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Revista K edição número 2 Dezembro de 2016


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Editorial Texto: Equipe K

Chegamos na 2ª edição da nossa querida Revista K. Nestas páginas você irá encontrar dicas de passeios aqui pelo RS, inovação, uma história de superação e um ensaio fotográfico incrível. A matéria de capa fala de um lugar inspirador, a Vila Flores em Porto Alegre. O local vem sendo revitalizado há alguns anos e tornou-se um refúgio cultural para a comunidade e todos a sua volta. Ficou interessado? Vá até a página 22 e saiba mais sobre o lugar! No primeiro final de semana de novembro, entre os dias 4 e 5 aconteceu a 10ª edição do Madrugadão Feevale. O evento veio cheio de novidades e atrações para os alunos de 11 universidades do Rio Grande do Sul. A revista tem uma proposta colorida, uma pegada jovem e conceitual. Na 1ª edição, fizemos uso de colagens nas matérias com o objetivo de tornar o material visualmente bonito. Durante o Mundo Feevale, evento que abre as portas a estudantes de Ensino Médio para conhecerem os cursos da Universidade, a Agecom realizou oficinas para os estudantes interessados em cursar comunicação, para soltarem a imaginação. O resultado você pode conferir em algumas colagens desta edição. Os responsáveis pelas belíssimas ilustrações que você irá ver nas próximas páginas são Vini Ribeiro, Gabriela Dias, Gabriel Renner, Thales Renato, Camila Dienstmann, Ana Martini, Gabriel Hilgert e Bernardo Benites. Esperamos que vocês gostem de ler a Revista K tanto quanto nós gostamos de produzi-la. Boa leitura!

Revista produzida pela AGECOM Agência Experimental de Comunicação da Universidade Feevale Presidente da Aspeur Luiz Ricardo Bohrer Reitora Profª Dra. Inajara Vargas Ramos Pró-reitor de Planejamento e Administração Prof. Me. Alexandre Zeni Pró-reitora de Ensino Profª Dra. Cristina Ennes da Silva Pró-reitor de Pesquisa e Inovação Prof. João Alcione Sgardela Pró-reitora de Extensão e Assuntos Comunitários Profª Gladis Luiza Baptista Diretora do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas Profª Me. Angelita Renck Gerhardt Coordenadora do Curso de Comunicação Social Profª Me. Adriana Sturmer Direção do Projeto Gráfico Profª Rosana Vaz Silveira Coordenação Agecom Profª Dra. Caroline Colpo Projeto Gráfico Andrei Souza Área de Produção Jornalística Profª Me. Vanessa Valiati, Prof ª Me. Donesca Calligaro, Profª Me. Rosana Silveira Capa Vini Ribeiro Ilustrações Ana Martini, Bernardo Benites, Camila Dienstmann, Gabriela Dias, Gabriel Hilgert, Gabriel Renner, Thales Renato Reportagens Solange Neitzke, Edson da Luz, Bruna Loebens, Andrei Souza, Rayan Chinellato, Pietro Pasqualotti, Solange Flores, Larissa Carlosso, Gustavo Fritzen, Bernardo Benites, Leonardo Couto, Élen Guimarães Diagramação Andrei Souza, Solange Flores, Bruna Loebens, Gustavo Fritzen, Rafaela Peixoto, Bianca Valin, Larissa Carlosso Revisão- Equipe Pet Interdisciplinar Tutor do programa - Prof. Dr. Daniel Conte

Equipe de Revisão Pet Interdisciplinar Luisa Boeira de Fraga, Alex Sandro Maggioni Spindler, Jessica Luana Bueno dos Santos Contato agecom@feevale.br


Índice O fe

eias da Alma p. 8 A AArtreteddeeIlIulusstrtarar Id r Ideias A . p p. 16

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Fragmentos

O Fenômeno do eSports

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Mãeternidade

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Por dentro da 44ª Edição do 6 Festival de Cinema de Gramado

Feevale Techpark - Possibilidades e 42 inovação

O que é a Realidade Virtual?

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Banda Gelpi

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Desenvolvimento de novos materiais com a reciclagem de resíduos industriais

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O Mundo além da Terra Média

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4 Lugares espetaculares para conhecer no RS

O que perdemos entre os Blockbusters

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Você conhece o Catioro Reflexivo?

As melhores campanhas publicitárias de 2016

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Superação na ponta do pincel

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Conheça o House Sitting

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Jogo é Cultura

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Torneios com finais que têm ingressos esgotados em poucas horas. Premiações milionárias. Times com esquemas de concentração e rotinas de treino intensas. Patrocínios de grandes marcas e partidas assistidas por milhões de pessoas no mundo todo. Em esportes tradicionais, como futebol e basquete, esses elementos fazem parte da rotina, mas, ultimamente, estão presentes também em outra área: os games. Nos esportes eletrônicos ou “eSports”, games são disputados em competições de títulos como League of Legends (LoL), Defense of the Ancients 2 (Dota 2) e StarCraft II, que nasceram e cresceram como fenômeno amador na web, porém se profissionalizaram fora da rede. A emissora de esportes ESPN abriu um espaço em sua programação para transmitir a final do The International, campeonato de Dota 2, que oferecia a seus vencedores uma premiação no valor de US$ 10 milhões. Na web, o campeonato foi acompanhado por cerca de 20 milhões de pessoas, através de sites dedicados a transmitir partidas de games, como o Twitch.tv, supostamente sondado pelo Google, que teria interesse em pagar mais de US$ 1 bilhão pela pequena empresa. O recorde de audiência de um evento de eSports, entretanto, pertence à final do campeonato mundial de League of Legends disputada em outubro de 2013. Cerca de 32 milhões espectadores acompanharam pela internet o evento realizado na Staples Center, arena de Los Angeles acostumada a receber shows e partidas do time de basquete Los Angeles Lakers.

Fotos: Riot Games

Vila Flores

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Segundo o site Tecmundo Games, as primeiras competições amadoras de eSports foram transmitidas na TV americana nos anos 1970 e 1980. A profissionalização e organização, entretanto, começam de forma mais sistemática apenas no final dos anos 1990, com o surgimento e a popularização dos games multiplayer online (isto é, que permitem partidas entre vários jogadores pela internet). Caso, por exemplo, do game de tiro Counter Strike, responsável pela febre das LAN houses no começo dos anos 2000. “Foi o primeiro jogo com competições organizadas e grandes premiações”, explica Tiago Raguze, professor do Curso de Jogos Digitais da Universidade Feevale e responsável pelo 1º Campeonato de League of Legends da instituição. Assim como nos esportes tradicionais, o mundo dos esportes eletrônicos é bastante diversificado: há campeonatos de games de luta (como Street Fighter), de tiro (Counter Strike) e futebol (FIFA 17). Os chamados MOBAs (ou “arenas de batalha online para vários jogadores”, na tradução literal), no entanto, são os mais populares, como os já citados Dota 2 e League of Legends.

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Foto: Edison Vara/ Pressphoto Divulgação

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A Agência Experimental de Comunicação – AGECOM e o Núcleo de Rádiojornalismo da Universidade Feevale estiveram presentes na 44ª edição do Festival de Cinema de Gramado, realizando a cobertura em tempo real do evento. Nossa equipe registrou os momentos desde a abertura da cerimônia, no dia 26 de agosto.

Cecília

Roth

Nesta edição foi inaugurado o Museu do Festival de Cinema de Gramado. “Trata-se de um espaço único, digno da importância do maior e mais tradicional festival de cinema brasileiro, projetado para registrar a história e trajetória de mais de quatro décadas da sétima arte no nosso país, buscando aliar o interesse pelo cinema com mais uma ótima opção de turismo cultural na serra gaúcha”, ressaltou Marcos Santuario, curador do Festival de Cinema de Gramado. O filme nacional mais esperado do ano, “Aquarius”, foi apresentado logo no primeiro dia do festival com grande entusiasmo por parte do púbico e crítica. Nossa equipe acompanhou de perto a coletiva do longa, que foi extremamente marcante pelo aspecto politizado. “O filme é uma representação da vida no Brasil, e, exatamente por isso, é tenso, é emotivo, é enfurecedor”, disse o diretor Kléber Mendonça Filho. A 44ª edição contou com presenças ilustres, como Sonia Braga, que foi homenageada no primeiro dia do Festival, recebendo o troféu Oscarito. Já a estrela do cinema argentino e uma das “chicas de Almodóvar”, a atriz Cecilia Roth foi a primeira mulher a receber o Kikito de Cristal, distinção dada a representantes do cinema latino. Tony Ramos também esteve presente e prestigiou a inauguração do Museu do Festival. Aos 68 anos e com 128 personagens no currículo da carreira que ultrapassa cin6

ae ouz res S s a So teu Ma ndro a t a s e L ea Cin o ator

co décadas, o ator recebeu o Troféu Cidade de Gramado. Na estante, ele já guarda um Kikito recebido em 2001 pela interpretação em “Bufo & Spallanzani”. Já o ator, produtor e diretor José Mojica Marins não pôde estar pessoalmente no Festival de Gramado, mas enviou um vídeo, projetado na tela, vestido como o personagem Zé do Caixão, que o consagrou. “Zé do Caixão divulga o Brasil no mun-

do todo, mas em nosso país ainda não temos aquele aval com força total”, lembrou Mojica antes de agradecer a homenagem. Quem recebeu o troféu na homenagem foi a atriz Liz Vamp, filha de Mojica, que fez uma performance ao percorrer o tapete vermelho do festival. No percurso, ela chegou a morder pescoços de atores que a acompanhavam. Entre os principais filmes que estavam concorrendo nesta edição estão “Barata Ribeiro, 716”, e “Silêncio do Céu”. O primeiro se trata de uma produção do cineasta Domingos de Oliveira. Na trama, Caio Blat vive o alterego do cineasta, em uma história sobre a intensa boêmia carioca que termina no golpe de 64. “É um presente que ele me deu”, destacou o ator sobre o papel. Já o longa-metragem Silencio do Céu, filmado no Uruguai e falado em espanhol, traz o ator argentino Leonardo Sbaraglia (Relatos Selvagens) e a estrela brasileira Carolina Dieckmann (Entre Nós) como protagonistas. A trama tem como tema central um casal de classe média lidando com a violência doméstica e com um silêncio sombrio e perturbador que dão o tom do filme. Pensando nos produtores independentes, o 44º Festival de Cinema de Gramado promoveu rodadas de negócios com foco em comercialização e distribuição. As produtoras interessadas inscreveram-se para agendar encontros com cineastas interessados em projetos em etapa de pós-produção ou finalizados, em etapa de comercialização e distribuição. Importantes distribuidoras e canais do Brasil e exterior como FiGa Films (EUA), Sundance Channel (EUA), Canal Brasil, Globo News, Globo Filmes, Telecine, Sofá Digital, Box Brasil e Vitrine Filmes marcaram presença. Outro que brilhou nas telas de Gramado foi o diretor, roteirista e ator Matheus Souza, que

o Cerimônia de Premiaçã

levou o seu filme “Tamo Junto” em que escreveu, dirigiu e atuou e também fez participação como ator em “Barata Ribeiro, 716”. Matheus admitiu ter se entregue de vez à comédia. Em “Tamo Junto”, ao lado de Leandro Soares e Sophie Charlotte exibiu seu caráter engraçado e “geek” trazendo referências da sua vida e experiências próprias como o bullyng sofrido quando criança, além das citações sobre o o desenho Pokemon e a saga Star Wars. Os prêmios mais importantes foram para “Rosinha” (curta-metragem brasileiro), “Guaraní” (longa-metragem estrangeiro) e “Barata Ribeiro, 716” (longa-metragem brasileiro). Entre os atores e atrizes, se destacaram Emilio Barreto, do longa estrangeiro “Guaraní” e Allan Souza Lima, do curta “O Que Teria Acontecido Ou Não Naquela Calma E Misteriosa Tarde De Domingo No Jardim Zoológico”. Andréia Horta, do filme “Elis”, Verónica Perrotta do estrangeiro “Las Toninas Van Al Este” e Luciana Paes, do curta “Aqueles Cinco Segundos”, ganharam as premiações de melhores atrizes. Segundo uma das integrantes da equipe da Agecom, Miluna Ayala, trabalhar na cobertura da cerimônia é uma experiência emriquecedora. Nossa equipe esteve presente nas coletivas de imprensa, debates, mostras competitivas de longas e curtas metragens e entrevistas aos homenageados do evento. A Universidade Feevale sempre participou da cerimônia com a cobertura através de entrevistas e programas na busca de gerar informações para os seus veículos de comunicação. Quem perdeu algum momento do que aconteceu no 44º Festival de Cinema de Gramado, poderá acompanhar a cobertura completa feita através do blog Feevale no Festival de Cinema de Gramado. 7


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O ensaio fotográfico subaquático “Fragmentos da Alma”, surgiu a partir da ideia central de retratar as várias facetas da natureza humana, já que a água é um elemento natural e essencial à vida. A leveza e o movimento proporcionado pela água, mostra ao mesmo tempo a fragilidade do corpo humano, aliado à força e resistência. A simbologia presente nos movimentos perpassa a necessidade física, que depende da água para viver, mas por devaneio, demonstra a delicadeza do corpo.

