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#caririmemória

NOS RASTROS

DE BÁRBARA Crato, setembro de 2011

O

vai-e-vem de carros impede a passagem tranquila da menina que olha assustada o trânsito entre a Igreja e a Praça da Sé, no centro do Crato. Do outro lado, o barulho de dezenas de crianças brincando faz coro com o repique dos sinos, que determina o atraso da estudantada, a correr esbaforida para a primeira aula na universidade situada a poucas quadras dali. Indiferente a tudo isso, um senhor ressona sossegado em frente à casa verde que serve de sede à Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará. Bem acima da vista dos passantes, uma placa repousa no cume da casa com os dizeres: “Aqui morou Bárbara de Alencar”. A homenagem, se assim podemos chamar a placa solitária e imperceptível, é no mínimo desproporcional à grandeza de Bárbara de Alencar, primeira mulher republicana, primeira presa política do Brasil e destemida ativista da Revolução Pernambucana de 1817 em terras cearenses. Da casa em que ela morou quando chegou ao Crato, em 1782, após casar com José Gonçalves dos Santos, português, negociante de tecidos, nada restou. Foi demolida em 1937 para dar lugar a um prédio sem graça da Exatoria Estadual. A residência, uma típica edificação colonial de beira-e-bica, que estava completando 200 anos, foi a primeira edificação particular do Crato a ser construída de pedra e cal, tendo vindo o mestre de obras do Recife. No Crato, Bárbara de Alencar é nome de rua. Essa é toda a informação que Vitória Arraes, 14 anos, estudante do 8° ano, possui sobre a revolucionária matriarca. “Bárbara de Alencar? Nunca ouvi falar!”, diz a menina. Não surpreende. Ovacionada como heroína 18 CARIRI REVISTA

MEMÓRIA QUE PERMANECE

da República, sobre Dona Bárbara muito se fala e pouco se conhece. Seu nome por muito tempo foi alijado da história nacional e envolvido em difamações por décadas. No entender do historiador e memorialista Armando Lopes Rafael, tudo começou quando Bárbara foi acusada injustamente de ter sido amante do padre Miguel Carlos da Silva Saldanha. O historiador rebate as acusações citando as datas de chegada do vigário no Crato e o nascimento dos filhos de Dona Bárbara. “O padre chegou ao Crato em 1800, o senador José Martiniano de Alencar, que dizem que era filho do vigário, nasceu em 1794, e o primogênito João Gonçalves Pereira de Alencar nasceu no sertão de Pernambuco em 1783, quando o padre morava ainda na casa de seus pais”. Apesar do que afirma o historiador Armando Rafael, muitos biógrafos insistem na tese de que Bárbara cometeu adultério com o padre Saldanha, desta relação clandestina nascendo o senador José Martiniano, pai do escritor José de Alencar.

“Harmonia nos traços, boca ampla, lábios firmes, porte alto e forte, quase masculino, braços longos, passada larga e decidida”. Assim o Almirante Rufino de Alencar, contemporâneo e parente de Bárbara, descreveu a heroína do Crato, cujos traços fisionômicos perderam-se na história, assim como os de seu filho predileto, Tristão. O único desenho que temos de Bárbara é, na verdade, um retrato presumido – nele vemos uma senhora altiva, cabelos presos em tranças que se dividem e fixam no alto da cabeça, sem enfeites e sem requintes de sinhá. Arisca, a matriarca 17 não se revela facilmente. As informações sobre sua vida circulam desencontradas pela Internet, páginas de bibliotecas, declarações de estudiosos, documentários, filmes e teses acadêmicas. Morta em 1832, no Piauí, numa área que faz limite com o distrito de Itaguá, em Campos Sales, Bárbara foi sepultada em terras cearenses, na Igreja de Nossa Senhora do Rosário. Historiadores e estudiosos pedem o tombamento do templo de Itaguá pelo IPHAN. A casa em que morou, no Crato, já foi demolida. No Sítio Pau Seco, hoje município de Juazeiro do Norte,

onde preferia ficar junto com os filhos, só existem ruínas e fantasmas. Uma pálida paisagem, bem diferente do tempo em que ela reinava ali, senhora dos campos, rebanhos e plantações, cercada pela família, os agregados, os escravos e as crianças – que a chamavam de tia Babu. Em melhor situação está o Sítio Caiçara, no lado oeste da Chapada do Araripe, em Exu (PE), onde Bárbara nasceu. A Casa Grande é a mais antiga da região e remonta à primeira metade do século XVII. No local funciona hoje um museu que tenta preservar a memória do que passou. Quem também nasceu nas possessões da Caiçara, muitos anos depois da heroína do Crato, foi Luiz Gonzaga, o rei do baião, herói de lutas diversas. Numa música em que bendiz o local, Gonzagão enumera os imortais conterrâneos: “Quero louvar Os grandes desse lugar Luiz Pereira, Dona Bárbara de Alencar E o Barão que não sai da lembrança Que mandou buscar na França São João e Baltazar “

