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R E V I S TA B R A S I L E I R A D E A D M I N I S T R A Ç Ã O

Ano XXIV • Nº 106 • Maio /Junho de 2015

Entrevista

Adm. Antonio Alves já catou laranjas e café. Hoje é executivo de marketing

Opinião

Feedback: uma arte que poucos dominam

GESTÃO PÚBLICA CLAMA POR PROFISSIONALIZAÇÃO Evolução passa pela contratação de Administradores profissionais

COMPLIANCE: NÃO HÁ MAIS COMO ABRIR MÃO Empresas dependem de controle para seguir regras e procedimentos

EMPREENDEDORISMO seja o dono

R$ 9,90

01 90 O

Mulheres e o dilema de investir na profissão ou priorizar aspirações pessoais. E mais: ganha corpo o estudo do design thinking para aplicação em empresas

IS

9 771517 200009

00106

Largar tudo em nome do sonho de investir em causa própria é possível. Mas é indispensável juntar inspiração e transpiração para que dê tudo certo


EDITORIAL

Empreender como meta

C

sonhos

Pauta frequente de veículos de comunicação, os problemas

faz parte da vida.

causados por equívocos dos gestores públicos brasileiros refle-

olecionar

E sonhar é bom e

tem-se em prejuízos financeiros, estruturais e sociais. Fato

não custa nada. Imaginar

é que não há como suportar mais os desvios que penalizam o

novas realidades para a vida

desenvolvimento do país e uma das soluções viáveis é a profis-

pessoal e profissional ajuda

sionalização. Os Administradores podem ajudar, e muito,

a relaxar, a tirar o peso das

nessa missão e contam com o total apoio do Conselho Federal

frustrações e a traçar novos

de Administração (CFA).

planos. Muitas vezes, a realidade parte de um sonho e ADM. SEBASTIÃO LUIZ DE MELLO

se torna possível quando a transpiração e a inspiração

trabalham juntas. Não vale a pena se manter descontente, pois as possibilidades de mudança são gigantes e podem encontrar no empreendedorismo um campo fértil. Então, além de sonhar, planejar, "suar a camisa" e investir em ideias, também colaboram com a receita de empreender: a iniciativa, a busca por informações adequadas ao modelo de negócio que se deseja seguir, medir corretamente os

encontrar bons argumentos para enfrentar questões do cotidiano profissional! Pois essa é a função do líder dentro do ambiente empresarial. Como diz o professor Dante Quadros, ouvido pela reportagem da RBA, “a liderança eficaz passa pelo menos por três componentes: uma grande capacidade de diagnosticar a situação, um repertório de habilidades que possa dar respostas e atender adequadamente àquela situação e valores fundamentais que sustentem as decisões (ética e conduta moral)."

riscos, a organização e o dom.

O mercado sentia falta e as instituições de ensino superior

A matéria de capa desta edição da Revista Brasileira

cursos de tecnologia do Brasil foram implantados no início da

de Administração (RBA) traz exemplos de empreendedores e algumas dicas para os Administradores que colocaram no seu planejamento de vida a abertura de negócio próprio. Vale lembrar que os profissionais da área levam a vantagem de possuir conhecimentos especiais, que já foram adquiridos na graduação, que favorecem o sucesso. Não se pode negar que as habilidades de lidar com recursos humanos, matemática contábil, logística, marke-

responderam à necessidade de formar técnicos. Os primeiros década de 60 e ainda hoje se mostram em constante crescimento no país. Dentro da Administração, as áreas de Recursos Humanos, Logística, Marketing, Gestão de Políticas Públicas e Gestão da Qualidade oferecem formação especializada e há vagas de emprego. Além dos assuntos já mencionados, a RBA entrevistou o Adm. Antonio Alves,que começou suas atividades profissionais

ting e gestão contam pontos a favor dos Administradores.

catando laranjas e café e hoje é executivo da área de marketing.

Entre outros temas selecionados, a equipe da RBA

Grosso do Sul, e prega que os Administradores devem estar

preparou matéria robusta sobre compliance, tema presente da Administração. Os especialistas ouvidos explicaram que, caso os colaboradores das empresas cumprissem de modo fiel suas políticas de funcionamento, os profissionais de compliance não teriam razão de existir. Porém, a prática mostra que a figura daquele que controla o cumprimento das regras internas e externas pelas organizações,

4

E como é positivo ter boa referência, ter a quem mirar e onde

Alves trabalha na TV Morena, afiliada da Rede Globo em Mato dispostos a escutar, aprender e mediar a relação entre todos os atores da empresa e mercado. Para ele, dessa forma, os desafios viram oportunidades de sucesso. Descubra as próximas páginas, pois existem mais pautas interessantes. A RBA é pensada para atender ao Administrador e ao tecnólogo em Administração e segue em constante

seus funcionários e terceiros que com ela interagemse

aperfeiçoamento.

tornou indispensável.

Boa leitura!

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO


Profissional e Estudante de Administração

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SUMÁRIO ANO XXV • Nº 106 • MAIO/JUNHO DE 2015

ENTREVISTA

10

Antonio Alves, Administrador e exemplo de determinação Com experiência em diversas áreas, o Adm. Antonio Alves iniciou a sua vida profissional muito cedo, como office-boy, enquanto também trabalhava na lavoura. Hoje atua na área de marketing de um grande

CARREIRA

16

Aumenta busca por graduação tecnológica no Brasil Atrativo para quem já está inserido no mercado e aos que pretendem ingressar numa carreira promissora de forma rápida e objetiva, os cursos superiores de tecnologia estão em

BEM-ESTAR

29

Atenção: você sabe qual cosmético é bom para sua pele? Há um setor que só cresce no Brasil. Atualmente, os brasileiros estão em terceiro lugar entre os que mais consomem

de

higiene

do mundo. Mas será que, em meio a

grupo de comunicação, a TV Morena,

constante crescimento. No campo

afiliada da Rede Globo em Mato

da Administração, há excelentes

escolha do produto certo para cada

Grosso do Sul.

opções.

tipo de pele?

tanto consumo, está prevalecendo a

LEITOR | 8

ARTIGOS

CONSELHO | 42

14

ADM. LEANDRO VIEIRA

Quão feliz você se sente fazendo o que faz?

20

EDUARDO PEDREIRA

CONEXÃO | 59

Feedback: uma arte que poucos dominam

6

produtos

pessoal, perfumaria e cosméticos

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO


REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO

CAPA

22

Empreender exige doses de transpiração e inspiração A

importância

da

formação

educacional

é

indiscutível. Conhecer a teoria faz toda a diferença. Porém, nada substitui a prática quando o assunto é empreendedorismo. Então, para quem sonha em ser dono de empresa e dispensar o patrão, o caminho é se lançar no mercado e tirar as ideias do papel. Sabendo que, nessa hora, toda ajuda de especialistas é bem-vinda, a Revista Brasileira de Administração (RBA) traz para os futuros (ou já) empreendedores dicas e experiências de quem resolveu mudar de vida. Inspire-se!

30

48

52

Enquanto empresas se esforçam para

Diante das renovadas estruturas e

A princípio, cumprir regras internas

buscar líderes mulheres, elas não

mentalidade aplicadas hoje em dia

e externas parece ser parte inerente

optam por investir na carreira ou na

nas organizações, qual é o papel do

a qualquer trabalho que se pretende

vida pessoal. Outra reportagem trata

líder? O primeiro passo é que ele

realizar. Porém, empresas já não vivem

do avanço do estudo do design thinking

esteja sintonizado com a filosofia da

sem seus departamentos de compliance

entre os gestores brasileiros.

empresa e seja um facilitador.

para cobrar o que é elementar.

HSM: DILEMA FEMININO DESAFIA EMPRESAS

LÍDERES COM A MISSÃO DE MELHORAR PESSOAS

COMPLIANCE PARA PREVENIR, DIAGNOSTICAR E REMEDIAR

60

PROFISSIONALIZAÇÃO COMO O MELHOR CAMINHO O avanço da qualidade da gestão pública brasileira passa, necessariamente, pela profissionalização. A sociedade só será melhor atendida a partir do momento em que profissionais bem talhados assumam cargos estratégicos.

MAIO/JUNHO – 2015 | Nº 106

7


LEITOR

As mensagens para a RBA podem ser enviadas para SAUS, Quadra 1, Bloco L, Edifício Conselho Federal de Administração, Brasília/DF, CEP 70070-932, e-mail: rba@cfa.org.br ou fanpage: facebook.com/cfaadm

Quero confirmar a entrega da edição nº 104, ocorrida no dia 16/04. Agradeço por todo o empenho de atender meu caso! ADM. RUI FETT DA CONCEIÇÃO Recebi a Revista RBA número 104, e parabéns pelas excelentes matérias. ADM. LUIZ C. CHESINI Recebi hoje a RBA de novembro/dezembro de 2014 e janeiro/fevereiro 2015, conforme havia solicitado. Desde já agradeço pela atenção. GLAUCO PUTINI Gostaria de agradecer pelo envio da edição 103 da RBA, que estampa temas atuais e de grande relevância para nossas áreas. A revista está cada vez mais interessante, principalmente no que diz respeito aos temas em evidência do nosso cotidiano, e-commerce e gestão ambiental, assuntos estes que devem ser tratados por nós, Administradores, com o máximo de atenção, tendo em vista a crise de água e os consumidores que migram para a internet. ADM. ALEX FIORIN BISSA Todo ano eu pago meu CRA no mês de janeiro, e um dos motivos é para receber a revista RBA, que eu acho muito válida. Atenciosamente, conto com a colaboração de vocês. WILHELMINA CRISTINA KOK

8

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO

Recebi ontem o exemplar nº 104. Agradeço pela atenção e gostaria de parabenizar a equipe da RBA pelos conteúdos, que são interessantes e muito importantes para os profissionais e estudantes de Administração. ADM. VALDEMIR COUTO DOS SANTOS Gostaria de agradecer à revista RBA, exemplar 104, pois tive a oportunidade de ler a entrevista do Administrador Idalberto Chiavenato, cujos livros, há 31 anos, foram de grande valia para minha formação acadêmica, em Belém, Pará. Obrigada! ADM. DENISE FARIAS


Leitor da RBA, mantenha sempre o seu endereço atualizado. Se houver qualquer alteração, encaminhe-a para rba@cfa.org.br ou pelo telefone: (61) 3218-1818.

Me antecipo agradecendo o bom atendimento todas as vezes em que entrei em contato por e-mail e por telefone, em que sempre solucionaram minhas dúvidas e sanaram os eventuais problemas com as entregas das revistas. É sabido que tenho apreço por um bom atendimento e que reconheço que sempre me atenderam muito bem. Irei renovar minha assinatura. No mais, o e-mail é necessário para que eu possa deixar documentada a minha satisfação com o atendimento e com a revista no geral. JANAINA DANESE Parabenizo a todos que fazem a RBA, sempre trazendo grande contribuição para o crescimento profissional com informações sempre relevantes para minha carreira profissional. ADM. LEILSON WOELBERT

EXPEDIENTE

EDITOR | Conselho Federal de Administração CONSELHEIROS FEDERAIS DO CFA 2015/2016 Adm. Marcos Clay Lucio da Silva (AC) • Adm. Armando Lôbo Pereira Gomes (AL) • Adm. José Celeste Pinheiro (AP) • Adm. José Carlos de Sá Colares (AM) • Adm. Tânia Maria da Cunha Dias (BA) • Adm. Ilaílson Silveira de Araújo (CE) • Adm. Carlos Alberto Ferreira Junior (DF) • Adm. Marly de Lurdes Uliana (ES) • Adm. Dionizio Rodrigues Neves (GO) • Adm. José Samuel de Miranda Melo Júnior (MA) • Adm. Alaércio Soares Martins (MT) • Adm. Sebastião Luiz de Mello (MS) • Adm. Sônia Ferreira Ferraz (MG) • Adm. Aldemira Assis Drago (PA) • Adm. Marcos Kalebbe Saraiva Maia Costa (PB) • Adm. Sergio Pereira Lobo (PR) • Adm. Joel Cavalcanti Costa (PE) • Adm. Carlos Henrique Mendes da Rocha (PI) • Adm. Jorge Humberto Moreira Sampaio (RJ) • Adm. Ione Macêdo de Medeiros Salem (RN) • Adm. Ruy Pedro Baratz Ribeiro (RS) • Adm. Paulo César de Pereira Durand (RO) • Adm. Antonio José Leite de Albuquerque (RR) • Adm. José Sebastião Nunes (SC) • Adm. Mauro Kreuz (SP) • Adm. Diego Cabral Ferreira da Costa (SE) • Adm. Rogerio Ramos de Souza (TO) DIRETORIA EXECUTIVA DO CFA 2015/2016 Presidente: Adm. Sebastião Luiz de Mello • Vice-Presidente: Adm. Sergio Pereira Lobo • Diretor Administrativo e Financeiro: Adm. Armando Lôbo Pereira Gomes • Diretor de Fiscalização e Registro: Adm. Jorge Humberto M. Sampaio • Diretor de Formação Profissional: Adm. Mauro Kreuz • Diretor de Desenvolvimento Institucional: Adm. Carlos Alberto Ferreira Junior •Diretor de Relações Internacionais e Eventos: Adm. Marcos Clay Lucio da Silva • Diretora de Gestão Pública: Adm. Ione Macedo de Medeiros Salem • Diretor de Estudos e Projetos Estratégicos: Adm. Alaércio Soares Martins CONSELHO EDITORIAL Prof. Adm. Idalberto Chiavenato • Prof. Carlos Osmar Bertero • Prof. Milton Mira de Assumpção Filho CONSELHO DE PUBLICAÇÕES Adm. Mauro Kreuz • Adm. Rogério Ramos de Souza • Adm. Sergio Pereira Lobo • Adm. Tânia Maria da Cunha Dias COORDENAÇÃO DOS CONSELHOS Adm. Carlos Alberto Ferreira Júnior

Gostaria de parabenizá-los pelos temas abordados na edição 104. Nós também, Administradores, se não nos inovarmos iremos ficar obsoletos no mercado de trabalho. ADM. CLERISTON CALIMAN FALQUETO

PRODUÇÃO Coordenação Editorial: Straub Design • Diretor Executivo: Adm. Wilgor Caravanti • Editor–Chefe: Francisco José Z. Assis • Diretor de Criação: Ericson Straub • Direção de Arte: Amanda Camargo • Redação: Ana Graciele Gonçalves, Cinthia Zanotto, Mara Andrich, Nájia Furlan e Wellington Penalva • Revisão: Mônica Ludvich • Diagramação: Amanda Camargo, Lorena Beatriz, Rafaela Lech e Thaís Pacheco • Impressão: Ediouro Gráfica e Editora Ltda • Tiragem: 120 mil exemplares REPRESENTAÇÃO COMERCIAL Conecta Marketing Direto (Wladimir Reis) Tel.: (11) 98969-6075 E-mail: publicidade@cfa.org.br ASSINATURAS E-mail: rba@cfa.org.br | Portal: www.revistarba.com.br Telefone: (61) 3218-1818 A RBA é uma publicação bimestral do Conselho Federal de Administração sob a responsabilidade da Câmara de Desenvolvimento Institucional e da coordenadora técnica RP Renata Costa Ferreira. As matérias não refletem necessariamente a opinião do CFA.

A RBA é certificada pelo Instituto Verificador de Circulação (IVC) como de circulação controlada de conteúdo dirigido.

MAIO/JUNHO – 2015 | Nº 106

9


ENTREVISTA POR_MARA ANDRICH

Uma longa

EXPERIÊNCIA O ADM. ANTONIO ALVES COMEÇOU A CARREIRA CATANDO LARANJAS E CAFÉ. HOJE, É UM EXECUTIVO DA ÁREA DE MARKETING E GARANTE: APRENDEU MUITO COM TUDO ISSO

A

ntonio Alves é um exem-

com o planejamento mercadológico e

ANTONIO ALVES (AA): Comecei a

plo de determinação. Com

financeiro dos projetos.”

trabalhar cedo, em diversas ocupações,

experiência profissional

em diversas áreas, o Administrador iniciou sua carreira muito cedo, trabalhou como office-boy, na lavoura e hoje atua na área de marketing em um grande grupo de Comunicação, a TV Morena, afiliada da Rede Globo em Mato Grosso do Sul. Passou pela área de coaching e talvez isso tenha lhe auxiliado a entender o quanto é impor-

bom Administrador, é preciso ser ético, flexível e ter foco nos clientes e nas relações. “Encarar os desafios como meio de desenvolvimento é necessário, já que esse é um processo de crescimento e transformação constan-

de boia-fria catando laranja e café nas lavouras do interior de São Paulo; de auxiliar de pintor e de garçom. Mas foi vendendo picolés nas ruas de Mogi Guaçu, uma pequena cidade no interior do Estado de São Paulo, que vivenciei as primeiras experiências sobre os

te”, afirma.

fundamentos de marketing, logística e

REVISTA BRASILEIRA

porque tinha que comunicar, promo-

administração financeira. Marketing

tante ouvir. “Como Administradores,

DE ADMINISTRAÇÃO (RBA):

devemos estar dispostos a escutar,

O senhor iniciou sua carreira

financeiro porque tinha de estudar

como office-boy e, na mesma em-

qual rota visitar, a fim de evitar alguns

presa, chegou ao cargo de coorde-

prejuízos, tais como ser assaltado.

aprender e mediar sempre com todos os atores da empresa e do mercado, pois dessa forma os desafios viram

10

Ele acredita que, para ser um

ver e vender. Logística e planejamento

nação geral. Antes, ainda traba-

Acredito que essas experiências ante-

oportunidades de sucesso. E, como

lhou como boia-fria. Como foi seu

riores foram fundamentais para emba-

Administradores na área de marke-

início de carreira? Quais os desa-

sar meu planejamento de vida e de atu-

ting, acredito que levamos uma van-

fios que enfrentou para “subir” de

ação profissional, e encarar os desafios

tagem, que é ter um cuidado maior

cargo no início?

sempre de frente e de forma direta.