Fragmentos da

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Fotografia: Alisson Brum Produção e texto: Bruna Loebens Modelo: Aline Seibel Assistente de iluminação:Clair Brum

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O conjunto de fatores pensados para criar o conceito do ensaio, surgiu a partir de referências retiradas da poesia e da água. A modelo interagiu de forma espontânea com os componentes do ensaio, como o tecido que representa o movimento da vida e do corpo, e a gaiola, que traz beleza e ao mesmo tempo reproduz um objeto sólido ao conjunto da imagem. As fotos demonstram o poder do envolvimento com a água, engrandecendo a beleza da modelo, que deixa evidente o corpo relaxado, de modo a demonstrar que o ambiente é seu habitat natural. Os equipamentos utilizados no ensaio para compor a imagem como a incidência correta da luz e sombra, serviu para atingir o efeito sob o corpo da modelo que horas demostra grandeza e em outras mostra a fragilidade do corpo humano como se esvaísse em sono profundo. Um ensaio que tem o intuito de ser uma poesia “composta de luminosas imagens” (Vinícius Aguiar). O ensaio foi realizado na Universidade Feevale, no local destinado à fisioterapia aquática, em uma parceria entre os estudantes de Comunicação Social Alisson Brum e Bruna Loebens e da estudante de Moda Aline Seibel.

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Confira o ensaio completo no site: www.alissonbrum.com.br

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zinha, pitadas de ficção científica e o suspense do que espreita na esquina.

O novo fenômeno da cultura pop chamado “Stranger Things”

A criação é dos, ainda, pouco conhecidos Matt e Ross Duffer, que assinam como os irmãos Duffer. Com a série, os Duffer marcam seu território anunciando a chegada de mentes criativas. Ao lado dos irmãos, a surpreendente presença de Shawn Levy (da trilogia “Uma Noite no Museu”), na direção de dois dos oito episódios. Na frente das câmeras, alguns rostos reconhecíveis, saídos justamente da década em que a série se passa. Winona Ryder (“Os Fantasmas se Divertem”), que já foi considerada a melhor atriz de sua geração, protagoniza a série na pele da sofrida Joyce Byers; e Matthew Modine (“Nascido para Matar”) retorna aos holofotes na pele do suspeito Dr. Brenner.

Texto: Rayan Chinellato e Andrei Souza Ilustração: Gabriela Dias

O serviço de streaming Netflix deixou de ser só um provedor de conteúdo. Com grandes lançamentos, a empresa está se tornando uma das grandes produtoras do cenário internacional.

Stranger Things funciona em sua mescla de grande homenagem aos filmes de suspense dos anos 80 com uma trama nova, incluin-

Foto: Site Stranger Things Brasil/Reprodução

Você já deve ter ouvido falar de Narcos, House of Cards, Orange is The New Black e a tão comentada Stranger Things.

Se você não assistiu a série, certamente notícias a respeito dela passaram pela sua timeline nesses últimos meses. São frases, memes, vídeos e toda aquela infinidade de montagens que só o povo da internet é capaz de criar. Uma coisa é certa: se a série em si não lhe deixar curioso, os posts certamente vão fazer esse trabalho. Stranger Things finalizou sua primeira temporada e o sucesso foi tanto que já garantiu a próxima para o início de 2017. A série acontece na pacata cidade de Indiana, nos Estados Unidos ano de 1983. Atente-se para o ano, pois o ar nostálgico presente na produção lhe fará viajar no tempo. O constante foco nos objetos, jogos, utensílios e até a trilha sonora dão um toque especial. Quem nasceu nesse período, entre os 14

Foto: Site Stranger Things Brasil/Reprodução

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a série

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anos 1980 e 1990, certamente, terá lembranças. A história começa com a turma de amigos Mike, Dustin, Will e Lucas em um porão, cenário utilizado diversas vezes durante a temporada, que funciona com um QG. Na volta para casa, Will desaparece e seus amigos começam a jornada para encontrá-lo. Stranger Things poderia ser a versão seriada do filme “Super 8” (2011), dirigido por J.J. Abrams, que funciona como homenagem aos filmes de Steven Spielberg. Tais elementos também são encontrados aqui, como crianças protagonistas, uma cidade-

do um digno mistério a ser desvendado. Estes dois elementos funcionam harmoniosamente, fazendo uma simbiose tão boa que fica difícil citar qual das partes é mais bem trabalhada. A grande homenagem aos anos 80 é a cereja no bolo, porém, é muito mais do que isso, sendo facilmente considerado o motor que puxa esta engrenagem. Para termos uma ideia, este é o mote no qual foi vendida a proposta para a série. Os irmãos Duffer montaram um trailer incluindo trechos de 25 filmes (entre eles “E.T”., “A Hora do Pesadelo”, “Super 8” e “Halloween”) e o levaram para os produtores como alicerce do projeto. Como incentivadores criativos, os roteiristas assistiram (ou assistiram novamente) produções como “Os Goonies”, “E.T”., “Conta Comigo”, “O Enigma de Outro Mundo” e “A Hora do Pesadelo”; e podemos notar durante

o programa tais influências narrativas e estéticas. Outra inspiração para os criadores, são as obras do autor Stephen King. A trilha sonora composta com sintetizadores, outro chamariz da produção, foi criada por Michael Stein e Kylo Dixon. Nos créditos iniciais, ao lado do som, o design da arte de abertura é diretamente ligado ao trabalho de Richard Greenberg, responsável pelos créditos em produções como “Alien”, “Superman – O Filme”, “Os Goonies” e “Viagens Alucinantes”. O gênero está descrito como ficção cientifica, terror e mistério. Mas, se você não curte muito todo esse drama, fique tranquilo, pois os atores mirins dão uma condução leve e talentosa para o seriado.

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A arte de ilustrar ideias Texto: Andrei Souza e Gustavo Fritzen Ilustrações: Gabriel Renner

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Ele já deu vida a diversos personagens, cada um com histórias diferentes, mas todos movidos por uma paixão, a arte de desenhar de seu autor. Gabriel Renner, 34 anos, é ilustrador e infografista, trabalha na área desde 2001, mas já se dedica a criações de histórias desde criança. Atualmente no Jornal Zero Hora e no Diário Gaúcho, o artista coleciona passagens e participações importantes em diferentes veículos de comunicação. Sua experiência vai desde o Grupo Sinos, até participações com ilustrações para revistas como Sexy (por dois anos), Superinteressante e Mundo Estranho. Característica marcante em seu trabalho, o estilo próprio de desenho adotado por Gabriel é uma identidade definida pelo profissional. Estes traços se refletem em suas obras autorais, como os quadrinhos “Três Gerações” e “Fadas Ltda”, publicadas em diferentes periódicos, como também na revista “Letal Mágico”. Para o processo criativo, Gabriel Renner passa longe da imagem romanceada de ilustrador imaginada por ele mesmo. Ao invés de uma paisagem bonita, uma xícara de café com leite e uma confortável poltrona aos sons de caturritas silvestres, seus métodos são bem diferentes. “Estou sempre atrasado, e precisando moer ideias de última hora. Talvez esse tenha virado meu método, o que talvez, me faça um criativo nato”, conta o ilustrador.

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Apesar de depender da pressão para criar suas artes, ele não dispensa a possibilidade de esboçar uma ideia com calma e finalizá-la no dia seguinte. Mas nem sempre foi assim. Quando criança, por volta dos seus 12 anos, Gabriel já esboçava seus primeiros desenhos. Com a parceria de dois amigos, criou histórias em quadrinhos com personagens próprios. Cada um do grupo compartilhava seus enredos e ideias, o que os motivava a seguir com as produções. O resultado acaba quase sempre o mesmo: Tudo virava piada. Os assuntos variavam desde as novelas do SBT, fantasias juvenis, até espasmos de criatividade. Se por um lado o trabalho sobre pressão o faz produzir, diariamente, quando criança, a mesma cobrança não existia, o que fazia com que

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os finais terminassem do mesmo jeito: em bomba. “Entre o grupo, eu fiquei conhecido como o cara que sempre acabava as historinhas com uma explosão. Eu enchia o saco, e como não tinha paciência de dar um desfecho ao roteiro, a coisa toda simplesmente explodia, junto ao letreiro lindamente desenhado FIM”, lembra Gabriel.

Sobre “Vida Videoclipe”, Gabriel Renner ressalta o apoio que recebeu dos colegas cartunistas Tacho e Demétrio Soster. Questionado sobre os ilustradores que mais admira, ele cita o brasileiro Laerte Coutinho, descrevendo seu trabalho como “sutilmente expressivo”. Também mencionou os artistas Bill Watterson (EUA, consagrado pelos personagens “Calvin e Hobbes”) e Robert Crumb (EUA).

Hoje o desafio do é ilustrador e infografista vai além de encontrar um final para sua história. Em meio aos avanços tecnológicos e softwares que facilitam o processo criativo, diversos materiais têm surgido, nem sempre com a devida qualidade. “Eu sempre batalhei para manter a autoralidade do meu traço nos meus trabalhos”, salienta Gabriel, ao critifcar formatos como doodles, os “desenhos sem contorno, temáticos de data comemorativa do Google”, nas palavras do profissional.

Ainda hoje, Gabriel Renner se pergunta sobre a escolha da profissão. Ele diz sentir saudades de quando o desenho era apenas um hobbie e, se pudesse escolher, teria sido um “motorista particular de um ricasso bon vivant, que me desse gorjetas gordas e me convidasse como escudeiro para sua vida de excessos festivos”.

Dentre seus trabalhos preferidos até hoje, está a capa do DVD Guidable, “A Verdadeira História dos Ratos de Porão”. Outras obras, agora voltadas ao meio cinematográfico, estão os curtas “Paradoxo da Espera do Ônibus” (2007) e “Hotel Farrapos” (2014), este último exibido na série Curtas Gaúchos da RBS TV. Mas aquele que mais o divertiu foram as tirinhas “Vida Videoclipe”, publicadas nas edições dominicais no ABC. “O personagem era uma menina chamada Duda, que exibia o tempo todo um sorriso forçado, pra que ninguém desconfiasse do seu ‘oi, tudo bem’”, conta Gabriel, que chegou a receber cartas de apoio de seus leitores pelos quadrinhos.

Ilustrações: Gabriel Renner

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deixando de viver essa realidade em busca de novas referências”. Hoje, com 15 anos de experiência e uma boa bagagem cultural, Gabriel dá dois conselhos importantes para quem quer seguir na área: 1. Saiba estar atento às críticas muito mais do que aos elogios. 2. Não se leve a sério demais, isso vai te fazer agradar demais aos outros ao invés de agradar a você mesmo.

Como toda profissão, sempre há o lado bom e aquele a melhorar. Gabriel destaca a possibilidade de imergir em um mundo paralelo, que provém da própria imaginação. O lado negativo é “perceber que isso tudo é baseado no mundo real, e que enquanto desenha na sua mesa, está

O apoio de seus trabalhos não é de hoje, após conquistas pessoais e profissionais. Sua família sempre o incentivou a desenhar, fosse sua mãe, permitindo-o pintar as paredes de madeira, fosse seu pai, que “cogitou” levar o mesmo pedaço de madeira caso se mudassem. “Acho que ela [sua mãe] pensava que um dia aquelas paredes seriam postas abaixo, mas o fato é que elas ainda estão lá. Tem um pilar, na área, que fiz uns desenhos quando era moleque”. 18

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Texto: Edson da Luz e Andrei Souza Ilustração: Thales Renato

A realidade virtual é uma tecnologia de interface capaz de “enganar” os sentidos de um usuário, por meio de um ambiente virtual, criado a partir de um sistema computacional. Ao induzir efeitos visuais, sonoros e até táteis, permite a imersão completa em um ambiente simulado, com ou sem interação do usuário. Ela se utiliza de tecnologias digitais para criar a ilusão de uma realidade que não existe de verdade, fazendo a pessoa mergulhar em mundos criados por um computador. Atualmente, os dispositivos VR (virtual reality, em inglês) tem como base displays estereoscópicos, como óculos e headsets (conjunto de fone de ouvido com controle de volume e microfone acoplado para uso em microcomputadores multimídia), divulgada em sua maioria para o entretenimento. Porém, o conceito abrange muito mais do que efeitos visuais e ele já existe há bastante tempo. “Essa tecnologia começou a se desenvolver em várias áreas diferentes a partir dos anos 70. Alguns dos primeiros usos foram em simuladores de voo, que ajudavam a treinar futuros pilotos”, comenta o professor do Curso de Jogos Digitais da Universidade Feevale, Guilherme Theisen Schneider. A realidade virtual funciona através de estímulos visuais e auditivos. É comum o uso de headsets que cobrem completamente olhos e orelhas, privando o usuário de ouvir e ver estímulos externos. Projetos como o PlayStation VR, da Sony, prometem transportar completamente o indivíduo para dentro de um jogo, com imersão total, tanto visual como auditiva. Nesse tipo de interface de realidade virtual é possível olhar para todos os lados sem precisar interagir com o controle, apenas virando o rosto 20

