Page 1

1

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 1

22/01/2018 13:15:11


2

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 2

22/01/2018 13:15:12


editorial

O

segundo semestre de 2017 foi marcado por momentos de celebração e ação de graças pela caminhada Concepcionista, no esforço de realizar a missão educativo-evangelizadora, fazendo florescer os valores humano-cristãos tão necessários para a construção de uma sociedade justa e fraterna. No dia 2 de setembro de 2017, irmãs, pais, educadores, alunos e funcionários da Província Concepcionista do Brasil se reuniram, na Casa da Mãe Aparecida, para celebrar os 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora, nas águas do Rio Paraíba, e os 125 anos da Congregação. A romaria ao Santuário Nacional de Aparecida tornou visível a expressão de cada Concepcionista em sua marcha para Deus, pelos caminhos de Maria. Que alegria poder encontrar tantos romeiros, vindos de diversos lugares do Brasil, unidos num mesmo sentimento! Você poderá conferir os detalhes dessa romaria tão especial e os depoimentos de algumas pessoas que estiveram presentes em Aparecida, na 37ª edição de Integração em Revista. Também trazemos, nesta edição, uma matéria especial sobre a história de Nossa Senhora Aparecida, desde o aparecimento da imagem até os dias de hoje, com muitas curiosidades e depoimentos sobre milagres ocorridos e sobre a construção do Santuário. Neste segundo semestre de 2017, tivemos a honra de receber a visita da Superiora Geral da Congregação Concepcionista, Irmã Maria Isabel Moraza, que esteve no Brasil, do final de outubro ao início de dezembro, passando pelas comunidades da Província para animá-las em sua missão. Por onde passou, foi recebida, com grande alegria e festa, por alunos, educadores e funcionários, que prepararam uma programação especial para acolhê-la. Confira fotos na seção Acontece na Rede. A 37ª edição também traz diversos projetos e iniciativas pedagógicas trabalhados, nas obras Concepcionistas da Província, visando à formação integral dos alunos. Estamos encerrando o 2º Ano Vocacional Concepcionista, mas a missão de cultivar, nas crianças e jovens, a abertura para descobrirem sua missão no mundo segundo o projeto de Deus continua. Por isso, seguimos invocando a intercessão de Santa Carmen Sallés, para fazer florescer vocações apostólicas para a Igreja e para que a missão de evangelizar, por meio da educação concepcionista, encontre corações generosos e jovens dispostas a entregarem sua vida nessa missão, que é tão necessária em nosso mundo atual. Um feliz 2018 a todos e que façamos florescer a esperança para que a vida que floresceu em Belém floresça também no coração de todas as pessoas.

É tempo de celebrar e agradecer!

Ir. Wanilda Melo Barbara, RCM

3

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 3

22/01/2018 13:15:13


Religiosas Concepcionistas Missionárias do Ensino www.concepcionistas.com.br

Destaques desta edição

SÃO PAULO SEDE PROVINCIAL Rua Humberto I, 395 - Vila Mariana CEP: 04018-031 – São Paulo – SP Tel. (11) 5539-2577 – Fax (11) 5549 5743 E-mail: provinciabrasil@concepcionistas.com.br

RUMO À CASA DA MÃE APARECIDA

4º ENCONTRO DE ALUNOS CONCEPCIONISTAS (EAC)

COLÉGIO MARIA IMACULADA Av. Bernardino De Campos , 79 CEP: 04004-050 - São Paulo - SP Tel.: (11) 3283-2111 Site: www.cmisp.com.br E-mail: cmisp@cmisp.com.br

30

ESCOLA SANTA CARMEN SALLÉS Rua Dr. Domingos Freire, 209 CEP: 02764-070 - Freguesia do Ó - São Paulo/SP Tel.: (11) 5083-0941 RESIDENCIAL SANTA CARMEN SALLÉS Rua Conselheiro Rodrigues Alves, 419 Vila Mariana CEP 04014-011 – São Paulo - SP Tel.: (11) 5083-0941 CENTRO EDUCACIONAL RECANTO BETÂNIA Rodovia José Simões Louro Jr. , 3284 CEP: 06900-000 - Embu Guaçu - SP Tel.: (011) 4661-1449 E-mail: recanto@concepcionistas.com.br COLÉGIO MARIA IMACULADA Rua Francisco Gomes, 661 CEP:13730-320 - Mococa - SP Tel.: (19) 3656-0107 Site: www.cmimococa.com.br E-mail: colegio@cmimococa.com.br

16

Concepcionistas se reuniram no Santuário Nacional para louvar e agradecer a Deus pelos 300 anos de Aparecida e 125 anos da Congregação.

A EXPOSIÇÃO DE IMAGENS NOS TORNA SELETIVOS?

O 4o EAC teve como tema “Com Maria façamos florescer a civilização do amor”.

O BULLYING NÃO FALADO: INTROMISSÃO DOS PAIS NA ESCOLA

MINAS GERAIS COLÉGIO IMACULADA CONCEIÇÃO Rua Professor José Cândido, 238 - Centro CEP: 37750-000 - Machado - MG Tel.: ( 35) 3295 1168 Site: www.cicmachado.com.br E-mail: cicadm@cicmachado.com.br COLÉGIO IMACULADA CONCEIÇÃO Rua Cristiano Stockler, 271 CEP: 37900-150 – Passos - MG Tel.: (35) 3521-8777 – Fax: (35) 3521-6221 Site: www.cicpassos.com.br E-mail: cic@cicpassos.com.br

BRASÍLIA COLÉGIO MADRE CARMEN SALLÉS Av. L2 Norte, Quadra 604 CEP: 70830-154 - Brasília- DF Tel.: (061) 3223-2863 Site: www.carmensalles.com.br COLÉGIO MARIA IMACULADA QI 05 - CH 72 - Lago Sul CEP: 71600-790 – Brasília - DF Tel.: (61) 3248-4768 – Fax: (61) 3248-6464 Site: www.cmidf.com.br E-mail: diretoria@cmidf.com.br

Uma reflexão sobre como a forma que a mídia expõe determinadas tragédias pode nos induzir a escolher por quem devemos ter compaixão.

38

FAZER FLORESCER

A superproteção ou mesmo a delegação absoluta para as escolas de uma instrução que compete aos pais está causando problemas na sala de aula.

54

CONTRIBUIÇÕES DA NEUROCIÊNCIA PARA A APRENDIZAGEM

CENTRO EDUCACIONAL CARMEN SALLÉS Paranoá Parque Quadra 2/3 Conjunto Comercial, Lote 1 CEP: 71587-150 - Brasília- DF

RIO DE JANEIRO COLÉGIO MARIA IMACULADA Rua São Francisco Xavier, 935 CEP: 20550- 017 - Rio de Janeiro - RJ Tel.: (21) 2264-4998 - Fax: (21) 2569-4481 Site: www.cmirj.com.br E-mail: diretoria@cmirj.com.br

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 4

107

Os alunos do CIC de Machado construíram um jardim vertical, em que cada um cuidou de sua própria plantação.

46

A escola, ao se aproximar dos estudos das Neurociências, apropria-se de conhecimentos para o processo de aprendizagem.

22/01/2018 13:15:17


3

EDITORIAL

6

ESPECIAL

16

DESTAQIE

29

PASTORAL

34

ESPIRITUALIDADE

38

LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO

41

GESTÃO

42

PSICOPEDAGOGIA

54

PSICOLOGIA

57

PSICOMOTRICIDADE

58

FILOSOFIA

63

PEDAGOGIA

79

INTEGRAÇÃO FAMÍLIA-ESCOLA

80

INTERDISCIPLINARIDADE

85

TIC´S - TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO

86

ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL

88

PROJETOS

111

MEMÓRIA

112

ACONTECE NA REDE

em revista

ISSN 1981-8246 Ano XVIII - Nº 37 - Dezembro 2017 Uma publicação semestral das Religiosas Concepcionistas Missionárias do Ensino - Província do Brasil, feita com a colaboração de Pais, Educadores e Religiosas da Rede Concepcionista de Ensino Diretora Responsável: Ir. Wanilda Melo Barbara (cpe@carmensalles.com.br) Jornalista Responsável: Mariana da Cruz Mascarenhas (mmascarenhas@concepcionistas.com.br) MTB 0070174SP Produção Gráfica: Edenilson S. Coelho (edenilson@concepcionistas.com.br) Revisão Geuid - Colégio Maria Imaculada São Paulo - SP Redação: Sede Provincial Rua Humberto I, nº 395 - Vila Mariana São Paulo - SP - Cep: 04018-031 Impressão e acabamento: Referência Gráfica - São Paulo Tiragem desta Edição: 6500 exemplares (Distribuição gratuita e dirigida)

on

line

No Portal Concepcionista você pode consultar e fazer download de todas as edições de Integração em Revista. Basta acessar www.concepcionistas.com.br e clicar em “Revista Integração”

Fale Conosco

Sua opinião é importante para nós! Envie seus comentários, críticas ou sugestões para:  E-mail: integracao@concepcionistas.com.br ou, se preferir, v ia Correio:  Rua Humberto I, nº 395 - Vila Mariana CEP: 04018-031 - São Paulo - SP Aos cuidados de Edenilson Coelho

5

Obs.: Por motivo de espaço da publicação, as cartas enviadas podem ser resumidas a critério da redação da revista.

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 5

22/01/2018 13:15:18


ESPECIAL

Detalhe da obra “Maria de Fé, do artista Rafael Murió, parte da exposição “Olhares”, no Santuário Nacional de Aparecida

Aparecida no coração do Brasil

Especialistas e religiosos ajudam a recontar os três séculos de história da santa mais amada do país 6

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 6

22/01/2018 13:15:18


Dom Pedro I e Princesa Isabel estão entre os devotos ilustres de Nossa Senhora Aparecida Do fundo do barco, a escultura seguiu para a casa de Silvana da Rocha Alves, a mãe de João. Depois de usar

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 7

No ano de 2017, em que celebramos os 300 anos do encontro da imagem da Mãe Aparecida nas águas do Rio Paraíba, a Revista Ave Maria publicou uma reportagem especial com fatos, histórico e curiosidades sobre estes três séculos de história. Agradecemos a editoria da revista que nos concedeu o conteúdo para publicação. por André Bernardo e Diego Monteiro

cera de abelha para “colar” a cabeça da escultura, a mulher improvisou um oratório em sua casa. Lá, ela e o marido passaram a receber parentes, amigos e vizinhos para rezar o terço. Em uma noite calma e sem vento, as velas que mantinham o casebre iluminado se apagaram de repente. E, mais de repente ainda, voltaram a se acender. Sozinhas. Ao milagre das velas seguiramse outros. Um deles aconteceu em 1862. Um menino de 3 anos, durante passeio de barco, caiu nas águas do Paraíba do Sul e foi arrastado pela correnteza. Por milagre, não morreu. O outro registro é de 1874. Cega de nascença, uma menina de Jaboticabal (SP), distante 482 quilômetros de Aparecida, queria visitar a santinha. Após três longos meses de viagem, avistou, ao longe, a capelinha. “Mãe, como é linda essa igreja!”, teria dito, para alegria da mãe, Gertrude Vaz. “De tanto o povo falar em aparecida daqui, aparecida dali, virou nome próprio”, explica o jornalista Ricardo Marques, autor de Nossa Senhora Aparecida – 300 anos de milagres. “Não houve um batismo. O culto surgiu de baixo para cima.” De milagre em milagre, a fama de Nossa Senhora Aparecida logo se espalhou pela região. Em pouco tempo, conquistou devotos ilustres, como a princesa Isabel. Vinte anos antes da Lei Áurea, Isabel e o marido, o conde d’Eu, visitaram a santinha. Casados havia quatro anos, os dois não conseguiam ter filhos. Dezesseis anos depois, o casal regressou. E, dessa vez, levou a prole: Pedro, Luís e Antônio. Milagre? Não se sabe. Pelo sim, pelo não, Isabel, agradecida, presenteou a santinha com uma coroa de ouro de 24 quilates, cravejada de diamantes. “A coroa doada pela princesa Isabel e o manto com a bandeira do Brasil não deixam dúvidas: Aparecida é um dos maiores símbolos cívico-religiosos da nação”, afirma o historiador José Leandro Peters, autor da tese Nossa Senhora Aparecida no discurso da Igreja Católica no Brasil (1854-1904).

Continua

P

assava da meia-noite do dia 17 de outubro de 1717, quando o pescador João Alves, olhando desolado para as águas do Paraíba do Sul, desabafou, em tom de brincadeira: “Será que pescaram todos os peixes do rio e se esqueceram de avisar?” Desde o dia anterior, ele, Domingos Garcia, seu pai, e Filipe Pedroso, um tio, não conseguiam pescar um dourado sequer. Mas, apesar de terem virado a noite, não se deram por vencidos: “Não podemos voltar de redes vazias”. A Câmara de Guaratinguetá tinha prometido uma recompensa para quem conseguisse pescar a maior quantidade possível de peixes. A ideia era oferecer um banquete à comitiva de dom Pedro Miguel de Almeida, governador da capitania de São Vicente. A caminho de Minas Gerais, o futuro conde de Assumar passaria pelo vilarejo no dia seguinte. Nas imediações do porto de Itaguaçu, João Alves resolveu tentar a sorte mais uma vez. Ao recolher a rede, encontrou uma imagem de barro decapitada. Lançou a rede novamente e “pescou” a cabeça que faltava. Os três se entreolharam: “Como é que a rede conseguiu pegar essa cabecinha tão pequena no meio do lodo no fundo do rio?” Ninguém soube responder. Em sinal de respeito, João tirou a camisa, embrulhou a estatueta e a cabeça nela e continuou a pescar. Já perto do amanhecer, o inesperado aconteceu: os três pescaram uma enorme quantidade de peixes, das mais diferentes espécies: pintados, robalos, pacus, tucunarés. Já naquele domingo, houve quem falasse em milagre na pequena vila de Santo Antônio de Guaratinguetá.

7

22/01/2018 13:15:19


Trezentos anos depois, jornalistas e historiadores tentam elucidar alguns dos mistérios que rondam Nossa Senhora Aparecida. Quem esculpiu a imagem? “A hipótese mais provável é que tenha sido o frei carioca Agostinho de Jesus”, explica a historiadora Tereza Galvão Pasin, autora de Senhora Aparecida – romeiros e missionários redentoristas na história da Padroeira do Brasil. “Era discípulo do mais respeitado artesão da época, o português Agostinho da Piedade.” Mas por que razão a imagem fora jogada no Paraíba do Sul? Quem responde é Rodrigo Alvarez, autor de Aparecida – a biografia da santa que perdeu a cabeça, ficou negra, foi roubada, cobiçada pelos políticos e conquistou o Brasil. “Era tradição se desfazer de santo quebrado o mais rapidamente possível. Manter defunto de barro dentro de casa era certeza de maldição”, esclarece. Mas as dúvidas não param por aí. De quem seria a estatueta? Para o jornalista Ricardo Marques, não restam dúvidas: a imagem é de Nossa Senhora da Conceição, a santa padroeira de Portugal. “Por essa razão, é provável que o dono da imagem fosse português”, arrisca. E quanto tempo, aproximadamente, passou no fundo do rio? Segundo estimativa de Rodrigo Alvarez, “não mais do que cinco anos”. Na opinião do jornalista, a imagem pertencia à capela Nossa Senhora do Rosário, de propriedade do capitão José Correia Leite. Muito devoto, teria inaugurado a capela em 1712, cinco anos antes do resgate da santinha nas águas do rio. Até hoje, três séculos depois, devotos se perguntam: o que teria enegrecido a imagem de Nossa Senhora da Conceição? O lodo do rio ou a fumaça das velas? Coordenador do Núcleo Fé e Cultura da PUC-SP, o sociólogo

Foto: Acervo do autor Rodrigo Alvarez

Especialistas tentam explicar quem, quando por que jogaram a imagem da santa no rio

Francisco Borba Ribeiro Neto explica que, mais do que negra, a imagem é humilde. “De certa forma, o manto reforça essa humildade. E aumenta a empatia entre o povo e a imagem. Nossa Senhora Aparecida é uma humilde sofredora, como seus devotos”. Por fim, a pergunta que não quer calar: se a escultura foi encontrada, no dia 17 de outubro, por que a solenidade é comemorada no dia 12? Segundo o historiador Leandro Karnal, a escolha não foi aleatória. Ele cita outras datas, como o descobrimento da América (12 de outubro de 1492), a aclamação de Pedro I como imperador do Brasil (12 de outubro de 1822) e a inauguração da estátua do Cristo Redentor (12 de outubro de 1931). “A data passou a ser uma conexão cívica e religiosa, celebração do catolicismo pátrio, de identidade da fé e do nacionalismo”, observa Karnal, que acaba de lançar Santos fortes – raízes do sagrado no Brasil. Curiosidades à parte, o fato é que a devoção a Aparecida nunca parou de crescer. Com o passar dos anos, o oratório doméstico virou capela, a capela cedeu lugar à igreja, a igreja foi elevada a basílica e, recentemente, a basílica se transformou no maior santuário mariano do mundo. “Aparecida conquistou o Brasil antes mesmo de existir em nosso país um hino (1822) ou uma bandeira nacional (1889). A santinha foi o primeiro símbolo realmente brasileiro e de alcance nacional”, afirma o jornalista Rodrigo Alvarez. Se a capela original media 32 palmos de largura por 76 de comprimento (algo em torno de sete metros por 16), a basílica ocupa uma área de 72 mil m² e tem capacidade para 45 mil peregrinos. É no interior dela que está a principal atração do Santuário: a imagem autêntica de Nossa Senhora Aparecida, coberta com seu manto azul bordado em dourado e sua coroa de ouro. Medindo 36 centímetros e pesando 2,5 quilos, a estatueta está exposta num nicho a quatro metros de altura e protegida por um vidro à prova de balas. Exagero? Não. Em 16 de maio de 1978, Rogério Marcos de Oliveira, de 19 anos, tirou

Imagem despedaçada de Nossa Senhora Aparecida

proveito de uma repentina queda de luz para, durante a Missa das oito, tentar roubar a santinha. O sujeito correu até o nicho, bateu com força no vidro e, depois de quebrá-lo, pegou a imagem e fugiu em disparada. “Estão roubando Nossa Senhora!”, gritou, do altar, Padre Antônio Lino. Perseguido pelos fiéis, o fujão deixou a santinha cair. Resultado: Rogério foi mandado para a prisão (e, de lá, para um sanatório) e, Aparecida, para o Museu de Arte de São Paulo (MASP). “Mais do que restaurar, tive que reconstituir a imagem. Estava totalmente destruída!”, recorda a artista plástica Maria Helena Chartuni, de 75 anos, que levou 33 dias para devolver a santinha à basílica. “Fiquei satisfeita com o resultado.” Foto: Antonio Carlos Piccino. Ag. O Globo

ESPECIAL

Maria Helena Chartuni, restauradora da Imagem de Aparecida

8

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 8

22/01/2018 13:15:21


Desde 2014, uma réplica de Nossa Senhora Aparecida, batizada de imagem peregrina, percorre paróquias e dioceses de todas as capitais do Brasil e de outras cidades. É o chamado Ano Nacional Mariano, instituído pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em 12 de outubro de 2016 como parte do Jubileu dos 300 anos. “A peregrinação foi uma manifestação pública do carinho, respeito e devoção do nosso povo pela sua padroeira. A imagem arrebanhou multidões por onde passou: praças, condomínios, fábricas, penitenciárias e até estádios de futebol”, relata o reitor do Santuário Nacional, Padre João Batista de Almeida. Um pouco desses trezentos anos é contado tanto no Museu do San-

tuário, que fica na torre da basílica, quanto no Memorial da Devoção, ao lado do Centro de Apoio ao Romeiro. Inaugurado em 8 de setembro de 1956, o Museu Nossa Senhora Aparecida guarda relíquias valiosas, como as correntes do escravo Zacarias, que teria fugido de uma fazenda do Paraná. Ao ser recapturado, no vale do Paraíba, pediu ao feitor para rezar aos pés da santa. Quando o escravo se ajoelhou, as correntes se partiram, sem explicação. Também está lá a pedra com a marca das ferraduras de um cavalo. De passagem por São Paulo, um fazendeiro de Cuiabá (MT) zombou da fé dos romeiros ao dizer que, se quisesse, entraria na igreja montado a cavalo. Para espanto dos fiéis, as patas do animal ficaram presas no primeiro degrau da escada. “Naquele momento, o homem se converteu”, afirma Ricardo Marques. O acervo do

museu guarda, ainda, duas Rosas de Ouro, uma das mais antigas e nobres condecorações papais. A primeira foi enviada pelo Papa Paulo VI, em 1967, e a segunda trazida por Bento XVI, em 2007. “A celebração dos trezentos anos termina em 12 de outubro de 2017, mas a devoção continua”, avisa Padre João Batista. “Vamos continuar trabalhando para que as graças e as bênçãos de Deus sejam sempre abundantes para todo o Brasil!” “Se você quer saber quem é Maria, vá ao teólogo e ele lhe dirá exatamente quem é Maria. Mas se você quer saber como amar Maria, vá ao povo de Deus, que isso ele lhe ensinará melhor.” (Ela é minha mãe - Encontros de Papa Francisco com Maria, 2014, p. 26) A afirmação do Papa Francisco corrobora a influência da piedade popular na evangelização do povo brasileiro e realça a mensagem de Nossa

Continua

Maior santuário mariano do mundo, Aparecida recebe 12 milhões de visitantes por ano

9

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 9

22/01/2018 13:15:22


ESPECIAL

Senhora da Conceição Aparecida: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5). É justamente nesse testamento da Virgem Maria que a devoção mariana deve ser alicerçada. Seguir Jesus Cristo vivenciando o Seu Evangelho.

Consonante a esse princípio, Dom Pedro Carlos Cipolini, presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Doutrina da Fé da CNBB, diz que para crescer na fé é preciso ouvir, meditar e praticar a Palavra de Deus. “Tam-

bém temos que ouvir a tradição da Igreja, contida no Catecismo da Igreja Católica e na sua Doutrina Social. O conhecimento íntimo de Jesus nos faz adultos na fé e ajuda a atingir a maturidade por meio das práticas sacramentais e das obras de misericórdia corporais e espirituais”. O povo não tem medo de manifestar a sua devoção filial a Nossa Senhora Aparecida, que se compadece com a dor e o sofrimento de todos os seus filhos, especialmente dos pequenos e humildes. É a Mãe dos pobres. Ela é a que se faz pequena para tornar-se grande. A revista Ave Maria apresenta o testemunho e as diversas manifestações de fé e devoção a Nossa Senhora Aparecida, de brasileiros das principais capitais aos rincões do país. Como o de Teresa Florentino Balta, de Campo Grande (MS), devota de Nossa Aparecida. Com a voz embargada, transparecendo as cicatrizes que a vida lhe trouxe, ela contou como sofreu a morte de seu filho amado: “Quando casei, queria muito ter filhos, mas não conseguia. Sofri um aborto no 5º mês da minha primeira gestação. Passado um tempo, nasceu o meu primeiro filho, Frank. Depois, a minha filha Aline. Era um casal. A essa

DA SANTINHA DE BARRO

7 17/10/171 Três pescadores, Domingos Garcia, João Alves e Filipe Pedroso, encontram uma imagem de Nossa Senhora da Conceição no fundo do rio Paraíba do Sul, no interior de São Paulo.

26/07/ 174

5

A primeira igreja dedicada a Aparecida é inaugurada no Brasil. A primeira Missa foi celebrada pelo Padre José Alves Vilella, pároco da igreja matriz de Guaratinguetá.

8 07/12/186

8 24/06/188

A Princesa Isabel pode ser considerada uma das mais famosas devotas de Aparecida. Em 1884, a autora da Lei Áurea presenteou a santinha com uma coroa de ouro e quarenta diamantes.

Dom Lino Deodato de Carvalho, bispo de São Paulo, inaugura a Matriz Basílica, mais conhecida como Basílica Velha. De arquitetura barroca, levou 44 anos para ficar pronta.

4 08/09/190 Nossa Senhora Aparecida é coroada a Padroeira do Brasil. A Missa, presidida pelo núncio apostólico Dom Júlio Tonti, reúne 15 mil fiéis.

10

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 10

22/01/2018 13:15:25


O

Foi quando vi, no pé da cama, próxima à porta, a imagem de Nossa Senhora Aparecida, surgindo do chão, e ao seu redor uma luz intensa. Ela veio levitando e parou em cima da minha barriga. Nossa Senhora falou comigo. Explicou por que meu filho foi escolhido e pediu para que eu rezasse por ele. Enquanto ela falava, sentia uma felicidade tão grande que só agradecia.” Hoje, Teresa tem 60 anos de idade e sua filha, Aline, 33. Adotou um menino, reverteu a laqueadura e deu à luz outro menino. Tem dois netos. “Quando a imagem de Nossa Senhora Aparecida sumiu, eu estava acordada. Mas não consigo lembrar o que ela me disse. Eu só sei que acabou aquele desespero. Graças a Deus, hoje tenho paz. Sinto muita saudade, mas não tenho mais aquela revolta, aquela angústia. Hoje escrevo poesias. Cada vez que termino uma poesia, fico com a sensação de ter vencido algo.”

Famosos devotos da Mãe Aparecida

Continua

altura, eu não podia mais engravidar, havia feito laqueadura. Em 1987, perdi o meu filho Frank, três anos de idade, num acidente de carro. Na época, perdi totalmente a vontade de viver. Acreditava que para eu estar novamente ao lado dele, precisava me matar.” Teresa não aceitava a morte precoce do pequeno Frank. Sofreu durante meses, ao ponto de se deixar levar pelo desespero e pela falta de lucidez. “A minha filha Aline também era pequena, tinha dois anos. Eu não me imaginava deixando ela com ninguém. Então eu pensava: ‘para eu morrer, tenho que levá-la comigo’. Era a ‘fórmula’ que tinha encontrado para juntar a minha família.” Teresa ia à Igreja indignada, aos prantos. “Eu queria que Nossa Senhora aparecesse e dissesse onde e como o meu filho estava, mas isso nunca aconteceu. Durante quatro meses planejei como matar a minha filha e me matar. Até que numa sexta-feira à tarde, o meu esposo não estava em casa e eu fiquei sozinha com ela. Decidi que aquele era o dia ideal. Aline tinha um sono muito leve. Estávamos na cama. Ela, deitada sobre o meu braço. Eu, esperando ela dormir.

Nossa Senhora Aparecida reina absoluta no coração dos brasileiros que nela creem. É comum ver artistas professarem publicamente a sua fé.

À CIDADE-SANTUÁRIO

07/1930 Por sugestão do arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Sebastião Leme, Nossa Senhora Aparecida é declarada a Padroeira do Brasil pelo Papa Pio XI.

3 07/09/195 A CNBB declara o 12 de outubro como o Dia da Padroeira do Brasil. A solenidade já fora comemorada em 7 de setembro (Independência) e 8 de dezembro (Imaculada Conceição).

7 15/08/196 Por ocasião do aniversário de 250 anos do encontro da imagem, a Basílica Nova é inaugurada pelo Papa Paulo VI.

0 04/07/198 A basílica, projetada pelo arquiteto Benedito Calixto Neto, recebe a visita de João Paulo II. Bento XVI, em 11/5/2007, e Francisco, em 24/7/2013, também visitaram o Santuário.

3 03/10/198 A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) declara, oficialmente, a Basílica de Nossa Senhora Aparecida como Santuário Nacional.

11

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 11

22/01/2018 13:15:29


Foto: Reprodução / Web

ESPECIAL

Marcos Pontes ao lado de sua estátua, no Museu de Cera Nossa Senhora Aparecida

nascido) a Aparecida para pedir pela recuperação de um problema que ele teve nos olhos. Ele foi curado”. Marcos Pontes tem uma estátua em sua homenagem exposta no Museu de Cera Nossa Senhora Aparecida. Outros artistas externam sua fé e devoção à Mãe de Deus. Entre eles, a atriz Paloma Bernardi, o cantor Luan Santana, o ex-jogador Ronaldo Fenômeno, o humorista Renato Aragão e o cantor Daniel.

Foto: Reprodução / Web

O cantor Thiaguinho é um deles. À reportagem, ele disse que a sua devoção a Nossa Senhora vem de família: “Minhas avós eram da Legião de Maria. Meu avô era Ministro da Eucaristia e muito devoto de Nossa Senhora também. Cresci frequentando a capela de Nossa Senhora Aparecida, em Ponta Porã (MS), onde meu pai era o coordenador da paróquia e minha mãe coordenava o coral. Eu fazia parte da comunidade, a ponto de ajudar a construir a capela, que antes era de madeira. Lá, vivi os momentos mais fortes da minha fé. Tudo que sou é porque pedi, de joelhos, naquela Capela, para Nossa Senhora interceder por mim. Reforcei meus pedidos no Santuário Nacional de Aparecida, e no dia que entrei no programa de TV “Fama”, da Rede Globo, minha fitinha dos pedidos arrebentou. Tenho outros milagres em minha vida. Sou apaixonado por Maria!” Outro ilustre devoto de Nossa Senhora Aparecida é Marcos Pontes, primeiro astronauta profissional sul-americano e o primeiro lusófono a orbitar o planeta (2006). Ele revelou à revista Ave Maria que seus pais eram devotos de Nossa Senhora e que cresceu num lar de fé. “Minha família sempre me contou que, uma vez, minha mãe levou meu irmão mais velho (eu ainda não tinha

Devoção e fé por meio da arte A história da Padroeira do Brasil foi e continua sendo retratada por diversos meios. Na televisão, a Rede Globo produziu e exibiu a telenovela “A Padroeira” (2001-2002), escrita por Walcyr Carrasco. Por e-mail, o autor falou sobre o legado da novela, e disse que a arte é um instrumento que ajuda no fortalecimento da fé religiosa de uma pessoa. “A fé também ajuda a fortalecer a arte. Aliás, a fé fortalece todos os aspectos da vida. O legado da novela é imenso porque tocou intensamente o coração dos brasileiros. Inclusive, estou preparando para o próximo ano um musical sobre Nossa Senhora Aparecida, que será dirigido por Jorge Takla”. Atualmente, “A Padroeira” é exibida na TV Aparecida. Também através da música se expressa a fé em Nossa Senhora. Além de ser um importante instrumento de evangelização, é perfeita para dar testemunhos. “O meu ministério é mais voltado a Nossa Senhora porque eu tenho uma afinidade e uma intimidade com ela, desde pequena. Quando componho uma canção, eu a uso para dar o meu testemunho. E, antes de cantar, eu falo o que aquela música trouxe pra mim. Você acaba deixando um testemunho de fé para as pessoas e as marca”, destacou a cantora sul-mato-grossense Syrlene Maria. Outra história de fé movida pela música é o da cantora carioca Telma Tavares, que já foi aspirante a noviça e alimenta uma profunda devoção a Maria: “Outro dia estava emocionada compondo uma música dedicada a Nossa Senhora Aparecida, e essa emoção se multiplicou quando descobri que a minha madrinha estava no Santuário no mesmo instante em que eu escrevia a canção”.

“A gente evangelizava e era evangelizado” A devoção do Thiaguinho segue gerações. A família do artista é devota de Nossa Senhora Aparecida

Em 40 anos de sacerdócio, Padre Carlos Artur Annunciação, cssr, dedicou quase duas décadas ao Santuário Nacional, mantendo contato

12

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 12

22/01/2018 13:15:30


dinheirinho enrolado no lenço e depositavam para Nossa Senhora. É um dinheiro que tem o suor, o sangue, o trabalho e a fé do nosso povo. A gente evangelizava e era evangelizado nesses testemunhos de vida tão bonitos. Tantas vezes eu chorei. Chorei mesmo! De emoção, ao ver essa fé tão simples, mas tão bonita e arraigada no coração daquelas pessoas com uma sabedoria de Deus impressionante! O amor de Nossa Senhora é algo ma-

ravilho! O nosso povo sabe cultivar isso com muito carinho. Por isso ama Aparecida. Ela é o centro da devoção das pessoas.”

A fé dos romeiros que visitam a Casa da Mãe O Santuário de Aparecida é o centro da catolicidade da Igreja no Brasil. Todos os dias, fiéis do Brasil e do mundo, de todas as classes sociais, peregrinam à Casa da Mãe em romarias organizadas por dioceses, paróquias, congregações, movimentos, associações, novas comunidades e outros grupos religiosos e laicais. Muitos guardam com sacrifício o dinheiro de um ano inteiro de trabalho pesado para poder ir a Aparecida. Chegam cansados após uma longa viagem, mas o cansaço logo é convertido em momentos de alegria e fé especial com a graça de Deus. Eles voltam renovados, felizes para continuar a caminhada. É uma experiência belíssima da misericórdia de Deus e de Maria, que os acolhe com tanto amor e carinho.

Continua

direto com os fiéis, seja por meio de confissões, Missas ou rezando a Consagração a Nossa Senhora Aparecida nos diversos programas da Rede Aparecida de Comunicação. “Era muito bom poder conversar e levar a Palavra de Deus a esse povo simples, mas cheio de fé”. O missionário redentorista se recorda com emoção os momentos vividos em Aparecida. “Eu via algumas senhoras, por exemplo, que traziam o

13

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 13

22/01/2018 13:15:32


ESPECIAL

lha de Nossa Senhora. Recebi graças desde o meu nascimento, quando sobrevivi a uma infecção hospitalar que levou à morte os recém-nascidos da maternidade onde nasci. Minha vida foi entregue a Nossa Senhora Aparecida e, até hoje, caminho sob sua proteção. Da tradição familiar de visitar o Santuário todos os anos, desde quando morava no interior do Paraná, nasceu um coração devoto, que à Mãe sempre recorre. Hoje eu sei que Nossa Senhora não só caminhou comigo aqueles 153 km, mas me carregou no colo, quando eu já não podia mais andar.”

