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Arquivo de Romilda Severina dos Santos

fevereiro de 2014 - Maré, Rio de Janeiro - distribuição gratuita

Marcílio Dias é só alegria

Cadu Barcellos fala sobre os rolezinhos Pág. 3

Carnaval

Hélio Euclides

Elisângela Leite

Entrevista

Amigas de infância, Romilda Severina dos Santos e Elenice Leite da Silva nos contam várias histórias e bagunças que faziam quando crianças em Marcílio Dias. Para elas, não tinha tempo ruim. A “enceradeira” improvisada, a hora da xepa, a cata ao caranguejo, o barco na porta do barraco sobre palafita, o siri subindo, a água invadindo. Tudo era motivo de alegria. Pág. 8 e 9

Tá caro pra caramba!

Rosilene Miliotti

Imóveis por mais de R$ 100 mil não são mais raridade na Maré, embora a média de preços seja de R$ 20 mil por uma quitinete e de R$ 60 mil a R$ 90 mil por uma casa maior. Em 10 anos, um imóvel com laje na Nova Holanda passou de R$ 12.500 para R$ 60 mil. Os alugueis ultrapassam os R$ 350. A especulação imobiliária que tomou conta do Rio de Janeiro influencia os valores atuais. . Pág. 4 e 5

Cultura virou caso de polícia

Perfil da Nega e roteiro da Maré Pág. 6 e 7 Por Thaina Farias Pág. 15

Muitas atrações! Confira!

Centro de Artes e Lona da Maré Pág. 14

Nas favelas “pacificadas” do Rio, a Polícia Militar proíbe ou dita quais são as regras para a realização de eventos. A polêmica é debatida pelo MC Leonardo e pelo coordenador das UPPs. Moradores da Maré falam dos prós e contras dos bailes que vão até tarde. Pág. 12 e 13 Reprodução

Maré na França

Hélio Euclides

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Reprodução

Ano V, No


Histórias de hoje e de ontem A vida sobre palafitas não era fácil. Tempos difíceis, sem dinheiro suficiente para as compras de mercado, sem luz, sem saneamento, sem água encanada e tantas privações. Nada disso tirou a alegria de viver de duas moradoras de Marcílio Dias, que nos contam sobre a infância vista pelos olhos de duas crianças. Acreditamos que a reportagem de Hélio Euclides, nas páginas 8 e 9, contagie também o leitor. Aliás, essa edição está rica de boas histórias. Tem a Nega, passista de escola de samba, copeira e dona de lanchonete na Nova Holanda (pág. 6 e 7); a Thaina Farias, jovem que voltou da França recentemente (pág. 15); e Cadu Barcellos, que nos conta sobre o engajamento político da galera da Maré (pág. 3). Outro assunto da maior relevância são os valores dos imóveis na Maré, que não param de subir – reflexos da chamada especulação imobiliária (pág. 4 e 5). Os moradores tentam se adaptar à realidade. Afinal, a Maré está bem localizada, tem comércio farto e bancos logo ali em Bonsucesso. A todas e todos, boa leitura e bom carnaval! Expediente Instituição Proponente

Redes de Desenvolvimento da Maré

Diretoria

Andréia Martins Eblin Joseph Farage (Licenciada) Eliana Sousa Silva Edson Diniz Nóbrega Júnior Helena Edir Patrícia Sales Vianna

Coordenação de Comunicação Silvia Noronha

Instituição Parceira

Observatório de Favelas

Apoio

Ação Comunitária do Brasil Administração do Piscinão de Ramos Associação Comunitária Roquete Pinto Associação de Moradores e Amigos do Conjunto Bento Ribeiro Dantas

Maré também dá um rolezinho Silvia Noronha

Elisângela Leite

Um grupo de jovens moradores e de frequentadores da Maré havia organizado um rolezinho no Fashion Mall, shopping de alto luxo em São Conrado. O evento estava marcado para domingo, 2 de fevereiro, e um ônibus sairia da Maré, passaria no Alemão e no Jacarezinho, mas o encontro acabou não acontecendo por causa de uma medida judicial que determinou o seu cancelamento.

CARTAS Agradecimento

Alcoolismo

Gostaria de agradecer o trabalho que vocês, da Redes, vem fazendo com parcerias para a nossa comunidade. Sempre gostei de ler o jornal da Maré e de um tempo para cá soube das oficinas através do jornal. Esse ano vou me escrever na oficina de gastronomia, que sempre gostei, mas não tinha condições de pagar. Agora que sei que na minha comunidade tem o curso fiquei muito feliz. Agradeço a vocês e peço que publiquem mais sobre os cursos e oficinas no nosso jornal, pois não tinha conhecimento de muitas coisas que têm na minha comunidade, como acho que muitas pessoas e jovens ainda não têm. Peço que vocês divulguem mais aqui na Nova Maré e desde já agradeço. Fiquem com Deus.

Associação dos Moradores e Amigos do Conjunto Esperança Associação de Moradores do Conjunto Marcílio Dias Associação de Moradores do Conjunto Pinheiros

Nilma Morais

Resposta da Redação: Conforme já adiantado por email, a reportagem sairá em breve. Obrigada pela sugestão e apoio!

Fabíola Loureiro (estagiária)

Centro de Referência de Mulheres da Maré - Carminha Rosa

Fotógrafa

Conexão G Conjunto Habitacional Nova Maré Conselho de Moradores da Vila dos Pinheiros

Elisângela Leite

Proj. gráfico e diagramação Pablo Ramos

Logomarca

Luta pela Paz

Monica Soffiatti

União de Defesa e Melhoramentos do Parque Proletário da Baixa do Sapateiro

Colaboradores

União Esportiva Vila Olímpica da Maré

Associação de Moradores do Parque Habitacional da Praia de Ramos Associação de Moradores do Parque Maré

Editora executiva e jornalista responsável

Associação de Moradores do Parque Rubens Vaz Associação de Moradores do Parque União

Edinaldo Lima

Biblioteca Comunitária Nélida Piñon

Associação de Moradores do Morro do Timbau Associação de Moradores do Parque Ecológico

Esse excelente jornal já publicou por diversas vezes os endereços dos grupos de alcoólicos anônimos da Maré. Uma grande iniciativa na luta contra o número cada vez maior de pessoas, inclusive jovens, com sérios problemas com a bebida. Gostaria de saber se não seria interessante vocês publicarem uma reportagem e/ou entrevista sobre o alcoolismo com um médico especialista. Há mais de 40 anos nesse tema tão atual, posso facilmente ser o mediador do contato entre vocês e o profissional, pois conheço vários que adorariam participar dessa empreitada.

Silvia Noronha (Mtb – 14.786/RJ)

Editor assistente

Hélio Euclides (Mtb – 29919/RJ)

Associação de Moradores da Vila do João Associação Pró-Desenvolvimento da Comunidade de Nova Holanda

Leia o Maré e baixe o PDF em www.redesdamare.org.br

Repórteres e redatores

Aramis Assis Beatriz Lindolfo (estagiária) Rosilene Miliotti

/redesdamare

Anabela Paiva André de Lucena Aydano André Mota Equipe Social da Redes da Maré Flávia Oliveira Numim/ Redes da Maré Thaina Farias

Coordenadores de distribuição

Luiz Gonzaga Sirlene Correa da Silva

Impressão

Gráfica Jornal do Commercio

Tiragem

40.000 exemplares

@redesdamare

Redes de Desenvolvimento da Maré Rua Sargento Silva Nunes, 1012, Nova Holanda / Maré CEP: 21044-242 (21) 3104.3276 (21)3105.5531 www.redesdamare.org.br comunicacao@redesdamare.org.br Os artigos assinados não representam a opinião do jornal.

