interdisciplinar ímpar que permite conciliar as ciências exatas e naturais com as ciências sociais e humanas. A riqueza de um povo passa pelo conhecimento, valorização e conservação do património cultural que constitui a sua identidade. No caso alentejano, o legado deixado pelas gerações passadas é vasto e de grande valor. Porém, muito embora este património continue a conviver diariamente com a população, não é valorizado sobretudo pelas camadas mais jovens que desconhecem o seu significado artístico e/ou religioso original. Se a avaliação crítica de pensamentos e ideias é um dos objetivos prioritários no ensino dos jovens, a aprendizagem adquirida através da análise crítica de conteúdos reais e próximos constitui, certamente, um passo fundamental no processo educativo. A articulação entre a teoria e a prática é fundamental para o desenvolvimento cognitivo dos alunos, permitindo-lhes fazer a ligação entre os conhecimentos adquiridos nas aulas teóricas e os obtidos ao longo das suas experiências de vida, do senso comum, da comunicação social e das redes sociais. Sem esta articulação, corre-se o risco de que os conteúdos abordados nas aulas não sejam muito relevantes e que se produza uma dicotomia entre a “escola” e a “vida prática”. A dificuldade sentida pelos alunos na aprendizagem de conteúdos de disciplinas como a Química, a Física, a Geologia ou a Biologia pode efetivamente ser minimizada ou até mesmo superada através do recurso a projetos de base experimental, nos quais se exploram situações didáticas que visam facilitar a compreensão dos temas abordados, aprofundar e/ou reconstruir o conhecimento científico e curricular e integrar a sua aplicação no quotidiano. O projeto EURECA.net desenvolve-se na região de Évora e pretende ter uma

Fig.1. Relação entre as temáticas e as áreas de estudo no ensino secundário atitude proactiva relativamente à região onde se insere. A sua estratégia integradora visa a tomada de consciência, por parte dos alunos do ensino secundário, da identidade cultural e do património cultural da sua região, através do recurso às ciências exatas e naturais e, simultaneamente, utilizar esse património como veículo motivador e facilitador de aprendizagem de conteúdos de disciplinas que constituem o currículo do ensino secundário. A interação entre a Escola Secundária e algumas das forças vivas da região, nomeadamente, a Universidade e os Museus, serve o propósito de encontrar sinergias, parcerias e cumplicidades que permitem a partilha de recursos entre as diferentes entidades, nomeadamente, os jovens, os meios técnicos e o know-how, e os acervos museológicos. O projeto EURECA.net tem como entidade promotora o Laboratório HERCULES da Universidade de Évora, que conta atualmente com unidades de investigação residentes no Palácio do Vimioso e uma unidade móvel que permite fazer análises in-situ, e como parceiras as Escolas Secundárias André de Gouveia, Gabriel Pereira e Severim de Faria (Évora), a Escola EB 2,3/S Cunha Rivara (Arraiolos) e a Escola Secundária de Montemor-o-Novo. São ainda parceiros o Museu de Évora, o Museu de Arte Sacra da Sé de Évora e a Direção Regional de Cultura do Alentejo. O EURECA.net é um projeto financiado pela Ciência Viva, da Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica, no âmbito do programa Escolher Ciência: da Escola à Universidade. O projeto centra-se em três temáticas fundamentais para a área do património cultural alentejano e desenvolve-se em seis fases que a seguir se resumem. TEMÁTICAS DE ESTUDO Dentro das grandes temáticas no âmbito do património cultural encontram-se a pintura de cavalete, a pintura mural e os têxteis, as quais apresentam características próprias no distrito de Évora, quer pela sua diversidade e originalidade, quer por constituírem casos particularmente importantes em Portugal. De facto, exemplos a referir são a produção de tapetes de Arraiolos, os conjuntos mu-

