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Tecnologias Educacionais

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Curso Livre de Curta Duração – Módulo único Carga Horária: 20h

Objetivos: O

objetivo desse curso é qualificar o termo

“tecnologia” em seu aspecto “educacional” e, a partir de então,

relacionar, discutir e analisar o uso dessas tecnologias como mediadora de situações de ensino-aprendizagem. Autoria Design Instrucional:

Departamento Acadêmico da

RedeEduc Certificado Digital

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INTRODUÇÃO:

As tecnologias devem ser entendidas como

frutos da imaginação humana, produtos que fazem parte da cultura da sociedade e que surgem,

na

maioria

das

vezes,

das

necessidades que a raça humana vem enfrentando

a

cada

etapa

de

seu

desenvolvimento.

As etapas de humanização e os grandes saltos

civilizatórios foram sempre acompanhados do surgimento de uma nova tecnologia. RedeEduc


Ao utilizarmos, portanto, o termo “tecnologia” estamos nos referindo a qualquer

criação ou artefato, engendrado pela raça humana durante sua trajetória de hominização[1]. Estes artefatos, sejam de natureza mecânica (dura, pesada, física e concreta) , intelectual (leve, transcendente, mental e abstrato) ou relacional têm

auxiliado e complementado a ação de homens e mulheres nos mais diversos tipos de tarefas, projetos e elaborações.

[1] Termo que qualifica o processo evolutivo da espécie humana.

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Origens e significados da palavra “tecnologia”:

TECNOLOGIA é uma palavra de origem grega, composta, na realidade, por dois termos com significados distintos:

TECHNÈ: técnica ou arte de fazer alguma coisa

LOGOS: conhecimento ou escopo teórico

Neste sentido, “tecnologia” é um saber unido a um

fazer. Um corpo de conhecimentos que dá suporte à técnica ou arte de fazer alguma coisa.

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Características Gerais da Tecnologia:

Gera impacto negativo ou positivo em sua introdução – esse impacto gera mitos que tanto exacerbam como desclassificam seu uso; Gera expectativas para além de suas potencialidades reais Potencializa a ação humana em seus aspectos físicos, emocionais, mentais e relacionais;

Auxilia a organizar, estruturar e executar uma ação; Substitui a presença física de homens e mulheres durante uma ação; Permite a economia de tempo;

Alivia tarefas pesadas; Passa a incorporar o cotidiano social a partir de um tempo de uso.

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O QUE SÃO TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS:

Tecnologia Educacional é todo artefato, ferramenta

ou

inteligência,

de

tecnologia

natureza

da

física,

mecânica, intelectual ou relacional, desenvolvido desde a antiguidade aos

dias de hoje, que facilite e colabore, Toda tecnologia educacional pode ser vivenciada como aliada de professores e alunos no processo de construir conhecimentos.

tanto com professores como alunos, no

desenvolvimento do processo ensinoaprendizagem.

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De acordo com Leite et Alli *(2003: 15), as tecnologias merecem estar

conhecimento;

presentes na escola, porque estão presentes na vida, mas, além

Serem estudadas como objeto e como meio de se chegar ao conhecimento;

Permitir aos alunos , através da utilização da diversidade dos meios, familiarizarem-se com a gama de tecnologias

disso, para:

*LEITE et alli. TECNOLOGIA EDUCACIONAL: descubra suas possibilidades na sala de aula. Ed. Vozes, 2003.

Diversificar a forma de produzir e apropriar-se do

existentes na sociedade; •

Serem desmistificadas e democratizadas;

Dinamizar o trabalho pedagógico;

Desenvolver a leitura crítica;

Ser parte integrante do processo que permite a expressão e troca dos diferentes saberes.

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Entendemos “tecnologia educacional” como todo artefato

de natureza física ou intelectual que incorpore atividades de natureza educativa.

Assim, o termo “tecnologia educacional” pode abranger desde o mais simples recurso didático, como giz, caneta, quadro, cartazes, vídeo, computador etc, até as mais sofisticadas metodologias de ensino. São tecnologias educacionais tanto o planejamento de aula como o formato da avaliação e os recursos a ela aplicados.

