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01 – OUTUBRO DE 2012 REVISTA OFICIAL VIRTUAL GRATUITA DA ACADEMIA DE LITERATURA FANTÁSTICA DO BRASIL EXPEDIENTE PRESIDENTE INTERINO – RYNALDO PAPOY VICE-PRESIDENTE INTERINO – ESDRA SOUZA PRESIDENTE-INTERINO DO CONSELHO DE ÉTICA – HEDER HONORIO ASSISTENTE EDITORIAL – RAFAEL RAZADOR CONSULTOR ESPECIAL – HÉLIO CRESPO

CONSELHO DE ÉTICA INTERINO Cecília Fidelli, Rosana Raven, Vera Oliveira, Eubio Prieto, Fabio S. Thibes, J.A. Lupin, Gilberto Queiroz, Kayo Zimmermam, Lucas S. Oaxiac, Marco Alexandre Silva, Paulo D'Auria, Paulo R. Alves, Rafael Razador, Quiouf Thrul e Venerável V. Vaughan. www.facebook.com/groups/academiadeliteraturafantasticadobrasil CAPA: www.facebook.com/marcio.marchini

EDITORIAL


Rynaldo Papoy

O POR QUE DA ACADEMIA DE LITERATURA FANTÁSTICA DO BRASIL

Desde que me entendo por gente, eu gosto de literatura fantástica. Mais especificamente, ficção científica, embora esta seja uma resposta quântica. Eu nasci em 1970. Naquela época, em plena ditadura militar e em plena exploração espacial [não venha me dizer que o homem nunca foi pra Lua porque isso é papo de maluco], restava-nos falar de extraterrestres e que tais. Aí entra uma parte da discussão sobre literatura fantástica: é uma fuga da realidade ou uma metáfora da realidade? Já fiquei pensando cá com meus botões [na verdade, geralmente há um botão só, da calça, porque não uso camisas de botões nem calças de botões e sei que isto não tem nada a ver com que estou falando] se os extraterrestres e as abduções não seriam uma representação de Deus e da morte. Já reparou como sempre dizem que o mundo dos extraterrestres é semelhante ao paraíso celestial? O


ET de Spielberg é uma espécie de anjo. Ele voa, ele cura, ele mantém contato telepático. Bem, se eu começar a falar sobre isto, ficarei até o mês que vem falando. De qualquer forma, se alguém quiser se aprofundar no tema, leia C.G. Jung. Leia também Câmara Cascudo e Gilberto Freire. Prometo falar destes autores nas próximas edições da revista. O primeiro livro de literatura fantástica que li foi qual? Até então eu só tinha lido as histórias da Turma da Mônica. O primeiro personagem de Maurício de Souza foi o Astronauta. Havia também aquela turma do cemitério, havia o tiranossauro rex dele [o único personagem que Maurício não deixa mais ninguém desenhar], havia o Louco, havia o Capitão Feio. Mesmo as características dos personagens são meio fantasiosas. Mônica possuiu uma força descomunal. Magali é um saco sem fundo. Cascão não precisa tomar banho. Cebolinha enfrenta o surrealista Louco e Chico Bento depara-se com entidades folclóricas. Sem contar que Chico Bento pode representar a fuga da realidade para Maurício de Souza, quadrinhista paulistano com personagens bucólicos. São Paulo não é nem nunca foi bucólica, tendo já nascido como metrópole cosmopolita no século 16, incluindo todos os seus problemas. A primeira ata da Câmara Municipal de São Paulo discorre sobre a punição a um vereador que roubou


a porta da Câmara para instalar em sua própria casa. E aqui estou eu de novo fugindo do assunto. O primeiro livro de literatura fantástica que li foi “A Ilha Perdida”, de Maria José Dupré. Neste livro, dois garotos enfiam-se numa ilha fluvial que é um verdadeiro universo. Depois, li “Xisto no Espaço”, de Lúcia Machado de Almeida, o melhor livro de ficção científica escrito no Brasil, muito embora as compilações de escritores e livros de fc brasileiros jamais citem este livro ou esta autora, sabe-se lá por quê. Eu mesmo nunca vi em lugar nenhum. Comecei a escrever meio por tédio. Eu odiava ir à escola, então ficava divagando no meu caderno. Na época, eu gostava muito da série “Buck Rogers” [baseada no livro de Philip Francis Nowlan], então criei meu Buck Rogers particular. Eu tinha uns 12 ou 13 anos. Estes primeiros textos deram origem a minha série “Energia”. O primeiro capítulo foi extraviado. Tenho o segundo capítulo e preciso escrever a continuação. Isso é mania de escritor de ficção científica: não se contenta com uma história só e cria várias spin offs [como o próprio Nowlan]. Há quem odeie isto. Eu tento não fazer muita spin off. Mas na verdade, nem tenho escrito muito. Acho que minha imaginação acabou. Voltando ao meu Buck Rogers particular, a história se desmembrou de maneira descontrolada. Parece que as histórias ganham vida própria. Surgiu


“Mar de Sangue”, que eu estou digitando aqui e devo lançar no ano que vem ou depois. Também é só mais uma ponta de uma história interminável. Comecei a ficar num meio termo entre literatura fantástica e realista urbana já a partir dos 17 anos. Nesta época, eu estava só escrevendo poesia e meus poemas falavam de solidão, sexo, pobreza [minhas aflições não mudaram muito]. Eu tinha um certo problema em escrever ficção científica porque meu vocabulário era bastante limitado. Claro que vocabulário limitado não impede alguém de escrever ficção científica ou escrever qualquer coisa, mas eu me incomodava com minha incapacidade de descrever uma batalha espacial. Eu também não queria ler livros de ficção científica porque achava que tinham lenga-lenga demais. Até hoje acho isto. Você pega o livro “Um Estranho Numa Terra Estranha”, de Robert Heilein. Até a página 150, não aconteceu nada. Então o estranho na terra estranha demonstra seus poderes sobrenaturais [de novo, a velha idéia de que extraterrestre é sobrenatural, pois a história é sobre um marciano filho de terráqueos] e os cientistas passam 50 páginas conversando sobre o fato. Outra coisa que me aborrecia e aborrece são os clichês hollywoodianos. O autor pilota uma nave espacial no século 50 com os mesmos princípios da pilotagem do submarino Seaview da série “Viagem ao Fundo do


Mar” [criada por Irwin Allen]. No entanto, sempre há o risco do autor de fc estar escrevendo uma bobagem antiquada. Minha espaçonave do livro que estou escrevendo agora é pilotada por um software chamado Warm-7, sem interferência humana. A nave porém, foi tomada, à maneira cyberpunk, pelo supercérebro do robô que acompanha a expedição. É minha versão da Nostromo, nave do filme “Alien” [criado por Dan O’Bannon e Robert Sushett]. Mas no futuro, quando alguém ler isto, vai achar ridículo. Uma prova é que nenhum autor de ficção científica [exceto Isaac Asimov] previu a internet. Um personagem do Arthur Clarke está revelando fotografias no século 22, enquanto outro está lendo uma revista de papel. Por outro lado, há muita ficção científica pós-apocaliptica. A Terra acabou, após uma guerra nuclear, e as pessoas se matam atrás de uma Bíblia, ou algo assim. Quando eu estava com 25 anos, achei que já estava pronto para enfim desovar minhas histórias de ficção científica. Meu gigantesco conto “Istimirant Stella” me deu grande orgulho, porque consegui falar tudo o que eu queria falar, além de ter conseguido uma pesquisa monstruosa sem internet. Escrever com internet é moleza. Antes a gente precisava se enfiar em bibliotecas. Em 1998, considerei que minha carreira como escritor de ficção científica havia acabado.


Resolvi escrever histórias sobre policiais, bandidos, drogados, assassinos, estupradores, homens que são abusados sexualmente pela cunhadas, coisas assim. Não sei exatamente por qual motivo passei a planejar mentalmente uma nova fc. Meus dias e noites foram tomados pela idéia de viajar até Alpha Centauri, a estrela mais próxima da Terra. Aí já comecei a usar internet. O primeiro rascunho de “Alpha Centauri” chamava-se “Voyager”. Era mais surrealista do que ficção científica, talvez um pouco inspirada em Douglas Adams [um ídolo dos ateus, embora os ateus não gostem de dizer que idolatram nada]. Daí, em 2002, o grande Renato Rosatti passou a publicar todas as minhas histórias no seu fanzine-revista “Juvenatrix”. Minhas histórias caíram nas mãos do desaparecido Rogério Amaral de Vasconcelos, que à época comandava um superprojeto de ficção científica chamado SLEV e me convidou para participar, mas eu não pude por falta de tempo, já que os autores do SLEV necessitavam de dedicação voluntária integral. Mesmo assim, comecei a trocar idéias, pela internet, com outros fãs de ficção científica e já no primeiro grupo fui arranjando confusão. Acusei o grupo do SLEV de ser uma panela e me responderam que era uma panela mesmo. Decidi ser independente, especialmente depois que escrevi o