A padroeira dos peões Jerci Maccari

Luciano Martins

Maurício de Souza A devoção à Nossa Senhora Aparecida é fonte de inspiração para obras de artes para diversos artistas brasileiros

Isabela Miranda Gomes partilhou a importância da peregrinação, a pé, de 153 km de São Paulo ao Santuário de Aparecida, num momento em que a sua fé estava esmorecida. “A peregrinação começou às 6h da manhã do dia 8 de outubro de 2016, com o grupo Família Caminhada. Não imaginava a experiência que estava prestes a viver. No primeiro dia, caminhamos cerca de 43 km. Recebemos água, frutas e pão de muitos anjos que paravam na estrada para saciar a fome e a sede dos peregrinos. Em verdade, era a fé daquelas pessoas que alimentava nossa caminhada. No segundo dia, percorreríamos 35

Romero Britto

km. Foi aí que minhas dificuldades começaram.” A essa altura Isabela estava exausta. Havia chegado ao seu limite. Foi tomada pelas dores físicas e emocionais: “Não são as dores que diminuem, é o amor e a fé que crescem. A cada um que chegava ao meu lado, eu dizia: ‘reza o terço comigo!’ E como diz Jesus, ‘onde dois ou mais estiverem reunidos em Meu nome, ali também Estarei’. Com fé, consegui. Acho que foi um dos momentos de maior alegria na minha vida. Não só havia superado um desafio que tinha se mostrado, para mim, insuperável, mas o havia percorrido com muito amor. Sou fi-

Nossa Senhora Aparecida é considera padroeira dos peões. É comum nas festas de peão mundo afora vê-los manifestando a sua fé e devoção com a imagem no chapéu, na fivela do cinto e na bota. Dom Milton Kenan Júnior, bispo da Diocese de Barretos (SP), cidade que há 62 anos é sede da maior festa de peões da América Latina, e uma das maiores do mundo, leva no encerramento do rodeio a imagem da Mãe Aparecida para agradecer a proteção e pedir Sua bênção. Dom Milton afirmou que diante da imagem de Nossa Senhora, os pões retiram espontaneamente os seus chapéus, ajoelham-se, persignam-se e olham para o alto certos de que Ela está sempre próxima, pronta para dar Sua proteção. “A devoção a Nossa Senhora acompanha os peões desde a época que as comitivas cruzavam o Rio Grande. O amor à padroeira está gravado no coração dos peões. Pode parecer algo passageiro, mas a devoção à Senhora Aparecida é que dá forças e sustenta os devotos nos caminhos deste mundo, nas travessias desta vida. É sempre uma grande emoção ver que peões e todo o povo se levantam para reverenciar Nossa Senhora. Oxalá a lembrança de Nossa Senhora permaneça sempre viva nos nossos corações. Se a temos conosco, encontramos Jesus, seu Filho, e se renova em nós a esperança.”

14

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 14

22/01/2018 13:15:33


A devoção à Mãe Aparecida em números

45 mil pessoas é a capacidade da basílica. Em 107 metros é a altura da Torre Brasília, o ponto mais celebrações externas, o número de devotos pode chealto da basílica. Por R$ 3, o romeiro pode visitar o Museu da Aparecida, que fica no 18º andar, e o mirante, no terraço.

380 é o número de lojas do Centro de Apoio ao Romeiro. O complexo, de 36 mil m², tem 22 restaurantes e 36

gar a 300 mil. A título de comparação: a população da cidade de Aparecida é de 36,2 mil habitantes.

245 mil

quiosques. Só de banheiros são 874 – 55 adaptados para deficientes físicos.

pessoas é o recorde de público, em um único dia, do Santuário. Foi registrado em 14/11/2010. O dia 12 de outubro mais concorrido até hoje foi o de 1996: 215 mil romeiros visitaram a basílica.

sílica Velha. Em alguns pontos, chega a 35 metros de altura.

bicicletas, 24 trailers e até um receptivo para cavalos.

1,9 mil

1,3 milhão m² é a área total do Santuário Nacional. Desses, 142 mil m² são de área construída. Só

392,2 metros é o comprimento da Passarela da Fé. 285 mil m² é a área do estacionamento. Inaugurada em 19/12/1971, liga o Santuário Nacional à BaLá, cabem 2 mil ônibus, 3 mil carros, 600 motos, 526 é o número de funcionários do Santuário. Pelo menos dez deles trabalham na Sala das Promessas, um dos pontos mais visitados da basílica.

a Basílica de Aparecida tem 72 mil m².

12do milhões é o número anual de visitan18,5 mil objetos são doados por mês em retribuites Santuário. Embora a maior parte dos peregrinos ção às graças alcançadas. Tem desde vestido de noiva, foto de miss e caixote de engraxate até placa de carro, luva de boxe e máquina de costura.

seja formada por católicos e brasileiros, há romeiros de outros países e de outras denominações religiosas.

Aparecidas do Brasil

Leia o depoimento de mulheres que homenageiam, através do próprio nome, a Santíssima Virgem: A minha fé em Nossa Senhora Aparecida é muito grande, pois passei por sérios problemas de saúde, entre eles câncer de ovário e pancreatite. Fui submetida a diversos procedimentos cirúrgicos, mas graças ao meu bom Deus e a Nossa Senhora Aparecida, eu nunca achei que iria morrer numa sala de cirurgia, porque eu tinha a minha mãezinha segurando em minhas mãos, nas mãos dos médicos e sendo a minha intercessora, levando os meus pedidos a seu filho Jesus. Hoje, estou com 69 anos de idade, tenho 4 filhos, 13 netos e 2 bisnetos. E apesar de tudo o que passei, nunca perdi a esperança, a fé. Saí de todos esses problemas sem medo de morrer. Nossa Senhora Aparecida é a minha advogada, a minha intercessora, a minha mãe amada. Sempre limpando o meu suor, as minhas lágrimas, cuidando da minha família. Com tanto amor e fé, eu nunca serei abalada. Aparecida Divina Marchi, de Barueri (SP)

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 15

Meus pais eram devotos de Nossa Senhora Aparecida. Ele pescador, e ela agricultora e professora. Quando eu tinha oito meses, minha mãe consagrou-me a Nossa Senhora, pois fui acometida por uma pneumonia. Como éramos do interior, tudo era curado com chás, outros remédios caseiros e oração. Mas não consegui me recuperar. Fomos para Manaus e a minha mãe pediu a Nossa Senhora a graça da minha cura. Graças à Sua intercessão fui curada. Maria Aparecida Pereira dos Santos, de Iranduba (AM) A minha devoção a Nossa Senhora Aparecida começou quando eu morava em Fernandópolis (SP). Aos 18 anos de idade, grávida, fui diagnosticada com pancreatite aguda. Estava no sexto mês de gestação e o médico disse que teria que retirar o bebê. Fiquei apavorada, mas não deixei que retirassem a criança. Fui ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida, ajoelhei-me, consagrei a mim e o meu filho a Nossa Senhora Aparecida. Pedi que ela fizesse um milagre. E aconteceu, pois no outro dia eu estava boa. Fiz alguns exames, percebemos que estava tudo em paz, e o médico disse: “isso foi um milagre de Nossa Senhora Aparecida”. Syrlene Maria, de Campo Grande (MS) .

15

22/01/2018 13:15:34


DESTAQUE

Seguindo os passos de Jesus com Maria

Rumo à Casa da Mãe Aparecida

16

Vindos de diferentes cidades, irmãs, alunos, pais, educadores e funcionários Concepcionistas se reuniram no Santuário Nacional para louvar e agradecer a Deus pelos 300 anos de Aparecida e 125 anos da Congregação

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 16

22/01/2018 13:15:36


C

momento tão importante de união da família Concepcionista. O encontro também significa fazer memória dos tantos anos de caminhada da congregação. Em 1892, a obra iniciada por Santa Carmen Sallés era apenas um botão que escondia a promessa de um jardim. Hoje, 125 anos depois, muitas flores foram desabrochando e se expandindo por vários países. Tudo isso é graça, e por isso nos unimos aos corações agradecidos de tantos devotos de Nossa Senhora Aparecida pela trajetória e pelos 300 anos da Padroeira do Brasil. O povo brasileiro sempre manifestou sua grande fé e devoção por Nossa Senhora. Todos os anos, cerca de 12 milhões de peregrinos passam pela cidade de Aparecida, segundo dados da assessoria do Santuário Nacional.

As manifestações de fé, emoção, agradecimento, amor e respeito pela Mãe de todos nós demonstram como cada um percebe a forte presença de Maria em suas vidas e seu grande amor incondicional por nós. Na vida Concepcionista, Maria foi uma presença marcante, desde o início da Congregação, pois ela foi a inspiração de Santa Carmen Sallés para a fundação de uma congregação educativo-evangelizadora. Podemos dizer que a fundadora também fez sua peregrinação até chegar ao ponto onde Deus lhe confiava a missão de iniciar uma nova família religiosa na Igreja. Sua saída gerou o encontro com a missão de evangelizar por meio da educação, assim como a saída dos pescadores gerou o encontro com a Mãe de Jesus.

Continua

elebrar também significa agradecer por algo especial que marca nossa mente e coração. Pois foi em clima de agradecimento e comemoração que irmãs, pais, educadores, alunos e funcionários de toda a Província Concepcionista do Brasil se reuniram na Casa da Mãe Aparecida, no dia 2 de setembro de 2017, para uma celebração duplamente significativa: 300 anos do encontro da imagem da padroeira do Brasil, por três pescadores, nas águas do Rio Paraíba e 125 anos da Congregação Concepcionista. Com o tema “300 anos de Aparecida e 125 anos da Congregação seguindo os passos de Jesus com Maria”, a romaria foi um momento de louvor e agradecimento a Deus pela presença na Igreja e na Congregação de Maria, que anima a caminhada e aponta a direção do cumprimento da vontade de Deus em nossas vidas. Peregrinos Concepcionistas saíram de várias cidades rumo ao mesmo ponto de encontro: o Santuário da Mãe Aparecida. Nesse dia 2 de setembro, os romeiros se reuniram principalmente em dois momentos especiais: na celebração eucarística realizada às 10h no Santuário da padroeira do Brasil e, às 14h30, todos voltaram a se reunir, na Capela São José, para a oração do terço, em que foram contempladas passagens da vida de Maria em cada mistério mariano. Ao final, todos se juntaram para as fotos e confraternização, marcada por despedidas, abraços e agradecimentos por um

17

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 17

22/01/2018 13:15:39


DESTAQUE

Confira a seguir alguns trechos de depoimentos de quem esteve presente na Romaria Concepcionista:

Ao peregrinar até o Santuário Nacional de Aparecida, cada Concepcionista tornou visível a expressão de sua marcha para Deus, pelos caminhos de Nossa Senhora. Também foi uma expressão do desejo de levar Jesus Cristo aos outros, inspirados no amor de Maria e na forma como ela disse seu “Sim” a Deus, depositando toda a sua confiança Nele, saindo de si mesma e agindo em prol da humanidade. Que nos orgulhemos de festejar 125 anos de um exemplo concreto da união de forças na construção de um mundo melhor, fazendo florescer a educação evangelizadora, inspirados na entrega de Maria, e que possamos seguir fortalecidos na fé e na missão Concepcionista. É tempo de celebrar!

A Casa da Mãe Aparecida é um lugar de fé e de encontro com a Mãe e com o Filho, além de ser um encontro com tantos irmãos. Reunir-se naquele local, como família concepcionista para agradecer os 125 anos de existência da Congregação, seu serviço apostólico, o dom carismático concedido a Santa Carmen Sallés e a toda a Congregação, neste ano em que celebramos os 300 anos do encontro dos pescadores com a pequena imagem da Imaculada Conceição, foi para mim um momento forte de experiência de comunhão, de ação de graças. Pude perceber em toda a preparação e na realização da romaria, a alegria que brota nos corações das pessoas que se unem para um gesto de fé e de comunhão. Sou muito agradecida a Deus e a todos os que aderiram ao convite. Para todos peço as bênçãos da Mãe Aparecida. Ir. Wanilda Melo Barbara (Superiora Provincial da Província Concepcionista do Brasil)

Sair em peregrinação tem muito de caminhada interior. Pensa-se nos desafios do caminho e se calcula a força necessária para o percurso. Tem ainda outro aspecto importante agradecer ou pedir. Estar na Casa da Mãe é sempre uma alegria. E ir com os irmãos e irmãs de fé então, nem se fala. Caem-se todas as conjecturas e cálculos sobre os desafios para chegar ali. Para mim, um dos momentos fortes aconteceu na participação da Missa quando, ao ser chamada para ajudar na distribuição da Eucaristia, senti forte o apelo de fazer Jesus presente no irmão, na irmã. Essas vivências reafirmam a opção vocacional e encorajam na caminhada. Ir. Helizangela Silva Goes (Colégio Imaculada Conceição - Passos MG) Ao visitar a imagem encontrada no Rio Paraíba, senti uma felicidade sem limites. Pude ficar admirando toda a beleza, pureza e humildade de Nossa Senhora. Tratamos de visitar

18

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 18

22/01/2018 13:15:41


Foi um dia de muita emoção e fé, onde percebemos o quanto somos privilegiados em pertencer a Rede Concepcionista. Encontrar pessoas de toda a Rede sem mesmo conhecê-las, identificando-as apenas pela camiseta, mostrou o quão se estende esse lindo trabalho das Irmãs Concepcionistas. Todos estavam ali por um mesmo propósito. A oportunidade de rever amigos da Rede, que estão em outras localidades, neste momento único, foi de extrema importância, pois fortalecemos ainda mais o grande laço de fraternidade. Foi lisonjeante o momento em que as Irmãs foram ao altar, representando toda fé e união que levamos conosco, mostrando a todos que prosseguimos com muito amor e carinho o legado que Santa Carmen nos deixou. Anne Caroline Mantovan Yamada, Yara Maria Salvador Borges, Tamires de Fatima Mendes Mel, Selma Aparecida Matos (Educadoras da Escola Santa Carmen Sallés - São Paulo - SP) Uma experiência inesquecível! Participar da Peregrinação foi carregado de um sentimento muito forte. Antes da celebração, quando via as bandeiras com o anagrama mariano sendo agitadas dentro da Basílica, quando todos os presentes se reuniram nas escadarias da Basílica para foto e no momento da Oração do terço, senti uma emoção muito forte e pude sentir lá o coração de Carmen Sallés pulsando em cada um. Passeando pelos espaços comuns da Basílica, sempre que encontrava alguém com

a camiseta feita especialmente para a data, era como se encontrasse um velho amigo. Um olhar, um sorriso. Éramos como irmãos. Sei que Santa Carmen do céu continua olhando por nós e aproximando as pessoas que por ela se dedicam. Eliel Silva (Coordenador Pedagógico do Ensino Fundamental 1, 2 e Médio - Colégio Imaculada Conceição - Machado (MG) Ao me encontrar, no dia 02 de setembro, com um grupo de mais de 500 pessoas, peregrinos Concepcionistas em Aparecida, senti que um só coração pulsava ao estar frente a frente diante da Mãe Aparecida e participar do grande momento cristão, a Eucaristia. Acredito que esse dia foi marcante para todos os que ali se prostraram mais uma vez, ou pela primeira vez, diante da negra imagem da Mãe Aparecida, e puderam, no silêncio da oração e do encontro comum Concepcionista, perceber que todos somos filhos e filhas dela. Foi surpreendente viver os momentos vários, ao longo do dia, rezando, celebrando e homenageando a Virgem de Aparecida. Irmã Zaíra Leite da Silva (Colégio Imaculada Conceição - Machado MG) Antes de começarmos nossa viagem, nós nos reunimos na capela da escola para fazermos uma oração em agradecimento e homenagem à Nossa

Senhora. Foi muito prazeroso andarmos pelo santuário de Nossa Senhora Aparecida e ver que em cada canto estava presente algum funcionário ou aluno do Colégio Maria Imaculada. Obtive a oportunidade de conhecer os colaboradores de outros estados e, desta forma, promover uma troca de conhecimentos, que foi muito prazerosa e gratificante. Enfim, essa peregrinação foi muito gratificante para mim, porque foi uma forma de agradecer a Nossa Senhora pelas bênçãos que tenho recebido. Além de ser uma maneira de demonstrar o meu amor e admiração à Virgem Maria. Carolina Albuquerque (Secretária Escolar - Colégio Maria Imaculada Rio de Janeiro - RJ) Nossa romaria a Aparecida do Norte foi um momento muito especial. Sempre vou lá com a minha família, mas dessa vez teve um gostinho especial. Podíamos sentir a presença de Maria em todos os momentos. A missa em ação de graças aos 125 anos da Congregação foi linda. A presença de Irmãs, funcionários, alunos, pais e amigos nos faz perceber que somos mesmo uma família que juntos buscamos ser e formar indivíduos melhores. Sou muito feliz por fazer parte de tudo isso. Que Santa Carmen Sallés interceda sempre pela nossa missão. Roberta de Souza Carvalhal Manhães (Coordenadora do Integral Colégio Maria Imaculada - Rio de Janeiro - RJ)

Continua

os pontos principais de lá. Agradeço imensamente a oportunidade de ter conhecido um lugar tão maravilhoso, e que nos dá uma paz que não tem como mensurar. Voltei diferente, mais tranquila e com certeza me sentindo mais amada ainda pela Nossa Mãezinha do céu. Que Nossa Senhora me abençoe e rogue por mim, passe sempre à frente de todo o meu caminhar. Caroline Isabel (Auxiliar Administrativa do Colégio Imaculada Conceição - Passos - MG)

19

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 19

22/01/2018 13:15:42


É de lei falar que trabalhar em uma escola da “casa de Maria” é um sonho idealizado por mim e realizado por Deus. São tantas “peças” que vão se encaixando ao longo do tempo que, com minha fragilidade, mal poderia imaginar a grandeza desde o início. Hoje entendo que para tudo há um tempo necessário para acontecer nos planos de Deus. E com entusiasmo pude participar dessa festa junto com toda a rede, em peregrinação a Aparecida do Norte. E lá, juntos agradecemos pela força e sabedoria que nossa querida mãe Maria nos dá para seguir com a missão de evangelizar através do sonho de Santa Carmen Sallés. Bárbara Oliveira (Educadora do Infantil - Centro Educacional Recanto Betânia - Embu Guaçu - SP) Celebrar os 300 anos da Mãe Aparecida no mesmo ano em que comemoramos os 125 anos da Congregação Concepcionista não poderia ser diferente de um encontro de Concepcionistas de todo o Brasil na Casa de Nossa Senhora Aparecida. Quantos reencontros, abraços e, principalmente, momentos de sintonia. Unidos em oração e agradecimento à Virgem Imaculada e a Deus pela trajetória construída ao longo de 125 anos.

Participar da Romaria e encontrar pessoas de toda a Província do Brasil me trouxe lembranças da celebração da canonização de Santa Carmen Sallés, em Roma, em 21 outubro de 2012, onde, não apenas Concepcionistas do Brasil se encontraram, mas também do mundo todo. Que alegria e enriquecedora experiência vivenciar esses encontros únicos! Mariana da Cruz Mascarenhas (Assessora de Comunicação da Província Concepcionista do Brasil - Sede Provincial - São Paulo - SP) A vida é uma peregrinação! Estar presente no Santuário de Nossa Senhora Aparecida foi um momento especial de testemunho de fé, renovação interior, esperança e agradecimento pelo Dom da Vida, um verdadeiro encontro com o Senhor. A experiência de fé que o lugar emana e a emoção de todos que por ali passam nos envolve com um grande sentimento de amor e esperança. Estar no Santuário Nacional com os irmãos da Rede Concepcionista foi uma experiência especial, eternizada pela Comunhão e presença de Deus. Maria Rosângela C. Viegas de Araújo (Diretora Pedagógica Colégio Maria Imaculada Brasília DF)

Visitar uma pessoa amiga é muito bom, confortável e gratificante. Mas não há palavras para descrever uma visita a Nossa Mãe Aparecida. A peregrinação uniu toda a Rede Concepcionista de Ensino do Brasil. Na oportunidade, nos reunimos com os romeiros ali presentes. Quanta fé! Quanta alegria! Visitar Nossa Senhora é fazer experiência de simplicidade e harmonia, porque é ela que nos apresenta seu filho Jesus no encontro com o povo, que tem esperança de construir um Brasil melhor. Ao olhar sua imagem, recordo o quanto é bom ter uma Mãe que acolhe seus filhos com amor; que escuta a todos e eleva a Deus os pedidos, os agradecimentos e os louvores. Irmã Maria Vieira de Souza (Colégio Madre Carmen Sallés Brasília - DF) Que alegria poder participar desta linda Romaria juntamente com as Irmãs Concepcionistas. Caminhada fecunda, terreno bem adubado, sementes de primeira qualidade! Quanto Santa Carmen lutou, rezou, viveu o Evangelho! Quanto às irmãs, cotidianamente, colocam a vida à serviço. Nós, leigos, quanto aprendemos. Aprendemos na prática, com o testemunho vivo de cada uma! Que presente de Deus recebemos! Gratidão é o sentimento maior que invade o meu coração! Obrigada irmãs, por compartilharem o carisma de Santa Carmen Sallés, por não desistirem nos momentos difíceis, por criarem possibilidades diante dos grandes desafios, por viverem o ensinamento deixado por ela: “ Adiante, sempre adiante! Deus proverá!” Maria Amélia C. F. Fernandes (Assessora Pastoral da Rede Concepcionista e Coordenadora de Pastoral do Colégio Maria Imaculada - São Paulo - SP)

Mariana da Cruz Mascarenhas

Assessora de Comunicação da Província Concepcionista do Brasil Sede Provincial São Paulo - SP

20

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 20

22/01/2018 13:15:46


IV Assembleia do MLC Continua

C

om grande alegria e expectativa, os membros do Movimento Leigo Concepcionista aguardavam (MLC) a IV Assembleia do MLC, que aconteceu em Embu- Guaçu-SP, de 27 a 29 de julho, e teve como tema: “Com Maria seguimos os passos de Jesus para fazer florescer a civilização do amor”. Teve como Objetivo Geral: Revigorar em nós as atitudes de Maria como modelo para seguir a Jesus e fazer florescer a civilização do amor. Antes da Assembleia, os grupos se prepararam com uma novena de oração e reflexão sobre as atitudes de Maria. A Assembleia contou com a participação de 55 membros dos grupos do MLC da Província do Brasil. Foram momentos de partilha, convivência, oração, reflexão e de repensar os passos para a caminhada dos grupos do MLC. A Assembleia foi coordenada pela equipe Regional do MLC, formada por Adriana Faria de Alcântara Dias, Bruna Nahal Dias, Telma Lucia Lopes Campolino e Ir. Rosangela Paula dos Santos. Na abertura da Assembleia, Ir. Wanilda Melo Barbara, fez uma acolhida aos participantes, recordando os passos do MLC, como apresentamos a seguir:

21

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 21

22/01/2018 13:15:50


DESTAQUE

ABERTURA DA ASSEMBLEIA Recanto Betânia 27 de julho de 2017

É com grande alegria que acolho a todos vocês vindos das diversas comunidades do nosso Brasil para este encontro de família. Acolho a todos com esperança, pois sabemos que o momento que vivemos é repleto de desafios e exige de nós maturidade, discernimento e coerência de vida. Estou certa de que esta Assembleia será ocasião para nos fortalecermos como pessoas, como cristãos e como leigos concepcionistas. Celebrado no ano 2000, o XIII Capítulo Geral da Congregação nos

pedia que abríssemos as portas para uma nova forma de viver o Carisma Concepcionista, em sua expressão laical, de forma que o ideal de Santa Carmen Sallés pudesse chegar aos lugares onde as irmãs não chegam, pois há sempre um lugar no coração das pessoas em que o bem deve antecipar o mal e onde a beleza irradiada pela Imaculada seja estímulo para a vivência e testemunho de vida cristã. No dia 21 de novembro de 2001, dia da Apresentação de Maria no templo, em Brasília, dávamos início a um novo passo para a formação do primeiro grupo do Movimento Leigo Concepcionista na Congregação. Nesse caminho, pouco a pouco, as comunidades foram se abrindo e

acolhendo em seu seio os novos grupos que foram se formando, hoje em torno de cinquenta grupos espalhados pelos locais por ondem passam ou passaram as concepcionistas. Hoje, em nossa Província, contamos com nove grupos. Desde o início até o momento presente, muitos outros passos foram dados, e hoje formamos um corpo mais extenso, de aproximadamente 450 membros espalhados pelos países onde as concepcionistas estão presentes. Imbuídos do Carisma Concepcionista, legado por Santa Carmen Sallés, os leigos concepcionistas vão preenchendo os espaços, com um estilo de vida inspirado em Maria Imaculada. Ao longo dos anos de existência do MLC, vamos solidificando os ideais concepcionistas e buscando ser testemunhas vivas nas distintas realidades de uma forma de vida comprometida com os valores do Evangelho, porque é essa a missão do leigo concepcionista. É na verdade um caminho ainda adolescente, mas que, com o impulso do Espírito Santo, vai prosseguindo e fazendo-se presente nas comunidades. É verdade que percorremos um caminho significativo, mas está chegando a hora de darmos novo impulso para uma vivência de maior compromisso, para um testemunho que expresse, de fato, nosso desejo de seguir Jesus, com Maria, para fazer florescer a civilização do amor, tão necessária em nosso mundo. Este é, sem dúvida, o forte apelo que o nosso Papa

22

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 22

22/01/2018 13:16:01


Francisco vem fazendo para sermos uma Igreja em saída, para formarmos comunidades vivas, comprometidas, sal e luz para o mundo. A força do grupo que assume um compromisso de vida ética, cristã, inspirada em Maria, certamente, é fermento no meio da massa, que é o mundo que nos rodeia. Para manter viva essa chama vocacional de seguir Jesus com Maria inspirados no ideal de Carmen Sallés, é preciso decisão, firmeza, capacidade de caminhar em direção a uma meta, o que nem sempre é fácil, pois somos bombardeados por todos os lados com propostas bem diferentes das que desejamos como membros do MLC. Os Estatutos e livro de vida nos apresentam o estilo que desejamos viver, as características que devem distinguir os membros do MLC e os compromissos expressos de cada membro. Eles nos recordam, constantemente, o que devemos ser. Sabemos que ninguém caminha sozinho, como ninguém se salva sozinho. No grupo, no testemunho de cada pessoa, vamos nos fortalecendo e apoiando-nos para irradiarmos a força do Evangelho. A missão de cada membro do MLC não é um adorno que possa ser retirado a qualquer momento, mas é uma resposta dada, no dia a dia, expressão do desejo de viver à semelhança de Maria, o EIS-ME AQUI. FAÇA-SE EM MIM SEGUNDO A TUA PALAVRA. Desejo que esses dias nos ajudem a manter acesa a chama da vocação

força do mal parece ser ganhadora fácil de espaços. Aliás estas foram as prioridades que assumimos na Terceira Assembleia do MLC: 1. Comprometer-nos com um trabalho missionário. 2. Criar momentos de partilha, criar laços, promover a interação dos grupos por meio das redes sociais e a integração com as famílias e religiosas. 3. Trabalho vocacional para a vida laical e religiosa concepcionista.

concepcionista e anime no compromisso de ser irradiadores da Boa Notícia do Evangelho na família, no ambiente de trabalho, na Igreja e na sociedade. Maria soube transformar em espaço de ternura o estábulo onde acolheu a vida de Jesus, soube fazer chegar a hora em Caná e garantir a alegria da festa dos noivos. Ela nos ajudará a transformar o nosso mundo segundo os desejos do Pai e nos ajudará a manter acesa a chama capaz de fazer com que outras pessoas se unam ao projeto concepcionista de antecipar o bem, de irradiar beleza, solidariedade, verdade, pureza num mundo onde a

Vamos, durante esses dois dias, olhar o caminho percorrido, buscar juntos as forças que nos animam e elaborar propostas de vida que deem novo vigor ao nosso SER e AGIR no mundo. Desejo a todos uma ótima Assembleia. Que saiamos daqui como pessoas renovadas no amor e no compromisso de seguir Jesus, com Maria, e de fazer o nosso mundo ficar melhor e mais bonito. Agradeço a todos os presentes e aos que não puderam estar aqui. Obrigada por percorrerem conosco, irmãs, o caminho concepcionista. Nosso caminho fica enriquecido com a presença de vocês. Que Santa Carmen rogue a Deus por nós e suscite, no meio dos jovens, pessoas desejosas de seguirem Jesus na vida concepcionista laical e religiosa e irradiar o bem, tão necessário no mundo. Ir. Wanilda Melo Barbara, RCM

23

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 23

22/01/2018 13:16:10


DESTAQUE

Ecos que viraram história

“Estamos hoje

desfrutando de todas as lutas que as irmãs Concepcionistas tiveram. Temos um grande colégio, em Machado, fruto de mais de um século de trabalho.”

C

armen Sallés anunciou, e seu anúncio foi a nossa vitória. Seu anúncio construiu a nossa história, cujo conteúdo se fez sobre bases de muita luta, mas de esperança e de fé. Carmem Sallés – nome de origem religiosa, nome com que a Providência Divina contemplou a nossa instituição religiosa Concepcionista, razão de hoje estarmos ainda sobrevoando o mundo, propagando a nossa fé cristã e a nossa concepção educacional baseada no amor, no fazer bem e no amor à educação. Passando de um a outro século, já estamos no terceiro de existência. No final do século XIX os horizontes começaram a se abrir, e Carmen, a jovem moça que se reservou para esposa do Senhor, caminhava a passos largos em busca de um sonho. Não se

intimidou ante todos os obstáculos, não se entregou ao esmorecimento dos ânimos “porque me hás dado um corazón tan grande”, pensando unicamente que, sob as bases divinas, conseguiria seu intuito. “O olhar do mestre intui a pessoa em toda sua complexidade. Seu olhar é filtrado pelo olhar de Deus.” Eis-nos hoje, aqui. No início do século XX, com a partida de Madre Carmen para o lar eterno, as irmãs, suas coadjuvantes e sucessoras, tiveram o firme propósito de levar adiante o projeto Concepcionista, “... e assim hei de continuar, daqui em diante, sempre que as circunstâncias o exijam, com o objetivo de que se conserve o mesmo espírito de minhas antecessoras”. Era sempre a voz que se ouvia de suas seguidoras. Era o espírito Concepcionista indispensável para conseguir a unidade

24

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 24

22/01/2018 13:16:13


passariam; tinham dentro de si a doce frase de Madre Carmen: “A oração é o canal pelo qual descem todas as graças”; “Deus proverá”. Por volta de 1924, já existiam cinco casas de religiosas Concepcionistas no Brasil, dentre as quais a de Machado. “... O Instituto de ‘Religiosas Concepcionistas do Ensino’ se encontra, há cerca de dez anos, estabelecido nesta Diocese de Guaxupé, possuindo três casas de ensino para a educação da juventude feminina, situadas nas seguintes cidades: Guaxupé (sede episcopal), Passos e Machado.Temos grande satisfação em afirmar e informar que estas Religiosas Concepcionistas, em suas três fundações existentes nesta Diocese, desde sua chegada até o presente, foram irrepreensíveis quanto a seus usos e costumes, não havendo tido nada em desdouro ou digno de censura, assim como têm demonstrado possuir organização e disciplina”, palavras de Dom Ranulpho, então bispo de Guaxupé. Em Machado, já estavam alcançando plena prosperidade e desenvolvimento, pois o conceito público muito contribuiu para isso. O trabalho Concepcionista desenvolvia, em Machado, o proveito escolar, moral e religioso, além de influenciar no cumprimento da prática das virtudes junto às famílias machadenses e na sociedade em geral. “... no trabalho desinteressado, na retidão em pagar até o último centavo na base de pequenas economias, a dedicação sem par às jovens que frequentam o Colégio, já deixaram raízes no solo machadense.”

