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Paralelo Mundi

revista

EDIÇÃO#001 ▪ JULHO 2012

Aniversário de 1 ano Paralelo Mundi VEJA O QUE ACONTECEU EM GOIÂNIA NESSE ÚLTIMO ANO

ENTREVISTA COM RAIN MACHINE, SOUFLY E BIG BANG

CONHEÇA MELHOR Conheça como surgiu o site, seus colaboradores e muito mais

REPORTAGEM COM OS PRINCIPAIS EVENTOS DE GOIÂNIA

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ÍNDICE

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Índice Jul 2012

CARTA

DO EDITOR EDITOR: João Alexandre

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Bananada Integra Espaços 2012 Festival NOISE

entrevistas Público viaja com Rain Machine Simpatia Norueguesa Max Cavaleira e Soufly Tiê Canta e Encanta Outros artistas que estreiaram em Goiânia

coberturas

28 Criolo Leva Multidão 30 Ambivalências

18 19

SITE: www.paralelomundi.com

construímos um espaço onde todos tem voz. O público, as bandas, os artistas e por que não, você.

festivais 06 12

EMAIL: joaoalexandre@paralelomundi.com

paralelo mundi

O Paralelo Mundi hoje é apenas um bebê. Um lugar novo, onde as pessoas procuram coisas novas para se fazer, para se viver. Nós crescemos de uma hora para outra, com muita correria e dedicação sem pensar duas vezes, quando se tratava de fazer o blog crescer. Depois do primeiro ano, os eventos de goiânia foram crescendo e nós crescemos junto. Pegamos a onda do cenário e também ajudamos, claro.

Depois de idealizar este projeto no meu primeiro ano de faculdade, ao lado da Rayssa Guth, fico impressionado ainda como algumas pessoas que nunca vi já conhecem o site, já acompanham o nosso trabalho e gostam dele. Estamos nos esforçando cada vez mais para que a nossa ideia de divulgar a cultura seja feita da forma mais eficiente e agradável, além de trazer nossas próprias produções à tona. Sempre

paralelo mundi contato

tentamos dar espaço para o novo, o desafiador, e foi para isso que criamos o paralelo Mundi. Com um ano de existência, o projeto começou a conversar com a gente através do público e até mesmo do próprio blog. Com essas conversas estamos tentando cada vez mais melhorar e adicionar ao Paralelo, tudo aquilo que achamos importante para o crescimento da cultura na região, no estado, no Brasil,

desvende

Publicado por Paralelo Mundi - Av. Contorno, número 72, Setor Central

equipe

1 ano

Editor: João Alexandre e. joaoalexandre@paralelomundi.com

Balanço Geral

Editor CHEFE: José Guilherme Abrão e. editor@paralelomundi.com DIAGRAMAÇÃO e design: Rayssa Guth e. rayssaguth@paralelomundi.com produção: Ana Júlia e. anaribeiro@paralelomundi.com

escritores Heitor Vilela e. heitor.paralelomundi@gmail.com Marcos Carneiro e. marcos.paralelomundi@gmail.com Vanessa Soares e. vanessa.paralelomundi@gmail.com

em todo lugar. Aqui você pode ver como nós crescemos, como em apenas um ano de funcionamento, na correria de estudantes de comunicação, construímos um espaço onde todos tem voz. O público, as bandas, os artistas e por que não, você.

fotógrafos

Rayssa Guth e. rayssaguth@paralelomundi.com Amanda Albuquerque e. amanda.paralelomundi@gmail.com

publicidade Digital ou impresso mediakit disponiveis em contato: ANUNCIOS: Rayssa Guth t. 62 8141 9775 e. anuncio@paralelomundi.com

distribuição Essa revista é distribuida gratuitamente. Pararequerí-la: e. contato@paralelomundi.com


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Bananada integra espaços

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O Festival Bananada 2012 investe no pluralismo de estilos musicais Confira os resumos das noites da décima quarta edição do Bananada.

Lançamento FNAC A décima quarta edição do festival Bananada, realizado pela Construtora Música e Cultura, já começou. Em pocket show realizado na loja de departamentos eletrônicos Fnac, do Shopping Flamboyant, a banda Gloom fez a apresentação de estréia do evento que chega forte para montar mais uma peça do cenário musical independente de Goiânia. O pontapé inicial do evento foi feito com grande estilo ao som da banda local que vem ganhando muito espaço no cenário nacional. A escolha da banda para lançar o Bananada não é por acaso, levando em conta a afinidade que o grupo tem com o selo e também com o evento. “Acho que temos tudo a ver com o Bananada, porque foi o primeiro festival grande em que a gente tocou”, disse a vocalista Niela Moura. O quinteto preparou um show com set list reduzido, mas que mostra bem a musicalidade que eles carregam há quase seis anos de estrada, desde que se formaram em 2006. Tocaram as principais músicas autorais do grupo, abrindo com a canção “Discurso”. Já nos primeiros minutos, deram uma amostra do estilo misto de um Pop e um Indie Rock genuinamente brasileiro, marcado por instrumento de sopro. Samba, ska entre outros gêneros também se enraízam no espólio do conjunto, formado por Niela, Goiaba, Lucas, Yuri e Afonso. No meio do público, gente de todas as idades. Crianças, adolescentes, casais e roqueiros, além de entusiastas do âmbito cultural goianiense, além de fãs da banda. No repertório do conjunto musical também teve uma homenagem ao cantor e compositor tropicalista Caetano Veloso, um dos expoentes da Música Popular Brasileira. Interpretando a canção Cajuína, deram uma pegada groove bem dançante aos versos da famosa canção do artista baiano.

El Club O Festival Bananada 2012 investe neste ano no pluralismo de estilos musicais, seguindo a tendência das últimas edições. Na noite de ontem, uma grande balada em uma das casas alternativas mais populares da cidade mostrou que essa máxima é verdadeira. Um set de três Dj´s que fazem um bom trabalho nas pistas de Goiânia animaram a casa lotada para um público que entrou no esquema de bilheteria proposto pela Construtora de Música e Cultura, o “Quanto Vale o Show?”. Uma fila que dobrava a esquina se formou por volta das dez e meia da noite e não se desfez até as duas da manhã, divulgando que a balada eletrônica seria quente. Não tinha como não desconfiar no sucesso da festa, pois a organização disponibilizou um line-up com discotequeiros que sabem se manifestar com mixagens. Lucas Manga e Romulo Chaul foram os nomes da vez. Com toda a organização possível, a El Club faz jus ao nome forte que tem no cenário de música eletrônica na capital. Documentação averiguada com rapidez impressionante na entrada, com catalogação de impressões digitais dos polegares e indicadores, mostrando que a preocupação com a segurança também é uma das preocupações da casa. Lucas Manga, Dj responsável pelas batidas de techno-brega da Banda UÓ, é sócio-proprietário da El Club e cuidadosamente percorre local averiguando se tudo está dando certo, desde a entrada dos clientes até a saída deles. E foi ele mesmo o nome mais esperado da noite, que não tardou e mostrar o que lhe dá toda a fama que tem na cidade. Foi o primeiro a comandar a pick up, dando um pontapé inicial que embalou a noite. Com grande estilo, lançou seu set list diversificado com o famoso hit The Circle of Life – de Elton John - que ficou conhecido no filme de animação O Rei

Bananada Primeira Cobertura Oficial do Paralelo Mundi iniciando uma nova fase do Coletivo.

VEJA+ PÁG024 “Acho que temos tudo a ver com o Bananada, porque foi o primeiro festival grande em que a gente tocou” nIELA MOURA


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“Queria chamar o Fabrício pra cantar um música que fiz exatamente pra ele”

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Leão. Rômulo Chaul mostrou ritmos que englobam o groove do Hip-Hop e Funk Music, que sempre fazem parte de seu set list. Uma homenagem ao grande rapper brasileiro Criolo, dando remix a faixa Subirosdoistiozin, uma das faixas mais conhecidas do país. Apesar da baixa temperatura da capital e o ar condicionado presente no local da pista, a noite foi quente em termos sonoros. Às quatro e meia da manhã ainda tinha muita gente dançando na área interna da casa, entre paredes grafitadas e gente que preza um bom evento musical.

