Issuu on Google+

VENCEDOR DO PREMIO CULTURAL LOUCOS PELA DIVERSIDADE 2009


Porquinho do mundo (para Manuel Bandeira) Premiado no Terceiro Concurso Nacional de Poesia e Pintura “Arte de Viver” da farmacêutica Janssen Cilag

sempre fui um mau menino por isso sou um homem bom antes era um anjo agora sou um capeta porquinho do mundo enchendo de porcarias as livrarias do mundo porco-limpo índia Brasil sou índio de luz na Pocilga Láctea do universo homem bom mau menino capeta-anjo fogo-luz capim flor bosta orgasmo pétala cálice colo dor mato mastro masturbo a turba meto a tuba em Ubatuba Uba! Uba! Fuck-fuck orgasmo estelar organograma da grama da grana ana anagrama amálgama bar ar fogo terra e ar resolvo a terra e consigo encontrar aquilo com que posso brincar porque tenho a amada entre a amada das estrelas e este segredo eu não vou contar e então sou porquinho do mundo e muita grama tenho pra cantar


madrugada em BH não pretendo espíritos embebidos com drogas duplicatas cotovelos aprumação social solicito às horas que me dêem o amor ninguém quer saber de nada nem pagar a conta só morrer no motel noite cara doura as fezes do coiote escuro a noite é clara - escura na via Láctea do meu dente no teu seio rosa claro

vou dormir entre silvícolas luminares o coração do universo num leito em brasa o início está no fim todos querem ler o invisível que transfugo o leite derramado pelo universo alimenta mais o mundo a luz pinga em meu olho minha escova escova os dentes do depois de amanhã


gênios

gênios sofrem como ilhas em mares imbecis chama-se louco a quem não segue a regra da mediocridade egoísta rotineira mesquinha os gênios estão mais perto de Deus porque tem o coração puro desinteressereiro solidário amoroso são ingênuos inteligentes como deuses imprudentes como peixes felizes como sóis sozinhos como eles mesmos não existe o dia de gênio sindicato o amparo do Estado no mais das vezes um culto após a morte os gênios são os médiuns elevados do criador estrela sozinha noite sem nuvem mar de areia flor sem jardim voz sem ouvidos luz sem olhares heróis sem bandeira


O dinheiro corre muito por estas ruas Mas s贸 p谩ra em certas casas


noite

os grandes poemas em guardanapos de bar ao som dos cachorros que latem na madrugada dentro o pulso a vontade de viver a turba caminha no blue da eternidade pontas de cigarro tentam fechar feridas marcas dos cortes de cada dia meu ser se avulta como um vulcão e eu olho o passo da mulher ao longe

a noite é um lenço branco em minha mente os minutos pingam como coro existencial pássaros me indicam o caminho caminho sem árvores abandono da vida

também a poesia em gotas homeopáticas a leveza do desconhecimento me sustenta se o amor me abandona na curva vejo estrelas num céu a seguir mantos e ânimo me abalam deixo as usadas roupas nos cantos do momento a poesia homeopática me leva dedo a dedo deixo as dúvidas e dívidas para amanhã hoje um potencial enorme me embala azul


passeando no céu

O fio do orgulho estrela coberta de sonhos aldeiola de infinitos campos nenhum mal se aproxima Deus alegria das alegrias cantos espiralam-se em corais vestes transfiguram-se olho o que quase não consigo ver tanta beleza nuvens de flores sóis como rodas em profusão chuvas de pensamentos oceânicos explosões de licor no colo de nossa mãe miríade de cores luminares


microolho

o mar do meu corpo abrange a esfera pequena da cidade

o irm達o branco transfunde tudo em beatitude

o mal foge do gozo o branco veste a cidade o microolho deste momento contemplo a eternidade


palavroteca

a sombra das palavras levaram-me a um país lindo a palavroteca grotesca burlesca dantesca burguesa niilista futurista livros tomos compêndios gritavam ante meus olhos

a luz da sala emanava de um hiperdicionário que não explicava só dava pista de vocábulos neste país estrangeiro para todas as línguas brilhava o mesmo tempo para um único significado: coração


Hospital Dia do Instituto Raul Soares

cara e escarcéu

abri a porta escancarada de cara pro sol meu jardim tinha mais uma flor coloriu o momento muita pieguice e safadeza na capital das alterosas o sangue comprado a moedas que não enterram cadáveres tenho outras flores nos livros diversos livros e motivos cara e escarcéu centro e renovação pilantragem e piranhagem na capital do novo mundo