Entre as Concepcionistas, a confiança na Providência aumentava nas dificuldades, e, todas as vezes que as dificuldades batiam a sua porta, elas rezavam e vinha-lhes uma resposta afirmativa e de bons resultados. A voz de Madre Carmen Sallés ecoava constantemente aos ouvidos e ao coração de cada irmã, “Deus proverá”, e elas acreditavam. As respostas vinham recobrar o sorriso no rosto de cada uma. Eram irmãs de coragem que não se deixavam esmorecer ante quaisquer adversidades. “O Senhor não destrói nada do que estabeleceu, mas o submete a provas, sem dúvida para nossa consolidação na virtude como sólida rocha.” 1934! “Este ano a Escola Normal terá o prazer de apresentar sua primeira turma de normalistas...” Ano após ano, Machado apresenta turmas cada vez maiores e também um trabalho significativo ante todos os olhares. “Terminada a Missa, o Senhor Pároco, interpretando o sentimento do povo machadense, fez uma bela preleção sobre os relevantes serviços prestados a Machado por essa Congregação...” Este texto foi publicado no jornal da época, “O Machadense”, como “Um triunfo a mais do catolicismo em Machado”. Em terras machadenses, berço da Congregação, o Colégio Imaculada Conceição, a grande Instituição Concepcionista do Ensino, foi um presente com grande indicativo de futuro. Futuro que se consagrou como presente contínuo, estando hoje, no século XXI, a jorrar bênçãos sobre todas as esta-

Continua

de critérios, unidade de métodos, unidade de ação desejada. As primeiras décadas do século XX apresentaram-se difíceis, e o Cardeal Oria, orientador das irmãs, assim expressava-se: “Em minha opinião, uma das consequências que disto se deduz é que as classes altas não têm consciência formada de seus deveres sociais. Evitam sistematicamente todo sacrifício. Creio – e desta opinião participam várias das pessoas que trabalham em obras sociais – que, se a paz social não se consegue na Espanha, não será tanto por erro ou perversão dos de baixo como pelo egoísmo dos de cima”. Sempre seguindo princípios religiosos e cristãos, dando testemunho de fé e de amor a Deus, as Concepcionistas procuravam aprimorar sua atitude interior com a qual davam sentido à vida e ao seu trabalho de educadoras. Superadas as dificuldades, pelo menos as mais prementes, Madre Carmen resolveu que as irmãs deviam atravessar o oceano. Chegaram ao Brasil querendo instituir-se aqui, com o intuito de incentivar a educação de meninas e jovens, fator primordial do pensamento de Madre Carmen Sallés: “Quando estiverem com as crianças, não se preocupem nem façam nada mais que atendê-las e formá-las...”; “Não se elevem na prosperidade nem desanimem nos contratempos ou acontecimentos adversos”. Várias foram as intempéries enfrentadas aqui no Brasil. Elas sabiam disso, mas não tiveram medo do que

25

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 25

22/01/2018 13:16:15


destaque

“Há mais de um século uma semente foi lançada ao solo; ela cresceu e multiplicou-se”. ções, purificando o caráter humano, iluminando os corações jovens para uma estabilidade cultural e emocional e buscando elevar o sabor das vocações para a vida Concepcionista. “Ya que la educación forma como una segunda naturaliza, para conseguir Buenos fines sonmenester buenos princípios.” Estamos hoje desfrutando de todas as lutas que as irmãs Concepcionistas tiveram. Temos um grande colégio em Machado, fruto de mais de um século de trabalho. Uma escola em cujo solo ainda se rezam as palavras de Madre Carmen, hoje, Santa Carmen. “Ya que El Señor nos há llamado a tan altos designios, esforcémonos por hacermos dignas y aptas para levarlos a buen término.”

O nome de Santa não lhe veio por acaso. Foi-lhe dado como resposta ao seu amor ao ser humano, ao jovem, às crianças e às mulheres. Deus recompensou-nos, a todos em Machado. Estamos vivendo, há 105 anos, com a educação Concepcionista ativando todas as bases educativas com um sabor diferenciado, humano, cristão-preventivo para que, saídos dos bancos escolares, cada aluno possa vivenciar todos os sabores sobre as bases do fazer sempre o bem. Estamos, neste ano de 2017, comemorando 105 anos de vida Concepcionista, de educação Concepcionista, bem ao estilo de Santa Carmen Sallés. A história vai se completando, a cada ano, com a presença das irmãs, com os professores que assumiram o carisma do colégio e com todos os funcionários seguindo a mesma linha cristã, com os pais, com as famílias machadenses e com todos aqueles que entram pelas portas sempre abertas do CIC e presenciam até no ar que nos circunda um pouco das mãos divinas enlaçadas à de nossa fundadora, grande “canal por donde

descienden todas las gracias”. Há mais de um século uma semente foi lançada ao solo; ela cresceu, multiplicou-se. “Com que devoção, com que tranquilidade, com que paz de espírito entregaremos a vossos cuidados os nossos filhos. E quando compareçamos ante o Tribunal Divino e Cristo nos pergunte: Que fizeste pela educação de vossos filhos? Responderemos sorrindo: Entregamos ao cuidado de vossas amadas filhas, Senhor, às Irmãs Concepcionistas do Ensino.” Parabéns ao CIC de Machado, parabéns a todos nós, machadenses, que participamos dessa grandeza incomensurável: nós temos uma casa de ensino amparada por Maria Imaculada. Olga dos Santos Caixeta Vilela

Professora de Literatura do Ensino Médio. Colégio Imaculada Conceição Machado - MG

26

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 26

22/01/2018 13:16:16


125 Anos de Memória Viva!

“Continua a correr, nas veias das comunidades religiosas concepcionistas, o vigoroso sangue missionário da caridade e do zelo pela educação.”

profissão de fé dessa generosa discípula de Cristo, sua conformação ao Filho do Homem resplandecem hoje em toda a Igreja. Ainda ressoam, aos nossos ouvidos, as palavras do querido papa emérito Bento XVI, em 2012, por ocasião da celebração de canonização da Madre Fundadora: “Assim o fez Santa Carmen Sallés, religiosa nascida em Vic, Espanha, em 1848. Vendo a sua esperança preenchida, após muitas

dificuldades, ao contemplar o progresso da Congregação das Religiosas Concepcionistas Missionárias do Ensino, pôde cantar junto com a Mãe de Deus: ‘Seu amor de geração em geração, chega a todos que o respeitam’. A sua obra educativa, confiada à Virgem Imaculada, continua a dar frutos abundantes entre os jovens e através da entrega generosa das suas filhas, que, como ela, se confiam ao Deus que pode tudo”.

Continua

O

Filho do homem veio para servir e dar a sua vida em resgate por muitos. (Mc 10,45). Hoje, a Igreja ouve, mais uma vez, essas palavras de Jesus a caminho de Jerusalém, onde devia cumprir-se o mistério de sua paixão, morte e ressurreição. São palavras que expressam o sentido da missão de Cristo, marcada por imolação e doação total. A Igreja as ouve com particular intensidade e reaviva a consciência de viver totalmente num perene estado de serviço ao homem e ao Evangelho, como Aquele que se ofereceu a si mesmo até o sacrifício da vida. Essas palavras constituíram o programa de vida de Santa Madre Carmen Sallés. Com coragem heroica, consumiu sua existência na consagração total a Deus e no serviço generoso aos irmãos. Ela é filha da Igreja, que escolheu a vida do serviço seguindo o Senhor. A santidade na Igreja teve sempre sua fonte no mistério da Redenção: Jesus Cristo crucificado-ressuscitado e vivo na glória. A tenaz

27

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 27

22/01/2018 13:16:17


DESTAQUE Continua a correr nas veias das comunidades religiosas concepcionistas o vigoroso sangue missionário da caridade e do zelo pela educação. Tudo teve início no distante ano de 1892, quando ela, depois de se encontrar com o padre Celestino, foi tomada de ardorosa paixão missionária pela educação de jovens e crianças. Ali mesmo na Espanha, juntamente com suas companheiras, as irmãs Emília, Candelária e Remédios, iniciou na cidade de Burgos seu audacioso projeto de educação integral e de ampla visão do futuro. Foi se inspirando na ação do Senhor em Maria que Madre Carmen concebeu o carisma educativo concepcionista, que resultou na fundação de uma comunidade dedicada ao apostolado missionário de educação juvenil, dando assim um passo decisivo na eliminação da marginalização da mulher e do jovem. Apesar da precariedade de sua saúde e da carência de recursos financeiros, Santa Madre Carmen conseguiu abrir, na Espanha, treze colégios e, antes da sua morte, em Madrid, incrementou a expansão do Instituto. Seguindo seus desejos, as concepcionistas fundaram pouco depois, na Itália e, sucessivamente, em muitas outras nações nos quatro continentes, novas “Casas de Maria Imaculada”, para acolher crianças, jovens e mulheres, ocupando-se da sua promoção humana e formação cristã. Santa Madre Carmen Sallés foi uma ilustre pioneira da educação preventiva de crianças e jovens. Como verdadeira missionária, soube servir às crianças que frequentavam suas escolas, com ênfase na formação de seus mestres. Essa intuição continua fundamental hoje, pois ressalta como a educação supõe, por um lado, a transmissão dos valores humanos e cristãos e, por outro, o testemunho dos adultos que mostram aos jovens o que é uma vida bela e equilibrada. Educar, portanto, mais do que uma profissão, é uma missão, que consiste em ajudar toda pessoa a reconhecer aquilo que tem de insubstituível e de único, a fim de que cresça e se de-

senvolva. Ao reconhecer a santidade de vida da Fundadora na missão de educar a infância e a juventude, a Igreja a propõe como modelo a imitar e exemplo para todos os que têm uma tarefa educativa, convidando-os a experimentar a imaginação, a paciência e a dedicação e a discernir as necessidades dos jovens, respondendo assim a suas profundas aspirações. Compete às irmãs, em primeiro lugar, dar a conhecer a grandeza do apostolado e a visão cristã de educadora de Santa Carmen Sallés, que conservam toda a sua atualidade no mundo de hoje. Seu carisma, nutrido pela contemplação assídua de Deus, Criador e Salvador, e vivido, segundo o ideal religioso duma existência consagrada ao Senhor numa vida comunitária e fraterna, mostra que educar, ensinar e evangelizar formam um todo. A educação permanece incompleta se não conduzir à aprendizagem do respeito à vida e à liberdade, do serviço à verdade e do desejo do dom de si. Ao anunciar o Evangelho nas escolas, que é a finalidade do apostolado concepcionista, o esforço é formar todo o homem e o homem todo. Assim, a Igreja encoraja todas as irmãs e educadores na sua missão educativa e evangelizadora, sobretudo entre crianças e jovens pobres ou em dificuldade, mostrando-lhes que cada um é infinitamente precioso aos olhos de Deus. Eles participam assim de maneira insigne da missão da Igreja. Também exorta a serem verdadeiros filhos de Santa Madre Carmen Sallés,

sustentando-se reciprocamente ao longo da via da santidade: “Educar é santificar” (BERNAL, Carmen rcm. Ecos do Pensamento de Carmen Sallés, n. 564). Ao participarem da “obra de Deus” e viverem plenamente a dimensão missionária da sua nobre tarefa, acolham sempre a família concepcionista, nos vários países em que atua, os desafios presentes e futuros, de modo particular neste tempo em que, num mundo em evolução, muitos pontos de referência da vida moral estão a desaparecer! Imitemos a fé inabalável de Santa Carmen, elevada à glória dos altares há cinco anos. Em seus exemplos e ensinamentos transparece uma exortação constante à confiança em Deus. Ela gostava de repetir: “Adiante, sempre adiante, Deus proverá!” (BERNAL, Carmen rcm. Ecos do Pensamento de Carmen Sallés, n. 120). Juntos, como família concepcionista, damos graças a Deus pelo bem realizado pela Congregação nestes 125 anos de memória viva. Ao mesmo tempo, voltemo-nos para o futuro, com renovado empenho no aprofundar o ideal carismático concepcionista e irradiá-lo com entusiasmo em todos os continentes. Como nos ensina o papa Francisco, o testemunho convicto é o segredo para atrair para o ideal concepcionista jovens fervorosas e generosas. Deus se digne fazer florescer novas vocações ao Instituto de nossas queridas e estimadas irmãs. Confiemos todos, irmãs, educadores, estudantes de nossos colégios e seus pais, ex-alunos e a família concepcionista, à intercessão da Virgem Maria Imaculada e de Santa Carmen Sallés. Conservemos em todo o seu vigor primitivo o típico caráter mariano, que a santa fundadora imprimiu como característica inconfundível no Instituto por ela fundado. Permanecei na escola de Maria Imaculada. Pe. Adilson Antonio da Costa (Pe. Costa)

Assessor espiritual do Colégio Maria Imaculada de Brasília – DF

28

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 28

22/01/2018 13:16:18


PASTORAL

11 Carisma em Comunhão o

D

eus confia tanto nos educadores que deixa as crianças em suas mãos. Madre Carmen Sallés ensina que a presença de Deus em nossas vidas é a força necessária para realizar uma missão. A missão de Carmen Sallés começou ainda em sua infância, com o chamado para seguir a vida religiosa e para, posteriormente, fundar a Congregação Religiosa das Concepcionistas Missionárias do Ensino, em 1892. Hoje, cabe a nós, educadores, perpetuar e vivenciar o carisma ensinado por ela. Nos dias 15 a 19 de agosto, os educadores da Rede Concepcionista do Ensino no Brasil participaram da 11ª edição do Carisma em Comunhão – Módulo I, coordenado pela Ir. Wanilda Melo, Superiora Provincial, e com a colaboração da Irmã Sarah Reis. Foram quatro dias de profundo aprendizado da proposta de Santa

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 29

Carmen Sallés: evangelizar por meio de uma educação preventiva. A vivência adquirida no encontro confirma que o educador concepcionista reaviva constantemente a certeza de estar educando um dos filhos amados de Deus e que o educador zela por cada criança, adolescente ou jovem como um filho que o Pai põe ao seu cuidado. A missão de Madre Carmen Sallés começou seguindo os passos de Maria Imaculada, que é memória viva de como devemos educar com ternura e misericórdia, sempre agindo com alegria, simplicidade, coerência e procurando o bem em cada pessoa. Educar como Madre Carmen Sallés é fazer exatamente o que o Filho de Deus pediu: “Ide e ensinai”. Todos são chamados, mas cada um tem o seu tempo para desenvolver o que foi aprendido. Façamos florescer, em cada educador, o desejo de seguir os passos de Santa Carmen Sallés!

Amanda Gonzaga

Assessora de Comunicação

Adriana Alencar

Professora do Ensino Fundamental I

Michelle Adriana

Professora do Maternal II da Educação Infantil

Ludimila Almeida

Auxiliar de Coordenação do Ensino Fundamental II Colégio Madre Carmen Sallés Brasília - DF

29

22/01/2018 13:16:21


PASTORAL

30

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 30

22/01/2018 13:16:23


Com Maria, façamos florescer a civilização do amor!

Desde o ano de 2009, a

Rede Concepcionista de Ensino realiza, a cada dois anos, o Encontro de Alunos Concepcionistas - EAC - para promover a integração, partilha de vida e crescimento na

T

endo como tema: “Com Maria façamos florescer a civilização do amor” iniciamos, com alegria e entusiasmo, o 4º E.A.C (Encontro de Alunos Concepcionistas), no Recanto Betânia, dos dias 14 a 16 de setembro de 2017. Esse momento sempre é muito rico devido às trocas de experiências e à convivência dos alunos em REDE. No primeiro dia, as equipes foram divididas para que todos se sentissem parte desse grande mutirão: equipe do cuidado com o ambiente, ornamentação e bem-estar, equipe de liturgia, da comunicação e da animação. Todos os dons a serviço! Que maravilha! O tema central do dia foi “Maria

caminha conosco hoje: nas nossas dores e em nossas alegrias”. Refletimos sobre o papel de Maria na vida dos jovens, sua missão e vocação. A noite foi de partilha. Cada escola apresentou algo sobre uma característica própria. Os alunos puderam identificar semelhanças na caminhada, apesar da diversidade de colégios: a acolhida, o Sintonia, as amizades, a proximidade dos professores foram alguns dos itens citados. Nessa atividade, formamos o jardim do E.A.C. Trouxemos nossas flores com os VALORES propostos ao longo do ano pelo Projeto Agenda: o diálogo, a fraternidade, o cuidado, o respeito, a igualdade, a solidariedade, a vida, a paz, a justiça, a fé, a esperança e o amor. Foi um semear bonito que

fé nos educandos que vem representar todas as obras educativas da

Continua

província do Brasil.

31

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 31

22/01/2018 13:16:24


PASTORAL

“...pra saciar, fazer brotar, eu vivo para amar e pra servir” enfeitou o nosso ambiente. Carmen Sallés, do céu, deve ter abençoado seu jardim tão querido! No dia seguinte, muitas atividades foram propostas! Tivemos um momento especial de oração pessoal e, depois, comunitária. Momento de parada, de olhar para si, de rezar!

Pudemos, também, pensar em nosso projeto de vida com a palestra do padre Antonio, que muito nos ajudou na construção da árvore de nossa vida. Que belo trabalho! Terminamos o dia bem animados, percebendo a criatividade, o estudo, as habilidades dos jovens concepcionistas com a apresentação do movi-

mento maker de cada localidade. As propostas foram bem interessantes, todas buscando a construção de um mundo melhor. Foi feita a votação e o projeto vencedor foi o OUTLATA, do Colégio Madre Carmen Sallés, de Brasília, uma proposta de arrecadação, venda e troca de latinhas por roupas para pessoas em situação de rua.

32

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 32

22/01/2018 13:16:31


No último dia, além das orações, das músicas, das saudades antecipadas dos novos amigos, ouvimos um depoimento fervoroso de um jovem sobre sua vivência cristã. Concluímos que, mais uma vez, o E.A.C. cumpriu seus objetivos: unir os alunos concepcionistas, reavivar aspectos da fé, favorecer a prática

da solidariedade, fortalecer a REDE! Agradecemos a todos que contribuíram para a sua realização e saímos com a certeza de que os jovens podem dizer: SER CRISTÃO HOJE É POSSÍVEL! Daqui a dois anos que venha o 5º E.A.C.! Viva!

Maria Amélia C. F. Fernandes

(Assessora Pastoral da CPE, Professora e Coordenadora da Pastoral do Colégio Maria Imaculada - São Paulo SP)

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 33

33

22/01/2018 13:16:45


espiritualidade

Mês da Bíblia!

Em sintonia com Deus por meio da sua Palavra Os alunos do CIC de Machado desenvolveram uma série de atividades, durante as aulas de Ensino Religioso, com o objetivo de apreciar e vivenciar a Palavra de Deus, por meio de cartazes, orações, celebração etc.

S

omos convidados de forma especial, no mês de setembro, a conhecer mais a fundo a Palavra de Deus, a amá-la cada vez mais e a fazer dela, cada dia, uma leitura meditada e rezada. Com esse propósito a Igreja deseja recordar a importância da Bíblia, luz que conduz nossos passos. Neste ano de 2017, para celebrar o Mês da Bíblia, a Igreja nos propõe o estudo da Primeira Carta aos Tessalonicenses, com o tema “Para que n’Ele nossos povos tenham vida”, e o lema “Anunciar o Evangelho e doar a própria vida”. Várias atividades foram desenvolvidas nas aulas de Ensino

Religioso com o objetivo de apreciar e vivenciar a Palavra de Deus, através de leituras, orações, meditações, estudos bíblicos, confecção de cartazes e trabalhos de pesquisa. O dia a dia em cada colégio é dinâmico, e cada momento deve nos motivar a buscar, cada vez mais, a evangelização, nossa missão e ideal, seguindo os passos de Santa Carmen Sallés, adiante, sempre adiante, com esperança de um mundo melhor e uma vida nova. E uma vida nova se apresenta a todos nós quando andamos em sintonia com Deus. Fé, amor, paz, bondade, acolhida, alegria, solidariedade, perdão, partilha, cuidado... Valores, boas

34

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 34

22/01/2018 13:16:48


atitudes e bons princípios são semeados junto com o Evangelho de Jesus. E esta é a linda proposta que a Rede Concepcionista nos proporciona com o “Projeto Sintonia”: amor, fé, paz, alegria, contentamento, confiança, conforto, luz, sabedoria e direção pertencem a nós quando buscamos e aceitamos Jesus em nossa vida e a sua Palavra passa a ser alimento fundamental em nosso dia a dia. Nada é mais gratificante do que conhecer essa Palavra e vivenciá-la e assim perceber que ela nos direciona a cumprir Sua vontade em nossa vida. Com o objetivo de intensificar e comemorar nossa sintonia com a Palavra de Deus, com cada seguimento, realizamos uma celebração na Capela. Com os alunos do Ensino Fundamental II, refletimos, por meio da leitura, oração, partilha e compromisso com as passagens de Hebreus 4,12-14 e o Salmo 119 e I Tessalonicenses 2, 7-12, evidenciando a importância de colocá-la no coração, como nossa fonte de sabedoria, força, sustento e luz. E assim, cheios da Palavra de Deus, possamos plantar e espalhar sementes que florescerão em boas atitudes e boas obras. Com uma procissão com os símbolos que nos ajudam a entender a grandeza e a beleza da Bíblia, como velas, sementes, mel e ouro, o Ensino Fundamental I realizou uma Celebração com a participação de todos por meio de cânticos, jograis e reflexões, contando um pouco da história da Bíblia, enaltecendo a força, a sabedoria e a luz que podemos encontrar

na leitura e na meditação desse livro maravilhoso. A Educação Infantil também fez sua procissão. No caminho até a Capela, observamos nossa grande árvore e iniciamos nossa reflexão. Uma sementinha que cai na terra produz árvores, flores e frutos; assim é a Palavra de Deus, cai no nosso coração e produz também frutos... De amor, bondade, cuidado, respeito, fé. Assim as crianças foram convidadas a ouvir com atenção e alegria a Palavra de Deus e assim “fazer florescer” os bons frutos do amor, do coleguismo, do perdão, do cuidado, da paz, do carinho.

Fé na Palavra, que é vida! O Verbo é o próprio Cristo: Ele é a Palavra viva! A Bíblia, ou Sagrada Escritura, é como uma carta enviada, que hoje atualizamos com a prática da fé, à luz da Tradição da Igreja e do Magistério Pontifício. É a Sua Palavra viva e eficaz no meio de nós. Adarlene Mendes Pereira

Coordenadora do Setor de Pastoral da Educação Infantil e Ensino Fundamental I Professora de Arte e Ensino Religioso do Ensino Fundamental II e Ensino Médio Colégio Imaculada Conceição Machado - MG

35

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 35

22/01/2018 13:16:54


espiritualidade

O sentido da V numa experiência de M “Buscar um sentido para a morte, no fundo, seria almejar um sentido para a vida. Um sentido que não faz somente surgir a felicidade; torna, além disso, a pessoa mais equilibrada para viver o sofrimento.”

O

amor é o ridículo da Vida. A gente procura nele uma pureza impossível, uma pureza que está sempre se pondo. A Vida veio e me levou com ela. Sorte é se abandonar e aceitar essa vaga ideia de procura que nos persegue, bonita e breve, como borboletas que só vivem 24 horas. Morrer não dói. (Cazuza) Este artigo visa apresentar as concepções de morte entre educandos, educadores e para todos que se interessarem pelo assunto, justifican-

do como eles lidam com o trinômio saúde, doença e morte, embora a finalidade seja falar do sentido da vida experimentada através da morte. Ao refletirmos sobre a vida e a morte, trazemos à tona uma questão pertinente, a finitude. Isso pode se manifestar diretamente na subjetividade de nossos estudantes e de todos nós em forma de ansiedade, ou mesmo, por meio de questões filosóficas, quando nos perguntamos pelo sentido de nossa existência. Notamos diversas visões e perspectivas da morte e graus de ansiedade, cuja identifica-

36

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 36

22/01/2018 13:16:57


ae Vida Morte ção nos conduz à compreensão sobre esse sentido. O autor Philipe Ariès, no seu livro História da morte no Ocidente (1974), demonstra que, até o século XVIII, a morte não apresentava temor para as pessoas. Somente no século XIX, a partir das transformações sociais e culturais, ela começa a ser vista com medo. Segundo Ariès, a morte, durante a Idade Média, era familiar, anunciada antes pelo moribundo, visto que as doenças eram sempre fatais. No século XVIII, a morte é dramatizada e exaltada. Nesse contexto,

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 37

surgem os cemitérios em pátios de Igrejas e Conventos para ali sepultarem seus mortos; a morte, então, passa a ser uma ruptura com o dia a dia das famílias. Romantizada, na Idade Média, era, agora, algo temido. E, nos séculos XX e XXI, tanto a morte como o morrer aparecem com outra conotação, isto é, são vistos como fracassos e inimigos. Uma pesquisa feita por Picelli e Vianna (in Revista da Associação Médica Brasileira, p. 21-27) em 1998, sobre a morte e o paciente terminal, ouvindo professores e estudantes, mostra que 93% se interessavam pelo assunto. No entanto, 55,5% relatam a dificuldade para tratar do tema, ou seja, querem falar sobre a morte, mas não se sentem à vontade para se expressarem sobre tal conteúdo, e o motivo deve-se ao temor que ela inspira. Não se fala sobre a morte, porque ela é temida. Acompanha o temor o medo de sofrer, o medo da hospitalização e o medo da solidão depois do falecimento de alguém. A Religião pode influenciar muito as perspectivas da morte. Um estudo feito por Oliveira e Neto (2004) mostra que os católicos e agnósticos são os que mais apresentam dúvidas sobre ela e, quanto mais sentimento religioso a pessoa possui, menor é a visão da morte como fracasso e maior, como coragem. Buscar um sentido para a morte, no fundo, seria almejar um sentido para a vida. Um sentido que não faz somente surgir a felicidade; torna, além disso, a pessoa mais equilibrada para viver o sofrimento. Não encontrar um sentido para a existência, deixa-nos frustrados e psiquicamente enfermos. Paradoxalmente, a morte seria um dos aspectos que pode retirar o sentido da vida, uma vez que apresentaria a finitude dela. Por outro lado, despertaria em nós o senso de responsabilidade, porque a morte torna a nossa existência única e irreversível. A transitoriedade da vida traz consigo a responsabilidade das escolhas que vamos fazendo ao longo do tempo, mesmo gerando sentimentos

de medo e de ansiedade. A ansiedade é uma característica biológica e psicológica do ser humano, precedendo momento de medo, perigo e tensão e acaba desencadeando sensações de vazio e o coração mais acelerado. A morte é algo desconhecido para nós, o que nos causa ansiedade perante ela. Da ansiedade, provém o medo, por consequência tememos a morte. Pensar sobre isso é algo doloroso para o ser humano, pois traz de volta para ele as lembranças da perda antiga, o enlutamento, o sentido de finitude, o medo de um futuro desconhecido e totalmente incerto. Sabemos que ela existe e virá, queiramos ou não, mas nunca a desejamos. Por essa razão, a experiência que fazemos é da morte do Outro. E a morte do Outro é sempre dolorida. Quanto a nós, só fazemos a experiência da vida e só a ela desejamos. Viver a morte do Outro é buscar um sentido para nossa própria vida. Como afirma o filósofo Epicuro (260 a.C.), “não há razão para temer a morte; quando ela vem, somos nós que não existimos.” Precisamos ter fé na vida para aceitarmos a morte. A fé faz com que transcendamos a morte. É a fé na vida, e não na morte, que nos leva ao sentido da existência humana. Só teme a morte quem ainda não encontrou um sentido para a vida, e isso exige um ato de fé. “O ser humano não se contenta em apenas estar no mundo, mas deseja configurar uma vida com sentido”, afirma o pensador Fizzotti. Assim, as pessoas que não se sentem realizadas existencialmente são as mais temerosas da morte, exatamente porque sentem que ela lhes retira a possibilidade de encontrar, no futuro, um sentido para suas vidas. A morte deve gerar no ser humano uma busca de sentido, pois a vida é constituída de significados que vamos lhe atribuindo durante o nosso viver e para além dela. Frei Luiz Carlos da Silva, OP

Assistente Espiritual no Colégio Maria Imaculada, São Paulo - SP

37

22/01/2018 13:16:58


linguagem e comunicação

O poder da imag

na seleção de tragé Recentemente internautas se indignaram com a falta de divulgação do atentado na Somália, em comparação com a repercussão de ataques em países desenvolvidos. Qual a causa disso?

N

ós vivemos num planeta composto por cerca de 7,6 bilhões de habitantes. Dá para pensar neste número em seu sentido literal? Sabe-se que são muitos e que aumentarão ainda mais. Segundo estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU), a população humana poderá chegar a mais de 11 bilhões até 2100. Quantias difíceis de serem pensadas, mas que se tornam rapidamente

fáceis quando considerada apenas a população mais rica da humanidade. De acordo com dados da ONG britânica Oxfam, divulgados em janeiro de 2017, as oito pessoas mais ricas do mundo concentram a mesma riqueza que a metade mais pobre da população mundial. Ou ainda: o 1% mais rico detém 50% de toda a riqueza mundial. Os dados da ONG foram publicados num relatório intitulado “Uma economia a serviço dos 99%”, que mostra a acentuação

38

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 38

22/01/2018 13:16:59


agem

das desigualdades, fomentadas por grandes corporações e indivíduos mais ricos que sonegam impostos, reduzem salários e aumentam rendimentos para acionistas. Mas, talvez, o que mais incomode a população não seja nem a desigualdade em si, mas o senso da falta de justiça. Em um artigo publicado na revista científica Nature Human Behaviour, chamado “Por que as pessoas preferem sociedades desiguais?”, pesquisadores chegaram à conclusão de que os indivíduos preferem viver em um mundo onde haja desigualdade. Eles chegaram a tal resposta, após a constatação de que muitas pessoas se irritam ou se frustram quando inseridas numa situação em que todos são tratados de modo igualitário, independentemente de merecerem ou não tal tratamento, segundo suas próprias concepções de justiça. Por isso, os pesquisadores ressaltam que, antes de falar em desigualdade, é preciso, primeiramente, entender seu significado, e que sua concepção abrange três defesas distintas: igualdade de oportunidades – independentemente da experiência, orientação sexual, gênero etc. –, igualdade de recompensas – distribuição de benefícios com base na meritocracia – e igualdade de resultados – os quais são os mesmos para todos, independentemente do que tenham feito ou não. A compreensão das distinções é fundamental para a formulação de planos que tentem ao menos minimizar o

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 39

nível de desigualdade econômica. Uma das soluções apontadas pelos pesquisadores é focar na população mais necessitada de ajuda. E ao discorrer sobre tal aspecto é preciso chegar à abordagem de que nem todos são beneficiários das mesmas oportunidades, o que dificulta o acesso de muitos aos direitos básicos a alimentação, saúde e educação. Portanto, pensar na redução da desigualdade de oportunidades já se configura um caminho, cujas medidas devem ser amplamente discutidas e, principalmente, colocadas em prática. Pois muito já se fala, mas pouco realmente se faz.

O poder econômicona construção e desconstrução de imagens Mesmo involuntariamente, nós, seres humanos, tendemos a adotar medidas seletivas e por vezes preconceituosas, regidas por rotulações impostas tanto pela sociedade quanto pelos aparelhos midiáticos. Um exemplo recente é o trágico atentado realizado na capital da Somália, Mogadíscio, onde dois ataques com caminhão bomba deixaram um saldo de mais de trezentas pessoas mortas, no maior atentado terrorista da história, desde o ataque às Torres Gêmeas, nos EUA, em 11 de setembro de 2001. A autoria da tragédia foi creditada ao grupo islâmico Al Shabaad, que se encontra em conflito com o governo

provisório por disputa de territórios. O país é assolado por uma guerra civil desde 1991, quando o ditador Mohammed Siad Barre foi derrubado do poder. Além da instabilidade política, a Somália é um forte exemplo de país vitimado pela desigualdade econômica e social, especialmente em relação às nações desenvolvidas. O país sofre no momento com uma seca que atinge 3 milhões de pessoas. Quando ocorreu a tragédia do atentado no dia 14 de outubro de 2017, o fato mal repercutiu nas mídias, o que, inclusive, gerou manifestações de indignação e revolta nas redes sociais, pelo descaso midiático com o país. Semanas antes um genocídio cometido por um atirador em Las Vegas, nos EUA, deixando um saldo de 59 mortos, foi suficiente para virar manchete nos principais jornais do mundo. Aqui percebemos como o poderio econômico, aliado ao midiático, pode ditar as regras e, mesmo sem querer, rotular quais acontecimentos importam mais ou menos. No caso da Somália, essa seletividade se torna ainda mais grave por se tratar da imagem de seres humanos mortos: uma desumanização e inversão de valores. Em “Sociedade do Espetáculo”, o autor Guy Debord (2003) fala na espetacularização da forma como a vida se anuncia nas sociedades. “Tudo o que era diretamente vivido se esvai na fumaça da representação” (DEBORD, 2003. p. 13). As imagens

Continua

gédias

39

22/01/2018 13:16:59


linguagem e comunicação

Apoio às vítimas do ataque terrorista, que aconteceu na redação do jornal Charlie Hebdo, em Paris, em janeiro de 2015

estão dissociadas da realidade da vida, traçando seu próprio percurso, uma espécie de verdade construída. Para Debord (2003, p. 13), “o espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, midiatizada por imagens”. Pensando na pouca divulgação dos acontecimentos trágicos na Somália, podemos dizer que a mídia utiliza como um dos parâmetros para conferir seu grau de importância aos fatos os próprios níveis de desigualdades sociais, em que os mais poderosos ganham muito mais visibilidade. Afinal, quem chamará a atenção caso sejam vítimas de um atentado, por exemplo? Os 8% mais ricos ou os 50% mais

pobres, citados na pesquisa descrita no começo deste artigo? O ser humano então é reduzido ao valor de mercadoria, cuja imagem construída se baseia em suas representatividades. “Quando hoje nos vemos cercados por uma infinidade de imagens, não nos damos conta de seu poder sobre nós; pelo contrário, acreditamos ser seus senhores e que impomos nossa vontade e nossos desejos sobre elas. Claro que, ao pensarmos assim, agimos de modo infantil, pois não se pode negar o óbvio: somos tão vulneráveis a elas como eram os povos ditos primitivos”, afirma o Prof. Dr. Jack Brandão em sua obra Imagem: reflexo do mundo e do homem?

Portanto, infelizmente, a imposição da imagem fundamentada em poderes econômicos e midiáticos parece ditar os valores e impedir a verdadeira integração humana, mas não podemos perder a esperança e devemos nos inspirar nas palavras do Papa Francisco, quando ele diz: Somos convidados a promover uma integração que encontra na solidariedade o modo de fazer as coisas, modo de construir a história. Uma solidariedade que não pode jamais ser confundida com a esmola, mas sim com geração de oportunidades para que todos os habitantes de nossa cidade – e de tantas outras cidades – possam desenvolver sua vida com dignidade. (Discurso do Papa Francisco em 6 de maio de 2016). Mariana da Cruz Mascarenhas

REFERÊNCIAS

Assessora de Comunicação da Província Concepcionista do Brasil Sede Provincial – São Paulo - SP

40

BRANDÃO, Jack. Imagem: Reflexo do mundo e do homem? Embu Guaçu: Lumen et Virtus, 2017. DEBORD, Guy. Sociedade do Espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997.

