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O ÚLTIMO BAILE DO IMPÉRIO

No dia 9 de novembro de 1889, aconteceu um evento que mostrava como o governo monárquico estava alienado da crise política por que passava o país. Naquela data, o governo monárquico homenageou os oficiais da Marinha chilena num grande baile na Ilha Fiscal, na baía de Guanabara. Toda a elite do Rio de Janeiro foi convidada. Com o imperador e a família imperial presentes até uma da madrugada, o baile não economizou em nada, talvez apenas em sensatez. Foram servidos 800 quilos de camarão, 500 perus, 1.200 latas de aspargos, 1.300 frangos, 64 faisões, 20 mil sanduíches, 14 mil sorvetes, 2.900 pratos de doces, 10 mil litros de cerveja e 304 caixas de vinhos, champanhes e bebidas diversas. Dois dias depois, em 11 de novembro, Rui Barbosa, Benjamin Constant, Quintino Bocaiúva e outros líderes republicanos reuniram-se na casa do Marechal Deodoro da Fonseca para definir os últimos acertos do movimento que poria fim à Monarquia. No dia 15 de novembro de 1889, marechal Deodoro assumiu o comando das tropas no Rio de Janeiro e ocupou o Ministério da Guerra. Algumas versões afirmam que, nesse momento, Deodoro proclamou a República. Outras asseguram que apenas destituiu o ministério. Seja qual for a versão verdadeira, o certo é que a monarquia já não existia mais. A República era agora um fato consumado. Deodoro da Fonseca formou o Governo Provisório da República, demitindo os ministros do Império. No dia 16, dom Pedro II recebeu um comunicado oficial, informando-o de que o regime havia mudado e de que toda a família imperial deveria abandonar o país. Na madrugada do dia 17 de novembro, dom Pedro II deixava o Brasil rumo à Europa, onde viria a falecer dois anos depois.Fonte: http://www.aticaeducacional.com.br/htdocs/secoes/datas_hist. aspx?cod=521

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1889 – PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA A crise da monarquia, ampliada pela questão militar, pela questão religiosa e pela questão abolicionista, agravou-se no ano de 1889. Nesse período, o movimento republicano, liderado por cafeicultores e militares de orientação positivista, ganhou força suficiente para proclamar a república. Mais uma vez o povo brasileiro ficou afastado de um importante momento da nossa história. A saída do Imperador D. Pedro II foi fruto do desgaste da sua imagem e dos interesses das elites brasileiras. Nossa república nasceu conservadora.

MILITARES | OLIGARQUIAS Existiam importantes divergências entre os grupos sociais que proclamaram a república MILITARES – Defendiam uma organização política mais centralizada. OLIGARQUIAS- Defendiam o poder mais descentralizado (FEDERALISMO). FEDERALISMO – Maior autonomia para os Estados (antigas províncias), atendendo aos interesses das poderosas oligarquias estaduais. OBS: Não existiam partidos nacionais, os partidos eram estaduais, tinham base estadual. Exemplos: PRP - PARTIDO REPUBLICANO PAULISTA PRM - PARTIDO REPUBLICANO MINEIRO PRR - PARTIDO REPUBLICANO RIOGRANDENSE

REPÚBLICA VELHA 1889|1894 - REP. DA ESPADA 1894|1930 -REP. OLIGÁRQUICA

DEODORO – CHEFE DO GOVERNO PROVISÓRIO ( 1889 – 1891 ) Deodoro exerceu o governo de forma autoritária Durante a administração do Governo Provisório, destacaram-se os seguintes fatos: 1. Grande naturalização: todos os estrangeiros aqui residentes que não manifestaram desejo de permanecer com a antiga nacionalidade passaram a ser legalmente brasileiros. 2. Separação entre a Igreja e o Estado, provocando o fim do padroado.

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1. Instituição do casamento civil. 2. Secularização dos cemitérios.

O governo provisório Cargo Chefe do Governo Provisório Ministro da Justiça Ministro da Marinha Ministro da Guerra Ministro dos Negócios Estrangeiros Ministro da Fazenda Ministro do Interior

Nome Deodoro da Fonseca Campos Sales

Período 1889 – 1891 1889 – 1891

Eduardo Wandenkolk

1889 – 1891

Benjamin Constant Botelho de Magalhães 1889 – 1890 Floriano Peixoto 1890 – 1891 Quintino Bocaiúva

1889 – 1891

Rui Barbosa

1889 – 1891

Aristides Lobo Cesário Alvim

1889 – 1890 1890 – 1891

A Política Econômica de Rui Barbosa, ministro de Deodoro

Rui Barbosa de Oliveira, político e jurisconsulto, nasceu em Salvador, Bahia, em 5 de novembro de 1849. Bacharelou-se em 1870 pela Faculdade de Direito de São Paulo. No início da carreira na Bahia, engajou-se numa campanha em defesa das eleições diretas e da abolição da escravatura. Foi político relevante na República Velha, ganhando projeção internacional. Obs. Rui Barbosa realizou o PRIMEIRO PLANO ECONÔMICO da nossa república, que ficou conhecido como ENCILHAMENTO. O objetivo do plano foi o de tentar sanear as contas públicas e promover a industrialização. 6 Base do plano:


GOVERNO > OFERECER > CRÉDITOS (EMPRÉSTIMOS) Politica emissionista

Observe a charge abaixo

CRÉDITOS A JUROS BAIXOS > ABERTURA DE EMPRESAS INDUSTRIAIS > PROMOÇÃO DO CRESCIMENTO ECONÔMICO OBS: A política do ENCILHAMENTO, baseada na emissão de papel moeda, provocou uma grave crise econômica. O desejo, por parte do governo, de oferecer empréstimos estimulou a corrupção, promovendo o surgimento de várias empresas fantasmas. Além de tudo isso, a política emissionista gerou grande desvalorização da nossa moeda, provocando inflação.

1891 – NOSSA SEGUNDA CONSTITUIÇÃO Essa constituição foi VOTADA e estabeleceu importantes mudanças, confirmando as alterações promovidas pelo Governo Provisório.

Texto Para Análise Um ano após a proclamação da República (15 de novembro de 1990), instalava-se o Congresso Constituinte, cujos membros haviam sido escolhidos pela primeira eleição republicana realizada em nosso país. Então, em 24 de fevereiro de 1891 era promulgada a primeira Constituição da República. Suas principais disposições eram: - A suprema autoridade do país seria o Presidente da República, com mandato de quatro anos e eleito diretamente pelo povo. - Os ministros seriam de sua livre escolha. - Senadores e deputados também seriam eleitos pelo povo. - Os Estados e o Distrito Federal seriam representados por 3 senadores, com mandatos de nove anos, e por deputados em número proporcional às suas respectivas populações, com mandatos de 3 anos. Obs. Deodoro foi eleito presidente, dando início ao Governo Constitucional

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A assembléia constituinte de 1891, além de ter feito nossa primeira constituição, promoveu a primeira eleição para presidente do Brasil ( Eleição Indireta ). Candidataram-se ao cargo de presidente o Mal. Deodoro da Fonseca e o presidente do Congresso Prudente de Morais; à vice-presidência concorreram o ex-ministro da Marinha almirante Eduardo Wandenkolk e o ex-ministro da Guerra Floriano Peixoto. (OBS. A constituição dizia que, diferentemente de hoje, se candidatam em chapas separadas o presidente e o vice.) Foi vitoriosa a chapa dos dois marechais, embora a votação de seus concorrentes demonstrasse a existência de uma ponderável força política oposta ao governo. A oposição a Deodoro formara-se durante o Governo Provisório, chegando mesmo a transformar-se em séria dissidência entre aqueles que haviam criado o novo regime.

(1891-1894) GOVERNO CONSTITUCIONAL. AGRAVAMENTO DA CRISE E RENÚNCIA A situação política e econômica se agravava, principalmente na capital. Na manhã de 23 de novembro, o almirante Custódio José de Melo ocupa navios de guerra e, ameaçando bombardear a cidade do Rio de Janeiro, exige a renúncia de Deodoro. Era o fim do governo constitucional, que durou apenas nove meses. Obs. Essa reação do Almirante Custódio de Melo ficou conhecida como Primeira Revolta da Armada.

O GOVERNO FLORIANO PEIXOTO Floriano, vice de Deodoro, assumiu o governo em meio a uma grave crise. Duas Medidas Importantes: - Promoveu a abertura do congresso, decretando o fim do Estado de Sítio. -Tabelamento dos Preços, combatendo a inflação provocada pelo encilhamento. Floriano enfrentou ainda duas revoltas. A Revolução Federalista ( RS ) e a segunda Revolta da Armada. Ambas foram derrotadas pelas tropas do governo e seus aliados.

Texto para análise O governo de Floriano Peixoto foi marcado pelo apoio do Congresso Nacional ao presidente, que, apesar de centralizador e autoritário, governou para fazer valer a Constituição recem promulgada e consolidar a República. Do ponto de vista econômico herdou a inflação provocada pelo encilhamento e executou timidamente medidas protecionistas em relação à indústria, assim como a facilitação ao crédito, com a preocupação de controlar a especulação. Do ponto de vista político, reprimiu as principais revoltas que ocorreram no país e foram apresentadas como subversivas ou monarquistas: a Revolta da Armada e a Revolução Federalista no Rio Grande do Sul. O fato de ser encarado como responsável por consolidar a República não significa que

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seu governo tenha sido marcado pela estabilidade. Ao contrário, várias manifestações contrárias ao governo ocorreram. No início de seu governo, o Marechal Floriano enfrentou oposição dentro do próprio exército, marcada pelo manifesto dos 13 generais, que contestava a legitimidade de seu governo, ao mesmo tempo, enfrentava os problemas derivados dos estados, onde as oligarquias locais disputavam o poder e uma fatia dos benefícios econômicos que pudessem ser retirados do governo federal. A principal rebelião regional ocorreu no Rio Grande do Sul, onde a luta pelo poder colocou frente a frente os pica-paus, “repúblicanos históricos” liderados por Júlio de Castilhos, e os maragatos, liderados pelo monarquista Silveira Martins, do Partido Federalista Brasileiro. Os maragatos eram defensores de uma reforma constitucional, adotando-se o parlamentarismo e opunham-se ao governo de caráter ditatorial de Júlio de Castilhos. Floriano pendeu para o lado dos pica-paus, apesar de Castilhos ter apoiado o golpe de Deodoro em 1891. Floriano precisava do apoio da bancada gaúcha no Congresso Nacional. Em setembro de 1893 começou a Segunda Revolta da Armada, com o Almirante Custódio de Melo tentando reeditar o movimento que culminou com a renúncia de Deodoro. Apoiado no exército e no Congresso Nacional que votou o “estado de sítio”, o presidente executou forte repressão aos revoltosos, que se retiraram para o sul e instalaram um governo em Desterro, capital de Santa Catarina; em outubro as forças da marinha se unem aos federalistas do Rio Grande do Sul e no início do ano seguinte dominam Curitiba. A repressão do governo caracterizou-se pela extrema violência, e tanto os marinheiros como os federalistas gaúchos foram derrotados, ampliando o prestígio e poder de Floriano. Mesmo tentado a permanecer no poder, Floriano percebeu que não teria o apoio da elite cafeeira de São Paulo e que não conseguiria enfrentar a elite econômica do país. Com a posse de Prudente de Moraes terminava a “República da Espada”. Fonte: http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=357 FIM DO GOVERNO FLORIANO, FIM DA REPÚBLICA DA ESPADA.