ímpar estrela

estrela solitária no azul céu infinito sem planetas luas nuvens às vezes cometas ilusórios tangenciam sua órbita feliz meteoritos miragens nos copos de bares das ruas não enchem o coração da estrela que sobe para a luz do universo que paira sobre a luz do universo uma estrela eterna que empurra a revolução terrena não tem onde recostar a cabeça apoiar ombros suados impar estrela no cosmos carente de amor e compreensão sua luz nunca se apaga mas não tem irmãos para amar escuta estrela escuta deus te envia mensagens esparge teu brilho arrebenta os mundos carnívoros dos pântanos grita com o sangue com o sangue da voz que a felicidade é maior que a morte ninguém te pode vencer nem a solidão dos bandidos banidos dos lares do pai brilha estrela brilha inunda o céu de alegria redobra os teus dons inatos esquece o breu do universo mostra aos palhaços luz a grandeza das mãos do senhor irriga corpos imundos fecunda portas fechadas e deixa na mesa de bar um beijo pros próximos segundos


Inês Inês Perada Inês esperava inesperada Inês pelada Veja só Verso nu Inês pelada inesperada és pêra da minha mente espera da mente inesperadamente


homem-menino Como o pão com o suor do rosto Homem-menino nas lições de cada dia Ex-“ enfant-terrible” estou cauteloso Ante montanhas e rios cotidianos

Dou um passo no amanhã Com a fé intacta na alma Pedregulhos da pedra não me assustam Pulo de lá pra cá a sorrir

Salto daqui pra lá a poetizar Encontros e desencontros de cada dia O coração pulsa qual estrela Incompreendida na galáxia autófaga

Os amigos me dão a mão Mensageiros divinos que nunca me deixam Me deixo levar pela poesia Espada afiada contra a opressão


glória terrestre

Rosas brilham no universo Poças param na cesta de lixo O brilho do néctar acorda meu olho O magma corre dentro do meu sangue

Pirilos no róseo da manhã Jardim de infância de estrelas esperam sua mãe Micro-células luz dominam universos Máquina na alma felicidade na hóstia

A estrela brinca sobre a flor menina Lina montanhas pores do sol O dedo encostado no outro Minha mão desvanecida nas rendas do penhasco

Glória luz efervescência Divina contemplação Felicidades de felicidades

As borboletas brincam nas estrelas As crianças brincam nas escolas com deuses sorriso Perfeito Minha imundície contempla o perfeito

Universos brilham na rosa em botão Passarinhos brincam entre pães no chão O escuro da noite combina com a luz dos meus olhos Tudo que eu quero é o que eu tenho


o verso escrevo porque vejo almejo alçar vôo da prisão terrena

escrevo porque veio a emoção suprema que supre carência letal

o verso corre no sangue não morre no mangue do silêncio suicida

escrevo para matar a solidão que rói minha alma noite e dia

escrevo porque a alegria tece meus tecidos sentidos e gemidos

escrevo porque procuro ave azul no céu e porto seguro escrevo por que sinto o santo contra o perverso o sonho dentro do verso a vida sobre o inverso minha alma no universo

escrevo e estou feliz e basta vivi o que quis


psique tudo 茅 psicol贸gico


casas abertas sou pulsões impulsões bolsões de riqueza minha safadeza é criar naturalmente todo o tempo tempo todo

fodam-se os mortos nasci pra ressuscitar a cada dia tudo depende de cada ponto pra viver é preciso fazer desconto faça de contas que a terra é adiantada a dor não valerá mais nada isto é não tenho que carregar um mundo moribundo

ventríloquos nas arvores sabem que não sou covarde sou Frederico Eymard e quero casas abertas


ascendência sou um verso a mais no universo hieróglifos subindo a montanha o mar pura castidade dedos constroem alianças não caibo em mim de ansiedade quero os tetos das choupanas visgo nas vísceras da maldade deserto escolho o sol pra me acompanhar a vida rude tempestade de zinco o poeta chora sobre o mar acompanhando as folhas em suas quedas

mas o tempo nem sempre vai ser quente vou dormir com as premissas dos cosmos se pareço decadente é que outra flor vai subir


sangue e pedaços de astros

nada melhor que existir entre o sulfato de cobre e o enxofre do riso o rio nasce em meus olhos enche minha boca e deságua em teu coração declaro aberta a concepção nada melhor que ver o belo ser o belo a juba da mata adorna o perfume a noite me colhe em pesadelo sou sangue e pedaços de astro insanidade escrevente que se faz presente com o verso desato a vida


Partidas

de mim de nós uma parte outra fica partes constroem-se destroem-se recuperam a arte da vida na infinita natureza uma parte vai outra filho um médico outra andarilho enquanto parte reconstróis a parte que te cabe partidas partes da vida voltas várias idéias idas eterna lida depois da arte divina de nascer é parte no todo sou parte em total comunhão


Verboimaginário