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r e v i s ta b r a s i l e i r a d e a d m i n i s t r a ç ã o

Ano XXIV • Nº 100 • Maio/Junho de 2014

Entrevista

Adm. Elcio Anibal de Lucca nunca para, é otimista e fixa foco na cultura da gestão

Sem freios na educação Competitividade do mercado de trabalho

9 771517 200009

00100

exige aperfeiçoamento constante

R$ 9,90

Saiba sobre as responsabilidades de um líder e quais são as melhores práticas de inovação social brasileiras


CONSELHOS FEDERAL E REGIONAIS DE ADMINISTRAÇÃO

No ano que comemora bodas de prata - 25 anos - o Prêmio “Belmiro Siqueira” de Administração continua com o objetivo de divulgar e promover a produção de trabalhos científicos na área de Administração, que contribuam para o desenvolvimento da profissão e da Ciência da Administração no Brasil.


PRÊMIO BELMIRO SIQUEIRA DE ADMINISTRAÇÃO 2014

30 mil reais em prêmios Modalidades/ Artigo Acadêmico para estudantes

Artigo Profissional & Pós-Graduação Stricto Sensu para administradores

Encaminhe seu artigo para o CRA do seu estado. Prazo: 29 de agosto Edital disponível em www.CFA.org.br Informações: formacao@cfa.org.br ou pelos telefones: (61) 3218-1819 / 3218-1815


Editorial

Construindo

uma bela história O “100” é uma marca

A seção dedicada à entrevista expõe a personalidade de

fechada e imponen-

um Administrador muito ativo e otimista. Elcio Anibal de

te. Representa com-

Lucca, presidente do Conselho Superior do Movimento

pletude, a finalização de uma

Brasil Competitivo (MBC), é autor do livro “Gestão para

etapa e a solidez de projetos que

um mundo melhor” e o responsável por uma revolução

atingiram as condições neces-

administrativa na Serasa.

sárias para seguir seu caminho futuro com credibilidade, patamar este alcançado na presente edição da Revista Brasileira de ADM. SEBASTIÃO LUIZ DE MELLO Presidente do CFA

Administração, “a nossa RBA”.

resultar em

realização profissional e no sucesso das

empresas. O assunto chegou a ser tema de pesquisa científica na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, e ficou comprovado que, com amor, o ambiente corporativo se

dicada a todos que fizeram e

transforma num ótimo negócio para empregador e empregado.

se 25 anos, conquistou o respeito e a admiração dos seus leitores por entregar a eles informação e entretenimento de qualidade. Os números também são de impressionar: são 120 mil exemplares entregues a um público selecionado, qualificado e formador de opinião. O plano para os próximos anos e para as próximas edições inclui o reforço da missão de fazer da RBA referência para os profissionais de Administração e para o público em geral com excelência em conteúdo voltado para a Administração, uma ferramenta de leitura que proporcione ainda mais aprendizado. A matéria de capa traz dados e histórias sobre a revista e merece atenção. Como é de hábito da RBA selecionar bem suas matérias, colunas e artigos, a edição 100 trabalha nos textos compartilhados com a HSM Management sobre a responsabilidade dos líderes e a respeito das práticas de sucesso das iniciativas de inovação social brasileiras. Na reportagem sobre liderança, o caso do empresário Eike Batista, amplamente divulgado pela imprensa brasileira, é utilizado como exemplo.

rba | revista brasileira de administração

truir relações harmoniosas no trabalho e como isso pode

A edição de número 100 é de-

fazem parte da história da RBA, que, no decorrer de qua-

4

A RBA 100 coloca em discussão a importância de cons-

Houve um tempo em que bastava conquistar o diploma universitário e o destino de sucesso profissional estava traçado. A realidade atual é bem outra. Hoje, para evoluir na carreira, os profissionais têm que ser dedicados aos estudos e os programas de educação continuada podem ajudar muito na disputa pelas melhores vagas de trabalho. E quem não gosta de bons contos, boas histórias? Sabendo do poder de se contar bem sobre os fatos a serem comunicados e os produtos e serviços a serem vendidos, os departamentos de marketing das empresas estão explorando cada vez mais essa técnica chamada Storytelling. Ela reforça o elo entre empresa e cliente. E todos os parágrafos acima abordaram apenas breves trechos do conteúdo da edição 100 da RBA. Há muito mais! Comece a ler e só pare no final. Aproveite cada linha. Boa leitura!


Sumário Ano XXIV • Nº 100• MAIO/JUNHO DE 2014

ENTREVISTA

BEM-ESTAR

PESQUISA

10

38

64

Sem parada e um otimista convicto,

As companhias têm se preocupado

Pesquisa

o mestre em Marketing e Adm. Elcio

em garantir que seus colaboradores

Harvard, nos Estados Unidos, cons-

Anibal de Lucca busca o avanço por

trabalhem em melhores condições,

tatou que relações mais amorosas

meio da cultura da gestão, fixando ali-

tentando eliminar os fatores prejudi-

no ambiente corporativo são bom

cerces na ética, excelência e valoriza-

ciais à capacidade produtiva e à satis-

negócio para empregador e empre-

ção do ser humano. De Lucca preside

fação. Por isso estão investindo cada

gado. Cabe destacar que se trata do

o Conselho Superior do Movimento

vez mais em suas estruturas físicas e

amor fraterno e nada tem a ver com

Brasil Competitivo (MBC).

já colhem bons resultados.

relações afetivas entre casais.

Administrador em tempo integral e esbanjando otimismo

Investir em boa e harmoniosa estrutura rende bons frutos

LEITOR | 08

ARTIGOS

CONEXÃO | 20

18

CONSELHO | 54

Com “amor”, ambiente de trabalho será mais produtivo da

Universidade

ADM. LEANDRO VIEIRA Você é o único responsável pela sua formação... E pelo seu destino

24

TECNOL. MARCIA HELENA RODRIGUES Sou tecnólogo, e agora? O mercado tem lugar para mim?

36

ADM. ANTONIO CARLOS CASSARRO Realização e felicidade

62

EDUARDO PEDREIRA Sobre os chefes idiotas

6

de


revista brasileira de administração

CAPA

26

RBA chega com fÔlego renovado na edição 100 Editada pelo Conselho Federal de Administração (CFA), a Revista Brasileira de Administração (RBA) chega à sua edição de número 100 e está perto de completar 25 anos de existência. Com 120 mil exemplares voltados a um público leitor qualificado e formador de opinião, a RBA projeta futuro de constantes inovações, sem nunca abandonar a missão de fornecer conteúdo atual e útil aos Administradores.

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41

Poupar e investir para garantir futuro

Com base no caso do empresário Eike

Atualmente, possuir apenas diploma

financeiro mais tranquilo é algo

Batista,

compartilhado

de curso superior não é garantia de

comum. Porém, decidir o que fazer

com a HSM Management trata da

sucesso no mercado de trabalho. Os

com o dinheiro extra pode ser mais

responsabilidade dos líderes e, também,

programas de educação continuada

fácil com a ajuda profissional de um

a respeito das práticas de sucesso das

vêm ganhando força entre profissionais

Administrador.

iniciativas de inovação social.

mais exigidos.

Ajuda profissional faz a diferença

HSM: liderança e inovações sociais conteúdo

50

Aperfeiçoamento deve ser constante

MAIO/JUNHO – 2014 | nº 100

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LEITOR

As mensagens para a RBA podem ser enviadas para SAUS, Quadra 1, Bloco L, Edifício Conselho Federal de Administração, Brasília/DF, CEP 70070-932, e-mail: rba@cfa.org.br ou fanpage: facebook.com/cfaadm

Gostei muito do artigo do Professor Carlos Osmar Bertero publicado na edição 99 da RBA – “Mas afinal, quem se compromete?”. Parabéns à RBA por trazer importantes conteúdos para os leitores. Cláudia Moreira

Quero registrar com muita satisfação que recebi as duas revistas, sendo uma referente ao ano de 2013 e a primeira relativa à assinatura de 2014. Fico muito agradecido. Adm. Jackson Gomes

Ótima matéria sobre a mobilidade urbana de nosso país. É triste ver que o país deixou passar uma oportunidade enorme, aproveitando a Copa do Mundo, e deixar assim um legado para a população. João Paulo Serqueira

A RBA tem me surpreendido a cada edição. Conteúdo atualizado, excelente diagramação e principalmente material que serve de fonte para os nossos estudos. Carla Mayara Santos

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Leitor da RBA, mantenha sempre o seu endereço atualizado. Se houver qualquer alteração, encaminhe-a para rba@cfa.org.br ou pelo telefone: (61) 3218-1818.

EXPEDIENTE

Editor | Conselho Federal de Administração Presidente | Adm. Sebastião Luiz de Mello Vice-Presidente | Adm. Sergio Pereira Lobo

Excelente matéria. Parabéns, RBA. Comentário sobre o artigo do Eduardo Pedreira da Edição 95 (como ganhar....) Templum Consultoria Online - Brasília/DF

Foco no Resultado. Gostei de ver a entrevista com o presidente da Vale. Este é o nosso papel de gestores, foco no resultado, porém sem esquecer que o planejamento é essencial. Que devemos passar mais tempo planejando do que executando. Essa é a minha opinião. Parabéns aos editores da RBA. Júlio César de Medeiros

CONSELHEIROS FEDERAIS DO CFA 2013/2014 Adm. João Coelho da Silva Neto (AC) • Adm. Armando Lobo Pereira Gomes (AL) • Adm. José Celeste Pinheiro (AP) • Adm. Nelson Aniceto Fonseca Rodrigues (AM) • Adm. Ramiro Lubián Carbalhal (BA) • Adm. Francisco Rogério Cristino (CE) • Adm. Rui Ribeiro de Araújo (DF) • Adm. Hércules da Silva Falcão (ES) • Adm. Dionízio Rodrigues Neves (GO) • Adm. José Samuel de Miranda Melo Júnior (MA) • Adm. Alaércio Soares Martins (MT) • Adm. Sebastião Luiz de Mello (MS) • Adm. Gilmar Camargo de Almeida (MG) • Adm. Aldemira Assis Drago (PA) • Adm. Lúcio Flávio Costa (PB) • Adm. Sergio Pereira Lobo (PR) • Adm. Joel Cavalcanti Costa (PE) • Adm. Carlos Henrique Mendes da Rocha (PI) • Adm. Rui Otávio Bernardes de Andrade (RJ) • Adm. Ione Macedo de Medeiro Salem (RN) • Adm. Valter Luiz de Lemos (RS) • Adm. Paulo César de Pereira Durand (RO) • Adm. Carlos Augusto Matos de Carvalho (RR) • Adm. José Sebastião Nunes (SC) • Adm. Silvio Pires de Paula (SP) • Adm. Adelmo Santos Porto (SE) • Adm. Renato Jayme da Silva (TO) CONSELHO EDITORIAL Prof. Adm. Idalberto Chiavenato • Prof. Carlos Osmar Bertero • Prof. Milton Mira de Assumpção Filho

Gosto muito de ler a RBA. Uma fonte inesgotável de informação para o meu crescimento profissional. Joana Gomes

CONSELHO DE PUBLICAÇÕES Adm. João Coelho da Silva Neto • Adm. Gilmar Camargo de Almeida • Adm. José Sebastião Nunes • Adm. Renato Jayme da Silva • Adm. Francisco Rogério Cristino COORDENAÇÃO DOS CONSELHOS EDITORIAL E DE PUBLICAÇÕES Adm. Adelmo Santos Porto

RBA. Está totalmente inovada e com conteúdo muito legal. Parabéns ao CFA”. Lara Freitas

PRODUÇÃO Coordenação Editorial: Straub Design • Diretor Executivo: Adm. Wilgor Caravanti • Editor–Chefe: Francisco José Z. Assis • Diretor de Criação: Ericson Straub • Diretor de Arte: Fernando Ratis • Redação: Adriana Franco, Ana Graciele Gonçalves, Cinthia Zanotto, Mara Andrich, Nájia Furlan e Rafael Fontana • Revisão: Mônica Ludvich • Diagramação: Fernando Ratis e Rafaela Lech • Impressão: Plural Indústria Gráfica • Tiragem: 120 mil exemplares REPRESENTAÇÃO COMERCIAL Conecta Marketing Direto (Wladimir Reis) Tel.: (11) 98969-6075 E-mail: publicidade@cfa.org.br ASSINATURAS E-mail: rba@cfa.org.br | Portal: www.revistarba.com.br Telefone: (61) 3218-1818 | Fax: (61) 3218-1833 A RBA é uma publicação bimestral do Conselho Federal de Administração sob a responsabilidade da Câmara de Desenvolvimento Institucional, Conselheiros: Adm. Adelmo Porto, Adm. Dionizio Neves e Adm. Carlos Augusto, e da coordenadora técnica RP Renata Costa Ferreira. As matérias não refletem necessariamente a opinião do CFA. *Todas as imagens não creditadas são de propriedade do banco de imagens Shutterstock. A RBA é certificada pelo Instituto Verificador de Circulação (IVC) como de circulação controlada de conteúdo dirigido

MAIO/JUNHO – 2014 | nº 100

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ENTREVISTA POR_Mara Andrich

Administração

ATUANTE MEMBRO DE INSTITUTOS DE RESPONSABILIDADE SOCIAL E DIRIGINDO EMPRESAS QUE JÁ OBTIVERAM MUITO SUCESSO E RECONHECIMENTO, O ADMINISTRADOR E PRESIDENTE DO CONSELHO SUPERIOR DO MOVIMENTO BRASIL COMPETITIVO (MBC) ELCIO ANIBAL DE LUCCA NUNCA PARA

M

estre em Marketing, o Administrador Elcio

REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO (RBA):

Anibal de Lucca é um otimista e busca sempre

O senhor foi presidente da Serasa, que figurou por

o avanço por meio da cultura da gestão com ali-

anos como uma das melhores empresas para tra-

cerces na ética, excelência e valorização do ser humano. Para

balhar e modelo em cidadania e sustentabilidade.

ele, dentro desses alicerces, um grande legado pode ser cons-

Sendo assim, o que o senhor considera de mais im-

truído, o que foi realidade no Conselho Superior do Movimento

portante em uma empresa nos dias de hoje? Qual o

Brasil Competitivo (MBC). “Por meio da disseminação de con-

exemplo que a Serasa pode nos trazer?

ceitos, ferramentas e práticas de gestão, o Movimento Brasil Competitivo tem buscado ajudar a melhorar a autoestima de muitos brasileiros, de forma que estes se percebam como parte de uma nação brilhante e com abundância em recursos, que deve focar esforços principalmente nos gargalos da infraestrutura, saúde, educação e transporte como ponte para consolidar um Brasil forte e competitivo, capaz de permitir aos cidadãos que aqui vivem uma melhor qualidade de vida.”

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ELCIO ANIBAL DE LUCCA (EAL): É oportuna a pergunta, pois permite apresentar um caso real, o qual demonstra como é possível, para o Administrador, conseguir resultados consistentes até na adversidade. Assumi a Serasa, empresa cujo negócio era prestar informações para concessão de crédito, justamente quando houve contingenciamento ao crédito (1991, Plano Collor). E era uma empresa de porte médio, totalmente brasileira e operando há 21 anos.

Ciente de que a tecnologia cresce em ritmo acelerado, De

Dentro desse cenário, implantamos um modelo de gestão

Lucca percebe ainda as oscilações do mercado, duas coisas

inovador e considerado avançado até os dias de hoje.

que, juntas, devem ser analisadas. “É preciso aliar essa tec-

Este modelo proporcionou crescimento e desenvolvi-

nologia à inteligência, à inovação e à competência. Aí entra

mento por duas décadas, elevando a empresa ao patamar

o Administrador para orquestrar esta realidade”, comenta.

de maior e melhor do mundo em seu setor de atividade,

Sempre buscando se aprimorar e no exercício constante

tornando-se referência mundial em gestão. Haja vista

da profissão, De Lucca concedeu a entrevista que segue à

os reconhecimentos nacionais e internacionais obtidos

Revista Brasileira de Administração (RBA).

através de premiações e certificações.

rba | revista brasileira de administração


Foto: Divulgação MAIO/JUNHO – 2014 | nº 100

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Entrevista RBA: E quais foram as premiações principais? EAL: Três vezes premiada pela FNQ pela Excelência em Gestão (três ciclos de cinco anos de melhoria contínua), tornando-se empresa de classe mundial. Foi eleita a melhor empresa para trabalhar, destacando-se nas listas de revistas e entidades por mais de uma década. E também foi destaque em publicações sobre Cidadania Corporativa e Sustentabilidade. Pode-se também traduzir esse desempenho em números de balanço. No período, a receita líquida cresceu 4.331%,

não resolve as situações que se apresentam. É preciso aliar essa tecnologia à inteligência, à inovação e à competência. Aí entra o Administrador para orquestrar essa realidade. RBA: O senhor também é um dos idealizadores do MBC. Sabemos que o MBC foi fundado com um objetivo principal: aumentar a competitividade do país. O senhor considera que esse objetivo está sendo alcançado? Como isso vem sendo desenvolvido junto às organizações? Que desafios o senhor tem enfrentado

e o Lucro Líquido, 34.233%. Propôs e praticou um modelo de

frente ao MBC?

gestão, há 23 anos, que partia dos princípios cristãos  para

EAL: No final do século passado buscávamos, por meio dos pro-

conceituar e realizar: ser ético, ser excelência, ser empreen-

gramas de Qualidade e Produtividade, a melhoria da qualidade

dedor e ser gente, foi necessário contar com espontânea e vi-

dos produtos e serviços brasileiros. Evoluímos para a qualidade

gorosa participação de todas as pessoas que ali trabalhavam.

total, excelência em gestão das empresas. Daí, seguimos em di-

Tornando-nos, juntamente com a própria empresa, num

reção da necessidade da melhoria da competitividade do Brasil

único ser, conhecido e identificado como “Ser Serasa”.

e, para isso, a disseminação da consciência da inovação. Hoje

Foto: Divulgação

temos um panorama, que compõe e propõe a continuidade des-

As empresas precisam de Administradores conscientes de suas responsabilidades com a sociedade e o futuro da humanidade. Isso exige profunda reflexão, estudar permanentemente, muito trabalho e participação ativa.”

