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NÚMERO 002 FEVEREIRO 2018

Mesa XEE-107

W W W . R E A R T E Z A R . C O M . B R reartezar

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Made in Europe

EDITORIAL

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Vamos todos Reartezar!

surpresas positivas que vamos explorar juntos a cada edição.

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Convidamos você a acompanhar a evolução da

reciclagem com a Revista Reartezar. Um universo cheio de

Moda Revista Comércio Local Demais Artes Boa Gente Em Exibição Segunda Vida

A revista número 1 agradou leitores de todas as

idades. Demonstraram interesse pelo conteúdo editorial e pelos anunciantes, que fizeram este projeto virar uma realidade, com 2 mil exemplares impressos em papel 100% reciclado.

Assuntos da atualidade sobre o descarte são trata-

dos com seriedade, mas de maneira leve, criativa, até educativa. O objetivo é chamar você também para atuar neste processo de reciclagem de materiais. Cada um tem sua maneia de ajudar.

Na revista há exemplos para os leitores se inspirar-

Galeria

em. Alguns tratam como arte e fazem disto um estilo de vida,

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por amor e por respeito à natureza. Outros artistas e designers uniram o útil ao agradável, porque além de reciclar, criam objetos e comercializam suas obras e inovações, cada vez mais necessárias para a sociedade.

Lançar um veículo de comunicação com esta

proposta estava nos planos há dez anos, mas na época talvez

38 Escala Industrial 40 Emoldurada 46 Iniciativa

fosse cedo demais para conseguir viabilizar isto. Hoje, com o apoio que recebemos das empresas que investiram e acreditaram, está claro que a Revista Reartezar chega na hora certa. O desafio é enorme, mas o primeiro passo já foi dado. Esta é só a segunda edição, incentivando todo mundo a fazer sua parte e Reartezar, cujo significado original é reciclar com arte.

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MADE IN EUROPE

Hálfdan Pedersen faz bonito na Islândia Textos e fotos Anja Grafenauer

Como presente pelo meu aniversário

na ilha possui poucos recursos, pouca matéria

de 30 anos, ganhei de meus amigos e

prima, e custa muito dinheiro importar artigos

de minha família uma viagem para a Islândia.

de outros países. Mas nada disso se aplica à Is-

Essa ilha é um lugar bastante particular. Reúne

lândia.

os extremos. Isolada no Hemisfério Norte, com

Esse aspecto da cultura do país fez surgir uma

temperaturas muito frias no inverno, ela tem te-

obsessão no artista local Hálfdan Pedersen. Ele

souros inestimáveis: a energia geotérmica, gran-

morou em Los Angeles, quando trabalhou na in-

diosas paisagens, aurora boreal.

dústria do cinema. Um dia, durante a produção

Apesar de ter poucos habitantes, ela atrai

de um filme na Islândia, ele se apaixonou por

bastante turistas! Mas uma coisa me surpreen-

uma casa em ruínas e decidiu voltar ao seu país e

deu ainda mais. Os habitantes de uma ilha tão

renová-la com 100% de materiais reciclados. Foi

maravilhosa deveriam proteger o seu ambiente

atraído pela paz e a tranquilidade daquele lugar

bem mais que outro povos, porque uma peque-

perdido na costa norte da Islândia.

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Um Clássico. Mesmo visto e revisto, um clássico jamais se repete. Um clássico não muda, mas tem a capacidade de sempre se renovar. Um clássico é mais que moda. Pode ser uma obra de arte, uma música ou mesmo uma pizzaria. Pizzaria Basilico. Um clássico.

www.pizzariabasilico.com.br Rua Laurindo Januario da Silveira 647. Canto da Lagoa. Telefones. 48 32321129 / 32320485


MADE IN EUROPE

A obsessão de reciclar tudo surgiu como for-

Os objetos foram produzidos com mais paciên-

ma de protestar contra a mentalidade islandesa.

cia e confeccionados para durarem. Hoje, Hálf-

“Antes da crise econômica, jogavam tudo no

dan Pedersen tem muitos pedidos para renovar

lixo, sem pensar no valor das coisas usadas”,

e decorar lojas e restaurantes na Islândia.

disse Pedersen, que tem uma grande admiração

Tive a oportunidade visitar os lugares e tirar

pelo artesanato. Para ele, os objetos antigos são

algumas fotos para a Revista Reartezar. O am-

uma perfeita combinação entre estética, utili-

biente criado é único, como se as coisas antigas

dade e resistência.

transmitissem suas histórias. Nunca subestimem

Muitos materiais que utilizou para reformar

a influência dos objetos sobre nós, eles também

a sua casa o os interiores de bares, restaurantes

falam e transmitem mensagens. Nesse caso, foi

ou lojas de Reykjavík já existem há cinquenta

como se o tratamento do artista com os materi-

ou cem anos, e provavelmente vão durar mais

ais se propagasse até nós. Senti respeito, paciên-

cinquenta e cem anos.

cia e calor. E você, o que sente quando olha seus

Antigamente, o ritmo da vida era mais lento.

objetos?

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MODA REVISTA

Moda Sustentável Por Letícia Pedroso

Ao traduzirmos moda podemos afir-

acessível sem perder o conceito, nada melhor

mar que seu significado: é um costume

do que um brechó: guarda roupa compartil-

predominante em um determinado grupo ou

hado que nunca cai em desuso, ele apenas se

momento. É uma palavra muito usada para

reinventa de acordo com o estilo modal. Nele

designar uma forma de vestir-se que é comum

você encontra peças de grifes com valores ir-

para muitos ou apreciada por muitas pessoas.

risórios que cabem em todos os bolsos. Con-

Seguindo este raciocínio percebemos que o

ceito que é bem visto por estilistas e consumi-

boom dos anos 80 ganhou uma repaginada nas

doras de moda.

peças com novos tons e formas agregando val-

Para contextualizar estes conceitos vamos

or às tendências atuais.

destacar nesta edição o charme e estilo do Ba-

Para trazer esta moda à tona de uma forma

zar Tienda de Ideas e Sai do Armário, que

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Há 20 anos florindo a nossa vida. Flores e plantas selecionadas Fornecemos para floriculturas Os preços mais baixos da ilha Imagemeflora@gmail.com • @imagemeflora Rua Vereador Osni Ortiga, 3026 • Porto da Lagoa

(48) 3232 6112 reartezar

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MODA REVISTA

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MODA REVISTA

traduz exatamente a expressão dos looks e

ização de uma oficina e logo após um desfile

tendências de estilo. Quem passa pelas araras

dos looks customizados.

do Bazar encontra diversidade nas tendências, moda atual e coleções passadas que se unem

Oficina de arte

em looks despojados.

