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DO IMPERIAL

INSTITÜTO FLÜMÜÍEHSE OE fflCITORA PUB1ICADA TUIMEWSÍAI.MEWTE

DEBAIXO DA IMMEDIATA PROTECÇÃO DE

SOB A DIRECCÃO E REDACÇÃO DO i

Coasellieiro Dr. IICOLAÜ JOAdUIM MOREIRA 5s-:

VOLUME DÉCIMO SEXTO

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N- I—MARÇO DE 1885 V,

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PUO OE JANEIRO

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ri cultor a Pratica Cultura do lupulo

(Humulus lupulus) da norte do originaria uma é lupulus) planta 0 lupulo (Humulus ntdwârao a e os celtas os germanos Reynier; abbade o segundo Europa a conheciao, nao romanos e os entretanto gregos misteres; para diversos C°mOJàn0„SadÍEa™panSral ella era cultivada ha muitos séculos, como se onde logares nos sua cultura hoje planta econômica; generalisando-se fabrica a cerveja. CARACTERES BOTÂNICOS

e vigorosas, de E* uma planta vivaz, de raizes profundas, ramificadas ao tacto e apresenhastes herbaceas, volúveis, cobertas de pellos ásperos tanto nós ou dilatações de 30 a 50 centímetros; folhas, umas cordiformes, outras palmadas, tendo 3 a 5 lobos. e esbranAnresenta flores dioicas; as flores masculinas sao pequenas de um em torno escamas de forma grupadas em são femininas as Qiiicadas, forma-se. na base eixo Quando o fructo, que é um pequeno cone, amadurece, abnndo-se, deixa decâdaescama uma pequena semente de côr escura, que, denominado amargo, sabor de e aromatico amarellado, um escapar pó lupulina. CLIMA

E' um vegetal dos climas frios e temperados, convindo-lhe na Europa as exposições Sul e Este. No Brazil é isto objecto de observação. VARIEDADES

Existe uma diíferença muito sensível entre o lupulo no estado primitivo e o cultivado ; o segundo é mais aromatico,


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As variedades mais conhecidas são: 1.° O lupulo precoce, pelo quo é muito procurado polo seu producto. 2.° O lupulo vermelho, mais tardio, em sua maturação, que o precedente, é igualmente procurado. 3.° O lupulo chamado tardio, cuja maturação demanda muito mais tempo que os outros, é de igual modo muito productivo. A nalyse Segundo as analyses de Sprongol, o lupulo, colhido antes da florescência contém: Água 73.800 1.4G0 Substancias solúveis na água Substancias solúveis na lixivia alcalina 14.482 Cera, resina e matéria verde 0.720 9.588 Fibra vegetal 'O

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100.000 As analyses do Sr. Paulo Madinie derão, para composição das cinzas, o seguinte: Cones

Folhas

Hastes

bilíca .,,..,.,,. 20,Qo 10,14 4,G4 Chlorureto de sódio 7,05 7,92 4,95 Chlorureto de potássio 1,63 '— 0,32 7,38 Soda Potassa 24,50 12,48 18,62 Cal 15,56 41,46 29,59 Magnesia 5,63 1,99 3,15 Ácido sulfurico 5,27 4,20 2,63 Ácido phosphorico 9,54 2,02 5,22 Phosphato de ferro 7,26 2,93 0,31 Ácido carbônico 2,61 16,54 23,51 *¦¦¦¦ I

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100,00 Sr. Payen achou azoto seguinte

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100,00

em 100 partes destos três órgãos a quantidade de Estado normal

°™es £olh+as Hastes

8,82 1,30 0,61

Depola da dessecação

9,80 1,51 ' 0,70

A lupulina representa 10% do peso dos cones quo a produzem. TERRENOS

mais+ apropriados os consistentes, frescos e dos comprofundos; M,?0 e muito humidos resulta apodrecerem as raizes; no caso de serem pactos seccos os terrenos, o producto obtido é diminuto, se não fôr appliposivS a^u fuwvei çar-se-lhe a irrigação, V^»

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30 DURABILIDADE DA CULTURA

Podo ser do 15 a 20 annos, feita no mesmo terreno; uma vez que seja bom amanhado e do boa qualidade.

