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Luz Arte Urbana Grafite News Guto Indio da Costa

Turn Arts On Iluminar e Speto


REFLEXÃO DA LUZ por Patrícia Favalle

De um feixe a outro, somam-se mais de três décadas de experimentalismos e inovações no segmento da luz arquitetural. Não à toa, a empresa fundada pelos irmãos Cícero e Ronaldo Mafra, em Belo Horizonte, valeu-se de um verbo – conjugado no infinitivo – para traduzir o seu principal conceito: Iluminar. Ao longo desta história, cada cena contou com a ideia de fazer da iluminação a protagonista de um roteiro que aliou criatividade, estética e design. Se o romantismo fica à vontade à meia-luz e o suspense prefere um cantinho à penumbra, pelas mãos dos Mafra, estas dramaticidades foram convertidas em hits práticos e inseridas nos ambientes residenciais e corporativos através de peças técnicas decorativas e estruturadas. Das primeiras composições moldadas no ferro e impulsionadas pelo regionalismo às barras de alumínio entornadas por desenhos conectados ao conforto visual, à sustentabilidade e aos sistemas inteligentes de automação, a marca conquistou o Brasil e também a capital argentina. Dona de um acervo de 600 produtos catalogados em cem linhas distintas, a Iluminar é representada atualmente por 34 revendas exclusivas, além da própria concept store.

O ESSENCIAL É INVISÍVEL AOS OLHOS A afirmação do escritor Antoine de Saint-Exupéry atestava que os sentimentos dispensavam as legendas. Trazendo a frase para os contornos da luz, é inevitável comparar as gamas recheadas de comprimentos de onda – em sua porção física – àquilo captado e codificado pela íris humana. Amplitude, frequência e ângulo de vibração cintilam com vieses simplistas, porém charmosos, sintetizados pela tríade brilho, cor e polarização. Bem além da linha conceitual, os projetos luminotécnicos da Iluminar contemplam funcionalidade e beleza na medida para áreas internas e externas. A luz, de fato, se rendeu à engenharia como ferramenta indispensável para atiçar o tato, dobrar a visão, perturbar o olfato, iludir o paladar e distorcer a audição. Uma realidade desconexa, entretanto possível, já que a luminosidade interfere também na captação sensorial.

www.turnartson.com.br


A Iluminar traz luz sobre as artes. Traz luz que transforma espaços, insights, ambientes, vidas. Traz luz que dialoga com o que é contemporâneo, com o que é inspirador, com o que transforma. Que acendam as luzes sobre a arte urbana. Avant-garde, contestadora, obscura, colorida, viva. Que acendam as luzes sobre a arte que passa por nossa janela, por nosso olhar, por nosso dia a dia. Que acendam as luzes sobre a arte que transforma o espaço público em espaço lúdico. Que acendam as luzes sobre a arte que transforma vidas, que desmarginaliza. Luzes sobre o GRAFITE, sobre seu passado, presente e futuro. Luzes sobre o Speto, primeiro protagonista do projeto Iluminar Turn Arts On. Aprecie estas folhas, as obras, os textos, os muros, os rabiscos, a tinta. Aprecie a vida de um dos maiores representantes da arte urbana nacional atual. É com imenso prazer que trazemos a você este fanzine, revista, catálogo, jornal, registro. Um ensaio visual sobre o grafite nacional. Transforme.

