a product message image
{' '} {' '}
Limited time offer
SAVE % on your upgrade

Page 1

1 


2 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


3 


expediente SOGES 50 ANOS:

o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo (Soges) Rua Francisco Rubim, 395, Bento Ferreira, Vitória/ES, CEP: 29.050-680 • 27 3324.0177 soges.soges@gmail.com

Produção editorial: Realiza Editora Editora responsável: Ariani Caetano Coordenação: Renato Carvalho Fischer Projeto gráfico e editoração: Link Editoração Impressão: Gráfica & Editora GSA

Ficha catalográfica Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) S682s

Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo. SOGES 50 anos: o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo

Vitória, ES : Link Editoração, 2019. 128 p. ; 26 cm. 1. Gastroenterologia – Brasil. 2. Gastroenterologia – Espírito Santo (Estado) – História. I. Título. CDD – 616.330981

Bibliotecária Amanda Luiza de Souza Mattioli Aquino – CRB5 1956


DIRETORIA ATUAL (2019-2020) Presidente: Renato Carvalho Fischer Vice-presidente: Patrícia Lofego Gonçalves Secretária-geral: Izabelle Venturini Signorelli Tesoureira: Ana Tereza Ramos Parpaiola de Mendonça Diretora científica: Luciana Lofego Gonçalves Comissão científica: Thaisa de Moraes Ribeiro, Felipe Bertolo Ferreira, Roseane Valéria Bicalho Ferreira de Assis e Lorena Sagrilo Auer Conselho fiscal efetivo: Carolina Gusmão Trabach, Ana Paula Hammer Souza Clara e José de Anchieta Brandão Junior Conselho fiscal suplente: Elizabeth Passos Simões da Silva, Felipe Bertolo Ferreira e Lorena Sagrilo Auer Comissão de admissão: José Joaquim de Almeida Figueiredo, Fabiano Quarto Martins e Luiz Sérgio Emery Ferreira Representante Jovem Gastro: Malu Favarato Representante Norte: Luiz Felipe Duarte da Silva Representante Sul: Gedião César Seraphim


PRIMEIRA DIRETORIA (1968) Presidente: Cassiano Antônio Moraes Vice-presidente: José Carlos Silva Secretário: Rogério Jahel Nascif Tesoureiro: Josenildo Zanandréa Diretor científico: Carlos Sandoval Gonçalves Comissão de admissão: Edson Soares Ribeiro, Lindolfo Gadelha e Evanilo Silva

DIRETORIA DO JUBILEU DE OURO (2017-2018) Presidente: Roseane Valeria Bicalho Ferreira Assis Vice-presidente: Izabelle Venturini Signorelli Secretária-geral: Juliana Fracalossi Schramm Tesoureira: Ana Tereza Ramos Parpaiola de Mendonça Diretora científica: Luciana Lofego Gonçalves Representante Norte: Antonio Zanotelli Representante Sul: Alzimara Hemerly de Almeida Freitas Comissão de admissão: Fabiano Quarto Martins, Maria da Penha Zago Gomes e Ana Carolina de Mattos Pimentel Oliveira Conselho fiscal efetivo: Wilson Haig Santos, José Carlos Borges de Rezende e José Joaquim de Almeida Figueiredo Conselho fiscal suplente: Carla Regina Santana Morelato Bonadiman, Caroline Gusmão Trabach e Maria Roseneli Scarton D’este

Sócios fundadores Benito Zanandréa Carlos Sandoval Gonçalves Cassiano Antonio Moraes Edson Souza Ribeiro Evanilo Silva Jader Bispo Cruz João Luis Aquino Carneiro Josiel Araujo Silva Laurentino Biccas Jr. Rogério Nascif Vitor Buaiz Wilson Mário Zanotti

Sócios eméritos Benito Zanandréa Carlos Sandoval Gonçalves Fausto Edmundo Lima Pereira

Homenageados no Jubileu de Ouro Benito Zanandréa (in memorian) Carlos Sandoval Gonçalves Cassiano Antonio Moraes (in memorian) Edson de Souza Ribeiro (in memorian) Evanilo Silva Fausto Edmundo Lima Pereira Floriano Schwanz Jader Bispo Cruz José Carlos Silva José Carlos Soares Silva Josenildo Zanandréa Josiel Araújo Silva Laurentino Bicas Jr. Luiz Sérgio Emery Ferreira Noé Silva Santos Rogério Américo Nonato de Souza Rogério Jahel Nascif (in memorian) Vitor Buaiz Wilson Mário Zanotti


sumario 08 09 10 12

Prefácio

22

Capítulo 02

54

Capítulo 03

86

Capítulo 04

100

Capítulo 05

108 126 127

Capítulo 06

Apresentação De volta lá Capítulo 01 1968 em fatos e fotos

Soges: uma sociedade de especialistas

Amigos da Soges

As faculdades de Medicina e os serviços de Gastroenterologia do Espírito Santo

A Gastroenterologia, suas evoluções e desafios

Fatos marcantes e diretorias da Soges

Estrevistados Referências


prefacio Contar a história da Gastroenterologia do Espirito Santo nos últimos 50 anos, confrontada pela evolução da especialidade no Brasil e no mundo e com a Medicina em geral. Levar para as próximas gerações médicas e do público em geral o que fizeram os profissionais que se dedicaram e empreenderam para que este importante braço do conhecimento científico pudesse sair do que era e se transformasse no que é. Contar a história da Sociedade de Gastroenterologia do Espirito Santo (Soges). Essas foram as nossas inquietações já nas vésperas de a Soges completar sua primeira metade de século de vida. Tínhamos pouco tempo, e a primeira medida seria pensar na maquete daquilo que imaginamos fazer, ou seja, o que contar, como abordar, o projeto gráfico e os requisitos financeiros. Ideia na cabeça, dois passos foram dados num primeiro momento: contratação de uma empresa jornalística e sair atrás de patrocinadores. Pensávamos que seria fácil, mas todos os prováveis parceiros financistas se negaram a colaborar, e tivemos que ir bancando o empreendimento com recursos próprios. A primeira empresa jornalística demorou três meses e não apresentou um projeto. Tivemos que recorrer a outra, já faltando poucos meses da data de aniversário. E os percalços se seguiram, não sendo possível lançar a obra na data prevista. Em meio aos trabalhos, resolvemos prestar uma homenagem a alguns dos colegas de outros estados e países que comumente eram chamados e prontamente se dispunham a vir ao Espírito Santo trazer seus conhecimentos e experiências. Este trabalho foi pessoalmente produzido a fim de não onerar ainda mais o projeto. Pedimos desculpas aos brilhantes mestres que não foram citados em função do pouco espaço de tempo e de páginas para comportar todos os que estão nos nossos corações. Após um ano de trabalho, temos a grande satisfação de concluir a missão autoimposta e que teve, desde o início, o entusiasmo dos colegas gastroenterologistas capixabas e brasileiros, nos animando a trabalhar. Devemos dizer que cada minuto e cada centavo gastos nos reverteram em muito prazer. Foram horas de gravações, algumas acompanhadas pessoalmente, dando-nos a oportunidade de conhecer melhor os mestres que aprendemos a admirar e de conhecer melhor as histórias pessoais de amigos e mestres de outros estados a quem dedicávamos reverência apenas por seu conhecimento científico. Queremos externar nossos agradecimentos aos membros das diretorias da Soges e da Sobed/ES, que, além do incentivo, ajudaram financeiramente para que o projeto fosse levado a cabo. Está aí a ”Soges 50 anos”. E neste ano iniciamos, como presidente desta sociedade, a contagem regressiva da história dos seus próximos 50 anos. Com muito prazer. Renato Carvalho Fischer

8 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


Aapresentacao Com muita honra aceitei a incumbência de apresentar “Soges 50 anos: o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo”, texto idealizado por Renato Fischer e muito bem estruturado pela jornalista Ariani Caetano, responsável pela pesquisa documental e por meio de entrevistas. O primeiro capítulo, com fotos sugestivas e comentadas, mostra o que era o mundo, o Brasil e o Espírito Santo em 1968, ano da fundação da Soges. No capítulo dois é feito o relato da fundação da Sociedade de Gastrenterologia e Nutrição do Espírito Santo, futura Sociedade de Gastrenterologia do Espírito Santo, do estabelecimento de seu estatuto e se descrevem os principais eventos científicos realizados nos 50 anos de sua existência. No item “Quem fez e faz a Soges” são feitos relatos de pequenos trechos das entrevistas realizadas com vários membros da sociedade, incluindo os que participaram da fundação e jovens participantes ativos nos últimos anos. O terceiro capítulo é muito interessante, pois, sob o título de “Amigos da Soges”, apresenta destacadas figuras da Gastrenterologia brasileira e internacional que colaboraram com a Soges não só participando de suas atividades científicas, mas também recebendo estagiários e residentes em seus serviços, facilitando o treinamento de vários especialistas capixabas. Um resumo da biografia de cada um e comentários de ex-estagiários comprovam porque foram considerados amigos da Soges. No capítulo quatro se faz referência à relação da Gastrenterologia capixaba com as faculdades de Medicina existentes no estado, ressaltando a presença de serviços de Gastrenterologia nos hospitais que servem de campos de estágio para os estudantes de Medicina. O quinto capítulo apresenta uma resenha sobre a evolução da Gastrenterologia nos últimos 50 anos, ressaltando as principais descobertas da área que tiveram impacto importante na especialidade. O último capítulo traz a relação das diretorias da Soges nos seus primeiros 50 anos de existência, resumindo os principais eventos científicos realizados. É um texto histórico, bem estruturado, que representa uma importante contribuição à história da Medicina no Espírito Santo. Fausto Edmundo Lima Pereira Sócio honorário da Soges

9 


de volta la Médicos, imaginem-se em seus consultórios, escrevendo de próprio punho todos os prontuários de seus pacientes. Da mesma forma, prescrevendo seu receituário com aquelas caligrafias muitas vezes enigmáticas. Ou nas enfermarias fazendo, da mesma maneira, os prontuários e as prescrições; contando, para sua investigação diagnóstica, apenas com parcos recursos laboratoriais e um mísero aparelho de raio-x. De resto, o laboratório de patologia, ainda sem recursos capazes de visualizar todos os detalhes de suas lâminas. Imaginem a comunicação com hospitais nos casos de sobreaviso, tendo à disposição um aparelho chamado BIP. Alguém, querendo te falar, ligava para uma central do BIP, deixava um recado e esta disparava um sinal sonoro que apitava num aparelho a tiracolo que chegava a seus ouvidos em forma de biiip-biiip-biiip – por isso se chamava BIP. Então, ligava-se para a central e recolhia o recado que ali chegara. Imaginem-se diante de um doente com hepatite ou um cirrótico, com diagnóstico que excluía outras causas, inclusive o vírus C. E você informando ao paciente que ele estava contaminado por um vírus que se chamava Não A, Não B e que não havia tratamento nem para o A, nem para o B. O doente iria evoluir inexoravelmente para a cirrose e morrer por complicações da hipertensão portal ou por um câncer e quase nada se poderia fazer para interromper essa evolução. E, nesses casos, ainda dar graças a Baruck Blumberg, com seu paciente australiano, por ter recém-descoberto o marcador do vírus B. Pensem que se seu paciente precisasse de uma infusão sanguínea, o teria que receber sem que se soubesse das infecções que poderia contrair. Imaginem ter que utilizar um raio-x contrastado para diagnosticar uma úlcera péptica, e  dizer a seu paciente que uma vez com aquela úlcera, ele sempre seria “ulceroso”, mas que havia uma solução: submeter-se a uma

10 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


cirurgia para a retirada de parte do estômago ou todo ele, ou, quando muito, a uma cirurgia seletiva ou super seletiva para seccionar os ramos nervosos do estômago. Imaginem ter que dizer a uma moça de seus 20 anos que ela teria que se submeter a uma cirurgia para a retirada de sua vesícula cheia de cálculos e que, para tal, teria que ser feita em seu abdome uma incisão que se estenderia do apêndice xifoide ao flanco. E que o resultado estético não deveria ser levado em conta porque o tratamento era necessário. E se gabar por fazer toda aquela sequela, porque, afinal, “grandes cirurgiões, grandes incisões”. Pensem no preparo de uma aula com audiovisual. O preparo dos “slides” com negativos de fotos emoldurados, cuidadosamente acomodados em estojos de um projetor que durante a aula era operado por um aluno e que com frequência pulava fotos ou engastalhava, e você era obrigado a interromper a aula para ir consertá-lo. Imaginem as UTIs sem profissionais especificamente treinados para suas funções, a maioria das vezes operadas por recém-formados que, por falta de opção, aceitavam os plantões estafantes. Uma UTI com poucos exames laboratoriais, sem tomógrafo, sem ressonância magnética, sem endoscopia digestiva, sem equipamentos adequados de cardioversão e que, em boa parte, não contava sequer com um monitor cardíaco. Pensem. Imaginem viver sem internet, sem telefone celular e ver televisão em preto e branco. Bem-vindos a 1968! Fico numa expectativa muito grande no que dirão nossos colegas de 2068. Renato Carvalho Fischer

11 


12 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


13 


1. 1968 em fatos e fotos Múltiplo, ambíguo, potente. O ano de 1968 foi o ponto de partida para uma série de transformações nos campos político, cultural e comportamental. Os acontecimentos daquele ano marcaram gerações e países e ainda hoje têm influência sobre o que é o mundo e o que nos tornamos. Para onde se olhava, jogava-se luz, e a efervescência daquela época ainda é viva. O que quer que tenha ocorrido naquele 1968 certamente definiu muito do que foram os próximos anos. Combate, liberdade, revolta, transformações. O ano de fundação da Soges foi um caleidoscópio de emoções e vivências.

O presidente Costa e Silva decreta o Ato Institucional número 5 (AI-5), dando início ao período mais fechado e violento da ditadura militar no Brasil.

A Apollo 8, primeira nave tripulada, é colocada em órbita lunar pouco depois do lançamento da Apollo 7, cuja missão foi a primeira televisionada.

14 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


Martin Luther King, lĂ­der negro e Nobel da Paz, ĂŠ assassinado a tiros aos 39 anos de idade por um segregacionista do sul dos Estados Unidos.

15 


O filme “2001: uma odisseia no espaço” é lançado nos cinemas de todo o mundo.

16 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


É lançado o disco “Tropicália ou Panis et Circensis”, um manifesto da Tropicália e considerado o segundo melhor álbum da música brasileira.

Em Paris, a Revolução de Maio de 68 é iniciada por estudantes.

17 


Ocorre o primeiro transplante de coração do Brasil, realizado pelo médico Euryclides de Jesus Zerbini. Também é realizado o primeiro transplante do tipo da Europa, em Paris.

No Rio de Janeiro, a Passeata dos 100 mil toma as ruas do centro contra a violência do governo.

18 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


Os bioquímicos americanos Robert Holley e Marshall Warren Nirenberg (foto) e o biologista molecular indiano Har Gobind são agraciados com o Nobel de Medicina por decifrarem quimicamente o código genético e explicarem a informação genética armazenada no ácido desoxirribonucleico (ADN).

Na então Tchecoslováquia, atual República Tcheca, a Primavera de Praga foi um movimento de massa em busca de um socialismo humanizado, em oposição ao regime de Stálin na então URSS.

19 


Em abril, estreia na Broadway o espetáculo “Hair”, uma síntese do que a década de 60 representou em relação ao movimento hippie e ao rock’n’roll.

O Espírito Santo inicia seus grandes projetos industriais para fazer frente à perda de receita provocada pelo programa de erradicação dos cafezais, até então base da economia capixaba, sob a coordenação do governador Christiano Dias Lopes Filho.

20 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


Foto: Acervo IJSN

Jardim Camburi, Vitória

Vista aérea de Vitória

Centro de Vitória

Praia do Canto e Camburi com a ponte caída

Praia de Camburi, Vitória

Ponte Florentino Avidos, única passagem entre Vitória e Vila Velha à época

21 


22 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


23 


2. S  oges: uma sociedade de especialistas 2.1 Fundação, primeiros passos e organização atual Fundada em 27 de maio de 1968, como Sociedade de Gastroenterologia e Nutrição do Espírito Santo (SGN/ES), a atual Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo (Soges) tinha como objetivos fundamentais “congregar todos os médicos que no Espírito Santo se dediquem à Gastroenterologia e Nutrição, promover intercâmbio científico entre os médicos do estado e os membros das demais sociedades de Gastroenterologia do país e contribuir para a pesquisa e desenvolvimento da especialidade no estado e no país”, de acordo com o que regia seu primeiro estatuto, elaborado em 17 de junho daquele mesmo ano. Doze médicos assinaram sua fundação: Cassiano Antonio Moraes, Josiel A. Silveira, Evanilo Silva, Benito Zanandréa, Carlos Sandoval Gonçalves, João Luis Aquino Carneiro, Edson de Souza Ribeiro, Jader Bispo Cruz, Vitor Buaiz, Rogério Jahel Nascif, Wilson Zanotti e Laurentino Biccas Jr., tornando-se, dessa forma, os sócios fundadores da sociedade, que, além destes, passaria a contar ainda com sócios efetivos (médicos que exercíam a especialidade no estado) e honorários (especialistas, médicos não especialistas, cientistas nacionais ou estrangeiros de reconhecido valor). O primeiro estatuto da então SGN/ES foi elaborado em reunião do dia 3 de junho do mesmo ano, com discussão item a item de todo o seu conteúdo. No mesmo mês, no dia 17, o estatuto foi aprovado e a primeira diretoria foi constituída, tendo como representantes alguns dos sócios fundadores e outros membros, como Josenildo Zanandréa e Lindolfo Gadelha. Um dos fundadores e referência para todos os gastroenterologistas ainda hoje, Carlos Sandoval Gonçalves conta que a sociedade foi criada com o objetivo de reunir médicos com interesse em Gastroenterologia e promover eventos científicos de atualização, trazendo o conhecimento de grandes centros para o nosso estado. “Na época, o acesso às informações científicas era mais difícil, assim, as jornadas e os congressos eram a principal forma de atualização médica”, ressalta. De acordo com ele, o embrião da SGN/ES foi um grupo de profissionais que se reuniam com finalidades acadêmicas. Desse grupo fazia parte o médico patologista Fausto Edmundo Pereira. Era ele quem analisava as biópsias hepáticas feitas por Carlos Sandoval Gonçalves, que, aliás, implantou a biópsia hepática no Espírito Santo, entusiasta e estudioso que era das doenças do fígado. A relação profissional virou amizade, e o patologista logo se integrou ao grupo dos gastroenterologistas, passando, inclusive, a frequentar as reuniões do serviço de Gastroenterologia do Hospital das Clínicas e que acontecem até hoje, sempre às sextas-feiras pela manhã.

24 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


Ata de fundação da SGN/ES

Impossível, portanto, dissociar a fundação da SGN/ES do grupo que integrava o serviço de Gastroenterologia do Hospital das Clínicas, o hospital da escola de Medicina da Universidade Federal do Espírito Santo. Seu primeiro coordenador foi Benito Zanandréa, mas como ele logo precisou assumir a direção do hospital e do Centro Biomédico, foi Carlos Sandoval Gonçalves quem passou a ficar à frente do serviço. E como esse nome é referenciado por todos os gastroenterologistas e outros profissionais que, de alguma forma, se relacionam com a Gastroen-

25 


terologia no Espírito Santo, no Brasil e até internacionalmente. De acordo com Fausto Edmundo Pereira, ele não só assumiu a gestão, mas também organizou o serviço do Hospital das Clínicas de tal forma que até hoje ele é reconhecido por seu padrão e alto nível. “Foi um serviço que sempre esteve no mesmo nível de outros serviços de Gastroenterologia do país. Carlos Sandoval Gonçalves sempre procurou trazer para esse serviço aquilo de mais moderno na especialidade. Obviamente, ele enfrentou problemas com a falta de recursos, mas, apesar disso, sempre manteve o serviço como referência no estado, como é até hoje. Carlos Sandoval Gonçalves formou vários gastroenterologistas, hepatologistas e manteve um serviço que é considerado de excelência, e que sempre foi tocado por essas pessoas que ele formou.” A atividade acadêmica na Ufes, a atuação ambulatorial no Hospital das Clínicas e a necessidade de se reunir para, cada vez mais, produzir e compartilhar conhecimento formaram, portanto, terreno fértil para a criação de uma sociedade de especialistas naquele ano de 1968. A partir de então, congressos e reuniões com especialistas de grandes centros poderiam começar a ganhar forma, o intercâmbio de conhecimento seria ainda maior, protocolos poderiam ser padronizados e os gastroenterologistas capixabas também se projetariam ao apresentarem suas experiências. “Eu acredito que qualquer um dirá que é inquestionável que a Sociedade de Gastroenterologia tenha sido um fator importante para manter uma Gastroenterologia de muito bom padrão no estado”, atesta Carlos Sandoval Gonçalves. Importante ressaltar que, em sua fundação, a sociedade congregava também os profissionais da Nutrição e, como lembra Fausto Edmundo Pereira, recebia de braços abertos outros profissionais que, de alguma forma, se relacionavam à Gastroenterologia, como os clínicos gerais e os cirurgiões. Além disso, a SGN/ES abrigava profissionais que, posteriormente, acabaram fundando suas próprias sociedades, como os endoscopistas, por exemplo, reunidos atualmente na Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva – Capítulo Espírito Santo (Sobed/ES). Desde sua fundação, a Soges, então SGN/ES, passou a utilizar como sede a mesma estrutura da Associação Médica do Espírito Santo (Ames), o Edifício Ames, localizado no centro de Vitória, na Rua Alberto de Oliveira Santos, número 42. Quando houve a mudança da Ames para sua atual sede, no bairro Bento Ferreira, no ano de 1995, a Soges também passou a ocupar um espaço na nova casa, onde está até hoje, utilizando sua estrutura física e também apoio operacional e mão de obra. Um ponto merecedor de destaque nesta história e que marca a relação da Soges com a Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG) desde a vinculação dessa a esta, na década de 70, é a adimplência da sociedade e seus membros com a anuidade. A boa gestão e o equilíbrio dos recursos financeiros são constantes na sociedade desde as primeiras gestões e permanecem até os dias atuais, sendo a Soges uma das federadas com melhor adimplência na anuidade com a FBG. “Quando você dá retorno para o associado, ele contribui de forma compromissada com a anuidade. O associado tem inúmeros benefícios se esti-

26 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


ver em dia com a sociedade, e o fato de ele estar em dia nos traz organização financeira. Além disso, o apoio da Ames contribui para esse equilíbrio, pois nossa sede foi cedida pela associação a um custo baixo e compartilhamos as secretárias, ou seja, não temos custo com pessoal. Nosso nível de adimplência é um dos melhores do Brasil, e a gente comprova isso a cada ano nas reuniões da FBG”, revela a presidente da Soges durante o biênio 2017-2018, Roseane Valeria Bicalho Ferreira Assis. Além da organização financeira, a Soges destaca-se também por sua organização estrutural. A diretoria da sociedade é composta geralmente por 16 membros, sendo presidente, vice-presidente, secretário-geral, tesoureiro, diretor científico, representante Norte, representante Sul, Comissão de Admissão (três membros), Conselho Fiscal efetivo (três membros) e Conselho Fiscal suplente (três membros), todos com competências próprias, conforme rege o estatuto da sociedade, e eleitos conjuntamente por meio de inscrição de chapa para a participação na eleição de diretoria, trocada a cada biênio.

2.2 Estatutos Do primeiro, de 1968, ao estatuto da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo (Soges) que está em vigência, de 4 de julho de 2007, pouca coisa mudou. Seu conceito permanece o mesmo, apenas com algumas modificações para alterar o nome, acompanhar as mudanças no novo Código Civil Brasileiro, de 2002, e incorporar objetivos. Houve modificações em 1997 (quando montou-se uma comissão de reforma do estatuto, composta pelos membros Ubaldino de Souza Freitas, Rogério Jahel Nascif e Luiz Sérgio Emery Ferreira), em 2001 (quando a sociedade passou a se chamar Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo – Soges), em 2002 (para adequar-se ao novo Código Civil) e em 2007 (estatuto atual).

Primeiro estatuto da SGN/ES

Estatuto da Sociedade de Gastroenterologia e Nutrição do Espírito Santo CAPÍTULO I CONSTITUIÇÃO E FINALIDADE Art. 1º: No dia 27/05/68, nesta cidade de Vitória, capital do Estado do Espírito Santo, fica fundada a Sociedade de Gastroenterologia e Nutrição do Espírito Santo, entidade de natureza civil, sem fins lucrativo, de número ilimitado de sócios, com prazo indeterminado e filiada à Federação Brasileira de Gastroenterologia. Art. 2º: A Sociedade de Gastroenterologia e Nutrição do Espírito Santo (SGNES) terá sua sede e domicílio jurídico na cidade de Vitória, E. Santo, e se regerá por este estatuto, aprovado em assembleia geral. Parágrafo único: A sede provisória funcionará em Vitória (ES) junto à Associação Médica do Espírito Santo.

27 


Art. 3º: A SGNES tem por objetivos fundamentais: a) Congregar todos os médicos que no E. Santo se dediquem à Gastroenterologia e Nutrição. b) Promover intercâmbio científico entre os médicos do Estado e os membros das demais sociedades de Gastroenterologia do país. c) Contribuir para a pesquisa e desenvolvimento da especialidade no Estado e no país. CAPÍTULO II Art. 4º: A Sociedade é uma entidade científica constituída por 3 (três) categorias de sócios: fundadores, efetivo e honorários. Art. 5º: Serão considerados sócios fundadores os signatários da ata de fundação. Art. 6º: Poderão ser sócios efetivos os médicos que exerçam no Estado a especialidade. Art. 7º: Poderão ser sócios honorários especialistas, médicos não especialistas, cientistas nacionais ou estrangeiros de reconhecido valor. Art. 8º: Critérios de admissão: a) Praticar a especialidade no Estado. b) Curso de especialidade, clínica ou cirúrgica, de pelo menos um ano de duração em serviço de gabarito. c) Apresentar títulos e trabalhos a serem julgados pela comissão de admissão. Art. 9º: As propostas para sócios honorários serão encaminhadas à Diretoria por, pelo menos, 5 membros efetivos e deverão ser aprovadas em Assembleia Geral por 2/3 de votos. Art. 10º: A Diretoria conferirá, aos membros fundadores, efetivos e honorários, diplomas a pedido dos interessados. CAPÍTULO III DOS DEVERES E DIREITOS DOS SÓCIOS Art. 11º: São direitos dos sócios: a) Votar e ser votados nas assembleias gerais. b) Participar de todas as sessões, reuniões, conferências, cursos ou congressos organizados pela sociedade. c) Ter livre acesso às publicações científicas recebidas pela sociedade. d) Propor a admissão de novos sócios. Art. 12º: Apenas terão direito a votos, sócios fundadores e efetivos. Art. 13º: São deveres dos sócios fundadores e efetivos: a) Contribuir efetivamente para a expansão cultural da Sociedade. b) Contribuir sob a forma de anuidades, para manter assinaturas de revistas, programações de conferências e realização de palestras, confecção de diplomas etc. c) Comparecer às assembleias gerais, quando convocados.