RBA: Como o senhor avaliaria esse modelo de gestão? EAL: Este é um modelo de gestão que traduz e demons-

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ses esforços, de décadas, sob a égide da governança corporativa. Temos trabalhado, em parceria com a FNQ, junto às empresas grandes, médias, pequenas ou micro. Muitos têm sido os frutos, porém ainda não suficientes. Nesta década agregamos estes esforços também à área pública. Diversas boas surpresas foram apresentadas como resultado, outras ações, já em execução em várias áreas, agências, ministérios, governos estaduais e municipais, trarão significativos resultados. A grande notícia é que o legado da cultura da gestão está sendo deixado. RBA: Grandes avanços, não é? EAL: Esta longa caminhada nos anima, pois um ótimo legado está sendo construído. Sabemos que precisamos continuar e contar com novos entrantes nesta causa da gestão, caminho

tra possibilidade de realizar, dentro de princípios, valores

necessário para atingir os desejos e as necessidades da melhor

e conceitos, resultados para acionistas, pessoas, clientes,

qualidade de vida para todos nós que neste país vivemos. A

fornecedores e sociedade. Tendo em vista a provável de-

construção desse modelo passa por inovações institucionais

manda por espaço, procurei sintetizar algumas ideias para

nos setores público e privado e torna-se ainda mais importan-

contextualizar as respostas. Completando a resposta, po-

te no momento político delicado da história brasileira. Nesse

demos sim, nos dias atuais, dizer que este modelo, por ser

sentido, a desburocratização e a excelência em gestão da es-

de vanguarda, continua valendo. O que podemos acres-

fera pública são centros de esforços do movimento que anseia

centar a isto tudo é que devemos considerar o avanço in-

construir um Brasil que dá certo, provendo oportunidades

crível da tecnologia cibernética, agora em velocidade qua-

econômicas e educativas aos brasileiros. Dentro desse ce-

se desumana. Nós temos que utilizá-la intensamente em

nário, o cidadão possui papel cada dia mais importante, seja

tempos de mutações nunca antes imaginadas. Porém, as

reivindicando seus direitos e cobrando políticas de Estado

oscilações de mercado, a atividade empresarial cada vez

eficientes ou atuando como multiplicador da atitude positiva

mais profissional e competitiva, ela, a tecnologia, sozinha

nacional. Por meio da disseminação de conceitos, ferramentas

rba | revista brasileira de administração


Foto: Divulgação

ção, saúde, segurança, infraestrutura, produção científica ou produtos e serviços em geral; tanto no ambiente público como privado. A natureza da formação do Administrador o qualifica para participar ou liderar este caminho. A presença do Administrador em áreas específicas da estrutura das empresas, como gestão de pessoas, finanças, gestão de processos, TI, auditoria, logística, entre outras, é obrigatória. Não necessariamente protagonizando. Quando olhamos para as e práticas de gestão, o Movimento Brasil

tância; as classificadas recebem visita

lideranças de áreas ou do comando das

Competitivo tem buscado ajudar a me-

de especialistas em gestão e um corpo

organizações, públicas ou privadas, a

lhorar a autoestima de muitos brasilei-

de jurados, de técnicos e empresários

formação principal ou complemen-

ros, de forma que este se perceba como

que reconhecem mais de uma centena

tar em Administração é necessária. O

parte de uma nação brilhante e com

de empresas, chegando-se às premiadas,

Administrador hoje é reconhecido e

abundância em recursos, que deve focar

que recebem o prêmio em Brasília dian-

requerido como o médico clínico geral

esforços principalmente nos gargalos da

te de empresários e autoridades federais.

e o médico especialista o é. Divergem

infraestrutura, saúde, educação e trans-

Porém, o mais importante talvez seja o

apenas nos organismos que atuam, um

porte como ponte para consolidar um

relatório de melhoria que elas recebem.

no corpo humano e outro nas organi-

Brasil forte e competitivo, capaz de per-

Reverberar a cultura da gestão é um dos

zações público/privada.

mitir aos cidadãos que aqui vivem uma

pilares de atuação do MBC para alinhar

melhor qualidade de vida.

a agenda estratégica do país. Acreditar

RBA: Em entrevistas recentes, o senhor comentou que o Brasil é um país competitivo, mas que ainda tem muito a caminhar. Como o senhor avalia o cenário econômico hoje? Está favorável para a competitividade? O que falta, na sua opinião, para o Brasil decolar definitivamente? EAL: O MBC, juntamente com a FNQ, Sebrae e Gerdau, desenvolvem junto às MPEs, há cerca de uma década, um prêmio de competitividade às micro e pequenas empresas. Para se ter uma ideia da expressão dessa realização, considerando apenas 2013, tivemos mais de 93

no Brasil, afinal, é uma obra coletiva. Preservar os avanços conquistados e colaborar para o aumento da competitividade brasileira, com a percepção de

RBA: O senhor já atuou em diversas áreas da Administração? Como foi a sua experiência de Administrador até hoje? Fale um pouquinho sobre isso.

seguir melhorando o Brasil e deixar um

EAL: A experiência sempre foi mui-

verdadeiro legado para o país. A missão

to prazerosa, passando por todos os

que motiva o MBC, desde sua criação, há

momentos de turbulência e calmaria,

13 anos, é contribuir expressivamente

graças a Deus.

para essa trajetória de progresso econô-

RBA: Quais os “pecados” das em-

mico e social do Brasil! RBA:

Sendo

Administrador,

como o senhor vê a profissão, hoje, no Brasil? Ela é valorizada? Sabemos que é uma profissão que abre muitas oportunidades para as pessoas, não é?

presas, hoje, na sua opinião? EAL: Como não existe ser humano sem pecado, não existem empresas sem pecado. Tudo depende de como elas se penitenciam e se recuperam em busca do “paraíso”. Eu disse “em busca”. O principal pecado é a busca de resultados a

mil inscritas, que buscaram avaliar sua

EAL: Acredito que a gestão é o cami-

curto prazo. O que inviabiliza o plane-

eficiência e excelência operacional. As

nho crítico para toda e qualquer ativi-

jamento a médio e longo prazo. O que

empresas realizam autoavaliação a dis-

dade de produção, quer seja em educa-

as tira do caminho da sustentabilidade,

MAIO/JUNHO – 2014 | nº 100

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Entrevista podendo trazer benefícios para alguns administradores e acionistas, porém, mina os alicerces, prejudicando a própria empresa e, portanto, o país. Outro pecado é o crescimento não orgânico, juntando culturas em empreendimentos de difícil deglutição, causando danos às vezes irreparáveis. Salvo umas

RBA: Que tipo de leitura o senhor mais gosta? Qual o último livro que leu? EAL: Leitura que trata de assuntos de minha área de atuação e da minha formação humana. Atualmente estou relendo meu livro, “Gestão para um mundo melhor”, como também relendo e organizando minhas centenas de artigos publicados, buscando reorganizá-los para dar sequência a meu livro. Para isso pesquiso muita literatura da área de gestão. RBA: Se o senhor pudesse dar um conselho aos Administradores novos

tantas boas exceções. Outro pecado de-

no mercado, qual seria?

corre do rápido avanço tecnológico, que

EAL: A qualidade de vida das pessoas decorre do desenvolvimento do país. O país

algumas empresas não acompanharam

depende essencialmente do desempenho das empresas para crescer e se desen-

e sofrem por isso. Outro pecado é não

volver. As empresas precisam de Administradores conscientes de suas responsa-

entender os conceitos básicos, funda-

bilidades com a sociedade e o futuro da humanidade. Isso exige profunda reflexão,

mentais da governança corporativa.

estudar permanentemente, muito trabalho e participação ativa.

Portanto, implantá-la mal. Ou até mesmo desconhecê-la. Poderíamos citar alguns outros. Porém, quero apenas di-

Elcio Anibal de Lucca

zer que se as empresas entendessem o real motivo delas existirem, os pecados

Registrado no Conselho Regional de Administração de São Paulo

seriam menores. Fica para reflexão ou

(CRA-SP) sob o número 8167

para outra entrevista. RBA: O senhor é membro de institutos, como Akatu e Ethos. Qual a sua opinião, por exemplo, sobre as

Graduado em Administração, com mestrado pela Fundação Getulio Vargas (FGV-SP)

chamadas “empresas sociais”? Vê futuro nelas?

Presidente do Conselho Superior do Movimento Brasil Competitivo

EAL: Sim, sempre fui e sou membro

(MBC), também presidiu (1991 a 2008) a Serasa, a única empresa a

de alguns institutos. Os sérios são

receber três vezes o Prêmio Nacional da Qualidade (1995, 2000 e 2005)

essenciais para o sistema organiza-

e também a única a trazer para o Brasil o Prêmio Ibero-americano da

cional do país.

Qualidade (2002 e 2006). A Serasa figurou, por nove anos consecutivos

RBA: Como o senhor avalia o en-

últimos anos, tem sido destacada como empresa-modelo em cidadania

sino da Administração nas principais universidades brasileiras?

corporativa e sustentabilidade. Desde janeiro de 2008, é presidente de Assuntos Corporativos da Experian na América Latina e vice-presidente

EAL: Não acompanho o ensino em

do Conselho de Administração da Serasa. É presidente e um dos

todas as escolas. Algumas têm rele-

empresários idealizadores do Movimento Brasil Competitivo (MBC) e,

vância mundial. A minha afinidade é

desde 1999, líder permanente dos Fóruns Empresariais Nacional e do

maior com a EAESP-FGV, onde acom-

Mercosul da Gazeta Mercantil. Preside também a Associação Latino-

panho de perto a evolução no dia a dia.

Americana de Credit Bureaus (Alacred). É membro do Conselho da

Como já dissemos, a velocidade do

Fundação Nacional da Qualidade (FNQ). Preside ainda vários outros

mundo de hoje exige trabalho insano para manter-se na ponta.

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(1999/2007), como uma das melhores empresas para trabalhar e, nos

rba | revista brasileira de administração

conselhos. Foi eleito Administrador Emérito de 2004, pelo Conselho Regional de Administração de São Paulo (CRA-SP) e, em 2007, membro da Academia Brasileira de Marketing – Cadeira 31


FINANÇAS POR_Mara Andrich

ASSESSORIA VALIOSA

NÃO EXISTE RISCO ZERO EM INVESTIMENTOS. MAS O PROFISSIONAL DA ADMINISTRAÇÃO PODE AUXILIAR NA MINIMIZAÇÃO DE PERDAS E NO MELHOR RETORNO EM INVESTIMENTOS, DE ACORDO COM O PERFIL DE CADA PESSOA

P

or mais que não se tenha o hábito de poupar, sempre chega um momento na

vida em que um dinheiro guardado faz falta. Por isso, muitas pessoas procuram alternativas para aumentar a renda familiar. Porém, sejam elas da área financeira ou não, sempre é interessante ter algum conhecimento sobre como poupar ou mesmo apenas ter controle de sua vida financeira, para evitar perdas. E o Administrador também pode atuar como consultor nessa área, sendo um dos profissionais mais adequados para isso, já que tem conhecimento de finanças e análise de gestão de valores. Aliás, procurar um profissional especializado antes de investir em qualquer ramo é muito mais do que uma alternativa: é uma necessidade para evitar – ou minimizar – essas perdas, já que os riscos em investimentos

MAIO/JUNHO – 2014 | nº 100

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Foto: Marcelo Marques

Finanças

sempre existem. De acordo com o vice-presidente de Relações Externas do Conselho Regional de Administração de São Paulo (CRA-SP), Adm. Milton Milioni – e que também já foi presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec) – todo Administrador

O Administrador é o profissional adequado para fazer, analisar e levar informações para o investidor, já que vai conhecer a gestão financeira da empresa em que se quer investir” Adm. Milton Milioni, vicepresidente de Relações Externas do CRA-SP

que quer atuar nessa área de consultoria e finanças precisa ter um registro na Comissão de Valores Mobiliários e Bolsa (CVM). “O Administrador é o profissional adequado para fazer análises e levar informações para o investidor, já que vai conhecer a gestão financeira da empresa em que se quer investir”, afirma. O Adm. Herlandes Gadelha lembra que para atuar nesta área, primeiramente, o profissional da Administração deve buscar uma especialização. Ele explica que outro passo obrigatório por lei é obter uma certificação, o que permite atuar legalmente como

em mente que os riscos sempre existem, sejam eles grandes ou pequenos (os investimentos sempre são regidos por três características: risco, rentabilidade e liquidez). Então, para não se “enrolar” em situações difíceis, o investidor precisa encontrar um equilíbrio entre esses três pontos, como explica Milioni. “E isso quem vai perceber é o Administrador, de acordo com o perfil do investidor para o qual ele está prestando consultoria”, observa. O que interessa para o investidor é fa-

financeiras e outras entidades que

zer uma espécie de “previsão” de como

atuam nos mercados financei-

a empresa em que ele está investindo

ros e de capitais têm rígidos

apresentará sua performance no futu-

códigos de conduta e auto-

ro. Ou seja, uma projeção de resulta-

regulamentação”, alerta.

dos, o que o Administrador especiali-

A Associação Brasileira

zado na área pode apontar.

das Entidades dos Mer-

O professor de Economia e Finanças

Capitais (Anbima) é uma delas. “A Anbima disponibiliza diversos tipos de cer-

rba | revista brasileira de administração

Para investir, as pessoas têm que ter

agente no mercado. “Instituições

cados Financeiro e de

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TODO CUIDADO É POUCO

da Fundação Dom Cabral, Rodrigo Zeidan, reitera que o investidor deve ter um bom conhecimento do mercado financeiro. “Se ele não entende nem

tificações, que são obtidas por

sobre o retorno que pode ter, então não

meio de exames de conhecimen-

deve se aventurar. E mesmo quando

tos. Alguns deles, inclusive, podem

ele conhece, os riscos ainda existem,

ser realizados por qualquer interes-

pois a questão das estratégias é bem

sado”, explica Gadelha.

complicada”, aconselha.


Foto: Arquivo pessoal

Outra boa dica é adotar um controle mensal, seja utilizando um aplicativo ou uma planilha, ou mesmo um caderno de anotações.”

Há investidores mais ousados, outros mais conservadores. Há alguns anos, algumas pessoas resolveram atuar como home brokers, que é um sistema oferecido por diversas companhias para conectar seus usuários ao pregão eletrônico  no  mercado de capitais. Esse sistema é utilizado no Brasil desde 1999 como instrumento para negociação no mercado de capitais via internet, que permite que sejam enviadas ordens de compra e venda através do site de uma corretora na internet. A ideia é tentar inserir pessoas físicas  na Bolsa brasileira, tentando democratizar o mercado de capitais. No entanto, é preciso cautela para fazer esse tipo de operação. Por mais que tudo pareça facilitado – a operação é feita pela internet de forma rápida e barata –, é bom tomar alguns cuidados. “No passado, os custos eram maiores, porque era necessário enviar ordens através das mesas de operações. Ainda é bastante comum operar assim, mas agora há outras maneiras. Isso tudo, atrelado ao aumento da oferta de produtos e da livre concorrência, fez com que os custos caíssem bastante, tanto para pessoas físicas como para empresas”, explica Gadelha. Para dar início a essas transações, seja

a pessoa da área financeira ou não, é bom ter em mente alguns passos básicos. Como explica Gadelha, pensar no consumo consciente, saber se comportar diante das oportunidades de financiamentos, entender a importância de planejar o orçamento familiar e que poupar é um bom caminho são algumas das dicas. “Outra boa dica é adotar um controle mensal, seja utilizando um aplicativo ou uma planilha, ou mesmo um caderno de anotações. O importante é saber o que entra e o que sai, e buscar sempre atingir um superávit de uma pequena reserva mensal”, orienta. Milioni faz outro alerta importante: antes de começar a operar, o investidor deve verificar se a empresa está vinculada não só à Bolsa de Valores, mas também ao Banco Central e à CVM. Mas, antes de tudo isso, claro que o primeiro passo é verificar qual o investimento é o mais adequado, sempre com a ajuda de um profissional. Segundo ele, o processo do home broker facilita e agiliza o investimento, mas deve ser sempre assessorado. “A decisão de investir e o quanto vai investir é do investidor. Mas o profissional pode orientar esse investidor a ter um equilíbrio entre as três características já citadas: risco, liquidez e rentabilidade”, comenta Milioni.

Foto: Ascom/Fundação Dom Cabral

Adm. Herlandes Gadelha aconselha busca por especialização

Rodrigo Zeidan, professor de Economia e Finanças da Fundação Dom Cabral

MAIO/JUNHO – 2014 | nº 100

17


OPINIÃO

Você é o único responsável

PELA SUA FORMAÇÃO…

E PELO SEU

P

assei quatro anos na facul-

ressuscita e consegue enxergar a na-

dade de Administração.

tureza da Matrix com todos aqueles

Como todo aluno de qual-

códigos verdes? É mais ou menos

quer instituição brasileira de ensino superior, tive vários bons professores, uns dois que eu enquadraria como inspiradores e, infelizmente, alguns que não mereceriam passar do portão da universidade. Esses dois professores inspiradores, de uma forma ou de outra, conseguiram grudar na minha mente a seguinte mensagem: você é o único responsável pela sua formação.

Quando você compreende isso, seus parâmetros mudam. É normal, por exemplo, encarar o professor como alguém que impõe obstáculos aos seus objetivos. Quando se tem isso em mente, suas ações são pautadas a atingirem os critérios daquele professor. “Ah, esse professor é ‘bonzinho’. Posso fazer de qualquer jeito que ele dá nota boa.” “Esse cara é exigente, tenho que

E a realidade é essa. Você pode estu-

estudar um pouco mais para poder

dar na melhor universidade do mun-

passar.” Notas? Provas? Nível de exigên-

do, pode ter à sua disposição os me-

cia do professor? Dane-se tudo isso!

lhores recursos e pode até contar com os melhores professores. Sem ralar, meu amigo, de nada adianta.

18

isso. Iluminação. Nirvana.

Quando passamos pela experiência da revelação – lembre-se: você é o único responsável pela sua

Quando você absorve o verdadei-

formação –, isso tudo passa a ser

ro significado desse mantra, algo de

secundário. Você não se preo-

transcendental

Lembra

cupa em atender aos critérios

aquela cena de Matrix em que Neo

de exigência do professor, você

acontece.

rba | revista brasileira de administração


*Este artigo não reflete necessariamente a opinião do CFA.

U DESTINO! se preocupa em superar seus pró-

ou seja, a mania que algumas pes-

não basta. Devemos transpirar para

prios critérios internos. Sua meta não

soas têm de encarar um superior,

transformar nossos talentos em uma

é atingir a média ou “tirar nota boa.”

autoridade ou pessoa famosa como

competência de fato.

Essa besteira, inventada há séculos,

um deus. Não confunda: não se trata

é apenas a maneira que encontraram

de perder o respeito, e sim parar de

para viabilizar o sistema de ensino no

enxergar como divindade alguém em

mundo todo. Nada mais do que isso.

uma posição mais elevada.

Sua meta é superar a si mesmo, superar

Por fim, quando você finalmente internalizar a verdade de que é o único responsável não apenas por sua formação, mas pelo seu destino, poderá até se dar por satisfeito por ter

você se coloca em relação aos seus

realizado um trabalho bem feito aqui

colegas. Exemplo de um típico argu-

e ali, mas a única coisa que irá impul-

Não é pelo professor que você se

mento vazio: “A minha nota foi a mais

sionar seus resultados é aquele reco-

esforça, futuro Administrador. É por

alta da sala”. E daí? Primeiramente,

nhecimento íntimo e sincero que diz:

você e pela diferença que você irá

seus colegas não são seus concorrentes.

eu ainda posso fazer melhor.

fazer no mundo. É da construção do

Segundo, a sua régua de desempenho

seu “eu-futuro” que estamos falan-

não pode ser definida pelos resulta-

do. O professor não é seu adversário

dos dos seus pares. Nosso desafio aqui

nessa trajetória – ele é seu aliado,

é o de superar nossos limites, não os

seu guia, seu mentor.

dos outros. Vale a máxima de Lao Tsé:

as suas limitações. Ir além do que você conseguiu ir no dia anterior.

Aliás, quer que eu conte outro segredo? O professor é um sujeito

Foto: Arquivo pessoal

Outro parâmetro que é afetado é como

“Quem vence os outros é forte. Quem vence a si mesmo é invencível”.

em formação, assim como você, por

Ah, você passa também a não confiar

mais graduado que seja. Entender

demasiadamente no seu talento. É

isso também faz com que você perca

importante reconhecer suas forças

algo chamado de temor reverencial,

e fraquezas, mas o talento por si só

ADM. LEANDRO VIEIRA, criador do Administradores.com e autor do livro Seu Futuro em Administração (Campus/Elsevier)

MAIO/JUNHO – 2014 | nº 100

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Imagem: Divulgação

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rba | revista brasileira de administração


STORYTELLING POR_Nájia Furlan

UMA BOA HISTÓRIA QUANDO SE SABE CONTAR, O CONTO SE TRANSFORMA EM UM CASE DE SUCESSO...

Q

uem é que não para pra escutar um conto bem

comunicacional e a isto relacionar os valores aos quais a

contado? Real ou “de pescador”, não importa. O

marca está associada. “Assim sendo, as organizações de-

que é fato é que tem algo de muito bom nas boas

vem procurar desenvolver um contínuo esforço de marke-

histórias, que faz com que todo mundo se renda. Mais do

ting para construir imagens sólidas junto ao seu público-alvo

que “o que” se conta, é a maneira de contar. Sabendo disso, os profissionais de marketing e publicidade estão cada vez mais se utilizando do conceito de Storytelling para fortalecer o elo entre empresas e clientes. E têm agradado. O Administrador, mestre e doutorando em Marketing Ricardo Vernieri de Alencar explica que o grau de importância que as empresas dão à publicidade varia conforme o contexto de mercado em que a organização se insere. “Em segmentos mais competitivos a ‘lei da sobrevivência’ organizacional força os gestores a colocarem em primeira ordem o planejamento estratégico; neste cenário, o inves-

e isso passa necessariamente por um planejamento de marketing”, completa o especialista. Complementando as estratégias de marketing, as estratégias de comunicação também são fundamentais para construir esse elo. O tipo de estratégia ou ação de comunicação de marca de uma empresa dependerá, como explica Alencar, da análise de variáveis de mercado, como, por exemplo, o perfil do público-alvo; o posicionamento de imagem dos concorrentes; as estratégias de comunicação desenvolvidas pela concorrência; entre outros.

timento em marketing ganha relevância por conta da ne-

Como ainda lembra o professor, há algum tempo, o tipo

cessidade constante das empresas em manter ou aumen-

de estratégia bem-sucedida normalmente correspondia

tar a participação de mercado”, afirma.

à tecnologia midiática da época. Assim foi com os co-

Nesse sentido, segundo ele, a ótica passa a ser a conquista

merciais do rádio, depois da televisão, onde inicialmente

de um “espaço” relevante para a marca na mente do con-

os anúncios eram feitos ao vivo, chegando ao seu ápice a

sumidor: ele precisa lembrar-se da marca no momento em

partir de meados dos anos 1980, época em que começou o

que surgir um desejo de consumo ou receber um estímulo

boom da publicidade brasileira e sua valorização.

MAIO/JUNHO – 2014 | nº 100

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Imagens: Reprodução

Storytelling “Na época, a comunicação era para um

dades de fixação de marca na mente

público-alvo que exercia o papel de re-

do consumidor justamente pela ca-

ceptor passivo. A partir da virada do sé-

racterística envolvente da história”,

culo 21, com o aumento do uso da inter-

esclarece Alencar. Mas essa inserção,

net como meio de comunicação e com o

contudo, segundo o professor, tem que

aparecimento da internet 2.0 e das re-

se dar de forma sutil e conectada com

des digitais (blogs, Facebook, Youtube,

o contexto da história contada.

