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Itabuna-BA, 06 de dezembro de 2017

Seminário destaca inovação Educação e literatura da Gestão Municipal Odilon Pinto Mestre e doutor em Linguística, pela Universidade Federal da Bahia. Professor da Uesc. Membro da Academia Grapiúna de Letras

Foto: Alline Meira

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USOS DO PORTUGUÊS Analfabeto funcional e política Chama-se de analfabeto funcional aquele aluno que se matricula na escola, aprende a assinar o nome, a fazer uma lista de compras, a fazer contas e, em seguida, é descartado pela evasão e repetência. O analfabeto funcional tem um certo conhecimento das letras e dos números, mas não é capaz de interpretar um texto nem tem o hábito da leitura. Muito menor ainda é o acesso que tem ao saber científico e à sua produção. Ele tem um verniz, uma aparência da cultura letrada, parece uma pessoa educada, mas continua preso aos saberes mais atrasados de sua cultura. Cai, portanto, no pior tipo de ignorância: não sabe e pensa que sabe. Um certificado de conclusão do ensino fundamental, e até mesmo um diploma de ensino médio, lhe garantem a ilusão de ser uma pessoa escolarizada. O analfabeto funcional é o eleitor dos líderes populistas, como

migrante, nas favelas urbanas, e é a massa de manobra dos coronéis renitentes e das oligarquias políticas nos pequenos municípios do interior. Ele é, sobretudo, o homem preparado para aceitar o autoritarismo, em suas diversas formas. Ele aceita, de modo fatalista, a dominação dos homens ricos na política, conformando-se com o desempenho do “rouba mas faz”. Ele troca sua cidadania por uma dentadura, uma consulta médica, um subemprego, um favor pessoal qualquer. Por isso a educação pública no Brasil funciona como uma areia movediça, retardando a mudança para um ensino de Português baseado na leitura, interpretação e produção de texto. O ensino tradicional da gramática normativa, e a alfabetização partindo da letra, e não do texto, geram o analfabeto funcional e este é o eleitor desejado pelas classes dominantes.

Coisas da Vida Sem terra Feliciano estava acampado na beira da estrada Ilhéus-Itabuna. Naquela manhã participara de uma passeata dos sem terra, em Itabuna. Cansado e sem dinheiro, entrara numa lanchonete e pedira um copo d’água. O medo e a raiva estavam na cara do dono: “Só temos água mineral!” Sentira-se escorraçado. Agora estava sentado em frente ao seu barraco de plástico preto. Desempregado há cinco meses, viera com a mulher e dois filhos pequenos para o acampamento dos sem terra. Vivera na cidade ultimamente, mas se criara na roça. Sabia fazer de tudo numa plantação. Era trabalhador, precisava dar de comer aos filhos. A voz da mulher o chamou de dentro do barraco: “Feliciano, tu quer pão?” Quase seis horas da tarde, Francinalva, distribuía a janta da família. Iam comer pão puro, sem café. Estavam vivendo da solidariedade dos companheiros. Olhou

para debaixo do plástico preto e viu as duas crianças mastigando o pão. Uma dor funda mordeu sua alma. Ele a mulher e os filhos jogados na beira de uma estrada. Parece até que nascera no mundo errado, sem lugar para ele. Todos pareciam lhe dizer a mesma coisa, como quando procurava serviço em construção: “Não tem vaga!” Que diacho de vida! Era homem, sim! Era filho de Deus também! Não podia viver assim, escorraçado de tudo e de todos! Por ele, não! Güentava o tranco. Mas o coração se partia em pedaços quando olhava para os dois filhos pequenos. Essa dor o matava, como um facão enfiado na barriga. Mais tarde, o acampamento já dormindo, Feliciano pegou o litro de querosene, se banhou com ele, riscou o fósforo e fez de si mesmo um pavio de candeeiro vivo, iluminando o mundo, para ver se achava um lugar para si e a família...