28 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


CAPÍTULO IV DA DIRETORIA Art. 14º: A Sociedade será constituída por uma diretoria, eleita por assembleia geral, para o período de um ano. Art. 15º: A diretoria será composta da seguinte forma: presidente, vice-presidente, secretário, tesoureiro, diretor científico e comissão de admissão (3 membros). Art. 16º: Só poderão ser eleitos diretores os sócios fundadores e efetivos. Art. 17º: A eleição será feita por votação secreta, em dia convocado pela diretoria. Art. 18º: A diretoria não poderá transferir ou renunciar a direitos, alienar bens ou hipotecá-los sem consentimento de 2/3 de votos dos presentes em assembleia geral extraordinária, especialmente convocada. Art. 19º: A diretoria será eleita no mês de junho, durante a assembleia geral ordinária. Art. 20º: Na vacância de qualquer cargo da diretoria antes do prazo previsto, o cargo será preenchido por outro membro da diretoria, designado pelo presidente. Art. 21º: Compete ao presidente: a) Administrar a Sociedade com ajuda dos demais diretores, representando-a em juízo ou fora dele. b) Convocar e presidir as assembleias gerais, bem como presidir as sessões de abertura e encerramento de congressos. c) Rubricar os livros, assinar atas e demais documentos da Sociedade, inclusive os diplomas dos sócios. d) Empossar sócios e novos diretores. e) Dar execução às resoluções das assembleias. Art. 22º: Compete ao secretário: a) Superintender os serviços de secretaria, lavrar as atas das reuniões de diretoria, subscrevendo-as com o presidente. b) Ter sob sua direção o arquivo da Sociedade e a escrituração administrativa. c) Assinar com o presidente os títulos dos membros da Sociedade. d) Assinar toda a correspondência da Sociedade. Art. 23º: Compete ao tesoureiro: a) Proceder à arrecadação de toda a renda da Sociedade, administrar os serviços de tesouraria e ter sob a guarda e responsabilidade todos os valões e bens da sociedade, quer decorrentes de mensalidades ou anuidades, quer de donativos, subvenções e outras fontes de renda, e depositar seus fundos em banco oficial. b) Assinar com o presidente, cheques, ordens de pagamentos, recibos de importâncias devidas à Sociedade e quaisquer outros documentos que se relacionem com as economias da Sociedade. c) Efetuar os pagamentos de despesa social, ordinária ou extraordinária, legalmente autorizada pela diretoria e assinada pelo presidente. d) Apresentar à diretoria o balanço geral anual.

29 


Art. 24º: Compete ao diretor científico: organizar sessões de caráter científico, cursos, jornadas, congressos e demais atividades científicas da Sociedade. Art. 25º: Somente os membros da diretoria poderão dirigir-se ao público em nome da Sociedade. Art. 26º: Estes estatutos só poderão ser modificados ou reformados por 2/3 da assembleia geral, especialmente convocada. Art. 27º: Em caso de dissolução da SGNES, a assembleia geral extraordinária resolverá sobre o destino a ser dado aos seus bens. CAPÍTULO V DAS ASSEMBLEIAS GERAIS Art. 28º: A SGNES realizará assembleia geral ordinária anual no mês de julho. Art. 29º: A assembleia geral será convocada extraordinariamente por aviso oficial com declaração dos fins da convocação e com antecedência mínima de 5 dias. Art. 30º: A assembleia geral é o órgão dirigente máximo da SGNES. Art. 31º: À assembleia geral ordinária cabe: a) Deliberar sobre o relatório da diretoria, referente ao exercício findo. b) Deliberar sobre o balanço e tomadas de conta do ano anterior. c) Deliberar sobre a concessão de títulos de sócios honorários. d) Realizar eleição da nova diretoria. Parágrafo único: As deliberações da assembleia geral ordinária serão válidas quando aprovadas por metade mais um dos votos apurados, salvo disposição expressa nestes estatutos. Art. 32º: A assembleia geral ordinária poderá também deliberar sobre a reforma dos estatutos e sobre certos assuntos de importância vital para a Sociedade, desde que seja convocada como assembleia geral extraordinária, funcionando como verdadeira assembleia geral ordinária. Parágrafo único: O pedido de convocação da assembleia geral extraordinária deverá ser formulado mediante exposição de motivos. Art. 33º: A data de assembleia geral ordinária será comunicada oficialmente aos sócios com 30 dias de antecedência. CAPÍTULO VI PATRIMÔNIO DA SOCIEDADE Art. 34º: O patrimônio da SGNES será formado por anuidades e doações. Parágrafo primeiro: A aplicação de fundos fica a cargo da diretoria, que deverá apresentar contas no final do mandato. Parágrafo segundo: Cabe à diretoria fixar anuidades. CAPÍTULO VII Estes estatutos entrarão em vigor na data de sua aprovação. Vitória, 17 de junho de 1968. _______________________________________________________________________________

30 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


Estatuto atual da Soges

Estatuto da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo (Soges) CAPÍTULO I DA CONSTITUICAO, FINALIDADES E DURAÇÃO Art. 1º: Sob a denominação da SOCIEDADE DE GASTROENTEROLOGIA DO ESPÍRITO SANTO (SOGES) fica instituída uma associação civil de caráter científico, sem fins lucrativos, com sede e foro na cidade de Vitória – ES, CEP: 29.060680, inscrita no CNPJ: 05.360.414/0001-45, filiada à Federação Brasileira de Gastroenterologia, inscrita no CNPJ: 14.470.603/0001, a qual se regerá pelo presente estatuto. Art. 2º: A SOGES tem por finalidade defender os legítimos interesses de seus associados, bem como estimular, por todos os meios ao seu alcance, o aperfeiçoamento técnico e profissional de seus associados. Art. 3º: A SOGES tem como objetivos principais: a. Representar a Gastroenterologia do Espírito Santo junto à Federação Brasileira de Gastroenterologia e a outros organismos e instituições. b. Manter intercâmbio científico e associativo com entidades congêneres. c. Zelar pela ética e boa prática no exercício da Gastroenterologia. d. Estimular a pesquisa científica e o estudo da Gastroenterologia através da promoção e participação em cursos, seminários e congressos regionais, nacionais e internacionais. e. Cooperar com a Federação Brasileira de Gastroenterologia no que for de sua competência e âmbito para o bom desempenho de suas finalidades. f. Assessorar o poder público e outras entidades em questões de educação e saúde na área de Gastroenterologia. Art. 4º: A SOGES somente poderá ser extinta por deliberação tomada em assembleia geral extraordinária convocada para esse fim, onde estejam presentes maioria absoluta de seus associados com direito a voto e que a proposta seja aprovada por quórum qualificado (2/3 dos votantes), em segunda convocação, com presença de no mínimo 1/3 (um terço) dos associados. Extinta a SOGES, o seu remanescente acervo de bens e valores, se houver, será destinado, na forma de lei, à Federação Brasileira de Gastroenterologia, ou, em sua falta, à instituição congênere. Parágrafo primeiro: Extinta a SOGES, o seu remanescente acervo de bens e valores, se houver, será destinado, na forma da lei, à instituição nacional congênere. Art. 5º: A associação, fundada em 27 de maio de 1968, terá duração por prazo indeterminado. CAPÍTULO II DOS ÓRGÃOS DA SOGES Art. 6º: São órgãos da SOGES: a. Assembleia geral b. Diretoria/Administração c. Conselho fiscal

31 


SEÇÃO I DA ASSEMBLEIA GERAL Art. 7º: A assembleia geral, que se comporá de sócios quites, se reunirá até o dia 31 de março, com a finalidade de analisar e julgar as contas apresentadas pela Diretoria, e a cada dois anos, em qualquer data incluída nos três meses seguintes ao Congresso Brasileiro de Gastroenterologia, com a finalidade de eleger a Diretoria da SOGES. Art. 8º: A assembleia geral poderá se reunir a qualquer tempo em caráter extraordinário, desde que convocada pela Diretoria, pelo Conselho fiscal ou por solicitação subscrita de 10 (dez) por cento dos associados quites com suas obrigações associativas. Parágrafo único: A convocação para as assembleias gerais ordinárias ou extraordinárias será feita através de publicação em pelo menos um jornal de grande circulação no estado ou de carta-aviso com recibo, que terá que chegar aos associados num prazo de até 10 (dez) dias antes da data marcada para a assembleia geral. Se não houver quórum, a assembleia reunir-se-á trinta minutos após, com qualquer número de sócios quites presentes. Art. 9º: À assembleia geral compete: a. Eleger a Diretoria; b. Tomar conhecimento dos negócios sociais e do relatório da Diretoria; c. Julgar a escrituração social por uma comissão de contas, que será constituída de três membros por ela indicados; d. Examinar as contas, tomar providencias sobre irregularidades da Administração, demitir diretores por falta de exação no cumprimento de seus deveres e eleger novos membros. Parágrafo único: Para demissão da Diretoria ou de membros desta, será necessária a presença de no mínimo dois terços de sócios quites. SEÇÃO II DA DIRETORIA E ADMINISTRAÇÃO Art. 10º: A associação será administrada por uma Diretoria, composta de presidente, vice-presidente, secretário-geral e tesoureiro. Parágrafo único: Os cargos de representante norte, representante sul, diretor científico e conselho de admissão serão indicados pela Diretoria eleita. Art. 11º: A Diretoria será eleita a cada dois anos, em assembleia geral, convocada para este fim em data incluída nos três meses seguintes à realização do Congresso Brasileiro de Gastroenterologia, e é obrigada a prestar contas, anualmente, de sua administração. Art. 12º: Nos casos de vaga temporária, impedimentos ou ausência do presidente, este será substituído pelo vice-presidente, e este pelo secretário-geral ou pelo tesoureiro. Parágrafo único: No caso de vaga definitiva de qualquer membro da Diretoria, será a mesma preenchida mediante eleição da assembleia geral, especialmente convocada para este fim. Art. 13º: Compete ao presidente: a. O exercício das funções inerentes à administração, a representação da associação ativa e passiva, judicial e extrajudicialmente, e a nomeação de seus auxiliares. 32 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


b. Administrar a SOGES com ajuda dos demais diretores, representando-a em juízo ou fora dele. c. Convocar as assembleias gerais. d. Assinar documentos. e. Assinar cheque separadamente ou em conjunto com o tesoureiro. f. Dar execução às decisões das assembleias gerais. g. Dar posse aos novos sócios. Art. 14º: Ao secretário-geral: a. A superintendência da escrituração e da correspondência da associação. b. Lavrar e assinar as atas das assembleias gerais e da Diretoria. c. Confeccionar e guardar documentos da associação. d. Assinar com o presidente os títulos dos membros da associação. e. Assinar as correspondências da associação. Art. 15º: Ao tesoureiro: a. A guarda e o zelo dos bens que compõem os bens da associação, e o pagamento, mediante recibo, de contas visadas pelo presidente; a superintendência da escrituração e a extração de balancetes trimestrais e anuais. b. Proceder à arrecadação de renda para a associação. c. Assinar os cheques separadamente ou em conjunto com o presidente. d. Controlar o patrimônio líquido e imóvel da associação. e. Fazer prestação de contas do setor financeiro junto à Diretoria e às assembleias gerais. Parágrafo único: Os valores depositados em bancos só serão levantados mediante cheques assinados pelo presidente e pelo tesoureiro. Art. 16º: Compete ao vice-presidente: a. Substituir o presidente em seus impedimentos, em todas as atribuições correlatas ao cargo. Art. 17º: Compete ao diretor científico: a. Elaborar calendário científico anual da SOGES e apresenta-lo à Diretoria até o dia 30 de novembro do ano antecedente. b. Assinar, junto com o presidente, os certificados de participação em eventos científicos. Art. 18º: Compete ao representante norte representar a SOGES e coordenar suas atividades científicas em sua zona de atuação. Art. 19º: Compete ao representante sul representar a SOGES e coordenar suas atividades científicas em sua zona de atuação. Art. 20º: Compete ao Conselho de admissão: a. Analisar as solicitações de inscrição de novos membros, decidindo pela aceitação ou rejeição das mesmas, de acordo com as normas estabelecidas no artigo 28º deste estatuto. b. Comunicar essas decisões ao presidente da Diretoria, que as acatará e fará cumpri-las. c. Elaborar as normas para admissão de novos sócios, submetendo-as à aprovação da assembleia geral.

33 


SEÇÃO III DO CONSELHO FISCAL Art. 21º: O Conselho fiscal será composto por seis membros, sendo três efetivos e três suplentes. Art. 22º: A escolha dos conselheiros será realizada bienalmente, junto à eleição da Diretoria, em escrutínio secreto, sendo os três mais votados os membros efetivos e os três seguintes, os suplentes. Art. 23º: Compete ao Conselho fiscal: a. Fiscalizar as contas apresentadas pela Diretoria e apresentar relatório anual à assembleia geral propondo aprovação ou rejeição das mesmas, com as devidas alegações. b. Orientar a Diretoria, quando solicitado, dando parecer sobre futuras transações financeiras. c. Orientar os sócios, quando solicitado, sobre proposta de transações financeiras a serem efetuadas pela Diretoria, oferecendo parecer oficial. CAPÍTULO III DAS FINANÇAS E PATRIMÔNIO Art. 24º: O patrimônio pertencente à associação será constituído: a. De subvenções, donativos e contribuições anuais dos associados, que deverão ser quitadas até o dia 30 de junho de cada ano. b. Doações de sócios ou terceiros. Parágrafo único: As doações terão que ser documentadas e só serão aceitas após parecer favorável do Conselho fiscal. c. Dos bens móveis e imóveis que a associação possua ou vier a possuir. Parágrafo único: Nenhum patrimônio imobilizado cujo valor ultrapassar a R$ 15.000,00 (quinze mil reais) poderá ser adquirido ou vendido sem aprovação da assembleia geral, após parecer do Conselho fiscal. d. De quaisquer outros valores adventícios. Art. 25º: São autorizados a movimentar as contas bancárias e de valores, em nome da SOGES, o tesoureiro e o presidente em exercício, separada ou conjuntamente. CAPÍTULO IV DOS SÓCIOS Art. 26º: A associação terá número ilimitado de sócios, os quais não responderão subsidiariamente pelas obrigações sociais. Art. 27º: Serão admitidas como sócias todas as pessoas idôneas, a juízo da Diretoria. Art. 28º: Haverá as seguintes categorias de sócios: a. Fundadores: os que assinarem a ata de fundação da entidade. b. Honorários: será declarado sócio honorário qualquer médico ou profissional de outra área que tenha prestado serviços relevantes à prática ou ao ensinamento da Gastroenterologia. c. Efetivos: serão admitidos como sócios efetivos os médicos registrados no Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo que preencham um dos requisitos abaixo:

34 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


a. Ter cursado Residência Médica em Gastroenterologia, Cirurgia do Aparelho Digestivo ou Cirurgia geral; b. Exercer, comprovadamente, a prática da Gastroenterologia ou cirurgia do aparelho digestivo há mais de cinco anos; c. Ser aprovado em concurso público para cargo ou função de Gastroenterologia, endoscopia digestiva ou cirurgia do aparelho digestivo; d. Exercer atividade universitária de ensino ou pesquisa ligada à área de Gastroenterologia. Art. 29º: Serão excluídos da SOGES os sócios efetivos que: a. Não efetuarem o pagamento de sua cotização associativa anual por dois anos consecutivos. b. Infringir as normas deste estatuto, depois de ouvida a assembleia geral. c. Cometer falta ética no exercício da medicina após julgamento da assembleia geral. Art. 30º: São direitos dos sócios efetivos e fundadores: a. Fazer parte dos trabalhos científicos e sociais da entidade b. Receber as publicações editadas pela SOGES c. Ter voz e voto nas assembleias gerais d. Convocar, na forma deste estatuto, assembleias gerais para fins específicos e. Votar e ser votado para quaisquer cargos de direção da entidade Parágrafo único: Somente terão os direitos aqui estabelecidos os sócios em acordo ao que estabelece o item b do artigo 9º. Art. 31º: Serão deveres dos sócios: a. Respeitar e fazer com que sejam respeitados este estatuto e demais normas instituídas pela entidade. b. Saldar pontualmente suas obrigações pecuniárias para com a entidade. c. Respeitar as decisões oriundas das assembleias gerais. CAPÍTULO V DAS ELEIÇÕES Art. 32º: A inscrição de chapas concorrentes às eleições será feita com antecedência de 30 dias antes da data marcada para a eleição. Art. 33º: A Diretoria da SOGES divulgará com antecedência apropriada a abertura de inscrições para as eleições, devendo o edital ser publicado em um dos jornais de maior circulação do estado, ou em comunicado direto via Correios com aviso de recibo, para todos os membros com direito a voto, devendo ser postado duas semanas antes do início do prazo de inscrição das chapas. Art. 34º: As eleições se darão em assembleia geral, convocada para esse fim, conforme artigo 7º. CAPÍTULO VI DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 35º: O presente estatuto só poderá ser reformado em reunião da assembleia geral, convocada especialmente para este fim, em caráter extraordinário, e com voto de 2/3 (dois terços) dos presentes, sendo que em primeira convocação é necessária maioria absoluta dos associados, e em segunda convocação, presença de no mínimo 1/3 (um terço) dos associados.

35 


Art. 36º: A associação tem o seu período de duração por prazo indeterminado. Parágrafo primeiro: A associação somente poderá ser extinta por deliberação tomada em assembleia geral extraordinária convocada especialmente para esse fim, onde estejam presentes no mínimo 2/3 (dois terços) de seus associados com direito a voto e que a proposta seja aprovada por quórum qualificado de 2/3 (dois terços) dos votantes. Parágrafo segundo: Extinta a associação, o seu remanescente acervo de bens e valores, se houver, será destinado, na forma da lei, à instituição nacional congênere. Parágrafo terceiro: Aplicam-se nos casos omissos as disposições previstas para os casos análogos e, não as havendo, os princípios do Código Civil. Art. 37º: Este estatuto foi aprovado pela assembleia geral extraordinária realizada em 4 de junho de 2007 e entrará em vigor depois de registrado no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas, rogando-se, na íntegra, as disposições do estatuto anterior. Vitória/ES, 4 de julho de 2007. _______________________________________________________________________________

36 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


2.3 Eventos científicos e culturais Um dos principais objetivos da Soges é estimular, por todos os meios ao seu alcance, o aperfeiçoamento técnico e profissional de seus associados. E, em 50 anos, tem feito isso principalmente por meio da promoção de eventos científicos que congregam os profissionais de modo a transmitir a eles ainda mais conhecimento e também possibilidade de interação social. São quatro eventos por ano promovidos pela Soges e com ampla participação dos especialistas. A Jornada Capixaba de Gastroenterologia, realizada geralmente no mês de agosto, congrega os profissionais em torno de temas relativos à especialidade debatidos nacional e internacionalmente. Em 2018, ano do jubileu da Soges, a jornada contou, pela primeira vez, com a presença de um palestrante internacional, Asadur Jorgen Tchekmedyian Balian, do Uruguai. Jornada Capixaba de Gastroenterologia de 2015

Maria da Penha Zago, Dulce Reis Guarita e Ana Tereza Ramos Parpaiola de Mendonça

37 


Jornada Capixaba de Gastroenterologia de 2016

38 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


Jornada das Montanhas No mês de julho, a Jornada de Gastroenterologia das Montanhas é realizada na região de montanhas do Espírito Santo, em Pedra Azul. Além da programação científica, ela reúne também uma vasta programação social e esportiva, com a tradicional partida de futebol disputada por times formados por médicos gastroenterologistas. Em 2018, essa jornada não foi realizada para dar mais ênfase à Jornada Capixaba de Gastroenterologia em que se comemorou o jubileu da sociedade, mas outras 21 edições já foram realizadas até 2017.

Jornadas regionais No norte e no sul do Espírito Santo são realizadas as Jornadas Norte e Sul, com o objetivo de oferecer aos especialistas dessas regiões programações científicas que geram conhecimento e atualização, além de promover a interiorização da sociedade. Nas duas regiões já foram realizadas cerca de 10 edições das jornadas, que contam com a participação de conferencistas locais e também de renome nacional.

Jornada de Gastroenterologia das Montanhas de 2015

Jornada de Gastroenterologia das Montanhas de 2017

39 


Eventos nacionais de Gastroenterologia e endoscopia também já foram realizados no Espírito Santo com a coordenação da Soges e da Sobed/ES. No início da sociedade, um ano importante para a Soges foi 1973, quando foi realizado, de 4 a 8 de setembro, em Guarapari, o I Congresso Regional de Gastroenterologia (1ª Região). O evento, por si só, já se justificava, entretanto, a ideia era que sua realização trouxesse à então SGN/ES prestígio e contasse positivamente para a vinculação da sociedade à Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), o que vinha sendo pleiteado por diferentes diretorias desde 1970. Em 1970, aliás, também foi realizada a I Semana Capixaba de Hepatologia, evento que contou com a participação do conferencista carioca Boavista Nery, que foi condecorado com o primeiro título de sócio honorário da SGN/ES. No ano seguinte, a II Semana Capixaba de Hepatologia contou com a participação dos conferencistas Jorge Toledo, do Rio de Janeiro, e Luiz Caetano da Silva, de São Paulo, também agraciados com títulos de sócios honorários. O primeiro grande evento científico nacional realizado no Espírito Santo foi o VII Seminário Brasileiro de Endoscopia Digestiva e I Jornada de Gastroenterologia, realizado de 25 a 28 de setembro de 1985 em Guarapari, organizado pela Sobed nacional, Sobed/ES e Soges. Em 2008 o destaque foi a 1ª Jornada Luso-Brasileira de Hepatologia, realizada entre os dias 21 e 23 de agosto, em Vitória. Na ocasião médicos brasileiros e portugueses trocaram experiências sobre as pesquisas e as formas de tratamento da hepatite, que, à época, afetava 200 milhões de pessoas em todo o mundo. O encontro foi promovido pela Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH) e contou com participação dos gastroenterologistas capixabas, que participaram dos debates principalmente sobre os tipos C e B da hepatite e o carcinoma hepatocelular. A participação de palestrantes de renome em eventos de uma sociedade recém-criada deveu-se, em grande parte, ao prestígio que seus fundadores, principalmente Carlos Sandoval Gonçalves, mantinham no cenário nacional da Gastroenterologia. E isso se repetiu em todos os outros eventos da sociedade, que sempre primou por trazer essas pessoas para suas jornadas, a fim de oferecer a melhor experiência aos participantes.

2.4 Interiorização Com o objetivo de levar informações e conhecimento também aos gastroenterologistas de cidades do interior do estado, muitas vezes impedidos de participar dos eventos na Grande Vitória, a Soges iniciou um projeto de interiorização em 1999, com a realização da I Jornada Norte Capixaba, em Linhares. A partir de então, jornadas seriam realizadas em Linhares ou Colatina, no norte do Espírito Santo, e em Cachoeiro de Itapemirim, no sul. O projeto de interiorização passou a ser levado tão a sério que, no estatuto de 8 de novembro de 2001, foram criados os cargos de Representante Norte e Representante Sul, com a competência de representar a Soges e coordenar suas atividades científicas em suas zonas de ação.

40 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


Jornada Norte Capixaba de 2015

Jornada Sul Capixaba de 2014

Jornada Sul Capixaba de 2018

41 


De acordo com o representante Norte no biênio 2017-2018, Antonio Zanotelli, a descentralização facilita o intercâmbio entre os profissionais e os especialistas. “Até então, a concentração das formações científicas dificultava a atualização dos especialistas. Com a descentralização, passamos a organizar anualmente eventos em municípios polos, para onde também vêm especialistas de cidades próximas”, conta. As jornadas Norte e Sul contam com cerca de 12 palestras, em um único dia, com palestrantes do próprio Espírito Santo e outros de estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Além disso, os representantes do norte e do sul são referências para profissionais que atuam em municípios de menor porte para tirar dúvidas e discutir casos clínicos mais complexos, proporcionando um rico debate acerca das questões da especialidade. Há também o compromisso de atuar pelo social, solicitação da própria sociedade aos gastroenterologistas do norte e do sul. Por isso, eles mantêm o atendimento ambulatorial nos Centros Regionais de Especialidade (CRE) de Colatina e Cachoeiro de Itapemirim.