Twitter etc.), o consumidor passou a

História

dividir o seu tempo, antes dedicado ao consumo diário de televisão, com essas

Case Outro exemplo que a agência tem de aplicação do conceito, como destaca ainda Pignatari, é o do Visa Platinum para tratar dos benefícios de aproveitar 100%, ou seja, tudo o que o cartão oferece. “A equipe conta a história de um homem que passou a usar 100% do cérebro. Desenvolveu-se tanto que passou a compreender a linguagem e tornou-se amigo de um golfinho. Conversando com o animal, ele des-

outras fontes de informação e entrete-

Ricardo, os ancestrais já o utilizavam

nimento”, conta o Administrador.

para perpetuar seus feitos, valores,

Esse novo cenário, segundo Alencar, desafia a empresa a desenvolver um tipo de comunicação voltada a essa nova realidade. “Já não é tão fácil chamar a atenção do consumidor; novas mídias e formatos de interação começam a fazer parte do composto de comunicação organizacional. Atualmente, quando se planeja uma ação de marketing e comunicação, faz-se pensando em uma amplitude maior de formatos e mídias, porque o consumidor está presente, si-

cobre que o golfinho tem um sonho:

multaneamente, em várias plataformas

visitar o Caribe. O homem, então,

midiáticas”, afirma.

utiliza o seu cartão Visa Platinum para

Conceito

realizar esse sonho do golfinho e ainda muito mais”, conta o redator. Essa campanha também está disponível no Youtube, mas, como a da Kombi, está construída em diversas plataformas

Como

explica

histórias contadas em torno das fogueiras nas cavernas e aldeias. Da história oral, o storytelling passou para os formatos da escrita e, por fim, para o audiovisual. “Sua aplicação no campo da comunicação publicitária consiste na arte e técnica de contar histórias por meio de uma narrativa que inclua a história da empresa, marca ou até mesmo uma categoria de produtos. Por exemplo: o consumo de vodca aumentou consideravelmente nos Estados Unidos após a inserção de cenas com ‘Agente 007 – James Bond’”, afirma o

o

pesquisador,

o

Storytelling é um conceito antigo adaptado a essa realidade, pois trabalha, em síntese, na criação de uma narrativa,

(mídias) que se completam e fecham a

uma história contada, como forma de

história que se quer contar.

prender a atenção do espectador, esteja tador, tablet ou smartphone.

rba | revista brasileira de administração

tradições: faziam isso por meio das

o consumo da bebida nos filmes do

ele na frente de uma televisão, compu-

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O conceito é antigo, como lembra

pesquisador da área de marketing. Com ainda explica Alencar, não existe uma realidade específica para aplicar o conceito. Como toda e qualquer estratégia de comunicação, a aplicação do Storytelling deve vir acompanhada por uma boa análise do ambiente de marketing, incluindo o perfil do

“A intenção é envolver o consumidor

público-alvo da marca. Ou seja, toda

na trama e associá-la a uma marca

empresa, produto ou serviço pode ge-

específica, aumentando as possibili-

rar uma boa história.


Quem é que não viu e se emocionou com “Os Últimos Desejos da Kombi”, que marca a última edição do veículo da Volkswagen? Este é um belo exemplo de storytelling. Como concorda o especialista, a narrativa dá vida a um produto (Kombi), transformando-o em um personagem humano que conta sua história de vida, pontuando as várias relações pessoais (clientes) que teve, ou seja, uma narrativa perfeita com início, meio e fim acoplada a um contexto mercadológico que é o fim de sua produção. Por isso, a RBA foi conversar um pouco com quem ajudou a desenvolver a campanha. Conversamos com Marcelo Pignatari, redator e um dos criativos da campanha, pela agência AlmapBBDO, de São Paulo. Ele conta que a primeira peça foi um anúncio, que comunicava que a Kombi estava se despedindo (a última Kombi do mundo seria fabricada em dezembro de 2013). Na foto, uma Kombi branca partia. Abaixo da imagem, as frases “Vai aí a Kombi. Em breve, em nenhuma concessionária perto de você” e, embaixo delas, um texto convidava as pessoas a compartilharem as histórias que tinham com o veículo em 56 anos de existência.

Foto: Divulgação

Imagens: Reprodução

A despedida da Kombi

Assim sendo, as organizações devem procurar desenvolver um contínuo esforço de marketing para construir imagens sólidas junto ao seu público-alvo e isso passa necessariamente por um planejamento de marketing” RICARDO VERNIERI DE ALENCAR

“Aí, criamos um hotsite para as pessoas contarem essas lembranças. Foram milhares de histórias. Selecionamos as mais interessantes, que nos possibilitassem recontar a história dos 56 anos da Kombi, por meio de histórias reais de várias pessoas”, conta Pignatari. Desse material, a equipe da AlmapBBDO chegou à terceira e mais emocionante peça da campanha – o vídeo-testamento (este, disponível no Youtube). E às histórias selecionadas pela equipe para “o testamento”, milhares de outras histórias, de pessoas que não foram citadas na campanha, se conectam. “Todo mundo, direta ou indiretamente, tem uma história com uma Kombi”, comenta o publicitário. Segundo o profissional, todo produto (serviço ou empresa) pode se encaixar no conceito do Storytelling. “Mas é preciso avaliar o que se pode tirar para poder contar uma história de maneira diferente e criativa: esse é o segredo”, afirma.

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ARTIGO DO LEITOR

Sou tecnólogo, e agora?

O MERCADO TEM LUGAR PRA MIM?

TECNÓLOGO NA HISTÓRIA DO BRASIL

O

Instituto Monitor,

Radiotécnico hoje

Institu-

to Monitor, foi fundado

em outubro de 1939 pelo imigrante húngaro Nicolás Goldberger, em São Paulo. Este instituto foi considerado como a escola pioneira na implantação da educação a distância no Brasil.

motivos, não podiam frequentar um

Brasileiro, que foi a segunda escola

estabelecimento de ensino presen-

a distância a ser fundada no Brasil.

cial, e evoluiu com as tecnologias

Com o tempo, veio a se tornar a maior

disponíveis em cada momento histó-

escola do gênero no país durante os

rico, as quais influenciam o ambiente

anos 1960 até 1980. E, com a tecnolo-

educativo e a sociedade.

gia avançada, nos últimos cinco anos

MAS O QUE QUER DIZER A PALAVRA TECNÓLOGO?

tem crescido o número de faculdades “EaD”, educação a distância, levando mais oportunidades para aquelas pessoas que querem se aperfeiçoar em

Tecnólogo deriva de tecnologia, ou

sua área de trabalho, ou simplesmen-

seja, um curso realizado a distância,

te buscar colocação no mercado. EaD,

com recursos tecnológicos, no qual o

educação a distância, é uma modalida-

aluno ingressa e escolhe entre duas

de de educação mediada por tecnolo-

modalidades; a semipresencial, em

gias em que alunos e professores estão

que o aluno estuda em casa, por meio

separados e fisicamente presentes em

de apostilas e vídeos, tendo uma ou

Monitor foi composto por apostilas e

um ambiente virtual de aprendizagem.

duas aulas durante a semana para

um kit que permitia, ao final da forma-

Entretanto, somente nas últimas

esclarecer dúvidas; e a outra modali-

ção, a construção de um modelo sim-

décadas passou a fazer parte das aten-

dade é totalmente a distância, na qual

ples de rádio caseiro. Hoje, o Instituto

ções pedagógicas. Ela surgiu da neces-

o aluno conta com a ajuda de professores

funciona em três unidades – São Pau-

sidade do preparo profissional e cultural

on-line, comparecendo em seu polo so-

lo, Rio de Janeiro e Paraná.

de milhões de pessoas que, por vários

mente para a realização de provas.

As experiências brasileiras, governamentais e privadas, estavam se organizando e representaram, nas últimas décadas, a mobilização de diversos recursos educacionais. O primeiro curso oferecido pelo Instituto Radiotécnico

24

Em 1941 nascia o Instituto Universal

rba | revista brasileira de administração


*Este artigo não reflete necessariamente a opinião do CFA.

O QUE É UM POLO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA? Polo de educação a distância, ou polo de apoio presencial, é o local devidamente credenciado pelo MEC, no país ou no exterior, próprio para o desenvolvimento descentralizado de atividades pedagógicas e administrativas relativas aos cursos e programas ofertados a distância. É no polo que o estudante terá as atividades de tutoria presencial, biblioteca, laboratórios, teleaulas, avaliação (provas, exames, etc.) e poderá utilizar toda a infraestrutura tecnológica para contatos com a instituição ofertante e/ou participantes do respectivo processo de formação.

TÉCNICO É IGUAL A TECNÓLOGO? Ao contrário do que muitos pensam, o tecnólogo não é um profissional que realizou um curso técnico ou que trabalha na área de tecnologia. Esse tipo de formação interessa a alunos que saíram do ensino médio, ou profissio-

pecífico. Seu formato, portanto, pode ser mais compacto, com duração, em alguns casos, menor que a dos cursos de graduação tradicionais. Por ser um profissional de nível superior, os tecnólogos podem dar continuidade a seus estudos cursando a pós-graduação Stricto Sensu (Mestrado e Doutorado) e Lato Sensu (Especialização). Além disso, podem se candidatar a cargos públicos e privados em que a exigência seja ter o nível superior completo. A designação atual da profissão foi estabelecida pelo Decreto 2.208, de 17 de abril de 1997 (revogado pelo Decreto 5.154, de 23 de julho de 2004), e conforme a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação, Lei 9.394/1996). Referências Bibliográficas MARQUES, C. Ensino a distância começou com cartas a agricultores. Folha de São Paulo, 2004. Disponível em http://www1.folha.uol.com.br/ folha/educacao/ult305u16139.shtml Portal MEC, http://portal.mec.gov.br/index. php?option=com_content&view=article&id=12824:o-que-e-um-polo-de-educacao-a-distancia-&catid=355&Itemid=230

Foto: Divulgação

nais que ainda não possuem diploma de graduação; além de serem cursos com menor duração, atendem perfeitamente a quem pretende conciliar os estudos com a atividade profissional. O curso de tecnólogo é uma modalidade de graduação de nível superior. Essa modalidade de graduação visa formar profissionais para atender a campos específicos do mercado de trabalho. O curso de tecnologia é de mesmo nível que um

MARCIA HELENA RODRIGUES Tecnol. em Processos Gerenciais

bacharel, mas com foco acadêmico es-

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CAPA POR_RAFAEL FONTANA

RBA CELEBRA

Edição NÚM Ao atingir o número 100 e perto de completar 25 anos (em grande forma), a Revista Brasileira de Administração (RBA) celebra as experiências que a moldaram, agradece pelas contribuições dos Administradores de todo o Brasil e projeta um futuro de inovações, Com 120 mil exemplares.

01

A primeira edição da RBA trouxe como conteúdo o resumo dos trabalhos desenvolvidos no l Fórum Internacional de Administração, que foi realizado em Porto Alegre entre os dias 5 e 8 de julho de 1989.

P

ara o atual cenário do mercado editorial brasileiro, uma revista que atinge 25 anos de circulação é considerada um case de suces-

so. Se essa publicação possui hoje uma tiragem maior que em toda a sua trajetória histórica, então é sucesso absoluto. Não estamos falando de um título das grandes editoras, como Globo e Abril, mas sim da RBA, a Revista Brasileira de Administração, que chega ao número 100 com fôlego de iniciante, de olho no futuro, em busca de oferecer um produto melhor a cada edição. Mesmo revistas destinadas a nichos segmentados, produzidas e distribuídas pelas editoras mais consagradas do país, detêm tiragem inferior à RBA. De acordo com o IVC (Instituto Verificador de Circulação), a revista “Pequenas Empresas, Grandes Negócios”, da Editora Globo, por exemplo, está estacionada na faixa de 105 mil exemplares. Já a “Exame PME - Pequenas e Médias Empresas”, da Abril, sai com 67 mil unidades, pouco mais da metade dos 120 mil exemplares da RBA. Todas são certificadas pelo IVC.

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MERO 100 Para o coordenador dos Conselhos Editorial e de Publicações

da RBA, Adm. Adelmo Porto, a fórmula para chegar ao número 100, ainda por cima em seu melhor momento, inclui planejamento e dedicação da equipe envolvida na produção, além de saber escutar o público. “Afinal, tudo o que fazemos é pelo leitor”, diz Adelmo Porto. (Confira a entrevista nas próximas páginas.) Da mesma forma, o presidente do Conselho Federal de Administração (CFA), Adm. Sebastião Mello, reforça a necessidade de participação dos leitores. “Queremos que eles nos auxiliem nesse trabalho, enviando suas sugestões e contribuições”, diz Mello. “O trabalho que fazemos na RBA visa promover a profissão, fazendo com que a Administração seja respeitada pela sociedade.”

A RBA é o principal veículo de comunicação e de mídia que o CFA dispõe para interagir com os administradores” Adm. Saul Sgrott, coordenador da RBA de 2009 a 2012

10

Em sua décima edição, a RBA se dedicou a publicar matérias sobre a profissão de Administrador.

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27


Capa

A RBA é um produto inovador, que tem credibilidade, pois está certificada, além de um forte compromisso com seus milhares de leitores” Adm. Valter Lemos, responsável pela criação, em 1989, da Revista Brasileira de Administração (RBA)

Olhar para a frente Prestes a completar 25 anos, a RBA se orgulha das conquistas do passado, do início difícil e das etapas superadas com criatividade e trabalho intenso. O passado realmente é uma lição a ser valorizada, mas os responsáveis pela produção da Revista estão agora focados na atualidade e no planejamento para o seu futuro. O Conselho Editorial e de Publicação da RBA projeta novidades para os próximos meses e anos, que incluem o fortalecimento da edição digital, a interatividade com seu público e a criação de um aplicativo específico para futuras edições. Mesmo com o avanço tecnológico, a aceitação da revista impressa ainda é alta. “Sem desprezar a internet, acredito que o formato ainda irá perdurar por um bom tempo”, afirma o Adm. Roberto Filinto, ex-coordenador do Conselho Editorial da RBA. “Para tornar a revista sustentável, é necessário que os nossos leitores, numa grande transformação, migrem paulatinamente suas assinaturas para o formato eletrônico”, avalia o criador da RBA e

44

Com base em pesquisa realizada pelo CFA, matéria de capa de edição especial da RBA traçou o perfil do Administrador brasileiro.

conselheiro do CFA, Adm. Valter Lemos. Na opinião da administradora e leitora Schirlei Freder, de Curitiba, as duas versões são atraentes. “Sou da geração X, ainda prefiro a edição impressa, mas é possível se acostumar com a versão digital com o tempo”, diz. Questionado sobre como seria a edição 200 da RBA, o Adm. Sebastião Mello, presidente do CFA, desenha um futuro estratégico. “Quando chegarmos a esse número, imagino que a RBA seja, obrigatoriamente, uma referência para todos os profissionais de Administração”, afirma. “Que a Revista seja mais que uma ferramenta de leitura. Que ela proporcione aprendizado a todos os leitores, tornando-se referência nacional em conteúdo relacionado à Administração.”

50

RBA contou a história do caminho percorrido após quatro décadas de regulamentação da profissão de Administrador.


Adm. Sebastião Mello, presidente do Conselho Federal de Administração (CFA), reforça a necessidade de participação dos leitores no processo de criação da RBA.

Valter Lemos e sua equipe estavam determinados. “Nada foi por acaso. A RBA nasceu de uma proposta coerente, aliando conhecimento e divulgação. Foi, sem dúvida, uma experiência inovadora”, afirma Lemos. A primeira edição saiu com 116 páginas, em preto e branco, contendo os anais do 1.º FIA. O CFA rodou dois mil exemplares, com a proposta de ser um produto quadrimestral. Os artigos acadêmicos dominaram a edição seguinte, uma tendência que ocupou boa parte das páginas da RBA nos anos 1990. Aos poucos, a Revista se aproximou do mercado, oferecendo matérias sobre empresas, histórias de sucesso, experiências em diferentes áreas, oportunidades de atuação pro-

Ousadia para começar

(Fórum Internacional de Administração) em Porto Alegre, e a criação

Dezembro de 1989. O presidente é José Sarney, já em fim de mandato. Fernando Collor de Mello acaba de vencer as eleições para assumir o Palácio do Planalto no ano seguinte. A hiperinflação atinge um patamar histórico: 1.973% ao ano. Para conturbar ainda mais esse cenário de incertezas, em uma República recémdemocratizada, os Administradores assistiam nos meses anteriores a uma cisão

de

Conselhos

importantes Regionais

de Administração. O CFA, então, reage com ousadia e propõe ao grupo dissidente a realização do 1.º FIA

da Revista Brasileira de Administração. “Com o apoio dos CRAs da Bahia, Minas, Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul, coube a mim empreender as propostas idealizadas”, lembra o conselheiro do CFA pelo estado do Rio Grande do Sul, Adm. Valter Lemos. “Assim, em 1989, nasceram o 1.º FIA e o seu produto editorial, a Revista Brasileira de Administração, a RBA.” Os primeiros textos eram datilografados em máquinas de escrever, computador era artigo de luxo. As fotos, tiradas em câmeras com filmes de 24 ou 36 posições, eram depois reveladas em laboratórios que prometiam entregar tudo no dia seguinte. Um processo lento e cheio de obstáculos, mas

fissional e cursos de aperfeiçoamento, entre outros temas. Em 2007, novamente sob o comando do Adm. Valter Lemos, a RBA deu um salto no número de assinantes, que até então estava com 15 mil exemplares. Com a promoção “Quitou anuidade. Ganhou RBA”, o número de assinantes simplesmente explodiu para 60 mil. “Ficamos surpresos. Nossa meta era alcançar 25 mil. Certamente foi um case de sucesso do Sistema CFA/CRAs”, diz o conselheiro. Com as renovações gráficas e editoriais dos últimos sete anos, a Revista se tornou um produto compatível com o que de melhor existe no mercado editorial brasileiro. Cada edição, nos formatos impresso e digital, tem potencial de alcançar um total de 600 mil leitores, entre administradores, empresários e profissionais de diferentes áreas.

MAIO/JUNHO – 2014 | nº 100

29


Capa

MINHA RBA PREFERIDA EDIÇÕES 62, 91 E 100 “As edições que mais me marcaram foram a 62, em que tivemos um aumento na tiragem de mais 400%, número muito impactante para uma publicação segmentada; a 91, que foi a primeira edição publicada sob a minha coordenação. Ainda me deixa emocionado e sem sombra de dúvida é um marco na minha atuação como conselheiro federal representando o estado de Sergipe. E, claro, a número 100. Participar desta edição me deixa sem palavras, tamanha é a alegria e ansiedade para ver o produto final.” Adm. Adelmo Porto, coordenador dos Conselhos Editorial e de Publicação da RBA

EDIÇÕES 58 A 66 “A contribuição mais importante, no período em que estivemos à frente do Conselho Editorial, sem dúvida, foi a série de matérias intitulada A saga de um microempresário, que posteriormente se transformou em livro.” Adm. Roberto Filinto, coordenador da RBA em 2007 e 2008

EDIÇÃO 95 “Eu gosto de todas as edições, fica até difícil escolher. Mas uma das melhores é a que trata de sustentabilidade, que se aprofunda no tema com muita competência.” Adm. Cícero Jr., leitor

64

Por ocasião da realização dos Jogos Olímpicos de Pequim, a RBA aproveitou para tratar das relações entre Brasil e China no âmbito do agronegócio, educação e relações comerciais.

30

rba | revista brasileira de administração


100

24

EDIÇÕES

7.000 PÁGINAS

ANOS

DESDE 1989

DE CIRCULAÇÃO

120mil

EXEMPLARES POR EDIÇÃO

VISITE

300mil

LEITORES

Foto: Divulgação

revistarba.com.br

Minha experiência: de leitora a fonte Leitora assídua da RBA, a diretora comercial e de Recursos Humanos da Cacique Pneus, Adm. Patrícia de Freitas, estreou como fonte da Revista na edição 89, em 2012. Em grande estilo. Ela foi a personalidade da seção “Sucesso”, que conta a trajetória de empresas que obtiveram destaque em seu ramo de atuação. De Teresina, Patrícia, que hoje acumula o cargo de secretária estadual de Desenvolvimento Econômico, Comércio e Tecnologia do Piauí, falou sobre sua experiência como leitora e fonte da RBA. “Foi uma experiência muito interessante ser entrevistada pela equipe da Revista. Recebi as perguntas, respondi e depois fizemos um alinhamento por telefone. Sempre compartilho o conteúdo com colegas de trabalho e com meu marido, que também é Administrador e assinante da RBA. Penso que a Revista apresenta aos administradores a área em que eles podem investir, a melhor forma para dar os primeiros passos e ser feliz. Lendo a RBA, conseguimos construir novos conceitos para a nossa área. É muito difícil fazer revista no Brasil, ainda mais com essa qualidade, por isso admiro o trabalho da equipe responsável pela sua produção.”