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ROGER PIRES

Rafael Vilarouca

PIONEIRA SEMPRE No dia 22 de fevereiro deste ano a deputada Ana Arraes (PSB-PE) apresentou ao Congresso Nacional um projeto de lei que propõe a inscrição do nome de Bárbara de Alencar no “Livro dos Heróis da Pátria”. O livro é uma escultura com “páginas” feitas de metal, onde se gravam os nomes dos heróis nacionais, como Tiradentes, Santos Dumont, José Bonifácio e Zumbi dos Palmares. Também chamado de “Livro de Aço”, a obra repousa no Panteão da Pátria e da Democracia, em Brasília. O Projeto de Lei 522/2011, da autoria da deputada Ana Arraes, está aguardando o parecer da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC). Se for aprovado, fará com que Bárbara seja a primeira mulher inclusa num seleto grupo formado exclusivamente por homens.

Um órgão público no lugar da velha casa, que foi demolida

Mãe de heróis, heroína ela mesma. O que não faltam são títulos honoríficos a Bárbara de Alencar, incluindo o que lhe foi concedido in memoriam em maio de 2005 pela Assembléia Legislativa do Estado do Ceará, que lhe outorgou o título de cidadã cearense. Entretanto, o resgate mais que salutar de sua vida e

luta, assim como dos fatos que envolvem a Revolução de 1817, tornou-se, infelizmente, um assunto restrito a grupos de professores universitários, escritores e jornalistas. Os caririenses pouco sabem da impressionante insurreição que se deu em sua terra.

DO PÚLPITO DA IGREJA, UMA REVOLUÇÃO DE BATINAS Crato, maio de 1817

A rua batida de terra estava cheia naquele dia. A multidão se espremia para ver e ouvir o diácono, vestido de sobrepeliz, que no púlpito da Igreja da Sé declarou em alto e bom som a independência da Vila Real do Crato do resto do Brasil e do julgo português. Era José Martiniano de Alencar Araripe, filho de Bárbara de Alencar, enviado pelos líderes da Revolução Pernambucana 20 CARIRI REVISTA

para armar um braço do movimento em terras caririenses. Assim, cinco anos antes do restante do país e 72 anos à frente do Marechal Deodoro da Fonseca, Martiniano dá o grito de Independência da República. A Revolução Pernambucana de 1817, deflagrada em Recife foi, segundo Luís da Câmara Cascudo, “a

mais linda, inesquecível, arrebatadora e inútil das revoluções brasileiras”. Ele explica o motivo: “Nenhuma nos emociona tanto nem há figuras maiores em tranquila coragem, serenidade e compostura, suprema decisão de saber morrer, convencidos da missão histórica, assumida e desempenhada”. Feita essencialmente por padres, diáconos e seminaristas, a Revolução de 1817 se inspirou nos ideais liberais europeus e pretendia expulsar os portugueses do Brasil, considerados absolutistas e despóticos. Nas palavras do escritor Manuel Bonfim, “a constituição ou o esboço de constituição de 17 é absoluta garantia da honestidade dos seus autores: condenação da escravatura, liberdade de consciência, liberdade individual, eliminação de todo poder não oriundo da democracia. Tinham fé e, sinceros, eram tão inacessíveis aos interesses materiais que, durante toda a sua incontestável autoridade, não tocaram os revolucionários num vintém do estado, para qualquer espécie de retribuição pessoal”. Deflagrada a revolução, a efêmera República do Crato durou oito dias, entre 03 e 11 de maio, quando então os cabeças do movimento – José Martiniano e Tristão Gonçalves de Alencar, ambos filhos de Bárbara – são presos. Num primeiro momento a matriarca escapa dos perseguidores, porque se refugia junto ao padre Saldanha, no sítio Pau Seco. Em “As Quatro Sergipanas”, monsenhor Fernando Montenegro assim descreve a fuga: “D. Bárbara refugiara-se no sítio Pau Seco, de propriedade do seu filho João Gonçalves, e onde ficou em segurança até a madrugada do dia 12; nessa data, antes que a propriedade fosse cercada completamente pelos imperiais, tratou de ocultar-se no canavial; à noite, saiu do esconderijo e entrou na mata com a qual