Metrópolis Retro johnny suxx Assumindo a nova tendência de ocupar as casas de shows alternativos de Goiânia, o Bananada nas Casas chegou no Metropolis Retrô, um dso locais que vem ganhando muita importância por abrigar show memoráveis do cenário musical goianiense. O quarto evento teve um encontro de apresentações do célebre Johnny Suxx and The Fucking Boys com os novatos da Cherry Devil. Apesar de ainda recém-chegados na densa cena rock goiana, o quinteto Cherry Devil entrou no Metropolis com muita moral e fez um show com bastante qualidade vocal e instrumental. Sob as luzes azuladas no palco já tradicional da casa, começaram tocando um repertório de músicas autorais que dá inveja a qualquer banda principiante. Uma bela sintonia entre a banda revela que os integrantes ensaiaram bastante, já que a formação tem apenas seis meses. Edu Ornelas, Kennedy Cardoso, Camilla Ferreira, Ewerton Santos e Leandro Xavier formam a Cherry Devil, que produz uma sonoridade Hard Rock bem com vocais agudos afinados que lembram os grandes. The Dark Side of Us e Get Away foram algumas das músicas apresentadas no inferninho. A dicotecagem ficou por conta do Dj Maurício Mota, que fez um apanhado dos mais variados estilos de batidas do pop rock. A segunda parte da festa, onde estava personalidades do cenário musical de Goiânia, foi o baile de visual e musicalidade Glam Rock produzido pelo Johnny Suxx and The Fucking

Boys. Calça vermelha e jaqueta preta é o que Johnny vestia, sempre com visual carregado e jargão cheio de palavrões, identidade do personagem alternativo. Nada mais carregado do que sua apresentação, que tem todos os atributos para não deixar ninguém parado. A palavra inferninho é a mais apropriada para o que ele faz do local, regado a drinks e muito Rock n´Roll. A guitarra distorcida muito bem entonada pelos músicos mostraram o que a banda vem divulgando nos oito anos em que estão na estrada. O show ainda contou com surpresas bem divertidas, como a participação de Fabrício Nobre – exMQN – em uma das canções. “Queria chamar o Fabrício pra cantar um música que fiz exatamente pra ele” disse Johnny Suxx. O músico fez o palco da casa parecer enorme com tantos movimentos em cima dele, que são detalhes de Johnny Suxx and The Fucking Boys. O sol ainda estava a pino quando o palco principal da décima quarta edição do Bananada foi invadido por atrações que mostraram a pluralidade de estilos de um dos eventos mais importantes da música independente nacional. Entre as quatro horas da tarde às 11 da noite, sete atrações passaram pelo palco montado no novíssimo Centro Cultural UFG, que mesmo lotado, abrigou confortavelmente o penúltimo dia de shows.

Centro Cultural UFG Sábado Quem abriu o palco neste sábado foi a banda Coletivo Musical, ainda nova no cenário goianiense. Fazendo uma substrato original que identifica o conjunto, o grupo liderado pela cantora Bruna Mendes mostrou a sua mistura folk já conhecida pelos goianienses. No repertório, canções autorais que fizeram deles uma das maiores novidades do última ano na capital e que agora prepara para gravação de disco e videoclipe. E por falar em novidade, Cambriana foi segunda banda que mostrou serviço no tablado do Bananada. Apesar de ser uma banda nova, ela já é muito falada país afora por ter feito tanto barulho após o lançamento do disco House of Tolerance, de onde sai o repertorio para os shows. Cançõs permeadas pelo Piscodelic Rock tão

em voga fazem parte da identidade da banda, que tocou o single chiclete The Sad Facts, além de outras canções já bem conhecidas, como Stray, e até fizeram uma surpresa para o público. “Essa próxima música vai para o Adam, integrante do Beast Boys que morreu nessa semana”, disse Luis Calil antes de começarem a tocar All Apologies, canção da banda grunge Nirvana. Compondo uma seqüência que público chamou de “o dia mais light do Bananada”, o quinteto Talma & Gadelha subiram ao palco enquanto o sol raiava. De fato, uma sincronia entre as primeiras três atrações é de inevitável compreensão. A banda também surgiu com novidades, mas dessa vez na formação. Niela Moura, guitarrista e vocalista da banda Gloom, tocou todas as canções do show no palco e até cantou junto com Luiz Gadelha e Simona Talma. Um show divertidíssimo e bem leve, apesar da progressividade, foi a do Riverbreeze. A banda subiu ao palco e cantou em inglês dez músicas que mostram o estilo que vem sendo tendência nas produções musicais, com som limpo. Um dos shows mais esperados da noite, o do Macaco Bong, foi a pausa para não piscar durante quase uma hora. Em uma balada instrumental, os músicos mexem o tempo todo com emoções tendo como auxílio apenas a guitarra, o baixo e a bateria. Mesmo sendo bem discretos, a presença de palco deles é feita com musicalidade. Até mesmo quem estava trabalhando nas barracas de venda, deu aquela esticadinha de pescoço para ver quem fazia um som tão conceitual de uma das bandas mais promissoras do música nacional. Por falar em presença de palco, Diego de Morais tocou após os matogrossenses. Quem conhece ou já foi em apresentações do cantor e compositor goiano, sabe que ele não é de ficar parado no palco. E foi exatamente o que ele não fez. Vestido com seu estilo charlatão e viajante ao mesmo tempo, Diego levou animação com sua interação forte com o público, rememorando canções autorais de sua carreira. Convidou Fernando Simplista. A última do repertório teve um ar especial. A última atração e headline da noite, Jards Macalé, entrou no tablado para fazer um dueto com Diego de Morais. A emoção não teve como ser disfarçada nos olhos de Diego, que colocou um ar mais groove na canção Soluços, do artista carioca. Em sua apresentação, a mais esperada da noite, Jards Macalé sentou-se no tradicional banquinho onde ele aparece em vários vídeos na internet.

Mostrou-se ser um exímio instrumentista, dominando com maestria as cordas de seu violão. Não era pra menos, em se tratando de alguém com mais de quarenta anos de carreira, doze discos e várias participações com grandes da música. O cantor atendeu pedidos e até fez covers de músicos internacionais, além de conversar diretamente com o público. No meio da multidão, todas as idades estavam. Fãs quarentões à adolescentes recém-descobridores do artista veterano. Uma aura muito leve se firmou no sábado de apresentações.

Domingo Se o conjunto de apresentações no sábado foi chamado de “o dia mais light” na décima quarta edição do Bananada, o domingo foi exatamente o contrário. O público que lotou o Centro Cultural UFG teve a oportunidade de ver e se deliciar com bandas de sonoridade densa e com maior volume, fruto de bons instrumentistas de pegada forte. Oito apresentações atestaram que A Construtora Música e Cultura investiu em nomes que estão no topo do reconhecimento, principalmente com um encerramento de deixar qualquer um emocionado. O abre-alas foi um conjunto instrumental que, apesar de tocar pouco na cidade, quando toca, deixa o público de queixo caído. É o Dom Casamata, grupo goiano formado por John Walter no baixo, Caio Stuart na guitarra e Zé Junqueira na bateria, que mostraram bem o que vem produzindo há seis anos de junção do trio. Uma boa introdução de palco para os caras do Red Boots. Além de Talma & Gadelha, Red Boots é outra banda também oriunda do Rio Grande do Norte, mais precisamente da cidade de Mossoró. Na verdade, a banda é apenas uma dupla que se articula muito bem ao patamar de fazer os despercebidos acharem se tratar de um grupo maior. Acostumados com o calor na cidade natal, viram o clima esquentar com uma distorção leve e ritmo bem original, além de contar com uma presença extrovertida do vocalista no palco. Pela primeira vez na capital, o quarteto Aeromoças e Tenistas Russas, de São Paulo, trouxeram para o festival a famosa percussão rítmica instrumental que fazem Brasil afora. Com ela, encerrava ali o grupo de apresentações instrumentais que teria começado n no sábado com Macaco Bong. Um som invejável com junção de instrumentos de sopro e teclado, com uma guitarra que faz solos incessantes, são as características marcantes da

“Essa próxima música vai para o Adam, integrante do Beast Boys que morreu nessa semana” luis calil - cambriana


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ANO III EPISÓDIO 2

Com The Royal Straight Band banda paulista. Após sua apresentação, a seqüência que viria a ser lançada no palco deu inveja em qualquer festival. A quarta atração a subir ao degrau mais alto foram os adorados da banda Violins, que há mais de 10 anos estão na estrada fazendo sucesso no Brasil. O grupo mostrou que é verdade o fato de terem um fã-clube grande da cidade e durante as músicas, o público cantou junto com o vocalista e compositor Beto Cupertino. Uma miscelânia de canções de discos antigos, como Rumo de Tudo, intercaladas com a do novo cd Direito de Ser Nada, como o já hit do momento É Como Está. Um dos shows mais memoráveis da noite, que ainda prometia muita banda de peso. O próximo da seqüência foi o Forgotten Boys, quarteto paulista que consegue segurar muita gente em frente ao palco com suas letras irreverentes. Com quase uma hora de show, inédito na capital, a banda animou bastante o público que lotava a arena musical. Quando os paulistas ainda tocavam a última do repertório, um cheiro de stoner rock já estava no ar. Foi só as caixas desligarem para trocar de banda que a galera começou a pedir a presença de Black Drawing Chalks, banda goiana mais forte no cenário musical da atualidade. Com apresentações já feitas em grandes festivais internacionais, como SWU e Lollapallooza, o quarteto deixou de ser promessa há muito tempo e agora embarca em vôo de sucesso com a gravação do quarto disco. Foi do novo disco que eles tiraram algumas canções do repertório, como a já conhecida Street Rider e a Cut Myself in Two. Com um repertório iniciado por Big Deal, lançou na caixa uma orquestra stoner já invejável por muitas bandas brasileiras, principalmente com hit My Favorite Way, cantada por todos no público. Uma presença visual muito forte marcam a imagem da banda, que tem na formação Denis, Victor Rocha, Douglas Castro e Edimar Filho. “Onde a gente toca, temos o orgulha de falar que somo de Goiânia. Vocês são muito massa”, disse Victor Rocha a uma galera que não conseguia fazer silêncio. A banda foi tão prestigiada, que tinha grupos de estudantes de Brasília, Uberlândia e interior do estado que foram apenas para vê-los. Fãs ganharam baquetas usadas por Douglas, além de palhetas. White Denim Faltam palavras para dizer como foi a última apresentação do festival, feita por uma das bandas que mais tem sido elogiadas no contexto internacional do Rock n´Roll. Quem não conhecia White Denim, saiu da festa procurando cd´s para comprar

