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Março / Abril de 2019

Ano 12 / Edição 68 / Mar-Abr de 2019 / www.editorastilo.com.br

FARINHA DE VÍSCERAS

Boas práticas de fabricação e aprimoramento nos processos tornaram as farinhas melhores e o mercado altamente competitivo Graxaria ed 68.indd 1

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Editorial

Diretor Daniel Geraldes Editor Chefe Daniel Geraldes – MTB 41.523 daniel@editorastilo.com.br Jornalista Colaboradora Lia Freire - MTB 30.222 redacao@editorastilo.com.br Publicidade comercial@editorastilo.com.br publicidade@editorastilo.com.br vendas@editorastilo.com.br Direção de Arte e Produção Leonardo Piva graxaria@leonardopiva.com.br Depto de Eventos e Circulação Renata Salgado renata@editorastilo.com.br Conselho Editorial Bruno Montero Claudio Mathias Clênio Antonio Gonçalves Daniel Geraldes Luiz Guilherme Razzo Valdirene Dalmas Comitê Tecnico Cláudio Bellaver Dirceu Zanotto Lucas Cypriano Fontes Seção “Notícias” BeefPoint, Avisite, Valor Econômico, Gazeta Mercantil, Sincobesp, Abra, Sindirações, National Render, Embrapa, Biodiesel, AgriPoint, Aliança Pecuarista.

Prezado Leitor, As boas práticas de fabricação e o aprimoramento nos processos tornaram as farinhas de vísceras de aves, produzidas no Brasil, melhores e o mercado altamente competitivo. Basicamente há dois tipos dessas farinhas: Standard com menor teor de proteína (em média 60%) e a Low Ash com maior teor de proteína (mínimo 65%). Fonte natural de proteínas e minerais, com custo baixo dependendo da sazonalidade do mercado - é considerada um dos mais importantes nutrientes para a nutrição animal, com alta digestibilidade, utilizada como ingrediente na alimentação das próprias aves, peixes, camarões, suínos, roedores, répteis, pássaros e animais de estimação, exceto ruminantes. É um ingrediente que quando utilizado de forma balanceada nas rações, reduz a necessidade de inclusão extra de gorduras, aminoácidos e até mesmo de proteína. Porta-vozes das empresas A&R Nutrição Animal,

Impressão Gráfica Referência Editora

Aboissa, Patense e Sanimax falam, em uma reportagem especial,

Distribuição ACF Alfonso Bovero

O entrevistado dessa edição é Rodrigo Sória Martos Peris,

A Revista Graxaria Brasileira é uma publicação bimestral do mercado de Graxarias, clientes de graxarias, fornecedores de: máquinas, equipamentos, insumos, matérias-primas, biodisel, frigoríficos e prestadores de serviços, com tiragem de 4.200 exemplares. Distribuída entre as empresas nos setores de engenharia, projetos, manutenção, compras, diretoria, gerentes. É enviada aos executivos e especificadores destes segmentos. Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores e não necessariamente refletem as opiniões da revista. Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias sem expressa autorização da Editora.

sobre este importante mercado. Diretor Executivo da Semix, companhia paranaense que tem uma importante atuação nas áreas de avicultura e suinocultura, e vem obtendo destaque também nos segmentos pet food e aquicultura. “O nosso core business é a cocriação. Ou seja, uma gestão em que colaboradores, fornecedores e clientes integram-se com o negócio proposto, agregando valor, conteúdo, conhecimento e experiência”, declara Soria. Aproveito a ocasião e reforço o convite para visitarem a FENAGRA 2019 – Feira Internacional da Agroindústria. O evento que acontecerá de 15 a 16 de maio em Campinas (SP), no Centro de Convenções e Exposições Expo Dom Pedro, vem ainda maior e conta mais uma vez com a parceria das principais entidades do setor: SBOG, FACTA, CBNA, SINCOBESP e ABISA, apresentando aos visitantes as principais novidades e tendências do mercado, além de proporcionar um

Editora Stilo Rua Leôncio de Carvalho, 303 - Conj. 101 Cep: 04003-010 / São Paulo (SP) (11) 2384-0047 daniel@editorastilo.com.br

importante conhecimento técnico. Está imperdível! Boa Leitura! Daniel Geraldes 3

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Sumário

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Notícias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6

Em foco 1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1 8

Em foco 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2 0

FARINHA DE VÍSCERAS

Boas práticas de fabricação e aprimoramento nos processos tornaram as farinhas melhores e o mercado altamente competitivo

Edição 68

Em foco 3 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2 2

Sincobesp . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2 8

Capa. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 0

Entrevista. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38

Direito & Rendering. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 4

ABRA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 8

Caderno Técnico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56

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Notícias

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Câmara Técnica ABRA realiza primeira reunião de trabalho e cria Grupo de Trabalho sobre IN34 Conheça os membros da CAMTEC-ABRA AVETEC Titular Franciano Vieira Pires Cargo: Diretor Suplente Vivian Avelar Langer Cargo: Gerente Qualidade Corporativa

Aconteceu na sede da ABRA, em Brasília, a primeira reunião da Câmara Técnica da entidade (CAMTEC-ABRA) contando com representantes das empresas associadas Avetec, BRF, Farol, Sanimax, além da ABRA, conforme definido na última Assembleia Geral da associação. A CAMTEC-ABRA tem como objetivo levantar temas técnicos importantes para o setor de reciclagem animal. Será um órgão consultivo e instrutivo para a entidade. Os assuntos propostos poderão ser debatidos em Grupos de Trabalho (GT) específicos. A Câmara terá quatro coordenadores, um por empresa com suplente, e o secretariado será feito pelo Departamento Técnico da ABRA, com reuniões bimestrais. As decisões serão tomadas por consenso entre os quatro coordenadores, que ocuparão o cargo pelo período de dois anos. Grupo de trabalho sobre IN34 Os coordenadores da CAMTEC-ABRA avaliaram ser urgente a discussão sobre a IN34 de 2008, que é a instrução normativa mais importante do setor, pois orienta como todas a fábrica de reciclagem animal devem trabalhar no Brasil. Por isso, vão formar o primeiro Grupo de Trabalho da Câmara. Mais informações pelo email dep.tecnico@abra.ind. br e abra@abra.ind.br ou telefone 61 3201-7199. Fonte: Assessoria de Imprensa ABRA

BRF Titular Kelen Caparello Cargo: Especialista de Assuntos Regulatórios Suplente Ana Paula Oribi Cargo: Analista Garantia da Qualidade BRF Ingredients FAROL Titular Eduardo Argenton Cargo: Coordenador de Qualidade Suplente Alexandre Ferreira Cargo: Diretor Executivo SANIMAX Titular Fabio Victor Cargo: Diretor Comercial Suplente Rodrigo Hermes Araújo Cargo: Diretor Industrial Representante SANIMAX na reunião de 07/02: Marcia Regina Sinhorini Cargo: Supervisora de Qualidade

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Seminário Boas Práticas de Fabricação e Autocontrole do MAPA contou com mediação do presidente Executivo da ABRA Aconteceu no dia 21, em Brasília, o Seminário

Produtos de Origem Animal / DAS; Fernando Guido

Boas Práticas de Fabricação e Autocontrole. A

Penariol, UTRA de Ribeirão Preto – SFA/SP; João

abertura foi realizada pela ministra da Agricultura,

Roberto Gotardo Jr., Corteva AgriscienceTM; Elias

Pecuária e Abastecimento (MAPA), Tereza Cristina,

Zidek, diretor Executivo da Frimesa.

que destacou a importância do debate sobre o tema

Além do painel mediado pelo presidente da ABRA,

para a economia do país e reiterou que a abertura

pela manhã houve o primeiro debate que tratou sobre

do diálogo para mudanças na forma de fiscalização

“As Boas Práticas de Fabricação e o Autocontrole

e controle é uma evolução que segue a tendência

no Brasil e no Mundo: Conceitos e Histórico”, e o

mundial de modernização e simplificação em vários

terceiro painel trouxe “Ações de modernização e

setores.

desburocratização utilizando-se de instrumentos de

Convidado pelo Ministério, o presidente Executivo

Boas Práticas de Fabricação e Autocontrole: Riscos

da ABRA, Decio Coutinho, foi responsável por fazer

e Oportunidades”. O encerramento do evento

a mediação do segundo painel do evento, à tarde,

contou com assinatura de atos administrativos de

em que foi abordado o tema “Ações conduzidas no

encaminhamento.

âmbito da SDA voltadas para as Boas Práticas de Fabricação e o autocontrole”. Os profissionais que debateram o assunto foram: Ana Lúcia Viana, Departamento de Inspeção de

Saiba mais: http://www.agricultura.gov.br/audios/ ministra-diz-que-e-preciso-evoluir-em-nossos-sistemasde-fiscalizacao-e-controle Fonte: Assessoria de Comunicação ABRA

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Indústria de ração animal brasileira sente impacto com baixa na avicultura de 2% em 2018, principalmente por conta da greve dos caminhoneiros. “É um previsão até otimista para 2019, difícil ter mais sucesso do que já estamos projetando”, afirmou o vice-presidente Executivo do Sindirações, Ariovaldo Zani, à “Reuters”. Avicultura

prejudicada

Além da China confirmar que serão colocadas tarifas sobre as impor tações brasileiras de frango (exceto 14 empresas que vendem acima de um valor determinado), existem também incer tezas referentes a custos de produção. Maiores despesas relativas a tabela de frete, questões tributárias e cambiais estão nos olhares dos produtores. Além disso, o setor aguarda uma movimentação do governo para aprovar a reforma Nova projeção da indústria de ração animal do Brasil aponta um crescimento menor do que o que havia sido previsto inicialmente, de acordo com o Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações). A expectativa no final de 2018 era de que a produção de ração animal e sal mineral crescesse cerca de 3% em 2019. No entanto, a projeção acabou sendo revisada para 2,1%, mantendo a marca recorde, mas dessa vez com 73,7 milhões de toneladas. Um dos fatores que impactou o setor foi a restrição da Arábia Saudita, ainda em janeiro, referente a expor tação de carne de frango do país. Dessa forma, a demanda da indústria de frango de cor te, maior consumidora de ração do país, diminuiu e, assim, foi realizada a revisão. De acordo com o estimativa anterior do Sindirações, o setor teria uma alta de 2% na produção para a avicultura de cor te. Atualmente, a entidade considera uma alta de 1,4% após a queda

da Previdência. Dessa forma, com a reforma, o mercado seria impulsionado, principalmente por conta da atração de novos investimentos. “Havendo melhora de renda, evidentemente a pessoa não vai comer ovo todo dia, primeiro vai no frango, depois no suíno e no bovino”, disse Zani. Mesmo que as expor tações sejam impor tantes para a indústria de ração, o mercado interno é o que realmente alavanca o crescimento no setor. “Ainda não vemos reação da economia. Está todo mundo esperançoso, ainda estamos surfando em cima de um sonho”, declarou o dirigente do Sindirações. De acordo com o Zani, as previsão do Sindirações já consideravam uma demanda maior na produção de ração animal devido a alta na pedida de carnes nacionais, por conta da alta na venda para russos e chineses. No entanto, isso acontece por conta da peste suína africana, que está afetando a China. Fonte: Sunoresearch

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Notícias

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PIB confirma: há retomada na atividade econômica Maior

contribuição da demanda interna sinaliza melhoria

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o resultado do produto interno bruto (PIB) de 2018 confirma o cenário de

indícios de que o ritmo de crescimento da economia poderá acelerar ao longo de 2019. O consumo das famílias evoluiu 0,4% no quarto

recuperação gradual da atividade econômica. A análise

trimestre de 2018, na comparação com o período

é realizada pelo Grupo de Conjuntura do Ipea, que

anterior. No acumulado do ano, a expansão foi de

publicou a seção de Atividade Econômica.

1,9%.

Se, por um lado, o crescimento de 1,1% no

A FBCF, por sua vez, encerrou 2018 com um

PIB repete o desempenho de 2017, por outro,

crescimento de 4,1%, embora o resultado no quarto

nota-se uma melhoria na composição do indicador,

trimestre tenha sido um recuo de 2,5% frente ao

caracterizada por uma contribuição maior da demanda

período de julho a setembro. Entre os setores

interna.

produtivos, enquanto a indústria cresceu 0,6% em

O bom desempenho do consumo das famílias

2018 – afetada pela greve dos caminhoneiros e pela

e da formação bruta de capital fixo (FBCF) –

crise na economia argentina –, o PIB de serviços

importante para a ampliação da capacidade produtiva

expandiu-se 1,3%, e a agropecuária ficou praticamente

futura da economia por meio de investimentos –

estável (0,1%).

reflete um avanço dos indicadores de confiança e dá

Fonte: IPEA

Reuniões no MAPA atualizam os processos de abertura de mercados prioritários O presidente Executivo da ABRA, Decio Coutinho, e o gestor de Mercado Externo, Juliano Hoffmann, par ticiparam de duas reuniões impor tantes, no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento – MAPA. A primeira reunião foi com o coordenador Geral de Temas Sanitários e Fitossanitários do MAPA, Leandro Feijó, com par ticipação de Leandro Antunes e Oscar Afonso da Silva Júnior. O tema central foi o andamento dos processos de aber tura dos Mercados prioritários ponto a ponto. Entre os Mercados estão: Tailândia, Bangladesh, Rússia, China e África do Sul. Outra reunião realizada no Ministério foi com a responsável pelo Departamento de Suporte e Normas, Judi da Nobrega. Em pauta: a necessidade de atualização das normativas do setor de reciclagem animal. Fonte: Assessoria de Imprensa ABRA 12

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Ministra da Agricultura prepara missão à China para aumentar exportações frigoríficos com habilitação sanitária a exportar para o país asiático, hoje o maior parceiro comercial do Brasil, além de tratar a questão da exportação de soja. Maior exportador de soja para a China, o Brasil pode perder espaço com os Estados Unidos a caminho de negociarem um acordo comercial com o país asiático. A ministra defendeu a importância da China para a agricultura brasileira, e revelou que a missão tentará aumentar o leque de produtos exportados para o país. A China se mantém como o principal parceiro comercial brasileiro, mas o governo chinês tem mostrado desconforto com a retórica anti-chinesa que prevaleceu no discurso do presidente Bolsonaro durante a campanha e ainda existe no governo. Recentemente, o ministro das Relações Exteriores, A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, disse que pretende organizar uma missão para a China para tentar ampliar as exportações de carne suína, bovina e de frango ao mercado chinês. A intenção da ministra é aumentar o número de

Ernesto Araújo, questionou se a parceria com a China seria tão benéfica para o Brasil quanto se apregoa. “De fato, a China passou a ser o grande parceiro comercial do Brasil e, coincidência ou não, tem sido um período de estagnação do Brasil”, disse. Fonte: REUTERS

Grupo de Trabalho da Câmara PET discute transição das atividades do DFIP A ABRA – Associação Brasileira de Reciclagem Animal foi convidada e participou da reunião do Grupo de Trabalho criado pela Câmara PET para discutir com o DIPOA – Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal a transição das atividades que eram do DFIP – Departamento de Fiscalização de Insumos Pecuários e que, agora, passaram para o DIPOA. O presidente Executivo da ABRA, Decio Coutinho e o gestor de Mercado Externo, Juliano Hoffmann, participaram junto com entidades como Abimpet e Sindirações. A reunião foi coordenada pelo diretor substituto do DIPOA, Lúcio Kikuchi, com a participação do coordenador geral de Inspeção, Alexandre Campos. Fonte: Assessoria de Imprensa ABRA 14

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Setor de Reciclagem animal e MAPA promovem 1º Diálogo Técnico durante a FENAGRA

Será realizado dentro da FENAGRA 2019, o 1º

Animal – DIPOA; e status atual do Comércio

Diálogo Técnico – MAPA e Setor de Reciclagem

internacional de farinhas e gorduras: mercados em

Animal. O evento acontece no primeiro dia da feira,

aber tura e perspectivas para 2019, com palestra da

15 de maio, das 11h às 16h30, na sala Carvalho 3 –

Secretaria de Comércio e Relações Internacionais

Expo D. Pedro, Campinas/SP.

