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Expediente revista do

Câncer

Panorama da Oncologia Nacional Volume VII - Edição 20 - 2011

Diretor e Editor Dr. José Márcio da Silva Araújo j.marcioaraujo@bol.com.br Publicidade Gilberto Cozzuol gilcozzuol@hotmail.com Administração e Circulação Yvete Togni dra.ytogni@hotmail.com Secretaria da Redação Eliane Villela Castelão Produção e Publicação Lucida Artes Gráficas lucida.editorial@bol.com.br Fotografi a Divulgação Icesp Correspôndencia Rua Dra. Maria Augusta Saraiva, 74 Vila Olimpia - 04545-060 Contato Fone - 11- 2339-4710 Fax - 11 - 2339-4711 Agradecimentos Assessoria de Imprensa do ICESP As opiniões expressas ou artigos assinados são de responsabilidade dos autores Conselho Editorial • • • • • •

Dra. Lair Barbosa de Castro Ribeiro Dr. Adonis Reis L. de Carvalho Dr. João Carlos G. Sampaio Góes Dra. Clarissa Cerqueira Mathias Dra. Gildete Lessa Dra. Maria Lúcia M. Batista

Editorial

Um Sonho, Que até bem pouco tempo era um pesadelo para todo o paulistando que passava pela região da paulista. Hoje é motivo de orgulho não só para São Paulo mais para todo Brasileiro prá não falar Sulamericano. O ICESP - Instituto do Cãncer do Estado de São Paulo - Octavio Frias de Oliveira, nasceu com a missão de ser o maior Centro de Oncologia da America Latina oferecendo uma tecnologia de ponta para os seus pacientes. Com certeza é o maior hospital vertical. Nessa edição vamos conhecer um pouco mais sobre esse “gigante” sua realidade e seus projetos contados pelo secretário da Saúde de São Paulo - Dr. Guido Cerri, Ex Diretor Geral do Hospital e pelo Atual Diretor Geral, Dr. Paulo Hoff. Além da matéria do ICESP, apresentaremos tambem um artigo do Dr. Drauzio Varella sobre Câncer de Mama e uma reportagem abordando os adoçantes artificias. Contamos com a sua colaboração nos enviando um e-mail com suas sugestações, materias ou criticas sobre o nosso Trabalho.

Boa Leitura a todos O Editor. 3 -- Revista do Câncer


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CIELO

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Sumário

08..........................................OncoNews

16

16...................................................Perfi l Dr. Giovanni Guido Cerri

20.............................Palavra do Diretor Dr. Paulo Hoff

22 20

...................................Matéria Capa Especial - ICESP - O Maior Hospital da América Latina

40

............................Banco de Sangue

42

...............................................Artigo

Câncer de pele ..........................42 O risco de câncer de mama.......44

22

48

......................................Atualização novos casos de Câncer

50

...........................................Mercado O risco dos adoçantes Artifi ciais

44

54

.............................................Opinião

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Brasil vai produzir remédios contra Câncer O Brasil começará a produzir medicamentos contra o câncer por intermédio de parceria entre a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e o laboratório multinacional Roche. Atualmente, o país gasta cerca de R$ 2 bilhões por ano com a importação de alguns medicamentos para tratamento de câncer. A informação foi divulgada pelo presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, durante assinatura de acordo com a Roche para a produção nacional dos mesmos contra rejeição de transplantes. O acordo para a produção de medicamentos anticâncer será definido por um grupo de estudos constituído com o laboratório e deverá ser anunciado nos próximos meses, afirmou Paulo Gadelha. - Este ano, nossa intenção é fechar outro acordo com a Roche, caminhando para a área de oncológicos, que é um dos objetivos estratégicos da política do Ministério da Saúde. A idéia é começar a definir a incorporação de tecnologia. Definida a incorporação, começamos o processo gradativo de internalizarão da produção. O presidente da Fiocruz ressaltou que o laboratório estrangeiro tem conhecimento fundamental na pesquisa de drogas contra o câncer. - A Roche tem medicamentos muito importantes na área de oncológicos. Estamos desenhando uma agenda de trabalho para que o próximo passo do acordo se estabeleça nesse campo. São medicamentos que têm um custo enorme para o Ministério da Saúde e que estão na pauta de estudos, com possibilidade de transferência de tecnologia. A assinatura do acordo com a Roche contou com a presença do presidente mundial da empresa, Severin Schwan, e do secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos

do Ministério da Saúde, Carlos Gadelha. Segundo Carlos, a produção de medicamentos oncológicos é uma área muito crítica. - Ao recebermos boas propostas de produtores públicos, como a Fiocruz, vamos considerar com muita prioridade. O Brasil é fortemente dependente nessa área. Atualmente mais de 90% deles são importados. Ao final da cerimônia, o presidente da Fiocruz destacou também que a parceria para a produção de medicamentos contra a rejeição de transplantes permitirá que a fundação comece a distribuir, ainda neste ano, em embalagens próprias, o remédio Micofenolato de Mofetila. O repasse de tecnologia da Roche estará completo em 2015, quando a Fiocruz terá dominado todas as etapas de fabricação dos produtos. Só em 2010, o Ministério da Saúde gastou mais de R$ 15 milhões na aquisição do remédio para pacientes transplantados, que precisam usá-lo de forma contínua por toda a vida.

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Brasil cria tratamento para tumor cerebral infantil Método desenvolvido em São Paulo é menos invasivo que procedimentos convencionais. Pesquisadores do Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (Graacc), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) desenvolveram um tratamento inovador para craniofaringioma – tipo de tumor cerebral que acomete crianças. O novo método consiste na introdução de um cateter que drena o líquido formado dentro do tumor e libera o medicamento interferonalfa, que mata as células tumorais. “Verificamos uma redução de 60% a 97% dos tumores tratados com essa técnica”, afirma o médico Sérgio Cavalheiro, do Graacc. O craniofaringioma é raro e tem características benignas (não gera metástase), mas seu tratamento sempre foi considerado um desafio para neurocirurgiões e oncopediatras. Sua localização dificulta o procedimento cirúrgico e geralmente afeta a glândula hipófise, de onde são secretados vários hormônios, o que resulta em alta taxa de mortalidade. A técnica desenvolvida no Graacc, bem menos invasiva que os procedimentos convencionais, já está sendo adotada em outros países, como Inglaterra, Canadá e Itália. Fonte: Revista Scientific American Mente & Cérebro

FIDI

Fundação Instituto de Pesquisa e Estudo de Diagnóstico por Imagem

A Fundação Instituto de Pesquisa e Estudo de Diagnóstico por Imagem FIDI é a maior prestadora de serviços de diagnósticos por imagem para o SUS. São cerca de 250 mil exames ao mês, realizados em 46 unidades SUS em todo Estado de São Paulo. A Fundação Instituto de Pesquisa e Estudo de Diagnóstico por Imagem FIDI nasceu em 2006, como resultado do crescimento do extinto IDI – Instituto de Diagnóstico por Imagem, ligado a Universidade Federal de São Paulo - Unifesp. A FIDI realiza hoje cerca de 250mil exames de diagnóstico por imagem ao mês e conta com o trabalho de mais de 1.500 profissionais, entre técnicos, médicos e colaboradores. Integrada ao serviço público do Estado de São Paulo a FIDI coloca hoje a disposição de mais de 40 milhões de usuários do SUS 46

serviços públicos que realizam os exames de raio X, tomografia, desintometria óssea, ressonância magnética, mamografia e ultrassonografia. A FIDI sabe que a população precisa de atenção e ousadia e é com foco nessas inovações que a FIDI inaugurou em agosto de 2010, em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde, o SEDI – Serviço Estadual de Diagnóstico por Imagem (link). Nesse serviço serão atendidos 25 hospitais estaduais, possibilitando que o paciente tenha o laudo de seu diagnóstico emitido com agilidade e competência, marcas registradas do trabalho da FIDI. É com esses números que a FIDI comprova que é a maior prestadora de serviço de exames de diagnóstico por imagem do SUS. www.fidi.org.br

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Americanos sequenciam genoma do câncer de mama Em uma das maiores pesquisas genômicas já feitas sobre o câncer, um grupo de cientistas nos Estados Unidos sequenciou os genomas completos de tumores de 50 pacientes com câncer de mama e comparou os resultados com os DNAs de pessoas sem a doença. A comparação permitiu identificar mutações que ocorrem apenas nas células cancerígenas. A pesquisa revela uma grande complexidade nos genomas dos tumores e poderá auxiliar no desenvolvimento de novas alternativas de tratamentos.

Hadron Collider, usado para entender o funcionamento das partículas subatômicas”, disse Ellis. As amostras de DNA vieram de pacientes que se submeteram a testes clínicos no Grupo de Oncologia do American College of Surgeons, liderado por Ellis. Todas as pacientes no estudo tinham o chamado câncer de mama positivo para receptor de estrógeno, no qual as células tumorais têm receptores que se ligam ao hormônio e ajudam os tumores a crescer.

A pesquisa confirmou que duas mutaO trabalho foi apresentado na 102ª Reu- ções são relativamente comuns em mulheres nião Anual da Associação Norte-Americana de com câncer de mama. Uma deles é a PIK3CA, Pesquisa do Câncer, em Orlando, na Flórida. presente em cerca de 40% dos tumores do tipo que expressam receptores para estrógeNo total, os tumores analisados apresen- no. Outra é a TP53, presente em cerca de 20% taram mais de 1,7 mil mutações, das quais das pacientes. a maior parte era única para cada mulher. “Genomas do câncer são extraordinariamente Ellis e colegas encontraram uma outra complicados, o que explica nossa dificuldade mutação, denominada MAP3K1, que controla em prever consequências e encontrar novos a morte celular programada e não se encontratamentos”, disse Matthew J. Ellis, profes- tra ativada em cerca de 10% dos cânceres de sor da Escola de Medicina da Universidade de mama positivos para receptor de estrógeno. Washington em Saint Louis, um dos líderes da pesquisa. Os cientistas também encontraram outros 21 genes que mostraram mutações signifOs cientistas sequenciaram mais de 10 icativas, mas em taxas inferiores e não aparetrilhões de pares de base de DNA, repetindo ciam em mais do que três pacientes. as operações para cada tumor e para cada amostra dos voluntários sadios por em média Apesar da raridade dessas mutações, 30 vezes para garantir a validade dos resulta- Ellis destaca sua importância. “Câncer de dos. mama é tão comum que mesmo mutações “Os recursos computacionais utilizados que apareçam com frequência de 5% envolvpara analisar tamanha quantidade de dados erão milhares de mulheres”, destacou. (Agênsão semelhantes aos produzidos pelo Large cia Fapesp) 12 -- Revista do Câncer


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As mulheres estão fumando mais do que os homens Pesquisa realizada pela Organização Mundial da Saúde aponta que as mulheres estão fumando mais do que os homens. De acordo com a pneumologista Keila Medeiros, devido ao aumento do número de fumantes no sexo feminino, a mulher está sendo grande vítima do câncer de pulmão. Mas o cigarro também provoca outros tipos de tumores, como o de mama e o do colo de útero.

