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Ano II - Edição nº 07 - Nov/Dez

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AUMENTOS NA TARIFA DE ENERGIA ELÉTRICA

IMPULSIONAM MICRO GERAÇÃO COM ENERGIA SOLAR FOTOVOLTAICA


ÍNDICE 08

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Sustentabilidade na geração de Energia Solar Fotovoltaica

14

14 Geração de empregos verdes aquece o setor

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Entrevista com Carlos Evangelista presidente da ABGD

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Sistema de Gestão de Energia (SGE) com base na Norma ISO50001

EDIÇÃO

FRG Mídia Brasil Ltda.

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SUPERVISÃO

Eliane T. Souza

TRADUÇÃO

Paula Schamne Para reprodução parcial ou completa das informações da RBS Magazine - Revista Brasil Solar é obrigatório a citação da fonte.

18

REVISÃO

Maria Cristina Cardoso

DISTRIBUIÇÃO

Carlos Alberto Castilhos

EDIÇÃO DE ARTE E PRODUÇÃO

WBA – Associação Mundial de Bioenergia \ Instituto BESC \ CBCN \ Portal Brasileiro de Energia Solar \ NEEAL – Núcleo de Estudo em Energia Alternativa

DISTRIBUIÇÃO DIRIGIDA

Empresas do setor de energia solar e energias renováveis, sustentabilidade, câmaras e federações de comércio e indústria, universidades, assinantes, centros de pesquisas, além de ser distribuído em grande quantidade nas principais feiras e eventos do setor de energia solar, energias renováveis, construção sustentável e meio ambiente.

34 TIRAGEM: 9.000 exemplares VERSÕES: Impressa / eletrônica PUBLICAÇÃO: Bimestral CONTATO: 55 (42) 3025.7825 / 3086.8588 E-MAIL: comercial@revistabrasilsolar.com, claudio@revistabrasilsolar.com

COLUNISTAS/COLABORADORES

Gerson...;Aécio da Silva Bolzon; Jean Diniz; Welbert Alves Rodrigues; Gustavo Malagoli Buiatti ; Bárbara Rubim; Márcio Eli Moreira de Souza; Oswaldo Firmino Júnior; Luciano Rodrigues; Luciano Mendes da Silva; Ana Karla Martins; Jorge de Aguiar

Os artigos e matérias assinados por colunistas e ou colaboradores, não correspondem a opinião do RBS Magazine - Revista Brasil Solar, sendo de inteira responsabilidade do autor.

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Artigo

ANEEL PERMITE MAIS UM

REAJUSTE DA TARIFA DE ENERGIA Engenheiro Gerson Sampaio Filho

O

aumento das tarifas nos últimos 12 meses chega a média de 75%, recentemente a ANEEL autorizou um reajuste de 8 a 18 % no valor da conta de energia. Além disto, os Estados começam a aumentar impostos também. Em 22/09, houve aumento do ICMS sobre energia no Rio Grande do SUL, e isto abre caminho para os outros estados.

ANEEL allows for an adjustment of power tariff

A energia no Brasil

é a mais cara do mundo

Como aceitar que, em pais que se diz com inflação controlada, o governo aplique aumentos de forma ilegal? Que outro produto ou serviço aumentam assim?

no limite da inflação, e apoiadas em Audiências Públicas, que servem para debater a importância, a viabilidade e ouvir os consumidores. Você já foi a uma destas Audiências?

Qualquer empresa comercial deve ter informações sobre seus preços disponíveis ao seu cliente. Hotéis, restaurantes, supermercados, etc, tem que apresentar seus preços de forma que o cliente saiba o que está comprando. Você tem a tabela de tarifas de sua concessionária? Ela é transparente em todos os índices, encargos e também fácil de entender?

Está na hora de mostrar a presença do cidadão em decisões que afetam o seu bolso diretamente. A pergunta é: como vamos ajudar a resolver se não formos consultados? Iremos unir forças e lutar pelos nossos ideais ou ficaremos assistindo à escalada de aumentos e à volta da inflação?

A energia no Brasil é a mais cara do mundo, e de péssima qualidade. O fato é que a situação atual se deve à falta de planejamento, com medidas sem qualquer critério de longo prazo. Acionaram as usinas térmicas, poluindo nossa matriz energética, construídas e operadas em critérios políticos, gerando fortunas para alguns e prejuízos para toda a sociedade. A energia destas usinas custa até seis vezes mais que as renováveis, e a diferença é você quem paga. A legislação determina que aumentos de tarifa tem que ser anuais, 4

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Todos podemos contribuir para economizar energia na empresa e ajudar a pressionar nossos representantes para dizer não ao aumento dos impostos e tarifas. Para economizar na empresa, o essencial é mudar: • A forma de medir sua energia, com medidor próprio ligado a seu sistema de contabilidade. • A forma de avaliar os tributos sobre energia (52 % da conta). Em alguns casos podemos creditar estes impostos e recuperar seus valores.

The energy in Brazil is the world's most expensive and also poor quality. The fact is that the current situation is due to lack of planning, measures with no long-term perspective. They triggered the thermal power plants, polluting our energy matrix, built and operated on political criteria, generating wealth for some and losses for society. The energy of these plants costs up to six times more than renewable energy, and the difference is you who pays. The law provides that tariff increases must be annual, in the inflation limit, and supported by public hearings, which serve to discuss the importance, viability and listen consumers. Have you ever been to one of these hearings? It's time to show the presence of citizens in decisions that affect your pocket directly. The question is: how do we help solve if we are not consulted? We will join forces and fight for our ideals or we will be watching the escalating increases and the return of inflation?


9. Siga normas de gestão de energia elétrica e treine a equipe sobre seu uso:

• A infraestrutura e maquinário, modernizando e automatizando seus processos.

A ISO 50.001 é uma norma voltada para a criação de um sistema de gestão de energia elétrica. Foi criada pela ISO, órgão com vasta credibilidade mundial e pode ser certificada oficialmente por meio de uma auditoria.

• A operação, através de treinamentos e ações para usar de forma controlada a energia. Para isso, recomendamos: 1. Formar sua equipe: Se você quiser economizar energia elétrica, conte com a ajuda de seus colaboradores.

10. Inclua controle elétrico em seus sistemas de automação: Controle o consumo de energia de forma automática. Sistemas regulam a intensidade da luz, a temperatura, o consumo de máquinas gastando o mínimo possível de eletricidade.

2. Aprenda a ler sua conta de energia: É absolutamente necessário que você contrate uma empresa para instalar seu próprio medidor, para conferir suas contas. A leitura de uma conta não é tão óbvia quanto parece. Existem variáveis em relação ao consumo, à demanda e vários outros parâmetros que tem valores financeiros. 3. Substitua motores e dispositivos com mais de cinco anos de uso: A troca de motores por outros com maior eficiência energética resulta em economia direta e permanente, com amortização rápida. 4. Repense suas luminárias: Você sabia que o design interno da luminária pode afetar o aproveitamento da luz? A troca dos modelos e lâmpadas é um investimento que retornará ao seu bolso rapidamente. 5. Estabeleça metas de redução: Seu custo cairá, ofereça premiação ou bônus caso a meta seja atingida. Indicadores aceitos internacionalmente, por exemplo, são o consumo específico de energia por tonelada de produto, por lote enviado, por cliente atendido, etc. Mostre a seus colaboradores os objetivos de reduzir gastos. 6. Faça Mudanças de Layout: É possível rearranjar equipamentos e máquinas. 6

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7. Verifique o consumo de cada máquina e compare com benchmark: Todos os equipamentos elétricos têm um índice de consumo de energia ideal.

11. Utilize energia solar: Aproveitar a luz do sol para gerar energia é uma alternativa utilizada para economizar. Seja em aquecimento da água, refrigeração ou mesmo gerando energia elétrica utilizando o sol como fonte. (energia fotovoltaica);

Caso note que há baixa eficiência energética, atue nos ajustes ou na substituição, calculando o tempo de 12. Instale economizadores inteligentes: retorno do investimento. O economizador inteligente reA eficiência energética pode ser duz o consumo de energia em motomensurada por meio da evolução res e outros tipos de aparelhos. do benchmarking comparativo entre três categorias: benchmarking 13. Sensores, dispositivos de partida, inversores de frequência e relés interno, em que se rastreia a evoluautomáticos: ção interna; benchmarking entre as Esses dispositivos podem reduzir unidades da empresa, que avalia em em até 50% o consumo de motores qual quadrante a companhia se situa elétricos, que representam 55% da diante de outras unidades dentro da demanda industrial. Estudos mosprópria organização, e por fim, ben- tram que, com ajustes técnicos da chmarking externo, que compara os potência efetivamente consumida, resultados com o ambiente competi- pode-se obter uma economia média de 18% no consumo de energia elétivo do mercado exterior. trica de uma indústria. 8. Avalie seus métodos de trabalho: 14. Contrate uma empresa especiaÉ importante rever seus proces- lizada: sos e etapas procurando oportunidaPara montar o projeto de eficiêndes de redução de consumo. Estude cia energética profissional, contrate o tempo que suas máquinas ficam uma empresa especializada e que ligadas e pense na possibilidade de tenha experiência relevante no segreduzir esse número sem afetar sua mento. Com isto você terá maior efiprodutividade. ciência e eficácia. ▪


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Aécio da Silva Bolzon - AWC Jean Diniz - AWC Welbert Alves Rodrigues - AWC

Entendendo e demonstrando a

Sustentabilidade Ambiental na Geração de Energia Fotovoltaica 1. Resumo

2. Introdução

A sustentabilidade ambiental é um valor intrínseco de uma instalação fotovoltaica. Ressaltar este valor é muito importante na promoção ou venda de um sistema fotovoltaico. Entretanto, pode ser algo difícil de entender por parecer abstrato, intangível. Uma forma de concretiza-lo é através de equivalências de sustentabilidade ambiental. Este artigo apresenta equivalências de sustentabilidade adequadas ao mercado brasileiro.

Uma das maiores dificuldades de um integrador, profissional que realiza o projeto e a instalação de sistemas fotovoltaicos, é a dificuldade de vender o projeto. Essa dificuldade está relacionada ao cenário do mercado da geração distribuída de energia elétrica nacional, onde ainda não há linhas de financiamento adequadas para pessoas físicas. Organicamente, esse cenário tem melhorado pelos recorrentes reajustes tarifários aplicados a energia elétrica, entretanto é

Environmental sustainability is an intrinsic value of a photovoltaic installation. To emphasize this value is very important in the promotion or sale of a photovoltaic system. However, it can be difficult to understand why seem abstract, intangible. One way to realizes it is through environmental sustainability equivalences. 8

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muito importante explorar cada benefício desse sistema. 3. Os gases do Efeito Estufa No nosso cotidiano estamos habituados a andar de ônibus ou de carro, viajar de avião, respirar, etc. Essas atividades emitem gás carbônico (dióxido de carbono - CO2) que é um composto químico gasoso e um dos gases que pode desiquilibrar o efeito estufa. Inúmeras atividades humanas e a queima de

This article presents appropriate sustainability equivalence to the Brazilian market. A major difficulty of an integrator, professional carrying out the design and installation of photovoltaic systems is the difficulty of selling the project. This difficulty is related to the

combustíveis fósseis (carvão, petróleo, gás natural) estão entre as principais fontes de gás carbônico. Essas atividades também liberam outros gases como o metano (CH4) e o monóxido de carbono (CO), os quais também contribuem para o aumento do efeito estufa. Dessa forma, criou-se o conceito do CO2 equivalente (CO2e), que representa a soma do impacto no efeito estufa de todos os gases liberados em uma atividade. Com o impacto total mensurado, verifica-se a quantidade de CO2 que apresen-

market scenario of distributed generation of national electricity, where there is still no adequate lines of credit for individuals. Organically, this scenario has improved by the applicants tariff increases applied electricity, though it is very important to explore every benefit of this system.


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ta o mesmo impacto. 4. Fatores de emissão de CO2 Mas como calcular a emissão de CO2? A emissão é obtida através dos fatores de emissão de CO2. A Tabela 1 apresenta fatores de emissão de CO2 para fontes presentes no nosso dia-adia. Como apoio para cálculos, a Tabela 2 apresenta a eficiência média de automóveis por tamanho e por tipo de combustível. 5. Fator de emissão de CO2 do SIN No Brasil, 98,3% da energia elétrica consumida é proveniente do Sistema Interligado Nacional (SIN) [6]. O sistema fotovoltaico aplicado no contexto da geração distribuída de energia elétrica possibilita a unidade consumidora gerar a sua própria energia, trocando energia com o SIN, ou seja, ora fornece energia, ora consome energia, mas em geral evita ou diminui o consumo de energia do SIN.

Tabela 1 - Fatores de emissão de CO2.

Fonte

Fator de Emissão/ Remoção

Relação e considerações

Gasolina tipo A

2,269 kgCO2/L

Diesel Etanol Querosene de aviação

2,671 kgCO2/L 1,178 kgCO2/L

A combustão de 1 litro de gasolina emite 2,269 Kg de CO2 [1] 1 litro de óleo diesel emite 2,671 Kg de CO2[1] 1 litro de etanol emite 1,178 Kg de CO2 [1]

2,461 kgCO2/L

1 litro de querosene emite 2,461 Kg de CO2 [2]

Remoção de gases do efeito estufa. O fator de 249,60 KgCO2e/árvore remoção é obtido considerando o bioma da Mata Atlântica [3] Geração termelétrica A geração de 1 kWh emite 1,144 Kg de CO2, 1,144 KgCO2e/kWh a carvão mineral referente ao ano de 2010 no Brasil [4] Fator de emissão A geração de 1 kWh emite 0,1355 Kg de CO2, 0,1355 kgCO2/kWh do SIN média anual em 2014 no Brasil [5] Árvore cultivada por 20 anos

Tabela 2 - Eficiência do consumo de combustíveis por tipo de automóvel.