Na imagem acima, podemos perceber a diferença nas coberturas das tragédias acontecidas na Somália e nos EUA, pelo tamanho de cada reportagem.

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 40

22/01/2018 13:17:00


GESTÃO

Ser líder em todas as áreas de nossa vida

O professor, sendo líder, influencia seus alunos no dia a dia a serem líderes, autônomos e autores da sua própria história.

A

busca pela excelência nos dias atuais nos leva ao aumento da procura do coaching, processo que transforma profissionais em executivos com capacidade de desenvolver potencialidades. Liderança é a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente, afirma Carlos Fernando Queiroz da Silva (Fundador e Líder da Comunidade Missionária Caminho, Verdade e Vida). Ele ressalta que a capacidade da liderança está em estabelecer a diferença entre uma coisa e outra e fazer a diferença. Todos podemos ser líderes. O verdadeiro líder transforma e cria as possibilidades do nada e forma outros líderes para serem seus sucessores. Assim devemos agir não só na vida profissional, mas também na nossa vida familiar. Os pais devem ser líderes para tornar seus filhos crianças autônomas e independentes, que serão líderes na sua vida pessoal e profissional. Educar também é influenciar. O professor, sendo líder, influencia seus alunos no dia a dia a serem líderes, autônomos e autores da sua própria história.

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 41

Uma das características do professor líder é ser exemplo vivo para os seus alunos; mais do que com palavras, ele ensina com o seu agir. A criança repete os atos do pai e da mãe, assim como os atos do professor. Essa capacidade de influenciar vai além da autoridade. O professor que é um bom leitor, por exemplo, influencia seus alunos a serem leitores. Ele aguça a curiosidade dos alunos. Isso também é liderança.

É com essa visão e objetivo que eu entro em minha sala de aula todos os dias. Ao contar uma história, eu observo o olhar atento de cada aluno buscando um novo significado para suas vidas. Esse despertar a curiosidade não é só para o aluno; o aprendizado e a mudança são contínuos em nossa vida. Estamos sempre aprendendo algo mais. Quando ensinamos também aprendemos algo além do que já sabíamos. É sempre um “devir” (um vir a ser em constante aprendizado). Como dizia o filósofo pré-socrático Heráclito, “Nunca é tarde para recomeçar”. Camila Cristiane Jacó da Costa

Professora Pós-Graduada em Educação Infantil Colégio Maria Imaculada Mococa - SP

41

22/01/2018 13:17:02


psicopedagogia

Neuropedagogia e

S

Aspectos do funcionamento cerebral e sua re

egundo Amabis (2006), “todos os seres vivos precisam interagir com o meio em que vivem e produzir respostas, como encontrar alimentos, parceiros para reprodução, fugir de perigos e de predadores”. A capacidade de comunicação é uma das características mais marcantes da humanidade. Amabis (2006) afirma que as informações são trocadas com as pessoas e com o que se passa no mundo ao redor. Essa comunicação que há com o mundo exterior é o que se estabelece, na verdade, no interior do corpo, ou seja, a comunicação contínua que há entre as células do corpo e os órgãos com o ambiente. Essa comunicação ocorre graças ao sistema nervoso e ao sistema endócrino e é realizada através da liberação do neurotransmissor, uma substância química que atua no cérebro. Pensar nos órgãos sensoriais é a mesma coisa que pensar como eles transportam informações do corpo e do que se vê no mundo externo para o cérebro. É um circuito que vai passando informação de uma célula a outra até chegar ao cérebro. É através do córtex cerebral que se consegue obter determinadas sensações. O córtex cerebral deixará de ser estimulado, ou seja, informado, se a cadeia de neurônios for interrompida. Não será possível estimular os receptores. Isso acontece, por exemplo, quando há lesão na medula espinhal, podendo perder a sensibilidade em algumas regiões do corpo. Perde-se, também, a execução do ato voluntário, a perda dos movimentos.

42

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 42

O neurotransmissor atua na membrana pós-sináptica (membrana de outra célula), podendo ter dois efeitos: dificultar o impulso nervoso ou excitá-lo de forma a disparar. É através do cérebro que processamos informações e temos a consciência das informações que são enviadas para os órgãos dos sentidos. A partir do conhecimento e da aplicabilidade da neurociência, podem-se desenvolver estratégias de ensino para lidar com alunos portadores de dislexia e outras necessidades especiais. O cérebro é o responsável pelos comandos do corpo. Ele arquiva as informações da memória, como uma lembrança ou um cheiro, interpreta as sensações, recebe informações, seleciona-as, transforma, memoriza, processa e coordena todas as atividades necessárias para o corpo. Os sentimentos, como o ódio, o amor, a alegria, a tristeza e o medo, também são controlados pelo cérebro. Quanto aos aspectos neurais relacionados à aprendizagem, tem-se o cerebelo, responsável pelo sequenciamento dos movimentos na fala e pela monitoração da fonação; o córtex motor, porção posterior do lobo frontal, associado aos atos motores de fonação; e os nervos motores, que controlam a motricidade dos músculos faciais e dos órgãos fonoarticuladores. O professor que aplica dados de estudos acerca da evolução da neurociência em sala de aula está preparado para uma educação inclusiva e tem uma visão futurista. Com base nesse tipo de entendimento, podem-se aplicar técnicas metodológicas educacionais para as crianças com enfoque educacional e emocional de formas diferenciadas. Dois grandes componentes fazem

parte do sistema nervoso humano: sistema nervoso central (SNC) e sistema nervoso periférico (SNP). O SNC é formado pelo encéfalo e pela medula espinhal. O encéfalo é composto de vários órgãos, entre eles os dois hemisférios cerebrais, o

22/01/2018 13:17:04


a e educação

ua relação com a aprendizagem

diencéfalo, o cérebro e o bulbo ou medula oblonga. O encéfalo e a medula espinhal são os locais para onde são encaminhadas todas as informações captadas pelo organismo, quer se originem no meio exterior, quer surjam no próprio organismo. São

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 43

também os centros de processamento dessas informações e de elaboração de respostas. Tal sistema é caracterizado por receber, analisar e integrar informações. O SNP inclui os receptores espalhados pelo corpo, além dos gânglios e de todos os nervos que chegam aos órgãos centrais trazendo informações, ou que deles se originam levando respostas, ou seja, carregando informações. Quanto às atividades de coordenação, sabe-se que todas as ações e as reações, voluntárias ou involuntárias, são comandadas por alguns órgãos pertencentes ao sistema nervoso. A coordenação nervosa envolve a participação de neurônios. O impulso nervoso trata de retirar o neurônio de um estado de repouso, onde ele apresenta polarização, e, ao ser despolarizado, passa a carregar alguma informação, tal como atividade de coordenação. O cérebro fica localizado dentro do crânio e é a parte do SNC composta pelas células nervosas, que controlam as funções mentais; as células da glia, que dão suporte ao funcionamento do sistema nervoso; os órgãos secretores e os vasos sanguíneos. Os hemisférios cerebrais, embora possuam estruturas simétricas, são os responsáveis pelo raciocínio, pela inteligência, pelas sensações e pela capacidade motora, mas algumas funções intelectuais são desempenhadas por um único hemisfério. Um dos hemisférios ocupa-se com funções das operações lógicas e linguagem, e o outro, com as capacidades artísticas, a visão espacial e o controle das emoções. A inteligência dá-se de forma contínua e multifacetada. Ela não se limita à aquisição de

conhecimentos. Ela precisa envolver-se com o conteúdo, aprendendo a conhecê-lo, aprendendo a fazê-lo, aprendendo a sê-lo, ou seja, é preciso haver o letramento do conteúdo. Assim, entende-se que o cérebro é considerado um circuito elétrico bem complexo. Essa abordagem permite novas compreensões para informações que favorecem o aprendizado. Cosenza (2011) afirma que o treino e o conhecimento levam a novas sinapses, facilitando as informações que chegam aos neurônios. É o caso, por exemplo, de um violinista que precisa de maior controle na execução da música. Assim, o treino faz com que promova alterações nos circuitos cognitivos e, consequentemente, motores. Quando se aprendem conceitos a partir de conhecimentos já adquiridos, a aprendizagem aumenta a complexidade das ligações dos neurônios e associa circuitos que estavam independentes. É preciso, então, estimular o aprendizado de maneiras diversas e com eficiência, fazendo com que esses circuitos se associem de maneira mais eficaz. Cosenza (2011) afirma que a aprendizagem é uma maneira de facilitar o conhecimento ao longo das sinapses nervosas, mesmo que não haja a formação de uma nova ligação. Para que seja mais eficiente, é necessário que se criem proteínas e outros tipos de substâncias para dar suporte às ligações e torná-las duradouras. Entende-se que é necessário estar atento a novas atividades, pois, assim como é preciso exercitar o corpo, o cérebro deve ser estimulado com leituras, palavras cruzadas e exercícios que envolvam o raciocínio. Possuir uma vida saudável é praticar exercícios mentais, aprendendo cada vez mais, e corporais à medida que se envelhece. Adriana Carvalho Tameirão

Professora de Matemática do 6º ao 8º ano do Ensino Fundamental II Colégio Madre Carmen Sallés – Brasília

43

22/01/2018 13:17:08


psicopedagogia

Formando pess ou mão de obr “Quando entendemos que nossa incumbência é também formar pessoas, mesmo que a aula ‘se perca’, ela se torna extremamente enriquecedora.”

E

m recente entrevista para a revista Pazes, o psicólogo cognitivo e educacional americano e pai da teoria das inteligências múltiplas Howard Gardner afirmou categoricamente: “Uma pessoa ruim nunca será um bom profissional”. A declaração, um tanto controversa, despertou em mim, a princípio, um debate a respeito da visão simplista de se classificar pessoas dicotomicamente entre boas e más, preto no branco, sem considerar que todos nós temos “áreas cinzentas”. No entanto, trouxe aos educadores um questionamento bastante pertinente: Será que estamos desempenhando nosso papel como verdadeiros educadores? Estamos preocupados em cumprir conteúdos ou em formar pessoas?

Assim como um (bom) médico que aprende que sua missão é tratar o paciente e não apenas a doença, o educador vivencia o verdadeiro educar, quando percebe que sua incumbência primordial é formar bons seres humanos, cidadãos dignos, gente solidária. É claro que a formação das crianças e jovens é um trabalho que deve ser feito em conjunto com a família, porém restringir a ação do professor a mero “dador” de aulas é reduzir a importância e a influência que tal figura exerce na vida de seus alunos. Quando Gardner afirma que a bondade é característica fundamental para a formação de um excelente profissional, seu conceito de “excelência” não engloba apenas perícia técnica, algo que pode ser alcançado com dedicação e esforço. Para o estudioso, o verdadeiro profissional excelente tem que ter destreza, comprometimento e

ética. E ética, meus amigos, é algo que inexiste em pessoas ruins. Fazendo parte do corpo docente de uma instituição de ensino, devemos refletir sobre nosso papel como agentes de mudança em um mundo com pessoas progressivamente egocêntricas, preconceituosas e até violentas. Além de qualidade acadêmica, nossas aulas devem ser espaços de debate e conscientização. Obviamente, essa nem sempre é uma tarefa fácil. Com a crescente mercantilização, apuro técnico e acadêmico da educação, cada vez mais, pais e alunos procuram por estabelecimentos que garantam uma porta de entrada às grandes universidades, esquecendo-se do papel da escola como formadora integral. A excelência acadêmica, ainda que essencial, não é o único requisito de uma escola. Ademais, a necessidade de ensinar aos alunos um determinado número

44

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 44

22/01/2018 13:17:11


ssoas bra? de assuntos em sua matéria, muitas vezes, limita o tempo do professor. Quando entendemos que nossa incumbência é também formar pessoas, mesmo que a aula “se perca”, ela se torna extremamente enriquecedora. Como meus colegas, tenho a preocupação de ensinar meus alunos sobre os conteúdos designados àquela série. Muitas vezes, temos tópicos demais a ser trabalhados num tempo de menos, e essa nossa afobação típica pode apequenar nossa função de educadores. Conto agora o que me aconteceu em uma aula do sexto ano, há poucas semanas, e que me inspirou a escrever este texto. Estudávamos o gênero textual “verbete enciclopédico” (artigos, também chamados de entradas, de um dicionário, de uma enciclopédia, ou de um livro ou obra de referência que organiza informações). Pedi aos alunos que realizassem uma tarefa

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 45

acerca desse gênero textual, e, em meio à correção, surgiu um questionamento sobre a democratização do futebol (esporte sabidamente elitista em seus primórdios) com a entrada de jogadores negros em times de São Paulo e Rio de Janeiro. Uma aluna me questionou sobre o racismo ainda existente no esporte, fazendo-nos relembrar o caso do jogador Daniel Alves (a quem torcedores atiraram bananas). Tal fato nos remeteu à questão do racismo institucional no Brasil, e imediatamente nos levou ao debate sobre o sistema de cotas e privilégios que pessoas brancas ainda possuem em relação às outras etnias. Tudo isso por causa de um questionamento... Desnecessário dizer que se formou um debate acalorado. Muitas mãozinhas levantadas, muitos pontos de vista, muita troca de ideias que nos enriqueceram e me fizeram sair com

as energias renovadas e com uma sensação inefável de dever cumprido. A correção ficou para outro dia. Percebi que, naquela aula, eu não apenas ensinei interpretação de texto, mas também propiciei um ambiente de crescimento pessoal para todos nós. O momento foi absolutamente transformador. Fonte: Revista Pazes Janeiro, 2017

Simone Freitas Generoso

Profa. de Inglês do Ensino Médio Colégio Maria Imaculada São Paulo - SP

45

22/01/2018 13:17:13


PSICOPEDAGOGIA

Empatia e Imita

Processos neurológicos facilitadores na educação de crianças em 46

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 46

22/01/2018 13:17:15

f


tação

m

fase de alfabetização

litador do aprendizado. A prática do agrupamento produtivo* ganha um novo patamar, quando se afirma que os neurônios-espelho permitem ao cérebro adotar a perspectiva da pessoa observada. Aprende-se melhor quando se aprende com o outro. O outro, normalmente, não é parâmetro de conflito e agressão, mas mediador do conhecimento, parceiro de novas descobertas a cada dia.

A empatia como base das relações de ensinoaprendizagem Neste texto, a empatia é abordada como desdobramento das pesquisas em neurônios-espelho. Elas a conceituam como algo neurológico, reconhecido como reprodução afetiva de movimentos e emoções. Para Decety (2004), a empatia é uma disposição inata baseada nos sistemas espelhos em conjugação com outras estruturas neuronais que permitem a realização de três atividades: a capacidade de sentir e representar as emoções e sentimentos de si e do outro; a capacidade de adotar a perspectiva do outro; e, por fim, a capacidade de fazer a distinção entre o eu e o outro. Segundo Lima (2010), as emoções têm funções adaptativas e de sobrevivência da espécie. Em outras palavras, uma das funções da emoção é avaliar a situação e selecionar uma informação para se tomar uma decisão. É dessa forma que as emoções, por meio do sistema límbico, participam do processo de aprendizagem, pois esses processos envolvem a tomada de decisão. Na fase da alfabetização, a empatia pode ser observada a partir da experiência emocional da leitura e da escrita. Para Lima (2010), qualquer ser humano é capaz de apresentar uma experiência negativa ou positiva da escrita ou leitura. Para aqueles que possuem uma experiência negativa, escrever pode se tornar algo doloroso, pois revela para ele e para as pessoas do seu convívio uma incapacidade pessoal. Esse sentimento faz com que o indivíduo procure fugir de situações

Continua

O

objetivo da educação é aprender conteúdo ou consolidar atitudes? Como desenvolver o pensamento crítico e a empatia? Atualmente, estudos na área da Psicologia Social e Neurociências dedicam-se a comprovar que educadores, ao desenvolver o seu trabalho visando a uma educação predominantemente conteudista, podem desconsiderar aspectos fundamentais de empatia e de imitação na formação dos indivíduos. Nessa abordagem, o foco parece ficar apenas com a transmissão de conteúdos. Essa opção didática poderá acarretar efeitos negativos, como o desinteresse por parte dos educandos. Gomide et al., (2005) afirmam que situações de negligências que ocorrem em relações desprovidas de afeto, podem alterar o comportamento das crianças nos seguintes aspectos: sentimento de insegurança, vulnerabilidade e eventual hostilidade e agressão em relacionamentos sociais. Dessa forma, o que era preocupação em fixar conteúdos pode gerar aversão a eles. No entanto, educadores que tenham mais sensibilidade com os processos neurológicos empáticos proporcionarão ao educando uma melhor alfabetização, por compreenderem que a empatia provocará alterações na quantidade e na qualidade das conexões sinápticas alterando o funcionamento cerebral de forma positiva (FLOR, 2011). Entende-se, assim, que há aprendizagem mais prazerosa, se houver ensino do conhecimento formal com planejamento e intervenção. Aqui se destaca o papel do educador, bem como o estudo contínuo por parte do educando. As neurociências sugerem que a empatia e a imitação são processos que não devem ser descuidados no ensino-aprendizagem. À vista disso, este texto quer ressaltar a importância do desenvolvimento da empatia entre educadores e educandos para o desenvolvimento da segurança pessoal e o desejo de aprender. A imitação (apresentação adequada do modelo) torna-se como um faci-

47

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 47

22/01/2018 13:17:16


PSICOPEDAGOGIA que envolvem a escrita. Não é novidade para os educadores quando as crianças, participando de atividades de escrita, procuram sair da sala e apresentar dores e indisciplina, rigidez muscular ao segurar o lápis até chegar às verbalizações: “não gosto de escrever, não quero, não sou bom nisso”. O educador que percebe tal movimento deverá decidir rapidamente o que fazer: formular nova atividade, negociar com os educandos, ameaçar ou tomar outras atitudes que demonstrarão a sua autoridade.Contudo, é importante observar que [...] esses processos não são meramente psicológicos (relativos ao comportamento observável) ou um exercício da vontade. São processos também físicos químicos. Ou seja, existe uma dinâmica de liberação de substâncias químicas (os neurotransmissores) e trocas entre neurônios, que são subjacentes aos comportamentos que observamos, e dos processos internos que não são diretamente observáveis. (LIMA, 2010, p. 23). Ele não tem total controle do comportamento dos alunos e não se pode também lhe atribuir a responsabilidade de situações que envolvem outros fatores como: valores sociais e culturais da família do educando, a comunidade educativa e a organização escolar. Ainda assim, poderá, pela

empatia, modificar essa experiência, sem argumentação oral, ameaça ou negociação. Apenas planejará e mediará atividades que proporcionarão ao educando, efetivamente, a realização do ato de escrever. A autoestima do aluno se modifica quando ele sente que aprendeu e que o afeto de quem estava ao seu lado não foi retirado pelas vezes que errou (LIMA, 2010). Por isso é crucial que o educador construa um vínculo afetivo real com os educandos, para que possa existir um clima de confiança, de segurança, de cooperação e de parceria que favoreça, entre outras coisas, a produção escrita.

A imitação como ferramenta pedagógica A imitação é também um comportamento gerado pelos neurônios-espelho, ao conceituá-la como a capacidade de observar ações de terceiros e executá-las posteriormente (MENDES, et al., 2008). Aqui, a imitação é observada como um processo de influência dos neurônios-espelho que pode ser utilizado em prol da educação, a partir de possibilidades de aplicação pedagógica. Ao observarmos as crianças em desenvolvimento, é possível perceber que muitas coisas que realizam são resultados da observação das ações

dos adultos ou das pessoas que fazem parte do seu contato. Isso acontece, pois os neurônios-espelho estão espalhados em duas áreas do cérebro. Segundo Flor, (et al., 2011), uma delas é a região frontal, área responsável pelo planejamento e execução de ações. Consequentemente, uma criança pode aprender melhor a escovar os dentes vendo outras pessoas fazerem o mesmo. Outra região em que se pode encontrar os neurônios-espelho é a frontoparietal, local responsável pelas tomadas de decisões relacionadas às emoções. Isso ocorre quando uma criança assiste a um filme de aventura divertidamente, sem perceber que algumas reações acontecem em seu organismo, e, então, é capaz de sentir o que está vendo. Mas, afinal, quais são as possibilidades da aplicação pedagógica utilizando a imitação? Podem-se perceber três principais aplicações: o educador como modelo e referência; o contato frequente com ótimos modelos de escrita e a interação com os pares. Em primeiro lugar, uma das expectativas em relação ao educador alfabetizador é que ele possa reconhecer seu papel de modelo e de referência para os alunos como usuário da leitura e da escrita. Para isso é possível

48

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 48

22/01/2018 13:17:17


utilizar o recurso da imitação que, aqui, é conceituada como modelo e não meramente como repetição. Por essa razão, é um processo de personalização criativa e ação de intervenção do mundo operada pelo educando*. Em segundo lugar, quando os alunos têm contato frequente com bons modelos da linguagem escrita (histórias, contos, textos informativos, entre outros), eles são capazes de reproduzir oralmente essa linguagem, muito antes de saber escrevê-la de próprio punho (LEAL, 2007). Dessa forma, conseguirão realizar atividades que envolvam a produção oral de textos quando ampliarem o seu repertório, ou seja, ao recontarem uma história de qualquer conto de fadas, conservando a sua riqueza de detalhes. É necessário que a narrativa seja lida para as crianças inúmeras vezes, a fim de que elas se apropriem tanto da sequência dos fatos, quanto do vocabulário utilizado. A mesma coisa ocorre com os textos de diversos gêneros: para pedir que produzam oralmente um texto informativo sobre um animal estudado, os dinossauros por exemplo, convém passar-lhes o conhecimento da estrutura e da forma desse texto, além das informações que ele comunica. Logo, é preciso que os educadores se reconheçam como modelos de referência para os educandos: seja como leitores, seja como usuários da escrita ou como ajudantes que possuem experiência durante as atividades. (PROFA*, 2001). Em terceiro lugar, mas não menos importante, os colegas de classe também são modelos de aprendizagem e cabe ao educador escolher bons agrupamentos. Nesses grupos, os educandos terão a possibilidade de expor o seu ponto de vista e aceitar pontos de vista diferentes, bem como testar hipóteses, repensar raciocínios e estabelecer correlações, para construir conhecimentos. (PAIC*, 2014). Essa interação em classe é importante para as crianças, mas se faz necessária a atenção com a formação de tal agrupamento: o que cada um sabe e o que precisa aprender. Os agrupamentos produtivos nascem quando os

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 49

educandos têm habilidades próximas, mas distintas. Assim, a dupla poderá complementar o que já sabe individualmente e avançar juntos.

Considerações Finais A aprendizagem acontece durante toda a vida. Tal processo é multíplice e depende de ações neurofisiológicas e neuropsicológicas que interagem com o meio ambiente. A escola, ao se aproximar dos estudos das Neurociências, apropria-se de conhecimentos que trarão maior compreensão desse belo e complexo processo de aprendizagem. Alfabetizar não é brincadeira! Essa multifacetada tarefa requer dos educadores competência e dedicação ao planejar as atividades, a fim de que quem esteja no processo de alfabetização consiga se apropriar de um sistema simbólico grafado, que se apresenta com uma estrutura comum e por isso pode ser partilhado. (LIMA, 2014).

Notas: *agrupamento produtivo: estratégia para que o educando cresça cognitivamente seja imitando seu colega, repensando hipóteses distintas das suas, ou colocando-se no lugar do outro. * processo de personalização criativa e ação de intervenção do mundo operada pelo educando: enfrentamos um grande problema no Ocidente. A base da cultura é “não imite, seja original”. Isso é um erro. Primeiro temos que imitar e depois podemos ser originais. Sem esse processo de imitação as bases do relacionamento humano não podem ser realizadas. (Mendes, et al. 2008, p. 96). * PROFA: Programa de Formação de Professores Alfabetizadores

REFERÊNCIAS BRASIL. Programa de Formação de Professores Alfabetizadores. Guia do Formador; módulo 1. Brasília, janeiro de 2001. BRASIL. Programa de Alfabetização na idade certa. Brasília, janeiro de 2014. DECETY, J.; JACKSON, P. The functional architecture of human empathy, Behavioral and Cognitive Neuroscience Reviews, v. 3, n. 2, p. 71-100, 2004. FLOR, D.,CARVALHO, T. Neurociência para educador: coletânea de subsídios para “alfabetização neolinguística”. Braúna, 2011 Disponível em: <https://books.google.com.br/book s?id=dEmbRGd7zG8C&printsec=frontcover &hl=pt-BR#v=onepage&q=neuronio%20 espelho&f=false>. Acesso em: 27 jul.2015. GOMIDE, P., SALVO, C., PINHEIRO, D., SABBAG, G. Correlação entre práticas educativas, depressão, estresse e habilidades sociais. UFC. Psicologia: Revista de Psicologia da Universidade Federal do Ceará, v. 10, n. 2, p. 169-178, jul./dez. 2005. Disponível em: < http://www. scielo.br/pdf/pusf/v10n2/v10n2a08.pdf>. Acesso em: 27.jul.2015. KUHL, P.K., MELTZOFF, A.N. Evolution, nativismo, and learning in the development of language and speech. Nova York: Oxford University Press, 1997. LEAL, T. F., A organização do trabalho escolar e letramento. In: SANTOS, C.F, MENDONÇA,M. Orgs., Alfabetização e letramento: conceitos e relações. Belo Horizonte, Autêntica,2007. LIMA, S.E. Como a criança pequena se desenvolve. 2ª ed. São Paulo, Interalia, 2009. ______. Neurociência e aprendizagem. 2ª ed. São Paulo, Interalia, 2010. ______. Quando a criança não aprende a ler e a escrever? 3ª ed. São Paulo, Interalia, 2010. ______. Português para professores alfabetizadores. São Paulo, Interalia, 2014. MENDES, A., CARDOSO, F., SACOMORI, C. Mirror neurons. USP. Psicologia: Revista de Psicologia da Universidade de São Paulo. São Paulo, vol.17, no.4,2006. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid =S010365642006000400007>. Acesso em: 27 jul. 2015. PASSOS-FERREIRA, C. Seria a moralidade determinada pelo cérebro? Neurônios-espelhos, empatia e neuromoralidade. Physis, revista de Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, 21[2]: 471-490, 2011. Disponível em : <http:// www.scielo.br/pdf/physis/v21n2/a08v21n2. pdf>. Acesso em: 27 jul. 2015.

Thaionara Servilha

Coordenadora do Segmento 1 Colégio Maria Imaculada São Paulo - SP

RICE, M.L. Children’s language acquisition. American Psycologist, 198 STEMBERG, Robert J. Psicologia cognitiva. 5ª ed. São Paulo, Cengage Learning, 2010.

49

22/01/2018 13:17:17


psicopedagogia

Neurociência e Educação

50

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 50

22/01/2018 13:17:18


Importância, função e intervenção dos neurotransmissores no processo ensinoaprendizagem em alunos

D

e acordo com Vigotsky, a aprendizagem é resultado de um desenvolvimento mental; é um processo de aquisição de novas informações que serão guardadas na memória, portanto, a aprendizagem é, então, um processo relevante e complexo na vida do ser humano. Lent afirma que a aprendizagem está, diretamente, relacionada ao funcionamento dos neurotransmissores, que ativam a memória e o processo de pensar. Os neurotransmissores são, popularmente, conhecidos como os “mensageiros do cérebro”, porém, segundo Roberto Lent, os neurotransmissores são moléculas especializadas na condução química das informações entre os neurônios. A comunicação entre os neurônios é conhecida como Sinapse. As informações conduzidas pelos neurotransmissores estão diretamente relacionadas à aprendizagem da criança da Educação Infantil. Entende-se por Educação Infantil, ou primeira etapa da infância, o processo de escolarização de indivíduos

até o sexto ano de vida; é uma etapa de suma importância da educação formal, é o período das oportunidades, classificado, segundo Celso Antunes, como “janela das oportunidades”. Esta “janela, que o cérebro apresenta, durante pequenos períodos da infância, possibilitará que a criança aprenda a enxergar, andar, falar e escutar, sendo nossos órgãos sensoriais e motores, “meros equipamentos que obedecem ao seu comando central”. “A neurociência mostra que o período que vai da gestação até o sexto ano de vida é o mais importante na organização das bases para as competências e habilidades que serão desenvolvidas ao longo da existência humana, prova-se que a educação infantil é tudo, mas é essencial que possamos refletir sobre como fazê-la bem”. (ANTUNES, 2009, P.9) É na educação infantil que se promove um ambiente saudável para que o corpo leve informações ao cérebro, gerando a condução dessas informações, através dos neurotransmissores,

entre os neurônios, provocando, então, as sinapses, ou seja, a comunicação entre eles. Considerando que o funcionamento dos neurotransmissores está diretamente relacionado à aprendizagem e a aprendizagem está diretamente relacionada com a “janela de oportunidades”, de Antunes, é possível compreender, então, que os neurotransmissores exercem uma função primordial na etapa da educação infantil, no que se trata de aprendizagem. A maioria dos neurotransmissores está diretamente relacionada à memória. De acordo com Marta Relvas, “um homem sem memória é um homem sem história. A memória é o brinquedo da aprendizagem”. Com base nessa informação, é possível compreender que aprendizagem é um aglomerado de memória, atenção, concentração, interesses, desejos, estímulos intrínsecos e extrínsecos que norteiam a mente e o cérebro humano e que os neurotransmissores exercem funções importantes nessa aprendizagem.

Continua

da Educação Infantil.

51

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 51

22/01/2018 13:17:18


psicopedagogia

“É na educação infantil que se promove um ambiente saudável para que o corpo leve informações ao cérebro” Acetilcolina – Ach:

Serotonina – 5HT:

É um neurotransmissor envolvido em muitos comportamentos, principalmente, nas funções cognitivas. A atenção, a memória e o aprendizado estão diretamente relacionados a este neuromediador. De acordo com Relvas, todo o aprendizado da criança e de qualquer indivíduo depende da memória. A memória está presente em todas as funções do cérebro humano. A aprendizagem trata-se do primeiro estágio da memória, ou seja, é a fase da aquisição de informações a serem memorizadas. Estudos em animais de laboratórios comprovam que, ao bloquear a liberação da Acetilcolina, cria-se um déficit na aprendizagem e na memória. Em alguns casos, deste mesmo estudo em animais de laboratório, a colina, somente, é sugerida para aumentar a memória e assim facilitar o processo de aprendizagem. A liberação da Acetilcolina dos neurônios para as fibras musculares promove, também, os movimentos dos músculos do corpo humano, sendo estes movimentos de extrema importância no desenvolvimento infantil.

É um neurotransmissor que provoca interferências no humor, na agressividade e, também, na ansiedade. Relvas propõe que as oscilações do humor estão, diretamente, interligadas à diminuição da liberação da serotonina no Sistema Nervoso Central. Estudos comprovam que o comportamento agressivo em crianças da educação infantil tem sido associado aos níveis reduzidos de serotonina no encéfalo; em crianças agressivas e ansiosas, o processo de aprendizagem se torna problemático, sendo necessárias intervenções psicológica e pedagógica. A Serotonina, ainda de acordo com Relvas, também, é responsável pelo controle da liberação de alguns hormônios, regulação do sono e do apetite.

Dopamina – DA: É um neurotransmissor que controla os níveis de estimulação e controle motor em muitas áreas do encéfalo. Quando seus níveis estão extremamente baixos a locomoção voluntária

é afetada. Quando seus níveis de liberação estão excessivamente elevados, é característico de esquizofrenia, sendo necessário tratamento com drogas que bloqueiam a liberação da dopamina. A Dopamina, além do movimento e controle motor, exerce, também, algumas importantes funções no cérebro humano: memória, recompensa agradável, comportamento e cognição, atenção, inibição de produção do prolactina, sono e humor, sendo todos esses fatores relacionados diretamente para uma aprendizagem satisfatória e significativa. Níveis baixos de dopamina podem contribuir para o transtorno de déficit de atenção, já na memória, a dopamina, em níveis balanceados, principalmente, no córtex pré-frontal, contribui significativamente. A Dopamina, presente nos lobos frontais do cérebro, controla a circulação da informação de outras áreas encefálicas, afirma Lent. As desordens da mesma, nesta região, conduzem para diminuir em funções neurocognitivas, especialmente, memória, atenção, e a resolução de problemas, fatores estes de suma importância no desenvolvimento da criança nas séries iniciais.

Noradrenalina – NA: Este neurotransmissor está, diretamente, relacionado à excitação física e mental, bem como, é conhecido por promover o bom humor. A noradrenalina é atuante na função de mediadora dos batimentos cardíacos. De acordo com Relvas, a liberação da noradrenalina facilita a atenção e o estado de alerta, durante o dia; já, durante o sono, seus níveis estão reduzidos. A redução na captação atua no humor, provocando depressão, sendo necessário o uso de algumas “drogas” para que, então, seja evitada a sua receptação. A Noradrenalina, assim como muitos neurotransmissores, é importante nos processos de memória de longo prazo e aprendizagem.

52

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 52

22/01/2018 13:17:18


Ácido Gama Amino Butírico – GABA: Desempenha um papel importante na regulação da excitabilidade neuronal, ao longo de todo o sistema nervoso, sendo o principal neurotransmissor inibitório do encéfalo. De acordo com Lent, o processo inibitório ocorre quando o GABA se liga ao receptor permitindo, dessa forma, a entrada de Cloro para dentro da célula. Nos seres humanos, o GABA também é diretamente responsável pela regulação do tônus muscular e responsável pela coordenação dos movimentos. Ainda de acordo com o autor, há hipóteses que a deficiência do ácido gama butírico acarreta em algumas formas de esquizofrenia, sendo necessário o uso de “drogas” específicas capazes de ressaltar o efeito do ácido nas sinapses. O GABA pode influenciar no desenvolvimento do cérebro e regular a formação das sinapses. Também está relacionado com a ansiedade, sendo esta prejudicial na vida da criança, principalmente, na educação infantil, e de qualquer outro indivíduo, tomando proporções patológicas. Neste caso, ela se caracteriza por sensações de perigo e medo sem que haja uma ameaça real, ou sem que esta ameaça seja proporcional à intensidade da emoção.