Parceiros:

Entre os organizadores, estava o morador e cineasta Cadu Barcellos, um dos diretores do filme “Cinco vezes favela, agora por nós mesmos”, ao lado de amigos como Ana Paula Lisboa e Renato Cafuzo, também da Maré. Abaixo, Cadu conta um pouco o que ocorreu.

Maré de Notícias: Por que vocês marcaram esse rolezinho? Cadu Barcelos: Foi uma iniciativa. O ponto de encontro foi a Maré, porque a Maré vem se tornando isso há muito tempo: meio que um imã da cidade para pessoas engajadas se reunir e pensar alguma coisa, mas com pessoas de diversas partes da cidade. Foi um movimento que surgiu espontaneamente, mas não sou líder de movimento nenhum. Esse movimento não tem cara, na verdade ele tem cor e expressão, sendo uma das principais o funk. É uma ida simbólica a um shopping específico que já tem um histórico de preconceitos muito grande. A gente já tinha discutido esse movimento do rolezinho há muito tempo, porque não começou agora, já vem de encontros, orkontros (marcados pelo Orkut), que há muito tempo são movimentos espontâneos de jovens e adolescentes que querem se encontrar, trocar uma ideia. Mas hoje com o advento da internet isso explodiu. Para dar um exemplo, no último encontro desses em Caxias foram quase 3.000 pessoas, shopping lotado do lado de fora e de dentro. No Madureira Shopping acontece muito, na expansão do Norte Shopping também. Acontecem há muitos anos sem problemas, mas estamos falando de bairros da Zona Norte, da Baixada Fluminense, onde o público que frequenta é negro, funkeiro, usa bermuda, boné e tem esse linguajar, e isso é comum, né.

3 ENTREVISTA

HUMOR - André de Lucena: “Assim caminha a humanidade”

Editorial

Maré de Notícias No 50 - fevereiro / 2014

Maré de Notícias No 50 - fevereiro / 2014

EDITORIAL

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Maré: Esse tipo de evento pode levar a uma reflexão sobre nossa sociedade segregada? Cadu: Esses rolezinhos vêm causando muito discussão e impacto. Não é a toa que um shopping de elite toma uma atitude como essa de abrir um processo civil criminal contra pessoas que estavam simplesmente celebrando um encontro em um espaço da cidade. Tem um processo aberto mesmo! Eu não fui procurado ainda, mas fui citado nominalmente, com o agravante de pedir o IP (identificação de cada computador) e os dados dos organizadores do evento. Estamos realmente numa ditadura. O argumento deles é que essas pessoas estavam incitando a violência, sendo que na nossa página (que foi apagada pelo próprio Facebook) não tinha ninguém incitando nada, nem perfil falso houve para atiçar violência.

Maré: Você pretende marcar outro rolezinho? Cadu: Estamos conversando, porque a internet pode ser usada para o bem e para o mal, contra

a gente. Estamos conversando fisicamente para ver. Não sabemos se faremos um rolezinho, um manifesto, um vídeo para mostrar às pessoas o que estamos pensando, porque essa cidade está caminhando para algo que não é para o bem comum. Os grandes eventos, as grandes obras, as remoções e agora também está havendo essa discussão dos valores cobrados na praia. Pra mim pode ser mais uma forma de expulsar o suburbano da praia e segregar, mostrar que ele não tem condições de ir. Essa falácia de que a praia é o lugar do encontro universal, que é de graça, que todo mundo pode ir. Não é, tem que pagar passagem pra ir e o prefeito coloca policiais para revistar as pessoas que estão indo à praia. Eu escuto banhistas do Leblon falando: ”Ah, já perdemos o Arpoador”, que é a praia pobre suburbana, e perguntando: ”Será que vamos perder Ipanema e Leblon agora?” Tudo isso evidencia que a cidade não é para todos, não é para o negro. A cidade é para o turista e para o morador do túnel pra lá.


O mercado imobiliário na Maré continua em alta, acompanhando a onda do restante da cidade. Os valores variam de R$ 20 mil por um quitinete mais simples a R$ 160 mil por uma casa grande (montante pedido por um proprietário na Vila do João). Entretanto, este preço mais elevado foi considerado “sem noção” pelo corretor de imóveis que atua na Maré, Josemar Nazário. Segundo ele e seu colega de profissão Robson da Silva, as casas maiores e melhores costumam ser negociadas entre R$ 60 mil e R$ 90 mil, mas há as que valem R$ 120 mil. As mais caras estão na Vila do João e no Parque União, especialmente as situadas no Sem Terra. Ainda de acordo com os dois corretores, a maior parte das pessoas que procuram imóvel já mora na Maré. “Quem compra um quitinete, trabalha e depois compra um quarto e sala e assim por diante. É uma escada”, observa Robson, que há dez anos começou a trabalhar como corretor após vender a casa

onde seus pais haviam morado, na Rua Safira, na Nova Holanda. O imóvel de dois andares, três quartos e laje foi negociado na época por R$ 12.500. Hoje, vale R$ 60 mil. O quitinete onde ele próprio morou 10 anos atrás, de aluguel, foi vendido na mesma época por R$ 4.500 e hoje vale R$ 20 mil. Josemar também é mais procurado por quem já é daqui. “A maioria vende para comprar algo maior dentro da comunidade; eu mesmo fiz isso. Alguns trocam a comunidade, mas ficam na Maré”, avalia ele. Este foi o caso de Kátia Lapa, que recentemente se mudou de Bento Ribeiro Dantas para o Conjunto Pinheiro. “Estou muito satisfeita com a aquisição do apartamento (originalmente de um quarto, mas transformado em dois). Não achei caro, custou R$ 41 mil. Só sei que a procura é grande, mas tive sorte”, comenta ela. Kátia quis se mudar porque sua antiga casa precisava de obras. “Aqui no Conjunto Pinheiro pode não ter quintal, mas gostei da grande área de lazer que é a ciclovia. Para mim, o que desvaloriza a comunidade é a falta de luz. A Light podia fazer algo para reverter essa situação”, acrescenta.

Melhorando de casa aos poucos

Gisele Arruda é moradora antiga e tenta sempre melhorar de habitação. Ela fica de olho, pois se aparecer algo melhor, ela vende a atual e compra a outra. “Comecei na Rua Tatajuba, depois fui para Flavia Farnese, Leonardo Moreno, Cinco e agora já é a segunda na Teixeira Ribeiro. Sempre na Nova Holanda, pois fui nascida e criada aqui, é tudo povão. Sei que não tenho condição financeira de ir para fora, então tento melhorar minhas habitações cada vez que me mudo”, explica. Ela viu casas custando até R$ 120 mil e associa a valorização à migração de pessoas de fora, muitas delas em busca das oportunidades oferecidas por projetos sociais existentes da Maré. Essa migração é observada pelos corretores, mas não seria a causa da alta, na avaliação deles. Gisele está há três meses em um quarto e sala

ção.

za Boa parte dos que procuram o Josemar já é dalocali a d o d qui e sonha em sair do aluguel. “Só nden e p e d conheço a Vila do João il 00 m

Fabíola Loureiro

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Fabíola Loureiro

que vem gente de fora para morar, tipo de Copacabana e até de áreas pacificadas. O mercado das comunidades oferece até laje”, observa. Segundo Josemar, o preço aumentou com o boato da UPP.

