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1° E

O normal da Geografia Obra desenvolvida para elencar algumas atividades praticadas na Escola Normal Pe. Emídio Viana Correia, através do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência – PIBID/UEPB .

Campina Grande

2014

Editor responsável: Rayane de Luna Gomes

VOCÊ VAI VER:  O

desenvolvimento

do

projeto

na

Escola

Normal  Planos de aula

 Propostas de pesquisas como avaliação

 Interdisciplinaridade: Geografia-Literatura

 Maquete em mostras pedagógicas

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O contexto O PIBID é uma iniciativa para aperfeiçoar a formação dos professores de educação básica; no curso de Licenciatura em Geografia, da Universidade Estadual da Paraíba, o Programa proporcionou alguns momentos de experiência que foram encarados com indecisões, positividade, receptividade, entre outras reações. A pesquisa funciona como base imprescindível de todo enfoque teórico e na busca de pontos de vista peculiares diante de um fenômeno, uma vez que a educação atual está sendo questionada por uma série de tópicos que envolvem a utilização dos conteúdos vistos em sala de aula. A Geografia, como ciência do espaço, perde todo valor teórico e epistêmico ao resumir-se em descrições fáceis de serem memorizadas pelos principais agentes modeladores dos fenômenos sociais: os alunos. Orientando-se pelas respostas dadas aos questionários, foi visto que o ensino de Geografia deveria construir conceitos que influenciem a vida dos alunos da Escola Normal de Campina Grande/PB, através do resgate das categorias paisagem e lugar em conteúdos corriqueiramente trabalhados em sala de aula, favorecendo o objetivo da Geografia ao mesmo tempo desencadeando um sistema local-global de acontecimentos histórico-atuais.

Fonte: Google Maps/GOMES, Rayane de Luna. 2013.

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PARTE I CONHECENDO CAMPINA GRANDE – PB

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A turma A Escola Estadual Normal Pe. Emídio Viana Correia, localizada em Campina Grande –PB, oferece dois cursos: um na modalidade Normal (formação de pedagogos) e Técnico em Eventos. O primeiro ano E (1°E) é formado por alunos que cursam o Ensino Médio acoplado à modalidade Normal e aqueles delinearão o perfil de inserção da proposta.

O projeto O primeiro projeto propõe estruturar o olhar com base nas categorias geográficas lugar e paisagem, as quais constituem numa lógica para apreender as transformações históricas e pouco captadas pela visão no interior de uma sala de aula. Assim denominou-se o projeto “A fotografia como instrumento de leitura da paisagem de Campina Grande-Pb: a perspectiva do olhar geográfico”; cabe dizer que essa perspectiva direcionou-se para três bairros de Cidade, são eles a Liberdade, Catolé e José Pinheiro, observando os aspectos funcionais das principais vias destes bairros.

SIMPLIFICANDO AS ATIVIDADES

Conhecendo Campina Grande – Pb Comparação de paisagens A pesquisa como avaliação Montagem de texto jornalístico

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Conhecendo Campina Grande-Pb A cidade de Campina Grande apresenta uma importância significativa no interior da região Nordeste, e mais ainda no Estado da Paraíba. Dessa maneira, à primeira vista, ela pode impressionar bastante a quem chega e identifica sua dinâmica urbana e importância regional, que resulta na concentração de atividades em alguns pontos mais adjacentes da Cidade, apresentando contrastes expressivos.

DESENHO:Claudenor Júnior – JED (grafiteiro) / Rayane de Luna Gomes. Campina Grande, maio de 2013. FONTE: disponível em <http://www.ibge.gov.br/cidadesat/painel/painel.php?codmun=250400>ALTERADO