INCA prepara mapa molecular do câncer no Brasil O coordenador de Pesquisa Clínica do INCA, Carlos Gil Ferreira, explica que, em breve, estará pronto o mapa molecular de dois tipos de tumores bastante indicentes entre a população brasileira: o câncer de pulmão e o do linfoma. O objetivo é poder oferecer uma terapia específi ca para cada paciente.

Câncer de testículo atinge jovens com até 35 anos Levantamento realizado pelo Icesp apontou que 95% dos casos de câncer de testículo atingem jovens com até 35 anos. O estudo apontou também que cerca de 60% dos pacientes tratados no Icesp com esse tipo de tumor já inicia o tratamento com a doença em estágio avançado, tendo que se submeter ao tratamento quimioterápico. Por ano o Instituto atende cerca de 150 pacientes com o problema. Apesar de raro, o tumor de testículo pode ser evitado. O diagnóstico precoce é fundamental e extremamente eficaz para combater a doença. Para isso, é importante que os homens realizem o auto-exame. Em 98% dos casos, a queixa é de dor e aumento de volume testicular. Quando detectado inicialmente, as chances de cura são enormes. Além disso, nesta fase o tratamento é menos agressivo. “É essencial que os homens realizem o autoexame e fiquem atentos a qualquer anomalia na região dos testículos. Apesar de raro, o tumor existe e o diagnóstico precoce aumenta as chances de sucesso na cura contra a doença”, alerta o coordenador do setor de urologia do Icesp, Marcos Dall´Oglio. 14 -- Revista do Câncer


Médicos tomam decisões distintas das que receitam Estudo mostra que quando o assunto é a própria saúde, os profissionais optam por tratamentos diferentes dos que sugerem aos seus pacientes Uma pesquisa feita pela Universidade de Duke, nos Estados Unidos constatou que os médicos tomam decisões distintas das que receitam aos seus pacientes. O intuito do estudo era confirmar se os médicos também aderiam com a sua própria saúde, as recomendações que davam aos seus pacientes. As informações são do site do jornal Estado de S. Paulo e mostram que dentre os testes pedidos aos médicos um deles pedia que eles respondessem o que recomendariam a um paciente diagnosticado com câncer de cólon. Cerca de 24,5% respondeu que aconselharia o paciente a fazer uma cirurgia com taxa de

mortalidade maior, porém com menos efeitos colaterais. O intestino ou uma infecção. Além dessa opção, os profissionais também poderiam recomendar uma cirurgia que tinha uma taxa de mortalidade menor, mas com a possibilidade de ter que enfrentar uma colostomia, diarreia crônica, obstrução intermitente. Outros médicos foram orientados a responder o questionário que mostrava a mesma situação, mas, nesse caso, os pacientes eram eles. Nessa situação, a escolha pelo tratamento com maior risco de morte foi de aproximadamente 37%. O resultado da pesquisa mostra que em algumas circunstâncias, tomar decisões pode reduzir a qualidade das decisões médicas.

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Perfil

Giovanni Guido Cerri, Secretario da Saúde - Planos e Metas

GIOVANNI GUIDO CERRI, médico, professor titular da Faculdade de Medicina da USP, é secretário da Saúde do Estado de São Paulo, é autor de mais de 200 trabalhos publicados em revistas científicas nacionais e estrangeiras. Escreveu mais de 50 artigos veiculados em meios de comunicação, tem 22 livros publicados e mais de 30 prêmios conquistados entre eles o Prêmio Jabuti de Literatura na área de Ciências.

Com a proposta de formalizar parcerias, regionalizar ainda mais a saúde e combater as drogas, principalmente o consumo de álcool pelos jovens, o professor Giovanni Guido Cerri, tomou posse oficialmente no cargo de Secretario da Saúde em substituição ao médico Nilson Ferraz Paschoa, seu antecessor. Para Guido Cerri, novas parcerias serão uma das prioridades em sua gestão. Uma delas será com a Secretaria de Estado da Educação, que visa combater o consumo de álcool entre os jovens, além de outras campanhas preventivas, como no caso da dengue. “Pretendemos fazer um cruzada contra as drogas, principalmente com o álcool, que é vetor de doenças e violência de várias naturezas, principalmente entre os jovens. Por isso é importante estarmos na escola, atu-

antes, fortalecendo a educação e a promoção de saúde”, afirmou Guido Cerri. Estreitar a relação com as secretarias municipais de Saúde e o Ministério da Saúde para que a saúde pública seja distribuída regionalmente de maneira uniforme também está entre as suas metas. A organização física e a informatização, segundo Guido Cerri, farão com que os equipamentos de saúde sejam usados de maneira plena. Guido Cerri também pretende reorganizar a referência e a contrarreferência no Sistema Único de Saúde (SUS), com fluxos bem definidos entre os serviços, para que haja racionalidade no atendimento aos pacientes. O secretário também ressaltou a importância da humanização do atendimento nos hospitais e ambulatórios estaduais, como forma de melhor acolher e orientar os cidadãos e seus familiares.

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Perfil

Regionalização da Saúde “Em um país com dimensões continentais, não é razoável que o atendimento em hospitais esteja engessado, ligado a um comando central.” GIOVANNI GUIDO CERRI

Foi sábia a decisão dos sanitaristas, no processo de implantação do SUS (Sistema Único de Saúde), ao prever a descentralização de ações, a hierarquização da assistência e as pactuações que definem as atribuições de cada esfera de governo. Em um país com dimensões continentais, não é razoável que a execução de políticas públicas de saúde e o atendimento em hospitais estejam engessados, ligados a um comando central. É desejável um funcionamento ramificado, com supervisão e acompanhamento dos gestores. A chamada regionalização da saúde, entretanto, é um processo complexo e dinâmico, que requer profunda sinergia entre União, Estados e municípios. O Estado de São Paulo tem uma rede bem estruturada de Unidades Básicas de Saúde, ambulatórios, centros de referência e hospitais de nível secundário, terciário e quaternário. A capacidade instalada é boa e, em geral, capaz de suprir as necessidades da assistência. Há, no entanto, problemas a serem enfrentados. Especialmente no que diz respeito à otimização dos recursos físicos e humanos já existentes, identificação das carências e, principalmente, articulação de sistema efetivo de regionalização. Julgamos fundamental estabelecer mecanismos eficazes de referência e contrarreferência. Os cidadãos precisam ter o devido acesso à atenção primária, que soluciona algo em torno de 80% das necessidades; caso precise de atenção ambulatorial ou hospitalar, a unidade de origem deve providenciar o encaminhamento, por sistema informatizado, sem que o cidadão

tenha de percorrer os serviços de saúde com um papel na mão. A hierarquização é primordial, visando a racionalidade no atendimento e evitando que casos simples sejam atendidos em hospitais com elevada complexidade. A participação dos municípios é essencial para que possamos promover a regionalização de forma eficiente, sempre sob a lógica do usuário do SUS. E, para que haja a desejada mobilização dos gestores, é necessário intensificar o diálogo: mais do que dizer, queremos ouvir, um a um. Começamos pela Baixada Santista, onde criamos uma espécie de "agência" da saúde, mobilizando as nove prefeituras da região para traçar um amplo diagnóstico da saúde pública e propor ações de aperfeiçoamento e melhoria. Contaremos, nessa mobilização, com a participação e a integração das secretarias de Educação, Saneamento e Desenvolvimento Social do Estado. Com a consultoria do infectologista David Uip, o foco prioritário do trabalho será o de desenvolver iniciativas nas áreas de combate à dengue, redução da mortalidade infantil, ampliação de leitos hospitalares, medidas para prevenir surtos de viroses, expandir o saneamento básico, entre outros. Esperamos levar esse modelo para outras regiões do Estado, com a proposta de aproveitar a expertise de cada município na gestão da saúde e os recursos de saúde instalados em cada local para, com o apoio dos governos estadual e federal, aperfeiçoar e otimizar a assistência pública em saúde aos cidadãos, em conformidade com os corretos princípios do SUS.

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Palavra do Diretor

O câncer,

a epidemia e a saúde pública

Dr. Paulo M. Hoff Oncologista, Diretor-Geral do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira (ICESP), professor titular da disciplina de Oncologia da Faculdade de Medicina da USP

O que representa uma década quando o assunto é medicina oncológica e seus avanços? Para alguns pode parecer muito tempo, mas para quem luta diariamente contra esta doença, complexa e cheia de mistérios, sabe que esse período não é longo. Falamos em uma década porque, para o câncer, esse tempo é o suficiente para torná-lo adulto. E bem adulto. Estima-se que até meados deste século esta se torne a principal causa de morte no país, ultrapassando as doenças cardiovasculares. Um dado que assusta, preocupa e que merece atenção.

Nas últimas décadas, a medicina oncológica conquistou importantes vitórias. Vivenciamos o surgimento de novos medicamentos e tratamentos que aumentaram significativamente a chance de cura e sobrevida de nossos pacientes. A evolução da genética, levando a identificação de genes responsáveis pela ampliação do risco de desenvolver alguns tipos de tumores, potenciais alvos para terapias dirigidas, além do desenvolvimento e disseminação de novos e modernos equipamentos, importantes para o combate ao câncer. Tudo isso trouxe uma enorme evolução, que

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“É preciso que o Brasil tenha muita iniciativa, vontade política e empenho para enfrentar o câncer, uma doença difícil e que está em franca ascensão.” Paulo M. Hoff poderia ter sido uma verdadeira revolução se a doença não nos acompanhasse e desafiasse continuamente nessa maratona. Atualmente, o Brasil conta com diversos hospitais de ponta e que são referência para o tratamento oncológico. Há alguns anos, essa excelência no atendimento aos pacientes com câncer concentrava-se principalmente nos hospitais particulares, mas felizmente um número cada vez maior de unidades voltadas para o atendimento dos pacientes que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS) também passaram a se destacar nesta área. Apesar dos elevados custos, dar atenção para a construção e custeio destes centros de excelência é não parar de lutar contra a doença. Em 2008, o Governo do Estado de São Paulo e a Secretaria da Saúde investiram e inauguraram o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, que é um bom exemplo dessa parceria entre tecnologia, qualidade e atendimento voltado para o SUS. Três anos depois, o Icesp é hoje um dos melhores centros de referência de câncer do país, com atendimento mensal a quase 11 mil pacientes e implantou o maior parque radioterápico da América Latina. Só no último ano, o Instituto atendeu,

na parte assistencial, mais de 12 mil novos casos de câncer. Um número assustador e que precisa ser levado a sério, principalmente porque muitos cidadãos ainda encontram dificuldade para ter acesso a um tratamento rápido quando são diagnosticados com esta terrível doença. É preciso que o Brasil tenha muita iniciativa, vontade política e empenho para enfrentar o câncer, uma doença difícil e que está em franca ascensão. Com o envelhecimento da população, certamente teremos uma “epidemia” de casos de câncer no futuro próximo. É necessário que a sociedade se antecipe e se comprometa com investimento e criação de centros de referência regionais, que avancem mais rápido que a doença. E isso é possível. O caminho ainda é longo, mas a experiência do Icesp e de outras instituições de renome, como o INCA no Rio de Janeiro, prova que temos profissionais altamente qualificados e as condições necessárias para incluirmos o Brasil entre as nações que lideram o mundo no combate ao câncer. Podemos ser uma peça importante na realização de pesquisas científicas que servirão aos nossos pacientes e também a outras populações no mundo.