rais em diversas ermidas e capelas como no altar-mor da ermida de Santo Aleixo, no arco-triunfal da ermida de S. Pedro da Ribeira e no coro-baixo do Convento de Nossa Senhora da Saudação, e o caso da obra de Frei Carlos, frade Jerónimo e pintor do Convento do Espinheiro, e que constitui um dos melhores exemplos de uma oficina estabelecida no distrito de Évora no século XVI e com atividade local. Há ainda a acrescentar que a maioria destes exemplos tem servido de casos de estudo em projetos de investigação científica de vários dos membros da equipa promotora do projeto, o que permite uma abordagem mais rica e diversificada nas várias atividades a desenvolver. O estudo destas temáticas é feito de um ponto de vista interdisciplinar e aborda conceitos de diferentes áreas das ciências exatas e naturais, bem como das ciências sociais e humanas, que facilitem a captação desses mesmos conceitos em ambiente de sala de aula. Na Fig.1 é mostrada a interação a estabelecer, no âmbito do EURECA.net, entre cada temática e algumas das áreas de estudo que fazem parte do ensino secundário. EQUIPA E FASES DO PROJETO O projeto EURECA.net pretende também formar grupos de interesse para além do ambiente de sala de aula com a criação/ revitalização de Clubes de Ciências dentro de cada escola, permitindo aos alunos um envolvimento voluntário, motivado pelo interesse pessoal neste tipo de atividades. A equipa promotora do EURECA.net é uma equipa interdisciplinar composta por químicos inorgânicos (Teresa Ferreira, António Candeias), geólogo (José Mirão), químicos orgânicos e de produtos naturais (Cristina Dias, Dora Teixeira), bioquímicos (Ana Teresa Caldeira, Rosário Martins), historiadores/historiadores de arte (Ana Cardoso Matos, Antónia Conde, Artur Goulart, Filipe Themudo Barata, Paulo Simões Rodrigues) e alunos de doutoramento e jovens investigadores nas áreas referidas (Alexandra Ferreira, Ana Manhita, Ana Cardoso, Cátia Relvas, Inês Cardoso, Lúcia Tobias, Maria Oliveira, Rita Vaz Freire, Sara Valadas, Tânia Rosado).

O projeto EURECA.net desenvolve-se através de um plano sequencial de atividades em seis fases (Fig.2) que incluem: • Fase 1: apresentação do projeto aos alunos e professores das escolas secundárias parceiras; • Fase 2: contextualização histórica e científica/seleção da temática de estudo a desenvolver em cada escola. Nesta fase são realizadas palestras e workshops por membros do EURECA.net, para introduzir as temáticas em estudo e relacioná-las com aspetos do dia-a-dia dos alunos. Ainda nesta fase, os jovens investigadores e alunos de doutoramento do Laboratório HERCULES terão uma participação ativa com a apresentação de seminários sobre o trabalho de investigação que desenvolvem no âmbito das temáticas do projeto. Adicionalmente, pretende-se que o contato direto dos alunos com os investigadores seniores e os alunos de Doutoramento possibilite espaços de esclarecimento de questões sobre os percursos académicos e vocacionais e que sejam momentos de forte motivação científica. • Fase 3: contextualização técnica na qual se pretende trabalhar com os alunos ainda em ambiente de sala de aula, laboratório ou Clube de Ciências, mas com vista ao trabalho a realizar na fase seguinte (trabalho de campo). Os alunos irão entrar em contacto com alguns dos equipamentos portáteis comummente usado na caracterização material de artefactos históricos. As técnicas são utilizadas com um objetivo pedagógico, de modo a que os alunos apreendam os fundamentos teóricos, a aplicação prática e a natureza da informação que é possível obter da sua utilização. • Fase 4: trabalho de campo – diagnóstico e estudo material. Nesta fase os alunos deslocam-se aos núcleos museológicos e são integrados nas equipas que desenvolvem o estudo material do artefacto histórico, composta pelos investigadores da equipa do projeto e desenvolvem o seu próprio projeto de estudo. A este nível serão utilizadas as técnicas já trabalhadas na fase anterior e que são adequadas para responder às questões que cada objeto coloque, nomeadamente, sobre a natureza dos materiais usados na sua produção, enquadramento da peça na obra de um autor, entre outras. • Fase 5: disseminação de resultados e visão integradora. Será montada uma exposição que engloba o trabalho desenvolvido pelas escolas participantes. • Fase 6: realização de um estágio com a duração de um mês no Laboratório HERCULES, por um aluno de cada escola

Fig. 2. As diferentes fases do projeto EURECA.net Nesta fase, o projeto EURECA.net já se encontra em pleno desenvolvimento, mas os trabalhos realizados serão relatados noutros artigos a publicar brevemente!


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23 Janeiro ‘14

Radar Origens do produto remontam ao séc. XVI. Indústria do concelho de Gavião chegou a todo o país.

