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Poesia

OeuObsErvatÓriO Regis D’anton


Cinematógrafo

D

e quanto e quando... é o que somos.

Imagens. Do que? Somando realidade à impossibilidade... Com um cinematógrafo... Quem poderia? trancado à sala por tanto... Tempo. Hora entediado, mãos no queixo. Hora aflito, punhos cerrados! Observativo. Encantado. Cativo. Seria-mos... como para um fim de semana prolongado? E de quanto... o que somos fracassa? O filme, então ruim... não cessa. Digo, do momento de buscar pipocas. Mas, quando seria? Onde seria? Quando e quanto... o que somados somos? Imagens observando... Imagens observando... Imagens. Observando.


Imenso obscuro à frente envolve Por um ser vazio e irresoluto. Traz do profundo submerso às vistas docas, tantas, de infarto e vício O ofício breve de morrer e vida Imensa proeza do sentir, à pele, o nada. Se si buscar ao tempo no manto sacro a verdade finda outra verdade. Olhos vitrificam

Meu homem... triste velho! É sereno de face e posse Severo às vezes, quando... não há tempestades. Garoa. E o Dia, um estranho Ente sente necessidade de Ser e será. Cinza... Um dia inteiro ...como o meu homem. Seja talvez porque sente apenas algo quando toca Ante uma pilastra, teime. - Espera, que ela entorta. Ou se canse e vá embora Meu homem é cético de imagens Imagina vida na glória do escuro No frio vazio do nada. Pisa firme. Sem ranger juntas. Velho de aço Ao longo do passo em frente, Nada sabe da estrada. O fim... Da ponte, altura. De seixos, cor Do vento, direção ou a textura

É mais um marasmo. E anuncia: à forca. É o que se vê à mostra Sequer o intuito parte e à parte imóvel se agita, ri-se toda e vem... Imenso obscuro, à frente fica por ser vazio e irresoluto. Traz do profundo, submerso às vistas docas, tantas, de infarto e vício O ofício breve de morrer, e vida

Meu homem se ama, só ama Segue assim. O sigo. Adiante Haverá de vir o mar O que seria? Não sei... Meu homem é um sincero cego Triste velho, pés grossos. Descalços.

Sincero Cego

Ciranda de Focault


Meu medo... É o da inconstância simples, Do existencial,

Meu medo...

O passível do efeito dominó, Já que não há o calculável E tudo se torna provável E as peças todas do quebra-cabeças Começassem a caminhar Desordenadamente Meu medo... É um medo simples

É o do erro simples,

O da fricção do olhar do olhar Divino,

De medrar no acaso corriqueiro,

Meu patrão,

já que não há

Gerenciando toda a minha produção.

“O tal erro calculado”

Enquanto as peças fogem à minha mão.

Desde que o cálculo Nunca deixe de ser “a maior probabilidade do acerto” Meu medo... É o do engano simples De recuar ou avançar demais No caso incontrolável De algum insano sentimento Destes que: Ou fazem os heróis Ou pune os covardes “que nunca deixam de ter razão Se a razão nunca os deixar”

Tá ficando quente aqui, né!?


F o t o g r a f i a r Por sete mulheres vivi e sorri Por elas matei, também morri Sete fitas atadas a sete braços

Mirante Estás no silêncio do quarto As malas, por cima da cama Surradas, roupas do armário

Sete bocas, sete amores, sete

O resto, em trouxas de pano

Sete é que sou, sou pela forja.

Baixa o olhar... os pés da cama

Não me diz bom dia, te amo

As sete mulheres me amaram Sete são mulheres de encruza Cruzadas, no meio do caminho Caminho difícil, sete encruzas Sete vezes chorei despedidas Sete mortes. Sofri. Abandonos.

É triste ver olhando a porta Enquanto teu filho reclama

O que sou? Sou mero, Corsário.

Disfarça nas mãos o nervoso

Sete mulheres já me odiaram

Estás por de trás da distância,

Sete vezes mais se entregaram

Meus braços não o alcançam

Cruzadas, malandras, senhoras

Súbito, voaste à janela. Atrás

E biscates, queridas ou amadas.

de si caiste do vigésimo andar...

Sete vezes sete descaminhos Sete vezes mais desencontros Sete vezes uma vez amei cada Um doce amargou minha boca Sete saias rodadas, para sempre Sete abraços para sete traições E um adeus! Mas adeus existe? Não crê em adeus quem amou Deus! Às sete mulheres que tive.


