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esus possuía uma forma singular de olhar para as pessoas. Seu olhar era transformador de vidas! Esse jeito de olhar de Jesus muito nos ensina. Jesus foi o primeiro a nos olhar e enxergou em nós a nossa humanidade. Ele viu nossa vida além das aparências, da (in)dignidade, da condição social. Eu, você ou ele não importa, para Jesus todos temos igual relevância e necessidade do Seu olhar, do Seu amor e da Sua graça. Assim como Ele, podemos assumir, perante o outro, um olhar de quem verdadeiramente o vê, sendo “BONS SAMARITANOS”. É com essa motivação que a equipe da agenda convida você, educador (a) e toda a comunidade da Rede Concepcionista a caminhar conosco durante todo o ano de 2020, ajustando o foco à óptica de Jesus. Assim, sigamos “avante na certeza de que Ele nos olha” (Papa Francisco).

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editorial

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inalizamos 2019, ano em que as diversas Unidades da Rede Concepcionista do Ensino realizaram uma incrível viagem de barco, por doze ilhas, com a missão de, juntas, construírem itinerários significativos de vida, para o bem comum acontecer. E, pouco a pouco, vencendo os desafios propostos aos seus visitantes, em cada ilha, a longa viagem programada para esse ano, chegou ao seu final. O sentimento que corresponde à generosidade do Deus da vida, que caminhou e caminha conosco e nos protege, é o agradecimento. Agradecer tantas descobertas que fizemos, tantos gestos que observamos, vivenciamos e assumimos como válidos para nossa vida, entre os quais, a acolhida e o respeito à diversidade; a valorização e o cuidado com o patrimônio cultural; a solidariedade e a cooperação; o consumo consciente, a partilha e as atitudes cidadãs. Entusiasmados com essas descobertas e animados pela máxima “Adiante, sempre adiante, Deus proverá”, da fundadora da congregação, Santa Carmen Sallés, os viajantes foram se sentindo confiantes e fortalecidos, a cada etapa vencida, conscientes da importância de cada um, no projeto da construção do bem comum. Nesta 41ª edição da Integração em Revista, encontramos algo do muito que foi trabalhado, nas várias unidades da Rede, em consonância com sua missão de evangelizar através da educação, dentro dos valores humano-cristãos, tendo como referência, Maria Imaculada e como pilares: a excelência acadêmica, a personalização, a inovação tecnológica e o compromisso social. A título de aperitivo, revisitamos alguns dos temas desenvolvidos no segundo semestre de 2019 e abordados nesta edição: o laço afetivo entre professor e aluno, fundamental para o processo ensino-aprendizagem; ensinar História, é importante? Que benefícios traz a leitura, na fase infantil? Alfabetização, letramento, multiletramento, semelhanças e diferenças; participação cidadã; busca dos porquês da celebração de certas datas comemorativas, por exemplo, você sabe quem, quando e com que objetivo se criou o dia da Criança que, atualmente, se estende a uma semana? Estas e outras curiosidades e temas abordados, como: a alimentação dentro de uma perspectiva educativa, com dicas para melhorar os hábitos alimentares das crianças; os benefícios das metodologias ativas nas práticas pedagógicas; o impacto positivo da tecnologia na educação, contribuindo para a construção do conhecimento, otimizando o tempo, enriquecendo os conteúdos e dinamizando o processo ensino-aprendizagem, através das interações; a importância

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“Gratidão é a única resposta digna ao dom de Deus” (Papa Francisco)

da música, da criatividade e da imaginação, dentro da vasta área do conhecimento, etc., constituem a vida das Escolas da Rede, com o dinamismo que você pode acompanhar e sentir de perto, através da leitura desta Integração em Revista. Assim, nosso barco foi sendo conduzido ao porto, com seus integrantes felizes e convencidos de que cada qual tem sua missão, mas que, em REDE, somos mais. E, quando regressamos de uma viagem, o que costumamos fazer? O gesto espontâneo é AGRADECER. Por isso, os nossos agradecimentos: novamente a Deus, por haver-nos mantido com saúde e forças; às famílias, pela confiança no trabalho desenvolvido pela Rede Concepcionista de Ensino; aos educadores e pessoal administrativo, pela paixão responsável na missão encomendada; às demais pessoas vinculadas, de alguma forma, à Família Concepcionista, pelo apoio incondicional. A todos vocês, que nos acompanharam em 2019, expressamos o nosso mais sincero obrigada. E como nossa viagem terminou com gosto de quero mais, deixamos aqui o convite para continuarmos juntos, explorando novos mundos, em 2020. Boa leitura e aguardem as novidades. Que façamos florescer a esperança, a paz, que é fruto da justiça, para que a Vida que floresceu em Belém, floresça também em nossos corações.

Ir. Terezinha de Jesus Duarte, RCM

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Religiosas Concepcionistas Missionárias do Ensino www.concepcionistas.com.br

Destaques desta edição

SÃO PAULO SEDE PROVINCIAL Rua Humberto I, 395 - Vila Mariana CEP: 04018-031 – São Paulo – SP Tel. (11) 5539-2577 – (11) 3569-0626 provincial@concepcionistas.com.br

O COMPORTAMENTO ALIMENTAR NA INFÂNCIA

O IMPACTO DA TECNOLOGIA NA EDUCAÇÃO

COLÉGIO MARIA IMACULADA Av. Bernardino De Campos , 79 CEP: 04004-050 - São Paulo - SP Tel.: (11) 3283-2111 www.cmisp.com.br diretorageral@cmisp.com.br ESCOLA SANTA CARMEN SALLÉS Rua Dr. Domingos Freire, 209 CEP: 02764-070 - Freguesia do Ó - São Paulo/SP Tel.: (11) 5083-0941 www.escolasantacarmensalles.com.br diretorapedagogica@escolasantacarmen.com.br RESIDÊNCIA SANTA CARMEN SALLÉS Rua Conselheiro Rodrigues Alves, 419 - V. Mariana CEP 04014-011 – São Paulo - SP Tel.: (11) 5083-1967 CENTRO EDUCACIONAL RECANTO BETÂNIA Rodovia José Simões Louro Jr., 3470 CEP: 06900-000 - Embu Guaçu - SP Tel.: (11) 4661-3028 www.recantobetania.com.br secretaria@recantobetania.com.br RECANTO BETÂNIA Rodovia José Simões Louro Jr., 3284 CEP: 06900-000 - Embu Guaçu - SP Tel.: (11) 4661-1449 - (11) 4661-3714 assistentece@recantobetania.com.br

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Confira dicas que possam orientar os familiares a melhorar os hábitos alimentares das crianças, por meio de uma relação positiva, flexível e confortável com a comida

CONECTADOS E SOLITÁRIOS

As contribuições da tecnologia para a otimização do tempo, o enriquecimento dos conteúdos e a dinamização do processo ensino-aprendizagem

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A PESQUISA NOS ANOS INICIAIS

COLÉGIO MARIA IMACULADA Rua Francisco Gomes, 661 CEP:13730-320 - Mococa - SP Tel.: (19) 3656-0107 www.cmimococa.com.br colegio@cmimococa.com.br

MINAS GERAIS COLÉGIO IMACULADA CONCEIÇÃO Rua Professor José Cândido, 238 - Centro CEP: 37750-000 - Machado - MG Tel.: (35) 3295-1168 www.cicmachado.com.br cicadm@cicmachado.com.br COLÉGIO IMACULADA CONCEIÇÃO Rua Cristiano Stockler, 271 CEP: 37900-150 – Passos - MG Tel.: (35) 3521-8777 – Fax: (35) 3521-6221 www.cicpassos.com.br cic@cicpassos.com.br

DISTRITO FEDERAL COLÉGIO MADRE CARMEN SALLÉS Av. L2 Norte, Quadra 604 CEP: 70830-154 - Brasília- DF Tel.: (061) 3223-2863 www.carmensalles.com.br diretorageral@carmensalles.com.br

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A influência da internet, especialmente nas gerações mais novas, em relação ao uso excessivo das redes sociais

A NEUROCIÊNCIA E SUA CONTRIBUIÇÃO NA APRENDIZAGEM

COLÉGIO MARIA IMACULADA QI 05 - CH 72 - Lago Sul CEP: 71600-790 – Brasília - DF Tel.: (61) 3248-4768 – Fax: (61) 3248-6464 www.cmidf.com.br diretoria@cmidf.com.br CENTRO EDUCACIONAL SANTA CARMEN SALLÉS Paranoá Parque Quadra 2/3 Conjunto Comercial, Lote 1 CEP: 71587-150 - Paranoá - DF centroedusantacarmensalles.org.br diretoria@centroedusantacarmensalles.org.br

RIO DE JANEIRO COLÉGIO MARIA IMACULADA Rua São Francisco Xavier, 935 CEP: 20550- 017 - Rio de Janeiro - RJ Tel.: (21) 2264-4998 - Fax: (21) 2569-4481 www.cmirj.com.br diretoria@cmirj.com.br

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Um diálogo entre a neurociência e a educação para melhor compreensão do processo de aprendizagem

A importância dos professores em incentivar os alunos a explorar atividades de pesquisas nos anos iniciais para que sejam mais autônomos na busca pelo conhecimento

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UM NOVO OLHAR SOBRE A INCLUSÃO

A necessidade de mudanças educacionais profundas para a concretização de uma verdadeira Educação Inclusiva

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Capa: Alunos do Colégio Maria Imaculada de Brasília - Df. Produção da foto: Fernanda de Lima

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EDITORIAL

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DESTAQUE

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NUTRIÇÃO

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REFLEXÃO

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ESPIRITUALIDADE

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PSICOPEDAGOGIA

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PEDAGOGIA

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ENTREVISTA

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EDUCAÇÃO AMBIENTAL

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FAMÍLIA-ESCOLA

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EDUCAÇÃO INCLUSIVA

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CIDADANIA

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VALORES

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PROJETOS

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ATIVIDADES

Impressão e acabamento: NYW Graf - São Paulo

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HOMENAGEM

Tiragem desta Edição: 6000 exemplares (Distribuição gratuita e dirigida)

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ACONTECE NA REDE

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FICOU NA MEMÓRIA

ERRATA: No artigo “Aprendizagem Experiencial” (edição 40, página 53), verificou-se que houve um erro de digitação na 9ª linha do 6º parágrafo: Onde se lê: “(...) os alunos poderem tiram suas próprias conclusões” Leia-se: “(...) os alunos poderem tirar suas próprias conclusões”

Sua opinião é importante para nós! Envie seus comentários, críticas ou sugestões para: n E-mail: integracao@concepcionistas.com.br ou, se preferir, via Correio: n Rua Humberto I, nº 395 - Vila Mariana CEP: 04018-031 - São Paulo - SP Aos cuidados de Edenilson Coelho

em revista

ISSN 1981-8246 Ano XX - Nº 41 - Dezembro 2019 Uma publicação semestral das Religiosas Concepcionistas Missionárias do Ensino - Província do Brasil, feita com a colaboração de Pais, Educadores e Religiosas da Rede Concepcionista de Ensino Diretora Responsável: Ir. Sarah Reis (cpe@concepcionistas.com.br) Jornalista Responsável: Mariana da Cruz Mascarenhas (mmascarenhas@concepcionistas.com.br) MTB 0070174SP Produção Gráfica: Edenilson S. Coelho (edenilson@concepcionistas.com.br) Coordenação Shirley Adriana de Sousa Silva São Paulo - SP Redação: Sede Provincial Rua Humberto I, nº 395 - Vila Mariana São Paulo - SP - Cep: 04018-031

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No Portal Concepcionista você pode consultar e fazer download de todas as edições de Integração em Revista. Basta acessar www.concepcionistas.com.br e clicar em “Revista Integração”

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Obs.: Por motivo de espaço da publicação, as cartas enviadas podem ser resumidas a critério da redação da revista.

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Os jovens d

destaque

O 5º EAC formando lideranças e envolvendo os alunos na vivência do Carisma e da Missão Concepcionista

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om muita fé, energia e companheirismo iniciamos o 5º ENCONTRO DE ALUNOS CONCEPCIONISTAS no Recanto Betânia, dos dias 12 a 14 de setembro de 2019. Tivemos a alegria de ter todos os colégios da Rede, que trabalham com adolescentes, representados. Foram momentos intensos de convivência, de partilha, de descobertas! Que riqueza! O tema do encontro foi: “Vocacionados para o Reino”, e o lema: “Eis-me aqui!”. Durante todo o encontro a animação foi uma marca. Fomos acolhidos com muita música!

ENCONTRO DE ALUNOS CONCEPCIONISTAS

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ns dizem:

No primeiro momento, Irmã Sarah Reis fez a abertura dando-nos as boas-vindas e convidando-nos a uma participação intensa! Nossa primeira tarde foi de conhecimento. Cada escola trouxe um pouco de sua história e cultura local. Cada estado partilhou algo típico! À noite, outra atividade interessante. A interpretação dos colégios da música “I was here”, da Beyonce. Conhecemos, também, a vida de Guido, o santo surfista. Finalizamos o dia com nossa oração noturna. Na sexta-feira, o grande tema foi a santidade. Refletimos sobre o ser santo hoje, o chamado que cada

jovem recebe, as diferentes formas de vivermos a santidade. Nos grupos, surgiram muitas indagações e profícuas produções textuais. Segue uma delas para a nossa reflexão: Santidade Não parece ser um assunto da atualidade Mas na verdade É algo que pouco se sabe Ser santo é amar É também respeitar Não é ser um super-herói Mas salvar daquilo que destrói O caminho envolve sacrifícios Todos sabem que é difícil Mas apesar de parecer impossível Eles cumprem seu ofício É o desejo de se encontrar com Deus É levar ao bom caminho todos os seus Uma vocação que começa desde jovem E de pouco em pouco se desenvolve. Eis-me aqui sem medo de servir!

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destaque

Depois, uma atividade que, com certeza, tocou o coração de todos que participaram. Com o símbolo do Projeto Agenda deste ano, voltando ao Recanto Betânia, o Colégio Imaculada Conceição de Passos propôs uma experiência incrível: a construção de um jardim solidário da Rede Concepcionista! Cada colégio plantou uma árvore frutífera, plantação que

traz em sua origem sonhos, desejos, expectativas, desafios de cada escola. Neste dia, também, pudemos conhecer e admirar o professor, escritor e pesquisador do Santo Sudário, o senhor Carlos Carione. Foi um testemunho de vida e sabedoria. Carione dava detalhes, instigava nossas crenças e narrava episódios por ele vividos que nos arrebatavam. Foi uma exposição

brilhante, um fortalecimento para nossa fé na ressurreição do Senhor Jesus. Encerramos o nosso dia com a Noite Musical de Santidade. Cada escola dramatizou a vida de um santo jovem: Santa Terezinha, Santo Estanislau, São Luiz Gonzaga, Santa Maria Gorete, São Domingos Sávio, Santa Joana D’Arc e Santa Inês.

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Com a palavra, os Alunos e acompanhantes Vários alunos e acompanhantes expressaram a experiência de terem participado do 5º EAC. Diante da quantidade de depoimentos enviados, selecionamos alguns a seguir:

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que participou sentiu-se chamado, acolhido e vibrante com a proposta de Jesus em sua vida. Fizeram, também, muitas amizades. Amizades que podemos chamar de Concepcionistas, pois brotaram do carisma de Santa Carmen Sallés. Esperamos que muitos outros encontros sejam realizados, pois são momentos fortes de expressão de toda a caminhada juvenil. A convivência fraterna, os momentos de oração, os cantos, as brincadeiras favorecem o sentido de pertença, de grupo, de Congregação. Parabéns pela iniciativa e “adiante, sempre adiante! Deus proverá!” (Santa Carmen Sallés). Maria Amélia C. F. Fernandes

Assessora Pastoral da Rede Concepcionista de Ensino. Coordenadora de Pastoral do CMI-SP

O EAC foi, definitivamente, uma das melhores experiências da minha vida. Tive a oportunidade de conhecer pessoas completamente diferentes de mim e fazer grandes amizades, além de aprender muita coisa nova e me conectar muito com Deus. Larissa A. Faria (8º ano) Colégio Imaculada Conceição Passos (MG) Creio que nosso encontro deu uma resposta concreta ao questionamento do quinto capítulo da Exortação Apostólica Pós-Sinodal “Christus Vivit”: “Como se vive a juventude quando nos deixamos iluminar e transformar pelo grande anúncio do Evangelho?” Vive feliz, plena de sonhos de bondade e de justiça, de fazer o bem comum acontecer e tornar este nosso mundo melhor e possível. E não terá sido este o desejo entranhado no íntimo dos

Continua

Nosso último dia de encontro teve início com a Celebração Eucarística – dia da exaltação da Santa Cruz. Cada participante recebeu uma cruz, sendo convidado a representar o seguimento de Cristo Ressuscitado no mundo em que vive. Em seguida, recebemos a visita dos senhores Elza e Ari, que relataram como é viver na Comunidade Muriçoca, em Embu Guaçu, São Paulo. Foi um momento de muita interação. Muitas perguntas dos jovens, curiosidades. Ao final da explanação, os jovens concepcionistas puderam refletir sobre a situação e propor várias formas de ação. Estas ideias serão reunidas e colocadas em ação pela Rede Concepcionista. Irmã Terezinha, Superiora Provincial, deixou aos jovens uma mensagem de ânimo e otimismo nos trabalhos pastorais e na vida de cada um. O encontro foi um momento especial de vivência juvenil. Cada um

O EAC foi uma experiência única e maravilhosa, um lugar que me ensinou como é importante ter Deus em minha vida! Esse encontro mudou minha maneira de ver o mundo e o meu próximo. Um evento que uniu a todos e foi realmente especial (espero muito poder ir ao próximo)! Mariana S. Oliveira (8º ano) Colégio Imaculada Conceição Passos (MG)

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destaque que é possível ser santo hoje e fazer o bem comum acontecer, a exemplo de tantos santos que morreram na juventude. Basta apenas propor para despertar. Sou grata a Rede Concepcionista por primar a formação do aluno concepcionista. Lenir M. Valério Coordenadora de Pastoral do Colégio Madre Carmen Sallés Brasília (DF)

santos, apresentados nas encenações presenteadas por nossos alunos, que os tornaram pessoas que marcaram seu tempo? Que as vivências experienciadas nos animem a continuar sonhando e realizando outras iniciativas em prol da evangelização de nossos educandos. Irmã Helizangela S. Goes Coordenadora de Pastoral do Colégio Imaculada Conceição Passos (MG) O encontro me propiciou novas experiências, amizades e conhecimentos. Eu pude conhecer novos lugares, aprender sobre a cultura de cada estado e conhecer as escolas por meio dos alunos presentes no EAC. Maria Eduarda (9º ano) Colégio Maria Imaculada Rio de Janeiro (RJ)

brar e renova as forças para continuar a missão iniciada por Santa Carmen. Rosalina Pilger Coordenadora de Pastoral do Colégio Maria Imaculada Rio de Janeiro (RJ) O encontro foi muito bom e me surpreendeu bastante. Eu aprendi várias perspectivas diferentes da santidade e tive a oportunidade de conhecer pessoas e fazer novas amizades. Letícia Sousa (9º ano) Colégio Madre Carmen Sallés Brasília (DF) Foi gratificante acompanhar o grupo de jovens no 5º. EAC e perceber que o jovem busca a Deus e anseia por aprofundar o conhecimento sobre a vida de Jesus humano, histórico e divino. Alegra a mente e o coração ouvir deles

No EAC eu aprendi muitas coisas sobre a vida e sobre a morte de Jesus. Reconheço que Jesus é a melhor coisa na minha vida. Fiz muitas amizades, aprendi muito sobre a vida dos santos. Aprendi que não precisa ter vergonha para falar, para fazer amizades. Foi incrível! Amei a viagem! Amei conhecer pessoas novas! Anita Ribeiro Bretas (9º ano) Colégio Maria Imaculada Brasília (DF) Não tenho palavras para expressar a alegria e a gratidão de ter participado do EAC, foi simplesmente sensacional, uma mistura de cultura, fé, esperança, amor, ânimo, graça, juventude e sonho. Só tenho a agradecer às irmãs por acreditarem na educação diferenciada, por acreditarem na juventude, por acreditarem e confiarem em cada um de nós. “Eis-me aqui! Sou teu servo, Senhor. Faz de mim o que quiser, pois pra mim Tua vontade é minha felicidade.” Wagner Melo de Oliveira Coordenador de Pastoral do Colégio Maria Imaculada Brasília (DF)

O EAC foi um encontro que favoreceu a integração e o reencontro entre os alunos. Foi um encontro maravilhoso, que nos trouxe a reflexão de como sermos santos hoje, além de ter sido muuuuito divertido! Isabella Barros (9º ano) Colégio Maria Imaculada Rio de Janeiro (RJ) Participar do EAC foi uma experiência maravilhosa. Perceber a vida que pulsa na juventude concepcionista presente nas diferentes obras faz o coração vi-

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Nós tivemos muitas atividades interativas com outros alunos da Rede. Pudemos desfrutar de palestras muito interessantes que nos fizeram refletir bastante. O encontro em geral foi muito animado, com muita música e dança. Entramos em contato com vários sotaques diferentes, o que também foi muito divertido. Rayssa Coura (9º ano) e Jackson Pardim (8º ano) Colégio Madre Carmen Sallés Brasília (DF) Eu aprendi muito com os temas estudados nas palestras, com as dinâmicas, os trabalhos em grupos e brincadeiras que vivenciamos juntos. Todas as atividades tinham a finalidade de nos levar para mais perto de Deus. Espero presenciar os próximos, para fortalecer minha fé e minha espiritualidade. Até o próximo EAC! Ana Vitória (8º ano) Colégio Imaculada Conceição Machado (MG) Participar dos encontros da Rede Concepcionista é sempre uma alegria e trazem a certeza de que iremos viver momentos especiais, de muito aprendizado e viva comunhão com a missão de Santa Carmen e das Irmãs. Os valores vivenciados por meio do encontro, como convivência, integração, formação e partilha, são referências e fundamentos para a formação integral das crianças e jovens. Adarlene Mendes Pereira Coordenadora de Pastoral do Colégio Imaculada Conceição Machado (MG)

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Nesses dia que passamos juntos no Recanto Betânia, tivemos atividades em grupos com pessoas de outros colégios, ao final do encontro cada colégio plantou uma árvore para o Bem Comum Acontecer; fizemos novas amizades, tivemos várias palestras e atividades. Maria Eduarda Resende (8º ano) Colégio Maria Imaculada Mococa (SP) Os alunos da Rede Concepcionista responderam com prontidão não só na adesão para participar do encontro, mas de fato, envolveram-se em todas as atividades propostas antes e durante o encontro. Fiquei encantada com a integração entre os alunos e a participação ativa e efetiva de todos. Foi um encontro enriquecedor tanto para os alunos como para os acompa-

nhantes. Que as sementes de tantos valores semeadas nos corações dos participantes do 5º Encontro de Alunos Concepcionistas possam nascer, crescer e frutificar. Irmã Maria José Soares Lopes Pedagoga Colégio Maria Imaculada Mococa (SP) As expectativas foram superadas. Aprendi que sempre devemos arriscar, mesmo tendo medo de não saber o que virá pela frente, e saber sempre que haverá outras pessoas para compartilhar com você momentos fantásticos e que você não estará sozinho. Graziela Correia Lazzaretti (9º ano) Colégio Maria Imaculada Brasília (DF) Eu gostei muito da palestra sobre a Santidade. Quando fomos questionados se podíamos ser Santos hoje, aprendi que ser Santo não é só “fazer milagres”, mas, sim, fazer milagres com gestos de bondade, amando e ajudando o nosso próximo. Também gostei muito da palestra do “Santo Sudário”. Essa palestra, em específico, tocou fundo meu coração; ver quanto sofrimento Jesus passou por amor e para a salvação de todos nós. Amanda Macedo (8º ano) Colégio Imaculada Conceição Machado (MG)

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O ambiente que faltava Laboratório maker tem apoiado professores a terem ideias e a buscarem novas orientações para promoção de experiências inusitadas para os estudantes

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pesquisador e orientador de projetos inovadores na educação e autor do livro “Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica”, José Moran, indica que, para a inovação na educação, os espaços de aprendizagem devem ser considerados. Silvio Kotujansky vice-presidente de mercado da ACATE, diz que Fab Labs são espaços criativos onde permeiam soluções para prototipação, experimentação, interação e autoria. Para esses pesquisadores, os espaços

criativos possibilitam soluções que envolvem a capacidade criativa dos alunos em um ambiente inovador, aliando elementos concretos para permitir experimentação e invenção. Desde 2001, nos Estados Unidos, vem sendo observado um movimento de experimentação e prototipação – os chamados Fabrication Laboratory (Fab Labs). Os Fab Labs são ligados ao Massachussets Institute of Technology (MIT) e fazem parte do Center for Bits and Atoms (CBA). Hoje, estes ambientes são presentes na maioria dos países (MIT – FABLAB, 2016) e segundo

informações da Fab Foudation (2016) chegam a 676 em todo o mundo. Antenados nessa proposta, o CMI – DF, objetivando contribuir com novos modos de agir, na escola, que auxiliem o desenvolvimento da autonomia dos alunos, desenvolveu a sala Maker. A partir do conceito “faça você mesmo”, os estudantes são provocados no sentido de apresentar soluções criativas e inovadoras aos desafios apresentados. Conforme explica Tatiana, professora do Ensino Fundamental I: “Estimular o processo criativo do aluno é

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obrigação do professor, que na sala Maker, passa a ganhar o papel de colaborador. O professor vai funcionar como um orientador de projetos. Quem executa tudo é o aluno”. Fabiana Maria, técnica do Espaço Maker, argumenta que o conteúdo trabalhado em sala de aula é colocado em prática na sala Maker: “o aluno colocará tudo em prática e, assim, poderá tirar dúvidas, ampliar o conhecimento, acrescentar sugestões, partilhar ideias. Qualquer matéria pode e deve ser aplicada nessa metodologia tão estimulante”. Segundo Tatiana: no Colégio Maria Imaculada, quando a sala Maker foi implantada, a professora contou com a responsável pelo antigo Laboratório de Informática, a colaboradora Fabiana Maria, para ajudá-la na elaboração das novas aulas. Juntas, criaram atividades interligadas ao conteúdo do 5º ano. Tatiana afirma que os trabalhos ficam diferentes, colaborativos, divertidos sem prejuízo em termos de aquisição do conhecimento para o aluno. “Viajar para além do conhecimento é tudo o que um aluno precisa. A sala Maker também pode funcionar como um projeto itinerante, ela não precisa ter apenas projetos fixos. O jardim da escola funciona muito bem”, completa. Paulo Blikstein, autor do livro Reempowering powerful ideas: designers’ mission in the age of ubiquitous technology, diz que além de ambientes que propulsionam a inovação, os Fab Labs auxiliam a comunidade com pequenas produções, representando assim uma nova forma de compartilhamento de conhecimentos. Afirma ainda que, além da infraestrutura disponível, a presença da equipe familiarizada com a singularidade de cada um dos equipamentos é fundamental para levar os usuários dos Fab Labs a uma verdadeira experiência. Nesses novos ambientes de aprendizagem, não é possível esquecer de que existem regras. “Há regras para início e regras para o final de cada trabalho. A pesquisa é extremamente importante. Inicialmente, os alunos precisam saber a parte teórica do que estão trabalhando. Cálculos podem

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ser necessários. Mas a atenção e a concentração é que comandam esse espaço encantador”, esclarece Tatiana. Apesar de não ser novidade, de acordo com Fabiana, “o espaço Maker precisa ser bastante estudado pelo professor antes de aplicar uma aula. A metodologia do espaço não pode funcionar como um passatempo ou qualquer outra atividade sem objetivo nenhum. Requer cuidado especial. É preciso testar para saber se o resultado será o esperado. O material utilizado deve ser previamente selecionado. Caso seja uma aula envolvendo robótica, o professor precisa fazer toda a leitura do manual e só depois trabalhar com os alunos com total segurança”. O século XXI já mostrou que a criatividade e o raciocínio lógico serão essenciais para o futuro promissor do aluno. Tudo isso é trabalhado com bastante responsabilidade na sala Maker. O futuro bateu à nossa porta e nós a abrimos com muita vontade de fazer um mundo melhor.

O aluno colocará tudo em prática e, assim, poderá tirar dúvidas, ampliar o conhecimento, acrescentar sugestões, partilhar ideias. Qualquer matéria pode e deve ser aplicada nessa metodologia tão estimulante.”

É fazendo que se aprende a fazer aquilo que se deve aprender a fazer. Aristóteles Tatiana Vieira

Professora do Ensino Fundamental I

Fabiana Maria

Técnica do Espaço Maker Colégio Maria Imaculada Brasília - DF

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nutrição

Comportamento Alimentar na Infância 14

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pedagógica Márcia Reda oferece dicas para orientar os familiares a melhorar os hábitos alimentares das crianças

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epois de anos trabalhando com crianças de 1 a 7 anos, tenho percebido o aumento significativo nas queixas de pais desesperados por dificuldades alimentares apresentadas por seus filhos. Falta de apetite, não provar alimentos/seletividade, pouca ingestão de alimentos, alimentação inadequada ou a alta ingestão de alimentos são recorrentes. Por parte dos pais, constatamos a falta de rotina, tempo e de conhecimento, além da ausência de planejamento alimentar, que só intensificam comportamentos inadequados nas crianças. Não é raro ouvir pais que se sentem culpados pelas dificuldades alimentares do filho. São exigentes consigo mesmos e com o outro, buscam padrões pré-definidos e se fecham a diferentes modelos e possibilidades. Falta-lhes acreditar que podem mudar o que não está bom de uma forma organizada e tranquila, respeitando um período de transição entre o real e o ideal, e que podem e devem tomar a frente diante da educação de seus filhos. Aos educadores, faz-se necessário conhecimento básico de como orientar essas famílias e de como estabelecer atitudes e ensinamentos que favoreçam uma boa alimentação para as crianças, no ambiente escolar. A realidade é desafiadora já que nos deparamos com educadores que não compreendem a alimentação dentro de uma abordagem educativa, mas sim curativa; que necessitam desenvolver uma visão global da criança em que o aspecto alimentar faz toda a diferença para a sua saúde integral, ou seja, a aprendizagem e o desenvolvimento emocional. Os professores, linha de frente na relação com o aluno, não são preparados e formados

para essa abordagem; precisam conhecer e estudar para poderem atuar e estabelecer parcerias com as famílias. Diante deste contexto, muitas crianças realmente adoecem e expressam seus males de diversas formas, como dificuldades escolares, questões comportamentais e, é claro, comportamentos alimentares inadequados. Minha proposta, embasada nos ensinamentos da nutricionista Janain Kühn Barni, em seu curso “Comportamento Alimentar na Infância”, é de compreender a alimentação das crianças de uma maneira mais ampla, que leve em conta não apenas os aspectos fisiológicos, mas também o contexto social e emocional da família. Desta maneira, a criança é vista como um sujeito, inserido em um ambiente que pode promover bons hábitos alimentares, estando o adulto atento às sensações e emoções das crianças. Vamos refletir um pouco sobre a definição da palavra “hábito”: ato, uso e costume, padrão de reação adquirido por frequente repetição da atividade, ou seja: APRENDIZAGEM! Portanto, aprendemos a comer, e, se é assim, este assunto tem a ver com a escola! Para que ocorra uma mudança naquilo que não vai bem, seja no aspecto alimentar ou no comportamental como um todo, devemos pensar em alterar esses hábitos. O primeiro passo é saber se, como adultos, queremos efetivamente propor esta mudança, sabendo que ela ocasionará mudanças para si próprios antes de ser acolhida pela criança. A mudança vem antes como um ato consciente e de difícil adesão, até que se transforme em algo automático. As mudanças devem ser lentas, uma de cada vez, para que sejam efetivas, duradouras e prazerosas. Sim, devem despertar o prazer na criança, não desconsiderando sua aceitação

Aos educadores, faz-se necessário conhecimento básico de como orientar essas famílias e de como estabelecer atitudes e ensinamentos que favoreçam uma boa alimentação para as crianças, no ambiente escolar. ”

Continua

A coordenadora

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nutrição

A criança tem a capacidade inata de autorregulação alimentar, são as ofertas e os modelos inadequados que interrompem e prejudicam esta percepção.”

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diante de determinado alimento e sua vontade de consumi-lo, mas valorizando suas habilidades e as possibilidades oferecidas a ela. A ideia é formar “comedores competentes”, ou seja, que apresentem uma relação positiva, flexível e confortável com a comida; que sejam capazes de selecionar o que e quanto comer, tendo como base os sinais internos de fome, apetite e saciedade. Compreendendo a alimentação como um aspecto a ser aprendido, segundo Toomey, todos passamos por passos que devem ser pensados quando temos uma preocupação alimentar e nos colocamos em contato com algum alimento. São eles: tolerar, interagir, cheirar, tocar, provar para enfim comer! Quando a criança é pequena, é a família que determina fatores que podem provocar uma adequação ou inadequação neste ato. É a família que determina escolhas alimentares diante do que oferece e proporciona às crianças. Determina o tempo e o intervalo para comer e as regras e normas para alimentação. Na sua socialização, a criança aprende sobre a sensação de fome e de saciedade; desenvolve a percepção para os sabores e suas preferências iniciando assim seu comportamento alimentar. Portanto, são determinantes o que é oferecido como alimento, sua consistência adequada a sua idade, se as estratégias, o ambiente e se as gerações de oportunidades alimentares estão adequadas. Desta maneira, fica-nos claro que a maioria das dificuldades alimentares infantis não estão ligadas a fatores orgânicos ou fisiológicos, mas sim a como nós, adultos, conduzimos

a alimentação infantil. Devemos evitar pressões com relação à demanda alimentar, evitar colocar no prato mais do que a criança come, preparar o prato fora da visão delas e não consultar sobre o que desejam, além de não oferecer modelo alimentar, ou seja, comer junto com a criança. Desenvolver na criança habilidades básicas – como autonomia, boa relação com a comida, autorregulação e o prazer de comer – é fundamental para sua saúde alimentar. A criança tem a capacidade inata de autorregulação alimentar, são as ofertas e os modelos inadequados que interrompem e prejudicam esta percepção. Esta nova abordagem acredita na mudança de hábito alimentar com flexibilidade, aos poucos, de forma realista e aplicável, sem sobrecarga, contando com um olhar atento e carinhoso da família e dos educadores envolvidos nesse processo. Não existe receita pronta! É a própria criança que dará indicadores positivos ou não de sua adesão às mudanças propostas. Se a criança não come frutas, apenas carboidratos, inserir apenas uma fruta na rotina diária, sem retirar a bolacha de que tanto gosta; não adianta querer introduzir a todo custo cinco frutas diárias! Para isso, precisamos ir ao encontro da criança, oferecendo possibilidades para ouvir, interpretar, construir soluções juntos, conduzir o “como fazer” “fazendo junto”! Como educadora retomo “Os pilares da Educação propostos pela Unesco para Educação, Ciência e Cultura”, que privilegiam quatro aspectos: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser. No aspecto do aprendizado alimentar, não fugimos deste modelo. Aprendemos muito mais quando fazemos do que só quando ouvimos falar sobre. Não se aprende a comer verduras só ouvindo o benefício alimentar que elas nos trazem, mas

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tocando, cheirando, experimentando, comendo junto! Neste sentido, o educador tem muito a contribuir com a área de saúde e especificamente com a nutrição, pois precisamos abordar os desafios alimentares nas crianças com o modelo educacional. Ou seja, ouvir, conversar, entender as queixas, as necessidades, as expectativas dos pais. Estabelecer o contexto familiar atual, encorajar a família orientando sobre como as mudanças são possíveis e necessárias, orientar sobre o quanto pode ser prejudicial a instalação de hábitos alimentares inadequados a médio e longo prazo, tendo em vista a saúde da criança, aconselhar diante de pequenos fracassos que possam desencorajar a família e a criança. Parece-me urgente uma redefinição de papéis, em que aos pais cabe, com relação à alimentação dos seus filhos, introduzir o alimento estando atentos para a sua qualidade e variedade, gerenciar a transição desses alimentos, oferecer novas oportunidades, direcionar a forma e a hora certa, evitando que as crianças belisquem entre as refeições. Cabe a eles também organizar a rotina, escolher e preparar a comida ou delegar a quem tenha condições para isso, conversar com a família e estabelecer combinados familiares, manter-se tranquilo e tornar o momento da refeição agradável. É ser modelo, corrigir em momentos oportunos, evitar categorizar os alimentos, ou seja, “disso ele gosta, disso ele não gosta! ”, incentivar, mas não obrigar, ser sempre firme, porém gentil. À criança cabe decidir o quanto vai comer e se vai comer, por mais que isso seja desafiador para os pais! Comer a quantidade de que precisa, aprender a comer o que seus pais

comem, aceitar que estão crescendo conforme o esperado, aprender a se “comportar” durante as refeições e ter oportunidade de escolha.