R$ 1

Quanto aos valores, Robson diz que a favela acompanha a tendência de aumento de outros bairros da cidade, como uma onda em que um puxa o outro. Recentemente, ele viu variação de R$ 70 mil para R$ 90 mil em apenas três meses e acha que a tendência é valorizar ainda mais. “Estamos num dos melhores lugares que têm”, opina ele, embora também diga que muitos sonham em morar fora da favela, em Bonsucesso, por exemplo, onde um apartamento custa R$ 180 mil. Segundo Robson, há também os que vendem aqui para comprar algo mais em conta na Zona Oeste.

Alugar: difícil e preço nas alturas O mercado de aluguel, por sua vez, está concorridíssimo. Robson tem cerca de 250 clientes na fila. “É mais quem está começando a vida”, diz ele a respeito dos que vivem em casa alugada. Mas há muitos que lutam e não conseguem comprar o primeiro imóvel, até porque as cartas de crédito só são aceitas para aquisição de imóveis com escritura. Praticamente só os apartamentos do Conjunto Esperança e algumas casas de Bento Ribeiro Dantas e do Timbau possuem, segundo Josemar.

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Se pudesse escolher, Cida moraria em Ramos. Para o futuro, ela pensa em entrar no programa Minha Casa Minha Vida. “Assim que resolver uma dívida com cartão de crédito, vou me inscrever. Prefiro próximo daqui, mas se não tiver jeito, me mudo até para Zona Oeste”, acrescenta.

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Casa de três quartos na Nova Holanda em 2014

Maria Aparecida da Conceição, a Cida, mora de aluguel na Maré desde 1996. Seu marido tem um terreno em Duque de Caxias, mas eles não querem construir por lá. “É muito longe”, explica. No final do ano, ela precisou entregar a casa onde morava. Como não achou o que queria, teve de se mudar para um

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quarto e sala apertado na Rua Principal. Ela paga R$ 350 e continua em busca de uma casa maior por até R$ 500. “Apareceu uma por R$ 700, mas não temos condições de pagar”, diz.

Especulação

Casas por até R$ 160 mil assustam até corretor. Em média preços vão de R$ 20 mil a R$ 90 mil

Hélio Euclides e Silvia Noronha Maré de Notícias No 50 - fevereiro / 2014

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com varanda e laje. “A última casa vendi a R$ 50 mil e comprei essa por R$ 81 mil. Com as reformas que fiz, como instalação de bomba, luminárias, massa e pintura, agora vale uns R$ 90 mil. Aqui na Nova Holanda tem pessoas comprando e dividindo em dois para lucrar mais na venda. Vejo que tem morador que vende e vai para o Nordeste. Depois se arrepende, retorna e o dinheiro não vale mais o de antes; fica sem casa”, afirma.

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Silvia Noronha

ESPECUL AÇÃO

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no salto

Nega no ensaio do Gato de o Bonsucess a este ano. N foto mais àna direita, ela Unidos da s Tijuca, ano atrás

“Arranquei o gesso do braço e fui desfilar. As amigas do trabalho me viram na televisão. Elas diziam que era eu e eu dizia que não era. Depois do carnaval, voltei ao médico e ele colocou o gesso novamente”

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Pequena no tamanho, mas gigante no samba, Nega mede 1,55m e pesa 52kg, mas quando coloca o salto 18 e começa a sambar, vira uma gigante

Carnaval

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Samba

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Rosilene Miliotti

Nascida no mundo do samba, a passista Cremilda Lima, conhecida como Nega, 44 anos, entende do riscado desde criança, mas só aos 19 começou a desfilar como passista. Na Unidos da Tijuca, escola de coração, ela dedicou 14 anos da sua vida e fez shows no Rio de Janeiro e em São Paulo. “Há três anos parei de desfilar por causa da tuberculose e não quis mais voltar à rotina de ensaios, mas tenho a minha vaga lá. Escola de grupo especial é marcação, tem que ensaiar durante a semana e eu não aguento mais. Trabalho o dia todo como copeira em um escritório, à noite vou para minha lanchonete e ainda tenho encomendas de doces e salgados. Agora me dedico só ao Gato de Bonsucesso, outra escola de coração, onde já fui rainha de bateria”, conta ela. Ela lembra que antigamente desfilava em uma escola, corria, trocava de fantasia e desfilava em outra e assim fazia todos os dias do carnaval. Nega tem três netos e a menor já samba. O marido, Ronaldo Souza, é só elogios a ela. “Ela trabalha fora e ainda mantém a casa em ordem. Isso é uma máquina”, declara. Nega não pode escutar um batuque que começa se balançar. “Carnaval pra mim deveria ser o ano todo. Apesar de desfilar há muito tempo, todo ano parece a primeira vez”, revela ela, que mora na Nova Holanda.

Loucuras de carnaval “Quando trabalhava como caixa em um supermercado, eu sentia uma dor no pulso e perto do carnaval fui ao médico para ele engessar o braço. Quando cheguei em casa, arranquei o gesso e fui desfilar. As amigas do trabalho me viram na televisão. Elas diziam que era eu e eu dizia que não era. Depois do carnaval, voltei ao médico e ele percebeu que eu tirei o gesso. Aí colocou o gesso novamente”, se diverte Nega.

Maré de Notícias No 50 - fevereiro / 2014

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CARNAVAL

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“Já tive bolhas nos pés e tenho algumas marcas no corpo por causa do esplendor (adereço que carrega nas costas, em geral cheio de plumas e paetês). No primeiro ano que desfilei pela Unidos da Tijuca, a bota estava com o salto mole. Eu chorava porque queria sambar. Aí o presidente falou pra eu ir só me mexendo. Mas como sambo na ponta do pé, quando eu entrei na avenida comecei a sambar, esqueci o salto mole e quando dei por mim sambei assim mesmo”, lembra. Para Nega, as passistas são guerreiras. “Não ganhamos dinheiro para desfilar. E por mais que a gente vá direto do trabalho para o ensaio, a gente se monta, coloca um sorriso no rosto e samba a noite toda. Sou muito vaidosa e por isso eu trabalho muito para sustentar minha vaidade. Fico maquiada o dia todo. Quando vou trabalhar sem maquiagem, as pessoas não me reconhecem”, brinca. Nega sonha em criar uma escola de passistas mirins para incentivar a continuidade do carnaval. Este ano ela só vai desfilar no Gato de Bonsucesso, “mas sempre pode aparece uma vaga em uma escola em cima da hora”, acrescenta ela. Cozinheira de mão cheia, Nega passou uma receita para gente. Confira na página 14.

