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Disp. e Tradução: Rachael Revisora Inicial: Kelli Revisora Final: Patricia Formatação: Rachael Logo/Arte: Dyllan

Quem disse que ser comido pelo lobo mau era uma coisa ruim? Maizie Hood luta para fazer sua padaria gerar um lucro ou seu proprietário a expulsará, e manter sua querida avó em um asilo para idosos. Lutando com a difícil decisão de vender o chalé da avó. A última coisa que ela precisa é de seus pesadelos de infância com um grande lobo mal se transformando em fantasias de adulto na vida real. O súbito interesse do empresário Sexy Gray Lupo só piora as coisas. Ele é a resposta para seus problemas, ou apenas um lobo cavalheiro em Armani? Desde que sua esposa foi assassinada 21 anos atrás, a vida de Gray tem sido focada em duas coisas: proteger a manada e evitar a filha crescida dos assassinos de sua esposa. Quando se torna claro que ele não pode fazer um sem comprometer os outros, Gray encontra-se jogando de “lobo mau” para Maizie Hood “Chapeuzinho Vermelho”, é um papel que ele gosta muito mais do que ele esperava. O ataque de um lobo mau real sobre Maizie muda tudo. Gray não pode negar a atração que ela exerce sobre os seus instintos e seu coração. De repente ele se vê assumindo um papel que ele nunca pensou que ele queria, como seu protetor e companheiro. Até que a verdade sobre sua ligação com seu passado de pesadelo vem à luz...

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Revisoras Comentam...

Kelli: Gostei da história, apesar da teimosia do mocinho e da mocinha, e tem cenas quentes lhes esperando.

Patricia: Gostei da história, um casal que tem muita química. As cenas hots são boas. Achei o mocinho como alfa um pouco fraco, e a mocinha teimosa em aceitar seus instintos, mas de resto a história é boa. Boa leitura!

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Capítulo Um “Lobo.” A avó se apoiou na mesa, seu fígado ocasionou que se apoiasse em Maizie. “Ouve-me, Chapeuzinho Vermelho? O homem é uma besta.” “Já ouvi, Vovó.” Maizie olhou por cima do ombro ao homem do traje Armani que caminhava pelas portas da clínica do asilo de idosos. “Ele é um lobo. Sei.” A palavra gelou através de seu cérebro. Maizie não gostava dos lobos ou cães ou algo de quatro patas e peludas. Expulsou as imagens de seus pesadelos com peles e presa de sua mente, não era difícil quando seu cérebro tinha melhores coisas para entreter-se. O cabelo sal e pimenta que se encrespava sobre o pescoço fez Maizie adivinhar que o lobo da Avó era um italiano de quarenta e cinco, talvez cinquenta. Sem nenhum anel ou linhas de bronzeado nos dedos, e o cabelo escuro sobre sua pele sem ser beijado pelo sol, era um contraste agradável com a brancura dos punhos da sua camisa. Sua suave pele tensa, em suas mãos acentuava sua idade de quarenta e cinco, talvez quarenta e dois. A jaqueta cara a jogo ocultava os detalhes de seu traseiro, embora ela não o estava comprovando, era só estritamente um diagnóstico. Embora se o comprovava por fora, estaria intrigada pela forma em que o corte de suas calças fazia uma linha muito fina até o brilho cinza de seus sapatos. Estendeu uma mão para pressionar a porta para fora, olhou para trás como se sentisse que o estivessem observando. “Quem é.” Sua reação foi puramente química, o instinto, não necessitava mais da função cerebral. O calor lhe chegou, queimando suas bochechas, molhando suas calcinhas. O homem poderia ter um pouco mais que trinta e cinco anos, seus olhos azuis se encontraram com os dela como se tivesse sabido exatamente onde procurar antes que ele se voltasse. Deteve-se brevemente, apoiando sua mão na porta, e a olhou fixamente.

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Seu olhar o incomodou pelo que rompeu o contato visual. Ela não o fez. Houve algo na forma que a olhou, como a desafiando que sua timidez a afugentasse. A timidez não era coisa de Maizie. Levantou o queixo, sentindo sua expressão a sua vez dura, e segura. As janelas de seu nariz se moveram, ajustando-se para que sua forma parecesse mais delicada. Seu rosto tinha ângulos afiados e linhas duras, uma mandíbula quadrada e um queixo brandamente redondo à altura de seu nariz. Suas sobrancelhas eram negras, grossas, igual a suas pestanas, e fixaram o contraste com esses olhos de cor azul pálida. Estava bem barbeado, embora provavelmente se visse igual de bem com um rastro de barba. Desta perspectiva seu cabelo parecia mais prateado que malhado, com ondas espessas que rodeavam sua testa com um cenho franzido, e a testa enrugada. Justo quando pensava que poderia ter empurrado seu audaz olhar por um segundo muito comprido, sua frente se suavizo e em um débil sorriso torcido, formaram suas covinhas na bochecha direita. Grandioso. OH Deus sua boca era muito perfeita. Se fosse um lobo, deixaria que me devorasse. Maizie ficou rígida, preocupando-se que seus pensamentos pudessem mostrar-se em seu rosto. Deu-se a volta, pondo fim à carga sexual da disputa de olhares. A parte posterior de seu pescoço formigou, como se houvesse pequenos dedos ondeando sobre seus ombros e costas. Ainda a estava olhando, ela sabia, mas já tinha tido suficiente. Não tinha nenhum sentido jogar com a ideia de algo que ela não tinha tempo para terminar. Só havia poucas horas no dia e já tinha perdido mais segundos do que podia dispor em um homem-lobo sexy com cabelo grandioso. Cada minuto se deveu a uma visita de meia hora com sua avó. Depois retornaria à loja e sua libido descuidada não roubaria um segundo dela. Maizie soube o momento em que se foi. O comichão de seu olhar quente desapareceu de sua pele. Bom. O que queria um homem como esse com sua avozinha? “Assim por que ele é um lobo?”

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Odiava gastar seu tempo juntas discutindo sobre ele, mas sua avó estava ali, já estava envelhecendo e não se necessitava muito para confundi-la, para tomar vantagem. Maizie não deixaria que isso acontecesse, não importava quão atrativo o tipo fora. “Porque ele está atrás da cabana, é obvio.” A avó lhe deu uma pequena cotovelada no prato para aproximá-lo mais de Maizie. Ela a tinha alimentando com sanduiches de manteiga de amendoim desde que tinha sete anos. Agora ela se assegurou que o pessoal do asilo tivesse um preparado no momento que Maizie entrava pela porta. Não importava que ela não tivesse fome e que a coisa tivesse milhões de calorias. Minha avó me disse que comesse, e comi. Um velho hábito de obediência de infância. Maizie recolheu meio triângulo e lhe deu uma dentada. Além disso, os sanduiches de manteiga de amendoim sempre tinham sido sua comida favorita. “Ninguém quer a casa, vovó.” A cabana de dois dormitórios estava só a uma tormenta de ser um montão de escombros, quando era uma menina. E não havia melhorado em nada desde que ambas se mudaram daí. “Ora, não é obvio. É a terra. Ele quer que destrua a terra. vai derrubar todas minhas árvores e construir um de seus centros comerciais. Ouve-me?” “Uh, certo, vovó. Ouço-te. O lobo feroz está atrás da terra.” Maizie se engasgou com o nó de emoção em sua garganta e deslocou sua atenção à cesta de vime que havia na mesa junto a ela, pretendendo examinar seu conteúdo. Ela não queria que a avó visse as lágrimas em seus olhos. A casa estava em meio de um nada. Ninguém quereria construir um centro comercial ali. Já seja que os dias fossem bons ou maus, este seguia sendo um dos melhores dias para sua avó. Ela os chamava “feitiços”, descrevia-os ao Maizie como dias em que o mundo era um lugar totalmente diferente onde as coisas cotidianas se torciam em sua cabeça e as lembranças, reais ou imaginárias, mesclavam-se com a realidade do dia presente. A pior parte era quando os feitiços passavam e sua avó recordava… tudo. “Trouxe-te algumas das minhas bolachas de chocolate,” disse Maizie, com a esperança de tirar a avó de seu mundo de fantasia. “As que se misturam com chocolate branco e amêndoas. Ainda suborna as enfermeiras com Rum por um tempo extra no terraço de trás?”

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A cara da Avó se enrugou, seus olhos brilhantes eram mais amplos, confusos. Ela assentiu. Sabia que estava encerrado um de seus feitiços nesse momento? Maizie não queria pensar nisso. Devia tudo a essa mulher. Fazer que se sentisse o mais cômoda possível era o menos que podia fazer. “Trouxe alguns desses pedaços de açúcar com canela, Clare da recepção, gosta. E duas caixas das bolachas de gengibre para que tenha algo que oferecer a suas colegas da quarto.” Maizie se ocupou de descarregar tudo o que havia trazido da padaria de Pittsburgh na mesa. “Disse-me que vendesse a terra. Lembro...” A voz da avozinha vacilou. “Disse-me que eu era egoísta por não fazê-lo. Que necessitava o dinheiro”. Maizie quebrou sua atenção na avozinha. “Quem disse isso?” “Eu... eu não estou segura. Riddly? Acredito que foi meu Riddly”. “Não, vovó. Não foi papai”. Riddly Hood esteve morto durante vinte e um anos. “Morreu em um acidente de carro quando eu tinha sete anos. Tanto ele como mamãe. Lembrase, Não?” A avó piscou, a pele das pálpebras caiu fazendo sua expressão confusa dolorosamente adorável. “Está bem, vovó. Também às vezes esqueço as coisas.” Maizie se deslizou mais perto e alisou as mechas de cabelo branco emoldurado na cara de sua avó para o coque pequeno e limpo na parte superior de sua cabeça. Endireitou-lhe os cantos de sua jaqueta e sujeitou o botão de pérola superior. Tudo sobre sua avó parecia tão frágil, tão diferente da mulher que a tinha cuidado, levantado, e que era ao responsável de tudo. A avó deveria ter tido os últimos vinte e um anos para concentrar-se nela. Tinha-a criado como sua filha. Ela tinha posto suas próprias necessidades de lado e criado Maizie de todos os modos. No momento em que Maizie podia valer-se por si mesma, a idade tinha começado a jogar com a mente da sua avó. Não era justo. A confusão se desvaneceu, os brilhantes olhos azuis de sua avó se voltaram aço com determinação. “Necessita dinheiro, querida? Disse a sua avó. Tenho um pouco na lata de café na parte superior da geladeira. Toma o que você necessite, Chapeuzinho Vermelho. É por isso que está aqui.”

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Maizie apertou a mão da Avó, brandamente, com cuidado de não machucar os ossos quebradiços ou fazer hematomas em sua pele suave. “Não, vovó. Estou bem. A padaria finalmente deu muitos benefícios este ano.” Era uma verdade pela metade. A padaria que tinha aberto faz dois anos, “Padaria Chapeuzinho Vermelho” (um trocadilho por seu apelido que se devia a seu cabelo da cor do fogo), tinha agora as finanças em sua maioria em negro. As finanças pessoais de Maizie, entretanto, eram de uma cor vermelha brilhante como seu cabelo. Os asilos de idosos, os melhores, não eram baratos. Em um mundo perfeito Maizie teria mantido a sua avozinha com ela e a haveria cuidado ela mesma. O mundo estava longe de ser perfeito entretanto, as necessidades médicas da avó, seu ódio pela cidade e as exigências de tempo de seu novo negócio fizeram de um asilo de idosos a melhor e única opção para ambas. “É obvio que não”. Deteve-se brutalmente Maizie com culpabilidade. Ela arruinaria a si mesma, e à padaria, se fosse necessário, para fazer que sua avó estivesse segura e com a melhor atenção. Com sorte, o banco passaria sua solicitação de empréstimo e nada disto seria mais uma preocupação. A verdade era que a venda da casa em que tinha crescido e os cento e três hectares resolveriam muitos problemas. “Quando foi a última vez que alguém visitou a casa?” Maizie perguntou. “OH! Meu lobo de prata formoso a visitou o outro dia. Tudo está bem. Ele explicou que havia posto violetas frescas no vaso do batente. São minhas favoritas, Sabe?” O sorriso da avó agrupou o excesso de pele em suas bochechas, um rubor de cor fazendo-a parecer dez anos mais jovem. Maizie assobiou um juramento em voz baixa. Justo assim, a avó tinha perdido sua memória de novo. Ao menos Maizie sabia. Este lobo, o lobo de prata grande da avó, tinha sido uma parte de sua infância, um personagem de suas histórias antes de deitar-se. A avó parecia esquecer que só era uma invenção às vezes. Maizie podia lhe seguir a corrente e ainda ter uma visita relativamente sã com sua avó. “Que mais disse seu lobo de prata? Não ventilou o lugar por acaso? Talvez comprovou os canos e o porão, assegurando-se de que não houvesse nenhuma criatura dentro.”

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Maizie não tinha tido tempo para passar por aí e comprovar o velho lugar, por meses. Rodeada por centenas de acres e com vizinhos de quatrocentos hectares, a pequena casa com chaminé se encontrava no profundo do denso bosque. Todo tipo de coisas selvagens podiam assumir o controle a qualquer momento. A avó assentiu com a cabeça, seu sorriso nunca vacilou. “Sim, querida. Viu tudo. Meu lobo de prata grande sabe quão importante é esse lugar para mim. Diz que o mantém como o deixei para quando voltar.” Maizie tragou o repentino nó em sua garganta. Ela não tinha ideia de que a avozinha acreditava que voltaria para casa algum dia. “Vovó....” “Relaxe, querida. Poderia soprar um fusível. As duas sabem que viver nessa casa é muito para mim como está. Logo que posso tomar um tinir por minha conta. É só uma brincadeira, é tudo. É uma tentação para mim. Eu gosto. Faz-me rir.” “Faz-te rir, né? Sempre me disse que era um lobo feroz. Me dava pesadelos com as histórias de como comeria se andasse muito no profundo do bosque. Contava-me tudo a respeito de seus grandes brancos e afiados dentes....” “OH, isso. Bom, suponho que pôde te haver confundido com um cervo saboroso ou uma raposa ou algo, mas sobre tudo eu não queria que vagasse muito longe e incomodasse ao pobre.” “Então foi uma tática de educação de seus filhos? Agradável.” Maizie lhe deu uma piscada brincalhona para sua avó. “Talvez vá por lá ver o que tem de especial este lobo de prata arrumado, com o que você aterrorizava minha infância para protegê-lo.” “Não, não, eu não acredito que seja sábio. É digno e cortês, mas ainda há uma fera nele. Não esqueça nunca que, a Chapeuzinho Vermelho… Não. É melhor que o deixe em paz. Além disso, você não viveu sua infância com terror. Foi uma das meninas mais valentes que eu conheci. Pior que seu pai. Não posso pensar em nada que pudesse te sacudir, exceto...” O coração do Maizie gaguejou. As duas ficaram em silêncio. Sabia que os pensamentos de sua avó se foram, igual aos seus. A noite da morte de seus pais. O acidente de carro. O olhar inquietante de um verde luminoso no para-brisa. Ali e depois nada. Estava muito escuro, chovia muito. Seu pai não podia ver, não pôde frear a tempo.

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Ele se desviou, mas era muito tarde. O desdobramento vicioso pelo aterro era inevitável, imparável. Como tinha sobrevivido? Ela não sabia. Não podia recordar. Mas recordou esses olhos. Maizie ainda os podia ver muito depois de que a imagem se houvesse desvanecido, o corpo quebrado de um lobo apanhado sob o carro, seus pais no assento dianteiro, seus rostos e corpos cortados e maltratados mais à frente do reconhecimento, por toda parte havia vidro, metal retorcido, o aroma de borracha queimada e gasolina, o sabor acobreado de seu próprio sangue na boca. Os olhos verdes selvagens a tinham atormentado durante anos. Deus odiava a esse lobo. “Sim, bem. Isso foi há muito tempo.” E Maizie não queria recordar mais. “Sim, foi horrível. Chegaste tão longe depois”. Maizie lhe deu um sorriso forçado e dirigiu o tema longe das escuras lembranças. “E aqui seguimos falando de que o lobo de prata misterioso vem aqui, faz-te rir, que tentador. Vamos, vovó, O que tem de tentador nele? É algo que me fará ruborizar?” A avó não se alterou. “Converter-me em um deles, é obvio. Essa é a única forma de que este velho corpo possa retornar a casa. Não?” “Um deles?” “Sim, carinho, um licantropo. Um troca forma.” Ela suspirou pela confusão de Maizie. “Um homem lobo, filha. Um homem lobo.”

***** “Annette, é o senhor Lupo.” Gray ajustou o Black Berry contra sua orelha. “Sim, Senhor Lupo?” “Dê-me tudo o que tem sobre Maizie Hood. E refiro a tudo, os negócios e o pessoal. Quero-o tudo. Devemos ter seus números no arquivo junto com os de sua avó Ester.” Maldição ele tinha ajudado a Ester com o arquivo para o número de seguro social da menina quando ele se deu conta de que os pais do Maizie não tinham um. Naquele tempo não era automático.

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“Maizie? A pequena menina da….” “Tudo, Annette.” “Sim, Senhor Lupo.” Gray apertou o botão de desligar com o polegar e meteu o telefone largo em seu bolso. Olhou pela escura janela privada de sua limusine a um nada, enquanto saíam da clínica, da casa de asilo. Deus, ainda não podia acreditar que era ela. Ela tinha mudado tanto, amadurecido... Maravilhosamente. Entretanto, seu aroma era o mesmo, exatamente o mesmo, apesar de ter tomado um segundo para senti-lo. Vinte e um anos era muito tempo, inclusive para ele. Gray moveu a cabeça, esfregou o cansaço dos olhos com ambas as mãos. Talvez estivesse imaginando, o aroma das árvores quebradas, seiva, gasolina e borracha queimada. Ainda podia cheirar o sangue no ar a seu redor, a terra e a chuva. Ainda notava as lágrimas, as suas, e dos seus. Tinha que estar imaginando. Seu sentido olfativo era bom, mas não tão bom como vinte e um anos. Entretanto, ver o Maizie Hood agora lhe demonstrou que tinha tomado a decisão correta em todos esses anos. As lembranças o alagaram como areias movediças, atirando dele tanto que logo que podia respirar. Naquele tempo, teria se matado. Ele tinha direito de pedir a sua avó Ester, que a mantivesse longe, ao menos impedir que se aventurasse em seu território do bosque. Só que não podia suportar seu aroma, o aroma da morte. Disseram-lhe que limitasse os caminhos, e ele a evitou. Tinha trabalhado nisso. Até hoje. Gray arrebatou o periódico da bolsa na parede do carro. Inclinou-se para trás, desdobrando-o e reproduzindo um quebradiço ruído. A tinta ainda estava úmida, não tanto como o aroma dos seres humanos, mas o sentia nos dedos. Era uma boa sensação, um aroma bom, mundano. Inofensivo. Voltou-se para a seção de bens de primeira classe de compra-venda. Os negócios mais importantes em seus pensamentos, Maizie Hood podia desaparecer nas escuras curvas de sua mente onde quisesse. Jogou uma olhada à lista. Canela. Os outros aromas estavam ali, ou não, mas ele tinha cheirado isso canela era certo. E o chocolate. Ester sempre tinha tido um sanduiche de manteiga de amendoim à espera

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dele, seu favorito, ou mas bem sua obrigação. Mas por outro lado o teria devotado algum tipo de delicioso bolo ou uma bolacha para a sobremesa. Deu-se conta de que Maizie tinha uma dessas cestas de vime pitorescas com asa, vermelho e branco, com um forro quadriculado. Era fornecedora da confeitaria da Ester? Ester nunca tinha mencionado as visitas de Maizie, ou por que a havia trazido. Por que ia fazê-lo? Ester sabia como se sentia. Tinha-o deixado perfeitamente claro a tantos anos e Ester foi uma verdadeira amiga pormenorizada. O que tinha de amostra de doces açucarados, entretanto, foi celestial. Melhor que a maioria dos chefs profissionais que conhecia. Assava Maizie por diversão ou benefício? Ele queria sabê-lo. Doce musgo de turfa, por que está demorando Annette tanto tempo? A parede de árvores ao longo da estrada se rompeu em um campo aberto e se desenhou em seu olhar. Olhou fixamente, só depois notou o montão de vacas, o celeiro e os silos de milho na distância. Sua mente vagava muito rápido no cabelo vermelho e largas pernas de seda. Maizie parecia o suficientemente boa para comer. Sabia que seu cabelo era vermelho. Tinha-o recordado em grande parte. Entretanto, a luminosidade, a espessura. Deus, não tinha tido a menor ideia! A cor recordava às folhas de outono, as que haviam no bosque parecia que estivesse ardendo com o fogo frio. E com os blocos de espessura que caíam pelo caminho até a curva superior de seu traseiro, parecia mais como uma capa de cabelo. Gray tratou de abrir e fechar a visão de sua mente e se centrou de novo no periódico. Encontrou o nome que tinha estado procurando por segundos. “Anthony Cadwick, maldito velho.” Sem dúvida o homem estava ocupado. Acossando a Ester pela manhã, e a tarde para fechando um importante acordo de bens móveis. Intimidava fortemente aos proprietários de moradias e os manipulava com as leis de domínio eminente, o qual era sua especialidade. Cadwick era cada pedacinho do lobo estereotipado que Ester lhe havia descrito. Gray só esperava que Ester pudesse manter seu julgamento, quando ele voltasse outra vez. Não podia permitir que Cadwick pusesse suas mãos na terra dos Hood. Só a ideia da evolução de moradias e os supermercados de desconto, estivessem tão perto de seu bosque, fez que suas bolas se encolhessem.

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Gray soube sem olhar, o momento em que chegaram à estrada. A suspensão da limusine era superior, mas a diferença entre os caminhos rurais e a estrada era como a dos lisos paralelepípedos com o vidro. Não, Ester tinha o número do Cadwick, e Gray estava preparado para apoiá-la se por acaso. Convencê-la para vender seria como empurrar água morro acima para Cadwick. O curinga era Maizie. Havia a afastado de sua realidade, não tinha sido considerada por seu radar. Ela era “em” para o Cadwick o que Gray não tinha considerado. Não havia dúvida de que tinha uma grande quantidade de influência com sua avó. Isso só era um perigo que não podia tolerar. Com que facilidade Maizie poderia ser manipulada? Necessitava dinheiro? Era fácil de seduzir? Era inteligente ou crédula? Tinha sonhos para explorar, sonhos e metas que Cadwick podia lhe dar em suas mãos em um prato? Gray olhou seu relógio. “Deus, Annette!.” Cadwick faria algo para obter lucros e com o tipo de clientela que tinha, tipo Fortune500, tinha um espaço para jogar. É obvio, com a aparência de Maizie não era difícil adivinhar sua primeira tática. Com seus setenta e oito anos Gray se via da mesma idade que Cadwick, que estava em seus quarenta e tantos anos. Embora Gray estava tão em forma como um homem de vinte anos. Mas Cadwick podia ter um par de vantagens. Tinha características românticas, nariz maior, ombros mais amplos, com uma estrutura mais rechonchuda. Seus olhos eram de um aborrecido marrom, o cabelo negro como o do Gray foi uma vez. Mas enquanto o do Gray se tornou de um prateado, salpicado com toques de negro, Cadwick ainda possuía os tons escuros, só voltando-se de uma cor cinza sujo nos templos. Ele o levava mais curto que Gray, bem talhado sobre suas orelhas e uma meia polegada por cima do pescoço. Qual deles era o tipo para o Maizie? Qual deles poderia seduzi-la melhor? Gray não tinha nem ideia. Mas e se chegasse a isso à sedução? Gray podia fazer o necessário para impedir que a terra Hood fora vendida? Poderia seduzir a Maizie Hood?

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Seu olhar se posou na janela, nos carros que baixavam, cruzou com sua limusine por diante deles. Mas era uma visão de cabelo vermelho furioso e umas pernas largas bem formadas que enchiam sua mente. Ela reluzia como inocência pecaminosa, se tal coisa existisse. O corpo núbil de uma mulher envolta em um vestido do verão branco de neve manchado com margaridas e um bosque de contraste verde. Seus peitos tinham forçado o vestido de pescoço redondo, pressionando contra a plataforma de modo que tinha sido incapaz de centrar sua atenção o suficiente para ler as letras brancas do bolso dianteiro. Deu-se conta das sandálias que levava pouco sexy, entretanto, com as unhas pintadas de um tom vermelho que empalideciam em comparação com seu cabelo. E seguro como o inferno tinha notado seus lábios. Um tom amadurecido que não tinha nada que ver com a maquiagem de cera e tudo que ver com uma mulher em plena floração. Mas além de tudo isso, seus olhos o tinham capturado. Verde, a cor das folhas novas de aliso, que tinha encarado com descaramento. Ainda podia sentir o calor de seu olhar que vibrava pelo peito até a virilha. Doce musgo de turfa, que quase tinha chegado a suas calças com a emoção de fazê-lo. É obvio que não podia saber o que estava fazendo. As regras eram diferentes em seu mundo, mas a provocação se sentiu da mesma forma. Sem dizer uma palavra, tinha questionado sua autoridade, desafiou-o, exigiu-lhe que demonstrasse seu lugar, tinha que olhála como outra mais, como seu igual ou dominante. E talvez era seu igual. Certamente, ninguém se tinha atrevido a desafiá-lo desde que tinha sido mordido faz quarenta e três anos. Ele não tinha nem ideia do muito que lhe faltava, quanto uma parte dele necessitava esse desafio. A besta nele ansiava a batalha, ardia em desejos de ganhar seu lugar, para ganhar na fêmea. O atrevido desafio com Maizie tocou seu coração no mesmo centro do que ele era, encheu-o de adrenalina e um desejo primitivo que agora estava se sentia completamente absorvido. Um grunhido retumbou em seu peito por vontade própria, suas mãos apertaram o periódico, seus olhos fechados lutando contra a crescente necessidade. O sangue atravessou o

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corpo, a sensação de formigamento quente através de sua pele, se plasmou na virilha. Seu pau cresceu pesado e grosso, tencionando-se dentro de suas calças. Moveu-se em seu assento, mas o roce da roupa contra seu sexo só fez que a necessidade piorasse. “Merda.” Depois de dobrar o jornal, jogou-o através do compartimento para o assento de frente. A limusine era espaçosa, com espaço demais para estirar-se, mas Gray não necessitava muito para encontrar ao menos uma pequena amostra de alívio. Deus sentia-se como um adolescente hormonal! Não podia recordar a última vez que tinha tomado vantagem da barreira de intimidade entre ele e o condutor, com os vidros escuros para o mundo exterior. Tinha que ter sido faz mais de um ano, mas esta seria a primeira vez que ele se agradou sozinho. A besta nele tinha necessidades simples, mas quando essas necessidades surgiam podia consumir. Um torvelinho de emoções o rodeou com Maizie em sua mente, o ressentimento, a ira e a dor se mesclou com os desejos que despertava nele como um homem, a luxúria, a solidão e a atração. Tinha que fazer algo ou perder todo o controle. Recostou-se no assento de couro grosso, atirando de suas calças, tratando de afrouxar a tensão crescente. Isso ajudou, mas seu pau duro ainda comprimia dentro de sua cueca, e queria fazer algo mais que dar ao grande homem um pouco de espaço. Fechou os olhos e permitiu que a imagem dos seios redondos de Maizie, o bordo de seu vestido do verão, consumisse seus pensamentos. Poderia imaginar a carne amadurecida, enchendo completamente suas mãos, seus mamilos duros como rugas de cereja contra suas mãos. Deus, ele queria as espremer, as torcer e burlar aos pequenos pedaços com os dedos, com os dentes. Gray acariciou seu pau através de sua calça, o tecido quase proporcionava suficientes barreiras para enganar a sua mente e acreditar que poderia ser em outro lado. Outra mão. A sensação de formigou, ardências elétricas através de suas bolas, ao longo de suas coxas. Os músculos se esticaram, pressionando seu pau duro contra suas calças, contra o golpe de sua mão. Trabalhou com o cinturão e o botão, desabotoando-os, liberando-se a si mesmo. Moveu-se, mantendo seu pau em sua mão direita, a mão esquerda liberava suas bolas apertadas, de forma mais sensível. Deus sente-se bem! A dor era como se não se tivesse gozado em anos.

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Seus dedos trocaram, recolhendo seu pau, enviando uma descarga de prazer através dele tão rápido que uma gota de nata de cor branca apareceu na cabeça do seu pau. Acariciou com sua mão o tronco sólido, o polegar raspou por sua cabeça, secando a umidade. Ficou sem fôlego quando seus dedos acariciavam sobre a crista de sua cabeça e gemia em voz alta quando a acariciava de novo. “Foda”... Outro movimento comprido e logo outro, a pele de veludo se esquentou contra a palma de sua mão, uma necessidade vertiginosa em sua cabeça. Sua mão direita, trabalhou no instinto, acariciando seu pau, sentindo que suas bolas rodavam sobre seus dedos, espremendo, atirando brandamente e logo não tão brandamente. Não podia evitá-lo, as imagens de Maizie passaram por sua mente. Seu cabelo comprido ardente acariciando seu ventre, enquanto que seus doces lábios rodeavam seu pênis, chupando duro. Quase podia sentir seu peito pressionando contra suas coxas, ricocheteando contra suas. “Maizie... Se... foda-me.” “Senhor?” “Merda…” Gray deixou ir suas bolas para pressionar no intercomunicador e falar com seu condutor. “O que?” Logo que soou normal, mas apenas se sentia humano nesse momento. “Chegamos ao edifício do Cadwick, senhor.” “Bem.” A mão direita do Gray manteve um movimento constante, seus quadris balançando-se com ritmo. “Dê-Me um minuto….” Tocou o botão do interfone e devolveu a mão esquerda a suas funções anteriores. Sua mente se concentrou nos pensamentos da mulher ardente de novo. “Maizie... mmm.” Suas curvas sexy, esses olhos verdes e audazes. Gray acariciou o pênis mais rápido, apertou suas bolas. Imaginou Maizie atirando entre suas pernas, sua língua roçando com brincadeira a ponta de seu pênis antes de tomar a longitude dele entre seus lábios deliciosos. Quente e apertado, úmido e escorregadio, quase podia sentir seu pau duro investindo nessa boca sexy, sua língua contra seu eixo...

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O telefone celular soou. “Foda!” Gray tirou o telefone do bolso de seu peito. “Fala.” Um momento de silêncio, apenas o suficiente para que Gray pudesse lamentar seu tom duro com sua querida Annette. Sabia que era ela. O telefone soou como quando recebia a chamada do escritório. “Sr. Lupo, tenho parte da informação solicitada. Eu... Pensei que você o queria o mais rápido….” “Sim. Sinto muito, Annette. Assume-o corretamente como de costume. O que tem?” Annette esclareceu garganta, desterrando o tom anteriormente tímido. “A Sra. Maizie Hood tem uma qualificação creditícia, enquanto que a manutenção dos pagamentos mínimos mensais de um empréstimo de negócios é considerável e as taxas de um montante pela casa de asilo no Glide, Pensilvânia. Recentemente solicitou um empréstimo pessoal.” “Passou?” “Não há uma palavra oficial, mas não se vê bem.” “Hmm... Sigamos” disse Gray. “Sim, senhor. Ela tem um pequeno apartamento com um dormitório a quarenta e cinco minutos do asilo em Pittsburgh, pelo que paga quatrocentos e cinquenta dólares por mês”. “Extorsão.” O pau de Gray, suavizou-se em sua mão. “Sim, senhor. Ela recebeu três multas de tráfico e dois passes de excesso de velocidade nos últimos seis meses. Ela tem um ginecologista, mas não um clinico geral. Ela tem coberto dois molares inferiores e uma receita de pílulas anticoncepcionais. Suas declarações do cartão de crédito mostram uma boa quantidade de compras de comestíveis.” “Interessante.” “Pensei que ia dizer isso. Ah, e o empréstimo de negócios é para uma pequena padaria, também no lado sul. A Sra. Maizie Hood aparece como a única proprietária. Ela tem dois empregados. Uma jovem chamada Cherri Pi, saiu recém do instituto culinário e abandonou a escola secundária com uma licença de condutor comercial”. “Bolo de chocolate?” “Não. E Bob.”

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“Bob? Não tem sobrenome?” “Smith, senhor. Bob Smith.” “Perfeito. Algo mais?” “Não, senhor. Ainda estou esperando voltar a escutar de minhas fontes com seus assuntos pessoais. Isto é tudo o que encontramos no registro público.” “Você falou dos pagamentos mínimos mensais do empréstimo? Está fazendo os pagamentos a tempo ao asilo?” “Sim, senhor. Mas lhe cortaram o serviço um par de vezes. Igual com o empréstimo de seu negócio.” “O negócio obtém um ganho?” “Sim, ela tem um salário, com muita dificuldade.” Maldição era pior do que pensava. Cadwick nem sequer começaria a suar para comprála. O inferno, talvez já a tinha convidado a sair e a sua casa. “Chama o Chuck Woodsmen.” “O juiz Woodsmen?” Perguntou. “Sim. diga-lhe que vou necessitar da informação que discutimos. Parece que teremos que utilizar nosso último recurso, depois de tudo.” “Sim, senhor.” “Volta.” “É obvio senhor.” Se Gray desejava uma oportunidade no inferno para o amparo de tudo o que importava, teria que jogar às escondidas. Descobrirá como Cadwick havia enganado aos Hood, o que significava que Gray teria que fazer um pouco de engano competitivo para seu benefício. Apertou o botão do intercomunicador a seu condutor. “Estou saindo.”

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Capítulo 2 “O senhor Cadwick, por favor.” A muito magra secretária-modelo franziu seus lábios, com o olhar burlando-se dele como se fosse o prato principal de um desses bufês “Come tudo o que possa.” “E você é?” “Gray Lupo.” Ela se endireitou, com seus dilatados olhos marrons como os de uma cerva. “OH, farei saber imediatamente, senhor Lupo.” Suas finas sobrancelhas se franziram quando jogou uma olhada ao livrinho de entrevistas diante dela. “OH, vá. Está… mmm, em uma reunião. Pode ser que tarde uns minutos.” “Esperarei.” Gray finalizou o intercâmbio de palavras com uma brusca inclinação de cabeça e voltou para a luxuosa sala de espera com assentos de couro que havia na parte mais afastada do exterior do escritório. O escritório pessoal do Cadwick estava situado no alto do edifício Cadwick Enterprises. Os pisos inferiores estavam ocupados com várias divisões de sua companhia, com vários milhares de empregados ganhando o pão diário trabalhando para o Anthony Cadwick. Assombroso. Gray se deu uns suaves golpes na cara. Gray não teve problemas para obter o acesso à exclusiva planta com a simples menção de seu nome. Se não soube quem era Gray Lupo, não estava em seus cabais. Sentou-se em um das poltronas de couro de alto respaldo. A habitação era como qualquer outra sala de espera, com os fícus e samambaias indispensáveis, todos falsos, proporcionando umas gotas de cor. Tomou a revista Forbes da mesa de café de madeira escura que havia diante dele. Havia outras duas revistas na mesa, ambas da mesma publicação que sustentava. Jogou uma olhada à densa capa em que Anthony Cadwick, com sua cara de meia idade, sorria-lhe abertamente.

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Tinha letras maiúsculas vermelhas impressas atravessando sua frente. “O Top Vinte das companhias para observar.” Gray soprou e se perguntou se por “observar” queriam dizer “suspeitar.” Folheou as páginas até encontrar o artigo principal. Cadwick tinha ganhado um artigo de duas páginas. Um bonito pedaço de publicidade gratuita. O muito babaca estava fazendo bastante bem. “Senhor Lupo, o senhor Cadwick pode lhe ver agora.” Gray dirigiu seu olhar até a alta secretária que estava de pé junto à mesa de café. Suas intermináveis pernas estavam dissimuladas até os joelhos por um vestido azul e marrom meio transparente que deixava muito exposto de seu inexistente decote e seus pálidos e largos braços. Seu cabelo da cor das nozes pendurava em ondas uns centímetros por debaixo de seus ombros. Observou sua cara, a calma que havia nela. Absolutamente era pouco atrativa. “Perdoe minha falta de educação.” Disse. “Não lhe perguntei seu nome.” Os ombros dela voltaram para sua posição, e um sorriso autêntico estendeu suas bochechas. Seus dentes eram muito grandes, o sorriso muito largo a cara muito grande. Era bastante normal, mas desde certa distância podia ser atrativa. O perfeito visual de passarela. “Alicia. Alicia Sanders. E posso dizer que é uma honra lhe conhecer, senhor. Quero dizer que vi seu nome em todas as partes. No Fortune 500 e no Teme and Newsweek e….” “Sim. Obrigado, Alicia.” Gray se levantou, terminando com a conversação dessa fã. Tirou seu cartão profissional do bolso do peito de sua jaqueta e a pressionou na palma dela, estreitando sua mão entre as suas. “Vem aqui na segunda-feira. Verei que posso fazer.” “Sério? Quero dizer… obrigado. De verdade. Faço algum trabalho como modelo e morreria por pilhar um contrato com a agência que possui sua companhia.” “Lê o cartão, Alicia.” Deu-lhe a volta ao cartão. “Mas o que…? Você é alucinante, senhor Lupo. Obrigado, obrigado.” “Não te entreguei um contrato, Alicia, só lhe envio a conseguir um.” Gray endireitou sua gravata. “Isto é o CEO do Bad Wolf Modeling. Ele saberá que o cartão provém de mim.

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Leva-o na segunda-feira pela manhã. Se prepare, para qualquer coisa que queiram que faça, sessão fotográfica, audição, entrevista….” “Pode apostar. Estarei ali, o asseguro.” Estava literalmente saltitando, embalando o cartão como se fora um ticket dourado da fábrica de chocolate. “Alicia? Podemos ir ver o senhor Cadwick agora?” “OH... Sim.” Esclareceu a garganta, todos os sinais de fã enjoativa tinham desaparecido. “Por aqui, senhor Lupo.” As estrelas de rock tinham mulheres que lhes lançavam as calcinhas. Os homens como Gray conseguiam currículos e tiros na cabeça. Raramente garantia um emprego, mas sempre dava a oportunidade para conseguir trabalho. A Companhia Bad Wolf era duas vezes maior que Cadwick Enterprises e muito mais variada. As vantagens eram muito boas quando abriam novos postos, se alguém tinha as bolas de pedir. Alicia, que ia à frente, abriu ambas as portas de madeira grossa de um empurrão, sem dúvida por ordem do Cadwick. Era muito melhor deixar-se ver dessa maneira. Quatro dos escritórios de fora podiam facilmente caber nesta e ter além disso uma habitação de reposição. Cadwick estava sentado em seu escritório, e tinha algo que recordava ao que poderia encontrar no Despacho Oval, uma parede de janelas e uma vista da cidade do Pittsburg como cortina de fundo. Agradável, se você gostasse desse tipo de coisas. “Lupo” disse Cadwick, levantando a vista de algum documento como se houvesse sido pego totalmente de surpresa. “Cadwick.” O exagerado homem de negócios ficou de pé e fez um esforço por rodear o escritório, lhe estendendo a mão, para encontrar-se com o Gray a meio caminho. Suas mãos se chocaram juntas como o acoplamento de um trem, Cadwick acrescentou uma masculina palmada no braço do Gray. “Ainda tenho a minha secretária?” Gray ofereceu o sorriso obrigatório. “O veremos na segunda-feira.”

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“Sabia, sabia!” Cadwick devolveu a risadinha cortês. Conduziu ao Gray até as duas poltronas de couro que havia frente a seu escritório. “O que posso fazer por você, velho amigo?” A tensão ondeou através dos ombros do Gray e foi diretamente a sua espinha dorsal. Velho amigo. Gray não se dignaria a responder. Sorriu, comeu-se a irritação e esperou até que Cadwick se sentasse em sua poltrona ergonômica ao outro lado de sua mesa. “Tenho algo de ganho vindo em 18 meses.” Disse Gray. “Alces. Um casal de emparelhamento. Pensei em ampliar a reserva.” Cadwick sacudiu a cabeça, com um sorrisinho alargando sua grossa cara. Os cotovelos apoiados nos braços da poltrona se reacomodarão pondo as mãos diante dele. “Você e esses animais. Tem que... 350, 400 acres já, E está esperando acrescentar mais? Dinheiro de sobra, né?” Gray esclareceu garganta, e permitiu que seu desconforto e sua crescente irritação se mostrassem em suas sobrancelhas franzidas. Moveu-se em seu assento, apoiando-se para diante. “Word sua companhia esteve comprando, uma boa parte de terra ao redor de meu lugar. Terra que não estava previamente à venda.” O sorriso do Cadwick não se aumentou muito. “Um bom homem de negócios se cria suas próprias oportunidades. Não era isso o que nos dizia?” Gray suspirou. Alguns costumes não trocavam nunca. “Estou encantado de que encontre minha aula tão… proveitosa, Anthony. Entretanto, não recordo haver ensinado extorsão, intimidação ou repercussão política como parte do plano de um bom homem de negócios.” Cadwick abriu as mãos e se encolheu de ombros. “Sempre disse que deveria ter dado eu essas aulas.” “Ensinei aquele curso de negócios na universidade faz 24 anos. A sua foi minha última classe. Anda a pedir trabalho.” “Aqueles que podem, fazem-no. Aqueles que não podem...”

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“Ummm, touché.” Uma enorme tensão se formou retorcida ao longo dos ombros do Gray e o transpassou na parte baixa das costas. Jogar a ser o menino bom lhe ia custar uma fortuna em massagens chinesas. A passagem aérea era escandalosa. Gray fez um giro de cabeça sobre seus ombros. Os altos estalos e rangidos ajudaram a esconder o baixo grunhido vibrante de seu peito. Cadwick se ergueu para frente, assentando seus antebraços em sua mesa. “Faz 24 anos e não parece nem um dia mais velho. Como é isso, Lupo? Quero dizer, chutei seu rabo nos negócios de cada maneira possível do domingo e tenho os cabelos grisalhos para demonstrá-lo. Mas você… juro Por Deus que de fato parece fodidamente mais jovem.” Gray sorriu um rápido brilho de seus dentes. “Vida saudável.” Cadwick bufou, mas manteve a vista fixa em Gray, esperando. Depois de uns embaraçosos segundos, esteve claro que não ia ter uma explicação mais ampla. “É uma carta, Lupo. Te darei isso. Deveria ter sido cômico.” Com muita dificuldade. “Vou-te comprar a terra que limita com minha propriedade, Cadwick. Dê-me seu preço.” Cadwick soltou uma gargalhada, e seus apagados olhos marrom se alargaram. “Disse-o a sério? Que diga meu preço, né? Foda, tem bolas.” “Do tamanho de cocos. Agora, Quanto?” Cadwick levantou a mão, e levantou o dedo mindinho, o anular e o do meio desviando a atenção. “Três. Conta-os. Tenho três principais companhias construtoras filiadas. Não pode puxar por elas por ti mesmo. Está louco?” Cadwick não tinha nem ideia de como de grande era a companhia Bad Wolf. Ninguém tinha. Gray não tinha passado os anos adicionais que seu sangue de homem lobo o tinha proporcionado caçando coelhos. Tinha mantido suas posses como o iceberg do Titanic. O que a gente via na superfície era impressionante, mas a verdadeira extensão de seu poder permanecia

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por debaixo, enterrada debaixo oceanos de companhias de marionetes e sucursais subsidiárias. Algumas delas eram quase impossíveis de rastrear até a companhia principal. “Você me venderá e me deixará as propriedades das terras restantes. Está claro?” Às escuras sobrancelhas do Cadwick se franziram, e o humor sarcástico desapareceu sob o peso das ordens do Gray. “Escuta, não tem o tipo de músculos necessário para vir aqui e tentar me oprimir. Eu esmago gente como você e os unto em torradas para o café da manhã. Sacou?” O picante aroma a suor flutuava no ar do pescoço do traje do Cadwick, seu coração repicava em vários pulsados e uma fibrosa veia azulada se avultou a um lado do pescoço até a têmpora. O bloqueio da emoção de sua presa funcionou como Valium para o Gray. Tinha-lhe. O coelho não sabia ainda, mas já estava morto. “Lutar ou fugir.” Disse Gray entrecerrando os olhos, desfrutando de do ar empapado de adrenalina como um doce brandy. “Lutar ou fugir. Escuta seus instintos, Anthony. Corre. Isto não é uma batalha que possa ganhar.” “Do que está falando? Fugir do que?” Cadwick estalou desde seu assento, cravando ao Gray com seu dedo atravessando seu escritório. “Quer lutar? Terá. Depois de que consiga a Senhorita Hood firme, vou por ti”. Gray permaneceu em calma sem pestanejar, entrelaçando suas mãos em seu regaço. “Ester Hood? Ela é uma amiga muito querida, mas temo que não vai vender.” “Ah, Sim? Pois sua neta sexy poderia dizer o contrário. Vou ter procuração dessa terra, Lupo. No prazo de dois anos haverá cem hectares de centro comercial e concreto que rodeassem seu santuário de animais de merda. E não há uma maldita coisa que possa fazer para impedilo.” Uma faísca de dúvida se disparou pelas veias do Gray. Não gostou. Maizie Hood era um cabo solto, um pouco desconhecido que não podia tolerar. Nos papéis, era uma responsabilidade, mas tinha que conhecer a mulher para saber com segurança. Quais eram suas prioridades? Onde estavam suas lealdades? Não encontraria nada sentado no escritório do Anthony Cadwick.

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Um silêncio que arrepiava a pele se apoderou da habitação. Gray deslizou seu olhar lentamente até Cadwick. “É sua decisão final sobre o assunto?” “Sim. Maldita seja essa é.” “Muito bem. Com sua permissão.” Gray ficou de pé e se dirigiu à porta. “Ei! Isso é tudo? aonde vai?” Gray abriu a porta do lado direito e se deteve para olhar para trás sobre seu ombro. “Preparar-me para a batalha, é obvio.”

***** “Eww, isto está perdido. Olhe, cheira.” Maizie pôs o meio galão de leite sob o nariz do Cherri. “De maneira nenhuma. Por que o cheiraria depois de ver sua cara?” Maizie encolheu de ombros. “Curiosidade mórbida. Vamos, te assegure que tenho razão”. “Bom, mas se quer pôr a prova seus outros sentidos... Confia em mim, o forno está quente, as mulheres asiáticas formosas, as unhas em uma lousa lhe farão se encolher e o bolo do inferno é o único pedaço de céu que encontrará na terra.” “Sim, sim, que divertido. Como é, Whoopi! Só cheira-o.” Cherri subiu com um dedo a ponte de suas lentes de armação de arame e logo cheirou. “OH, sim, claro que está perdido. Isso tem dois dias que está jogado a perder. Está tão perdido que não o vejo, tão perdido....” “Basta. Entendi. Obrigado.” Maizie acendeu o interruptor do triturador de lixo e jogou o conteúdo pastoso. “Só me asseguro que não me peça que revise de novo.” Os lindos olhos castanhos de Cherri se reduziram ao sorrir, com sua cara redonda que parecia mais redonda quando se recolhia o cabelo negro até os ombros em um rabo de cavalo e logo o punha sob uma rede para cabelo branca. Ela procurou ao redor de Maizie e abriu a água fria.

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“Vais estragar isso. Supõe-se que tem que deixar correr a água quando usar a pia”. “Isso é uma lenda urbana.” “Não, o menino casado que deixou a sua família por sua fastidiosa amante é uma lenda urbana. Isto é sozinho sentido comum.” O guizo que havia acima da porta dianteira da Padaria Chapeuzinho Vermelho parou a réplica de Maizie. Ambas se voltaram para ver quem tinha entrado. “Whoof.” Maizie deu uma cotovelada em Cherri. “Isso foi exatamente o que eu disse quando o vi a primeira vez.” O lobo da vovozinha que tinha posto um Armani guiou a porta de cristal para fechá-la detrás dele, parando as dobradiças para que não se fechasse de repente. Uns olhos de um azul pálido oscilaram para encontrar a Maizie, conectando com tal impacto que ela o sentiu por todo seu corpo até os dedos dos pés. Ele sorriu. Todas as curvas de seus perfeitos lábios se curvaram levemente, só o suficiente para suavizar sua cara, mas não tanto como para que pudesse estar segura de sua expressão. Ele olhou ao redor, explorando sua pequena sala de amostras. A loja não era grande, mas Maizie estava orgulhosa do maldito pequeno lugar. Ainda podia recordar o dia em que tinha assinado a escritura das vendas, Doces e Pães rabiscados com letras brancas em uma parte e Chapeuzinho Vermelho, por outra parte. Tinha pendurado medalhas vermelhas e brancas a raias a cada lado em concordância na porta. As vitrines de exibição formavam uma “L” ao longo da parede traseira. Estavam cheias de bolos, bolachas, madalenas, pães-doces, empanadas, doces quase de tudo, Maizie e Cherri os tinham feito. Um aparador de madeira enorme que havia encontrado em uma venda de garagem se colocava ao outro lado, mostrando dois bolos de três níveis de bodas, um enorme recipiente cheio de diferentes tipos de pães, um par de bolos de queijo, uns quantos pratos decorativos de diferentes bolachas e um marco de prata com a foto dela e seus pais. O Sr. do traje Armani se deteve um momento olhando a foto. Levantou a mão como se fora a recolhê-la, mas se deteve. Deu-se a volta, observando a janela dianteira com o cesto de

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cartões empilhados no fundo, que continha cartões de visita e folhetos empilhados na parte superior, dirigiu-se a ele. Usando o lápis junto ao livro de notas aberto, ele o assinou. “Tarde”, disse Cherri. Maizie lhe deu uma cotovelada. Cherri franziu o cenho e se esfregou seu braço. Ela articulou “O que?” Maizie a sua vez articulou “Lhe direi isso depois.” Ao que Cherri franziu sua testa. “Huh?” “Ela disse que lhe dirá isso mais tarde.” Ambas as mulheres saltaram com a voz masculina, atraindo sua atenção no lobo da avozinha. “Sinto muito. Você é?” Maizie perguntou. “Lupo. Gray Lupo.” “Vá.” Maizie quase soprou. Deteve-se. “Perdão?” “OH. Não. Sinto muito. É só que, Lupo, esta em italiano e significa lobo, Verdade?” “Eu não sei.” “Acredito que sim.” Ele franziu o cenho. “Interessante.” “Não tem nem ideia.” “O que queria exatamente.” Os frios olhos do Gray de cor azul se moveram até unir-se com os seus. Suas olhadas se encontraram e Maizie teve que recordar respirar. Suas mãos ficaram quentes e úmidas em um segundo, seu corpo se esquentou rapidamente. Seu olhar se reduziu a sua boca e ela não pôde evitar a tentação de molhar seus lábios. Ele seguiu o deslize de sua língua, suas largas pestanas piscaram, descobrindo um brilho de fome masculina, que enviou um formigamento delicioso disparado até o fundo de seu sexo. Cherri lhe deu uma cotovelada a um flanco. “Sacode a cabeça, seus olhos estão pegos.” Maizie fechou sua boca apressadamente, endireitou-se, secando-as mãos no avental. “Sinto. Bem-vindo à Padaria Chapeuzinho Vermelho. No que posso lhe ajudar?”

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Gray sorriu, e não uma dessas talvez -pôde ter sido um sorriso, só se formou uma careta em sua bochecha-, Inclusive riu um pouco, seu olhar se deteve longe durante um minuto, sua cara ruborizando-se. Perfeito. Quando voltou a olhá-la, seu sorriso se desvaneceu em um sorriso atraente, fácil. Jogou a cabeça para um lado, à direita, por isso o sol, que entrava pelas janelas do frente, refletia-se em seus olhos claros e provocou uma cor prata em seu cabelo. “Excelente padaria. É tua?” Tinha uma voz de rádio, suave e sexy. À hora de jazz com a luz das velas. Então Maizie recordou que o “DJ” estava tratando de extorquir a sua avó para que lhe deixasse suas terras. “Acredito que você sabe a resposta. Há algo que possa conseguir para você?” Seu familiar cenho franzido voltou, o mesmo que tinha utilizado no asilo de idosos. Seu tom Pícaro melhor que a água fria. Ele era todo um empresário-rígido. “Sra. Hood, eu gostaria de falar com você a respeito de uma questão relativa a sua avó.” OH, ela deveria ter visto vir isso. Não era possível lhe agradar à mulher velha para que lhe dessas suas terras, assim vamos tratar de seduzir à neta. Bom, em realidade ele não a seduzia, mas bem era seu sorriso sexy, seu olhar com esses olhos bonitos, o uso de sua boca perfeita e suas grandes mãos... Semântica. “Por que não me surpreende?” “Você não deve está-lo. Ester e eu fomos amigos durante anos. Preocupo-me com ela e, francamente, faço-o muito.” “Preocupado por quê? Que ela venda suas terras a alguém mais?” “Sim. Bom, em uma forma. Há algum lugar onde possamos falar em privado?” Maizie seguiu sua sacudida de cabeça sobre o ombro para Cherri e mais atrás ao Bob que se colocava na porta traseira aonde se ocupava da preparação. Maldição, Bob estava usando seus óculos escuros em lugar do emplastro no olho. Sempre assustava aos outros condutores, mas o olho que lhe faltava era só uma má notícia para os negócios.