Turn Arts On


TURN ARTS ON

UMA RUA COMO AQUELA por Patrícia Favalle Desde que os paredões verticalizados tomaram o lugar do papel, as contestações dos limites visuais da arte são temas corriqueiros entre espectadores, críticos e estudiosos. Num retrospecto imprescindível, o papel também já ocupou o lado de lá, com as estampas floridas e rebuscadas do pintor inglês William Morris. Mas, para entender a geografia que levou o traço para o lado de fora das construções, antes é necessário mergulhar na pré-história dos desenhos. Há pelo menos 40 mil anos a.C., o homem já rabiscava os seus anseios pelas cavernas, rochas e o que mais pudesse ser tingido. A arte rupestre assim como os hieróglifos egípcio, hitita e maia, que também eram usados como elementos decorativos e culturais, se contextualizados para os dias de hoje, seriam interpretados como os primórdios do grafite. O grafite, por sinal, que deriva do termo italiano graffiti, faz alusão aos protestos feitos nas colunas ainda nos tempos do Império Romano. Mesmo com validade comprovada por séculos de prática, a técnica só caiu no gosto popular recentemente. Foi na França, em maio de 1968, que aconteceu a agitação mais latente em prol da comunicação visual de massas. A greve liderada por estudantes e abraçada por trabalhadores gravou no concreto os sonhos de mudar o mundo.


ILUMINISMO

No auge do pop art, Andy Warhol avisou que o futuro reservava 15 minutos de fama para cada aspirante a celebridade. E bastou o século 21 entrar no ar para a frase desfilar com cara de profeciachavão. Mas nem todo mundo tem gosto pelo sucesso instantâneo. Na contramão da superexposição, há quem escolha viver por trás de manifestações autorais, detalhe que depende exclusivamente do talento. Caso do britânico Banksy, cuja identidade é fruto da especulação, inventor de estênceis com mensagens provocativas, espalhados por Bristol e Londres. Sem pedir licença, o “célebre anônimo” prefere enfatizar a sua obra por vias não autorizadas, assim como tantos grafiteiros desfavoráveis aos cifrões atrelados à boa aceitação do mercado. Este, por sinal, é um ato de ordem justamente contra a massificação da arte urbana.

CONTRACULTURA As Inscrições de Maio, como ficaram conhecidas, tinham, além do caráter poético-político, códigos, regras e padrões comportamentais próprios. Por conta disso, nos Estados Unidos dos anos 70, o grafite foi incorporado ao hip hop, que reagia à violência sofrida pelas classes mais baixas, trazendo para o centro da discussão a cultura das ruas. O movimento ferveu nas imediações do Bronx, “gueto” novaiorquino de maioria latina e negra, pelas mãos de Jean-Michael Basquiat e dos líderes do Black Power. A música quase falada tornou-se hino proposto por gente como DJ Kool Herc, considerado “pai” da ideologia. Em outras frentes, a dança incitava à liberdade, enquanto os muros eram disputados como espécie de territórios-livres. Cada superfície tinha sua relevância reconhecida como difusor de utopias. Os espaços em branco logo ganhavam coloridos feitos no bico do spray, estêncil, stickers, lambe-lambes, tags (assinatura) ou letras delineadas com caligrafias que identificavam determinados grupos. Os rebeldes, finalmente, lutavam por uma causa.

REALISMO FANTÁSTICO O divisor de águas que separa a intervenção artística da poluição visual é invenção de Demétrius, ou Taki 183, criador das tags. Foi desta transgressão que surgiu a pichação, avaliada como depredatória aos patrimônios público e privado. Na contramão dos rabiscos indecifráveis, onde a anarquia tem jeito de vandalismo, o grafite arredondou as sílabas e acentuou os retoques como forma de cativar o receptor. Sem palavras de Gentileza e com muros acinzentados, no Brasil, influenciada por Loony Wood, ou Phase 2, a juventude confinada nas periferias das urbes foi a responsável pela popularização da linguagem e sua imediata exportação para os bairros nobres e centrais. Bem antes disso, em 1917, o meio-fio carioca já servia de palco para algumas aparições de desabafos escritos. Embora o preconceito tenha feito sombra ao grafite e a marginalização só tenha se dissipado em meados dos anos 90, a crítica especializada acabou por legitimar os traços. Da vertigem causada pelo duo Otávio e Gustavo Pandolfo – osgemeos –, da afinação de Nina, do neoexpressionismo de JGor e dos coloridos de Nunca ao engajamento de Tinho e de Daniel Melin, a geometria de TitiFreak e a brasilidade genuína de Speto, muitas latas de spray foram usadas para preencher quilômetros lineares de muralhas estéreis.


by Iluminar

Os pés plantados no shape que desce a rampa côncava, a agulha fincada entre os sulcos do vinil, as frases cortantes vinculadas em rimas repentinas e as batidas eletrônicas que se prendem aos ouvidos juntam-se, como instalação midiática, ao spray do artista de rua que ‘espeta’ a indiferença pública com humor, ironia e suavidade. Aliás, espeta não, Speto.