Mas, afinal, o que é comer normal independentemente de sermos adultos ou crianças? É apenas ser capaz de comer quando está com fome e continuar comendo até ficar satisfeito; Escolher alimentos que lhe agradam e aproveitar este momento. Pensar diante de escolhas e possibilidades alimentares, sobre alimentos que seriam mais nutritivos, mas ter tanta preocupação e restrição a ponto de não comer o que seja gostoso para você. Permitir-se comer às vezes porque está feliz, triste ou entediado ou apenas porque é gostoso. Deixar a sua fome guiar quantas vezes vai comer ao longo do dia (Elyn Satter).

O educador tem muito a contribuir com a área de saúde e especificamente com a nutrição, pois precisamos abordar os desafios alimentares nas crianças com o modelo educacional.”

É claro que este é um desafio na atualidade, já que a dieta diária depende muitas vezes do tempo que temos naquele dia ou do que a dieta da moda dita, mas é preciso agir de forma reflexiva sobre o que realmente gostamos e o que nos faz sentido para colocarmos em seu corpo naquele dia. Ter liberdade para experimentar a vida e, dentro disso, sabores, prazeres e deixar que a criança se construa como pessoa é o único caminho. Só sabe por onde ir quem sabe onde quer chegar! Livros paradidáticos para crianças: Tá na hora do Papá! Coleção Conto com você - Aline Padovani

Livros para estudo: Meu filho não come! Conselhos para prevenir e resolver problemas Dr. Carlos Gonzales - Editora Timo Disciplina Positiva em sala de aula 4ª Edição Jane Nelsen e outros. - Ed. Manole Disciplina Positiva 3ª Edição Jane Nelson - Ed. Manole O peso das dietas Sophie Deram - Ed. Sextante

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Como será meu dia Coleção Conto com você - Lú Pimentel

Referências no assunto: Sophie Deram Doutora da USP e Coach em nutrição sophiederam.com.br Janaina Kuhn Barni - Nutricionista jananutri.com.br Portal CONALCOLab Fonoaudióloga Aline Padovani conalcolab.com.br

Márcia Reda

Pedagoga e Neuropsicóloga Coordenadora Pedagógica e Orientadora Educacional do Segmento 1 Colégio Maria Imaculada São Paulo - SP

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REFLEXÃO

O impacto da internet, especialmente nas gerações mais novas, em relação ao uso excessivo das redes sociais e sua contribuição para o culto a uma felicidade cada vez mais superficial

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Conectados e solitários

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odas de conversa em lugares públicos, brincadeiras na rua, passeios no parque, visita a bibliotecas... essas e outras atividades vêm, cada vez mais, sendo substituídas por infinitas horas de navegação na internet. A troca de espaços concretos pelo virtual é um hábito adotado, especialmente, pelos mais jovens. É óbvio que a tecnologia trouxe uma série de benefícios incomensuráveis para a população, mas é preciso ter cautela quanto ao seu uso para que ele não se torne viciante. Segundo a pesquisa Juventudes e Conexões, da Fundação Telefônica Vivo, que ouviu 1400 jovens brasileiros, entre 15 e 29 anos, 55% dos entrevistados consideram a internet um auxílio para os estudos e 49% acreditam que ela possibilita um aprendizado exclusivo. Além disso, 70% responderam que ela estimula a colaboração entre empreendedores e 43% disseram que ela amplia a possibilidade de negócios. Ou seja, são números que trazem uma perspectiva positiva sobre os benefícios da tecnologia na visão dos entrevistados. Todavia, eles também apontaram alguns aspectos preocupantes, especialmente em relação ao comportamento. Para a maioria (60%), a rede virtual é responsável por ampliar o isolamento e 54% dizem se sentir inseguros com ela. É fato que a popularização dos smartphones aumentou, consideravelmente, o tempo que permanecemos conectados e, com isso, é quase uma tarefa impossível andar pelas ruas e não encontrar alguém deslizando o dedo pela tela do celular. A questão é que esse uso incessante vem substituindo as conversas presenciais pelas virtuais de uma forma completamente distinta, já que a infinidade de contatos em nossas redes sociais impossibilita um diálogo profundo com cada um dos nossos “amigos” virtuais. Por isso, a ampliação dos contatos virtuais ocorre proporcionalmente ao aumento da superficialidade das conversas, o que pode gerar bolhas de isolamento, já que no meio digital não expomos nosso verdadeiro “eu”. Um bombardeamento imagético de pessoas felizes e bem-sucedidas domina as redes sociais, fomentando o culto a uma felicidade construída que vicia internautas a postarem cada vez mais, num desejo incessante de curtidas e comentários, mesclado a um sentimento de solidão. O recurso de rolagem infinita inventado pelo programador norte-americano Aza Raskin, que se trata do conteúdo infinito a que temos acesso conforme descemos a tela do celular, é um dos responsáveis por viciar internautas, afinal, somos seres imagéticos e necessitamos consumir imagens 24 horas por dia. Mas há outros recursos e estratégias usadas pelas gigantes de tecnologia para tal envolvi-

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mento, como a explosão instantânea de conteúdo, que impede o processamento de tantas informações pelo cérebro e as notificações sonoras, que, muitas vezes, não trazem nada de significativo, mas geram ansiedade somente pelo fato de alertar sobre algo novo, entre muitos outros. Em meio a tudo isso, as gerações mais novas acabam sendo as mais afetadas pelos efeitos negativos deste uso frenético das tecnologias, pois, a instantaneidade das respostas geradas nas redes sociais dificulta os mais jovens a lidarem com as frustrações da vida, uma vez que o ambiente digital lhes proporciona a falsa sensação de alcançarem o que desejam com base nas próprias escolhas das opções apresentadas – esquecendo-se que estas já foram pré-definidas – algo que acaba por distanciar essa geração do mundo real. E basta um clique para que forneçam todas as suas informações pessoais necessárias para que as empresas lhes apresentem aquilo que desejam, dando-lhes a ilusão de que são realmente compreendidos por elas. Isolados em bolhas digitais, muitos são acometidos pela solidão da qual não conseguem mais se livrar, por estarem viciados nas redes e na sua construção imagética, pois tudo gira em torno desta, como afirmou ao Portal UOL, Milene Soares Cara, coordenadora da Pós-Graduação em Arquitetura Comercial do Senac São Paulo: "A imagem digital pauta o espaço físico. É uma geração que se relaciona muito pelo que é percebido do ponto de vista da imagem" Segundo dados da empresa sueca Ericsson, atualmente, quatro bilhões de pessoas no mundo possuem um smartphone e, de acordo com outra pesquisa da consultoria inglesa Tecmark, 221 é o número de vezes que as pessoas mexem no celular por dia. Achou muito? Que tal, então, começarmos a repensar nossos hábitos e de nossos familiares a fim de rompermos as bolhas digitais e vivenciarmos mais encontros presenciais que nos proporcionem uma felicidade verdadeira? Pense a respeito!

A instantaneidade das respostas geradas nas redes sociais dificulta os mais jovens a lidarem com as frustrações da vida.”

REFERÊNCIAS ÉPOCA. Pesquisa Juventudes e Conexões traz panorama da relação dos jovens com a internet. Disponível em: https://epoca.globo.com/educacao/ pesquisa-juventudes-conexoes-traz-panorama-da-relacao-dos-jovens-com-internet-23969852 GARATTONI, Bruno; SZKLARZ, Eduardo. Smartphone: o novo cigarro. Revista SuperInteressante, São Paulo, n. 408, p. 20-31, out. 2019 UOL. Ficar em casa é o rolê dos jovens. Disponível em: https://tab.uol.com.br/noticias/ redacao/2019/10/25/ficar-em-casa-tambem-e-cool-como-o-sofa-esta-competindo-com-as-baladas.htm

Mariana Mascarenhas

Mestra em Ciências Humanas. Jornalista Assessora de Comunicação da Rede Concepcionista de Ensino Sede Provincial São Paulo - SP

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PASTORAL

O Ensino Religioso da Rede Concepcionista de Ensino

O Ensino Religioso Concepcionista faz parte da educação personalizada e visa a intervir na formação integral do ser humano

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ivemos em um mundo dominado pelo pragmatismo e pelo consumismo. Diante deste cenário, cresce a responsabilidade da escola, da qual se esperam respostas objetivas e eficientes capazes de ampliar o leque de possibilidades do educando. Dentro deste contexto, a Educação Concepcionista apresenta uma proposta de Ensino Religioso. O Ensino Religioso da Rede Concepcionista de Ensino tem uma singularidade: é personalizado, assim como sua proposta educativa, procurando interferir na formação integral do

ser humano e buscando o grande objetivo do transcendental, que une o homem a Deus, a partir da revelação dos seus caminhos tendo Jesus Cristo como exemplo. A Congregação das Irmãs Concepcionistas Missionárias do Ensino da Província do Brasil apresenta um material específico de Ensino Religioso produzido pelos educadores ao longo dos anos e que tem por proposta maior a unidade de seus objetivos e conteúdos tendo como base a proposta Educativa Concepcionista e a Missão de Evangelizar através da educação. É um material escrito no chão da sala de aula e traz consigo suas necessidades e aspirações. Não podemos deixar de pontuar que é um material originado nos princípios educativos Concepcionistas de uma Escola em Pastoral e que destaca a experiência pedagógica de Santa Carmen Sallés. Maria Imaculada é inspiração para um ideal de identidade que incentiva o despertar do

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Informação de cultura religiosa, formação valórica, tradição da Igreja e devoção mariana. Informação de Cultura Religiosa: deve ser desenvolvida a partir de dados doutrinais e/ou eclesiais.

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Formação Valórica: deve priorizar o tratamento dos temas desde a perspectiva da reflexão à interiorização dos valores que levem a uma mudança de atitude no aluno.

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Tradição da Igreja: fomenta o gosto pela "escuta" da história da comunidade eclesial da qual o educando foi tomando conhecimento de dados da doutrina cristã. Devoção Mariana: deve ser trabalhada em momentos de oração e celebração. A aprendizagem é centrada no aluno. O professor é o facilitador do processo de descoberta, construção e conquista das verdades por parte do aluno. A metodologia deve proporcionar ao aluno, meios e instrumentos de trabalho para que desenvolva o conhecimento de si mesmo e do outro, como imagem e semelhança de Deus-Pai. Como, por exemplo: Trabalho pessoal: materiais que provocam a descoberta do aluno diante dos conteúdos tratados; Partilha comunitária das descobertas feitas; Aulas coletivas para introdução, correção ou fixação dos temas estudados.

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CAPAS

É um material escrito, no chão da sala de aula, e traz consigo suas necessidades e aspirações.”

Continua

espírito crítico e a conquista da autonomia das pessoas que se percebem responsáveis por suas próprias histórias. A Educação Personalizada parte e chega no próprio aluno e tem como eixos básicos a individualização e a socialização. Nesso processo, o educador é visto como um facilitador de aprendizagens. Respeita o ritmo dos alunos e diversifica o uso de instrumentos. Os termos liberdade e responsabilidade se complementam nessa ação educadora. Dentro desta perspectiva é que se configura o material de ER e a prática educativa de nossos educadores. Os temas partem da vivência dos alunos, abordando conteúdos doutrinais e espera-se que esse processo favoreça a revisão de atitudes e a formação de valores como: o respeito, a solidariedade, a cooperação, contribuindo para a construção de um mundo melhor. Os programas são organizados a partir de uma sequência que considera as características específicas de cada faixa etária, e levam em conta a relação da pessoa consigo mesma, com o outro, com a natureza e com Deus. Destacamos aqui, um pouco da história desta bela construção. Por ocasião do Centenário da Congregação (1992) a Província do Brasil fez uma análise de suas Obras em busca de melhorias e otimização de seus recursos. Constatou a necessidade de sistematização das atividades desenvolvidas na escola a partir de três dimensões: DOUTRINAL, LITÚRGICO SACRAMENTAL e APOSTÓLICA. Foram tomados dois referenciais: O ANTROPOLÓGICO e o TEOLÓGICO. O Ensino Religioso faz emergir o teológico a partir da reflexão sobre a experiência antropológica. "A antropologia é a casa da teologia" Sem ignorar o referencial teológico, dá-se uma ênfase maior ao referencial antropológico nas primeiras séries da vida escolar. Em qualquer unidade, parte-se, sempre, dá-se experiência do educando, da reflexão sobre a pessoa, sua realidade mais próxima a suas relações. Na medida que o aluno vai amadurecendo, torna-se possível partir do referencial teológico para fazer uma leitura da experiência antropológica. É possível abordar um tema a partir da experiência de Jesus Cristo ou das comunidades cristãs, narradas na Sagrada Escritura. Os textos apresentados, no programa de Ensino Religioso, seguem as seguintes classes de abordagem:

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PASTORAL

É, em função dessa proposta, que se observam os seguintes passos programados para a aula: Contextualização: é a apresentação do tema fazendo uma abordagem a partir da Bíblia e da vivência do aluno, atribuindo significado para o tema a ser estudado. Ação geradora: é a motivação, algo que despertará o interesse do aluno. Atividade de aprofundamento: é a vivência do tema proposto, em que o aluno fará o registro de suas descobertas. Partilha: é pôr em comum o que cada um observou, refletiu, descobriu. É o espaço em que o aluno dividirá com os colegas o que aprendeu, seus sentimentos e suas descobertas. Oração: é um momento para colocar o aluno em diálogo com Deus.

Ir. Sarah Reis Coordenadora Provincial de Educação

Compromisso: é um gesto concreto possível de ser colocado em prática, deve estar relacionado com as atitudes desejadas para cada tema para que sejam internalizadas pelos alunos. Avaliação: será realizada durante todo o desenvolvimento do tema. A criatividade, a perseverança, a disponibilidade e o envolvimento do professor com o material de Ensino Religioso e com os alunos são essenciais para que esta proposta se concretize. Esperamos, assim, que este material contribua para que, por meio da educação, a Escola Concepcionista possa ajudar os indivíduos nos processos de superação pessoal e de transformação social. Sigamos, como Santa Carmen nos anima: “ Adiante, sempre adiante! Deus proverá! “

Maria Amélia C. F. Fernandes Assessora Pastoral da Rede Concepcionista de Ensino, Coordenadora de Pastoral do CMI-SP

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ESPIRITUALIDADE

Chamados a uma missão que educa e integra A família concepcionista convida pais, professores e funcionários, todos como educadores, a contribuir com uma sociedade mais justa e fraterna

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ara a Igreja Católica, outubro é conhecido como o mês missionário, isto é, um mês dedicado às missões. E, neste ano, ele foi especial, pois se tratou do “Mês Missionário Extraordinário”, proposto e aberto em Roma no dia 1º pelo Papa Francisco. Não foi um mês missionário qualquer, como os outros anos, por isso extraordinário. Com isso o Papa Francisco quis chamar a atenção de todos nós para um empenho maior nesta questão. Ou seja, se todos fomos batizados, num único batismo de Jesus, todos também são chamados à missão. Não é uma tarefa única e exclusiva do papa, bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas. A missão é extraordinária, mas a nossa ação não precisa ser de forma extraordinária para ser missionária. Todos somos chamados a ser missionários em casa, na família, no trabalho, no lazer, onde quer que estejamos. Não se trata apenas do fazer, mas do ser missionário. Onde eu estiver tenho que estar como missionário, no meu jeito mesmo de ser e de me comportar. Por isso, nós, famílias concepcionistas do ensino, convidamos a cada um de vocês – pais, professores, funcionários – todos como educadores para que sejamos de fato missionários, para, juntos, contribuirmos, por meio da educação, para uma sociedade mais justa e fraterna. Cada um tem o seu papel específico nessa missão. Não importa o que faz, mas como faz. Como colaboram uns com os outros, visto que missão não é de um, mas de todos, em vista de todos, para o bem de todos.

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Na carta convocatória para um encontro de educadores, a ser realizado em Roma, no dia 14 de maio de 2020, o Papa Francisco insiste exatamente nessa questão. “Nunca, como agora, houve necessidade de unir esforços numa ampla aliança educativa para formar pessoas maduras, capazes de superar fragmentações e contrastes e reconstruir o tecido das relações em ordem a uma humanidade mais fraterna.” É o mesmo convite que estendemos a cada um de vocês, para colaborar conosco nesta missão, como comunidade educativa. Vamos assumir juntos esta missão, para almejarmos mais êxitos naquilo que nos tange. Como afirmamos acima, o mês de outubro foi extraordinário, mas a nossa ação pode ser simples, basta incentivarmos uns aos outros, dialogarmos mais, nos unirmos mais e sonharmos juntos um bem maior. Eis nossa missão, de hoje e sempre. Assim, como afirmou o Papa Francisco, “... ora, cada mudança precisa de uma caminhada educativa que envolva a todos. Por isso, é necessário construir uma ‘aldeia da educação’, onde, na diversidade, seja compartilhado o compromisso de gerar uma rede de relações humanas e abertas”. Embarquemos juntos nessa Missão, e avancemos para as águas mais profundas. Frei Luiz Carlos da Silva, OP

Assistente Espiritual Colégio Maria Imaculada São Paulo - SP

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espiritualidade

Papa Francisco direto do Twitter Peçamos ao Senhor que nos ensine a não combater as pessoas, mas o mal que as inspira, a não ir contra os outros, mas querer encontrá-los.

Rezemos pelas nossas comunidades, para que, dando testemunho da alegria da vida cristã, possam ver florescer a vocação à santidade.

Muitos irmãos e irmãs na Amazónia carregam cruzes pesadas e aguardam pela consolação libertadora do Evangelho, pela carícia de amor da Igreja. Por eles, com eles, caminhemos juntos.

A Palavra de Deus nos enche de alegria e essa alegria é a nossa força. Somos cristãos alegres porque acolhemos em nosso coração a Palavra de Deus. Esta é a mensagem de hoje para todos nós.

A todos nós, o Senhor dá uma vocação para nos fazer descobrir os talentos e as capacidades que possuímos a fim de colocá-los ao serviço dos outros.

É preciso de mais força para reparar do que para construir, para recomeçar do que para iniciar, para reconciliar-se do que para estar de acordo. Esta é a força que Deus nos dá.

Jesus propõe uma primeira regra de ouro ao alcance de todos: “Assim como desejais que os outros¬ vos tratem, tratai-os do mesmo modo” (Lc 6, 31); e ajuda-nos a descobrir o que é mais importante: amar-nos e ajudar-nos.

O que fazer para chegar a ser um bom cristão? A resposta é simples: é necessário fazer, cada um à sua maneira, o que Jesus diz no discurso das Bemaventuranças.

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O clamor da

Amazônia

O Sínodo dos Bispos para a região Pan-Amazônica, realizado entre os dias 6 a 27 de outubro de 2019, no Vaticano, foi uma resposta do Papa Francisco aos desafios socioambientais da Amazônia com missão e dimensão evangelizadoras. Selecionamos alguns trechos do documento final a seguir:

“A busca dos povos indígenas amazônicos pela vida em abundância se concretiza no que eles chamam de ‘bem viver’, e que se realiza plenamente nas Bem-Aventuranças. Trata-se de viver em harmonia consigo mesmo, com a natureza, com os seres humanos e com o ser supremo, pois existe uma intercomunicação entre todo o cosmos.” [9] “A Amazônia hoje é uma beleza ferida e deformada, um lugar de dor e violência.” [10] “A comunidade científica, por sua vez, alerta para os riscos do desmatamento, que até o momento representa quase 17% do total da floresta amazônica, e ameaça a sobrevivência de todo o ecossistema.” [11] “No momento atual, a Igreja tem a oportunidade histórica de se diferenciar das novas potências colonizadoras, escutando os povos amazônicos para poder exercer com transparência sua atividade profética.” [15] “Este Sínodo quer ser um forte apelo para que todos os batizados da Amazônia sejam discípulos missionários. O envio à

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missão é inerente ao batismo e é para todos os batizados.” [26] “Entre os jovens amazônicos, são apresentadas tristes realidades como pobreza, violência, doença, abuso infantil, exploração sexual, uso e tráfico de drogas, gravidez precoce, desemprego, depressão, tráfico de pessoas, novas formas de escravidão, tráfico de órgãos, dificuldades de acesso à educação, saúde e assistência social (...). A tarefa da Igreja é acompanhá-los para enfrentar qualquer situação que destrua a sua identidade ou prejudique a sua autoestima.” [30]. “Nos territórios da Amazônia há uma realidade pluricultural que exige ter um olhar que inclua a todos, usando expressões que permitam identificar e vincular todos os grupos e refletir identidades que são reconhecidas, respeitadas e promovidas tanto na Igreja quanto na sociedade, que devem encontrar nos povos amazônicos um interlocutor válido para o diálogo e o encontro.” [47] “Demarcar e proteger a terra é obrigação dos Estados nacionais e de seus respectivos governos. No entanto, boa parte dos territórios indígenas está desprotegida e os já demarcados estão sendo invadidos (...).” [45]

“Desta forma, a Igreja se compromete a ser aliada dos povos amazônicos para denunciar os ataques contra a vida das comunidades indígenas, os projetos que afetam o meio ambiente, a falta de demarcação de seus territórios, bem como o modelo econômico de desenvolvimento predatório e ecocida.” [46] “Na Amazônia, queremos promover uma cultura comunicativa que favoreça o diálogo, a cultura do encontro e o cuidado da “casa comum”. Motivados por uma ecologia integral, queremos fortalecer os espaços de comunicação já existentes na região, a fim de promover urgentemente uma conversão ecológica integral. Para isso, é necessário colaborar com a formação de agentes de comunicação autóctones, especialmente indígenas. Eles não só são interlocutores privilegiados para a evangelização e a promoção humana no território, mas também nos ajudam a difundir a cultura do ‘bem viver’ e do cuidado da criação”. [60] Confira o documento na íntegra pelo link: www.sinodoamazonico.va/content/ sinodoamazonico/pt/documentos/ documento-final-do-sinodo-para-a-amazonia.html

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psicopedagogia

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neurociência e sua contribuição na

aprendizagem

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om a neurociência nutricional, já é possível entender porque preferirmos leite, chá, suco, café ou chocolate. Para isso, basta compreender como o cérebro funciona. A neurociência mostra, por meio de sua abordagem interdisciplinar1, o que o funcionamento do cérebro faz de nós, o que somos, o que pensamos, o que sentimos e o que lembramos. É muito interessante aprender como as neurociências (neuroanatomia, neurofisiologia, neuroquímica, neuroimagem, neurologia etc.) podem investigar as diferentes relações entre o comportamento e a atividade cerebral. Uma das preocupações do professor é saber como o aluno aprende. A neurociência também tem contribuído

Um diálogo entre a neurociência e a educação nessa área, conforme afirma Laurinda Ramalho de Almeida, professora do Programa de Estudos Pós-Graduados em Educação, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), e especialista em Wallon, em entrevista concedida à revista Nova Escola: “A Neurociência mostra que o desenvolvimento do cérebro decorre da integração entre o corpo e o meio social. O

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educador precisa potencializar essa interação por parte das crianças”. Contribuindo no campo da educação, no processo de aprendizagem, nas áreas cognitivas, afetivas, emocionais e motoras, a neurociência auxilia na Pedagogia. Com a neurociência, os professores entenderem que existe uma biologia cerebral, uma anatomia e uma fisiologia num cérebro que aprende. Porém, como firma Hamilton Haddad, do Departamento de Fisiologia do Instituto de Biociências da USP. “A Neurociência não fornece estratégias de ensino. Isso é trabalho da Pedagogia, por meio das didáticas” (Nova Escola). A “Neurociência é um campo de estudos relativamente novo, o termo Neurociências foi criado a partir da fundação da Society for Neurocience em 1970”, afirma Portes em artigo publicado em revista científica. Mas é possível observar grandes incentivadores da neurociência no século 19, como os fisiologistas alemães Gustav Hitzig (1838-1927) e Eduard Hitzig Fritsch (1838-1907), que através de estímulos cerebrais identificaram e perceberam que todo cérebro responde a mudanças efetivamente. Houve, logo em seguida, a contribuição de histologista espanhol Santiago Rámon y Cajal (1852-1934), que, através de seus ensinamentos, pode mostrar que estímulos são travados através de sinapses neurais. Kandel, neurocientista ganhador do Prêmio Nobel em 2006, considerado o pai das neurociências, afirma que somos produtos das nossas sinapses e ainda diz que “Somos quem somos por causa daquilo que aprendemos e do que lembramos”. Ele conversa com a psiquiatria, a biologia cerebral e a terapêutica. Kandel também nos diz que todo o cérebro é capaz de alterar-se, curar e mudar. Isso é possível através de novas aprendizagens e novas conexões. Por isso, o professor deve estar atento a uma prática que ainda acontece muito em sala de aula: a rotulação dos alunos. Para o neurologista russo Alexander Romanovich Luria (1903-1978), seguidor de Vygotsky, “o cérebro era um sistema biológico aberto em constante interação com o meio, isto é, as funções mentais superiores eram construídas durante a evolução da espécie e da história social e desenvolvimento de cada indivíduo”, diz Portes, em artigo publicado na revista Pepsic.

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Ainda no século 19, Broca e Werneck confirmaram que a linguagem também é organizada em áreas específicas no córtex cerebral. A neurociência traz para o educador o conhecimento da memória, do sono, do esquecimento, do humor, do medo, da atenção, da afetividade, dos sentidos e a linguagem fisiológica em nossos cérebros de crianças e adultos, meninos e meninas. Tudo isso se torna um subsídio interessante e fundamental na compreensão pedagógica. Ter a percepção de que a plasticidade cerebral é uma aliada da educação, ─ pois o cérebro continua a desenvolver-se aprendendo, mudando e adaptando-se até a vida adulta e, às vezes, até a vida senil ─ nos faz alterar a visão de aprender na educação. É importante ainda que o professor entenda que aprendemos pelo prazer, e que o clima em sala de aula deve ser o mais favorável possível para que os alunos possam, com seu professor, estabelecer uma relação amigável de segurança. É preciso trabalhar com as emoções e escutar os nossos alunos para entender que a autoestima é uma ferramenta importante para o aprender. A neurociência, portanto, não vem como um resultado para tudo na educação, mas vem como ferramenta que contribuirá, sobremaneira, com as práticas em sala de aula. Como explica a médica e especialista em neuropsicologia para o Instituto Porvir: “Por que todo mundo não aprende igual? Isso tem a ver com a nossa biologia. Entender as limitações e o potencial de um aluno pode trazer uma contribuição boa para quem está começando sua vida na área da educação”.

“A Neurociência mostra que o desenvolvimento do cérebro decorre da integração entre o corpo e o meio social. O educador precisa potencializar essa interação por parte das crianças.”

A neurociência é uma área de estudo relacionada à medicina que trabalha na interface de várias áreas de estudo; dentre elas, a psicologia, a pedagogia, a biologia, a anatomia, a genética, a fonoaudiologia, a tecnologia, a física, a filosofia e muitas mais (geekie). 1

REFERÊNCIAS

LOPES, Marina. Neurociência é aliada na preparação do professor para a sala de aula. Disponível em: http://porvir.org/neurociencia-ajuda-prepararprofessores-para-desafios-da-sala-de-aula/. Acesso em: 21 out. 2019. MANIR. Mônica. Como a neurociência pode ajudar em sala de aula. Disponível em: https://novaescola. org.br/conteudo/16062/como-a-neurocienciapode-ajudar-a-educacao Acesso em: 21 out. 2019. PORTES, D. S. (2015). A importância das Neurociências na formação do professor de inglês. Revista Psicopedagogia, 32(98), 168-181. SALLA, Fernanda. Neurocência: como ela ajuda a entender a aprendizagem. Disponível em: https:// novaescola.org.br/conteudo/217/neurocienciaaprendizagem. Acesso em: 21 out. 2019.

Verônica Gomes Josué Maraslis

Graduação: Pedagogia Pós-Graduação: Psicopedagogia Clínica e Institucional Neurociência (cursando) Professora do Fundamental 1 Turma: 2º ano A Colégio Maria Imaculada Rio de Janeiro – RJ

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psicopedagogia

Somente uma visão holística sobre cada criança permite entender a importância do desenvolvimento da inteligência emocional no ambiente escolar como instrumento metodológico, para compreender as emoções, motivações e sentimentos que norteiam a realidade diária na educação infantil. Observando as particularidades de cada aluno, o professor começa a ter a percepção que este também é um método que cada criança realiza: observa o que a rodeia, aprende e constrói conceitos, entende o que é saudável e não saudável. Assim, a criança sente-se motivada a aprender mais e, com isso, dar saltos qualitativos na aprendizagem, começando assim a construir sua auto-estima. A construção da inteligência emocional é de extrema relevância para a aprendizagem e interações sociais. As crianças começam a evoluir emocionalmente tendo como modelação os pais, os estímulos e comportamentos adquiridos em casa e, assim, criam a possibilidade de formarem suas emoções, temperamento e personalidade. Já, a escola permite que as crianças vivenciem a diversidade, seja ela cultural, étnica, social, iniciando-se a formação cidadã de cada indivíduo. Para a psicóloga Ana Rita Cardeira, a escola é o espaço que deve estimular as competências essenciais e emocionais, além de ser o local de maior socialização onde as crianças e jovens passam a maior parte do seu tempo. Com isso, percebe-se a escola como um dos principais agentes da educação emocional. Augusto Cury, em seu livro intitulado Inteligência Multifocal: Análise da construção de pensamento e construção de pensadores,, cita que, em todos os níveis de escolaridade, a memória é importante para registrar as experiências, gera inteligência e consequentemente produz uma cadeia de pensamentos e reações emocionais,

Inteligê

Emocio

e Educação

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gência

cional

ção Infantil

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que possibilita o conhecimento do “eu” no seu próprio mundo. Na Educação Infantil, uma visão holística sobre cada criança, ajuda a entender como é importante o desenvolvimento da inteligência emocional no ambiente escolar. O conhecimento de cada criança não deve basear-se pelo seu Q.I (Quociente de Inteligência), faz-se necessário levar em conta a sociabilidade e a forma como a criança lida com as problemáticas ao seu redor, visto que as situações vivenciadas cotidianamente, principalmente no convívio familiar, podem afetar positiva ou negativamente o desempenho escolar e, consequentemente, influenciar na autoestima, confiança e motivação. De acordo com Juan José Mouriño Mosquera e Claus Dieter Stobãus, autores do artigo Afetividade: a manifestação de sentimentos na educação, “o potencial afetivo do ser humano é o que o capacita para conhecer as circunstâncias e os fatos do e no mundo”. Levando este pensamento dos autores citados para o campo da educação, é possível visualizar que afetividade, emoções e sentimentos são primordiais para o desenvolvimento pessoal e social de cada aluno. O Colégio Imaculada Conceição, da cidade de Passos MG, realiza através da Escola da Inteligência um trabalho interativo entre Família/Escola sobre as competências emocionais. Um dos trabalhos realizados no Jardim (4 anos) sobre comportamento faz com que as crianças desenvolvam atitudes de respeito e gentilezas, dando a oportunidade de se tornarem um ser mais empático. A temática Gentileza é trabalhada com os alunos, em sala de aula, ressaltando atitudes de respeito e cordialidade, através da Ciranda das Palavras Mágicas. Em casa, sugere-se a proposta de confeccionar o Painel das Gentilezas, em que cada criança ganha um coraçãozinho para cada atitude gentil. Assim, entende-se que no processo pedagógico, a inteligência emocional é importante na formação crítica e individual, principalmente na educação infantil, etapa em que a criança,

em sua primeira e segunda infâncias, está se desenvolvendo fisicamente de forma mais lenta, porém, o aspecto mental, emocional e social crescem em níveis mais rápidos. Conforme Cury, as habilidades emocionais, durante toda a etapa de escolarização, devem promover a capacidade de autopercepção, o estímulo constante de pensamentos e hábitos saudáveis, reconhecimento das dificuldades e limites e capacidade de ouvir e lidar com críticas e criar vínculos saudáveis com as pessoas. Portanto, na elaboração do processo pedagógico de cada instituição que oferta a educação infantil, os educadores devem realizar planejamentos que estimulem a inteligência emocional de cada criança, promovendo um desenvolvimento social, que possibilite maximizar as motivações, controle sobre emoções e sentimentos e respeito a diversidade.