Tipo de automóvel/ Tipo de Combustível Pequeno (motor igual ou <1,4) Médio (motor entre 1,5 e 2,0) Grande (motor > 2,0)

Álcool (km/L)

Gasolina (km/L)

Diesel (km/L)

9,0 7,9 7,1

12,8 11,3 10,1

-7,0 6,0

A geração de energia elétrica no SIN apresenta um impacto no meio ambiente. Esse impacto é mensurado através dos fatores de emissão de CO2 pela geração de energia elétrica no SIN. O fator de emissão é calculado conforme metodologia proposta pelo MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo), sendo de domínio público, e disponibilizado por hora [5]. Mas o que é MDL? "O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) é um dos mecanismos de flexibilização criados pelo Protocolo de Kyoto para auxiliar o processo de redução de emissões de 10

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FIGURA 1 - SISTEMA INTERLIGADO NACIONAL.


Tabela 3 - Fator de emissão médio anual de CO2 do SIN segundo o MCT.

Ano Fator médio anual (KgCO2/kWh)

2011

2012

2013

2014

0,0292

0,0653

0,0960

0,1355

gases do efeito estufa (GEE) ou de captura de carbono (ou sequestro de carbono) por parte dos países do Anexo I" [7]. Desse modo, utilizamse nos cálculos de sustentabilidade os fatores de emissão de CO2 pela geração de energia elétrica no SIN. A Tabela 3 apresenta o fator de emissão médio anual de CO2 do SIN conforme dados do Ministério da Ciência e Tecnologia [5]. 7. Equivalentes sustentabilidade

de

Uma forma de demonstrar a sustentabilidade ambiental é relacionando a quantidade de emissão CO2 evitada com equiva-

lentes de sustentabilidade. Dois equivalentes de sustentabilidade muito interessantes são o número de árvores cultivadas e a distância percorrida por um automóvel. Número de árvores cultivadas A árvore exerce uma função no ecossistema que é a remoção ou sequestro de gases do efeito estufa, em especial o CO2, contribuindo para a mitigação dos efeitos do aquecimento global. No

cál-

culo do número equivalente de árvores cultivadas, considera-se a quantidade de CO2 removida por uma árvore plantada e cultivada por 20 anos. O fator de retenção de CO2 depende da espécie da árvore. Para árvores nativas do bioma da Mata Atlântica, espécie de árvores de maior ocorrência, como o Ingá Quatro Quinas, Marica de Espinho, Angico e Sangra d’água, a remoção média anual em CO2e é de 12,48 Kg/árvore. Isto representa 249,60 Kg/ árvore de CO2e no 20º ano, ou seja, quatro árvores removem uma tonelada de CO2e da atmosfera [2].

meses, em menos de 11 meses evita-se a emissão de CO2 que uma árvore levaria 20 anos para sequestrar do meio ambiente.

O cálculo do número de árvores cultivadas pode ser obtido diretamente a partir da energia elétrica gerada em um período de tempo, multiplicando a energia por 5,04 ×10-4 árvores/kWh que é o coeficiente de árvores cultivadas (considerando o fator de emissão médio de CO2 do Por exemplo, na instalação fotovoltaica no escri- SIN de 0,1258 KgCO2/kWh, tório da AWC evitou-se a maio de 2015, e a remoção emissão de 24,4 Kg de CO2 de 249,60 KgCO e /árvore). 2 no meio ambiente no mês N. de árvores cultivadas= de maio. Caso a geração Energia elétrica gerada média de energia elétrica (kWh)×5,04 ×10-4 se mantenha nos próximos


Distância percorrida 8. Neutrali�ação de carpor um automóvel bono O equivalente de sustentabilidade em relação à distância percorrida por um automóvel pode ser obtido considerando a eficiência média do consumo de combustível de um automóvel com motor 1,0 de 12,8 km por litro de gasolina (Tabela 2) e o fator de emissão de CO2 da gasolina de 2,269 kgCO2/L (Tabela 1). Retomando o exemplo da instalação fotovoltaica no escritório da AWC, onde foi evitada a emissão de 24,4 Kg de CO2 no meio ambiente no mês de maio, o impacto mitigado pela geração de energia equivale a 137 km percorridos de carro. Considerando a mesma geração nos próximos 4 meses, o impacto mitigado equivale a uma viagem entre Belo Horizonte a São Paulo. O cálculo do número de quilômetros pode ser obtido diretamente a partir da energia elétrica gerada em um período de tempo, multiplicando a energia por 0,7097 km/kWh que é o coeficiente de km percorridos (considerando o fator de emissão médio de CO2 do SIN de 0,1258 KgCO2/kWh, maio de 2015, a eficiência de um carro de 12,8 km/L de gasolina, e o fator de emissão de CO2 da gasolina 2,269 KgCO2/L).

O conceito de neutralização de carbono é muito interessante. Imagine um cenário em que todas as atividades executadas por uma pessoa que geram gases do efeito estufa pudessem ser mitigados? Da mesma maneira como foi avaliada a mitigação de CO2 através da geração de energia elétrica ou então do cultivo de árvores, pode-se mapear as principais atividades executadas por uma pessoa que impactam no efeito estufa e então levantar alternativas para neutralizar esse impacto.

FIGURA 2 - AWC BOX.

algoritmos do AWC Box e adotá-la em breve. Este da AWC Web. artigo apresentou uma forO AWC Box e a AWC ma simples de quantizar a Web formam a solução de sustentabilidade ambiental monitoramento e gestão com o intuito de apoiar o de instalações fotovoltaicas integrador na argumentadesenvolvida pela AWC [8]. ção desse benefício.

Acompanhe em tempo real uma instalação fotovoltaica monitorada e seus Esse conceito é muito equivalentes de sustentabiutilizado em inventários de lidade [9]! sustentabilidade para empresas e projetos de grande 10. Conclusão porte, e pode ser aplicado O cenário do mercado para uma pessoa ou uma da geração distribuída de residência. energia elétrica nacional A geração de energia está em evolução. Dessa através de sistemas foto- maneira, é muito imporvoltaicos é uma das alter- tante explorar cada benefínativas na busca para a cio desse sistema, especialneutralização de carbono! mente a sustentabilidade ambiental e utilizá-la como 9. Caso de a�licação: AWC um forte argumento de Bo� e AWC Web venda. Muitas pessoas Todos os dados apre- pensam na energia fotosentados neste artigo, voltaica como uma forma como fatores de emissão de se tornarem “mais verde CO são utilizados nos des” e provavelmente irão 2

Estes equivalentes destacam os benefícios gerados ao meio ambiente por quem passa a fazer o uso de um sistema fotovoltaico conectado à rede elétrica! Distância de carro (km)= Energia elétrica gerada (kWh)×0,7097

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FIGURA 3 - AWC WEB.

11. Refer�ncias [1] http://www.mma.gov.br/estruturas/163/_publicacao/163_publicacao27072011055200.pdf [2] http://proclima.cetesb. sp.gov.br/wp-content/uploads/ sites/28/2014/07/brasil_mcti_aereo.pdf [3] http://cmq.esalq.usp.br/wiki/ lib/exe/fetch.php?media=publico:metrvm:metrvm-2009-n05.pdf [4] www.teses.usp.br/teses/.../18/.../DissertacaoMarianaMaiaDeMiranda.pdf [5] http://www.mct.gov.br/index. php/content/view/321144.html [6] http://www.ons.org.br/conheca_sistema/o_que_e_sin.aspx [7] http://www.brasil.gov.br/ meio-ambiente/2014/05/entendacomo-funciona-o-mecanismo-dedesenvolvimento-limpo-mdl [8] www.awcbox.com [9] awc.ddns.net ▪


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Energia solar fotovoltaica no Brasil e a geração de empregos verdes: realidade e necessidade crescente Gustavo Malagoli Buiatti (ALSOL), Bárbara Rubim (GREENPEACE) e Márcio Eli Moreira de Souza (Efficientia/CEMIG)

Abstract: In this paper, the authors present a general overview concerning “green jobs” in Brazil due to Grid-Connected Photovoltaic (PV) Systems. Current situation of this energy source in the country is analyzed and the authors highlight the main issues already done and other ones to be worked in the near future.

A

energia solar fotovoltaica lados). Os dados mencionados acima começa a se apresentar podem ser visualizados nas Figuras 1 como uma fonte que de fato está se tornando realidade e se consolidando no Brasil: seja na forma de GD (geração distribuída) ou na forma de GC (geração centralizada). Esse processo se iniciou – de forma mais acentuada - com a publicação da Resolução Normativa 482/2012, da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica). Desde então, e de acordo com dados da própria Agência1, há cerca de 670 unidades de geração distribuída conectadas à rede elétrica e valendo-se da possibilidade de compensação, dos quais a fonte fotovoltaica representa 94,3%. Considerando as 632 unidades fotovoltaicas acumuladas e os 10 trimestres que já se passaram desde a primeira conexão do Brasil na cidade de Uberlândia, entre dezembro de 2012 e junho de 2015 a fonte fotovoltaica apresenta um CQGR (Compounded Quarterly Growth Rate – em português Taxa Composta de Crescimento Trimestral) de 55% por trimestre. Este número é bem mais expressivo que o CAGR (Compounded Annual Growth Rate – em português Taxa Composta de Crescimento Anual) da potência fotovoltaica instalada no mundo entre 2000 e 2014: de 39% ao ano (total de 178,4 GWp acumuDados apresentados durante a Audiência Pública 26/2015, que aconteceu no dia 19 de junho de 2015, em Brasília/ DF, durante o procedimento de revisão da Resolução 482.

e 2 respectivamente. Ainda segundo os dados apre-

Figura 1 – Fonte: Audiência Pública 26/2015 ANEEL- Revisão da REN 482 (Marco Aurélio Lenzi, SRD ANEEL – Brasília,19/06/2015).

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Figura 2 – Fonte: Global Market Outlook for Solar Power 2105-2019 – Solar Power Europe (2015).


sentados pela ANEEL2, a geração distribuída apresentava até então uma potência instalada no escopo da REN 482 de 9,6 MW, sendo 70% desta potência oriunda da fonte fotovoltaica (6,7 MW). Dentre as distribuidoras com o maior número de conexões a CEMIG se destacava até então como a principal distribuidora do país em número de conexões de unidades de GD, com um total de 124 unidades conectadas, ou seja, 18,5% de todas as conexões do Brasil. Por outro lado, considerando os pareceres de acesso já emitidos pela CEMIG e em fase de conexão até junho de 2015, o número de unidades é de 267: mais que o dobro do que está registrado na ANEEL no mesmo período, com um CQGR ainda mais agressivo e da ordem de 69% por trimestre. Considerando os dados de potência acumulada de todas estas unidades chegamos ao valor de 1,69 MW acumulados no estado, com um CQGR de 43% por trimestre em termos de potência acumulada no mesmo período já mencionado acima (crescimento na mesma ordem de grandeza do crescimento mundial).

Com o expressivo crescimento da utilização da fonte fotovoltaica, aumenta a necessidade por mão de obra qualificada nas diferentes esferas do processo de instalação...

novos empreendedores, que motivados pela oportunidade apresentada criaram suas próprias empresas em diferentes estados como Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro e Goiás, empresas estas que hoje figuram entre os principais integradores de sistemas fotovoltaicos conectados à rede do Brasil. Identificando não só essa necessidade, mas também a pouca divulgação e conhecimento da população sobre os benefícios da fonte, outras iniciativas – sem caráter profissionalizante - também têm despontado de Norte a Sul do país.

Uma delas, por exemplo, é o projeto Juventude Solar, lançado pelo Greenpeace Brasil em 2013. A estreia do projeto foi marcada pela instalação de um sistema fotovoltaico no Centro Comunitário Lídia Santos, localizado em Vila Isabel, Morro dos Macacos, no Rio de Janeiro. A instalação se deu qualificada, sobretudo a partir de com a ajuda de voluntários da orgajaneiro de 2013, e começaram a mi- nização e de jovens da própria comunistrar cursos de capacitação visando nidade, todos tendo recebido cursos boas práticas em projetos de siste- teóricos e oficinas práticas focados mas fotovoltaicos conectados à rede na aprendizagem sobre a energia solar e nos procedimentos para instalaelétrica (ver Figura 3). ção. O ponto marcante do projeto foi A respeito da Geração CentralizaDa mesma forma, despontaram da, dois leilões específicos para a fon- cursos visando a utilização de sof- não só o empoderamento e capacitate fotovoltaica foram realizados, sen- twares dedicados à simulação e pre- ção desses jovens, mas também sua do o primeiro em outubro de 2014 e visão de energia gerada por sistemas expectativa de, num futuro recente, o segundo em agosto de 2015, com fotovoltaicos no Brasil. Estes cursos ingressarem neste emergente merca890 MWp e 833,8 MWp contratados têm como público alvo a profissio- do da energia solar. respectivamente, resultando em 1,72 nais autônomos, ligados a empresas Dando continuidade ao projeGWp a serem instalados em todo o do ramo e, sobretudo, a profissionais to, em 2015, a ONG criou o prograpaís até o ano de 2017. das concessionárias e distribuidoras ma Multiplicadores Solares, que visa Com o expressivo crescimento da uti- de todo o país3. Destes cursos saíram também a capacitação gratuita de jolização da fonte fotovoltaica, aumenta a necessidade por mão de obra qualificada nas diferentes esferas do processo de instalação, indo desde a engenharia de projetos até a execução em campo. Essa demanda traz, como consequência, um número significativo de novos empregos no país, os chamados empregos verdes. Figura 3 – Curso Projetista de Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede Elétrica (visita Inúmeros profissionais previram técnica – Rio de Janeiro, 20 de Abril de 2013. em um passado recente que existi- 3 A título de exemplo cita-se também o caso da Univerceria a necessidade de tal mão de obra mig da CEMIG, uma unidade localizada em Sete Lagoas/ vens nos mais diversos temas relacio2

Idem nota anterior.