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Materia de Capa

São Paulo

ganha ganha maior maior hospital hospital do do

câncer da da América Latina 22 -- Revista do Câncer


Instituto do Câncer

do Estado de São Paulo “Octavio Frias de Oliveira” - ICESP

O

governador José Serra inaugurou na capital, o maior hospital especializado em tratamento de câncer da América Latina. O Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira é fruto do investimento de R$ 270 milhões do governo paulista em obras e equipamentos e vai receber pacientes encaminhados de todo o Estado para atendimento de casos que necessitem de cuidados especializados. O governador ressaltou que o novo hospital deverá marcar uma mudança quantitativa e qualitativa no tratamento do câncer. “Trata-se de uma instituição de ponta que será referência não apenas em nosso Estado, mas no Brasil”, disse então o governador José Serra ao lado do secretário estadual da Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata, no saguão do novo hospital. O elevado número de óbitos em decorrência do câncer foi citado pelo governador como justificativa para o empreendimento. “Esse prédio começou a ser construído há 19 anos e coube à mim a parte final. O perfil da oferta de serviços de saúde do setor público mudou ao longo dos anos. Me pareceu mais adequado especializá-lo no atendimento do câncer, que é a segunda doença em mortalidade no Brasil, depois das doenças cardiovasculares”, explicou Serra. Presente à cerimônia de inauguração do Instituto do Câncer, o vice-presidente da república José Alencar disse estar certo de que a instituição terá destaque internacional. “É realmente excepcional a satisfação que me cabe de estar participando da inauguração deste hospital. Raramente na história do Brasil acontece uma oportunidade para que o país ganhe uma jóia tão cara. Realmente é São Paulo dando o exemplo mais uma vez”, disse Alencar. O novo hospital terá gestão da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), responsável também pelo gerenciamento do Hospital das Clínicas. Além do atendimento médico, os profissionais da instituição desenvolverão atividades de ensino e pesquisa, de acordo com o modelo de ensino médico introduzido pela FMUSP no país. O objetivo é dotar o instituto das condições necessárias para se posicionar como centro de pesquisa de referência em nível internacional na área oncológica, inclusive no desenvolvimento de novos fármacos e tratamentos. 23 -- Revista do Câncer


Materia de Capa Triplo de vagas Com o novo hospital, a cidade de São Paulo terá três vezes mais vagas públicas exclusivas para tratamento de pacientes com câncer. Do total de 580 leitos, 360 serão de apartamentos com duas vagas, 84 de UTI e terapia semi-intensiva e 30 de hospital dia, além de vagas específicas de observação, recuperação pós-anestésica e cuidados paliativos, dentre outras. Quando estiver em pleno funcionamento, o novo hospital realizará por mês cerca de 1,5 mil internações, 33 mil consultas ambulatoriais, 1,3 mil cirurgias, 6 mil sessões de quimioterapia e 420 de radioterapia. Haverá cerca de 120 consultórios médicos. O custo anual do instituto foi estimado em R$ 190 milhões. Inicialmente o novo instituto irá oferecer atendimento ambulatorial em oncologia clínica e ginecológica, além de quimioterapia e 12 leitos de UTI. Também entrarão em operação na primeira fase todas as unidades de apoio, como nutrição, SAME, vestiários, refeitório, central de almoxarifado, farmácia e rouparia.

Salto de qualidade

Uma obra pública gigante que fi cou por anos abandonada. Por gigante leia-se 28 andares e por anos leia-se doze. Isso mesmo, doze anos sem que o barulho de uma britadeira ecoasse no esqueletão de concreto da Avenida Doutor Arnaldo, em Cerqueira César. A construção do prédio vizinho ao Hospital das Clínicas começou em 1989. A obra do que seria o Instituto da Mulher, anunciado como um centro de referência na saúde feminina, foi paralisada em 1991 e recomeçou somente em 2003. Dezenove anos e 340 milhões de reais depois, o edifício que enfeava a paisagem paulistana foi inaugurado. Rebatizado de Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira, será o primeiro hospital público do estado a tratar exclusivamente de pacientes (a partir de 12 anos) acometidos pela doença.

A assistência prestada será inovadora, ao permitir que o paciente tenha todas as fases de seu atendimento, do diagnóstico à reabilitação, integradas no mesmo local. “O novo instituto representa o que há de melhor no atendimento de casos oncológicos, com equipamentos de ponta e profissionais altamente especializados. O Estado de São Paulo dará um salto de qualidade sem precedentes nessa área”, afirma o então secretário estadual da Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata. “É um grande desafio dirigir um hospital desta magnitude. A população pode ter certeza de que contará com o que há de mais mo-derno em recursos para tratamento do câncer e atendimento de nível internacional. Será um centro de excelência que vai atuar sempre na busca de conhecimentos científicos que auxili-em na luta contra a doença", afirma Giovanni Guido Cerri, professor da USP e diretor geral do novo instituto na época. 24 -- Revista do Câncer


O Instituto do Câncer em números • 580 leitos (30 de hospital-dia e 84 de UTI e terapia semi-intensiva) • 120 consultórios médicos • 1 ,5 mil internações / mês • 33 mil consultas ambulatoriais / mês • 1 ,3 mil cirurgias / mês • 6 mil sessões de quimioterapia / mês • 420 sessões de radioterapia / mês • 28 andares • 19 elevadores (21 pessoas cada)

Instituição adota novo modelo de gestão O Instituto do Câncer do Estado de São Paulo terá um modelo de gestão inédito entre os hospitais públicos, que vai unir contrato de metas, fundações de apoio, ensino e pesquisa. Duas entidades prestarão apoio ao hospital: o Hospital das Clínicas de São Paulo (HC) e a Fundação Faculdade de Medicina. O HC cederá profissionais que já atuam na área de oncologia, enquanto a Fundação será responsável pela contratação complementar de funcionários, que atuarão sob regime de CLT, além de captar recursos para atividades de ensino e pesquisa, em sistema similar ao adotado no Instituto do Coração (Incor) e no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia. O instituto terá três fontes de recursos: verbas do tesouro estadual, para manutenção de equipamentos e pagamento de pes-

soal; transferências do SUS (Sistema Único de Saúde), para remuneração dos procedimentos médicos; e recursos das atividades de ensino e pesquisa. Uma parceria entre a Secretaria Estadual da Saúde e a FMUSP estabeleceu ainda metas de produção (consultas, internações, cirurgias, exames) e qualidade do atendimento à população a serem atingidas no novo centro clínico. “Trata-se de uma evolução do modelo de gestão adotado pelo governo de São Paulo desde 1998, unindo o que há de melhor entre o contrato de metas e o sistema de fundações de apoio, dois sistemas que já comprovaram sua eficiência na administração de hospitais públicos”, afirmou o secretário estadual da Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata, na inauguração do ICESP

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Materia de Capa

Equipamentos de última geração

Radioterapia

Unidade tem seis aceleradores lineares

O Instituto do Câncer de São Paulo ocupa um edifício de 28 pavimentos na Avenida Dr. Arnaldo, todo automatizado, com o que há de mais moderno em tecnologia e equipamentos de última geração. É o hospital mais alto da América do Sul, com cerca de 100 metros de altura. Uma central informatizada vai monitorar todos os sistemas de climatização, controle de acessos, elevadores, central de alarme de incêndio e telemetria. Também será possível acompanhar diariamente o consumo de energia elétrica e de água por pavimento. Ambientes de curta permanência são equipados com sensores de energia e de água, além de sistema de água de reuso. Todos os andares foram compartimentados com paredes e portas corta-fogo acionadas por eletro-imã, que garantem proteção contra incêndios. O sistema de ar-condicionado funciona por irradiação, por meio de um forro gelado que mantém a temperatura ambiente homogênea. Nos quartos de internação as janelas possuem persianas embutidas nos vidros, permitindo melhor controle da luminosidade e facilitando a limpeza. O hospital também vai dispor de uma

sala cirúrgica inteligente, totalmente automatizada, que inclui o controle dos focos cirúrgicos, sistema de comando de voz e câmeras que permitem a transmissão de cirurgias pela Internet para qualquer local do planeta, em tempo real, possibilitando a interação entre os médicos do instituto e profissionais de outras instituições. “Trata-se de um hospital planejado nos mínimos detalhes, desde o fluxo de pessoas até sistemas que facilitam a manutenção, para maior comodidade e segurança dos pacientes, equipe médica e de todos os funcionários”, afirmou o secretário estadual da Saúde. O prédio conta com 19 elevadores, do tipo maca-leito, com capacidade para 21 pessoas cada um, ligados à central de automação. No 22º andar fica o chamado “elevador-batman”, que se desloca até o heliponto. Depois de o helicóptero pousar, duas portas se abrem do chão e o elevador surge para receber pacientes e médicos.

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Tomógrafo


Maior laboratório contra o câncer da América Latina O Icesp também irá disponibilizar aos pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde) um equipamento ultrapotente que destrói tumores. Trata-se do High Intense Focus Ultrassound (Hifu), uma tecnologia inovadora resultante da fusão do ultrassom de alta intensidade com a ressonância magnética. Pioneiro na América do Sul, o novo procedimento será utilizado, inicialmente, para tratar miomas e metástases ósseas, mas a ideia é ampliar seu uso para outras áreas da oncologia. O investimento para aquisição do equipamento foi de R$ 1,5 milhão. O aparelho permitirá investigar novas terapias que, aliando o ultrassom à ressonância magnética, viabilizarão o tratamento de tumores sem a necessidade da realização de cortes e cirurgia ou de internação. Por não ser invasivo, o método, que dura aproximadamente duas horas, permite que o paciente realize o procedimento consciente, permanecendo acordado e podendo voltar para casa no mesmo dia. O Hifu concentra até 1.000 feixes de energia ultrassônica com extrema precisão em um tumor no interior do corpo. Cada feixe passa através do corpo sem causar lesão, mas, quando convergem para o ponto selecionado, elevam a temperatura nesse local. A ressonância magnética serve para localizar e direcionar essa energia precisamente no tumor, de forma

interativa e em tempo real, fornecendo imediata confirmação da eficácia da terapia. Além disso, estão sendo desenvolvidos no Icesp tratamentos que possibilitam a liberação de drogas quimioterápicas, em que nanopartículas com elevadas concentrações de medicamentos (o que pode ser altamente tóxico ao organismo, inviabilizando sua aplicação intravenosa), são injetadas e liberadas apenas no tumor, a partir do calor produzido pelo aparelho. Os pacientes que se beneficiarão da novidade integrarão os protocolos de pesquisa clínica do Icesp. Além de esta ser uma novidade na área oncológica, a aquisição do equipamento estabelece inúmeras possibilidades e caminhos no ambiente de pesquisa. Isto representa um grande avanço não apenas para os pacientes do SUS, como também para a instituição, que se reafirma como referência na área de investigação e tratamento do câncer. Ganha, também, o país, que passa a ser reconhecido por sua produção científica e desenvolvimento de novos protocolos e tratamentos. “Trata-se da democratização de um grande avanço científico, agora disponível aos pacientes do SUS, além de uma excelente oportunidade para avançarmos significativamente no desenvolvimento de terapias minimamente invasivas na oncologia”, afirma o secretário Guido Cerri.