REFERÊNCIAS

CARDEIRA, Ana Rita. Educação Emocional no contexto Escolar. Psicologia: Portal dos psicólogos, Portugal, 2012. Disponível em: http:// www.psicologia.pt/artigos/textos/TL0296.pdf. Acesso em: 8 ago. 2019. CURY, Augusto Jorge. Inteligência Multifocal: Análise da construção de pensamento e construção de pensadores. 8°. ed. rev. São Paulo: Cultrix, 2006. 335 p. ISBN 85-316-0159-2. CURY, Augusto Jorge. Inteligência Socioemocional. 1°. ed. Brasil: Sextante, 2019. 144 p. ISBN 9788543108018. GOLEMAN, D. Inteligência Emocional. Lisboa: Temas Editoriais. 12° edição. 2003. MOSQUERA, Juan José Mouriño; STOBÃUS, Claus Dieter. Afetividade: a manifestação de sentimentos na educação. Revista Educação, Porto Alegre - RS, v. 29, n. 1, p. 123-133, jan-abr 2006. Disponível em: https://www.redalyc.org/ pdf/848/84805807.pdf. Acesso em: 15 ago. 2019.

Maria Antônia da Silva

Sueli Marques Vilela Soares Professoras do Jardim Colégio Imaculada Conceição Passos (MG)

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PEDAGOGIA

nal, inem os, ais re, ntil ade ao

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Foi dada a largada para o

Novo Ensino Médio As escolas da Rede Concepcionista se preparam para implementar uma nova proposta de ensino que, dentre os seus pilares, prevê o desenvolvimento do protagonismo dos estudantes e do seu projeto de vida 30

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n pesquisa a campo para mapeamento e oferta

dos itinerários formativos; n rodas de conversa com os alunos;

n análise de possíveis articulações com diferen-

tes instituições, de modo a ajudar na oferta de itinerários; n levantamento de redatores das áreas de

conhecimento e dos itinerários. Essas reuniões têm sido pulverizadas transversalmente, dada a interdependência de diferentes áreas do saber e uma visão compartilhada de resultados. Isso implica um movimento novo na forma de pensar e transformação no conhecimento e nas práticas educativas, para a construção de consensos sobre que pessoas queremos formar, um processo educativo articulado e compromissado com a sustentabilidade e a responsabilidade social. Andrea Schleicher o físico alemão, idealizador do Pisa (sigla em inglês para Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), o exame internacional aplicado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) a estudantes de 15 anos de 70 países, afirmou que “Precisamos pensar em um aprendizado ao longo da vida, que garanta que as pessoas tenham mais controle sobre o que querem aprender, como e onde. No momento, a ideia preponderante (no Brasil) é que temos que ter um bom diploma de ensino médio, depois um bom diploma universitário e, então, eu paro de aprender. Esse não é o modelo do século 21. O Brasil deve oferecer a todos uma oportunidade de continuar sua formação educacional. Isso deve ser universal, mas isso não significa que a universidade deva ser o único caminho”.

Novo Ensino Médio Interdependência de diferentes áreas do saber e uma visão compartilhada de resultados

Transformações no mundo do trabalho

Interesses e necessidades dos estudantes

n escuta quantitativa por meio de questioná-

rios oferecidos aos alunos; n estudo do quantitativo de cada escola para

definição de profissionais que farão parte da elaboração dos itinerários formativos;

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Para além da necessidade de universalizar o atendimento, outros grandes desafios do Ensino Médio na atualidade são garantir as aprendizagens dos estudantes, respondendo às suas aspirações presentes e futuras (Base Nacional Comum Curricular)”

Continua

A

o longo do século XX, a escola secundária passou por intensas mudanças em decorrência das transformações no mundo do trabalho, do desenvolvimento tecnológico e, mais recentemente, da globalização. Nesse caminho, a Rede Concepcionista de Ensino enfrentou (e continua enfrentando) grandes desafios. Por isso, há mais de um século de sua fundação no Brasil, foram desenvolvidos vários programas no intuito de atender aos interesses e necessidades dos estudantes e às demandas do mundo em vertiginosa mudança. Mais atualmente, em que a comunicação é desafiada pelas novas linguagens, o ciberespaço, a multimídia, e a internet, que impactam todas as esferas de atividade da vida social, têm sido nossos aliados no intuito de motivar e sensibilizar pessoas para transformar as diversas formas de participação. Nos dias que correm, em virtude das inovações no mundo do trabalho, especialmente, do desenvolvimento tecnológico e em consonância com a atual Base Nacional Comum Curricular (BNCC), as escolas da rede se preparam para mais uma transição. Seis das onze escolas da Rede Concepcionistas do Brasil, que atendem o segmento do Ensino Médio, planejam-se para que, até 2 de março de 2022, o Novo Ensino Médio esteja totalmente implementado1. Assim, durante o ano de 2019, gestores, coordenadores, assessores pedagógicos da Rede Concepcionista de Ensino e reúnem-se num processo de escuta mútua para construção de uma versão preliminar desse novo modelo de ensino. Dentre os pilares da nova proposta, o Novo Ensino Médio prevê o desenvolvimento do protagonismo dos estudantes e de seu projeto de vida, por meio da escolha orientada do que querem estudar (BNCC). Para que isso ocorra de forma equânime, a fim de compreender as vocações dos jovens atendidos, iniciativas progressivas vêm sendo tomadas:

Realidade Local

Estudo do quantitativo de profissionais

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PEDAGOGIA

Com a perspectiva de um imenso contingente de adolescentes, está em jogo a recriação da escola que pode ampliar as condições de inclusão social, ao possibilitar o acesso à ciência, à tecnologia, à cultura e ao trabalho (Diretrizes Curriculares Nacional)”

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Nessa direção Pedro Jacobi, Prof. Titular da Faculdade de Educação e do programa de Pós Graduação em Ciência Ambiental da USP, diz que “a realidade atual exige uma reflexão cada vez menos linear, e isto se produz na interrelação dos saberes e das práticas coletivas que criam identidades e valores comuns e ações solidárias diante da reapropriação da natureza, numa perspectiva que privilegia o diálogo entre saberes”. Do ponto de vista das diferentes realidades do panorama econômico-social brasileiro, de acordo com BNCC, a proposta do Novo Ensino Médio apoia-se em duas justificativas: • a baixa qualidade do Ensino Médio ofertado no país; • a necessidade de torná-lo atrativo aos alunos, em face dos índices de abandono e de reprovação. Nos domínios avaliativos do Pisa, em 2015, o Brasil ficou na 63ª colocação em ciências, na 59ª em leitura e na 65ª em matemática, entre 70 países. Ainda, de acordo com a OCDE, apenas 2,1% dos alunos carentes no Brasil alcançam índices de conhecimentos satisfatórios em áreas como Ciências, Matemática e Ciências. Voltando o olhar para a realidade da Rede Concepcionista, esse segmento delineia-se, em conformidade com os ordenamentos legais, para fazer com que aquilo que ocorre na escola esteja mais próximo do contexto de vida dos estudantes, a fim de ajudá-los a enfrentar os desafios da vida prática e se tornem cidadãos agentes na própria formação. Dessa forma, para além da perspectiva do desenvolvimento de competências cognitivas, o Novo Ensino Médio paulatinamente se configura, com foco na formação de sujeitos

sociais eficientes e questionadores, que possam dar sua contribuição em relação às demandas da vida prática com ofertas edificantes, que promovam construções solidárias da paz e do futuro, em contexto de práticas sociais, cada vez mais, marcadas pela desigualdade, pela violência e pela degradação do meio ambiente e do seu ecossistema. Segundo António Gomes Ferreira, diretor da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, que tem acompanhado a ascensão educacional de Portugal, que, a despeito da crise econômica, chama a atenção em função dos excelentes resultados na educação: "Os países que apresentam melhores resultados educacionais são aqueles que são mais coesos socialmente", diz Ferreira, acrescentando que geralmente são também “sociedades menos violentas, mais eficientes, mais igualitárias, com mais qualidade de vida e bem-estar”. Para finalizar, no ensejo da presente publicação, sublinha-se o autêntico fim das escolas da Rede Concepcionista, que é uma educação de qualidade, e igualmente de valores , à que têm direito, sem distinção, todos os alunos e alunas da Rede em todos os segmentos. 1

Esse ordenamento se estende a todas as escolas brasileiras, públicas e particulares.

Shirley Adriana de Sousa Silva

Assessora Pedagógica da Rede Concepcionista de Ensino Sede Provincial São Paulo - SP

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Mão na massa

A

prendizagem significativa é o conceito central da teoria de David Ausubel (19182008). Esse pesquisador, especialista em Psicologia Educacional, publicou seus primeiros estudos sobre essa teoria em 1963, na obra The Psycology of Meaningful Verbal Learning, e a desenvolveu durante as décadas de 1960 e 1970. Sua contribuição continua atual e figura entre as principais teorias de ensino. Aprender de forma significativa é um dos objetivos da educação contemporânea. De acordo com Ausubel, a essência da aprendizagem significativa é um processo por meio do qual uma nova informação relaciona-se, de maneira não literal ou substantiva, ao que o aluno já sabe. A aprendizagem significativa ocorre quando uma nova informação se apoia em um conceito, pré-existente na estrutura cognitiva do aluno. A partir de um conceito já adquirido, o conhecimento novo é construído. Conforme explica Marco Antonio Moreira, professor de Física da UFRGS: “Aprendizagem significativa é aquela em que ideias expressas simbolicamente interagem de maneira substantiva e não-arbitrária com aquilo que o aprendiz já sabe. Substantiva quer dizer não-literal, não ao pé-da-letra e não-arbitrária significa que a interação não é com qualquer ideia prévia, mas sim com algum conhecimento especificamente relevante já existente na estrutura cognitiva do sujeito que aprende”. De acordo com Ausubel, para que a aprendizagem significativa ocorra são necessárias algumas condições, como: disposição para a aprendizagem e materiais potencialmente significativos. As experiências também podem ser representacionais, de conceitos ou proposicional. Com base nessa teoria, desenvolveu-se,

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no Colégio Imaculada Conceição, um trabalho intitulado “Com a mão na massa”, abrangendo turmas do 5º ano. Baseada na teoria da aprendizagem significativa, as aulas tornaram-se mais agradáveis e com uma produtividade mais elevada, motivando o interesse constante do aluno pelo assunto trabalhado. Colocar em prática o que se aprende, na teoria, é elemento chave para que se criem elos entre o conceito concreto e o abstrato. “A primeira condição implica que o material de aprendizagem (livros, aulas, aplicativos, ...) tenha significa-

do lógico (isto é, seja relacionável de maneira não-arbitrária e não-literal a uma estrutura cognitiva apropriada e relevante); segundo que o aprendiz tenha em sua estrutura cognitiva ideias-âncora relevantes com as quais esse material possa ser relacionado. Quer dizer, o material deve ser relacionável à estrutura cognitiva e o aprendiz deve ter o conhecimento prévio necessário para fazer esse relacionamento de forma não-arbitrária e não literal, como esclarece Marco Antonio Moreira. No projeto em questão, os conceitos trabalhados estiveram relacionados ao conteúdo de Ciências – O corpo humano e seus Sistemas. A cada sistema corporal estudado, os alunos participam de palestras, ministradas por pais médicos, que contribuíram, sobremaneira, trazendo informações diversificadas, consolidando o que foi estudado em sala de aula. Em sala de aula, os alunos tiveram acesso a uma pequena biblioteca com vários livros sobre o corpo humano, adequados à idade dos estudantes. Entre uma atividade e outra, o material pôde ser manuseado ou levado para casa. Vídeos sobre os temas foram acrescentados à aula para complementar o trabalho. Para finalizar o projeto, os alunos construíram, com massa de modelar, cada Sistema estudado. À medida que foram modelando os órgãos, durante as interações, as funções de cada elemento e suas localizações dentro do corpo humano eram aprofundadas.

REFERÊNCIAS MOREIRA, Marco Antônio (1999) Aprendizagem Significativa. Brasília: Editora Universal de Brasília.

Aline Aparecida Couto e Souza

Professora do 5 º ano Colégio Imaculada Conceição Passos - MG

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PEDAGOGIA

O impacto da tecnologia na educação

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té hoje, muitas experiências educacionais se restringiam à colocação de computadores em uma sala, com uma pessoa preparada para o trabalho com o aluno, em que as atividades eram desenvolvidas em laboratórios de informática. Era um trabalho totalmente dissociado das demais disciplinas, não se correlacionava de maneira alguma com as demais áreas do conhecimento. Assim, não havia a necessidade de capacitar toda a equipe, tendo em vista que apenas uma pessoa era responsável pelo trabalho. Essa prática transitava no sentido oposto ao que se propõe hoje. Era um trabalho desfragmentado e sem estruturação. Se antes o professor só se preocupava com o aluno em sala de aula, agora deve ir além do espaço - escola. O que realmente fará a diferença é o como será feito, como será explorado. Conforme José Manuel Moran, professor de Novas Tecnologias na USP, do educador exigese, a "competência da gestão dos tempos". O educador não se limitará apenas ao trabalho com editor de textos. Irá além: da exploração de plataformas virtuais, ferramentas, fórum, chats até a construção de trabalhos colaborativos. Tudo isso fará parte do laboratório pelo qual os alunos terão que passar. O desenvolvimento científico e tecnológico impacta cotidianamente a sociedade de forma avassaladora. Os padrões culturais e comportamentais se modificam com tamanha intensidade, nunca vistos anteriormente. A presença da tecnologia no contexto educacional é fato. A maneira como vai estimular a disseminação do conhecimento, nessa área, é que definirá a apropriação dos instrumentos mais modernos nesse campo de atuação, em que o aluno tem um papel cada vez mais ativo no processo de aprendizagem. Por isso, busca-se o conhecimento. Esse é o alvo e o maior desafio na educação e se dá através da interação interna e externa. Conhecer é integrar, relacionar, interagir, desvendar, superar. É chegar a conclusões, às sínteses, às descobertas. Em sua obra Os sete saberes necessários à educação do futuro, o antropólogo, sociólogo e filósofo Edgar Morin, considerado um dos pensadores mais importantes do século XX, afirma que “a educação deve mostrar que não há conhecimento

que não esteja, em algum grau, ameaçado. O conhecimento é causa de erros e ilusões. Devemos destacar, em qualquer sistema educacional, as grandes interrogações sobre nossas possibilidades de conhecer. O conhecimento permanece como uma aventura para a qual a educação deve fornecer o apoio indispensável”. Conhecer é buscar novos caminhos, para agir de maneira diferente e eficiente. O conhecimento é propriedade intelectual de cada ser humano que pode ou não ser compartilhado entre as pessoas. Esse compartilhamento é que facilita a ampliação de novas descobertas. O conhecimento não é imposto. Ele é construído. Porém, ele precisa de reflexão, de concentração, de integração e de interação. Para o biólogo, filósofo e epistemólogo suíço Jean Piaget (1896-1980), conhecido por seu trabalho pioneiro no campo da inteligência infantil, durante a segunda metade do século 20, o conhecimento se dá pela relação prática e teoria, pesquisa e análise, equilíbrio e experimentação. Ele é construído através de constantes desafios, de atividades significativas que estimulem e exercitem a criatividade, a curiosidade e a imaginação. Há atividades que valorizam e facilitam a organização e outras, a superação. Nessa superação, surgem novos desejos, expectativas e desafios. São nessas atividades que o conhecimento é visivelmente internalizado e construído. A interação entre os grupos ou pares amplia a conectividade em prol da aprendizagem. O que antes era feito isolado, agora é feito compartilhado. Temos muita informação e pouco conhecimento. A proposta atual é de que todos os educadores se capacitem para que, de forma conjunta, possam integrar a nova área do conhecimento em todas as disciplinas e conteúdos. Transformar as informações que se obtém diariamente em conhecimento. O uso de programas e softwares para o trabalho de cada professor, tendo em vista o leque de opções que estão disponíveis no mercado, fará com que a integração do conhecimento passe a representar a solução de situações-problema ou até de elaboração de projetos. Moran acredita que o conhecimento aqui não será fornecido ao aluno para que ele possa dar respostas, mas ao

O desenvolvimento científico e tecnológico impacta cotidianamente a sociedade de forma avassaladora. Os padrões culturais e comportamentais se modificam com tamanha intensidade, nunca vistos anteriormente.”

Continua

A

A partir do momento que a tecnologia é bem empregada nas escolas, ela contribui para a otimização do tempo, o enriquecimento dos conteúdos e a dinamização do processo ensinoaprendizagem

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PEDAGOGIA contrário, terá que descrever os caminhos pelos quais conseguiu chegar ao resultado. A atitude do professor será a de promover a interação do sujeito com a máquina, possibilitando a aprendizagem significativa, na qual o aluno poderá desenvolver suas ideias e criatividade de forma construtiva, prazerosa, interativa e dinâmica. Para Moran “aprender é passar da incerteza a uma certeza provisória, que dê lugar a novas descobertas e a novas sínteses”. Para o mundo contemporâneo, aprender a incorporar as tecnologias e a socializar o aprendizado é fundamental para o crescimento de uma sociedade justa e menos desigual. De acordo com o coordenador do Grupo de Investigação de Interação e Influência Educativa (Grintie) da Universidade de Barcelona, na Espanha, César Coll, hoje, o grande desafio da tecnologia voltada ao ensino é prover soluções globais. Os educadores devem se preocupar com a velocidade e o desempenho necessários para o trabalho com aplicativos voltados para a educação. Para isso, torna-se fundamental a absorção das reais necessidades dos educadores, para que possam se adequar aos alunos digitais, num mundo globalizado. O economista e político francês Jacques Delors autor e organizador de Educação, um tesouro a descobrir, Relatório para a Unesco da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI, complementa que o foco da educação deve ser global e humanístico para agir e transformar a visão de mundo. Ao aluno será dada a oportunidade de aprender a aprender. De navegar por sites e ambientes virtuais, de forma segura e prática, garantindo a proteção dos perigos e ameaças do mundo virtual. As mais diversas ferramentas podem ser exploradas a cada aula, a cada disciplina, a cada construção do conhecimento. A aprendizagem colaborativa fará parte e permeará todo o processo de conquista e de planejamento. Hoje, o jovem vive o momento do imediatismo. Por isso, o tempo de concentração em determinada atividade é muito pouco. Caberá ao educador buscar recursos tecnológicos atrativos e dinâmicos para que assegure a constância e o comprometimento de seus alunos. Assim, conseguirá transmitir o que é necessário ao nosso jovem. Do contrário, como afirma Moran, o ensino e o conhecimento estarão fadados à extinção. O contínuo processo de capacitação e formação dos educadores fará com que a busca pelo novo, pelo planejamento em torno do digital e tecnológico possa efetivamente acontecer. O mais importante no final será a confiança no potencial de aprendizagem pessoal, na ca-

pacidade de evoluir, de integrar sempre novas experiências e dimensões do cotidiano. A partir do momento em que a escola passar a empregar bem as tecnologias, haverá motivação e dedicação dos alunos na utilização dos recursos atuais e consequentemente maior aproveitamento da aula. Se bem empregada, a tecnologia otimiza tempo, enriquece os conteúdos, dinamiza e interage o processo ensino-aprendizagem. Coll enfatiza que a escola precisa estar cada vez mais conectada. O papel do professor é fundamental e plural, deve acompanhar as mudanças e buscar o conhecimento diferenciado, possibilitando e facilitando a sua interação com a do educando nesse novo mundo de aprendizagem. A interação professor-conhecimento-aluno acontece de maneira que todos se relacionam e se inter-relacionam. Ao educador plural exige-se a preparação e a consciência do seu papel na escola e na sociedade. Para Vygotsky (1896-1934), essa interação é que dará origem à aprendizagem significativa do aluno. O professor vai orientar o seu aluno na busca e descoberta do novo. O pensamento de Freire expressa com exatidão este artigo quando menciona que "continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

REFERÊNCIAS ALMEIDA, M.E. ; MORAN, J.M. Integração das tecnologias na educação. Brasília: Ministério da Educação/ Seed. 2005 COLL, César. Psicologia e Currículo. 3ª ed. SP. Ática.1995 DELORS, J. “Educação, um tesouro a descobrir”. Relatório para a Unesco, da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI. 6. ed. São Paulo: Cortez. 2001.

Para o mundo contemporâneo, aprender a incorporar as tecnologias e a socializar o aprendizado é fundamental para o crescimento de uma sociedade justa e menos desigual.”

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 28. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2003. MORAN, J.M. A educação que desejamos: novos desafios e como chegar lá. 5. ed. Campinas: Papirus, 2012. MORIN,E. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 6. ed. São Paulo: Cortez, 2002. PEREIRA, V. O compromisso de se empreender em Tecnologia da Educação. Revista Linha Direta, p. 78. 206. ed. Ano 18 maio 2015. VYGOTSKY, L. A formação social da mente. Martins Fontes. 7. ed. São Paulo: [1934] 2005.

Juliana P. Zorzin Silva

Coordenadora Pedagógica Colégio Imaculada Conceição Passos - MG

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Como promover o Bem Comum?

N

o livro Educação e Valores: Pontos e Contrapontos, Ulisses F. Araújo, diz que “Temáticas de ética, convivência democrática, direitos humanos e inclusão social, levadas para dentro da sala de aula e articuladas com os conteúdos tradicionalmente contemplados pelos currículos e desenvolvidas com a comunidade, pressupõe uma nova maneira de pensar o papel da escola. Esta mudança de paradigma implica na revisão dos papéis dos diferentes atores envolvidos na educação e uma abertura da escola para acolher a diversidade da população que a compõe. Assim concebida, a escola não se encerrará em si mesma, mas se tornará parte integrante da vida de seus alunos e da comunidade onde está inserida”. Nessa direção, baseada no tema da Campanha da Fraternidade (CF) e na Agenda Escolar 2019, a equipe pedagógica do Colégio Madre Carmen Sallés promoveu, nos meses de agosto e setembro, o primeiro Concurso Interno de Redação para alunos da Educação Infantil ao 8º ano do Ensino Fundamental II. O tema sugerido aos alunos foi: Como promover o bem comum? O 1º Concurso de Redação do Colégio Madre Carmen Sallés consistiu numa atividade pedagógica destinada a valorizar a expressão dos alunos da Rede Concepcionista de Ensino, que manifestam sua capacidade criadora na arte de desenhar e escrever, bem como despertar nos estudantes o interesse pelos temas relacionados ao bem comum, à fraternidade, à solidariedade e ao respeito ao outro e dar continuidade ao processo de produção textual para além das produções com fins pedagógicos. O Concurso foi organizado da seguinte forma: os alunos da Educação Infantil produziram, em família, um desenho sobre o tema, puderam usar diversos materiais e muita criatividade. Os alunos do 1º ao 8º ano, em sala, produziram um texto (redação) de acordo com o gênero textual previamente escolhido pelas professoras. Após a produção dos alunos, as professoras de cada segmento escolheram os melhores textos da série/ano e encaminharam à Comissão Julgadora para a seleção dos três primeiros ganhadores (de cada série/ano). Na data previamente determinada, houve

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a premiação solene no Anfiteatro do Colégio, na qual os premiados ganharam um livro literário e, juntamente com os colegas, um certificado de participação. Dentre os belos textos produzidos pelos alunos, a produção do aluno Miguel Capdeville Sobreira Peixoto, 4º ano D, da professora Sheila Pereira, chamou a atenção da equipe julgadora e da Irmã Sarah Reis, que teve acesso ao texto em uma visita ao Colégio Madre Carmen Sallés. Miguel, com sua pureza de criança, produziu uma carta ao Papa Francisco, afirmando que, para fazer o Bem Comum, basta anunciar o amor de Jesus entre nós e praticar os valores. Afirmou também que o bem, na verdade, é o próprio amor de Deus. O aluno foi um dos ganhadores do Concurso dentre as turmas do quarto ano. Confira transcriçao literal da carta de Miguel . Nome: Miguel Capdeville Sobreira - Série: 4º D Data: 28/8/19 Título: Você realmente sabe o que é o Bem Comum? Brasília, 28 de Agosto de 2019 (Brasil) Vossa Santidade, Oi, tudo bem? Eu, Miguel Capdeville, tenho uma dúvida. Mas antes, quero perguntar se está tudo bem com a Igreja? Espero que você já esteja acostumado com cartas de todo o mundo; talvez você não saiba falar português. Mas eu posso mandar a versão em espanhol. Mas voltando ao principal, na escola que eu estudo (eu sou criança), da Rede Concepcionista (fundada por Madre Carmen Sallés), o tema de valores proposto esse ano é o “bem comum”. As professoras falam toda hora que fazer coisas boas é praticar o bem comum. Eu ando na dúvida! O bem, na verdade, (acho eu) é o próprio Deus. Então, o bem comum seria Deus estar em todos. E para isso é preciso não somente praticar valores, mas também ANUNCIAR O AMOR DE JESUS POR NÓS! Espero a sua resposta com grande vontade de lê-la, Miguel Capdeville Sobreira Peixoto.

Paula Aragão Hastenreiter De Souza Coordenadora Pedagógica do Ensino Fundamental I

Cintia Fernandes de Faro Melo

Coordenadora Pedagógica do Ensino Fundamental II Colégio Madre Carmen Sallés Brasília - DF

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PEDAGOGIA

o d o ã ç u r t s n o c A o d io e m r o p o it suje

O brincar simbólico na promoção do desenvolvimento pessoal, social e cultural do aluno

A

criança brinca simbolicamente, quando entra no mundo do adulto, por meio da imaginação, faz o que não faz no mundo real, como: cozinhar, dirigir um carro, vivenciando experiências da maturidade. O brincar simbólico faz parte da Educação Infantil, respeita as potencialidades de cada sujeito, sem o intuito de moldar, imerge na realidade a seu modo. Além de abrir espaços para criação, descoberta, sonhos, ser criança e poder vivenciar situações que não fazem parte do mundo infantil. Nessas brincadeiras, a criança cria brinquedos diferentes, cujas funções são variadas, conforme os contextos vivenciados. O professor tem um papel importante neste intento, pois o aluno se transforma através do outro, necessita de um modelo. Contudo, o professor

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Será que o brincar está presente em todos os espaços que existe uma criança? Para o psicólogo bielorrusso Lev Vygotsky (1896-1934), que realizou diversas pesquisas sobre o papel preponderante das relações sociais no processo de aprendizagem, o brinquedo é uma atividade que não pode ser definida como prazerosa, pois pode proporcionar o prazer ou

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desprazer. Quando um resultado desfavorável ocorre no jogo, causa uma frustração enorme e a atividade passa a não ser agradável, nem interessante. Ressalta-se que crianças apresentam necessidade premente de realizar desejos em curto prazo. Porém, isso nem sempre é possível. Assim, não é raro que surja vontade de fazer coisas impossíveis, de modo que ao experimentar tais anseios, penetra o aluno no mundo ilusório e imaginário, justificando o surgimento do brinquedo, que adentra no mundo adulto para suprir suas necessidades. Posto isto, tem-se que, através da brincadeira, a criançada representa o mundo de forma simbólica, aprendendo a lidar com acontecimentos sociais e distinguindo os diferentes papéis inerentes à sociedade. Brincando, elabora suas próprias construções mentais e utiliza recursos simbólicos disponíveis no ambiente em que ela está inserida, como por exemplo, utilizar uma madeira para representar um pente, segundo ressalta a professora e doutora em Psicologia pela USP, Zilma de Moraes Ramo de Oliveira). Tudo pode se tornar brinquedo e a criança, quando brinca, cria o tempo todo, transformando-o em vários. A depender do contexto, pode ser que um pedaço de madeira vire uma colher para mexer a comida, assim como em outro momento, represente uma espada. De acordo com Ana Gonzaga, autora do artigo Objetos com vida, “quando as crianças manipulam brinquedos, elas têm a chance de reproduzir, transformar e até negar situações

Através da brincadeira, a criançada representa o mundo de forma simbólica, aprendendo a lidar com acontecimentos sociais e distinguindo os diferentes papéis inerentes à sociedade.”

Continua

não pode fazer pela criança, mas deve mostrar alternativas, permitindo que ela imprima suas próprias convicções. Esse brincar possibilita interações com o grupo em que a criança está inserida, multiplicando caminhos e novos laços de amizade. Traz integração, descobrimento, exploração, aprendizado e vivência de novas experiências. Tal socialização repercute na aquisição da linguagem envolvendo o emocional e o cognitivo da criança. O brincar simbólico traz consigo aprendizagem, amplia a atenção, concentração e memorização e a criatividade. Também enriquece os aspectos intelectuais, cognitivos, afetivos, sociais e principalmente culturais. Constitui-se o “Ser”, por meio de outro paradigma que passou em sua vida, família, docentes, ou até seus colegas de sala. Em suma, o aluno aprende com o outro e vai se transformando e se constituindo. O aprendizado, por meio das brincadeiras, leva a criança a sentir-se mais segura e independente, verdadeiramente autônoma nos diversos ambientes, como em casa, na escola ou em outros lugares.

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PEDAGOGIA importante na construção do conhecimento da criança, o saber é construído através do outro. No entanto, é extremamente necessário ressaltar que cada criança é única, havendo variadas estratégias por parte do professor, conforme ressalta Ricardo Alves, autor do livro O corpo do professor. Segundo Rita Trevizan, em seu artigo Além da Realidade, “misturando a imaginação com traços culturais do passado e do presente, os pequenos põem em cena as brincadeiras. Cada um a seu modo, eles aprendem a participar de várias situações”.

Conclusão

que vivenciaram, também colocam em cena o que desejam conhecer”. A professora de Educação Física, Alessuze Carneiro, realizou uma pesquisa no Colégio Imaculada Conceição de Passos (MG) e encontrou três espaços onde o brincar simbólico esteve presente. Na sala de psicomotricidade, a pesquisadora entrava na brincadeira estimulando mais construções. No parque, as crianças entravam nesse mundo simbólico fazendo elaborações. Com o colega e até mesmo sozinho, e na sala de aula na hora que a professora contava histórias, tinha criança que até imitava o personagem e, em outro momento, recriavam a história. Nesta pesquisa, a professora, os alunos e a pesquisadora criavam situações que as crianças vivenciavam a cultura do mundo adulto por meio de construções simbólicas, resultando em transformações mútuas. Segundo Vygotsky, apesar do desenvolvimento dos jogos com regras começar a partir da idade pré-escolar, é possível compreender que o brinquedo simbólico em situação imaginária é baseado em regras. Brincando, o aluno alcança que é necessário obedecer às regras de comportamento, evitando o caos, que o impediria de construir e recriar situações. O professor dentro do ambiente escolar não deve se preocupar apenas com o resultado, mas, sobretudo com o processo. Atentar-se somente com o primeiro, resulta em imposição do saber, obstando a geração de conhecimento. As crianças não devem ser treinadas para brincar, elas devem vivenciar essa relação de forma mais lúdica e prazerosa. O professor tem um papel

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O brincar simbólico está presente no ambiente escolar nas mais variadas situações e sob as mais diversas nuances, seja no parque, na sala de psicomotricidade, até mesmo na sala de aula. É significativo para o desenvolvimento afetivo, cognitivo e social da criança. O professor precisa assumir seu relevante papel de ator social, capaz de proporcionar mais cor e sabor, mais intensidade. Para isso, é imperativo que valorize o brincar. Entrar no mundo simbólico é necessidade infantil, não importando o lugar. Assim sendo, não deve ser visto apenas como diversão, mas como promotor do desenvolvimento pessoal, social, cultural e facilitador da comunicação e da construção do conhecimento e do ser humano. É por meio do brincar que as crianças vão se transformando e aprendendo a irem além de suas possibilidades imediatas. Quando o professor faz parte dessa brincadeira, ele inova e é inovado ao mesmo tempo. Ninguém sai da brincadeira do mesmo jeito que entrou.

As crianças não devem ser treinadas para brincar, elas devem vivenciar essa relação de forma mais lúdica e prazerosa.”