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“Bob, Onde está sua rede para cabelo?” Seu comprido cabelo loiro fibroso era uma violação para a saúde, a ponto de ocorrer. “Vão.” “Que tal seu vestuário? Cherri lhe dê uma mão. De acordo?” Cherri olhou ao Bob e de volta ao Maizie, inclinou a boca. “A sério?” “Não. Só se assegure de que seja uma rede para cabelo desta vez e não um saco de cebola velha.” Bob mostrou seu tipo de risada- cânhamo de um menino. “Já. Obterei as cascas de cebola, meu cabelo era uma merda, de acordo.” Cherri pôs uma mão magra sobre o ombro de Bob e lhe deu a volta à sala de preparação. “Explique-me de novo como tem essa licencia CDL.” Maizie cruzou os braços sobre o ventre e olhou o Sr. Gray Lupo e seus olhos azuis. “Suficiente privado para você? É melhor se apressar. O pessoal da tarde chegará em qualquer momento.” Pessoal da tarde em uma padaria. Isso foi quase cômico. Boa coisa que Maizie era muito rígida para rir. “Esse homem é o condutor para a distribuição?” “Bob? Sim. Por quê?” “O seguro o cobre?” “Sim. Não é que seja de sua incumbência.” Gray moveu a cabeça, agarrou a jaqueta atrás de suas mãos nos quadris. (O papai em desaprovação). “Deus! Deve lhe custar uma pequena fortuna essa sagacidade atrás do volante!” “Bob tem três quartas partes de sagacidade, obrigada. E de novo, não é de você incumbência.” “É malditamente muito pouco responsável.” “Desculpe? Muito bem, qual é o ponto.” Tinha bem pagos aos empregados para insultála. Ela não necessitava deste menino. “O ponto? Tem alguma ideia do que suas decisões financeiras irresponsáveis fazem a sua avó?”

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“Deixe-me adivinhar,” disse Maizie. “Ela se está preocupando muito pelo doente que estou por manter esta padaria em quebra, enquanto eu estou pagando para que fique na clínica de anciões. E se, preocupo-me com ela em tudo, assim devo lhe vender as terras para que minha avó possa deixar de preocupar-se.” “Sim. Não. Quero dizer... O que?” “Bom, esqueça-o. Não irei fazê-lo.” As sobrancelhas do Gray saltaram a seu cabelo. “Não quer?” “Prefiro deixar que o banco tome a padaria e retornar à cabana com minha avozinha e reduzir meus gastos mas não a venderei nem a você, nem a ninguém.” “Por que não?” Parecia genuinamente surpreso. “A venda poderia fazer-se cargo de tudo, seu negócio, os gastos médicos de sua avó.” “Sim, com o preço muito baixo para a felicidade de minha avó. Não, obrigado. Se fosse amigo da vovó saberia quanto ama sua cabana no bosque. Se, quer vendê-la é para me ajudar, mas não porque queira desfazer-se dela. Não vou fazer. Nunca. Ela já entregou tudo por mim.” “Fascinante.” “Sem mencionar que ela chutaria meu traseiro por quebrar a promessa ao seu lobo de prata.” Maizie virou seus olhos. “O que é isso?” “Nada. Não o entenderia. As velhas histórias de minha avó que me dizia quando era uma menina. E utilizava para me manter em linha e para que me assustasse.” “Soa terrível.” “Sim, e agora o lobo me necessita para protegê-lo. Falei com ironia.”

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Capítulo 3 Maizie encontrou a chave de reposição no mesmo lugar onde estava acostumado a estar quando era menina, no marco da janela dianteira. As flores ajudavam a esconder o chaveiro de três polegadas -eu adoro o bingo-, mas qualquer um que levasse um tempo para olhar a encontraria. Sua avó o tinha escondido mais dos animais que das pessoas. Havia dito ao Maizie que alguém o suficientemente desesperado para entrar e roubar, provavelmente quebraria tudo e não era necessário esconder deles. Os animais só fariam um desastre. A filosofia não era exatamente uma com a que Maizie estivesse de acordo, e duvidou um minuto antes de deixar a chave entre as flores. Setenta e alguns anos mais na casa, sua avó nunca tinha perdido nada que valorizasse. Ela deve ter sabido o que estava fazendo. Pôs a chave na fechadura. A porta se abriu. A chave era uma coisa, mas deixar a porta aberta seria um problema. Maizie apareceu pela abertura. “Olá? Há alguém aqui? Sou só eu... Chapeuzinho Vermelho... carregando uma arma de calibre 357 em sua recatada mão pequena.” Essa seria uma ameaça muito melhor se ela de verdade tivesse tido uma arma de calibre 357. Ela não escutou. Nada. “Bom, claro que não haveria ninguém aqui, por que um ladrão responderia.” Maizie rodou seus olhos por sua estupidez e entrou. “Meu Deus, este lugar nunca muda.” Maizie examinou a pequena sala de estar a sua direita, atirou sua mochila no sofá branco volumoso, quase golpeou o abajur do final da mesa. Na parede do fundo, junto à chaminé de pedra, um dos lados das portas francesas à sala de estar estava entreaberta. Ela podia ver a esquina da sala. Os quentes raios do sol da tarde davam aos pisos de azulejo um tom de fogo e pelas cores nas paredes de tijolo debaixo das janelas. Na sala, apesar das paredes amarelos-ouro e brancas cortinas graciosas, já entravam as sombras da noite. Ela se inclinou e acendeu o abajur a seu lado.

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A luz se filtrava através da janela com cortinas na parte superior da estreita escada diante dela. Os pisos de madeira escura brilhavam contra as paredes brancas. A sua esquerda as janelas da cozinha atrás do lavabo e as tomadas se estendiam a todo o comprido da habitação. Inclinou-se para frente, vendo o copo pequeno de violetas frescas no batente atrás do lavabo. Ninguém tinha estado ali em meses. Era estranho. A cozinha era do tamanho de uma caixa de sapatos, uma habitação estreita reta com a pia, um velho fogão a gás, um forno a um lado e uma pequena despensa junto ao refrigerador ao outro lado. O olhar fixo nele trouxe lembranças quentes de sua infância. Que tinham sido mais que suficientes para ela e seu Avó. Maizie deu volta à cozinha e a suas lembranças, e cruzou à sala pela porta aberta que dava para a toda a estadia. Antes de chegar à chaminé, um aroma familiar fez cócegas seu nariz. Cheirava como a... colônia de homem. Um calafrio sacudiu através de seus ombros, lhe acelerou o ritmo de seu coração e esticaram seus músculos. O aroma se desvanecia, mas ela o reconheceu. Ela sabia quem usava essa colônia. Quem era? Tratou de fazer clique através dos possíveis rostos em seu mente, mas seu cérebro estava muito assustado pelo fato de que alguém tivesse estado em sua casa. Poderia seguir ali. Algo se moveu na sala, um ruído contra o chão de azulejo, e o coração de Maizie estava em sua garganta. Ficou imóvel, sua mente intermitente com toda classe de horríveis imagens de quem poderia ter feito o som. Todos os filmes de Psicose que jamais tinha visto piscavam através de sua cabeça em alta definição. Imagens de extraterrestres comendo o conteúdo dos estômagos das pessoas, homens vestidos de couro armados com moto serra, máscaras de hóquei brilhando na escuridão, sua imaginação retorcida a manteve cravada no chão. Passaram os minutos e só os cantos dos pássaros e o sussurro do vento entre as árvores se escutava. A prudência começou a filtrar-se de novo em seu cérebro aterrorizado. Era evidente que alguém tinha estado ali e deixou as flores. Nada parecia desarrumado, por isso não tinham roubado. Se sua avó tivesse alguém na casa para cuidá-la, talvez tivesse deixado aberta a porta traseira como o fazia na parte dianteira e algumas criaturas do bosque haviam decidido comprovar o novo.

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“Idiota. É só um guaxinim ou um camundongo ou algo assim.” Entretanto, manteve sua voz em um sussurro, em caso de que houvesse um tipo grande com uma máscara de hóquei e com a moto serra. Caminhou cautelosa pela cômoda até perto das portas francesas. Agarrou o atiçador de ferro da chaminé e abriu lentamente a porta, o suficiente para que ela fosse capaz de deslizar-se através dela. Um, dois... Três. Maizie saltou por cima da soleira, levando a terra frente à parede para a esquerda, com as pernas estendidas, os joelhos dobrados, o atiçador em um dobro punho e o elevava por cima de seu ombro como um taco de beisebol. “Ah-há!” OH merda. Não é um camundongo. “Cachorro bonito.” Um brilho de pele chapeada e um grunhido chamou a atenção de Maizie. Seu olhar concentrou-se no grande lobo enquanto ele se estremecia, escondido, preparado para saltar. Os dois se congelaram, sustentando seus olhares. A coisa era enorme, suas grandes orelhas escutando mais que suas palavras. Os olhos azuis a olhavam como se esperasse o momento adequado para atacar ou correr. Um grunhido surdo encheu o espaço entre eles, embora seu rosto permaneceu aparentemente tranquilo e curioso. Sua cabeça baixa, os olhos olhando para cima por debaixo da plataforma de sua frente peluda, fitaram a Maizie curiosamente. “Fora, fora!” Disse, embora ainda era um sussurro. Não tinha sentido alterar ao grande, grande, grande, grande lobo. Inclinou a cabeça, suas orelhas se moveram para frente, e se endireitou. Qualquer medo que houvesse sentido um segundo antes parecia desvanecer-se, a curiosidade audaz tomava seu lugar. O lobo cheirou o ar, movendo seu nariz negro e brilhante. “Vamos, saí.” Maizie fez gestos ao animal para frente, esperando de novo que saísse pela porta aberta. Um bufo duro e um movimento de sua cabeça pareciam uma resposta firme antes que o lobo se aproximasse dela. Maizie retrocedeu vários passos, mantendo a mesma distância. A este ritmo, o lobo a espantaria a sair da casa em vez dela espantá-lo. Era um formoso animal, com hipnóticos olhos azuis e pele grossa prateada.

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Uma divina luz entrou no cérebro de Maizie. “É o grande lobo prateado de minha avó?” O grande animal levantou suas orelhas, a cabeça erguida. “Não é surpreendente que tenha atuado de maneira audaz. Não posso acreditar que seja real. O que esteve fazendo, te alimentando?” Maizie exalou, finalmente, e baixou o atiçador. “Pobrezinho. Provavelmente, a estranhas, né?” O lobo se aproximou mais, com o nariz para fora, cheirando. Ela levantou a mão, o resto de seu corpo ainda firmemente em estado de precaução. O fato de que sua avó tivesse conseguido aproximá-lo suficiente a esta tipo para fazê-la sentir-se cômoda, caminhando em sua casa, não o fazia menos selvagem. “Por favor não morda.” Fôlego quente se apoderou de sua pele, enquanto o animal tomava seu aroma. Então a lambeu. Maizie saltou com a sensação que o lobo lhe deu, e o lobo se assustou. Ela riu, o animal a olhava, escondido, em espera de uma pista de seu próximo movimento. “Sinto muito. Sua língua me fez cócegas.” Não é que ela pensasse que o pudesse compreender, embora era evidente que a avó acreditava que podia. O lobo se ergueu, sobressaltado com o medo, ardendo um frio em seus olhos. Estirou-se para ela e lambeu seus nódulos. Sua língua áspera que massageava sua pele fez que detivesse sua respiração. Aproximou-se. E a lambeu outra vez, a sensação desatou uma onda de calafrio até o braço, derramando-se por todo seu corpo. O grande animal baixou a cabeça e um bufo de ar quente tocou seu joelho seguido por sua língua quente. Farejou-a, lambeu-a agarrando-a debaixo do joelho e pressionando para cima e para a parte inferior de sua coxa. Deus, ela esperava que ele não tivesse fome. A sensação áspera de tensão em sua carne era agradável de uma maneira estranha. Fêlo de novo, esta vez sua larga língua a envolveu ao redor de seu joelho e tomou a covinha sensível detrás. Maizie fôlegou, seu fôlego se estremeceu, não estava segura de se estava sendo provada ou excitada. Exatamente que é o que sua avó lhe tinha ensinado a esta coisa?

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Animado ou faminto, o lobo se aproximou. Maizie lhe escovou a pele sedosa do pescoço e a cabeça enquanto cheirava a prega de seu vestido. Elevou a cabeça, apertando o nariz contra a virilha. Ela se apartou. “Cão mau, quero dizer, lobo. Pelo menos compra primeiro o jantar.” Seu nariz frio deu uma pequena cotovelada no bordo de seu vestido, levantando-o enquanto sua língua se transladava à cara interna de sua coxa. A sensação era uma mescla de vergonha, medo e prazer. As duas primeiras emoções ultrapassaram muito. “Correto. Já basta disso.” Maizie deixou cair o atiçador para empurrar com as duas mãos a cabeça maciça do lobo, tratando de retê-lo e afastar-se, ao mesmo tempo. Mas o lobo seguiu passo a passo, lambendo quanto podia, até que suas costas estavam contra a parede. Apanhada, com sua larga língua que se transladava pela coxa interna, sua pele formigava, com os músculos rígidos. Fechou os olhos, rezando para que não a mordesse. Lambia-a divertidamente para cima, a grande cabeça do lobo levantava seu vestido a seu passo. “OH, merda.” Isto não estava ocorrendo. Que tipo de animal selvagem fazia isto? Com as mãos em punhos, orelhas e grupos de pele grossa ao redor dela tirou a cabeça, tratou de levantar um joelho, empurrando-o do pescoço com toda sua força. Seu entusiasmo para seu gosto se intensificou, seu grande corpo empurrava mais e mais. O que passava por sua mente, fome ou sexo? Não gostava de nenhuma possibilidade. Seu coração martelou contra seu peito, sua respiração era um pouco mais frenética. Seus joelhos tremiam , os cotovelos em posição empurrando a cabeça do animal com cada onça de sua força. Outra lambida trouxe sua língua tão alta em sua coxa interna, que ela fôlegou sem fôlego em um conflito rápido de prazer e desgosto. “Não. Basta, estúpido idiota!” Empurrou-o, embora sua língua saiu como uma flecha de todos os modos, seguindo a dobra de pele entre sua perna e seu sexo. “Foda.”

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Seu nariz frio deu um empurrão contra suas calcinhas e todo o corpo do lobo se estremeceu com um som como um ronronar selvagem, baixo. “Não.” Maizie torceu a perna, em ângulo do talão de seu sapato e o pisoteou. O lobo uivou e saltou longe. Sustentou a pata dianteira na terra, lhe favorecendo. A dor em seus olhos... Quase era humano. O lamento atado atravessou no ventre de Maizie. O Lobo tolo não conhecia nada melhor. “Sinto muito, mas eu não sou esse tipo de garota.” O lobo de cabelo prateado sacudiu a cabeça, e depois das costas até sua cauda. A piscina de água em seus olhos azuis subiu até ela. Ele piscou. Ladrou uma vez, o suficientemente alto para fazê-la estremecer, volteou-se e correu para a porta mosqueteira. “Hey. Espera. Deixe-me ver suas patas pelo menos.” Ela correu atrás dele e quase caiu quando seu sapato ficou apanhado em um montão de trapos, perto da porta. Ela o olhou. Calças destroçadas, uma camisa, inclusive um par de sapatos que se sobressaíam por debaixo da sujeira. “Por que sapatos?” Maizie se manteve imóvel. Imaginaria depois. Mais à frente do pátio de tijolo, do comilão e a rota automática da trajetória através do jardim de flores da avó, em um espaço de uns cinco metros que separavam o pátio traseiro dos hectares do bosque. Maizie se deteve no bordo de madeiras escuras. Não havia rastro do curioso lobo. Ela tinha jogado nestes bosques a maior parte de sua vida, conhecia-o como seu próprio dormitório, embora ela nunca, em todos seus anos, seguiu o caminho até o fim. O sujo caminho de terra como uma ferida e curvas de vários quilômetros pelo bosque, ramificavam-se nas seções cruciais para levar de uma maneira ou outra. Em uma só direção o estreito atalho conduzia às minas de carvão local, com construções de tipo industrial, e o zumbido das máquinas e ruídos de caminhões dia e noite. Outra seção muito profunda no bosque se ramificava para o lugar de caça. Mais à frente, outro levava a um lago cristalino claro ao que se espalhavam rumores que os adolescentes iam nadar. Mas o caminho principal era através da borda em um lado longínquo do bosque.

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Não tinha percorrido esse caminho em anos. A formosa construção de moradias conduzia a seu antigo bairro. Onde tinha vivido antes do acidente, antes que seu mundo tivesse trocado. Sua avozinha lhe tinha proibido que vagasse no profundo do bosque, assustando-a a sua obediência com contos viciosos, lobos famintos. Mas ela não necessitava as advertências da avó para obedecer. Só tinha lembranças dolorosas do outro extremo da rota coberta de vegetação. Uma vida perfeita arrancada em uma noite chuvosa por uma besta. Ela não tinha vontades de caminhar penosamente através dessas lembranças. Além disso, era mais provável que o grande lobo prateado da avó se houvesse dirigido de novo a caçar. Supunha-se que houvesse cercas para manter os animais e preservar aos seres humanos. Se o lobo era parte da reserva, provavelmente houve um problema com as cercas. Depois o comprovaria, talvez encontraria ao aterrador lobo de prata e o buraco que tinha feito para sair. Maizie caminhou. Três passos, e a espessa folhagem tragou a última piscada de luz. Um azul-negro frio era o único sinal de que a plena noite ainda não tinha cansado. Ela seguiu caminhando, encontrou o caminho quase por reflexo. Estes bosques eram sua casa para ela, não importava no urbanizado que se converteu. Em questão de segundos o pátio traseiro da Avó desapareceu de sua vista e se afundou no bosque a seu redor. Ela seguiu caminhando. Passaram os minutos, cinco, doze, antes de encontrar os débeis restos do antigo caminho. À Reserva de caça. Com seu primeiro passo fora do caminho principal, tremeram seus dedos, e a atravessou um invisível arrepio em suas costas. Seus instintos tremiam. Ela não estava sozinha. Seu ventre revoava, os músculos de suas pernas tremiam desejosos de correr. Ela seguiu caminhando, explorando o bosque a cada lado. O alto pavilhão de árvores mantinha a escova baixa. Podia ver certa distância, embora a diminuição da luz fazia que fora cada vez mais difícil. Entre as árvores, o céu e as baixas colinas, a espessura ímpar de matas, de sarças e vegetação ao comprido de árvores cansadas, havia muitos lugares para esconder-se. Lutou com seu instinto e Maizie se deteve. Alguém estava perto. Podia senti-lo. Era o lobo ou algo pior? Seu pulso se acelerou, pôs seus punhos a seus flancos. Nunca tinha tido

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medo destes bosques antes. Mas por outro lado nunca havia vagado tão profundo. Os cabelos em sua nuca arrepiaram-se, seu ventre se estremeceu. Ela entrecerrou os olhos, tratando de ver com claridade. Um brilho de movimento na esquina os fez abrir. Maizie rompeu sua atenção a sua esquerda. Não havia nada. Outro movimento um pouco mais à direita. Olhou, mas só foi um meio segundo muito tarde. Uma vez mais, a vários metros do mais profundo, algo agitava os ramos baixos de um arbusto. Não viu o que era. E então ela conseguiu ver. Pele marrom, um tom mais claro que a sujeira. Ela olhou, tratou de reduzir sua visão em um pedaço de sarças onde acreditava que se tinha escondido. Grunhidos retumbavam com o passar do chão do bosque, vibrando através de seu peito. O som enviou um arrepiou através de suas veias. A escuridão estava caindo rapidamente. Não podia ver nada com claridade e as sombras eram cada vez mais grosas, fechando-se dentro. O estrondo baixo a rodeava, trocou o tom, alterando a cadência até que foi menos que um grunhido e mais como um gemido... A curiosidade e a carreira rápida de adrenalina substituíram o medo, empurrando-a para frente. Um estalo se ecoou nas árvores, acompanhado por um estranho som, que soou mais como um úmido chapinho, mais suave, mas estava ali. Os sons provinham diante dela, ao outro lado de um grupo de troncos de árvores, estava muito desconjurado para ignorá-lo. Aproximou-se cautelosa, pisando brandamente. Suas mãos mais perto dos troncos das árvores, Maizie olhou ao redor e tudo o que tinha estado escutando fez sentido, e de uma vez não o fez. Ali mesmo, no meio do denso bosque estava um homem, talvez de cinquenta anos, ajoelhado, nu, com o rosto tenso pelo esforço. Os músculos se definiam através de seu ventre plano, suas coxas grossas superiores se flexionavam, apertando suas mãos nos quadris de uma mulher impressionante. Os quadris do homem se sacudiam em um duro ritmo constante, com as pernas golpeando contra o rabo da mulher em quatro patas frente a ele, conduzindo a seu sexo profundamente repetidas vezes. Maizie estava de pé, hipnotizada, olhando aos dois perdidos nas sensações de seus corpos. A mulher separou seu comprido cabelo loiro de seu pescoço, deixando ao descoberto a

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fina linha de suas costas. Tinha os olhos fechados, seu corpo balançando-se, conduzindo-se a si mesma com mais força, mais rápido contra o pau de seu amante. A mulher separou seus joelhos mais amplamente, tomando mais do pau duro em seu corpo. Maizie vislumbrou o eixo do homem, brilhante, cada vez que se retirava. Seus poderosos músculos tensos pelo rabo, firme e redondo, empurrando-se a si mesmo tão duro no corpo flexível de seu amante se sacudiam bruscamente com o impacto. O som do sexo troou nos ouvidos de Maizie, seu corpo repentinamente se esquentou, seus músculos baixos em seu interior se molharam, flexionando-se com uma necessidade crescente. Ela devia olhar para outro lado. Dando-lhes privacidade. Mas no instante em que tomou sua decisão, o homem olhou por cima de seu ombro para ela. Maizie fôlegou, surpreendida de que tivesse sabido que estava ali, envergonhada por ter sido surpreendida lhes olhando, e horrorizada pela força do impulso de unir-se a eles que se apoderou dela. Conteve a respiração, esperando que gritassem, ou que amaldiçoasse por sua grosseria. O som de seu coração era tão forte em seus ouvidos que não podia ouvir o estalo de sua carne. Um estranho sorriso tremeu na comissura da boca do homem. Lambendo os lábios, moveu a cabeça em uma fração de polegada e um brilho de cor no pescoço lhe chamou a atenção. Havia algo ali, vermelho e volumoso. Maizie se concentrou, lutando contra a distração de fazer o amor. Tomou um momento, mas finalmente se deu conta do que teria rasgado sua carne. Algo o havia mordido. O sangue se secou ao redor da ferida, formando crostas em a escuridão, partes quase negras e ao final um fluxo desordenado ao longo de seu peito. A carne crua e o sangue brilhavam na tênue luz da lua, mas parecia como se a ferida estivesse curada. Por certo, não o tinha detido de agradar suas necessidades carnais com a mulher. A posição do homem mudou, chamando a atenção de Maizie no momento exato em que, sem deixar de olhá-la, deixou cair a mão. Ela podia ver seu pau perfeitamente agora, úmido e duro que conduzia dentro e fora da mulher. Os sons do sexo se ecoaram em sua cabeça. Maizie tragou a bola de espessura de luxúria em sua garganta, sua cara quente, as coxas úmidas, seu sexo vibrando de necessidade. Um grito repentino entrou através da névoa

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brumosa de seu cérebro. Os movimentos rítmicos da mulher se converteram em frenéticos e desumanos pela necessidade. Seu rabo se esticou, os dedos se encrespavam, enviando-os ao redor dos tornozelos de seu amante, trabalhando seus corpos juntos, enquanto ela montava seu orgasmo. Ele conduzia um ritmo contrário, que trabalha seu corpo com o dela, empurrando-se a si mesmo pelo bordo do orgasmo em um segundo depois. Maizie se apartou, sentindo que o tempo para fugir, rapidamente lhe escapava. Seu calcanhar ficou apanhado contra uma raiz exposta e tropeçou, de repente a atenção da mulher estava nela. Não havia indícios de um sorriso nela. “Que caralho?” Maizie correu porque tinha sido surpreendido observando um momento privado, o olhar da mulher era surpreso e assassino, porque alguma parte de Maizie ainda queria encontrar uma maneira de unir-se a eles. Correu. E a perseguiram. Maizie conhecia o caminho, inclusive em um pânico cego podia encontrar seu caminho de retorno à casa de sua avozinha. Mas estava tão longe de casa e o som de pisadas detrás dela, estavam cada vez mais perto. Na parte posterior de sua cabeça, escutava cada passo, cada passo comprido e, depois os passos trocaram, o ritmo se duplicou, aliviado. Ela olhou por cima do ombro e se deu conta de que o casal não estava perseguindo-a. Era um lobo. Este não era o lobo da casa da avozinha. Era outro lobo que devia haver escapado da Reserva. Deus, Quantos deles havia aqui? Seu poderoso corpo comprido adquiriu velocidade, a pele marrom se inclinou com o balanço loiro sobre seus músculos. Em uma falta de definição a passou, girou e o bloqueou o caminho. Moveu-se com tanta rapidez, que Maizie não havia tido tempo de trocar de rumo. Deslizou-se e parou, olhando a boca tremente do lobo grunhindo. “Tranquilo, moço” disse, embora sua voz fosse muito fraca para compreender-se. “Deixe-me passar. Vou estar fora de seu bosque em poucos minutos. Bom, menino. Bom… menino.” Os grunhidos do lobo se fizeram mais fortes. Maizie se deu conta de que não era um macho. Era fêmea. O lobo se aproximou e tudo dentro do Maizie gritou lhe pedindo para correr.

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Ela não o fez, apesar de que não havia nem um ápice de carinho entre ela e o peludo de quatro patas e presas. Maizie sabia o suficiente para não correr e disparar seu instinto de perseguição. Ela se manteve firme, o medo dava passo ao ressentimento, à ira. Ela não tinha uma arma e não podia deixá-lo atrás. Se a besta decidia que queria sua morte, não havia nada que pudesse fazer a respeito, ao igual a seus pais. Ela tinha tido suficiente. “Bem. Seja o que seja, me mate ou me deixe sozinha. Já hei tido suficiente com os lobos inquietantes em meus sonhos, rondando minha vida. Acaba de uma vez já.” Era um animal. Ela sabia que não podia entender, mas, entretanto, retrocedeu. E então se ouviu. Um uivo longínquo. Chamava-a outro lobo. Depois de um bufo duro, seu perseguidor se voltou e se lançou de novo por onde havia vindo. Maizie nem sequer fez uma pausa para pensar nisso. Ela só se voltou e correu para casa.

***** Seu corpo se estirou e contornou, atirando dos músculos e a pele, reformando os ossos. A mudança foi dolorosa, como o inferno, mas lhe fez saber que estava vivo. Gray permaneceu durante vários segundos olhando através das agulhas verdes dos pinheiros. Por cima estava a tinta negra do céu da noite, a lua logo que era uma fresta de cor amarela, havia poucas estrelas as suficientes para as contar. Velhas agulhas de cor marrom e em decomposição, almofadas debaixo dele. Respirou fundo, tomando o ar em seus pulmões, lavando seu aroma. Deus, que ainda podia saborear doce e salgado! O aroma de sua buceta tão desesperador, seu pau tinha passado de lobo a homem, sem perder a ereção dura como uma rocha por um segundo. Maizie. O que havia nela que lhe fez perder o controle? Diabos, não podia recordar a última vez que uma mulher havia lhe feito sentir um maldito calor, a parede retrátil entre os assentos em sua limusine constituía privacidade suficiente para apagar o fogo. Mas nunca tinha tido este tipo de necessidade enlouquecida, por isso inclusive a besta nele desejava seu aroma, seu sabor.

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Não podia acreditar o que tinha pensado em fazer esta noite, o que quase havia feito. Como um lobo, algumas coisas se complicavam mais, quase impossíveis de entender, e outras coisas se cristalizaram com a nitidez do branco e negro. Ela era a fêmea do seu macho. Cheirava a ela, o almíscar doce de seu sexo. Provou-o. Queria a ela. Não havia nada mais que importasse. Dois segundos mais e ele a teria tido de joelhos, fodendo-a pelas costas, seu formoso pau em sua buceta suculenta. Gray se lambeu os lábios, provou a indireta dela ali. Ele queria mais. Como um lobo, sua língua era tão larga que a poderia ter fodido com ela. Quase o fez. Sacudiu a cabeça, tratou de fazer desaparecer o pensamento e só então notou que sua mão acariciava o eixo duro de seu pau. Foda estava perdendo sua mente. Gray não sabia quanto tempo tinha estado ali, trinta minutos, uma hora. Quem sabe? Pensar em Maizie era tão relaxante e o excitava, mas já era hora de voltar à realidade. Empurrou seus pés e se dirigiu para o bordo do bosque, seu pau ricocheteando, virtualmente assinalando o caminho. Esta coisa com o Maizie assustava o inferno fora dele e ainda assim queria fazê-lo. Ele não era um maldito animal. Podia controlar a si mesmo, escolher o momento para ceder às exigências carnais e quando não. Infelizmente, se não se dava em breve, corria o risco de fazer algo realmente estúpido como foder à primeira mulher que lhe oferecesse. “Mmmm, Necessita ajuda com isso?” Sua cunhada, o precisamente `realmente estúpido´ que lhe preocupava. Ela descansava nua na cadeira do pátio, olhando a seu pau ricocheteando. Estirou uma de suas pernas, dobrou a outra e a deixou cair ao lado para que pudesse ver o brilho úmido de seu sexo. “Se vista, Lynn!” Possivelmente não sabia quanto tempo tinha permanecido debaixo das árvores pensando em Maizie. Mas ele sabia que tinha passado ao menos uma hora desde que a tinha chamado para que voltasse de sua corrida solitária. Que demônios tinha estado fazendo por aí, tão tarde por sua própria conta, de todas as formas? Seu cérebro humano lhe disse que não era de sua incumbência, mas nele o alfa grunhiu, querendo saber o que acontecia com os membros de sua manada. Empurrou o impulso autoritário de seus pensamentos. Gray pisoteou até os degraus de pedra no pátio, olhando por cima de seu corpo esbelto, era um homem depois de tudo e quente como o inferno. Se via malditamente boa também, com

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peitos altos e firmes, cintura pequena e uma suave curva nos quadris de mulher. Era morena, apesar do cabelo loiro avermelhado que se encrespava sobre seus ombros. Sua pequena buceta não mentia. “Não até que me diga por que está jogando de gato e rato com um pedaço humano quando tem este agradável rabo que te espera.” Agarrou-o pelo pulso, atirando a mão dele até seu peito. Arqueou-se em sua palma, seu duro mamilo apareceu entre os dedos. A fragrância de flores fortes de seu perfume enchia seu nariz de modo que não podia cheirar nada mais. Apertou seus dedos antes que pudesse deter-se, e sentiu sua carne amoldando-se em sua mão. Seus dedos espremeram o mamilo, a sensação enviou uma descarga rápida através das veias de seu pau. Autorrepugnância rodou sobre ele como o chumbo frio e se afastou. “Você é a irmã da minha mulher. Nunca vai acontecer. O aceita e vista-se.” “Sua esposa morta, quererá dizer. É da manada, Gray. Não és humano. Suas regras morais não se aplicam a nós.” Girou seus quadris, movendo os pés ao chão e se levantou. Deu um passo ao lado dele, pressionando seu corpo nu a seu lado para que seu braço estivesse situado entre seus peitos suaves, apertando seu ventre e seus dedos pelo cabelo úmido de seu sexo. “Antes que Donna te transformasse, disse-te o que fomos, no que te havia convertido. Você sabia que seu companheiro seria nosso alfa. Sabia o que queria dizer, o que significa ainda.” Gray deixou cair à cabeça para diante, odiando quanto gostava da sensação de suas curvas femininas em seu contato. Tinha passado muito tempo. Muito tempo. Seus dedos dobrados acariciavam através de seus cabelos sem dar-se conta do que tinha feito. Ela empurrou os quadris para diante, o deu acesso livre. “Eu sei o que significa” disse. Os lábios de sua buceta estavam inchados, úmidos, como se acabasse de manter relações sexuais. Sabia que não havia o jogo. Lynn não tinha um companheiro, já que lhe tinha negado sua permissão para converter ao pai de seus filhos. Só por essa razão estaria

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encarregado de satisfazer suas necessidades, sendo o alfa estava obrigado. Apertou um dedo entre seus lábios exteriores, onde encontrava em seus clitóris inflamado. A mão do Lynn apertava o antebraço, tinha-o com ela, ela bombeou seus quadris. Seu dedo estava empapado em segundos, entrando e saindo de sua buceta tão fácil, acrescentou outro, logo outro. Lynn jogou atrás a cabeça. “Sim. OH, Deus. Não te detenha. Por favor, Gray... só... não te detenha.” Deslizou seu braço sob o seu, sobre o estômago apertando seu pau duro, seus giros selvagens fazendo-a ricochetear ainda mais. Sua mão o espremeu, acariciando a sensível carne. Sentia-se bem. Muito bom. Maldita seja. Agarrou sua mão sobre seu pau. Ainda sustentando-a. Ela faria que ele gozasse. Ao diabo com o código da manada, as obrigações de cargo, ele não queria isso. Não podia permitir que a irmã de seu defunta esposa, o fizesse. O pouco que tinha para o Lynn era compaixão, culpa, não desejo. A próxima vez que encontrasse um casal adequado, humano ou de outro modo, ele não a pararia. Isso dizia sua metade humana, sua metade lobo não estava tão segura. “Foda-me!” Ela se apertou contra ele, e Gray empurrou seus dedos profundamente nela, manteve-os ali, sentindo a suave compressão das paredes úmidas e a liberação com seu orgasmo. Esperou que seu domínio sobre seu braço se relaxasse, então ele se afastou. “Mmmm. Seguirá fazendo-o depois de que tenha provado a sua pequena cadela?” Lhe apertou a mão ao redor de seus dedos molhados, acariciando como se tivesse tratado de esfregar seu pau, com sua nata lubrificante. Seu pau tremeu, uma gota saiu de sua ponta. Apertou a mandíbula. Resolvido. “Não. Encontra um companheiro, Lynn. É o momento.” “Fiz. Não me deixou estar com ele.” Ela virtualmente atirou de sua mão, sua voz, um assobio maligno. “Estava casado. Ainda está casado. Jogou-lhe antes que os gêmeos nascessem e ele nunca deixou a sua mulher.”

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“Shawn a teria deixado por mim. Não tivesse tido uma opção se o houvesse transformado.” “Isso é o que queria? Tirar-lhe todas as demais opções? Ele estava enganando a sua esposa, Lynn. Ele teria te enganado.” Gray tomou seu rosto. Ela tratou de apartar-se mas a enganchou pela cintura. Seus ventres juntos, seu pau, finalmente se abrandando contra ela. “Quero que seja feliz” disse. “Você e os meninos merecem a um bom homem. Alguém de quem sua mamãe não tenha que preocupar-se. Como minha irmã é o menos que posso esperar. E como sou seu alfa é o menos que posso exigir.” Ela soprou e empurrou seu abraço. “Shelly e Ricky têm 29 anos. Eles sabem quem é seu pai e não o necessitam. Mamãe quer que seu alfa seja parte de nós, como deve ser. Se não sermos você e eu, então vou encontrar a um homem que lute por mim, e a manada. Recorda minhas palavras, Gray, perderá a todos.”

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Capítulo 4 O lago da mina era como a água de uma banheira quente. Maizie se deslizou mais fundo, desfrutando da sensação sedosa da água que abraçava ao redor de suas coxas, molhando os cachos vermelhos entre suas pernas. Não, espera. Não era correto. O lago da mina nunca era quente e em suas coxas parecia absolutamente fabuloso. Ah. Sonhando satisfeita, o subconsciente do Maizie tomou o controle. Cuidando de não escorregar-se nas pedras debaixo da água azul esverdeada, Maizie deu um passeio mais e mais até que ela estava seca de seus peitos para acima. Os cabelos finos na parte posterior de seu pescoço formigaram. Ela se deteve, explorou a parede alta da mina em um lado, a praia e os bosques mais à frente. Um vento fresco percorreu o lago, levando os perfumes do bosque, e algo mais. Houve um doce aroma, mas não da natureza. Foi definitivamente masculino, como colônia de homem só mais terrestre, mais rico, mas nada que ela tenha cheirado alguma vez de uma garrafa. Calafrio cobriu sua pele, e Maizie cruzou os braços sobre seus peitos nus lutando contra o esfriamento. Seus mamilos franzidos sentiram comichão com o roce de sua própria pele, mas empurrou a sensação de seus pensamentos. Alguém estava ali, escondido entre as árvores cansadas e as sombras. Podia senti-lo em seus ossos. Maizie entortou os olhos com os olhos, procurando a forma estranha ou desconjurada. Não foi nada. Não havia ninguém à vista. Ela estava ficando paranóica. Voltou-se para desfrutar de seu banho, esquecendo sua preocupação. Abriu os braços assim quando os joelhos se dobraram, ondas diminutas embalaram seus mamilos. O ar deixou seus peitos maravilhosamente frios. A emoção de seu banho tinha a seu corpo inteiro cantarolando com entusiasmo proibido. Dedos invisíveis repicavam por suas costas de novo. Maldita seja! Alguém estava olhando. Podia sentir sua atenção enfocada como mãos provando seu corpo. Maizie voltou o queixo a seu ombro, olhando de novo no bosque.

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Nada tinha trocado, não havia rastro de ninguém, mas ele estava ali. Estava segura nesse momento. Ele a tinha visto despir-se e meter-se na água. Ele estava olhando agora, seguro, arrogante, sabendo que não o tinha visto. “Provavelmente tem seu pau na mão direita agora, masturbando-se.” Deu as costas ao voyerista enlouquecedor e mergulhou na água. As correntes deram massagem a seu corpo nu enquanto nadava, revoando sobre seus peitos, o aquecimento entre as coxas. Chegou à superfície e nadou até o outro lado, onde a praia era de três pés de rochas dentadas e logo uma parede de pedra calcária de cinco pisos. Maizie olhou para o outro lado onde o bosque bordeava a praia e seu vestido e roupa interior estavam pendurados por um tronco torcido. Ele ainda estava ali, em alguma parte. Inclusive a esta distância o sentia olhando. Um sorriso apareceu no canto de sua boca. Por que estava sorrindo? Pode ser qualquer um, violador, um psicopata, um coletor de impostos. Ela deveria estar assustada, alarmada, ou pensando nos ganhos. Mas não o estava. Em seu sonho, Maizie foi valente e estava quente. Ela estava tão acesa que podia sentir os sucos de sua buceta quente como nata liquida inclusive sob a água. Gostava de ser vista... por ele. Quem sabe? Ele. Sabia quem era? Sim. Deu-se conta ela, mas seu subconsciente não o dizia. Maizie se mergulhou de volta sob a água, nadando na medida em que seus pulmões o permitiam. Quando chegou de novo estava o suficientemente perto de tocar o fundo e subir o pendente gradual para o bordo. A água ficava menos profunda com cada passo, Maizie sacudiu seus quadris mais sensualmente para um lento revelar. Com ambas as mãos alisou a água do rosto, sobre a testa e pelo cabelo. Se seu admirador secreto queria um show, lhe daria um. Dirigiu-se ao tronco torcido, mas teve uma melhor ideia quando se deu conta da grande pedra além de três metros, inclinada em um ângulo suave. Era largo e plano, um cenário perfeito. A água fazia cócegas debaixo dela detrás de seu cabelo, por cima de seu rabo, correndo entre suas pernas. Maizie mordeu seu lábio em um sorriso, seus músculos apertados, peitos pesados, ar fresco sobre sua pele. Não havia maneira sexy para subir à rocha, mas se arrumou com uma

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quantidade mínima de vergonha. Estirou-se, levantando seu cabelo comprido molhado, este soprou ventilando para fora em cima de sua cabeça quando ela se estendeu abaixo. Um rangido de folhas, o estalo de galhos, seu olheiro se movia ao redor por um melhor ângulo. Bom. Esta vez a fez sorrir. Maizie fechou os olhos, abriu-se à sensação de seu olhar, tocando-se onde as mãos dele não podiam alcançar. A rocha estava quente contra suas costas, o sol lutando contra a frieza de uma brisa sobre as gotas de água sobre seu peito e seu ventre. Esfregou as mãos sobre elas, estendendo a água, ajudando ao sol a secar seu corpo. Sua pele se estremeceu sob seu toque, seus peitos doíam pelo estímulo, os mamilos duros e erguidos. Seu ventre apertado com a sensação de seu olhar fixo sobre ela, seus músculos sexuais pulsavam, seu corpo molhado e preparado. Esfregou a mão sobre suas costelas, que deslisaram até cavar um peito em sua palma. Suas costas se arquearam. Ela imaginou que eram suas mãos, seus dedos que beliscavam seu mamilo sensível. Maizie deslisou sua mão livre sob seu ventre, fingindo que eles eram seus dedos que baixavam através dos grossos cachos vermelhos de seu monte de Vênus, acariciando parte dos lábios maiores, jogando com seu clitóris inchado. Ela gemeu com o toque, o pensamento, sua abertura sexual, ansiando por estar cheia. Seus dois dedos se deslizaram entre seus lábios interiores, que empurravam em seu sexo sua palma pressionada contra seus clitóris sensível. Sensações zumbiam através de seu corpo, seu sexo apertando os músculos, alisando os movimentos rítmicos. Conteve a respiração, a construção de uma suave pressão que brotava de seu centro. Imaginava, junto a ela, sobre ela, seus dedos entrando e saindo de seu sexo, seu olhar se centrou em vê-la responder a seu contato. Endureceu-se à vista de seu prazer, desejavao, mas querendo olhar também. Ondas de calor líquido formigavam em sua pele como se ela pudesse sentir seu fôlego. Abatendo-se sobre ela, quase a beijando, mas não. Ela inclinou seus joelhos, com as pernas abertas, querendo-o ali dentro dela. Maizie se retorcia contra a rocha dura, esquecendo-se de seu público, perdeu-se no redemoinho rápido da sensação em seu interior. Ela mordeu seu lábio, concentrou-se na pressão deliciosa, a liberação a só uns poucos segundos de distância. Ela levantou os quadris, os dedos, o bombeamento de seu sexo, conduzindo seu orgasmo mais perto, mais rápido. Quase ali.

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Algo se moveu ao lado da rocha. Maizie queria olhar, mas não o fez. Não podia perder este sentimento, esta sorte que vinha. Ela apertou os dentes. Só outro segundo, então ela olharia. Sua mão manteve o ritmo, seu sexo tão molhado, suas coxas sentiram o frio da brisa. Um assobio de movimento, o estalo de garras ao longo da rocha plaina, seu público tinha chegado a ela. Gray. Ele estava ali, junto a ela. Abriu os olhos, só uma fresta, tomou um flash de pele de prata e logo se foi. Maizie inclinou a cabeça para trás, tão perto da liberação, conteve seu fôlego. Uma mão apertou por cima do joelho. Não uma pata, uma mão, a mão do Gray, distraiu-a o suficiente para levar seu orgasmo de novo a um nível mais baixo, a reconstruir-se, o qual o fazia mais intenso, mais inegável. Uma segunda mão se apertou contra sua outra perna, massageando, até as coxas. Ela não deixou de masturbar-se. Ele olhava, justo como ela se imaginou. Seu peito apertado, a necessidade zumbia sob sua pele. Quentes lábios pressionaram um beijo em sua coxa interior, a mão roçando a barba em sua bochecha. Um comichão quente se precipitou através de seu corpo desde seu lugar, deixando um rastro quente de seus lábios em sua mente. A língua firme do Gray riscou a carne em sua perna onde encontrou seu sexo, suas coxas tremiam com a sensação, logo a mordeu ali. Só um dentada, mas a fez saltar e enviou uma sacudida de agudo prazer ricocheteando a través de seu corpo. Ela fôlegou sem fôlego, a cabeça atrás, os olhos fechados. “Sim.” Ela levantou os quadris da rocha e sentiu o cabelo sedoso do Gray roçar sua coxa quando ele se inclinou e moveu a língua sobre sua buceta. Maizie aspirou seu fôlego, a sensação que triplicava a intensidade em sua buceta. Então o fez de novo, esta vez empurrando na abertura. “Sim.” Sua língua apertou outra vez, bastante firme para estender os músculos apertados, mas uma vez, suave e bastante úmido para não fazer mal. Seu fôlego pego em seu peito, músculos pressionados, enrolados, a sensação de foder... foder... e logo justo sua liberação aumentou por cima de sua moderação e cada terminação nervosa de seu corpo tremeu a seu passo.

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Gray permaneceu ali jogando com a abertura virginal enquanto seus dedos bombeavam seu sexo, sua mão acariciando seus clitóris. Seu corpo pressionou a seu ao redor, pedindo por mais. Estava empapada, com nata de coxa a coxa, e ela ia gozar. Gozar de verdade. Conteve a respiração. Sim. Gray. Sim. “Alguém bate na porta” disse Gray com sua voz mais sexy e atraente, entre suas coxas. “Alguém em casa? Olá?” A voz não era atrativa e soava mais longe. Maizie abriu os olhos. Explorou a habitação. Sua habitação. Na cabana da sua avó. Olhou para baixo, a correia larga de sua camisola tinha sido empurrada por debaixo de seus peitos, suas mãos estavam em suas calcinhas, os joelhos abertos de par em par, as cobertas em um enredo ao redor de seus pés. “De novo.” Ela deixou cair à cabeça no travesseiro. O orgasmo mais alucinante do mundo se foi. “Este dia já fede e nem sequer me hei levantado da cama ainda.” “Olá? Última oportunidade. Alguém em casa.” Maizie deslizou na cama. Era a voz de um homem. Vindo do interior da casa. Ela deixou seus pés livres dos lençóis e se apressou para a porta de seu dormitório, endireitando sua camisola, agarrando sua bata. Golpeando a escada, colocou os braços nas mangas. Algum ocupante ilegal que tinha encontrado a chave habilmente escondida de avó, um dependente, um ladrão - um ou outro? Dava no mesmo. Então, Nelly não escolheu a casa errada para entrar e destruir. Bem, entre. Não havia fúria, como a de uma mulher sexualmente frustrada. A primeira vez que estava passando a noite na cabana em meses e surpreende a alguém se aproveitando da confiança da av. A porta principal estava aberta. Maizie correu os últimos passos e agarrou a quina da parede para ajudar-se a balançar a si mesma na cozinha. Alcançou através do mostrador, enganchou uma das facas da mesa de madeira e se dirigiu para a sala de estar. “Hey. Que diabos acredita que está fazendo?” Apoiou a faca em seu ombro, seu peso em um quadril.

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Sim, ela não o assassinaria. Ela não tinha essa intenção. Mas ele não sabia. O homem, alto, provavelmente com 1,80 m, deu a volta para encará-la através da soleira da sala de estar. Ele era velho, ao redor de uns quarenta e cinco anos, cabelo negro grisalho. Era gordinho, mas muito elegante com seu traje negro carvão, camisa azul pálido e gravata combinando. “OH. Perdão. Não pensei que alguém estivesse em casa.” Seus olhos castanhos passeando por seu corpo, detendo-se muito tempo em seus peitos. Um sorriso torcido floresceu em seu rosto bem barbeado. “Você deve ser Maizie.” Havia um olhar de lado, um tom lascivo em sua voz, que fez que um calafrio assentasse-se na base de sua coluna vertebral. Maizie se endireitou, de repente sentiu-se vulnerável apesar da faca de seis polegadas na mão. Juntou os cantos de sua bata, que manteve fechado antes de deixar a faca para atar o cinturão. “Você entrou ilegalmente” ela disse. “Já chamei à polícia.” Grande ideia, lástima que não tivesse pensado nisso, antes que corresse meio vestida para espantar aos criminosos. Uf. Seu cérebro estava obcecado, frustrado. “De verdade? Que torpe. Você sabe, eu estou aqui a pedido de sua avó.” Entrou na sala. “Não te aproxime.” Maizie sustentava a faca com ambas as mãos. O homem se deteve imediatamente, seu sorriso arrogante se derreteu junto com a cor em sua pele. Levantou suas mãos em sinal de rendição. “Se tranquilize, Maizie. Relaxe. Já disse. Sou amigo de Ester. Chame-a. E comprove-o.” “Sim, claro. Como sei que não é um assassino em série que quer me cortar em pedacinhos logo que dê a volta para utilizar o telefone?” Seu sorriso se voltou menos arrogante. “Bom, você esta agitando a faca de um açougueiro. E este não é um traje para cortar as pessoas”. Muito bem, bom ponto. A maioria dos assassinos em série, provavelmente não usariam Versace no trabalho. Reconheceu o estilo. “Quem é? Vovó não mencionou que alguém viria. Acabei de vê-la ontem.” Ele deixou cair seu olhar, apartou-o por um momento, depois de volta, seus olhos tristes.

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“Ester nem sempre recorda as coisas com claridade. Estou seguro de que o haveria dito, mas, já sabe.” Merda. Sabia exatamente o que queria dizer. Seu sorriso era cálido. Tinha um bonito sorriso que iluminava seus olhos e aguçava a redondeza de sua mandíbula. Atraente, em um rígido, tipo de negócios, com um nariz fino, sobrancelhas espessas e cabelo curto, ondulado, justo por cima do pescoço. “Meu nome é Anthony. Anthony Cadwick.” Estendeu uma mão para ela, muito lentamente. “Eu não mordo e só corto em pedacinhos a pessoas em sentido figurado.” Bem, agora se sentia um pouco estúpida sustentando a faca como uma tocha pronta para cortar uma extremidade. Ela a baixou a seu lado, depois a pôs na mesa ao lado da porta. “Olá, Tony. Sou Maizie, a neta louca.” “É, ummm, Anthony, em realidade. Prazer em conhecê-lo. Sua avó fala de ti frequentemente.” Deu um passo adiante. Estreitaram-se a mão. Sua pele era suave e cálida, seu apertão foi fraco como se lhe preocupasse que lhe fizesse mal. Gostava disso. “Anthony. Perdão. Bonito traje.” “Igual a você.” Seu olhar se deixou cair à bata aberta e às pernas nuas, acima dos joelhos. “Eu a despertei?” Maizie atou a bata, fez um nó. Tirou-se uma mecha de cabelo do rosto, a outra mão sustentando seu pescoço. “Em realidade, você interrompeu um sonho muito bom.” “Mm, sinto muito. Ester disse que vivia na cidade. Não pensei que alguém estivesse aqui.” Ele olhou seu relógio. “É tarde, alguém tem um grande horário de trabalho.” “Detive-me brevemente ontem à noite para verificar as coisas. Tomei um passeio nos bosques. Fez-se bastante tarde, então só fiquei. O lugar é mais consolador do que lembrava. Em particular a fauna.” “Umm”… “Espera. Que hora disse?” Olhou o relógio de novo. “Agora. Doze e vinte e cinco.”

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“OH, merda. Não tenho tempo nem para tomar banho.” Ela deu a volta e se dirigiu às escadas. “Uh, escuta, tenho que estar no trabalho, agora, assim se pode me desculpar... Fecha a porta ao sair. Obrigado.” Já tinha subido quando escutou que ele começava a subir as escadas. “Em realidade, não é uma circunstância muito favorável. Chegar tarde ao trabalho apesar da circunstância”. Deteve-se e se inclinou sobre o corrimão. “Bom, estava confundida. Tenho que trocar de roupa e arrastar meu traseiro. Tem que partir.” “Mas estive desejando falar com você. Trata-se de sua avó. Realmente estou bastante preocupado.” “Sim?” Possivelmente é algo na água. Ela não tinha tempo para isto. Maizie deu seus dois últimos passos e correu a sua habitação. Fechou a porta e girou a fechadura de cheapy. Melhor que nada. Talvez ele visse a porta fechada e captaria a indireta. Maizie atirou de sua túnica e arrancou sua pequena camisola sobre sua cabeça. Seu olhar se posou em seu vestido do verão de ontem. Não só ela o tinha levado para trabalhar o anterior dia, mas a fuga do lobo enfurecido tinha deixado um rasgão comprido desagradável na prega. Tinha que haver algo melhor. Ela foi ao armário. Possivelmente alguma roupa velha sua, estava guardada aí dentro. Começou a cavar e se deu conta de que seu armário velho tinha chegado a ser aparentemente o lugar onde os casacos antiquados se guardavam. “Sabe... Maizie?” Sheezz, o tipo não poderia captar uma indireta. Ou uma singela ordem. Ela pôs os olhos em branco e seguiu procurando através do plástico de objetos de vestir. “Sim?” “OH. Uh, sua avó se preocupa muito por ti. Fala de ti todo o tempo.” “É certo?” Bingo. Entre uma jaqueta marrom de lã e o casaco de inverno com excesso de cheiro, ela encontrou uma saia vaqueira envolta e velha. “Meu Deus, estas coisas nunca foram do estilo de sua avó”. “O que é isso?” A voz do Anthony soou mais forte, quando se apoiou contra a porta. Ele a escutava trocar-se de roupa. Horripilante.