-SCRI.

Serão abordados temas como o novo modelo

O evento é uma realização da ABRA –

de edição de normas técnicas do MAPA, com

Associação Brasileira de Reciclagem Animal, do

palestra do Depar tamento de Supor te e Normas

Sincobesp – Sindicato Nacional dos Coletores e

Técnicas do Ministério da Agricultura; utilização dos

Beneficiadores de Subprodutos de Origem Animal,

sistemas SigSif, do DCPOA e de Cer tificação, com o

e conta com a parceria do Ministério da Agricultura

Depar tamento de Inspeção de Produtos de Origem

e da FENAGRA.

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Em Foco

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ABRA assume a vice-presidência do Conselho Latino Americano das Indústrias de Reciclagem Animal A ABRA em parceria com entidades

empresário Fernando Mendizabal do Mexico.

mexicanas e argentinas participou da criação

O presidente da Camex/ABRA Charbel Syrio

do Conselho Latino Americano das indústrias de

também participou da reunião que consolidou

Reciclagem Animal (Clirsa). Foi em Mar Del Plata

o protagonismo da ABRA com a assinatura

na Argentina. O presidente Executivo da ABRA,

dos estatutos de fundação do conselho, um

Decio Coutinho, assumiu a vice-presidência da

passo importante unir as indústrias do setor na

entidade. A presidência do Clirsa ficou com o

América Latina.

II Congresso Nacional sobre Proteínas, Sebos Y Grasas

A reunião de criação do Clirsa foi durante o III Congresso Nacional sobre Proteínas, Sebos Y Grasas, promovido pela Cámara de

em que fabricantes e fornecedores se encontram. O coordenador Técnico da ABRA, Lucas

SubProductos Ganaderos e pela BCBA Bolsa

Cypriano, foi um dos palestrantes e falou

de Comércio de Buenos Aires, entre os dias

sobre Qualidade da matéria-prima e sua

27 de fevereiro e 1º de março. O congresso

influência na produção de farinhas e

teve uma parte técnica com palestras e

gorduras de origem animal.

momento destinado à realização de negócios

Fonte: Comunicação ABRA

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Em Foco

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Reunião com ministra da Agricultura: ABRA e Sincobesp mostraram força e apresentaram as demandas do setor A ministra Tereza Cristina (Agricultura,

de seus produtos. Hoje, países como Vietnã

Abastecimento e Pecuária) recebeu no dia 7 de

e Bangladesh já são atendidos pelo mercado

março, representantes do setor de reciclagem

brasileiro, assim como Chile, Estados Unidos,

animal. Estavam presentes diretores da

África do Sul e outros. Mas o setor quer

Associação Brasileira de Reciclagem Animal

ampliar sua presença no mercado exterior,

(ABRA), do Sindicato Nacional dos Coletores

principalmente no continente asiático, além de

e Beneficiadores de Subprodutos de Origem

acabar com as restrições para a entrada da

Animal (Sincobesp) e de empresas de todos

farinha de ruminantes em alguns países. Temas

os estados do país. O setor, que exportou mais

como a esterilização de farinhas e o registro

de 100 milhões de dólares em produtos no ano

técnico dos produtos do setor também foram

passado, apresentou à ministra um panorama do

mencionados pelos empresários.

segmento e uma série de reivindicações, entre

A ministra convidou os representantes do

elas a revisão da instrução normativa número

setor a acompanhá-la em missão que fará à

34, de 2008, que estabelece o marco regulatório

China e disse que vai pedir à equipe do Ministério

da reciclagem animal. Para os dirigentes, a

para estudar as demandas apresentadas. Tereza

legislação está ultrapassada e provoca distorções

Cristina afirmou que espera diminuir um pouco

de interpretação.

a burocracia enfrentada pelo setor produtivo, de

O setor ainda solicitou ao ministério a abertura de novos mercados para exportação

forma a facilitar a vida do empresariado. O presidente do Sincobesp ressaltou a

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importância do encontro. “Nesse momento de retomada da economia é importante mostrar ao novo governo a relevância da nossa atividade. Nosso trabalho é fundamental para o meio ambiente e precisamos de um pouco mais de reconhecimento por parte das autoridades.” A presidência do Conselho Diretivo da ABRA, foi representada pelo empresário Pedro Bittar (Reciclagem). Conforme avaliação de Bittar, a reunião foi uma demonstração de união e fortalecimento do setor. “A cada dia estamos dando passos importantes mostrando para o Ministério e para a sociedade a relevância da reciclagem animal para a economia e sustentabilidade ambiental do país”. No mesmo sentido, o presidente Executivo da ABRA, Decio Coutinho, afirmou que o encontro foi muito produtivo. “A presença de 26 grupos empresariais que representam mais de 120

Para o presidente do Sincobesp, Nelson

indústrias demonstrou à ministra o real peso

Braido, tanto a sua entidade quanto a ABRA

do setor. Foi uma oportunidade para levar mais

têm interesses em comum sendo benéfico para

informações e dados sobre o que é a reciclagem

o setor as ações em conjunto. “Nesta reunião

animal aos gestores do Ministério. Tivemos uma

demostramos que estamos falando a mesma

boa receptividade. Agora, vamos continuar no

língua, com objetivos em comum, o setor só tem

acompanhamento das demandas apresentadas

a ganhar. Estamos juntos em benefício de todos”,

e esperamos que esse encontro se torne um dia

acrescentou Braido.

histórico para o setor.”

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Em Foco

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Setor de reciclagem animal e MAPA vão realizar evento técnico na FENAGRA

O presidente Executivo da ABRA Decio Coutinho

Internacionais, Flávio Bettarello. A Secretaria con­

participou de reunião com o secretário de Defesa

firmou que vai enviar técnicos para o evento. Nesta

Agropecuária, José Guilherme Leal. Além de levar

reunião

e acompanhar demandas dos associados fez um

demandas, entre elas pediu para que todos os

convite para que técnicos participem do primeiro

adidos do MAPA façam um levantamento nos

Diálogo Técnico do Mapa com o setor de reciclagem

governos locais sobre os requisitos para exportação

animal que vai ser realizado durante a Fenagra

de farinhas do projeto piloto de Santa Catarina

no mês de maio. É uma parceria da ABRA com o

para comercialização como adubo orgânico. A

SINCOBESP, o convite foi aceito.

Secretaria de Comércio e Relações Internacionais

vai encaminhar o pedido para os adidos.

A mesma solicitação foi feita também na reunião

com o secretário-adjunto de Comércio e Relações

Decio

Coutinho

também

encaminhou

Fonte: Marcelo Lara – Consultor de Comunicação ABRA.

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Em Foco

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Minerva Foods: foco na sustentabilidade

O compromisso com a sustentabilidade está

na diversificação orgânica de negócios, com a

no centro da estratégia de atuação da Minerva

maximização do aproveitamento dos produtos

Foods, líder em exportação de carne bovina e

advindos de sua principal matéria prima, o gado.

seus derivados na América do Sul. A Companhia

Um exemplo de sucesso é a Minerva Biodiesel,

desenvolve suas atividades com base em três

unidade de negócio localizada em Palmeiras de

pilares centrais — foco, disciplina e consistência

Goiás, focada na produção de energia sustentável

— e empreende esforços de modo integrado em

a partir de subprodutos de origem animal –

qualidade, transparência, controle da cadeia de

sebo bovino – com tecnologia 100% nacional. A

fornecimento, responsabilidade socioambiental e

produção da unidade é comercializada em leilões

rentabilidade dos negócios.

da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás

Natural e Biocombustíveis), seguindo as premissas

Disciplina e foco na rentabilidade da Minerva

Foods são catalisados por uma estratégia pautada

do Programa Nacional de Biodiesel.

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A unidade de negócios Minerva Ingredients

Minerva já monitorou mais de 9 milhões de hectares

também aplica integralmente a sustentabilidade

na Amazônia, uma área equivalente ao tamanho de

em seus negócios ao aproveitar as matérias-primas

Portugal. O sistema é auditado anualmente e os

provenientes dos processos de abate e desossa

relatórios de auditoria estão disponíveis no website

das unidades industriais Minerva Foods em todo

da Companhia, reforçando nossa transparência com

o Brasil. O sebo bovino, utilizado em indústrias

todos os stakeholders.

químicas e de higiene e limpeza, além da farinha

de carne e osso, utilizado no mercado Pet, são

sustentabilidade, a Minerva é a única empresa

produtos da Minerva Ingredients para o mercado

do setor a ser reconhecida pela IFC (International

nacional, atendendo as especificações e normativas

Finance Corporation), do grupo Banco Mundial,

de nossos clientes e órgãos reguladores.

por suas práticas de GRC (Governance, Risk

Confirmando

seu

compromisso

com

a

Toda a matéria prima utilizada pelas unidades

Management & Compliance), Gestão Social e

de negócio é submetida a um rigoroso sistema de

Ambiental, e Sustentabilidade. A adoção dos

controle da cadeia de suprimentos que monitora

indicadores de performance da instituição (IFC

conformidade ambiental, laboral e fundiária para

Performance Standards) permitem que a empresa

toda a compra de gado. Os produtos da Minerva

seja exemplo para indicadores de saúde e

Foods não estão associados a trabalho escravo e

segurança, meio ambiente e engajamento social.

infantil, áreas embargadas e, para o bioma Amazônia,

A determinação para com as pessoas, a

respeitam Terras Indígenas, Unidades de Conservação

sociedade e o desenvolvimento local são o

e estão livres de desmatamento. Ao longo de 10

foco da Minerva Foods. Conheça mais em www.

anos de gerenciamento da cadeia de suprimentos, a

minervafoods.com.

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Informe Publicitário

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Cencoprod Quem somos

Cencoprod Ltda., é uma cooperativa de produção agroindustrial, formada pela aliança das três cooperativas de produção mais importantes do Chaco paraguaio: Cooperativa Colonizadora Multiactiva Fernheim Ltda., Cooperativa Chortitzer e Cooperativa Multiactiva Neuland Ltda. Estas cooperativas são compostas por mais de 10 mil parceiros os quais são fornecedores diretos da matéria-prima recebida nos Frigoríficos das Cooperativas Aliadas. A planta industrial está localizada na região oeste, departamento de Presidente Hayes.

A Cencoprod nasceu em 2007, com uma primeira fábrica de processamento de couro bovino – Wet Blue, na qual os couros são fornecidos por frigoríficos aliados. Atualmente, são duas plantas de processamento cuja capacidade instalada total é de 400 couros/hora ou até 4.000 couros/dia. Com o couro Wet Blue alcançamos os principais mercados mundiais, atingindo os mais exigentes padrões de qualidade. Em 2013, nasce a segunda Indústria, a Fábrica de Processamento de Farinhas de Carne & Ossos e Sebo Industrial, fechando assim o ciclo de Produção Pecuária que se inicia no Chaco Paraguaio. Somos produtores no campo, proprietários dos frigoríficos e da Fábrica de Processamento de farinhas de Carnes & Ossos e Sebo Industrial. Esta cadeia de rastreabilidade de 100%, desde o gado até ao produto final, traduz-se numa

O Chaco paraguaio se caracteriza por suas condições naturais favoráveis à produção

garantia de máxima qualidade para os nossos clientes.

de gado, criado em pastagens naturais com ambientes quentes e secos, característica esta que define a qualidade de nossos animais, carne, couro e derivados.

PROCESSO DE PRODUÇÃO A matéria-prima é recebida dos próprios matadouros após o processo de abate,

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Os gases do vapor de cozimento são extraídos e absorvidos por um sistema de condensadores de ar que os reduz a água, que é finalmente tratada na Estação de Tratamento de Efluentes, eliminando assim qualquer possibilidade de contaminação. Atualmente, posicionamos o nosso produto para satisfazer o mercado de alimentos para animais de estimação (Farinha de Carne e especificamente despostada, onde os subprodutos de animais abatidos são enviados para a fábrica de transformação de farinha de

Ossos) e o mercado de limpeza (Sebo Industrial), satisfazendo os mercados e clientes mais exigentes.

carne e ossos em veículos habilitados para a atividade. Além dos subprodutos que recebemos de nossos frigoríficos, a matéria-prima a ser processada é complementada pela carne extraída dos couros frescos processados em nosso curtume. A matéria-prima é depositada no funil de recepção onde se inicia o processo de produção. A INDÚSTRIA DE PROCESSAMENTO DE FARINHA DE CARNE & OSSOS E SEBO INDUSTRIAL, possui um sistema de controladores inteligentes, que permite ao especialista observar e verificar todo o processo de produção a partir de uma cabine de comando, por meio de um circuito fechado, além dos programas especificamente desenvolvidos que fornecem todas as informações necessárias. Uma das principais características desta

FENAGRA A Cencoprod tem como objetivo apresentar os seus produtos nas mais prestigiadas feiras internacionais. Reconhecemos a importância da

Fábrica é que ela possui um Processador

Fenagra, por sua proximidade de nosso país e

Contínuo, cuja capacidade é de 12 toneladas por

por nossa participação neste evento em 2018,

hora e um Esterilizador Digestor. Isso nos permite

estamos muito satisfeitos com os resultados que

cumprir as regras de entrada nos mercados mais

alcançamos neste evento.

exigentes do mundo.