Alessuze Carneiro

REFERÊNCIAS ALVES, Ricardo C. S. O corpo do professor. Curitiba, PR: CRV, 2013. CARNEIRO, Alessuze O Brincar na Educacao Infantil: Constatacoes e Possibilidades. Dissertacao apresentada ao Centro Universitario Moura Lacerda , como parte dos requisitos para obtencao do Titulo de Mestre Em Educacao . -- Ribeirao Preto , 2016 . GONZAGA, Ana. Objetos com vida. Nova Escola. São Paulo, n. 33, p. 31, set. 2010. OLIVEIRA, Zilma de Morais Ramos de. Educação infantil: Fundamentos e métodos. 7. Ed. São Paulo: Cortez, 2011. TREVIZAN, Rita. Além da realidade. Nova Escola. São Paulo, n. 33, p. 39, set. 2010. VIGOTSKI, Lev. Semenovich. A formação social da mente: Desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 6 . ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

Professora de Educação Física da Educação Infantil

Flávia Cristina Rodrigues e Lídia Cristiane Cardoso

Professoras do pré da Educação Infantil Colégio Imaculada Conceição - Passos - MG

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Quando Música e Ciência se encontram

A

música consegue abranger uma vasta área de conhecimentos quando nos debruçamos em seus estudos. Seja na área matemática, através da proporção de duração dos tempos musicais e suas frações; seja na história, ao estudarmos grandes expoentes musicistas cujas trajetórias se misturam a momentos históricos da humanidade; na geografia das músicas típicas regionais no Brasil e no mundo; nas áreas da ciência, em que o cantor precisa compreender a fisiologia da sua voz e ter consciência do seu aparelho fonador. O músico também precisa afinar seu instrumento na frequência exata que aquela determinada onda sonora pede. Todo esse arcabouço de conhecimentos culminará na expressão das artes sonoras: a música. Podemos dizer que o som é a matéria-prima da música, e tem propriedades que podem ser observadas à luz da Ciência, mais especificamente da Física, em que podemos analisar as características das ondas sonoras. Existe uma variedade de combinações sonoras, seja com os sons de instrumentos musicais ou nos sons presentes no nosso cotidiano (automóveis, máquinas, som do vento nas árvores, o gorjear dos pássaros, etc). O som tem 4 propriedades: altura, intensidade, timbre e volume. Este trabalho irá abordar, com mais detalhes, a propriedade chamada altura, que diz respeito às frequências sonoras, sejam elas graves, médias ou agudas. A unidade de medida aqui é o Hertz (Hz). Não podemos confundir com a intensidade (volume), que é outra propriedade do som e diz respeito a sons fortes e fracos, cuja unidade de

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medida é o decibel (dB). Com essas ideias, os alunos do 9º ano do Ensino Fundamental II do Colégio Maria Imaculada participaram de uma atividade com o “garrafone”. Esse instrumento nada mais é do que um xilofone feito de garrafa pet, bico de bicicleta e um móvel de madeira para fixar cada uma das garrafas adaptadas. Também, os alunos observaram a construção de uma flauta de cano PVC, para analisarem como as notas musicais e suas respectivas frequências se dão. O trabalho tem como objetivo trabalhar a música e a Ciência. A aula com 9º ano foi bem-sucedida. Para quebrar um pouco do gelo do início da aula, o professor pediu para que os alunos marcassem o tempo musical com palmas e estalos, enquanto o professor fazia um arranjo instrumental no violão. Em seguida, começou a parte conceitual da aula, utilizando-se o recurso de apresentação em slides, trazendo os pontos que seriam abordados nessa aula-palestra. A relação direta entre

música e ciência (tanto as ciências humanas quanto as exatas) e como várias áreas do conhecimento podem estar relacionadas à música foram explicadas. Após a parte conceitual, fez-se a entrada no experimento musical e científico: os alunos tiveram a oportunidade de afinar o xilopet (xilofone feito de garrafas pet). Após um breve tutorial de como utilizar o aplicativo de afinador, cujo download foi solicitado no início da semana (com ajuda da professora Ana Paula, que intermediou essa comunicação com os alunos), foi solicitado que os alunos se dividissem em pequenos grupos para afinar cada uma das garrafas PET, por meio do uso do aplicativo de afinação e o controle da pressurização do ar nas garrafas com a bomba manual de encher pneu. Depois de afinar várias garrafas, o professor solicitou que alguns alunos o ajudassem a fixar as garrafas no móvel, assim completando a superfície do instrumento com todas as garrafas já afinadas. No final, os alunos foram presenteados com uma flauta transversal feita de cano PVC e uma explicação breve de como tocá-la. Os alunos puderam observar como foi feita a construção desses instrumentos a partir do cano PVC e como se dá a produção das notas musicais no respectivo instrumento. Foi uma experiência maravilhosa trabalhar com o 9º ano e tentar contribuir no processo educacional desses jovens, através da música. Kleiton Sodré

Professor de Música Colégio Maria Imaculada Brasília - DF

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PEDAGOGIA

O Lúdico na Educação Infantil

O brincar como forma de Aprendizagem No brincar, as crianças podem mais do que poderiam em suas realidades imediatas 42

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É

fato que a educação passa por profundas mudanças e também desafios, isto porque os alunos são cada vez mais dinâmicos e têm buscado também aulas que sejam mais atrativas e prazerosas. Além disto, as crianças que apresentam dificuldades de aprendizagem estão presentes em todas as instituições de ensino, o que leva os professores a terem que desenvolver metodologias diferenciadas que venham a atender a diversidade de alunos existentes e suas inúmeras necessidades. Para o Mestre em Língua Portuguesa pela PUC, Paulo Nunes de Almeida, é nesse contexto que o lúdico surge como uma ferramenta capaz de proporcionar um ensino de maior qualidade e mais prazeroso para os alunos. É preciso que o desenvolvimento da criança seja acompanhado, desde o seu nascimento, pois será possível perceber como os jogos e brincadeiras se inserem de forma instantânea, despertando nela a fantasia, imaginação, fazendo com que ela tenha um contato diferenciado com o mundo que a cerca. De acordo com a professora Jessica Abadia Ferreira, autora da obra A importância do lúdico em sala de aula: o brincar e o jogar no cotidiano, na educação inclusiva e também na exclusiva, os jogos estimulam aspectos físicos, cognitivos, permitem a socialização e interação, com pessoas e com o espaço, fazendo com que os alunos vençam suas dificuldades. De acordo com Silvio Santin, professor da Universidade Federal de Santa Maria, a palavra lúdico vem de ludus (latim), que significa "jogo", mas que em latim significava diversão. Já, nos dicionários, há diferentes tipos de definição, mas em geral, também relativos ao jogo, o que faz com que essas duas palavras sejam, muitas vezes utilizadas como sinônimos. Isto faz crer que, o professor, ao levar o lúdico para a sala de aula, em forma de jogos e brincadeiras, precise ter vivenciado essas situações quando criança, pois somente assim irá valorizar esses momentos. São diferentes os tipos de jogos e brincadeiras que podem proporcionar formas diferentes de aprendizagem a criança, podendo ligarem-se aos conteúdos trabalhados. Portanto, cabe ao professor selecionar aquelas atividades que mais condizem com as características e faixa etária de seus alunos. Brincar e jogar é algo que faz parte da vida de praticamente todos os seres humanos e são atividades presentes na história da humanidade. Tal fato não pode ser negligenciado pela escola. Ao contrário, diversos estudos têm demons-

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trado que, através de jogos e brincadeiras, o lúdico pode fazer parte da aprendizagem e do desenvolvimento infantil, proporcionando um ambiente escolar muito mais aconchegante e uma aprendizagem mais prazerosa, para que criança se torne um adulto saudável e capaz de exercer sua cidadania. Nesse sentido, os professores e educadores em geral precisam lançar um olhar diferenciado sobre o lúdico, especialmente, quando se fala de jogos e brincadeiras na educação infantil. São atividades que não podem ser vistas como mero passatempo, mas como ferramentas de estímulo à aprendizagem do aluno, contribuindo para desenvolver habilidades e competências nas crianças. A adequação à faixa etária e as características dos alunos são imprescindíveis para o sucesso do uso de jogos e brincadeiras. Desta forma, espera-se que todos os adultos, inseridos no contexto das instituições educativas, sensibilizem-se e compreendam a importância do jogo e da brincadeira.

São diferentes tipos de jogos e brincadeiras que podem proporcionar formas diferentes de aprendizagem a criança, podendo ligaremse aos conteúdos trabalhados. “

REFERÊNCIAS ALMEIDA, P. N. Educação lúdica: técnicas e jogos pedagógicos. São Paulo: Loyola, 2000. FERREIRA , J. A. Importância do lúdico em sala de aula: o brincar e o jogar no cotidiano. Disponível em: <https://www.pedagogia.com.br/artigos/importancialudico/>. Acesso em: 15 set. 2019. SANTIN, S. Educação Física: educar e profissionalizar. Porto Alegre: EST, 1999. Suellem Ulysses SouzaProfessora do Minimaternal

Suellem Ulysses Souza

Professora do Minimaternal Colégio Imaculada Conceição Passos - MG

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PEDAGOGIA

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Os 150 Ta Be La anos da Tântalo

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Berílio

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Lantânio

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P

Er

I

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Fósforo

Érbio

Iodo

Oxigênio

No período em que a ONU determinou “2019” como o Ano Internacional de sua criação, para celebrar os 150 anos da Tabela Periódica, retrospectiva resgata seu surgimento e aprimoramento até os dias atuais

A

Tabela Periódica faz 150 anos e o CMIRJ não poderia ficar de fora dessa festa; os alunos do ensino médio realizaram uma competição em homenagem a Tabela Periódica: a “Corrida Periódica”. As turmas duelaram para ver quem montaria a Tabela mais bonita/criativa no menor espaço de tempo. Essa disputa movimentou o dia, e também serviu para comemorar o dia do Químico, que aconteceu no dia 18 de junho.

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Dy Disprósio

Em 1869, o químico russo Dmitri Mendeleev apresentou a 1ª versão da tabela, organizando os elementos então conhecidos em uma organização muito parecida com a atual. Em função disso, a ONU, declarou o ano de 2019 como sendo o Ano Internacional da Tabela Periódica. Há 150 anos, quando eram conhecidos apenas 63 elementos químicos, Dmitri Mendeleev, professor da Universidade de São Petersburgo, mostrou ao mundo a sua criação, um dos maiores símbolos da Química e

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da organização deles. Pela ordem proposta por Mendeleev, os elementos que estão um ao lado do outro na linha horizontal – período – tem propriedades químicas que se repetem de tempos em tempos, a tal Lei da Periodicidade, e os elementos com características semelhantes ficam na mesma coluna, os grupos ou famílias. Apesar de existirem buracos vazios, (as interrogações na figura) mantendo a lógica do sistema, a posição de um elemento permitia-lhe identificar quais as suas propriedades físico-

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20

I

Ca

Iodo

Cálcio

da ciência como um todo: a Tabela Periódica. Mas a ideia da tabela periódica não começou com Mendeleev. Muitos outros cientistas já tinham trabalhado na organização dos elementos químicos. Décadas antes, o químico John Dalton tentou criar uma tabela, bem como alguns símbolos que identificassem os elementos. John Newlands também criou uma organização, classificando os elementos de acordo com suas propriedades. A alquimia, uma espécie de química “raiz” e mística, já tinha ficado para trás, e o conhecimento científico aumentava rapidamente. No fim do século 18, Lavoisier e outros cientistas já separavam os elementos em grupos como metais e gases, mas ainda se sabia muito pouco sobre suas propriedades químicas e físicas – como os elementos interagem uns com os outros e também a presença de características semelhantes em diferentes elementos. O que Mendeleev fez foi criar um sistema que (FIGURA 1), além de organizar os elementos, permitiu a prever propriedades como densidade, reatividade e estabilidade por causa

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-químicas. Estipulou que os espaços vazios eram de elementos que ainda seriam descobertos – mas que, mesmo assim, poderia prever as suas propriedades por serem periódicas. Acertou em sete. Aparentemente, a tabela de Mendeleev não se parece muito com a que encontramos nos laboratórios de ciências, espalhados pelo mundo. A tabela atual apresenta elementos que Mendeleev desconhecia (e não deixou espaço para), principalmente os gases

nobres (como hélio, néon, argônio). Além disso, a tabela é orientada de maneira diferente da nossa versão moderna, com elementos que agora colocamos juntos em colunas dispostas em linhas. Dmitry Mendeleev não recebeu o prêmio Nobel, no entanto, recebeu uma honra muito mais exclusiva. É um dos 15 cientistas que tem o nome atribuído a um elemento químico, além de ser o nome de uma cratera da Lua. Determinar 2019 como o Ano Internacional da tabela Periódica foi uma decisão de extrema importância, pois o tema está sendo discutido em eventos pelo mundo inteiro, o que permite informar a população sobre a importância dessa e de qualquer conquista científica e suas aplicações para a resolução de problemas e a construção de um estilo de vida melhor para todos.

João Ricardo Souza Leite

Professor de Química do 9º ano ao Ensino Médio - Colégio Maria Imaculada - Rio de Janeiro - RJ

Figura 1

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PEDAGOGIA

Afetividade na Educação Infantil

A unidade entre afeto e cognição

“P

esquisas de neurociência comprovam que é nos três primeiros anos de vida que o ser humano alcança o ápice do aprendizado de capacidades como linguagem, memória e atenção, importantes para a vida toda", diz à BBC Brasil Beatriz Ferraz, gerente de educação infantil da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal. Assim, seja na hora da brincadeira, em rodas de conversas e principalmente na hora da atividade é preciso passar aos alunos segurança e

afeto para que haja um vínculo maior entre o educador e o seu educando. A afetividade entre aluno e professor é muito importante dentro do ambiente escolar. Em simples ações que se manifestam no olhar, na forma de falar, nas demonstrações de carinho, o professor traz o aluno para si.

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Quando a relação afetiva entre professor e aluno é positiva, esta conexão é de suma importância, pois as crianças desenvolvem mais a sua memória, autoestima, vontade de aprender, o que contribui com o processo ensino-aprendizagem. A neurocientista Sandra Sobral diz que crianças que recebem demonstrações de afeto durante a primeira infância formam um número maior de sinapses cerebrais e conseguem mantê-las durante a vida. “Por outro lado, a criança que não receber esse afeto e estímulos nos primeiros anos apresentará menos conexões neurológicas e seu cérebro será diferente para o resto da vida”. Desse modo, é preciso que os alunos sintam-se seguros, confortáveis e felizes dentro do ambiente escolar para que haja cada vez mais vontade de aprender. Percebe-se que as crianças quando têm um vínculo maior com seu educador sabem interagir mais, dividem seus brinquedos, esperam a vez e lidam com as frustações que aparecem em seus cotidianos. Segundo o psicólogo Lev Vygotsky, a relação entre um professor e seu aluno não deve ser uma relação de imposição, mas uma relação de cooperação, de respeito e de crescimento entre ambos. Sendo assim, o aluno deve ser considerado um sujeito interativo e ativo no processo de construção de conhecimento. Quando a criança é inserida dentro do ambiente escolar, tudo ali para ela é novo, seja o professor, os funcionários, amigos de sala de aula e a própria estrutura escolar. É quando saem de seu ambiente familiar e entram no ambiente escolar, fazendo-se necessário o professor ser acolhedor, amoroso, dando segurança tanto à família quanto aos alunos, fazendo-os com que se sintam seguros, valorizados e principalmente acolhidos nesse ambiente. Nesse ambiente, a parte afetiva é a principal. Acredita-se que, pelo afeto e pelas emoções, a criança se sente segura naquele ambiente e é disso que depende o “sucesso” na vida escolar. Quando os pais passam a segurança de que aquela escola é a melhor naquele momento, isso reflete muito no processo de aprendizagem”, afirma Shelly Blecher, autora do livro Entre Letras e Números - a Voz das Crianças, dos Educadores e da Família (Novo Século Editora). Um estudo expressivo realizado com crianças de orfanatos da Romênia nos anos 1990 pelos cientistas norte-americanos Felton Earls e Maya Carlson demonstrou que crianças que não recebem atenção correm maiores riscos de desenvolver problemas sociais e de comportamento ao crescer.

“À medida que tem as necessidades – tanto as físicas quanto as emocionais – são supridas, a criança começa a entender que é amada, que pode confiar e que merece o amor dos outros. E essa percepção influenciará seus relacionamentos no futuro”, explica a psicóloga infantil Márcia Bignotto. Desta forma, o professor precisa conquistar seus alunos cada dia mais e mais, de forma positiva no sentido de envolvê-los, motivá-los com palavras, gestos, expressões e incentivos, pois, como vimos, ações positivas do professor interferem positivamente no processo ensino – aprendizagem e no desenvolvimento do aluno ao longo da vida.

REFERÊNCIAS DEREVECKI, Raquel. Vínculo familiar é essencial para o desenvolvimento cognitivo da criança. Disponível em: < https://www.semprefamilia.com.br/vinculo-familiar-e-essencial-para-o-desenvolvimento-cognitivo-da-crianca/> Acesso em out 2019. FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 2.ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996. 165p. ___________. Pedagogia da autonomia: saberes necessários a prática educativa. São Paulo. Paz e Terra, 1996. 52P. GADOTTI, M. História das ideias pedagógicas. 8. ed. São Paulo: Ática, 1999. MONTANO, Fernanda. Afeto para crescer. Disponível em <https://revistacrescer.globo.com/Primeira-Infancia/noticia/2016/08/afeto-para-crescer.html. >Acesso em: 14 out. 2019. VIGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1984.

A relação entre um professor e seu aluno não deve ser uma relação de imposição, mas uma relação de cooperação, de respeito e de crescimento entre ambos.”

Francielli Helena dos Santos

Professora- Educação infantil Colégio Maria Imaculada Mococa - SP

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PEDAGOGIA

A compreensão humanizada da

Ao estudar História, é preciso substituir a visão mecanicista da disciplina, restrita a fatos e datas, por um olhar mais humanista, voltado à compreensão do homem como agente histórico em sua época

L

ecionar História nos dias atuais é uma atividade desafiadora por vários aspectos, partindo da premissa de que não é uma disciplina voltada para a produção de bens e receitas financeiras, passando pelo fato de que a internet permite fácil acesso às informações e dados históricos e, também, por ser uma ciência teoricamente voltada para o passado, daquilo que se concretizou e, portanto, não muda. Entre tantos aspectos, problemáticas e discursos que tentam remeter a História a uma condição de sub-ciência está, ainda, a questão da utilidade dessa disciplina. Não são poucos os questionamentos acerca da utilidade prática dessa ciência. Você mesmo já deve ter-se pego pensando ou ao menos ter ouvido alguém questionar sobre a serventia do estudo de História, qual sua utilidade e como seria sua prática, ou mesmo sua contribuição para a humanidade atual, que já se julga e se considera civilizada, a ponto de desmerecer ou mesmo esquecer suas memórias. Acrescente-se ainda neste rol o questionamento sobre a veracidade dos fatos historiográficos em si mesmos e de suas análises e interpretações,

ou a credibilidade das fontes utilizadas como pesquisa pelos profissionais da área. As perguntas nessa direção de menosprezar o estudo da História como a menor das ciências ou mesmo relegá-la a uma simples distração ou mesmo uma prática cultural, são as mais variadas possíveis: Para que serve a História? Para que estudar o passado? Em que vou usar História em minha vida? Como realmente os historiadores sabem sobre isso? Alguém estava no local historiado na ocasião e contou algo? Ou ainda, para que estudar essas coisas da antiguidade, tão distantes da nossa realidade, se não servem para nada? Hoje em dia, para que vou usar História? Poder-se-ia dedicar a essas perguntas uma gama de justificativas, pois as respostas a elas poderiam ser, também, as mais variadas possíveis, com a utilização de argumentos diferentes, visando compreender não somente a importância, mas a necessidade do estudo dessa disciplina. Uma boa forma de justificativa seria apresentar propostas de grandes historiadores ou filósofos que valorizam a História, ou mesmo lembrar ao leitor a importância das memórias familiares e pessoais até as mais íntimas delas que constituem nossa própria vida. Para responder a elas, poderiam ser utilizadas, também, respostas dos autores mais consagrados de matrizes historiográficas das escolas alemãs, francesas e inglesas, ou mesmo recorrer aos primeiros historiadores, os gregos, daqueles de quem temos os primeiros registros de dedicação à memória humana, desejosos de pactuar com as gerações futuras, para que os feitos dos seus antepassados não fossem esquecidos. Poder-se-ia usar ainda como justificativa as ideias sugeridas nas competências e habilidades apresentadas pela BNCC (Base Nacional Comum Curricular, documento oficial do Governo Federal), dentro da lógica proposta pelas ciências humanas, que, em geral, argumenta em favor do estudo da História, mostrando a necessidade de o ser humano compreender seu passado para

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das correntes historiográficas, pois trata-se do elementar. Trata-se de levar às pessoas o fato de que o estudo do Passado é o estudo de pessoas e não de datas, que não se trata do conhecimento de gráficos e estatísticas, ou mesmo de todos os fatos históricos, suas causas e consequências, mas do conhecimento de pessoas que se tornaram esses dados estatísticos, ou como diria o mesmo March Bloch, acima citado, “o objeto do estudo da História é, por natureza, o homem”. Entender o homem em seu contexto, compreender os homens em sua época, pois o contrário, analisar os homens com olhar anacrônico, geraria preconceito. O desejo é o oposto: utilizar da História como ciência no combate ao preconceito e na construção de pessoas sensíveis às diferenças humanas, abertas ao diálogo, ao conhecimento do outro em todos os seus aspectos, promovendo a união e não a desagregação entre os homens. Restringir o estudo da História ao conhecimento dos fatos, seus dados e suas consequências é, no mínimo, um reducionismo do próprio ser humano, é querer dar ao conhecimento do Passado um ar técnico, mecanicista, fabril e desumano, e desmerecer as memórias todas, relegando-as a números frios e sem vida, a dados estatísticos, sendo que a História se concebe em plenitude pelo contrário, pelo estudo da vida, em seu tempo e espaço, pois a história é fruto de seu tempo, o homem é fruto de seu tempo. Para iniciar a construção desse pensamento em torno do estudo da História como norteador de princípios de humanização, é preciso questionar os estudos e metodologias historiográficas e a rigidez com que os fatos são apresentados e como as verdades históricas precisam ser construídas e desconstruídas, pois, como lembra Marc Bloch: “Documentos são só vestígios”, ou seja, há neles algo “não revelado”, “escondido”, subliminar que, à luz de sua época revelam-se os porquês. E é preciso uma sensibilidade diferenciada e mais humana do historiador em saber dialogar com essas fontes, em saber interrogar os documentos, utilizá-los

Restringir o estudo da História ao conhecimento dos fatos, seus dados e suas consequências é, no mínimo, um reducionismo do próprio ser humano.”

Continua

atuar de forma consciente de si e de sua comunidade no tempo presente. Dentro da proposta do mesmo documento, para o conhecimento histórico específico, poder-se-ia argumentar a favor da História, a comprovação da necessidade de compreensão do homem em seu tempo e espaço, suas relações sociais e de produção. Outro argumento, não tão prático como os citados acima, mas que encanta a mim e a muitos outros professores, é o simples gosto pela História, o prazer do conhecimento daquela que é a ciência mãe, a primeira de todas. O simples sabor do conhecimento histórico, o prazer por conhecer assuntos múltiplos, o gosto apurado pelo conhecimento de hábitos, culturas e comportamentos distintos que, ao longo dos anos, moldaram nossa sociedade. Como diria Marc Bloch: “Mesmo que julgássemos a História incapaz de outros serviços, seria certamente possível alegar em seu favor que ela distrai (...) Pessoalmente (...) a História sempre me divertiu muito”. Mas o argumento que desejo usar aqui, em favor dessa combativa e combatida, sensível, porém forte, e necessária disciplina é outro. Utilizando o renomado historiador francês, Marc Bloch, que se destacou por ser um dos fundadores da Escola dos Annales e as ideias propostas nessa escola, pretendo defender o estudo da História com a finalidade de um processo humanizador, como instrumento para que o homem se humanize, como método científico de compreensão do outro, do diverso, do plural, das dores e anseios dos homens de cada época, de suas alegrias, paixões e medos para, então, podermos, através de nossa sensibilidade, compreender as questões do homem atual que, embora se imagine diferente e mais evoluído que seus antepassados, é o mesmo homem que sofre e se alegra com as angústias e prazeres da vida, diferentes que sejam, hoje, de épocas anteriores. A forma como nos relacionamos com essa disciplina e suas fontes documentais deve conduzir-nos a uma relação íntima com o Passado, permitir-nos entender que ele (o Passado) é pessoal e comunitário, que nossas memórias pessoais e íntimas fazem parte de um todo, de uma memória coletiva. A forma de análise junto às fontes e aos vestígios remete-nos à época estudada, conduz-nos a um retorno ao passado e permite-nos reviver os fatos e analisá-los de forma mais humana e sensível. É uma ideia subjetiva do estudo da História, pouquíssimo técnica (prática) e sem finalidade (ou quase sem finalidade) política, sem compromisso com ideologias, livre das amarras

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PEDAGOGIA

Humanizar a História consiste em analisar homens e suas relações, com uma premissa de conhecer e, assim, exaltar o homem e seu processo de construção histórica.”

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como instrumentos de sensibilização própria e do outro. O processo humanizador da História a que me refiro começa na forma como tratar essas fontes e como lidar com elas, sejam elas escritas ou orais, de acervos pessoais e privados ou de acervos públicos, empresariais ou mesmo familiares, reconhecendo nelas a presença de vida, daquilo que se desejava e daquilo que não se desejava revelar. Ter sensibilidade para lidar com isso, saber dialogar com as fontes, saber questionar o escrito e o não-escrito e o subjetivo leva-nos a respostas intrínsecas, a conhecer o íntimo do sujeito estudado. Estudar as construções, os monumentos, as grandes obras da humanidade, portanto, não consiste em dedicar-se somente aos objetos (fontes historiográficas) de estudo, mas aos homens que construíram essas edificações, seus cotidianos, seus prazeres e desprazeres. Seria, segundo Marc Bloch: “A diversidade dos testemunhos históricos é quase infinita. Tudo o que o homem diz ou escreve, tudo o que constrói, tudo o que toca, pode e deve fornecer informações sobre eles”, ou ainda, (...) “A própria noção segundo a qual o passado enquanto tal possa ser objeto de ciência é absurda”, pois o objeto da ciência é o homem, ou melhor, os homens no seu tempo. O que é proposto é uma fuga do olhar positivista da História, sair de uma visão mecanicista e ordenada para o desenvolvimento do olhar subjetivo e complexo do homem em seu tempo com suas relações, pois, “os fatos humanos são mais complexos que quaisquer outros. É que o homem se situa na ponta extrema da natureza”, diria Marc Bloch. O que se precisa entender no estudo da História, portanto, é que os documentos e fontes e os fatos não são a História em si, mas parte dela, pois a importância deles é nos revelar os homens em seu tempo; o homem é a História e o sujeito atuante e constituinte dela. O estudo sistemático da História permite ao historiador desenvolver e aguçar uma observação humana de cada sociedade. O conhecimento historiográfico, sob um olhar humanista, desperta sensibilidade, possibilita analisar as ações humanas sob um prisma de compreensão, aniquilando os preconceitos e destruindo a ideia de superioridade de uns sobre outros. A História humanizada possibilita compreender que os hábitos e costumes de uma época são volúveis e suscetíveis às mudanças. Assim como os de outrora, hoje nos parecem, alguns, tão absurdos, os de hoje parecerão, também alguns, absurdos às gerações futuras e, compreender isso nos promove hoje à compreensão do outro

em suas diferenças. Humanizar a História consiste em analisar homens e suas relações, com uma premissa de conhecer e, assim, exaltar o homem e seu processo de construção histórica, e não analisar e julgar, pois, segundo Bloch, a “qualidade mestra do historiador consiste em ter a faculdade de apreensão do que é vivo, do que é vivo em seu tempo, sem julgamentos anacrônicos e condições de comparação de homens e seus costumes em épocas diferentes.” Quando defendo a ideia da valoração do homem na História é porque estudar os fatos humanos é complexo; entender as ações individuais dentro da composição da História exige olhar sem anacronismo, sem preconceito, e compreender que, por sermos seres únicos, os fatos históricos agiram e agem de forma diferente em cada um de nós é algo que necessita de análise madura. O impacto de uma revolução não é igual sobre todas as pessoas envolvidas. Em uma invasão militar a um país, em uma grande guerra da História, cada cidadão sofre ao seu modo, assim como em 1929, com a quebra da bolsa de Valores de Nova Iorque, os flagelos refletiram de forma diferente nos países que a sentiram, assim como foram diferentes os impactos para cada ser humano. Analisar os números importa. Utilizar-se dos objetos, dos dados é imprescindível, pois, de tudo isso a História se constrói e se reconstitui, e faz parte do estudo e da elaboração da própria disciplina; por isso, a proposta é não ignorá-los, a História também é quantitativa. É importante saber lê-los, questioná-los e, ao assim fazer, dar-lhes significado, humanizar os números e dados; é preciso dar vida a esses números, pois eles foram pessoas. Não foram milhões que morreram nas guerras, pois o milhão é constituído, antes, em unidade, portanto, era o pai que não voltou para o filho, o filho que não voltou para seus pais. Era um que estava noivo; outros tantos que se casaram às vésperas da guerra e não voltaram para suas esposas, ou seja, a guerra ocorreu de diferentes formas para diferentes homens, portanto, diferentes Histórias da mesma guerra. O sentido do estudo da História é compreender o ser humano, e não somente os homens do passado, muito pelo contrário. É compreender os homens do passado e, com suas memórias, analisarmos a nós mesmos. É refletirmos sobre o passado em sentido literal e entendermos que somos os mesmos seres humanos, abertos às mesmas práticas e mudanças, em outra época, em tempo presente e, portanto, sujeitos aos mesmos comportamentos que estudamos em nossos antepassados. Nada para ser julgado: o

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certo e o errado existem no homem e fora dele. A percepção dessa realidade, através da humanização histórica, sobre não julgar comportamentos, é necessária, pois qualquer sujeito histórico está suscetível a mudanças. As diferenças nos permitem aceitar situações que nos livram de preconceito e nos dão a compreensão de que também nos comportamos diferentes é possível encontrar unidade e certeza do humano ante as comparações sobrevindas de tempos e realidades opostas. Pode-se concluir que o estudo da História não consiste somente em números, gráficos, dados e fontes documentais, nem mesmo somente em reis, dinastias, ministros e generais, que ditam as leis, regras comportamentais e a moral de uma época, pois a história é complexa em suas formas, causas e estruturas. O estudo consiste em compreender que a História é feita de gente anônima, como você e eu, que sofreu e se alegrou com os impactos das ações dos governos, das mudanças e revoluções. História é vida e, compreendê-la é entender os homens em seu tempo e as mudanças que eles sofreram e provocaram e ainda sofrem e provocam. Ao compreender esse processo resta, principalmente aos professores de História, transmitir aos alunos, fazê-los absorver através dos conteúdos, o lado humano e sensível da disciplina. E como? Aproximação; gosto; prazer; identificação. O aluno precisa criar intimidade com a História. Com a compreensão humanizada da História, entendem-se os sujeitos como agentes históricos em suas épocas, e o aluno sentir-se-á também agente histórico em seu tempo, aproximando-o de uma necessidade de estudar História, pois, compreender as motivações sociais anteriores aguça a sua percepção da realidade atual, com o intuito de corroborar, melhorar ou transformar tal realidade. A necessidade de transmitir ao aluno, em sala de aula, a exposição de uma realidade do passado de forma humana, relendo os fatos e acrescentando sujeitos até então ocultos, não pode ser esquecida. É preciso dar intimidade a questões que, anteriormente pareciam distantes da realidade; é preciso revelar a História como algo não-pronto, inacabado, um devir em construção, fruto do cotidiano onde os sujeitos e agentes históricos somos todos nós. O aluno deve compreender que a História é filha das ações dos homens em seu tempo; e nós somos, eles são esses agentes escrevendo o presente, e este vai se transformar em Passado a ser estudado e se tornará memória. A humanização da História consiste, por-

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tanto, em dar vida àquilo que se tornou registro, em reavivar os números e dados estatísticos, em reascender a presença humana frente aos simples fatos, pois os homens os constituíram. Humanizar a História é despertar nas pessoas a sensibilidade para compreender que o Passado, de alguma forma, nos compõe; somos fruto da construção de outros que nos antecederam, e que essas memórias são essenciais para nos lembrar sempre quem somos, de onde viemos e, talvez, o mais importante, para onde estamos caminhando, que sociedade estamos construindo. O lado historiográfico humano permite valorizar cada indivíduo, ainda que os mais anônimos, como sujeitos atuantes no processo de construção da História e também, consequentemente, como sujeitos que sofrem os revezes dessa mesma História. Compreender isso, cada ser histórico em sua época, nos torna mais humanos, vivos, sensíveis ao outro, livres de preconceitos e julgamentos, livres de ditar padrões de comportamento. Torna-nos sensíveis a tudo que é julgado como inadequado, diferente, incomum, pois entendemos cada comportamento como algo único e individual, como cada Homem é único em sua época. Em suma, a proposta deste artigo é discutir a ampliação do horizonte historiográfico, rever as análises documentais e a forma como elas são tratadas pelos historiadores, visando à elaboração de uma análise mais humana da História, já que a compreensão dessa disciplina perpassa por compreender e aceitar o Homem, cada qual em seu tempo e espaço. É um assunto que nasce da realidade cotidiana, principalmente no Brasil e em países emergentes, de violência e intolerância contra qualquer forma de manifestação que se opõe ao padrão, ataques e insultos gratuitos àquilo que foge a nossa regra de comportamento e avaliação de conduta, e, portanto, urgente em ser combatido. E Ela, a mãe de todas as ciências e talvez a mais antiga delas, a História, tem como premissa essa luta, essa defesa do Homem, independentemente de seu padrão.

REFERÊNCIAS

BLOCH, Marc. Apologia da História ou o ofício do historiador. Tradução. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor Ltda. 2002.

A História é feita de gente anônima, como você e eu, que sofreu e se alegrou com os impactos das ações dos governos, das mudanças e revoluções.”

Renato Botazini

Professor de história Ensino Fundamental II Colégio Imaculada Conceição Machado - MG

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PEDAGOGIA

Muito prazer em aprender

Para que a criança possa ser alfabetizada, é importante que ela sinta prazer em aprender. Assim, nada melhor do que o uso de jogos como estratégias de ensino

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processo de alfabetização é um momento de grandes expectativas e muitos desafios. Espera-se que a criança aprenda a ler, escrever, contar, entre no universo das letras cursivas e adquira, a cada nova experiência, mais autonomia e independência. Para que a criança possa apropriar-se de todos os objetivos propostos, ao longo da alfabetização, o fundamental é que ela sinta prazer em aprender, e, consequentemente, envolva-se ativamente em seu processo de ensino e aprendizagem. Os jogos, como estratégias de ensino, são uma fonte rica de estímulos para a apren-

dizagem, seja da escrita ou dos conceitos matemáticos, uma vez que, por meio deles, a aprendizagem torna-se significativa para a criança, ao mesmo tempo que possibilita ampliar seus repertórios. Considerando os estudos do psicólogo bielorrusso LevVygotsky (1896-1934) , para que a criança aprenda e se desenvolva nos aspectos, cognitivo, afetivo e emocional, é preciso ter ciência de que seus avanços estão ligados às motivações e incentivos que recebem, pois, “se ignorarmos as necessidades da criança e os incentivos que são eficazes para colocá-la em ação, nunca seremos capazes de entender seu avanço de um estágio de desenvolvimento para outro” . De tal modo, é preciso estimular a criança a pensar, a confiar em si, a concentrar-se e a encontrar soluções para um determinado desafio. Deve-se levar em conta que utilizar recursos lúdicos para desenvolver essas e tantas outras habilidades é proporcionar aos alunos e alunas uma aprendizagem significativa e prazerosa. Os jogos não são simples passatempos, mas sim, aliados do desenvolvimento intelectual e social de cada criança. Por meio do lúdico e da

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criatividade, a criança, ao mesmo tempo que interage e se socializa com seu par, amplia suas concepções de mundo e seus saberes. Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais - PCN (1997), documento que dialoga com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), - para que a criança construa uma educação permanente, é imprescindível um ensino que favoreça a autonomia e o trabalho coletivo. Para tanto, de acordo com o PCN, é necessário que, no processo de ensino e aprendizagem, sejam exploradas: “a aprendizagem de metodologias capazes de priorizar a construção de estratégias de verificação e comprovação de hipóteses na construção do conhecimento, a construção de argumentação capaz de controlar os resultados desse processo, o desenvolvimento do espírito crítico capaz de favorecer a criatividade, a compreensão dos limites e alcances lógicos das explicações propostas”. Assim, a proposta com jogos possibilita uma gama de aprendizagem e interação de forma divertida, contribuindo para que a criança consolide, na prática, suas aprendizagens, ao mesmo tempo que permite o desenvolvimento de seu senso crítico. Compreendendo que os jogos fazem toda a diferença na formação do conhecimento de cada criança e, pensando nisso, o Colégio Imaculada Conceição proporciona jogos diferenciados propostos pelo material pedagógico, bem como, por meio do trabalho pessoal, dentro da Educação Personalizada e Comunitária, com a finalidade de construir e consolidar os estudos desenvolvidos em sala de aula. Dentre os projetos com jogos podemos destacar o jogo da Pipoca das sílabas que visa desenvolver na criança sua familiaridade com as sílabas e, consequentemente, a formação de palavras. Já os jogos matemáticos Vamos brincar de Matemática buscam ampliar o raciocínio lógico por meio do lúdico. As crianças são convidadas

a jogar diferentes jogos que auxiliam tanto na aprendizagem de diferentes conceitos matemáticos, como na interação e na socialização. Consideramos, pois, a criança autora e construtora de sua aprendizagem, e acreditamos que cada aluno e cada aluna, em sua singularidade, têm um amplo universo para explorar. Por esse motivo, finalizamos com o belo poema de Loris Malaguzzi – As cem linguagens da criança. A criança é feita de cem. A criança tem cem mãos, cem pensamentos, cem modos de pensar, de jogar e de falar. Cem sempre cem modos de escutar, de maravilhar e de amar. Cem alegrias para cantar e compreender. Cem mundos para descobrir. Cem mundos para inventar. Cem mundos para sonhar. A criança tem cem linguagens (e depois, cem, cem, cem), mas roubaram-lhe noventa e nove. A escola e a cultura separam-lhe a cabeça do corpo. Dizem-lhe: de pensar sem as mãos, de fazer sem a cabeça, de escutar e de não falar. De compreender sem alegrias, de amar e maravilhar-se só na Páscoa e no Natal. Dizem-lhe: de descobrir um mundo que já existe e, de cem roubaram-lhe noventa e nove. Dizem-lhe: que o jogo e o trabalho, a realidade e a fantasia, a ciência e a imaginação, O céu e a terra, a razão e o sonho, são coisas que não estão juntas. Dizem-lhe: que as cem não existem. A criança diz: ao contrário, as cem existem.