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REVISTA K Fotos: Tecmundo/Reprodução

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para os lados. Os Óculos da Sony também incluem a opção de usar fones de ouvidos para imersão mais completa. “O principal benefício que essa tecnologia pode oferecer é a imersão, porque ela é um suporte de mídia diferente do que estamos acostumados. Permitindo que o usuário tenha a sensação de estar dentro do computador ou vídeo game”, explica Tiago Raguze, professor do Curso de Jogos digitais da Universidade Feevale, que está trabalhando atualmente com os Óculos OSVR. O público que frequenta feiras de vídeo games está empolgado com os recursos dos óculos VR e mal podem esperar para adquirir o produto. “Eu tô guardando dinheiro pra comprar o Playstation VR, depois que vi alguns vídeos dos próximos jogos que eles vão lançar. A minha expectativa é muito grande”, comenta Marcelo da Silva, acadêmico do Curso de Jogos Digitais da Universidade Feevale, que esteve presente na Brasil Game Show, considerada a maior feira de games da américa latina, que acontece todos os anos em São Paulo. Porém, essa tecnologia ainda é considerada cara para o consumidor comum. O Oculus Rift, o VR mais famoso até então, está sendo vendido por 300 dólares. Um preço considerado desfavorável para a tecnologia se popularizar. “Quando esses equipamentos chegam no Brasil eles acabam vindo com um preço muito mais elevado, até pelo fato de ser uma tecnologia relativamente nova, então é comum que as primeiras unidades tenham um preço mais exorbitante. Entretanto, conforme essa tecnologia vai se popularizando, a tendência é que o preço fique um pouco mais favorável para o público”, observou Alessandro Lima, Desenvolvedor de Jogos Digitais.

mulações de batalhas, nas pesquisas de engenharia genética e até no estudo da previsão do tempo. A maior parte das imagens que criam essas realidades virtuais não são filmadas ou fotografadas, e sim montadas em modelos 3D de computação gráfica, técnica que aparece em filmes como Toy Story. Mesmo com todo esse avanço ainda há muito a explorar nessa área nos próximos anos.

Aos poucos, a realidade virtual vem ganhando espaço no cenário brasileiro de games. Na Universidade Feevale, foi realizada uma demonstração do jogo que foi desenvolvido por ex-alunos do Curso de Jogos Digitais da universidade. “Foi uma experiência completamente diferente, eu não sabia para onde olhar ou o que fazer no início. Eu nunca imaginei que conseguiria enxergar dentro de um jogo. O personagem tava ali na minha frente e eu conseguia interagir como se ele fosse uma pessoa normal”, comenta Alberto Juarez, estudante do ensino médio que testou o aparelho. Além de ser utilizada em games a Realidade Virtual também pode ter grande utilidade em outras áreas. Por meio dela, engenheiros conseguem testar projetos de automóveis e aviões antes de gastar dinheiro fazendo protótipos. Projeções semelhantes são usadas em si-

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Desenvolvimento de novos materiais com a reciclagem de resíduos industriais

potencial técnico para seu uso como agregado miúdo leve. Ou seja, os elementos construtivos preparados com o RE apresentam menor peso”.

Texto: Bruna Loebens Imagens: Mestrado em Tecnologia de Materiais/Arquivo Feevale

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que para a maioria das pessoas podem ser apenas resíduos, para os pesquisadores pode ser a solução de muitos problemas. Com o crescente número de pessoas que utilizam celulares e smartphones, e o constante lançamento de aparelhos que têm ainda mais funções e tecnologia mais avançada, é natural que o número de aparelhos descartados aumente, crescendo a quantidade de lixo eletrônico. Foi pensando nisso que os professores e pesquisadores do curso de Mestrado em Tecnologia de Materiais e Processos Industriais, da Universidade Feevale, Eduardo Luis Schneider, Alexandre Silva de Vargas, Vanusca Dalosto Jahno e Luiz Carlos Robinson, perceberam a possibilidade de utilizar resíduos eletrônicos como um substituto à areia na construção civil. O Projeto está sendo desenvolvido na Universidade Feevale, com pesquisadores da Universidade HÄME UNIVERSITY OF APPLIED SCIENCES, da Finlândia. O Projeto intitulado “Desenvolvimento de novos materiais com a reciclagem de resíduos industriais” tem como um dos seus principais objetivos, avaliar a substituição parcial da areia de construção por Resíduos Eletrônicos (RE), em matrizes à base de cimento Portland. Os resíduos eletrônicos estudados, neste projeto, são resíduos provenientes de telefones celulares compostos pelos componentes de policarbonato transparente, policarbonato opaco e Acrilonitrila Butadieno Estireno. O processo inicia pela desmontagem de telefones celulares, na qual os componentes são separados por tipo de material. Após a separação, os resíduos passam por processo de moagem para atingirem uma granulometria próxima à da areia, processo que é feito com extremo cuidado, para evitar a 22

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contaminação do ar com a geração de poeira dos elementos tóxicos. Depois do processo de moagem dos resíduos eletrônicos, são preparadas argamassas à base de Cimento Portland, areia de construção, água e distintos teores de resíduo eletrônico

em substituição à areia, para avaliar o efeito do RE nas matrizes da argamassa. De acordo com Eduardo Schneider e Alexandre Silva de Vargas, professores do projeto, “foram preparadas amostras de argamassas em moldes cilíndricos de diâmetro de 5 cm e altura de 10 cm para os ensaios de resistência à compressão e para os ensaios ambientais (Lixiviação e Solubilização). Além disso, foram preparadas placas à base de argamassas com e sem RE, de dimensões 10x20 cm e 15x20 cm, para serem expostas às condições atmosféricas no Brasil – Campus da Universidade Feevale - e na Finlândia - Campus da Universidade da HAMK. No projeto, os estudos foram iniciados com a substituição parcial da areia de construção pelo RE. Neste caso, esta areia do RE é mais leve do que a areia convencional, o que pode ser um

Os professores explicam também que, com base nos resultados prévios de resistência à compressão, os resíduos eletrônicos estudados têm potencial técnico para serem utilizados como agregados leves para a produção de componentes não estruturais para a construção civil. Exemplo destes componentes, são os blocos para a construção de paredes de vedação, os painéis para uso em divisórias de edificações e forros. “Em relação aos ensaios ambientais - para avaliar qual será a classe ambiental das matrizes cimentantes contendo os resíduos eletrônicos (RE) - os testes ainda estão em andamento. Esta avaliação ambiental é fundamental, pois tem que ser avaliado se a matriz cimentante tem potencial para encapsular os metais tóxicos do RE e garantir que, no futuro, quando houver a demolição e descarte destes componentes, não exista risco para o meio ambiente. Ou seja, se a matriz cimentante apresentar bom desempenho quanto ao encapsulamento dos metais tóxicos, a pesquisa contribuirá de forma importante para o gerenciamento deste tipo de resíduo e sua possibilidade de uso comercial, desde é claro, que não haja risco para o meio ambiente. Isto permitiria um material alternativo à areia de construção. Salienta-se que em 2013 houve falta de areia no mercado da região metropolitana de Porto Alegre devido à decisão judicial que proibiu a extração no Rio Jacuí, já que estava sendo realizada de modo incorreto, acarretando prejuízo

ao meio ambiente”. Além dos quatro professores, fazem parte da equipe os técnicos Jairo Luiz Kwiatkowski e Alisson Fontoura e os bolsistas de iniciação científica Francielli da Cruz, Mariana Ferreira, Francieli Schallenberger, Luana de Oliveira, Hiago Pereira, Fernando Caiel, Ana Paula Adam e José Victor Rebechi Valle Gonçalves. Os bolsistas são responsáveis pelas atividades laboratoriais, com o acompanhamento desde a fase inicial da inserção dos resíduos na matriz cimentante e a realização de moldagens, até a fase de testes, sempre sob a supervisão do Professor Alexandre. A bolsista Francieli Schallenberger, destaca a importância que participar deste tipo de projeto traz para a vida acadêmica e profissional. “Acredito que para quem busca, assim como eu, agregar mais conhecimento e experiências além do trazido na sala de aula, os projetos de pesquisa são uma excelente opção. A oportunidade de ver além e transformar, é o que o projeto traz de mais forte consigo. Com certeza a experiência adquirida no projeto instiga o acadêmico a abrir novos olhares para soluções dos problemas que nos cercam, e da qual muitos ainda estão em busca de soluções, como no caso do resíduo eletrônico”. A pesquisa terá duração de aproximadamente quatro anos, tempo necessário para avaliar os resultados dos testes que vão determinar se os Resíduos Eletrônicos podem ou não ter um bom desempenho mecânico e ambiental como agregado leve na construção civil.

resíduos eletrônicos expostas às Placas contendo distintos Teores de na Feevale condições atmosféricas no Campus

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Vila Flores

Complexo arquitetônico em Porto Alegre une Arte e Cultura em espaço voltado a comunidade.

Texto: Equipe Revista K Fotos: Monique Silva Ilustração: Camila Dienstann

Construído em 1928, o edifício que compõe a Vila Flores foi projetado e concebido originalmente pelo arquiteto e engenheiro José Lutzenberger, que conta com diversas obras expressivas no Estado. Localizado no Bairro Floresta, em Porto Alegre, o espaço propõe diversas atividades artísticas e apresenta uma ideia original em relação ao empreendedorismo. O espaço começou a ser reformado em 2010, com recursos da família proprietária que contou, a partir de 2014, com a criação de uma associação cultural sem fins lucrativos. O intuito do grupo era fazer a gestão dos espaços comuns onde acontecem diversas atividades culturais, das quais todos os moradores podem participar e contribuir através de sugestões e trocas de ideias. O projeto arquitetônico do local visa o restauro de fachadas e elementos decorativos, requalificando a maior parte da infraestrutura de todo o complexo. Estas alterações têm como objetivo facilitar a

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s da Vila Flore

acessibilidade, circulação e viabilidade dos projetos culturais. São três prédios, dois que fazem o limite de quadra, criando um pátio interno, e um terceiro prédio, que é um galpão. João Felipe Chaves Barcelos Wallig, arquiteto e um dos proprietários da Vila Flores, conta que o imóvel é uma herança familiar e que, quando o receberam, ele estava em um estado muito precário. A iniciativa de o restaurar e organizar movimentos de revitalização do prédio surgiu aos poucos, conforme perceberam o potencial do prédio. "Foi um processo longo, pois buscamos entender o que a comunidade do entorno, artística e cultural, provia de subsídio, de conhecimento para viabilizar essa iniciativa”, explica João. Mesmo após as conquistas envolvendo o ambiente, o arquiteto acredita que há muito caminho pela frente. “Ainda estamos no meio do processo, tem muita coisa para ser feita, mas já tem uma consistência, uma credibilidade maior e uma visibilidade muito interessante”.

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serem alugadas no período industrial da região e agora estão totalmente ocupadas por ateliers. O galpão, localizado no centro do Vila Flores, era, até então, usado para abrigar os cavalos dos moradores e visitantes do local. Atualmente, a área abriga diversas oficinas, como aula de capoeira, yoga, exposições, shows e espetáculos, todos administrados pela própria associação cultural. Local onde são exibidas as exposições A fim de manter o local em boas condições e atrativo para o público, diferentes equipes se exposição “Juntos”. A iniciativa conta, atuempenham no bem estar do ambiente, conalmente, com quinze projetos brasileiros, forme conta João Wallig. “O Vila Flores postodos eles com a mesma característica de sui arquitetos que cuidam da viabilidade das arquitetura, feita a partir da colaboratividaobras, das adequações e dos projetos futuros de e consideradas não convencionais. em que estão buscando recursos. Já a associação cultural é responsável pela programação Com 22 iniciativas, o Vila Flores contém e por outras iniciativas. Presamos por emprediversos escritórios de design e arquitetura, endedorismo, cultura e educação, que são os estúdios de música, moda e teatro, com ditemas principais”, explica o arquiteto, acresversos eventos abertos ao público. A ideia centando ainda que tarefas administrativas, é promover a interação com a comunidade como cobrança dos aluguéis dos espaços e da do entorno e região através de feiras megestão do condomínio, também são realizadas dievais até o tradicional arraial, realizado por eles. todos os anos. “A intenção é continuar foAtualmente o projeto está na bienal de arquimentando atividades e ações diversas que tetura em Veneza, compondo a as pessoas propõem e participam com uma estrutura melhor.