Sabão de Belver eternizado em museu Pedro Galego | Texto A história da tradição saboeira da comunidade de Belver, no concelho de Gavião, remonta ao século XVI, altura em que naquela mancha do território nacional onde intercedem o Alto Alentejo, a Beira Baixa e o Ribatejo o azeite era matéria-prima abundante. Estas condições levaram à implantação de uma autêntica indúistria de produção de sabão que tomou dimensão nacional, até meados do séc. XX. Hoje, é no Museu do Sabão, inaugurado há menos de um ano, que se conta a história e se relata a importância do produto. No Mundo há apenas mais três museus do mesmo género. Inaugurado em Abril de 2013, o Museu do Sabão de Belver está instalado numa antiga escola primária que estava desactivada. Foi por iniciativa da autarquia de Gavião que se puseram mãos à obra e se adaptou o edifício que outrora serviu para ensinar a ler e a escrever. Hoje, Os promotores do Museu salientam que todos os que visitarem o espaço vão encontrar-se com a história saboeira que outrora incentivou a economia local na região, e de forma «muito moderna», através das novas tecnologias e ferramentas interactivas que ajudam os visitantes a perceber como se produzia este produto. Um saber-fazer ancestral concebido a partir de cinzas e borras de azeite. O espaço conta a história saboeira da região, recordando passando a estatização de todas as saboarias do Reino (em 1766), centrando-se, em particular, no desenvolvimento da Real Fábrica de Sabão, situada em Belver, que laborou em regime de monopólio régio até 1858, e que se dedicava à produção de sabão mole e sabão de pedra. Com o encerramento da Fábrica, muitos dos seus trabalhadores aproveitaram o saber-fazer que ali aprenderam, criaram os seus negócios artesanais (conhecidos como casas de sabão mole) que haviam de passar para as gerações seguintes. No Museu é possível conhecer em pormenor esta parte da história através de um pequeno filme que retrata a elaboração do sabão mole. A distribuição nacional do produto era feita por almocreves, acondicionado em sacas de sarja e serapilheira, e transportado para fora do concelho em burros até ao

rio Tejo. O produto seguia depois para a capital e outras cidades do país em barcadas. Uma prática que perdurou até à primeira metade do século XX, explica a autarquia. De recordar ainda que o sabão era utilizado sobretudo em lavagem de roupas. A Câmara de Gavião salienta a importância do Museu para a população porque se trata «das suas memórias, das vidas dos seus antepassados», e recorda que só existem, em todo o mundo, três museus dedicados ao sabão. Belver é um deles. Os outros estão localizados em França, no Líbano e em Espanha. O trabalho de recolha que integra o acervo do Museu do Sabão foi realizado nos últimos anos pelos jovens da freguesia que contaram com a ajuda dos técnicos da autarquia do Gavião. As visitas ao Museu podem ser efectua-

das de quarta a sexta-feira, das 10 às 17h00 e aos sábados e domingos das 14h00 às 18h00. As entradas no Museu são gratuitas para crianças até aos cinco anos, dos seis aos 12 anos custam um euro, para maiores de 12 anos o bilhete é dois euros, sendo que para grupos com mais de dez elementos e pessoas com mais de 65 anos há descontos de 50% nos ingressos. Recorde-se que a história do sabão remonta à Antiguidade, sendo que, na Europa, a técnica de fabricação de sabão chegou a França no século XIII e a Inglaterra no século XIV. No século XIX a indústria de sabão foi desenvolvida em Marselha (França), surgindo concorrentes em Alicante (Espanha), Savona, Veneza e Gênova (Itália). Já nesta época o sabão era preparado na região do Mediterrâneo com azeite de oli-

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va, enquanto no norte da Europa a matéria-prima utilizada era o sebo animal. Tal foi a importância do sabão na região que ainda hoje prevalece a alcunha de outros tempos, já que os habitantes da vila de Belver são conhecidos como “saboeiros” Este é assim mais um dos cartões-devisita do concelho de Gavião, que pertence ao distrito de Portalegre e está situado no Norte Alentejano, na confluência do Alentejo com o Ribatejo e a Beira Interior, partilhando, com estas duas províncias, o Rio Tejo. Gavião é um concelho essencialmente rural, agora como sempre. A sua população mantém muitos dos traços rurais que fizeram a sua história e etnografia. O artesanato aí está a prová-lo, bem como uma gastronomia regional rica, variada e saborosa.

