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MÚSICA

AVALANCHE Q

uestionar rótulos é uma tarefa difícil, principalmente quando se fala em música, arte que envolve muito mais do que parece. Ritmo, andamento, harmonia, letra ou poesia, percussão, motivo, momento e contexto, todos esses elementos estão grudados à música e devem ser levados em conta na hora de conceituá-la. Contudo, chegar a uma definição não é, exatamente, o que se espera da produção da música brasileira contemporânea. Com tantas vozes e expressões, é complexo um movimento liderar no conceito e, dessa forma, a nova música popular ganha na riqueza de significados. Chico Buarque, no belíssimo documentário Palavra

(En) Cantada (de Helena Solberg, 2009), alerta que é difícil avaliarmos a importância do momento em que se vive, mas que, talvez, a canção possa ter se esgotado. “As coisas podem se modificar sem necessariamente morrer”, garante. A música brasileira é, desde o princípio, uma mistura que se transforma continuadamente. Em terras tupiniquins, a música popular já ouviu ópera influenciada pelo samba e pela marchinha, que por sua vez são derivados da polca, shottishes e das quadrilhas com toques do batuque dos negros. O samba foi, hierarquicamente, de samba-de-morro, sambade-gafieira a samba-canção. Para alguns pesquisadores, a forma da música permaneceu igual, mudaram mesmo os rótulos e os ouvidos do público, cada vez mais diversificado. A Bossa Nova, surgida no tédio de alguns músicos que se reuniam no apartamento de Nara Leão, ganhou espaço conforme foi ganhando mídia. O movimento soube propagar seu marketing e caiu nas graças da camada mais americanizada do Brasil, uma vez que outras classes não tiveram acesso – ou simplesmente não gostaram – desse ritmo semelhante ao blues de pub’s gringos. “Alguém se lembra de quando as pessoas começaram a se envergonhar da expressão Bossa Nova e a substituí-la por MPB? A sigla não queria dizer apenas música popular brasileira, que seria o óbvio, mas uma determinada música popular brasileira - que podia ser tudo, menos determinável.” A provocação de Ruy Castro, em seu livro Chega de Saudade (1990), faz-se ponderável, uma vez que do samba surgiu a Bossa Nova e da Bossa Nova nasceu a MPB. Este movimento apareceu bem

NA MÚSICA BRASILEIRA

Em uma época sem definição e onde tudo é possível graças à internet, o título de MPB não sustenta a diversidade de ritmos em um cenário ávido por renovação POR REGINA COLON

antes da sigla que o levou para longe. “É muito frágil a definição de MPB”, defende o músico Luiz Tatit, participante da chamada Vanguarda Paulistana dos anos 80. Quando a música brasileira ganhou os shows que a colocaram no altar foi necessário rotular aquilo que se fazia em cima dos palcos. Inicialmente foi chamada de “música de festival” e seus intérpretes e compositores viraram celebridades e figurinhas marcadas em programas de televisão, como O Fino da Bossa (apresentado por Elis Regina e Jair Rodrigues) e Bossaudade (com Ciro Monteiro e Elizeth Cardoso). Também é importante lembrar um dos principais motivos sentimentais que levaram São Paulo a promover a música brasileira. Vinícius de Moraes, quando em um show feito na casa

Música de Festival A MPB saiu do esquema banquinho-violão, jogou os braços para o alto e transformou o show em um espetáculo com coreografia, cenário, festa e vaias. Elis Regina foi quem mostrou, pela primeira vez, essa performance em formato de hélice

noturna Baiúca, disparou a seguinte frase ao pianista Johnny Alf: “São Paulo é o túmulo do samba”. A ofensa se espalhou e os paulistas fizeram questão de mostrar que entendiam de música tanto quanto o resto do país. Assim, em 1960 aconteceu o I Festival da Música Popular Brasileira, promovido pela TV Record, que provocou, na verdade, uma confusão em Guarujá, tanto que a emissora só organizaria outro novamente seis anos depois. Durante esse tempo, a TV Excelsior lançou o seu I Festival Nacional de Música Popular Brasileira, em 1965, com o desempenho inesquecível de Elis Regina em Arrastão, música de Edu Lobo e Vinícius de Moraes. Zuza Homem de Mello, em Era dos Festivais (2003), explica que essa música “foi um divisor