Roteiro do carnaval na Maré e da Maré Desfile das escolas de samba da Maré na Estrada Intendente Magalhães, Campinho

Boca de Siri Segunda-feira, dia 3, às 21h

Gato de Bonsucesso Terça-feira, dia 4, às 22h

Roteiro dos blocos da Maré Filhos do Parque Tapa na Peteca Domingo, 02/03, às 14h Domingo, dia 2, às 15h. Concentração na rua Deodoro da Concentração na Teixeira Ribeiro Fonseca, Parque União Se Benze Que Dá Beber, cair e levantar Dia 22/02 e 08/03, às 18h Programação diária durante o carnaval Boca da Ilha a partir das 16h, Praia de Ramos Terça, 04/03, às 17h. Concentração na Gargalo da Vila Rua da Conquista, Parque União Domingo, 02/03, às 15h. Concentração na rua 11, Vila do João Até o fechamento desta edição, alguns blocos não tinham definido todas as informações.


Lembranças divertidas de Marcílio

Nascida em Fortaleza, por causa da seca Romilda veio em 1954 para

Já Elenice veio para Marcílio com seis meses de idade e hoje as duas amigas concordam em dois pontos: não têm vontade de sair comunidade e dizem que o passado era especial. “Marcílio é um coração de mãe. Mas quando olho para trás percebo que a gente era feliz e não sabia”, destaca Elenice. Ela lembra das muitas doações que as famílias recebiam. “No mercado estourava o saco de feijão e arroz no transporte e davam para nós. Os mercados Pague Menos e Pegue Pague davam mercadorias que sobravam, como biscoitos. Também pegávamos biscoito e pão para a semana toda de doação de marinheiros.

Ganhávamos retalhos, bebidas, cigarros, carnes, chocolates e frangos, tudo que sobrava do mercado”, enumera.

encerado, colocava-se um casaco no chão e em cima uma criança e puxava, era nossa enceradeira. Depois vinha a maré e lavava tudo”, expõe Elenice.

A amiga Romilda diz que na época ninguém tinha conforto, mas dava para se virar com biscates e com doações. “Ninguém passava fome, pois atravessávamos a ponte e chegávamos ao Mercado São Sebastião. Lá ganhávamos muitas frutas, pois era como se fosse a Ceasa de hoje. Meu irmão e eu pegávamos dois sacos de estopas, emendávamos e fazíamos um arrastão para pegar peixe ou com as tripas de galinha capturávamos siri. Onde é a Kelson era mangue, e lá íamos atrás de caranguejos. Os barcos também davam peixe para os moradores. Éramos chamados de xepeiros”, comenta Romilda. As duas sentem saudades do tempo que era fácil pegar camarão e tatuí, que chamam de barata d’água. A poluição veio e acabou com tudo, lamentam elas.

Romilda, por sua vez, não esquece a dificuldade com a água, que iam buscar no antigo depósito da Brahma, usando lata ou o rola. Muitas vezes os moradores atravessavam as quatro pistas da Avenida Brasil, em busca de água, na antiga fábrica

Palafitas deixaram saudade

No tempo do mar na porta de casa, a comunidade era visitada por pessoas de outras localidades. Muitos vinham de Copacabana tomar banho de lama medicinal. “Íamos pegar no mangue a lama virgem para as madames. Era uma lama tipo geleia, que eles chamavam de argila”, conta

As duas se lembram com carinho do tempo das palafitas. “As pontes eram pinguelas que passavam de um lado para o outro. Tudo era barraco, mas no capricho, com cera no chão, toda sexta-feira era

“Tudo era barraco, mas no capricho, com cera no chão, colocava-se um casaco no chão e em cima uma criança e puxava, era nossa enceradeira”

Elenice, lembrando da infância

da DeMillus, na Penha. Naquele tempo não tinha passarela, então muita gente morreu atropelada.

Romilda. A falta de tecnologia da época também chamava atenção. Não tinha energia elétrica, então a solução era lampião e lamparina. O ruim era pela manhã, pois o nariz ficava preto de tanto respirar aquele ar. A mãe de Romilda improvisava com lata de leite ninho e pano e fazia uma lamparina caseira. Ela não esquece o primeiro fogão que era da marca Cosmopolita e a geladeira de madeira.

Fantasmas e sonâmbulos A infância era de inocência. Uma das demonstrações disso é a história sobre Dona Estelinha, a parteira de Marcílio Dias. Ela dizia para as crianças ficarem na frente da casa da grávida para esperar a cegonha. Quando a criança nascia, a desculpa era que a cegonha tinha entrado pelos fundos da casa. Da lavagem de roupa, as lembranças são muitas. Havia um bicão da Marinha, que era uma festa, onde todos aproveitavam para tomar banho. Elas contam que levavam a roupa na bacia, em cima da cabeça, e o retorno era uma grande trouxa. Próximo a bica os panos eram deixados para quarar e secar. As festas também não saem da cabeça dessas duas amigas. “Na sexta-feira a animação ficava

Romilda Severina dos Santos (`esquerda), Elenice Leite da Silva (à direita)

Aniversário da sogra da Romilda (que é a primeira à direita)

por conta do Bar do Moacir. No dia de São Pedro todos enfeitavam os barcos para a procissão, era um passeio gostoso. Já em São João juntávamos todos para enfeitar as ruas. A festa era à base da sanfona e zabumba”, rememora Elenice. As histórias engraçadas de infância são inúmeras. As duas faziam palhaçada com tudo. Na memória afetiva, os tempos difíceis foram bons e divertidos. Falta d´água, resto de comida, barracos sobre palafitas, falta de passarela na Av. Brasil, mortes – nada tirava a alegria de viver. “Certa vez, houve um suicídio e a casa ficou vazia; a pessoa tomou formicida Tatu. Então, pegamos lençol, capa preta e vela e ficamos assombrando os pescadores. O Tatão, que era o fundador da favela, apareceu com um facão e sumimos”, relembra Romilda. Durante o bate papo, a risada era a todo o momento. “O Tatão era o rabecão do mar, trazia os mortos do mar para as margens. Certa vez, lá para Brás de Pina achou um morto de pijama e trouxe para Marcílio. Quando o povo estava em volta, o morto começou a se espreguiçar; era um sonâmbulo, só que todos correram gritando: O defunto acordou!”, recorda Romilda.

Romilda, o irmão e a mãe no barraco nos tempos da palafita

Moradores vestidos de caipira para a festa junina (Romilda não sabe o ano da foto)

Maré de Notícias No 50 - fevereiro / 2014

Um marco para a comunidade Marcílio Dias foi servir de cenário para a gravação do filme “Maré, Nossa História de Amor”, em 2006/2007 (dirigido por Lúcia Murat e lançado em 2008). Mas para moradores, a vida em Marcílio é sempre marcante e cheia de histórias, algumas delas estão logo abaixo. Fomos até a Rua Nossa Senhora da Penha, ponto de encontro de duas amigas: Romilda Severina dos Santos, de 65 anos, e Elenice Leite da Silva, de 62, que transformaram o bate papo numa viagem ao túnel do tempo. As lembranças de um lugar “sem terra”, onde as casas eram dentro do mar, vieram à tona.