Ao entrar no Tienda, além das araras com

O espaço localizado no centrinho da La-

roupas de todos os estilos e conceitos, você

goa da Conceição é quase uma galeria mul-

fica surpreso com tanta arte expressa de difer-

ticultural com moda, arte, brechó, oficinas,

entes formas. Expositores de moda sustentáv-

artesanato, workshop e troca de “ideas”. O

el, varais de brechó, artistas e formadores de

diferencial do Tienda é a união de vários

opinião têm espaço garantido. Artes como

profissionais que expõem seus produtos, cada

pintura feita à mão em tecidos e jeans dão

um com seu varal e estilo diferentes. Além

vida a roupas de coleções passadas.

disso, a proposta de transformar a Tienda em

Em um dos espaços do Bazar, a proprietária

arte inspira Ideas que reafirmam o espaço.

criou uma espécie de galeria com móveis re-

Eventos como o Café com Costura - Fash-

ciclados e reutilizados, como mesas, bancos

ion Revolution é exemplo das ações de moda

e janelas de madeira e bamboo que harmo-

que acontecem no Tienda. Com uma propos-

nizam o ambiente. Pra finalizar completa o

ta que mescla moda sustentável com cunho

espaço uma galeria de quadros expostos por

social, o evento aconteceu no ano passado e

artistas locais, que já participaram de oficinas

segundo a proprietária, Neca Gamarra, “uniu

e workshops realizados por lá.

gente bacana, que colocou a mão na massa e transformou roupas do brechó da SERTE

Nos endereços de instagram: @saidoarma-

(Sociedade Espírita de Recuperação Trabalho

rio e @tiendadeideas você encontra um

e Educação), em peças novas com diversas

pouquinho desta apreciação da moda.

técnicas”. O evento ainda contou com a real-

Fotos: arquivo pessoal Tienda de Ideas

10 anos

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COMÉRCIO LOCAL

Chope para levar As micro-cervejarias se multiplicam em todo o Brasil. Este fenômeno no mercado de bebidas atrai consumidores mais exigentes, que adquirem suas próprias garrafas para encherem com o chope favorito. Sem latinhas e garrafas lotando as lixeiras, todo mundo fica feliz.

Quem gosta de beber cerveja tem a opção

É evidente que as cervejas em latinhas e gar-

de apreciar produtos de alta qualidade de

rafas não vão desaparecer, pela sua praticidade

uma maneira diferente. A nova sensação faz o

e durabilidade. Mas são produtos diferentes. O

comércio local crescer e ainda reduz o descarte

chope é uma bebida viva, não sobre o processo

de embalagens.

de pasteurização, como ocorre com a produção

A cultura do growler chegou para ficar. Entre

da cerveja, que a conserva própria para consu-

os fatores mais relevantes para a Reartezar é a

mo por um longo período.

não geração de lixo. O consumidor vai com sua

O chope dura menos tempo. Alguns tipos po-

própria garrafa, enche e leva para beber em sua

dem ser consumidos em no máximo um mês de-

casa ou na mesa do bar.

pois de armazenados no barril. A produção var-

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COMÉRCIO LOCAL

ia de acordo com o tipo da cerveja artesanal. As

“Beba Local”

propriedades do chope não são alteradas, seus

Fabricantes da cidade lançaram uma cam-

ingredientes, como malte e lúpulo, são preser-

panha em 2017 que se chama “Beba Local”.

vados sem sofrerem alterações decorrentes do

Alguns bares da grande Florianópolis que

processo de pasteurização.

servem chope artesanal tem um dia da semana

Para o consumidor final que usa seu growler

em que promovem cervejarias locais, cobran-

e leva para sua casa, o ideal é consumir em até

do um preço bem menor pelo produto. É uma

48 horas, desde que a tampa não seja aberta. Se

maneira de tornar a bebida mais acessível aos

abrir, tem que beber.

consumidores, que pagam menos e saboreiam

O growler pode ser de 1 litro, 2 ou até 5 litros.

bebidas da mais alta qualidade. Todos os bares

Foi inventado nos EUA no Século XIX, depois

tem growlers para vender. Entre eles, destaca-

desapareceram até ressurgirem nos anos 80 e 90,

mos o Books & Beers e a Cervejaria Catarina, na

na Europa e nos EUA. Hoje estão no mundo in-

Lagoa da Conceição. Baixe o aplicativo “Beba

teiro.

Local”, conheça as opções e sáude!

Os growlers são fabricados em cerâmica, alumínio ou vidro. A vantagem da cerâmica é

O nome “growler”

sua resistência à pressão e não deixar a luz pene-

Alguns cervejeiros garantem que o nome ficou

trar na garrafa. Mas se estiver trincada, pode ex-

famoso por causa do ruído que surge quando a

plodir facilmente quando for enchida. O growl-

garrafa é enchida na pressão. Lembra o som de

er de vidro é mais barato e prático.

um cão rosnando, por causa do gás carbônico

Um brinde para todos que adotaram a cultura

quando o líquido é agitado. Growl, em inglês,

do growler! Parabéns pela escolha. Seu pala-

quer dizer rosnado, ou grunhido. Mas aqui no

dar e o planeta agradecem. Mas lembre-se, não

Brasil, agora significa uma bonita garrafa com

beba antes de dirigir.

algum delicioso chope dentro.