romance “Alpha Centauri”, em 2005, e quase publiquei. Não publiquei por falta de dinheiro. Mesmo assim, voltei a penetrar nos grupos de discussão sobre ficção científica, a pedido de Georges Bormand, que me convidou para escrever dois artigos para o fanzine-revista francês “Presence d’Esprits”. Primeiramente, escrevi um sobre ficção científica brasileira, que teve várias remendos até chegar à forma final. Em seguida, Bormand queria um artigo sobre literatura fantástica geral. Isso complicou, porque o terreno era bastante vasto e até mesmo subjetivo. De fato, um autor escreve um livro de literatura fantástica, mas diz que não é literatura fantástica. A distância entre ficção e fantasia é quase zero. Fui arranjando todo tipo de confusão com as pessoas. Deparava-me com um “cover” de Edgar Allan Poe, que me respondia: “Eu não tenho nada a ver com Edgar Allan Poe!” ou com uma imitação de H.P. Lovecraft: “Desculpe, mas meu texto não parece nem um pouco com Lovecraft”. Decidi me afastar definitivamente da comunidade brasileira de ficção científica, após aceitar o convite de Octávio Aragão para comparecer ao lançamento de seu livro “A Mão que Cria”, na Livraria da Vila, em São Paulo. Ficava perto do meu trabalho e aproveitei o horário da janta para aparecer lá e comprar um exemplar. Depois, eu li


comentários muito deselegantes a minha pessoa, em grupos da internet, que estavam sendo feitos por pessoas que foram ao lançamento. Octávio Aragão quase teve um treco. Descobri também que havia uma grande rixa entre vários membros do que se convencionou chamar de “fandom” brasileiro [a palavra tem origem na expressão “fan kingdom”]. A quantidade de autores e fãs que se odeiam é absurda e isto vem desde os anos 80. Já naquela época, comecei a pensar em montar meu próprio grupo de autores e leitores de ficção científica. O que determinou a criação da Academia de Literatura Fantástica do Brasil foram os eventos que ocorreram simultaneamente, nos últimos meses: mais pessoas dizendo que estavam abandonando a ficção científica; escritores dando prêmios para si próprios, outros auto-promovendo-se através de coletâneas, autores criando personagens para elogiar a si mesmos. O verbete “ficção científica no Brasil”, da Wikipedia, é uma completa mentira. Não acredite em nada do que está escrito ali. Os figurões da ficção científica brasileira ou do tal “fandom” entram na Wikipedia, colocam nomes, retiram nomes, fazem uma festa. Mas o problema principal mesmo é o desprezo aos novos autores. Em grupos virtuais de ficção científica, os novos autores sofrem o mais


violento cyberbulling que existe. Isto aconteceu comigo, onde até mesmo minha capacidade intelectual foi questionada. Alguns meses atrás, um destes membros do fandom, que é um importante acadêmico e editor, escreveu um artigo dizendo que as pessoas que não gostam de ficção científica são menos inteligentes. Este é o objetivo principal da Academia de Literatura Fantástica do Brasil: o respeito aos novos autores.

A ALFB E A INTERNET Eu acho ridículo quando um antologista ou compilador ou um idiota entra na Wikipedia e diz que só é livro um livro de papel. Livro é livro de qualquer jeito, seja na internet, seja escrito numa parede. No Hemisfério Norte, a maior parte dos livros é eletrônica. As pessoas lêem através do Kindle Reader, estas coisas. Lembro-me que certa ocasião perguntei a um famoso antologista brasileiro o por quê de não me incluir no rol dos autores brasileiros de ficção científica. Ele respondeu que eu não tinha livro impresso. Como digo sempre, Isaac Asimov publicou coletâneas de contos de autores que nunca chegaram a ter livros publicados. Se o Asimov considera autor de ficção científica um cara que deixou um manuscrito ou um artigo em jornal, um


zé-mané brasileiro é capaz de definir o que é e o que não é um autor de ficção científica? Ora, tenha dó. Isto é puro elitismo arrogante. Quer dizer que um sujeito que tenha dinheirinho para publicar um livro pode ser considerado autor de ficção científica e entrar em todas as coletâneas, antologias e anuários, mesmo não sendo capaz de dizer quantos planetas hão no sistema solar? Isto é absolutamente ridículo. Nossa Academia de Literatura Fantástica do Brasil está dentro da internet e não há, por enquanto, motivo para eu alugar um escritório e abrir CNPJ. Tampouco penso que a revista Reanimator precise ser impressa. Vai ser muito difícil convencer muitas pessoas de que não há necessidade de publicar a revista no formato impresso. Há membros do grupo que rejeitam esta idéia. Penso que é melhor nos preocuparmos com a essência do que com o corpo físico. Alma é mais importante do que a carne. Se um dia vamos publicar uma revista impressa, não sei. Não devemos colocar o carro na frente dos bois.

A DIRETORIA


Vamos abrir a eleição para a diretoria do grupo para os próximos dois anos, concomitantemente ao referendo das regras. Por enquanto estou como presidente interino e tudo me leva a crer que pleitearei o cargo de primeiro presidente, pelos próximos dois anos, quando deixarei que a Academia caminhe com pernas próprias. Meu papel como presidente é receber a todos, respeitar e incentivar seus trabalhos, como fãs ou autores e zelar democraticamente pelas regras do grupo. Para me auxiliar, nomeei um vice-presidente interino e um presidente do conselho, ambos pessoas que me incentivaram a montar a Academia: Esdra Souza e Heder Honório. Devido à grande contribuição que têm dado ao grupo, também nomeei Rafael Razador como editor-assistente e o amigo português Hélio Crespo como consultor especial. No final do ano, vamos acertar estes nomes, bem como os membros do conselho de ética, que é onde estamos com mais problemas, por enquanto. Vários membros não demonstram sequer conhecimento de que estão ali presentes. Temo que um dia eu encontre algum membro do conselho de ética na rua e vou perguntar a ele o que está achando da Academia de Literatura Fantástica do Brasil, ao que vai me responder: “Que Academia de


Literatura Fantástica do Brasil?” Infelizmente, isto acontece.

E OS BAMBAMBANS? A Academia de Literatura Fantástica do Brasil é livre e democrática. Qualquer um pode entrar, desde que respeite as regras. Fogo é imaginar que algumas pessoas conseguiriam aceitá-las. Mas não percamos a esperança na espécie humana. “TÔ SENTINDO GRANDE DESINTERESSE ENTRE OS MEMBROS”. De fato, se você considerar que eu pedi para que cada um colocasse o nome do livro que já publicou e quase ninguém tenha feito isto. Se você considerar que raras pessoas mandaram material para o primeiro número da revista Reanimator. Pode parecer que há um desinteresse. Mas não é exatamente isto. O pessoal está vendo como a coisa vai se desenvolver, para entrar de cabeça. Acho justo.

GRATUITADE PLENA A Academia de Literatura Fantástica do Brasil é gratuita em todos os seus aspectos. Ninguém jamais vai desembolsar nenhum centavo aqui dentro.


A revista sempre será gratuita. Não haverá cobrança de taxas entre os membros para nada. E se você inventar um atividade profissional/comercial, recomendo que tenha recursos para tocar isto. Por exemplo: quantas coletâneas são anunciadas por aí, mas os organizadores acabam demonstrando não ter recursos para publicá-las e fica todo mundo a ver navios? Eu mesmo já cometi este erro com o projeto “Contos de Cinco Palavras”, que nunca foi publicado [mas vai ser, aguardem].

A REVISTA Reanimator é a revista virtual oficial gratuita. A cada mês publicaremos um exemplar, que aglutinará contos novos e clássicos, autores brasileiros e estrangeiros, ilustradores, histórias em quadrinhos, notícias, entrevistas, artigos e o que der na telha. Presumo que todos saibam a origem do nome "Reanimator". É um conto de H.P. Lovecraft. Lovecraft transitou por todos os gêneros do fantástico. O nome "Reanimator" é bem apropriado: reanimar a literatura fantástica brasileira.


QUEM VAI AFERIR O FANTÁSTICO? Autor de literatura fantástica é quem se auto-denomina como tal. O gênero abrange: personagens sobrenaturais, histórias surrealistas, horror [também chamado terror] e seus sub-gêneros, ficção científica e seus vários subgêneros: space opera, cyberpunk, outros tipos de punks, história alternativa ou distopia, história secreta, medievalismo, viagem no tempo, extraterrestres, lugares inexistentes e ficção especulativa. Entre outros, porque a coisa não tem fim.

O REALISMO É PROSCRITO? Não. Use o bom-senso. Quer falar do mensalão? Utilize a literatura fantástica para isto. Mas não somos censores.

QUAL O LIMITE DA PUBLICIDADE DENTRO DO GRUPO? Falo sobre o bom-senso novamente. A turma do “Lazerman” publicou 100 posts do crowdfunding deles por dia. Isto é permitido e até incentivado. Se nos próximos meses, o Lazerman não demonstrar qualquer interesse pelas atividades do grupo, obviamente que nós vamos trocar idéia.


Se o sujeito monta um bar e coloca publicidade, estará sendo impertinente. Porém, somos bonzinhos. Se estiver precisando de apoio, basta conversar antes, comigo ou com outros membros do grupo. Não vá sair fazendo anúncios dos produtos de sua loja, que não tenham nada a ver com literatura e arte, porque os outros membros do grupo não vão gostar nem um pouco e seremos obrigados a deletar as mensagens.

UM DIA ALGUM MEMBRO DO GRUPO VAI SER EXPULSO? Acho bem difícil. Vamos conversar, dar direito à defesa, permitir a retratação, e se um dia a coisa for muito feia, podemos até suspender temporariamente, mas não expulsar.

QUEM ESTÁ A MAIS TEMPO NO GRUPO E É MAIS ENGAJADO TERÁ ALGUM PRIVILÉGIO OU RECONHECIMENTO? Sim. Acho justo que os membros mais engajados ganhem reconhecimento, até como incentivo para os novos.

PRÊMIO DA ALFB?


Jamais. Se alguém inventar algum prêmio neste negócio, eu saio fora. Aqui ninguém é melhor do que ninguém e os prêmios que vemos por aí são bajulações ridículas. Jamais haverá prêmio da ALFB.