Esse foi o motivo que nos trouxe de volta, para participar com um estande na Fenagra 2019. Como latino-americanos, estamos muito felizes que uma feira dessa magnitude mostre ao mundo o que produzimos: QUALIDADE, do coração da América.

Com a tecnologia aplicada nesta planta, os rendimentos máximos do produto resultante são garantidos ao processar e reciclar os resíduos que surgem durante o processo de fabricação tanto dos frigoríficos, quanto da mesma planta o desperdício final é reduzido ao vapor de cozimento. 27

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SINCOBESP

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SINCOBESP AÇÕES EM PROL DO SETOR

O presidente do Sindicato Nacional dos Coletores e Beneficiadores de Subprodutos de Origem Animal (SINCOBESP), Nelson Antonio Braido, participou entre os dias 27 de fevereiro e 1º de março, do 3º Congresso Nacional de Proteínas Derivadas de Animais, Sebo e Gorduras, realizado em Mar Del Plata, na Argentina. O evento, promovido pela Câmara de Pecuária da Bolsa de Buenos Aires, apresentou entre os principais temas, as Tecnologias Específicas; Ambiente (Regulamentos em vigor); Mercado atual e futuro de gado na Argentina; Legislação para o Controle Sanitário da Indústria e a participação da entidade na WRO. Para Braido o evento é uma importante oportunidade para a troca de experiências e para ampliar a integração do SINCOBESP com as entidades da América do Sul. R eunião

de

D iretoria

No dia 18 de março foi realizada a reunião de diretoria na sede do Sindicato. Na oportunidade foram acertados os últimos detalhes do Congresso Brasil Rendering, que acontece nos dias 15 e 16 de maio, em Campinas, São Paulo. A reunião contou também com as presenças dos representantes das empresas Eurotec e Falcon, Diogo Steck e Cinoê Scherer. O convite teve por objetivo nortear novas ações do Sindicato, na busca de parcerias e benefícios para os associados. 28

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Reunião Desin No último dia 20 de março, a diretora Jurídica, Valdirene Paes, participou de reunião do Grupo de Estudos de Temas Sindicais, promovida pelo Departamento Sindical e de Serviços (Desin) da Fiesp. Foram abordados diversos temas de interesse, dentre eles, a formação do grupo de Trabalho composto por representantes dos Sindicatos para discussão sobre a Reforma Sindical e o futuro das negociações coletivas: impactos decorrentes das recentes alterações legislativas (lei 13.467/2017 e MPV 873/2019) e perspectivas para o futuro. Encontro FIESP A diretora Jurídica do SINCOBESP, Valdirene Paes representou o presidente Nelson Braido, no Encontro organizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) para receber o vice-presidente da República, Antonio Hamilton Mourão, no último dia 26 de março. Empresários e representantes de entidades do comércio e serviços, Sindicatos e Associações escutaram ele defender as Reformas da Previdência e Tributárias e afirmar que o governo Bolsonaro precisará enfrentar medidas antipopulares para que o Brasil progrida a longo prazo. Mourão citou ainda a simplificação de abertura de novos negócios e também a necessidade de manter as Agências Reguladoras longe da influência política, ao afirmar que a burocracia amarra o país.

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Por Lia Freire

O mercado de farinha de vísceras As boas práticas de fabricação e o aprimoramento nos processos tornaram as farinhas de vísceras de aves, produzidas no Brasil, melhores e o mercado altamente competitivo

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Basicamente no Brasil há dois tipos de farinhas de vísceras de aves: Standard com

Serviço de Inspeção Federal (SIF). O Diretor da A&R Nutrição Animal Ltda, Charbel

menor teor de proteína (em média 60%) e a

Syrio, lembra que a indústria brasileira de

Low Ash com maior teor de proteína (mínimo

rendering passou por uma importante revolução

65%). Fonte natural de proteínas e minerais,

na última década, equiparando as farinhas

com custo baixo - dependendo da sazonalidade

produzidas no Brasil às europeias e americanas,

do mercado - a farinha de vísceras de aves é

que sempre foram referências neste segmento,

considerada um dos mais importantes nutrientes

fazendo com que grandes consumidores mundiais

para a nutrição animal, com alta digestibilidade,

também se interessassem pelo produto brasileiro.

utilizada como ingrediente na alimentação das

“Com a globalização, cresceu o intercâmbio de

próprias aves, peixes, camarões, suínos, roedores,

informações entre as empresas consumidoras de

répteis, pássaros e animais de estimação, exceto

farinhas animais, levando a uma padronização de

ruminantes. É um ingrediente que quando

parâmetros e metodologias. Padrões estes que têm

utilizado de forma balanceada nas rações, reduz

níveis elevados de exigência, fazendo com que as

a necessidade de inclusão extra de gorduras,

empresas busquem constantemente a evolução

aminoácidos e até mesmo de proteína.

na qualidade dos produtos”, afirma Charbel,

A farinha é resultado da cocção, prensagem e

lembrando que a A&R - com capacidade mensal

moagem das partes cárneas, vísceras, cabeças,

de produção de 3.000 toneladas de farinha de

pés e demais órgãos (exceto penas e sangue)

vísceras -, atende os programas de qualidade

de aves abatidas por empresas que atendem as

exigidos pelo MAPA, além de estar implementando

normas exigidas pelo Ministério da Agricultura,

o APPCC e a ISO 22000 de Certificação de

Pecuária e Abastecimento (MAPA) e certificadas no

Qualidade em Processamento de Alimentos. Tais

“Com a globalização, cresceu o intercâmbio de informações entre as empresas levando a uma padronização de parâmetros e metodologias”, Charbel Syrio, da A&R Nutrição Animal. 31

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P reservando

a qualidade

São diversos os fatores que podem influenciar na qualidade da farinha de vísceras, os mais relevantes aponta Kemylin Sasaki, da Aboissa Commodiy Brokers – Unidade Animal Profat, estão relacionados com o processo de industrialização já que a transformação deste subproduto passa por várias etapas, desde o tempo que leva do abate das aves até o recolhimento dos subprodutos, que pode entrar em processo de autólise (autodigestão) e até putrefação (apodrecimento); o recebimento da matéria-prima (que pode estar contaminada por salmonella ou por bactérias) às condições de temperatura (o superaquecimento, por exemplo, pode favorecer a diminuição dos teores de energia metabolizável e digestibilidade aparente dos nutrientes); chegando à prensagem, moagem e o armazenamento, lembrando que o principal equipamento do processo é o digestor e quando há uma má manutenção e conservação deste, isso pode também resultar em alterações, levando a possíveis comprometimentos da qualidade da farinha de vísceras. “O cuidado “O tempo que leva do abate das aves até o recolhimento dos subprodutos é imprescindível para a qualidade das farinhas”, Kemylin Sasaki, da Aboissa Commodiy Brokers.

e comprometimento com a higiene, a correta manutenção dos equipamentos e o treinamento dos operadores envolvidos permitem atingir os índices de qualidade aceitáveis segundo as regras impostas pelo MAPA.”

habilitações permitem que há mais de 12 anos

Produzindo farinha de vísceras de aves de

a empresa também atenda o mercado externo,

alta proteína (65%), que é comercializada tanto

ampliando a sua atuação não se restringido ao

no mercado interno quanto externo, chegando

consumo interno, embora este mostra-se cada vez

em mais de 15 países, a Patense lembra que se

mais forte. “O mercado brasileiro tem um bom e

trata de um produto altamente perecível, por isso,

linear consumo de farinha de vísceras de aves,

após as aves serem abatidas nos frigoríficos é

já que este ingrediente é a base proteica e de

preciso que ha ja um trabalho ‘contra o relógio’,

micronutrientes de rações do mercado Premium,

pois quanto mais rápido coletados e processados

que tem crescido dia a dia. Estamos trabalhando e

os subprodutos, melhor será a qualidade final

buscando maior atuação nesse segmento, inclusive

da farinha. “No nosso caso temos uma farinha

com a customização de produtos de acordo com

com baixíssimo nível de acidez e peróxido zero,

a necessidade dos clientes. A expectativa é de um

o que se traduz no frescor da matéria-prima.

aumento ainda maior no consumo, vinculado ao

Para que tenhamos agilidade, investimos pesado

aprimoramento da qualidade”, planeja Charbel.

em tecnologia de fábrica e modernos caminhões

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“Temos uma farinha com baixíssimo nível de acidez e peróxido zero, o que se traduz no frescor da matéria-prima”, Dário Kitazono França, da Patense.

com monitoramento 24 horas, via satélite, para

negócios e carrega no DNA os “3R’s” – Recolher,

coletarmos e processarmos rapidamente em

Renovar e Retornar. Dentre os produtos oferecidos

nossas unidades”, explica o Diretor Comercial

pela companhia está a farinha de vísceras de

da Patense, Dário Kitazono França, apostando

aves. “A qualidade das farinhas é impactada

no potencial do mercado. “Como a produção

por vários fatores, entre os quais, a origem do

de carnes no Brasil não para de crescer, o

material processado, o processamento e o uso

desempenho no mercado interno é crescente,

de aditivos antibacterianos e antioxidantes. Por

situação similar vem ocorrendo no mercado

essas razões é necessário a aplicação de um

externo.”

sistema de qualidade eficaz para garantir a

Quem também se preocupa e está atenta com

ausência de contaminantes e a “preservação” das

a logística para manter a qualidade e integridade

características nutricionais do produto. Aliado

dos subprodutos é a Sanimax, a empresa

a esses fatores, tivemos o cuidado de manter

canadense, com mais de oito décadas de história

as nossas unidades próximas dos pontos de

e há três anos no Brasil, que tem na extração dos

coleta das matérias-primas”, esclarece o Diretor

subprodutos de origem animal o seu centro dos

Comercial da Sanimax do Brasil, Fabio Victor.

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N úmeros

“A exportação exige treinamento e capacitação elevada e neste quesito a Aboissa se mantém

Dados do IBGE revelam que o número de

em uma condição privilegiada graças ao time de

aves abatidas nos últimos anos foi em média de

brokers altamente capacitados, que proporcionam

6 bilhões de cabeças e 13 milhões de toneladas

um atendimento e execução de alta performance,

produzidas de frango. E a Associação Brasileira

entregando um serviço eficaz e com excelência.

de Reciclagem Animal (ABRA) contabiliza que

Atualmente, as nossas farinhas de vísceras são

a cada 100kg de peso vivo que são destinados

exportadas para o Chile, Colômbia, Vietnã e

a reciclagem animal, há em média 16% de

Bangladesh”, cita Kemylin.

vísceras. Considerando o rendimento médio de

Com uma larga experiência em trabalhar

processamento destas vísceras, há em torno de

com o mercado externo, a Sanimax reforça a

20% gordura, 25% farinha e 55% umidade, obtendo

questão de que não se pode trabalhar de maneira

em média uma produção de 630mil/toneladas de

genérica, pois há necessidades e exigências

farinha de vísceras por ano.

específicas em decorrência das normativas locais, destacando, por exemplo, que entre as

A

exportação

principais diferenças está a questão dos controles microbiológicos, visando garantir a inocuidade do

Há países com normas específicas de sanidade, por isso, é importante conhecer em detalhes as

produto acabado. A Sanimax acredita que a maior dificuldade

exigências locais. Em Bangladesh, por exemplo, o

não está na obtenção das licenças para

suíno é um animal considerado sagrado, por essa

exportação, mas sim na responsabilidade após a

razão, qualquer tipo de proteína de origem animal

obtenção desta. Os custos de não conformidade

que seja exportada para esse país não pode

podem ser elevados tanto para a empresa

conter na sua composição subprodutos suínos.

exportadora, quanto para o país de origem.

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Sendo assim, se faz necessário cumprir com as legislações e possuir o total controle tanto da empresa exportadora quanto do órgão regulamentador. “Destinamos parte de nossa produção ao mercado externo e salientamos que essas demandas resultaram na readequação do sistema de qualidade da Sanimax. Temos uma importante demanda no Brasil – que aliás é um dos cinco maiores produtores de proteína animal no mundo, com alto padrão de exigências nas demandas regulatórias/analíticas interna e externa - e também atendemos países como Chile, Colômbia, África do Sul, Vietnã, entre outros”, cita o executivo da Sanimax do Brasil, Fabio. Trabalhando atualmente em parceria com os principais players do mercado, a Sanimax acredita que essas parcerias tendem a se fortalecer à medida que o seu trabalho é direcionado para ser a melhor e maior empresa do setor de proteína animal. “Quanto mais produzimos proteína animal de qualidade, maior é a aceitação no mercado e, por consequência, a tendência é que ha ja um significativo aumento no consumo”, declara o

“Na exportação há exigências específicas em decorrência das normativas locais. Essas demandas resultaram na readequação do sistema de qualidade da companhia”, Fabio Victor, da Sanimax do Brasil.

executivo.

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Entrevista

Março / Abril de 2019 Por: Lia Freire

“O nosso core business é a cocriação. Ou seja, uma gestão em que colaboradores, fornecedores e clientes integramse com o negócio proposto, agregando valor, conteúdo, conhecimento e experiência”, Rodrigo Sória Martos Peris.

Semix aposta na cocriação como estratégia de negócios Com uma importante atuação nas áreas de avicultura e suinocultura, a companhia paranaense vem obtendo destaque também nos segmentos pet food e de aquicultura

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O início de tudo foi no ano de 2003, na cidade de Maringá (PR) com o propósito de trabalhar com o farelo do trigo. A empresa

Semix passou a representar os frigoríficos da região, comprando e revendendo as farinhas de origem animal, especialmente

de carne e osso. sangue.