PREPARO

CULTURAL

Deve dar-se, antes de plantar, um amanho de 0™,65 de profundidade, se o terreno não estiver bem limpo; seguindo-se o emprego da gi4ade e do cylindro. ESTRUME

O Dr. Crantz notou que a colheita de um hectare roubou ao solo: 275 kil. de azoto ; 195 kil. de potassa; 49 1/2 kil. de ácido sulfurico ; 46 kil. de ácido phosphorico f* 4.11 1c i 1 <1 a f*nl Dahi a conveniência de empregar-se, por hectare, 69,000 a 70,000 kilos do estrumes de estrebaria, enterrando-se a primeira metade a 0m,30 de profundidade por occasião do primeiro amanho ; uma quarta parte a 0m,15 no segundo amanho, e outra quarta parte que será lançada na cova no momento de plantar-se. PLANTAÇÃO

Antes de praticar-se esta operação convém evitar a acção dos ventos, escolhendo logares abrigados, cultivando-o longe das estradas, por causa da poeira, e resguarda-lo das geadas, afastando sua cultura da vizinhança dos rios e pântanos. Tomadas essas precauções, emprega-se pés de lupulo que tenhao algumas „>,.-, raizes; isso de três modos 1,° procurando-se rebentões nas plantas mais velhas e deixando apenas três a quatro brotos; feito o que, enterra-se logo depois no logar em que devem ficar * 2,° plantando esses rebentões em viveiros, bem estrumados, na distancia de 0m,30 uns dos outros; esse processo dá produeto mais depressa; 3,° escolhendo as plantas que melhor qualidade apresentão, cortando depois em fragmentos de 0m,40 os galhos lateraes e supérfluos, que serão plantados em viveiros para se desplantar depois.

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ÉPOCA DA PLANTAÇÃO

As preferidas são o outono, e a primavera, conforme o terreno ; no primeiro caso para as terras leves, no segundo para as terras mais compactas; entretanto convém observar que, plantando-se no outono o produeto é m^is abundante. $

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40 MODO DE

PLANTAÇÃO 1

Essa operação depende da natureza do terreno; se é fértil, as plantas sao postas a 2"',00 umas das outras, e no caso contrario 1"',30. Nos terrenos inclinados, onde o ar e a luz se fazem sentir mais do que nos terrenos $ planos, o espaço pôde ser menor entre cada planta. Para isso tração-se linhas longitudinaes nas distancias que se tem em vista, e outras perpendiculares em distancias iguaes plantando-se nas intersecções, depois de fazer um fosso de 0in,60 de largura e 0m,40 de profundidade, nos quaes, depois de plantar, será lançado o estrumo misturado com terra. Em geral enterrao-se de uma a cinco plantas, sendo uma para os solos frescos e férteis, e cinco quando o solo não é de muito boa qualidade; isso de modo que não exceda a superfície do mesmo solo. Terminada a operação, fazem-se pequenos monticulos no logar onde planta-se, dispondo-o em fôrma de pequenas fossetas destinadas a receberem águas das chuvas, e facilitar o seu desenvolvimento.

CUIDADOS

CULTURAES

1° anno. —Durante a primavera, enterra-se em cada monticulo duas estacas de 1,50 a 2 metros, afim de serem ahi ligadas as vergonteas novas, dando-se depois a primeira capina, afim de tornar a terra mais accessiveí aos agentes atmosphericos; emprega-se a enchada de mão e a enchada a cavallo. Mais ou menos oito dias depois amarrão-se de novo os prolongamentos das hastes, tendo o cuidado de dirigi-las da esquerda para a direita. Durante o verão dão-se mais dous amanhos ou capinas, chegando-se ainda terra em torno á raiz para conservar-se a frescura do terreno; havendo agua, a irrigação é muito conveniente. No outono, logo que cahem as folhas, tirão-se as estacas e cortão-se as hastes a 0m,50 do solo. 2° anno.—Depois do inverno, é conveniente reparar as perdas, para o que cava-se a terra, cortão-se com uma popadeira os rebentões do anno precedente a 0m,04 da haste principal; esses rebentões ou servem para plantar-se ou são utilisados como o espargo, visto terem o mesmo gosto. Terminada a operação de que acabamos de fallar, cobre-se cada pé com um monticulo de terra frouxa, dando-se um amanho no intervallo comnrehendido entre cada monticulo. Desde que as hastes têm 0M,40 fora da terra, é indispensável collocar-se estacas de quatro a seis metros da esquerda para a direita, na direccão do curso do sol, afim de enroscar-se a planta ; essas estacas devem ser carbonisadas e alcatroadas, afim de se conservarem por mais tempo; emurea-ão-se 6 ainda fios de arame. l