não era familiarizada; quando deu de si, estava na parte de trás da casa de D. Matilde Teles, no sítio Miranda; outrora, tinham sido amigas, agora, a política as separara, o que não impediu que lhe fosse dada, naquele transe, cordial e fraterna acolhida”. O sítio Miranda a que o padre se refere é hoje o Estádio Municipal Governador Virgílio Távora, o Estádio Mirandão, no Crato. De lá, D. Bárbara e o padre Saldanha seguiram até a cidade de São João do Rio do Peixe, na Paraíba, onde ela finalmente é presa, levada à cadeia pública do Crato e só então enviada a Fortaleza junto com os outros acusados. Os mais de 500 quilômetros vencidos a cavalo, sob o sol quente do verão nordestino, foram apenas o início de uma dura prova. Segundo o historiador Armando Rafael, o tratamento que os soldados do Império dispensaram a Bárbara e seus filhos durante a travessia, e depois disso, na cadeia, foi o pior possível. “Mesmo quando havia lua cheia, propositadamente paravam o transporte dos presos políticos do Crato ao anoitecer para passar de dia durante as vilas, a fim de que fossem vaiados e apalpados”. No texto “Tristão Araripe, Alma Afoita da Revolução”, o escritor Oswald Barroso descreve da seguinte forma a Fortaleza que viu chegar os 25 prisioneiros extenuados: “Uma cidade de pouco mais de dois mil habitantes, com casas de um só pavimento, pois acreditava-se que os sobrados afundariam em seus areais soltos. Embora Silva Paulet já tivesse esboçado seu futuro traçado urbano, não possuía mais de meia dúzia de ruas, todas sem pavimento, duas praças e três igrejas. Seus principais edifícios eram o Palácio do Governo, a Casa da Câmara, a Cadeia, a Casa do Mercado, a Alfândega, o Erário, o Chafariz, o Lazareto e a Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção”. CARIRI REVISTA 21


Rafael Vilarouca

Não é correto afirmar que em Fortaleza Bárbara ficou presa numa cela onde mal podia ficar de pé. “Isso é completamente equivocado. Esse lugar era o paiol da pólvora do quartel e D. Bárbara nunca ficou presa ali”, ressalta Armando Rafael Entretanto, quando estavam recolhidos no Quartel da 1° linha – entre a cadeia do crime e a velha Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção – o historiador João Nogueira conta: “Tristão, enfurecido com o tratamento que recebia na prisão, rasgou um braço e escreveu com sangue, em uma mortalha de cigarro: ´hoje, ou amanhã, na ocasião da comida, fugiremos, dê no que der´. E enviou o bilhete à mãe, que estava noutra cela”. D. Bárbara com medo das consequências da fuga, faz o bilhete chegar às mãos do governador, que se condói da situação e melhora o tratamento dispensado aos presos. Em 1820, após quatro anos de encarceramento, Bárbara ganha finalmente a liberdade. Na ocasião, estava presa em Salvador. Passado o período de sofrimento e humilhação, viveria mais 12 anos. Para ela,

foi difícil suportar as mortes de dois de seus filhos, principalmente a de Tristão, em 1824. O corpo da matriarca se encontra enterrado na cidade de Campos Sales, no Cariri. Em Fortaleza, uma placa marca a suposta passagem de Bárbara por um local onde ela nunca esteve aprisionada: o paiol de pólvora do quartel, no interior do que hoje é a sede da 10° Região Militar. Uma lenda diz que seus gritos ainda são ouvidos pelas altas madrugadas: Aqui gemeu longos dias D. Bárbara Pereira de Alencar, vítima em 1817 da tirania do Governador Sampaio.

Numa canção de 1976, o compositor Ednardo corrobora com a lenda: “Hoje ao passar pelos lados/ Das brancas paredes, paredes do forte/ Escuto ganidos, ganidos, ganidos, ganidos/ Ganidos de morte/ Vindos daquela janela/ É Bárbara, tenho certeza/ É Bárbara, sei que é ela”.

A CORAGEM DE SER BÁRBARA Nascida em 1760, Bárbara de Alencar teve cinco filhos, sendo que três deles – José Martiniano (pai de José de Alencar), Carlos José dos Santos e Tristão Gonçalves Pereira de Alencar (mais tarde Araripe) – entrariam com a mãe para a história, presos todos por conspirarem em favor da República. Junto com os insurrectos, Bárbara foi condenada, teve os bens confiscados e vagou de cárcere em cárcere – Crato, Fortaleza, Recife, Salvador – sob condições extremamente precárias. É inegável a repercussão da Revolução de 1817 em revoltas posteriores que se deram no Nordeste. E, entretanto, em nenhuma outra uma mulher se fez tão presente e foi motivo de inspiração a ponto de se tornar heroína. Na visão do crítico literário Araripe Junior, Bárbara de Alencar era uma mulher escrupulosa, de costumes rigorosamente austeros, “sanguínea e nervosa, tinha assomos irresistíveis, cogitações e deslumbramentos muito além do seu sexo e da educação sertaneja que recebera”. Outros