MG e dedicada à capacitação, com estrutura física para treinar pessoal próprio e terceiros em GD fotovoltaica.

nados à fonte - como cozinhar com a RBS Magazine

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energia solar, como instalar sistemas fotovoltaicos e como demandar melhores políticas públicas para a fonte -, tornando-se disseminadores desse conhecimento.

Ao final da instalação, um destes jovens foi contratado pela empresa e, desde então, se tornou um montador de sistemas fotovoltaicos sobre telhados e conectados à rede elétrica.

O primeiro grupo de multiplicadores foi formado em fevereiro, com a seleção de 30 jovens de todas as regiões do país dentre mais de 2000 inscritos. A parte prática do treinamento deste grupo ocorreu em Uberlândia/ MG, durante a instalação de um sistema fotovoltaico doado a uma escola municipal e financiado a partir de um financiamento coletivo (conhecido em inglês como crowdfunding) realizado pelo Greenpeace (ver Figura 4).

Iniciativas como essa potencializam a divulgação da tecnologia, despertando o interesse de jovens e mesmo de profissionais já atuantes do setor elétrico, uma vez que familiares e profissionais das escolas também foram envolvidos em oficinas durante as instalações. Como benefício adicional – e imprescindível – está o fato de que os alunos destas escolas já começam, desde cedo, a entender o que é a energia solar fotovoltaica Neste treinamento, os jovens se- e quais seus benefícios para o meio lecionados receberam a certificação ambiente, a economia e a sociedade NR35 (para trabalho em altura), no- na qual estão inseridos. ções básicas de todo o procedimento O mercado da energia solar é de instalação, além de executarem na promissor para a juventude e os braprática a fixação da estrutura metáli- sileiros de maneira geral. A energia

Figura 4 – Formação dos Multiplicadores Solares durante instalação do sistema fotovoltaico da Escola Municipal Milton Porto em Uberlândia, 11 de Abril de 2015.

ca e dos módulos fotovoltaicos sobre o telhado como pode ser observado na Figura 4. O mesmo treinamento foi ofertado a outro grupo de jovens, também multiplicadores solares, na cidade de São Paulo, durante a instalação de um sistema em uma escola estadual.

solar fotovoltaica é, dentre as tecnologias disponíveis hoje no Brasil, uma das fontes que gera, em média, mais empregos por MW instalado. Nesse sentido, o exemplo da ALSOL vale ser citado: a empresa passou de 2 colaboradores em abril de 2014 para aproximadamente 40 em outubro Ambas as capacitações foram de 2015, mesmo momento em que realizadas em parte pela equipe do atingiu a casa de 1MWp de potência Greenpeace e em parte pela empresa instalada em sistemas de geração disresponsável pela instalação dos siste- tribuída. mas fotovoltaicos, a ALSOL Energias Fica, assim, evidente que o mesRenováveis. Em Uberlândia, quatro mo irá ocorrer com outras empresas jovens oriundos de um projeto social e ramos de todo o Brasil. Isso porque do Governo de Minas (Fica Vivo) se a energia solar fotovoltaica é uma atijuntaram aos multiplicadores solares, vidade multidisciplinar que necessita tendo a oportunidade de participar de engenheiros eletricistas, mecânide todas as atividades e formações. cos, civis, ambientais e químicos, ar16

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quitetos, contadores, administradores, advogados, técnicos em segurança, montadores, serralheiros, eletricistas, entre outros. Contudo, por ser um campo relativamente novo no país, poucas foram as universidades que já conseguiram, de maneira satisfatória, incluir tais estudos em sua grade básica de conteúdos. Por essa razão, não é pouco comum que, em alguns casos, os profissionais aqui citados necessitem de uma formação complementar para poder atuar em projetos fotovoltaicos. Percebe-se que, com o crescimento da inserção da fonte no país, outras universidades e institutos se atentaram para a oportunidade e para a necessidade e iniciaram ações para suprir esta nova demanda – um movimento essencial para que se garanta a correta inserção da tecnologia no mercado. No entanto, até 2013, apenas um limitado número de universidades já vinha trabalhando no tema há anos, com destaque para as universidades de São Paulo (USP e UNICAMP), Santa Catarina (UFSC), Minas Gerais (UFMG), Pará (UFPA) e Rio Grande do Sul (UFRS). Nesse sentido, dois exemplos se fazem necessários. O primeiro é o da Universidade Federal de Uberlândia, que recorreu a profissional qualificado4 e com experiência acadêmica e prática (desenvolvimento de equipamentos e 4

Tal oportunidade foi possível a partir do edital PVE da CAPES (Professor Visitante Estrangeiro, Edital DRI/CGCI n 005/2011 - Processo Nº BEX1376/11-0).


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integração) para iniciar suas atividades na área de Eletrônica de Potência, que até então não desenvolvia qualquer atividade relacionada com sistemas fotovoltaicos conectados à rede elétrica. Durante 12 meses (de 2011 a 2012), foram elaborados seminários de capacitação de alunos de graduação e desenvolvido o primeiro curso de pós-graduação completamente voltado a sistemas fotovoltaicos da instituição no tema. A partir destas contribuições foi estipulada uma nova linha de pesquisa dentro do Núcleo de Pesquisas em Eletrônica de Potência, voltada ao desenvolvimento de equipamentos e sistemas, e que se tornaram objetos de TCCs, dissertações de mestrado e mesmo tese de doutorado.

para que os resultados alcançados no Brasil sejam acelerados e consistentes.

E o tempo aqui é algo essencial. Tanto porque se espera um crescimento exponencial da energia solar fotovoltaica no Brasil – e neste ponto é importante lembrar que a própria EPE (Empresa de Pesquisa Energética) estima que o país pode chegar a 1,3GWp de capacidade instalada fotovoltaica distribuída nos próximos 8 anos, o equivalente a cerca de 650.000 residências, considerandose um sistema de 2kWp/casa. Quanto porque, em sua versão centralizada, uma das grandes vantagens da fonte é exatamente a possibilidade de se ter usinas prontas para funcionar em curtos períodos de tempo (de 3 O segundo exemplo é o da Uni- a 12 meses). Com esse panorama, é versidade Federal de Santa Catarina. importante garantir que, quando o Apesar de já ter estudos voltados momento chegar, o mercado estará para o assunto há vários anos, em pronto para atender com qualidade a meados de 2015 a universidade apro- demanda. fundou ainda mais sua atuação na O exemplo citado anteriormente, área de energia solar, com a criação da empresa ALSOL, que cresceu de do Centro de Pesquisa e Capacitação 20 a 40 vezes em apenas 18 meses, em Energia Solar da UFSC. O centro é um exemplo real da necessidade de tem como objetivo ser um espaço mão de obra qualificada em curto espara alunos e professores desenvol- paço de tempo. verem e aprofundarem seus estudos, Porém, tão essencial quanto o mas também um local para a capacitempo, é também a qualidade. Por tação de mão de obra para atuar nesisso, não deve ser negligenciado que te mercado. esta mão de obra – os talentos huEsses dois casos ilustram de for- manos -, deve ser preparada com esma clara a necessidade de colabora- mero, de forma a garantir que esteja ção empresa-academia, inclusive in- pronta para atender às expectativas cluindo cooperações internacionais, da sociedade brasileira. Sociedade

esta que, cada vez mais, apoia e aposta nessa tecnologia como uma parte essencial da solução às crises econômica e elétrica que o país enfrenta. O desafio de garantir uma inserção crescente e com qualidade da energia solar fotovoltaica na matriz elétrica brasileira é multifacetado, incluindo diversos atores da sociedade e áreas de conhecimento. É por isso que o alcance dos objetivos aqui discutidos só vai ser atingido a partir da aproximação entre empresas, universidades, institutos, distribuidoras de energia, organizações da sociedade e órgãos de formação técnica5. Para finalizar, uma reflexão acerca das usinas solares fotovoltaicas (GC) a serem instaladas até 2017: um parque de 30 MW a ser construído entre 8 e 12 meses chega a ter 150 profissionais envolvidos na construção do mesmo. Considerando a potência contratada nos dois certames (2014 e 2015) chegamos a um equivalente a 60 parques solares. Assim, pode-se chegar a um pico de 9000 profissionais entre 2016 e 2017. Precisamos trabalhar, capacitar pessoas, com responsabilidade e seriedade para que o crescimento da fonte continue sendo exponencial no país do sol. ▪ 5

Nesse sentido, reforça-se o exemplo da ALSOL, que já possui colaboração com 6 universidades brasileiras, um instituto e duas universidades europeias, com destaque para a colaboração com a Universidade de Cambridge na Inglaterra.

Gustavo Malagoli Buiatti é engenheiro eletricista, doutor em semicondutores e com pós-doutorado em eletrônica de potência. Sócio idealizador e diretor técnico-operacional da ALSOL Energias Renováveis S/A, possui diversas patentes concedidas no âmbito de aplicações fotovoltaicas com conexão à rede elétrica (Mitsubishi Electric) e foi o responsável técnico pelo projeto básico, executivo e execução do primeiro sistema de geração distribuída (fotovoltaico) conectado à rede elétrica no Brasil, enquadrado pela REN482/ANEEL de 17/04/2012. Entre 2011 e 2012 foi professor visitante na Universidade Federal de Uberlândia. Bárbara Rubim é advogada e coordenadora do projeto de energia solar do Greenpeace Brasil. Anteriormente, trabalhou como assessora parlamentar na Assembleia Legislativa de Minas Gerais e pesquisadora do Ministério das Cidades. Márcio Eli Moreira de Souza é engenheiro eletricista, especialista em SEP e mestre em Geração Distribuída. Atualmente é engenheiro sênior de tecnologia e normalização da Efficientia/CEMIG. Coordenou o Grupo de Geração Distribuída da ABRADEE para elaboração das normas de conexão das distribuidoras. Coordenou a elaboração da norma de acesso CEMIG e gerenciou projetos de P&D Cemig/Aneel.

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Primeiro data center da américa latina com sistema fotovoltaico conectado à rede e alimentando 45% da carga instalada no horário fora de ponta Gustavo Malagoli Buiatti, Oswaldo Firmino Júnior (ALSOL), Luciano Rodrigues (ALGAR TECH), Luciano Mendes da Silva e Márcio Eli Moreira de Souza (Efficientia/CEMIG)

Abstract – The first data center with a large-scale grid-connected data center all over Latin America is presented in this paper. The whole system and comparison of predicted and real production are also presented, validating the initial studies and assuring system performance and payback.

A

utilização de sistemas fotovoltaicos conectados à rede elétrica em espaços ociosos de data centers, entendase telhados, já vem sendo utilizada há alguns anos em país europeus, no Japão e nos Estados Unidos. Alguns exemplos clássicos são os data centers da Google em Mountain View, Califórnia, e da CISCO, Texas, todos estes nos Estados Unidos (ver Figuras 1 e 2 respectivamente). O data center do Google é composto por 9212 módulos policristalinos de 208Wp, da SHARP, e está em operação desde 18 de 20

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kWp em Allen e outro de 264 kWp em Richardson, ambos no Texas.

Figura 1 – Data Center do Google em Mountain View, Califórnia (1,6 MWp).

Seguindo esta tendência de utilização de sistemas fotovoltaicos em telhados de data centers, em abril de 2015 foi inaugurado o primeiro data center da América Latina, com características semelhantes aos data centers apresentados acima.

A empresa uberlandense Algar Tech, empresa que oferece serviços de TI e com diversas áreas de atuação distintas, decidiu instalar 300 kWp nos telhados de sua sede, decisão tomaFigura 2 – Data Center da Cisco em Richardson, Texas (264 kWp). da em meados de junho junho de 2007, quando se foi previsto uma economia de 2014. Para tornar este tornou a maior instalação de 393 mil dólares ao ano. projeto realidade a emprefotovoltaica do país na- Segundo o próprio Google, sa recorreu ao Programa quele momento. O sistema o payback da instalação foi de Eficiência Energética fotovoltaico instalado nos previsto em 7 anos e meio, (PEE) da Agência Nacional telhados do Google, for- sendo o tempo de vida es- de Energia Elétrica (ANEnecem 30% da demanda perado em pelo menos 30 EL), que destinou 60% do de eletricidade de todo o anos, lembrando que os valor investido utilizando site, o equivalente a apro- fornecedores de módulos recursos e seguindo as reximadamente 1000 casas fotovoltaicos garantem 25 gras deste programa. Estes da Califórnia. Em um dia anos com perda máxima recursos foram repassados típico o sistema produz de produtividade de 20% pela empresa Efficientia, mais de 6000 kWh: estima- neste período. A respeito ESCO da Companhia Enerse que 1650 toneladas de dos data centers da CISCO, gética de Minas Gerais (CECO2 são evitados ao ano e atualmente existem dois MIG), que juntamente com no momento da instalação em operação: um de 100 a empresa ALSOL Energias


Renováveis, idealizou o projeto. Enquanto a Efficientia ficou responsável pelo prédiagnóstico e aferição dos resultados previstos, a ALSOL foi a responsável pelo projeto e execução da usina fotovoltaica (UFV Algar Tech), em regime “chave na mão”, assim como pela operação e manutenção da mesma. Em relação aos outros 40% do investimento total, o investimento foi realizado pela própria Algar Tech, investimento total da ordem de 2 milhões de reais.