Marcílio, com apenas cinco anos de idade. Quando chegou encontrou apenas 25 barracos, todos sobre a água. Pelas fendas, ela via o mar e não precisava sair de casa para pescar, era só usar linha e anzol. “Morávamos em tablado de madeira, com água embaixo. Na época pegávamos siri, tatuí e mariscos”, conta Romilda. Ela lembra que os barracos tinham dois metros de altura; mesmo assim os siris subiam pelas estacas. Outro marco era que os barcos vinham até a porta das casas.

Arquivo pessoal / Romilda Severina dos Santos

Hélio Euclides

Nossa História

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Moradoras se divertem ao lembrar a infância em Marcílio Dias, lugar em que vivem até hoje

Arquivo pessoal / Romilda Severina dos Santos

Maré de Notícias No 50 - fevereiro / 2014

NOSSA HISTÓRIA

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O jornal Maré de Notícias, vinculado à Redes de Desenvolvimento da Maré, publicou na edição nº 48 (dezembro/2013) o artigo “Tecendo Redes de História da Maré – conhecendo as pessoas por trás do trabalho de pesquisa do núcleo de memória da Maré”, escrito por Marcelo Belfort, um dos autores do livro “Memória e A equipe do Numim no lançamento do primeiro livro, sobre a Nova Holanda (Marcelo, em pé à esqu.; e Higor, sentado de Identidades dos Moradores do Morro do blusa branca) Timbau e do Parque Proletário da Maré”, que apresentou a equipe que forma o Núcleo de Memórias e Identidade da Maré vai entender sem espanto o que isso significa. (Numim). Lembranças como estas, sem dúvidas, estão guardadas na memória de nossa geração. Como membros da equipe de pesquisadores, nós, Higor Antonio e Marcelo Lima, reApesar de alguns obstáculos que a sociedade solvemos escrever este artigo, para apresennos impõe, nós conseguimos aprovação no tar nossas trajetórias como moradores, bem vestibular e hoje estudamos na Universidade como nossas experiências com o trabalho de do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), e por pesquisa que desenvolvemos no Numim. sermos estudantes das Ciências Humanas, construímos uma visão que nos possibilita ver Escrever sobre nós implica em apresentar a Maré de um jeito novo. um pouco nossas trajetórias de vida na comunidade onde nascemos e ainda Fazer parte do Numim e desenvolver um hoje vivemos, e o que temos em comum trabalho de pesquisa sobre a história e com outros jovens de nossa geração, memória da Maré nos colocou em contato com moradores também da Maré, e com quem compartilhamos da mesma realidade. Somos privilegiados por conviver Nascemos na década de 1980 e somos filhos com importantes figuras que de pais nordestinos que para cá vieram, como muitos outros, numa época em que a precisam ser olhadas como Maré era considerada um dos lugares mais protagonistas desse processo e precários do Brasil.

Quem de nossa época não sabe o que é um “cachorrinho do mato”? Só mesmo quem brincava na rua, quando ainda era de terra, é que sabe o significado. Quem nunca bebeu “água do valão”? Pode parecer estranho, mas só quem jogava bola na “linha vermelha”

que, certamente, talvez nós não tivéssemos oportunidade de conhecer alguns deles se não fosse através deste trabalho”

Higor Antonio e Marcelo Lima, da equipe do Numim/Redes da Maré

CONVITE Lançamento do livro “Memória e Identidade dos Moradores do Morro do Timbau e do Parque Proletário da Maré” (Numim/ Redes da Maré) Data: quinta-feira, 20/02/2014 - Horário: 19h Local: Centro de Artes da Maré (CAM) Endereço: Rua Bittencourt Sampaio, 181 – Nova Holanda (próxima à Av. Brasil, terceira rua após a passarela 9) Livro gratuito! Saiba mais pelo hotsite: redesdamare.org.br/memória

personagens que antes, ao cruzarem com a gente pelas ruas, mercados, padarias, ou qualquer outro lugar, nunca nos demos conta de que suas vivências um dia poderiam nos dar a matériaprima de que precisávamos para ajudar a acender o que há tempos vem se apagando – e não deixar morrer toda a história do lugar em que nascemos, moramos e valorizamos. Assim, aprendemos que as memórias são fontes que nos ajudam a compreender o processo de ocupação e consolidação deste espaço, além de nos fornecer pistas de como foram se afirmando identidades, tanto individuais quanto coletivas, numa relação com a cidade e com o próprio país. Sem dúvidas somos privilegiados por conviver com importantes figuras que precisam ser olhadas como protagonistas desse processo e que, certamente, talvez nós não tivéssemos oportunidade de conhecer alguns deles se não fosse através deste trabalho. Por isso consideramos e levamos para nossa vida a experiência única de contribuir com a pesquisa sobre a história da Maré, que nos possibilita, entre outras coisas, conhecer mais sobre o lugar em que vivemos, compreender as lutas dos antigos moradores, suas histórias de vidas, seus exemplos, as oportunidades negadas, seus sentimentos, emoções e seus desafios diários. E, mais ainda, poder perceber histórias que em comum com as de nossas famílias, nos fazem sentir dentro do processo, fazendo parte dessa história.

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NOTAS

Vagas abertas para diversas oficinas na Redes O projeto Maré sem Fronteiras, da Redes da Maré, está com inscrições abertas para cinco oficinas: Teatro (a partir de 16 anos), Audiovisual, Educação Ambiental, Literatura e Expressão (de 7 a 12 anos) e Música e Ciclismo (de 7 a 16 anos). São apenas 25 vagas para cada oficina. As inscrições podem ser feitas na secretaria do prédio central da Redes, na Rua Sargento Silva Nunes, 1.012 (esquina com a Rua Principal), Nova Holanda. Mas para a oficina de Educação Ambiental os interessados devem procurar a Lona Cultural da Maré, na Rua Ivanildo Alves, no Parque Maré. As oficinas são gratuitas. Mais informações pelo tel.: 3105-5531. Para se manter atualizado sobre as oficinas com inscrições abertas na Redes, visite o site: redesdamare.org.br e clique na aba “Oficinas”, que fica no alto à direita.

Cursos na Vila do João O Banco da Providência está com inscrições abertas para diversos cursos: Beleza- Cabeleireiro - Mega Hair, Entrelace e Maquiagem; Confecção: Corte Costura, Modelagem, Costura em Malha e Lycra; Gatronomia: Lancheiro , Bolos e Tortas, Auxiliar de Cozinha; Informática; Mecânico de Refrigeração, Mecânico de Automóveis; Eletricista e Instalador. Inscrições gratuitas na Paróquia São José Operário, na Via A1, nº 150, na Vila do João. Mais informações com Vânia, assistente social da instituição, pelo tel.: 98578- 0628.

Pequeno Campeão

Funcionários reclamam do posto Gustavo Capanema

O projeto Pequeno Campeão, que existe desde 2005, oferece aulas de jiu jitsu, judô e submission (jiu jitsu sem pano). A iniciativa é do professor de jiu jitsu Anderson Ramalho, o Dinho, e conta com ajuda de familiares e amigos. A escolha do nome foi porque, no início, as aulas eram somente para crianças; logo depois vieram os jovens e adultos.

Os funcionários do posto de saúde Gustavo Capanema, na Vila do Pinheiro, fizeram uma paralisação na primeira semana de fevereiro, devido às más condições de trabalho. “Resolvemos fazer essa paralisação para reivindicar alguma melhoria”, conta o agente comunitário Ernesto João.