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Com localização privilegiada, próximo a uma das vias de acesso a Porto Alegre, os prédios têm três andares, mais um sótão; destes, apenas um prédio não foi reformado. As casas foram originalmente projetadas e usadas para 25


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projeto. Até dezembro serão realizadas atividades artísticas e educativas em parceria com a Secretaria da Cultura do Rio Grande do Sul. Iniciada em setembro, a ação, intitulada de Vila Flores – Uma Experiência Aberta, trabalha desde então com artes visuais, sonoras e cênicas. São oferecidos gratuitamente oficinas, apresentações, espetáculos ou exposições, além de um bate papo com artistas.

Interior da Vila Flores

uma conversa que mistura, dança, teatro, literatura, música e, com isso, é possível trabalhar e ter um diálogo com outros residentes. Atualmente a coleção que temos tem um toque na sustentabilidade e é sem gênero", diz Vanessa.

É um projeto que está em constante transformação, revisamos sempre, pois estamos sempre em aprendizado, principalmente com os residentes”, contou João.

Durante a apresentação no galpão, dois dançarinos e dois músicos improvisaram um espetáculo. Para Vanessa Berg, a oportunidade possibilita expandir seu trabalho e estabelecer um público. "Trabalhando aqui no Vila, ganhamos mais visibilidade com divulgação de mídia praticamente espontânea."

Integrando o Vila Flores há dois anos, o Studio HybriA Humanus é uma loja localizado surgiu com intuito de da no Vila Flores, que mescla abrigar projetos e ações moda e literatura, defendentransdisciplinares em disdo o projeto de agregar ditintas áreas, como artes ferentes tipos de arte. Seus visuais, moda, dança, trabalhos buscam homenaperformance, tecnologear os grandes escritores e gia, vídeo e fotografia. filósofos da história, através a i tár Criado pela designer da confecção de camisetas arrie p o -pr de moda, Vanessa tesanais, utilizando materiais o C é Berg e por seu sócio, como malha de garrafa pet e g o r Be ybrid Marcelo Monteiro, o algodão orgânico. "O conceito a s H s io ne projeto, que também da marca é atemporal, fazemos Va Estúd do conta com Kelvin Colbic poucas mudanças. No final do ano e Ernani Chaves, artistas será lançada uma coleção com o travisuais, visa aproximar os dibalho de Mário Quintana", explica Bruferentes segmentos artísticos. "É no Gonçalves, um dos responsáveis pelo 26

A proposta é oferecer um programa de atividades abertas ao público, elaboradas a partir do conhecimento de cada um dos residentes do Vila Flores e convidados. Ela foi desenvolvida a partir de uma prática recorrente no espaço, que se caracteriza pela troca constante de saberes entre os grupos. Todo mês uma área específica foi trabalhada e a partir dela foram traçadas conexões com as demais áreas. O programa pretende construir conhecimento de forma coletiva, promover o acesso de todos os públicos aos bens culturais e conectar os moradores do bairro e comunidade em geral com a produção dos grupos residentes no Vila Flores. Desta forma, mantendo a ideia geral do projeto que é poder compartilhar e socializar expressões da arte. Interio

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4 Texto: Solange Neitzke e Bruna Loebens

Muitas pessoas não sabem, mas o Rio Grande do Sul também tem lindos lugares para o turismo. Pensando nisso, trazemos neste texto quatro destinos turísticos que você pode visitar durante as suas férias! Ninho das Águias Um dos principais pontos turísticos da cidade de Nova Petrópolis é o Ninho das Águias. Com uma visão panorâmica de 270º graus da região e do Vale do Caí, o local fica a 4 km da cidade e a 684 metros de altitude, com acesso pela BR 116, na altura do km 181. 28

Cânions/Cambara do Sul

A área é ideal para a prática de voo livre e possui um clube que organiza as competições e os saltos, com direito a premiações. Qualquer pessoa que tiver o interesse de voar deve ser sócio de algum clube do Brasil. O Clube Ninho das Águias tem 70 sócios que são praticantes das modalidades paraglider e asa delta. A melhor época do ano é entre os meses de março e outubro, em que a incidência dos ventos é mais frequente. Além da prática de esportes, o local serve como ponto de encontro de amigos, para curtir o

Fotos: Fernanda Valadares

Foto: Fernando Ebeling

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belo pôr do sol. Pessoas de toda a região costumam visitar o espaço em busca de sossego e tranquilidade. Há uma estrutura com quiosques, churrasqueiras e banheiros, onde são servidos bebidas e lanches. A entrada é franca durante a semana; no fim de semana e feriados o valor é de R$5,00. Caminho das Serpentes A cidade de Morro Reuter, a 64 quilômetros de Porto Alegre, é conhecida pelos diversos artistas plásticos que ali residem. Um dos atrativos é o Caminho das Serpentes, onde a artista Cláudia Sperb produz trabalhos em mosaico. O local conta com uma pousada com oito suítes, que recebe os turistas com reserva antecipada. As esculturas de serpentes, feitas com mosaico chamam a atenção dos visitantes. Além disso, painéis coloridos, galerias de arte, biblioteca e mirantes são atrativos do parque. Construído na propriedade da artista Cláudia. O local também conta com esculturas de outros artistas plásticos. O motivo do nome “Caminho das serpentes” deu-se em razão às duas grandes serpentes em mosaico, que foram confeccionadas por Cláudia, próxima de seu

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ateliê. O local também oferece cursos e oficinas individuais ou para grupos sobre mosaico. O local está aberto para visitação aos sábados e domingos e a entrada custa R$25,00. Cambará do Sul Se você ainda não conhece, já deve ao menos ter ouvido falar na Terra dos Cânions, a cidade de Cambará do Sul. Localizada na serra gaúcha a 185 Km de Porto Alegre a cidade recebe mais de cem mil visitantes por ano. É no Parque

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Foto: Fernando Ebeling

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Nacional dos Aparatos da Serra e no Parque Nacional da Serra Geral que estão os cânions mais conhecidos, Itaimbézinho e Fortaleza, ótimas opções para quem procura aventura, diversão e uma paisagem de tirar o fôlego. A cidade é também a campeã no ranking de baixas temperaturas, tendo o seu inverno como um dos mais gelados do país. As atividades incluem passeios, trilhas, esportes radicais e a contemplação da natureza. O circuito das águas é um passeio que percorre rios lajeados e cachoeiras pelo interior do município com paradas nas três mais belas atrações turísticas: Passo da Ilha, passo do “S” e Cachoeira dos Venâncios. Outra opção são as caval30

gadas nos cânions, que iniciam em uma Fazenda a 25 km do centro da cidade e passa pelas bordas dos Cânions Pinheirinho e Cambajuva. O percurso completo dura cerca de cinco horas e não possui restrição de idade. Uma das atrações do Cânion Itaimbezinho é a Trilha do Rio do Boi, que possui acesso por Praia Grande em Santa Catarina e percorre 8,3 quilômetros de trilha com vários obstáculos, passando por dentro do Rio. A caminhada dura de cinco a sete horas e só pode ser feita com o acompanhamento de um guia ou condutor credenciado. É possível, ainda, fazer o passeio de bicicleta, que passa pelos Campos de Cima da Serra, onde pode-se conhecer cachoeiras, cânions, mata nativa e tudo que a natureza oferece naquela região. Para quem gosta de esportes radicais, existem ainda opções de rapel em cachoeiras, paredões e muitas outras atividades que são sempre acompanhadas de uma beleza natural indescritível. Mais informações através da CASA DO TURISTA Telefone: (54) 3251.1320 SECRETARIA MUNICIPAL DE TURISMO Telefone: (54) 3251.1557 E-mail: turismocambara@terra.com.br

Colagem: Mikael Júnior Bayer

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Viaduto 13 Outra opção para quem gosta de passeios em meio à natureza, é o Viaduto 13 que está localizado entre as cidades de Vespasiano Correa e Muçum, no Vale do Taquari, interior do Rio Grande do Sul. A 170 quilômetros de Porto Alegre, o viaduto que fica em um trecho da Ferrovia do Trigo, foi construído pelo Exército Brasileiro e inaugurado em 1978. A denominação se dá pelo fato de ser o 13º viaduto em uma sequência de viadutos que inicia em Muçum. Com 143 metros de altura e 509 de extensão, é considerado o maior viaduto ferroviário da América Latina e o segundo mais alto do mundo, perdendo apenas para o viaduto Mala Rijeka, em Montenegro, que tem 198 metros de altura. O V13, como é conhecido é o principal ponto de encontro turístico da cidade e atrai uma grande quantidade de visitantes que procuram um local ideal para a prática de rapel, cascatas e várias trilhas pelo percurso da ferrovia. Mais informações através do Grupo de Turismo e Aventura V13 Adventure. Fone: (54) 9711-5294

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OS LOUCOS ANOS DE MADRUGADÃO

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drugada de sexta-feira (04) para sábado (05) não foram suficientes para apaziguar o ânimo da Upsiders, equipe do Centro Universitário Franciscano – Unifra, de Santa Maria. Tendo como tradição trabalhar em uma temática diferente desde sua 5ª edição, em 2011, no ano em que se celebra os dez anos do evento não poderia ser diferente. Esse ano a escolha foi a Década de 20, devido as festas e glamour que marcaram a época. Para honrar a homenagem aos anos dourados, a comissão trabalhou para transmitir essa ambientação, através de uma sessão de cinema, decorações e intervenções artísticas.

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Foto: Evelyn Haag

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Durante quase 20 horas a Feevale recebeu 17 equipes dos cursos de comunicação, tanto da própria instituição, como também de diferentes universidades do Rio Grande do Sul. Esse ano o desafio consistiu em criar uma campanha publicitária para a Mistertech, empresa pertencente ao Grupo Herval. Mesmo as horas de trabalho seguido durante a ma-

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Texto: Solange Flores e Gustavo Fritzen

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Personagens com a temática dos anos 20 marcaram presença na 10ª edição

O 10º Madrugadão encerrou o ciclo de atividades paralelas da Universidade Feevale de 2016. A competição que reúne anualmente acadêmicos de publicidade e propaganda, jornalismo e relações públicas trouxe em sua mais recente edição uma novidade: Uma etapa classificatória. A partir disso, foi estabelecido um limite das vagas disponíveis, tornando mais acirrada a busca por uma vaga no evento.

Foto: Evelyn Haag

Foto: Rafael Jenei

Foto: Rafael Jenei

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No que diz respeito a incorporar o personagem, a banda Corpo Docente, formada for professores da própria Feevale, fizeram seu dever de casa. Por quase 30 minutos os tutores entretiveram o público, com canções que vão desde o sertanejo até I feel like a woman. Não podendo ficar de fora, o já consagrado Duelo de Equipes abriu a primeira parte da competição. Os competidores dançaram por um minuto e meio a música “Pon 32

O Karaokê foi uma das atividades mais badaladas 33


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Foto: Patrícia Franck

Francini Johan foi a vencedora do Duelo das equipes

As atrações foram além do universo da comunicação. Um dos destaques foram os brinquedos infláveis, touro mecânico e guerra de cotonetes, contratadas pela primeira vez desde o início do evento. Outras atividades, que já são tradicionais do evento e, mais uma vez, marcaram presença, como a sinuca e Kombi do Karaokê. A customização de camisetas também foi una das atrações, onde acadêmicas do curso de moda puderam colocar em prática o que viram em sala de aula. “O feedback está sendo bom, uma menina que passou por aqui elogiou muito o resultado das camisetas. Vem bastante gente da Feevale, mas também veio um grupo de moças de Santa Maria. Está saindo tudo bem”, disse Eloisa Britzke, acadêmica do primeiro semestre de Moda da Universidade Feevale. 34

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Uma das grandes novidades do Madrugadão 2016 foi a Mentes Inquietas, promovida pelo curso de Psicologia. A atividade inédita ao longo dos 10 anos do evento teve como objetivo estimular o trabalho em equipe entre os acadêmicos e que consagrou o grupo Inquiet@mente como grande vencedor. Foram cinco tarefas diferentes com enfoque em áreas variadas, como um caso clínico a ser resolvido, um show musical e um quiz de perguntas e respostas. Participaram da competição as equipes DiversificadaMENTE, MADRUGADA NO DIVÃ, InquietaMENTE, NEURÔNIOS NO DIVÃ e TERAPIA DE ELITE. A disputa envolveu teoria e prática, onde os integrantes das equipes foram avaliados pela comissão organizadora do evento. “O retorno do público está sendo bem animado.

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De Replay”, tendo a vencedora Francini Johan, da Madrugada no Divã, escolhida por voto popular. A equipe Té tris marcou presença no evento

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Foto: Rafael Jenei

Foto: Evelyn Haag

Foto: Evelyn Haag

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Nós realizamos uma atividade envolvendo o karaokê, onde três acadêmicos tiveram que cantar e interpretar corretamente para conseguir pontos com os jurados,” ressaltaou Angélica Francine Frey, acadêmica do 7º semestre do Curso de Psicologia. Em meio a atividades, o 7º Mídia Experience foi uma das competições paralelas que ocorreram ao longo da noite. Acadêmicos de jornalismo e relações públicas trabalham como assessoria de imprensa das equipes participantes do Madrugadão. Com quatro con-

ech , representantes da Mistert Flávia Pires e Sheila Mendes

corrente nesse ano, a vencedora foi a Comunicactus, da Universidade Federal do Pampa, Unipampa, que noticiou o trabalho da Equipe Adios, Texas. A 2ª edição da competição de Fotografia consagrou a equipe 6storms como vencedora. Já na 2ª edição do Circuito de Moda, a Fashion Night levou o troféu de primeiro lugar para casa.