Figura 4 – Inversor nacional WEG, de 68 kW.

representando 20% da potência fotovoltaica instalada em todo o estado e 53% da potência instalada na ciQuanto à concepção dade de Uberlândia, cidade técnica do projeto em si, com maior potência instaforam utilizados 4 telhados lada de microgeração (sisdistintos de todo o comple- temas fotovoltaicos com xo da Algar Tech e a UFV potências inferiores a 100 foi enquadrada pela REN kW), dados estes obtidos 482 da ANEEL, utilizando no Banco de Informação de o sistema de compensação Geração (BIG) da ANEEL em por ser caracterizado como abril de 2015. um sistema de minigeraA UFV Algar Tech foi ção (potência instalada su- projetada para gerar aproperior a 100 kW e inferior ximadamente 450 MWh a 1 MW). Ao todo foram por ano, representando utilizados 1224 módulos uma redução no consumo policristalinos de 245Wp em torno de 45% durante o (do fabricante Yingli) e 4 horário fora de ponta (HFP) inversores nacionais da já que o consumo anual do marca WEG, de 68 kW cada data center (dados obti(ver Figuras 3 e 4 respec- dos a partir dos consumos tivamente). Esta foi a pri- mensais, considerando os meira UFV de minigeração 12 meses precedentes à do estado de Minas Gerais, data de início da concep-

Figura 3 – Módulos fotovoltaicos policristalinos de 245 Wp utilizados na UFV Algar Tech.

Figura 5 – Data Center Algar Tech – UFV Algar Tech em Uberlândia – MG (300 kWp).

ção do projeto, consumo anual durante o HFP de 1050 MWh entre março de 2013 e fevereiro de 2014). A Figura 5 abaixo apresenta uma vista aérea de toda a UFV Algar Tech.

Laboratory) em um projeto realizado pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) do governo brasileiro. A Tabela 1 abaixo apresenta os resultados de produção mensais os índices de desempenho mês a mês e também consolidado, onde este último deixa claro que a UFV até o presente momento está com uma produção 7% superior ao predito pelo software PVSYST®.

Considerando a prática, tudo indica que os resultados de geração serão melhores que o estimado durante fase de concepção do projeto, obtidos através do software PVSYST® e de dados de irradiação, temFinalmente, é de suma peratura e velocidade do vento obtido através dispo- importância ressaltar o nibilizados pelo NREL (Na- cenário energético atual tional Renewable Energy do Brasil. Nos últimos 15

Tabela 1 – Desempenho de produção UFV Algar Tech em relação ao estimado pelo PVSYST® durante os 5 primeiros meses de operação. RBS Magazine

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meses que se passaram entre a concepção do projeto e a atualidade (entre maio de 2014 e agosto de 2015), houve um aumento de 106% na tarifa de energia dos clientes do tipo A4 verde (tarifa horo-sazonal), passando de R$ 0,2324/ kWh para R$ 0,4789/kWh no horário fora de ponta. O fato da maior produtividade somado ao elevado aumento tarifário leva à redução do payback relacionado ao investimento realizado pela Algar Tech: ganha a empresa e ganha o meio ambiente, que em um momento em que as termelétricas estão operando a todo vapor a UFV Algar Tech dá sua contribuição ao evitar a emissão de 274 toneladas de CO2 ao ano. ▪

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Gustavo Malagoli Buiatti é engenheiro eletricista, doutor em semicondutores e com pós-doutorado em eletrônica de potência. Sócio idealizador e diretor técnico-operacional da ALSOL Energias Renováveis S/A, possui diversas patentes concedidas no âmbito de aplicações fotovoltaicas com conexão à rede elétrica (Mitsubishi Electric) e foi o responsável técnico pelo projeto básico, executivo e execução do primeiro sistema de geração distribuída (fotovoltaico) conectado à rede elétrica no Brasil, enquadrado pela REN482/ANEEL de 17/04/2012. Entre 2011 e 2012 foi professor visitante na Universidade Federal de Uberlândia.

Oswaldo Firmino Júnior é engenheiro mecânico com mais de 40 anos de experiência no desenvolvimento de negócios em Telecomunicações e TI. Membro do conselho de muitas empresas do grupo ALGAR, como Algar Telecom, Engeset e Algar Tech. Atualmente é CEO da Alsol Energias Renováveis S/A.

Luciano Mendes da Silva é engenheiro eletricista, engenheiro de controle e automação e com MBA em Gerenciamento de Projetos. Atua como engenheiro de Soluções Energéticas na Efficientia/CEMIG, onde coordena diversos projetos na área de eficiência energética do Programa de Eficiência Energética da CEMIG/ANEEL – PEE, dentre eles vários sistemas de geração solar fotovoltaica conectados à rede. Márcio Eli Moreira de Souza é engenheiro eletricista, especialista em SEP e mestre em Geração Distribuída. Atualmente é engenheiro sênior de tecnologia e normalização da Efficientia/CEMIG. Coordenou o Grupo de Geração Distribuída da ABRADEE para elaboração das normas de conexão das distribuidoras. Coordenou a elaboração da norma de acesso CEMIG e gerenciou projetos de P&D Cemig/Aneel.


Entrevista

A RBS Magazine, entrevista:

CARLOS EVANGELISTA Presidente da ABGD

The FV market has been talking about a demand of the PV segment of entrepreneurs around the distributed generation. It was missing an entity, or rather, an association that could has focus on Generation distributed, one of the most important sectors and fastest growing in the world, within the renewable energy segment. The first action was to seek the sector entities; biomass, wind, photovoltaic, cogeneration, etc., and check if there were synergy or conditions to work together and coordinated. It was noticed that yes, there were a lot of synergy, however, the matter was so complex, with so many developments that it soon became clear that it would be much more effective an entity focused only on Distributed Generation and with professionals and companies from various sources of renewable energies.

J

á havia alguns meses que se comentava no mercado sobre a demanda de empresários do segmento FV em torno da Geração Distribuída, não que faltassem entidades falando sobre o assunto; o que faltava era uma entidade, ou melhor dizendo, uma Associação que tivesse foco exclusivo na Geração Distribuída, um dos setores mais importantes e de maior crescimento no mundo, dentro do segmento de energias renováveis. A primeira ação foi procurar as entidades representantes do setor; biomassa, eólica, fotovoltaica, cogeração, etc, e verificar se havia sinergia ou condições para trabalharem em conjunto ou coordenados. Percebeu-se que sim, havia muita sinergia, no entanto, o assunto era tão complexo e com tantos desdobramentos que logo ficou claro que seria muito mais eficaz uma entidade focada exclusivamente em Geração Distribuída e formada por profissionais e empresas oriundas das diversas modalidades de energias renováveis. Sendo assim, em uma reunião realizada durante a Intersolar, 20 empresários concluíram pela necessidade de uma entidade que pudesse agregar valor e atender às demandas políticas, técnicas e regulatórias específicas do setor de Geração Distribuída. Em 28 de setembro de 2015, quinze empresas se reuniram em São Paulo e fundaram a ABGD - Associação Brasileira de Geração Distribuída; pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, que reúne provedores de soluções, EPC’s, integradores, distribuidores, fabricantes, empresas de diferentes tamanhos e segmentos, além de profissionais e acadêmicos do setor, que têm em comum a atuação direta ou indireta na Geração Distribuída oriunda de fontes renováveis.  A ABGD se predispõe a representar e defender os interesses de seus asso-

ciados junto aos órgãos governamentais, entidades de classe, órgãos reguladores, “players” do setor, e mais do que isso, trabalhar em prol da inclusão dos diferentes setores da sociedade, para  se beneficiarem  ativamente da Geração Distribuída, incorporando os conceitos de sustentabilidade, retorno financeiro, segurança jurídica, eficiência energética e previsibilidade de gastos no que tange a “geração”  e consumo de energia no mesmo local. A seguir partes da entrevista feita com o diretor-presidente eleito, Carlos Evangelista, formado em Engenharia elétrica, Direito e MBA em Marketing. Atua há 15 anos no setor de energia dos quais 5 em energia solar fotovoltaica.

RBS MAGAZINE: A partir de que demandas surgiu a Associação Brasileira de Geração Distribuída e quais os seus principais objetivos? Quantas empresas a associação reúne? Carlos Evangelista: Existem inúmeras empresas no Brasil atuando no mercado de geração distribuída e que não encontravam um canal único e focado para apresentar propostas nesse segmento. Falo do setor de mini e micro-geração distribuída regulamentado pela resolução 482/ANEEL. São provedores de soluções, EPC’s, integradores, fabricantes, profissionais liberais, acadêmicos, etc. Além disso, essas empresas buscam também um instrumento que trabalhe em prol da eliminação das barreiras políticas, técnicas, financeiras e regulatórias que afetam o setor de Geração Distribuída com fontes renováveis de energia... A mobilização da sociedade para organizar e catalisar ações visando fomentar interesses comuns é fundamental. Um instrumento eficaz para fazer isso é uma associação pautada por objetivos comuns. Esse foi o motivo de um grupo 15 empresas se unirem, discutirem uma pauta construtiva

e fundarem uma Associação voltada para o setor.

RBS MAGAZINE: Quais são as principais dificuldades enfrentadas atualmente pelo setor de geração distribuída? Podemos enumerar várias, mas as principais são as que impedem que o setor cresça de forma ampla, em todos os estados e em todas as faixas de consumo de energia. Por exemplo, a falta de padronização no procedimento de conexão à rede junto a distribuidora local. Apesar das regras colocadas pela ANEEL, na prática, cada distribuidora segue as próprias regras e transforma uma solicitação simples em um procedimento demorado, burocrático e desnecessário. Importante dizer que há exceções, mas ainda é minoria.

RBS MAGAZINE: Para o Brasil, qual a importância de potencializar o segmento de geração distribuída? Levar a todo brasileiro a possibilidade deste efetivamente diminuir seus custos com energia elétrica (que está entre os mais altos do mundo), colaborar para a robustez da matriz elétrica brasileira e ainda contribuir com a sustentabilidade e energia limpa (alinhando o Brasil com um movimento global) são algumas das consequências de potencializar a geração distribuída, todas importantes para o país.

RBS MAGAZINE: Quais as expectativas da entidade em um momento em que o mercado se mostra favorável para investimentos em geração distribuída, porém com retração da economia? Nossa expectativa inicial é atingir os mesmos níveis que verificamos em outros países com condições muito menos favoráveis do que o nosso. Estimamos um crescimento inicial de 100% ao ano (no mundo cresce 53%), podendo atingir um cenário de 1.000.000 de conexões em 10 anos. RBS Magazine

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A Geração Distribuída contribui para inserir de uma maneira democrática, difusa e em todas as camadas, a Energia Solar Fotovoltaica na matriz elétrica brasileira RBS MAGAZINE: Qual o perfil dos associados da entidade? São empresas que investem e atuam nesse segmento, e que tem na geração distribuída com fontes renováveis sua atividade principal ou como atividade estratégica. Existem empresas de diferentes tamanhos, algumas estabelecidas há anos, com um portfólio considerável e outras recém formadas por empreendedores ou empresários que perceberam as vantagens e possibilidades que o mercado de Geração Distribuída abrirá para o Brasil nos próximos anos. Temos entre os membros empresários, fabricantes, EPC’s, integradores, distribuidores, acadêmicos, consultores, etc

RBS MAGAZINE: O que é exatamente a geração distribuída? O que representa os painéis fotovoltaicos para o setor no Brasil atualmente? De uma maneira popular, podemos dizer que é a possibilidade de todo consumidor tem de gerar e consumir a própria energia no mesmo local, injetando o eventual excedente na rede. De uma maneira mais formal; é o termo usado para designar a geração elétrica realizada junto ou próxima do consumidor, independente da potência, tecnologia ou fonte de energia. Atualmente a resolução 482/ANEEL regulamenta a Geração Distribuída oriunda de fontes renováveis e limita

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essa potência a 1 MW. Isso traz para a sociedade inúmeros benefícios como a postergação de investimentos em expansão dos sistemas de transmissão e distribuição, menor impacto ambiental, redução no carregamento das redes elétricas, minimização das perdas inerentes à transmissão e distribuição e a diversificação da matriz elétrica.

RBS MAGAZINE: O Brasil já fabrica equipamentos, como de medida, controle e comando que articulem a operação dos geradores de energia solar? Há incentivos fiscais que facilitem a criação desse tipo de indústria? Já há empresas brasileiras fabricando esses equipamentos, com diferentes tecnologias, preços e qualidades. Para esse mercado se desenvolver mais é importante aumentar a demanda, para tal, a expansão da Geração Distribuída no Brasil é fundamental. Existem incentivos fiscais federais, estaduais e até municipais para a produção, cada um com suas particularidades e especificidades. Estes ainda são tímidos, poderiam ser bem maiores, mas infelizmente o clima econômico no Brasil não está muito favorável a maiores incentivos fiscais.

RBS MAGAZINE: Quando o senhor acredita que será possível inserir a energia solar fotovoltaica definitivamente na matriz energética brasileira? Há trinta e cinco anos atrás já seria possível, quando esse segmento começou a se desenvolver no Brasil. Infelizmente perdemos várias oportunidades de estar na vanguarda dessa tecnologia, no entanto, ainda há tempo para o Brasil se colocar como um dos maiores “players” mundiais desse segmento, pelo menos em alguns setores da cadeia de produção FV. A Geração Distribuída contribui para inserir de uma maneira democrática, difusa e em todas as camadas, a Energia Solar Fotovoltaica na matriz elétrica brasileira. Da mesma maneira que o Sol brilha para todos, a Geração Distribuída permite que todo consumidor possa produzir e consumir localmente sua própria energia.

RBS MAGAZINE: A energia solar é a fonte de energia que mais cresce no mundo: 33% ao ano. E quem lidera esse mercado são os chineses. Ao todo, 71% de todos os equipamentos usados para transformar o sol em energia vêm daquele país. Qual a posição do Brasil nesse cenário? Comparado com a China somos quase insignificantes em termos de capacidade de produção e utilização da tecnologia FV. Mas comparar com a China é até covar-

dia. Se compararmos com países menores em tamanho e com PIB menor que o Brasil, também estamos atrás, por exemplo; Itália, Portugal, Espanha, Coreia. Se compararmos com a Alemanha ou Japão, com insolação muito menor que o Brasil, continuamos atrás. Enfim, há um excelente caminho de oportunidades pela frente, o Brasil continua sendo o país das oportunidades.

