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Cidade Educativa


Cidade Educativa


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TEMA 01

CIDADE ARTE TEMA 02

CIDADE MEMÓRIA TEMA 03

CIDADE IDENTIDADE TEMA 04

CIDADE POESIA


TEMA 01

CIDADE ARTE


CIDADE ARTE

TEMA 01

Eu vi o mundo... Ele começava no Recife Conhecer a evolução urbana do Recife é importante para que se compreenda melhor a paisagem da cidade e a presença das obras de arte instaladas nos espaços públicos.

possível descobrir uma exposição permanente de

A EVOLUÇÃO URBANA DA CIDADE DO RECIFE AO LONGO DOS ANOS

esculturas, murais e vitrais espalhados pela cidade.

O crescimento urbano da cidade do Recife se deu

São obras de artistas pernambucanos, brasileiros ou

em dois momentos principais. O primeiro envolve os

mesmo estrangeiros, que revelam diferentes técnicas

quatro primeiros séculos, desde o século XVI, com o

e poéticas. Nessa exposição coletiva, cinco artistas

início da ocupação portuguesa e holandesa em terras

marcam forte presença no acervo da arte pública da

brasileiras, até o século XIX, quando a cidade já tinha

cidade: Cícero Dias, Francisco Brennand, Abelardo

sido ampliada do litoral para o interior do território

da Hora, Lula Cardoso Ayres e Corbiniano Lins.

pernambucano. O segundo momento acontece no

1616

O percurso Cidade Arte é um convite para conhecer

início do século XX, com a reforma que começa no

Mapa Prespectiva do Ressife e Villa de Olinda, feito por João Texeira Albernaz, em 1616

as obras desses e de outros artistas para olhar a

Bairro do Recife, em 1910, e se estende aos bairros

cidade do Recife como um lugar de encontro com a

de Santo Antônio e São José. É nessa época que

arte, possível de ser vivenciado por todas as pessoas.

muitas edificações coloniais são demolidas para que

Nas ruas, praças e prédios públicos do Recife é

1585 A Vila de Olinda e o arrecife de navios no mapa de Luís Teixeira, feito entre 1582–1585

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prédios de estilo eclético ocupem os lugares, como também para que seja possível um novo traçado de ruas e a abertura de grandes avenidas. Essa nova paisagem urbana da cidade estimulou o surgimento de praças, de parques e de edificações públicas que, hoje em dia, abrigam um valioso acervo de obras de arte que foram sendo implantadas ao longo dos anos. Por ter sido uma das primeiras localidades a ser ocupada no processo de colonização estrangeira, a cidade do Recife, junto com a cidade de Olinda, possuem vasto material iconográfico, entre mapas, desenhos, pinturas e gravuras que revelam a evolução urbana ao longo de cinco séculos. 1644 Vista em página dupla de Olinda e Recife no livro História da Companhia das Índias Ocidentais, de Joahannes de Laet, de 1644

1647 Vista em página dupla de Recife na gravura Mauritiopolis, a partir de desenho de Frans Post, feito entre 1637–1645, que faz parte do Álbum de Barlaeus com imagens do Brasil Holandês, publicado em 1647

1759 Vista do Recife feita pelo padre jesuíta José Caetano, em 1759

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1863 Gravura intitulada Bolsa de Pernambuco, feita por Luís Schlappriz, em 1863, para o Álbum Memórias de Pernambuco

1873 Gravura intitulada Vista do Recife, feita por Francisco Henrique Carls, em 1873, para o Álbum de Pernambuco e seus arrabaldes

1913 Obras no Bairro do Recife, em 1913. Fotografia da Coleção Benício Dias (Acervo Fundaj)

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1940–1950 Foto aérea do Recife, década de 1940–1950, feita por Alexandre Berzin. (Acervo Museu da Cidade do Recife)

2000 Praça do Marco Zero e Parque de Esculturas Francisco Brennand

PROJETO DE INTERVENÇÃO ARTÍSTICA E URBANA EU VI O MUNDO... ELE COMEÇAVA NO RECIFE Um conjunto de obras artísticas instaladas no lugar onde simbolicamente nasce o Recife faz a cidade parecer uma galeria de arte a céu aberto. No ano de 2000, dois espaços públicos sofreram intervenções físicas para receberem obras de arte monumentais. O molhe dos arrecifes naturais, lugar que deu origem ao nome da cidade, foi adaptado para se transformar em um Parque de Esculturas com a instalação de um conjunto de obras de Francisco Brennand. A Praça do Marco Zero, local onde se encontra o ponto a partir do qual todas as distâncias do estado são medidas, foi ampliada para receber um enorme painel de piso de Cícero Dias, intitulado Rosa dos Ventos.

das celebrações dos 500 anos dos Descobrimentos.

Esse projeto de intervenções urbanas e artísticas

O projeto foi intitulado Eu vi o mundo... Ele começava

tinha como objetivo marcar as comemorações da

no Recife, título inspirado em uma pintura de Cícero

passagem para o novo milênio e também fazer parte

Dias, de mesmo nome.

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Cinco artistas pernambucanos e suas obras nos espaços públicos do Recife CÍCERO DIAS Cícero dos Santos Dias (Escada, Pernambuco, 1907 —

Recife, pintado entre 1926 e 1929, com 15 metros de

Paris, França, 2003) foi pintor, gravador, desenhista,

largura e dois metros de altura, marca seu ingresso

ilustrador, cenógrafo e professor. Considerado um

na vanguarda modernista brasileira. Foi um dos

artista brasileiro de grande renome internacional,

pioneiros dos Abstracionismos, na década de 1940.

sempre valorizou as raízes pernambucanas. Sua obra

Em 1948, pinta os primeiros murais abstratos da

passa por diversas fases artísticas, do surrealismo

América Latina, para o antigo Conselho Econômico

ao abstracionismo. Realizou inúmeras pinturas em

do Estado de Pernambuco, atual Secretaria da

aquarelas, guaches e óleos sobre tela, representando

Fazenda de Pernambuco (SEFAZ), no Recife. Apesar

imagens que evocam o mundo dos sonhos e do

de ter se radicado na França, Cícero Dias sempre faz

imaginário fantástico nordestino. Com um desenho

referências a Pernambuco nas obras. Segundo ele,

delicado e o uso de uma gama cromática muito rica, os personagens e objetos parecem flutuar com leveza

“Eu acredito que tenha sido fiel a tudo, a essa luz, a essas cores aqui de Pernambuco, que determinam

nas diferentes paisagens. Utilizava cores inspiradas

tudo o que eu fiz”. Murais de Cícero Dias podem ser

no universo pernambucano, como “verde canavial”,

apreciados em três espaços públicos do centro do

“vermelho sangue-de-boi” e “azul céu sertanejo”. O grande painel Eu Vi o Mundo... Ele Começava no

Recife: na Praça do Marco Zero, na Casa da Cultura Luiz Gonzaga e no edifício da SEFAZ.

ROSA DOS VENTOS quartzo e de granito com pigmentação colorida, misturando elementos abstratos, geométricos e astronômicos. No centro do painel, existe uma placa em bronze que assinala o quilômetro zero do Recife e suas coordenadas geográficas, onde está escrito: “Deste marco partem as distâncias para todas as terras de Pernambuco”. Ao redor desse marco, surge o desenho colorido de uma rosa dos ventos com as indicações dos pontos cardeais e as referências aos planetas do sistema solar: Sol, Mercúrio, Vênus, Lua, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão. Os códigos e os simbolismos presentes na Rosa dos CÍCERO DIAS

Rosa dos Ventos, 2000 – Praça do Marco Zero

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A Rosa dos Ventos é o título da obra que cobre o piso

Ventos são revelados no texto Recife, a pedra — escrito

da Praça do Marco Zero. É formada por pedras de

por Cícero Dias para a inauguração da obra em 2000.


Desenho original de Cícero Dias para a Rosa dos Ventos (Acervo Mamam)

RECIFE, A PEDRA CÍCERO DIAS

Diz o profeta Ezequiel ter Deus criado o mundo com rodas. Diz Dante: com círculos, porque não com círculos? No primeiro círculo, as águas, calmas ou tumultuadas, nascia o Recife. No segundo círculo, uma cidade cheia de cores, nas encostas de terras virgens, limitada por corais que vinham à flor das águas, visitadas por poderosos veleiros. No terceiro, tudo circundando a Rosa dos Ventos, com sua própria graduação, em seus traçados geométricos, soprando em volta, pulando em vagas e mais vagas, a vertigem sideral do universo. No quarto círculo, a faixa branca indica os planetas. O quinto círculo, formado de estrelas guiando o homem ao infinito, descobrindo o resto do mundo. Um século cobrindo outros séculos vindouros. Por fim, o último círculo, uma faixa azul Celeste, envolvendo a terra em toda a sua extensão. Esta faixa que os amigos chamavam de Pátria Celeste.

CÍCERO DIAS

Murais Abstratos Os murais pintados por Cícero Dias, em 1948,

encobertos por camadas de tintas ou mesmo

são considerados os primeiros murais abstratos

demolidas as paredes onde foram pintados. Os

da América Latina. Ao todo foram pintados nove

murais ficaram encobertos até o início dos anos

murais em diferentes ambientes do edifício da

80, quando um processo de restauração recuperou

atual Secretaria da Fazenda de Pernambuco

seis deles. Eles foram pintados sobre paredes com

(SEFAZ), no Recife. Devido às inúmeras reformas

características da pintura em aquarela e trazem

na edificação ao longo dos anos, como também à

elementos da paisagem do Nordeste, como o

falta de conhecimento do valor da obra durante

canavial, o coqueiral, o mar e o rio Capibaribe, num

as intervenções físicas no prédio, os murais foram

diálogo entre o figurativo e a abstração.

Mural Engenho de Cana de Açúcar, 1948 – Hall de acesso do edifício da SEFAZ (térreo)

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CÍCERO DIAS

Mural Paisagem Praieira (A Praia Vista do Mar), 1948 – Salão principal do edifício da SEFAZ (térreo) Mural Paisagem Praieira (O Mar Visto da Praia), 1948 – Salão principal do edifício da SEFAZ (térreo) Mural Canavial, 1948 – Biblioteca do edifício da SEFAZ (1º andar) Mural Paisagem às margens do Rio Capibaribe, 1948 – Auditório do edifício da SEFAZ (9º andar) Mural Composição Abstrata, 1948 – Auditório do edifício da SEFAZ (9º andar)

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Painel Frei Caneca Em 1982, Cícero Dias criou dois painéis para a Casa da Cultura de Pernambuco, atual Casa da Cultura Luiz Gonzaga. Os painéis representam cenas da vida de Frei Caneca e a participação dele em dois movimentos libertários de Pernambuco: a Revolução Pernambucana de 1817, e a Confederação do Equador, de 1824. Compostos por um conjunto de pinturas em óleo sobre tela, cada painel mede 6 metros de altura por 4,5 metros de largura. São pinturas que contam a história de Pernambuco e é considerado o trabalho pictórico mais completo sobre os principais episódios da vida de Frei Caneca. Essa foi a segunda obra que Cícero Dias realizou especialmente para um prédio público do Recife (antes foram os painéis abstratos para a SEFAZ, em 1948) e um dos poucos exemplares de sua produção artística que está associado ao gênero histórico e político. Os dois painéis estão instalados no hall central da Casa da Cultura Luiz Gonzaga.

FRANCISCO BRENNAND

CÍCERO DIAS

Painel sobre a Revolução de 1817, 1982 – Casa da Cultura Detalhe do painel sobre a Revolta de 1824, 1982 – Casa da Cultura

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FRANCISCO BRENNAND Francisco de Paula Coimbra de Almeida Brennand nasceu no Recife (PE), em 1927. Escultor, pintor, desenhista e ceramista. Desenvolve seu trabalho em diferentes suportes e materiais artísticos, mas é na cerâmica que as obras se sobressaem. São muitos os temas abordados pelo artista: as formas da natureza, as anatomias feminina e masculina, os personagens mitológicos, paisagens, naturezasmortas, fatos históricos, entre outros. Desenhos de flores e frutos, como o caju, estão sempre presentes, modificados à sua maneira, sem se preocupar com a forma original. Para Brennand, “a natureza não deforma, propõe formas”. Ainda na temática

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FRANCISCO BRENNAND

da natureza, outros elementos se repetem com

Painel O Grande Floral, 1968

frequência, como o ovo representando a origem

Mural O Grande Sol e esculturas, 1965–1996 – Rua do Sol – MAMAM

brasileira. O universo simbólico está não somente

Mural O Canavial, 1961

trabalha forma e cor, explorando várias tonalidades

Mural Sinfonia Pastoral, 1958 – Museu do Homem do Nordeste

possui um valioso acervo de obras de arte públicas

Aeroporto dos Guararapes

suas obras.

da vida, as aves e os diversos animais da fauna nos desenhos e pinturas, mas também nos murais e esculturas em cerâmica. Na cerâmica, o artista dos pigmentos durante a queima das peças. O Recife de Brennand, entre esculturas e murais. No centro da cidade, mais de dez espaços públicos abrigam


PARQUE DE ESCULTURAS FRANCISCO BRENNAND

O Parque de Esculturas Francisco Brennand reúne um

grandes florestas do mundo, representadas através

grandioso conjunto de obras de Francisco Brennand.

de uma grande árvore coroada por uma flor elíptica.

Confeccionadas em cerâmica e bronze, portais

Essa flor foi inspirada na “Flor de Cristal”, uma flor

e seres míticos, como sereias, ovos, tartarugas

descoberta pelo paisagista Burle Marx em uma

e pássaros-roca, margeiam a principal escultura

floresta equatorial. Todo esse simbolismo está no

do parque, a Coluna de Cristal, com 32 metros de

texto Um Murmúrio sobre uma Grande Conquista,

altura. As esculturas do parque representam, de

escrito por Brennand para a inauguração do parque,

forma metafórica, o que os navegantes viram das

em 2000. Abaixo estão dois excertos do texto, em

embarcações ao se aproximarem do litoral brasileiro

que relembra as expedições marítimas que deram

no período conhecido como “descobrimentos”.

origem à colonização em terras brasileiras e imagina o

A verticalidade da Coluna de Cristal simboliza as

universo mítico que deu origem à cidade do Recife. FRANCISCO BRENNAND

Desenho para a Coluna de Cristal (Acervo do artista) Parque de Esculturas Francisco Brennand, 2000 – Molhe dos Arrecifes, Marco Zero

UM MURMÚRIO SOBRE UMA GRANDE CONQUISTA FRANCISCO BRENNAND

Coluna de Cristal Homens vindos das cidades alcançaram as grandes florestas do mundo. Nada melhor como símbolo desse encontro do que a ideia de uma coluna encimada pelo elipse de uma flor, cujo nome é Cristal. Os conquistadores encontraram as Árvores da Vida, catedral de folhagens guardando em seu âmago o OVO resplendente da eternidade. Sereias Nesta sentinela avançada do Atlântico, cinco Sereias olham o tempo: Cora, Severina, Justina, Marina, Alberta. Cada uma é um século. Assim, 500 Anos de descoberta. Ali, tão perto, uma coluna branca tenta ser o pouso de voos desconhecidos. Outras figuras míticas e singulares povoam esses arrecifes, como se fossem a própria realidade encontrada pelos marujos: bojudas tartarugas, ovos gigantescos, pássaros multicores que corriam na praia deixando pegadas humanas. (excertos do texto Um murmúrio sobre uma grande conquista) 15


ABELARDO DA HORA Abelardo Germano da Hora (São Lourenço da Mata, Pernambuco, 1924 — Recife, Pernambuco, 2014) foi escultor, desenhista, gravador, ceramista e professor. Durante sua vida, exerceu importante papel no panorama artístico pernambucano, com a criação da Sociedade de Arte Moderna de Recife (SMAR), em 1946, o Ateliê Coletivo, em 1952, e a fundação do Movimento de Cultura Popular (MCP), em 1960. Destacou-se como artista que abordava ABELARDO DA HORA

O Sertanejo, 1962 – Praça Euclides da Cunha Escultura Lúdica (anos 1960) – Praça da Torre

Memorial aos Retirantes, 2008 – Parque Dona Lindu Monumento ao Frevo, 2005 – Rua da Aurora

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temáticas sociais para denunciar a miséria e a exclusão social no Brasil. A partir da década de 1950, influenciado pela estética da arte popular, o artista produz várias esculturas de tipos populares para praças do Recife, como Os Violeiros, O Vendedor


de Caldo de Cana, O Sertanejo e O Vendedor de Pirulitos, batizado por Circuito do Trabalhador. Em 1960, idealizou a Lei Municipal de Obras de Arte em Edificações no Recife, que obriga a existência de obras de arte em edificações com mais de 1.500 m²,

ABELARDO DA HORA

Mural Nabuco e a Abolição, 1950 – Rua do Sol Vendedor de Caldo de Cana, 1952 – Parque 13 de Maio

contribuindo para a inclusão da arte na paisagem da cidade. Outras obras de Abelardo da Hora instaladas em espaços públicos do Recife fazem homenagens a manifestações culturais e fatos marcantes para a história de Pernambuco, como o Monumento ao Frevo, Monumento ao Maracatu, Monumento a Zumbi dos Palmares e o Monumento à Restauração Pernambucana. Abelardo também criou esculturas interativas, como os escorregos em concreto armado do Parque 13 de Maio e a Escultura Lúdica da Praça da Torre. No centro do Recife, obras de Abelardo da Hora podem ser encontradas em mais de dez espaços públicos. 17


ABELARDO DA HORA

Os Violeiros (ou Os Cantadores), 1952 – Parque 13 de Maio

A escultura Os Violeiros representa dois violeiros ou cantadores, figuras populares da cultura nordestina. Possui mais de três metros de altura. Os dois músicos estão representados sentados em um banco, cada um segurando uma viola em seus braços, indicando que estão dedilhando o instrumento musical. Um dos personagens está com a boca entreaberta, sugerindo que está cantarolando uma canção. Abelardo da Hora fez essa escultura em cimento, com formas arredondadas, inspiradas nas esculturas da arte popular pernambucana. A escultura tem três metros de altura e é feita de cimento. São dois homens sentados lado a lado em um banco. Cada um deles segura uma viola próximo ao peito. O violeiro da direita está com a boca aberta. Ao fundo da escultura vê-se árvores e bancos de praça.

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Esse texto é uma audiodescrição da escultura Os Violeiros de Abelardo da Hora. A audiodescrição é o principal recurso de acessibilidade aos conteúdos culturais visuais que beneficia não só as pessoas com deficiência visual ou com dificuldade de aprendizagem, mas também contribui com a alfabetização visual de qualquer pessoa. Por ser uma obra de arte pública, essa escultura pode ser tocada por qualquer pessoa. Que tal você ter a experiência de tocar essa escultura? Através do toque você pode perceber as formas, as texturas, a temperatura do material e uma série de sensações que essa obra de arte poderá lhe proporcionar. Use seus sentidos e faça novas conexões com essa e outras obras de arte públicas da cidade do Recife.


