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Retranca

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Revista Brasileira de Administração - Maio/Junho de 2011


editoRiaL

sta edição de sua RBA está repleta de indicações de caminhos. Como montar um Planejamento Estratégico é uma delas, e pode ser encontrada na entrevista com o Adm. Maurício Pereira. Ele explica que o Planejamento Estratégico é um processo que consiste na análise sistemática dos pontos fortes e fracos da organização, e das oportunidades e ameaças do ambiente externo, com o objetivo de formular estratégias e ações para aumentar a competitividade e seu grau de resolução. Na reportagem de capa mostramos os caminhos da inovação. A matéria procura demonstrar o dilema pelo qual passa toda organização, não só no Brasil, mas no mundo todo: Inovar ou morrer? De fato, inovação tornou-se a arma de competição que realmente possibilita a diferenciação da empresa aos olhos do cliente. Entretanto, inovar esporadicamente, como uma poção mágica, pouco adianta. O que de fato faz a diferença é a adoção de programas permanentes de inovação. Depois de ler a matéria temos certeza que você há de concordar, caro leitor, com Peter Drucker, o pai da moderna Administração, quando enuncia: “O que os empreendedores têm em comum não é determinado tipo de personalidade, mas um compromisso com a prática sistemática da inovação.” Também mostramos caminhos para transformar ideias em oportunidades de investimentos. Como prometemos na edição anterior, estamos apresentando mais cinco novos tipos de negócios, de diferentes portes e ramos de atividades. Faz parte desta edição, ainda, um tema pouco conhecido pelos brasileiros, mas considerado atualmente um dos pilares da sustentabilidade econômica de muitos países em desenvolvimento: Fair Trade, termo inglês para Comércio Justo. Trata-se de um movimento social e de uma modalidade de comércio definido como “Uma parceria comercial, baseada em diálogo, transparência e respeito, que busca maior equidade no comércio internacional”. Traçamos, ainda, os caminhos das licitações públicas. Você vai descobrir que as causas para o alto índice de fraudes em licitações, não são tão fáceis de serem esclarecidas. De uma forma simplista, podem Revista BRasileiRa de administRação - maio/Junho de 2011

ser explicadas como uma questão cultural do brasileiro em “levar vantagem” ou pela vulnerabilidade da gestão do serviço público brasileio. Percorremos, também, os caminhos das compras coletivas pela internet. Baseados na ideia de desenvolver um tipo de negócio eletrônico, que colocasse em contato os melhores prestadores de serviços de cada cidade brasileira e um grande número de consumidores interessados em conhecer novos estabelecimentos perto de suas casas, três amigos que se conheceram nos Estados Unidos, fundaram um dos mais bem sucedidos sites de compras coletivas do Brasil: o Peixe Urbano. Para quem acompanha a seção “sucesso empresarial”, esta edição mostra os caminhos trilhados pela Omega Tecnologia, reconhecida em 2010, com o Prêmio MPE Brasil. Mais uma novidade. A partir desta edição apresentamos uma nova seção: Quiz – uma espécie de jogo de perguntas e respostas sobre temas ligados a gestão de negócios. Este primeiro Quiz vai ajudá-lo a avaliar o grau de eficácia das reuniões em sua empresa ou instituição. Você vai notar, caro leitor, que estamos imprimindo pequenas modificações na sua RBA. As matérias e reportagens estão mais leves e compactas, as fotos mais atraentes, e a capa agora traz informações mais detalhadas do conteúdo da revista. Espero que aprecie a nossa Revista. Boa leitura!

Foto: Wellington Santos

Bons caminhos E

Adm. Sebastião Luiz de Mello Presidente do CFA 7


R entRevista etRanca

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Foto: Arquivo pessoal

PorTâniaMendes

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Professor Adjunto da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Maurício Fernandes Pereira graduou-se em Administração, fez mestrado e doutorado em Engenharia de Produção pela UFSC – onde exerceu funções executivas de Coordenador de Extensão do Departamento de Ciências da Administração, Presidente do Colegiado do Curso de Administração, Chefe do Departamento de Ciências da Administração e o cargo de Diretor do Centro Sócioeconômico. Já orientou mais de duas centenas de dissertações de Mestrado e trabalhos de conclusão de curso de Graduação, é membro titular do Conselho Estadual de Educação do Estado de Santa Catarina. Ocupa atualmente o cargo de Diretor Presidente da Fundação de Ensino e Engenharia de Santa Catarina (FEESC). Participou de diversos eventos no Brasil e no exterior e publica, constantemente, artigos em periódicos especializados, capítulos de livros e livros. Nesta entrevista Maurício Pereira diz que toda e qualquer empresa pode aplicar um processo forma de Planejamento Estratégico: “Mas com certeza aquela que terá sucesso com a sua aplicação é a empresa que trabalhar com seriedade nos aspectos organizacionais”. Revista BRasileiRa de administRação - maio/Junho de 2011