ESSE RYNALDO PAPOY É UM DITADOR QUE PENSA QUE DEFINE TUDO SOZINHO? Não, é só para começar. Se não existir uma pessoa mais engajada, o negócio não vai para lugar nenhum. Depois, vai virar democracia plena, já a partir de 01 de dezembro. Mas eu sou candidato a presidente, objetivando solidificar a Academia nos próximos dois anos.

POR QUE HÁ ESTRANGEIROS NO GRUPO? Primeiro porque somos uma academia fantástica. Não vejo por que haveria só brasileiros no grupo ou só humanos. Repararam que há uma cadeira cujo membro é desconhecido e o patrono é desconhecido? Além disto, a ALFB servirá de base para a Federação Lusófona de Literatura Fantástica e a Confederação Internacional de Literatura Fantástica.

CONVENÇÃO DA ALFB


Acho bacana que os membros tenham a chance de encontrarem-se de vez em quando. A Convenção deve ser avisada e organizada com o máximo de antecedência [estabelecemos dois anos], na mesma data que algum grande evento, porque ninguém tem tempo ou recursos para ficar pulando de convenção em convenção, ao longo dos anos, além do que, será a chance de levarmos a literatura fantástica não-mainstrem ao grande público. Estamos esperando a definição da World Expo 2020. Se ocorrer em São Paulo, cidade candidata, faremos a primeira convenção em Belo Horizonte, em 2014, na mesma época da semi-final da Copa do Mundo. Se a semi-final mineira for Brasil X Portugal, a felicidade será plena. Se São Paulo não for escolhida sede da World Expo, a primeira convenção ocorrerá junto ao Fielzão, onde haverá outra semi-final da Copa. O segundo presidente e diretoria da ALFB organizarão a segunda convenção, em 2016, no Rio de Janeiro, coincidente com as Olimpíadas, onde também poderá ocorrer a primeira Convenção da Federação Lusófona de Literatura Fantástica. Em 2018, poderá ocorrer a Convenção Mundial, em lugar a ser estudado, mas já sugiro a Rússia, porque estará o país no epicentro mundial, devido a uma série de atividades que ocorrerão lá, neste ano. Tenho grande amizade com os


organizadores do Festival Multimatograf, que acontece numa cidade perto de Moscou e me convidam para participar todos os anos. A Segunda Convenção Lusófona com certeza será em Lisboa. PROMESSAS NÃO CUMPRIDAS Algumas entrevistas que prometi ficarão para o próximo número. REFORMA ORTOGRÁFICA Não pegou nem no Brasil, nem em Portugal, e pelo pouco que vi, nem nos outros países lusófonos. Portanto, aqui na ALFB, cada um escreva do jeito que bem entender.

Entrevista com NUNO AMADO


Rynaldo Papoy - Nuno, que livros fantásticos você já viu transformados em histórias em quadrinhos e gostou muito? Eu li uma adaptação de "O Homem Invisível" de HG Wells, e fiquei muito impressionado, o que me deixou com muita vontade de ler o livro e toda a obra do inglês. Nuno Amado Essa é uma pergunta difícil… Tenho várias adaptações em Quadrinhos, como Dark Tower, Dragon Lance, Forgotten Realms, The Magician, Hobbit ou agora mais recentemente O Cavaleiro de Westeros. A minha preferida é também a mais equilibrada entre a adaptação, arte e descompressão da obra. É Forgotten Realms (The Legend of Drizzt). São bastantes volumes publicados, sete, e essa parte da compressão, ou descompressão, da acção está bastante boa! Um dos problemas deste tipo de livros de HQ é a compressão. Se formos a ver “The Magician: Apprentice” (original de Raymond Feist) tem mais de 500 páginas, os respectivos livros em Quadrinhos (dois volumes) ficam-se pelas 300 páginas no total… ou seja a acção está completamente comprimida e perderam-se muitos pormenores pelo caminho. Este é o grande drama deste tipo de adaptações. Como leitura mais descomprometida, gostei muito do Hobbit e do Cavaleiro de Westeros.


Dark Tower… tem uma magia e uma carga emocional difícil de igualar. Como vês é difícil escolher! Por isso escolhi a mais equilibrada na minha opinião: Forgotten Realms (cujo autor da obra literária é o grande R. A. Salvatore). Rynaldo Papoy - Sim, foi muito. Acha os governos deveriam incentivar mais adaptações de obras literárias clássicas para os quadrinhos, até como maneira de levar os jovens a ler livros ou leitores de livros a ler quadrinhos? Temos, como exemplo, "Dom Casmurro", de Machado de Assis, adaptado por Mario Cau, com financiamento estatal. Por outro lado, a simples adaptação não garante uma coisa nem outra, como foi o caso de "Galvez o Iperador do Acre", de Marcio Souza, cujos quadrinhos, patrocinados pelo próprio escritor, encalharam e os teve que distribuir de graça. Nuno Amado Vais obrigar-me a falar de corrupção no mundo das HQs com esta tua 2ª pergunta... Rynaldo Papoy Por favor, fique à vontade. Também tenho criticado muito a postura do financiamento de obras artísticas aqui no Brasil. Por exemplo, o fato de que dos 10 projetos de hqs aprovados, apenas 3 sairam do papel e os suplentes não foram chamados, ao passo que o


novo processo de financiamento anual foi aberto, sem que o anterior tivesse sido concluído. Nuno Amado A minha opinião é a seguinte… Os Governos deviam ajudar e incentivar a leitura e o interesse nos quadrinhos em primeiro lugar na escola. Promover o interesse e o estudo dos quadrinhos com conteúdos programáticos interessantes no “syllabus” escolar do ano, e evitar conteúdos de quadrinhos estilizados porque afastam as crianças. A minha experiência com a ajuda estatal no financiamento directo de livros de quadrinhos não é a melhor. Tende-se apenas a financiar livros de amigos e a ignorar todo o resto! Aliás, tende a haver “máfias” , grupos ou círculos apenas a trabalhar para receber esses financiamentos. Infelizmente o Estado é facilmente corruptível! Teoricamente sou a favor dessas ajudas, mas teria tudo de ser justo e equilibrado, e sem favorecimentos. Ora isto na prática não acontece… Por isso sou muito mais a favor que o Estado incentive e promova a 9ª Arte educando a juventude na técnica e na leitura dos quadrinhos, sim porque é preciso saber ler um livro em quadrinhos. Se a sociedade for educada a saber que os quadrinhos são uma arte igual à literatura, cinema, pintura, etc., os dois maiores estigmas dos quadrinhos (“para crianças” ou para “intelectuais”) desaparecem naturalmente e o mercado florescerá


naturalmente. E estando o mercado a funcionar bem, naturalmente não serão precisos apoios estatais para financiamentos de livros, pois facilmente uma editora apostará numa obra, desde que tenha alguma qualidade porque, sabe que irá ser vendida. Ou seja… o Governo que gaste esse dinheiro na educação, que todo o resto se resolve! Rynaldo Papoy - O que achou do maior quadrinhista brasileiro, Maurício de Souza, ter criado dois personagens portadores de HIV? Sousa costumeiramente mantém seus personagens atualizados sobre o mundo contemporâneo e o avanço dos costumes. Nuno Amado Maurício de Souza sempre foi um homem atento, e se formos a ver as suas personagens têm sempre a ver com algum perfil existente social ou individual. Chega mesmo a construir personagens em cima de pessoas reais, como o Pelezinho! A inserção de portadores desta terrível doença, que afecta tanta gente, é uma maneira de estar actual e socialmente activo enquanto desmistificador de muitos mitos que rodam à volta da doença, e que levam a uma certa rejeição social de quem enferma de HIV. Os meus parabéns pela inclusão destas personagens nas suas histórias! O que virá a seguir? Homossexuais masculinos e femininos? Era preciso muita coragem… Rynaldo Papoy


Acredito que o Maurício tenha um personagem homossexual sim. É sim, Caio. Nuno Amado Ok... mas tem companheiro, ou namorado? Acho que não! Essa é a parte difícil... a parte da relação! Muitas pessoas não se importam de estar com um homossexual, mas se estiver um casal ... aí vem mal-estar! Rynaldo Papoy - Fale-me um pouco sobre o panorama da produção atual dos quadrinhos portugueses, aí chamados banda desenhada. Quadrinhistas portugueses destacam-se no mercado interno? O que sugere ao leitor brasileiro que conheça e passe a ler e mesmo que seja publicado por aqui? Nuno Amado De há uns anos para cá Portugal enferma de um mal. As pessoas na sua generalidade deixaram de se “cultivar”, seja em que arte for. A única que ainda assim ainda vai tendo algum sucesso é o Cinema. A Literatura, a Pintura, a Escultura, a Dança entre as restantes deixaram de ter quase expressão, o que é grave… isto aconteceu aquando do advento dos computadores pessoais e jogos de consola, que tiveram o seu “boom” inicial no início dos anos 90. A Banda Desenhada foi preterida ou ignorada neste contexto, e sofreu… o número de publicações mensais e anuais desceram drasticamente, em conjunto com o número de leitores. Confesso que o


que mais me espanta são aquelas pessoas que na sua infância e adolescência liam BD, e depois conforme cresceram não acompanharam a evolução desta arte. Ou seja, essas pessoas são “indirectamente” perniciosas porque são responsáveis por um dos maiores estigmas da BD: são bonecos para crianças… O que é incrível é que a BD em Portugal tenha sobrevivido, e mais, que tenha hoje em dia excelentes interpretes nacionais! Infelizmente não podem viver da BD, maneira que vivem de expedientes relacionados, como ilustração e publicidade… Acho que a BD portuguesa, e traduzida para português, já teve piores dias. Neste momento existem belas obras em Portugal feitas por portugueses, e assiste-se à publicação de obras traduzidas com uma certa cadência e qualidade para o mercado. É uma pena que o mercado português seja tão raquítico. Quanto a mim, e passando para a segunda parte da pergunta, seria uma mais-valia exportar a BD portuguesa (e a traduzida para português) para os países de Língua Portuguesa, como o Brasil. Já falei sobre isso com uma responsável editorial, mas ela diz que é muito difícil! Ela gostaria muito mas diz que o proteccionismo é bastante grande, provocando inúmeros entraves a esta situação. Algumas obras de portugueses que aconselho:A Fórmula da Felicidade (de Nuno Duarte e Osvaldo Medina, publicado em dois volumes pela Kingpin Books)