2.5 Ligas acadêmicas e Programa Jovem Gastro (PJG) Estimular os estudantes, residentes e recém-formados a participarem das atividades relacionadas à especialidade é também um dos grandes objetivos tanto da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo (Soges) quanto da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG). Por isso, estimula-se tanto a atuação das ligas acadêmicas e a participação de residentes e recém-formados no Programa Jovem Gastro (PJG). As ligas são constituídas por grupos de estudantes, com diretoria própria e coordenadas por um médico especialista, que em geral também é membro da Soges. As ligas são registradas na FBG e não são necessariamente de uma universidade, apesar de geralmente congregarem estudantes das mesmas faculdades de medicina. Até 2017, havia apenas uma liga acadêmica em atuação no Espírito Santo, a Liga de Gastroenterologia do Espírito Santo (Ligastres), com sede na Emescam. Atualmente, são quatro as ligas em atuação: Ligastres, com sede na Emescam, 22 membros efetivos e um aspirante; a Liga de Gastroenterologia e Hepatologia (Ligahe), com sede na Ufes, 13 membros efetivos e 12 aspirantes; a Liga de Gastroenterologia, com sede na UVV e 10 membros efetivos, e a Liga Acadêmica de Gastroenterologia e Hepatologia (Lageh), com sede na Unesc, em Colatina, e 23 membros efetivos1. “Temos todas essas ligas agregadas dentro da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo. Os presidentes de cada liga têm uma representatividade na sociedade, e eles são convidados para as nossas reuniões e tomadas de decisão”, explica a presidente da Soges durante o biênio 2017-2018, Roseane

1. Número de participantes de acordo com levantamento feito em junho de 2018.

42 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


Valeria Bicalho Ferreira Assis. De acordo com ela, o fato de cada liga ter sua diretoria própria e ser responsável por sua atuação já é um ensaio para a participação futura na sociedade. “Não deixa de ser um treinamento para a gestão financeira de uma sociedade e a organização de eventos médicos. É um ensaio para a formação de líderes, e acredito que esse é o caminho”, afirma. Outra forma de atuação do jovem na Soges e na FBG é por meio do Programa Jovem Gastro (PJG). Iniciativa da FBG lançada em 2010, tem como objetivo principal promover a consciência associativa do jovem especialista, além de fornecer instrumentos para a sua formação profissional. Para isso, proporciona o enriquecimento da formação científica e difunde a educação continuada na área de Gastroenterologia, principalmente em eventos como feiras, palestras, campanhas de saúde, simpósios, treinamentos, seminários, colóquios, grand rounds e simulados, entre outros. Um diferencial é que os jovens gastros compõem uma categoria dentro do quadro associativo da FBG. Os profissionais que tenham até seis anos de conclusão do curso médico são elegíveis para ingressar no PJG, em especial residentes e pós-graduandos nas áreas de Gastroenterologia clínica ou cirúrgica, hepatologia, endoscopia digestiva, assim como residentes de clínica médica com interesse na especialidade. O prazo máximo de permanência na categoria Jovem Gastro é de quatro anos, a contar da data de formatura de graduação médica, com dois anos acrescidos em caso de inscrição em programa de residência, pós-graduação em área de atuação ou especialização com documentação do serviço comprovando os anos subsequentes. Após esse período, o Jovem Gastro é desligado do programa, devendo ser admitido pela FBG como sócio efetivo. Entre os benefícios de participar do programa estão desconto no pagamento da inscrição da Semana Brasileira do Aparelho Digestivo (Sbad); desconto na inscrição e um ponto na prova de título de especialista em Gastroenterologia; acesso ao site e a livros da FBG; acesso gratuito à Universidade FBG, o centro científico do site da FBG; acesso a cursos on-line, casos clínicos, resumos comentados, guidelines atualizados e últimos consensos das doenças do aparelho digestivo; cursos presenciais; desconto em todos os eventos apoiados pela FBG; acesso à revista da FBG; assinatura da Revista GED (Gastroenterologia e Endoscopia Digestiva); parceria com fornecedores; certificados dos cursos do Jovem Gastro que valem pontos na prova de título de especialista, e visibilidade de ser membro de uma entidade que representa a Gastroenterologia na Organização Mundial de Gastroenterologia (WGO, na sigla em inglês) e na Organização Panamericana de Gestroenterologia (OPGE). Além disso, o Jovem Gastro paga o valor de 30% da anuidade dos sócios efetivos da FBG. “O principal objetivo desse programa da FBG é melhorar a parte de formação científica do médico recém-formado ou que ainda esteja na residência médica. No Espírito Santo, os participantes do PJG também participam ativamente dos eventos da Soges, inclusive moderando mesas-redondas nas jornadas do aparelho digestivo”, ressalta a integrante da comissão do PJG na FBG, Luciana Lofego Gonçalves.

43 


Fotos: Cloves Louzada

A coordenadora do programa no Espírito Santo, onde há 22 participantes, Lorena Sagrilo Auer, participa do PJG desde o seu primeiro ano de residência em Gastroenterologia. Estimulada por um dos coordenadores da residência, ela logo se credenciou e, por fazer parte do programa, se sentiu muito mais estimulada a fazer trabalhos científicos, já que os congressos e jornadas realizadas pela FBG e Soges sempre abriam a oportunidade de os jovens gastros apresentarem casos clínicos. “No Espírito Santo, começamos com o programa em 2017, quando me mudei para o estado e fui convidada a coordenar o PJG e chamar os residentes de clínica médica, de cirurgia geral e de Gastroenterologia ou de cirurgia do aparelho digestivo para participarem. Desde então, já moderamos e presidimos mesas-redondas em um simpósio dentro da Jornada Capixaba de Gastroenterologia e tivemos participação ativa dentro do Movimento Brasil sem Parasitose, distribuindo antiparasitas para a população de um local da cidade que estava precisando”, conta Lorena Sagrilo Auer. Para ela, participar do PJG é um meio de já estar envolvido na área científica e, ao mesmo tempo, aprender a organizar esse tipo de evento. “Agora nosso desafio é trazer novas pessoas para o programa, convidando os novos residentes, tanto de clínica médica quanto de Gastroenterologia, mostrando os benefícios de se pertencer ao PJG.”

2.6 Sobed/ES: sociedade irmã Praticamente uma sociedade irmã da Soges, a Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed) foi criada em âmbito nacional em 25 de julho de 1975 por médicos que enxergaram a importância e a complexidade dessa especialidade na Medicina. Atualmente, representa mais de dois mil associados e é responsável por promover o desenvolvimento do ensino, da pesquisa e da prática da endoscopia digestiva, estabelecendo ainda normas para o treinamento na especialidade. A sociedade também promove eventos regionais, nacionais e internacionais que fomentam a atuação profissional e acentuam o convívio científico, cultural e social entre os especialistas. Até a sua criação, a endoscopia digestiva era totalmente integrada à Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), entretanto, com os avanços tecnológicos dos equipamentos endoscópicos, aumentava a sua importância no diagnostico das doenças do aparelho digestivo. Assim, foi surgindo um maior interesse dos clínicos e dos cirurgiões em praticar a endoscopia, que caminhou naturalmente para se tornar uma especialidade. O pontapé da criação da Sobed foi dado durante o XXIII Congresso Brasileiro de Gastroenterologia, quando foi redigida e enviada uma petição à FBG contendo 52 assinaturas de eminentes gastroenterologistas brasileiros solicitando a criação de uma seção de endoscopia. Hoje, são 24 unidades estaduais no Brasil, que atuam de acordo com as diretrizes do estatuto social da Sobed em prol do aperfeiçoamento da endoscopia digestiva nacional, com personalidade jurídica própria e autonomia administrativa e financeira.

44 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


No Espírito Santo, a Sobed/ES foi fundada em 1983 e conta atualmente com mais de 150 associados, funcionando, assim como a Soges, na sede da Ames. Sua diretoria também é eleita para um biênio, e em 2017-2018 o presidente e o vice-presidente foram Aureo Paoliello e Reginaldo de Souza Baptista, respectivamente. Soges e Sobed/ES são consideradas sociedades irmãs porque muitos de seus membros são comuns, já que os profissionais que atuam como endoscopistas geralmente são também gastroenterologistas. Dessa forma, os eventos estaduais que dizem respeito às duas especialidades, como as jornadas estaduais, das Montanhas e do norte e sul do Espírito Santo, são realizados sempre com as suas sociedades trabalhando conjuntamente e desenvolvendo em parceria a programação científica.

2.7 Quem fez e faz a Soges Nos 50 anos da Soges, muitas foram as pessoas que participaram ativamente da sociedade compondo diretorias, se doando e disponibilizando seu tempo e conhecimento para que outros colegas gastroenterologistas pudessem ser beneficiados por sua atuação, sempre muito competente, constante e descentralizada em todo o estado. Conheça alguns dos profissionais que participaram da produção deste livro compartilhando suas memórias e que, de uma forma ou de outra, também foram responsáveis por importantes ações dentro da sociedade e da especialidade.

Ana Tereza Ramos Parpaiola de Mendonça Formada em 1989, escolheu fazer Medicina porque, quando criança, queria ser cientista. A Gastroenterologia foi a especialidade eleita no sexto período da faculdade, numa das primeiras aulas a que assistiu, com Carlos Sandoval Gonçalves, sobre as doenças do esôfago. Foi monitora, fez residência na especialidade no Hospital das Clínicas e, desde então, atua no serviço. Há 18 anos, participa das atividades da Soges. Foi da comissão de admissão em 2000-2001, 2002 e 2002-2004; secretária-geral em 2006-2008 e 2008-2010; vice-presidente em 2011-2012 e 2013-2014; presidente em 20152016, e tesoureira em 2017-2018 e 2018-2019. “A gestão é sempre muito compartilhada. Presidente, tesoureiro e secretário trabalham muito juntos, e sempre num espírito de contribuição, de amizade. Na sociedade, isso tem dado certo. A gente consegue promover eventos científicos de qualidade, trazer colegas de ponta. A jornada que fazemos anualmente com nossas famílias nas montanhas é sempre um programa muito bom e todos fazem questão de participar. Esse trabalho sociocultural da sociedade é muito interessante para todos os associados. Na minha gestão, a gente tentou manter a tradição da qualidade científica e das reuniões, mas mantendo essa coisa da confraternização, da amizade, do encontro.”

45 


Carlos Sandoval Gonçalves Fotos: Cloves Louzada

Natural de Cachoeiro de Itapemirim, nascido em 20 de abril de 1942, cursou Medicina na Faculdade Nacional de Medicina (atual Universidade Federal do Rio de Janeiro), em 1965. Influenciado pelos professores Jorge Toledo e Boavista Nery, ficou mais um ano no Rio após a formatura para se aperfeiçoar na Gastroenterologia, retornando ao estado em 1967. Foi por muitos anos coordenador do serviço de Gastroenterologia do Hospital das Clínicas e um dos fundadores da Soges. Na sociedade, foi diretor científico em 1968, 1969-1970, 1978-1979, 1982-1983, 1984-1985, 1986-1987, 1990-1991, 1992-1994, 2002-2004 e 2005-2006; presidente em 1976-1977, 1988-1989 e 1997-1998, e membro da comissão de admissão em 1995-1996. “A Soges sempre teve um papel de agregar os médicos gastroenterologistas, unindo forças e conhecimentos, no intuito de promover o desenvolvimento da especialidade no estado. A Soges promoveu inúmeras jornadas científicas com a participação de médicos expoentes no cenário nacional, permitindo a atualização dos médicos e servindo de exemplo e inspiração para que estudantes e jovens médicos escolhessem a especialidade. Outro ponto a ser destacado é que a Soges promove uma união fraterna de seus membros e familiares com a organização da Jornada Capixaba das Montanhas, em Pedra Azul, desde 1996, em que os médicos e suas famílias convivem em um ambiente de integração científica e social.”

Emilio Mameri Neto De Rio Novo do Sul, cursou Medicina na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e encantou-se pelo aparelho digestivo desde a época dos estudos em fisiologia. No terceiro ano, já se decidiu pela clínica em Gastroenterologia. Por isso, começou a acompanhar professores como Carlos Sandoval Gonçalves, Wilson Mário Zanotti e Vitor Buaiz. Depois da residência em clínica médica com especialização em Gastroenterologia, passou a atuar como profissional liberal e também professor da universidade, onde passou a trabalhar com as lideranças que admirava e que o inspiraram a entrar na sociedade. Na Soges, foi tesoureiro em 1982-1983, 1984-1985, 1986-1987, 1988-1989, 1997-1998; membro da comissão de admissão em 1990-1991; presidente em 1992-1994, 1998-1999, 2000-2002 e 2002; secretário-geral em 1995-1996, e membro do conselho fiscal efetivo em 2002-2004 e 2008-2010. “A gente precisa estar sempre atualizado, até porque professor da universidade tem que estar sempre estudando. E dentro da sociedade a gente buscava trazer eventos e promover situações onde nós pudéssemos ter grandes personalidades da Gastroenterologia brasileira em contato direto com nossos alunos e outros colegas. Estar à frente, desenvolvendo esses projetos e essas tarefas sempre foi muito gratificante e interessante. E, com isso, a gente vai abrindo caminhos para relações novas, amizades novas, e não só aqui dentro do estado, mas fora também. Se você tem uma sociedade ativa, ela tem uma programação científica com profissionais altamente capacitados. Nós tivemos a possibilidade de, em grupo, criar a Jornada Norte Capixaba, a Jornada Sul Capixaba e a tradicional Jornada Capixaba das Montanhas. Esse foi um trabalho de equipe, não um trabalho individual. Tivemos várias

46 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


lideranças, mas a figura do Carlos Sandoval Gonçalves se sobressaiu, pois ele sempre foi uma pessoa muito associativa e induziu em seus alunos essa importância, essa necessidade de estar sempre trabalhando na sociedade para que pudéssemos trazer inovações e conhecimentos para as novas gerações.”

Fausto Edmundo Pereira Lima Chegou ao Espírito Santo em 1966, vindo de Minas Gerais, para assumir a cadeira da Anatomia Patológica e Patologia Geral na faculdade de Medicina da Universidade Federal do Espírito Santo. Foi responsável pela criação do Laboratório de Anatomia Patológica do Hospital das Clínicas, onde atuou até se aposentar compulsoriamente aos 70 anos, em 2010. Apesar de não ser gastroenterologista, fez parte do quadro associativo da Soges. Ocupou o cargo de secretário em 1974-1975 e é sócio emérito da sociedade. “A Soges deve muito a Carlos Sandoval Gonçalves, que deu a ideia de sua fundação e foi, inquestionavelmente, um de seus propulsores. Eu falo essas coisas independentemente do viés da amizade que eu sempre tive com ele, mas pelo fato de reconhecer nele um médico especialista que sempre aglutinou as pessoas, nunca as separou. O papel da sociedade na formação dos gastroenterologistas foi muito importante, tanto que uma das primeiras residências de especialidade foi a da Gastroenterologia. E se há uma sociedade que contribuiu realmente para a educação continuada dos médicos na área é a Soges.”

José Carlos Borges de Rezende Natural de Guaçuí, apaixonou-se pela Medicina ainda criança e seguiu a profissão, formando-se em 1979 na Universidade Federal do Espírito Santo. Iniciou a residência em Belo Horizonte e concluiu no Espírito Santo, quando iniciou seu trabalho no Hospital das Clínicas. Seu encanto pela Gastroenterologia deveu-se à organização da disciplina e à qualificação dos professores, muito experientes. Depois de algum tempo atuando no serviço do Hospital das Clínicas, onde trabalhou até se aposentar, ingressou na Soges. Na sociedade, foi secretário em 1990-1991; vice-presidente em 20022004; presidente em 2006-2008 e 2008-2010; tesoureiro em 2011-2012 e 2013-2014, e membro do conselho fiscal efetivo em 2015-2016 e 2017-2018. “Das finalidades da Soges uma era muito interessante. Ela causava uma aproximação com os membros nos eventos de uma maneira muito frequente, sem hiatos, sem descontinuidade. Isso era muito legal. A gente estava sempre pensando nos eventos e consequentemente trazendo pessoas de fora, aumentando o ciclo de relacionamentos. Isso foi muito bom na minha formação e na minha vida profissional, pois eu tive a oportunidade de conhecer inúmeros professores de outros estados, pessoas de muito valor na Gastroenterologia. Foi na nossa gestão que iniciamos as jornadas no interior, sendo uma delas no norte do estado e outra no sul, com a participação dos colegas dessas regiões.”

47 


Fotos: Cloves Louzada

Laurentino Biccas Jr. Natural de Afonso Cláudio, foi para o Rio de Janeiro fazer cursinho para estudar Engenharia Civil. Entretanto, numa das longas viagens de ônibus que fazia quando ia para casa, mudou de ideia e optou pela Medicina. Como ainda não havia especializações quando se formou, precisou frequentar o serviço de cirurgia durante três anos para adquirir a competência para trabalhar sozinho de maneira autônoma. Quis ser cirurgião porque trabalhar com pacientes com doenças crônicas, por exemplo, não parecia nada resolutivo ao jovem médico. Atuou sempre como cirurgião do aparelho digestivo e foi um dos fundadores da Soges, da qual sempre participou. Da sociedade, foi vice-presidente em 1972-1973; presidente em 1984-1985, e membro da comissão de admissão em 1986-1987, 1990-1991 e 1995-1996. “Frequentar as reuniões da sociedade é a forma mais fácil de aprender e se atualizar, porque as demonstrações são muito bem colocadas. A participação em reuniões e congressos é uma forma muito fácil de você aprender sobre uma conceituação nova e, principalmente, comparar o que você faz com o que alguém faz. A necessidade de criação da Soges, na minha visão, atendeu a dois aspectos: um muito importante, que foi o grupo se unir, se tornar homogêneo, com decisões iguais, conceitos iguais, interesses iguais; o outro é que é muito mais fácil você fazer coisas em grupo do que individualmente. Então, associado ao interesse científico, houve o interesse na amizade, o que foi muito saudável porque manteve o grupo muito unido, muito uniforme. Eu sou muito grato a esse grupo. Sendo cirurgião, sou grato por ter sio aceito junto deles. Foi um momento sempre muito alegre, de convivência, muito participativo, muito bom para as minhas próprias conclusões. E isso me ajudou de maneira importante. Sendo um cirurgião, um corpo estranho no meio dos clínicos, isso resultou numa reciprocidade de interesses da gente.”

Luciana Lofego Gonçalves O exemplo do pai, Carlos Sandoval Gonçalves, acabou sendo determinante em sua escolha pela Medicina como profissão. Fez faculdade na Universidade Federal do Espírito Santo, onde o serviço de Gastroenterologia tem uma história muito forte, o que acabou influenciando sua decisão pela especialidade. Cursou residência em São Paulo, no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, em clínica médica e Gastroenterologia. Atua em hepatologia, principalmente nas áreas de complicações da cirrose. Ajudou a estruturar o serviço de hepatologia da Santa Casa, quando trabalhou na Emescam. O serviço hoje é considerado de referência em hepatologia e doenças inflamatórias intestinais. Depois de 15 anos atuando na Emescam, ingressou na Universidade Federal do Espírito Santo, inicialmente como médica e hoje como professora de Gastroenterologia e atual coordenadora do serviço no Hospital das Clínicas. Já atuou na Soges como membro do conselho fiscal suplente, em 20022004; tesoureira, em 2006-2008 e 2008-2010, e diretora científica, em 20132014, 2015-2016, 2017-2018 e 2019-2020.

48 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


“Eu comecei a vivenciar a Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo como estudante, frequentando os congressos, que, desde essa época, eram congressos já bastante tradicionais e respeitados pelo conteúdo científico sempre de muita alta qualidade. Fiz parte de algumas diretorias em vários cargos, mas aquele com que sempre me identifiquei mais foi de diretora científica. É um desafio muito grande manter a qualidade científica dos congressos da Soges, reconhecidos nacionalmente como congressos científicos importantes e que valorizam o profissional.”

Luiz Sérgio Emery Ferreira Desde criança ele sonhava em ser médico, e formou-se na profissão em 1973, na Universidade Federal do Espírito Santo. Decidiu-se pela especialidade de Gastroenterologia no quinto ano, influenciado por três grandes professores e amigos: Carlos Sandoval Gonçalves, Wilson Mário Zanotti e Vitor Buaiz. Cursou a especialização na Universidade Federal do Rio de Janeiro, fez mestrado em Gastroenterologia no Rio Grande do Sul e, de volta a Vitória, ingressou na Universidade Federal do Espírito Santo como professor auxiliar, depois como professor adjunto, chefe do serviço de Gastroenterologia e chefe do serviço de endoscopia digestiva, até se aposentar em 2015. Participou de várias gestões da Soges, sendo secretário, em 1978-1979, 1982-1983, 1984-1985, 1986-1987 e 1997-1998; diretor científico, em 1980-1981 e 1988-1989, e presidente, em 1990-1991 e 2002-2004, além de membro da comissão de admissão em 2019-2020. “A sociedade entrou na minha vida desde muito cedo. Desde o momento em que eu me decidi pela especialidade de Gastroenterologia, ainda como aluno, participei de vários eventos e congressos patrocinados pela Soges. A sociedade teve uma importância muito grande na formação de alunos e profissionais em razão dessa ligação que havia entre os membros da sociedade e alguns membros da universidade. Isso estimulou muito a participação dos alunos na sociedade e, posteriormente, aqueles que se interessavam pela Gastroenterologia acabavam participando da sociedade. Eu acho que é praticamente impossível ter hoje um gastroenterologista no Espírito Santo que não participe da sociedade. Se ele não participa, pode ser talvez por desinformação, mas necessidade ele tem, porque a sociedade tende a formular cada vez mais conhecimento, cada vez mais integração para os gastroenterologistas.”

Maria da Penha Zago Gomes Ela queria ser matemática, mas, felizmente, na inscrição para o vestibular, marcou o x em Medicina. Formou-se na Universidade Federal do Espírito Santo, foi estagiária do serviço de Gastroenterologia do Hospital das Clínicas, fazendo trabalhos científicos e atendendo no ambulatório de fígado junto com Carlos Sandoval Gonçalves. Cursou residência médica em Gastroenterologia e permanece no serviço do Hospital das Clínicas.

49 


Na Soges, foi tesoureira em 2002-2004, 2005-2006 e 2015-2016; membro da comissão de admissão em 2006-2008, 2008-2010 e 2017-2018; presidente em 2011-2012, e secretária em 2013-2014. “Ser presidente da sociedade é apenas uma consequência. A gente começa a participar de tudo e a se envolver com tudo desde sempre, e ser presidente é simplesmente uma consequência daquele momento no qual você vai responder legalmente por ela. A gente também tem trabalhado sempre na premissa de promover o conhecimento científico. Hoje ele muda muito rápido, e, apesar de haver muita facilidade de acesso a tudo, a gente precisa, às vezes, ver de perto como ele está sendo usado. Por isso, é preciso que a gente divida esse conhecimento para dar condições de o profissional se tornar capaz em tudo. Tanto no serviço quanto na sociedade, algumas pessoas acabam se dedicando a um determinado assunto, e elas vão ser responsáveis por trazer as informações para os outros. Na Soges, o que mais marca é o companheirismo. Os colegas dizem sempre que não existe uma sociedade tão amiga quanto a do Espírito Santo. Os colegas que vêm de fora ficam impressionados porque não existe briga, por exemplo, entre o pessoal da endoscopia e o pessoal da Gastroenterologia ou o pessoal da hepatologia. Aqui, a gente trabalha junto em prol do conhecimento e da sociedade.”

Fotos: Cloves Louzada

Maria do Carmo Linard Reis

50 

Natural do Piauí, mas há 30 anos no Espírito Santo, quando foi transferida da Universidade Federal do Piauí para a Universidade Federal do Espírito Santo, ela completa em 2019 40 anos na especialidade, que ela escolheu por uma questão de identificação. Durante a gestão de Emilio Mameri Neto, participou ativamente da construção da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo. Nessa época, incrementaram as atividades e reformularam o regimento interno. Na Soges, foi secretária em 1998-1999, 2000-2001, 2002, 2002-2004 e 2005-2006, e membro da comissão de admissão em 2011-2012. “Participar da Soges foi uma porta importante para mim, porque foi através dela que eu tive contato com meus colegas de especialidade aqui no Espírito Santo. A sociedade é abençoada, e hoje eu vejo uma sociedade ativa, viva. A nossa sociedade é extremamente coesa e amiga, existe um relacionamento saudável entre todos os colegas. Nas gestões das quais participei, a gente construiu, reconstruiu, fez mudanças, estimulou a entrada de novos sócios, mexeu no regimento, estabeleceu um calendário científico que até hoje se mantém. A Soges é um referencial na Federação Brasileira de Gastroenterologia. Depois de 50 anos, posso afirmar que é uma sociedade que já tem história. Por ela já passaram pessoas extremamente competentes, qualificadas, que somaram e deixaram suas experiências. A sociedade vai crescer ainda mais e chegar no centenário! A Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo é uma sociedade de especialistas éticos, uma sociedade de sócios amigos, na qual todo mundo se confraterniza.”

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


Patricia Lofego Gonçalves

Renato Carvalho Fischer Ainda criança, em Baixo Guandu, decidiu fazer Medicina quando chegasse a hora de escolher sua profissão. Formou-se na Universidade Federal do Espírito Santo e optou pela Gastroenterologia por influência dos professores, especialmente Luiz Sérgio Emery Ferreira, que foi quem o convidou para fazer a especialidade. Ainda não havia a residência médica em Gastroenterologia no Hospital das Clínicas, apenas um embrião, e participou, com mais um colega, do projeto-piloto do curso. Em 1989, foi responsável pela criação do serviço de endoscopia no Hospital Infantil de Vitória, onde atua até hoje. Na Soges, participou de algumas gestões como secretário, em 19921994, e diretor científico, em 2000-2002 e 2002, além de ser o atual presidente (2019-2020). “Eu sempre gostei de participar de entidades. Antes de me formar em Medicina eu já ajudava Vitor Buaiz a reconstruir o Sindicato dos Médicos, que foi fechado na época da ditadura militar. Depois, tive uma participação bastante efetiva na Associação Médica, por dois mandatos. E dentro da Gastroenterologia fui no mesmo caminho. Eu tive o prazer de participar da gestão que escreveu um dos estatutos da Soges. Nós vimos que havia a necessidade da atualização, uma vez que a Federação Brasileira de Gastroenterologia havia alterado o seu estatuto

Foto: Divulgação

Desde muito nova, ela percebeu sua aptidão para a Medicina, principalmente ao observar seu pai, Carlos Sandoval Gonçalves. Aos 16 anos, ingressou na Universidade Federal do Espírito Santo, formou-se aos 22 e durante a graduação interessou-se pela Gastroenterologia devido à organização do serviço do Hospital das Clínicas. Cursou em São Paulo a residência em clínica e em Gastroenterologia e, de volta ao Espírito Santo, passou a se dedicar à hepatologia, principalmente à área das hepatites virais, atuando no serviço que a influenciou no passado. Participou da comissão de admissão em 1998-1999, 2000-2002, 2002, 2002-2004, 2004-2006; foi vice-presidente em 2006-2008, 2008-2010 e 2014-2016, e membro do conselho fiscal efetivo em 2013-2014. Atualmente, é a vice-presidente da sociedade (2019-2020). “Desde estudante eu frequentava as jornadas e os congressos organizados pela Soges, e para mim era uma inspiração ver aqueles professores que vinham de fora dar palestras. Aquilo foi me incentivando e despertando em mim a vontade de seguir na Gastroenterologia e participar da sociedade. Quando retornei de São Paulo, imediatamente me filiei à sociedade e depois de alguns anos fui convidada pelo Emílio Mameri Neto para compor a diretoria dele na comissão de admissão, para tentar chamar as pessoas que, às vezes, já estavam no estado e não eram da sociedade para entrar na sociedade, incentivando a captação de novos sócios. A sociedade sempre foi muito aberta, receptiva e acolhedora a todos de outros serviços e mantém um clima de amizade e fraternidade muito grande entre seus membros. Não existe na Soges uma disputa por interesse, projeção ou status, e isso é bacana porque cria um clima muito bom entre os colegas de especialidade.”