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A REPÚBLICA OLIGÁRQUICA A principal característica desse período da nossa história foi o controle político e eleitoral exercido por poderosos senhores, representantes de famílias importantes. Esses senhores controlavam as eleições e conseguiam se manter no poder , tanto no que diz respeito à política local quando à política nacional. Foi essa característica que batizou tal período como república das oligarquias, o que significa dizer que poucos tinham acesso ao poder. Obs. Não havia o voto secreto. Como o voto era aberto e escrito, ficou conhecido como VOTO A BICO DE PENA. Reações contra a exclusão social O CANGAÇO ( Final do séc. XIX até 1940 )

Virgulino Ferreira – Lampião O cangaceiro respondia com violência à situação social e política marcada pela exclusão social, fazendo justiça com as próprias mãos, organizando bandos armados.. Importantes Exemplos: Antônio Silvino | Lampião | Capitão Corisco > Não havia ideologia entre os cangaceiros Obs. O maior de todos os cangaceiros foi Virgulino Ferreira, o Lampíão.

Texto para análise Entre o final do século XIX e começo do XX (início da República), surgiu, no nordeste brasileiro, grupos de homens armados conhecidos como cangaceiros. Estes grupos apareceram em função, principalmente, das péssimas condições sociais da região nordestina. O latifúndio, que concentrava terra e renda nas mãos dos fazendeiros,

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deixava as margens da sociedade a maioria da população. Entendendo o cangaço Portanto, podemos entender o cangaço como um fenômeno social, caracterizado por atitudes violentas por parte dos cangaceiros. Estes, que andavam em bandos armados, espalhavam o medo pelo sertão nordestino. Promoviam saques a fazendas, atacavam comboios e chegavam a seqüestrar fazendeiros para obtenção de resgates. Aqueles que respeitavam e acatavam as ordens dos cangaceiros não sofriam, pelo contrário, eram muitas vezes ajudados. Esta atitude, fez com que os cangaceiros fossem respeitados e até mesmo admirados por parte da população da época. Os cangaceiros não moravam em locais fixos. Possuíam uma vida nômade, ou seja, viviam em movimento, indo de uma cidade para outra. Ao chegarem nas cidades pediam recursos e ajuda aos moradores locais. Aos que se recusavam a ajudar o bando, sobrava a violência.  Como não seguiam as leis estabelecidas pelo governo, eram perseguidos constantemente pelos policiais. Usavam roupas e chapéus de couro para protegerem os corpos, durante as fugas, da vegetação cheia de espinhos da caatinga. Além desse recurso da vestimenta, usavam todos os conhecimentos que possuíam sobre o território nordestino (fontes de água, ervas, tipos de solo e vegetação) para fugirem ou obterem esconderijos.  Existiram diversos bandos de cangaceiros. Porém, o mais conhecido e temido da época foi o comandado por Lampião (Virgulino Ferreira da Silva), também conhecido pelo apelido de “Rei do Cangaço”. O bando de Lampião atuou pelo sertão nordestino durante as décadas de 1920 e 1930. Morreu numa emboscada armada por uma volante, junto com a mulher Maria Bonita e outros cangaceiros, em 29 de julho de 1938. Tiveram suas cabeças decepadas e expostas em locais públicos, pois o governo queria assustar e desestimular esta prática na região.  Depois do fim do bando de Lampião, os outros grupos de cangaceiros, já enfraquecidos, foram se desarticulando até terminarem de vez ,no final da década de 1930. Fonte: http://www.suapesquisa.com/historiadobrasil/cangaco.htm

MOVIMENTOS MESSIÂNICOS A salvação pela fé, na luta por melhores condições de vida. Quando se faz da crença uma condição pra ser feliz, para sobreviver. CANUDOS E CONTESTADO > ORIGENS > COMUNIDADES POPULARES E MESSIÂNICAS VÍTIMAS DE MISÉRIA.

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BEATOS Líderes religiosos que não foram formados dentro da igreja. Prestavam serviços para a sociedade, através de instituições de caridade. Tanto Canudos, no interior da Bahia, como Contestado, na divisa do Paraná com Santa Catarina, representavam uma grande ameaça contra os interesses das oligarquias. Grande repressão contra esses movimentos: 1897 > GUERRA DE CANUDOS 1912|1916 > GUERRA DO CONTESTADO (também conhecida como a Guerra dos Pelados.)

Texto para Análise Manifestações Religiosas Populares Os movimentos messiânicos existem no Brasil desde o período colonial, e no Nordeste do país, as manifestações culturais populares de caráter religioso são marcantes. Os messias ocupam sempre uma posição de superioridade em relação aos fiéis, uma vez que o messias é o líder no ápice e os fiéis na base, encontrando-se um grupo intermediário a ambos, que são os discípulos mais chegados. Canudos Na última década do século XIX, surgiu o movimento de Canudos, organizado em torno de Antônio Vicente Maciel, ou Antônio Conselheiro. Conselheiro fora acusado de heresia pela Igreja Católica e de monarquista pelos líderes republicanos. Conselheiro foi o principal protagonista da revolta de Canudos, no sertão da Bahia. Pregador, peregrino, andava por regiões do Nordeste assoladas pela seca, cuidando de cemitérios, de capelas, e era seguido por milhares de pessoas que viam nele um “messias”, o qual apontava um novo mundo religioso no lugar da miséria. Conselheiro fundou, no Arraial de Canudos, o Império do Belo Monte, formando uma comunidade de

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camponeses flagelados. Suas leis eram aceitas por todos e o pão era repartido igualmente. A posse da terra era comum, a propriedade restrita aos bens pessoais. Aguardente e prostituição eram proibidas. A comunidade de Canudos não aceitava o casamento civil, nem a cobrança de impostos instituídos pela República. Em 1895, a comunidade de Canudos recebe sentença de morte e, em 1896, o governo enviou expedições militares para destruir aquela comunidade. Após o ataque de quatro expedições militares que resultou na morte de Conselheiro, sobreveio uma trégua. Em 1897 Canudos foi destruída, e 30 mil pessoas haviam sido dizimadas pelo exército.

Padre Cícero Na cidade de Juazeiro do Norte, no Ceará, em torno da pessoa do Padre Cícero Romão Batista, surge um outro messias. Homem estudado, padre Cícero foi exercer seu sacerdócio em Juazeiro do Norte. Lá, ele encontrou o povo sacrificado pela longa seca de 1870 a 1880. Em 1872, quando o Padre Cícero chegou em Juazeiro, o lugar era um pequeno arraial, mas, ao falecer em 20 de julho 1934, deixara a cidade desenvolvida, a mesma tornou-se a maior cidade do interior do Estado do Ceará. O padre Cícero incentivou o aprendizado de várias profissões, e aconselhava a quem tinha terra a plantar e ensinava como plantar. Considerado o pai dos pobres, o Padre Cícero não aceitava pagamento pelas cerimônias religiosas, sinal de que abandonara os bens materiais, divergindo em geral dos seus colegas religiosos, que recebiam pagamento pelas missas celebradas. Padre Cícero preferiu viver das doações dos fiéis, andava trajado como mendigo, o que levava os seus seguidores e admiradores a admitirem que estavam diante de um padre extraordinário. Padre Cícero, chamado carinhosamente por muitos de “Padim-Ciço”, era conselheiro e pai protetor, daí as relações de obediência e de acatamento por parte dos romeiros. Durante o flagelo das secas, como por exemplo, em 1877 e 1879, o Padre Cícero instalou retirantes em suas terras, fez distribuição de víveres e iniciou atividades de obras públicas para que os retirantes pudessem ganhar a vida. Para realizar e manter as atividades de proteção aos pobres, o padre Cícero solicitava apoio aos governos, o que levou as autoridades a considerá-lo um porta-voz dos flagelados. De homem bom, passou a ser tido como milagroso, ao se espalhar a notícia que na comunhão dada à beata Maria Araújo a hóstia havia se transformado em sangue, isto é, no sangue de Jesus. Com a fama dos milagres, a influência do Padre Cícero aumenta, e pessoas de todos os níveis sociais, trazidas pela fé ou por curiosidade, se dirigiram a Juazeiro em busca da proteção do famoso “Padim-Cíço”. As doações aumentaram, e a abundância passou a existir na casa do milagroso Padre. A Igreja Católica proferiu várias imposições ao Padre Cícero, como a de pregar, de ouvir confissões, e dizer missas. O Padre obedeceu a todas as imposições, mas não aceitou que o exilassem de Juazeiro, pois não consentia em abandonar as suas almas. A influência do Padre encaminhou-se também para o cenário político. Os romeiros e seus admiradores faziam questão de votar ao lado do Padrinho, na cidade de Juazeiro. Fonte: http://www.espacoacademico.com.br/038/38cgareis.htm

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Mecanismos de Controle Eleitoral “Outros deram à minha política a denominação de “Política dos Governadores”. Teriam acertado se dissessem “Política dos Estados”. Esta denominação exprimiria melhor o meu pensamento!” Campos Sales Mais exemplos de Revoltas Sociais

Revolta da Vacina

Destaque para a atuação do médico Osvaldo Cruz Revolta da Chibata.

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Três G ( Guerra, Gripe Espanhola e Greves )

Obs. Em 1922 foi fundado o Partido Comunista Brasileira O Tenentismo

O tenentismo foi um movimento que ganhou força entre militares de média e baixa patente durante os últimos anos da República Velha. No momento em que surgiu o levante dos militares, a inconformidade das classes médias urbanas contra os desmandos e o conservadorismo presentes na cultura política do país se expressava. Ao mesmo tempo, o tenentismo era mais uma clara evidência do processo de diluição da hegemonia dos grupos políticos vinculados ao meio rural brasileiro. Influenciados pelos anseios políticos das populações urbanas, os militares envolvidos nesse movimento se mostraram favoráveis às tendências políticas republicanas liberais. Entre outros pontos, reivindicavam uma reforma constitucional capaz de trazer critérios mais justos ao cenário político nacional. Exigiam que o processo eleitoral fosse feito com o uso do voto secreto e criticavam os vários episódios de fraude e corrupção que marcavam as eleições. Além disso, eram favoráveis à liberdade dos meios de comunicação, exigiam que o poder Executivo tivesse suas atribuições restringidas, maior autonomia às autoridades judiciais e a moralização dos representantes que compunham as cadeiras do Poder Legislativo. Entretanto, todo esse discurso liberal e moralizador também convivia com a opinião de alguns oficiais que defendiam a presença de um poder forte, centralizado e comprometido com mal definidas “necessidades da nação brasileira”. As primeiras manifestações militares que ganharam corpo durante a República Oligárquica aconteceram nas eleições de 1922. Aproveitando a dissidência de algumas oligarquias estaduais, os tenentes apoiaram a candidatura de Nilo Peçanha em oposição ao mineiro Arthur Bernardes, politicamente comprometido com as demandas dos