MÚSICA de águas” e provocou o surgimento de uma “música popular moderna”, chamada na época de MPM. A segunda edição do Festival aconteceu no começo do ano seguinte, apresentando Geraldo Vandré ao público. No final do mesmo ano, a TV Record planejou a sua nova edição, o II Festival da Música Popular Brasileira, com enorme sucesso e disputa entre A Banda de Chico Buarque e Disparada, música de Vandré interpretada por Jair Rodrigues, como se fosse uma final de Copa do Mundo. “A plateia paulista endossou a MPB”, lembra Solano Ribeiro, idealizador e organizador dos Festivais. A terceira edição, em 67, provavelmente foi a mais histórica no sentido de mudança de rumos na música brasileira. Caetano Veloso, Gilberto Gil, Os Mutantes e um novo instrumento foram apresentados à plateia. O sentimento de mudança tropicalista já existia na cabeça de cada um deles e a presença da guitarra elétrica tentava demonstrar isso. A TV Record organizou mais dois Festivais, em 68 e 69, de menor expressão popular, já com a mistura de ritmos que a Tropicália defendia. O término da época dos Festivais se deu por inúmeros motivos, tanto artístico-ideológicos quanto fi-

nanceiros, porém os músicos revelados continuavam a ser chamados de cantores de MPB e acabaram virando selos de qualidade para atrair público. Solano Ribeiro acredita que a ditadura transformou a MPB, “ela interrompeu o crescimento da música. Prendeu e exilou os músicos. Não houve o fluxo contínuo natural”. Segundo ele, os Festivais só não mais aconteceram por falta de elenco que levasse o público à plateia. O que mais afligia o regime militar acerca dos grandes eventos de música popular brasileira era a capacidade de aglutinação de pessoas em torno das letras e intenções dessa forma de arte, por isso uma grande repressão foi direcionada para os responsáveis por essa música. Ainda de acordo com Solano Ribeiro, “tudo o que aconteceu de importante na MPB durou apenas quatro anos”. A força original desse estilo se manteve por mais algum tempo, apoiada pela lembrança da senhora Bossa Nova de Tom Jobim e João Gilberto, que ainda sobrevivia, e pelo conteúdo das canções de protesto necessárias em um país asfixiado pela censura dos militares. Dessa forma, os movimentos foram se misturando, perdendo um pouco a identidade defendida inicialmente. “No sentido amplo, toda a música popular cabe no

grande armário que é a MPB”, afirma o produtor Moracy do Val. Isso, até Caetano e Gil tomarem as rédeas. “O Tropicalismo foi o movimento que promoveu a maior mistura que já se pode imaginar entre os gêneros e épocas que a música já teve, mesmo geograficamente. E até hoje se tenta fazer essa mistura”, afirma Luiz Tatit. O final do regime militar não só abriu as portas para um panorama político totalmente desconhecido como também para um contexto cultural ansiosamente aguardado. A expectativa era tão grande que quando o momento chegou ninguém sabia ao certo o que fazer com aquela liberdade jogada no colo. Os tropicalistas baianos e não-baianos estavam um passo à frente e fortaleceram o seu propósito de miscelânea de ritmos e sons. Esse movimento não ficou restrito somente à música, outras artes também foram influenciadas, como por exemplo, o teatro de Zé Celso. Assim, tão logo a guitarra elétrica tomou os palcos e o gosto do público, a música brasileira se transformou e perdeu o seu formato conservador mantido até então. Depois da reviravolta da Tropicália, o rock nasceu em grande estilo e vinculado pelas costelas com os ideais do chamado “som universal”. Os Mutantes lançaram uma postura seguida por muitas outras bandas que depois vieram a fazer sucesso. Ao mesmo tempo, a poderosa indústria fonográfica viu seus grandes nomes terem suas vendagens reduzidas e, na lógica capitalista, buscaram novos horizontes populares. A qualidade acabou ficando de lado para que a quantidade fosse prezada.