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Você conhece o Catioro Reflexivo? Texto: Andrei Souza e Gustavo Santana Fotos: Catioro Reflexivo/Reprodução

Quem nunca desenvolveu uma linguagem própria para falar com o pet em casa? Quem faz voz de bebê para conversar com animais de estimação? Se você garante que é do tipo que não bate papo com animais, cuidado, a página do Facebook “Catioro Reflexivo” pode te deixar viciado em uma linguínea lindínea! A mania também contagiou a Revista K, então decidimos entrevistar Carlos Alencar, o criador disso tudo, para tentar entender por que a @CatioroReflexivo caiu na boca do povo! Da onde surgiu a ideia de criar a página? Sempre gostei de criar conteúdo para a internet. Desde 2010 faço isso. Tenho outras páginas, a "Sempre Cantei Errado" e a "Página Barroca, Inovadora, Vanguardista". Tive outros projetos, mas nunca tive nenhum relacionado ao mundo animal. Foi quando surgiu a ideia de criar a página "Dog Reflexivo", que depois virou "Catioro Reflexivo". Com tantas páginas de humor que criam memes, por que criar a Catioro Reflexivo? 36

Porque eu sempre gostei muito de cachorros, gatos etc. E queria ter uma página com essa pegada. Esses meus projetos sempre foram hobbies, sempre fiz por diversão. Mas a diversão tem ficado cada vez mais séria. Quantas pessoas visitam a página por mês? Vou passar o número de pessoas que passaram pela página nos últimos 28 dias, segundos os dados analíticos que o próprio Facebook fornece: Alcance 17 de agosto - 13 de setembro - 172.716.125 pessoas. Como surgiu a linguagem utilizada na página? O "gatíneo" que acabou transformando tudo em "íneo" eu vi num grupo de animais. Achei aquilo sensacional e, imediatamente, mandei a foto de um gato na Catioro Reflexivo. Dali em diante, passei a usar "íneo" em tudo. Quando mandava fotos sem usar a linguagem, as pessoas reclamavam demais. E continuam reclamando quando não uso ou fazem questão de legendar usando a linguagem. hahaha Qual é a contribuição dos fãs para a página? Contribuem, diariamente, com fotos, gifs e vídeos no nosso inbox com sugestões de catioros, gatíneos e vários bichíneos pra gente poder enviar. É muita coisa. Atualmente são em média 200 mensagens novas, mas isso porque eu criei o grupo da página, que ajudou

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muito. Antes do grupo existir, não recebíamos menos de 800 mensagens por dia com sugestões.

internet, porque realmente não é fácil começar do zero e do nada.

Você tem alguma história curiosa de algo que aconteceu nesse meio tempo? Ah, acho legal quando alguém "famoso" na TV ou internet fala da página ou da linguagem fofínea citando a página. Pessoas como Ana Maria Braga, Otaviano Costa, Camila Pitanga, Mari Moon etc. Além do fato que essa linguagem com "íneo" virou referência de empresas, páginas e sites ao falar de animais. Atualmente ,é quase impossível alguém nunca ter visto alguém falando "catioro" ou "gatíneo".

Você também trabalha na página Canal do Pet? Sim, o Catioro Reflexivo está me abrindo portas muito bacanas. E essa é uma delas, atualmente sou colunista no Canal do Pet, um site bem ambicioso que em breve será um dos maiores sobre o assunto no país. Se não for o maior. Fiquei bem contente com o convite, espero que continue dando bastante certo tudo isso.

Você tem um bichíneo que te inspira a criar conteúdo para a página ou são bichíneos diversos? Atualmente não possuo nenhum animal de estimação. O que me inspira são todos os bichíneos que vejo. Você imaginava a proporção que ela teria? Eu criei essa página em março de 2015. Nunca teve repercussão e nem destaque algum, sempre foi bem pequena. Esse ano começaram a bombar umas montagens com "catioro ou bolinho", "catioro ou sorvete de flocos". Eu publiquei elas na página e renderam muito. Foi a partir daí que decidi mudar o nome da página de "Dog Reflexivo" para "Catioro Reflexivo" e decidi também inserir outros animais na página, até, então, eu só enviava cachorros mesmo. Pra colocar esses novos bichos, pensei em algo criativo, troquei o "gatinho" por "gatíneo" e comecei a usar esse "íneo" em tudo. A recepção dos seguidores foi muito boa e então mantive a ideia. Quando mudei o nome da página e passei a usar a linguagem fofínea, a página tinha 30 mil seguidores. Nesse momento, 6 meses depois, está com 1 milhão e 600 mil e um engajamento muito forte. Não, eu não esperava MESMO essa proporção. Qual a sua profissão? Ela contribuiu de alguma maneira para a criação da página? Minha profissão é vendas. Sempre fui vendedor. Sempre gostei de negociar. Talvez isso tenha me ajudado na persistência de meus projetos na

Ilustração: Ana Martini

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Texto: Gustavo Fritzen Fotos: Simon Fairbairn/Arquivo pessoal

A possibilidade de morar na casa de um estranho talvez possa parecer improvável para muitas pessoas. Se for para viver sem pagar nada enquanto o proprietário viaja, mais ainda. Isso é possível graças a iniciativas para facilitar a vida daqueles que buscam um lugar para ficar, como também de quem não quer deixar sua residência abandonada por muito tempo. Trata-se de sites como Mind My House, Nomador e House Carers, que, desde 2005, ganham cada vez mais espaço e conquistam usuários de diferentes países. Com alguns cliques, você pode garantir uma estadia em Sorocaba (São Paulo), Londres ou Flórida. Mas a lista não para por aí. São mais de 30 países onde apaixonados por viagens podem se alojar. Há aqueles que querem passar apenas um final de semana fora, talvez aproveitar aquelas uma ou duas semanas das férias tão desejadas. Mas tem, ainda, quem aproveita dessas chances para ir além, para se mudar com frequência e conhecer diferentes culturas num curto espaço de tempo. É o caso de Simon

O Casal Nomâde, Erin e Simon 38

Fairbairn e Erin McNeaney, que há seis anos se dedicam a cuidar da casa dos outros. A jornada do “casal nômade digital”, como se autodenominam, iniciou em 2008, quando dedicaram o ano para o conhecer Sudeste Asiático, Austrália, Pacífico Sul e Estados Unidos. O que eles não esperavam era levar mais tempo do que o previsto, pois encontraram “pessoas maravilhosas, lugares incríveis e puderam fazer coisas inacreditáveis” nesse meio tempo. Depois disso, a rotina caseira pareceu um tanto quanto monótona, “as contas, o carro, todas nossas besteiras acumuladas, o tédio repetitivo do dia a dia”, lista o casal. Foi no exato dia 1º de março de 2010 que os dois deixaram seu lar para conhecer lugares que até então sempre sonharam. Hoje, seis anos depois, somam em seus “currículos” passagens por uma fazenda na Espanha com 14 animais, uma casa de campo na Argentina e um lar no Japão. A experiência possibilitou várias coisas, dentre elas “conhecer coisas que não teriam acesso em sua casa, diferentes culturas e costume”, contam ao listar as vantagens.

Mind My House, um contrato é disponibilizado no qual são explicitadas exigências ou observações a serem seguidas. O site afirma que a vantagem desse acordo com um desconhecido é a maior liberdade do proprietário ao expor suas condições, algo que poderia causar constrangimento se fosse com um amigo ou familiar. No que diz respeito a problemas durante a estadia, o “casal nômade digital” coleciona alguns imprevistos ao longo dos anos. Entre os casos referidos, há o de um cachorro que, na época, era idoso e tinha câncer, e também envolvendo água e energia solar. “E um monte coisas, mas mesmo assim nós aproveitamos a experiência”.

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Quem participa desse House Sitting alerta: Não se trata de um período de férias. A pessoa precisa dedicar uma estimativa de três a quatro horas para trabalhos na casa, como cuidar dos animais, do jardim e dos cômodos internos. Mas no final de tudo isso, você terá muitas histórias para contar a seus amigos, seja da vez que você viveu em um castelo europeu, seja do dia que ficou num vilarejo remoto na Europa.

Dos 10 países mais procurados por aqueles que optam por cuidar da casa dos outros, nove estão na Europa, com exceção dos Estados Unidos (1780), que ocupa o primeiro lugar. Ainda no que diz respeito aos lugares mais procurados, a Terra do Tio Sam é seguida de perto por França (1683), Reino Unido (1636), Espanha (1556) e Itália (1534).

Colagem: Letícia de Vargas Gomes

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Apesar de não protagonizar a lista dos mais procurados, o Brasil conquista cada vez mais espaço no ranking dos países com mais proprietários cadastrados. Ocupando a 10ª posição, põe-se à frente de lugares como Alemanha, Portugal e Grécia.

Quando não viajam, Erin e Simon trabalham a sua maneira. Ele, com o desenvolvimento de aplicativos iOS e ilustração, ela, como coordenadora de arte, incluindo a organização do Exodus Festival, evento que estimula a diversidade cultural através de música, comida e danças. Para ser um cuidador, como é o caso de Erin e Simon, o candidato precisa preencher alguns requisitos. Há um questionário com informações como nome completo, nacionalidade, em que dias e países está disponível. No caso do

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Começo essa reportagem com uma pergunta: você sabe o que é mãe solo? Talvez para muitos o termo “mãe solo” cause um certo estranhamento. Já a expressão mãe solteira possa parecer mais “familiar”. Mas afinal, qual a diferença entre mãe solteira e mãe solo? Até o início desta reportagem, vou confessar que também desconhecia a diferença. Mas, a partir de uma conversa com Raquel, 25 anos, colega do curso de Jornalismo e mãe da Helena, comecei a compreender a significativa diferença entre as expressões mãe solteira e mãe solo na nossa cultura.

Fotos: Raquel Compassi/Arquivo Pessoal

“Léo, antes de começar a te responder, acho importante desvincular a maternidade do termo "mãe solteira". Sei o que tu quis dizer, mas o mais correto é "mãe solo", que é quando há pouca ou nenhuma presença paterna [...] No meu caso não posso me considerar mãe solo porque o pai da Helena participa de absolutamente tudo e realiza o que chamamos de paternidade ativa.”

Helena, filha de Raquel 40

Pode parecer pouca coisa um termo diferente, contudo efetivamente o significado muda por completo. Afinal, nem toda mãe solo é considerada solteira, visto que existem casos em que o pai mantém o relacionamento ativo com a mãe, no entanto, não se faz presente no núcleo familiar. Bem como existem famílias em que o pai está sempre presente na criação do filho, mesmo quando não tem convívio com a mãe. Se pararmos para pensar, todos nós conhecemos uma mãe solo. Seja solteira ou casada. Para continuar a discussão sobre conseguir abordar este tema, obtive ajuda de duas colegas do curso de Jornalismo que há pouco tempo tornaram-se mães. Raquel Compassi, 25 anos e mãe da Helena (apresentada no início do texto) e Bárbara Viacava, 22 anos e mãe da Sol. Após receberem a notícia da gravidez, ambas contaram com apoio dos familiares para se recuperarem do susto e das incertezas de serem mães. Para elas, o apoio incondicional dos amigos e familiares mais próximos foi fundamental neste momento.

“A rotina que eu tinha antes da Sol não volta a ser como antes, mas eu já voltei a fazer algumas coisas que eu fazia antes que eu vejo como necessárias, que é o trabalho e a faculdade. Deixando claro que eu só tenho a possibilidade de fazer isso porque minha mãe cuida da Sol nesse período, porque meu pai paga minha faculdade, e porque eu ainda moro com eles”, explica Bárbara. Ela ainda complementa falando das principais dificuldades que enfrenta na volta à rotina de trabalho de estudos:

“Acredito que os principais desafios de ter filhos nessa idade sejam estes mesmo, de ter que voltar a trabalhar e estudar, mas depender dos outros para que tu consiga fazer isso [...] Hoje vejo o trabalho e estudo de uma forma diferente da que eu via, acho que é bem possível ser feliz, e até mais feliz, largando a faculdade e fazendo algo que realmente queira, mas com filho me sinto um pouco pressionada e com medo de não conseguir algo no futuro, então, de certa forma, são coisas que me dão a sensação de insegurança,” conta Bárbara. Para Raquel, a mudança recente (Helena completou 2 meses) apresenta as novidades, desafios e ainda a estimula em concluir todos os seus planos: Acredito que seja o desafio de conciliar tudo que vem antes dos filhos: faculdade, trabalho/ estágio, vida social... Mas a maternidade não impede nenhuma dessas atividades, pelo contrário, me incentiva a ser melhor em tudo que

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Texto: Leonardo Couto

Um ano após o nascimento da Sol, Bárbara inicia sua nova rotina e conta com a presença da sua família para seguir com suas tarefas de antes da maternidade:

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eu faço. Minha bebê nasceu com alguns problemas de saúde e teve que ficar vários dias na UTI. Depois disso, nada mais me parece um desafio. Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Data Popular em 2015, as mães do século XXI são mais liberais e independentes. Para este dito novo perfil de mães, a liberdade de comunicação é uma forma de aprender e dividir seus conhecimentos diários, além de quebrar conceitos comuns. Para Raquel, a principal questão que gerava perguntas era em relação ao pai da Helena. Na gravidez o único tabu que enfrentei foi em relação ao meu estado civil. As pessoas sempre querem saber do pai do bebê e o motivo de não existir um relacionamento entre a mãe e o pai. Mas a melhor maneira que encontrei para lidar com isso foi a naturalidade. É simples: eu sou mãe, ele é pai e não somos um casal. Entre a família e amigos o apoio foi incondicional sempre.