Seu medicamento na medida certa, cuidando de você do meio ambiente. R. Moacir Pereira Júnior, 11 - Lagoa da Conceição, Florianópolis - SC - Telefone: 3238-0900 reartezar (48) • outubro 2017 13


DEMAIS ARTES

Cinema

O Sal da Terra (2015) Direção: Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado Um dos melhores documentários sobre a influência da arte para causas sócio-ambientais. Dirigido pelo premiado diretor alemão Wim Wenders e co-dirigido por Juliano Ribeiro Salgado, a narrativa cronológica revela a vida e o trabalho do brasileiro Sebastião Salgado. Narrando em francês a história por trás de suas principais fotos, o célebre mineiro revela detalhes muito além da vida daquelas pessoas, lugares e animais que se tornaram símbolos para as questões sociais e ambientais. A fotografia sempre foi uma arma para combater injustiças. O começo se passa na Serra Pelada, durante o auge da mineração. Depois, Salgado comenta os projetos “Êxodos” e “Gênesis”. Suas fotos sempre em preto-e-branco podem ser perturbadoras, algumas são capazes de arrancar lágrimas.Apesar do drama de situações vividas, Sebastião Salgado mostra esperança para o planeta, como nas filmagens da recuperação de uma fazenda da família dele, com o plantio de mais de 2 milhões de mudas de árvores nativas, transformado o local num oásis. Nesta ação do Instituto Terra, notamos que é possível ajudar a natureza a se recuperar dos danos causados pela criação de gado. As chances de mudança existem e estão ao nosso alcance. O Sal da Terra foi premiado e indicado ao Oscar de melhor documentário. É um marco para a cultura, uma excelente dica para você assistir e tirar suas conclusões. Mas prepare-se para fortes emoções.

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Literatura Cidades e Soluções Como Construir uma Sociedade Sustentável (2017) De autoria do jornalista André Trigueiro, o livro recebeu o nome do programa que ele apresenta no Canal Globonews. Sem dúvida, a proposta de André em mostrar a degradação ambiental e destacar possíveis soluções contribui para formar a opinião dos leitores sensíveis à esta questão. É um convite para um debate sobre o problema que surgiu com o crescimento dos centro urbanos. Especialista em gestão ambiental e sustentabilidade, André Trigueiro vai além de sua profissão e revela sua devoção para com o meio ambiente.“Cidades e Soluções - Como Construir uma Sociedade Sustentável” é apropriado para estudantes e pessoas de qualquer idade. Muito bem escrito e rico em informações atuais e declarações de personalidades empenhadas na criação de alternativas para a sociedade. A obra é um documento de alto valor. Precisa ser difundida e suas orientações colocadas em prática com máxima urgência. Um dos destaques é a seção “Ecodicas”, onde ele enumera algumas ações simples, que podem ser aplicadas no dia-adia das pessoas. Se cada um de nós seguirmos essas recetias, o mundo terá futuro, caso contrário, a vida se tornará insustentável.


DEMAIS ARTES

Tradução O amor dela chove em mim suave como a brisa Eu escuto a respiração, soam como as ondas no mar Eu estava pensando totalmente nela, queimando com raiva e desejo

Música

Nós estávamos girando na escuridão; e a terra estava em chamas Ela poderia tomar isto de volta, ela tomará isto de volta algum dia

She Will Take It Back - Pink Floyd (1994)

Então eu espio ela, eu já menti para ela

Her love rains down on me as easy as the breeze

Eu faço promessas que eu não posso cumprir

I listen to her breathing it sounds like the waves on the sea

Então eu ouço a risada dela vindo, vindo do fundo

I was thinking all about her, burning with rage and desire

E eu a faço provar o amor dela por mim

We were spinning into darkness; & the earth was on fire

Eu pego tudo aquilo que eu posso levar

She could take it back, she might take it back some day

E eu a levo até o limite, pra ver se ela quebrará

So I spy on her, I have lied to her, I make promises I

Ela deve tomar isto de volta, ela poderia tomar isto de

cannot keep

volta algum dia

Then I hear her laughter rising, rising from the deep

Agora eu tenho visto as advertências, gritando de to-

And I make her prove her love for me, I take all that I

dos os lados

can take

É fácil ignorá-las Deus sabe que eu tentei

(And) I push her to the limit to see if she will break

Toda esta tentação

She might take it back, she could take it back some day

Você sabe que transformou minha fé em mentiras

Now I had seen the warnings, screaming from all sides

Até que eu não possa ver o perigo ou ouvir a maré

It’s easy to ignore them God knows I’ve tried

ascendendo

All of this temptation, you know it turned my faith to lies

Ela poderia tomar isto de volta, ela tomará isto de

Until I couldn’t see the danger or hear the rising tide

volta algum dia

She Could take it back, she will take it back some day

Ela poderia tomar isto de volta, ela tomará isto de

She Could take it back, she will take it back some day

volta algum dia

She will take it back; She will take it back some day

Ela tomará de volta; Ela tomará de volta algum dia

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BOA GENTE

The Keep Ocean Blue é pela praia e por você Texto: Caroline Lucena • Fotos: Marcio David

Confira nesta seção BOA GENTE a força que um movimento pode conseguir tendo bons princípios e uma boa comunicação. Este é o assunto apresentado pela editora do Jornal Drop, Caroline Lucena especialmente pra Reartezar.

O mundo está cada vez mais corrido, a

ma harmônica com o meio ambiente? Muito im-

consequência é dedicarmos menos tempo

portante é anonimamente fazermos a nossa parte

e atenção para algumas coisas que realmente im-

e despertar no outro a consciência sobre assuntos

portam. Na sagacidade de vermos nossos sonhos

relacionados ao uso e descarte do lixo, reciclagem

e desejos materiais concretizados, poucas vez nos

e preservação. Em meio ao caos dos dias atuais,

permitimos colaborar e interceder para que no

pode parecer desafiador, só que o mais legal é que

futuro as consequências ao meio ambiente não se-

tem um “bocado de boa gente” que consegue.

jam cruéis, o que acontece quando o nosso foco

Com por exemplo, o pessoal do projeto The Keep

tornam-se os bens de consumo. Com viver de for-

Ocean Blue, que foi pensado e desenvolvido pela

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Anuncio catarina montar?