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haf%ías maís rigorosas, cortando-se ouírafoo mais maXSfmn^?^00 as outras próximo da raiz, quanto fôr possivel Essa operação deve ser feita depois do nascer do sol visto saram nmw occasião as hastes mais vigorosas. eiem nessa


-41 Depois desse trabalho, dá-se uma primeira capina, augmentando-se os monticulos em que estão as raízes. Durante o verão dão-se mais duas capinas e ligão-so as partes das hastes que se prolongarão. Chegadas às hastes â altura de quatro metros, e que os cones da planta estejão formados, tirão-se as folhas até 1 a lm,50 do pé, afim de facilitar-se a acção do sol, o que não só augmenta o numero de frutas, mas ainda activa a maturação ; isso se o terreno não for muito secco ou que o calor nao seja excessivo e prolongado, o que exporia á perda da planta. Para o terceiro anno tem-se o mesmo cuidado que para o segundo ; sómente faz-se de mais a poda, não se conservando senão as hastes que têm fructo ; devendo ser feita a poda, de modo que não fiquem senão 2 ou 3 brotos, fazendo desapparecer as outras vergonteas. E' prudente, entretanto, conservar algumas galhas que possâo substituir as que são atacadas pela moléstia; applica-se de novo estrumes, capina-se e chega-se a terra aos pés, é esse o processo seguido nos outros anãos •

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COLHEITA

Chega esse momento quando as folhas tomão uma cor diferente, e os cones adquirem uma cur verde dourada, e tornão-se viscosos e desprendem um cheiro activo, aromatico. Colhidos muito maduros elles perderião o seu aroma, além de cahirem. Não estando bastante maduros adquirem uma cor verde, que não é muito aceita no mercado O tempo em que se faz a colheita deve ser secco e só começará o trabalho quando nao houver muito orvalho. A colheita não deve ser feita sobre a planta, porque causaria prejuízo as outras que ahi flcao. O melhor svstema é cortar-se as hastes e arrancar-se as estacas, tapando-se immediatamente os orifícios, transportando-se tudo para uns telheiros que nao sejao humidos, afim de evitara fermentação. Destacão-se os fruetos com todo o cuidado, afim de não serem misturados com as folhas ou fragmentos déramos, o que seria excessivamente prejudicial. Dessecca-se depois, ou expondo-os ao sol no tempo quente, revolvendo-os de tempos em tempos, ou por meio do ventilador a ar quente a 40° de temperatura como se pratica nos paizes frios. Está terminada a operação, quando os pedunculos do fructo tornao-se duros e quebradiços, são então levados para os armazéns em que ficão durante alguns dias afim de adquirirem a humidade que lhes é precisa para serem enfardados depois de submettidos a uma forte pressão. MOLÉSTIAS

E INSECTOS NOCIVOS

O lupulo, como as demais plantas, está sujeito a diversas moléstias. 1.° O cancro {câncer), que se origina de um cogumelo que ataca a sua raiz, quando a planta está em logar humido; o meio de reparar o mal é samt ficar o terreno e substituir os pés atacados. 2.° A lepra, denominada pelos francezes Mancou meumer (erysipela humalis) é ainda um outro cogumelo do gênero oidium que apparece quasi sempre no tempo secco. Elle se manifesta por um revestimonto ouinflorescencia de côr branca, que parece uma camada de farinha sobre as folhas e hastes, 6R»

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alterando a cor natural dos órgãos. Ao microscópio, quando om grande quantidade, parecem pequenas manchas formadas de filamentos diminutos, que irradião em torno de umgranulooutuberculo: essa moléstia faz diminuir, e pára muitas vezes a vegetação, não havendo florescência nem fruetiíieaçíío. Aconsclhiio-.se dillerentes meios de curara planta atacada, pelas irrigaçoes ou melhor ainda, conforme aconselha o Sr. Dnchartre, o emprego do enxofre pulverisado, lançando-se sobre as plantas atacadas. 3.° A moléstia que os francezes chamão miellat, é ainda um estado morbido, e devido ás proximidades dos logares muito humidos. A parte superior das folhas se cobre de um liquido consistente e assucarado, que diíliculta a respiração da planta. Entre os meios aconselhados para remediar o mal, emprega-se o saneamento do terreno. 4.° A clorose, que ataca tambem o lupulo, tem-se originado da mesma causa, empregando-se ainda o saneamento. Entremos animaes que atacão o lupulo, temos o pulgão {aphis liumuli), que destróe as folhas; às vezes bastão alguns dias de sol para que elles desappareção. Applica-se sobre a planta a água salgada, a água contendo de infusão o fumo, ou ainda a água de sabão. A aranha que tambem ataca o lupulo, é excessivamente pequena e multi3lica-se na Europa nos mezes de Julho a Agosto; quando o tempo é secco e as folhas atacadas ílcão ruivas não se conhece remédio. A larva do bezouro (melolontha) diversas moscas, e as formigas são outros tantos insectos prejudiciaes, etc. producçao O lupulo, primeiro anno, não dá nenhum beneficio; no segundo, pouco; no sendo apenas no terceiro que o agricultor obtém um remunorador. producto Consegue-se em condições normaes 1,700 kilos por hectare. Luiz Caminhoá, engenheiro agrônomo.