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“Nada. Assim, você dizia que minha avó fala com você a respeito de mim?” Se ela falava muito, sabia que ele não escutaria que estava nua. “Sim. Sim, ela o faz todo o tempo.” Maizie pôs os olhos em branco de novo. Necessitava algo para cobrir-se. Tinha chegado ao final do armário e não havia encontrado nada, Que ia fazer? Voltou-se e correu pela habitação onde jazia sua velha cômoda. Gaveta... lixo, jogo de cartas, canetas, borrachas elásticas. Empurrou. Seguinte gaveta... livros. “Eu não acredito que haja algo no planeta que lhe importasse mais que você” disse Anthony. Maizie fechou a gaveta e depois passou a próxima... mais livros, o mesmo que a anterior. Ela abriu a gaveta. “Roupa, Graças a Deus.” Sutiãs bojo D, enormes calcinhas, e... Eureca! Um pequeno montão de agradáveis camisetas velhas. “Da única coisa que ela poderia preocupar-se, é de seu grande lobo de prata.” Anthony se pôs a rir, mas o sangue gelou ao Maizie. Até ontem de noite o lobo de prata tinha sido um produto da imaginação de uma anciã, um personagem de um conto de fadas. Mas ele era de verdade. Ele era real, formoso e... Ela não queria pensar nele no resto do dia. Sobre o camafeu estranho em seu sonho. O que foi isso? Tinha passado um momento, depois de que ela tinha apanhado ao animal na casa da avó, não que tinha tido medo. Medo de ser assassinada, mas temerosa de ser incapaz de deter seus embaraçosos e intensificados golpes, transformando-se em algo mais, em algo pior. Talvez esse medo, essa estranha possibilidade de que tinha poluído seus sonhos. “Maizie?” Sacudiu a cabeça, tirando o trem do pensamento estranho e agarrou a camiseta da cama, e se vestiu. “O que disse a sua avó sobre o lobo, exatamente?” Perguntou. “Estou seguro que o ouviste antes. Ela disse que tenho que protegê-lo e prometi que nunca venderia a terra para que sempre tivesse um lugar para correr. Igual à sempre.” A camiseta era pequena, mas lhe servia. Colocaria um avental quando chegasse na loja. Maizie procurou sua escova em sua bolsa e agarrou seu prendedor de cabelo da mesinha de noite.

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“Se você me perguntar” disse Anthony. “Acredito que o lobo é você. Metaforicamente falando.” “O que? Uh, não.” Está bem, tivesse-me dado conta a noite anterior e por seu sonho, que era muito retorcido. “Pense nisso. Ela fez uma promessa de protegê-lo, para manter a terra, de modo que sempre tivesse um lugar para viver. Não há nada que ela amasse mais. Soa familiar? Ao igual às promessas que fez para cuidar de você.” “Sim, mas...” Faltam-lhe uns poucos pedaços de informação vital, como que realmente havia um lobo grande de prata correndo pelo bosque. Maizie não tinha intenção de contar a Anthony Cadwick. Ela encontrou suas sandálias e se sentou na cama para prendê-las. “Acredito que é uma carga real sobre ela, mental e fisicamente. Não importa como se veja, está enlaçada a este lugar devido a você, e acredito que lhe está custando a ela.” “Custar a ela? Ha” Maizie bruscamente fechou a boca. Suas finanças não eram negócio deste tipo. “Sim, sei que lhe custa, também. E também sabe Ester.” Bom, talvez suas finanças eram seu negócio, e aparentemente de qualquer um que tivesse tido um bate-papo com sua avó. “Estou bem. A terra é boa. Os gastos do asilo de idosos são bons. A loja está bem. Estamos todos bem.” “Parece convincente, mas não o compro. E tampouco sua avó. Ela não é uma mulher tola, Maizie. Como pensa você que ela se sente sabendo que você luta e não sabe por quê? Sem saber como ajudá-la.” Ela sabia exatamente como a avó se sentia. Ela queria proteger Maizie, para ajudá-la com algo e tudo o que podia. Fez-lhe ver a preocupação dos frutos secos na cara de Maizie, da preocupação que Maizie não podia esconder da avó, da preocupação que Maizie não falaria. A avó sempre tinha esperado que Maizie voltasse para a casa um dia, mas se ela soubesse como as coisas eram difíceis pela falta dinheiro ela venderia em uma batida do coração, para lhe dar o dinheiro em efetivo. É obvio sua avozinha não o sabia, por isso ela não

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venderia... Talvez Anthony tivesse razão. A avó se enlaçava a terra por causa dela e estava prejudicando a ambas. Maizie agarrou sua bolsa e abriu a porta. Anthony tropeçou na habitação. Haha! Ela tinha tido razão. Sabia que ele estava apoiado na porta. “Sinto muito.” Endireitou-se. “É minha culpa.” “Realmente tenho que correr, mas vou pensar no que disse.” Anthony lhe deu seu cartão. “Entenderia se quer confrontá-lo e manter-se no lugar. Quero dizer, Ester ama este lugar, inclusive se ela provavelmente nunca o veja de novo. Mas se você decide que quer mais, faça-lhe saber como pode ajudar. Dê-me uma chamada. Conheço algumas pessoas que estariam interessadas.” Seu olhar se deixou cair a seus seios, seus olhos marrons faiscavam. Aquele cretino, a imaginou nua com um sorriso e se beliscou uma bochecha outra vez, ele riu entre dentes, baixo e provocador. Ela trocou seu peso a um quadril, apoiando sua mão a um lado. “Talvez gostaria de tirar uma foto.” Ele riu. “Você leva isso para trabalhar?” Maizie olhou sua camisa. “Ah, perfeito.” Tinha tomado uma camiseta de seus dias de juventude rebelde, pela saúde do meio ambiente. Uma caricatura de um castor imprecisa, plano de cauda e ao lado de `salve uma árvore, abrigue um castor´.” Sabia que este dia só ia piorar.

***** “Como está Maizie?” Gray poderia ter derrotado a Ester com um bom espirro. Olhoulhe piscando através da mesa, boca frouxa. “Chapeuzinho vermelho? Ela está bem. Estupendo. Ela está muito bem. Pensei...” “Eu sei.” Gray sabia o que estava pensando. Tinha-lhe deixado claro que queria esquecer à garota como se nem sequer existisse. Nenhuma menção dela, nunca. Essa era a regra.

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Mas ela já não era menina e seu cérebro ao parecer não podia deixá-la ir. Não se tinham visto desde fazia dias, desde aquela noite no bosque, mas ainda podia cheirar a doçura açucarada de seu corpo, sua pele, o sabor amargo. Encolheu-se de ombros. “Foi um dia longo.” A avó assentiu com a cabeça, levando a caixa de bolachas de gengibre mais perto de seu prato. “Muito tempo. Não foi sua culpa.” “Ester.” Foi uma advertência, mas ele não o pensou, grunhiu. Só que não estava disposto a ir ali. Ele mastigou o último bocado de sanduíche de manteiga de amendoim e tomou duas das bolachas. Gray riu entre dentes, olhando ao homem pequeno em cima, diante e detrás. “Ela fez estas. Todos estes anos eram suas bolachas as que eu comia.” “Claro que as fez” disse a avó. “Sua mamãe lhe ensinou. Acredito que recorda ao Maizie nos melhores dias. Ela assou estas desde que era uma menina. Do mesmo momento em que começou às comer.” “Estranho.” “Ou destino” disse a avó. “Vocês perderam um pedaço de si mesmos essa noite. É lógico o pensar, que cada um tem o que necessita o outro para compensar.” Gray lançou a bolacha na caixa. “Basta, Ester. São bolachas.” “Só quis dizer...” “Perdi a minha esposa.” Baixou a voz. “Minha companheira. Você sabe de mim, de nós, o que somos. Somos companheiros de toda a vida. Foi-se. Nada pode compensar isso”. “Hum” A avó lhe arrebatou uma das bolachas de gengibre e mordeu a cabeça. Um pesado silêncio se estabeleceu entre eles. Gray deixou seu olhar fixo sobre o quarto. O corredor social do “Asilo” era brilhante e atrativo. Tênue parede de cor amarela , cenário com artesanatos dos países e fotos de época. As mesas redondas de cor branca com cadeiras a jogo enchiam a maior parte da habitação. As áreas menores estavam ocupadas com cômodas, sofás de cor verde e cadeiras estofadas. Pessoas visitando seus familiares, olhando a televisão e jogando jogos, inclusive ondeando uma melodia no piano de cauda.

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Gray centrou sua atenção na sala, à parede de vidro das portas abertas, o pátio exterior e o bosque mais à frente. Tratou de imaginar a si mesmo apanhado em um lugar como este. Tão agradável como era, não era a liberdade. “Deixa de franzir o cenho, Gray. Sou feliz aqui. Tenho amigos, te vejo mais e a Maizie do que alguma vez fiz na casa de campo.” Transladou seu olhar para ela. Ela o conhecia bem. “Não a estranhas? A casa de campo? O bosque?” Ester se encolheu de ombros. “Claro. Algumas vezes. Mas eu sou uma anciã, não um lobo formoso. Aqui é onde eu pertenço.” Ele se aproximou e lhe agarrou as mãos nas suas. “Eu poderia trocar isto, Ester. Um beliscão. Um pouquinho de sangue. Você se sentiria anos mais jovens, com anos e anos de vida.” A avó soltou uma gargalhada da doce anciã. “Não, querido. Esta é minha vida. Estou feliz. Logo vou ver meu Frank outra vez. Não quero propor isso por mais tempo. Maizie é o único que me preocupa. E você.” Gray se moveu em seu assento, se levando consigo suas mãos e esfregando-as palmas das mãos sobre as coxas. “Eu estou bem. E Maizie é Maizie... é...” “Uma jovem maravilhosa que está muito ocupada tratando de fazer sua vida perfeita e que se está perdendo a melhor parte. Amor. E você...” “Ester.” Tratou de pôr fim à conversação que ele sabia que teria. “Silêncio, e deixa que uma velha senhora de sua opinião por uma vez. Você este tão ocupado afligindo-se pelo que perdeu que não pode ver tudo o que se desliza através de seus dedos.” Ela se inclinou para frente e apoiou a mão seca brandamente em seu braço. “Sei o que é ser companheiro de vida, querido, e a mulher que morreu era sua esposa. Amava-a. Mas isso não quer dizer que foi o companheiro de sua vida. O coração quer o que quer. Diga-me, Sr. Lupo, que é o que seu coração de lobo lhe sussurra quando se aproxima de minha Chapeuzinho Vermelho?”

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Capítulo 5 “Não sou Lilly, vovó, sou Maizie, Lilly era minha mamãe.” Durante uma de suas perdas de memória era quase impossível falar com a avó. “Isso eu sei.” A avó soprou. “Não perdi por completo minha mente. Você parece igual a ela, isso é tudo.” “De acordo.” Maizie teria que tratar de ser mais sensível a próxima vez. A ninguém gostava que lhe recordassem que sua mente estava desvairando. “Não pode me culpar por ouvir a voz de Lilly. Eu sempre penso nela quando hei passado o dia com o Riddly”. O silêncio se estabeleceu através do telefone enquanto a explicação de sua avó afundava. “Umm...” Como perguntar isto? “Papai te visitou hoje?” “Ele não te disse que ia vir?” “Não, não o fez. Não falei com ele em muito tempo.” A garganta se ressecou, lhe dificultando tragar e seus olhos lhe picaram. Não choraria. “Bom, não te zangue com ele Chapeuzinho Vermelho. Está ocupado nestes dias. Nem sequer tem tempo para jogar uma ronda de Reis (cartas).” Ela fez estalar a língua e Maizie pôde imaginar a sacudindo a cabeça. “Ele só está muito envolto no trabalho. Não é bom para o menino. Não estava acostumado a trabalhar tanto. E agora ele está preocupado por ti.” “Preocupado por mim” Um sorriso amargo cruzo seus lábios e se secou uma lágrima furtiva. “Por que está preocupado?” “Igual à sempre. Pensa que suas finanças estão muito curtas. Se preocupa de que você sacrificaria a padaria para manter a casinha de campo para mim.” A avó deixou de falar, mas não parecia que tivesse terminado de expressar seu pensamento. “Vovó?”

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“Ele acredita que eu deveria vender a terra Maizie. Disse-me que você falou que o negócio ia bem, mas...” O que acontecia Anthony Cadwick tinha razão e a avó estava aferrando-se a terra por Maizie, porque ela não sabia que mais fazer por ela? Por que seguia tendo essas ilusões onde Riddly a persuadia para vender? “Avó sabe que não pode viver na casinha de campo sozinha, Verdade?” “É obvio querida. Já não me desembrulho tão bem como estava acostumado a fazê-lo.” “E sabe que quero viver aqui. Na cidade. Perto à padaria?” “Sim, Chapeuzinho Vermelha, sei o muito que pensa que amas a cidade.” Pensar? Maizie sorriu. A avó sempre acreditava que conhecia o Maizie melhor do que ela conhecia si mesma. “Isso significa que ninguém viverá na casita de campo.” “Sim querida. Entendo-o.” “Então me diga a verdade. Por que é tão importante aferrar-se a terra?” “Porque fiz uma promessa, é obvio.” “A quem? A papai?” Maizie perguntou. “A seu pai? Não. Riddly nunca o entenderia. Ele ainda não acredita. Não, querida. O prometi ao lobo. Meu formoso lobo prateado. Nossas terras permanecem como um amortecedor entre seu mundo e o nosso. Prometi-lhe que sempre teria esse amortecedor”. Maizie conteve o fôlego, as lembranças alagaram sua mente, essa sedosa pelagem, esses olhos hipnóticos, o sonho erótico. Ela empurrou as distrações fora de seus pensamentos. O lobo não queria que ela vendesse. Faz umas poucas semanas houvesse entrecerrado seus olhos devido a essa afirmação, mas depois de ter conhecido à misteriosa besta não parecia tão descabelada a ideia. A Maizie não importava por que a avó queria manter a casinha de campo. Ela não a queria vender. Assim Maizie não permitiria que se vendesse. Tão simples como isso. Era o menos que podia fazer por uma mulher que lhe tinha dado uma boa parte de sua vida. “Maizie?” “Sim, vovó. Ainda estou aqui.”

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“Ele disse que te atrasaste em seu pagamento do empréstimo, na próxima semana fará um mês completo. É verdade?” Um peso incômodo se afundou até o fundo de seu ventre, como se houvesse tomado uma comida de mar em mal estado. Como pôde saber sua avó sobre seu histórico de pagamento? “Quem te disse isso?” “É verdade?” Sim. Era verdade. Ela tinha feito o pagamento, mas havia um cargo extra pela demora, o que só fazia suas finanças mais apertadas. Não havia maneira na que a avó pudesse saber isso, embora alguém deve haver-lhe dito. Alguém que não é feito de lembranças nem de ilusões. Alguém real. “Estou realizando os pagamentos. Tudo está bem. Agora, Com quem estiveste falando?” “Com o Riddly. Era Riddly. Ele disse…” Sua voz era suave, insegura. E quando suas palavras se desvaneceram, Maizie soube que a avó se deu conta que sua mente lhe tinha estado pregando uma peça. “Vovó, papai está morto. Ele não poderia te haver dito o que está passando com meu empréstimo. Pensa. Quem era?” Quem quer que estivesse alimentando-a da informação financeira de Maizie estava obviamente detrás da terra. Usaria qualquer meio necessário, incluindo fazer a uma velhinha sentir culpada. Mas fazer-se passar por seu filho morto? Isso era algo muito baixo. “Ele disse que era Riddly. Ao princípio não lhe acreditei. Mas me confundi algumas vezes. Ele parece-se com o Riddly… um pouquinho. Eu só estranho a meu menino.” “Sei. Eu também estranho a Papai. Mas não é ele. Alguém está tratando de te enganar para que venda a terra e eu acredito saber quem é. Falarei com a Clare, na recepção. Informareime.” Os pensamentos a respeito do Gray Lupo devoraram a Maizie em duas direções diferentes. Seu ventre se removeu. Meu Deus, ela sempre se considerou muito boa julgando personalidades. Como pôde voltar-se seu instinto tão libido e apagado?

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Talvez a avó se referisse a alguém mais. Gray tinha parecido feliz quando Maizie lhe disse que não deixaria a ninguém pôr as mãos na terra da avó. E se ela não o conhecesse melhor, juraria que ele realmente se preocupava com a avó. Uff. Estou agarrando um prego ardendo. “Está segura que não necessita dinheiro, Chapeuzinho Vermelho?” A avó de repente soou muito lúcida. “O prometi ao lobo, mas ele entenderia que as necessidades de minha neta vêm em primeiro.” “Estou segura. O lobo pode relaxar. Tampouco permitirei que a terra seja vendida.” “Ah, que estranho giro do destino” disse a avó. “O que?” “Todos esses anos protegendo-os um do outro e aqui estas, cada um protegendo ao outro do mundo.” “Sim, tudo ao reverso.” Maizie não podia deixar de pensar que sua vida tivesse sido mais fácil se o grande lobo malvado tivesse ficado no brumoso mundo de os contos ao que pertencia.

***** “Tem alguma ideia de quem é o Sr. Lupo?” Cherri se deteve na metade da peneiração para olhar Maizie, a metade da bandeja de pãezinhos de nata estava salpicada de açúcar em pó. Maizie se encolheu de ombros. Olhou a Cherri e logo voltou para a massa do bolo de maçã, apertando as deformações do bordo. “Não importa.” “Tolices. Está dizendo que não procurou nada dele na internet?” Maizie se encolheu de ombros, rainha da indiferença. Era um fato que ela tinha procurado informação dele. Mas admitir isso significava admitir que ela sentia a respiração pesada, as calcinhas úmidas, e que esquecia seu próprio nome, pelo tipo que estava tratando de enganar a sua doce avozinha. Ela não queria admitir isso. Nem sequer para ela mesma.

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“Bom, eu procurei sobre ele” disse Cherri. “E é a merda. Digo-o a sério. É Ele o Homem. O Grande Tipo. O Sr. Monopólio. Boardwalk, Park Agrada, o homem possui toda a junta diretiva.” “Impressionante. Mas ele não poderá voltar a ver minha avó. Falei com Clare. É um trato feito.” “Clare? O palito de dentes da recepção? Sei que os professores do jardim infantil som mais rudes que ela. Na verdade acredita que ela pode deter um homem como Gray Lupo?” “É um centro privado. Ele não está por cima da lei.” “Uh, Holaaa?” Cherri empurrou seus óculos com o dorso da mão açucarada. “Um tipo com essa quantidade de dinheiro e poder? Sim, ele está por cima da lei.” “Não me intimida.” “Deveria. Ele saiu com algumas das mulheres mais formosas do mundo, estrelas de cinema, modelos, inclusive uma princesa. Isso não te intimida?” “Não.” É deprimente. “Esteve casado uma vez.” “Seriamente?” Agora essa era uma novidade para o Maizie. “Ela o deixou. Desapareceu.” “Está acostumado a acontecer.” “Ele pode comprar e vender ao Donald Trump. O homem não possui um par de sapatos, cinturões ou pastas que provenham de um ser vivo. Quando come comida Chinesa, o faz… na China.” “Não me importa.” “Ele não lava sua roupa interior. Só compra uma nova.” “Cherri.” “E são feitas a medida.” “Basta.” Ela não poderia conter a risada por muito mais tempo. “Bem. Que tal isto? Ele também é seu vizinho.” “O que?” Maizie disse bruscamente a Cherri, com o bolo em uma mão e a porta do forno na outra.

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“Não procurou informação sobre ele, Verdade? Não posso acreditar.” Cherri deu a volta e acabou de pulverizar a açúcar sobre os pãezinhos. “De acordo, de acordo. Deixei de ler depois da parte da princesa. Feliz agora? Me conte a parte de que ele é meu vizinho.” Maizie empurrou o bolo no forno, ajusto o temporizador, logo tomou o banquinho vazio da mesa de preparação de Cherri. “Bom, ele fisicamente não é seu vizinho, a menos que viva em alguma parte da reserva Wild Game ao lado do terreno de sua avó.” “A reserva?” “Sim. Ele é o dono.” Maizie sempre pensou que a reserva era algum projeto governamental. Nunca tinha visto nada remotamente exótico… exceto o grande lobo prateado. Ela com segurança nunca tinha visto nenhum sinal de uma casa. “É o dono?” “Sim.” “Então por que estava tratando de conseguir que a minha avó venda a terra?” A campainha da porta principal soou. “Olá?” Maizie parou rigidamente. Ela conhecia essa voz. “É ele.” “Ele, quem?” Cherri se tornou para trás, tratando de ver através da porta de entrada para o mostrador. Maizie se tirou o avental torpemente e o jogou sobre o banquinho. Retorcia-se o cabelo ao redor das têmporas com seus dedos. Girando-os em espiral, revitalizando os cachos. Procurou o coque de cabelo na coroa de sua cabeça. O desordenado coque seguia desordenado. Uma mancha de farinha na bainha de seu vestido sem mangas apanhou sua atenção e apressou-se a sacudir-lhe antes de comprovar seu reflexo em uma das panelas de metal que penduravam por cima da mesa. Seguia sendo ruiva. Sardenta. Nada podia ser feito a respeito. Maizie respirou fundo e se dirigiu através da porta. “Fique aqui.” “De acordo. Mas Quem é?” Cherri disse depois dela.

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Maizie passou ao redor das vitrines. “Sr. Lupo. O que posso fazer por você?” Ele se via confidencialmente casual em umas calças de cor avermelhado-marrom, um pulôver negro, uma camiseta justa e uma ligeira jaqueta de quadros, vestia na moda. Inclusive se levasse sapatilhas de esporte ou sapatos passados os laços, teriam um custo de centenas de dólares. Maizie pensou na roupa interior. Feita a medida? E logo pensou no pacote dentro da roupa interior. Tudo natural. Suas bochechas se avermelharam. Muito obrigado, Cherri. Ela tratou de pensar em outra coisa. “Senhorita Hood, você se vê…” Ele exalou. “Adorável.” Disse “adorável” como se fosse uma declaração comedida. Bem feito. Ela lutou seu sorriso enquanto o olhar dele viajava por seu corpo de acima para baixo. Não era o olhar mais luxurioso, mas era muito masculino. Um rápido estremecimento percorreu seus ombros. “Se isto for a respeito de minha avó e a clínica Green Acres, realmente não há mais que discutir”. Esses pálidos olhos azuis se encontraram com os dela, ele franziu o cenho. “Desculpa?” “OH.” Talvez não o sabia sobre a proibição que ela tinha determinado em Green Acres. “Por que esta aqui Sr. Lupo?” A julgar por seu pequeno sobressalto, ela devia ter dito mais rude do que tinha previsto. “É Gray. Por favor. Sr. Lupo soa muito… sentiria-me honrado se me chamasse de Gray.” “Bem. Gray.” Ela esperou uma resposta, embora a forma em que ele a olhava fixamente, era como se estivesse lutando contra o desejo de estender a mão e tocá-la. Em realidade não parecia importante o porquê ele estava ali. Ela simplesmente estava feliz porque era ele. Não. Ele é um asno. Ele sorriu, com um de seus quase inclinados sorrisos que a faziam pensar que ele podia ler sua mente. “Almoça comigo?,” ele disse. “Almoçar?” Isso não imaginava. “Sim.”

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Ela tinha pensado que ele viria com advertências, lhe demonstrando os perigos de desafiar a um homem de seu considerável poder e riqueza. Isso, ela conseguia dirigir. Mas isto? “Não posso almoçar contigo.” “Por que não? Você ainda não comeu verdade?” “Não.” “Você come certo?” Maizie se burlou. “Sim. Quando me lembro.” “Bem. Então vem comigo.” “É meio-dia. Tenho uma loja que atender. Você sabe que alguns de nós temos que sujar nossas mãos para manter nossos negócios em marcha. Não posso.” “Tenho-o tudo em ordem,” Cherri gritou da parte traseira do salão de preparação. “Vá. Tome o dia livre. Nem sequer sentiremos saudades aqui.” Maizie podia dizer pela proximidade da voz do Cherri que ela estava apoiada contra a parede ao lado da porta, escutando. “Ela está brincando. Eu sou absolutamente indispensável aqui. Não pode atender o lugar.” “Sim, eu posso” disse Cherri. “O tenho feito antes. Um montão de vezes. Vê. Toma o almoço. Não há razão para sentir-se intimidada.” Isso é tudo, na primeira oportunidade que tivesse, despediria essa intrometida. E esta vez seria a sério. Provavelmente. De acordo, provavelmente não o faria, mas ela a faria pensar no que fez. Maizie olhou ao Gray no momento em que estava passando uma de seus enormes mãos por seu cabelo. Que contraste tão agradável, uma pele bronzeada, perdendo-se entre a sedosa cor prata e negro. O gesto subiu a manga de sua jaqueta, mostrando um musculoso antebraço com escuros cabelos. Algo realmente masculino. Ela não podia deixar de seguir com o olhar, sua mão dirigindo-se de novo ao bolso dianteiro de sua calça, deixando seu polegar pendurar de uma esquina ao igual ao outro. Quando ele deixou de mover-se, o olhar dela se separou dele.

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Ele a tinha observando enquanto o olhava. Esse meio sorriso atirando da comissura de sua boca apareceu de novo. O corpo de Maizie se esquentou, uma onda de calor se ondulou até seu centro, preparando seu corpo para o que queria, sem importar os protestos de seu cérebro. “Por quê?” Ela disse. Suas sobrancelhas se apertaram, fazendo desaparecer o arrogante sorriso. “Perdão?” “Por que quer almoçar comigo?” Ele podia convidar a qualquer uma. Ele tinha saído com todo mundo. Por que ela? “Pensei que poderíamos conversar.” Estraguem! Conversar. Sobre a avó e seu terreno, sem dúvida. Ela estava no certo. Deixaria a um lado a velhinha, e começaria a usar sobre ela esses olhos lindos e essa voz sexy. Finalmente. Quantos acordos ele tinha feito desta maneira? Quantas dessas mulheres com as quais tinha sido fotografado tinham sido vítimas de seu encanto e evidente atrativo sexual? Levaria a algum lugar exótico? Subornaria com vinhos caros e caviar de trezentos dólares? Compraria joias e vestidos de desenhista só para levá-la a um balé ou talvez à ópera? Trataria de comprar sua ajuda para pô-la contra sua avozinha? “Só falar, né?” Ela perguntou. Ele era muito sexy, mas a rápida entrevista não faria esquecer os truques cruéis que ele tinha usado com a avó. “Sim. Só falar. E comer.” Meu deus, seria genial deixá-lo desperdiçar todo seu dinheiro por todo lado, mostrando luz de alerta quase-sexy sorriso, pensando que ele estava sendo ardiloso, manipulando-a. E logo ao final do dia lhe diria “me morda”, observaria seu mandíbula cair ao chão. Isso serviria. Tenho razão. “Bem, me leve a almoçar.”

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Gray imaginou que Maizie se surpreenderia quando seu condutor girou para o caminho de cascalho com o sinal da reserva Wild Game, mas parecia quase confundida. “Há uma pista privada em algum lugar do bosque?” Ela olhou através da janela do carro, tratando de encontrar algo entre as árvores, esquadrinhando na escuridão. Suas mãos se esticaram ao redor da caixa de confeitaria que tinha no regaço, causando deformações nas bordas. “Uh, não. Não há uma pista de aterrissagem. Nem heliporto.” Jesus! Onde estava esperando que a levasse a almoçar? Ele tinha tido encontros com muitas mulheres que esperavam veladas totalmente excêntricas, mas não tinha vinculado a Maizie com esse tipo de mulher. Ela tinha sido criada pelo Ester, assim pensou que ela seria mais centrada, mais… real. Depois de vários minutos viajando pelo cascalho do bosque, o carro se deteve. Gray se agachou e tirou uma caixa de sapatos de debaixo do assento do condutor. A estendeu para Maizie. “Pega. É possível que lhe queira pôr isso.” Ela deu a volta, seu olhar desceu para a caixa. Um estranho sorriso se cruzou em seus lábios. “Comprou-me sapatos, né?” “Em realidade, eu”… “Que são Manolo Blahnik? Jimmy Choo? Prada?” Lhe entregou a caixa pastel e retirou a tampa da caixa de sapatos como se estivesse expondo um culposo suborno. “São Timberlands” Gray disse. “As botas de minha sobrinha. Não estava seguro de quanto você calça, mas seu pé parece tão pequeno como o de Shelly. É uma espécie de caminhada. Não há lodo, mas tampouco é para caminhar em sandálias com salto.” Ele abriu a porta. “Queria sapatos de desenhista?” Ela empalideceu virtualmente, se tornou atrás em seu assento. “Não. Não, eu só pensei… Não importa. Estes estão bem, perfeitos.” Dave, o condutor, tinha-os levado tão perto do lugar de picnic como pôde. Entretanto, a pedreira do lago estava a uma boa distância da estrada. Gray não tinha estado ali em anos, mas tinha tido um estranho sonho a noite anterior com Maizie e ele no lago. Ela saía da água nua.

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Gray sacudiu a erótica lembrança de seu cérebro. Hoje queria manter um estrito controle, sobre tudo em suas ações, assim como em seus pensamentos. Não queria arriscar-se a perder o controle como o tinha feito em sua forma de lobo. Jesus, ela fazia sair o animal nele. Levando a caixa de confeitaria para ela, ele escutou o surdo juramento do Maizie e olhou para trás no momento em que ela se recuperava do tropeço com a raiz de uma árvore. Ele a agarrou pela mão sem pensar. Ela se sobressaltou, mas logo se sujeitou à mão fortemente. Sentia-se tão bem. Ele tratou de ignorá-lo. Gray contemplava sua perna elevar-se sobre a raiz da árvore que me sobressaía, a perna bem formada estirava os limites de seu adequado vestido. A ideia era congraçar-se com o Maizie, conhecê-la, deixá-la conhecê-lo um pouco. Sim, ele usaria a sedução suficiente para influenciá-la. Usaria sua atração já florescente para ganhar sua lealdade. Quando Cadwick fizesse seu movimento ele queria que Maizie tivesse todas as razões para rechaçá-lo. Nada mais. Não importava o que Ester esperava, não havia nada realmente entre ele e Maizie. Não podia. Já havia muito entre eles. O fato de que ela não pudesse recordar, não mudava nada. Chegaram ao estreito claro com o passar do bordo do lago. “OH meu Deus!” Maizie exalou as palavras. “A pedreira.” Ela ficou pálida. “Você não gosta?” Ele fez um gesto para a mesa baixa fixada sobre um tapete oriental. Grandes almofadões de cores estavam alinhados aos dois lados da mesa enquanto o sol faiscava raio prateados sobre a coberta dos pratos. O olhar de Maizie se deslizou sobre a mesa, seus lábios se entreabriram. “Não. É… é formoso. Estou surpreendida. Nunca o tiria adivinhado. Eu…” Ela olhou em direção oposta e Gray seguiu seu olhar. Quando ele viu a enorme rocha inclinada brandamente para a água, sua súbita ereção o deixou aturdido por um segundo. A lembrança do que ela tinha feito em seu sonho. Bom Deus chegaria ao orgasmo só pensando nisso. Ele se deu a volta, lutando para controlar seus pensamentos. Mas então a mão dela começou a tremer na sua, a palma estava umedecida. Ela se

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havia ruborizado, sua respiração era pouco profunda. Estava tão aturdida como ele o estava, afetados com a mesma rapidez. Por quê? “Comemos?” Ela deixou cair à mão e se dirigiu à mesa. “Não posso esperar para ver que há debaixo dessas cobertas.” Ele seguiu, mas sua mente era um caos com um milhão de pensamentos, milhares de perguntas. Algo estava passando entre eles, algo que ele não podia explicar, mas podia sentir como sentia o bosque a seu redor. O impulso de vida lutando sob a superfície, tocando a natureza primitiva dentro dele, estava conectado com o bosque e conectado com Maizie. Sua mandíbula estava rígida. “Não.” Isso não está bem. “O que?” Seu olhar se posou no de Maizie, seus olhos eram inquisitivos com umas pequenas rugas nos cantos. “Não vamos comer aqui?” Ela perguntou. “Sim. Sinto muito, eu estava… perdoe-me. Por favor.” Ele fez um gesto para a almofada púrpura de tamanho grande que estava mais perto deles. Tiraram as botas e sapatos, passando-se de ida e volta a caixa de confeitaria, cuidadosamente deram um passo sobre o tapete. Esses olhos verdes estavam olhando fixamente seus pés, um olhar de completa apreciação feminina se projeto em sua cara. “Lindos pés.” Isto era definitivamente uma má ideia. Gray ignorou sua semidura ereção. Transladou-se para a mesa, guiando a Maizie com sua mão na parte baixa das costas. Ela se sentou como uma dama, os joelhos juntos e as pernas recolhidas para um lado. O apertado vestido lhe havia deixado poucas opções. Annette tinha posto dois pratos lado a lado. O outro lado da mesa estava cheio de acertos florais, um prato maior com fruta e dois chamejantes candelabros. Com o espaço limitado e Maizie já sentada, Gray não tinha mais remédio que tomar a almofada ao lado dela.

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Depois de um segundo ou dois movendo-se inquietamente, ambos aceitaram que as pernas dela se pressionassem contra sua coxa. Gray fez seu melhor esforço para ignorar a sensação. “E o que há debaixo das cobertas?” Ela perguntou, desconfiada. “Lagosta? Trufas? Ou não, arrumado a que é steaktartare1 ou talvez codorna?” Steaktartare? Em lugar de contradizer suas bizarras hipóteses, Gray se aproximou e retirou as duas cobertas ao mesmo tempo. “Sanduiches de manteiga de amendoim, biscoitinhos e um copo de leite. Disseram-me que era seu favorito.” Ela piscou, olhando fixamente o prato. “Está decepcionada. Sinto muito. Eu pensei…” “Não.” Agarrou-lhe a mão e lhe sorriu. “É perfeito. Tem razão. É meu favorito. Mas sua… estou segura que preferiria ter, não sei, caranguejos de concha suave ou algo assim.” Gray soprou, pondo as cobertas a um lado. “Não. Não sou um amante de frutos do mar. Além disso, não há nada melhor que os sanduiches de manteiga de amendoim para os nervos.” “Sei.” Seu olhar se posou no seu como se acabasse de ouvir o que ele havia dito. “Está nervoso?” “OH. Não. Quero dizer…” Ele a olhou fixamente. Algo tinha mudado na maneira em que ela o olhava. Havia uma suavidade em seus olhos, a fácil curva de seu sorriso, como se ele fora de repente mais atrativo para ela. Deus o ajudasse, ele gostava da maneira como ela o estava olhando. “Sim.” Ele disse. “Um pouquinho. Suponho. Você?” Ela riu e os pequenos cachos saltaram aos lados de seu rosto balançando-se contra suas ruborizadas bochechas. “Sim. Eu também.” Ele podia cheirar o aroma de lavanda de seu xampu, adoraria sentir seu cabelo vermelho aceso na mão, pressioná-lo contra o nariz, aspirar a ela, a essência dela. Gray piscou. Uma rápida sacudida de cabeça e estava fora da fantasia mental. “Está bem?”

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É um prato de carne de vaca que se elabora com carne picada crua. Acompanha, normalmente, cebola picada muita fina, alcaparras e diversos ingredientes, algumas vezes, uma gema de ovo.

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Ele não podia deixar de franzir o cenho. “Sim. Apenas estava… Como está seu sanduiche?” Ela riu de novo, ligeira e feliz. “Não o provei ainda, mas é manteiga de amendoim. É um pouco difícil equivocar-se com ela.” “Sim. É verdade.” Ele tratou de rir, mas sabia que soaria forçado. “É formoso este lugar. Sabe, escutei que os adolescentes da zona gostam de andar às escondidas até aqui para dar uns mergulhos de cabeça nus.” Sua atenção se fixou nela. “O tem feito?” “Eu?” O rubor coloriu sua cara e correu por sua nuca até o decote de seu vestido. Gray seguiu o rastro desse rubor. Estendeu-se mais longe? Se esquentariam seus peitos como o fizeram suas bochechas? Estaria quente entre suas coxas? “Bom, sim. Uma ou duas vezes. Mas isso foi faz muitíssimo tempo. Quando vivia na casinha de campo com minha avó.” Ele não queria pensar nisso. Não podia deixar de pensá-lo. A lembrança de seu sonho, a realidade dela nadando nua, os pensamentos e imagens mescladas como um filme erótico em sua cabeça. Ela tomou um gole de leite, deixando um magro e branco bigode revestindo seu lábio superior quando terminou. Ela umedeceu seu lábio, mas uma débil linha de leite permaneceu. “Então por que me trouxe aqui? É sobre a terra de vovó, verdade? Pelo menos estou no certo.” “Sim.” Ele tragou saliva, com o olhar pego na linha de leite riscando seu lábio. “Eu queria que visse o que está em risco se sua avó vender.” “Mas não é você que está tratando de comprar a terra de vovó?” “Não, Maizie. Eu não quero que Ester a venda a alguém.” “Assim Não está tratando de me seduzir?” Gray abriu a boca, mas se deu conta que não sabia a resposta. Exalou. Fechou sua boca e desviou o olhar. Seus olhos aterrissaram na caixa de confeitaria, ainda posta entre seus pratos. “Alguma vez me vai me mostrar o que há na caixa?” Ele perguntou. Não era a mudança de tema mais suave, mas o faria.

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Maizie piscou, pegando-a despreparada, endireitou-se. “OH. É… realmente não é nada. Eu pensei em trazer a sobremesa.” Ela abriu a caixa e o celestial aroma de chocolate flutuava. “Brownies?” “Espero que você goste das nozes.” Ela disse. Ele sorriu, ela não podia saber por que. “Eu gosto. Minha mãe estava acostumada a me fazer brownies. Ela era uma confeiteira muito boa. Deus, amava ajudá-la.” “Você assa?” Gray soprou. “Claro que não. O que fiz nunca poderia ser descrito como assar. Eu tomava medidas. De vez em quando agitava a massa. Fixava a temperatura. Minha especialidade. Principalmente a observava.” “Eram próximos?” Tinha sido há muito tempo. Ser um homem lobo tinha estendido sua duração de vida, o qual significava que essas lembranças eram até mais longínquas. “Sim. Fomos muito próximos. Ela faleceu faz muitos anos, mas ainda posso recordá-la deslocando-se pela cozinha, recolhendo ingredientes, cozinhando em um frigideira, misturando sem nem sequer olhar uma receita culinária. Movia-se como se estivesse flutuando em uma nuvem. Nunca cometia um engano.” “Seu pai também ajudava?” Gray se burlou. “Não. Meu pai era da crença que os homens eram homens e os homens de verdade não entravam em uma cozinha exceto para informar a suas esposas o que queriam para o jantar.” “Wow. Que ato tão de 1950 por parte dele.” Ela estava mais perto do que pensava, mas Gray manteve essa informação para si mesmo. “Correto. Um homem de verdade não chora como um menino. Não importava. Eu tinha a ela. Essas horas que passava sozinho com minha mamãe enquanto ela assava, me faziam livre. Podia lhe contar tudo, meus medos, minhas angústias, meus sonhos e nunca pensou menos de mim. Nunca me fez sentir envergonhado por não ser duro como o aço todo o tempo. Eu… sinto falta disso.”

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“Sei a que te refere. Eu estava acostumada a assar com minha mamãe também. Ela fazia o melhor bolo de chocolate. Depois que ela faleceu, eu estava acostumada a me sentar na cozinha por horas com meus olhos fechados, imaginando que ainda podia cheirar esse doce e fresco aroma de algo recém-assado. Era como se ela ainda estivesse comigo.” Uma faixa invisível pressionou o peito de Gray. As lembranças da noite em que Maizie tinha perdido a sua mãe passaram por sua mente. Ele os apartou. “É estúpido”, Ela disse. “Mas é uma grande parte do porque eu gosto de assar. Faz-me sentir como se ela estivesse ao redor. Estranho, né?” Ele estendeu a mão e limpou o leite, ainda uma úmida linha estava por em cima de seu lábio, ele a retirou com o polegar. Querido Deus, seus lábios eram tão suaves como pareciam. Sua mão se deslizou pela bochecha dela. “Não. É incrivelmente adorável. Estou seguro de que ela estaria orgulhosa de ti.” Os olhos do Maizie se escureceram com seu toque. Ela lambeu o lábio, riscando aonde o polegar do Gray tinha estado. “Talvez pudéssemos ter um tempo juntos e você poderia né, tomar medidas para mim.” Ela riu e o som agradou sua pele e fez saltar seu coração. “Eu gostaria de fazê-lo.” “Sim. Séria agradável compartilhar com alguém que, você sabe, entende do tema.” Seu sorriso tremia seus olhos de repente brilharam com lágrimas sem derramar-se. O coração do Gray se encolheu, seus músculos se apertaram querendo recolhê-la em seus braços. Sem pensá-lo, sua mão se deslizou para o pescoço de Maizie e a trouxe para ele. Seu olhar se desviou desses suaves lábios até seus olhos, justo no momento em que se fechavam e ele tomou sua boca com a sua. Chapeuzinho Vermelha. Jesus, não só era o lobo nele, queria devorá-la.

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Capítulo 6 Ela sentiu o beijo. Por todos os lados. Qualquer pensamento fugaz que houvesse tido de recusar-se desapareceu. Suas emoções se entupiram em seu peito, pensamentos sobre sua mãe, perdendo-a, perdendo a comodidade e segurança de seus pais, dançavam sobre seu coração. Gray entendeu o que era, o que ela tinha perdido. Ele entendeu o que ela necessitava. Ela não podia recusar-se a ele, inclusive se quisesse. Seus lábios eram fortes, mas muito suaves. A língua dele percorreu o lábio inferior, provando a língua dela, seduzindo-a dentro de sua boca. E quando ela se deslizou através de seus lábios, ele realmente ronronou. O som vibrou por todo seu corpo descendo para seu sexo. Sua grande mão cobriu a parte traseira de seu pescoço, mantendo-a pressionada contra seus lábios. A posição era torpe, inclinados sobre suas encurvadas pernas. Mas não lhe importou. Este sentimento tão maravilhoso. Formigamentos percorriam sua pele desde sua cabeça para a ponta de seus dedos, seu corpo se esquentou tão rápido, sentiu-se acesa. Uma mão se balançou sobre a mesa, e alcançou com a outra suas bochechas. Ele parecia bem barbeado, mas ela podia sentir a áspera textura do novo crescimento com seus dedos. Sua colônia impregnou seu nariz, doce, viril, mesclada com os aromas próprios da natureza a intoxicando. Ela o cheirou, deixando que o aroma dele a fizesse enjoar-se. Ela pôde saborear uma insinuação de uísque escocês em seu beijo. Juntos, seu aroma e o rápido tamborilar de seu pulso, eram tudo o que Maizie podia fazer para não desmaiar e cair em seus braços. Ela se moveu, levantando seu pescoço e ele a recompensou com um duro, forte beijo. Era muito fácil, o beijo, o desejo. Seu corpo parecia reconhecer seu tato, quente ante a possibilidade. Ela era um pouco mais garota que ele e sua mão deslizou desde seu pescoço para sua cintura. Ainda a empurrava para ele, tão perto como ela nunca tinha estado antes.

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Sustentando-a, sua mão livre se deslizou brandamente sobre as costelas próximas a seus seios. A respiração de Maizie se deteve inclusive depois de que sua palma tomasse seu peito, depois de que seus dedos o apertassem. Cada músculo em seu corpo trabalhava por mais, mais agradar, mais sensações, mais… Um prazeroso tremor transpassou seu ventre. Suas coxas tremeram, os músculos em seu sexo pulsaram úmidos e necessitados. Ela queria sentar-se escarranchado sobre ele, pressionar sua buceta contra ele, deixar claro o que o era para a ela, o que queria que fizesse a ela. O que lhe fez necessitar. O vestido era muito apertado, havia sido afortunada de subi-lo até seus joelhos. Sua mão massageou seu peito, encontrando seu duro e desejoso mamilo. Ele jogou com ele induzindo-a a algo mais pesado, pressionando inegavelmente sobre a costura de seu sutiã e vestido. Maizie gemeu e caíram a seu tato, seus quadris pressionando sua virilha. Não lhe importava onde estava, quem era ele, o que havia em jogo. Ela o queria. Agora. Encher o vazio entre suas pernas. Seus dedos beliscaram duros e Maizie jogou a cabeça para trás, ofegando. Ela arqueou suas costas e sentiu sua quente e úmida boca através de seu vestido, seus dentes mordendo os pequenos e ásperos nós do tecido. Seu corpo se curvou para o outro lado, seus braços rodeando seu pescoço, sustentando sua cabeça contra seu peito. Gray ficou de joelhos, recolhendo-a em seus braços, pressionando todo seu corpo contra ele. A dura linha de seu pau pressionava através de suas calças contra sua coxa, burlando-se dela sem piedade. Tomou de novo pela boca, frenético, com fome. A finura de seu primeiro beijo perdido em uma explosão de paixão. Um dos braços rodeava suas costas, ele deixou cair à outra mão para seu rabo. Apertou. Duro. Levantou-a e pressionou sua buceta contra seu pau, sua necessidade por ela estava clara, tão clara como a sua própria. Ela tratou de fundir mais suas pernas, mas o vestido mantinha suas coxas presas. Não daria nada, e ela não podia baixar suas mãos e subi-lo. “Muita maldita roupa” murmurou dentro de sua boca. Todo o corpo de Gray ficou duro, tenso. Seus lábios empurraram os dela.

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“Cristo…” Estava sem fôlego, ainda sentindo a descarga de seu corpo. “Que demônios estou fazendo?” Maizie abriu seus olhos. Ele parecia horrorizado, seus pálidos olhos observando sua cara, sua testa franzida, como se procurasse alguma pista de compreensão. Ele a liberou e ficou de pé tão rápido que ela caiu pela força da mesma. Gray passeou pelo tapete, limpou-se o beijo de seus lábios com o dorso da mão, e colocou seu agitado pau em seu lugar, longe da vista. Manteve seus quadris em uma ida e volta seus olhos para baixo, a frente franzida. Foi algo que ela tenha dito? O que disse ela? A mente bêbada de Maizie se apressou a desenredar o mistério. Aturdida, sentou-se sobre seu travesseiro, sua mão limpando a umidade que bordeava o lábio inferior. O pincel de seu dedo formigou ao longo de sua boca, todo seu corpo sensível pela inatividade de seus toques. O que tinha ocorrido? “Isto não é para o que te trouxe aqui.” Gray não a olhou. Ele manteve o movimento de seus quadris. “Eu… sinto muito.” “Sente-o? Por quê? Por me beijar sem sentido ou te deter?” Ele se deteve, seus zangados olhos flamejando os dela. “Sim, é obvio que sinto muito. Você não pensou que eu queria…” Ele deve ter lido algo em sua expressão, decepção, vergonha, dúvida. Ele parecia estar reconsiderando suas palavras. “Não quis dizer… Diabos! Obviamente, queria… quero dizer. Eu era que… Merda. Maizie há algo sobre ti que me confunde.” Seu olhar se suavizou, esperava. Maizie forçou um sorriso, não grande, mas era o melhor que podia obter. Ela podia aceitar o “confuso.” Era melhor que “sinto muito.” Gray grunhiu a sua tácita trégua e ficou a andar de novo. “Isto deveria ser algo singelo. Mensagem de texto. Um picnic. Sucessivamente compreensível. Todos os favoritos das mulheres. (refere-se às coisas que mais gostam às mulheres). Um pouco de paquera inofensiva para apanhá-las olhando coisas em mim. Não esperava que…” Maizie se encolheu de ombros, fingindo indiferença. “Missão cumprida.” “O que?” Gray se deteve, olhando-a. “Se tudo isto era para tratar de me convencer de que vovó não vendesse as terras, então estiveste seduzindo equivocadamente, por assim dizê-lo.”

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Ele se ruborizou e afastou o rosto por um momento, mas o sumiu rapidamente. “É fácil dizê-lo, mas cada um tem um preço, Maizie. Qual é o teu?” Ela tratou de não sentir-se insultada. Maizie sabia que tipo de homem era Gray Lupo. Um veículo todo terreno, um comerciante. Um playboy, rico, poderoso, dos que conseguem o que querem, sem importar os meios nem tampouco a pequena ruiva que se viu apanhada em seu caminho. O tipo que gostava de passar tempo com sua mãe, o homem que compartilhava seu prazer, foi-se. Foi insultada, ferida. E lhe estava tomando muita maldita energia negá-lo. Ficou rígida, deixando seu temperamento ferver sobre seu orgulho ferido. “Meu preço? Pela felicidade de minha avó? Se ela quiser as terras, quer proteger a esse lobo que insiste em correr até aqui, então vou manter a terra.” Ele empalideceu. Não lhe importou o porquê. “Se ela quer vender até a última parcela, então vou vender todas amanhã. Vou fazer o que tenha que fazer para fazê-la sentir segura.” Maizie ficou de pé, acomodando seu vestido. “Vou deixar meu negócio ir a bancarrota. Vou mudar-me a essa desolada casa. Vou fazer algo para me assegurar que não estás pretendendo ser meu pai morto, tratando de convencer minha avó de vender a única coisa que significa o mundo para ela.” Ela tomou uma baforada de ar, tratando de acalmar a ira e a dor que sacudiu seus braços. Juntou suas mãos. “Nos vemos Sr. Lupo, meu preço é simples e não negociável. Feliz?” Ela cruzou os braços sob seu peito, o queixo alto. Seu estomago contraído, com os joelhos tremendo e uma corrente de lágrimas que obstruía a parte posterior de sua garganta, mas maldita seja, não lhe deixava ver nada disso. Gray a percorreu com o olhar, as mãos apoiadas na cintura, a jaqueta enganchada detrás dos pulsos. O silêncio se estabeleceu entre eles como um árbitro que chamava a um tempo de espera. Seu nariz batia as asas com cada respiração, seu musculoso peito com cada inalação e exalação. Um vento suave agitava as pontas de seu cabelo à medida que seu olhar viajava por seu corpo. O estudo era tão intenso que ela podia sentir o caminho. Ela juraria que estava

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bêbado. Quem não o estaria depois de todo esse discurso? Mas o olhar em seus olhos, o calor, ela esperava que não fosse ira. Ele grunhiu. As mãos caindo de seus quadris. “Ao diabo com isso.” Suas grandes pernas comeram o chão em um borrão. Em um segundo estava em seus braços, recolheu-a contra seu duro peito, uma mão contra seu quadril, a outra contra sua cabeça. E logo se congelou. Seu quente fôlego acariciou seus lábios, tão perto que ela pôde imaginar a sensação do beijo. Mas ele não a beijou. Ele se manteve, observando-a. Depois de um longo momento, preparado, impregnado de antecipação, Maizie se retorceu. Os braços do Gray se endureceram a seu redor. “Sshh.” Ela conhecia esse olhar, seus olhos distantes por um momento até que se centraram nos dela. Ele não disse nenhuma palavra, mas ela entendeu o significado em seu olhar. Ele queria que ela escutasse. Algo não estava bem. Eles não estavam sozinhos. Maizie se endireitou, empurrando o abraço de Gray. Ela manteve seus olhos nele, mas sua mente procurava, seus sentidos escutando, cheirando, saboreando o ar. O estalo de um ramo soou a sua esquerda, logo um comprido sussurro de folhas. Os pelos de seu pescoço se arrepiaram, dedos invisíveis deslizando para suas costas, congelando sua espinha dorsal. “O que é isso?” “A manada. Lobos. Eles acreditam que é um jogo, mas estão muito desgostados. Não é seguro. As coisas podem sair do controle.” “Bom, voltemos para automóvel.” Deu-se a volta para ir-se, mas ele apanhou seu braço, empurrando-a para dentro. “Não podemos fazê-lo. Minha casa está perto. Eles pensarão mais claro ali.” “Que?” Gray tomou seu queixo com os dedos, e a obrigou a olhá-lo. “Fica comigo. Estará bem. Não olhe atrás. Não olhe ao redor.” “Mas…” “Não. Só… confia em mim.” Sua voz era suave e firme. Totalmente segura. Ela deixou que o som a lavasse, acalmando os nervosos formigamentos de seus músculos, terminando com seu pânico instintivo.