No âmbito mundial, os EUA atravessava um momento de guerra interna na segunda metade do século XIX: a denominada guerra de secessão; o conflito envolve os Estados do Sul, latifundiários, escravistas e principais produtores e fornecedores de algodão da Inglaterra, e do Norte dos Estados Unidos, incentivadores do desenvolvimento industrial. Estas diferenças de ideias seriam fundamentais para se determinar o progresso econômico do país e do Nordeste brasileiro. Assim, os Estados do Sul assinaram a rendição, após muitas mortes, e o Norte venceu, demonstrando e assumindo seu poder de desenvolvimento industrial, tecnológico e econômico, incapacitando o Sul de manter relações comerciais agrícolas com a Inglaterra, esta por sua vez optou por comprar grandes volumes de algodão ao nordeste brasileiro. Campina grande, por ser um grande centro de armazenamento deste produto, tornou-se uma importante praça comercial de algodão, atraindo vários compradores e, como principal consumidor externo, a Inglaterra. E como intensificador desta novadinâmica, o ano de 1907 significou uma revolução urbanomodernista devido o prolongamento do transporte ferroviário da cidade de Itabaiana/Pb para a Cidade de Campina, pela empresa Great Western ofBrazil Railway. De acordo com Diniz (2009, p.37) em razão

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deste importante evento histórico, o comércio campinense passou a alcançar uma comunicação maior com os centros litorâneos, maiormente com a capital pernambucana. As atividades industriais começam a ter relevância maior quando há um processo de descentralização de algumas atividades econômicas para a BR-230 e BR-104, processo este que Diniz (2009, p.39) define com uma nova faseque contribuiu para significativas transformações do espaço urbano campinense. Outra configuração que progrediu o setor industrial campinense, no final dos anos 60, foi a inserção da Cidade nos projetos da SUDENE - Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste o que consistia em incentivos através de uma política de isenção fiscal, atraindo grandes e medianas indústrias para a Cidade e representando, também, o declínio da produção algodoeira ao encerrar o prazo para estas isenções. A partir daí, registraram-se grandes perdas, e mais ainda com a ampliação das rodovias em nível nacional, encurtando os espaços, propiciando a comunicação e mais mobilidade. Ao mesmo tempo, as redes viárias favoreceram novos setores da economia campinense, como os serviços educacionais e hospitalares, tornando-se um importante centro fornecedor destas atividades. Os setores turísticos e culturais veem, também, notadamente crescendo com realce para os museus da Universidade Estadual da Paraíba e o Teatro Severino Cabral; seus pontos turísticos (mapa 01) compreendem principalmente o Açude Velho, Os Pioneiros, estátuas de bronze de Luíz Gonzaga e Jackson do Pandeiro, entre outros elementos que promovem movimentação urbana.

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Comparação de paisagens Objetivos - Desenvolver habilidades de leitura da paisagem. - Ampliar o conhecimento espacial em relação ao seu lugar.

Uma determinada rua pode chamar mais atenção que outras, até em pequenos bairros, em virtude de sua diferenciação funcional, como comprova os exemplos de paisagens urbanísticas que se seguem, e que não por acaso são localidades de vivência dos alunos entrevistados. Bairro da Liberdade, José Pinheiro e Catolé: o que há em comum? O que as diferenciam? Em qual o horário o ritmo de movimentação é maior? Por quê? São estas indagações que deram

suporte para a leitura fotográfica promovida no

primeiro momento.

COMPARAÇÃO DO FLUXO DE PESSOAS E DE COMÉRCIOS COM O PERÍODO DO DIA, NO BAIRRO DA LIBERDADE, EM CAMPINA GRANDE/PB.

FONTE: GOMES, Rayane de Luna. Abril de 2013.

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RUA CAMPOS SALES, A PRINCIPAL DO BAIRRO JOSÉ PINHEIRO, EM CAMPINA GRANDE/PB COM SEUS DIVERSOS TIPOS DE COMÉRCIO

FONTE: Google Mapas. Acessado em Maio de 2013.

FOTOGRAFIA 04 E 05. COMPARAÇÃO DO MOVIMENTO DA AVENIDA BRASÍLIA, NO BAIRRO DO CATOLÉ, EM CAMPINA GRANDE, EM DOIS PERÍODOS.

FONTE: Gomes, Rayane de Luna. Abril de 2013.