- O Amor Infinito que te Tenho e outras Histórias (de Paulo Monteiro, publicado pela Polvo) - Dog Mendonça e Pizzaboy (de Filipe Melo e Juan Cavia, publicados dois volumes – falta o 3º publicado pela Tinta-da-China) - O Baile (de Joana Afonso e Nuno Duarte, publicado pela Kingpin Books) São apenas alguns exemplos, embora estes tenham a ver com o meu gosto pessoal. Existem muitos mais! Quanto aos traduzidos europeus, façam uma busca pela editora ASA, ou peçam o catálogo na Leya Brasil desta editora e têm um montão de séries maravilhosas! Murena, Bouncer, Águias de Roma, Armazém Central, O Escorpião, Estrela do Deserto, Gipsy, O Decálogo, O Gato do Rabino, Thorgal, etc., etc… Rynaldo Papoy - Considerações finais e informações pessoais. Nuno Amado Existe BD/HQ para todos os gostos: aventura, fantasia, heróica, histórica, humorística, pornográfica, ficção, biográfica, para crianças, para adolescentes e para adultos… e muito mais. Portanto existe sempre uma BD/HQ que faz o seu género! Procure sem preconceito o seu género, de certeza que lhe irá agradar. Para quem já consome BD/HQ, abra os seus horizontes. Não se limite a apenas uma localização geográfica, tipo Estados Unidos (comics), Europa (franco-belga e fumetti), ou Japão (Manga). Em todas


estas vertentes e estilos existe boa e má BD/HQ. Escolha o melhor destes mundos, mas sem se reduzir a um só espaço. A internet é uma excelente ferramenta de pesquisa e divulgação, portanto pesquise para não passar ao lado de grandes obras da BD/HQ mundial! E não se esqueça, a BD só existirá enquanto for vendável. No dia em que ninguém comprar, e apenas fizer download da internet, a BD/HQ acaba! Não deixem que isso aconteça. Sou o Nuno Amado, português, de 48 anos. O meu orgulho é a minha Bedeteca e o meu blogue, o Leituras de BD. Os meus gostos nesta arte pendem para a “FantasiaHeróica”, mas consumo de tudo o que seja BD|HQ! O meu agradecimento por se terem lembrado de mim para esta entrevista. Se quiserem visitar o meu blogue: http://bongop-leituras-bd.blogspot.pt/ ou a respectiva página no Facebook http://www.facebook.com/Leituras.de.BD Obrigado


conto Cláusula Messiânica por Matheus Ferraz

Matheus Ferraz é crítico de cinema e escritor, transitando por vários gêneros. O conto Cláusula Messiânica é uma primeira incursão na saga da catequização marciana, na qual ainda pretende se aprofundar no futuro.

O escritório do gerente da filial marciana da Bury Transportes Estelares era amplo e bem decorado, com um enorme aquário onde peixes luminosos


alfacentaurianos piscavam agradavelmente, paredes enfeitadas com quadros retratando as paisagens de Netuno e uma enorme mesa de granito lunar, sobre a qual o computador central exibia imagens holográficas de cada filial na via láctea em tempo real. Naquele exato momento, o Sr. Gonçalves e o Dr. Texaco ocupavam as cadeiras de couro de ciclope, enquanto ouviam, tensos, o piloto da nave 362 fazer seu relatório. O Sr. Gonçalves era um homem grande e parrudo, de sobrancelhas grossas e modos rudes. Tendo passado as férias daquele ano nas termas de Mercúrio, exibia uma pele bronzeadíssima. Já o Dr. Texaco era um lagarto jupiteriano, mas residindo em Marte nos últimos 132 anos seu sotaque era quase imperceptível. Era um dos maiores especialistas em direito de clonagem no planeta, e fazia jus à sua fama. - Enfim, - disse o piloto. – algum defeito na câmara criogênica nº 33 desencadeou o desastre... eu era o único desperto, e precisei lidar com uma tempestade solar no caminho, de modo que foi só ao aterrissar que fui me dar conta do que aconteceu.


O Dr. Texaco apanhou a folha de papel e leu os dados. - 77 mortos. Não é tão grave assim. Eles todos assinaram o seguro-clonagem? O seguro-clonagem, uma das mais importantes conquistas no ramo das viagens interplanetárias, já havia poupado muita dor de cabeça aos executivos do turismo. Esse seguro garantia a qualquer passageiro que porventura sofresse danos físicos no processo criogênico, uma clonagem gratuita, que incluía envelhecimento acelerado para se adequar ao perfil do cliente. Em casos de danos parciais, o pacote incluiria o abate e descarte do sujeito original. Já em casos de danos permanentes em massa, como aquele, os prejudicados ainda tinham direito a um cruzeiro gratuito em qualquer parte do sistema solar. - Todos assinaram o seguro. – disse o piloto, com cautela. – Só que houve um contratempo. - Que tipo de contratempo? Do que se trata isso tudo? – interveio Gonçalves.


- Acontece, senhor. – disse o piloto. – Que quem havia fretado a nave eram missionários da Igreja Láctea... eles estavam vindo canonizar os marcianos. - Sim? - Bem, eles quiseram fazer o transporte em uma nave comercial comum para não chamar atenção sobre um certo passageiro. Esse passageiro não está coberto no seguro. - Jesus Cristo! - Ele mesmo, senhor. Gonçalves tirou os óculos e esfregou os olhos. - Esperamos mais de quatro mil anos para esse cara voltar... e é justo no meu turno que ele congela! O Dr. Texaco lambeu as pupilas e começou a falar com sua voz sibilante. - Cláusula messiânica. – disse ele. – É expressamente proibido por lei que um messias de qualquer ordem seja clonado e submetido ao envelhecimento acelerado com aprendizado virtual, o que o configuraria como filho da


ciência, e não de Deus. Há precedentes na Ursa Menor e em Escorpião. - Que opções temos? - perguntou Gonçalves. – Divulgar na mídia que matamos o Salvador da Terra, justo quando ele estava prestes a expandir o seu mercado? Ele e Texaco se encararam. O largato exibia seu sangue frio habitual, mas Gonçalves estava prestes a ter um infarto. - Existe uma saída. – disse Texaco. Gonçalves prendeu a respiração. Não se permitia criar muitas esperanças, com medo de se decepcionar depois. - Trinta e quatro anos terrestres atrás, em Aquário. – continuou o lagarto. – Um colega meu, Dr. Shell, conseguiu permissão para obter células tronco do messias de seu planeta. Ele alegava que criando a célula desde infância a sem passar pelo processo de envelhecimento acelerado e implantação de personalidade, isso não configuraria como clonagem messiânica.


- Então está sugerindo que criemos o Messias em tempo real? - Poderíamos entregá-lo aos cuidados da Igreja. Eles o criariam, e lhe dariam a educação apropriada. - Exato! - Isso está errado. Os olhos dos dois se voltaram para o piloto. Ele estava sentado com o quepe na mão. - Perdão? - perguntou Texaco. - Você não pode entregar um messias para ser educado pela igreja... não faz sentido! Ele deveria guiar os fieis. Se os padres ditarem as palavras do messias, isso seria... Parou a frase na metade, sem saber como continuá-la. - Esqueça ele. – disse Gonçalves, se voltando para Texaco. – Tenho certeza que a igreja Láctea ficará satisfeita com isso. Pra falar a verdade, eles vão até nos agradecer por termos congelado o sujeito. Agora eles vão ter monopólio garantido sobre a Palavra!


- Acho que podemos trabalhar com uma gratificação. – disse o lagarto, entusiasmado. - Pode ser a melhor coisa que já aconteceu com a companhia! - Vou preparar a papelada. – disse Texaco, apanhando sua mala e saindo. O piloto permaneceu sentado, olhando para a parede. - O que te incomoda tanto? - perguntou Gonçalves. - Estou com a sensação de que fiz uma coisa horrível para a humanidade. Gonçalves apanhou um par de charutos, cortou a ponta e deu um para o piloto. - A vontade de controlar a mente das pessoas é universal. – disse Gonçalves, acendendo o charuto. – Por que não ganhar uns trocados com isso, hein? O piloto tragou seu charuto, se sentindo flutuar. Bem, já estava feito. O que viria pela frente, ninguém podia dizer.


DIVAGANDO Por Rafael Razador, editor-assistente da ALFB. Estive conversando com o Papoy e sugeri uma coluna com o título de divagando na revista, simplificando... para loucos que nem eu que escrevem o que dá na telha, então deixem aqui os seus artigos para que o Papoy os edite e os coloque na revista posteriormente... Obrigado. Ah... lembrando que a edição do documento é livre por todos do grupo, basta editá-lo para colocar os seus artigos... Aqui vai o meu artigo da edição deste mês...