ou vídeo na internet e canções para fazer downloads, pois a apresentação criou fãs em Goiânia. Uma mostra de que o Bananada investiu pesado em um bom headline, que pudesse resumir todo um evento que contou com muitas apresentações de gente grande. Terminava no Bananada a pequena turnê pelo Brasil, que teve como sedes as cidades de São Paulo e Porto Alegre. Formado por James Petralli, Steve Terebecki, Austin Jenkins e Josh Block, o quarteto de Austin, cidade texana, tem aparecido em todos os veiculadores de música nos últimos três anos, após o lançamento dos dois últimos discos e uma turnê pelo mundo. O último trabalho lançado, o D, foi um dos discos mais elogiados do planeta em 2011 e conta com influências de vários estilos musicais muito bem encontrados nos arranjos manuais de cada um dos músicos. Foi do último disco que o quarteto compôs a maior parte do repertório, iniciado por It´s Him. Quem até então estava com dúvida de que se trata de uma banda com sonoridade única, após a primeira faixa não teria mais. Apesar de estarem muito bem amparados pelos equipamentos elogiados do festival, a banda trouxe bastante caixas, o que divulgou a preocupação com o que seria apresentado. Os quatro mostraram nitidamente que dominam os instrumentos com uma facilidade e maestria impressionantes. Com canções compostas de solos de guitarra que não dão trégua, White Denim é uma aula de música e técnica vocal. O vocalista James Petralli, cujo timbre podia ser ouvido em todos os cantos do Setor Universitário, fez lembrar as grandes vozes do eterno ritmo Blues, uma das maiores influências da banda norte-americana. A canção mais leve do conjunto (e também a mais sugerida), Street Joy, foi muito aplaudida pelo público, que não conseguia tirar os olhos do palco. Ao encerrar o show, saíram para o backstagem, mas o público não queria deixa-los descansar. E parecia que eles não estava afim de terminar o show, pois voltaram e colocou na caixa uma das mais famosas e animadas do quarteto, a Let´s Talk about It. Fãs conseguiram ainda pegar autógrafos, tirar fotografias e alguns até ganharam baquetas estilizadas da banda, que foi bastante simpática com todos.

Venha para o lado escuro da badalada mais concorrida de Goiânia, ao som retrô de hits inesquecíveis dos anos 80 e 90, comandados pelos Djs Lincoln Turini e Rodrigo Carrilho, em mais uma festa pra quem já passou dos trinta


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LADY LANE Inicia a noite de Sexta, com muita tequila e Rock Etílico.

MAIOR FESTIVAL DE MUSICA ALTERNATIVA REPORTER: Heitor Vilela, Vanessa Soares e Marcos Carneiro

FOTOS: Rayssa Guth

Sexta: Rock, metal, soul, jazz, ska, blues, rockabilly, hip-hop, indie e tantos outros estilos musicais se uniram nos palcos do Goiânia Noise deste ano. Mesmo a diversidade não sendo algo novo para o festival, que sempre tenta trazer estilos diversificados, mais uma vez, o Noise conseguiu impressionar o público. Dessa vez em um espaço diferente do usual Martin e do Oscar Niemayer - que está em reforma - , o Noise aconteceu no Sol Music Hall, com espaço de sobra pros dois palcos e para cerca de três mil pessoas que passaram por lá em cada dia. Segundo os organizadores do evento, Léo Razuk e Bigode, o local permitiu que mais pessoas pudessem curtir o festival. “Muita gente que não vai ao Martim está aqui hoje por causa do espaço e da estrutura”, comenta Bigode. E não podemos dizer que eles erraram. Várias opções de alimentação, espaço Petrobrás, Casa dos Monstros e os dois palcos ficaram muito bem distribuídos, aproveitando todo o espaço. As 36 bandas, condensadas em dois dias, exigiram muita organização

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pra começar de forma pontual e não atrasar os shows da madrugada. Na sexta feira o horário foi cumprido a risca pelos organizadores e bandas. A rapidez em que se revezavam os palcos também impressionou de forma positiva. Em poucos festivais os palcos se alternam tão rapidamente, assim que um par de cortinas se fechava o outro se abria imediatamente. A única desvantagem da pontualidade nesses shows foi a falta de público. As primeiras bandas dos dois dias tocaram pra pouco mais de 15 pessoas, mas não dá pra contar com a pontualidade de todo mundo. É uma questão cultural dar aquela atrasadinha básica. Mas pra quem pensou:“Ah, vou chegar mais tarde porque não vai começar no horário mesmo”, se deu mal. Algumas bandas reclamaram da qualidade do som no palco, mas o público passou longe de perceber isso. Pra quem estava lá em baixo, o som estava alto e forte para todos os instrumentos. Inclusive os vocais, que geralmente ficam difíceis de ouvir em shows mais pesados. O jogo de luzes nos dois palcos também não deixou a desejar. O pessoal trabalhou muito bem pra transmitir o ritmo e a vibe da música na iluminação.

A estrutura de alimentação, bebidas e banquinhas com artigos de rock foram montadas do lado de fora. Tinha espaço até pra jogar Guitar Hero. As pessoas podiam escolher entre sushi, yakisoba, pizza, tapioca, cachorro quente e até sushi. O espaço Petrobrás também estava lá fora, funcionando quase como um terceiro palco onde as bandas podiam tocar a vontade e até tentar gravar algum som. Na programação de sexta estavam as três atrações internacionais do festival, bandas paulista, goianas, brasilienses e o grupo mais esperado pela maioria: Raimundos. A programação prometeu e cumpriu. Shows muito animados dos garotos do Space Truck, que estão com várias músicas novas, tão setentistas quantas as antigas. A banda paulista “Peixoto e Maxado” colocou todo mundo pra dançar ska. De garotinhas de 16 anos a marmanjos quarentões. Muito diferente do som da banda Oitão, que fez todo mundo bater cabeça e estrear a primeira roda de HC da noite. O bom e velho grupo goiano Hellbenders, agitou bastante o público com o conhecido rock pesado que os caras sabem fazer. Também muito aguardada a banda BigBang, da Noruega, fez um grande show elogiado por alguns músicos que se apresentaram antes e que iriam se apresentar depois. Mesmo em inglês, conversavam o tempo todo com o público trazendo solos fortes e um rock mais clássico e ganharam o coração de muitos que foram comprar os CDs depois do show e pedir autógrafos ao trio. A banda mais pedida era aguardada aos berros por boa parte do publico, que se amontoou na frente do palco vazio ainda no show dos Haxixins. Quando os Raimundos subiram com a faixa Esporrei na Manivela, começaram as rodas de HC e a loucura generalizada dos fãs. Os clássicos da banda ficaram muito bem na voz do Digão, diga-se de passagem. Não teve uma música que o público deixou de acompanhar. Muito animado, o show correu com muitas rodas de hardcore e uns poucos malucos conseguiram se atirar do palco, mesmo com a resistência dos seguranças. O Oco, A mais pedida, Puteiro em João Pessoa trouxeram nostalgia para os mais velhos e agradou até a garotada que não conheceu o Raimundos dos anos 90. Infelizmente, depois desse show boa parte das pessoas foi embora, o que deixou a dúvida: por que não deixaram Raimundos por último, né? Bom, os que ficaram até o dia amanhecer puderam curtir Cidadão

Rock, metal, soul, jazz, ska, blues, rockabilly, hip-hop, indie e tantos outros estilos musicais se uniram nos palcos do Goiânia Noise deste ano. Instigado e Bellrays. A banda americana realmente deu um show de animação na galera que já estava meio cansada. A vocalista, Lisa, tem uma voz incrível e colocou até os mais derrubados pra dançar com seu estilo de Aretha Franklin, com uma pegada de blues, soul e funk em um show divertidíssimo. Fim da apresentação da Bellrays e começo da manhã de sábado. Era hora de dormir pra curtir mais música a partir das cinco da tarde. A banda mais pedida era aguardada aos berros por boa parte do publico, que se amontoou na frente do palco vazio ainda no show dos Haxixins. Quando os Raimundos subiram com a faixa Esporrei na Manivela, começaram as rodas de HC e a loucura generalizada dos fãs. Os clássicos da banda ficaram muito bem na voz do Digão, diga-se de passagem. Não teve uma música que o público deixou de acompanhar. Muito animado, o show correu com muitas rodas de


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hardcore e uns poucos malucos conseguiram se atirar do palco, mesmo com a resistência dos seguranças. O Oco, A mais pedida, Puteiro em João Pessoa trouxeram nostalgia para os mais velhos e agradou até a garotada que não conheceu o Raimundos dos anos 90. Infelizmente, depois desse show boa parte das pessoas foi embora, o que deixou a dúvida: por que não deixaram Raimundos por último, né? Bom, os que ficaram até o dia amanhecer puderam curtir Cidadão Instigado e Bellrays. A banda americana realmente deu um show de animação na galera que já estava meio cansada. A vocalista, Lisa, tem uma voz incrível e colocou até os mais derrubados pra dançar com seu estilo de Aretha Franklin, com uma pegada de blues, soul e funk em um show divertidíssimo. Fim da apresentação da Bellrays e começo da manhã de sábado. Era hora de dormir pra curtir mais música a partir das cinco da tarde.