Apresentamos, em seguida, alguns artefatos físicos que são colocados á disposição do professor para compor o contexto pedagógico. Veremos que é possível enumerar diversos recursos que podem ser usados em sala de aula. Cada um desses recursos representa uma possibilidade de melhoria na qualidade da educação. RedeEduc


Tecnologias de ontem e de hoje: Álbum Seriado Blocão Cartão Relâmpago Cartaz Estudo Dirigido Flanelógrafo História em Quadrinhos Gravuras Instrução Programada Jogos Jornal Jornal Escolar Livro Didático Livro Infanto-Juvenil Mapa e Globo Mural Teatro Teatro de Fantoches Quadro de Giz Quadro de pregas Sucata Texto

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Tecnologias de Baixo Custo

Jornais e revistas

Gravuras e fotos

Globo Terrestre

Sucata

Mapas

Ábaco

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Mimeógrafo


Quadrinhos

Teatro de Fantoches

Jogos

Texto

Livro infantil

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Material Escolar


A vantagem das tecnologias de baixo custo é estarem mais

facilmente ao alcance tanto do professor como dos alunos. A utilização pedagógica requer mais criatividade do professor

do que habilidades manuais ou motoras. Se existe a vontade de enriquecer a aula com outros componentes que não seja

apenas o discurso expositivo, qualquer artefato físico ou metodológico torna-se tecnologia educacional.

O

aspecto

lúdico,

quando

utilizado

na

educação,

acompanhado de consistente base pedagógica, torna-se um fator de estímulo à aprendizagem. Por meio

de jogos o

professor pode propor desafios que envolvem os aprendizes aguçando a curiosidade e a criatividade e, com isso, põe em

ação mecanismos cognitivos para resolução de situações problemáticas e desenvolvimento de estratégias.

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O conteúdo de aula quando exposto no quadro de giz ou por meio da fala do professor, sem nenhuma contextualização, é apenas INFORMAÇÃO. O uso das tecnologias facilita a problematização desses conteúdos de forma que os aprendizes possam transformar INFORMAÇÃO EM CONHECIMENTO.


Tecnologias de ontem e de hoje: Computador Fita de vídeo Fita sonora e CD Internet e suas ferramentas Software (Programas de Computador) Rádio Slide Datashow Televisão Comercial Televisão Educativa Produção de vídeo Música CDROM Multimídia

Hipermídia Ambientes Virtuais de Aprendizagem Tablets Conferência Eletrônica Lousa Digital

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Tablet

Internet na Educação

Datashow

Informática Educativa

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TV Educativa

Cinema


Confer锚ncia Eletr么nica

Livro Eletr么nico

Hipertexto

Lousa Digital

Sala de Aula Virtual

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As tecnologias avançadas começaram a surgir com o desenvolvimento das telecomunicações, das

mídias e, por fim, da teleinformática. Como resultado desta conjunção surgiram a multimídia e a hipermídia. A multimídia resulta da integração de meios eletrônicos e mídias tradicionais num

suporte único que é o computador. A hipermídia se origina na mesma base só que toma a rede, internet, como suporte tornando-se então global e infinita. Na educação, esse avanço provocou

mudanças e inquietações. Fez surgir mitos que ainda interferem na relação do professor com a tecnologia, fazendo-o esquecer que tecnologia é sua própria criação a começar da fala.

A grande diferença das tecnologias avançadas, especialmente as digitais, é que requerem de seus

usuários habilidades técnicas, motoras, cognitivas e relacionais com as quais não se está muito habituado pois fazem parte de uma nova cultura ainda em formação. Se alguns professores ainda

são resistentes, os alunos, contudo, navegam facilmente no universo digital, ganhando autonomia e criando suas próprias rotas de aprendizado e desenvolvimento. Enquanto o professor fala o

aluno navega. Trata-se de um ponto cego na educação que passa a exigir novas posturas e metodologias mais interativas que admitam o “aluno” como parte ativa na construção do

conhecimento.

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Aspectos da Tecnologia: Na sala de aula, as tecnologias mais avançadas, podem funcionar, dependendo do uso, como divisor ou elo entre professor, alunos e saberes. Mas há a hipótese de que a máquina pode aproximar o professor do contexto de seus alunos bem como dos saberes que necessitam ser atualizados continuamente no

exercício

de sua função. Esta

tecnologia, no entanto, será um elemento de separação quando sua presença for causa de desconfiança e medo, envolvendo a formação de mitos, que então se generalizam no

senso comum e se internalizam nas percepções e falas desses sujeitos, reforçando uma prática de oposição e estranhamento.