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Sem afastar os olhos dela, agachou-se e tomou sua palma com sua enorme mão, tragando-a, sujeitando-a com força e firmeza. O simples toque fez mais por ela que qualquer outra droga. Ela estava a salvo. Sem importar nada. Sem outra palavra, voltou-se e aproveitou seu longo passo para guiá-los pelo bosque. Descalço, sem nunca vacilar em seu ritmo, mas remarcando cada passo, para encontrar um terreno suave e flexível. Os caminhos dos que sempre tinha sido consciente apareciam desde nenhum lado. Gray fez seu próprio caminho a sua maneira, cortando ramos, caíram árvores e sarças espinhosas sem esforço. Sem dor. O chão arborizado deveria ser duro contra seus pés. Mas não o era. Por quê? Moviam-se rápido, os passos do Gray mais longos que os dela, mas se esforçou por manter-se a seu lado. Seu corpo estava leve, facilmente empurrado e girado como um cometa com cauda. A cada lado dele, o bosque era uma mancha imprecisa, as árvores eram uma mancha verde, com brilhos de luz, e um matagal de marrons. O vento assobiava passando por suas orelhas, rastelando através de seu cabelo, soltando o coque e deixando que caísse solto, enganchando-se nos ramos. Manteve-se em movimento. Não foi difícil. Como uma gota de água caindo a um rio. Uma parte de tudo, mas separada. As sensações e os sons do bosque caíam sobre ela, a mãe selva, o grasnido de um corvo, seiva dos pinheiros, uma toca de coelho. Tudo misturado e fundido nela. Através dela. Rodeando-a. Ela era o bosque, cada parte dele, e o bosque era ela, um e o mesmo… E então se detiveram. Ela quase bate seu nariz com seu ombro. Ela sustentou sua cabeça com seu braço por um momento esperando que o mundo deixasse de dar voltas. Ela olhou por cima de seu ombro. “Que diabos foi isso?” ela perguntou. “Se sentiu como se estivéssemos fazendo um suave voo. Isso não é possível. Verdade?” Gray jogou um olhar sobre seu ombro para ela. “Te explicarei depois.Okay?” Ele parecia preocupado, ou como se tivesse coisas mais importantes das que preocuparse nesse momento, e desejava que ela não adicionasse à lista ficar insistindo por respostas. Ela podia fazer isso. Por agora. Deram-se a volta para a mansão?

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Maizie piscou, seu cérebro tratando de reconciliar o que acreditava possível e o que estava ante seus olhos. “De maneira nenhuma.” Cherri estava certa. Tem uma mansão escondida no bosque.” Desde três pisos de altura, do tamanho de um pequeno hotel, a enorme estrutura era de pedra cinza, entretanto era eclipsada pelo bosque circundante. O olhar de Maizie se focalizou através deles. O bordo do bosque era de pelo menos de dez pés de largura, denso e sombreado. Imaginava caminhando dentro do terreno de Gray, e não ver a enorme mansão através da folhagem. Gray tomou sua mão e Maizie caminhou depois dele para as escadas de seu pátio. Três enormes portas de vidro se abriam no alpendre da casa do pátio oferecendo uma clara vista da habitação do lado. Ao final da habitação, escadas atapetadas até a parede do fundo. Ela podia ver uma enorme chaminé de pedra, um sofá grande e um setor para fumantes do bar. Maizie olhou ao tempo que três mulheres de largas pernas desciam as escadas para ficar à vista. As mulheres eram formosas, a segunda uma versão ligeiramente mais jovem que a mulher a sua direita. A mais antiga e formosa do trio tinha o cabelo da cor de açúcar moreno, enquanto que a mulher do centro tinha um matiz de seda loira. Elas vestiam com estilo uns quimonos verdes; com lapelas e uma bandagem complementar cor rosa, radiante contra suas peles queimadas. As mulheres se passeavam ordenadamente, as femininas curvas de seus quadris rebolando-se. A mulher do meio se deu a volta para o pequeno pátio do bar da esquina ao momento que passaram a soleira. As outras seguiram diretamente para a direção de Gray. Ela tratou de liberar-se de sua mão, mas ele a reteve. “Gray, meu doce menino”, disse a mulher mais velha à medida que se aproximava. “Voltando de sua saída tão logo? Sentimos falta de você, querido.” “Mãe Joy.” Gray respondeu, a modo de saudação. Evidentemente, a maior das três, Joy, ainda se via anos mais jovem que Gray. Seu cabelo castanho caía em suaves ondas largas sobre os ombros até o meio das costas. Sua pele era

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impecável, seu corpo em forma. Entretanto, havia uma densidade nela, a maneira de caminhar, falar, que vem com a experiência e não simplesmente a idade. Ela pressionou suas mãos contra seu peito, estirou-se e lhe beijou na bochecha. Ele ficou de pé, seu corpo rígido, a cabeça reta, com o cenho franzido, firmemente em seu lugar. “Ela é minha convidada, Joy.” Olhou para diante, a um nada, como se não quisesse olhar à mulher. “Não poderia fazer o menor esforço por comportar-se? Com um vestido, por exemplo… Mais de acordo a sua idade?” A mulher riu, uma risada afogada, golpeando divertidamente seu peito. “Querido, estávamos curiosas e Lynn nos tinha convencido de que estava nos guardando segredo. Disse que tinha elegido uma companheira. Pode imaginar nossa decepção.” “Isso é o que todos vocês estiveram pensando aqui acima?” Seu olhar desviou-se à mulher do bar. “Deveria ser consciente que sair nesse estado de ânimo poderia haver lhes saído das mãos.” A mulher mais velha encolheu um ombro. “Sim. Bom, poderia ter dito a Lynn sobre sua “graça da semana” e nos salvar a todos do problema.” Seu brilhante olhar azul se pousou sobre Maizie. “Sem ofender carinho. Estou segura de que está perfeitamente agradecida.” Maizie sacudiu a cabeça, embora não tivesse nem ideia do que estavam falando. A mulher não podia ter mais de quarenta e cinco e Maizie não estava segura do problema que Gray tinha com o vestido. Se Maizie parecesse tão bem aos quarenta e cinco, usaria simplesmente um vestido similar. Joy deu a volta e encontrou um assento de madeira. A menor do trio passeava pelo pátio de pedra cinza, não tão graciosa, seu bonito rosto desfigurado pela dobra de pele franzida em sua testa. “Economiza seu fôlego, tio Gray. Não necessitamos uma conferência. Foi ideia de mamãe. E só estávamos vendo. Você sabe este tipo de coisas não aconteceriam se você deixasse de trazer estas putas humanas aqui.” “Suficiente Shelly!.” Ela olhou a expressão tensa de Gray, que flexionava os músculos de sua mandíbula pela raiva contida. Seu olhar voltou para Maizie e depois de novo ao Gray. “O que? Mamãe estava certa? Há algo diferente sobre esta? Não. Claro que não. O que seja.”

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A jovem beleza se estirou sobre seus pés, sua mão subindo brandamente pelo peito de Gray até seu pescoço, forçando-o mais perto. Seu rabo-de-cavalo se agitava em suas costas enquanto beijava a bochecha de Gray, deixando uma mancha de brilho labial rosa. A mortífera jovem mulher deu um passo atrás, fazendo uma careta. A túnica de seda recife solta, mostrando seu umbigo e seu plano ventre. Pelo menos seus peitos conseguiram ficaram ocultos, seus mamilos tentando através de luxurioso tecido, eretos como soldados. Maizie olhou para Gray. Ficou rígido como antes, seus olhos centrados em linha reta, os lábios em uma linha, enquanto Joy se unia aos móveis do pátio para descansar. Suas roupas caíam livres, porque podiam. Gray não parecia dar-se conta ou não lhe importava, sua atenção se situava na terceira mulher. Esta estava de pé junto a um carrinho, com um copo, removendo o líquido claro com o dedo. Obviamente desfrutando da atenção, tirou o dedo da bebida e o chupou com largas lambidas com os lábios pintados de vermelho. “OH.” Maizie tragou seu fôlego. Ela conhecia esta mulher. Esta era a mulher que tinha visto tendo relações sexuais no bosque. As bochechas de Maizie se esquentaram. O que tinha passado com o homem com que a tinha visto? A marca que tinha visto em seu pescoço? Ou havia visto mal? Embora não se havia incomodado em olhar o suficiente como para não evitar atarraxar os miolos. “Má jogada, Lynn”, disse Gray. “Você ultrapassou os limites.” Ela riu, brandamente e seu bonito cabelo comprido loiro cobria seus ombros. A seus vinte e cinco anos mais ou menos o corpo do Lynn estava na flor da vida. Nem sequer se tinha se incomodado em amarrar a bata. Caminhou para ele, seus quadris curvilíneos se balançavam, a barra de sua bata descobriam seu ventre nu, palha de cor marrom e suas coxas firmes. “Teve um dia maravilhoso no lago, Gray?” Ela perguntou. “Se qualquer dano houvesse chegado a passar... o aroma da presa assustada. Sabia quão fácil poderia ter saído mal, teria saído de suas mãos? Dirigiste ao resto por aí sabendo o incomodo que estariam quando vissem que era minha companheira.”

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“Só demonstro um ponto, querido irmão, quão mesmo você.” Ela tirou sua camisa pelo pescoço, brigou com seu aperto. Um duro puxão devorou dele para ela, o reflexo abriu seu agarre sobre Maizie. Ela deixou cair a mão a seu lado, observando-o. Lynn tomou a boca do Gray com a sua, sua mandíbula se ampliou, sua língua profundamente em sua boca. E Gray tomou. Nenhum músculo no resto de seu corpo respondeu, mas não lhe negou o beijo. Tão profundo e comprido como ela queria, obrigou-o. Ela o jogou com um pequeno empurrão, limpou-se a boca com o dorso de sua mão e tomou um sorvo de sua bebida. Seu olhar se desviou para Maizie. “Além disso, se estava tão preocupado de que tivéssemos perdido nossos sentidos e lhe déssemos caça realmente, por que a trouxe aqui? Ela é uma responsabilidade, igual à Shawn.” “Incorreto. Estes eram negócios” disse Gray. “E por que não lhe traria aqui? Esta é minha casa. Espero que minha família se comporte como humanos civis aqui, e em qualquer outra parte.” “Mas, é obvio.” “Lynn se deslizou para Joy e Shelly, ao último assento que não tinha sido utilizado. O movimento que fluiu em seu corpo era fascinante. “Negócios, diz você? Realmente? Só se seu negócio for seduzir a ignorantes garotas. “Ou talvez ela consiga enviar algo através de seu rabo e é por isso que sua mão estava sobre ela.” Lynn riu de seu próprio engenho, olhando às outras mulheres que sorriram indulgentemente, embora Joy parecesse cansada da demonstração. Lynn se recostou, a bata se deslizou pelos lados de seu corpo, deixando-a completamente exposta. Ela levantou um joelho, tampando o arbusto e mostrando a redondeza lisa de seu traseiro. “Esta é a neta de Ester.” Deu um passo para elas, cada vez pondo uma maior distância entre ele e Maizie. “Ela tem influência com sua avó. Fiz o que tinha que fazer. E o resto de vocês não interferirá.” “Você fez o que queria. Como sempre o faz.” Lynn pôs sua taça sobre a mesinha de noite entre ela e Joy. “Somos quão únicos cumprimos as normas arcaicas e os códigos.” Gray deu outro passo, com o rosto cheio de ira. “Não há razão detrás de nossas regras.” “Sim.” Lynn se sentou diretamente, com o corpo rígido. “E nós estávamos ilustrando estas razões, como o fez para mim. Você foi vulnerável, Gray. Fazia-lhe lento, torpe e

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vulnerável. Você não poderia protegê-la desta forma. Você não pode te proteger. Nem de seus sentimentos por ela, quando viu o medo de sua reação, deixou de fazer o que deveria ter feito. O que teria feito sem pensar se não fosse por ela.” Gray a olhou com o cenho franzido, os músculos de sua mandíbula se esticaram. Então, de repente uma estranha tranquilidade se apoderou dele, como se houvesse elegido a conduta a seguir. Suas mãos se deslizaram nos bolsos dianteiros da calça, aparentemente casual. “Não é você que me educa. Você foi à irmã de minha esposa. Mas não se engane. empurre-me nisto e te vou baixar. Volta a seu lugar, Lynn, ou lhe porei nele à força.” Sua voz era baixa. Suas palavras foram precisas e o som disso enviou uma frieza que descia pela espinha de Maizie. “Seu lugar, tio Gray?” Todos os olhos se voltaram para o jovem aturdido que empurrava a porta de vidro do pátio. “Ah bom. Discutamos os lugares de Hierarquia.” Seu corpo nu, a perfeição esculpida, reluzia um brilho fino de umidade, de seu cabelo curto salpicavam gotas de água. Com cada passo casual para vibrar seu pau, semiduro, cada vez maior quando ele notou que Maizie o olhava fixamente. Um sorriso se formou através de seus lábios, logo o suprimiu, trocou sua atenção de novo ao Gray. Maizie piscava, desviou o olhar para... nada. Entretanto, Gray se havia dado conta, viu que abria os olhos sobre o jovem. Podia sentir seus músculos tensos, mas não lhe disse nada. “Não comece Rick.” “Começar? Tio Gray, quando me disse, logo que começou vou muito bem e não haverá nada que possa fazer a respeito. Confia em mim.” Gray grunhiu suas palavras através de seus dentes. “É um negócio, Rick. Mantenha-se afastado dela.” “Correto. Negócio. Por que não estou surpreso?” Os olhos azuis do Rick, coincidiram com os do Shelly, e depois passaram para Maizie. “Incomodou em lhe dizer à garota? Por seu olhar, eu diria que ela está esperançada como o resto de nós. A diferença é que te conhecemos. Estamos acostumados com você, com o jogo de tomar uma companheira e sempre falhar. Se você não a toma, talvez eu o faça. Ela parece bastante aberta à ideia.”

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Gray olhou a Maizie, apanhando-a com seu olhar pego ao pau do Rick antes que ela pusesse sua atenção em sua cara, suas vermelhas bochechas arderam. Abriu sua boca em sinal de protesto. “O que? Eu só estava... Está nu. Eu não estou morta, não sou tampouco um animal. Não salto a algo que cruza em meu caminho e pareça preparado e capaz.” A frente do Rick se elevou, com um sorriso levantando uma bochecha. “Não é um animal? Ouviu isso, tio Gray?” Era evidente que o jovem era um pretensioso, ao que deixou de emprestar atenção, alisava suas rugas, seu pênis crescia enquanto observava. Maldita seja! Por que ele confiou em que sua família atuaria como um ser humano frente à Maizie se ela se reunia com eles aqui em lugar de no bosque? Sempre era uma competição com Rick. Queria ser alfa apesar das preocupações e protestos das mulheres em suas vidas. Lynn, Joy e Shelly tinham rogado a Gray que não se apartasse, não se afastasse e não entregasse a manada a Rick. Por muito que Rick pudesse desejá-lo, tanto como Gray gostaria de dar-lhe, ele não podia fazer isto ao menino. Tinham razão. Rick era muito jovem. Ele conseguiria ser morto por um cão guia de ruas dentro de uma semana. Se continuasse tentando utilizar a Maizie para sair-se com a sua, Gray se asseguraria disso. Gray se endireitou, sem mover-se, mas bloqueando o caminho de Rick a Maizie por vontade. “Isto não é um jogo, menino.” Rick se deteve em seco, com o olhar passando de Maizie ao Gray. “Estou em meu maldito direito. Esta é a vida, velho. Traz uma mulher a sua guarida e acredita que não terá que lutar por ela? Você é que está delirando.” Ele aplaudiu o ombro do Gray, rindo-se entre dentes, e se aproximou de seu redor. Não havia nenhuma dúvida do desafio em seus olhos, embora Gray sabia que não tinha muito que ver querendo a Maizie como sua companheira, se não que ele o fazia com o desejo de liderar o grupo. Ele deveria havê-lo visto vir. Levar a casa foi um engano. Não sabia que as coisas tinham chegado a ser tão instáveis. “A primeira mulher? De verdade?” O tom do Maizie foi gotejando com indignação e comoção.

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Gray também sabia que se por algum milagre, Rick conseguisse derrotá-lo em uma briga, Rick não passaria a ter direito de tomar a companheira de seu oponente. O que não ia acontecer. Não com Maizie. Nunca. “Não quero fazer isto, menino. Agora não. Não ela.” Gray advertiu. O olhar fixo do Rick que projetava segurança vacilou, baixou, mas ele se recompôs. “Diga-me que ela é a escolhida. Diga-nos que está preparado para ser o alfa desta manada, necessita-a e não o tentarei. Se ela não for a eleição de seu lobo, então por que te importa se a provo um pouco?” A frustração picava sobre seus ombros, atado aos seus músculos. Era uma coisa singela. Anunciar que tinha um interesse romântico em Maizie, que ele a reclamava como dele, e fazer felizes a todos. Maldição, a sua família gostaria. Ter um alfa acoplado significa segurança para a manada. Companheiros alfa só demonstraria que a manada era vital e estava viva. Um macho alfa solitário sem a esperança de produzir fortes herdeiros varões, isso dizia aos homens que a manada se estava morrendo. As fêmeas viáveis, Lynn e Shelly, seriam persuadidas a unir-se a manadas. Ou assassinadas. Gray não podia deixar que isso acontecesse. Então por que não podia reclamar Maizie como dele? Porque havia algo com ela, algo diferente que nunca havia sentido antes, convincente, aditivo. Ele não queria nada disso. Tinha estado casado uma vez, teve uma possibilidade para amar. Donna era sua esposa, viva ou morta, ele tinha tido um compromisso. Sua metade humana não lhe deixaria dar as costas a isto, não com a mulher cuja família a tinha matado. “É um negócio” Gray insistiu. Rick olhou Maizie, com a intenção renovada. “É certo o que dizem das ruivas?” Ele passou junto a seu ombro, apoiando-se e lhe sussurrando em seu ouvido, mas Gray o podia ouvir suficientemente forte. “Você é uma fera selvagem e perversa?” As mãos de Gray se formaram em punhos. Rick era só um menino, um jovem para os padrões de homem lobo. Disse a si mesmo. Não entendia o perigo, o instinto que suas ações tinham disparado em Gray. Mas a batalha entre o intelecto e as demandas principais vacilava.

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As unhas de Gray se afundaram nas palmas de suas mãos, um grunhido retumbou em seu peito. Maizie sustentou sua expressão, tranquilamente indiferente, e deslizou seus olhos para vê-lo. Ela capturou seu olhar. “Você beija a sua mãe com essa boca?” Rick fingiu uma gargalhada. “Por que não lhe pergunta? Ela está sentadabem ali.” Maizie olhou às três mulheres. Gray sabia que nenhuma delas parecia o suficientemente maior para ser a mãe de Rick. Lynn cortesmente levantou uma mão, movendo os dedos, e os olhos de Maizie se estenderam, com a boca aberta. “Isso não é... não é possível.” Tinha esquecido o impacto que sua família tinha para os seres humanos. “Não faça conta, Maizie. Meu sobrinho gosta de brincar. É um pouco inseguro e pensa irritar a seu tio para que dê o que quer.” Gray se lançou para o Rick com um olhar fulminante. “Está equivocado.” Rick jogou atrás a cabeça, soltando uma risada. “Você acredita? Pelo menos estou disposto a fazer o que tenho que fazer para proteger a esta manada. Ela é a neta de Ester. Ela já sabe, ou o faria se lhe acreditasse. Que mais quer? Se não irá morder-la e fazê-la, você, companheira alfa, eu o farei. Não pode esperar que vai ficar só e conduzir esta manada. “Morder! Morde as pessoas?” Maizie abriu muito os olhos ao Lynn. “Você mordeu aquele homem, Não? Pensei que... pensei que era um dos lobos. Mas foi você.” Gray olhou a Maizie a Lynn e vice-versa. “Do que está falando? O que viu? Que homem?” “Nada.” Respondeu Rick por ela. “Ela não viu nada. Ambos estão tratando de atrasar o inevitável.” Pegou o braço deu Maizie. Gray não sabia o que queria fazer. Não importava. Seu primeiro reflexo tomou afeto como o fechamento de uma corda muito estirada. O perfurou para fora conectando solidamente com o peito do Rick tão rápido que sua própria mente não o pôde rastrear. Rick voou para trás no ar. Seu jovem corpo musculoso se chocou contra a parede de pedra do pátio pelo menos a oito metros de distância. Sua cabeça e seus ombros açoitaram de novo pelo bordo para frente, com suas mãos tomo seu peito, enquanto se deixou cair ao chão.

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Gray estava entre eles, seus ombros tremiam, seus punhos apertados nos lados lutando por controlar sua ira, soltando a adrenalina masculina que chacoalhou através de cada músculo de seu corpo. Tinha temido isto, lutando por evitá-lo, por muito tempo. Lamentou lutar contra ele. Se tivesse sido qualquer outra mulher com a que pudesse manter seu autocontrole. Mas não Maizie. Maizie era dele, tinha sido na noite que lhe devolveu a vida. Não se tinha dado conta até esse momento particular. Gray havia se mantido a distância, tratou de ignorar sua existência, mas todo o tempo a tinha visto como dele. Uma substituição? O pagamento do que tinha perdido? Não estava seguro. Sua metade lobo não lhe preocupava. Com o impulso de Maizie e a mescla de tensões cada vez maior entre ele e o jovem membro da manada, o instinto fortemente preso do Gray, liberou-se. A necessidade do lobo para defender o que era dele governou sua mente e corpo. Lynn saltou entre eles, empurrando Gray o suficiente com os ombros para que cambaleasse e desse um passo atrás. “O que foi isso? Né? O que foi isso? Pedi-te mantê-lo a salvo, e virtualmente rompe seu pescoço?” Ela foi para seu filho, pegando a borda de sua bata se colocou de joelhos a seu lado, sustentando sua cabeça e ombros contra seu peito. Rick se empurrou até a parede com os cotovelos, com as pernas ainda tombadas diante dele. Esfregou a parte de atrás de seu pescoço, formo-se um sorriso na quina de sua boca. “Talvez ela seja a escolhida. Só decide sobre isso logo ou te prometo que o farei.” Separou-se de sua mãe e ficou de pé. O menino pensou que tinha tido êxito em distrair Gray. E o teve, mas só por um minuto. Voltou-se para Maizie que estava atônita, em silêncio. Deus! Ela deve pensar que se topou com um filme pela forma em que se comporta sua família. Disse-se que não importava o que pensasse. Não importa, ele não acreditava por um segundo. “O que viu Maizie?” Ele perguntou. “O que viu fazer Lynn?” Maizie piscou com esses lindos olhos verdes nele, como se reiniciasse seu cérebro. “Eles estavam no bosque. Estavam fazendo amor. O pescoço do homem estava machucado, como se tivesse sido mordido. Estava a escorrer sangue, seu pescoço, o peito. Pensei que tinha sido

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atacado pelos lobos, e eu não podia compreender como podia fazer amor ali mesmo, no bosque depois de um ataque tão brutal.” “Quem era?” Gray pressionou. “Como era o homem?” Maizie sacudiu a cabeça como se ela ainda estivesse lutando com tudo o que tinha visto e ouvido. Então seu olhar se deslizou para a casa e ela apontou com um dedo. “Ele. Era ele.” Gray se voltou e seu coração quase se deteve. “Shawn.” Atirou Maizie atrás dele sem pensar e deu um passo ameaçador. “Que diabos está passando, Lynn?” O pai dos filhos de Lynn, Shelly e Rick, o homem que tinha enganado a sua esposa, o homem a que tinha proibido a Lynn que transformasse, parado mais audaz do que ele tinha direito estar. Lynn estava ao lado de seu amante em um pulsar do coração, pondo seu corpo entre seu alfa e sua ruína segura. Ela levantou uma mão, como se pudesse evitar a indignação do Gray. “Voltei com ele. Eu necessitava a alguém, Gray, e você estavam muito ocupado correndo pelo bosque com a Chapeuzinho Vermelho ali, para fazer o trabalho.” Um grunhido ameaçador vibrou através do peito do Gray e ele caminhou para frente. Tratava-se de uma desculpa e ambos sabiam. O tipo não era bom para ele. Ele podia senti-lo. “Deixou a sua esposa” interveio Lynn. “Antes ou depois de que lhe fizesse impossível ficar com ela?” Gray perguntou, apertando os dentes. “Que diferença há? É meu!” Disse. “Você me disse que encontrasse um casal. Ele é o único. Ele sempre foi o eleito.” “Ele é um trapaceiro. É fraco de vontade. E cheira a traição.” Gray olhou a sua cunhada, uma mulher que tinha jurado proteger e a sua família. “Ele não é o suficientemente bom, Lynn. Ele te machucará e as peças que vai deixar atrás não serão o suficientemente grandes para poder juntar de novo.”.

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“Não, nem sempre terminam dessa maneira, Gray.” Joy se moveu entre ele e Lynn. “Sei que a morte da Donna destruiu uma grande parte de ti, mas não por isso é uma conclusão inevitável. Às vezes o amor se sente bem.” Gray empalideceu com a boca fechada. De verdade ela pensava que suas objeções sobre o Shawn eram uma espécie de transferência de suas próprias obsessões? Não o eram. Gray exalou. Nenhum deles o entendia. O amor era uma emoção passageira pouco confiável, nunca era o mesmo de um dia a outro, transformando-se em algo irreconhecível do que era no começo. Ele sabia melhor que ninguém que não podia apoiar-se nas decisões da vida no amor. “Não é que seja um estranho.” Shawn caminhou para frente, como se ele pudesse eliminar a tensão e a incompreensão do ar. “Quero dizer, conheci a Lynn há anos, e os meninos, bom, eu sou seu pai. Ela me contou tudo a respeito de sua família. Explicou-me como funcionava. Eu... eu estou apaixonado por ela.” Gray olhou os olhos do homem. Parecia mais velho que Lynn pelo menos três décadas, mas Gray sabia que a diferença era muito menos que isso. “E você e a outra família? Seus outros filhos?” “Quando eu tiver suficiente controle, vou conseguir um acerto para a custódia com minha ex. Não foi porque Lynn me fez um de vocês. Foi porque me dava conta de que a amo. Fui miserável sem ela todos estes anos.” Gray se burlou. Que melhor prova ele necessitava para que a declaração do homem não fora o suficiente boa? “Feito por um beta. Nunca será o suficientemente forte para enfrentar a um desafio.” “Eu sei,” disse Lynn. “Não me importa. Só o quero... a ele.” “Se o amar, se já tinha ido e reclamado como seu companheiro, por que tem me pressionando tão duramente para que eu aceitar o papel?” Lynn se ruborizou, suas bochechas eram de cor vermelha brilhante, e desviou o olhar. Ela se encolheu de ombros. “O hábito possivelmente. Estive zangada contigo, por isso é difícil saber. Não sei. Eu não queria que investigasse muito a respeito do Shawn. Eu sabia o que faria, sabia que o mataria antes que fosse o suficientemente forte para defender-se.” “Eu ainda poderia.”

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Ela o olhou com uma expressão dura. “E eu queria que você pagasse. Todos estes anos sozinha, toda a angústia. Eu só... eu não podia deixar que a ira se fosse.” “E agora?” Gray perguntou. “Obviamente, eu ainda tenho algumas coisas que trabalhar no que lhe concerne. Ainda está aí, mas Shawn está me ajudando a deixá-lo atrás. Com sua ajuda o conseguirei. Sei. Deixeme estar com ele, por favor, Gray.” Gray zangado, soprou muito perto a um lobo. “Parece. É a manada ou sua morte. Mostre-lhe seu lugar, ou o farei eu.” Dirigiu-se para a porta mais próxima, com a mão apertada ao redor de Maizie, atirando dela tão rápido como pôde. Não lhe importava nada, a respeito de Lynn e seu mau gosto nos homens, a respeito de Rick e sua campanha para levar a manada. Não lhe importava nada disso. O único que lhe importava era cuidar de Maizie de qualquer ameaça possível, conseguir um lugar seguro. Ele a levou até as escadas para o grande vestíbulo, com o chão de mármore negro e as amplas escadas. Sem nenhum homem-lobo.

***** “Sr. Lupo.” Annette passou facilmente desde seu escritório à esquerda da sala, suas pernas levando seu corpo mais rápido que uma pessoa duas vezes mais alta “Não me dava conta de que tinha retornado.” Ela sustentou seu bloco de papel de notas sempre presente com uma carta enganchada a sua na parte superior. Empurrou seu óculos marrom, muito grande para seu pequeno rosto, mas de algum jeito com seu penteado alto, sua blusa e a saia ajustada. Seu olhar se deslocou a Maizie. As comissuras de seus lábios magros formaram um sorriso bonito. “Sra. Hood. Você está aqui. Que maravilhoso. Isso quer dizer…” “O que acontece, Annette?” Reconheceu o brilho em seus olhos. Ela tinha uma tendência inoportuna de idealizar coisas que provinham de Gray. Não era difícil imaginar os saltos que teria dado o vê-lo caminhar de mão dada com Maizie.

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“Sim. É obvio, Sr. Lupo. Sinto muito.” Annette ficou rígida, toda ela exsaltando negócios. Ela leu seu bloco de papel de notas. “Recebeu a informação que você esteve esperando do juiz Woodsmen.” “Obrigado.” “Deixei-o sobre seu escritório.” “Leio mais tarde.” Maldita seja, esperava que não houvesse necessidade dessa informação. “Sim, senhor. Além disso, a Sra. Pi chamou da padaria, à Sra. Hood. Ela disse, e cito, que Joe golpeou o cubo defumado com o pé e tomou um pedaço de lâmina de corta fogo para cobri-lo, o bolo de bar-mitzvah do Pearlman e a metade dos bolos para a despedida de solteiro estão sujos.” Maizie sussurrou um juramento, logo se desviou para Annette. Agarrou-lhe as mãos, inclinando-se. “Annette, verdade? Tem que me tirar de...” Ela olhou a Gray. “Quero dizer, tenho que chegar a minha loja. Ajude-me a sair daqui. Por favor. Espera. Meus sapatos.” “Obrigado, Annette” disse Gray, caminhando ao lado de Maizie. Ele envolveu seu braço ao redor seus ombros, e lhe deu um puxão mas perto. “Assegurarei-me de que a Sra. Hood saia do bosque. Pessoalmente.”

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Capítulo 7 “Pertencia à mãe de Maizie.” Disse Gray. “Lilly?” “Encontrei-o um par de semanas depois do acidente.” Ele colocou o medalhão de ouro na mão da avozinha. “Se rompeu o fechamento. Tive que limpá-lo e repara-lo.” Os tristes olhos azuis da Avó o olharam por debaixo do capuz de suas pálpebras. “Você o guardou todo este tempo?” Gray trocou seu enfoque para as portas abertas de vidro do pátio da clínica de idosos. Seu rosto estava quente. “Não estou seguro de por que não o devolvi antes. Talvez porque já não ficasse nada para recordar a Donna. Talvez porque Riddly e Lilly tinham tomado algo meu e eu queria ter algo deles. É absurdo. Não sei.” A avó cobriu sua mão com a sua. Ele podia sentir seus tremores, a idade fazia seu balanço instável. Era compreensível. “Você o necessita mais que nós. Maizie era muito jovem para ter algo como isto e eu... eu não haveria sabido o que fazer com ele.” “Obrigado, Ester.” Era uma má desculpa, mas ele pegaria. “Tem agora e acredito que encontrei fotos que são bastante úteis.” A avó olhou para o medalhão, os dedos finos que trabalhavam seu selo hermético. Sua miniatura encaixava entre as duas metades ovais e a abriu. Os segundos passaram enquanto sua mente processou as imagens e um sorriso brilhante floresceu em seu rosto. Gray sabia o que via. Ele tinha olhado a foto da jovem família Hood e a da frente, do Riddly com seu bebê Maizie, um milhão de vezes nos últimos anos. Esta foto nunca existiu em sua família. Ele e Donna nunca discutiram por ter meninos. Ironicamente, não se tinha dado conta do muito que tinha desejado uma foto, até que lhe tiraram a possibilidade, debaixo da aglomeração de um SUV. Gray obrigou a seus pensamentos a afastar-se dos velhos sonhos e desejos. “Maizie mencionou que tinha tido um visitante. Alguém que fingia ser Riddly.”

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As bochechas da Avó ficaram de um vermelho maçã, com um pequeno sorriso tímido em seus lábios magros. “OH, eu sei que Riddly não quer que venda minha casinha. Não sem uma boa razão. Tudo era minha imaginação. Minha mente joga truques comigo às vezes, já sabe.” “Eu não acredito que sua mente esteja jogando esta vez, Ester. Acredito que alguém está tratando se aproveitar, usando qualquer tática que possa, para pôr as mãos sobre sua propriedade. E estou bastante seguro de que sei quem está detrás disto.” A notícia trouxe um brilho de alívio a seus olhos. Um instante mais tarde o ressentimento tomou seu lugar. “Aproveitar-se, diz você? Uhmph. vamos ver isso. A próxima vez que o cão velho venha, vou A...” Sua promessa morreu no ar, agitando seu olhar para Gray. Sabia seus pensamentos sem ouvi-los. Tinham-na enganado uma vez, acreditando que seu filho morto estava de visita, lhe dando ordens. Como saberia ela a diferença a próxima vez? Gray levou suas mãos ao redor das dela, que ainda sustentavam o medalhão aberto. “Isto ajudará. Use o medalhão de Lilly. Olhe as fotos a próxima vez que alguém se chame a si mesmo Riddly. Recorde onde foi encontrado. E que Riddly foi-se. Foram-se Lilly e Donna. Cadwick pode parecer-se com seu filho, mas não o suficiente para enfrentar a sua fotografia, ou a essas classes de memórias potentes.” Não podia ficar com a avó às 24 horas dos 7 dias e de uma vez tratar de proibir ao Cadwick das premissas da loja para fazer parecer melhor sua oferta a Maizie. Gray tinha utilizado seu encanto de homem lobo e a familiaridade com o pessoal que rodeava Maizie para restringir a lista dos visitantes, mas Cadwick era um professor para lhe pagar a uma pessoa. Ele localizaria o elo mais débil na segurança e o transpassaria. Não. A avozinha teria que utilizar sua mente e seu engenho para proteger-se. O medalhão a ajudaria. “Não pôde enterrar a sua esposa, Verdade?” A pergunta da avozinha o tomou totalmente de surpresa. Gaguejava. O deslocamento de sua mente tão rápido, que não teve nem tempo para lançar as barreiras que mantinham fora a mais dolorosa de suas lembranças.

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“Não. Eu... ela... Não. Donna morreu antes que pudesse trocar à forma humana. desfizeram-se de seu corpo como o fariam com qualquer animal morto.” Fez uma careta de dor ao final, seu coração pinchando-o. “Não podiam deixá-lo a sua decisão e que ficasse com você? O acidente ocorreu em sua terra.” Gray sacudiu a cabeça. Se tão somente tivesse sido tão fácil. Se só tivesse sido capaz de pensar com claridade, rapidez, talvez tivesse podido chegar a alguma solução. “Pegar ao lobo... morto... é o procedimento. Não havia nada que pudesse dizer que não parecesse estranho. Tive que pensar na manada. Proteger ao resto da curiosidade ou a suspeita.” Gray lhe tinha dada permissão à família Hood para utilizar o acesso direto a través de seu bosque, da subdivisão à cabana. Ele nunca teria confiança de novo. A polícia chegou tão rápido como puderam porque Riddly e Lilly Hood tinham traído seu acordo. Outro carro, amigos dos Hood, foram atrás deles quando tinham golpeado a sua esposa. Devido a eles, à polícia, ambulâncias e todos os outros tinha que deter-se, sem poder fazer nada no bosque, enquanto eles que sem pensá-lo tiravam o corpo de sua esposa do tubo de metal. E o lançavam à parte traseira da grua como escombros. Levaram a sua mulher para incinerá-la em um forno da cidade. Ou Deus não o queira algo pior. Seu único consolo era que algo como isto não voltaria a ocorrer. Fechou a estrada de um só sulco de cascalho, tecnicamente só dois caminhos de pneumáticos com más ervas que cresciam no meio, imediatamente depois do acidente. Plantaram-se árvores, respirando a erva daninha, de modo que por agora não havia nenhum rastro da estrada que tinha existido. A avó trocou o medalhão da mão e envolveu a outra ao redor da palma do Gray. “Foi um acidente, querido. Sei que culpa a meu Riddly, mas ele não tinha nem um osso mau em seu corpo. Não teria desejado o tipo de sofrimento que suportaram você e Maizie, nem a seu pior inimigo.” “Não o culpo.” Gray se surpreendeu com a facilidade com que o disse. Havia-o estado pensando desde o começo, mas nunca em voz alta. “Foi minha culpa. Donna e eu havíamos discutindo... brigamos. Acusei-a de me enganar e saiu correndo. Eu não fui atrás dela.”

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Ele recordou o aroma de outro homem em sua esposa, um homem que reconheceu. Não havia nenhuma suspeita, nenhuma hipótese. Ele sabia que ela tinha estado com alguém mais. O problema foi que não estava tão molesto por sua infidelidade como estava com ele mesmo por não sentir-se mais traído. Gostava de Donna, mas algo faltava entre eles, algo que só se fez verdadeiramente perceptível depois de que ela tinha morrido. Talvez um menino tivesse sido a diferença, encheria o que faltava entre eles. Ele nunca saberia. “Eu estava feliz pela distância entre nós” ele disse. “Até que... Deus! ainda posso escutar esse som, esse acidente, como uma explosão. Eu o soube antes de começar a correr. Sabia que Donna se foi. Eu podia senti-lo.” “Escutei-o também.” A avó se estremeceu. “Um som horrível. Eu sabia que meu filho se foi. Simplesmente estou agradecida de que meu Chapeuzinho Vermelho sobrevivesse. Deus sabe como o fez.” Gray sabia como tinha sobrevivido. Ele tinha sido o que se precipitou pela ladeira até a borda do bosque onde estavam mortos, tão rápido que ninguém o viu passar. Os amigos da família eram inúteis, estavam embevecidos na ruína da estrada através da chuva e a escuridão, foi Gray o que avaliou os danos. O caminhão estava tombado. Tinha reconhecido o aroma inconfundível da morte, uma mescla de fluidos corporais e carne fria. Os pais estavam mortos. O aroma confirmou, antes que ele tivesse chegado a lhes revisar o pulso. Nenhum deles tinha posto o cinto de segurança. Tinham atravessado o para-brisa antes que o caminhão se detivesse. Sua menina, Maizie, usava preso o cinto no assento de atrás, mas a correia de seu ombro se deslizou até estrangular seu pescoço. Estava inconsciente, sua carinha ficando azul. Mas ela estava viva. Tratou de soltar a fivela dela, mas o fecho tinha emperrado. Rompê-lo não foi nada de força maior. Seu pequeno corpo caiu em seus braços e por um momento estranho a olhou à cara, pouco a pouco, viu que podia respirar. Sua mente não lhe permitiu uma pausa durante muito tempo. Entretanto, o som, da estrondosa explosão de metal e vidro, o ruído espantoso, e o conhecimento instintivo de que Donna tinha desaparecido fez que tudo se viesse sobre ele de novo.

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Colocou Maizie com suavidade em uma das samambaias e lentamente se dirigiu à parte dianteira da caminhonete. Não pôde vê-la em um primeiro momento, a forma em que a caminhonete estava à chuva, a escuridão, faziam difícil ver. Depois se inclinou e olhou na parte dianteira da caminhonete. Só conseguiu notar a cauda e as partes traseiras, a pele marrom suave, molhada pela chuva, e o sangue. Gray correu ao redor da caminhonete às rodas dianteiras do lado do condutor. Donna estava em um ângulo, apanhada e entre a defesa e a árvore. Sua pata dianteira, só nessa posição devido ao peso esmagador da caminhonete. Estava morta. Estava morta antes que a caminhonete se deteve, Deus. Quanto tempo tinha estado ali? Quanto tempo passou? Não estava seguro. Talvez se tivesse saído mais rápido, reagido mais rápido, talvez poderia ter levado o corpo da Donna longe antes que a polícia se apresentasse. Mas uma vez que o primeiro policial tropeçou e se cambaleou no caminho, foi muito tarde. Essas pessoas e sua pequena ruiva tinham trocado sua vida de maneira irrevogável. E agora aquela ruiva está a ponto de fazê-lo de novo.

***** “Eu não estou zangada. Só é por curiosidade.” Sim. Se ela o gritasse em voz alta umas quantas vezes mais talvez, em realidade o creria. Depois de tudo, o que outra emoção lhe faria fazer algo tão estúpido? E, Maizie teve que admiti-lo, caminhar no bosque ao entardecer, a lua cheia elevando-se ou não, era estúpido. Realmente estúpido. Mas tinha que falar com ele. Ela queria saber por que tinha esperado Gray vinte e um anos para dar à avó o medalhão. “Vinte e um anos. Isso era muito tempo para aferrar-se a algo que não era teu. Não é que eu esteja louca por ele.”

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Ela o estava em realidade. Era só uma desculpa. Mais que nada queria saber onde o tinha encontrado. A avó disse que Gray tinha estado ali no acidente. Mas ela estava tão contente tendo o medalhão de volta que não lhe importava o que significava que estivesse ali. Podia responder às perguntas que ninguém mais podia. O que tinha visto? O que sabia? Seus pais haviam dito algo? Estavam vivos? Viu o lobo que os tinha matado? Ela o tinha que saber. Cada vez que lhe tinha feito esse tipo de perguntas à avó, ou qualquer outra pessoa que pudesse saber, só tinha conseguido uns olhos tristes, olhos de cão olhando para ela, e nenhuma resposta sólida. “Só deixa-o detrás, querida.” Diria a avó. “Isso não os trará de volta. Considere-se abençoada porque não o pode recordar.” Esta vez, ela tinha uma boa desculpa para abordar o tema. Ela tinha uma fonte de primeira mão que lhe desse algumas respostas. Ela não se conformaria com os olhos tristes e não a tranquilizariam os clichês. Esta vez teria respostas e isso, mais que qualquer outra coisa, impulsionou-a para o bosque, a um lugar que não tinha ido há anos. A lanterna de Maizie brilhava à esquerda. O caminho estava claro, coberto de terra, com ervas altas e matagais, mantinham a distância. Fez um pequeno giro em seu pulso para a direita e expôs uma franja de erva curta através do bosque de oito pés de largura. Debaixo estavam os restos de uma estrada esquecida para muito tempo. Ainda podia ver os sulcos sobre com os rastros de aros velhos através dos caules de ervas, embora o que recordava nunca tinha sido uma estrada realmente. Este caminho levaria a subdivisão, à cabana, ao lugar que alguma vez havia chamado de casa. Esperava que também a levasse mais perto da mansão secreta de Gray no bosque. Tinha que encontrá-la outra vez. Tinha que encontrá-lo. Maizie tremeu por seus nervos e começou a caminhar. Suas pernas dividiam as ervas daninhas com cada passo. Sementes verdes, folhas pegajosas se aferraram a sua calça, e deixavam raias escuras de rocio ao longo do tecido cinza nas coxas e joelhos. Sua mente voava, analisando constantemente os sons, as sombras e movimentos estranhos.

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Este era um risco estúpido tendo em conta que se encontrou cara a cara com o lobo de prata grande uma vez. E estava bastante segura de que a perseguiu no lago, o outro dia. O lobo tinha sido algo, menos mortal. Por suposto, sua atitude paciente poderia ter sido pura sorte. Se tão somente pudesse recordar a rota que Gray tinha tomado para o lago não teria que andar por aí tratando de encontrar a casa por acidente. Ela deveria ter esperado até manhã. Mas ela queria respostas e nem sequer pôs atenção em que teria que lutar com sua estranha família. Ela já havia esperado o bastante. Maizie tinha verificado todos os mapas da área que podia encontrar. Nenhum deles mostrava além das estradas, caminhos de cascalho à Reserva da Caça silvestre. O bosque era como um ponto em branco, o Triângulo das Bermudas da Pensilvânia. Desta maneira, um caminho reto a pé, Maizie estava convencida de que era mais rápida. Pelo menos se ela se perdia, estaria na parte direita da selva. Seu ritmo estava acelerado, mas sem nenhuma boa razão que ela conhecesse. Estava escuro, não completamente ainda, mas ela usou a lanterna para explorar os bosques, enquanto caminhava, em primeiro lugar de um lado a outro. Uma pequena parte de seu cérebro se deu conta que a lanterna a mantinha em uma situação de desvantagem. A luz brilhante assinalava sua localização a qualquer pessoa ou qualquer coisa que pudesse segui-la. Ela seguiu caminhando, com seu corpo firme, olhando a ambos os lados de ida e volta, com a esperança da lanterna alcançar a qualquer atacante antes que ele saltasse. As possibilidades eram escassas, mas isso não lhe impediu de ter esperança. O caminho coberto viajou para cima, e quando brilhou a luz a sua esquerda, viu as copas das árvores. Uma melhor visão a fez dar-se conta de que o chão do bosque desaparecia a poucos metros da rota. Um viajante audaz aventureiro poderia cair aqui, era uma ladeira muito levantada, era muito alto. Maizie não queria pensar nisso. Escalar a ladeira desde em baixo era algo que sabia muito, embora não podia recordá-lo. Ela seguiu caminhando, reassumindo a exploração com sua lanterna à direita e a esquerda enquanto o bosque se voltava a nivelar. Depois de mais de uma hora, a escuridão tinha chegado por completo, a luz branca da lua suave logo que penetrava no pavilhão grosso do bosque. Por último, Maizie se filtrou para ver alguns pequenos brilhos de luz através das

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árvores dianteiras. “As moradias Wood Haven.” Exalou as palavras. Aliviada. Tinha que ser o iluminado público pitoresco do bairro. Maizie se permitiu um pequeno sorriso apesar de um pingo de decepção. Ela não tinha tropeçado com a casa de Gray, como tinha esperado, mas ela tinha caminhado através do bosque sem ser devorada por qualquer grande lobo malvado. A civilização estava a menos de quinhentos metros de distância, sua confiança voltou. Seus ombros se relaxaram, dirigiu a lanterna em frente dela. Ela confiava em que chegaria à rua mais próxima e esperaria em um lugar onde pudesse chamar um táxi. Três passos depois e a confiança de Maizie se evaporou com o roçar de um movimento a sua esquerda. Ela ficou gelada, sentiu o formigamento da adrenalina correndo por sua coluna vertebral. Transladou a luz à esquerda. Uma árvore e um grupo de altas samambaias se cambaleavam. Havia algo passando junto a eles ou se moveu por uma brisa que só agora ela notou através de seu cabelo? Maizie moveu a luz mais à esquerda, observando tudo o que podia. Não havia nada aí, só a vegetação. Ela explorou o outro lado e não encontrou nada fora do comum. Forçou uma risada que não sentia. “Muito paranoica?” logo que as palavras saíam de sua boca houve outro movimento, esta vez sobre seu lado direito, gelou-a até os ossos. Moveu a luz, tratando de jogar uma olhada no que se movia por ali. Nada. Ela olhou durante vários minutos. Sem mover os pés, arrastou a luz da lanterna em um círculo a seu redor, girando seu corpo para cobrir a maior área possível. Ela começou a dar marcha ré e sentiu o repico familiar de dedos invisíveis na base de seu pescoço. A luz voltou rapidamente na direção em que tinha vindo e se refletiu em dois olhos brancos brilhantes. “OH, merda!” Seus pés se revolveram para trás sem o benefício do pensamento ou do equilíbrio para manter sua posição vertical. Ela aterrissou duro em seu traseiro, mas não duvidou nem um segundo. Esquecendo a lanterna, suas mãos e os pés se cravaram no chão, caminhando como caranguejo tão rápido como era humanamente possível.

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Sem a reflexão da luz, os olhos brancos se voltaram azuis na escuridão fresca e se fixaram nela. Maizie não podia apartar o olhar, não se atreveu, não podia arriscar-se a acelerar um ataque inevitável do animal, advertiu-a seu inconsciente. Em algum lugar de seu cérebro uma voz gritou: Se levante! Se levante! Mas Maizie não pôde encontrar um momento para desperdiçar em ficar de pé, ao invés de afastar-se. Ver esses olhos, o mesmo tipo de olhos do lobo de sua infância, os mesmos olhos de medo de centenas de pesadelos e noites de insônia, significava que ela não estava vendo por onde ia. O duro golpe de uma árvore contra sua cabeça parou todo o progresso. Deixou-se cair em seu traseiro com um juramento. Por um batimento de seu coração, fechou os olhos, sua mão foi a sua cabeça no reflexo. Ela abriu seus olhos de novo e encontrou os círculos azuis que a perseguiam e ainda a olhavam, mais perto. Ela podia ver o corpo completo do lobo agora, grande, musculoso e... cor mel marrom. Este não era o mesmo lobo de que sua avozinha lhe tinha falado. Este não era o lobo de prata travesso de Maizie. Isto não era nem sequer a besta selvagem que a tinha açoitado a outra noite. Este era um homem lobo e grande, com um olhar enlouquecido em seus olhos. O animal grunhiu, seus lábios se encrespavam detrás de seus enormes dentes brancos, sua pele grossa vibrava. Maizie pressionou suas costas contra a árvore, suas sapatilhas de esporte escavaram no chão como se ela se pudesse empurrar a si mesmo através do grosso tronco para o outro lado. “Cachorro bonito. Agora, vai. Vai para casa.” Valeu a pena tentá-lo. Mas o lobo enorme se aproximava. Com passos lentos e deliberados, seus olhos se centraram tão intensamente que podia sentir o frio congelante que trabalhava para paralisar seu corpo. Ela tinha que fugir. Maizie se inclinou a sua direita, girando contra o tronco da árvore, lista para girar em torno da outra parte. Mas justo quando trocou seu peso a seu quadril, uma corrente de ar quente ondeou por cima de seu ombro e ao lado de sua cara. Ela olhou de esguelha e escutou o grunhido de um segundo lobo. Sua pelagem era de cor marrom claro, os extremos com pontas loiras. A loba que a tinha açoitado o outro dia. Estava o suficientemente perto para que sua saliva gotejasse sobre seu ombro, a umidade quente, empapou-a através de sua blusa.

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Merda. Como tinha chegado tão perto sem que ela o notasse? Maizie não perdeu tempo perguntando. Voltou-se para outro lado e ficou de joelhos diante de um terceiro lobo melmarrom que ficava cara a cara, olho com olho com ela. “Merda!” Maizie se deslizou para trás por reflexo, aterrissando em seu traseiro de novo. Pressionou-se contra a árvore, empurrou-se a si mesma e conseguiu estar de pé. O mais baixo dos três lobos chegou a seu quadril com a cabeça. O mais alto, o varão com a pele mel-marrom, era só um centímetro mais baixo do que era seu lobo de prata. Os grunhidos mesclados se combinaram, convertendo-se em um som baixo que a fez vibrar através de seu corpo, nada parecido ao que tivesse escutado ou sentido antes. Estavam muito perto, o lobo se arrastava mais perto, grunhindo e babando. Enjaulada com os lobos na fronte e em ambos os lados, com a árvore a suas costas, ela estava ficando sem as vias de um escapamento rápido. Maizie se deslizou ao redor da árvore e saiu correndo. A suave pele do lobo a esperava a sua esquerda pressionando-se contra sua perna, enganchado através de seus dedos, enquanto se lançava para tratar de deter sua fuga. Ela escapou. Não. Deixou-a escapar. Em algum nível Maizie sabia que era verdade. Por quê? Ao diabo. Não lhe importava por que a tinha deixado ir. Estava livre, correndo a toda velocidade para a piscada das luzes do Wood Haven. Maizie com o pânico em sua mente corria, tentando riscar um mapa com a rota mais direta, mas algo andava mal. Só podia ver uma luz agora e era mais débil, como se uma espessa capa de árvores bloqueasse a vista. Onde estavam as outras luzes? A dúzia de luzes, a luz cálida das salas e as telas de televisão? Deveria haver mais luzes. Deveria ter estado mais perto. Por um segundo trocou sua atenção com a esperança de ver alguma luz piscando, na selva a seu redor. O caminho coberto que tinha estado seguindo se foi. O pânico deve ter feito que se equivocasse de caminho. Então, Qual era a luz para onde que estava correndo, se não de era Wood Haven?

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O som do golpe de pegadas suaves acolchoadas e rangidos detrás dela afastou a pergunta de seu cérebro. Eles vinham. Os lobos lhe caçavam. A caçada tinha começado. É por isso que a tinham deixado ir? Assim poderia persegui-la? O coração do Maizie retumbou em seus ouvidos, bombeio adrenalina no sangue rico em oxigênio que corria através de seu corpo. Seus pulmões queimavam mas não se deteria, não podia, ou corria o risco de ser descoberta. Comerão.... OH, Deus. Mais adiante, uma enorme árvore caída bloqueava o caminho e se desviou à esquerda para ir a seu redor. Ela se deslizou através dos velhos ramos, reduzindo a distância que tinham que percorrer por vários metros. Nesse instante rompeu-se todo seu mundo, fechou-se a seu fim. Um lobo. Um quarto, tão alto como seu lobo grande de prata e só com uns poucos quilogramas menos, estava diante dela. Sua pele era da mesma cor mel-marrom dos outros dois, com olhos de um azul luminoso inquietante. Seus lábios subiram sobre suas presas, tremendo com um grunhido baixo ameaçador. Uma armadilha. Ela tinha sido conduzida ao massacre como uma ovelha estúpida. O bosque rangia e rangia, enquanto os outros três lobos a apanhavam em um círculo, o lobo loiro se inclinou e saltou à árvore cansada, sobressaindo-se por cima de seu ombro direito. O outro lobo menor permaneceu atrás, o grande lobo de cabelo mais escuro, deu a volta a sua esquerda. Os músculos de Maizie tremeram rapidamente, temor e o desejo irresistível de correr. Seu corpo se estremeceu, os instintos voaram em conflito com o sentido comum e as probabilidades de êxito. Tinha que haver algo que pudesse fazer. Alguma maneira de sair disto, obter ajuda. Só uma tênue luz de esperança veio a sua mente. “Gray.” Falava quase em um tom normal, sem saber qual seria a reação dos lobos. Os grunhidos aumentaram em volume, mas ficaram onde estavam, cada um, a alguns bons quatro metros de distância. “Gray ajuda! Ajude-me! Alguém aju…” O lobo frente a ela deu dois passos mais perto e se deteve.