Os alunos participam das federações Carioca, Desportiva e Olímpica e já conquistaram diversos campeonatos sulamericanos. “É uma conquista muito boa, porque em um dia são várias lutas. Teve um aluno nosso que lutou seis vezes”, conta Dinho. Por não terem espaço próprio, eles já passaram por diversos lugares dentro e fora da Maré. Hoje treinam na antiga Infinity Music, na Nova Holanda. As aulas acontecem de segunda a quinta, de 19h às 21h. Porém, devido ao espaço, as inscrições estão temporariamente suspensas.

Dias antes, a sala onde ficam os agentes e os enfermeiros, na parte de trás do posto, registrou 48° de sensação térmica e há relatos de que já chegou a 62°C. Os pacientes são obrigados a enfrentar o calor, pois não há ambientes adequados para acolhê-los. Além disso, os funcionários já ficaram até mesmo sem água para beber. Os funcionários esperam há 3 anos pela construção da Clínica da Família que substituirá a posto. “Esperamos urgentemente pela Clínica da Família; é angustiante ficar nessa situação”, afirma Jahnnyfer Lira, também agente comunitária.

Mileide Henrique, de 18 anos, e Rafael Fernandes, o Bochecha, ambos da Nova Holanda, começaram novos no projeto e hoje ajudam Dinho com as crianças. Mileide foi campeã carioca e sulamericana e Rafael já conquistou cerca de 30 medalhas. Bochecha pretende ser professor e ter a sua própria academia. “Em vez de me verem campeão, eu farei campeões”, conclui.

A Coordenação de Saúde da Área 3.1 informou que a construção da Clínica da Família será providenciada para este ano, em um terreno próximo à passarela do Morro do Timbau. Informou ainda ter realizado um estudo para que sejam feitas adequações que irão melhorar o conforto térmico das instalações do posto.

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Equipe do Numim / Redes da Maré

O que acontece e o que não deixa de acontecer por aqui Elisângela Leite

Tecendo REDES de histórias da Maré

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Arquivo pessoal

ARTIGO

Fabíola Loreiro

Maré de Notícias No 50 - fevereiro / 2014

NOSSA HISTÓRIA

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Moradores se dividem

De olho no que vem ocorrendo em outras áreas populares da cidade, ouvimos MC Leonardo e o coordenador das UPPs sobre a proibição de realização de eventos em áreas pacificadas, especialmente bailes funks

Leia abaixo a opinião de MC Leonardo, ex-presidente da Associação de Profissionais e Amigos do Funk (Apafunk), e do coordenador das UPPs, coronel Frederico Caldas. Moradores da Maré, onde o governo do estado vem constantemente anunciando e adiando a instalação de uma UPP, aceitaram opinar sobre os bailes que acontecem hoje nas comunidades locais, mas pediram para não serem identificados (leia na página ao lado).

O que diz o coordenador das UPPs

O que diz MC Leonardo

“Você não pode montar uma resolução colocando

Marcia Farias / Observatório de Favelas

o poder do veto na mão da polícia. Tem que chamar mais secretarias (de meio ambiente, juizado de menores etc.) pra dentro da favela, não mais polícia” “Depois de muita luta conseguimos derrubar a lei que criminalizava o funk (legislação anterior que não está mais em vigor). Só que a Resolução 013, que já existia antes e que não foi feita somente para a favela e nem para o funk, está sendo usada apenas para a favela e para o funk. Você não pode montar uma resolução colocando o poder do veto na mão da polícia.

A polícia, em um Estado democrático, tem que ser avisada que em uma determinada hora um determinado número de pessoas vai estar reunida. A polícia deve montar um plano de segurança para que as pessoas possam chegar e ir embora com segurança. A partir do momento em que você deixa na mão do capitão da UPP a análise se o som está muito alto ou não, você está expulsando a Secretaria de Meio Ambiente da favela. Quando o capitão diz que não pode haver o baile porque vai ter criança, ele está expulsando o Juizado de Menor de dentro da favela. A nossa luta não é para não ter lei”, explica MC Leonardo. De acordo com o MC, sem baile funk, cerca de 9 mil pessoas ficaram sem trabalho. “Deixei de trabalhar por 20 anos no Rio de Janeiro. Faço show no mundo todo, mas no Rio não. Tem que chamar mais secretarias pra dentro da favela, não mais polícia”, sugere. “A criação dessas resoluções e leis sempre fica na mão do Estado, que acha outras maneiras de barrar os eventos em favelas. Os eventos de favelas estão fora do mega, e no mega pode tudo, pode fechar a rua. A questão é simples, quando o capitão recebe a queixa, ele pode notificar o Ministério Público. O Ministério Público vai mandar a Secretaria de Meio Ambiente com medidor (de volume de som). Não vai ficar no ouvido do capitão”, sugere MC Leonardo.

“É muito injusto deixar na mão de um policial militar a

responsabilidade de decidir se vai ter o evento ou não. Sem dúvida, o desafio que se tem na elaboração dessa nova Resolução é compreender as limitações e as diferenças que se têm no espaço urbano” Quando questionado sobre as diferenças de exigências para execução de eventos em favelas e em áreas da zona sul da cidade como Copacabana, o coordenador das UPPs disse que o que se busca são garantias mínimas de limites e de responsabilidade que não se existem em um espaço de informalidade, de restrições estruturais. “É muito injusto deixar na mão de um policial militar a responsabilidade de decidir se vai ter o evento ou não. Sem dúvida, o desafio que se tem na elaboração dessa nova Resolução é compreender as limitações e as diferenças que se têm no espaço urbano. A primeira pergunta que o comandante da UPP me faz é ‘coronel, se morrer alguém, de quem é a responsabilidade?’. No Rio Grande do Sul, no episódio da boate Kiss, os bombeiros estão sendo punidos pelas mortes no local. As exigências de um modo geral são comuns a todos”, justifica. O coronel Frederico Caldas explica que a Resolução 014 vai ajudar a mediar os interesses de quem quer dormir às 22h e os de quem deseja festejar. “Sabemos que há o jovem que quer o funk, o pagode, o churrasco, a feijoada. Então saber mediar é a grande questão. A 014 tem o objetivo de encontrar esse caminho”, esclarece. De acordo com o coronel, a Resolução 014, que está sendo concluída na Casa Civil, contempla a quem cabe a responsabilidade caso haja morte no local e como proceder em um local fechado, por exemplo, que não tenha extintor de incêndios. “É muito injusto que essa responsabilidade esteja apenas na mão da polícia. É preciso que essa responsabilidade seja compartilhada. É indiscutível que em algum momento alguém terá que arcar com essa responsabilidade, que não somente seja a polícia”, afirma.

Marcia Farias / Observatório de Favelas

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Rosilene Miliotti

Em todas as comunidades com Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), houve a proibição de eventos como forró, pagode e, principalmente, o baile funk. Depois de muita discussão, os eventos vêm sendo liberados a partir de documentos firmados entre os organizadores e o comando das UPPs. A Resolução 013, do governo do estado, dá à polícia o poder de proibir festas na favela. Uma nova resolução, a 014, está sendo preparada para substituir a resolução 013.