Os jogos não são simples passatempos, mas sim, aliados do desenvolvimento intelectual e social de cada criança.”

Jaqueline de Oliveira Alves Pedagoga, PósGraduada em Alfabetização e Letramento Colégio Imaculada Conceição Machado - MG

REFERÊNCIAS

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Introdução aos Parâmetros Curriculares Nacionais / Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília: MEC/SEF, 1997. VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1989.

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PEDAGOGIA

Do letramento aos novos (

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termo letramento entrou para o nosso dia a dia há muito tempo, mas ele é frequentemente confundido ou entendido como equivalente a alfabetização e mesmo alfabetismo. Porém, esses termos não são equivalentes e não tratam da mesma coisa. O conceito letramento aparece no fim dos anos 80, usado por Mary Kato, no livro “No mundo da escrita: uma perspectiva psicolinguística”. Nessa época, estudiosos fundiam o conceito de letramento (no singular) com alfabetização. Mais tarde, esses mesmos autores repensaram essa visão, começando a vislumbrar outras maneiras de ver a escrita na sociedade, que são completamente ignoradas. Assim, o conceito de letramento foi evoluindo e, com ele, surgiram outras denominações: letramento, tipos e níveis de letramento,

prática de letramento. Primeiro porque não é valorizada. Segundo porque a escrita está lá, mas o vendedor poderia ter feito a abordagem oralmente. Todavia, o vendedor utiliza a escrita tanto para preservar a própria face quanto para atingir maior número de clientes ao mesmo tempo enquanto o semáforo está fechado. Essa é uma prática de letramento muito útil em situação de trabalho de rua, mas que não é valorizada pela escola. Tais exemplos são para ilustrar que letramento é prática. Outra coisa é o alfabetismo ou alfabetização. Este ocorre quando trabalhamos capacidades e competências de leitura, com alfabetização e formas da escrita ou com formatos de gêneros do discurso. Isto é refletir sobre. Letramento é usar as coisas para compreender criticamente e produzir. É importante separar conteúdos de práticas que têm que ser exercitadas.

s (multi)letramentos As práticas de letramentos envolvem culturas e contextos culturais diferentes. Neste caso, é importante a escola contemplar as culturas locais, dando abertura para que o trabalho não envolva apenas as práticas valorizadas. É evidente que a escola tem que trabalhar com o jornalismo, com a divulgação científica etc., que são as práticas valorizadas, mas também, é importante que as práticas do alunado sejam acolhidas. Nesse sentido, a escola precisa ampliar suas práticas para a prática de cultura locais variadas, isto é, a multiculturalidade. Além da multiculticulturalidade, outro conceito inserido em multiletramentos é a multimodalidade. São elas as múltiplas formas linguagens imbricadas nos textos que circulam socialmente. Atualmente, fala-se em multimodalidade como se apenas agora essas linguagens tivessem ganho existência. Isto não corresponde com a realidade. Aspectos como marca d’água, diagramação, escolha do tipo de caligrafia ou serifa de letra são elementos multimodais. Isto significa que a escrita é também imagem e não apenas linguagem escrita. O conceito de multiletramentos surge no final do século 20, mais precisamente em 1996,

As práticas de letramentos envolvem culturas e contextos culturais diferentes.”

Continua

letramentos, práticas de letramento, multiletramentos e novos letramentos. Dessa forma, o conceito foi se modificando, ao longo do tempo, conforme evoluíram tanto os estudos da linguagem como a realidade social. Na atual realidade social, denominada pós modernidade ou alta modernidade, utilizamos a escrita, isto é, os signos mediadores, o tempo todo, em práticas muito diferenciadas. As práticas de letramento são legião. Por isso o conceito passa para o plural: letramentoS. Imaginemos, por exemplo, o momento em que retiramos dinheiro em banco ou pagamos com cartão de débito. Enquanto digitamos números, estamos lidando com a escrita matemática e, portanto, com uma forma de letramento, o letramento matemático. Entretanto, esse não é um letramento valorizado pela escola. Já o letramento da escola, como por exemplo, a leitura de texto em voz alta, é, claramente, uma forma de letramento escolar que é valorizado e confundido com alfabetismo. Em outros lugares, são encontradas outras formas de letramentos. Os bilhetes anexados às balas que são vendidos nos semáforos das grandes cidades, por exemplo, pouca gente reconhece essa forma de comunicação como

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PEDAGOGIA quando um grupo de pesquisadores denominados New London Group se reuniu, na cidade de Nova Londres, para discutir mudanças decorrentes dos impactos das novas mídias digitais. Embora só naquela época tem-se o registro do encontro desses pesquisadores, sabe-se que, há muito tempo, os textos, seja de jornal, livro didático ou livro em geral trazem também infográficos, mapas que são, sobretudo, imagens. Se pensarmos na televisão e no rádio, presentes desde a década de 20 e 30, estes já viabilizavam imagem, texto verbal, visual, melodia, tonalidade etc. O problema é que rádio e cinema entraram muito pouco e muito lateralmente na escola. Isto é, a escola é muito aferrada ao texto escrito, entendido como sistema de escrita e não como imagem ou qualquer outra coisa. Vejamos Arnaldo Antunes, ele faz maravilhosos poemas visuais com caligrafia. Então a escrita é imagem.

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A partir dos anos 1990, as novas tecnologias vieram mudar isso, porque elas funcionam o tempo todo com tudo misturado. Agora, mais do que nunca, torna-se importante o trabalho com textos multimodais ou multissemióticos, que têm imagem, movimento, áudio etc. Entretanto, nestes casos é comum o professor usar vídeo ou música como distração na aula, mas não como objeto de ensino de leitura e escrita, quando o contrário deveria ocorrer. Os alunos têm que aprender a ler a imagem, a melodia, o design etc. do mesmo modo como aprendem a ler e produzir textos escritos. As crianças quando chegam à escola, maior parte delas já têm acesso às tecnologias móveis. Eles já entram na escola como usuários das novas tecnologias. Futuramente, a tendência é que os livros não separem mais texto escrito de áudio ou animação, como é possível perceber com a próxima geração de livros digitais ( https://www. ted.com/talks/mike_matas?language=pt-br), que não serão mais textos estáticos inseridos em tablets. Essa é a mudança para onde aponta a sociedade atual. A escola, de modo geral, vai ter de refletir sobre isso melhor. Uma década depois, após o termos multiletramentos ter sido cunhado pelo Grupo de Nova Londres, surge o termos novos letramentos, a partir do casal de pesquisadores Colin Lankshear e Michele Knobel, para designar os novos letramentos provocados pelas tecnologias digitais da informação e comunicação (TDIC ). De acordo com Roxane Rojo, professora livre-docente do Departamento de Linguística Aplicada da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que tem se dedicado a questões relacionadas à educação linguística, no livro Letramento Mídias e Linguagens (2019), por um lado, esses autores observaram que as tecnologias eram novas: havia mudança nos códigos-fonte, com novos aplicativos de textos, som, imagem animação, novas ferramentas de comunicação etc. também havia a multiplicação de novos dispositivos digitais: computadores, consoles, mas também laptops, tocadores de mp3 e mp4, tablets, celulares entre outros itens que viabilizavam e intensificavam novas possibilidades de textos passando a requisitar novos (multi)letramentos.

Futuramente, a tendência é que os livros não separem mais texto escrito de áudio ou animação, como é possível perceber com a próxima geração de livros digitais.”

Shirley Adriana de Sousa Silva

Assessora Pedagógica da Rede Concepcionista de Ensino Sede Provincial São Paulo - SP

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A atividade teatral na Educação Infantil auxilia no desenvolvimento da linguagem oral e corporal e na socialização e crescimento cultural das crianças

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palavra lúdico vem do latim ludus e significa brincar. Segundo o psicólogo e filósofo suíço Jean Piaget (18961980), o desenvolvimento da criança acontece através do lúdico, que não representa somente o jogar, mas também pode ser encontrado em diversas manifestações como a dança, teatro, dramatizações, brincadeiras, construção de materiais concretos e nas histórias. Uma das propostas da Educação Infantil é

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estimular a oralidade, integrando e estreitando a relação de afeto e comunicação entre as crianças, promovendo a socialização e o convívio harmonioso entre elas. Nesse sentido, a função educativa do lúdico oportuniza a aprendizagem do indivíduo, seu saber e sua compreensão de mundo. Para a antropóloga e pedagoga Adriana Friedmann, os jogos lúdicos permitem uma situação educativa cooperativa e interacional, ou seja, quando alguém está jogando está executando regras do jogo e, ao mesmo tempo, desenvolvendo ações de cooperação e interação que estimulam a convivência em grupo. Podemos afirmar que a ludicidade oferece condições para o aluno vivenciar situações-problema, experiências com a lógica e o raciocínio, atividades físicas e mentais que favorecem a sociabilidade e estimulam as reações afetivas, sociais, morais, cognitivas, culturais e linguísticas.

Continua

O lúdico na contação e na dramatização de história

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PEDAGOGIA

Ensina-se teatro através da vivência de jogos, improvisações e encenações, que possibilitem a troca de experiências entre alunos (...)”

A dramatização enriquece a aprendizagem, desenvolve a linguagem oral e corporal, contribui na socialização e no crescimento cultural das crianças. Quanto ao jogo simbólico infantil, Ingrid Dormien Koudela, autora do livro Jogos teatrais, afirma que, à medida que a inteligência da criança se desenvolve, o processo de representação é interiorizado e que a imaginação dramática, a faculdade de se colocar no lugar do outro continua por toda a vida e caracteriza grande parte do pensamento quando as pessoas estabelecem hipóteses sobre o futuro, reconstroem o passado ou planejam o presente. Diz ainda que o ensino do teatro pode ser visto como uma fusão deliberada entre o jogo simbólico e o jogo de regras. Os objetivos de aprendizagem em linguagem teatral para crianças nas fases iniciais da Educação infantil são:

Imitar gestos e expressões Imitar diversos personagens de histórias ouvidas e em situações de brincadeiras dramáticas. Conhecer a linguagem teatral por meio de fantoches, dedoches, fantasias e caracterização de personagens. Participar de situações de faz de conta, manipulando e explorando figurinos e outros materiais cênicos. Interagir com os colegas nos momentos de apreciações teatrais. Apreciar peças teatrais.

Explorar o espaço cênico.

Interagir com personagens caracterizados.

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Segundo o ator, pesquisador e professor Richard Courtney (1927-1997), considerado referência internacional no teatro infantil, a Educação Dramática é pedocêntrica, ou seja, tem a criança como centro, e que tem como objetivo principal o desenvolvimento da aprendizagem e da autonomia. Inicia-se com a criança, cuja imaginação criativa é dramática em sua natureza. Ele reconhece o jogo da criança como uma entidade em si mesma, com seu valor próprio; diz também que a imaginação dramática capacita a criança (e o adulto, de uma outra maneira) a ver a relação entre ideias e sua mútua interação, e que através da personificação e identificação, a criança pode compreender e apreender o mundo ao seu redor. Dessa maneira, é fundamental ela expressar-se através do movimento criativo, do discurso e linguagem espontâneos.

Teatro, como ensinar? Ensina-se teatro através da vivência de jogos, improvisações e encenações, que possibilitem a troca de experiências entre alunos e permitam aprimorar a percepção estética, a imaginação, a consciência corporal, a intuição, a memória, a reflexão e a emoção. Tendo como base esses conceitos, os alunos do Maternal III, da professora Simone Souza Santos Caproni, do Colégio Imaculada Conceição - CIC Machado, vivenciam práticas de dramatizações de histórias no decorrer de todo o ano letivo, entre outras atividades que exploram a arte, a expressão e o movimento. Por meio da contação de história, utilizando recursos como fantoches, personagens vivos,

dedoches, música, dentre outros, a professora interage com as crianças, convidando-as para o fantástico mundo da imaginação, onde a proposta é imaginar, divertir e aprender. O improviso é algo de grande valor nesse momento. Os pequenos reproduzem, através da dramatização, de acordo com a história contada pela professora. Fantasias diversas, adereços e tecidos são indispensáveis nessa atividade. A ideia é tornar a aula mais atrativa e dinâmica.

REFERÊNCIAS COURTNEY, Richard. Jogo, teatro & pensamento. 2. ed. São Paulo: Perspectiva, 2003.

O ensino do teatro pode ser visto como uma fusão deliberada entre o jogo simbólico e o jogo de regras.”

FRIEDMANN, Adriana. Brincar, crescer e aprender: o resgate do jogo infantil. São Paulo: Moderna, 1996. KOUDELA, Ingrid. Jogos Teatrais. 5. ed. São Paulo: Perspectiva, 2006. MARTINS, Ana Rita. Teatro e imaginação na pré-escola. Revista Nova Escola. Disponível em: CAVASSIN, Juliana. Perspectivas para o teatro na Educação como conhecimento e prática pedagógica. Revista Científica/FAP, Curitiba, v.3, p. 39 – 52, jan/dez. 2008. MORAES, Silmara Lídia. A importância do teatro na formação da criança. SILVA, Elder Luan dos Santos. III Encontro Baiano de estudos em Cultura. Teatro Infantil na escola: instrumento para eficaz ensino das artes. TREVISAN, Rita. O que a base propõe para o ensino de arte ? Conheça as unidades temáticas. Disponível em: <https://novaescola.org.br/bncc/ conteudo/132/o-que-a-base-propoe-para-o-ensino-de-arte-conheca-as-unidades-tematicas>. Acesso em: 16 out. 201.

Simone Souza Santos Caproni

Professora de Educação Infantil Graduada em Pedagogia e Letras. Pós-graduada em Psicopedagogia e Educação Inclusiva Colégio Imaculada Conceição Machado - MG

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PEDAGOGIA

A Pesquisa nos anos iniciais

Atividades de pesquisa tornam os alunos autônomos, pois faz com que participem ativamente da busca pelo conhecimento

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Fonte para a construção do conhecimento

esquisar é o ato de procurar com aplicação respostas a indagações ou tomar informações a respeito de determinado assunto, e é sabido que a pesquisa é fundamental para a construção do conhecimento. A pesquisa é a busca do conhecimento a partir de várias fontes porém, ainda é uma atividade pouco explorada nos anos iniciais.

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O professor dos anos iniciais do Ensino Fundamental pode e deve explorar atividades de pesquisa numa escala progressiva de dificuldade e fazendo as adaptações necessárias a cada faixa etária. É preciso ensinar o aluno a realizar uma pesquisa desde cedo, pois grande parte da defasagem do ensino se dá pelo fato de que os alunos são forçados a repetir o que está nos livros, sem muitas vezes questionar aquilo que está posto. Na maioria das vezes, isso ocor-re porque os alunos não foram ensinados a fazê-lo. Essa é uma habilidade que se desenvolve com a prática, com direcionamento e orientação. Ora, se pararmos para pensar pensarmos que até mesmo um doutorando possui um orientador para sua pesquisa, porque as crianças dos anos iniciais deveriam conseguir fazê-la sem alguém para mediar essa busca por determinado conhecimento? Inicialmente, é importante que essas pesquisas sejam sobre temas que despertem o interesse dos alunos. É bom deixar que os próprios alunos “escolham” os objetos de suas pesquisas para despertar neles o gosto por essa prática. Essa busca inicial deve ser estimulada por diferentes instrumentos, como: livros, revistas, mídias eletrônicas, internet, fotos, entrevistas com especialistas etc. Deixar os alunos à vontade, durante o manuseio desses diferentes instrumentos, criará um ambiente favorável à construção do conhecimento e já ajudará na desconstrução da ideia de que fazer uma pesquisa é algo chato e difícil. Antes de convidar os alunos a explorar os recursos da pesquisa, o docente deve determinar os objetivos de aprendizagem com relação aos procedimentos de pesquisa e aos conteúdos abordados. Na hora de iniciar o trabalho, todos têm de estar cientes do principal propósito: encontrar respostas para uma situação-problema. Nos 1º e 2º anos, em que a leitura e a escrita ainda estão no início, o professor pode pedir que os alunos selecionem fotos, imagens e outros recursos adequados à turma, correspondentes ao problema determinado inicialmente, pois a pesquisa envolve a habilidade de localizar informações. Para as turmas de 3º, 4º e 5º anos, o produto-final da pesquisa poderá ser um texto com as informações obtidas. Um texto é um instrumento poderoso de intervenção na sociedade. Marcos Bagno, linguista e filólogo, ressalta que “saber que seu texto não será lido apenas pelo professor ou por um grupo de colegas certamente levará o aluno a querer preparar um texto bem elabo-

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rado, bem escrito, agradável de ler, coerente e interessante”. Dessa forma, cabe ao professor apresentar fontes confiáveis e ensinar a tomar notas, fazer resumos e construir sentidos sobre os textos, além de apresentar modelos de formas de preparo de um produto-final em que as descobertas feitas sejam encontradas e as perguntas sejam respondidas. Durante todas as etapas da pesquisa, os alunos passarão por diversas experiências e irão adquirir segurança para empregar esses conhecimentos em outras situações de coletas de dados e de estudo, o que dará significado a todo esse processo. Assim, os estudantes tornam-se mais autônomos, participando ativamente da busca pelo conhecimento por meio dessa atividade essencial em toda sua trajetória acadêmica.

É bom deixar que os próprios alunos ‘escolham’ os objetos de suas pesquisas para despertar neles o gosto por essa prática.”

REFERÊNCIAS

BAGNO, Marcos. Pesquisa na Escola – o que é, como se faz. 18ª ed. São Paulo: Loyola, 2004. FAZENDA, Ivani C. A. (org.). Metodologia da Pesquisa Educacional. 2ª ed. aumentada. São Paulo: Cortez, 1991. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 25ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 2002.

Julia Vasques

Professora do Ensino Fundamental I Colégio Maria Imaculada Rio de Janeiro - RJ

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PEDAGOGIA

Ilhas de desenvolvimento

em sala de aula

A arquitetura dos ambientes e sua influência no aprendizado das crianças

A

infância é a idade das brincadeiras e, por meio delas, as crianças satisfazem grande parte de seus desejos e interesses particulares. O brincar é um momento importante na vida de toda criança, viabiliza a construção do conhecimento de forma interessante e prazerosa, garantindo nas crianças a motivação interior necessária para que haja uma boa aprendizagem. É brincando que a criança aprende a socializar-se, a respeitar o outro, a desenvolver sua imaginação criadora, a sentir-se segura para negociar e para dialogar. Sendo esse um momento tão importante, os professores devem trazer o brincar para dentro das salas de aula, para utilizá-lo como instrumento mediador do processo de ensino-aprendizagem.

Há muito tempo, pesquisadores da educação vêm trabalhando no sentido de demostrar a importância dessa prática para o desenvolvimento global da criança no contexto escolar. Ao longo de sua obra, Vygostsky dedicou muitos dos seus escritos a esse assunto, destacando-se por suas contribuições acerca do papel que o brinquedo desempenha, fazendo referência a sua capacidade de estruturar o funcionamento psíquico da criança. Brincando, a criança aprende regras, conhece os limites, supera desafios, desenvolve a criatividade, a imaginação, a curiosidade e as habilidades físicas e cognitivas. “É importante entender do que se fala quando se fala em brincar e perceber a relevância de um tempo no cotidiano das crianças destinado a um brincar de qualidade, em um espaço adequado, com materiais interessantes para as crianças e que estimulem a criatividade. A mediação de um adulto, de outras crianças, ou dos próprios objetos que se encontram a disposição da criança faz a diferença nas brincadeiras. Não basta deixar brincar, aos adultos é preciso olhar um pouquinho mais para as crianças, perceber suas necessidades e assim tentar entender e estimular a brincadeira”, diz Mariana Stoeterau Navarro, mestre em Educação Física. Várias são as brincadeiras, os jogos e as técnicas que estão à disposição

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dos professores para ensinarem os mais diversos conteúdos aos seus alunos. Dado a isso, as atividades lúdicas, centros de interesses ou ilhas de desenvolvimento são essenciais para o desenvolvimento do corpo e da mente da criança. Nelas são reconhecidos meios de proporcionar às crianças uma educação integral, em situações naturais de aprendizagem que geram fortes interesses em aprender brincando de maneira natural. Para garantir uma formação flexível e prazerosa, que se proponha à educação atual, o professor deverá implementar estratégias diversificadas que promovam o sucesso da construção do conhecimento. Essas estratégias deverão garantir, ao mesmo tempo, a preparação para o ensino-aprendizagem e o desenvolvimento das habilidades, uma atuação crítica e consciente na criança. É importante ressaltar que o professor da Educação Infantil, ao desenvolver o lúdico em sala de aula, deve se esforçar para conduzir uma aprendizagem significativa, resgatando nos alunos o interesse, o prazer e o entusiasmo pelo ato de aprender. É difícil alguém dizer que uma criança não precisa brincar. A realidade infantil é constituída a partir da magia, e toda e qualquer atividade lúdica é para a criança um momento mágico, pois proporciona a aquisição de novos conhecimentos, desenvolve habilidades de forma natural e agradável. Como professoras da Rede Concepcionista do Colégio Madre Carmen Sallés, vemos o momento da brincadeira como uma oportunidade de desenvolvimento para criança. Por meio do brincar, ela aprende, experimenta o mundo, as possibilidades, as relações sociais, elabora sua autonomia de ação e organiza suas emoções.

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Assim, o principal objetivo das ilhas de desenvolvimento é explorar. Para crianças, em seus anos iniciais, tudo é experimento, um espaço para vivenciar descobertas, sentimentos e valores, assim como desenvolver suas habilidades.

As ilhas de desenvolvimento

Nas ilhas de desenvolvimento, foram formados grupos pequenos e dispostos objetos e materiais diversos com os quais as crianças exercitam todos os seus direitos1 e estabelecem contato com os campos de experiência2, como protagonistas de seu próprio crescimento. A participação do professor nessas ilhas é de suma importância, pois liberta a criatividade e proporciona segurança aos alunos, mostrando a eles que, dentro dos jogos, direcionados ou livres, há regras e que elas precisam ser respeitadas para uma convivência harmoniosa e feliz. É necessário que os professores sejam organizadores do tempo, do espaço, das atividades, dos limites, das certezas e até das incertezas do dia a dia dos nossos alunos em seu processo de construção de conhecimento, criando oportunidades para que o brincar aconteça de uma maneira sempre educativa e intencionada. Com essas práticas lúdicas, o ambiente escolar

torna-se mais agradável, a convivência faz-se mais tranquila, harmoniosa e o desenvolvimento intelectual dos alunos acontece obedecendo ao que é natural da infância em todas as etapas de seu desenvolvimento. Confiram os momentos das turmas do Jardim 1 B e C, em que as “ilhas de desenvolvimento” proporcionam ações organizadas que favorecem

o desenvolvimento de forma abrangente dentro da sala de aula, através de uma ação educativa e com uma concepção formadora. 1 Com a BNCC, as crianças passam a ter 6 direitos de aprendizagem: conviver, brincar, participar, explorar, expressar, conhecer-se.

2 A Base estabelece Cinco Campos de Experiência para a Educação Infantil, que indicam quais são as experiências fundamentais para que a criança aprenda e se desenvolva.

Ana Maria da Silva Barbosa Professora da Educação Infantil

Lílian Raquel Sousa Santos

Professora da Educação Infantil

Colégio Madre Carmen Sallés Brasília - DF

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PEDAGOGIA

Conhecendo melhor a

Energia Nuclear

Embora ainda haja uma concepção negativa sobre a Energia Nuclear, é preciso reconhecer seus efeitos positivos e o quanto ela pode contribuir com o planeta neste sentido

Como tudo começou

A matéria de Física lecionada no Terceiro Ano do Ensino Médio se encerra englobando conceitos sobre Física Nuclear, que devido ao pouco conhecimento ainda causa medo e aversão nas pessoas. Como diz Leonam dos Santos Guimarães, presidente da Eletronuclear, responsável pelas usinas nucleares do Brasil e subsidiária da Eletrobras, controlada pelo governo federal: "O tema nuclear inspira um profundo medo na sociedade”. "Isso ocorre porque (a tecnologia nuclear) teve o pior marketing da história. Foi apresentada à humanidade através do holocausto de Hiroshima e Nagasaki (cidades japonesas onde os Estados Unidos lançaram bombas atômicas, em 1945). Logo a seguir veio a Guerra Fria, com ameaça de destruição em larga escala com bombas nucleares", completa Guimarães em entrevista à BBC Brasil.

www.humorcomciencia.com/blog/211-energia-nuclear/

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Hoje, já se têm mais conhecimento sobre a formação do átomo, que foi uma teoria proposta pelo físico dinamarquês Neils Bohr (1885-1962), que o apresentou como sendo a menor estrutura da matéria, formada por pequenas partículas que são os prótons e nêutrons, localizados no núcleo atômico e os elétrons que orbitam ao seu redor. Estudos posteriores mostraram que cada uma dessas partículas é formada por pedacinhos ainda menores, as subpartículas, e que todas elas compõem a tabela de Particulares Elementares, tão importante na Física quanto a Tabela Periódica é para a Química. As partículas elementares são as responsáveis pela formação de todos os átomos e consequentemente, de toda a matéria do universo. Para que essas partículas fiquem unidas, é necessária que alguma força natural atue sobre elas e com isso temos as forças nucleares fraca e forte. A força nuclear forte atua sobre as subpartículas do interior do núcleo atômico; já a força nuclear fraca atua sobre as partículas maiores que compõem o núcleo, os prótons e os nêutrons, e é a responsável pela emissão da radiação nuclear. A radiação nuclear é a liberação de energia emitida pelos núcleos dos átomos que ocorre por meio da fissão, em que um núcleo atômico é dividido em núcleos menores, isto é, ao ser bombardeado por um nêutron, o átomo fissionado se transformando em outros dois elementos e libera outros nêutrons em um processo que pode ocorrer com ou sem controle. A primeira fissão nuclear ocorreu em 1938 e, a partir dessa data, o mundo começou a se despertar para a utilização da energia nuclear tanto de modo positivo como também e mais utilizado naquela época, de modo negativo e esse foi o problema! A utilização da energia nuclear para a produção de energia elétrica veio após a Segunda Guerra Mundial, quando o mundo veio conhecer essa “novidade” através das bombas atômicas lançadas sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki, no Japão1. Como dizem: “A primeira impressão é a que fica!” Com essa carta de apresentação, adicionada ao pouco conhecimento e o medo que foi disseminado, o mundo ficou apavorado com essa maravilhosa descoberta proporcionada pela Física. A fim de quebrar um pouco esse (pré)conceito e seguindo o conteúdo do material didático adotado pelo Colégio Maria Imaculada do Rio de Janeiro, foi feita uma atividade de pesquisa entre os alunos para que eles aprendessem um pouco mais sobre esse tema de uma forma mais positiva. Para isso, foram propostos vários assuntos relacionados à utilização da energia nuclear para que os alunos apresentassem seminários e aprofundassem seus conhecimentos, a fim de que elaborassem críticas mais fundamentadas sobre a forma de utilização da energia nuclear atualmente. Os seminários apresentados foram dinâmicos e os alunos se mostraram interessados sobre a abordagem desse conceito através de outra perspectiva, tornando-se mais críticos e desmitificando o conceito anterior que gerava certo temor. Hoje, temos mais de 400 reatores nucleares ativos em Usinas Nucleares no Mundo. Os países que mais utilizam essa forma de transformação de energia são os Estados Unidos, França e Japão. O mundo aprendeu muito com os desastres ocorridos e a tecnologia prosperou bastante, transformando as usinas em um ambiente seguro, obedecendo às normas de segurança, sem agressão ao meio ambiente e retorno investido viável.

A primeira impressão é a que fica?

Não existe futuro sem energia nuclear

1 Em 6 agosto de 1945, dezenas de milhares de pessoas foram mortas quando a Força Aérea Americana despejou uma bomba atômica sobre Hiroshima e Nagasaki, no Japão.

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Construindo um novo olhar sobre energia nuclear No Brasil, temos duas Usinas Nucleares ativas para a produção de eletricidade, situadas no Estado do Rio de Janeiro, que contribuem com 4% da energia elétrica consumida pelo país. Parece pouco, mas elas são suficientemente capazes de manter por um ano uma cidade de um milhão de habitante, como Porto Alegre ou São Luís por exemplo. A utilização da energia nuclear não fica restrita somente às usinas de produção de energia, mas também está presente em outras áreas. Podemos encontrar a utilização da radiação nuclear em equipamentos médicos, como os aparelhos de Raios-X e tomógrafos, além do seu uso como radio-fármacos para os tratamentos de câncer. Na agricultura estão presentes nos combates às pragas por meio de uma radiação controlada, reduzindo a infestação nas lavouras de grãos. A utilização da energia nuclear tem que ser feita de forma benéfica e com fins pacíficos, pois assim terá uma grande significação para o avanço tecnológico no mundo. Depoimentos das alunas Ana Luiza Coutinho, Bárbara Garofalo, Vitória Vargas A turma também entrou em contato com o outro lado dessa matéria sob uma perspectiva positiva, ou seja, conseguimos ver as vantagens do uso dessa energia e de como a tecnologia evoluiu ao passar dos anos. ... vimos que esse assunto é algo muito importante e que todas as pessoas deveriam ter acesso a esse tipo de informações.

Carolina dos Santos Apoliano

Professora de Física do 9º ano e do Ensino Médio Colégio Maria Imaculada Rio de Janeiro – RJ

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PEDAGOGIA

O professor no proce ensino-aprendizage Ao promover aulas dinâmicas e colaborativas, o professor-mediador desperta o interesse, a interação e motiva os alunos

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as últimas décadas, a Educação passou por grandes transformações e, com isso, o papel do professor também sofreu modificações. Uma delas é a mudança de paradigma do professor como o detentor do saber para a ideia do professor como orientador, ou seja, como um facilitador no processo ensino-aprendizagem, dando a opor-

tunidade para que os alunos atuem como protagonistas do processo da construção do próprio conhecimento e contribuindo, diretamente, com o desenvolvimento de cidadãos críticos. De acordo com Maria Cecília Camargo Magalhães, Professora titular da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), para a formação de cidadãos críticos “é necessário que a escola crie práticas pedagógicas que se organizem para a apropriação críti-

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cesso gem ca dos conteúdos escolares em sua relação com seu uso na sociedade e, como aponta Paulo Freire, pela mudança da linguagem do dizer para o criar, do individualismo para organizações colaborativas, da narrativa pelo professor à ação colaborativa de alunos e professores. Em outras palavras, está na constituição de uma escola não encapsulada nos conteúdos escolares, apenas”. Ainda, é importante que os professores permitam que a sala de aula seja um ambiente colaborativo, incen-

tivando os alunos a levantar questionamentos, elaborar hipóteses, trocar informações e ideias; fazer conexões significativas com a realidade, tornando suas aulas mais interessantes e vivas e despertando a curiosidade, levando sempre em consideração a fala dos alunos. Ou, como diz a psicóloga Anna Stetsenko “o desenvolvimento humano é um projeto colaborativo de pessoas que estão mudando e co-criando o mundo”. Nesse sentido, os estudantes não adquirem conhecimentos apenas com os educadores. Na perspectiva da teoria sociocultural desenvolvida por Vygotsky, “a aprendizagem é uma atividade conjunta, em que relações colaborativas entre alunos podem e devem ter espaço”, porém é o professor quem direciona essas interações com planejamento e intencionalidade educativa. Ao promover aulas dinâmicas e colaborativas, o professor estimula a compreensão de conceitos de forma que os alunos possam deles se apropriar, para aplicá-los em diversas situações e contextos, que vão muito além de uma situação avaliativa na escola, ampliando o processo de aprendizagem e dando sentido ao mesmo. “O processo colaborativo, em práticas sociais (contextos de formação), envolve ações intencionais dos participantes em escutar o outro para compreender seu ponto de vista e agir; para pedir esclarecimentos, pedir ou explicitar ideias, suportes argumentativos, teorias que clarifiquem as compreensões sobre o objeto em discussão. Os participantes agem para concordar,discordar, retomar ou complementar ideias colocadas, descrever experiências como formas de relacionar teoria e prática e propiciar compartilhamento de novos significados. Em outras palavras, o conceito de colaboração tem sempre um enfoque de coparticipação crítica, pois envolve um processo dialético, nas relações entre os participantes, organizado pela linguagem da argumentação”, diz Magalhães. Entre os pequenos, alguns exemplos de situações e práticas educativas capazes de estimular os alunos a refletir são as seguintes:

Rodas de conversa: ver o que o aluno já sabe sobre o assunto a ser dinamizado. Trabalhos com Artes: mudança no olhar sobre determinado conteúdo, observando-o sob diversas perspectivas. Histórias: estimuladoras do ato de pensar sobre o assunto. Leitura de fatos de jornais e revistas: estimuladoras do ato de reflexão. Propagandas: coerentes com a situação de aprendizagem. Jogos: estimulantes do raciocínio. Reportagens da TV: desenvolvimento da percepção visual, raciocínio Poemas

REFERÊNCIAS

ALVES, R. A alegria de ensinar. São Paulo: Ars Poética, 1994. FONTANA, R.A.C. Mediação pedagógica na sala de aula. 3. ed. Campinas: Autores Associados, 2000. FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 30. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996. MEIER, Marcos; GARCIA, Sandra. Mediação da aprendizagem: contribuições de Feuerstein e de Vygotsky. 4°ed. Curitiba: Kapok, 2008. MAGALHÃES, Maria Cecília Camargo. FORMAÇÃO CONTÍNUA DE PROFESSORES: A ORGANIZAÇÃO CRÍTICO-COLABORATIVA PARA TRANSFORMAÇÃO. Linguagem: Estudos e Pesquisas, v. 22, n. 2, 2018. STETSENKO, Anna. The Transformative Mind: expanding Vygotsky’s Approach to Development and Education. Cambridge University Press, 2017. VYGOTSKY, L. S. A Formação Social da Mente. São Paulo, Martins Fontes, 1988.