Os negócios se expandiram e rapidamente ao portfólio foram acrescidas as farinhas de vísceras, de pena e de

Dois anos depois, já com as operações de resíduos da indústria alimentícia, na cidade de Curitiba, surgiu o Cookiemix - a

farinha de biscoito que é uma saudável fonte de energia, de alta digestibilidade, e que pode substituir o açúcar, palatabilizantes

(como o melaço) e aromatizantes nas rações para equinos, bovinos, rações de leitões e fêmeas suínas em lactação.

Com quatro anos de atividades, a empresa

começou a atender o mercado externo, levando os seus produtos a países como

Vietnã, África do Sul, Moçambique, Chile, Venezuela, entre outros, Maringá e Região, prêmio cedido

pela

e no mesmo ano recebeu o

Destaque Exportadora de

Associação Comercial Industrial de Maringá (ACIM).

Dando continuidade ao seu plano de expansão dos negócios, em 2008, fundou a empresa AR Nutrição Animal voltada à produção da farinha de origem animal e a atividade de exportação. vendida e a criou a

Com a crise mundial, em 2009 a AR Nutrição Animal foi

Semix passou a focar sua atuação na produção do Cookiemix e nos concentrados energéticos, neste ano, também

SIGA-Semix – Sistema Integrado de Gestão Ambiental com o objetivo de atender

seus parceiros na área de

Gestão de

Resíduos Sólidos Industriais. Há um ano a Semix retomou as operações com farinhas de origem animal, absorvendo uma operação na cidade de Arapongas; e atualmente possui uma planta em

Curitiba e tem um escritório central em Maringá. Sua capacidade produtiva na unidade de

Arapongas é de 3.000 ton/mês de farinhas de origem animal e os investimentos serão feitos para aumentar o volume em 4.000 ton/mês. de

Já a unidade de Curitiba recebeu investimentos em 2018 e teve sua capacidade produtiva aumentada para 1.200 ton/mês

Cookiemix e de concentrados proteicos.

O Diretor Executivo da Semix, Rodrigo Sória Martos Peris, fala sobre o trabalho realizado pela empresa, o atual momento e expectativas.

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Entrevista

Março / Abril de 2019

Para 2019 o objetivo é retomar a exportação e expandir significativamente as operações com resíduos das indústrias alimentícias.

Revista Graxaria Brasileira – O que diferencia a atuação

Revista Graxaria Brasileira – O que é o Cookiemix?

da Semix da concorrência?

Rodrigo Sória Martos Peris – Trata-se de uma farinha

Rodrigo Sória Martos Peris – O foco da Semix é

produzida a partir dos resíduos das indústrias

estar cada vez mais próxima dos seus clientes para

alimentícias suscetíveis à alimentação animal,

identificar suas demandas e poder apresentar os

como biscoitos, chocolates, macarrão, salgadinhos

melhores e mais adequados serviços e produtos.

etc, que saíram do processo de produção e são

Por essa razão o nosso core business é a cocriação.

fontes de excelente valor nutricional. Toda a

Ou seja, uma gestão em que colaboradores,

matéria-prima é previamente analisada, seguindo

fornecedores e clientes integram-se com o negócio

os níveis de garantia estabelecidos pelas normas

proposto, agregando valor, conteúdo, conhecimento e

de Boas Práticas de Fabricação (BPF), a farinha

experiência.

também é submetida a tratamentos antioxidantes, antiossalmonelas e antifúngicos. É uma saudável fonte de energia, altamente digestível, e pode

Revista Graxaria Brasileira – Quais são os produtos e

substituir o açúcar, palatabilizantes (como o melaço)

serviços oferecidos atualmente pela Semix?

e aromatizantes nas rações para equinos, bovinos,

Rodrigo Sória Martos Peris – Atualmente nosso

rações de leitões e fêmeas suínas em lactação e

portfólio é composto pelas farinhas de carne, de

bezerros.

ossos, de vísceras, de pena e de sangue, além de óleos e gorduras animais. Também temos o

Revista Graxaria Brasileira – Há novidades no portfólio?

Cookiemix e os concentrados energéticos. Na

Rodrigo Sória Martos Peris – Sempre estamos em

unidade da Arapongas os carros-chefe são a farinha

busca de soluções e para criarmos novos produtos

de carne e de osso e na unidade de Curitiba, o

temos parcerias com instituições. Neste momento

Cookiemix.

algumas ideias estão sendo objetos de trabalhos

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Há um ano a Semix retomou as operações com farinhas de origem animal, absorvendo uma operação na cidade de Arapongas.

científicos realizados em parceria com a Universidade

negociações neste sentido, além do que devemos

UNOPAR – Universidade Norte do Paraná - e sob a

expandir significativamente as operações com

orientação do professor Dr. Edgard Hoshi.

resíduos das indústrias alimentícias.

Revista Graxaria Brasileira – Quais são os diferenciais

Revista Graxaria Brasileira – Quais os recentes

dos produtos e serviços oferecidos pela Semix?

investimentos realizados pela Semix?

Rodrigo Sória Martos Peris – Nos diferenciamos

Rodrigo Sória Martos Peris – No ano de 2018

pela qualidade dos nossos produtos, que têm a

reforçamos os investimentos de modernização na

devida garantia sanitária. Todas as nossas farinhas

unidade de Curitiba, deixando-a dentro de todas

produzidas em Arapongas, por exemplo, só deixam

as normas, principalmente as NR’s relacionadas

a unidade após os testes negativos pra Salmonella

à Segurança do Trabalho e agora no ano de 2019

sp. Temos ainda laboratório e equipe especializada

devemos continuar os investimentos na unidade de

que controla o processo e cumpre com as legislações

Arapongas.

vigentes, assegurando todo o processo. Revista Graxaria Brasileira – Quais as expectativas de Revista Graxaria Brasileira – Quais segmentos de

negócios para 2019 e para os próximos anos?

negócios a empresa atende atualmente? Qual a

Rodrigo Sória Martos Peris – A expectativa para o

importância destas áreas para a companhia?

ano de 2019 é de bastante otimismo uma vez que

Rodrigo Sória Martos Peris – Os nossos principais

acreditamos no retorno do crescimento do Brasil

mercados são avicultura e suinocultura, porém

e, consequentemente, em novas oportunidade de

podemos destacar o crescimento nas áreas de pet

negócios. Por isso, traçamos metas relevantes e

food e aquicultura. Para 2019 temos como objetivo

arrojadas e assim vamos trabalhar firmes e focados

o retorno ao mercado internacional e já iniciamos

para a realização de todas elas.

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Direito & Rendering

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Renan Santos Martins é advogado atuante nas áreas do direito empresarial, especialista em direito ambiental e desenvolvimento sustentável pela Universidade Cândido Mendes, além de sócio do MRMS Advogados.

EM TIME QUE ESTÁ GANHANDO NÃO SE MEXE?

Esta premissa, muito utilizada no meio

vencerão o mais cruel dos desafios: O tempo.

esportivo, não deixa de ser uma realidade

Ora, quase 90% das empresas brasileiras

no meio empresarial, vez que é uma

não passam da segunda geração. Parece que

característica predominante em razão da

quando há a sucessão empresarial, a força

história de formação das empresas e da

de vontade e a garra daquele que trouxe a

notável dificuldade que se tem de poder

empresa até o momento atual, diminui ou

desenvolver qualquer atividade empresarial

deixa de existir.

no Brasil. Mas o que apresentaremos adiante

Fato é que a parte mais difícil de se

é que, se este time pretende continuar

transferir para outra pessoa é o modo como

vencendo, deverá mexer com sabedoria,

você mesmo vê as coisas e, objetivamente,

profissionalizando a gestão da sua empresa,

as oportunidades. No entanto, se você deseja

gerando novos e melhores resultados com o

construir um legado, deixar algo para os que

decorrer do tempo.

vem depois de você usufruírem, continuarem

Quantas vezes não ouvimos histórias, ou até participamos delas, de todos os leões superados diariamente pelo empreendedor

a crescer e se desenvolver nesta estrada, é preciso que algo seja feito. Voltando ao universo do esporte, quando

no desejo incansável de ver prosperar o seu

vemos um time de futebol fazendo a bola

negócio, no intuito de levar o que de melhor

percorrer o campo todo, com um ou dois

existe para a sua família, para os funcionários

toques, de forma que a marcação não

e para ele mesmo, porque não?! E é com

consegue acompanhar, numa cadência

essa característica principal, a vontade real

que dá gosto de ver, consequentemente

de superar os desafios diários e vencer, que

gerando diversas oportunidades para o efeito

grande parte dos bons negócios nasceram e

conclusivo dessa organização, poderíamos

perduram até hoje.

pensar que neste time, todos os jogadores

No entanto, como já apresentamos em artigos anteriores, grande parte das empresas que estão pujantes nos dias atuais, não

estão no lugar certo e na hora certa. Não dá pra mexer. No entanto, se observarmos estes mesmos

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Março / Abril de 2019

times por mais tempo, podemos perceber que,

preparar diversos sucessores, que entrarão

se o treinador não prepara substitutos para

no jogo para substituir algumas peças

que estes possam continuar a fazer funcionar

importantes, mas que precisam de reposição,

a engrenagem do time, fatidicamente, este

mesmo que temporária. Mas, com certeza,

time começará a perder força e, logo mais,

a saída daquele titular não será tão sentida,

aquela forma de jogar, limpa, tranquila,

porque o treinador possui o seu plano bem

intuitiva e organizada, passará por abalo e

desenvolvido.

poderá não se sustentar. Neste caso, o que deve fazer o treinador?

Penso que da mesma forma funciona o ambiente empresarial. É necessário que o

Uma das coisas que ele pode fazer para

empresário construa mecanismos para fazer

manter o crescente resultado é, enquanto o

com que a cultura empresarial se estabeleça

time estiver no topo, deverá preparar o seu

por toda a sua organização. O ideal é que

modelo de organização para que possa ser

a empresa prospere e funcione como um

utilizado por vários outros jogadores, e não só

conjunto de engrenagens bem alinhados,

aqueles 11 que estão com a camisa titular.

com reduzido atrito, fortalecendo a estrutura

Com o seu modelo de treinamento organizado e desenvolvido, conseguirá

organizacional e desenvolvendo a empresa, de forma que caso uma engrenagem necessite

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Direito & Rendering

Março / Abril de 2019

de ser reposta, o mecanismo de reposição

Para que um contrato seja bem feito, é

seja rápido e eficaz, tornando, quase que

necessário que o empresário expresse ao seu

imperceptível a mudança.

advogado exatamente o que pretende com ele,

No direito, o que temos chamado de

e mais, junto com a outra parte, tudo deve ser

assessoria preventiva, vem ao direto encontro

percorrido. Neste momento, os “e se” são da

destas necessidades, uma vez que a advocacia

maior importância, uma vez que um contrato

não mais deve aguarda a situação chegar à

bem feito é aquele que percorre todos os

insustentabilidade. Neste tipo de prestação

meandros daquela atividade, dando clareza

de serviços, busca-se utilizar de medidas

para aquela relação negocial.

negociais e contratuais para reduzir o risco

Todo contrato mal feito, é atrativo para

dos conflitos que possam a desestruturar

insegurança e conflito, pelo simples motivo

o crescimento da empresa. Portanto, antes

de que não contem no seu bojo todas as

que o problema atinja a organização e

informações relevantes para o negócio,

comece a gerar gastos e desgastes em

abalando a relação contratual das partes que

relação a todos os envolvidos com o meio

pretendem construir uma relação duradoura.

ambiente empresarial, identificado o perigo,

Ora, e qual a relação desse assunto com

utilizamos de medidas contratuais, negociais

o título deste artigo? Simples de responder.

e compositivas no sentido de amenizar ou

Analise só: as relações mudam, o modelo de

impedir que o conflito se instale.

negócio muda, as pessoas mudam. Por óbvio,

Os advogados são procurados, na maioria

a maneira que confeccionamos os contratos e

esmagadora dos casos, quando o conflito já se

de lidar com a parte jurídica do seu negócio

instalou e as profilaxias não mais fazem efeito.

também devem mudar. É perceptível que o

A proposta aqui é que estes advogados sejam

dia-a-dia do empresário é extremamente

procurados sempre no curso da atividade

dinâmico atualmente, assim também deve ser

empresarial. Quanto mais o advogado

a sua relação com o seu jurídico.

percorre os caminhos junto com os diretores

Quantas vezes você mudou os contratos

da organização, mais conhece o negócio, que

que regem a sua atividade empresarial? Há

é individualizado, com as particularidades de

quanto tempo não os muda? Será que não

cada empreendimento.

sobreveio uma nova legislação que pode

Quando a advocacia se aproxima do seu

colocar em risco a sua relação contratual por

ramo de negócio, ela terá como consequência

falta de adequação? Você está completamente

um entendimento sinérgico com o próprio

seguro de que os passos dados adiante

mercado, podendo gerenciar os riscos de

estão devidamente organizados e previstos

forma a minimizar os eventos danosos e até

contratualmente?

acabar com muitos deles. Não sei se você já viu um vídeo famoso do

Não hesite! Mude!! Afinal, como diria Einstein, a única constante é a mudança. E leve a sua

Abílio Diniz, grande investidor e empresário

assessoria jurídica com você para esta mudança.

brasileiro, explicando qual o grande erro

Ela vai te aconselhar e colaborar para que os

da vida dele. Ele diz que, com certeza, foi

seus passos sejam cada dia mais firmes em

o contrato, mal feito (segundo ele), que fez

direção ao crescimento e à perenidade. Aproveite

com uma multinacional supermercadista que

o conhecimento jurídico dos seus advogados

adquiriu a sua rede de supermercados.

para poder criar bases sólidas no sentido de que

Nesse vídeo, com muita clareza, explica a

a sua empresa, no momento crítico de mudança,

grande importância em fazer um contrato bem

esteja bem preparada e possa superar, com

feito, percorrendo todas as etapas.

tranquilidade, mais esse desafio!