RBS MAGAZINE: A entrada da China fez com que o custo dos painéis fotovoltaicos baixasse? Por que? Não foi a apenas a entrada da China que fez com que o custo dos painéis baixasse, mas o aumento da oferta mundial e da competição. A China apenas se mostrou um país capaz de criar condições para essas indústrias se desenvolverem, produzirem em grandes quantidades, acompanharem a queda de custos do mercado mundial, assim como prover a tecnologia industrial necessária para produção em larga escala. A consequência é que a China é atualmente o maior produtor mundial de módulos fotovoltaicos, assim como diversos outros bens de consumo e de capital.

RBS MAGAZINE: Um fator que pode atrair a cadeia de produção de equipamentos para o País são as reservas nacionais de quartzo, matéria-prima do silício solar empregado nas placas fotovoltaicas. Há incentivos nesse sentido? O que atrairia para o país uma produção nacional de equipamentos é o estímulo da demanda. Nenhuma indústria produzirá no país se não tiver certeza que será competitiva mundialmente e que haverá demanda para justificar a instalação de uma indústria local. O Brasil realmente tem ricas reservas de silício, mas apenas contar com recursos naturais não é suficiente. Enriquecemos esse silício ao grau metalúrgico e exportamos a algo em torno de US$2,50/Kg. Voltamos a importar esse mesmo silício, enriquecido a grau solar (não temos uma indústria nacional que faça isso), ao valor de US$25,00/Kg. Esse valores variam de acordo com o mercado mundial, já foram mais distantes, mas está bem claro que quando se agrega valor tem-se margens muito melhores do que apenas possuir recursos naturais. Há incentivos para a Indústria nacional, mas evidentemente não estão sendo suficientes para efetivarmos o domínio dessa tecnologia e trazer a produção para dentro do país. Existem algumas iniciativas isoladas, algumas já engatinhando. Tratase de segmento estratégico; depois do silício grau solar há o silício grau eletrônico, matéria prima para chips e elemento de alto valor agregado. Seria excelente para o Brasil ter isso em seu portfólio. Queremos


exportar minério de ferro ou carros? Desejamos exportar quartzo ou células fotovoltaicas? Queremos ter um mercado maduro de Geração Distribuída ou ter somente alguns poucos sistemas instalados?

RBS MAGAZINE: A Bahia é o estado que lidera os investimentos para captação de energia solar. Serão ao todo 16 novas usinas solares. Quando serão inauguradas essas usinas, qual será a capacidade de produção do conjunto e quantos serão beneficiados? O que está acontecendo na área de geração centralizada é sem dúvida bom para o setor. Houve uma evolução! Mas o nosso objetivo não é atuar nessa área, muito pelo contrário, queremos focar e atuar na Geração Distribuída onde cada consumidor pode produzir e consumir localmente sua própria energia, sem depender das linhas de transmissão, beneficiando-se de diminuição de custos, trazendo benefícios mensuráveis para a sociedade e consequentemente para o país. Analogamente, ter grandes computadores e mainframes é super importante, mas se não houvesse o mercado de PC’s (computadores pessoais), o cidadão e as empresas, em termos de informática, ainda estariam dependentes dos grandes computadores centralizados.

RBS MAGAZINE: Como o senhor vê a questão dos preços dos equipamentos solares e quando acredita que teremos preços mais acessíveis para ampliar a captação? Uma maneira de diminuir preços é criar demanda com sustentação de oferta e possibilitar a competição. Se apenas criar demanda com restrições de fornecimento o preço aumentará, devido a lei da oferta e procura. Se deixar que a demanda cresça organicamente, continuaremos nas últimas posições em termos mundiais. Isso é um ponto importante pelo qual trabalhamos, a parte regulatória deve ser simples, efetiva e rápida. Não podemos criar empecilhos desnecessários a ponto de desestimular o consumidor a ter sua própria produção de energia. Devemos incentiva-lo, fazer com que ele perceba que Geração Distribuída é um investimento vantajoso, que lhe renderá recursos a médio e longo prazo, da mesma maneira que acontece em outros países que já estão a frente nesse setor. Com o aumento da demanda, de maneira sustentável, novas empresas capacitadas ingressarão nesse mercado, mais empregos e mais renda, os preços cairão naturalmente como já vem ocorrendo no mundo nos últimos 15 anos.

RBS MAGAZINE: O governo vem tentando criar um mercado nacional de ener-

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gia solar. O primeiro passo foi dado em outubro, data do primeiro leilão promovido pelo Ministério de Minas e Energia para contratar energia exclusivamente gerada em usinas fotovoltaicas. Quantos empreendimentos venceram, quanto e quando começarão a gerar?

Entendemos ser fundamental que empresas atuantes no segmento de Geração Distribuída tenham uma associação diferenciada, focada e especializada, com o objetivo de unir e concentrar esforços para, dentre outros fins, trabalhar nos objetivos comuns do setor O mercado que o governo está atuando fortemente é o de geração centralizada. Na ABGD estamos falando de Geração Distribuída e nesse aspecto o governo tem feito muito pouco ou quase nada, com apenas algumas ações tímidas e isoladas. A ANEEL tem seus méritos na Resolução 482 que regulamentou a Geração Distribuída mas teria que ser muito mais arrojada nos próximos passos. A evolução da tecnologia e da sociedade tem corrido em um carro de Fórmula 1 e nossa evolução no setor FV tem sido como um carro de passeio que por vezes temos que empurrar nas subidas e segurar nas ladeiras.

Foi necessária uma mobilização nacional para convencer o governo que é um absurdo cobrar impostos da energia injetada na rede pelos consumidores. Os puritanos correm para mostrar o fundamento legal mas esquecem-se que a Lei deve contribuir com o bem estar da sociedade e não o inverso. Mesmo assim, tem alguns governos estaduais que não aderiram e não abrem mão de uma arrecadação pífia sobre a energia injetada, sem enxergar o universo de oportunidades, empregos e desenvolvimento que a Geração Distribuída difundirá em todo o país, trazendo enormes benefícios para a sociedade e o empreendedor.

RBS MAGAZINE: Favor tecer considerações complementares, caso julgue necessário. Entendemos ser fundamental que empresas atuantes no segmento de Geração Distribuída tenham uma associação diferenciada, focada e especializada, com o objetivo de unir e concentrar esforços para, dentre outros fins, trabalhar nos objetivos comuns do setor. Alguns deles: • Focar em ações para fomentar o crescimento do mercado de Geração Distribuída; • Padronizar as regras de conexão nas 63 distribuidoras do Brasil; • Regulamentar, seguir e divulgar normas de instalação para a Geração Distribuída; • Criar uma certificação para Instaladores de Sistemas Fotovoltaicos; • Trabalhar nos agentes financeiros para um efetivo financiamento do setor; • Atuar nos fatores políticos, econômicos e tributários que afetem o setor; • Desenvolver mecanismos de apoio e proteção às empresas associadas; • Unir as Associações e empresas com afinidade a esses objetivos, buscando o crescimento do setor. • Etc. Esses aspectos e outros devem ser tratados por uma Associação fundada por empresas que têm na Geração Distribuída sua atividade principal ou sua atividade estratégica, que queiram ser protagonista nas mudanças, influenciar o mercado positivamente, contribuir com sugestões, se fazer representar e ter voz ativa, enfim, um canal onde todos possam contribuir e todos possam se beneficiar. ▪


Envolvimento de 30 jovens para dar visibilidade à energia fotovoltaica

Os Multiplicadores Solares são um grupo de pessoas que receberam treinamento do Greenpeace para promover a revolução solar no Brasil. Por: Ana Karla Martins

Engagement of 30 young people to give visibility to photovoltaics A tropical country with high potential for solar irradiation, the famous Rio 40 exalted in Fernanda Abreu music - is a nonsense given the lack of satisfactory tax incentives that enable the use of solar energy - as well as we walk the timid steps in response to the crisis water resources in the Southeast. According to data from Neoenergia group, hydroelectric dams account for 65% of the Brazilian matrix, while renewable occupy only 13%. Concerned with such disparity, Greenpeace Brazil launched a project which selected 30 young people for the installation of 90 photovoltaic panels at two public schools - one in Uberlandia (MG) and another in São Paulo (SP). The Multipliers Solar program, launched in January, selected and trained 30 young people from around the country, so they help spread the message that solar energy is the solution for a renewable future. After training theoretical and practical, all theses young people are committed to make at least one action a month.They give workshops about solar energy and teach people to make solar ovens.

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m país tropical e com alto potencial de irradiação solar, o famoso Rio 40º exaltado na música de Fernanda Abreu - é um contrassenso diante da falta de incentivos fiscais satisfatórios que viabilizem o uso da energia solar - além de caminharmos a passos tímidos em resposta à crise dos recursos hídricos da região sudeste. Segundo os dados do grupo Neoenergia, as hiInstalação de painéis solares em Uberlândia - MG drelétricas são responsáveis Foto: (Otávio Almeida/Greenpeace ) por 65% da matriz brasileira, enquanto as renováveis ocucaminho certo “, afirma. pam apenas 13%. Preocupados com tamanha Munidos de conhecimentos e experiêndisparidade, o Greenpeace Brasil lançou um cias inovadoras, os jovens selecionados pelos projeto que selecionou 30 jovens para instalação de 90 painéis fotovoltaicos em duas esco- Greenpeace estão multiplicando os saberes las públicas - uma em Uberlândia (MG) e outra adquiridos em suas respectivas regiões, com o propósito de implementar mudanças nas políem São Paulo (SP). ticas públicas vigentes, além de mobilizar a poO financiamento do projeto ocorreu atra- pulação sobre o do uso de uma energia limpa vés de uma ferramenta coletiva (Crownfun- e renovável, no caso, a solar. Segundo Thamara ding), depois houve a seleção dos Multipli- De Almeida, Multiplicadora Solar e estudante cadores Solares - oriundos das cinco regiões de biologia, a população brasileira ainda tem brasileiras, que passaram por cursos de imer- muitos questionamentos sobre uso da energia são nas aéreas de: políticas públicas, inovações fotovoltaica .“ Acredito que somos agentes de pedagógicas e conceitos técnicos fotovoltai- mudanças, que uma mágica acontece quando cos. Segundo Bárbara Rubim, Campaigner de focamos nossos esforços em fazer o que amaClima e energia do Greenpeace Brasil, há essa mos, e multiplicar conhecimentos a cerca de urgência na adesão às energias limpas ao redor energia solar é isso: magia acontecendo ao mundo. “Aumentar o conhecimento da popu- nosso redor, a partir do momento que o mullação a respeito da possibilidade de gerarem tiplicador desmitifica o assunto e apresenta a sua própria energia a partir do sol é um dos energia solar como solução para os problemas principais objetivos da campanha de energias climáticos ou para crise energética brasileira”, renováveis do Greenpeace. “Nesse sentido, os afirma. multiplicadores são a parte mais importante A resolução 482 da ANNEL (Agência Nado trabalho que temos desenvolvido ao longo deste ano. Ver um grupo de 30 pessoas, de to- cional de Energia Elétrica), regulamentou que dos os cantos do Brasil, unidas por uma causa, os brasileiros podem ser microgeradores de dispostas a aprender, a subir em telhados para energia eólica, solar, etc e ainda economizar instalar placas e a realizar atividades para mul- na conta de luz. Alguns estados já derrubaram tiplicar tudo isso é inspirador. Recentemente o ICMS (Imposto sobre Operações Relativas à tive a oportunidade de levar a história deste Circulação de Mercadorias e Prestação de Serprojeto ao Canadá, no Fórum Global de Ener- viços), assim Goiás, Pernambuco, Minas Gerais gias Renováveis. Receber o feedback de pes- e São Paulo são o pioneiros na isenção desse soas de várias partes do mundo que também imposto, porém ainda há os outros 22 estados lutam por um futuro sustentável, igualitário e e o Distrito Federal que precisam acompanhar justo me fez ter a certeza de que estamos no esse trunfo sustentável. ▪ RBS Magazine

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Cobertura

Intersolar South America atinge recorde de visitação Rápido crescimento do Mercado brasileiro de energia PV gera aumento no interesse de visitantes da sul-americanos na exposição e conferência.