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No levantamento do uso do solo das frações da cidade mencionada, foi possível verificar a importância comercial visível através do fluxo de pessoas, resgatando aqui a funcionalidade do olhar sobre a paisagem; José Pinheiro, como bairro mais popular entre os citados, apresenta movimentação nos três períodos do dia, devido à variabilidade das funções exercidas pela Rua Campos Sales; a Rua Odon Bezerra, na Liberdade, sobressai-se no segmento alimentar de consumo, sobretudo no turno da noite; por sua vez, o bairro do Catolé, com atrativo público em virtude do Shopping Center, rodoviária e diversas filiais de empresas globais localizadas, principalmente, na Avenida Severino Bezerra Cabral, esmaece o público de suas ruas ao mesmo tempo em que não perde-se a concentração de capital. Esse fato induz a pensar num conjunto de peculiaridades: a qualificação imobiliária, o agrupamento de residentes com poder aquisitivo mediana à alto, a caracterização da formação espacial quando se analisa o alargamento das ruas, ao contrário dos outros dois bairros explicitados, e também o foco de serviços industriais oferecidos por empresas automobilísticas nacionais e transnacionais que não funcionam durante à noite.

A realidade é constituída pelas pessoas e elas determinam a configuração de seus espaços, neste sentido uma outra categoria de análise ganha importância na explicação, que é aquela de cotidiano que permite entender o processo de constituição da vida na trama dos lugares nas formas de apropriação e uso do espaço (CARLOS, 2007, p.42).

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A pesquisa como avaliação PLANEJANDO...

DURAÇÃO DA AULA: 1h20min

TEMA: Análise geral da história econômica da cidade de Campina Grande e sua importância local e mundial. OBJETIVOS:  Compreender o espaço geográfico de Campina Grande através das atividades desencadeadas desde a povoação até após a elevação à categoria cidade;  Montar uma continuidade temporal a fim de abarcar os acontecimentos mundiais e os efeitos destes na cidade (“Guerra de Secessão”, “Grande Depressão”, 2° guerra mundial, etc.);  Analisar o clímax e falência das atividades algodoeiras;  Entender em que momento se inseriu a estrada de ferro, o automóvel, a energia elétrica, os bancos e as multinacionais na Cidade;  Perceber o desenvolvimento populacional e o direcionamento da Cidade ao longo dos anos; CONTEÚDOS:     

A cidade de Campina Grande como povoado, vila e cidade; A inauguração da Estrada de Ferro; O advento do automóvel e da energia elétrica; As empresas SANBRA e a Anderson Clayton; A situação econômica dos EUA, da Europa e do Brasil desde 1865;

METODOLOGIA: Com o intuito de simplificar o conteúdo, um mural com datas importantes e imagens será exposto para os alunos para que os mesmos consigam assimilar de forma contínua os acontecimentos mais importantes na trajetória econômica de Campina Grande. O mural permite conhecer pausadamente e continuamente uma determinada história em um período de tempo. RECURSOS:

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Pretende-se utilizar o quadro brando e fotografias antigas de Campina Grande – Pb. AVALIAÇÃO: Proposta de entrevistas com moradores antigos dos bairros de cada aluno para investigar as principais mudanças paisagísticas do local e qual é o pensamento daqueles que vivem no lugar há bastante tempo. REFERÊNCIAS: CÂMARA, Epaminondas. Datas Campinenses. Campina Grande: RG EDITORA E GRÁFICA, 1988. CARDOSO, Carlos Augusto de Amorim. A cidade cogumelo: Campina Grande das feiras às festas. Mercator: Revista de Geografia da UFC, n°2, p. 41-60, 2002.