Speto

A MINHA TEIMOSIA VAI TE CONQUISTAR por Patrícia Favalle Nascido em 1971, o paulistano Paulo César Silva apresenta uma trajetó-

Sem se prender a verdades bidimensionais, Speto, que ganhou o apelido

ria semelhante à de seus contemporâneos. Do desenho rascunhado nas

por conta da magreza adolescente e da rebeldia dos cabelos desgrenha-

folhas pautadas na sala de aula aos grafites estampados nas pilastras,

dos, utiliza a tecnologia para apresentar leituras diferenciadas da cultura

prédios e demais formas do grandioso cenário urbano, seus traços e som-

nacional por meio dos softwares de manipulação de imagens. O resultado

breados desenvolveram-se libertos e autodidatas, impressos com estilo

dessa experimentação, como tudo o que faz, tem atraído o olhar de cura-

e velocidade. “Não havia como aprender a grafitar. Era um momento que

dores de grandes galerias e de espaços alternativos.

tudo estava começando”, diz.

Como você tomou gosto pelo grafite? Nasci num bairro da zona norte

Desde então, as temáticas escolhidas por ele são regidas por tópicos

de São Paulo, no Chora Menino, nas imediações de Santana. Ali aprendi a

singulares. Surgem da observação das coisas ordinárias, das pessoas,

desenhar enquanto acompanhava os meus irmãos mais velhos nas aulas

do caos, das outras linguagens da street art, caso da xilogravura e do

de música e de pintura. Só em 1985 conheci o hip hop e entendi a cultura

HQ, e da música. Por conta disso, foi convidado a ser o quinto, o sexto

de rua como expressão.

e o décimo elemento de bandas como Os Raimundos, O Rappa e Nação

Zumbi, sempre na função de decorar os cenários dos palcos durante

Quais foram as suas influências? Aldemir Martins, Di Cavalcanti e as pin-

os shows.

turas de cordel. A diversidade do povo brasileiro é uma inspiração constante.

Além dos esboços que entortam a alvenaria, das apresentações perfor-

A sua biografia é considerada um marco para o grafite brasileiro.

máticas e da divertida tarefa de customizar skates e afins, o portfólio do

Dá para sintetizar estes 25 anos de carreira em algumas linhas?

rapaz mostra uma respeitada carreira como ilustrador. Entre as publica-

É difícil [risos], mas vamos lá... Estreei na arte urbana aos 14 anos, sem

ções que guardam as cores de sua obra, destacam-se as revistas Fluir,

ter noção do panorama mundial do graffiti. Não se ouvia nada por aqui.

Trip e RG Vogue. Na órbita eletrônica, o artista participou de interven-

Depois conheci osgemeos, o Tinho e o Binho, então resolvemos sair dos

ções na descolada emissora MTV Brasil.

bairros e grafitar pela cidade. Nosso primeiro muro [coletivo] foi na Praça


Roosevelt. O traço que desenvolvemos é fruto do apuro, de uma técnica

coletivo, é acessível e reconhecido como arte urbana e linguagem uni-

que logo ousou assimilar elementos das artes plásticas. Minha trajetória

versal. Já a pichação é um vandalismo consciente, um ato de oposição

está ligada à cultura popular, aos regionalismos e à brasilidade.

contra o anonimato do qual eu não concordo. É como se a periferia batesse à porta da burguesia com o discurso na ponta da língua: “hei,

Há um divisor nesta história? A arte é dinâmica, exige comprometimen-

olha pra mim, estou aqui!”. Talvez seja uma vingança pelo desprezo

to e adequações. Não dá para viver sob a pecha de um movimento. Então,

social.