Este texto é uma ficção; qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência

Prefeitos, secretários e agentes de desenvolvimento puderam compartilhar experiências

As melhores práticas da gestão pública municipal foram apresentadas no Seminário Gestores Públicos do Sul da Bahia, realizado nos dias 30 de novembro e 1º de dezembro, em Ilhéus. Ao longo de palestras e oficinas, prefeitos, secretários e agentes de desenvolvimento tiveram a oportunidade de compartilhar suas experiências e conhecer cases de sucesso, como da cidade de Gramado-RS. O seminário foi realizado pela Sebrae, em parceria com a Amurc e institutos Natura, Arapyaú e Nossa Ilhéus. Com a supervisão da Associação de Municípios do Sul, Extremo Sul e Sudoeste Baiano (Amurc), em parceria com a Pró-reitoria de Extensão da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), secretários municipais que integram os fóruns de Saúde, Educação, Assistência Social, Agricultura e Meio Ambiente, Comunicação, Cultura e Turismo apresentaram projetos e ações que estão sendo desenvolvidos em suas secretarias e compartilhadas com outros gestores municipais. A ideia integra o Programa de Apoio Gerencial e Institucional às Prefeituras do Litoral Sul, criado em 2011. Até hoje, promove a

qualificação e o aperfeiçoamento dos gestores públicos municipais nas áreas estratégicas para o desenvolvimento local. O objetivo, segundo o secretário executivo da Amurc, Luciano Veiga, visa “aumentar a eficiência e eficácia na execução de políticas públicas e na condução de sua implementação”. Com ações planejadas e aplicadas de forma estratégica no município, o secretário de Turismo de Canavieiras, que também preside o Fórum de Turismo, Abel Lisboa revelou que é possível ter um aquecimento na economia, através da geração de emprego e renda. “Nós ainda estamos no primeiro ano de gestão, mas planejando para o ano de 2018. E a gente está aprimorando as ações para ter a nossa região e a nossa cidade rumo ao desenvolvimento”. Durante o encontro, o público também foi motivado com a experiência vivenciada pelo ex-prefeito de Gramado, no Rio Grande do Sul, Pedro Bertolucci. Em 18 anos como gestor público, ele investiu em inovação e na qualidade de vida da população, restaurando a infraestrutura da cidade e na realização de eventos culturais.

Nova estrutura dobra capacidade de exames no laboratório da Santa Casa Com o objetivo de requalificar e ampliar o serviço em saúde, o Laboratório de Análises Clínicas da Santa Casa de Misericórdia de Itabuna vem investindo em novas tecnologias de exames diagnósticos. A mais nova aquisição realizada foi o aparelho AU480, que garantirá a duplicação na capacidade de exames. Os investimentos também alcançaram o espaço físico, com reinstalação e requalificação de toda área técnica e administrativa do Laboratório. Ainda sobre o investimento feito em tecnologia, além da eficiência do AU480, o aparelho alavanca a precisão e confiabilidade dos resultados. “Um ganho para o setor, pois teremos mais segurança e rapidez nos resultados, o que beneficia diretamente o tratamento dos pacientes agilizando os diagnósticos”, explicou a Coordenadora do Laboratório, Ana Paula Carvalho Mariano. Funcionando 24 horas para atendimento a

pacientes das unidades assistenciais dos Hospitais Calixto Midlej, Hospital São Lucas e Manoel Novaes, o Laboratório também atende ao público externo conveniados e SUS em horário próprio. Segundo o provedor da Santa Casa, o médico Eric Júnior, a proposta é manter a Santa Casa dentro do modelo de eficiência e gestão. “A unidade foi modernizada e com esse e outros serviços prestados seguiremos oferecendo um atendimento pautado na qualidade”, declarou Dr. Eric. O Laboratório da Santa Casa conta com 46 funcionários, dentre eles analistas graduados em Bioquímica, Biomedicina e Biologia, responsáveis pela supervisão do controle de qualidade e liberação dos laudos; técnicos para realização de exames, coletores, mensageiros para transporte de amostras, além de coordenadores e gerentes. A entrega oficial da nova unidade instalada dentro do Hospital Calixto Midlej Filho será nesta quinta-feira (7).

Diário 3 897 quarta feira 06 de dezembro de 2017  
Diário 3 897 quarta feira 06 de dezembro de 2017  
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