BOA GENTE

marca Oceano. Há mais de 10 anos seu objetivo é

conscientização para que cada vez mais surfistas

sensibilizar pessoas sobre a importância individual

façam parte dessas correntes de ações”, disse o

na preservação da natureza, limpeza das praias e

fotógrafo Marcio David, um dos motivadores do

oceanos.

projeto.

Mutirões, palestras, visitas a escolas, o

Desse pensamento coletivo, surgem

pessoal do projeto realmente usa de diversos recur-

muitas ideias, alguma bem divertidas como a do

sos para passar uma mensagem clara, a importân-

Pague Seu Ingresso. Pague Seu Ingresso é o mes-

cia e os deveres pelas causas ambientais. Como um

mo que fazer o seu melhor. Deixar a praia mais

grande reforço para essa empreitada, nada mais

limpa do que quando você chegou, por exemplo.

legal do que contar com a ajuda dos surfistas, que

Uma maneira divertida que o grupo inventou para

possuem um contato direto com a natureza e uma

“pagarmos” por também utilizarmos a natureza.

rotina real, que se torna motivadora na hora de

Pensando na limpeza, muitos mutirões são convoca-

persuadir as pessoas com informações, conceitos e

dos em Floripa, Praia Brava, São Chico, Garopaba,

ideias.

Imbituba, Farol de Santa Marta, entre outras. Ações “É verdade que o surfista cuida e muitas

também aconteceram na Costa Rica, Chile, Nica-

vezes não suja, mas também não ajuda a limpar.

rágua, Fernando de Noronha, Indonésia, e assim,

Buscamos unir a galera e fazer esse trabalho de

o projeto The Keep Ocean Blue percorre lugares,

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BOA GENTE

disseminando uma mensagem simples, importante e

e atividades com desenhos, com o intuito de estim-

real, acreditando nos bons exemplos e na informação

ular as ações de preservação.

como forma de conscientização e revolução.

Claro que a preservação é uma re-

ao planeta são grandes, as futuras gerações podem

sponsabilidade de todos, por isso, o pessoal não faz

fazer melhor. Lembrem-se que quase tudo que o

distinção. Só que além dos surfistas, outros grande

ser humano produz pode ser reciclado, e os lixos

diferencial do projeto é o engajamento das cri-

que encontramos na praia são mais desses resídu-

anças.

os abandonados que podem ser reutilizados. A

A preocupação em torno das agressões

Já faz um tempo que o The Keep

preservação é uma responsabilidade de todos, mas

Ocean Blue visita escolas estaduais e municipais de

estar junto das crianças é plantar boas sementes.

Santa Catarina. Os atletas e a equipe interagem

Isso é fundamental. Vida longa ao projeto Keep

com os pequenos cidadãos de uma forma bem de-

The Ocean Blue!

scontraída e realizam apresentação de fotos, vídeos

NTICO O AUTÊ ROLO E D O L BO

Deliciosas tortas, bolos, doces e sobremesas Av. Leopoldo Joao Santos, 31, Lagoa da Conceição, Florianopolis (48) 3365-1941

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EM EXIBIÇÃO

Primeira Expo Handmade em Floripa Numa iniciativa conjunta de alguns artistas, a mostra de artigos feitos com materiais descartados foi realizada na Barra da Lagoa. O clima muito agradável e descontraídos marcou este evento de sucesso.

Todos os meses deveria rolar pelo menos uma exposição assim em Floripa. A Expo Handmade foi diferente de muitas mostras de arte, porque uniu alguns jovens que trabalham com materiais descartados, em Floripa.

Realizada na Barra da Lagoa, durante

um dia todo, este evento foi prestigiado por um público jovem, sinais dos novos tempos e de uma geração que valoriza este tipo de movimento artístico no Brasil.

Os autores da maioria dos trabalhos fo-

ram Marcos Viana, Bruno Kuroiwa e Diego Rutkowski. Marcos é do estúdio MQS33 e chamou a

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atenção com uma proposta alegre, colorida, usando reartezar

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EM EXIBIÇÃO

Vinhos e azeites feitos com respeito a natureza.

www.purochile.com.br

@shivacozinhavegana Rodovia Dr. Antônio Luiz Moura Gonzaga, 3137 Rio Tavares, Florianópolis - SC (48) 3371-5800 reartezar

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EM EXIBIÇÃO

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diferentes materiais que estariam no lixo, mas com

tatuadores, Natan Holtz e Marcelo Costa. Houve

suas ideias e adaptações viram obras de arte.

ainda sorteios de brindes e tatuagens para os visitantes

da Expo Handmade.

Diego é um dos donos do ateliê Ferreiros

da Arte e levou algumas de peças que são verdadeiros

quadros feitos ferro. Com uma técnica muito evoluí-

exposições deste gênero. O hostel The Search merece

Que esta seja a primeira de uma série de

da, ele consegue fazer desenhos de animais, formas e

desaque por abrir as portas para este tipo de atividade

até o mapa mundi.

cultural de vanguarda na cidade.

Pinturas do Wagner Kuroiwa também estavam lá para serem admiradas e a participação especial dos

Fotos: Fabiane Hensel Ledur

20 ANOS

R Manoel Severino de Oliveira, 513 - Lagoa Conceição - Florianópolis (48) 3232-0795 • (48) 3232-8359 reartezar

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SEGUNDA VIDA

Ouro reciclado

Empresas se especializaram em remover o ouro de smartphones, computadores, notebooks e chips de aparelho celular. Nesse tipo de sucata, há uma pequena quantidade de ouro que será reaproveitada assim como é feito há milhares de anos.

Todo ouro que já foi minerado na história

Extremamente denso, o elemento não enferruja, não

da humanidade corresponde a aproximada-

perde o brilho nem se corrói. Pelo seu valor comer-

mente 21 metros cúbicos. Não encheria uma peque-

cial e pelas propriedades exclusivas, o metal amarelo

na piscina.