a ferramenta de gestão RBA: Defina o conceito de estratégia corporativa. Maurício: O conceito de “estratégia corporativa”, na minha visão, está inserido no conceito de Planejamento Estratégico. Planejamento Estratégico é um processo que consiste na análise sistemática dos pontos fortes (competências) e fracos (incompetências ou possibilidades de melhorias) da organização e das oportunidades e ameaças do ambiente externo, com o objetivo de formular (formar) estratégias e ações estratégicas, com o intuito de aumentar a competitividade e seu grau de resolução. Um Planejamento Estratégico é composto das seguintes etapas: Declaração de Valores, Missão, Visão, Fatores Críticos de Sucesso, Análise Interna (Pontos Fortes e Fracos), Análise Externa (Oportunidades e Ameaças), Matriz FOFA (Análise conjunta das relações entre os Pontos Fortes, Oportunidades, Pontos Fracos e Ameaças), Questões Estratégicas, Estratégias e Ações Estratégicas. Portanto, a estratégia é uma parte importante do processo de Planejamento Estratégico. RBA: O que levou ao surgimento dessa forma de gestão? Maurício: A necessidade da empresa em pensar no seu todo organizacional, ou seja, quando uma Revista Brasileira de Administração - Maio/Junho de 2011

empresa trabalha os conceitos e etapas do Planejamento Estratégico consegue, não somente fazer uma análise consistente e sistemática de si, mas também das relações externas que a influenciam, para depois formular estratégias consistentes com a sua realidade interna, à luz das demandas do ambiente. RBA: Quais os princípios do Planejamento Estratégico? Maurício: É, em especial, o princípio da Verdade! Explico: significa que a organização tem que fazer suas análises e formulação das estratégias baseadas na verdade dos acontecimentos e não em falsas verdades, ou seja, naquilo que ela não quer ver, pois por medo de enfrentar a realidade fica dando voltas sem entrar na essência. Lembro que isso é mais comum para algumas empresas do que pode pare-

As empresas que se encontram em um mercado concorrencial e dinâmico não podem deixar de pensar em Planejamento Estratégico

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eMpReendedoRisMo

Mais cinco oportunida d Como prometemos na edição anterior, estamos apresentando mais cinco oportunidades de investimentos para você que sonha com um negócio próprio

Ilustrações: Alex Amorim

Por João Humberto de Azevedo

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ara você que tem algum capital e sonha em abrir sua própria empresa, apresentamos, nesta edição, mais cinco novas ideias de negócios de diferentes portes e ramos de atividades. Lembramos que as fichas técnicas dos empreendimentos, apresentadas a seguir, foram desenvolvidas com base na experiência de conceituados especialistas e na vivência de pequenos empresários brasileiros. É importante ressaltar que as fichas foram preparadas com informações sobre o ramo de atividade e setor da economia em que o negócio é inserido; tipo de empreendimento; valor do investimento inicial – incluindo aqui o investimento fixo (máquinas, equipamentos e materiais permanentes), capital de giro (recursos necessários para a formação do estoque inicial e arcar com despesas iniciais para pagamento da mão de

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obra e despesas administrativas, registro e regularização do negócio, divulgação, marketing e outros gastos); número de empregados e grau de risco. No item “investimento inicial”, destacamos que os valores não incluem despesas de aluguel, compra ou edificação do ponto comercial e aquisição de veículos. O interessado deve saber que a abertura de uma firma demanda tempo e dinheiro com o processo de registro e regularização. Como ficou claro na edição anterior, frisamos que os valores indicados são estimativos e não devem ser considerados como regra geral a ser aplicada incondicionalmente, uma vez que os dados podem variar em função de diversos fatores: região onde a empresa será localizada; nível de simplicidade ou sofisticação que o empreendedor deseja imprimir ao negócio; quanRevista BRasileiRa de administRação - maio/Junho de 2011


a des de negócios

tidade de produtos fabricados, mercadorias comercializadas ou serviços prestados; situação do mercado local.