Sancho (1998) ao analisar a relação entre professor e tecnologia, propõe uma categorização que evidencia as diferentes dimensões que podem ser consideradas na ocasião da escolha:

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1 – Tecnologias Instrumentais: De baixo custo: giz, quadro de giz, livros, quadros, tabelas, quadro de pregas, flanelógrafo, cartazes, fantoches, etc.

Tecnologias avançadas: televisão, rádio, retroprojetor, computador, vídeo, etc

2 – Tecnologias Simbólicas: (que medeiam a comunicação) Linguagem, fala, escrita, números, fórmulas matemáticas, algarismos, representações

icônicas, conteúdo dos currículos, linguagens digitais etc.

3 – Tecnologias Organizacionais: gestão e controle da aprendizagem, métodos de ensino, plano de aula, disciplinas, etc.

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De acordo com a autora, em muitas situações os meios são vistos como rivais e não como

fatores ou interfaces que integram a visão do sujeito e sua relação com o mundo e com os outros. Essa rivalidade é sentida seja em relação a interesses e perspectivas que surgem

no contexto da prática pedagógica, seja em relação à essência humanista que se quer presente nas situações de ensino-aprendizagem.

Segundo Sancho (idem) “os professores afirmam que o uso do computador desumaniza o ensino”. Baseada nesse estranhamento e na observação desse mito identifica alguns aspectos “descontextualizantes” que a tecnologia pode tomar:

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A tecnologia e seu aspecto descontextualizante: • a tecnologia tende a levar em consideração apenas os componentes dos problemas que têm solução técnica • tende a desconsiderar o impacto nos indivíduos e na sociedade

Tecnologia e seus mitos (crenças impostas): •Somente as máquinas de invenção mais recente são tecnologia •A tecnologia desumaniza e a melhor forma de conter essa

desumanização é não usa-la •A tecnologia aliena o homem de seus saberes práticos e acaba

roubando-lhe o lugar

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“... uma visão parcial sobre a tecnologia nos leva a pensar somente nos seus aspectos tangíveis (os instrumentos) e a considerar perigosos somente aqueles que desconhecemos. Após a sua integração à nossa forma de vida, embora sejamos advertidos sobre as consequências de sua utilização, torna-se praticamente impossível abandoná-los. (Sancho, 1993:24)


O fenômeno do “estranhamento”, não permite ao sujeito perceber a tecnologia como

uma extensão do seu próprio ser, excluindo-a de si mesmo e de suas relações, como se elas não fizessem parte de sua história e cultura. Para Lèvy (1999), isso ocorre devido à

aceleração a do desenvolvimento tecnológico. Cada nova tecnologia impulsiona, a um nível exponencial, o desenvolvimento da seguinte, acentuando a distância entre o ser humano e sua criação.

Se queremos que as tecnologias atuem como facilitadoras e aliadas do professor no processo ensino-aprendizagem, precisamos provocar uma nova postura alicerçada em uma perspectiva crítica, que reveja a visão mítica das tecnologias, definindo sua real natureza e função de assessorar o homem na busca de melhores caminhos de vida e profissionais.

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Porque usamos tecnologia em sala de aula?

Eis uma pergunta que devemos nos fazer constantemente. Usar a tecnologia, pura e

simplesmente, sem motivação e sem análise crítica, nos faz perder o fio das possibilidades que ela nos traz. Entendemos que a tecnologia, ao contrário do que

muita gente pensa, não é neutra. Sempre existe uma intenção por traz de seu uso, ainda que esta intenção não esteja clara ao usuário. Na maioria das vezes esta intenção está a serviço da ideologia dominante transposta à educação através do paradigma tradicional de ensino.

Mas pode ser usada também um convite à

abertura, ao diálogo e à inovação. Em vez de reforçar padrões que conduzem a uma “formatação” de usos, costumes e conhecimentos, pode facilitar a ressignificação desses padrões, conduzindo à invenção, descoberta, cooperação e aprendizagem

contínua.

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Os paradigmas da educação?

PARADIGMA INSTRUCIONISTA :

O paradigma tradicional, instrucionista, nos leva a pensar a educação como um processo transmissivo que ocorre de forma linear, entre aquele que sabe, o professor, na direção daquele que não sabe, o aluno. Portanto, toda tecnologia usada neste modelo tende a potencializá-lo.