Julia Vasques

Professora do 3º ano do Ensino Fundamental Colégio Maria Imaculada Rio de Janeiro - RJ

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PEDAGOGIA

Objetos de Aprendizagem e o ensino de Artes Visuais A professora e Mestre em Artes Visuais, Cínthia da Cunha Barbosa, criou um jogo de investigação de forma colaborativa com seus estudantes, a partir de aplicativos e softwares

N

a obra A urgência do tempo: novas tecnologias e educação contemporânea, Mozart Linhares vai dizer que o “impacto das transformações de nosso tempo obriga a sociedade, e mais especificamente os educadores, a repensarem a escola, a repensarem a sua temporalidade. E continua. Vale dizer que precisamos estar atentos para a urgência do tempo e reconhecer que a expansão das vias do saber não obedece mais a lógica vetorial. É necessário pensarmos a educação como um caleidoscópio, e perceber as múltiplas possibilidades que ela pode nos apresentar, os diversos olhares que ela impõe, sem, contudo, submetê-la à tirania do efêmero”. Assim, a professora e mestre em Artes Visuais, Cínthia da Cunha Barbosa, criou um Objeto de Aprendizagem (OA) de forma colaborativa com

os estudantes. Esse projeto tem como pano de fundo a criação de um jogo de investigação em tempos em que os jogos educacionais têm se mostrado importantes ferramentas de ensino aos educadores, pois através deles é possível que se estabeleçam critérios e conjuntos de ações, garantindo o processo de ensino-aprendizagem através das interações.

A dinâmica do game em torno do sequestro de @rasgaverbo O OA consiste em um jogo de investigação, que conta a história do sequestro de um influenciador digital conhecido como @rasgaverbo após o envio de um vídeo para a internet. De posse do programa, o estudante-investigador precisa chegar ao culpado antes que seja tarde e o influenciador digital suma de vez. Para que isso ocorra, precisa percorrer um tabuleiro e ir preenchendo a tabela virtual, até descobrir onde está a vítima. A escolha dos locais e dos esconderijos do programa no jogo foram baseadas na Matriz de Referência do PAS/UnB e fazem parte da seleção de obras, chamadas de Objetos de Conhecimento.

Criação de personagens Em termos gerais, os estudantes afirmaram que atividades como essa, da criação de personagem, é de fácil execução, porque existem inúmeros aplicativos e softwares, que eles conhecem ou já lidam no dia-a-dia, que propiciam atividades de simulação. A maioria das escolhas foi por aplicativos

para celulares que possuem o sistema operacional Android e iOS, apenas dois trios optaram pela construção do personagem a partir de aplicativos para computadores. Ao compor os personagens, os alunos precisavam se preocupar com os aspectos de Belo e de Feio, baseados nos estudos de Platão e Sócrates, que são pontuados no livro didático. O objetivo da atividade foi desenvolver a expressividade dos alunos, utilizando recursos materiais digitais a partir da própria interpretação do que ele entende como Belo e Feio. A discussão entre os estudantes para a composição dos personagens acaba gerando resultados e justificativas singulares.

Confira, na página ao lado, os personagens criados pelos alunos.

REFERÊNCIAS

Byung-Chul Han. No enxame: perspectivas do digital Vozes:Rio de Janeiro. 2018. MORAN et.al., José Manuel; MASETTO, Marcos T.; BEHRENS, Marilda Aparecida. Novas tecnologias e mediação pedagógica. Campinas: Papirus, 2000, 21a. edição revisada. SILVA, Mozart Linhares da. A urgência do tempo: novas tecnologias e educação contemporânea. In: ____ (org.) Novas Tecnologias: educação e sociedade na era da informática. Belo Horizonte: Autêntica, 2001

Cínthia da Cunha Barbosa

Professora de Artes Visuais do Ensino Médio Colégio Madre Carmen Sallés - Brasília - DF

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Catarina Sample: a-

A pe rso na ge m fo i cri da po r um a alu na au e qu todeclarada branca ão refletiu sobre a quest es drõ dos estereótipos pa rta ce de beleza que, de zaforma, ainda são valori s dia dos pelas diversas mí s ita e alm eja do s po r mu , ão lex pessoas. Em sua ref pre e a aluna afirmou qu a lez cisava valorizar a be e da s mu lhe res ne gr as ito mu gordas, que sofrem do preconceito por conta seu visual.

Dominique

O grupo formado por três estudantes escolheu a aparên cia a partir da personalidade que pensaram para o personage m: din âm ica , con tem po rân ea e interessada nas causas sociais e nas questões de gênero. Par ao grupo, a identidade de gên ero pre cis a ser dis cut ida e não é argumento para determina r a natureza boa ou ruim de nenh um ser hu ma no . O gru po ainda afirmou que optou pel o aplicativo Bitmoji porque, dentre aqueles que tentar am desenvolver a personagem, foi o que mais a favoreceu , mas colocou a questão de que , mesmo assim, é necessário pensar em mais opções par a que as pessoas que utiliza mo recurso possam criar seus ava tares de forma a se sentire m mais representadas visualm ente.

Grog Bigorna:

grupo Foi concebido por um lheu co de estudantes que es sa ica fís suas características e ad lid partir de uma persona o, tã en , imaginada. Criaram se ad o um pe rso na ge m ba crates no que Platão e Só sociar as afirmavam sobre Bo m , e as id eia s de Be lo içã o nd im po nd o um a co aliion nc de utilidade, de fu ugr o dade à Beleza. Para ria ve de po, a personagem deveria ter um um herói, por isso o m co -se ar nt se re ap sse os grandes rporal que valoriza co e lum vo de an gr adura medieval uma espécie de arm músculos e trajasse s os males. Usa sprotegidos de todo para defender os de s, o herói com rba porque, para ele cabelos longos e ba tudo, força e demonstra, antes de essas características e os heróis de r menos vulnerável qu garra, e aparenta se ia. aparência mais sóbr

Aurora Delicato:

O gru po seg uiu a linh a de raciocínio dos filmes baseados nas histórias clássicas de príncipes e princesas, em que , ger alm ent e, a pro tag on ista passa por uma série de situ ações de sofrimento e é salv a por um príncipe, que se torna o amor de sua vida e com o qual se casa e vivem felizes para sempre. A personage m foi baseada na princesa sereia Ariel –– criada pelos estúdios Wall Disney Pictures, em 198 9 –, que abdica da sua vida de sereia e princesa para ter pernas e viver na superfície terrestre com seu grande am or. Para o grupo, o Belo e o Bem só é possível ser associ ado de forma tão perfeita se for em um conto de fadas, na vida real é impossível: todo ser humano tem seus mome ntos de bondade e maldade.

Mike Alonso:

De todos os personagens construídos , este foi único grupo que se preocup ou em criar um personagem feio. O grupo con tou com o auxílio do aplicativo Bitm oji e pen sou que o personagem deveria apresentar tudo aquilo que boa parte da soci edade faz questão de abominar. Isso norteia a escolha da fantasia, que faz alusão ao carn aval; as cores da camiseta, que simbolizam o discurso homofóbico que o personagem tem orgu lho de fazer; óculos escuros e barba clara, para fazer alusão à origem étnica e soci al do pers onagem, que, apesar de toda a fantasia, deix a transparecer bastante gordura abd ominal, como se ali estivesse se acumulando tudo o que o deixa podre e todo o seu mau -caratismo. Para complementar, o grupo acrescenta a frase “Tô Podre” para sacramentar as más intenções que fazem parte da sua pers onalidade, tornando-o, assim, um vilão extr emamente caricato. O grupo também optou pelo uso do Bitmoji para sua criação .

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PEDAGOGIA

De olho nas o A linguagem materializada em “palavras de cores, odores, sabores e formas intensamente humanas” (Rildo Cosson)

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e olho nas obras do PAS é um projeto literário teve como objetivo fomentar o hábito da leitura de poemas, buscando resgatar o prazer de ler, através da exploração de estratégias varia das, aliadas a textos clássicos e referenciais, envolvendo as turmas do 1º do Ensino Médio. O projeto oportuniza aos alunos o contato com a arte literária, reflexão crítica e, sobretudo, o contato com a Literatura na forma de prazer estético e artístico. Alfredo Bosi, grande crítico literário, chama a atenção para a carência de boas leituras, dizendo: “A literatura da era do cinema e, hoje, da televisão e dos meios eletrônicos dispensaria as mediações literárias tradicionais e nos lançaria diretamente no mundo das imagens suscitadas de efeitos imediatos. Brutalmente fulminante” A cada ano, a Universidade de Brasília (UnB) propõe uma matriz orientadora para cada série do Ensino Médio. Essa matriz orienta o corpo docente e

discente a respeito das obras a serem trabalhadas durante o ano letivo. A proposta é frequentemente de cunho multidisciplinar e propõe reflexão e atitude protagonista por parte dos alunos. Pensando em trabalhar as obras da matriz de um modo criativo e motivador, idealizamos o projeto De olho nas obras do PAS1 junto à coordenação e à bibliotecária do colégio. Inspirado na concepção do sujeito como ser situado no espaço e apto a criar arte literária e arte visual, o projeto idealizou um trabalho que culminou em uma produção efetiva dos alunos.

Trabalhamos em três momentos: Primeiro com os poemas de Gregório de Matos, no qual discutimos as características do Barroco, lemos, discutimos e comentamos trechos dos poemas; Segundo momento, dividimos os alunos em grupos e solicitamos que refletissem sobre a obra , a época e a vida do autor e que produzissem material para a exposição sobre Gregório de Matos na biblioteca; Terceiro momento, organizamos um Café Literário no qual discutiu-se

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s obras do PAS a questão da sátira no século XVII e os alunos leram alguns poemas autorais satíricos. Segundo Luiz Paulo da Moita Lopes , professor do programa interdisciplinar de Linguística Aplicada da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a leitura produtiva depende dos processamentos ascendentes e descendentes: o primeiro se refere à decodificação dos textos, enquanto que o processamento descendente envolve os conhecimentos prévios que o leitor ativa ao ler um texto, relacionando-o a este, isto é, o seu conhecimento de mundo que corresponde às suas experiências e vivências, os quais são essenciais para compreensão, portanto , estimulamos os alunos a uma leitura produtiva e ao mesmo tempo relacionada à proposta do Ensino Médio de trabalho com as habilidades . Inauguramos a exposição Gregório de Matos com um gostoso Café Literário. A estratégia de trabalho tinha como meta final despertar o interesse dos alunos pela leitura e pelos textos propostos pela matriz do PAS, desta forma, logramos alcançar todos os nossos objetivos e mais, o projeto não se esgotou por si só, deixou frutos, pois gerou leitores criativos, competentes e autônomos.

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REFERÊNCIAS BOSI, Alfredo. Literatura na era dos extremos. São Paulo: Humanitas, 1999 COSSON, Rildo. Letramento literário: teoria e prática. São Paulo: Contexto, 2006. https:// stelivros.wordpress.com/2017/12/02/resenha-do-livro-prisioneiro-b-3087/ HANSEN, João Adolfo. A sátira e o engenho. São Paulo: Ateliê Editorial e Editora UNICAMP, 2004 KLEIMAN, Ângela. Oficina de leitura: teoria e prática. 10ª ed. São Paulo: Pontes, 2004 MATOS,Gregório de .Poesias Selecionadas. São Paulo: FTD, 2013. MOITA, L. P. Oficina de linguística aplicada. Campinas, SP: Mercado De Letras, 1996 SILVA, Humberto Medeiros. Educação e leitura: o ensino e a aprendizagem de Literatura. São Paulo. V encontro da faculdade Senac, 2011

O Programa de Avaliação Seriada (PAS) é um processo seletivo da Universidade de Brasília (UnB), realizado ao longo dos três anos do ensino médio regular. Atualmente, a Universidade destina a metade das vagas em todos os seus cursos aos aprovados no Programa, abrindo as portas da Instituição para os estudantes do ensino médio de forma gradual e progressiva. As provas são interdisciplinares, com o objetivo de verificar o desempenho das competências e habilidades desejadas para os futuros universitários. A avaliação valoriza a aprendizagem escolar, mas não se detém aos conhecimentos isolados nas disciplinas. Sua matriz apresenta a articulação entre cinco competências e doze habilidades presentes nas três etapas. Para cada etapa, há um conjunto de objetos de conhecimento pensados de forma interdisciplinar, nos quais são sugeridas obras em diversas modalidades: textos, músicas, filmes, pinturas, entre outras. Disponível em: www.cebraspe.org.br/ pas-unb/. Acesso em: 29 out. 2019.

Zaira Vasconcellos Dirani

Mestrado em Literatura Brasileira pela UERJ. Bacharelado e Licenciatura em LetrasPortuguês. Professora de Literatura e Gramática do Ensino Médio Colégio Madre Carmem Sallés Brasília - DF

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PEDAGOGIA

Lendo

A

leitura, na fase infantil, é fundamental. Além de desenvolver a imaginação da criança, proporciona a ela interação com a língua e a cultura. Ao ler para uma criança, o educador e seus responsáveis lhe oferecem a oportunidade de, por meio da ficção e imaginação, aproximar o universo infantil do mundo, pois as histórias revelam aquilo que condiz com o ser humano e o meio em que vive. O envolvimento com esse material faz o público infantil compreender o texto e, através disso, opinar e ter uma visão crítica sobre o conteúdo lido. Para isso, é necessário o contato com diferentes textos, enredos e histórias. Dessa maneira, a professora e crítica literária Nelly Novaes Coelho, considerada referência nacional na área de literatura infantil e juvenil, afirma: “Partindo do dado básico de que é por intermédio de sua consciência

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desde os primeiros anos

cultural que os seres humanos se desenvolvem e se realizam de maneira integral, é fácil compreendermos a importância do papel que a literatura pode desempenhar para os seres em formação, ‘os mutantes culturais’. É ela, dentre as diferentes manifestações da Arte, que atua de maneira mais profunda e essencial para dar forma e divulgar os valores culturais que dinamizam uma sociedade ou uma civilização. (...) De maneira lúdica, fácil e subliminar, ela atua sobre os pequenos leitores, levando-os a perceber e a interrogar a si mesmos e ao mundo que os rodeia, orientando seus interesses, suas aspirações, sua necessidade de autoafirmação, ao lhes propor objetivos, ideais ou formas possíveis (ou desejáveis) de participação no mundo que os rodeia.” A Literatura Infantil tem papel importante na formação do indivíduo, pois além de incentivar o hábito da leitura, ajuda a criança a desenvolver o seu lado ativo, crítico e criativo. De

fato, não há como falar de alfabetização sem ao menos mencionar a leitura. Não basta apenas ensinar ao aluno a ler as palavras soltas que ali estão em seu caderno ou livro. É necessário criar mecanismos para que consigam interpretar aquilo que lhe é ensinado. A prática da leitura permite não apenas o entendimento do texto, mas também o desenvolvimento crítico-social da criança. Atualmente, com a rotina e as obrigações profissionais, é possível observar o afastamento do convívio entre pais e filhos. A leitura, de maneira geral, contribui para a aproximação e a interação familiar, pois é um momento compartilhado. Além disso, ao ver os adultos ao seu redor lendo, as crianças se interessam por livros e, principalmente, dão significado àqueles textos. Sendo assim, os pequenos começam a desenvolver sua formação e comportamento como leitores desde cedo, conhecendo, cada vez mais, a língua materna e a Literatura, e tendo afetividade por elas. Por isso, as histórias abrem caminhos e auxiliam na obtenção de conhecimento sobre as circunstâncias da vida, através da experiência vivenciada por cada personagem, mostrando a personalidade, a atitude e o comportamento de cada um. Dessa maneira, a criança percebe que cada pessoa é diferente da outra na maneira de agir. Na verdade, trata-se de uma experiência prévia daquilo que, futuramente, ela irá enfrentar.

REFERÊNCIAS

COELHO, Nelly Novaes. O conto de fadas: símbolos - mitos – arquétipos. 2. ed. São Paulo. Paulinas, 2008.

Bárbara C. Britto Tosini

Especialista em Língua Portuguesa. Coordenadora Pedagógica Colégio Maria Imaculada Rio de Janeiro - RJ

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O dicionário do 1º ano Obra do professor colombiano Javier Naranjo, Casa de las estrellas: el universo contado por los niños, inspira professoras a construírem um dicionário com as crianças

E

m 2018, quando estávamos planejando o que faríamos para ampliar o conhecimento das crianças em relação as letras do alfabeto trabalhando de forma em que as crianças pudessem de fato não só memorizá-las numa sequência lógica, mas aprender e entendê-las, diferenciando-as em consoantes e vogais, a coordenadora pedagógica Ângela Maria Teixeira Afonso comentou sobre um trabalho realizado pelo professor Javier Naranjo que havia trabalhado palavras de A a Z e seus respectivos significados. Uma semente ali foi jogada em nossas mãos. Começamos a desenvolver o que a princípio era apenas um simples projeto, mas, com o passar dos dias, entendemos a dimensão e o avanço que ele proporcionou na aprendizagem de nossos alunos, tanto na escrita quanto na linguagem oral. Em casa, eles procuravam figuras e palavras correspondentes à letra do dia. Construíamos um cartaz com

todo o material coletado e depois fazíamos a escrita de cada figura, em que era possível trabalhar a inicial, quantidade de sílabas, a menor ou maior sílaba, quantidades de vogais e consoantes e palavras escondidas, não deixando de lado o que significava para o aluno. Assim, fomos trabalhando a ortografia representativa de cada figura. Quando algumas das crianças apontavam a escrita dentro de seu contexto e linguagem fazendo uso do seu campo semântico, fazíamos a exploração de como esta palavra é escrita corretamente. Pude perceber um grande avanço dentro de cada fase de escrita em que se encontravam os alunos que, aos poucos, foram ampliando seus conhecimentos diante da riqueza daquele projeto maravilhoso. Sei que, no campo da alfabetização, todos os dias buscando,

constoem-se e reconstroem-se regularidades nas escritas, então é notável o crescimento do conhecimento diante de um projeto que a princípio era trabalhar somente a sequência alfabética e que nos deu novos horizontes e um olhar muito maior diante da construção da aprendizagem. Como complemento do projeto havia atividades relacionadas, uma com banco de palavras e outra com banco de figuras que eles faziam a leitura e escrita. A principal atividade, depois do trabalho feito, consistia na coleta, feita pela professora, do significado de cada palavra na visão e percepção de cada criança, que envolveu bastante os alunos, pois cada um tem sua vivência e entende de forma diferente cada coisa. Ao final de todo este trabalho, com as gravuras, desenhos e significados de cada palavra, fizemos um dicionário na visão de mundo e perspectiva do aluno e seu conhecimento prévio. Alfabetização e letramento caminharam juntos, alinhados, trazendo crescimento, desenvolvimento dentro do campo fonológico e semântico das crianças, pois a cada etapa do projeto percebi que os alunos estavam com maior autonomia e segurança ao realizarem as atividades do dia a dia. Carmem Silvia Ferreira Silva

Pedagoga. Pós-graduada em Educação Inclusiva e Educação Especial e em Neuropsicopedagogia Colégio Maria Imaculada Mococa - SP

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entrevista

A experiência do

Contraturno na vida do educando A equipe da “Integração em Revista” visita o Colégio Maria Imaculada para conhecer o “Espaço Conviver”, que atende alunos com necessidade de permanência prolongada na escola

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Integração em Revista: A que você atribui a grande procura pelo contraturno? Jaqueline: Com a vida cada vez mais atarefada dos pais, que normalmente permanecem a maior parte do dia no trabalho, deixar os filhos na escola se tornou uma necessidade, e não um luxo, pois, além da procura pela

segurança, cuidado e por ser um ambiente saudável, confortável, promissor e acolhedor, o Contraturno oferece benefícios para a formação do aluno. Você poderia apontar alguns benefícios do contraturno para a vida escolar da criança?

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É de suma importância entender que esse ambiente não significa simplesmente passar a responsabilidade de estar com a criança para outras pessoas e, assim, ter mais tempo para o trabalho. Na verdade, é uma oportunidade de crescimento para o aluno. Como a proposta do contraturno concorre com a realidade altamente tecnológica? Nos tempos em que estamos vivendo, recheados de distrações tecnológicas, é algo tentador para a criança ou adolescente procrastinar o seu tempo de estudo e perder todo o seu dia com esses recursos, o que não é nada produtivo. A escola, com o Contraturno, pode ajudar a minimizar para esse problema.Esse é um dos maiores benefícios citados pelos pais. De que forma a opção pelo contraturno tem contribuído na organização da rotina do aluno? Com a presença diária de um pedagogo especializado no Contraturno, é possível desenvolver melhor o hábito de estudar, oferecendo técnicas para melhorar a concentração, assimilar e organizar as matérias escolares. Desse modo, fica mais fácil planejar o tempo a ser dedicado a cada disciplina. A rotina bem organizada faz com que o estudante se localize no tempo, assimile bem o que está acontecendo e o que deve ser feito em cada momento. É possível afirmar que o Contraturno auxilia no desenvolvimento do aluno de forma integral? Sim, pois além das dimensões citadas, o contraturno conta com o auxílio dos esportes que contribuem para

uma melhora no desenvolvimento do aluno, na coordenação motora, no aprender a conviver melhor, uma vez que o aluno, sabendo lidar com os desafios próprios do esporte, atentase ao funcionamento de regras. Além de outros benefícios, como a consciência do próprio corpo. De que forma a experiência do contraturno tem interferido no hábito alimentar das crianças? O Contraturno oferece esse acompanhamento com o apoio de uma nutricionista para a elaboração de um cardápio com uma alimentação saudável. E, com essa rotina, ao observarem os colegas, as crianças sentem-se incentivadas a acompanhálos nas refeições, tendo assim um resultado muito satisfatório. Com isso o Contraturno mostra-se essencial na formação social e intelectual dessas crianças a nós confiadas.

REFERÊNCIAS

NOVOS ALUNOS. 19 vantagens do período integral na escola. Disponível em: << https://novosalunos.com.br/x-vantagens-do-periodo-integral-na-escola/>> TAVARES, Wolmer Ricardo. Escola não é depósito de crianças: a importância da família na educação dos filhos. Rio de Janeiro: WAK, 2012.

Jaqueline Silva de Oliveira é

Coordenadora do Período Integral do CMI - SP, pedagoga e pós-graduada em Psicopedagogia Clínica e Institucional Colégio Maria Imaculada São Paulo - SP

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entrevista

A integração universida d a partir da realização de p Wilson Fernandes Forti, Professor de Geografia do CMI-SP, concedeu uma entrevista à Integração em Revista para tratar da Educação Ambiental. Confira:

Integração em Revista: Como surgiu a ideia de implementar o projeto? Prof. Wilson Fernandes Forti: A ideia do projeto de “coleta seletiva” surgiu de uma atividade realizada pela disciplina de Gestão de Bacias Hidrográficas no Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), onde leciono no curso de engenharia ambiental e sanitária. A proposta era a idealização e a realização de um projeto de educação ambiental numa escola, e foi aí que criamos a “Semana de Meio Ambiente do Colégio Maria Imaculada São Paulo”. Durante a participação nesse evento/atividade, foi sentida pelos estudantes universitários a necessidade de um projeto que refletisse, com

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toda a comunidade escolar, a problemática da reciclagem, questão abordada durante a semana de meio ambiente. Ao realizar uma das apresentações sobre energias renováveis, o grupo dos alunos Kauã, Carlos e Victor percebeu que poucos alunos tinham um conhecimento mais aprofundado sobre o assunto. Assim, foi sendo desenvolvida a articulação entre o desenvolvimento profissional e pessoal dos membros do grupo de alunos universitários, buscando colocar em prática o conhecimento relacionado a sua formação e a educação ambiental dos estudantes da escola. Quando se fala em questão ambiental sanitária, qual a importância em tratar o destino final dos resíduos sólidos nas Escolas? A reciclagem é um dos assuntos muito importantes da atualidade, já que apenas 3% de todo o lixo gerado no Brasil é reciclado. Com atos como o de conscientização de alunos sobre o assunto isso pode futuramente ser alterado. Como o projeto foi iniciado? O projeto foi iniciado com a equipe da limpeza do colégio, com a qual foi realizada uma palestra educativa a respeito de como funciona a reciclagem, passando instruções de como fazer a separação, os tipos de materiais que podem ser reciclados, os resíduos produzidos em maiores quantidades na escola e a solução de dúvidas

Foi possível envolver as crianças do segmento infantil nesse projeto? Sim. No segmento infantil, realizou-se uma atividade interativa com as crianças, utilizandose de uma linguagem mais simples e de fácil entendimento abordando o conhecimento deles sobre o que é lixo. Uma explicação acerca da reciclagem, com exemplos do cotidiano,

Os jovens falam mais de perto para outros jovens; nós educadores amplificamos essas falas e ressignificamos os conceitos apresentados para aumentar a credibilidade e o papel social

destacando sua importância, os diversos usos, como, por exemplo, das garrafas de água e de copos descartáveis, e a importância de reduzirmos esses usos.

e político de cada um deles.”

Como os estudantes do Ensino Fundamental I se envolveram? Houve alguma abordagem específica para esse segmento? As atividades com os alunos do Ensino Fundamental I aconteceram da seguinte forma: realizou-se uma palestra/bate-papo sobre educação ambiental e coleta seletiva nas salas de aula. Falou-se sobre a importância da destinação correta dos resíduos no meio ambiente

Continua

a de-escola e projetos

apresentadas pelos funcionários. Começou-se pelos conceitos básicos, porém essenciais para o entendimento do projeto como um todo. Por exemplo: a definição de lixo, a definição de reciclagem, a separação entre lixo seco e úmido, esclarecendo mitos a respeito desses enquadramentos, como a comum associação do rótulo “lixo úmido” a alguma coisa molhada.

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entrevista Como atividade, realizou-se um “quiz” no aplicativo Kahoot para ajudar na fixação do conhecimento.

e foram apresentados os materiais que podem ser reciclados e os que não podem; também o que é considerado resíduo úmido e resíduo seco, informando como o processo de coleta vai funcionar na escola. Buscou-se utilizar uma forma didática apropriada para cada faixa etária e sempre realizar uma palestra de forma dinâmica nas quais todos interagissem. Como atividade, aconteceu uma mostra de materiais recicláveis e A reciclagem não recicláveis, e os alunos ajudaram o grupo a colocar os resíduos no coletor correto (úmido ou é um dos seco). A atividade tinha a finalidade de auxiliar assuntos muito na fixação do conteúdo e promover a interação entre os alunos com o tema debatido. importantes

da atualidade, De que forma os alunos do Ensino Fundajá que apenas mental II foram sensibilizados? 3% de todo o lixo gerado no Brasil é reciclado.”

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Na etapa de conversas com as turmas do Ensino Fundamental II, os alunos participaram das atividades sobre educação ambiental voltadas à coleta seletiva. Foram apresentados os conceitos essenciais, falando sobre os materiais que podem e não podem ser reciclados, e como o projeto iria funcionar na escola; o funcionamento do coletor úmido e do coletor seco, demonstrando a importância da destinação correta dos resíduos. Como forma de sensibilização, foram assistidos vídeos sobre a orquestra de materiais recicláveis e o vídeo sobre como transformar copos plásticos em réguas. No caso dos 8°s e 9°s anos, também o vídeo sobre a ilha dos albatrozes, que mostra os impactos dos resíduos na avifauna marinha. Em similaridade com os outros segmentos, realizaram-se atividades de forma ainda mais participativa, buscando-se explicar os conceitos de lixo, reciclagem, 5 Rs, os dias e horários da coleta seletiva nos bairros, entre outros temas.

Na Educação Ambiental, muito tem se falado no desenvolvimento de busca da valorização da vida, na formação de um novo estilo de vida, sem consumismo excessivo, sem o desperdício de recursos e sem degradação ambiental. Como essa consciência pode ser trabalhada entre os jovens? Buscou-se trabalhar a consciência coletiva em relação à não geração de resíduos plásticos (copinhos plásticos), pois estimulou-se e demonstrou-se a importância de buscar uma alternativa mais sustentável para ingerir água; também trabalhou-se a importância da destinação correta dos resíduos, destacando-se a importância da ecologia social e econômica da reciclagem. A pedagogia de projetos ou métodos de projetos tem se mostrado uma alternativa adequada à Educação Ambiental. Comente sobre a envergadura dessa pedagogia no que se refere à abordagem de conceitos? No segmento do Ensino Médio, os conteúdos abordados foram aprofundados e adicionaramse outros temas e abordagens, pois o nível de entendimento e preparo dos alunos era maior e necessitava-se desse incremento, tal como o conceito de sustentabilidade, as esferas da sustentabilidade, logística reversa, a PNRS – Política Nacional dos Resíduos Sólidos, legislação brasileira sobre o tema e sobre como funciona a coleta de outros materiais, como os resíduos hospitalares, os perigosos e os resíduos de madeira, eletroeletrônicos, entre outros. Por fim, houve a realização do “quiz” que continha os conceitos presentes e discutidos nos debates por meio da plataforma baseada em jogos “Kahoot!”, que auxiliou os alunos com os temas abordados .

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Nesse projeto, como se deu a intersecção meio ambiente, tecnologia e educação? Os estudantes de engenharia trouxeram a proposta de utilização da plataforma Cataki1, uma nova plataforma digital desenvolvida para aproximar pessoas com consciência ambiental e catadores de materiais recicláveis. Disponível de forma gratuita para celulares iPhone (iOS) e Android, a ferramenta mapeia as áreas de atuação e oferece o contato com os catadores mais próximos da região do usuário. Profissionais de coleta, cooperativas e geradores – pessoas físicas ou jurídicas – podem instalar o Cataki gratuitamente em aparelhos que tenham os sistemas iOS (Apple Store) ou Android (Google Play). Após fazer o cadastro, já é possível navegar pela plataforma. No caso do catador, é preciso indicar a região onde trabalha e preencher um breve perfil com dados pessoais, número de telefone e que tipo de material recolhe. Há também campos para inserir fotos, história de vida e frases, por exemplo. “Isso humaniza os catadores, que têm muita vontade de falar e ficam escondidos na sociedade”, coloca Ruiz. “É um canal aberto para mostrar quem eles são.” Pelo APP, é possível consultar biografia, foto de perfil, telefone de contato e o tipo de material que o profissional recolhe. O serviço apresenta pessoas que recolhem qualquer tipo de material, como lixo, alumínio, metal, baterias, produtos eletrônicos, móveis, entulhos e outros. O APP utiliza a localização para mostrar quais catadores (representados

como carrocinhas) estão mais próximos. Caso o gerador de resíduos tenha interesse, é necessário entrar em contato diretamente com o profissional para combinar a retirada dos resíduos. Assim, diante da demanda e das facilidades apresentadas, o Cataki será utilizado na destinação dos resíduos secos coletados na escola. O projeto já foi finalizado? O projeto não terminou! Foram realizadas reflexões e bate-papos com os professores do CMISP durante uma reunião pedagógica, bem como com os funcionários do setor administrativo, os quais também vêm atuando de forma a disseminar esses ideais ecológicos e sociais para o nosso planeta. Há alguma mensagem que o professor gostaria de deixar para os nossos leitores? Cabe finalizar essa partilha destacando o quanto nós educadores temos, além de outros atributos e possibilidades, o papel de unir e apresentar o conhecimento que está sendo produzido, modificado, construído e pesquisado em nossas universidades para nossas instituições de aprendizagem básica. Acreditamos que essa aproximação amplia horizontes, desperta olhares em alunos que ainda não descobriram ou identificaram sua profissão e estão em busca delas. Os jovens falam mais de perto para outros jovens; nós educadores amplificamos essas falas e ressignificamos os conceitos apresentados para aumentar a credibilidade e o papel social e político de cada um deles. 1 FABRO, Nathalia. CATAKI: APP conecta catadores de resíduos sólidos recicláveis até você. Galileu, 3 jan. 2019. Disponível em: <https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/ noticia/2019/01/cataki-app-conecta-catadores-de-residuos-reciclaveis-ate-voce.html>. Acesso em: 13 out. 2019.

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Wilson Fernandes Forti

mestre em Geografia Urbana pela USP e leciona no CMI-SP no Ensino Fundamental II e em alguns cursos universitários, destacando Engenharia e Gestão Ambiental na FMU. Foram coautores dessa entrevista os alunos do 10º semestre do curso de Engenharia Ambiental e Sanitária da FMU: Agnelo Spinelli Romera Carlos Alberto M. R. Pinto Gabriel Estefani Guimarães Kauan Costa da Silva Vitor Barros Rocha Colégio Maria Imaculada São Paulo - SP

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educação ambiental

Percebendo as diferenças entre os seres vivos Alunos do CMCSDF realizaram um estudo sobre os seres vivos e aprenderam, com base em estudo comparativo

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ean Piaget foi um grande colaborador para a compreensão da construção do conhecimento infantil. A partir de seus estudos, é possível perceber que há lógica nos erros e que o aprendizado surge por meio da ação. Sendo assim, teoria e prática devem caminhar juntas no processo educativo infantil. Sendo a ação fator indispensável na construção do conhecimento. Através das vivências significativas, relacionadas ao cotidiano do aluno

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e contextualizadas aos conteúdos escolares, é possível desenvolver o aprendizado de forma prazerosa. No campo de conhecimento – espaço, tempos, quantidades, relações e transformações, estabelecido pela BNCC1 –, está previsto que as crianças da Educação Infantil “demonstram curiosidade sobre o mundo físico (seu próprio corpo, os fenômenos atmosféricos, os animais, as plantas, as transformações da natureza, os diferentes tipos de materiais e as possibilidades de sua manipulação etc.). Assim, a instituição escolar está criando oportunidades para que as crianças ampliem seus conhecimentos do mundo físico e sociocultural e possam utilizá-los em seu cotidiano.” Embasados nessa perspectiva, os alunos do Jardim II do Colégio Madre Carmen Sallés realizaram estudos relacionados aos seres vivos. Por meio de observação de imagens e do próprio espaço escolar, foi possível perceber as semelhanças e diferenças entre os seres humanos, os animais e as plantas. Também foi possível identificar

características pontuais em cada um dos seres observados. Com a colaboração da família da aluna Melissa Souza Cavalcanti, os alunos puderam conhecer na prática o processo de desenvolvimento de algumas plantas. O pai da aluna, Aluizio Castelo Branco Cavalcante, trouxe sementes de hortaliças e adubo, explicou a importância de preparar o solo e cuidar diariamente do plantio para que a planta cresça “forte e saudável”. Os alunos tiveram a oportunidade de plantar algumas sementes e, posteriormente, levaram as mudas de hortaliças para que, com suas famílias, dessem continuidade ao cultivo. 1

Base Nacional Comum Curricular (BNCC), documento que aponta as aprendizagens consideradas essenciais para as escolas públicas e particulares brasileiras, da educação infantil ao ensino fundamental.