Glutamato: É um neurotransmissor excitatório do sistema nervoso, o mais comum em mamíferos. O glutamato age em funções cognitivas no cérebro, atuando no processo de aquisição da memória e, consequentemente, na aprendizagem.

Peptídeos – Endorfinas e Encefalinas: São neurotransmissores capazes de modular a dor e reduzir o estresse. Esses neurotransmissores são encontrados em diversas áreas do encéfalo. Os neuropeptídeos e polipeptídeos são neurotransmissores relacionados diretamente com distúrbios de apeti-

“A aprendizagem é um aglomerado de memória, atenção, concentração, interesses, desejos, estímulos intrínsecos e extrínsecos que norteiam a mente e o cérebro humano”

processo ensino-aprendizagem em alunos da educação infantil. Cada um deles atua de diferentes formas no encéfalo e contribuem ou impedem, de acordo com seu nível no encéfalo, para que este processo se dê de forma significativa, sem qualquer intercorrência. É necessário ressaltar que as substâncias transmissoras estão, diretamente, interligadas com a memória e com processo de memorização do aluno e tal processo é relevante ao extremo na vida social, profissional e educacional deste aluno.

REFERÊNCIAS te, podendo levar à excessiva ingestão de alimentos e armazenamento de gorduras, fatores que corroboram com o processo ensino-aprendizagem na educação infantil. Especialistas afirmam que crianças que mantém uma alimentação saudável, estão propensas a uma aprendizagem mais significativa. A endorfina e encefalina atuam como drogas – heroína e morfina. Elas podem estar envolvidas nos mecanismos de dependência. A diminuição dessas substâncias, de acordo com Lent, pode provocar alteração no sistema supressor da dor, causando enxaqueca, depressão, ansiedade, fibromialgia, dor crônica, Alzheimer, doença de Parkinson e tantas outras alterações. Conhecendo um pouco desses neurotransmissores é possível compreender que o processo de aprendizagem de qualquer indivíduo, neste caso os alunos da educação infantil, está diretamente relacionado com o funcionamento dessas substâncias popularmente conhecidas por “mensageiros do cérebro”. Tais neurotransmissores ativam a memória, contribuindo, então, com a construção do pensamento, já que estas substâncias atuam na transmissão química da informação. Os neurotransmissores citados exercem importantes funções no

ANTUNES, Celso. Educação Infantil: prioridade imprescindível. 6ª edição. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2009. AZEVEDO, Tathiane. A importância, Função e Intervenção dos Neurotransmissores no Processo Ensino-Aprendizagem em Alunos da Educação Infantil. Rio de Janeiro: Universidade Candido Mendes, 2014. LENT, Roberto. Neurociência da Mente e do Comportamento. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008. RELVAS, Marta Pires. Neurociência e Educação, gêneros e potencialidades na sala de aula. Rio de Janeiro, 2ª edição. WAK Editora, 2010. RELVAS, Marta Pires. Fundamentos Biológicos da Educação – Despertando Inteligências e Afetividade no processo da Aprendizagem. Rio de Janeiro, 5ª edição. WAK Editora, 2010. VIGOTSKYi, L.S.. Pensamento e Linguagem. São Paulo: Editora Martim Fontes, 2003.

Tathiane Cristina Queiroz de Azevedo

Graduada em Pedagogia. Pós Graduada em Neurociência Cognitiva. Professora da Educação Infantil do Colégio Maria Imaculada - RJ

53

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 53

22/01/2018 13:17:19


PSICOLOGIA

O bullying que ninguém comenta:

54

A intromissão dos pais na escola

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 54

22/01/2018 13:17:19


As partes envolvidas: um todo que reflete a nossa sociedade O perseguidor é justificado por certas qualidades que lembram o sucesso e o carisma; o assediado é estigmatizado e isolado pela sua peculiaridade, ou simplesmente porque cumpre o papel de bode expiatório que isenta os outros da agressão. Os espectadores, que são a maioria, se recusam a se envolver em um conflito que não sentem como seu porque a sociedade lhes ensinou que isso não é “rentável”; “pragmático” e até mesmo contraproducente. Se queremos que o assédio moral seja detectado e corrigido, não podemos ficar passivos, como simples espectadores ou como destinatários das queixas de todo tipo de assédio. O assédio e o abuso vão muito mais além do que bater ou provocar. Às vezes o agressor é um verdadeiro reflexo do que é incentivado na nossa sociedade: a rejeição da excelência, a anulação da diversidade e a exclusão de originalidade. Um alvo vulnerável é escolhido, sem privilégios.

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 55

“A escola e a sociedade precisam trabalhar em conjunto. É preciso conscientizar as pessoas e não agir com indiferença.”

Além disso, ele não é apenas o alvo da ira, mas a consequência óbvia de uma falha de todos ao seu redor que não conseguiram perceber o que está acontecendo.

A pretensão e o falso conceito de sucesso como origem do bullying atualmente O bullying, como o entendemos hoje, tem sido um tabu durante anos. A nova psicologia e a pedagogia incentivam a competição. Ensinam as crianças a falarem várias línguas não pela riqueza cultural, mas pela riqueza material que terão no futuro. Aprofundam cada vez menos disciplinas como a filosofia. As crianças são ensinadas e estão preparadas para ganhar, quando nem sequer aprenderam a conviver. Não ensinam outras realidades para as crianças e muito menos a empatia, o que poderia evitar muitos casos de assédio. Isto não é pintar uma realidade muito escura, é perceber que o avanço dos recursos não caminha ao lado dos grandes avanços educacionais. Não adianta tirar um 10 na lição de casa se você tem um 0 em educação. Se não queremos assédio, se queremos igualdade e educação, podemos

conseguir tudo isso. Uma condição indispensável para chegarmos a uma realidade cordial e conveniente é trabalhar dia após dia. Não existe uma varinha mágica: a escola e a sociedade precisam trabalhar em conjunto. É preciso conscientizar as pessoas e não agir com indiferença.

Pais que se intrometem no espaço escolar: um bullying atual que ninguém comenta Precisamos ser capazes de detectar quais são os pontos em comum entre os vários tipos de assédio, mas eles podem se camuflar entre os novos comportamentos, incluindo pais, professores e alunos. Nos últimos tempos, a superproteção ou mesmo a delegação absoluta para as escolas de uma instrução que compete aos pais está causando sérios problemas de disciplina nas salas de aula. Existe uma confusão entre os papéis e os desejos em muitos pais modernos. Por um lado, eles querem que seus filhos fiquem mais tempo fazendo atividades fora de casa. Por outro lado, pretendem ter uma autoridade absoluta sobre todos os profissionais que trabalham com os seus filhos. O problema da educação atual é que não houve uma transição gradual e suave entre os antigos modelos educacionais, obsoletos e autoritários, para outros modelos mais cooperativos e democráticos que não tirem a autoridade dos profissionais da educação. Isso afeta a educação em geral, mas particularmente o problema do bullying. Como os professores ou psicólogos podem denunciar uma situação abusiva quando a sua autoridade e competência são sistematicamente questionadas pelos pais e pelos próprios alunos? Atualmente, existe uma certa distorção no desenvolvimento de muitas crianças em idade escolar, que dificulta detectar os casos de bullying. Cada vez mais são introduzidas no ambiente escolar atividades como comemorações e festas de aniversário, que deveriam contar com a participação

Continua

A

tualmente o bullying está se tornando cada vez mais visível graças a vozes corajosas, olhares que se recusam a ser passivos e vítimas deste grande problema social que estão compreendendo que as pessoas que sofrem bullying não têm motivos para se sentirem envergonhadas ou estigmatizadas. É muito difícil combater o bullying em uma estrutura socioeconômica que encoraja valores disfuncionais e prejudiciais: valores que são um álibi perfeito para o assediador. É só dar uma olhada na seção de esportes, entretenimento, programas de TV, videogames ou seriados, para entender porque esse problema acontece e se tornou crônico na nossa sociedade. Mas já existe um sinal de que isto está mudando: as pessoas estão discutindo sobre isso.

55

22/01/2018 13:17:19


PSICOLOGIA

“Existe uma confusão entre os papéis e os desejos em muitos pais modernos. Por um lado, eles querem que seus filhos fiquem mais tempo fazendo atividades fora de casa. Por outro lado, pretendem ter uma autoridade absoluta sobre todos os profissionais que trabalham com os seus filhos.”

de todos, mas algumas crianças são excluídas por uma decisão dos pais de outros alunos. As brigas entre adultos são projetadas para um espaço comum. Alguns pais são espectadores, mas se recusam a tomar partido. Os professores não têm apoio e dados confiáveis para mudar a dinâmica da situação. Por sua vez, as crianças aprendem que comportamentos como a exclusão são normais. Com essa atitude, os pais incentivam a intimidação das crianças em sala de aula. Muitos adultos se comportam como crianças: desafiam sistematicamente os professores e negam qualquer comportamento errado dos seus filhos. Eles estigmatizam o comportamento de outras crianças, amplificam e incentivam qualquer

briga entre duas crianças ao invés de optar por um diálogo. Isto também é um bullying silencioso, do qual ninguém fala.

Não podemos deixar que o bullying adote novas formas Mas já existe algo de bom: o antigo bullying foi detectado e agora estamos tentando nos conscientizar a respeito dele e erradicá-lo. Não podemos deixar que ele adquira novas formas e se alimente de novas raízes. Precisamos detectar antecipadamente esse novo tipo de bullying; não é porque está silenciado que causa menos desconforto. Não podemos transformar as nossas crianças em bonecos quebrados das nossas frustrações, colocando-lhes rótulos

que podem causar nos adultos que lidam com eles o conhecido “efeito Pigmalião“. Deixe os seus filhos cometerem erros e acertos antes de fazer um juízo sobre o seu comportamento e personalidade que condicione os outros na sua forma de se relacionar com eles. Não podemos nos transformar em simples espectadores, mas acima de tudo, não podemos incentivar com as nossas atitudes o bullying entre as crianças. Fonte: Portal A mente é maravilhosa

amenteemaravilhosa.com.br/bullyingintromissao-pais-escola

56

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 56

22/01/2018 13:17:25


psicomotricidade

A importância da dança aspectos psicomotores, cognitivos, afetivos e sociais

A

dança atende as necessidades naturais das crianças em termos de expressão e comunicação das suas ideias, da compreensão, do conhecimento a priori e da ampliação de suas habilidades motoras. A expressão das ideias através dos movimentos é um recurso que elas conhecem bem e, simultaneamente, ao desenvolvimento da linguagem oral. As crianças lançam mão dos movimentos motores e não motores para sustentar e enfatizar o que estão querendo dizer. Essa forma natural do uso dos movimentos para a expressão e comunicação é a base do aprendizado da dança. As experiências vividas pelas crianças, assim como sua condição cultural e física, suas habilidades intelectuais e o autoconhecimento, exercem influência significativa sobre a maneira como elas percebem a dança e a integram em suas vidas.

Aspectos Psicomotores Ele contribui para todas as atividades físicas às quais as crianças se dedi-

cam. As experiências proporcionadas pelo aprendizado caracterizam-se pelas multiplas formas de movimentação do corpo através do espaço e do tempo, com peso, fluência e relacionamento.As crianças correm, saltam, fazem contrações, pulam, bamboleiam, engatinham e giram em muitas direções e ao longo de diferentes trajetórias, empregando grandes diversidade de rítmos e intensidades de forças. Elas aprendem a movimentar todo o corpo ou suas partes isoladamente, de modo seguro e afetivo.

Aspectos Cognitivos A capacidade de pensar de forma crítica e criativa é uma habilidade cognitiva empregada no processo de aprendizagem, criação, observação da dança, execução e nas respostas aos estimulos por elas gerados. A medida que as crianças criam, executam ou observam danças, elas fazem uma análise objetiva ou subjetiva dos movimentos e os avaliam. O uso da imaginação para a criança e o rearranjo dos movimentos, em novas formas de expressão de ideias e de sentimentos, faz da criança um mecanismo de desenvolvimento cognitivo. As crianças empregam, instintivamente, o pensamento imaginativo no ambiente diário de recreação, elas criam novos personagens, dão vida a cenários inventados e fazem dos objetos do dia a dia elementos que respaldam seu conceito em termos de brincadeiras.

Aspectos afetivos e sociais

Crianças precisam se sentir bem-sucedidas em relação às experiências as quais se dedicam, elas têm a necessidade de expressar seus sentimentos de alegria, medo, raiva, frustração, excitação e de transmitir sua percepção a respeito do mundo. A dança reconhece e satisfaz essa necessidade, por esse intermédio as crianças se descobrem e passam a entender como se movem. Elas descobrem a impressão proporcionada pela ação de se moverem em diversas direções e quais são os movimentos em relação aos outros. Desenvolvem sua imaginação e aprendem a tomar decisões, tendo experiências com os colegas. As experiências relativas ao aprendizado da dança, independentemente de serem positivas ou negativas, contribuem para o fortalecimento do autoconceito e da autoestima nas crianças. No ambiente social, as crianças gostam de interagir com os colegas por meio de movimentos, elas riem e conversam entre si, ao mesmo tempo que compartilham experiências que consideram divertidas e gratificantes do ponto de vista pessoal. A dança, no contexto da escola, costuma acontecer como parte de uma experiência que engloba toda a aula e o professor atua como facilitador.

Leonardo Tavares

Professor de Educação Física e Judô; Faixa Preta 1º Dan FEMEJU-DF Colégio Maria Imaculada Brasília -DF

Continua

Contribuições para os

57

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 57

22/01/2018 13:17:27


filosofia

C

O Pós-Hum

om mais de meio século de atraso, acabei de ler o livro “O ”. A obra surpreendeu-me por apresentar Holden Caulfield, um jovem dos anos cinquenta, com os mesmos conflitos e solidão melancólica do jovem do século XXI. De certa forma, a semelhança mais marcante entre os séculos XX e o XXI, ao meu ver, diz respeito aos dois sentimentos citados acima. É inegável que muita coisa mudou. Já não se namora como há seis décadas. Deleta-se um namoro num piscar de olhos e o substitui na mesma velocidade, embora o fim do relacionamento seja revestido de inconformidade e sofrimento, como antigamente. Principalmente nesse ponto, o sujeito deste século

em nada difere do indivíduo do século passado. Por enquanto, ainda não se inventou algo que atenue o sofrimento e preencha a solidão. A sociedade de agora avançou muito em relação à de décadas atrás. Graças ao avanço da tecnociência já não se envelhece como envelheceram nossos avós. O homem biônico das séries de TV da década de 1970 deu lugar ao homem pós-biológico, numa hibridização sem limites. O mundo do trabalho se alterou de tal maneira que a “mais-valia relativa” de Marx é cada vez mais desafiada a explicar um mundo onde a mão de obra se torna desnecessária. Muito dessas transformações se deriva do avanço da ciência, que tomou o lugar do mito, subtraiu o espaço da religião e consequentemente de Deus, deixando o homem pós-moderno cada vez mais desamparado. Vivemos num mundo confuso e imprevisível, já não nos é possível explicar a realidade apoiada em dualismo, tudo é múltiplo. Múltiplas amizades, ainda que virtuais, e a diversidade é tanta que, curiosamente, de dois gêneros fizeram-se vários. A sociedade com suas instituições e os homens com seus feitos não conseguem explicar essas mudanças, que se processam sob a tirania da velocidade. O mundo tem pressa, e já não há espaço para as longas narrativas. Nos dias atuais, os pais já não conseguem formular as frases célebres: “No meu tempo... No meu tempo a gente só tinha um par de sapatos...”. Os jovens de hoje rejeitam ou não possuem sensibilidade suficiente para ouvir relatos atrelados à teoria da escassez. São épocas de abundância. Pelo menos é nisso que o capitalismo nos faz crer. Essas ponderações nos remetem novamente a 1951, quando J. D. Sa-

linger nos apresentou Caulfield, um adolescente arrogante, com uma visão ácida de mundo, sempre apontando a falsidade do adulto, muito embora ele próprio não seja um modelo de virtude. Todavia, é um jovem com capacidade de se indignar, o que se constata em seus monólogos cheios de imprecações. Não sabemos ao certo se a juventude atual se embravece com facilidade ou se sucumbiu aos fatos e faz coro ao trecho da música da banda Skank “A nossa indignação é uma mosca sem asas, não ultrapassa as janelas de nossas casas”. Não é fácil obter respostas para essa indagação, uma vez que o século XXI engendrou uma geração “zapping”, que se expressa reduzindo as palavras, amputando as sílabas, sem comprometer o sentido; entretanto, o adulto tem dificuldade para decifrar seus códigos. A mocidade de hoje já não se interessa pelas histórias sobre ETs, substituíram-nas pelas de “vampiros” e “zumbis”. Talvez, explicam alguns estudiosos, porque estas criaturas estão à margem das coisas, e a realidade mais oprime do que liberta. Marialice Foracchi consegue de certa forma traduzir bem este momento com a célebre frase: Cada sociedade constitui o jovem à sua própria imagem. Tudo isso nos indica que temos de descobrir novas formas de se viver nesta sociedade globalizada e legitimá-la, uma vez que já não se permite uma atitude reacionária, “um eterno voltar atrás”, que empobrece a nossa leitura de mundo e em nada contribui para uma evolução efetiva. Essas reflexões pontuam apenas alguns aspectos que marcam o homem da pós-modernidade, que os intelectuais já identificam como o

58

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 58

22/01/2018 13:17:33


umano

“pós-humano”. Isso mais confunde do que esclarece, como ocorre com o conceito de modernidade e pós-modernidade, que ainda suscita grandes debates acadêmicos. Somos tentados a indagar: este pós-humano que surge nesse contexto ambíguo de construção de identidades funcionais, múltiplas e tecnológicas será mais bem-resolvido ou apenas mais um capricho da boa e velha utopia? São inúmeras perguntas num universo de escassas respostas. Talvez, Max Weber permaneça atualizado ao afirmar que a Ciência produziu o desencantamento do mundo, assim como J. D. Salinger, ao dar vida a um personagem fiel a sua época, de certa forma antecipou o homem do século XXI, com sua fragilidade e incertezas.

Selma Vieira de Oliveira

REFERÊNCIAS

Professora de Sociologia EM Colégio Imaculada Conceição Machado-MG

FORACCHI, Marialice M. O estudante e a transformação da sociedade brasileira. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1965. PIERUCCIA, Flavio. O desencantamento do mundo. São Paulo: Ed. 34, 2013.

59

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 59

22/01/2018 13:17:38


filosofia

A adapta para o Os alunos do Colégio Madre Carmen Sallés participaram de uma atividade em que reconheceram comportamentos do passado e do presente. Um deles é o egocentrismo, visto tanto no mito de Narciso quanto nas redes sociais.

É

inegável que o cuidado com a aparência pessoal é fundamental para vivermos em harmonia e com uma boa autoestima. Entretanto, é possível perceber que, muitas vezes, o nosso cuidado natural pode-se deturpar e seguir outros rumos que conscientemente talvez não desejássemos. O século XXI e toda sua informatização, digitalização e interconectividade é um “prato cheio” para que os indivíduos da “era digital” desenvolvam percepções e reflexões significativas acerca do tema “o ser humano e a relação com a sua imagem”.

60

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 60

22/01/2018 13:17:40


ptação dos mitos a os dias atuais:

Panorama Histórico Na Grécia antiga, berço da civilização para muitos historiadores, podemos encontrar um indício da discussão que envolve a temática da relação do ser humano com sua imagem no mito de Narciso. Essa história, resumidamente, conta que: Em tempos idos, na Grécia, o rio Cefiso engravidou a ninfa Liríope. Meses depois, Liríope, apesar de não desejar a gravidez, deu à luz uma criança de beleza extraordinária. Por causa disso, Liríope consultou o adivinho Tirésias sobre o futuro de seu filho e ele disse que Narciso viveria, desde que nunca visse sua própria imagem. Sob essa condição, ele cresceu e

tornou-se um moço tão belo quanto fora em criança. Não havia quem não se apaixonasse por ele. Narciso, entretanto, permanecia indiferente. Um dia, porém, estando sedento, Narciso aproximou-se das águas plácidas de um lago e, ao curvar-se para beber, viu sua imagem refletida no espelho das águas. Maravilhado com sua própria figura, apaixonou-se por si mesmo. Desesperadamente, passou a precisar do objeto do seu amor e viu que não conseguiria mais viver sem aquele ser deslumbrante. Sua vida se reduziu à contemplação daquele jovem tão belo: desejava-o, queria possuí-lo. Desvairado, inclinando-se cada vez mais ao encontro do ser amado, mergulhou nos braços frios da morte. Às margens do lago, nasceu uma entorpecedora flor: o narciso. Ela relembra para sempre o destino trágico daquele que, aparentemente apaixonado por si mesmo,

era, na verdade, incapaz de amar (CORDI, 1995, p.79). Embora a história de Narciso apresente um conteúdo trágico no seu fim, ela, em seu enredo, revela temas pertinentes a serem refletidos em torno da questão do ser humano e sua imagem. Nesse sentido, podemos elencar, a partir do mito de Narciso, um primeiro aspecto que nós, seres humanos, podemos cultivar em nós mesmos, o egocentrismo. Naturalmente todas as pessoas gostam de si mesmas, porém nota-se, na sociedade contemporânea, com o advento das redes sociais, que esse comportamento egocêntrico tem ganhado cada vez mais espaço. Mas o que viria a ser esse egocentrismo ou narcisismo? De uma forma bastante geral, entende-se por egocêntricas ou narcisistas aquelas pessoas que supervalorizam sua própria imagem, que alimentam uma exagerada admiração por si mesmas, que se julgam superiores às outras e por isso têm dificuldade de reconhecer as qualidades e o valor das conquistas alheias, valorizando somente o que diz respeito a elas mesmas. Narcisismo é, portanto, o amor excessivo a sua própria imagem, a autoadmiração.

Da Teoria à Prática O mito de Narciso tem muito a nos dizer nos dias atuais, e, pensando na perspectiva dessa história, foi desenvolvida uma atividade na disciplina de Filosofia com os estudantes dos 8os anos do Colégio Madre Carmen Sal-

Continua

Nesse sentido, podemos formular as seguintes questões: Quando o cuidado pessoal em excesso se transforma em vaidade? O que se esconde por detrás da nossa autoadmiração excessiva? Qual é a necessidade de estarmos sempre em evidência? Exceder no cuidado com a aparência é cultuar a própria imagem? Ao cultuarmos a nossa imagem, tornamo-nos pessoas mais solícitas ou mesquinhas? Ao estabelecermos um determinado padrão visual, somos capazes de reconhecer a beleza alheia? O que é o belo? O que é o feio? Gosto é pessoal e cada um tem o seu? É fato que essas questões perpassam a história humana e que cada época, em particular, busca entender as causas e as possíveis consequências desses fatos, sejam eles positivos ou negativos.

61

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 61

22/01/2018 13:17:47


filosofia viver em sociedade. Na vida social, cada um deve ter responsabilidade pelo próximo, o que, de certa forma, muito nos aproxima da proposta cristã vivenciada de forma profunda e radical pelos santos e santas, de um modo especial Madre Carmen Sallés, uma vez que todos nós somos imagem e semelhança do Criador.

Marcos Vinícius Oliveira Rocha

lés. A atividade propôs adaptar o mito aos dias atuais, ou seja, buscou-se abordar como Narciso se apaixonaria pela própria imagem a partir do uso das redes sociais. Nessa atividade, os alunos fizeram uma adaptação de uma história milenar para os dias atuais utilizando como referência os ambientes virtuais contemporâneos, que favorecem o desenvolvimento do entretenimento, da comunicação, da informação e do relacionamento, apesar de poderem facilitar o aparecimento de comportamentos narcisistas e egocêntricos. Além disso, os alunos desenvolveram habilidades cognitivas de relacionar fatos e ideias e reconhecer comportamentos típicos presentes. Outro aspecto abordado na atividade proposta diz respeito à conscientização dos estudantes em relação à ideia de indiferença que a história do mito relata e que atualmente vem ganhado espaço na sociedade, uma vez que, na contemporaneidade, deparamo-nos com diversas atitudes em que o não reconhecimento do outro tem sido a tônica. Atualmente diversas formas de indiferença são manifestadas em práticas de xenofobismo, bullying, cyberbullying, discriminação, preconceitos das diversas formas etc. A presença de comportamentos dessa magnitude mostra que, cada vez mais, necessitamos desenvolver

ações que despertem nas pessoas, sobretudo nos jovens e nos adolescentes, a necessidade de valorizarmos o outro. Além disso, é preciso reconhecer a alteridade, ou seja, o outro, aquele que está ao nosso lado. Muitas vezes nos tornamos incapazes de enxergá-lo, ora por estarmos contaminados pelo egocentrismo, ora por nos infectarmos pela indiferença, não reconhecendo o outro. Nesse sentido, o reconhecimento do outro em detrimento de nossas indiferenças, na sociedade contemporânea, é uma maneira de contribuir para uma forma mais humana de se

REFERÊNCIAS

Professor de Filosofia do 5º ao 8º ano do Ensino Fundamental II Colégio Madre Carmen Sallés - Brasília - DF

BAUMAM, Zygmunt. 44 cartas do mundo líquido moderno. Rio de janeiro: Zahar, 2011. CORDI, Cassiano e outros. Para filosofar. São Paulo: Scipione, 1995. OLIVEIRA, Raimundo Nonato. Filosofia: Investigando a ética e a sexualidade. Fortaleza: Edjovem, 2011. A CONCEPÇÃO DE ALTERIDADE EM LÉVINAS: Caminhos para uma Formação mais Humana no Mundo Contemporâneo. Disponível em: <http://www.periodicos. unir.br/index.php/igarape/article/view/861/865>.

62

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 62

22/01/2018 13:17:50


pedagogia

Trabalhando Fração na cozinha

Com o intuito de aprender Matemática na prática, os alunos do 4o Ano do CIC de Passos aprenderam frações numéricas por meio da divisão de pizzas, que eles prepararam, em fatias

E

m agosto, os alunos do 4º ano Alfa e Beta tiveram uma aula diferenciada. Foram para a cozinha da escola e fizeram pizzas deliciosas. Além de saboreá-las, puderam ver na prática a divisão de um todo referência em partes iguais. As professoras do 4º ano introduziram, na aula de Matemática, o conteúdo de frações. Trabalharam com as nomenclaturas e definições e resolveram criar um momento para que os alunos pudessem ver concretamente o que estavam trabalhando na teoria.

Estar em um lugar diferente da sala de aula já foi motivo de empolgação. Os alunos participaram de todos os momentos, começando com a divisão dos ingredientes que cada um trouxe de casa. Cada um participou de uma etapa da montagem da pizza e, assim que foram ficando prontas, antes de saboreá-las, fizemos um momento de observação e estudo. A pizza foi dividida em 2 partes iguais para ensinar o meio ou metade. Logo em seguida, o “quarto” e o “sexto” da pizza e, por fim, o “oitavo”. Cada um saboreou 1/8 da pizza. Os alunos ainda ofereceram pizzas para alguns funcionários. Sendo educadoras, as professoras reconhecem a importância da utilização do concreto nas aulas de Matemática, tornando-as dinâmicas e participativas, principalmente no tocante ao envolvimento do aluno. “Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção.” Paulo Freire Denise Lemos de Souza

Professora do 4o ano do Ensino Fundamental; Graduada em Matemática e Ciências do 1o grau - Pós-graduada em Psicopedagogia - Colégio Imaculada Conceição - Passos - MG

63

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 63

22/01/2018 13:17:55


pedagogia

Como ser um p motivador em s

“A aprendizagem só será significativa para o aluno a partir do momento em que o professor proporcionar a ele a oportunidade de debater e explorar o que ele tem à sua volta.” 64

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 64

A

qui a motivação acontece! No processo de ensino-aprendizagem, é fundamental que haja motivação em sala de aula. Vivemos em um mundo cheio de informações, e nossas crianças estão sendo estimuladas de todas as formas e a todo momento. Assim, por ter acesso à tecnologia, as crianças são bombardeadas com todos os tipos de informação. Nesse contexto, o mais preocupante é o tempo de concentração da criança diante de todas as situações e principalmente em sala de aula, quando o tempo é mínimo. Onde entra a motivação nessa hora? Entra em sala de aula com o professor motivador.

Ser um professor motivador não é nada fácil e leva tempo, dedicação e principalmente amor pelo que se faz. Ser um professor motivador não é exclusividade de uma disciplina, mas de todas. Para que isso ocorra, o professor precisa conhecer as necessidades da sua turma, identificar o que chama mais a atenção dela nos momentos em sala de aula, criar ambientes diferentes para que sejam significativos e, principalmente, o professor precisa estar motivado. O entusiasmo precisa estar em primeiro lugar. Não adianta ter um bom planejamento em mãos e apresentá-lo para a turma sem alegria e motivação naquilo que será apresentado. Criança motivada é um sucesso no processo de ensino.

22/01/2018 13:17:58


m professor m sala de aula? Aqui no Colégio Madre Carmen Sallés, os alunos do 2° ano do Ensino Fundamental vivenciam na prática os conteúdos apresentados durante os bimestres. Essa motivação não acontece apenas nas aulas de matemática, com o uso do material concreto, mas em todas as disciplinas. Antes mesmo de o educador anunciar qual será o conteúdo a ser apresentado ou pegar no livro, é feito um levantamento do conhecimento prévio da turma. A partir desse levantamento, é realizado um trabalho de motivação por parte do professor, em que ele cria um ambiente que seja favorável para a apresentação de seu conteúdo e estratégias para que seja uma aula significativa. Com isso, ele pode fazer com que o aluno queira

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 65

saber mais. O objetivo é desafiar o aluno a buscar o conhecimento. Em nossas aulas, são criadas situações de aprendizagem significativas para que os estudantes contribuam no momento das atividades. Eles buscam a informação, seja em uma pesquisa em livros ou na internet, seja em uma entrevista com as famílias. Em sala, são feitos debates e apresentações sobre o que foi pesquisado pelas crianças. Para os alunos, é de extrema importância sair do ambiente de sala de aula e vivenciar outros ambientes. São exemplos desses importantes momentos: buscar a informação no laboratório de informática, ir até a cozinha experimental fazer uma receita, ir até outros espaços da escola

e conhecer outros funcionários e suas funções para o bom funcionamento da escola. A aprendizagem só será significativa para o aluno a partir do momento em que o professor proporcionar a ele a oportunidade de debater e explorar o que ele tem à sua volta. Não existe aprendizagem sem motivação, e um aluno motivado é um aluno aberto a novos conhecimentos. Karla Barreto

Professora do 2º ano do Ensino Fundamental I Colégio Madre Carmen Sallés Brasília - DF

65

22/01/2018 13:17:59


pedagogia

Literatura de Cordel

Ao som de um violão e muitas palmas, os educandos do CMI-DF cantaram um repente e puderam conhecer melhor a riqueza cultural da literatura de cordel.

Q

uando a aula é diferente, tudo de bom acontece! Um plano de aula com o gênero Cordel pode ser uma boa

oportunidade de incentivar os alunos a fazerem o bom uso de experiências culturais que emanam desta literatura toda sua riqueza expressiva, utilizando-se de várias linguagens, tais como: gráfica, musical, verbal oral e verbal escrita. Durante uma aula literária, pude voltar ao passado, quando o Renascimento tornou-se prestigiado pela impressão de relatos orais e manteve-se com uma forma popular no Brasil, apresentando, assim, a literatura de cordel, que é uma linguagem caracterizada por narrar histórias em forma de poesia e de rimas. A abordagem ao conteúdo fez os alunos desvendarem que o famoso cordel tem este nome por causa da forma que os folhetos eram comercializados antigamente, sabendo que eram pendurados em cordas ou barbantes, tornando-se uma vertente popular muito forte no Nordeste do

Brasil, onde as histórias difundidas no sertão foram imortalizadas, juntamente com seus costumes e com sua cultura regional. Por meio das visualizações do cordel exposto em sala, dos slides aplicados, da volta ao passado, do repente criado em homenagem aos meus alunos, todos eles tiveram a oportunidade de conceber como tradicionalmente eram expostas as xilogravuras. A sala de aula virou uma verdadeira apresentação de folhetim, onde os educandos puderam apreciar com um verdadeiro sentido que só a época lhes trazia. Segue um repente que fiz a uma turma muito comunicativa, conversadeira, mas afiada no conteúdo e em seus afazeres diários.

66

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 66

22/01/2018 13:18:02


CORDEL PARA O 7º A Eu vou contar pra vocês Como é o 7º ano A Nessa nossa incrível sala Eles não param de falar

Lá tem gente barulhenta Alguns vivem a brincar Tem muitos caladinhos E outros que gostam de conversar

Logo depois vem tudo de novo E começam a tagarelar Essa turma não tem mais jeito A orientação vou convocar

Apesar dessa conversa Tenho muito que dizer Eles são bons de papo E também fazem o dever Só reclamam quando é PR E eu não quero nem saber

Esses meninos tão cativantes São tão queridos por mim Curto sempre todos os instantes Até um dia eles vão me ouvir

Se eu pudesse, todos eles Levaria para mim Como não posso fazer isso

Os alunos cantaram este repente ao som do violão e de muitas palmas! É notório observar a grandeza que tivemos em nossa aula. Quando fazemos com prazer, adquirimos a possibilidade de conquistar espaços maiores nos corações e nas mentes de nossos alunos. Luciana Miranda

Professora de Língua Portuguesa Colégio Maria Imaculada Brasília - DF

Curto aqui no CMI. (BIS)

67

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 67

22/01/2018 13:18:08


pedagogia

Conflito para aprender

Ciente da importância de pensar a Educação Infantil como espaço de solução de conflitos, a educadora Geane Cristine Leite propôs aos seus alunos uma forma de dialogar sobre as diferenças.

