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do ombro, ele continuou: — E é um bom quarto e tal, mas estar aqui com você parece um pouco estranho. Eu acariciei sua bochecha. —Eu compreendo totalmente. Você não precisa voltar aqui. Nós pegamos o metrô para a estação de Montmartre e subimos centenas de degraus íngremes e estreitos, com postes antigos e grades de ferro. Meus pés não doeram tanto quanto eu pensei que doeriam com meus saltos, provavelmente porque eu estava maravilhada com a paisagem. As ruas sinuosas de paralelepípedos e a vista eram provavelmente encantadoras e pitorescas durante o dia, mas a noite, com névoa no ar, o chão escuro e brilhante da chuva e as luzes dos postes brilhando através da névoa, Montmartre parecia saído direto de um filme antigo em preto e branco. Pegando minha mão, Lucas me levou a um restaurante na praça principal e imediatamente ouvi o motivo pelo qual ele me trouxe aqui. O som das guitarras viajava pelas portas abertas, e apertei sua mão enquanto ele me conduzia a uma mesinha quadrada perto dos fundos do salão grande e bem cheio. Quando estávamos sentados, estudei os três músicos tocando com interesse. Eles se sentaram em um semicírculo, e não tenho certeza de como eu esperava que um cigano se parecesse, mas não eram como esses três caras de meia idade com jeans e camisas xadrez com guitarras elétricas conectadas aos amplificadores atrás deles. Na frente deles havia uma mesa com uma pilha de CDs, uma cesta de dinheiro e três copos de cerveja. Se pareciam com pessoas comuns buscando gorjetas na esquina da rua. Mas a música. Nunca tinha ouvido nada parecido antes, a forma como as duas guitarras rítmicas mantinham um ritmo constante com todas as batidas. —Meu Deus, seus pulsos devem doer bastante. —Eu disse a Lucas. Ele sorriu. —Eles estão acostumados.

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