Cultura

CULTURA

Cultura não é caso de polícia

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J*, 37 anos, diz que nos fins de semana tem que dormir fora de casa por causa do barulho. “Tenho filho pequeno e ficar em casa no fim de semana, seja de dia ou à noite, é um verdadeiro inferno”, reclama. A*, 20 anos, diz que é complicado acordar cedo para trabalhar no sábado e na segunda. “É funk, é forró, é pagode. Em cada esquina uma música diferente. Não acredito que as pessoas consigam escutar alguma coisa porque é só barulho que se ouve”, afirma.

Maré de Notícias No 50 - fevereiro / 2014

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B*, 55 anos, diz que deveria haver bom senso entre os moradores e os organizadores desses eventos e festas. “Talvez fosse o caso da associação de moradores intervir. Muitos moradores se mudaram por causa do barulho, mas quem não tem pra onde ir fica e acaba doente. Deveria ter pelo menos horário para terminar, assim até muitos moradores frequentariam mais esses eventos porque boa parte dos que vem são pessoas de fora da favela”, ressalta. Já F*, 18 anos, conta que deixa o filho com os pais e que curte o baile todos os fins de semana, mas só faz isso porque não trabalha no dia seguinte. “Eu ia a vários bailes em outras favelas, mas como muitas acabaram por causa da UPP e também por causa do trabalho e do meu filho, agora só vou ao baile aqui na favela mesmo. De qualquer forma, eu sei que o barulho deve incomodar os moradores que não gostam de funk”. V*, 37 anos, diz que precisa desses eventos de rua porque boa parte da sua renda familiar é tirada nos fins de semana. Na barraca cerca de cinco pessoas trabalham. “É no baile, forró, pagode, festa junina. Sempre estamos trabalhando vendendo bebidas e salgadinhos. Se ficarmos sem isso aqui, vamos praticamente mendigar já que apenas duas pessoas na família têm trabalho formal. Com esse trabalho aqui, conseguimos construir casa, comprar carro, pagar escola particular. Mas entendo que tem que achar um meio termo. Muitos moradores idosos, pessoas que têm que acordar cedo para trabalhar e crianças sofrem com o barulho”, conclui.

mplexo do Alemão no ano passa Co no nto eve um zou ani org em pessoas na rua Documento assinado por qu vel até por evitar palavrões das nsá po res fica or zad ani org O . do

A resolução 013, que regulamenta o decreto nº 39.355, de 24 de maio de 2006, determina a atuação conjunta de órgãos de segurança pública na realização de eventos em favelas. Dá o poder da última palavra aos comandantes das UPPs. Mesmo que o organizador cumpra tudo o que é pedido, o comandante da UPP continua podendo vetar por razões de segurança.

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ENTRADA GRATUITA! Veja a programação em www.redesdamare.org.br

Cine Clube Rabiola Maré de Notícias No 50 - fevereiro / 2014

Sessões infantis todas as quartas, às 16h Sessões juvenis todas as quintas, às 16h

PROGRAMAÇÃO DE MARÇO Espetáculo infantil Zigg & Zogg Sexta, 14/03, às 15h Espetáculo da Cia.2, premiado e indicado como um dos melhores do Rio. Apresentações adaptadas com audiodescrição para deficientes visuais e auditivos, além de espaços para deficientes físicos.

Segunda-feira

Dança de Rua Iniciante - 18h às 19h Intermediário - 19h às 20h30 Faixa etária: acima de 10 anos

Terça-feira

Ballet 14h30 às 16h (acima de 12 anos) Dança contemporânea (intermediário) – 16h às 18h30 (acima de 12 anos) Consciência corporal 18h às 19h30 (acima de 16 anos) Percussão 19h às 21h (acima de 10 anos)

Dança Criativa 18h às 19h (acima de 12 anos) Dança contemporânea (iniciante) - 19h às 20h

Quinta-feira

Ballet 14h30 às 16h30 (acima de 12 anos) Dança contemporânea (intermediário) – 16h às 18h (acima de 12 anos)

Sexta-feira

Dança de salão Iniciante 18h às 19h Intermediário 19h às 21h Faixa etária: acima de 16 anos OBS: No momento, inscrições para damas só com o seu cavalheiro.. Divulgação

Programação para janeiro

Oficinas Quarta feira

Mostra Maré de Artes Cênicas Confira em: redesdamare.org.br/cam

Lona Música Livre de Verão Sexta, 14/03, às 20h Los Chivitos convida Fanfarrada

ou pelo tel.: 3105-7265

Favela rock show

Oficina Brincando com Clarice

Sexta, 21/03, às 21h Bandas Canto Cego e El Efecto

Elisângela Leite

Sábado, dia 22/02, às 15h Teatro e música para crianças a partir de leituras de textos de Clarice Lispector, uma das maiores escritoras da língua portuguesa. Entrada livre

Como Nascem as Estrelas

Sábado, dia 22/02, às 17h Espetáculo de teatro. A montagem encena seis das 12 lendas do livro “Como Nasceram As Estrelas”, de Clarice Lispector, e traz para o palco índios, macacos, onças e personagens brasileiros. Classificação etária: livre

Katana

Domingo, dia 23/02, às 18h Espetáculo de dança A Cia R.E.C aborda o universo de seus heróis: Ninjas, samurais etc. Classificação etária: livre

Pindorama

Biblioteca Popular Municipal Jorge Amado Ao lado da Lona, atende a toda a Maré: Amplo acervo, brinquedoteca, gibiteca e empréstimo domiciliar R. Ivanildo Alves, s/n Nova Maré Tels.: 3105-6815 / 7871-7692 lonadamare@gmail.com FACE: Lona da Maré / Twitter: @lonadamare

Nova apresentação da Lia Rodrigues Cia. de Danças Estreia: 13/03 Temporada: de 14 a 30 de março, de quinta a domingo Quinta e sexta, às 20h; sábado e domingo, às 18h. Classificação: 16 anos Acesso para pessoas portadoras de deficiência. Interpretada pelos 11 bailarinos da Companhia, sem música e sem separação entre palco e plateia. A turnê nacional começa já com uma história de sucesso de crítica e público no exterior.

cultura

R. Bitencourt Sampaio, 181 Nova Holanda. Programação no local ou pelo tel. 3105-7265 De 2 a a 6a, de 14h às 21h30

Kibe da Nega Ingredientes: - 500gr de farinha de kibe; - 500gr de carne moída; - 1 molho de hortelã; - alho, sal, pimenta do reino, cebola, coentro, salsa e cebolinha. Modo de preparo: - Deixe a farinha de kibe de molho em 600 ml de água durante 30 minutos; - Tempere a carne; - Misture a carne, a farinha de kibe e os outros temperos; - Acrescente uma colher de azeite. Faça os bolinhos de kibe e coloque o recheio de sua preferência. A Nega coloca queijo. - Passe o kibe no ovo e farinha de rosca. Depois é só fritar em óleo bem quente.

Leia mais sobre a Nega na pág. 3

Rosilene Miliotti

Boa no samba e na cozinha, Nega dá a receita do kibe que ela vende na sua lanchonete na Nova Holanda

Maré na França

Cultura

PROGRAME-SE !