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Materia de Capa

Centro de referência fará pesquisa inédita no país O Instituto do Câncer de São Paulo adotará uma linha de pesquisa em oncologia inédita no Brasil. Trata-se da técnica de molecular imaging, que permite mapear a pré-disposição das células do corpo humano em desenvolverem algum tipo de câncer. Um acordo com a multinacional G&E, que cederá o equipamento necessário para a pesquisa (um Ciclotron), acaba de ser formalizado. Por meio da emissão de radioisótopos, é possível detectar o potencial do surgimento do câncer dentro das células. A nova tecnologia vai auxiliar o instituto nos estudos científicos para o desenvolvimento de novos medicamentos que, no futuro, poderão agir na prevenção de determinados tipos de câncer.

Com o Ciclotron também será possível fazer simulações com fármacos e induzir tumores. A nova técnica permitirá mostrar as alterações bioquímicas, biológicas e moleculares que ocorrem juntamente com as mudanças anatômicas ocorridas nas células e que provocam o surgimento do câncer. “Será um grande salto de qualidade na área de pesquisas sobre câncer no Brasil. Acreditamos que em pouco tempo o instituto se tornará referência internacional na produção de conhecimentos técnicos e científicos em oncologia”, afirma Giovanni Guido Cerri, professor titular da Faculdade de Medicina da USP ex diretor geral do novo hospital e Secretario da Saúde

Atendimento humanizado é destaque de novo hospital

Um enorme painel do pintor e escultor pop Romero Brito, instalado no hall de entrada do novo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo “Octavio Frias de Oliveira”, dá um ar diferenciado ao hospital voltado ao atendimento de pacientes com câncer. Tons pastéis e placas em diferentes cores nos andares do edifício também ajudam a quebrar a relação médico/paciente/maca/remédio amargo e leito. Assim, o maior hospital exclusivo para tratamento de câncer da América Latina surge com a filosofia de humanização e hospitalidade total, envolvendo espaços acolhedores, apoio aos familiares, atenção individualizada e interação entre os pacientes, com o objetivo de não apenas cuidar de doenças, mas das pessoas. Para isso haverá um grupo de trabalho com representantes de todas as áreas do instituto. Nas sessões de quimioterapia, por exemplo, haverá pelo menos três poltronas próximas uma das outras, para que os pacientes possam conversar, dividir seus problemas, contar histórias de vida e se auxiliar mutuamente. Além disso, todos os pacientes internados terão direito a acompanhantes e as visitas terão horário flexibilizado.

O projeto de humanização, que foi estruturado com antecedência, além de envolver o acolhimento de pacientes e familiares, pretende dar maior qualidade na relação entre os profissionais do instituto e dos usuários, desde a consulta até a internação e realização de exames. Também está prevista a criação de um setor de cuidados paliativos, para atendimento a pacientes sem chances de cura. Outros projetos que já deram resultado em hospitais da rede estadual paulista também serão implantados no novo instituto. Um deles é o Conte Comigo, espécie de ouvidoria moderna, que disponibiliza estrutura similar a de um Serviço de Atendimento ao Cliente, com funcionários, comunicação visual, sala, números de telefone e emails específicos, buscando intermediar e solucionar eventuais problemas relatados pelos usuários de cada unidade. “Queremos que cada profissional do instituto sinta a necessidade de prestar um atendimento diferenciado a pessoas que passam por um momento difícil em suas vidas. O atendimento humanizado deve ser parte do dia-a-dia do novo hospital, em todas as suas alas afirmou o secretário estadual da Saúde

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Instituto do Câncer oferece atenção personalizada ao paciente SUS

Os pacientes internados no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo “Octavio Frias de Oliveira” (ICESP) – Organização Social de Saúde – ganharam mais um diferencial no tratamento recebido dentro do hospital. Tratase do projeto Enfermeiro de Referência, cuja missão é alinhar as condutas de toda a equipe multiprofissional para oferecer cuidados focados nas necessidades individuais dos pacientes. O Enfermeiro de Referência recebe o paciente e o acompanha do início ao término do processo de tratamento. Com este modelo assistencial o paciente estabelece um elo de confiança com o enfermeiro e pode ser atendido de acordo com suas particularidades. O projeto já foi iniciado nas unidades de internação e a ideia é expandi-lo para as áreas que tratam pacientes não internados. Através de acompanhamento individualizado, o profissional pode conhecer melhor

o paciente, identificando preferências e dificuldades de cada um. Desse modo, o atendimento se torna mais personalizado e humanizado. “Cada indivíduo possui uma necessidade e uma maneira própria de reagir à doença. A idéia do projeto é oferecer uma assistência segura e abrangente, que atenda as necessidades do paciente e da família. O profissional poderá se antecipar às necessidades dos pacientes, planejando e executando um plano de cuidados multiprofissional e sempre alinhado às necessidades de cada momento do tratamento”, explica Wania Regina M. Baia, Diretora Geral de Assistência do ICESP. Conheça um pouco mais do ICESP Inaugurado em maio de 2008, o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo “Octavio Frias de Oliveira” é uma Organização Social

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Materia de Capa de Saúde, criada pelo Governo do Estado em parceria com a Faculdade de Medicina da USP para ser o maior hospital especializado em tratamento de câncer da América Latina. Com 112 metros de altura, construído em uma área aproximada de 84.000 m² na Av. Doutor Arnaldo, próximo à Avenida Paulista, o ICESP é fruto do investimento de R$ 270 milhões em obras e equipamentos. No prédio, de 28 andares, cerca de 6 mil pacientes com diagnóstico de câncer são atendidos mensalmente e tratados por alguns dos mais qualificados profissionais do Brasil nesta especialidade. Uma característica es-

sencial do Instituto é a inovação na assistência prestada, que permite ao paciente ter todas as fases de seu atendimento, do diagnóstico à reabilitação, integradas no mesmo local. Além do atendimento médico, os profissionais do ICESP desenvolvem atividades de ensino e pesquisa de acordo com o modelo de ensino médico introduzido pela Faculdade de Medicina da USP no país. O objetivo é transformar o Instituto em um centro de pesquisa de referência em nível internacional na área do câncer, inclusive no estudo de novos fármacos e tratamentos inovadores para a doença.

Centro público de radioterapia e imagem Em março de 2010 foi inaugurado o Centro de Diagnóstico por Imagem e Radioterapia dedicado ao diagnóstico minucioso, por meio de ressonância magnética, e ao tratamento radioterápico utilizando aceleradores lineares de última geração. Fruto de investimento de R$70 milhões, o Centro de Diagnóstico do ICESP ocupa um andar inteiro no quarto subsolo e têm capacidade para atender anualmente 90 mil procedimentos radioterápicos, 30 mil exames de ressonâncias magnéticas e 18 mil exames de medicina nuclear. Para atender os pacientes com conforto e qualidade, foram instalados quatro equipamentos de ressonância magnética marca GE e seis aceleradores lineares Elekta de procedência sueca. Uma das ressonâncias magnéticas opera com um campo magnético de 3 Tesla, o dobro dos equipamentos convencionais, sendo o primeiro equipamento desta tecnologia instalada pela GE no Brasil. Cada um destes equipamentos necessita para um bom funcionamento de um resfriamento por meio de um fluxo contínuo de água gelada. A Mecalor foi contratada para o fornecimento de 10 unidades IHA (Intercambiador Hospitalar) cada uma delas dimensionada para atender um equipamento do Centro de Diagnóstico. Todas as IHA's foram

instaladas ao tempo sobre a marquise dos blocos anexos ao edifício principal. Na parede externa de cada uma das salas de diagnóstico ou de tratamento foi instalado um painel remoto que permite ligar e desligar a IHA correspondente, além de indicar temperatura da água gelada e o status do equipamento (em operação ou com falha). Todas as IHA's foram fornecidas com duplo circuito de refrigeração, com um sistema de emergência que permite a entrada de água da rede potável em caso de parada da IHA e com bombas dinamarquesas de aço inoxidável para garantir a confiabilidade exigida pela aplicação. Além disto, participamos ativamente junto á MHA Engenharia, projetista do sistema, na concepção, dimensionamento e assessoria de instalação. “É uma honra para nós da Mecalor, poder participar de uma obra deste porte e que irá beneficiar milhares de pessoas”, comenta Natanael Ferreira, Coordenador de Vendas para o mercado hospitalar.

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Revolução no Diagnóstico do Câncer Um novo exame de medicina nuclear irá revolucionar o diagnóstico de câncer para os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) no Estado de São Paulo. Trata-se do PET-CT (tomografia computadorizada por emissão de pósitrons), a mais moderna tecnologia para rastreamento de tumores, agora disponível no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, unidade ligada à Secretaria da Saúde e à Faculdade de Medicina da USP. Fruto de um investimento de R$ 4 milhões na aquisição de dois equipamentos, o exame permite a detecção de câncer em estágios iniciais, com mais precisão e exatidão que a tomografia convencional, e irá beneficiar mais de sete mil pacientes por ano. Duas máquinas foram instaladas no Icesp. A nova tecnologia permite diagnosticar as áreas mais suspeitas de câncer, aliando imagens de medicina nuclear com a tomografia computadorizada. Essa união, conhecida como tecnologia híbrida, permite imagens anatômicas e muito precisas dos tumores. O PET-CT também permite visualizar o grau de extensão da doença e verificar se o tumor é localizado ou já se espalhou. A partir daí, é possível planejar o tratamento, monitorar o tempo de resposta dos recursos aplicados e fazer um melhor controle da doença. Para realizar o exame o paciente recebe uma injeção do radiofármaco FDG-18, uma substância radioativa que dá contraste exatamente no local onde existe tumor em crescimento. Isto porque, as células tumorais se alimentam de alguns compostos presentes no radiofármaco, atraindo a substância para si após a aplicação. O procedimento é simples e exige apenas um jejum leve.