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO


Divulgação

Acredito que essas experiências anteriores foram fundamentais para embasar meu planejamento de vida e de atuação profissional, e encarar os desafios sempre de frente e de forma direta”

ANTONIO ALVES MAIO/JUNHO – 2015 | Nº 106

11


Entrevista

Como Administradores, devemos estar dispostos a escutar, aprender e mediar sempre com todos os atores da empresa e do mercado, pois dessa forma os desafios viram oportunidades de sucesso”

RBA: Ao longo de sua carreira,

AA: Marketing é uma área que me en-

MANTER: ações ligadas ao processo

o senhor teve a oportunidade de

canta e me traz desafios diários, mas

de relacionamento com clientes, pós-

atuar tanto em pequenas (foi di-

atuar junto com uma equipe criativa

-vendas, ações de CRM, entre outros

retor voluntário em empresa jú-

e motivada é muito prazeroso. No iní-

nior) como em grandes empresas.

cio da carreira na área de marketing

E também em áreas bem distin-

era comum ser questionado pelos

tas. O que significou essas experi-

profissionais de comunicação sobre

ências para o senhor?

o porquê de um Administrador estar

AA: Tive a oportunidade de navegar por diversas áreas e segmentos e, consequentemente, me desafiar a aprender todo dia algo novo. Em um primeiro momento é normal ficar desconfortável com o novo, mas a maior lição que tirei dessas vivências foi o trabalho multidisciplinar, em que um Administrador deve saber orques-

marketing, mas sem entrar em discus-

como coach. Quais seriam os seus principais conselhos para os

Administradores

que

es-

tão iniciando a carreira e querem ter sucesso?

sões filosóficas e conceituais. A res-

AA: Em 2011 fiz uma formação em

posta era simples e eficiente, seguindo

master coach, mas, em decorrência da

as premissas de marketing dos mes-

carga de atribuições, não tinha tempo

tres da Administração Peter Druker

para exercer. Então criei um site para

e Philip Kotler, onde busco resumir

inspirar as pessoas a fazerem o pro-

todo o processo de marketing em três

cesso de coaching, e nesta ferramenta

letras, ICM:

gratuita o indivíduo é provocado de forma simples e intuitiva a fazer um

trar e inspirar bem seu time, inde-

IDENTIFICAR: ações relacionadas

pendentemente da formação ou perfil

ao processo de investigação mercado-

das pessoas.

lógica, pesquisas de mercado e identi-

www.meucoachvirtual.com.br.

ficação de oportunidades de negócios,

Nesta caminhada mantenho intacta-

RBA: Mais tarde o senhor foi para a área de marketing – e trabalha com isso

12

liderando uma área de comunicação e

RBA: O senhor também atua

entre outros.

plano de vida pessoal e profissional:

Aphrodite de Knidos em mente a tese

até hoje. Por que escolheu essa área? O

CONQUISTAR: ações relacionadas

de que o sucesso de uma pessoa não se

que ela lhe trouxe de conhecimentos

ao processo de campanhas para subsi-

mede pela posição ou cargo, mas pela

para sua carreira de Administrador?

diar as vendas e equipe comercial.

sua trajetória, paixão em lidar com

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO


pessoas e encarar novos desafios. RBA: Como Administrador e atuando na área de Marketing, quais os maiores desafios que um profissional da sua área enfrenta hoje no Brasil? AA: Os desafios são vários, mas, como Administradores, devemos estar dispostos a escutar, aprender e mediar sempre com todos os atores da empresa e mercado, pois dessa forma os desafios viram oportunidades de sucesso. E, como Administradores na área de marketing, acredito que levamos

bancos universitários, visualizei essa

ajustes, agora amargos e necessá-

necessidade de o CRA estar aberto

rios. Estamos tendo uma retração do

também para os futuros profissionais,

PIB e aumento do desemprego, que

inserindo-os no Conselho para que pu-

também é fato. Por outro lado, temos

dessem entender e fortalecer o papel

instituições e um modelo democrá-

do Administrador no mercado.

tico sólido. A imprensa é livre e inde-

RBA: Como o Administrador pode auxiliar na resolução de problemas econômicos enfrentados no Brasil, hoje? Qual a sua opinião sobre a atual situação econômica pela qual passamos aqui em nosso país?

pendente. O Judiciário, o Ministério Público e a Polícia Federal investigam com autonomia. A pobreza e as desigualdades diminuíram desde o Plano Real. Temos agora uma sociedade de classe média que é intolerante com a alta da inflação e a corrupção. Como Administradores e cidadãos, temos

uma vantagem, que é ter um cuidado

AA: Não podemos negar que estamos

que ter uma postura de enfrentar as

maior com o planejamento mercadoló-

passando por um momento difícil,

diversidades com otimismo. Não po-

gico e financeiro dos projetos.

mas já superamos crises maiores. A

demos entrar no efeito manada e en-

indústria sofre, mas continua com-

grossar o caldo dos pessimistas que fa-

plexa e diversificada. No segmento do

zem apologia a um colapso econômico.

agronegócio, nos tornamos competiti-

Hoje passamos, sim, por um momento

RBA: Fale um pouco sobre o programa

CRA-JR,

desen-

volvido no MS.

vos e fortes, e na região onde a econo-

difícil e, como comprova a história, já

AA: Como venho de uma experiên-

mia está alavancada por esse segmen-

superamos situações bem mais adver-

cia de empresas júniores, onde somos

to o impacto da crise é menor. Temos

sas, e as empresas bem administradas

provocados a vivenciar a prática da

um aumento no déficit fiscal, no qual

com planejamento e ações assertivas

profissão antes mesmo de sair dos

a missão do ministro Levy é fazer os

farão a diferença no mercado.

ADM. ANTONIO ALVES – CRA-MS Nº 2518 Possui MBA em Gestão Empresarial

Executivo com experiência em cargo de gestão em empresas de médio e grande porte, liderando diretamente as áreas Administrativa, Financeira, Recursos Humanos, Contábil e Tecnologia da Informação.

Possui sólida vivência nas áreas de Marketing e Comunicação.

MAIO/JUNHO – 2015 | Nº 106

13


OPINIÃO

Quão feliz você se sente

FAZENDO O QUE FAZ?

NÃO É NOS DIPLOMAS, NA CONTA BANCÁRIA NEM NO STATUS QUE ESTÁ O VERDADEIRO SENTIDO DO SUCESSO, MAS NAS REALIZAÇÕES Na minha infância, tive a grande sorte de ter sofrido dois

Tio Patinhas, Cebolinha, etc; crianças do Brasil inteiro me

graves acidentes e ter saído vivo para contar a história. Fui

escreviam de volta querendo fazer parte do clube.

atropelado aos seis e voei pelo para-brisa do carro aos oito. Sorte? Como assim? Bom, além da dádiva da vida, fui

mente, o incrível Jornal Misto Quente, que eu escrevia

presenteado com longos meses em casa, fora do sistema

na boa e velha máquina. Você aí do outro lado pode estar

escolar. Talvez por isso eu tenha me tornado o doidinho que nunca se enquadrou às normas e rotinas do colégio. Sem internet, computador nem canais de TV a cabo para ocupar o tempo, passava os dias na frente de livros, gibis e de uma preciosa – e barulhenta – máquina de escrever Remington 33l, o melhor presente que meus pais já me deram. Foi nessa época, e utilizando essa máquina de escrever

14

A partir daí, recebiam uma carteirinha de sócio e, mensal-

pensando: “Putz, que coisa mais sem graça”. Mas se me perguntassem naqueles dias “Leandro, o que é felicidade?”, eu responderia sem pestanejar: felicidade é esperar o carteiro por volta das 4 horas da tarde e se dar conta de que, das 15 correspondências daquele dia, 14 são para você. Eu gostava tanto disso que só fui parar com essa história de clubinho lá pelos 12 anos, mas com grande pesar no coração. A propósito, os pais e as próprias crianças tendem a supervalorizar a importância da escola, como se o caminho

como principal instrumento de trabalho, que criei meu

para o conhecimento passasse unicamente pelos bancos

primeiro negócio: o Clube Misto Quente. Funcionava da

escolares. Esquecem que em seu quintal, em sua estante

seguinte forma: eu “anunciava” o clubinho nas seções de

de livros e em uma folha de papel em branco existe um

cartas das revistas da Disney e do Mauricio de Sousa, tipo

universo de possibilidades muito mais poderosas.

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO


*Este artigo não reflete necessariamente a opinião do CFA.

dá conta de que “idade certa” para aprender determinado conteúdo é

O que ninguém sabia era o prazer que

a escola”, nem uma releitura de Pink

eu sentia por fazer aquilo. Um dia eu

Floyd (Hey, teachers, leave them kids

me dei conta de que a minha antiga

alone!). Lógico que a escola é impor-

máquina de escrever tinha cedido

tante, mas as falhas do sistema

lugar a um computador Pentium 100,

escolar e a sua obsessão pela forma-

que as cartas que eu recebia agora

tação e padronização são ameaças

se chamavam e-mails e que o Clube

terríveis para que as nossas crianças

Misto Quente agora se chamava

descubram quem são de fato e para

administradores.com. Percebi que, já

que desenvolvam os verdadeiros

adulto, estava fazendo exatamente o

talentos que escondem por trás

que fazia quando criança e descobri

de seus sorrisos.

que a principal medida de sucesso

uma grande falácia. A curiosidade

Já adulto, depois de ter me perdido

não respeita tarjas do tipo “para

várias vezes até encontrar meu

crianças a partir de 10 anos”.

caminho profissional (passei por

Aliás, os livros que mais atraíam

simplesmente quatro cursos supe-

minha atenção eram justamente os que minha mãe colocava na última prateleira da estante, aqueles que ela julgava inadequados para a minha idade. Sabe de nada, inocente! Com uns nove anos, pensei que iria dar boas risadas com um pesado e poei-

deve ser uma resposta à seguinte pergunta:

Quão feliz você se sente fazendo o que faz?

riores antes de escolher Administração), acabei criando um site na internet. Estava no terceiro período de Administração, no ano 2000, logo após a quebradeira das empresas pontocom. Claro que fui motivo de chacota entre colegas e

rento livro que se chamava "A Divina

amigos. Como acabei pulando muito

Comédia". Quando me dei conta de

de curso em curso, nessa altura já

que era sobre a jornada de um poeta

tinha vários amigos da minha idade

maluco pelo inferno, não consegui

formados e trabalhando em suas

mais largar. Enquanto isso, minha

profissões. Quando saíamos, entre

professora da quarta série deveria

advogados, médicos e engenheiros,

estar nos obrigando a decorar a

eu era o cara que tinha um site na

tabuada dos 9.

internet. Piada pronta.

Como é bom sentir aquela mesma felicidade. Foto: Arquivo pessoal

Vou além: fora da escola a gente se

Bom, este não é um artigo de “abaixo

ADM. LEANDRO VIEIRA, criador do Administradores.com e autor do livro Seu Futuro em Administração (Campus/Elsevier)

MAIO/JUNHO – 2015 | Nº 106

15


TECNÓLOGOS POR_ WELLINGTON PENALVA

GRADUAÇÃO

TECNOLÓGICA

é nova tendência

A PROCURA POR CURSOS SUPERIORES TECNOLÓGICOS NAS DIVERSAS ÁREAS DA ADMINISTRAÇÃO AUMENTOU MAIS DE 600% EM SEIS ANOS

A

trativo para quem já está inserido no mercado, e para os que pretendem ingressar rápida e objetivamente, os cursos superiores de tecnologia se mostram em cons-

tante crescimento no país. Surgiram no Brasil no final da década de 1960, mais precisamente em 1969, na Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo (Fatec). A iniciativa pioneira foi o curso de Construção Civil nas modalidades: Edifícios, Obras Hidráulicas e Pavimentação. Em 1979, o MEC alterou sua conduta em relação a tais graduações nas universidades públicas federais, levando a modalidade à extinção. A evolução do mercado foi contrária à decisão do MEC e em 1998 a graduação tecnológica voltou às universidades e, com o passar do tempo, multiplicou-se.

16

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO


Inseridos nesta realidade estão os

Administração (CFA), Adm. Mauro

cursos tecnológicos em determina-

Kreuz. O estudo feito pelo MEC ra-

das áreas da Administração. A am-

tifica a afirmação do diretor: em seis

plitude da Ciência da Administração,

anos a procura por cursos tecnológi-

assim como da sua área de atuação,

cos relacionados à Administração

legitimou o surgimento desses no-

cresceu 611,6%, mais de 100% ao

vos cursos que hoje figuram entre os

ano. Assim como a procura, aumen-

mais requisitados do país. Recursos

tou o número de ingressos e egres-

Humanos,

Marketing,

sos nesses cursos, o que levanta a

Gestão de Políticas Públicas e Gestão

dúvida: há espaço para tanto profis-

da Qualidade são algumas das opções

sional no mercado de trabalho?

disponíveis para quem deseja ser es-

“Há muito campo para o tecnólogo em

pecialista em uma área específica

diversos setores do mercado, sem dú-

da Administração. O sucesso é tanto

vida. Pesquisas indicam a escassez de

que, de acordo com dados do MEC,

mão de obra qualificada e os cursos

entre 2007 e 2013, o número de cur-

tecnológicos surgem para suprir essa

sos superiores tecnológicos ligados

lacuna, afinal, formam especialistas

à administração cresceu 63,6%.

em sua área de atuação” – é o que afirma

“Os cursos tecnológicos são procu-

Jocélia Gumiere, tecnóloga na área de

Logística,

rados por profissionais que já atuam no mercado de trabalho e buscam um aprofundamento na área em que atuam, ou por profissionais que têm

Os cursos tecnológicos são procurados por profissionais que já atuam no mercado de trabalho e buscam um aprofundamento na área em que atuam, ou por profissionais que têm pressa para entrar no mercado de trabalho”

Recursos Humanos. E ela não está enganada. No Brasil, a mão de obra qualificada ainda é uma “dor de cabeça” para as empresas, faltam profissionais para

pressa para entrar no mercado de

atender à demanda.

trabalho, considerando que poderão

Certamente, muitos se perguntam o

obter um título acadêmico em ape-

porquê de existirem tantos cursos tec-

nas dois anos”, atesta o conselheiro

nológicos na área de Administração,

e diretor da Câmara de Formação

afinal, existe um curso superior de ba-

Profissional do Conselho Federal de

charelado destinado a essa Ciência. Não

Adm. Mauro Kreuz, conselheiro e diretor da Câmara de Formação Profissional do Conselho Federal de Administração (CFA)

MAIO/JUNHO – 2015 | Nº 106

17


Tecnólogos há por que se enganar, pois, apesar de

da minha empregabilidade. Sem dúvi-

tratarem da mesma área, os cursos são

das, ser tecnólogo potencializou minhas

diferentes: o bacharelado oferece um

chances de manter-me empregável.

conhecimento generalista e amplo, en-

Embora existindo ainda uma peque-

quanto os tecnológicos focam em uma

na rejeição em relação aos tecnólogos,

área específica da profissão. “Por ter

fruto do desconhecimento da profissão,

formação generalista, o bacharel em

não tenho dúvida de que o mercado está

Administração pode atuar em todos os

ansioso por profissionais altamente ca-

campos da ciência da Administração.

pacitados e especializados. Se alguém

Já o tecnólogo só pode atuar no campo

deseja uma recolocação profissional de

específico de sua formação. Portanto, ao decidir fazer o curso superior de tecnologia, o profissional deve ter clareza da área em que pretende atuar profissionalmente”, afirma Kreuz. A ideia de especialização é bastante consistente. É comum que as empresas e os empregadores estejam em busca de especialistas em determinada área. São os tecnólogos que atendem a essa demanda. Por isso, muitas pessoas optam pelos cursos tecnológicos. “Os cursos superiores de tecnologia são mais objetivos, o que torna a formação especializada e recoloca o profissional

maneira mais rápida, a formação tecnoJocélia Gumiere, tecnóloga na área de Recursos Humanos

lógica é uma excelente opção”, discorre a tecnóloga Jocélia.

Após o ressurgimento dos cursos tec-

Apesar da ignorância de alguns em

nológicos, o CFA publicou resoluções

relação à diversidade de segmentos

normativas agregando o tecnólogo ao

e formações profissionais, tanto o

quadro de profissionais registrados

Administrador quanto o tecnólogo têm

no Sistema CFA/CRAs. Desde 2009,

seu lugar garantido no mercado de tra-

ano em que a autarquia começou a

balho. Nesse universo, o que realmente

registrar tecnólogos de diferentes es-

dará destaque ao profissional é o “algo

pecialidades em determinada área da

mais” em seu currículo: cursos de es-

Administração, já foram mais de 20 mil novos profissionais inseridos nas planilhas dos Conselhos Regionais de

pecialização; idiomas; certificações profissionais; pós-graduação; e tantos outros agregadores de valor. Vale a má-

no mercado de trabalho rapidamen-

Administração de todo o país.

te. Todas as matérias do meu curso

“A formação tecnológica foi uma das

nal qualificado”. ENTÃO, TECNÓLO-

(Gestão em RH) estavam voltadas para

grandes responsáveis para o aumento

GO OU NÃO, QUALIFIQUE-SE!

xima “não falta emprego, falta profissio-

Recursos Humanos e a didática era inteiramente direcionada. Por esses mo-

CENSO DA EDUCAÇÃO SUPERIOR 2013

tivos, escolhi a graduação tecnológica”, ressalta Jocélia.

Curso Superior de Tecnologia em determinada área da Administração

2012

2013

Cursos

3.880

4.377

12,81%

Vagas

463.663

1.308.547

182,22%

Inscritos

975.821

1.521.224

55,89%

Ingressos

440.428

420.152

-4,60%

Matrículas

747.024

783.803

4,92%

Concluintes

154.335

158.575

2,75%

%

Fonte: Censo da Educação Superior Inep/MEC 2013. Dados compilados pelo CFA

18

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO


Procurando novas formas de se diferenciar no mercado de trabalho?

CERTIFICAÇÃO PROFISSIONAL EM ADMINISTRAÇÃO Modalidade: PROVA

O caminho para a valorização. Saiba mais em: certificação.cfa.org.br

/cfaadm

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www.cfa.org.br/cfatv

www.radioadm.org.br


OPINIÃO

FEEDBACK:

uma arte que poucos dominam

O

significado mais básico da

em feedback, porém, raros são os que

Feedback é feedback, mas alguns de-

palavra

feedback

dominam este que é mais do que um

vem ir para a lata de lixo e outros,

é retorno ou resposta. No

método de julgamento técnico da per-

guardados do lado esquerdo do peito

formance das pessoas.

e no fundo da mente.

Eu tinha um amigo que repetia qua-

Reconheço que, para diferenciar

inglesa

mundo corporativo, usamos com abundância

este

estrangeirismo

(adotar palavras de outro idioma ao nosso), especialmente em proces-

se como num mantra: “feedback é feedback”. Com isso, queria dizer que

sos nos quais tentamos mensurar a

devemos ouvir tudo indistintamente.

qualidade do comportamento e dos

Confesso que essa frase sempre me

resultados produzidos. Fala-se muito

irritou. O que não gosto nela é justamente o fato de tratar como igual todo e qualquer feedback, dando assim ao joio um status de trigo. Existem feedbacks que devem ser ignorados e, se não forem, destruirão nossa energia criativa, o ânimo e os relacionamentos no ambiente de trabalho. Há outros geradores de mudanças tão bonitas que não podem ser colocados no mesmo grau de importância.

20

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO

feedbacks, requer-se um nível de discernimento, infelizmente, pouco comum. Por vivermos dentro de uma cultura focada nos relacionamentos e não na eficiência, nós, brasileiros, somos sensíveis demais, com fortes


*Este artigo não reflete necessariamente a opinião do CFA.

Um bom feedback se reconhece por duas características muito fortes: conteúdo e apresentação "

inclinações a tomar pessoalmente

anotações benfeitas, o domínio das

Embora egressa do mundo das má-

aquilo que nos é dito tecnicamente,

técnicas já existentes no mercado que

quinas e dos sistemas de programa-

confundindo amizade com trabalho.

produzirão a qualidade e a solidez de

ção de computadores, a palavra fee-

Acresce-se a isso um defeito crôni-

um feedback apoiado em conteúdo de

dback ganha, na perspectiva que aqui

co que nos é comum: o excesso de

valor. O como se diz é tão importante

estamos apresentando, uma dimen-

defesa do eu. Nosso ego tende a se

quanto aquilo que se diz. Esse velho

sentir ofendido por qualquer avalia-

clichê é de enorme validade. A manei-

ção julgada mais rigorosa ou injusta,

ra como se vai apresentar o conteú-

liberando desnecessários anticorpos

do do feedback fará toda a diferença.

para defender algo que na maioria

Assertividade, ir ao ponto, deixar de

das vezes não está sendo atacado.

dar rodeios infantis como se estivés-

cega e ensurdece para ver e ouvir um retorno de boa qualidade. Isso é muito ruim mesmo, pois, nesse estado de entorpecimento egoísta, esquecemos que sem feedback não há transformação do nosso comportamento nem aperfeiçoamento do nosso trabalho.

apenas uma ferramenta de avaliação para se tornar uma arte de viver. Arte esta que, quando aprendida e desenvolvida, renova, transforma, cria, produz vida e resultados positivos.

semos com medo de dizer aquilo que precisa ser dito; abandonar a desele-

Foto: Divulgação

Essa reação defensiva em excesso nos

são além da técnica, deixando de ser

gância, usar palavras que não sejam ofensivas; não usar o elogio como uma desculpa para fazer a crítica; de preferência, inverter a ordem da nossa comunicação cotidiana, começando com os aspectos a serem melhorados

Um bom feedback se reconhece por

(ou negativos, como se queira dizer)

duas características muito fortes:

para então chegar naqueles que já são

conteúdo e apresentação. No aspec-

evidentes sinais positivos. Se feito

to conteúdo, o feedback deve ser fru-

com conteúdo e apresentação ade-

to de uma percepção sólida e não de

quada, o feedback será um instrumen-

impressões casuais. É a meticulosa

to fantástico de mudança comporta-

observação, o olhar cuidadoso, as

mental e aumento de performance.