N

a Educação Infantil, o conflito é uma problemática recorrente e muitas vezes evitada. As crianças que frequentam a escola até os 5 anos estão na fase da primeira infância, período marcado por descobertas, experiências, curiosidades, disputa de atenção e espaço, que muitas vezes acarretam desavenças entre elas. Os conflitos são vistos como problema em grande parte das escolas, ou seja, um fator que dificulta o desenvolvimento da aula, que muitas vezes é interrompida para que o professor “resolva” a situação. A instituição de Educação Infantil é um espaço importante para se desenvolver a solução de conflitos, um dos primeiros lugares em que os pequenos

terão relações interpessoais diferentes do seu meio familiar. Por isso, os educadores não devem estranhar as atitudes das crianças quando elas reagem mal a uma determinada situação. Ao contrário, devem se manter calmos e planejar uma intervenção eficaz sem culpar a criança ou transpor o problema. É preciso que as crianças envolvidas reflitam sobre o que aconteceu. É comum observar em escolas um movimento destinado a evitar os conflitos: regras em exagero, separação de turmas e colegas e intervenções rápidas sem reflexão. No entanto, perde-se a oportunidade de trabalhar valores e regras com as crianças. Se não há conflitos, não há oportunidade de favorecer a aprendizagem e a autorregulação. Os alunos necessitam do confronto com os problemas

68

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 68

22/01/2018 13:18:11


confronto com o problema gerado por eles e uma grande autonomia em resolver seus próprios conflitos. Inicialmente o trabalho com o símbolo era sempre com a mediação da professora, levando os alunos a exporem seus sentimentos e pensamentos, fazendo-os solucionar os próprios problemas sem que desrespeitassem seus colegas. Hoje, os conflitos são resolvidos de duas formas: sem e com mediação. Ao longo do trabalho, a professora percebeu que as crianças começaram a ter grande autonomia em buscar o símbolo para resolver suas desavenças. Quando percebe que conseguem

resolver sozinhas, não intervém, mas, como algumas crianças ainda não alcançaram o nível de autonomia e não sabem dialogar para resolver, a professora busca mediar para que, no decorrer do ano, consigam fazê-lo. O trabalho com “o símbolo” vem alcançando grandes resultados. As crianças têm aprendido a resolver seus próprios conflitos e a questionar os amigos, os motivos que levaram a magoá-los e, assim, estão aprendendo a expressar seus sentimentos e emoções. Outro resultado que a professora vem alcançando é a redução dos conflitos, pois, uma vez que a criança confronta o problema provocado por ela mesma e passa a perceber que suas atitudes geraram um desconforto e uma tristeza no outro, isso gera uma aprendizagem de valores e autorregulação de seu comportamento, levando-a a buscar atitudes agradáveis e cordiais. Geane Cristine Leite

Professora do 1º Período – Educação Infantil Colégio Imaculada Conceição Machado - MG

REFERÊNCIAS

gerados por eles. Conflito faz parte do dia a dia, é algo natural e deve ser tratado com naturalidade, e não como algo impróprio; deve ser resolvido e compreendido. A turma do primeiro período da professora Geane Cristine Leite tem trabalhado essa problemática de uma maneira simples, mas significativa para as crianças. Em meio a muitos conflitos, a professora e seus alunos se reuniram, em uma espécie de assembleia, para pensar uma forma de dialogar sobre as diferenças. Durante a reunião, as crianças puderam expor seus sentimentos e demonstrar o que as deixam alegres e o que as entristecem e, assim, pensar maneiras para que, no dia a dia, elas possam fazer isto frequentemente e resolver seus conflitos e angústias. Juntas criaram um símbolo e o chamaram de símbolo da conversa. Para que serve este símbolo? O símbolo, de acordo com o combinado da turma, fica exposto no suporte do quadro-negro da sala, um lugar de fácil acesso a todos. Se algum conflito surgir entre os colegas, e a criança sentir necessidade de conversar para resolver, um dos envolvidos busca o símbolo e entrega ao colega com o qual está chateado. Ambos seguem com o símbolo em mãos para o tapete da sala e juntos abordam o problema. Este símbolo, hoje, é um grande aliado para a professora e para os alunos, pois possibilita o diálogo, o

CORSI, Bianca Rodriguez. Relações e conflitos entre crianças na Educação Infantil: o que elas pensam e falam sobre isso. Educar em Revista, n. 42, p. 279-296, 2011. ILEGGI VINHA, Telma; PAULINO TOGNETTA, Luciene Regina. Construindo a autonomia moral na escola: os conflitos interpessoais e a aprendizagem dos valores. Revista Diálogo Educacional, v. 9, n. 28, 2009 LEONHARDT DOS SANTOS, Diana; CARVALHO PRESTES, Andressa; DE LUCCA FREITAS, Lia Beatriz. Estratégias de professoras de educação infantil para resolução de conflitos entre crianças. Psicologia Escolar e Educacional, v. 18, n. 2, 2014.

69

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 69

22/01/2018 13:18:13


pedagogia

Contação de histórias

Um incentivo à imaginação, ao gosto e ao hábito da leitura “A criança que escuta histórias desde pequena provavelmente no futuro irá buscar novos livros ou até mesmo aqueles que lhes foram contados na infância.”

A

s histórias infantis têm papel fundamental na formação do indivíduo, tornando-o criativo, crítico e capaz de tomar decisões. A contação de histórias é uma das atividades mais antigas de que se tem notícia. O ato de contar uma história, além de atividade lúdica, amplia a imaginação e ajuda a criança a organizar sua fala, por meio da coerência e da realidade. Contar histórias constitui-se uma prática da cultura humana que antecede o desenvolvimento da escrita. De acordo com Cavalcanti (2009), o bom contador de história é alguém que possui a virtude natural para fazer da palavra o canto mágico das narrativas. A fantasia, por sua vez, faz parte do universo do imaginário e é

assim definida por Corso: “A paixão pela fantasia começa muito cedo, não existe infância sem ela, e a fantasia alimenta-se da ficção, portanto não existe infância sem ficção” (CORSO, 2006, p. 17). Dessa forma, podemos dizer que a história leva a criança para um passado misterioso e a instiga para o futuro, ou seja, é possível ir até onde sua imaginação chegar. Para formar crianças que gostem de ler e que tenham sensação de prazer com a leitura, é preciso proporcionar a elas desde muito cedo um contato frequente e agradável com o livro e com o ato de ouvir e contar histórias. Ao contar uma história, estão em jogo aspectos vinculados às marcas da oralidade: trejeitos, gestos e entonação, que nos permitem uma audição só possível estando presente. O

70

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 70

22/01/2018 13:18:16


contador de histórias usa a expressão corporal, a voz e os recursos disponíveis, como as fantasias, para envolver aqueles que o ouvem. Ele assume uma fala que não é sua, mas a forma com que busca contar a história é que é o diferencial. E isso está ligado diretamente ao imaginário infantil. O uso dessa ferramenta incentiva não somente a imaginação, mas também o gosto e o hábito da leitura. Para Coelho (2000), a história prende a atenção, socializa e informa, além de aquietar e deixar as pessoas mais serenas, desde que o narrador tenha compromisso com ela. A criança que escuta histórias desde pequena provavelmente no futuro irá buscar isso, também a escrita é favorecida, pois crianças escreverão como crianças, e jamais como adultos em miniaturas. Jhonatan Bernardo de Freitas

novos livros ou até mesmo aqueles que lhes foram contados na infância. É uma atividade fundamental que transmite conhecimentos e valores, e sua atuação é decisiva na formação e no desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem. A arte de contar história é muito mais que ler uma história. É preciso que o contador tenha

clareza do que cada situação oferece ao ouvinte e a quem conta diferentes experiências de aprendizagem. O professor, quando aproxima seus alunos da leitura e dos contos de fadas, está, na verdade, abrindo a possibilidade para que os educandos possam elaborar e amadurecer sua própria linguagem literária e, com

REFERÊNCIAS

Professor de Música – Educação Infantil e Ensino Fundamental Colégio Madre Carmen Sallés Brasília – Distrito Federal CAVALCANTI, Joana. Caminhos da literatura infantil e juvenil: dinâmicas e vivências na ação pedagógica. 3.° Eed. São Paulo: Paulus, 2009. COELHO, Nelly Novaes. Literatura Infantil: teoria – análise – didática. São Paulo: Moderna, 2009. CORSO, Diana L. & Mario. Fadas no divã. A psicanálise nas histórias infantis. Porto Alegre: Artmed, 2006. CUNHA, Maria Antonieta Antunes. Literatura Infantil: Teoria e Prática. São Paulo: Ática, 2006.

71

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 71

22/01/2018 13:18:24


pedagogia

O ensino da

História

Transformações e mudanças na prática pedagógica “O ideal é que haja uma busca por conhecimento por parte do professor considerando que a história é viva e está em constante transformação.”

D

urante muito tempo, o que permeava o ensino de História nas escolas brasileiras eram os fatos políticos nos quais eram favorecidas as elites e as classes dominantes. Por causa de seus interesses políticos, os conteúdos que deveriam ser ensinados eram escolhidos exclusivamente, de acordo com esses interesses, exaltando lutas, heróis e feitos políticos da época sob uma única perspectiva, tratando aquele conhecimento como se fosse algo pronto e terminado, tido como verdade absoluta e como se nada fosse capaz de mudá-lo, tornando, assim, os alunos cada vez mais distantes daquele conteúdo. Lopes (1989, p. 22)

ressalta que “a história assim escrita é uma grande sucessão de acontecimentos que se baseiam em fatos isolados, preocupada, sobretudo, com guerras, batalhas, personagens, grandes feitos, grandes heróis. Todos mortos. E assim, a história [...] quase nada explica”. Com o passar dos tempos e com os avanços na área educacional, o ensino da História passou a ser questionado, havendo assim uma ruptura com os métodos tradicionais. Com isso, surgiram mudanças na forma de ministrar as aulas, porém, ainda é possível perceber que, nas séries iniciais, esta matéria ainda permanece um pouco distante do interesse dos alunos. De acordo com Monteiro (2004, p. 85): (...) Num mundo onde os meios de comunicação acentuam a impor-

72

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 72

22/01/2018 13:18:25


INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 73

REFERÊNCIAS

tância de tempo presente, em que o aqui e o agora parecem ocupar todas as atenções e o antigo é qualificado como velho e descartável, o estudo da história torna-se difícil, desafiador e, para muitos, desnecessário. Quando falamos do ensino de História nos anos iniciais, referimo-nos a algo que deveria ser prazeroso, mas que muitas vezes, por causa das metodologias utilizadas pelos professores, torna-se entediante, já que alguns reproduzem os conteúdos como se fossem prontos e acabados, esquecendo-se de que a história é algo que vai sendo construído ao longo do tempo e que para a sua compreensão é necessária a contextualização dos fatos históricos, possibilitando assim a discussão e a análise desses fatos por diversos pontos de vista pelos alunos. Portanto, faz-se necessário que novas metodologias sejam adotadas no ensino de História com o objetivo de tornar as aulas mais dinâmicas e significativas diante do contexto atual em que os alunos estão inseridos. É preciso fazer uma reflexão sobre o tipo de metodologia utilizada pelos professores no ensino de História e sua importância no processo de ensino-aprendizagem, na motivação e, consequentemente, no desempenho e apreensão do conteúdo pelos alunos. O ideal é que haja uma busca por conhecimento por parte do professor, considerando que a história é viva e está em constante transformação, além de se apropriar de diferentes métodos para transmitir o conhecimento, tendo em vista as especificidades de cada turma e individualidade de cada aluno. Esses atos contribuirão para aulas mais dinâmicas e contextualizadas. Hoje em dia, as coisas mudam de forma muito rápida, portanto, é preciso mudarmos também a forma de trabalhar os conteúdos e sobretudo o olhar dos alunos sobre os acontecimentos passados e presentes. Isso faz com que se reconheçam como agentes de transformação e mudanças no futuro, oferecendo informações e novas respostas para os vários acontecimentos, apresentando as diferentes formas de interpretação, as diversas perspectivas sobre um mesmo assunto

para que eles possam chegar, de fato, ao conhecimento verdadeiro de um acontecimento histórico. Concluindo: É muito importante que o professor assuma, de fato, o papel de mediador do conhecimento, dando aos alunos a oportunidade do contato com diversos recursos e pontos de vista que contextualizem os fatos históricos, para que percebam a relevância de conhecer aquele conteúdo para, então, compreender a sua importância e, a partir daí, dar início a um processo de construção do conhecimento histórico realmente significativo. Farias (1999, p. 363) diz: Cabe ao professor a tentativa de desenvolver nos alunos o entendimento crítico da dinâmica histórica, tornando-os sujeitos atentos à reflexão dos acontecimentos históricos (...) aplicar a pedagogia da descoberta, de forma a elucidar e debater as várias problemáticas referentes à história.

FARIAS, Kelson Adriani. O Professor de História e o Drama de Ensinar. In: XX Simpósio Nacional de História. História e Fronteiras. Florianópolis: ANPUH, 1999. HEGEMÜHLE, Adelar. Gestão de ensino e práticas pedagógicas. In _____. Que cenários? Que ser humano? Que perfil de aluno? Petrópolis: Vozes, 2005. LOPES, Eliane Marta Teixeira. Perspectivas históricas da educação. 2. ed. São Paulo: Ática, 1989. MONTEIRO, A. M. Os professores de História ainda são necessários? Nossa História. São Paulo: Vera Cruz, 2004.

Julia Vasques

Professora do 4º e 5º ano do Fundamental I Colégio Maria Imaculada Rio de Janeiro - RJ

73

22/01/2018 13:18:26


pedagogia

O texto teatral nas aulas de Português - Como será a posição e a movimentação das personagens nas cenas (rubricas)? - Quais serão os elementos do cenário? - E os figurinos? - Haverá efeitos de sonoplastia, iluminação e música de fundo?

O

objetivo principal da atividade com o texto teatral é possibilitar uma aprendizagem mais significativa da língua, a partir de um estudo prévio e de familiarização com as especificidades desse gênero. Podemos, ainda, dar destaque para uma oportunidade grandiosa que os alunos têm no sentido de “dar vida” a um texto escrito. Para a realização desse trabalho dos 8ºs anos, iniciamos uma leitura do paradidático “A megera domada” de William Shakespeare e de outros textos complementares do gênero, durante a aula, como “Aquele que diz sim e Aquele que diz não” (Atos I e II) de Bertolt Brechet, ambos considerados dramáticos. Posteriormente à leitura compartilhada, fizemos um estudo e uma análise mais específica das características principais atribuídas a esses textos, bem como da sua composição: o dilema envolvido na história, seus personagens, o espaço, o tempo, o cenário (planos para apresentação) e

o que ocorrerá em cada cena. Como tarefa de casa, individualmente, houve um planejamento prévio (roteiro), em que os alunos responderam às perguntas conduzindo-os a detalhes importantes que deveriam ser considerados em seus textos - a situação inicial, o empecilho que determina o conflito (dilema) e o desfecho da história. O desafio desse planejamento também fundamentava-se em criar as personagens principais e secundárias, descrevê-las e organizar a representação, além de norteá-los em questões pontuais como: - Em quantas cenas (planos) a história será apresentada? - O que ocorrerá em cada cena?

Logo aconteceu um momento considerado valioso em aula, quando todos os alunos compartilharam com os colegas do grupo suas ideias iniciais para a escolha do roteiro e, assim, construíram juntos a história que mais apreciaram. Após a produção de texto, chegou o momento da apresentação. A turma estava muito motivada. Eles escolheram, com empenho e carinho, o figurino de suas personagens, os cenários correspondentes a cada cena retratada e a sonoplastia para, de fato, tornar suas produções uma peça teatral. Para finalizarmos a atividade, depois de cada apresentação, os alunos preencheram duas fichas avaliativas a respeito do gênero trabalhado que contemplavam o texto escrito e a performance de cada grupo. A proposta dessa avaliação consistiu em que os alunos refletissem não somente sobre seus textos e apresentações, mas também sobre a dos colegas, focando os aspectos positivos e coerentes em suas produções. Sandra Regina Mendonça Siciliano

Profa. de Português do Segmento 3 Colégio Maria Imaculada São Paulo - SP

74

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 74

22/01/2018 13:18:29


O mundo da leitura por meio da ludicidade “A turma do Jardim II E participou de brincadeiras que estimularam a leitura de forma lúdica e prazerosa (...) Os alunos ficaram muito envolvidos e acabaram expressando todo o seu sentimento e emoção.”

É

por meio das atividades lúdicas desenvolvidas na escola que as crianças aprendem a se socializar com as demais e, a partir daí, conseguem formar seus próprios conceitos, selecionar suas ideias, adquirir percepções e estabelecer relações lógicas. Tudo isso é muito importante para o desenvolvimento da criança. A turma do Jardim II “E” participou de brincadeiras que estimularam a leitura de forma lúdica e prazerosa. No “Ditado estourado”, as crianças, uma por uma, escolhiam um balão e estouravam-no. Dentro do balão, havia uma palavra simples, que o(a) aluno(a) tentaria ler. Na brincadeira “Pulando nas pétalas”, a professora formou 2 grupos, e, em cada grupo, ficaria uma criança no miolo da flor e essa criança pularia na pétala quando a professora pronunciasse a palavra escolhida (os outros participantes poderiam ajudar os colegas). Essas brincadeiras proporcionaram, tanto

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 75

para a criança quanto para a professora, prazer durante o processo de aprendizagem e principalmente na aquisição da escrita e da linguagem durante essa etapa. Aprender por intermédio de brincadeiras é uma maneira diferente de se trabalhar o tradicional ditado, além de ser uma estratégia para reforçar o que foi ensinado ou um momento para descobrir o que os alunos sabem. Os alunos ficaram muito envolvidos e acabaram expressando todo o seu sentimento e emoção. Foi um momento bem divertido. Sabemos que, a partir do momento em que a criança tem acesso ao mundo da leitura, ela passa a buscar novos textos literários, faz novas descobertas e consequentemente amplia a compreensão de si e do mundo que a cerca. Lílian Raquel

Professora do Jardim II da Educação Infantil- Colégio Madre Carmen Sallés Brasília - DF

75

22/01/2018 13:18:30


pedagogia

Minimercado Fantasiado C

Os alunos montaram um minimercado para perceberem a organização dos produtos, identificação e comparação de preços, desenvolverem o cálculo mental e assim aprenderem matemática de forma lúdica

om o objetivo de aprofundar, sistematizar e ampliar o conhecimento sobre o sistema monetário brasileiro, bem como incentivar o cálculo e o uso de valores aproximados para resolver situações envolvendo quantias em dinheiro, as turmas dos primeiros anos montaram e criaram um Minimercado “Fantasiado”. O nome foi escolhido para homenagear os personagens do Folclore Brasileiro. Inicialmente foi estabelecido um diálogo sobre o conhecimento e interesse de cada um dos alunos sobre

o tema. Depois houve a simulação de um mercado, preparado e montado numa sala externa, um ambiente diferente de sala de aula. Para isso, foram utilizadas embalagens vazias trazidas pelos alunos que, juntamente com as professoras, foram organizadas em prateleiras, com seus respectivos preços e seleção de produtos como: limpeza, higiene e produtos comestíveis. Os alunos foram organizados em duplas para as tarefas de compra e serviço de caixa, fazendo revezamento de 15 em 15 minutos. O dinheirinho foi recortado e distribuído para cada equipe de compradores. Durante a

76

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 76

22/01/2018 13:18:33


dinâmica, perceberam a organização dos produtos, identificaram e compararam os preços, desenvolveram o cálculo mental e fizeram a leitura de rótulos. Foi uma experiência muito significativa, pois todos aprenderam de uma maneira prazerosa. E o mais importante: unimos o lúdico a aprendizagem. Percebemos também que as crianças se divertiram carregando a lista de

compras, os carrinhos e cestinhas para as mercadorias. O comentário deles era de que parecia uma brincadeira em família no mercado. Após as compras, eles passavam a mercadoria no caixa e, em seguida, transferiam a vivência e toda a prática do dia, aos registros do caderno de matemática. Realizavam a mesma operação e utilizavam outros meios para fazerem os cálculos: canudos,

risquinhos, os dedos e a até a calculadora, que despertou um grande interesse, pois muitos não sabiam utilizá-la. Além de construírem os conceitos da adição e subtração, desenvolveram o raciocínio lógico na resolução de situações- problemas e conheceram os diferentes tipos de textos como folhetos, embalagens e listas trazidas de casa. Levando em consideração que a criança se destaca principalmente pela criatividade, pelo fascínio das descobertas e que possui extremo interesse pelo novo e por tudo o que é no concreto, ela necessita ser envolvida em atividades matemáticas que permitam a construção da aprendizagem de forma significativa. Assim, o processo da alfabetização e letramento torna-se prazeroso, fácil e dinâmico. Camila Teixeira de Carvalho Vasconcelos.

Professora do 1º ano do Ensino Fundamental I. Graduada em Letras/Pedagogia; Especialista em Língua Portuguesa e Literatura. Colégio Imaculada Conceição Passos - MG

77

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 77

22/01/2018 13:18:40


pedagogia

A importância da Literatura Infantil

“A literatura infantil se apresenta como uma linguagem mediadora entre a criança e tudo o que a cerca.”

A

literatura faz parte da vida das pessoas, por vários motivos: para explicar fenômenos da natureza, exemplificar experiências, moral, prazer, podendo ser transmitida de boca em boca ou pela mídia. O ato de ouvir e contar histórias está presente na vida das pessoas desde que nascem e pode ser considerado em seus dois grandes aspectos, o oral e o escrito, e nos permite uma pergunta: existe uma literatura infantil propriamente dita? E se existe, esta literatura infantil faz parte da literatura geral?

Para Meireles, tudo é uma literatura só. O difícil é delimitar o que se considera especialmente do âmbito infantil. Na verdade, são as crianças que delimitam com a sua preferência. O mais acertado seria classificar como literatura infantil não o que para as crianças se escreve, mas o que elas leem com utilidade e prazer. Segundo Sosa (1978), muito do que se escreve para as crianças não as satisfaz intelectualmente e é recusado por elas. Autores como Meireles e Sosa acreditam que existiria uma literatura utilizada e eternizada pela criança a posteriori. Portanto, o problema é que há uma especificação literária voltada

à criança um pouco duvidosa, como apontam alguns autores. A literatura infantil necessita da presença da criança, seu destinatário único, porém “pode acontecer que a obra infantil agrade ao adulto e muitas vezes, como comprova a história, obras que não foram escritas para as crianças por elas foram adotadas”. (Góes, 1984) Entretanto, a literatura infantil é muito importante, pois se apresenta como uma linguagem mediadora entre a criança e tudo o que a cerca, introduzindo-a no imaginário humano por meio de imagens, mitos e símbolos, levando-a a entender o mundo e as relações com os demais. Uma segunda função é facilitar a aprendizagem de modelos narrativos e poéticos utilizados em cada cultura. E ainda ampliar o diálogo entre a coletividade e as crianças, contribuindo para que saibam como é ou como deveria ser o mundo, atribuindo às histórias narradas ou lidas uma função socializadora. Por estes e outros aspectos, a relevância da literatura infantil se faz necessária, desde muito cedo, na vida das crianças, tanto no cotidiano familiar como nas escolas.

Heloisa Helena Gonçalves Bonaita Martins

Professora da Educação Infantil Colégio Maria Imaculada Mococa - SP

78

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 78

22/01/2018 13:18:45


integraçaõ família-escola

Festa da Família

A família não nasce pronta; constrói-se aos poucos e no melhor laboratório, o amor. Em casa, entre pais e filhos, pode-se aprender a amar, ter respeito, fé, solidariedade, companheirismo e outros sentimentos.

A

Festa da Família surgiu no ano de 1997, com o objetivo de trazer uma comemoração que integrasse a família como um todo e não somente as suas partes individualmente. Como podemos observar, nos dias de hoje, o conceito de família vem

mudando ao longo dos anos com a diversidade familiar. É dever da escola aceitar e respeitar as condições do próximo. A Escola Santa Carmen Sallés acredita sempre que esse é o momento de interação entre a comunidade escolar e a família, mostrando que a convivência tem um enorme significado na família Concepcionista, trabalhando o amor, o respeito e a participação. “O amor em família, em comunidade, em equipe de trabalho une e funde. Oxalá se possa dizer destes como se dizia dos primeiros cristãos: vede como se amam. Seriam muitos corpos em uma só alma.” (Ecos do pensamento de Carmen Sallés) Mais um sábado chegando… Mas este não é um simples sábado. Em 12 de agosto de 2017, em homenagem às famílias e em comemoração ao terceiro aniversário da nossa es-

cola, nos reunimos para comemorar. O evento contou com a participação de todos os funcionários e, como somos da grande Família Concepcionista, o professor Leonardo da unidade CEMI compareceu para abrilhantar e interagir com a comunidade escolar no ritmo da Zumba. Todos se empenharam com alegria para proporcionar um dia especial. Foram desenvolvidas oficinas como: bingo, Kinect, no tempo da vovó, karaokê, continue a história, jogos, cantinho da beleza e camarim maluco. Durante a festa, os alunos fizeram apresentações musicais para homenagear os pais. Segundo o Papa Francisco, com base em Gênesis, a festa é uma intenção de Deus, que nos ensina sobre a importância de dedicar um tempo para completar e usufruir daquilo que no trabalho foi bem realizado. Finalizamos o evento com o objetivo alcançado: todos se uniram agradecendo a Deus pela oportunidade de realizar essa comemoração prazerosa, que proporcionou a união entre as famílias, conscientizando a todos sobre o valor da convivência familiar. Ana Lucinda Oleiros Laudjane Vieira dos Santos Priscila da Silva Souza Passos Educadoras da Escola Santa Carmen Sallés São Paulo - SP

79

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 79

22/01/2018 13:18:50


INTERDISCIPLINARIDADE

Com o objetivo de examinar e estudar as atividades artísticas que nos cercam, os alunos do CMI-SP visitaram a Exposição Brasiliana e também uma mostra com o que há de mais moderno no Japão

Visita ao Centro C e à Casa d

N

o dia 15 de agosto de 2017, os alunos do 8º ano do Colégio Maria Imaculada - SP realizaram uma visita ao Centro Cultural Itaú e à Casa do Japão: dois espaços culturais nas nossas proximidades. Muitas vezes temos oportunidades de conhecer exposições, localizadas na Avenida Paulista, que enriquecem nossos procedimentos educativos proporcionando-lhes observações culturais e artísticas. Essa foi uma delas. Com os objetivos de examinar e estudar as atividades artísticas que nos cercam, os professores de Artes, Ciências, Geografia, História e Ma-

Gravura de Rugendas

80

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 80

22/01/2018 13:18:56


o Cultural Itaú a do Japão temática organizaram uma visita a esses lugares. No Espaço Itaú, percorreram a Exposição Brasiliana, a mais nova mostra permanente sobre a história do Brasil, com suas 1.300 peças, uma das mais ricas coleções de arte e a Coleção Numismática (de moedas). Lá, puderam observar a íntima relação entre os “antigos e os novos espaços da cidade” e sua importância para a memória social de nosso povo. Numa montagem moderna, os vídeos, dando movimento aos desenhos expostos, garantiram a linguagem visual, um passeio encantador aos nossos alunos. Por meio de belas pinturas e gravuras de Debret, Rugendas, Descourtilz, dupla Spix e Martins atravessamos a nossa linha do tempo revelando o fascínio dos europeus pela natureza brasileira exuberante. Houve momentos em que nos sentimos caminhando entre bichos da fauna de nosso país. Moedas raras e prateleiras com objetos também puderam ser manuseados por eles completando nossa visita. Já na Casa do Japão, construída pela comunidade japonesa em São Paulo os jovens, em vez de quimonos,

leques e lamparinas de papel milenares, os alunos visualizaram o que há de mais moderno em arte, design, gastronomia, tecnologia e negócios do Japão. Nos dois ambientes, fomos recebidos por profissionais qualificados que esclareceram dúvidas e ajudaram a resolver questões acadêmicas propostas pelas áreas de estudo. Como finalização desse trabalho interdisciplinar, nossos alunos preencheram um detalhado Guia de estudo e realizaram uma atividade artística (pintura sobre tela) baseada nas obras lá apresentadas.

Todos, alunos e professores, tivemos a oportunidade de realizar uma visita pedagógica que, além de interessante, nos permitiu uma bela caminhada pelo mais famoso cartão postal de São Paulo: a Avenida Paulista.

Diva de Toledo Cesar Ommundsen

Profa.de História do Ensino Fundamental II - Colégio Maria Imaculada - São Paulo - SP

81

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 81

22/01/2018 13:19:03


INTERDISCIPLINARIDADE

O uso do videogame para aprender História “O videogame pode ser um importante recurso paradidático nas múltiplas estratégias de ensino. O diferencial desse recurso está na interação que permite entre o aluno e o conteúdo estudado.”

N

o início do século XX, houve uma transformação na forma como se pesquisava e se ensinava História. A Escola dos Annales, de Lucien Febvre, Marc Bloch, Jacque Le Goff, Fernand Braudel e George Duby, transformou o modo de se trabalhar com o passado. A própria História passou a ser vista como uma ciência em movimento, que se transforma de acordo com a cultura e com o seu tempo. A Escola dos Annales foi impactante e renovadora no movimento historiográfico, colocou em questionamento a historiografia tradicional

e apresentou novos elementos para o conhecimento das sociedades. Ela apresentou todos os aspectos possíveis da vida humana ligada à análise das estruturas e assim ampliou o campo da História para muito além do que era praticado até então. Entre as transformações propostas pela Escola dos Annales, estava a argumentação de que o tempo histórico apresenta ritmos diferentes para os acontecimentos. Ao considerar a História não mais apenas como uma sequência de acontecimentos, outros tipos de fontes foram adotados para as pesquisas. Com todo esse enriquecimento, os Annales aproximaram a História não só das demais ciências

82

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 82

22/01/2018 13:19:05


INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 83

o processo de ensino-aprendizagem está relacionado à interação que o jogo proporciona. Jogos como Battlefield I e II e Verdun 1914-1918 possuem um enredo rico e uma história descritiva que permite aos alunos do 9º ano do Ensino Fundamental compreenderem acontecimentos históricos como a Primeira e a Segunda Guerra Mundial. No mundo dos games, a Grande Guerra é um dos períodos históricos mais abordados. De todos os games sobre esse assunto, Battlefield, ambientado em cenários da Primeira e da Segunda Guerra Mundial, é a franquia mais fidedigna. Encarnando soldados alemães, franceses, americanos, ingleses ou canadenses, os jogadores podem reviver batalhas do Front Ocidental e vivenciar o cotidiano claustrofóbico das trincheiras da Primeira Guerra Mundial. No game, os jogadores precisam defender suas posições e ganhar terreno sobre as linhas inimigas. Em certos momentos, ordens de avanço são proferidas, e os soldados devem escalar suas trincheiras e investir contra seus inimigos. Se o ataque for malsucedido, a debandada é soada, e os jogadores têm de correr de volta ao seu refúgio e defendê-lo a todo custo. O resultado é um jogo incrível, que captura com vigor o desespero das batalhas. Nesse sentido, a franquia Battlefield é um importante subsídio

para o educando sobre a compreensão das fases das duas Grandes Guerras. Outro jogo que exerce função educativa se trabalhado com esse objetivo é Assassin’s Creed Unity, ambientado na França, no final do século XVIII, durante a Revolução Francesa. O game proporciona aos alunos do 8º ano do Ensino Fundamental uma imersão no cenário da Revolução, chamando a atenção para o mapa de Paris (cidade em que se passa a história). A ideia dos desenvolvedores era “construir” uma réplica da cidade, reconstruindo-a a partir de sua arquitetura ainda existente e por mapas que representassem o estado de Paris no período (final do século XVIII). A hipótese de como se trabalhar esse jogo partia da noção de aprender História a partir do cenário da Revolução Francesa, visto que a cidade de Paris tem um importante papel na história mundial, como palco de uma das maiores transformações de paradigmas definidores da Idade Contemporânea. Diego Meotti e Hilário Ramos (2016), no livro Jogos eletrônicos no ensino de História: discussões sobre suas aplicações em salas de aula no Brasil no século XXI, fazem a seguinte afirmação sobre o jogo Assassin’s Creed Unity: Assassin’s Creed Unity é uma ferramenta facilitadora na compreensão dos alunos sobre a situação social

Continua

sociais, mas de um novo universo de ferramentas para se fazer História. E, nesse sentido, a disciplina escolar de História, assim como sua ciência, vem se reformulando enquanto construção do tempo e da sociedade, buscando novas alternativas para aproximar o conteúdo ministrado em sala da realidade do educando. Nesse contexto, o videogame pode ser um importante recurso paradidático nas múltiplas estratégias de ensino. O diferencial desse recurso está na interação que permite entre o aluno e o conteúdo estudado. Os games virtuais facilitam a compreensão dos alunos sobre uma determinada situação, inserida em um contexto específico distante de sua realidade. Nas décadas de 1980 e 1990, jogar videogame era algo recriminado pela maioria dos pais, pois era considerado sinônimo de prejuízos no desenvolvimento cognitivo, de déficit educacional e, até mesmo, de problemas no comportamento social das crianças. Mas, há algum tempo, o videogame vem deixando de ser um problema para tornar-se uma ferramenta no auxílio do ensino-aprendizagem escolar, como, por exemplo, no ensino de História. Existem inúmeros jogos para se trabalhar nessa disciplina e há vários jogos cujo enredo se passa em um período histórico ou que tentam retratar sociedades do passado por meio de simulações. Tudo isso pode ser trabalhado com o objetivo de levar o aluno a interagir com o conteúdo, facilitando, assim, o ensino-aprendizagem. É notório que os jogos virtuais conquistaram um espaço importante na vida contemporânea, além de ser um dos setores que mais crescem na indústria de mídia e entretenimento. Para se ter uma ideia, estudos recentes estimam que o faturamento do mercado de games supera o do setor de música, e algumas franquias se tornaram tão promissoras que ganharam versões cinematográficas. Nesse contexto, os jogos virtuais são utilizados para ampliar o conhecimento sobre determinado conteúdo histórico. O grande diferencial do videogame como ferramenta para

83

22/01/2018 13:19:05


INTERDISCIPLINARIDADE

aos conhecimentos indispensáveis para a construção de sua cidadania, fornecendo aos alunos meios para progredir educacionalmente. Portanto, nada melhor do que envolvê-los no ensino de História com as ferramentas que nos estão disponíveis, de maneira lúdica e prazerosa. Gustavo Siqueira Campos Cheliga

Professor de História do 6º ao 8º ano do Ensino Fundamental II Colégio Madre Carmen Sallés Brasília - DF

parisiense no fim do século XVIII de uma forma muito clara, pois, além de haver uma fidelidade, existe também a liberdade para o professor e para os alunos explorarem todos os cantos da cidade, além de possibilitar a estes observar a dicotomia extrema entre os pobres e os ricos de uma forma que nenhum livro ou filme poderiam apresentar. Uma imersão profunda geograficamente e temporalmente durante a Revolução. Além dos jogos de primeira pessoa, como Battlefield, existem também os que permitem ao jogador controlar uma civilização, administrar instituições religiosas, militares e econômicas ou até mesmo criar construções de um determinado tempo e espaço. Entre os jogos com essa função, o mais acessível para qualquer faixa etária e que pode ser trabalhado com alunos, tanto do Ensino Fundamental I e II como do Ensino Médio, é a franquia Minecraft. O game, construído em uma linguagem bem acessível, possibilita que os alunos desenvolvam maquetes virtuais e aprendam a história das civilizações antigas de forma lúdica e prazerosa. Existem diversos relatos de experiências de professores que implantaram o jogo como recurso didático e obtiveram resultados promissores, como, por exemplo, a atividade proposta pelo professor Nilton Torquato, que incorporou o Minecraft para ensinar feudalismo aos alunos do 7º ano do Ensino Fundamental.