Intersolar South America, o maior evento de energia solar da América do Sul e parte de uma série das mais importantes exposições mundiais para a indústria solar, obteve um recorde de mais de 9.000 visitantes entre 1 e 3 de setembro, em São Paulo. A marca foi quase o dobro do que foi atingido em 2014. “O mercado de energia solar da América Latina, e do Brasil em particular, está pronto para ter um grande avanço e era possível perceber isso na participação das pessoas durante as conferências e a exposição em São Paulo”, disse Markus Elsaesser, CEO de Promoção Internacional Solar, um dos os organizadores da Intersolar South America. “Como o maior evento solar na América do Sul, Intersolar fornece uma plataforma para os participantes conhecerem este novo mercado e se conectarem com os principais interessados no assunto, tanto do Brasil, quanto de outros países. Ficamos muito satisfeitos com o resultado de event este ano e já é grande nossa expectativa para a próxima edição, em 2016”, acrescenta Daniel Strowitzki, CEO de Gestão de Marketing Internacionald da Freiburg, também um dos organizadores do evento. Principais temas da conferência A conferência de 2015 começou com uma palestra com comentários do senador brasileiro, Wilder Pedro de Morais, de Eduardo Azevedo, Secretário Executivo da Energia da Secretaria de Infraestrutura de Pernambuco e do deputado Gil Pereia, da Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais. Os três oradores defenderam ambicioso plano de energia renovável do Brasil, creditando o programa com uma forma de aumentar a capacidade do PV online. Os palestrantes também concordaram que a energia solar é uma das principais fontes de energia que irão alimentar as crescentes necessi28

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dades energéticas do país. O governo brasileiro planeja adicionar 3,5 gigawatts (GW) de sistemas fotovoltaicos em 2023, e GTM Research projeta que o mercado latino-americano irá adicionar 2,2 GW de capacidade em 2015. Mais de 800 participantes da conferência assistiram 112 apresentações. Em particular, o Workshop “Sistemas fotovoltaicos residenciais - aspectos técnicos e regulamentação” registrou mais de 250 participantes. Entre os outros pontos que mais tiveram audiência, estiveram os novos modelos de negócios, as questões jurídicas e políticas e as barreiras de mercado. No total, 91 palestrantes estiveram presentes durante a conferência. A maior discussão sobre a questão de financiamento foi sobre a proposta do governo brasileiro. Analistas esperam que por meio dos leilões, realizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), se contratem mais de 500 MW em projetos fotovoltaicos de grande escala, que vão impulsionar cerca de 1 GW como resultado do ano passado. Em 2015, for realizado o o primeiro leilão brasileiro de energia solar e concedeu mais de 31 projetos programados para entrar em linha em 01 de novembro de 2018. A exposição Mais de 115 expositores de 11 países participaram da Intersolar South America, um aumento de 60% sobre o evento do ano passado. A parte da feira foi particularmente robusta, com a exposição das mais novas tecnologias, que vão desde células fotovoltaicas, passando por módulos, até os produtos de película fina. Empresas equalizadoras dos componentes do sistema, bem como tecnologias de baterias, rastreamento PV e sistemas de montagem estiveram presentes no evento. Também foi forte a presença de prestadores de serviços


na feira, que trataram sobre as oportunidades de merUm total de 115 expositores e mais de 9.000 visicado e sobre o desenvolvimento de projetos de energia tantes profissionais participaram da Intersolar South America em 2015. Ao todo, 91 palestrantes e mais parsolar no Brasil e em outros países latino-americanos. ticipantes 817 participaram dos debates sobre temas “Esta é a segunda vez que a S4 Solar do Brasil expôs atuais da indústria para lançar luz sobre as condições na Intersolar South America. A exposição deste ano foi do ambiente tecnológico, de mercado e dos desenvolfantástica, com maior quase o dobro da visitação da úl- vimentos políticos nessa área. tima edição e maior envolvimento dos participantes”, Com mais de 20 anos de experiência, a Intersolar comentou João Alvares, diretor da S4 Solar do Brasil. “É o momento certo para este tipo de negócio no Brasil e tem a capacidade única de reunir membros da indúsmuitos profissionais estão interessados ​​em iniciar ne- tria de energia solar dos mercados mais influentes do mundo. A exposições e as conferências são realizadas gócios neste segmento.” em Munique, San Francisco, Mumbai, Pequim e São “Ficamos extremamente satisfeitos com a nossa Paulo. Estes eventos globais são complementados peparticipação. Foram tantas oportunidades de negócios las Cúpulas Intersolar, que acontecem em mercados desenvolvidas no local, que a nossa preocupação agora emergentes e em crescimento em todo o mundo. é saber como vamos conseguir atender a todas essas novas demandas”, acrescentou Antonio Montoto, coordenador de negócios da GPTech, Patrocinador Ouro do Para mais informações sobre Intersolar evento. A empresa anunciou na Intersolar uma parceSouth America, visite: ria com a Ecom Energia para lançar soluções de geração www.intersolar.net.br de energia distribuída ao mercado brasileiro. “Nosso espaço de exposição cresceu significativamente em 2015 e estamos ansiosos para um evento ainda maior no próximo ano, entre 23 e 25 de agosto, com o evento paralelo ENIE (exposição para instalações eléctricas)”, afirmou Edgard Laureano da Cunha Junior, CEO Aranda Eventos, co-organizer do evento. “Recomendamos que os expositores reservem seus lugares com antecedência para garantir as melhores espaços de exposições.” Sobre a Intersolar Abrangendo quatro continentes, a Intersolar é a série de exposições mais importantes do mundo para a indústria solar e seus parceiros. O evento reúne os profissionais e as empresas de todo o mundo com o objetivo de aumentar a quota de energia solar no abastecimento de energia. A Intersolar South America é a exposição e conferência internacional voltada à indústria solar sul-americana. É realizada no Expo Center Norte, em São Paulo, Brasil. A exposição e conferência se baseiam nas áreas de energia fotovoltaica, as tecnologias de produção PV, sistemas de armazenamento de energia e tecnologias solares térmicas. Desde que foi fundada, a Intersolar se tornou a plataforma mais importante para a indústria de fabricantes, fornecedores, distribuidores, prestadores de serviços e parceiros na indústria solar global.

Organizadores: Intersolar South America é organizada por Solar Promotion International GmbH, Pforzheim, Freiburg Management and Marketing International GmbH (FMMI) e Aranda Eventos & Congressos Ltda, São Paulo como co-organizador. Intersolar South America 2016 Data: de 23 a 25 de Agosto de 2016 Expo Center Norte – São Paulo – SP Para mais informações: www.intersolar.net.br

Intersolar Contact Tina Engelhard Solar Promotion International GmbH P.O. Box / Postfach: 100 170, 75101 Pforzheim, Germany Tel. +49 7231 58598-207 | Fax +49 7231 58598-28 engelhard@solarpromotion.com www.solarpromotion.com

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Cinesolar continua a levar cinema pelo Brasil Projeto Cinesolar alia sustentabilidade e cinema Além das sessões gratuitas de cinema, oficinas fazem parte da programação. Sustentabilidade é o lema desta iniciativa que já percorreu várias cidades do país.

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projeto Cinesolar, primeiro cinema móvel brasileiro que utiliza energia fotovoltaica para exibir filmes, continua com uma programação extensa até o fim deste ano. Desde 2013, a iniciativa já contabiliza um público espectador superior a 30 mil pessoas nas mais de 150 sessões realizadas de norte a sul do país. Em termos de energia, o projeto sustentável gerou uma economia de 400 mil watts. Em novembro e dezembro, grande parte exibições acontece no estado de São Paulo através de um circuito itinerante patrocinado pelo Grupo CPFL Energia. Além da exibição de filmes, a equipe deste cinema sustentável ainda promove oficinas voltadas para a conscientização ambiental e o uso de energias renováveis. Neste segundo semestre, o Cinesolar destaca importantes parcerias. Uma delas com a RBS Magazine e o Portal Brasil Solar. “Sorteamos as revistas para os participantes que acompanham nossas sessões. Assim, eles podem se informar sobre o atual cenário da energia solar no Brasil. Desta forma, aproximamos ainda mais as pessoas para esse tema”, diz a coordenadora do projeto, Cynthia Alario. As publicações mantêm espaço permanente para divulgar as ações do cinema. O Cinesolar também firmou parceria com a Prefeitura de Santo André para realizar uma programação especial em centros educacionais e praças públicas do município de outubro a março do ano que vem. Como sempre, as atividades serão gratuitas e contam com exibições de filmes e ações educativas para alunos e moradores da região. Outra grande conquista é a compensação de gases poluentes emitidos durante as viagens que acontecem pelo interior paulista. Serão plantadas 60 árvores para absorver cerca de nove mil toneladas de dióxido de carbono. A empresa brasileira Ecooar Biodiversidade é a responsável pela área de plantio que fica entre os municípios de Garça e Álvaro de Carvalho, ambos em São Paulo.

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As próximas cidades paulistas visitadas pelo Cinesolar em novembro serão: Tanabi (03), Monte Aprazível (04), Cedral (05), Santa Adélia (06), Severínia (11), Viradouro (12), Monte Azul Paulista (13), Taiúva (18), Taquaral (19), Taiaçu (20), Dobrada (24), Ibaté (25), Ribeirão Bonito (26) e Descalvado (27). E, em dezembro, o projeto chega em Araçariguama (01), Porto Feliz (09) e Guarujá (12). a parceria entre a RBS MAGAZINE – Revista Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica, tem levado informação aos locais onde o CINE SOLAR faz suas apresentações. Este intercâmbio entre as duas iniciativas, fortalece ainda mais a sustentabilidade e a divulgação de projetos voltados ao setor de Energias Limpas e Renováveis. Para conferir o calendário completo deste cinema sustentável, acesse: www.cinesolar.com.br ▪


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Empresas de Sucesso

Empresas e Soluções

Vermeer apresenta instalador de estacas PD10

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O equipamento tem alto desempenho em obras de usinas fotovoltaicas

ançado tovoltaica é em 2012 o formada por instalador painéis solares, de estacas fixados no solo PD10 foi projepor estacas. Estado para atuar sas estacas prenas instalações cisam ser cravade usinas fotodas no solo sem voltaicas. Este que as condié o único equições do tempo pamento da ca(principalmente tegoria no qual o operador tem vento), o formaa opção de trato da estaca, ou balhar sentado a composição ou com o auxílio do solo, interfide um controle ram no potenremoto. O PD10 cial energético, é equipado com gerando somdiversas inovabras ou outras ções tecnológidificuldades. cas, entre elas o Em projetos de sistema de auto grande porte prumo, capaz de garantir o ângulo exato para instalação vertical das es- podem ser necessárias até três milhões de estacas. tacas. Ele também possui um receptor a laser integrado, O instalador de estacas PD10 incrementa a diversifio que torna as instalações mais precisas e aumentam a cada lista de equipamentos Vermeer destinados ao merprodutividade da operação. cado de energia alternativa. Máquinas como as valetadeiO instalador de estacas PD10 é um equipamento ras contínuas e perfuratrizes horizontais direcionais, são exclusivo para a instalação das placas solares em usinas utilizadas para a instalação de dutos e cabeamentos nos de energia fotovoltaica. A mais recente solução em equipamentos da empresa Vermeer foi projetada para atuar mais diversos projetos de energia eólica ou térmica. com baixo custo operacional na instalação de painéis solares. A máquina conta com o sistema de monitoramento remoto Insite®. Ele possibilita um alto nível de gerenciamento de informação quanto ao desempenho.

“Líder mundial em equipamentos para construção, a Vermeer tem a oportunidade única para ajudar no avanço de fontes alternativas de energia. Oferecendo soluções inovadoras e comprometida com nossos clientes, a VerA versatilidade é uma das principais características meer possui um estoque de peças genuínas, manutenção do PD10. Ele é capaz de instalar estacas de diferentes ta- preventiva e entrega técnica. Não vendemos somente um manhos, 3m, 4,6m ou 6,1m de altura. A alta performance equipamento, vendemos uma solução para os nossos cliendo equipamento deve-se em parte ao martelo hidráulico, tes e estamos sempre ao seu lado onde quer que ele esteja, com potência de 1.500 joules, o que o torna o mais rápido auxiliando na sua obra e prestando consultoria para tirar o do mercado na categoria de instaladoras de estacas. melhor proveito na rentabilidade e produtividade.” Como funciona: César Leite, Gerente de escavação especializada da VerA maioria dos sistemas de geração de energia fo- meer Latin America. ▪ 32

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Artigo

Implementação de um Sistema de Gestão de Energia (SGE) com base na Norma ISO50001 INTRODUÇÃO Jorge de Aguiar Engenheiro (Consultor/Auditor)

Resumo No mundo globalizado as organizações lutam pela sua sobrevivência, que a cada dia se torna mais difícil. Neste cenário muitas empresas visionárias estão implementando o Sistema de Gestão de Energia (SGE) que está fundamentado nos requisitos da Norma ISO 50001, objetivando o uso eficiente e racional dos seus insumos energéticos, como forma de se tornarem cada vez mais competitivas no mercado. Este artigo aborda, de forma resumida, a implementação do Sistema de Gestão de Energia (SGE). Palavras-chave Norma ISO 50001, Sistema de Gestão de Energia, Eficiência Energética, Dilema da Energia, Certificação.

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A International Organization for Standardization – ISO é uma organização internacional, com sede em Genebra (Suíça), fundada em 1946, que tem como objetivo principal o desenvolvimento de normas técnicas para aplicação em organizações mundiais. Sob a responsabilidade do Comitê Técnico ISO 242 PC foi lançada em 15 de junho de 2011 a Norma ISO 50001; que tem como base a adoção da Eficiência Energética para promover a melhoria contínua do Sistema de Gestão de Energia nas organizações mundiais. As primeiras certificações ocorreram no final de 2011, logo após a divulgação da Norma ISO 50001, visto que, as organizações sempre buscaram reduzir os seus custos de energia e obter uma vantagem econômica; visando a sua sobrevivência num mercado globalizado cada vez mais competitivo. Além disso, as emissões de gases com efeito de estufa produzidos pelas organizações são uma preocupação crescente. À luz destes fatos, as organizações precisam encontrar maneiras de gerenciar de forma eficiente o uso dos seus insumos energéticos, ao mesmo tempo em que comunicam os seus amplos esforços nesse sentido para um público cada vez mais ambientalmente consciente e preocupado com o futuro. O DILEMA DA ENERGIA O dilema da energia surge quando comparamos a demanda de energia que deverá dobrar até 2050, um fato apontado pela Agência Internacional de Energia (IEA) em 2007; com a necessidade de se reduzir pela metade a emissão de CO2, conforme anunciado pelo Painel Intergo-

vernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) em 2007.

De acordo com os dados da Agência Internacional de Energia (IEA), quase 70% da eletricidade no mundo provém da queima de combustíveis fósseis, enquanto menos de 20% advém de fontes renováveis, como hidrelétricas, usinas solares e parque eólicos. A DESINFORMAÇÃO A atividade na área de consultoria para a implementação do Sistema de Gestão de Energia tem demonstrado claramente que existe uma acentuada desinformação quanto a aplicação das metodologias inerentes à Eficiência Energética nas organizações. Na maioria das vezes algumas das pessoas que são responsáveis diretas pela gestão administrativa e financeira das suas organizações entendem que a Eficiência Energética irá promover um “racionamento de energia” para obter a redução do custo da energia, principalmente no que se refere a energia elétrica, e ficam muito surpresas ao tomarem conhecimento de que ao contrário o objetivo da Eficiência Energética é “fazer mais com menos”.