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grandes cafeicultores. Nesse momento, a falta de unidade política dos militares acabou enfraquecendo essa primeira manifestação conhecida como “Reação Republicana”. Durante essas eleições a tensão entre os militares e o governo aumentou quando diversas críticas contras os militares, falsamente atribuídas a Arthur Bernardes, foram veiculadas nos jornais da época. Com a vitória eleitoral das oligarquias, a primeira manifestação tenentista veio à tona com uma série de levantes militares que ficaram marcados pelo episódio dos “18 do Forte de Copacabana”, ocorrido no Rio de Janeiro, em julho de 1922. Nos dois anos seguintes, duas novas revoltas militares, uma no Rio Grande do Sul (1923) e outra em São Paulo (1924), mostrou que a presença dos tenentistas no cenário político se reafirmava. Após terem suas pretensões abafadas pelas forças fiéis ao governo, esses dois grupos se juntaram para a formação de uma guerrilha conhecida como Coluna Prestes. Entre 1925 e 1927, esse grupo composto por civis e militares armados entrecortou mais de 24 mil quilômetros sob a liderança de Luís Carlos Prestes. A falta de apelo entre os setores mais populares, e as intensas perseguições e cercos promovidos pelo governo acabaram dispersando esse movimento. Luís Carlos Prestes, notando a ausência de um conteúdo ideológico mais consistente à causa militar, resolveu aproximar-se das concepções políticas do Partido Comunista Brasileiro. Em 1931, o líder da Coluna mudou-se para a União Soviética, voltando para o país somente quatro anos mais tarde. Rainer Sousa Mestre em História

A Queda da República Oligárquica Em 1928 o governo norte-americano, buscando proteger a produção frente aos produtos europeus que voltavam a circular em grande quantidade com a reconstrução do pósguerra, elevou as taxas de importação.A resposta das economias européias foi a elevação de suas taxas alfandegárias na mesma medida. O resultado foi uma crise no comércio mundial e a recessão. A crise que abalou a indústria mundial afetou também a economia agrária norteamericana. O armazenamento de produtos agrícolas, procurando forçar os preços para cima, repercutiu no aumento considerável do custo de vida. O quadro de crise provocou quedas significativas nos preços das ações negociadas na Bolsa de Valores de Nova Iorque. A venda de ações no mercado aumentou desproporcionalmente. Empresas buscavam se capitalizar jogando suas ações no mercado. Os lotes de ações especulativas eram muito superiores do que se imaginava e, no momento que muitas empresas buscavam a capitalização para superar a crise, as ações na Bolsa estavam em queda livre. O mercado não mais confiava nas ações e elas simplesmente deixaram de ser negociadas. Era a queda da Bolsa de Nova Iorque. O “crack” da Bolsa provocou a falência de milhares de empresas norte-americanas, arruinou a produção agrícola e provocou um brutal desemprego. A depressão econômica nos Estados Unidos repercutiu imediatamente no mercado mundial, levando o capitalismo internacional à maior crise de sua história. A economia brasileira na época era predominantemente agrário-exportadora. A retração do mercado internacional provocou uma violenta queda nas exportações e a crise econômica se alastrou por todo o país. A parcial falência da cafeicultura levou, entre outras

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coisas, ao aumento das tensões políticas internas, devendo ser vista como uma das causas imediatas da Revolução de 1930. Os últimos anos do governo de Washington Luís, paulista e cafeicultor, foram marcados por uma acirrada disputa eleitoral. Depois de muitos anos as eleições ganharam um contorno de verdadeira disputa. A violenta crise econômica levou Washington Luís a apoiar a candidatura do também paulista e cafeicultor, então governador de São Paulo, Júlio Prestes. Estava rompido o acordo do café-com-leite. O governador de Minas Gerais Antônio Carlos de Andrada, que já tinha como certa sua indicação e falava como futuro presidente, ficou a ver navios. O rompimento do acordo do café-com-leite levou a oligarquia mineira a apoiar uma candidatura de oposição. Formou-se a Aliança Liberal : as elites mineiras, gaúchas e paraibanas se uniram em torno da chapa encabeçada por Getúlio Dorneles Vargas, tendo como vice João Pessoa. Esta coligação política apesar de oligárquica, passou a simbolizar toda uma vontade nacional de romper com o monopólio político do café, obtendo apoio de amplos e variados setores políticos. As oligarquias dissidentes e as Forças Armadas identificadas com o Tenentismo, foram os maiores aliados. Na campanha pré-eleitoral, Getúlio Vargas demonstrou também um sólido apoio popular. Comícios gigantescos tomaram as principais cidades do país. Apesar das pesquisas demonstrarem a virtual vitória de Getúlio, as eleições, violentamente fraudadas, deram o resultado do pleito favorável a Júlio Prestes. A vitória de Júlio Prestes causou um profundo descontentamento político no país e as tensões se avolumaram. As forças populares começaram a dar demonstrações de que não mais aceitariam em silêncio as falcatruas governamentais. As forças oligárquicas e burguesas inquietavam-se com as agitações populares e buscavam controlar o processo político para que não caminhasse para uma radicalização em que as elites perdessem o controle do poder. O assassinato de João Pessoa, candidato a vice pela Aliança Liberal, precipitou o confronto. Apesar de ter sido assassinado por questões políticas epecíficas de seu estado natal, a Paraíba, em âmbito nacional tal acontecimento foi usado como pretexto para o movimento de derrubada de Washington Luís e impedimento da posse de Júlio Prestes. Eclodia a “Revolução” de 1930.

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VARGAS NO PODER

A Era Vargas Para boa parte dos historiadores , a Era Vargas pode ser dividida em três períodos: 1º) Governo Provisório ( 1930 – 1934 ) 2º) Governo Constitucional ( 1934 – 1937 ) 3º) Estado Novo ( 1937 – 1945 ) De uma maneira geral, a Era Vargas marcou uma nova e importante etapa na história do Brasil. Fazia tempo que nossa sociedade e economia precisavam se ajustar às novas exigências dos anos 30. Nesse período, era necessário reformular as relações de trabalho entre empresas e operariado, repensar o desenvolvimento do capitalismo brasileiro e reorganizar o papel do Estado, afirmando-o como o grande responsável pelas transformações que viriam a acontecer. O governo provisório ( 1930 – 1934 ) A tarefa principal do governo provisório foi a de organizar politicamente a nova estrutura de poder. No entanto, Vargas contava com uma forte oposição, liderada por setores importantes da sociedade paulista. Nesse contexto, ocorreu em 1932 um levante armado conhecido como Revolução Constitucionalista. O levante aconteceu em São Paulo e exigia a normalização democrática do país, a partir da convocação de uma assembléia nacional constituinte. Apesar de ter vencido os constitucionalistas, o governo Vargas passou a organizar os preparativos para a nova constituição do Brasil:

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1.

Foi feito um novo código eleitoral

2.

Foi realizada uma Assembleia Nacional Constituinte

Obs. A Assembleia Nacional Constituinte, além de elaborar a Constituição de 1934, elegeu Vargas para a presidência da República, com um mandato de quatro anos. Esse fato provocou o fim do governo provisório e o início do governo constitucional. O governo constitucional (1934 – 1937) Na história da humanidade, esse período foi marcado pela consolidação de uma situação de radicalização política e ideológica, caracterizada pela ascensão de regimes totalitários, nazifascistas, e pela ameaça de uma II Guerra Mundial.

Texto para análise A Intentona Comunista foi uma espécie de rebelião contra o governo de Getúlio Vargas. Na realidade, o movimento tinha por objetivo derrubar o presidente e tomar o poder. Liderada pela Aliança Nacional Libertadora (ANL), a Intentona eclodiu em novembro de 1935, mas foi rapidamente combatida pelas Forças de Segurança Nacional. O movimento ganhou adeptos dentro dos batalhões. Militares de baixa patente inclinados ao comunismo iniciaram a rebelião na noite do dia 23 de novembro de 1935, em Natal, no Rio Grande do Norte, onde os revolucionários chegaram a tomar o poder durante três dias. Depois se estendeu para Maranhão, Recife e por último para o Rio de Janeiro, no dia 27. Aliança Nacional Libertadora (ANL) Influenciados pela estrutura política européia pós primeira guerra mundial, na qual duas frentes disputavam espaço – Fascismo e Comunismo – surgiram dois movimentos políticos no Brasil com estas características. Em 1932, sob a liderança do político paulista Plínio Salgado foi fundada a Ação Integralista Nacional, de cunho fascista. De extrema direita, os integralistas combatiam fervorosamente o comunismo. Paralelamente à campanha Integralista, o Partido Comunista Brasileiro (PCB) incentivou a fundação da Aliança Nacional Libertadora, um movimento político radicalmente oposto à Ação Integralista Nacional. A ANL, criada em 1935, defendia os ideais comunistas e suas propostas iam além daquelas defendidas pelo PCB: - Não pagamento da dívida externa; - Nacionalização das empresas estrangeiras; - Combate ao fascismo; - Reforma agrária;

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No dia 5 de julho de 1935, data em que se comemoravam os levantes Tenentistas, Luís Carlos Prestes lançou um manifesto de apoio à ANL, no qual incentivava uma revolução contra o governo. Este foi o estopim para que Getúlio Vargas decretasse a ilegalidade do movimento, além de mandar prender seus líderes. Rebeliões Com o decreto de Vargas, o plano de fazer uma revolução foi colocado em prática, inclusive com o apoio da Rússia (país comunista à época), que enviou dinheiro e agentes para o Brasil. A ação foi planejada dentro dos quartéis. Militares simpatizantes da ANL deram início às rebeliões. Imaginava-se que depois a revolta ganharia o apoio popular, mas isto não ocorreu. A principal falha dos revolucionários foi com relação à organização. As revoltas se deram em datas diferentes, o que facilitou as ações do governo para dominar a situação e frustrar o movimento. Após derrotá-los, Vargas decretou estado de sítio e uma forte repressão aos envolvidos na Intentona Comunista. Luís Carlos Prestes foi preso, bem como vários líderes sindicais, militares e intelectuais. Mas tudo isto não passou de estratégias do presidente para preparar um futuro golpe de Estado. Fonte: http://www.infoescola.com/historia/intentona-comunista/ O Falso Plano Cohen Em 1937, o governo Vargas anunciou um suposto plano de ação comunista, o Plano Cohen. Para enfrentar a “ação” dos comunistas, Vargas suspendeu as eleições que estavam programadas para o ano de 1938 e implantou um regime totalitário, conhecido como Estado Novo.