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Texto: Lucas Cypriano Coordenador Técnico da ABRA, Responsável pelo programa AATQ de Fabricação Higiênica de Farinhas e Gorduras Animais

Desenho esquemático de 2,3,7,8-TCDD

DIOXINAS &

RECICLAGEM ANIMAL Parte 2 – ATUANDO NA REDUÇÃO DE RISCOS Na primeira parte desse artigo, abordamos

Orgânicos Persistentes) devido à sua alta

como as dioxinas são geradas, o que elas fazem nos

estabilidade ambiental (meia-vida muito longa):

organismos de humanos e de animais e como elas

dioxinas antropogênicas e naturais levam anos para

se acumulam nos organismos. Agora, entenderemos

se decompor. O principal método de dispersão das

como elas se comportam no meio-ambiente,

dioxinas é pelo ar [1]. Quando liberadas na atmosfera,

como animais e humanos se contaminam e quais

dioxinas se dispersam e via jam a longas distâncias

estratégias o setor de reciclagem animal pode adotar

e eventualmente se depositam na superfície do solo,

para produzir produtos ainda mais seguros.

água ou sobre a vegetação [2].

6 - O QUE ACONTECE COM AS DIOXINAS QUANDO

rios e oceanos, por serem praticamente insolúveis

ELAS CHEGAM AO MEIO-AMBIENTE?

em água, elas se se unem fortemente a partículas e

Quando as dioxinas se precipitam sobre lagos,

Dioxinas são classificadas como POP (Poluentes

se depositam em forma de sedimentos. Dioxinas que

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Figura 1: Exemplo de indústria emissora de dioxina: as dioxinas se espalham pelo ar, resultando em diferentes graus de contaminação, conforme a direção do vento. Nesse exemplo, galinhas poedeiras sendo criadas em área contaminada por dioxinas.

caem em solo, se unem fortemente às suas partículas.

outro feito na Espanha [7], estimou a ingestão média

Processos de erosão do solo tendem a depositar as

de Dioxinas na Catalúnia.

dioxinas no leito de lagos e de oceanos [3]. Plantas crescendo em solo contaminado por

Portanto, a maior parte das dioxinas absorvidas por humanos se dá via alimentação, e uma pequena

dioxinas não são capazes de absorver quantidades

fração via inalação e ingestão de solo (geralmente

significativas desses compostos: as plantas

por vias indiretas) [8] [7]. É esperado o mesmo

geralmente se contaminam pelo ar [4], pela

para os animais: que o “aporte” de dioxinas se dê

deposição de partículas contaminadas em suas

principalmente via ingestão de alimentos e solo, com

folhas ou pelo uso de algumas classes de defensivos

a diferença que a depender dos hábitos alimentícios

agrícolas (hoje, a maioria dos países, incluindo o

do animal, a ingestão de solo pode ser maior, como

Brasil, já baniu o uso desses defensivos).

por exemplo, herbívoros pastando em vegetação rala,

Animais que se alimentam de plantas (por exemplo: herbívoros) ou que ingerem solo/fundo

ingerindo maior quantidade de solo ou caranguejos ingerindo barro de mangue. Caso ha ja contaminação

de rios e sedimentos de oceanos (por exemplo:

Japão/2001

moluscos, vermes), absorvem parte das dioxinas presentes, acumulando-as em seu organismo, principalmente em seus tecidos gordurosos. Por serem muito solúveis em gorduras, elas tendem a ser bioacumulativas em animais, particularmente em espécies carnívoras longevas que estejam no topo

Inalação

Solo (ingestão)

Outros alimentos Vegetais

Peixes e frutos do mar

da pirâmide alimentar, que se alimentam desses herbívoros, moluscos e vermes, ou de animais que deles se alimentaram [5].

Leite e carne Catalúnia/2003

7 - COMO ANIMAIS E HUMANOS PODEM SE EXPOR ÀS DIOXINAS? Devido ao fato de dioxinas persistirem no meio ambiente por muito tempo e por serem tão dispersas, todos os animais possuem alguma quantidade de dioxina em seus organismos, incluindo os humanos.

Cereais

Frutas

Tubérculos e vegetais

Peixes e frutos do mar

Óleos vegetais Carnes

Um levantamento, estimou a origem (via) das exposições médias dos japoneses às dioxinas [6], e

Lácteos

Ovos 49

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ambiental no solo por dioxinas onde esses animais se

saber qual o TEF de cada congênere da amostra, basta

alimentam é esperada uma elevação dos níveis de

multiplicar a dose do PCDD/PCDF/PCB pelo seu fator. Ao

dioxinas em seus organismos [8] [7].

se somar o valor de cada congênere, se obtém o índice

Trabalhos apontam ingestões médias de dioxinas por adultos, no ano de 2001, variando entre 81,9 OMS-TEQ

químico total de dose-equivalente da mistura desses componentes, ou TEQ (Equivalente Tóxico). A Tabela 1 (vide primeira parte do artigo, publicada

pg/dia no Japão a 123 OMS-TEQ pg/dia nos EUA [7]

em fevereiro de 2019, (https://bit.ly/2K1QZ9Q)) mostra 8 - HÁ UM NÍVEL SEGURO DE INGESTÃO DE

os TEFs de cada dioxina. Imagine um produto com

DIOXINAS?

2ng de 1,2,3,7,8-PeCDD, 20ng de 1,2,3,4,6a,7,8-HpCDD e

Para se avaliar o grau de intoxicação por dioxinas

1000ng de OCDF. O TEQ seria de:

a que uma pessoa foi submetida, a Organização TEQ = 2x1 + 20x0,01 + 1000x0,0003

Mundial de Saúde (OMS) recomenda o uso do Fator

TEQ = 2,5ng de 2,3,7,8-TCDD equivalente

Equivalente de Toxicidade (Sigla em inglês - TEF). Para calcular o TEF de cada congênere de dioxina, um painel

Ou seja, para se estimar o risco à saúde de

de cientistas especializados no assunto concordou com uma tabela de valores de referência para a OMS.

um eventual alimento contendo diversos tipos de

Essa tabela foi estabelecida a partir de experimentos

dioxinas (TEQ), a OMS recomenda que a tabela TEF

realizados “in vivo” (mamíferos, aves e peixes) ou “in

seja utilizada para o cálculo. Quanto a um nível seguro de ingestão, apesar

vitro”, sendo esses números reavaliados a cada 5 anos a

de diversos órgãos concordarem sobre os riscos

partir de novos trabalhos publicados. Por definição, o 2,3,7,8-TCDD possui valor de

das dioxinas à saúde, eles recomendam valores

escala 1,0. O PCB 126 serve como balizador da escala,

diferentes de ingestão máxima segura, com valores

assumindo valor de 0,1. As demais dioxinas são

mensais médios variando de 30pg por quilograma

classificadas de acordo com esses parâmetros. Para se

de peso vivo até 120pg por quilograma de peso vivo, conforme pode ser observado na tabela 3 [9]:

Tabela 3: Ingestão máxima de dioxinas consideradas seguras Ano

Agência ou organismo

Tipo de valor

Valor (pg TEQ)

1999

Ministério da Agricultura

TDI

4pg/kg-dia

TWI

7pg/kg-semana

TWI

14pg/kg-semana

TMI

70pg/kg-mês

É interessante notar que alguns órgãos fixam valores mensais, reforçando a ideia que a ingestão deve ser considerada em um período de tempo.

do Japão 2000

No Brasil, o Ministério da Agricultura emitiu a

European Commission Scientific Committee on Foods

2001

European Commission

fixando no Artigo 1º os limites máximos de dioxinas

Scientific Committee on Foods 2001

OMS/FAO JECFA

Instrução Normativa Nº 09 em 12 de maio de 2016, e bifenilas policloradas sob a forma de dioxinas em produtos destinados à alimentação animal. Destaco

Onde: TDI = Ingestão diária total / TWI = Ingestão semanal total / TMI = Ingestão mensal total

aqui os níveis estipulados para farinhas e gorduras de origem animal:

Tabela 4: níveis máximos permitidos de dioxinas em ingredientes (IN09/2016/MAPA) Dioxinas

Ingrediente

Limite máximo no produto (umidade 12%)

Gorduras animais (excluindo óleo de peixe)

1,5ng TEQ/kg (PCDD+F TEF-OMS)

Óleo de Peixe, camarão, lula, etc.

5,0ng TEQ/kg (PCDD+F TEF-OMS)

PCDD +

Outros produtos de animais terrestres

PCDF

(farinhas, gelatina, etc.) Farinha de crustáceos e hidrolisados de peixe com mais de 20% de gordura. Demais hidrolisados e farinhas de peixes

0,75ng TEQ/kg (PCDD+F TEF-OMS) 1,75ng TEQ/kg (PCDD+F TEF-OMS) 1,25ng TEQ/kg (PCDD+F TEF-OMS)

Gorduras animais (excluindo óleo de peixe)

2,0ng TEQ/kg (PCDD+F+PCB TEF-OMS)

Óleo de Peixe, camarão, lula, etc.

20,0ng TEQ/kg (PCDD+F+PCB TEF-OMS)

PCDD +

Outros produtos de animais terrestres

PCDF +

(farinhas, gelatina, etc.)

PCB

Farinha de crustáceos e hidrolisados de peixe com mais de 20% de gordura. Demais hidrolisados e farinhas de peixes

1,25ng TEQ/kg (PCDD+F+PCB TEF-OMS) 9ng TEQ/kg (PCDD+F+PCB TEF-OMS) 4,0ng TEQ/kg (PCDD+F+PCB TEF-OMS)

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9 - COMO PODEMOS MINIMIZAR A EXPOSIÇÃO DOS

subprodutos na indústria alimentícia, pois a distribuição

ANIMAIS ÀS DIOXINAS?

de dioxinas nas minas desses países, se provou ser natural,

Desde o final dos anos 1970, países vêm tomando ações para reduzir a emissão de dioxinas ao meio-

errática e até o momento, imprevisível [15]. Diversos levantamentos comprovam uma redução

ambiente. O primeiro e mais importante passo já foi

significativa no grau de exposição dos animais

dado ao imporem regras para redução de emissões

e humanos à dioxina [10] [11] [9]: comparações

de dioxinas e seus precursores, como: a proibição de

avaliando a quantidade de dioxinas (a justadas para

uso de Óleos-PCBs em sistemas elétricos; adotando

o TEF em níveis séricos de lipídeos sanguíneos) da

restrições ao uso de PCPs no tratamento de madeira e

população dos EUA realizado pelo Centro de Controle

na fabricação de defensivos agrícolas; impedindo uso

de Doenças (CDC), vem caindo: em 1970 a média foi

de chumbo na gasolina, dentre outras tantas ações já

de aproximadamente 90ppt, em 1980 caiu para 67ppt,

tomadas.

em 1990 caiu para 37ppt e em 1996, os níveis médios

O segundo passo importante também já foi

estão próximos a 22ppt, mostrando uma importante

tomado: estudar os casos de contaminação de

queda de 90 para 22ppt em 26 anos. Com isso,

alimentos por dioxinas, rastrear suas origens e definir

acredita-se que os níveis séricos de dioxinas em 2020

ferramentas de controle e de mitigação de riscos para

será 10 vezes menor que os últimos níveis. [9]

esses casos [11] [12] [9]. Um bom exemplo são os casos de contaminação

Porém, contaminações ambientais antigas continuam mostrando sua persistência. Caso típico sobre

por dioxinas causados pelo uso de argilas cauliníticas: o

esse tema foi relatado por diversos pesquisadores: ovos

estudo de dois casos de contaminação de ração por argilas

de galinhas criadas livres (free range) se apresentam

cauliníticas naturalmente contaminadas com dioxinas (EUA

com níveis mais elevados de dioxinas frente a ovos de

em 1996 [13] e Holanda em 2004 [14]) levou à suspensão

galinhas criadas em gaiolas (tradicional) [5]. Acredita-

de uso desse veículo “in natura” em premixes, rações e

se que esses níveis superiores ocorram devido ao fato

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Tabela 5: Dioxinas (ng TEQ/g de gordura) em ovos de galinhas criadas em sistema de bateria de gaiolas (tradicional) e galinhas criadas livres que tem acesso a pasto (free range) [5] [16] [17] País/Ano

Sistema tradicional

Orgânicas/free range

Alemanha

0,23 – 6,04 pg TEQ / g de gordura

0,38 – 22,8 pg TEQ / g de gordura

Holanda

1 – 2 pg TEQ / g de gordura

0,4 – 8,1 pg TEQ / g de gordura

Irlanda

0,1 – 0,6 pg TEQ / g de gordura

0,5 – 2,7 pg TEQ / g de gordura

Suíça

1,3 pg TEQ / g de gordura

2,3 – 19 pg TEQ / g de gordura

das galinhas livres pastarem. Ao pastar, elas consomem

científica internacional sobre fontes de dioxinas

insetos e vermes (por exemplo, besouros, formigas,

antropogênicas, até o momento não há trabalho

minhocas, etc.), terra e ervas. Caso a terra tenha

publicado atestando a formação de dioxinas no

resíduos de dioxinas, esses produtos se acumularão

processo usual de fabricação de farinhas e gorduras

nas galinhas e parte deles serão excretados nos ovos,

animais. Como os princípios térmicos utilizados

conforme pode ser confirmado na tabela 5.

para a fabricação de farinhas e gorduras são os

Portanto, cientes que as principais medidas

mesmos desde a invenção do digestor de batelada

preventivas já foram tomadas, em situações de risco

em 1920, e como nas últimas décadas houve um

de contaminação do alimento por dioxinas [9], por

significativo aumento do controle das condições

não existirem métodos de descontaminação de rações

de processo, monitorando e evitando situações de

economicamente viáveis, medidas complementares

calor extremo, é altamente improvável que situações

podem ser adotadas, como:

usuais de processo sejam responsáveis pela geração

- fazer dietas balanceadas com diversos tipos de

de dioxinas, até mesmo a presença de materiais

ingredientes, ou com o mesmo tipo de ingrediente

estranhos considerados “usuais” – e indesejados –

de diversas origens: por exemplo, utilizar na dieta 3

como parafusos, luvas e embalagens nas farinhas em

fornecedores do mesmo ingrediente (por exemplo,

geral e dedeiras em farinhas de penas não devem ser

3 fornecedores de milho) – dessa forma, se reduz a

entendidos como de risco para a geração de dioxinas

possibilidade de que um lote de milho contaminado

em sistemas de caloria indireta por simplesmente não

por dioxinas resulte em aumento significativo no teor

haver um único caso reportado em toda a literatura

de dioxinas na ração;

internacional.