O b s e r v a t ó r io Cansado, andava entre estrelas onde pintava um horizonte lindo Buscava em áurea luz o passado: as dores comuns de eras simples As Fantasias, crianças traquinas, iam escondendo todas longe. Chorava faminto do prosaico E algo simplório em mosaico remontava junto ao infinito Pra me distrair, nunca afastar Mas a Loucura e suas amigas cirandavam ao meu redor e Amores sempre me sorviam. ...havia uma felicidade morna que vez em quando, tomava Deboche. Eram as estrelas rindo Era engraçado, aos meus olhos. A Lucidez observava à distância E, como um pai compreensivo oscilava de sobre a garganta o sábio crânio. Era um escárnio. Alguém falou certa vez no limbo: “teu corpo jaz inerte e catártico por de sobre as mesas à meia luz Esta Criando mentiras a si mesmo”

Mas, diante disto nada! Nada tinha Para que remeter-me aquela ilha? Nadar pra que? À vida, à Ilha. Serve A paciência: um dom; Tempo: morte. Cansado, estava também satisfeito Tudo acontecia tão rapidamente... que dor ou cisma se quer havia Era só o inesperado. Uma constante Eu sei de cada ação aqui ocorrida Minha energia ia sendo recolhida E mais à frente, como um buquê... O mais lindo de mim era reunido E, não demais, as Tristezas formigavam um remoçar Conhecido e que eu sabia, não devia mais me alienar Eu vivia... ...às dores todas me entupirem os ouvidos, a boca, os orifícios em sufocar-me a existência Porém, não estava para a carne Agora era tudo o que sonhara: infinito, intangível, indescritível Eterno aos corações: era emoção Vivo por demais... Era síntese Eu era, por Deus, a própria poesia.


Obs:

O contrário serve. Aquela, esta que é, para si sair, orar. Ora, se para entrar Ora-se. Para sair ora-se para sair. Se para entrar, esta, nem aqui estivesse!

Aquela está que é para, si entrar, orar. Ora, se para sair ora-se. Para entrar ora-se para entrar. Se para sair, aquela, nem lá estivesse! Mas não. Está lá.

De dentro o vazio, mesmo De fora pra dentro, pra fora É o mesmo mistério de um templo O mesmo sério instante de tempo, iguais. Mundo por mundo, mundo. A provável canastra na mão alheia Que imagina na tua a mão do bate... ... e ninguém bate de fora, por dentro. A visita, que triste, nem perturba. Não está de um dos lados da porta.

Ora! Mas, nossa senhora dos pardos Será tu mãe pequenina dos brancos Cigana pagã dos nipônicos Guerreira feroz dos indianos Sereia dos mares do Egito Madalena perdida por Cristo m E tanta outra terra terá visto m fi revistos e s r es p amo r o ivos e s d s m a a a ceg dos sep e i o s é t a u s i r u Qu os c s rá q i rçãs e c t e t e e r s p rios a á Qu m e i n t i ais men ais ord Os m bres, so s... m a s m o i , r fe ores e as lág Das d a pec ent Dos as, som jur Da

E as sim por Ante dian o inf te, a a dian Pros me, te.... ou d laico er ra s vo em p deir lver rant o de s u o a stino s. G -Salv face r itar a ems s omb sem se Dep rada escr ois n todos! úpu M a l os: ãos testa Isso sobr todo e em eop sant eito o dia seguida o de sant sma o. E io. u pe rgun to:

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Sob o sol que nos brilha estão todos tão perdidos E eu já estou tão exausto, um fechado em feriado Longe de toda esta cacofonia talvez uma nova fobia se alimente Desses parágrafos, Crie pra si sua própria paranóia Dentro de um contesto, ilusório e fractado, um repente à pura síntese da criação Pelas mãos do homem atirado à frente no grande tabuleiro que são as existências, xadrezes infinitos Libertos de toda a cosmogonia Presos ao dia-dia-dia-dia

E cura todas as questões, todo nosso câncer, nossa divina reação à divina ação dos deuses, omissos ao homem pragmático

Fechado, atado ao passado ao passo de uma decisão Devaneio sob olhares imprecisos Deuses e demônios que aguardam atordoados, pelos atalhos da vida, sem opiniões, nossa velha solução Ausente da mente, o pressagio de dias melhores ou da grande explosão Incerto do incesto divino, desvencilho-me dos grilhões, das visões e de toda a sensibilidade, Sem muita opção, nossa falha versão Mas toda pouca aversão resulta algo tão objetivo sob os atentos seres Na escuridão, eles caminham sob nossas pedras Sob os caminhos já criados

Com esperança de tudo mudar do universo lateralmente abraçar Num estranho laço de ternura, o que não é mutável é amor O que não é preciso vira paixão

O curandeiro


regisdanton@hotmail.com (61)91930570

EUOBSERVO  

RETE , PARA RETE, PARA RETE

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