“O que aconteceu nos anos 80 foi que não tinha dinheiro e houve a diminuição dos investimentos. Para as empresas, estava faltando uma música jovem de massa, sem risco de perder dinheiro. Por causa do sucesso da Rita Lee, o investimento em rock foi imenso. Depois foi um refluxo, com o sertanejo e seu conteúdo romântico. Pela falta de dinheiro, dava para investir em um ritmo só”, esclarece Tatit. Assim, o rock ganhou o momento e segurou o orgulho da música nacional enquanto sons vindos de fora – principalmente dos Estados Unidos – desembarcaram em peso no país. A causa da mudança Durante os anos 80 e 90, o chamado BRock se desenvolveu e passou por momentos de glória. Titãs e Paralamas do Sucesso transformaram o barulho característico do rock brasileiro daquela época em algo comercial e de conteúdo. Alguns dos seus componentes, hoje, são nomes respeitáveis no cenário da música atual, como Nando Reis e Arnaldo Antunes. Surgiram outras bandas que se mantiveram no topo por algum tempo e que são também as responsáveis pela onda de rock que assolou o país nessas décadas, como Kid Abelha, Blitz, RPM, Barão Vermelho e Legião Urbana. Dessas duas últimas, apareceram compositores que ainda hoje não se sabe se fazem parte do rock ou da MPB: Cazuza e Renato Russo. Ambos se alimentaram do que há muito já era feito na música popular e recriaram em cima do

Explosão de Rock Um ano depois do empate entre Chico Buarque e Jair Rodrigues, os Tropicalistas levaram a guitarra elétrica e Os Mutantes para o palco, causando um choque na MPB comportada. Daí, surgiram bandas de rock nacional, como Titãs, de Arnaldo Antunes, e Barão Vermelho, com Cazuza


MÚSICA material encontrado. “A MPB é antropofágica e ‘engoliu’ o rock como em nenhum outro país soube fazer, justamente porque temos uma infinidade de elementos para fundir e nos diferenciar do resto do mundo”, afirma o músico Paulinho Moska. Arthur Dapieve, em seu livro BRock (1995), explica: “antes mesmo que Roberto, Erasmo e Wanderléa desocupassem as tardes de domingo, a terceira leva do rock brasileiro botara suas manguinhas de fora, e o fez, surpreendentemente, aliada de tal forma à MPB que, durante certo tempo, não dava para dizer quem era o quê. Era tudo Tropicalismo”. No sentido contrário do rock nacional, nomes como Itamar Assumpção e o Isca de Polícia, Grupo Rumo, com Ná Ozzetti e Luiz Tatit, e Arrigo Barnabé formavam a chamada Vanguarda Paulistana, outro rótulo com o objetivo de unir sob o mesmo pano músicos tão diferentes que iam desde o experimentalismo ao canto falado. Esses músicos se reuniam no teatro Lira Paulistana e apresentavam novas formas de se fazer e entender música, que não o rock. Eles representavam o setor independente da música brasileira da época. No entanto, as gravadoras ainda eram extremamente importantes para se fazer sucesso, e logo esse movimento ficou para trás, somente na lembrança de alguns que, hoje, produzem a música elogiada pela crítica. O rock nacional foi a aposta das gravadoras, mas