Exposições Instrucçòes organizadas pela pirectoria da Associação Hortieula e Agricola de Pelropolis para a Exposição de plantas e animaes vivos, QUE DEVERÁ TER LOGAR EM PETR0P0LIS A 12 DE ABRIL DE 1885. Art. l.° A exposição será aberta na cidade de Petropolis no dia 12 de Abril de 1885, e durará o tempo que a directoria fixar, e serão admittidos animaes vivos, plantas, flores em ramos e soltas, devidamente acondicionadas, legumes, frutas e outros productos vegetaes, e bem assim os demais productos das industrias hortieula, agricola e zoothecnica, e os instrumentos e objectos de arte que tenhâo relação directa com as mesmas industrias. Art. 2.° Os diversos objectos ficão assim classificados : *

PRIMEIRO GRUPO

l.a Classe.—Horticultura. l.a Secção.— Legumes verdes: vagens, ervilhas, feijões, favas, abóboras, pepinos, beringelas, xuxús, maxixes, quigombos ou quiabos, repolhos, couves, alfaces, espinafres, espargos, chicória, palmitos, plantas, pimentas e outros fructos ou legumes para temperos, etc. 2.a Secção.—Raizes tuberculosas: aipins, mandiocas, batatas, carás, beterrabas, senouras, nabos, rabanos, rabanetes, e outras raizes comestíveis. 2.a Classe.—Pructicultura. IS Secção.— Fructos carnudos: melancias, melões, maracujás, pecegos, damascos, marmelos, peras, maçães, uvas., ameixas, mangas; grumixamas, jaboticabas, cambucás, saputis, cajus, abricós, jambos, carambolas, mangabas, araçás, goiabas, laranjas, limas, limões, figos, morangos, jacas, ananazes, abacaxis, bananas, etc. 2.a Secção.—Fructos seccos: cocos, amêndoas, pinhões, nozes e outros. 3>a Classe. 1.» Secção.—Forragens verdes e seccas: capim, feno, alfalfa, e seus substitutos. 2.s Secção.—Cereaes: milho, trigo, cevada, arroz, e outras gramineas de grão comestível. 3.a Secção.—Feijão, e outras leguminosas de grãos seccos. 4a Classe. 1.» Secção.—Caie. 2.a Secção.— Canna de assucar. m 3.a Secção.—Plantas industriaes, textis e medicinaes e seus productos: vinha, lupulo, baunilha, mamona, fumo, anil, algodão, quina, e outras de que se extraiam productos.


100 CANNA BAMBU'

cognommado Fm 500 centímetros cúbicos do caldo da canna do assucar, do 59 sondo socco, assucar grammas de 84 grammas bambu encontrárao-se assucar crystallisavol o 25 incrystallisavel. Otto Linger

GRANDE DO SUL LUPULO DA COLÔNIA DE S. LOURENÇO NO RIO

100 grammas de húmus lupiüus produzirão: Substancia amarga solúvel em água quente.... Resina amarga solúvel no álcool »>• Oleo ethereo aromatico

20 '/.-> gramms. 8 /j gramms. centigs. 6

Total 30 grammas e G centigrammas em água hygroscopica. Qualidade excellente. Otto Linger

Profile for redelupulo

Agricultura Prática - Cultura do Lupulo  

Revista Agrícola do Imperial Instituto Fluminense de Agricultura Volume Décimo Sexto Março de 1885 Pg 37 a 42 Luiz Caminhoá - Engenheiro Agr...

Agricultura Prática - Cultura do Lupulo  

Revista Agrícola do Imperial Instituto Fluminense de Agricultura Volume Décimo Sexto Março de 1885 Pg 37 a 42 Luiz Caminhoá - Engenheiro Agr...

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