51 


e as federadas tinham que se adaptar a ele. Uma das mudanças foi a retirada da especialidade de nutrologia da sociedade, que passou a se chamar Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo (Soges). A sociedade contribui muito para os especialistas, principalmente porque ela está muito associada ao hospital-escola, e uma coisa está imbricada com outra, fazendo com que se desenvolva.”

Roseane Valeria Bicalho Ferreira Assis Fotos: Cloves Louzada

Formada em 1991 pela Emescam, fez residência em Belo Horizonte em clínica médica, Gastroenterologia e endoscopia e hoje considera-se quase uma Gastroenterologia oncologista preventiva, dado seu trabalho com foco na prevenção do câncer. É membro da Sobed/ES há mais tempo do que da Soges, mas nunca chegou a ocupar cargos em diretorias da sociedade dos endoscopistas. Foi responsável por coordenar as comemorações do jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo e promoveu, pela primeira vez, a Jornada Capixaba do Aparelho Digestivo com um palestrante internacional, o uruguaio Asadur Jorge Tchekmedyian. Na Soges, ocupou a presidência no biênio 2017-2018 e é integrante da comissão científica do biênio 2019-2020. “Fui convidada para entrar na chapa como candidata à presidência da Soges, e eu, levando em consideração tudo o que a sociedade já tinha feito por mim, achei que estava na hora de retribuir. Várias vezes já tinham me convidado para assumir a presidência da Sociedade de Endoscopia daqui, mas a da Soges eu realmente não tive como recusar. Graças a Deus, foi uma gestão satisfatória. A gente fez a comemoração do jubileu, e foi emocionante. Foi um trabalho muito prazeroso.”

Vitor Buaiz Nascido e criado em Vitória, desde novo já pensava na questão da saúde. Ainda garoto, quando ouvia a sirene das ambulâncias, já ligava aquilo à ajuda, a salvar as pessoas. Por isso, quando lhe era perguntado o que seria quando crescesse, respondia que seria motorista de ambulância. Dali para a Medicina foi um pulo. Formou-se em 1967, na segunda turma da faculdade de Medicina da Universidade Federal do Espírito Santo, e estudou com professores de altíssimo nível científico e cultural. Depois de formado, foi para o Rio de Janeiro acompanhar o serviço da Santa Casa de Misericórdia. De volta, trabalhou dois anos como voluntário no serviço de Gastroenterologia do Hospital das Clínicas até que foi contratado. Atuou nele até aposentar-se, mas continua frequentando as reuniões da Gastroenterologia, com o objetivo de atualizar-se e, ao mesmo tempo, contribuir com os mais jovens. Foi um dos fundadores da Soges, onde já ocupou o cargo de secretário, em 1969-1970, 1971-1972 e 1976-1977; membro da comissão de admissão, em 1974-1975, 2000-2002 e 2002; presidente, em 1980-1981; membro do conselho fiscal efetivo em 2002-2004, e membro do conselho fiscal suplente em 2008-2010, 2011-2012 e 2013-2014.

52 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


“A Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo é tão antiga quanto ativa. O grupo que foi pioneiro na fundação dessa sociedade tinha reuniões científicas muito frequentes, tinha uma assessoria muito grande dentro da faculdade de Medicina, tanto que muitos alunos optaram pela Gastroenterologia pela organização da equipe, pelo conhecimento e pela formação. A sociedade estimulava os alunos a participarem das jornadas, seminários e congressos. Isso cria um clima para os jovens que propicia a sua atualização permanente. E é preciso, porque a Medicina evolui tão rapidamente que se você não acompanhar, perde o bonde da história. Eu considero aquela equipe como parte da minha família. Há uma solidariedade permanente entre os colegas, o que criou um clima muito favorável para você estar sempre presente, não só na parte científica, nas reuniões, mas também na parte social.”

Wilson Haig Santos Primeiro membro da família a ser médico, formou-se em 1982, na Emescam. Depois de formado, fez estágios no Hospital do Andaraí, no Hospital da UFRJ e no Hospital de Ipanema, sempre com preceptores que lhe motivaram a atuar na Gastroenterologia e, sobretudo, na endoscopia digestiva. De volta a Vitória, tornou-se especialista em Gastroenterologia e endoscopia. Em 1988, associou-se à Sobed/ES e à Soges. Foi membro da comissão de admissão em 2002-2004 e 2005-2006; membro do conselho fiscal suplente em 2008-2010; secretário em 2011-2012; presidente em 2013-2014, e membro do conselho fiscal efetivo em 2017-2018. “Carlos Sandoval Gonçalves é o pai da Soges. Ele se dedicou a vida inteira a isso com muito prazer e sem nenhuma cobrança. Ele nunca pediu retorno e tem uma capacidade muito grande de formar grupos e divulgar o que ele estudou. Toda sociedade gostaria de ter uma pessoa como ele. E todos nós devemos muito a ele, por tudo o que somos, por tudo a que fomos direcionados e por toda a formação que ele proporcionou. Meu desejo é que a sociedade sempre coloque como sua primeira função ajudar os associados com conhecimento científico e experiência. É preciso dar a sua experiência para que os outros a adquiram também. Isso que faz elevar a Medicina. A gente às vezes não para para pensar no tanto que ganhamos com isso. Já imaginou se não tivesse a Soges? Cada um ia ficar só trabalhando. Por isso, desejo que a sociedade mantenha essa linhagem e que continue sempre no foco do bem-estar dos associados, divulgando a parte científica e promovendo interação.”

53 


54 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


55 


3. Amigos da Soges Por Renato Carvalho Fischer

Dulce Reis Guarita

Por quantas vezes tivemos o prazer de ter entre nós a professora Dulce Reis Guarita! Mais uma das gratas amigas dos gastroenterologistas capixabas que aqui esteve por várias vezes, ajudando-nos a compreender melhor a especialidade, com suas aulas sempre muito compreensíveis. Dulce Reis Guarita graduou-se em Medicina pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo em 1973 e obteve o mestrado em Medicina na especialidade de Gastroenterologia em 1977 pelo Instituto Brasileiro de Estudos e Pesquisas de Gastroenterologia, instituição vinculada à Universidade de São Paulo. Em 1986 tornou-se doutora pela Universidade Federal de São Paulo e, mais tarde, entre 1995 e 1996, fez pós-doutorado no Serviço de Pâncreas da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos. É professora livre-docente em Medicina na disciplina de Gastroenterologia Clínica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, cargo obtido por concurso em 1998. É integrante da Federação Brasileira de Gastroenterologia e da American Gastroenterological Association. Tem experiência na área de Medicina Interna com ênfase em Gastroenterologia Geral e Pancreatologia, especialmente em pancreatites, tumores de pâncreas, tendo realizado pesquisas genéticas em doenças do pâncreas. A professora Dulce Reis Guarita estará sempre em algum lugar ao lado esquerdo do peito de cada um dos gastroenterologistas capixabas.

56 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


Heitor Rosa

O professor Heitor Rosa, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás, pode ser considerado um dos maiores amigos dos gastroenterologistas capixabas. Por várias vezes, de forma muito simpática e cortês, abrilhantou jornadas e congressos científicos realizados em Vitória. Figura emblemática da Gastroenterologia brasileira, o professor Heitor não só se destacou na área médica, mas nas artes, na literatura e, sobretudo, como humanista. Desde muito cedo, ainda estudante da Faculdade de Medicina onde mais tarde seria professor, teve atuação marcante dentro e fora da instituição. Criou o De Jaleco, primeiro jornal da faculdade. Como presidente da Comissão do Trote, criou o Show do Esqueleto, uma alternativa criativa e jocosa às brincadeiras agressivas do trote, que se firmou como uma crítica acadêmica. Extramuro, esteve presente nas contestações ao golpe militar de 1964. Como médico, foi introdutor da endoscopia digestiva na prática médica de Goiás. Fez especializações no exterior, criou o primeiro laboratório experimental da Faculdade de Medicina da UFG, responsável por ministrar o curso anual de Iniciação à Pesquisa, e instituiu o Laboratório de Hepatologia Experimental, hoje muito atuante. Professor Rosa ainda se destaca na literatura, com seis livros publicados, inclusive em inglês e francês, colhendo leitores ao redor do mundo. Merecidamente, recebeu em janeiro de 2018 o título de professor emérito da Faculdade de Medicina da UFG. Está sendo agraciado pelos gastroenterologistas capixabas com o título de “Nosso Amigo do Coração”.

57 


José Galvão Alves

Esteve algumas vezes no Espírito Santo nestes anos, a convite da Soges, como palestrante em jornadas e congressos, trazendo seu vasto conhecimento, sobretudo na área de estudos do pâncreas, na qual é um dos maiores especialistas. Essa é a história do relacionamento do professor José Galvão Alves com os gastroenterologistas capixabas. É um paulista carioca. Nasceu em Guaratinguetá, São Paulo, mas desde sempre tem sua vida social e profissional no Rio de Janeiro. Formou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1976, sendo pós-graduado em Gastroenterologia pela PUC/RJ em 1982 e doutor em Gastroenterologia pela Universidade Federal de Minas Gerais. Foi coordenador do curso de residência médica da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro. Publicou mais de 250 trabalhos científicos em revistas e periódicos e vários livros, sendo autor e coautor de mais de 120 capítulos. É professor em algumas faculdades de Medicina do Rio de Janeiro, como PUC/ RJ, Universidade Gama Filho e Fundação Educacional Souza Marques. Por sua dedicação e sempre disponibilidade para com os capixabas, é merecedor de nossa homenagem.

58 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


João Galizzi Filho

Novamente a figura do hepatologista como nome de admiração e gratidão dos gastroenterologistas capixabas. Por inspiração e convites do professor Carlos Sandoval Gonçalves, se inclui o nome do professor João Galizzi Filho como personalidade frequente entre nós, sobretudo durante os anos 90. João Galizzi esteve em nossos eventos científicos ao menos uma vez ao ano nesse período, sempre com sua postura elegante em sua fala e nos seus ternos Armani! Filho do vultuoso professor João Galizzi, personagem marcante da Medicina brasileira, João Galizzi Filho graduou-se em Medicina pela UFMG em 1969. Logo fez residência médica no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da própria UFMG, seguindo para a Inglaterra, onde foi discípulo da primeira-dama da hepatologia mundial, a professor Sheila Sherlock, no curso de especialização em hepatologia do Royal Free Hospital, da Universidade de Londres. Mestre pela Faculdade de Medicina da UFMG, em 1977, iniciou carreira docente nessa época e tornou-se membro da Academia Mineira de Medicina em 2002. É membro efetivo da Associação Europeia para Estudos do Fígado (EASL) e foi presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia no biênio 2005-2007. O professor João Galizzi Filho se tornou um grande amigo dos colegas capixabas e nos influenciou no estudo e nas pesquisas acerca das doenças hepáticas. Por tudo isso, nossa eterna gratidão.

59 


Maria do Carmo Friche Passos

Um dos rostos mais doces e mais frequentes vistos por terras capixabas é, sem dúvida, o da querida professora Maria do Carmo Friche Passos. Sempre solícita e pronta a atender nossos convites, tem estado entre nós quase todos os anos, às vezes mais do que isso. Amante da Medicina, mas também do mar e da moqueca capixaba, ela diz juntar o útil ao agradável. Nós também. Temos o útil de seus ensinamentos e o agradável da presença de uma amiga admirável sob todos os aspectos. Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina da UFMG em 1985, conquistou o mestrado em 1999 e o doutorado em 2004, pela UFMG e pela Universidade Autônoma de Barcelona, além do pós-doutorado pela Universidade de Harvard, no Hospital Beth Israel Deaconess Center, em Boston, em 2007. Poliglota – fala inglês, espanhol e catalão –, é integrante efetiva da American Gastroenterology Association e professora associada da Faculdade de Medicina da UFMG e da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Seus trabalhos científicos cercam os mais vastos conhecimentos em Gastroenterologia, como Helicobacter pylori, intolerâncias alimentares, microbiota intestinal, distúrbios funcionais do tubo digestivo, dispepsias e síndrome do intestino irritável. Por tanto conhecimento e por sua gentileza, explica-se a exploração que exercemos sobre ela! Por isso, também foi eleita presidente da Federação Brasileira de Gastroenterologia, cargo que exerceu no biênio 2015-2016, com atuação prodigiosa. Continua a “queridinha” dos capixabas e, em breve, a chamaremos para uma saborosa moqueca e, “despretensiosamente”, sugaremos mais um pouco de seus conhecimentos.

60 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


Adavio de Oliveira e Silva

O professor Adavio, por sua ligação com os estudos das doenças do fígado, mesma paixão do professor Carlos Sandoval Gonçalves, e pala amizade entre os dois, sempre foi presença marcante entre os gastroenterologistas capixabas, trazendo seus grandes ensinamentos, sua gentileza e sua amizade. Formado pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pernambuco em 1968, o professor Adavio foi para São Paulo, onde foi pós-graduado em Gastroenterologia pelo Instituto Brasileiro de Estudos e Pesquisas em Gastroenterologia em 1970 e concluiu o doutorado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo em 1973. Dono de um dos mais vastos currículos da Medicina brasileira, o professor Adavio é livre-docente da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo, autor de nove livros científicos ligados à hepatologia, 206 trabalhos científicos, cinco publicações em revistas estrangeiras, 315 capítulos em livros brasileiros e dois em livros no exterior, 143 trabalhos médicos em congressos nacionais e 26 em congressos internacionais. Foi atrás desse vasto cabedal de conhecimentos que nós, capixabas, sempre fomos em busca do professor Adavio, que, mesmo em situações de dificuldades na agenda, nos brindou muitas vezes com sua carinhosa contribuição. O professor Adavio é um dos grandes amigos da Gastroenterologia capixaba.

61 


Luiz Gonzaga Vaz Coelho

Minas Gerais sempre foi um celeiro de grandes mestres da Gastroenterologia. Todos eles, pela proximidade e pela afeição, muito ligados aos capixabas. Um dos expoentes é, sem dúvida, o professor Luiz Gonzaga Vaz Coelho. Seu jeito todo mineiro de ser nos cativou e nos estimulou com seu vasto conhecimento nas aulas proferidas, por isso mesmo, continuadamente chamado entre nós para compartilhar seus trabalhos e seus conhecimentos. Muito solícito, nunca deixou de nos atender. Exemplo de pesquisador e de desprendimento. Pedimos desculpas por não poder inserir aqui todo seu currículo, por absoluta falta de espaço, tão vasta é sua biografia. Mas, citando tópicos, Luiz Gonzaga graduou-se em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais em 1972. Mestre em 1985 também pela UFMG. Em 1986, fez Fellowship na Inglaterra, quando também concluiu o doutorado pela Faculdade de Medicina da UFMG. Por último, fez pós-doutorado no Japão em 1990, trabalhando no campo da detecção do câncer gástrico precoce. Atualmente, é professor titular da Universidade Federal de Minas Gerais e coordenador do Instituto Alfa de Gastroenterologia do Hospital das Clínicas da UFMG. Entre 2002 e 2011 foi coordenador da Rede Mineira de Pesquisas em Nanobiotecnologia. Autor de 11 livros e 144 capítulos de outros livros, com cerca de 200 artigos publicados e mais de 150 trabalhos científicos, o professor Luiz Gonzaga é, sem dúvida, um dos prodígios da Gastroenterologia brasileira. Por isso mesmo, foi convidado a integrar organizações internacionais, como o Research Advisory Commite, da Organização Mundial de Gastroenterologia, além de ter sido coordenador do primeiro (1995) e do segundo (2004) consenso brasileiro em infecção pelo H. pylori e também da conferência e do consenso latino-americano sobre infecção pelo Helicobacter pylori em 1999. Com amigos assim, a Gastroenterologia capixaba, por meio da Soges, se acercou, nestes anos, de grandes conhecimentos e de muitos momentos de alegria.

62 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


Henrique Sergio Moraes Coelho

Em datas mais recentes, o professor Henrique Sergio Moraes Coelho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, esteve sempre na alça da mira do professor Carlos Sandoval Gonçalves para atrai-lo para junto de nós. Jeito tímido, mais ao estilo mineiro do que carioca, Henrique Sergio esteve, por alguns anos, na ponte aérea Rio-Vitória, tantas foram as suas intervenções em simpósios, congressos e jornadas aqui realizadas, falando magnificamente sobre as hepatites virais, notadamente sobre o vírus C, que foi o alvo de sua tese de doutorado. Ele sempre falou de sua satisfação de estar aqui, por Vitória ser uma cidade parecida com o Rio de Janeiro, ainda não tão contaminada pela violência e, na época, com trânsito livre nos horários de pico. Henrique Sergio se graduou em Medicina pela UFRJ em 1973, tornando-se mestre pela própria UFRJ em 1981. Em 1998, dissertando sobre a importância de detecção de anticorpos contra o vírus C na proteção da infecção pós-transfusional, conquistou seu título de doutor. É professor adjunto de clínica médica da UFRJ. Por seu grau de conhecimento, dedicação e simpatia entre os pares, foi eleito e cumpriu com grandeza o mandato de presidente da Federação Brasileira de Hepatologia no biênio 2011-2013. O professor Henrique Sergio Moraes Coelho se tornou um grande amigo dos gastroenterologistas capixabas por todas essas razões.

63 


Agostinho Bettarello

O professor Bettarello se destacou dentro da Medicina brasileira através do seu vasto conhecimento e, por falar várias línguas, tinha a facilidade de se pronunciar e marcar presença ao redor do mundo. Nas comemorações dos 900 anos da Universidade de Bologna, na Itália, em 1998, foi agraciado com uma comenda por aquela instituição pelo trabalho que realizou como médico e professor. Em terras capixabas, sempre foi venerado e requisitado até pouco antes de seu falecimento, em 13 de março de 1989. Agostinho Bettarello era paulistano, nascido em 7 de outubro de 1928. Graduou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo em 1953. Logo depois, fez estágios nos Estados Unidos (Seattle). De volta a Brasil, se dedicou à carreira acadêmica, tornando-se professor titular da USP em 1982. Foi presidente do Instituto Médico e de Gastroenterologia (Imeg) e pertenceu ao corpo editorial de diversas revistas nacionais e estrangeiras, tendo sido, em 1978, indicado coordenador do Jornal Brasileiro de Medicina, função que exerceu até o seu falecimento. Também foi presidente da Sociedade de Gastroenterologia e Nutrição de São Paulo. Participou ativamente da organização do 27º Congresso Brasileiro de Gastroenterologia, realizado em Recife, em 1980, e, por essa razão, foi indicado para presidir a organização do 28º congresso, realizado em São Paulo no ano de 1982. Atuou também como secretário-geral da Associação Interamericana de Gastroenterologia entre 1982 e 1984 e foi coordenador-geral do VII World Congress of Gastroenterology, realizado em São Paulo, em 1986. Membro da Academia de Medicina de São Paulo, onde ingressou em 26 de março de 1976, publicou 287 artigos científicos, proferiu 591 conferências e foi premiado em seis oportunidades por suas pesquisas científicas. Publicou quatro livros e escreveu 49 capítulos em livros de Gastroenterologia. Seu nome denomina o Centro de Estudos em Gastroenterologia da FMUSP. Leva o seu nome também o prêmio conferido pela FMUSP todos os anos ao melhor trabalho na especialidade, assim como a Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva concede uma medalha de honra endoscópica com o nome do professor Betarello. É o reconhecimento da Gastroenterologia brasileira a um dos seus grandes expoentes. 64 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


Osvaldo Malafaia

Falar o que sobre nossa relação com o professor Osvaldo Malafaia, mais do que um mestre, mais do que um amigo e tão generoso que foi conosco ao longo de tantos anos? Podemos chamá-lo de grande colaborador de nossa formação científica, através de suas inúmeras aulas por aqui. E de amigo gentil que não mediu esforços para sempre atender nossos chamados e por aqui ter construído uma convivência de extrema alegria. Principalmente por sua diversidade de conhecimento, transitando por variadas áreas da Gastroenterologia (clínica, cirurgia e endoscopia), o professor Malafaia sempre foi muito requisitado e deu muitas contribuições para a ciência médica. Graduado, doutor, professor livre-docente e titular durante 44 anos na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Paraná. Aposentado compulsoriamente, recebeu o título de professor emérito da instituição em 7 de novembro de 2016. Foi também professor titular de cirurgia da Faculdade Evangélica do Paraná. Criou o programa de pós-graduação de mestrado e doutorado de clínica cirúrgica da UFPR e foi seu coordenador durante 17 anos. Possui títulos de especialista nas áreas de cirurgia geral, Gastroenterologia e cirurgia do aparelho digestivo. Autor de quatro livros, já publicou cerca de 300 artigos em periódicos indexados, 69 capítulos de livros, mais de 100 publicações em anais de congressos, além de superar 350 conferências e mais de 500 atividades em diversos congressos e eventos. Orientou mais de 100 teses de mestrado, 63 de doutorado e participou de 37 bancas examinadoras de mestrado e doutorado em universidades pelo país. Foi consultor do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Exerceu o cargo de diretor e vice-diretor do setor de Ciências da Saúde da UFPR entre 1989 e 1991. Dentre suas participações associativas, podemos destacar a presidência da Sociedade Brasileira de Gastroenterologia, Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva (CBCD) e International College of Surgeons (ICS-USA). Dentro dessas entidades, organizou 50 congressos ou eventos, com destaque para a IV Semana Brasileira do Aparelho Digestivo, em 2005.

65 


Schlioma Zaterka

Notadamente após as experiências de Masrshal e Warren, publicadas em 1983, demonstrando a relação de uma bactéria como fator etiológico das doenças pépticas, o professor Schlioma Zaterka passou a ser presença frequente nos eventos científicos no Espírito Santo, como em todo o país e exterior. Isso por causa de seu interesse em estudar o recém-comprovado causador das úlceras e gastrites, além do câncer gástrico, o Helicobacter pylori. Junto com o grupo de Belo Horizonte, Schlioma foi um dos maiores estudiosos da fisiopatologia do H. pylori e microbiota gástrica, estando ativamente ligado às discussões que culminaram com os consensos brasileiros e sul-americanos sobre o manejo desse agente infeccioso. Tanto que se tornou o presidente honorário do núcleo. Professor e doutor pela Faculdade de Medicina da USP, Zaterka foi chefe do Grupo de Estudo do Estômago e Duodeno e do Laboratório de Provas Funcionais do Departamento de Gastroenterologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Ex-fellow do Veterans Administration Center, de Los Angeles, nos Estados Unidos. É autor de alguns livros, destacando-se o “Tratado de Gastroenterologia: da graduação à pós-graduação”, livro-texto obrigatório em quase todas as escolas médicas do país. Proferiu centenas de palestras e escreveu publicações e capítulos de livros em toda a sua trajetória profícua de formador de médicos brasileiros. Atualmente, é o presidente da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG).

66 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


José de Laurentys Medeiros

Sempre presente em eventos científicos realizados pela então recém-fundada Sociedade de Gastroenterologia e Nutrição do Espírito Santo, ainda nas décadas de 70 e 80, o professor José de Laurentys Medeiros foi muito bem-vindo em terras capixabas. Muito solícito e gentil frente a nossos convites, contribuiu em grande escala para a nossa formação. Graduado em Medicina em 1953 pela Universidade Federal de Minas Gerais, Laurentys fez história na Medicina brasileira, especialmente em Belo Horizonte, onde se estabeleceu prioritariamente na Faculdade de Ciências Médicas, tornando-se professor titular em semiologia e preceptor do curso de pós-graduação. Foi presidente da Sociedade de Gastroenterologia de Minas Gerais. Autodidata, foi pioneiro nos estudos da hepatologia em Minas Gerais e no Brasil, tendo sido o chefe do comitê organizador do I Congresso Brasileiro de Hepatologia, realizado na cidade de Caxambu, Minas Gerais. Depois, já como presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia, realizou, em 1988, o Congresso Brasileiro, evento que trouxe ao Brasil os professores Sheila Sherlock, Mario Rizzeto e Adrian di Bisceglie. Pulicou inúmeros trabalhos técnicos e científicos, além de capítulos em livros de Gastroenterologia e hepatologia. Sua maior obra literária, sem dúvida, foi a concepção e publicação, em parceria com o professor Mario Lopes, do livro “Semiologia médica: as bases do diagnóstico clínico”. O professor Laurentys faleceu em 2012. Nos deixou muita saudade, mas, sobretudo, ensinamentos.

67 


Waldomiro Dantas

Muitas aulas magistrais foram proferidas pelo professor Waldomiro Dantas em nosso estado. Abusamos de sua boa vontade e, sem reclamar, sempre esteve conosco, nos engrandecendo com seus ensinamentos. Discreto e pouco falante nos bastidores, não deixava de ser muito amável com todos. Ao professor Waldomiro a nossa gratidão pela gentileza de sua doação. Nascido em Cassimiro de Abreu, no Rio de Janeiro, em 1933, cursou Medicina na Faculdade Fluminense de Medicina de Niterói, onde se graduou em 1958. Waldomiro teve sua carreira profissional como médico e professor em Santa Catarina, para onde se transferiu logo depois de formado, em 1960. Foi pioneiro naquele estado, com registro do CRM-SC número 261. Em Florianópolis, destacou-se pela obstinada busca da excelência na prática e no ensino médico. Tornou-se instrutor de ensino na Faculdade de Medicina da UFSC em 1962. Em 1977, obteve o grau de livre-docente doutor em Ciências Médicas pela UFSC e, três anos depois, por concurso, conquistou o grau de professor titular. Participou de várias bancas de mestrado e doutorado em diversificadas áreas da Gastroenterologia. Chefiou o Departamento de Clínica Médica e foi fundador do curso de mestrado em Ciências Médicas da UFSC. Estagiou em Charlotesville e Richmond, na Virginia, e no Royal Free Hospital, de Londres, no serviço de hepatologia da professora Sheila Sherlock. Foi fundador e primeiro presidente da Academia Catarinense de Medicina, em 1996, e, em

68 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


2002, recebeu da Federação Nacional das Academias de Medicina o diploma de honra ao mérito por seus serviços e pelos ensinamentos da Medicina. A Assembleia Legislativa de Santa Catarina o agraciou com o reconhecimento pelo trabalho desenvolvido dentro do Programa Especial de Reconstrução do Estado de Santa Catarina. Recebeu o mérito científico em 1997. Presidiu a Associação Médica de Santa Catarina no biênio 1963-1965 e a Sociedade de Gastroenterologia em dois mandatos (1969-1970 e 1976-1977). Foi diretor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFSC entre 1975 e 1979, editor da revista ACM e fundador e membro da Sociedade Brasileira de Hepatologia, da qual foi presidente no biênio 1993-1995, além de presidente da Federação Brasileira de Gastroenterologia no período de 1998 a 2000. No ordenamento da prática médica, esteve muito presente, tendo sido membro do Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina entre 1968 e 1978, tendo sido seu presidente em dois mandatos, entre os anos de 1970 e 1974. Como membro do Conselho Federal de Medicina, cargo em que esteve investido entre os anos de 1984 e 1989, destacou-se na elaboração do Código de Ética Médica, editado em 1998, dando ênfase à observância dos preceitos da ética médica. Participou em capítulos de livros e publicações científicas em periódicos nacionais e estrangeiros. Faleceu em 23 de dezembro de 2003.