Sábado: Depois de uma noite explosiva na Sexta-Feira, o segundo dia do Noise não ficou para trás em organização e diversidade musical. O expediente musical começou pontualmente as cinco horas da tarde de sábado, ainda com pouca gente. Um público bem menor apareceu no dia, e o motivo foi a concorrência de duas eventualidades: o show do rei da Jovem Guarda, Robertor Carlos, além da 2º fase da prova de vestibular da Universidade Federal de Goiás, que aconteceria no outro dia. Principiando a noitada, a banda goiana Doentes de Amor aterriçou no palco com seu cinco integrantes apresentando o som New Wave oitentista e sintético, que fez os poucos presentes mexerem o corpo. Sem atrasar um único segundo na programação, as cortinas do palco principal fechavam ao mesmo instante que a do segundo palco se abriam. Os candangos de Brasília, os roqueiro do Darshan, mandaram um metal melódico com categoria, que fez provar por que foram selecionados no Porão do Rock. Quem entrava no Sol Music Hall, se deparava com uma estrutura fechada e sinistra, e dentro dele uma novidade: o Museu dos Monstros. Uma estrutura cujo interior abrigava as psicodelias diversas, bonecos animatrônicos de vários tamanhos, que assustavam que. passava pelo túnel. Enquanto isso, os veteranos da banda Kamura entravam no palco principal com seu trash metal bem pesado, e gritando para um público que se aproximava cada vez mais. Os amantes do estilo batiam cabeça freneticamente, fazendo esvoaçar cabelos pela frente. O metal também teve mais representantes, com os caras da banda Dry, que cantaram let-

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ras na língua inglesa e com batidas pesadas na bateria. Se quisesse um lanche, o público tinha uma variedade para escolher ali perto, há uns cem passos dos palcos. Uma área grande, onde se encontrava lojas de artigos musicais - até o nostálgico disco de vinil -, camisetas, bandanas, pulseiras, e onde também se encontrava o stand da Monstro Discos. Teve Sushi e Yakisoba pra todo mundo que quisesse. Ao lado, um estúdio profissional com isolação acústica, compunha a paisagem. Era o Estúdio Petrobrás, que também fez parte de outras edições. Nos palcos, os cenários principais da festa, um personagem clássico da vida alternativa dava suas caras de minuto a minuto. Era o convidado especial do evento, o Gil Brother e também conhecido como o ‘Away de Petrópolis’. Com sua verve forte e contundente, apresentou a entrada de várias bandas, discorrendo um pouco sobre o que significava o evento para o Rock Nacional. E ele até dançou em algumas vezes, mostrando a mesma irreverência vista no Canal Away. Os goianos do Gallo Power mostraram personalidade de sempre, com seu rock sententista. Quatro integrantes vestindo a moda Rockabilly, que variabam entre moogs de teclado e guitarras ritmadas. Foi um dos destaques da noite, com sua presença de palco e a explosão lisérgica da banda. Destaque para o baterista, que tocava com muita animação no melhor estilo Kaith Moon. O estilo Indie Rock invadiu o palco com os integrando da banda brasiliense The Pro. Eles antecederam os goianos da versátil e excêntrica banda Vida Seca. Encabeçados por Igor Zargov, nada mais fizeram que uma apologia às formas variadas de sonoridade. Subiram ao andaime de fora sorrateira, com barulhinhos que se formaram em uma rquestra com o passar do tempo. Todos os instrumentos produzidos por sucata e lixo. Roupas gasgadas faziam parte do figurino contrastavam com a paisagem das outras bandas. As bandas nordestinas fizeram presença marcante no Noise. O grupo do Diablo Motor tocaram com categoria e muito sangue na veia. Um Hard Rock clássico, que combinava com o balançar de cabelos do vocalista. Rolou até um cover do Led Zeppelin em boa homenagem. Logo depois, gaúchos do Bambinos Selvagens deram um show de indie alternativo que não será fácil esquecer. Muita psicodelia de garagem e letras inusitadas que pediam para o público ralo cantar. Também rolou um rock dançante com os uniformizados do surf music Beach Combers. Os cariocas usavam shorts vermelhos e camisas brancas: coisa que só eles podiam explicar. O Rockabilly voltou aos palcos, só que com mais força desta vez: era os veteranos do Kães Vadios, fazendo a galera pirar com os solos e bateria forte. Uma presença de palco que mostra o que a banda conquistou em 26 anos de carreira musical.

o show do Gerson King Combo. Considerado o “James Brown brasileiro”, levou seu funk pelo vozeirão que marcou suas várias décadas de carreira.

Um fato bem interessante desta edição do evento era a participação dentro e fora dos palcos das atrações. Vários roqueiros, após suas apresentações, desceram do palanque para curtir outras bandas e falar com fãs. Mostraram que no evento há um compartilhamente integral de ideias e vivências. Cassim & Barbária fez o que pode se dizer o mais diferente show dos dois dias. Em quesito de música, um britpop cantado em inglês por três vocais bem afinados. Sons barulhentos de duas guitarras frenéticas, além de sonoridades psicodélicas gritadas. A plateia foi levada à loucura. Coisa diferente do que fez os goianos do Mechanics, com seu rock explosivo e violento. Mostraram a presença de sempre, como veteranos da casa. Outras participações memoráveis fizeram também o Klaustrofobia, com seu trash metal. Foi o momento dos cabelos voarem e o hardcore comer solto no meio do show. Como não falar da apresentação da banda paulista Brollies and Apples? Com seu figurino, deixou a machaiada louca: um short curtinho debaixo de uma camisola preta e salto alto, esbanjou boa forma. Boa forma também na voz, com seus gritos permeados pelo teclado. A banda também cantou com Chuck, apresentador da MTV. A banda goiana Violins foi

muito esperada pelo público, e exibiu canções memoráveis que fizeram parte de seu caminho para chegar onde chegaram. Tocaram músicas do novo disco, Direito de Ser Nada, e contou com a ajuda do fãs que faziam coros. Siba coroou a noite com um som diversificado e instrumentação bem diferente. Uma guitarra junto com uma tumba faziam a originalidade de seu som, com letra que diziam da vida do artista nordestino. Os caras do Defalla entraram já fazendo barulho visual no palco. Quase trinta anos de carreira não tiraram a juventude da banda, que surgiu pulando nas alturas. Com trajes coloridos, chamaram a atenção dos vários olhares perplexos. Sons do começo da banda fizeram parte do repertório. E foi desse jeito que a história do Goiânia Noise foi se desfilando, até chegar na hora mais esperada na noite: o show do Gerson King Combo. Considerado o “James Brown brasileiro”, levou seu funk pelo vozeirão que marcou suas várias décadas de carreira. Backing vocais afinadíssimas deram uma sonoridade já bem ensaiada. O músico entrou com sua indumentária fechada, amarelada, como um rei. E sim, foi o rei da noite, cuja voz poucos súditos iriam desafiar. Quem esperou para vê-lo desfilar sua juventude, não se arrependeu. Um grande marco para a história de 17 anos do Goiânia Noise Festival.


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Público Viaja com...

Rain

machine

TIÊ

REPORTER: Vanessa Soares

Veja a entrevista de Marcos Carneiro com Tiê.

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FOTOS: Yana Marques

BLOG: www.paralelomundi.com

RAIN MACHINE visita Goiânia Depois de sua apresentação no Loolapalooza, Kyp Malone lota a casa goiana com uma apresentação inesquecível. Vocal, guitarra e muito Blues emocionam os ouvintes.

“Beatin’ down the boys in blue”

“quando começamos a tocar pra mais gente, é preciso tocar mais alto e as pessoas começam a se perguntar ‘onde está a bateria?’” Kyp malone guitarra e vocal

Os goianienses que não foram ao Loolapalooza e perderam o show do TV on the Radio, tiveram a oportunidade de ver o grande Kyp Malone ao vivo no Diablo Pub, na última sexta-feira (13). O multi instrumentista subiu ao palco com seu trabalho solo, Rain Machine, mandando muito bem no vocal e na guitarra. Se você foi um dos que chegou cedo, por volta das 22h, teve que ficar esperando do lado de fora uns longos minutos porque a casa só abriu mesmo quase 23h. Mas aos poucos o pessoal foi chegando, movimentando o bar e as máquinas de Pinball do pub. Riverbreeze, a banda de abertura, começou a apresentação por volta de 0h50, com um som bem forte e mostrando que a acústica da casa é realmente muito boa. Com o Riverbreeze no palco, o público começou a se animar e boa parte do pessoal que curtia o ar frio da noite lá fora entrou pra aproveitar o som. O grupo tocou até 01h30, mostrando o bom trabalho que os músicos tem feito com um indie rock animado e divertido, agradando, inclusive, Kyp Malone, que elogiou o grupo quando subiu ao palco mais tarde e pediu palmas pra eles. Estão bem, heim, Riverbreeze? Fim do show do grupo goiano, mais algumas arrumações no palco e passagens de som e lá pelas 2h, entra o grande Kyp Malone e sua respeitável e longa barba. O pessoal ainda demorou um pouco para se juntar ali dentro, mas desde que desceu as escadas do camarim, Kyp já ganhou assovios e aplausos dos mais animados e admirados. Ele foi muito simpático e conversou bastante com o público lá de cima. “Eu gostaria de poder me expressar em português e dizer a vocês como estou feliz de estar aqui hoje”, disse o músico em inglês mesmo, gerando uma onda de aplausos e assovios. Ele também fez questão de apresentar o baixista e o baterista que o acompanhavam. Grey Gersten na guitarra base ou baixo, amigo de longa data de Kyp e o baterista brasileiro, Sérgio, que vinha ensaiado com os americanos em São Paulo e fazia ali seu primeiro show com o Rain Machine.

