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ano XVI | nยบ 185 set de 2015

desde 1999


EDITORIAL | LUCIANA TORREÃO

Oi gente boa, curtiram nossa edição de agosto? Esperamos que sim. Afinal, temos outra novidade: nosso site também mudou e agora virou blog, muito mais dinâmico, criado pelo nosso jornalista Juliano Mendes da Hora. E, nesta edição, a nossa matéria de capa foi produzida com intuito de trazer um pouco de positividade ao mercado, e mostrar que apesar da crise que tomou conta do Brasil e do mundo, é

imprescindível investir em comunicação. Especialistas e comunicadores mostram como é possível se sobressair sem gastar tanto e ainda ter repercussão. Nossa repórter Poliana Alencar (que agora é jornalista formada) colaborou comigo nesta matéria de capa, com uma vinculada sobre a investida do Sebrae, de incentivar as empresas através de campanha para estimular o consumo de produtos e serviços

ÍNDICE

de empreendimentos de pequeno porte, com o Movimento Compre do Pequeno Negócio. Ah! Quase esquecia, o designer Dorival Lima deu vida à nossa reportagem, nos agraciando com uma de suas ilustrações, que vez por outra deve colaborar conosco, abrilhantando nossos textos. Leiam. Comentem. Não desanimem. A palavra de ordem é o-t-i-m-i-s-m-o!

EXPEDIENTE

ERRATA A edição passada sai como sendo de nº 185, quando na verdade é de Nº 184.

Takes Comunicação (PB)

NOSSA CAPA 16 Especialistas opinam sobre o mercado empresarial e comentam sobre as “fórmulas” para enfrentar a crise brasileira e mundial. PDV 5 | TOP CASE 6 | FICHAS 10 | GIRO 14 CONECTE-SE 26 | OLHAR ACADÊMICO 30 MUNDO ONLINE 32 | CLICK 37 | NA ESTANTE 38

DIRETOR-PRESIDENTE | Walter Lins Jr walter@revistapronews.com.br EDITORA | Luciana Torreão redacao@revistapronews.com.br REDAÇÃO | Ivelise Buarque, Juliano da Hora, Poliana Alencar redacao@revistapronews.com.br PRODUTOR GRÁFICO | Bruno Regis producao@revistapronews.com.br ASSINATURAS | 81 3426.6144 / 3034.6144 producao@revistapronews.com.br DISTRIBUIÇÃO LOGServiços (PE - 81 2123.1455) Jornal Correio - Rede Bahia (BA - 71 3203.1812) Sistema Verdes Mares (CE - 85 3266.9902) www.verdesmares.com.br DADOS TÉCNICOS Impressão: Gráfica FacForm (81 3339.6566) grafica@facform.com.br Tiragem: 7.000 exemplares Formato: 22x30cm Tipologias: Swis721 Lt BT / Humanist521 BT Papel: Couché brilho 150g/m² Número de páginas: 40 As matérias assinadas por nossos colaboradores não representam, necessariamente, a opinião da revista. Produza a capa da Revista PRONEWS. Participe pelo e-mail: redacao@revistapronews.com.br

w w w. r e v i s t a p r o n e w s . c o m . b r

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PANORAMA 24

DESTAQUE 34

A marca de produtos de beleza Yes cosmestics! se consolida no Nordeste

Apaixonado pela educação profissional, Alfredo Galamba amplia saberes

revista de comunicação e marketing NE A Revista PRONEWS é uma publicação mensal da Walter Lins Pinheiro Júnior Editora ME. Empresarial Tacaruna - Av. Agamenon Magalhães, 3341, sls 205/206. Torreão, RecifePE. CEP: 50070-160 Fone: (81) 3426.6144 / 3034.6144


PDV

PIONEIRISMO E INOVAÇÃO EM NOVA EMBALAGEM Uma boa apresentação da comida abre o apetite. Por isso, a Tambaú Alimentos encontrou forma inovadora na hora de se diferenciar dos concorrentes nas gôndolas dos supermercados, já que na categoria de doces em corte, a maioria das embalagens tem o mesmo formato. A goiabada de 600g da marca ganhou um novo visual, agora tem impressão total, em alta resolução, inclusive nas bordas laterais da peça. A Fibrasa, empresa que fornece as embalagens plásticas para a Tambaú, utiliza um filme laminado aplicado no polipropileno, um tipo de plástico que pode ser moldado usando apenas aquecimento. A tecnologia utiliza um filme que é laminado na embalagem para garantir a cobertura total da tampa, além de possibilitar uma imagem de alta resolução na peça.

NOVA IDENTIDADE VISUAL AOS 16 ANOS Inovação e ousadia! Essas são as características principais da nova identidade visual da Sapeka Lingerie, assinada pela Pande Design. Ao completar 16 anos de atividade, a empresa de confecção de moda íntima sensual do Brasil sentiu-se motivada a renovar, aproveitando o atual cenário de crescimento e expansão para reforçar o posicionamento da marca, enfatizando a sensualidade, a ousadia, a fantasia, as cores e a irreverência, elementos-chave de seu segmento de atuação. O novo logotipo rejuvenesce e possibilita mais visibilidade da marca. A partir disso, foi necessário expressar esse conceito de ousadia e irreverência através de elementos gráficos e cores da nova linguagem. A comunicação adotada para a nova identidade da marca teve como essência a exaltação dos sentidos femininos, através da criação de um elemento lúdico na letra “S”, com alusão a uma gata, criando um universo de fantasia e sensualidade, reforçando a personalidade da empresa.

NOVIDADE DA MAGUARY A Maguary entrou em novo mercado e lançou o Maguary Purê de Frutas, uma opção de snack saudável, 100% fruta. Primeiro produto da categoria voltado tanto para o público adulto quanto o infantil, sem adição de açúcar, água e conservantes e é fonte de Vitamina C. Sua embalagem pouch de 100g foi criada pela A10, empresa especializada em captar a essência de empresas e produtos para desenvolver estratégia de marca e design. Pronto para comer direto da embalagem, o produto pode ser consumido tanto em temperatura ambiente quanto refrigerado. Imagens no estado mais puro da fruta reforçam que o alimento é saudável e gostoso. Informações nutricionais ganham destaque na embalagem, acompanhando o hábito dos consumidores serem todos mais saudáveis. 5


TOP CASE

A NECESSÁRIA TRANSIÇÃO DA PROPAGANDA IVELISE BUARQUE Na década de 60, o mundo mudava em diversos aspectos. A União Soviética mandava o primeiro homem ao espaço sideral, Yves Saint Laurent abria seu próprio portfólio e o presidente John Kennedy era assassinado, contudo, muita coisa também acontecia no “país do futebol”, que conquistara em 1962, pela segunda vez a Taça Jules Rimet, na final da 7ª Copa do Mundo. Nesta época, o Brasil foi marcado por diversas rupturas no processo político, na moda e na música com o nascimento da Bossa Nova, o avanço da Jovem Guarda e a chegada do Tropicalismo, por exemplo. Mas, antes de tudo, mudamos enquanto sociedade de consumo diante de uma conjuntura conturbada e que pouco conhecia sobre gasto em larga escala e opções em ponto de venda. E é neste cenário que conhecemos a nova indústria da publicidade, que passa a ter um papel indispensável trazendo tempos que não voltariam mais, com as imagens atraentes da mídia televisiva, que trouxeram comerciais que impactaram uma geração. “A publicidade trabalha a lógica midiatizante de um sentido que valoriza o hedonismo nas culturas de consumo, mesclando-se aos imaginários locais e mundiais conforme a abrangência de atuação das marcas. E isso só faz sentido porque é algo que se pauta na sensibilidade e nas percepções individuais, a partir de elementos que criam pertencimento e pertinência aos contextos de circulação midiática”, comenta o professor em Publicidade e Propaganda da ECA da Universidade de São Paulo (SP), Eneus Trindade. Com a mudança de contexto da propaganda observamos que a história da comunicação moderna tem seu começo neste período, e se mostra com muita criatividade e simpatia em especial pela popularidade que jingles associados com as imagens televisivas causaram para o espectador. ESPUMA EMBELEZADORA – No começo dos anos 60, a propaganda ainda estava se adaptando ao meio televisivo, com uma forte herança da cultura radiofônica. E isto era visível em algumas campanhas, em especial dos Sabonetes Gessy (1913), pioneira no ramo da higiene pessoal, que apostou em cantoras da “Era do Rádio”. E esta foi uma estratégia eficaz na década de 60. No comercial para a marca, as estrelas apresentavam os benefícios do sabonete em uma comunicação dirigida quase que exclusivamente ao público feminino. Da mesma forma estratégica, apostou em outras ações de comunicação como a promoção. “Acredito que fui abduzido pelo mundo da promoção ainda muito jovem, mais precisamente aos seis ou sete anos de idade. Na época, pelo que me lembro, a Gessy lançou uma campanha promocional (ainda não se falava em Marketing Promocional, muito menos em Live Marketing), no qual o 6


Eneus Trindade, professor em Publicidade e Propaganda da ECA da Universidade de São Paulo (SP)

consumidor tinha a oportunidade de ganhar um carro se encontrasse a chave dentro do sabonete. Como era uma enorme novidade, minha querida mãe fez as compras do mês investindo em dezenas de sabonetes, ganhar aquele carro seria a liberdade na mobilidade da família. Não sei detalhar quantos sabonetes ela comprou, mas sei que quando fiz 10 anos, ainda tomava banho com sabonete pela metade, pois ela havia cortado todos para achar a chave do sonho”, comenta Kito Mansano, sócio da agência Rock Comunicação (SP). SONINHO - “Aquele desenho dos Cobertores Parahyba era a última coisa que podíamos assistir na TV,

quando crianças, pois anunciava que era hora de ir dormir (no Sul claro!). Aqui não se usam cobertores. Era lindo demais. Doce lembrança”, diz a sócia diretora da Artecetera Comunicação Integrada, Lia Fonseca (AL), que relembra os comerciais populares que marcaram a infância de muitos em 1961. O bordão (“Já é hora de dormir, não espere mamãe mandar”) ficou marcado como um lembrete para muitos e consolidou a empresa de produtos para cama que projetou o conceito de tradição e qualidade, desde sua fundação em 1925. XÔ INVERNO - “Além dos comerciais dos Cobertores Parahyba, tenho na mente até hoje o das Casas Pernambucanas com o mote 'Quem bate? É o frio', pois sempre que o inverno chegava lá no Sul e em SP, a campanha começava”, lembra Andrea Fonseca, diretora de produção também da Artecetera Comunicação Integrada. E não à toa. A propaganda com a música “Não adianta bater, eu não deixo você entrar”, criada pelo Heitor Carreiro e produzida pela Magi Som e pela Lynx Film (produtora de vídeo), em 1962, para a rede varejista, ficou tão irresistível na época que se manteve na mídia radiofônica e televisiva por toda a década, e está categorizada como um dos jingle mais lembrados. O mercado está cheio desses tops cases que nos faz relembrar como a propaganda nos empolgou, encantou e nos marcou até hoje. Os

Lia Fonseca, Artecetera (AL): Nos anos 60, os comerciais dos cobertores Parahyba anunciavam que já era hora das crianças dormirem

jingles são reconhecidos e corroboram a importância do Music Branding nas estratégias de comunicação, trazendo nestes casos diversas memórias que nos posicionam diante de situações, que mostram que em alguns casos estamos sempre voltando ao passado.

Os Sabonetes Gessy, pioneira no ramo da higiene pessoal, apostou nas cantoras da “Era do Rádio”. Estratégia eficaz na década de 60 7