fiz desenhos para produtos, ilustrações para o mercado editorial e capas

para CD. Passei um tempo na estrada com o pessoal do Rappa, sempre

Ainda assim, havia uma ética quase territorial – onde existia gra-

responsável pelos grafites feitos ao vivo durante os shows do grupo.

fite, não se via pichação. Mas os próprios códigos de conduta e honra não são necessariamente usados para o bem, eles são meramente afir-

Como foi esta experiência? Um enorme aprendizado. Não existe rotina.

mativos. Veja, por exemplo, a Máfia, as facções criminosas e as torcidas

O palco te ensina a cativar as pessoas, a gerar emoção, não importa o que

organizadas.

esteja pensando no momento. São duas horas de entrega total e absoluta.

O que não pode faltar na sua pintura? Luz e sombra. A luz

é o alimento, é aquilo que dá forma e movimento. A sombra é o

E como chegou ao mercado internacional? Foi uma consequência na-

equilíbrio. Penso na luz como fração da poesia.

tural – e evolutiva – do meu trabalho. Em 2005 fui convidado para integrar

a equipe de artistas no lançamento mundial do carro Fox, da Volkswagen,

Quais são os seus próximos passos? Quero ter mais tempo para

que também deu origem a um hotel-design na capital da Dinamarca, Co-

os muros! Em 2011 farei uma exposição individual no Museu Afro

penhague. Nesta mesma época, participei de um projeto de integração

Brasil, o que considero um grande salto. Hoje me dedico às pesqui-

cultural idealizado pela Brahma, cujo foco era apresentar o Brasil sem os

sas e ao aprimoramento do meu traço, migrar das paredes para as

estereótipos. Tive até a oportunidade de pintar a fachada de uma igreja de

telas é algo desafiador.

Berlim que foi bombardeada durante a Segunda Guerra.

Como você se definiria? [Pausa] Com um verso do Jorge Ben Jor: “A

Para muita gente, não há separação entre o grafite e a pichação.

minha teimosia é uma arma pra te conquistar”. O artista tem que ter

Qual a sua opinião sobre a polêmica? O grafite envolve o meio

isso em mente, sempre.


Le crocodile marchĂŠ sur la lune. 2008

speto around the world


BERLIN Copa Cultura - St. Elisabeth Church - 2006


ROTTERDAM ROTERDAN

R.U.A Festival - Rotterdam - 2009


CHICAGO Telas para a agência Lápiz - 2007


FIRENZE Intorno el mondo - Festival de la CreativitĂ - 2008


COPENHAGEN


LOS ANGELES


GLASGOW “Na janela ao lado mora o meu amor.” - 2007


LIVERPOOL “Menina avoada.” - 2007


NEWARK Tropicando - 2007


PARIS Exposição individual galeria Laz Dog - 2000


NY Speto - Lyhrd - 2006


BRIGHTON

2006


LEDesign

MENTES BRILHANTES por Patrícia Favalle O que faz a diferença nem sempre está na inovação da forma, mas nos meios que justificam os fins. Com essa ideia fixa na cabeça, o time da Iluminar apostou na parceria inédita com a Universidade FUMEC para estimular as reflexões de criativos professores e estudantes sobre o uso consciente da iluminação. Foi assim que nasceu o projeto LEDesign, atrelado ao Manifesto do Design, transcrito por doze mandamentos que orientam os profissionais do setor a adotar alternativas possíveis e sustentáveis na arquitetura contemporânea. “Ao criar e produzir, pense em reciclar”, diz as linhas iniciais do documento. Alerta convertido em soluções na mostra inaugural que apresentou ao público 21 protótipos concebidos a partir de materiais ecológicos e LEDs, envoltos por uma aura neofuturista. O resultado agradou tanto que outras edições estão no forno – mas vale esticar os olhos até a página ao lado e conferir o que já rolou. Como diria o mestre Cartola, “O mundo é mesmo um moinho”.