O som de Kyp, Grey e Sérgio vinha carregado de sentimento. Rain Machine tem um som muito único com traços de blues e folk. As músicas em geral tinham um tom calmo e aos poucos progrediam para um som mais forte, tanto na voz quanto na guitarra de Malone, fazendo o público viajar. Kyp sussurrou e gritou em diferentes músicas do show, mostrando seu som único e alternativo, que ele mesmo descreveu como “estranho”. Depois de cerca de uma hora de show, o Rain Machine se despediu em meio aos pedidos de bis de alguns fãs. Kyp desejou a todos uma boa noite, sendo simpático e agradecendo a presença de todos.

Entrevista Depois do show, tivemos a chance de bater um papo curto com Kyp e Grey. Em entrevista ao ParaleloMundi, Malone contou que ficou muito feliz com o show, a receptividade das pessoas e os testes com Sérgio, baterista novo, foram muito positivos. Kyp comentou que nem sempre tocam com baterista e George explicou “quando começamos a tocar pra mais gente, é preciso tocar mais alto e as pessoas começam a se perguntar ‘onde está a bateria?’”. Os dois comentaram que em muitas apresentações são apenas os dois e que o som fica legal quando tocam para poucas pessoas. Malone falou também que quer passar o maior tempo possível aqui, aprender a língua e absorver um pouco da cultura brasileira. Ele conta que esteve no Brasil antes, mas por pouco tempo, mas agora que passou algumas semanas aqui diz que tem até vontade de se mudar pra cá pra valer. “Se conseguir convencer a minha filha de 11 anos a viver aqui, eu até me mudaria”, conta. Mostrando gosto pela MPB, Malone e Grey contam ouvir bastante Jorge Ben, Caetano Veloso, Gilberto Gil e outros gigantes desse estilo. Em meio a esses, Kyp citou ter curtido bastante a Banda UÓ também. Além de um grande músico, Kyp também tem um lado politizado. Ele faz parte de um movimento nos Estados Unidos contra o consumismo e a desigualdade econômica e social, chamado Occupy Wall Street. Malone explica que ele acredita ter sido um grande primeiro passo para abrir os olhos da sociedade sobre a grande desigualdade econômica e social que vivemos. “Eu acho que tem muita coisa errada no meu país, as pessoas são simplesmente apáticas, preferem comer porcaria em frente à TV e iniciativas como essa mostram que se trabalharmos juntos como um organismo vivo, temos a chance de mudar as coisas”. Grey concordou com o amigo e completou dizendo que o movimento foi realmente muito intenso e como artistas e músicos, eles processam esse comportamento diferenciado que acaba refletindo no trabalho deles.


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DADOS JUNHO DE 2012

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O Projeto surgiu em setembro de 2010, nos corredores da Universidade. Rayssa Guth tomou a iniciativa e apresentou a Primeira ideia do Paralelo. Com uma Identidade Visual pronta, um nome e uma ideia. João, tornou essa ideia possível. A primeira tentativa foi de alimentar uma web tv da Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia, a Magnífica Mundi. O primeiro destino foi a Bapho, festa da boate The Pub. Muito bem recepcionado pelo dono, Patrick. Assim surgiu, em 28 de outubro de 2010, O Paralelo Mundi. A partir deste dia, várias pessoas passaram pelo projeto, como Jordana Oliveira, João Márcio Siqueira, Guilherme Figueredo, Ronaldo Priken, Paulo Vitor Santos, Welluma Lima, Júlia Cotrim, Rodrigo Ungarelli, Janaína Jordão. Mas este ia se modificando com o tempo e com a logística. Em junho de 2011 foi recrutado novos integrantes, principalmente alunos de Jornalismo e Relações Públicas. O paralelo foi completamente reestruturado, com a supervisão de João Alexandre. Hoje a equipe é formada por 22 pessoas, divididos em Diretores, Produtores, Editores, Redatores e Fotógrafos. Uma equipe diversificada e muito comprometida com o ideal Paralelo.

Pioneirismo O Paralelo Mundi é o primeiro site de cobertura cultural autoral goiano. E tem como objetivo único dedicar os seus textos para valorizar e incentivar a divulgação do cenário tão diversificado. Por outro lado, valoriza a produção cultural, deixando serem conhecidos eventos e produções artísticas. Eventos que antes recebiam apenas notas em jornais de grande veiculação, recebem uma atenção diferenciada, deixando os aspectos underground da cultura e sendo conhecidos por sua verdadeira importância. Com uma linguagem simples, coloquial e jovem, o Paralelo aproxima a cultura do publico jovem. Público que a cada dia demonstra sedento por consumir e adquirir cultura.

Fazer dar certo A equipe formada por Rayssa Guth, João Alexandre, José Abraão, Vanessa Soares, Camilla Rocha, Letícia Deleu, Heitor Vilela, Marcos Carneiro, Welluma Lima, Ana Júlia Ribeiro, Álvaro Castro, Ana Clara Lima, Ester Borges, Fernanda Garcia, Jéssica Alves, Paloma Carvalho, Camila Teles, Luisa Guimarães, Felipe D’stefane, José Jair e Jordana

Branquinho, é completamente compromissada e disposta a tornar o projeto cada dia mais forte e reconhecido. Para que esse reconhecimento venha, além da eficiência, como declarou João Lucas, Produtor do Vaca Amarela e Fora do Eixo, em seu twitter. o Paralelo utiliza de propaganda para que assim ele seja reconhecido cada vez mais. O Projeto vem apoiado em canais digitais gratuitos, como: Facebook e Twitter, para divulgar e prospectar novos usuários. O twitter é uma ferramenta para a publicação de coberturas em tempo real e divulgação dos post do site. O Facebook é nossa área para fãs, onde o público interage diretamente com a equipe, busca fotos de eventos, comentam sobre alguma cobertura, elogia e dialoga com o Projeto.

Acredite você também Goiânia é uma cidade linda, multicultural, calorosa e diferente. Temos resquícios de cultura de todo o país, além da cultura regional fortíssima. A cidade é conhecida pelo sertanejo, almejada pelo cenário rock e admirada pelas artes plásticas. Porém muitos acreditam que o público goiano não é interessado por eventos e manifestações culturais. Mas o Paralelo veio para desmentir esta alegação. Goianos tem interesse em consumir e produzir cultura, no entanto não há incentivos suficientes para tal atitude. Artistas plásticos produzem obras com reconhecimento internacional, mas não tem reconhecimento do próprio povo. Bandas lutam para conseguir um show e lutam ainda mais para que este seja remunerado. Músicos só são reconhecidos se estiverem afiliados a uma produtora ou através um contato de uma mídia nacional conseguido com muito trabalho. Acredite que se houver divulgação de qualidade sobre os produtos culturais goianos, mais artistas terão o prazer de produzir cultura. O Paralelo existe para isso. É de grande importância para o projeto obter apoio de empresas, pessoas e parceiros, interessados em contribuir com o desenvolvimento sociocultural de Goiás. Desde já, agradecemos a todos que contribuem para que projetos independentes e ousados como esse sobrevivam. Rayssa Guth - Fundadora do Projeto

RAYSSA GUTH - FUNDADORA

UM SONHO QUE VIROU REALIDADE Sou Rayssa Guth, filha da minha mãe. Desde pequena sempre fui dona do próprio nariz, mas não do dinheiro. Sonhadora mirabolante. Apaixonada por Mpb e viciada em rock in roll. Curiosa que fico até chata. Inquieta por natureza. Vivo de café e energético para sustentar meu vício: trabalho e problema. E se eu quiser, vou conseguir.

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COBERTURAS CULTURAIS E REPORTAGENS

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O Portal de Notícias, Críticas e Produções Culturais. Conheça os mundos paralelos da cidade de Goiânia.

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No período de um ano, o Paralelo Mundi teve alcance em muitos países e cidades diferentes a de Goiânia.

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de usuários originados no Brasil, sendo esses divididos em Goiânia, Rio Verde, São Paulo, Brasilia, Rio de Janeiro

de usuários originados dos Estados Unidos.

usuários originados de outros países como Alemanha, Portugal, Inglaterra e outros.

PERFIL DE PÚBLICO PERFIL DE GÊNERO DO USUÁRIO

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A2 15.38% B1 25.00% B2 31.13% C1 23.13%

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OCUPAÇÃO

Trabalha Trabalha e Estuda Estuda

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SIMPATIA

NORUEGUESA REPORTER: Vanessa Martins

FOTOS: Amanda Albuquerque

SITE: www.paralelomundi.com

BIG BANG no Bolshoi Pub No último sábado (02) a atração do Bolshoi Pub foi a banda norueguesa BigBang. O grupo já tem quase 20 anos de música e é uma das maiores bandas de sua terra nórdica natal. Três LPs, um DVD e dez CDs integram a discografia dessa banda que está começando a formar seu público brasileiro.