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Localizado no Vale do Rio dos Sinos, possui duas unidades, uma em Campo Bom e outra em Novo Hamburgo. O Feevale Techpark está em constante expansão e promove inovação para 42

A Protofast, empresa comandada pelos sócios Thiago e Henrique Blos, está incubada em Novo Hamburgo e presta serviços em manufatura ativa e venda de equipamentos para prototipagem rápida em impressoras 3D. “Sempre trabalhamos em núcleos tecnológicos, inicialmente no Tecnosinos, então sabíamos das vantagens de estar próximo de outras empresas iniciantes, tendo o amparo e suporte de uma universidade.

Feevale Techpark de Campo Bom

Em setembro completamos um ano como empresa residente e neste período tivemos muitos aprendizados. As mentorias são muito importantes para que, empresas Startups, se direcionam para o melhor caminho, buscando aperfeiçoamento em áreas antes pouco exploradas (comercial, marketing, planejamento, etc). Outra coisa bastante importante é a rede de contatos, pois acabamos conhecendo profissionais das mais

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Sala de Criatividade

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A unidade em Novo Hamburgo tem como foco a economia criativa e TIC (Tecnologias

A empresa OrthusLab reside em Campo Bom e trabalha com aferição ortopédica de colchões. O Fisioterapeuta André Fernando da Rocha, conta que conheceu o Feevale TechPark durante seu mestrado na Universidade. “O que me motivou a participar foi o fato de ser um ambiente de empresas inovadoras e a possibilidade de expansão do meu negócio. Com essa experiência aprendi que o mundo da inovação é muito mais complexo do que apenas ter uma boa ideia. O empreendedorismo é uma atitude que requer muita persistência, network, tecnologia, marketing e expertise”, afirma André.

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bilística e financeira. Assim os custos são bem distribuídos e direcionados para que a empresa cresça e tenha um ótimo desenvolvimento para ir ao mercado.

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Sua estrutura conta com espaços de convivência e uso compartilhado, como salas de reuniões, auditório, escritórios administrativos e de apoio, serviços de portaria, copa, estacionamento, laboratórios de criatividade. Acesso aos programas gerenciados pela Pró-reitoria de Inovação, como Pílulas da Inovação, Diálogos Empresariais, Parceiros de Negócios, além de Projetos de Inovação e Serviços Especializados.

A incubadora é o primeiro passo para quem tem uma ideia inovadora, que vem de frutos de projetos de pesquisa, desenvolvimento científico e tecnológico. Com isso, a universidade fornece um ambiente inicial para que a empresa cresça tendo uma assessoria empresarial, conta-

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processos produtivos, desenvolvendo o potencial econômico no Vale dos Sinos, trazendo novas possibilidades ao empreendedorismo local. Atualmente, 47 empresas estão vinculadas ao Feevale Techpark.

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O Feevale Techpark, é um Parque Tecnológico que tem como principal objetivo realizar atividades de pesquisa, empreendedorismo, inovação e desenvolvimento. A Incubadora Tecnológica da Feevale tem como principal objetivo oferecer suporte a empreendedores para o desenvolvimento de ideias inovadoras e transformá-las em empreendimentos de sucesso. Para isso, proporciona infraestrutura, sinergia com outras empresas e suporte gerencial orientando quanto à gestão do negócio e a sua competitividade.

Conversamos com alguns responsáveis sobre empresas residentes da Feevale Techpark a respeito da experiência que a incubadora proporciona.

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Texto: Miluna Rilo Ayala e Bruna Loebens Imagens: Feevale Techpark / Arquivo Feevale

diversas áreas, o que acaba facilitando a indicação de clientes ou até mesmo de parcerias”, afirmam os sócios.

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Feevale Techpark_ possibilidades e inovação

da informação e comunicação). Com um ambiente que possui infraestrutura para pequenas e médias empresas de base tecnológica, contempla atualmente espaços de convivência e uso compartilhado, como salas de reuniões, auditório, escritórios administrativos e de apoio.

Tiago Blos - líder da empresa Profast

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Texto Pietro Pasqualotti Fotos: Gelpi/Arquivo Pessoal

A banda da capital gaúcha, Gelpi, lançou em setembro seu álbum intitulado Blood Ties no Spotify, Apple Music, Deezer, entre outras plataformas de streaming. Este foi o primeiro CD profissional da banda formada em 2013 pelos irmãos Bolívar, Pedro e Laura Gelpi e busca inspirações no folk, blues e rock, como Mumford and Sons, The Lumineers, Current Swell, Boy and Bear, Of Monsters And Men, além de clássicos como Muddy Waters, Johnny Cash, entre outros. Antes do álbum, o clipe da música Spaceships já havia sido lançado e atraiu centenas de visualizações no Youtube. No dia 6 de setembro, a banda aproveitou o famoso Bar Opinião, na movimentada Cidade Baixa em Porto Alegre para lançar o disco e lotaram o local. Os integrantes contaram que o formato banda surgiu muito antes de pensarem em criá-la. Por serem irmãos, o convívio foi levando-os aos instrumentos que experimentaram. Ao longo do tempo foram se aprimorando e, assim, começaram os primeiros projetos de HardCore entre Bolívar e Pedro. Enquanto o Bolívar estava na Austrália, ele conheceu melhor o Folk e percebeu que era um estilo musical que ainda não tinha se perpetuado no Brasil, com músicas tocando em rádios 44

A banda em um show em Porto Alegre

e em outras trilhas, como em novelas e séries de TV. Quando ele voltou, começaram então o projeto Acústico Gelpi, que contava com ele e seus irmãos, Laura e Pedro. Após uns meses, foram até a casa do Erik (baixista) gravar uma versão de Away from Home em seu estúdio caseiro, e a partir disso ele começou a participar dos ensaios junto com o Thiago, então aí foram incorporados o baixista e percussionista/ baterista no projeto. Passado um ano, entraram no grupo o Francisco, tocando violino e mandolin e o André na bateria -substituindo o Thiago-. O Fava, trompetista, começou fazendo alguns shows até entrar de vez. Os irmãos ainda completaram “começamos entre 3 irmãos e agora somos uma família com 7”.

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Eles nos contaram um pouco sobre o show de lançamento, que foi um momento difícil de sintetizar em palavras. Foi um marco na história do projeto da Gelpi, resultado de meses de planejamento e trabalho árduo para fazer o espetáculo do jeito que eles imaginavam, com 12 músicos ao todo em cima do palco. “Colocar mais de mil pessoas no Opinião -casa histórica de Porto Alegre- é algo que vai ficar para sempre guardado na nossa lembrança e que nos dá uma injeção de ânimo e vontade de continuar fazendo o que a gente ama: expressar nosso sentimento através da música”, comentaram os integrantes da banda. A banda nos contou que a sensação de ter suas músicas tocando pelo mundo todo é de muita alegria e gratidão, mas também de muita responsabilidade. “Ficamos felizes e gratos por termos esse reconhecimento pela equipe do Spotify, por nossa música Spaceships estar rodando o mundo e por todo este feedback positivo que está acontecendo, abrindo espaço para conhecerem nosso álbum. E isto também nos coloca uma responsabilidade, por mais que estejamos tocando em playlists junto com artistas consagrados, é necessário mantermos os pés no chão e juntos estudar quais os próximos passos para dar continuidade a este trabalho”. Ou seja, a banda sabe que com com a fama, é necessário manter a cabeça no lugar e entender a responsabilidade do trabalho. vado o clipe

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FICHA TÉCNICA Bolívar Gelpi - Voz e Violão Laura Gelpi - Teclados e Voz Pedro Gelpi - Banjo, Lapsteel, Violão e Voz Erik Feller - Baixo André Menna - Bateria e Percussão Francisco Gonzaga - Violino e Bandolin Fabiano Fava - Trompete Rodrigo Scopel - Harmônica CONTATO TWITTER: @acusticogelpi INSTAGRAM: @acusticogelpi SNAPCHAT: acusticogelpi EMAIL: acustico.gelpi@gmail.com CONTATO PARA SHOW EMAIL: gelpi.b@gmail.com TELEFONE: (51) 9361.1936

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Texto: Gustavo Fritzen Ilustração: Gabriel Hilgert

Quando Tolkien começou a contar a jornada de Bilbo Bolseiro e os 13 anões rumo à Montanha Solitária para seus filhos, não imaginava que, anos mais tarde, ela se tornaria um sucesso mundial. Menos ainda que dela teria origem uma saga responsável por influenciar uma legião de fãs da cultura pop, partindo da literatura, alcançando o cinema e atingindo até mesmo a música. Impulsionado pelo sucesso de “O Hobbit “(1937) e por seu editor, o escritor John Ronald Reuel Tolkien (1892 – 1973), inicia aquele que viria a ser um de seus principais trabalhos, a obra “O Senhor dos Anéis”. Publicada entre 1954 e 1955, a Saga do Anel se tornou a oportunidade perfeita para o autor britânico explorar do Universo da Terra Média os elementos até então apresentados no livro anterior. Através disso, seus leitores poderiam, assim, conhecer um pouco mais sobre os “Reis dos Homens”, os heroicos cavaleiros “homéricos”, os “servos do Anel”, bem como o coloquialismo e a vulgaridade dos hobbits. A vontade de transpor maior veracidade à sua criação veio através de pequenas singularidades, como diferentes povos e raças, cada um com seus próprios costumes. Facilmente comparada com o continente europeu, a Terra Média é um reflexo da Europa na Idade Antiga e muitas das características foram adaptadas. Esse esmero se deve a um fato que sempre atormentou o escritor: A falta de histórias próprias/tradicionais de seu país. Em uma carta datada em 14 de dezembro de 1950 para o editor Stanley Unwin, Tolkien conta que os mitos do Reino Unido não apresentavam a “quali-

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dade” que ele buscava, comparado com a de outros lugares, como as da Grécia, Roma ou Escandinávia. Apaixonado pela criação de letras e palavras desde jovem, J. R. R. Tolkien criou seu primeiro idioma ainda quando criança. Anos mais tarde, esta paixão veio a se tornar sua profissão. Tendo se graduado em Letras (e mais tarde conquistado um doutorado), o filólogo e professor fez questão de passar para as páginas seu conhecimento linguístico. O resultado? Uma série de idiomas fictícios, todos eles com gramáticas e regras próprias, tendo caracteres latinos ou rúnicos, como o élfico e a língua dos anões. Em seus livros, é possível encontrar diversas frases. Em uma pesquisa quantitativa para minha monografia, “O romance como forma de comunicação: Uma análise de O Senhor dos Anéis”, foi apontado oito idiomas, utilizados 45 vezes ao todo. No caso dos filmes, o que predomina é o dialeto élfico. Frente a estas vastas possibilidades, muitos fãs da Mitologia Tolkiana decidiram decorar as regras para elaborar diálogos entre si. Com isso, surge a questão: É possível falar os idiomas que Tolkien criou? Resposta: Não! Ainda que se pudesse, Tolkien teria escrito sua história em élfico. Nunca foi sua intenção fazer do Quenya ou Sindarin, ou qualquer outra, uma língua falada. Uma alternativa para quem quer se arriscar primariamente nesse meio é o guia de Sindarin, de David Salo. Contratado por Peter Jackson para os estudos linguísticos nas adaptações cinematográficas de O Senhor dos Anéis e O Hobbit, to: Senhor dos Anéis Brasil/Reprodução

O Mundo além da Terra Média

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o estudioso elaborou um material básico que permite diálogos simples. A crítica vinda desse conteúdo, como a feita por Carl F. Hostetter, editor de diversos periódicos sobre a Terra Média, é que esse conteúdo acaba por se limitar apenas a dominar regras artificiais e simplificadas. Resumo da ópera: Conteúdo legítimo? Apenas o criado pelo autor.

a apontar um revolver para a cabeça de Hitler, mas decidiu não o matar. De acordo com o artigo World War One: The British hero who did not shoot Hitler, a jornalista da BBC News, Berthan Bell, diz que Tandley poupou-o, uma vez que se tratava apenas de um dos poucos remanescentes de alemães derrotados daquele confronto. O fato se assemelha com o que aconteceu com Bilbo Bolseiro, quando, invisível, graças ao poder do Anel, tem a oportunidade de matar Gollum. O hobbit acaba por ficar com pena da pobre criatura e deixa-o viver. A consequência dos dois atos misericordiosos trouxe resultados para a história e, caso ambos tivessem sidos mortos, os desfechos poderiam ter sofrido alterações drásticas.