é objeto de desejo desde tempos antigos. De alguns

O ouro é o maior exemplo de algo que

anos pra cá, algumas empresas no mundo se espe-

pode ser infinitamente reciclado. Pode ser que uma

cializaram em detectar e retirar esse metal nobre de

aliança de casamento contenha partículas do ouro

sucatas.

retirado de tesouros dos faraós do Egito ou da civi-

lização Inca.

quilos de lixo eletrônico para se obter uma peque-

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É verdade que são necessários muitos


SEGUNDA VIDA

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SEGUNDA VIDA

na porção de ouro - para cada grama de ouro são

plástico e vidro.

necessários até 40 smartphones. Ainda assim, isto é

economicamente viável e rentável. Peças usadas de

importância, porque são cada vez mais escassos.

velhos computadores e aparelhos quebrados sem

Sem o reaproveitamento, o preço tende a subir e o

nenhuma valor comercial, são motivo de interesse

mercado de eletrônicos não quer isso. O processo de

para empresas que já se espalham no mundo todo

obtenção destes elementos pode ser feito de forma to-

em busca do metal precioso.

talmente segura para os seres humanos e sem danos

para o meio ambiente.

Segundo a ONU, o E-lixo deve che-

A recuperação destes metais são de suma

gar a 50 milhões de toneladas em 2018. Uma

boa parte deste perigo para a natureza passou a

local correto para o descarte do lixo eletrônico. Algu-

ter um destino apropriado, desde que indústri-

mas lojas de telefones celulares tem locais de coleta.

as de reciclagem conseguiram uma método

Para facilitar mais o processo de descarte, existem em-

eficaz de separação dos componentes. Nessa

presas que retiraram o lixo eletrônico nas residências

reciclagem, também são removidos outros metais,

ou estabelecimentos comerciais.

Agora é com você. Sempre procure um

como o cobre, níquel, chumbo e prata, além do

Cada 40 smartphones descartados = 1g de ouro.

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SEGUNDA VIDA

CENTRO DO SER PEDIR ANÚNCIO

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GALERIA

Galeria Reartezar Nas páginas a seguir, você confere novidades do design na categoria luminárias e arte em ferro. Tudo reciclado! Artistas e colecionadores de obras de arte com peças originais foram contatados e ajudaram a compor essa galeria. Aqui está um pouquinho do que queremos mostrar. O objetivo da revista é que estas soluções criativas sirvam de incentivo para mais gente “Reartezar”.

Skatista Material: ferro e aço inox Autor: Mark Fonser Esta estatueta criada por Mark Fonser fica exposta na sala de marketing da Mormaii, em Garopaba. O autor desta obra sensacional usou peças recicladas para mostrar um skatista naquele exato momento em que fica por frações de segundos nesta posição. Outros trabalhos de Fonser reciclando ferro e aço inox referem-se a temas esportivos, animais alados e marinhos.

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GALERIA

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Parte 1 Deu uma luz Luminária XEE 112 Autor: Gabriel Xè Também autor da mesa na capa desta edição, o artista e músico Xè vive em Floripa com sua família. Designer com vasta experiência, ele já comercializa com sucesso os mais diferentes objetos de arte e peças com design exclusivo. Entre algumas de suas ideias, está uma casinha de crianças feita 100% de madeiras encontradas no lixo e na beira da estrada. Já aqui na foto temos uma outra peça, esta luminária futurista. Tudo está relacionado com o aproveitamento de itens descartados. Xè uniu seu talento artístico e sua formação acadêmica para reciclar. Uma entrevista com Xè já está agendada. Aguarde.

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DEMAIS ARTES

Luminária Pitanga Autora: Ligia Estriga As luminárias de Ligia Estriga já estão expostas

ela utiliza e recebe de uma empresa. Depois que

em muitos endereços da cidade. Possuem esti-

as mercadorias da empresa eram transportadas,

lo original, bom gosto e são bastante resistentes.

todas aquelas caixas não tinham mais utilidade.

Ela oferece boas opções para os clientes que

Ligia abandonou a profissão de arquiteta e só se

procuram na internet a Loja Ocre – Estúdio de

dedica à esta nova fase, voltada para reciclagem.

Design. O trabalho é feito reutilizando caixas de

Está totalmente imersa neste mundo, participan-

papelão, que são moldadas em vários formatos. A

do de eventos e experimentando novas técnicas

produção depende do descarte deste material que

para produzir outros objetos, além das luminárias.

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DEMAIS ARTES

Água Viva Pequena e Tronco de mesa. Autora: Ligia Estriga As criações de Ligia com este material geram uma atmosfera aconchegante. Tanto o lustre quanto a luminária estão à venda. Podem ser produzidas várias peças idênticas para decorar pousadas, restaurantes, bares, casas e apartamentos.

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DEMAIS ARTES

Luminária Shine Autor: Marcos Viana Dono do estúdio MQS33, Marco Viana está em Floripa para fazer a diferença. Encarou com seriedade a produção de obras de arte e de design reciclando lixo. Sua luminária aqui apresentada é uma peça moderna. Aquela gota de tinta escorrendo remete à arte de rua. O material é uma lata de tinta spray que foi usada para desenhar um lindo grafite na cidade. Esta é só uma entre tantas de suas lindas criações, que também estão à venda. Marcos Viana faz parte dessa geração de artistas engajados na preservação do meio ambiente. É um exemplo de atitude, criatividade e força de vontade.

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DEMAIS ARTES

Luminária Charmosa de Vela Autor: Guilherme Almeida Trazemos aqui mais uma versão de luminária, esta lançada por Guilherme Almeida. Ex-publicitário e futuro surfista, Guilherme assumiu agora o compromisso com a sustentabilidade. Criou o estúdio Less (“menos”) onde faz e vende os próprios artigos. O nome de seu projeto Less já virou até seu apelido. Ele conta que é privilegiado em trabalhar com arte e morar perto de uma unidade de descarte de material para reciclagem da Comcap, em Florianópolis. Com tantas possibilidades de materiais, Guilherme Almeida deve lançar mais coisas legais. Muito sucesso ao novo artista!