72

A matéria de capa tratava de gestão pública, mas a edição da RBA tinha também como destaque uma entrevista com o Administrador Idalberto Chiavenato, autor consagrado na área de Administração. MAIO/JUNHO – 2014 | nº 100

31


Capa

ELES FAZEM A DIFERENÇA Nesses 100 números dedicados aos profissionais de Administração, a RBA angariou uma legião de admiradores. Eles participam a cada edição com elogios, sugestões e, claro, puxões de orelha. O mais importante, contudo, é que reconhecem nas suas mensagens a devoção da equipe que produz a Revista e sabem que contribuem decisivamente para a evolução incessante do produto. Alguns enviam tantos comentários que seus nomes já são conhecidos na Câmara de Desenvolvimento Institucional do CFA. Tornaram-se, praticamente, membros do time, imprescindíveis para contínua melhoria da Revista Brasileira de Administração. A seguir, dois leitores falam sobre sua relação com a RBA. “Ganhei um exemplar da RBA de brinde quando reFoto: Divulgação

Um aspecto a se destacar é a qualidade das matérias, as parcerias estabelecidas e a evolução da revista nos últimos anos. O número 100 de uma revista com a frequência da RBA merece respeito”

novei meu registro no CRA há alguns anos, e não parei mais de ler. Fico esperando a nova edição a cada dois meses, gosto muito porque sempre surgem temas novos, principalmente nas áreas de responsabilidade social e economia criativa. No mercado de Administração, a Revista é muito respeitada, pois sempre diversifica os temas. Como a Ciência da Administração é bastante con-

Adm. Roberto Filinto, coordenador

vencional, precisamos pensar em novas propostas,

da RBA em 2007 e 2008

‘sair da caixinha’, e a RBA contribui com novas ideias. Guardo todas as edições com carinho, e encaderno a cada seis números. Quero deixar os meus

A RBA recebeu uma reforma gráfica e editorial, renovando e remodelando sua maneira de comunicar assuntos de interesse dos Administradores.

Adm. Schirlei Mari Freder - Curitiba, Paraná.

Foto: Divulgação

83

parabéns a toda a equipe.”

“Li a RBA pela primeira vez em 2005 e logo depois virei assinante. Desde aquela época, percebo que a revista evoluiu muito. Gosto de todo o conteúdo de uma forma geral, acho excelente, com destaque para os artigos de profissionais da nossa área. Guardo todas desde o primeiro número que tive acesso, há nove anos. Tenho um espaço no armário exclusivamente para elas, que ficam organizadas em ordem cronológica. Só tenho uma ressalva a fazer: eu gostaria que a RBA fosse publicada com mais frequência. Para mim, poderia ser mensal.” Adm. Cícero Campos de Mendonça Jr. Luz, Minas Gerais.


Entrevista especial com o coordenador da RBA,

Adm.

Adelmo Porto

Os leitores dão o tom

“O futuro da revista é digital, mas a edição impressa con-

Mira de Assumpção Filho, Adm. Idalberto Chiavenato.

tinuará existindo”, afirma nesta entrevista o coordenador

Publicações: Adm. João Coêlho da Silva Neto, Adm. Gilmar

dos Conselhos Editorial e de Publicação da RBA, Adm.

Camargo de Almeida, Adm. José Sebastião Nunces, Adm.

Adelmo Porto. De acordo com o conselheiro do CFA, o

Renato Jayme da Silva e Adm. Francisco Rogério Cristino).

termômetro para aperfeiçoar o produto e tomar decisões vem, em primeiro lugar, do seu público. “A Revista é

RBA:

hoje o resultado de todas as contribuições e participações

fica

Existiu

que tivemos dos leitores ao longo desses quase 25 anos”,

AP: De 2007 a 2008 e entre 2009 e 2012, o traba-

diz. Na entrevista a seguir, Adelmo Porto fala da sua rela-

lho de coordenação da RBA foi de responsabili-

ção com a RBA e como imagina a edição de número 200.

dade dos Administradores Valter Lemos e Saul

para

Sgrott, Revista Como

Brasileira é

o

de

trabalho

Administração do

(RBA):

coordenador

dos

se

alguma tornar

respectivamente,

preparação

coordenador

e

o

especída

aprendizado

RBA?

com

eles agregou-me experiência para dar continuidade ao excelente trabalho de produção da revista.

Conselhos Editorial e de Publicações da RBA? Adelmo Porto (AP): É um trabalho em que toda

RBA:

a nossa equipe se envolve a fundo, analisando

AP: O foco será o acesso digital, mas sempre valorizando a

criticamente cada edição e planejando sempre o

publicação em papel. A linha editorial e gráfica da RBA foi

melhor trabalho editorial para o próximo número.

totalmente renovada em 2013, pois sentimos a necessida-

Teremos

mais

novidades

para

2014?

de de oferecer um produto continuamente melhor para os RBA: Quando começou sua relação com a revista?

profissionais e estudantes de Administração. Para 2014,

AP: Desde que fui empossado conselheiro federal no CFA, em

pretendemos investir nos conteúdos que contribuam

2007,soumembrodaCâmaradeDesenvolvimentoInstitucional

para o aprimoramento profissional de nossos leitores. Em

(CDI) e sempre participei ativamente do aprimoramento da

relação à parte gráfica e editorial, continuaremos

RBA. Em 2013, fui eleito diretor da CDI e desde então o meu

sempre atentos às inovações e necessidades do mer-

envolvimento na concepção do produto RBA é ainda maior.

cado. O desafio para este ano é continuar investin-

Ao coordenar os Conselhos Editorial e de Publicações percebo

do no trabalho da disponibilização da RBA digital,

o quanto é gratificante trabalhar neste processo de produção.

que hoje pode ser acessada pelo leitor em qualquer

A cada edição que vejo circulando, tenho a sensação do dever

dispositivo móvel. Nossa intenção é desenvolver um

cumprido. Meu e dos meus colegas, os membros dos Conselhos

aplicativo de banca digital para deixar o nosso públi-

(Editorial: professor Carlos Osmar Bertero, professor Milton

co ainda mais próximo de todas as edições da RBA.

MAIO/JUNHO – 2014 | nº 100

33


Capa

99

"Em ano de Copa do Mundo no Brasil, a edição 99 da RBA mostrou o que mudou nas cidades que irão receber os jogos em termos de mobilidade urbana. Ficou constatado que muito se falou, mas, de fato, poucos projetos saíram do papel."

RBA: E para a próxima década? Como o senhor imagina que seria a edição número 200? AP: Boa pergunta. Sendo Administrador de formação e de experiência, vejo a importância de planejar com antecedência os nossos objetivos, projetos e sonhos. Penso em uma RBA mais digital – equilibrando a quantidade de exemplares impressos, contribuindo para a sustentabilidade de nosso planeta. E, arrisco dizer, talvez totalmente interativa, pois não temos como fugir dessa tendência. Penso em uma edição 200 que trará vídeos e áudios que complementarão as matérias ali abordadas e, também, desenvolvermos um trabalho focado na acessibilidade e usabilidade da Revista. RBA: Qual a mensagem que o senhor deixa para os leitores da RBA? AP: Primeiramente, o meu muito obrigado aos leitores da RBA, pois tudo o que fazemos é para vocês. A Revista é hoje o resultado de todas as contribuições e participações que tivemos dos leitores ao longo desses quase 25 anos. A minha mensagem é que continuemos lutando pela valorização de nossa profissão, pois o Brasil precisa de profissionais qualificados e preparados para o seu desenvolvimento. E lembrem-se: planejar é a chave do sucesso, pois quem planeja tem mais chances de obter êxito.

LIDERANÇA Tiragem de revistas voltadas ao público de administradores, empresários e empreendedores:

RBA

105 mil

120 mil

(ED. GLOBO)

exemplares

exemplares

EXAME PME (ED. ABRIL)

67 mil

exemplares

Na natureza, 100 graus Celsius é a temperatura que a água ferve. Para os responsáveis pela produção da RBA, também o número 100 representa uma ebulição de ideias, que serão transformadas em muitas novidades nos próximos anos. 34

rba | revista brasileira de administração

Fonte: IVC (Instituto Verificador de Circulação)

PEQUENAS EMPRESAS GRANDES NEGÓCIOS


Prêmio

Guerreiro Ramos de Gestão Pública

Faça parte desta história

Edição 2014

Alberto Guerreiro Ramos evidenciou o contraditório, a dimensão social, a dualidade, a experiência do significado, os limitadores de sobrevivência que nos condiciona, mas que nos revela transformadores socialmente existentes da sociedade.

Participe do Prêmio Guerreiro Ramos nas modalidades:

Gestor Público

Pesquisador Guerreiro Ramos

Apresentação do trabalho para o CRA: até o dia 29/08/2014 CRAs apresentarem as candidaturas para o CFA: até o dia 30/09/2014 Julgamento do Prêmio pelo CFA: até o dia 28/11/2014

Mais informações pelos sites: www.cfa.org.br www.guerreiroramos.org.br facebook.com/CFAADM

E-mail: cgp@cfa.org.br Telefone: (61) 3218-1821


ARTIGO DO LEITOR

REALIZAÇÃO E

FELICIDADE

U

m dos mais importantes

objetivos e metas, mas a maioria não

solicitar ajuda de outras pessoas, pois

fatores da felicidade hu-

sabe distinguir entre “propósitos” e

ninguém consegue fazer, realizar nada

mana: amar aquilo que fa-

objetivos e metas! O que a maioria

sozinho – e, se conseguir, não terá com

zemos ou, mudando as palavras, fazer

normalmente faz é formular propó-

quem compartilhar a sua felicidade!

aquilo que amamos! Mas nem sempre

sitos: “Quero fazer uma viagem ao ex-

é isso que observamos entre as pes-

terior”, “quero ter fluência na língua

Eis um modelo, um exemplo: imagi-

soas de nossos relacionamentos.

tal”, “quero casar” etc. Sempre propó-

Será possível conciliar ambas as coi-

sitos, mas nunca objetivos ou metas.

sas? Poderemos realizar mais do que

Necessitamos aprender a transformar

temos realizado até agora? Poderemos

propósitos em objetivos ou metas e,

fazer isso e, ainda assim, sermos mais felizes? Essas e outras questões semelhantes são levantadas por centenas de milhares de pessoas, todos os dias, em todas as regiões do planeta. Será que existe uma resposta clara e objetiva para elas? Sim, existe e é exa-

custo! Um objetivo ou meta apresenta o nosso propósito, em quanto tempo queremos realizá-lo e quanto estamos dispostos a investir para isso! Investir em tempo, dinheiro, separações, uniões, senti-

tamente esta: “SIM”!

mentos, emoções...

Podemos realizar mais, sermos mais

Vamos transformar os propó-

saudáveis, mais felizes! Basta que, com

sitos acima em objetivos/me-

clareza e convicção, estabeleçamos,

tas? Observem: “Quero fazer uma

formalmente, os nossos objetivos (o

viagem à França e passar dez dias

que pretendemos atingir, realizar, fa-

em Paris, em fevereiro de 2016, gas-

zer, conquistar...) e, isto feito, trabalhar

tando para isso no máximo 40 mil eu-

de modo firme e determinado o que nos

ros”. OK, aí temos um objetivo. Outro:

habilitará a vencer os desafios que, com

“Quero ser fluente em francês, até

certeza, surgirão em nosso caminho!

janeiro de 2015, estudando seis horas

Temos constatado que um dos maiores problemas, senão o maior, refe-

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para isso, bastará acrescentar tempo e

por semana e gastando um máximo de 25 mil reais”. Ficou claro?

re-se à determinação dos objetivos.

Mas não basta isso! Precisamos traba-

Utilizamos em demasia as palavras

lhar com determinação, economizar,

rba | revista brasileira de administração

ne que uma pessoa com cerca de 22 anos esteja cursando uma faculdade de Administração de empresas e que estabeleça para si mesma o seguinte objetivo: “Quero ser, daqui a sete anos


*Este artigo não reflete necessariamente a opinião do CFA.

Deixando claro o que falamos: a determinação de objetivos deve ser realizada em sete passos ou etapas: 1. pense no que você quer obter, atingir ou realizar; 2. escreva o que pensou, o seu objetivo, da maneira mais clara possível. Lembre-se de que um objetivo bem escrito já está 50% realizado! 3. quantifique-o em termos de tempo e custo. Tempo é o prazo no qual você o deseja realizar. Custos são os valores monetários ou não que você está disposto a investir para atingir o objetivo (ex.: despesas com instrução, viagens, separações dos entes amados, etc.); 4. fixe a contrapartida – neste planeta nada é de graça. É a famosa “Lei do Retorno”, mediante a qual você deve deixar clara a sua contrapartida, o que dará em troca à comunidade, ao planeta, quando atingir seu objetivo; 5. aja, trabalhe pesadamente, cumprindo o que se propôs. Afinal, sem trabalho nada se realiza; 6. persevere, aja decidida e tenazmente, tendo o objetivo como guia. Se você trabalhar pesado, com determinação e apoio das pessoas mais próximas, com certeza alcançará o que pretende – o seu objetivo; 7. faça um cronograma que lhe permita controlar cada etapa do processo. Nele, coloque pontos de controle (ex.: mensais, trimestrais...) que lhe permitam avaliar o seu desempenho, o dispêndio de tempo, os gastos (custos) que se propôs a realizar, e faça isso sempre com empenho e a colaboração dos mais íntimos. 

financeiro (o objetivo) em uma grande empresa brasileira (o local); estou disposto a investir, nestes anos, em meu preparo, até R$ 25.000,00. Em contrapartida, me proponho a dar o máximo de minhas habilidades, de minhas ações para o sucesso da empresa e o desenvolvimento de seus colaboradores”. A partir deste modelo, determine os seus objetivos profissionais, familiares, sociais, pessoais, educacionais, entre outros, e lute por eles! E as etapas? São passos, fases intermediárias entre a sua situação atual e a pretendida – o seu objetivo. Voltando ao nosso exemplo, eis algumas fases que o nosso amigo, estudante de Administração, deverá percorrer:

• concluir os demais estágios da faculdade, um a cada semestre; • frequentar cursos de especialização em Administração e finanças; • transferir-se para a área administrativo-financeira, mesmo que com redução de remuneração, caso já

rárquico, mas uma semelhante à que ele ocupa, na mesma ou em outra empresa. Aja assim e, sem dúvida, será feliz e terá boa sorte. A propósito, Benjamim Franklin, dizia: “Quanto mais trabalho, mais sorte eu tenho!” Pense nisso e sucesso! Foto: Divulgação

(o tempo), um gerente administrativo-

não esteja trabalhando nela; • estudar e trabalhar com determinação e perseverança, para vencer os níveis hierárquicos que o separam da posição pretendida. Um alerta final: nunca deseje uma posição hoje ocupada por outra pessoa. Você poderá até vir a obtê-la,

ADM. ANTONIO CARLOS CASSARRO

mas, com certeza, não será feliz.

Sócio-diretor da CTO Consultoria e Treinamento Organizacional e diretor do Centro de Desenvolvimento da Gestão Pública.

Deseje, isso sim, uma posição semelhante àquela. Por exemplo: nunca deseje a posição do seu superior hie-

MAIO/JUNHO – 2014 | nº 100

37


BEM-ESTAR POR_cinthia zanotto

A descompressão

DO TRABALHO INVESTIMENTOS REALIZADOS NOS AMBIENTES FÍSICOS DE TRABALHO AJUDAM A MELHORAR A SAÚDE E A PRODUTIVIDADE DOS FUNCIONÁRIOS

E

xistem duas verdades bem difundidas no

Essas afirmações são da arquiteta, professora e doutora

mundo corporativo: o principal capital das em-

Claudia Andrade, que, desde 1994, comanda vários projetos

presas são as pessoas e funcionários saudáveis

realizados pela Andrade Azevedo Arquitetura Corporati-

produzem mais. Entendido isso, os dirigentes das compa-

va em grandes empresas e é a autora do livro “A História

nhias têm se preocupado em garantir aos seus colaborado-

do Ambiente de Trabalho em Edifícios de Escritório – Um

res melhores condições de trabalho, tentando eliminar os fatores prejudiciais à capacidade produtiva e à satisfação.

realizada pontualmente em um desses departamentos

Atualmente, após inúmeros estudos realizados pelo mundo,

metas é necessário atuar de forma integrada, promoven-

conclui-se que os funcionários são mais produtivos quando

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Século de Transformações”. Segundo ela, qualquer ação gera algum resultado, porém efêmero. Para bater grandes do mudanças nos quatro setores. “No Brasil, já existe o

existem investimentos em quatro áreas da empresa: gestão de

entendimento sobre a importância da gestão de pessoas,

pessoas, processos, tecnologia e ambiente físico de trabalho.

dos processos e da tecnologia, mas falta prestar a devida

rba | revista brasileira de administração


espaço de descompressão. As empresas permitem a construção desses locais, pois já aceitam a justificativa de haver dificuldade para uma pessoa produzir quando se sente constantemente pressionada. A arquiteta e urbanista Janaína Faedo, do escritório de arquitetura Trento, localizado em Xanxerê (SC), segue pela mesma linha de pensamento de Claudia e diz que as empresas passaram a priorizar, com essa nova mentalidade, o bem-estar dos funcionários. E, conforme mostram os estudos, “a melhoria do ambiente não gera só maior produtividade, como menos demissões, mais satisfação profissional, além de aumentar atenção ao efeito sentido na produtivi-

ce, assim, espaços a serem utilizados

os lucros das organizações”, afirma.

dade quando se propõe um ambiente fí-

pelos funcionários, dependendo do

sico adequado para o trabalho”, explica a

trabalho a ser feito”, explica Claudia.

AMBIENTE ADEQUADO

arquiteta. Embora reconheça que o país

Há salas fechadas para quando o mo-

tenha começado a despertar para este

mento requer muita concentração,

novo momento.

estações abertas para desenvolver

Hoje é preciso entender a tecnologia

as tarefas ao mesmo tempo em que

como sinônimo de mobilidade. As pessoas deixam de manter-se afixadas a uma única mesa e cadeira e passam a desenvolver suas tarefas de qualquer

se interage com os colegas, área de café e até sala de reunião informal. Dependendo da empresa, será possível encontrar um lugar com sinuca,

As novas propostas para os ambientes de trabalho trouxeram aos escritórios cores fortes, mobiliários não tão quadrados e um novo conceito de iluminação. As cores, o mobiliário e a iluminação têm grande influência sobre a produtividade dos funcionários e, se não forem devidamente distribuídos pelo ambiente, podem ocasionar o descon-

lugar. “A geração Y nasceu e cresceu

tênis de mesa e outros jogos.

nesse contexto, tornando-se este um

Os espaços menos rigorosos da com-

aos clientes e fornecedores.

panhia são conhecidos como áreas de

As cores encontradas nos ambientes

conceito de vida para eles. Uma das principais características desses jovens é a inquietação”, declara Claudia. “Por isso, o modelo fabril dos antigos escritórios não se adequa ao novo estilo de trabalhar e viver. O ambiente precisa estar apto a suportar as atuais demandas sociais”, diz.

descompressão, locais especialmente planejados para o funcionário dar uma quebra no ritmo de produção, em um ambiente agradável e mais despojado. De acordo com a professora,

forto para quem trabalha na empresa,

profissionais

serão

frequentemente

utilizadas como parte da estratégia de branding. Claudia explica que o esforço do branding está em fazer o funcionário sentir orgulho e vontade de trabalhar

o trabalho individual gera pressão.

pela companhia. Os clientes e os forne-

Após um tempo realizando determi-

cedores também precisam perceber as

Os novos escritórios são projetados

nada tarefa nessas condições, a ca-

qualidades da empresa ao visitarem o

para se adaptarem às tais exigências

pacidade produtiva do colaborador

mesmo local. Quando executou o projeto

e ao modo como hoje os profissio-

será impactada. Para ajudar a recuperar

do novo espaço interno da Philips, o es-

nais são capazes de executar dife-

a energia é preciso fazer um intervalo

critório Andrade Azevedo precisou, por

rentes atividades em um único dia.

e mudar de ambiente. Nessa hora

determinação da organização, utilizar e

“O ambiente das organizações ofere-

estará à disposição do profissional o

dar ênfase ao azul e ao branco da marca

MAIO/JUNHO – 2014 | nº 100

39


“A iluminação é outro fator fundamental

desagradável do que trabalhar com um

para a riqueza do ambiente”, diz Claudia.

“tufo” de vento o dia inteiro no ouvido.