EDUARDO PEDREIRA é professor de Sustentabilidade Corporativa da Fundação Getulio Vargas. É um dos autores do livro “Gestão Sustentável de Negócios”. prof.eduardofgv@terra.com.br

MAIO/JUNHO – 2015 | Nº 106

21


CapaCAPA POR_ NÁJIA FURLAN

INSPIRAÇÃO&

TRANSPIRAÇÃO, na mesma medida...

Isso é empreender!

T

odos sabem o quanto são importantes a formação, o conhecimento e a teoria no mundo dos negócios. MBAs, especializações, mestrados e outras qualificações acadêmicas – assim como o domínio dos novos conceitos e vocabulário tão

específico – contam bastante para qualquer profissional galgar um caminho de sucesso ou posição de destaque em grandes empresas. No entanto, na hora de empreender, o que faz toda a diferença, mesmo, é a prática: a “mão na massa”. Sejam profissionais que já estão empregados, mas querem algo mais; sejam aqueles que, desde o período universitário, já buscam ser donos dos próprios negócios; ou ainda as pessoas que têm uma boa ideia e sonham em investir nela... O jeito é se organizar, planejar e arriscar. Sabendo que, nessa hora, toda ajuda de especialistas é bem-vinda, a Revista Brasileira de Administração (RBA) traz para os futuros (ou já) empreendedores as dicas e experiências dos melhores deles: os donos dos próprios negócios. Inspire-se com esses cases!

22

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO


NAS PÁGINAS DIGITAIS, DIRETO DO RIO DE JANEIRO Em 2013, com a criação do livro digital

nosso olhar para o mercado de livros

e interativo “O Caçador e a Borboleta”,

digitais. Isso porque fizemos uma

Natália e Andréa Biancovilli se regis-

publicação impressa e vimos o quanto

traram como Micro Empreendedor

era trabalhoso distribuir um livro

Individual (MEI). Nesse início, elas

de papel. Foi quando decidimos nos

previram faturamento de até R$ 60

aventurar no mercado mundial de

mil por ano. Nem meio ano depois,

livros digitais”, lembra a empresária.

o negócio já mostrava um poten-

A ideia de go digital veio no ano de

cial maior. Tiveram investimento de

2011. A partir de então, elas procu-

mais uma sócia e viram no aumento

raram o Serviço Brasileiro de Apoio às

crescente de conteúdos para tablets

Micro e Pequenas Empresas (Sebrae)

e smartphones a possibilidade de

e foram se munindo de todo o conhe-

expandir até em âmbito de mercado

cimento necessário para não apenas

internacional.

ter uma empresa de verdade, como

No mesmo ano, o negócio deu um salto

uma empresa que se consolidasse no

enorme, mas não maior que as pernas.

ramo pretendido.

Elas estavam preparadas e fecharam

“Começamos o contato de startup

contratos com a Apple Store e Google

e investimentos-anjo. Nós conse-

Play, Amazon (audiolivros), Barnes &

guimos o investimento-anjo para

Nobles e ainda outros três distribui-

nossos primeiros aplicativos. Porém,

dores norte-americanos.

no início, a inexperiência no mercado

Como conta Andréa, ela e Natália

nos trouxe alguns problemas admi-

sempre tiveram um comportamento empreendedor. “Desde mais novas, sempre nos adaptamos melhor em ter o nosso próprio negócio do que ter um emprego com carteira assinada. Já desenvolvemos outros tipos de negócios, no passado. Os anos foram

nistrativos e, principalmente, com os fornecedores. Hoje estamos reformulando toda a empresa. Estamos mudando de sócio, vamos produzir nossos próprios produtos, conseguimos um mentor, e estamos avançando, passo a passo, de acordo com

passando e, como sempre gostamos

o nosso planejamento”, relata Andréa.

de escrever, acabamos voltando o

Hoje, com três anos de empresa, elas

MAIO/JUNHO – 2015 | Nº 106

23


Divulgação

Capa estão passando por uma grande reestruturação, pois decidiram trazer a produção dos apps e ebooks para dentro da empresa. “Tivemos que investir em softwares e novos equipamentos. Tudo isso está sendo muito bom para nos trazer mais autonomia. Agora temos a perspectiva de podermos lançar muito mais títulos por ano”, comemora. Se elas se consideram empreendedoras? “Sim, porque fazemos por nós mesmas, corremos riscos calculados, temos muita vontade de ‘dar certo’. Ser empreendedor, pra gente, não é só o empresário. O empregado também pode ser um!"

Andréa e Natália Biancovilli começaram com um livro digital e partiram para contratos com os gigantes do mundo da tecnologia digital

NO LAR, DOCE LAR, DE SÃO PAULO A dona da Sucra Ateliê Doces é Daniella Jafet. Ela não só

Facilidades e dificuldades disso? “Em casa posso traba-

é chef como é formada na famosa e tradicional Le Cordon

lhar sem limite de horário, ou posso não trabalhar durante

Bleu, em Paris. “Sempre gostei de trabalhar. Desde cedo

ou dia, mas, em compensação, tenho que entregar no dia

ajudava meu pai e meu avô (metalúrgico e hoteleiro, respectivamente). Decidi ter meu próprio negócio, saindo da faculdade. Comecei fazendo jantares personalizados e seguindo a minha vontade”, conta. Mas o que ela queria mesmo era fazer bolos. “Na época, ainda não tinha especialização. Nem era muito difuso em São Paulo, ainda. Mas vi que tinha um bom nicho de

seguinte, então, troco o turno de trabalho para estar mais próxima dos filhos, por exemplo. A desvantagem é que, como necessito de ajuda, não posso colocar qualquer pessoa dentro de casa, ainda mais que tenho quatro filhos. E também tem a rotina da casa, que já é bem movimentada!”, revela a dona de casa, ou melhor, dona do negócio.

negócio, ainda pouco explorado”, lembra. Daniella apostou no sonho e na brincadeira da infância. Fez da sua vontade, profissão. “Eu já tinha feito curso e depois fiz outro, na França. Eu me apaixonei pela confeitaria. Quando voltei para São Paulo, comecei a atender a família e as amigas, logo começaram as indicações, e assim foi um efeito cascata. Hoje tenho uma clientela fixa, de anos, comemora a “boleira”. Ela começou faturando uma média de R$ 2.000,00 ao mês. Hoje fatura bem mais. “Eu me considero uma empreende-

Daniella Jafet começou cedo, ajudando o pai e o avô, e usou seus dotes e conhecimentos para empreender com seu ateliê de doces

dora, sim, pois sempre penso em fazer mais, em alcançar

Mas Daniella está dando conta e surpreendendo. Ela está

novos níveis, em crescer”, afirma a chef.

começando uma expansão: primeiro, com um quiosque

Daniella montou um ateliê, mas quando ganhou a primeira

no Shopping Cidade São Paulo, já agora em maio, e logo

filha teve de se adaptar. Ela fechou o seu espaço e se asso-

pretende abrir filiais, carrinhos para evento e uma fábrica

ciou a uma colega, por dois anos, quando chegou o segundo filho. Com os dois pequenos, Daniella resolveu transferir o negócio para dentro de casa. 24

Divulgação

que sempre me indica. Trabalho muito por indicação”,

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO

com confeitaria. “O que eu diria para quem está começando ou querendo empreender? Fazer tudo com muita dedicação, paciência e capricho”, sugere ela.


Gerson Maezano desenvolveu, na

e, agora, colher os frutos. “Foram

casa dele, um produto que propor-

várias idas e vindas até a indús-

ciona de 40% a 60% de economia,

tria que vai produzir, para fazer os

por acionamento. Além de baixo

ajustes até que estivesse em ordem.

custo, a substituição é simples como

Hoje estou conseguindo fazer com

trocar uma lâmpada. Ele já paten-

que o produto seja conhecido, mas

teou o produto e espera colocar no

a entrada no mercado ainda está

mercado em todo o Brasil, a partir do

difícil. Preciso ter um nome mais

ano que vem.

forte”, reconhece.

“Por ser uma pessoa que usa muito

É exatamente essa insistência que

o banheiro para resíduos líquidos, e

faz de Gerson um empreendedor.

achava o desperdício de tanta água

“Mesmo diante das dificuldades,

só para descartar esse tipo de dejeto,

nunca pensei em desistir. Não vou

resolvi desenvolver a minha ideia

sossegar enquanto não ver o meu

de conter gastos desnecessários. Já

produto no mercado”, anuncia.

existem produtos de duplo aciona-

Em junho, ele vai participar de um

mento, mas com um custo muito alto. Eu queria um produto que fosse simples e mais acessível. Criei, então, o Acqualógico”, afirma.

Divulgação

ACQUALÓGICO: A ÓTIMA IDEIA DE GERSON

evento sobre como acelerar startups e pretende ir em busca de um empreendedor para entrar com ele no desafio do mercado. “Além da peça

A ideia surgiu em 2009. Desde lá, foi

que já tem fabricação, tenho mais

investindo, segundo ele, em passos

outras duas com a mesma função

lentos, mas necessários: patentear,

para atingir todos os modelos de

testar, divulgar, registrar a marca

caixas acopladas”, garante.

Em tempos de crise hídrica, a ideia de Gerson Maezano proporciona de 40% a 60% de economia de água por acionamento do vaso sanitário

MAIO/JUNHO – 2015 | Nº 106

25


Capa

Divulgação

CORRA O RISCO, MAS COM SEGURANÇA Quando Fabio Sacheto decidiu abrir

Modelare, que é uma marca voltada

o próprio negócio, ele trabalhava na

exclusivamente para o mercado de

maior empresa do mundo de telefonia

salões de beleza”, conta.

corporativa, ganhava em dólares,

Segundo Fábio, atualmente a Florus

gerenciava a segunda maior divisão da empresa e tinha credibilidade internacional. Não foi fácil, mas ele apostou. “Não foi exatamente uma ideia, mas um desejo pessoal de ter um negócio próprio, a princípio como um plano B para uma possível situação de desemFabio Sacheto transformou sua ideia na 11ª do ranking do “Anuário das 500 Maiores Franquias para Investir”

prego. Entre todos os segmentos da economia para empreender, escolhi cosméticos,

porque

percebi

que

o Brasil está entre os principais mercados consumidores do mundo e que já vinha crescendo expressivamente nos últimos 20 anos”, afirma. Ele começou a pensar em abrir um negócio na área em meados de 1998 e, logo em outubro de 1999, a Florus vendeu seu primeiro produto. “A Florus já começou como uma fábrica

As nossas dicas, para quem quer arriscar, são: preparação – a sorte favorece quem está preparado; execução – o feito é sempre melhor que o perfeito"

26

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO

de cosméticos, mas que produzia apenas para suprir sua própria demanda. No início, foram lançados quatro itens e o faturamento anual foi menos de R$ 100 mil. Hoje, a empresa foi franqueadora e ficou no 11º lugar no

se dedica exclusivamente à prestação de serviços de produção de cosméticos para mais de 70 empresas, de vários segmentos e inúmeras regiões do Brasil. O faturamento de 2014 foi de R$ 2,9 milhões e a expectativa, para este ano, é ultrapassar os R$ 3,5 milhões. “Eu e minha esposa (com quem ele abriu a empresa farmacêutica e, na época, trabalhava com desenvolvimento e adequação de fórmulas cosméticas) cultivamos a essência do empreendedor funcionário, de maneira a incentivarmos cada funcionário a pensar na empresa como se fosse sua. As nossas dicas, para quem quer arriscar, são: preparação – a sorte favorece quem está preparado; execução – o feito é sempre melhor que o perfeito; e controle – nunca delegue o que não pode ser delegado. Dê o passo do tamanho das suas pernas: jamais contraia uma dívida

ranking do “Anuário das 500 Maiores

sem que tenha a máxima segurança

Franquias para Investir”. Montamos

de que você irá conseguir saldar os

uma operação inteira de Marketing

pagamentos e somente crie dívidas

Multinível (Beautyway) e lançamos a

que forem para crescimento”, conclui.


DICAS ESPECIAIS PARA COMPLEMENTAR O QUE A EXPERIÊNCIA E A PRÁTICA APONTAM, A RBA TRAZ A SEGUIR ALGUMAS DICAS

Além da ideia, é preciso pensar no cliente como principal ator do segmento de mercado e nas entradas de fontes de receitas desse novo negócio, que é por onde o planejamento começa a ser construído. Planejar e entender o seu público-alvo ajudará muito para que o resultado seja imediato.

Jean Fábio de Oliveira, consultor Uma boa ideia é o primeiro passo para o sucesso. É a partir dela que um modelo de negócios é testado e desenvolvido. É em cima de sua estrutura que toda a construção da proposta de valor do negócio é formada e, assim, as grandes ideias podem se tornar produtos ou serviços promissores. As boas ideias devem ser testadas rapidamente, pois a velocidade do desenvolvimento de empresas inovadoras é bastante acelerada.

Ruy Soares de Barros, consultor

O melhor momento é aquele que a pessoa se sente bem e confiante – e identifica uma oportunidade de negócio. Não é uma boa ideia sair do emprego e abrir um negócio qualquer só por necessidade de ganhar dinheiro. Empreender exige planejamento. Faça estas perguntas: o que quero fazer? Essa ideia é única ou já existe? Como torná-la real? Por que vão comprar esta ideia de mim? Essa ideia é viável? Se para todas estas perguntas as respostas forem favoráveis, comece a fazer o planejamento estratégico, primeiro o Canvas e depois o plano de negócios. Procuro sempre orientar a empreender sozinho, porém, nem sempre é possível. Uma vez identificado que haverá uma parceria/sociedade, leve em consideração o seguinte: é preciso valorizar a afinidade e buscar complementariedade entre vocês; defina a participação, divida responsabilidades (sempre em contrato), exerça a tolerância e, principalmente, seja transparente.

Um negócio, para ser autêntico e promissor, deve estar ligado com a necessidade de um determinado público-alvo. Sem o cliente interessado e disseminando a sua oferta, nenhum resultado será alcançado. Melhoria e inovações em produtos e serviços, em qualquer tipo de segmento ou setor, são sempre o alvo de resultados promissores. A agilidade e o rápido planejamento podem significar muito, assim como o uso de recursos adequados poderá gerar receitas e diminuir custos desnecessários. Fazer aquilo de que se gosta ajudará o empreendedor a não desistir. E mesmo que o primeiro obstáculo seja o mais difícil de ser superado, uma das principais características do comportamento empreendedor é a persistência.

Investidores são movidos por resultados, por isso, para atraí-los, é preciso ter uma empresa ou uma ideia que mostre que isso irá acontecer. Numa ideia, o Canvas é a ferramenta ideal, pois mostra como as coisas devem acontecer. Numa empresa estabelecida terá que mostrar os resultados financeiros (capital de giro, estoques, contas a receber, índices de rentabilidade, etc.). Mas lembre-se de que a negociação é um fator chave de sucesso. Sempre é possível empreender, e às vezes, se nosso negócio principal não está mais de acordo com as expectativas de mercado, é hora de mudar. E nem sempre precisa começar do zero, mas o planejamento é necessário. Se o problema é você, identifique coisas de que gosta de fazer e tente implantá-las em seu negócio. Se o problema é a empresa, identifique o que não está dando certo e ações que podem ser implantadas para mudar. Pesquise seu cliente e tente entender o que ele quer de seu negócio, qual sua expectativa quando toma contato com sua empresa. Pesquise então seus concorrentes e veja o que estão fazendo de diferente e que dá certo – e tente copiá-los. Busque parceiros fornecedores para ajudá-lo nessa nova fase. Foque na solução e não no problema. Busque oportunidades novas no mercado, através de seu cliente, fale com ele, não tenha medo de ouvi-lo. Tenha iniciativa de mudar – essa, às vezes, é a maior barreira. Seja comprometido e eficiente na busca das informações, trace um plano de ação com metas e prazos e cumpra-os. A diferença entre sucesso e fracasso chama-se: atitude.

MAIO/JUNHO – 2015 | Nº 106

27


Capa

informações coletadas sobre a empresa que deseja montar são organizadas para saber quanto deverá dispor para iniciar o projeto e compreender como a economia poderá afetar a iniciativa. Tem mercado para todos os setores e tipos de produtos e serviços. O ideal é procurar uma atividade com que se tenha

Ênio Pinto,

gerente de Atendimento Individual do Sebrae Nacional

afinidade. Hoje, metade das micro e pequenas empresas é do setor de comércio, mas o setor que mais vem crescendo é o de serviços. A indústria costuma ser uma atividade que exige um

Nunca vai existir um momento ideal para abrir um novo negócio.

conhecimento mais específico, por isso a proporção é menor

De alguma maneira sempre haverá setores em dificuldade e

entre as micro e pequenas empresas.

outros que estão muito bem. Em épocas de grandes crises econômicas, de guerras, surgiram grandes empreendedores. Em qualquer tempo é possível identificar oportunidades concretas de empreender. A crise existe da porta para fora para todo mundo. O que vai dar mais chance de crescimento de um novo negócio não é a época em que ele foi criado, ou mesmo a área de atuação, e

É preciso avaliar se você está disposto a encarar o desafio de empreender sozinho ou se prefere compartilhar esse projeto com mais alguém. Um sócio pode ajudar a levantar o dinheiro necessário para o investimento inicial. E as especialidades de cada um podem ser complementares. A maioria dos pequenos

sim o planejamento envolvido antes da abertura da empresa. É a

negócios é constituída no formato de empresa limitada, o que

gestão da porta para dentro do negócio.

indica a participação de mais de um proprietário. A decisão de

Antes de abrir um negócio é preciso saber se ele é viável e planejálo. Para isso, é preciso coletar informações que darão subsídio

ter ou não um sócio e o melhor perfil dessa pessoa deve ser tomada no processo de planejamento e elaboração do plano de

à elaboração do plano de negócios. Realizar uma pesquisa de

negócio. Entretanto, é importante ter em mente que conflitos

mercado, identificar o melhor local para abrir o empreendimento,

podem ocorrer durante a gestão do negócio, e que não

pesquisar quem são os concorrentes, fornecedores e consumidores

necessariamente o melhor amigo, por exemplo, será o melhor

e quais suas necessidades é fundamental para o sucesso. Além

sócio. Ele deve ser alguém que compartilhe a crença no negócio

disso, é preciso construir um plano de negócio no qual as

em primeiro lugar.

Dados da Associação Brasileira de Startups (ABStartups)

3.300

startups - atualmente

20 mil

empreendedores - estimados

25%

das startups morrem antes de completar um ano de vida (Fonte: Fundação Dom Cabral)

28

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO


BEM-ESTAR POR_CINTHIA ZANOTTO

VOCÊ SABE O QUE É

BOM PARA SUA PELE? ESPECIALISTAS FALAM SOBRE A IMPORTÂNCIA DE USAR OS PRODUTOS ADEQUADOS PARA MANTER UMA APARÊNCIA SAUDÁVEL

E

mbora muito se fale em

A

Sociedade

Outro recado importante para os con-

crise, há um setor em cons-

Brasileira de Dermatologia, Nicole

sumidores é em relação ao excesso na

tante desenvolvimento no

Perim, diz que os cosméticos não são

Brasil. Atualmente, o país é o terceiro

aplicação, pois o uso descontrolado

vilões e podem ser aliados nos cuida-

maior mercado consumidor de produ-

dos com a pele se usados da maneira

pode ser prejudicial à pele. Um dos ca-

tos de higiene pessoal, perfumaria e

correta. “A indústria cosmética evo-

cosméticos do mundo. Em 2014, o cres-

luiu muito e existem produtos especí-

cimento nominal foi de 11%, segun-

ficos para cada faixa etária, tipo e para

do divulgou a Associação Brasileira

peles mais sensíveis”, completa.

de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC). Mas será que em meio a tanto consumo os brasileiros sabem escolher o produto certo para seu tipo de pele?

dermatologista

da

Conforme explica a médica, a pele funciona como uma barreira de proteção contra as agressões externas ao organismo, pois é o órgão que reveste todo

sos mais comuns é a acne cosmética, que pode ser provocada pela utilização exagerada de alguns produtos. Para ficar livre de possíveis problemas referentes à utilização de cosméticos e saber quais são os produtos mais adequados para cada pele, a recomendação é procurar um dermatologista.

o corpo. Em crianças e idosos este re-

Segundo Pessanha, este profissional

De acordo com o dermatologista Rafael

vestimento é mais permeável. Ainda

tem experiência para fazer a indica-

Pessanha, membro da Academia

há doenças que deixam a pele mais

ção correta de diversos tratamentos

Americana de Dermatologia, há uma

sensível a certas substâncias, podendo

como rejuvenescimento, clareamen-

vasta lista de cosméticos disponíveis

ocasionar irritações. Por isso, o mer-

to, melhora da flacidez, tratamento de

hoje em dia e cada um deles foi de-

cado já oferece produtos com formula-

senvolvido para um tipo específico de

ções seguras para estes casos.

imperfeições (ex.: furinhos de acne),

pele, desde hidratantes até ácidos em altas concentrações. Quando alguém utiliza um produto contraindicado corre o risco de sofrer com alergias, irritações, dermatites e, em casos mais graves, até queimaduras.