Segundo Torquato: O jogo permite aos alunos a construção de réplicas de cidades, montando bloco por bloco, com recursos ilimitados, e possibilita que os educandos compreendam com maior facilidade a cultura, o imaginário e a filosofia das sociedades antigas. A construção das maquetes virtuais também estimula que os alunos pesquisem o tema para criar cenários ricos em detalhes com mais veracidade, assim favorecendo o aprendizado. Fica evidente que a utilização de games no processo educativo não é algo tão recente, visto que educadores já têm utilizado as franquias de jogos comerciais como ferramentas de aprendizado. Além do mais, a utilização de jogos virtuais torna-se uma excelente ferramenta para se trabalhar conteúdo abstrato, ocorrido no passado, a fim de torná-lo mais concreto para os alunos, e motiva-os a apreender novos conteúdos durante o processo educativo, tornando-os assim conscientes do seu protagonismo na construção da história de seu povo. Os games, como ferramenta para aprendizagem, demonstram ser capazes de adaptarem com flexibilidade assuntos historiográficos às novas mentalidades e ainda possibilitam a preparação básica do educando para a cidadania, já que proporcionam o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico. Nessa mesma linha, estimulam o acesso

REFERÊNCIAS

A formação do “cidadão crítico, criativo, participativo”: um discurso aquém da prática. Disponível em: <http://alb. com.br/arquivo-morto/edicoes_anteriores/anais16/sem12pdf/sm12ss11_01. pdf>. Acesso em: 3 out. 2017. 3 jogos para entender a Primeira Guerra Mundial. Disponível em: <https:// finisgeekis.com/2016/05/17/3-jogos-para-entender-a-primeira-guerra-mundial-antes-de-battlefield-1/>. Acesso em: 3 out. 2017. Jogos eletrônicos no ensino de História: discussões sobre suas aplicações em salas de aula no Brasil no século XXI. Diego Meotti, Hilário Ramos. Disponível em: <http://cafiluffs.wixsite.com/culturapensante/single-post/2016/10/23/ JOGOS-ELETR%C3%94NICOS-NO-ENSINO-DE-HIST%C3%93RIA-DISCUSS%C3%95ES- http://www.segs. com.br/educacao/42717.html SOBRE-SUAS-APLICA%C3%87%C3%95ES-EM-SALAS-DE-AULA-NO-BRASIL-NO-S%C3%89CULO-XXI>. Acesso em: 3 out. 2017. “Minecraft” vira método de ensino em escolas. Disponível em: <http:// link.estadao.com.br/noticias/ games,minecraft-vira-metodo-de-ensino-em-escolas,10000047977>. Acesso em: 3 out. 2017. CONTRIBUIÇÕES DA ÉCOLE DES ANNALES E DE FERNAND BRAUDEL PARA AS RELAÇÕES INTERNACIONAIS. Disponível em: <http://revista.unicuritiba.edu. br/index.php/RIMA/article/viewFile/612/473>. Acesso em: 3 out. 2017.

84

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 84

22/01/2018 13:19:07


TIC´S

TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO

Curiosidade em Alta Os alunos do 6º e 7º ano do CMI- RJ vivenciaram um aprendizado diferente, por meio do uso de uma ferramenta digital que permite a elaboração de perguntas pelos professores com imagens e vídeos

N

o mundo de hoje, tudo é muito veloz. As novas tecnologias já fazem parte do nosso dia. Basta olhar áreas como a saúde, o entretenimento, as telecomunicações, o sistema bancário, o comércio etc., para constatar que as novas tecnologias não apenas adentraram nessas áreas há bastante tempo como as transformaram significativamente. A forma como as pessoas hoje trabalham, comunicam-se, divertem-se, realizam suas transações financeiras, adquirem bens e serviços, cumprem com suas obrigações fiscais e eleitoras e etc., pouco tem a ver com a forma como elas faziam essas mesmas atividades há pelo menos três décadas. Entretanto, ao entrar em alguma escola, percebemos que ainda as novas tecnologias não provocaram transformações significativas. Mas o desafio de uma cultura digital está pronto a provocar novas

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 85

estratégias de aprendizagem. E para isto, foi criada na internet uma nova ferramenta: o “Kahoot”. Este é um serviço para a fixação de conteúdos usando tablets, smartphones e laptops. Os professores podem elaborar testes ou pesquisas para que os alunos respondam em qualquer dispositivo com um navegador de internet. As perguntas podem incluir imagens e vídeos e o professor pode determinar o tempo para a resolução de cada questão. Os alunos dos 6º e do 7º ano do CMI-RJ tiveram a oportunidade de vivenciar essa experiência desafiadora. Curiosidade e empolgação tomaram conta de todos. O tempo determinado era de 30 segundos a dois minutos para cada questão. Este jogo também faz com que o aluno pense rapidamente e estimula a competição sadia entre os alunos. Os comentários entre os alunos foram disciplinados e envolventes, como das alunas Maria Heloisa e Valentina que disseram estar motivadas,

pois o jogo é desafiador e muito empolgante. Observa-se, portanto, que novas habilidades relevantes para o século XXI precisam estar sempre em pauta. Já que os assentos escolares, hoje, pertencem a uma geração que nasceu de uma cultura digital que está acostumada a fazer várias tarefas ao mesmo tempo e a usar diferentes mídias e linguagens para interagir. Cabe também à escola, possibilitar que os alunos sejam capazes de serem críticos e construtores de uma formação ideológica. Pois não podemos mais fugir da tecnologia. Ao final, o objetivo fora alcançado. Os comentários de alguns alunos nos fazem perceber que mudar é preciso, avançar em tecnologias que desenvolvam o ser humano em um ser comprometido com a realidade em que vive é urgente para o hoje e para as próximas gerações. Alexandra Chagas

Professora de Matemática Colégio Maria Imaculada Rio de Janeiro - RJ

85

22/01/2018 13:19:09


orientação profissional

Mês Vocacional

Tempo para refletir a vocação Inspirados na vocação espiritual, os alunos do Colégio Madre Carmen Sallés participaram de uma atividade que envolveu a reflexão da profissão que desejam seguir, refletindo assim a vocação profissional.

D

entro do calendário litúrgico da Igreja Católica, o mês de agosto propõe aos seus fiéis a reflexão sobre o tema da vocação. A vocação, na perspectiva da espiritualidade, é entendida como um mistério, mas que aos poucos vai se desvelando para as pessoas, na medida em que elas estejam dispostas a descobrir por que estão aqui na Terra e como podem encontrar um sentido, existencial e também profissional. Para que possamos descobrir qual é a nossa vocação, é necessário desenvolver algumas ações básicas. As Sagradas Escrituras apresentam homens e mulheres que, desejosos de descobrirem suas vocações, se dispuseram a escutar o chamado, pois vocação, nessa perspectiva, além de ser um dom de Deus, é resposta a um chamado. Só é possível respondermos

a um chamado na medida em que temos condições, disposição e coragem para ouvi-lo. As crianças desde pequenas nutrem diversos sonhos, que estão, na

86

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 86

22/01/2018 13:19:13


maioria das vezes, relacionados ao que gostariam de ser quando crescerem, ou seja, quando forem adultas. É evidente que muitos sonhos vão sendo deixados de lado com o passar do tempo e o amadurecimento físico e psíquico desses indivíduos. Entretanto, é preciso que pelo menos um desses diversos sonhos seja cultivado, fortalecido, escutado e desenvolvido, para que assim possa florescer. Tentando manter essa necessidade de refletir, cultivar, desenvolver, amadurecer e florescer a vocação, foi desenvolvida, no mês de agosto, nas disciplinas de Ensino Religioso e Filosofia, com alunos do 5º ano do Ensino Fundamental I do Colégio Madre Carmen Sallés, a seguinte atividade: o que quero ser quando crescer? Nessa atividade, os alunos primeiramente desenvolveram um texto em que deveriam pensar em qual profissão desejam seguir, qual a colaboração dessa profissão para sociedade e qual o caminho que deve ser percorrido para alcançá-la. Em seguida, foi realizada uma atividade em que os alunos, com base na escolha de sua profissão, apresentaram como o profissional escolhido por eles atua de forma prática na sociedade.

Cada ser humano é fruto do seu tempo Pode-se constatar que, além de manterem com vigor as esperanças

quanto ao seu futuro, esses estudantes estarão, por meio de suas vocações, presentes em diversas áreas sociais. Médico, arquiteto, engenheiro, professor, dançarina, jogador de futebol, policial, militar das Forças Armadas e músico – essas foram algumas das diversas profissões apresentadas pelos estudantes. Profissões novas, fruto do tempo destes jovens, também apareceram em cena: youtuber, player gamer, animador de desenhos, ator de filme da Marvel e por aí vai. Nesse sentido, percebe-se que cada vocação segue um chamado específico, mas que, relacionando-se com outras vocações e dialogando, todos serão beneficiados, prevalecendo assim o que nos diz um

cantor e poeta brasileiro: sonho que se sonha só é apenas um sonho, mas sonho que se sonha junto é realidade (Raul Seixas).

Marcos Vinícius Oliveira Rocha

Professor de Filosofia do 5º ao 8º ano do Ensino Fundamental II

Aline Fernandes C. Souza Santos Professora do 5º ano do Ensino Fundamental I

Ronara Daniela Gonçalves Gontijo Professora do 5º ano do Ensino Fundamental I

Márcia Meirielly B. de Almeida Professora do 5º ano do Ensino Fundamental I

Colégio Madre Carmen Sallés Brasília - DF

87

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 87

22/01/2018 13:19:18


projetos

Prática musical na Educação Infantil

Com o intuito de manter viva a tradição das congadas machadenses, o projeto da congada mirim conta com a participação dos alunos do CIC de Machado.

N

o mês de agosto, aconteceu a apresentação da congada mirim “Nossa Senhora do Rosário” do Colégio Imaculada Conceição. O projeto foi desenvolvido pelo professor de Educação Musical Breno José Gonçalves, com o apoio das professoras da Educação Infantil, da Coordenadora Maria Bernardete Pereira Ribeiro e das Irmãs. Durante todo o ano letivo, nas aulas de Musicalização Infantil, são

trabalhados: ritmo, melodia, harmonia, andamento, intensidade e coordenação motora, elementos necessários à boa performance de uma congada. A música tem papel importante na educação das crianças. Ela contribui para o desenvolvimento psicomotor, sócio-afetivo, cognitivo e linguístico, além de ser facilitadora do processo de aprendizagem. A musicalização é um processo de construção do conhecimento e favorece o desenvolvimento da sensibilidade, criatividade, senso rítmico, do prazer de ouvir música, da imaginação, memória, concentração, atenção, do respeito ao próximo e da afetividade, e também contribui para uma efetiva consciência corporal e de movimentação. A musicalização na Educação Infantil está relacionada a uma motivação diferente do ensinar, em que é possível favorecer a autoestima, a socialização e o desenvolvimento do gosto e do senso musical das crianças dessa fase. Cantando ou dançando, a música de boa qualidade proporciona diversos benefícios para as crianças e é uma grande aliada no desenvolvimento saudável. O projeto da congada mirim teve início em 2012, com o intuito de manter viva a tradição das congadas machadenses, na Festa de São Benedito. Nossos alunos são esperados ansiosamente pela população no tradicional desfile de congadas mirins que acontece no último final de semana da festa.

Breno José Gonçalves

88

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 88

Professor de Educação Musical Colégio Imaculada Conceição Machado - MG

22/01/2018 13:19:23


Florescendo:

Cultivar para florescer Inspirados no tema da agenda de fazer florescer o cuidado com a vida e a natureza, os alunos do CIC de Machado construíram um jardim vertical, em que cada um cuidou de sua própria plantação

O

projeto “Florescendo” da Educação Infantil, do Colégio Imaculada Conceição, cujo tema é “Cultivar para florescer”, foi inspirado na agenda e na Campanha da Fraternidade 2017, que trata dos “Biomas Brasileiros e a Defesa da Vida”. Tem como objetivo despertar nas crianças o olhar para o belo, para a vida humana e para o saber cuidar de toda a criação de Deus!

Como ponto de partida, juntamente com as professoras, em junho de 2017, as crianças construíram um jardim vertical, no qual cada criança plantou a sua semente ou muda e sentiu o prazer de cuidar da plantação com muito carinho. Todos os dias o jardim era regado. As plantas foram se transformando e ganhando forma. O verde e outras

cores foram aparecendo bem devagar, e os alunos, diariamente, puderam acompanhar a evolução da vida e seu milagre. Viram uma pequena semente se transformar numa vistosa plantação! E como “tudo o que se planta, se colhe”, em setembro foi o momento tão esperado da colheita! As crianças entraram em contato com a terra, mais uma vez, e colheram rúcula, cebolinha, salsinha, chicória e, depois da colheita, a equipe pedagógica preparou um delicioso e nutritivo lanche natural. Após meses de espera, de apreciação e observação, o projeto “Florescendo” fora concretizado com êxito! Nada melhor que poder ver no rosto das crianças a satisfação de plantar e poder cuidar, de colher e ainda degustar e desfrutar da sua dedicação e do seu carinho com a natureza! Como educadora, acredito que, por meio de pequenos gestos, é que se tem grandes atitudes, e isto as crianças carregarão em suas mentes e em seus corações por toda a vida! Alessandra Romanelli de Tarso

Professora da Educação Infantil Graduada em Letras e Pedagogia Pós-Graduada em Metodologia do Ensino da Língua Inglesa Colégio Imaculada Conceição Machado - MG

89

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 89

22/01/2018 13:19:41


projetos

Cultural Game:

chacoalhando a rotina

Exercitando o aprendizado de forma mais dinâmica e interativa, alunos do CIC de Machado participaram de um “Game Cultural”, com perguntas e respostas sobre as matérias estudadas em Matemática e Ciências

A

inovação nos proporciona uma forma de aprender mais dinâmica e interativa, desperta nos alunos maior engajamento. Esse diferencial no ensino-aprendizagem aumenta o índice de satisfação. Com o intuito de apresentar aula com um diferencial, um projeto interdisciplinar foi proposto aos alunos do Colégio Imaculada Conceição, um “Game Cultural”, que constituiu de perguntas e respostas referentes à matéria estudada nas disciplinas de Matemática e Ciências, também, algumas curiosidades

dessas disciplinas e, ainda, algumas questões de conhecimentos gerais. As propostas foram: aprender, discutir, participar, interagir, competir e desenvolver o espírito esportivo. O projeto foi desenvolvido no dia 08/06/2017, no horário rotineiro das três primeiras aulas, com alunos de 8º

90

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 90

22/01/2018 13:19:49


e 9º anos do Ensino Fundamental II, que foram divididos em cinco grupos (Os Peixotos, Deus é mais, Os Perseverantes, The Illuminats e Claudia e seus amigos) de dez componentes cada, sendo nomeado um aluno de cada ano para auxiliar na contagem de pontos. O “Game” se resumiu em oito baterias de dez perguntas cada, valendo 10 pontos cada bateria. As baterias foram compostas de cinco perguntas de Ciências e cinco de Matemática. O grupo com o maior número de pontos saiu vencedor. Por iniciativa das professoras Cristina Reis (Matemática) e Maria de Fátima Nery Dias (Ciências da Natureza), e com participação da Diretora do Colégio, Irmã Caridade, do Gestor Educacional, Eliel Silva, Irmã Zaíra e Marly Botazini, foram desenvolvidos os questionamentos cronometrados por uma ampulheta, sendo um minuto para cada resposta. A proposta do projeto teve aceitação maciça, com muita responsabilidade, comprometimento, agilidade nas respostas e participação geral dos alunos. Na inovação do contexto pedagógico foram trabalhados cálculos e conhecimentos gerais acumulados tanto em Ciências quanto em Matemática. Mudamos o cenário da sala de aula e criamos um ambiente onde todos pudessem contribuir com seus conhecimentos, deixando de ser receptores passivos de conteúdos. Essa estratégia pedagógica foi uma ferramenta muito positiva e teve a aprovação de todos.

Exemplo de questões: Apesar de bem pequeno, sou um terror para plantas e animais. Nem célula possuo e vivo à custa dos demais. Simples, porém ousado em minha existência. Sou um grande desafio para a Ciência. Esse verso se refere a um (uma)... Qual o resultado do desenvolvimento do produto notável: (x + 1)2? (a) x2 – 2x + 1 (b) x2 + 2x – 1 (c) x2 + 2x + 1

Para concluirmos o projeto, montamos um gráfico de aproveitamento e classificação geral. Com a prática pedagógica desafiadora e aprimorada, esse projeto nos enriqueceu e ainda ganhamos uma carga de motivação para desenvolvermos outras atividades.

Maria de Fátima Nery Dias

Profª de Ciências 8º e 9º anos do Ensino Fundamental II

Maria Cristina Reis Pereira Carvalho

Profª de Matemática 8º e 9º anos Ensino Fundamental II Colégio Imaculada Conceição Machado – MG

91

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 91

22/01/2018 13:19:51


projetos

Música em Família

“Receita secreta. Ingredientes mágicos. De um lugar tão perto.

não Vale potes de ouro, mas está à venda. m Não está na despensa, ne na geladeira. na Não está no cofre, nem tumba do faraó. , É um segredo de família guardado e reservado. Com uma única chave mestra. O coração puro de um grande gourmet.”

Q

ual é a sua receita de felicidade? Com o intuito de resgatar a história da criança e de sua família, fortalecendo as relações humanas por meio de atividades lúdicas e reflexivas, o projeto Música em Família: Receita de Felicidade foi prazerosamente recebido no segmento da Educação Infantil do Colégio Madre Carmen Sallés. Idealizado pelos artistas Paula Santisteban e Eduardo Bologna, o projeto proporciona momentos interativos com canções do CD integradas com as atividades do livro. Ilustrado por desenhos e coloridos à moda antiga, o livro possui o aspecto de um caderno de receitas e pode tornar-se um belo álbum de recordações da família. Imagine mesclar a arte, a culinária e a música em um projeto composto por momentos especiais com quem

se ama. Do piquenique no jardim da escola à pizza em família, o projeto permite que as trocas e as experiências familiares estimulem o interesse e a criatividade do aluno a cada atividade realizada. Os alunos do maternal II B iniciaram o projeto atentos aos comandos e às narrativas. Descobriram uma receita diferente, repleta de sentimentos bons, que levava pitadas de atenção e cobertura de beijinhos. Alguns familiares das crianças foram convidados para participar da partilha, deixando as crianças mais empolgadas a participar, respondendo sobre seus pratos prediletos e observando atentas os utensílios da cozinha. A cada mês, surgiam novidades, como o que fazer em um dia de sol e a leitura de uma receita antiga de família da vovó, pertinentes à ideia de ampliar as possibilidades de estabelecer e escutar as vivências do projeto.

92

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 92

22/01/2018 13:19:53


A escola, por sua vez, é um contexto multicultural e diversificado de desenvolvimento e aprendizagem, em que pessoas com características diferenciadas estabelecem interações contínuas e complexas, constroem laços afetivos e preparam-se para se inserir na sociedade (Dessen e Polonia, 2007). Na medida em que se constituem os dois principais ambientes (família e escola) do desenvolvimento humano, reconhece-se sua importância, manifestada na rotina escolar, na formação do indivíduo. O projeto ficou mais enriquecido com a presença e a participação da família nas rodas de conversas, nas solicitações de materiais e no interesse dela ao ouvir o CD em casa com a criança. Pequenos detalhes, que somados atingem uma elevada proporção, marcam a vida da família e deixam uma excelente recordação e aprendizado na escola. Momentos como fantasiar um cinema na escola, descobrir quem é quem em fotos antigas da família, escolher seus brinquedos e brincadeiras prediletos,

compartilhar receitas e, por fim, realizar uma grande apresentação músico-teatral na escola totalizam os momentos felizes que o projeto almeja. Para a felicidade não tem receita pronta, e cada indivíduo monta a sua. A felicidade é o estado de quem é feliz, é uma sensação de bem-estar e contentamento, que pode ocorrer por diversos motivos. Não importa qual o estilo da sua família, o importante é o respeito e o amor entre seus integrantes. Essa é a fórmula da verdadeira felicidade familiar. Fica a torcida para que os reflexos do projeto perdurem e amadureçam na memória e que sejam, também, práticas de amor, alegrias e cantoria diárias, motivando a união da família e estreitando laços inesquecíveis com a escola. Monique Desiree Nunes Seabra

Professora do Maternal II da Educação Infantil Colégio Madre Carmen Sallés Brasília - DF

REFERÊNCIAS

Além disso, o projeto possibilitou aos alunos conhecerem, também, as brincadeiras preferidas da infância da mamãe e do papai, consolidando um vínculo expansivo entre escola e família. Após os primeiros capítulos do livro, já ficava evidente a curiosidade da turma em relação ao próximo tema proposto pelo projeto. Com a introdução da atividade “Dia de Sol”, as crianças tiveram a satisfação de realizar um piquenique no jardim da escola. Elas trouxeram frutas, bolos, sanduíches e biscoitos. A famosa toalha xadrez e a cesta de piquenique já estavam a postos para mais uma experiência alegre e satisfatória. A turma foi mais adiante. As crianças cantavam as músicas do projeto com frequência e reproduziam em brincadeiras as atividades realizadas. Para a atividade Bom Apetite, as crianças realizaram uma receita especial e contaram com o apoio da mãe do aluno Theo Tunholi, a nutricionista Ana Carolina, preparando um saboroso sanduíche natural acompanhado por um suco de laranja. Ingredientes à mesa, cada criança montava o sanduíche a seu modo, e, com carinho e cuidado, a nutricionista buscava incentivar a descoberta de ingredientes novos com dinâmicas na preparação do lanche. Era gratificante notar a atenção dada pela turma na realização de cada etapa do livro. A família é o primeiro ambiente de socialização do indivíduo, além de ser uma das principais instituições mediadoras dos padrões e modelos culturais. Os laços afetivos formados dentro da família, quando positivos, favorecem o ajustamento do indivíduo aos diferentes ambientes de que participa (Dessen e Polonia, 2007).

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 93

DESSEN, M. A. & Polonia, A. C. (2007). A família e a escola como contextos de desenvolvimento humano. Paideia, Cadernos de Psicologia e Educação, 17, 36, 21-32. SANTISTEBAN, Paula; BOLOGNA, Eduardo. Receita de Felicidade. 6. ed. São Paulo: Música em família, 2015.

93

22/01/2018 13:19:55


projetos

Habilidades de leitura e raciocínio lógico

Projeto Sallesmática propôs aos alunos do Colégio Madre Carmen Sallés questões matemáticas que

C

om o objetivo de estimular a aprendizagem da Matemática e rever as habilidades trabalhadas durante o ano letivo, a professora Aline Caldeira, do Colégio Madre Carmen Sallés, em Brasília, criou o projeto “Sallesmática”, que visa desenvolver as habilidades de leitura e raciocínio lógico, para que os alunos

ampliem seus conhecimentos e suas competências matemáticas, além de proporcionar maior interação entre os colégios da Rede. A didática adotada para o desenrolar do projeto consiste na resolução de problemas matemáticos dirigidos aos alunos do 5º ano do Ensino Fundamental dos colégios Madre Carmen Sallés e Maria Imaculada. As questões escolhidas visam o desenvolvimento de estratégias criativas evidenciando que a matemática não é uma ciência pronta e acabada, e sim uma construção contínua do saber. É “Matemágica”! Outro aspecto positivo desse projeto é estimular o espírito competitivo sadio, mostrando que os bons resultados são alcançados com esforço e dedicação. Ao final do projeto, entregamos um certificado de participação para todos os alunos e, de acordo com o regulamento da Sallesmática, uma premiação para os melhores resultados.

Aline Caldeira

Professora do 5º ano do Ensino Fundamental Colégio Madre Carmen Sallés Brasília - DF

demandaram o desenvolvimento de estratégias criativas para serem resolvidas. 94

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 94

22/01/2018 13:20:01


Atualidades em xeque

Projeto busca alternativas para aperfeiçoar e potencializar as habilidades de crítica, de planejamento e de execução.

T

ratar de temas da atualidade requer do estudante, no mínimo, que ele esteja atento aos acontecimentos diários no Brasil e no mundo. É preciso acompanhar as notícias pertinentes aos campos social, econômico, educacional e cultural. Levando em consideração que os dias atuais sofrem com constantes mudanças, em todas as esferas da sociedade, e que nossos jovens estudantes também se encontram nesse processo, devemos fazer uso de diversos meios de comunicação em nossas salas de aula, para garantirmos a aprendizagem efetiva e, além disso, o desenvolvimento de habilidades fun-

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 95

damentais para a vida desses jovens na sociedade. Nesse contexto, a Matriz de Referência do Enem fundamenta o nosso fazer pedagógico quando descreve o que, dos diversos assuntos estudados, deve ser priorizado. É nesse momento que falamos da habilidade e de seu conjunto, ou seja, das várias habilidades que nos levam à aquisição das competências. Com base nessas reflexões, surgiu, nas aulas de Geografia, o projeto “Atualidades em xeque”, partindo da necessidade de buscar alternativas que possam aperfeiçoar e potencializar algumas dessas habilidades, como criticar, planejar e executar. Essas habilidades estão muito bem descritas na competência de área 2 dessa Matriz, que trata de compreender as transformações dos espaços geográficos. Assim, surgiu a ideia de promover debates entre os alunos sobre temas atuais de relevante interesse para a sociedade, temas muito cobrados em certames como o Enem, o PAS (UnB) e diversos concursos para a carreira de servidor público. Além disso, compreender a sociedade e a natureza, reconhecendo suas interações no espaço em diferentes contextos históricos e geográficos, é uma das principais

habilidades cobradas no Enem. No dia do debate, os alunos levam para a sala de aula uma produção textual sobre o assunto pesquisado e realizam discussões e questionamentos pertinentes ao tema. Esse momento é de grande relevância para fomentar o senso crítico, o poder de argumentação e a construção de propostas interventivas, características muito importantes para o desempenho acadêmico, pessoal e profissional dos nossos discentes. O processo é finalizado com uma avaliação informal sobre a dinâmica do trabalho, o que pode ser modificado para os próximos eventos. O desenvolvimento dos alunos tem sido visível em todos os componentes curriculares, e não só em Geografia, quando o assunto é discutir e argumentar. Afinal, estamos preparando nossos alunos para serem éticos, respeitados e reconhecidos no mercado como oriundos da formação de Madre Carmen Sallés.

Décio Couto Caixeta

Professor de Geografia do 9º ano e Ensino Médio - Colégio Madre Carmen Sallés Brasília DF

95

22/01/2018 13:20:03


projetos

Estudo do Meio dos oitavos anos

“Art. 1º Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade”. 96

Declaração Universal dos Direitos Humanos – 1948

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 96

A exploração do trabalho do imigrante latino-americano pela economia brasileira

T

endo como base o trecho acima da Declaração Universal dos Direitos Humanos, as disciplinas de Ensino Religioso, Geografia, Espanhol e História idealizaram um projeto de Estudo do Meio que teve como intuito central a observação e a vivência de alguns dos temas por nós estudados. A partir das causalidades históricas, de aspectos socioeconômicos, cultu-

rais e ambientais da América Latina, foi organizado um roteiro de visita ao Memorial da América Latina, ao Arsenal de Esperança e a algumas áreas da região central de São Paulo, incluindo parte da Zona Leste. Nesse estudo, os alunos tiveram contato com inúmeros aspectos da cultura, do folclore e das artes dos povos latino-americanos, através da visita ao Memorial da América Latina onde vimos, ainda, parte do processo

22/01/2018 13:20:05


Esse trabalho de conscientização de nossa realidade social e cultural é de extrema importância na formação moral e intelectual de nossos jovens, levando em conta o direito à igualdade que todo ser humano possui a ajuda da instituição que os acolhe, e procurar ajudar na reorganização da vida e reintegração social dessas pessoas por meio de cursos e estudos. i, o que é objeto da educação proposta em nossa instituição escolar. A experiência de enxergar o outro como integrante de uma mesma sociedade e não somente como o estrangeiro mostra-nos a necessidade de aprender a não discriminar e a respeitar as diferenças. O processo, acima relatado, é justificado pelo que hoje denominamos como “Estudo do Meio” - uma metodologia de ensino interdisciplinar que existe desde a antiguidade, quando homens se lançavam mundo afora, em busca de conhecer e reconhecer o que então lhes era desconhecido, e

Continua

de miscigenação racial ocorrido na América em função de seus processos anteriores de colonização. Os estudantes também puderam observar a condição de alguns imigrantes de diferentes países latino-americanos vivendo em situação de rua nas imediações da Rua 25 de Março, ainda que exercendo um trabalho formal ou informal. Tal experiência é importante para os alunos (mas não somente), porque os ajuda a enxergar o ser humano e suas necessidades e dificuldades, bem como os desafios que todos precisamos enfrentar para poder sobreviver. O estudo sobre a América Latina e mais especificamente sobre a imigração é de suma relevância para que possamos discutir, em um primeiro momento, as diferenças culturais entre os povos, uma vez que cada imigrante tem suas próprias vivências, crenças, costumes, uma língua própria, além de traços característicos de sua etnia, por exemplo. A partir da construção desse conhecimento, trabalhamos, também, a questão da alteridade, das desigualdades, dos direitos e deveres de um imigrante. No Arsenal da Esperança tiveram a oportunidade de vivenciar, junto a moradores de rua que frequentam o local, a realidade social grave vivida pelos migrantes e imigrantes que buscam reconstruir suas vidas com

97

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 97

22/01/2018 13:20:08


projetos

que hoje tem como objetivo desvendar a complexidade de um espaço geográfico e de diversas formas de organização social e política. Para Geografia e História, ele é um processo que exige uma séria preparação e contextualização do trabalho a ser realizado, visando propiciar ao aluno o despertar do interesse pelo estudo do lugar vivido, sua sociedade e a compreensão das contradições espaciais nele existentes. Assim, numa perspectiva interdisciplinar, o que facilita o enfrentamento e entendimento desse olhar, ele possibilita uma observação mais aguçada, permitindo ao aluno uma visão especial sobre os elementos da paisagem, fundamentada numa teorização em sala de aula, o que lhe possibilitará a autonomia diante da produção do conhecimento, despertando o senso crítico e investigador.

Essa metodologia, além de facilitar a aprendizagem, favorece a melhoria das relações aluno/professor e aluno/ aluno, produzindo maior cooperação na realização de trabalhos em equipe, gosto pelo estudo e pela investigação pessoal, desenvolvimento da sensibilidade, da fraternidade e solidariedade. Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s): “É fundamental para o estudante que está começando a ler o mundo humano conhecer a diversidade de ambientes, habitações, modos de vida, estilos de arte ou as formas de organização de trabalho, para compreender, de modo mais crítico, a sua própria época e o espaço em seu entorno. É através da leitura das materialidades e dos discursos, do seu tempo e de outros tempos, que o aluno aprende a ampliar sua visão de mundo, tomando consciência que se

insere em uma época específica que não é a única possível.” No atual momento em que vivemos, constata-se que a educação é desmerecida e desvalorizada em favor de barganha de ações desonestas, bem como de posições medíocres de parte de nossos representantes e da população, por isso levar nossos alunos até a raiz dos problemas auxilia no desvendamento de questões das quais hoje vivemos alienados e na construção de cidadãos mais justos e honestos.