Os radiofármacos são fornecidos pelo Centro de Medicina Nuclear do Instituto de Radiologia do Hospital das Clínicas da FMUSP. O equipamento que produz a substância, chamado de Cíclotron, foi instalado em um bunker de 520 metros quadrados dentro do complexo HC e protegido por paredes de concreto com 1,90 metro de expessura. Foram investidos 15 milhões na construção e aquisição de equipamentos. Inicialmente o exame de PET-CT será realizado no Icesp para detecção de linfomas e de tumores de mama e de pulmão, sendo expandido gradativamente. Os pacientes do hospital serão os primeiros beneficiados, e a idéia é estender progressivamente o exame para pacientes encaminhados de outras unidades. “Trata-se de uma verdadeira revolução no diagnóstico do câncer, permitindo no futuro, com a evolução das pesquisas, que a doença seja identificada em estágios moleculares ou sub-celulares. Com este exame os pacientes do SUS terão acesso ao que há de mais moderno para rastreamento de tumores”, afirma o diretor-geral do Icesp,

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Icesp cria cardápio contra o câncer O consumo de alimentos com variedade, qualidade e quantidade adequadas é um dos principais fatores na prevenção do câncer. Por isso, o setor de Nutrição e Dietética do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), ligado à Secretaria da Saúde e à Faculdade de Medicina da USP, preparou uma lista com alguns alimentos que auxiliam na prevenção contra a doença (veja tabela aqui). Algumas substâncias como o Ômega 3, encontrado em peixes, e os polifenóis, presentes na maçã, diminuem a formação de compostos inflamatórios, o envelhecimento celular e, consequentemente, a proliferação de células tumorais. Já as fibras solúveis, presentes em alimentos como brócolis, couve manteiga e couveflor, inibem a formação tumoral, diminuindo a possibilidade de mutações genéticas. Os hábitos diários também podem aumentar o risco de desenvolvimento do câncer. O sedentarismo, por exemplo, é um fator negativo para as pessoas que buscam qualidade de vida. A prática de atividade física diminui a resistência à insulina, tornando menor o risco de câncer colorretal, por exemplo. A obesidade também merece atenção. A ingestão alimentar excessiva leva ao aumento de peso, que causa

regulação prejudicada da glicemia e hiperinsulinemia e, como consequencia, aumenta o risco do surgimento de tumor no pâncreas, fígado e rins. Outro efeito da obesidade em longo prazo é a diabetes, que está relacionada com o desenvolvimento de câncer de fígado, endométrio, cervical e mamário. Na contramão deste consumo saudável, há os alimentos que potencializam o desenvolvimento de um câncer e que devem ser evitados ou, então, consumidos com moderação, já que são ricos em gordura saturada. Bons exemplos são os de origem animal (carne vermelha, leite integral e derivados e bacon), que podem causar inflamação e alteração dos níveis de hormônios no sangue. A inflamação e o excesso de açúcar no sangue levam à intoxicação das células, o que favorece o desenvolvimento de tumores. “Não podemos reduzir os alimentos a duas grandes listas: ‘heróis’ e ‘vilões’ da alimentação. Os principais erros em nossos hábitos alimentares não estão relacionados, exclusivamente, a ‘o quê’ comemos, mas também ao ‘quanto’ e ‘com que frequência’ nós consumimos alguns alimentos”, esclarece a gerente de Nutrição do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Suzana Camacho Lima.

Alimentos que possuem propriedades funcionais que contribuem na prevenção do câncer Substância

Alimento

Efeito no organismo

Laranja

Ácido ascórbicocarotenóides, monoterpenos e limonemos

Ação antioxidante ediminuição da toxicidade de substâncias mutagênicas

Peixes

Ômega 3

Ação antioxidante. Diminuição da proliferação de células retais cancerígenas, redução do risco de câncer de laringe

Frutas e vegetais vermelhos e roxos

Flavonóides (antocianina e quer cetina) e resveratrol (casca de uvas e vinho)

resveratrol(casca de uvas e vinho)Elevada ação anti oxidante, anticarcinogênico e antitum oral

Soja

Isoflavonas

Ação antioxidantes, antitumoral e hipolipemiantes

Frutas alaranjadas e amarelas Brocólis

Carotenóides

Protegem o DNA contra oxidação

Isotiocianatos

Ação anticancerígena e morte tumoral

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Materia de Capa

Acupuntura para tratar pacientes com câncer O Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) está utilizando técnicas de acupuntura como suporte no controle dos sintomas da doença e efeitos colaterais das medicações utilizadas para o tratamento de pacientes com câncer.

pós-quimioterapia, diarreia e constipação, sintomas bastante comuns após as seções de quimioterapia.

O objetivo é que a terapia ofereça suporte ambulatorial ao tratamento convencional de tumores, a fim de contribuir para as melhorias significativas na qualidade de vida do paciente com câncer, segundo o instituto.

De acordo com o Icesp, para ter acesso à terapia, os pacientes precisam ser encaminhados pelo médico e passar por uma triagem para avaliação. Caso a acupuntura seja indicada naquele quadro específico, eles vão receber um plano de tratamento de acordo com os sintomas que os incomodam.

A terapia complementar é indicada para controle de afecções como dor, náusea, neuropatia (doença nervosa), xerostomia (secura excessiva da boca), fadiga, ansiedade, depressão, insônia, ondas de calor, fadiga

O novo ambulatório está em funcionamento desde o início deste mês e, inicialmente, funcionará três vezes por semana durante cinco horas, com capacidade para realizar 250 atendimentos mensalmente.

Centro estética para pacientes em tratamento O Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), ligado à Secretaria de Estado da Saúde e à Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), ganha um serviço gratuito de beleza e estética para pacientes em tratamento na unidade. Desenvolvido pelo Serviço de Hotelaria e Hospitalidade do Icesp, o projeto irá oferecer aos pacientes com câncer da unidade corte de cabelo, manicure, barbearia, técnicas de maquiagem e dicas para amarrar lenços na cabeça, entre outros. Serão oferecidos cerca de 200 atendimentos por mês. Os atendimentos serão realizados por dois profissionais todas às segundas, terças e sextas-feiras, durante três horas por dia. Para aqueles que passam pela quimioterapia ambulatorial, o foco são minicursos de au-

tomaquiagem e dicas de como utilizar lenços na cabeça. Quem está internado em leitos comuns ou nas UTIs poderá solicitar corte de cabelo, manicure, higienização da pele, hidratação das mãos ou para ser barbeado, além de minicursos de maquiagem. Neste caso, o atendimento será agendado previamente e realizado no próprio leito. Segundo a gerente do setor, Vânia Pereira, ações como essa ajudam na autoestima do paciente, além de amenizar o processo do tratamento. “Tanto para os internados quanto para quem está em atendimento ambulatorial, receber uma atenção desse tipo é fundamental para que o dia-a-dia e as vindas ao hospital sejam amenizadas”, avalia.

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Laboratório Destinado a Pesquisas sobre o Câncer

O Estado de São Paulo ganha, o maior laboratório destinado a pesquisas sobre o câncer da América Latina. O Centro de Investigação Translacional em Oncologia do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) “Octavio Frias de Oliveira” será a unidade coordenadora de uma rede composta por 20 grupos que atuam em pesquisa básica e aplicada em oncologia. O investimento foi de R$ 2 milhões. Em uma área de 2 mil metros quadrados, equivalente a um andar inteiro do Icesp, o local irá funcionar como uma espécie de superlaboratório, com plataformas multiusuários. A área integrará especialidades como epidemiologia, genética molecular, biologia celular, biologia molecular, virologia e engenharia genética, processamento de amostras (Biobanco de Tumores), laboratório de Expressão Gênica e Seqüenciamento e patologia molecular. Com o novo centro será possível otimizar recursos, sistematizar a coleta, realizar o processamento de amostras e testes e acelerar a difusão dos resultados obtidos nas diversas frentes de pesquisa, que atualmente estão es-

palhadas em importantes instituições como o Hospital das Clínicas, Incor, Faculdade de Medicina da USP, Hospital A.C. Camargo, dentre outras. O Icesp, além de coordenar e centralizar essa rede de pesquisadores, irá disponibilizar equipamentos e serviços comuns a todos esses grupos. No total, serão cerca de 40 profissionais e mais de 130 alunos de pós-graduação beneficiados. Os equipamentos também são de ponta, e incluem microscópios a laser, seqüenciadores de DNA, separadores de células e ambientes para cultivo de células e produção de DNA recombinante e vírus recombinantes. A outra novidade será a implantação de um banco de amostras biológicas, com fragmentos de tumores congelados, amostras de sangue, RNA, DNA e proteínas coletadas dos pacientes. O local atenderá programas de pesquisas clínicas, oncologia molecular (que estuda, por exemplo, novos marcadores para diagnóstico de tumores), inovações terapêuticas e,

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posteriormente, medicina regenerativa aplicada à oncologia. Com a nova unidade, o Icesp passa a ser o ponto central de uma grande rede que reunirá todos os pesquisadores em câncer que hoje atuam em diversos locais. “Este centro permitirá testar com mais velocidade os avanços que forem surgindo na área de pesquisa oncológica. Com plataformas de alta tecnologia, iremos sistematizar o processamento de informações”, afirma Paulo M. Hoff, diretorgeral do Instituto do Câncer. Os projetos de pesquisa que serão priorizados pelo Centro se dividem em quatro etapas. O primeiro é o Programa de Pesquisas Clínicas, que inclui estudos de novas formas para prevenir, diagnosticar ou tratar o câncer. Já o segundo, denominado Programa de Oncologia Molecular, se refere a estudos que vão do diagnóstico até as mais recentes inovações

no campo molecular, como novos marcadores para diagnóstico de tumores, diagnóstico molecular por imagem e outros. Também está prevista a implantação do Programa de Inovação em Terapia, que desenvolverá estudos sobre novas tecnologias, inovações e aperfeiçoamento de modalidades terapêuticas já existentes, além do Programa de Medicina Regenerativa aplicada à Oncologia, relativa ao estudo das bases para regeneração tecidual e sua aplicação na recuperação do paciente com câncer. “Trata-se de um verdadeiro salto de qualidade na produção de conhecimento científico, na busca incessante de informação sobre o comportamento dos tumores e de novas formas de tratamento da doença”, diz o secretário de Estado da Saúde de São Paulo, Giovanni Guido Cerri.

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Materia de Capa

Infraestrutura O prédio do Icesp tem uma área construída total de 82.483,36m² e área de projeção de 4.647,16 m², em terreno de 7.209,20 m². O Edifício conta com 28 pavimentos, sendo 4 subsolos. Além do prédio principal, o Instituto tem edificações para utilidades e portaria, no pavimento térreo, numa área aproximada de 1.200,00m². Considerado um dos maiores hospitais verticais do mundo, o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo sofreu diversas adaptações estruturais para assegurar o funcionamento otimi-zado do prédio. A construção exigiu investimentos e soluções diferenciadas para ser transformado em um grande centro de tratamento especializado em oncologia. Para assegurar a qualidade de funcionamento e mais segurança a quem circula diariamente em suas dependências, foram feitos investimentos em sofisticados sistemas de manutenção.

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Especial

Bancos de sangue: efi cácia e precisão na triagem Quando o assunto é segurança, sistemas da Roche em testes NAT são mais amplos e sensíveis desde 2008 no Brasil

Os avanços na biologia molecular apresentam soluções inquestionáveis para a ciência, de forma geral, impactando diretamente na otimização do diagnóstico de doenças graves e facilitando, por consequência, a indicação terapêutica. Um dos exemplos dessa modernização são os exames de amplifi cação de ácidos nucléicos, ou teste NAT como é conhecido na sigla em inglês. Sem dúvidas, uma grande revolução no que diz respeito à triagem de bolsas de sangue.

Um dos aspectos importantes para a segurança das transfusões é a triagem completa para uma segurança total, detectando todas as variações virais que podem estar presentes no sangue. O teste TaqScreen MPX, utilizado na plataforma cobas s201, é a solução mais completa e segura em métodos moleculares para bancos de sangue, por conta da larga especifi cidade e sensibilidade no diagnóstico direto dos agentes que causam as enfermidades.

O teste reduz consideravelmente a janela imunológica de várias doenças, pois detecta fragmentos dos vírus ao invés de procurar pelos anticorpos criados pelo organismo humano, como seria feito por um exame de sorologia. Para os bancos de sangue, a sensibilidade de um sistema como esse é fundamental, pois os riscos de infecções são reduzidos a praticamente zero. No Brasil, por exemplo, o número de infecções em transfusões sanguíneas seria reduzido em vinte vezes caso o teste fosse aplicado nos bancos de sangue.