“Não só deve ser projetada para evitar prováveis problemas oculares e de dores de cabeça que ocorrem quando se trabalha com pouca luz, como ainda deve barrar os desconfortos causados pela forte incidência dos raios solares”, aponta Janaína. “Com as novas tecnologias oferecidas no mercado, existe uma série de lâmpadas e luminárias pensadas para estimular o uso da iluminação natural durante o dia”, complementa Claudia. Para ela, o escritório precisa ser pensado

no interior do prédio. O objetivo era claro: mostrar a quem lá passasse qual é a especialidade, e quais são os valores e a responsabilidade da corporação perante o mercado e a sociedade em que atua. “Embora tenha um peso importante, existe uma diferença muito sutil em utilizar as cores para comunicar valores e transformar o ambiente em poluição visual”, afirma Claudia. Se não houver cuidado na combinação, o efeito pode ser negativo e se tornar uma fonte de distração, comprometendo o rendimento do profissional. Janaína explica que os tons vibrantes devem ser aplicados em locais “de pouca visualização dos funcionários, pois há cores capazes de influenciar o humor das pessoas”. Um exemplo é o vermelho. Ele pode deixar um indivíduo mais agitado e uma pequena discussão vira uma briga séria apenas pela influência do tom, que causa irritação. Por isso, o logo e as cores fortes são bem aceitos nos locais de descompressão, corredores e recepção. As cores frias, que também precisam ser utilizadas com cautela, podem marcar presença nas salas criadas para os trabalhos de longa duração.

40

rba | revista brasileira de administração

Os móveis têm a mesma parcela de importância para os ambientes profissionais. Cadeiras e mesas mal posicionadas podem causar sérios danos à saúde dos funcionários. Os móveis são responsáveis, explica a urbanista, por boa parte dos problemas de colunas, pelo desenvolvimento da lesão por esforço repetitivo (LER) e pelas dores sentidas principalmente nos ombros e pescoço dos colaboradores.

da mesma forma como se pensa a casa.

Ambas as arquitetas não deixam de fri-

A iluminação, como os demais objetos,

sar um ponto essencial para atender a

varia conforme os cômodos. A sala de

todos esses requisitos de forma adequa-

estar, por exemplo, pede uma luz e a mo-

da, priorizando facilitar o trabalho do

bília diferente do quarto e da cozinha. Da mesma forma como as portas e janelas funcionam como fonte de luz natural, elas também são responsáveis

funcionário e valorizando a integração dele com o resto do grupo. “O conhecimento e os estudos a serem feitos na organização são essenciais para quem

pela ventilação do ambiente. Segundo

executa o projeto de construção de um

Janaína, a ventilação é muito impor-

novo ambiente físico de trabalho, pois

tante, pois lugares abafados causam

assim será possível propor um espaço

maior irritação e locais muito gelados

que mantenha a identidade da empre-

diminuem a concentração. A locação

sa e, ao mesmo tempo, seja confortável

do ar-condicionado se torna algo que

tanto para os colaboradores como para

deve ser estudado. Não há nada mais

os clientes”, afirma Janaína.


POR_ João Cordeiro, colaborador de HSM MAnagement

QUE CAVALO

você deve seguir? NESTE ARTIGO, O CONSULTOR JOÃO CORDEIRO, ESPECIALISTA EM LIDERANÇA E ACCOUNTABILITY, DISCUTE O CASO EIKE BATISTA E A RESPONSABILIDADE DE UM LÍDER

A

caminhos, pelo legado que nos deixaram. E há muitos “cavalos” entre nós, vivos, oferecendo exemplos.

Cada pessoa pode seguir vários “cavalos”, cada um com uma qualidade diferente, para situações diferentes. Nossos “cavalos” são as pessoas que admiramos e cujo exemplo seguimos intuitivamente, sem pensar muito nos critérios que nos levaram a escolher aquele “cavalo” – e, com frequência, sem pensar em quando deveríamos parar de segui-lo.

Este artigo não tem o propósito de explicar a queda dos negócios do Grupo X ou de denegrir a imagem do empresário que durante quase três décadas deu emprego a muita gente, pagou muitos impostos e, assim como Ayrton Senna, ergueu a bandeira do Brasil após cada vitória.

expressão originou-se nos velhos tempos do faroeste norte-americano, quando um caubói que saía bêbado do bar não precisava se preocupar em acertar o caminho de volta para casa, porque o cavalo sabia o trajeto; bastava confiar na montaria. Apesar de antigo, esse adágio é aplicado hoje em dia, metaforicamente, indicando a importância de termos alguém confiável para seguir.

Outros fazem uso desse recurso mais deliberadamente. Escolhem muito bem quem admirar, sabem exatamente o porquê dessa admiração e, melhor ainda, conseguem avaliar o momento em que devem deixar de seguir um “cavalo” cansado ou confuso, que pode se perder. Por isso, é muito importante avaliar sistematicamente as pessoas que seguimos e saber trocar nossos “cavalos” quando percebemos que já não lembram mais o caminho. Nelson Mandela, Steve Jobs, Ayrton Senna, sir Ernest Schackleton, Peter Drucker – esses são alguns nomes de uma longa lista de pessoas que se tornaram “cavalos” para outras. Mesmo mortos, continuam inspirando e orientando

Como tantos outros brasileiros, por um bom tempo admirei Eike Batista. Muitas vezes citei sua trajetória empresarial em conversas com meus amigos e também em palestras, principalmente pela visão positiva que ele sempre teve do Brasil. Era uma referência positiva para todos, um modelo a ser seguido.

Eike Batista doou cerca de R$ 20 milhões por ano ao governo do Rio de Janeiro para a instalação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), dinheiro que foi usado para comprar viaturas, motos, equipamentos etc. O objetivo é avaliar a accountability de um líder por meio de suas atitudes durante uma situação de crise, buscando entender as medidas que tomou para enfrentá-la e revendo como ele explicou determinados fatos depois de ocorridos. No último aspecto, por exemplo, Eike Batista indubitavelmente perdeu a oportunidade de agir como um líder accountable. Em entrevista ao The Wall Street Journal, culpou seus executivos e atribuiu todos os acontecimentos à falta de sorte.

MAIO/JUNHO – 2014 | nº 100

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LÍDERES E EIKE Nelson Mandela, Steve Jobs, Ayrton Senna e Peter Drucker integram a lista de líderes a serem seguidos pelos gestores. Eike Batista não pode integrá-la, apesar do que fez de bom

A accountability e a desculpability “Protagonismo”, “prestação de contas”, “pensar e agir como dono” são expressões que, a meu ver, traduzem para o português a palavra accountability, que só existe no idioma inglês. Trata-se de uma virtude moral cuja essência consiste em tomar a responsabilidade para si e gerar respostas com qualidade. Como virtude moral, a accountability está relacionada com a postura proativa de quem assume a culpa por seus erros, caso ocorram, e puxa para si a responsabilidade por encontrar a melhor solução possível, no prazo mais curto, para qualquer problema. A accountability não combina com o sentimento de vítima, de se colocar menor que as circunstâncias. Tampouco combina com algum dos muitos estratagemas comumente utilizados para fugir da responsabilidade, como procrastinar (ou seja, adiar, deixar para depois), não enxergar uma situação como ela é, fechar os olhos para os problemas, fingindo que eles não existem, e, principalmente, inventar desculpas que transferem as causas e consequências das próprias falhas. Culpar os outros ou as circunstâncias – como o clima, o trânsito, o mercado, o câmbio ou mesmo o governo – são subterfúgios para fugir à responsabilidade. O contrário de accountability seria desculpability. Sua tradução poderia ser a fuga instintiva das responsabilidades, culpando os outros e as circunstâncias. Instintiva, porque nascemos com esse tipo de mecanismo de defesa. Um instinto muito criativo, veloz e sempre pronto a fazer com que tentemos nos defender de admitir nossa parcela de responsabilidade diante de situações ou mesmo aceitar nosso dever por encontrar soluções. A accountability pessoal, como acontece com outras virtudes, deve ser praticada e aprimorada, para que cada pessoa se torne cada dia um cidadão melhor, um ser humano melhor.

Explicando melhor, segundo Eike, seus executivos estariam motivados apenas pelo bônus que eventualmente receberiam, que era atrelado à existência de petróleo, e por isso apresentaram relatórios indevidamente otimistas. E, como ele não estava a par de toda a operação, acreditou neles. Quanto à má sorte, Eike a atribuiu a seu mapa astral, segundo o qual esse período não lhe seria favorável.

42

rba | revista brasileira de administração

quem responde pelo sistema de bônus? Quem era o responsável por um sistema de bonificação tão agressivo que premiava apenas a localização de petróleo? É como se uma empresa comercial premiasse seus vendedores apenas por encontrar novos clientes, esquecendo-se da venda e da entrega do produto. Ou como se um clube de futebol premiasse seus jogadores por

chutes em direção ao gol, mesmo que as bolas batessem na trave. Um sistema de premiação responsável em uma companhia petrolífera deveria contemplar o resultado final, levando em consideração as diversas etapas: encontrar, extrair, distribuir e comercializar petróleo. Um plano de bônus malfeito deixa várias pontas sem nó, criando um cenário ideal para o surgimento da “desculpabi-


As três accountabilities É preciso separar a “accountability pessoal”, associada às virtudes morais e tratada neste artigo, dos dois conceitos de accountability normalmente utilizados no meio empresarial: “accountability governamental” e “accountability contábil”. O primeiro diz respeito à obrigação do governo de prestar contas à sociedade por meio de ministérios ou secretarias especializadas, como o Government Accountability Office (GAO), do governo dos Estados Unidos. No entanto, não se restringe às instituições especificamente voltadas para isso. Os órgãos do governo, como secretarias e ministérios, além dos três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário –, são formados por pessoas. É dever de todo servidor público ter, entre outras virtudes morais, sua accountability pessoal desenvolvida a ponto de agir de maneira proativa diante dos problemas da sociedade, nunca se esquivando de suas responsabilidades perante a nação, jamais culpando outros ou as circunstâncias, não criando dificuldades para vender facilidades aos cidadãos, nem alegando que não sabia de nada, quando algo errado ocorrer. Quanto mais baixa a cultura de accountability, mais alto é o nível de corrupção. Já a accountability contábil tem a ver com postura de transparência na prestação de contas pelas empresas de capital aberto e pelas auditorias externas que validam seus balancetes. É peça-chave para fortalecer a credibilidade dessas empresas.

lity”. Afinal, quem aprovou o bônus? E quem gerenciava os gestores? Mesmo que tenham agido como Eike diz, isso não o exime de responsabilidade. Quanto ao azar, sempre que um líder atribui algo a ele, mostra-se passivo diante das circunstâncias e, consequentemente, é percebido como vítima delas. Eike me fez pensar até em Atë, deusa da mitologia greco-romana, personificação do erro e dos engodos. Era a primogênita de Zeus e o enganou alterando o nascimento de Hércules, filho dele com a amante Alcmena. Atë foi banida do Olimpo e, como considerava humilhante pisar sobre a Terra, feito uma mortal, caminhava pisando nas cabeças dos homens, como se estas formassem um caminho de pedras em um rio. Cada passo seu provocava um erro da pessoa sobre cuja cabeça ela apoiara os pés.

Assim, sob Atë, as pessoas não eram mais culpadas nem responsáveis pelos erros que cometiam, pois o que podia um mero mortal contra as consequências dos passos de uma deusa? A deusa passou a ser identificada com a insensatez, a loucura. É a que provoca a ruína, o desastre, o obscurecimento que estupidifica a mente, ao fazer com que nos deixemos levar pela húbris – arrogância e excesso de autoconfiança. Zeus recusou o retorno de Atë ao Olimpo, declarando que o erro é o “quinhão da humanidade”.

COMO UM LÍDER ACCOUNTABLE AGIRIA? Como deve agir um líder accountable? Em vez de culpar seus executivos – ou o acaso, a sorte, o azar –, um líder verdadeiramente accountable deve fazer a si mesmo perguntas estruturadas na ética e na integridade. Ou, em vez de se justificar atribuindo a culpa a

PLANO MALFEITO Você imagina um time de futebol que premie os jogadores pelos chutes a gol, mesmo que estes batam na trave? O sistema de bônus de uma petroleira não pode premiar apenas o petróleo localizado Atë, um líder accountable deve se espelhar em Hércules. Segundo conta a lenda, Hércules matou a própria mulher e os filhos durante um acesso de loucura provocado por Hera, que tinha ciúme do amor de Zeus pela mãe de Hércules. Ao chegar ao monte Olimpo, ele não culpou Hera nem sua má sorte, só perguntou: “Qual é meu castigo?”. E recebeu como pena a missão de cumprir seus 12 famosos – e difíceis – trabalhos. Um líder accountable é como Hércules; talvez ele tenha em seu time executivos que não atingiram as metas esperadas pela empresa, mas isso não retira dele a responsabilidade pelo resultado. Assumir erros, pedir desculpas sinceras, puxar para si a responsabilidade: nada disso aumenta vendas ou lucros, mas engaja os funcionários. Precisamos de líderes que ajam assim.

MAIO/JUNHO – 2014 | nº 100

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POR_ Sandra Regina da Silva, colaboradorA de HSM MAnagement | ILUSTRAÇÃO_FERNANDO RATIS

18 IDEIAS para o sucesso

O

SAIBA QUAIS SÃO AS MELHORES PRÁTICAS E OS FATORES DE SUCESSO DAS INICIATIVAS DE INOVAÇÃO SOCIAL BRASILEIRAS que aumenta as probabilidades de sucesso de uma inovação social? Conforme Kriss Deiglmeier, que por muito tempo dirigiu o Centro de Inovação So-

cial da Stanford University, uma das principais referências da área, o que constrói a inovação social é principalmente retroalimentação entre os setores privado, público e o terceiro setor, gerando três mecanismos críticos de inovação social: “A

Henrique Bussacos, empreendedor social ligado ao Impact Hub, considera difícil elencar as melhores práticas de um negócio social. Em geral, em sua opinião, “o empreendimento social não é muito diferente de um empreendimento con-

troca de ideias e valores, as mudanças nos papéis e relaciona-

vencional; tudo o que contribui para ter sucesso em um vale

mentos, e a integração do capital privado com o apoio de recur-

para o outro, somado à sensibilidade em relação a questões

sos governamentais e filantrópicos”.

sociais”. Pode-se dizer, contudo, que há alguns fatores de su-

Em outras palavras, quando ONGs, empresas e governos atuam

44

melhores práticas e fatores de sucesso

cesso que podem ser considerados mais específicos do ramo.

juntos, a probabilidade de alcançarem uma solução nova, que

A seguir, fizemos uma lista de melhores práticas e fa-

beneficie todos na sociedade, para um problema social é mui-

tores de sucesso do setor 2.5. Contamos com a ajuda de

to maior do que quando ficam isolados. Sozinhos, limitam as

Bussacos, que mantém conexões com um grande grupo

ideias a seus espaços e o resultado tende a ser ineficaz. Em fe-

de empreendedores sociais; de Fernanda Bornhausen Sá,

vereiro de 2014, a própria Deiglmeier deixou Stanford para ser

presidente do Social Good Brasil, evento voltado para a di-

CEO da Tides, facilitadora dessa retroalimentação.

vulgação de tecnologia e conhecimento para a solução de

Segundo ela, as empresas (com fins lucrativos) estão liderando

problemas sociais, diretora da Clear Educação e Inovação

a luta em cada vez mais questões sociais e, com elas, começa-se

e fellow do Synergos Institute, de Nova York; e de Carolina

a estruturar os elementos que aumentam as chances de uma

de Andrade, gerente para inovação do Instituto Comuni-

iniciativa de inovação social dar certo, com um conjunto de

tário Grande Florianópolis, onde atua como coordenado-

melhores práticas bem similar ao das companhias que visam o

ra do Centro de Apoio à Inovação Social (Cais), e também

lucro e alguns fatores de sucesso mais específicos.

gestora do Social Good Brasil.

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Priorizar a intersetorialidade. Não

para gerar receita. A ferramenta can-

é apenas em Stanford; no Brasil, essa

vas tem sido muito utilizada para isso,

também é a número 1 entre as melhores

como destaca Andrade.

práticas de inovação social. Trata-se da

Gerenciar com excelência. Ana-

social, a academia pode dar contribuições tão importantes quanto as do setor privado, as do governo e as do terceiro setor. “Isso permite o acesso a expertises diferentes que se complementam para gerar o resultado final ao beneficiário, tornando a iniciativa mais ágil e direta”, diz Bornhausen Sá. Para ela, não basta a interconexão formal; “a equipe tem de estar muito bem afinada”. Definir os atores primeiro, a solução depois. Trata-se praticamente da mesma receita do especialista em gestão Jim Collins – “primeiro quem, depois o que”. Determinar quem serão os principais atores antes de idealizar a solução de como transformar algo tende a facilitar sobremaneira a execução dessa ideia – e seu êxito. Todos participam mais.

lisar e tomar decisões que aumentem a eficiência e a eficácia das atividades é um ponto comum dos negócios sociais bem-sucedidos, porque só assim se lida bem com a limitação dos recursos e as urgências das comunidades. Ter foco. Os melhores negócios sociais já aprenderam que, quando se perde o foco, o beneficiário potencial sai prejudicado, como lembra Bussacos. Obter o verdadeiro comprometimento dos gestores. É crucial que estes tenham, além de amor pela causa, um real compromisso com a geração de um resultado de impacto, como reforça Bussacos. “Isso é o que possibilita contornar as dificuldades que surgirão para quebrar os paradigmas que será necessário quebrar.” O compromisso costuma ser reforçado com a disseminação dos cases dentro da or-

Atuar em equipe. Desprender-se da

ganização. Caso contrário, a iniciativa

propriedade intelectual de um projeto

estará fadada à superficialidade.

mostra-se bem importante, porque uma

Desenvolver a iniciativa como

equipe complementar e parceira é que costuma ser sinônimo de sucesso em inovação social. Em empreendimentos com objetivos socioambientais, o apego autoral é mais comum do que se pensa.

um projeto à parte. Pode ser uma incubadora ou uma unidade de negócios separada, mas essa é a preferência entre grandes empresas, como observa Bussacos. Requer, contudo, ainda mais com-

Definir bem o modelo de negócio –

prometimento com a causa.

com o canvas. Os melhores projetos

Alinhar a inovação social com

de inovação social têm um modelo de negócio cuidadosamente elaborado, esclarecendo qual a proposta de valor,

Foto: Divulgação

sos e especializados. Em uma inovação

a atividade da empresa privada envolvida. Isso é desejável não apenas em nome de criar valor compartilhado,

o público-alvo e como vão capturar

como prega Michael Porter, mas, con-

recursos financeiros, seja com patro-

forme Bussacos, porque permite apro-

cinadores, seja oferecendo serviços

veitar as competências das pessoas

Foto: Divulgação

capacidade de articular setores diver-

Acima, Carolina de Andrade, gerente para inovação social do Instituto Comunitário Grande Florianópolis e coordenadora-geral do Social Good Brasil; abaixo., Fernanda Bornhausen Sá, presidente do Social Good Brasil e diretora da Clear Educação e Inovação.

MAIO/JUNHO – 2014 | nº 100

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focada em desenvolvimento de clientes

o produto ou serviço social que será for-

para novos negócios com etapas muito

matado, Andrade sugere que o beneficiá-

simples, nossas iniciativas precisam ino-

rio seja cocriador. “É o ‘criar com’, em vez

var com simplicidade com base no dese-

de ‘criar para’. Assim há maior engaja-

jo do público-alvo”, explica Andrade.

mento e maior impacto”, garante ela.

Praticar o design thinking. O pen-

Fazer uma governança com “dois

samento do design se encaixa perfeitamente à inovação social, conforme Andrade, na medida em que busca soluções de maneira criativa com empatia e colaboração radical. Focar o beneficiário do projeto. O

que já estão na companhia. “Ir por um caminho diverso é desperdiçar competências e know-how existentes.”

governança que se aplique a toda e qualquer inovação social, mas “um ponto comum é sempre estar com o olhar sobre os aspectos econômicos e sociais e avaliar cada caso”, como diz Bussacos. Segundo

foco sempre deve ser no usuário, visando

ele, rotineiramente, há momentos em

tanto a viabilidade como a usabilidade do

que há a necessidade de gerar um impac-

projeto por ele, e tem de ser reforçado da

to maior e outros em que o foco é obter

concepção da ideia à sua execução.

um rendimento financeiro melhor.

Fazer intensa experimentação.

“Mesmo os negócios sociais que alinham

“A ordem é experimentar muito. É neces-

muito bem essas duas necessidades –

sário fazer pequenas apostas, protótipos

por exemplo, um que ofereça um servi-

e testes antes de partir para um super-

ço de saúde, em que vender mais causa

planejamento”, analisa Bussacos. Os ne-

maior impacto social e financeiro – terão

gócios sociais que atuam dessa maneira

de pensar em precificação e precisarão

Moldar a cultura da empresa

sabem o quanto isso é útil para não per-

definir o que fazer com as pessoas que

para permitir diálogo com os di-

der recursos e não haver desperdício em

versos stakeholders. O ambiente

não podem pagar nada”, justifica.

nenhuma área – e, de quebra, também

mais propício para o diálogo, que de-

ajuda a ter mais insights.

pende da cultura corporativa, é comum em casos de sucesso de inovação social, segundo Bussacos.