“Os homens, em geral, possuem a pele mais oleosa e não se adequam a produtos com a cosmética mais cremosa. Já as mulheres utilizam muita maquiagem, esmaltes e perfumes e estão mais suscetíveis a irritações por

renovação celular, melhora do brilho e por aí vai. Nicole lembra ainda que além dos cosméticos, a saúde da pele e dos cabelos depende também de uma boa alimentação, rica em vitaminas e ingestão adequada de líquidos. E entre todos

“Cada cosmético foi feito para um tipo

substancias presentes nestes produ-

de pele e para uma indicação. Ou seja,

tos. Em relação às crianças, elas ab-

quando uma pessoa compra um pro-

sorvem mais as substâncias aplicadas

uma aparência mais saudável, o filtro

duto porque na amiga dela funcionou,

na pele. Devemos nos atentar para os

solar é primordial, pois ajuda a preve-

não quer dizer que funcionará nela

produtos permitidos para cada ida-

nir o envelhecimento, as manchas e o

também”, acrescenta.

de”, declara Nicole.

câncer de pele.

os produtos que podem proporcionar

MAIO/JUNHO – 2015 | Nº 106

29


JANES ROCHA É JORNALISTA ESPECIALIZADA EM NEGÓCIOS, AUTORA DO LIVRO "OS SEGREDOS DE TAIGUARA" E COLABORADORA DE HSM MANAGEMENT.

O DILEMA

(para as profissionais e para as empresas) ENQUANTO CADA VEZ MAIS EMPRESAS SE ESFORÇAM PARA TER MULHERES NA LIDERANÇA, ELAS REPENSAM SE MERGULHAM

Q

NA PROFISSÃO OU PRIORIZAM ASPIRAÇÕES PESSOAIS uando a Coca-Cola anun-

ganização não governamental Catalyst,

sendo anunciado há mais de uma déca-

ciou há dois anos a meta

que promove ações afirmativas e analisa

da. Em 2003, a jornalista e escritora Lisa

de, até 2020, elevar a parti-

o mercado de trabalho feminino, apon-

Belkin escreveu um polêmico artigo no

cipação de mulheres em seu quadro de

tou que elas ocupam apenas 17% dos

The New York Times sobre o que cha-

líderes dos atuais 28% para 50%, estava

cargos de direção nas 500 maiores em-

mou de “revolução do opt out”, expressão

presas da lista da revista Fortune, refe-

em inglês que quer dizer “cair fora”, em

rência para o mundo corporativo.

tradução livre. As mulheres norte-ame-

se juntando a um número crescente de empresas. E, de modo geral, hoje já existem mais mulheres em cargos de supervisão e coordenação do que homens. Vamos comemorar?

nina é ainda menor. Um levantamento do site Opera Mundi em 2014 mostrou

Ainda não. É verdade que nunca hou-

que, entre os 191 países que integram a

ve tantas oportunidades para gestoras

Organização das Nações Unidas (ONU),

como hoje. No entanto, a chegada delas

apenas 13%, ou 25 países, são governa-

aos postos de liderança, em ritmo lento,

dos por mulheres. E esse número já é

tem feito com que muitas repensem o esforço para chegar lá, principalmente o sacrifício da maternidade e da família. Em um censo realizado em 2013, a or-

30

Na política, a representatividade femi-

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO

um recorde a ser celebrado, porque, em 1990, era metade disso: 12 países.

ricanas estavam “caindo fora” da carreira profissional para engravidar e/ou estar mais próximas dos filhos e da família, argumentava Belkin. A tendência se consolidou a partir daí. Em 2012, a cientista política Anne-Marie Slaughter ganhou todas as atenções ao anunciar, na revista The Atlantic, sua decisão de deixar um invejável posto no Departamento de Estado norte-ame-

O incômodo delas com a lentidão dos

ricano para cuidar do filho de 14 anos,

avanços e as dificuldades existentes vem

cheio de problemas de adolescente.


Slaughter foi uma entre muitas. Tan-

abrir um negócio próprio. A norte-ame-

tas que, nos Estados Unidos, até surgiu

ricana Linda Rottenberg, fundadora da

uma reação ao opt out, batizada de “lean

O fenômeno

in”, que significa, em linhas gerais, mer-

do opt out pode, sim,

mo Endeavor, diz que a responsabilida-

abalar a tendência à presença feminina em

de pelo movimento opt out é majoritariamente das empresas estabelecidas,

cargos de liderança,

por não praticarem boas políticas sobre

gulhar fundo na carreira e esquecer a vida pessoal se for preciso. Essa linha é defendida com unhas e dentes pela executiva-chefe de operações do Facebook, Sheryl Sandberg, que escreveu livro homônimo sobre o assunto. Em resumo, o mar profissional nunca esteve tão bom para as mulheres, mas

uma vez que o número de mulheres aptas a tal posição decresce”

muitas estão decidindo jogar a toalha.

E A OPÇÃO BRASILEIRA José Geraldo Recchia, presidente da firma de consultoria de RH Caliper do Brasil, não acredita que toalhas sejam jogadas, não em escala expressiva. “Se, hoje, ambos os sexos já estão competindo por cargos de gestão, o mesmo acontecerá com os postos de direção

máximo e a “equilibrar todos os pratos” para chegar lá. Serão um grupo extremamente focado.

entre três opções, e não duas: lean in, opt out e o meio-termo, que é conformar-se com uma posição de menos po-

A psicóloga Cecília Russo tem dúvidas.

aqui parece ser a de buscar conciliar as duas vidas – facilitada pela existência de uma mão de obra de apoio para a classe

vas das mulheres universitárias brasi-

média, de domésticas, babás etc.

leiras no mercado de trabalho para seu

“Vejo isso na geração das brasileiras

e avalia: “O fenômeno do opt out pode, sim, abalar a tendência à presença feminina em cargos de liderança, uma vez que o número de mulheres aptas a tal posição decresce”. No entanto, a especialista também crê na possibilidade de uma “seleção natural” mudar o curso dessa história. Embora muitas mulheres caiam fora de fato,

A segunda alternativa é as empresas se para acolherem mais a vida pessoal de seus colaboradores. “Quando as empresas se derem conta realmente de que estão perdendo incríveis talentos, elas vão José Geraldo Recchia acrescenta

maioria das mulheres ainda se divide

Segundo Russo, a tendência dominante

de gênero da Georgia State University

mercado de trabalho de fato.”

Estados Unidos que no Brasil, onde a

diz o especialista.

mestrado no departamento de estudos

tas mulheres talentosas estão saindo do

ter de mudar”, assegura Rottenberg.

der para cuidar da casa.

ma, ela está pesquisando as alternati-

a vida em família e a maternidade. “Mui-

O debate está mais polarizado nos

e, por fim, com a cúpula das empresas”,

Com dois livros publicados sobre o te-

que estão expulsando pessoas de talento

reinventarem em estrutura e processos,

E agora? SELEÇÃO NATURAL

ONG de estímulo ao empreendedoris-

mais jovens, inclusive: elas não estão dispostas a mergulhar totalmente na carreira, esquecendo a vida pessoal, e tampouco querem cair fora se depender delas; desejam tudo”, afirma a pesquisadora. CAMINHO INTERMEDIÁRIO Seja do lado das empresas, seja do das mulheres, como se viabiliza um caminho intermediário?

que muitas empresas estão sendo influenciadas pelos estudos internacionais que evidenciam os benefícios das características de gestão ligadas ao estilo feminino. “À medida que se comprova que o modo de gerenciar associado às mulheres gera melhores resultados nos negócios, mais empresas se sentem compelidas a ajudar na busca de um caminho do meio que possa viabilizar a permanência das mulheres ali”, diz o consultor. As gestoras já têm homens como aliados para mudar as organizações. “Todos os jovens que chegam hoje aos cargos de gestão exigem mais flexibilidade das empresas”, afirma Recchia. Os homens das gerações Y e Z também estão pedindo mais flexibilidade para poder participar mais da criação de seus filhos, reforça Rottenberg –e

ficarão nas empresas aquelas com per-

Uma alternativa em ascensão, que tem

alguns até assumem mais a casa [veja

fil mais ambicioso, dispostas a dar seu

sido adotada por muitas mulheres, é

quadro a seguir].

MAIO/JUNHO – 2015 | Nº 106

31


Camargo conta que um programa para

As empresas estão, de fato, atentas à movimentação. Benefícios como licença-maternidade de seis meses, creche, sala de lactação, vagas especiais no estacionamento para gestantes e horários flexíveis já viraram commodities nas maiores. Além disso, como a Coca-Cola, gran-

Mulheres são imprescindíveis na gestão de uma empresa como a Renault. Cerca de 40% dos cheques dados nas

2009 em âmbito mundial. Na filial brasileira, onde as mulheres representavam apenas 10% do quadro de colaboradores, o programa teve início em 2011. Foi, então, criado um grupo de trabalho interno, com dez mulheres e dois

concessionárias da marca

homens, multifuncional, para estudar incentivos e identificar possíveis “telhados de vidro”, promovendo de-

feminina no quadro de colaboradores,

são assinados por elas, que respondem por 85%

mas também ao estímulo à liderança.

das decisões de compra”

pois, em 2012, a participação femini-

des nomes da indústria desenvolveram programas destinados não só à ampliação mais rápida da participação

Gigante de um setor predominante-

bates e eventos. Só que um ano dena continuava em 10% – o programa não estava funcionando.

mente masculino, o da tecnologia, a Dell montou o programa Wise (sábio,

Por quê? Houve uma revisão no grupo,

em inglês) para ampliar a participação

envolvendo mais homens na mudança

feminina na liderança. Baseado no de-

(a proporção passou a ser meio a meio).

senvolvimento de redes de relaciona-

Também foram incluídas pessoas de

mento e mentoria, o Wise tem grande

maior influência entre o time e promovi-

alcance, abrangendo gênero, orienta-

dos debates com formadores de opinião

ção sexual e pessoas com deficiência

a fim de superar os obstáculos culturais.

física, explica Luciana Madrid, direto-

Em 2014, a boa notícia: a participação

ra de recursos humanos. Para as mulheres, o programa desenvolve comunicação própria e ativida-

das mulheres em postos de liderança suAna Paula Camargo, diretora de RH da Renault

país. Há um braço voltado para o pú-

biu para 11%, e com um importante aumento de números absolutos, segundo Camargo: “Saímos de 531 mulheres em

des de capacitação dentro e fora do

2010 para 688 em dezembro de 2014, “Com a diversidade do time refletindo

ou seja, 157 a mais em quatro anos, em

empreender com a marca, e um encon-

a diversidade dos consumidores, enten-

um universo de 6 mil colaboradores”.

tro internacional, que todo ano reúne

demos melhor nosso público e desenvol-

centenas de empreendedoras.

vemos tecnologias e modelos de negócio

blico externo, para estimular jovens a

adequados”, afirma Madrid.

Luciana Madrid, diretora de RH da Dell

32

chamar o público feminino começou em

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO

Um esforço adicional na Renault está sendo feito no recrutamento externo, no qual há uma espécie de cota infor-

Na filial brasileira da Renault, a diretriz

mal de 50% para mulheres – em cada

para ampliar a participação feminina na

processo, os currículos delas são ana-

companhia veio da matriz na França: a

lisados antes dos deles.

ordem é chegar a 2016 com 20% de mu-

A filial brasileira da Pfizer, a gigante

lheres em postos-chave, relata a diretora

farmacêutica, seguiu as diretrizes glo-

de RH, Ana Paula Camargo. Parece pou-

bais de diversidade do grupo e já tem

co, mas trata-se de um desafio imenso

mudanças para mostrar. Se em 2008,

para uma montadora de veículos, pois

quando o programa se iniciou, 23% dos

esse setor atrai menos mulheres do que

colaboradores eram mulheres no gru-

o de tecnologia.

po todo, hoje, só entre os 2,5 mil cola-


boradores no Brasil, 48% são mulheres ocupando cargos executivos (incluin-

ELE FEZ O “OPT OUT" O movimento opt out sempre é uma

Oriente, achando que poderia também

do os de gerentes e diretores).

das alternativas analisadas por milhões

trabalhar lá em qualquer outra coisa.

O programa da Pfizer é agressivo, conta

de mulheres ao redor do mundo. Mas

Só que não obteve visto de trabalho.

Cristiane Santos, gerente sênior de comunicação corporativa e uma das líderes do Comitê de Diversidade e Inclusão (D&I): prevê a seleção de uma mulher

vem sendo implementado por alguns homens também, incluindo brasileiros, como o jornalista paulista Claudio Henrique dos Santos, de 43 anos.

Nessa hora, Santos diz que teve sua masculinidade

colocada

à

prova.

Ficou em casa, cuidando da filha e administrando o lar. “Até para comprar

para cada homem contratado, a cada va-

Ele ainda constitui uma exceção, é claro,

um sanduíche na rua tinha de pedir

ga criada, tanto na sede administrativa

tanto que virou uma celebridade da

dinheiro para Daniela.”

como nas duas fábricas.

internet com o comentadíssimo blog Macho do Século 21, além de livros publicados e convites para dar palestras em todo o Brasil.

filha], o natural tornou-se eu estar em

havia montado uma loja de vinhos

casa e a mãe trabalhar fora”, relata.

“razoavelmente bem”. Enquanto isso, Daniela, a esposa, “decolava” em uma carreira na área de recursos humanos. Naquele ano, foi convidada pela multinacional do setor de saúde em

Sim, vamos comemorar – ao menos um pouco. Embora as queixas sobre a lentidão do avanço e as dificuldades existentes tenham muitas razões de ser, os processos em andamento em algumas empresas já nos dão direito a alguns sorrisos extras.

que na época tinha 8 anos e ficava mais

Sua vida mudou em 2009. Santos

em comunicação corporativa que ia

COMEMORAR UM POUCO

riquíssima de aproximação com Luiza, com ele que com a mãe. “Para ela [a

depois de terminar uma carreira

Cristiane Santos, uma das líderes do Comitê de Diversidade e Inclusão da Pfizer

Por outro lado, foi uma experiência

que trabalha para ocupar um cargo de vice-presidente em Singapura. Santos

viu-se

apenas

duas

de

repente

opções:

com

abandonar

o empreendimento para acompanhar Daniela e a filha, Luiza, até o outro lado do mundo ou ficar sem as duas. Ele também podia bater o pé e fazê-la desistir do convite. Mas aí entrou o espírito de parceria necessário aos casamentos. “Como

homem,

eu

tinha

tudo

naquele momento para não apoiála. Mas não tive coragem. Minha loja ainda não ia tão bem e aquela era uma oportunidade imperdível para ela”, conta. Decidido a ir para Singapura, mergulhou no projeto, se desfez da loja e embarcou para o Extremo

FASE MAIS DIFÍCIL Hoje, morando nos Estados Unidos, na cidade sede da companhia em que Daniela trabalha, Santos conta que a fase mais difícil já passou. Foi quando, em Singapura, as pessoas perguntavam o que ele fazia. Por vergonha, com medo da pressão social, que é forte em qualquer parte, Santos mentia, dizendo que trabalhava como freelancer. “Um dia, decidi que não podia continuar escondendo a realidade: eu precisava sair do armário no âmbito profissional”, brinca. “Passei a responder apenas com a verdade: ‘Tenho o melhor emprego do mundo: cuido da minha filha’.” Santos garante que, embora tenha sido criado da mesma forma que a maioria dos brasileiros, em uma família machista, percebeu a injustiça disso e sempre agiu diferentemente com a esposa. “Nunca tive problemas com o sucesso dela e nem esse orgulho ferido de homem, por ganhar menos do que ela.”

MAIO/JUNHO – 2015 | Nº 106

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A REPORTAGEM É DE LIZANDRA MAGON DE ALMEIDA, EDITORA-ASSISTENTE DA HSM MANAGEMENT.

GESTORES BRASILEIROS ESTUDAM

DESIGN THINKING CADA VEZ MAIS PROFISSIONAIS DO PAÍS ESTÃO ESTUDANDO A TÉCNICA DE ABORDAR PROBLEMAS DO PENSAMENTO DO DESIGN E CONSEGUINDO TRAZÊ-LA PARA SUAS EMPRESAS

A Nearpod, que funciona em Miami, EUA, é uma platafor-

ças às atividades desenvolvidas em uma escola de design

ma de aplicativos móveis para uso em sala de aula. Profes-

thinking – no caso, a d.school, que faz parte da Stanford

sores do mundo inteiro dão ideias de aplicativos à empresa e, se selecionados, são remunerados para desenvolvê-los

34

University, Califórnia, EUA.

com a equipe interna, formada por programadores, desig-

Guido Kovalskys, fundador e presidente da Nearpod, fez

ners de interface e desenvolvedores de conteúdo.

na d.school o que chama de “residência empreendedora”.

Com vários apps já adotados na rede de ensino da Flórida

No programa, esse argentino com família brasileira teve

rendendo royalties aos professores-criadores, a Nearpod é

um ano, de junho de 2013 a julho de 2014, para se aprofun-

um exemplo de modelo de negócio que se estabeleceu gra-

dar no desenho da Nearpod.

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO


RETOMADA DIDÁTICA Escolas de design vêm atraindo cada vez mais gestores e empreendedores como Guido Kovalskys, e o efeito disso começa a ser sentido no mundo corporativo: retoma-se a velha sabedoria popular de que “a necessidade é a mãe da invenção” – a necessidade dos consumidores, nesse caso. A transposição do pensamento do design para as companhias teve início fora das escolas, há cerca de 25 anos, com

DEPENDER MENOS As escolas de design querem transformar os gestores das empresas em designers protagonistas de seus processos de inovação, sem terem de depender tanto de consultores e fornecedores externos

o trabalho de inovação da empresa de design californiana Ideo, dos irmãos David e Tim Kelley. (Antes, nos anos

O aprendizado desse jeito criativo e único de trabalhar atrai

1970, a academia já discutia a adoção do pensamento do

cada vez mais executivos, principalmente nos Estados Uni-

design nas empresas, mas isso não saía de lá.)

dos e na Europa, mas também no Brasil. Só uma escola de

David Kelley, formado em Engenharia Mecânica, uniu-se

São Paulo projeta ter mais de 500 alunos em 2015.

a colegas para adaptar o método da Ideo a uma escola, a fim

Aqui os gestores estão aprendendo o design thinking de

de poder ensinar todos os tipos de profissionais (executivos, inclusive) a pensar e agir como designers.

duas maneiras: de um lado, muitos têm ido estudar na d.school e em escolas similares nos Estados Unidos – os

Assim, os gestores passariam a ser protagonistas da

cursos de Jeanne Liedtka na Darden School são concorri-

inovação, sem ter de depender tanto de consultores ou

dos entre os brasileiros – e na Europa; de outro, novos cur-

fornecedores externos.

sos de design thinking surgem todos os dias em faculdades

Entre os pilares do método estava a crença, até hoje pou-

e outras instituições brasileiras.

co compreendida, de que uma ideia não vale nada; o que

No Brasil, os cursos são livres e não têm reconhecimen-

importa mesmo é sua execução. É também fundamental

to oficial do Ministério da Educação. Costumam ser

o entendimento de que inovação tem de ser aprendida na

procurados por pessoas graduadas e não há processo

prática, bem longe da zona de conforto.

seletivo, apenas entrevistas para saber se o candidato

Em 2004, nasceu a d.school, dentro do câmpus da Stan-

está afinado com a proposta. Os valores vão de cerca de

ford University, em parceria com o Hasso Plattner Institu-

R$ 1 mil para cursos de curta duração a quase R$ 10 mil

te of Design, alemão.

para cursos de um ano.