Pioneiro no Brasil, o teste já é utilizado em diversos pontos no país, além de outros 175 bancos de sangue no mundo todo garantindo, em um único teste, a melhor sensibilidade do mercado para a detecção do HIV-1 Grupo O e M, o HCV, o HBV e o HIV-2, cuja presença foi recentemente detectada no Brasil, como mostraram pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Assim, o teste TaqScreen é a solução mais completa para testes NAT, cobrindo todos os alvos e subtipos exigidos pela RDC brasileira que normatiza a sorologia viral na triagem de sangue para HIV, HBV e HCV.

Pensando nesta problemática, a Roche lançou no Brasil, com registro desde 2008, o teste TaqScreen MPX , que utiliza a mesma tecnologia de ponta encontrada em países de primeiro mundo, como os Estados Unidos, Inglaterra, Japão e Holanda.

Para que a triagem seja mais rápida e precisa, a automação completa do processo NAT torna-se fundamental. Com o cobas s 201, os processos são completamente automatizados, desde a formação do

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pool, a extração do ácido nucleico, a amplificação e detecção, até a obtenção do relatório de resultados finais. O principal objetivo desse sistema é facilitar a triagem, evitando trocas de amostras e um melhor gerenciamento dos resultados. Nesse processo, a segurança é peça fundamental, por isso há vantagem de os tubos de reação serem fechados, reduzindo o risco de contaminação das amostras e influenciando diretamente a precisão dos testes. O controle é ainda maior com a enzima AmpErase da Roche, que evita a contaminação cruzada, além da transferência e a detecção de produtos anteriormente amplificados. O teste TaqScreen é baseado na tecnologia PCR em tempo real, padrão ouro para testes de biologia

molecular e amplamente utilizada no Brasil, como na rede de HIV, HBV e HCV. Os testes TaqScreen são prontos para uso, eliminando o erro devido a pipetagens. Também não exigem locais específicos ou equipamentos especiais para a preparação de reagentes. Para implantação dessa tecnologia, não são necessárias grandes mudanças estruturais no laboratório, tampouco uso de outros materiais, como águas especiais ou produtos clorados. A flexibilidade do cobas s 201 e o teste TaqScreen permite a criação de um sistema totalmente adaptável às necessidades da rotina laboratorial. Essa é uma das razões para a utilização do sistema em larga escala, desde bancos de sangue até fábricas de plasma de todo o mundo.

Teste NAT reduz infecção em tranfusões de sangue em até 20 vezes O diretor administrativo da Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia, Dante Mário Longhi Júnior, disse que se o teste NAT (a sigla em inglês para Teste de Ácido Nucleico) fosse obrigatório no país, o risco de infecções contraídas por meio de transfusões de sangue diminuiria em até 20 vezes. O teste NAT brasileiro é uma das inovações tecnológicas que estão sendo desenvolvidas para o combate às doenças retrovirais. A implementação gradual é feita pelo Ministério da Saúde, por meio da Coordenação da Política de Sangue. O procedimento serve para detectar o HIV e HCV (hepatite C), além de ampliar a segurança nos serviços de hemoterapia no Brasil. Ele manifestou preocupação com a demora na adoção do teste, que ocorre devido ao custo significativo. “Não podemos, devido à justificativa econômica, deixar de garantir a maior segurança possível na transfusão realizada no Brasil. Os órgãos governamentais defendem a ideia de que esse teste tem custo relativamente elevado e que o Brasil está de-

senvolvendo um produto nacional. É pertinente, mas o Brasil deveria adotar esses testes que já existem no mercado e, só depois, desenvolver o nacional”, disse Dr. Longhi. Dante Longhi comentou que o país está no sentido inverso. “Temos que tratar como prioridade a segurança nas transfusões e só então buscar novas opções, economicamente viáveis”, acrescentou. Segundo ele, diversos estudos demonstram a segurança maior com a utilização do teste NAT, entre eles, um do Hospital das Clinicas, da Universidade de São Paulo. “A transfusão de sangue é segura no Brasil, mas ainda deixa a desejar. O teste aumenta a segurança da transfusão, pois investiga a presença de alguns agentes infecciosos como, por exemplo, o HIV e os vírus da hepatite C e B, o que faz uma triagem do sangue que vai ser doado”. Se o sangue tiver material genético de algum desses vírus, ele é desprezado.

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Especial - Entrevista

Marisa D'Innocenzo, gerente da unidade de negócios da Roche Newcor - Poderia explicar o que vem a ser o teste Nat? Dra. Marisa - O NAT (sigla para Nucleic Acid Test) é um teste para bancos de sangue que reduz consideravelmente a janela imunológica de várias doenças, pois detecta fragmentos dos vírus ao invés de procurar pelos anticorpos criados pelo organismo humano, como seria feito por um exame de sorologia. Com ele, é possível reduzir consideravelmente o sangue usado em transfusões sanguíneas. Newcor - Quais os benefícios na utilização deste teste? Dra. Marisa - Para os bancos de sangue, a sensibilidade de um sistema como esse é fundamental, pois os riscos de infecções são reduzidos a praticamente zero. No Brasil, por exemplo, o número de infecções em transfusões sanguíneas seria reduzido em vinte vezes caso o teste fosse aplicado em todos os bancos de sangue Newcor - Como funciona o teste Nat no organismo humano? Dra. Marisa - O NAT não é aplicado no organismo humano. É um exame feito a partir de uma amostra do sangue doado. O teste detecta fragmentos de vírus no sangue e indica se há contaminação. Trata-se de um teste que utiliza um sistema específico para laboratórios de bancos de sangue, com equipamentos, reagentes e outros componentes. Newcor - Já podemos dizer que a transfusão de sangue é segura no Brasil. Dra. Marisa - Se considerarmos 100% de segurança, não é possível fazer tal afirmação. A grande maioria dos bancos de sangue no País ainda utiliza testes de sorologia para certificar a segurança do sangue doado. Apesar de estar disponível no Brasil desde 2002, o teste NAT não é encontrado na rede pública e em alguns bancos de sangue privados, o que expõe os centros de hemoterapia a um risco desnecessário. Newcor - Quais as novidades em termos de segurança nas transfusões de sangue? Dra. Marisa - A utilização de testes NAT no Brasil ainda pode ser considerada novidade, uma

vez que apenas alguns laboratórios particulares têm acesso à tecnologia. Pensando nesta problemática, a Roche lançou no Brasil, em 2008, o teste TaqScreen MPX , que utiliza a mesma tecnologia de ponta encontrada em países de primeiro mundo, como os Estados Unidos, Inglaterra, Japão e Holanda. O teste TaqScreen MPX, utilizado na plataforma cobas s201, é a solução mais completa e segura em métodos moleculares para bancos de sangue, por conta da larga especificidade e sensibilidade no diagnóstico direto dos agentes que causam as enfermidades. Um único teste garante a melhor sensibilidade do mercado para a detecção do HIV-1 Grupo O e M, o HCV, o HBV e o HIV-2. Esse teste é a solução mais completa para testes NAT, cobrindo todos os alvos e subtipos exigidos pela RDC brasileira que normatiza a sorologia viral na triagem de sangue para HIV, HBV e HCV. Newcor - O que muda para os hemocentros e bancos de sangues no País? Dra. Marisa - A implantação do teste NAT é uma questão estratégica para o Brasil, que pode poupar recursos com o tratamento das complicações de contaminações que ainda acontecem no país, além de garantir que o gesto altruísta da doação seja efetivo para contribuir com o tratamento de pessoas que dependem dos hemoderivados. Newcor - No Brasil, apenas a rede privada tem acesso? Isso deve chegar ao SUS? Dra. Marisa -Exato. Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou uma nova regulamentação para os bancos de sangue no Brasil, em que o NAT aparece apenas como um exame opcional e complementar à sorologia, mantendo nossos estoques expostos ao problema da janela imunológica. Ainda há um caminho a ser percorrido para que o teste chegue a toda rede do Serviço Único de Saúde.

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Artigo

Câncer de Pele Dr. Ivan Dunshee de A. Oliveira Santos Se uma ferida apareceu sem causa aparente e não cicatriza ou ainda se uma pinta sofreu uma alteração brusca no tamanho, na cor ou no aspecto, não perca tempo, procure o seu médico porque pode ser um câncer de pele. Geralmente não prestamos atenção à nossa pele e só o fazemos quando ela está lesada. A pele, o maior órgão do nosso corpo, nos protege das bactérias, fungos, vírus e produtos químicos e até de agentes físicos, como por exemplo, os raios ultravioleta do sol. A pele é um órgão altamente especializado, que consegue manter a temperatura do nosso corpo estável (o que é imprescindível para o bom funcionamento dos nossos órgãos) e através dos corpúsculos nervosos da pele, nós temos a sensação táctil, sem a qual nos machucaríamos facilmente a toda hora, sem percebermos. Sem a pele não conseguiríamos sobreviver. Apesar de ser um órgão com todas essas funções especializadas não lhe damos tanta importância e até esquecemos que ela existe. Poucas pessoas lembram que a pele pode adoecer, que também precisa ser cuidada. Muitos problemas da pele, incluindo o câncer poderiam ser evitados com cuidados adequados, principalmente na infância e no início da vida adulta. A causa do câncer da pele em mais de 90% dos casos é a exposição em excesso e cumulativa aos raios solares. Antigamente a pele branca era o ideal de beleza, como a pele da Branca de Neve ou a da Julieta do Romeu. O póde-arroz era usado para deixar a pele mais clara. Após os anos 50, pele bronzeada virou sinônimo de beleza e saúde. Do ponto de vista médico, uma pele bronzeada indica apenas que o nosso organismo está tentando se proteger dos raios prejudiciais do sol. Portanto, a melhor conduta é

a prevenção, isto é, não nos expormos demais aos raios solares, principalmente depois de dez horas da manhã e antes da quatro horas da tarde. Quando a exposição é inevitável, como por exemplo, em um jogo de futebol, ou na praia ou mesmo para as pessoas que trabalham ao ar livre, devemos saber usar corretamente roupas adequadas, chapéus e bonés (dependendo da ocasião) ou até mesmo um bom filtro solar. Geralmente um filtro com FPS (fator de proteção solar) de número 15 é o suficiente para uma proteção adequada. Devemos lembrar que o filtro solar deve ser aplicado 15 minutos antes de nos expormos ao sol e deve ser reaplicado a cada 2 horas ou até em intervalos menores, se estivermos fazendo exercícios ou nadando. Esses cuidados devem ser intensificados se a pessoa apresentar pele clara, muitos nevos e se tiver história familiar de neoplasia cutânea. Outro efeito da exposição solar cumulativa, isto é, o sol tomado em excesso durante toda a vida, é o envelhecimento precoce, com a pele ficando seca, com rugas e manchada. Existem 3 tipos principais de câncer de pele: o carcinoma basocelular (CBC), o carcinoma espinocelular (CEC) e o melanoma cutâneo. O CBC é o mais freqüente e o menos agressivo. Surge como um pequeno nódulo de cor rósea que cresce lentamente por meses ou até anos e após se ulcera, isto é, vira uma ferida. O segundo mais freqüente, o CEC cresce mais rapidamente, é mais agressivo que o basocelular e se ulcera precocemente. Aparece geralmente como uma crosta ou uma pequena ferida. Tanto o CBC como o CEC é mais encontrado em áreas expostas ao sol, como a face e os braços. O melanoma cutâneo é o tipo de câncer