LULA CARDOSO AYRES Luiz Gonzaga Cardoso Ayres (Rio Formoso, Pernambuco, 1910 — Recife, Pernambuco, 1987) foi pintor, fotógrafo, desenhista, ilustrador, muralista e cenógrafo. Sua formação artística começa no Recife, aos 12 anos, quando se torna ajudante do vitralista alemão Heinrich Moser. Em seu processo de pesquisa, realizou uma série de fotografias sobre a vida das populações rurais e sobre manifestações populares, como o bumba meu boi, o maracatu, o carnaval, os rituais do candomblé e de populações indígenas, que se tornaram temas de suas obras. O artista também explorou como tema as assombrações e crenças populares do Recife. Suas primeiras pinturas tiveram forte influência da cerâmica popular, onde predominam formas arredondadas. Em um segundo momento, as pinturas se aproximam da esquematização geométrica do cubismo e do abstracionismo, mesmo com a presença do figurativo, com o uso de cores fortes e contrastantes. Apesar de ter realizado uma grande produção de murais artísticos, poucos estão em espaços de fácil acesso ao público. No centro

LULA CARDOSO AYRES

Mural Sem Título (Cortejo do Maracatu), 1952 – Cinema São Luiz

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do Recife é possível visitar dois murais do artista: o mural com cenas do maracatu nação, no hall do Cinema São Luiz, feito em 1952, e o painel interno da FACHESF, feito em 1946, com cenas de mulheres e crianças em uma paisagem rural.

LULA CARDOSO AYRES

Painel Sem Título (Cenas rurais de Pernambuco), 1946 – FACHESF Mural Sem Título (Trabalhadores), 1959 – Antigo edifício do INSS (acesso com restrições de visitas) Mural Sem Título (Sobrados do Recife), s.d. – Restaurante do Sport Clube do Recife

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CORBINIANO LINS José Corbiniano Lins (Olinda, Pernambuco, 1924 Recife, Pernambuco, 2018) foi escultor, desenhista e pintor. Na década de 1950, fez parte do Movimento de Arte Moderna do Recife, do ateliê coletivo da Sociedade de Arte Moderna do Recife (SAMR) e do Clube da Gravura da SAMR. Em suas obras, a figura humana é tema recorrente, representada de maneira estilizada, com corpos de formas alongadas e cabeças em tamanhos reduzidos. Personagens da cultura popular nordestina, personagens femininos e homenagens a fatos históricos são temas recorrentes nas obras. O concreto e o alumínio são as matérias-primas mais utilizadas em suas

esculturas. Corbiniano possui obras espalhadas em

CORBINIANO LINS

espaços públicos de várias cidades brasileiras, entre

Mural Revoluções Pernambucanas, 1967 – Praça General Abreu e Lima

esculturas e murais. No centro do Recife, o grandioso mural “Revoluções Pernambucanas”, feito em 1967, merece destaque. Além do mural, homenagens a tipos populares como o “Monumento ao Mascate I”, “Homenagem ao Carteiro” e “O Pescador” podem ser visitadas no centro da capital pernambucana.

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CORBINIANO LINS

Homenagem ao Mascate II, 2005 – Pracinha do Diário O Pescador, s.d. – Agência Banco do Brasil da Avenida Dantas Barreto Homenagem ao Carteiro, s.d. – Agência Central dos Correios, Rua do Sol

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MAIS ARTISTAS E OBRAS DE ARTE EM ESPAÇOS PÚBLICOS DO CENTRO DO RECIFE

ALOÍSIO MAGALHÃES

Painel Cartema, 1997 – Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães – MAMAM, Rua da Aurora, Bairro da Boa Vista. Verificar horário de visitação AURORA LIMA

Vitrais Jarro de Flores, 1951 – Cinema São Luiz (sala de projeção), Rua da Aurora, Bairro da Boa Vista. Verificar horário de visitação MARIANNE PERETTI

Vitral Abstrato, 1997 – Fórum Thomaz de Aquino (sala interna), Bairro de Santo Antônio. Visitação somente com agendamento prévio

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BIBIANO SILVA

Esculturas Justiça e Lei, 1930 – Fachada do Palácio da Justiça, Praça da República, Bairro de Santo Antônio PETRÔNIO CUNHA

Painel Abstrato, s.d. – Fachada da Caixa Econômica Federal, Praça da República, Bairro de Santo Antônio PAULO WERNECK

Painel Abstrato, 1962 – Fachada Banco do Brasil, Bairro do Recife

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ADÃO PINHEIRO

Painel Sem Título (tema cena do Recife), 1965 – Câmara Municipal do Recife (hall), Bairro de Santo Amaro. Verificar horário de visitação JOSÉ PAULO

Painel Abstrato, 2000 – Rua da Palma, Bairro de Santo Antônio MAURÍCIO SILVA, MÁRCIO ALMEIDA E FLÁVIO EMANUEL (OBRA COLETIVA)

Painéis Sem Título (tema Cabeças), 2004 – Fachadas da Casa da Cultura, Bairro de São José

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JOSÉ CLÁUDIO

Escultura de Mulher, 1972 – Praça do Cabanga, Bairro do Cabanga DEMÉTRIO ALBUQUERQUE

Esculturas do Circuito da Poesia, 2005–2017 – Diversos pontos da cidade do Recife AUGUSTO FERRER, EDDY POLO, JORGE ALBERTO BARBOSA E LUCIA PADILHA CARDOSO (OBRA COLETIVA)

Escultura do Caranguejo Carne da Minha Perna, 2004 – Homenagem ao Movimento Manguebeat e ao geógrafo pernambucano Josué de Castro – Rua da Aurora, Bairro de Santo Amaro

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CHRISTINA MACHADO, BETTY GATIS E JAIRO ARCOVERDE, RINALDO SILVA, MAURÍCIO SILVA

Quatro painéis, 2013–2015 – Galeria Aberta do Bar Central, Rua Mamede Simões, Bairro de Santo Amaro DEMÉTRIO ALBUQUERQUE, ALBERICO PAES BARRETO, ERIC PERMAN E LUIZ AUGUSTO RANGEL (OBRA COLETIVA)

Monumento Tortura Nunca Mais, 1993 – Rua da Aurora, Bairro de Santo Amaro DELFIM AMORIM

Composição de azulejos na fachada do IMIP, 1965 – Rua dos Coelhos, Bairro dos Coelhos

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E DU CATI VO QUESTÕES MEDIADORAS

O que existe em comum entre as obras dos artistas?

Você saberia identificar quais são as obras figurativas e quais são as abstratas?

Que relações você faz dessas obras com a cidade do Recife?

Você percebe a diferença de estilos entre os artistas?

Sugestão de Atividades Que tal você escolher uma obra de arte e pesquisar

Você sabia? O que é Arte Figurativa e Arte Abstrata? A arte figurativa é aquela que tenta representar a

mais sobre ela e sobre o artista que a criou?

Para saber mais...

realidade objetiva. Quando uma obra revela uma

LIVROS

pessoa, um objeto, um animal ou uma paisagem, por

Atlas Histórico Cartográfico do Recife. José Luiz da Mota Menezes, Editora Massangana, 1988.

exemplo, estamos diante de uma arte figurativa. Já a arte abstrata não tem a intenção de representar figuras como realmente são. Utiliza-se de formas, cores e texturas, sem retratar nenhuma figura. Com isso, ela rompe com a representação da realidade. Podemos ainda classificar a arte abstrata em outras duas: a “abstração geométrica” e a “abstração informal”. A abstração geométrica utiliza-se de figuras geométricas, como linhas, quadrados e

O Universo de Francisco Brennand. G. Ermakoff Casa Editorial Ltda., 2011. Ensaio com Abelardo da Hora. Weydson Barros Leal, Instituto Abelardo da Hora, 2005. Lula Cardoso Ayres – Fotografias. Betty Lacerda (Fundaj), Companhia Editora de Pernambuco, 2017. Corbiniano Lins - Um olhar sobre a sua arte. Weydson Barros Leal, Funcultura Pernambuco-Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura, 2006.

círculos. A abstração informal utiliza cores e formas

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criadas livremente, formando uma composição de

SITES

formas abstratas.

www.recifeartepublica.com.br


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PERCURSO CIDADE ARTE FRANCISCO BRENNAND

1. Parque de Esculturas Francisco Brennand, 2000 – Molhe dos Arrecifes, Bairro do Recife. 2. Mural Sem Título (tema fauna e flora), 1975–1976 – Prefeitura do Recife (pátio interno), Bairro do Recife. 3. Mural Castro Alves, 1986 – Museu Militar do Forte do Brum (pátio interno), Bairro do Recife. 4. Mural Batalha dos Guararapes, 1962 – Rua das Flores, Bairro de Santo Antônio. 5. Painel O Grande Floral, 1968 – Fachada do edifício da antiga loja A Primavera, Rua do Sol, Bairro de Santo Antônio. 6. Mural Sem Título (tema trem da RFFSA), 1974 – Agência de Tecnologia

da Informação – ATI (pátio interno), Bairro de São José.

Fórum do Juizado de Menores do Recife, Bairro da Boa Vista.

7. Escultura Obelisco, 1985 – Estação Central do Metrô (pátio interno), Bairro de São José.

13. Painel A Justiça se Faz, 1996-1997 – Fórum Thomaz de Aquino (sala interna), Bairro de Santo Antônio.

8. Painel em Azul e Branco, s.d. – Fachada da Igreja Matriz de São José, Bairro de São José. 9. Mural O Grande Sol e quatro esculturas, 1965–1996 – Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (pátio interno), Bairro da Boa Vista. 10. Mural Mandala, 1971 – Fachada da Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco, Bairro de Santo Amaro. 11. Mural Batalha do Riachuelo, 1975 – Praça 11 de Junho, Avenida Cruz Cabugá, Bairro de Santo Amaro. 12. Painel A Juventude, 1997 – Fachada do

14. Mural Homenagem a Pelé, 1971 – Fachada da Federação Pernambucana de Futebol, Boa Vista. 15. Mural Terra do Sol, 1999 – Fórum do Recife (hall), Bairro da Ilha do Leite. 16. Painéis Sem Título (tema florais, s.d. – Fachada do Edifício Ana Regina, Avenida Oliveira Lima, Bairro da Boa Vista CÍCERO DIAS

1. Painel Rosa dos Ventos, 2000 – Praça do Marco Zero, Bairro do Recife 2. Murais Abstratos, 1948 – Seis murais

internos da Secretaria da Fazenda do Estado de Pernambuco, Bairro de Santo Antônio. 3. Painel Frei Caneca, 1982 – Dois painéis internos da Casa da Cultura Luiz Gonzaga, Bairro de São José. ABELARDO DA HORA

1. Escultura do poeta Augusto dos Anjos, 1985 – Praça da República, Bairro de Santo Antônio. 2. Escultura do engenheiro Louis Léger Vauthier, 1974 – Praça da República, Bairro de Santo Antônio. 3. Monumento aos Heróis da Revolução de 1817, 1994 – Praça da República, Bairro de Santo Antônio. 4. Mural Joaquim Nabuco e a Abolição da Escravatura, 1950 – Fachada do Edifício Joaquim Nabuco,

Rua do Sol, Bairro de Santo Antônio. 5. Monumento a Zumbi dos Palmares, 2006 – Pátio do Carmo, Bairro de São José. 6. Monumento ao Maracatu, 2008 – Praça das Cinco Pontas, Bairro de São José. 7. Escultura Enéas Freire e o Galo da Madrugada, 2010 – Praça Sérgio Loreto, Bairro de São José. 8. Monumento à Restauração Pernambucana, 1975 – Praça Sérgio Loreto, Bairro de São José. 9. Escultura Vendedor de Caldo de Cana, 1956 – Parque 13 de Maio, Bairro de Santo Amaro. 10. Escultura Os Violeiros, 1956 – Parque 13 de Maio, Bairro de Santo Amaro.

11. Escorregos em concreto armado – Parque 13 de Maio, Bairro de Santo Amaro. 12. Monumento ao Frevo, 2005 – Rua da Aurora, Bairro de Santo Amaro 13. Monumento ao Gari, 1972 – Avenida Agamenon Magalhães, Bairro de Santo Amaro 14. Monumento à Juventude, 1980 – Universidade Católica de Pernambuco, Bairro da Boa Vista. LULA CARDOSO AYRES

1. Mural Sem Título (tema Maracatu Nação), 1952 – Cinema São Luiz (hall), Rua da Aurora, Bairro da Boa Vista. 2. Painel Sem Título (tema Mulheres e Crianças), 1946 – Fundação Chesf de Assistência e Seguridade Social – FACHESF (sala interna), Bairro da Boa Vista.

CORBINIANO LINS

1. Monumento ao Mascate I, 2005 – Praça da Independência (Pracinha do Diário), Bairro de Santo Antônio. 2. Escultura O Pescador, s.d. – Jardins da agência do Banco do Brasil - Avenida Dantas Barreto, Bairro de Santo Antônio. 3. Escultura Homenagem ao Carteiro, s.d. – Edifício dos Correios, Rua do Sol, Bairro de Santo Antônio. 4. Mural Revoluções Pernambucanas (1817,1824,1848), 1967 – Praça General Abreu e Lima, Bairro de Santo Amaro. 5. Escultura Santo Amaro das Salinas, 1971 – Praça General Abreu e Lima, Bairro de Santo Amaro.

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TEMA 02

CIDADE MEMÓRIA


TEMA 02

CIDADE MEMÓRIA

No Recife, existe um conjunto de obras de arte públicas que revelam personagens e fatos marcantes para a história de Pernambuco e do Brasil. Monumentos, esculturas, murais e vitrais fazem da cidade um território de memórias de diferentes épocas e permitem descobrir histórias da presença holandesa, das revoluções pernambucanas, dos movimentos abolicionistas e da resistência ao Regime Militar no Brasil. O percurso Cidade Memória é um convite para conhecer o universo simbólico dessas obras de arte e participar da construção e da reconstrução de uma memória coletiva compartilhada por diferentes gerações.

Por dentro da história de Pernambuco e do Brasil Para tecer relações entre memórias coletivas e obras de arte públicas do Recife, foi criada uma linha do tempo que traz fatos da história de Pernambuco e do Brasil.

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DESDE QUANDO O BRASIL NÃO ERA O BRASIL

cerca de 800 mil. Denominados povos ameríndios ou indígenas, eram compostos por tribos seminômades que subsistiam da caça, da pesca, da coleta e da agricultura. Naquela época, no litoral do Nordeste, predominavam as tribos do tronco linguístico tupi, como os Tupinambás, os Tabajaras e os Caetés. Já no interior, habitavam grupos dos troncos linguístico Jê, genericamente denominados Tapuias.

HÁ MAIS DE 6.000 ANOS  Registros de povos pré‑históricos no Nordeste brasileiro Muito tempo antes dos colonizadores europeus chegarem a terras brasileiras, vários grupos humanos já habitavam a região do Nordeste do Brasil. Grupos de diferentes etnias deixaram mensagens Pintura rupestre com cenas de batalhas encontrada no Parque Nacional do Vale do Catimbau, em Buíque, Pernambuco. Fotografia de Hassan Santos. Acervo particular.

A COLONIZAÇÃO PORTUGUESA COMEÇA EM PERNAMBUCO 1502  O Pau-Pernambuco O pau-brasil foi o primeiro produto a ser largamente explorado pelos europeus no território brasileiro. Apesar de Portugal deter o monopólio de sua exploração, espanhóis e franceses também extraíram a madeira em terras brasileiras. Foi em Pernambuco onde a exploração dessa árvore começou e por esse motivo a

nas rochas a partir de pinturas, gravuras e desenhos. Esses registros datam de mais de 6.000 anos e revelam uma espécie de memória social de épocas distintas. Hoje, em Pernambuco, existem cerca de 500 sítios arqueológicos cadastrados como Patrimônio Arqueológico do Estado de Pernambuco.

árvore foi inicialmente batizada de “pau-pernambuco”. Em alguns idiomas, como o francês, a árvore chama-se pernambuco (que vem de “ pernambouc” ou “ fernambouc”). Os povos originários tupis chamavam a árvore de ibirapitanga, que vem dos termos ïbi’rá (pau) e pi’tãga (vermelho).

ANTES DE 1500  Indígenas do Nordeste do Brasil

1512  A nova colônia é oficialmente chamada de Brasil

Antes de 1500, estima-se que existiam milhões de povos originários no Brasil, enquanto que hoje existem apenas

O primeiro nome da nova colônia foi Terra de Santa Cruz. Por causa da exploração sistemática do pau-brasil, a Pintura Dança dos Tapuias, feita pelo pintor holandês Albert Eckhout, em 1641. A pintura original encontra-se no Museu Nacional da Dinamarca, em Copenhagen. Imagem licenciada sob domínio público.

Derrubada do Pau Brasil, ilustração feita pelo padre francês André Thevet para o livro Cosmografia Universal, publicado originalmente em 1575. Imagem licenciada sob domínio público.

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Ilustração do paubrasil, chamado de ibirapitanga, no livro Historia Naturalis Brasiliae, de 1648, escrito por Piso & Margrave, através de pesquisas realizadas em Pernambuco, durante o domínio holandês. Imagem licenciada sob domínio público.

cor avermelhada da madeira e da resina extraída da árvore foi associada ao fogo e à cor da “ brasa”, da qual deriva a palavra “ brasil”, que deu origem ao nome oficial da nova colônia em 1512.

1530  A construção das feitorias e a exploração do pau‑brasil Nos primeiros trinta anos, os portugueses não construíram povoados, apenas construções fortificadas em

povos indígenas eram utilizados pelos portugueses como mão de obra escrava nos engenhos e nas lavouras.

1535  A Vila de Olinda e os arrecifes dos navios Olinda foi fundada ainda como povoado em 1535, pelo primeiro donatário da Capitania de Pernambuco, o português Duarte Coelho. Nessa época, apesar da região ser habitada pela tribo tupi dos Caetés, Duarte Coelho construiu

Mapa com a divisão da América portuguesa em capitanias, feito por Luís Teixeira, em 1574. O mapa original pertence ao acervo da Biblioteca da Ajuda, em Lisboa, Portugal. Imagem licenciada sob domínio público.

alguns pontos do litoral, chamadas de feitorias, que serviam para defesa e armazenamento do pau-brasil. No Nordeste, foram fundadas as feitorias de Pernambuco, Igaraçu e Itamaracá. A extração foi intensa e durou até o século XIX, quando se tornou difícil encontrar espécimes da planta. O pau-brasil foi considerado extinto em Pernambuco até 1928, quando agrônomos da UFRPE encontraram espécimes nativos em São Lourenço da Mata e deram início a uma campanha de preservação da planta.