MAIO/JUNHO – 2015 | Nº 106

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d.school, EXPERIÊNCIA CALIFORNIANA

e Garcia são exemplos de alunos latino-a-

Para cursar a d.school, é preciso ser aluno

A jornalista estava em um ano sabático

de um dos cursos de pós-graduação em

e foi estudar em Stanford com uma bol-

Stanford e ter um projeto que interesse à

sa de estudos da J. S. Knight Fellowships,

proposta da escola no momento, e assim

que promove a inovação e o empreen-

ingressar como fellow, um tipo de pesqui-

dedorismo em comunicação. “O fellow

sador convidado.

estuda o que quer; eu conheci e quis

Os preços dos cursos de pós-graduação de Stanford variam, mas não são baratos; há, porém, uma série de possibilidades de financiamentos e bolsa de estudos. Outra porta de entrada é que uma empresa contrate um curso ou um workshop para seus funcionários. O MBA de Stan-

a d.school”, explica. Garcia buscava um modelo de negócio digital viável em mídia, indústria que tem sido desconstruída pela internet. Havia trabalhado na agência de notícias Reuters durante 15 anos – depois de parti-

ford, com um curso de design thinking,

cipar da implantação desse serviço no

também oferece uma ponte com os pro-

Brasil, foi correspondente no Uruguai e

fessores da d.school. O curso de MBA cus-

em Washington.

ta cerca de US$ 14 mil, mas há uma série

“Eu estava acompanhando o desafio da

de opções de cursos de educação executi-

digitalização do jornalismo, na era do po-

va, além de workshops de curta duração.

der para as pessoas, e achei que a d.scho-

O time de professores é igualmente pode-

ol me ajudaria a entender como fazer isso

roso: inclui nomes fixos como Kelley, Hasso

bem”, diz.

Plat­tner, Justin Ferrell e Susie Wise, referências de Stanford como Bob Sutton e Jennifer Aaker, profissionais do mercado como o paquistanês Zia Yusuf, da empresa de software Streetline. Se toda escola de design thinking valoriza

estudos era apenas pesquisa em inovação na área de comunicação, mas, na d.school, ele evoluiu para se tornar uma empresa de consultoria e treinamentos. A Orbitalab foi fundada em junho de 2014

pecialmente privilegiada nesse quesito, já

e já tem clientes como o grupo RBS, a Uni-

que recebe alunos do mundo todo.

versidade Metodista, a empresa de sof-

Os programas também sempre têm ex-alu-

twares Globant e o Instituto Projor. “No

nos com muita experiência prática, como

próximo ano e meio vou cuidar da comu-

Kovalskys, que continua na escola, até ju-

nicação digital da Olimpíada Rio 2016”,

lho próximo, para acompanhar os novos

conta Garcia, orgulhosa.

alunos e trabalhar em projetos reais em

Kovalskys já havia tido uma experiência

projetos de empreendedorismo social. Os candidatos preenchem um formulário detalhado e são submetidos a um pitching, para avaliar o que cada um tem a acrescentar.

na Califórnia – em Berkeley, em 1997. Foi quando fez sua migração de executivo a empreendedor, criando logo em seguida,

• Empatia e pesquisa de campo. É preciso se colocar no lugar do outro para entender suas necessidades e valores. Para isso, todos saem a campo e vão conversar com os verdadeiros afetados pelos projetos.

• Pensamento colaborativo e não linear É das conversas e trocas de ideias que surgem as inovações.

no Brasil, a Bionexo, empresa de tecnologia na área de saúde, depois vendida.

“Eles conseguem montar o melhor mix

Mesmo para o experiente Kovalskys, a

de pessoas”, conta a jornalista brasileira

d.school fez diferença. Segundo ele, essa

Adriana Garcia, que foi aluna da d.scho-

escola destaca-se por dar real apoio aos

ol em 2013. Profissionais distintos como o

sonhos dos empreendedores de gerar im-

empreendedor argentino Guido Kovalskys

pacto no mundo.

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO

PRINCÍPIOS-CHAVE DO DESIGN THINKING

O projeto de Garcia aprovado na bolsa de

a diversidade dos alunos, a d.school é es-

parceria com empresas, especialmente em

36

mericanos da d.school.

• Diversidade. Todos têm algo a ensinar e também a aprender, na empresa e na vida.


Adriana Garcia, jornalista brasileira, foi aluna da d.school

EISE, VERTENTE ANGLO-AFRICANA Perto da Avenida Paulista, em São

“Foi um modo radical de entender que

O curso da Eise se baseia em jornadas

Paulo, a Escola de Inovação em Ser-

as necessidades das pessoas têm de

de seis meses ou um ano. Os alunos

viços (Eise) não leva design no nome,

estar em primeiro plano”, explica ele.

escolhem trilhas de conhecimento,

Para Pinheiro, o ciclo de vida da posse

o que faz com que cada curso seja di-

dos produtos é, por definição, “tóxico”

ferente do outro. Grupos se formam

para as empresas. “Ele estimula ciclos

para desenvolver projetos. As pessoas

de venda que se baseiam em vender de

que concluem o curso vão sendo in-

novo, o que gera produtos de má quali-

corporadas às turmas seguintes para

mas ensina a metodologia do design thinking desde o início de 2012. Ela tem um diferencial marcante em relação à d.school: orienta os alunos a pensar em todos os negócios como serviços, e não a criar produtos. Isso se explica por sua ligação com a empresa que é considerada a versão inglesa da Ideo, mas que é especializada em design de serviços, a Livework. A Eise foi fundada e é liderada por Tenny Pinheiro, que desde 2009 comanda, no Brasil, a filial da Livework inglesa. Pode-se dizer que há também uma influência africana na Eise, que a aproxi-

dade e consumo inconsequente.” Já quando os produtos são alugados e o

inspirá-las e ajudá-las a expressar suas ideias.

paradigma é o de serviço, ocorre o contrário, segundo Pinheiro: o interesse do fabricante passa a ser criar produtos de melhor qualidade e duráveis, porque ele arca com as consequências da quebra. Pinheiro desenvolve o tema em seu livro The Service Startup. Segundo o professor e diretor da Eise, o processo mental do design thinking

ma do Brasil em muitos aspectos.

voltado para os serviços ainda tem a

Pinheiro morou dois anos em Angola,

vantagem de resgatar a capacidade

quando o país estava começando seu

individual do gestor de construir como

processo de recuperação econômi-

um artesão, ao contrário do processo

ca e política, depois de anos de guer-

industrial focado no produto, que re-

rilha, e tinha de construir do zero

força a cultura da divisão de trabalho,

toda a sua infraestrutura.

com a execução sem propósito.

Foi um modo radical de entender que as necessidades das pessoas têm de estar em primeiro plano"

MAIO/JUNHO – 2015 | Nº 106

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Adilson Chicória, ex-aluno e hoje facilitador da Eise

Adilson Chicória, da IBM, é uma dessas pessoas. Em 2007, havia criado a própria startup, mas, ao participar da equipe de criação do canvas de Alex Osterwalder, viu que seu modelo de negócio não era promissor e o abandonou. Chicória foi aluno de Pinheiro e hoje é um dos facilitadores da Eise, além de participar da implantação do processo de mudança de cultura da IBM, baseado em design thinking. Para ele, uma vantagem de uma escola como a Eise é a de levar os gestores para as ruas, para perto dos problemas. “Isso muda tudo.”

ESCOLA DESIGN THINKING, d.school À BRASILEIRA Outra opção é a Escola Design Thinking, fundada no final de

curta duração em várias universidades, como Berkeley, Babson, Columbia. Incorporei um pouco de cada uma.”

2012 em São Paulo e gerida por Ricardo Ruffo e Juliana Pro-

Cursar a Escola Design Thinking foi importante para o tra-

serpio, que também têm a firma de consultoria de inovação

balho de Mahiti Godoy, gestora da Informar Saúde, empresa

Design Echos.

de enfermeiros que resolvem dúvidas de usuários de planos

A escola, que se baseia no método da d.school, propõe

de saúde por telefone.

workshops de um dia ou imersões de uma semana, três se-

Segundo ela, analisar o atendimento com cabeça de designer

manas ou seis semanas.

já permitiu uma série de aperfeiçoamentos nos serviços de

Os alunos trabalham em projetos em grupos, a partir de de-

sua empresa, como as melhorias nas telas do sistema usado.

mandas que podem ser propostas por empresas parceiras

DUPLA ENTREGA

ou encontradas na vida real. Na última turma de 2014, por exemplo, estavam redesenhando a relação entre pedestres e motoristas no bairro onde fica a escola. “Uma das coisas que incluímos em nosso curso foi a participação de professores convidados de áreas bem diferentes, como Wellington Nogueira, do grupo Doutores da Alegria, e Fábio Soares, que representava o grupo Blue Man no Brasil”,

A sedução dos cursos de design thinking entre os gestores é compreensível. Como definiu Adriana Garcia, “não adianta mais as empresas apenas comprarem outras empresas, ou investirem em pesquisa e desenvolvimento, para resolver problemas; sermos racionais não nos dá mais as respostas”. No entanto, os estudantes conseguem implementar o que

conta Ruffo.

aprendem na escola de design ou são impedidos pelos chefes?

Basicamente, os grupos de alunos são compostos por cinco

David Kelley recomenda a seus alunos a tática da dupla en-

ou seis pessoas de áreas diversas. Cerca de 70% dos alunos

trega quando voltam à empresa, fazendo as coisas duas ve-

são pessoas físicas que financiam o próprio curso e 30% são

zes – uma como o chefe manda e outra como designers.

encaminhados por empresas.

38

MBA no Brasil, não gostei, fui morar nos EUA e fiz cursos de

Kelley garante que, “assim, o chefe fica feliz porque o pro-

A peregrinação de Ruffo por cursos em várias escolas do

jeto foi feito como ele queria e também surpreso com

mundo também o ajudou a formatar a escola. “Comecei um

as novas ideias”.

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CRAs

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CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO ACRE (CRA-AC) Presidente: Adm. FÁBIO MENDES MACÊDO Av. Brasil, nº 303 - Sala 201 - Centro Empresarial Rio Branco - Centro - 69900-076 - RIO BRANCO/AC Fone: (68) 3224-3365 – 3223-3808 E-mail: craacre@gmail.com Home Page: www.craac.org.br Horário de funcionamento: 7h às 16h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE ALAGOAS (CRA-AL) Presidente: Adm. CAROLINA FERREIRA SIMON MAIA   Rua João Nogueira, nº. 51 - Farol - 57051-400 MACEIÓ/AL Fone: (82) 3221-2481 - Fax: (82) 3221-2481 E-mail: cra@craal.org.br Home Page: www.craal.org.br  Horário de funcionamento: das 8h às 17h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO AMAPÁ (CRA-AP) Presidente: Adm. EDILJANE MARIA CAMPOS DA FONSECA Rua Jovino Dinoá, nº 2455 - Centro- 68900-075 MACAPÁ/AP Fone: (96) 3223-8602 E-mail: cra.macapa@gmail.com Home Page: www.craap.org.br Horário de funcionamento: das 8h às 17h Atend. público das 9h às 15h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO AMAZONAS (CRA-AM) Presidente: Adm. ANTONIO JORGE CUNHA CAMPOS Rua Apurinã, 71 - Praça 14 - 69020-170 - MANAUS/AM Fone: (92) 3303-7100 - Fax: (92) 3303-7101 E-mail: conselho@craamazonas.org.br Home Page: www.craamazonas.org.br Horário de funcionamento: das 8h às 17h30 CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DA BAHIA (CRA-BA) Presidente: Adm. ROBERTO IBRAHIM UEHBE Av. Tancredo Neves, nº 999 - Ed. Metropolitano Alfa Salas 601/602 - Caminho das Árvores 41820-021 – SALVADOR/BA Fone: (71) 3311-2583 - Fax: (71) 3311-2573 E-mail: cra-ba@cra-ba.org.br Home Page: www.cra-ba.org.br Horário de funcionamento: das 9h às 17h30 CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO CEARÁ (CRA-CE) Presidente: Adm. LEONARDO JOSÉ MACEDO Rua Dona Leopoldina, nº 935 - Centro - 60110-484 FORTALEZA/CE Fone: (85) 3421-0909 - Fax: (85) 3421-0900 E-mail: presidente@cra-ce.org.br Home Page: www.craceara.org.br Horário de funcionamento: das 8h30 às 18h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO DISTRITO FEDERAL (CRA-DF) Presidente: Adm. MÔNICA COVA GAMA SAUS - Quadra 6 - 2º. Pav. - Conj. 201 - Ed. Belvedere 70070-915 - BRASÍLIA/DF Fone: (61) 4009-3333 - Fax: (61) 4009-3399 E-mail: presidencia@cradf.org.br Home Page: www.cradf.org.br Horário de funcionamento: das 9h às 17h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO (CRA-ES) Presidente: Adm. HÉRCULES DA SILVA FALCÃO Rua Aluysio Simões, 172 - Bento Ferreira - 29050-632 - VITÓRIA/ES Fone: (27) 2121-0500 - Fax: (27) 2121-0539 E-mail: craes@craes.org.br Home Page: www.craes.org.br Horário de funcionamento: das 9h às 17h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE GOIÁS (CRA-GO) Presidente: Adm. SAMUEL ALBERNAZ Rua 1.137, nº 229, Setor Marista - 74180-160 GOIÂNIA/GO Fone: (62) 3230-4769 - Fax: (62) 3230-4731 E-mail: presidencia@crago.org.br Home Page: www.crago.org.br Horário de funcionamento: das 8h às 18h

Listagem atualizada até o dia 20 de março de 2015

40

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO

CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO MARANHÃO (CRA-MA) Presidente: Adm. ALINE MENDONÇA DA SILVA Rua dos Afogados, 920 - Centro - 65010-020 - SÃO LUÍS/MA Fone: (98) 3231-4160/3231-2976 - Fax: (98) 32314160/32312976 E-mail: crama@cra-ma.org.br Home Page: www.cra-ma.org.br Horário de funcionamento: das 8h às 14h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE MATO GROSSO (CRA-MT) Presidente: Adm. HÉLIO TITO SIMÕES ARRUDA   Rua 05 - Quadra 14 - Lote 05 - CPA - Centro Político e Administrativo - 78050-900 - CUIABÁ/MT Fone: (65) 3644-4769 - Fax: (65) 3644-4769 E-mail: cra.mt@terra.com.br Home Page: www.cramt.org.br Horário de funcionamento: das 9h às 17h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE MATO GROSSO DO SUL (CRA-MS) Presidente: Adm. GRACITA HORTÊNCIA DOS SANTOS BARBOSA Rua Bodoquena, nº 16 - Amambaí - 79008-290 CAMPO GRANDE/MS Fone: (67) 3316-0300 E-mail: presidencia@crams.org.br Home Page: www.crams.org.br Horário de funcionamento: das 8h às 17h30 CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE MINAS GERAIS (CRA-MG) Presidente: Adm. AFONSO VICTOR VIANNA DE ANDRADE Avenida Afonso Pena, nº 981 - 1º. Andar - Centro - Ed. Sulacap - 30130-907 - BELO HORIZONTE/MG Fone: (31) 3274-0677 - 3213-5396 - Fax: (31) 32735699/3213-6547 E-mail: presidencia@cramg.org.br Home Page: www.cramg.org.br Horário de funcionamento: das 8h às 18h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO PARÁ (CRA-PA) Presidente: Adm. JOSÉ CÉLIO SANTOS LIMA – Rua Osvaldo Cruz, nº 307 - Comércio - 66017-090 - BELÉM/PA Fone: (91) 3202-7889 - Fax: (91) 3202-7851 E-mail: gabinete@crapa.org.br / presidencia@crapa.org.br Home Page: www.crapa.org.br Horário de funcionamento: das 9h às 15h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DA PARAÍBA (CRA-PB) Presidente: Adm. EDNALDO FLOR DA SILVA Av. Piauí, nº 791 - Bairro dos Estados - 58030-331 JOÃO PESSOA/PB Fone: (83) 3021-0296 E-mail: crapb@crapb.org.br Home Page: www.crapb.org.br Horário de funcionamento: das 8h às 12h e de 12h às 18h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO PARANÁ (CRA-PR) Presidente: Adm. GILBERTO SERPA GRIEBELER Rua Cel. Dulcídio, nº 1565 - Água Verde - 80250-100 CURITIBA/PR Fone: (41) 3311-5555 E-mail: presidencia@cra-pr.org.br Home Page: www.cra-pr.org.br Horário de funcionamento: das 9h às 18h

CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO RIO DE JANEIRO (CRA-RJ) Presidente: Adm. WAGNER SIQUEIRA Rua Professor Gabizo, nº 197 - Edf. Belmiro Siqueira Tijuca - 20271-064 - RIO DE JANEIRO/RJ Fone: (21) 3872-9550 - Fax: (21) 3872-9550 E-mail: secretaria@cra-rj.org.br Home Page: www.cra-rj.org.br Horário de funcionamento: das 9h às 17h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO RIO GRANDE DO NORTE (CRA-RN) Presidente: Adm. KATE CUNHA MACIEL  Rua Coronel Auriz Coelho, nº 471 - Lagoa Nova - 59075050 - NATAL/RN Fone: (84) 3234-6672/9328 - Fax: (84) 3234-6672/9328 E-mail: cra-rn@crarn.com.br Home Page: www.crarn.com.br Horário de funcionamento: das 12h às 18h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO RIO GRANDE DO SUL (CRA-RS) Presidente: Adm. VALTER LUIZ DE LEMOS Rua Marcílio Dias, nº 1030 - Menino Deus - 90130-000 PORTO ALEGRE/RS Fone: (51) 3014-4700/3014-4769 -  Fax: (51) 3233-3006 E-mail: diretoria@crars.org.br;secretaria@crars.org.br Home Page: www.crars.org.br Horário de funcionamento: das 8h30 às 17h30 CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE RONDÔNIA (CRA-RO) Presidente: Adm. ANDRÉ LUIS SAONCELA DA COSTA  Rua Tenreiro Aranha, nº 2988 Olaria – 76801-254  PORTO VELHO/RO Fone: (69) 3221-5099/3224-1706 - Fax: (69) 3221-2314 E-mail: presidencia@craro.org.br Home Page: www.craro.org.br Horário de funcionamento: das 8h às 17h Atend. público: das 8h às 14h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE RORAIMA (CRA-RR) Presidente: Adm. UBIRAJARA RIZ RODRIGUES  Rua Prof. Agnelo Bitencourt, 1620 - São Francisco, 69.305170 - BOA VISTA/RR Fone: (95) 3624-1448 - Fax: (95) 3624-1448 E-mail: craroraima@gmail.com Home Page: www.crarr.org.br Horário de funcionamento: das 7h30 às 18h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE SANTA CATARINA (CRA-SC) Presidente: Adm. EVANDRO FORTUNATO LINHARES Av. Prefeito Osmar Cunha, 260 - 7º/8º andares - Salas 701 a 707/ 801 a 807 - Ed. Royal Business Center Centro -  88015-100 - Florianópolis – SC Fone: (48) 3229-9400 - Fax: (48) 32224-0550 E-mail: crasc@crasc.org.br Home Page: www.crasc.org.br Horário de funcionamento: das 8h às 18h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE SÃO PAULO (CRA-SP) Presidente: Adm. ROBERTO CARVALHO CARDOSO Rua Estados Unidos, nº 865/889 - Jardim América 01427-001 - SÃO PAULO/SP Fone: (11) 3087-3208/ 3087-3459 - Fax: (11) 3087-3256 E-mail: secretaria@crasp.gov.br Home Page: www.crasp.com.br Horário de funcionamento: das 8h às 17h30 Atend. público: das 9h às 17h

CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE PERNAMBUCO (CRA-PE) Presidente: Adm. ROBERT FREDERIC MOCOCK Rua Marcionilo Pedrosa, nº 20 - Casa Amarela - 52051330 - RECIFE/PE Fone: (81) 3268-4414/3441-4196 -Fax: (81) 32684414 E-mail: cra@crape.org.br Home Page: www.crape.org.br Horário de funcionamento: das 8h às 14h Atend. público: das 8h às 12h

CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE SERGIPE (CRA-SE) Presidente: Adm. CARLOS MENEZES CALASANS ELOY DOS SANTOS FILHO Rua Senador Rollemberg, 513 - São José - 49015-120 ARACAJU/SE Fone: (79) 3214-2229/3214-3983 - Fax: (79) 32143983/3214-2229 E-mail: atendimento@crase.org.br Home Page: www.crase.org.br Horário de funcionamento: das 8h às 14h

CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO PIAUÍ (CRA-PI) Presidente:Adm. PEDRO ALENCAR CARVALHO SILVA Rua Áurea Freire, nº 1349 - Jóquei - 64049-160 TERESINA/PI Fone: (86) 3233-1704 - Fax: (86) 3233-1704 E-mail: administrativo@cra-pi.org.br Home Page: www.cra-pi.org.br Horário de funcionamento: das 12h às 19h

CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE TOCANTINS (CRA-TO) Presidente: Adm. EUGENIO PACCELI DE FREITAS COÊLHO 602 Norte, Av. Teotonio Segurado, Conj. 01, Lt 06 77006-700 - PALMAS/TO Fone: (63) 3215-1240/3215-8414 E-mail: atendimento@crato.org.br Home Page: www.crato.org.br Horário de funcionamento: das 8h às 18h


CONCURSO PÚBLICO POR_ ADM. FLÁVIO BOERES

Façam suas

APOSTAS! “ Todos os caminhos estão errados quando você não sabe onde quer chegar” WILLIAM SHAKEASPARE A disputa por uma vaga no serviço

zação é muito comum, mas ocasiona

Com esses critérios, o foco prova-

público está cada vez mais acirrada.

a perda de tempo e reflete-se na

velmente seria: agência reguladora,

Cada vez mais se faz necessária

ausência de evolução.

tribunal,

A solução para não cair na tentação é

critério 1 elimina qualquer concurso

uma boa preparação. Tenho visto, ao longo desta caminhada, diversas pessoas que erram ao buscar uma resposta imediata para seus anseios de aprovação. Apostam tudo em cada

ter um objetivo bem definido e montar uma estratégia para alcançá-lo. A definição do foco exige uma reflexão pessoal e muita pesquisa. A reflexão

Ministério

Público.