Personalização de brindes

A demanda por brindes aumenta na medida em que cresce, no empresariado brasileiro, a consciência de que divulgar e fixar sua marca junto ao consumiRevista BRasileiRa de administRação - maio/Junho de 2011

dor é uma questão de sobrevivência dentro de um mercado cada vez mais competitivo. É dentro desta necessidade de marcar presença de um produto ou uma marca no dia a dia do consumidor é que os brindes vêm evoluindo e se firmando como peças de marketing, cada dia mais utilizados. O principal reflexo desta evolução é o fato de os brindes estarem perdendo seu caráter sazonal. Canetas, agendas, cadernos para anotações ou chaveiros com a marca e uma mensagem da empresa já não são distribuídos exclusivamente no Natal. A aquisição dessas e de outras peças já está prevista no orçamento de divulgação das empresas e elas são obrigatórias na programação de eventos, campanhas e lançamentos. A produção de brindes deve obedecer a técnicas especiais que lhe garantam eficiência e guardar alguma vinculação ou promover algum tipo de associação com o produto ou serviço que divulgam. Lojas de automóveis, 17


Fair Trade

Comércio Justo: mais do que uma boa ideia Preços justos, padrões sociais e ambientais equilibrados, diálogo, transparência e respeito movem este comércio na busca por maior equidade no mercado internacional Por João Humberto de Azevedo

Foto: Arquivo Ponto Solidário

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air Trade é o termo inglês para Comércio Justo, atualmente um dos pilares da sustentabilidade econômica de muitos países em desenvolvimento. “Trata-se de um movimento social e de uma modalidade de comércio que busca, nas cadeias produtivas, o estabelecimento de preços justos, de padrões sociais e ambientais equilibrados”, define Maria Paula Fisch, diretora da Ponto Solidário – uma associação sem fins lucrativos, fundada em 2002, que trabalha com os conceitos de comércio justo, economia solidária e sustentabilidade. Na definição da International Federation of Alternative Trade (Ifat), Comércio Justo significa: “Uma parceria comercial, baseada em diálogo, transparência e respeito, que busca maior equidade no comércio internacional. É uma forma de contribuir para o desenvolvimento sustentável, por meio de melhores condições de troca e garantia dos direitos para produtores e trabalhadores à margem do mercado”. A Ponto Solidário é um local para divulgação e venda da produção artística e artesanal de diversas ONGs brasileiras, cooperativas, comunidades regionais, povos indígenas, artistas e outras instituições afins. “O projeto Ponto Solidário nasceu de uma parceria com o Instituto de Idiomas Yázigi, no espaço cultural do Instituto de grande visibilidade, porém sem tradição comercial, mas com disponibilidade para a avaliação da sustentabilidade da proposta sem custos fixos para a asRevista Brasileira de Administração - Maio/Junho de 2011


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sociação”, explica Maria Paula. Em sua avaliação, ela ressalta que a Ponto Solidário foi inovadora na forma de gerar o negócio com simplicidade, baixo investimento, comprometimento pessoal e relação rigorosa de transparência com clientes e fornecedores: “A associação também realiza vendas pela internet, pelo site de sua loja virtual. Atende a grupos e artesãos de todas as regiões do país, com uma diversidade de produtos e itens que dificilmente se encontram em outras lojas do ramo”, acrescenta a diretora. A ideia de comércio justo teve origem na Europa e nos Estados Unidos, na década de 60, quando os consumidores mais conscientes, motivados pelo clima de mudanças sociais e políticas daquele período, começaram a exigir produtos que não fossem fabricados com exploração de mão de obra nos países mais pobres e que tivessem um preço justo. Em 1967, o movimento ganhou corpo com a criação, na Holanda, da importadora Fair Trade Organisatie (FLO). Em 1973, a empresa holandesa importou pela primeira vez o café justo, produzido por cooperativas de pequenos produtores da Guatemala. Este produto tornou-se o ícone do movimento, abrindo o mercado para outros produtos alimentares como chá, cacau, açúcar, guaraná, arroz, feijão, compotas, mel e vinho. Este movimento foi disseminado por vários países, principalmente os europeus, cada um com suas particularidades e sob diferentes denominações: Fair Trade (em países de língua inglesa); commerce equitable (em países de língua francesa), comercio justo (em países de língua espanhola), e commercio equo e solidale (Itália). No Brasil a Coocaram – uma cooperativa de produção de café, localizada na região central de Rondônia, na Amazônia Ocidental – desenvolve e apoia os processos de produção do café agroecológico, como também, as formas de comercialização baseadas nos princípios do comércio justo. Em 1992, a cooperativa foi certificada com o Fair Trade para café robusta conillon. No ano seguinte foi feita a primeira exportação de café verde para a Holanda por meio da Fundação Max Havelaar (Veja box). Em 2010 o potencial produtivo de café verde conillon, tipo 6, Fair Trade, foi estimado em 20 mil sacas. Revista Brasileira de Administração - Maio/Junho de 2011