1534  A Capitania de Pernambuco e a mão de obra indígena A Capitania de Pernambuco foi uma das subdivisões do território brasileiro estabelecida pela Coroa Portuguesa para colonização e exploração. A ocupação do território pernambucano começou pelas terras apropriadas para a cultura da cana-de-açúcar. Nessa época, os

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Presença dos povos indígenas no mapa Terra Brasilis feito por Lopo Homem, entre 1515–1519, para o Atlas Miller. Imagem licenciada sob domínio público.

o primeiro engenho de açúcar e outras edificações. O povoado foi elevado à vila em 12 de março de 1537 através do “Foral de Olinda”, um documento


Mapa da cidade do Recife no Atlas Vingboons, 1665. Acervo do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP).

1850, cerca de cinco milhões de africanos chegaram expatriados ao Brasil. A pintura Mercado de escravos em Pernambuco, feita pelo desenhista holandês Zacharias Wagener, em 1641, retrata a presença dos negros africanos trazidos através do tráfico de escravos durante a colônia holandesa em Pernambuco.

1597  O Quilombo dos Palmares da Coroa Portuguesa que estabelece a ocupação das terras e a arrecadação de tributos nas colônias. Nessa carta de foral, o Recife é citado como o “arrecife de navios”, um lugarejo que pertencia à Vila de Olinda, habitado por marinheiros e pescadores.

1570  A escravização dos povos africanos

Pintura Mercado de escravos em Pernambuco, feita pelo desenhista holandês Zacharias Wagener, em 1641. A pintura original pertence ao acervo do museu Kupferstichkabinett Dresden, na Alemanha. Imagem licenciada sob domínio público.

Através de uma Carta Régia da Igreja Católica, de 1570, ficou estabelecida a primeira proibição oficial da escravização dos povos indígenas. Por esse motivo, tem início a importação de escravizados africanos para o trabalho nas lavouras e nos engenhos. Grande parte dos negros escravizados foi proveniente de regiões da África, como Angola, Guiné e Moçambique. Quando chegavam ao Brasil, eram denominados de congos, angolas, benguelas, cabindas, cassanges, monjolos, rebolos, moçambiques, entre outros. Até o fim do tráfico negreiro, em

Cerca de 40 escravos fugidos de engenhos pernambucanos deram início ao mais simbólico dos quilombos formados no período colonial. O Quilombo dos Palmares foi fundado na Serra da Barriga, região que na época pertencia à Capitania de Pernambuco (atualmente chama-se União dos Palmares, pertencente ao estado de Alagoas). Resistiu por mais de um século, transformando-se no símbolo da resistência do africano à escravatura. As mais famosas lideranças foram Ganga Zumba e seu sobrinho, Zumbi. 

A PRESENÇA HOLANDESA EM PERNAMBUCO 1630  A invasão holandesa Os holandeses invadiram a Capitania de Pernambuco com o objetivo de controlar a comercialização do açúcar para a Europa. O Recife se tornou, então, a capital do Brasil Holandês.

Mapa de Pernambuco com desenho de um engenho, feito pelo cartógrafo holandês Willem J. Blaeu, em 1635. O mapa original pertence ao acervo da Biblioteca Nacional dos Países Baixos (KB), em Haia, Holanda. Imagem licenciada sob domínio público.

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Gravura holandesa do Atlas America, feita em 1671, ilustrando o cerco a Olinda em 1630. Os holandeses saquearam e queimaram diversas construções em Olinda, inclusive as igrejas. Imagem licenciada sob domínio público.

foram construídas escolas, bibliotecas, museus, o primeiro horto zoobotânico e o primeiro observatório astronômico das Américas. Nassau transformou o Recife em uma cidade muito desenvolvida para a época. Em 1644, Nassau retorna à Europa levando consigo um acervo de lembranças de Pernambuco, como pinturas, mobiliários, objetos, toros de madeiras, botijas de farinha de mandioca, barris com frutas cristalizadas, conchas e seixos. Na Europa, Nassau ganhou o apelido de “O Brasileiro”.

Vista da Cidade Maurícia (Recife), a capital do Brasil Holandês na pintura de Frans Post, feita em 1657. Imagem licenciada sob domínio público.

1637–1644  O governo de Maurício de Nassau Em 1637, chega ao Recife o conde Maurício de Nassau que dá início à construção da Cidade Maurícia (ou Mauritsstad), dotando a cidade de pontes, diques, canais e edifícios como o Palácio de Friburgo, sede do seu governo. Junto com Nassau, chega uma comitiva composta por médicos,

Detalhe da gravura de Frans Post, feita em 1643, mostrando o Palácio de Friburgo, residência de Maurício de Nassau, que foi demolida no século XVIII. Imagem licenciada sob domínio público.

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naturalistas, astrônomos, cartógrafos, arquitetos e pintores. Destacam-se os pintores Frans Post, Albert Eckhout e Zacharias Wagenaer que realizaram um conjunto de obras consideradas uma das primeiras representações visuais do Brasil, através de pinturas e de desenhos de paisagens da região Nordeste, dos habitantes originários e africanos, de animais, de frutas, entre outras imagens. Na administração de Nassau

1645–1654  Insurreição Pernambucana Após a saída de Nassau, tem início um movimento de resistência à permanência holandesa em Pernambuco que contou com a união de portugueses, negros africanos libertos e indígenas locais. O primeiro embate foi a Batalha do Monte das Tabocas, ocorrido em 1645, em Vitória de Santo Antão. Em seguida, a Batalha dos Guararapes, travada em dois confrontos no Monte dos Guararapes em 1648 e 1649, foi um dos principais episódios da

Batalha dos Guararapes, pintura de autor desconhecido, feita em 1758. A pintura original está no acervo do Museu de Histórico Nacional, no Rio de Janeiro. Imagem licenciada sob domínio público.


Campo das Princesas (Largo do Palácio), litogravura de Luis Schlappriz, feita entre os anos 1863–1865. O original está no acervo da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro. Imagem licenciada sob domínio público.

resistência brasileira aos holandeses. A Batalha das Salinas, ocorrida em 1654, foi a última das batalhas. Desse período, destacam-se ainda a Batalha de Casa Forte, em 1645, e a Batalha do Tejucupapo, em 1646. Esse período também é conhecido por Restauração Pernambucana e resultou na expulsão dos holandeses da região Nordeste do país, devolvendo o Brasil à Coroa Portuguesa. Os holandeses, por sua vez, levaram negros escravizados, mudas de cana-deaçúcar e todo o conhecimento adquirido para Barbados (América Central), iniciando uma forte concorrência com o Brasil. As exportações brasileiras caíram pela metade, gerando uma crise para o Nordeste açucareiro que repercute até os dias atuais. A monocultura da cana-de-açúcar também contribui para que a região seja considerada uma das mais subdesenvolvidas do Brasil.

CONFLITOS DURANTE O GOVERNO DA COROA PORTUGUESA 1661  O Tratado da Haia A monarquia inglesa interferiu para que fosse acordado um tratado de paz firmado entre Portugal e Holanda. O Tratado da Haia, como foi chamado, determinava que os territórios conquistados pela Holanda no Brasil fossem formalmente devolvidos a Portugal em troca de uma indenização de quatro milhões de cruzados. Para

a época, o valor foi tão alto que foi estabelecido um imposto para quitar a dívida, que vigorou no Brasil até o século XIX. Os pernambucanos sentiram-se indignados em pagar tal imposto, visto que foram os vencedores nas batalhas contra os holandeses. O sentimento de indignação foi semente para futuras revoltas pernambucanas.

1695  Destruição do Quilombo dos Palmares e morte de Zumbi Com a expulsão dos holandeses do Nordeste do Brasil, acentuou-se a carência de mão de obra para a retomada de produção dos engenhos de açúcar da região. Por esse motivo, os ataques ao Quilombo dos Palmares aumentaram, visando a recaptura dos escravos fugitivos. Cerca de 18 expedições atacaram o quilombo até que um grupo de bandeirantes paulistas destruiu o lugar. Apesar da corajosa resistência, o líder quilombola Zumbi foi morto em uma

Desenho colorido retratando costumes e escravos em Pernambuco, obra atribuída a H. Lewis, feita em 1848, para o álbum Vistas e costumes de Pernambuco. O original está no acervo da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro. Imagem licenciada sob domínio público.

emboscada. Sua cabeça foi cortada e conduzida para o Recife, onde foi exposta em praça pública no Pátio do Carmo, no alto de um mastro, para servir de exemplo a outros escravizados.

1710–1711  Guerra dos Mascates Após a saída dos holandeses, muitos comerciantes portugueses — chamados “mascates” — se estabeleceram no Recife. Os engenhos estavam em crise 37


depois de perderem investimentos holandeses. O desenvolvimento do Recife começou a causar conflitos de interesses políticos e econômicos entre a nobreza açucareira que vivia em Olinda e os novos comerciantes que não aceitavam a autoridade da Câmara Municipal. Deu-se início a uma série de combates e cercos, conhecida como Guerra dos Mascates. Em 1711, após intervenção colonial, as lutas foram suspensas e Recife garantiu sua igualdade perante Olinda.

a enviar grandes somas de dinheiro para custear salários, comidas, roupas e festas da Família Real e seu séquito, que tinham se transferido para o Brasil em 1808. O escoamento de verbas dificultava o enfrentamento de problemas locais, como a seca de 1816. Os revolucionários queriam a independência de Pernambuco e um governo republicano. Foi o único movimento separatista do período da dominação portuguesa que ultrapassou a fase conspiratória e atingiu o processo de tomada do poder. Apesar de terem ficado no poder menos de três meses, os revolucionários conseguiram abalar a confiança da Coroa Portuguesa.

1817  Revolução Pernambucana A Revolução Pernambucana eclodiu em 6 de março de 1817. Foi um movimento emancipacionista contra a Coroa portuguesa, liderado pelos proprietários de terras com o apoio da Igreja Católica e da Maçonaria. Inspirados pelos ideais iluministas, os pernambucanos se colocaram contra o absolutismo da monarquia portuguesa. Na época, o governo de Pernambuco era obrigado

PERNAMBUCO NO PERÍODO IMPERIAL 1824  Confederação do Equador A Confederação do Equador foi um movimento separatista que começou em

Pintura aquarelada da Bandeira de Pernambuco, autor desconhecido, datada de 14 de maio de 1817. O original está no acervo da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro. Imagem licenciada sob domínio público.

Pernambuco e se alastrou para outras províncias do Nordeste. Representou a principal reação antimonarquista contra a política centralizadora do governo de Dom Pedro I, depois de estabelecida a Carta Outorgada de 1824, a primeira constituição do país. O movimento tentava estabelecer um governo independente dentro da região Nordeste, diminuindo a influência do Império nos 38

Detalhe do painel de Frei Caneca, feito por Cícero Dias, em 1982.


assuntos regionais, acabando com o tráfico de escravos e criando uma constituição republicana e liberalista. Devido às dissidências entre lideranças, a Confederação do Equador teve fim em 1825. Um de seus maiores expoentes foi Frei Caneca, que foi condenado à morte por participar do movimento. Em 1831, Dom Pedro I volta para Portugal e deixa seu filho como príncipe regente. Em 1840, Dom Pedro II assume o trono.

1848–1850  Revolução Praieira A Revolução Praieira foi um movimento liberal e separatista ocorrido em Pernambuco, durante o reinado de Dom

Nordeste do Brasil tinha como objetivo o reconhecimento de sua soberania. A visita de Dom Pedro II ao Recife foi motivo para nomear certos lugares por onde ele passou. O cais improvisado onde ele e sua comitiva desembarcaram recebeu o nome de Cais do Imperador. A antiga Rua da Cadeia por onde ele caminhou passou a se chamar Rua do Imperador Dom Pedro II. Também o nome Palácio do Campo das Princesas teve origem nessa visita. Conta-se que suas filhas brincavam nos jardins do palácio. Na ocasião, o imperador visitou um hospital em construção que passou a se chamar Hospital Pedro II (que atualmente integra o complexo hospitalar do IMIP, no bairro dos Coelhos). Depois do Recife, Dom Pedro II visitou as cidades de Olinda, Igarassu, Moreno e Vitória de Santo Antão.

1870–1883  Joaquim Nabuco e a campanha abolicionista

Detalhe do mural Revoluções Pernambucanas, feito por Corbiniano Lins, em 1967.

Pedro II. Além do descontentamento com o governo imperial, a população estava insatisfeita com a concentração do poder pelo Partido Liberal e pelo Partido Conservador, dominados por duas famílias que viviam fazendo acordos políticos entre si. Nesse contexto, surgiu o Partido da Praia, criado para fazer oposição ao poder estabelecido. Aconteceram lutas armadas e ataques às tropas do governo imperial, que interveio e pôs fim à maior insurreição ocorrida no Segundo Reinado.

1859  Dom Pedro II visita Pernambuco Em 1859, o imperador Dom Pedro II veio até Pernambuco. Sua viagem pelo

Os movimentos a favor da abolição da escravidão ganharam força e várias sociedades abolicionistas se espalharam em todo o Brasil. No Recife, Joaquim Nabuco, enquanto estudante do curso de Ciências Sociais e Jurídicas pela Faculdade de Direito do Recife, tinha como colegas de turma Castro Alves, José Mariano e Rui Barbosa. Todos eles se tornaram abolicionistas com forte atuação na época. Em 1883, Joaquim

Monumento a Joaquim Nabuco, feito por João Bereta de Carrara e Pedro Mayol, em 1915

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Nabuco publica o livro O Abolicionismo, em que traz um diagnóstico das desigualdades da sociedade brasileira do século XIX e faz inúmeras denúncias contra o grande mal representado pela escravidão.

1884–1887  Os clubes abolicionistas: Clube do Cupim e O Terpsícore

Detalhe do mural Joaquim Nabuco e a Abolição, feito por Abelardo da Hora, em 1950.

Em 1884, é fundada no Recife a Sociedade Abolicionista Clube do Cupim, que tinha como lema a libertação dos escravizados por todos os meios. Possuíam adeptos e simpatizantes em todo lugar. Havia uma grande quantidade de “panelas”, como eram conhecidos os esconderijos dos escravos que a sociedade ajudava a libertar. No Recife, os carregamentos e envios de escravos clandestinos para outros locais

movimentos abolicionistas e de ações dos próprios escravizados, a Lei Áurea foi apresentada oficialmente como um “presente” da princesa Isabel e não como uma conquista de lutas libertárias. Tal estratégia política implicava em divulgar que os escravos haviam sido “contemplados” com a lei e, em troca, deveriam mostrar “gratidão” pela dádiva. Por esse motivo, antigas estruturas de servidão e redes de dependências foram reconfiguradas, gerando uma imensa desigualdade social até os dias atuais.

O PRIMEIRO PERÍODO REPUBLICANO EM PERNAMBUCO 1910–1915  A construção da Paris Pernambucana Em 1910, começa uma grande reforma urbana no Bairro do Recife, inspirada no modelo que o arquiteto francês Haussmann criou para a cidade de

passaram a ser frequentes. Em 1887, na cidade de Goiana, foi criado o clube abolicionista chamado O Terpsícore, que atuava junto com o Clube do Cupim levantando fundos para a libertação dos escravizados.

1887–1889  Abolição da escravidão e Proclamação da República Em Pernambuco, a cidade de Goiana foi a primeira a libertar os escravos, em 25 de março de 1887. A Lei Áurea foi assinada em 13 de maio de 1888, extinguindo oficialmente a escravidão no Brasil. Apesar de ter sido uma conquista dos

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Paris. A reforma modernizou o porto do Recife e construiu largas avenidas. Mais da metade do antigo bairro foi demolido, sem preocupação com a preservação dos edifícios históricos. A intervenção também se caracterizou pelas recomposições de fachadas e construções em estilo eclético. Entre 1912 e 1915, acontece outra alteração significativa no Bairro do Recife quando a antiga península foi rompida na altura da Fortaleza do Buraco, transformado o bairro em ilha e extinguindo o istmo natural que ficava entre Recife e Olinda.

Obras no Bairro do Recife, em 1913. Fotografia F. du Bocage. Coleção Benício Dias. Acervo Fundação Joaquim Nabuco – Ministério da Educação.


1926–1933  O Movimento Regionalista e Casa Grande & Senzala

pernambucanos. Em 1976, foi extinta e os cursos foram assimilados pelo Centro de Artes e Comunicação (CAC) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

O Manifesto Regionalista de 1926 é um conjunto de declarações que foram feitas pelo Grupo Modernista-Regionalista deRecife, liderado pelo sociólogo pernambucano Gilberto Freyre. O manifesto faz

1934  Burle Marx e as praças do Recife Desenho de Cícero Dias para a edição comemorativa de Casa Grande e Senzala de Gilberto Freyre, 1980.

Em 1934, o paisagista Burle Marx é contratado pelo governo do Estado de Pernambuco para assumir o Setor de Parques e Jardins da Diretoria de Arquitetura e Urbanismo, quando projetou os seus primeiros jardins públicos: a Praça de Casa Forte, a Praça Euclides da Cunha, a Praça do Derby, a Praça da República e o jardim do Campo das Princesas, a Praça do Entroncamento, a Praça Artur Oscar, a Praça Dezessete e a Praça Pinto Damaso (Praça da Várzea).

1948–1952  A Sociedade de Arte Moderna do Recife (SAMR) e o Ateliê Coletivo

parte da primeira fase do Modernismo no Brasil e seu conteúdo expressava a necessidade de restituir a cultura regional nordestina. A partir do Movimento Regionalista, começou a valorização da arquitetura regional, dos costumes tradicionais, da música, da pintura, da poesia, da arte popular, entre outros. Em 1933, Gilberto Freyre publica o livro Casagrande & Senzala, que trata da origem do Brasil e da formação do povo brasileiro.

1932  Escola de Belas Artes de Pernambuco Fundada em 1932, a escola foi criada para suprir a necessidade de um local voltado para o estudo de conhecimentos artísticos no Nordeste brasileiro. Foram oferecidos cursos de arquitetura, pintura, escultura, música e arte dramática. Entre os fundadores estão Bibiano Silva, Murillo La Greca, Henrich Moser e Baltazar da Câmara. A Escola de Belas Artes atuou na formação de inúmeros artistas

Diário da Manhã, 09.04.1965. APEJECEPE

A Sociedade de Arte Moderna do Recife (SAMR) é um dos primeiros movimentos de artistas organizados na capital pernambucana. Marcou o rompimento com o sistema acadêmico de ensino implantado pela Escola de Belas Artes de Pernambuco. Abelardo da Hora, Hélio

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Feijó e Lula Cardoso Ayres estão entre os fundadores. Em 1952, como resultado direto da SAMR, é fundado o Ateliê Coletivo com o objetivo de valorizar o caráter brasileiro nas criações artísticas. Criado e dirigido por Abelardo da Hora, teve a participação de Gilvan Samico, Wellington Virgolino, Wilton de Souza, entre outros. A produção artística dessa época traz em comum temas do realismo social e regional, obras figurativas e o diálogo com a arte popular.