Conforme o plano de aula, uma perspectiva que deve ser introduzida no sistema atual é a pesquisa como avaliação, pois ao considerar o aluno como pesquisador resultará uma atividade processual de investigação diante do desconhecido, revelando, com esta atitude, o envolvimento, a participação e, principalmente, a produção do conhecimento. É a partir desta prática que haverá um progresso no processo educativo, pois o questionamento e a interligação com os conteúdos gerais serão mais claros e subjetivos, responsabilizando o alunos diante de sua função investigativa e crítica, à começar pela percepção do próprio lugar. Como “critério” avaliativo, um estudo de campo foi proposto com o objetivo de identificar a visão de moradores antigos residentes do bairro e distrito onde cada aluno reside; o contato maior e significativo com a realidade, associação com o conteúdo posto em sala sobre mutações paisagísticas e envolvimento com os colegas foram os primeiros resultados desta proposição; além destes um conjunto de fotografias com a apresentação dos idosos entrevistados pelo alunado foram reunidos para uma exposição na Escola. A produção do conhecimento pelos alunos despertou interesses à cerca de um conteúdo que eles mesmos investigaram, havendo,

no momento da aula, um sentido de pertencimento, criticidade e até de

afetividade maior com o bairro por meio da visão de outras pessoas.

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Montagem de texto jornalístico PLANEJANDO... DURAÇÃO DA AULA: 1h20min

TEMA: Categorias geográficas: lugar e paisagem. OBJETIVOS: 

Criar vínculos identitários com a escola e os arredores;

Escrever textos pertencentes a gêneros jornalísticos a partir de entrevistas com pessoas próximas dos arredores da escola;

Expressar a leitura crítica de notícias cotidianas seja mundiais, nacionais ou locais, com base na averiguação de acontecimentos do lugar;

Evidenciar a importância da paisagem do lugar para a Geografia e para a criticidade de cada aluno;

Utilizar a tecnologia para favorecer a produção de pesquisas in loco e para a criação de um jornal escolar;

CONTEÚDOS:

Estudo do bairro Catolé com base em matérias jornalísticas que chamaram atenção recentemente considerando-se a valorização mobiliária, a elevação da venda de veículos, a cultura, a importância da tecnologia, entre outros aspectos.

METODOLOGIA:

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À partir da exposição, em aulas anteriores, de aspectos relevantes da formação e do desenvolvimento dos bairros de Campina Grande, incluindo o bairro Catolé, bairro este em que está inserido a Escola, os alunos produzirão, em dupla, um texto jornalístico a partir de entrevistas, com moradores, funcionários, alunos, e de fotografias do bairro, espelhando-se na matéria jornalística que for selecionada pela dupla, seja referentes a educação, problemas ambientais, tecnologia, economia, entre outras. O intuito é incentivar a leitura, a percepção geográfica, a pesquisa e relacionar o cotidiano de cada um com aqueles gêneros acima citado, utilizando funções do tablet. RECURSOS: Jornais de circulação local, regional e nacional para consulta e referência dos alunos; câmera fotográfica e gravador de áudio do tablet, lápis, caneta e blocos de anotação para a captação do material utilizado nas reportagens; AVALIAÇÃO: Será analisado a pesquisa de cada aluno e produzir um jornal da escola. REFERÊNCIAS: http://www.folha.uol.com.br/

A aluna Kátia, do primeiro E, baseou-se numa notícia sobre problemas ambientais para formular seu texto jornalístico com base na realidade de Campina Grande/PB

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PARTE II ATMOSFERA E CLIMAS:

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“Uma das grandes dificuldades dos alunos de qualquer nível de ensino, até mesmo dos que chegam ao ensino superior, refere-se à leitura e análise de textos. [...] Muitas vezes, as dificuldades de leitura e entendimento de textos levam os alunos a uma atitude de desânimo perante os estudos”. (PONTUSCHKA, et al. 2009, p. 219).

O mau exercício interpretativo interfere negativamente na organização cognitiva e, conseqüentemente, no aprendizado de todas as disciplinas. Num questionário realizado na turma do 1° E viu-se que todos liam, mas não planejavam o tipo de leitura e o tempo para tal. É neste cenário que a Literatura pode influenciar positivamente na compreensão dos conteúdos geográficos.

ENTENDENDO A DELIMITAÇÃO DOS CONTEÚDOS Tema geral: Atmosfera e climas Subtema: Principais climas do mundo Equatorial Tropical Semiárido Desértico (árido) Temperados Interpretação dos textos literários de Rachel de Queiroz (O quinze) e de Antonie de Saint Exupery (O pequeno Príncipe).