ARTIGO | SUZANA VALENÇA | WWW.SUZANAVALENCA.COM

ESTAMOS, ASSUSTADORAMENTE, CONECTADOS UNS AOS OUTROS. E ISSO NÃO TEM NADA A VER COM A INTERNET Sabemos que o ser um humano é um animal social e político. Vivemos essas características no dia a dia, mas não paramos para pensar sobre isso. Estamos conectados uns aos outros e nos organizamos em sociedade com base nesta ligação. E não estou falando da conexão via internet, por meio das redes sociais. Estou me referindo ao elo psicológico, aquele que está enraizado em nossa mente. Eu tive a oportunidade de participar e observar outros participando de experimentos científicos que escancaravam o quanto somos, inconscientemente, movidos pela porção social do nosso cérebro. A experiência foi no Exploratorium, um museu de ciências que fica em São Francisco, na Califórnia, que resolveu mostrar aos visitantes o quanto estamos ligados um ao outro, mesmo que não percebamos. A instituição montou, no início do ano, um espaço dedicado às interações entre as pessoas com diversos experimentos participativos. As instalações, todas bem divertidas, convidavam os participantes a experimentá-las sozinho, em dupla ou em grupo e cada uma investigava uma faceta do ser humano em sociedade. Logo na entrada, havia a “mesa do pegue e leve”, que era isso mesmo. Você deixava algo lá e pegava algo que alguém tinha deixado no local antes, por um desconhecido. Eu deixei uma palheta e peguei um prendedor de cabelo. A ideia era promover uma troca entre pessoas 8

que nunca se viram antes, e talvez nunca irão se conhecer. O que você deixaria de presente para um estranho que você nunca vai ver? Em um canto da exposição, foi montado um suporte de plástico. O visitante era convidado a apoiar a cabeça lá e olhar o rosto em um espelho. Só que, entre você e o reflexo, havia uma lâmina de vidro com uma gota de água escorrendo. Então, o participante tinha a ilusão, ao olhar no espelho, de ser ver chorando. Mesmo sabendo que era montagem, o sentimento é bem estranho. O bebedor desta parte do museu só funcionava com duas pessoas usando ao mesmo tempo. Mas, o visitante só conseguia tomar água caso o outro usuário escolhesse também essa opção. Sim, o bebedouro oferecia duas alternativas. A segunda era lançar um jato de água no rosto da outra pessoa. Eu fui com o meu pai e combinei com ele para selecionarmos “beber”, mas vimos muitos participantes “trolando” os amigos. Em outra parte da exposição, o visitante tinha que assistir a um vídeo de uma pessoa bocejando ou gargalhando e tentar não fazer o mesmo (impossível). No centro do espaço, um placar enorme mostrava que time estava ganhando, o azul ou o vermelho, com o resultado sempre mudando rápido. Brincando, estava um grupo enorme de adolescentes, gritando a cada ponto. Mas qual era o

objetivo do jogo? Nenhum. Era só apertar um botão bem rápido. A ideia era mostrar que criamos noção de time e de competitividade quase instantaneamente ao sermos separados em grupos. Um dos experimentos mais incríveis era bem simples. O participante pensava em uma pergunta (não precisava falar alto o que era) e depois apertava OK para tocar um vídeo gravado anteriormente. As imagens tinham poucos segundos e mostravam apenas um ator ou atriz dizendo “sim” ou “não”. Fiz uma pergunta bem importante, dei play, e um homem bem sério apareceu na tela dizendo “não, de jeito nenhum”. Aquilo me perturbou, não gostei nem um pouquinho!!! E essa era a ideia do experimento. Mesmo a gente sabendo que não significa nada, que o negócio é gravado e que ninguém ouviu a sua pergunta, é impossível não sentir algo. Seres humanos sempre reagem à reação do outro. Só saí de lá quando uma mocinha bem feliz apareceu dizendo “claro que sim!”. Ufa! Quando eu e o meu pai já estávamos saindo desta parte do museu, passamos de novo nesse experimento e eu não pude deixar de notar uma adolescente participando. Ela também ficou bem impactada com o que ouviu. A coitada deu vários passos para trás e para longe do vídeo, colocando as duas mãos no rosto e gritando “oh my God!!!!”


PUBLICAÇÃO

O DESAFIO DE SE REINVENTAR NO MERCADO IVELISE BUARQUE A nova comunicação é definitivamente adaptável, e os meios não são mais tão tradicionais. E este é o caso de Outros Críticos, publicação pernambucana que surgiu como um blog de música e transcendeu para um perfil diferente do original. Hoje, a revista apresenta uma nova linha e proposta que amplia as suas possibilidades de discussão com editoriais, artigos e reflexões sobre temas profundos que se comunicam com a cultura, comportamento e a música de uma forma geral. “O Outros Críticos surgiu como um blog de música, predominantemente com entrevistas que fazíamos assinando com diversos heterônimos (personagens), como Júlio Rennó, Amélie Marie, Alberto Infante etc. Todos esses personagens, esses outros críticos, escreviam no blog em diálogo com artistas, músicos, jornalistas. Naturalmente, com o tempo, sentimos necessidade de ir para outros formatos. Com isso, desenvolvemos publicações sobre música e crítica cultural, debates, festivais, coletâneas”, lembra Carlos Gomes, seu editor. Editada com apoio da Companhia Editora de Pernambuco – Cepe, a revista conta com o aporte de plataforma online para venda através do site www.loja.outroscriticos.com para todo o país e localmente ainda pode ser encontrada em pontos específicos do Grande Recife, como o Orbe Coworking e Edf. Texas, localizados no Centro da capital Pernambucana, na Livraria Cultura no Shopping Paço

Alfândega (no histórico Bairro do Recife, endereço do Polo Digital) e A Casa do Cachorro Preto, espaço cultural da Cidade Patrimônio Histórico e Imaterial, Olinda. “A Outros Críticos é lançada bimestralmente na internet de forma gratuita com incentivo do Funcultura. No ano I, tínhamos orçamento para impressão de 300 cópias, mas no segundo, cortou 50% do orçamento em que aprovamos a revista e por isso não tínhamos mais como prensar a revista. Nós procuramos a editora Cepe solicitando apoio para a impressão e conseguimos que ela prensasse o mesmo número de cópias do ano I durante todas as edições do ano II. E as vendas da revista acabam custeando os gastos com os lançamentos”, diz. Em sua oitava edição e com versão em site (http://outroscriticos. com/), a Outros Críticos integra pela

primeira vez duas plataformas simultâneas, com presença online ao mesmo tempo em que a impressa, em menor escala. “Acredito que é possível trabalhar com públicos distintos, tendo uma via na internet e outra impressa, em pequenas tiragens”, enfatiza Gomes que, com isso, considera um grande avanço para a concretização do projeto a vinculação com o edital do Funcultura. “Começamos com um blog que hoje é um site, e muitos dos projetos nascem da nossa necessidade e de outros parceiros em produzir crítica e publicações sobre música, e sem necessariamente haver remuneração envolvida. Encontrar um lugar entre a invenção e o mercado é um desafio que está no ar”, comenta. Com o tema “corpo, gênero e deslocamentos”, a nova edição apresenta uma grafia diferenciada – “Outrxs Críticxs” -, para casar com a ideia básica desta temática, que não se volta ao masculino ou ao feminino (“Outras Críticas”), mas fica comum aos dois gêneros. Uma perspectiva da equipe principal da revista que se uniu para produzir uma revista que tivesse uma característica própria a cada publicação. “Muitas vezes a vontade de entrevistar um artista nos leva a temas que dialoguem com a obra dele e a encontrar um artista visual que também tenha relação com o que estamos discutindo na revista”, destaca.

Capa: “Neyland”, por Chico Shiko 9


FICHAS

PINTE O SETE Com o mote “Pinte o Sete”, a Ferreira Costa lança campanha publicitária desenvolvida pela Ampla Comunicação, com filme protagonizado pelo ator Alexandre Guimarães. No vídeo, produzido pela VDG Soluções Cinematográficas, o ator brinca com pó colorido, trazendo um clima lúdico que remete à diversão do ato de pintar. A campanha, que tem foco nas ações promocionais de varejo, reúne, além do filme – que também está disponível no canal do home center no YouTube, o Canal Ferreira Costa -, tabloide com produtos em promoções, lâmina, anúncio de jornal, spot de rádio, newsletter e material de loja.

Agência: Ampla Comunicação (PE) Cliente: Ferreira Costa Gestão de Atendimento: Alessandra Pires e Mariana Fernandes Atendimento: Joseana Vasconcelos e Waneska Silva Dir. de Criação: Manuel Cavalcanti, Rafael Nântua e Mateus Alves Coor. de Criação: Bruno Bacci e Ana Braga Criação: André Vasconcelos e Ciro Viegas Dir. de Mídia: Nison Samico Mídia: Danilo França, Jaime Garcia RTVC: Fernando Amaral, Larissa Bione, Mariana Bandeira e Jéssica Carvalho Aprovação: Conrado Costa e Carla Cerqueira

TIETAGEM Arcos assina campanha estrelada por Ivete Sangalo para lançamento da margarina Delicata, do Grupo JBS. A campanha marca a chegada da margarina Delicata, o novo produto do Grupo JBS – detentor de marcas como Seara e Friboi. Estrelado por Ivete Sangalo, o comercial para TV mostra a cantora na cozinha apresentando a nova margarina com uma versão descontraída da música “Tiete”. Ivete canta, dança e interage com outras mulheres que já viraram fãs de Delicata. A margarina Delicata será lançada em todo o Nordeste e a operação envolve as unidades da Arcos de Recife e de São Paulo, que assinam a criação, o planejamento de comunicação, o de mídia e a inteligência de mercado aplicada às ações. O plano de mídia abrange as praças de Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Maranhão, Piauí, Sergipe, Ceará, Rio Grande do Norte e Bahia. Com peças para TV, rádio, revistas, pontos de venda, carro de som e mídia exterior.

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Agência: Arcos Comunicação (PE) Cliente: JBS Dir. de Atendimento: Maria Paula Ger. de Atendimento: José Guilherme Dir. de Criação: Carlos Renato Rocha Ger. de Criação: Marcão Dir. de Arte: Eduardo Fialho Redator: Zé Ricardo RTVC: Vani Carvalho


CAMPANHA BAIRRISTA

A agência Circo desenvolveu a nova campanha da marca Cerpe que inclui um filme de 30” para a TV e jingle de 30” para rádio. A agência criou o conceito “Cerpe no Seu Bairro” para mostrar que agora o Cerpe está com novas instalações, melhor atendimento e próximo às pessoas. Ou seja, a ideia é mostrar que o Cerpe está renovando suas unidades e que é parte integrante do bairro e do dia a dia dos moradores dos bairros. O filme “A bairrista” mostra uma personagem que redefine o que é ser bairrista. Na visão de personagem do comercial, bairrista é uma pessoa que faz tudo no bairro onde mora, assim como ela que vai à padaria do bairro, faz a feira no bairro e que faz os exames clínicos no laboratório Cerpe do seu bairro.

Agência: Circo Cliente: Cerpe Criação: Amândio Cardoso e Léo Miranda Mídia: Jéssica Pessoa Aprovação: Gustavo Bosco, Ricardo Medina, Guilherme Ferri, Alexandre Cifarelli, Pedro Quevedo e Luiza Figueiredo

AMOR POR PETROLINA Dando continuidade à ação pelos 120 anos de Petrolina, comemorados dia 21 de setembro, o River Shopping divulga o amor dos moradores pela cidade em outdoors. A primeira parte da ação ocorreu no início do mês, quando os clientes que passaram pelo mall deixaram mensagens em um mural, parabenizando a cidade. Agora, as mais criativas e carinhosas estampam os painéis. São recados que ressaltam as belezas e tradições locais, que enchem de orgulho o povo de Petrolina.

Agência: Criação Original (PE) Cliente: River Shopping Atendimento: Juarez Canejo Diretor de Arte: Ronielli Granjeiro Redator e Diretor de Criação: Tharcísio Teles Mídia: Tâmara Mendes Finalização: Filipi Nascimento

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WEGETHER A REDE SOCIAL VOLTADA PARA EDUCAÇÃO A plataforma pernambucana foi desenvolvida para ajudar os estudantes POLIANA ALENCAR Desde que a internet surgiu no Brasil nos anos 2000, uma nova forma de comunicação foi desenvolvida. Em meio à popularização da plataforma, novos tipos de serviços ganharam visibilidade, seja através de informação e entretenimento. E assim, também chegaram às redes sociais, cuja variedade é bem significativa. A cada ano são lançados diversos estilos para todos os gostos. O usuário tem um verdadeiro leque de opções, que vai desde as redes populares como: Facebook, Twitter, YouTube e Google+, até as mais especificas como Instagram, Tumblr, Pinterest e Linkedln. Com o crescimento das mídias sociais, empresários e empreendedores estão de olho nesse novo cenário promissor, como é o caso da publicitária Cristina Klein, que atua no mercado de planejamento e novos negócios. No mercado publicitário há mais de 25 anos, Cristina Klein lançou em 2014 a Wegether, rede social voltada para educação. Seu público alvo são os adolescentes entre 14 aos 18 anos. O empreendimento teve como inspiração sua filha de 16 anos, que utilizava aplicativos de bate - papo para tirar dúvidas com outros colegas da escola. A proposta da ferramenta é tirar as principais dúvidas e promover 12

questionamentos dos estudantes fora da sala de aula. A mídia funciona através de perguntas, respostas e compartilhamento de conteúdos, nos quais os alunos ajudam uns aos outros. Sendo assim, a Wegether em 2013, concorreu com 300 competidores e foi escolhida entre as dez melhores do País no Acelera Start Up. O concurso foi realizado durante o 3º Festival de Empreendedorismo (Festemp) promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) junto ao Senai. Na época a ferramenta estava apenas no papel, o intuito foi ir em busca de investidores. Logo em seguida, a rede social ganhou visibilidade, crescendo cada vez mais, e a empreendedora Cristina Klein, se tornou uma das pioneiras em termos de mídias em Pernambuco. “Ser pioneira em qualquer área é como desbravar o oceano, você não sabe o que vai encontrar. As redes sociais não são mais uma novidade, nem no Brasil nem no mundo, mas desenvolver uma com foco mais especifico, que são os estudos é desafiador,” pontua. Desta forma, o mercado vive em pleno desenvolvimento, as mídias estão presentes na nossa vida, em tudo que fazermos. Porém, do mesmo modo surgem os desafios em manter uma plataforma. “O desafio com certeza é encontrar uma equipe

certa, encontrar investidores que apostem em seu projeto. Outra coisa é a questão do comprometimento, de nada vai adiantar ter um grande investidor ao seu lado, se a equipe não é competente”, esclarece. Com os avanços das novas mídias, todos os usuários querem participar, interagir, e, estar antenados a tudo que está acontecendo. Muitas vezes algumas plataformas têm algumas regras, que precisam ser respeitadas para o convívio de todos, são limites, seja de determinadas fotos, idades entre outros. “Por exemplo, a Wegether nasceu com a proposta para alunos do Ensino Médio, que corresponde a uma idade entre 13 a 18 anos. Mas, vimos que na época do Enem nossos números triplicam. Então nossa meta será atingir o público universitário também,” argumenta. Desta forma, os empresários que decidem criar um empreendimento precisam ter bastante dedicação, não basta só querer é fundamental por em prática. E nesse sentindo, toda a rotina muda para que o projeto dê certo. “Há dois anos minha vida mudou realmente, se você quer que algo dê realmente certo, não adianta ficar dividindo o tempo com diversos projetos de uma vez. O pensamento tem que ser focado 24 horas por dia. E o que mais me faz feliz é poder oferecer uma