69 


Marcus Tulio Bassul Haddad

Sempre muito presente no Espírito Santo, o professor Marcus Tulio Haddad é capixaba de nascimento (24 de setembro de 1943), tendo nascido em Cachoeiro de Itapemirim. E isso sempre foi motivo de orgulho de outro cachoeirense, o professor Carlos Sandoval Gonçalves, que, ao apresentar o professor Tulio em nossas jornadas ou em eventos nacionais, fazia questão de ressaltar todos os predicados do colega e dizer que “acima de tudo, ele é de Cachoeiro”. Transferiu-se para o Rio de Janeiro ainda muito jovem com o objetivo de graduar-se em Medicina, o que conquistou no ano de 1968, pela Faculdade de Medicina da UFRJ, onde fez internato na primeira cadeira de clínica médica. Ainda na UFRJ foi auxiliar de ensino e, a partir de 1975, tornou-se professor assistente. Em 1979, concluiu o mestrado em Gastroenterologia e assumiu a cadeira de professor titular daquela faculdade em 1983. Coordenou diversos cursos de fisiologia, Gastroenterologia pediátrica, endoscopia digestiva e nutrologia. Organizou e lecionou em dezenas de cursos de pós-graduação, além de ter participado de diversos congressos, simpósios e jornadas, incluindo as realizadas pela Soges no Espírito Santo. Publicou 39 capítulos de livros, colaborou na coordenação de dois livros e foi coautor em quase 30 periódicos nacionais e quatro internacionais. Foi também tradutor da terceira edição da obra “Physiology of the digestive tract”. Foi diretor da Sociedade de Gastroenterologia do Rio de Janeiro em alguns biênios nas décadas de 80 e 90. É membro do American College of Gastroenterology; titular da Sociedade Brasileira de Hepatologia, da Sociedade Franco-Brasileira de Medicina, da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva, do Colégio Brasileiro de Cirurgiões e titular-fundador da Sociedade Brasileira de História da Medicina. O professor Haddad possui a honra de ser capixaba. Mais do que isso, tem o carinho e a admiração dos gastroenterologistas do Espírito Santo e todo o respeito e gratidão da Soges.

70 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


Jorge de Alckmin Toledo

Nos primeiros anos, a Soges já se acostumou a trazer colegas para pequenos eventos, já que a instituição de nossa Jornada Capixaba de Gastroenterologia só foi acontecer alguns anos depois. E um dos palestrantes de frequência na época – início dos anos 70 – foi o professor Jorge Toledo, que fazia parte da escola carioca do professor Figueiredo Mendes e, por isso mesmo, dedicado aos estudos de Gastroenterologia em geral, porém com ênfase nas doenças pépticas. Jorge de Alckmin Toledo era mineiro, nascido em 12 de maio de 1920, e se graduou na antiga Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro, entre os anos de 1939 e 1944. Em 1947, retornou àquela escola como assistente voluntário de clínica médica. Influenciado pelo professor Thomaz de Figueiredo Mendes, optou por se dedicar à Gastroenterologia e foi para a Universidade da Pensilvânia, onde cursou a pós-graduação no Graduate School of Medicine, de 1951 a 1952. Ao retornar, reintegrou-se ao serviço, ao lado de Waldemar Berardinelli e Figueiredo Mendes, onde coordenou inúmeros estudos e simpósios em Gastroenterologia. Em 1960, foi nomeado professor auxiliar e em 1962 conquistou a livre-docência em clínica médica, apresentando a tese sobre a autoagressão nas hepatopatias. Em 1966, foi promovido a professor assistente e, em 1971, a professor adjunto, cargo que exerceu até o falecimento, em 18 de agosto de 1985, com apenas 65 anos. Dentre os cargos de chefia, ocupou a do serviço de Gastroenterologia, a do serviço de clínica e, mais tarde, em 1974, a chefia de clínica da primeira cadeira. Em 1978, com a transferência do serviço para o Hospital Universitário da UFPR, passou a chefiar o serviço de Gastroenterologia. Muito antes, em 1972, passou a coordenar o curso de pós-graduação em Gastroenterologia e o setor de pesquisas em hepatologia. Orientou cinco teses de mestrado e foi membro de inúmeras bancas de mestrado, doutorado e livre-docência na UFRJ e em outras universidades. Publicou mais de 70 artigos e trabalhos científicos, a maioria ligada às doenças autoimunes do fígado. Foi estudioso também das hepatites virais, especialmente do vírus C, na época denominado Não A, Não B. Foi membro de diversas sociedades médicas, em particular a Sociedade Brasileira de Hepatologia, da qual foi fundador e presidente no biênio 1978-1979, quando organizou e presidiu o VI Congresso Brasileiro de Hepatologia, no Rio de Janeiro, em 1979. Foi presidente da Sociedade de Gastroenterologia do Rio de Janeiro entre 1970 e 1971 e membro da American Gastroenterological Association.

71 


Luiz de Paula Castro

Falar sobre o professor Luiz de Paula Castro para nós, capixabas, e para qualquer brasileiro, é missão, ao mesmo tempo, fácil e muito difícil. A facilidade vem da emoção de falar sobre um professor que foi o mestre de todos os médicos, por ter sido autor de vários livros, inclusive o compêndio que se tornou o guia máster da Gastroenterologia brasileira, adotado pela maioria das escolas de graduação médica do país. Somos todos seus alunos. Já o entrave vem do vulto que o professor Paula Castro adquiriu, tornando tão vasta sua história, de modo que fica difícil abordar todos os seus detalhes. Mas nenhuma literatura produzida por um ser humano, por maior que seja, pode superar o próprio ser humano. Ler os ensinamentos através de seus livros ou de seus mais de 350 artigos publicados em revistas nacionais e estrangeiras nunca superou ouvi-lo em suas mais de 500 palestras e cursos proferidos ao redor do mundo. E nós, capixabas, tivemos a oportunidade de ouvi-lo em muitas dessas aulas, fora e aqui em nossa terra, já que não mediu esforços em comparecer nas incontáveis vezes em que aqui foi chamado. Sua mansidão mineira e sua sapiência cativavam a todos. Luiz de Paula Castro nasceu em 26 de maio de 1932, em Caeté, Minas Gerais. Graduou-se pela UFMG em 1955, tendo sido interno do Hospital Municipal de Belo Horizonte e da Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte, já buscando a especialização em Gastroenterologia. No ano seguinte, foi para São Paulo, onde fez pós-graduação no serviço de Gastroenterologia do Hospital das Clínicas da USP. Em 1958, concluiu seu doutorado em Medicina pela UFMG. Esteve fora do Brasil algumas vezes em trabalhos e estágios em alguns serviços. O primeiro deles foi em 1959, quando trabalhou no serviço de Gastroenterologia do Veterans Administration Hospital, em Los Angeles. Em 1965, como bolsista da Capes, esteve no General Hospital em Birmingham, na Inglaterra, onde ganhou notoriedade e foi contemplado, em 1972, pelo governo britânico com uma bolsa de estudos, que lhe permitiu atuar em alguns serviços de destaque da especialidade naquele país.

72 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


Neste mesmo período, iniciava sua carreira docente, a princípio na Faculdade de Ciências Médicas da PUC-MG, onde ministrou o curso de Clínica Propedêutica Médica e foi instrutor da segunda cadeira de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG até 1965, quando se tornou professor adjunto de clínica médica. Passou a ministrar aulas sobre patologias do esôfago, hipertensão arterial, nefropatias e doenças do aparelho digestivo. Em 1970, optou pela disciplina de Gastroenterologia e Nutrição, do Departamento de Clínica Médica da UFMG, onde foi chefe de departamento. A nomeação como professor titular da UFMG ocorreu em 1975. Em 1981, Paula Castro criou o Ambulatório de Úlcera Péptica da Faculdade de Medicina, que se transformou no maior centro de referência do país nos estudos das doenças gástricas. De 1976 a 1980, assumiu vários cargos de direção dentro da Faculdade de Medicina da UFMG, como a diretoria da faculdade, a chefia do Departamento de Clínica Médica e a direção do Hospital das Clínicas. Foi presidente da Federação Brasileira de Gastroenterologia no biênio 1984-1986. De 1986 a 1988, presidiu a Associação Brasileira de Educação Médica e foi presidente da Associação Interamericana de Gastroenterologia (Aige) de 1997 a 1999. Foi governador para o Brasil do American College of Gastroenterology (ACG) de 1998 a 2002. Antes, foi admitido como membro do American Gastroenterological Association (AGA). Foi ainda colaborador dos seguintes periódicos: Sinopse em Gastroenterologia; Arquivos de Gastroenterologia; Revista Pernambucana de Gastroenterologia; Revista Brasileira de Medicina; Arquivo Brasileiro de Cirurgia Digestiva, Gastroenterologia e Endoscopia Digestiva; Revista Brasileira de Clínica e Terapêutica; Revista Brasileira de Nutrição Clínica; Revista Médica de Minas Gerais, e Revista da Associação Médica Brasileira. Editou a Revista Gastroenterologia de 2002 a 2004. No exterior, foi colaborador das revistas Acta Gastroenterologica, Gastric Cancer e Hepato Gastroenterology. Em 29 de abril de 2003, tomou pose na cadeira número 20 da Academia Nacional de Medicina. O professor Luiz de Paula Castro foi aposentado compulsoriamente em 2002, porém manteve-se umbilicalmente ligado à Faculdade de Medicina, em plena atividade, sendo agraciado por indicação da congregação da faculdade com o título de professor emérito da instituição em 28 de novembro de 2006. Deixou-nos em luto no dia 12 de julho de 2011.

73 


Luiz Caetano da Silva

A expoência do professor Luiz Caetano da Silva surgiu bem antes da fundação da Soges. Por isso mesmo, ele foi precursor destes 50 anos de história da nossa sociedade. Bem antes disso, ele já participava conosco, trazendo seus ensinamentos e motivação para a arregimentação da especialidade por aqui. Em São Paulo, onde fazia carreira profissional e acadêmica, já corria longe a organização dos gastroenterologistas e, nessa matéria, também nos deu aulas, orientando a fundação da nossa sociedade. Um dos grandes nomes da Medicina brasileira, especialmente da Gastroenterologia e da hepatologia, Luiz Caetano nasceu em 1927 no interior de São Paulo e se formou em Medicina aos 24 anos, pela Faculdade de Medicina da USP, em 1951. Fez residência no Hospital das Clínicas da mesma faculdade, quando se dedicou à clínica médica e, já em seguida, despertava o interesse pela docência quando orientava os internos e novos residentes, rendendo a ela uma homenagem pelos graduandos da USP da turma de 1955. Seguiu pouco mais tarde para a Inglaterra, onde fez estágio no serviço de hepatologia da professora Sheila Sherlock, no Royal Free Hospital. Em 1961, defendeu de forma brilhante a sua tese de doutoramento, trabalho que realizou nos quatro anos anteriores junto a outras áreas, intitulada “Estudo da hiperbilirrubinnemia pós-anastomose Porto Cava em pacientes com esquistossomose hepato-esplênica e cirrose hepática”. Esse estudo serviu de base para a publicação de três trabalhos posteriores em revistas internacionais, despertando interesse de outros estudiosos do assunto, que os citaram em algumas publicações internacionais. Aprovado com nota máxima (grau 10) no concurso para livre-docência em 1974, com seu trabalho sobre “Anticorpos e eosinófilos circulantes na esquistossomose mansônica: contribuição para o estudo e efeitos da quimioterapia”. Recebeu por esse trabalho o Prêmio Professor Ovídio Campos, do Hospital das Clínicas.

74 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


Teve grande participação no Instituto Brasileiro de Estudos e Pesquisas em Gastroenterologia (Ibepege), do qual foi presidente em dois mandatos entre 1963 e 1969, quando o curso de mestrado em Gastroenterologia, instituído por esse instituto foi reconhecido pelo Conselho Federal de Educação. Em 1985, conquistou o título de professor adjunto da FMUSP. Foi um grande estudioso da esquistossomose mansônica no Brasil, sobretudo na década de 60, culminando com a sua nomeação pelo ministro da Saúde, em 1976, como observador e analista do Plano Especial de Combate à Esquistossomose (Pece). Em 1980, foi convidado a participar de uma reunião da Organização Mundial da Saúde, em Genebra, na Suíça, para discutir essa endemia e, dois anos mais tarde, foi designado pela Sucam para avaliar os resultados do Pece. Constituiu e presidiu o Grupo Interdisciplinar de Estudos de Alcoolismo e Farmacodependências (Grea). A partir de 1989, exerceu a chefia da disciplina de Gastroenterologia Clínica do Departamento de Gastroenterologia da FMUSP. Como tal, organizou 27 cursos na FMUSP e em 17 outras faculdades. Teve participação importante em inúmeros congressos nacionais e internacionais e publicou 120 trabalhos em revistas científicas no Brasil e 45 no exterior, editou três livros, 32 capítulos em outros livros no Brasil e 15 no exterior, publicou 27 temas livres em revistas nacionais e em 72 periódicos internacionais, dentre eles o Hepatology e o Gastroenterology. Essas publicações mereceram mais de 100 citações em trabalhos publicados mundo afora. Orientou 15 teses em nível de mestrado e 22 de doutorado, além de colaborar em oito teses de livre-docência. O professor Luiz Caetano da Silva presidiu a Sociedade Brasileira de Hepatologia no biênio 1970-1971 e logo em seguida, entre 1971 e 1972, foi presidente da Sociedade Latino-Americana de Hepatologia. Faleceu em 3 de outubro de 2012, deixando um vazio na comunidade científica brasileira, especialmente entre os gastroenterologistas e hepatologistas. Seu colega da Sociedade Brasileira de Hepatologia Waldir Pedrosa Amorim assim se expressou na ocasião de seu falecimento: “Sua subtração de nosso convívio ecoa imensa em nós, dado o tamanho de sua imortalidade e perpetuidade em vida. Luiz Caetano representou para a hepatologia nacional o mesmo que Drummond de Andrade para a poesia e a literatura”.

75 


Edivaldo Fraga Moreira

Edivaldo Fraga Moreira nasceu em Governador Valadares, Minas Gerais, em 1953, filho do baiano Durvalino José Moreira e da capixaba Leonita Fraga Moreira, natural de Fundão. Sempre teve uma ligação afetiva muito grande com o Espírito Santo, a começar pelas férias desde o primeiro ano de vida, que passava em Nova Almeida, juntamente com os oito irmãos e vários primos. Graduou-se em Medicina pela Emescam em 1978. Ainda estudante de Medicina, foi monitor no serviço de Gastroenterologia, coordenado pelo saudoso Edson de Souza Ribeiro. A partir do quinto ano de escola, foi estagiário do professor Carlos Sandoval Gonçalves no Hospital São José, o que foi uma grande influência em sua formação médica. Após sua formatura, fez sua especialidade médica nos anos de 1981 e 1982 em clínica médica e Gastroenterologia no Hospital Felício Rocho e também o curso de endoscopia digestiva, ministrado pelo endoscopista e semiologista da UFMG Celso Affonso de Oliveira. A seguir, realizou por seis meses estágio em endoscopia terapêutica no serviço de endoscopia do Hospital das Clínicas de São Paulo. Em 1981, assumiu o serviço de endoscopia digestiva do Hospital Felício Rocho, onde exerce suas atividades até o momento.

76 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


Frequentou ainda cursos curtos de especialização e atualização em endoscopia terapêutica na Bélgica, em Viena e em Amsterdã e visitou o serviço de endoscopia da Universidade de Hamburgo. Também realizou estágio em Santiago, no Chile, no serviço coordenado por Cláudio Navarrete. A partir de 1990 teve a vida dedicada à endoscopia na Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed), tendo adquirido o título de especialista em 1993. Publicou 70 trabalhos em anais e eventos técnico-científicos, 12 em periódicos e 18 capítulos de livros. Participou de 340 congressos da Sobed nacional e Sobed/MG, a maioria como palestrante. Foi presidente da Sobed/MG no biênio 1996-1998 e presidente da Comissão de Protocolos e Diretrizes da Sobed duas vezes entre 2007 e 2010, elaborando 18 diretrizes. Também presidiu o Centro de Ensino e Treinamento (CET) da Sobed entre 2011 e 2012 e participou de bancas examinadoras da Comissão de Título de Especialista em Endoscopia Digestiva (Teed) nos anos de 1999, 2000, 2001, 2002, 2011 e 2012. Sua relação com o Espírito Santo é íntima e foi homenageado durante o Seminário Brasileiro de Endoscopia Digestiva, realizado em Vitória, em 2005.

77 


Claude Liguory

Foto: Cloves Louzada

O professor Claude Liguory, da Universidade de Paris, por força da ligação com seu ex-aluno, nosso colega Marcos Bastos, esteve conosco em Vitória por diversas vezes, ora nos brindando com suas aulas magistrais, notadamente quando munido de um endoscópio para realizar procedimentos de alta complexidade, ora para nos acompanhar numa boa mesa, com sua inseparável caipirinha e seu bom papo. Sobre ele, deixemos que fale Marcos Bastos, que teve com o professor Liguory um longo tempo de convivência e aprendizado quando de seu estágio em alguns serviços chefiados pelo mestre na cidade de Paris. “Vou falar sobre um dos maiores endoscopistas do mundo, que, nas suas inúmeras atividades, foi chefe da Clínica do Hospital Universitário de Paris; presidente da Sociedade Francesa de Endoscopia Digestiva; é membro da Sociedade Francesa de Gastroenterologia; membro honorário das sociedades alemã, brasileira, argentina e italiana de endoscopia digestiva; fundador e conselheiro da Sociedade Francesa de Enfermagem em Endoscopia Digestiva, e conselheiro da Sociedade Europeia de Endoscopia Digestiva. Notável professor, que obteve muitos títulos por distinção pelos inúmeros trabalhos, tais como membro da Academia Francesa de Cirurgia, membro honorário da Academia Volusia de Medicina de Daytona Beach, na Flórida, nos Estados Unidos, e membro honorário do Hospital Universitário de Paris, entre muitos outros títulos. Participou, como palestrante/conferencista, de inúmeros eventos relevantes ao redor do mundo e realizou procedimentos inéditos, como a primeira

78 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


cisto-duodenostomia endoscópica do mundo no tratamento do pseudocisto de pâncreas na pancreatite crônica. Realizou a primeira colangiografia endoscópica retrógrada das Américas, fato ocorrido no Brasil em julho de 1972, no Hospital Santa Cruz, em Niterói, Rio de Janeiro. Não só um, mas três desses procedimentos realizados em sequência, a pedido do professor Guilherme Eurico Bastos da Cunha, chefe do serviço de cirurgia da Universidade Federal Fluminense. O professor Liguory criou uma grande legião de alunos endoscopistas no Brasil. Lembro que na pós-graduação em seu serviço de endoscopia, o regime era duro, mas assegurava um aprendizado sólido e diferenciado. Éramos chamados por ele de ‘legião estrangeira’. Fora do hospital, curtíamos bons momentos e viajávamos para sua casa de campo, agora em Bourgogne, saboreando a comida que ele divinamente preparava e degustando deliciosos vinhos, conhaques e armanhaques. Desde sempre, o professor Liguory adora bater um bom papo, tomando nossa caipirinha com camarão frito, moqueca capixaba, feijoada e uma boa cachaça. Importante que sempre prestigia seus ex-alunos e ama viajar pelo Brasil. Numa ocasião, perto da hora do seu voo, saindo de um congresso em Foz do Iguaçu, já no aeroporto, segurou o colega Renato Fischer para tomar a penúltima caipirinha. Penúltima porque ele sempre fala que a caipirinha nunca será a última. De outra vez, fomos a um almoço no restaurante Guaramares, em Meaípe, Guarapari, com um grupo organizado pelo colega Oswaldo Pavan, após o Seminário Brasileiro de Endoscopia Digestiva. Conosco, o professor Liguory, já com suas poucas roupas limpas na mala, muito descontraído, levou um banho de vinho tinto detonado desastrosamente pelo colega Etevaldo Scopel. Mesmo assustado, não perdeu a graça e a esportiva. Assim é Claude Liguory, o grande mestre e amigo, em sua vida e seu memorável trabalho.”

79 


Walton Albuquerque

Um grande amigo capineiro (mistura de capixaba com mineiro), com quem temos mútua generosidade é Walton Albuquerque, nosso hóspede costumaz e grande colaborador com os gastroenterologistas e endoscopistas capixabas. Nascido em Minas Gerais, mas graduado em Vitória pela Escola de Medicina da Santa Casa de Misericórdia (Emescam) em 1983, Walton ainda na graduação escolheu a cirurgia como especialidade a qual se dedicar, tendo sido monitor de técnica operatória, sob orientação do professor Danilo Nagib Salomão. Sobre o mestre, Walton destaca que foi ele quem lhe influenciou para se dedicar a pesquisas em animais e seguir as metodologias acadêmicas, o que o levou a escrever um capítulo na apostila de técnica operatória sobre a história da cirurgia. Ainda na graduação, ressalta sua atuação junto com João Luiz Sandri, cirurgião vascular e angiologista; Álvaro Armando de Carvalho, que o incentivou a fazer pesquisa clínica sobre nutrição em cirurgia, e os vários preceptores que guiaram sua formação acadêmica, como Claudio Medina, Alvino Jorge Guerra, Décio Sequim, Luciano Nogueira e Edson Loureiro.

80 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


O despertar pela endoscopia digestiva surgiu ainda na graduação, acompanhando o professor Reginaldo Baptista no serviço de endoscopia digestiva da Santa Casa de Misericórdia. Depois de graduado, voltou a Minas Gerais para cursar residência médica em cirurgia geral pela Fhemig e fez estágio no serviço de endoscopia do Hospital Felício Rocho. Em 1989, foi para Lyon, na França, fazer especialização em endoscopia digestiva, especialidade que abraçou definitivamente na sua carreira médica. Ainda na França, esteve uma temporada em Paris fazendo treinamento em ecoendoscopia. Esteve ainda no Japão, onde recebeu treinamentos em ressecção endoscópica de neoplasias do tudo digestivo. O gosto pela endoscopia digestiva o fez conquistar o doutorado em Gastroenterologia pela Universidade Federal de Minas Gerais em 2005. Atualmente, atua mais diretamente com cirurgia endoscópica no Hospital Madre Teresa e no IPSEMG, em Belo Horizonte, dedicando-se ao diagnóstico, estadiamento e tratamento endoscópico de lesões neoplásicas superficiais do aparelho digestivo. Nossas saudações ao colega Walton Albuquerque.

81 


Luiz Leite Luna

“Foi com um misto sentimento de satisfação e preocupação que na noite de 10 de julho de 2018 recebi um telefonema de Renato Fischer, da Sociedade de Gastroenterologistas do Espírito Santo (Soges), me convidando a participar da comemoração dos 50 anos da fundação dessa prestigiada sociedade. Satisfação porque é prazeroso ser lembrado pelos seus pares por eventual contribuição que tenha prestado nas realizações dessa sociedade. Preocupação pela responsabilidade de ser incluído num grupo eclético de ilustres gastroenterologistas do nosso país que, nos últimos 50 anos, contribuíram de alguma maneira nas atividades científicas da Soges, no meu caso modestamente. Nascido de uma família alagoana de classe média, há 74 anos, na linda e bucólica Penedo, às margens do São Francisco, fui o último dos cinco irmãos. Com esforço dos pais, fui mandado ao Rio de Janeiro em 1960 para prosseguir os estudos. Na viagem, meu voo fez escala em Vitória, sendo o meu primeiro contato com essa cidade. Concluí o curso científico (atual segundo grau) no Colégio Santo Antonio Maria Zacarias e, por influência de meu irmão mais velho, que já era médico, resolvi cursar Medicina. O fiz pela Faculdade Nacional de Medicina do Brasil, onde fui aluno de ilustres professores, como Helio e Clementino Fraga Filho, Carlos Chagas Filho, Jose Leme Lopes, Lauro Solero, Paulo da Silva Lacaz, Domingos de Paola, José de Paula Lopes Pontes, Mariano de Andrade e Magalhães Gomes, entre outros. Tive a felicidade de ter como colegas de faculdade ilustres capixabas, como Aylton Peruchi, Cleber Vargas, Helio Lopes Heleno, Rogerio Américo de Souza, Jose Luiz Loureiro Martins, Luiz Carlos Arpini, Manoel Francisco Soares Junior, Claudia Medeiros e Amós Protes. Optei pela primeira cadeira de clínica médica, chefiada pelo saudoso e competente professor Clementino Fraga Filho, contando com ilustres docentes gastroenterologistas, como Jorge Toledo, Boavista Nery, Issac Waissman, Faustino Porto, Fernando Portela e Helio Luz, entre outros. Foi esse time brilhante que me fez escolher a especialidade de Gastroenterologia. Então, ingressei como interno e depois como residente na primeira cadeira, onde convivi e aprendi a admirar Carlos Sandoval Gonçalves, Benito Zanandréa e Wilson Zanotti, do Espírito Santo, que estagiaram no serviço do professor Fraga Filho. Concluída a residência médica, consegui um Fellowship em Gastroenterologia em Boston, nos Estados Unidos, na Lahey Clinic Foundation, associada à Harvard University. Nessa época, 1970, florescia, sob forte influência japonesa, a endosco-

82 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


praias e montanhas e sua deliciosa gastronomia (a moqueca capixaba em panelas de barro é a melhor do Brasil). A qualidade de sua Gastroenterologia é muito respeitada em todo o país, assim como nomes como o de Carlos Sandoval Goncalves, ilustre gastroenterologista e hepatologista; João Luiz Aquino Carneiro, cirurgião de renome nacional, sobretudo na cirurgia da hipertensão portal; Marcos Bastos da Silva, importante endoscopista, e de outros colegas, como Oswaldo Pavan, Esteban Sadovsky, Etevaldo Scopel, Maria da Penha Zago, Luiz Sergio Emery, Wilson Haig Santos (que nos honrou fazendo meu curso no Rio de Janeiro), Emilio Mameri, Ubaldino de Souza Freitas (foi pioneiro em eletrocoagulação endoscópica das úlceras sangrantes na década de 70) e Evanilo Silva, entre tantos outros. Desde o início de minha prática na Gastroenterologia e endoscopia digestiva, tenho sido honrado com convites para participar de cursos, simpósios e seminários nesse estado privilegiado. Assim, por sete vezes participei de atividades em Vitória, Guarapari e Pedra Azul (Domingos Martins). Em 2005, tive o privilégio de presidir a Comissão Científica do XVII Seminário Brasileiro de Endoscopia Digestiva, realizado em Vitória, com inúmeros palestrantes internacionais, como os professores Rene Lambert (França), Claudio Navarret (Chile), Youichi Kumagai (Japão), Thierry Ponchon (França), Nestor Chopita (Argentina), Guido Villa-Gomes Roig (Bolívia), Irvin Waxman (Estados Unidos), Claude Liguory (França), David Hambrick (Estados Unidos), Horst Neuhaus (Alemanha) e incontáveis expoentes da especialidade de todo o Brasil e do Espírito Santo, que redundou num extraordinário evento.”