O

de nível médio; o critério 2 elimina vários concursos de ministérios; e o critério 3 elimina qualquer concurso que fuja do interesse de atuar na área administrativa, como, por exemplo,

edital publicado. O “concurseiro”

é importante, pois será a responsável

está propenso a cometer dois erros

pela definição de critérios para a

concursos de carreira policial.

básicos: estudar somente pós-edital

pesquisa posterior. É nesse momento,

e querer fazer todo concurso que

Perceba que a reflexão vai nortear

por exemplo, que se define qual a

aparece. Esses erros remetem a uma

toda a pesquisa e posterior planeja-

remuneração mínima aceitável ou

mento. E lembre-se de que a escolha

mesma situação que é contar com a

qual a área em que se pretende atuar.

do foco está diretamente ligada ao

sorte, ou seja, fazer apostas. E fazer apostas, hoje, é correr o risco de um resultado negativo. Estudar somente depois de divulgado o edital é certeza de não conseguir fechar o conteúdo da prova, pois o prazo é curto. É claro que existem casos de sucesso, entretanto, a regra é a reprovação. E fazer todo concurso que aparece sem qualquer planejamento ou organi-

tempo de preparação, ou seja, quanto VAMOS A UM EXEMPLO PRÁTICO:

Critério 1: concurso de nível superior

mais degraus subir na escolha, mais tempo de estudo. A definição de foco é essencial para uma preparação com qualidade. E a sua delimitação permitirá uma

Critério 2: ganhar acima de R$ 6.000,00 Critério 3: área de atuação administrativa

* Flávio Boeres é Administrador, coach de concursos, pós-graduado em Gestão de Pessoas e em Logística, Transporte e Mobilização.

preparação mais direcionada. Por isso, aposte todas as suas fichas numa boa preparação. Tenha foco, faça muita pesquisa e estude bastante. Até a próxima.

MAIO/JUNHO – 2015 | Nº 106

41


CONSELHO POR_ ANA GRACIELE E WELLINGTON PENALVA/CFA

JUBILEU DE OURO:

meio século de conquistas

E

EM 2015 O SISTEMA CFA/CRAs COMEMORA 50 ANOS DE REGULAMENTAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO NO BRASIL m jubilo! É como se encontra o Sistema CFA/

a campanha publicitária de valorização profissional terá

CRAs e os profissionais de Administração do país.

veiculação nacional.

São 50 anos de regulamentação da profissão, meio

século, e o Conselho Federal de Administração (CFA) e os Conselhos Regionais de Administração (CRAs) comemoram em grande estilo. A programação do Jubileu de Ouro está completa e contempla todas as áreas da Administração. Inicialmente inspirado no cinquentenário, o CFA publicou a Resolução Normativa nº 441, instituindo 2015 como o Ano do Administrador no Brasil. Ao longo do ano, o CFA e

O Sistema CFA/CRAs desenvolveu agenda de eventos para 2015 que inclui na programação aulas magnas nas Instituições de Ensino Superior (IES) e a produção do livro “Jubileu de Ouro”, obra que registrará os mais relevantes fatos do Sistema CFA/CRAs neste meio século de existência. O ano comemorativo inclui, também, homenagens, sessões solenes, Corrida do Administrador, entre outros.

os CRAs realizarão diversas ações, eventos, homenagens e

Você ainda pode conferir o vídeo dos 50 anos da

projetos em todo o país para comemorar a data. Além disso,

profissão acessando www.cfa.org.br/cfatv

PESQUISA NACIONAL

Perfil, formação, atuação e oportunidades de trabalho do profissional de Administração NO ANO DO JUBILEU DE OURO DA PROFISSÃO, O CFA PREPARA A SEXTA EDIÇÃO DA

Q

42

PESQUISA QUE DEVE SER LANÇADA NO SEGUNDO SEMESTRE uatro anos após a quinta

profissional. Além disso, a pesquisa

as instituições competentes podem

edição

“Pesquisa

explanará o perfil dos coordenadores e

encontrar mudanças e ajustes para

Nacional: perfil, formação,

professores vinculados aos cursos de

melhor formar os estudantes dos cursos

atuação e oportunidades de trabalho

Bacharelado em Administração, como

de Bacharelado em Administração

do profissional de Administração”, o

nas edições anteriores. A pesquisa

e

Conselho Federal de Administração

também trará resultados a respeito das

determinada área da Administração.

(CFA) prepara um novo estudo.

tendências do mercado para a profissão.

“A Pesquisa Nacional: perfil, formação,

A iniciativa do CFA tem como objetivo

Com a primeira edição publicada em

atuação e oportunidades de trabalho

traçar

socioeconômico

1994, a pesquisa se tornou um sólido e

do profissional de Administração”

e acadêmico dos Administradores

importante meio de informação para

está em fase de desenvolvimento e

e

nesta

o Sistema CFA/CRAs e, também, para

será lançada nas comemorações dos

edição – e seu nível de aperfeiçoamento

a sociedade. A partir desse trabalho,

50 anos da profissão.

um

tecnólogos

perfil –

da

inseridos

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO

superiores

de

tecnologia

em


XIV FIA É UM SUCESSO EVENTO ACONTECEU NO VIVO RIO E NO MAM, NO RIO DE JANEIRO, ENTRE OS DIAS 18 E 20 DE MAIO

C

onselho

Regional

de

Para Ana Moreno, eventos como

Administração do Rio de

o XIV FIA promovem a profissão

Janeiro

e

(CRA-RJ),

em

a

união

dos

administradores

parceria com o Conselho Federal de

latino-americanos. “Vamos seguir

Administração (CFA) e os CRAs do

exercendo com muito compromisso

Distrito Federal, Minas Gerais, Paraná

essa nossa profissão”, defendeu a

e Rio Grande do Sul, realizou, de 18 a

presidente da OLA. Já para o vice-

20 de maio, o XIV Fórum Internacional

governador do Rio, o aperfeiçoamento

de Administração (FIA). O evento

da administração deve ser meta

reuniu, no Vivo Rio e no Museu de Arte

primordial de todos os governos.

Moderna do Rio de Janeiro, cerca de três

Francisco chamou a atenção para

mil pessoas por dia, entre profissionais

o fato de que muitas deficiências

e estudantes de Administração, além de conferencistas e autoridades. A abertura do evento foi bastante prestigiada e compuseram a mesa solene o presidente do CRA-RJ, Adm. Wagner Siqueira; o presidente do CFA, Adm. Sebastião Luiz de Mello; o vice-governador do Estado do Rio de Janeiro, Francisco Dorneles; o Deputado Federal Simão Sessim que,

encontradas no Estado - como na saúde, por exemplo - são causadas mais pela falta de administradores em postos chaves do que pela ausência de recursos. “Faço votos de que, mais do que nunca, o país precisa de administradores”, conclamou. O Jubileu de Ouro foi destacado na fala do presidente do CFA. Sebastião Mello ressaltou que o tema do XIV FIA – “50 anos de transformação e o futuro da

Afinal, um país bem administrado é

Administração” – visa justamente

melhor para todos nós”, finalizou.

repensar e refletir sobre o futuro da

Um dos pontos altos da cerimônia de

profissão. “Sim, que nesse Jubileu de

abertura do XIV FIA foi a apresentação

Ouro façamos uma reflexão primorosa

Ana Marta Moreno; o presidente do

da Orquestra Sinfônica Villa Lobos e as

do que já aconteceu, do quanto a

CRA-PR, Adm. Gilberto Griebeler;

Crianças quem além do Hino Nacional

profissão evoluiu e as conquistas já

o presidente do CRA-RS, Adm.

Brasileiro, tocou de Chiquinha Gonzaga

alcançadas pelo Sistema CFA/CRAs”,

e o clássico “Samba do Avião”, de Tom

Valter Lemos; a presidente do CRA-

disse. Ao final, Sebastião Mello fez um

Jobim. A Orquestra é fruto do projeto de

DF, Adm. Mônica Cova Gama; e o

chamado especial: “Quem venha os

formação e profissionalização musical,

presidente do CRA-MG, Adm. Afonso

próximos 50 anos! Vamos construir

vinculado ao Museu Villa-Lobos e com

Victor Vianna de Andrade.

juntos, o futuro da Administração.

direção de Turíbio Santos.

na ocasião, representou o presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha; a presidente da Organização Latinoamericana de Administração (OLA),

MAIO/JUNHO – 2015 | Nº 106

43


Conselho

PROGRAMAÇÃO diversificada

O XIV FIA trouxe uma rica programação. Com o tema “50 anos de transformação e o futuro da Administração”, o evento

1ª Corrida do

ADMNISTRADOR E PROFESSOR

ofereceu ao público palestras com renomados conferencistas

Centenas de corredores marcaram presença na I Corrida do

como o filósofo colombiano Bernardo Toro, os pesquisadores

Administrador e Professor. O evento, realizado pelo Conselho

franceses Pierre Lévy e Sebastien Charles, o historiador

Regional de Administração do Rio de Janeiro (CRA-RJ), em

brasileiro Leandro Karnal, o cientista Silvio Meira e o consultor

parceria com a Associação Beneficente dos Professores Públicos

José Pastore.

Ativos e Inativos do Estado do Rio de Janeiro (APPAI), foi

Os assuntos tratados no XIV FIA 2015 foram: Como administrar as complexidades de 2015; Governança e liderança na organização moderna; Os compromissos da Administração

realizado, na manhã do dia 17 de maio, no Rio de Janeiro, abrindo oficialmente a programação do XIV Fórum Internacional de Administração (FIA).

com a gestão da sustentabilidade; Novos modelos de gestão;

O CRA-RJ foi o primeiro Regional a realizar a Corrida do

Pessoas e organizações: outro contrato social?; A crise na

Administrador, evento que faz parte do Jubileu de Ouro da

educação: um problema institucional?; Estratégia com

Administração e previsto para acontecer em outras cidades

tecnologia e inovação; Valores éticos na organização; O que

brasileiras ao longo deste ano. De acordo com o presidente do

a sociedade espera de suas instituições; E os próximos 50

CRA-RJ, Adm. Wagner Siqueira gestão e esporte tem tudo a ver.

anos?; Ensino: a qualidade necessária; O Administrador 50

“O evento serve não só para celebrar o cinquentenário da profissão,

anos depois: identidade e protagonismo; e Obsolescências e

mas também promover a prática de atividades físicas e hábitos

revitalizações nas instituições públicas.

saudáveis”, disse.

ENCERRAMENTO EMOCIONANTE Após três dias de intenso de trabalho,

Adm. Afonso Victor Vianna de Andrade.

finalizando que “é preciso combater

o XIV FIA foi encerrado com muita

“A razão me diz, nesse momento, que devo

emoção. Participaram do encerramento

fazer um pronunciamento racional, mas é

o bom combate”.

o presidente do CRA-RJ, Adm. Wagner

impossível não deixar o coração falar nesse

Siqueira; pelo presidente do CFA, Adm.

momento”, disse Wagner, emocionado.

Sebastião Luiz de Mello; pelo presidente

“Raramente reunimos pessoas de várias

Independente

do CRA-PR, Adm. Gilberto Griebeler;

nacionalidades em uma única causa.

apresentou, animando o público

pelo presidente do CRA-RS, Adm. Valter

Delegações de todos os estado brasileiros

Lemos; pela presidente do CRA-DF, Adm.

e dos CRAs de todo Brasil, saudação a

Mônica Cova Gama; e pela Conselheira

conselheiros federais, o futuro da profissão

Federal, Adm. Sonia Ferraz que, na ocasião,

está aqui com a presença massiva de

Os vídeos das palestras estão disponíveis

representou o presidente do CRA-MG,

estudantes de administração”, afirmou,

no canal do CFATV no Youtube.

44

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO

Após a solenidade de encerramento, a bateria da escola de samba Mocidade de

Padre

Miguel

se

O XIV FIA foi transmitido pelos canais de comunicação CFA: CFATV e Rádio ADM.


Plataforma do Conhecimento

SUPERA EXPECTATIVAS EM SUA PRIMEIRA EDIÇÃO DO ANO, A INICIATIVA DO CFA EM PARCERIA COM OS CRAs BATEU RECORDE DE AUDIÊNCIA

O

Conselho Federal de Administração (CFA),

é louvável, pois possibilita o alinhamento entre teoria e prática

em parceria com o Conselho Regional de

por meio de temas relevantes na área da gestão atualizando

Administração de São Paulo (CRA-SP), realizou

estudantes e profissionais”, afirmou o Adm. Cleber Suckow

no dia 27 de maio a primeira edição do ano da Plataforma do Conhecimento. Transmitido diretamente da sede do CRA-SP, o evento superou as expectativas. O programa, transmitido ao vivo pelo CFATV, obteve o recorde de

Nogueira, mediador do debate. A transmissão ao vivo da Plataforma do Conhecimento teve duração de uma hora e dez minutos e abordou o tema “Ensino e

audiência desde a sua criação.

Aprendizagem em Administração”. Em formato mesa-redonda,

Comparando com o maior número de acessos anteriores,

perguntas dos internautas. De acordo com a coordenadora no

foi constatado um aumento de mais de 700% no número de

grupo, Adm. Teresinha Covas Lisboa, um dos trunfos do projeto

espectadores. “Sabíamos que a Plataforma do Conhecimento

é aproximar o Sistema CFA/CRAs do seu público por meio da

é um excelente projeto pelo seu cunho didático que desperta

educação agregando valor a formação do profissional.

interesse. A verdadeira surpresa foi a receptividade no

cinco profissionais discutiram o assunto e responderam

retorno das transmissões, o número de espectadores superou

A Plataforma do Conhecimento é uma parceira do CFA e

nossas melhores expectativas”, afirma o presidente do CFA,

CRAs que tem por objetivo interagir e difundir conteúdos e

Adm. Sebastião Luiz de Mello.

conhecimentos ligados à Administração para a sociedade. Os

Os participantes do Grupo de Excelência em Gestão de Instituições de Ensino Superior – grupo que promoveu o debate – ressaltaram a importância do projeto na formação e carreira dos profissionais de Administração. “A iniciativa

debates são transmitidos ao vivo pelo CFATV e, a cada edição, especialistas nos mais diversos assuntos estarão reunidos para compartilhar assuntos na área de gestão. Acesse: www.cfa.org.br/cfatv

MAIO/JUNHO – 2015 | Nº 106

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LIDERANÇA POR_CINTHIA ZANOTTO

Líderes a favor

DE PESSOAS MELHORES EM MEIO ÀS NOVAS ESTRUTURAS ORGANIZACIONAIS, COMO É POSSÍVEL CONQUISTAR A LIDERANÇA E CRIAR SITUAÇÕES EM QUE AS PESSOAS POSSAM CRESCER PESSOAL E PROFISSIONALMENTE

48

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO


N

as últimas décadas, o mercado de trabalho

buem a alguém essa condição. Por isso, as referências

passou por diversas mudanças. Muitos

pessoais e profissionais de um líder – passado, fama e

ambientes profissionais deixaram de ser tão

opinião das pessoas a seu respeito – são essenciais para

rígidos e padronizados para serem mais permissivos,

dar credibilidade à sua atuação dentro de um grupo.

cooperativos e com uma estrutura organizacional hori-

“Estudos sobre influência interpessoal demostram que

zontal, diminuindo o distanciamento entre as pessoas.

ninguém motiva ninguém. O máximo que o líder pode

Consequentemente, a relação dos membros de um

fazer é oportunizar situações em que as outras pessoas

grupo ficou mais calorosa e menos competitiva. Consi-

percebam algum sentido. Nessa perspectiva, o liderado

derando este quadro como a realidade encontrada na

tem que perceber como significativo algo que o líder

maior parte das empresas atualmente, a pergunta a ser

propõe para atender às suas necessidades e interesses”,

feita é: qual é o papel do líder hoje em dia?

acrescenta.

Para o professor de Liderança Estratégica da FAE

Para criar um ambiente em que a liderança possa ser

Centro Universitário, Dante Quadros, o modelo de

conquistada, o relacionamento interpessoal deve ser

comportamento de um líder dentro de uma empresa

autêntico, prevalecendo o diálogo aberto e transpa-

tem a ver com a cultura da organização. Em ambientes

rente. Isso vale não somente para as questões racionais

participativos e inclusivos, os líderes precisam levar em

como também para as emocionais. Embora os esforços

consideração a opinião dos participantes e serem mais

para a boa convivência precisem ser considerados

flexíveis ao se posicionarem. Já em estruturas mais

sempre, a honestidade evitará que alguém venha a se

conservadoras, quem estiver à frente de uma equipe irá

sentir usado ou manipulado por técnicas diplomáticas

apresentar atributos como austeridade, centralização

utilizadas em qualquer situação desfavorável.

e sentido de direção. “A liderança eficaz passa pelo menos por três componentes: uma grande capacidade de diagnosticar a situação (perceber o que de fato está ocorrendo), um repertório de habilidades que possa dar respostas e atender adequadamente àquela situação e valores fundamentais que sustentem as decisões (ética e conduta moral)”, explica o professor. Segundo Quadros, a liderança não acontece de imediato. Ela faz parte de um processo em que os liderados atri-

Estudos sobre influência interpessoal demostram que ninguém motiva ninguém. O máximo que o líder pode fazer é oportunizar situações em que as outras pessoas percebam algum sentido"

MAIO/JUNHO – 2015 | Nº 106

49


Liderança

ELOGIOS E FEEDBACKS Para uma relação apropriada com os membros da

Conforme explica o professor, não faz muito tempo, os traba-

equipe é necessário deixar prevalecer a particularidade

lhadores eram mais distantes uns dos outros nas organizações

de cada um. De acordo com o professor Dante Quadros,

em decorrência da hierarquia rígida. Hoje em dia, é comum

já não vale mais a regra do tratar todo mundo igual, pois

verificar casos em que um profissional pode apresentar um

cabe ao líder explorar a individualidade, sem discrimi-

conhecimento maior sobre determinado assunto até mesmo

nação. “Tarefa difícil, mas que os verdadeiros líderes sabem desempenhar com maestria”, completa. Em um espaço formado por personalidades diferentes, as atitudes de um líder podem ser bem vistas ou não. Para alguns, por exemplo, um elogio pode não ser bem-vindo. “Pesquisas recentes demostram que as pessoas chegam a desconsiderar e a duvidar da intencionalidade dos elogios. Entretanto, a maturidade do líder vai saber distinguir melhor as pessoas para que

50

em relação aos seus superiores. Em épocas de situações controversas como estas, novamente o diálogo maduro e responsável entre os membros do grupo é apontado como a chave para falar sobre os erros cometidos no trabalho e fazer o feedback ser bem aceito. Para isso, vale esclarecer, antes de tudo, as diferenças entre as questões pessoais e de desempenho. “No trabalho, é importante levar em conta que ninguém precisa gostar de ninguém, mas é preciso alcançar

possa exercer uma postura mais adequada com cada

resultados em conjunto. A soma é maior do que as partes”, fala.

indivíduo de forma diferente”, declara.