- reduzir o nível de extrato etéreo das dietas animais ao mínimo necessário: por serem lipossolúveis, são carreadas nas gorduras animais e nos óleos vegetais. Por exemplo: caso as dioxinas estejam presentes em fontes de óleo/gordura, ao se reduzir a adição desse ingrediente na dieta, se espera uma redução automática de dioxinas na ração produzida. - certificar-se sobre adoção de boas-práticas nos fornecedores dos ingredientes: ter rastreabilidade, se certificar que os fornecedores adotam programas de

Até o momento, não há caso reportado pela literatura científica atestando formação de dioxinas em sistemas de caloria indireta (vapor encamisado) na produção de farinhas e gorduras de origem animal, portanto, não há risco conhecido de geração de dioxinas em farinhas processadas em sistemas de caloria indireta!

monitoria regular e práticas de produção segura são atitudes necessárias para se reduzir a exposição dos animais a fontes de dioxinas.

Há sim casos de dioxinas em farinhas e gorduras de origem animal reportados no mundo, mas nenhum dos casos até hoje estudados atribuiu

É importante ressaltar que todos as plantas e

a presença de dioxinas ao processamento em si,

animais estão sujeitos a pequenas quantidades

mas a práticas inadequadas de processamento: a

dioxinas ao longo de sua vida, portanto, buscar

presença de precursores ou na matéria-prima ou

ausência de dioxina não é algo exequível ou

nos emprego de combustíveis impróprios para a

justificável

geração de caloria em sistema de secagem direta (ar “queimado” entra em contato com o produto).

10 - A FABRICAÇÃO DE FARINHAS E GORDURAS DE

Agregamos todos os casos ligados à fabricação de

ORIGEM ANIMAL GERA DIOXINAS?

farinhas e gorduras de origem animal na tabela 6

Após quase 50 anos de estudo da comunidade

encontrados na pesquisa bibliográfica realizada.

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Figura 2: o sistema de secagem indireto não permite que os gases gerados na queima entrem em contato com o vapor encamisado pelo sistema da caldeia, resultando em ausência de risco quanto à geração de dioxinas no processo de secagem.

Tabela 6: Casos de contaminação de produtos de origem animal por dioxinas no mundo País/Ano

Origem

Níveis mais elevados

EUA/1957

Subprodutos da fabricação de couro, tratados com

Não aferido pois não havia técnica,

[18], [15]

clorofenóis para sua preservação. Gorduras e farinhas

porém, sintomas em aves são forte

utilizados para a fabricação de ração para animais

indicativo de presença de PCDD/PCDF

Óleo de transformador elétrico (50 a 200kg)

Ração:2.000ng TEQ/kg de ração

Bélgica/1999

rico em PCB, reciclado juntamente com coleta de

Ovos: 2.000pg TEQ/g de gordura

[19], [15]

óleo de cozinha usado, utilizado para fabricação

Carne de ave: 3.000pg/g de gordura

de ração para animais Ácido clorídrico contaminado com dioxinas utilizado

Sebo: 440ng TEQ/kg de sebo

Holanda/2006

na fabricação de gelatinas – subproduto foi utilizado

Ração: 8ng TEQ/kg de ração

[15], [20]

na fabricação de farinhas e gorduras, utilizadas na

Suíno: 3pg/g de gordura

fabricação de ração para animais Material impróprio utilizado na fornalha Brasil/2016 [21]

Farinha de pena: 6ng TEQ/kg

(pallets tratados) para a secagem de farinha de pena.

de farinha

Farinha de pena utilizadas na fabricação de ração

Ração: 0,41ng TEQ/kg de ração

Portanto, ou a dioxina foi introduzida via

literatura científica, de contaminação com dioxinas

matéria-prima contaminada ou via uso de

semelhantes ao de 2016 no Brasil. Esses casos

material inadequado para a produção de caloria

não ocorreram em farinhas e gorduras de origem

para secagem do produto final. No tocante à

animal, mas em secagem de resíduos de bolachas/

secagem há outros dois casos, reportados pela

panificação (vide tabela 7).

Tabela 7: casos de contaminação de farelo de bolacha por dioxinas devido a material inadequado utilizado na secagem do produto País/Ano

Origem

Níveis mais elevados

Alemanha/2003

Material impróprio utilizado na fornalha (madeira

Farelo de bolacha: 12ng TEQ/kg de farelo

[22]

tratada) para a secagem do resíduo de panificação.

Suíno: 2,2pg/g de gordura

Farelo de bolacha utilizado para fabricação de ração Irlanda/2008

Material impróprio utilizado na fornalha (Óleo-PCB)

Farelo de bolacha: 8500ng TEQ/kg

[23], [24], [25]

para a secagem do resíduo de panificação. Farelo de

de farelo

bolacha utilizado para fabricação de ração

Suíno: 600pg/g de gordura Fígado de suíno: 16.000pg/g de gordura

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Não podemos deixar de observar que os níveis de

d - Aumentar a quantidade de oxigênio (>11%) e

dioxinas nos produtos secos com o uso de madeira tratada

evitar picos de monóxido de carbono na câmara de

(farinha de pena/Brasil/2016 [21] e farelo de bolacha/

combustão;

Alemanha/2003 [22]) apresentam TEQ numericamente

e - Aumentar o turbilhonamento dos gases internos na

semelhantes (6ng e 12ng TEQ/kg), mas muito inferiores aos

câmara de combustão (Número de Reynolds acima de

casos reportados quando houve presença de precursores

10.000).

de dioxinas no processo de secagem ou na matéria-prima (entre 440ng e 8500ng TEQ/kg) A literatura científica ainda aponta para uma outra

2 - Para se reduzir a síntese “de novo”: a - Resfriar rapidamente o ar quente quando esse

fonte de dioxinas envolvendo farinhas de origem animal:

estiver entre as temperaturas de 450ºC e 250ºC;

quando utilizada como combustível para a produção de

b - Introduzir o ar aquecido e seco, dentro do secador, a

energia, a farinha de carne e osso é capaz de gerar baixos

temperaturas inferiores a 250ºC.

níveis de dioxinas em incineradores a temperaturas entre 500ºC e 750ºC [26] [27]. Os níveis gerados nos gases de

3 - Recomendações complementares

exaustão são de 10 a 20 vezes inferiores ao gerado, sob

a - Evitar uso de precursores de dioxinas como

as mesmas condições, pela queima de lodo de esgoto

combustível em outros equipamentos (caldeiras

doméstico. Temperaturas de incineração de farinhas acima

ou fornalhas) próximos às fornalhas utilizadas para

de 850ºC são aparentemente suficientes para se garantir

geração de ar quente para secagem de farinhas – caso

níveis adequadamente baixos de dioxinas [27] [26] [28].

haja formação de dioxinas nesses equipamentos, esses gases poderiam ser “sugados” pela fornalha de caloria

11 - QUAIS ESTRATÉGIAS ADOTAR PARA REDUZIR

direta, que poderiam em última instância, contaminar o

A POSSIBILIDADE DE GERAÇÃO DE DIOXINAS EM

produto durante sua secagem.

EQUIPAMENTOS DE SECAGEM DIRETA DE FARINHAS?

b - Em casos extremos, quando o sistema de secagem

Apesar de não termos encontrado literatura tratando

entrar em combustão ou o estoque de produtos

especificamente de secadores de penas e sangue ou de

acabados entrar em autocombustão, pode haver a

equipamentos de secagem por caloria direta semelhantes,

geração de dioxinas devido às condições sub-ótimas no

mesmo que utilizados em outras atividades como

processo de queima:

secagem de grãos e farelos, muito foi publicado a respeito

I) Em secadores que “incendiaram”, recomenda-

de equipamentos de incineração de lixo doméstico, onde

se cuidadosa limpeza e raspagem dos secadores,

podemos tirar algumas conclusões [29] [30] [31]. Aqui,

desviando toda a varredura e produto fabricado no

indicamos algumas recomendações a partir de casos

reinício de produção, impedindo-os de retornarem à

ocorridos em outras atividades industriais, e da observação

nutrição animal;

e acompanhamento de casos práticos em nosso setor:

II) Em estoques que entraram em auto-combustão, recomenda-se segregação dos produtos que

1 - Para se reduzir a pirosíntese:

entraram em contato com a fumaça gerada, sua

a - Não utilizar precursores de dioxinas como

análise para presença de dioxinas e, em que a

combustível: o uso de óleos-PCB (óleo de

ação mais adequada seja tomada em função dos

transformadores elétricos, por exemplo), madeira

resultados laboratoriais aferidos.

tratada com PCP/cobre/retardante de fogo, PVC, óleo diesel, gasolina e outros precursores é a ação mais

Reforçamos que o uso de madeira “virgem” (por

importante a ser tomada – esse é o ponto do processo

exemplo, toras de eucalipto) como único elemento

onde níveis elevados de dioxinas podem ser gerados

utilizado como combustível em sistemas de secagem

caso precursores de dioxinas estejam presentes no

direto é a principal ação a ser adotada. Portanto, quanto

processo de queima;

a sistemas de secagem de produtos de origem animal,

b - Buscar manter a temperatura da câmara de

podemos concluir que:

combustão acima de 850ºC, aumentando o tempo de

- não é esperado casos de contaminação por dioxinas em

residência dos gases para mais de 2 segundos, evitando

sistemas de produção de secagem indireta (por exemplo,

temperaturas de combustão entre 550ºC e 650ºC;

caldeira a vapor) de farinhas e gorduras de origem animal,

c - Não utilizar o ar quente gerado no start-up da

salvo que as dioxinas já estejam presentes na matéria-

fornalha para secagem do produto;

prima processada;

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- sistema de secagem por caloria direta (ar quente) merece atenção: o uso de precursores de dioxinas é condenável, e práticas complementares podem assegurar produção de farinhas adequadamente secas e com níveis de dioxinas bem abaixo do limite máximo aceitável (0,5ng/ kg de produto), salvo que dioxinas já estejam presentes no material utilizado como combustível ou na matéria-prima processada. Fica claro que analisar a matéria-prima é uma premissa importante na busca de farinhas e gorduras de origem animal com níveis adequados de dioxinas, pois apenas com esse monitoramento pode-se verificar se haveria possibilidade de a matéria-prima já estar contaminada. A análise do teor de dioxinas presentes na gordura abdominal parece ser um dos métodos mais representativos para essa monitoria [32]. 12 - CONCLUSÕES A exposição de humanos e animais a dioxinas antropogênicas vem caindo desde os anos 70, quando medidas preventivas começaram a ser tomadas, mostrando que as estratégias vêm se mostrando vencedoras. Pelo fato de se tratarem de Poluentes Orgânicos Persistentes, as dioxinas estão presentes nos mais diversos ambientes, e apesar de ser irreal a busca de produtos isentos de dioxinas, é factível a busca de produtos com níveis baixos e seguros de dioxinas. O processo de fabricação de farinhas e gorduras de origem animal não é capaz de gerar dioxinas se medidas preventivas simples forem adotadas. Os poucos casos de dioxinas em produtos de origem animal reportados pela literatura consultada remete a sistemas de secagem por caloria direta, sendo tecnicamente evitável essa formação. A introdução de precursores de dioxinas na cadeia, como óleo-PCB utilizado como resfriadores em transformadores elétricos, pallets tratados e PVC utilizados como combustível em fornalhas de secagem direta, deve ser evitado a todo custo. A suspensão de uso de precursores, associada a adoção de processos complementares, costumam ser suficientes para garantir a fabricação de produtos seguros para uso na alimentação animal. Bibliografia Citada no Capítulo 2 [1] R. J. K. C. Lohmann, “Dioxins and furans in air and deposition: A review of levels, behaviour and processes,” The Science of the Total Environment, vol. 219, pp. 53-81, 1998. [2] P. S. Kulkarni, J. G. Crespo and C. A. M. Afonso, “Dioxins sources and current remediation technologies — A review,” Environment International, vol. 34, pp. 139-153, 2008. [3] Minnesota Department of Health, “Facts about Dioxins Updated October 2006,” 2006. [Online]. Available: http://www.health.state.mn.us/divs/eh/risk/chemhazards/dioxins.html. [Accessed 13 Janeiro 2019]. [4] J. Strandberg, H. Odén, R. M. Nieto and A. Björk, “Treatment of Dioxin Contaminated