Frio polar ou de altas montanhas Imagens de satélite (geoprocessamento e georreferenciamento)

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ESMIUNÇANDO AS METAS

 Reconhecer o perfil do aluno pela ferramenta textual, introduzindo a literatura, dentro do contexto geográfico, e obtendo produções interpretativas;  Explorar o perfil do aluno através da linguagem não-verbal, incorporando as imagens de sensoriamento remoto, afim de aperfeiçoar a interpretação e a relação Geografia-aluno-espaço;  Detalhar e raciocinar os aspectos do árido ao semiárido, contemplando as discussões atuais acerca das condições climáticas vigentes no Nordeste brasileiro;

PREPARANDO O CONTEÚDO Vídeos, textos, imagens fotográficas, de satélite, entre outras tantas ferramentas são facilitadoras do conhecimento, as quais distribuem novidades e maturidades e as que se tornam mediadoras entre o conhecimento “dado” e o conhecimento crítico. Aqui vamos comentar um pouco de como a compreensão sobre as questões climáticas mundiais será introduzida no primeiro ano de Ensino Médio, da Escola Normal. Nosso cérebro é mais compreensivo diante técnicas que permitam o alunado a trabalhar juntamente com o professor, o que produz um ambiente de sala de aula dinâmico; estimular o cérebro a todo instante é a tarefa do professor, seja com

perguntas refletivas, imagens comparativas, escrita instantânea,

manipulação de ferramentas virtuais (as quais a comunidade jovem depositam muita concentração) e explorar o que é novo naquele ambiente. Nesse cenário, diversos autores discutem e promovem raciocínios acerca das ferramentas a serem introduzidas no meio estudantil e, mais especificamente, nas aulas de Geografia, com o intuito de diversificar e maximizar o conteúdo geográfico, entre outros tipos de conhecimentos. Aí está a inovação: utilizar práticas já existentes com mais frequência na sala de aula, podendo, assim, valorizar não apenas o pensamento do alunado como o trabalho do professor. Neste projeto, a literatura traduzida de Rachel de Queiroz, com trechos de “O quinze” e de Antonie de Saint Exupery, com a leitura de “O pequeno príncipe” foram alvos de análises e comparações; a tarefa foi mover, para um papel, as particularidades encontradas nos dois textos e as dimensões de realidade.

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Abaixo consta uma parte dos trechos a ser utilizados: Diversidades em Tempo de Seca Quando Chico Bento, depois daquela noite passada ali, no abandono da estrada, chamou a mulher e, ajudando a levantar um dos meninos, foi andando em procura do povoado, em vão buscou, pelas voltas do caminho, sentando nalguma pedra, o vulto de Pedro. Na estrada limpa e seca só se via um homem com uma trouxinha no cacete, e mais à frente, dentro de uma nuvem de poeira um cavaleiro galopando. - Que besteira! Naturalmente ele já está no Acarape... [...] (Continua) (O quinze, 1930 – Rachel de Queiroz)

XVII O principezinho, uma vez na Terra, ficou, pois, muito surpreso de não ver ninguém. Já receara ter se enganado de planeta, quando um anel cor de lua remexeu na areia. - Boa noite, disse o principezinho, inteiramente ao acaso. - Boa noite, disse a serpente. - Em que planeta me encontro? perguntou o principezinho. - Na Terra, na África, respondeu a serpente. - Ah! ... E não há ninguém na Terra? Tu és um bichinho engraçado, disse ele, fino como um dedo [...] O principezinho escalou uma grande montanha. As únicas montanhas que conhecera eram os três vulcões que lhe davam pelo joelho. O vulcão extinto servia-lhe de tamborete. "De montanha tão alta, pensava ele, verei todo o planeta e todos os homens. Mas só viu agulhas de pedra, pontudas. - Bom dia, disse ele inteiramente ao léu. - Bom dia ... Bom dia ... Bom dia ... respondeu o eco. - Quem és tu? perguntou o principezinho. - Quem és tu ... quem és tu ... quem és tu... respondeu o eco. - Sêde meus amigos, eu estou só, disse ele. - Estou só ... estou só ... estou só, respondeu o eco. Este planeta é todo seco, pontudo e salgado. "Que planeta engraçado pensou então. É todo seco, pontudo e salgado. E os homens não têm imaginação. Repetem o que a gente diz ... No meu planeta eu tinha uma flor: - e era sempre ela que falava primeiro." Mas aconteceu que o principezinho, tendo andado muito tempo pelas areias, pelas rochas e pela neve, descobriu, enfim, uma estrada. E as estradas vão todas na direção dos homens. Trecho retirado do livro O Pequeno Príncipe