Priorizar vivência de campo. Bussacos acrescenta como imprescindível a vivência de campo. Segundo ele,

Ter uma área de sustentabilidade

somente uma postura teórica sobre o

convencional já bem estruturada.

assunto, o que é muito frequente em

Esta costuma puxar as demais áreas or-

ONGs, representa um grande risco. “O

ganizacionais e a disseminação da inova-

que acontece realmente lá na ponta?

ção social é facilitada.

Uma visita de campo, o conhecimento

Adotar a lean startup. O empreendedorismo enxuto – ou lean startup, em

46

olhos”. Não há uma fórmula única de

das pessoas, uma conversa próxima a elas fazem muita diferença.”

Bussacos acha salutar que as empresas envolvidas em negócios sociais revejam seu sistema de governança em face da balança de poder dos stakeholders. “Ao inovar na governança de uma organização, alteramos as relações de poder entre os públicos de interesse, questionando nosso modelo mental de como nos organizamos e nos relacionamos. Esse processo pode ser transformador e nos ajudar a gerar mais impacto social positivo

inglês – veste como uma luva na inova-

Cocriar com o beneficiário. Mais

e realizar ações que de fato transfor-

ção social. “Assim como a lean startup é

do que o público-alvo ter empatia com

mem a sociedade”, diz.

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o papel do Governo e o lucro

luindo no Brasil, embora talvez não

No Brasil, duas questões particular-

Segundo Bornhausen Sá, por exem-

mente delicadas para uma atividade de inovação social dizem respeito ao

na velocidade necessária. plo, as startups ainda são mais propensas a investir em inovação social

papel do governo e à destinação dada

do que as companhias estabelecidas.

ao lucro gerado, se for esse o caso.

Para Bussacos, na maioria das cida-

Quanto ao governo, começa a haver

des brasileiras o conceito é pouco

um consenso: a parceria com o poder público continua a ser fundamental, mas, no que tange a recursos financeiros públicos, a prioridade é cami-

difundido, embora centros como São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Florianópolis, Belo Horizonte e Recife já tenham várias iniciativas e negó-

nhar com as próprias pernas, depen-

cios sociais mapeados.

dendo o mínimo possível dele.

O importante é que a inovação so-

Na maioria das vezes, o Estado ainda

cial vai deixando de ser compreen-

se mostra indispensável na fase final de um projeto. Mas, segundo Bornhausen Sá, que também é presidente do Instituto Voluntários em Ação e idealizadora do Portal Voluntários Online, a preferência crescente é por, cada vez mais, não começar um projeto buscando recurso público. Quanto ao lucro, ainda está para ser definido um parâmetro em relação a

dida como uma “bala de prata”, nas palavras de Bussacos. Mais e mais empreendedores do setor não creem em soluções mágicas, da mesma forma que não creem em vampiros, e preocupam-se em ter a tecnologia e o conhecimento adequados para conseguir planejar e executar uma inovação social. As 18 medidas aqui citadas confirmam o esforço.

Foto: Divulgação

esse aspecto. Continua vivo o debate entre Muhammad Yunus, economista bengalês que é o principal acionista do Grameen Bank e considerado o “pai” do microcrédito, e Michael Chu, professor da Harvard Business School e diretor-gerente do Ignia Fund, baseado no México, além de sócio-fundador da Pegasus Capital, empresa de private equity na Argentina. Se o primeiro defende ardorosamente o reinvestimento do lucro na iniciativa social, o segundo prega a distribuição do lucro.

Evolução Não restam dúvidas: a inovação social está se profissionalizando e evo-

Henrique Bussacos, empreendedor social, cofundador de um negócio social inovador, o Impact Hub

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POR_ Sílvio Anaz, colaborador de HSM MAnagement

EMPREENDEDORES

INOVADORES O

Global Entrepreneurship Monitor examinou as características do empreendedor social. Entre os dados que se destacam estão a relativamente alta presença de mulheres e empreendedores sociais jovens

e a diversidade da formação acadêmica e da trajetória profissional. Homens tendem mais a iniciar um empreendimento social, mas a diferença da iniciativa entre gêneros nos empreendimentos sociais não é tão alta quanto nos empreendimentos comerciais tradicionais. A relação de gêneros varia de país para país. Por exemplo, na Malásia, Líbano, Rússia, Israel, Islândia e Argentina, as mulheres prevalecem sobre os homens. Nos Estados Unidos, Finlândia e China, a distribuição entre homens e mulheres é quase igual. Os homens são maioria no Brasil, Arábia Saudita, Marrocos e Bósnia, por exemplo. Pelo mundo, pessoas com idade entre 25 e 44 anos têm a mais alta propensão a se envolver com empreendedorismo social. Isso indica que indivíduos que já estão estabelecidos mas ainda são jovens estão mais propensos a iniciar um empreendimento social. De outro lado, quanto mais perto da aposentadoria as pessoas estão, mais improvável é que iniciem uma empreitada dessa. Ao examinar o nível educacional dos empreendedores sociais, o levantamento identifica a alta presença de indivíduos com nível superior; o engajamento com atividades de empreendedorismo social está, sim, relacionado com o nível educacional. Isso é especialmente verdadeiro para as economias com mais baixo nível de desenvolvimento, inclusive. No Brasil, levantamento da Ande Polo Brasil, Fundação Avina e Potencia Ventures mostrou que 78% dos empreendedores sociais têm curso superior. O mesmo levantamento indicou que quase 80% deles já tiveram outros empreendimentos. O status mais comum da pessoa envolvida com o empreendedorismo social no mundo é o do profissional autônomo, seguido pelo que trabalha meio período, pelo estudante e por aquele que não trabalha. No Brasil, as pesquisadoras Gilmara Tavares, Lui­za Balduino, Tatiane Alexandre Silva e Vânia Nassif identificaram algumas características do perfil comportamental desse empreendedor: ele acredita na causa, ama o que faz, não tem preconceitos, trabalha sem querer nada em troca, gosta de planejar, estabelece metas, faz projetos na vida pessoal e profissional, gosta de conviver com as pessoas e orientá-las, é tolerante, compreensivo e determinado, aceita desafios.

48

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ENCAIXE PERFEITO Ferramentas novas das empresas, como lean startup e design thinking, parecem feitas sob medida para os negócios sociais e são cada vez mais utilizadas


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EDUCAÇÃO POR_ Adriana Franco e Nájia Furlan

Dinamismo exige

educação continuada

C 50

CURSOS DE MENOR DURAÇÃO E CONTÍNUOS PODEM AJUDAR O ADMINISTRADOR A MANTER-SE SEMPRE ATUALIZADO NO AMBIENTE COMPETITIVO DO MERCADO om a circulação mundial de informações simultâ-

A competição é um dos pontos mais marcantes no mun-

neas o tempo todo, com acesso livre de qualquer

do dos negócios. Mas, para competir, é preciso estar ha-

lugar e a qualquer hora, hoje o profissional que não

bilitado o suficiente. Para o coordenador do curso de

se enquadrar nesse dinamismo ficará deslocado no mercado.

pós-graduação em Gestão de Projetos da FAE Centro

A ideia de que apenas um diploma de curso superior era um

Universitário, de Curitiba, Luis André Werneck Fumagalli,

diferencial em termos de competitividade já caiu por terra

a Administração, por exemplo, é uma das áreas de caráter

ainda no final do século passado. A busca, atualmente, é por

multidisciplinar e exige uma dinâmica de integração com

cursos de curta duração e contínuos, oferecidos pelo sistema

outras empresas e mercados. Por isso, na opinião dele, é

de educação continuada e que garantem uma reciclagem de

preciso saber de tudo o tempo todo, além do negócio e do

conhecimento mais rápida e eficiente, além de a possibilida-

setor em que opera a empresa, desde indicadores econômi-

de de conhecer novas áreas de atuação.

cos até a política internacional.

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Segundo Fumagalli, o profissional de

qualidade para aprender ferramentas

por meio de cursos e leituras mais di-

Administração deve ter a consciência

e técnicas novas e aprimorar o desem-

recionadas. Isso vale tanto para os que

de que precisará estudar, se aprimo-

penho das organizações modernas e

estão há tempos no mercado quanto

rar e manter-se bem informado a vida

do próprio profissional”, orienta.

para os recém-formados.

Embora algumas áreas de atuação,

Risco

inteira. “A quantidade de informação disponível dobra a cada 18 meses aproximadamente. O ambiente muda, os mercados evoluem e se deslocam e os consumidores querem novidades a todo momento”, diz o coordenador.

como a Administração, sejam mais vistas como práticas, é necessário levar em conta que, para chegar ao exercício de uma atividade, existe sempre uma teoria que serviu de base antes da

De

acordo

com

Fumagalli,

a

Administração exige uma dinâmica como prática e como ciência. “Não reconhecer a necessidade de estudo e de atualização já é, em si, um ris-

É preciso saber também administrar o

execução. E essa teoria muda constan-

conteúdo das informações disparadas

temente graças às novas descobertas

o tempo todo pela mídia ou pelo mer-

feitas por aqueles que investem em

Administrador pertence ou possui,

cado. Conforme explica Fumagalli, a

pesquisas e aprimoramento. Por isso,

podendo, inclusive, determinar o seu

informação, sozinha, não se traduz

a importância de não se ater apenas às

fechamento. Começar novamente do

em resultado para administradores

tarefas executadas no dia a dia em uma

zero será muito mais difícil (e impro-

e empresas. “Por isso, é importante

empresa. É preciso voltar-se para o

vável) do que se atualizar e se reciclar

recorrer à educação continuada de

que há de novo no ambiente científico

continuamente”, alerta.

co enorme para a empresa à qual tal

DE OLHO NA CREDIBILIDADE Diante da necessidade de sempre investir em reciclagem do conhecimento e em aprimoramento, é possível se deparar com uma infinidade de opções de cursos de curta duração. Mas o coordenador do curso de pós-graduação em Gestão de Projetos da FAE Centro Universitário, de Curitiba, Luis André Werneck Fumagalli, lembra que é importante ter foco na hora de investir em educação continuada e estar atento à credibilidade

Foto: Assessoria de Comunicação/FAE

que a instituição escolhida tem no mercado.

Luis André Werneck Fumagalli, coordenador do curso de pós-graduação em Gestão de Projetos da FAE Centro Universitário, de Curitiba

O coordenador explica que é importante buscar informações de fontes confiáveis e de valor junto às empresas, universidades e publicações das áreas acadêmica e profissional. Não perder o contato com ex-professores, colegas de faculdade e até mesmo com as instituições de ensino também pode ajudar a manter-se atualizado. Outro ponto que um Administrador não pode deixar de investir é no idioma. O inglês fluente é indispensável na maioria das profissões, mas há muitas companhias que já exigem uma terceira língua. “A Administração é uma profissão ligada à esfera internacional, porque está intimamente conectada à globalização e vice-versa”, diz Fumagalli. Buscar opções de cursos com mais flexibilidade também é uma forma de o profissional conseguir investir em algo mais próximo daquilo que está buscando. Na FAE, por exemplo, o próprio aluno pode construir a sua matriz curricular, com a orientação do coordenador do curso de pós-graduação escolhido. Dessa forma, é possível escolher disciplinas que se adaptem de forma mais adequada ao perfil pessoal do profissional.

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Educação ENSINO PARA ATUALIZAÇÃO (Crédito: Assessoria de Comunicação/AIEC)

A Administração é algo presente em qualquer tipo de negócio ou companhia. Mesmo que um profissional domine as técnicas de sua área de atuação, quando passa a ocupar uma posição de gestor dentro de uma empresa precisa, necessariamente, começar a se informar sobre questões administrativas. Diante dessa realidade, muitos acabam investindo em cursos de educação continuada com abordagem nesse segmento ou até mesmo em uma nova graduação. Por conta da praticidade, o ensino a distância é

Artur Roman, consultor da Associação Internacional de Educação Continuada (AIEC)

um forte aliado nessas horas. A Associação Internacional de Educação Continuada (AIEC), com atuação específica em ensino a distância, abriu um curso de Administração nesse formato, há dez anos, justamente para atender àqueles que já estão no mercado de trabalho, muitos dos quais, gestores ou empresários. “A Administração é normalmente conhecida também como uma das principais opções de segunda graduação. Para quem quer ter um negócio de sucesso, é inevitável conhecer os processos administrativos”, explica o consultor Artur Roman, que trabalha na AIEC há 12 anos. Roman, especializado em Administração, mestre em Linguística, doutor em Comunicação e pós-doutor em Sociologia, trabalhou durante 31 anos no Banco do Brasil e foi professor de mestrado da FAE Centro Universitário. Mesmo diante de tal currículo, ele afirma ser um eterno aprendiz. “O ser humano está o tempo todo em processo de educação continuada”, acrescenta. Além do curso de Administração, a AIEC também oferece opções de educação continuada a distância e com duração de 30 horas. São cursos de extensão que podem ser feitos de qualquer lugar e a qualquer momento. O ensino a distância acaba sendo uma opção fundamental para aqueles que querem investir na educação continuada, mas não dispõem de muito tempo. Muitas das Instituições de Educação Superior (IES) oferecem esse formato de curso; basta se informar, pesquisar e escolher o que mais se enquadra dentro dos objetivos buscados.

Conceito Para o conselheiro, diretor da Câmara de Relações Internacionais e Eventos do Conselho Federal de Administração (CFA) e membro da Comissão da Certificação Profissional em Administração, Adm. Carlos Henrique Mendes da Rocha, a educação continuada representa o conceito de que nunca é cedo ou tarde demais para aprender, independentemente da idade. “O ato de querer aprender e apreender sempre é condição sine qua non para um bom profissional e para o futuro da empresa em que trabalhamos, para o futuro do nosso país, que depende muito de bons administradores”, enfatiza Rocha.

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A IMPORTÂNCIA DA CERTIFICAÇÃO Adm. Carlos Henrique Mendes da Rocha afirma que a Certificação é um diferencial competitivo

Profissionais que se preocupam em investir em certificação mostram que também se preocupam com a educação continuada. Afinal, para garantir um certificado é necessário sempre comprovar que está em constante atualização de conhecimento na área de atuação. O Sistema Conselhos Federal e Regionais de Administração (CFA/CRAs), preocupado com a qualificação constante de seus profissionais, lançou em janeiro a Certificação Profissional em Administração, sendo a primeira área certificada a de Recursos Humanos. De acordo com Rocha a certificação, por ser fornecida por uma instituição que tem credibilidade, compromisso com a profissão, seriedade e lisura em todo o processo, torna-se um diferencial competitivo importante no mercado. “É uma espécie de atestado de que o profissional tem as competências e habilidades para o trabalho”, justifica. A Certificação Profissional em RH está bem adiantada, conforme explicou o conselheiro. “O CFA buscou parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), entidade responsável pelas provas e que tem várias representações distribuídas em todo o país, o que facilitará o processo no quesito deslocamento e as provas estão previstas para acontecer durante o segundo semestre deste ano. Estamos em andamento desde janeiro com a modalidade experiência e neste segundo semestre o CFA irá aplicar a certificação na modalidade prova em todo o país”, contou Rocha, que completou dizendo que os resultados têm se mostrado bastante positivos diante do interesse de profissionais participantes do processo de certificação e daqueles que já concluíram essa etapa. Rocha ressalta que contratar um profissional de RH com a certificação do CFA dá ao empresário a garantia de que está contratando alguém com um perfil diferenciado, com alto nível de conhecimento e com muito mais possibilidades de apresentar resultados positivos.

Formação merece atenção A educação continuada não deve estar resumida apenas aos

sado, um portfólio nacional com 500 cursos gratuitos para os

profissionais que ocupam cargos de alto nível em uma empresa.

trabalhadores da indústria. Cada departamento regional deter-

Um bom gestor deve entender a importância de sempre man-

mina quais são as ações mais importantes a serem oferecidas

ter seus colaboradores atualizados. O Sistema da Federação das

de acordo com a realidade local. A carga horária varia de uma a

Indústrias do Estado do Paraná (FIEP) oferece oportunidades de

cem horas. Há também cursos de idiomas com abordagem mais

cursos de curta e de média duração, tanto para aqueles já de-

técnica. “O nosso objetivo é sempre focar na visão de atualiza-

tentores de um diploma de nível superior quanto para aqueles

ção, proporcionando ao profissional constante treinamento e

funcionários “chão de fábrica”, com grau mais baixo de esco-

capacitação”, ressalta ela.

laridade. E é a formação continuada dessas pessoas que pode garantir que uma companhia evolua em ritmo sincronizado com a Administração e atualizado com o mercado. A gerente de Educação do Serviço Social da Indústria (Sesi), Regina Berbetz, explica que o Sistema FIEP criou, no ano pas-

PARA MAIS INFORMAÇÕES, SOBRE A CERTIFICAÇÃO DO SISTEMA CFA/CRAs, ACESSE: Portal do CFA: www.cfa.org.br www.certificacao.cfa.org.br

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CONSELHO

Foz do Iguaçu recebe

A IV CONVENÇÃO do Sistema CFA/CRAs

Foto: William Paz

EVENTO ACONTECEU DE 23 A 26 DE ABRIL E REUNIU PRESIDENTES, CONSELHEIROS FEDERAIS E REGIONAIS, ALÉM DE COLABORADORES DO CFA/CRAs E CONVIDADOS

O

Conselho Federal de Administração (CFA), por intermédio da Comissão Organizadora da Convenção, realizou, de 23 a 26 de abril, a IV

Convenção do Sistema CFA/CRAs. O evento aconteceu em Foz do Iguaçu-PR e reuniu cerca de 300 participantes entre presidentes dos CRAs, conselheiros federais, conselheiros regionais, convidados e colaboradores do CFA e CRAs. Esta edição do evento teve como tema “50 Anos de Conquistas”, em alusão ao Jubileu de Ouro da Administração, a ser celebrado em 2015. Durante o evento, os participantes conferiram palestras, cases de sucesso e participaram de

Foto: William Paz

workshops de temas específicos. O Conselho Regional de Administração do Rio de Janeiro (CRA-RJ) fez a cobertura completa da IV Convenção do Sistema CFA/CRAs por meio da TV e da Rádio Web. Os vídeos do evento estão disponíveis no site do CRA-RJ (www.cra-rj.adm.br).

MOMENTO REFLEXIVO A solenidade de abertura da IV Convenção teve início com a apresentação do Coral da Itaipu Binacional, que cantou diversas canções e interpretou o Hino Nacional Brasileiro. Em seguida, o presidente do CFA, Adm. Sebastião Luiz de Mello; o vice-presidente do CFA, Adm. Sergio Pereira Lobo;

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Foto: William Paz

o conselheiro federal e diretor da Câmara de Relações Internacionais e Eventos, Adm. Carlos Henrique Mendes da Rocha; o conselheiro federal e diretor da Câmara de Desenvolvimento Institucional, Adm. Adelmo Santos Porto; o presidente do CRA-SC, Adm. Antonio Carlos de Souza; e o presidente do CRA-PR, Adm. Gilberto Serpa Griebeler compuseram a mesa de abertura do evento. Durante a solenidade, o papel das convenções foi lembrado como um espaço de reflexão e debates sobre tudo o que envolve a Administração frente aos desafios do cenário atual. O primeiro a falar foi o anfitrião e presidente do CRA-PR, Adm. Gilberto Griebeler, que apresentou o propósito do evento. “Esta convenção é uma reunião para a troca de conhecimento e experiência com quem está ao nosso lado. O trabalho de todos vocês nos torna diferentes, então eu quero agradecer pela presença de todos e lembrar que esse esforço se reflete na qualidade da classe dos Administradores”, disse o presidente do CRA-PR. O Adm. Sergio Pereira Lobo, vice-presidente do CFA, também discursou. Ele falou sobre as melhorias ao longo dos anos do Sistema CFA/CRAs desde a sua criação e frisou que as realizações positivas precisam permanecer. Em seguida, o presidente do CFA, Adm. Sebastião Mello, saudou a todos os presentes. Durante sua explanação, ele também falou sobre o Sistema CFA/CRAs, sobre a qualidade dos Administradores e inovações. “O Sistema CFA/CRAs tem feito muitas melhorias e avanços. Mas precisa melhorar em vários aspectos. Apesar de um grande número de inscrições em universidades, o ensino ainda é falho, por exemplo, quando recebe uma baixa qualificação no Enade. Esse é um dos aspectos que precisa ser mudado”, disse o presidente do CFA, completando ainda sobre como reverter esse quadro.