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O fôlego de Maizie se deteve. Cale-se. Fecha a boca. Cale-se. Cale-se. O instinto deteve-a e o medo lhe gritou que não fizesse outro som ou se arriscaria ao ataque das bestas. Inteligência se disse, sua voz era sua única esperança. Que precisava utilizá-la enquanto ainda podia. Respirou fundo para obter o maior volume que pôde. “Ajuuudaaaaaaaaaaaaaa...” O lobo grande escuro se lançou a sua esquerda, estrelou-se contra ela, lhe tirando o resto do ar de seus pulmões. Maizie abriu a boca com um grito silencioso, sem fôlego, enquanto seus dentes afiados se enganchavam na prega de sua blusa, quase lhe roçando a pele. O lobo maior se equilibrou sobre ela, mas seu enorme corpo se estrelou contra o lobo escuro e ambos caíram na erva. Um instante depois seu ombro estalou em dor, enquanto o lobo menor transpassava com afiados dentes o músculo e a carne. No seguinte momento, Maizie conteve seu fôlego e fez um grito mais forte e ruidoso. Mas as capitalistas mandíbulas do lobo apertaram mais forte. Maizie se retorcia sob o peso de seu corpo, suas mãos frenéticas, empurrando contra seu pescoço, os dedos arrancavam pedaços de pele. A besta não a soltou. Olhou a seu redor, procurando algo, algo para utilizar contra seu agressor, mas o único que viu foi um rápido deslocamento da pele da loba-loira. Conteve a respiração, preparou-se para a próxima punhalada de dor, a mordida seguinte. Chegou no mesmo ponto exato de seu ombro, quando os dentes do lobo perderam o controle sobre ela, e seu corpo voou vários metros. A loba-loira a tinha golpeado. A quem lhe importava por quê? A ferida era profunda e doía como o inferno. Inclusive o mais mínimo movimento enviava uma chuva de dor palpitante do interior. Não importava. Tinha que sair dali. Maizie moveu o quadril, empurrando-se, tratando de chegar a seus joelhos e esperando estar em pé. Ela não pôde chegar a seus joelhos antes que seu instinto dissesse-lhe que as coisas de repente tinham mudado fodidamente para mau, mais além do reconhecimento. Seu olhar se deslocou ao lobo de pele-marrom entre ela e a única luz que podia ver. Ele se arrastava mais perto, baixo, como espreitando para ferir sua presa. E aí estava.

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Olhou para trás e viu o grande lobo de mel-escuro sem piscar olhando com seus olhos azuis, reconhecendo-a como o que era, a comida. A sua direita estavam os dois lobos que a tinham atacado e ele que a liberou. Este último ainda estava ao redor, mas ambos tinham sua atenção fixa no Maizie. Ela estava sangrando. A mesma mancha vermelha em todas as partes. Havia suficiente sangue, o aroma dela devia estar impregnado no ar, provocando uns instintos que não tinham nenhuma razão para ignorar. Definitivamente vão à merda. O lobo na frente, o mais escuro dos quatro, lançou-se primeiro. Maizie o viu vir a tempo para girar longe seu quadril, mas não o suficientemente rápido para evitar que suas enormes presas brancas se cravassem em sua panturrilha, afundando-os dentro. Ela gritou e outras séries de poderosas mandíbulas capturaram a parte traseira de sua blusa. O tecido se rompeu enquanto o terceiro mordia sua perna, capturando sua saliva em seus dentes, arranhando sua pele por debaixo. “Ajudem-me! Ajuda! Ajuuudaaaaa!” Maizie colocou a cabeça entre seus braços, protegendo sua cara. As patas traseiras arranhavam suas costas, pressionadas contra ela, caminhando sobre ela, lutando por ela. Olhou sobre seu corpo a enorme cabeça peluda, mordendo e rasgando-a, rasgando sua roupa, um ao outro. E depois havia um menos. Ela piscou bem a tempo para ver outro lobo navegar para trás no bosque. Uma mão grande apertou o pescoço da pele do lobo, levantando-o, e o enviou voando, todo seu corpo se retorcia e girava pelo ar. Por último, as duas mãos pressionaram contra a boca do lobo, o lobo, cujos dentes ainda estavam profundamente na panturrilha de Maizie. Uma mão na parte superior, e a outra por debaixo, e abriu a queixada do lobo. Maizie moveu a perna livre, lançando seu olhar à cara das mãos. “Gray.” Sem soltar as mandíbulas em suas mãos, Gray torceu o pescoço do lobo, forçando-o a ir longe. As largas pernas do lobo se cambalearam para trás e Gray o deixou ir. Sacudiu sua cabeça grande, depois soprou como se tratasse de voltar a centrar seus sentidos. Fulminou Gray com o olhar, grunhindo, seus ombros baixos como se fora a atacar.

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“Ela não te salvará disto, Shawn. Não pode. Empurra mais longe e vais morrer aqui. Agora.” disse Gray. “O que vais ser, moço?” O lobo mel-marrom se deteve. Balançava-se sobre suas patas dianteiras, como se elucidasse uma linha de conduta. Um bufo duro de novo, e então deu a volta e correu longe. Gray olhou ao Maizie, ainda estirada no chão. “O que faz em meu bosque?” “Santo céu” disse. “Onde aprendeu a falar lobo?”

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Capítulo 8 “Bendito Taj Mahal, Batman. Pode fazer que coubesse toda a parte baixa da cabana aqui.” Maizie olhou sobre o ombro do Gray para a habitação enquanto ele a levava para o banheiro principal. Incluindo o teto solar. A habitação era enorme, maior do que qualquer outra habitação precisasse ser. A cama, tamanho King size, de madeira cor clara com grossos postes de madeira esculpida e desenhos circulares combinando através da cabeceira, poderia ter diminuído sua habitação na cabana, mas nesta habitação, era apenas uma peça de mobiliário. Fazia jogo com o armário, a cômoda e a cômoda, e com os pedestais também. A sala com suas cadeiras estofadas de couro bege e os pufes a jogo, a clássica chaminé, o pequeno minibar de madeira e o piso esférico obrigatório estava tirada diretamente do guia de decoração para meninos ricos graduados. A única coisa que a impediu de pensar que ela tinha entrado em um set de fotos da revista de Arquitetura foi o local com o sistema de jogo e a TV dentro, junto com um impressionante montão de jogos. Um controle estava atirado ao longo do piso como se alguém tivesse estado sentado nos bancos estofados de couro aos pés da cama, jogando. Gray sentou Maizie no balcão. Sua perna e ombro doíam, mas um estranho calor e uma excitação surgiam através de suas veias, e parecia sobrepor-se ao pior da dor. A adrenalina era uma coisa maravilhosa. “É este seu banheiro? De verdade?” Ela tinha ficado em habitações de hotel menores que este banheiro. “Sim, Maizie. Minha habitação é grande.” “Muito grande.”

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“Você estabeleceu isso. Agora responde minha pergunta. O que estava fazendo lá fora? Hão-lhe dito desde pequena que te mantenha nos caminhos. Que se mantenha longe desta zona do bosque.” “Como sabe isso?” “Você sabe como.” Ele ficou de cócoras alcançando as portas do gabinete abaixo. Ele golpeou a cara interna de seu joelho, lhe indicando que abrisse suas pernas. Quando ela o fez ele abriu a porta detrás delas. “Sua avó e eu fomos amigos por um longo tempo.” Maizie tragou. Ver esse enorme homem de cabelo cinza e negro bamboleando-se entre suas coxas lhe trouxe uma corrente de pensamentos de garota suja a sua cabeça. “É muito jovem para ter sido amigo da vovó quando eu era uma menina. Não pode ser mais de dez, possivelmente doze anos mais velho que eu.” Ele olhou para cima. “Sou mais velho do que pareço.” Seu olhar recaiu no V de suas pernas. Sua expressão se fundiu da distração ao interesse focalizado em um instante. Ele umedeceu seus lábios e logo olhou para o rosto dela como se tivesse recordado que ela estava olhando. Suas bochechas se esquentaram um pouco, mas logo voltou para sua busca sob obalcão. “Há coisas sobre minha família, sobre mim, que precisa saber. Especialmente depois desta noite. Verá que nós não somos exatamente normais.” Gray levantou-se, suas mãos cheias de gaze, esparadrapo, tesouras, antisséptico e o que parecia ser três caixas de distintos tipos de bandagens, uma delas com as caricaturas de Scooby-Doo. “Não são normais. Sim, dava-me conta disso à última vez que estive aqui.” Ela se arrastou para trás, fechou suas pernas, recordando o intercâmbio entre os membros da família no pátio. “Uma verdadeira família… unida.” Como ela poderia esquecê-lo? Problemas de poder com seu sobrinho, batalha com sua cunhada, uma sobrinha que parecia zangada com o mundo e uma sogra aparentemente cega sobre tudo isso. Gray estava parecido no meio, tratando de fazê-los a todos felizes, o qual para ela só piorava as coisas. Ela manteve essa opinião em reserva. “Bastante unida. Essa é uma forma de nos descrever.”

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Um profundo fôlego se sentiu morno no peito dela. Sua roupa se pegou a seu corpo, o ar ficou mais denso, parecia pressioná-la. “Por que esta tão quente aqui dentro?” Gray deixou os suplementos médicos a cada lado dela e pressionou a palma de sua mão na testa dela. Sua testa se contraiu franzindo-se familiarmente, mas não disse nada. Maizie fechou seus olhos. Sua mão era fria contra sua pele e trazia sua deliciosa essência de colônia doce de homem e bosque fresco a seu nariz. Ela tratou de não desfrutá-lo, mas as coisas se estavam tornando um pouco enredadas em sua cabeça e o calor estava lhe fazendo sentir formigamentos, em sua pele sensível. O fato de que ela tivesse considerado cada possível forma de estar sozinha com este resistente e sexy homem, desde que ela virtualmente saltou sobre ele no lago da pedreira, tinha que ter algo a ver com isto. Muito a ver com isto, a verdade. Não é que importasse. Ela era uma covarde quando se referia a deixar saber a um homem o que ela queria. Mas esta noite, de alguma forma, ela já não era tão covarde. Ele enganchou seus dedos no pescoço de sua camiseta e puxou o suficiente para olhar debaixo dela. “Procurando algo?” Ele a deixou ir. “Esta camiseta está arruinada, e preciso chegar à ferida.” “OH, está bem. Assim o que quer…?” Um forte puxão e ele rompeu a camiseta ao longo da costura do pescoço até seu ombro antes que ela terminasse a frase. Tirou de todo seu corpo e fez seu coração saltar até sua garganta. O mais provocador de seu ombro era o sutiã de sustentação, mas ele ficou olhando fixamente sua carne exposta como um homem faminto, fome de homem refulgindo em seus olhos. Suas mãos sustentaram os extremos rasgados da camiseta dela como se ele estivesse lutando com pensamentos contraditórios, seu peito subindo e baixando com pausas deliberadas. A excitação fluiu pelo sistema dela, apertando seus músculos, estremecendo seu estômago e umedecendo o canal de seu sexo. “É suficiente ou estas planejando destruí-la completamente?”

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Não é que ela tivesse um problema com isso. As mãos dela se empunharam sobre as malhas de suas coxas. Ela conteve o fôlego. Tratou de não imaginá-lo. Ela procurou seu olhar. Estava ele pensando o mesmo? Ele não tinha respondido, seu rosto era sério, o cenho franzido em concentração. Depois de uma pausa profunda ele extraiu um pedaço de gaze, empapando-a em antisséptico. Quando se girou para ela, ele era a viva imagem do autocontrole. Ele passou a almofadinha empapada sobre a carne rasgada onde ela tinha sido mordida. Ele poderia tê-la esfaqueado com um atiçador e teria doído menos. Ela vaiou. “Filho do King e Kong.” Tanto pela adrenalina mascarando sua dor. Ele se encolheu de ombros. “Sei, isto pode arder um pouco.” “Você o crê?” “Sinto muito.” Ele se aproximou dela para ver a parte de atrás de seu ombro. Sua perna se pressionou contra seus joelhos assim que ela abriu as pernas lhe permitindo aproximar-se. A posição pressionou o vulto no fechamento de sua calça contra o joelho dela e lhe deixou saber que seu comportamento tranquilo era sozinho levianamente profundo. Ela tragou forte, lutando com a urgência poderosa de alcançar seu pau quase rígido para deixá-lo duro e preparado. Ela umedeceu seus lábios, e logo mordeu o interior de sua bochecha. A necessidade de tocá-lo era quase irresistível. Que demônio estava mal com ela? Gray era sexy como o inferno, cheirava como um homem para pegar, com uma voz que podia derreter manteiga e um corpo que podia deixá-la fodidamente cega. Mas ela nunca tinha estado tão preparada em toda sua vida. Além disso, ela quase não o conhecia e o que ela sabia de sua vida era o suficientemente torcido, por dizer o menos. “Vê-se feio agora, mas sarará rápido.” Ele se endireitou, fazendo uma bola com a gaze ensanguentada em suas mãos. “Sinto muito isto. De verdade, mas se você tivesse escutado a sua avó por uma…” “Hey. Não nos metamos nas dinâmicas familiares do outro. Está bem?” Ele jogou a bola através da habitação para o banheiro e golpeou o papeleiro junto a ele sem tocar a borda. Ele se afastou e enganchou suas mãos nas costuras de suas calças à altura de

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suas panturrilhas. Um puxão rápido e rasgou o material. Como não havia costuras que seguir o resultado foi irregular, terminando bem mais acima de seu joelho. “Confessa-o. Você gosta de fazer isso. Certo?” Ela estava tratando de aliviar o incômodo momento, mas a crueldade em sua voz a fez soar mais como um vamos. Sua pequena risada foi apertada em sua garganta. “Sim claro” disse ele como se estivesse jogando, mas não realmente. Tirou-lhe as sapatilhas e as meias três quartos e logo agarrou uma nova porção de gaze empapada em antisséptico. Ele se ajoelhou. Sua enorme mão acariciou suave e sedosamente sua perna, com cuidado de evitar sua ferida. Ele desceu para seus calcanhares e logo ao longo da planta do pé e de volta a seu tornozelo. A sensação enviou um morno tremor até o topo da cabeça dela, o qual baixou até assentar-se entre suas coxas. Ele esclareceu sua garganta e começou a falar como se ele não a tivesse acariciado recém sem nenhuma razão. “Joy é minha sogra.” Ele deixou o pé dela descansar em seu joelho. Alinhando seus olhos com os dela disse, “vai arder de novo.” Ela assentiu, apertando. Ele limpou a ferida enquanto falava. “Lynn é a irmã de minha esposa, Rick e Shelly são os filhos de Lynn. Seu pai, Shawn, não era… um de nós quando os gêmeos foram concebidos. Eles tinham tido uma relação passageira. Ele estava casado sem intenções de deixar a sua esposa e de alguma forma na mente disso Lynn é minha culpa. Ele não é o suficientemente bom para ela. Essa é a forma em que me sinto.” Ele negou com a cabeça e pegou mais gaze. “De todos os modos, depois de que meu sogro foi morto por um rancheiro em Utah…” “Morto? Quer dizer assassinado?” Gray se deteve um momento para olhá-la. “Sim. O menino apanhou a meu sogro matando a suas ovelhas. É um problema comum com os lobos nesse estado. Havia rumores. Eles não puderam provar que algum deles eram homens lobo. Os malditos rancheiros começaram a usar balas de prata só para assegurar-se. Homens lobo? Um calafrio percorreu a coluna vertebral de Maizie apesar do suor que pregava sua camiseta ao peito. A implicação era bastante clara, mas muito bizarra para aceitá-la.

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Combinada com todo o resto… O lobo prateado que sua avó amava, mais humano que animal, e a família de Gray, mais animal que humana e o lobo que ela tinha conhecido no bosque… Possivelmente o valente era possível. Ou o sogro de Gray foi confundido com um lobo. Ou ele era um. Não. Os homens lobo não existem. Gray se levantou, jogando as bolas de gaze. “Sua morte me deixou como o homem mais velho. Eu meio que me deslizei no rol de macho alfa sem sequer me dar conta. Eles são minha responsabilidade agora, Joy, Lynn, os meninos. Assim é como funciona. É meu trabalho velar por suas necessidades, comida, teto, roupa… sexo. O último é apenas um tema com Lynn, em realidade, e só porque ela sabe as leis, quer me fazer pagar por sua decepção.” Ele a olhou como se estivesse tratando de calibrar sua reação a este último. Maizie ainda estava ao redor da palavra alfa em sua cabeça. “Sexo? Você tem sexo com eles? Todos eles?” “Não. Posso, mas não o tenho feito. Exceto… Lynn, uma vez.” Ele olhou suas mãos, esfregando as manchas de sangue em seus dedos. “Nós temos instintos diferentes. Não é como uma família de humanos.” Humanos? “Tenho que ir.” Ao inferno com suas fantasias sexuais sobre o Gray e a primeira oportunidade real de as fazer realidade. Esta noite se inscreveu na zona vermelha de sua medição do estranho. Ela tratou de se desprender do balcão, mas Gray interpôs-se, suas mãos agarrando seus quadris, sustentando-a no lugar. “Não pode Maizie, não é seguro.” “Por que não? Frankenstein e Drácula me estão esperando em algum lugar aí fora também? Ou é só sua família que tenho que me preocupar? Esses foram eles, certo? Eles foram os lobos que me atacaram, e quase me mataram.” “Sim. Mas não acredito que eles queriam te ferir. Não de verdade. O lobo em nós é ainda um animal selvagem no coração, imprevisível, guiado pelo instinto.” Ele suspirou. “Escuta, sei que isto parece estranho…”

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“Estranho? Não. Passamos o estranho faz três dias atrás.” Ela se removeu, tratando de romper o agarre por ele, e tratando de não sentir a onda de excitação de estar sendo tão facilmente retida por ele. “Está bem. Não falaremos mais disso esta noite. Prometo-o. Só… fique. Por favor. Necessito que fique aqui esta noite.” Ele soava sincero, como se significasse tudo para ele o tê-la aqui esta noite com ele. Por quê? O que é que queria dela? Sua mente se encheu de possibilidades, a corrente de excitação cresceu. As mãos dela se enrolaram nos antebraços dele, sentindo os cordões de músculos de aço sob a camisa de homem. O fôlego dela tremeu, fechou seus olhos. Como se ele pudesse escutar seus pensamentos, cheirar sua luxúria crescente, os dedos de Gray se flexionaram nos quadris dela, agarrando-se ao material elástico de suas calças em cada lado. Ele se aproximou, cobrindo seus quadris entre as pernas dela. Com um simples puxão, ele a aproximou da borda do balcão. A virilha rosada dela contra o duro eixo de seu pau. “Fica comigo Maizie.” A voz dele era baixa, retumbando em seu peito e vibrando através do corpo dela como um trovão distante. “Quero-te aqui. Você não sabe quão difícil é para mim admiti-lo. Tratei de pretender que você não me afetava, que eu estava fazendo as escolhas. De me convencer de que a forma em que sentia a seu redor era controlável, que podia ignorá-lo. Estava equivocado. Fique, Maizie.” “Seu plano é me manter aqui contra minha vontade?” “Não.” Ele pôs seus lábios na orelha dela, a boca dela no peito dele. “Mas amaria a possibilidade de te convencer de que fique.” O fôlego dele era morno, tranquilizador e erótico contra sua pele. Ela se sentia como um gatinho na areia para gatos. Tinha sido uma noite estranha, assustadora e estimulante. A habitação reaquecida, a essência dele, a briga por sua vida, tudo a fazia sentir enjoada e deixava seu corpo querendo. Era muito difícil brigar. Ela não queria fazê-lo mais. Assim parou de lutar. Ela o cheirou, suas mãos viajando para os ganchos do cinto em suas calças. Suas pernas se enrolaram ao redor das dele. Ela empurrou, pressionando seu úmido e necessitado sexo contra a dura longitude dele. “Convença-me.”

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Eram ambos, um convite e um desafio. Gray era bom com ambos. Admitindo-o, ele queria que ela ficasse por sua própria segurança, pela saúde dela. A primeira mudança era dura e lhe assustaria como o inferno. Mas havia uma parte dele, uma enorme parte que se aumentava por segundos, que queria que ela ficasse só por razões egoístas. Gostava da forma como se sentia com a Maizie, cômodo, em casa. Ele nunca havia sentido isto antes, nem sequer com Donna. Não era justo. Ele deveria ter sido capaz de dar isso a ela, de encaixar tão perfeitamente com alguém como agora. Ele não o tinha feito. Mas ele estava tão cansado de castigar-se por seus enguiços. Por uma noite tinha aceito que, possivelmente, ele de verdade merecia sentir-se feliz. Gray beijou a orelha de Maizie, logo a saboreou, só um rápido gosto de sua língua. Açúcar e especiarias. Jesus, ele sempre tinha pensado que isso era só uma rima de conto de menino. A profissão de Maizie o fazia uma realidade detratora. “Primeiro uma ducha.” Ela se afastou. “OH, lamento-o. Estava correndo antes e faz calor aqui…” Ela dobrou seu pescoço para seu ombro e farejou. “Não. Você cheira…genial.” Ela cheirava a terra, bolachas e sexo, as três coisas favoritas dele. “Suas feridas, entretanto… será mais resistente às infecções, mas não quero correr riscos.” “OH.” Ela riu, mas havia um nervosismo sobre isso que vinha com os amantes a primeira vez. O som fez com que os músculos dele se estremecessem e enviou a mesma excitação nervosa através dele. Ele se separou para um lado e a levantou, levando-a para a ducha de paredes de vidro. O assento moldado no canto era suficientemente grande para três, mas Gray não tinha intenções de sentar-se junto a ela. Ele se aproximou da parte inferior da camiseta dela. Ela se inclinou para trás, agarrando a borda. “Posso fazê-lo sozinha.” Ele não pôde evitar o sorriso inclinado. “Que diversão há nisso?” A compreensão brilhou em seus olhos, a luxúria esquentava a cor de suas bochechas. Ela se inundou em seu queixo, tímida e sexy, olhava-o fixamente através dos filamentos vermelhos de seu cabelo.

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“Você primeiro.” O vírus trabalhava através de seu sistema mais rápido do que esperava, melhorando seus sentidos básicos. Ele nunca tinha visto ninguém passar pelas etapas iniciais, além dele, tudo o que recordava daqueles dias era alimentar a dor... e o sexo. Intenso foi o lema da experiência. O vírus não lhe fazia fazer coisas que não quisesse, só para tudo saber, sentir-se, e cheirar-se melhor. Gray enganchou a borda de sua camisa e tirou-a, enviando os botões cor verde marinho para o vidro e sobre o piso do chuveiro. A camiseta já estava em ruínas, com o sangue de Maizie, mas o teria feito de todos os modos só para ver seus olhos tão abertos como a outra vez. Tirou seus braços livres, arrojou a camiseta à ducha e arqueou uma sobrancelha para ela. Não lhe disse, mas sabia que seu olhar lhe diria que era seu turno. Maizie agarrou as bordas rasgadas de sua blusa e tirou-a. Ampliou-se o rasgão de sua ferida um centímetro, mas só um pouco. “Posso?” Ela assentiu, agarrando seu lábio inferior entre seus dentes, quando ele chegou às bordas de sua blusa. Um puxão rápido e a blusa de algodão abriu-se através de seu corpo. Ficou sem fôlego, seus peitos balançando-se em seu sutiã de encaixe branco à força. A respiração dela era pesada, e que Deus tivesse piedade dele, não pôde olhar nada mais por três sólidos batimentos cardíacos. “Para. Eu te ajudarei com ele…” Sacudiu a cabeça, um sorriso malicioso se formou em seu rosto. “Não, é meu turno.” Gray não duvidou. Tirou fora sua calça junto com sua roupa interior para economizar tempo. Não levava sapatos ou meias três quartos quando tinha ouvido os gritos de Maizie, assim depois de lançar sua roupa ao piso do banheiro, estava completamente nu e mais duro que pedra. Os olhos verdes de Maizie olharam seu pau movendo-se em linha reta através de seu corpo como se tentasse chegar a ela por sua conta. Sua atenção se centrou em seus músculos trementes, crispando o eixo substancioso ainda mais e atirando um brilhante sorriso faminto em seu rosto.

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Deus odiava o que lhe tinha feito! Mas não pôde evitar seu entusiasmo ao despertar seus sentidos e a necessidade que vinha com isso. Queria a ela. Desde o momento em que a tinha visto na clínica. Seu lobo tinha sabido todo o tempo, e tinha tratado de ignorá-lo. Mas agora com o vírus bombeando através de suas veias, o aroma selvagem da manada aumentava através de sua pele, não podia negá-lo, não pôde resistir a ela. Estava indefeso. O lobo queria a sua companheira. Maizie o alcançou. Seus dedos largos e magros o tocaram com ligeireza na cabeça de seu pênis, as veias viscosas bombeavam com o passar do eixo. Inclusive vendo-o vir, os pulmões de Gray se expandiram a seu tato, endurecendo seu corpo. Seu olhar se desviou do seu, seu sorriso era um acessório permanente em seu rosto. Ela o deteve, não com um apertão de sua palma, mas com a suficiente aderência para que quando o tomasse, ele a seguisse. Três passos foram suficientes e os lábios suaves vermelhos de Maizie se separaram sobre ele. Sua língua explorou as texturas, girando e agitando, fazendo-o tremer com a sensação dela. Empurrou-se mais profundo nela, sua mão direita esfregando ao redor da base do pênis, acariciando o que tinha deixado de tomar. Sua boca o tomou, doce, a sucção úmida que extraiu a sensação de cada parte de seu corpo, como uma marionete. Ela baixou mais sugando, e desenvolta, aplicando uma maior pressão. Abaixo e para trás e logo depois de novo ao pau. Os quadris de Gray bombearam com cada carícia, até que foi foder sua maldita boca, tão forte e rápido como ela podia aguentá-lo. Cada impulso era mais profundo, e Maizie tomou, agarrou suas bolas, e seu traseiro e pediu mais. Ele manteve sua cabeça com ambas as mãos, seus dedos se cavavam em seu cabelo grosso avermelhado. Sacudiu seus quadris, colocando seu pênis entre seus lábios, sentindo o roçar de seus dentes afiados, levando-o duro na sucção. Ele gozaria assim se não se cuidava. Foda. A sensação repicava por suas veias, redemoinhos, construindo-se na virilha, sentindo-se melhor e melhor por segundo. Queria gozar. Sentia-se tão condenadamente bem. Não. Podia conter-se uns quantos segundos mais, desfrutá-lo um pouco mais. As mãos de Maizie começaram a brincar. Ela rodou seu testículo através de seus dedos, acariciou, e o tomou. Sua outra mão se deslizou ao redor de seu rabo, riscou a linha das bochechas, burlandoo, em busca de seu pau.

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A sensação irrompeu através de seu corpo mais rapidamente do que esperava, uma quebra de onda de calor e delicioso prazer estrelando-se através de seu controle, um tênue brilho de liberação. Chegou antes que pudesse deter-se. Tirou-o, retirando-a antes de perder mais de sua carga. Deus tinha sido décadas desde que alguém o tinha feito! Ela controlava seu corpo. Não podia recordar a última vez que alguém havia conseguido seduzi-lo mais à frente do controle, embora fora um pouco. Maizie se lambeu os lábios, provando-o, e interrogando-o com seus olhos. “O que passa?” “Seu turno.” O lobo grunhiu nele, ofegando. Tinha despertado à besta, como ela o tinha estado fazendo durante vários dias, só que esta vez o satisfaria. Gray tomou dela em seus pés, até que ele estava seguro de que tinha encontrado o equilíbrio. Ela manteve a maior parte de seu peso sobre uma perna, suas mãos apoiadas, uma ao lado da parede do fundo de azulejo, a outra na parede de vidro. Os braços, o peito parecia um presente para ele, e ele não pôde resistir uma carícia rápida, sentindo a redondeza, o flexível quando apertou os mamilos duros que se pressionavam sob o encaixe. Suas costas arqueadas, pressionando em suas palmas e Gray, deu-lhe um apertão final, um pouco rápido, um suave puxão. Ele se ajoelhou, enganchando seus dedos em sua cintura, agarrando suas calcinhas, e atraindo para baixo de seus quadris. Tirou lentamente dela pelos quadris até que os primeiros cachos avermelhados apareceram sobre a borda. Um pouco mais e podia ver a racha superior de seu sexo. Deteve-se, inclinou-se e moveu a língua em sua dobra. Ela ofegou. Ele colocou a língua mais firme entre os lábios vaginais, saboreando sua nata enquanto encontrava seus clitóris. Ela gemeu, tratou de abrir mais as pernas, mas sua roupa interior a deteve. Ela curvou seus quadris, pressionando seu sexo em sua cara e Gray respirou. Nada de mel aí, mas um montão de especiarias e o aroma embriagador de mulher. Deus, podia viver com esse aroma! Suas brincadeiras lentas se converteram em uma tortura.

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Tirou seus calções por seus tornozelos e sua boceta se encolheu, só pôde recordar a menina ferida.. “Merda. Maizie…” “Bem. Eu estou bem. Não te detenha. Por favor, Deus...” Levantou um pé livre e abriu as pernas, agarrou sua cabeça e pôs sua cara em seu sexo. Gray sorriu quando ele moveu sua língua da abertura de seu sexo até seus clitóris. Ela gemeu forte com a sensação de sua boca nela e o fez de novo. O mais provável era que o vírus a fizesse tão audaz, mas não lhe importava. Gostava. Muito. A parte superior das coxas internas estava molhada, seus cachos brilhantes. Gray deslizava seus dedos entre sua carne torcida, a entrada polida apertada. Seus músculos pulsavam, apoderando-se de seu dedo e logo acolhendo um segundo, sua nata quente na parte superior de seus nódulos. Ela ardia, lutou contra a necessidade, tratando de levar as coisas com calma, para satisfazê-la antes que ele estivesse dentro e a fodesse tão forte que gritasse seu nome. O instinto principal em seu interior foi o seu pau, antes que a seu cérebro, de modo que logo podia pensar, com claridade. Ele separou os lábios de seus clitóris, estalando o nó gordo com a língua, fazendo tremer seu corpo incluso enquanto seus dedos a fodiam. Seus quadris se oscilavam contra ele, conduzindo seus dedos, mais fundo. Ele arqueou seus dedos dentro dela, curvado ao longo de seu canal para encontrar o lugar que a fazia levar sua cabeça para trás, seus olhos se fecharam e seus quadris estabeleceram um ritmo frenético. Sua mão agarrou seu cabelo, na parte posterior de sua cabeça. “Aí. Justo aí. Sim.” Pegou seu clitóris, aspirava e jogava, atirando da carne suculenta em sua boca, convencendo os espasmos pequenos a tremer através de seus músculos chegando ao orgasmo. “Gray...” Ela caiu de costas. Ele tomou os dedos ainda bombeando em seu sexo, a boca ainda em seus clitóris até que seus quadris se detiveram, com a mão no cabelo e o último espasmo de seu sexo revoava ao redor de seus dedos. Querido Senhor, ele queria que ela gozasse novamente. Inclinou-se, com a boca aberta, olhando fixamente a seu rosto. A parte posterior de seus ombros se apoiou contra a parede, seu corpo era sujeito por seu braço ao redor de sua bunda. Os olhos de Maizie estavam fechados,

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com a cara vermelha, seu peito subia e descia com as respirações profundas. Necessitava um momento para recuperar-se. Gray não pôde resistir uma dentada brincalhona em sua buceta enquanto tirava os dedos dela. Ela se agitou um pouco, com uma risada suave. Ela era absolutamente flexível a seu tato, nem sequer abriu os olhos quando ele se levantou e lhe tirou o prendedor. Pô-la contra o vidro da ducha, deu-se volta e ajustou a temperatura da ducha. Esperou até que a água nos chuveiros tivesse esquentado o suficiente. O processo tomou menos de dois minutos. Ficou de pé protegendo-a da repentina queda da água quente. Ela ainda não tinha aberto os olhos nem deixado seu bonito sorriso. Olhou-a, a cremosidade de sua pele pálida, os traços delicados de seu rosto. Pestanas largas e de cor avermelhada, quase transparente, a sombra de sardas nas bochechas. Os lábios tão suaves, que com as pétalas de rosa não se podiam comparar, inclinou-se com um sorriso, deu-lhe um puxão a seu coração, o fazia feliz de ser um homem. Quando a avó tinha convertido a Chapeuzinho Vermelho em uma mulher encantadora? Seu olhar se reduziu a seus peitos que se elevavam para ele com sua respiração lenta. Ele se aproximou de um, com o dedo ao longo da curva no exterior, levando um pequeno tremor a seu corpo. Seu sorriso se iluminou, mas seus olhos permaneciam fechados. Deslizou um só dedo até a carne mais escura da aréola. A pele reagiu como uma flor delicada, enrugando-se por seu tato, seu mamilo endurecido, e definido. Abriu sua mão sobre isso sem pensar, apertando com os dedos brandamente, agarrando o mamilo duro. Seu coração aumentou seu ritmo, o sangue corria através de seu pênis, apertando seus músculos. Não havia nada como a sensação de um peito de mulher tão perfeito, tão sensual. Tinha que senti-lo em sua boca. Gray deslizou seu braço ao redor de sua cintura, sua mão deslizandose para pegar a sua. Ele a atraiu para ele. Seu pênis contraiu-se contra ela, os cabelos úmidos de seu sexo jogavam com ele. Inclinou-se sobre ela, estalando a língua pelo mamilo, duro como uma cereja. Grrr... Gostaria de apertar seus dentes nessa pedra doce de carne, morder e mordiscar. A doçura não foi fácil, mas ele não queria lhe machucar. Sabia que tinha fracassado quando ela

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ofegou, apartou-se. Deteve-se imediatamente e se encontrou com seu olhar. Houve risada em seus olhos verdes bosque que se precaveram de sua preocupação com facilidade. “Não tão duro.” Ele grunhiu sua desculpa enquanto lhe beijava o peito, continuando, conduziu-o tudo o que pôde dentro sua boca, com cuidado de não tomar dele muito. A carne enrugada de seu mamilo se sentiu de maravilha em sua língua e se formava redemoinhos ao redor dele, deleitando-se com a sensação. Arqueou-se nele, pressionando seu corpo contra ele, desde suas costelas a seu sexo. Gray pressionou de volta, os braços envoltos nela se pressionaram a seu redor. Um som suave lhe advertiu antes que caísse a água perfeitamente quente pelas três paredes e o teto. Seu corpo a protegeu, mas ela retrocedeu de todos os modos. “Wow, isso se sente bem”, disse. Gray a soltou deu um passo atrás, permitindo que mais da água fervendo chegasse sobre seu corpo. Tomou a esponja de mar na cesta de prata da parede detrás e mostrou a ela. “Importa-te? É quase nova.” Estava ainda um pouco dura, mas a água a abrandaria o suficiente. “Tenho panos, se preferir...” Ela riu. “Acabo de ter seu pênis em minha boca. Acredito que posso dirigir o banho de esponja em minhas costas.” A imagem de seus lábios ao redor de seu pênis duro passou por sua cabeça. Pôs sua mão em sua nuca, puxando ela, para tomar sua boca com a sua. Tinha que sentir seus suaves lábios de novo, em algum lugar, em qualquer parte de seu corpo. Sua surpresa só durou um instante, e ela o beijou, como o necessitando. Sentia as mãos sobre seus quadris, suas unhas cravando-se, não fortemente, mas o suficiente para enviar uma sacudida de um doloroso prazer através de seu sistema. Sua língua estalou contra a sua, riscou o teto da boca e saiu disparada. A perseguiu com a sua, deslizando seu corpo contra o seu. O rápido movimento a tirou de seu equilíbrio, obrigou-a a pôr muito peso sobre sua perna lesada. Fez uma careta, rompendo o beijo enquanto tropeçava contra ele. Gray a agarrou, virtualmente levantando-a.

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“Merda. Sinto muito. Eu... Maldita seja!” Baixou-a, e esperou a que encontrasse um equilíbrio confortável. “Este não sou eu. É que cheira tão perfeito, e se sente... eu...” Ela riu, sustentando seus ombros. “Sei exatamente o que quer dizer. Realmente. Tudo se sente tão correto, tão bom, contigo. Juro-te que nunca hei sido assim, mas tenho que admitir, é grandioso.” A tensão deixou seus ombros dando passo a seu sorriso. Estendeu para fora a esponja, deixou que se enchesse de água, escorreu-a e o fez de novo, até que esteve suave e pesada em sua mão. Encheu-a de sabão, apertou, até que estava branca pela espuma e depois deu a volta a Maizie, a água caía em cascata sobre seu cabelo comprido para suas costas. Ela inclinou sua cabeça para a água, passando a mão por seu cabelo, com os olhos fechados, enquanto Gray deslizava a esponja com sabão pelo pescoço e sobre seus peitos. Ele lavou cada centímetro de sua deliciosa mulher. Tocou-a em lugares que provavelmente se perderia quando fizesse amor com ela e desfrutou de cada minuto. Inclusive lhe lavou o cabelo, algo que nunca tinha feito antes, e desejou fazê-lo outra vez. Quando terminou e tinha limpo o último rastro de xampu de seu cabelo, lavado a última bolha de sabão da redondeza de sua bunda, ela se deu volta e tomou a esponja da cesta onde ele a tinha posto. Ela a espremeu, a espuma branca do sabão borbulhava entre seus dedos. Ela sorriu. “Ainda vamos por turnos?”

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Capítulo 9 “Aí mwap mwap mwap sabe, Maizie.” Maizie só podia entender a metade do que estava dizendo Gray debaixo da toalha enquanto lhe secava o cabelo. Ela definitivamente poderia acostumar-se a esta classe de cuidados. Sem mencionar o serviço que o acabava de brindar na ducha. De fato… Ela deixou cair à toalha que tinha estado usando para secar o corpo e agarrou as mãos dele, dando a volta para ficar cara a cara com ele. Seus pensamentos devia ter se refletido em seu rosto. No momento que seus olhos encontraram-se, ele deixou que as últimas mechas de seu cabelo escapassem por debaixo da toalha que o sustentavam, esquecidos, seu olhar vagava para seus peitos nus e mais abaixo. Poderia pensar que nunca a viu nua pela forma em que a olhou. Lábios entreabertos, olhar intenso, músculos tensos. Ela se sentia formosa, sensual. “Precisamos falar Maizie. Digo-o a sério.” Havia um indício de culpabilidade em sua voz, por não dizer em seu olhar. Por quê? Era porque ele tinha roubado o relicário de sua mãe? Que mais? Talvez se tivesse dado conta. Mas ela não queria arruinar o momento com explicações ou escusas. O relicário de sua mãe era em quão último ela teria em sua mente em um momento como este. Seu olhar não se moveu de seu peito, e o olhar que havia em seus olhos não era o olhar de um homem em busca de uma conversação estimulante. Ela se aproximou mais, as mãos dela agarraram a toalha que ele tinha enganchado ao redor de seus quadris. Ela tirou a toalha e o suave e quente material se partiu para logo deslizar ao chão. Seu pênis duro se levantou a seu encontro. Sim, ele esta interessado em só praticar. Ela envolveu seus dedos ao redor de seu duro membro, amando o grosso que era. Menor que um pau de macarrão, mais grosso que o punho de um taco de beisebol, o suficiente para enchê-la, mas não para machucá-la.

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OH Deus, ela queria saber que se sentiria o ter em seu interior. O só pensá-lo enviou uma onda de prazer úmido até seu sexo. Ela o acariciou, sentindo as cristas aveludadas do pênis, os lábios suaves da cabeça, e novamente baixou. Ela arqueou as costas para que a ponta de seu pênis duro fizesse pressão em seu ventre quando o acariciasse. Ele grunhiu o som vibrante emanando de seu peito. Seus quadris se sacudiram junto com as dela, persuadindo-a a continuar, a ir mais rápido. Ela o apertou e seguiu a um ritmo mais rápido, e se encontrou a si mesmo acariciando seu sexo contra sua perna. A mão dela em seu quadril, tratando de recordar não lhe cravar as unhas muito profundamente. Ela se aproximou para beijar os duros músculos de seu peito. Pequenos fios de água corriam sob seu peito desde seu cabelo molhado, umedecendo os lábios dela. Sua pele estava quente, com um formoso bronzeado e tão suave que ela tinha que senti-lo em sua língua. Ele estava limpo pela ducha, mas o mais leve brilho de suor começava a formar-se. Salgado, terrestre e sutilmente doce, tal e como cheirava ele. Ela encontrou seu mamilo com seus lábios, enrugada carne de cor rosa escuro, com um pequeno mamilo ereto, excitado. Ela jogava com sua língua sobre ele, acendeu, sugou, beijou, e mordeu. O fôlego do Gray escapou como um assobio, uma corrente de calafrios viajava por sua pele. Seu pênis pulsava nas mãos dela. Ele agarrou seus braços, e fez seus quadris para trás o suficiente para que ela o deixasse ir. “Jesus, como me distrai.” “Isto é algo bom.” Ela se aproximou dele, mas ele a manteve longe. Ele riu, divertido, genuíno. “É algo muito bom, mas quero falar.” Ela suspirou o mais dramaticamente que pôde. “Sempre vai se fazer tudo o que você quer?” permitiu-se um sorriso caprichoso na comissura de sua boca. “O que? Não. Eu…” O pobre homem se veio completamente. Sua ereção era tão forte que provavelmente ela poderia mamá-lo do outro lado da habitação. Era uma excitação. Mas ela faria que valesse a pena se tão somente ele deixasse de falar insensatez.

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Ele conseguiu a ver seu sorriso, franziu o cenho, um determinado gesto obscurecendo seu rosto. “Absolutamente.” Gray a agarrou, sustentando-a contra seu peito quente, e irromperam do banho à cama dele. Seu corpo musculoso virtualmente vibrava com o poder. Estava tão excitado. Ela deliberadamente tinha jogado com sua luxúria, tinha-o desafiado. Ela poderia dirigir as consequências? Como se houvesse sentido sua preocupação, ele se deteve um lado da cama e a olhou. Sorriu, e beijou sua testa tão meigamente que todas suas preocupações desapareceram. “Estás bem?” Ela assentiu, retorcendo-se em seus braços, com sua mão cobrindo a parte posterior da cabeça para puxá-lo até sua boca. Os lábios dele eram firmes e tomaram o controle do beijo em um instante. Sua língua dava traços largos nos lábios de sua boca e ela a abriu para ele. Ele entrou em sua boca enquanto a tombava na cama, jazendo com a metade de seu corpo na cama e a outra metade em cima dela. Sua pesada perna cobriu as dela, enquanto seu pé tratava de lhe separar as pernas. Ela impulsionava seus quadris, pressionando contra os pelos grossos da perna dele. Meu Deus estava tão quente que qualquer parte dele serviria. Apoiando-se sobre um cotovelo, ele a beijou, tomou primeiro seus lábios, procurando brincar com sua língua, até chegar a explorar sua boca. Sua mão livre viajou pelo pescoço dela até seu peito. Ela se arqueou para ele, enquanto ele abria sua mão o mais que podia para apertar seus peitos, massageando-os. Seus dedos roçaram o enrugado mamilo, cravando-o, e uma corrente de dor e prazer percorreu seu corpo, fazendo-a ofegar. Sua mão se alargou para tomar a dele, para sustentá-la justo aí, e lhe ajudar a apertar. Gray olhou o que fazia a seus peitos e guiou a mão dela para que se masturbasse mesma. Ficou observando, seus quadris pressionavam o duro pênis contra sua pele, sua pele estava quente, igual a dela, balançando-se ao ritmo que a fazia responder aos toques que ela mesma dava a seu corpo. Ela apertou com força, oferecendo seu mamilo a ele. O tomou com

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ânsias, o sufocante calor de sua boca a alagou. Seu braço a rodeou pela cintura, volteando-a, puxando-a para seu pênis para que este ficasse contra seu ventre. “Gray… por favor…” A sensação de sua dureza era uma deliciosa tortura. Ela o queria dentro, queria-o em todas as partes. O calor a alagou, umedecendo seu sexo, lhe fazendo difícil o poder respirar, o poder pensar. Seu corpo ardia, sua pele formigava, e sua mente estava enjoada pelo desejo. O aliviou seu apertão, deslizando sua mão sobre seu ventre, através dos cachos de seu púbis. Cálidas gotas se escorriam entre os lábios de seu sexo até molhar suas coxas. Ele deslizou seus dedos entre suas dobras de maneira suave e natural. “Diabos, Maizie, está tão úmida.” Sua rica voz vibrava contra o peito dela, ele até sustentava seu mamilo na boca. “É só por mim? Me diga que toda esta nata é só por mim.” “É por ti.” Ela tratou de não ofegar, de não chiar quando seus dedos se afundaram dentro dela, dobrando-se instantaneamente para acariciar seu ponto G. “Você me fez isto.” Seus quadris se sacudiram contra sua mão quando um segundo dedo a encheu e um terceiro logo que conseguiu fazê-lo. Maizie tomou seu pulso, ajudando sua mão a foder sua buceta com mais força, e mais velocidade. “Jeesus…” Ele ofegou, trocando seu peso, sua boca se dirigiu a seu pescoço enquanto empurrava seus quadris entre as coxas dela. “Tenho que sentir essa nata quente em meu pênis. Quero enterrá-lo até minhas bolas.” Seus dedos saíram dela e por segundo meio quase não pôde respirar pela perda. Logo a suave cabeça gorda de seu pênis pressionou contra ela e o mundo se voltou uma chama branca detrás de seus olhos. Ela empurrou sua cabeça para trás contra o travesseiro, e levantou sua cintura tratando de coagi-lo a ir mais fundo. Mas ele tirou seu pênis e um gemido de protesto saiu dela por só um reflexo. Gray empurrou para cima, balançando-se sobre seus joelhos e um braço. Ela abriu os olhos para olhá-lo observando-se tomar seu pênis, e atormentá-la passando a cabeça de seu membro por sua pélvis. Seu sorriso era malvado e sexy como o inferno, sua mão esfregava a cabeça entre suas úmidas dobras, desde seus clitóris até o mais fundo.

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Ela sustentou seu fôlego quando ele pressionou aí, seus músculos pulsaram ante uma fresca onda de calor, umedecendo-a até mais. Seu pênis, brilhando graças a sua nata, escorregadio e úmido, quase se deslizou dentro. Uma parte dela desejava isso. Realmente o desejava. Mas ela desejava até mais que encher-se de seu membro. “Gray…” Ela não teve que pedi-lo duas vezes. Um forte empurrão e seu rígido membro e conduziu profundo dentro de sua buceta, enchendo-a rápido, lhe roubando o pensamento e o fôlego. Ela abriu sua boca para gritar, mas nenhum som saiu meio batimento do coração depois seus pulmões ofegaram em busca de ar. Gray a sustentou atrás de seus joelhos, pressionando suas pernas para trás. Essa posição colocava sua buceta para cima e ele se aproximou sobre seus joelhos para introduzir todo seu pênis tão profundo dentro dela como seu corpo o permitisse. “OH… sim…” Senti-lo tão profundo, tocando lugares dentro dela que não tinham sido tocados em… não podia recordar quanto tempo tinha passado. Uma doce satisfação cresceu no centro de seu corpo. Com os olhos fechados, suas mãos o buscaram às cegas, encontrando seus joelhos aos lados, subindo até suas coxas e apertou. Os quadris dele bombearam, falhando-a rápido, entrando profundamente até que suas bolas golpeassem contra o traseiro dela. “É tão estreita. Posso-te sentir apertando meu pênis.” Ela flexionou os músculos na base de sua pélvis. Gray assobiou. “Jeesús.” Ele socou seu pênis profundamente uma e outra vez. “Toque-se, Maizie. Mostre-me o que você gosta.” Maizie não pensou duas vezes. Ela nunca tinha estado tão quente, nunca tinha necessitado tanto, nada era muito pessoal, não existiam as inibições. Quão único ela desejava era saciar esta fome, e tudo o que eles faziam realmente se sentia inexplicavelmente bem, e ela desejava com mais intensidade, com mais urgência. Ele grunhiu, observando-a, sua excitação fazia que ficasse cada vez mais duro, que fodesse seu corpo mais rápido. Maizie queria manter os olhos abertos para ver seu formoso

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rosto tomado pela paixão. Mas ela só conseguia pensar na sensação dele dentro dela, mais à frente do zumbido de sua pele, o trovão de seu coração, e a deliciosa fricção de seu sexo. A mente dela se envolveu nas vertiginosas sensações. O duro pênis pressionando através das sensíveis paredes dentro de sua buceta, cada investida enchendo-a a perfeição, construindo uma deliciosa pressão, cada fibra de seu corpo desejava mais. Seu coração pulsava com força, seus músculos ordenhavam seu corpo, e seus dedos jogavam com seus clitóris, criando outro torvelinho de pressão necessitada que aumentava a primeira e provocava seus músculos a se apertassem. “Síiiimm…” O ritmo do Gray se duplicou, a força detrás de suas investidas fez que a cama se movesse. A respiração de Maizie se deteve, sua cabeça pressionou para trás, e seus quadris corcovearam-se contra os dele, frenética, enquanto a pressão encheu ao seu máximo, para logo derramar-se a borbulhas por todo seu corpo como chama líquida, sem fôlego e úmida. Ela gritou, dobrando os dedos de seus pés, empurrando seu quadril forte contra o dele, e com os músculos pulsando. Gray empurrou para ela, deixou que passasse seu orgasmo e começou a procurar o seu. Seu pênis ainda estava duro e rígido como o aço, seu ritmo egoísta, impaciente e imperfeito. Em segundos, a pressão se reconstruiu dentro dela, sua buceta tão sensível e pronta. Ela podia sentir como se aproximava seu orgasmo, a maneira em que seu pênis a enchia, empunhado no profundo dela, rápido e faminto, justo quando ele os tinha levado a ápice do prazer, ele se saiu dela. Tomando seu membro, começou a masturbar-se como louco, enquanto sua outra mão trabalhava para que ela chegasse ao orgasmo. O fôlego que saiu dela pelo choque, era mais bem um grito e o viu chegar ao clímax, levando-se a si mesmo meio segundo depois. A cena erótica de sua mão bombeando seu rígido pênis, de sua nata caindo a jorros sobre seu quente ventre, era todo o que ela necessitava para enviá-la em espiral a seu orgasmo. Ela se recostou no travesseiro completamente relaxada, largada, cavalgando sobre as ondas de prazer que a embargavam. Gray paralisou a seu lado. Logo depois de passar um

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minuto tratando de recuperar o fôlego, o tomou um pedaço de papel para limpar o ventre dela. Ela sorriu. “Por certo. Estou tomando a pílula.” “Merda. Esqueci-o.” “Que quer dizer?” Ele beijou a parte traseira de seu pescoço. “Nada. Não tem importância.” Ela recordou ter ronronado quando ele a recolheu, quando sentiu o calor de seu corpo, a força em seus braços. Não pôde lutar contra a espessa manta de sonho que se apoderou dela. De fato, nem sequer o tentou.

***** “Dobra a quantidade de ovos e toucinho, Greta. O Sr. Lupo tem um convidado. Melhor dito, uma convidada.” Maizie se sentou direita de repente, esperando topar-se com Annette conversando ao pé da cama. Não havia ninguém aí. “Não. Toda a noite?” A outra mulher falou com um apertado acento espanhol. “Sim!” Aplaudiu emocionadamente. “Acredito que é ela” Annette disse. “OH, Meu Deus. Passou tanto tempo.” A mulher pôs três porções de toucinho junto com os demais, cada uma chispava ao contato com a frigideira. “É um milagre que não expulsasse da casa ao tomá-la.” Ah! Grosseiro, sorriu Maizie, voltando a ver o adormecido Sr. Lupo a seu lado. “Mas certo.” Esperem. Como é que as escutava da cozinha? “Intercomunicador” disse a si mesma. Em uma casa tão grande, provavelmente eram tão necessários como as portas.