Admirian Barreira Brito De Faria

Professora da Educação Infantil - Colégio Madre Carmen Sallés - Brasília - DF

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Sustentabilidade em sala de aula Questão premente, sustentabilidade foi uma das pautas inseridas nas aulas do CMI- DF para que o Bem comum aconteça

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as 190 páginas escritas pelo Papa, uma frase é repetidas três vezes: “tudo está conectado”. Atenta a questões relacionadas ao meio ambiente, a professora Tatiana, ao fazer o relato de suas aulas, mostra como questões discutidas em sala de aula podem ser desencapsuladas. Os conteúdos trabalhados podem e devem ser levados para casa, para a rua, para o shopping, enfim, para onde o aluno for. Para a Tatiana, um professor deve ter consciência total dessa responsabilidade e, por isso, colocar-se sempre atento às questões que circundam o mundo inteiro. Dado a isso, sustentabilidade é uma questão que deve ser discutida diariamente em qualquer sala de aula. Como explica a educadora ambiental Christiane Assis, fundadora do projeto Ecologia Viva (RJ): “A sustentabilidade é um conceito complexo, mas, ao mesmo tempo, simples, porque estamos falando de preservação e cuidado, para que outras gerações tenham acesso ao que a gente tem. Isso é generosidade”. Conforme Tatiana, “os impactos negativos na natureza, infelizmente causados pelo próprio homem, des-

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pertam várias questões na cabecinha das crianças. O Colégio Maria Imaculada empenhou-se em tratar essas questões envolvendo reciclagem e bem comum”. “Fizemos e continuaremos fazendo muitos trabalhos e pesquisas sobre reciclagem. No pátio da escola, como forma de incentivo, foram colocados cartazes e caixas para recolhimento de vários materiais que são utilizados nas aulas de artes, sala maker e na própria sala de aula, diz Tatiana. De acordo com Tatiana, a colaboração das famílias tem sido intensa, ativa e consciente. O restaurante também já aderiu às novas formas de sustentabilidade. Em conversa com as crianças, a professora diz que sempre destaca que os recursos naturais do Planeta Terra podem acabar. “E o futuro? Como será?”, provoca. Preocupada, a educadora revela que é impossível tornar uma escola ou uma comunidade autossustentável de um dia para o outro sem o apoio de todos. O trabalho tem que ser in-

tenso, sério, responsável e tudo isso é muito cansativo. Mas a recompensa é inegavelmente maior que qualquer tipo de cansaço. O mais importante é realmente a conscientização. Uma comunidade consciente já faz a separação do lixo de forma espontânea. “Grandes empresas sofreram necessárias transformações somente com o objetivo de tornar o mundo mais ‘saudável’”, diz Tatiana. “Nossa meta é a mesma! Fazer com que nossa escola se torne um lugar onde todos saibam que a sustentabilidade pode salvar o Planeta. Onde todos reconheçam que esse compromisso é nosso”, completa. Nunca esqueçamos de que o ambiente é um bem coletivo, patrimônio de toda a humanidade e responsabilidade de todos.” (Papa Francisco). Tatiana Vieira

Professora do Ensino Fundamental I Colégio Maria Imaculada Brasília - DF

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família-escola

A importância da família

dentro do ambiente escolar

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importância das relações vinculares1 para a formação integral do sujeito resulta em bom desempenho escolar. Para que haja aprendizagem, dois aspectos devem estar funcionando bem: o aspecto objetivo, ou seja, o cognitivo, a inteligência, e o aspecto subjetivo, que são os emocionais, relacionados às relações vinculares desde o nascimento do sujeito. Mas, então, qual a importância da relação família-escola no processo educacional? A família e a escola vivem, hoje, uma crise em que os valores materiais pautam as relações. “O sujeito não se constitui apenas pela dimensão do ser, mas principalmente pela dimensão do ter. Somos aquilo que podemos possuir, valemos de acordo com os bens materiais que consumimos e descartamos com grande rapidez e facilidade”. Funcionamos como vitrines vivas, visivelmente etiquetadas, marcadas com

o preço dos produtos que portamos, como fiéis representantes das regras do mercado”, diz Liliane Sanchez do Departamento de Teoria e Planejamento de Ensino Instituto de Educação Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Assim, a boa escola é vista como a que mais oferece serviços e incrementos, que vão desde informática, balé e inglês até câmeras instaladas nas salas de aula. Comportamento este que pode ser justificado por uma expectativa dos pais de que a escola alcance e resolva todas as situações cotidianas enfrentadas pelas crianças e jovens. Mas de que forma a relação família-escola pode contribuir para a construção da identidade, da autonomia e da cidadania do aluno? A relação família-escola interfere no processo ensino-aprendizagem? Como? A escola deve ser um lugar para complementar a família, ou seja, uma deve estar interligada à outra; a escola não deveria viver sem a família

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e nem a família viver sem a escola. A escola precisa estar atenta aos problemas, analisar a caminhada do aluno, seu desenvolvimento e aprendizagem ali existentes e não montar o perfil da criança pelas dificuldades cognitivas ou pedagógicas que ela apresenta. É verdade que a modernidade trouxe uma série de alterações para a sociedade e inclusive para a família, mas esta não deve se isentar do seu papel educador no desenvolvimento infantil. Ou, como disse Papa Francisco, em Homilia pronunciada em 20 de maio de 2015: “É hora dos pais e das mães retornarem do seu exílio – porque se exilaram da educação dos filhos – e reassumirem plenamente o seu papel educativo”. Cabe à família, portanto, esforçar-se em estar presente em todos os momentos da vida de seus filhos. Presença que implica envolvimento, comprometimento e colaboração. Precisa estar atenta às dificuldades não só cognitivas, mas também comportamentais, e que esteja pronta para intervir da melhor maneira possível. É de fundamental importância o desenvolvimento de projetos dentro da escola que visem a aproximação das duas instituições, escola e família. Projetos que busquem, de fato, a presença dos pais dentro da escola. Projetos não só envolvendo o ato de ensinar e aprender, mas, sobretudo, ressaltando o apoio à missão educativa das famílias, à luz da Palavra de Deus. Neste e em outros sentidos, escola e família não são duas instituições separadas, ao contrário, devem caminhar lado a lado.

É possível melhorar a relação escola e família! A escola e a família devem se unir e entender juntas como é o processo de desenvolvimento da criança. Para que isso aconteça, precisam ter vontade de se encontrarem. Ao invés de a família ser chamada ou convocada à escola apenas quando as coisas não andam bem, quando as notas estão baixas, ou quando há a necessidade de uma ajuda pontual, ela deve ser vista de forma participativa, uma coautora do processo educativo escolar e, consequentemente, envolver-se mais diretamente na concretização do mesmo. Os efeitos positivos nos educandos aparecem quando a família exerce, junto com a instituição escolar, a sua participação. Os alunos produzem mais, levam a sério os estudos e compreendem o que é ensinado pelos professores. Os docentes sentem-se prestigiados pelo trabalho desenvolvido, além de exercerem em sua profissão com

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mais motivação e dedicação, superando assim desafios que vivenciam na rotina escolar. O interesse dos pais pela educação dos filhos é muito importante. As crianças e os jovens gostam de saber que os pais sentem orgulho por eles estarem estudando e dedicando-se no processo de construção do conhecimento. Também, é fundamental que incentivem seus filhos a continuarem estudando, mostrem que quanto mais eles estudarem, mais oportunidades profissionais e pessoais aparecerão em suas vidas. É importante que os pais conversem com seus filhos sobre a escola, a professora, os colegas, sobre o que eles estão aprendendo, o que mais gostam de fazer na escola e que ajudem os filhos a cuidar dos compromissos que estão relacionados a esta instituição. Disso denota-se que a relação família-escola é de extrema importância na construção da identidade e da autonomia do aluno, refletindo assim no êxito de seu rendimento escolar, durante o processo educacional. Avançar nos estudos depende do que a criança e os jovens aprendem na escola, mas depende, também, de estudar em casa. Cuidados simples dão grandes resultados: filhos têm de fazer o dever de casa e as tarefas que os professores solicitam. Ajuda dos pais nesse momento é essencial, pois assim as dificuldades poderão ser observadas e, com isso, haverá uma comunicação entre pais e escola. É assim que a criança aprenderá mais e melhor!

A escola deve ser um lugar para complementar a família, ou seja, uma deve estar interligada à outra; a escola não deveria viver sem a família e nem a família viver sem a escola.”

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O termo vínculo origina-se do latim vinculum, que significa união com características duradouras, laço e elo de conexão.

REFERÊNCIAS BRANDÃO, Carlos Rodrigues, 1940 - O que é educação/ Carlos Rodrigues Brandão. – 33.ª ed. – São Paulo: Brasiliense, 1995. (Coleção primeiros passos: 203). JUNIOR, Joseph Razouk. Escola e família: Mundos diferentes? Disponível em: www.educacional.com. br/articulistas/Joseph_bol.asp? codtexto = 629. Acesso em 03/06/2007. KALOUSTIAN,S.N.(org.). Família brasileira: a base de tudo. São Paulo: Cortez, Brasília, DF: UNICEF, 1988. MACEDO, L. Apresentação In: ALTHUON, B.; ESSLE, C.; STOEBER, I. S. Reunião de Pais: sofrimento ou prazer?. São Paulo. Casa do Psicólogo,1996 NÉRIC I, Imídeo G. Lar, escola e educação. São Paulo: Atlas, 1972. PARO, V. H. Qualidade do ensino: A contribuição dos pais. São Paulo: Xamã, 2000. SANCHEZ, Liliane. Reflexões sobre o ensino da filosofia, da ética e da cidadania. Disponível em: http://www.ufrrj.br/graduacao/prodocencia/ publicacoes/etica-alteridade/artigos/Liliane_Sanchez.pdf

Alessandra Cunha

Pedagoga; pósgraduada em Psicopedagogia e Gestão e Orientação Educacional Orientadora Educacional da Educação Infantil Colégio Madre Carmen Sallés Brasília - DF

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educação inclusiva

Um novo olhar sobre a

inclusão

É o conceito de inclusão ligando-se ao desejo e à necessidade de mudanças educacionais profundas

U

ma das maiores defensoras da educação inclusiva no Brasil, Maria Teresa Mantoan, diz que “Educação Inclusiva aposta na escola como comunidade educativa, defende um ambiente de aprendizagem diferenciado e de qualidade para todos os alunos. É uma escola que reconhece as diferenças, trabalha com elas para o desenvolvimento e dá-lhe um sentido, uma dignidade e uma funcionalidade”. Segundo dicionário Luft incluir é abranger, compreender, inserir, introduzir ou fazer parte. Para Montoan, educação inclusiva pode, ainda, ser definida “como a prática da inclusão de todos independente de seu talento, deficiência, origem socioeconômica ou cultural, em escolas e salas de aula onde as necessidades desses alunos sejam satisfeitas”. Seja no sentido literal ou do ponto de vista da prática, sua necessidade está, cada vez mais presente na realidade escolar, espaço em que o professor é um agente fundamental nesse processo. Assim, faz-se necessário que o educador busque uma formação voltada à compreensão da diversidade, praticando ações inovadoras no sentido de aprimorar seus conhecimentos sobre como lidar com as especificidades de cada aluno, uma vez que, sem a mudança de postura, não há como realizar a inclusão de maneira significativa e justa, pois, como aponta Montoan, inclusão implica mudança no paradigma atual de educação, para que se encaixe no mapa da educação escolar que necessita ser retraçado. Para que a inclusão ocorra de maneira a cumprir com sua função, além da formação inicial, o professor deve buscar a formação continuada. O professor é um profissional que pre-

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cisa estar sempre em formação e em busca de informações, para atender as diferentes necessidades educacionais da atualidade. De acordo com Clarissa Martins e Lucimary Andrade, do Programa de Pós-graduação em Planejamento e Análise de Políticas Públicas da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Unesp: “A formação continuada do professor precisa acontecer de forma a enriquecer seus conhecimentos teórico-práticos e, ao mesmo tempo, promovendo espaço para que possa partilhar de suas vivências, dificuldades, medos e descobertas. Neste processo de interação e discussão com outros profissionais será possível a descoberta de novas estratégias pedagógicas”. Posterior a isso, é fundamental que o professor construa e cultive a inclusão como parte de suas experiências. Cabe a ele apresentar aos alunos que é necessário respeitar toda diferença, que podem ser visíveis ou não. O

importante é mostrar que todos somos iguais, porém diferentes. Temos nossas particularidades, características e devemos respeitar e exigir respeito. Assim, a inclusão assenta-se sobre numa nova visão da diferença como inerente a todos os indivíduos. Tal como vem se afirmado na Declaração de Salamanca (UNESCO, 1994), para qual “cada criança tem características, interesses, capacidades e necessidades de aprendizagem que lhe são próprias, [sendo que] os sistemas de educação devem ser planejados e os programas educativos implementados tendo em vista a vasta diversidade destas características e necessidades”. Em suma, acolher a diferença envolve, de acordo com o ponto de vista inclusivo, identificar em cada criança modos e ritmos distintos de aprendizagem, bem como interesses, motivações e projetos de vida diversos, e envolve adaptar, a cada uma, metodologias e recursos educativos de modo a proporcionar o seu desempenho global, ressaltam Lucimary Andrade e Clarissa Martins, do Programa de Pós-graduação em Planejamento e Análise de Políticas Públicas da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Unesp. Para assumir práticas educacionais inclusivas, práticas capazes de lidar com as diferenças e garantir o acesso à educação de qualidade a todos, é preciso investigar o cotidiano escolar, levantando questões como: - O que o aluno já sabe? - O que o aluno necessita aprender, de acordo com suas potencialidades e fragilidades? - Que recursos didáticos posso apresentar para o aluno? - De que maneira garantir as necessidades dos sujeitos envolvidos no processo? - Como deve ser a avaliação? - Como planejar as aulas para que todos os alunos sejam realmente inseridos? - Como deve ser o atendimento individualizado? São muitas as questões que surgem sobre como tratar desse tema, sobre como incluir com respeito. Construir e cultivar a inclusão na prática pedagógica pressupõem também, manter-se motivado e envolvido para fazer a inclusão no dia – a - dia da sala de aula, não deixando que valores não inclusivos, como comodismo, elitismo, pessimismo entre tantos outros atrapalhem, evitando assim excluir os alunos que apresentam diferentes ritmos de aprendizagem.

Ilustração: www.semanadeacaomundial.org

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O importante é mostrar que todos somos iguais, porém diferentes. Temos nossas particularidades, características e devemos respeitar e exigir respeito.”

Graziela Melo

Coordenadora Pedagógica Centro Educacional Recanto Betânia Embu-Guaçu - SP

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cidadania

Parlamento Jovem P

Concurso selecionou 50 projetos de lei elaborados por alunos de 200 colégios diferentes. O aluno do CMI-SP, João Vitor Drudi, ficou entre os 20 primeiros colocados

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ste ano o Colégio Maria Imaculada de São Paulo representou a Rede Concepcionista de Ensino, marcando presença em uma dentre as 50 das cadeiras da Câmara de Vereadores ocupadas por jovens do Ensino Fundamental II dos colégios da capital.

Antes disso, o colégio participou do concurso Parlamento Jovem Paulistano1, em que cada colégio participante teve de inscrever uma “Proposta de Lei” elaborada por um aluno do Ensino Fundamental II. Os autores dos cinquenta melhores projetos foram selecionados e vivenciaram um “dia de vereador” como prêmio, para defenderem sua proposta junto aos demais colegas selecionados. “Nossos alunos são engajados desde novos em práticas cidadãs. Para participarem do projeto, foi realizada uma etapa eliminatória em que todos os estudantes das turmas de 9º anos tiveram a oportunidade de elaborar um “Projeto de Lei”, enfocando problemas de nossa cidade e suas possíveis soluções”, diz a professora e mestre em História Karine Bernadino. O projeto visa levar a discussão, reflexão e uma maior participação dos jovens na resolução dos problemas enfrentados pela nossa sociedade. Orientados pela professora de História Karine e escolhendo as temáticas

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m Paulistano 2019 pré-estabelecidas pela prefeitura de São Paulo, cada aluno elegeu um tema pelo qual tinha mais interesse, dentre: educação, saúde, transporte, natureza, assistência social, lazer e esporte, cultura, emprego, planejamento urbano e habitação. O projeto é interdisciplinar e contou com a participação de uma equipe composta pelos professores Wilson Fernandes (Geografia), Celi Sarino (Ciências), Maria Auxiliadora (Ensino Religioso), Fabíola Alexandra (Educação Física), Simone Generoso (Língua Portuguesa), Karine Bernadino (História) e o apoio e incentivo da coordenadora do Fundamental II, Camila D’Amico. “Com mais de 55 projetos entregues, os professores selecionaram um representante para cada temática e, na etapa final, todos os alunos escolhidos apresentaram seus projetos aos demais colegas. Após as apresentações, os estudantes dos 9º anos receberam uma cédula para que pudessem escolher o projeto que iria representá-los, no Parlamento Jovem Paulistano, junto à prefeitura da cidade mais influente da América Latina. Com um projeto na área da saúde, o aluno do 9º A, João Vitor Drudi, venceu a etapa em nosso colégio”, esclarece Karine. O projeto de João Vitor Drudi visa a criação de um aplicativo a ser implantado nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde2), por meio do qual qualquer paciente poderá ter acesso ao seu prontuário de vacinação, consultas, medicamentos indicados, tratamentos etc., possibilitando um acompanhamento médico mais completo e ágil nas unidades e no futuro, se implantado nas unidades hospitalares municipais. “Com esse projeto, é possível observar, em nossos jovens, o interesse em produzir instrumentos que ajudem

a melhorar a vida do outro, gerando impacto positivo na sociedade em grande escala, por meio do uso das tecnologias digitais”, acrescenta a professora. Mais de duzentos colégios da cidade de São Paulo inscreveram seus alunos, porém apenas cinquenta foram selecionados. O Colégio Maria Imaculada de São Paulo está entre os 20 primeiros colocados, e João Vitor Drudi o representou na Câmara de Vereadores nos dias 4 e 8 de novembro de 2019.

“Projetos interdisciplinares que visam a criatividade e principalmente o papel do aluno como protagonista na solução de problemas cotidianos são fundamentais para a formação de um indivíduo atuante, crítico e consciente”, conclui Karine. Criado no ano de 2001 pela Câmara Municipal de São Paulo, o “Parlamento jovem paulistano” tem o intuito de oferecer aos jovens do município uma lição de cidadania e democracia, a partir da simulação por um dia das funções e dos trabalhos do Legislativo.

1

As UBSs oferecem atendimento básico de saúde aos moradores de áreas carentes.

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Karine Bernadino

Profª. Me. História (9º anos e Ensino Médio) Colégio Maria Imaculada São Paulo - SP

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cidadania

Educação para o Trânsito

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utilização de modais alternativos de mobilidade urbana aumentou vertiginosamente no mundo todo. A elevação do preço dos combustíveis fósseis relacionada às despesas de manutenção de veículos automotivos têm impelido a procura por meios alternativos de transporte. Em áreas urbanas, o tráfego cada vez mais intenso e a preocupação com os impactos ambientais e sociais têm sido também decisivo para que a bicicleta e, mais recentemente, patinetes ou e-scooters tenham apresentado rápida aceitação no Brasil. Visando a formação de cidadãos mais conscientes e responsáveis sobre seus direitos e deveres, em relação às leis do trânsito, as professoras dos 1º e 2º anos trabalharam o tema na Semana Nacional do Trânsito, no mês de setembro. Dados do Ministério da Saúde mostram que o trânsito é a principal causa de óbitos de crianças por acidentes, no Brasil. Por isso, há inúmeras razões que motivam ensinar as regras de trânsito, seja na escola ou em casa. Assim, as professoras ensinaram, em sala de aula, as regras de segurança tanto para motoristas quanto para pedestres e ciclistas. Também reforçaram a importância de usar o cinto de segurança, de atravessar a rua na faixa

de pedestre e os significados das principais placas de trânsito. Os alunos assistiram a um filme educativo da Turma da Mônica e aprenderam que educação no trânsito não tem idade. Além disso, pintaram placas, brincaram com jogos educativos e confeccionaram cartilhas sobre o trânsito consciente, no laboratório de TDE (Tecnologia Digital Empreendedora). Ações escolares devem ser trabalhadas de forma lúdica a fim de trazerem a realidade do trânsito para perto das crianças, estimulando hábitos, gerando uma mudança de comportamento e prevenindo acidentes. Crianças não são motoristas e, de forma alguma, são excluídas como personagens ativas do trânsito. Assim, conscientizá-las desde cedo, é uma questão de cidadania e de segurança. Educadas para o trânsito, crianças preservarão a própria vida e a dos outros. No futuro, serão motoristas e pedestres mais responsáveis e conscientes. Em suma, é importante ensinar educação para o trânsito, pois transforma o conhecimento em ação e desenvolve valores como: responsabilidade, cooperação, tolerância, empatia, comprometimento. E ainda pode contribuir para assimilar temas transversais como: ética, pluralidade cultural, meio ambiente e saúde.

Ações escolares devem ser trabalhadas de forma lúdica a fim de trazerem a realidade do trânsito para perto das crianças, estimulando hábitos, gerando uma mudança de comportamento e prevenindo acidentes.”

Ricielle Pereira de Sousa Corrêa

Pós-graduada em Língua Portuguesa e Língua Inglesa. Graduada em Letras e Pedagogia. Professora Colégio Imaculada Conceição Passos - MG

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VALORES

O dom da

acolhida

Alunas estrangeiras expressaram sua felicidade pela forma como foram recebidas no CMI-DF

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acolhimento da Rede Concepcionista é um dos alicerces para a construção de um vínculo de instrução e formação integral do aluno, com amor e empatia entre o educando e o educador. Segundo Santa Carmen, fundadora da congregação, para “educar a inteligência e a vontade, é preciso antes ganhar o coração do educando”. A pedagogia de Santa Carmen perpassou o século XIX e meados do século XX, fazendo-se contemporânea, exemplo disto é a nona competência da Base Nacional Comum Curricular, a BNCC: “Empatia e Cooperação: exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação,

fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.” A promoção da empatia e cooperação garante ao educando um desenvolvimento social, indicando posturas e atitudes que se deve ter na convivência diária com demais colegas. Ao adquirir tal competência, desenvolve-se a compreensão, o ser solidário, colaborando de modo geral com todos os envolvidos no meio social, respeitando-se mutuamente. O acolhimento é essencial na formação de boas amizades e de bons relacionamentos. No momento em que alguém é bem acolhido, sobretudo nos momentos difíceis de sua vida, pode-se fazer a experiência de um Deus que acolhe com amor. A experiência do acolhimento enseja a alegria da alma; implica apresentar à comunidade aquele que chega, possibilitando sua plena inserção. Como ocorreu com

as alunas Dao Le Khanh (Vietnamita), Luísa Maria (Guatemalteca) e Ruiana Thinissole (Angolana), que relatam como foram recebidas no CMIDF. O que eu mais gostei no Colégio foram as pessoas. Fui bem acolhida e fiz muitos amigos aqui assim que cheguei. Para todo mundo, eu conto que essa Escola é muito boa, aqui aprendemos valores humanos. Luisa María Ordoñez Saenz 11 anos (Guatemala) Eu gosto de tudo nessa Escola: dos alunos, dos professores, dos estudos e dos momentos de diversão, como a Gincana. Estudar aqui é diferente e legal. Dao Le Khanh Huyen 11 anos (Vietnã) O que eu mais gostei, quando cheguei na escola, foi, sem dúvidas, a acolhida dos educadores e alunos. Conto isso para meus amigos e familiares sempre que falo do Colégio. Gosto muito daqui. Ruiana Tchinossole Carvalho de Faria 11 anos (Angola) A empatia e a cooperação são competências essenciais na vida do educando. Diante da atual realidade, a escola assume o papel de estimular e criar meios para que essas competências sejam atingidas dentro e fora do ambiente escolar, criando, assim, jovens capazes de acolher, de resolver conflitos e de colocar-se no lugar do outro, despertando o respeito mútuo.

Almirene Reis de Sousa Noronha Auxiliar de coordenação

Luciana Malta

Secretária escolar

Fernanda de Lima

Assessora de comunicação Colégio Maria Imaculada - Brasília - DF

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PROJETOS

Vamos fazer o bem comum acontecer?

Articulando redes e fortalecendo comunidades, o Projeto Agenda favorece a sistematização das ações realizadas localmente, contribuindo para o desenvolvimento de um clima de trocas de experiências em prol do Bem Comum

No mês de janeiro, iniciamos a viagem do barquinho pela ILHA DA HOSPITALIDADE. O objetivo era que cada turma visitasse outra sala da educação infantil e preparasse um espaço de acolhimento. Após a atividade proposta em sala, a professora registrou-a no portfólio. Nos dias

A

Educação Infantil do Colégio Madre Carmen Sallés - DF organizou um portfólio com atividades a serem realizadas, a cada mês, em sala de aula e nas famílias. A intenção foi proporcionar reflexões sobre temas cotidianos que precisam da atenção de todos nós.

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A Educação Infantil do CMCS - DF organizou um portfólio com atividades a serem realizadas, a observar pela cidade rampas, vagas em estacionamentos, entre outros recursos que ajudam a promover a acessibilidade. No mês de junho, nosso barquinho esteve na ILHA DA PARTICIPAÇÃO CIDADÃ. Na escola, promovemos uma campanha de conscientização do uso dos espaços coletivos e a registramos por meio de fotos. A professora, com a participação dos alunos, montou um cartaz com os direitos e deveres das crianças. Em casa, a criança fez o registro da maneira como contribui para a preservação dos espaços, promovendo assim o bem-estar de todos. Iniciamos o mês de julho com uma viagem pela ILHA DA DIVERSIDADE. Em sala, conversamos sobre as diferenças e a importância de valorizar quem somos e respeitar as outras pessoas como elas são. Preparamos uma linda acolhida e cantamos a música Normal é ser diferente. Em casa, os alunos fizeram uma pesquisa sobre a diversidade cultural existente no Brasil e registraram no portfólio a foto de uma comida típica de nosso país. No mês de agosto, os alunos chegaram à ILHA DA ESPERANÇA. A partir da escuta da canção Nunca pare de sonhar, de Gonzaguinha, refletimos sobre o significado e o sentido de esperança. Ressaltamos que a esperança é algo que sonhamos realizar, conquistar, é algo positivo que podemos imaginar para o futuro. Em sala de aula, fizemos uma atividade coletiva sobre a esperança de termos um mundo melhor, cheio de paz, amor e harmonia entre todos. Em família, os alunos construíram a oração da esperança. Em setembro, o barquinho navegou para as margens da ILHA DO PATRIMÔNIO CULTURAL.

cada mês, em sala de aula e nas famílias.”

Continua

seguintes, duas crianças foram escolhidas para desenvolverem um momento de hospitalidade em seus lares. Em fevereiro, navegamos para a ILHA DO VOLUNTARIADO. Em sala, conversamos sobre a importância de ajudarmos o próximo, de comprarmos o que realmente precisamos e refletimos sobre o que é uma sociedade do consumismo. Solicitou-se às famílias o registro de uma ação voluntária realizada ou que gostariam de realizar. Já no mês de março, refletimos com os alunos sobre a importância do cuidado com a natureza, na ILHA DO CONSUMO CONSCIENTE. Realizamos um passeio pela escola, observando as lixeiras de reciclagem, fomos ao banheiro para conversar sobre a importância de tomarmos banhos menos demorados e de lembrarmos sempre de desligar a torneira e o chuveiro quando estivermos escovando os dentes ou nos ensaboando. Convidamos as famílias a registrarem como desejassem (fotos, desenhos, colagens) situações que evidenciassem o Consumo Consciente em suas casas. Em abril, paramos na ILHA DO PROTAGONISMO. A atividade foi a elaboração de um “amigo cartão”. Cada criança fez um lindo desenho e escreveu uma mensagem para entregar ao amigo que foi sorteado. Os alunos escolhidos para levar o portfólio para casa registraram, por meio de fotos, momentos nos quais a família realizou uma ação de convivência e cooperação. Em maio, chegamos com muita alegria à ILHA DA ACESSIBILIDADE! Na sala de multimídia, assistimos ao vídeo: Turma da Mônica em “Aprendendo sobre a acessibilidade” (https:// www.youtube.com/watch?v=xPbMTQskcT0). Em seguida, conversamos sobre as dificuldades e falta de acesso de pessoas idosas e das PcD, que significa “pessoa com deficiência”. Finalizamos as atividades com a brincadeira “gato-mia” e com um percurso utilizando uma cadeira de rodas. Junto com a família, os alunos puderam

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PROJETOS Tivemos a oportunidade de conhecer diversos pontos turísticos que pertencem à cultura brasileira e à nossa cultura local. Em sala de aula, realizamos uma atividade destacando as linhas de Oscar Niemeyer, arquiteto que colaborou na construção de nossa cidade. Solicitamos às famílias registros fotográficos de momentos vividos em pontos turísticos de Brasília. Iniciamos o mês de outubro navegando para a ILHA DA MOBILIDADE. Propusemos aos alunos olhar não apenas para o transporte, mas para a mobilidade urbana como um todo. Em sala de aula, a turma elaborou e construiu um meio de transporte coletivo com material reciclável. Solicitamos às famílias que auxiliassem seus filhos a elaborarem formas de mobilidade que atendessem a todos. Além disso, solicitamos que as famílias ensinassem seus filhos a observarem as sinalizações e a acessibilidade no trajeto de casa até o Colégio. Em novembro, o nosso barquinho desembarcou na ILHA DA ECONOMIA SOLIDÁRIA. Em uma roda de conversa, falamos com os alunos sobre um tema muito importante voltado para o consumo, mas para um consumo responsável. Nessa ilha nos é apresentada uma maneira nova de consumir e contribuir com os trabalhos dos fornecedores pequenos e locais, proporcionando, assim, o bem comum. Para auxiliar na construção desse consumo consciente, nossas crianças aprenderam sobre os benefícios e as curiosidades referentes às hortaliças, e, para

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finalizar, cada turma escolheu uma hortaliça a ser plantada e cuidada com muito carinho. Como atividade de casa, a família nos enviou receitas de preparações de hortaliças. A professora escolheu uma receita para fazer com os alunos na cozinha experimental. No mês de dezembro, nosso barquinho ancorou na ILHA DOS AGENTES TRANSFORMADORES, e também final da nossa linda viagem. Todas as ilhas juntas formaram a TERRA DO BEM COMUM, que é uma terra repleta de desafios, pois é a terra de todos nós. Nosso Projeto Agenda 2019 não poderia ser diferente, refletimos sobre o nosso ano, nossas atitudes e todas as vivências ocorridas no projeto mês a mês, com a finalidade de compreender o sentido do Bem Comum. Estando esse sentido claro para todos, conseguiremos, sim, ser agentes transformadores. Em sala, tivemos a oportunidade de voltar ao passado assistindo a vídeos com fotos de todos esses momentos especiais, trabalhados e realizados com muito amor e muita dedicação. E assim termina nossa expedição. Depois de acolher, ser solidário, abandonar o consumismo, conviver, cooperar, incluir, participar, esperançar, respeitar, comprometer, partilhar e transformar, certamente teremos um espaço de convívio mais justo e mais humano. Um lugar onde todos trabalhem pelo bem comum e tenham vida em abundância, pois Jesus garantiu-nos que “serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1,27).

Luciana Rodrigues

Coordenadora de Pastoral

Admirian Faria, Ana Maria Barbosa, Fabiana Saboia, Kênia Faulhaber, Nubia Arce, Michelle Silva, Carla Dias, Bruna Nahal, Jeanny Rodrigues, Janaína Valle, Ana Carla Polloni, Lilian Santos. Educadoras da Educação Infantil Colégio Madre Carmen Sallés Brasília - DF

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Caixa Surpresa auxilia no processo de letramento Ao envolver seus alunos em projetos, o professor propicia a construção de novos conhecimentos

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a educação infantil, os projetos são uma forma de tornar os conteúdos mais atraentes de prender a atenção dos alunos e motivá-los à participação ativa. Ao escolher trabalhar com projetos, o professor precisa ter foco e clareza de seus objetivos. Os projetos podem reunir uma série de condições favoráveis, promovendo a construção de novos conhecimentos com sentido e profundidade. O papel do professor na condução de um projeto é de organizador, um provocador de novos sentidos e curiosidades. E para que a aprendizagem ocorra, é preciso envolver as crianças com regularidade em contextos de pesquisa e permitir que haja possibilidade de errar, socializar pensamentos, perguntar e estabelecer relações entre um conhecimento e outro. Por isso, colocar a criança como protagonista de suas aprendizagens

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significa interagir com as suas narrativas e expressões, interpretá-las e sempre relacioná-las com a intencionalidade do projeto. Os alunos do 2º período da professora Franciara Rodrigues Ramos tiveram a oportunidade de trabalhar durante o ano letivo com o projeto para o desenvolvimento da linguagem, Cada letra uma surpresa, tendo como intenção educativa familiarizar as crianças com as letras do alfabeto de forma lúdica, prazerosa e possibilitando um maior contato com a diversidade de letras existentes.

Nesse projeto, cada semana era sorteada uma criança para levar para casa a caixa surpresa para colocar objetos e recortes de palavras com determinada letra e partilhar na grande roda com os colegas e a professora. Nas atividades extraclasses, as crianças memorizaram poemas referentes às letras estudadas durante a semana. A culminância do projeto aconteceu no anfiteatro da escola, local em que as crianças apresentaram para as famílias os poemas das letras e músicas. As fotos da apresentação da caixa surpresa feita em sala de aula foram compiladas em um DVD, oferecido aos alunos.