Perfil Guto Indio da Costa

A CARA DA TRIBO por Patrícia Favalle

Estabelecida entre as linhas precisas da engenharia e os volumes aerodinâmicos do design está uma das maiores invenções de Guto Indio da Costa. Na estrutura singular que guarda a imaginação deste jovem brasileiro de criatividade acentuada, encontram-se os bilhões de mecanismos sinápticos gravados em titânio, mantidos por altas doses de energia renovável e interligados num espaço de sistemas acústicos e luminotécnicos de última geração. “O que me chamou atenção inicialmente na profissão foi o desejo de projetar aviões. Mais tarde me apaixonei pelos automóveis e pelo design de produtos”, diz. Por ali as ideias que deslizam além da velocidade da luz sugerem mudanças irresistíveis no jeito de viver de cada um. Para entender um pouco mais deste organismo que ignora os limites do tempo, vale retomar um trecho de sua história representado pela genética de traços contínuos. Idealizado no início dos anos 70 por seu pai, o arquiteto Luiz Eduardo Indio da Costa, o estúdio de ares poéticos ainda hoje é um dos escritórios mais despojados do país. “É evidente que cresci cercado por referências arquitetônicas. Lembro-me, por exemplo, de visitar a Torre Eiffel e em seguida o Palácio de Esportes de Bercy, uma obra que certamente não atrairia o turista comum!”.

TODO SÓLIDO, TODO GÁS E TODO LÍQUIDO Em 1996, com a entrada de Guto na equipe, a empresa teve sua participação no mercado de desenvolvimento de produtos generosamente ampliada. Com mais de 40 profissionais de artes gráficas, modelistas, desenhistas e paisagistas, o eixo conceitual da grife foi adaptado para atender a outras demandas do setor, dando abertura para o surgimento da Indio da Costa A.U.D.T - Arquitetura, Urbanismo, Design e Transporte. Da mente do carioca formado pela Art Center College of Design, sediada na Califórnia, Estados Unidos, surgiram coleções modernas de eletros, móveis e até parcerias inéditas. São investidas que ele acredita estarem adequadas às políticas atuais da indústria. “Estamos prontos para exportar inteligência ao invés de commodities e agregar valor aos produtos e marcas”. Com esse pensamento a postos, os lançamentos arrebataram o público e a crítica especializada, além de premiações expressivas aqui e do outro lado do globo. Para selar esta fase, Guto firmou um acordo com a Iluminar. “A intenção é criar uma família de produtos que possa ser comercializada em qualquer parte do mundo”. E é ele que conclui: “Luz é tudo. Sem ela não há cor, não há forma, não há visualização”. Sem dúvida, já dá pra afirmar que se trata de um dueto afinadíssimo.


Ensaio

CALEIDOSCÓPIO por Patrícia Favalle Esculpida pelos combustíveis inflamáveis, pelos filamentos incandescentes de Thomas Edison, pelos gases fluorescentes e pelos chips eletrônicos que incrementam os componentes das chamadas lâmpadas LED, está a arquitetura e seu desenrolar dos últimos tempos. Pode-se dizer que neste encontro, luminosidade e forma instituíram o equilíbrio ideal para transformar o ‘viver junto’ em algo totalmente confortável. As questões que ditam como a luz é assimilada nas metrópoles ocupam as mentes de urbanistas, designers e artesãos. Na cidade de São Paulo, quando o século 19 ainda engatinhava, a prefeitura instalou lampiões nas vias mais movimentadas da região para estabelecer o primeiro centro financeiro. Como apontaria Ariella Masboungi, no livro Penser la Ville par la Lumière, a inserção desses recursos sugeriu uma disposição nova de encarar a relação do homem com os espaços públicos. Dos românticos postes de ferro ainda existentes em Caeté, em Minas Gerais, e no Pelourinho, na capital baiana, aos rolos de cabos de fios de cobre e de fibra óptica que conectam quilowatts e gigabytes, o mundo expandiu-se em panoramas repletos de cores, relevos e dimensões que nem o sonho mais fantástico seria capaz de descrever. E aqui não importa que roupa a casa use, pois a claridade escolta cada centímetro dessa odisseia definindo a função e as fronteiras das armações. Enfim, como diria Marcel Breuer, arquiteto e professor da Escola de Bauhaus, “todo objeto que reúne design e funcionalidade torna-se um clássico”. Sem limites e sem a menor sombra de dúvidas.