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“Greta” Annette advertiu. “As relações sexuais do Sr. Lupo, ou a falta delas, não são nosso assunto.” Uma momentânea pausa e depois risadinhas. “De maneira que insultando ao chefe, né?” Maizie pensou. “Não é surpresa que deixasse ligada essa coisa.” Ela olhou a seu redor, tentando de localizar a caixa, ou talvez um alto-falante na parede. Como é. Ela saiu da cama, movendo cuidadosamente o braço do Gray de ao redor de seu ventre. Tão flácido como uma boneca de pano, o homem estava morto ao mundo. Ela tirou com a mão uma mecha de cabelo que lhe caía sobre o olho. Ele voltou a cabeça e roçou seu rosto contra o travesseiro que ela tinha usado, ele arrumou, e colocou a mão debaixo dela, logo fico quieto. Sexy e adorável. “Whoof”. Disse ela, sorrindo. Maizie foi na ponta dos pés até o banheiro e encontrou sua roupa destroçada e cheia de sangue justo onde as tinham deixado a noite anterior, a camisa e a calça eram lixo, mas ela ainda podia salvar as calcinhas e o sutiã. “Já estranhas a Lynn e a outros?” perguntou a cozinheira. “Não…er…Não acredito”. Disse Annette. Maizie voltou para a habitação. Ela necessitava um pouco de roupa se queria descer por um pouco dessa comida. O aroma do toucinho estava fazendo água na sua boca. Seu estomago grunhiu. Ela pôs uma mão sobre seu estomago e se dirigiu ao armário. “Camisas de vestir. Vá surpresa.” Todas as mangas largas, todas de linho, algumas com o pescoço dobrado, outras com curtos pescoços tipo mandarim, mas nenhuma repetida. “Decisões. Decisões.” Ela tomou uma simples camisa branca, de dobras, com uma estilizada aparência de rugas e colocou os braços nas mangas. “Fantástica.” Ela puxou o pescoço até seu nariz e inalou. Cheirava como a detergente floral, mas debaixo disso, impregnado no tecido, encontrava-se o mais doce e terrestre aroma de Gray. Era estranho que uma lavada não tivesse tirado seu aroma completamente. Sugerira-lhe um melhor detergente. Talvez, se ela planejava usar mais de suas camisas.

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Uma profunda farejada final e ela olhou ao redor do quarto procurando o intercomunicador enquanto se abotoava. A camisa ficava grande, lhe enchendo até a metade da coxa, e as mangas eram uma polegada mas largas que suas mãos. “Feita à medida.” A voz suave de Gray a fez saltar. Ela se deu a volta para encontrá-lo de barriga para cima, apoiando-se sobre os cotovelos, e olhando-a. Ainda tinha em seu rosto o mesmo olhar de ontem à noite de eu gostaria de-algo-disso, com um sexy sorriso de lado para completá-la. Suas bochechas se esquentaram. Ela riu. “Você gosta? Pensei que reporia a camiseta que rasgou ontem à noite.” “Sua camiseta já estava rota.” “Cobria as partes importantes.” “E ensanguentadas.” “Mas ainda usável.” “Disse que podia despedaçá-la. De fato, desfrutou-o.” “Bem. Quer que me tire isto?” Ele se sentou direito, com os olhos grandes. “Sim.” Ela riu ante sua impaciência. “Depois. Cheiro comida. Não tem fome?” “Sempre.” Piscou-lhe o olho. Maizie voltou a ruborizar-se. O homem podia derreter icebergs com esses olhos e essa voz. “Bom, eu também. Embora acredite que seu intercomunicador está quebrado, posso ouvir a alguém na cozinha, mas não acredito que elas possam me ouvir. Onde está o altofalante?” “Não há.” Gray elevou a mão para o telefone ao mesmo tempo da cama e o sustentou para que ela pudesse ver. “Falamos por telefone.” Maizie piscou vendo o auricular em sua mão. “Mas escutei a Annette e a Greta.”

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“Minhas cozinheiras.” “O que seja. Nunca as conheci, mas sei seus nomes. Por quê? Por que as escutei falar? Como pude fazer isso se não há intercomunicador? Posso cheirar o toucinho como se estivesse na habitação… e os ovos e as torradas. Neste momento, ela está espremendo laranjas.” Havia uma explicação razoável. Tinha que havê-la. Mas algo respeito a dizê-lo em voz alta fez que seu coração se acelerasse, suas palavras fossem mais rápidas, e finalmente compreendesse. “De acordo. vamos falar.” Gray pôs em seu lugar o telefone e lhe ofereceu sua mão. “Vem aqui. Quero te explicar.” “Poderíamos nos esquecer disso por agora? Já sei. Por isso é que vim.” Maizie afastou sua mão ondeando a dela do final da cama. Acaso pensava que estava brincando? Ela estava ouvindo através das paredes, e os pisos. Agora não era o momento para discutir um roubo que ele tinha cometido faz vinte e um anos. Gray deixou cair sua mão. E piscou. “Sabe?” Ugh. Acaso pensava ele que sua avó não lhe diria sobre o relicário? Sobre que ele esteve no acidente? Que mais pôde ter posto esse brilho de culpa em seus olhos, e o suave remorso em sua voz? “Pode ser que seja amigo da vovó, mas eu sou seu sangue” disse ela. “Sei sobre o medalhão. De acordo? Não estou molesta. Tampouco estou contente com que o tenha roubado, ou com que tenha esperado vinte e um anos para retorná-lo. Mas não estou brava. Bom, talvez um pouco. Mas isso não é o que me fez vir ontem à noite.” “Então o que?” Gray se sentou com um joelho dobrado sobre a cama e a outra pendurando no bordo, com os lençóis sobre sua cintura. “O que? O que me fez vir para cá? Eu… tinha umas perguntas. Sobre o acidente. Sobre essa noite.” Ele se encolheu de ombros, seu rosto se obscurecia com o humor sério. “Pergunta. Não tenho nada que esconder.” Era essa sua atitude? Estava-lhe dando a atitude agora?

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“Não?” “Não. Não sou um ladrão… Pequena chapeuzinho.” Ele fez que o apelido soasse como um insulto. Ela franziu seu cenho. “Não me chame assim.” Gray meneou a cabeça, tirou os lençóis e caminhou irritado ao banheiro. Seu formoso corpo, bronzeado e musculoso. “É uma menina. Sua menina.” Ele voltou, usando uma bata de seda cinza, as lapelas e a cinta eram de uma cor mas clara. “A próxima vez que vá à casa de um homem para acusá-lo, ao menos deve saber como são os fatos.” Ela colocou as mãos em seus quadris. “Corrija-me se me equivocar, mas acaso não deu a minha avó o relicário de minha mãe ontem? Um relicário que você encontrou no lugar do fatídico acidente? Um relicário que ficou por vinte e um anos?” Ele se voltou para ela. O movimento foi tão repentino que ela deixou cair seus braços, perdendo assim a postura de presunçosa. “Sim. Encontrei o maldito relicário na cena do acidente. O fatal acidente de minha esposa.” “O que?” Ela não podia respirar. “Fatal? Mas eu acreditei que ela só se havia mudado para longe daqui.” “Não.” Gray se endireitou e pareceu perder algo de sua irritação. “Ela é a razão por eu estar aií. Não me importavam em absoluto com seus pais. Eles a mataram. Cortaram-na como um… um…” Ele deu um grunhido frustrado e se deu a volta, caminhando para as torres das janelas da sala. “Do que está falando? Não demos a ninguém. Chocamo-nos contra um lobo.” Suas mesmas palavras enviaram um tremor por seu espinho, e fez que os ombros de Gray se esticassem enquanto olhava pela janela. Ela sabia, mas não queria sabê-lo.

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As lembranças lhe voltaram. “Íamos conduzindo para recolher vovó. Meus pais estavam felizes mas… eu não. Não queria deixar meu bosque.” “Meu bosque” disse Gray. Maizie apenas o escutou. “Papai acabava de receber uma promoção. Mudávamo-nos…” Gray dobrou os braços sobre seu peito. “Eles estavam transpassando nosso bosque. Meu e de Donna.” “Era escuro e chovia. Tomamos o atalho.” “Estavam conduzindo muito rápido” Gray disse. “O lobo saltou de repente.” “Ela tinha todo o direito de correr em seus bosques.” “Meus pais não puderam deter-se. Tentaram-no…” “Não o suficiente.” “Papai dobrou bruscamente. Fomos de lado. Mamãe estava gritando. Batata também. E então… esses olhos, verde frio, olhos sem coração…” Seu olhar se enfocou nas costas do Gray. “O lobo, o lobo que causou a morte de meus pais. Era sua esposa. Sua esposa era uma loba. Uma mulher loba.” Sua voz era suave e fria. “E eu converti em meu casal à filha de seus assassinos.” “Mas não existe algo como...” Gray se deu a volta, a ira gravada em sua expressão. “Como o que? Um homem lobo? Deixa de mentir a ti mesma, Maizie. Tem estado fazendo por muito tempo. O que crê que te atacou ontem à noite? O que crê que sou eu?” Ela saltou involuntariamente. Ele estava tão zangado. Não, não era zanga o que brilhava em seus olhos, era culpa… e acusação. “OH meu Deus, culpa a meus pais pela morte de sua esposa. Culpa-me .” Gray deixou cair seu olhar, sua expressão se suavizou. “Não. Você só estava no automóvel, ela estava morta. Você não.”

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“Sim, faz. Culpa-me, igual como eu a culpava…” Gray se encontrou com o olhar de Maizie, mas não a deteve de continuar com a frase. “Todo este tempo, não podia suportar o incomodo. Fez que a minha avó me mantivera longe daqui. Fica no caminho, Maizie. Afaste-se dessa parte do bosque. Tenha cuidado do grande e mau… lobo.” “Maizie”… Um toque na porta congelou a conversação. “Sr. Lupo?” Annette calou por um momento do outro lado da porta. “Sr. Lupo, tenho uma mensagem para a senhorita Hood. Também trago o café da manhã.” “Entre.” Maizie disse quando ficou claro que Gray não ia responder. Ele ficou estoico, com os pés plantados ao piso, suas costas à janela, e os braços dobrados sobre seu estomago. Annette abriu a porta, sustentando uma bandeja de cama, seu brilhante sorriso se desvaneceu quando se topou com o olhar escuro do Gray. “OH. Lamento-o. Interrompi.” “Não. Está bem. Estamos…” Maizie voltou a ver o Gray “…terminando. De feito, já terminamos.” Ela olhou para Annette parada meio dentro, meio fora da habitação. “Qual é a mensagem, Annette?” Gray perguntou. Ela sustentou a bandeja com uma mão, enquanto arrumava as lentes com a outra, logo voltou a tomá-la com as duas. “OH. Sim. Chamaram do Asilo. Ao que parece, trataram de contatar à Srta. Hood e quando não puderam, chamaram aqui. Ao que parecer, Ester tem um pequeno problema de saúde. “O que?” O coração do Maizie se deteve. “OH, não, não” Annette disse às pressas. “Ela está bem. Só foi um susto. Levaram-na ao hospital ontem à noite e deram alta hoje pela manhã. Provavelmente, já está em casa”. Esta manhã? Ao hospital e devolvida tão rápido? “Que horas são?” “São quase quatro” disse Annette. “Quatro? Pm?” Maizie a observou assentir. “Isso é impossível. Dormi mais de quatorze horas?” Ela olhou para Gray.

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Cujo olhar permanecia fixo em Annette, silencioso, com suas sobrancelhas quase juntas, e sua mandíbula rígida. Não foi, mas sim até que Maizie falou novamente que o voltou para vêla. “Tenho que ir.” “Aonde?” disse ele. “Aonde acredita? Tenho que me assegurar que minha avó se encontre bem.” Ela se dirigiu ao banheiro e pegou seu tênis. Estavam manchados de sangue, mas isso não afetaria quão bem protegiam seus pés. “Annette te disse que ela estava bem.” Maizie saiu saltando, lutando por ficar um sapato e depois o outro. “Tenho que me assegurar por mim mesma.” “Então, chama o Asilo. Pode utilizar o telefone que esta aqui.” “Chamarei da cabana. Depois de tudo, quero me banhar antes de ir a vê-la”. “Banhe-se aqui.” “Não tenho roupa.” “O que tem posto está bem.” Ele deslizou suas mãos dentro dos bolsos de sua bata. E se encolheu de ombros. “Ou enviarei Annette para que te compre algo mais apropriado. O que seja que necessite.” Por que estava fazendo ele isto mais difícil? Ele devia querer que ela se fosse tanto como ela desejava ir-se. Exceto que ela realmente não queria deixá-lo. Deus, tanto tinha mudado tão rápido? Tudo se tinha arruinado e retorcido. Ela o desejava tanto como há vinte minutos. Mas como podia ficar quando ele ainda não sabia quais eram seus sentimentos sobre o papel que ela tinha jogado no acidente? Como podia ficar quando ela não sabia quais eram seus sentimentos respeito ao papel que ele jogava na morte de seus pais? “Tem que ficar Maizie.” “Não é assim.” Ela enfocou seu olhar na porta aberta. Não podia suportar olhá-lo. Não podia arriscar-se a ver esse olhar em seus olhos: ira, culpa e ódio. Ela preferiria nunca ter que voltar a vê-lo. “Não é seguro” disse ele. “Você não entende.”..

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“Não. Você não entende.” Ela fechou os olhos, as emoções fechavam sua garganta. Não podia chorar. Não o faria. “Não tenho tempo para esta merda. Disse a mim mesma que não tinha tempo para relações românticas desde o começo. Eu disse a vovó. Já esqueci a loja. E agora deixei vovó sozinha. É suficiente. Não tenho tempo para isto. Não tenho tempo para ti.” Ela correu. Não era algo amadurecido, nem valente, mas era quão único ela podia fazer. Tinha que afastar-se, pôr distância entre todos esses sentimentos, essas lembranças, a confusão do que pensou saber, e o que pensou que queria. Tinha que afastar-se dele. Quando ela chegou à cabana, adoeceu. Tinha corrido todo o trajeto e conseguiu uma dor nos lados, e seu estomago estava se embrulhando. Ela entrou pela porta traseira. Tinha-a deixado sem chave a noite anterior. “Só preciso comer algo.” Na cozinha, tudo o que encontrou foram umas latas de soda dietética e dois potes de manteiga de amendoim. Apoiou-se contra o balcão, a soda a seu lado, e comeu. Era a melhor manteiga de amendoim que existia. Ela olhou a etiqueta logo depois de umas dentadas. “Nem sequer tem marca.” Ela terminou o pote em minutos, raspando o fundo com a colher para conseguir até o último pedacinho do cremoso céu café. Quando pôde ver através do fundo transparente, jogou o pote vazio no lixo e abriu o outro antes de dar-se conta do que estava fazendo. “Merda. Deveria simplesmente pô-la em meu traseiro.” Ela tomou três colheradas mais, e finalmente deixou a colher e se afastou. Quando alcançou as escadas, seu estomago grunhiu, e logo teve cãibras. Ela tremeu e logo depois de uns minutos a dor se diminuiu. Correu a seu quarto e tomou seu celular de sua bolsa. Tinha o Asilo na discagem rápida. “Olá. Fala Maizie Hood. Chamo para saber de...” “Maizie, olá, sou Clare, da recepção. Sua avó está bem. Teve um pequeno ataque de angina ontem à noite, mas a examinaram no hospital. Já está de volta. Agora está dormindo. Posso dizer que te chame.” “Obrigado, Clare. Diga-lhe que irei esta noite.” “Pode estar segura que o farei.”

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Maizie fechou o telefone, atirou-o à cama, e tomou sua bata atoalhada da cadeira de balanço ao passar. Seu estomago voltou a grunhir e ela tremeu durante a sensação de uma cãibra. “Um pote completo de manteiga de amendoim de uma vez não lhe faz bem ao corpo.” Ela se dirigiu ao banho e puxou a cortina cor nata da banheira velha. Abriu o grifo da água quente e a deixou correr. Um banho a faria sentir-se como ela de novo. Embora a ducha da noite anterior a tivesse feito sentir-se mais como ela, como não se sentiu em anos. Inclusive com as feridas, nunca havia se sentido tão bem, assim como estivesse tão viva. Era por Gray ou algo assim? Nua frente ao espelho com gabinete onde guarda os remédios, Maizie observou a mordida em seu ombro. Duas feridas pequenas e agudas que tinham deixado dois orifícios vermelhos. Deu-se a volta olhando por cima de seu ombro. Os das costas eram os piores, alguns hematomas, mas um pouco curados. Ela colocou o pé no banheiro para checar entre as pernas. A mordida estava curada da mesma maneira que seu ombro. Uma cãibra lhe fez agarrar o estomago, deu um coice, inclinou-se para tratar de acalmar a dor. Passou, mas a intensidade era obviamente maior e ia incrementando. O que estava mal com ela? Maizie negou com a cabeça e pôs seu pé no chão. “Ugh. Está bem. Isto não é um filme de terror ou um conto de fadas.” O mais provável era que Gray tenha algum agente medicinal em sua água para evitar que os animais se adoeçam. Sim, isso tinha mais sentido a se ela converter em um… Nem sequer ia pensá-lo. Maizie se meteu na banheira, ajustando a temperatura da água, fechou a cortina e abriu a alavanca do chuveiro. Água quente, caindo em cascata sobre seu corpo, lavando cada toque, cada beijo que Gray tinha deixado nela. Lástima que não pudesse lavar as lembranças do encontro de seu corpo quente dentro do dele. Ou o desejo de que o fizesse de novo.

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Capítulo 10 “Quem o fez?” Gray se colocou de pé na borda da piscina, com os braços dobrados firmemente através de seu peito. “Qual destes idiotas se suicidou ontem à noite?” Lynn levantou a cabeça para girar a outra bochecha, com um olhar de lado para Gray. Ela estava sobre seu ventre, com os peitos ao ar bronzeados pelo sol do entardecer. “Do que te queixa?” “Quem lhe afundou os dentes?” Suas mãos em punhos apertados sob seu braço, com seus pensamentos apertando seu pescoço, cintilavam em sua mente. Maldita seja, este não era ele, mas quando se tratava de Maizie, suas prioridades trocavam. Rick se encolheu de ombros na parte traseira do trampolim. “Que diferença há? É o que queria. O que todos necessitamos.” Deu três passos compridos, ricocheteou uma vez, e se atirou de cabeça à piscina. “O fato, feito está.” Joy tomou um gole de chá gelado, continuando, o pôs sobre a mesa entre ela e Lynn antes de retomar a novela romântica que sustentava. “Estou segura de que foi um acidente, carinho. Não há agora nada que fazer a respeito.” “Um acidente? Ela caiu na boca aberta de alguém?” Gray não necessitava que o dissesse. Estava seguro de que sabia que um deles se atreveu a tocá-la. Deixou cair os braços, caminhando ao longo da piscina para colocar-se sobre o Lynn. “Onde está?” Lynn levantou a cabeça, com os olhos entrecerrados. “Quem?” “Seu companheiro morto” disse Gray. “Pelo menos, será uma vez que ponha minhas mãos sobre ele.” “Não foi Shawn.” “Uma merda.” Ele tinha tido que tirar a mandíbula do estúpido de Maizie. Por ser novo, Shawn tinha o menor controle e o menor respeito pela manada.

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Gray olhou para a casa, viu um vulto nas cortinas da janela fechada do dormitório do Lynn. Covarde. Sem dizer uma palavra, dirigiu-se às portas de vidro, com o assassinato em sua mente. “Gray, não. Não! Ele não o fez. Juro-lhe isso” Lynn gritou detrás dele. Sabia que tinha se levantado, estava detrás dele. “Rick! Rick, detenha-o. Vai mata-lo.” Rick escalou a escada de metal no extremo da piscina ao mesmo tempo em que Gray se aproximava. Bobamente ficou diante dele, como se inclusive isso o detivesse. O recém-chegado ia morrer. Alguém tinha que pagar pela mudança de Maizie, por lhe obrigar a confrontar um fato que tinha estado evitando durante vinte e um anos. Maizie era sua companheira. Ela sempre tinha sido sua companheira. Seu matrimônio com a Donna nunca deveria ocorrer. Ela tinha merecido algo melhor. Quando Rick lhe empurrou contra seu peito, os pensamentos do Gray deram a volta, sua culpabilidade lhe tinha debilitado à origem de sua raiva. “Tio Gray, não foi Shawn” disse Rick. “Ele se entusiasmou e correu atrás dela quando pôs-se a correr. É um lobo novo, aprendendo a controlar-se. Mas nós lhe detivemos. Tínhamoslhe sob controle. Ele não foi quem a mordeu.” “Então, quem?” Agora estava gritando, sua voz tão perto de um rugido que sua garganta protestou, cada vez com mais dor. “Quem o fez?” Rick sacudiu sua cabeça, depois olhou para trás, com o queixo alto e os olhos desafiantes. “Fui eu. Está bem? Eu o fiz. Eu a mordi. Disse-te que o faria se não o fizesse você.” A ira, a dor, a culpa e o remorso se agitaram em uma furiosa tormenta dentro dele. Gray explodiu, empurrando o peito do Rick, enviando-o em um voo vários metros atrás. O jovem se agarrou, aterrissando com a ponta de seus pés, disposto a lutar se fosse necessário. “Vamos, moço” Gray falou através de seus dentes. “Terminemos isto hoje. Toma a manada ou sai daqui.” Com seu corpo apertado, Rick grunhiu para Gray, avançando para diante um pouco, mas sem lhe atacar. Rick nasceu como homem lobo e mais forte por causa disso, mas Gray era maior e sendo convertido por sua falecida esposa, a mais forte entre eles. Ela tinha-o eleito para

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ser Alfa, detectando a força natural dentro dele. Seria uma batalha, mas Gray tinha a raiva de seu lado. “Não. Basta.” Shelly, afundada na Jacuzzi, lutava para sair fora, e correr para o outro lado da piscina. “Ricky, se perder terá que ir. Não pode lutar por ser Alfa e logo voltar a subordinado.” “Eu não o desafiei. Ele me desafiou. Não posso ser expulso por me defender. Eu me encarrego disto.” “Tio Gray, por favor. Não foi Ricky.” Os cabelos no pescoço do Gray se arrepiaram, seus músculos tensos, o instinto de governar era emocionante, uma mescla de adrenalina dentro de seu corpo. “Desobedecer minhas ordens é um desafio. E o aceito.” “É assim como pretende jogar?” Perguntou Rick, com o desgosto presente em sua voz. “Eu o fiz.” Shelly saltou entre eles e empurrou os ombros do Gray. “Ouve-me? Eu o fiz. Desobedeci-te. Converti-a. Não Ricky. Nem Shawn. Fui eu.” “Se cale, Shelly.” Gray piscou, a rápida mudança de emoções empanava seu cérebro. “Você? Por quê?” Shelly soprou de fúria, as lágrimas brilhavam em seus olhos azuis. Ela deu um passo atrás, deixando cair o olhar. Por um momento, parecia adolescente, apesar de sua verdadeira idade e a forma em que suas curvas enchiam seu biquíni marrom rosado. “Queria que as coisas fossem normais. Queria que fôssemos uma família normal. Igual como era antes com a tia Donna...” Gray lhe acariciou a bochecha. “Como converter a Maizie vai fazer parecer normal, carinho?” “Foi um acidente” disse Lynn, caminhando ao lado deles, seu biquíni negro agora ajustado em seu lugar. Joy a seguia muito de perto. “Está bem, admito-o, Shawn tem pouco controle, mas quando Maizie começou a correr simplesmente não podia manter um domínio sobre seu instinto. Bom, você sabe como é. A perseguição, o medo da presa condimenta o ar. Perdendo-o, Shelly já a caçou um pouco superexcitada.” Joy se uniu a eles, deslizou um braço ao redor de sua neta.

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“Os gêmeos são ainda jovens, Gray. Seus instintos de lobo conseguem o melhor deles às vezes.” “Eu não perdi o controle, vovó.” Shelly se encolheu de ombros. “E não foi um acidente. Eu quis convertê-la.” Os músculos de Gray se tencionaram através de seus ombros, um batimento do coração surdo golpeou sua cabeça. Amava a sua sobrinha, mas ela o estava fazendo tudo tão complicado como todas as outras mulheres que tinha conhecido. “Shelly, carinho, me explique exatamente por que queria converter a Maizie Hood em um de nós.” “Porque amo a minha família e quero que minha manada permaneça junta. Sabe que ela é seu amor, mas sua preciosa culpabilidade é tanta que não podia deixá-la ir e tomá-la. E sou muito jovem para me casar com um estúpido cão velho, porque não pode tomar uma esposa e manter esta manada com vida.” “Nunca teria acontecido” disse Gray, sua ira fervendo a fogo lento. “Não pode desobedecer às leis dos lobos, tio Gray. Não lhe deixarão” disse Shelly. “Algum autoproclamado líder cedo ou tarde viria, cheiraria ao redor e te desafiaria, ou Rick encontraria uma companheira e os veriam como o casal mais forte e lhe desafiariam. Nem o um nem o outro funcionaria para mim, assim fiz o que pensei que seria melhor para todos. Incluído você, tio Gray.” Gray soprou e moveu a cabeça, em busca do seguinte par de olhos. “Isso é o que todos estiveram pensando? Estão preocupados de que um imbecil venha aqui e lute contra mim por todos nós?” Eles não responderam. Finalmente, Joy falou. “É da família, Gray. Sei que você e Donna não eram companheiros naturais, mas ela realmente se preocupava contigo. Foi tão forte. Um líder nato.” Deu um passo diante dele, cavando seu rosto, com o amor de uma mãe. “Fizeste teu trabalho em seu casamento, inclusive quando estava claro que o vínculo não estava ali. Mas desde que a perdemos, nem sequer trataste de encontrar a sua verdadeira companheira. E quando rechaçou a moça também nos

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preocupamos porque nunca tomaria a uma companheira.” Ela deixou cair suas mãos em seu peito. “Não quero te perder. A perda da Donna foi o bastante difícil.” “Ninguém está perdendo a ninguém.” Teriam que matá-lo antes que alguém o separasse da família de Donna, de sua família. “Exato. Graças a mim” disse Shelly. Todos os olhos se cravaram nela. “Fiz o que você não poderia. Maizie Hood é sua verdadeira companheira. Todos sabem. É muito delicado sobre a mudança dela por causa de certa lealdade torcida à tia Donna. Ela não deveria ter lhe convertido. Você não era para ela, mas sua morte levou-te a pessoa a que estava destinado. Agora a tem.” “Eu não tenho nada.” Em lugar de admitir sua culpabilidade, tinha permitido que Maizie acreditasse que a culpava pelo acidente. Agora estava ali sozinha, com seu corpo passando pela mudança. Estava muito zangada com ele para que lhe deixasse ajudá-la. Não a merecia. “Voltará” disse Joy. “Ela agora é da manada. A manada sempre encontra seu caminho para casa.” “Só se eles quiserem.” Gray se voltou e partiu de novo para casa, os tristes olhos feridos de Maizie cintilaram por seus pensamentos. Jesus, tinha sido um asno por deixá-la sair assim! Ele podia solucionar este problema. Tinha que tomar uma ducha rápida, pegar um muda de roupa nova e iria procura-la. Poderia lhe explicar por que tinha passado os últimos vinte e um anos culpando-a de sua solidão e seu encarceramento doméstico quando era uma menina. Sim. Então lhe direi que foi culpa minha que Donna escapasse essa noite. Gray regulou a temperatura da água para a ducha. Maldição, se não fosse por mim seus pais ainda estariam vivos. E nunca teria acontecido o de ontem à noite. Não. Não importa o muito que lhe julgasse ou o muito que pensasse que devia, não podia lamentar-se por ontem à noite. Tinha sido muito perfeito. O som de advertência soou. Segundo e meio depois, em frente, dos lados e na parte superior, estalou a água fervendo na ducha. Entrou, inclinou a cabeça para trás e deixou cair a cascata de água sobre sua cabeça e corpo.

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Imagens de Maizie bombardearam seus pensamentos, esses lindos olhos verdes, a forma em que se franziam seus cantos quando lhe sorria e se tornavam um tom mais escuro quando se zangava. Quase podia sentir o tato suave de seus beijos e a capa de cabelo vermelho deslizando-se por seus dedos. A sensação de seus peitos firmes e redondos apertando-os entre suas mãos, o estremecimento rápido de seus mamilos. Sua mão sobre seu ventre suave, deslizando-se entre as coxas de seu sexo úmido e quente. Jesus, ela era assombrosa na cama! Não só se mostrou, uniu-se, entregou-se como mulher. Seus pensamentos mudaram, recordando os olhos que o olhavam com seus lábios rosados envoltos ao redor de seu pênis. Sua boca estava tão quente e úmida, seu pênis deslizando-se através desses lábios suaves, sugava-o atrás uma e outra vez. Gray pôs a mão em sua boca, acariciando seu pênis. Estava duro como uma pedra, só com a memória da boca dela nele. Suas bolas apertadas, levou a mão livre para acariciá-las. O constante zumbido de prazer ondulou através de seu corpo, suas bolas rodando através de seus dedos, músculos que levaram o saco mais apertado. Agarrou seu pênis mais duro, bombeando sobre a cabeça e as costas, balançando seus quadris. Os pensamentos e lembranças se deslizaram através de sua mente, passando ao primeiro plano e depois retrocedendo, enquanto que outra imagem tomou seu lugar. Maizie, seu corpo amadurecido apanhada debaixo dele, seu pênis golpeando duro em seu centro, tão apertado e úmido, balançando-se a seu encontro. As paredes de seu sexo pressionadas ao redor dele, a cabeça sensível de seu pênis empurrando através dos músculos da mesma maneira que agora empurrava através de sua mão. Não. Não é o mesmo. Sua imaginação não era tão boa. Olhou a mão que tinha em seu pênis, a água repicando sobre seus dedos, mantendo a carne tensa enquanto ele se acariciava. Mas o que sentia era o centro de Maizie espremendo-o, sua nata quente molhava suas bolas, sua bunda se chocando contra ele enquanto bombeava. “Que merda?” Deteve-se, deixando cair suas mãos, deixando seu pênis balançando diante dele. Um segundo passou, e quando os músculos invisíveis espremeram repentinamente ao redor, quase gozou.

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“Jesus...” Ele empurrou seus quadris para diante, igual o faria se a buceta de Maizie estivesse ali para lhe rogar que suas paredes úmidas e quentes abraçassem seu pênis, acariciando-o, sujeitando-o com força quando ele se retirava. Apoiou suas mãos nas paredes da ducha, olhando seu pênis duro enquanto conduzia seus quadris no ar, mas não sentiu a sensação inconfundível do centro de uma mulher, o sexo de Maizie entregando-se. Bombeou de novo, e outra vez. Não podia evitá-lo. A sensação era muito boa. Quebras de onda de prazer percorreram seu corpo com cada impulso, cantarolando por sua pele, a ereção, o endurecimento do saco. Gray não tinha nem ideia de como aconteceu isto, o que estava ocorrendo, mas não importava. Balançou seus quadris, colocou seu pênis em um nada, sentia a compressão de bemvinda da buceta de Maizie. Aferrava-se às duchas em cada parede, apoiou os pés e deixou que o estranho fenômeno transportasse ao topo. Sua cabeça pendurada para trás, a água quente da ducha lhe envolveu enquanto ele fodia sua Maizie invisível, mais, mais rápido. Os pensamentos de seus peitos suaves pressionando suas mãos encheram sua mente, apertou seus mamilos entre seus dedos. A sensação de seus lábios nos seus, o sabor doce de sua boca, sua pele, quando dirigia a si mesmo mais profundo dentro dela. “Maizie.”..

***** “Gray...” Lhe queria agora. O tamborilo suave da água da ducha era um pobre substituto. Deu uma massagem ao longo de seu corpo, gotejando sobre seus mamilos e umedecendo entre as coxas, mas era pouco mais que um jogo. Meu deus, ele a tinha esmagado com esses olhos azul pálido que acusavam e esse coração frio. Como se atreveu a culpá-la? A perda de sua esposa foi claramente difícil, mas ela tinha perdido a seus pais. Tinha uma ideia do difícil que era para uma menina de sete anos?

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Ela tinha culpado a esse lobo, a todos os lobos, durante anos. Agora sabia que tinha sido sua esposa a que tinha corrido para frente do carro. Foi um acidente, e ela suspeitava que Gray entendia isso também, mas tudo era tão difícil de aceitar. Ela tinha passado tantos anos lhe assinalando com o dedo, precisava culpar a alguém pela injustiça. Teria sido diferente para o Gray? A realidade a deixou intumescida. Seu olhar frio deixou ver sua dor. Ela não queria desejá-lo, sentir seus braços quentes ao redor dela, sua boca em seu peito, a sedução sobre seu mamilo. Queria estar zangada com ele, mas tinha visto a culpa em seus olhos e conhecia o poder da mesma. Ela havia sentido o mesmo tipo de culpa constante… que sua avó tinha desperdiçado seus anos de ouro educando-a. Ela faria algo para escapar dessa sensação. Inclusive culpar a outros por isso se pudesse. Gray foi apanhado na mesma armadilha dilaceradora de culpabilidade da mesma forma que ela. Mas ao menos nos braços de Maizie tinha encontrado alívio. Uma sensação de que havia uma razão detrás de tudo, uma razão pela qual seus pais morreram nesse caminho florestal… seu bosque. Isso os uniu para sempre e por sempre. Ela agora desejava essa sensação. Desejava-o. Maizie fechou os olhos, imaginou sua mão explorando sua pele. Ela imitava a imagem em sua mente com sua própria mão, envolvendo-a sobre sua clavícula, por seu peito. Ela mesma cavando-o, seus dedos encontraram a dobra de seus mamilos, apertando enquanto passava a outra mão entre as coxas. O pensamento dele fazia sua buceta quente e úmida. Parecia mais velho que ela, mas só por uns poucos anos. Agora sabia que era provavelmente muito mais. Seu cabelo até os ombros de cor cinza prateado distinto, sua face mostrando as dobras da sabedoria e da idade, fez seu corpo viril ainda mais que surpreendente. Teve a capacidade de resistência e a flexibilidade de um homem em sua meia idade, mas com o controle de um profissional experiente. A memória dele de pé nu ante ela passou por sua mente. Seu corpo pareceu com o de um jogador de futebol, musculosas pernas grosas, um estômago liso, uns peitorais definidos e

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braços como canhões. Eram feitos para a velocidade, a resistência e o poder. E ele tinha utilizado todos seus sentidos para fazê-la gritar seu nome. Maizie se apoiou contra a parede, a cortina da ducha sobre suas costas e as pernas para baixo da banheira. Ela introduziu os dedos em seu sexo, encrespando-se dentro, tratando de encontrar o ponto que Gray havia encontrado uma e outra vez. Ela tomou seu lábio inferior entre seus dentes, bombeando seus dedos dentro e fora de sua buceta, imaginando a sensação seu grosso pênis profundamente dentro dela, enchendo-a. Maizie beliscou seus mamilos, a medula dura e sensível entre os dedos. “Maldito seja, Gray! Desejo-te.” Maizie, sem fôlego, empurrou a ponta de seu pé com um golpe duro entre as coxas. Dessa vez sua buceta estava cheio até o bordo, com os dedos ainda enterrados em seu interior. Tirou sua mão, mas a sensação não mudou. Olhando com os olhos muito abertos o teto de palha de cor vermelha escura entre suas pernas, seu cérebro enjoado com a primeira quebra de onda de pânico. Mas então, tirou um dedo lentamente, formigando todo seu corpo e o pânico deu passo ao desejo. Com os punhos apertados na cortina da ducha enquanto o pênis invisível estava profundamente dentro dela outra vez. “OH, Deus...” Justo como o grosso pênis de Gray a tinha golpeado em sua última noite, estirando os músculos, um ajuste esquisitamente apertado. Os impulsos sacudiram seu corpo imediatamente antes que a sensação úmida e quente de sua boca cobrisse seus peitos. Sugando-os, lambidas firmes que estalavam os mamilos endurecidos, com os dentes mordendo-a, burlando-os, enviando sacudidas elétricas ao longo de sua pele. Maizie fechou os olhos, inclinou sua cabeça contra a parede. Ela balançava seus quadris, cavalgando no ritmo do pênis invisível do Gray, a pressão profunda em seu interior, a necessidade de terminar mais e mais forte. Como aconteceu? Sentia-se tão real. Foi? Poderia fazer isto? Ela deveria ter medo, mas se sentia muito bem, imaginando seus beijos, seus lábios firmes nos seus, o jogo rápido da

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língua em sua boca, o roçar suave de seus dentes. Sentia-o e queria mais. Recordou como tinha ofegado quando burlou seu mamilo e desejava poder fazê-lo de novo. Umedeceu os lábios e sentiu a pele rígida de seu mamilo, endurecido. Mordeu-a, suave, e logo o atraiu para sua boca. Gray ofegou, atirando de seus músculos em sua virilha apertada. Maldita seja, havia-lhe gostado quando ela o tinha feito a noite anterior e gostou ainda mais quando ele imaginava agora. Sentia-se real. Empurrou seus quadris, mantendo o ritmo, suas bolas golpeando contra suas coxas, imaginando-se a si mesmo golpeando seu traseiro. Tinha sido como isto, maldito ar, sentia que estava fodendo a Maizie. Podia sentir seu peito na palma de sua mão, apertando a carne suave e amorosamente, a forma em que moldava a seu controle. Sentia seus lábios nos seus, a língua, a boca, inclusive as brincadeiras como outra faísca de prazer de seu mamilo a seu pênis. Seus músculos com sua buceta apertando e pulsando em torno dele, a criação da pressão em suas bolas, lhe levando rápido para o bordo da liberação. Jesus, quis fodê-la de dentro para fora, em todas as partes, de todos os sentidos. O pensamento da beleza de seu traseiro... Gray imediatamente sentiu a pele suave em sua palma. Pressionou-os, os músculos se esticaram, imaginou seus dedos deslizando-se em torno do dobra entre suas bochechas, deslizando-os mais longe ao buraco estreito de seu ânus. Ela quereria isto? O permitiria? Ao diabo, essa era sua fantasia, e o desejava tanto que em realidade podia sentir seus dedos deslizar-se através da barreira pressionada. “Não… siiim…” A estranha mescla de dor e prazer rodou por seus olhos. Maizie ofegava, a sensação sobrecarregava em sua bunda com a plenitude de sua buceta. Ela sacudiu seus quadris, as deslizando por volta do ânus, e o ritmo de repente veio tão fácil. A opressão incômoda levou a movimentos deliciosos, seus músculos com sensações de formigamento que ela nunca tinha conhecido que fossem possíveis. Ela pegou a barra da cortina, desesperada por si mesma contra o giro rápido, pela necessidade, construindo-se dentro dela, sacudindo suas coxas, flexionando sua buceta, fodendo-a. Gozaria dessa forma. Nada a tocando, mas sentindo-se totalmente consumida pela sensação.

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“OH Deus…” Sua boca se abria, os quadris balançando-se, com as pernas abertas. A promessa de liberação viria forte e rápido. A mandíbula de Gray apertada, suas mãos agarrando apertadas na ducha, o pênis balançando-se duro. Seus músculos quentes e úmidos abraçando sua buceta ao redor, pulsando contra seu pênis mais perto e mais perto do bordo. Seu dedo entrou em seu ânus, sentindo seus músculos virginais dando passo a ele. Ela estava perto. Podia senti-lo. E assim foi. Mas era mais que um produto de sua imaginação. Isto estava tudo em sua mente, não? A sensação dele, o prazer inegável, a liberação. Não se preocupou. Ele não se preocupou. Que durasse tanto tempo quanto pudesse, mais do que necessário, já que não tinha a ninguém a quem dar prazer só a si mesmo. Mas esses músculos invisíveis lhe espremiam, rogavam-lhe que aguentasse. Sua Maizie fantasma exigia a última vez, só um pouco mais. O instinto dentro obrigava a mais prazer, a sua liberação, o faria mais alucinante. Os músculos lhe incitaram mais e mais rápido. Já ia chegar à liberação. Maizie tomou fôlego, seu corpo se congelou, permitindo que o ritmo frenético do pênis invisível a empurrasse ao bordo. A doce liberação veio dura e rápida, rodou através de seus músculos, a força com o tremor através de seus joelhos. Seu corpo zumbia, sua pele quente, o coração palpitava em seus ouvidos. “Sim. Sim!” Só na casa, gritou as palavras sem cuidado, enrolando-se no orgasmo sem inibições. Ela ofegava, tratando de recuperar o fôlego, o ritmo do fantasma de Gray nunca vacilou, seus golpes chegaram mais e mais duros. Seu pênis grosso. Já ia chegar. Nem um segundo mais. Sua buceta ordenou a seu último fio de controle e Gray se deixou ir. Apressa de seu prazer, a negação, quase o varreu, oscilando. Um banho de calor irrompeu através de seu corpo, sacudindo-a por sua mente. Seus quadris balançando-se em seu pênis, atirando seu líquido cremoso na parede traseira da ducha.

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“OH, sim. Foda. Sim!” golpeou seu pênis uma e outra vez, indo contra seus quadris, esvaziando até a última gota de sua porra. Logo se deixou cair entre a ducha, esgotado, satisfeito. “Wow.” Maizie tropeçou sob o jorro de água fria, fazendo todo o possível para sustentar-se sobre suas pernas débeis, enquanto ela lavava os restos pegajosos de seu orgasmo. Seus peitos sensíveis, a dor em sua buceta, como se em realidade tivesse sido esquisitamente fodida. Não tinha sentido, não era possível, ninguém era homem lobo. Meu Deus, O que passava? Quanto tempo tinha perdido masturbando-se na ducha, fantasiando com o Gray? Ao mesmo tempo, sua avozinha lutando sozinha pelo trauma de uma experiência próxima à morte. Estava preocupada, perguntando-se por que sua Chapeuzinho não estava a seu lado? Como poderia lhe explicar Maizie da estranha fascinação que sentia por Gray Lupo apesar de sua conexão malévola? Como ia explicar o ataque, o sexo, os homens lobo? O que lhe diria? ***** “Foi mordida.” A avozinha se levantou da cama fechando a porta de sua habitação atrás de Maizie. Sua mão enrugada tremeu, assinalando Maizie para que se aproximasse. Maizie sacudiu sua surpresa e entrou na habitação. Ela tomou sua mão. “Estou bem, avó. É só um arranhão. Você é a que me preocupa. Sinto muito não ter estado aqui quando lhe levaram a hospital.” “Ora! Isso não importa. O hospital tem a melhor bolacha às quintas-feiras de noite.” “Avó.”.. “O que aconteceu?” Por quê? Explicara isso tudo? “O livro diz que a primeira vez é mais difícil.” Mazie arregalou seus olhos, com suas costas retas. Sua avó estava mais lúcida do que tinha visto em anos, e ela não tinha nem ideia do que estava falando. “Doerá-te, já sabe, a primeira vez...” “O que doerá? Explicar o que?” “O de... Maizie, querida, onde está?” “Quem?”

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“Gray Lupo, é obvio. Não conheço nenhum outro lobo, não?” Seu tom de voz deixou claro que era uma brincadeira, mas quando Maizie não respondeu, a avozinha chegou a suas próprias conclusões. As vozes na sala atraíram a atenção de Maizie. Foda, por que falam tão alto? Ouvia a enfermeira falar com o Sr. Peterman no corredor, como se estivessem na sala. E quem estava tocando o piano? Tinham colocado um microfone dentro do piano? É obvio que tinham posto um microfone no piano para ser escutado e frigideiras que se estrelavam na cozinha. Deus, por que é tão barulhento o asilo hoje? Como pode alguém conseguir pensar? “Assim conheceste a toda a família, então.” Disse a avozinha, ajustando o edredom de flores da cintura para abaixo. “O que?” Maizie voltou sua atenção a sua avó. “A família de Gray” disse. “A Sra. Joy é muito agradável e os gêmeos são corteses, mas não posso dizer que Lynn me agrade muito. Sempre tratando de entrar nos assuntos de Gray. É viúvo, pelo amor de Deus, e sua cunhada.” “Sabia? A respeito de todos eles? Durante todo este tempo?” Alguém limpava uma penteadeira, o som de um líquido, o som da água fazia eco na cabeça de Maizie. “Por quê? Sim, querida. Você também. Falei-te sobre meu formoso lobo de prata centenas de vezes.” Com a frente enrugada, sua voz adquiriu esse tom cuidadoso usado com meninos pequenos e mentalmente instáveis. “Como pensava que levava as violetas ao floreiro e limpava tudo?” Alguém gritou “bingo.” Maizie olhou através da habitação procurando um alto-falante. Não havia nada, apesar de que várias pessoas expressassem suas felicitações a Millie. “Eu... Pensei que foi....” “Uma velha tímida com uma memória fraca?” “Sim.” Embora agora se perguntava o mesmo sobre si. “Quero dizer, eu pensava que era um de seus encantos.” Maizie se derrubou na cadeira de noite, resistindo o impulso de cavar suas mãos sobre seus ouvidos.

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O que estava passando? A dor encrespou seu estômago, a fazia cruzar os braços sobre seu ventre, agarrando com força. Era a primeira cãibra da ducha, mas parecia lhe fazer mais dano. Fez uma careta, deixou a dor, esperando que se acalmasse. “Já está começando.” disse a avozinha com a cabeça no ventre do Maizie. “O que?” Maizie se retorceu em seu assento. A dor a entorpeceu, mas ainda não tinha desaparecido por completo. “A mudança. A mudança está começando. Merda, em realidade ele não te explicou nada?” “Vovó…” “Bom, querida, sinto muito. Mas não devia deixá-lo sem lhe fazer algumas perguntas. Não saltaria à cama sem descobrir em primeiro lugar as coisas mais importantes a respeito de um homem, verdade?” Coisas importantes como ele culpado-a pela morte de sua esposa e ela o desprezado durante toda sua vida? Ao que parece, sim. “Como soube que tinha sido mordida?” Uma mudança ardilosa. Maizie esperava que a sua avó não a levasse a admitir todas as coisas descuidadas que haviam feito à noite anterior. “Posso vê-lo em seus olhos.” A sua avoó se inclinou para Maizie, lhe olhando os olhos, mas não dentro deles. “Eles têm esse olhar selvagem. As pupilas dilatadas, com os olhos maiores, como se visse tudo.” Maizie não estava segura disso. Nesse momento estava muito ocupada notando como a dor surda em seu estômago se estendeu às pernas e os braços. Doíamlhe os músculos como se tivesse trabalhado em excesso. E o ruído estava se convertendo em um maldito som ensurdecedor. “Cheira a ele também.” “O que?” “Deve havê-lo notado. É um aroma maravilhoso, como a terra e as árvores e o vento. Cheira como ele agora. Mas isso é normal para os homens lobo.” “Homens lobo...” Maizie ainda não podia envolver seu cérebro ao redor disso. “Vovó, Como sabe tudo isso?” A avozinha abriu a gaveta de seu criado-mudo e tirou um livro velho de couro. Entregou-o a Maizie.

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“Gray me deu faz isso anos quando seu avô morreu. Ele se ofereceu para me levar a sua manada. Contou-me isso tudo. Não posso acreditar que, pelo menos, não te houvesse advertido sobre a primeira mudança.” “Não foi Gray.” “O que? Então, Quem? O que aconteceu?” A cara da avó empalideceu. “Não se preocupe. Estou segura de que Gray se encarregará disso. Cuidou de mim. Mas então se distraiu. Estava muito ocupado, malditamente cego para me dizer que tinha sido convertida em um homem lobo. E então eu só... eu não fiquei ali.” “Bom, não posso imaginar o que poderia distraí-lo de algo tão importante. O que...?” Suas bochechas se avermelharam. “OH. Sim, bom... um caráter muito amoroso também é normal.” “Você acredita no que está aqui?” Maizie leu a capa. “A Maldição do Lobo, por Gervásio do Tilbury, no ano de nosso Senhor 1214.” “Parte disso é mentira, é obvio.” “Vovó.” A mulher quase jurou que nunca tinha feito às ocasiões mais estranhas, mais surpreendentes. “Tinha medo de minha própria sombra naquele tempo. E não é uma maldição. É um vírus. Caí pela enfermidade em primeiro lugar, como a varíola, antes que seu corpo crie anticorpos para seu controle. Depois pode mudar uma e outra sempre a sua vontade. O resto do livro é bastante exato, conforme me disseram. A lei da manada, o instinto, a tradição. Deveria lê-lo antes que a mudança avance muito.” “Genial.” Sentia-se como uma merda, dor no estômago, estava afligida por toda classe de ruídos, e agora ela a estava preparando. Maizie se estremeceu, com um formigamento na pele. Revisou seu braço para assegurar-se de que só sentia as formigas em cima dela. “Tenho que ir para casa.” “Sim, querida. Estou totalmente de acordo. Lê o livro ou busca ao Gray. É você que escolhe Chapeuzinho.” Algo lhe disse que a hora da verdade se acabou.

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Capítulo 11 Seu corpo estava tratando de voltar-se ao contrário… através de seu umbigo. Maizie se aconchegou no sofá fazendo uma bola, puxando a manta debaixo do queixo. A casa estava cheia de sombras, o sol quase se ocultou. A temperatura no termômetro de colibri na janela, mostrava uma leitura de 30 graus , mas Maizie estava tremendo tanto, que seus dentes chiavam. Isto era pior que a vez que tinha pego gripe e teve que ser hospitalizada durante um dia e meio, enquanto que o pior passava. Tinha tido medo porque podia morrer. O que diz isso quanto as possibilidades que tem agora? Outro fragmento de dor atravessou seu ventre, como uma serra cortando desde seu umbigo até o pescoço. Ela gritou, mas o som era rouco, a última meia hora tinha arruinado sua voz. Ela deveria ter chamado Gray. Mas o que poderia ter feito mais que observar? Ela já tinha vomitado tudo até que já não ficava nada dentro dela. Ninguém precisava ver isso. Seu corpo convulsionava, seus músculos contraindo-se e logo se estirando. A manta voou através do salão, caindo atrás da cadeira no canto. Querido Deus, estava congelando, inclusive enquanto o suor caía por seu nariz e queixo. Ela não podia evitar tremer e quando outra onda de dor atravessou seu corpo se encontrou retorcendo-se no chão. Seu cabelo estava empapado, largas linhas aferrando-se a sua cara, grudados a seu pescoço e gotejando pequenos poças no chão. Ela se levantou, parando seus cotovelos, logo descansou aí um segundo tratando de encontrar um momento de paz. Seu corpo não o teria. “OH meu Deus, OH meu Deus. Algo está passando.” Ela paralisou. Se for possível sobreviver a cada osso sendo quebrado de maneira simultânea e logo reacomodado, tendões rasgando-se de seus músculos, órgãos trocando, cartilagens crescendo,

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estirando sua pele, se era possível sobreviver a sua autópsia, Maizie agora sabia como se sentiria. Sua boca aberta em um grito mudo enquanto via seus dedos encolherem-se, os ossos de seu braço atirando para trás, reorganizando-se. Ela podia sentir cada grosso cabelo metendo-se através de sua pele como gordas agulhas abrindo acontecer através de seus pequenos folículos. Ela gritou outra vez quando a cartilagem de seu nariz se desmoronou e reorganizou, estendendo sua carne, sua mandíbula saindo, dentes afiando-se, rasgando suas gengivas enquanto cresciam. Mas o som não era o seu, ou ao menos nenhum que se tivesse escutado antes. Era um louco, agudo chiado cavado para o final. Sua coluna vertebral arqueada de uma maneira e logo depois de outra, ossos fraturando-se ao longo de suas costas, empurrando por debaixo da sensível pele por cima de seu traseiro. “Não. Por favor… uma cauda.” As lágrimas manchavam sua cara, mas não podia sentir a umidade através de sua pele. Suas pernas transformando-se justo como seus braços o tinham feito, a dor intensamente igual. E logo… Finalmente se deteve. Maizie jazia imóvel no chão junto ao sofá da sala. Seus olhos fechados, ofegando, tratando de recuperar o fôlego. A dor tinha durado toda uma vida. Tomou vários minutos acreditar que não voltaria. Ela umedeceu os lábios, exceto que não tinha nenhum. Dentes, compridos e afiados, rasparam ao longo de sua língua. Lambeu-se de novo e quase toca a ponte superiora de seu nariz. A pele era áspera contra sua língua, salgada pelo suor e as lágrimas. Ela abriu seus olhos, quase os cruzou tratando de ver o comprido focinho onde seu nariz tinha estado. Algo correu ao longo da fundação da casa. Ela escutou e sentiu suas orelhas girar. Sacudiu a cabeça à estranha sensação e ficou de pé, fraco ao princípio, o centro de equilíbrio muito diferente de duas pernas a quatro. Seus shorts enrugados ao redor da parte traseira de seus pés e o que ficava de sua camisa, penduravam ao redor de seu pescoço.