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O ESTADO NOVO Texto para análise Esse regime político recebeu o nome de Estado Novo, (nome inspirado na ditadura de António de Oliveira Salazar em Portugal), e durou até 29 de outubro de 1945, quando Getúlio foi deposto pelas Forças Armadas. Getúlio Vargas determinou o fechamento do Congresso Nacional e extinção dos partidos políticos. Ele outorgou uma nova constituição, que lhe conferia o controle total do pode executivo e lhe permitia nomear interventores nos estados, aos quais, Getúlio deu ampla autonomia na tomada de decisões, e previa um novo Legislativo, porém nunca se realizaram eleições no Estado Novo. Esta constituição de 1937 tinha o apelido de “Polaca”, (denominação usada para mostrar que a Constituição Brasileira de 1937 foi amplamente influenciada pela Constituição autoritária da Polônia), e, tinha depreciativamente, o mesmo apelido de uma zona de baixo meretrício no Rio de Janeiro). Na prática a Constituição de 1937 não vigorou, pois, Getúlio governou durante todo o Estado Novo através de decreto-lei e nunca convocou o plebiscito previsto na “Polaca”. Na versão de Francisco Campos que redigiu a “Polaca”, esse foi o erro de Getúlio no Estado Novo: não ter instalado o Poder Legislativo, nem ter se legitimado pelo voto em plebiscito. Como Francisco Campos afirmou que começara a redigir a nova constituição em 1936, suspeita-se que a decisão de dar um golpe de estado foi tomada logo depois da Intentona Comunista em novembro de 1935. O Estado Novo promovia grandes manifestações patrióticas, cívicas e nacionalistas e eram incentivados, pelo Departamento de Imprensa e Propaganda, os apelos patrióticos na imprensa e nos livros didáticos. A guerra na Europa (1939 – 1945) Um conflito desta magnitude não começa sem importantes causas ou motivos. Podemos dizer que vários fatores influenciaram o início deste conflito que se iniciou na Europa e rapidamente se espalhou pela África e Ásia. Um dos mais importantes motivos foi o surgimento, na década de 1930, na Europa, de governos totalitários com fortes objetivos militaristas e expansionistas. Na Alemanha, surgiu o nazismo, liderado por Hitler, e que pretendia expandir o território alemão, desrespeitando o Tratado de Versalhes, inclusive reconquistando territórios perdidos na Primeira Guerra. Na Itália, estava crescendo o Partido Fascista, liderado por Benito Mussolini, que se tornou o Duce da Itália, com poderes sem limites. Tanto a Itália quanto a Alemanha passavam por uma grave crise econômica no início da década de 1930, com milhões de cidadãos sem emprego. Uma das soluções tomadas pelos governos fascistas destes países foi a industrialização, principalmente na criação de

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indústrias de armamentos e equipamentos bélicos (aviões de guerra, navios, tanques etc). Na Ásia, o Japão também possuía fortes desejos de expandir seus domínios para territórios vizinhos e ilhas da região. Estes três países, com objetivos expansionistas, uniram-se e formaram o Eixo. Uma aliança com fortes características militares e com planos de conquistas elaborados em comum acordo. O Início O marco inicial ocorreu no ano de 1939, quando o exército alemão invadiu a Polônia. De imediato, a França e a Inglaterra declararam guerra à Alemanha. De acordo com a política de alianças militares existentes na época, formaram-se dois grupos: Aliados (liderados por Inglaterra, URSS, França e Estados Unidos) e Eixo (Alemanha, Itália e Japão). Desenvolvimento e Fatos Históricos Importantes: •O período de 1939 a 1941 foi marcado por vitórias do Eixo, lideradas pelas forças armadas da Alemanha, que conquistou o Norte da França, Iugoslávia, Polônia, Ucrânia, Noruega e territórios no norte da África. O Japão anexou a Manchúria, enquanto a Itália conquistava a Albânia e territórios da Líbia. •Em 1941, o Japão atacou a base militar norte-americana de Pearl Harbor no Oceano Pacífico (Havaí). Após este fato, considerado uma traição pelos norte-americanos, os estados Unidos entraram no conflito ao lado das forças aliadas. •De 1941 a 1945, ocorreram as derrotas do Eixo, iniciadas com as perdas sofridas pelos alemães no rigoroso inverno russo. Neste período, ocorreu uma regressão das forças do Eixo que sofreram derrotas seguidas. Com a entrada dos EUA, os aliados ganharam força nas frentes de batalha. •O Brasil participou diretamente, enviando para a Itália (região de Monte Cassino) os pracinhas da FEB, Força Expedicionária Brasileira. Os cerca de 25 mil soldados brasileiros conquistaram a região, somando uma importante vitória ao lado dos Aliados. Final e Consequências Este importante e triste conflito terminou somente no ano de 1945, com a rendição da Alemanha e da Itália. O Japão, último país a assinar o tratado de rendição, ainda sofreu um forte ataque dos Estados Unidos, que despejou bombas atômicas sobre as cidades de Hiroshima e Nagazaki. Uma ação desnecessária que provocou a morte de milhares de cidadãos japoneses inocentes, deixando um rastro de destruição nestas cidades. Bomba Atômica explode na cidade japonesa de Hiroshima Os prejuízos foram enormes, principalmente para os países derrotados. Foram milhões de mortos e feridos, cidades destruídas, indústrias e zonas rurais arrasadas e dívidas incalculáveis. O racismo esteve presente e deixou uma ferida grave, principalmente na Alemanha, onde os nazistas mandaram para campos de concentração e mataram aproximadamente seis milhões de judeus. Com o final do conflito, em 1945, foi criada a ONU (Organização das Nações Unidas), cujo objetivo principal seria a manutenção da paz entre as nações. Inicia-se também um

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período conhecido como Guerra Fria, colocando agora, em lados opostos, Estados Unidos e União Soviética. Uma disputa geopolítica entre o capitalismo norte-americano e o socialismo soviético, onde ambos buscavam ampliar suas áreas de influência sem entrar em conflitos armados. Fonte: http://www.suapesquisa.com/segundaguerra/

O Brasil e a II Guerra Inicialmente, o Brasil assumiu uma posição de neutralidade. Mas o envolvimento dos EUA no conflito e o ataque a navios brasileiros por parte da marinha alemã exigiram uma postura radical de Vargas contra as nações do eixo. 1944 O Brasil teve uma importante participação no conflito, com destaque para a vitória do nosso exército na batalha de Monte Castelo na Itália.

Fato Importante: iInternamente, os últimos anos do Estado Novo foram marcados por fortes pressões contra Vargas, exigindo-se a redemocratização do Brasil. (1945-1964) REPÚBLICA NOVA - Época marcada por importantes mudanças na economia e na sociedade brasileira. No mundo, foi estabelecida uma situação de grande tensão política entre as principais potências. Os EUA e a URSS passaram a liderar uma nova “GUERRA”, que ficou conhecida como Guerra Fria.

1- GOVERNO DUTRA - PSD - (1945 – 1950) Dutra foi o primeiro presidente eleito pelo voto direto após o Estado Novo. Durante o seu governo, houve uma grande abertura da nossa economia para os produtos americanos. Era o american way of life. A sutileza da guerra fria fazia da coca-cola, do hamburguer e da brilhantina grandes aliados na defesa do estilo de vida capitalista. O american way of life

A GUERRA FRIA Texto para análise Guerra Fria é a designação atribuída ao período histórico de disputas estratégicas e conflitos indiretos entre os Estados Unidos e a União Soviética, compreendendo o período entre o final da Segunda Guerra Mundial (1945) e a extinção da União Soviética (1991).

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Uma parte dos historiadores defende que esta foi uma disputa entre o capitalismo, representado pelos EUA e o socialismo, defendido pela União Soviética (URSS). Entretanto, as disputas durante a Guerra Fria foram muito mais amplas e conplexas. É chamada “fria” porque não houve uma guerra direta entre as superpotências, dada a inviabilidade da vitória em uma batalha nuclear. A corrida pela construção de um grande arsenal de armas nucleares foi central durante a primeira metade da Guerra Fria, estabilizando-se na década de 1960 até à década de 1970 e sendo reativada nos anos 1980 com o projeto do presidente estadunidense Ronald Reagan “Guerra nas Estrelas”. Dada a impossibilidade da resolução do confronto no plano estratégico, pela via tradicional da guerra aberta e direta que envolveria um confronto nuclear; as duas superpotências passaram a disputar poder de influência política, econômica e ideológica em todo o mundo. Este processo se caracterizou pelo envolvimento dos Estados Unidos e União Soviética em diversas guerras regionais, onde cada potência apoiava um dos lados em guerra. Estados Unidos e União Soviética não apenas financiavam lados opostos no confronto, disputando influência político-ideológica, mas também para mostrar o seu poder de fogo e reforçar as alianças regionais. A Guerra da Coreia (1950-1953), a Guerra do Vietnã (1962-1975) e a Guerra do Afeganistão(1979-1989) são os conflitos mais famosos da Guerra Fria. Além da famosa tensão na Crise dos mísseis em Cuba (1962) e, também na América do Sul, a Guerra das Malvinas (1982). Entretanto, durante todo este período, a maior parte dos conflitos locais, guerras civis ou guerras inter-estatais foi intensificado pela polarização entre EUA e URSS. Esta polarização dos conflitos locais entre apenas dois grandes pólos de poder mundial, é que justifica a caracterização da polaridade deste período como bipolar. Principalmente porque, mesmo que tenham existido outras potências regionais entre 1945 e 1991, apenas EUA e URSS tinham capacidade nuclear de segundo ataque, ou seja, capacidade de disuasão nuclear. Norte-americanos e soviéticos travaram uma luta ideológica, política e econômica durante esse período. Se um governo socialista fosse implantado em algum país do Terceiro Mundo, o governo norte-americano entendia como uma ameaça à sua hegemonia; se um movimento popular combatesse um governo aliado aos EUA, logo poderia ser visto com simpatia pelo soviético e receber apoio.

A POLÍTICA INTERNA DE DUTRA Internamente, Dutra promoveu um plano econômico, voltado para investimentos em infraestrutura, batizado de Plano SALTE: O objetivo do Plano SALTE era estimular o desenvolvimento de setores estratégicos, como a Saúde, a Alimentação, o Transporte e a Energia. Os recursos para a sua execução vieram de empréstimos externos e do próprio governo. O endividamento do país terminou por provocar uma grande inflação, prejudicando a economia e fazendo cair a popularidade do presidente Dutra. 24


A VOLTA DE VARGAS AO PODER - 1950 O segundo Governo Vargas foi marcado por uma política desenvolvimentista e nacionalista. Obs. A política nacionalista do Governo Vargas não agradava aos EUA, devido principalmente à sua aproximação com os comunistas do PCB e com o movimento sindical.

O POPULISMO Historicamente, o populismo se identifica com certos fenômenos políticos típicos da América Latina, principalmente a partir dos anos 30, estando associado à industrialização, à urbanização e à dissolução das estruturas políticas oligárquicas, que concentravam firmemente o poder político na mão de aristocracias rurais. Daí a gênese do populismo, no Brasil, estar ligada à Revolução de 1930, que derrubou a República Velha oligárquica, colocando no poder Getulio Vargas, que viria a ser a figura central da política brasileira até seu suicídio em 1954. Sua característica básica é o contato direto entre as massas urbanas e o líder carismático (caudilho), supostamente sem a intermediação de partidos ou corporações. MAIOR EXEMPLO DE POLÍTICA NACIONALISTA DO SEGUNDO GOVERNO VARGAS - A campanha “O Petróleo é Nosso”, que deu origem à PETROBRÁS O petróleo é nosso! Esta frase tornou-se famosa ao ser pronunciada, por ocasião da descoberta do petróleo baiano, pelo então presidente da república, Getúlio Vargas, e mais adiante seria escolhida como o lema da Campanha do Petróleo, patrocinada pelo Centro de Estudos e Defesa do Petróleo e Carlos Lacerda – Principal opositor de Vargas

O CRIME DA RUA TONELEROS. Esse crime foi um atentado contra Carlos Lacerda, que provocou a morte do Major Vaz. O efeito imediato do crime foi um aumento radical da pressão contra Vargas. Aliando-se aos demais problemas, como as denúncias que já existiam e a crise política e institucional, o crime da rua Toneleros propiciou a diminuição do apoio das forças armadas em relação ao Governo Vargas. Esse fato permitiu que a ameaça de um golpe se fortalecesse e o presidente passou a não ter muitas alternativas políticas. No dia 24 de agosto de 1954, toda essa crise teve um fim trágico. O presidente Vargas se suicidou com um tiro no peito, deixando uma carta-testamento que tentava justificar sua atitude e acusava a oposição pelo ocorrido.