ferramenta digital para os estudantes”, ressalta. Outro desafio em meio a tantas novas mídias surgindo no mercado é a aceitação. Manter os internautas ativos em uma rede social é uma missão. “Cada modelo de rede social tem seu público específico, algumas mídias nascem e morrem rápido demais. Entretanto, as que ficam são aquelas que acompanham o seu usuário, inovam a cada dia, ou melhor, a cada segundo. Costumo dizer que a Wegether está na 'vibe' desses adolescentes. A profissional que desenvolve nossos posts do Facebook é uma jovem e posta àquilo que eles curtem. Com isso a aceitação é bem maior!”, destaca. É certo que a internet veio para ficar, assim como as redes sociais, mas outros meios têm ganhado visibilidade a cada instante, a exemplo do mercado móbile tão presente nos dias atuais. Não há quem não tenha acesso a esses dispositivos, com isso a indústria e o comércio estão investindo alto. E, neste sentindo, os empresários não podem ficar de fora deste segmento que só cresce. “Ainda não lançamos na versão móbile, mas temos vontade sim. Contudo, no momento, preferimos ajustar todos os problemas que possam ocorrer, e depois migramos para essa mídia”, argumenta. Vivemos em uma era de inovação, de estar atualizado sempre, buscando novos estilos, assim, como novas possibilidades. Principalmente, na internet em que as informações são constantes a cada piscar de olhos. E, nesse contexto, expectativas e investimentos para aumentar a visibilidade de um projeto tem sido a bola da vez. “Pretendo não parar tão cedo e investir cada vez mais, fiz parte da criação da startup quando atingiu um milhão de usuários e comemorei com a conquista. Vou

comemorar ainda mais quando ela chegar a esse número também e, principalmente, quando o público estiver interagindo com a plataforma. Um erro no mundo digital é se enganar com 'Likes', pois tem muita gente vendendo likes, é uma indústria (risos)”, afirma. Muita gente atualmente pensa em ter seu próprio negócio. Com a democratização da internet qualquer um pode, mas é preciso ir muito além para ter um empreendimento. “Eu poderia falar em motivação, mas palavras o vento leva, então prefiro dizer que tem a ver com conexão daquilo que você quer para sua vida. Porque está fazendo e como está

fazendo e não apenas pelo dinheiro, até porque ele será consequência. Não é fácil, mas sinto que quando acreditamos em algo tudo muda. Por exemplo, a Wegether foi criada pela dificuldade que alguns alunos tinham, muitos não podiam pagar um professor particular ou cursinho. Então a plataforma veio para facilitar”, esclarece. Os empreendedores enxergam além, sabem a hora de investir, de ir atrás de um sonho, meta ou objetivo. “É preciso ter visão e inspiração mesmo, seja no dia-a-dia, nas pessoas nos gestos e nos desejos. Mas, sem dúvida o que nos faz conhecedores de qualquer área é a experiência”, finaliza Cristina Klein. 13


GIRO NOVIDADES NA CUMBUCA Na contramão do mercado, a pernambucana Cumbuca reforçou seu time com nomes como Eden Wiedemann (F.Biz/SP), Dimas Rohn (Gude/SP, Hagua, Plano B), Gustavo Rêgo (Blackninja, Gruponove) e pelo menos mais dez contratações nos últimos dois meses. Criada há pouco mais de um ano, a agência - que mantém operações em São Paulo, Brasília e Belo Horizonte - atende clientes como o aplicativo de mensagens Viber, a Rádio Jovem Pan e o STJ, mas só agora pretende voltar seus olhos para o mercado local. Nascida com DNA digital, a Cumbuca oferece soluções integradas de comunicação e promete movimentar o mercado

MUSA FITNESS Apaixonada por esportes, a publicitária paraibana Nara Marques encontrou a melhor forma de aliar o seu estilo de vida com a formação social, tornando-se uma sensação das mídias sociais como musa fitness com cerca de 200 mil seguidores no Instagram (https://instagram.com/marquesnara/). Com 28 anos, a bela endossa a Fiori Jeep numa ação estratégica da marca, cujas campanhas levam assinatura da Casa Comunicação dos sócios Ricardo Rique, Luciana Rocha, Lorena Leal e Maurício Nunes. A profissional, que é sinônimo de vida saudável, referencia modelos da Jeep como o Renegade e o Grand Cherokee, com os quais realizou publieditoriais. No dia a dia, a webcelebridade mostra beleza e foco para manter a forma nas atividades que adotou no dia a dia como skate, musculação, surf, yoga, frescobol, neopilares, entre outros.

O MUNDO MAIS PERTO DE VOCÊ A produtora de áudio Muzak em parceria com a agência Link Comunicação & Propaganda e a Fabrika Filmes, sediada em Brasília (DF), são responsáveis pela nova campanha dos Correios, veiculada nacionalmente. Em formato de spot de rádio e VT (para TV e internet), o material promove a divulgação do “Exporta Fácil”, serviço criado pelo Correios há 15 anos com foco na exportação de produtos de micros, pequenas, médias e grandes empresas nas vendas para mais de 200 países. Com o slogan “Serviços internacionais: o mundo mais perto de você”, a campanha mostra empreendedores e seus produtos com rótulos convertidos em outras línguas, enfatizando o apelo da exportação brasileira no exterior. O áudio com as vozes da campanha também foi feito nos estúdios da Muzak no Recife, que conta ainda com escritório em Brasília, além de um estúdio-móvel.

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OLX EM PARCERIA COM O FACEBOOK A OLX, site de classificados gratuito do país, estreia seu primeiro comercial exclusivo para Facebook. É a primeira vez em que a marca cria uma campanha em vídeo apenas para o meio digital. O filme de 40 segundos mostra a história de uma jovem que realiza o sonho de fazer uma tatuagem, graças à venda de seu violão usado na OLX. Gravado com câmera subjetiva e reproduzido em ordem cronológica inversa – do fim para o início –, o vídeo começa com a garota já no estúdio fazendo a tatuagem. Em seguida, vemos o caminho percorrido por ela para conseguir fazer o tão desejado desenho na pele, com o dinheiro que obteve a partir da venda do violão na OLX. A campanha foi criada em parceria com o Creative Shop, equipe do Facebook voltada ao desenvolvimento de projetos criativos para grandes marcas. A produção ficou a cargo da Consulado. LIVRO PARA LEVAR NO BOLSO A Publiká7 criou a campanha com o objetivo divulgar os livros de bolso da Papelarissa, livraria com lojas em Rio das Ostras e Macaé, no Estado do Rio de Janeiro. Sob o conceito "Livro para levar no bolso”, a campanha conta com imagens de brinquedos em situações que ilustram o prazeroso hobby da leitura, comum em muitas pessoas. A analogia desse hábito direcionado aos bonecos realça o formato dos livros de bolso – que estão em escala real em relação aos brinquedos – ressaltando a praticidade que oferecem. As imagens da campanha foram elaboradas pela equipe da Yellow Mello, de Campo Grande/MS e mostram uma boneca lendo um livro num café e um boneco deitado no sofá, lendo um livro. A campanha minibooks contempla anúncios de jornal, revista, materiais para PDV (pôsteres, banners e marcador de livro), além de peças para redes sociais, como facebook.

CASAS BAHIA INCENTIVA A ECONOMIA DE ÁGUA Depois de estimular a doação de sangue e a redução no consumo de energia elétrica, a Casas Bahia dá continuidade às campanhas institucionais de conscientização e lança novo vídeo, desta vez incentivando a economia no uso de água. A bandeira reforça a atual situação dos reservatórios de água do país e alerta que a crise hídrica atual é a maior dos últimos 80 anos. No filme, Fabiano Augusto, garoto-propaganda da marca, sugere a prática de algumas medidas para evitar o desperdício. “Tome banhos rápidos e use vassouras ao invés de mangueiras”, orienta. O vídeo conta também com imagens coloridas e lúdicas, que reforçam ao telespectador as dicas do ator. A peça foi desenvolvida pela Y&R e faz parte da plataforma Consumo Social, uma iniciativa da Casas Bahia para a produção de conteúdos sobre finanças, saúde, lazer, casa, educação, negócios e ideias inspiradora, com dicas para ter qualidade de vida alinhada à saúde financeira. 15


ILUSTRAÇÃO | DORIVAL LIMA

CAPA | CRISE

INVESTIR PARA NÃO TRUMBICAR LUCIANA TORREÃO Sabe aquela máxima sobre o alfabeto japonês, que a grafia para a palavra crise é a mesma para oportunidade? Pois é, clichês à parte, a verdade é que em meio à crise que tomou conta do Brasil e do mundo, não é possível ficar de braços cruzados esperando seus negócios irem por água abaixo. E é realmente imprescindível fazer “das tripas coração” e transformar crise em oportunidade. Para quem foi demitido e tem potencial empreendedor, a hora também é de usar a criatividade e ousar abrindo um novo negócio. E ao contrário do que fazem a maioria das empresas – de cortar a verba da comunicação e marketing, esta é mais do que nunca a hora de se investir em estratégias de comunicação e divulgação. Segundo dados do Sebrae, 16

em pesquisa feita com cerca de 6 mil empresários incluindo microempreendedores individuais, sete em cada dez pequenos negócios apostam em propaganda, variedade de produtos e redução de preços para driblar a crise. Para entender o que os empresários brasileiros pensam e de que forma estão se comportando agora, a Vecchi Ancona Inteligência Estratégica (SP), consultoria com mais de 20 anos de expertise na gestão de negócios e redes, elaborou a pesquisa “Como enfrentar o momento atual”. De acordo com Paulo Ancona Lopez, sócio-diretor da consultoria, o estudo foi baseado em cinco pilares: inovação, foco no cliente, conhecimento compartilhado, liderança e reconhecimento. “A

pesquisa nos deu uma visão mais clara de como o mercado está reagindo ao novo cenário nacional, apontando como as empresas enxergam esses pilares na tomada de decisão”, explica. A primeira questão feita aos entrevistados visava entender exatamente o que deve ser feito em um momento como o que estamos enfrentando. 2,5% dos entrevistados entendem que essa não é hora para fazer mudanças, mas sim para aguardar; 19% dos empreendedores acham que é momento de investir em pessoas e recursos; 29% entendem que precisam direcionar seus negócios; 43% acham que devem investir em nichos de mercado ou produtos; 56% acreditam que é hora de otimizar processos e 67,5% falam


em reduzir custos e despesas. Para superar o atual momento vivido pela nossa economia, 85% responderam que apostam em um aumento na profissionalização; 22% disseram que o caminho é buscar associações com outras empresas; 12% entendem que é importante mudar o foco do negócio; 10% acham que a saída é vender total ou parcialmente o negócio e 5% acham que o momento é de comprar concorrentes. De acordo com o especialista em marketing e fundador da Ikonos (PE), Robertson Alves, o momento é de realizar investimentos assertivos e inteligentes. Capacitação é a palavra chave e os profissionais devem estar sempre preparados para as novas demandas de mercado e se reciclarem fazendo cursos de atualizações que façam a diferença em sua vida

profissional. “As empresas devem ter a inteligência de seu negócio por clientes, concorrentes e mercado sabendo onde e como investir, pois esses são os fatores mais importantes para as empresas saírem da crise e terem sucesso em médio prazo”, ressalta Robertson. O diretor da consultoria Vecchi Ancona Inteligência Estratégica (SP), Paulo Ancona Lopez, afirma categoricamente que a comunicação é importante, principalmente em um momento em que a disputa pelo comprador se tornou mais aguerrida e mais necessária. Essa comunicação, entretanto, deve trazer algo que de fato atraia o cliente para a marca, pois os compradores estarão mais exigentes e analíticos antes de gastar seu dinheiro. “Cada empresa vai demandar soluções específicas. De toda forma, um repensar no planejamento estratégico da empresa, seja olhando o mercado, seja olhando para dentro da empresa, com a tomada de decisões muitas vezes corajosa vai ser fundamental. Simplesmente esperar que as coisas aconteçam ou cortar tudo que seja despesa ou investimento não será a solução”. Paulo Ancona afirma que as dificuldades estão aí e devem ser encaradas de frente, e que os momentos de crise podem exigir uma dinâmica de gestão muito diferente da usual, com uma velocidade e mudanças de ações e de atitudes que antes não eram necessárias. “Será preciso ser ágil, olhando os problemas, avaliando constantemente o que foi feito e mudando de rumo e rota sempre, ou aprimorando o que já foi feito a cada momento. Nesses aspectos, é importante que o que for

FOTO | RUBENS CHIRI

Paulo Ancona Lopez, diretor da Vecchi Ancona (SP)

feito para atrair e agradar os clientes, seja bem comunicado. Fazer e se calar significa que ninguém notará nenhuma mudança”. Para o consultor, não é momento ideal para abrir um novo negócio se o profissional não estiver 100% preparado para isso, e não tiver certeza de que vai suportar eventuais trancos e resultados variáveis. “Um negócio novo tem sempre muita chance de não sobreviver se alguns erros forem cometidos, como: má avaliação de viabilidade, ausência de estudo de mercado, mix de produtos e serviços não adequados, ponto comercial mal escolhido, ou mesmo se a pessoa não tiver as competências para gerir todos os aspectos de um negócio, que vai das compras, administração geral até as vendas”.