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O café tornouse o ícone do comércio justo, abrindo o mercado para outros produtos alimentares

Como funciona

Produtores, importadores, as world shops — lojas em vários países, especializadas em produtos de comércio justo onde mais de 50% de sua receita provêm da venda de artesanato — e os licenciados são os principais atores do mercado justo internacional. Os importadores cuidam da operacionalização da importação e da distribuição dos produtos para as world shops, mas, muitas vezes, mantêm lojas próprias ou sites de comercialização pela internet e ajudam ativamente a promover todo o movimento. Os licenciados são empresas que têm o direito de usar o selo de Fair Trade em seus produtos, mediante o pagamento de licenças concedidas pelas iniciativas nacionais ou pela FLO. Tanto podem ser especializadas em comércio justo, como podem ser de mercado tradicional, com marcas comerciais no mercado, mas que incorporaram itens como o selo Fair Trade em suas linhas. O movimento foi Paula Fisch afirma que disseminado por ao adquirir um produto de todo o planeta, seus associados, considera de suma importância os criprincipalmente térios de identidade cultuem países ral; qualidade de materiais europeus e dos serviços; inovação e originalidade; matéria-prima obtida através de práticas ambientais sustentáveis; 23


Fair Trade valorização da pessoa pelo trabalho; e capacidade de produção da comunidade. “Todo o nosso trabalho está de acordo com os princípios baseados no movimento”, pondera. Além disso, o movimento de Comércio Justo, em particular a Ponto Solidário, tem a preocupação e o respeito pelas pessoas e pelo ambiente; promove a criação de meios e oportunidades para os produtores melhorarem as suas condições de vida e de trabalho, incluindo o pagamento de um preço justo que cubra os custos de um rendimento aceitável da proteção ambiental e da segurança econômica; proporciona abertura e transparência quanto à estrutura da organização, em todos os aspectos da sua atividade, e informação mútua entre todos os intervenientes na cadeia comercial, sobre os seus produtos e métodos de comercialização.

Max Havelaar Foundation

A Fundação Max Havelaar foi criada na Holanda, em 1986, a pedido de pequenos produtores de café mexicanos que preferiam o sistema de cooperação em nível de mercado, contrapondo-se à ajuda direta com ações sociais. Dois anos mais tarde, em novembro de 1988, surgiu o primeiro pacote de café Max Havelaar. Desde o começo seu sucesso foi enorme e hoje este café cobre 3% de todo o mercado. Max Havelaar não é uma marca, mas um Selo de Qualidade para o Comércio Justo. A Fundação relaciona-se com produtores, empresas licenciadas para o uso do selo (manufaturadoras e importadoras) e com os consumidores, sem envolver-se com a compra e venda de produtos. Desta maneira atua independentemente, podendo defender melhor os interesses dos pequenos produtores. As principais tarefas da Fundação: selecionar e inscrever pequenos produtores e cooperativas de produtores em seu registro (com base em critérios pré-estabelecidos); assegurar que as condições de comércio estabelecidas em contrato sejam cumpridas; divulgar os produtos fabricados. Além do café, também são comercializados chocolate, banana, mel, chá e suco de laranja. Existem hoje “filiais” em 17 países, em sua maioria, europeus. Fonte: www.maxhavelaar.nl

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Agora é oficial

Em novembro do ano passado, durante a reunião plenária do Conselho Nacional de Economia Solidária (CNES) – órgão consultivo e propositivo do Ministério do Trabalho e Emprego – foi assinado um decreto criando o Sistema Nacional de Comércio Justo e Solidário (SCJS). Entre os princípios e características do SCJS, destacam-se: a promoção de condições dignas de trabalho e remuneração às atividades de produção, agregação de valor e comercialização, incluindo a prática do preço justo para quem produz e consome os produtos e serviços do SCJS e a sustentabilidade sócioambiental das redes de produção e comercialização; o respeito e a preservação do meio-ambiente; e a valorização, nas relações comerciais, da diversidade étnica e cultural e do conhecimento das comunidades tradicionais. Relacionado a estes conceitos está o de consumo responsável ou consumo consciente, ou seja, a capacidade de cada pessoa ou organização, pública ou privada, escolher e produzir serviços e produtos que efetivamente contribuam, de forma ética, para a melhoria de vida de cada um, da sociedade e do meio ambiente. O SCJS pretende ser um sistema de ordenamento dos parâmetros que delimitam as relações comerciais, as normas e os participantes do comércio justo e solidário no Brasil, garantindo uma identidade nacional ao conceito de SCJS e permitindo identificar e difundir quais produtos e processos respeitam as normas estabelecidas pelo Sistema. Consciente de que a economia solidária é uma alternativa para a geração de emprego e renda, além de importante saída para incentivar o país a adotar hábitos sustentáveis de comércio que sejam justos e solidários, o SCJS deve elaborar um conjunto de normas que garantam uma identidade nacional ao conceito de comércio justo e solidário; estruturar um sistema de monitoramento que permita identificar e difundir quais produtos e processos respeitam as normas que regulam o SCJS, além de um sistema de controle, que garanta a relação de confiança e o aprimoramento deste sistema; definir uma marca ou selo que aproxime produtores e consumidores em torno da proposta; e fomentar as atividades de assistência técnica, formação, informação e financiamento à organização da produção. Revista Brasileira de Administração - Maio/Junho de 2011