Foto: Cloves Louzada

pia digestiva com grande progresso na Gastroenterologia. Me dediquei a ela e pensei em me radicar nos Estados Unidos, onde nasceu meu primeiro filho. Mudei de ideia quando, em julho de 1971, fui apresentado ao novo e revolucionário pan-fibroscópio GIF-D, o qual adquiri e trouxe para o Rio de Janeiro, o primeiro da América Latina. Voltei para o serviço do professor Fraga Filho, mas, mais tarde, me afastei da universidade e iniciei um serviço de endoscopia no Hospital Federal do Andaraí, onde fundei, junto com o grande homem e cirurgião José Wazen da Rocha, o primeiro Centro de Hemorragia Digestiva, que se tornou referência e centro de atendimento em hemorragia digestiva do Rio de Janeiro. Em função de sua importância, criamos ali um Curso de Iniciação à Endoscopia Digestiva, responsável pela formação de inúmeros endoscopistas de várias partes do país. Dali também surgiram muitas de nossas contribuições, como trabalhos científicos, publicações variadas em revistas e livros, aulas em congressos e, sobretudo, desenvolvimento de novas técnicas endoscópicas. Em 1975, junto com outros 13 endoscopistas, durante o III Seminário Brasileiro de Endoscopia Digestiva, realizado em Curitiba, sob a liderança do professor José Martim Job, fundamos a Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva, a Sobed, da qual fui presidente no biênio 19921994 e da qual sou membro fundador, titular e honorário, o que muito me orgulha. Continuo participando da vida científica dessa sociedade, atualmente como editor da série “Atualização em endoscopia digestiva”. A minha admiração pelo estado do Espirito Santo é de longa data, não só pela simplicidade e simpatia do seu povo em geral, mas pelas semelhanças com o meu estado de adoção, o Rio de Janeiro, suas belíssimas

83 


José Celso Ardengh

José Celso Ardengh também é um dos amigos que nos últimos anos têm nos visitado com frequência, sempre trazendo seus vastos conhecimentos em nossos cursos e jornadas científicas. Ardengh, nascido na cidade de São Paulo em 1962, fez o curso de graduação em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade São Francisco, na cidade de Bragança Paulista, em São Paulo, no período de 1982 a 1987. Ingressou a seguir no curso de residência médica na área básica de cirurgia geral e Gastroenterologia do Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo nos anos de 1988 a 1990. Os contatos com os professores José Roberto Luzzi e Arnaldo Jose Ganc o animaram ainda mais para o ensino e a pesquisa na área de endoscopia e de Gastroenterologia, levando-o a ingressar no Curso de Especialização em Endoscopia Digestiva e Respiratória do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, coordenado pelo professor Shinichi Ishioka. No final da especialização, seguiu para Paris, onde estudou e trabalhou com o professor Claude Liguory no período de agosto de 1991 a setembro de 1992, onde se aprimorou na prática da colangiopancreatografia endoscópica e, por indicação do professor Liguory, estudou e trabalhou com o professor Cirille Pauphilett, na época já dominando a recente técnica da ultrassonografia endoscópica. Ainda durante sua estada em Paris, participou do Curso Continuado em Endoscopia Digestiva do Groupe Hospitalier Bichat Claude Bernard, ministrado pelo grupo do professor Paolagi, da Universidade de Paris, e outros cursos e jornadas ocorridas na França naquele período. Num encontro fortuito com o professor Josef Feher, então presidente do Hospital Israelita Albert Einstein (Hiae), no aeroporto Charles de Gaulle, surgiu a ideia de se adquirir uma aparelhagem de endossonografia para aquele hospital e foi então programado e, na sua volta, montado no Hiae, o primeiro serviço de ecoendoscopia da América Latina, sob a responsabilidade do professor José Celso Ardengh. A partir daí, múltiplos trabalhos científicos foram produzidos sobre endoscopia digestiva. De 1987 a 1995, o professor Ardengh publicou 13 trabalhos, dentre eles três dedicados à ecoendos-

84 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


copia. No mesmo período, apresentou 63 comunicações em congressos, dentre eles trabalhos sobre as indicações da ecoendoscopia nas diversas doenças do sistema digestivo, e ministrou aulas e conferências em diversos cursos e congressos em todo Brasil. Em 1995, adquiriu o título de especialista em endoscopia digestiva pela Sobed e se incorporou na entidade, onde exerceu os cargos de presidente da Sobed/SP entre os anos de 2009 e 2010, presidente da Comissão de Informática da Sobed/SP (1997-1998), membro da Comissão de Admissão e Sindicância da Sobed/SP (2001/2002) e presidente do Núcleo de Ecoendoscopia da Sobed/ SP (2005-2014). Na Sobed nacional exerceu os cargos de membro da Comissão Científica e Editorial (2011-2012 e 2013-2014), membro da Comissão de Relações Internacionais (América do Sul, 2011-2012), presidente da Comissão Científica e Editorial (2015-2016) e tesoureiro (2015/16). Em 1999, conquistou o grau de mestre defendendo a tese intitulada “Diagnóstico da colecistomicrolitiase pela ecoendoscopia na pancreatite aguda sem causa aparente”. Esse trabalho foi premiado no 11th World Congress of Gastroenterology, realizado em Viena, em setembro de 1998. Em 2002, foi a vez de adquirir o título de doutor, defendendo a tese intitulada “Ecoendoscopia associada à punção aspirativa para avaliar o estágio (tn) e a invasão vascular do carcinoma pancreático”. O professor José Celso Ardengh exerce atividades em vários serviços de expressão no estado de São Paulo, destacando-se a de livre-docente da Universidade de São Paulo, título obtido em 2010, com o trabalho intitulado “Lesões precursoras do câncer pancreático: papel da ecoendoscopia na identificação, estadiamento e diagnostico histológico”. Parabéns ao professor Ardengh por tão brilhante carreira, que deverá ainda correr muitos anos, e, sobretudo, por sua contumaz disponibilidade para expor seus conhecimentos aos colegas, notadamente aqui no Espírito Santo.

85 


4. A  s faculdades de Medicina e os serviços de Gastroenterologia do Espírito Santo 4.1 Faculdade de Medicina da Ufes Embrião da atual Universidade Federal do Espírito Santo, a Universidade do Espírito Santo (UES) foi criada em 5 de maio de 1954, por meio da Lei n. 806, assinada por Jones dos Santos Neves, então governador do Espírito Santo. Entre os institutos que a compunham, constava a Escola de Medicina, que ainda estava para ser instalada. De acordo com o Decreto Federal n. 19.851, de 11 de abril de 1931, entre as exigências para a instalação de uma universidade estava a existência de uma faculdade de Medicina agregada. Por isso, a criação da faculdade deveria ser realizada obrigatoriamente, e a proposta de sua criação foi encaminhada para a Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo em 11 de outubro de 1956, a qual foi aprovada e transformada na Lei n. 1.240, sancionada por Francisco Lacerda de Aguiar, governador à época, e publicada no Diário Oficial em 1957. Entretanto a criação da Faculdade de Medicina não foi assim tão fácil. Houve muitos percalços no caminho, alguns políticos, outros de ordem técnica. O passo inicial foi dado em 1958, quando o governador Francisco Lacerda de Aguiar nomeou cinco professores para a escola, a fim de criar as condições necessárias para o início do funcionamento da Faculdade de Medicina. O diretor da escola, Aluysio Sobreira Lima, providenciou a criação do curso e começou a construção do Instituto Anatômico, no terreno destinado à instalação do campus, em Maruípe, Vitória, onde o curso de Medicina funciona até hoje. Mas o projeto não obteve sucesso no Ministério da Educação e Cultura, não sendo implantado. Vista aérea da Faculdade de Medicina, em 1961 Fonte: REDINS, Carlos Alberto, 2011, p. 30

88 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


O próximo governador do estado, Carlos Fernando Monteiro Lindenberg, exonerou a equipe convidada pelo governador Francisco Lacerda de Aguiar e indicou Affonso Bianco para dar continuidade às providências para a Faculdade de Medicina, como a conclusão do Instituto Anatômico, aquisição de móveis e equipamentos e, o principal, autorização de funcionamento junto ao governo federal. Esta só veio em 29 de dezembro de 1960, por meio do Decreto Federal n. 49.621, assinado pelo então presidente Juscelino Kubitschek. “Analisando a instalação e crescimento das escolas de medicina no Brasil, nota-se que as décadas de 50 e 60 foram marcadas por forte expansão dessas escolas, determinadas especialmente por iniciativas da política externa americana através de programas de ajuda aos países subdesenvolvidos, como a Aliança para o Progresso, do início de 1960, cujos objetivos incluíam soluções para a carência de médicos na América Latina” (REDINS, 2011, p. 25). Também a Fundação Rockefeller foi buscada por Affonso Bianco para contribuir para a implantação do curso de Medicina, com a doação de equipamentos, pedido que, infelizmente, não foi possível de ser atendido naquele momento. Em 30 de janeiro 1961, a Universidade do Espírito Santo, então estadual, foi federalizada, aumentando ainda mais a expectativa pela instalação da Faculdade de Medicina, o que aconteceu, efetivamente, em 13 de abril de 1961, com as disciplinas de Anatomia Sistemática e Histologia e Embriologia, no prédio do Instituto Anatômico. Alguns anos depois de implantada, a Faculdade de Medicina foi transferida, em 1964, do Instituto Anatômico para o prédio do Instituto Agrícola, que foi reformado e adaptado para receber o curso. Nesse mesmo ano, o currículo da Faculdade de Medicina foi aprovado pelo Conselho Universitário da Universidade do Espírito Santo. Nele, havia 18 cadeiras e mudanças na seriação das disciplinas. O primeiro vestibular da Faculdade de Medicina ocorreu em 1961, com 30 vagas e 98 candidatos inscritos. Destes, 28 obtiveram média igual ou superior a quatro nas provas e foram aprovados. A essa altura, o quadro do pessoal docente e técnico-administrativo da Faculdade de Medicina já era composto por 11 pessoas, número que foi aumentando à medida que mais turmas ingressavam e novas disciplinas eram implantadas. Alguns professores vinham, principalmente, do Rio de Janeiro e de Belo Horizonte.

89 


Calouros da primeira turma de Medicina em frente ao Instituto Anatômico com o governador Carlos Lindenberg Fonte: REDINS, Carlos Alberto, 2011, p. 70

Alguns dos primeiros docentes se relacionaram diretamente à criação da Soges, sendo seus fundadores ou participantes da sociedade desde os primórdios. É o caso, por exemplo, dos professores Benito Zanandréa, Cassiano Antonio Moraes, Fausto Edmundo Lima Pereira, Laurentino Biccas Jr. e Carlos Sandoval Gonçalves. Outros gastroenterologistas inseridos no dia a dia da sociedade também foram ou ainda são professores da Faculdade de Medicina, como Vitor Buaiz, Wilson Mário Zanotti, Emilio Mameri Neto, Maria da Penha Zago Gomes etc.

4.2 Hospital das Clínicas: hospital-escola A criação de um hospital-escola que pudesse atender aos cursos de Medicina e Enfermagem, incorporado à Faculdade de Medicina, já estava prevista desde 1954 no processo de criação da Universidade do Espírito Santo. No entanto a obra não foi finalizada, e os departamentos clínicos funcionavam na Santa Casa de Misericórdia de Vitória, na Clínica de Tórax do Sanatório Getulio Vargas e no Hospital Infantil Nossa Senhora da Glória, sempre sob convênios. Posteriormente, funcionaram também na Maternidade Pró-Matre, no Hospital Colônia Adauto Botelho e no Centro de Saúde de Vitória. Em 1966, houve o arrendamento do Hospital São Pedro, na Praia do Suá, onde passaram a funcionar o Departamento de Cirurgia e as disciplinas de Semiologia e Gastroenterologia. Quase todas as especialidades passaram a ser ensinadas lá em 1967. Em 1968, também por meio de convênios, o Sanatório Getulio Vargas, no bairro Maruípe, em Vitória, passou a atender as necessidades de ensino da Faculdade de Medicina, exceto uma ou outra disciplina. Entre 1973 e 1974, o local, já denominado Hospital das Clínicas, passou a ser o hospital de ensino do curso de Medicina da Ufes. O Sanatório Getulio Vargas teve sua construção iniciada em 1938. Antes de servir ao objetivo de oferecer à população o tratamento da tuberculose, funcionou como presídio para italianos e alemães em 1942, durante

90 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


a Segunda Guerra Mundial. Em seu livro de memórias1, Benito Zanandréa, lembra que “o Sanatório Getulio Vargas se tornou um local de referência nacional no tratamento da tuberculose, quer pelo nível da assistência médica prestada aos seus pacientes, quer pelas condições dos trabalhos científicos que apresentava” (p. 27). Sanatório Getulio Vargas em 1941 Fonte: REDINS, Carlos Alberto, 2011, p. 240

Sua passagem para a Universidade Federal do Espírito Santo ocorreu de maneira formal em 20 de dezembro de 1967. A contrapartida da universidade foi a autorização do uso, pelo estado, do Estádio Jones dos Santos Neves. Esse fato motivou muita polêmica, pois havia quem fosse contrário a essa transferência, sob a justificativa de que os doentes tuberculosos ficariam sem tratamento. No entanto ficou acertado que a Ufes construiria um prédio, na área do sanatório, com 200 leitos, para tratar os doentes pulmonares. A unidade foi construída, mas o número de leitos demandados foi reduzindo-se consideravelmente com o advento da hidrazida, medicamento de grande potencial para a cura da tuberculose. Assim, passaram-se a internar apenas pacientes virgens de tratamento, que necessitariam ficar hospitalizados por, no máximo, três meses. As longas internações, de até três anos, acabaram, e priorizou-se o atendimento ambulatorial. Em 1968, o nome do local deixou de ser Sanatório Getulio Vargas e passou a ser Hospital das Clínicas. Mais tarde, em 1978, ganhou o nome de Hospital Universitário Cassiano Antonio Moraes (Hucam), em homenagem ao professor falecido naquele ano.

1. ZANANDRÉA, Benito. História e pioneirismo: Hucam – Hospital Universitário Cassiano Antonio Moraes. Vitória: edição do autor, 2016.

91 


Fachada do prédio principal do Hospital das Clínicas na década de 70 Fonte: REDINS, Carlos Alberto, 2011, p. 248

4.3 O serviço de Gastroenterologia e hepatologia do Hospital das Clínicas O Hospital das Clínicas foi o primeiro hospital do Espírito Santo a ter um serviço de endoscopia digestiva alta em funcionamento, como lembra Benito Zanandréa, em seu livro. No início das aulas de Gastroenterologia, em 1964, alguns alunos começaram a demonstrar interesse em seguir na especialidade, como Reginaldo Cardoso, que se tornou cirurgião; Evanilo Silva; Josenildo Zanandréa, e Josiel Araújo. Estes três foram encaminhados para o serviço de Gastroenterologia chefiado pelo professor Clementino Fraga Filho, no Rio de Janeiro, para cursarem residência na especialidade. Posteriormente, Evanilo Silva foi encaminhado por Benito Zanandréa ao Rio de Janeiro para fazer o curso de endoscopia digestiva. Após seu retorno, foi o primeiro a exercer essa especialidade no estado. Tinha início aí o serviço de Gastroenterologia do Hospital das Clínicas, chefiado inicialmente por Benito Zanandréa e, posteriormente, por Carlos Sandoval Gonçalves, que, depois da aperfeiçoar-se em Gastroenterologia no Rio de Janeiro, retornou ao Espírito Santo em 1967, ingressando na universidade. Quatro profissionais começaram os atendimentos, inaugurando o serviço: Carlos Sandoval Gonçalves, Wilson Mário Zanotti, Vitor Buaiz e Evanilo Silva, que trabalharam dois anos como professores voluntários, abrindo o serviço, e posteriormente foram contratados como docentes da universidade. A professora Maria da Penha Zago informa que o serviço foi crescendo com a adesão e contratação de novos profissionais preocupados em prestar um bom serviço. “O que se fez nesse serviço ficou marcado no âmbito nacional. Um dos pontos que destaco foi a observação de alta incidência do câncer de fígado mais comum, o hepatocarcinoma, em algumas comunidades do Espírito Santo. Entre essas comunidades estava uma no municí-

92 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


Hospital Universitário Cassiano Antonio Moraes Foto: Cloves Louzada

pio de Vargem Alta, no sul do estado, onde havia uma grande concentração de imigrantes italianos oriundos da região do Vêneto. Lá encontrou-se alta prevalência de infecção pelo vírus B, o que ajudou a reforçar a tese de que a infecção pelos vírus hepatotrópicos pudesse ser causa importante do câncer, como ficou evidenciado posteriormente.” Esse achado embasou a solicitação do professor Carlos Sandoval Gonçalves, na época, para que o Espírito Santo fosse incluído na primeira fase de lançamento da vacina contra o vírus B, no que foi atendido pelo Ministério da Saúde. Atualmente, os capixabas ainda detêm os maiores índices de cobertura vacinal do país. O serviço de Gastroenterologia do Hucam, historicamente, tem um dos melhores trabalhos no tratamento das hepatites virais. Um dos alvos dessa atenção é o atendimento aos pacientes com cirrose hepática alcoólica, vigente há cerca de 40 anos, quando o serviço foi instituído pelo professor Carlos Sandoval Gonçalves. Atualmente, ele é dirigido pela professora Maria da Penha Zago, que acrescenta: “A cirrose alcoólica é um exemplo de doença que não se consegue deter apenas tentando tratar o mal no fígado. O mal está no indivíduo, e ele tem que merecer uma atenção multiprofissional. O mal é a doença do alcoolismo, e não só a cirrose. Então, criamos o Programa de Atendimento ao Alcoolista do Hospital das Clínicas, onde contamos com atendimento médico e de enfermeiros, laboratórios e assistentes sociais e psicólogos, que dão suporte ao paciente e a sua família. O foco é fazer com que o alcoolismo seja encarado pelo paciente, sua família e amigos como uma doença, e não como um desvio de caráter, reconhecendo todos os males que podem ser causados por ele, a fim de que todos possam contribuir para que o paciente pare de beber. Aliás, essa é a única alternativa para o tratamento, ou melhor, para a interrupção do processo de cirrose.” Outros destaques do serviço de Gastroenterologia são os ambulatórios de pâncreas, criados há vários anos e ainda hoje um dos melhores do estado; os ambulatórios de doenças inflamatórias intestinais; os de doenças pépticas, e os de doença do refluxo gastroesofágico.

93 


Em termos de retaguarda técnica na área de Gastroenterologia, o hospital conta com um moderno setor de endoscopia, do qual fazem parte a endoscopia digestiva alta, a colonoscopia, a colangiopancreatografia e a ecoendoscopia, operadas por médicos endoscopistas de boa formação e experiência. No setor de imagem são realizados exames de ultrassonografia, tomografia e ressonância magnética. As atividades acadêmicas teóricas são desenvolvidas em salas de aulas, substanciadas com a prática nas quatro enfermarias, no pronto-socorro e nas UTIs do hospital, além de reuniões de alunos de graduação e de pós-graduação, culminando com as reuniões científicas semanais realizadas todas as sextas-feiras no auditório da Unidade de Gastro. Nelas se discutem todos os casos dos pacientes internados e casos clínicos destacados, terminando com uma aula sobre temas da especialidade, sempre ministrada pelos alunos da pós-graduação. Eventualmente, contam ainda com convidados de outros serviços e estados para discorrer sobre temas da Gastroenterologia ou de outras especialidades com assuntos de interesse da unidade. Essa reunião científica é muito tradicional, com algumas décadas de ocorrência, e foi uma iniciativa do professor Carlos Sandoval Gonçalves, perpetuada pelos atuais professores e alunos. É uma reunião aberta e dela normalmente participam médicos não ligados à Unidade de Gastroenterologia do Hospital das Clínicas. “A melhora no atendimento proporcionada pelo serviço de Gastroenterologia do Hospital das Clínicas evita complicações posteriores. Os cirróticos, por exemplo, vivem muito mais hoje do que na época em que eu fiz residência. Muitos cirróticos morriam antes de apresentarem as complicações que apresentam hoje. A gente aprendeu a tratar essas complicações sérias numa constante evolução do próprio atendimento”, afirma Ana Tereza Parpaiola Mendonça, que também atua no serviço. A chefe do serviço de Gastroenterologia do Hospital das Clínicas, Luciana Lofego Gonçalves, conta que esse é um dos serviços mais antigos do Hospital das Clínicas, com tradição e grande número de atendimentos ao paciente tanto em ambulatórios quanto na internação. Há atendimento ambulatorial todos os dias da semana, de segunda a sexta-feira, de manhã e à tarde, de cerca de 30 pacientes por turno. Há ainda atualmente em torno de 15 leitos de internação hospitalar para os pacientes atendidos nos ambulatórios ou encaminhados via central de regulação de vagas de outros pronto atendimentos e de outros serviços hospitalares do estado. A residência em Gastroenterologia do Hospital das Clínicas foi criada em 1992. Em 2008, foi inaugurada a de hepatologia. Até hoje 34 médicos já se formaram na residência de Gastroenterologia. Na de hepatologia, foram sete. Muitos deles são profissionais do serviço de Gastroenterologia e hepatologia do Hospital das Clínicas hoje em dia.

94 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


Reuniões do serviço de Gastroenterologia realizadas todas as sextas-feiras no Hospital das Clínicas

95 


4.4 A Emescam e o serviço de Gastroenterologia na Santa Casa de Misericórdia A Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Vitória teve sua atuação iniciada no século XVI, ainda como Irmandade da Misericórdia da Vila do Espírito Santo. Com a transferência da capital da capitania para a Vila Nova de Nossa Senhora da Vitória, atual Vitória, foi construída a Igreja da Irmandade da Misericórdia, no centro da vila, em sua parte alta. À época era “o único estabelecimento de caridade da província, atendendo pobres, doentes, órfãos, presos, idosos e loucos, além de militares. Na casa de caridade, eram atendidos feridos e doentes em situações especiais, já que não existia hospital para tanto” (REIS e CORDEIRO, 2012, p. 16). No século XIX, iniciou-se a mobilização para a construção de um hospital, quando o governador Francisco Alberto Rubim apresentou, em 1813, ao rei Dom João VI uma melhor estrutura para o atendimento dos doentes desvalidos que morriam nas ruas sem cuidados médicos. Cinco anos depois, o rei decretou o início da construção do hospital e determinou que ele ficasse submetido ao regime de confraria. O hospital era o local adequado para internação de pacientes com doenças infectocontagiosas. Em 1828, ele foi reestruturado, tornando-se Santa Casa de Misericórdia de Vitória, especializado no tratamento de pacientes acometidos pela varíola. Desde então, tem atuado com destaque na assistência médico-hospitalar no Espírito Santo, passando a incluir em sua estrutura a formação prática de alunos e pós-graduandos da Escola de Medicina da Santa Casa de Misericórdia (Emescam), fundada em 1968. A Emescam foi idealizada na década de 60 pelos professores da Ufes Aloísio Sobreira Lima e Virgílio de Souza Neto, como parte da estrutura organiSanta Casa de Misericórdia de Vitória

96 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


Escola de Medicina da Santa Casa de Misericórdia (Emescam) Fotos: Cloves Louzada

zacional da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Vitória. Eles planejavam a criação de uma escola de Medicina tendo a Santa Casa de Misericórdia como mantenedora e hospital-escola. O então senador Eurico Viera Rezende, líder do governo no Senado, e o governador Cristiano Dias Lopes Filho encamparam a proposta, que foi aprovada pelo Ministério da Educação. A faculdade foi erguida no prédio do então orfanato feminino Santa Luzia, onde se localiza até hoje. A Emescam foi autorizada a funcionar em 29 de fevereiro de 1968, por meio do Decreto n. 62.324, e a primeira turma iniciou suas atividades no mesmo ano. O reconhecimento da Emescam, entretanto, veio apenas em 1974, pelo presidente, o general Ernesto Geisel, e pelo ministro da Educação Ney Braga.