Lançamentos

TODA LUZ SERÁ PERMITIDA por Patrícia Favalle

Para uma cena incrível, a iluminação precisa dialogar harmonicamente com o ambiente. Lição seguida à risca pela Iluminar, que aposta nos lançamentos da temporada para deixar os espaços mais convidativos. Entre as boas opções, a LEG interage com a arquitetura, exibindo sofisticação na medida exata. Já a FLOW STD desponta com desenho atemporal nas versões arandela e pendente. A MAG elenca contemporaneidade e delicadeza na hora de mostrar a luz focal e cheia de charme. Camaleônica e superatual, a CROSS é a releitura bacana de um spot multidirecional, que alia flexibilidade, forma e conceito. Com todos os hits afinados, o duo de caixas sobrepostas confere elegância à série DUETO. Como se fosse moldada de luz e sombra, a linha JOB confunde os olhos com sua proporção volumétrica bem marcada. Extremamente comercial, mas sem perder o glamour, a FLUX une praticidade e conforto visual. Intrigante e ao mesmo tempo envolvente, a LEG 90 é ideal para criar soluções funcionais. A TUFF é como um cubo mágico pra lá de inovadora, métrica semelhante é vista na TUFF OUT e na EDGE, ambas feitas para áreas externas. O plano refletor inclinado confere à FROM suavidade, enquanto a projeção angular da OSBY 90 garante exclusividade aos recintos e os recortes da PLANUS B aparecem despretensiosamente no contexto arquitetônico. No caso da SIGN e da TRIP, o minimalismo e a pouca interferência no décor são seus pontos altos. No ritmo fashion, o balizador DRESS tem grafismos e três alternativas de tamanhos. Para fechar em grande estilo, a PIRA é alinhada, escultural, moderna e bonita.


RAZÃO E SENSIBILIDADE De um lado, o fotógrafo. Do outro, o artista plástico. Durante 32 anos, eles imaginaram que a arte havia ficado pelo caminho. Ledo engano. Cícero e Ronaldo – batizados com o sobrenome Mafra – se entregaram precisamente ao seu lado mais instigante: eternizar a sensibilidade e esculpir a razão. Como o Mágico da Terra de Oz e o Coelho Branco do País das Maravilhas, que trancam o tempo da própria ação do tempo, eles não se esqueceram do enredo que os trouxe até aqui. Avessos aos holofotes – sim, eles sabem que a abundância de luz cega tanto quanto a escuridão –, os irmãos ainda preferem a brandura da chama do lampião. E foram destes lampejos, quase sempre figurados em ideias, que abriram passagens para aventuras até então inéditas. Foi-se o ferro, fez-se o alumínio; foi-se o artesanal, fez-se o industrializado; foi-se o simples, fez-se o composto; foise o corriqueiro, fez-se o novo. Prosa mineira estendida em conversa de brasileiro, ecoada cá e lá, registrada em São Paulo, amplificada no Rio de Janeiro, ouvida no eixo Norte-Nordeste, ressoada no Planalto Central e repetida nos Pampas. Como a música que veio das esquinas belohorizontinas, depois de iluminar, “nada será como antes”. Foi-se a luz, fez-se a arte.