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capa

inovação

Inovar ou morrer... Num mundo caracterizado pela rapidez das mudanças, a dura realidade é que ficar parado não é mais uma opção

A

famosa frase Ser ou não ser, eis a questão – no original em inglês: To be or not to be, that´s the question – do clássico “Hamlet”, de Willian Shakespeare, serviu de inspiração para o título desta matéria. Há muitos paralelos entre os desafios enfrentados pelo príncipe da Dinamarca e a vida corporativa: “Um empreendedor, para sobreviver em longo prazo, precisará inovar constantemente, até porque o sucesso de hoje já não garante o sucesso de amanhã”. Quem alerta é o consultor português Bruno Silva, especializado em inovação, licenciado em gestão pela Universidade de Minho (Portugal), pós-graduado em Gestão da Inovação pela Universidade de Aveiros. “Compare as marcas que estavam sobre sua mesa de trabalho há alguns anos, ou nas prateleiras dos supermercados. Quantas desapareceram sem deixar saudades? Num mundo caracterizado pela rapidez das mudanças, a dura realidade é que, ao final de cada dia, adquirimos novas formas de ignorância e as organizações novas formas de incompetência. Ficar parado não é mais uma opção”. Este alerta de Jairo Siqueira, autor do livro “Liderança, Qualidade e Competitividade” (Editora Qualitymark), define bem o quadro atual quando se fala em inovação. O significado desta palavra é bastante amplo. “Para ilustrar a quantidade de definições da palavra inovação, realizei uma pesquisa rápida no Google e obtive aproximadamente 73.300.000 resultados com a palavra-chave: define innovation”, observa Irani Cavagnoli,

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que atua na área há mais de quatro décadas e é graduado em Administração pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). E acrescenta: “O que importa é como cada organização define o conceito e o tipo de inovação para os seus negócios”. Cita o Manual de Oslo, elaborado pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), como referência: “A terceira edição do manual define inovação como a implementação de um produto, bem ou serviço novo ou significativamente melhorado. Pode ser ainda um processo, um novo método de marketing, um novo método organizacional nas práticas de negócios, na organização do local de trabalho ou nas relações externas. Do ponto de vista empresarial, inovação é a exploração de novas ideias para melhorar os negócios, criando vantagens competitivas e gerando crescimento sustentável da empresa no mercado”. Para Cavagnoli, crescimento sustentável significa crescimento contínuo da empresa, sem prejudicar seus aspectos financeiros e econômicos. “Implica na adoção de uma estratégia de longo prazo (visão estratégica), compatibilizando os interesses de todas as partes (clientes, proprietários, fornecedores etc.), com foco na sustentabilidade econômica, social, ambiental e cultural”.

Foto: Dreamstime

Por João Humberto de Azevedo e Tânia Mendes

Revista BRasileiRa de administRação - maio/Junho de 2011


. eis a questão Tipos de inovação O Adm. Irani Cavagnoli explica que, os quatro tipos de inovação descritos no Manual de Oslo tornam-se complementares, e suas fronteiras menos rígidas. Em resumo esses tipos são: 1. Inovação em produto: É a implantação/comercialização de um produto/serviço com características de desempenho aprimoradas, de modo a fornecer objetivamente ao consumidor serviços novos ou aprimorados. 2. Inovação em processo: É o desenvolvimento de novos métodos de produção, comercialização ou distribuição. 3. Inovação em marketing: É o desenvolvimento de novo método de marketing com mudanças significativas na concepção do produto/serviço ou em sua embalagem, no seu posicionamento, em sua promoção ou na fixação de preços. 4. Inovação organizacional: É o desenvolvimento de novo método organizacional ou de gestão nas práticas de negócio da empresa, na organização do trabalho ou em suas relações externas.