Desde que a cadeira de Gastroenterologia foi iniciada, houve a criação do serviço de Gastroenterologia na Santa Casa de Misericórdia, chefiado pelo médico Edson de Souza Ribeiro. Havia a enfermaria especializada e o atendimento ambulatorial, que logo se tornaram referência e estimularam a criação de novos serviços. De acordo com o médico Reginaldo de Souza Baptista, que logo se incorporou ao serviço e atuou nele por cerca de 30 anos, até se aposentar, o atendimento era feito em cinco boxes, com uma recepção, um setor de proctologia e uma enfermaria anexa. “Edson de Souza Ribeiro era muito organizado e estruturou muito o serviço. Os alunos viam aquela organização toda, com uma enfermaria e um ambulatório só para a Gastroenterologia e se interessavam em fazer a especialidade.” Posteriormente, foi agregado o serviço de endoscopia, completamente separado do de Gastroenterologia, com quatro boxes de atendimento e re-

97 


Foto: Cloves Louzada

cepção própria. “Esse serviço de endoscopia continua até hoje, e tenho certeza que tão bem ou melhor do que na minha época, porque em termos de equipamento as coisas vão se sofisticando. As notícias que eu tenho são de que a Emescam tem dado o maior incentivo para que tudo isso continue.” Atualmente, o serviço de Gastroenterologia está mais especializado e conta com um ambulatório geral, dois ambulatórios específicos para doenças inflamatórias intestinais e dois para hepatologia, além de enfermaria e realização de endoscopias e colonoscopias. Em cada ambulatório são atendidos, em média, oito pacientes por dia. “A demanda por esses atendimentos é muito grande, principalmente nos ambulatórios de doença inflamatória intestinal, que é um serviço de referência no estado. Os pacientes vêm encaminhados por colegas nossos, alguns vêm pela Secretaria da Saúde ou já chegam para internação, vão para a enfermaria de Gastroenterologia e, a partir daí, já começam a frequentar o ambulatório especializado. Temos vários médicos que estudam a doença inflamatória e trabalham com ela, e a gente consegue fazer o tratamento de forma adequada”, explica a chefe do serviço de Gastroenterologia da Santa Casa de Misericórdia, Ana Paula Hammer Souza Clara. No ambulatório de Gastroenterologia geral são realizadas consultas de refluxo, dispepsia, síndrome do intestino irritável, parasitoses etc., mas não especificamente hepatologia e doença inflamatória intestinal. No hospital, há grande internação de pacientes com cirrose hepática e outros problemas no fígado, o que justifica o atendimento especializado com hepatologistas.

4.5 Outras faculdades de Medicina no Espírito Santo Outras faculdades de Medicina surgiram mais recentemente no Espírito Santo. No Centro Universitário do Espírito Santo (Unesc), no campus de Colatina, o curso de Medicina utiliza a aprendizagem baseada em problemas de forma híbrida, unindo tutoriais de aprendizagem ativa com aulas práticas e conferências em grandes temas da Medicina. Equipado com laboratórios de práticas, o curso abrange ampla rede hospitalar e de atendimento à saúde em todos os níveis de complexidade no centro e no norte do Espírito Santo. Com uma forte vocação de assistência à comunidade e interação entre as diferentes áreas do saber, o curso de Medicina do Unesc encontra-se hoje bem estabelecido em sua região. Com professores, pesquisadores e preceptores de diversos locais do Brasil, oferece uma oportunidade de auxiliar o próximo e aprender ao mesmo tempo em que promove o conhecimento científico na região, por meio do programa de iniciação científica, de mestrados e doutorados interinstitucionais, de programas de pós-graduação latu senso e de programas de residência médica em franca expansão, abrangendo,

98 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


no momento, nove áreas: Clínica Médica, Saúde de Família e Comunidade, Ginecologia e Obstetrícia, Cirurgia Geral, Anestesiologia, Cirurgia Vascular, Medicina Preventiva e Social, Pediatria, Medicina Intensiva. O curso de graduação em Medicina do Unesc foi autorizado, em 2004, pela Portaria Ministerial n. 2054, de 9 de julho de 2004, com base no Parecer n. 066/2004, da Câmara de Educação Superior, do Conselho Nacional de Educação, e parecer favorável do Conselho Nacional de Saúde, sob a ótica da necessidade social para a região noroeste do Espírito Santo. O curso foi reconhecido pela Portaria n. 408/MEC, de 11 de outubro de 2011, com conceito quatro. Na Multivix, o curso de Medicina tem currículo integrado e utiliza técnicas de ensino e aprendizagem que facilitam a aquisição de habilidades, competências e atitudes necessárias para atuação médica, incluindo a metodologia Team Based Learning, além das aulas presenciais com professores especialistas de cada área. Os alunos são inseridos, desde o início do curso, em unidades de saúde e emprego da semiologia médica com abrangência e complexidade graduais. Eles ainda têm acesso a cenários de prática de excelência nas cinco grandes áreas da Medicina e há instalações físicas amplas e modernas para o treinamento das habilidades médicas, além de acompanhamento do seu desenvolvimento ao longo do curso com emprego do programa Mentoring. O curso tem turmas nos campi de Vitória e, mais recentemente, em Cachoeiro de Itapemirim, onde iniciou em 2019 com 100 vagas. Por fim, a Universidade Vila Velha (UVV), conta com um curso de Medicina avaliado como o melhor do estado, segundo o MEC. O método de aprendizado aplicado é o Problem Based Learning (PBL). A metodologia educacional é centrada em desafiar o estudante com uma situação real a ser resolvida, antes de adquirir algum conhecimento teórico. O PBL é dividido em três eixos curriculares. O cognitivo é estruturado em módulos transversais. O segundo é focado no desenvolvimento de habilidades, atitude e comunicação, estruturado em um moderno centro de simulação. E o último visa à integração com a comunidade, escola e serviços, onde o aprendizado é plenamente integrado aos serviços de saúde municipal e estadual.

99 


100 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


101 


5. A  Gastroenterologia, suas evoluções e desafios Em se tratando de Medicina, 50 anos pode ser muito ou pouco tempo. Tudo é relativo numa ciência que não é exata. Fato é que muitas evoluções puderam ser observadas de forma geral e especialmente na Gastroenterologia durante esse recorte de tempo que coincide com o que estamos tratando neste livro. Mas nem todas as questões se resolveram, claro. Algumas persistem como desafios da especialidade. Outros também surgiram, tornando a atuação contemporânea da Gastroenterologia muito mais voltada ao estudo das causas dos males, resgatando talvez a prática holística da Medicina, ou seja, precisando cuidar do todo para tratar uma parte.

5.1 Descobertas Duas descobertas nos últimos 50 anos mudaram os rumos da Gastroenterologia no que se refere ao tratamento de enfermidades como úlceras, gastrites e até mesmo câncer. Uma delas é da bactéria Helicobacter pylori, ou simplesmente H. pylori, isolada pela primeira vez em 1982 pelos patologistas australianos Barry Marshall e Robin Warren.

Representação da bactéria H. pylori

102 

|

O fato marcou o início de uma nova era na microbiologia gástrica, por demonstrar o papel desse microrganismo na formação de úlceras pépticas, gastrites e até tumores gástricos. Anos mais tarde, em 1994, o National Institutes of Health, dos Estados Unidos, publicou uma nota declarando que muitas das úlceras gástricas eram, sim, causadas pelo H. pylori e recomendou o uso de antibióticos no tratamento.

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


Marshall e Warren chegaram a ganhar o Prêmio Nobel de Medicina em 2005 pelos trabalhos com o Helicobacter pylori. Marshall e Warren receberam em 2005 o Prêmio Nobel de Medicina

Outra descoberta impactante na Gastroenterologia foi a dos agentes virais causadores das hepatites. O vírus da hepatite B, por exemplo, foi encontrado pela primeira vez em 1965, a partir de estudos do geneticista Baruch Blumberg. Novas descobertas e muitos estudos sucederam esse fato, e a vacina contra a hepatite B foi registrada em 1981. Representação do vírus da hepatite B

Já o vírus causador da hepatite A foi identificado em 1973, enquanto o da hepatite D, em 1977. Em 1989, foi encontrado o vírus da hepatite C, e em 1990, o da hepatite E. Mais recentemente, descobertas têm demonstrado que o campo das hepatites é vasto. O vírus da hepatite F foi descrito em 1994; o da hepatite G, em 1995, e outros vírus têm sido estudados e associados a quadros de hepatite viral, alguns sem comprovação ainda.

103 


5.2 Vacinação contra hepatite B Registrada em 1981, a vacina contra a hepatite B foi instituída no Brasil pelo Programa Nacional de Imunização (PNI) em 1989. A vacinação teve início gradativamente, inicialmente na área amazônica, e representou uma das maiores conquistas da Medicina na atualidade. A vacinação ampla contra o HBV começou a ser implantada em 1992, quando passou a ser oferecida a crianças menores de dois anos em todo o país. Antes disso, porém, em 1991, ela passou a ser oferecida no Espírito Santo, graças aos estudos dos médicos Carlos Sandoval Gonçalves e Fausto Edmundo Pereira Lima, que comprovaram que a hepatite B era causa importante do câncer de fígado. Além disso, por uma questão da própria constituição do povo capixaba – muitos descendentes de italianos –, a hepatite B tinha alta incidência no estado, com transmissão parental desde os antepassados europeus, o que fazia com que a maioria da população carregasse o vírus, mesmo sem manifestá-lo. Atualmente, a vacina está disponível para pessoas de até 19 anos. Em três doses, ela é capaz de promover proteção em 90% a 95% das pessoas vacinadas. No Espírito Santo, depois da vacinação, diminui-se muito a incidência de hepatite B e, consequentemente, de câncer de fígado causado pela doença.

5.3 Endoscopia: do diagnóstico ao tratamento Especialidade altamente tecnológica e intimamente ligada à Gastroenterologia, a endoscopia digestiva também passou por inúmeras transformações que alteraram tanto o diagnóstico quanto o tratamento de doenças do aparelho digestivo. Para além da evolução em equipamentos, houve a evolução técnica, e a endoscopia, até então usada apenas para diagnóstico, passou a ter papel terapêutico em inúmeros casos. Menor calibre e melhores imagens dos aparelhos são as principais causas para isso. Com o avanço tecnológico, passou-se a chegar mais facilmente às lesões do tubo intestinal, e, com isso, muitas passaram a ser tratadas pela endoscopia mesmo. É o caso de pólipos, que são fácil e rapidamente retirados em uma sessão. Além disso, há mais ou menos uma década, a endoscopia e a colonoscopia passaram a ser mais divulgadas como opção terapêutica, e as pessoas estão recorrendo mais as suas possibilidades. Com isso, muitas cirurgias deixaram de ser feitas, já que a lesão pode ser acessada e retirada por via endoscópica. A videolaparoscopia também foi um grande avanço em se tratando de cirurgia do aparelho digestivo, e as incisões, que antigamente eram enormes, praticamente não são mais feitas.

104 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


A nanotecnologia tem evoluído e proporcionado o aparecimento de novos equipamentos e técnicas endoscópicas. É o caso da Pill Cam, por exemplo, uma cápsula de 12x33 mm que o paciente engole e que por cerca de 10 a 12 horas filma todo o seu intestino delgado e cólon, chegando a lugares onde a endoscopia e a colonoscopia tradicionais não alcançam. As imagens, em alta resolução, são enviadas por um chip e revelam detalhes até então inacessíveis por vias tradicionais.

Colonoscopia sendo realizada pelo médico José Joaquim Figueiredo, do Hucam

Pill Cam

Em uma especialidade em que os equipamentos, em sua maioria japoneses e de outros países da Ásia, evoluem a todo momento, há muito ainda o que surgir em tecnologias e técnicas de diagnóstico e terapia de doenças do tubo intestinal.

105 


5.4 Desafios contemporâneos A despeito da evolução tecnológica, da descoberta de importantes bactérias e vírus causadores de doenças no aparelho digestivo, de um número incontável de médicos e pesquisadores que se dedicam diariamente a registrar novos protocolos e formas de tratamento, alguns desafios ainda precisam ser superados pela especialidade de Gastroenterologia. Dois deles são doenças cujas causas e tratamentos ainda não estão totalmente definidos, mas que causam muito mal-estar às pessoas e perda de qualidade de vida: a síndrome metabólica e a doença inflamatória intestinal. A síndrome metabólica é um conjunto de condições que aumentam as chances de desenvolvimento de problemas cardíacos, acidente vascular cerebral (AVC) e diabetes. Não é uma doença propriamente dita, mas um conjunto de fatores que levam a essas manifestações. Estudos indicam que a principal causa é a resistência insulínica, e ela é confirmada quando estão presentes pelo menos três destas condições: obesidade central, hipertensão arterial, glicemia alterada, triglicerídeos e colesterol alto. Seus fatores de risco são aqueles que levam ao aumento de peso, daí também ser considerada a “doença do gordo”. Os hábitos atuais de alimentação têm grande influência na manifestação da síndrome metabólica. Com as pessoas engordando mais e com a longevidade do brasileiro aumentando, tem-se atualmente uma geração de pessoas que num futuro bem próximo viverão mais tempo, mas sem qualidade de vida. Dessa forma, o controle da síndrome metabólica é de suma importância e se dá prioritariamente com o controle do peso da população. Outro desafio atual da Gastroenterologia são as doenças inflamatórias intestinais (DIIs), distúrbios que causam a inflamação crônica de todo ou de parte do sistema digestivo. Seus sintomas nem sempre são claros, levando a muitos diagnósticos equivocados antes de sua definição, o que atrasa o tratamento e permite o avanço da doença. As doenças inflamatórias intestinais mais frequentes são a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, ambas de causa desconhecida e caráter crônico. A grande questão das DIIs é que elas prejudicam muito a qualidade de vida do paciente e não têm cura, apenas períodos de remissão e reativação, atingindo muitos jovens, que apresentam quadros de diarreia constante. O desafio é diagnosticar adequada e rapidamente as DIIs e tratar de forma personalizada cada paciente, pois elas se manifestam de diversas formas dependendo da pessoa. O tratamento se dá por meio de medicamentos e deve ser realizado por uma equipe multidisciplinar, dado o caráter múltiplo da doença. Entretanto a indústria farmacêutica ainda precisa desenvolver muito seus produtos para que se chegue a uma medicação que gere um bom resultado contra a doença.

106 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


Outro persistente desafio é o manejo das neoplasias. Em que pese todo o conhecimento adquirido nestes últimos 50 anos, ainda se é refém das dificuldades em estabelecer diagnóstico e cura para esse mal tão perturbador e letal para a humanidade. Avançou-se em passos largos nos últimos anos no controle do câncer do aparelho digestivo, sobretudo com  a ajuda tecnológica na endoscopia digestiva, como a magnificação de imagem, as micro câmeras das cápsulas endoscópicas e uma infinidade de equipamentos. E, claro, com a grande evolução no conhecimento acerca dessas doenças, notadamente por meio da biologia molecular e da carcinogenese com a identificação de fatores genéticos predisponentes e fatores exógenos, com destaque para a descoberta do H. pylori e seu tratamento.  Chegou-se, portanto, ao ciclo atual com melhor reconhecimento das lesões precoces, biópsias, polipectomias, ressecções endoscópicas, mucosectomias etc. Os desafios para o futuro certamente serão os de magnificar o que vem ocorrendo, com mais estudos acerca da carcinogênese e melhoria dos equipamentos de inteligência artificial e a grande meta de se chegar a marcadores tumorais sensíveis e capazes de identificar e localizar nichos tumorais em fase bem precoce, bem como a produção de quimioterápicos específicos de melhor eficiência e menor dano colateral.

107 


108 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


109 


1968 27 de maio: Fundação da Sociedade de Gastroenterologia e Nutrição do Espírito Santo (SGN/ES). 3 de junho: Reunião preparatória para elaboração do estatuto da sociedade. 17 de junho: Aprovação do estatuto e eleição da primeira diretoria.

DIRETORIA 1968 17/06/68 • 1969 Presidente: Cassiano Antônio Moraes

1970 9 de março: Comunicação sobre a necessidade de se fazer o registro oficial da sociedade em cartório, tornando assim possível filiá-la à Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG) e aprovação da concessão a Boavista Nery (Rio de Janeiro) do primeiro título de sócio honorário da SGN/ES em sua participação na I Semana de Hepatologia.

Vice-presidente: José Carlos Silva Secretário: Rogério Jahel Nascif Tesoureiro: Josenildo Zanandréa Diretor científico: Carlos

1971

Sandoval Gonçalves Comissão de admissão: Edson Soares Ribeiro, Lindolfo Gadelha e Evanilo Silva

1969

23 de março: Assembleia geral de eleição e posse de diretoria, sendo eleita por unanimidade a chapa única inscrita.

DIRETORIA 1971-1972

Assembleia geral de eleição e posse de diretoria.

23/03/71 • 20/04/72 Presidente: Noé Silva Santos Vice-presidente: Rogério Jahel Nascif

DIRETORIA 1969-1970 1969 • 23/03/71

Secretário: Vitor Buaiz Tesoureiro: Josiel Araujo Silva Diretor científico: Jader Bispo Cruz

Presidente: Benito Zanandréa Vice-presidente: Edson Soares Ribeiro Secretário: Vitor Buaiz Tesoureiro: Josiel Araujo Silva Diretor científico: Carlos Sandoval Gonçalves Comissão de admissão: Jader Bispo Cruz, José Carlos Soares Silva e Josenildo Zanandréa

110 

|

soges 50 anos

17 a 20 de agosto: Realização da II Semana Capixaba de Hepatologia, tendo como conferencistas convidados Jorge Toledo (Rio de Janeiro) e Luiz Caetano da Silva (São Paulo), que receberam títulos de sócios honorários da sociedade.

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


1973 4 a 8 de setembro: Realização do I Congresso Regional de Gastroenterologia (1ª Região), em Guarapari, com a participação de Hélio Barbosa, presidente da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG).

1974 20 de março: Reunião extraordinária para prestação de contas do I Congresso Regional de Gastroenterologia e eleição de diretoria.

DIRETORIA 1974-1975 20/03/74 • 16/12/75 Presidente: Rogério Jahel Nascif Vice-presidente: Rogério Américo Nonato Souza

1972

Secretário: Fausto Edmundo Lima Pereira

20 de abril: Assembleia geral extraordinária a fim de tratar da prestação de contas e da eleição e posse de diretoria, sendo eleita por unanimidade a chapa única inscrita.

Comissão de admissão: Benito Zanandréa,

DIRETORIA 1972-1973 20/04/72 • 20/03/74

Tesoureiro: Wilson Mário Zanotti Diretor científico: Jader Bispo Cruz Vitor Buaiz e Floriano Schwanz

1975 16 de dezembro: Assembleia geral de eleição e posse de diretoria, sendo eleita por unanimidade a chapa única inscrita.

Presidente: Rogério Jahel Nascif Vice-presidente: Laurentino Bicas Jr. Secretário: Evanilo Silva Tesoureiro: Wilson Mário Zanotti Diretor científico: Jader Bispo Cruz Comissão de admissão: Benito Zanandréa, Edson de Souza Ribeiro e Cassiano Antonio Moraes

DIRETORIA 1976-1977 16/12/75 • 16/01/78 Presidente: Carlos Sandoval Gonçalves Vice-presidente: Josenildo Zanandréa Secretário: Vitor Buaiz Tesoureiro: Wilson Mário Zanotti Diretor científico: Rogério Américo Nonato Souza Comissão de admissão: Benito Zanandréa, José Carlos Soares da Silva e Rogério Jahel Nascif

111 


1978 1976 23 de março: Reunião ordinária para tratar da programação científica do corrente ano, como palestras sobre “Absorção intestinal” e “Dietas em síndromes disabsortivas”, com Joaquim Prado Pinto de Moraes Filho (São Paulo); “Atualização em doenças pancreáticas”, com Carlos de Barros Mott (São Paulo), e “Fisiopatologia do esfíncter esofagiano interior” e “Dietoterapia em Gastroenterologia”, com o professor Agostinho Bettarello.

16 de janeiro: Concessão de títulos de sócios honorários aos professores Agostinho Bettarello e Zilton Andrade e eleição e posse de diretoria.

DIRETORIA 1978-1979 16/01/78 • 14/01/80 Presidente: Jader Bispo Cruz Vice-presidente: Wilson Mário Zanotti Secretário: Luiz Sérgio Emery Ferreira Tesoureiro: Floriano Schwanz Diretor científico: Carlos Sandoval Gonçalves

22 a 25 de setembro: Realização da V Jornada Capixaba de Hepatologia, com o copatrocínio da Associação Médica do Espírito Santo (Ames) e da Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH), tendo como conferencistas convidados Zilton Andrade (Bahia); Jorge de Toledo e Fernando Portella (Rio de Janeiro); Dalton de Alencar Fischer Chamone, Joaquim Prado Pinto de Moraes Filho e Charles de Brito (São Paulo), e Renato Dani e Naftale Katz (Belo Horizonte).

Conselho de admissão: Benito Zanandréa, Cassiano Antonio Moraes, José Carlos Soares da Silva

1980 14 de janeiro: Reunião extraordinária para eleição e posse de diretoria.

DIRETORIA 1980-1981 14/01/80 • 01/03/82 Presidente: Vitor Buaiz

1977

Vice-presidente: Josenildo Zanandréa Secretário: Etevaldo Gilson Scopel

17 a 20 de outubro: Realização do II Encontro Minas – Espírito Santo de Gastroenterologia, em Vitória.

Tesoureiro: Fernando Antonio Colnago Diretor científico: Luiz Sérgio Emery Ferreira Comissão de admissão: Benito Zanandréa, Rogério Américo Nonato Souza e Rogério Nascif

112 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


1983 2 de setembro: Criação do capítulo Espírito Santo da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed).

1984 10 de maio: Sessão ordinária de posse do novo presidente para o biênio 1984-1985 e eleição do presidente para o biênio 1986-1987.

DIRETORIA 1984-1985 10/05/84 • 1986 Presidente: Laurentino Biccas Jr.

1982

Vice-presidente: Wilson Mário Zanotti

1º de março: Assembleia geral de eleição e posse de diretoria.

Diretor científico: Carlos

Secretário: Luiz Sérgio Emery Ferreira Tesoureiro: Emilio Mameri Neto Sandoval Gonçalves Comissão de admissão: Benito

DIRETORIA 1982-1983

Zanandréa, Evanilo Silva e Marcos Bastos da Silva

01/03/82 • 10/05/84 Presidente: Wilson Mário Zanotti Vice-presidente: Laerte Sandino Cardoso Secretário: Luiz Sérgio Emery Ferreira Tesoureiro: Emílio Mameri Neto Diretor científico: Carlos Sandoval Gonçalves Comissão de admissão: Benito

1985 28 de setembro: Realização da I Jornada Capixaba de Gastroenterologia e do VII Seminário Brasileiro de Endoscopia Digestiva, em Guarapari.1

Zanandréa, José Carlos Soares da Silva e Fernando Antonio Colnago

1. Há inconsistência na definição da edição de algumas Jornadas Capixabas de Gastroenterologia. Neste livro, optou-se por seguir o número da edição a partir da primeira realizada, mesmo que a

17 de março: Reunião extraordinária na qual foi sugerido que se revisasse o estatuto e que se fizessem as modificações necessárias.

numeração não coincida com a do ano vigente.

113 


1987 Realização da III Jornada Capixaba de Gastroenterologia.

1986 6 de março: Reunião extraordinária na qual Carlos Sandoval Gonçalves sugeriu uma modificação no critério de escolha do presidente da sociedade. Até então, na posse da diretoria, o presidente da próxima gestão já era indicado e, com isso, teria o período de um biênio inteiro para montar a equipe que coordenaria os trabalhos da sociedade. A partir da modificação sugerida por Sandoval, essa indicação foi extinta, sendo os presidentes eleitos ao término dos mandatos em chapa devidamente registrada, com todos os cargos já preenchidos. Realização da II Jornada Capixaba de Gastroenterologia.

16 de dezembro: Reunião extraordinária de eleição de diretoria.

DIRETORIA 1988-1989 16/12/87 • 14/12/89 Presidente: Carlos Sandoval Gonçalves Vice-presidente: Silvio José Rodrigues Coelho Secretário: José Carlos Borges de Rezende Tesoureiro: Emilio Mameri Neto Diretor científico: Luiz Sérgio Emery Ferreira Comissão de admissão: Evanilo Silva, Wilson Mário Zanotti e Benito Zanandréa

DIRETORIA 1986-1987

1988

1986 • 16/12/87 Presidente: Evanilo Silva Vice-presidente: Josenildo Zanandréa Tesoureiro: Emilio Mameri Neto Secretário: Luiz Sérgio Emery Ferreira Diretor científico: Carlos Sandoval Gonçalves

1º de março: Assembleia geral de posse de diretoria e discussão sobre a reforma do atual estatuto da SGN/ES.

Comissão de admissão: Ubaldino Souza Freitas, Benito Zanandréa e Laurentino Bicas Jr.

114 

|

soges 50 anos

Realização da IV Jornada Capixaba de Gastroenterologia.

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


1990 13 de março: Assembleia geral de posse de diretoria.

1989

Realização da VI Jornada Capixaba de Gastroenterologia.

Realização da V Jornada Capixaba de Gastroenterologia. 9 de novembro: Concessão do título de sócio honorário ao Osiris Costeira pelos relevantes serviços prestados à SGN/ES. 14 de dezembro: Eleição de diretoria.

DIRETORIA 1990-1991

1991 O mandato da diretoria anterior foi estendido por este ano. Realização da VII Jornada Capixaba de Gastroenterologia.

14/12/89 • 06/10/92 Presidente: Luiz Sérgio Emery Ferreira Vice-presidente: Silvio José Rodrigues Coelho Secretário: José Carlos Borges de Rezende Tesoureiro: Luiz Fernando Ferreira Campos Diretor científico: Carlos Sandoval Gonçalves Comissão de admissão: Wilson Mário Zanotti, Laurentino Bicas

1992 Realização da VIII Jornada Capixaba de Gastroenterologia. 6 de outubro: Reunião ordinária de prestação de contas da atual diretoria e eleição de diretoria.

Jr. e Emilio Mameri Neto

DIRETORIA 1992-1994 06/10/92 • 20/12/94 Presidente: Emilio Mameri Neto Secretário: Renato Carvalho Fischer Tesoureiro: Luiz Fernando Ferreira Campos Diretor científico: Carlos Sandoval Gonçalves

115 


1993 3 de março: Posse de diretoria da sociedade, quando foi marcada a realização de uma conferência sobre motilidade para o dia 7 de abril do mesmo ano. 7 de abril: Realização de conferência sobre motilidade do aparelho digestivo, tendo como conferencista o professor Marcos Tulio Haddad, da UFRJ. 16 de junho: Definição como programação anual da SGN/ES a Jornada Capixaba de Gastroenterologia, em torno do segundo semestre. 4 e 5 de julho: Realização de encontro sobre doenças inflamatórias intestinais, tendo como palestrantes os professores Waldomiro Dantas, da Universidade Federal do Paraná, e José Carlos Borges de Rezende, do Espírito Santo. 13 e 14 de agosto: Realização da IX Jornada Capixaba de Gastroenterologia, marcando os 25 anos de fundação da SGN/ES, tendo como temas doenças pépticas, doenças inflamatórias do intestino grosso, doenças do pâncreas e biologia molecular aplicada à Gastroenterologia e como conferencistas convidados Luiz de Paula Castro (UFMG / Minas Gerais) e Dulce Reis Guarita (USP / São Paulo). 19 e 20 de novembro: Realização, em Vitória, do curso “Atualização em Gastroenterologia”, promovido pela Fundação de Pesquisa em Gastroenterologia (Fapege), da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), tendo como convidados Durval Rosa Borges (Faculdade Paulista de Medicina), Joaquim Prado Pinto de Moraes Filho (USP) e Osvaldo Malafaia (Universidade Federal do Paraná).