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DEMAIS ARTES

Parte 2 Na Idade do Ferro Reciclado

Navio Autor: Rubson Marcovitch Um navio que não navega, mas que serve de alerta para a sociedade de consumo na questão do aproveitamento de materiais descartados. Esta é uma obra de Rubson Marcovitch que usa sucata de ferro. O artista produziu centenas de trabalhos de todos os tamanhos e formas. Este navio foi adquirido pelo músico Alegre Corrêa e está exposto no jardim da casa dele, em Florianópolis.

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Tonel Buda Autor Diego Rutkowski Esse tonel tendo uma luz por trás, cria um efeito sensacional. É o que garante o autor. Os trabalhos de Diego são feitos no ateliê Ferreiros da Arte, no Rio Tavares. Há muito tempo, o bairro de Floripa é ponto de encontro e lar da nata do surf, do skate, além de grandes tatuadores e artistas de vários estilos. Diego Rutkowski é um dos pouco que escolheu o elemento ferro e o que faz é produzir gravuras nele, como se fossem quadros. Sua produção em coisas descartadas é rica em detalhes e técnicas que ele vem adquirindo. Assim como Diego, muitos artistas estão no começo do descobrimento da arte em transformar o lixo de alguns no luxo para outros. Sorte nossa que tenha gente assim como Diego e todos os grandes artistas que mostramos aqui na revista!

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ESCALA INDUSTRIAL

Mobilis desenvolve projetos de veículos elétricos em Santa Catarina A startup catarinense Mobilis, com foco em projetos de eletro mobilidade lança sua marca e seu primeiro produto. Texto: Manoela Hoffmann

Após mapear o mercado e a usabilidade

produto da marca prevê uma autonomia elétrica

do produto, a ideia dos engenheiros re-

de 50 km por carga, suprindo a necessidade para

sponsáveis é que esse veículo elétrico seja usado

pequenos deslocamentos. Entre os diferenciais do

para indústrias em deslocamentos intersetoriais;

veículo elétrico estão: a taxa de manutenção, 20%

para transporte de pequenas cargas em proprie-

menor em relação aos utilitários elétricos conven-

dades agrícolas; e para eventos de grande escala,

cionais, e a vida útil da bateria, 10 anos, três vezes

como Olimpíadas, ou ainda para pontos turísticos

mais se comparada aos veículos de mesmo porte

e passeios.

produzidos nos EUA ou China.

O chassi modular orienta o desenvolvimento dos projetos da Mobilis, que desenvolve veículos funcio-

Sobre a Mobilis

nais com diversos tipos de carrocerias. O primeiro

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A Mobilis surgiu no final de 2013, com a


ideia principal de usar o conhecimento e experiência de engenharia dos três sócios, em projetos veiculares para desenvolver um produto e um negócio sustentável na área de eletro mobilidade.

Fundada pelos engenheiros mecânicos

Mahatma Marostica, Thiago Hoeltgebaum e pelo engenheiro eletricista Paulo Bosquieiro Zanetti, desenvolveu-se para traduzir as necessidades de mobilidade das pessoas e projetar veículos elétricos viáveis para uso no Brasil, com visão e padrões globais.

Em três anos de pesquisa e desenvolvi-

mento, a empresa consolidou investimentos, ampliou sua estrutura – física e de pessoas - com o objetivo de finalizar um protótipo, testá-lo e avançar

Semana de Mobilidade Elétrica “O evento aconteceu entre 25 de setembro e 06 de outubro, com o intuito de trazer à comunidade acadêmica as tecnologias e conceitos que moldam o futuro. Foi realizado na Universidade Federal de Santa Catarina pela Ampera, equipe de capacitação de engenheiros que projeta e constrói um veículo elétrico de alto desempenho para a Fórmula SAE Brasil e atua como porta-voz da

na versão definitiva do seu primeiro produto: um

mobilidade elétrica na Universidade. Em parceria com

veículo de plataforma modular composta por um

as maiores empresas no ramo de carros elétricos, como

trem-de-força elétrico com baterias de lítio para ser

BMW, WEG, Renault, Jaguar - Land Rover, entre outras,

utilizado tanto na indústria, serviços públicos como

a Semana de Mobilidade Elétrica traz grandes oportuni-

em hotéis e na agricultura.

dades para ampliar o conhecimento sobre o tema. Nela

A versão final do veículo foi apresentada

na Campus Party Bahia e foi destaque na Design Weekend em São Paulo. O futuro da Mobilis é gerar produtos sobre essa plataforma modular, incluindo uma versão para carro de rua.

são oferecidos painéis sobre o tema, o mercado automotivo do futuro e o mercado de energia, workshops práticos e teóricos nas áreas de engenharia, palestras nacionais e internacionais, uma exposição com os veículos elétricos e híbridos do Brasil e do mundo e muito mais.” Ivor Braga, designer do Li

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EMOLDURADA

Lis Onda Paz, amor e mosaico em Floripa Aqui está uma pequena homenagem a uma artista cujo trabalho todo mundo já viu colorindo a cidade. Lis Vasconcelos recicla e transmite mensagens positivas. Com sua arte, ela conectou pessoas, embelezou ruas, revitalizou lugares, com um estilo inconfundível. Lis conversou com reportagem da Revista Reartezar. Leia mais a seguir!

É com grande orgulho que apresentamos uma

riais, tornavam aqueles ambientes escolhidos mais

artista que mudou o visual das ruas na ilha.

agradáveis para todos. “As pessoas começavam a

Aqueles que já a conhecem, sabem que a arte criada

cuidar melhor daquele pedaço da rua ao redor e

pela Lis vem da necessidade que ela mesma tem de

dos postes”, disse a artista.

homenagear esta cidade que tanto ama e que a rece-

“Quando saí de São Paulo eu já queria trabalhar

beu.

com reciclagem em Floripa”, declarou Lis. O ma-

Logo que chegou, em 1997, ela tratou de deixar os

terial que escolheu existe em quantidades imensas.

postes de iluminação pública na Lagoa mais bonitos,

É descartado por todas as empresas que trabalham

super coloridos. Moradores e comerciantes logo no-

com azulejos, espelhos e cerâmica. “Encontro tudo

taram que os trabalhos dela com reciclagem de mate-

o que preciso para mosaico em fábricas, no comér-

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EMOLDURADA

cio e nas casas das pessoas, também já recebi doação

diferentes se unem no processo criativo e na execução

de peças de empresas como Porto Belo”, explicou.

para criar uma obra em conjunto”. Isto gera muita

O apoio das pessoas partiu naturalmente daqueles

evolução e a rica troca de informações, de ideias, que

que a observavam durante as várias horas que se

também influenciam no resultado final da arte.

dedicava produzindo arte nos postes, por vontade

“Nem havia internet, Orkut, Facebook, então as

própria. Foi então que ela notou que o andamento

pessoas que tinham necessidade de cuidar da cidade

das obras “juntavam pecinhas e pessoas” que queri-

estavam conectadas por este trabalho de arte de rua,

am ajudá-la. A arte dela se tornou uma rede social

embelezando os postes e muros da cidade onde elas

chamada ONDA.

viviam”, revelou Lis.