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Uma das 13 jovens do Núcleo 2 da Escola Livre de Dança da Maré (ELDM) relata a emoção da viagem à França, onde o grupo – todos moradores – esteve em intercâmbio com a Escola Municipal Artística de Vitry-sur-Seine, de 28/11 a 8/12 Thaina Farias, integrante do Núcleo 2 da ELDM, que funciona no Centro de Artes da Maré Raquel Alexandre

Embora eu tenha revisto a cena em filmagem, lembraria ainda assim como se fosse ontem a reação que todos tivemos ao sair de um dos portões do aeroporto, assim que chegamos. O frio não conseguiu ser maior que a emoção que tivemos ao sentirmos que a ficha estava caindo e estávamos mesmo na França; que aquela nossa primeira viagem juntos teria tudo para ser especial. Embora cansados, estávamos todos curiosos, olhando para todos os lados, tirando fotos e filmando o caminho de Paris a Vitry (cidade nos arredores de Paris, onde o grupo ficou hospedado). Já nos comentários, comparamos o caminho com a Linha Amarela daqui e eu fiquei impressionada com a quantidade de grafites. Chegamos a Vitry e tudo era novidade. Desde o início fomos muito bem cuidados e logo visitamos o Theatre Jean-Villard, onde encontramos pessoas com sorrisos enormes para nos receber. E foi aí que começamos a perceber que essa história de que os franceses eram frios era mentira. Conhecemos o teatro, os alunos do núcleo de dança de lá e tudo foi tão novo e divertido que eu já começava a pensar que ir embora ia ser realmente difícil. Tive certeza desse meu pensamento no dia em que passamos a tarde com os jovens de lá e dançamos juntos. Fizemos aula e mantivemos um contato tão profundo que mesmo que a língua não fosse a mesma e não ajudasse muito na comunicação, tudo fluía. O amor pela dança cresceu com esse contato e troca que tivemos. Vimos que nos tornamos amigos, mas amigos mesmo, como se tivéssemos nos conhecido há muito tempo. Conversávamos e pensávamos muito nessa relação com eles, os

novos amigos franceses, enfatizando que o melhor de termos ido à França era ter conhecido as pessoas que conhecemos e termos vivido a experiência de dançar para um teatro lotado de gente que nunca tinha ouvido falar do nosso trabalho ou tinha ouvido falar muito pouco.

“Pessoas vinham nos abraçar em resposta a tudo o que viram e ouviram durante o Exercício M, de movimento e de Maré”

As respostas foram positivas. Pessoas vinham nos abraçar em resposta a tudo o que viram e ouviram durante o “Exercício M, de movimento e de Maré” (coreografia criada durante a formação do Núcleo 2 e encenada 18 vezes no Brasil, em diferentes locais). Algumas choravam e muitas comentaram da nossa força, da potência que éramos juntos, enfatizando as nossas diferenças que contribuíam muito para um trabalho rico. E aquela foi, sem dúvida, uma das melhores noites da minha vida e acredito que foi assim para todos nós. E sobre os passeios e sobre nossa estada em Vitry, tenho a dizer que nos vimos como uma família. Aprendemos a conviver e a respeitar a opinião de todos para a harmonia do grupo. Foram dias que nos renderam lindas experiências, lindas fotos e vídeos bem engraçados. Estar na França nos fez ver a valorização que lá eles dão a arte, perceber o que falta no Brasil, o que precisamos buscar como estudantes de dança e futuros profissionais da área, quem sabe. Aqueles dias ficaram marcados, assim como o rosto de cada um daqueles que nos receberam tão bem e acreditaram em nós. Voltei para o Brasil com o coração cheio de expectativas, metas e ideias, um desejo muito grande de voltar e também de receber nossos novos amigos aqui. Foram intensos dias de muita dança e muita troca de energia!

Maré de Notícias No 50 - fevereiro / 2014

Lona cultural

Herbert Vianna

Sammi Landweer

Cultura

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todos os meses!

Busque um exemplar na Associação de da sua comunidade!

pra Maré participar do Maré

Moradores

Envie seu desenho, foto, poesia, piada, receita ou sugestão de matéria. Rua Sargento Silva Nunes, 1.012 – Nova Holanda Tel.: 3104-3276 E-mail: comunicacao@redesdamare.org.br

Em 2012, a garotada desfilou pela Inocentes da Caprichosos Edmilson de Lima/ Imagens do Povo

Garotada da Maré na Sapucaí Os pais que quiserem levar seus filhos de 6 a 17 anos de idade para desfilar na Sapucaí podem procurar o Tadeu Ribeiro, do Parque União. Ele está organizando um grupo para integrar a Escola de Samba Mirim Ainda Existem Crianças de Vila Kennedy. O desfile será no dia 4, terça-feira de carnaval. Os dois ônibus que levarão a garotada sairão da Maré às 16h. Para participar, ligue para o Tadeu: 99881-0754 (Vivo) / 99164-3932 (Claro). Os responsáveis precisam autorizar a participação das crianças e adolescentes. Até 2012, Tadeu levava a garotada para a Inocentes da Caprichosos.

Por que Maria do Buraco Fundo? Em visita à nossa redação, Tadeu Ribeiro nos contou a origem do apelido de Maria do Buraco Fundo, antiga moradora, já falecida, que fez história no Parque União. “Era porque ela morava num buraco. Ela cavou um buraco e cobria com chapas de lata suspensas por umas estacas. Isso no início, bem improvisado mesmo, mas não minava água dentro quando chovia não. Ela descia o buraco por uma escada de madeira. Depois arrumaram uma casa para ela morar. As pessoas ajudavam, o mercado, os feirantes davam sobra de comida para ela manter as crianças”, revela Tadeu. Leia sobre a história de vida de Maria do Buraco Fundo na pág. 3 da edição 48, de dezembro passado, disponível no prédio da Redes da Maré ou no site redesdamare.org.br.

Cabos da Light apavoram no Pinheiro Enviada por leitores

Maré de Notícias No 50 - fevereiro / 2014

ESPAÇO ABERTO

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Moradores da Travessa 29, na Vila do Pinheiro, reclamam que os cabos de energia estão provocando medo. O motivo do temor: toda vez que há rompimento de cabo, os funcionários da Light vão ao local e fazem uma emenda. Segundo moradores que preferiram não tornar público seus nomes, os cabos não suportam tanto improviso. Com medo, os moradores não podem mais ficar em frente aos números sete, nove, 11 e 13, pois os cabos podem cair a qualquer momento, o que causaria um grave acidente.

Hélio Euclides

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Rindo at o a Invisívelcurta A atendente de uma clínica falou para o médico: Doutor, tem um paciente invisível à sua espera. A resposta: Diga que no momento não posso vê-lo.

Alta velocidade

Mentira tem perna curta

Uma senhora de 70 anos ganhou uma carro em uma rifa. Ela foi fazer um passeio com a netinha, tudo em alta velocidade. A neta pediu para ir devagar nas curvas. Ela respondeu: Faça como eu, nas curvas fecho os olhos.

A professora queria acabar com a mentira na sala, mas não sabia como tocar no assunto. Então pediu que os alunos lessem em casa, no livro de história, sobre o que aconteceu na 3ª guerra mundial. No outro dia todos confirmaram terem lido. Como foram duas as guerras, a professora partiu para o sermão: Vamos falar da mentira...


Maré de Notícias #50