1946  Josué de Castro e a Geografia da Fome Em 1946, o pernambucano Josué de Castro, escritor e ativista do combate à fome, publica seu livro Geografia da Fome,

gestão de Miguel Arraes na Prefeitura do Recife. Sua sede funcionava no Sítio da Trindade, antigo Arraial do Bom Jesus, no Bairro de Casa Amarela. Era formado por estudantes, artistas e intelectuais e pretendia realizar uma ação comunitária de educação popular e formar uma consciência política e social nos trabalhadores. Dentre os participantes do MCP estavam Paulo Freire, Abelardo da Hora, Ariano Suassuna, Francisco Brennand, entre outros. O MCP serviu de modelo para outros estados do Brasil. Com o golpe militar, em 1964, o MCP foi extinto, toda sua documentação foi queimada, obras de arte destruídas e alguns dos participantes foram perseguidos e exilados do país.

DEMÉTRIO ALBUQUERQUE, ALBERICO PAES BARRETO, ERIC PERMAN E LUIZ AUGUSTO RANGEL

Monumento Tortura Nunca Mais, 1993 – Rua da Aurora

obra clássica para entender o problema da fome e como é possível resolvê-lo. O livro já foi traduzido para mais de 25 idiomas. Partindo de sua experiência pessoal no Nordeste brasileiro, publicou uma extensa obra sobre o tema da fome, como o livro Homens e Caranguejos, publicado em 1967.

1958–1960  Movimento de Cultura Popular (MCP) O Movimento de Cultura Popular (MCP) foi criado como uma instituição sem fins lucrativos, durante a primeira

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PERNAMBUCO NOS TEMPOS DO REGIME MILITAR 1964–1985  O Regime Militar no Recife De 1964 até 1985, o Brasil viveu sob o Regime Militar. A cidade do Recife foi um dos principais centros de atuação e de repressão dos governos militares. Dentre os episódios marcantes do período, destaca-se a prisão de Miguel Arraes, então governador de Pernambuco, o assassinato de dois estudantes durante a manifestação contra a prisão de Arraes, a prisão e a tortura em praça pública do político Gregório Bezerra, a

Monumento Tortura Nunca Mais, feito por Demétrio Albuquerque, Alberico Paes Barreto, Eric Perman e Luiz Augusto Rangel, em 1993 – Rua da Aurora


prisão e o exílio do educador Paulo Freire. Destaca-se também a atuação de Dom Helder Câmara como Arcebispo de Olinda e Recife e um dos principais símbolos da resistência ao Regime Militar.

Pernambuco foi inaugurada. Em 1980, o prédio foi tombado em instância estadual, ficando sob a responsabilidade da Fundarpe. Atualmente chama-se Casa da Cultura Luiz Gonzaga.

1968  O Manifesto Tropicalista

1982–1988  As Brigadas Muralistas em Olinda e no Recife e a Quarta Zona de Arte

Em maio de 1968, foi lançado em Olinda o Manifesto Tropicalista que defendia uma vanguarda cultural e o rompimento com antigos padrões. O manifesto foi assinado por Jomard Muniz de Brito, Aristides Guimarães, Celso Marconi, Caetano Veloso, Gilberto Gil e outros tropicalistas da Paraíba e do Rio Grande do Norte.

Durante as eleições de 1982, surgiu nas cidades de Olinda e Recife, o movimento das Brigadas Muralistas, no qual artistas

1973–1980  A Casa de Detenção do Recife se transforma em Casa da Cultura de Pernambuco A Casa de Detenção do Recife se tornou famosa por ter abrigado ilustres perseguidos políticos durante os regimes ditatoriais de 1930 a 1945 (Era Vargas)

Casa da Cultura

e 1964-1985 (Regime Militar), como Gregório Bezerra, Francisco Julião, Antônio Silvino, Graciliano Ramos, João Dantas, entre outros. Em 1973, o presídio foi fechado por excesso de detentos. A proposta para transformar a edificação em centro cultural foi idealizada por Francisco Brennand, que convidou Lina Bo Bardi e Jorge Martins Junior para desenvolverem o projeto arquitetônico. Em 1976, a Casa da Cultura de

se mobilizaram a favor de uma arte democrática e de táticas de propaganda política que funcionassem como alternativas à Lei Falcão — instituída no Regime Militar e que proibia a propaganda eleitoral. O movimento teve início com um mural pintado na Rua da União pela Brigada Portinari. Na sequência, surgiu a Brigada Jarbas Barbosa, em 1986, e a Brigada Henfil, em 1988. A prática da arte mural das brigadas foi inspirada no muralismo chileno, que buscava defender uma arte pública e coletiva. Em 1988, surge no Bairro do Recife o ateliê coletivo Quarta Zona de Arte, um espaço de produção, formação, exposições e divulgação de uma nova cena nas artes plásticas do Recife, reunindo artistas como José Paulo, Maurício Castro, Maurício Silva, Rinaldo, Joelson Gomes, Flávio Emanuel, Márcio Almeida, Dantas

Brigada ....

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Suassuna, Aurélio Velho, Fernando Augusto, José Patrício, Alexandre Nóbrega, entre outros. O ateliê Quarta Zona de Arte atuou até 1994 e influenciou o surgimento de outros coletivos de artistas no Recife.

um movimento de contracultura que mistura ritmos regionais, como o maracatu, rock, hip hop e música eletrônica. As principais letras das músicas fazem críticas à desigualdade econômico-social da cidade do Recife como um reflexo do descaso do Estado. O cantor Chico Science, um dos ícones do movimento, também incorporou em algumas de suas composições a obra de Josué de Castro, geógrafo e escritor pernambucano que escreveu o livro Homens e Caranguejos e Geografia da Fome. O caranguejo se tornou o símbolo do Movimento Mangue.

1983  Diretas Já e a redemocratização do Brasil “Diretas Já” foi um movimento civil de reivindicação por eleições presidenciais diretas no Brasil, ocorrido entre 1983 e 1984. A primeira manifestação pública a favor de eleições diretas ocorreu no recém-emancipado município de Abreu e Lima, na Região Metropolitana do Recife, em Pernambuco, no dia 31 de março de 1983. O movimento se expandiu por todo o país e foi responsável pelo fim do Regime Militar no Brasil e o início da redemocratização no país.

1992–2000  Revitalização do Bairro do Recife Entre os anos de 1992 e 1997, é realizado o Plano de Revitalização do Bairro do Recife, que restaurou espaços públicos

PERÍODO DA NOVA REPÚBLICA

1991  Movimento Mangue Em 1991, surge no Recife o Movimento Mangue (ou Manguebeat), considerado

Escultura de Chico Sciense, feita por Demétrio Albuquerque em 2015 – Rua da Moeda

44

degradados, recuperou pontes, calçadas, iluminação pública, incentivou a abertura de bares, restaurantes e transformou o Bairro do Recife numa região de encontros e de eventos para a cidade. Em 2000, é inaugurada a atual Praça do Marco Zero e o Parque de Esculturas Francisco Brennand.

Parque de Esculturas Francisco Brennand, 2000 – Molhe dos Arrecifes, Marco Zero


1994–2010  Coletivos de Artistas Contemporâneos Em meados dos anos 1990, diversos coletivos de artistas surgem no Recife e começam a atuar fora dos espaços tradicionais do circuito da arte (museus e galerias), promovendo ações coletivas associadas à arte contemporânea (performances, videoarte, grafite, entre outras). Dessa época destaca-se o Molusco Lama (1994), Subgraf (1995), Grupo Carga e Descarga (1996), Grupo Camelo (1996), Telephone Colorido (2000), Ateliê Submarino (2001), Re:combo (2001), Branco do Olho (2004), Editora Livrinho de Papel Finíssimo (2006) e Galeria Mau Mau (2010).

2001–2013  SPA das Artes SPA DAS ARTES

Performance de Bárbara Rodrigues pelo Centro do Recife, 2009

com artistas, intervenções urbanas, performances e incentivo a produção de projetos artísticos experimentais inéditos. O SPA das Artes fez história ao incorporar a arte contemporânea ao circuito cultural do Recife com um projeto participativo de produção e de circulação de arte que reverbera até os dias atuais.

2005-2017  Circuito da Poesia Entre os anos de 2005 e 2017, são instaladas 17 esculturas em tamanho real, homenageando artistas que nasceram ou viveram em Pernambuco, formando o Circuito da Poesia. Todas as esculturas são de autoria de Demétrio Albuquerque e estão espalhadas em diferentes espaços públicos do Recife.

O SPA das Artes ou Semana de Artes Visuais do Recife foi um evento que, ao longo de 12 edições, realizou diversas ações de incentivo à arte contemporânea, como oficinas, palestras, bate-papo

DEMÉTRIO ALBUQUERQUE

Esculturas do Circuito da Poesia, feitas por Demétrio Albuquerque entre 2005–2017 – Diversos pontos da cidade do Recife

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Memórias da presença holandesa ESCULTURA DE MAURÍCIO DE NASSAU Apesar de ser lembrado como holandês, o conde Maurício de Nassau nasceu em Siegen, na Alemanha, em 1604. Seu nome completo em alemão era Johann Moritz von Nassau-Siegen, que abrasileirando virou João Maurício de Nassau. Quando foi governador do Brasil Holandês estava trabalhando para a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais. Em 2004, em virtude das comemorações dos seus 400 anos, o Governo da República Federal da Alemanha doou ao povo pernambucano uma escultura em sua homenagem. A escultura é feita em bronze e é uma cópia de um busto confeccionado pelo escultor holandês Bartholomeus Eggers, em 1664, cujo original está no jazigo do conde Maurício de Nassau, em Siegen, na Alemanha. A escultura encontra-se BARTHOLOMEUS EGGERS

Escultura em homenagem ao conde Maurício de Nassau, 2004 (cópia) – Praça da República

Ponte Maurício de Nassau e Estátuas, 1643–1917

46

na Praça da República, bem em frente ao Palácio

partes do mundo. Foi considerado o primeiro

do Campo das Princesas, próximo ao local onde o

Zoobotânico das Américas e serviu como laboratório

governante holandês construiu o Palácio de Friburgo,

para membros de sua comitiva, como o médico e

sede de seu governo, no século XVII. Toda essa região

naturalista Willem Piso e o astrônomo e naturalista

era um grande alagado e começou a ser modificada

George Marcgrave que colecionaram material

quando Maurício de Nassau chegou ao Recife, em

necessário para o clássico livro Historia Naturalis

1637. Ao lado do seu palácio, Nassau criou um jardim

Brasiliae, publicado em 1648. O parque também

onde cultivou árvores frutíferas e coqueiros, além de

serviu de cenário para algumas das pinturas de

abrigar alguns animais vindos das mais diferentes

Frans Post e Albert Ecckhout.


PONTE MAURÍCIO DE NASSAU Em 1643, Nassau inaugurava a primeira ponte de grande porte do Brasil e a mais antiga da América Latina. A ponte ligava a vila portuária do Recife à Ilha de Antônio Vaz, chamada na época de Cidade Maurícia. Na inauguração, para chamar a atenção do público, Nassau divulgou que um boi iria voar sobre a ponte, episódio que ficou conhecido como o “boi voador” e marcou a história da cidade. Nas suas cabeceiras existiam dois arcos, um do lado do Bairro do Recife, denominado Arco da Conceição, e outro do lado oposto chamado Arco de Santo Antônio. Feita inicialmente em madeira, a ponte sofreu várias reformas ao longo dos anos e, em 1917, foi reconstruída em concreto armado e reinaugurada com o nome Ponte Maurício de Nassau. Os arcos foram demolidos durante a reforma do Bairro do Recife, em 1910. Hoje em dia, existem quatro grandes estátuas de bronze, duas em cada extremidade da ponte, que fazem referência à mitologia greco-romana. As estátuas viradas para o Bairro do Recife representam a Cultura (Atena ou Minerva) e a Lavoura (Deméter ou Ceres). As outras duas viradas para o Bairro de Santo Antônio representam o Comércio (Hermes ou Mercúrio) e a

internacionalmente tanto pela qualidade técnica como por ser um raro exemplo de harmonia de composição (cor, luz, sombra e traço). Composto por três partes, o vitral mostra uma cena que representa América do Sul, comandada pelo conde Maurício de Nassau. O evento oficialmente aconteceu em 1640, quando Nassau convocou uma assembleia legislativa reunindo brasileiros e portugueses para tratarem juntos da situação política e econômica da colônia. Na cena representada no vitral, o conde

VITRAL DO PALÁCIO DA JUSTIÇA

documento ladeado por holandeses, brasileiros e

foi feito pelo artista alemão Heinrich Moser, em 1930. Encontra-se no patamar da escada que leva ao segundo andar do prédio. Heinrich Moser é considerado um dos mais perfeccionistas na arte do vitral. Trabalhava principalmente com vidros coloridos, cujos matizes chegavam aproximadamente a 200 tonalidades. O vitral do Palácio da Justiça é uma das suas obras mais significativas e é reconhecido nacional e

Vitral Abertura do Primeiro Parlamento Democrático da América do Sul, 1930 – Palácio da Justiça

a abertura do primeiro parlamento democrático da

Justiça (Atena ou Palas Atena).

O vitral do Palácio da Justiça de Pernambuco

HEINRICH MOSER

Maurício de Nassau está no centro, em pé, lendo um portugueses. A legenda central está em latim e diz: “No dia 24 de agosto de 1640, Maurício de Nassau, príncipe germânico, em nome do governo holandês, convocou os tribunos do povo para uma assembleia, tida como a primeira na América do Sul, a fim de que cuidassem das leis da pátria a serem promulgadas”.

MURAL BATALHA DOS GUARARAPES O mural intitulado Batalha dos Guararapes retrata cenas das batalhas travadas entre os holandeses e os brasileiros, em 1648 e 1649, no Monte dos 47


FRANCISCO BRENNAND

Guararapes, durante o histórico movimento

ainda era invadido de outras maneiras na atualidade.

Mural Batalha dos Guararapes, 1961–1962 – Rua das Flores

conhecido como Insurreição Pernambucana. Francisco

O artista considera essa obra um mural histórico

Brennand realizou este mural entre agosto de 1961

e cheio de significados. Se há uma obra minha que

e abril de 1962, por encomenda de dois empresários

merece durar para a posteridade é a Batalha dos

ABELARDO DA HORA

do antigo Banco da Lavoura de Minas Gerais, os

Guararapes. Se deixassem o mural resguardado, para

Monumento à Restauração Pernambucana, 1975 – Praça Sérgio Loreto

irmãos mineiros Gilberto e Aloísio Farias, que

mim seria o bastante”, diz Brennand.

109

indicaram o tema da Batalha dos Guararapes. Feito em cerâmica, o grande mural mede 33 metros de comprimento e 2,5 metros de altura. Composto de pedras cerâmicas, o mural está localizado na Rua das Flores, fixado na lateral do Edifício Tiradentes, esquina com a Avenida Dantas Barreto, no centro do Recife. Em toda a sua extensão, a obra mostra diferentes cenas de batalhas entre os soldados brasileiros, representados por brancos, indígenas e negros sempre em posição de ataque, e os soldados holandeses sempre em posição de defesa. Há também uma diversidade de imagens da flora e da fauna nordestina nas margens do painel, além de símbolos como bandeiras e armas. Nas extremidades do mural encontram-se poemas de César Leal e de Ariano Suassuna. Brennand incluiu nas cenas de batalhas as figuras do ex-presidente Jânio Quadros e do amigo Ariano Suassuna, homenageando-os como comandantes que lutavam pela soberania nacional. A imagem da atual bandeira do Brasil também está presente na obra, mesmo não sendo a bandeira oficial do país na época das batalhas. A intenção de Brennand foi fazer uma analogia histórica, indicando que aquela batalha continuava viva, pois o Brasil

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110

MONUMENTO À RESTAURAÇÃO PERNAMBUCANA O Monumento à Restauração Pernambucana faz uma homenagem aos heróis das batalhas travadas contra os holandeses em Pernambuco. O movimento que integrou brancos, negros e indígenas, foi liderado pelo militar luso-brasileiro André Vidal de Negreiros,


pelo português João Fernandes Vieira, por Henrique Dias, capitão dos negros e por Filipe Camarão, capitão dos indígenas. O monumento é feito em 111

concreto armado e tem mais de cinco metros de

112

altura. Encontra-se na Praça Sérgio Loreto, no bairro de São José. As figuras humanas presentes na obra representam os personagens das batalhas e uma figura feminina central que representa a vitória do povo pernambucano.

OBELISCO EM HOMENAGEM AOS 350 ANOS DA RESTAURAÇÃO PERNAMBUCANA O obelisco foi erguido em homenagem aos 350 anos da Restauração Pernambucana, completados no ano de 2004. Com mais de 10 metros de altura e cerca de 20 toneladas, o obelisco foi erguido com pedras de cantaria e esculpido na cidade de Esposende, no norte de Portugal, pelo escultor português Francisco Nóvoa. O escultor obedeceu a um esboço feito por Francisco Brennand para o obelisco. O projeto da praça onde está o obelisco é do arquiteto português Manuel Maia Gomes, que contou com a colaboração do escritório de arquitetura pernambucano Pontual Arquitetos. O obelisco foi oferecido pela comunidade portuguesa do Recife para evocar a amizade que unem brasileiros e portugueses e as figuras históricas de André Vidal de Negreiros, Henrique Dias e Felipe Camarão como representantes da união e integração racial que marca o povo brasileiro.

OBRA COLETIVA

Obelisco em homenagem aos 350 anos da Restauração Pernambucana, 2006 – Cais da Alfândega

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Memórias das Revoluções Pernambucanas VITRAIS DO PALÁCIO DO CAMPO DAS PRINCESAS

FORMENTI & CIA

Vitral Alegoria à República, 1919–1922 – Palácio do Campo das Princesas

No Palácio do Campo das Princesas, edifício sede

O primeiro vitral, localizado no primeiro patamar

do Governo de Pernambuco, existem dois vitrais

da escadaria, é conhecido como Alegoria à Revolução

instalados na escadaria principal. Os dois vitrais são

Republicana de 1817 e retrata, de forma alegórica,

de autoria da oficina italiana Formenti & Cia e foram

personagens e símbolos que fizeram parte da histórica

encomendados durante o governo de José Rufino

Revolução Pernambucana. A bandeira de Pernambuco

Bezerra Cavalcanti, entre os anos de 1919 e 1922.

ocupa o centro do vitral e, logo abaixo dela, encontrase a figura de um leão sentado, cuja pata repousa sobre uma coroa. A data de 1817 está destacada no centro do vitral e nas margens estão uma série de datas que marcam outras batalhas e revoluções libertárias que aconteceram em Pernambuco ao longo dos séculos. O segundo vitral pode ser considerado uma Alegoria à República. Ele revela a imagem de quatro mulheres, representadas como deusas da mitologia greco-romana, que ocupam a cena em diferentes posições, cada uma segurando um símbolo diferente, como a bandeira de Pernambuco, a bandeira do Brasil e a Estrela da República.