ATIVIDADES INTENSAS Durante os três dias da IV Convenção do Sistema CFA/CRAs, o público pôde conferir palestras com renomados especialistas. Um deles foi o empresário e ex-técnico da seleção de basquete da Espanha, Jose María Gasalla. Ele contou histórias e falou sobre o tema “Gestão por Confiança”, explicando como se aplica ao nosso dia a dia dentro e fora das organizações. A “Certificação Profissional em Administração” também foi um dos destaques do evento. Os conselheiros federais, Adm. José Samuel Miranda Melo Júnior e Adm. Carlos Henrique Mendes da Rocha, além do mestre em Administração Luiz Calado e do representante do Instituto de Certificação dos Profissionais de Seguridade Social (ICSS), Ivan Correa Filho, parceiro do CFA na certificação, explicaram as vantagens da certificação profissional como ferramenta que atesta que o profissional detém as competências e habilidades específicas, alavanca perspectivas profissionais para o desenvolvimento da carreira e insere o profissional em um seleto grupo qualificado e certificado. Teve também palestras sobre motivação com o professor Ricardo Augusto Alves de Carvalho. Já o economista Ricardo Amorim falou sobre “O desafio da produtividade: O que o Brasil tem que fazer para crescer mais?”. O secretário executivo do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep), Rodrigo Fraga Massad, apresentou a palestra “Avaliação dos cursos de bacharelado em Administração no âmbito do Inep e do Sistema CFA/ CRAs”. Outro tema debatido na Convenção foi sustentabilidade. O assunto foi discorrido pelo diretor-geral da Itaipu Binacional, Jorge Miguel Samek, que ministrou a palestra “Ações e Sustentabilidade”.

“Avaliações devem ser feitas constantemente, para re-

No último dia da IV Convenção do Sistema CFA/CRAs,

ver nossas ações e mudar a realidade. Não temos que ter

o prefeito de Belo Horizonte/BH, Adm. Márcio Lacerda,

medo dessas transformações, pelo contrário. Devemos

ministrou a palestra “A Importância da Gestão da

nos anteceder a elas e procurar meios de sempre inovar e

Administração Pública”. Na ocasião, ele abordou três pon-

então evoluir”, concluiu o Adm. Sebastião Mello.

tos principais: o conceito de referência na Administração

MAIO/JUNHO – 2014 | nº 100

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Conselho Foto: Victória Servilhano e Kátia Biaia

Os Manuais estão disponíveis no portal do CFA – www.cfa.org.br – no Menu “Publicações”.

EMOÇÃO NA CERIMÔNIA DE ENCERRAMENTO DA CONVENÇÃO A cerimônia de encerramento da IV Convenção do Sistema CFA/CRAs foi marcada por muita emoção durante os discursos. O presidente do CRA-PR, Adm. Gilberto Griebeler agradeceu pela presença de todos na Convenção e falou aos profissionais presentes qual o papel de cada um na profissão. “A qualidade naquilo que oferecemos à sociedade brasileira, a quem temos que prestar contas, será o nosso diferencial”, disse o Adm. Gilberto Griebeler, confessando ainda Pública, sua experiência como Administrador Público e os macrodesafios da Gestão Pública em Belo Horizonte.

que o evento foi melhor que o esperado. Em seguida, o Adm. Sebastião Mello, presidente do CFA,

Além das palestras a Convenção teve espaço para os CRAs

também saudou os presentes e falou sobre a importância da

compartilharem suas experiências. Apresentaram seus

participação de todos. “Comparecer a uma reunião dessa di-

cases de sucesso os Conselhos Regionais de Minas Gerais

mensão é um ato que edifica a profissão. A vocês está sendo

(CRA-MG), do Paraná (CRA-PR), do Rio de Janeiro

delegada a responsabilidade de junto conosco fazer um sis-

(CRA-RJ), do Espírito Santo (CRA-ES) e Distrito Federal

tema mais forte, que de fato o profissional de Administração

(CRA-DF). Além disso, aconteceram os workshops das

possa ocupar seu real lugar na sociedade. Então que a gente

áreas de Comunicação, Fiscalização/Registro, Formação

comece a fazer diferente algumas práticas para ter resulta-

Profissional, Eventos, Tecnologia da Informação, Auditoria,

dos diferentes”, disse.

Administrativo e Contabilidade.

HOMENAGEM

LANÇAMENTO DE MANUAIS

Ainda na cerimônia de encerramento, o ex-presiden-

O Conselho Federal de Administração (CFA) lançou, duran-

te da Associação Nacional de Cursos de Graduação em

te a IV Convenção, duas publicações que irão auxiliar nas

Administração (Angrad), Adm. Mauro Kreuz foi home-

ações e trabalhos dos Conselhos Regionais de Administração

nageado recebendo uma moção de agradecimento pelos

(CRAs). Uma das publicações é o “Manual de Perícia do

relevantes trabalhos realizados à frente da instituição,

Administrador”. O produto é voltado para Administradores

em prol do ensino e da profissão da Administração.

que atuam na área, quer judicial ou extrajudicial. Por meio da obra, o profissional terá as orientações necessárias para os trabalhos periciais, já que esta é uma das áreas de atuação dos Administradores como prevê o art. 2º da Lei Federal nº 4.769, de 9 de setembro de 1965. A outra publicação é o “Manual de Auditoria do Administrador”, cujo objetivo é estabelecer regras e procedimentos técnicos a serem observados pelo auditor, quando da elaboração dos trabalhos de auditoria, nos âmbitos interno, externo, judicial ou extrajudicial, mediante o esclarecimento dos procedimentos técnicos e/ou de gestão, por meio de observação, exame, vistoria, indagação, investigação, arbitramento e avaliação.

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Foto: Victória Servilhano e Kátia Biaia


PRÊMIO BELMIRO SIQUEIRA No último dia da Convenção também foi realizada a solenidade de entrega do Prêmio Belmiro Siqueira em Administração 2013. O evento aconteceu duran-

2014: ANO DE ELEIÇÕES NO SISTEMA CFA/CRAS

te o jantar de encerramento da Convenção. O presidente do CFA, Adm. Sebastião Mello; o presidente do comitê de julgamento do Prêmio Belmiro Siqueira, Adm. Sergio Pereira Lobo; o presidente do CRA-PR, Adm. Gilberto Griebeler e o presidente do CRA-RJ, Adm. Wagner Siqueira, foram reunidos à fren-

CHAPAS PODEM SER INSCRITAS ATÉ 22 DE JULHO

te do palco para a entrega dos prêmios. O primeiro homenageado – indicado pelo CRA-PR – foi o Adm. Mário Procopiuck, vencedor da modalidade Livro, com a obra “Políticas públicas e fundamentais da Administração pública, análise e avaliação, governança e redes políticas, Administração judiciária”. “As constatações do livro são o que eu humildemente tentei trazer como contribuição para a Administração. Fico muito contente e honrado com este prêmio e encerro o discurso por aqui para continuarmos esta festa, porque o momento é este”, declarou o Adm. Mário Procopiuck. Na sequência, o presidente do CRA-RJ, Adm. Wagner Siqueira, foi chamado para entregar as homenagens ao presidente da Itaipu Binacional, Jorge Miguel Samek, vencedor da modalidade Empresa Cidadã do Prêmio, também indicada pelo CRA-PR. “O maior sentimento do ser humano é o da gratidão. Obrigado ao presidente do CFA, Adm. Sebastião Mello, ao amigo Gilber Griebeler, presidente do Conselho do nosso estado e ao Wagner Siqueira. Foi uma satisfação enorme poder receber de sua mão essa premiação. Quero dizer, como cidadão brasileiro e presidente da Itaipu, que nós temos uma profunda dívida de gratidão com todos os Administradores do Brasil. Uma profissão que tem ajudado em nosso desenvolvimento e tem feito toda a diferença pela capacidade de botar organização nas empresas públicas ou privadas, na construção de um mundo melhor. Muito obrigado pela premiação”, agradeceu Samek.

O

s preparativos para as eleições do Sistema CFA/CRAs estão a todo vapor. O pleito, que vai eleger novos

conselheiros federais e regionais, está regulamentado pela Resolução Normativa nº 438, de 20 de dezembro de 2013. No próximo dia 17 de junho, o CFA divulgará o calendário oficial das eleições. Entretanto, a autarquia adianta o prazo para registros nas chapas ao CFA e ao CRA, que finaliza no dia 22 de julho de 2014. O registro deve ser feito exclusivamente pelo responsável pela chapa no site www.votaadministrador.org.br. As eleições do Sistema CFA/CRAs estão previstas para acontecer em 15 de outubro de 2014 e mais uma vez será realizada pela internet. Entretanto, o Conselho faz um alerta para que Administradores e Tecnólogos registrados e em dia com os Conselhos Regionais de Administração (CRAs) mantenham seus dados cadastrais – como endereço e e-mail – atualizados. Esse procedimento é necessário para que o eleitor receba a senha para votação via internet. Acompanhem em nosso portal www.cfa.org.br outras informações sobre as Eleições do Sistema CFA/CRAs 2014.

*Textos do CRA-RJ com adaptações. MAIO/JUNHO – 2014 | nº 100

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Conselho

CFA realiza Workshop Administrador na Gestão Municipal

EVENTO ACONTECEU EM ABRIL E REUNIU REPRESENTANTES DE CRAs E ESPECIALISTAS EM GESTÃO PÚBLICA

O

Conselho

Federal

de

Luiz de Mello, pela conselheira fede-

sional orientada para resultados e para

Administração (CFA), por

ral e diretora de gestão pública, Adm.

a cidadania. Citou, ainda, um trabalho

meio da Câmara de Gestão

Ione Macedo de Medeiros Salem e os

desenvolvido pelos professores Millos

Pública (CGP), realizou, nos dias 10 e

membros da CGP conselheiros federais,

Augusto Stringuini e Osmar Sadi

11 de abril, o Workshop Administrador

Adm. Hércules da Silva Falcão e Adm.

Nether sobre a importância de se bus-

na Gestão Municipal, que contou com

Paulo César de Pereira Durand.

car o equilíbrio entre os Marcos Legal

apresentação de painéis, estudos de

A diretora Ione Salem iniciou a reunião

(legislação), Institucional (relações

caso e oficina de trabalho sobre o tema “Competência e Qualidade para a Profissionalização da Gestão Pública”.

“Administrador na Gestão Municipal”. Segundo ela, é preciso fortalecer a

entre governo, sociedade e empresas) e Técnico, este atualmente inexistente de forma integrada em relação aos dois

imagem do Administrador diante das

primeiros Marcos, pois constitui-se do

prefeituras. Para isso, é preciso que o

conjunto de profissionais com forma-

Sistema CFA/CRAs se articule com

ção superior e pós-graduação (massa

as prefeituras, Tribunais de Contas do

crítica) disponíveis e necessários à ge-

Estado, Associações de Municípios,

ração e implantação do Marco Técnico.

entre outras entidades, visando sensi-

Administradores, biólogos, bioquími-

A mesa de abertura foi composta pelo

bilizar os prefeitos sobre a importância

cos, contadores, economistas, engenhei-

presidente do CFA, Adm. Sebastião

do Administrador para a gestão profis-

ros, farmacêuticos, físicos, químicos e

O evento aconteceu na sede do CFA e reuniu os coordenadores dos CRAs que aderiram ao projeto “Administrador na Gestão Municipal”, de responsabilidade da Câmara de Gestão Pública do CFA.

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delineando a importância do projeto

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PRÊMIO BELMIRO SIQUEIRA 2014 ABRE INSCRIÇÕES

tantas outras profissões universitárias, são exemplos dos potenciais constru-

OS VENCEDORES DE CADA MODALIDADE RECEBERÃO CERTIFICADO E TROFÉU, ALÉM DE UM PRÊMIO EM DINHEIRO DE ATÉ R$ 6 MIL

tores e aplicadores do Marco Técnico para o Desenvolvimento Nacional. É

Boa notícia para os estudantes de Administração e Administradores registrados

missão dos Conselhos de Fiscalização

e em dia com as obrigações do seu CRA que produzem estudos e trabalhos na

do Exercício Profissional redesenhar o

área da Administração: até o dia 29 de agosto estão abertas as inscrições para

equilíbrio dos três Marcos.

o Prêmio Belmiro Siqueira de Administração 2014.

Após a sessão de abertura, foram apre-

Para participar, o candidato deve apresentar nos CRAs ou em suas seccionais o

sentados dois painéis, sendo o primeiro sobre “Cidades Inteligentes”, pelo Eng. Carlos Augusto, diretor adjunto da FGV Projetos, e o segundo, sobre “Gestão Pública Municipal”, pelo Adm. Sandro Trescastro Bergue, diretor da Escola Superior de Gestão do TCE-RS.

trabalho na modalidade escolhida. Além disso, os trabalhos podem, também, ser enviados via postal para o endereço do CRA em que o candidato é registrado. CATEGORIAS - O Prêmio Belmiro Siqueira 2014 contempla três categorias. Para participar da modalidade Artigo Acadêmico é necessário ser estudante de Administração. Já os profissionais de Administração poderão se inscrever na categoria Artigo Profissional e Pós-Graduação Stricto Sensu. O tema dos artigos é “Recursos Humanos”.

Após os painéis abriu-se uma sessão de

Na modalidade Pós-Graduação Stricto Sensu, serão aceitas as Dissertações de

debates sobre os temas e em seguida,

Mestrado e Teses de Doutorado que tenham sido defendidas no mesmo ano em

foram apresentados estudos de caso

que a modalidade for contemplada ou nos dois anos anteriores à data estabele-

dos CRAs: Mato Grosso, Maranhão,

cida pelo CFA para o encerramento das inscrições ao concurso.

Rio Grande do Norte e Paraná, segui-

Os vencedores de cada uma das modalidades receberão certificado e troféu. A

do, também, de uma sessão de debates.

premiação em dinheiro varia de R$ 5 mil para o primeiro colocado na categoria

O resultado do primeiro dia de traba-

“Artigo Acadêmico” e R$ 6 mil para as modalidades “Artigo Profissional” e “Pós-

lho gerou conhecimentos importantes

Graduação Stricto Sensu”.

para os participantes que subsidiaram

HISTÓRICO – O Prêmio Belmiro Siqueira de Administração foi criado pelo

os trabalhos do dia seguinte. No segun-

CFA em 1988 com o objetivo de divulgar e promover a valorização dos estudos

do dia, os facilitadores Prof. Wankes

realizados por Administradores e estudantes dos cursos de bacharelado em

Leandro e Helber Vieira, especialistas

Administração que contribuam para o desenvolvimento da profissão e da ciência

em gerenciamento de projetos, deram

da Administração no Brasil.

início às atividades com dinâmicas de

O Prêmio recebe o nome do Professor e Administrador Belmiro Siqueira, patro-

grupo que teve como objetivo levan-

no dos Administradores, título que lhe foi outorgado post-mortem. Belmiro,

tar informações para a formulação do

que entrou para a história por conta da sua luta em prol da valorização da

pré-projeto a ser desenvolvido pelos

Administração, lecionou no Departamento Administrativo do Serviço Público.

membros dos CRAs participantes.

Confira o edital na íntegra no portal www.cfa.org.br no menu “Ações do

Confira mais ações da Câmara de

CFA” - Prêmios.

Gestão Pública do CFA em nosso

Profissional e estudante de Administração, participe da história do Prêmio

portal www.cfa.org.br

Belmiro Siqueira.

MAIO/JUNHO – 2014 | nº 100

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Sistema CFA/CRAs propugnou e Governo Federal institui Dia Nacional do Administrador Presidente da República sanciona Lei nº 12.967 A aproximação do Conselho Federal de Administração (CFA) com os três Poderes - Legislativo, Executivo e Judiciário -

HONRA AO MÉRITO EM ADMINISTRAÇÃO

tem sido de extrema importância para todo o Sistema CFA/ CRAs. Por meio desse diálogo, o CFA tem conseguido parcerias importantes e esse apoio tem gerado proposições legislativas que são benéficas à profissão, além de ajudar combater aquelas que prejudicam a sociedade. Esse intenso trabalho já gerou algumas vitórias. A mais recente delas foi a publicação no dia 7 de maio, no Diário

Prêmio que homenageia os profissionais que contribuem para o desenvolvimento técnico-científico da Ciência da Administração, na defesa do profissional ou que tenha realizado relevantes serviços no campo da Administração.

Oficial da União, a sanção da presidente Dilma Rousseff instituindo o Dia Nacional do Administrador, a ser comemorado em 9 de setembro. A Lei de nº 12.967, propugnada pelo CFA, entrou em vigor na

CATEGORIAS

data da sua publicação, 6 de maio de 2014. Uma grande vitória para todos os profissionais de Administração do país.

CFA publica Relatório de Gestão 2013

Contribuição profissional • do Administrador • do Jovem Administrador Contribuição honorífica Contribuição benemérita

O Conselho Federal de Administração (CFA) acaba de publicar o Relatório de Gestão 2013. A publicação apresenta todos os trabalhos que foram desenvolvidos por meio de projetos e ações das Câmaras alinhados ao Planejamento Estratégico da Autarquia. As ações implementadas buscaram ampliar a visibilidade do Sistema CFA/CRAs e fortalecer a profissão. Confira a publicação no portal do CFA – www.cfa.org.br

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INDICAÇÕES As indicações devem ser feitas pelos Conselhos Regionais de Administração até o dia 30/06/2014 Confira detalhes na Resolução Normativa n° 391, de 12/11/2010, no Portal do CFA www.cfa.org.br

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Conselhos Regionais de ADministração CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO ACRE (CRA-AC) Presidente:Adm. MARCOS CLAY LÚCIO DA SILVA Av. Brasil nº 303 - Sala 201 - Centro Empresarial Rio Branco - Centro - 69900-191 - RIO BRANCO/AC Fone: (68) 3224-1369 E-mail: craacre@gmail.com Home Page: www.craac.org.br Horário de funcionamento: 8h30 às 14h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE ALAGOAS (CRA-AL) Presidente: Adm. ALAN HELTON DE OMENA BALBINO  Rua João Nogueira nº. 51 - Farol - 57021-400 MACEIÓ/AL Fone: (82) 3221-2481 - Fax: (82) 3221-2481 E-mail: cra@craal.org.br Home Page: www.craal.org.br  Horário de funcionamento: das 8h às 17h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO AMAPÁ (CRA-AP) Presidente:Adm. EDILJANE MARIA CAMPOS DA FONSECA Rua Jovino Dinoá nº 2455 - Central- 68900-075 MACAPÁ/AP Fone: (96) 3223-8602 E-mail: cra.macapa@gmail.com Horário de funcionamento: das 8h às 17h/Atend. Público 9h às 15h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO AMAZONAS (CRA-AM) Presidente:Adm. JOSÉ CARLOS DE SÁ COLARES Rua Apurinã, 71 - Praça 14 - 69020-170 - MANAUS/AM Fone: (92) 3303-7100 - Fax: (92) 3303-7101 E-mail: conselho@craamazonas.org.br Home Page: www.craamazonas.org.br Horário de funcionamento: das 8h às 17h30 CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DA BAHIA (CRA-BA) Presidente:Adm. ROBERTO IBRAHIM UEHBE Av. Tancredo Neves nº 999 - Ed. Metropolitano Alfa - Salas 601/602 - Caminho das Árvores - 41820021 SALVADOR/BA Fone: (71) 3311-2583 - Fax: (71) 3311-2573 E-mail: cra-ba@cra-ba.org.br Home Page: www.cra-ba.org.br Horário de funcionamento: das 9h às 17h30 CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO CEARÁ (CRA-CE) Presidente: Adm. ILAILSON SILVEIRA DE ARAÚJO Rua Dona Leopoldina nº 935 - Centro - 60110-001 FORTALEZA/CE Fone: (85) 3421-0909 - Fax: (85) 3421-0900 E-mail: presidente@cra-ce.org.br Home Page: www.craceara.org.br Horário de funcionamento: das 8h30 às 18h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO DISTRITO FEDERAL (CRA-DF) Presidente:Adm. CARLOS ALBERTO FERREIRA JÚNIOR SAUS - Quadra 6 - 2o. Pav. - Conj. 201 - Ed. Belvedere 70070-915 - BRASÍLIA/DF Fone: (61) 4009-3333 - Fax: (61) 4009-3399 E-mail: presidencia@cradf.org.br Home Page: www.cradf.org.br Horário de funcionamento: das 9h às 17h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO ESPIRITO SANTO (CRA-ES) Presidente: Adm. MARCOS FELIX LOUREIRO Rua Aluysio Simões, 172 - Bento Ferreira - 29050-632 - VITÓRIA/ES Fone: (27) 2121-0500 - Fax: (27) 2121-0539 E-mail: craes@craes.org.br Home Page: www.craes.org.br Horário de funcionamento: das 8:30h às 17h30 CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE GOIÁS (CRA-GO) Presidente: Adm. SAMUEL ALBERNAZ Rua 1.137, Nº 229, Setor Marista - 74180-160 GOIÂNIA/GO Fone: (62) 3230-4769 - Fax: (62) 3230-4731 E-mail: presidencia@crago.org.br Home Page: www.crago.org.br Horário de funcionamento: das 8h às 18h