Os trechos completos fazem descrições dos lugares onde os personagens das histórias estão; no primeiro quadro, Chico Benco está sob um cenário de seca, temperatura alta, em pleno Ceará, local de semiaridez. No segundo, o pequeno príncipe percorre pelo deserto (sem nome) descrevendo as condições físicas lá encontradas e demonstra sua estranheza ao ver as rochas com formas pontiagudas, o aspecto seco e

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quente misturando-se à neve. Esta atividade auxilia na construção de uma visão interpretativa, muitas vezes conturbada nos estágios de aprendizado.

Quer saber como ficaram as escritas? Acesse: http://geografianopibid.wordpress.com/2014/01/23/interpretacao-dos-textos-literarios/

Outra ferramenta pouco apreciada pelos estudantes de ensino básico, até pela formação do professor ou até mesmo pela dificuldade “visual-interpretativa” que o aluno tem, é imagem de satélite. O aprendizado torna-se mais rico por envolver outros conteúdos paralelos ao central; para que serve essas imagens? Porque contém falsa-cor? O que podemos estudar sob as imagens? O estudo por sensoriamento remoto pode ser o complemento para a atividade textual, o que aguça diferentes percepções. As imagens a seguir são as que foram incorporadas ao estudo: Imagem Landsat de uma região semiárida, município de Afogados de Ingazeira, Pernambuco.

Fonte: Imagem retirada do livro Iniciação em Sensoriamento Remoto. FLORENZANO, 2011- p. 63.

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Mosaico de imagens TM-Landsat-5 de uma área do deserto da Mongólia

Fonte: Imagem retirada do livro Iniciação em Sensoriamento Remoto. FLORENZANO, 2011 - p.99.

Na primeira imagem de satélite, a seca está representada em vermelho-escuro/marrom, podendo-se evidenciar as áreas de drenagem, em verde, graças à mata ciliar, que mantém seu vigor mesmo nessa época, além disso visualiza-se o uso dessas áreas com culturas agrícolas. Já na segunda imagem, a vegetação está representada em vermelha (canal do infravermelho próximo) e é possível identificar, em marfim e cinza, a área desértica e extensa sem ocupação humana. Postas em prática essas ferramentas, é possível obter um resultado positivo, embora ser provável encontrar dificuldades. Como acréscimo, as imagens do Google Earth, se fazem necessárias para, novamente, montar uma visão localizada e integrada do espaço.

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Colocando em prática A XIII mostra cultural: educação para a sustentabilidade , ocorrida em outubro de 2013 na Escola Normal Estadual Pe. Emídio Viana Correia, foi a recepção de nossas experiências em sala de aula. No evento, conectamos os conhecimentos sobre a atmosfera e os climas com o tema sustentabilidade, através de um mega porta-retrato. O contato com os visitantes proporcionaram uma visão do que é ser aluno participante e influenciador do conhecimento.

PLANEJANDO... TEMA: A atmosfera representada na XIII Mostra Cultural: Educação para Sustentabilidade.