MURAL REVOLUÇÕES PERNAMBUCANAS (1817, 1824, 1848) O mural Revoluções Pernambucanas foi realizado por Corbiniano Lins, em 1967, em comemoração aos 150 anos da revolução de 1817. O mural é composto por cinco grandes painéis revestidos de azulejos pintados em tons de azul. É uma homenagem a três movimentos separatistas acontecidos em Pernambuco: a Revolução Pernambucana de 1817, a Confederação do Equador, de 1924, e a Revolução Praieira, de 1948. O mural encontra-se na Praça General Abreu e Lima, no bairro de Santo Amaro. Os cinco painéis que compõem o mural estão unidos em ângulos de 90 graus, formando um “S”, conferindo assim uma dinamicidade à obra. As cenas 50


CORBINIANO LINS

Mural Revoluções Pernambucanas, 1967 – Praça General Abreu e Lima CÍCERO DIAS

Painel sobre a Revolução de 1817, 1982 – Casa da Cultura

pintadas nos painéis retratam episódios de lutas e

para Pernambuco para compor dois enormes painéis,

trazem símbolos e personagens que fizeram parte

cada um medindo 6 metros x 4,5 metros, que foram

dos movimentos. Em uma sequência cronológica,

instalados, em 1982, no hall central da Casa da

os painéis apresentam, nas extremidades, textos

Cultura de Pernambuco (atual Casa da Cultura Luiz

que falam sobre os episódios históricos retratados

Gonzaga). Os painéis representam episódios da vida

pelo mural. O primeiro texto trata da Revolução

de Frei Caneca, religioso que atuou nas revoluções

de 1817, seguido por textos sobre Frei Caneca e a

libertárias de Pernambuco de 1817 e 1824. Ambos

Confederação do Equador, sobre a Revolução Praieira,

os painéis trazem diferentes cenas, compostas em

finalizando com um texto sobre o General Abreu

conjuntos pictóricos que podem ser contemplados

e Lima. A bandeira de Pernambuco, originada na

separadamente, sem comprometer a composição

Revolução de 1817, também está presente no mural.

do todo. Sem um rigor cronológico, as pinturas

MURAL FREI CANECA Entre os anos de 1980 e 1982, Cícero Dias produziu um conjunto de pinturas em óleo sobre tela relatando a vida de Frei Caneca. Produzidas em seu ateliê em Paris, o conjunto de telas foi depois transportado

mostram fatos e lugares da história de Pernambuco a partir da vida do religioso. No painel sobre a Revolução de 1817 é possível ver, no primeiro espaço pictórico, da esquerda para a direita e de cima para baixo, as cenas da partida de Frei Caneca e outros presos para a Bahia, quando desfilaram pelas ruas do Recife a caminho do porto onde foram embarcados. O segundo espaço pictórico mostra a participação de Frei Caneca nas batalhas do Engenho Utinga e do Engenho Velho do Cabo, na qual foi derrotado e preso. O terceiro espaço mostra uma cena de luta armada e faz referência ao Padre João Ribeiro, líder e mártir da Revolução Pernambucana de 1817, o criador da bandeira de 51


CÍCERO DIAS

Painel sobre a Revolução de 1824, 1982 – Casa da Cultura

Pernambuco, que teve a cabeça exibida no Largo

de autoria de Frei Caneca. No espaço inferior do

do Corpo Santo, após a derrota dos revoltosos na

painel, veem-se diferentes cenas: o cortejo pelas

batalha do Engenho Trapiche. O quarto espaço

ruas do Recife após a condenação do religioso, a

pictórico, que ocupa verticalmente a lateral

retirada dos rebeldes para o norte da província,

direita do painel, mostra Frei Caneca em vestes de

Frei Caneca na prisão, atuando como professor

carmelita e acima dele o nome Typhis Pernambucano,

no Convento do Carmo, distribuindo exemplares

título do jornal em que ele escreveu e que quer dizer

do seu jornal com o povo e, na parte de baixo do

“piloto (thyphis) pernambucano”, representado pelo canoeiro que está na parte de cima da composição e

quadro, uma paisagem do Recife e de um menino

que traz as bandeiras de Pernambuco e do Brasil.

representa Frei Caneca criança, que nasceu e passou

No painel sobre a revolta de 1824, conhecida como Confederação do Equador, veem-se cenas de outros episódios da vida de Frei Caneca em espaços distintos. Os primeiros espaços pictóricos, da esquerda para a direita e de cima para baixo, mostram o fuzilamento de Frei Caneca e a cerimônia em que ele perde a condição de sacerdote, antes de morrer. Logo abaixo se vê a cena de Frei Caneca na Fortaleza das Cinco Pontas e a recusa do carrasco em enforcá-lo. Ao lado, uma cena do combate entre o Exército Imperial e a Tropa da Confederação do Equador, na qual é possível ler a frase “Oh Pernambuco a par da tua Glória voarei à eternidade”, 52

dentro de um barco com uma caneca. Essa paisagem a infância no antigo bairro popular Fora-de-Portas, banhado pelo Rio Capibaribe e pelo mar, onde o seu pai era conhecido como “Caneca” por ser tanoeiro (fabricante de vasilhames).


Confederação do Equador, em 1824. O fuzilamento

Busto de Frei Caneca, 1981 e Muro Frei Caneca, 1917 – Largo das Cinco Pontas, São José

de Frei Caneca aconteceu em 13 de janeiro de 1825, por ordem da Coroa Imperial do Brasil. O busto e o muro marcam mais um espaço público da cidade do Recife que presta homenagem ao religioso e é

ABELARDO DA HORA E EQUIPE

uma iniciativa do Instituto Arqueológico, Histórico e

Monumento aos Heróis da Revolução de 1817, 1994 – Praça da República

Geográfico de Pernambuco.

MONUMENTO AOS HERÓIS DE 1817 O Monumento aos Heróis da Revolução de 1817 foi realizado em 1994, por Abelardo da Hora e uma equipe formada por Corbiniano Lins, Cavani Rosas, Jobson Figueiredo e Iuri da Hora. Feito em concreto (cimento), o monumento está instalado na Praça

BUSTO DE FREI CANECA

da República, local antes conhecido como “Campo

O busto de Frei Caneca está localizado diante

da Honra”, onde foram enforcados os líderes do

dos muros do Forte das Cinco Pontas, onde o religioso foi fuzilado e morto devido à participação

movimento revolucionário de 1817, como Leão Coroado, Vigário Tenório e Domingos Teotônio.

na Revolução Pernambucana de 1817, e na

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Memórias dos Movimentos Abolicionistas MURAL NABUCO E A ABOLIÇÃO ABELARDO DA HORA

Mural Joaquim Nabuco e a Abolição, 1950 – Rua do Sol.

O mural Joaquim Nabuco e a Abolição, feito em 1950, por Abelardo da Hora, retrata a história da escravatura no Brasil. Com mais de 7 metros de altura, feito com pinturas sobre azulejos, o mural está instalado em um edifício comercial privado, porém sua apreciação é pública, pois está na fachada principal do prédio. O tema foi sugerido pelo arquiteto Augusto Reinaldo que convidou Abelardo para criar o mural. O prédio fica em frente à Praça Joaquim Nabuco, na Rua do Sol, centro do Recife, onde existe um monumento em homenagem à Nabuco. O mural criado por Abelardo é rico em narrativas e aborda a chegada de um navio negreiro, o trabalho escravo em terras brasileiras, as lutas pela liberdade, a presença de Joaquim Nabuco e, por fim, a comemoração pela Abolição da Escravatura.

Da esquerda para a direita e de cima para baixo, vê-se as seguintes cenas retratadas: negros sentados de cabeças baixas e mãos atadas. Um navio negreiro. Negros em pé com as mãos atadas. Abaixo, cena de negros com enxadas trabalhando na plantação de cana de açúcar e um homem branco dando ordens. Abaixo, Joaquim Nabuco segura um jornal em suas mãos ao lado de pessoas negras de punhos erguidos e mulheres negras com filhos no colo. E por último, negros com as mãos para o alto com correntes partidas. Negros comemoram com braços erguidos.

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Esse texto é uma audiodescrição dos painéis sobre Frei Caneca de Cícero Dias. A audiodescrição é o principal recurso de acessibilidade aos conteúdos culturais visuais que beneficia não só as pessoas com deficiência visual ou com dificuldade de aprendizagem, mas também contribui com a alfabetização visual de qualquer pessoa.


MONUMENTO A ZUMBI DOS PALMARES Monumento a Zumbi dos Palmares, criado por Abelardo da Hora, em 2006, presta uma homenagem ao maior herói da história da resistência negra de Pernambuco, Zumbi dos Palmares. Com mais de quatro metros de altura, o monumento está instalado no Pátio do Carmo, em frente à Basílica e ao Convento de Nossa Senhora do Carmo, no centro do Recife. Este local foi escolhido para marcar simbolicamente o lugar onde os restos mortais de Zumbi ficaram expostos no alto de um mastro, durante dias, para servir de exemplo a outros escravos. O Monumento a Zumbi dos Palmares é, ao mesmo tempo, uma homenagem e uma denúncia dos tempos da escravidão. O monumento destaca a luta e a resistência de Zumbi e lembra que a data de sua morte, em 20 de novembro de 1695, atualmente conhecida como o Dia da Consciência Negra.

MONUMENTO AO ABOLICIONISTA JOAQUIM NABUCO O Monumento ao Abolicionista Joaquim Nabuco está na Praça Joaquim Nabuco, centro do Recife. Com mais

de oito metros de altura, o monumento possui uma estátua de bronze representando o abolicionista Joaquim Nabuco como se estivesse discursando. O pedestal é feito em argamassa calcária e traz mais duas estátuas: uma mulher colocando uma coroa de louros aos pés do abolicionista e a estátua de um escravo com as correntes rompidas. Lê-se no pedestal uma dedicatória esculpida: “A Joaquim

ABELARDO DA HORA

Monumento a Zumbi dos Palmares, 2006 – Pátio do Carmo JOÃO BERETA DE CARRARA E PEDRO MAYOL

Monumento a Joaquim Nabuco, 1915 – Praça Joaquim Nabuco

Nabuco o Povo Pernambucano”. Outra placa, instalada na base do pedestal, tem o seguinte texto: “Esta praça evoca o fim da escravidão no Brasil e homenageia o abolicionista Joaquim Nabuco (19/08/1848–17/01/1910). O monumento em estilo art-nouveau tem escultura em bronze atribuída a João Bereta de Carrara e o pedestal a Pedro Mayol. Foi inaugurada em 28 de setembro de 1915 em comemoração à Lei do Ventre Livre e à Lei dos Sexagenários. Restaurada em dezembro de 2006.

BUSTO CASTRO ALVES O busto do poeta e abolicionista Castro Alves está instalado na Praça Adolfo Cirne. A mesma praça que acolhe o prédio da Faculdade de Direito do Recife, lugar onde Castro Alves estudou e foi contemporâneo de outros ilustres abolicionistas, 55


Memórias do Regime Militar MONUMENTO TORTURA NUNCA MAIS E OUTRAS OBRAS NA RUA DA AURORA O Monumento Tortura Nunca Mais está na Rua da Aurora. O espaço onde está instalado surgiu no final da década de 1980, a partir de uma iniciativa da Prefeitura da Cidade do Recife para revitalizar a área da Rua da Aurora. O monumento e outras obras de arte pública que tratam das memórias do período do Regime Militar ocupam o espaço batizado por Praça Padre Henrique, uma homenagem ao religioso que foi uma das vítimas dos crimes cometidos pela ditadura CELSO ANTÔNIO DE MENEZES

como Joaquim Nabuco, José Mariano e Rui Barbosa.

militar em Pernambuco. Na época da revitalização

Busto de Castro Alves, 1947 – Praça Adolfo Cirne (Faculdade de Direito)

O busto foi feito em bronze por Celso Antônio

do local, a Prefeitura da Cidade do Recife abriu um

de Menezes, em 1947. Na mesma praça, ao lado

concurso público para selecionar uma obra de arte

do busto, está instalada uma placa de cerâmica

que fizesse homenagem à memória das pessoas que

Brennand, com o poema: “A praça! A praça é do povo

lutaram e perderam as vidas em prol da liberdade e

como o céu é do condor”, de autoria de Castro Alves.

do retorno dos direitos humanos. O projeto vencedor

DEMÉTRIO ALBUQUERQUE, ALBERICO PAES BARRETO, ERIC PERMAN E LUIZ AUGUSTO RANGEL

Monumento Tortura Nunca Mais, 1993 – Rua da Aurora

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Lins Crespo de Paula, entre outros. Outras duas esculturas em ferro compõem a praça: o Memorial Pessoas Imprescindíveis, criado em 2009 por Cristina Pozzobon e Tiago Balem, e o Monumento ao Nunca Mais: homenagem à resistência e à luta pela anistia em tinha na equipe os arquitetos Alberico Paes Barreto, Eric Perman e Luiz Augusto Rangel e o escultor Demétrio Albuquerque. O monumento foi inaugurado no dia 27 de agosto de 1993 e é composto de duas partes que se integram: uma moldura quadrada em concreto armado e a escultura de uma figura humana em uma posição que ficou conhecida como “pau de

Pernambuco, criado por Cristina Pozzobon, em 2014.

OUTRAS OBRAS DE ARTE QUE SE RELACIONAM ÀS MEMÓRIAS DO REGIME MILITAR

CRISTINA POZZOBON E TIAGO BALEM

Memorial Pessoas Imprescindíveis, 2009 CRISTINA POZZOBON

Monumento ao Nunca Mais: homenagem à resistência e à luta pela anistia em Pernambuco, 2014 DEMÉTRIO ALBUQUERQUE

Monumento a Dom Helder Câmara, 2009 – Rua das Fronteiras, Bairro da Boa Vista

arara” — uma técnica de tortura utilizada durante a ditadura militar. O Monumento Tortura Nunca Mais foi o primeiro monumento público do Brasil a homenagear e guardar a memória daqueles que lutaram contra o Regime Militar. Outras obras de arte integram o espaço da Praça Padre Henrique. Existe um conjunto de placas simbólicas com os nomes dos mortos, desaparecidos e líderes que lutaram contra a ditadura militar em Pernambuco, como Francisco Julião, Amaro Luiz de Carvalho, Alexina 57


Tempos contemporâneos OUTRAS ARTES URBANAS Em tempos contemporâneos, outras artes urbanas vão construindo novas memórias coletivas. É o caso do grafite que, em alguns casos, pode ser uma arte urbana de curta duração, mas também pode ser a linguagem artística perfeita para a criação de obras de arte públicas monumentais. Como exemplo dessa linguagem contemporânea tem-se o imenso painel em homenagem a Luiz Gonzaga, realizado por Eduardo Kobra no prédio da Prefeitura da Cidade do Recife em 2015. Com 77 metros de altura, o painel pode ser visualizado de vários pontos da cidade. Placa em Homenagem aos Estudantes Mortos em 1964. Fórum Permanente de Anistia em Pernambuco – Associação Pernambucana de Anistiados Políticos – APAP, 2008 – Avenida Dantas Barreto, Bairro de Santo Antônio EDUARDO KOBRA

Painel Luiz Gonzaga, 2015 – Edifício da Prefeitura da Cidade do Recife

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O Recife tem diversos outros exemplos da presença do grafite. Vale a pena prestar atenção nessa linguagem de arte urbana.


Grafite reverso com imagem do rosto de uma professora que desenvolve um trabalho de educação com crianças indígenas. Está gravada no edifício São Jorge, no bairro de Santo Antônio. A obra é do artista português Alexandre Farto, conhecido como Vhils, feita em 2014. Intervenção de grafite na escultura Carne da Minha Perna ou Caranguejo da Rua da Aurora, anos 2010.

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E DU CATI VO QUESTÕES MEDIADORAS

E quais histórias não foram contadas?

Que histórias são contadas nessas obras de arte públicas?

Você consegue perceber uma memória coletiva nessas obras?

De que maneira essas obras fazem lembrar ou esquecer de algo?

Você sabia?

Para saber mais...

Outras memórias da cidade do Recife

LIVROS

Não são apenas as obras de arte públicas que contam as histórias do Recife. As memórias da cidade estão presentes em edificações antigas, em praças, mercados públicos, nos nomes das ruas e em tantos outros lugares e situações típicas da capital pernambucana. Muitos livros e guias já foram escritos sobre a cidade do Recife. Selecionamos alguns que listamos abaixo para que você possa contemplar a cidade e suas memórias de ontem e de hoje.

Guia Prático, Histórico e Sentimental da Cidade do Recife. Gilberto Freyre, Global Editora, 2007 (1ª edição de 1934). Arruar: História Pitoresca do Recife Antigo. Mario Sette, Cepe Editora, 2018 (1ª edição de 1948). Monumentos do Recife. Rubem Franca, Editora Secretaria de Educação, 1974. Guia Comum do Centro do Recife. Bruna Rafaella Ferrer, publicação artística, 2015. Brasil: Uma Biografia. Lilia Schwarcz e Heloisa Starling, Editora Companhia das Letras, 2015.