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de pele mais grave e o menos freqüente. A sua causa mais importante é a exposição intermitente e excessiva ao sol, principalmente quando a pessoa é portadora de uma pele clara e sensível. Chamamos a exposição de intermitente quando a pessoa não está acostumada aos raios solares, e de vez em quando vai passar um fim de semana no litoral, querendo ficar morena rapidamente. Vai conseguir apenas lesar a pele. Algumas vezes até com bolhas. Outros fatores importantes são o grande número de pintas, que chamamos de nevos pigmentados e a presença de nevos atípicos, que são pintas com características diferentes. A malignidade maior do melanoma decorre do fato de que essa lesão pode dar "raízes" (metástases) para outros locais e até para órgãos vitais. No entanto, se for diagnosticado e tratado precocemente, o melanoma pode ser curado, como nos outros tipos de câncer de pele, em quase 100% dos casos. Na realidade, para fazermos uma prevenção, somente a exposição ao sol é que podemos controlar, pois não temos como escolher o nosso tipo de pele e muito menos o número das nossas pintas. Existem algumas pintas que devem ser retiradas profilaticamente. É importante sabermos a regra do "ABCD", que indica quais as pintas que devemos mostrar aos médicos: Assimetria, Bordas irregulares, Cor variada e Diâmetro maior que 6 mm. Exem-

plificando: A - Assimetria: dividindo a pinta ao meio, uma metade não se superpõe à outra. B - Bordas irregulares: bordas recortadas ou com fraca definição. C - Cor variada. A pinta tem duas ou mais cores. D - Diâmetro maior que 6 mm (diâmetro do fundo de um lápis). Além dos sinais da regra do ABCD, devemos também ficar atentos com as lesões que mudam de tamanho, de cor ou que apresentem prurido, isto é se estiver coçando. Todas as pessoas com muitos nevos, ou com pele clara e que tomaram muito sol na infância, devem preventivamente consultar regularmente o seu médico e também fazer o auto-exame da pele. No auto-exame, as pessoas devem observar toda a sua pele em um ambiente com muita luz e com dois espelhos. Notar se uma pinta se alterou ou se nasceu uma nova pinta. Notar também se uma ferida não cicatriza sem apresentar uma causa aparente. A prevenção é o melhor investimento que fazemos para a saúde e para a beleza da nossa pele.

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Artigo

O risco do câncer de mama

Dr. Drauzio Varella No decorrer da vida, uma em cada dez mulheres vai apresentar câncer de mama. A incidência desse tipo de neoplasia aumentou significativamente nos últimos vinte anos. Parte do aumento resulta da aplicação cada vez mais rotineira de técnicas diagnósticas como a ultra-sonografia e as mamografias, que todas as mulheres devem repetir anualmente a partir dos quarenta anos (ou começar antes em casos especiais). Outra parte é conseqüência da mudança de padrão reprodutivo feminino ocorrido nos últimos cinqüenta anos. Durante a primeira metade do ciclo menstrual os níveis de estrógeno na circulação aumentam, para declinar na segunda metade, quando a produção de progesterona cresce. Não havendo fecundação do óvulo liberado na metade do ciclo, quatorze dias depois acontece a menstruação. Há relatos científicos de que no início do século XX, a primeira menstruação (menarca)

das mulheres européias e americanas acontecia aos dezessete anos, em média. Como casavam cedo, engravidavam em seguida e permaneciam sem menstruar até o final da fase de amamentação. Quando paravam de amamentar, menstruavam, engravidavam novamente e o ciclo se repetia até a menopausa, que acontecia ao redor dos quarenta anos. Ao final de uma vida reprodutiva profícua, cada mulher havia menstruado apenas algumas dezenas de vezes. Por razões mal conhecidas a fase reprodutiva da mulher atual é mais longa: as meninas começam a menstruar já aos onze ou doze anos e a menopausa ocorre depois dos cinqüenta. Além disso, o pequeno número de filhos característicos da maior parte das famílias mantém as mulheres em sucessivos ciclos menstruais, que se repetem exaustivamente por centenas de meses. O impacto provocado pela ação repetida de estrógeno e de progesterona nos tecidos

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mamários é responsabilizado pelo aumento no risco de desenvolver câncer de mama apresentado pela mulher moderna. Nem todas as mulheres, no entanto, têm a mesma probabilidade de desenvolver

tumores malignos nos seios; algumas correm mais risco. De acordo com a interferência do estilo de vida na incidência da doença, os fatores de risco costumam ser divididos em dois grupos: inevitáveis e modificáveis.

Fatores inevitáveis: 1) Idade: 75% a 80% dos casos ocorrem em mulheres com mais de 50 anos; 2) História familiar: 90% dos casos são esporádicos, mas os 10% restantes estão ligados à predisposições genéticas. História de câncer de mama em familiares do lado materno ou paterno dobram o triplicam o risco. Quanto maior a proximidade do parentesco, mais alto o risco. Deve-se suspeitar fortemente de predisposição genética quando há vários casos de câncer de mama ou de ovário diagnosticados em familiares com menos de 50 anos (especialmente em parentes de primeiro grau), casos com câncer nas duas mamas (apresentação bilateral), ou casos de câncer de mama em homens da família; 3) Menarca: menstruar pela primeira vez antes dos 11 anos triplica o risco; 4) Menopausa: parar de menstruar depois dos 54 anos duplica o risco; 5) Primeiro filho: primeira gravidez depois dos 40 anos triplica o risco; 6) Biópsia prévia em nódulo mamário benigno com resultado de hiperplasia atípica aumenta de 4 a 5 vezes o risco; 7) Já ter tido câncer de mama: aumenta quatro vezes a chance de ter câncer na mama oposta.

Fatores modificáveis 1) Peso corpóreo: quando o índice de massa corpórea (peso dividido pela altura ao quadrado) ultrapassa o índice de 35 numa mulher menopausada, seu risco duplica. Se ela for pré-menopausada, no entanto, curiosamente o risco cai 30%; 2) Dieta: Consumo exagerado de alimentos gordurosos aumenta o risco 1,5 vezes. 3) Consumo de álcool: quando excessivo, aumenta 1,3 vezes; 4) Ter recebido radioterapia no tecido mamário para tratamento de outro tipo de câncer: se ocorreu numa menina com menos de dez anos, o risco aumenta 10 vezes; 5) Uso corrente de contraceptivos orais: aumenta 1,24 vezes; 6) reposição hormonal por mais de dez anos: aumenta 1,35 vezes. Mulheres que apresentam fatores de risco para desenvolver a doença devem ser orientadas a procurar o especialista para avaliações radiológicas mais freqüentes. 47 -- Revista do Câncer


Atualização

Brasil terá 500 mil novos casos de câncer em 2011

O Brasil deve registrar este ano 500 mil novos casos de câncer, segundo estimativa divulgada pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca). O dado indica um leve aumento em relação à previsão feita no ano passado pela entidade, de 489 mil casos. A aceleração da ocorrência de casos da doença no País seria reflexo de uma tendência mundial, mas passou a ser registrada mais recentemente no Brasil devido ao envelhecimento da população e aos avanços no tratamento de doenças infecciosas, antigas causas mais frequentes de morte. Segundo o Inca, os gastos do Ministério da Saúde com o atendimento de pacientes com câncer cresceram 20% entre 2000 e 2007, atingindo R$ 1,4 bilhão. São custos que cobrem a internação de 500 mil pacientes por ano, além de 235 mil sessões de quimioterapia e 100 mil de radioterapia por mês. 'Estamos diante de um cenário provocado por progressos que permitiram o envelhecimento da população, mas que também proporcionaram hábitos como a alimentação inadequada e a falta de atividades físicas, por exemplo', alertou o diretor-geral do Inca, Luiz Antonio Santini. 'Esta situação requer preocu-

pações e ações específicas de toda a sociedade.' Durante um evento que marcou o Dia Mundial do Câncer, na sede do Inca, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou que o novo governo pretende ampliar o acesso ao tratamento de câncer na rede pública e intensificar o controle de qualidade de exames preventivos, com o objetivo de impedir erros de diagnóstico. Detecção precoce Além do estabelecimento de convênios com a indústria farmacêutica para reduzir os preços de medicamentos, como alguns remédios indicados para o combate à leucemia, Padilha destacou que há um esforço para proporcionar a detecção precoce de alguns tipos da doença. Para evitar diagnósticos falhos, o Ministério pretende criar uma rede de monitoramento de 1.300 equipamentos usados para identificação do câncer de mama. 'Nós vamos criar um grande programa nacional de avaliação da qualidade dos exames de mamografia, para que as análises realizadas no Brasil tenham a qualidade necessária', afirmou Padilha.

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Em parceria com o Inca, o Ministério da Saúde também quer avaliar a qualidade de exames que detectam o câncer de colo uterino para ajudar municípios em que o índice de diagnósticos falhos chega a 50%, devido ao uso de equipamentos degradados ou material inadequado. 'Fazer exames de má qualidade ou má interpretação é pior que não fazer exame nenhum, pois desvia a atenção do médico e do paciente', avaliou Helvécio Magalhães, secretário de Atenção à Saúde do Ministério.

de 70% dos gastos com atendimento e tratamento proporcionados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e são responsáveis por 67% das mortes registradas no País.

O governo brasileiro deve apresentar, em setembro, na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), uma agenda estratégica de ações para reduzir o número de casos e o impacto do câncer e outras doenças crônicas no sistema público de saúde. O tema foi incluído na pauta do evento por deAlerta cisão das Nações Unidas. 'Essa é uma grande oportunidade para o setor da saúde incluir a O Inca e o Ministério da Saúde lançaram questão das doenças crônicas não transmisum alerta para a necessidade de prevenir ou- síveis no centro da pauta de discussão de tras doenças crônicas, como a diabetes doen- governantes. Podemos construir uma agenda ças cardiovasculares e respiratórias. Um docu- mundial de médio e longo prazo, como aconmento apresentado hoje aponta que, ao lado teceu com o tema das mudanças climáticas', do câncer, essas doenças consomem mais afirmou Padilha.