Robertson Alves, especialista em marketing e fundador da Ikonos (PE) 17


CAPA | CRISE Flamarion Reis, publicitário e administrador do blog tabuleiro publicitário (BA)

O SEGREDO – Mas o povo quer saber: existe segredo para sobreviver à crise? O publicitário baiano Flamarion Reis e administrador do blog tabuleiro publicitário (tabuleiro publicitario.blogspot.com.br), acredita que não existem segredos. “Existem estratégias, independentemente do seu tamanho, da sua atuação ou se o mercado está em crise ou não. Toda empresa deve pensar suas estratégias de atuação internamente e externamente para que conquiste o seu lugar no mercado e cresça. É muito fácil culpar uma crise, ainda que ela exista, quando não se faz nada ou faz de forma equivocada. “E a regra é simples: toda empresa deve saber quem é o seu cliente e o que ele deseja. Depois, é trabalhar campanha com um foco determinado. Terceiro, ter uma equipe capaz de dialogar com

esses clientes. Comunicadores, agências, assessores, consultores e empresários devem pensar a empresa como um todo”, comenta Flamarion. E ele ressalta que, com as redes sociais, é muito fácil fazer comunicação. “Difícil é fazer uma comunicação de qualidade e que atinja o seu propósito. O empresário, sobretudo o pequeno, tem que ter a visão que comunicação não é gasto, mas sim, investimento e contratar uma agência ou um profissional para assumir bem o seu posicionamento e acreditar no que esse profissional faz ou sugere”. O blogueiro conta que no mês dos namorados deste ano, por exemplo, fez para um cliente seu, ação que visava ampliar o número de seguidores em uma rede social, mas sabia que o mesmo não possui grandes verbas. O que ele fez? Pegou outros dois pequenos empresários e fizeram ação em parceria, de troca-troca e de ganha-ganha. O resultado: não só ampliaram o número de seguidores nas redes sociais como ganharam destaque em alguns veículos de comunicação pelo valor do prêmio. “Recebemos elogios de quem participou e de quem apenas acompanhou a ação. Mexemos com a emoção das pessoas, estimulamos a interação e tudo acabou com um pedido de casamento. Quanto à empresa gastou com isso? Cerca de R$ 500. Então, buscar parcerias dentro de seu negócio também é uma excelente forma de se promover e um bom assessor/consultor de comunicação deve ajudar a firmar essas parcerias também. Claro, que tudo dentro de um contexto e que faça jus à estratégia

Rafaela Sampaio, coordenadora do MBA em Comunicação e Marketing em Mídias Digitais da Faculdade Estácio do Recife (PE) 18

estabelecida anteriormente”, destaca. A coordenadora do MBA em Comunicação e Marketing em Mídias Digitais da Faculdade Estácio do Recife, Rafaela Sampaio, explica que realmente estamos em um momento de crise e com isso, uma série de demissões ocorreram. “Neste contexto, muitas pessoas que ficaram desempregadas buscaram alternativas para ter uma renda. Uma delas foi empreender e abrir um negócio. Com a crise vem também oportunidade. Tudo depende do ângulo que se avalia. Com a ideia de empreender vêm as responsabilidades e cuidados que devem ser tomados. O primeiro passo é investir no marketing para que o seu negócio dê certo. Porém, é importante entender que o conceito de marketing vai além do comercial bacana ou de uma fan page no Facebook”.


Osvaldo Tude Maciel sócio-diretor da Water

Rafaela diz que o empreendedor que domina o conceito vai trabalhar a construção de um produto ou serviço que atenda às necessidades dos seus clientes, pois sabe o que eles esperam. Vai precificar de maneira atrativa, oferecendo possibilidades para que o consumidor possa comprar e usufruir do produto. “É imprescindível escolher uma boa localização para comercializar, seja uma loja física ou virtual e, depois do produto ou serviço formatado, divulgar de maneira correta. É importante trabalhar as ferramentas que de fato gerarão impulsionamento da venda. Acredita-se até que bom produto se vende sozinho. Mas, é preciso trabalhar bem todas as etapas e é necessário que a marca já esteja consolidada”, aconselha. E a coordenadora da Estácio do Recife recomenda que uma das estratégias pode ser apostar na

variedade do mix de ofertas, trazendo mais opções para o cliente. “A ideia de preços mais baixos ou até mesmo produtos que são disponibilizados em uma quantidade menor também promove uma compra por experimentação e posteriormente uma recompra com possível fidelização. Além disso, se comunicar com o cliente é fundamental. A propaganda é uma forma de conversar com o consumidor e ela está cada vez mais interativa e integrada. As mídias tradicionais não deixarão de existir, nem deixarão. Mas, com as mídias digitais o engajamento aumentou, as respostas são mais rápidas e as empresas conseguem atender às demandas de uma forma muito mais precisa. Recebe-se um feedback quase que instantâneo do que se disponibiliza para o público”. Um empreendedor pode ter perfis corporativos em diferentes plataformas. Rafaela comenta que, de acordo com a ComScore – tradicional consultoria de análise de internet, o facebook é a rede mais utilizada no Brasil e termina sendo mais fácil e a principal porta de entrada para a divulgação em mídias digitais, pois a maioria já possui um perfil pessoal. Na fan page o empreendedor pode disponibilizar fotos dos produtos ou serviços que vende, imagens do seu estabelecimento, vendas que foram realizadas, cliente utilizando o produto, conteúdos relacionados ao produto que ele oferece e isso gera um engajamento com os seguidores. “Por meio de comentários, curtidas ou compartilhamentos a marca é divulgada também para os amigos dos clientes daquela marca. Mas, é preciso cuidado, a propaganda traz o cliente e é importante que a empresa consiga

entregar o que prometeu. Gerar uma expectativa e não atendê-la pode ser uma sentença de morte para o empreendedor”, completa. Já Flamarion Reis alerta que, se a pessoa está abrindo um negócio pelo simples fato de não ficar desempregado e sem renda já começou errado. “Para abrir um negócio é necessário que você tenha um mínimo de afinidade com aquilo que vai fazer. É como estudar medicina porque dá dinheiro, mas amar música. Agora, se você já tem algum conhecimento sobre o mercado que vai atuar, gosta do que vai fazer, sabe lidar com o público – principalmente em caso de vendas, fez um plano de negócio, já sabe quem vai comprar de você, aí é hora de se pensar em estratégias de marketing, propaganda e assessoria de imprensa. Cada qual com a sua função e importância. Todas as ferramentas de comunicação são relevantes, mas tendo consciência que elas devem atuar juntas para atingir o mesmo propósito. E, novamente, para fazer uma comunicação correta e pensada estrategicamente, você vai precisar de um profissional de comunicação. Até porque nem tudo o que você pensa que é marketing de fato é. Propaganda não precisa ser cara e nem na TV em uma infinidade de casos, e assessoria de imprensa não deve ser esporádica. Ela deve manter a relação construída entre a sua marca, os jornalistas e os seus clientes”, sugere. COMO SE MANTER NA CRISE – O sócio-diretor da Water – loja de segmentos de relógios, moda unissex street wear e acessórios –, Osvaldo Tude Maciel diz que o segredo para sobreviver à crise é um só: é não parar. “Pois, agora, mais do que 19


CAPA | CRISE Fernando Estanislau, CEO da Tritone Interactive (SP)

nunca, só o trabalho vai nos tirar desta situação. Não tem matemática: ou se aumentam as receitas ou diminuem-se os custos. E neste momento, aumentar receita está bem complicado por conta da estagnação da economia. Portanto, reduzir custos é a solução mais imediata. Mas ela precisa vir atrelada a um maior esforço de toda a equipe, seja ela de vendas, estoque, administrativo. Como se diz no futebol, 'um precisa correr pelo outro'. Muitas vezes criamos situações para ter uma presença mais forte na mídia”. O atendimento e planejamento da Aporte Comunicação (PE), Newton de Oliveira Neto, que atende a conta da

Water, apostou no planejamento anual da rede de lojas, o que sempre é feito. Nele, a Aporte define o calendário de varejo em que é preciso focar (Dia das Mães, Dia dos Namorados, Dia dos Pais e Natal, por exemplo) e determina oportunidades para ter presença em mídia durante o ano. “O que vale é ter frequência. É melhor estarmos sempre presentes na mídia com alguma campanha, mesmo que sem aquele impacto todo, do que investir tudo de uma só vez e ficar a ver navios. O nosso segredo é ter planejamento. Também investimos bastante na produção de conteúdo nas redes sociais com foco no Facebook. Durante todo o ano estamos ativos e criando ações

INCENTIVO AOS PEQUENOS NEGÓCIOS POLIANA ALENCAR O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresa (Sebrae) está sempre inovando e acaba de lançar campanha para estimular o consumo de produtos e serviços de empreendimentos de pequeno porte. O Movimento Compre do Pequeno Negócio é o título do projeto e se trata de uma série de ações para divulgar a mobilização que será realizada no dia 5 de outubro de 2015. O programa tem como principal meta formalizar novos empreendedores que ainda estejam informais. De acordo com dados do IBGE, atualmente existem 312 microempreendedores individuais (MEI) e micro e pequenos empresários (MPE) no Estado. E todas essas empresas juntam correspondem a mais de 95% do total de organizações brasileiras, responsáveis por 27% do PIB no Brasil, sobretudo, por 52% do total de empregos com carteira assinada. De acordo com o presidente do Sebrae, Luiz Barreto, o projeto pretende mostrar a importância das pequenas empresas para economia e a geração de emprego em todo país. Com isso, a relação econômica irá possibilitar vários recursos, no qual o movimento visa valorizar compras em bairros, comunidades e cidades. “As MPEs estão consolidando a economia, mesmo em tempos de crise. Os incentivos cresceram, bem como a ampliação de atividades e o acesso ao crédito. Portanto, a ideia com esta ação é que 20

a sociedade possa contribuir com seu vizinho fazendo a economia se desenvolver. Até porque não é um programa do Sebrae e, sim, da sociedade”, explicou o diretor superintendente do Sebrae-PE, Oswaldo Ramos. O órgão investiu cerca de R$ 3 milhões em Pernambuco, já no Brasil o investimento foi de R$ 80 milhões. Logo a data escolhida 5 de outubro, no qual comemora o Dia do Microempreendedor será oficialmente, mas todos que tiverem interesse podem acessar e se cadastrar no site www,compredopequeno.com.br e conhecer os planos, objetivos e metas da iniciativa. “Pela primeira vez, o Sebrae lança a data, seja para atrair consumidores ou a família. Nesse sentindo, a campanha traz um olhar transformador, que gera renda nos municípios, e os empresários ficarão mais otimistas com os benefícios, priorizando as pequenas empresas. Será uma data muito marcante, assim, como existem movimentos sobre o Dia Mundial da Paz, Campanha do Câncer de Mama e tantas outras, o Sebrae também lança esse movimento que será para toda vida”, argumenta a diretora técnica, Ana Cláudia Dias. Até o lançamento, a organização vai apresentar orientação e participação das MPEs em planos estratégicos. Deste modo, irão capacitar os donos de negócios em suas principais dúvidas e necessidades, trazendo referências e sugestões para melhorar seus rendimentos. “Vamos


Gustavo Penteado, professor do Cedepe Business School (PE)

com queima de produtos que ficaram em estoque durante o ano. Para driblar as dificuldades, só com criatividade mesmo. Se não tem a oportunidade, vamos cria-la! É preciso pensar positivo e não se deixar levar por tanto pessimismo. Afinal, como já disse Nizan Guanaes: 'enquanto outros choram, eu vendo lenços. Dentro do possível, eu tento não diminuir minha verba de comunicação. Afinal, é aí que as pessoas conhecem minha marca. Além disso, este período de crise é uma excelente oportunidade de aparecer mais com um esforço menor de comunicação, visto que as empresas cortam logo a publicidade. Esta é a hora de aparecer!”.

RODRIGO MOREIRA |

promocionais de oportunidade, como no Dia da Mentira demos descontos em toda loja ou o Dia do Amigo que fizemos um sorteio especial no Instagram. Além disso, temos uma verba mensal para investimento em mídia de performance. Não é um valor alto, mas está sempre lá”. Osvaldo diz que há três anos, instituiu no mês de agosto, logo após o Dia dos Pais, o Liquida Water. Neste período, ele faz diversas promoções e queimas de preço, o que dá uma oxigenada para superar os meses de setembro e outubro, onde são apresentadas novas coleções de roupas e lançamentos de relógios. “Vem dando muito certo. Assim como fazemos em janeiro o Bazar Water,

Na coletiva de impressa: Adriana Corte Real (diretora administrativa financeira), Ana Cláudia Dias (diretora técnica) e Oswaldo Ramos (diretor superintendente PE)

trazer aos bancos oficiais em diversas cidades e nas principais feiras o movimento, atendendo a todos os setores, comércio e indústria englobando toda a população. A ação será para viabilizar, ir para as ruas”, explicou a diretora administrativa financeira, Adriana Corte Real. Logo, o dia cinco de outubro está programado para diversas atividades em todo país, entre as atrações de 21 a 26 de setembro, cidades como Recife e Garanhuns, terão pátios de eventos falando da campanha. No Rio Grande do Norte haverá festival gastronômico; e no Rio de Janeiro vendedores de suco das principais praias da cidade usarão fantasias que valorizam o projeto. Já em São Paulo, estão sendo organizados cursos e oficinas de capacitação, com foco nos microempreendedores individuais (MEIs). “O nosso maior objetivo é capacitar mais de 40 mil MEIs. Serão ministrados cursos pela internet, com intuito de atingir um grande público. Assim, em 2016 teremos programa à distância na qual irá permitir que mais de um milhão de empreendedores no estado de Pernambuco recebam treinamentos”, acrescentou Ramos. Muito se fala em crise, na qual a economia passa por momentos difíceis, e que grandes empresas foram impactadas, sobretudo, as pessoas que estão comprando menos. Porém, economistas citam que essa é uma das

melhores fases para se desenvolver, seja por meio de novas estratégias ou usando ainda mais a criatividade. “Apesar da crise que afeta a todos, é preciso se inovar, enxergar o lado positivo das coisas. Ou seja, focar nos resultados, e ir em busca de melhoria. Por isso, é necessário ter um plano B diante desse cenário, buscando soluções e capacitação. E desta forma, o Sebrae estar a aqui para ajudar em qualquer sentido. Buscamos reforçar o autoestima do empreendedor, para que ele se adapte ao atual momento econômico, mesmo com dificuldades, criando saídas na qual agregam valor e reconhecimento ao seu negócio”, conclui Ana Cláudia Dias, diretora técnica do Sebrae - PE.