Fio condutor Para consolidar o sucesso junto ao público, muitas vezes as narrativas dependem das boas interpretações dos protagonistas. Na trajetória da Iluminar não seria diferente – já que facetas do seu encanto estão intrinsecamente conectadas à história da Prandina. Balzaquiana, a grife fundada em 1975 por Sergio Prandina logo somou a experiência do designer Mario Mengotti. No catálogo, a criatividade do arquiteto Stefano Azzolin, atual responsável pelo departamento técnico da marca, divide espaço com as composições racionalistas inspiradas no desenho nórdico, a exemplo de Per Kristian Pettersen, e com as peças autorais assinadas pelos europeus Alessandro Baldo, Paolo Bistacchi, Stefano Olivieri, Alberto Pasetti, Filippo Protasoni, Sandro Santantonio, Katja Hettler e Jula Tüllmann, Christian Ploderer e Luc Ramael. De olho nos insights, a Prandina se aliou ao coletivo globalizado Bakerygroup, cuja proposta se baseia numa espécie de laboratório de design, e que logo mais passará a produzir no Brasil, através da Iluminar, a peça Light Volume.


Direção de criação e de arte: Marcone Procópio Edição e redação: Patrícia Favalle Revisão: Ariana Brink e Bárbara Ferreira Fotografia: Cícero Mafra (LEDesign e Lançamentos) Projeto gráfico e produção: Reciclo Comunicação Marketing Iluminar Direçãogeral: de criação de arte: Marcone Procópio Coordenação JoãoeDias Edição e redação: Patrícia Favalle Web: Bruno Araújo Revisão: Ariana Brink e Bárbara Ferreira Fotografia: Cícero Mafra e Alê Torres Agradecimentos Projeto gráfico e produção: Reciclo Comunicação

Marco Freitas Francisco Terroba Amarilis Siqueira

Marketing Iluminar Coordenação geral: João Dias Web: Bruno

MENTES BRILHANTES PRODUÇÃO LEDESIGN: Agradecimentos Coordenação Eliseu de Rezende Santos Supervisão Lucas Mafra Designers Eliseu de Rezende Santos Lucas Mafra Saulo Policarpo Sérgio Oliveira Paulo Henrique Pessoa [o “Ganso”] Leonardo Mattos Breno Libório


BRASIL•SP:SÃOPAULOWallLamps(11)3064-8395 | CAMPINASVertz(19)3251-0501 | MARÍLIALumiarte(14)3413-3776 | SANTOS Lumen (13) 3223-5543 | SÃO JOSÉ DOS CAMPOS Iluminare (12) 3923-6288 | ARAÇATUBA Lupz (18) 3625-1122 • RJ: RIO DE JANEIRO Pro-Light (21) 2511-1740 • MG: BELO HORIZONTE Iluminar (31) 3284-0000 | UBERLÂNDIA Ícaro Design (34) 3222-3500 • DF: BRASÍLIA Dessine (61) 3445-2018 • RS: BENTO GONÇALVES Center Luz (54) 3454-6500 | CAXIAS DO SUL Luz & Formmas (54) 3223-1952 | NOVO HAMBURGO Luz & Luz (51) 3593-1236 | PORTO ALEGRE Vértice (51) 3328-6263 • SC: BLUMENAU Lights On (47) 3329-2049 | CRICIÚMA Luz + (48) 3437-4915 | FLORIANÓPOLIS Ouse (48) 3222-0834 • PR: CASCAVEL Space Light (45) 3038-1703 | CURITIBA e Iluminação (41) 3244-2066 MARINGÁ Kelvin (44) 3025-6086 • SE: ARACAJU Lúmina (79) 3214-1533 • PA: BELÉM Design da Luz (91) 3230-4234 • MS: CAMPO GRANDE Cena (67) 3029-0401 • MT: CUIABÁ Todimo Design (65) 3615-5050 • CE: FORTALEZA Paroma (85) 3267-1030 • GO: GOIÂNIA Illuminato (62) 3216-3700 • PB: JOÃO PESSOA Stiluz (83) 3244-4951 • AL: MACEIÓ Lúmina (82) 3327-7200 • AM: MANAUS Primaluce (92) 3211-0600 • RN: NATAL Quanta (84) 3201-1373 • PE: RECIFE Daluz (81) 3465-9433 • ES: VITÓRIA Studio Design (27) 3227-6822 ARGENTINA • BUENOS AIRES Concepto & Luz + 54 (11) 4777-0023

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Iluminar Fanzine Turn Arts On - Speto  

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