OBJETIVOS: 

Organizar ideias sobre o tema geral para que os

alunos compartilhem o que aprendeu previamente com outros alunos participantes da “XIII Mostra Cultural: Educação para Sustentabilidade” 

Auxiliar na construção da Maquete intitulada de

“O porta-retrato da sua escolha”: material a ser exposto na Mostra citada acima; 

Registrar o rendimento dos alunos frente aos

trabalhos expostos e o desenvolvimento dos diálogos sobre o conteúdo;

CONTEÚDOS: 

Camadas atmosféricas;

Fenômenos atmosféricos;

Sustentabilidade;

SEQUÊNCIA METODOLÓGICA: Num circuito de conversas pretende-se anotar, pelos estagiários e pela professora Maria Madalena de Paiva Vieira, docente em Geografia e responsável pela turma durante o evento sobre sustentabilidade na Escola, as ideias gerais destacadas pelos alunos sobre o conteúdo já trabalhado em sala e que será a base para a explicação da maquete aos alunos e professores participantes, além da população interessada pelo conteúdo. Com base nesses levantamentos, será requerido o preenchimento de um quadro, para que os conceitos se conectem.

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RECURSOS METODOLÓGICOS: Para as discussões será utilizado: quadro branco, folhas sulfites.

AVALIAÇÃO: O desenvolvimento e a veracidade das informações dadas pelos alunos do 1°E aos visitantes interessados em conhecer a maquete farão parte da avaliação.

REFERÊNCIAS: VESENTINI, José William. Geografia: o mundo em transição. Ed. Ática, São Paulo -2010. Terra:

a

força

do

planeta

Atmosfera.

Filme

da

BBC

disponível

em

<http://www.youtube.com/watch?v=17zg7HfbebQ>.

O resultado

Material - Compensado - Sprays azul, preto, marron, entre outras cores. - EVA - Cola quente - Pneu - Caixas recicláveis - Jornal - Serra tico-tico

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A maquete chama atenção por conter um pneu que representa o planeta Terra; o pneu (Terra) está envolvido por um balão que está nas mãos da pessoa que colocar o rosto na abertura. A ideia principal é mostrar que a escolha está nas suas mãos: ou você escolhe um planeta sustentável (lado direito) ou uma Terra poluída (lado esquerdo). Isso comprova que os alunos compreenderam a temática trabalhada em sala e que acrescentaram criatividade e socialização.

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O ENID O III Encontro de Iniciação à Docência permitiu que alunos de ensino básico conheçam o mundo universitário, por meio de produções científicas. Três alunas do 1° E enviaram um pequeno resumo sobre o que chamou atenção no trabalho dos pibidianos na Escola, denominado “HOJE”. Vamos ler:

HOJE GIULLYANE ARAÚJO GOMES, JIMMY ELLEN B. DE AQUINO, JOILMA JOSÉ ALVES DA SILVA

O olhar é pouco considerado na correria do dia-a-dia e ter a oportunidade de desenvolver habilidades para analisar o mundo e, essencialmente, o lugar é determinante ao considerar o real sentido da palavra estudar. Perceber o lugar e refletir algumas paisagens foram atividades significativas, promovidas no 1° ano E da Escola Normal, e Campina Grande e seus bairros, como Catolé, José Pinheiro, Liberdade, foram alvos de comparação, revelando-se desigualdades na produção econômica e no desenvolvimento social, percebidos a partir de fotografias e entrevistas com antigos moradores que residem nos mesmos.

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Agradecimentos A autora agradece o apoio concedido, mediante bolsa, efetuado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES, através do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência – PIBID. Agradeço, de modo especial, o carinho da professora Madalena Paiva, supervisora do PIBID na Escola Normal, a qual levarei por toda minha trajetória pessoal. À Josandra, coordenadora de área, responsável pelos desembaraços. Peço-te desculpas pelas falhas, mas saiba que aprendi muito e serás, para mim, um exemplo de responsabilidade e profissionalismo.

Aos meus amigos, colegas, pibidianos que trabalharam comigo nestes quase dois anos de programa. Alisson: obrigada por me apresentar o compromisso e a pontualidade e por me fazer sentir a pessoa mais sábia no ramo computacional. Kalina: obrigada por me fazer lembrar que tudo é motivo para fazer artigo. Luzia: obrigada por fazer eu ficar curiosa sobre o que tanto tu carregas nesta tua bolsa. (risos) Às nossas bricandeiras!

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O NORMAL da Geografia