Wilson F. Forti

Prof. de Geografia do Ensino Fundamental II

Virginia Bonfim

Profa. de Espanhol do Ensino Fundamental II

Diva de Toledo Cesar Ommundsen Profa. de História do Ensino Fundamental II

Colégio Maria Imaculada São Paulo - SP

98

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 98

22/01/2018 13:20:13


Mudanças históricas dos padrões de beleza feminina

Q

ue me perdoem as feias, mas beleza é fundamental. A frase, cunhada por Vinícius de Morais e fonte de infindáveis debates acalorados, traz à baila algumas inquietantes polêmicas: Afinal, quem determina o que é belo? Aquilo que é belo é bom? Durante as aulas de conversação de Língua Inglesa, um texto que fez parte do material operacionalizado em aula e que concerne às mudanças estéticas das mulheres ao longo da história suscitou uma discussão bastante acirrada. Tendo em vista a riqueza desse tema e de nosso trabalho com o Inglês, segundo idioma, como veículo para alcançar uma comunicação bem sucedida em situações da vida real, optei por uma apresentação oral – realizada ao final do bimestre- que tangesse ao tema. Ela foi organizada segundo o que chamamos de “task based approach”, uma abordagem baseada no cumprimento da tarefa. Nunan conceitua uma tarefa como "uma peça de trabalho em sala de aula que envolve aprendentes na compreensão, manipulação, produção ou interação na língua alvo, enquanto sua atenção se concentra principalmente no significado e não na forma" (p.10). Considerando o nível linguístico dos alunos (módulo básico), concentramos nossos esforços na pesquisa e conteúdo apresentados, flexibilizando a mensuração quanto à correção ortográfica e à fluência. Se o adágio “a beleza está nos olhos de quem vê” é verdadeiro, não devemos então considerar a influência cultural que determina o que é belo? Em sua obra “História da beleza”, Umberto Eco examina casos que, em determinadas culturas ou épocas

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 99

históricas, reconhecem que o que se mostra agradável à contemplação trata a beleza não como um dado absoluto, mas relativizada pelos valores culturais dos povos e pela geografia. E tais ideais estão intrinsicamente ligados à história. Tendo em mente tal relação, os alunos foram incumbidos de pesquisar sobre padrões de beleza vigentes em determinados períodos históricos - à escolha deles - e conectar tais modelos ao contexto histórico vigente. Diversas informações interessantes vieram à tona durante as apresentações. Uma das duplas, por exemplo, falou sobre a evolução da maquiagem e sua relação com a vida cotidiana das mulheres. Em outra, os estudantes relacionaram o improviso a produtos cosméticos e vestimentas durante o pós-guerra, dada a escassez de re-

cursos. De corpos roliços à magreza extrema, por motivos religiosos, culturais ou para fins de procriação, as pesquisas mostraram um sem fim de modelos considerados ideais. Ao fim da atividade, o estudo da beleza mostrou-se material bastante rico não só para a compreensão das mudanças do mundo, mas também para a prática da língua inglesa. Meu agradecimento à professora de História Karine Bernadino M. Morgado pela contribuição nas pesquisas dos alunos sobre o assunto.

REFERÊNCIAS Eco, U. História da beleza. Editora: Record Nunan, D. Designing tasks for the communicative classroom. Cambridge: Cambridge University Press.

Simone Freitas Generoso

Profa. de Inglês do Ensino Médio Colégio Maria Imaculada São Paulo - SP

99

22/01/2018 13:20:15


projetos

Projeto Transição

Com o objetivo de preparar os alunos do 5º ano do CMI-DF para a entrada no Ensino Fundamental II, o projeto proporcionou a participação destes educandos em seis aulas diferenciadas, dadas a partir do 6o ano.

linguagem própria de trabalhar os temas de sua disciplina, sem falar na quantidade de tarefas de casa e livros que passam a utilizar. Outro assunto que gera grande expectativa é o uso do armário individual que é oferecido a partir do 6º ano, com o intuito de guardar cadernos, livros e outros materiais de uso escolar, tornando assim os alunos mais autônomos e responsáveis nessa nova fase. O processo de adaptação ao Ensino Fundamental II acontece gradativamente e todos os professores estarão preparados para acolher os alunos nesse momento tão significativo. Lidar com mudanças é um processo natural da vida e é bom que preparemos nossos estudantes para lidar de forma madura com essas situações. Desmistificar o Ensino Fundamental II é ponto crucial desse projeto, de modo que os alunos sintam-se acolhidos e desejosos de passar para a nova etapa.

ministrou a aula de Arte, Bruno, com a Geografia, Luciana Miranda, com a Língua Portuguesa, Diego, com a Matemática, Ana Lúcia, com o Ensino Religioso e Ana Paula, com Ciências. Sabemos que a passagem do 5º ano para o 6º ano é cheia de desafios, deixando assim os pais e alunos extremamente ansiosos, certamente porque os estudantes têm de lidar Almirene Reis S. Noronha com diversas novidades e mudanças Auxiliar de Coordenação em sua rotina, o que exige mais autonomia e responsabilidade. Eles passam a encarar uma dinâmiNivia Martins da Cruz Orientadora Educacional ca de aulas muito mais rápida e com vários educadores (onze docentes por Colégio Maria Imaculada ano), cada um com uma forma e uma Brasília - DF

N

os dias 03 e 17 de outubro, realizamos no Colégio Maria Imaculada o Projeto Transição, com o objetivo de promover uma aproximação entre os alunos do 5º ano com os educadores do Ensino Fundamental II. Os alunos participaram de seis aulas diferenciadas e viveram momentos de grande expectativa. As aulas foram apresentadas pelos seguintes professores: Guilherme, que

100

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 100

22/01/2018 13:20:20


Aprendizagem Contextualizada

Para facilitar o aprendizado da tabuada, a turma do 4º ano do CIC de Passos foi dividida em duplas, onde cada par ficou responsável por treinar as operações matemáticas para um campeonato

O

projeto DOIS X DOIS foi um programa de multiplicação espetacular. Além de aprendermos matemática, também criamos mais vínculos com nossas duplas. Cada dupla treinou de um jeito: algumas se encontraram nos recreios, outras nas casas. Houve aquelas que preferiram treinar sozinhas em casa. Porém, todas estudaram muito. De vez em quando, a professora nos ajudava, dando algumas atividades e deixando um tempo para tomarmos a tabuada um do outro. Decoramos a tabuada de um jeito ótimo. Treinamos uma mais fácil com uma mais difícil, por exemplo: a do dois com a do nove, a do três com a do oito. Foram muitos dias de treino e estudo, até que chegou o grande dia: o campeonato. Seria uma dupla contra outra. A dupla vencedora, disputaria com a próxima e assim por diante. Depois, seria individual. Cada aluno tinha quatro continhas para responder e era

cronometrado. O que respondesse em menos tempo, ganhava. Na nossa sala, Gabriela e Gustavo foram a dupla campeã. A ganhadora do campeonato individual foi Maria Paula. Na sala da professora Márcia quem ficou em primeiro lugar foi Maria Luísa e em segundo lugar a Emilly,mas no final mesmo todos saíram vencedores pois nunca é demais aprender. Foi um projeto que valeu tanto a pena que escrevi até um cordel: UM ÓTIMO PROJETO DIVIDIDO EM DUPLAS CHEIAS DE AFETO O TEMA É MULTIPLICAÇÃO E O LEMA, ESTUDAR COM O CORAÇÃO CHEGOU O DIA DO CAMPEONATO TODO MUNDO ARREBENTOU DE FATO SÓ TRÊS GANHARAM PRÊMIO MAS, TODOS SE IGUALARAM AOS GÊNIOS!

101

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 101

22/01/2018 13:20:21


projetos

A leitura como intercâmbio cultural

Alunos do 7º ano do Ensino Fundamental II criam produções textuais, apresentações orais e expressões plásticas no “Projeto Espanha, Cervantes e Dom Quixote”

É

fato que um grande número dos alunos brasileiros não compreende o que lê, e, se compreende, não o faz em relação ao todo, mas só em relação a parte determinada de um texto. Tal situação remete-nos a uma preocupação relacionada à capacidade de leitura dos nossos alunos, já que é sabido que quem não interpreta não deduz, e quem não deduz não é capaz de criticar, de fazer apontamentos acerca daquilo que vê, ouve ou lê. A leitura, portanto, deve ser considerada uma das principais competências a serem adquiridas durante a vida escolar. É ela quem habilita o aluno a tornar-se capaz de fazer a

“sua” leitura do mundo que o cerca. A leitura é capaz de formar a nossa personalidade, de forma lúdica, interativa e prazerosa. Mas como adquirir tal habilidade? Um dos caminhos é por meio da literatura. É ela que nos propicia sonhar, imaginar, adquirir conhecimentos, conhecer novos valores, novas sociedades, novos costumes, pensamentos. Viajar para inúmeros destinos – sem sair do lugar. Segundo Marisa Lajolo (1999), (...) Por isso a literatura é importante no currículo escolar: o cidadão, para exercer plenamente a sua cidadania, precisa apossar-se da linguagem literária, alfabetizar-se nela, tornar-se seu usuário competente, mesmo

102

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 102

22/01/2018 13:20:23


que nunca vá escrever um livro: mas porque precisa ler muitos. A literatura clássica vem contribuir ─ e muito ─ para a melhor proficiência da língua, proporcionando um ensino crítico e criativo da língua portuguesa, da comunicação, enfim. Tal perspectiva não significa enfatizar um caráter utilitarista para os clássicos; é mais que isso. Incentivamos nossos alunos ao exercício célebre proposto por Marcel Proust, escritor francês, ao eternizar a ideia de que “Todo leitor, quando lê, é leitor de si mesmo”. Assim, devido à estrutura, à qualidade e à atemporalidade dos motes inebriantes dos clássicos, é possível formar um leitor que exercite a leitura não para crer, discordar ou acreditar, mas para procurar a identificação com a natureza que escreve e lê. Nesse sentido, o desenvolvimento de projetos de leitura deve incentivar leituras ecléticas, o que possibilita, dentre elas, leitura de clássicos, o que corrobora com um dos aspectos apregoados pela Base Nacional Curricular Comum (BNCC): colaborar com a formação para conhecer e apreciar textos literários orais e escritos, de autores de língua portuguesa e de traduções de autores de clássicos da literatura internacional. Segundo a BNCC, o trabalho com o eixo Leitura no Ensino Fundamental possui especificidades, a saber: não se trata (...) de ensinar literatura, mas de promover o contato com a literatura para a formação do leitor literário, capaz de apreender e apreciar o que há de singular em um texto cuja intencionalidade não é imediatamente prática, mas artística. O leitor descobre, assim, a literatura como possibilidade de fruição estética, alternativa de leitura prazerosa. Além disso, se a leitura literária possibilita a vivência de mundos ficcionais, possibilita também ampliação da visão de mundo, pela experiência vicária com outras épocas, outros espaços, outras culturas, outros modos de vida, outros seres humanos. (BNCC, pág. 65) No Ensino Fundamental II do Colégio Madre Carmen Sallés, em Brasília (DF), o trabalho realizado pelas disciplinas Língua Portuguesa e Língua

Espanhola com o “Projeto Espanha, Cervantes e Dom Quixote” busca envolver os alunos nessa atmosfera de movimento e (auto)percepção facultada pela literatura. Em seu segundo ano de realização, o projeto propôs aos alunos do 7º ano trabalharem com a leitura de Dom Quixote, de Miguel de Cervantes (tradução e adaptação de Ligia Cademartori), por meio de atividades individuais e em grupo. Além de entraram em contato com o contexto histórico, novelas de cavalaria e com o gênero romance, os alunos elaboraram produções textuais, apresentações orais e expressões plásticas que envolveram não só a narrativa, mas também as temáticas sugeridas pela obra e os aspectos culturais da Espanha.

Um dos grupos de alunos produziu um bóton que se tornou símbolo do projeto. “O bóton simboliza várias ideias: que somos leitores, que essa leitura nos marcou muito e como podemos levar uma leitura adiante. Quem vê o bóton faz perguntas, e isso me incentiva a falar sobre a obra. É uma lembrança que gera diálogo. Dom Quixote é uma obra que faz crítica social e ao mesmo tempo fala de amor”, diz Ana Sophia Batista Gonçalves, aluna do 7º B. Nas aulas de Língua Espanhola os alunos aprendem sobre a cultura da Espanha, a parte geográfica, pintores e autores importantes de sua história, objetos de arte e de uso pessoal dos espanhóis etc. Destaca-se que, em uma roda de conversa acerca das

103

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 103

22/01/2018 13:20:25


projetos

Palestra - Ana Reguillo Pelayo

vivências da professora em terras flamencas, os alunos puderam usar castanholas, leques, falar de pratos típicos da gastronomia e encontrar semelhanças e diferenças com outros povos de língua hispânica. Como atividade de culminância, os alunos participaram de um Colóquio em espanhol, proferido por Ana Reguillo Pelayo, coordenadora pedagógica do Instituto Cervantes de Brasília. A palestrante, além de ter nascido na região de La Mancha, na Espanha, é profunda admiradora do autor Miguel de Cervantes, sendo autora, inclusive, de adaptações e materiais didáticos sobre ele, alguns dos quais apresentados aos alunos durante o evento. Na oportunidade, o Instituto Cervantes doou exemplares da obra e edições comemorativas à Biblioteca do colégio e propiciou aos alunos praticarem compreensão do espanhol, por meio não somente da palestra, mas também com músicas, imagens de paisagens da Espanha, carta enigmática e textos. Nossos agradecimentos à Embaixada da Espanha e ao Instituto Cervantes de Brasília pela parceria firmada e nosso incentivo aos alunos a realizarem leitura de clássicos e de textos em línguas estrangeiras modernas, sobretudo as trabalhadas na instituição. Agora um incentivo aos leitores deste artigo: que tal praticar leitura em língua espanhola por meio da versão apresentada para este texto? Que tal ler ou reler Dom Quixote? ¿Estás listo para empezar el viaje? Boa leitura.

E

Proyecto d como intercam

stá claro que un gran número de alumnos brasileños no comprende lo que lee, y si no comprende, no lo hace en relación con el todo, pero solo en relación a la parte determinada de un texto. Esa situación nos lleva a una preocupación relacionada a la capacidad de lectura de nuestros alumnos, ya que es sabido que quiénes no interpretan no deducen, y los que no deducen no son capaces de criticar ni tampoco de hacer apuntes sobre lo que ve, oye o lee. La lectura, por lo tanto, debe ser considerada una de las principales competencias a ser adquirida durante la vida escolar. Es ella quien habilita el alumno a tornarse capaz de hacer su lectura del mundo alrededor. La lectura es capaz de formar nuestra personalidad, de forma lúdica, interactiva y placentera. Pero, ¿cómo adquirir esa habilidad? Uno de los caminos es a través de la literatura… Es ella quién nos propicia soñar, imaginar, adquirir conocimientos, conocer nuevos valores, nuevas sociedades, nuevas costumbres, pensamientos…Viajar para innúmeros destinos – sin salir de su lugar. Según Marisa Lajolo (1999), (...) Por isso a literatura é importante no currículo escolar: o cidadão, para exercer plenamente a sua cidadania, precisa apossar-se da linguagem literária, alfabetizar-se nela, tornar-se seu usuário competente, mesmo que nunca vá escrever um livro: mas porque precisa ler muitos. La literatura clásica viene a contribuir – y mucho – al mejor provecho

de la lengua, proporcionando una enseñanza crítica y creativa de la lengua portuguesa y de la comunicación. Tal perspectiva no significa enfatizar un carácter utilitarista para los clásicos; es mucho más que eso. Incentivamos nuestros alumnos al ejercicio celebre propuesto por Proust, al eternizar la idea de que “Todo lector, cuando lee, es lector de uno mismo.” De hecho, debido a la estructura, a la calidad y a la atemporalidad de los temas arrebatadores de los clásicos, es posible formar a un lector que ejercita la lectura no para creer o discordar, sino para buscar una identidad con la naturaleza que escribe y lee. En ese sentido, el desarrollo de proyectos de lectura debe incentivar lecturas ecléticas, lo que posibilita de entre ellas, lectura de clásicos, lo que corrobora con uno de los aspectos marcados en la Base Nacional Curricular Común (BNCC): colaborar con la formación para conocer y apreciar textos literarios orales y escritos, de autores de lengua portugués y de traducciones de autores clásicos de literatura internacional. Según la BNCC, el trabajo con el eje Lectura en la Enseñanza Fundamental posee especificidades, a saber:

não se trata (...) de ensinar literatura, mas de promover o contato com a literatura para a formação do leitor literário, capaz de apreender e apreciar o que há de singular em um texto cuja intencionalidade não é imediatamente prática, mas artística. O leitor descobre, assim, a literatura como possibilidade de fruição estética, alternativa de leitura prazerosa. Além disso, se a leitura literária possi-

104

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 104

22/01/2018 13:20:27


bilita a vivência de mundos ficcionais, possibilita também ampliação da visão de mundo, pela experiência vicária com outras épocas, outros espaços, outras culturas, outros modos de vida, outros seres humanos. (BNCC, pág. 65)

En la Enseñanza Fundamental II del Colegio Madre Carmen Sallés, en Brasilia-DF, el trabajo realizado por las asignaturas de Portugués y Español con el “Proyecto España, Cervantes y Don Quijote” busca involucrar a los alumnos en esa atmósfera de movimiento y (auto)percepción ofrecida por la literatura. En su segundo año de realización, el proyecto propone a los alumnos del 7º año a trabajar con la lectura de Don Quijote, de Miguel de Cervantes (traducción y adaptación de Ligia Cademartori) a través de actividades individuales y colectivas. Además de entrar en contacto con el contexto histórico, novelas de caballería y con el género romance, los alumnos elaboraron producciones textuales, presentaciones orales y expresiones plásticas que involucraron no solo la narrativa sino también las temáticas sugeridas por la obra y los aspectos culturales de España. Uno de los grupos produjo un “botón” que se volvió en símbolo del proyecto. “El ‘botón’ simboliza varias ideas: que somos lectores, que esa lectura nos marcó mucho y cómo podemos llevar una lectura hasta el final. Quienes ven el ‘botón’ nos hace preguntas y eso nos incentiva a hablar sobre la obra. Es un recuerdo que genera diálogo. Don Quijote es una obra que hace una crítica social

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 105

y también habla de amor”, dice Ana Sophia Batista Gonçalves, alumnas del 7ºB. En las clases de Español, los alumnos aprenden sobre la cultura, la parte geográfica de España, de los pintores y autores importantes de su historia, objetos de arte y de uso personal de la gente etc. Hay también una rueda de charla sobre las vivencias de la profesora en tierras flamencas y los alumnos pueden tocar castañuelas, usar abanicos, pensar en platos típicos de la gastronomía ibérica, además de encontrar similitudes y diferencias con otros pueblos hispánicos. Como actividad colmo, los alumnos participaron de una Charla en español, proferida por Ana Reguillo Pelayo, coordinadora pedagógica del Instituto Cervantes de Brasilia. La invitada, además de Manchega es profunda admiradora del autor Miguel de Cervantes siendo autora, incluso, de adaptaciones y materiales didácticos sobre él, algunos de los cuales presentados a los alumnos durante el evento. En esa oportunidad, el Instituto Cervantes donó ejemplares de la obra y ediciones conmemorativas a la Biblioteca del Colegio, proporcionando a los alumnos que practiquen comprensión del español, no solo en la charla, sino también con músicas, imágenes y textos. Nuestros profundos agradecimientos a la Embajada de España y al Instituto Cervantes de Brasilia por la relación hecha y nuestros incentivos a los alumnos a realizar lectura de clásicos y de textos en lengua extranjera moderna, sobre todo las trabajadas en nuestra escuela.

REFERÊNCIAS

o de Lectura ambio cultural

BRASIL. MEC. CNE. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC; CNE, 2016. LAJOLO, M. Do mundo da leitura para a leitura do mundo. 4. ed. São Paulo: Ática, 1999. p. 105-106.

Andréia Capuzzo

Professora de Língua Portuguesa - Ensino Fundamental II

Cristiane Benjamim Santos Professora de Língua Portuguesa - Ensino Fundamental II

Whang Pontes Teixeira

Professora de Espanhol Ensino Fundamental II e Ensino Médio Colégio Madre Carmen Sallés e Colégio Maria Imaculada Brasília - DF

105

22/01/2018 13:20:28


projetos

Matemática Criativa

e crítica, fazendo-se necessária uma intervenção na prática docente. A história da matemática pode estar presente na sala de aula em vários contextos diferentes, pode ser apresentada de forma lúdica, criando assim a possibilidade de buscar uma nova forma de ver e entender a matemática, tornando-a mais integrada com outras disciplinas, mais agradável, mais criativa, mais humanizada. Considerando a educação um processo de transformação, buscamos várias formas de abordar os conteúdos de matemática de maneira lúdica e divertida, contribuindo assim para um melhor desenvolvimento no processo de ensino-aprendizagem do aluno. O lúdico na matemática tem como objetivo desenvolver o raciocínio lógico, o pensamento, a criatividade e a capacidade de resolver problemas. A turma do 2º B construiu diversas maneiras de trabalhar as habilidades

REFERÊNCIAS

A

matemática é definida como a ciência dos números e dos cálculos. Desde a Antiguidade, o homem utiliza a matemática para facilitar a vida e organizar a sociedade. Por volta dos séculos IX e VII a.C, a matemática engatinhava na Babilônia, era cultivada entre os escravos responsáveis pelos tesouros reais. Apesar de todo o material algébrico que tinham os babilônios e os egípcios, só podemos encarar a matemática como ciência, no sentido moderno da palavra, a partir do século VI e V a.C, na Grécia. Na atualidade é necessário considerar que cada educando vai desenvolver suas atividades numa sociedade informatizada, com globalização de informações, em que o uso de seus conhecimentos é requisito fundamental para uma participação ativa

que compõem o raciocínio lógico e reforçar os conteúdos, a fim de evitar exercícios repetitivos e cansativos, levando os alunos a perceber a existência de outros caminhos de resolução. Vejamos alguns exemplos de atividades: - Jogo de encaixar bolinhas com garrafa PET e bola de gude – com esse jogo, trabalhamos a soma e a subtração, percebendo se o conteúdo foi bem assimilado e detectando os alunos com dificuldades reais. O medo de errar desapareceu, pois é considerado um degrau a ser alcançado para chegar à resposta correta. - Jogo da tabuada com spinner – desenvolvemos o conceito da multiplicação, da concentração, o cálculo matemático e o raciocínio lógico, com a aprendizagem atrelada à descontração e empolgação do aluno. Com essa prática na sala de aula, pudemos perceber a importância de motivar os alunos, de estar sempre abertos a novas formas de ensinar o lúdico, fazendo, assim, com que os alunos tenham uma participação ativa e criativa.

Brasil Escola – História da Matemática Livro: Sistema Ari de Sá matemática – 2º ano – livro 2 A construção do signo numérico em situação de ensino. Moura M. – SP. 1991.

Tatiana da Rocha Pekly Correa

Professora do 2º ano B - Colégio Maria Imaculada Rio de Janeiro - RJ

106

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 106

22/01/2018 13:20:32


Contos que

Continua

Florescem

107

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 107

22/01/2018 13:20:32


projetos

“No ano de 2017, diante de tantos desafios, nossa agenda propõe cultivar posturas positivas de transformação da realidade”

108

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 108

22/01/2018 13:20:36


Continua

“Todas as apresentações culturais, em diferentes formatos, continham a essência do projeto: a construção da Civilização do Amor.”

109

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 109

22/01/2018 13:20:39


projetos

110

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 110

22/01/2018 13:20:43


memória

Acolhidas na Casa do Pai No segundo semestre de 2017, três irmãs Concepcionistas partiram para a morada eterna do Senhor. Cada uma, ao seu modo, foi verdadeiro exemplo de seguidora de Jesus, na missão educativo-evangelizadora concepcionista. Deixam saudades, mas ficará conosco a lembrança da alegria, disposição e carinho de cada uma em servir a Deus.

IR. CONSOLAÇÃO DE ÁVILA

CELINA RIBEIRO GONÇALVES

IR. ISABEL DE SOUZA

Ir. Consolação era natural de Areado- MG, nasceu no dia 16 de setembro de 1920. Foi interna do colégio Imaculada Conceição de Machado, e, após terminar os estudos, descobriu sua vocação. Entrou na congregação e realizou sua primeira profissão com 20 anos. Viveu 77 anos de entrega à missão de evangelizar através da educação da infância e juventude. Foi uma Religiosa realizada como Concepcionista e grata à congregação. Dedicada e sempre disposta a ajudar quem dela precisasse, era muito sensível ao sofrimento das pessoas. Na congregação, Ir. Consolação trabalhou, em vários lugares, como professora da educação infantil e cuidado das internas no Rio de Janeiro e nos abrigos de Mococa e de Machado. Embora tenha trabalhado em outros lugares, Machado foi a cidade do seu coração, pois lá viveu por 32 anos realizando várias atividades. Passou seus últimos anos, na Residência Carmen Sallés, para onde foi transferida em 2008 e, mesmo com Alzheimer, não deixava de ser alegre e comunicativa. Ela faleceu no dia 04 de novembro, retornando para a casa do Pai. Dados Cronológicos  Nascimento: 16/09/1920  1ª Profissão: 24/09/1940 – Mococa-SP  Profissão Perpétua: 24/01/1945 Guaxupé - MG  Falecimento: 04/11/2017 - São Paulo- SP

Ir. Celina era natural de Guaxupé, nascida em 22 de outubro de 1931. Era a filha mais velha, de uma família muito religiosa. Despertou-se para a vocação Concepcionista após ver o exemplo de sua tia, Ir. Anna Ribeiro. Era atenciosa, bondosa, delicada, agradecida, alegre, exigente e reservada. Trabalhou na congregação em vários lugares, como professora da educação infantil e primária, e em outras atividades. Foi transferida para a Residência Carmen Sallés, para tratamento de saúde, ao descobrir que tinha câncer na Medula óssea. Ainda, assumiu a responsabilidade de acompanhar as irmãs idosas. Apesar das muitas dores, sempre sorria e quase não se queixava. Destacou-se no zelo pela capela e, mesmo doente e com dores, fazia questão de lá estar. Quando a Creche Carmen Sallés funcionava no mesmo edifício da Residência das Irmãs, participava das atividades e festas da Creche, ajudando sempre que podia. Gostava de cantar com as crianças. Ir. Celina faleceu, no dia 12 de novembro de 2017, aos 86 anos de vida e 60 de vida consagrada. Dados Cronológicos  Nascimento.: 22/10/1931- Guaxupé - MG  1ª Profissão: 24/02/1957 - Mococa - SP  Profissão Perpétua: 24/02/1962 - São Paulo - SP  Falecimento: 12/11/2017- São Paulo-SP

Natural de São Sebastião do Paraíso. Estava com 85 anos de idade e 65 anos de consagração religiosa. Morou em diversos lugares, atuando na missão educativa, durante muitos anos como alfabetizadora. Gostava de realizar trabalhos manuais e domésticos, de cuidar de plantas e era detalhista no atendimento às pessoas e o fazia com alegria. Isabel foi uma irmã disponível, acolhedora e atenciosa. Era admirável nela o espírito de trabalho, de obediência e respeito para com as pessoas. Foi uma pessoa de fácil convivência, bem-humorada, contentava-se com pouca coisa e evitava coisas desnecessárias. Nas comunidades com colégio, procurava se aproximar dos alunos que tinham dificuldades de aprendizagem para ajudá-los. Nos últimos anos, Ir. Isabel sofreu com uma dor muito forte no maxilar, até que descobriram que ela sofria de Neuralgia do Trigêmeo. Com o avanço da idade, o Alzheimer se manifestou. Necessitando de cuidados especiais, passou a fazer parte da comunidade da Residência Carmen Sallés. Faleceu na madrugada do dia 18/11/17. Dados Cronológicos  Nascimento: 10/01/1932 S.Sebastião do Paraíso  1ª Profissão: 24/02/1953 - Mococa - SP  Profissão Perpétua: 16/03/1958 - São Paulo - SP  Falecimento: 18/11/2017 - São Paulo- SP

111

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 111

22/01/2018 13:20:44


acontece na rede Rede Concepcionista em ação e qualifificação O ano de 2017 foi especial com a celebração dos 125

1. O Encontro Despertar promovido pelo Serviço de Animação Vocacional Concepcionista (SAVC), aconteceu no dia 1º de julho em Machado (MG).

anos da fundação da Congregação das Concepcionistas Missionárias do Ensino, dos 300 anos do encontro da imagem da Mãe Aparecida e o segundo Ano Vocacional na Província. Relembremos os momentos de aprofundamento, reflexão e partilha que aconteceram ao longo do segundo semestre, na

2. Nos dias 19 a 21 de julho, Irmãs e educadores Concepcionistas participaram do IV Congresso da Associação Nacional de Educação Católica do Brasil (ANEC), em Belo Horizonte, cujo tema foi “Educação Católica e os Desafios do Século XXI Debater o presente para construir o futuro”.

Província Concepcionista do Brasil. Encontros que fortalecem cada vez mais a missão educativo-evangelizadora, fazendo florescer os valores humano-cristãos necessários para a construção de uma sociedade mais justa e fraterna.

3.Nos dias 27 a 29 de julho, realizou-se, no Recanto Betânia, a IV Assembleia Regional do MLC da Província do Brasil com o tema: “Com Maria seguimos os passos de Jesus para fazer florescer a civilização do Amor”. 4. Aconteceu nos dias 16 a 19 de agosto, no Recanto Betânia, o 11º encontro do módulo 1 do projeto Carisma em Comunhão, com a participação de educadores e funcionários Concepcionistas.

112

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 112

22/01/2018 13:20:50


5. Nos dias 31 de agosto e 1º de setembro, Irmãs Superioras, Diretoras Administrativa e Pedagógica e colaboradores da área de Recursos Humanos (RH) participaram, na Sede Provincial, em São Paulo, do segundo módulo de formação de liderança e gestão de pessoas, assessorado pela empresa EXCELLENTIA CONSULTORIA EMPRESARIAL.

6. No dia 2 de setembro, religiosas, educadores, funcionários, alunos e seus familiares da Província Concepcionista do Brasil saíram em romaria rumo à Casa da Mãe Aparecida para celebrar os 125 anos da Congregação e 300 anos do encontro da imagem da padroeira do Brasil.

7. As Irmãs Concepcionistas participaram de um encontro, no Recanto Betânia, nos dias 8 e 9 de setembro. O encontro favoreceu a convivência e estimulou a partilha de experiências de vida entre as participantes.

10. Diretoras, coordenadoras pedagógicas da Educação Infantil e Ensino Fundamental I das Escolas Concepcionistas do Brasil participaram de um encontro, na Sede Provincial, no dia 28 de setembro, para análise e discussão de questões pedagógicas. O encontro foi mediado pela Profa. Dra. Maria Otília Guimarães Ninin.

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 113

8. O quarto Encontro de Alunos Concepcionistas (EAC) reuniu alunos das escolas da Rede Concepcionista de Ensino no Recanto Betânia, dos dias 14 a 16 de setembro, com o tema: “Com Maria façamos florescer a civilização do amor”.

9. No dia 18 de setembro, aconteceu na Sede Provincial uma reunião com os técnicos de informática das Obras Concepcionistas para dar continuidade aos trabalhos referentes à atualização dos sites das unidades Concepcionistas.

113

22/01/2018 13:20:58


acontece na rede

11. No dia 19 de outubro, foi a vez das diretoras pedagógicas e coordenadores do Ensino Fundamental II (EF II) e Ensino Médio (EM) participarem de um encontro mediado pela Profa. Dra. Maria Otília Guimarães Ninin, na Sede Provincial, para tratar de assuntos pedagógicos.

12. No dia 20 de outubro, aconteceu na Sede Provincial uma reunião com as diretoras da Província Concepcionista do Brasil.

14. A Superiora Geral da Congregação Concepcionista, M. Maria Isabel Moraza, esteve no Brasil para acompanhar, pessoalmente, os trabalhos das obras. No dia 25 de outubro, iniciou as visitas pelo Colégio Maria Imaculada, de São Paulo, e seguiu visitando as demais escolas até o mês de dezembro.

13. Nos dias 27 e 28 de outubro, aconteceu a reunião com Coordenadores de Pastoral e integrantes do SAVC, na Sede Provincial, a fim de tratar aspectos relevantes para o fortalecimento da pastoral educativa e vocacional na Província.

15. No dia 11 de novembro aconteceu uma reunião com os coordenadores dos grupos do Movimento Leigo Concepcionista (MLC ) e irmãs que acompanham os grupos.

114

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 114

22/01/2018 13:21:03


115

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 115

22/01/2018 13:21:03


116

INTEGRAÇÃO 37 - paginação - 1.indd 116

22/01/2018 13:21:04

Integração em Revista - nº 37  

Integração em Revista - Edição nº 37 Dezembro de 2017 Rede Concepcionista de Ensino

Integração em Revista - nº 37  

Integração em Revista - Edição nº 37 Dezembro de 2017 Rede Concepcionista de Ensino

Advertisement