Soils Literature Review and Remediation Method Development,” Swedish Environmental Research Institute, Stockholm, 2011. [5] M. De Vries, R. P. Kwakkel and A. Kijlstra, “Dioxins in organic eggs: a review,” Wageningen Journal of Life Sciences, vol. 54, no. 2, pp. 207-221, 2006. [6] A. Kishimoto, T. Oka and J. Nakanishi, “Cost Effectiveness of Reducing Dioxin Emissions from Municipal Solid Waste Incinerators in Japan,” Environmental Science & Technology, vol. 35, no. 14, pp. 2861-2866, 2001. [7] J. M. Llobet, J. L. Domingo, A. Bocio, C. Casas, A. Teixidó and L. Müller, “Human exposure to dioxins through the diet in Catalonia, Spain: carcinogenic and non-carcinogenic risk,” Chemosphere, vol. 50, pp. 1193-1200, 2003. [8] G. F. Fries, “A review of the significance of animal food products as potential pathways of human exposures to dioxins,” Journal of Animal Science, vol. 73, pp. 1639-1650, 1995. [9] S. M. Hays and L. L. Aylward, “Dioxin risks in perspective: past, present, and future,” Regulatory Toxicology and Pharmacology, vol. 37, pp. 202-217, 2003. [10] J. A. Conesa, R. Font, A. Fullana, I. Martín-Gullón, I. Aracil, A. Gávez, J. Moltó and M. F. Gómez-Rico, “Comparison between emissions from the pyrolysis and combustion of different wastes,” Journal of Analytical and Applied Pyrolysis, p. 8, 2008. [11] EPA, “An Inventory of Sources and Environmental Releases of Dioxin-Like Compounds in the United States for the Years 1987, 1995, and 2000,” National Center for Environmental Assessment / Office of Research and Development / U.S. Environmental Protection Agency, Washington, DC, 2006. [12] Environment Australia, “Incineration and Dioxins: Review of Formation Processes,” Consultancy report prepared by Environmental and Safety Services for Environment Australia, Commonwealth Department of the Environment and Heritage, Canberra, 1999. [13] D. G. Hayward, D. Nortrup, A. Gardner and M. Clower Jr., “Elevated TCDD in chicken eggs and farm-raised catfish fed a diet with ball clay from a southern United States mine,” Environmental Research, vol. 81, pp. 248-256, 1999. [14] R. Hoogenboom, M. Zeilmaker, J. V. Eijkeren, K. Kan, M. Mengelers, D. Luykx and W. Traag, “Kaolinic clay derived PCDD/Fs in the feed chain from a sorting process for potatoes,” Chemosphere, p. 7, 2009. [15] R. Hoogenboom, W. Traag, A. Fernandes and M. Rose, “European developments following incidents with dioxins and PCBs in the food and feed chain,” Food Control, vol. 50, pp. 670-683, 2015. [16] A. Kijlstra, W. A. Traag and L. A. P. Hoogenboom, “Effect of Flock Size on Dioxin Levels in Eggs from Chickens Kept Outside,” Poultry Science, vol. 86, pp. 2042-2048, 2007. [17] G. Schoeters and R. Hoogenboom, “Contamination of free-range chicken eggs with dioxins and dioxin-like polychlorinated biphenyls,” Molecular Nutrition and Food Research, vol. 50, pp. 908-914, 2006. [18] D. Firestone, “Etiology of chick edema disease,” Environmental Health Perspectives, pp. 59-66, 5 Setembro 1973. [19] N. van Larebeke, L. Hens, P. Schepens, A. Covaci, J. Bayens, K. Everaert, J. L. Bernheim, R. Vlietinck and G. D. Poorter, “The Belgian PCB and Dioxin Incident of January–June 1999: Exposure Data and Potential Impact on Health,” Environmental Health Perspectives, pp. 265-269, Março 2001. [20] L. A. P. Hoogenboom, J. C. H. V. Eijkeren, M. J. Zeilmaker, M. J. B. Mengelers, R. Herbes, J. Immerzeel and W. A. Traag, “A novel source for dioxins present in recycled fat from gelatin production,” Chemosphere, vol. 68, pp. 814-823, 2007. [21] V. J. Vivan Jr, “Dúvidas e preocupações da indústria sob a perspectiva da Indústria Integrada,” Pedro Leopoldo, 2016. [22] R. L. A. P. Hoogenboom, T. F. H. Bovee, L. Portier, G. Bor, G. van der Weg, C. Onstenk and W. A. Traag, “The German bakery waste incident; use of a combined approach of screening and confirmation for dioxins in feed and food,” Talanta, vol. 63, pp. 1249-1253, 2004. [23] C. Tlustos, “The dioxin contamination incident in Ireland 2008,” Organohalogen Compounds, vol. 71, pp. 1155-1159, 2009. [24] L. Heres, R. L. Hoogenboom, K. Herbes, W. Traag and B. Urlings, “Tracing and analytical results of the dioxin contamination incident in 2008 originating from the Republic of Ireland,” Food Additives and Contaminants, vol. 27, no. 12, pp. 1733-1744, 2010. [25] I. Marmane, “Comprehensive environmental review following the pork PCB/dioxin contamination incident in Ireland,” Lournal of Environmental Monitoring, vol. 14, pp. 2251-2256, 2012. [26] M. Ayllón, M. Aznar, J. L. Sánchez, G. Gea and J. Arauzo, “Influence of temperature and heating rate on the fixed bed pyrolysis of meat and bone meal,” Chemical Engineering Journal, vol. 121, pp. 85-96, 2006. [27] E. Cascarosa, G. Gea and J. Arauzo, “Thermochemical processing of meat and bone meal: A review,” Renewable and Sustainable Energy Reviews, vol. 16, pp. 942-957, 2012. [28] J. A. Conesa, A. Fullana and R. Font, “Dioxin production during the thermal treatment of meat and bone meal residues,” Chemosphere, vol. 59, pp. 85-90, 2005. [29] O. Hutzinger, G. G. Choudhry, B. G. Chittim and L. E. Johnston, “Formation of Polychlorinated Dibenzofurans and Dioxins during Combustion, Electrical Equipment Fires and PCB Incineration,” Environmental Health Perspectives, vol. 6, pp. 3-9, 1985. [30] J. Aurell and S. Marklund, “Investigation of Dioxin formation and destruction mechanisms in waste incineration plants in order to improve the quality of residues,” Department of Chemistry, Umeå University, Umeå, 2008. [31] G. McKay, “Dioxin characterisation, formation and minimisation during municipal solid waste (MSW) incineration: review,” Chemical Engineering Journal, vol. 86, pp. 343-368, 2002. [32] J. Ferrario and C. Byrne, “The concentration and distribution of 2,3,7,8-dibenzo-pdioxins/-furans in chickens,” Chemosphere, vol. 40, pp. 221-224, 2000.

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Caderno Técnico

Por Vanderlei Mariotto

ARGILAS CLARIFICANTES NOVOS CAMINHOS ! Argilas clarificantes, argilas adsorventes,

de refino de óleos e gorduras, porquê seu

terras branqueantes, ou argilas descorantes,

objetivo é incrementar a estabilidade oxidativa

são termos ou nomenclaturas, utilizadas para

desses materiais, ao se eliminar os produtos e

identificar os minerais esmectitas ou bentonitas,

promotores de oxidação que os acompanham,

da família das montmorilonitas, naturais ou

incompatíveis ao consumo humano. A argila

ativadas por ácidos sulfúrico ou clorídrico, para

utilizada no processo de clarificação, seja

a clarificação de óleos vegetais e gorduras

ela ativada por ácidos ou em estado natural

animais ( *1 ). Clarificar é eliminar impurezas de

(como as terras FULLER), têm que possuir uma

um líquido ou de uma substância. A clarificação

propriedade específica à sua composição, que

é o processo mais crítico na refinação de óleos e

é a propriedade de adsorção para efetivamente

gorduras. Clarificação é o termo mais adequado

remover os compostos indesejados de óleos e/

para se descrever o que se sucede nesta etapa

ou gorduras.

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Adsorção ou processo adsortivo é o termo

óleos;

mais adequado ao trabalho realizado pela argila

- Eliminar os produtos primários de oxidação,

no processo de clarificação. Referir-se a esta

adsorver alguns dos produtos secundários de

parte do processo como, “branqueamento”,

oxidação e parte dos pigmentos vermelho e

é um termo muito simplista e incorretamente

amarelo.

utilizado desde há muito tempo e até hoje. Simplesmente, se estaria resumindo-o ao

Estas substâncias são adsorvidas, ao

processo de redução de cores dos óleos ou

se agregar ao óleo ou gordura, uma argila

gorduras, minimizando toda a ação da argila

neutra ou acidamente ativada, em condições

adsorvente. Em contrapartida, não se pode

pré-determinadas de agitação, temperatura,

deixar de afirmar, que existe um “processo de

quantidade de argila, tempo de contato, pressão

branqueamento” na clarificação, pois a redução

e umidade.

de cores se dá em cada etapa do refino. Muitos

A agitação deve ser vigorosa, constante

ainda, nas refinarias, tomam apenas as reduções

e deve ser determinada sua velocidade entre

de cores, amarelo e vermelho, como parâmetros

60 a 80 rpm nos clarificadores. É conveniente,

para se medir a qualidade dos óleos e gorduras

para uma mistura eficaz, que os clarificadores

clarificados e através disso, também se medir a

possuam de 2 a 4 “quebra-vórtex” instalados em

qualidade das argilas clarificantes, acreditando-

suas paredes internas.

se que o restante das impurezas indesejáveis,

A temperatura é um dado muito importante

foram reduzidas de forma similar à redução das

na clarificação e deve ser constantemente

cores. A eliminação dos promotores e produtos

monitorada pois caso ha ja aumento da

de oxidação não seguem um paralelismo com

temperatura de trabalho, todo o processo

a redução das cores. As argilas empregadas no

de clarificação poderá estar comprometido.

processo de clarificação têm de perseguir e

O intervalo ótimo para a temperatura, na

atingir três objetivos específicos:

clarificação de óleos e gorduras, é de 90 a 110º C, onde a maior temperatura é o máximo

- Adsorver as impurezas que ainda permanecem

admissível, tanto para o óleo como para

após a neutralização alcalina, como os

a gordura. Algumas refinarias adotam a

fosfolipídeos, as partículas metálicas e os

temperatura de 110ºC, como a temperatura

sabões;

ideal, tanto para óleos como para gorduras e

- Adsorver a clorofila que é forte oxidante aos

toda a atenção deve ser dispensada a estes

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dados. Quando a temperatura excede o limite

Todo o processo de clarificação poderá ser

proposto, pode ocasionar a oxidação do óleo

prejudicado pela alta umidade e comprometerá

vegetal, fixando as cores vermelho e amarelo e

o trabalho de adsorção da argila, além é

impedindo a remoção ideal dos componentes.

claro de prejudicar o processo de filtração

Na gordura, quando a temperatura ultrapassa

e posteriormente danificar todo o material

a 110ºC, ocorre a oxidação e a posterior

clarificado ( óleos ou gorduras).

rancificação desta gordura, fixando cores indesejáveis que são praticamente irreversíveis.

TIPOS DE ARGILAS

Para a quantidade de argila ideal ao processo de clarificação, se padronizou no

Já nos referimos aos tipos de argilas usadas

mercado e entre as refinarias, a adição de

no processo de clarificação mas vale a pena

0,5 a 1,5% de argila sobre o volume de óleo a

reforçarmos alguns tópicos que julgamos

ser refinado, e de 1,5 a 3,0% de argila sobre o

importantes e dissertarmos um pouco mais

volume da gordura a ser refinada. Obviamente,

sobre cada um deles:

estas quantidades podem sofrer alterações para

ARGILA NATURAL – Como o próprio nome diz,

mais ou para menos, em ambos os casos, pois

argila natural é todo e qualquer argilo-mineral,

dependem, além da qualidade de adsorção da

isento de aditivos que modifiquem sua estrutura

argila, de fatores externos que modificam a

cristalina. As argilas naturais foram durante

estrutura e a qualidade dos óleos e gorduras (

muito tempo, utilizadas na clarificação de óleos

*2 )

e gorduras, porém, limitadas na redução dos

Deve ser observado, o menor tempo de

compostos indesejados e na redução de cores.

contato possível entre argila/óleo e argila/

As argilas naturais eram utilizadas quando

gordura, para que não ocorram reações

não se tinha uma legislação que conhecesse

indesejadas que são aceleradas, caso ocorra

ou obrigasse essa redução dos compostos

um tempo de contato relativamente longo

promotores de oxidação e os óleos vegetais,

e acréscimo da temperatura, acima do

por exemplo, não eram expostos em frascos

limite mencionado anteriormente e pressões

transparentes nos supermercados ou armazéns.

absolutas acima de 100 mmHg. A experiência

Da mesma forma, as gorduras usadas na

nos mostra que o tempo de contato não

preparação de alimentos, as conhecidas banhas,

necessariamente precise ultrapassar quinze

eram acondicionadas em latas e não havia

minutos pois a adsorção completa se dá entre

uma legislação voltada à preocupação com

7,5 a 12 minutos de contato. E o que ultrapassa

a saúde do consumidor. A partir do momento

esse tempo, é perda de trabalho e dinheiro.

em que foram sendo efetuados estudos mais

Concomitantemente, a pressão deve ser

aprofundados e, com isso, aumentando-se o

controlada e é ponto crítico na clarificação.

conhecimento sobre os malefícios causados

A umidade no clarificador é aceitável,

por alguns componentes de óleos e gorduras e

quando não ultrapassar valores que podem

ainda por uma condição meramente estética,

estar entre 4 a 6%, principalmente para os

em que o consumidor passou a exigir produtos

óleos vegetais pois estes níveis recomendados

mais claros e limpos e teve contato direto com

de umidade a judam a reduzir o fósforo e a

o que viria a consumir, também as exigências

clorofila no processo de clarificação. Em relação

com as argilas foram aumentando e as argilas

à gordura, quanto menos umidade, melhor. Se

naturais não eram totalmente eficazes na

houver umidade alta durante a filtração, esta

redução de compostos indesejados e na

poderá dificultar e retardar o tempo de filtração.

redução de cores dos óleos e gorduras. A partir

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daí, começaram a surgir no mercado, argilas

no processo de clarificação, anterior à filtração

modificadas e mais eficazes, as tais argilas

e o óleo ou a gordura ficarão retidos na torta

ativadas.

de filtração, sendo portanto, absorvidos por essa) de 27 a 32% de óleos ou gorduras, o

ARGILA ATIVADA ÁCIDA - As argilas ativadas

que é uma perda significativa para a empresa

por ácidos mais conhecidas no mercado, nada

beneficiadora de óleo ou gordura visto que

mais são que uma bentonita ou esmectita, que

estes materiais, óleo ou gordura, serão

recebe uma solução ácida, com ácido sulfúrico

descartados juntamente com a torta de filtração.

ou ácido clorídrico. A argila que recebeu essa

Também, a torta de filtração, contendo ácidos

solução ácida, de concentração conhecida, é

em sua composição, ao ser estocada em local

agitada durante um tempo pré-estabelecido

aberto ou mesmo durante o transporte, pode

e em temperatura controlada. Após o tempo

ocasionar o que é chamada de “combustão

determinado, a argila é lavada até se baixar

espontânea” ( *6 ), se inflamando e causando

a acidez, é seca e depois moída para se fazer

danos graves à indústria ou ao ser humano.

sua distribuição granulométrica. Após isso, é

Casos graves têm sido registrados em relação

embalada e está pronta para o uso. No processo

à esse risco, com danos ao patrimônio e perda

de produção, originou-se um efluente que

de vidas. Mais um problema se apresenta ao

precisa ser tratado para poder ser descartado

consumidor de argilas ácido-ativadas, que é a

no meio ambiente. Esta argila, após a utilização

deposição desse resíduo de filtração em aterros

em refinarias, onde efetivamente atende às

industriais, onde o depositante paga caro por

exigências de redução de cores e compostos

isso e é eternamente corresponsável, caso ha ja

já citados, gera uma torta de filtração, que

algum prejuízo ao meio ambiente. Se por um

comumente absorve ( aqui o termo é mesmo

lado temos no mercado um produto que atende

ABSORVE, pois a adsorção foi levada a termo,

às necessidades das indústrias beneficiadoras de óleos e gorduras, em seus parâmetros de qualidade, por outro lado, temos também um produto que gera passivos indesejados em sua produção e gera um passivo bastante incômodo quando de sua deposição em aterros. Diante disso, o que pode ser feito? Voltar às argilas naturais que exigem uma quantidade bem maior sobre os óleos e gorduras e não atingem os níveis de qualidade esperados? Continuar a ignorar os malefícios causados ao meio ambiente e continuar estocando os resíduos de filtração nos aterros já saturados e colocando em risco, o equilíbrio de todo um sistema ? ARGILAS ATIVADAS SEM ÁCIDOS – ISTO É POSSÌVEL ! Um

pouco da história

Existem várias formas possíveis, e caras, de se ativar uma argila natural. Já conhecemos o 60