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sUcesso eMpResaRiaL

Credibilidade e comprometimento

Por Antonio Marcello

Eles marcaram história como líderes de uma das mais bem-sucedidas experiências em projetos relacionados à Tecnologia da Informação (TI) no Brasil

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á uma característica comum entre todos os que sonham abrir um negócio próprio: imaginam como e por que as pessoas de sucesso chegaram lá. Parte dos que ainda não arriscaram acredita que a primeira condição seria ter um capital polpudo, sem o qual nada daria certo. É claro que sem dinheiro não dá para concretizar sonhos. Mas, certas características pessoais são muito mais fundamentais do que apenas ter condições financeiras. O empreendedor é, sobretudo, aquele indivíduo capaz de realizar coisas novas. Contudo, mais do que ser capaz de desenvolver novos projetos, o empreendedor é aquele que assume a responsabilidade de conduzir um negócio próprio de tal forma que esse empreendimento funcione e alcance sucesso. Esta definição coincide perfeitamente com o perfil dos empresários Magnum Foletto e Gustavo Stok – o primeiro diretor executivo, e o segundo, diretor de rela-

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ções estratégicas da Omega Tecnologia. Além da capacidade empreendedora, sobressai o aguçado tino administrativo, solidificado com a aplicação da teoria com contínua e arrojada prática. Não por acaso eles marcaram história, não só como líderes de uma das mais bem-sucedidas experiências em projetos relacionados à Tecnologia da Informação (TI). A Omega Tecnologia Ltda. – que atualmente tem sua central de operações na cidade gaúcha de Santa Maria – iniciou suas operações em 2003, sob a direção de Magnum Foletto, voltada para treinamento e certificações oficiais em TI e, também, como única parceira oficial da Microsoft e de treinamentos de infraestrutura de redes e servidores Linux. Em 2004 a Omega já possuía vários contratos de suporte em Infraestrutura de TI, Segurança e Servidores para o mercado empresarial. Um Revista BRasileiRa de administRação - maio/Junho de 2011


ano depois, atingiria a marca de 1,5 mil treinamentos especializados em TI. Em 1997, Gustavo Stok iniciava as operações da GPSNet como provedor de acesso à internet na modalidade discada (dial-up), em São Borja (RS). Um ano depois, a empresa lançou a divisão de treinamentos GPSNet Escola Aberta, oferecendo treinamentos profissionalizantes de Informática para usuários das cidades gaúchas de São Borja e Itaqui. Em 2000 a divisão de treinamentos GPSNet apresentou seu primeiro curso a distância do Brasil de Tecnólogo em Informática. E um ano depois a empresa somava mais de dois mil acessos discados ativos em municípios da fronteira oeste do Rio Grande do Sul. Também iniciavam, naquele ano, as primeiras operações de internet via rádio na modalidade banda larga voltada para o mercado empresarial. A fusão das duas empresas – Omega Tecnologia e GPSNet – se deu em maio de 2006, unificando as operações e reformulando o foco dos produtos e serviços ofertados, agora sob a égide da Omega Tecnologia. A partir daí, o empreendimento ganha novo fôlego e começa a conquistar vários contratos de suporte em infraestrutura de TI, segurança e servidores para o mercado empresarial, como também expandir suas operações para diversas cidades da Serra Gaúcha. Novos serviços se incorporaram ao portfólio da empresa: oferta de sites, portais e aplicações para web. “Oferecer ao mercado serviços diferenciados em infraestrutura e gerenciamento de TI, cumprindo prazos, apresentando qualidade e, principalmente, atendendo à expectativa do cliente são as principais metas da Omega Tecnologia”, explica Magnum Foletto. O diretor de relações estratégicas, Gustavo Stok, acrescenta a esta lista mais dois diferenciais de competitividade da empresa: credibilidade e comprometimento. Desde o início da fase de fusão das duas empresas eles decidiram consolidar a imagem de um empreendimento jovem, com estilo gerencial moderno, dinâmico e ágil. “Fazemos questão de sermos reconhecidos no mercado como uma empresa que prima pela qualidade, eficácia, respeito aos funcionários, clientes, fornecedores e concorrentes”, complementam os jovens empresários. Em cinco anos a Omega Tecnologia apresenta números reveladores: atualmente são cerca de 50 Revista Brasileira de Administração - Maio/Junho de 2011