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CAPA | CRISE Thais Sampaio e Henrique Coronati, sócios-fundadores da Retrô Gol

FORTALECIMENTO – O CEO da Tritone Interactive (SP) – agência que promove soluções de comunicação integrada –, Fernando Estanislau, aposta que a estratégia de nove em cada dez gestores é fazer mais com menos. “Para nós que respiramos essa equação, por sermos uma agência que pensa digital first, continuará mais forte ainda com o fortalecimento das ações digitais, revisão das estratégias de comunicação através de novos pontos de contato, como o mobile, redes sociais, melhoria em SEO (Search Engine Optimization) e investimento em links patrocinados, fora revisão das estratégias de social na busca por um maior engajamento do seu público. Também vejo um grande momento para o reposicionamento das marcas e para a construção de proximidade através de 22

um discurso mais simples, mais humano e mais sustentável”. Fernando afirma que a propaganda é o que nos coloca no universo aspiracional ante a realidade caótica dos noticiários. As marcas e suas mensagens passam a ser o respiro necessário para a sociedade, menos atributos e mais emoções. “Neste cenário as grandes oportunidades surgem. O cuidado em fazer um trabalho coerente e diferenciado, o cuidado com o planejamento e com investimento também acabam favorecendo quem decide continuar apostando no marketing e na comunicação. É a hora da criatividade e da relevância como agentes principais na consolidação do market share e do residual positivo para essas marcas”. E Fernando comenta acredita que o segmento dos Food Trucks é um bom exemplo disso. “São negócios que surgem com pequenos investimentos, não exigem grande estrutura e vem dando exemplo de criatividade, design e preocupação com o branding: construção de marca, qualidade, fatores sensoriais como o sabor e, diferenciação e mobilidade dos food trucks nos oferecem boas experiências”. Já Gustavo Penteado, professor do Cedepe Business School (PE) e consultor de planejamento e marketing para diversas empresas no Brasil, Argentina e Angola, o shopper marketing pode ser a solução para a crise, e diz respeito às ações de comunicação e marketing no ponto de venda, local onde se encontra o comprador (shopper). Ele diz que o crescente investimento em mall e merchandising surge como diferencial estratégico em tempo de crise não só para pequenos e médios, mas também para as

grandes redes e marcas. “O retorno sobre investimento (ceteris paribus), por exemplo, em anunciar dentro de um shopping, através dos departamentos de mall e merchandising é até 45% maior do que as tradicionais mídias above the line. Esse tipo de equipamento garante grande fluxo de pessoas dentro do ponto de venda, predisposto à compra, mesmo que impulsiva, conferem maior tempo de exibição e retorno, com alta taxa de conversão e maior retorno sobre investimento. O crescimento nesse tipo de mídia, é latente e possibilita integração omnichannel. Levando em conta as possibilidades criativas, os projetos especiais e personalizados para ações promocionais e ativações surgem como diferencial para propor uma experiência de compra e aumentar as vendas. O crescimento de quiosques, stands e food trucks em centros de compras só cresce”. O CEO da Itibam Business (SP), Luciano Fernandes cita Chacrinha: “Quem não se comunica, se trumbica”. “Isso é a pura verdade. As empresas precisam aparecer, precisam estar presentes no seu cliente. Manter um relacionamento com o cliente atual é fundamental para o sucesso de uma instituição. O que vejo muito em alguns empresários é a atitude. Uma estratégia agressiva de marketing e vendas, uma proposta de valor com atributos que se diferenciam da concorrência e marque presença no mercado/território, posicionando a empresa, irá gerar um grande diferencial competitivo. No cenário estratégico de marketing, o segredo é um bom planejamento, olhar para dentro, descobrir o seu oceano azul, se diferenciar da concorrência”.


Luciano Fernandes, CEO da Itibam Business (SP)

TENDÊNCIAS – E, com relação às tendências de negócios neste momento, Luciano acredita que são empreendimentos no mercado de saúde, tecnologia e luxo. “São os que percebemos que estão sofrendo menos com a crise. O mercado de Ti é o que está mais em alta. Alguns serviços financeiros também estão indo muito bem. Algumas empresas tem uma flexibilidade muito grande, podendo 'navegar' entre os diversos segmentos e encontrar nichos que estão indo bem nesse momento de crise. Por exemplo, se as vendas de carros zero estão em baixa, a venda de usados está melhor, logo, se você vende para a indústria automobilística, então, você pode mudar o foco para o mercado de reposição. Se o empresário se deixar abater, ele irá ficar míope, perdendo a visão holística necessária para enxergar as oportunidades”. De acordo com Henrique Coronati, sócio fundador da Retrô Gol, rede de franquias especializada em réplicas e camisas comemorativas do mundo do futebol, muitas pessoas com carteira assinada sonham em ter seu próprio negócio, visando aumento de renda, querendo se livrar dos chefes e praticar um horário mais alternativo. “Por outro lado, você irá trabalhar muito mais, tomar decisões

difíceis e gerir pessoas, fazer a gestão dos colaboradores não é nada fácil. Fica uma dica, antes de abrir sua empresa de produto ou serviço teste antes com algum parceiro, por exemplo, no segmento vestuário, desenvolva algumas peças e tente colocar para vender em alguma loja, sinta a demanda e a aceitação para ai sim dar um passo maior”. Henrique expõe que a franquia Retrô Gol é um exemplo disso: custo da operação

R$90.000,00, e no ano de 2015 a rede inaugurou 10 lojas. “Os franqueados apostaram e se deram bem. Não existe tempo certo para investir, exista o seu tempo certo para investir, acredite mais no seu feeling, conheça seu concorrente e teste seu produto. A rede de lojas Retrô Gol cresceu 100% em 2015. Agora eu digo, que crise? Eu não senti esta crise sabe por quê? Porque me reinventei, acreditei no meu negócio e nas pessoas que trabalham na Retrô Gol”.

NOVO VISUAL, NOVAS SEÇÕES E A PAIXÃO POR COMUNICAÇÃO E MARKETING WWW.REVISTAPRONEWS.COM.BR 23


PANORAMA | YES COSMESTICS!

UMA EMPRESA QUERIDA ENTRE OS CONSUMIDORES POLIANA ALENCAR Atualmente muito se fala em crise, seja ela política ou econômica. Mas, para a indústria de beleza, perfumaria e cosméticos o cenário se mantém em ritmo acelerado. De acordo com os dados da Associação Brasileira de Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), realizado em 2014, as vendas do setor crescem cada vez mais. Logo, o faturamento do ano de 2014 para o ano de 2015 superou a expectativa em R$ 40 bilhões. Com isso, as perspectivas em torno do mercado de cosméticos continuam aceleradas. Em meio a isso, a marca de beleza Yes

Cosmestics se consolida no Nordeste, tornando-se preferida entre o seu público, sobretudo, as mulheres, já que a marca aposta em uma variedade de produtos femininos. Ela começou sua trajetória no ano de 2000, através dos empresários e sócios Cândido Espinheira e Ketty Marcela de Jesus, e assim, que foi lançada no mercado, iniciou com 15 cores de batons e 12 de deo colônias. Desta forma, o foco da empresa na época era voltado apenas para venda direta. Logo, os consultores cadastrados recebiam catálogos e os principais lançamentos da marca.

Cândido Espinheira, CEO da Yes Cosmestics

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Segundo o CEO da Yes Cosmestics Cândido Espinheira, com a repercussão das pessoas as coisas começaram a acontecer. Com muitas ideias e bastante determinação a empresa se consolidou. “Na época tínhamos poucos funcionários, mas também tínhamos muita força para viajar e expandir a Yes Cosmestics”, relata Cândido. Para divulgar o empreendimento pelo Norte e Nordeste a empresária Ketty Marcela, viajava de carro e até de ônibus. Nesse mesmo período contava com a ajuda de Felipe Espinheiro, que logo se tornou um dos sócios da empresa.


Yes Cosmetics, loja Shopping RioMar

A sede localizada em Recife com mais de 50 lojas espelhadas no Nordeste entre os principais shoppings centers da cidade, traçou um enorme caminho, para se tornar querida entre o público pernambucano. “A Yes Cosmestics tinha estrutura muito limitada, porém tinha muita criatividade envolvida. Então a solução para crescer foi de fato investir o lucro nela própria, aumentando a linha de produtos de qualidade. Sempre pensando no custo-benefício para os consumidores”, esclarece o empresário. Contudo, a cada dia são lançados diversos produtos para atrair cada vez mais as mulheres e, principalmente os homens, que estão se tornando bastante vaidosos. Deste modo, a indústria pensa em tudo de mais moderno e mais elaborado. Grandes marcas lançam tecnologias de ponta para atrair o público, cada vez mais informados. E tem linha para todos os gostos, estilos e preços, com isso, é preciso saber se diferenciar. “Procuramos sempre estar em sintonia com as novas tendências de consumo, através de pesquisas para atrair e manter os clientes.”, explica o CEO da Yes Cosmestics. Outro ponto a destacar é em relação às marcas, cada uma com sua peculiaridade e seu estilo único trazem inovações e propostas diferentes. “A concorrência é sempre muito saudável, pois só traz benefícios para os consumidores que buscam qualidade. Nossos produtos além de serem ótimos, têm um diferencial que é o custo-benefício no qual oferecemos”, argumenta Cândido. Muitos especialistas em empreendedorismo afirmam que uma marca para ter sucesso, precisa atingir certo

tempo de maturidade, sobretudo, conquistar o cliente fazendo com que retorne sempre. Ou seja, precisa ser lembrada na hora em que se tem a necessidade de comprar. A Yes Cosmestics atingiu essa plenitude, pois sempre tem preferência pelos consumidores. “O sucesso da marca foi conquistado através da comercialização de produtos e serviços, no qual proporciona beleza e alegria ao nosso público. E sempre pensando no custo-benefício que também é muito importante”, afirma. A marca tem uma variedade de produtos que vai desde maquiagem, esmaltes hidratantes para o corpo, mãos e pés. Além de perfumes femininos e masculinos, desodorantes, linha para cabelos e acessórios. A marca está presente nas redes sociais Facebook, Instagram, Twitter e YouTube, no qual publica vídeos com dicas de maquiagem. Tem canal de vendas através do ecommerce e sempre tem presença confirmada nos principais editoriais de moda e beleza. Seu nome já foi visto nas edições das revistas: Nova Cospomolitam, Claudia, Corpo a Corpo, Quem, Toda Teen e Capricho. O ano de 2015 está chegando ao fim.

Procuramos sempre estar em sintonia com as novas tendências de consumo, através de pesquisas para atrair e manter os clientes. Porém, daqui a alguns meses um novo ano está chegando e, junto com ele, novas ideias, metas, objetivos, conquistas e sonhos. “Em 2016, vamos continuar com o nosso processo de expansão das redes de lojas próprias da Yes Cosmestics. Iremos fortalecer os principais canais de vendas e lançaremos no mercado brasileiro a rede de franquias”, finaliza o empresário. 25


CONECTE-SE

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YOUTUBE.COM/USER/CANALTECHBR

LOEWSHOTELS.COM

FOCO NAS NOVAS TECNOLOGIAS A tecnologia está presente em tudo em nossa vida. E para quem não quer perder um lançamento dessa área, o Canaltech traz abordagens referentes ao tema. O objetivo é mostrar para as pessoas o que está acontecendo no mercado tecnológico, com foco nas produções de conteúdos e novidades. Além disso, o portal oferece aos internautas notícias de feiras nacionais e internacionais com opiniões claras e objetivas. Outra questão do canal são as dicas dos principais meios digitais – entre eles: redes sociais, sistema móbile, games, produtos e internet. A página também mostra curiosidades das principais tecnologias, séries, TV, música, arte e humor com muito estilo.

VIAJANDO E FOTOGRAFANDO Uma proposta inovadora tem atraído vários clientes e turistas de Nova Iorque. Trata-se da campanha do Loews Hotels & Resorts, que está usando fotos publicadas no Instagram, pelos hóspedes dos hotéis. As imagens foram licenciadas, e são utilizadas em revistas, displays em aeroportos e banners na web. O intuito da campanha, chamada de #TravelForReal, é abordar um estilo mais emocional, sem a criação de um fotografo profissional. A assinatura é da agência Catch New York, que analisou mais de 35 mil fotos em diversos contextos e elegeu para colocar na sua página na internet. O site www.loewshotels.com traz para os clientes uma abordagem diferente, divertida e ao mesmo tempo inusitada.