CARTA-TESTAMENTO DE VARGAS “Mais uma vez, as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se

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desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes. (...) Não querem que o povo seja independente. Assumi o Governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, desvalorizou-se o nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia, a ponto de sermos obrigados a ceder. Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo, que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar, a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida. Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o perdão. E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate. Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História.” Getúlio Vargas

Texto para aprofundamento SUICÍDIO DE GETÚLIO PÔS FIM À ERA VARGAS Renato Cancian (http://educacao.uol.com.br/historia-brasil/ult1689u62.jhtm) Em 1951, Getúlio Vargas retornou a presidência da República, dessa vez por meio do voto popular. Vargas se candidatou pelo PTB e recebeu apoio do Partido Social Progressista (PSP), vencendo o pleito de 1950 com 48,7% dos votos. O segundo mandato presidencial de Getúlio Vargas foi marcado por importantes iniciativas nas áreas social e econômica.

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Na fase final do seu governo, porém, as pressões de grupos oposicionistas civis e militares desencadearam uma aguda crise política que levou Vargas a interromper seu mandato com um ato que atentou contra sua própria vida: o suicídio. Nacionalismo e intervencionismo Sem dúvida, um dos maiores legados do varguismo foi a implementação de um projeto desenvolvimentista baseado na forte presença do Estado em áreas consideradas cruciais para o desenvolvimento do país. Atuando como regulador ou empreendedor de certas atividades econômicas, a intervenção estatal tinha por objetivo estimular a industrialização e modernização do país. Este tipo de política desenvolvimentista começou a ser posta em prática na década de 1930, e praticamente todos os governos que vieram depois adotaram algum tipo de planejamento econômico, conferindo ao Estado papel preponderante e central. Foi com esse objetivo que, em seu segundo mandato, Vargas elaborou uma política desenvolvimentista baseada no fortalecimento da indústria de base: siderurgia, petroquímica, energia e transportes. No primeiro ano de seu governo, Vargas estabeleceu o monopólio estatal sobre o petróleo, a partir de uma campanha de cunho nacionalista que recebeu forte apoio popular. A campanha foi denominada de “O petróleo é nosso” e conseguiu galvanizar o apoio do povo ao governo federal. A partir dela, criou-se a empresa estatal Petrobrás, que monopolizou as atividades de exploração e refino do todas as reservas de petróleo encontrado em território brasileiro. Populismo e dominação de classe Umas das principais características políticas do período histórico que abrange o segundo governo de Getúlio Vargas até a queda do governo João Goulart, em 1964, foi o “populismo”. O populismo foi um fenômeno que vigorou em praticamente todos os países do continente latino-americano. De forma sintética, podemos entender o fenômeno do populismo a partir da relação entre o Estado e a sociedade num contexto de regime democrático, onde os líderes políticos e governantes buscam o apoio popular para obterem vitórias eleitorais e implementar seus projetos políticos. A contrapartida dessa política é concessão de benefícios econômicos e sociais para as camadas populares mobilizadas. Em seu aspecto pejorativo ou alienante, o populismo pode ser caracterizado também como política demagógica de manipulação das classes sociais subalternas, porque seu êxito depende da quase completa desorganização das massas populares, que preferem confiar a defesa de seus interesses e aspirações a líderes políticos carismáticos. As massas populares se prestavam à manipulação devido à pouca experiência de participação política e familiaridade com o sistema de sufrágio eleitoral. Modernização acelerada O acelerado processo de modernização do país provocou vertiginosas ondas migratórias do campo para as cidades, fazendo surgir um expressivo contingente de trabalhadores urbanos, ou seja, operariado e classe médias. Foram essas classes sociais que formaram

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a base de sustentação do populismo. Enquanto os governantes e líderes políticos foram capazes de controlar essas camadas sociais, e o Estado foi capaz de responder plenamente às demandas populares, o populismo funcionou de forma estável. O governo Vargas, porém, se deparou com situações em que a necessidade de implementação de reformas econômicas e projetos desenvolvimentistas comprometeram a capacidade do Estado de fornecer respostas adequadas aos anseios e interesses populares, como por exemplo, aumento de salários, direitos sociais, etc. Por outro lado, diversos setores das camadas populares, principalmente o operariado, passaram a se organizar autonomamente, dificultando a manipulação política de seus interesses por líderes demagógicos. Quando assumiu a presidência da República, Vargas se deparou com um operariado que rapidamente se reorganizava e buscava definir seus interesses e agir autonomamente. No transcurso de seu governo, inúmeras greves de trabalhadores e movimentos sociais tendo como motivação básica exigências de aumento salariais e denúncias do alto custo de vida ocorreram por todo o país.

A crise política A ascensão e a radicalização dos movimentos populares, fora do controle estatal, são considerados os principais fatores desencadeadores da crise política que levaria ao fim o governo Vargas. De acordo com essa linha interpretativa, as classes dominantes ficaram temerosas com o avanço dos movimentos populares e discordaram do modo como o governo respondeu às exigências e demandas sociais que irromperam no cenário político da época. A oposição ao governo varguista foi crescendo paulatinamente à medida em que o país era agitado por manifestações de protesto e greves trabalhistas. Críticas e pressões oposicionistas minaram rapidamente a estabilidade governamental. Na área da política institucional, os principais grupos oposicionistas ao governo de Getúlio Vargas faziam parte da União Democrática Nacional (UDN), que o acusava constantemente de planejar um golpe em conluio com líderes sindicais, objetivando criar um regime socialista no país. Na área da imprensa, o antigetulismo ganhou força com a atuação do jornalista Carlos Lacerda, que em seus pronunciamentos e artigos denunciava recorrentes casos de corrupção e desmandos administrativos do governo federal. O presidente se defendia das críticas, argumentando que grupos subalternos, ligados a interesses internacionais e nacionais, haviam se unido na tentativa de impedir que o governo avançasse na área de proteção ao trabalho, de limitações de remessa de lucros das empresas multinacionais para o estrangeiro e de fortalecimento das empresas públicas, sobretudo aquelas ligadas à área de energia. Crime da rua Toneleros Em 1954, a crise política desestabilizou o governo Vargas. No início do ano, o então ministro do Trabalho, João Goulart, concedeu um aumento salarial de 100% aos que

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recebiam salário mínimo. As pressões de grupos oposicionistas contrárias à medida foram tão violentas que o governo recuou, e o ministro João Goulart foi obrigado a renunciar ao cargo. O episódio desencadeador da crise final do governo Vargas ocorreu com o atentado fracassado contra a vida do jornalista Carlos Lacerda. Esse episódio ficou conhecido como “o crime da rua Toneleros”. Carlos Lacerda apenas se feriu, mas o major da aeronáutica, Rubens Vaz, morreu. Nunca foi esclarecido quem foi o mentor do atentado. É sabido, no entanto, que pessoas ligadas a Getúlio estavam envolvidas. As investigações revelaram que o responsável pela tentativa de assassinato foi Gregório Fortunato, principal guarda-costas do presidente Getúlio Vargas. O suicídio de Getúlio Depois do episódio da rua Toneleros, os grupos oposicionistas exigiram o afastamento de Vargas da presidência da República. Setores das Forças Armadas e da sociedade civil se uniram aos grupos de oposição e exigiram que Vargas renunciasse. No dia 24 de agosto, um ultimato dos generais, assinado pelo ministro da Guerra, Zenóbio da Costa, foi entregue a Vargas. O presidente se encontrava no Palácio do Catete, quando redigiu uma carta-testamento e suicidou-se com um tiro no peito. O impacto provocado pela notícia do suicídio de Vargas e pela divulgação da carta-testamento foi intenso e acabou se voltando contra a oposição. Grandes manifestações populares de apoio ao ex-presidente estouraram em várias cidades do país. Comícios organizados por líderes sindicais e políticos ligados ao getulismo responsabilizavam a UDN e o governo norte-americano pelo fim dramático de Getúlio. Órgãos de imprensa, como o jornal “O Globo”, entre outros, e a embaixada dos Estados Unidos foram alvo de ataques populares. Greves de trabalhadores também ocorreram como forma de protesto. Depois de algumas semanas, as manifestações e agitações populares cessaram. Com a morte de Vargas, assumiu o governo o vice-presidente Café Filho, que ficou encarregado de completar o mandato até o fim de 1955. O suicídio de Vargas, porém, acabou sendo muito explorado, tanto por políticos que o apoiavam como por grupos da oposição, nas disputas eleitorais legislativas e presidencial.

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1956: ELEIÇÃO DE JK (PSD) Juscelino Kubitschek foi eleito Presidente da República, em 3 de outubro de 1955, com 36% dos votos válidos, através da aliança PSD-PTB. Joaõ Goulart, conhecido como Jango, foi eleito vice. JK desenvolveu uma política desenvolvimentista. Assim, criou o PLANO DE METAS (baseado no slogan de campanha, 50 anos em 5). A abertura da nossa economia para a entrada de empresas estrangeiras (norteamericanas, por exemplo) foi uma das características do desenvolvimentismo de JK. OBS:O desenvolvimento do capitalismo brasileiro, segundo JK, estava associado ao desenvolvimento do capitalismo internacional, principalmente os EUA. Por isso, JK não foi um político nacionalista e abriu nossa economia para a chegada das multinacionais de grande porte. No plano internacional, Juscelino procurou estreitar as relações entre o Brasil e os Estados Unidos da América, ciente de que isso ajudaria na implementação de sua política econômica industrial e na preservação da democracia brasileira. Formulou a Operação Pan-americana, iniciativa diplomática em que solicitava apoio dos Estados Unidos ao desenvolvimento da América do Sul, como forma de evitar que o continente americano fosse assolado pelo fantasma do comunismo. As metas básicas do Plano de JK 1.Energia 2.Transportes 3.Alimentação 4.Indústria de base 5.Educação

Texto para análise OS ANOS JK Juscelino foi o último presidente da República a assumir o cargo no Palácio do Catete. Foi empossado em 31 de janeiro de 1956, e, governou por 5 anos, até 31 de janeiro de 1961. Seu vice-presidente, eleito também em 3 de outubro de 1955, foi João Goulart. O Plano de Metas Em seu mandato presidencial, Juscelino lançou o Plano Nacional de Desenvolvimento, também chamado de Plano de Metas, que tinha o célebre lema “Cinquenta anos em cinco”. O plano tinha 31 metas distribuídas em 5 grandes grupos: Energia, Transportes, Alimentação, Indústria de base, Educação, e, a meta principal ou meta-síntese: Brasília. O