Uma das características da tecnologia é potencializar os

resultados,

sejam

eles

quais

forem.

As

práticas

instrucionistas reforçadas com tecnologia, tornam os

resultados, bons ou maus, mais fortes e duradouros.

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Ideologia que se apoia no “falar/ditar” do Mestre.


NOVOS PARADIGMAS:

RELACIONAL, CONSTRUCIONISTA E PROBLEMATIZADOR

No quadro de mudança de paradigma educacional, emergem novos modelos e novas intenções, que buscam uma relação solidária entre professor, aluno e conhecimento. Neste contexto, o uso da tecnologia poderá compor um sistema integrado de natureza complexa e interativa, que permite

situações de aprendizagem ativa e colaborativa, envolvendo a construção do conhecimento.

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... aqueles que nos dedicamos às tarefas educacionais, precisamos ter uma visão mais ampla e contextualizada do que significa e envolve o longo caminho do ser humano em seu empenho por adaptar o meio às suas necessidade e todo “saber fazer” elaborado e transmitido neste empenho.(Sancho:24)


Conclusões:

A tecnologia está presente na humanidade desde seus primórdios. É parte da evolução humana no sentido em que completa o ser humano em sua relação com o meio.

O ser humano, ao contrário do animal, é um sistema aberto, inacabado, tanto no aspecto

biológico como psicossocial. Por isso é capaz de aprender e criar tecnologia e cultura. Ele é dual: possui um corpo físico que responde às leis físicas e um corpo mental, que o faz ir além dos limites que são impostos pela natureza e maio ambiente.

Como diz o educador Paulo Freire, o ser humano está “aberto” ao Mundo e é essa “abertura” que permite responder aos desafios do meio ambiente, criando e buscando condições melhores de existência. A tecnologia é parte desta resposta. Envolve tudo o

que a humanidade criou e cria, ao longo de sua história, para estender os próprios poderes, vencer desafios e dificuldades e solucionar problemas.

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A educação é a dimensão humana que propõe métodos e técnicas que permitem preencher essa abertura. Freire chama a atenção para o fato

de que é justamente a abertura que proporciona

a

aprendizagem

transformadora. A educação tanto se presta a moldar como a transformar.

Entendemos que, para o homem, o mundo é uma realidade objetiva, independente dele, possível de ser conhecida. É fundamental, contudo, partirmos de que o homem, ser de relações e não só de contatos, não apenas está no mundo, mas com o mundo. Estar com o mundo resulta de sua abertura à realidade, que o faz ser o ente de relações que é. (FREIRE, 1967: 39)

Para Freire, a transformação é libertadora e conduz à autonomia enquanto que a “formação” no seu aspecto

uniforme,

conduz

à

estagnação e à adaptação.

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Tecnologias educacionais se integram bem aos dois modelos. O que irá definir o papel da tecnologia na educação não é só o professor nem só o aluno, mas todo o contexto e, especialmente, a base pedagógica que fundamenta este contexto.

Assim, o uso de tecnologia em sala de aula justifica-se por diversas razões e a todas elas podemos sobrepor o desejo do professor de comunicar-se melhor com seus

alunos, dando-lhes meios e linguagens que possam ajuda-los a interpretar e processar melhor as informações que lhes são passadas. Por intermédio desses mesmos meios e processos, pode o aluno adquirir autonomia e autoria, passando a contribuir para a construção do conhecimento.

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Referências:

BARRETO, Renata B R – Internet em sala de aula e a criação de mitos, http://issuu.com/redeeduc/docs/internet_mitos

FREIRE, Paulo – Educação como prática para a liberdade, Paz e Terra: Rio de Janeiro, 1967 FREIRE, Paulo – Pedagogia da Autonomia – Paz e Terra: Rio de Janeiro, 1996

LEITE et alli. TECNOLOGIA EDUCACIONAL: descubra suas possibilidades na sala de aula. Ed. Vozes, 2003. SANCHO, Juana M. A tecnologia: um modo de transformar o mundo carregado de ambivalência. In: Para uma tecnologia educacional. Porto Alegre: Artmed, 1998

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Tec educ  

Minicurso que discute o conceito de tecnologia educacional, abrangendo seus diferentes aspectos e aplicações.

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