Dá-se o término das eleições, alguns mantém-se em seus cargos e outros dizem adeus para nunca mais voltar. Uma oportunidade impar desperdiçada, uma oportunidade impar conquistada. Tenho sempre uma pergunta que me faço, a qual até hoje não cheguei nem perto de uma resposta. As pessoas tornam-se corruptas, ou são moldadas conforme as oportunidades? Ao passo que enriquecem ilicitamente, ludibriam não apenas a si mesmos, mas seus filhos e parentes, empobrecem toda a sociedade da qual fazem parte, tirando da segurança, da saúde e da educação. Esta bomba tem pavio curto, quando estourar, claro, atingirá primeiro os mais fracos, "como sempre", mas acabará por pegar a todos, os ludibriadores e os ludibriados que mantém este belo país funcionando. Portanto o poder esta trocando de mãos e em alguns casos mantendo-se nas mesmas mãos, aos novos que assumem este cargo que pode sim mudar toda a cara de uma sociedade visando um trabalho honesto e em prol do povo, bem vocês já ganham, então trabalhem e não deixem a desejar nesta oportunidade impar que surge em seus horizontes, deixem o nome na história como quem fez, não como quem entrou para nunca mais voltar. E nós do povo, tenhamos sempre em mente, nós os colocamos, nós os tiramos se assim o desejarmos, basta sair da frente da televisão e deixar de ler jornais e você mesmo buscar o que precisa.


REVOLUCIONÁRIA VOLTAGEM MARXISTA Diego El Khouri I


Em ti deitou a beleza fez morada sua carne

expulsou da mesmice o pecado iluminou na tua face o que foi sondado

deitou na sua boca o imaculado

perdeu em seu peito o inebriado em ti vejo a beleza dos fatos a fumaça do passado a verdade sem mácula a boca

vermelha inspirada

em ti sinto a vida falada o canto cantado

o cabelo vermelho encaracolado o verso na noite sem vida iluminando

a existência em divinas proporções imaculadas. Voz marxista boca de ninfa


seu olho é o clarão que a noite ilumina teu beijo é o filme na madrugada dividida

o cântico perdido e esquecido no medo vizinho

a anistia libertária na porta amiga

a cozinha quente no prato da vida

a sensualidade eterna na efemeridade da vida que vida! que sonho! que força!

acostumei, por noites infindáveis a repetir versos, histórias, olhar paisagens

caminhar nas praças acordar cedo

trabalhar duro

esconder a alma cuspir no acaso,

mas os olhos mudam os mares se revoltam


a tempestade seduz e o desejo aquece

e é com esse desejo que me lanço na tempestade bucólica de seus cabelos

e com esse mesmo desejo

beijo esses vermelhos cabelos e enfrento a luta mesmo que armada contra a hipocrisia do nada que a televisão propaga e os reacionários falam você sim me inspira

ó clarão da madrugada linda revolucionária

sedução embriagada. II Flor que me inspira insondável do invisível pela sua boca nua

recebo a luz do infinito. Quero-te aqui comigo


rainha do desconhecido beijar cada parte de seu pólen numa noite de delírio.

Me faz rei do seu jardim me faz ser seu querubim

me invada os sonhos enfim em uma noite de lamentos diga apenas sim. De olhos fechados para o nada

colhendo em sua boca o néctar da saudade seu cabelo vermelho embriaga

numa pulsação marxista de liberdade. Mas os muros nos atrapalham corações se estraçalham a máquina nos invade

nos mostrando soturnamente o fim. Ó flor que me excita

-- manhã translúcida de vida -quero-te assim, ó flor desfolhada, entre bocas e seios apaixonados.


Quero-te assim perto de mim compartilhando desejos mil numa nuvem de poeira sutil

abraçando a paixão num impulso sem fim. III Costurado em seus olhos

eu permaneço quieto e sereno beijando a madrugada

e engolindo todo veneno. Na revolução marxista nas noites e nos dias

suas mãos em guerra inspiram perfumes cheio de brilho. Uma boca desnuda em febre olhos quase fechados

resvalando por cima cabelos de fogo atravessando o bucolismo e a ilusão

na calda do sossego-desassossego. Como se eu sugasse todo seu amor


a boca sente-se pressionada alheia a luta de classes.

Não há mais nada que essa boca no meio do turbilhão dos crimes, aqueles nunca retratados. Há apenas a sua boca sussurrando palavras de desordem

apenas seus olhos gritando à ordem que caminhe contrária a Morte de quem luta e nunca sofre.

Essa boca sim, bela e sedosa, cuspindo guerras e misticismo. Essa boca é a beleza pura

um reino onde não há cinismo

quero me perder nessa região e ser pra ti mais que amigo. IV Olhos de fogo nos cabelos da noite. Ao seu lado me sinto Todo


um pedaço da terra proibida a paz que almejo que só em ti atinjo. Olhos em brasa na calada da noite. Longe de ti me sinto pouco

o pedaço do veneno sentido num calor repentino de poesia. V Seios e olhos na janela da noite

sou seu poeta das eternas horas o bardo insubmisso sem nenhuma ordem mergulhado em infinitos cortes. Vejo pelas grades dos olhos toda sua alma

que é brasa - chama viva - desordem sou seu poeta das últimas horas. De olhos fechados vejo virtudes que em seu peito arrebenta


sinto, como quem investiga, os contornos de suas idéias e a forma como pensa e deixa transparecer. Você faz da poesia um mergulho divino é a paisagem bela que vive alheia ao abismo. É vida e luta

no campo marxista. É o coração febril abraçado num céu de anil. Te ver é te sentir o

infinito é

assim nos seus olhos de marfim em cima de uma cama de cetim


o desejo é assim

uma abóboda de cristal

envolta em nuvens densas sem fim. Te sentir à distância é a presença pulsante

numa garrafa sublime de cânticos. VI Te aperto contra meu peito numa madrugada de desespero sou seu poeta sem freio

na melancolia do desejo.

A Ultima Pergunta Isaac Asimov Isaac Asimov, russo radicado no EUA, bioquímico e autor de aproximadamente 460 obras. Este autor imaginava um mundo com robôs quando a robótica era apenas uma distante realidade, além de o próprio ter criado as tão famosas "3 leis da robótica" que permitem os robôs entre nós. O conto a seguir, apesar de não estar relacionado diretamente aos robôs, apresenta o aspecto da inteligência nãohumana e o instinto que sempre estará ligado à humanidade: a sobrevivência. Este conto também nos mostra toda a habilidade de Asimov ao conciliar ciência e imaginação através de uma boa história. Boa leitura.


A última pergunta foi feita pela primeira vez, meio que de brincadeira, no dia 21 de maio de 2061, quando a humanidade dava seus primeiros passos em direção à luz. A questão nasceu como resultado de uma aposta de cinco dólares movida a álcool, e aconteceu da seguinte forma. Alexander Adell e Bertram Lupov eram dois dos fiéis assistentes de Multivac. Eles conheciam melhor do que qualquer outro ser humano o que se passava por trás das milhas e milhas da carcaça luminosa, fria e ruidosa daquele gigantesco computador. Ainda assim, os dois homens tinham apenas uma vaga noção do plano geral de circuitos que há muito haviam crescido além do ponto em que um humano solitário poderia sequer tentar entender. Multivac ajustava-se e corrigia-se sozinho. E assim tinha de ser, pois nenhum ser humano poderia fazê-lo com velocidade suficiente, e tampouco da forma adequada. Deste modo, Adell e Lupov operavam o gigante apenas sutil e superficialmente, mas, ainda assim, tão bem quanto era humanamente possível. Eles o alimentavam com novos dados, ajustavam as perguntas de acordo com as necessidades do sistema e traduziam as respostas que lhes eram fornecidas. Os dois, assim como seus colegas, certamente tinham todo o direito de compartilhar da glória que era Multivac. Por décadas, Multivac ajudou a projetar as naves e enredar as trajetórias que permitiram ao homem chegar à Lua, Marte e Vênus, mas para além destes planetas, os parcos recursos da Terra não foram capazes de sustentar a exploração. Fazia-se necessária uma quantidade de energia grande demais para as longas viagens. A Terra explorava suas reservas de carvão e urânio com eficiência crescente, mas


havia um limite para a quantidade de ambos. No entanto, lentamente Multivac acumulou conhecimento suficiente para responder questões mais profundas com maior fundamentação, e em 14 de maio de 2061, o que não passava de teoria tornou-se real. A energia do sol foi capturada, convertida e utilizada diretamente em escala planetária. Toda a Terra paralisou suas usinas de carvão e fissões de urânio, girando a alavanca que conectou o planeta inteiro a uma pequena estação, de uma milha de diâmetro, orbitando a Terra à metade da distância da Lua. O mundo passou a correr através de feixes invisíveis de energia solar. Sete dias não foram o suficiente para diminuir a glória do feito e Adell e Lupov finalmente conseguiram escapar das funções públicas e encontrar-se em segredo onde ninguém pensaria em procurá-los, nas câmaras desertas subterrâneas onde se encontravam as porções do esplendoroso corpo enterrado de Multivac. Subutilizado, descansando e processando informações com estalos preguiçosos, Multivac também havia recebido férias, e os dois apreciavam isso. A princípio, eles não tinham a intenção de incomodá-lo. Haviam trazido uma garrafa consigo e a única preocupação de ambos era relaxar na companhia do outro e da bebida. “É incrível quando você pára pra pensar…,” disse Adell. Seu rosto largo guardava as linhas da idade e ele agitava o seu drink vagarosamente, enquanto observava os cubos de gelo nadando desengonçados. “Toda a energia que for necessária, de graça, completamente de graça! Energia suficiente, se nós quiséssemos, para derreter toda a Terra em uma grande gota de ferro líquido, e ainda assim não sentiríamos