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Plano de Metas visava estimular a diversificação e o crescimento da economia brasileira, baseado na expansão industrial e na integração dos povos de todas as regiões do Brasil através da nova capital localizada no centro do território brasileiro, na região do Brasil Central. A estratégia do Plano de Metas era corrigir os “pontos de entrangulamento” da economia brasileira, em termos atuais “reduzir o custo brasil”, que poderiam estancar o crescimento econômico brasileiro (por falta de estradas e energia elétrica) e reduzir a dependência das importações, no processo chamado de “substituição de importações”, já que o Brasil padecia de uma crônica falta de divisas externas (dólares).A convivência democrática Outro fato importante do governo de JK foi a manutenção do regime democrático e da estabilidade política, que gerou um clima de confiança e de esperança no futuro entre os brasileiros. Teve grande habilidade política para conciliar os diversos setores da sociedade brasileira, mostrando-lhes as vantagens de cada setor dentro da estratégia de desenvolvimento de seu governo. Seu maior adversário foi Carlos Lacerda, com o qual se reconciliou posteriormente. Juscelino não permitiu o acesso de Carlos Lacerda à televisão durante todo o seu governo. Juscelino confessou a Lacerda, depois, que se tivesse deixado Lacerda ter acesso a televisão, este o derrubaria. A Economia brasileira e as obras realizadas O governo de Juscelino Kubitschek usou uma plataforma nacional desenvolvimentista, o Plano de Metas, lançado em 1956, e permitiu a abertura da economia brasileira ao capital estrangeiro. Isentou de impostos de importação as máquinas e equipamentos industriais, assim como liberou a entrada de capitais externos em investimentos de risco, desde que associados ao capital nacional (“capital associado”). Para ampliar o mercado interno, o plano ofereceu uma generosa política de crédito ao consumidor. JK promoveu a implantação da indústria automobilística com a vinda de fábricas de automóveis para o Brasil, promoveu a indústria naval, a expansão da indústria pesada, a construção de usinas siderúrgicas e de grande usinas hidrelétricas, como a Furnas localizda em São João da Barra e a Três Marias. A construção de Furnas foi iniciada em 1957 e concluída em 1963. Furnas formou um dos maiores lagos artificiais do mundo que banha 34 municípios mineiros e que ficou conhecido como o “Mar de Minas Gerais”. Abriu as rodovias transregionais que uniram todas as regiões do Brasil, antes sem ligação rodoviária entre elas. Aumentou a produção de petróleo da Petrobrás. Com exceção das empresas de energia hidrelétrica, Juscelino praticamente não criou nenhuma empresa estatal. Em 15 de dezembro de 1959, JK criou a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste, Sudene, para integrar a região ao mercado nacional. Também em 1959, Juscelino rompeu com o FMI por não aceitar a reforma cambial pedida pelo FMI. Comprou, em 1956, para a Marinha do Brasil, o seu primeiro porta-aviõe. Entre 1959 e 1960, houve uma crise na obra de construção de Brasília. As verbas haviam acabado e JK entendia que não poderia terminar o governo sem construir Brasília. JK

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rompeu com o FMI, pois este havia proposto reformas econômicas que não seguiam o seu modelo de governo, e, sendo assim, precisou agir de outra forma para conseguir o capital para terminar Brasília. JK emitiu títulos da dívida pública e cartas precatórias. Estas consistem em papéis negociados na bolsa de valores para se conseguir capital de curto prazo. JK vendeu esses papéis com deságio, ou seja, com um preço abaixo do valor de mercado que poderia ser recuperado posteriormente em um prazo de 5 anos. Com isso, JK conseguiu dinheiro para terminar a construção de Brasília. Isso, no entanto, fez com que JK fosse acusado de inviabilizar os próximos governos do país, por aumentar a dívida pública federal.

1960: Vitória de Jânio Quadros (UDN) Obs. A consolidação da Revolução Cubana ameaça os interesses dos EUA, acirrando ainda mais o clima de disputa da Guerra Fria.

JANGO (PTB) – VICE. Jango não era aceito pelas elites. Existia o medo da cubanização do Brasil.

Texto para análise JÂNIO QUADROS Foi eleito presidente em 3 de outubro de 1960, pela coligação PTN-PDC-UDN-PR-PL, para o mandato de 1961 a 1966, com 5,6 milhões de votos - a maior votação até então obtida no Brasil - vencendo o marechal Henrique Lott de forma arrasadora, por mais de dois milhões de votos. Porém não conseguiu eleger o candidato a vice-presidente de sua chapa, Milton Campos (naquela época votava-se separadamente para presidente e vice). Quem se elegeu para vice-presidente foi João Goulart, do Partido Trabalhista Brasileiro. Os eleitos formaram a chapa conhecida como chapa Jan-Jan. Qual a razão do sucesso de Jânio Quadros? Castilho Cabral, presidente do antigo Movimento Popular Jânio Quadros, sempre se perguntava por que esse moço desajeitado conseguiu realizar, em menos de quinze anos, uma carreira política inteira - de vereador a Presidente da República - que não tem paralelo na história do Brasil. Jânio não alcançou o poder na crista de uma revolução armada, como Getúlio Vargas. Não era rico, não fazia parte de algum clã, não tinha padrinhos, não era dono de jornal, não tinha dinheiro, não era ligado a grupo econômico, não servia aos Estados Unidos nem à Rússia, não era bonito, nem simpático. O que era, então, Jânio Quadros? Um político carismático e populista que conquistou o eleitor com sua campanha em favor da moralidade pública, combatendo a corrupção, como demonstra o símbolo da sua campanha: OBS: A renúncia de Jânio continua a ser um tema bastante polêmico. Os estudos históricos revelam, porém, que Jânio tentou uma jogada política, buscando mais apoio dos partidos e da sociedade. Ele acreditava que o fato de muitos não aceitarem Jango iria lhe dar mais poderes, ou seja, nossas elites e grande parte dos partidos iriam pedir para ele não

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renunciar. Contudo, isso não aconteceu.

GRANDE APOSTA DE JANGO Conquistar um grande apoio popular, utilizando um programa de governo baseado em REFORMAS para o povo, pois assim as elites e militares pensariam duas vezes antes de dar um golpe, já que haveria apoio popular para Jango. Essas reformas ficaram conhecidas como REFORMAS DE BASE, contidas no PLANO TRIENAL. Março de 1964: Grande comício em defesa de Jango e das reformas de base. Comício da central do Brasil.

Comício da central do Brasil Reação da oposição: Passeata, A MARCHA DA FAMÍLIA COM DEUS PELA LIBERDADE.

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MARCHA DA FAMÍLIA COM DEUS PELA LIBERDADE Texto para análise A CRISE DO GOVERNO JANGO O Golpe Militar de 1964 designa o conjunto de eventos ocorridos em 31 de março de 1964 no Brasil, e que culminaram no dia 1 de abril de 1964 em um golpe de estado. Todavia, para a maioria dos militares, chamar o golpe de Revolução de 1964 estaria associado à ideia de futuro, de esperança e de um tempo melhor, algo prometido para a população. Esse golpe encerrou o governo do presidente João Belchior Marques Goulart, também conhecido como Jango, que havia sido democraticamente eleito vice-presidente pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) – na mesma eleição que conduziu Jânio da Silva Quadros à presidência pela União Democrática Nacional (UDN). Jânio renunciou ao mandato no mesmo ano de sua posse (1961) e quem deveria substituí-lo automaticamente e assumir a Presidência era João Goulart, segundo a Constituição vigente à época, promulgada em 1946. Porém este se encontrava em uma viagem diplomática na República Popular da China. Militantes então acusaram Jango de ser comunista e o impediram de assumir seu lugar como mandatário no regime presidencialista. Depois de muita negociação, lideradas principalmente pelo cunhado de Jango, Leonel de Moura Brizola, na época governador do Rio Grande do Sul, os apoiadores de Jango e a oposição acabaram fazendo um acordo político pelo qual se criaria o regime parlamentarista, passando então João Goulart a ser chefe-de-Estado. Em 1963, porém, houve um plebiscito, e o povo optou pela volta do regime presidencialista. João Goulart, finalmente, assumiu a presidência da República com amplos poderes, e durante seu governo tornaram-se aparentes vários problemas estruturais na politica brasileira, acumulados nas décadas que precederam o golpe e disputas de natureza internacional, que desestabilizaram o seu governo. O Golpe de 1964 submeteu o Brasil a um regime alinhado politicamente os Estados Unidos da América. O regime militar durou até 1985, quando tivemos a posse de Jose Sarney na presidência. 31 de março para 01 de abril: Golpe Militar – Início da Ditadura

(1964 - 1965) A DITADURA MILITAR NO BRASIL 1ª. - Junta militar Ato Institucional Nº 1 ( AI – 1 ) - Ato que modifica a constituição, estabelecendo eleição indireta para presidente. 34


OS AI`S – ATOS INSTITUCIONAIS Castelo Branco – Primeiro Presidente FOI CRIADO O BIPARTIDARISMO CARACTERÍSTICAS GERAIS DA DITADURA: 1

- Políticos cassados

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- Grande Repressão

* Mortos

Destaque para as ações dos órgãos de repressão:

* Torturados

DOI-CODI, DOPS, CCC

* Desaparecidos 3

- Censura

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- Intensa propaganda oficial do governo.

Governo Costa e Silva – A vitória da linha dura Os militares indicaram Costa e Silva para a presidência da República. Esse fato representou o estabelecimento de uma situação de maior repressão. Tal atitude dos militares foi motivada, entre outros fatores, pela reação armada de parte da esquerda brasileira. OBS.1: Existiu a operação “Brother Sam”: o apoio dos EUA ao golpe militar, apoio logístico aos militares, caso estes enfrentassem uma longa resistência por parte de forças leais a Jango. OBS.2: Parte da esquerda resolveu pegar em armas, promovendo técnicas de guerrilha rural e urbana. Ex: MR-8, PCBR, PC do B, ALN FATO- Surgiu a Frente Ampla para lutar contra a ditadura. Tal frente era liderada por Jango, JK e Carlos Lacerda. Esses dois últimos haviam apoiado o golpe, mas mudaram de opinião quando perceberam que a ditadura seria longa e extremamente violenta. Resposta de Costa e Silva - Decretação do AI-5 (1968). O AI-5 foi uma resposta à passeada dos 100mil e ao discurso do deputado Márcio Moreira Alves, que pediu à população para não ir ao desfile de 7 de setembro, em protesto às mortes que estavam ocorrendo como a do estudante Edson Luís. Em seu discurso, o deputado pedia para que ninguém fosse ao desfile e estimulava a realização de greves, até por parte das mulheres dos militares.

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APROFUNDAMENTO - OS PRINCIPAIS ATOS INSTITUCIONAIS ATO INSTITUCIONAL Nº 1 (AI-1) Redigido por Francisco Campos, foi editado em 9 de abril de 1964 pela junta militar. Passou a ser designado como Ato Institucional Número Um, ou AI-1, somente após a divulgação do AI-2. Com 11 artigos, o AI-1 dava ao governo militar o poder de alterar a constituição, cassar mandatos legislativos, suspender direitos políticos por dez anos e demitir, colocar em disponibilidade ou aposentar compulsoriamente qualquer pessoa que tivesse atentado contra a segurança do país, o regime democrático e a probidade da administração pública. Determinava eleições indiretas para a presidência da República no dia 11 de abril, tendo o mandato do presidente término em 31 de janeiro de 1966, quando expiraria a vigência do ato. ATO INSTITUCIONAL Nº 2 (AI-2) Com 33 artigos, o ato instituiu a eleição indireta para presidente da República, dissolveu todos os partidos políticos, aumentou o número de ministros do Supremo Tribunal Federal de 11 para 16, reabriu o processo de punição aos adversários do regime, estabeleceu que o presidente poderia decretar estado de sítio por 180 dias sem consultar o Congresso, intervir nos estados, decretar o recesso no Congresso, demitir funcionários por incompatibilidade com o regime e baixar decretos-lei e atos complementares sobre assuntos de segurança nacional. O Ato Complementar (AC) nº 1 estabeleceu as sanções a serem estabelecidas contra as pessoas com direitos políticos cassados que se manifestassem politicamente, o que passou a ser qualificado como crime. O AC 2 estabeleceu, em 1 de novembro, disposições transitórias até serem constituídos os tribunais federais de primeira instância, enquanto o AC 3, no mesmo dia, determinava as formalidades para a aplicação da suspensão de direitos políticos e garantias constitucionais. O AC 4, em 20 de novembro estabeleceu a nova legislação partidária, fixando os dois partidos políticos que poderiam existir: Aliança Renovadora Nacional (Arena) e Movimento Democrático Brasileiro (MDB). ATO INSTITUCIONAL Nº 3 (AI-3) Em 5 de fevereiro de 1966, o presidente Castelo Branco editou o Ato Institucional Número Três, ou AI-3, que estabelecia eleições indiretas para governador e vice-governador e que os prefeitos das capitais seriam indicados pelos governadores, com aprovação das assembléias legislativas. Estabeleceu o calendário eleitoral, com a eleição presidencial em 3 de outubro e em 15 de novembro para o Congresso. Com a pressão do governo, somada às cassações de deputados estaduais, a ARENA elegeu 17 governadores. No dia 3 de outubro, foi eleito para presidente o marechal Artur da Costa e Silva, ministro da Guerra de Castelo Branco, e para vice, Pedro Aleixo, deputado federal eleito pela UDN, então na Arena. O MDB se absteve de votar nas eleições em protesto. No dia 12 de outubro, foram cassados 6 deputados do MDB, entre os quais Sebastião Pais