apesar de terem alguns números de respeito no quesito vendas, não fizeram voltar os grandes sucessos dos Festivais – e de antes deles. Assim, as gravadoras buscaram avidamente outros ares e se acharam nos gêneros e ritmos mais simples, mas que arrebatavam um público que queria mais era pular no compasso. Os grandes compositores e intérpretes foram deixados de lado e se tornaram relíquias da música brasileira. Há uns dez anos, falar em Chico, Caetano ou Bethânia era coisa de gente antiga e cafona. Após a onda dos grupos de rock, outros gêneros vieram e cada qual teve o seu espaço, mesmo que pequeno. Durante esse tempo, a música brasileira não foi retomada pelo grande público e o país perdeu um pouco da característica de produção musical de qualidade. Os raros nomes que conseguiam alguma visibilidade se encontravam mais com os palcos estrangeiros do que com os brasileiros. De acordo com Solano Ribeiro, essa mancha na música nacional foi conseqüência da dinâmica da indústria fonográfica, “as gravadoras trabalham em ciclos. O executivo da multinacional não fica muitos anos em determinado país e por isso não tem a menor ligação com a cultura local. O negócio dele é fazer marketing, é vender. E isso trouxe o pagode, o sertanejo, o brega, o axé. Cada ritmo vai até o seu esgotamento. Eles não abriam espaço para os grandes compositores, grandes

músicos e a produção independente”. Esse sistema das gravadoras foi abalado com a popularização da internet, o que, no Brasil, só ocorreu há mais ou menos uma década. A internet é, sem dúvida, o principal fator de modificação no cenário da música brasileira. Ela trouxe facilidades e ferramentas que possibilitaram que qualquer pessoa pudesse gravar uma canção e lançá-la para quem quisesse ouvir, produzida pelo próprio artista, sem interferência de nenhuma empresa de grande porte. Surgiu o artista-produtor, que abre a sua própria gravadora, financiando ele mesmo todo o processo de produção e utilizando os grandes sistemas somente para a divulgação e distribuição. Apesar disso, Moska lembra que “a indústria fonográfica sempre terá o poder de evidenciar mais um artista que ela acredita que dê lucro. É certo que as gravadoras não são mais as mesmas de dez, vinte anos atrás. Nem o público. E elas sabem disso”. Uma geração em cima do palco Essa revolução na forma de se fazer música transformou o modo de se lidar com música. Quando na época das grandes operetas e concertos, ouvir música envolvia um ritual, frequentava-se os teatros usando-se luvas, paletós e cartolas. Com o advento dos fonogramas, primeiro em EP, depois no bolachão LP, tornou-se

possível escutar e apreciar determinada canção em casa, com amigos ou na companhia de um bom vinho. Nessa época, iniciou-se um processo de adoração à música, surgindo o mercado de vinis com números de vendas exorbitantes. Tão logo apareceram as fitas cassetes e os CD’s esse mercado chacoalhou e se perdeu. E na era do MP3, pode-se ouvir música no metrô, na rua, na academia, no trabalho e em qualquer lugar para onde se possa levar o aparelhinho. A invenção da mídia digital foi um mal para a indústria da música e um bem à sua divulgação. Além da mudança na forma de produção, a renovação da música brasileira de qualidade aconteceu nas bocas e ouvidos dos influenciados pelo o que os pais ouviam – e cantavam - nas épocas anteriores. Essa geração cresceu e não encontrou compatibilidade com o que estava público e, assim, resolveu tomar uma atitude. “O que faz a importância de um movimento são os descendentes que se apropriam daquilo”, conclui Luiz Tatit. A jornalista Patrícia Palumbo, especializada em música brasileira, acredita que a maior intenção de todos os movimentos é a “tentativa de modernizar o cenário musical”, inclusive no momento em que estamos vivendo. A necessidade de buscar novos horizontes e transformar o atual em algo mais condizente com o próprio pensamento é o que move os personagens da

“Novos”... Da esquerda para a direita: Roberta Sá, Seu Jorge, Ana Cañas, Lenine e Maria Gadú. Representantes da música brasileira atual