SITES

Sugestão de Atividades Que tal você criar um percurso a partir de suas memórias com a cidade? 60

Aplicativo Guia Comum do Centro do Recife. play.google. com/store/apps/details?id=com.guia.guiacomumdorecife Obscuro Fichário dos Artistas Mundanos obscurofichario.com.br/


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PERCURSO CIDADE MEMÓRIA MEMÓRIAS DO PERÍODO HOLANDÊS EM PERNAMBUCO

1. Ponte Maurício de Nassau e Estátuas, 1917 Estátuas A Cultura, A Lavoura, A Justiça e O Comércio – Fundição Val d'Osne 2. Escultura de

Maurício de Nassau, 2004 – Doação da

República Federativa da Alemanha ao Povo Pernambucano – Praça da República, Bairro de Santo Antônio 3. Vitral Primeiro Parlamento Democrático da América, comandado por Maurício de Nassau, Heinrich Moser, 1930 – Palácio da Justiça (interno), Bairro de Santo Antônio 4. Mural Batalha dos Guararapes, Francisco Brennand, 1962 – Rua das Flores, Bairro de Santo Antônio

5. Obelisco em homenagem aos 350 anos da Restauração Pernambucana – obra coletiva: Maia Gomes, Francisc o Brennand e Pontual Arquitetos, 2006 – Cais da Alfândega, Bairro do Recife 6. Obelisco da Restauração, 1926 – Homenagem do Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano – Praça da Restauração, Rua do Jardim, Bairro de São José 7. Monumento à Restauração Pernambucana, Abelardo da Hora, 1975 – Praça Sérgio Loreto, Bairro de São José MEMÓRIAS DAS REVOLUÇÕES PERNAMBUCANAS

1. Vitral A Alegoria à Revolução Pernambucana de 1817, Gastão Formenti,

1919–1920 – Palácio do Campo das Princesas, Bairro de Santo Antônio 2. Vitral Homenagem à República, Gastão Formenti, 1919–1920 – Palácio do Campo das Princesas, Bairro de Santo Antônio 3. Monumento aos Heróis da Revolução de 1817, Abelardo da Hora, 1971 – Praça da República, Bairro de Santo Antônio 4. Mural Frei Caneca, Cícero Dias, 1982 – Casa da Cultura Luiz Gonzaga, Bairro de São José 5. Busto e Muro de Frei Caneca, Homenagem do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, 1917–1981 – Largo das Cinco Pontas, Bairro de São José 6. Mural Revoluções Pernambucanas, Corbiniano Lins, 1967

– Praça General Abreu e Lima, Bairro de Santo Amaro MEMÓRIAS DO MOVIMENTO ABOLICIONISTA

1. Monumento ao abolicionista Joaquim Nabuco, obra coletiva: João Bereta de Carraras e Pedro Mayol, 1915 – Praça Joaquim Nabuco, Bairro de Santo Antônio 2. Mural Joaquim Nabuco e a Abolição, Abelardo da Hora, 1950 – Fachada do Edifício Joaquim Nabuco, Rua do Sol, Bairro de Santo Antônio 3. Monumento a Zumbi dos Palmares, Abelardo da Hora, 2006 – Pátio do Carmo, Bairro de São José 4. Busto de Castro Alves, Celso Antônio de Menezes, 1947 –

Praça Adolfo Cirne (Faculdade de Direito), Bairro de Santo Amaro 5. Busto de Joaquim Nabuco, 1949 – Fundição Escola Industrial de Pernambuco – Rua da Aurora, Bairro de Santo Amaro MEMÓRIAS DO REGIME MILITAR

1. Monumento Tortura Nunca Mais, obra coletiva: Demétrio Albuquerque, Alberico Paes Barreto, Eric Perman e Luiz Augusto Rangel, 1993 – Rua da Aurora, Bairro de Santo Amaro 2. Monumento ao Nunca Mais: homenagem à resistência e à luta pela anistia em Pernambuco, Cristina Pozzobon, 2014 – Rua da Aurora, Bairro de Santo Amaro 3. Memorial Pessoas Imprescindíveis

Cristina Pozzobom e Tiago Balem, 2009 – Rua da Aurora, Bairro de Santo Amaro 4. Monumento a Dom Helder Câmara, Demétrio Albuquerque, 2009 – Rua das Fronteiras, Bairro da Boa Vista 5. Placa em Homenagem aos Estudantes Mortos em 1964, Fórum Permanente de Anistia em Pernambuco – Associação Pernambucana de Anistiados Políticos (APAP), 2008 – Avenida Dantas Barreto, Bairro de Santo Antônio

2. Escultura do Caranguejo Carne da Minha Perna, obra coletiva: Augusto Ferrer, Eddy Polo, Jorge Alberto Barbosa e Lucia Padilha Cardoso 2004 – Homenagem ao Movimento Manguebeat e ao geógrafo pernambucano Josué de Castro – Rua da Aurora, Bairro de Santo Amaro 3. Mural rosto de mulher, Vhils (Alexandre Farto), 2014 – Edifício São Jorge, Bairro de Santo Antônio

TEMPOS CONTEMPORÂNEOS

1. Painel de Luiz Gonzaga, Eduardo Kobra, 2015 – Prefeitura da Cidade do Recife, Bairro do Recife

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TEMA 03

CIDADE IDENTIDADE


TEMA 03

CIDADE IDENTIDADE

Nós somos muitas coisas ao mesmo tempo O que vem a ser identidade? Pode-se dizer que identidade é um sentimento que surge quando alguma coisa desperta um sentido de pertencimento e faz a pessoa “se identificar” com algo. Esse sentimento

Nas ruas, praças, parques e edifícios públicos do Recife encontram-se obras de arte que despertam um sentimento de identidade local. O frevo, o maracatu, o bumba meu boi, a brincadeira de

LULA CARDOSO AYRES

Detalhes do painel Sem Título (Cenas rurais de Pernambuco), 1946 – FACHESF, Bairro da Boa Vista

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de se identificar também pode ser entendido como a imagem que uma pessoa (ou um grupo de pessoas) faz de si, para si e para os outros, ou seja, a imagem de quem somos e como queremos ser vistos.

roda são manifestações culturais pernambucanas

Mas a identidade sempre depende de um contexto e,

homenageadas em monumentos, murais e esculturas

por isso, não pode ser entendida como algo que nunca

espalhadas pela cidade. O violeiro, o sanfoneiro,

muda. Pelo contrário, a identidade é relativa, ou

o carteiro, o gari, o pescador, entre outros

seja, ela sempre existe em relação à (alguma coisa).

representantes do povo e tipos populares também

A identidade é circunstancial, pois ela se modifica

estão presentes em obras de arte públicas do Recife.

dependendo das circunstâncias. As pessoas podem

O percurso Cidade Identidade convida para um encontro

assumir outras identidades de acordo com a situação

com essa pluralidade cultural que foi construída

em que estejam colocadas. Por exemplo, alguém

coletivamente, ao longo dos anos, por diferentes povos,

que nasce no Brasil e está no exterior é identificada

diferentes crenças, culturas diversas e que faz com

como “brasileira”, mas estando no Brasil ela também

que muitas pessoas se identifiquem e convivam com

tem sua identidade relacionada ao Estado em que

muitas histórias ao mesmo tempo.

nasceu — pernambucana, carioca, paulista, mineira


— ou mesmo quando está em seu Estado de origem ela pode ser identificada pela cidade em que vive — recifense, olindense, caruaruense, etc. Portanto, identidades são construções sociais continuadas, visto que estamos sempre adicionando novas identidades dependendo das situações. O tema “identidade” sempre foi muito valorizado entre os brasileiros. Desde o início da colonização até os dias de hoje, existe uma preocupação com a imagem que o Brasil e o seu povo passam para o resto do mundo. Na procura por uma “identidade nacional”, um dos conceitos que mais aparece na história do país é a “mestiçagem”. Somos um povo conhecido em todo o mundo por sermos mestiços, tanto na aparência como na cultura. Acredita-se que a miscigenação da população brasileira tem origem no cruzamento de três raças: os indígenas, os europeus e os africanos. Outras vezes, a mestiçagem no Brasil também está associada às cores das peles das pessoas, como branco, negro e amarelo. Sem dúvida, somos um país mestiço, de grande diversidade social e cultural. Os brasileiros são identificados como multiculturais, o país da festa, da alegria, das cores. Mas, ao mesmo tempo, também somos um país com muitas desigualdades sociais e muitas histórias de lutas e de violência. Portanto, é importante que as narrativas que são construídas sobre “identidades” também levem em consideração as diferentes realidades como uma forma de ampliar o (re) conhecimento de nós mesmos.

definir suas posições em determinados contextos sociais. Esses termos são conhecidos como “marcadores sociais de diferença”, um conceito que tenta explicar como são constituídas socialmente as desigualdades e as hierarquias entre as pessoas. As desigualdades sociais são produto das relações

ABELARDO DA HORA

A representação das três raças no Monumento à Restauração Pernambucana, 1975 – Praça Sérgio Loreto

estabelecidas entre as pessoas e refletem os conflitos de interesses entre elas. É nesse sentido que tais termos (raça, cor, gênero, etc.) significam diferenças associadas a uma posição social e de classe, classificações muitas vezes presentes em discursos

Termos como “raça” e “cor” podem ser entendidos

que tiveram origem no período do colonialismo e que

como formas simbólicas de classificar as pessoas e

devem ser ressignificados nos dias atuais. 65


e manifestações culturais que despertam esse sentido de pertencimento e criam relações com o sentimento de identidade. Um olhar mais atento também permite descobrir uma série de narrativas e de conceitos que foram construídos ao longo da história. Por ser uma das cidades onde o processo de colonização teve início, muito do discurso colonialista pode ser observado e (re)significado nas obras de arte públicas do Recife. No acervo de obras de arte públicas da cidade são poucos os exemplares que trazem os indígenas como tema principal. Entre as poucas obras destaca-se a Fonte da Índia, s.d. Oferta da Companhia do Beberibe, fabricada em Gênova, Itália – Praça 17

Devemos reconhecer que somos um país de muitas diferenças e desigualdades e é importante aprender

na Praça Maciel Pinheiro, ambas no centro do Recife.

a conviver com essa pluralidade com respeito e

A Fonte da Índia é esculpida em pedra e mostra a

reconhecimento do outro. Descobrir e identificar outras

escultura de uma mulher indígena no alto. A obra

ANTÔNIO M. RATTO

realidades diferentes das que já conhecemos é uma

foi fabricada em Gênova, na Itália, e foi uma oferta

Fonte Monumento à Guerra do Paraguai, 1875 – Praça Maciel Pinheiro

socialmente uma identidade coletiva e flexível.

maneira de ampliar nosso conhecimento e construir

A identidade de uma pessoa, de grupos sociais e de uma nação é uma produção constante e continuada. Por esse motivo, a identidade não deve ser entendida como algo que é fixo e imutável, mas sim como uma construção social, histórica, política, circunstancial e relativa. Nós construímos nossa identidade em diferentes momentos, em diferentes contextos, em relação (a algo), nós somos muita coisa ao mesmo tempo e vamos adicionando novas identidades dependendo da situação. Uma série de obras de arte encontradas em espaços públicos do Recife traz referências simbólicas que dão pistas sobre a construção de uma identidade local ao longo dos anos. São obras que representam essa pluralidade social e cultural que é pernambucana e ao mesmo tempo de todo o Brasil. Monumentos, esculturas, murais e vitrais fazem homenagens a tipos populares

66

“Fonte da Índia”, localizada na Praça Dezessete, e a “Fonte Monumento à Guerra do Paraguai”, localizada


da Companhia do Beberibe (antiga empresa de abastecimento de água) para a cidade do Recife. No pedestal da fonte estão esculpidas em alto relevo datas de acontecimentos da história de Pernambuco: 1654 (Restauração Pernambucana), 1817 (Revolução Republicana), 1824 (Confederação do Equador) e 1889 (Proclamação da República). A Fonte Monumento à Guerra do Paraguai também é esculpida em pedra e foi erguida em 1875, por Antônio M. Ratto, em comemoração à vitória das tropas brasileiras contra as do Paraguai, na guerra que aconteceu de 1864 até 1870. Localizada no centro da praça, a fonte traz esculturas de leões que sustentam uma enorme bacia circular, com quatro ninfas posicionas sobre ela. Acima delas estão mais duas bacias menores e no topo a escultura de uma mulher indígena que segura um arco e uma flecha. As esculturas das índias nas duas fontes representam a “nação brasileira”. É importante perceber que, ao longo da história do Brasil, a imagem dos indígenas em muitas obras de arte, seja na pintura ou na escultura, quase sempre pretendia passar o sentimento de passividade, de aceitação do processo de colonização dos povos europeus aos povos indígenas. Essa estética de representação procura naturalizar a narrativa da união pacífica entre o branco e o índio, reforçando o conceito conhecido como “o bom selvagem”. Esse discurso merece ser revisto, pois

FRANCISCO BRENNAND

Presença do soldado negro em detalhe do Mural Batalha dos Guararapes, 1961 – Rua das Flores

desconsidera todo o processo de lutas, de resistências

LULA CARDOSO AYRES

e as violências contra os povos indígenas, que

Homem negro em detalhe do mural Sem Título (Carnaval do Recife), 1952 – Cinema São Luiz

acontece até os dias atuais. A presença do negro africano nas obras de arte públicas do Recife já conta com mais exemplares do que as imagens dos indígenas. Duas esculturas se destacam: o Monumento a Zumbi dos Palmares, de Abelardo da Hora, no Pátio do Carmo, e a escultura

DEMÉTRIO ALBUQUERQUE

Escultura do poeta Solano Trindade, 2007 – Pátio de São Pedro

do poeta Solano Trindade, feita por Demétrio Albuquerque, no Pátio de São Pedro. Os negros 67


africanos são ainda homenageados em mais duas obras de Abelardo da Hora: no Monumento ao Maracatu, que está na Praça das Cinco Pontas, e no mural Nabuco e a Abolição, na Rua do Sol. O mural criado por Lula Cardoso Ayres para o hall do Cinema São Luiz, na Rua da Aurora, também é uma bela obra de arte com a presença dos negros e sua cultura em destaque. Outras obras mostram o negro não como tema principal, mas como coadjuvantes: no monumento dedicado a Joaquim Nabuco, na Praça Joaquim Nabuco, e no mural Batalha dos Guararapes,

68

do Recife. Pessoas do povo e tipos populares como o sanfoneiro, o violeiro, o gari, o carteiro, o pescador, são representados em esculturas e murais espalhados nas ruas e praças da cidade. Quatro artistas se destacam nessa temática social: Abelardo da Hora, Corbiniano Lins, José Cláudio e

Assim como os indígenas, a imagem do negro

trânsito de pessoas, como que para despertar o

escravizado. Muitas obras de arte, seja pintura,

Escultura de Violeiro, 1984 – Estação Central do Metrô

estão homenageados nas obras de arte públicas

José Faustino de Nova Jerusalém. A maioria das

sempre reforça o caráter de um povo que foi

Escultura de Sanfoneiro, 1984 – Estação Central do Metrô

Não somente heróis ou personalidades famosas

de Francisco Brennand, na Rua das Flores.

africano em algumas obras de arte quase

JOSÉ FAUSTINO DE NOVA JERUSALÉM

O povo nas ruas e nas praças

escultura ou fotografia, mostram o negro sempre desempenhando algum trabalho, algum ofício, quase sempre comportado, não violento e muitas vezes maltrapilhos e de pés descalços. É importante observar essas narrativas visuais que, muitas vezes, utilizam a escravidão como uma linguagem, naturalizando o discurso de subordinação.

esculturas foram instaladas em lugares de grande sentimento de identidade em quem passa por elas, ao mesmo tempo em que reforçam a pluralidade social e cultural do povo pernambucano.


ABELARDO DA HORA

Escultura Os Violeiros, 1956 – Parque Treze de Maio JOSÉ CLÁUDIO

Escultura Casal de dançarinos, 1980 – Estação Central do Metrô ABELARDO DA HORA

Monumento ao Gari, 1972 – Avenida Agamenon Magalhães ABELARDO DA HORA

Escultura Vendedor de Caldo de Cana, 1956 – Parque Treze de Maio

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CORBINIANO LINS

Escultura em homenagem ao Carteiro, s.d. – Agência Central dos Correios, Rua do Sol CORBINIANO LINS

Monumento ao Mascate I, 2005) – Praça da Independência (Pracinha do Diário) JOSÉ CLÁUDIO

Jangadeiro, 1971 – Avenida Cais do Apolo (antiga agência do Bandepe), Bairro do Recife CORBINIANO LINS

Pescador, s.d. – Avenida Dantas Barreto (Agência Banco do Brasil)

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ABELARDO DA HORA

Monumento ao Frevo, 2005 – Rua da Aurora ABELARDO DA HORA

Escultura Enéas Freire e o Galo da Madrugada, 2010 – Praça Sérgio Loreto LULA CARDOSO AYRES

Mural Sem Título (Carnaval do Recife), 1952) – Cinema São Luiz, Rua da Aurora ABELARDO DA HORA

Monumento ao Maracatu, 2008 – Praça das Cinco Pontas

Manifestações culturais Considerado o lugar das mais ricas e diversificadas manifestações culturais do Brasil, Pernambuco é mundialmente conhecido por sua diversidade cultural. Com influências europeias, africanas, indígenas, judaicas e holandesas, a cultura pernambucana é ao mesmo tempo única e plural. Manifestações como o carnaval, o frevo e o maracatu tiveram suas origens em terras pernambucanas. Essa multiculturalidade também está representada em monumentos, esculturas e murais públicos espalhados pela cidade do Recife que, sem dúvida, despertam o sentido de pertencimento no povo pernambucano e convidam a (re)construir outras pluralidades e identidades.

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FERREIRA

Brincadeira de Roda (Ciranda), 2008 – Prefeitura da Cidade do Recife JOSÉ FAUSTINO DE NOVA JERUSALÉM

Escultura Bumba Meu Boi, 1984 – Estação Central do Metrô

A escultura Bumba Meu Boi está representando o boi, a principal figura de uma das mais antigas manifestações culturais do folclore nordestino. Na escultura, o animal está estilizado da mesma maneira como é representado nas danças populares, ou seja, como se fosse uma estrutura coberta por tecido para que abrigue uma pessoa para conduzir o boi. Esculpido em pedra, o boi mede aproximadamente um metro e meio de altura, possui altos relevos que representam adornos de fitas e estampas do tecido e

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Esse texto é uma audiodescrição da escultura Bumba Meu Boi de José Faustino de Jerusalém. A audiodescrição é o principal recurso de acessibilidade aos conteúdos culturais visuais que beneficia não só as pessoas com deficiência visual ou com dificuldade de aprendizagem, mas também contribui com a alfabetização visual de qualquer pessoa. Por ser uma obra de arte pública, essa escultura pode ser tocada por qualquer pessoa. Que tal você ter a experiência de tocar essa escultura? Através do toque você pode perceber as formas, as texturas, a temperatura do material e uma série de sensações que essa obra de arte poderá lhe proporcionar. Use seus sentidos e faça novas conexões com essa e outras obras de arte pública da cidade do Recife.


Representações do Sagrado A aproximação das pessoas com as religiões pode ser entendida tanto como uma necessidade de alcançar respostas espirituais sobre as suas existências no mundo, como também pela busca de construir uma identidade a partir de uma crença religiosa diante de um grupo social. É através da religião que um povo mostra sua fé, sua crença e seus costumes. No Brasil, existe uma grande multiplicidade de religiões que surgem das culturas indígenas, europeias e africanas. É importante também lembrar que ao longo da história religiosa brasileira, elementos de diferentes credos se misturaram e passaram a

Painéis em azulejos portugueses e holandeses, Séculos XVII e XVIII – Convento de Santo Antônio, Bairro de Santo Antônio FUNDIÇÃO VAL D’OSNE

Escultura de Nossa Senhora da Conceição, 1904 – Morro da Conceição, Casa Amarela MARIANNE PERETTI

Vitral Capela do Salesiano, 1997 – Inspetoria Salesiana do Nordeste do Brasil

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FUNDIÇÃO J.J. DUCEL & FILS

Estátuas de Divindades GrecoRomanas, Século XIX – Praça da República HEINRICH MOSER

Vitral Sacro da Basílica do Carmo, 1931–1932 – Av. Dantas Barreto CASA CONRADO

Vitrais Sacros da Igreja Matriz da Soledade, 1920 – Rua da Soledade

coexistir em uma mesma prática religiosa gerando o que se chama por “sincretismo”. A identificação dos santos católicos com os orixás africanos é o primeiro exemplo do sincretismo religioso brasileiro. No Recife, pode-se encontrar um grande acervo de obras de arte públicas que trazem essa simbologia religiosa. Estátuas que representam divindades greco-romanas, painéis em azulejos do século XVII que contam histórias da Igreja Católica, vitrais com temas sacros espalhados por diversas igrejas da cidade, são alguns dos exemplos dessa simbologia religiosa recifense. Entretanto, ao observar esse acervo artístico, fica evidente a predominância dos símbolos da religião católica. Não existe, por exemplo, representações de símbolos religiosos indígenas em obras de arte públicas. Quase da mesma maneira, são pouquíssimas as obras que evidenciam a simbologia religiosa africana. Apesar disso, o sincretismo religioso permite que se encontrem aproximações entre as simbologias das diferentes crenças.