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Ela fez todo o possível para tocar com a pata a malha rasgada, acertou para apanhar sua garra no pescoço e extraí-los o resto do caminho. Fez uma nota mental para estar nua a próxima vez que isto passasse. O pensamento a deteve por um segundo. Ela sabia que haveria uma próxima vez. Livre, sacudiu-se. Que asco. Era muito estranho. Sua grossa e pesada pelagem deslizou, sua pele torno de seu pescoço. Um estremecimento viajou através de seus ombros, sobre suas costas e por sua cauda. A cauda. Ela quase a esqueceu. Maizie girou, tratando de ver seu traseiro, mas quando voltou, sua parte traseira a seguiu. Deu voltas de novo, mas somente conseguiu ver uma espionagem de pele avermelhada e talvez um flash de morango-loiro na ponta. Ela não podia estar segura. Se somente pudesse ter uma melhor visão. Rápido, como se dirige uma cauda? Ela tratou de movê-la enquanto dava voltas ao redor mas isso tomou mais coordenação do que tinha dominado nesse momento. Ela seguiu tratando de ver através, dando voltas e torcendo-se, torcendo-se e dando voltas, mas não pôde agarrá-la… OH Deus, estou perseguindo minha cauda. Deteve-se, agradecida por que ninguém a viu. Sou um ser humano inteligente. Posso resolver isto. Agora, se quiser ver a mim mesma eu... Havia algo nas flores fora do solário. Maizie levantou a cabeça e soprou. Cervo. E estava contra vento. Poderia agarrá-lo se eu… Não. Espera. Ela estava pensando em outra coisa faz um minuto. O que era? Seu rabo se golpeou contra o sofá e logo outra vez. Mas ela não tinha movido seu rabo. Ela girou seu pescoço para sua garupa e viu um brilho de pelagem morango-loiro balançando-se fora na ponta de sua cauda. Estou movendo minha cauda. Genial. Como? Entretanto no instante que pensou nisso, sua cauda se deteve. Imediatamente. Ela só tinha conseguido uma rápida olhada. Queria ver mais. Isso! Ela havia estado pensando na maneira em que poderia ver-se a si mesma sem ter que correr em círculos. Um espelho.

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Foda. Qual é o problema com ela? Por que não podia manter um pensamento em ordem em sua cabeça? Maizie deu a volta e se dirigiu às escadas, surpreendida de quão rápido e fácil se moveu agora que tinha quatro pés para subir em vez de dois. Havia tantos aromas, tantos sons, inclusive as coisas cotidianas capturavam sua curiosidade. Era tudo o que podia fazer para não cheirar o lixo quando foi ao banheiro. Ela empurrou a porta com seu nariz para que pudesse se ver no espelho de corpo inteiro seu traseiro, mas quando seu reflexo mostrou um alto, robusto lobo marrom, ela entrou em pânico. Os cabelos sob suas costas até suas pernas se arrepiaram, um grunhido vibrou em seu queixo, mostrou os dentes. O lobo cor avermelhado grunhiu em resposta, imitando sua posição escondida, mostrando os dentes. Ela podia lutar ou fugir. Essa era sua guarida. Não ia fugir a nenhuma parte. Maizie saltou ao lobo e o lobo saltou a ela. Eles bateram duro, rompendo uma greta como uma teia onde se encontraram suas cabeças. Maizie cambaleou atrás, sacudiu a cabeça e viu o robusto lobo marrom fazer o mesmo. Ela soprou, e o mesmo fez seu reflexo. Ugh. O que estava pensando? Não. O problema era que não estava pensando. Ela estava atuando por instinto, instinto de lobo. Era mais forte que algo que ela havia sentido como humana e surpreendentemente difícil de ignorar. Ela teria que ter isso em mente o melhor que pudesse. Maizie tomou uma melhor olhada de si mesma. Ela era um grande lobo, provavelmente normal para homens lobo, mas espantosamente grande para um lobo natural. Sua pelagem tinha uma cor mais escura que o normal de seu cabelo exceto pelo morango-loiro nas pontas de suas orelhas e sua cauda, os quais podia ver agora, inclinando-se no ângulo correto. Seus olhos eram do mesmo verde que sempre tinham sido, mas sua forma era diferente, mais amendoado, mais longo. Possivelmente por isso sua visão era mais clara. Santo céu fazia calor. Sua boca pendurava aberta enquanto ela via, sua língua caindo fora a um lado. Ela ofegou, deteve-se, e logo o fez de todos os modos.

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Esfriava-a e era melhor que tomar água do banheiro, o qual era outro terrível impulso que estava golpeando através de seu cérebro. Tinha que sair da casa antes que fizesse algo completamente asqueroso. Maizie empurrou a porta com seu nariz e desceu correndo as escadas. Seu coração pulsava mais rápido com apenas o pensamento de ar livre, espaço livre para correr, um bosque para explorar. Ela atravessou a sala para o terraço e logo saiu pela porta traseira. A tela da porta golpeou contra o marco de madeira atrás dela, lhe dando um começo, mas ela seguiu movendose. O sol estava por debaixo do horizonte, seu suave brilho desvanecendo-se rapidamente. Mais à frente da soleira da selva era tão bom como a noite inteira, e Maizie podia ver perfeitamente. Não sentia saudades que não houvesse podido escapar da família de Gray a noite anterior. Tinha corrido as cegas enquanto eles jogavam com ela. Idiotas. Ela empurrou o pensamento longe, lhe permitindo a noite roubar sua atenção. O bosque estava vivo ante ela, não só cheio de trilhões de impulsos a não ser com cores, aromas e sons. Muitas coisas eram imensamente fascinantes, o exército de formigas viajando de linhas de transmissão levando casca, folhas e carcaças de insetos. O penetrante aroma de um gambá que tinha passado horas antes a levou por um caminho antes que a cauda de uma marmota jovem lhe fizesse dar volta. Um mocho chamou a seu companheiro pelo alto e um morcego arremeteu tão baixo que ela tratou de saltar e agarrá-lo. Uma colheita de madeira violeta perfumava o ar em um lugar e um emplastro de bagos tinha seu estomago grunhindo em outro. Ela em realidade podia sentir o doce sabor da seiva em seu focinho e o amargo sabor do aerossol da raposa por acidente. Em algum lugar no fundo do bosque, um cervo raspava seus chifres de árvore em árvore esperando a chegada da seguinte estação. O coração eo Maizie se acelerou, seus músculos muito inquietos, ansiosos pela caça. Se ela os perseguisse, fugiriam. Provavelmente não os agarraria, mas não importava. Eles fugiriam. O pensamento entrou em sua mente e seu corpo obedeceu. Deslizou-se através do bosque com graça e uma rapidez que desafiava a razão, desafiava a gravidade.

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Ela sabia coisas, onde o tronco que não podia ver cruzava seu caminho mais adiante, o quão baixo as partes espinhosas de um ramo penduravam na escuridão, que pedras golpear através da corrente para não cair na água. Sabia quando girar à esquerda, à direita ou quando trocar de direção para economizar tempo na longa carreira. O bosque lhe falava, contava-lhe secretos, dava-lhe bem-vinda a seu seio. A natureza, o bosque, as plantas e os animais, eram partes de um tudo e ela também o era. Os cervos foram além de um matagal a quinhentos metros de distância, pastoreando no escasso pasto do chão do bosque. Não a tinham cheirado aproximar-se em direção do vento ou ouvido correr com sigilo, mantendo brandas a terra e as plantas. Diminuiu, perfumando o vento, localizando sua posição exata sem sequer vê-los. Sim. Eles estavam aí, um novilho e dois mais velhos. Dois estavam ao final de seu ciclo, o terceiro estava preparado para o emparelhamento. Tudo isto veio a Maizie com o ar, mas havia algo mais, algo familiar mas fora de lugar. Bolo de maçã com noz e amora. Ela tinha levado três à sua avó ontem. A essência era única, mas diluída pela distância. Sua avó deve ter os bolos perto da tela na janela. Maizie queria vê-la, assim voltou longe do cervo e foi vê-la. Assim, simples. Sem complicações. Seu instinto de lobo tomava as decisões mais fáceis, mas algo no fundo de sua mente se queixava que fácil não era o melhor. Era muito difícil pensar agora. Maizie estava perdida na rápida demanda de sensações, flutuando através do bosque, os músculos de suas pernas bombeando como os pistões de um motor bem afinado. Uma com o bosque, ela esquivou e saltou, girou à esquerda, girou para a direita, movendo-se sem problemas através da escuridão do bosque. Não era nada como o que conhecia e não queria que terminasse. Mas quando rompeu a linha do bosque no pátio traseiro do asilo de idoso Green Acres, tudo mudou. Cabeça abaixada, ela correu ao longo das sombras, abrindo caminho até o bordo do edifício. As portas de vidro ao longo da parede traseira estavam todas fechadas, mas as luzes do canto interior, arrojavam um resplendor mel suave e iluminavam a sala de recreação, o suficiente para que Maizie pudesse ver o grupo de pessoas reunidas em torno da televisão. Deslizou-se para do canto, a luz interior e a escuridão da noite a faziam virtualmente invisível.

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Maizie procurou uma cara familiar, preocupada de que seu cérebro de lobo não reconhecesse a sua avó quando a visse. Ela olhou aos homens de avançada idade dormir em camas reclináveis e se deteve só um minuto para estudar as características da mulher entre eles tecendo. Havia uma mulher na cadeira de balanço lendo sob um dos abajures de canto e outra sentada em um assento de amor, mão a mão com uma oferta de um futuro para um homem de idade avançada. Esses dois eram quão únicos pareciam estar vendo a exuberante televisão evangelista. Mas Maizie não os reconhecia. Não reconhecia a nenhum deles. Vovó, onde está? O cérebro de Maizie estava confuso, cheio com embriagadores aromas e sons, com os instintos de sua metade lupina. Havia muito, muitas distrações. Mas ela sabia como aparecia sua avó, não? Sim. Ela recordava a maneira em que fazia Maizie e ssentir, o que significava para ela. Nenhuma dessas pessoas era a sua avó. Maizie se voltou e correu com o passar do edifício, evitando as luzes emitidas pelas janelas. Seguiu o bordo ao redor das esquinas, por volta das quartos e logo fora de novo. Finalmente, chegou à parte traseira do edifício onde quatro janelas estavam de maneira uniforme ao longo da fachada. A primeira passava por cima o pátio traseiro, pelo bordo do bosque perto das últimas três. A suíte de vovó. A luz da habitação de sua avó lançava uma esteira de luz no bosque, iluminando um retângulo de folhagem. Maizie circulou fora do bordo da luz, com cuidado de não ser vista. As cortinas de encaixe da avó eram elaboradas, mas as pesadas cortinas estavam retiradas aos lados, expondo a habitação a qualquer um que se atrevesse a olhar. Vovozinha. Maizie a reconheceu imediatamente. A idosa se sentou como costume em sua cama de hospital, com a parte superior de seu corpo em ângulo para que pudesse ver a televisão. Com um controle remoto em uma mão, e um garfo na outra, suspenso sobre um bolo de amoras azedas com maçã e nozes, esperando em uma bandeja sobre a mesa que estava na cama. Seus pés se moveram a um ritmo feliz sob a manta, aconchegando, em sua boca um meio sorriso, ainda trabalhando em seu último bocado. Estava feliz e os músculos de Maizie se relaxaram, liberando uma tensão que não tinha visto antes. A avó estava segura e cuidada para a transformação em caso de que não pudesse reverter-se. Maizie se estremeceu ante a ideia.

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Ela não estaria apanhada como ela, verdade? As velhas histórias sempre haviam tido um pobre desgraçado que sabia que tinha sido mordido e o que podia fazer para retornar a sua forma humana. A recuperação de sua vida era uma luta, mas sempre o tentavam, sempre se derrubavam na negação. É obvio, na maioria dos casos, não teve êxito e terminavam se transformando no pior momento possível. Os aldeãos se atormentavam pensando que podiam atacar os meninos, e isso lhes dava uma boa razão para lhes dar uma morte brutal. Maizie se estremeceu uma vez mais e fez uma nota mental sobre deixar de ver tantos filmes de terror. Estaria bem. Isto não poderia ser um estado permanente e os aldeãos quase nunca irromperiam nestes dias. A avó deu outro bocado no delicioso bolo, seu sorriso se fez mais amplo e a massa saiu de seus lábios. Inclinou a cabeça para trás, dançando o garfo no ar como um condutor. Maizie nunca se deu conta do quão comprido e formoso que era o cabelo de sua avó. Como um manto de neve branca e fina, que parecia uma folha brilhante que abrangia das costas até seu traseiro. Brancos cachos se agrupavam ao redor de seus quadris, provocando pequenas cócegas em suas bochechas. Deus, o que é que o mundo tratava de lhe dizer? Por que não lhe deu um último abraço, um beijo no passado? Queria escutar a voz da avó, sentir sua mão suave em sua bochecha, lhe dizendo que a vida era mais que a perda e o dor. Ela queria ir a ela agora. Maizie deu um passo, seus pés e a cabeça foram banhados pela luz da habitação da avó. Deteve-se, seu instinto humano ditava-lhe que se detivesse. Não podia. O medo era muito grande. Seu olhar de lobo, não estava disposto a confiar nos seres humanos, inclusive nos que amava. Ao retroceder, voltou para as sombras de novo. Outra vez. Se ela ficasse desta maneira, Maizie seguiria tratando de superar o grito de seus instintos de lobo. Mas, por agora, inclusive se ocorria que seguisse sendo um lobo tenro sempre, os aldeãos acreditavam que era vandalismo, o importante é que Maizie sabia que a avó estava a salvo. Bateram na porta da avó e atraíram a atenção do Maizie. “Entra” disse a avó, as palavras mais cantadas do indicado. A porta se abriu e um homem de cabelo escuro apareceu à cabeça pela fresta. “Olá, mamãe. Estava dormindo?”

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“Riddly?” A mão da Avó se abaixou à cama, deixando o garfo a distância e a TV esquecida. “Não... não estou dormindo. É você, Riddly?” O cérebro de lobo de Maizie tinha problemas com as palavras. Papai? Maizie se enfiou para frente, a luz tocava seus pés e seu focinho. O homem sorriu, entrou e fechou a porta detrás dele. “Como está minha garota?” Bonito, sofisticado com seu traje sob medida, o homem era familiar, mas Maizie não sabia por que. Ele estava densamente construído, como um lutador alto, com ombros largos, uma mandíbula quadrada e um nariz proeminentemente românico. Havia cinza em suas têmporas, a cor apagada era ainda mais notável contra a escuridão absoluta de seu cabelo bem recortado. Ele manteve sua mão direita escondida detrás dele quando entrou na habitação da sua avó. Quando chegou a sua cama, inclinou-se e a beijou na testa e logo lhe ofereceu o ramo de rosas brancas que escondia. Maizie soprou. Eram formosas, mas não eram as favoritas de sua avó. As violetas. Sua avó faria qualquer coisa por um punhado de violetas. Os pensamentos de Maizie foram provados pela expressão da avó. “OH, uhmm, querido! São... uhmm. Poderia as pôr na água para mim? Há um floreiro por aí, uhmm.” A avó sacudiu o garfo para a porta do banho. “Claro, mamãe.” Esse homem não era Riddly Hood. O pai de Maizie nunca teria trazido para sua mãe as flores equivocadas. Uma vibração estranha cantarolou em seu peito, um grunhido encheu seus ouvidos. Tomou um segundo dar-se conta que o grunhido vinha de seu interior, a ira se manifestava em sua forma de lobo de novo. Gostava. No momento em que o estranho impostor saiu da habitação, a avó procurou as provas em seu peito. Encontrou seu relicário e trabalhou duro para abri-lo. Um amplo sorriso sentimental encheu seu rosto, uma tristeza beliscava a quina de seus olhos enquanto olhava as imagens em seu interior. “Eu, ah, trouxe os papéis que nós... uhmm... sobre o que você sabe” disse o homem no banheiro.

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A avó se apressou a fechar o relicário, dentro do punho em sua mão antes que ele caminhasse para a habitação, com um vaso transbordante de rosas. Fez uma pausa por um momento, com o olhar estudava seu rosto e logo desceu suas mãos a seu peito. Sua expressão era escura, e seu sorriso de repente mais rígido, forçado. “O que acontece, mamãe?” “Nada.” Mas a atenção do Riddly falso foi arrebatada. Deixou o copo sobre a mesinha de noite da avó e chegou a suas mãos. O grunhido vibrando através de Maizie se fez mais forte. Deu outro passo audaz para a luz. A avó riu. Deixando abrir suas mãos. “O medalhão. A imagem é tão velha. Dificilmente se parece contigo mesmo. E olhe a Maizie. Tinha apenas cinco anos de idade.” O homem estudou as imagens, as negras sobrancelhas grossas se enrugaram estritamente sobre seus olhos escuros. Mas logo sorriu, fechou o medalhão e o pôs brandamente no peito. “Essa fotografia é de uns anos. Parecia a uma pessoa diferente então.” A avó assentiu com a cabeça, com seu sorriso brilhante. “Ainda é formoso, entretanto.” “Obrigado, mamãe.” O homem pôs uma mão no bolso de seu saco e tirou uma magra pilha de compridos papéis dobrados. Colocou-os na bandeja junto ao bolo da avó, junto com uma caneta de luxo. “Estranhas ter vinte?” Ele assentiu com a cabeça para o televisor. “Dezesseis. Sente-se, sente-se, embora já estou um pouco velha” disse a avó. “Velha.” Ele se burlou. “Você te vê como todos nós.” Tirou o banco, ao redor da cama e o arrastou a uma das cadeiras de respaldo alto, mais perto. Deixou-se cair nela com uma ligeireza imprópria de sua roupa sofisticada e apoiou o couro custoso de seus sapatos no banco. De que papéis falavam, e que claramente tinha deixado na bandeja da Avó? E quem diabos, era ele de todos os modos? Havia algo familiar nele, mas seu cérebro de lobo não encontrava a conexão. Não importava. Tudo dentro de Maizie lhe disse que precisava afastá-lo da avó. Inclusive sua metade lobo esteve de acordo. Ela retrocedeu nas sombras de novo, correndo para o final da construção. Talvez pudesse encontrar uma porta entreaberta ou deslizar-se por detrás de alguém mais. Tinha que

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chegar a avó, protegê-la, apesar de seu medo instintivo dos seres humanos. Ela caminhou ao longo da construção, desviando dos espaços com luz o melhor que pôde. Voltou a dar uma última curva onde estava o bosque. Os dedos de seus pés se encontraram no bordo da grande extensão de asfalto. Frente a ela, o estacionamento do Asilo Acres se estendeu entre ela e a porta principal. O bosque cercava o Green Acres em três lados, deixando à fachada principal e o estacionamento descoberto. O lote estava iluminado por três luzes enormes colocadas justo para manter a raia as sombras. Mais à frente do estacionamento, justo em frente da residência de idosos, os automóveis passavam como uma bala em dois sulcos ocupados, e no outro lado se evaporava o resplendor da humanidade. Um restaurante, um supermercado, uma estação de gás e mais perto do bordo da civilização, rodeada por um lado, acres e acres de bosque detrás dela. Maizie queria voltar atrás e o doíam os músculos da moderação. A avó. Ela a necessitava e Maizie deu um passo provisório. O fundo negro era quente em sua pata, ainda com o calor de um dia ensolarado. Ela se aproximou, com o olhar fixo na porta de vidro. Dentro dela podia ver a recepção e uma cara familiar sentada detrás dele. Qual era seu nome? Não importava. Ela não reconheceria a Maizie assim de todos os modos. Maizie mantinha um movimento lento e constante. Ela ficou perto do chão, de cócoras, tratando de ser menor, menos perceptível. Era inútil, sabia, estava totalmente exposta. Uma porta se estrelou e Maizie congelou o coração palpitante. Seu olhar se precipitou sobre o estacionamento, cinco carros. Suas orelhas se crisparam, farejou. Nada. Com os músculos tensos, com vontades de correr, mas não se moveu. “Maizie?” Ela conhecia a voz, profunda e rica, suave como... “Sou... uhmm Gray. Fácil, não?” Gray? Maizie seguiu a voz com os olhos. Encontrou-o junto a um carro comprido e negro estacionado no bosque no outro lado. Ela o observou, com as mãos baixas, fora de seu corpo como se tratasse de parecer menos ameaçador. Seus instintos não acreditaram. Ela voltou

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a farejar e recolheu só um indício de seu aroma quando o vento mudou a seu redor, ricocheteando no edifício. Mmmm... Conhecia o aroma da terra, e as plantas, o bosque, mas havia mais. Um toque de doçura, colônia humana. A metade lobo de Maizie se opôs ao aroma, retrocedendo para trás. “Não. Espera.” Deixou de mover-se. “Eu te ajudo. Deixe-me estar contigo.” Maizie sabia as palavras, mas não pôde envolver seu cérebro de lobo em torno de seu significado. Ele era humano. Ela não podia confiar nos seres humanos. Recuou outro passo. “Jesus! É um formoso animal. Sei que está assustada com o que estou dizendo, mas não pode seguir sozinha.” Maizie deu outro passo atrás. Por que estava ainda à intempérie com ele? Aonde ia? Ela não podia recordá-lo. Não importava. Tinha que fugir. Tinha que correr, seu instinto o exigia e era muito difícil de ignorar. O pesado corpo de Gray, chocou-se com ela, não pôde mudar a velocidade e direção melhor que ela. O impacto golpeou o ar de seus pulmões, ambos caíram ao asfalto na erva suave. Maizie encontrou seu centro e se deteve em seu giro, bem a tempo para tirar o nariz fora do caminho da minivan rodando pelo caminho. Torceu-se duro, jogando a cabeça e o pescoço, Maizie teve os pés nela. A adrenalina subiu por seu corpo, lhe dando uma alta vertigem enquanto desconcertada pensava o que fazer a seguir. Onde estava o homem? Não importava nada mais. Um grunhido deu à volta, o som tão visceral que vibrava através de sua carne e osso, a gagueira do batimento do coração de seu coração. Olhou para o bosque, tratando de localizar o som. A escuridão era completa, inclusive para sua vista de lobo melhorado. Com esforço, as arrumou para tomar uma sutil mudança de movimento detrás de um grupo de árvores e centrou o olhar quando o suave brilho dos olhos azul pálido rompeu a cortina de cor negra. A pele chapeada de Gray saiu à luz. A perseguição tinha começado.

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Capítulo 12 Maizie sabia que Annette estava ali antes que abrisse seus olhos. Seu perfume de ópio encheu a habitação. Era difícil para o Maizie respirar sem cobrir seu nariz ou encher sua garganta com o aroma. Elevou-se sobre um braço, tratando de limpar o gosto do perfume de cerejeira do paladar de sua boca com a língua e piscaram para fazer que desaparecesse o sonho. “Bom dia.” Annette ficou imóvel, com um par de jeans meio dobrados em suas mãos, e com o olhar fixo em Maizie no pé da cama de Gray. Um sorriso sincero desenhou-se em seu pequeno rosto. “Bom dia. Em realidade, boa tarde.” Merda. Não de novo. Maizie notou o travesseiro vazio a seu lado. “E como cheguei até aqui?” “O Sr. Lupo a deixou aqui ontem à noite. depois de que, né, desmaiou.” Suas bochechas ruborizaram-se. Baixou seu queixo e olhou a Maizie com suas largas pestanas e rapidamente devolveu o olhar para a roupa. Ela as dobrou e as colocou no closet. Maizie pensou nisso por um minuto, levantou-se até sentar-se, aferrando a lençol sobre seu peito nu. Recordou Gray, sua confissão, a admissão de sua conexão estranha e íntima. Ajoelhou-se a seu lado quando não pôde levantar-se e logo... Nada. “Levou-me todo o caminho?” Wow. As sobrancelhas magras de Annette subiram por cima do marco de seus grandes óculos, com um gesto rápido e feliz. “O Sr. Lupo disse que te converteste. Não acredito que lhe importe. De fato, é certo que desfrutou muito te ter tão perto. Certamente te olhou dessa maneira esta manhã.” A pequena mulher pôs-se a rir, seu sorriso com brilhantes dentes. Juntou as mãos em seu peito e, por um segundo, Maizie esperava que as esfregasse com uma alegria impaciente.

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“Esta manhã? Então ele esteve aqui faz um momento comigo?” Maizie tratou de não demonstrar muito o fato de que necessitava a alguém mais para confirmar que seu casal esteve em sua cama. “É obvio. Ele passou mal te deixando sozinha aqui, mas tinha uma reunião de negócios.” Um comichão quente encheu o ventre de Maizie. Ele a havia sustentado toda a noite. Agora recordou a sensação cálida dele, a segurança de seus braços, a força, à ternura. Meu Deus, gostava da forma em que parecia entesourá-la. Gostava da forma em que lhe entesourou. As coisas estavam bem. Maizie grunhiu da cama, tirou o cabelo de sua cara e lutou contra o tolo sorriso que ameaçava aparecer em sua boca. Eles estavam destinados um ao outro, como em um conto de fadas, mas da vida real. Annette tagarelava. “Ele se assegurou de que eu lhe conseguisse roupa limpa e algo de comer e tudo o que você possa necessitar. Há jeans, camisetas e roupa interior aqui para você. Adivinhei seu tamanho, sou bastante boa nisso. Há um sanduiche de manteiga de amendoim e um copo de leite para quando estiver preparada.” Ela fez um gesto à mesa de noite. “O senhor Lupo pensou que gostaria, mas se preferir…” “Não.” Maizie jogou uma olhada à bandeja de prata mostrando um sorriso. “É, uhm, perfeito. É absolutamente perfeito.” Annette riu em silêncio outra vez, seus ombros elevados. “É-o, certo? É tão romântico.” De acordo, agora seu interesse sobre a vida amorosa de Maizie começava a ser estranho. “Wow, você é realmente próxima a seu chefe, né?” “OH, sim. Ele é justo assim, bom, ele é assim de maravilhoso.” “Está bem. Que tão próximos são os dois?” “Ele significa muito para mim.” Ela se encolheu de ombros. Arrumou-se a ruga de sua alta blusa abotoada por um momento. “Eu o amo.” “De verdade.”

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Assim porque ela estava tão feliz de ver Maizie em sua cama? Juntos? Não era que realmente lhe importasse. Annette era formosa e pequena, de uns trinta anos, doce, de cabelo castanho, com um coque, óculos grandes, parecia uma bibliotecária. Ela tinha uns formosos olhos marrons e uma figura absolutamente perfeita que ia com seu tamanho, pernas bem formadas em uns cômodos sapatos de salto baixo, se ela realmente era a rival pelo carinho de Gray, Maizie seria a que terminaria fora da cama. “Assim…” Maizie pensou uma maneira discreta de fazer sua pergunta e fracassou. “Vocês dois tiveram relações sexuais?” Estava esgotada, seu corpo se sentia como se tivesse sido esquartejado, e seu forte vínculo com o Gray tinha convertido seu cérebro em purê. Ela não tinha neurônios de sobra para andar pelos cantos, e pensando na forma em que se comportava o resto da família, parecia uma pergunta legítima. Annette enrugou a testa. “Não. claro que não. Eu nunca poderia... Blah...” Um estremecimento a sacudiu de pés a cabeça. Parecia como se ela fosse vomitar. “Hey, não te contenha. Diga-me como se sente.” A ofensa de Maizie para a repulsão da mulher era muito rebuscada para pensá-lo. Annette olhou rapidamente a Maizie. “Não. Não é isso. Eu o amo. Mas não dessa maneira.” “Muito bem, estou perdida.” Annette se pôs a rir. “Sinto muito. Não, olhe, eu conheci Gray, o Sr. Lupo, quase toda minha vida. Seria como dormir com meu pai.” As bochechas de Maizie se esquentaram. Isso sem dúvida explicava o estremecimento de Annette. Gray não parecia o suficientemente velho para ser seu pai, a menos que se partisse do fato de que era um homem lobo. Ele realmente envelhecia lentamente? “Como o conheceu?” Suas mãos se entrelaçaram diante dela, muito apropriadamente. Annette caminhou e passou ao extremo da cama, apoiando seu quadril contra o bordo do colchão.

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“Ele me resgatou.” É obvio que o fez. “Meu pai, meu pai biológico, era um homem abusivo” disse Annette. “E as coisas pioraram depois de que minha mãe morreu de câncer. Tinha seis anos quando Gray me encontrou. Tinha estado caminhando diante de minha casa e escutou a meu pai me atacar.” “Atacar-te?” “Ele abusava sexualmente de mim…” “Deus, sinto muito.” Maizie de repente queria abraçá-la. Annette se encolheu de ombros. “Foi há muito tempo e Gray me tirou dali nesse mesmo dia. Ele só irrompeu na casa, caminhou até o dormitório e lançou a meu pai através do quarto. Disse-lhe que estava levando a um lugar seguro e se alguma vez tentasse entrar em contato com qualquer de nós, o mataria. Acredito que ele o tivesse matado ali mesmo se não fosse por mim.” “Isso é horrível, Annette. Alegro-me de que Gray estivesse ali.” Ela assentiu com a cabeça, seus dedos jogavam distraidamente com um fio do edredom. “Nunca ouvimos falar dele. Nem sequer apresentar uma denúncia policial. Só uma espécie de... desaparecimento.” Essa última declaração fez com que o sangue de Maizie se esfriasse. Ela o ignorou. Existiam muitas possibilidades de que houvesse esqueletos no armário. Além disso, isto não era um filme. Ser um homem lobo não te converte automaticamente em um assassino. Inclusive se o menino o merecia. “Após o Gray se encarregar de mim. Ele e Donna eram como meus pais. Quando seu casamento começou a ir mal, eu estava aterrada, eu sabia que se destruiriam se permanecessem juntos.” “Conhecia a Donna?” Annette voltou a assentir e se aproximou mais ao lado da cama. “Ela era uma grande senhora. Formoso cabelo castanho arenoso, olhos verdes e um cálido sorriso. Amavam-se, mas nunca estavam a gosto juntos. Já sabe a que me refiro? Com eles não coincidiam... fogo.”

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“Sim.” Ela sabia exatamente o que queria dizer Annette com fogo. A mesma forma em que ela se sentia com Gray, como se fossem duas metades de um mesmo quebra-cabeça. Um ajuste perfeito. “Por isso me alegrei muito quando ele te trouxe para casa.” Annette se aproximou um pouco mais para Maizie. “Nunca trouxe ninguém para casa. E quando o vi sorrindo sabia....” O ventre de Maizie se agitou. Meu Deus, ela estava profundamente... Não o importava. Era exatamente onde queria estar. “É um bom homem. Merece ser feliz. E agora que te tem. Você é um deles, uma da família.” Annette se colocou pela última vez na mesma posição, agora em frente de Maizie. “Eu faria qualquer coisa para trocar de lugar contigo.” “Pensei que havia dito que não pensava no Gray dessa maneira.” “Não o faço. Ele não é meu tipo. Quis dizer trocar de lugar contigo com esta família, na manada.” O coração de Maizie saltou. “Sabe?” “O que?” riu Annette. “Que todos vocês são homens lobo? Claro.” “E não está surpreendida. Não tem medo?” Maizie recordou sua luta por acreditar, e chegar a um acordo com a verdade. “Não. São como minha família e você também o será, salvo...” Annette se zangou, os ombros cansados. “Não sou realmente um deles. Ainda sou humana.” “E você quer ser como eles, refiro a nós?” Annette capturou seu lábio inferior entre os dentes, com o olhar abatido. Ela assentiu com a cabeça. “Mas Gray não te converterá” supôs Maizie. “Não. Diz que nunca morderá a ninguém para que se converta. Ele foi mordido, não nascido como sua esposa e o resto deles. Mas como não eram verdadeiros companheiros de vida, sua experiência foi dura.... Não posso imaginar que alguém escolheria essa vida. Não é que ele não queira que eu seja um deles, simplesmente não se atreve a fazê-lo.” “O que com acontece Lynn e Rick e os outros?”

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Annette manteve o olhar fixo nas pernas estiradas de Maizie, sua mão encontrou o joelho de Maizie através do edredom. Ela a apertou, o polegar massageando um lado. “Eles seguem me deixando. Mas eu estava pensando, já que te há adaptado ao vírus provavelmente poderia me transformar. Poderíamos fazê-lo mais divertido.” Um aroma quente almiscarado fez cócegas no nariz de Maizie e agitou seu corpo. Annette despertou... Uma dentada. Os fortes sentidos de homem lobo faziam que o ar parecesse amadurecido com o entusiasmo cada vez maior da mulher. A ideia de Annette de diversão se fazia bastante clara. “Uhm, Annette.” Uma risada nervosa borbulhou de Maizie. Ela se retorceu, sentindo a febre do calor familiar de seu sexo. “Estou muito adulada, mas não me balanço dessa maneira. Não é que não esteja... Refiro-me a que é em realidade está... quer dizer, que nunca... bom, sempre hei... Gosto dos meninos.” Annette tirou seus óculos de sua cara com uma mão, a outra quente ainda nos joelhos de Maizie. Ela as jogou na mesa de noite para cair forte na bandeja de prata. Esses olhos marrons muito tímidos fechados sobre Maizie, o camundongo tinha mudado para uma leoa em zelo. “Como sabe se nunca o tentaste?” Levantou a mão e tirou dos alfinetes de seu cabelo, deixando-o cair em seus ombros suaves como a seda. Ela sacudiu a cabeça e o fôlego de Maizie a surpreendeu, seus músculos sexuais se encurvaram. A mulher era atraente. Não havia nenhuma discussão disto... Whoa! O que acontecia com ela? Converteu-se em uma maníaca sexual. Maizie se deslizou no colchão com a mão livre, tratando de deslizar-se longe. “Ouça, eu não sou assim. Refiro-me a que realmente... mas não posso...” “Não se preocupe. Não há nada de mau. Os homens Lobo têm sentidos aumentados, o apetite sexual. Todas as coisas.” Ela começou a desabotoar a blusa, deixando a descoberto o sutiã de encaixe. “Além disso, embora o vírus esteja neutralizado, seu corpo ainda está adaptando-se. Fiz certa investigação. Você estará excitada como o inferno por umas semanas. Como hei dito, Gray não é meu tipo, mas compartilhamos gostos similares.”

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“OH, por favor não mova as sobrancelhas assim” disse Maizie. “É preocupante em muitos níveis.” Ela jogou a cabeça para um lado, suas pestanas pareciam mais largas, grossas, dava-lhe sombra a sua bochecha. “Não se perguntou, alguma vez, o que se sente estar com uma mulher? Não é como tocar a si mesmo. Cada mulher é diferente, mas somos bastante parecidas, sei que se sentirá bem para nós duas.” Era o turno de Maizie para estremecer-se, mas não era a repulsão que ondulava sob suas costas, que reunia entre suas coxas. Isto era a luxúria. Disparando. Seu olhar caiu ao bonito sutiã de encaixe, às elevações de carne aparecendo pelas bordas. Umedeceu os lábios, tinha a boca seca de repente. “Podemos ir devagar. Vamos esperar seu turno.” A mão de Annette deslizou-se mais acima na perna de Maizie escorregando ao lado para rastrear o interior de sua coxa. Maizie tomou fôlego e Annette parou, mas não antes que as pernas de Maizie se abrissem meia polegada sobre o reflexo. “Dê a volta.” “Uh-huh. “Annette assentiu com a cabeça, com o olhar fixo passou a mão, quente e pesada contra a parte interna da coxa de Maizie, a sua cara e à costas de novo. “Pode ir primeiro. O que me faça você, o farei a ti. Assim não farei nada que você não queira.” “Mas realmente não quero…” A expressão de Annette deixou as palavras na garganta de Maizie. Incredulidade, talvez um pouco de ambos, em qualquer caso, ela tinha razão. Uma parte de Maizie estava curiosa e a outra parte simplesmente estava quente. A inundação repentina de calor entre suas coxas foi prova disso. O ventre de Maizie se estremeceu, seu coração se acelerou, a antecipação do formigamento ao longo de sua pele. “Não sei o que fazer.” A massagem de Annette começou de novo, lenta e firme, erótica. Maizie sentiu a polegada mais perto, os dedos de Annette esfregando perversamente perto de sua buceta.

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“É uma mulher formosa, Maizie, com um grande corpo. Sinceramente, me encantaria te tocar em qualquer lugar: em todas as partes. Assim onde queira que me toque é perfeito.” O olhar de Annette caiu na mão de Maizie que estava franzindo o lençol no peito. “Tem seios incríveis. Os meus não são tão grandes, mas minha pele é suave. Pode tocálos. Descobre-o por ti mesma.” Maizie tragou saliva, olhou os montículos pequenos por debaixo do sutiã branco. Alargou a mão e Annette se arqueou para ela. Seus dedos roçaram o comprimento da tira, o rastreamento até o encaixe que fez ao longo de uma linha agitando um seio para o centro. Ela logo tocou a carne de Annette, era carne suave, cobrindo seu seio, e conteve o fôlego. Encorajada, Maizie abriu a mão, pressionou sua palma da mão no peito de Annette, sentia o coração acelerado por debaixo. As respirações de Annette vinham rapidamente e superficiais. Maizie o cavou em sua mão, deslizou-se mais baixo, tomou todo seu seio em sua palma. O peso, o calor, o suave tato dela, ela era a mulher, era divino e o corpo de Maizie cantarolava à vida. Ela agarrou o mamilo de Annette e apertou, brandamente, e o fez rodar entre seu polegar. Annette gemeu, com os olhos fechados, com as costas arqueadas no firme apertão do Maizie. Os próprios seios de Maizie lhe doíam por atenção, seus mamilos, eretos, duros contra os lençóis. O coração martelava no peito, flexionando os músculos de sua buceta, necessitados e preparados. Deslizou seus dedos sobre a correia do sutiã de Annette, empurrou-a fora de seu ombro e deslizou sua mão por debaixo. Igual às pétalas de rosa, a pele acetinada de Annette era suave, inclusive quando era dura, enrugada e aveludada. Uma faísca de calor sobre o corpo de Maizie, um comichão, disparou diretamente a seu sexo, abrindo suas pernas às persistentes carícias de Annette. A mão de Annette se deslizou até o vértice das coxas de Maizie, espertamente acariciando sua buceta através dos lençóis. Seus sucos empapando em questão de segundos, moldando o lençol, os detalhes de sua buceta eram evidentes.

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A sensação do peito de uma mulher na mão era pecaminosamente erótica, tão nova, tão suave, tão sensível a seu tato, Maizie quis mais. Ela inclinou-se em cima, cavando debaixo, oferecendo um mamilo muito excitado até sua boca. Maizie estalou a língua, degustando da carne doce pelo pó. Annette fôlegou empurrando seus seios para Maizie, seu corpo pedindo mais. Maizie abriu os lábios e sugou a Annette em sua boca. A textura aditiva se frisou sobre sua língua, dura e branda de uma vez. Imediatamente, as tripas de Maizie se apertaram, o endurecimento dos músculos sob seu corpo. O seio de Annette encheu sua boca, moldada pelo apertão de sua mão, cálida e flexível. Ela agarrou o mamilo com os dentes, deu-lhe uma pequena mordida que fez com que Annette suspirasse, logo retrocedeu. Annette se lambeu seus lábios, seus olhos revoavam abertos para encontrar os do Maizie. “Deus, sente-se bem. Quero fazer o mesmo por ti.” Agarrou o lençol ainda em seu pescoço. Maizie deixou cair, permitiu que se movesse até seu colo, deixando descoberto seus seios nus. “É tão formosa, Maizie” disse Annette, seu olhar fixo em seus mamilos duros. Ela não duvidou, alisando a mão pelos contornos inclinados. Sua pequena mão cavou debaixo, sustentou o peso dela. Maizie nunca tinha estado com um homem cujas mãos fossem tão pequenas e delicadas como as de Annette. A diferença era extremamente excitante. Sua suave palma, os dedos magros, a mescla perfeita de pressão e suavidade que só uma mulher podia saber, Maizie se encontrou pressionando ao toque de Annette. Inclusive quando a mão do Annette guardou um ritmo delicioso no sexo de Maizie, ela se inclinou e tomou seu peito em sua boca. Maizie ficou sem fôlego com a sucção úmida, formigamentos corria sobre sua pele, calor transbordava através de seu corpo. Sua língua jogava com o mamilo duro de Maizie estalando e formando redemoinhos, desenhando-o. Os músculos sexuais de Maizie se dobraram, com dor para estar cheios. Ela apoiou as mãos no colchão em ambos os lados de seus quadris, não podendo negar a Annette o prazer,

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acariciou através dela. O aroma adocicado de seu perfume, seu cabelo comprido fazia cócegas em seu ventre, sua pele suave como a seda, às sensações foram enlouquecedoras. Maizie a olhou por um momento e observou o doce rosto feminino pressionado seu peito. Seu pequeno ouvido com o brinco de prata, sua pele suave e lábios sensuais. Viu como a língua de Annette brincava com o mamilo. Notou suas largas pestanas cobertas de rímel, a sombra em suas bochechas. Ela era uma mulher. A visão era todo o mau e tão mais erótico. O cérebro de Maizie girou com uma mescla quente de sensação e razão, não era natural. Não para ela. Seu corpo tinha uma mente própria, querendo algo, tudo, reconhecendo a satisfação em qualquer forma. Mas o cérebro de Maizie não podia permiti-lo, não podia deixar de lado as preferências instintivas. “Não.” A voz de Maizie estava apenas ali, seu fôlego quente e ofegante. “Para. Não posso, Annette, para.” Annette se separou de seu peito, seus dedos seguiam acariciando a buceta de Maizie. Umedeceu os lábios, os olhos entreabertos. Aproximou-se dos lábios de Maizie. “Mas você gosta disto.” Sua voz era rouca, seus lábios roçando os do Maizie. “Posso dizer que você gosta disto.” “Sim. Eu gosto, mas não... Não desta maneira. Isto... isto... Não, não, isto não é... Merda.” Annette seguiu acariciando, os quadris de Maizie se apertavam para seu toque apesar dela dizer não. Não podia pensar. “Annette…” Maizie agarrou seu pulso, tirou sua mão de seu sexo. “Por favor. Para.” Annette se endireitou, piscando. Com suas sobrancelhas enrugadas, o lábio inferior tremulo, evitou os olhos do Maizie. “Sinto muito. Pensei que você gostava disto. Não pensei que te forçasse.” “Não me forçou” disse Maizie, lutando por recuperar o fôlego, para acalmar o tamborilar de seu coração, a necessidade de saltar através de seu corpo. “Deixei-me levar. Talvez seja o vírus. Mas eu estou com Gray. Não estou segura do que significa, mas o posso sentir e isto... isto é um engano. Não só porque é uma mulher, mas...”

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“OH. Eu não tinha pensado nisso. Dispara.” Os olhos de Annette se abriram amplamente e esperançosos. “Vai pelo menos me morder? Não temos que ter sexo para que me converta.” Maizie não pôde evitar o sorriso saindo de sua boca. Que estranho mundo no que ela tinha entrado! “Sinto muito, mas não posso. Agora não. Não estou segura de como me sinto a respeito de ser... o que sou. Eu não me sentiria bem te condenando à mesma sorte”. O sorriso esperançado de Annette vacilou, mas depois de um fôlego profundo ela a forçou mais brilhante, embora a expressão ainda não fora convincente. “Eu entendo. Você e Gray se parecem muito, eu espero que talvez em algumas semanas ou meses você troque de opinião.” “Talvez.” Maizie sorriu, odiando a desilusão que rodeava o tom de Annette. “Obrigado.” O sorriso do Annette vacilou como se ela lutasse para guardá-lo em seus lábios. Ela retrocedeu, fixando seu sutiã, metendo-se em sua blusa. “Diria que lamento a tentativa de te seduzir, mas não o lamento. Eu adoro Gray, mas tinha que tentá-lo. Sei bem como se sente. Assim você não tem que preocupar-se de que volte a ocorrer.” As bochechas de Maizie se esquentaram. Ela levou o lençol até o pescoço e sorriu. “Está bem.” Annette agarrou os óculos, torceu o cabelo em um coque e ela se foi. “Gray não voltará de sua reunião com o Sr. Cadwick durante uma hora ou mais. Assim se necessitar algo utilize o intercomunicador. Alguns de nós não temos a audição de um superhomem lobo” disse ela, brincando quando fechou a porta detrás dela. Voraz, Maizie devorou o sanduiche de manteiga de amendoim de três andares e bebeu o copo de leite antes que considerasse, inclusive uma ducha. Tomou seu tempo sob a água quente, memórias cintilavam por sua mente. Estavam cegadas pelos olhos de sua metade lobo, nublados e sinistros como se algo sobre eles fosse importante. Ela não podia pôr dar com isso, entretanto. Tinha secado seu cabelo e tinha terminado de vestir-se antes que a golpeasse. “Cadwick.” A memória cristalizou em sua mente no momento em que ela disse seu nome.

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Aqueles papéis, o que foi deles? O estômago de Maizie lhe disse que não era nada bom. Annette havia dito que Gray estava em uma reunião com Cadwick agora. Se ela pudesse chegar a Gray talvez pudesse usar sua conexão para conseguir que o homem lobo deixasse em paz à avó e suas terras. Maizie correu para o telefone no lado oposto da cama. O intercomunicador zumbiu e zumbiu, mas ninguém o agarrou. Ela não podia esperar. Tinha que encontrar uma maneira de contatar Gray antes que sua reunião tivesse terminado, um telefone celular ou um número ou algo. Ela se dirigiu totalmente pelos corredores largos, suas pegadas ressonavam nos tetos altos e paredes revestidas. Encontrou a enorme escada que conduzia ao vestíbulo de entrada e tomou três degraus de uma vez. A porta alta da entrada estava diante dela, o arco da sala e as salas à direita, Maizie se voltou para as portas de madeira com o dobro largura a sua esquerda. Tinha visto Annette sair dessa habitação no primeiro dia que Gray a tinha levado até mansão. Tinha vislumbrado estantes e tapetes grossos e um grande escritório de carvalho. Tinha que ser seu escritório em casa. Primeiro chamou. Não houve resposta. Chamou mais duro, golpeou, e ainda não houve resposta. Maizie tentou abrir a porta. Com um clique se abriu e ela deslizou no interior. A mesa que tinha visto através da porta aberta era mais perto dos dois. As pilhas de papéis, pastas de arquivos abertos e as notas adesivas cobrindo a parte superior do organizador, caótica. Maizie adivinhou que o escritório pertencia a Annette. Havia um grande monitor de tela plana em um canto que fazia jogo com o da quina da outra mesa, maior. Maizie olhou para a mesa de madeira maior e elegante, lima e ordenada, com sua cadeira de conjunto de couro escuro. Quase podia ver Gray sentado detrás dele, franzindo o cenho enquanto rabiscava notas ou enviando correios eletrônicos importantes a uma de suas conexões de alta potência. Seu ventre se estremeceu, um sorriso beliscou suas bochechas. Ela rompeu seus pensamentos do cabelo prateado e músculos duros com um esforço decidido. Rodeou ao redor da mesa de Annette e procurou uma caderneta de anotações ou um botão de marcação rápida

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no telefone. Tinha que haver alguma forma rápida e fácil para entrar em contato com Annette ou Gray. Maizie agarrou o telefone na quina oposta da tela do computador quando algo na mesa lhe chamou a atenção. Uma carta aberta, papel recortado sobre um envelope, o cabeçalho de ouro brilhando em uma corrente de luz solar. Ela reconheceu o nome, o juiz Charles Woodsmen, da fatura de telefone do asilo da avó. Chamadas do asilo de idosos tanto entradas como saídas por razões de segurança. Ela não tinha pensado em nada disso então, imaginando que o tipo o incomodava para votos de reeleição ou algo assim. Era só uma coincidência ou Gray o sabia? Ela explorou a carta.

Gray anexa-se os documentos e procedimentos que discutimos para obter a tutela de Ester Hood. Falei com ela por telefone e não prevejo um problema em apoiar um argumento a favor de incapacidade mental, contanto que não haja membros da família para protestar por sua apresentação. Se aparecer um conflito, eu, é obvio, completamente examinarei seu argumento. Enquanto isso, como você terá deduzido, deverá manter um controle total das explorações. Todas as vendas e as transferências realizadas durante este tempo não se podem derrubar com facilidade. Espero que esta informação seja de utilidade para você. Espero nosso jogo do domingo. Tenho um novo sete de ferro que me morro por provar.

Atentamente, Chuck Juiz Charles Woodsmen Juiz do distrito de Pittsburgh Tribunais de Condado

Maizie não podia respirar. Tragou saliva, o coração lhe pulsava em seus ouvidos. Ela tinha estado certa. Gray depois de tudo queria as terras de sua avó.

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“O que é isto?” Anthony Cadwick tomou a pilha de papéis de Gray, olhando cada poucos minutos de novo à multidão de jornalistas dando voltas pelo lugar de seu futuro restaurante. “Uma cópia de uma emenda do conselho de divisão por áreas do município, indicando que a venda de bens se manterá em um máximo de dois hectares para uso residencial, de acres com fins comerciais. Aprovado na reunião de ontem à noite. Por unanimidade.” Cadwick beliscou seu grosso charuto entre seus dedos, tirou de sua boca. Seu olhar se deslizou ao Gray, com as sobrancelhas apertadas. “Já não diz. Quando estará arquivado isto?” “Na segunda-feira.” Gray adorava o aroma da derrota na tarde. “Entra em vigor em sessenta dias.” Cadwick grunhiu, explorando os documentos. “Isso é rápido.” “O conselho quer pôr um freio no crescimento. Manter a pitoresca comunidade. Rural.” É obvio que não se deram conta que queriam controlar o crescimento até que Gray lhes tinha dito. Uma vez que lhes falou dos planos de Cadwick de hipermercados e praças de estacionamento, a batalha tinha sido ganha. “Amantes de árvores como você. Não é de estranhar.” Empurrou os papéis para Gray, enrugando-os em seu peito. Gray rodou os documentos, então os sustentou em sua mão, a outra mão meteu-a no bolso dianteiro de suas calças. O perdedor dolorido que Cadwick mostrou só fez a vitória mais doce. “O deslizamento de uma cidade tranquila. A gente é boa. Fiz amigos.” Vários deles se sentam no conselho de divisão por áreas. “Sim, eu gosto dali.” Cadwick empurrou seu charuto entre os dentes e se voltou para olhar os repórteres martelando ao homem de relações públicas com perguntas. “Olhe a eles. Molhando-os cueca sobre meu barco cassino. Nenhuma só pergunta sobre o restaurante ou os outros vinte negócios que se beneficiarão com a embarcação.” Cadwick fez sua voz mais alta e zombadora.

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“Como é senhor Cadwick, que terá um cassino na embarcação fluvial quando o estado não aprova as leis de jogo?” Ele soltou um bufar. “Idiotas. Sempre dois passos atrás. Vejo-me como um homem que não tem em conta todas as contingências? Pensam que cheguei onde estou, que eu construí meu negócio por ser estúpido?” Voltou-se para Gray, e tirou o charuto de sua boca de novo. Entrecerrou os olhos, com um sorriso atirando da comissura de sua boca. “E você, Lupo? Você crê que cheguei onde estou sem pensar no futuro? Sem um planejamento das leis estatais, os políticos e as juntas municipais de áreas zonas de um município?” A mandíbula de Gray pressionou, apertando seu punho com os documentos sem valor. Tinha tido medo disto. Cadwick deve ter conseguido a assinatura da avó. É a única maneira que poderia haver golpeado o sistema. Tinha adquirido a venda. Maldita seja, quando o fizera? Gray o tinha comprovado no dia de ontem. Cadwick não seria capaz de vender as terras, mas isso não lhe impedia de desenvolver por si mesmo. Inclusive se Gray pudesse fechar a brecha, seria muito tarde. Sua besta rugiu em sua cabeça, zangado, frustrado. Mas ele seguiu seu rosto com uma máscara vazia. Não deu ao Cadwick a satisfação. Cadwick se pôs a rir, mordiscou o extremo de seu charuto. “Ahh.. igual a nos velhos tempos, né, Lupo? Sempre teve muito tempo para entender as coisas. Demônios, inclusive Donna, se cansou de esperar que te desse conta de que estavas perdendo-a. Embora, Deus sabe por que estava contigo, para começar. Não a merecia.” Com sua expressão sóbria, Cadwick olhou sobre o rio. “Se ela me tivesse pertencido, nunca teria escapado.” A tensão se ondulou no comprimento das costas de Gray, atirou seus músculos em um nó apertado. Suas mãos em punhos com tanta força que sabia que haveria meias luas nas Palmas de suas unhas. Cadwick tinha coragem de falar com ele a respeito da Donna. Inclusive depois de todos esses anos.

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Ele acreditava que Gray não sabia? Um grunhido retumbou em seu peito. Não podia evitá-lo. Quando falou, a profunda ressonância fez que sua voz soasse mortal. “Minha esposa nunca foi algo que se possuía ou se guardasse. Talvez se... se me tivesse acordado disso, ela ainda estaria por aqui. Ela não haveria saído.”