colaboradores diretos e a empresa está presente em diversos municípios do Rio Grande do Sul, além de mais dez estados brasileiros. Ao todo, o grupo registra mais de mil contratos e uma carteira com cerca de 500 clientes. Com essa trajetória a Omega ganhou, em 2010, o Prêmio MPE Brasil – iniciativa do Sebrae, Gerdau, Fundação Nacional da Qualidade (FNQ) e Movimento Brasil Competitivo (MBC) – como a melhor empresa de Serviços de Tecnologia da Informação (TI). “Quando resolvemos participar da competição, nossa proposta era fazer uma avaliação da empresa para que pudéssemos nos aprimorar cada vez mais. Mesmo assim o prêmio foi uma surpresa”, conta Foletto. E ele comemora: “Ficamos muito orgulhosos ao saber que a Omega se encontra num patamar superior. Agora sabemos que estamos trilhando o caminho certo, apesar de reconhecer que temos muito a melhorar”. A Omega participou também do Programa Gaúcho de Qualidade e Produtividade (PGQP), que avalia e fornece feedback de desempenho para organizações no Rio Grande do Sul; em 2010 recebeu o reconhecimento com a Medalha Bronze, além de outros reconhecimentos de parceiros estratégicos como a Microsoft, Novell e entidades de classe da região. Magnum Foletto, que é certificado como especialista em várias plataformas e possui sólidos conhecimentos em soluções baseadas em software livre, arquitetura e design de softwares e redes, acredita que os avanços da Omega no mercado se deram pelo modelo de gestão, que conta com sistemas organizacionais estruturados, programas de desenvolvimento de recursos humanos adequados e estratégias de resultados eficientes. Por outro lado, Ficamos muito Stock observa que a boa performance da Omega Tecorgulhosos nologia, pode também ser ao saber que creditada a um consistente a Omega modelo de administração, baseado nas suas lideranças se encontra e em tecnologia. “Os líderes num patamar são os principais agentes na aplicação das tecnologias, superior melhores práticas, gestão de processos e de pessoas. Com isso, conseguimos resultados 47


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notas da Redação

Números

Pensamento

R$ 14,8 bilhões

“A melhor coisa que os brasileiros

Foi o montante das vendas das empresas de comércio eletrônico no Brasil no ano passado. Em relação a 2009, as transações cresceram 40%, segundo pesquisa da e-bit – consultoria de comércio eletrônico. Este resultado foi sustentado, principalmente, pelas vendas de televisores de tela fina e de produtos com maior valor tecnológico agregado como notebooks, desktops. A média do valor gasto por compra foi de R$ 373,00. Os sites de compras coletivas – Groupon, Peixe Urbano e Clube Urbano, por exemplo – também contribuíram para incrementar as vendas em 2010.

poderiam fazer é garantir educação de qualidade. Cotas raciais no Brasil, um país mais miscigenado que os Estados Unidos, são um despropósito. Além disso, forçam uma identificação racial que não faz parte da cultura brasileira.” Walter Williams, professor de economia da Universidade George Manson, Virginia (EUA) Fonte: Revista Veja (9/3/2011)

Fonte: www.inovacaomarketing.com

EUA:lugarbomparaseviveretrabalhar Warren Buffet – o terceiro homem mais rico do mundo, segundo a Revista Forbes – falou para dezenas de milhares de acionistas da Berkshire Hathaway, grupo empresarial controlado pelo empresário, que os Estados Unidos, mesmo que a economia, o déficit ou a divisão política no país possam representar uma situação difícil, ainda são um lugar tão bom quanto sempre foi para se viver e trabalhar. “Não vejo como alguém pode não enxergar este país com entusiasmo”, disse Buffett aos acionistas. Os comentários de Buffett ecoam por

todo o mundo – por isso o apelidado de Oráculo de Omaha, capital do Estado de Nebraska, no meio oeste norte-americano – podem encorajar investidores que possam estar olhando para o país com desconfiança, especialmente depois de a agência Standard & Poor´s ter colocado a classificação de crédito dos EUA sob observação negativa. “Os Estados Unidos não vão deixar de pagar qualquer obrigação. Não temos um risco de crédito, acredite em mim”, enfatizou o empresário em entrevista após a reunião anual de acionistas. Fonte: www.correiodobrasil.com.br

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e-coMeRce

Peixe Urbano: você faz parte deste cardume? A aventura de sucesso de três jovens empreendedores, surpresos com a rapidez na expansão e nos lucros do negócio virtual Por Tânia Mendes Letícia Leite, formada em Comunicação pela University of Pennsylvania, diretora do Peixe Urbano