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YPIRANGA FILHO

Ogum do Recife, 2001 – Museu da Abolição BRAZ MARINHO

Elos Cambiáveis, Século XXI – Museu da Abolição

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E DU CATI VO QUESTÕES MEDIADORAS

Como nós convivemos com tantas histórias?

Com quais dessas obras você mais se identifica?

Quanto de passado existe em nosso presente?

Como a compreensão do outro me faz refletir sobre mim?

Você sabia? Um Brasil de muitas cores! Em 1976, o IBGE realizou um censo que ficou conhecido como a Pesquisa Nacional de Amostra

Sugestão de Atividades

de Domicílio (Pnad), em que, pela primeira vez, era

Que tal criar um percurso em que você se identifique

feita uma pergunta aberta aos brasileiros em relação à sua raça: “Qual a sua cor de pele?”. As respostas

com histórias que já viveu um dia?

traziam nomes como sapecada, encerado, branquinha, morena-bem-chegada, morena-jambo, queimada de praia, cor-de-ouro, puxa-para-branco, entre tantas outras. Algumas respostas evidenciavam uma espécie de preconceito racial, enquanto que outras

LIVROS

vinham carregadas de termos poéticos. O resultado

Casa-grande & Senzala. Gilberto Freyre, Editora Global, 2013 – 52ª edição – (1ª edição em 1933).

da pesquisa mostrou que os brasileiros se auto atribuíram 135 cores diferentes. Foi então que, a partir dessa pesquisa, ficou estabelecida a cor “parda” para dar conta dessa vasta gama de cores de pele dos brasileiros. Alguns pesquisadores concluíram que os brasileiros se entendem como um “grande arco-íris”. 76

Para saber mais...

A Invenção do Nordeste e outras artes. Durval Muniz de Albuquerque, Editora Cortez, 1999.

SITES Adriana Varejão – Tintas Polvo www.adrianavarejao.net


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PERCURSO CIDADE IDENTIDADE O POVO NAS RUAS E PRAÇAS

1. Escultura em homenagem ao Carteiro, Corbiniano Lins, s.d. – Agência Central dos Correios, Rua do Sol, Bairro de Santo Antônio 2. Monumento ao Mascate I, Corbiniano Lins, 2005 – Praça da Independência (Pracinha do Diário), Bairro de Santo Antônio 3. Pescador, Corbiniano Lins, s.d. – Av. Dantas Barreto (Agência Banco do Brasil), Bairro de Santo Antônio 4. Fonte da Índia, oferta da Companhia do Beberibe, fabricada em Gênova, Itália, 1846 – Praça 17, Bairro de Santo Antônio 5. Jangadeiro, José Cláudio, 1971 – Av. Cais do Apolo, Bairro do Recife

6. Monumento ao Mascate II, Honório Peçanha – Fundição Atelier Mestre Liboredo, 1964–1994 – Homenagem aos comerciantes da Cidade do Recife – Doação da Federação do Comércio Varejista do Estado de Pernambuco – Avenida Dantas Barreto, Bairro de São José 7. Escultura Solano Trindade, Demétrio Albuquerque, 2007 – Pátio de São Pedro, Bairro de São José 8. Escultura de Violeiro, José Faustino de Nova Jerusalém, 1984 – Estação Central do Metrô, Bairro de São José 9. Escultura de Sanfoneiro, José Faustino de Nova Jerusalém, 1984 – Estação Central do Metrô, Bairro de São José

10. Escultura Casal de dançarinos, José Cláudio, 1980 – Estação Central do Metrô, Bairro de São José 11. Monumento à Restauração Pernambucana, Abelardo da Hora, 1975 – Praça Sérgio Loreto, Bairro de São José 12. Escultura Vendedor de Caldo de Cana, Abelardo da Hora, 1956 – Parque Treze de Maio, Bairro de Santo Amaro 13. Escultura Os Violeiros, Abelardo da Hora, 1956 – Parque Treze de Maio, Bairro de Santo Amaro 14. Monumento ao Gari, Abelardo da Hora, 1972 – Av. Agamenon Magalhães, Bairro de Santo Amaro 15. Fonte Monumento à Guerra do Paraguai, Antônio M. Ratto, 1875 – Praça Maciel

Pinheiro, Bairro da Boa Vista

do Metrô, Bairro de São José

16. Painel Sem Título (Cenas rurais de Pernambuco), Lula Cardoso Ayres, 1946 – FACHESF, Bairro da Boa Vista

5. Monumento ao Frevo, Abelardo da Hora, 2005 – Rua da Aurora, Bairro de Santo Amaro

MANIFESTAÇÕES CULTURAIS

1. Mural Brincadeira de Roda – Ciranda, Ferreira, 2008 – Prefeitura da Cidade do Recife, Bairro do Recife 2. Monumento ao Maracatu, Abelardo da Hora, 2008 – Praça das Cinco Pontas, Bairro de São José 3. Escultura de Enéas Freire e o Galo da Madrugada, Abelardo da Hora, 2010 – Praça Sérgio Loreto, Bairro de São José 4. Escultura do Bumba Meu Boi, José Faustino de Nova Jerusalém, 1984 – Estação Central

6. Mural Sem Título (Cortejo do Maracatu), Lula Cardoso Ayres, 1952 – Cinema São Luiz, Rua da Aurora, Bairro da Boa Vista REPRESENTAÇÕES DO SAGRADO

1. Estátuas de Divindades GrecoRomanas: Juno, Diana, Ceres, Flora, Diana de Gabis, Têmis, Vesta, Níobe e Minerva, Fundição J. J. Ducel & Fils (Século XIX) – Praça da República, Bairro de Santo Antônio 2. Murais Sacros (e Profanos) em Azulejos Portugueses e Holandeses, azulejaria holandesa (Século XVII) e azulejaria

portuguesa (Séculos XVII e XVIII) – Convento de Santo Antônio, Bairro de Santo Antônio 3. Estátuas na fachada da Basílica da Penha, dez estátuas de santos e santas católicos – Praça Dom Vital, Bairro de São José 4. Vitrais Sacros da Basílica do Carmo, Heinrich Moser, 1931–1932 – Pátio do Carmo, Bairro de Santo Antônio 5. Vitrais Sacros da Igreja Matriz da Boa Vista, autores desconhecidos, 1784–1889 – Rua da Imperatriz, Bairro da Boa Vista

Peretti, 1997 – Inspetoria Salesiana do Nordeste do Brasil, Bairro da Boa Vista OUTROS BAIRROS

8. Escultura de Nossa Senhora da Conceição, Fundição Val d’Osne, 1904 – Morro da Conceição, Bairro de Casa Amarela 9. Escultura Ogum do Recife, Ypiranga Filho, 2001 – Museu da Abolição, Bairro da Madalena 10. Escultura Elos Cambiantes, Braz Marinho (Século XXI) – Museu da Abolição, Bairro da Madalena

6. Vitrais Sacros da Igreja Matriz da Soledade, Casa Conrado, 1920 – Rua da Soledade, Bairro da Boa Vista 7. Vitral Capela do Salesiano, Marianne

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TEMA 04

CIDADE POESIA


CIDADE POESIA

TEMA 04

O Circuito da Poesia O Circuito da Poesia é formado por 17 esculturas que fazem homenagem a artistas que se destacaram na cultura pernambucana. Todas as obras são de autoria do artista Demétrio Albuquerque. Entre 2005 e 2007, Demétrio criou 12 esculturas que homenageavam Manuel Bandeira, João Cabral

A literatura e a música estão fortemente ligadas com a história da cidade do Recife. Personalidades que se destacam na cultura nacional nasceram ou viveram em Pernambuco e fizeram do Recife fonte de inspiração para suas poesias, composições e escritos diversos. Uma série de obras de arte pública espalhadas pelas ruas, pontes e praças do Recife faz homenagem a autores e autoras desse universo literário e musical. A maioria das obras faz parte do Circuito da Poesia, com esculturas, em tamanho real, de artistas da literatura e da música, como João Cabral de Melo Neto, Manuel Bandeira, Ascenso Ferreira, Capiba, Luiz Gonzaga, Ariano Suassuna e Clarice Lispector. O percurso Cidade Poesia é um convite para vivenciar a cidade como lugar poético e conhecer os múltiplos repertórios dos escritores e músicos da capital pernambucana.

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de Melo Neto, Capiba, Carlos Pena Filho, Clarice Lispector, Antônio Maria, Ascenso Ferreira, Chico Science, Solano Trindade, Luiz Gonzaga, Mário Mota e Joaquim Cardozo. As esculturas foram feitas em tamanho real e instaladas em espaços públicos da cidade do Recife, com fácil acesso a qualquer pessoa. Em 2017, o circuito ganhou mais cinco esculturas, dessa vez homenageando Ariano Suassuna, Alberto da Cunha Melo, Celina Holanda, Liêdo Maranhão e Naná Vasconcelos. Cada uma das obras do Circuito da Poesia possui uma placa com informações sobre a pessoa homenageada. As esculturas estão instaladas em lugares simbólicos, locais que fizeram parte de suas vidas ou de suas obras artísticas. Conheça um pouco mais sobre o Circuito da Poesia e a história de cada uma dessas personalidades admiráveis para o Recife, o Brasil e o mundo.


ALBERTO DA CUNHA MELO (1942–2007) Nasceu em Jaboatão dos Guararapes (PE). Poeta, escritor, jornalista e sociólogo. Foi um dos fundadores do movimento literário conhecido como Geração 65, que reuniu poetas, escritores, artistas plásticos e jornalistas, entre as décadas de 1960 e 1980. Em suas poesias, utiliza o metro octossílabo — verso com oito sílabas métricas — ­ um dos mais raros na poesia de Língua Portuguesa. Com 16 livros publicados e mais de mil poemas, sua produção literária foi nomeada como “poesia-

ANTÔNIO MARIA (1921–1964) Nasceu no Recife (PE). Cronista, poeta e compositor de frevos e de grandes sucessos da Música Popular Brasileira. Em 1951, vivendo no Rio de Janeiro, compôs o seu primeiro frevo intitulado Frevo nº 1 do Recife. Fez parceria com outros compositores, como Vinícius de Moraes e Luís Bonfá. Entre os seus importantes intérpretes, pode-se destacar Dolores Duran, Ângela Maria e Elizeth Cardoso. A escultura do compositor está na Rua do Bom Jesus, no Bairro do Recife, atualmente um dos maiores polos do carnaval pernambucano.

resistência”. Sua escultura está no Parque 13 de

FREVO Nº 1 DO RECIFE

Maio, em frente à Biblioteca Central, onde Alberto

Ô ô ô saudade Saudade tão grande Saudade que eu sinto Do Clube das Pás, do Vassouras Passistas traçando tesouras Nas ruas repletas de lá Batidas de bombos São maracatus retardados Chegando à cidade, cansados, Com seus estandartes no ar. Que adianta se o Recife está longe E a saudade é tão grande Que eu até me embaraço Parece que eu vejo Valfrido Cebola no passo Haroldo Fatias, Colaço Recife está perto de mim.

trabalhou no setor de Obras Raras. CASA VAZIA

Poema nenhum, nunca mais, será um acontecimento: escrevemos cada vez mais para um mundo cada vez menos, para esse público dos ermos composto apenas de nós mesmos, uns joões batistas a pregar para as dobras de suas túnicas seu deserto particular, ou cães latindo, noite e dia, dentro de uma casa vazia.

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ARIANO SUASSUNA (1927–2014) Nasceu em João Pessoa (PB). Com 15 anos de idade mudou-se para o Recife. Foi dramaturgo, romancista, poeta e professor. Em 1955, escreveu a peça teatral O Auto da Compadecida, que já foi adaptada para a televisão e para o cinema. Em 1970, cria o Movimento Armorial com o objetivo de realizar uma arte brasileira erudita a partir das raízes populares. Em 1971, publica O Romance d’A Pedra do Reino, no qual utiliza elementos do cordel junto a elementos da tradição erudita europeia. Escreveu 15 livros de romance e poesia e 18 peças de teatro. Sua escultura está localizada na Rua da Aurora, em frente ao Teatro Arraial Ariano Suassuna. Ave Musa incandescente do deserto do Sertão! Forje, no Sol do meu Sangue, o Trono do meu clarão: cante as Pedras encantadas e a Catedral Soterrada, Castelo deste meu Chão! Nobres Damas e Senhores ouçam meu Canto espantoso: a doida Desaventura de Sinésio, O Alumioso, o Cetro e sua centelha na Bandeira aurivermelha do meu Sonho perigoso! (ROMANCE D’A PEDRA DO REINO, 1971)

ASCENSO FERREIRA (1895–1965) Nasceu em Palmares (PE). Aos 25 anos de idade passa a viver no Recife. Poeta que se destacou pela temática regional, participou do Movimento Modernista de 1922. Autor de obras como Catimbó, Cana Caiana e Xenhenhém, tem sua produção estudada por grandes nomes da crítica e da literatura brasileira. Além da poesia, compôs canções em parceria com nomes da cultura pernambucana, como Engenhos de minha terra, com Valdemar de Oliveira, Vou danado pra Catende, com Alceu Valença e Onde o sol descamba, com Capiba. Sua escultura encontra-se no Cais da Alfândega, como a contemplar o Rio Capibaribe. FILOSOFIA

Hora de comer — comer! Hora de dormir — dormir! Hora de vadiar — vadiar! Escultura de Ariano Suassuna, 2017 (Demétrio Albuquerque) – Rua da Aurora

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Hora de trabalhar? — Pernas pro ar que ninguém é de ferro!


CARLOS PENA FILHO (1928–1960) Nasceu no Recife (PE). Poeta, advogado e jornalista. Ficou conhecido como o poeta que “pinta” o poema com palavras. Sua poesia possui imagens plásticas, na qual se destaca a cor, o movimento e a luz. Escreveu vários poemas tendo nos títulos a palavra “retrato” ou os nomes das cores. A cor azul aparece de forma recorrente e muitos passaram a chamar suas obras de uma “poesia vestida de azul”. Em parceria com Capiba, foi autor de letras de músicas de sucesso, como A Mesma Rosa Amarela. Sua escultura encontra-se na Praça da Independência, conhecida como Pracinha do Diário, localizada em

CAPIBA (1904–1997) Nasceu em Surubim (PE). Com 26 anos de idade, mudou-se para o Recife. Tornou-se o mais conhecido compositor de frevos do Brasil. Autor de mais de 200 canções, compôs músicas que se tornaram hinos do carnaval pernambucano, como Madeira que Cupim não Rói, Linda Flor da Madrugada, Oh Bela e Voltei Recife. Teve diversos parceiros nas suas composições, como Carlos Pena Filho, Manuel Bandeira e João Cabral de Melo Neto. Sua escultura está na Rua do Sol, nas margens do Rio Capibaribe, um dos lugares por onde passa o desfile do bloco Galo da Madrugada durante o carnaval pernambucano. MADEIRA QUE CUPIM NÃO RÓI

Madeira do Rosarinho Vem a cidade sua fama mostrar E traz com seu pessoal Seu estandarte tão original

frente à antiga sede do jornal Diario de Pernambuco, onde Pena Filho foi colaborador. SONETO DO DESMANTELO AZUL

Então, pintei de azul os meus sapatos por não poder de azul pintar as ruas, depois, vesti meus gestos insensatos e colori as minhas mãos e as tuas, Para extinguir em nós o azul ausente e aprisionar no azul as coisas gratas, enfim, nós derramamos simplesmente azul sobre os vestidos e as gravatas. E afogados em nós, nem nos lembramos que no excesso que havia em nosso espaço pudesse haver de azul também cansaço. E perdidos de azul nos contemplamos e vimos que entre nós nascia um sul vertiginosamente azul. Azul.

Escultura de Carlos Pena Filho, 2007 (Demétrio Albuquerque) – Praça da Independência (Pracinha do Diário)

Não vem pra fazer barulho Vem só dizer... e com satisfação Queiram ou não queiram os juízes O nosso bloco é de fato campeão E se aqui estamos, cantando esta canção Viemos defender a nossa tradição E dizer bem alto que a injustiça dói Nós somos madeira de lei que cupim não rói 83


CHICO SCIENCE (1966–1997) Nasceu em Olinda (PE). Cantor, compositor, foi um dos principais criadores do Movimento Manguebeat, movimento musical que nasceu no Recife, na década de 1990, que mistura ritmos regionais com rock, hip hop, samba-reggae, funk e rap. Líder da banda Chico Science & Nação Zumbi, deixou dois discos gravados: Da Lama ao Caos e Afrociberdelia. Seus dois álbuns foram incluídos na lista dos 100 Melhores Discos da Música Brasileira. Sua escultura está na Rua da Moeda, no Bairro do Recife, polo dos eventos relacionados ao Movimento Manguebeat. A CIDADE

CELINA DE HOLANDA CAVALCANTI (1915–1999) Nasceu no Cabo de Santo Agostinho (PE). Foi jornalista e poetisa. Seu estilo poético era admirado por ser límpido, sem superficialidades, rico em conteúdo crítico, mas pleno de simpatia e ternura humana. Junto com Alberto da Cunha Melo e Jaci Bezerra, criou as Edições Pirata, editora que publicava de forma artesanal livros de escritores inéditos, logo após o fim do Regime Militar no Brasil. Do Circuito da Poesia, sua escultura é a única que se encontra fora do centro do Recife. Está na Praça José Sales Filho, na Avenida Beira Rio, bairro da Torre, distante dois quilômetros do local onde funcionou a sua editora. O POETA VAI À LUTA

Quando a palavra é muito pouco Para o amigo E minhas mãos estão vazias, Sua urgência dói Como nervo exposto ao frio, A dor, esticando o fio, No espanto de vê-lo erguer-se Silencioso e partir Com sua lança tão frágil Vergando na ventania. 84

O sol nasce e ilumina as pedras evoluídas Que cresceram com a força de pedreiros suicidas Cavaleiros circulam vigiando as pessoas Não importa se são ruins, nem importa se são boas E a cidade se apresenta centro das ambições Para mendigos ou ricos e outras armações Coletivos, automóveis, motos e metrôs Trabalhadores, patrões, policiais, camelôs A cidade não para, a cidade só cresce O de cima sobe e o de baixo desce A cidade não para, a cidade só cresce O de cima sobe e o de baixo desce


CLARICE LISPECTOR (1920–1977) Nasceu na Ucrânia (Europa Oriental) e foi

RESTOS DE CARNAVAL

naturalizada brasileira. Autora de romances, contos

E quando a festa ia se aproximando, como explicar a agitação íntima que me tomava? Como se enfim o mundo se abrisse de botão que era em grande rosa escarlate. Como se as ruas e praças do Recife enfim explicassem para que tinham sido feitas. Como se vozes humanas enfim cantassem a capacidade de prazer que era secreta em mim. Carnaval era meu, meu.

e ensaios, é considerada uma das escritoras mais importantes do século XX. Sua obra foi inovadora, com uma linguagem altamente poética. Chegou ao Brasil, em 1922, com seus pais e duas irmãs. Passou parte de sua infância no Recife, onde aprendeu a amar os livros e escreveu os primeiros textos. Com

(TRECHO DO CONTO RESTOS DE CARNAVAL, 1971)

15 anos de idade, mudou-se para o Rio de Janeiro. Declarava ser pernambucana e disse em uma entrevista que “o Recife está todo em mim”. Sua

Escultura de Clarice Lispector, 2007 (Demétrio Albuquerque) – Praça Maciel Pinheiro

escultura está na Praça Maciel Pinheiro, perto da casa em que morou na infância.