Um dos meios utilizados por bons líderes para criar ambientes

Outro fator capaz de gerar grandes problemas de rela-

de alto desempenho, evidenciando o aprendizado e a confiança

cionamento e comprometer a execução de tarefas é o

entre os indivíduos, são as reuniões inteligentes. De acordo

feedback relacionado aos erros. Para evitar qualquer

com o professor, quando bem executadas, as pessoas se

atrito, é responsabilidade do líder criar um ambiente

envolvem, pois podem encontrar ajuda e apoio no grupo para

de aprendizado comum sem existir subordinação, fazer

lidar com situações estressantes, além de esclarecimento

ameaças ou prometer punições.

e desenvolvimento pessoal.

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO


QUALQUER UM PODE SER UM LÍDER Para ser um bom líder é preciso buscar pelo desenvolvimento pessoal. Não existem pessoas natas para a liderança. O professor Dante Quadros afirma que há aquelas com mais facilidade para aprender, mas todas são capazes de superar as expectativas e ultrapassar seus limites. “Uma pessoa é dotada de inteligência múltipla, podendo, em determinada circunstância, desenvolver também inigualáveis aspectos de liderança. Se isso não fosse verdade, de que adiantariam todos os esforços dos programas de desenvolvimento de líderes? O fato é que quanto mais líderes bem preparados e éticos, mais estaremos contribuindo para a melhoria da saúde das pessoas e de uma melhor sociedade”, afirma.

MAIO/JUNHO – 2015 | Nº 106

51


REGRAS POR_NÁJIA FURLAN

QUANDO A CONFIANÇA ESTÁ DOENTE, SERVE PARA PREVENIR, DIAGNOSTICAR E REMEDIAR

A cura via

COMPLIANCE 52

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO


D

esde a época de nossos avós,

de compliance não seria necessário se

problemas concorrenciais, entre ou-

boas relações de mercado se

as pessoas cumprissem fielmente as

tras. As empresas americanas foram

estabelecem quando exis-

políticas da companhia, mas, como

as pioneiras, estimuladas pela sua lei

tem, sobretudo, confiança e transpa-

isso é impossível, “a função de com-

anticorrupção (FCPA – publicada em

rência. Desde que os contratos eram

pliance officer tornou-se indispensá-

1977). Tratados internacionais con-

fechados “no fio do bigode”, se uma

vel para as empresas que pretendem

tribuíram para a disseminação des-

das partes não passar credibilidade e

ter uma gestão adequada a prevenir,

ses conceitos para a Europa e, mais

a outra não se sentir segura, nada fei-

detectar e responder corretamente

recentemente, para o Brasil”, afir-

to. Naquele tempo bastava a palavra.

aos riscos de violações, incluindo po-

ma o expert em compliance Wagner

tencial corrupção ou fraude”.

Giovanini.

Porém, hoje é preciso muito mais...

Segundo ele, que foi diretor de

Em tempos de escândalos sequen-

Compliance da Siemens para a

ciais e por todas as partes; quando

América do Sul, diretor técnico do

empresas públicas e privadas se cor-

Instituto Paulista de Excelência da

rompem; quando nunca se ouviram

Gestão (Ipeg) e é autor do recente li-

tanto palavras como sonegação, cor-

vro “Compliance – A Excelência na

rupção, desvio e investigação; os ad-

Prática”, o conceito evoluiu com a ne-

ministradores, homens e mulheres de

cessidade de a empresa demonstrar

negócio, têm de lançar mão de outras

que é ética, íntegra e transparente.

ferramentas para garantir o inves-

“Assim, sistemas de compliance mo-

timento, as oportunidades e manter

dernos apresentam uma estrutura

sócios e stakeholders. Ainda bem que

baseada em pilares como, por exem-

atualmente existe compliance.

plo, prevenção, detecção e correção”,

Se simplesmente traduzimos a pa-

completa o especialista.

lavra da língua inglesa para o português, compliance quer dizer “obser-

TRÊS PILARES

vância, conformidade”. No mundo corporativo, é exatamente isso. Ou seja, como explica Daniel Sibille, advogado responsável pelo programa de compliance da Oracle na América Latina, professor da FIA e coordenador do Curso Preparatório de Compliance da LEC, “cumprimento

Daniel Sibille, responsável pelo programa de compliance da Oracle na América Latina

EVOLUÇÃO “O compliance surgiu com a neces-

Nos dias de hoje, como ainda explica Giovanini, quando a prioridade está concentrada na prevenção, é importante “identificar riscos, definir um código de conduta, sensibilizar as pessoas para o seu cumprimento e o investimento em progra-

das regras internas e externas pelas

sidade de as empresas se protege-

empresas, seus funcionários e tercei-

rem contra desvios de condutas e

ros que com ela interagem”.

infrações às leis, principalmente,

No entanto, só prevenir não basta. “Aí

Segundo ele, em tese, um departamento

relacionadas a fraudes, corrupção,

que entra a detecção, que é formada,

mas profissionais de comunicação e treinamento”.

MAIO/JUNHO – 2015 | Nº 106

53


Regras

inicialmente, com controles robustos

principalmente, depois da entrada em

é importante salientar que a respon-

e processos de auditorias, mas está

vigor da Lei 12.846/13. “Se tais ris-

sabilidade de estar e ser compliance é

nos Canais de Denúncia, seguidos

cos se concretizarem, haverá perdas

de cada um”, pontua o professor Assi,

de apuração e investigação, a mais

financeiras e terríveis consequên-

que é mestre em Ciências Contábeis

eficiente ferramenta para identificar

cias para a reputação e imagem da

e atua desde 2002 com Compliance,

eventuais desvios”, detalha.

organização. Além disso, há um cres-

Gestão de Riscos, Controle Interno,

Aqui, uma dica importante de Wagner

cente movimento de empresas com

Segurança da Informação e Auditoria

sistemas de compliance privilegia-

Interna. A especialidade dele é, exa-

rem parceiros que também possuam

tamente, prevenção a fraudes e a la-

mecanismos similares de combate a

vagem de dinheiro.

Giovanini: “Para a detecção, a empresa deve assegurar a confidencialidade e proibir a retaliação. Além disso, para aumentar a chance de sucesso desse

ilicitudes”, conclui.

mecanismo, deve terceirizar a gestão

RESUMINDO

desses canais, permitir a manifestação

“Se analisarmos os recentes escânda-

anônima e disponibilizar acesso 24 ho-

los vamos poder ter uma ideia do dano

ras por dia e 7 dias por semana”.

reputacional de imagem, prejuízo fi-

Por terceiro, o pilar “correção”, o profis-

nanceiro e degradação da figura dos

sional garante que “a credibilidade do

sócios e administradores das empre-

sistema de compliance só será mantida

sas envolvidas”, afirma Daniel Sibille.

se a empresa adotar medidas eficazes

Segundo

para eliminar causas dos desvios e, se

ele,

um

programa

de

compliance eficiente, que conte com

pertinente, aplicar as sanções discipli-

suporte da alta administração e re-

nares para os infratores”.

cursos, certamente conseguiria ter mapeado os riscos existentes e insti-

RISCOS “No mundo real, não existe ‘risco zero’ de algo não acontecer. Assim, um sistema de compliance existe não para evitar 100% dos desvios, mas sim para reduzir sensivelmente a possibi-

RESPONSABILIDADE

lidade de sua ocorrência. Isso signifi-

De acordo com Marcos Assi, no dia a

ca que o simples fato de haver um des-

dia de uma empresa, um mapeamen-

vio pontual não indica que o sistema

to de controle e de riscos entra nas

de compliance não tenha funcionado.

operações com clientes, fornecedo-

Mas, se os desvios acontecem siste-

res, expedição, estoques, recursos

maticamente, há a inevitável dedução

humanos, tecnologia da informação

de que o sistema não existia ou não funcionava”, afirma Wagner. Segundo ele, a inexistência de um sistema efetivo de compliance deixa uma empresa exposta a riscos enormes,

54

Marcos Assi atua desde 2002 com Compliance, Gestão de Riscos, Controle Interno, Segurança da Informação e Auditoria Interna

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO

(segurança da informação e gestão de terceiros), contabilidade, financeiro, jurídico, enfim, em todas as áreas. “A prática do compliance está contemplada em toda a organização, mas

tuído ferramentas de mitigação para esses e outros casos.

No mundo real, não existe ‘risco zero’ de algo não acontecer. Assim, um sistema de compliance existe não para evitar 100% dos desvios, mas sim para reduzir sensivelmente a possibilidade de sua ocorrência"


RBA PERGUNTA, WAGNER GIOVANINI RESPONDE

DICAS PRÁTICAS PARA INVESTIR JÁ NA IMPLANTAÇÃO DESSE SISTEMA Por que investir?

mitigadoras (que podem gerar atividades, processos e controles

Com a implementação de suas práticas e procedimentos, a

sistêmicos); estabelecer um código de conduta, políticas e

empresa passa a contar com ganhos imediatos, como, por

procedimentos claros sobre valores, princípios e regras específicas

exemplo: • reduz a incidência de eventuais fraudes, apropriação indevida de ativos, entre outras perdas; • melhora a governança, os controles internos e a gestão de

de compliance; estabelecimento de um canal de denúncia eficiente, com a garantia de apuração de todas as manifestações, confidencialidade e proibição à retaliação; implementação de um

diversos processos;

programa eficiente e profissional de comunicação e treinamento;

• apresenta-se como um ótimo mecanismo de atração

implementação de gestão dos terceiros, de forma a mitigar os

e retenção de bons profissionais (normalmente, os bons

riscos inerentes.

profissionais não querem ter seu nome atrelado a empresas que podem estar amanhã nos jornais); • propicia aos funcionários a satisfação de estarem numa empresa ética e íntegra (a experiência mostra que as pessoas, em sua maioria, preferem fazer o certo e, quando percebem que

Como se estrutura um sistema de compliance? O que todas as empresas precisam assegurar é o cumprimento dos preceitos da ética e integridade, o que normalmente é conseguido

a empresa está dando essa oportunidade a elas, reconhecem

por meio de um sistema de compliance. Conforme o tamanho da

esse esforço e passam a contribuir com esse sistema – isso

empresa, exposição a riscos, ambiente onde opera, entre outras

gera orgulho e pode, inclusive, ser fator motivador, causando

particularidades, talvez seja suficiente para essa empresa apenas

melhoria do clima organizacional e aumento de produtividade);

um responsável pelo sistema de compliance (trabalhando de

• favorece o diálogo franco entre chefe e subordinado.

maneira integral ou parcial) e não necessariamente uma área para

Quais as dificuldades? Por quais etapas passa esse trabalho de implantação? Realmente não é fácil. Mas essa não pode jamais ser uma desculpa para não fazê-lo! A maior dificuldade é a empresa entender de fato o que precisa fazer e como. O sistema de

esse fim. Mas, se a quantidade de atividades, práticas, processos e controles desse sistema justificar a formação de uma área específica, alguns aspectos fundamentais devem ser considerados, como, por exemplo:

compliance deve ser de acordo com a natureza da empresa,

• calcular a quantidade de profissionais necessários para a

seus riscos, seu tamanho, sua cultura e outros diversos fatores.

operacionalização e gestão do sistema de compliance;

Em resumo, o compliance é um sistema que, obrigatoriamente,

• escolher pessoas de acordo com um perfil previamente definido;

deve ser customizado, ou seja, não pode ser copiado de outra

• privilegiar a formação de equipes multifuncionais, de maneira

organização na íntegra.

a obter o maior conhecimento conjunto possível em relação

Outra dificuldade importante é convencer as pessoas sobre as mudanças necessárias no seu cotidiano. É comum haver resistências, argumentações como “eu sempre fiz assim, por que mudar agora?”, ou “por que devo me submeter a novas

à dinâmica dos negócios da empresa e a funções úteis para o cumprimento dos requisitos de compliance (exemplos: auditoria, comunicação, gestão de processos, financeiro, vendas,

regras se sempre fui ético?”, entre outros.

contabilidade, entre outros);

A implementação do compliance passa por diversas etapas,

• prover todos os recursos necessários para que os objetivos de

mas podemos resumir em: identificar os riscos; definir medidas

compliance sejam alcançados.

MAIO/JUNHO – 2015 | Nº 106

55


Regras

UM CASE A Siemens é um grande case de compliance. Surgiram denúncias nos jornais alemães em novembro de 2006 e

AÇÕES AUXILIAM GESTÃO segundo Marcos Assi

a empresa, em âmbito mundial, reagiu imediatamente com respostas impactantes e decisivas para “virar o jogo”. Houve a saída de quase toda a diretoria mundial no início de 2007, instauração de uma auditoria interna abrangente e muito detalhada e implantação simultânea de um programa de compliance robusto e efetivo em todos os países onde a Siemens atuava, num tempo realmente muito pequeno. Eu tive o privilégio de ser convidado, em meados de 2007, para estruturar e organizar o compliance na Siemens Brasil, incluindo a formação do departamento, recrutamento das pessoas, estabelecimento de um modelo de gestão para o compliance e a colocação em práti-

CADASTRO Seja para clientes ou fornecedores, afinal, antes de realizarmos qualquer tipo de negociação, devemos saber com quem estamos lidando, obtendo todas as informações possíveis sobre a empresa e seus sócios.

ca de todas as diretrizes estabelecidas pela casa matriz. Na época, já com 22 anos de empresa, tive um momento profissional dos mais ricos em aprendizado. O esforço foi brutal, mas tive a felicidade de contar com o total apoio da alta direção da empresa e da maioria esmagadora dos funcionários. Assim, foi um enorme trabalho em equipe, com um objetivo único, com metas audacio-

MONITORAMENTO

sas e, por fim, coroado com um êxito sem precedentes.

Conhecimento como efeito de controles

As conquistas alcançadas com esse processo, sem dú-

internos, pois só consigo monitorar aquilo que

vida, mitigaram os riscos de compliance e, automatica-

posso controlar. Devemos avaliar resultados,

mente, transformaram a Siemens Brasil numa referên-

liquidação financeira, limites, faturamento,

cia no mercado. Centenas de outras empresas, univer-

negociação, licitação, compras, contabilidade,

sidades, escritórios de advocacia, consultorias e outras

entre outros.

organizações visitaram a Siemens para conhecer de perto o funcionamento desse sistema. A Siemens Brasil também se tornou referência dentro da organização mundial, “exportando” diversas boas práticas para muitos países. Os exemplos mais importantes foram na comunicação, estruturação da organização de compliance, estratégias de indicadores e ferramentas para profissionalizar e sistematizar determinadas atividades.

TESTES E AUDITORIAS Sempre que possível, analisar a eficácia de seus sistemas, avaliar as perdas e falhas na busca de melhorias operacionais e, quando necessário, realizar alterações nas normas e procedimentos internos e nos seus processos de controle.

56

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO


PROFISSIONAL DE COMPLIANCE “Não tenha dúvida, ter um profissional de compliance na empresa é uma segurança para a companhia e para o Administrador, pois cabe a esse profissional a condução de uma análise de risco minuciosa para mapear os principais riscos existentes e implementar medidas corretivas”, afirma Daniel Sibille, o Latin America Compliance Counsel da Oracle. Segundo ele, o profissional de compliance deve possuir conhecimento de legislações anticorrupção, boa comunicação, seja “hands on” e consiga interagir com diversas áreas dentro da companhia. A atuação do compliance pode ser notada pelo menos em três situações diferentes no dia a dia da empresa. “Quando somos consultados sobre a possibilidade de aceitação de determinado documento capaz de gerar revenue para a empresa; quando conduzimos investigações para apurar a autoria e materialidade de infrações ou fraudes cometidas por empregados; ou quando treinamos as equipes de venda sobre as políticas da empresa”, conclui Sibille.

O profissional de compliance deve possuir conhecimento de legislações anticorrupção, boa comunicação, seja “hands on” e consiga interagir com diversas áreas dentro da companhia"

MAIO/JUNHO – 2015 | Nº 106

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Regras

EXERCÍCIOS CONTRA FRAUDE por Daniel Sibille Código de conduta: é o manual de conduta dos importantes, destacaria: (i) política anticorempregados. Nesse documento, a empresa deve rupção e suborno; (ii) política de viagem (regula mencionar, de forma clara e objetiva, as condu- a forma de aquisição de passagens e limites);

tas que espera de seu empregado em diversas si- (iii) política de conflito de interesses (regula as situações em que os empregados podem estuações, como doações, interação com governo, tar em conflito com as atividades da empresa, recebimento de brindes, entre outros. como, por exemplo, ter uma companhia no mesAlém do COC, as políticas de compliance tam- mo ramo de atuação; (iv) política de cortesias

bém são essenciais, pois tratam de matérias comerciais (regula os limites de refeições, preespecíficas e descrevem pormenorizadamente sentes e eventos que podem ser oferecidos ou qual a conduta esperada. Entre as políticas mais recebidos por clientes), entre outros.

2012

R$ 61,7 e 101,2 BILHÕES (FIESP) Em 2012, as perdas em ações corruptas no Brasil ficaram entre R$ 61,7 bilhões e R$ 101,2 bilhões (Fiesp).

2014

69º lugar

RANKING DA CORRUPÇÃO Em 2014, o Brasil era o 69º país no ranking (de 177 países) da corrupção (Índice de Percepção da Corrupção).

80 mil PUNIDOS Na China, 80 mil funcionários públicos já foram punidos por corrupção nos últimos anos. Aqui, neste ano, comemoramos poucas punições.

58

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO

Lei 12.846/13 A Lei 12.846/13 pune empresas envolvidas em atos que venham a lesar o erário do Estado, em todas as esferas, como suborno de funcionários do poder público.

7,6% DO INVESTIMENTO PRODUTIVO No mínimo, a corrupção equivale a 7,6% do investimento produtivo na economia, ou a 22,6% do gasto público em educação nas três esferas (Fiesp).

2014

R$ 500

BILHÕES O Sonegômetro, contador eletrônico que sinaliza a sonegação no país, superou os R$ 500 bilhões em 2014 (Sinprofaz).


CONEXÃO FILME TUCKER – UM HOMEM E SEU

O INFORMANTE

SONHO

Baseado em fatos reais, o filme

Alegrias e sacrifícios do empreende-

relata a trajetória de um pes-

dorismo estão na pauta deste filme.

quisador e executivo da podero-

Trata-se da biografia de Preston Tu-

sa indústria do tabaco que, ao se

cker, que serve de fonte de inspiração

desligar de suas funções profis-

para os futuros empresários. Com seu

sionais, decide revelar detalhes

trabalho, Tucker revolucionou o setor

sórdidos sobre a fabricação de

automobilístico norte-americano e

cigarros e os efeitos do produto

também fundou a Tucker Aviation Corporation, indústria

na saúde humana. Do ponto de vista dos Adminis-

que fabricava aviões, tanques e canhões para os Estados Uni-

tradores, a história expõe os significados dos con-

dos enfrentarem as batalhas da Segunda Guerra Mundial.

ceitos de ética e integridade no mundo dos negócios.