Foto: Arquivo Peixe Urbano

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que têm em comum Julio Vasconcellos, formado em Finanças e Marketing pela The Warton School of the University of Pensylvania; Emerson Andrade, MBA da Stanford University; e Alex Tabor, formado em Ciências da Computação pela University of Southern Califórnia? Eles são jovens, têm um curriculo invejável e sonhavam em abrir um negócio próprio de sucesso. No ínicio de 2010 eles realizaram seus desejos: são sócios fundadores e Chief Executive Officer (CEO) – em português, diretor executivo ou diretor geral – de um dos mais bem-sucedidos sites de compras coletivas do Brasil: o ‘Peixe Urbano’. O projeto surgiu, quando os três sócios – com ampla experiência no mercado internacional de e-commerce, mídias sociais e marketing – resolveram desenvolver um modelo de negócio que aproveitasse o poder de mobilização da internet. “A ideia foi desenvolver um tipo de negócio eletrônico baseado no modelo ‘ganha-ganha’, colocando em contato os melhores prestadores de serviços de cada cidade brasileira e um grande número de consumidores interessados em conhecer novos estabelecimentos perto de suas casas”, explica Letícia Leite, formada em Comunicação pela University of Pennsylvania, diretora do Peixe Urbano. A história de sucesso do ‘Peixe Urbano’ começou recentemente, em janeiro de 2010, quando o site foi colocado no ar. Em março do mesmo ano, foi lançado no Rio de Janeiro, em abril foi a vez de São Paulo, no mês seguinte Curitiba. Em junho foi lançado em Brasília (DF) e Belo Horizonte (MG). Em dezembro foi anunciada a entrada do novo sócio, empresário e Revista BRasileiRa de administRação - maio/Junho de 2011


Pez Urbano

Na versão Argentina o site entra no ar como “Pez Urbano”. Segundo Letícia a estratégia da empresa é, a partir de Buenos Aires, expandir o serviço para países como Chile, Colômbia e México. A diretora do Peixe Urbano explica que, no início das operações o portal vai operar em Buenos Aires com poucos funcionários, pouco mais de 20. “A internacionalização sempre foi um de nossos objetivos, e a Argentina é um mercado que, além de próximo, é muito parecido culturalmente. Nosso propósito é tentar repetir naquele país o mesmo fenômeno do Brasil, tornando o site conhecido”, explica Letícia. A estratégia comercial é baseada na economia de escala, uma prática tão antiga quanto o próprio comércio e a sua lógica é transparente: obter menor margem de lucro, em cada unidade de produto comercializado, para ganhar mais no total, em razão do maior número de unidades vendidas. “O site funciona da seguinte forma: o Peixe Urbano divulga, diariamente, as ofertas dos melhores produtos, serviços e atividades de cada cidade”, afirma Letícia. Atualmente morando em Miami (EUA), ela coordena a área de comunicação empresarial do site e Revista BRasileiRa de administRação - maio/Junho de 2011

Foto: Arquivo Restaurante Suri Sushi Ba

apresentador de TV, Luciano Huck. Ali o Peixe consolidou-se como líder do mercado de compras coletivas e uma das principais empresas de internet do país. “Começamos com cinco funcionários e seis mil usuários cadastrados. O ritmo de expansão foi aumentando e hoje – pouco mais de um ano depois de sua fundação – estamos com 500 funcionários, mais de oito milhões de usuários cadastrados, estamos presente em 56 cidades brasileiras e em Buenos Aires (Argentina), dando início a abertura de novas fronteiras na América Latina. Nossa expectativa é continuar expandindo, tanto nas cidades atuais como em outras localidades”, conta Letícia.

Bruno Moraes: “Escolhemos o ‘Peixe Urbano’ para anunciar os produtos e serviços de nossa empresa, pela sua credibilidade”

explica: “As ofertas ficam disponíveis para compra por um curto período, de 24 a 72 horas, e contam com descontos de 50% a 90%. Após o término de cada promoção, se o número mínimo de interessados tiver sido alcançado, todas as compras são concluídas e os compradores recebem um cupom por e-mail, geralmente com validade de seis meses, que dá direito ao produto ou serviço comprado”. Neste modelo de parceria, enquanto os consumidores ganham descontos com o incentivo para descobrirem e experimentarem o que suas cidades têm de melhor, os estabelecimentos locais ganham uma ação de marketing extremamente eficiente, cujo principal objetivo é a divulgação da marca, a garantia de uma alta quantidade de novos clientes e a oportunidade de fidelizá-los. “Tudo isso em apenas algumas horas e sem a necessidade de fazer qualquer desembolso para realizar a ação”, enfatiza Letícia. Como toda boa ideia, o O sistema de sistema de compra coletiva compra coletiva é simples, além de benefié simples, além ciar a todos os envolvidos no esquema: o comprador de beneficiar ganha ao adquirir produtos a todos os que deseja, com descontos envolvidos substanciais; o comerciante ganha porque alcança rapidamente um grande volume de clientes, muitos dos quais 55


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