REFERÊNCIAS

CORTEZ, Clécia. O que um bom projeto para a Educação Infantil deve ter? Diponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/50/o-que-um-bom-projeto-para-educacao-infantil-deve-ter . Acesso em: 16 out. 2019. SOPHIA. Educação Infantil: o que não pode faltar no projeto da sua escola. Disponível em: https://www.sophia.com.br/blog/educacao-infantil-o-que-nao-pode-faltar-no-projeto-da-sua-escola . Acesso em: 16 out. 2019.

Franciara Rodrigues Ramos

Professora da Educação Infantil. Graduada em Psicopedagogia - Colégio Imaculada Conceição - Machado - MG

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PROJETOS

O Aniversário do Senhor Alfabeto Alunos da Escola Santa Carmen Sallés participaram do Aniversário do Seu Alfabeto, um contexto criado pela professora para os educandos em alfabetização

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uando se fala em alfabetização, a questão dos projetos alinhados às necessidades como estratégias didáticas é de grande importância para o desenvolvimento da criança. Nesta perspectiva o projeto intitulado O Aniversário do Senhor Alfabeto fundamentou-se na concepção não somente de aprendizado, como também do aprender com ludicidade, uma vez que a aprendizagem é um processo ativo e dinâmico, o que remete à aplicação do projeto em cada etapa.

O projeto foi baseado na obra de Ademir Piedade O Aniversário do Seu Alfabeto, em que o Seu Alfabeto está fazendo aniversário e convida todas as letras para a festa. As letras então levam um presente que fazem que sejam lembradas. Ex.: O A levou um pacote de Alegria, o F levou uma fotografia do Seu Alfabeto de quando estudava na pré-escola. Cada dia da semana um aluno leva a mascote do Seu Alfabeto para casa para apresentá-lo à família e passar a tarde com ele. Junto vai um caderno para as famílias escreverem a experiência. No dia seguinte, o aluno deverá trazer

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para a escola o boneco e os materiais enviados e contará como foi sua tarde com o boneco do Seu Alfabeto. Assim, há diversas formas que podem ser exploradas como jogos e brincadeiras que envolvam o alfabeto, como a fixação da ordem das letras. Afinal é uma integração, uma conexão. Este projeto e suas construções estão correlacionados, à princípio, à relação do aluno, professor e família numa parceria que visa estabelecer contato para definir e se ajustar à integração de todos, num contexto em que a identidade de cada um tem o conhecimento gerado e construído diante desta relação. Sendo assim, após terem explorado a obra O Aniversário do Seu Alfabeto e familiarizado com o alfabeto no desenvolvimento da oralidade, foi realizada uma festa de aniversário desse Senhor que tanto contribuiu. Na culminância, cada família ficou responsável por trazer algo para o ANIVERSÁRIO DO “SEU” ALFABETO e também pela confecção dos convites, decoração e lembrancinhas. Entende-se que uma das maneiras de despertar o gosto e o prazer desde pequeninos pela leitura é compreender que todos eles são diferentes entre si, possuindo gostos e particularidades que, muitas vezes, não são compartilhados por todos dentro de uma sala de aula. Daí a ideia do projeto, em que a família participa e contribui para que a criança seja participativa, auxiliando,

estimulando e motivando-a. Ainda, para que se torne ativa na construção e reconstrução da aprendizagem num processo lúdico. Nessa perspectiva, e a partir do conhecer o outro, as trocas de informações, as contribuições trazidas pela criança com a intervenção e participação familiar propõem o saber pela

socialização, como desenvolvimento para cada um preparar-se para a vida, assimilando a cultura do meio em que vive com outras culturas e também por meio dela passar a se integrar às condições que o mundo venha lhe oferecer. Diante disso, o sentido de uso social passa a ser cooperar com seus semelhantes e conviver. Para uma formação neste contexto, é essencial que a escola, os pais e a sociedade, aliados a incentivos, caminhem lado a lado, possibilitando que a aluno se habitue a ler, participar, colaborando para que se torne um leitor futuramente crítico e reflexivo.

Juliana Cristina dos Santos

Professora do Infantil Escola Santa Carmen Sallés São Paulo - SP

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PROJETOS

Educando

com Ciênc

A compreensão do sistema visual humano, sob a perspectiva da Física, da Química e da Biologia

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eguindo os princípios da nossa fundadora, Santa Carmen Sallés, em nosso cotidiano, buscamos adaptar nossas aulas utilizando o processo educacional como objeto de transformação do educando. Assim, não basta trazer a informação, o importante é preparar o aluno como um cidadão crítico para

viver em sociedade como um adulto responsável, bom e ético. Com a realização da Feira do Conhecimento, criou-se a oportunidade de juntar as três áreas das ciências da natureza, Física, Química e Biologia, para desenvolver uma atividade pedagógica interdisciplinar com os alunos do 2º ano do Ensino Médio, do Colégio Maria Imaculada - RJ.

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ncia No ensejo, buscou-se desenvolver um trabalho que estivesse apoiado dentro do tema educacional e pedagógico vivenciado pela escola neste ano: “Para o bem comum acontecer”. Após breve conversa, surgiu a ideia de integrar as disciplinas de Física, Química e Biologia, lecionadas pelos professores Carolina Apoliano, João Ricardo e Renata Machado, respectivamente, dentro do tema: Óptica Geométrica, olho humano e acuidade visual. A partir desse ponto, começou-se o desenvolvimento de um projeto para trabalhar o tema, que ficou dividido da seguinte forma: n Física: A professora Carolina contou com a apresentação de experimentos de óptica geométrica, e sobre o olho humano e formação de imagens; problemas visuais e acuidade visual; n Química: O professor João Ricardo enriqueceu o trabalho ao inserir utilização da vitamina A para ter uma visão saudável e as reações

químicas por trás da catarata e do pterígio quando há influência da radiação ultravioleta; n Biologia: Renata teve a iniciativa de desenvolver um experimento sensorial a fim de chamar atenção para a percepção de mundo do deficiente visual pela sociedade além de trabalhar o olho humano e a importância da visão. A proposta, ao ser apresentada aos alunos, foi aceita com muita animação e eles começaram a apresentar ideias e a escolher as experiências que apresentariam no trabalho. Aos professores coube a tarefa de dividir o trabalho em dois ambientes: n um voltado para as experiências físicas, químicas e sensoriais na qual haveria interação direta com os participantes do evento; n outro que traria uma área de rastreamento para identificar e orientar as pessoas sobre possíveis problemas oftalmológicos e explicar como são formados, assim como também informar sobre a importância de manter uma visão saudável. Métodos, recursos didáticos e propostas diferenciadas contribuíram para o ensino/aprendizagem do tema, como: vídeos, aula invertida, textos, experiências, pesquisas, visitas a centro de deficientes visuais e à UERJ

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(Universidade do Estado do Rio de Janeiro), que através do Instituto de Física Armando Dias Tavares, contribuiu com o empréstimo de alguns experimentos que acabou abrilhantando, ainda mais, o trabalho dos alunos.

Carolina dos Santos Apoliano

Professora de Física do 9º ano e do Ensino Médio Colégio Maria Imaculada Rio de Janeiro – RJ

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atividades

1ª Feira Cultural: Curiosidades sobre o município de Machado

Alunos do 4º ano do CIC de Machado problematizam a cidade como forma de (re)conhecer o espaço geográfico onde habitam 98

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importância de preservar a memória da nossa cidade está no fato de ser uma das formas de valorizar a nossa origem ou o lugar em que escolhemos viver. Trata-se de uma oportunidade única para compreender, inclusive, a nossa própria identidade. Nos anos iniciais, destacamos noções relativas à percepção do meio físico natural e de seus recursos. Com

isso, os alunos podem reconhecer de que forma as diferentes comunidades transformam a natureza, tanto em relação às inúmeras possibilidades de uso, ao transformá-la em recursos, quanto aos impactos socioambientais delas provenientes. Destacamos também aspectos relacionados ao exercício da cidadania e à aplicação de conhecimento da Geografia diante de situações e problemas da vida cotidiana, tais como: estabelecer regras de espaços públicos; propor ações de intervenção na realidade, tudo visando à melhoria da coletividade e o bem comum. Para melhor compreensão explicamos que chamamos de espaço geográfico o espaço criado por uma sociedade, por meio do trabalho dos homens, do desenvolvimento de sua história e das mudanças de suas necessidades. Para organizar a distribuição de tudo que está disponível para a sociedade, criou-se uma unidade administrativa chamada município. Os alunos do 4º ano do Colégio Imaculada Conceição de Machado, Minas Gerais, passaram pela experiência de se reconhecerem no espaço geográfico do seu município, apresentando aos alunos do Fundamental I e aos pais a 1ª Feira Cultural, com o tema – “Curiosidades sobre o município de Machado”. Os estudantes pesquisaram, desde a origem do município, os vários nomes que o município recebeu fixando o que permanece nos dias de hoje; conheceram imagens de como era a cidade no início de sua fundação,

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passando por mudanças na sua estrutura física até chegar à realidade que hoje conhecemos. Conheceram a bandeira do município e o hino machadense. Aprenderam a cantar o hino e o significado das palavras que compõem a letra. Os alunos fizeram um trabalho dividido por grupos. O primeiro grupo investigou a origem de Machado, como citado acima. Em seguida, pesquisaram sobre a agricultura que move a economia da cidade: o café. Conheceram as etapas pelas quais o café passa até chegar em nossas casas. Viram que, embora o café seja a principal economia, existem também outras culturas agrícolas na cidade, como por exemplo, a do milho. Este grupo também avançou nas pesquisas e conheceram a nova proposta da secretaria de agricultura que é a implantação do cultivo de frutas vermelhas. O segundo grupo, o das indústrias presentes em nossa cidade, mostrounos a origem das empresas, as modificações que passaram, ao longo dos anos, para se firmarem na cidade e os produtos que oferecem para a população e região. Algumas empresas machadenses também exportam seus produtos. Um outro grupo que chamou muito a atenção foi o da culinária machadense. Nele encontramos várias curiosidades, desde a história dos produtos, de como eram chamados, a sua origem, de onde vieram, como

foram sendo modificados até chegar ao produto que conhecemos hoje. Fomos presenteados com uma deliciosa área de degustação. Por fim, conhecemos um pouco mais da nossa cultura mostrada por um grupo que nos apresentou um rico acervo que nossa cidade guarda. Para começar, falaram da tradicional Festa de São Benedito, das congadas, dos santos padroeiros, da influência dos indígenas nas congadas e na festa, e falaram, também, como é rica a cultura da folia de reis em nossa cidade. Com a feira, pudemos proporcionar a valorização de nossa cidade e o respeito por ela, fazendo a criança reconhecer-se como membro desse contexto e participante da construção dessa história.

Luciana Rodrigues Professora 4º ano Colégio Imaculada Conceição Machado - MG

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atividades

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o clássico livro de bolso O que é folclore, Carlos Rodrigues Brandão, professor do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Estadual de Campinas, assim o define: “Na cabeça de alguns, folclore é tudo o que o homem do povo faz e reproduz como tradição. Na de outros, é só uma pequena parte das tradições populares. Na cabeça de uns, o domínio do que é folclore é tão grande quanto o do que é cultura. Na de outros, por isso mesmo folclore não existe e é melhor chamar cultura, cultura popular o que alguns chamam folclore. E, de fato, para algumas pessoas as duas palavras são sinônimas e podem suceder-se sem problemas em um mesmo parágrafo”. Em 22 de agosto de 1846, a palavra FOLK-LORE foi criada e, depois disso, todos os anos, em todo Brasil, o folclore é lembrando nesse mês. Para fazer frente a essa memória, o segmento da educação infantil do colégio Maria Imaculada/RJ transformou o mês de agosto em um período de descobertas em torno desse tema. As crianças foram convidadas a participar da construção de cenários e cartazes com os personagens folclóricos, contação de lendas, mitos e confecção dos próprios brinquedos, utilizando materiais recicláveis. As professoras da educação infantil (Alessandra Campeiro, Aline Dias,

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Ana Carolina Zogahib, Bruna Fiorio, Daniela Valério, Daniela Tavares, Karina Costa, Isis Rocha e Tatiana Pekly) se caracterizaram de personagens folclóricos mais conhecidos, como: Saci Pererê, Iara, Curupira, Bumba-meu-boi e Cuca. Durante duas semanas, as professoras, devidamente fantasiadas, revezaram-se nas turmas para contar sobre as histórias de seu personagem característico. Os alunos mostraram-se ansiosos na expectativa de cada visita. As crianças se encantaram com o canto da Iara (Isis e Karina), as travessuras do Saci (Ana Carolina e Aline), a coragem do Curupira (Tatiana e Alessandra), a dança do Bumba-meu-boi (Bruna e Daniela Tavares) e com os sustos da Cuca (Daniela Valério). As visitas tiveram retorno positivo dos alunos e dos familiares. Para encerrar essa aventura, houve uma organização para a peça teatral com o apoio da professora de Biblioteca, Luciana Belém (roteirista da peça). Na oportunidade, ocorreu o tão esperado encontro de todos os personagens que visitaram as turmas da Educação Infantil. Os alunos ficaram encantados e com brilho nos olhos, cada vez que um personagem

aparecia. A peça terminou com uma grande cantiga de roda, em que todos participaram. Vygotsky, em La imaginación y el arte en la infância, obra datada de 1930, chama nossa atenção sobre a importância do trabalho criador (imaginativo). De acordo com esse psicólogo, no trabalho imaginativo verifica-se o desenvolvimento da criatividade infantil, na evolução e no amadurecimento da criança, pois no plano imaginário podem ser observados os desenvolvimentos cognitivos, pelo raciocínio estimulado, assim como a memória além de uma amplitude nas noções de valores morais. Assim, entendemos que auxiliar a imaginação e a criatividade dos alunos é primordial para o desenvolvimento dos eixos da aprendizagem. Esse estímulo colabora com relação aos aspectos socioemocionais, cognitivos e contribuem com a curiosidade, conhecimento do mundo e oralidade, ampliando o vocabulário. Promover esse encontro lúdico foi bastante enriquecedor e satisfatório para os nossos alunos e para as professoras, que se aventuram em uma nova jornada rumo ao mundo dos contos infantis. Daniela Paula Valério

Professora da Educação Infantil - Colégio Maria Imaculada - Rio de Janeiro - RJ

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Estudantes vão a campo para refletir sobre mobilidade e são despertados quanto ao problema da política pública urbana

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educação impulsiona e incentiva estudantes na busca pelo novo. Criativos, inventivos, criadores e curiosos são os estudantes que, desde cedo, aprendem a descobrir, a criticar, a verificar e a experimentar, seja por meio de atividades espontâneas, seja por meio de incentivos proporcionados pelo meio social, diz a Profa. Maria Luisa de Lara Uzun de Freitas, da Faculdade de Educação e Faculdade de Administração, Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas). Nesse sentido, aprender não é a finalidade última do letramento, mas sim o desenvolvimento da capacidade de atuação no e sobre o mundo, importante ao exercício pleno da cidadania (BNCC).

Inspirados pelos professores de História, Inteligência Socioemocional, Língua Portuguesa e Redação, alunos do 3° ano do Ensino Médio foram além da sala de aula para vivenciar e experimentar o fazer cidadão, compreendendo a importância de ajudar o próximo e identificar seus direitos e deveres dentro da sociedade. Primeiro, os estudantes viveram e avaliaram a mobilidade urbana na cidade do Rio de Janeiro da forma mais prática que poderiam: Fazendo uso dos transportes públicos,professores e alunos dirigiram-se ao centro do Rio de ônibus e trem, para que pudessem usufruir da experiência e produzir, no retorno, uma Redação aos moldes do ENEM sobre os transportes coletivos e a mobilidade da cidade.

Continua

Vivendo a cidade e o problema da mobilidade urbana

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atividades

Os alunos foram provocados a observar o quanto a cidade está despreparada para a mobilidade de uma pessoa com deficiência, o que despertou em toda a turma a vontade de agir em prol do bem comum.”

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Além disso, como missão da feira do conhecimento e lição de vida, os alunos foram provocados a observar o quanto a cidade está despreparada para a mobilidade de uma pessoa com deficiência, o que despertou em toda a turma a vontade de agir em prol do bem comum. Essa atividade propiciou aos discentes uma oportunidade de reflexão e tomada de consciência. Para a aluna Vitória Vargas, com base em realidades diferentes, foi possível “observar que a acessibilidade dos deficientes em transportes públicos e nas ruas é cada vez mais ignorada e tratada como descaso pelo governo”. Na opinião da aluna Sandira, o que a impressionou foi o vão entre a plataforma e o trem: “Como eles esperam que um deficiente consiga atravessar aquilo, se para nós que não temos nenhuma dificuldade de locomoção já é perigoso?", indagava. “Vale destacar que o despertar dos alunos para essas questões foi a mola propulsora de todo o trabalho. Nossa missão como Instituição é formar cidadãos críticos e conscientes de seu papel na sociedade e constatar que esse objetivo foi alcançado é a melhor recompensa”, diz Celso Albuquerque, professor de Língua Portuguesa. O relato do aluno Patrick carrega todo esse movimento de tomada de consciência: "me fez abrir perspectivas completamente novas do

mundo, toda vez que eu vou para estação de trem ou de metrô, eu sempre reparo no piso tátil, no espaço entre o vão e a plataforma, se tem rampa ou plataformas de acessibilidade para cadeirantes, e não apenas isso, eu também vejo muito mais os esportes paralímpicos, do que os olímpicos em si, literalmente abriu minha mente. A sala de imersão também me fez ter ainda mais empatia pelos deficientes visuais, auditivos e os mudos. Agora meus olhos são outros, vendo

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a verdadeira realidade e esperançoso em um futuro melhor para o mundo". Tendo em vista a Ilha do Protagonismo, um dos temas de nossa agenda 2019, essa aula-passeio para o Centro da cidade tinha intenção de levar a turma para o Hemorio Instituto Estadual de Hematologia do Rio de Janeiro, local em que tiveram a oportunidade de conhecer o trabalho do Instituto onde alguns alunos realizaram a doação de sangue. Nessa ocasião, o Colégio, por intermédio dessa turma, carinhosamente apelidada de “Terceirão”, recebeu da assistência social do Hemorio a certificação do Programa Jovem Salva-vidas. A partir da experiência vivida na aula-passeio foi possível sensibilizar os estudantes sobre a importância da doação de sangue. A experiência foi, sem dúvida alguma, extremamente enriquecedora. Para Letícia, a experiência do Hemorio foi bem chocante, pois pôde ver como a demanda de sangue é desproporcional e como a falta de informação sobre o assunto interfere diretamente nas estatísticas. Outro ponto de extrema relevância foi o contato dos jovens com um ambiente de pesquisa científica. Por estarem no terceiro ano do E.M., os alunos estão imersos na preparação para os vestibulares e o contato com um ambiente acadêmico serviu de inspiração para a turma. A importância desse contato com a ciência aparece no relato do aluno Raphael: "Achei enriquecedora a experiência de poder pesquisar sobre a mobilidade de pessoas com deficiência, pude me sensibilizar ainda mais com o cotidiano difícil dessas pessoas". A culminância ocorrida no dia 21/09, na Feira do Conhecimento, levou não somente os

alunos, mas também os convidados a viverem um pouco toda essa realidade. Os alunos construíram uma sala de imersão sensorial em que, após terem assistido a toda explanação sobre o processo de pesquisa, os visitantes entravam de olhos vendados em uma sala escura com sons e obstáculos comuns da nossa cidade. Ao saírem dessa sala, as pessoas foram levadas a refletir sobre a condição dos deficientes saboreando um delicioso biscoito da consciência. Ao longo de todo o processo de desenvolvimento das atividades, os docentes puderam constatar o amadurecimento dos alunos acerca das temáticas desenvolvidas. Segundo a aluna Barbara Garofalo, "a feira proporcionou uma visão mais realista dos temas (mobilidade, acessibilidade e protagonismo) e, por isso, acabou fazendo com que os alunos conhecessem de forma mais ampla diversas realidades diferentes das suas”.

Nossa missão como Instituição é formar cidadãos críticos e conscientes de seu papel na sociedade e constatar que esse objetivo foi alcançado é a melhor recompensa.”

Ariane Mendonça

Professora de Literatura e Produção Textual

Celso Albuquerque

Professor de Língua Portuguesa

Gianrricardo Grasia Professor de História

Luciana Barranco

Professora de Inteligência Socioemocional e profissional de Educação Inclusiva Colégio Maria Imaculada Rio de Janeiro - RJ

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atividades

A Arca de Noé

na Terra do Bem Comum çaram e cantaram a música “Para o Bem Comum Acontecer”, composição dos professores Keliton Sodré e Wagner Melo.

Semana Cultural

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nualmente, o Colégio Maria Imaculada do Distrito Federal realiza a tradicional Semana Cultural. Entre as programações desse período, destaca-se a Noite Cultural, que conta com apresentações dos alunos da Educação Infantil ao 4º ano do Ensino Fundamental I. Neste ano, o evento teve como tema A Arca de Noé na Terra do Bem Comum. Apresentada em forma de musical, as danças emocionaram pais e demais familiares que prestigiaram o espetáculo. O roteiro do musical foi escrito pelo coordenador de Pastoral do Colégio, Wagner Melo. O professor teve como inspiração o tema de 2019 da Agenda Concepcionista. A peça retratou a história de Noé e Noela, um casal que viajou em uma arca, confiando em Deus, e descobriram ilhas com animais divertidos que os ensinaram um pouco mais sobre a esperança, o consumo consciente, entre outras coisas.

A apresentação foi realizada no dia 21 de outubro, na quadra desportiva da Escola. Um palco com um cenário repleto de desenhos de animais e luzes enfeitava o espaço, que contou com um público emocionado e muito animado. A cada apresentação, os familiares tiraram fotos e demostravam felicidade e orgulho pelos trabalhos desenvolvidos pelos alunos. As danças foram divididas por turmas, sendo que cada uma representou uma ilha e um animal. Após as danças das classes, foi realizado um belo encerramento, com todos os alunos da Educação Infantil e Ensino Fundamental I que, juntos, dan-

Além da Noite Cultural, o Colégio também realizou outros eventos que completaram a semana especial dedicada à divulgação de diversas culturas. Seguindo as programações, aconteceram na Escola a Noite Latina, o Grammy, que homenageou Michael Jackson, e, para encerrar, houve a Mostra Cultural, na qual todos os segmentos tiveram a oportunidade de expor trabalhos desenvolvidos com base no tema de 2019 da Agenda Escola Concepcionista. Fernanda de Lima

Assessora de Comunicação Colégio Maria Imaculada Brasília - DF

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Um artista visita a escola

Teatro de marionetes integra a política de incentivo à leitura no CMI-DF

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eceber um artista na escola é algo mágico e trabalhoso. Mágico porque as crianças enxergam nele mais que uma pessoa comum, é quase como se ele ganhasse superpoderes ou fosse um popstar. Para os alunos, é um momento diferenciado que pode mar-

car a infância de uma maneira única, proporcionando uma visão menos engessada da leitura. É sempre interessante observar as reações dos alunos quando um autor vem à nossa escola, antes mesmo de ele se apresentar. Quando as crianças veem uma pessoa desconhecida, já começam a cochichar entre elas, na troca de horários ou na hora de beber água e ir ao banheiro: “Será que é ele?”, “Meu Deus, é o artista!” Na hora da apresentação então, nem se fala, as reações vão da curiosidade às mais sinceras risadas e à admiração. Existem diversos tipos de autores, de histórias e de formas de receber essas pessoas em nossa escola. Já veio quem contasse história com cenário,

quem utilizasse somente um livro, mas fizesse uma narração que fazianos sentir como se estivéssemos em outro mundo. Nesse semestre, o autor Abraão Gouvea visitou a escola. Ele é marionetista, ator e publicitário, e veio junto com seus bonecos para encantar não apenas nossas crianças, mas também os funcionários. A proposta do espetáculo de Gouveia foi a de ensinar mais sobre as belezas do nosso Brasil, por meio de um projeto intitulado Minha vida é andar pelo Brasil. A partir desse projeto, as crianças puderam aprender mais um pouco e assistir à apresentação por meio de uma estrutura montada com os bonecos articulados por vários fios, as marionetes. Ao final, os estudantes receberam autógrafos do artista. Anterior ao recebimento do autor, houve todo um preparo. Para que a experiência vivida fosse mais completa, trabalhou-se o tema e um pouco da trajetória do visitante. Esse trabalho partiu não apenas da bibliotecária da escola, mas também de todo o corpo pedagógico. As professoras foram fundamentais para que a visita fosse um sucesso. Na vinda do Abraão, as professoras trabalharam com os estudantes um pouco da sua história e seu caminho profissional, até chegar à nossa escola. Foram preparados murais e propostas de estudo sobre as regiões do país, para que os alunos estivessem por dentro do assunto que seria retratado no espetáculo. Assim, os estudantes puderam aproveitar, ao máximo, a vinda do autor.

Thaís Suguiura Bibliotecária Colégio Maria Imaculada Brasília - DF

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atividades

Guernica en tiem p

Alunos da 3ª série do Ensino Médio do Colégio Madre Carmen Sallés revisitam obra de Pablo Picasso

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artista Pablo Picasso cria a obra Guernica em 1937, durante o entreguerras mundiais, após saber do massacre ocorrido na cidade basca de Guernica. Picasso foi convidado para representar a Espanha na Exposição Internacional de Artes e Técnicas que aconteceu em Paris e assim que recebe a notícia, transforma o ocorrido em tema do seu trabalho. A obra possui 349 cm de altura e 776,5 cm de comprimento e é símbolo contra a guerra e um manifesto contra a violência. A obra é pintada em tons de preto e branco e um toque de bege e azul, associados a paleta de cores frias e enfatizando o sentimento de repúdio do artista e das tristes consequências da guerra. Embora possua características vanguardistas, a pintura apresenta a estrutura piramidal tão presente em outros períodos da história da Arte

simultaneamente ao exagero das expressões de dor e das representações do trágico característico do Barroco espanhol. Após o estudo da obra e das vanguardas modernas, os alunos da

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m pos de paz

3ª série do Colégio Madre Carmen Sallés desenvolveram uma atividade interdisciplinar sob a mediação das professoras Cínthia Barbosa – Artes Visuais e Whang Pontes - Língua Espanhola que teve como proposta

revisitar a obra do artista na contemporaneidade, agora como símbolo de esperança. Guernica en tiempos de paz mantém o desenho marcado pelo exagero da obra original, porém agora é feita com a utilização de diversas cores e com intervenções de diversos materiais. O processo de criação foi todo realizado de forma coletiva, os estudantes organizaram-se em grupos e executaram o trabalho ao mesmo tempo. Além de revisitar uma obra tão icônica, por meio dessa atividade, os estudantes utilizaram os conhecimentos da língua espanhola e de seus mecanismos como meio de ampliar as possibilidades de acesso a informações, tecnologias e culturas; compreenderam a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da organização do mundo e da própria identidade; reconheceram diferentes funções da arte, do trabalho, da produção dos artistas em seus meios culturais. Enquanto objeto de conhecimento do Programa de Avaliação Seriada PAS/UnB, os estudantes perceberam e aplicaram o conceito de estrutura na compreensão da composição da imagem no espaço pictórico, assim como na percepção da composição e organização dos elementos da linguagem visual na produção da obra de arte. Por fim, a releitura da obra proporcionou aos estudantes o desenvolvimento dos seus potenciais criativos e expressivos, de cooperação, cocriação e interatividade. Cínthia da Cunha Barbosa

Professora de Artes Visuais do Ensino Médio Colégio Madre Carmen Sallés - Brasília - DF

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Para o Bem Comum Acontecer no Esporte

Os alunos e professores do Centro Educacional Recanto Betânia, no mês de outubro, entre os dias 16 a 18, participaram da III Jornada Esportiva, preparada pelo Professor de Educação Física, Paulo Roberto, com o tema: Para o Bem Comum Acontecer no Esporte. Em meio ao entusiasmo dos jogos, percebemos a importância da união, do respeito e da participação cheia de energia dos alunos.

Professor Paulo organizou as seguintes modalidades: futebol masculino e feminino, voleibol masculino e feminino, basquete e handebol masculino e feminino. Os alunos, com muita animação e empenho para os jogos, apresentaram também o movimento de ritmos diversos, com danças em grupos. A cada apresentação, tanto nos jogos como nas danças, alunos e professores, demonstraram que no esporte é possível desenvolver habilidades e compromisso em praticar o bem comum! Rosangela Santos

Diretora Pedagógica Centro Educacional Recanto Betânia Embu Guaçu - SP

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NA REDE

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No intuito de fortalecer cada vez mais a missão de evangelizar por meio da educação preventiva e comunitária, o 5º Encontro de Alunos Concepcionistas (EAC), no Recanto Betânia, e a visita da Superiora Provincial, Ir. Terezinha Duarte, às comunidades concepcionistas do Brasil, estiveram entre os acontecimentos que marcaram

Nos dias 7 a 10/08, aconteceu, no Recanto Betânia, em Embu Guaçu (SP), o módulo 3 do projeto Carisma em Comunhão com educadores e funcionários concepcionistas.

Envolvendo diretoras e coordenadoras concepcionistas de diferentes segmentos, ocorreram momentos de formação em torno do tema Avaliação da Aprendizagem, durante o segundo semestre de 2019, assessorados pela Profa. Dra. Maria Otília Guimarães Ninin, na Sede Provincial, em São Paulo. 2

o segundo semestre de 2019. Houve também encontros pedagógicos para formação de educadores e equipe diretiva, entre outros

Irmã Sarah Reis, Coordenadora Provincial de Educação, e a equipe de comunicação e de T.I. da Sede Provincial e das escolas concepcionistas participaram de uma reunião, via Teams, no dia 12/08, para tratar de assuntos relacionados ao aprimoramento dos sites dos colégios e do projeto Por Dentro da Rede. 3

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4 A fim de difundir o carisma concepcionista, a equipe do Serviço de Animação Vocacional Concepcionista (SAVC) participou de feiras vocacionais, promovidas pelas Dioceses de Santo Amaro e de Osasco, na Grande São Paulo, no período de 17 a 18/08.

Em 19/08, Ir. Terezinha Duarte, Superiora Provincial do Brasil, iniciou a visita pastoral pelas obras concepcionistas do país, começando pelo Colégio Maria Imaculada, em São Paulo, e, no decorrer do semestre, seguiu em visita às demais comunidades, sendo recebida por alunos, educadores, funcionários e irmãs concepcionistas.

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Educadores e funcionários concepcionistas estiveram no Recanto Betânia, nos dias 28 a 31/08, para o encontro do módulo 1 do projeto Carisma em Comunhão.

Nos dias 12, 13 e 14/09, houve, no Recanto Betânia, o 5º Encontro de Alunos Concepcionistas (EAC), com o tema Vocacionados para o Reino e o lema Eis-me aqui. 7

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Coordenadores e Irmãs do Movimento Leigo Concepcionista (MLC) participaram de uma reunião na Sede Provincial, no dia 5/10, para aprofundamento do documento Projeto de vida e Estatuto do MLC.

Nos dias 25 e 26 de outubro de 2019, realizou-se, na Sede Provincial, mais um momento de estudo e partilha das ações em comum, com coordenadores de Pastoral e animadoras vocacionais concepcionistas.

Ir. Terezinha Duarte e Ir. Rosangela Paula dos Santos, Superiora e Secretária Provincial, respectivamente, estiveram em Madrid, de 3 a 13/10, para participarem da reunião do Conselho Geral Ampliado e do Encontro Geral de Secretárias da Congregação Concepcionista.

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Superioras e Diretoras das escolas concepcionistas participaram da última reunião do ano com a Prof. Dra. Maria Otília Guimarães Ninin, na Sede Provincial, no dia 7/11.

12 Encontro com as Irmãs Concepcionistas realizado nos dias 5 e 16/11 na Sede Provincial.

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ficou na memória

No dia 14 de agosto de 2019, Irmã Gaudencia Sancha Val foi para a Casa do Pai aos 89 anos de idade e 70 de vida consagrada a Deus. Ela deixa saudades e será sempre lembrada como uma pessoa alegre, dedicada e prestativa, além de ter sido uma educadora exemplar por onde passou

I

rmã Gaudencia Sancha Val nasceu em Fuentesoto, em Segóvia, na Espanha, no dia 12 de fevereiro de 1930. Sua família era muito religiosa, seus pais se chamavam Victor Sancha Madrueño e Fructuosa Val Barrio. Na mesma cidade onde nasceu, ela realizou seus estudos e frequentou o aspirantado, com o desejo de responder ao chamado recebido de Deus para a vida religiosa concepcionista. Dois anos após professar os votos religiosos, ainda no juniorato, foi enviada ao Brasil, onde, com entusiasmo e profundo amor a Virgem, cumpriu sua missão como professora em diversas comunidades da Província do Brasil. Além de grande educadora, esteve muito presente na vida das pessoas mais necessitadas, atuando, também, em paróquias. Ela gostava de dar catequese, preparar, cuidadosamente, a liturgia, visitar os doentes e levar a comunhão para eles. Com as irmãs concepcionistas, Irmã Gaudencia era sensível, alegre, atenciosa e dedicada. Uma pessoa de profunda oração e que se empenhava em preparar bem as celebrações eucarísticas. Como educadora, ela cuidava de cada aluno, e esse era o seu jeito de ser, fazendo a diferença na vida dos educandos. Em 2008, ela foi transferida para a Sede Provincial, em São Paulo, e, em 2010, ela foi morar na Residência Santa

Carmen Sallés. Com o avanço da idade, as fragilidades físicas foram aumentando. Nos últimos meses, já estava, fisicamente, muito enfraquecida. Ela voltou para a Casa do Pai em 14 de agosto de 2019, aos 89 anos de idade e 70 de vida consagrada. O velório foi realizado no dia 15, na Residência onde morava. Antes do sepultamento, houve celebração eucarística, presidida pelo Padre Sérgio que destacou duas características em relação a ela: seu nome, Gaudencia, que significa alegria, reflexo de sua vida de entrega generosa, sempre com um sorriso nos lábios, e a sua leveza, refletida em seu físico e em sua maneira delicada de ser. Agradecemos a Deus por tudo o que Irmã Gaudencia fez e pedimos que ela interceda pela Congregação, juntamente a Deus. Dados Cronológicos: Nascimento: 12/02/1930 Fuentesoto, Segovia (Espanha) Primeira Profissão: 30/03/1949 Marcilla (Espanha) Profissão Perpétua: 11/02/1953 São Paulo (Brasil) Falecimento: 14/08/2019 São Paulo (Brasil)

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Integração em Revista - Nº 41  

Integração em Revista - Edição nº 41 Dezembro de 2019 Rede Concepcionista de Ensino

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Integração em Revista - Edição nº 41 Dezembro de 2019 Rede Concepcionista de Ensino

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