Mas não só de boas lembranças ou passatempos que O Senhor dos Anéis foi construído. Tendo combatido na I Guerra Mundial como soldado, J. R. R. Tolkien presenciou muitos dos horrores dos combates, alguns dos quais foram inseridos na sua narrativa. John Garth, autor do Tolkien and the Great War e vencedor do Mythopoeic Society (2004), aponta diferentes momentos em que podemos identificar as situações. Uma delas é no capítulo “O Pântano dos Mortos”, quando Frodo, Sam e Gollum atravessam o local rumo a Mordor. Conforme Garth, a situação se compara a quando o autor participou da Batalha de Somme, em 1916. A descrição na narrativa dos corpos dos elfos, humanos e orcs, que jaziam em meio ao lamaçal, é uma referência aos seus companheiros de combate, inclusive dois de seus melhores amigos, que pereceram nas trincheiras.

Mesmo passados quase 80 anos desde a publicação de sua primeira história, o número de admiradores do trabalho de John Ronald Reuel Tolkien permanece alto. O jornal britânico The Sunday Times escreveu certa vez que “O mundo está dividido entre aqueles que já leram O Hobbit e O Senhor dos Anéis e aqueles que ainda não leram”. Hoje, com vendas superando os 150 milhões de exemplares comercializados, a Trilogia do Anel mais do que justifica a afirmação.

Uma nova situação, agora envolvendo um personagem histórico de nosso mundo com o fictício, traz consigo uma comparação um tanto quanto inusitada: A piedade que Adolf Hitler e Gollum receberam e as consequências de terem sidos deixados vivos. No caso do ditador alemão, o batalhão em que ele estava foi derrotado por um exército britânico em setembro de 1918. O soldado Henry Tandey chegou

Não são poucos os escritores que admitem sofrer influência do professor. A lista vai desde J. K. Rowling (Harry Potter), Neil Gaiman (Sandman), Stephen King (A Torre Negra) e George Martin (Game of Thrones). Talvez por isso que, direta ou indiretamente, ainda hoje consumimos um pouco do que foi criado pelo professor no século passado. E também, talvez por causa disso que, pelo menos para os próximos anos, a história de nove pessoas que deixaram a morada dos elfos para destruir um anel e livrar as pessoas da ameaça do mal será lembrada.

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Texto: Solange Flores Fotos: Diego Soares

Durante o mês de setembro aconteceram as comemorações dos cinco anos do Teatro Feevale. O espaço já abrigou diversos eventos culturais e sempre está de portas abertas, convidando a comunidade para desfrutar de seus mais de 1500 lugares, que o fazem o maior teatro do estado, motivo de orgulho para a Feevale e para Novo Hamburgo. O marco inicial dessa comemoração é a exposição "Sobre Atos e Cenas" que conta, através de fotografias, a história da casa. O fotógrafo do teatro, Diego Soares contou como foi o processo de escolha das fotos. eevale

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REVISTA K: Há quanto tempo você é fotógrafo do Teatro Feevale? DIEGO: Eu fazia alguns freelances para a casa um tempo atrás. E há três anos sou o fotógrafo oficia. É muito bom estar aqui e fazer parte disso. REVISTA K: Diego, como foi a escolha das fotos? Houve algum critério? DIEGO: Na verdade não tínhamos em mente nenhum critério. Começamos a curadoria com cerca de mil fotos e fomos eliminando por pequenos defeitos de iluminação, enquadramento, coisas mais técnicas, mas foi muito difícil escolher, pois eram realmente detalhes. Na reta final foi mais fácil, tinham poucas fotos para escolher, então, o critério foi gostar mais de uma ou outra. REVISTA K: Qual é a foto mais significativa da exposição para ti? DIEGO: Sem dúvida é uma foto do show do Roberto Carlos. Não podíamos tirar muitas fotos e consegui uma do momento em que ele beija uma rosa para jogar para a platéia, é a mais especial para mim.

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REVISTA K: Como é ver teu trabalho exposto e contando a história do Teatro Feevale? DIEGO: É muito legal. Saber que faço parte dessa história de sucesso e que o meu trabalho conta um pouco de como isso tudo aconteceu, é incrível. REVISTA K: Como está sendo a aceitação do público, já que exposições não são algo tradicional na região? DIEGO: Está sendo bem legal. O público está comparecendo e gostando. Isso é uma das coisas que o Teatro Feevale está ajudando a mudar, pois trás para a região não só shows musicais, mas outros diferentes eventos que movimentam a cultura como um todo. Os espectadores estão abraçando o teatro e entendendo que esse é um espaço cultural da comunidade.

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O que Perdemo s entre os BlockB usters

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Chegamos a um ponto estranho do cinema. Apesar de adorar os filmes da Marvel e DC, e, por favor, não me entenda mal, eu amo, receio que estejamos perdendo outros títulos de qualidade em prol de nossos queridos blockbusters. Que são os filmes com roteiros mais manchados, cheios de efeitos especiais, e criados com o intuito de levar multidões aos cinemas. Em meio a esquadrões, conflitos épicos, guerras civis, rostos novos de conhecidos heróis, acabamos tão extasiados que esquecemos quase por completo de olhar para o lado. Apenas durante 2016, segundo o site de cinema IMDB, serão mais de 32 títulos lançados nos cinemas nacionais, dentre estes, a esmagadora maioria são continuações de franquias de sucesso já estabelecido, como “Jogos Vorazes” , “Batman VS Superman”, “Capitão América – Guerra Civil”, “X-Men Apocalipse” e a lista não para de crescer. A previsão para 2017 é ainda mais blockbuster, ainda veremos “Liga da Justiça”, “Thor”, “Mulher Maravilha”, “Guardiões da Galáxia 2”, e acredite, “Velozes e Furiosos 8” com um possível flashback do personagem de Paul Walker, que interpretou Bian O’Conner na franquia, e faleceu em um acidente de carro em 2013. A esmagadora presença de filmes criados e perpetuados para atrair milhões para as salas de exibição de tem previsão de parada de produção. Nesse vasto oceano de superproduções, roteiros menos pretensiosos e sem tantos efeitos especiais acabam por cair no limbo das bilheterias. Grandes produções, com roteiros complexos

ou apenas engraçados, recheados de nomes de peso em Hollywood, esses filmes atingem uma arrecadação que apenas se paga e pouco lucra, pelo menos no nível Brasil, não estamos falando em arrecadação mundial e nem em documentários ou da roda B da indústria cinematográfica. É complicado explicar esse fenômeno já que vemos um aumento de interesse por películas com dramas psicológicos, suspenses e até terror menos sangrento e mais “mental” por assim dizer. Voltamos ao plano em que “Silêncio dos Inocentes” era considerado terror muito mais que “Invocação do Mal”. Títulos como “Um Homem Entre Gigantes” que apresenta Will Smith como um neuropatologista forense que descobre como graves traumas cerebrais são comuns em jogadores de futebol americano, tentando expor o problema ao mundo e indo contra a NFL. Notem o enredo, tudo para ser um filme de sucesso absurdo, mas foi engolido já que teve a infelicidade de estrear no mesmo mês do aguardado “Batman vs Superman”, que também é um ótimo filmes, mas ainda segue a mesma trilha de briga de grandes heróis que não se suportam por algum motivo um tanto quanto mesquinho. “A Garota Dinamarquesa” e o “Quarto de Jack” , que estrearam em fevereiro no Brasil, mesmo mês que entraram em cartaz “Deadpool” e “Os Oito Odiados” de Tarantino, convenhamos, não há competição justa de bilheterias quando Tarantino está envolvido. Apesar de “A garota Dinamarquesa” tratar de um tema atual como a transexualidade, não foi tão bem nas telonas. Mas nós da K dedicamos uma matéria para essa cinebiografia incrível Foto: Site

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Texto: Solange Flores

Já em abril desse ano tivemos “Alice através do Espelho” e “X-Men Apocalise” jogando para as últimas posições da nossa lista, os maravilhosos e empolgantes “Jogo do Dinheiro” que nos apresenta George Clooney como um mago do dinheiro de Wall Street graças ao seu programa financeiro na TV, infelizmente para o personagem de Clooney, uma das empresas que ele recomenda entra em colapso. Um investidor furioso faz dele e de sua equipe reféns, e por aí o filme de desenrola durante uma transmissão ao vivo. No meio da crise financeira e política que enfrentamos este é sem dúvida um filme que deveria causar filas quilométricas nas salas de cinema. Junto com ele veio “Janis” o documentário da queridinha Janis Joplin, que para quem gosta de boa música é indispensável. Os anos 2000 trazem a revolução de efeitos especiais, mas nos condiciona a apenas isso, nos centramos de forma tão maciça nas grandes explosões, efeitos 3D, batalhas cheias de raios, personagens criados quase 100% de forma digital, que vamos aos poucos esquecendo a real magia da sétima arte, que é contar histórias. Sejam elas épicas, bobinhas, longas, curtas, romances, suspenses, enfim. Quando surgiu ele não tinha som nem cor, eram apenas imagens em preto e branco projetadas em um grande fundo branco. Não tínhamos tecnologias de acústica, nem sequer existiam as salas de cinema, eram os chamados drive in, cada um no seu próprio car-

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na edição passada.

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ro, ao ar livre, vendo o sonho de um estúdio posto à prova do grande público, sem muitos rodeios, apenas alguns truques de câmera, o talento dos atores, roteiristas e diretores, isso constituía um bom filme, apenas isso. Sem críticas veladas a forma atual de se fazer cinema, melhoramos, evoluímos, imagem e som que dão inveja a qualquer um. Mas será que isso basta? Será que apenas efeitos, imagem de primeira e som impecavelmente limpo são o bastante para perpetuar a vontade de sair do conforto do sofá, pegar fila para ingresso, fila para pipoca, fila para entrar na sala, e apenas então assistir o tão aguardado filme? Pergunto-me por quanto tempo será. Que sejamos mais criteriosos, que não percamos tantos filmes excelentes pelo oportunismo do mais do mesmo. Não condena quem segue fiel a franquias e histórias em quadrinhos, afinal minha fidelidade a “Harry Potter” e “Batman” não me fazem a melhor pessoa para julgamentos, mas que possamos ter pensamento crítico. Discernir: Quero ver esse filme ou apenas entender as referências das redes sociais? Que façamos essa pergunta, que tenhamos tempo para assistir um filme por mera distração e não apenas os da moda ou profundamente cult. Que sejamos sempre nós, que nossas escolham não só no cinema reflitam isso, mas as da vida. Afinal, filmes saem de cartaz, viram DVDS, entram no circuito da TV fechada e até do Netflix, que saibamos definir o que vale a pena a espera, a expectativa, a fila e o ingresso.

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“Espelhos do Racismo”, da W3haus, para a ONG Criola:

Foto: Site nbcnews/Reprodução

Foto: Site V

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O case ganhador de um troféu de prata e três bronzes na França, a equipe da W3 jogou luz sobre um problema tão presente no Brasil, algo que tentamos esconder e que não é discutido como deveria, principalmente, em ambientes educacionais. Com o tema “Racismo”, a campanha se resume na exposição dos tweets racistas feitos pelos agressores na cidade dos respectivos, com o objetivo de chamar atenção para os atos de racismos cometidos na rede social. No final do vídeo da campanha ainda há a imagem de um dos agressores pedindo desculpas à meteorologista da Rede Glo- “#Optoutside” (#Optepeloladodefora), da Venables Bell & Partners, para a marca REI: bo, Maju, alvo do tweet racista.

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Vencedora do Grand Prix Promo em Cannes, a campanha se baseou em apresentar a ideia da empresa REI – loja americana de materiais esportivos – em fechar suas portas no Black Friday, dia em que praticamente todas as lojas dos Estados Unidos abrem suas portas mais cedo e fazem promoções incríveis. A empresa, ao fechar todas as lojas, deu aos seus funcionários o dia de folga e incentivou não só os colaboradores, mas os clientes. A irem para o lado de fora – de seu local tradicional, seja ele a casa ou o trabalho – e aproveitarem o que de melhor a vida oferece. Atingindo pessoas do mundo inteiro, cartazes, placas, outdoors e informativos foram espalhados em todas as lojas e nas redes sociais, tomando uma proporção fora do comum para uma campanha que ao invés de incentivar a compra de um determinado produto, faz o contrário, promove a integração com o mundo e ao que a natureza oferece.