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Mercado

Tolerância zero Fator de risco para o câncer de bexiga, o adoçante artificial é proibido em diversos países e gera polêmica no Brasil Adotado pela indústria alimentícia para substituir o açúcar em alimentos e bebidas de baixa caloria – como os populares refrigerantes zero –, o ciclamatode sódio é condenado pela comunidade científica internacional por estar associado ao desenvolvimento de câncer no trato urinário. A substância já foi proibida em diversos países, como Estados Unidos,Inglaterra e Venezuela. No Brasil, o uso do ciclamato de sódio é controlado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e está restrito a concentrações limitadas. Recentemente, a polêmica sobre o uso indiscriminado do edulcorante tem ganhado força e fomentado uma questão de saúde que assume contornos políticos: existem níveis seguros para o consumo dessa substância? O site da Coca-Cola Brasil informa que “os resultados de cerca de 80 estudos científicos demonstram que o ciclamato não oferece risco para a saúde humana nas condições normais de consumo” e aponta normas internacionais para a comercialização do edulcorante. Para esclarecer a controvérsia, o Ministério Público solicitou ao Instituto Nacional de Câncer (INCA) nota técnica sobre a associação entre o consumo do adoçante artificial e o desenvolvimento de neoplasias. O documento informa que “pequenas doses diárias de ciclamato de sódio não têm provocado aumento no risco a curto prazo, mas diversos estudos têm indicado que pequenas doses a longo prazo, atuando ou não em sinergismo com outros fatores cancerígenos usualmente presentes no organismo, podem provocar um aumento do risco de desenvolvimento de câncer em animais e humanos”. 50 -- Revista do Câncer


O nutricionista Fábio Gomes, da Área de Maria Cecília. No entanto, pesquisadores do Nutrição do INCA, explica que a metaboliza- INCA ponderam que os limites impostos pela ção do ciclamato de sódio pelo organismo hu- Anvisa foram definidos a partir de avaliações mano gera um produto tóxico, caracterizado toxicológicas realizadas em um contexto dicomo uma substância cancerígena. “Estudos verso do atual consumo do ciclamato de sódio internacionais demonstram que o ciclamato pela população brasileira. de sódio está associado ao desenvolvimento “Quando essas pesquisas foram desende neoplasias do trato urinário, sobretudo o câncer de bexiga”, afirma. “As pesquisas su- volvidas, o ciclamato de sódio era consumgerem que o consumo em longo prazo de be- ido por um grupo restrito, ou seja, pessoas que não podem comer bidas contendo o adoçante açúcar. Mas a substânartificial, como duas latas de cia ganhou dimensão refrigerante zero por dia ducomercial e hoje está rante dez anos, é suficiente “No Brasil, o uso da presente em produtos para aumentar em até três alimentícios destinados vezes o risco da doença”, alersubstância é controlado a toda a população”, ta o pesquisador. pela Anvisa, que autoriza a contextualiza Fábio. “Diante desse novo cenário, Os resultados científisua comercialização com são necessários estudos cos ainda considerados preliepidemiológicos que mi-nares motivaram países o limite máximo de 0,04 g avaliem o impacto da incomo Reino Unido, Canadá de ciclamato de sódio para gestão do ciclamato de e Austrália a banir o edulsódio em escala popucorante das prateleiras dos cada 100 g de alimento ou lacional. Abordagens supermercados. No Brasil, também segmentadas o uso da substância é con100 ml de bebida.” são importantes, como trolado pela Anvisa, que aua avaliação do consumo toriza a sua comercialização do edulcorante por cricom o limite máximo de 0,04 g de ciclamato de sódio para cada 100 g de anças”, resume. alimento ou 100 ml de bebida. A Anvisa inPara o nutricionista do INCA, as proiforma que o limite foi estabelecido com base bições internacionais diferem da conduta em avaliações toxicológicas de instâncias internacionais, como o Comitê Especialista em brasileira principalmente no que os pesAditivos Alimentares (JECFA, na sigla em in- quisadores chamam de princípio da preglês), vinculado à Organização para Alimentos caução. “Alguns países optaram pela proie Agricultura das Nações Unidas(FAO/ ONU) e bição preventiva de um composto químico que, depois de metabolizado, gera uma subà Organização Mundial da Saúde (OMS). stância tóxica no organismo humano. As eviA diretora da Anvisa, a farmacêutica Ma- dências ainda não foram plenamente esclareria Cecília Brito, justifica que a principal refe- cidas, mas a proibição permanece até que a rência para o uso de aditivos em alimentos é segurança do produto em questão seja coma Ingestão Diária Aceitável (IDA), estabelecida provada cientificamente”, comenta Fábio. No pelo JECFA. “A IDA é a estimativa da quanti- Brasil, o benefício da dúvida tem sido aplicadade máxima que uma substância pode ser do a essa e outras substâncias que, a longo ingerida por dia e durante toda a vida de uma prazo, podem prejudicar a saúde da populapessoa, sem oferecer risco à saúde”, afirma ção. Além dos refrigerantes zero, o ciclamato 51 -- Revista do Câncer


Mercado

de sódio está presente em muitos outros alimentos e bebidas de baixa caloria e pode ser comprado separadamente, como adoçante de mesa. “Os cidadãos devem ler atentamente os rótulos dos produtos alimentícios para efetuar escolhas conscientes”, orienta.

to natural com elevado poder adoçante que, por ser de origem vegetal, não apresenta associação com o desenvolvimento de doenças. Estudos complementares serão desenvolvidos para investigar a segurança da substância.

Sem desconsiderar a importância de campanhas educativas em prol do consumo consciente, o pesquisador do INCA defende que, diante do possível risco epidemiológico associado ao ciclamato de sódio, o controle do edulcorante requer medidas políticas mais rígidas. “Proteger a população de um composto químico que, em longo prazo, pode ser nocivo à saúde é uma questão política que deve ser tratada por meio de legislação específica”, afirma. Para ele, tornar o ambiente mais favorável à saúde é um dever do Estado. “Não é prudente responsabilizar somente o cidadão por escolhas tão importantes”, avalia o nutricionista.

Os adoçantes artificais surgiram como uma alternativas para pessoas com problemas de saúde e restrições alimentares impostas principalmente pelo diabetes. Com o passar do tempo, uma deturpação cultural provocada pela mesma ditadura da magreza que inventa dietas milagrosas ampliou o uso dessas substâncias a toda a população, incluindo pessoas saudáveis que podem consumir açúcar moderadamente. “Não devemos consumir açúcar em excesso, mas de nada adianta substituir o produto natural por compostos químicos de gosto semelhante e efeitos ainda duvidosos sobre a saúde”, afirma Fábio. A melhor opção é incluir na alimentação frutas e temperos naturais com poder adoçante.

Motivado pela demanda do Ministério Público, o INCA está desenvolvendo estudos para atualizar o conhecimento científico na área. Ainda em fase preliminar, uma pesquisa identificou na literatura científica um compos-

O aumento do consumo de adoçantes artificiais ilustra a tendência global de valorização de produtos industrializados e processados em detrimento de alimentos naturais. Na cesta básica do consumidor moderno, o

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“Estudos internacionais demonstram que o ciclamato de sódio está associado ao desenvolvimento de neoplasias do trato urinário, sobretudo o câncer de bexiga.” Fábio Gomes, nutricionista do INCA

refrigerante substitui a água e, para não engordar, a opção pela bebida de zero caloria parece ser a preferida da população. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) comprova: em 30 anos, entre 1974 e 2003, o consumo de refrigerantes cresceu 400% no país, incluindo as versões calóricas, light e diet da bebida. Sobre a preferência pelos refrigerantes zero, Fábio afirma que uma sátira bastante comum sobre a alimentação tem sido comprovada pela ciência. De acordo com o nutricionista, pesquisas internacionais demonstram que, em geral, pessoas que consomem bebidas dietéticas estão com sobrepeso. Certamente, muitos desses indivíduos estão tentando perder peso e por isso recorrem a alimentos e bebidas com baixo teor calórico. Mas o que os estudos evidenciam é que os consumidores acreditam que apenas essa adaptação no cardápio é suficiente para compor uma dieta equilibrada, que proporcionará a perda de peso. Do ponto de vista nutricional, o risco dessa ilusão é ainda maior. “Os refrigerantes – independentemente de calóricos, zero ou light – são compostos por fosfatos, que inibem a absorção de nutrientes. Quan-

do consumidas com a alimentação, essas bebidas bloqueiam a absorção de vitaminas e minerais presentes no arroz, no feijão, na salada e nas frutas”, alerta Fábio. Diante das evidências científicas que condenam o consumo de refrigerantes, a indústria alimentícia investe em estratégias de marketing inovadoras – e perigosas. Recentemente, uma nova classe de refrigerantes chegou ao mercado, vendendo a falsa impressão de serem águas gaseificadas ou vitaminadas. “Essas bebidas vendem a ideia de saúde, hidratação e frescor para se contrapor à imagem maléfica associada aos refrigerantes. No entanto, contêm açúcar, ciclamato de sódio e outras substâncias nocivas à saúde”, observa o nutricionista do INCA. “As pessoas precisam refletir sobre qual é a vantagem de consumir refrigerante zero, light ou calórico. É uma necessidade, um valor que foi construído por quem quer vender o produto. Tirando esse aspecto, não existe nenhuma vantagem em consumir refrigerante, com açúcar ou adoçante”, garante o especialista. Fonte: INCA - Rede Câncer/ Ed. 12

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Opinião

Antes de tomar um remédio, consulte um médico

Dr. Marco Aurélio Smith Filgueiras neurologista SE PERSISTIREM OS SINTOMAS O MÉDICO DEVERÁ SER CONSULTADO. Esta é a frase que aparece na tv logo após a propaganda de medicamentos que só beneficia um lado: o da Indústria Farmacêutica. O malefício se concentra do outro lado onde está a população, que é estimulada para a automedicação. Automedicação é a pratica de ingerir medicamentos por conta própria sem a receita médica. Este hábito é incentivado pelos meios de comunicação, tv, revistas, jornais, outdoors além de familiares, vizinho, um amigo intimo viciado em remédios, balconista da drogaria ou farmacêutico. Aliás, deveria ser proibida (desde 1976, existem no Brasil elementos legais suficientes para regular e fiscalizar a propaganda de medicamentos) a divulgação de produtos farmacêuticos na imprensa de uma maneira geral. Só assim não precisaríamos estar aqui discutindo esta questão. Já que é permitida, a citação que deveria vigorar seria a primeira que serve de titulo ao nosso artigo. A segunda surgiu, na tentativa de minimizar os danos que já vinham acontecendo na sociedade com a lucrativa propaganda livre e irresponsável de medicamentos. Constantemente vemos alguém indicando remédio para outra pessoa, porque se deu bem, como se todos fossemos iguais. As reações a tudo na vida são individuais, é a chamada Idiossincrasia Até mesmo nós médicos podemos alimentá-la. Se alguém nos pergunta por telefone ou durante um encontro ocasional: “Doutor, posso tomar tal remédio? e respondermos que sim, sem conhecimento dos seus efeitos

adversos e do estado de saúde do paciente, particularmente da sua função hepática, renal, gastrointestinal e hematológica, podemos estar iniciando um processo mórbido, doloroso até mesmo fatal nesta pessoa. E se ela estiver tomando outros medicamentos? Pior ainda, porque poderemos desencadear uma terrível interação medicamentosa. Até mesmo no nosso próprio consultório temos o dever de estar ciente destas funções e fazer uma relação dos fármacos que porventura nosso consulente está usando para prevenir uma possível interação incompatível. Realmente uma das formas de evitar ou pelo menos reduzir essa mania de proceder seria realizando uma boa gestão publica e privada voltada principalmente para a educação da população, para o ensino e melhoria das condições de trabalho dos médicos. Com relação à educação da população, mostrar os riscos da automedicação. O ensino tem que ser mais humanizado e profissionalizado nas Escolas de Medicina, para que os futuros médicos exerçam a profissão com mais responsabilidade quanto à prescrição de fármacos. Para melhorar as condições de trabalho do médico, a aplicação dos fundos de saúde dirigidos tanto para equipar os ambulatórios e hospitais quanto para lhe dar segurança financeira na vida profissional. Desta maneira poderíamos dispor de mais e melhores médicos que poderiam ser consultados a qualquer hora do dia ou da noite. Só assim poderíamos repetir em alto e bom som e com toda a segurança: Antes de tomar um remédio consulte um medico.

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