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de Almeida, do antigo PSD, e Doutel de Andrade, do antigo PTB. No dia 20 de outubro, foi editado o AC 24, estabelecendo recesso parlamentar até 22 de novembro. Em 15 de novembro, foram feitas as eleições legislativas, ficando a Arena com 277 cadeiras contra 132 do MDBR. ATO INSTITUCIONAL Nº 4 (AI- 4) Baixado por Castelo Branco em 7 de dezembro de 1966, o Ato Institucional Número Quatro, ou AI-4, convocou o Congresso Nacional para a votação e promulgação da Constituição de 1967.Projeto de Constituição, que revogaria definitivamente a Constituição de 1946. ATO INSTITUCIONAL Nº 5 (AI-5) Em 1968, reações mais significativas ao regime militar começaram a surgir. O Ato Institucional Número Cinco, ou AI-5, foi a contra-reação. Representou um significativo endurecimento do regime militar. Foi editado no dia 13 de dezembro, uma sexta-feira que ficou marcada para a história contemporânea brasileira. Este ato incluía a proibição de manifestações de natureza política, além de vetar o “habeas corpus” para crimes contra a segurança nacional (ou seja, crimes políticos). Entrou em vigor em 13 de dezembro de 1968. O Ato Institucional Número Cinco (Ai5), concedia ao Presidente da Republica enormes poderes, tais como: fechar o Congresso Nacional; demitir, remover ou aposentar quaisquer funcionários; cassar mandatos parlamentares; suspender por dez anos os direitos políticos de qualquer pessoa; decretar estado de sítio; julgamento de crimes políticos por tribunais militares, etc.

A CONTRA CULTURA NO MUNDO E NO BRASIL 1968 - A CONTRACULTURA Movimento liderado por jovens que não queriam pertencer àquela cultura conservadora, certinha. “VIVA A SOCIEDADE ALTERNATIVA!”. Isso no mundo todo, sobretudo na França e nos EUA. Todos os movimentos como “Woodstock” prejudicavam os interesses da ditadura, pois pregavam a paz, não à violência. As imagens da guerra do Vietnã prejudicaram os EUA , que apoiavam as ditaduras na América Latina. No final dos anos 60, o movimento de contracultura revolucionava os costumes e exigia a paz. No Brasil, esse movimento repercutiu na “Tropicália” e em músicos como Raul Seixas. Esse fato foi mais um foco de resistência contra a ditadura. Obs. Logo após o AI-5, Costa e Silva teve um grande problema de saúde e deixou o governo. O vice de Costa e Silva era Pedro Aleixo, mas não pôde assumir porque não apoiou o AI5. Nesse contexto, foi feito o Golpe dentro do Golpe e uma nova Junta Militar assumiu o poder.

1969: Junta Militar no poder

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*Indicação de Médici para presidente (1969-1974), os piores anos de repressão política, os mais duros.

Governo Médici - “Os anos de chumbo da ditadura” A luta armada da esquerda foi um pretexto para os militares agirem com mais tortura e mais violência. Não somente as letras políticas foram censuradas, mas também artistas como Odair José, por cantar músicas consideradas imorais. O governo reagiu com violentíssima repressão, promovida contra opositores. O crescimento econômico, que ficou conhecido como o Milagre Brasileiro, foi uma das marcas do governo. Uma época de intensa propaganda política: Obs. Essa propaganda foi valorizada com a vitória do Brasil na Copa de 70, que abriu ainda mais espaço para o nacionalismo ufanista. 1973/1974 - Grave crise internacional Teve início em 1973, em protesto pelo apoio prestado pelos Estados Unidos a Israel durante a Guerra do Yom Kippur (conflito militar ocorrido em 1973, entre uma coalizão de estados árabes liderados por Egipto e Síria contra Israel. A guerra começou com um ataque conjunto surpresa pelo Egipto e Síria no feriado judaico de Yom Kipur.), tendo os países árabes organizados na OPEP aumentado o preço do petróleo em mais de 300%.

Governo Geisel (1974-1979) Político de linha moderada (o que não quer dizer que não tenha sido um ditador),iniciou um processo de abertura (redemocratização), desde que fosse “LENTA, GRADUAL E SEGURA”. Na verdade, Geisel sofreu pressão dos dois lados, da linha dura, para não fazer a abertura, e da oposição, como os movimentos sociais e o MBD, querendo uma abertura mais rápida. Fato: Fortalecimento da oposição. Ex: Vitória Eleitoral do MDB. Essa vitória do MDB punha em risco o projeto de transição lenta e gradual, pois o MDB queria um processo mais rápido.Geisel, então, muda a lei, a fim de diminuir a esfera de influência dos opositores. Essas mudanças ficaram conhecidas como o “Pacote de Abril”, um conjunto de medidas modificando a legislação, favorecendo o governo e a ARENA.

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A MÚSICA POPULAR BRASILEIRA NA LUTA PELA DEMOCRACIA O Bêbado e A Equilibrista Composição: João Bosco e Aldir blanc Caía a tarde feito um viaduto E um bêbado trajando luto Me lembrou Carlitos... A lua Tal qual a dona do bordel Pedia a cada estrela fria Um brilho de aluguel E nuvens! Lá no mata-borrão do céu Chupavam manchas torturadas Que sufoco! Louco! O bêbado com chapéu-coco Fazia irreverências mil Prá noite do Brasil. Meu Brasil!... Que sonha com a volta Do irmão do Henfil. Com tanta gente que partiu Num rabo de foguete Chora! A nossa Pátria Mãe gentil Choram Marias E Clarisses No solo do Brasil... Mas sei, que uma dor Assim pungente Não há de ser inutilmente A esperança... Dança na corda bamba De sombrinha E em cada passo Dessa linha Pode se machucar... Asas! A esperança equilibrista Sabe que o show De todo artista Tem que continuar...

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Campanha da Anistia (perdão) A oposição se mobilizou pela absolvição dos crimes políticos, promovendo a Campanha da Anistia.

Texto para análise A CAMPANHA DA ANISTIA LEI DA ANISTIA FOI PROCESSO DE 4 ANOS Cláudia Trevisan e Patrícia Zorzan Extraído do site do Jornal Folha de São Paulo em 26/08/99 A anistia formalizada no Brasil em 28 de agosto de 1979 começou a ser gestada pelo menos quatro anos antes, com a mistura de quatro ingredientes básicos: a vitória da oposição nas eleições de 74, o crescimento da pressão popular e a determinação do próprio regime militar de realizar uma abertura lenta e gradual. O primeiro ato da abertura foi encenado no governo Ernesto Geisel (1974-79), sucessor de Emílio Garrastazu Médici (1969-74), o presidente dos anos mais duros do ciclo inaugurado em 1964. Junto com a faixa que passou a João Baptista Figueiredo (1979-85), Geisel entregou duas medidas consideradas uma espécie de prévia da anistia: a revogação de todos os atos institucionais, inclusive o AI-5, feita pela Emenda Constitucional nº 11, e o abrandamento das penas previstas na Lei de Segurança Nacional. O país que Figueiredo recebeu também era bem diferente daquele do “milagre econômico” de Médici, no qual o crescimento médio anual da economia era de 11,2% e a inflação anual não superava o patamar de 19% ao ano. No primeiro ano da gestão Figueiredo, a inflação já estava em 77% e a taxa de crescimento havia sido reduzida a 6,8%. “A conjuntura econômica já não era a mesma”, afirma o exministro Jarbas Passarinho, líder da Arena no Senado à época da votação da lei. Além da deterioração dos indicadores econômicos, o MDB, legenda de oposição ao regime, continuou ampliando sua votação nas eleições de 1976 e 1978. Em 1974, o partido já havia eleito 16 dos 22 senadores e obtido 48% dos votos para a Câmara dos Deputados. Para alguns dos opositores do regime militar, os atos finais do governo Geisel foram uma tentativa de esvaziar a campanha popular pela anistia, que havia começado a ganhar forma em 1975 com a criação do Movimento Feminino pela Anistia. A tese é contestada por dois colaboradores de Figueiredo, o próprio Passarinho e o então secretário de Comunicação Social, Said Farhat. “Quando Figueiredo tomou posse, já havia decidido conceder a anistia. Ele começou a falar sobre isso em 78, ainda durante a campanha”, diz Farhat.

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Segundo Passarinho, Figueiredo deu a senha para a aprovação da anistia logo no início de seu governo, com a frase “lugar de brasileiro é no Brasil”. Na opinião do ex-líder da Arena, o fim da resistência armada ao regime militar foi outro fator que abriu caminho para a anistia. “Havia acabado a motivação de 64, que era a guerrilha.” Farhat acrescenta que Figueiredo via na medida o único caminho para a “reconciliação do país com a revolução”. Do lado da sociedade civil, o primeiro passo foi dado pelo grupo de mulheres reunidas no Movimento Feminino pela Anistia, organizado em 1975 por iniciativa de Therezinha Zerbini. “Éramos oito mulheres e fizemos um manifesto à nação pedindo anistia ampla e geral”, afirma Therezinha, casada com o general Euryale Zerbini, cassado e depois reformado por defender o governo João Goulart, deposto pelo movimento de 64. Depois de São Paulo, o movimento se espalhou por outros Estados entre 1975 e 1977. O manifesto do grupo foi lido por Therezinha na Cidade do México, em 1975, durante conferência da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre o Ano Internacional da Mulher. O movimento logo se expandiu, com a adesão de outros setores, entre eles a Igreja Católica, o CBA (Comitê Brasileiro pela Anistia), a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e a ABI (Associação Brasileira de Imprensa). Organizado em 1978, o CBA deu caráter mais amplo à campanha iniciada pelas mulheres em 1975. Em novembro de 1978, todas essas organizações se reuniram no Primeiro Congresso Nacional pela Anistia, em São Paulo. Luiz Eduardo Greenhalgh, presidente da executiva nacional do CBA, afirma que o projeto inicial do regime militar para a anistia era restrito e atribui sua ampliação à pressão popular. “A única luta que a esquerda ganhou durante o regime militar foi a anistia, conquistada dentro do próprio regime. Éramos radicais, pois queríamos a anistia ampla, geral e irrestrita”, diz Greenhalgh, que também atuava como advogado de presos políticos. “A anistia não foi uma coisa gratuita, resultado da benevolência do presidente Figueiredo. A idéia cresceu com a resistência da sociedade civil”, afirma o ministro da Justiça, José Carlos Dias, advogado de presos políticos militante do movimento pela anistia. Aprovada, por 206 a 201, durante a vigência do regime, a anistia não foi tão ampla, geral e irrestrita como pretendiam seus defensores. De acordo com a lei aprovada, foram excluídos os condenados pela “prática de crimes de terrorismo, assalto, sequestro e atentado pessoal”. Mas, de qualquer forma, ela permitiu a libertação de praticamente todos os presos políticos e a volta ao país de pelo menos 5.000 exilados. Entre os que voltaram, estavam lideranças de esquerda, como os ex-governadores Leonel Brizola e Miguel Arraes e o líder comunista Luís Carlos Prestes. “Apesar de ter sido restrita, a anistia acabou cumprindo seus objetivos”, afirma o secretário da Justiça de São Paulo, Belisário dos Santos Júnior, outro advogado de presos políticos que participou do movimento.