“House of Cards FU 2016”, da BBH New York, para a empresa de streaming Netflix: Nem Hillary, nem Trump, pois o candidato favorito é Frank Underwood. A campanha “FU2016″, criada pela agência BBH New York, provou que a alternativa de Underwood é a favorita dos americanos. A Netflix ganhou o Grand Prix Integrated, no 63º Cannes Lions Festival Internacional de Criatividade. A peça central da campanha foi uma propaganda presidencial de Frank Underwood, que foi exibida durante um debate real presidencial do Partido Republicano na CNN. Cerca de

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Texto: Pietro Pasqualotti

O que acontece com uma família que só come alimentos orgânicos? Foi com essa dúvida que a rede de supermercados Coop, da Suécia, criou um dos maiores virais publicitários do ano passado. A marca sueca testou o que acontece com o nosso organismo depois de duas semanas de alimentação 100% orgânica. O estudo é uma colaboração entre o Swedish Environmental Research Institute IVL e a cadeia de supermercados suecos, a Coop Suécia, pioneira em vender produtos orgânicos e que há anos favorece a produção de orgânicos, colocados a preços competitivos para os seus consumidores. Cada um dos membros da família de cinco pessoas foi submetido a análises de urina antes e depois do início da nova dieta. Os níveis de inseticidas, pesticidas e fungicidas caíram significativamente em apenas duas semanas do início do experimento. Este é mais um exemplo de que a escolha por alimentos orgânicos possa ser mais saudável.

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No ano de 2016 ocorreu a 63ª edição do Cannes Lions, a premiação máxima da publicidade no mundo. Dentre os vencedores, a Revista K destaca algumas campanhas.

“The Organic Effect” (O Efeito do Orgânico), da Forsman & Bondefors, para a COOP:

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18 milhões de pessoas acompanhavam o debate. Tanto o teaser quanto o site promocional tem essa temática e tem um trabalho de produção modo campanha eleitoral muito bem feitos, até de deixar os profissionais do ramo intimidados, eu diria. Com o nome FU 2016 (iniciais do personagem principal, Frank Underwood, tem até media kit do candidato!!! Outra grande jogada de marketing é o fato de que você pode colocar o FU 2016 no seu avatar das redes sociais e demonstrar seu apoio à campanha de Frank Underwood para Presidente dos Estados Unidos em 2016. 53


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A sudorese excessiva também foi um obstáculo superado, a partir de uma carta enviada por Karla a um médico da cidade, o rapaz conseguiu realizar a cirurgia para a secagem das glândulas sudoríferas gratuitamente. “Eu suava muito antes da cirurgia e isto fazia eu me sentir muito mal perto das pessoas. Depois que eu me curei, passei a ter muito mais confiança em mim e a conviver mais com outros jovens”, relata Bily. Hoje, não há diálogo que faça o garoto fugir. A impulsividade e a inquietude ganharam nova forma a partir de suas criações artísticas, sendo reconhecidas nacionalmente. Uma de suas obras chegou até mesmo a estampar a campanha do 1º Congresso Nacional de CAPSi em 2013. Oportunidade disputada com artistas de todo o Brasil, rendendo até mesmo a viagem dos sonhos do garoto: conhecer o Rio de Janeiro. Outra criação entrou para o acervo do Ministério da Cultura, a partir de um concurso da 3ª Conferência Nacional da Juventude. E outras também foram reproduzidas pelo país. Atualmente Bily não precisa mais frequentar o CAPSi, mas faz questão de fazer visitas para cultivar as amizades que fez lá. O artista continua recebendo prêmios pelas suas obras e expondo seus trabalhos aqui no Sul. Participa de reuniões no Ambulatório de Novo Hamburgo, ajudando outros jovens a superarem suas diferenças, mostrando que todos somos diferentes e que nada nos impede de realizar nossos sonhos.

Texto: Élen Guimarães Fotos: Bily Anderson / Arquivo Pessoal

Jovem artista hamburguense supera obstáculos através da arte

A parede azul é apenas um pequeno detalhe do quarto, onde adesivos com expressões políticas, pinturas em aquarela, retratos a lápis dos amigos e pequenos objetos reciclados trazem vida e personalidade ao ambiente. É neste recanto que Bily Anderson, 22 anos, expressa suas alegrias e angústias em variadas manifestações artísticas. Seja no breakdance, no beatbox, nas telas ou em papéis. Tudo se transforma em arte. “A arte é a minha base, coloco meu sangue e alma nela”, diz o jovem. Todo este talento não se deixou abalar pelas dificuldades passadas, ao contrário, ganhou forças. Por trás de tantas cores vibrantes e das engenhosas coreografias de break, habita um artista que lida diariamente com o Transtorno 54

Bily exibe sua arte para a reportagem

de Déficit de Atenção com Hiperatividade - TDAH. Mas afinal, “Quem não possui a sua diferença?”, indaga Clair, mãe do rapaz. “Eu tinha muito medo quando ele era pequeno, porque ele não falava e não conseguíamos encontrar o que o atormentava. Hoje nem acredito que superamos tudo”, complementa. O menino calado e, ao mesmo tempo, inquieto, que sentava na fileira de trás da sala de aula, concentrado em seus desenhos, podia, facilmente, apresentar comportamentos impulsivos e, às vezes, até agressivos. Este déficit, se manifestado a partir de três características: desatenção, hiperatividade e impulsividade, junto com a sudorese excessiva (transpiração em excesso que pode afetar todo o corpo), tornaram o rapaz um alvo fácil de bullying durante a vida escolar. “Ele era muito rejeitado, chegava a apanhar na escola”, conta a mãe. Encaminhado aos sete anos de idade pelo colégio para o CAPSi

(Centro de Atenção Psicossocial Infantil), Bily não imaginava que estaria dando o primeiro passo para aperfeiçoar o seu dom e descobrir outros. Muito mais do que auxiliar com acompanhamento médico e psicológico, o local abriu portas para o autoconhecimento e a convivência social. “O nosso trabalho é fazer a diferença na vida da criança, é trabalhar com sonhos”, afirma a assistente social Karla Mombach. Oficinas de arte e escrita, além da convivência com outras crianças, auxiliaram no tratamento do TDAH, chegando até mesmo ao não uso de medicamentos.

Entenda o TDAH Segundo o psiquiatra gaúcho Rafael Moreno, o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade é um transtorno do neuro desenvolvimento, em que algumas áreas cerebrais amadurecem em uma velocidade menor do que o comum. “Este transtorno tem ampla base genética, e alguns fatores externos, como problemas no parto, uso de substâncias na gestação (cigarros, drogas, medicações) e maus tratos infantis, também podem precipitar o início do déficit”, explica o médico. A psicoterapia, por mais que não possua evidências cientificas de eficácia, pode sim ser uma alternativa. Porém, o especialista ressalta a importância de que ela não substitua a medicação. “Quando associada ao tratamento medicamentoso se torna uma ferramenta de extrema utilidade, principalmente para a melhora dos comportamentos agressivos e opositores na infância, que são frequentes em praticamente metade dos pacientes”, explica Moreno. 55


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é transmitido para outras gerações, enquanto que para outros estudiosos essa relação não é tão necessária, e a cultura se forma de qualquer jeito. O importante mesmo é que se possa ver onde essa relação acontece.

A R U T L U C É O G JO

Nos jogos sociais de competição, por exemplo, a contribuição para o desenvolvimento cultural das civilizações antigas pode ser vista em qualidades como força, agilidade, habilidade e inteligência dos participantes. Os resultados desses jogos definiam os grandes guerreiros para as guerras porvir, líderes em jogos de cooperação, ou até uma simples vitória que alçava o participante a um status de maior prestígio social.

Texto: Bernardo Benites Ilustrações: Bernardo Benites

Muitas pessoas pensam que jogos se resumem a matar o inimigo ou vencer uma partida, mas o que eles significam? Qual é o papel deles dentro das culturas e civilizações, desde as antigas até as atuais? Um jogo é basicamente uma relação entre um sistema de regras e os participantes: aos participantes, há comunicação e uma troca de natureza social ao jogar, enquanto as regras existem para dizer o que se pode ou não fazer nessa interação segundo Roger Caillois, autor de “Os Jogos e os Homens”. O diferencial é que tem que existir diversão, como uma brincadeira despretensiosa de esconde-esconde, na qual um conta, enquanto os outros se escondem. Se não tiver um ou outro: não tem jogo. Enquanto há jogo, as regras dele devem ser respeitadas para que ele possa existir, sem espaço às trapaças. Como é voluntário, quem está jogando deve seguir as regras espontaneamente pelo tempo que durar a brincadeira: por isso que dizem que quando alguém “rouba” estraga a brincadeira, porque ela perde a graça. As regras são importantes porque são elas que dizem qual é o prazer e a satisfação que terá a brincadeira para quem ganha e quem perde. Existem funções que diferenciam os seres humanos dos animais, como pensar e fazer (há controvérsias no primeiro caso), mas o brincar pode ser verificado na vida dos dois. Podemos ver cães brincando de

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morder sem machucar um ao outro, divertindo-se, ou buscando gravetos para devolver ao dono. Observar gatos caçando bolinhas de papel como se fossem inimigos mortais por dias, também. Com a brincadeira, até mesmo brincar de matar ou morrer fica divertido. Há diversão, e esse elemento lúdico está sempre presente na sociedade, como dizia Johan Huizinga em “Homo Ludens”, um livro antigo, mas dos primeiros a ir mais fundo nesse assunto. Tão presente quanto a fantasia, que é necessária para imaginar o mundo em que a brincadeira acontece. Se não fosse assim, alguém poderia acabar preso ao brincar de “polícia e ladrão”, ou, quem sabe, uma pessoa achada depois de vários dias escondida, após uma partida de esconde-esconde.Então, onde surge a cultura no meio dessa brincadeira? Tudo aquilo que deriva da criação humana, como formas de expressar, pensar e sentir dos indivíduos resulta na cultura de uma sociedade. Para a sociologia, essas criações são formas de conhecimento e possuem um contexto, são modos de vida que variam de local para local. O jogo também surge de maneira espontânea dentro desse contexto, embora não se saiba exatamente em qual momento. Para Huizinga, o jogo é o principal motivo de existir uma cultura, pois é através dele que o conhecimento

Já na cultura moderna brasileira, essa relação pode ser verificada no jogo mais comum, o futebol. Como é difundido e de importância cultural para uma parcela significativa da população, outras culturas reconhecem este como o país do futebol. Assim como o Baseball e Futebol Americano são jogos simbólicos dos Estados Unidos, o Críquete é da Inglaterra, Hóquei no Canadá, ou então Starcraft e League of Legends na Coréia do Sul. Com o desenvolvimento da tecnologia e a popularização da internet, os jogos digitais cada vez mais eles fazem parte da cultura mundial. Em países com indústrias bem desenvolvidas, os jogos tomam a proporção de indústria de games, em que geram e reproduzem sua cultura. Nos EUA, o faturamento dessa indústria ultrapassa a cinematográfica de Hollywood desde 2007, segundo o banco de investimento de produtos digitais Digi-Capital. Vale lembrar também que os jogos eletrônicos são considerados uma modalidade esportiva em muitos países, o E-sport (Electronic Sport). Existem campeonatos mundiais, times conhecidos e ovacionados, personalidades reconhecidas por jogadas e atuações brilhantes. Um exemplo da importância dos games na cultura é a própria Coréia do Sul, um país que pela

sua localização geográfica sofreu com as instabilidades políticas da região por muito tempo. Através do desenvolvimento tecnológico, foi capaz de reerguer a economia do país pela produção e consumo de jogos eletrônicos. Quando os jovens fazem 18 anos, obrigatoriamente devem alistar-se no exército, mas podem ser dispensados caso queiram seguir carreira de desenvolvedor de jogos. Inclusive, algumas universidades como a Chung-Ang University

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abrem vagas de bolsas para jogadores com alto desempenho em campeonatos para trabalharem com Ciência Esportiva. Lá existem até canais de televisão que transmitem os campeonatos de diversos games eletrônicos. Ou seja: é coisa séria. Em outros países sem o desenvolvimento industrial de games, o consumo faz com que exista a mescla entre culturas – a que desenvolve e a que consome. Já o Brasil é o 12º país do mundo entre 100 com maior receita proveniente de jogos conforme a Newzoo, empresa global especializada em jogos, E-sports e plataformas móveis.

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como um fator importante na cultura pode ser visto como um recurso de compreensão social: um universo para visualização de uma sociedade e seus valores vigentes. Da mesma forma, pode atuar na formação de uma cultura, ou na perpetuação de seus valores da mesma para as gerações seguintes. Se parar pra pensar, os jogos e a cultura têm uma relação, no mínimo, divertida.

venha com a criatividade que o café é POR NOSSA CONTA

Se observarmos toda essa brincadeira (de maneira séria), podemos questionar sobre qual papel desempenha o jogo no desenvolvimento de uma personalidade em seu ambiente cultural, já que é uma atividade relacionada com a diversão e o prazer, e fazem parte do nosso bem-estar. O jogo

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