A primeira vez que o trio esteve em Goiânia foi durante o Goiânia Noise do ano passado, como uma das principais atrações de sexta. Seis meses depois, aqui estão eles, subindo no palco do Bolshoi! Oystein Greni na guitarra e vocais, Olaf Olsen na bateria e Nikolai Eilertsen no baixo, senhoras e senhores. O show começou por volta da 0h15 com um probleminha técnico. Os músicos saíram, mas voltaram poucos minutos depois ainda mais aplaudidos pelo público. O vocalista, Oysten, estava descalço e se desculpou pela falta de sapatos. “Roubaram o carro de um amigo meu enquanto a gente surfava no Rio de Janeiro e perdi meus sapatos”, contou no palco. Detalhes de lado, desde o início do show o grupo foi muito simpático, dialogando sempre com o público. As influências de folk e musica setentista são evidentes nas canções da banda, que ainda assim tem um som muito próprio, variando entre músicas animadas e reflexivas durante a apresentação. O set list foi baseado no CD “To the Mountains”, que é um agrupamento das melhores do grupo, lançado especialmente para nós, brasileiros. Uma das músicas que mais animou o público foi “Call Me”, que Oysten dedicou aos apaixonados. “Wild Bird” também foi uma das mais queridas pelos presentes e dedicada às inspiradoras árvores brasileiras. Sempre conversando e interagindo, Oysten contou a história de algumas músicas. “Isabel”, por exemplo, com um tom mais calmo e triste, foi composta em homenagem a avó do vocalista. Em “New Wom-

an” ele explicou que, ao escrever a letra procurava uma pessoa nova que pode nem existir, mas que chegou à conclusão de que ainda estava ligado a um antigo amor. No solo dessa música, Oysten pulou com guitarra e tudo no público, surpreendendo a todos. Depois de uma hora de show e de agradecer o público, o trio saiu. Porém, atendendo a pedidos, voltou para mais duas músicas. Ao verdadeiro final, os três desceram para tirar fotos com os mais novos fãs brasileiros e autografar os CDs. Sem dúvida BigBang está crescendo por aqui, formando sua base de fãs com shows em São Paulo, Rio de Janeiro e, principalmente, nossa Goiânia rock city. O público saiu muito satisfeito, dava pra notar os corpos que dançavam e curtiam pelo salão quase cheio do Pub, sem falar na fila que se formou de pessoas querendo comprar o CD e tirar fotos com o trio. Depois de toda essa festa a equipe do Paralelo Mundi conseguiu um bate papo exclusivo com o vocalista e guitarrista, Oystein Greni, que você confere aqui. Conversa com Oystein Greni Muito simpático e solicito Oysten concordou em bater um papo conosco. Ele contou sobre o início da banda, como compõe e as histórias por trás das músicas que encantaram aqueles que viram o show. Na turnê brasileira do disco To The Mountains, feito especialmente pra rodar por aqui, Goiânia entrou no circuito junto com São Paulo, Rio e Brasília.

Então, como está indo a turnê até agora? Está indo muito bem, digo, da forma como vejo tocar já é ótimo e se as pessoas querem ouvir, seja sua mãe, seu pai, sua irmã ou seu gato tudo fica ainda melhor. Se pudermos tocar para o mundo e conhecer o Brasil, talvez o país mais bonito do mundo, é incrível. Viemos aqui pela primeira vez em novembro do ano passado. Nosso empresário Stian, que é nosso amigo há muitos anos, mas mora aqui no Brasil há três, em São Paulo, nos incentivou a vir tocar aqui. Um ano atrás ele me ligou falando que deveríamos vir para uma turnê e funcionou. Tem dado muito certo. Gostamos de espalhar nosso som aqui, devemos voltar todos os anos. Esse show de hoje foi muito diferente do que fizemos no ano passado. Som estava melhor e estamos com nosso baixista original. No último show Nikolai tinha compromissos na Noruega então tivemos que achar um substituto de última hora. Set list foi muito diferente por causa disso, não pudemos tocar tantas musicas no outro show... Vocês estão juntos há muitos anos, como é essa relação? Ah não somos sempre amigos, já brigamos, mas sempre voltamos. Temos uma relação boa. Musicalmente temos uma ligação muito especial, mesmo que não tenhamos o mesmo senso de humor sempre, coisas do tipo. A música nos une. Não nos conhecemos no colegial como algumas grandes bandas. Eu comecei a BigBang e aos poucos nos conhecemos pelo cenário musical da Noruega. Eu ouvia falar sempre do Olaf, baterista, que era muito próximo do Nikolai, baixista. Conheci eles em um bar e gostei muito do som deles, daí nos juntamos. Esse álbum foi feito especialmente para a turnê brasileira, como foi a escolha dessas músicas? Algumas músicas eu considero indispensáveis pra fazer um álbum de “melhores sons”, então conversando com Stian, que conhece o gosto do brasileiro montamos esse set list. Eles fizeram a maior parte do trabalho, na verdade. Eu já fiz tantas coisas idiotas que achei melhor deixar as escolhas para outras pessoas. Nessa turnê onde vocês já estiveram? Começamos em São Paulo, Rio de Janeiro, tivemos um dia de folga lá, fomos para Brasília, depois aqui em Goiânia, vamos fazer outros dois shows em São Paulo e terminamos a turnê. No Rio foi quando perdi meus sapatos. Roubaram o carro do Stian enquanto estávamos surfando. Até encontramos o carro depois com o tanque vazio, não muito longe, mas sem as roupas e outros pertences. E como vocês compõem as canções? Bom, eu escrevo todas as letras das músicas, elas são muito pessoais. Mas as coisas mudam, nós mudamos. Algumas músicas, de repente, não parecem certas e eu me sinto uma pessoa diferente daquela que eu era quando compus, mas outras são muito fortes e mesmo depois de muito tempo tocamos. Em minha opinião, as músicas tem que ser pessoais, eu já tentei escrever umas músicas tentando ser esperto, pensando “ah isso parece uma boa mu-

sica” e são coisas que eu ‘invento’ e simplesmente não funciona. Estou no palco, estou cantando, mas não sinto a música. Outras canções podem não parecer tão boas, mas conseguimos sentir a música. A inspiração pra letra de Wild Bird, por exemplo, veio de um livro de frases, eu costumava estudar literatura, então nesse livro eu li algo como “Nada é completamente perdido como a canção de um pássaro selvagem destruído”*. Isso me lembrou da sensação de quando você tem essa ideia ou ouve uma melodia e, na maioria das vezes, você perde isso, por não anotar ou não gravar. E já se foi pra sempre. Essa foi a inspiração para a música. Acho que é sobre tentar capturar um momento. Eu acredito que a arte é sobre isso, como seres humanos vivemos e durante a maior parte das nossas vidas estamos passando por momentos difíceis, mas de vez em quando vemos algo bonito e todos queremos capturar aquilo. Pegamos nossas câmeras, tentamos anotar... E é isso que compositores tentam fazer. É sobre isso que Wild Bird fala. Novos trabalhos vindo por ai? Estamos trabalhando em um novo álbum, tenho muitas músicas incompletas ainda. Mas em setembro devemos ter tudo pronto para o novo disco. *Esse quote é de Joseph Conrad. O original em inglês diz “History repeats itself, but the special call of an art which has passed away is never reproduced. It is as utterly gone out of the world as the song of a destroyed wild bird.

“ Bom, eu escrevo todas as letras das músicas, elas são muito pessoais. Mas as coisas mudam, nós mudamos.”


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MAX CAVALEIRA E SOUFLY mesmo com o rosto paralizado, Max Cavaleira arrebenta em Goiânia. REPORTER: Rayssa Guth e José Guilherme

FOTOS: Amanda Albulquerque e Rayssa Guth

BLOG: www.paralelomundi.com

We’re gonna tear that shit apart... Depois de longos catorze anos, Max Cavalera retorna ao Brasil para uma miniturnê com sua banda, a Soulfly, para divulgação do novo disco, Enslaved, que deve sair por volta do dia 13 de março. Com um público tímido para o porte do evento, Goiânia recebeu a banda na noite do dia 24, no Sol Music Hall, no Clube Jaó. Contando com a participação especial de seus filhos: Zyon Cavalera, na bateria, e Igor Cavalera, vocal, o público se surpreendeu com a música inédita Revengeance. Além de músicas do seu novo repertório, os fãs puderam bater cabeça com velhos clássicos da banda, e também do Sepultura como Arise, Refuse/Resist, Roots Bloody Roots, entre outras. Com este set list selecionado, a apresentação foi ovacionada pelo público que cantava em coro: “Olê, olê, olê Soulfly, Soulfly” pedindo bis, apesar de a apresentação ter se encerrado. Apesar da paralisia que afetou o lado direito do rosto, Max afirmou em entrevista que nada interferiria em seu desempenho e disse “Só vou ficar mais feio”, brincando, fato que foi comprovado no show. De acordo com Max, o tratamento com antibióticos vai levar de três a seis meses para que ele recupere os movimentos do lado direito da face. A novidade para o público brasileiro é a participação dos filhos: “Como é no Brasil, uma coisa espe-