Tucker: the man and his dream, título em inglês / Elenco:

The Insider, título em inglês / Elenco: Al Pacino,

Jeff Bridges, Joan Allen, Dean Goodman e Martin Landau /

Russel Crowe e Cristopher Plummer / Direção: Mi-

Direção: Francis Ford Coppola / Roteiro: Arnold Schulman

chael Mann / Roteiro: Michael Mann e Erik Roth /

e David Seidler / Gênero: Drama / Ano: 1988 / País de ori-

Gênero: Drama / Ano: 1999 / País de origem: Estados

gem: Estados Unidos / Duração: 110 minutos

Unidos / Duração: 157 minutos

LIVRO MUITO TRABALHO, POUCO STRESS De forma inteligente e bem-humorada, André Caldeira nos transporta para o mundo de Joe, que se assemelha muito ao mundo de muitos de nós, com uma rotina de trabalho extenuante e preocupações que, muitas vezes, trazem como consequência o stress e a frustração. Enfim, um círculo vicioso de difícil saída, com consequências terríveis, principalmente para a nossa saúde e para o nosso relacionamento familiar. O texto de Caldeira provoca, no mínimo, uma profunda reflexão sobre a rotina do executivo de hoje, trazendo dicas simples e de forma direta de como escapar das armadilhas criadas por essa rotina que, afinal, é criada por nós mesmos. Editora: Évora Ltda. | Autor: André Caldeira | Número de páginas: 222 | Categoria: Stress ocupacional, trabalho – aspectos psicológicos | Edição: 1ª

APPS

SITES

FINANÇAS PESSOAIS

www.tutorexecutivo.com

O aplicativo ajuda a gerenciar seu dinheiro, possui função para

Portal que compartilha informações no contexto de

analisar despesas mensalmente e contém calendário que mostra

Administração, negócios, empresas e pessoas por meio

os gastos e receitas.

de textos e artigos.

TÁ NA MÃO Para quem é “concurseiro”, o aplicativo oferece conteúdo de in-

www.historiadaadministracao.com.br

formática básica, português, matemática financeira, ética e co-

Site que apresenta dados históricos, relação de

nhecimentos bancários.

pensadores e indica centros de pesquisa e publicações

FREEDOM Aplicativo usado para bloquear sites que podem provocar a distração durante o trabalho, como as redes sociais, favorecendo o aumento da produtividade.

na área da Administração.

www.okconcursos.com.br Site que ajuda a responder dúvidas e oferece notícias e informações gerais sobre concursos públicos. MAIO/JUNHO – 2015 | Nº 106

59


PREFEITURAS POR_WELLINGTON PENALVA

INSERÇÃO DO ADMINISTRADOR PROFISSIONAL NO QUADRO DE COLABORADORES DAS PREFEITURAS MUNICIPAIS CONTRIBUI PARA EVOLUÇÃO DA QUALIDADE DOS SERVIÇOS PRESTADOS À SOCIEDADE

Gestão pública

H

PROFISSIONALIZADA á dez anos, a edição nº 48 da Revista

o Ministério das Cidades apresenta resultados satis-

Brasileira de Administração (RBA) trazia

fatórios – como na questão habitacional já citada. Mas o

na matéria de capa o tema “gestão pública mu-

Ministério sozinho não garante muita coisa, os protago-

nicipal”. Na época, segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil contava com 180 milhões de habitantes e um déficit habitacional de 7,2 milhões de casas. Para ajudar a resolver o quadro do desenvolvimento urbano desordenado, em 2003 foi criado

60

nistas desse processo são as prefeituras municipais. Esse é o ponto chave, o governo municipal. Se ele não goza de boa gestão, os resultados socioeconômicos esperados ficam no universo do “espera-se que...”.

o Ministério das Cidades. Com apenas dois anos de exis-

“São as prefeituras que representam o Estado graças ao seu

tência, a nova pasta ainda não tinha frutos significativos a

contato direto com o cidadão”, explica o historiador espe-

colher. Passada uma década, o Estado brasileiro, com 5.564

cialista em História Política e Econômica do Brasil Daniel

municípios, conseguiu mudar os resultados?

Sena. “Por isso, a gestão municipal pode proporcionar qua-

O número de habitantes cresceu, agora são pouco mais de

lidade de vida à população ou precarizá-la”, completa Sena.

202 milhões. De acordo com o IBGE, o déficit habitacio-

Sendo assim, a administração pública de qualidade nas

nal regrediu em 1,5 milhão, diminuindo o saldo negativo

prefeituras é condição sinequa non ao desenvolvimento das

de casas para 5,7 milhões. Com 13 anos de funcionamento,

cidades e, por conseguinte, do povo e da nação.

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO


A qualidade necessária à gestão

boas ideias e boa intenção, mas só o

O deputado estadual do Acre Adm.

pública municipal passa pelo cri-

profissional de Administração tem

Heitor Júnior defende que “uma ges-

vo da profissionalização. O gerente

capacidade e conhecimento técnico-

do departamento da Secretaria de

tão de excelência tem planejamento

-científico para elaborar cartesiana-

Pequenos Negócios do Governo do

estratégico para lidar com problemas

mente um bom plano de gestão”.

de mobilidade urbana, saneamento,

QUALIDADE

saúde e meio ambiente com maior efi-

Acre, Adm. Cezar Souza, é categórico: “Profissionalizar a gestão municipal é muito importante na medida

É comum a ideia de que com boa von-

em que se viabiliza a eficiência dos

tade consegue-se fazer qualquer coisa.

serviços públicos prestados à popu-

O pensamento não é totalmente falso,

lação”. Segundo Souza, é dever do

no entanto, trata-se de meia verdade.

profissional de Administração a ser-

Boa vontade é sim ingrediente pri-

viço da prefeitura viabilizar um pla-

mordial para o êxito em qualquer ati-

no de governo voltado para a aplica-

ciência e menos desperdício”. As experiências apontam que o gestor profissional tem capacidade de realizar investimentos a médio e longo prazo, metodicamente planejados, com benefícios duradouros.

vidade, mas o conhecimento técnico

Para efetivar a Administração pro-

das atribuições funcionais é indispen-

fissional nos municípios, um novo

sável. Transportando essa realidade

espaço deve surgir nas prefeituras:

para prefeituras, fica fácil notar que o

cargos cativos aos profissionais de

Quem também partilha da ideia de

comprometimento do prefeito e dos

Administração. “Para mudar o quadro

profissionalização da gestão públi-

demais servidores na administração

atual é importante cortar cargos co-

ca municipal é o Conselho Federal

pública é essencial para o bom gover-

missionados e impedir que as prefeitu-

de Administração (CFA). De acordo

no, mas não é tudo. Frente ao fato, uma

ras funcionem como banco de empre-

com o presidente da autarquia, Adm.

necessidade emergente é a inserção do

gos políticos. Dessa forma, acaba o in-

Sebastião Luiz de Mello, “embora o

profissional de Administração no qua-

mais alto cargo do executivo de uma

chaço na folha de pagamento e abrem-

dro de servidores municipais.

-se vagas para funcionários adequados

“Quando se busca eficiência e eficácia,

a cada cargo por meio de concurso

ção de políticas públicas efetivas na superação dos principais problemas inerentes ao governo.

cidade seja o de prefeito, a equipe que o auxilia necessita de um Administrador em seu quadro. As pessoas podem ter

nada melhor do que a contratação de profissionais específicos para atua-

público, incluindo o Administrador”, conclui o Adm. Heitor Júnior.

rem na área. No caso dos municípios,

Profissionalizar a gestão municipal é muito importante na medida em que se viabiliza a eficiência dos serviços públicos prestados à população"

é importante ressaltar que prevalece o princípio da eficiência e é com base nesse princípio que a gestão profissional se torna imprescindível”, explica o Adm. Cezar Souza. O profissional de Administração domina conhecimentos valiosos para a gestão qualitativa. O ciclo PDCA (sigla em inglês para o processo: planejar, agir, checar e ajustar) é um dos conhecimentos técnicos próprios do Administrador e faz toda a diferença na gestão, quaisquer que seja, inclusive da coisa pública.

Adm. Cezar Souza, gerente do departamento da Secretaria de Pequenos Negócios do Governo do Acre

MAIO/JUNHO – 2015 | Nº 106

61


Prefeituras PROJETO “O ADMINISTRADOR NA GESTÃO MUNICIPAL”

Ciente da sua responsabilidade social por

Administração do país. Entre os assuntos

ser a maior autoridade em gestão no país,

abordados estão: “Gestão para Resultados

o Conselho Federal de Administração

na Administração Pública”; “Estatuto

(CFA) criou, por meio da sua Câmara

da Metrópole – Lei nº 13.089/2015”; e

de Gestão Pública (CGP), o projeto “O

”Governança Pública”.

Administrador na Gestão Municipal”. O objetivo é promover a melhoria da quali-

Este

dade da gestão pública municipal por meio

workshop de Gestão Municipal, em abril,

da criação da carreira do Administrador

na sede do CFA em Brasília. As palestras

público municipal nos quadros de pessoal

foram ministradas por Gilberto Porto, di-

das prefeituras.

retor do Instituto Publix; Mara Darcy Biasi

O projeto inclui workshops com reno-

ano

foi

realizado

o

segundo

Ferrari, assessora para Projetos Especiais

mados especialistas em gestão pública

do Instituto Brasileiro de Administração

municipal como palestrantes. Como a in-

Municipal (IBAM), e Cláudio da Silva Cruz,

tenção é aproximar o Sistema CFA/CRAs

assessor da Coordenação de Controle

das prefeituras, a iniciativa reúne repre-

Externo dos Serviços Essenciais ao Estado

sentantes dos 27 Conselhos Regionais de

do Tribunal de Contas da União (TCU).

Workshop de Gestão Municipal realizado em abril, na sede do CFA, em Brasília

EFICIÊNCIA X EFICÁCIA EFICIÊNCIA É: qualidade de fazer com excelência,

EFICÁCIA É: atingir o objetivo proposto, cumprir, executar,

sem perdas ou desperdícios (de tempo, dinheiro ou energia).

operar, levar a cabo; é o poder de causar determinado efeito.

Eficiência (Fonte: Idalberto Chiavenato – 2005)

Eficácia (Fonte: Idalberto Chiavenato – 2005)

• Ênfase nos meios

• Ênfase nos resultados

• Fazer corretamente as coisas

• Fazer as coisas certas

• Resolver problemas

• Alcançar objetivos

• Salvaguardar recursos

• Otimizar a utilização dos recursos

• Cumprir tarefas e obrigações

• Obter resultados

• Treinar sempre os subordinados

• Subordinados que atingem metas

• Manter as máquinas em funcionamento

• Produzir com máquinas

• Jogar futebol com arte

• Ganhar a partida

• Rezar com fervor

• Alcançar o céu

EFICIENTE É: aquilo ou aquele que chega ao resultado, que produz o seu efeito específico, mas com qualidade, com competência, com nenhum ou com o mínimo de erros.

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RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO

EFICAZ É: o que realiza perfeitamente determinada tarefa ou função, que produz o resultado pretendido.


FERRAMENTAS FUNDAMENTAIS PARA UMA BOA GESTÃO 2º FASE - EXECUTAR: nessa fase coloca-se em prática o que foi planejado. Em muitos casos é necessário educar e treinar as pessoas antes que elas comecem a executar efetivamente as ações planejadas.

1º FASE - PLANEJAR: é o momento em que são definidas as metas e métodos para determinada atividade.

CICLO PDCA: O ciclo PDCA é uma ferramenta importante, tanto para gerenciar a rotina como para promover melhorias. Ele visa

FASES

promover a padronização por meio da melhoria contínua. É um método muito utilizado, por ser simples e de

4º FASE - AGIR CORRETIVAMENTE: é o momento em que são feitos os ajustes para corrigir os desvios identificados na fase de verificação. Essa fase irá retroalimentar o ciclo, dando insumos para um novo planejamento e promovendo a melhoria contínua.

fácil entendimento para qualquer pessoa dentro da organização.

3º FASE - VERIFICAR: nessa fase é feito um controle para comparar se os resultados que estão sendo alcançados estão de acordo com as metas e métodos estabelecidos no planejamento.

WHAT (O QUÊ) O que será feito.

5W2H: É uma ferramenta que auxilia no planejamento das ações que se desejam desenvolver. Esse quadro é uma ferramenta utilizada

WHO (QUEM) Especificar o responsável para executar ou coordenar a ação.

HOW MUCH (QUANTO CUSTA) Prover informações sobre o custo (orçamento) necessário para executar a ação.

WHERE (ONDE) Local onde será executada a ação ou sua abrangência.

para planejar a implementação de uma solução, sendo elaborado em resposta às questões a seguir: HOW (COMO) Especificar a forma (ou método) pela qual a ação deve ser feita.

WHEN (QUANDO) Especificar o prazo para executar a ação.

WHY (POR QUÊ) Explicar a razão pela qual a ação deve ser feita.

MAIO/JUNHO – 2015 | Nº 106

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PONTA DO LÁPIS POR_ ADM. SCHIRLEI MARI FREDER

Finanças

PESSOAIS N

os últimos meses, ouve-

Em geral, percebe-se que temos

Entre as principais dicas estão as de

se muito sobre a crise

uma cultura instalada no Brasil em

que se possa adotar o hábito

econômica que atinge o

que a maioria da população tem um

de economizar entre 5% e 10%

Brasil. Vivenciamos uma alteração

comportamento padrão que induz

do

significativa nas relações econômicas,

para o “gastar” e poucas pessoas

destinando esse valor para uma

com a queda nas vendas, elevação de

têm a cultura do “poupar”. Então,

conta

taxas de juros, elevação nos índices

quando observamos esse tipo de

Para que isso seja possível, pode-

de desemprego. Estes são fatos que

atitude, entendemos os altos índices

se adotar um método que é o de

alteram o sistema financeiro nacional

de endividamento da população,

assumir essa tarefa como se você

e também o “humor” das pessoas

pois o hábito do consumo leva à

estivesse quitando uma conta, ou

e organizações. E, justamente em

consequência de comprar por impulso,

seja, esse valor torna-se um gasto

períodos como este, as informações

gastando-se mais do que se recebe.

fixo que está sendo destinado para

sobre finanças pessoais também ocupam a mídia de modo recorrente.

64

Grande parte dos estudos e das recomendações de pesquisadores e

rendimento

líquido

poupança

ou

mensal, aplicação.

uma conta separada, não vinculada à conta em que se movimentam as despesas correntes.

É muito comum verificarmos casos de

especialistas em finanças pessoais é

pessoas que já haviam comprometido

de que se possam adotar medidas de

Em

suas finanças pessoais com dívidas e

controle nas finanças. Essas medidas

medidas um tanto “pedagógicas”,

empréstimos e terminam adentrando

podem ser com rotinas que levem

estabelecendo objetivos e tarefas

em momentos de crise econômica,

ao acompanhamento dos gastos em

mensais em que você se torna

em uma situação razoavelmente

planilhas, ou até mesmo em anotações

consciente do motivo pelo qual está

comprometedora. Quando me refiro

manuais, uma caderneta, por exemplo.

economizando determinado valor;

ao “humor” é no sentido de que a

E também o planejamento de médio

por exemplo, deixar de comprar algo,

maioria das pessoas não se dá conta

prazo para o alcance das metas pessoais,

mas, com o dinheiro em mãos, realizar

do quanto essas situações afetam sua

sejam metas vinculadas à aquisição de

o depósito na conta corrente da

qualidade de vida, relacionamentos

patrimônio, equipamentos, viagens e

poupança, como se fosse um presente

pessoais e profissionais.

até mesmo a aposentadoria.

que dá a si mesmo.

RBA | REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO

alguns

casos,

vale

adotar


Essa sensação da satisfação em

controle e dedicação em buscar novas

perceber que é possível controlar suas

formas de economizar e também

despesas pode ser o primeiro passo de

de aumentar a renda. Também são

um novo modelo de relacionamento

válidas as iniciativas para seguir dicas

com o dinheiro e com as finanças de modo geral.

e se esforçar em implementá-las e, ao final de cada ciclo financeiro, semanal

Por fim, acredito que uma mudança

ou mensal, procurar avaliar a evolução

de

desse

de todo o processo. Essa atitude

finanças

pode se tornar um novo hábito muito

hábito

e

relacionamento

a

melhoria

com

as

só pode acontecer com disciplina,

recompensador.

Adm. Schirlei Mari Freder é doutoranda e mestre em Gestão Urbana, especialista em Gestão Social e Desenvolvimento. É docente, conteudista e pesquisadora na área de gestão e políticas públicas e também é fundadora e diretora executiva da Creare Consultoria, onde desenvolve projetos, conteúdos e palestras na área de gestão.


POR_FRANCISCO JOSÉ Z. ASSIS

Tecido marca

REVOLUÇÃO SOCIAL JEANS INVADIU GUARDA-ROUPAS DE RICOS, POBRES E “REMEDIADOS” E ATENDE A OCASIÕES DIVERSAS A missão de equilibrar as diferenças econômicas e sociais tem todos os ingredientes para ser adjetivada como “impossível”. O sonho dos teóricos socialistas e comunistas se mostrou impraticável. Mas grandes invenções do homem ajudaram a aproximar ricos, pobres e “remediados”, como são popularmente conhecidos os que buscam abrigo sobre o enorme guarda-chuva apelidado de classe média. Entre elas está o jeans. O tecido é utilizado em peças do vestuário, principalmente as calças, presentes nos guardaroupas de todos, sem restrição de poder aquisitivo. O que pode fazer variar o preço é só a etiqueta. Porém, o que de fato importa é que o jeans serve a ocasiões variadas, é aceito e usado por representantes de todas as camadas da sociedade e também é capaz de, pelo menos, minimizar o abismo entre os mais abastados e os mais carentes.

A DESCOBERTA

POPULARIZAÇÃO

Registros apontam que, no século

As calças, que nasceram com tom de

17, em Nimes, sul da França, o jeans

marrom e serviam só para o trabalho,

foi descoberto. A qualificação “jeans

passaram a ser tingidas por Levi Strauss

denim” surgiu por consequência do nome dessa cidade francesa e a palavra “jeans” vem de “genes”, que era o apelido dos marinheiros que trabalhavam no porto de Gênova, na Itália, e usavam uniformes feitos com o tecido de Nimes. FASE AMERICANA Poucos anos depois da descoberta na França, o jeans chegou aos Estados Unidos. Lidando com frustrações em seus negócios, o comerciante de lonas da Califórnia Levi Strauss resolveu confeccionar calças resistentes para vestir mineradores. E fez sucesso. Ele também incorporou a dica do fabricante

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RBA||REVISTA REVISTABRASILEIRA BRASILEIRADE DEADMINISTRAÇÃO ADMINISTRAÇÃO RBA

com corante extraído da planta Indigus. Foi o pontapé para a chegada do azul. Nos anos 50, Elvis Presley passou a vestir jeans e o transformou em uma das marcas da rebeldia dos jovens norte-americanos. Estopim para a moda correr o mundo. EVOLUÇÃO O estilista Calvin Klein fez a leitura correta do fenômeno e nos anos 70 levou o jeans para as passarelas. Barreiras foram quebradas. A década de 80 foi marcada pelas calças feitas com tecido lavado e tinham jeito de surradas. A partir de 90 apareceram mais cores e misturas com poliéster e elastano. E,

de estribos Jacob David e colocou

na virada do século, a linha premium

rebites nas peças.

chegou para evidenciar os detalhes.


INSTITUTO QUADRIX

Há uma década transformando sonhos em conquistas.

+ 180 órgãos e empresas atendidos + 150 processos seletivos + 1,5 milhão de candidatos avaliados Há 10 anos o Instituto QUADRIX organiza concursos públicos e processos seletivos em todo o território nacional. Inovação, Tecnologia e Excelência gerando oportunidades e resultados.

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