historiadores dizem que Bárbara infundiu em seus filhos um ânimo inquebrantável, ensinando-os a não suportar ultrajes. Entre o mito e a verdade, configura-se o contorno da matriarca sertaneja. “Do ponto de vista do imaginário social brasileiro, a figura da matriarca mostra até hoje uma enorme vitalidade. Não há nordestino que não conheça pelo menos a história de uma dessas mulheres, corrente na família ou de casos narrados por terceiros. Em certas regiões, chegam as matriarcas a fazer parte do patrimônio cultural local”, comentam Rachel de Queiroz e Heloísa Buarque de Hollanda, num texto em que analisam as façanhas das matriarcas, entre as quais se filia Bárbara. A heroína de 1817 teria sido, nas palavras das autoras, uma dessas raras mulheres “semilendárias, proprietárias de terra e gado no interior do sertão, longe das pretensões fidalgas das Casas Grandes da zona açucareira”. Mulheres que “levavam uma vida rústica relativamente distante dos padrões culturais europeus que, na época, moldavam as sociedades do litoral nordestino. No sertão, exerciam grande poder de liderança, tendo controle total de seus feudos regionais”.

“HEROÍNA COISÍSSIMA NENHUMA” Armando Rafael: visão controversa

Contrariando a historiografia oficial, o pesquisador Armando Rafael possui uma visão controversa sobre o envolvimento de Bárbara nos acontecimentos de 1817. Segundo ele, a participação da matriarca do Crato foi bem menor do que se divulga. O estudioso explica: “A história é sempre escrita pelo vencedor. Qual o regime vigente no Brasil? O regime republicano. A República é oriunda de um golpe militar, o primeiro de uma longa série que houve no Brasil, e como a imprensa precisava de um ícone, nada melhor que uma mulher corajosa, simpática, que foi a primeira presa política e que a partir daí começou a ser tratada unicamente como a heroína Bárbara de Alencar”. Armando Rafael, que é autor da biografia “Os dois Leandros” e tem vários trabalhos sobre a história regional publicados nas revistas “Itaytera” e “A Província”, cita o livro “Apontamentos para a História do Cariri’, de João Brígido, para sustentar a tese de que Bárbara não teve tamanho destaque antes da proclamação da República. “Basta ler o livro, escrito na cidade do Crato em 1888. Ele restringe o episódio da Revolução de 1817, aqui no Crato, ao mínimo, sequer cita Bárbara de Alencar”. O historiador situa a participação de Bárbara apenas como anfitriã de um jantar elaborado para angariar adesões à Revolução. “Conta-se que ela matou cinco capotes e abriu duas garrafas de vinho, das quais foi tomada apenas uma”, diz Armando Rafael. O fato mais substancial para basear seus argumentos seria a falta de provas contra Bárbara e o título de heroína que lhe outorgaram. “Quando houve a contrarevolução e o juiz Joaquim Teles chegou para apurar os crimes, não encontrou nenhuma acusação sobre a participação de D. Bárbara. O titulo de heroína foi dado a ela em 1810, sete anos antes da revolução acontecer. Quem deu esse título foi o padre Arruda Câmara, um padre republicano que foi fundador da Maçonaria em Pernambuco. Ele escreve: ´D. Bárbara do Crato deve ser vista como heroína´. Isso em 1810”.

Apesar de não concordar com a fama dispensada a Barbara de Alencar, Armando faz questão de salientar seu caráter pioneiro. “Ela tinha qualidades? Muitas qualidades. Ela era uma pessoa decidida. Imaginar que no século XIX – uma época em que uma mulher só tinha direito a dizer três coisas: ‘cala’boca menino’, ‘xô galinha’ e ‘sim, senhor’ para o marido – por ela conseguir se projetar significa que não era uma mulher comum”. Falar sobre Bárbara e de todos os eventos que sucederam no Cariri em 1817 sempre deu margem a debates e foi motivo para arroubos. Para a maioria da população cratense, Bárbara de Alencar, quando muito, é apenas um nome de rua. Nome que se perdeu no tempo e que nada significa. Mas para o estudante que tira fotos da casa sem graça, no local onde um dia se tramou uma revolução, Bárbara de Alencar ainda pode dar algumas lições. “Quem ia dizer que uma mulher nordestina, daquela época, seria uma revolucionária?”, pergunta-se Victor Rocha, estudante universitário. Ele mesmo resume: “Sabe o que eu acho? Eu acho que Bárbara serve de exemplo”.

SERVIÇO A Casa Grande da Fazenda Caiçara fica a 15 km da sede do município de Exu. A via de acesso é a PE-122 (rodovia Asa Branca), sentido ExuBodocó. Os turistas devem entrar em contato com a Secretaria de Cultura, Turismo e Desportos (R. Cel. João Carlos, 64. Tel: 087.3879.1397), a fim de agendar a visita.

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Bárbara de Alencar