A NORMA ISO 50001 A Norma ISO 50001 é uma norma internacional voluntária que permite para as organizações de qualquer tamanho uma forma de otimizar sistematicamente o desempenho energético dos seus processos, promovendo uma gestão mais eficiente da energia. A sua estrutura é muito similar quando comparada com a Norma de Gestão Ambiental ISO 14001, o que significa que as organizações certificadas com a Norma ISO 14001 terão mais facilidade em implementar todos os requisitos da Norma ISO 50001. Os documentos que fazem parte do Sistema de Gestão de Energia são os seguintes: • ISO 50002: documento que fornece orientação sobre as auditorias do SGE, abordando os princípios de uma auditoria energética, incluindo a confidencialidade, a transparência e o processo de auditoria. • ISO 50003: documento que fornece orientações sobre a avaliação da conformidade do Sistema de Gestão de Energia. • ISO 50004: documento que fornece orientação sobre a implementação, manutenção e melhoria do SGE. • ISO 17570: documento que aborda os temas sobre as linhas de base correspondentes e medições. • ISO 17580: documento que aborda os métodos de verificação. • ISO 17588: documento que aborda a seleção, o estabelecimento e a manutenção dos Indicadores de Desempenho Energético (IDE). Os requisitos básicos para se obter um Sistema de Gestão de Energia “conforme” são: • Definição do escopo e das fronteiras. • Comprometimento da alta direção, nomeação de um Representante da Direção e definição da Equipe de Ges36

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tão de Energia. • Desenvolvimento e comunicação de uma Política de Gestão de Energia. • Identificação de todos os regulamentos legais relacionados com a energia e avaliação das suas conformidades. • Desenvolver, documentar e implementar o processo de revisão energética, incluindo a determinação de usos de energia significativas e oportunidades de melhoria de desempenho energético. • Estabelecer a linha de base de energia na qual o desempenho energético será medido.

»» Competência, conscientização e treinamento. »» Auditorias internas do Sistema de Gestão de Energia. »» Elaboração dos Planos de Ações Corretivas e Preventivas. »» Análise Crítica da Direção. O nível de documentação nível exigido pela Norma ISO 50001 é totalmente dependente da natureza, da dimensão e das necessidades da organização.

A Norma ISO 50001 é considerada como um “padrão de dados" e possui uma exigência um pouco menor no que tange a documentação, • Estabelecer os Indicadores quando comparada com outras Norde Desempenho Energético mas ISO, a sua estrutura está indicada na figura a seguir: (IDE). • Estabelecimento dos objectivos energéticos, metas e planos de ação. • Implementar os requisitos de comunicação interna e externa do SGE. • Estabelecer e implementar critérios operacionais para a operação e manutenção de instalações, sistemas, equipamentos e processos. • Estabelecer o processo de avaliação de desempenho energético na concepção das instalações, nos sistemas, nos equipamentos e nos processos. • Estabelecer processo de aquisição de energia e o desenvolvimento das especificações de aquisição de energia. • Desenvolvimento e implementação do Plano de Medição de Energia, incluindo a calibração dos dispositivos de medição. • Garantir a implementação total dos requisitos essenciais do Sistema de Gestão por meio de: »» Controle de Documentos. »» Gerenciamento dos Registros.

Os registros necessários para a Norma ISO 50001 são os seguintes: • Registros da Revisão Energética. • Registros da Linha de Base Energética. • Registros de Competência, Treinamento e Conscientização. • Registros das Comunicações Externas da Organização. • Registros da avaliação de energia em atividades de projetos. • Registros de monitoramento das característica fundamentais da energia e medição de


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resultados. • Registros de Medição e Calibração dos Equipamentos. • Registros das Ações Corretivas e Preventivas. • Registros das Reuniões de Análise Crítica pela Direção. • Resultados das avaliações de conformidade dos requisitos essenciais e dos requisitos legais. • Resultados das Auditorias Internas. A CERTIFICAÇÃO ISO 50001 A implementação e a certificação de um Sistema de Gestão de Energia (SGE) com base na Norma ISO 50001 devem ser considerados como importantes investimentos para as organizações. Uma questão comum que surge logo no início da contratação dos serviços é saber se a implementação e a certificação do SGE requerem investimentos elevados. A resposta para essa questão é apresentada claramente informandose que os investimentos necessários são proporcionais ao tamanho e a complexidade dos sistemas e processos da organização contratante, pois cada organização possui um perfil diferente uma da outra e não existe uma tabela de preços referenciais no mercado; além disso deve-se levar em conta que haverá uma rápida redução nos custos operacionais, numa faixa estimada entre 15 à 35% em média, obtida pela otimização no consumo de todos os tipos de energia; o que evidencia a viabilidade dos investimentos que forem realizados . As informações básicas necessárias para a contratação de consultores e auditores de certificação do SGE são as seguintes: • Indicação do escopo e das fronteiras da Organização. • Indicação dos sistemas e processos da Organização. • Detalhamento das fontes de energia em uso pela Organização. • Total do consumo de energia anual expresso em British Thermal Unit (BTU). 38

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• Total de colaboradores da Organização diretamente envolvidos com a Gestão de Energia. Outro questionamento feito é com relação ao tempo estimado para o Retôrno do Investimento (ROI) após a implementação do SGE. Segundo a publicação da Revista Sustentabilidade em 6 de julho de 2011 o Sistema de Gestão de Energia com base na Norma ISO 50001 pode levar a reduções de consumo de dois dígitos em alguns casos, mas isso depende da intensidade energética da organização. A média de Retôrno do Investimento (ROI) é de dois à três anos na grande maioria dos casos. Alguns pontos de extrema relevância à serem destacados para a contratação de consultores e auditores responsáveis pelos serviços de implementação do SGE são os seguintes: • Os consultores e auditores responsáveis pela implementação do SGE deverão demonstrar competência em Gestão de Energia e profundo conhecimento de Eficiência Energética, conforme os escopos de certificação que forem solicitados pelas organizações. • Necessidade de treinamentos para os colaboradores en-

volvidos. • Necessidade de realização de uma auditoria de pré-certificação. Finalmente, após a conclusão da implementação e certificação do Sistema de Gestão de Energia com base na Norma ISO 50001, dentre os vários benefícios obtidos destacam-se os seguintes: • Aumentar a Eficiência Energética da Organização. • Reduzir os custos operacionais relativos a energia. • Auxiliar na conservação da energia. • Melhorar o uso de fontes energéticas. • Aperfeiçoar práticas de aquisição de energia. • Apoio à mudança organizacional e cultural. • Reduzir a emissão de gases do “Efeito Estufa”. • Demonstrar compromisso com a sustentabilidade. • Demonstração clara de responsabilidade social corporativa. ▪


Notas

Avião movido à energia solar criado por pesquisadores de Zurique irá sobrevoar a Amazônia Pesquisadores do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (ETH Zurich) desenvolveram um avião movido a energia solar chamado de AtlantikSolar. A aeronave foi criada com o objetivo de mostrar que aviões movidos a energias sustentáveis são capazes de realizar voos longos.

O AtlantikSolar já quebrou alguns recordes mundiais e agora os pesquisadores planejam sobrevoar a região amazônica no Brasil. A ideia é percorrer uma distância de 400 quilômetros em 12 horas para testar os painéis solares instalados na infraestrutura do avião. Até o momento, o marco mais recente da aeronave foi realizado em Julho deste ano, onde o avião bateu o recorde mundial de resistência de voo de aviões com menos de 50 quilos ao realizar um voo continuo com baterias carregadas com energia solar por 81.5 horas (mais de quatro dias e três noites) em Zurique. Além disso, o voo também foi considerado o mais longo e continuo para um avião de baixa altitude e baixa resistência. Na opinião do estudante de PhD e membro da equipe de pesquisadores, Philipp Oettershagen, o conceito de aviões movidos a energia solar é relativamente simples. “O que você tem são baterias muito densas em energia, e módulos solares. Tudo gira ao redor do conceito de que a bateria é carregada ao longo do dia e fornece energia durante a noite. Este é o conceito básico por trás de todos estes veículos” ressaltou ele.

Solar-powered plane created by researchers from Zurich will fly over the Amazon Researchers from ETH Zurich (ETH Zurich) developed a solar-powered plane called AtlantikSolar. The aircraft was created in order to show that airplanes powered by sustainable energy are capable of long flights. The AtlantikSolar already broken some world records and now the researchers plan to fly over the Amazon region in Brazil. The idea is to cover a distance of 400 kilometers in 12 hours to test solar panels installed on the infrastructure of the plane. To date, the latest milestone of the aircraft was carried out in July this year, where the plane hit the world record for aircraft flight endurance with less than 50 kilograms when performing a flight

continue with batteries charged with solar energy by 81.5 hours ( more than four days and three nights) in Zurich. Furthermore, the flight was also considered and the longest continuous to an airplane at low altitude and low resistance. According to the PhD student and member of the research team, Philipp Oettershagen, the concept of aircraft powered by solar energy is relatively simple. "What you have are very dense batteries into energy, and solar modules. Everything revolves around the concept that the battery is charged during the day and provides power overnight. This is the basic concept behind all these vehicles ", he said.

PDE 2024 estima que energia solar chegue a 4% da matriz energética brasileira até 2024 O Plano Decenal de Energia Elétrica de 2024 (PDE 2024) que está em consulta pública mostra que a produção de energia elétrica a partir de painéis solares chegará a representar 4% da capacidade instalada do país em 2024. A fonte renovável a partir do sol, que ainda é responsável por apenas 0,02% da potência elétrica do país, possui um planejamento de crescimento para a próxima década. A participação de energia solar terá um potencial significativo nos próximos 10 anos. De acordo com o PDE 2024, a produção de energia renovável no país deve crescer e chegar a 28% da matriz energética em 2024. Atualmente a união de energia solar, biomassa, eólica e pequenas centrais hidrelétricas corresponde a 17% da matriz. As quatro modalidades devem alcançar uma potência instalada de aproximadamente 60 GW, o que seria três vezes mais da alcançada em 2014. Já em relação às hidrelétricas de grande porte, a produção de energia elétrica estimada é de 111GW, ou seja, 53% da potencia total. Dentre as renováveis, o setor que mais está crescendo é a produção de energia eólica, o qual deve produzir até 24 GW em 2024, superando assim a produção da energia à biomassa, a qual é de 19 GW. Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), a estimativa é que a produção de energia solar cresça a partir da geração distribuída, a qual é gerada pelos próprios consumidores. O PDE 2024 ressalta que a autoprodução deve crescer consideravelmente chegando a 7% do consumo total. Há projeção ainda para que a energia solar distribuída, instalada em residências e no comércio, alcance 1,6 TWh em 2024, o que representará 1,6% do total da geração distribuída, ou 0,2% da oferta total de energia elétrica de 2024. Fonte: Portal Brasil

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PDE 2024 estimated that solar energy reaches 4% of Brazil's energy mix by 2024 The Ten Year Plan for Energy 2024 (PDE 2024) which is under public consultation shows that the production of electricity from solar panels will come to represent 4% of the installed capacity of the country in 2024. A renewable source from the sun, which still accounts for only 0.02% of the electric power in the country, has a growth plan for the next decade. The share of solar energy will have a significant potential in the next 10 years. According to the PDE 2024, renewable energy production in the country is expected to grow and reach 28% of the energy matrix in 2024. Currently the union of solar energy, biomass, wind and small hydroelectric plants corresponding to 17% of the matrix. The four modes should achieve an installed capacity of approximately 60 GW, which would be three times more than achieved in 2014. In relation to the large power plants, the estimated electricity production is 111GW, or 53% of the total power. Among renewables, the sector that is growing is the wind energy production, which is expected to produce up to 24 GW in 2024, overcoming the energy production to biomass, which is 19 GW. According to the Ministry of Mines and Energy (MME), it is estimated that solar energy production grow from distributed generation, which is generated by the consumers themselves. The PDE 2024 points out that auto production is expected to grow considerably reaching 7% of total consumption. There is still forecast for the distributed solar energy, installed in homes and in trade, reaching 1.6 TWh in 2024, representing 1.6% of the total distributed generation, or 0.2% of the total supply of electricity 2024. Source: Portal Brazil


Fernando de Noronha recebe seu primeiro carro elétrico movido à energia solar O Arquipélago de Fernando de Noronha está investindo cada vez mais em ações sustentáveis. Através do programa-piloto em Redes Elétricas Inteligentes (REI), o qual foi idealizado pela Companhia Energética de Pernambuco (Celpe), empresa do Grupo Neoenergia, o arquipélago terá seu primeiro carro elétrico movido exclusivamente por energia solar fotovoltaica. O novo veículo é um modelo utilitário da Renault e tem capacidade para andar até 130 quilômetros. O carro que é um Renault Kangoo Z.E e será incorporado a frota da companhia de modo que a mesma consiga avaliar o desempenho operacional do automóvel em uma área de preservação ambiental e reduzir a utilização de combustíveis fósseis. A escolha do modelo, com dois lugares, considerou as potencialidades do automóvel, o perfil geográfico da região onde irá circular, condições climáticas e as características das atividades que apoiará. O novo automóvel faz parte de um Projeto de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico (P&D) da Celpe, regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), contou com o apoio e suporte técnico do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD). Para abastecê-lo de forma sustentável, a Celpe também vai instalar um eletroposto solar na área interna da Usina Tubarão, totalmente isolado do sistema de distribuição de energia elétrica. O novo empreendimento está orçado em 800 mil reais, no valor está incluso a aquisição do veículo. O novo posto será construído em uma espécie de estacionamento, onde o telhado terá painéis solares, a energia produzida será armazenada em baterias. Os painéis fotovoltaicos terão potência instalada de 4,5 kWp e capacidade para gerar 20,1 kWh/dia, o suficiente para permitir que o veículo circule durante todo o dia, atendendo aos clientes da Celpe, na ilha.