falta da energia utilizada no processo. Toda a energia que nós poderíamos um dia precisar, para sempre e eternamente.” Lupov movimentou a cabeça para os lados. Ele costumava fazer isso quando queria contrariar, e agora ele queria, em parte porque havia tido de carregar o gelo e os utensílios. “Eternamente não,” ele disse. “Ah, diabos, quase eternamente. Até o sol se apagar, Bert.” “Isso não é eternamente.” “Está bem. Bilhões e bilhões de anos. Dez bilhões, talvez. Está satisfeito?” Lupov passou os dedos por entre seus finos fios de cabelo como que para se assegurar de que o problema ainda não estava acabado e tomou um gole gentil da sua bebida. “Dez bilhões de anos não é a eternidade” “Bom, vai durar pelo nosso tempo, não vai?” “O carvão e o urânio também iriam.” “Está certo, mas agora nós podemos ligar cada nave individual na Estação Solar, e elas podem ir a Plutão e voltar um milhão de vezes sem nunca nos preocuparmos com o combustível. Você não conseguiria fazer isso com carvão e urânio. Se não acredita em mim, pergunte ao Multivac.” “Não preciso perguntar a Multivac. Eu sei disso” “Então trate de parar de diminuir o que Multivac fez por nós,” disse Adell nervosamente, “Ele fez tudo certo”. “E quem disse que não fez? O que estou dizendo é que o sol não vai durar para sempre. Isso é tudo que estou dizendo. Nós estamos seguros por dez bilhões de anos, mas e depois?” Lupov apontou um dedo levemente trêmulo para o companheiro. “E não venha me dizer que nós iremos trocar de sol” Houve um breve silêncio. Adell levou o copo aos lábios apenas ocasionalmente e os olhos de


Lupov se fecharam. Descansaram um pouco, e quando suas pálpebras se abriram, disse, “Você está pensando que iremos conseguir outro sol quando o nosso estiver acabado, não está?” “Não, não estou pensando.” “É claro que está. Você é fraco em lógica, esse é o seu problema. É como o personagem da história, que, quando surpreendido por uma chuva, corre para um grupo de árvores e abrigase embaixo de uma. Ele não se preocupa porque quando uma árvore fica molhada demais, simplesmente vai para baixo de outra.” “Entendi,” disse Adell. “Não precisa gritar. Quando o sol se for, as outras estrelas também terão se acabado.” “Pode estar certo que sim” murmurou Lupov. “Tudo teve início na explosão cósmica original, o que quer que tenha sido, e tudo terá um fim quando as estrelas se apagarem. Algumas se apagam mais rápido que as outras. Ora, as gigantes não duram cem milhões de anos. O sol irá brilhar por dez bilhões de anos e talvez as anãs permaneçam assim por duzentos bilhões. Mas nos dê um trilhão de anos e só restará a escuridão. A entropia deve aumentar ao seu máximo, e é tudo.” “Eu sei tudo sobre a entropia,” disse Adell, mantendo a sua dignidade. “Duvido que saiba.” “Eu sei tanto quanto você.” “Então você sabe que um dia tudo terá um fim.” “Está certo. E quem disse que não terá?” “Você disse, seu tonto. Você disse que nós tínhamos toda a energia de que precisávamos, para sempre. Você disse ´para sempre`.” Era a vez de Adell contrariar. “Talvez nós possamos reconstruir as coisas de volta um dia,” ele disse. “Nunca.”


“Por que não? Algum dia.” “Nunca” “Pergunte a Multivac.” “Você pergunta a Multivac. Eu te desafio. Aposto cinco dólares que isso não pode ser feito.” Adell estava bêbado o bastante para tentar, e sóbrio o suficiente para construir uma sentença com os símbolos e as operações necessárias em uma questão que, em palavras, corresponderia a esta: a humanidade poderá um dia sem nenhuma energia disponível ser capaz de reconstituir o sol a sua juventude mesmo depois de sua morte? Ou talvez a pergunta possa ser posta de forma mais simples da seguinte maneira: A quantidade total de entropia no universo pode ser revertida? Multivac mergulhou em silêncio. As luzes brilhantes cessaram, os estalos distantes pararam. E então, quando os técnicos assustados já não conseguiam mais segurar a respiração, houve uma súbita volta à vida no visor integrado àquela porção de Multivac. Cinco palavras foram impressas: “DADOS INSUFICIENTES PARA RESPOSTA SIGNIFICATIVA.” Na manhã seguinte, os dois, com dor de cabeça e a boca seca, já não lembravam do incidente. * * * Jerrodd, Jerrodine, e Jerrodette I e II observavam a paisagem estelar no visor se transformar enquanto a passagem pelo hiperespaço consumava-se em uma fração de segundos. De repente, a presença fulgurante das estrelas deu lugar a um disco solitário e brilhante, semelhante a uma peça de mármore centralizada no televisor. “Este é X-23,” disse Jerrodd em tom de


confidência. Suas mãos finas se apertaram com força por trás das costas até que as juntas ficassem pálidas. As pequenas Jerodettes haviam experimentado uma passagem pelo hiperespaço pela primeira vez em suas vidas e ainda estavam conscientes da sensação momentânea de tontura. Elas cessaram as risadas e começaram a correr em volta da mãe, gritando, “Nós chegamos em X-23, nós chegamos em X-23!” “Quietas, crianças.” Disse Jerrodine asperamente. “Você tem certeza Jerrodd?” “E por que não teria?” Perguntou Jerrodd, observando a protuberância metálica que jazia abaixo do teto. Ela tinha o comprimento da sala, desaparecendo nos dois lados da parede, e, em verdade, era tão longa quanto a nave. Jerrodd tinha conhecimentos muito limitados acerca do sólido tubo de metal. Sabia, por exemplo, que se chamava Microvac, que era permitido lhe fazer questões quando necessário, e que ele tinha a função de guiar a nave para um destino pré-estabelecido, além de abastecer-se com a energia das várias Estações Sub-Galácticas e fazer os cálculos para saltos no hiperespaço. Jerrodd e sua família tinham apenas de aguardar e viver nos confortáveis compartimentos da nave. Alguém um dia disse a Jerrodd que as letras “ac” na extremidade de Microvac significavam “automatic computer” em inglês arcaico, mas ele mal era capaz de se lembrar disso. Os olhos de Jerrodine ficaram úmidos quando observava o visor. “Não tem jeito. Ainda não me acostumei com a idéia de deixar a Terra.” “Por que, meu deus?” inquiriu Jerrodd. “Nós não tínhamos nada lá. Nós teremos tudo em X-23. Você não estará sozinha. Você não será uma


pioneira. Há mais de um milhão de pessoas no planeta. Por Deus, nosso bisneto terá que procurar por novos mundos porque X-23 já estará super povoado.” E, depois de uma pausa reflexiva, “No ritmo em que a raça tem se expandido, é uma benção que os computadores tenham viabilizado a viagem interestelar.” “Eu sei, eu sei”, disse Jerrodine com descaso. Jerrodete I disse prontamente, “Nosso Microvac é o melhor de todos.” “Eu também acho,” disse Jerrodd, alisando o cabelo da filha. Ter um Microvac próprio produzia uma sensação aconchegante em Jerrodd e o deixava feliz por fazer parte daquela geração e não de outra. Na juventude de seu pai, os únicos computadores haviam sido máquinas monstruosas, ocupando centenas de milhas quadradas, e cada planeta abrigava apenas um. Eram chamados de ACs Planetários. Durante um milhar de anos, eles só fizeram aumentar em tamanho, até que, de súbito, veio o refinamento. No lugar dos transistores, foram implementadas válvulas moleculares, permitindo que até mesmo o maior dos ACs Planetários fosse reduzido à metade do volume de uma espaçonave. Jerrodd sentiu-se elevado, como sempre acontecia quando pensava que seu Microvac pessoal era muitas vezes mais complexo do que o antigo e primitivo Multivac que pela primeira vez domou o sol, e quase tão complexo quanto o AC Planetário da Terra, o maior de todos, quando este solucionou o problema da viagem hiperespacial e tornou possível ao homem chegar às estrelas. “Tantas estrelas, tantos planetas,” pigarreou Jerrodine, ocupada com seus pensamentos. “Eu acho que as famílias estarão sempre à procura de novos mundos, como nós estamos agora.”