ARTIGO | ANDREA ORSOLON - COUNTRY MANAGER, ADSMOVIL NO BRASIL

O CONSUMIDOR ESTÁ NO CENTRO DE NOSSAS ESTRATÉGIAS MOBILE? Como profissional do segmento mobile, publicidade e tecnologia tenho participado de muitos debates e eventos sobre tendências e uma frase utilizada por Andres Stella, da Brandtone marcou, durante o encontro MMA Ballroom. O executivo pontuou que “as marcas não podem mais ir para a janela e gritar para todos”. A analogia faz referência à estratégia tradicional de muitos anunciantes e suas agências em optar por altos investimentos em propagandas televisivas, que atingem a massa com uma mensagem padrão. O cenário publicitário, cada vez mais digital, se tornou complexo com diferentes formatos, maneiras de comprar mídia, possibilidades de segmentação de audiência e, principalmente comprovação dos resultados. Chega a ser curioso que os valores aplicados no formato televisivo tenham aumentado, visto que a audiência está em declínio. É bom que se deixe claro que não há uma postura contra a publicidade em TV e esta opção é mais do que reconhecida como forma de ampliar conhecimento de marca. A realidade é que mobile não é mais um canal concorrendo com outros, mas sim uma camada em que as pessoas estão conectadas a todo momento para acessar conteúdos, redes sociais e está sempre a um toque quando estão à frente da TV ou ouvindo rádio. O primeiro aspecto em pauta é que este novo comportamento das pessoas precisa ser melhor compreendido pelas marcas, principalmente em função das oportunidades de inovação e interações possíveis. James Galpin, da Millward Brown, trouxe diversos

casos de que uma estratégia combinada de diferentes mídias com mobile possuem alta sinergia e gera melhores resultados de engajamentos do que as ações isoladas. Um exemplo é a série logout com cenas que complementam, via smartphone, aquilo que é passado na imagem televisa. A integração também vale quando se pensa em e-commerce e loja física. Ninguém melhor do que Romero Rodrigues, do Buscapé, para garantir que eles se complementam, citando o case em que os clientes que visitassem a Best Buy e escaneassem o preço dos produtos, ganhariam descontos na Amazon. Outro ponto fundamental desta discussão é o retorno que cada mídia oferece para a marca versus o investimento. E novamente o mobile desponta como a bola da vez, pela capacidade de segmentação, ou seja, de encontrar a audiência exata que faz sentido para determinada ação ou campanha, possibilidade de mensuração do impacto e pelo custo vantajoso ao se levar em conta as mídias tradicionais. Mais do que o custo, o que está em jogo é o valor e a oportunidade de criar uma comunicação direta com o seu público target, em oposição ao grito na janela. O mobile permite diálogos mais assertivos com os consumidores. Menos é mais. Dentro deste contexto é necessário um alerta sobre a necessidade de encontrar, saber conversar e estabelecer uma comunicação direta e específica com uma determinada pessoa. Hoje a tecnologia e o acesso por dispositivos móveis permitem esta precisão, otimizando os investimentos e

conversão. O desafio passa pela forma como os dados são coletados, arquivados, a privacidade e proteção dessas informações, os possíveis cruzamentos e, principalmente, a capacidade de gerar relatórios inteligentes com insights que tornem a comunicação mais efetiva e aumente o ROI. Conhecer o consumidor com o qual se deseja criar um vínculo duradouro e ser útil para ele é palavra de ordem. Um exemplo claro é o desejo que todas as marcas têm de pedir para a sua agência criar um App. Vivemos um boom de novos Apps de marcas, mas nenhum deles consegue entrar na lista dos mais baixados ou competir, pois em algo básico: efetivamente facilitar a vida minimizando dificuldades. O mercado de publicidade móvel já começa a ocupar espaço de destaque e a receber cifras relevantes, mas ainda engatinha quando se leva em consideração o seu potencial, principalmente pela capacidade de gerar resultados mensuráveis para as marcas, atingindo a audiência específica com a mensagem adequada. As oportunidades de interação e sinergia entre canais também devem ser melhor exploradas. É fundamental que as marcas se adaptem ao que o consumidor necessita, e não àquilo que elas querem que eles se adequem. De meros manipulados pelas marcas, os consumidores passam a ditar o futuro delas. Aquele grito na janela, nem sempre é o que a multidão quer ouvir. E insistir nesta estratégia custará caro.

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MARKETING

REGIONALIZAR PARA CONTINUAR CRESCENDO JULIANO MENDES DA HORA A BRF, detentora dos produtos de maior sucesso da indústria alimentícia nacional, sabe muito bem que ouvir seus clientes é o exercício primordial de quem deseja oferecer mais e melhores produtos. A empresa é a casa da Sadia e Perdigão, duas das marcas mais valiosas do Brasil. Contando com mais de 80 anos de expertise no mercado de alimentos processados, carnes, massas e margarinas, entre outros, a BRF vem conquistando o consumidor por uma política cada vez mais dinâmica nas relações com o seu público. Uma prova disso é o departamento de marketing da empresa, que sabiamente reconhece o Brasil como uma reunião de hábitos e sabores diferentes, apresentando ações e linhas regionalizadas, que dialogam com as particularidades de cada público. Ao contrário de empresas que acham mais conveniente se apoiar em apenas uma linha tradicional de produtos, a BRF encara esse desdobramento de ações como um investimento de retorno certo. A empresa é líder de mercado em Recife, Salvador e no interior da Bahia com a Deline, marca de margarinas desenvolvida especialmente para atender ao paladar nordestino, investe em ações de marketing e em novidades no portfólio para conquistar mais consumidores na região. A estratégia faz parte de um plano contínuo de investimentos em comunicação, mídia e eventos locais, 28

que desde 2014 resultou num crescimento de 6,1% em market share no Nordeste. “A BRF é uma companhia orientada para o consumidor, assim, realizamos constantemente pesquisas para identificar tendências e oportunidades. Por exemplo, sabemos que os nordestinos tem hábitos culinários particulares e a margarina está diretamente ligada ao preparo de receitas típicas como o cuscuz e a macaxeira, o que torna o produto muito presente no cotidiano das pessoas”, afirma o executivo de marketing da BRF Fabrício Amorim. A presença desse ingrediente no cotidiano desse consumidor

específico é atestado pelo Instituto Nielsen, que mostra a região Nordeste como a maior consumidora de margarinas do Brasil, sendo responsável por 30% do volume de vendas da categoria. “A margarina está presente em 89,6% dos lares, então, nada mais natural que estudar as particularidades dessa região, com foco em características como cor, sabor, cremosidade e composição resistente a altas temperaturas”, revela Fabrício. INCORPORANDO VALORES – Para quem imagina que os esforços da BRF param na elaboração de um produto com características específicas para determinada região, um aviso: depois de lançá-lo, o trabalho continua no desenvolvimento de uma estratégia de comunicação que dialogue com o público. A BRF vem traçando uma estratégia inspiradora através de um tratamento cada vez mais humanizado nas praças onde atua. Com uma cultura ainda muito forte dos carros de som que anunciam itens à venda em mercados e feiras, sem falar nas ações promocionais porta-aporta, a região nordeste serviu de impulso para uma ação desenvolvida entre janeiro e março deste ano, com a promoção de experimentação da margarina Deline. A empresa conduziu uma promoção de trocas de tampas do produto em 30 cidades de Fabrício Amorim, executivo de marketing da BRF


Campanha Deline Segredos

Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas e Sergipe. A iniciativa premiou, com eletrodomésticos e prêmios em dinheiro, os quatro consumidores de cada região que juntaram o maior número de tampas. Divulgada por carros de som, faixas e panfletagem, a promoção mobilizou mais de 13.500 participantes e arrecadou um total de 70.809 tampas – posteriormente destinadas para reciclagem. Dessa forma, a BRF deu um importante passo ao assumir uma postura apoiada em valores que lidam com aspectos emocionais e sociais na relação com o seu consumidor. De uma tacada só, a ação resgatou um hábito antigo do comércio nordestino e ainda promoveu uma ação de conscientização sobre a importância da reciclagem, alinhado ao viés da sustentabilidade, pauta que chegou para ficar no mercado global. PARTICIPANDO DA VIDA DO CONSUMIDOR – Outro exemplo de ação que dialoga com o seu público é o patrocínio da marca às

festas de São João de Caruaru (PE) e de Campina Grande (PB) – eventos tradicionais e que geram enorme vínculo emocional com as pessoas. Para comemorar, a BRF vestiu seus produtos à caráter com embalagens comemorativas à época - que foram verdadeiro sucesso de vendas na região. “Como marca regional, procuramos entender as particularidades e costumes do mercado, para atuar de forma assertiva no relacionamento com nossos consumidores. A proposta de oferecer um item exclusivo para determinada região ou nicho de mercado exige a compreensão das verdadeiras necessidades e anseios do seu público final e ainda o estabelecimento de uma conexão com os seus consumidores”, lembra Fabrício Amorim. Para chegar a este resultado tão antenado com as vibrações de seu público, a BRF conta com a experiência e criatividade da premiada DM9DDB (SP), que na última campanha da Deline, intitulada “Segredos”, mostrou um segredo

culinário passado de sogra para nora. A ideia é justamente chamar a atenção do consumidor a partir da valorização dos laços familiares. “Mas tudo segue com o nosso olhar atento. Nós participamos de tudo, desde o briefing até a aprovação das peças”, enfatiza Fabrício. Desde o início do ano a BRF tem apostado em diversas ações, como campanha publicitária, merchandising em programas regionais, spots em rádio e promoções para promover a marca e conquistar os consumidores nordestinos. Seguindo com uma visão ousada e criativa, a BRF traça uma rota rumo ao sucesso e longevidade, que serve de inspiração para outras marcas. Em tempos de globalização, ouvir e resgatar os valores locais são ferramentas imprescindíveis para quem deseja crescer. 29


OLHAR ACADÊMICO

QUANDO O MOMENTO APROXIMA OS DOIS LADOS DO MESMO MARKETING THIAGO IANATONI | DOUTORANDO EM ADMINISTRAÇÃO PELA UFPE Vez por outra, meus alunos lançam mão de uma máxima há muito conhecida para justificar seu distanciamento da sala de aula: a teoria é uma coisa e a prática é outra bem diferente. Quase sempre, a afirmação visa reforçar a dedicação à prática em detrimento da teoria, definindo uma e outra como oponentes, opostos, escolhendo uma, dispensando a outra. Por definição, a afirmação é verdadeira, teoria e prática não é a mesma coisa, logo, não são mesmo diferentes. Por outro lado, não se tratam de coisas opostas, não competem entre si, ao contrário, de certo modo, a primeira é quem fornece consistência a segunda. A teoria pode ser entendida como uma explicação sobre como, quais ou porque algo acontece. É o resultado de nossa capacidade de concluir a partir de argumentos e provas, da observação e comprovação dos acontecimentos, sejam eles da natureza ou dos homens em sociedade. A prática, por sua vez, é fruto desse conhecimento, tecnologia elaborada a partir da criatividade, da capacidade e necessidade em buscar soluções para resolver problemas e alcançar objetivos. Nesse caso, a teoria não gera prática, pois não se destina a ela, a teoria possibilita acharmos soluções, pois teoria serve as pessoas e estas produzem as práticas. 30

Para ilustrar essa distinção, considere uma situação corriqueira entre as práticas de marketing: diante do objetivo de alcançar metas de vendas mais audaciosas no varejo, ações promocionais baseadas na entrega de brindes aos clientes aparecem como possibilidade profícua. Se hoje, essa solução nos parece óbvia, no passado, alguém diante de situação semelhante, pode ter chegado a essa solução ao reconhecer como as primeiras teorias da sociologia ou da psicologia, buscavam compreender os meandros do comportamento social, os fatores que contribuíam para chamar atenção e motivar a ação de compra e consumo. Alguns estudiosos, dedicados ao resgate da histórica do marketing apresentam o marketing como disciplina da economia. Seus primeiros cursos ofertados nas universidades americanas, no início do século passado, destinavam fornecer subsídios para empreendedores e gestores a levar os produtos até os clientes. Não, segundo consta suas versões, isso não fora tarefa fácil nem nesse momento. Por algumas décadas, encontrar soluções para os desafios de mercado, compreendia se apropriar dos conhecimentos formulados pelas novas ciências sociais que ainda engatinhavam ou avançar sobre estudos próprios. Era comum encontrarmos professores, tanto pesquisadores quanto gerentes,

nas empresas ou consultores. Druker e Kotler são bons exemplos disso. Ambos foram importantes para o desenvolvimento de muito, o que hoje, entendemos como marketing, assim como muito se apropriaram do afastamento entre a teoria e a prática. De lá para cá, as ciências parecem ter transcendido. Assumiram uma posição de verdade, o que se diz em nome da ciência passa a ter um enorme peso, crença, segurança. Por outro lado, o saber científico passar a distanciar da prática e se comunicar apenas por meio dos cursos e publicações que procuram aproximar teoria e prática de modo prático, é claro, fornecendo manuais sobre como fazer. Eis que teoria e prática parecem ter se afastadas uma da outra. Ou só aparentam. Levantamentos apontam que mais de 60% das publicações acadêmicas em marketing no Brasil tomam por objetivo relatar pesquisas sobre o comportamento de compra. Fatores e variáveis que estimulam o consumo, motivam, encantam, agradam, orientam as tomadas de decisão, favorecem as trocas, a percepção de valor. Onde está o problema então? Está no fato de termos teorias tão próximas e acessíveis, que poderiam nos ajudar a pensar em novas práticas ou melhorar as existentes. Temos um grande número de publicações nacionais gratuitas disponíveis, mas ao invés disso, aceitamos acomodados


aprendermos algumas técnicas em cursos divertidos de fim de semana, reproduzimos um exemplo vindo de fora ou mantemos as nossas atividades do jeito como nos habituamos a fazer há algum tempo. Teoria e prática se afastam, por que o mediador entre as duas, nós, nos acomodamos as soluções mais fáceis, enquanto isso, os desafios do mercado ficam cada vez mais difícil. Curiosamente, um aluno essa semana me perguntou sobre algo nesse sentido: se o que fazemos para planejar é uma técnica, analisamos dados, oportunidades, ameaças, estabelecemos estratégias, todo de modo semelhante, como se diferenciar e se destacar diante dos desafios do mercado? A resposta é simples: a técnica para decidir o que fazer é mesma para todos nós, para mim e para o meu concorrente, porém, o olhar que emprego para as mesmas informações é que geram os insights, as diferenças. E esse olhar, não é igual, ele tem a capacidade de ver e criar do tamanho do mundo que você traz na sua bagagem, na capacidade de buscar no conhecimento teórico, uma interpretação diferente e consistente que lhe possibilite, aprimorar, modificar, avançar aquilo que será colocado em prática.