Fernando de Noronha receives its irst electric car solar powered The Fernando de Noronha Archipelago is increasingly investing in sustainable actions. Through the pilot program in Smart Grids (REI), which was designed by the Energy Company of Pernambuco (Celpe), company Neoenergia Group, the archipelago will have its first electric car powered exclusively by solar PV. The new vehicle is a utility model of Renault and is able to walk up to 130 kilometers. The car is a Renault Kangoo ZE and will be incorporated into the company's fleet so that it can evaluate the car's operating performance in an area of environmental preservation and reducing the use of fossil fuels. The choice of model, with two seats, considered the car's potential, the geographic profile of the region which will circulate, weather conditions and the characteristics of the activities that support. The new car is part of a research project and Technological Development (R & D) Celpe, regulated by the National Electric Energy Agency (Aneel), had the support and technical support Research and Development in Telecommunications Center (CPqD). To supply it sustainably, Celpe will also install a solar electric station in inner area of the Tubarão plant, completely isolated from the electricity distribution system. The new venture is estimated at 800,000 reais, the amount is included the acquisition of the vehicle. The new station will be built in a kind of parking lot, where the roof will have solar panels, the energy produced will be stored in batteries. The photovoltaic panels will have an installed capacity of 4.5 kWp and capacity to generate 20.1 kWh / day, enough to allow the vehicle to run throughout the day, serving customers Celpe on the island.

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Paraná Metrologia confirma a realização da Conferência Smart Energy 2016 Conferência Internacional debateu os principais entraves do setor de Energias Renováveis do País

O

correrá no mês de setembro do ano que vem, em Curitiba, a próxima Conferência Internacional de Energias Inteligentes – Smart Energy 2016. A edição 2015 terminou esta semana e a próxima já começa a ser discutida.

“Tivemos um trabalho muito intenso, em que foram discutidas todas as tecnologias que estão sendo tratadas com relação a distribuição e geração de energia, para que possamos ter um mundo menos dependente de energias fósseis”, avalia Celso Romero Kloss, superintendente do Paraná Metrologia - organizadora do evento.

Na Europa, o

país a utilizar

energias sustentáveis foi a Alemanha, depois o Vaticano – até por preocupação do clérigo – e em terceiro a Itália Por Giuliano Grassi 42

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Paralelamente, ocorreu o II Seminário de Energias Renováveis como vetor do Desenvolvimento do Oeste do Paraná, a Feira Tecnológica de Energias Renováveis e a reunião da Câmara Técnica de Energias Renováveis do Programa Oeste Desenvolvimento. O

evento, que aconteceu em Foz do Iguaçu, contou com participantes da iniciativa privada, instituições públicas, 32 palestrantes e moderadores. Entre eles, o pesquisador italiano e professor Giuliano Grassi, presidente da European Biomass Industry Association (Associação Europeia de Indústria de Biomassa), que trouxe exemplos da utilização de biomassa em seu país. “Na Europa, o primeiro país a utilizar energias sustentáveis foi a Alemanha, depois o Vaticano – até por preocupação do clérigo – e em terceiro a Itália”, contou Grassi. “O Brasil, pela grande quantidade de biomassa, deveria ser utilizada mais e melhor”, considerou.

veis na matriz energética, políticas econômicas de incentivo e regulamentação, geração distribuída e smart grid, logística reversa, energias renováveis e eficiência energética. O espaço empresarial trouxe informações sobre certificações, construção de edifícios verdes, ISO 50.001, entre outros assuntos.

Ainda durante o evento, ocorreu a entrega do 3º Prêmio Inovação e Tecnologia Biomassa BR, concedido a nove empresas e um pesquisador. Foram premiadas as empresas New Holland, Vermeer Equipamentos e Tecnologias, Tajfun do Brasil Equipamentos Florestais, Doppstadt–Rimac, Colhicana Equipamentos e Gel Gaboardi Energia Limpa por apresentarem iniciatiOcorreram oito paivas de energia alternativa néis com os temas cenutilizando biomassa. trais: iniciativas paranaenses, energias inteligentes A Copel, Federação e o mercado, bioenergia e da Indústria do Estado do desenvolvimento socioe- Paraná (Fiep) e Itaipu Biconômico, fontes renová- nacional receberam o prê-


mio destaque de incentivo mia. ao uso de energias renoSaiu recentemente váveis. O projeto acadêuma lei federal, que cria o mico de destaque 2015 foi mecanismo de isenção fisentregue a Javier. cal para PIS/Cofins, então, Escobar, aluno de esperamos voltar a esse doutorado da USP, pelo assunto para sensibilizar projeto “a produção sus- o Governo do Estado a fim tentável de madeira para de poder incentivar e exenergia no Brasil – o caso pandir mais a geração disdos pellets de madeira” tribuída no Paraná”, disse – que descreve o uso de diretor-presidente da Coplantações de florestas pel Distribuição, Vlademir energéticas de curta rota- Santo Daleffe. ção no Brasil a fim de diminuir o uso de madeira Eficiência energética na indústria paranaense de desmatamento. ICMS e Geração Distribuída Um dos temas abordados e de grande interesse dos participantes é a possibilidade de isenção de ICMS no uso de geração distribuída de energias. “O Governo mostrou-se simpático à ideia de fazer alguma coisa que estimule e incentive a geração distribuída no Paraná. Mas, a Secretaria da Fazenda tem algumas dificuldades, principalmente, quando se fala em renúncia de receita, em um momento muito crítico da econo-

Foi apresentado na Conferência, em primeira mão, o resultado do estudo do setor de energia considerando as Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense, realizado pelos Observatórios Sesi/Senai/IEL, do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná e com GSMB Energy Efficiency. O estudo iniciou em 2013 e pesquisou 180 empresas, de grande e médio portes, dos setores moveleiro, metalúrgico e de alimentos no Paraná.

(STAND DA FRG MÍDIA BRASIL NO SMART ENERGY 2015)

O resultado mostrou que para a grande maioria das empresas, cerca de 70% delas, a eficiência energética está entre as ações estratégicas, contudo não possuem comissões internas, profissionais capacitados ou projetos de eficiência energética.

Participantes e apoiadores A Conferência Internacional de Energias Inteligentes - Smart Energy 2015 foi organizada pela Paraná Metrologia, e realizado pelo Sebrae-PR e pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Estado ParaRBS Magazine

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pesquisando para que a geração de energia por biomassa aumente cada vez mais sua participação na matriz energética naAlém da ITAIPU, a CO- cional. PEL – Companhia ParanaMais de 25 empresas ense de Energia e a FIEP – já foram homenageadas Federação das indústrias por seus projetos que inodo Estado do Paraná, tamvaram e mpulsionaram o bém estiveram no evento setor da Biomassa no Brae foram premiadas. sil. Entre as empresas Por Tiago Fraga Em 2014 a premiação estiveram recebendo o ná. Contou com o poio do ao setor da Energias Reno- Prêmio as empresas NEW aconteceu no mês de ouInstituto de Tecnologia do váveis. HOLLAND, VERMEER, DO- tubro na cidade de São Paraná – TECPAR e o paPPSTADT/RIMAC, TAJFUN Paulo, reunindo mais de 3ª Edição do Prêmio trocínio do BRDE, da CoDO BRASIL, GELL GABO- 300 convidados. Inovação e Tecnologia pel, da Fiep, da Itaipu BiARDI e COLHICANA. Neste ano o Prêmio Biomassa BR, foi um dos nacional e da Sanepar. grandes destaques da O setor acadêmico veio a Foz do Iguaçu para Outro destaque do programação do SMART também esteve represen- reunir importantes players ENERGY 2015 tado pelo projeto do pes- do mercado, e juntos coevento foi á participação quisador Javier Escobar, memorarem s conquistas da FRG Mídia Brasil, emque ganhou o segundo do setor de Biomassa e presa que desenvolve e Prêmio pelo projeto “A Energias Renováveis. gerencia plataformas de PRODUÇÃO SUSTENTÁVEL comunicação para emprePara 2016, segundo DE MADEIRA PARA ENERsas do setor de Energias GIA NO BRASIL. O CASO Tiago Fraga (FRG Mídia Renováveis. DOS PELLETS DE MADEI- Brasil), o numero de emA terceira edição do PrinRA”. Javier já tinha sido presas participantes deve A empresa levou ao cipal Prêmio do setor de premiado em Fevereiro aumentar ainda mais. evento o mundo de inforBiomassa e Energia modeste ano com o mesmo Apesar das notícias de crimações do setor com a vimentou a Conferência trabalho mesmo trabalho se e recessão em alguns Revista Brasileira de BioSMART ENERGY 2015. foi escolhido pela Câmara setores da economia no massa e Energia, Revista Brasileira de Energia Solar, Ao todo 10 inciativas Europeia de Energia reno- nosso país, as energias reAnuários, tudo voltados foram premiadas, tendo vável para representar o nováveis tem demonstraBrasil no World Sustainab- do que seu papel vai muile Energy Days na catego- to além de qualquer crise. ria Jovem Pesquisador em A necessidade de inViena, Áustria. serção de fontes limpas e Sobre o Prêmio: renováveis na matriz enerSobre O PRÊMIO INO- gética nacional e mundial, VAÇÃO E TECONOLOGIA com certeza irão impulsioBIOMASSA BR, é uma for- nar o setor, e assim contima de estimular empre- nuar crescendo cada vez sas e empresários a con- mais, complementa Tiago tinuarem se esforçando, Fraga. ▪

A necessidade de inserção de fontes limpas e renováveis na matriz energética nacional e mundial, com certeza irão impulsionar o setor, e assim continuar crescendo cada vez mais

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entre estas o Prêmio entregue para a ITAIPU BINACIONAL por ser a maior geradora de energia limpa do mundo.


Notas Internacionais

Japão oferece serviço gratuito para recarregar celulares através de energia solar Com o objetivo de facilitar a vida das pessoas viciadas em tecnologia, a cidade de Tóquio, no Japão, inaugurou seu primeiro posto movido à energia solar que é capaz de recarregar celulares e outros dispositivos móveis. O novo empreendimento é equipado de painéis solares, que tem como missão captar a energia que vem do sol e transformá-la em energia elétrica. Chamado de City Charge, o novo posto japonês oferece o serviço gratuitamente para a po-

pulação. O posto está localizado na Torre de Tóquio, no distrito de Shiba -Koen. De acordo com a prefeitura este será apenas o primeiro posto de muitos que serão implantados em toda a cidade japonesa, principalmente em pontos turísticos, onde as pessoas mais utilizam celulares para tirar fotografias e os mesmos acabam descarregando facilmente. O City Charge foi divulgado no inicio desta semana pela NHK. Fonte: Mundo-Nipo - http://mundo-nipo.com/tecnologia-e-ciencia/08/10/2015/toquio-inaugura-1o-posto-de-energia-solar-para-recarga-de-celulares/

Japan offers free service to recharge mobile phones through solar power In order to make life easier for people addicted to technology, the city of Tokyo, Japan, opened its first solar-powered station that can recharge mobile phones and other mobile devices. The new venture is equipped with solar panels, whose mission is to capture the energy from the sun and turn it into electricity. Called the City Charge, the new Japanese station provides the service for free to the public. The post is located in the Tokyo Tower in Shiba-Koen district. Accor-

Alemã Baywa visa investir em Goiás para produção de Tecnologias voltadas para energia solar

ding to the municipality this will be only the first post of many who will be deployed throughout the Japanese city, especially in tourist spots, where more people use mobile phones to take pictures and they end up unloading easily. The City Charge was released earlier this week by NHK. Source: Mundo - Nipo - http://mundo-nipo.com/tecnologia-e-ciencia/08/10/2015/toquio-inaugura-1o-posto-de-energia-solar-para -recarga-de-celulares/

German Baywa aims to invest in Goias for production technologies for solar energy

Looking to invest in Brazil, the GerEm busca de investir no Brasil, a man company Baywa, one of the companhia alemã Baywa, uma das maiores importadoras de grãos da largest importers of grain from Alemanha, se reuniu com o goverGermany, met with the governor of nador de Goiás, Marconi Perillo, Goias, Marconi Perillo, seeking to em busca de apresentar seus pla- Governador se reúne com executivos alemães, em Munique present their plans for the installanos para a instalação de uma uniFoto: Marcos Villas Boas tion of a unit in the state. dade no estado. Known as one of the giants of EuConhecida como uma das gigantes do agronegócio europeu, a ropean agribusiness, Baywa chose the Brazilian state of Goias Baywa escolheu o estado brasileiro de Goiás para o investimento for investment by receiving recommendations from the French por receber recomendações do Banco Francês RodoBank , o qual Bank RodoBank, which considered the strategically advantaconsiderou o estado estrategicamente vantajoso para os negógeous state for the grain import business, solar energy, agricios de importação de grãos, energia solar, tecnologia agrícola e cultural technology and productivity - all led by the company in produtividade – todos liderados pela empresa no território aleGermany. mão. At the meeting held in Munich, Perillo reaffirmed the state's adNa reunião que aconteceu em Munique, Perillo reafirmou as vanvantages for the installation of the company. "We did not come tagens do estado para a instalação da empresa. “Não viemos soonly visit them but to sensitize them about the opportunities we mente visita-los, mas para sensibilizá-los sobre as oportunidades offer in Goias. There is a great strategic value to settle a bilateque oferecemos em Goiás. Há um grande valor estratégico para se instalar um centro de comércio bilateral no estado de Goiás” ral trade center in the state of Goias" he said. ressaltou ele. With the installation of the company in the state, the governor Com a instalação da empresa no estado, o governador pretende plans to increase renewable energy production in the country. aumentar a produção de energia renovável no país. A empresa The German company is a major exporter of technology for the alemã é uma grande exportadora de tecnologia para a produção production of solar energy. Since the state is a major producer de energia solar. Como o estado é um grande produtor de etanol of ethanol and incinerates the sugarcane bagasse to produce e incinera o bagaço da cana para produzir energia, as destilarias energy, distilleries seek to invest in solar energy to move the turbuscam investir em energia solar para movimentar as turbinas, bines, which are idle during the off-season, thus arousing the que ficam ociosas durante o período de entressafra, despertando interest of the Germans. assim o interesse dos alemães.

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Revista Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica.

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