SETLIST cial, quis trazer um Soulfly mais familiar”, disse Max. Quanto à demora, ele se desculpou “é por causa de agenda, compromissos...”. Pra tornar a passagem pelo Brasil mais especial, ele confirmou a participação do irmão, Iggor Cavalera, co-fundador da Sepultura, no show de São Paulo, dia 25 (sábado). A banda também se apresenta domingo, no Rio de Janeiro. Quanto ao novo álbum, o Enslaved, declarou que é, até hoje, o disco mais extremo da Soulfly, com pegadas de death metal. De acordo com Max, a sonoridade da banda mudou com a entrada do guitarrista Marc Rizzo e também porque ele disse que os dois discos passados “ficaram muito parecidos. Eu gosto de mudar”. O tema do CD gira em torno da escravidão. Max disse que é uma ideia que ele tinha desde 1997, mas que só concretizou agora, com músicas mais pesadas e políticas. A capa feita pelo carioca Marcelo Vasco traz um homem com uma máscara de tortura e acorrentado com o nome da banda tatuado no peito. O guitarrista Marc Rizzo disse estar muito feliz por poder tocar com Max e Tony Campos: “Eles são ótimos” ele também elogiou o novo baterista, David Kinkade. Quanto à sua participação no show, o tímido Igor foi conciso: “We’re gonna tear that shit apart”, mais ou menos “Vamos detonar essa p**ra”. O Enslaved também tem participações de Dez Fafara, do DevilDriver e Travis Ryan da Cattle Decaptation. Quando perguntado se o interesse em música

CRIOLO Confira a noite proporcionada pela Musica no Campus - UFG

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“Só vou ficar mais feio” MAX CAVALEIRA

tribal passou, Max disse que não: “inclusive quero muito fazer um disco com pegada bem tribal no futuro. Tô pensando em vir pro Brasil, passar um tempo aqui e gravar aqui”. Max também anunciou uma autobiografia, O Garoto do Brasil, pra ser lançada em dezembro de 2012. Ele disse que o livro vai ser “sem papas na língua”. Também contou que o prefácio vai ser assinado pelo ex-baterista do Nirvana e vocalista do Foo Fighters, Dave Grohl, que escreveu: “Roots foi o disco que mudou a cara do heavy metal mundial”. Quanto à Cavalera Conspiracy, disse que é provável que role uma turnê brasileira assim também como uma turnê maior para o Soulfly. Mas ainda está longe. De acordo com Max, só vai retomar as atividades com a Cavalera no ano que vem. “Mas se rolar uma turnê entre agora e o próximo ano, com certeza quero fazer alguma coisa [no Brasil]”. A pergunta que não podia faltar era: e uma reunião da formação clássica do Sepultura? Max deu de ombros: “possível é”. Ele disse que gostaria de uma reunião pelos fãs, que sempre pedem, e também porque o interesse é muito grande por parte dos festivais internacionais. “Depende dos outros caras, todo mundo tem que tá de acordo”. E voltar a morar no Brasil? “Pensei em ter uma casa de praia no nordeste”, disse ele, sorrindo.

LINE UP Max Cavalera - guitarra e vocais Marc Rizzo - guitarra Tony Campos - baixo David Kinkade - bateria participações especiais: Zyon Cavalera - bateria Igor Cavalera - vocais

Intro – Rise of the fallen Prophecy Back to the Primitive Downstroy Seek n´Strike No Hope = No Fear Babylon Refuse/Resist Territory Inner Self Porrada / Drums Tribe Living Sacrifice Bring It I and I Medley: Arise/ Dead Embryonic Cells Troops of Doom No Roots Bloody Roots Attitude Revengence Jumpdafuckup Intro / Eye for an Eye


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Tiê canta

NO VACAS MAGRAS

e encanta #1 em goiânia No dia 25 de novembro de 2011, o selo de produção musical Vacas Magras promoveu a apresentação da cantora paulista Tiê, já premiada duas vezes pelo VMB. Do lado de fora do Metrópolis Retrô, local do show, dava para notar que a ex-modelo e agora mãe tem um fã-clube de causar inveja em qualquer músico recém lançado. Com um repertório composto por canções de seus dois álbuns lançados, Tiê contou com a ajuda de um coro composto por gente de todas as idades para cantar suas músicas. Foi a primeira vez que Goiânia recebeu a cantora. Esbanjando com visual leve de sempre, a cantora deu uma amostra do que herdou da carreira como modelo na Ford Models. A camiseta azul não deixava “ocultar” os grandes colares presentes em seu pescoço, característica

marcante no visual da nova musa da Bossa Nova. Em 2009, a paulista lançou seu primeiro trabalho musical independente, o Sweet Jardim. Neste ano, Tiê levou para casa o prêmio de melhor capa com o álbum A Coruja e o Coração, que foi desenhada por Rita Wainer.

A cantora já subiu aos palcos de várias regiões do Brasil e tem conquistado uma gama de fãs por onde quer que passe. Antes de tocar a primeira música

do repertório, em Goiânia, ela deu o recado: “Hoje vamos fazer um Rock aqui”. Um rock nem tanto, mas foi feita uma compilação entre os dois trabalhos realizados, cuja distinção é nítida nos ouvidos dos fãs e simpatizantes do estilo. “O primeiro cd é mais sentimental. Ele fala de coisas do coração e tudo mais”, disse estudante Nayara Machado, fã de carteirinha da cantora, que veio de Caldas Novas para curtir a apresentação. A primeira faixa a ganhar volume, “Passarinho”, foi recepcionada pelas palmas e pelo coro incansável dos presentes. Pescoços se esticavam dentro do recinto lotado na tentativa de ver pelo menos o canto do rosto da paulista. Tiê permaneceu com um sorriso cravado na face durante toda a apresentação e ensaiou os balanços das faixas “Na varanda da Liz”, melodia feita por Plínio Profeta. Os backing vocals foram acionados na faixa “Piscar o Olho”, concluída na véspera da gravação do disco e a preferida da cantora.

Do mesmo modo, a faixa “Perto e Distante” fez as mãos do público irem ao alto, enquanto câmeras de celulares flagraram cada movimento da dança corpo-

ral de Tiê. A faixa mais melancólica do cd, é rica em sonoplastia e fala das incertezas do ser humano. O seu primeiro hit, “Assinado Eu”, foi uma das últimas canções a serem entonadas no palco, que já preparava a platéia para a saudade deixada ao fim da apresentação. “Goiânia tem um super público. Muito carismático, animado e cheio de vontade. Gostei muito,” declarou a cantora, que pretende voltar e conhecer melhor a cidade. Na parte externa da casa de shows, grupos de fãs se aglomeraram competindo espaço para tirar fotos e ter a oportunidade de levar um pouco de Tiê para suas casas.

E a noite continua A banda goianiense Coletivo Musical foi a segunda atração da noite, e surpreendeu quem esperava um som pobre em arranjos e letras. O grupo, que tem como vocalista a cantora Bruna Mendez, mostrou uma diversidade de gêneros e de criação de sentidos. Uma guitarra forte e exagerada nos agudos, acompanhava a bateria de batidas rápidas. No repertório, canções autorais da grupo. Segundo Bruna Mendez, a questão do estilo musical é descartável pela banda: “Eu falo sempre que rótulo musical serve apenas pra colocar na prateleira, pra vender”, e completou: “somos um pouco de MPB que acabou descobrindo as guitarras e meu violão é folk.” Mesmo estando com um guitarrista reserva, a banda levou animação para pista madrugada a dentro. As discotecagens de Pablo Kossa e Michael Nite fecharam as apresentações, em mais uma grande noite de música em Goiânia.

Outros artistas... Que estrearam:

THIAGO PETHIT

CÍCERO

LEONARDO LORENA

BLACK LABEL SOCIETY

No dia 16 de julho de 2011, o cantor paulistano Thiago Pethit apresentou no Teatro Goiânia Ouro.Pethit, que faz música folk da melhor qualidade com canções doces e belas, lançou seu novo álbum “Berlim, Texas”.

Cícero veio pela primeira vez à Goiânia no último sábado, dia 11, para um evento realizado pelo selo Vacas Magras. O show aconteceu no Metrópolis Retrô, com casa cheia e público animado.

O cantor goiano irá lançar seu primeiro cd, “Sol na Madeira”, produto de um trabalho musical iniciado em 2009, com a direção do grande músico goiano Ney Couteiro. O Lançamento foi no dia 19 de agosto de 2011.

LOCAL: Metrópolis Retrô

LOCAL: Metrópolis Retrô

LOCAL: Cine Ouro

LOCAL: Oscar Nyemeyer

CÉU

JÚPITER MAÇÃ

GUY KING

#9 PRODUCT NAME

A cantora, conhecida por sua brasilidade e carisma, é considerada uma das maiores vozes da MPB da atualidade, suas influências musicais passam pelo samba, jazz e até pelo Hip Hop, apresentou-se no Musica no Campus, em 20 de setembro.

Dia 14 foi uma noite psicodélica, com rock, bossa nova e post punk com o Bastardo da Psicodelia, Júpiter Maçã. Comemorando 1 ano de Vacas Magras.

A atração de peso do Blues e Jazz norte-americano Guy King, se apresentou no dia 15 de outubro no Bolshoi Pub

Alexandre Kassin, apresentou na capital sua peculiar sonoridade que vem dando o que falar na crítica musical do país

LOCAL: Campus II - UFG

LOCAL: Metrópolis Retrô

LOCAL: Bolshoi Pub

LOCAL: Cine Ouro

No dia 16 de Agosto de 2011, a fúria do heavy metal invadiu o Centro Cultural Oscar Niemeyer e encheu os ouvidos dos goianos com muito rock!