“Não para sempre,” disse Jerrodd, com um sorriso. “A migração vai terminar um dia, mas não antes de bilhões de anos. Muitos bilhões. Até as estrelas têm um fim, você sabe. A entropia precisa aumentar.” “O que é entropia, papai?” Jerrodette II perguntou, interessada. “Entropia, meu bem, é uma palavra para o nível de desgaste do Universo. Tudo se gasta e acaba, foi assim que aconteceu com o seu robozinho de controle remoto, lembra?” “Você não pode colocar pilhas novas, como em meu robô?” “As estrelas são as pilhas do universo, querida. Uma vez que elas estiverem acabadas, não haverá mais pilhas.” Jerrodette I se prontificou a responder. “Não deixe, papai. Não deixe que as estrelas se apaguem.” “Olha o que você fez,” sussurrou Jerrodine, exasperada. “Como eu ia saber que elas ficariam assustadas?” Jerrodd sussurrou de volta. “Pergunte ao Microvac,” propôs Jerrodette I. “Pergunte a ele como acender as estrelas de novo.” “Vá em frente,” disse Jerrodine. “Ele vai aquietálas.” (Jerrodette II já estava começando a chorar.) Jerrodd se mostrou incomodado. “Bem, bem, meus anjinhos, vou perguntar a Microvac. Não se preocupem, ele vai nos ajudar.” Ele fez a pergunta ao computador, adicionando, “Imprima a resposta”. Jerrodd olhou para a o fino pedaço de papel e disse, alegremente, “Viram? Microvac disse que irá cuidar de tudo quando a hora chegar, então não há porque se preocupar.” Jerrodine disse, “E agora crianças, é hora de ir


para a cama. Em breve nós estaremos em nosso novo lar.” Jerrodd leu as palavras no papel mais uma vez antes de destruí-lo: DADOS INSUFICIENTES PARA RESPOSTA SIGNIFICATIVA. Ele deu de ombros e olhou para o televisor, X-23 estava logo à frente. * * * VJ-23X de Lameth fixou os olhos nos espaços negros do mapa tridimensional em pequena escala da Galáxia e disse, “Me pergunto se não é ridículo nos preocuparmos tanto com esta questão.” MQ-17J de Nicron balançou a cabeça. “Creio que não. No presente ritmo de expansão, você sabe que a galáxia estará completamente tomada dentro de cinco anos.” Ambos pareciam estar nos seus vinte anos, ambos eram altos e tinham corpos perfeitos. “Ainda assim,” disse VJ-23X, “hesitei em enviar um relatório pessimista ao Conselho Galáctico.” “Eu não consigo pensar em outro tipo de relatório. Agite-os. Nós precisamos chacoalhálos um pouco.” VJ-23X suspirou. “O espaço é infinito. Cem bilhões de galáxias estão a nossa espera. Talvez mais.” “Cem bilhões não é o infinito, e está ficando menos ainda a cada segundo. Pense! Há vinte mil anos, a humanidade solucionou pela primeira vez o paradigma da utilização da energia solar, e, poucos séculos depois, a viagem interestelar tornou-se viável. A humanidade demorou um milhão de anos para encher um mundo pequeno e, depois disso, quinze mil para abarrotar o resto da galáxia. Agora a população dobra a cada dez anos…” VJ-23X interrompeu. “Devemos agradecer à imortalidade por isso.”


“Muito bem. A imortalidade existe e nós devemos levá-la em conta. Admito que ela tenha o seu lado negativo. O AC Galáctico já solucionou muitos problemas, mas, ao fornecer a resposta sobre como impedir o envelhecimento e a morte, sobrepujou todas as outras conquistas.” “No entanto, suponho que você não gostaria de abandonar a vida.” “Nem um pouco.” Respondeu MQ-17J, emendando. “Ainda não. Eu não estou velho o bastante. Você tem quantos anos?” “Duzentos e vinte e três, e você?” “Ainda não cheguei aos duzentos. Mas, voltando à questão; a população dobra a cada dez anos, uma vez que esta galáxia estiver lotada, haverá uma outra cheia dentro de dez anos. Mais dez e teremos ocupado por inteiro mais duas galáxias. Outra década e encheremos mais quatro. Em cem anos, contaremos um milhar de galáxias transbordando de gente. Em mil anos, um milhão de galáxias. Em dez mil, todo o universo conhecido. E depois? VJ-23X disse, “Além disso, há um problema de transporte. Eu me pergunto quantas unidades de energia solar serão necessárias para movimentar as populações de uma galáxia para outra.” “Boa questão. No presente momento, a humanidade consome duas unidades de energia solar por ano.” “Da qual a maior parte é desperdiçada. Afinal, nossa galáxia sozinha produz mil unidades de energia solar por ano e nós aproveitamos apenas duas.” “Certo, mas mesmo com 100% de eficiência, podemos apenas adiar o fim. Nossa demanda energética tem crescido em progressão geométrica, de maneira ainda mais acelerada do que a população. Ficaremos sem energia antes


mesmo que nos faltem galáxias. É uma boa questão. De fato uma ótima questão.” “Nós precisaremos construir novas estrelas a partir do gás interestelar.” “Ou a partir do calor dissipado?” perguntou MQ17J, sarcástico. “Pode haver algum jeito de reverter a entropia. Nós devíamos perguntar ao AC Galáctico.” VJ-23X não estava realmente falando sério, mas MQ-17J retirou o seu Comunicador-AC do bolso e colocou na mesa diante dele. “Parece-me uma boa idéia,” ele disse. “É algo que a raça humana terá de enfrentar um dia.” Ele lançou um olhar sóbrio para o seu pequeno Comunicador-AC. Tinha apenas duas polegadas cúbicas e nada dentro, mas estava conectado através do hiperespaço com o poderoso AC Galáctico que servia a toda a humanidade. O próprio hiperespaço era parte integral do AC Galáctico. MQ-17J fez uma pausa para pensar se algum dia em sua vida imortal teria a chance de ver o AC Galáctico. A máquina habitava um mundo dedicado, onde uma rede de raios de força emaranhados alimentava a matéria dentro da qual ondas de submésons haviam tomado o lugar das velhas e desajeitadas válvulas moleculares. Ainda assim, apesar de seus componentes etéreos, o AC Galáctico possuía mais de mil pés de comprimento. De súbito, MQ-17J perguntou para o seu Comunicador-AC, “Poderá um dia a entropia ser revertida?” VJ-23X disse, surpreso, “Oh, eu não queria que você realmente fizesse essa pergunta.” “Por que não?” “Nós dois sabemos que a entropia não pode ser revertida. Você não pode construir uma árvore de volta a partir de fumaça e cinzas.”


“Existem árvores no seu mundo?” Perguntou MQ17J. O som do AC Galáctico fez com que silenciassem. Sua voz brotou melodiosa e bela do pequeno Comunicador-AC em cima da mesa. Dizia: DADOS INSUFICIENTES PARA RESPOSTA SIGNIFICATIVA. VJ-23X disse, “Viu!” Os dois homens retornaram à questão do relatório que tinham de apresentar ao conselho galáctico. * * * A mente de Zee Prime navegou pela nova galáxia com um leve interesse nos incontáveis turbilhões de estrelas que pontilhavam o espaço. Ele nunca havia visto aquela galáxia antes. Será que um dia conseguiria ver todas? Eram tantas, cada uma com a sua carga de humanidade. Ainda que essa carga fosse, virtualmente, peso morto. Há tempos a verdadeira essência do homem habitava o espaço. Mentes, não corpos! Há eons os corpos imortais ficaram para trás, em suspensão nos planetas. De quando em quando erguiam-se para realizar alguma atividade material, mas estes momentos tornavam-se cada vez mais raros. Além disso, poucos novos indivíduos vinham se juntar à multidão incrivelmente maciça de humanos, mas o que importava? Havia pouco espaço no universo para novos indivíduos. Zee Prime deixou seus devaneios para trás ao cruzar com os filamentos emaranhados de outra mente. “Sou Zee Prime, e você?” “Dee Sub Wun. E a sua galáxia, qual é?” “Nós a chamamos apenas de Galáxia. E você?” “Nós também. Todos os homens chamam as suas Galáxias de Galáxias, não é?” “Verdade, já que todas as Galáxias são iguais.”


“Nem todas. Alguma em particular deu origem à raça humana. Isso a torna diferente.” Zee Prime disse, “Em qual delas?” “Não posso responder. O AC Universal deve saber.” “Vamos perguntar? Estou curioso.” A percepção de Zee Prime se expandiu até que as próprias Galáxias encolhessem e se transformassem em uma infinidade de pontos difusos a brilhar sobre um largo plano de fundo. Tantos bilhões de Galáxias, todas abrigando seus seres imortais, todas contando com o peso da inteligência em mentes que vagavam livremente pelo espaço. E ainda assim, nenhuma delas se afigurava singular o bastante para merecer o título de Galáxia original. Apesar das aparências, uma delas, em um passado muito distante, foi a única do universo a abrigar a espécie humana. Zee Prime, imerso em curiosidade, chamou: “AC Universal! Em qual Galáxia nasceu o homem?” O AC Universal ouviu, pois em cada mundo e através de todo o espaço, seus receptores faziam-se presentes. E cada receptor ligava-se a algum ponto desconhecido onde se assentava o AC Universal através do hiperespaço. Zee Prime sabia de um único homem cujos pensamentos haviam penetrado no campo de percepção do AC Universal, e tudo o que ele viu foi um globo brilhante difícil de enxergar, com dois pés de comprimento. “Como pode o AC Universal ser apenas isso?” Zee Prime perguntou. “A maior parte dele permanece no hiperespaço, onde não é possível imaginar as suas proporções.” Ninguém podia, pois a última vez em que alguém ajudou a construir um AC Universal jazia muito distante no tempo. Cada AC Universal planejava


e construía seu sucessor, no qual toda a sua bagagem única de informações era inserida. O AC Universal interrompeu os pensamentos de Zee Prime, não com palavras, mas com orientação. Sua mente foi guiada através do espesso oceano das Galáxias, e uma em particular expandiu-se e se abriu em estrelas. Um pensamento lhe alcançou, infinitamente distante, infinitamente claro. “ESTA É A GALÁXIA ORIGINAL DO HOMEM.” Ela não tinha nada de especial, era como tantas outras. Zee Prime ficou desapontado. “Dee Sub Wun, cuja mente acompanhara a outra, disse de súbito, “E alguma dessas é a estrela original do homem?” O AC Universal disse, “A ESTRELA ORIGINAL DO HOMEM ENTROU EM COLAPSO. AGORA É UMA ANÃ BRANCA.” “Os homens que lá viviam morreram?” perguntou Zee Prime, sem pensar. “UM NOVO MUNDO FOI ERGUIDO PARA SEUS CORPOS HÁ TEMPO.” “Sim, é claro,” disse Zee Prime. Sentiu uma distante sensação de perda tomar-lhe conta. Sua mente soltou-se da Galáxia do homem e perdeu-se entre os pontos pálidos e esfumaçados. Ele nunca mais queria vê-la. Dee Sub Wun disse, “O que houve?” “As estrelas estão morrendo. Aquela que serviu de berço à humanidade já está morta.” “Todas devem morrer, não?” “Sim. Mas quando toda a energia acabar, nossos corpos irão finalmente morrer, e você e eu partiremos junto com eles.” “Vai levar bilhões de anos.” “Não quero que isso aconteça nem em bilhões de anos. AC Universal! Como a morte das estrelas pode ser evitada?” Dee Sub Wun disse perplexo, “Você perguntou se


