Page 7

nos tempos De La Salle

Inovação Lassaliana Ir. Edgard Hengemüle Coordenador da Conferência dos Religiosos do Rio Grande do Sul São João Batista de La Salle por um lado insistia em não mudar práticas que estavam moldando e diferenciando a nova congregação e a escola que ele estava constituindo para a Igreja e a sociedade. Por outro lado, incentivava a criatividade, especialmente no campo pedagógico. Para melhorar, por exemplo, o aprendizado do catecismo pelo aluno, o mestre é convidado pelo Fundador a lançar mão de vários meios “que a prudência e a caridade lhe farão encontrar”¹. E, com relação às correções a usar, ele escreve que será preciso “servir-se de diversos meios que a inventividade do mestre atento e reflexivo lhe fará facilmente encontrar, conforme o momento”². Ele mesmo foi modelo dessa criatividade, com tudo o que ela significa: reforma, mudança e progresso; inovação, posição antecipadora, quando não vanguardista. O mínimo que dele se pode dizer é que não foi alguém que parou no tempo; que não perdeu o trem da história. Foi alguém que entrou no fluxo renovador particularmente da escola fundamental na França do seu tempo, e contribuiu para fortalecê-lo. Giles³, em um dos subtítulos do capítulo intitulado “A Caminho do Iluminismo: a extensão do processo educativo”, diz simplesmente “a reforma do ensino elementar: João Batista de La Salle”. Entre as mudanças para as quais La Salle e seu Instituto contribuíram estiveram a adoção do francês em vez

do latim no aprendizado da leitura, o uso do modo simultâneo de ensino em lugar do modo individual e a gratuidade para todos os alunos, não importando se oriundos de famílias pobres ou de pais remediados. Progresso promovido por ele foi, entre outros, a sua contribuição para o currículo primário. Mais precisamente, a sua ação para fixá-lo, ordená-lo numa progressão precisa em cada disciplina, e para elevar-lhe o nível. O Patrono do Magistério foi inovador ao oferecer a filhos da burguesia comercial e industrial de Saint-Yon um “pensionato livre” sem latim e sem grego, criando, assim, uma instituição de ensino secundário diferente, germe do que depois foi a escola secundária moderna, ao lado do colégio clássico. Adotando a agrupação sequencial de alunos, La Salle antecipou-se ao que depois seria o ensino graduado. Outro exemplo de seu adiantamento no tempo: seu reformatório de SaintYon é datado de 1709 a 1715, quando a primeira lei que estabeleceu tais tipos de escolas na Inglaterra foi aprovada apenas em 1854, uns seis anos antes da mesma iniciativa em Massachussets.

La Salle: exemplo de inovação

O que concluir? Que não deixaremos de procurar inspiração nos inúmeros e criativos pensadores da pedagogia e promotores da educação ao longo da história. Mas que não deixaremos de recorrer, em primeiro lugar, ao ensinamento e à prática inovadora de nosso Pai espiritual e pedagógico: João Batista de La Salle.

Do seu pioneirismo fala a sua escola dominical, de sentido inspirador prospectivo, prelúdio de posteriores escolas primárias superiores; dá testemunho a criação da primeira congregação religiosa constituída exclusivamente de Irmãos Leigos dedicados totalmente à docência; e é prova cabal o fato de ele ter sido o primeiro a fazer funcionar com êxito a Escola Normal, tal como a entendemos nos tempos modernos.

¹GE 9,3,13. ²GE 15,2,9. ³GILES, Thomas Ransom. História da Educação. São Paulo : E.P.U., 1987, p. 160.

WWW.LASALLE.EDU.BR

7

Profile for Rede La Salle

Revista Integração 114  

Revista Integração 114  

Advertisement