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A campanha pela anistia ganhou um considerável peso institucional com a adesão do senador Teotonio Vilela à ideia. Arenista, o senador presidida a comissão mista responsável pela análise do projeto no Congresso. No dia 15 de abril de 1979, Vilela deixa o partido governista e filia-se ao MDB. No mês seguinte, começaria a chamada “peregrinação” pelas cadeias de todo o país onde havia presos políticos. Inicialmente defensor da exclusão dos chamados crimes de sangue e de terrorismo da anistia, Vilela decidiu conhecer de perto as pessoas acusadas desses atos. “Não encontrei nenhum terrorista, mas jovens idealistas que arriscaram suas vidas pelo bem do Brasil”, disse Vilela ao final de sua primeira visita, em São Paulo. E acrescentou: “Convidaria todos para se hospedarem em minha casa, convite que não faço a muitos ministros do atual governo”.

Governo Figueiredo (1979 – 1985) Manteve o processo de abertura. No seu governo foi aprovada a lei da Anistia e o pluripartidarismo. Arena | PDS Sarney | Governo (ainda defendia a ditadura) MDB | PMDB Ulisses Guimarães PTB | Ivete Vargas

OPOSIÇÃO

PDT | Brizola 1984: Eleição para presidente de acordo com a lei  Eleição indireta (colégio eleitoral) Campanha das DIRETAS JÁ Foi a mais importante campanha de toda a nossa história, mobilizando milhões de brasileiros.

Texto para análise A CAMPAMHA DAS DIRETAS JÁ Diretas Já foi um movimento civil de reivindicação por eleições presidenciais diretas no Brasil ocorrido em 1983-1984. A possibilidade de eleições diretas para a Presidência da República no Brasil se concretizou com a votação da proposta de Emenda Constitucional Dante de Oliveira pelo Congresso. Entretanto, a Proposta de Emenda Constitucional foi rejeitada, frustrando a sociedade brasileira. Ainda assim, os adeptos do movimento conquistaram uma vitória parcial em janeiro do ano seguinte quando um de seus líderes, Tancredo Neves, foi eleito presidente pelo Colégio Eleitoral.

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O movimento agregou diversos setores da sociedade brasileira. Participaram inúmeros partidos políticos de oposição ao regime ditatorial, além de lideranças sindicais, civis, artísticas, estudantis e jornalísticas. Dentre os políticos, destacaram-se Ulysses Guimarães, Leonel Brizola, Miguel Arraes, José Richa, Tancredo Neves, André Franco Montoro, Dante de Oliveira, Mário Covas, Gérson Camata, Orestes Quércia, Teotônio Vilela, Luiz Inácio Lula da Silva, Eduardo Suplicy, Roberto Freire, Fernando Henrique Cardoso e muitos outros. A cantora paraense Fafá de Belém participou ativamente no movimento das Diretas Já a partir do comício de 16 de Abril de 1984. Fafá se apresentou gratuitamente em diversos comícios e passeatas, cantando de forma magistral e muito original, de entre outros temas, o “Hino Nacional Brasileiro”, gravado no seu álbum Aprendizes da Esperança, lançado no ano seguinte. A célebre interpretação, diante das câmeras, para uma multidão que clamava pela redemocratização do país, foi muito contestada pela Justiça, mas ao mesmo tempo, foi ovacionada e aclamada pelo público. A partir daí, a Fafá passou a ser conhecida como a “musa das Diretas”.

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A NOVA REPÚBLICA Governo de José Sarney (1985/1990) O mandato de José Sarney foi marcado pelos altos índices inflacionários e pela existência de vários planos econômicos: Plano Cruzado (1986), Plano Bresser (1987) e Plano Verão (1989). O plano de maior repercussão foi o Plano Cruzado, que, procurando conter a inflação determinou: congelamento de todos os preços por um ano; abono salarial de 8%, e reajustados após um ano, ou quando a inflação atingisse 20%; extinção da correção monetária e o cruzeiro perdia três zeros e passava ser chamado de cruzado. Por ser um governo de transição democrática, importantes avanços políticos ocorreram, como a convocação de uma Assembléia Constituinte que elaborou e promulgou a Constituição de 1988 – “Constituição Cidadã”- que estabeleceu as eleições diretas em todos os níveis; a legalização dos partidos políticos de qualquer tendência; instituição do voto facultativo aos analfabetos, jovens entre 16 e 18 anos e pessoas acima de 70 anos; fim da censura; garantido o direito de greve e a liberdade sindical; ampliação dos direitos trabalhistas; intervenção do Estado nos assuntos econômicos e nacionalismo econômico ao reservar algumas atividades às empresas estatais. As eleições presidenciais de 1989 Em dezembro de 1989 foram realizadas as primeiras eleições diretas para a Presidência da República desde 1960. Três candidatos destacaram-se na disputa: Fernando Collor de Mello, do pequeno Partido da Renovação Nacional (PRN); Leonel Brizola do Partido Democrático Brasileiro (PDT) e Luís Inácio “Lula” da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT). A disputa foi para o segundo turno entre Fernando Collor e Lula, cabendo ao primeiro a vitória nas eleições – graças à imagem de “caçador de marajás”, e de uma plataforma de luta contra a corrupção, na modernização do Brasil e de representar os pobres e marginalizados – os “descamisados”. O governo de Fernando Collor de Mello (1990/92) Aplicou o plano econômico denominado de Plano Brasil Novo, o qual extinguiu o cruzado novo e retornou o cruzeiro; congelou preços e salários; bloqueio boa parte do dinheiro de aplicações financeiras e de poupanças por 18 meses. Houve grande número de demissões no setor público, redução nas tarifas de importação e um tumultuado processo de privatizações. No entanto, as denúncias de corrupção envolvendo o alto escalão do governo levou o Congresso a formar uma Comissão Parlamentar de Inquérito. O relatório final da CPI apontou ligações do presidente com Paulo César Farias – amigo pessoal e tesoureiro da campanha presidencial. O envolvimento de Collor no chamado “esquema PC”, que envolvia troca de favores governamentais por dinheiro, gerou o processo de impeachment – ou seja, o afastamento do Presidente da República. Fernando Collor procurou bloquear o processo, porém a população foi às ruas exigindo seu afastamento (“os caras-pintadas”). O presidente renunciou em 30 de dezembro de 1992, após decisão histórica do Congresso Nacional no dia anterior pelo seu afastamento. O vice-presidente Itamar Franco assumiu o cargo.

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O governo de Itamar Franco ( 1992/1995) Realização de um plebiscito em 1993 que deveria estabelecer qual o regime político (monarquia ou república) e qual a forma de governo (presidencialismo ou parlamentarismo). No dia 21 de abril o resultado do plebiscito confirmou a manutenção da república presidencialista. No aspecto econômico o mais importante foi a aplicação do Plano Real, que buscava combater a inflação e estabilizar a economia nacional. O Plano pregava a contenção dos gastos públicos, a privatização de empresas estatais, a redução do consumo mediante o aumento da taxa de juros e maior abertura do mercado aos produtos estrangeiros. O Plano contribuiu para a queda da inflação e aumento do poder aquisitivo e da capacidade de consumo – em razão da queda dos preços dos produtos face à concorrência estrangeira. A popularidade do Plano Real auxiliou o ministro da Fazenda de Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, a vencer as eleições em outubro de 1994. O governo de Fernando Henrique Cardoso (1995/2002) Fernando Henrique Cardoso foi o primeiro presidente do Brasil a conseguir uma reeleição – através de uma mudança constitucional. Seus dois mandatos são caracterizados pela aceleração do processo de globalização: a criação do Mercosul e a eliminação das barreiras alfandegárias entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai ( a formação do bloco obedece várias etapas). Em termo de organização social destaque para a questão fundiária do país e a atuação do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), que, através da ocupação de terras procura agilizar o processo de reforma agrária no país. Os anos de FHC como presidente foram marcados pela hegemonia do neoliberalismo. Os problemas enfrentados durante a crise econômica no segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso reavivou antigas questões políticas que marcaram a recente experiência democrática no país. Vivia-se o impasse de uma democracia plena onde os problemas de ordem social e econômica não pareciam ter uma clara via de solução. As esquerdas tentavam, desde o inicio da Nova Republica, postarem-se como uma opção a população brasileira. O Partido dos Trabalhadores, valendo-se da trajetória política junto às casses trabalhadoras de Luis Inácio Lula da Silva era um dos maiores partidos de oposição da época. Conquistando alguns governos em esfera estadual e municipal tentavam alavancar o antigo desejo de colocar Lula a frente da presidência. Em 2002, o “sonho” de um mandato popular e de uma nova esperança ao povo brasileiro finalmente colocou o antigo sindicalista no cargo Maximo do Estado brasileiro. O governo Lula Sentimentos de mudança e transformação tomavam conta das expectativas em torno daquele novo presidente. No entanto, percebemos que o tom da esquerda que chegou ao poder em 2003 era bem mais reformista do que revolucionário. No plano econômico, Lula deu continuidade a diversas posturas anteriormente adotadas no governo FHC. A escolha de um oposicionista frente ao Banco Central foi o mais claro tom dessa política continuísta. As medidas conservadoras na economia também dividiram espaço com os programas

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sociais de seu governo. Diversos programas assistencialistas e a criação de bolsas aos mais necessitados sustentavam o caráter popular do governo Lula. Os mais exaltados chegavam a acusá-lo de populismo. Em meio a tantas expectativas, o governo parecia buscar a rota do desenvolvimento sem que para isso tivesse que adotar medidas de grande impacto. Os setores políticos mais a esquerda, já no primeiro mandato, começavam a manifestar a sua frustração. Petistas históricos como Heloísa Helena e João Batista Babá afastaram-se do governo ao perceber as negociações e manobras políticas do governo junto aos setores de oposição. A aparência dúbia do governo Lula, ainda assim, não provocou nenhum tipo de entrave político maior. Nos eventos entre os grandes lideres de Estado, o presidente Lula destacava-se por sua articulação política e sua defesa pelos países em desenvolvimento. Além disso, a diplomacia tentou abrir portas para o pais junto a grandes organismos internacionais como a ONU. O envio de tropas brasileiras à regiões de conflito (Haiti e Timor Leste) e a realização de competições internacionais (Pan-Americano) são ações que visam dar uma imagem positiva no cenário internacional

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HISTÓRIA DO BRASIL  
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