1.as Jornadas para a salvaguarda do Património cultural imaterial do Alentejo As 1.as Jornadas para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial do Alentejo, dia 1 de Fevereiro, são organizadas pela Associação Portuguesa para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, com o apoio da Câmara Municipal de Alandroal e a colaboração das Câmaras Municipais de Évora, Elvas e

Estremoz, Entidade Regional Turismo do Alentejo e Ribatejo, Direcção Regional de Cultura do Alentejo, CIDEHUS (Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedade da Universidade Évora), Universidade Lusófona, Centro Estudos do Endovélico, PPORTODOSMUSEUS, Museu Municipal Joaquim

Vermelho (Estremoz), MAEDS (Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal), Museu da Ruralidade (Castro Verde) e Edições Colibri. Estas Jornadas Regionais que se pretendem efectuar por todo o território nacional, constituem uma excelente oportunidade, quer para propagar a

importância do Património Cultural Imaterial, quer sobretudo, para promover e valorizar à escala local, as mais diversificadas e singulares expressões culturais imateriais que os indivíduos, os grupos ou as comunidades protagonizam e que dão sentido à própria identidade do país.


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Radar Workshop/Master Class de Guitarra sob a orientação de Artur Caldeira.

Workshops/Master class de guitarra A Associação e o Conservatório Regional de Évora “Eborae Mvsica” promove nos dias 1 e 2 de Março o Workshop/ Master Class de Guitarra sob a orientação de Artur Caldeira. Destina-se a alunos de guitarra e outros interessados com prática do instrumento. As inscrições estão abertas até ao dia 21 de Fevereirol. O Workshop/Master Class de Guitarra tem como objetivos estimular a aprendizagem e desenvolvimento das capacidades técnico/musicais dos formandos. Podem se obtidas mais informações junto da associação/Conservatório, através do e-mail eboraemusica@mail.evora.net, telef: 266746750 e do sítio www. eboraemusica.org. Artur Caldeira Licenciado em Guitarra Clássica e Mestre em Interpretação Artística pela Escola Superior de Música e das Artes do Espetáculo do Porto e na classe do Prof. José Pina, iniciou os seus estudos musicais no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga, sob a orientação do mesmo Professor. É atualmente Doutorando na “Universidad da Extremadura”, em Espanha. Obteve o 1º prémio do concurso nacional “Parnaso 93” e o 1º lugar ex-aequo do PUB

“Prémio Helena Sá e Costa 1995”. Tocou com a Orquestra Clássica sob a direção dos Maestros Meir Minsky, João Paulo Santos, Marc Tardue e Niel Thompson e com a Orquestra do Norte sob a direção do Maestro Ferreira Lobo e gravou para a R.D.P..

Realizou concertos de Música de Câmara, designadamente a dúo com o guitarrista José Pina, com quem realizou a estreia absoluta da obra “Itinerários” de Fernando Lapa e o violoncelista Jed Barahal, com quem realizou a estreia absoluta das obras “Plural VIII” e “La-

mentos” de Fernando Lapa. Apresentou igualmente em estreia absoluta a obra “Em Memória da Madrugada” para Guitarra Portuguesa e Orquestra, da compositora Marina Pikoul e sob a direção do Maestro David Lloyd. Fundou o grupo “Som Ibérico”, para o qual escreve vários arranjos de temas da Música Popular Urbana Portuguesa. Com este grupo participou em importantes festivais de World Music na Península Ibérica e gravou um CD, assinando a produção e a direção musical. A sua versatilidade permite-lhe abordar um repertório que abrange diversos idiomas musicais, incluindo o Jazz, tendo-se apresentado em público em Portugal Continental, Madeira e Açores, e ainda em países como Espanha, França, Itália,Alemanha, Dinamarca, Suíça, Marrocos, Moçambique e África do Sul. Professor do Conservatório de Música do Porto desde 1992, leciona atualmente na ESMAE - IPP. Este Workshop/Master Class é organizado pela Associação /Conservatório Eborae Mvsica, financiado pelo Ministério da Educação e Ciência, FSE, QREN, POPH e apoiado pela Câmara Municipal de Évora.