Na escolha das peças que davam origem às figuras

A Onda (Organização Natural de Diversos Amigos)

e paisagens rolava também uma sociabilização. Ela

só aumentava, com mais integrantes participando, e

disse que “assim como as peças que tem formatos

este passou a ser o apelido dela, que ficou conhecida

diferentes, várias pessoas de estilos e personalidades

como Lis Onda.

A Pomba é a única obra que não é da Lis, porém foi feita por uma pessoa que aprendeu a arte do mosaico com ela. O nome do autor é Diego Machado. Vocês ainda vão ouvir falar dele muito, porque ele segue em frente com sua arte.

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MALIBU VERDE PEDIR ANÚNCIO

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EMOLDURADA

Segundo a artista, havia crianças de 12 anos ajudando bem no começo da Onda, “hoje são adultos com 32 anos de idade”. Lis esteve presente em praticamente todos trabalhos e ainda ofereceu oficinas, ministrando aulas para interessados em aprender a técnica. Até hoje, Lis já produziu cerca de 600 mosaicos que estão espalhados por diversos bairros de Floripa e “tem até lá do outro lado da ponte, no Imaruim”, na Palhoça. O material escolhido pela artista para reaproveitar é cheio de cores, formas, ângulos e tamanhos. Quando colocados nas mãos dela, são transformados em desenhos simples ou fantásticos. Um dos mais expressivos trabalhos que ela destaca está exposto na Associação de Moradores do Porto da Lagoa. Demorou um ano pra ficar pronto e teve a participação de quarenta pessoas. O encontro aconteceu uma vez por semana, até a conclusão da obra. Já o mais atual e que faz parte de seu novo

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EMOLDURADA

projeto está no Rio Tavares, em frente à pedreira.

fotografar. A frase é mais uma maneira das pessoas

“Começamos em março, pintamos o muro, lim-

demonstrarem que também amam Floripa. Para ela,

pamos ao redor do ponto de ônibus e gravamos a

é sua própria declaração de amor a esta cidade linda,

frase: Floripa I Love You”.

cheia de gente conectada em fazer o bem com arte.

Ela considera que o novo mosaico é um exemplo do que pode vir a ser uma atração turística, como já é

Leia a entrevista com a Lis no site www.reartezar.

adotado em muitas cidades do mundo, quando os ar-

com.br

tistas fazem trabalhos na rua e as pessoas param para

Nós acreditamos em comida de verdade. Buffet a quilo.

Cardápio variado e diversificado. Massas e molhos artesanais.

seg à sex: das 11:30 as 15h sáb e feriados: das 12h às 16h

Rod. Antônio Luiz Moura Gonzaga, 2283 Rio Tavares (no Seu Tavares) reartezar

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INICIATIVA

Praticar Sustentabilidade na Arquitetura? Por Alcino Gabriel

Nesta seção, a Reartezar traz com exclusividade o texto do colaborador Alcino Gabriel, arquiteto português, que mostra sua opinião para obras possíveis, com custo acessível e materiais locais. O título da seção é Iniciativa, para outros seguirem um novo conceito, seja arquitetônico, turístico, social, esportivo ou qualquer outro segmento, visando uma evolução da sociedade brasileira.

Fachada escola no Bangladesh

“A sustentabilidade é o principio base

recente para jornal português Diário de Noti-

para a arquitetura ser boa, com qualidade. Não

cias.

é uma qualificação própria . Tudo o que é bom

é sustentável , caso contrário não é bom.”

quitetura deverá transmitir, ela deverá ser tec-

Palavras do Arquiteto Eduardo Souto de Mou-

nicamente capacitada para ser sustentável, caso

ra, prémio Pritzker em 2011, numa entrevista

contrário perderá o seu valor arquitetônico

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Para além das emoções que a ar-


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como exemplo a ser classificado como tal e será

riais ligados à terra, tais como o barro e palha

remetida á categoria de “construções diversas”.

combinam-se com elementos mais leves, como

Assistimos a uma revolução tecnológica con-

varas de bambu e amarrações de nylon para dar

stante pela busca e otimização de novos mate-

forma a um edifício que responde à sustentabili-

riais e métodos construtivos que favoreçam o

dade da construção de maneira exemplar”

processo da produção arquitetônica sustentável. Atualmente para se produzir e usar uma edifi-

Fonte:

http://www.archdaily.com/51664/

cação de forma sustentável, que além de cum-

handmade-school-anna-heringer-eike-roswag ,

prir a função básica, proporcione conforto e

Philip Jordio – “Green Architecture Now” -

bem estar aos seus usuários, não é mais sinóni-

Taschen

mo de um investimento financeiro elevado. Um exemplo desta possibilidade é a escola primária executada basicamente em bambu e barro misturado com palha, em 2007 no norte do Bangladesh. O gasto foi de 25 mil euros ( aproximadamente R$ 87.500,00) para 325,00m2 de área construída, com dois pavimentos.

Os autores deste projeto, Anna

Heringer e Eike Roswag, declararam: “Acreditamos que a arquitetura é mais do que simplesmente abrigo. Está intimamente ligada com a criação de identidade e autoconfiança. E isto é a base do desenvolvimento sustentável”, Nesta construção usaram-se técnicas tradicionais adaptadas e melhoradas e contou com a ajuda de 25 trabalhadores locais.