A questão é que desenvolvemos um afastamento da leitura dos artigos, do debate sobre o assunto, sobre a capacidade de reflexão sobre o conhecimento apresentado e o exercício criativo de olhar para os nossos problemas cotidianos de forma diferente, criativa, voltado para o particular, o diferente. Ao invés disso, nos acostumamos as pesquisas rápidas na internet por modelos desenhados (de preferências) com soluções genéricas e universais. Acabamos fazendo coisas parecidas e repetindo as formulas que deram intuitivamente certo, até que ela falhe. E falha. Não nos damos conta normalmente, mas para caso de práticas de sucesso em marketing, temos inúmeras outras de insucesso, não pela falta de qualidade, planejamento ou execução, mas por que não enxergaram o problema adequadamente, como um acontecimento particular, não pensaram em uma solução criativa e localizada, apenas repetiram algo que encontraram meio realizado na rede. Diante de mercados cada vez mais exigentes, fazer a diferença e alcançar os objetivos se mostram desafios contundentes. A solução não está no igual, mas no diferente, na reaproximação entre teoria e prática.

Não para que a primeira seja igual e normatizadora da segunda, mas para alimentar a capacidade de ver do profissional de marketing, para auxiliar, não a fazer o que há de igual, mas o que há de mais adequado para cada situação. Dessa forma, o que costumo responder aos alunos é: sim, teoria e prática são coisas distintas. A teoria não é para a prática, mas sim, para o praticante. Ela nos serve como uma lente, uma lupa, um reforço que nos ajuda a interpretar os nossos desafios de forma particular, respeitando as diferenças existentes. Saber respeitar as distâncias entre elas nos possibilita enxergar as dinâmicas de mercado de forma diferente, buscando não as opções generalizadas, mas aquilo que precisa ser feito. Ou seja, adequando as práticas a cada situação, deixando a vaidade de lado, pois a genialidade de hoje está na capacidade de reconhecermos o quanto precisamos pensar o diferente, atender e superar expectativas, gerar resultados. Assim, acredite, apesar de diferentes, teoria e prática estão próximas, resgatar essa relação entre a academia e o mercado no sentido mais criativo, portanto, não é um mito, mas uma sugestão que defendo aos alunos sempre.

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MUNDO ONLINE | BLOG PLUGCITÁRIOS

OS INSIGHTS PARA EMPREENDER ON E OFFLINE IVELISE BUARQUE Uma ideia que nasceu simplesmente com o propósito de contribuir para quem deseja “ser um publicitário informado”, o Plugcitários tem se configurado mais do que um blog que aborda assuntos sobre publicidade, comunicação, tecnologia e de comportamento relacionado aos interesses de profissionais do mercado. Tornou-se um empreendimento no mundo online que alcançou o off-line. Através de uma amplitude de ações interligadas em um plano estratégico maior do que a ideia original do seu idealizador, Erickson Monteiro, que começou sua carreira na propaganda aos 15 anos, passando por diversas agências. “Eu sempre acompanhei muitos blogs de publicidade, porém, os blogs de publicidade se prendem muito ao mercado publicitário. Minha ideia era criar um blog de publicidade que, além da publicidade, apresentasse conteúdos que envolvam arte, cultura, tecnologia, cinema, games, música, fotografia e outras áreas da comunicação”, destaca o jovem publicitário. Criado como um mero blog, que alcançou o status de um dos maiores canais de conteúdo publicitário do Brasil, o Plugcitários teve início ainda em seu primeiro ano de graduação em publicidade e propaganda pela FBV/Devry Brasil, e hoje se tornou referência na área de comunicação, com a divulgação de conteúdos variados, e uma visibilidade invejável. O espaço tem uma média de 500 mil views por mês, 332 mil fãs em sua fanpage no Facebook e mais 32

de 32 mil seguidores em suas outras redes sociais (23 mil no Instagram, 7.500 no Twitter e dois mil no Youtube). “Meu primeiro contato profissional com a internet foi em meados de 2008, quando tinha meus 15 anos. Era metido a popular no Twitter, e resolvi criar um blog voltado ao universo teen, chamado Plugados Web. O blog fez um pouco de sucesso enquanto durou, mas o momento passou, e minha cabeça percebeu que não era aquilo que eu gostaria de falar. Mas, em março de 2011, fundei o Plugcitários, no meu primeiro semestre da faculdade de publicidade. Tinha 17 anos”, lembra. O desejo de estabelecer uma comunicação pessoal e direta com a área deu o norte ao Plugcitários que trata de diversas questões que envolvem, por exemplo, histórias reais retratadas em campanhas de mobilização ao meio ambiente; ações que levam pessoas a se colocarem no lugar de moradores de rua num frio; e

a discussão sobre o desafio de um processo criativo e de planejamento na adaptação de uma comunicação a um público, de acordo com seus hábitos de consumo e sobrevivência. “O Plugcitários tem um conceito de ser um blog para publicitários e não de publicidade. O conteúdo tem o objetivo de envolver o que um publicitário precisa para fortificar as suas referências para facilitar na criação de novos insights. Se quase todos os publicitários amam música, fotografia e cinema. Porque não envolver esses temas com conteúdo publicitário?”, enfatiza. Para este precoce e experiente profissional, o meio online traz um mar de insights e de alternativas, criando inclusive novas possibilidades de empreendedorismo, em especial para aqueles visionários que sabem identificar oportunidades. Isto porque estamos falando, afinal, de um universo que oferece comodidades e variedades, e o mais importante, longe dos preconceitos existente no mercado de trabalho aos mais jovens. “O mundo online nos deixa livre para criar o que quiser e quando quiser, é muito difícil mensurar concorrência na internet. As pessoas conseguem acessar quantos blogs ela quiser, e muitas vezes em abas abertas no mesmo momento. Essa é uma das facilidades de trabalhar com o online, e com a evolução da tecnologia. Você consegue gerar conteúdo para as


pessoas seja em que momento ela esteja, basta acessar pelo mobile, o Facebook ou Instagram do Plugcitários. Ter a chance de ter seu conteúdo lido, está cada vez mais fácil, porém, cada vez mais se produz conteúdo, dificultando espaço para os mais novos, por isso ter um diferencial está cada vez mais exigente”, ressalta. Naturalmente, todo processo para gerar buzz e alcançar os resultados que se pretende parte de uma mesma premissa, segundo o especialista, seja no trabalho publicitário seja no de mídias sociais, que implica em planejamento. Ele é essencial, pois representa a base de todo o trabalho, até mesmo no ramo do empreendedorismo, uma vez que consiste em conhecer o cliente, definir a hipótese para descobrir o problema, fazer a pesquisa de mercado para saber o foco e o insight. E a partir daí determina-se todas as etapas de criação de um projeto e negócio, como tudo será executado, quais as ferramentas que serão usadas, e qual a importância que elas terão em cada degrau. “Escolhi trabalhar com blog, pois há quatro anos era a ferramenta mais completa e que tinha maior audiência no Brasil. Se fosse hoje

em dia, eu não faria um blog e sim um vlog. Se fosse dois anos atrás, eu não faria um blog e uma fanpage. Acho que cada ferramenta tem sua época, não que o blog morreu. Alguns mais estabelecidos sobrevivem até hoje. Mas emplacar em um novo projeto de blog, não é uma missão tão mais fácil como era antes. As pessoas acessam conteúdo pelo mobile, não gostam mais de ler tanto, e preferem acompanhar notícia pelo Facebook”, comenta o especialista. Com isso, vemos que há um mar de possibilidades e uma nova visão de mercado de trabalho em que todos podem empreender com ideias diferenciadas, aproveitando cada vez mais as facilidades à mão, inclusive, em atração de público, seguidores e

consumidores. E este cenário de opções vem sendo compartilhado em vários projetos agregados ao Plugcitários, além de diversos eventos de comunicação e palestras país afora. Entre essas propostas que ele agregou com o tempo à ideia inicial estão o Plugcitários School (programa de cursos de extensão para ampliação de conhecimento), o BlogDay (projeto de interação e de imersão para networking e conteúdo com blogueiros, que ficam hospedados num hostel por dois dias) e Plugcitários No Ar (evento que oferece aos estudantes e profissionais na área uma ambiente de debate e questionamento de forma dinâmica e bem humorada sobre diversos temas com profissionais renomados do mercado publicitário), que já passou por 11 capitais do Brasil. Tudo isso é fruto de uma incansável vontade de encontrar o casamento perfeito da carreira ideal com os anseios pessoais que, realmente, surgiu muito cedo e transformou a visão deste profissional sobre o nosso mercado. “A carreira de um publicitário não tem regra, eu não preciso começar como estagiário, me torar assistente, depois gerente, passar anos e me tornar diretor e, por fim, ser sócio da agência. Posso começar como sócio da minha própria empresa, posso largar a empresa e voltar a ser estagiário. É um mercado de grandes possibilidades e que gira muito rápido, é preciso se dedicar bastante para manter o que você que é 'sucesso', caso você tenha chegado lá, e caso ainda não chegou, precisa conquista-lo pelo caminho que você acha mais necessário. A única coisa que aconselho, é ter noção sobre qual é o seu objetivo final, facilita bastante para dar alguns passos”, enfatiza.

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DESTAQUE | ALFREDO GALAMBA

UM LABORÁRIO DE APRENDIZAGEM EM ECONOMIA CRIATIVA IVELISE BUARQUE Publicitário, designer e gráfico é assim que se define Alfredo Galamba idealizador e comandante da ExpoLAB - Escola de Economia Criativa, em pleno Polo Digital, no Bairro do Recife, em Pernambuco. Com duas décadas de atuação na comunicação, este especialista aproveitou o seu know-how em tantas áreas para enveredar das salas de criação e produção para outro importante lado do mercado, que é a formação profissional. Tudo pelo sonho de empreender e capitanear o seu próprio barco, seguindo seus próprios princípios de desenvolvimento nos setores que domina e que acredita necessitarem de novos olhares. “Não é fácil empreender porque você começa do zero. Eu costumo fazer uma analogia com um pé de manga. Você tem que plantar e escolher a melhor semente, ou seja, o melhor produto. Ainda tem que perceber o melhor local em que você vai se instalar, fisicamente, e o húmus. Você tem que aguar constantemente e avaliar as ameaças externas, as ervas daninhas, que são as concorrências. E esperar para ter a melhor manga, o que só acontece com dois ou três anos. E hoje eu já estou colhendo os frutos”, diz orgulhoso pelo trabalho que vem desenvolvendo em gestão de cursos há dois anos com a sua Expolab. Lecionando desde 2006, segue uma trajetória no universo da educação profissionalizante que já 34

chega aproximadamente há uma década com a preocupação na qualificação em diversos setores na região. “Minha cozinha veio de gráfica, e foi por aí que comecei na computação gráfica. São vinte e um anos de mercado em publicidade, gráfica e design e os últimos quase nove anos trabalhando diretamente com gestão de cursos de extensão. Em 2007 a 2013, eu trabalhei no CTG (Centro de Treinamento da Escola Dom Bosco), onde tive momentos maravilhosos, com seis anos de laboratório. E ao sair de lá, analisando erros e acertos, ajustei a proposta e abri a Expolab com o meu sócio Rogério Robalinho (empreendedor e diretor da pernambucana Cia de Eventos)”, relembra. Atuar durante esses seis anos no núcleo da escola foi uma conquista com muito orgulho por te contribuído para a constituição de um pool de cursos de comunicação dentro da grade técnica da entidade que abraçou por tanto tempo. E hoje à frente da Expolab, o seu compromisso permanece com afinco, afinal, tem como missão fazer a diferença através do repasse de expertise de mercado e conhecimento técnico, seja através dos cursos oferecidos ou das consultorias realizadas em sua Escola de Economia Criativa. “Para mim, a Expolab é um filho e eu trato com o maior cuidado e isso ocupa muito tempo, mas de uma forma proativa. É