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Sede Rua Werner Von Siemens, n.º16 -7000.639 Évora Tel. 266 751 179 Fax 266 751 179 Email geral@registo.com.pt SEMANÁRIO

Portalgre

Pitéus Alentejanos “ENFRASCADOS” O Chef do Restaurante Tombalobos, José Júlio Vintém marca presença, com produtos e sessões de gastronomia na Feira dos Porcos, de 24 a 26 de Janeiro, no Mercado Municipal de Portalegre! O Tombalobos volta, mas desta vez “Enfrascado”, com uma gama de produtos diversificada de receitas bem alentejanas para poder levar e degustar em qualquer lugar. A Família dos “enfrascado” conta para já com 5 variedades, desde a Afamada Perdiz de Escabeche, passando pelo Coelho de Vilão, a Salada de Pato, a Orelha de Porco ou se preferirem a Fraca de Escabeche. O lançamento da gama completa vai ser feito em Feira dos Porcos, local onde o Chef José Júlio Vintém fará ao longo dos três dias da feira várias secções de Show Cooking, com a preparação de vários pratos com as extremidades do Porco Alentejano. Por seu turno, e em parceria com Joaquim Arnaud, um produtor de Mora, terá uma banca de produtos de excelência á volta do porco bem como outras iguarias. Enchidos, presuntos (como o afamado presunto de vaca) e vinhos compõem o ramalhete da oferta conjunta José Júlio Vintém e Joaquim Arnaud. PUB

Serpa

Segurança Social

À 13ª edição a Feira do Queijo do Alentejo está mais que consolidada. Um maior número de inscrições de expositores revela o grande interesse que este evento suscita, tanto a nível local como regional. O Pavilhão de Feiras e Exposições, com lotação esgotada, e vários pedidos em lista de espera, recebe mais de cem expositores, cerca de metade dos quais de queijo de diversas proveniências: Serpa, da Serra, Terrincho, Azeitão, Vila Velha de Rodão, Nisa, Évora, da Ilha, Fundão. Juntam-se as atividades tais como artesanato, produtos regionais, tasquinhas com gastronomia típica e outras atividades ligada ao mundo rural. A animação é garantida, Com organização da Câmara Municipal de Serpa, em parceria com diversas entidades, a 13ª edição da Feira do Queijo do Alentejo realiza-se no Parque de Feiras e Exposições de Serpa, nos dias 28 de fevereiro, 1 e 2 de março.

O Ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social, Pedro Mota Soares, reafirmou ontem que mais de 87% dos pensionistas estão isentos da Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES), apesar da base de incidência passar a ser de 1.000 euros. As declarações de Mota Soares foram proferidas, no parlamento, no âmbito do debate da proposta de lei do Governo que estabelece o regime de convergência de pensões da função pública com o regime geral da Segurança Social, depois do chumbo do Tribunal Constitucional (TC). A 19 de dezembro, o TC chumbou o diploma que estabelecia o corte de 10% nas pensões de reforma, aposentação e invalidez e nas pensões de sobrevivência da função pública, que

Procura de expositores excede expetativas

Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES) isenta mais de 87% suscitou dúvidas ao Presidente da República. Na sequência da decisão do TC, o Governo foi forçado a encontrar medidas alternativas ao chumbo e decidiu alargar a base de incidência da Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES) e aumentar as contribuições dos beneficiários da ADSE. Atualmente, a Contribuição Extraordinária de Solidariedade aplica-se às pensões a partir de 1.350 euros, com uma taxa de 3,5%, mas o Governo decidiu alargar a base de incidência para os 1.000 euros. Mota Soares assegurou que “a medida isenta mais de 2,7 milhões de pensionistas, de um total de cerca de três milhões, entre a Caixa Geral de Aposentações e a Segurança

Social”. No global, de acordo com o governante, “estão isentos da CES mais de 87% dos pensionistas portugueses”. “Do lado da Segurança Social, para que tenhamos consciência, estão isentos cerca de 95% dos pensionistas. E com este alargamento da CES, no que à Segurança Social diz respeito, apenas 66 mil serão abrangidos”, segundo Mota Soares. Durante o debate, os deputados da maioria PSD/CDS-PP garantiram no Parlamento que o diploma do Governo sobre o regime de convergência de pensões salvaguarda e protege os pensionistas, mas a oposição contesta esta posição e promete votar contra o diploma do Governo.


Registo ed248  

Edição 248 do Semanário Registo

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