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processo de ativação ácida, que é um processo

Estas argilas normalmente são utilizadas no

caro e que gera efluentes ácidos a serem

pré-branqueamento de gorduras e em maior

tratados. Porém, se formos pensar em ativação

quantidade, no re-refino de óleos minerais

por pilarização ( *3 ) e ativação por modificação

industriais e automotivos. Falta atividade

da estrutura molecular e cristalina da argila,

adsorvente à esta argila em estado natural ( *5

através de produtos específicos para esse

) . O desafio portanto, seria a ativação destas

fim (*4 ), veríamos ao final da operação, que

argilas. Como fazer?

não conseguiríamos preços competitivos para colocarmos os produtos resultantes no mercado. Desde o início de 2.000, venho me

Primeiramente, procurei saber o diferencial entre a Bentonita da Paraiba e a argila verde de São Paulo e o que poderia haver em

dedicando a desenvolver um produto derivado

comum entre ambas. Como já sabia sobre as

de argila montmorilonita, que não a Bentonita

propriedades específicas e a aplicação de

do Estado da Paraíba, mas sim, as argilas

ambas, restava-me tratar com os diferenciais

verdes do Vale do Paraíba, cuja jazida, por

mais próximos e aproveitá-los ao máximo. Na

sinal enorme, é conhecida pelos geólogos como

Fig. 1, as características químicas básicas, da

o bolsão de São Paulo e está localizado entre

argila verde e da bentonita.

as cidades de Caçapava, Taubaté, Tremembé e Pindamonhangaba. Prospectei também,

Argila Verde

Bentonita

bentonita no Paraná, bentonitas da Paraíba,

SiO2

47 a 59%

58 a 61%

argilas de Sta Catarina e Rio Grande do Sul,

Fe2O3

6 a 12%

6a9 %

mas optei mesmo pela argilas verdes do Vale do

Al2O3

17 a 25%

19 a 21%

Paraiba, que se mostraram mais propensas ao

CaO

2 a 5%

Traços

que eu me propunha realizar. Com propriedades

K2O

3 a 5%

0,2 a 0,45%

Na2O

Traços

1,2 a 2,9%

características e pouco diferenciadas das Bentonitas ( *5 ), as argilas verdes do Vale do Paraíba não têm propriedades de inchamento como suas primas nordestinas e tampouco podem ser ativadas por ácidos.

MgO

2 a 3%

Traços

Perda ao fogo

8 a 13%

6 a 10%

Fig. 1 - Comparativo das análises químicas entre a bentonita do Estado da Paraíba e a argila verde, do Vale do Paraíba em São Paulo

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adicionada em rações animais, adubos, fertilizantes, compósitos, compostos de cimento e cerâmica, e na geração de energia e calor nas caldeiras e fornos ( *6 ), ao invés de ser enviada aos aterros industriais. Para os óleos vegetais, essa tecnologia segue o mesmo objetivo. Temos argilas para todos os óleos vegetais que necessitem clarificação e refino, e que reduzem as cores amarelo, vermelho e azul ao mínimo, reduzem a clorofila praticamente a zero, reduz os sabões a zero, não entram em combustão espontânea, retêm de 11 a 16% de óleos na torta de filtração e esta, rica em nutrientes e isenta de ácidos, pode ser utilizada nos mesmos processos já mencionados. Ou seja, esta tecnologia, permite que a empresa, Assim, a partir de 2.000, comecei a

beneficiadora de óleos ou gorduras, ao invés

pesquisar sobre a adição de alguns aditivos às

de gerar um passivo incômodo e preocupante,

argilas verdes e também promover algumas

pagar para levar ao aterro industrial e pagar

modificações na própria estrutura das

caro pela deposição nestes aterros, sendo

argilas, mas, preservando suas identidades

eternamente corresponsável caso ha ja

e respeitando suas limitações. Meu propósito

algum dano ao meio ambiente, poderá gerar

sempre foi, desenvolver uma argila adsorvente

um ganho financeiro para a empresa na

ou clarificante, em que o meio ambiente e as

destinação da torta.

pessoas fossem respeitadas desde a produção,

Foi um trabalho intenso, estressante em

até se chegar ao produto final que é a torta de

todos os sentidos, desde a própria pesquisa

filtração. Tudo estava alí, à nossa frente, para

e depois a quebra de paradigmas. Como

nos servirmos do que a própria natureza nos

mudar a perspectiva de empresas que utilizam

oferecia como presente. Não era necessário

argilas ácidas há mais de 40 anos, usando

modificar grandes coisa ou estragar

aquela marca muito conhecida (e realmente

coisa alguma. Era apenas necessário, que

um produto muito bom), mas que deixa a

colocássemos cada coisa em seu devido lugar

desejar quando se trata de preservação do

e assim fizemos. Com o sucesso de nossos

meio ambiente? Foi realmente um trabalho

desenvolvimentos, temos hoje, argilas para

árduo, que exigiu noites em claro, viagens

clarificação de gordura animal que não entram

longas e cansativas, decepções, desconfiança

em combustão espontânea, reduzem as

sobre o desconhecido, sorrir para pessoas

cores amarelo e vermelho aos níveis mínimos

não tão agradáveis, agradecer e ser amável,

possíveis, entregam uma gordura totalmente

mesmo quando não havia a reciprocidade

branca e sem cheiro, reduzem os principais

do interesse, da amabilidade. Mas, apesar

metais e o ferro da gordura, retêm de 11 a

de tudo isso, a luta e a vida não param e

16% de gordura na torta de filtração (veja

temos que ir em frente, em busca daquilo que

o adendo junto a este artigo). Vale afirmar

acreditamos e depois de tantos testes, tantas

que a gordura em estoque, após a filtração,

visitas, tantos lugares bonitos, encontrando

não reverte cores e a torta de filtração, rica

pessoas interessadas em mudar para melhor,

em nutrientes e isenta de ácidos, pode ser

mudar para melhorar a natureza, mudar

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para melhorar o mundo para os mais jovens,

agradecer à alta direção da DAFFER QUÍMICA

pudemos demonstrar a eficiência de nossa

LTDA., situada em Taubaté-SP, que acreditou e

criação. É isso mesmo. Você pode estar

abraçou este trabalho e está me possibilitando

perguntando: “Criação”? Sim, eu lhe respondo:

todas as condições necessárias para firmar

Criação em se aproveitar dos materiais que

a utilização desta tecnologia nos mercados

a própria natureza nos coloca para serem

brasileiro e internacional.

usados. A natureza é sábia. A natureza

Essa é a nossa contribuição ao meio

sempre parte do simples para o complicado.

ambiente. Não ficaremos por aqui. Temos

O homem é que já quer partir do complicado

desenvolvimentos já praticamente finalizados,

e na maioria das vezes complica ainda mais.

em que as argilas verdes tratam os efluentes

Dessa maneira, depois de tanta insistência,

industriais e o chorume dos aterros sanitários,

e persistência, conseguimos registrar minha

substituindo os polímeros e polieletrólitos, (

patente no Brasil e na Alemanha. Certamente,

importados e caros ) e cujos resíduos finais

não fiz todo o trabalho sozinho. Houve muita

também podem ser aproveitados. Além disso

gente séria e interessada em algo inovador e

existem estudos finais para um produto,

daí tirei forças para continuar. Devo agradecer

também baseado em argilas para combater

sempre à estas pessoas e são tantas, que

a formação de algas em lagos e represas.

temo em listá-las e cometer uma falta grave,

Recentemente também, desenvolvemos

esquecendo-me de alguma delas. Agradecerei

um produto baseado em argila, para a

a cada uma no momento oportuno, de uma

dessalinização da água do mar e águas

forma ou de outra. Neste momento, devo

salobras, com excelentes resultados. Estamos

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em contato com o Ministério de Ciência e

serem baixos, com a possibilidade de redução

Tecnologia para estabelecermos nosso campo

na quantidade de argila ao usualmente

de atuação com este produto bem mais barato

utilizado. As gorduras animais também

que qualquer outro processo de dessalinização

sofrem alterações devido ao clima, tipos

conhecido.

de pastagens, alimentação, geografia de

Temos ainda um longo caminho a trilhar,

pastagens, etc. Quando os animais são criados

mas sabemos que a satisfação que teremos

numa geografia bastante acidentada, como

no futuro, muito mais importante que a

pastagens de morros e montanhas (Minas

recompensa financeira, é que pudemos

Gerais, por exemplo), a gordura adquire uma

contribuir para o bem das pessoas e do meio

certa rigidez que promove o aumento de

ambiente, proporcionando um mundo um

pigmentos vermelhos e amarelos, que são de

pouco melhor para se viver.

difícil redução, sendo necessário aumentar a dosagem de argila. Por outro lado, os animais

APÊNDICES

criados em planícies, como no Sul do país e no Centro Oeste, possuem uma gordura

(*1) Quando nos referimos a gorduras animais,

mais macia e tenra, que permitem até uma

estamos tratando de lipídeos , os comumente

redução na quantidade de dosagem de

conhecidos “sebos” que fazem parte da

argila. Da mesma forma, se a refinaria recebe

estrutura corpórea dos bovinos, suínos, ovinos,

uma gordura já pré-branqueada, não será

peixes e outros animais. Não existe gordura

necessária a adição de maior quantidade de

no mundo vegetal e as gorduras vegetais são

argila.

produzidas industrialmente.

(*3) Pilarização, é o processo pelo qual, ao se

(*2) As qualidades e propriedades intrínsecas

aquecer a argila por um tempo determinado,

aos óleos vegetais, sofrem a influência direta

a 400 ou 600ºC, as lamelas da argila

do clima, que determina suas condições e

posicionadas horizontalmente, se locomovem,

consequentemente fará variar, para mais

formando “pilares” que vão atribuir às argilas

ou para menos a quantidade de argila a ser

uma área superficial maior, onde o material

utilizada na clarificação. Por exemplo, se

a ser clarificado passa mais livremente entre

durante o crescimento da semente oleaginosa,

os “pilares”o que pode proporcionar melhor

houve muita chuva, é de se esperar uma

desempenho na adsorção e posteriormente,

semente “mole”, rica em produtores e

durante a filtração.

promotores de oxidação, porém , não tão

(*4) Os sais quaternários de amônio tendem

rica em clorofila. Isto exigirá um tipo de

a modificar a estrutura do material argiloso,

argila específica para esta condição e uma

transformando-o em uma argila organofílica

quantidade normal da argila requerida para

usada para outros fins e, balanceadamente,

outras situações de normalidade. Por outro

podem melhorar a estrutura das argilas,

lado, em uma situação de seca na formação

melhorando seu desempenho adsortivo ou

das sementes, estas serão sementes “duras

adsorvente.

e queimadas”, bastante difíceis de serem

(*5) As argilas verdes do Vale do Paraíba/SP

clarificadas e com alto teor de clorofila,

são também da família das montmorilonitas

exigindo maior quantidade de argila na

e primas em primeiro grau das Bentonitas

clarificação. Porém, se o crescimento das

de Campina Grande e Boa Vista na Paraiba.

sementes se deu dentro da normalidade com

Têm algumas diferenças como: menor

chuvas nas quantidades e horas certas, os

capacidade de adsorção quando comparadas

níveis de contaminantes e clorofila tenderão a

às Bentonitas. Não têm propriedade de

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inchamento e não podem ser ativadas por

de “tijolos” que poderão ser queimados

ácidos fortes. Quando nos referimos às

em fornos e caldeiras e (estudos já foram

Bentonitas como adsorventes, estamos

feitos) o resíduo da queima que nada mais é

tratando das bentonitas cálcicas modificadas

que um carvão e uma argila pilarizada, que

para bentonitas sódicas. No Brasil não há

pode voltar para a produção de mais argila

registro de jazidas de bentonitas sódicas

clarificante, fechando-se um ciclo perfeito

naturais.

e que a natureza agradece. Recentemente,

(*6) As refinarias geram um passivo bastante

obtivemos através da ESALQ – Escola

incômodo, que é o resíduo de filtração

Superior de Agricultura Luiz de Queirós, em

ou a torta de filtração, que ao ser gerado

Piracicaba (USP) laudo técnico de análise

por uma argila ativada por ácidos, tem

da torta de filtração gerada na clarificação

obrigatoriamente, que ser levado e depositado

com esse processo e o mesmo mostrou

em aterros industriais. Na estocagem desse

resultados muito bons em relação à redução

sub-produto, no interior da empresa e mesmo

de metais, o que nos mostra a possibilidade de

durante o tra jeto, até o aterro, esse resíduo

reaproveitamento desse resíduo.

pode entrar em combustão espontânea. Esse é um risco iminente e várias empresas já tiveram

Vanderlei Mariotto possui mais de trinta anos de

vidas perdidas e patrimônios atingidos por

experiência em pesquisa e desenvolvimento de produtos

causa dessa combustão espontânea. Depois,

para diversos segmentos de mercado e experiência em

esse resíduo é depositado e o depositante,

desenvolvimento de produtos baseados em argilo-minerais.

além de pagar caro pelo depósito, é

Possui experiência em processos de refinarias de óleos

eternamente corresponsável se houver um

e gorduras e ministra cursos de aperfeiçoamento para

acidente no aterro, que venha a prejudicar

operadores, além de prestar consultoria para empresas

ou comprometer o meio ambiente. O que

produtoras de óleos vegetais e indústrias de higiene

é um atrativo a mais para nossas argilas, é

e limpeza. Seus estudos sobre argilas adsorventes

que o resíduo, seja ele de óleo vegetal ou

e clarificantes, produzidas sem a adição de ácidos

gordura, poderá ser aproveitado na produção

inorgânicos fortes como ácido sulfúrico ou ácido clorídrico,

de rações animais, adubos, fertilizantes e

deram origem à uma patente registrada no Brasil e na

compostos cerâmicos, além da confecção

Alemanha, sob nº BR 10 2017 003240 0.

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