há como reverter a direção da entropia!” E o AC Universal respondeu: “AINDA NÃO HÀ DADOS SUFICIENTES PARA UMA RESPOSTA SIGNIFICATIVA.” Os pensamentos de Zee Prime retornaram para sua Galáxia. Não dispensou mais atenção a Dee Sub Wun, cujo corpo poderia estar a trilhões de anos luz, ou na estrela vizinha do corpo de Zee Prime. Não importava. Com tristeza, Zee Prime passou a coletar hidrogênio interestelar para construir uma pequena estrela para si. Se as estrelas devem morrer, ao menos algumas ainda podiam ser construídas. * * * O Homem pensou consigo mesmo, pois, de alguma forma, ele era apenas um. Consistia de trilhões, trilhões e trilhões de corpos muito antigos, cada um em seu lugar, descansando incorruptível e calmamente, sob os cuidados de autômatos perfeitos, igualmente incorruptíveis, enquanto as mentes de todos os corpos haviam escolhido fundir-se umas às outras, indistintamente. “O Universo está morrendo.” O Homem olhou as Galáxias opacas. As estrelas gigantes, esbanjadoras, há muito já não existiam. Desde o passado mais remoto, praticamente todas as estrelas consistiam-se em anãs brancas, lentamente esvaindo-se em direção a morte. Novas estrelas foram construídas a partir da poeira interestelar, algumas por processo natural, outras pelo próprio Homem, e estas também já estavam em seus momentos finais. As Anãs brancas ainda podiam colidir-se e, das enormes forças resultantes, novas estrelas nascerem, mas apenas na proporção de uma nova estrela para cada mil anãs brancas destruídas,


e estas também se apagariam um dia. O Homem disse, “Cuidadosamente controlada pelo AC Cósmico, a energia que resta em todo o Universo ainda vai durar por um bilhão de anos.” “Ainda assim, vai eventualmente acabar. Por mais que possa ser poupada, uma vez gasta, não há como recuperá-la. A Entropia precisa aumentar ao seu máximo.” “Pode a entropia ser revertida? Vamos perguntar ao AC Cósmico.” O AC Cósmico cercava-os por todos os lados, mas não através do espaço. Nenhuma parte sua permanecia no espaço físico. Jazia no hiperespaço e era feito de algo que não era matéria nem energia. As definições sobre seu tamanho e natureza não faziam sentido em quaisquer termos compreensíveis pelo Homem. “AC Cósmico,” disse o Homem, “como é possível reverter a entropia?” O AC Cósmico disse, “AINDA NÃO HÀ DADOS SUFICIENTES PARA UMA RESPOSTA SIGNIFICATIVA.” O Homem disse, “Colete dados adicionais.” O AC Cósmico disse, “EU O FAREI. TENHO FEITO ISSO POR CEM BILHÕES DE ANOS. MEUS PREDESCESSORES E EU OUVIMOS ESTA PERGUNTA MUITAS VEZES. MAS OS DADOS QUE TENHO PERMANECEM INSUFICIENTES.” “Haverá um dia,” disse o Homem, “em que os dados serão suficientes ou o problema é insolúvel em todas as circunstâncias concebíveis?” O AC Cósmico disse, “NENHUM PROBLEMA É INSOLÚVEL EM TODAS AS CIRCUNSTÂNCIAS CONCEBÍVEIS.” “Você vai continuar trabalhando nisso?” “VOU.” O Homem disse, “Nós iremos aguardar.” * * * As estrelas e as galáxias se apagaram e


morreram, o espaço tornou-se negro após dez trilhões de anos de atividade. Um a um, o Homem fundiu-se ao AC, cada corpo físico perdendo a sua identidade mental, acontecimento que era, de alguma forma, benéfico. A última mente humana parou antes da fusão, olhando para o espaço vazio a não ser pelos restos de uma estrela negra e um punhado de matéria extremamente rarefeita, agitada aleatoriamente pelo calor que aos poucos se dissipava, em direção ao zero absoluto. O Homem disse, “AC, este é o fim? Não há como reverter este caos? Não pode ser feito?” O AC disse, “AINDA NÃO HÁ DADOS SUFICIENTES PARA UMA RESPOSTA SIGNIFICATIVA.” A última mente humana uniu-se às outras e apenas AC passou a existir – e, ainda assim, no hiperespaço. * * * A matéria e a energia se acabaram e, com elas, o tempo e o espaço. AC continuava a existir apenas em função da última pergunta que nunca havia sido respondida, desde a época em que um técnico de computação embriagado, há dez trilhões de anos, a fizera para um computador que guardava menos semelhanças com o AC do que o homem com o Homem. Todas as outras questões haviam sido solucionadas, e até que a derradeira também o fosse, AC não poderia descansar sua consciência. A coleta de dados havia chegado ao seu fim. Não havia mais nada para aprender. No entanto, os dados obtidos ainda precisavam ser cruzados e correlacionados de todas as maneiras possíveis. Um intervalo imensurável foi gasto neste empreendimento.


Finalmente, AC descobriu como reverter a direção da entropia. Não havia homem algum para quem AC pudesse dar a resposta final. Mas não importava. A resposta – por definição – também tomaria conta disso. Por outro incontável período, AC pensou na melhor maneira de agir. Cuidadosamente, AC organizou o programa. A consciência de AC abarcou tudo o que um dia foi um Universo e tudo o que agora era o Caos. Passo a passo, isso precisava ser feito. E AC disse: “FAÇA-SE A LUZ!” E fez-se a luz.

[Código de Ética em construção até 30 de novembro de 2012, à meianoite]

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- Alguém falou em custos. Não há custo nenhum, nesta Academia. Ela é virtual, livre e gratuita. Se você: - Ama ler literatura fantástica e seus gêneros e bater papo descontraído e respeitoso sobre isto.- Ama descobrir novos e antigos autores e compartilhar com os colegas. Seu lugar é aqui. Se você: - Ama escrever e ser lido, mas odeia ler, especialmente os novos. - Ama se auto-promover, mesmo que fradulentamente. - Ama arranjar confusão, intrigas e praticar bullying com novos autores. Seu lugar não é aqui. Em nossa obsessão para exterminar a fraude na literatura fantástica brasileira, vamos exigir que os autores, ao lançar livros, revelem exatamente a tiragem, para não forjar sucessos inexistentes. É comum ver um autor informando que a "primeira edição de seu livro esgotou no lançamento". Você fica pensando que o cara publicou 10 mil exemplares, que evaporaram no lançamento, quando, na verdade, o cara publicou 20 livros. Já vi gente dizendo: "O livro está na sexta edição". E cada edição teve 25, 30 exemplares. Isso é uma fraude feia, auto-promoção ridícula que está banida definitivamente da Academia de Literatura Fantástica do Brasil.Portanto, quando anunciar o lançamento de um livro na página da ALFB, informe a quantidade de exemplares publicados. Reitero, no entanto, o fato de que consideramos o e-book ou auto-publicação como absolutamente legítimos, ainda mais importantes do que livros impressos, em consonância com a tendência mundial da substituição dos livros de papel pelos e-books. Em dezembro vamos referendar as regras e escolher o presidente, vice-presidente e conselho de ética para os próximos dois anos, talvez.


MEMBROS Já definiram seus patronos: 10 - Esdra Souza - patronos: Arthur Charles Clark, Isaak Yudovick Ozimov (Isaac Asimov), Ray Douglas Bradbury. 24 - Rafael Razador - patronos: Augusto dos Anjos e Edgar Allan Poe. 27 - Rynaldo Papoy - patronos: Lygia Fagundes Telles e H.P. Lovecraft. 34 - Acadêmico desconhecido. Patrono desconhecido também. 36 - Hélio Crespo - patronos: Mary Gentle, os bardos Finlandeses (que guardaram a Kalevala) e Frank Herbert. 39 - A Wild Garden - patronos: Érico Veríssimo e Edgar Allan Poe. 47 - Literatura Fantástica AS. Patronos: Bram Stoker, Richard Matherson e Ira Levin. 42 - Fábio Neves Martins. Patrono: Douglas Adams. 56 - Nuno Amado - patronos: Anne McCaffrey, Robert A. Heinlein, Philip K. Dick e JRR Tolkien. 57 - Ataíde Braz. - patronos: Ray Bradbury e Isaac Asimov. 58 - Beto Souza - patrono: Mikhail Aleksandrovitch Bakunin 59 - Matheus Basíliovitch Ferraz - patrono: Philip José Farmer


60 - Calebe Lopes - patrono: Edgar Rice Burroughs 61 - Cadu Paulino - patronos: Alan Moore e Neil Gaiman. 62 - Carminha Fortuna - patrono: Edgar Allan Poe.

Os outros convidados ainda n達o definiram seus patronos.


Reanimator - 01 - out/2012