o que me dá brilho nos olhos. Então, o contato com o mercado hoje é através de consultorias, o que provoca até uma ótima reciclagem”, diz Galamba, ou Feféu, para os amigos. Por isso, todos os cursos são voltados especificamente para o mercado, agregando-se à sua preocupação de qualificação e formação profissional de um público pulverizado em todo Grande Recife, em algumas praças do agreste e até fora do Estado. E, desta forma, já vem fazendo articulações para realização de projetos relacionados dentro de um plano de expansão que já está tocando neste 2015. “Temos planos de ações pontuais em outras cidades como Caruaru, João Pessoa e começamos a gravar o nosso Ensino à Distância. Mas, até o final do ano, estaremos lançando junto com outras instituições de ensino superior cinco especializações, uma vez que somos uma escola de ensino de extensão, que terão a chancela Expolab”, adianta. Essa sacada envolve conhecimento em universos que estão crescendo cada vez mais no cenário pernambucano e nordestino com ênfase especificamente em marketing digital, gestão em economia criativa - cultura e inovação, sound design, gestão em artes gráficas e animação | 3D. E isso casa inclusive com a demanda e com a própria marca Expolab de estar sempre


atenta ao que o mercado quer, e com a preocupação de manter uma relação respeitosa com os docentes, que parceiros, e ter em sua grade de professores que são também profissionais atuantes. É com esta visão que vem afinando relações preciosas no próprio polo em que reside e nas áreas em que atua através da Escola de Economia Criativa, acreditando que o desenvolvimento é constante e progressivo. “Temos players maravilhosos aqui no Nordeste e em Pernambuco que reforçam cada vez mais o nosso potencial no cenário nacional e global. Temos pessoas e gestores que estão trabalhando aqui e que poderiam estar em outros polos mundiais, como o Vale do Silício. Mas estão aqui por acreditarem que muito ainda está para se desenvolver em virtude de muitos esforços de várias partes. Apesar disso tudo, temos que ter uma maior conexão da tríplice aliança que se chama academia, mercado privado e governança pública. Ela já existe, naturalmente. Mas vemos que, aonde há um fomento maior e constância desta tríplice aliança no mundo, esta coisa flui cada vez mais. E isso é importante no quadro geral, afinal, estamos falando de um cenário como o do Porto Digital, que apenas em 2012 faturou R$ 1 bilhão, não enquanto associação ou condomínio, mas as empresas que estão embarcadas neste cluster. Este é um número muito representativo. Então, cada vez mais empresas que se alinham e que entram em nossa corda de caranguejo (fazendo uma alusão ao nosso querido Chico Science), tendem a se fomentar”, enfatiza. AMPLIANDO HORIZONTES Essa fomentação já acontece em certa escala até mesmo porque Recife está também no centro da Economia Criativa e tem rendido cifras

expressivas, assim como uma nova realidade na área da criação e inovação. Uma realidade que também tem beneficiado o mercado de comunicação, e mais especificamente o de publicidade que tem tentado aproveitar a crise do país com ideias inovadoras e com uma movimentação diferenciada, para superar os desafios do momento. “Já virou clichê dizer que a crise é um momento de oportunidade, que é uma grande verdade. E, por conta disso, estamos passando por um momento de ressignificação. E o profissional de publicidade e de design, assim como qualquer outro, precisa passar por alguma ou algumas capacitações para aprender a inovar neste momento, a pensar fora da caixa. O que você pode fazer, e que você faz muito bem mas continuando a ter amplitude e aumento de público? Esta é uma preocupação, por exemplo, que nós enquanto Expolab temos para vivenciar este momento como uma circunstância de aprendizagem e de oportunidade”, diz.

Podemos dizer então que empreender e inovar estão assim muito interligados, e naturalmente o conhecimento empírico é importante, mas o científico e o técnico que desenvolvemos através dos investimentos preparatórios se tornaram um divisor de águas. E neste sentido, na opinião de Galamba, nesta época, não basta mais ter um diploma ou boas ideias no processo de carreira. É preciso estar antes de tudo preparado para desenvolver um bom trabalho, para inovar e empreender em um cenário tão competitivo. “Minha mãe dizia que, na década de 70, para ser uma ótima secretária, uma datilógrafa, tinha que ter o curso de datilografia. E, na década seguinte, com uma demanda maior de empresas, surgiu um foco maior em especializações. Com isso, houve uma entrada maior no que diz respeito ao ensino superior. Hoje, quem não o tem, realmente é alguém que está aquém do mercado. As especializações são hoje cada vez mais necessárias, assim como são também 35


DESTAQUE | ALFREDO GALAMBA

os cursos de extensão”, comenta Alfredo pela sua experiência e pelo que tem acompanhado. Diante disso, temos um cenário totalmente novo em comparação há 20 e 10 anos atrás, em que tudo é possível para a formação de um profissional, com algumas exceções para determinadas áreas em que são necessários alguns prérequisitos, como no caso de game design. E acompanhamos uma nova geração com disposição e conhecimentos até autodidatas para poder explorar estas possibilidades da melhor forma possível, de acordo com este especialista que transformou a licenciatura em uma vocação pessoal. “Essa nova tecnologia que tem chegado onde tudo está em lugares cada vez menores, favorece um mundo novo, especialmente para esta geração, como no caso dos smartphones que hoje deixaram de ser celular. Então, com isso, se liga menos, contudo, se fala mais, através de videoconferências, aplicativos de voz, por exemplo. Contudo, temos uma geração em que encontramos áreas nas quais não se faz entregas, como em alguns casos relacionados à Economia Criativa. Elas envolvem profissionais que são autodidatas e impulsionados pelo tesão no que fazem, mas que ainda tem muito a crescer em termos de maturidade 36

profissional. Ele é um profissional do mercado, mas não pode ser tutelado. E isto porque, em certa medida, falta um planejamento para finalizar dentro de um deadline específico que atenda a demanda solicitada. Tem que planejar, iniciar, dar continuidade e terminar um processo”, em sua opinião. Acompanhando de perto este público, seja por conta das próprias atividades da Expolab (que concentra em sua maioria estudantes universitários) ou nas relações com o próprio mercado, ele vem notando dificuldades na criação de um plano de trabalho completo (com diagnóstico, desenvolvimento, execução e execução do projeto). Contudo, percebe que há para alguns certos desprendimentos nesse aspecto, mesmo aqueles que ainda precisam ser tutelados por serem ainda jovens demais ou por irem atrás de canhões na cena empresarial e profissional, em virtude do autodidatismo. “Não estou generalizando. Mas, a meu ver, falta um pouco de plano de trabalho. É preciso ter um planejamento, um fluxo de trabalho, e entender que o meu cliente ou o meu fornecedor terá problemas, se não for entregue. Isso tem implicações, inclusive, judiciais para mim. Então, tem que se trazer muito disso para esse público. Eu tenho notado que, com o público da

economia criativa, existe o compromisso de fazer, mas fica-se analisando e desenvolvendo tanto o projeto, lambendo a cria, que acaba não se fazendo a entrega do que foi negociado. E isso é um gargalo dessa geração”, acredita. Foram traçados tantos perfis dessa nova geração profissional que está configurando o mercado, e dentro deste cenário, muita coisa está evoluindo, especialmente no que diz respeito a consumo e consumo online. Afinal, eles nasceram e cresceram dentro da bolha digital e estão mais envolvidos com a economia online e, por isso, a comunicação e a educação têm que se adequar a este público. “Temos que lembrar que a educação sempre esteve em transição. Existem modelos estagnados porque os governos estagnam. Mas, sempre existiu transição na educação. Ela nunca foi estanque. Sempre foi e será experimentação. Isso é o que eu acredito. E hoje através de coisas que observo, em vários ambientes, além deste da Expolab, está se trabalhando e se ensinando muito em cima de cases, sejam de sucesso ou de insucesso, na qual se ensina a conceitualização por meio da aplicabilidade. É assim que tem sido para quem está a um passo a frente ou detém um modus operante de sucesso”, pelo que vem observando. Acreditando que educação não pode ser imposta e que tem gerar encantamento, Alfredo Galamba tem deixado sua própria marca para uma nova geração, através dos seus projetos e da Expolab. Um projeto pessoal que chegará até 2016 com novos cursos de extensão, propostas de formação para profissionais e parcerias de peso que prometem agregar o plano de ampliar a visão do ensino profissional para outro patamar na região.


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A DAMA E O MAR CÂMERA: Nikon D5200 LENTE: AF-S DX Nikkor 18-300mm EXPOSIÇÃO: 1/250 sec, f/8 ISO: 200 FOCUS: 1.6m

Sou natural de Olinda, mas casado com uma carioca. Vez por outra vamos visitar nossos sogros e reencontrar bons amigos. Nessa última visita levamos as câmeras e duas amigas para passear pela ilha de Paquetá que já conhecida por suas belezas e encantos. Muitas chácaras permaneceram preservadas, assim como o casario de diversos estilos que testemunham a ocupação da ilha desde o período colonial. Já no Brasil-Colônia, os atrativos naturais de Paquetá transformaram a ilha em refúgio de tranquilidade para nobres famílias. Dom João VI visitava Paquetá com regularidade, hospedando-se naquele, que é hoje o Solar D'El Rei. A Ilha de Paquetá é um bairro do Rio de Janeiro transformado em Área de Preservação do Ambiente Cultural - Apac. Um bairro diferente para se passear com a família e com os amigos. Um bairro sem violência, onde moradores e visitantes se deslocam em charretes, “trenzinho”, barcos, bicicletas ou bucólicas caminhadas. As ruas são de saibro, com muito orgulho. Os pássaros e as cigarras fazem o contraponto. As frutas são doces e a comunidade é feliz e amiga. Nesse dia fizemos tiramos muitas fotos nos lugares tradicionais, encontramos a maré baixa na Praia do Lameirão que deixou esse barco meio encalhado. Não perdemos tempo e começamos a fotografar as modelos. Creio que fui feliz na composição.

EM BUSCA DO MELHOR ARROZ E FEIJÃO DO BRASIL A Camil acredita na importância, não só nutricional do arroz com feijão, mas também no forte valor afetivo desses dois alimentos. E para valorizar a diversidade e versatilidade desse prato, a marca promove até 20/12 a promoção intitulada Camil: em busca do melhor arroz com feijão do Brasil, que irá escolher por meio de votação popular e premiar o autor do melhor prato com R$ 100 mil. “O arroz com feijão é uma das maiores expressões da brasilidade. Na sua simplicidade, se escondem vários segredos de família e aquele tempero especial, que fica marcado na memória. A marca entende que vivemos atualmente um momento de resgate. O brasileiro está voltando a cozinhar em casa. Por isso, acreditamos que é a hora de valorizar o arroz com feijão, prato que une sabor e nutrição de maneira tão perfeita para nós”, explica Christina Larroudé, gerente de marketing da Camil. Para encontrar o melhor arroz com feijão do País a Camil quer conhecer mais de seus consumidores e, por isso, criou mecânica especial. Os participantes devem se cadastrar no hotsite da promoção e compartilhar sua receita especial, além de contar o que faz de seu arroz com feijão o melhor do Brasil. O vencedor será divulgado no dia 20 de dezembro, no programa Hora do Faro, da TV Record e receberá R$ 100 mil. Responsável pela concepção e execução dessa ação, a Bullet, foi agência escolhida pela empresa para viabilizar o projeto. O ator Mateus Solano irá estrelar a campanha da marca e provar os pratos dos finalistas. A região Nordeste recebe atenção especial com forte plano em TV aberta nas principais praças: Aracajú, Ceará, Maceió, Natal, Salvador e São Luís. 37


NA ESTANTE

TUDO SOBRE CINEMA, de Cristopher Frayling e Philip Kemp, Editora Sextante, 576 páginas. Para os apaixonados por cinema que desejam aprender sobre a sétima arte, este livro não pode faltar na sua estante. Com mais de 1.100 ilustrações e as imagens das cenas inesquecíveis dos principais filmes da história. Além de ser organizado e escrito por experientes críticos. A obra também destaca os principais acontecimentos, ajudando a compreender questões socioculturais e mostrando como os longas de grande sucesso foram produzidas. Sem dúvida proporciona uma dimensão em torno do glamour e dos fracassos das celebridades. Mas, acima de tudo uma viagem pelas maravilhas que o cinema representa, desde o seu início no ano de 1895, em Paris, até os dias atuais.

CULTURA DA CONVERGÊNCIA, de Henry Jenkins, Editora Aleph, 2ª edição, 432 páginas. O livro aborda questões referentes a diversas formas no qual podemos nos comunicar. Seja através de sistemas midiáticos ou administrativos. O autor propõe um conceito claro e objetivo para definir as transformações tecnológicas, mercadológicas, culturais e sociais. Em uma sociedade cada vez mais digital, em que as pessoas têm comportamento migratório entender esse cenário é fundamental. Dedicado a profissionais e estudantes de comunicação, com uma linguagem simples, a obra também destaca o uso dos celulares, no qual o público utiliza em diversas formas: produzindo conteúdos por meio de vídeos, fotos e áudios. Faz um mapeamento em torno dos longas Matrix e Harry Potter mostrando como esses filmes levou a novas narrativas. Bem atual nos dias de hoje o livro é perfeito para compreender a lógica em que vivemos.

GERAÇÃO DE VALOR, de Flávio Augusto da Silva, Editora Sextante, 208 páginas. Você tem se sentido preso, podado e insatisfeito com sua vida profissional? Saiba que isso é reflexo direto da sua formação pessoal, e que a culpada por tudo isso é a zona de conforto. Desde os nossos primeiros passos, somos ensinados a agir de acordo com o senso comum, estimulados a buscar segurança em vez de liberdade. Por conta disso, muitos de nós apenas segue o fluxo, em vez de liderar marés de inovação e progresso. Nessa obra, Flávio Augusto da Silva, criador da bem sucedida franquia de idiomas WiseUp, traz uma seleção dos textos mais afiados e das charges mais provocadoras do seu blog Geração de Valor. Uma bela oportunidade de enxergar o mundo de outra forma.

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Revista pronews185  
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