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CRIOLO LEVA

MULTIDÃO REPORTER: Marcos Carneiro

FOTOS: Gabriel Corbain e Bárbara Falcão

SITE: www.paralelomundi.com

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Em uma cidade onde chuva forte significa árvores caídas, trânsito impedido, dificuldade de acesso e estresse urbano, difícil imaginar que um show lote em plena terça-feira. Essa máxima não vale se o show for de um expoente da música. Para um público aproximado de quase cinco mil pessoas, Criolo se apresentou na noite de terça-feira no projeto Música no Campus, organizado pela Universidade Federal de Goiás (UFG) com apoio da Construtora de Música e Cultura. Quem foi assistir uma apresentação de Rap no Centro de Eventos, viu a mistura de vários estilos que rendeu prêmios e muita quebra de paradigmas. Dizer que Criolo subiu ao palco é uma metonímia de número, pois junto ao cantor, outras sete pessoas o acompanham. Entre eles os produtores do seu último cd (Nó na Orelha – 2011), Marcelo Cabral no baixo e Dj Daniel Ganjaman nos teclados. Uma apresentação do perfil do evento alerta o grande público, que imediatamente se conduz a aproximar-se do palco. Cada um dos integrantes entraram em meio a uma gritaria nada comparada ao nirvana coletivo ao ver o rapper de Grajaú caminhar rumo a plateia. O cantor entrou no tablado com uma máscara, vestido em uma camisa similar a uma bata indiana. Ao som da canção Mariô – geralmente a primeira dos repertórios de seus shows -, não precisou mais de alguns minutos para perceber que o sujeito que ali cantava pouco trás do rap tradicional. Em um grau de sensibilidade a altura dos arranjos, quem ouviu as canções sentiu como se estivesse em vários shows diferentes. Reflexo de um músico PARALELO MUNDI 1 ANO

que há mais de 20 anos está na estrada e que chegou ao auge lançando o cd Nó na Orelha, do qual consta a maioria das faixas apresentadas no Centro de Eventos. A faixa cheia de Soul Music Subirodoistiozin, uma das mais conhecidas, estava na boca do público. Não à toa, já que a canção foi uma das mais tocadas nas paradas pelo Brasil, tendo seu videoclipe concorrido no VMB 2011. Foi nesse prêmio, que o cantor ganhou três troféus. Em cima do palco, Criolo não é nada de discreto. Dialoga com o público com maestria e irreverência dignas de um orador. Enquanto a música rola, percorre as arestas do palco, olha para cada músico e também para o DJ Dan Dan (um dos criadores também da Rinha dos MC´s), que faz vocal acompanhando. O rapper, em determinado momento do show, chamou os técnicos de som para o meio do palco e fez questão de apresenta-los. Sexta faixa do show, uma das canções mais esperadas da noite, Não existe amor em SP é outra mostra de que os estilos diversos permeiam sua obra. Um solo de guitarra atrás dos leves vocais do rapper fazem um bom arranjo com a ajuda da flauta doce ou trompete. É após esta canção – um dos hits mais baixados na internet -, que Criolo se ajoelha e agracia os sete instrumentistas que trabalham com ele. “Eu não sou nada sem esses caras. Eles conseguem fazer mágica com as bagunças que passam na minha cabeça, transformar em sonoridade. Depois de vinte anos de caminhada, eu ia parar, e só estou aqui por causa do Dj Dan Dan e por causa desses caras aqui. E

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amo esses caras. Façam barulho pra esses arrombados,” disse o cantor com as mãos para cima. Uma voz amolecida que lembra as forma caribenhas de se falar permeiam a canção Freguês da Meia Noite, enquanto o paulista dá sermões ao público. Entre uma canção e outra, esperar o silêncio de Criolo é bobagem. Ele gesticula, fala palavrão, em jargão cheio de gíria originada em seu bairro de origem, na grande São Paulo. E até se emociona com o comparecimento das pessoas. “Fazer um show em uma universidade e ver a casa cheia é muito bom, mano!”, grita enquanto bota a mão na testa em seu translado entre os vértices do palco. E ainda retoma. “Parabéns a universidade pelo projeto, pela ideia. A música é importante, e apenas uma ponta de um icerberg que é aquilo que tu vai viver na vida.” A faixa que abre o mais novo cd, música Bogotá, é uma mistura de afro-beat que ganha até dancinha psicodélica do artista. Samba, Sambei não nega a origem vinda do Reggae. Linha de Frente é Samba puro, com a base feita em um cavaquinho e percussão. Lion Man é uma homenagem ao músico independente. “Somos artistas independentes! Gravadora, se quiser, que trabalhe pra gente.” Na massa que envolve o mundaréu de gente que foi as-

sistir a apresentação, seria mentira falar que só jovens compareceram. Pessoas de todas as idades, aparências e gostos musicais se serviram do momento. Crianças, idosos, e até casais com bebês no colo também não deixaram de ver o cantor. Foram e por isso viram as rimas famosas da homenagem à canção Cálice, de Chico Buarque, onde em um trecho se diz: “mas não há fronteiras pra minha poesia.” A rima, nascida na improvisação filmada durante a produção de um clipe seu, ficou famosa e até já ganhou resposta do homenageado. E se não há fronteiras para a poesia dele, as fronteiras do palco às vezes também se quebram. Antes do final do show, crianças foram chamadas para sentar na beira do palco e cantar com Criolo após uma delas ter invadido o palco para abraçar o paulista. Amanda R.S, de apenas oito anos, disse saber cantar as músicas do artista e ficou feliz por estar perto do artista. “Cantei quase todas as músicas dele.”Quando ele me chamou, eu não acreditei. Minha mãe me ajudou a subir no palco,” contou a criança que foi levada pelo gosto da mistura de gêneros. Em uma noite em que o show era no palco, a plateia também foi ovacionada pelo artista, que se curvou junto a seus companheiros para se despedir.

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“Fazer um show em uma universidade e ver a casa cheia é muito bom, mano!”, grita enquanto bota a mão na testa em seu translado entre os vértices do palco.


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AMBIVALÊNCIAS REPORTER: Marcos Carneiro

FOTOS: José Jair Bazan

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Praticamente todas as poltronas do teatro do Centro Municipal de Cultura Goiânia Ouro estavam ocupadas, e nelas, olhos apreensivos captavam as ondas de movimentos produzidas por corpos que dançavam e se entrelaçavam para narrar o dúbio. A estréia do espetáculo Ambivalência(s), da Cia Novo Ato, assim como acontece em toda grande estréia, contou com burburinhos da platéia e surpresas a cada cena. Com direção de Luiz Cláudio, o espetáculo narrou dramas existenciais do ser humano e dualidades de comportamento e se sentimentos como o amor e o ódio, relatados nas cenas cheias de musicalidade e de quente iluminação. Já na bilheteria as pessoas se assustavam quando o elenco surgia de uma porta convidando todos a entrar na bolha bacante do teatro, cantando ao som de um violão e uma gaita. O espectador que foi ao teatro teve a chance de presenciar um espaço cênico sugestivo: um assoalho em forma quadriculadas, como um jogo de xadrez, que transformavam em peças aqueles que o pisavam. Na peça relações complexas são compactadas em cinco personagens comunicativos, porém sombrios em suas formas. Cristal, interpretada pela fundadora da cia e atriz Marília Ribeiro, é uma esposa que viu seu casamento ir aos ares, por lembranças, mas o reconstrói em uma noite de gargalhadas, gemidos e devaneios dionisíacos, enquanto fantasmas lhe assombram. Horácio, vivido por Silas Santana, é um marido voraz e

“O acompanhamento da música foi ao acaso, e somou de uma forma decisiva na peça. Fomos para um lado de uma ópera cínica, podemos dizer. Houve muita influência do canto e do coro, que enriquece o teatro.”

LUIZ CLÁUDIO

A estréia do espetáculo Ambivalência(s), da Cia Novo Ato, assim como acontece em toda grande estréia, contou com burburinhos da platéia e surpresas a cada cena.

impetuoso, cheio de ânsias próprias dos homens. Provoca uma incessante explosão de fluídos entre amor e sexo. A atriz Ana Lu deu vida a Karina, irmã mais nova de Cristal, que sonha em se tornar uma grande atriz de teatro. Acaba levando uma guerra para dentro de casa e levantando os desejos de Horácio. A personagem Karina, figura central do enredo, permeia entre os outros quatro personagens, que são duplos. “Sem a Karina, a peça não existiria, assim como a história. Ela é quem desenvolve toda a trama”, relata Ana Lu. Segundo o diretor, a peça fala do humano com comportamento dúbio, que se desfaz em atos no dia-a-dia. “Trabalhamos aqui a questão da duplicidade das pessoas. O lance de você querer ser algo que não é. Todos os componentes do cenário, do palco, de jogo e de músicas, são para levar essa idéia.” explica Luiz Cláudio. As coreografias corporais e a sonoplastia por teclado, presente do começo ao fim do espetáculo, segundo ele, foi resultado da adequação e improvisação da peça. “O acompanhamento da música foi ao acaso, e somou de uma forma decisiva na peça. Fomos para um lado de uma ópera cínica, podemos dizer. Houve muita influência do canto e do coro, que enriquece o teatro.” Comemorando o aniversário de 13 anos, a primeira fatia do bolo vai ao público goianiense, que já conhece a história de profissionalismo do grupo. “Bom, a Marília colocou no panfleto que era 10 anos, mas são 13 já. Ela quer nos rejuvenescer, mas vamos fazer isto nos palcos!” Na primeira apresentação de Ambivalência(s), o convite foi dado ao fazer um vôo de sentimentalidade, em apenas um ato.



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