116 

|

soges 50 anos

1994 15 e 16 de abril: Realização do I Curso de Atualização em Hepatologia, sobre “Hepatite C viral”, com Carlos Sandoval Gonçalves (Ufes) e Henrique Sergio Moraes (UFRJ). 29 de julho: Realização do curso “Atualização em Gastroenterologia”, sobre “Diagnóstico por imagens das doenças do aparelho digestivo”. 25 e 26 de agosto: Realização da X Jornada Capixaba de Gastroenterologia. 20 de dezembro: Eleição e posse de diretoria.

DIRETORIA 1995-1996 20/12/94 • 27/01/97 Presidente: Rogério Jahel Nascif Vice-presidente: Silvio José Rodrigues Coelho Secretário-geral: Emilio Mameri Neto 1ª Secretária: Adalberta Lima Martins Binoti Tesoureiro: Luiz Fernando Ferreira Campos 1º Tesoureiro: Almir Sá Barbosa Diretor científico: Wilson Mário Zanotti Comissão de admissão: Carlos Sandoval Gonçalves, Laurentino Biccas Jr. e Marcos Bastos da Silva

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


1997 27 de janeiro: Eleição e posse de diretoria. Realização da II Jornada de Gastroenterologia das Montanhas. Realização da XIII Jornada Capixaba de Gastroenterologia.

DIRETORIA 1997-1998

1998 Realização da XIV Jornada Capixaba de Gastroenterologia. 15 de dezembro: Eleição e posse de diretoria.

DIRETORIA 1998-1999 15/12/98 • 17/01/01

27/01/97 • 15/12/98

Presidente: Emilio Mameri Neto

Presidente: Carlos Sandoval Gonçalves

Vice-presidente: Wilson Mário Zanotti

Vice-presidente: Reginaldo

Secretária: Maria do Carmo Linard Reis

Souza Baptista

1º Secretário: Gedião Cesar Seraphim

Secretário-geral: Luiz

Tesoureiro: Luiz Fernando Ferreira Campos

Sérgio Emery Ferreira

1º Tesoureiro: Jairo Rocha Filho

1º Secretário: Edorio de Souza Ribeiro

Diretor científico: Esteban Sadovsky

Tesoureiro: Emilio Mameri Neto

Comissão de admissão: Patrícia Lofego Gonçalves,

1º Tesoureiro: Gedião Cesar Seraphim

Oswaldo Pavan Jr. e Dirceu Emerick de Barros

Diretor científico: José Joaquim de Almeida Figueiredo Comissão de admissão: Rogério Jahel Nascif, Wilson Mário Zanotti e Silvio José Rodrigues Coelho Comissão de reforma do estatuto: Ubaldino de Souza Freitas, Rogério Jahel

1999 26 e 27 de março: Realização da XII Jornada de Hepatologia, no Hotel Senac Ilha do Boi, em Vitória.1

Nascif e Luiz Sérgio Emery Ferreira

1996 Realização da XII Jornada Capixaba de Gastroenterologia. Realização da I Jornada de Gastroenterologia das Montanhas.1

1995 Realização da XI Jornada Capixaba de Gastroenterologia. 1 . Há inconsistência na definição da edição de algumas Jornadas

28 a 30 de maio: Realização do I Encontro com Especialistas, com a participação de Luiz Gonzaga Vaz Coelho (Minas Gerais), em Domingos Martins. 5 a 7 de agosto: Realização da XIII Jornada Capixaba em Gastroenterologia, no Hotel Porto do Sol, com a participação de gastroenterologistas, endoscopistas e cirurgiões do aparelho digestivo. Realização da III Jornada de Gastroenterologia das Montanhas. 1. Os anais disponíveis só registram a realização da I e da II Jornada em 1970 e 1971.

de Gastroenterologia das Montanhas. Neste livro, optou-se por seguir o número da edição a partir da primeira realizada, mesmo que a numeração não coincida com a do ano vigente.

117 


2001 17 de janeiro: Eleição de diretoria e apresentação da reformulação do estatuto da SGN/ES. Entre as principais propostas estavam a mudança do nome da sociedade, de Sociedade de Gastroenterologia e Nutrição do Espírito Santo (SGN/ES) para Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo (Soges), a inserção dos cargos de representante Norte e representante Sul e a programação de critérios de admissão.

2000 20 de janeiro: Reunião da diretoria da sociedade para definição do calendário científico de 2000, que previa a realização da XIII Jornada de Hepatologia, do III Encontro com Especialista, da Jornada Capixaba de Gastroenterologia, da II Jornada Norte Capixaba (Linhares) e da I Jornada Sul Capixaba (Cachoeiro de Itapemirim).1 Realização da IV Jornada de Gastroenterologia das Montanhas. 4 de dezembro: Reunião da diretoria da sociedade em que se discutiu a regularização da SGN/ES e a reforma do estatuto por uma comissão responsável, formada por Renato Carvalho Fischer, Ana Tereza Ramos Parpaiola de Mendonça e Patrícia Lofego Gonçalves.

28 de abril a 1º de maio: Realização, em Vitória, do XVI Congresso Brasileiro de Hepatologia, da Sociedade Brasileira de Hepatologia, então presidida por Carlos Sandoval Gonçalves. 30 de junho: Realização da Jornada Norte Capixaba de Atualização em Gastroenterologia e Endoscopia Digestiva, em Colatina. 13 a 15 de julho: Realização da V Jornada de Gastroenterologia das Montanhas, com o convidado Décio Chinzon, em Domingos Martins. Realização da XVII Jornada Capixaba de Gastroenterologia.

DIRETORIA 2000-2002 17/01/01 • 25/06/02 Presidente: Emilio Mameri Neto Vice-presidente: Edorio de Souza Ribeiro Tesoureiro: Oswaldo Pavan Jr.

1. Nos registros, não há menção sobre a realização dessa jornada em anos anteriores.

Secretária: Maria do Carmo Linard Reis Diretor científico: Renato Carvalho Fischer Representante Norte: Jairo Rocha Filho Representante Sul: Newton Carlos Garcia Comissão de admissão: Patrícia Lofego Gonçalves, Ana Tereza Ramos Parpaiola de Mendonça e Vitor Buaiz

118 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


2002

2003

25 de junho: Realização da assembleia geral que aprovou o novo estatuto, elegeu e empossou diretoria com mandato até 5 de novembro de 2002. Nessa data foi empossada uma nova diretoria.

Realização da VII Jornada de Gastroenterologia das Montanhas.

Realização da VI Jornada de Gastroenterologia das Montanhas.

Realização da XIX Jornada Capixaba de Gastroenterologia.

Realização da XVIII Jornada Capixaba de Gastroenterologia.

2004

5 de novembro: Assembleia geral de posse de diretoria.

Realização da VIII Jornada de Gastroenterologia das Montanhas.

DIRETORIA 2002 25/06/02 • 05/11/02

Realização da XX Jornada Capixaba de Gastroenterologia.

Presidente: Benito Zanandréa Presidente: Emilio Mameri Neto Vice-presidente: Edorio de Souza Ribeiro

24 de novembro: Assembleia geral de eleição e posse de diretoria.

Secretária-geral: Maria do Carmo Linard Reis Tesoureiro: Oswaldo Luiz Pavan Jr. Representante Norte: Jairo Rocha Filho

DIRETORIA 2005-2006

Representante Sul: Newton Carlos Garcia

24/11/04 • 04/12/06

Comissão de admissão: Patrícia Lofego Gonçalves, Ana

Presidente: Luiz Sérgio

Tereza Ramos Parpaiola de Mendonça e Vitor Buaiz

Emery Ferreira

Diretor científico: Renato de Carvalho Fischer

DIRETORIA 2002-2004 05/11/02 • 24/11/04 Presidente: Luiz Sérgio Emery Ferreira Vice-presidente: José Carlos Borges de Rezende Secretária-geral: Maria do Carmo Linard Reis Tesoureira: Maria da Penha Zago Gomes Diretor científico: Carlos Sandoval Gonçalves Representante Norte: Jairo Rocha Filho Representante Sul: Gedião César Seraphim Comissão de admissão: Patrícia Lofego Gonçalves, Wilson Haig Santos e Katiuska Bissoli Gouvêa Conselho fiscal efetivo: Emilio Mameri Neto, Almir Sá Barbosa e Vitor Buaiz Conselho fiscal suplente: Carla Couzi Marques, Luciana

Vice-presidente: José Carlos Borges de Rezende Secretária-geral: Maria do Carmo Linard Reis Tesoureira: Maria da Penha Zago Gomes Diretor científico: Carlos Sandoval Gonçalves Representante Norte: Jairo Rocha Filho Representante Sul: Gedião César Seraphim Comissão de admissão: Patrícia Lofego Gonçalves e Wilson Haig Santos

Lofego Gonçalves e Ana Tereza Ramos Parpaiola de Mendonça

119 


2005 Realização da IX Jornada de Gastroenterologia das Montanhas. Realização da XXI Jornada Capixaba de Gastroenterologia. 15 a 18 de novembro: Realização do XVII Seminário Brasileiro de Endoscopia Digestiva, em Vitória, com o Curso Internacional de Endoscopia Hands-On, totalmente interativo e com aulas ao vivo.

2006

2 a 4 de junho: Realização da X Jornada de Gastroenterologia das Montanhas, na Pousada dos Pinhos, em Domingos Martins, tendo como conferencistas convidados José Galvão Alves e Martha Carvalho Galvão (Rio de Janeiro). Realização da XXII Jornada Capixaba de Gastroenterologia. 4 de dezembro: Assembleia geral de eleição e posse de diretoria, sendo eleita por unanimidade a chapa única inscrita.

DIRETORIA 2006-2008 04/12/06 • 27/11/08 Presidente: José Carlos Borges de Rezende Vice-presidente: Patrícia Lofego Gonçalves Secretária-geral: Ana Tereza Ramos Parpaiola de Mendonça Tesoureira: Luciana Lofego Gonçalves Diretor científico: Almir Sá Barbosa Representante Norte: Jorge Alberto Frigini Pinto Representante Sul: Alzimara

2007 1º a 3 de junho: Realização da XI Jornada de Gastroenterologia das Montanhas, na Pousada dos Pinhos, em Domingos Martins. 24 a 25 de agosto: Realização da XXIII Jornada Capixaba de Gastroenterologia e da XI Jornada Estadual de Endoscopia Digestiva, no Hotel Senac Ilha do Boi, em Vitória.

2008

Realização da XII Jornada de Gastroenterologia das Montanhas e da XXIV Jornada Capixaba de Gastroenterologia. 21 a 23 de agosto: Realização da 1a Jornada Luso-Brasileira de Hepatologia. 27 de novembro: Assembleia geral de eleição e posse de diretoria e apuração para eleição e posse do conselho fiscal.

DIRETORIA 2008-2010 27/11/08 • 14/02/11 Presidente: José Carlos Borges de Rezende Vice-presidente: Patrícia Lofego Gonçalves Secretária-geral: Ana Tereza Ramos Parpaiola de Mendonça Tesoureira: Luciana Lofego Gonçalves Diretor científico: Almir Sá Barbosa Representante Norte: Jorge Alberto Frigini Pinto

Hemerly de Almeida Freitas Comissão de admissão: Etevaldo Gilson Scopel, Flávia Emília de Lima Oliveira e Maria da Penha Zago Gomes

Representante Sul: Alzimara Hemerly de Almeida Freitas Comissão de admissão: Etevaldo Gilson Scopel, Flávia Emília de Lima

Conselho fiscal efetivo: Maria

Oliveira e Maria da Penha Zago Gomes

Aparecida Castelluber, Esteban

Conselho fiscal efetivo: Maria

Sadovsky e Emilio Mameri Neto Conselho fiscal suplente: Vitor Buaiz, Carla Couzi Marques e Wilson Haig Santos

Aparecida Castelluber, Esteban Sadovsky e Emilio Mameri Neto Conselho fiscal suplente: Vitor Buaiz, Carla Couzi Marques e Wilson Haig Santos

120 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


2010 9 a 11 de julho: Realização da XIV Jornada de Gastroenterologia das Montanhas, na Pousada dos Pinhos, em Domingos Martins, tendo como conferencista convidado Flair José Carrilho (USP / São Paulo). 27 a 28 de agosto: Realização da XXVI Jornada Capixaba de Gastroenterologia, no Hotel Senac Ilha do Boi, em Vitória.

2011 14 de fevereiro: Assembleia geral extraordinária de apreciação e análise da prestação de contas de 2010, que foi aprovada por unanimidade; eleição e posse de diretoria, e adequação do estatuto ao novo Código Civil.

DIRETORIA 2011-2012 14/02/11 • 25/10/12 Presidente: Maria da Penha Zago Gomes Vice-presidente: Ana Tereza Ramos Parpaiola de Mendonça

2009

Secretário-geral: Wilson Haig Santos

10 a 12 de julho: Realização da XIII Jornada de Gastroenterologia das Montanhas, na Pousada dos Pinhos, em Domingos Martins, tendo como conferencista convidado Ângelo Mattos (Rio Grande do Sul).

Representante Norte: Rodrigo Tardin Silva

28 e 29 de agosto: Realização da XXV Jornada Capixaba de Gastroenterologia e XI Jornada de Endoscopia Digestiva, no Hotel Senac Ilha do Boi, em Vitória, tendo como conferencistas convidados Lix Alfredo Reis de Oliveira e Marcio Tolentino (São Paulo); Heda Maria B. Santos Amarante (Paraná), e Gerson Ricardo de Souza Domingues, Rafael Albagli e Antonio Carlos de Moraes (Rio de Janeiro).

Tesoureiro: José Carlos Borges de Rezende Diretora científica: Luciana Lofego Gonçalves Representante Sul: Alzimara Hemerly de Almeida Freitas Comissão de admissão: Maria do Carmo Linard Reis e Ana Carolina de Mattos Pimentel Conselho fiscal efetivo: Marcio Martins de Souza, Aureo Paoliello e José Anchieta Brandão Conselho fiscal suplente: Fabiano Quarto Martins, João Henrique Espinosa de Oliveira e Vitor Buaiz

Junho: Realização da XV Jornada de Gastroenterologia das Montanhas. Realização da XXVII Jornada Capixaba de Gastroenterologia. 22 de outubro: Realização da Jornada Sul Capixaba de Gastroenterologia, em Cachoeiro de Itapemirim.

121 


2012 22 a 24 de junho: Realização da XVI Jornada de Gastroenterologia das Montanhas, na Pousada dos Pinhos, em Domingos Martins. 24 a 25 de agosto: Realização da XXVIII Jornada Capixaba de Gastroenterologia e Endoscopia Digestiva, em Vitória, tendo como conferencistas convidados Eduardo Luiz R. Cancado, Gustavo Andrade de Paulo e Marcelo Averbach (São Paulo); Luiz Leite Luna (Rio de Janeiro); Genoile Oliveira Santana e Paulo Lisboa Bittencourt (Bahia), e Maria do Carmo Friche Passos (Minas Gerais). 25 de outubro: Eleição e posse de diretoria.

DIRETORIA 2013-2014 25/10/12 • 02/12/14 Presidente: Wilson Haig Santos Vice-presidente: Ana Tereza Ramos Parpaiola de Mendonça Secretária: Maria da Penha Zago Gomes Tesoureiro: José Carlos Borges de Rezende

2013 16 de março: Realização da IX Jornada Norte Capixaba de Gastroenterologia, em Colatina.1 21 a 23 de junho: Realização da XVII Jornada de Gastroenterologia das Montanhas, na Pousada dos Pinhos, em Domingos Martins, tendo como conferencistas convidados Heitor Rosa (Goiás) e Gustavo Andrade de Paulo (São Paulo). 23 e 24 de agosto: Realização da XXIX Jornada Capixaba de Gastroenterologia, no Hotel Senac Ilha do Boi, em Vitória, tendo como conferencistas convidados José Roberto Almeida (Pernambuco), Vitor Arantes (Minas Gerais), José Celso Ardengh e Marcelo Averbach (São Paulo), Gustavo Henrique Santos Pereira e Henrique Sérgio Moraes Coelho (Rio de Janeiro) e Maria do Carmo Friche Passos (Minas Gerais).

Diretora científica: Luciana Lofego Gonçalves Comissão de admissão: Ana Carolina de Mattos Pimentel, Adalberta Lima Martins e Fabiano Quartos Martins

19 de outubro: Realização da VI Jornada Sul Capixaba de Gastroenterologia, em Cachoeiro de Itapemirim.2

Representante Norte: Antonio Zanotelli Representante Sul: Gedião Cesar Seraphim Conselho fiscal efetivo: Patrícia Lofego Gonçalves, Eduardo Zanandréa e

1. Os registros disponíveis só mencionam a I Jornada em 2001.

Andressa Paulo S. P. Urbano Cagnin Conselho fiscal suplente: Vitor Buaiz, Maria do Carmo Linard e Débora Gonçalves

122 

|

soges 50 anos

2. Os registros só mencionam a realização

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo

de uma edição em 2011.


2014 22 de março: Realização da X Jornada Norte Capixaba de Gastroenterologia, em Colatina. Junho: Realização da XVIII Jornada de Gastroenterologia das Montanhas. 29 e 30 de agosto: Realização da XXX Jornada Capixaba de Gastroenterologia, no Hotel Senac Ilha do Boi, em Vitória. 11 de outubro: Realização da VII Jornada Sul Capixaba de Gastroenterologia. 2 de dezembro: Assembleia geral para eleição e diretoria e do conselho fiscal.

DIRETORIA 2015-2016 02/12/14 • 23/12/16 Presidente: Ana Tereza Ramos Parpaiola de Mendonça Vice-presidente: Patrícia Lofego Gonçalves Secretário-geral: Fabiano Quarto Martins Tesoureira: Maria da Penha Zago Gomes Diretora científica: Luciana Lofego Gonçalves Representante Norte: Rodrigo Tardin Silva

2015 25 de abril: Realização da XI Jornada Norte Capixaba de Gastrenterologia, em Colatina, tendo como conferencistas convidados Gerson Domingues (Rio de Janeiro) e Luciana Marzan (São Paulo). 3 a 5 de julho: Realização da XIX Jornada de Gastroenterologia e Endoscopia Digestiva das Montanhas, na Pousada dos Pinhos, em Domingos Martins, tendo como conferencistas convidados Henrique Sérgio Moraes Coelho e Nathalie Carvalho Leite (Rio de Janeiro). 25 a 26 de setembro: Realização da XXXI Jornada Capixaba de Gastroenterologia, no Hotel Senac Ilha do Boi, em Vitória, tendo como conferencistas convidados Dulce Reis Guarita e José Celso Ardengh (São Paulo), Alex Vianey Callado França (Sergipe) e Antonio Carlos da Silva Moraes e Roseane Louzada Machado (Rio de Janeiro).

Representante Sul: Maria Roseneli Scarton D’Este Comissão de admissão: Ana Carolina de Mattos Pimentel, Carolina Gusmão Trabach e Izabelle Venturini Signorelli Conselho fiscal efetivo: José Carlos Borges de Rezende

123 


2016 7 de maio: Realização da VIII Jornada Sul Capixaba de Gastroenterologia, em Cachoeiro de Itapemirim. 17 a 19 de junho: Realização da XX Jornada de Gastroenterologia das Montanhas, no Aroso Paço Hotel, em Domingos Martins, tendo como conferencista convidado Carlos Eduardo Brandão Filho (Rio de Janeiro). 19 e 20 de agosto: Realização da XXXII Jornada Capixaba de Gastroenterologia, no Hotel Senac Ilha do Boi, em Vitória, tendo como conferencistas convidados Luciana Marzan (Rio de Janeiro), Flávio Ejima (Distrito Federal), Paulo Lisboa Bittencourt (Bahia), Mário Reis Alvares da Silva (Rio Grande do Sul) e Eric Bassetti Soares (Minas Gerais). 23 de dezembro: Assembleia geral de eleição e posse de diretoria.

DIRETORIA 2017-2018 23/12/16 • 07/12/18 Presidente: Roseane Valeria Bicalho Ferreira Assis Vice-presidente: Izabelle Venturini Signorelli Secretária-geral: Juliana Fracalossi Schramm Tesoureira: Ana Tereza Ramos Parpaiola de Mendonça Diretora científica: Luciana Lofego Gonçalves Representante Norte: Antonio Zanotelli Representante Sul: Alzimara Hemerly de Almeida Freitas

2017 18 de março: Realização da VIII Jornada Sul Capixaba de Gastroenterologia, em Cachoeiro de Itapemirim. 23 a 25 de junho: Realização da XXI Jornada de Gastroenterologia das Montanhas, na Pousada dos Pinhos, em Domingos Martins, tendo como conferencistas convidados Eric Soares e Luciana Dias Moretzohn (Minas Gerais). 1º a 2 de setembro: Realização da XXXIII Jornada Capixaba de Gastroenterologia, no Hotel Senac Ilha do Boi, em Vitória, tendo como conferencistas convidados Cássia R. G. Leal (Rio de Janeiro), Angelo Alves Mattos (Rio Grande do Sul) e Julio F. Chebli (Minas Gerais).

Comissão de admissão: Fabiano Quarto Martins, Maria da Penha Zago Gomes e Ana Carolina de Mattos Pimentel Oliveira Conselho fiscal efetivo: Wilson Haig Santos, José Carlos Borges de Rezende e José Joaquim de Almeida Figueiredo Conselho fiscal suplente: Carla Regina Santana Morelato Bonadiman, Caroline Gusmão Trabach e Maria Roseneli Scarton D’este

124 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


... 2018 28 de abril: Realização da IX Jornada Sul Capixaba de Gastroenterologia. 14 a 16 de junho: Realização da XXXIV Jornada Capixaba de Gastroenterologia, com a participação do conferencista internacional Asadur Jorgen Tchekmedyian Balian, do Uruguai, e dos convidados nacionais Cássia R. G. Leal (Rio de Janeiro), José Celso Ardengh (São Paulo), Luciano A. Ferreira Bicalho (Minas Gerais), Marllus Braga Soares (Rio de Janeiro), Nelma Pereira de Santana (Bahia) e Maurício Bravim e Walton Albuquerque (Minas Gerais). 12 de novembro: Carlos Sandoval Gonçalves, um dos fundadores da Soges, recebe a Comenda Jerônimo Monteiro, a mais alta honraria concedida pelo Governo do Espírito Santo a um cidadão capixaba pelos relevantes serviços prestados ao estado. 7 de dezembro: Posse da diretoria para o biênio 2019-2020.

DIRETORIA 2019-2020 07/12/18 • em vigência Presidente: Renato Carvalho Fischer Vice-presidente: Patrícia Lofego Gonçalves Secretária-geral: Izabelle Venturini Signorelli Tesoureira: Ana Tereza Ramos Parpaiola de Mendonça Diretora científica: Luciana Lofego Gonçalves Comissão científica: Thaisa de Moraes Ribeiro, Felipe Bertolo Ferreira, Roseane Valéria Bicalho Ferreira de Assis e Lorena Sagrilo Auer Conselho fiscal efetivo: Carolina Gusmão Trabach, Ana Paula Hammer Souza Clara e José de Anchieta Brandão Junior Conselho fiscal suplente: Elizabeth Passos Simões da Silva, Felipe Bertolo Ferreira e Lorena Sagrilo Auer Comissão de admissão: José Joaquim de Almeida Figueiredo, Fabiano Quarto Martins e Luiz Sérgio Emery Ferreira Representante Jovem Gastro: Malu Favarato Representante Norte: Luiz Felipe Duarte da Silva Representante Sul: Gedião César Seraphim

125 


entrevistados Para a construção da memória, é necessária muita história. Nossos sinceros agradecimentos aos médicos que se dispuseram a contar fatos, casos e causos de suas vidas, da Medicina, de suas atuações profissionais e da Soges. Gratidão a todos vocês que colocaram seus repertórios à disposição para a construção desta trajetória que só é de sucesso porque foi construída com humanidade, respeito, amizade e companheirismo. • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • •

126 

|

Ana Paula Hammer Sousa Clara Ana Tereza Ramos Parpaiola de Mendonça Antonio Zanotelli Aureo Paoliello Carlos Sandoval Gonçalves Emilio Mameri Neto Fausto Edmundo Pereira Renato Carvalho Fischer João Luis Carneiro José Carlos Borges de Rezende José Joaquim Figueiredo Laurentino Biccas Jr. Lorena Sagrilo Auer Luciana Lofego Gonçalves Luiz Sérgio Emery Ferreira Marcos Bastos da Silva Maria da Penha Zago Gomes Maria do Carmo Linard Reis Oswaldo Pavan Jr. Patricia Lofego Gonçalves Reginaldo de Souza Baptista Roseane Valeria Bicalho Ferreira Assis Vitor Buaiz Wilson Haig Santos

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


referências REDINS, Carlos Alberto. Escola de Medicina da Universidade Federal do Espírito Santo: 50 anos de história. Vitória: Edufes, 2011. REIS, Hélio Barroso dos; CORDEIRO, Dea Márcia Barroso (Org.). Emescam 77: uma turma de Medicina na época da ditadura. Vitória: edição do autor, 2012. ZANANDREA, Benito. História e pioneirismo: Hucam – Hospital Universitário Cassiano Antônio de Moraes. Vitória: edição do autor, 2016.

128 

|

soges 50 anos

• o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo


Profile for Realiza Editora

Soges 50 anos: o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo  

Livro comemorativo aos 50 anos da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo (Soges)

Soges 50 anos: o jubileu da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo  

Livro comemorativo aos 50 anos da Sociedade de Gastroenterologia do Espírito Santo (Soges)

Advertisement