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Capítulo 13 “O que te disse quando lhe perguntou pela carta?” Maizie se encolheu de ombros. “Não perguntei. Só fui.” Cherri polvilhou outro pouco de farinha dentro da massa. “É obvio que não. Por que lhe dar ao Senhor Alto escuro e maravilhoso a oportunidade de explicar as coisas? Digo, ele basicamente é perfeito. Arrumado, inteligente, rico, romântico. Arrumado...” “Disse arrumado duas vezes.” Cherri a olhou. “Sim. Sei.” Maizie rodou os olhos. “Ninguém é perfeito.” “Ele faz uma boa imitação de sê-lo.” O aroma de licor chegou ao nariz de Maizie. “Muito anis” disse assinalando a mistura. “Nem sequer o provou.” “Confia em mim.” Ainda não tinha contado a Cherri sobre os outros atributos do Sr. Maravilha, como sua habilidade de converter a mulheres em lobas loucas por sexo que podiam cheirar anis e roupa interior úmida como a cem jardas... Entre outras coisas. De acordo, não foi ele que a converteu, mas mesmo assim, não queria escutar Cherri com mais desculpa a favor do homem. Eventualmente lhe diria. Provavelmente. “É só que não posso acreditar que sempre estive certa. Deixei que meus hormônios se metessem em meu cérebro. Demônios.” Bateu com uma espátula de plástico no recipiente de

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manteiga lustrada que sustentava, tirando aí sua frustração. “E a pobre vovó. Como lhe vou dizer isto?” “Realmente lhe agrada, huh?” Cherri colocou um dedo na mistura de bolacha e deu um salto inconscientemente ante o sabor ao prová-la. “Adora-o Gray. Irá lhe destruir quando souber que só estava sendo amável para conseguir sua terra.” “Surpreende-me quão bem o está tomando.” Cherri acrescentou mais farinha e açúcar à mistura. “Digo, se pensasse que o amor de minha vida só estava-me usando para fechar um negócio, choraria até que me inchassem os olhos”. Maizie não mencionou que tinha chorado todo o caminho da casa de Gray até a dela, e mais da metade do percurso da cabana. Sentiu como se fora um pedaço de seu coração pelo que tinha conspirado para roubar esses papéis, não só a terra de sua avó. Exceto a avó ainda tinha sua terra, Maizie não podia dizer o mesmo de seu coração. Já não choraria mais. “O que não posso entender é este outro sujeito… Cadwick. Fez-me uma proposta de que lhe chamasse se a avó decidisse vender. Logo o vi ontem à noite com vovó. Viam-se sérios. Mas não sei se está trabalhando para o Gray ou se era a concorrência.” “Acredita que seja Cadwick quem estava enganando a sua avó, lhe fazendo acreditar que era seu pai?” Cherri introduziu uma colher limpa na mistura. Provou-a. E um sorriso apareceu em seus lábios. “Acredito. Quando disse ao Gray que a vovó pensava que papai lhe dizia que vendesse, parecia genuinamente surpreso.” Maizie parou e pôs uma espátula cheia de cobertura sobre o papel para bolo na mesa de preparação. “Provavelmente estava surpreso” Cherri disse detrás dela. “Hei-me encontrado com o Gray, Maizie. Não acendeu nenhuma de meus alarmes para idiotas. Só lhe pergunte da carta e vê o que te diz.” Maizie negou com a cabeça, pintando a cobertura como se uma pintura. “Que poderia dizer? Usou seus contatos para roubar a terra de vovó. Importa se ao final o fez ou não?”

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“Isso depende de ti.” Maizie a olhou sobre seu ombro. “Se pensar que o tenha feito, se por acaso, as coisas entre nós não funcionassem?” “Respeito se estiver tão assustada de seus sentimentos por ele, que seria capaz de usar qualquer desculpa para fugir deles.” Maizie voltou para seu bolo com um exasperado suspiro. “Não comece com essa merda outra vez. Não tenho nenhuma ferida emocional profunda deixada pela morte de meus pais que afeta minhas relações.” “Refere-se às feridas das que está consciente.” Cherri se aproximou e apoiou um quadril contra o balcão de preparação de Maizie, até lambendo o último da mistura da colher. “A grande maioria dos loucos não sabem que estão loucos.” “Não estou louca.” “Que você saiba.” Maizie lhe deu um olhar. “Cherri”… “De acordo, de acordo, não está louca.” Esperou um segundo. “Mas sim, tem problemas.” Maizie grunhiu e rodou os olhos. Deus, odiava quando Cherri jogava de psicóloga. Realmente acreditava que o único curso de psicologia que tinha tomado na Universidade a qualificava para diagnosticar tudo, passivo-agressiva a transferência emocional. Maizie tomou a espátula e voltou para a cobertura. Cherri se deu conta dos sutis sinais de que Maizie a tinha tirado de seus pensamentos e já não a escutava. “Só escuta. O que é que sempre diz, que recorda de seus pais justo antes do acidente?” Maizie realmente não queria fazer isto. Era uma molesta, quase interessante distração, mas ao final teria que ver que ia fazer com o Gray. “Não sei Cherri. Deixemos o tema, bem?”

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“Não, espera. Cada vez que fala do acidente recorda o quão felizes eram. E repentinamente tudo acabou. Seu pai se distraiu muito por sua felicidade. E agora evita ser feliz para que não te passe o mesmo.” “Eles só estavam rindo, Cherri. Brincando. Meu papai voltou para ver mamãe um segundo. Assim é como ocorrem os acidentes. O condutor tira a vista do caminho, distrai-se, por qualquer razão.” “Exatamente.” “Assim se tivesse sido sua taça de café, que caiu sobre seu celular, o qual estava soando, segundo você, eu evitaria ter algum tipo de relação com pessoas que tenham café no automóvel ou falem enquanto conduzem?” “Talvez.” Maizie não pôde evitar rir. “Isso é uma loucura, Cherri. Não renuncie ao trabalho, de acordo?” “Falo a sério.” Cherri moveu suas lentes com os nódulos. “De acordo, bem. Talvez seria simplificá-lo muito. Mas tem que admitir que há um padrão aí.” “OH sim?” Maizie cobriu o último centímetro de bolo de chocolate com a cobertura e logo pegou a luva de confeiteira. “Desde que te conheço, nada se mete em seu caminho. Nada te distrai… especialmente os homens, mas a maioria de vezes só é algo físico. Você sabe, algo para baixar o desejo sexual.” “Faz que pareça toda uma dama.” Cherri ignorou seu comentário, empurrando a rede para o cabelo de sua testa. “Em certo tempo alguém com algo mais na cabeça aparece. Faz-te rir, faz-te um pouco mais feliz e então… BAM. Os expulsa. Cria uma desculpa boba sobre estar muito ocupada com a loja e sua avó e que não quer te distrair…” “De acordo, primeiro: estou ocupada. E segundo: nada disto tem que ver com que Gray queira roubar a terra de minha avó.” “Yu-huh. Nomeia um tipo que alguma vez te tenha afetado como o faz Gray Lupo. Um que te tenha feito sorrir só ao pensar nele, que tenha mais em comum contigo, que te tenha feito sentir ao menos a metade do que sente quando está com ele.”

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Maizie não disse uma palavra. Não podia. Nunca tinha havido alguém como Gray em sua vida. Cherri tinha razão. Mas Maizie seguia concentrada em decorar o bolo. “Enfrenta-o garota, esta fugindo e não funcionou desta vez.” Maizie golpeou a bolsa sobre a mesa de preparação, a cobertura azul saiu em forma de arco até cair o chão. “A carta estava aí, Cherri. Em seu escritório. Não há nada ambíguo sobre isso. Em algum momento tinha planejado como roubar a propriedade.” “Mas não sei por quê... talvez... talvez só tratava de ajudar.” “Ajudar? Como? Ao tratar de tomar a única coisa que gosta tanto como eu?” Maizie disse com voz tensa e forte lhe saindo do peito. A tensão se acumulava em seu estômago, seu coração pulsava rápido e mais rápido, gritando como enlouquecido. Tragou saliva, comprimindo os primeiros movimentos de seu lobo. Quando falou de novo, sua voz era controlada e acalmada. “Bem. Pensa que estou tirando conclusões? Pensa que estou tratando de evitar a algum... tipo?” Maizie pôs suas mãos em suas costas, para tirar o avental. O tirou pela cabeça e arruinou a massa. “Pedirei uma explicação. Feliz? E quando resultar que não tem nenhuma desculpa válida, vou estar de volta com uma grande frase de “EU LHE DISSE.” “E se tiver uma boa desculpa?” A mandíbula de Maizie ficou rígida. Apertou seus lábios em uma linha dura, respirando pelo nariz. Não queria pensar nessa possibilidade. Estava muito perto de Gray, muito perto de cair de cabeça e até fundo. Se lhe desse a mais mínima razão para estar juntos... Que seria a proprietária de seu coração por completo. Não teria nenhum controle, nenhuma possibilidade de proteger-se a si mesma se lhe acontecesse tudo isso. Ela sacudiu a cabeça e se voltou para a porta. “Já volto.”

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“Sinto muito, Maizie. Foi correr com os outros faz uma hora. Não há maneira de que o contate. Honestamente...” Annette estava no vestíbulo de mármore da mansão Lupo, retorcendo-as mãos. Dispara. Se Maizie não tivesse passado a seu apartamento para tomar banho e passar duas horas escolhendo o que por antes de conduzir os quarenta e cinco minutos à mansão do Gray, poderia havê-lo encontrado. “Sabe em que direção se foi?” Em sua forma de lobo talvez pudesse alcançá-lo e ficar ao dia com eles. Por desgraça, não tinha descoberto a maneira de mudar quando queria. Não estava completamente segura de que pudesse fazê-lo. “Não estou segura, em geral vão pelo caminho para a casa de sua avó. Gray sempre jogava um olho a ela. Era uma rota normal.” “Obrigado, Annette. Vou conduzir para esperá-lo alí. Talvez os apanhe antes de chegar.” Maizie se deu a volta para ir, mas as palavras de Annette a detiveram. “Ama-te. Sabe, verdade?” Maizie a olhou por cima de seu ombro. “Eu não sei nada.” “Os lobos se emparelham por toda a vida, Maizie. Apesar de você ser sua verdadeira companheira, não lhe é fácil deixar seu vínculo com a Donna. Apesar de tudo o que é, fez por ti. Pelos dois. Para que consigam conectar-se até com suas almas, como ambos necessitam.” Maizie negou com a cabeça. “Como hei dito, até ver o Gray, e falar com ele… não sei nada.” Já tinha caído à noite quando Maizie chegou à cabana. Havia uma limusine estacionada em frente, vazia. Gray. Quem mais? Ele tinha deixado o carro para ter uma viagem confortável de volta a casa. As luzes estavam apagadas na casa, a porta sem saída atarraxada no interior. Ela não tinha utilizado essa fechadura em anos. Não era seguro que ainda tivesse a chave. Os pelos da nuca lhe arrepiaram, uns dedos invisíveis e como um zumbido o percorreram as costas. Maizie ignorou a sensação, sua mente competia com o que diria ao vê-lo. Depois de tentar com duas chaves, encontrou a correta e abriu a porta.

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“Olá?” Com seus músculos tensos, apareceu à sala completamente escura, pronta para algo. Quase não podia respirar. Mas podia ver. Ser um homem lobo tinha sua gratificação. Maizie se obrigou a relaxar, a confiar em seu corpo. Sua visão noturna era incrível uma vez que relaxou o suficiente. E o que podia ouvir e cheirar preenchia os vazios que sua visão noturna deixava. Sua consciência era ainda muito nova, entretanto, constantemente a alimentava com informação. Todos os que tinham estado na casa nos últimos meses podia cheirá-los. Lutou para ordená-los por aromas e sons, por familiares, pela idade, por estrangeiros. O andar de baixo estava sem vida, cheio de sombras e coberto pelo silêncio da noite. Fechou a porta detrás dela, um suave clique quando o fecho caiu em seu lugar. As tábuas do chão rangiam por seus passos, fez-lhe voltar seu olhar para ver. Gray é provável que desejasse permanecer em graça com a avó no caso da sedução de Maizie não saísse como pensava. E que melhor forma de encantar a avó que lhe oferecer outra bagatela da época que tinha esquecido. Maizie podia sentir em seus ossos que estava perto. Provavelmente ele estava ali esquadrinhando as pertences da avó nas caixas manchadas, em busca de mais lembranças que para oferecer. Ao menos está não seria tirada de uma cena de morte. Momento por momento, Maizie trabalhava para endurecer seu coração, para prepararse à dolorosa verdade, que desculpa poderia ter para essa carta? Seu peito estava apertado. A ansiedade apertava os músculos de seus ombros. O que significava para ela agora que era um homem lobo? Teria que ficar com Gray sem levar em conta sua independência? Teria que ir-se? Nenhuma opção oferecia consolo. Deu uns passos, o som no primeiro piso, de sapatos de couro raspando no piso de madeira, chegou a seus ouvidos. De couro com franjas e colônia masculina doce, mesclava-se para criar uma fragrância masculina que expressava sem lugar a dúvidas alguém extravagante. Maizie não obteve seu propósito, estar tranquila, o mais leve fôlego parecia fazer eco como de um vendaval no silêncio. Chegou até o topo das escadas, deixando de lado as pranchas do chão que sabia que iam chiar.

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Olhou para a direita, à porta escura do quarto da avó, logo à esquerda a sua própria porta que fazia jogo com a outra. A porta do banheiro estava bem em frente, nenhuma lasca de luz saía de baixo. Por que Gray não acendeu as luzes? Um pequeno gemido de assombro e um clique de uma porta que se fechou, fizeram-na girar-se para o quarto da avó. Tinha estado a observando. O nó de tensão nos ombros apertados, a ira bulindo em seu interior e deixando de lado a razão. Maizie apagou a distância que a separava da porta, em três passos rápidos, girando o trinco tão duro e rápido que o ferrolho se rompeu com um estalo. Uma fração de segundo passou para lhe fazer considerar que a porta tinha sido fechada para começar. Abriu a porta. A luz do amanhecer até o anoitecer fluía através da janela lateral, criando brilhos de luz nos contornos do piso de madeira. A habitação estava vazia, apesar da cama e havia umas caixas empilhadas em um canto. As portas do armário não existiam. O espaço tinha estado cheio com coisas da avó. Agora o armário estava vazio e escuro. Maizie entrou na habitação, a essência queimava seus sentidos, com o olhar procurando Gray. Alguém entrou e ela entrou em pânico, sua respiração enchia o escuro silêncio, o medo adoçava o ar. Não era Gray. Logo que esse pensamento se formou em sua mente, uma mão a agarrou pela parte superior de seu braço e a porta se fechou detrás dela. Com um só movimento se encontrava no duro peito do Anthony Cadwick. “Onde está?” Ela conteve a respiração. O aço frio encostado em seu pescoço, a ponta afiada de uma faca lhe pressionava na pele. Sussurrou pela dor. O coração gaguejou. “Não. Não o faça, por favor,.” Ele manteve sua boca em sua orelha, sua voz um pouco rouca. Seu fôlego lhe esquentava um lado da face, umedecendo-a e aumentando seu temor. “Como entrou aqui sem que lhe arrancassem a garganta?” Maizie se surpreendeu e freou o palpitar de seu coração, tratou de entender o que estava acontecendo.

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“O que está fazendo aqui? Isto é privado...” “Isto agora é meu, assim não fale da merda de arrombamento à morada. A quem lhe importa? Tenho que sair daqui, e se o faço, significa que posso entendê-lo.” Anthony a empurrou para frente com os dedos cravados em seu braço, e a empurrou para a janela. “Que quer dizer com é o dono do lugar? A avó...” Tropeçou, mas Anthony seguia empurrando-a para diante. Antes que pudesse terminar a pergunta estavam na janela. Inclinou-lhe os ombros para o marco, com o corpo em ângulo para lhe fazer frente à porta, o corpo dela adiante como um escudo. O olhar dele precipitou-se sobre o pátio da frente, a entrada dos carros e a escuridão do bosque. Seu pulso era rápido como o fogo e zumbia em seu peito e Maizie o sentia em suas costas. Estava desesperado, perto de enlouquecer pelo medo. “Que está passando, Anthony?” Seu agarre se fez mais forte em seu braço. “Não o viu?” “Ver o que?” “O lobo. Um grande prateado filho da grande puta.” O alívio se apoderou de Maizie estendendo-se como uma manta quente. Gray estava aqui. Como sentia saudades!! Ela deve ter entrado antes que tivesse a oportunidade de detê-la. Mas onde estava agora? O que teria feito para que um homem como Cadwick atuasse como um coelho assustado? “Não vi nada. Que aconteceu?” “Perseguiu-me, isso é o que aconteceu. O maldito tratou de me matar. E quase o consegue. Não posso dizer o mesmo do Frank.” “Frank?” “Meu chofer. A coisa o perseguiu no bosque. Deus sabe o que lhe ocorreu.” O corpo inteiro de Anthony se estremeceu contra o dela. “Acredito que o ouvi gritar.” Merda, isto é mau. Maizie recordou o cadeado da porta principal. Frank não tinha entrado porque Anthony não o tinha deixado. De todas as coisas que Gray podia ser, não era um assassino, mas

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Anthony não sabia isso. Em sua mente, tinha sacrificado outro ser humano para salvar-se. E era bom nisso. Seu estomago se enrolou pelo pensamento. Retorceu-se, mas Cadwick pressionou a faca, desenhando um pequeno fio de sangue. Fez uma careta, a pequena fileira de sangue corria por seu corpo, quente contra sua pele. “Ele não te fará mal, Anthony. Só me deixe ir.” “Claro. Não viu o tamanho de seus dentes.” Será melhor que coma seu maldito coração, bastardo, Maizie tinha tido suficiente. Agarrou seu pulso, arrebatou-lhe a faca que sustentava sobre seu pescoço e saiu de seu agarre. Ele não pareceu notá-lo. Não estava segura se a tinha deixado ir ou se agora era muito mais forte que ele. “Está sendo ridículo. Deixando que a imaginação tire o melhor de ti.” Foi até porta e acendeu o interruptor de luz. “Fique calmo e me diga por que acredita que a propriedade de minha avó te pertence.” A habitação se alagou de luz. Anthony entrecerrou os olhos, entretanto, as enormes pupilas de cor negra em seus olhos mostravam seu pânico. Correu para apagar o interruptor, encostou-se contra a parede e cravou as unhas nele até que a habitação de novo ficou às escuras. “Sem luzes, sem luzes. Ele retornará.” Ofegava, apoiando um de seus lados e seu rosto contra a parede. “Esses olhos. Maldição, eu nunca esquecerei esses grandes e pálidos olhos.” O melhor será ver mentir a estelionatários como você. Ela cruzou os braços sobre seu ventre. “Bem. Mas quero uma resposta. Por que está aqui? E o que significa que é o dono deste lugar?” Anthony engoliu, o suficientemente duro para que o escutasse. Deu-se volta, girando sobre o ombro que tinha contra a parede. Sua cabeça se inclinou para trás, seu peito se alargava e se contraía com profundas pausas enquanto pinçava no bolso de seu peito. Tirou uma pequena pilha de papéis cuidadosamente dobrados. “Ester assinou a escritura ontem à noite. A casa, a terra… tudo é meu.”

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Passou os papéis a Maizie e tomou. Inclusive na escuridão podia ler perfeitamente a palavra “Escritura.” debaixo dela, escrita a máquina em linhas providas, estava à direção da casa de campo. “Isso não é possível. A minha avó nunca...” “Ela fará tudo o que seu pequeno menino lhe diga” Anthony disse, sua voz era firme, pincelada de humor com um ar de satisfação. Maizie lhe lançou um olhar brusco. “Assim esteve pretendendo ser meu papai.” Ele se endireitou ao longo da parede, ficando firme sobre seus pés. Tirou a ruga da jaqueta, ajustou a gravata e alisou a camisa. “Ninguém vai acreditar que a velhinha não sabia quem era eu. Não se pode provar algo quando há uma grande quantidade de revistas ou periódicos com minha cara. Só são negócios.” “Não são negócios.” Odiava quando suas emoções apagavam sua voz. Tragou saliva, acalmando-se a si mesma. “É um engano. Um roubo. É tomar vantagem de uma velhinha que perdeu seu filho. É… desprezível.” Os insultos não pareciam perturbar a mente de Anthony, enquanto a normalidade e a familiaridade acalmavam seus temores. Deixou a parede e passou pelo lado dela, lhe tirando os papéis a seu passo. “Também é algo oportuno para ti.” “Desculpa?” “O que aconteceu sua solicitação de empréstimo negada? Imagino que os ganhos pela venda lhe serão muito úteis.” Não tinha tido notícia do banco ainda. Ninguém sabia que ela tinha aplicado. Sem o empréstimo não estava segura de poder manter todo o negócio, o aluguel, Green Acres, os impostos da casa de campo… a comida. Como sabia? Anthony se deu volta, capturando seu olhar. “Paguei um preço justo, Senhorita Hood. Mais que justo. Ela não podia ter conseguido um melhor trato. E com sua situação financeira, você não pode ser exigente.” “Eu não queria vender.”

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Ele se encolheu de ombros. “Outra pobre decisão empresarial. Felizmente para você, sua avó proporcionou os meios para salvar seu negócio.” “Eu não queria vender.” Como tinha acontecido isto? Distraiu-se, deixou que seu coração nublasse sua concentração. A avó contava com ela, Cherri e Bob contavam com ela. Pensou que podia fazer tudo, pensou que podia encarregar-se de tudo sozinha, se tão somente seguia concentrando-se. Tinha fracassado. Um agudo uivo atravessou a noite. O corpo do Cadwick estremeceu por completo. Agachou-se como se algo pudesse descer voando rapidamente e arrebatá-lo. “Escutou isso?” Maizie assentiu, o penetrante aroma do medo do Anthony se difundiu no ar. Não poderia lhe importar menos. Ele tinha ganho. A tinha vencido. Anthony a agarrou pelo braço novamente, atirando-a para que fora diante dele com a faca na garganta. Aparentemente não se deu conta da facilidade com que tinha escapado de seu agarre antes. Maizie não se incomodou em tentá-lo esta vez. Meu Deus tinha enredado tudo. “Vai me mostrar como sair daqui da mesma maneira em que conseguiu entrar.” Empurrou-a para a porta e Maizie tropeçou ao dar um passo. Anthony pôs a faca ao nível do rim dela enquanto passavam pela porta do dormitório. Sua mão se deslizou por seu ombro, mantendo a distância entre eles com o braço estendido. Desceram pelas escadas lentamente, os dedos de Anthony faziam o menor ruído possível. Maizie se sacudiu o ombro, fazendo que perdesse seu agarre, mas não tratou de escapar antes que a agarrasse de novo. Sabia que poderia escapar se assim o queria. Isso era suficiente. Estava mais desesperada pelo tempo que pela liberdade. Deteve-se na parte inferior das escadas. Anthony se inclinou por cima de seu ombro para olhar a cozinha e logo em sentido contrário para a sala. “Minha avó estará devastada uma vez que se dê conta que a enganou para que vendesse.” “Ssshh. Essa coisa pode te ouvir” sussurrou. “Provavelmente ouve o que pensamos. Nunca tinha visto orelhas tão grandes.”

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O melhor que escutar suas mentiras, é saber que tem um coração covarde. Maizie sacudiu o ombro e Anthony perdeu o equilíbrio novamente. Deu-se a volta, inclinando-se para conseguir sair do agarre. “A avozinha não sabia o que estava fazendo quando assinou os documentos. Não tinha direito.” “Ssshhh… ssshhh…” Seus olhos estavam muito abertos, Cadwick pressionou um dedo em seus lábios, logo tratou de lhe cobrir a boca. Maizie se apartou. “Já basta.” “Então baixa a voz.” Foi para a porta, com as palmas das mãos estendidas, e olhou através da janela do arco da porta na parte superior. “O que posso fazer para obter de novo a propriedade de minha avó? O que tão legais estão às coisas?” Cadwick olhou por cima de seu ombro e suas sobrancelhas se esticaram. “Ela assinou a escritura.” Voltou sua atenção à janela. “Percebe. Levarei a escritura à corte na segunda-feira.” “Quer dizer que os papéis que estão em seu bolso são os originais?” Poderia ser verdadeiramente tão fácil? Olhou-a de novo, com os olhos entrecerrados. “O que é que esteja pensando, Chapeuzinho, será melhor que o esqueça. Hei esperado muito tempo para vencer a Gray Lupo. Não vou jogar-me atrás agora.” Ela escutou algo que dirigiu seu olhar para a porta. Era suave, como um pé acolchoado no cascalho do caminho da entrada. Logo que podia escutá-lo. Olhou ao Cadwick, ainda olhava como se pudesse ler sua mente. Ele não tinha ouvido nada absolutamente. A manada estava fora. Podia senti-los agora que o tentava. Maizie exalou um suspiro, não se tinha dado conta de que se estava segurando. Não estava sozinha. Fechou seus olhos por um minuto, abrindo sua mente para eles. Uma respiração mais profunda trouxe os aromas da

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manada a seu corpo, o almíscar de suas pelagens, o aroma da terra do bosque, o selvagem aroma de seus fôlegos. “O que passa contigo?” Cadwick disse e Maizie abriu os olhos. Endireitou-se, lhe dando as costas à porta, estudando a Maizie atentamente. “Pareceu como se acabasse de ser abraçada ou algo parecido.” Ela não pôde conter o sorriso embora o tivesse querido. “Não posso te deixar sair daqui com esses papéis, Tony.” Seu cenho se franziu profundamente. “É Anthony e não sei como vai deter-me, Chapeuzinho Vermelho.” A porta de repente se estremeceu com um forte golpe. Saltaram e se voltaram a tempo para ver o lobo investir de novo. Seu enorme rosto partiu em duas a janela, a baba salpicava o vidro. Seus olhos brilharam por um instante, eram grandes e furiosos. “Merda.” Cadwick agarrou a mão de Maizie, puxando-a. “A porta traseira. Vamos.” Maizie podia liberar-se, podia lhe haver quebrado o braço se quisesse. Mas não o fez. Queria esses papéis, assim foi com ele através da sala de estar até o solar da porta traseira. Cadwick se agachou ao passar pelas janelas das paredes, olhando a escuridão a seu passo. Pôs Maizie diante dele quando chegou à porta, ele passou o braço pela cintura e abriu a fechadura. “Vamos” ele disse. “Que acontece se essa coisa está lá fora?” Sabia que não havia ninguém ali. Ricky ainda estava na porta de frente com a Shelly e Joy. Só havia um lobo esperando na parte traseira. Mas Cadwick não sabia isso. “Suponho que o averiguaremos. Agora, vamos.” Ele empunhou a faca e Maizie tropeçou para trás, escassamente evitando a ponta afiada. Empurrou a porta e foi além da pérgula antes que Cadwick a seguisse. Um movimento a sua esquerda capturou sua atenção, um brilho de pelagem loira entre as flores iluminado pela luz da lua. Pobre Lynn, seu trabalho com a tintura de cabelo não tinha mudado ao transformar-se.

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Um profundo grunhido fez com que os pelos da nuca de Maizie se arrepiassem e Cadwick correu ao lado do Maizie. “Ouviu isso?” Maizie assentiu, permitindo que Cadwick se agachasse detrás dela uma vez mais. Ele a abraçou por cima dos cotovelos, usando seu corpo para proteger-se contra o que fora que os observava das flores. “Cristo, que classe de bestas malditas tem Lupo nestes bosques?” Olhou para a escuridão. “Não é que importe. Morrerão uma vez que eu termine com estas terras.” O grunhido do Lynn se voltou primitivo. Saltou imponentemente de uns girassóis, mostrando os dentes. O chiado de menina de Cadwick aturdiu a Maizie uma fração de segundo antes que a empurrasse fazendo o caminho de Lynn. Era muito tarde para deter Lynn. Sua pesada e dura pelagem bateu contra Maizie, peito contra peito, derrubando-a, tirando o ar de seus pulmões. A cabeça de Maizie golpeou o tijolo do pátio, as estrelinhas começaram a dançar em seus olhos. Lynn se retorceu em cima dela, tratando de encontrar seu equilíbrio, suas largas patas de lobo e os afiados dentes se fincaram no estomago de Maizie enquanto lançou-se à caça. Seguiu o rastro de Cadwick através das flores na direção oposta, sua loira pelagem desapareceu na espessa folhagem. Superando o enjoo, Maizie os seguiu, as folhas e os caules se pegavam em sua roupa, golpeando seu rosto apesar de usar suas mãos como escudo. Abriu-se passo no bordo do jardim na quina da casa, já ia dar a volta quando quase se derrubou contra Gray antes que pudesse deter-se. Jogou seu peso para trás, aterrissando duramente contra seu traseiro, seus pés se deslizaram entre as pernas estiradas de Cadwick. Ele ficou deitado sobre suas costas, com a cara de Gray grunhindo a poucas polegadas e com sua grossa pata pressionando seu peito. Maizie voltou para trás, ficou em pé antes que os assustados olhos de Cadwick a encontrassem. “Ajude-me. Por favor. ajude-me.” Sua voz era entrecortada, presa de pânico. Lynn deu um duro bufo a uns poucos pés de distância com sua cauda estalando uma vez contra sua

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rabada. Como se estivesse dando um sinal, Ricky, Shelly, Joy e Shawn vieram da parte dianteira da casa, formando um círculo ao redor de Maizie, Gray e o suplicante Cadwick. Maizie deu um olhar a Shawn, sua pelagem era mais escura e o corpo mais longo, contrastando com o de Lynn. Ele esfregou o focinho com o passar do pescoço dela, tomando o lugar a seu lado. Era novo na manada, era novo em ser um homem lobo, mas parecia encaixarse à perfeição. Poderia ser dessa maneira para Maizie? Ela poderia perdoar e esquecer? Ela deu um passo mais perto de Gray, seu profundo grunhido vibrava com o passar da pelagem de suas costas. Cravou os dedos nele, fechando os olhos ao sentir como delicioso era tocá-lo. Seu aroma encheu seus pulmões, era selvagem, à terra do bosque e o escasso indício da doce colônia para homens. Gray se inclinou ante seu toque, a mudança quase era imperceptível, mas era suficiente para enviar um arrepio quente que atravessou a Maizie de cabeça aos pés. Baixou o olhar fazia Cadwick. “Dê-me a escritura.”

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Capítulo 15 “Sabia?” Maizie olhou muda de assombro para o apertado sorriso de sua avó. “É obvio, querida” disse a avozinha. “Como saberia dar minhas respostas loucas quando o juiz me chamou?” “Então por que não o fez?” Sua avó cabeceou para o Gray que estava o seu lado. “Perdeu o valor.” A estoica cara de Gray se ruborizou, a tensão ao redor de seus olhos se suavizou igual às linhas através de sua testa. Um sorriso vacilou em seus lábios, mas falou antes que esta tomasse o controle. “Era um último recurso, e não um agradável.” Maizie se recostou em sua cadeira, cruzando seus braços debaixo de seu peito. “Especialmente se vovó decidiu que queria vender.” As sobrancelhas de Gray se franziram. “Esse nunca foi seu desejo.” “E se o era? Quero dizer, depois de que tivesse tomado o controle sobre tudo. Que tal se ela decidia que queria vender?” Não estava segura de por que estava provando-o. Só tinha que estar segura, ouvir o de seus próprios lábios. Os olhos azul pálidos de Gray se estreitaram, com uma expressão interrogante. Inclinou-se para frente, com os cotovelos sobre seus joelhos. “A custódia era um truque, Maizie. Uma linha de defesa contra decisões precipitadas.” “Não responde a pergunta.” “Realmente está perguntando?” Gray sacudiu sua cabeça e empurrando-se para trás, inclinou seu alto corpo na cadeira. Olhando ao longe, falando mais para si mesmo que para Maizie. “É obvio que está perguntando. É sua avó. Deveria fazê-lo.”

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Seu olhar se postou sobre a luxuosa grama do pátio de Green Acres. Perto de um acre de grama bem cuidada havia árvores e jardins de flores, que eram ladeados pelo bosque. Tinham colocado um cômodo jogo de cadeiras de vime debaixo de um arbusto gigante branco. Os ramos, grossos e com folhas, deixavam ao sol atravessar ao redor delas salpicando-as de luz. O rosto anguloso de Gray se escureceu, entretanto não havia fúria em seus olhos ainda. Estava usando seu traje Armani sob medida, ligeiro, de cor cinza carvão escuro, com uma camisa de pescoço redondo debaixo, roupa casual de negócios, sexy como o inferno. Seu grosso cabelo cinza prata combinava perfeitamente, frisando-se justo por cima de seu pescoço, um forte contraste com o azul glacial de seus olhos. Retornou seu olhar a ela e isto foi tudo o que Maizie pôde fazer para não ofegar ante o impacto desses olhos. “O teria conseguido. Se tivesse tomado o controle da propriedade de Ester. Teria evitado que vendesse até que pudesse estar seguro de que a decisão era sensata, seguro que ela sabia o que estava fazendo, e por que.” “E se ela queria?” Seu olhar se centrou nela, com sua expressão inquebrável. “Teria seguido seus desejos.” Era suficiente? Maizie apanhou seu lábio inferior entre seus dentes, olhando ao longe. Não podia permitir que sua sexy aparência, seu doce e selvagem aroma, ou as lembranças de seu duro corpo pressionando o dela nublassem sua mente. Não podia deixar que seus hormônios a distraíram de novo até que estivesse segura. “Foi minha ideia, Chapeuzinho.” Sua avó levou sua mão para a de Maizie, era tão suave e frágil que ela dificilmente a sentia. Relaxou o apertado nó de seus braços e tomou a mão da avó. “Com meus desvarios nem sempre podia estar segura do que era real e do que não” disse. “Eu não queria preocupar-te. Já estava tão ocupada com a confeitaria. Assim, pedi ao Gray que te vigiasse por mim, embora soubesse que o faria sentir-se incômodo. Esteve de acordo. É um bom homem, querida.”

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Maizie estudou a adorável e aclimada face da avó, seus olhos azul céu olhando com atenção debaixo de suas suaves pálpebras enrugada, a sabedoria brilhando em suas profundidades. A avó confiava nele, é mais do queria e isto significava tudo. Ela voltou seu olhar para Gray, sua frente estava enrugada, pelo olhar preocupado de seus pálidos olhos. Sorriu. Não podia evitá-lo. “Ele é um homem muito bom.” O alívio se refletiu em sua cara, relaxando os músculos ao longo de sua frente e a rigidez de sua boca. Baixou seu olhar, suas bochechas tomaram uma tintura rosado. Olhou-a, com olhos intensos, sérios. “Ester é querida para mim. Mas você é parte de mim, Maizie, uma parte de minha alma. Foste-o desde que te tive em meus braços naquela noite. Foi tão jovem, e eu era… um desastre. Mas nada disso importava. O vínculo foi estabelecido entre nós de qualquer forma. Estamos impotentes contra isso. Só tomou vinte e um anos admiti-lo.” Maizie o buscou através da mesinha de café de vidro e Gray tomou sua mão nas suas. “Vamos ter que trabalhar nessa nervura teimosa.” Ele riu e beijou sua mão, seu olhar deslizando-se na sua enquanto o azul pálido brilhava debaixo das largas pestanas negras. “Parece divertido.” Sua profunda voz retumbava através do corpo dela, fazendo vibrar todos os diminutos cabelos ao longo de sua pele e enviando um fluxo de líquido quente a seu sexo. Exalou, com seu fôlego tremente, inclinando-se para trás em sua cadeira quando ele soltou sua mão. OH, sim, definitivamente ia ser divertido. “Agora está seguro de que o amigo Cadwick já não retornará mais?” disse a avó. Gray assentiu, olhando ainda para Maizie, sua cabeça voltou lentamente para a avó, seus olhos foram os últimos em deixar a cara dela. “Sim” disse. “Detive-me em seu escritório para ver como estava, uh, dirigindo os acontecimentos de ontem à noite.” Maizie tomou seu copo de chá da mesa, sua boca estava repentinamente seca. “O que disse?”

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Gray olhou em sua direção. “Está convencido que é uma Dr. Dolittle feminina e agora tem um forte desejo de doar dinheiro à Reserva Bad Wolf Wild Game. Disse que queria estar seguro que os animais nunca tivessem razão para vagar pelo bosque.” A avó pôs sua mão sobre seu antebraço. Seus magros dedos apertados. “Obrigado, Gray. Sei quão difícil foi para ti ter que tratar com ele. Sinto muito.” Maizie tomou outro gole e colocou seu copo de volta no porta-copo. “Acredito que me estou perdendo algo.” Gray apanhou seu olhar, mas a afastou. “Cadwick, ele… ele era o homem que Donna estava vendo antes do acidente.” “OH, Gray.” Ele agitou sua cabeça. “Foi há muito tempo. Um romance sem sentido. Foi minha culpa, não escutei o que ela necessitava. Não a deixei ir. Entretanto, acredito que realmente ele estava apaixonado por ela. Ele acredita que ela deixou o povo. Todos fora da família o acreditavam. Mas, ao que parece, isto fez com que seus assuntos comigo fossem ainda pior”. “É um parvo” disse a avozinha. Ambos, Maizie e Gray a olharam. “Vir aqui pretendendo ser meu doce Riddly. Pensando que não conheceria a diferença.” Maizie olhou a Gray e ele a olhou. Nenhum deles queria mencionar que em efeito Cadwick fez exatamente isso. “Pedindo-me que assinasse esses papéis, como se não soubesse o que eram.” Disse zangada. “Tolo. Entretanto, nunca comprovou como assinei.” Isso não importava, Gray fazia migalhas dos documentos. “Como os tinha assinado, vovó?” perguntou. Seu sorriso brilhou, suas bochechas eram redondas como maçãs. “Chapeuzinho Vermelho, é obvio. Disse-te que era um lobo em vez de um homem.” Maizie se levantou e lançou seus braços ao redor do pescoço da avó, pressionando um beijo na suave pele de sua bochecha. “Quero-te, vovó. É preparada.”

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Deu-lhe tapinhas em seu braço. “Obrigado, querida. Posso ser velha, mas não estúpida.” Gray riu enquanto Maizie se deixava cair de volta em seu assento. “Não, Ester. Ninguém nunca te chamaria estúpida.” “Ainda que...” disse. “Esse dinheiro tivesse servido de grande maneira para ajudar a terminar de pagar, ou não o faria, Chapeuzinho?” Maizie tinha a cara quente. Não queria que a avó se preocupasse com seus problemas financeiros. “Cadwick te disse algo?” “Não quero ser uma carga.” “Não o é” disse Gray. “O problema de dinheiro de Maizie está resolvido.” “Não vou aceitar um donativo de ti, Gray” disse ela, perguntando-se como trabalhava sua mente de menino rico. “Comecei o negócio por mim mesma. Se tiver sucesso, quero ser capaz de aceitar o crédito completo. Igual se falir.” “Não estou te dando dinheiro.” “Não o está?” Uma parte dela tinha considerado procurar a segurança, embora nunca o aceitaria. “Não. O que fiz, entretanto, foi servir de fiador para um empréstimo.” Ele levantou uma mão ante a insinuação de seu protesto. “Não te estou dando o empréstimo, simplesmente me asseguro que para o banco é boa para os negócios. Sei que pode fazer um êxito de algo que tenha em mente, Maizie. Só estou-me assegurando de que tenha a oportunidade.” “Obrigado.” “Mas se pudesse fazer uma sugestão quanto a seu condutor de um só olho.”.. “Bob? Renunciou” disse. “Conseguiu um trabalho dirigindo um ônibus na cidade.” “Jesus.” “Sei. Grande trabalho. Sindicato, benefícios adicionais e tudo. Não podia deixá-lo passar. Falando de trabalhos…” Olhou seu relógio. “Se supunha que serviria quatrocentos sorvetes de Cereja e cinquenta e três bolos para a feira da escola elementar manhã de noite. Realmente tenho que ir.”

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“Levo-te” disse Gray. A avozinha tomou a mão do Gray e a do Maizie. Apertou-as. “Está bem que vocês dois estejam juntos. Sabia que vocês seriam o tipo de companheiros de alma de que falam as pessoas nas histórias. Só da tragédia podia ter nascido tal amor. Isso é o que vocês encontraram, a classe de amor que se sonha nos contos de fadas.” Maizie brigou para não revirar seus olhos. Sorriu e beijou a bochecha da avó e observou como ele fazia o mesmo. Ele sussurrou em seu ouvido, mas Maizie pôde escutá-lo tão claramente como se o fizesse nos seus. “Obrigado, Ester. Tem razão. Ela é minha Branca Neve, minha Bela Adormecida e minha Dorothy Gale. Não poderia ser melhor casal para mim se a tivesse arrancado das páginas de um conto.” Seu sorriso brilhou sozinho um momento e Gray beijou sua bochecha de novo. Ela o olhou enquanto se endireitava, mas então seu olhar se enfocou em algo detrás dele, seus olhos se abriram. “OH, querido, espero que ele não veja isso.” Ambos seguiram seu olhar até um homem de cabelo branco revoando ao redor de um alimentador de aves afastado vários pés. Levava um punhado de violetas em suas mãos e ao que parecia não podia deixar de olhar na direção da avó cada poucos segundos. “Tem um pretendente, vovó?” Maizie não podia controlar o tom brincalhão em sua voz. “Pare, Chapeuzinho. Eu já tive o amor de minha vida. George é sozinho um… um hobby.” Ruborizou-se, alisando finas mechas de seu cabelo para trás de seu coque. “Lindo hobby.” Observou ao George ajustar sua gravata borboleta e alisar seus suspensórios sobre a malha escocesa de sua camisa surripia curta. Era a grossa juba de cabelo branco o que tinha capturado a atenção de sua avó. A preferência devia correr na família. A avozinha molhou seus lábios e beliscou suas bochechas para conseguir um rubor natural. “Agora vão, os dois. Ele não virá se tiver companhia e sua memória não é o que estava acostumado a ser. Esquecerá por que está esperando lá a tempo.”

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Gray agarrou o queixo da avó com a ponta de seu dedo, encontrando seu olhar. “É feliz?” Ela sorriu. “Sim, meu adorado lobo prateado. Sou feliz sendo humana. Mas obrigado pela oferta como sempre.” O ventre de Maizie se esquentou observando-o inclinar-se para beijar sua bochecha uma vez mais. “Só por ti, minha doce Ester “disse, então pegou Maizie pela mão. “Eu gosto de como é com ela.” Instalou-se no couro intenso dos assentos de sua limusine. “Ela é uma querida amiga” disse. “Sem ela a morte da Donna teria sido intolerável.” “Annette disse que não a convertia porque estava tão infeliz com a vida que tinha levado, que não comprometeria a alguém mais ao mesmo destino.” “Decidi-o faz muito tempo, pela Ester faria uma exceção se ela verdadeiramente o desejava.” Gray deslizou sua mão através do assento para a de Maizie. Não podia estar tão perto e não tocá-la. Seus dedos se entrelaçaram. Sua mão tão pequena na sua, ele entesourava isso. “Ela sempre se negou. Eu acredito, embora o negasse, que Ester sabia que os processos emocionais de longe pesariam mais que os anos somados. Ainda, assim, mantive meu oferecimento.” O olhar verde bosque de Maizie baixou a suas mãos agarradas. “Será que estamos realmente tão mal?” A ansiedade em sua voz tocou seu coração. Levou sua mão a seus lábios, provando sua pele doce como o açúcar enquanto falava. “Por vinte e um anos não pude imaginar um destino pior.” Sua tremente respiração, sua pele quente contra seus lábios. “E agora?” “Valorizo cada momento que te tenho como meu prêmio.” Sua essência excitou rápido o ar, enchendo o compartimento privado como o mais cativante perfume.

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Ele fechou seus olhos, respirando-a. Nunca teria suficiente dela. Como poderia? Ela era sua companheira de vida, ainda quando tinha tratado de negar portanto tempo que existia. Mas ela existia e ele se asseguraria que tivesse todas as razões para ficar. “Sabe, quando era uma adolescente, todos os jovens apaixonados foram ao estacionamento aos sábados na noite.” Ele puxou sua mão, e conseguiu que um sorriso pícaro atravessasse dos lábios de Maizie. “É meio-dia do domingo” disse ela, seguindo a iniciativa dele, movendo-se sobre seus joelhos no assento. “Não estamos no estacionamento e não estamos… ah, sozinhos.” Olhou sobre seu ombro à sólida parede que provia intimidade. “A divisão é a prova de som” lhe disse, agarrando-a ao redor de sua cintura, montandoa sobre seu colo. “Além disso, Dave não dirá nada do que escute.” “Então, é um bom condutor.” Sentando-se escarranchado em suas pernas, pressionando o calor úmido de seu sexo contra sua virilha. Os quadris dele pressionando os dela, não podia evitá-lo, suas mãos cavadas na suave curva de sua cintura, aproximando-a dele. Maizie arqueou suas costas, acrescentando sua própria deliciosa pressão, seus seios levantando-se sob o decote de seu vestido do verão. Os músculos de Gray apertando-se, querendo-a, precisando sentir sua buceta apertando seu pau, espremendo-o até secá-lo. Ela estava pronta para ele, sua excitação era tão pesada no ar que sua metade lobo despertava a sua essência. Seu desejo estava rodando através dele como um toque físico, despertando seu corpo, chamando a todo o masculino dentro dele. Estavam tão conectados, muito conectados. Ela podia anulá-lo… e ele o desfrutaria. Seu testículo pesava, seu pau pulsava com o pensamento de introduzir-se nela. Sua mente era lenta, o sangue corria para seu pau, fazendo mais difícil pensar além de deslizar suas mãos por debaixo desse doce e pequeno vestido, a sedosa carne de suas coxas contra suas palmas, o molhado calor de suas calcinhas… Seu telefone soou. Foda. “O que acontece com esses pensamentos sobre te agarrar, enquanto estou neste carro, que fazem que o maldito telefone soe?”

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Maizie se recostou, entrecerrando suas mãos sobre seus ombros. Sua respiração era profunda, mas ainda sob controle. “Poderia ser importante.” Gray tirou o pequeno Black Berry de seu bolso da frente. “O que?” “Tio Gray?” disse Rick. “Está bem? Soa… OH. Maizie está contigo, não?” “Ao ponto, Rick.” Sua mandíbula apertada, tratava de suavizar o calor em sua voz. “Sim, certo.” Sua voz tinha um tom de risada. “Mamãe quer saber se vai trazer Maizie esta noite para casa. Uma espécie de festa de venha-conhecer-a-família. Pessoalmente, só quero ver o grande lobo alfa comportando-se todo suave e adorável ao redor de sua companheira.” Gray dirigiu seu olhar para Maizie, seus suaves e beijáveis lábios, seu delicado pescoço e seus ombros quase nus. Olhou a maneira em que um único cacho vermelho se colocava por cima do montículo de seu seio. “Acredite-me, menino. Não há nada suave e adorável em mim neste momento.” Rick soprou. “Não o duvido. Assim, vêm ou não? Tenho que te dizer, que Mamãe tem algum tipo de apreensão com respeito à primeira impressão que Maizie teve dela… você sabe, agora que é a dona-de-casa perfeita e tudo com o Shawn.” Maizie se inclinou para ele, aninhando sua pequena cara debaixo de seu queixo e pressionando seus lábios em seu pescoço. Seu perfume, a essência de flores silvestres com um toque oculto de bosque, deslizava-se através de seu corpo como brandi quente. Gray fechou seus olhos, o calor se frisava do ponto onde seus lábios o tocaram em rápidas e vertiginosas ondas. Beijou-o de novo. “Ela é da manada agora, Tio Gray” disse Rick. “Você sabe, a família. Vamos fazê-lo bem por ela. Espero que saiba.” Gray encontrou o olhar de Maizie, levantando uma sobrancelha. Ela sorriu.

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“Toda minha vida fomos só a avó e eu. Ainda depois que a mudança começasse e estivesse com eles, nunca me havia sentido tão conectada à família da forma em que o fiz quando a manada veio a me ajudar. Quero ser de novo parte disso. Sempre.” “Sempre.” Ele se inclinou para diante, tomando sua boca com a sua, sentindo seu mundo cair em seu lugar, completando-o em uma forma que nunca houvesse pensado possível. “Tio Gray? Está aí?” Gray aproximou o telefone a seu ouvido. “Uhm… Eu… Retorno-te a chamada, menino.” Apertou o botão de desligar de seu celular e o atirou no assento. Seus braços estavam envoltos ao redor de Maizie, suas mãos se deslizavam para cavar os firmes globos de seu traseiro. Ofegou quando os apertou, seus dedos encontrando a borda de suas calcinhas, então as deslizou por debaixo. “Por que você gosta tanto destas coisas?” Seus lábios roçaram a suave pele debaixo de sua orelha. “São horríveis.” Sua risada retumbou entre eles, ecoando através de seu corpo, reverberando de volta para ele. “Boa resposta.” Um rápido puxão e Gray rasgou a entre perna. Outro movimento e rasgou a lateral. Tirou a peça arruinada de debaixo de seu vestido. Seu olhar baixou a sua mão antes de lançar as calcinhas ao piso. Era de encaixe e seda, o mesmo branco leite como sua pele. As mãos de Maizie seguraram seu rosto, trazendo sua atenção de volta a ela. “Quero que saiba que… Te amo. E não por causa do que passou, não porque esteja infectada. Amo-te desde antes. Penso que te amei sempre. Hei estado rondando através desse bosque por anos sem saber o que estava procurando. Agora sei.” “Agora sabemos.” Ele fechou a distância entre eles, tomando sua boca com a dela. Seu fôlego roubou seu fôlego, sua exalação encheu seus pulmões. As mãos dela trabalharam suas calças, seu cinto, seu zíper. Levantou-se o suficiente para deslizar suas calças e sua cueca até seus joelhos, seu pau meneando-se rígido e entusiasta. Passou sua mão sobre seu eixo, enviando uma sacudida que intumesceu sua mente e se disparou através de seu corpo. Seus dedos estavam agarrados ao redor da circunferência de seu

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pau, acariciando-o enquanto sua outra mão levava seu cabelo por detrás de sua orelha, assim podia ver. Gray tragou, sua boca estava seca, seu corpo pesado. Empurrou seu lindo vestido para seus quadris, expondo o batente vermelho do cabelo de sua buceta entre suas coxas. Sua nata brilhando nos ásperos cabelos, seu aroma mais forte agora, mais enlouquecedor. Um grunhido profundo começou em seu peito, uma necessidade selvagem vindo mais perto e mais perto à superfície. Minha companheira. Reclama-a de novo. Seus quadris balançando-se, seguindo o ritmo dela enquanto molhava seus dedos em seus cachos quentes e úmidos. Seu fôlego apertou seus pulmões, seu prazer vibrando ao longo de sua pele enquanto ele tinha fechado seus olhos para evitar perder o controle. Sentia o que ela sentia. Pesada sensação de plenitude de seus dedos dentro dela, com cada arremesso construía essa pressão deliciosa, levando-a mais e mais perto para a liberação. Ele conhecia a reação de seu corpo a seu toque enquanto ela sabia da sensação de sua mão bombeando a sensitiva carne de seu pau. Cada golpe empurrava uma sucessão de estremecimentos de prazer de cada parte de seu ser, tão inegável que não podia acalmar seu corpo. Seu coração golpeava seu peito, sua besta rodava e grunhia dentro dele, querendo mais, querendo-o tudo. Curvou seus dedos dentro dela, empurrando-a para ele, ainda enquanto as paredes de sua buceta o apertavam. Quando a cabeça de seu pau se balançou contra seu sexo e sua nata molhou sua cabeça, tirou seus dedos e introduziu seu duro eixo profundamente dentro dela. Ela o cavalgou rápido e selvagem, o passo era frenético, satisfatório no começo. A pressão aumentando entre eles, através deles, um corpo alimentando ao outro. Maizie gritou… Não, não era um grito. Ela uivou. E uma singela compreensão cristalizou nas mais primitivas curvas do cérebro do Gray. Ela o tinha reclamado, marcado como seu companheiro. Seu corpo abraçando o dele, seu espírito procurando através da conexão de sua carne a sua alma e tocando-o aí. Seus pulmões se apertaram, uma tormenta de calor alagou seu corpo, queimando cada atadura dificilmente ganha de seu controle. A liberação chegou dura e rápida. Não havia como pará-lo, sem esperar por ela para desfrutá-lo. Não havia necessidade.

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O orgasmo de Maizie correu através dele um instante mais tarde. Como uma queda livre de um elevado escarpado, ele não podia respirar. O prazer era muito intenso, estimulando cada terminação nervosa em seu corpo enquanto seus testículos, seus músculos e sua carne zumbiam e tremiam com cada sensação. Um prazer tão próximo à dor que quase lhe doía. Ela paralisou contra ele, o rápido batimento de seu coração era como um trovão através de seu peito. Nada como isso lhe tinha passado nunca antes e ele sabia que nada como isso lhe voltaria a passar nunca com ninguém mais. Companheira de vida. Maizie se levantou para olhar em seus olhos, seus braços estavam quentes ao redor de seu pescoço. “A avozinha estava acostumada a me advertir de que o grande lobo mau no bosque me comeria.” Ela sorriu. “Tenho que lhe dizer que me sinto completamente comida.” Gray a beijou foi um toque rápido de lábios. “Quem foi que disse Chapeuzinho, que ser comido por um lobo era algo mau?”

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A chapéuzinho vermelho e o lobo