MÚSICA mudança. E, diferentemente das suas influências, quem resolve trabalhar com música no Brasil de hoje traz consigo uma bagagem cultural e rítmica refletida nessa complexidade que vemos nos elementos da maioria das canções produzidas. Moska assegura que os músicos atuais são consequência dos movimentos anteriores, “somos Bossa Nova, rock, brega, samba, pop, funk. Tudo se mistura e disso surgem mais e mais caminhos”. Todos os elementos estão lá e visíveis através de instrumentos ou até subjetivos, mais como influência do que participação concreta. “Há também uma redescoberta da música brasileira menos careta por parte do público”, alega Patrícia Palumbo. A abundância de possibilidades de sons fez com que as pessoas parassem para prestar atenção no que estava acontecendo e isso deu mais força à música nacional. Hoje, cantores que há um tempo não teriam tanta visibilidade, promovem shows e ganham lugar na mídia, que cada vez mais reserva espaço para primeiros álbuns. “Claro que é mais difícil ganhar dinheiro, mas mais pessoas estão vivendo de música se comparado à época em que isso era só para privilegiados ou escolhidos pelas gravadoras. Estouro, hoje, é vender 30 mil discos. A condição é fazer show um atrás do outro, para ganhar dinheiro e ser conhecido”, completa a jornalista.

Virtual mais real É na internet que a divulgação dos shows se realiza, por meio das redes sociais, principalmente, MySpace, Twitter, Facebook, Flickr e Orkut. Há também plataformas que visam os músicos novos e incentivam os usuários a conhecê-los, como nos casos da Trama Virtual, Música de Bolso, Showlivre, Oi Novo Som e muitas outras. Apesar do eixo Rio-São Paulo ainda ser o maior provedor de novos nomes, muitos músicos de todo o Brasil aparecem e conquistam seu espaço. É cada vez maior a combinação de sons e, dessa forma, mais difícil fica definir um rótulo que compreenda e sustente toda essa produção. “Hoje há muita fragmentação da mídia e lugar para todas as tribos”, defende Moracy do Val. Não se pode dizer que a MPB esteja viva, nem unila ao título de nova. A MPB, como movimento, surgiu para dar voz a uma plateia ansiosa por novidade em meio a uma situação política nada favorável para a expressão cultural. É impossível desvincular a música apresentada nos Festivais da repressão que existia fora dos palcos. Pensando somente nas características musicais do movimento, a MPB, em si, não renovou instrumentalmente se comparada à anterior Bossa Nova. As letras, sim, trouxeram mais realidade, e o que antes era banquinho e violão, se transformou em um completo espetáculo. “A música popular brasileira está esvazia-

da desse conceito. A sigla está esvaziada dessa história toda”, esclarece Patrícia Palumbo. Dessa forma, a música brasileira produzida nas mais diversas regiões do país, da qual temos conhecimento graças à internet, não é MPB, nem Bossa Nova, nem samba, nem qualquer outro ritmo. Para Solano Ribeiro, “o que se faz hoje é um passo à frente da MPB. É evolução em várias correntes”. Todos os movimentos que já passaram pela história da música popular brasileira deixaram raízes profundas e, cada um foi absorvendo esse passado tentando criar algo diferente. Nenhum deles permanece atualmente, pois a música segue uma linha evolutiva e não para de se transformar. Esse dinamismo não permite a invenção de termos para catalogar o que é feito hoje no cenário musical. “A música brasileira conquistou sua liberdade e hoje é mais brasileira do que nunca”, confirma Moska.

... e mais “Novos” Da esquerda para a direita: Vanessa da Mata, Zeca Baleiro, Mallu Magalhães, Maria Rita, Móveis Coloniais de Acaju, Tulipa Ruiz e Marcelo Jeneci. A lista não para de crescer

Avalanche na Música Brasileira  

Grande reportagem produzida como Trabalho de Conclusão de Curso para a UNESP.

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