Listagem atualizada até o dia 07/05/2014

CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO MARANHÃO (CRA-MA) Presidente:Adm. ISABELLE CRISTINE RODRIGUES FREIRE MARTINS Rua José Bonifácio, 920 - Centro - 65010-020 - SÃO LUIS/MA Fone: (98) 3231-4160/3231-2976 - Fax: (98) 32314160/231-2976 E-mail: crama@cra-ma.org.br Home Page: www.cra-ma.org.br Horário de funcionamento: das 8h às 14h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE MATO GROSSO (CRA-MT) Presidente: Adm. LUIS CESAR SIMÕES DE ARRUDA  Rua 05 - Quadra 14 - Lote 05 - CPA - Centro Político e Administrativo - 78050-900 - CUIABÁ/MT Fone: (65) 3644-4769 - Fax: (65) 3644-4769 E-mail: cra.mt@terra.com.br Home Page: www.cramt.org.br Horário de funcionamento: das 9h às 17h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE MATO GROSSO DO SUL (CRA-MS) Presidente:Adm. HARDUIM REICHEL Rua Bodoquena nº 16 - Amambaí - 79008-290 - CAMPO GRANDE/MS Fone: (67) 3316-0300 E-mail: presidencia@crams.org.br Home Page: www.crams.org.br Horário de funcionamento: das 8h às 17h30 CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE MINAS GERAIS (CRA-MG) Presidente:Adm. SÔNIA FERREIRA FERRAZ Avenida Afonso Pena nº 981 - 1o. Andar - Centro - Ed. Sulacap - 30130-907 - BELO HORIZONTE/MG Fone: (31) 3274-0677 - 3213-5396 - Fax: (31) 32735699/3213-6547 E-mail: presidencia@cramg.org.br Home Page: www.cramg.org.br Horário de funcionamento: das 8h às 18h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO PARÁ (CRA-PA) Presidente:Adm. JOSÉ CÉLIO SANTOS LIMA Rua Osvaldo Cruz nº 307 - Comércio - 66017-090 BELÉM/PA Fone: (91) 3202-7889 - Fax: (91) 3202-7851 E-mail: gabinete@crapa.org.br / presidencia@crapa.org.br Home Page: www.crapa.org.br Horário de funcionamento: das 9h às 15h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DA PARAIBA (CRA-PB) Presidente:Adm. FRANCISCO DE ASSIS MARQUES Av. Piauí nº 791 - Bairro dos Estados - 58030-331 JOÃO PESSOA/PB Fone: (83) 3021-0296 E-mail: crapb@crapb.org.br Home Page: www.crapb.org.br Horário de funcionamento: das 8h às 12h e de 13h às 17h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO PARANÁ (CRA-PR) Presidente:Adm. GILBERTO SERPA GRIEBELER Rua Cel. Dulcídio nº 1565 - Água Verde - 80250-100 CURITIBA/PR Fone: (41) 3311-5555 E-mail: presidencia@cra-pr.org.br Home Page: www.cra-pr.org.br Horário de funcionamento: das 9h às 18h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE PERNAMBUCO (CRA-PE) Presidente:Adm. ROBERT FREDERIC MOCOCK Rua Marcionilo Pedrosa nº 20 - Casa Amarela - 52051330 - RECIFE/PE Fone: (81) 3268-4414/3441-4196 - (81) 3268-4414 E-mail: cra@crape.org.br Home Page: www.crape.org.br Horário de funcionamento: das 8h às 14h / Atend. Público 8h às 12h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO PIAUÍ (CRA-PI) Presidente:Adm. PEDRO ALENCAR CARVALHO SILVA Rua Áurea Freire, nº 1349 - Jóquei - 64049-160 TERESINA/PI Fone: (86) 3233-1704 - Fax: (86) 3233-1704 E-mail: administrativo@cra-pi.org.br Home Page: www.cra-pi.org.br Horário de funcionamento: das 12h às 19h

CRAs

CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO RIO DE JANEIRO (CRA-RJ) Presidente:Adm. WAGNER SIQUEIRA Rua Professor Gabizo nº 197 - Edf. Belmiro Siqueira Tijuca - 20271-064 - RIO DE JANEIRO/RJ Fone: (21) 3872-9550 - Fax: (21) 3872-9550 E-mail: secretaria@cra-rj.org.br Home Page: www.cra-rj.org.br Horário de funcionamento: das 9h às 17h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO RIO GRANDE DO NORTE (CRA-RN) Presidente:Adm. KATE CUNHA MACIEL  Rua Coronel Auriz Coelho nº 471 - Lagoa Nova - 59075050 - NATAL/RN Fone: (84) 3234-6672/9328 - Fax: (84) 3234-6672/9328 E-mail: cra-rn@crarn.com.br Home Page: www.crarn.com.br Horário de funcionamento: das 12h às 18h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO RIO GRANDE DO SUL (CRA-RS) Presidente:Adm. CLÁUDIA DE SALLES STADTLOBER Rua Marcílio Dias nº 1030 - Menino Deus - 90130-000 PORTO ALEGRE/RS Fone: (51) 3014-4700/3014-4769 -  Fax: (51) 3233-3006 E-mail: diretoria@crars.org.br;secretaria@crars.org.br Home Page: www.crars.org.br Horário de funcionamento: das 8h30 às 17h30 CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE RONDÔNIA (CRA-RO) Presidente:Adm. ANDRÉ LUIS SAONCELA DA COSTA  Rua Tenreiro Aranha, nº 2988 Olaria – 76801-254  PORTO VELHO/ROFone: (69) 3221-5099/3224-1706 - Fax: (69) 3221-2314 E-mail: presidencia@craro.org.br Home Page: www.craro.org.br Horário de funcionamento: das 8h às 17h /Atend. Público 08horas às 14 horas CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE RORAIMA (CRA-RR) Presidente: Adm. UBIRAJARA RIZ RODRIGUES  Rua Prof. Agnelo Bitencourt, 1620 - São Francisco 69.305170 - BOA VISTA/RR Fone: (95) 3624-1448 - Fax: (95) 3624-1448 E-mail: craroraima@gmail.com Home Page: www.crarr.org.br Horário de funcionamento: das 7h30 às 18h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE SANTA CATARINA (CRA-SC) Presidente: Adm. ANTONIO CARLOS DE SOUZA  Av. Prefeito Osmar Cunha, 260 - 7º andar Salas 701 a 707/ 801 a 807 Ed. Royal Business Center - Centro 88015-100 Florianópolis – SC Fone: (48) 3229-9400 E-mail: crasc@crasc.org.br Home Page: www.crasc.org.br Horário de funcionamento: das 8h às 18h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE SÃO PAULO (CRA-SP) Presidente:Adm. WALTER SIGOLLO Rua Estados Unidos nº 865/889 - Jardim América - 01427001 - SÃO PAULO/SP Fone: (11) 3087-3208/ 3087-3459 - Fax: (11) 3087-3256 E-mail: secretaria@crasp.gov.br Home Page: www.crasp.com.br Horário de funcionamento: das 8h às 17h30 / Atend. Público 9h às 17h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE SERGIPE (CRA-SE) Presidente: Adm. DIEGO CABRAL FERREIRA COSTA Rua Senador Rollemberg, 513 - São José - 49015-120 ARACAJU/SE Fone: (79) 3214-2229/3214-3983 - Fax: (79) 32143983/3214-2229 E-mail: atendimento@crase.org.br ; Home Page: www.crase.org.br Horário de funcionamento: das 8h às 14h CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE TOCANTINS (CRA-TO) Presidente: Adm. ROGÉRIO RAMOS DE SOUZA 602 Norte Av. Teotonio Segurado Conj. 01 Lt 06 - 77.7006700 -PALMAS/TO Fone: (63) 3215-1240/3215-8414 E-mail: atendimento@crato.org.br Home Page: www.crato.org.br Horário de funcionamento: das 8h às 18h

MAIO/JUNHO – 2014 | nº 100

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OPINIÃO

Sobre os

chefes idiotas S

ão pessoas rudes, mal-educadas, usam palavras para ferir. Não raro, emitem juí-

zos depreciativos eivados de preconceitos os mais variados. Demonstram um nível exacerbado de arrogância, por isso interrompem os outros com frequência acima do normal. Não hesitam em debochar dos outros de modo hostil e humilhante. São mestres na arte de manipular, mentir e esconder. São incapazes ao diálogo, pois sabem gritar, não conversar. Perdão é uma palavra ausente em seu dicionário; errar, um verbo ausente em sua gramática. Por tudo isso e muito mais, deixam atrás e ao redor de si um rastro de destruição, às vezes somente percebido em médio e longo prazo. Algumas empresas até mesmo os têm como peças estocadas na prateleira, usadas estrategicamente em determinadas circunstâncias; ou ainda, para usar outra metáfora, esta sim mais própria, parecem-se mais com pit bulls (isto com todo o respeito aos animais) enjaulados e então, quando a situação exige, são soltos com carta branca da

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rba | revista brasileira de administração


*Este artigo não reflete necessariamente a opinião do CFA.

direção; nesta condição, espalham o

mente o fato de que certas pessoas so-

vem o nosso termo idiota, é o sujeito

veneno de sua raiva, dando a impres-

mente funcionam trazendo resultado,

que nada enxerga além de si mesmo.

são de terem solucionado os problemas

cumprindo prazo, atingindo metas,

Idiotes é aquele que nada enxerga

e trazido os resultados esperados.

quando expostas a esse tratamento.

além de si próprio, toma a própria ig-

Não operam bem sob uma liderança

norância como régua do mundo. São

saudável, tranquila, dialogal, gentil, pois

idiotas por não conseguirem ver além

parecem confundir tudo isso com rela-

de si mesmos, tomando-se como a

xamento para não fazer o que tem que

medida correta de todas as coisas.

ser feito. Estão convictas de que chefes

Felizmente, por consciência das em-

perfil de chefia por estarem baseadas na crença equivocada de que equipes não geram resultados quando tratadas de maneira gentil. Acreditam inconscientemente que alguém na posição

bonzinhos não serão respeitados.

de líder de uma empresa não pode pre-

Ressalte-se que há diferença entre um

tender ser amado; deve, sim, buscar ser

líder assertivo, duro quando deve ser,

temido. Não escapa a um olhar mais

que vez por outra bate na mesa e mes-

atento a insustentabilidade dos resul-

mo levanta a voz, e um chefe idiota. O

tados trazidos por esse tipo de chefe.

primeiro conhece limites, enquanto

Passada a euforia das metas atingidas,

o segundo não tem fronteira alguma,

têm-se que lidar com o turn over, com a

descambando inclusive para o assédio

perda de talentos, com a desagregação

moral, que pode ser definido como um

de boas equipes...

conjunto de agressões reiteradas que

Pesquisas já apontam para o inegável

atacam a subjetividade da vítima, por

impacto que tais chefes, homens ou mulheres, têm sobre a vida dos seus subalternos. Uso esta linguagem de propósito, pois chefes idiotas não atraem seguidores autônomos – isso é próprio de líderes –, apenas geram subordinados. Os números dizem o enorme prejuízo físico e emocional causado por essa chefia truculenta. O uso de drogas, o apelo para o álcool, as constantes gastrites, mesmo a depressão são

presas ou pelo risco legal que trazem, esses chefiotas estão gradativamente perdendo espaço dentro das organizações. Com certeza, a extinção total deles somente acontecerá à medida que nos asseguramos que nunca seremos seus semelhantes. Eles não são heróis a serem imitados, são antes seres tão pobres de espírito, tendo apenas seus próprios umbigos como referência e os resultados insustentáveis que produzem.

meio da humilhação, do constrangimento. Agressões que atentam contra a honra, a moral, a personalidade, a intimidade, a privacidade da vítima, e

Foto: Divulgação

Algumas organizações valorizam esse

desestabilizam o ambiente de trabalho. Inegavelmente, o assediador é uma pessoa sem ética, que ataca motivado por poder, vaidade, sadismo, insegurança. Suas ações destoam, por completo, daquilo que se tem por ético: injúrias, difamações, rudeza, preconcei-

sintomas apresentados pelas vítimas.

tos por raça, gênero ou origem social.

Mas a culpa de tais pessoas serem e

Ao chamar tais chefes de idiotas,

agirem assim não pode ser imputada

faço não os desrespeitando, mas

somente às organizações; paradoxal-

usando uma palavra muito adequa-

mente, algumas equipes são igualmente

da aos seus perfis: idios, em grego,

responsáveis. Impressiona curiosa-

quer dizer o mesmo. Idiotes, de onde

Eduardo Pedreira é professor de Sustentabilidade Corporativa da Fundação Getulio Vargas. É um dos autores do livro Gestão de Negócios Sustentáveis. prof.eduardofgv@terra.com.br

MAIO/JUNHO – 2014 | nº 100

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LIDERANÇA POR_Mara Andrich

MAIS AMOR, POR FAVOR NÃO, VOCÊ NÃO ESTÁ LENDO UMA REPORTAGEM SOBRE ROMANTISMO OU ALGO DO GÊNERO. AQUI VOCÊ VAI ENTENDER POR QUE É TÃO IMPORTANTE TER RELAÇÕES HARMONIOSAS NO TRABALHO E COMO ISSO PODE RESULTAR NA SUA REALIZAÇÃO PROFISSIONAL E NO SUCESSO DAS EMPRESAS

A

firmar que relações de afeto

A pesquisa constatou que quanto mais

deixam a vida de qualquer

amor os profissionais sentem no am-

pessoa mais harmonio-

biente de trabalho, mais engajados

sa parece redundante. E quando essa

eles são e melhor é o seu desempenho.

harmonia está presente no ambiente

Os pesquisadores ouviram 335 pesso-

de trabalho, onde as pessoas passam a maior parte do tempo, é melhor ainda – e também tão redundante quanto. Mas a novidade é que, recentemente, isso foi comprovado cientificamente com uma pesquisa da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. O estudo constatou que relações mais amorosas no ambiente corporativo são um bom negócio para ambas as partes: empregador e empre-

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as entre funcionários, pacientes e seus familiares em uma instituição de saúde dos Estados Unidos. Por fim, concluíram que as pessoas que trabalham em um ambiente no qual se sentem livres para expressar afeto, ternura, carinho e compaixão pelos seus colegas têm um desempenho melhor, são mais satisfeitas com o seu emprego e comprometidas com a organização.

mentos bons faz com que cada pessoa se sinta valorizada, traz um sentido de pertencimento dessa pessoa ao ambiente em que ela está inserida, o que é extremamente importante ao indivíduo. E quando as pessoas se sentem importantes, tornam-se mais abertas a receber mensagens, como explica a psicóloga clínica, personal coach e coautora do livro “Felicidade 360º”, Izabela Neves Freitas. Segundo ela, a valorização individual, o “se sentir

gado. Trata-se do amor fraterno nas re-

No ambiente de trabalho – e não so-

importante”, acaba refletindo em todo

lações de trabalho, o que nada tem a ver

mente nele, mas em todos os âmbitos

o entorno da pessoa. “Os funcioná-

com relações afetivas entre casais.

da vida – a demonstração de senti-

rios da empresa sempre vão trabalhar

rba | revista brasileira de administração


melhor com alguém com quem eles

sabem

que

poderão contar, com alguém que também deseja que seu colega seja bemsucedido. O afeto no trabalho, então, pode estabelecer esse tipo de relacionamento”, comenta Izabela. O especialista em Liderança e Consultorias em Projetos de Vida pela Condor Blanco Internacional, Alex Stallivieri Fernandes, acredita que o resultado da pesquisa de Harvard reflete o que as pessoas estão procurando cada vez mais nos dias de hoje: qualidade de vida. Ele vem constatando em suas consultorias que os trabalhadores não se submetem mais apenas a salários bons e sucesso profissional. Eles querem satisfação no trabalho, querem ser felizes no que fazem. E essa satisfação – não somente na vida profissional, mas também na

No entanto, ele percebe que as pessoas,

O Tecnova é um programa do Governo

mesmo almejando essa satisfação, ain-

Federal que, por meio da Financiado-

da não sabem exatamente qual o cami-

ra de Estudos e Projetos (Finep) e em

nho para o equilíbrio, já que estão liga-

conjunto com parceiros regionais, bus-

das “no automático”. “No ritmo frenéti-

ca criar condições financeiras e apoiar

co dos dias de hoje, acredito que de um

a inovação tecnológica para empresas

modo geral as pessoas estão cada vez

de micro e pequeno porte de todo o Bra-

mais distantes de si mesmas, ou seja,

sil. No Estado do Paraná, o programa é

não se conhecem, não sabem quais são

executado pela Secretaria de Ciência,

seus objetivos”, comenta. E se a pessoa

Tecnologia e Ensino Superior (SETI),

não sabe onde quer chegar, fica difícil

por meio da Fundação Araucária. “Cria-

trilhar um caminho coerente.

mos mais harmonia na equipe, que tam-

Izabela também lembra a importância do equilíbrio em todas as esferas da vida, mas observa que o ambiente de trabalho talvez seja um dos mais importantes, já que as pessoas passam a maior parte do tempo nele. “Precisamos estar atentos a otimizar os relacionamentos e as boas relações pessoais em todos os aspectos de nossa vida – família, amizades –, pois eles nos ajudam a encontrar satisfação nas demais áreas. A felicidade está conectada ao uso de nossas forças afetivas, tornando mais fácil executarmos nossas atribuições. Mas passamos a maior parte do tempo trabalhando, então expressar afeto nele acaba sendo necessário”, analisa.

bém se tornou mais funcional, o que melhorou e estreitou as relações entre os participantes”, garante Fernandes.

AFETIVIDADE De acordo com o artigo da psicóloga Ângela da Rocha Valle, publicado na revista “Psicología para a América Latina” – Revista Electrónica Internacional de la Unión Latinoamericana de Entidades de Psicología, a afetividade pode ser caracterizada como a “capacidade de experimentar sentimentos e emoções”. Segundo o artigo, no conceito de afetividade está implícita a existência de um conteúdo relacional, isto é, “as pessoas são afetivas em relação a elas mesmas, ao outro ou a

pessoal – envolve quatro pilares, con-

Fernandes conta que já colocou em

algum fato ou contexto ambiental”. A

forme as consultorias de Fernandes:

prática um clima mais fraterno no

psicóloga observa ainda que o afeto é o

físico, mental, emocional e espiritual.

programa Tecnova, no qual é bolsista.

ato de se deixar tocar (e de ser afetado) pelos outros e pelo mundo e “quando isso ocorre há uma nova visualização da relação entre o ser e o mundo”, conceito que pode ser comparado aos ambientes de trabalho, onde as relações interpessoais são inevitáveis.

MAIO/JUNHO – 2014 | nº 100

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Liderança

O artigo traz ainda informações sobre o processo histórico dessa preocupação com o afeto no ambiente de trabalho. Segundo a revista, no início do século 20, as insatisfações no trabalho eram tidas como produto de “tendências emocionais desajustadas”. Mais tarde, no final do século, esse entene valorizar mais a questão do afeto, e que ele teria relações com o humor, as emoções e a satisfação no trabalho,

“Juntando tudo isso é possível chegar a uma relação mais harmoniosa

além de envolver inveja e ciúme.

dentro da empresa. Ele precisa ter

O artigo cita que alguns autores apre-

harmonia das relações”, acredita.

sentam medidas afetivas e cognitivas de satisfação no trabalho. “A satisfação pode ser vista de duas formas: a satisfação no trabalho é tomada como um julgamento avaliativo, então, o afeto pode ser visto como um antecessor a ela; e a satisfação no trabalho é tomada como tendo um componente afetivo, então o afeto no trabalho pode ser visto como um indicador.”

LIDERANÇA AMOROSA Na opinião de Fernandes, o grande

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que o desempenho seja satisfatório.

o equilíbrio entre os resultados e a Izabela lembra que desenvolver laços de afetividade entre os colegas de trabalho faz com que todos tenham mais facilidade para buscar seus objetivos e atingir as metas da empresa. Isso reflete em diminuição de turn over e maior produtividade. E o que é mais importante: produção com satisfação. “Sentir-se confiável e

Izabela Neves Freitas, personal coach e coautora do livro “Felicidade 360º”

confortável na empresa faz com que as pessoas estabeleçam laços, o que as prende mais à corporação, e também faz com que elas desempenhem melhor

desafio das organizações é fazer com

suas atividades”, analisa a psicóloga.

que seus líderes consigam alinhar a

A pesquisa de Harvard estendeu as

missão da empresa com a missão de

perguntas para 3.201 profissionais

seus funcionários. E, para isso, o lí-

de outras áreas para confirmar isso,

der tem que ter empatia, sentir o cli-

como a de serviços financeiros e se-

ma de sua equipe de trabalho e, aci-

tor imobiliário e, como já se espera-

ma de tudo, valorizar aptidões, para

va, o resultado foi o mesmo.

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Foto: Arquivo Pessoal

dimento evoluiu. Passou-se a estudar

O líder tem que ter empatia, sentir o clima de sua equipe de trabalho e, acima de tudo, valorizar aptidões, para que o desempenho seja satisfatório.”


CDI

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