Citando o júri do Prémio Aga Khan

de arquitetura 2007 atribuído a este projeto: “Esta alegre e elegante escola primária de dois pisos numa zona rural do Bangladesh surgiu de uma compreensão profunda dos materiais locais e de uma ligação sincera com a comunidade local. A sua inovação reside na adaptação de métodos e materiais de construção tradicionais para criar espaços festivos cheios de luz, assim como espaços informais para crianças. Mate-

Lateral escola no Bangladesh


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Verificamos então que é possível pro-

jetar e construir de forma sustentável e com custo baixo. O uso de materiais e processos construtivos de forma adequada e racional, como, sistemas de controle térmico, acústico e iluminação, uso de energia solar e eólica, reaproveitamento de águas residuais e da chuva, uso de coberturas verdes, são alguns exemplos de recursos disponíveis no mercado com custos razoáveis, que possibilitam essa prática sustentável.

Apontamos como outro exemplo de

arquitetura e construção sustentável uma casa na Nova Zelândia do escritório Herbst Architects, onde o uso dos materiais locais e sistemas sustentáveis foram determinantes para a execução deste projeto. Esta casa situa-se numa ilha sem serviços de fornecimento de eletricidade, água e tratamento de esgoto.

De realçar neste projeto, é o uso de

muros e paredes (tipo gabião) de pedra local para proteção contra o vento, e de sistemas de energia elétrica por células fotovoltaicas, do esgoto tratado no local e do armazenamento da água recolhida da chuva. Foi usada também madeira locais de recursos renováveis certificados. A casa venceu um prémio Nacional do New Zeland Institute of Architects.

Parede em pedra local na casa - Nova Zelândia

A redução de danos e custos na

produção arquitetônica, no consumo e com menos impacto ambiental é uma temática sobre a qual muito bem se fala, se escreve, se ensina, serve para palestras e conferencias, workshops, mestrados, doutorados.....mas pouco se pratica! É obrigação do profissional envolvido no processo arquitetônico,

“praticar sustenta-

bilidade”. Lamentavelmente, somente uma minoria de profissionais responsáveis e verdadeiramente comprometidos com a profissão e com o dever social, usam esses recursos na arquitetura, ou por opção, ou por falta de demanda sustentável de seus clientes.

Na contramão da evolução do pro-

cesso arquitetônico, assistimos repetidamente ao surgimento de edificações, com tamanhos, Fachada principal da casa na Nova Zelândia

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formas, materiais e cores diversificadas que


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pouco se relacionam com a prática sustentável.

isolantes adequados.

Não é suficiente que as edificações sejam so-

mente “bonitas”, devem ser planejadas e

com custo relativamente baixo, que funciona

otimizadas para que funcionem bem em todos

como isolante térmico e acústico, resistente,

os aspectos. Insustentavelmente, se valoriza e

100% reciclável, leve e de fácil manuseio, é o

se gasta mais na compra do “exuberante, im-

usualmente conhecido isopor. No setor da con-

ponente, brilhante, luxuoso, chique....” do que

strução civil é designado por EPS (sigla inter-

propriamente no útil e no funcional.

nacional do poliestireno expandido) e já pos-

sui princípios técnicos em conformidade com

A fraca qualidade sustentável da

Como exemplo de um material,

maioria das edificações existentes e em con-

as normas nacionais.

strução é um fato. Como exemplo desta reali-

dade, entramos no campo “Conforto Térmico e

sionais envolvidos, ter uma consciência mais

Acústico”, verificamos que estas duas variáveis,

responsável e ativa na prática sustentável. Cabe

úteis e funcionais, são fracas ou inexistentes na

também ás entidades públicas, federais, estadu-

grande maioria das habitações.

ais e municipais, mais incentivo e divulgação de

Basta observarmos o modo que tradi-

processos sustentáveis simples e acessíveis, para

cionalmente se constroem as paredes externas

que o modo como se constroem e usam as edifi-

das edificações e constatamos que, somente se

cações, seja mais qualificado.

Deverão, os consumidores e profis-

usa, tijolo, reboco, massa acrílica (em algumas) e tinta. O uso, somente destes materiais, é in-

Fonte:

http://herbstarchitects.co.nz/projects/

suficiente para proporcionar conforto térmico e

lindale-bach, Philip Jordio – “Green Architec-

acústico nos ambientes sem o uso de materiais

ture Now” - Taschen

mercado são jorge & aeroporto hercílio luz

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SEÇÃO EXTRA Vou encontrar meu brother para pegar umas ondas na Ferrugem... olha ele aí... woohoo.... O cara arrebenta no SUP.... Eu já curto fazer surf de pranchinha... Essa historinha foi criada só para apresentar o talentoso artista Carlos Duka Machado, de Garopaba (SC). Ele usa os palitos de fósforo usados. Suas obras são geniais e não se tratam somente de surf. Tem muito mais ideias na cuca dele

Ano II • Edição 002 Editor Felipe Fernandes Fotógrafo James Thisted Diretor de Arte Sérgio Tolentino Colunista Anja Grafenauer Projeto Gráfico Madresilva Design Colaboradores: Caroline Lucena, Marcio David, Ivor Braga, Letícia Pedroso, Carlos Eduardo Carpinelli Jr., Alegre Corrêa, Manoela Hoffmann, Duka Machado, Alcino Gabriel, Fabiane Hensel Ledur, João Lopes, Marcos Viana, Ligia Estriga, Guilherme Almeida, Diego Rutkowski, Fábio Luiz Silva e os anunciantes desta edição. Todos são muito importantes para a realização deste trabalho. Muito obrigado! A Revista Reartezar tem 2 mil exemplares. Distribuição gratuita, concentrada em Florianópolis. Material impresso em papel “Reciclato” na Coan, em Tubarão (SC) Contato: revista@reartezar.com.br Fone: 48 9 91529466 Whatsapp: 48 9 98164538. CNPJ: 29510746/0001-27

FOTOS Carlos Eduardo Carpinelli Jr

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ANUNCIO TATTOO

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Revista Reartezar #002  

Reduza, reutilize e recicle.

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