O texto acima é a audiodescrição da escultura de Clarice Lispector, de Demétrio Albuquerque. A audiodescrição é o principal recurso de acessibilidade aos conteúdos culturais visuais que beneficia não só as pessoas com deficiência visual ou com dificuldade de aprendizagem, mas também contribui com a alfabetização visual de qualquer pessoa. Além disso, por ser uma obra de arte pública, essa escultura pode ser tocada por qualquer pessoa. Que tal você ter a experiência de tocar essa escultura? Você pode perceber através do toque as formas, as texturas, a temperatura do material e uma série de sensações que essa obra de arte poderá lhe proporcionar. Use seus sentidos e faça novas conexões com essa e outras obras de arte pública da cidade do Recife.

A escultura é feita de concreto e mostra Clarice Lispector sentada em uma cadeira. No colo dela há dois livros. Ela tem o rosto sério. Os cabelos são ondulados, acima do pescoço. Usa um colar e um vestido. Os pés estão cruzados.

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ora o ventre triste de um cão, ora o outro rio  de aquoso pano sujo  dos olhos de um cão. Aquele rio  era como um cão sem plumas.  Nada sabia da chuva azul,  da fonte cor-de-rosa,  da água do copo de água,  da água de cântaro,  dos peixes de água,  da brisa na água.

Escultura de João Cabral de Melo Neto, 2007 (Demétrio Albuquerque) – Rua da Aurora Escultura de Joaquim Cardozo, 2007 (Demétrio Albuquerque) – Ponte Maurício de Nassau

JOÃO CABRAL DE MELO NETO (1920–1999)

JOAQUIM CARDOZO (1897–1978)

Nasceu no Recife (PE). Foi diplomata e um dos

professor e crítico de arte. Como engenheiro,

maiores poetas brasileiros. Sua obra poética inaugurou uma nova forma de fazer poesia no Brasil. Recebeu vários prêmios literários e foi membro da Academia Pernambucana de Letras e da Academia Brasileira de Letras. Em 1950, escreve o poema O Cão sem Plumas, umas das principais obras sobre o Rio Capibaribe, suas paisagens e as relações entre o homem e o rio. Em 1955, publica Morte e Vida Severina, obra que o consagrou nacionalmente. Sua escultura encontra-se na Rua da Aurora, nas margens do Rio Capibaribe. O CÃO SEM PLUMAS

I. Paisagem do Capibaribe A cidade é passada pelo rio como uma rua  é passada por um cachorro;  uma fruta  por uma espada. O rio ora lembrava  a língua mansa de um cão,  86

Nasceu no Recife (PE). Foi engenheiro civil, poeta,


trabalhou com Oscar Niemeyer e foi o responsável pelos projetos estruturais de importantes monumentos de Brasília (DF). Considerado um dos maiores poetas do modernismo brasileiro, sua obra tem como temas constantes o Recife e a região Nordeste. Foi fundador da Escola de Belas Artes do Recife e membro da Academia Pernambucana de Letras. Sua biblioteca, com aproximadamente 7.500 títulos, foi doada para a Universidade Federal de Pernambuco. A escultura dedicada a ele está na Ponte Maurício de Nassau, considerada a primeira ponte de grande porte do Brasil. TARDE NO RECIFE

Da ponte Maurício o céu e a cidade. Fachada verde do Café Maxime, Cais do Abacaxi. Gameleiras.

especialmente aos tipos populares do bairro de São José: camelôs, cantadores, prostitutas, entre outros. Colecionou histórias do povo, livros raros, folhetos de cordel, entre outros documentos que compõem um acervo estimado em cerca de dez mil itens.

Da torre do Telégrafo Ótico A voz colorida das bandeiras anuncia Que vapores entraram no horizonte.

Seu livro O Mercado, Sua Praça e a Cultura Popular do

Tanta gente apressada, tanta mulher bonita; A tagarelice dos bondes e dos automóveis. Um camelô gritando: — alerta! Algazarra. Seis horas. Os sinos.

sua autoria. Sua escultura está na Praça Dom Vital,

Recife romântico dos crepúsculos das pontes, Dos longos crepúsculos que assistiram à passagem dos fidalgos [holandeses, Que assistem agora ao movimento das ruas tumultuosas, Que assistirão mais tarde à passagem dos aviões para as costas [do Pacífico; Recife romântico dos crepúsculos das pontes E da beleza católica do rio

LIÊDO MARANHÃO (1925–2014)

Escultura de Liêdo Maranhão, 2017 (Demétrio Albuquerque) – Mercado de São José

Nordeste, publicado em 1977, é um documentário do cotidiano da área, ilustrado com 112 fotografias de no bairro de São José, onde viveu por 17 anos. No Mercado de São José, Faz raiva a gente se vê. De tudo que não presta, Nele já tem pra vender. No Mercado de São José, Tem água de prato sujo, Que dão o nome de café. Tem sopa de 15 dia, Que eles vende nos hoté. Tem carne de sapo cru, Que dão o nome de sarapaté. No mercado de São José, Tem frango, tem rapariga, Ninguém não liga, De mais até.

Nasceu no Recife (PE). Foi escritor, escultor,

LUIZ GONZAGA (1912–1989)

cineasta, fotógrafo e um dos maiores pesquisadores

Nasceu em Exu (PE). Cantor, compositor, ficou

da cultura popular nordestina. Sua pesquisa

conhecido como o “Rei do Baião”. É considerado

foi direcionada aos tipos humanos do Recife,

uma das mais completas, importantes e criativas 87


Escultura de Luiz Gonzaga, 2007 (Demétrio Albuquerque) – Praça Visconde de Mauá (Casa da Cultura) Escultura de Manuel Bandeira, 2007 (Demétrio Albuquerque) – Rua da Aurora

figuras da Música Popular Brasileira. Levou para todo o país a cultura musical do Nordeste, como o baião, o xaxado, o xote e o forró pé de serra. Suas composições descreviam o modo de ser e de viver do

MANUEL BANDEIRA (1886–1968)

Sertão nordestino. Dentre as canções mais famosas

Nasceu no Recife (PE). Escritor, poeta, crítico de

estão Asa Branca, Xote das Meninas, Eu Só Quero Um

arte, historiador literário e professor. Fez parte da

Xodó, Luar do Sertão, Baião, Assum Preto e Riacho do

primeira geração modernista no Brasil. Seu poema

Navio. Gravou cerca de 200 discos e vendeu mais de

Os Sapos foi o abre-alas da Semana de Arte Moderna

80 milhões de cópias. Sua escultura está na Praça

de 1922. Antes disso, em 1917, publicou seu primeiro

Mauá, em frente à Casa da Cultura Luiz Gonzaga,

livro de poesias A Cinza das Horas. Os principais

antiga Casa da Cultura de Pernambuco.

temas explorados em suas obras são o cotidiano e a

BAIÃO

Eu vou mostrar pra vocês Como se dança o baião E quem quiser aprender É favor presta atenção

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melancolia. Recife também é tema recorrente, como no poema Evocação do Recife, de 1930. Foi membro da Academia Brasileira de Letras e publicou vasta obra, desde contos, poesias, traduções e críticas literárias. Sua escultura está na Rua da Aurora,

Morena chegue pra cá, Bem junto ao meu coração Agora é só me seguir Pois eu vou dançar o baião

tendo como cenário os sobrados do século XIX e o

Eu já dancei, balancei, Chamego, samba em Xerém Mas o baião tem um quê, Que as outras danças não têm Quem quiser só dizer, Pois eu com satisfação Vou dançar…

Recife Não a Veneza americana  Não a Mauritsstad dos armadores das Índias Ocidentais  Não o Recife dos Mascates  Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois  — Recife das revoluções libertárias

Rio Capibaribe. EVOCAÇÃO DO RECIFE


Mas o Recife sem história nem literatura Recife sem mais nada  Recife da minha infância  A rua da União onde eu brincava de chicotequeimado  e partia as vidraças da casa de dona Aninha Viegas  Totônio Rodrigues era muito velho e botava o pincenê  na ponta do nariz  Depois do jantar as famílias tomavam a calçada com cadeiras  mexericos namoros risadas  A gente brincava no meio da rua  Os meninos gritavam:  Coelho sai!  Não sai! 

típico do modernismo da época. Sua poesia é de fundo simbólico, sobre temas nordestinos, retratando dramas do cotidiano em linguagem natural e espontânea. Também escreveu diversos ensaios e crônicas como Paisagem das secas, Imagem do Nordeste, Pernambuco sim, em colaboração com Gilberto Freyre e Roberto Cavalcanti, Modas e modos e A estrela de pedra e outros ensaios nordestinos. Foi membro da Academia Brasileira de Letras. Sua escultura está na Praça do Sebo, local tradicional de exposição de livros raros e de vendas de livros usados no Recife. CAJUS

MAURO MOTA (1911–1984) Nasceu em Nazaré da Mata (PE). Jornalista, poeta, cronista e professor. Em 1952, publicou suas Elegias, com 36 poemas, onde empregou o verso regionalista

As mãos da moça nos cajus ordenha-os sem feri-los, ordenha-os tão de leve como se para o Deus Menino retirasse leite das ovelhinhas do Presepe.

NANÁ VASCONCELOS (1944–2016) Nasceu no Recife (PE). Foi um músico que se tornou conhecido mundialmente como um inovador percussionista. Eleito oito vezes o melhor percussionista do mundo, foi considerado uma autoridade mundial em percussão. Além de dominar uma grande variedade de instrumentos, contribuiu para a divulgação internacional do berimbau. Antes de Naná, a percussão limitava-se aos tocadores de pandeiros, tambores, tumbadores, maracás e bangôs. Naná percebeu as possibilidades do berimbau, usado na  capoeira e explorou o instrumento. Foi um grande valorizador da cultura afro-brasileira. Sua escultura está na Praça do Marco Zero, local onde Naná foi, por 15 anos, Mestre de Cerimônias da abertura oficial do carnaval do Recife, no comando de centenas de batuqueiros de diferentes Nações de Maracatus pernambucanos. 89


SOLANO TRINDADE (1908–1974) Nasceu no Recife (PE). Poeta, pintor, ator, teatrólogo, cineasta e folclorista. Foi considerado o maior poeta negro do Brasil. Sua trajetória artística foi marcada pela valorização da estética negra e da cultura afro-brasileira. Na década de 1930, fundou a Frente Negra Pernambucana e o Centro de Cultura Afrobrasileiro, para divulgação dos intelectuais e artistas negros. Em 1944, escreve um de seus poemas mais famosos Tem Gente com Fome. Fundou o Teatro Popular Brasileiro no qual apresentou, no Brasil e na Europa, espetáculos de manifestações populares de batuques, congadas, caboclinhos, capoeira e coco. Sua escultura está no Pátio de São Pedro, tradicional polo da cultura afro-brasileira no Recife. NAVIO NEGREIRO Escultura de Solano Trindade, 2007 (Demétrio Albuquerque) – Pátio de São Pedro

SOU DO BEM

Fico feliz Só em te ver Na luz que procuro encontrar nas pessoas Na luz que semeio em busca do amor O amor existe, é só ter calma e tudo vem Vou prosseguir, vou sempre assim Eu sou do bem

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Lá vem o navio negreiro Cheio de melancolia Lá vem o navio negreiro Cheinho de poesia... Lá vem o navio negreiro Com carga de resistência Lá vem o navio negreiro Cheinho de inteligência...


Além do circuito da poesia Além do Circuito da Poesia existem outras obras de

NELSON FERREIRA (1902–1976), BONITO, PE

arte pública que fazem homenagem a personalidades

Busto do compositor feito por Abelardo da Hora, em 1982,

ligadas ao universo literário e musical de Pernambuco.

na Rua dos Palmares, bairro de Santo Amaro, instalado na praça que também leva o nome do compositor.

CENTRO DO RECIFE AUGUSTO DOS ANJOS (1840–1914), CRUZ DO ESPÍRITO SANTO, PB Escultura do poeta feita por Abelardo da Hora, em 1985, na Praça da República, bairro de Santo Antônio.

ASCENSO FERREIRA (1895–1965), PALMARES, PE

OLAVO BILAC (1865–1918), RIO DE JANEIRO, RJ Busto do poeta feito por Alex Mont’Elberto, em 1983, na Praça Olavo Bilac, bairro de Santo Amaro.

OLIVEIRA LIMA (1987–1928) RECIFE, PE Busto do escritor feito por Wamberto Araújo, em 1976, na Avenida Oliveira Lima, bairro da Soledade.

Busto do poeta feito por Armando Lacerda, em 1955, na Avenida Rio Branco, bairro do Recife.

CARLOS PENA FILHO (1928–1960), RECIFE, PE

OUTROS BAIRROS DO RECIFE

Busto do poeta de autor desconhecido, sem data, na

EÇA DE QUEIROZ (1845-1900) PÓVOA DE VARZIM, PORTUGAL

Praça Adolfo Cirne (Faculdade de Direito), bairro de Santo

Busto do escritor feito por Abelardo da Hora, em 1996,

Amaro.

na Praça Eça de Queiroz, bairro da Madalena.

CASTRO ALVES (1847–1871), CURRALINHO, BA

GILBERTO FREYRE (1900-1987) RECIFE, PE

Busto do poeta feito por Celso Antônio de Menezes, em

Feita por Abelardo da Hora, em 2000, a escultura do

1947, na Praça Adolfo Cirne (Faculdade de Direito), Bairro

sociólogo e escritor fica na Praça de Apipucos, bairro

de Santo Amaro.

de Apipucos.

Mural cerâmico feito por Francisco Brennand, em 1986, no

Busto feito por Abelardo da Hora, em 2001, na Fundação

Forte do Brum, bairro do Recife.

Joaquim Nabuco, bairro de Casa Forte.

FARIA NEVES SOBRINHO (1872–1927), RECIFE, PE

LUÍS BANDEIRA (1923) RECIFE, PE

Busto do poeta feito por R. Correia, em 1951, no Parque 13

Busto do compositor de “Voltei Recife” feito por B.

de Maio, bairro de Santo Amaro.

Queiros, em 2000, na Avenida Beira Rio, bairro da Torre.

MANUEL BANDEIRA (1886–1968), RECIFE, PE

PAULO FREIRE (1921-1997) RECIFE, PE

Busto do poeta feito por Celso Antônio de Menezes, em

Feita por Abelardo da Hora em 2013, a escultura do

1956, na Rua da União (Espaço Pasárgada), bairro de

educador e escritor está instalada no Lago do Cavouco,

Santo Amaro.

Campus da UFPE. 91


E DU CATI VO QUESTÕES MEDIADORAS Qual música ou poesia tem relação com a sua história?

De que maneira a poesia está presente em sua vida?

Com qual desses artistas você mais se identifica?

Que relações você faz desses artistas com a cidade do Recife?

Você sabia? Mapas literários do Recife Imagine você passear pela cidade conhecendo poesias, contos, livros, imagens e mais uma série de informações sobre o universo literário do Recife? Essa é a proposta de um site e de um aplicativo desenvolvido para que você possa consultar enquanto caminha pela cidade. O primeiro é o mapa

Sugestão de Atividades Que tal você criar uma lista de músicas e poemas a partir do percurso Cidade Poesia?

A Cidade em Palavras do site Vacatussa que traz um roteiro de lugares que serviram de cenário para escritores recifenses. Criado a partir do Google Maps, o mapa – que também pode ser chamado de “literatura geográfica” – é uma tentativa de resgatar a poética das ruas fazendo referências sobre pontos importantes da capital pernambucana. Já no aplicativo Ruas Literárias do Recife, o usuário pode escolher entre o mapa interativo, que indica as poesias e as citações sobre as ruas ao seu redor, ou uma lista de todas

SITES A Cidade em Palavras. http://www.vacatussa.com/cidade-em-palavras/ Liêdo, Fotógrafo do Povo. http://www.liedomaranhao.com/

as vias e becos. O aplicativo pretende promover os

APLICATIVOS

laços de pertencimento à cidade através da memória

Ruas Literárias do Recife

urbanística e da literatura pernambucana. 92

Para saber mais...


17

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2 7 6

11

5

1 4

3

8 9

PERCURSO CIDADE POESIA 1. Naná Vasconcelos – Praça do Marco Zero

7. Mauro Mota – Praça do Sebo

13. Ariano Suassuna – Rua da Aurora

2. Antônio Maria – Rua do Bom Jesus

8. Solano Trindade – Pátio de São Pedro

14. Manuel Bandeira – Rua da Aurora

3. Chico Science – Rua da Moeda

9. Liêdo Maranhão – Praça Dom Vital (Mercado de São José)

15. Alberto Cunha Melo – Parque 13 de Maio

10. Capiba – Rua do Sol

16. Clarice Lispector – Praça Maciel Pinheiro

11. Luiz Gonzaga – Praça Mauá (Casa da Cultura)

17. Celina de Holanda – Avenida Beira Rio, Derby

4. Ascenso Ferreira – Cais da Alfândega 5. Joaquim Cardozo – Ponte Maurício de Nassau 6. Carlos Pena Filho – Praça da Independência (Pracinha do Diário)

12. João Cabral de Melo Neto – Rua da Aurora

93


PROJETO CULTURAL RECIFE ARTE PÚBLICA — CIDADE EDUCATIVA COORDENAÇÃO DO PROJETO

Lúcia Padilha Cardoso COORDENAÇÃO DE PRODUÇÃO

Janaisa Cardoso CURADORIA EDUCATIVA

Lúcia Padilha Cardoso PESQUISA DE CONTEÚDO E ARTE EDUCAÇÃO

Hassan Santos Lúcia Padilha Cardoso FOTOGRAFIA

Breno Laprovitera Hassan Santos Nando Chiappetta DESIGN GRÁFICO

Zoludesign REVISÃO DE TEXTO

Letícia Lira Garcia AUDIODESCRIÇÃO

Entrelinhas Comunicação Acessível


Copyrigth@2021. Recife Arte Pública. Todos os direitos reservados.

Este caderno foi produzido entre setembro de 2019 e janeiro de 2021. As fontes utilizadas foram da família Andes, desenhada por Daniel Hernández em 2011 e comissionada pela Latinotype. Impresso sobre papel pólen soft 80 g/m2 (miolo) e couché fosco 250 g/m2 (capa) com tiragem de 1.000 exemplares.


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Cidade Educativa  

PORTAL https://www.recifeartepublica.com.br EDUCATIVO https://recifeartepublica.hotglue.me

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